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Sistemas de Refrigeração (Industrial e Comercial) e Sistemas de Ar Condicionado


EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E GESTÃO DE ENERGIA

Sistemas de Refrigeração (Industrial e Comercial) e Sistemas de Ar


Condicionado

Fábio Ferreira

Resumo

Os sistemas de refrigeração e ar condicionado são essenciais para a


conservação de produtos perecíveis, manter vários setores da indústria
produzindo com qualidade e climatizar ambientes proporcionando mais
saúde em bem-estar as pessoas. Estes sistemas possuem motores com
potências elétricas distintas que dependem da energia para serem acionados
e representam boa parte do consumo energético de qualquer estabelecimento
comercial ou industrial.

Neste E book serão explanados os conceitos técnicos aplicados para mitigar o


consumo energético em sistema de refrigeração e ar condicionado bem como
as medidas necessárias de eficiência energética para que possam ser tomadas
pelo profissional de campo.

Sistemas de Refrigeração (Industrial e Comercial) e Sistemas de Ar Condicionado


Sumário
1. Caracterização de um sistema de refrigeração genérico ................................................................... 5

2. Fluxograma do ciclo básico de refrigeração ............................................................................................ 5

2.1. Seguindo o fluxograma ............................................................................................................................................. 6

3. Diagrama de Mollier ..................................................................................................................................................... 7

4. Potência frigorífica ou carga térmica ............................................................................................................ 8

4.1. Unidades de medidas ................................................................................................................................................. 8

4.2. Influência da carga térmica no consumo de energia................................................................. 8

4.3. Modelo de planilha para cálculo estimado de carga térmica .............................................. 9

5. Sistemas de expansão direta ............................................................................................................................. 10

6. Sistema de expansão indireta. .......................................................................................................................... 11

7. Refrigeradores ................................................................................................................................................................ 12

7.1. Refrigeradores convencionais .......................................................................................................................... 12

7.2. Refrigeradores duplex frost-free ............................................................................................................... 13

7.3. Recomendações para melhorar a eficiência energética em refrigeradores ........ 13

8. Balcões frigoríficos...................................................................................................................................................... 14

8.1. Recomendações para melhorar a eficiência energética em balcões frigoríficos .. 14

9. Aquisição de refrigeradores novos ................................................................................................................ 15

10. Novas tecnologias ....................................................................................................................................................... 16

10.1. Comparativo entre compressores convencionais e inverter ............................................. 16

10.2. Novas tecnologias para balcões frigoríficos ..................................................................................... 17

11. Sistemas de ar condicionado............................................................................................................................. 17

11.1. Tipos de sistemas de ar condicionado ....................................................................................................... 18


11.2. Operação de refrigeração ............................................................................................................................... 19

11.3. Operação de Aquecimento ........................................................................................................................... 19

12. Melhorias relativas à estrutura do sistema de ar condicionado ........................................... 21

12.1. Sistemas residenciais e de expansão direta .................................................................................... 21

12.2. Sistemas de distribuição de ar .................................................................................................................... 21

12.3. Novas tecnologias.................................................................................................................................................. 22

12.4. Melhorias em relação aos equipamentos .......................................................................................... 23

12.5. Indicadores de eficiência energética para sistemas de refrigeração e ar


condicionado. .................................................................................................................................................................................. 24

13. Conclusão........................................................................................................................................................................... 25

Referências ........................................................................................................................................................................................ 26

Biografia ............................................................................................................................................................................................... 26

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1.
Caracterização de um sistema
de refrigeração genérico
Os sistemas de refrigeração e ar condicionado possuem quatro componentes
básicos que estão presentes em qualquer equipamento que você encontrar no
dia-a-dia independentemente da aplicação e do tamanho. São peças
fundamentais ao funcionamento do ciclo:

▪ Compressor – responsável pela circulação do fluido refrigerante e


elevação da pressão do sistema;
▪ Condensador – trocador de calor que oferece área de troca térmica para
a rejeição de energia para o meio externo;
▪ Dispositivo de expansão – componente com diâmetro reduzido ou
provido de um orifício responsável pela diminuição da pressão do
sistema;
▪ Evaporador – trocador de calor que oferece área de troca térmica para
absorver energia do meio a ser refrigerado.

Além destes que foram citados acima existe um outro elemento fundamental
que é o fluido refrigerante, popularmente conhecido como o “gás da geladeira”
este é um produto químico que circula no sistema e é responsável pelo
transporte da energia térmica (calor) na tubulação e trocadores de calor.

Dentro do sistema ele passa por mudanças de fase, temperatura e pressão.


Assim todos os equipamentos de refrigeração por compressão possuem em
comum estes componentes.

2.
Fluxograma do ciclo básico de
refrigeração
Sempre que você se deparar com um sistema de refrigeração e ar condicionado
e não conhecer a máquina tente relacionar o equipamento com o fluxograma
do ciclo básico para facilitar seu entendimento.

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Mas cuidado, as características e a quantidade de componentes na máquina
podem variar em função da aplicação e do tamanho do sistema que você
trabalha.

Vale lembrar que esses componentes do sistema são interligados por


tubulações que podem ser de cobre, alumínio e até aço dependendo do tipo de
equipamento. Esta figura ilustra os componentes do sistema representados
dentro do diagrama de Mollier pressão/entalpia.

FIG.01

MMA e PNUD

2.1. Seguindo o fluxograma

Perceba que temos uma linha que entra no compressor, esta é a tubulação de
sucção do fluido refrigerante na fase de vapor em baixa pressão e temperatura.

O compressor em funcionamento comprime o fluido, aumenta sua pressão e


temperatura em seguida descarrega-o pela linha de descarga para o
condensador. Nesta serpentina haverá troca de calor com o ambiente externo,
o gás quente perderá calor, ocorrendo assim a condensação do gás quente,
porém permanecerá em alta pressão.

O líquido que sai do condensador entrará no dispositivo de expansão onde


ocorre uma restrição da passagem deste líquido por um pequeno orifício
provocando uma queda brusca na pressão do fluido refrigerante, assim uma
pequena parcela do líquido evapora, saindo deste componente 80% líquido e
20% de vapor em baixa pressão e temperatura. Entra no evaporador nesta
condição para trocar calor com o meio a ser refrigerado, evapora e fecha o ciclo
retornando para o compressor.

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3.
Diagrama de Mollier
Também chamado de diagrama P-h possui dois eixos onde o das ordenadas é
da pressão(P), e o das abscissas corresponde a entalpia(h), além disso possui
uma curva de saturação no formato de ‘’U’’ invertido, que determina em qual
fase o fluido refrigerante se encontra no sistema.

Para cada fluido refrigerante haverá um diagrama específico, pois neste gráfico
é feito o estudo dos sistemas de refrigeração porque nele você consegue inserir
os dados do sistema para fazer uma análise mais aprofundada como se fosse
uma radiografia do equipamento, seja de refrigeração ou de ar condicionado.

No diagrama você pode inserir os dados operacionais de qualquer sistema de


refrigeração por compressão, do mais simples ao mais complexo se consegue
fazer qualquer tipo de análise frigorífica da máquina.

DIAGRAMA DE MOLLIER DO FLUIDO R-22

Treinamento Danfoss

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4.
Potência frigorífica ou carga
térmica
É a capacidade que um sistema frigorífico possui de refrigerar ou aquecer o
ambiente em um determinado intervalo de tempo. Todos os sistemas de
refrigeração possuem um valor de potência frigorífica.

4.1. Unidades de medidas

As unidades de medidas usuais que você encontrará com mais frequência nos
variados tipos de sistemas são:

▪ Btu/h – Unidade térmica britânica por hora;


▪ Kcal/h – Quilocaloria por hora;
▪ KW – Quilowatt;
▪ Tr – Tonelada de refrigeração.

Se você pesquisar, esta grandeza já é um dado do equipamento, por exemplo


nas propagandas de lojas que comercializam condicionadores de ar residencial
tipo split, o principal critério na divulgação e de quem compra é a potência
frigorífica que normalmente é de 9000 btu/h ou 12000 btu/h.

4.2. Influência da carga térmica no consumo de energia

A potência frigorífica do sistema deve ser compatível com a carga térmica do


ambiente, pois se este recinto gerar mais calor do que o equipamento pode
retirar haverá um consumo demasiado de energia porque o compressor
permanecerá ligado por mais tempo. Neste caso pode-se considerar que a
máquina está subdimensionada para atender para o ambiente.

Para garantir que a potência frigorífica do equipamento vai ser compatível com
a carga térmica do ambiente é feito o cálculo para identificar as fontes de calor
internas e externas do local.

Para sistemas de ar condicionado existem dois tipos de cálculos de carga


térmica, o estimado e o completo e são calculados pelo projetista de ar
condicionado.

O cálculo estimado é para ambientes de pequeno porte e que não requerem


um controle preciso de temperatura e umidade relativa, como escritórios e

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ambientes residenciais. O cálculo completo considera outros fatores que
deixam o resultado mais próximo da realidade e principalmente este método
atende a norma vigente que é a ABNT NBR 16401.

4.3. Modelo de planilha para cálculo estimado de carga térmica

Dados da NBR 16401-2

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Verão

Temperatura operativa e umidade relativa da zona delimitada por:

• 22,5°C a 25,5°C e Umidade relativa 65%

• 23,0°C a 26,0°C e Umidade relativa 35%

Inverno

Temperatura operativa e umidade relativa da zona delimitada por:

• 21,0°C a 23,5°C e Umidade relativa 60%

• 21,5°C a 24,0°C e Umidade relativa 30%

Sabemos que cada indivíduo possui o metabolismo diferente um do outro, por


isso taxa de satisfação de 80% da população que ocupa o recinto.

5.
Sistemas de expansão direta
O ar do ambiente a ser refrigerado troca calor diretamente com o fluido
refrigerante que passa pela serpentina do evaporador. Os sistemas de expansão
direta são os mais populares, por exemplo:

▪ Refrigeradores residenciais e comerciais;


▪ Balcões e câmaras frigoríficas;
▪ Condicionadores de ar de janela, e split;
▪ Condicionadores de ar central tipo self contained;
▪ Condicionador de ar tipo VRF (Volume de Refrigerante Variável).

Na figura abaixo temos um sistema de expansão direta representada em


condicionador de ar central tipo self contained com condensador separado.

Perceba que a unidade condensadora é instalada no ambiente externo para


favorecer a rejeição do calor.

E no ambiente interno está a unidade evaporadora em uma sala de máquinas


climatizando o recinto.

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6.
Sistema de expansão indireta
Este sistema utiliza resfriadores de líquidos que são os chillers.

Neste sistema o fluido refrigerante que passa pelo evaporador troca calor com
a água, ela é refrigerada e bombeada para os fan-coils que promovem a troca
de calor nos ambientes. Em alguns casos a água gelada é utilizada em processos
na indústria alimentícia, para refrigeração de moldes, óleo e hospitais em
aparelhos de ressonância magnética.

Faça uma análise no seu local de trabalho:

▪ Na empresa tem algum chiller?


▪ A água que ele refrigera é para climatização de ambientes ou para fins
de industriais?

Na figura abaixo temos um chiller instalado no ambiente externo onde é feita a


rejeição de calor. No ambiente interno está o fan-coil ao qual promove a troca
de calor da água gelada que passa pela serpentina com o ar dos ambientes,

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repare que existe uma bomba no circuito que faz a circulação da água gelada
entre o fan-coil e o chiller.

7.
Refrigeradores
Os refrigeradores são os sistemas de refrigeração mais populares, pois é difícil
imaginar a vida de uma família sem esse eletrodoméstico essencial. Mas este
equipamento é um dos que mais consomem energia elétrica dentro das
residências, porque possui um compressor que opera algumas horas por dia e
dependendo do modelo pode possuir outras cargas como ventilador e
resistências para degelo.

Aqui vamos conhecer os tipos de refrigeradores residenciais e identificar pontos


para melhorar a eficiência energética e frigorífica.

7.1. Refrigeradores convencionais

São refrigeradores simples de uma porta e que não possuem degelo automático
e nenhum componente eletrônico.

Manual Consul

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7.2. Refrigeradores duplex frost-free

Diferente do anterior, possui dois compartimentos o do freezer e outro do


refrigerador, este já é provido de um sistema de degelo automático por
resistência elétrica que é acionada em intervalos de tempo conforme ocorre a
formação de gelo.

Manual Samsung

7.3. Recomendações para melhorar a eficiência energética em


refrigeradores

▪ Verificar a espessura da camada de gelo no evaporador (congelador)


para fazer o degelo manualmente a cada 15 dias em refrigeradores
convencionais, muito gelo pode danificar o compressor e fazê-lo
funcionar por mais tempo aumentando o consumo;
▪ Não obstruir o condensador atrás do gabinete com roupas, calçados,
toalhas para secar, pois isso impede a rejeição do calor para o meio
externo fazendo a pressão do sistema subir e junto aumenta a corrente
elétrica devido ao esforço do compressor;
▪ Impedir infiltrações pela vedação da porta (gaxeta), podendo haver
perda de ar frio, assim o compressor também funciona por muito tempo
e o consumo aumenta;
▪ Regular o termostato corretamente em função da temperatura do
ambiente externo. Não tem necessidade de regular o termostato no
máximo em dias frios e na posição mínimo em dias quentes, tem que ter
um bom senso, os fabricantes informam a regulagem correta de acordo
com a temperatura da região;
▪ Armazenar os alimentos de forma a não impedir a circulação de ar
dentro do gabinete, nunca forrar as prateleiras com um pano;
▪ Nunca armazenar alimentos quentes dentro do gabinete, isso faria o
compressor funcionar por muito tempo até conseguir retirar todo esse
calor;
▪ Instalar o refrigerador longe de fontes de calor como fornos, fogões e de
pontos que recebem insolação.

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Seu refrigerador é frost-free ou convencional, essas dicas você pode aplicar na
sua residência e fazer uma análise na sua conta de energia.

8.
Balcões frigoríficos
É um sistema de refrigeração projetado para armazenagem de produtos
perecíveis e pode atender a faixas de temperaturas diversas para alimentos
resfriados como frutas, hortaliças e congelados como sorvetes e carnes.

É um equipamento onde pessoas despreparadas tem contato, como o repositor


de produtos e o próprio cliente, por isso é importante tomar algumas
precauções.

8.1. Recomendações para melhorar a eficiência energética em balcões


frigoríficos

▪ Verificar se há controle de temperatura por termostato ou pressostato,


para evitar que o compressor funcione continuamente;
▪ Fazer o degelo de 7 a 15 dias manualmente, porém a melhor opção é de
automatizar os ciclos com controles automáticos;
▪ Alguns modelos de balcões possuem sistema de iluminação ineficiente,
se possível trocar por LED com IP 65 pois são ambientes com
temperaturas baixas e umidade alta;
▪ Verificar as condições do isolamento térmico do balcão, se estiver furado
haverá ganho de calor e perda da eficiência, e se está instalado em
ambiente quente ou com insolação;
▪ Balcões podem ter portas com vedação precária das gaxetas, faça esta
análise;
▪ Condensador pode acumular sujeira com o tempo e com isso a pressão
do sistema aumenta e junto sobe a corrente elétrica do compressor. O
mesmo ocorre se este trocador de calor estiver instalado em locais
quentes ou próximo a paredes que obstruam a troca de calor e
luminárias;

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Refrigeração comercial/ Alessandro Silva

▪ Os ventiladores internos devem ser desligados ao abrir a porta


e religados ao fechar, para evitar a perda de ar frio para o meio
externo.
▪ Nunca armazenar produtos acima da capacidade do balcão,
pois isso impede a troca de calor e sobrecarrega o sistema que
vai funcionar continuamente sem desligar;

9.
Aquisição de refrigeradores
novos
No caso de você adquirir um refrigerador novo, o primeiro item a levar em
consideração é a etiqueta nacional de conservação de energia. A etiqueta
determina se o equipamento é mais ou se é menos eficiente e possui uma
classificação que vai de A como mais eficiente a E como pouco eficiente.

O ideal é adquirir um equipamento com classificação A na etiqueta.

Inmetro

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10.
Novas tecnologias
Além do detalhe da classificação da etiqueta, é importante lembrar das novas
tecnologias como os refrigeradores que possuem COMPRESSORES INVERTER,
que praticamente não geram ruídos e podem economizar em torno 40% de
energia elétrica em uma residência.

Os compressores inverter operam variando sua rotação em função da


temperatura interna, conforme a temperatura vai diminuindo a rotação do
compressor também cai e assim o consumo energético reduz muito.

10.1. Comparativo entre compressores convencionais e inverter

O compressor convencional liga quando a temperatura sobe, e desliga quando


a temperatura ajustada no termostato é atingida, isso reduz a vida útil do
compressor e devido aos picos de corrente na partida. Seu funcionamento em
plena carga o tempo todo faz com que o consumo energético seja maior.

O compressor inverter parte uma única vez e depois ao atingir a temperatura


ajustada sua rotação é diminuída por meio de um sistema eletrônico que varia
sua frequência assim sua rotação se mantém para deixar a temperatura do
ambiente uniforme.

Os fabricantes oferecem 10 anos de garantia nos compressores inverter.

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10.2. Novas tecnologias para balcões frigoríficos

▪ Para balcões hoje se utiliza modelos totalmente fechados para


melhorar a circulação de ar no seu interior, porém isso só é efetivo
em balcões unitários, ou seja, que não fazem parte de um sistema
centralizado como os Racks utilizados em supermercados e
atacadistas.
▪ Sistemas com novas tecnologias de fluidos refrigerantes, como
fluidos hidrocarbonetos, por exemplo Propano (R-290);
▪ Balcões equipados com controladores digitais e sensores mais
modernos melhoram o tempo de resposta do sistema, e os ciclos
de degelo.

Eletrofrio

11. Sistemas de ar condicionado


Princípio de funcionamento do ar condicionado

Os sistemas de condicionamento de ar funcionam com o princípio do ciclo


básico de compressão a vapor como citado anteriormente. A diferença com a
refrigeração são as pressões de trabalho. Quanto menor a temperatura que se
quer atingir no recinto, menor será a pressão de baixa de um sistema, portanto
como ar condicionado é considerado sistema de alta temperatura,
consequentemente a pressão será maior principalmente no lado de baixa.

CLASSIFICAÇÃO TEMPERATURA APLICAÇÃO


BAIXA TEMPERATURA
Refrigeradores, balcões para
DE EVAPORAÇÃO DO -35 °C até -10°C
congelados.
FLUIDO
MÉDIA TEMPERATURA
Refrigeradores balcões para
DE EVAPORAÇÃO DO -35°C até -5°C
resfriados.
FLUIDO

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ALTA TEMPERATURA
Ar condicionado e
DE EVAPORAÇÃO DO -5° até +15°C
bebedouros
FLUIDO

Elaborada pelo autor

Funções do Ar condicionado

Refrigerar, Aquecer, Desumidificar, Umidificar, Ventilar e Filtrar o ar do recinto


climatizado. Assim concluímos que o ar condicionado faz bem as pessoas
quando é bem projetado e instalado.

11.1. Tipos de sistemas de ar condicionado

Os tipos de sistemas existentes de sistemas de ar condicionado são:

Condicionador de ar de janela

Sistema de pequeno porte aplicado para ambientes residenciais, pequenas


salas comerciais e estabelecimentos. É fixado em janelas ou paredes onde todos
os seus componentes estão inseridos no seu gabinete.

Sistema Split

Equipamento onde é dividido em unidade interna e externa interligados por


tubulações de cobre por onde circula o fluido refrigerante, no interior da sala fica
a unidade evaporadora e no ambiente externo a unidade condensadora,
dependendo da sua capacidade tem diversas aplicações desde residências até
na indústria.

Sistema VRF

Parecido com o Split pois também é dividido em unidades interna e externa,


tem a capacidade de em uma única unidade condensadora interligar 28
evaporadoras, possui tecnologia inverter com possibilidade de automatizar todo
o sistema, gerando assim uma eficiência energética muito interessante ao
ponto de se tornar concorrente direto com os chillers em grandes
empreendimentos.

Fan-coils

Os fan-coils são sistemas que possuem trocadores de calor a água gelada,


ventilador e válvula reguladora de fluxo para controle da temperatura dos
ambientes, assim necessitam de um chiller para fazer o resfriamento da água e
esta ser bombeada para os fan-coils. Em um edifício comercial normalmente se

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pode ter um ou mais fan-coils instalados por andar, são eles que climatizam
esses pavimentos.

Você pode encontrar fan-coils que possuem baterias de filtragem, aquecimento


e controle de umidade este tipo é chamado de UTA, Unidade de Tratamento de
Ar, nesta configuração ele é usado em salas cirúrgicas, indústria farmacêutica e
outras aplicações que exijam este tipo de controle.

11.2. Operação de refrigeração

No modo de refrigeração o condicionador de ar opera dentro do ciclo básico que


foi ilustrado anteriormente.

11.3. Operação de Aquecimento

O modo aquecimento em Condicionadores de janela, Split e VRF é feito por


meio do chamado ciclo reverso, onde uma válvula reversora é instalada no
sistema de refrigeração.

Quando seleciona o modo aquecimento esta válvula é acionada por um sinal


elétrico em seguida ela inverte o ciclo fazendo o evaporador funcionar como
condensador e vice-versa.

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Em sistemas centrais de ar condicionado como Fan-Coils e Self Contained o
aquecimento é feito por bancos resistências, o que eleva muito o consumo de
energia.

Banco de resistências de aquecimento para ar condicionado central

PUC- RIO

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12.
Melhorias relativas à estrutura
do sistema de ar condicionado
12.1. Sistemas residenciais e de expansão direta

▪ Regule a temperatura dentro da faixa recomendada pela norma


e órgãos sanitários em torno de 24,0°C.
▪ Mantenha as portas e janelas do recinto fechadas durante o
funcionamento do sistema;
▪ Proteja as janelas com persianas ou película;
▪ Garanta que a isolação das tubulações frias esteja em boas
condições;
▪ Mantenha os filtros de ar e trocadores limpos periodicamente,
siga um plano de manutenção.

12.2. Sistemas de distribuição de ar

▪ Verifique se não há pontos de vazamento de ar em junções e


dutos;
▪ Verifique as condições do isolamento térmico dos dutos de ar;
▪ A correta distribuição de ar deve ser garantida com um
trabalho de balanceamento do sistema, medindo as vazões
de ar climatizado e de ar externo.
▪ Perceba que na figura abaixo temos os valores da vazão de ar
de insuflação nas grelhas e a total da máquina. É importante
ter esta noção.

Além de possíveis pontos de vazamento nos dutos, fique atento a dampers ou


grelhas fechadas no sistema, perda de carga representa perda de energia no
sistema.

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12.3. Novas tecnologias

Uma das principais tecnologias aplicada tanto na refrigeração quanto para ar


condicionado é o controle da capacidade dos motores por variadores de
frequência, principalmente dos compressores, que consomem maior parte da
energia elétrica, em seguida as bombas centrífugas e depois os ventiladores.
Tudo isso operando em conjunto com válvulas e controles automatizados sendo
gerenciados por um software de automação. Esta estrutura é conhecida como
BMS (Building Management System).

Na prática os sistemas automatizados operam desta forma:

▪ Controle da vazão de ar preciso por meio de ventiladores com rotação


variável;
▪ Dampers automáticos (Caixas VAV) que controlam a vazão de ar em
função da temperatura do ambiente;
▪ Controle do ar externo de renovação em função da taxa de CO2 nos
ambientes;
▪ Tratamento deste ar externo, para este entrar no edifício filtrado e pré-
resfriado;
▪ Controle de capacidade dos chillers por meio de variadores de
frequência, carga térmica alta maior rotação, carga térmica reduz
diminui a rotação;
▪ Controle da vazão de água gelada e de condensação nas respectivas
bombas centrífugas que operam em função da capacidade do chiller;
▪ Controle da vazão de ar das torres de resfriamento em função do calor
rejeitado e temperatura do ar externo;

Todos esses parâmetros monitorados pelo BMS, além das outras utilidades que
possa ter no edifício.

Exemplo de layout de um BMS

Monitoramento dos chillers, bombas e torres de resfriamento

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Monitoramento dos fan-coils e tratamento do ar externo (renovação de ar)

12.4. Melhorias em relação aos equipamentos

Para os sistemas de ar condicionado existentes faça a inspeção da instalação


dos equipamentos.

▪ Posição das unidades condensadoras e torres de resfriamento;

Fique atento as saídas de ar quente ou vapor, estas não devem ser obstruídas.

Manutenção em torre de resfriamento Dynamox Condensadora a ar Danfoss

▪ Prover tratamento de água de condensação das torres de


resfriamento e verificar as condições de deterioração interna e
externa;
▪ Testar a atuação das válvulas automáticas dos fan-coils e demais
componentes da tubulação, caixas VAV e controles dos
parâmetros;
▪ Garantir que a vazão de água das bombas de água gelada (BAGs)
e de água de condensação (BACs) estejam dentro dos
parâmetros de projeto;
▪ Verificar a necessidade de limpeza dos condensadores a água e
torres de resfriamento, a incrustação nestes componentes
compromete muito a eficiência do sistema;

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▪ Equipamentos obsoletos com mais de 20 anos são pouco
eficientes, por isso considerar a possibilidade de troca;
▪ Retrofit do sistema frigorífico, consiste na substituição do fluido
refrigerante convencional por outro que atenda as legislações
ambientais;
▪ Rever todas as temperaturas de set-point reguladas nos
equipamentos e torres de resfriamento, pois é comum encontrar
sistemas com faixas de regulagem totalmente fora do
especificado;
▪ Garantir que os equipamentos estejam com as cargas de fluidos
refrigerantes adequadas através do superaquecimento e sub-
resfriamento do sistema;
▪ Os sensores devem estar calibrados para garantir uma leitura
precisa dos parâmetros;
▪ Considerar a possibilidade de aumentar o set-point da água
gelada, pois o pico da carga térmica se dá em algumas horas do
dia.

As salas de máquinas para sistemas de ar condicionado devem ser


configuradas de acordo com a NBR 16401-3 Qualidade do ar interior.

12.5. Indicadores de eficiência energética para sistemas de refrigeração e ar


condicionado.

COP – Coeficiente de Performance ou EER – Relação de eficiência energética

É a relação entre potência frigorífica do sistema de refrigeração e a potência


elétrica consumida por ele. No sistema internacional de unidades (SI) essas
potências são representadas por kWtérmico/kWelétrico, assim o COP torna
uma grandeza adimensional. Quanto maior o valor do COP na etiqueta do
aparelho, mais eficiente ele será.

Etiqueta de ar condicionado split com indicação do COP

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IPLV – Integrated Part Load Value – valor integrado de carga parcial

Segundo a norma ANSI/AHRI Standard 550/590 IP e AHRI Standard 551/591 é o


valor que indica a eficiência de um resfriador de líquidos (Chiller), tanto a uma
capacidade de 100%, quanto em cargas parciais ao longo do ano. Este valor é
definido por uma média ponderada considerando estas condições.
O IPLV é o inverso do COP, pois sua unidade de medida é expressa em kW/TR,
neste caso seria potência elétrica por potência frigorífica em Tonelada de
refrigeração, assim quanto menor for o IPLV mais eficiente será o chiller.

NPLV – Non-Standard Part Load Value – valor de carga parcial fora do padrão

O NPLV indica a eficiência do chiller em condições diferentes do IPLV, ou seja,


ele é calculado fora das condições padrões de operação e projeto em carga
parcial.

▪ Lembrando que tanto o IPLV quanto o NPLV são indicadores de


eficiência energética para chillers com condensação a água em cargas
parciais;
▪ O COP é mais abrangente pode ser calculado em qualquer tipo de
sistema e indica a eficiência energética em carga total;
▪ O EER só pode ser calculado em chillers que possuem condensação a ar.

13. Conclusão
Portanto, para mitigar o consumo de energia em sistemas de refrigeração e ar
condicionado é muito importante conhecer a fundo quais são os tipos de
sistemas existentes na sua rotina, entender as características de cada
equipamento, quais são as cargas elétricas e de que dependem para funcionar.

Com isso você terá condições de iniciar um projeto de eficiência energética para
sua empresa.

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Referências

[1] ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16401/2008 –


Instalações de Ar Condicionado – Sistemas Centrais e Unitários – Partes 1, 2 e 3.
Rio de Janeiro, 2008.
[2] JOHNSON CONTROLS - HVAC&R ENGINEERING UP DATE – Use only NPLV to
specify chiller efficiency, 2009.
[3] DAIKIN INDUSTRIES – Catálogo 605-2, Chillers a água com Compressores
Centrífugos, Daikin Applied, 2012.
[4] BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Manual de boas práticas em
supermercados para sistemas de refrigeração e ar condicionado. Brasília:
Ministério do Meio Ambiente, 2008.
[5] Ministério do Meio Ambiente e PNUD. Manual sobre sistemas de água gelada
volume I – Conceitos sobre chillers e sistemas de água gelada. Brasília: Ministério
do Meio Ambiente e PNUD, 2017.
[6] MILLER, Rex; MILLER, Mark R. Ar Condicionado e Refrigeração. Rio de Janeiro:
LTC, 2014
[7] MONTEIRO, Victor. Refrigeração I: técnicas e competências ambientais, bases
e fundamentos. Lisboa: ETEP, 2016, v.1.
[8] MARQUES, José de Jesus Amaral. Boas Práticas no Uso do Cobre para
Refrigeração e Climatização. São Paulo: SENAI-SP Editora, 2018.

Biografia

Fabio Ferreira é Tecnólogo em Fabricação Mecânica pela FATEC e Técnico em


Refrigeração e Climatização pelo SENAI, atua no setor HVAC-R desde o ano de
2004, possui experiência com manutenção em sistemas de refrigeração e
climatização residencial, comercial, automotiva, industrial por amônia e suas
respectivas normas, experiência como Supervisor de manutenção em Hospitais,
Call Centers e Edifícios comerciais com certificação LEED.

Atualmente é professor em uma das maiores instituições de ensino tecnológico


do país onde ministra treinamentos de curta duração e regulares como cursos
técnicos na área de refrigeração e climatização e participou de projetos de apoio
a indústria paulista no setor de Eficiência Energética.

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Sistemas de Refrigeração (Industrial e Comercial) e Sistemas de Ar Condicionado

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