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Cadetes

a. A Sociedade Feudal (séculos V a XV). b. O Renascimento Comercial e Urbano. ............ 1


c. Os Estados Nacionais Europeus da Idade Moderna, o Absolutismo e o Mercantilismo. d.
A Expansão Marítima Europeia. ............................................................................................... 8
e. O Renascimento Cultural, o Humanismo e as Reformas Religiosas. ............................. 12
f. A montagem da colonização europeia na América: os Sistemas Coloniais espanhol,
francês, inglês e dos Países Baixos. ...................................................................................... 23
g. O Sistema Colonial português na América: estrutura político-administrativa; estrutura
socioeconômica; invasões estrangeiras; expansão territorial; rebeliões coloniais. Movimentos
Emancipacionistas: Conjuração Mineira e Conjuração Baiana. .............................................. 30
h. O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido. .................................................................... 44
i. As Revoluções Inglesas (Século XVII) e a Revolução Industrial (séculos XVIII a XX). .... 47
j. A Independência dos Estados Unidos da América. ........................................................ 58
k. A Revolução Francesa e a Restauração: o Congresso de Viena e a Santa Aliança. ..... 63
l. O Brasil Imperial: o processo da independência do Brasil: Período Joanino; Primeiro
Reinado; Período Regencial; Segundo Reinado; Crise da Monarquia e Proclamação da
República. ............................................................................................................................. 74
m. O Pensamento e a Ideologia no Século XIX: O Idealismo Romântico; o Socialismo Utópico
e o Socialismo Científico; o Cartismo; a Doutrina Social da Igreja; o Liberalismo e o Anarquismo;
o Evolucionismo e o Positivismo............................................................................................. 89
n. O Mundo à época da Primeira Guerra Mundial: o imperialismo e os antecedentes da
Primeira Guerra Mundial; a Primeira Guerra Mundial; consequências da Primeira Guerra
Mundial;.................................................................................................................................. 99
A República Velha no Brasil; conflitos brasileiros durante a República Velha. ................ 116
o. O mundo à época da Segunda Guerra Mundial: o período entre guerras; a Segunda
Guerra Mundial; o Brasil na Era Vargas; a participação do Brasil na Segunda Guerra
Mundial....... .......................................................................................................................... 134
p. O mundo no auge da Guerra Fria: a reconstrução da Europa e do Japão e o surgimento
do mundo bipolar; os principais conflitos da Guerra Fria – a Guerra da Coreia (1950-1953); a
Guerra do Vietnã (1961- 1975); os conflitos árabe-israelenses (1948-1974); a descolonização
da África e da Ásia; a República Brasileira entre 1945 e 1985. ............................................ 151
q. O mundo no final do século XX e início do século XXI: declínio e queda do Socialismo nos
países europeus (Alemanha; Polônia; Hungria; ex-Tchecoslováquia; Romênia; Bulgária;
Albânia; ex-Iugoslávia) e na ex-União Soviética; os conflitos do final do Século XX – a Guerra
das Malvinas (1982); a Guerra IrãIraque (1980-1989); a Guerra do Afeganistão (1979-1989); a
Guerra Civil no Afeganistão (1989-2001); a Guerra do Golfo (1991); a Guerra do Chifre da África
(1977-1988); a Guerra Civil na Somália (1991); o 11 de Setembro de 2001 e a nova Guerra no
Afeganistão; a República Brasileira de 1985 até os dias atuais. ........................................... 193

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a. A Sociedade Feudal (séculos V a XV). b. O Renascimento Comercial e Urbano.

Feudalismo

O Feudalismo, ou sistema feudal, corresponde ao modo de organização da vida durante a Idade Média
na Europa Ocidental. Suas origens remontam à crise do Império Romano a partir do século III.
A Idade Média abrange um longo período da história europeia, e é comum dividi-la em duas fases:
Alta Idade Média e Baixa Idade Média.
- A Alta Idade Média, é o período que vai do século V ao XI, corresponde à formação e consolidação
do sistema feudal;
- A Baixa Idade Média, é o período que vai século XI ao XV, caracteriza-se pela crise do feudalismo
e início da formação do sistema capitalista.
A formação do sistema feudal tem início com a crise do século III do Império Romano e acentua-se
no século V, com as invasões dos povos germânicos. A queda do escravismo, a formação do colonato e
a posterior implantação de um regime servil constituem o passo decisivo para a formação do sistema.
Por outro lado, os germanos que invadiram o Império Romano levaram consigo relações sociais
comunitárias de exploração coletiva das terras e subordinação aos grandes chefes militares (comitatus).
As invasões, além de despovoar as cidades, aumentando a população rural, dificultaram as comu-
nicações e provocaram o isolamento das localidades, forçando-as a adotar uma economia de subsistência
autossuficiente.
O feudalismo pode ser definido de vários modos. A melhor maneira, porém, é defini-lo conforme suas
relações sociais básicas: relações vassálicas (entre os senhores ou nobreza), relações comunitárias
(entre os servos) e relações servis (que ligavam o mundo dos senhores ao mundo dos servos).
Esta última ligação se processava por meio das obrigações, que resultavam das imposições feitas pelo
senhor aos servos, de realizar paga mentos em produtos ou serviços, e que constituem a própria essência
do feudalismo. Tais obrigações eram costumeiras e não contratuais, como ocorre no sistema capitalista.
Note-se que o servo era vinculado ao feudo, dele não podendo sair.

Feudos
A posse de bens variava de acordo com as circunstâncias:
Propriedade privada, no manso senhorial (terra do senhor);
Propriedade coletiva, nos pastos e bosques (de uso comum para senhores e servos);
Propriedade dupla, isto é, copropriedade, no manso servil. (O senhor detinha a posse legal e o servo,
a posse útil da terra.)
Levando-se em consideração que a maior parte da produção obtida pelo servo não se conservava em
suas mãos, pois passava para o senhor feudal, seu interesse era mínimo. Associando-se a este fato o de
que os trabalhos agrícolas eram realizados coletivamente, tolhendo a iniciativa individual, eles resultavam
em baixo nível da técnica e pequena produtividade: para cada grão semeado, colhiam-se dois. Daí o
regime de divisão das terras cultiváveis em três campos, destinados alternadamente para o plantio de
cereais e de forragem, reservando-se o terceiro para o descanso (pousio). Realizava-se a rotação trienal
dos campos, com vistas a impedir o esgotamento do solo.

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Sociedade Feudal

De acordo com as bases materiais descritas não havia possibilidade de mobilidade social nos feudos:
a sociedade era, portanto, estamental. O princípio de estratificação era o nascimento, surgindo então
duas camadas básicas: senhores e servos. Existiam também categorias intermediárias, tais como os
vilões (camponeses livres) e os ministeriais (corpo de funcionários livres do senhor).
O número de escravos reduziu-se cada vez mais, pois não havia guerras de expansão para apresá-
los; além disso, a Igreja condenava a escravização de cristãos. Por outro lado, os vilões tendiam a se
tornar servos, pois de nada lhes adiantava a liberdade dentro da insegurança reinante: o fundamental era
a obtenção de proteção.
No topo da hierarquia social estavam os senhores feudais. Os senhores feudais viviam com suas
famílias em casas fortificadas. Nas regiões mais ricas, os nobres habitavam em castelos.
Na base da sociedade feudal estavam os servos, que representavam aproximadamente 98% da
população de um feudo. Os servos viviam nas terras do senhor e a ele deviam uma série de serviços
como a corveia, a talha e as banalidades.
Na corveia o servo ficava obrigado a trabalhar nas terras do nobre por alguns dias da semana;
Na talha, o camponês ficava obrigado a entregar ao senhor feudal parte de sua produção;
Nas banalidades o servo era obrigado a pagar pela utilização do moinho, do forno e demais utensílios
pertencentes ao senhor.
Mão-morta, uma espécie de taxa que o servo devia pagar ao senhor feudal para permanecer no feudo
quando o pai morria.
Tostão de Pedro (10% da produção), que o servo devia pagar à Igreja de sua região.

Outra classe social existente no feudo era o clero, os membros da Igreja. Os clérigos eram os
responsáveis pela transmissão religiosa e cultural. Também eram os responsáveis pelas leis, que nesta
época eram transmitidas pela interpretação religiosa. Isto tudo garantia ao clero a responsabilidade pelo
caráter moral da sociedade. E, não por acaso, que foi neste período que a Igreja Católica se transformou
na mais poderosa instituição da Idade Média. O domínio da Igreja foi garantido por ela ser a única com
acesso ao saber. Afinal, somente os membros do clero podiam ser instruídos de educação e,
consequentemente, eram os poucos que sabiam ler e escrever. O clero era sustentado pelos dízimos
entregues à Igreja.
A definição do bispo Adalberon de León para a sociedade medieval reflete muito bem o pensamento
da época, pois para o bispo “na sociedade feudal o papel de alguns é rezar, de outros é guerrear e de
outros trabalhar”. Para a Igreja medieval, cada indivíduo tinha um importante papel na sociedade, por
isso, deveria executar a sua função com zelo e gratidão como se estivesse trabalhando para o próprio
Deus. Com isso, a Igreja garantia a manutenção da sociedade tal e qual ela era.

Relações Vassálicas

O poder político no sistema feudal era exercido pelos senhores feudais, daí seu caráter localista. Não
tendo autoridade efetiva, os reis apenas aparentavam poder, pois na prática existia uma descentralização
político-administrativa.

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Impossibilitados de defender o reino, os soberanos delegaram essa tarefa aos senhores feudais. Por
isso, e com vistas a se protegerem, os senhores procuravam relacionar-se diretamente por um
compromisso: o juramento de fidelidade. O senhor feudal que o prestasse tornar-se-ia vassalo e aquele
que o recebesse seria seu suserano. Na hierarquia feudal, suseranos e vassalos tinham obrigações
recíprocas, pois à homenagem prestada pelo vassalo correspondia o benefício concedido pelo suserano.
Essa relação definia-se em um rito denominado "cerimônia de investidura" ou "cerimônia de adubamento".

Igreja Medieval

Em meio à desorganização administrativa, econômica e social produzida pelas invasões germânicas


e ao esfacelamento do Império Romano, a Igreja Católica, com sede em Roma, conseguiu manter-se
como instituição. Consolidando sua estrutura religiosa e difundindo o cristianismo entre os povos
bárbaros.
Valendo-se de sua crescente influência religiosa, a Igreja passou a exercer importante papel em
diversos setores da vida medieval, servindo como instrumento de unificação, diante da fragmentação
política da sociedade feudal.
Os sacerdotes da Igreja era divididos em duas categorias:
Clero secular (aqueles que viviam no mundo fora dos mosteiros), hierarquizado em padres, bispos,
arcebispos etc.
Clero regular (aqueles que viviam nos mosteiros), que obedecia às regras de sua ordem religiosa:
beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos.

No ponto mais alto da hierarquia eclesiástica estava o papa, bispo de Roma, considerado sucessor do
apóstolo Pedro. Nem sempre a autoridade do papa era aceitar por todos os membros da Igreja, mas em
fins do século VI ela acabou se firmando, devido, em grande parte, à atuação do papa Gregório Magno.
Além da autoridade religiosa, o papa contava também com o poder temporal da Igreja, isto é, o poder
advindo da riqueza que acumulara com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da
salvação.
Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa
Ocidental.
O papa, desde 756, era o administrador político do Patrimônio de São Pedro, o Estado da Igreja,
constituído por um território italiano doado pelo rei Pepino, dos francos.
O poder temporal da Igreja levou o papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias
medievais. Exemplo marcante desses conflitos é a Questão da Investiduras, no século XI, quando se
chocaram o papa Gregório VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico, Henrique IV.

Questão das Investiduras e o Movimento Reformista

A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de nomear sacerdotes
para os cargos eclesiásticos, ao papa ou ao imperador.
As raízes desse conflito remontam a meados do século X, quando o imperador Oto I, do Sacro Império
Romano Germânico, iniciou um processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer
seus poderes. Fundou bispados e abadias, nomeou seus titulares e, em troca da proteção que concedia
ao Estado da Igreja, passou a exercer total controle sobre as ações do papa.
Durante esse período, a Igreja foi contaminada por um clima crescente de corrupção, afastando-se de
sua missão religiosa e, com isso, perdendo sua autoridade espiritual. As investiduras (nomeações) feitas
pelo imperador só visavam os interesses locais. Os bispos e os padres nomeados colocavam o
compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa.
No século XI surgiu um movimento reformista, visando recuperar a autoridade moral da Igreja, liderado
pela Ordem Religiosa de Cluny. Os ideais dos monges de Cluny foram ganhando força dentro da Igreja,
culminando com a eleição, em 1073, do papa Gregório VII, antigo monge daquela ordem reformista.
Eleito papa, Gregório VII tomou uma série de medidas que julgou necessárias para recuperar a moral
da Igreja. Instituiu o celibato dos sacerdotes (proibição de casamento), em 1074, e proibiu que o imperador
investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos, em 1075. Henrique IV, imperador do Sacro Império, reagiu
furiosamente à atitude do papa e considerou-o deposto. Gregório VII, em resposta, excomungou Henrique
IV. Desenvolveu-se, então, um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual
do papa.
Esse conflito foi resolvido somente em 1122, pela Concordata de Worms, assinada pelo papa Calixto
III e pelo imperador Henrique V. Adotou-se uma solução de meio termo: caberia ao papa a investidura

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espiritual dos bispos (representada pelo báculo), isto é, antes de assumir a posse da terra de um bispado,
o bispo deveria jurar fidelidade ao imperador.

Inquisição
Nos países cristãos, nem sempre a fé popular manifestava-se nos termos exatos pretendidos pela
doutrina católica. Havia uma série de doutrinas, crenças e superstições, denominadas heresias, que se
chocavam com os dogmas da Igreja.
Para combater essas heresias, o papa Gregório IX criou, em 1231, os tribunais da Inquisição, cuja
missão era descobrir e julgar os heréticos. Os condenados pela inquisição eram entregues às autoridades
administrativas do Estado, que se encarregavam da execução das sentenças. As penas aplicadas a cada
caso iam desde a confiscação de bens até a morte em fogueiras.
O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório
e a sentença.

Vida Cultural

Quando se compara a produção cultural da Idade Média com a Antiguidade ou a Modernidade, ela é
considerada tradicionalmente um período de trevas. Ao longo do tempo, esse conceito tem sofrido
algumas revisões, graças à reabilitação da Idade Média por certos autores que nela encontram as raízes
culturais do Mundo Moderno e - num sentido mais imediato - do Renascimento.
Também é importante lembrar que a Igreja foi a grande mantenedora da cultura durante o Período
Feudal, apesar de o fazer de forma que justificasse suas ideias e dogmas. O privilégio da leitura e da
escrita também estava vinculado à Igreja.
Já na crise do feudalismo, com a expansão comercial e a criação das universidades, o pensamento
filosófico desenvolveu-se, surgindo, então, a escolástica ("filosofia da escola"), produzida por São Tomás
de Aquino, autor da Suma Teológica. O ideal tomista era conciliar o racionalismo aristotélico com o
espiritualismo cristão, harmonizando fé e razão.

Baixa Idade Média e as Mudanças na Sociedade Feudal

Na Baixa Idade Média, ocorreu a transição para o sistema capitalista. Ao mesmo tempo, surgiram
novas classes sociais, principalmente a burguesia, que auxiliou a realeza no processo de centralização
política.
A questão fundamental para entender as mudanças durante a Baixa Idade Média é a crise do
feudalismo. A produção feudal era baseada no trabalho servil, sendo limitada e estática, o que, por sua
vez, representava o baixo nível de técnica do sistema feudal.
No século XI, cessaram as ondas invasoras, criando uma certa estabilidade na Europa, além de
condições de segurança para o aumento da circulação de mercadorias. Houve uma maior redistribuição
da produção, gerando um crescimento demográfico que não foi acompanhado pelo aumento da oferta de
empregos e alimentos.
Com o aumento da circulação de mercadorias e a introdução de novos artigos de luxo, os senhores
feudais passaram a ter necessidade de aumentar as suas rendas. Para obter mais recursos, eles eram
obrigados a aumentar as obrigações dos servos, que, pressionados, partiam para as cidades em busca
de uma vida melhor. A solução para a crise seria a substituição do regime de trabalho servil pelo trabalho
assalariado, porém essa mudança incentivou a evolução do modo de produção feudal para o capitalista,
o que não seria viável num curto período.
Dessa forma, a crise do feudalismo ocorreu pela incapacidade da antiga estrutura econômica de
sustentar as mudanças, o que foi gerando uma nova organização do modo de vida.
A crise do sistema feudal deu origem a um processo de marginalização social, quer pela fuga dos
servos, quer pelos deserdamentos ocorridos na camada senhorial. Essa marginalização trouxe como
consequência o aumento da belicosidade, marcada por assaltos e sequestros a ricos cavaleiros.
A Igreja Católica, para tentar conter a crise, propôs a "Paz de Deus" (proteção aos cultivadores,
viajantes e mulheres) e a "Trégua de Deus" (na qual os dias para realizar guerras ficavam limitados a 90
por ano). Porém, essa intervenção da Igreja não foi suficiente para conter a crise e a violência feudais.

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Cruzadas

Como as tentativas anteriores não obtiveram o resultado esperado, a Igreja propôs as Cruzadas, uma
contraofensiva da cristandade diante do avanço do Islã. A Europa, que, entre os séculos VIII e XI, não
teve condições de reagir contra os árabes, passava a reunir nesse momento as condições necessárias:
- Mão-de-obra militar marginalizada e ociosa;
- Controle espiritual e religioso que a Igreja exercia sobre o homem medieval, que o levou a crer na
necessidade de resgatar o Santo Sepulcro e combater o infiel muçulmano;
- Poder papal que se fortalecera quando Gregário VII impôs sua autoridade a Henrique IV, na Querela
das Investiduras:
-A Igreja do Ocidente pretendia a reunificação da cristandade, quebrada pelo Cisma de 1054;
- O desejo do imperador de Constantinopla em afastar o perigo que os muçulmanos representavam;
- Para Urbano II, o papa do exílio imposto pela Querela das Investiduras, convocar as Cruzadas
demonstrava prestígio e autoridade perante toda a Igreja.

Em 1095, durante Concílio de Clermont, Urbano II convocou a cristandade para uma guerra santa
contra o Islã. Foram realizadas oito Cruzadas, entre 1095 e 1270.
Apesar da mobilização realizada pelas Cruzadas, elas são consideradas um insucesso, que se deve
em primeiro lugar ao caráter superficial da ocupação. A presença cristã no Oriente Médio não criou raízes
entre as populações locais. Outra razão foi a anarquia feudal, que enfraquecia as colônias militares
estabelecidas em território inimigo. A luta fratricida foi uma constante entre as ordens religiosas e os
cruzados latinos.

Fonte: 10emtudo.com.br

Consequências das Cruzadas


As Cruzadas não se limitaram às expedições ao Oriente. Ao mesmo tempo, os reinos ibéricos de Leão,
Castela, Navarra e Aragão começavam a Reconquista da Península Ibérica contra os muçulmanos. A
ofensiva teve início com a tomada da cidade de Toledo, em 1036, e concluiu-se, em 1492, com a tomada
de Granada. A vitória dos italianos sobre os muçulmanos no Mar Tirreno e norte da África fez com que
as cidades italianas iniciassem o seu domínio sobre o Mediterrâneo, lançando as sementes do comércio
e do capitalismo. As relações entre Ocidente e Oriente foram redinamizadas depois de séculos de
bloqueio, e as mercadorias orientais se espalhavam pela Europa. O contato com o Oriente trouxe o
conhecimento de novas técnicas de produção, fabricação de tecidos e metalurgia.

Renascimento do Comércio

As transformações econômicas e sócias entre os séculos XI e XIV na Europa foram imensos. A crise
do feudalismo acentuou-se, principalmente depois das cruzadas. Ao voltarem das batalhas em terras
orientais, os cruzados traziam consigo produtos de luxo, como tapetes persas, porcelanas chinesas,
tecidos finos ou especiarias (temperos como cravo, canela e pimenta), que atraíam a população europeia,
proporcionado o Renascimento do Comércio.
Por haverem estabelecido feitorias nessas regiões mais afastadas, os europeus abriram um novo eixo
comercial ligando o Ocidente ao Oriente. As principais rotas de comércio eram feitas pelo mar

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Mediterrâneo e estavam sob o controle de cidades como Gênova, Veneza, Pisa, Constantinopla,
Barcelona e Marselha. No mar Báltico e no mar do Norte, o domínio ficava por conta de cidades como
Hamburgo, Bremen e pela região de Flandres (Países Baixos).

Burgos e Burgueses
Com a retomada do comércio, muitos europeus deixaram o campo e foram viver dentro dos burgos -
vilas fortificadas com muralhas, construídas entre os séculos IX e X e posteriormente abandonadas -,
onde esperavam encontrar melhores condições de vida. Em pouco tempo, contudo, esses lugares
tomaram-se pequenos e as pessoas viram-se obrigadas a se instalar do lado de fora de suas muralhas.
Essa população, formada principalmente por artesãos, operários e comerciantes, acabou dando
origem a novos burgos em vários pontos da Europa. Seus habitantes, por oposição aos nobres que viviam
em castelos, ficaram conhecidos como burgueses.
O aumento do comércio e do volume de negociações gerou uma nova necessidade: a padronização
de unidades de valor. O uso de moedas tornou-se essencial, substituindo o escambo ou troca de
mercadorias. Com a criação das moedas, surgiram também primeiras casas bancárias, responsáveis
pelas operações de câmbio e empréstimos a juros. Toda essa dinâmica fez com que o dinheiro passasse
a ganhar importância e a terra e a produção agropecuária deixassem de ser a base da riqueza na Europa.
Com o aumento do comércio, e, consequentemente, dos lucros, os mercadores e banqueiros
conquistavam maior status social e passaram a ansiar pelo poder político. A burguesia ganhava prestígio
e espaço, aproximando-se dos reis e emprestando-lhes dinheiro em troca de medidas políticas favoráveis
ao comércio. Ao mesmo tempo, os senhores feudais viam-se envolvidos em dívidas, muitas delas
decorrentes das altas despesas com as Cruzadas.

Questões

01. (FGV) "A palavra 'servo' vem de 'servus' (latim), que significa 'escravo'. No período medieval, esse
termo adquiriu um novo sentido, passando a designar a categoria social dos homens não livres, ou seja,
dependentes de um senhor. (...) A condição servil era marcada por um conjunto de direitos senhoriais ou,
do ponto de vista dos servos, de obrigações servis". (Luiz Koshiba, "História: origens, estruturas e
processos")

Assinale a alternativa que caracterize corretamente uma dessas obrigações servis:


(A) Dízimo era um imposto pago por todos os servos para o senhor feudal custear as despesas de
proteção do feudo.
(B) Talha era a cobrança pelo uso da terra e dos equipamentos do feudo e não podia ser paga com
mercadorias e sim com moeda.
(C) Mão morta era um tributo anual e per capita, que recaía apenas sobre o baixo clero, os vilões e os
cavaleiros.
(D) Corveia foi um tributo aplicado apenas no período decadente do feudalismo e que recaía sobre os
servos mais velhos.
(E) Banalidades eram o pagamento de taxas pelo uso das instalações pertencentes ao senhor feudal,
como o moinho e o forno.

02. (FATEC-SP) Uma das características a ser reconhecida no feudalismo europeu é:


(A) A sociedade feudal era semelhante ao sistema de castas.
(B) Os ideais de honra e fidelidade vieram das instituições dos hunos.
(C) Vilões e servos estavam presos a várias obrigações, entre elas o pagamento anual de capitação,
talha e banalidades.
(D) A economia do feudo era dinâmica, estando voltada para o comércio dos feudos vizinhos.
(E) As relações de produção eram escravocratas.

03. (FUVEST) Politicamente, o feudalismo se caracterizava pela:


(A) atribuição apenas do Poder Executivo aos senhores de terras;
(B) relação direta entre posse dos feudos e soberania, fragmentando-se o poder central;
(C) relação entre a vassalagem e suserania entre mercadores e senhores feudais;
(D) absoluta descentralização administrativa, com subordinação dos bispos aos senhores feudais;
(E) existência de uma legislação específica a reger a vida de cada feudo.

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04. (UNIP) O feudalismo:
(A) deve ser definido como um regime político centralizado;
(B) foi um sistema caracterizado pelo trabalho servil;
(C) surgiu como consequência da crise do modo de produção asiático;
(D) entrou em crise após o surgimento do comércio;
(E) apresentava uma considerável mobilidade social.

05. (PUC) A característica marcante do feudalismo, sob o ponto de vista político, foi o enfraquecimento
do Estado enquanto instituição, porque:

(A) a inexistência de um governo central forte contribuiu para a decadência e o empobrecimento da


nobreza;
(B) a prática do enfeudamento acabou por ampliar os feudos, enfraquecendo o poder político dos
senhores;
(C) a soberania estava vinculada a laços de ordem pessoal, tais como a fidelidade e a lealdade ao
suserano;
(D) a proteção pessoal dada pelo senhor feudal a seus súditos onerava-lhe as rendas;
(E) a competência política para centralizar o poder, reservada ao rei, advinha da origem divina da
monarquia.

Gabarito

01.E / 02.C / 03.B / 04.B / 05C

Comentários

01. Resposta: E
Na corveia o servo ficava obrigado a trabalhar nas terras do nobre por alguns dias da semana;
Na talha, o camponês ficava obrigado a entregar ao senhor feudal parte de sua produção;
Nas banalidades o servo era obrigado a pagar pela utilização do moinho, do forno e demais utensílios
pertencentes ao senhor.
Mão-morta, uma espécie de taxa que o servo devia pagar ao senhor feudal para permanecer no feudo
quando o pai morria.
Tostão de Pedro (10% da produção), que o servo devia pagar à Igreja de sua região.

02. Resposta: C
Apesar de não serem escravos, os servos estavam presos à terra do senhor feudal, através de diversas
obrigações e impostos que deveriam ser pagos para usufruir da terra e das benfeitorias do feudo.

03. Resposta: B
O feudalismo marcou a descentralização do poder, com cada feudo funcionando como uma unidade
autônoma, onde o senhor feudal, dono da terra, era o soberano.

04. Resposta: B
Na base da sociedade feudal estavam os servos, que representavam aproximadamente 98% da
população de um feudo. Os servos viviam nas terras do senhor e a ele deviam uma série de serviços
como a corveia, a talha e as banalidades.

05. Resposta: C
O poder político no sistema feudal era exercido pelos senhores feudais, daí seu caráter localista. Não
tendo autoridade efetiva, os reis apenas aparentavam poder, pois na prática existia uma descentralização
político-administrativa.

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c. Os Estados Nacionais Europeus da Idade Moderna, o Absolutismo e o
Mercantilismo. d. A Expansão Marítima Europeia.

No final da Idade Média o feudalismo entrou em uma profunda crise. A guerra, a fome e a peste
desestruturaram a sociedade e a economia.
Nesse contexto, a burguesia, interessada no desenvolvimento do comércio (eliminação dos entraves
feudais, unificação da moeda e do sistema de pesos e medidas), apoiou o processo de centralização
monárquica financiando os exércitos nacionais.
No rastro das guerras surgiram Estados fortes nos quais surgiram soberanos absolutistas. Os
principais Estados Nacionais modernos foram França, Inglaterra, Portugal e Espanha.

Características do Estado Moderno

Centralização administrativa: o rei passou a controlar todas as decisões importantes do Estado.


Soberania: o rei é soberano nas atitudes relativas ao Estado que governa, substituindo o conceito
feudal de suserania.
Burocracia: o rei era auxiliado na administração do Estado por um amplo funcionalismo.
Exército nacional: veio substituir a cavalaria feudal para impor as vontades do rei e garantir a
integridade do território do Estado, assim como fazer guerras contra Estados vizinhos ou senhores
insubordinados.
Delimitação fronteiriça: o rei precisava saber até onde poderia exercer o seu poder.
Tributação: somente o Estado poderia cobrar impostos da população.
Exercício da violência: o Estado tomou para si o direito de fazer justiça, reprimindo as formas
tradicionais e pessoais de justiçamento (“fazer justiça com as próprias mãos”).
Uniformização do sistema de pesos e medidas: visava facilitar as trocas comerciais, favorecendo o
desenvolvimento econômico estatal.
Uniformização linguística: a língua nacional era necessária para que as pessoas se sentissem parte
de um todo coeso.

Teóricos do Absolutismo

Nicolau Maquiavel (1469-1527): Sua obra mais conhecida “O Príncipe”, foi escrita para a educação
de um futuro soberano. Nela argumentou que “os fins justificam os meios”; esse novo princípio ético
separou a condição de moral individual da condição de moral pública. Esse posicionamento lhe deu o
título de pai da ciência política moderna. Maquiavel foi conselheiro de muitos governantes poderosos de
seu tempo.

Thomas Hobbes (1588-1679): Tem fundamental importância no pensamento político contemporâneo.


Seu livro “Leviatã”, é um elogio ao absolutismo, onde o autor destaca o papel do Estado absoluto no
aprimoramento social, pois sem Estado “o homem é o lobo do homem”, eternamente dilacerando-se
em contendas sangrentas. Ao Estado Leviatã coube a tarefa de impor regras de conduta civilizadas aos
súditos, mesmo que para isso tenha de usar de violência (exército ou polícia).
Jean Bodin (1530-1596): Este autor defendeu a tese da autoridade divina do rei na obra “A
República”. Assim, o poder real deveria ser total tanto sobre o Estado como sobre os súditos.
Jacques Bossuet (1627-1704): pregava que o Estado deveria se resumir a “um rei, uma lei, uma
fé”. Na obra “Política Segundo as Sagradas Escrituras”. Defendeu que o poder do rei (predestinado)
provém diretamente de Deus. Assim, somente Deus tem o direito de julgar os atos reais.
Hugo Grotius (1583-1645): é considerado o “pai do direito internacional”, pois articulou seu
pensamento em torno dos problemas envolvendo as relações entre os Estados absolutistas.

O Absolutismo Inglês
A Inglaterra foi derrotada na Guerra dos Cem Anos em 1453. Essa derrota alimentou as disputas
internas e apenas dois anos depois os principais representantes da nobreza inglesas iniciaram a Guerra
das Duas Rosas (1455-1485), entre as família aristocrática de York, cujo brasão trazia uma rosa branca
e a família nobre de Lancaster que tinha por símbolo heráldico uma rosa vermelha.

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A longa e sangrenta guerra chegou a seu termo em 1485 e deixou como saldo um feudalismo
enfraquecido na Inglaterra. Esse fato desencadeou a centralização monárquica pelas mãos da dinastia
Tudor iniciada por Henrique VII (1485-1509).
Os governantes Tudor implementaram o absolutismo. Pacificaram a Inglaterra, o comércio da lã teve
um grande desenvolvimento e a indústria naval floresceu.
Henrique VIII governou a Inglaterra de 1509 a 1547, e teve um importante papel na consolidação do
absolutismo inglês. A partir de 1527 envolveu-se num grande litígio em torno do divórcio com sua primeira
esposa, a espanhola Catarina de Aragão.
A recusa do Papa em desfazer o casamento real foi o estopim do rompimento inglês com Roma pelo
Ato de Supremacia, em 1534.
Henrique VIII tornou-se a cabeça da Igreja anglicana e casou-se com a cortesã Ana Bolena, mãe de
Elizabeth.
Em 1547, o único filho de Henrique VIII, Eduardo VI tornou-se rei aos 10 anos para morrer aos 15 sem
governar. Em 1553 ascendeu ao trono a ultra-católica Maria Tudor que declarou guerra aos protestantes
e passou para a história como “a sanguinária”.
Elizabeth I governou no auge do absolutismo inglês entre 1558 e 1603. Incentivou a construção naval,
criou a Companhia das Índias Orientais e apoiou a pirataria. Interferiu na religião consolidando o
anglicanismo pela lei dos 39 pontos de 1563. Derrotou a invencível armada da Espanha em 1588. O
teatro floresceu com as peças de William Shakespeare.
Elizabeth I foi a última governante Tudor. Durante seu reinado a Inglaterra tornou-se a maior potência
mercantilista europeia. Foi sucedida por Jaime I, fundador da dinastia Stuart.

O Absolutismo Francês
O feudalismo francês sofreu um golpe de misericórdia com a Guerra dos Cem Anos (1337-1453).
Esse fato favoreceu a centralização do poder na França, mas o absolutismo teve de esperar o fim das
guerras religiosas entre católicos e protestantes (huguenotes) que dividiram e abalaram profundamente
a França no século XVI.
A pacificação religiosa começou com a ascensão de um huguenote (calvinista) ao trono em 1594. O
novo rei era Henrique de Navarra que havia destronado a rei católico Henrique III.
Os católicos franceses opuseram-se violentamente a ter um protestante no governo. Diante de tal
resistência o novo rei converteu-se ao catolicismo (“Paris bem vale uma missa”). Henrique de Navarra
subiu ao trono como Henrique IV no ano de 1594.
O novo rei iniciou a dinastia Bourbon que levou a França a ser o país mais absolutista da Europa.
Em 1598, Henrique IV assinou o Édito de Nantes, pelo qual concedeu direito de livre culto aos
protestantes pondo fim às contendas religiosas na França.
Henrique IV foi morto por um católico inconformado em 1610. Seu filho e sucessor, Luís XIII (1610-
1643), contava apenas 9 anos e a regência ficou a cargo de Maria de Médicis.
Em 1624, Luís XIII convocou o Cardeal Richelieu como seu primeiro ministro. Esse empenhou-se em
impor controle aos protestantes, transformar a França numa potência mercantilista e a consolidar o poder
absoluto preparando o caminho para Luís XIV.
Luís XIV (1643-1715) entrou para a história como o “Rei Sol”, em seu extenso reinado, levou a França
ao apogeu do absolutismo.
Em 1685, revogou o Édito de Nantes, pois temia que os huguenotes se tronassem “um Estado dentro
do Estado”. Calcula-se que perto de 500.000 ricos burgueses huguenotes tenham deixado a França
provocando grandes problemas econômicos.
Em seus delírios de grandeza o rei sol dilapidou as finanças públicas em guerras e na construção do
Palácio de Versalhes, no qual viviam milhares de nobres ociosos parasitando os cofres públicos.
O brilho fulgurante da corte em Versalhes contrastava com a acelerada deterioração econômica do
país. Os impostos abusivos pesavam sobre o povo e as insatisfações contra o governo aumentavam sem
parar, nesse momento podemos já reconhecer os fundamentos do pensamento iluminista e da Revolução
Francesa.
Luís XV (1715-1774), herdou uma França em grave crise financeira. Não obstante continuou a política
belicista do pai travando entre 1756 e 1763 a guerra dos sete anos com a Inglaterra.
O último representante da dinastia Bourbon foi Luís XVI (1774-1792), que herdou do pai uma França
completamente falida com um povo que se agitava por mudanças drásticas. A Revolução Francesa de
1789 significou o fim do absolutismo na França e a execução do rei na guilhotina em 1793.

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MERCANTILISMO

O renascimento comercial da Baixa Idade Média favoreceu o desenvolvimento do capitalismo moderno


que ficou conhecido como Capitalismo Comercial ou Mercantil.
O mercantilismo significou a transição entre o modo de produção feudal e o modo de produção
capitalista.
A acumulação de capital provocada pelo mercantilismo na Europa favoreceu o desenvolvimento da
Revolução Industrial na Inglaterra a partir do século XVIII.

Caractersticas do Mercantilismo

Metalismo ou Bulionismo: o mercantilismo foi muito influenciado pela ideia metalista de acumulação
de capital, ou seja, o Estado seria tão mais rico quanto mais metais moedáveis (ouro e prata) dispusesse.
Tendo amplos recursos minerais em suas colônia da América (Peru, Colômbia e México), a Espanha
adotou o bulionismo com maior ênfase.
Balança Comercial Favorável: exportar muito e importar o mínimo necessário foi um estratagema
utilizado por vários Estados para acumular capital através do superávit na balança comercial.
Protecionismo: tributar as importações e incentivar a produção manufatureira interna foi a forma de
evitar evasão de divisas (metais) encontrada por Estados pobres em recursos minerais. O protecionismo
favoreceu o desenvolvimento de uma maior organização do trabalho manufatureiro, o que repercutiu na
Revolução Industrial.
Intervenção Estatal: o Estado centralizado encontrou na economia mercantilista a forma de alicerçar
e fortalecer o absolutismo monárquico e dar respostas à greve crise que se enunciou em todos os setores
da sociedade europeia em fins da Idade Média e início da Era Moderna.
Industrialismo ou Colbertismo: essa política foi implementada na França por Colbert, ministro de
Luís XIV. Baseava-se no incentivo à produção de artigos de luxo que a França poderia exportar facilmente
obtendo superávit comercial.
Colonialismo: A adoção simultânea de medidas protecionistas por vários Estados europeus
neutralizou grande parte das trocas comerciais na Europa. Assim, o colonialismo surgiu como forma de
dinamizar o comércio e obter imensos lucros na exploração colonial da América, África e Ásia

EXPANSÃO ULTRAMARINA

A Expansão Ultramarina europeia dos séculos XV e XVI foi liderada por Portugal e Espanha, que
conquistaram novas terras e rotas de comércio, como o continente americano e o caminho para as Índias
pelo sul da África.
Desde o Renascimento Comercial, durante a Baixa Idade Média, até a expansão ultramarina, as
cidades italianas foram os principais polos de desenvolvimento econômico europeu. Elas detinham o
monopólio comercial do mar Mediterrâneo, abastecendo os mercados europeus com os produtos obtidos
no Oriente (especiarias), especialmente Constantinopla e Alexandria.
Durante a Idade Média, as mercadorias italianas eram levadas por terra para o norte da Europa,
especialmente para o norte da França e Países Baixos. Contudo, no século XIV, diante da Guerra dos
Cem Anos e da peste negra, a rota terrestre tornou-se inviável. A partir de então, começou a ser utilizada
uma nova rota, a rota marítima, ligando a Itália ao mar do Norte, via Mediterrâneo e Oceano Atlântico.
Esta rota transformou Portugal num importante entreposto de abastecimento dos navios italianos que
iam para o mar do Norte, estimulando o grupo mercantil luso a participar cada vez mais intensamente do
desenvolvimento comercial europeu. No início do século XV, Portugal partiu para as grandes navegações,
objetivando contornar a África e alcançar as Índias, para obter diretamente as lucrativas especiarias
orientais.
A expansão marítima portuguesa foi acompanhada, em seguida pela espanhola e depois por vários
outros Estados europeus, integrando quase todo o mundo ao desenvolvimento comercial capitalista da
Europa.

Motivos Para as Expansões

- O desejo de descobrir uma nova rota para o Oriente com o objetivo de reduzir o custo dos produtos
comercializados na Europa;
- Obter acesso aos metais preciosos, que eram necessários para a cunhagem de moedas e para o
desenvolvimento econômico. Esses metais eram pouco encontrados na Europa;

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- Aumento do poder da burguesia (mercadores), que ambicionavam expandir seus negócios;
- Aumento do poder real, fundamental para a organização das expedições marítimas;
- Desenvolvimento de novos instrumentos e técnicas de navegação, como o astrolábio, o quadrante,
a bússola, além de melhorias na construção dos navios, permitindo viagens mais longas;
- Queda de Constantinopla em 1453, que apesar de ter ocorrido após o início das primeiras expedições
marítimas, ajudou a acelerar o desejo europeu por novas rotas, já que a cidade era o principal entreposto
comercial entre Ocidente e Oriente.

Mitos e as Grandes Navegações

Uma das barreiras para concretizar as viagens no além mar eram os medos que os navegantes
possuíam em relação ao mar aberto, um lugar desconhecido que na mente de muitos marinheiros era
povoado por seres extraordinários e criaturas fantásticas.
Esses medos eram originários do imaginário medieval e da falta de conhecimento sobre lugares ainda
não mapeados, em uma época de pouco ou nenhuma divulgação cultural ou científica. Vale lembrar que
os europeus, até o século XVI conheciam apenas o norte da África e a região que hoje chamamos de
Oriente Médio.

Fonte: Raisz, Erwin. Cartografia Geral, 1969


O mapa acima é uma reprodução de um tipo de mapa muito comum na Idade Média, conhecido como
Orbis Terrarum, ou mapa T no O, por sua forma. No mapa é possível perceber a representação do mundo
conhecido na Idade Média, em que haviam apenas três continentes, não sendo incorporados nem a
América, a Antártida ou Oceania. Apesar da forma arredondada, a terra era entendida como um disco
plano, cercada por mares que terminavam em um abismo profundo. Apesar das teorias de que o mundo
possuía um formato esférico existirem desde a antiguidade, ainda era comum aceitá-lo como uma tábula
cercada pelos astros celestes.
Outro fator importante a ser notado no mapa é a influência que a religião (cristianismo) exercia sobre
todos os aspectos da vida dos europeus. A orientação geográfica coloca a Ásia onde o norte está
localizado, lugar que em um mapa moderno seria ocupado pela Europa. Antes da utilização da bússola
de maneira definitiva na Europa, o norte não possuía a primazia da parte superior dos mapas e cartas. A
parte superior era reservada ao Oriente, a terra do Sol nascente, da luz, do paraíso, de onde haviam sido
expulsos Adão e Eva. Por essa razão, acreditava-se que o paraíso, descrito no livro bíblico de Gênesis,
estava localizado em algum lugar da Ásia, que não havia sido ainda reencontrado pelos cristãos.
Jerusalém, cidade de importante significado religioso e alvo de conquista das cruzadas é entendida como
o centro do mundo.

Expansão Ultramarina Portuguesa e a Chegada ao Brasil


Portugal foi o primeiro país a investir na expansão marítima em virtude de uma série de fatores:
- Desenvolvimento comercial, que proporcionou o surgimento de uma burguesia dinâmica e
economicamente forte;
- Interesse do grupo mercantil em expandir suas transações comerciais; consolidação do poder real
por meio da Revolução de Avis (1383-85) promovida pela burguesia;
- Aperfeiçoamentos náuticos pela invenção da caravela, utilização da vela triangular ou “latina” e,
possivelmente, a existência de um centro de estudos náuticos em Sagres;
- Posição geográfica favorável em direção à costa africana.

Os empreendimentos marítimos portugueses são divididos em duas etapas distintas:

- Reconhecimento e exploração do litoral da África e procura de um novo caminho marítimo para


o Oriente (Índias). A primeira foi iniciada pela tomada de Ceuta em 1415, um entreposto mercantil norte-
africano até então controlado pelos mouros (árabes). Nessa fase, durante a qual foram fundadas várias

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feitorias na costa africana para traficar escravos e produtos locais (ouro, marfim, pimenta-vermelha),
descobriram-se as ilhas atlânticas da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde; as ilhas Canárias foram
descobertas em um período anterior.
- “Périplo africano” (contorno do continente) - Com a conquista de Constantinopla pelos turcos em
1453, os preços das especiarias orientais elevaram-se repentinamente, incentivando ainda mais a busca
de uma rota para as Índias. Assim, com a morte do Infante D. Henrique (1460), que até então dirigira a
expansão marítima portuguesa, o Estado luso empenhou-se em completar o “périplo africano”. Nessa
nova etapa, destacaram-se as viagens de Bartolomeu Dias (Cabo das Tormentas ou Boa Esperança, em
1488) e de Vasco da Gama (chegada a Calicute, na Índia, em 1498). Pouco depois a esquadra de Pedro
Álvares Cabral, que chegou ao Brasil, em 1500.
Já no século XVI, sob o comando do almirante Francisco de Almeida, novas tentativas são
desenvolvidas, mas somente por volta de 1509 os portugueses vêm a conhecer suas vitórias mais
significativas. Entre esse ano e aproximadamente 1515, o comandante alm. D. Afonso de Albuquerque
— considerado o formador do Império português nas Índias — passou a ter sucessivas vitórias no Oriente,
conquistas que atingiram desde a região do Golfo Pérsico (Áden), adentraram a Índia (Calicute, Goa, Diu,
Damão), a ilha do Ceilão (Sri Lanka) e chegaram até à região da Indochina, onde foi conquistada a
importante Ilha de Java.

e. O Renascimento Cultural, o Humanismo e as Reformas Religiosas.

RENASCIMENTO

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização europeia que se desenvolveu entre 1300
e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e
incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança
clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do
Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-
nascimento) do passado (antiguidade, pincipalmente Grécia e Roma), considerado agora como fonte de
inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização
do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam
impregnado a cultura da Idade Média.

Características gerais:

-Racionalidade
-Dignidade do Ser Humano
-Rigor Científico
-Ideal Humanista
-Reutilização das artes greco-romana

Arquitetura

Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas


estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto
em que se coloque.
“Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui
o segredo do edifício” (Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura)

Principais características:

-Ordens Arquitetônicas
-Arcos de Volta-Perfeita
-Simplicidade na construção
-A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas
-Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)

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O principal arquiteto renascentista:

Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto.
Além de dominar conhecimentos de Matemática e Geometria, foi grande conhecedor da poesia de Dante.
Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral
de Florença e a Capela Pazzi.

Pintura

Principais características:

-Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre
si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.
-Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes
reforça a sugestão de volume dos corpos.
-Realismo: o artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que
expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é
pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.
-Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo.
-Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de
obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes.
-Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo
ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo.

Os principais pintores foram:

Botticelli - os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe
proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão.
Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo
tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Obras destacadas: A Primavera
e O Nascimento de Vênus.
Leonardo da Vinci - ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma
atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito
versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento
humano. Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.
Michelangelo - entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para
essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que
expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem. Obras
destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família
Rafael - suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os
elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma
simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. Obras destacadas: A Escola de Atenas
e Madona da Manhã.

O Renascimento na Itália

Considerada o berço do Renascimento, na Itália esse movimento se desenvolveu em plenitude, tanto


nas artes plásticas quanto na literatura e ciência (Humanismo).
Os humanistas, geralmente eram eclesiásticos ou professores universitários que desprezavam a
cultura gótica medieval e primavam pelo individualismo, o refinamento cultural e espiritual.
Em razão das obras e das características que elas apresentam, o Renascimento pode ser dividido em
três fases distintas:

- A primeira é denominada Trecento, correspondente ao século XIV, na transição do Período Medieval


para o Renascimento. Nessa fase, destacam-se Dante, com a Divina Comédia, Petrarca, com África, e
Boccaccio, com a obra Decameron. Nas artes plásticas, Giotto representa os ideais precursores da arte
renascentista.
- No Quatrocento, que corresponde ao século XV, Florença abrigou um dos mais célebres momentos
do Renascimento, com o mecenato da Família Médici. Lorenzo de Médici, o 'Magnífico", que fundou a

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"Academia Platônica", na qual pensadores ilustres buscavam conciliar o ideal cristão com o pensamento
antigo é um dos principais mecenas. Nas artes plásticas, o período representou um grande brilhantismo
na produção de obras, sendo seus expoentes Masaccio, Boticelli, Tintoretto, Ticiano e Leonardo Da Vinci
("O Génio Universal da Humanidade").
- A terceira e última fase do Renascimento é denominada Cinquecento e corresponde à arte do século
XVI, que, apesar de ter artistas como Rafael e Michelangelo, apresenta a decadência do movimento
dentro da Itália. Em meados do século XV, os papas de Avinhão voltam para Roma, que adquire prestígio.
Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Ali, grandes
escultores se revelam, sendo o mais conhecido deles Michelangelo, que domina toda a escultura italiana
do século XVI. Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá. Michelangelo também pintou os afrescos
na Capela Sistina Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em
ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze.
Mas sem dúvida, Florença nesse período abrigou o maior dos humanistas italianos: Nicolau Maquiavel,
que, ao escrever O Príncipe, estabeleceu os fundamentos teóricos do Estado Moderno, essencialmente
na formulação da razão de Estado, que seria posteriormente, pedra angular na teoria política dos Estados
europeus.
O Renascimento Italiano se espalha pela Europa, chegando a outros países, como:

Países Baixos
Erasmo de Rotterdam, foi o maior expoente do Humanismo nos Países Baixos. Em 1509 publicou sua
obra mais famosa, Elogio da Loucura, na qual tece críticas satíricas à sociedade de seu tempo. Tendo
dedicado a sua vida à carreira eclesiástica, Erasmo é considerado um humanista cristão.
Nas artes plásticas, o Renascimento teve maior expressão do que o Humanismo. Na região dos Países
Baixos, as artes plásticas desenvolveram-se de forma independente dos modelos clássicos e refletiam o
luxo da vida dos comerciantes. Seus maiores expoentes foram Peter Brueghel, Bosch, Van Eych e
Rembrandt.

Inglaterra

Destaque para Sir Thomas Morus, com a obra Utopia, que, diante das mudanças sociais promovidas
na Inglaterra em decorrência da manufatura, condenou os abusos da nova sociedade que se formava e
propôs uma sociedade ideal.
William Shakespeare foi o representante máximo da obra teatral, escrevendo mais de 40 peças para
a dramaturgia, entre elas Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet e Rei Lear.

Países Ibéricos

Miguel de Cervantes foi o maior representante do Humanismo na Espanha. Em sua obra Dom Quixote
de La Mancha, satirizou a sociedade feudal e os costumes da cavalaria. Nas artes plásticas, El Greco e
Murillo desenvolveram obras impregnadas de religiosidade e emoção. Em Portugal, Luís Vaz de Camões,
com sua obra Os Lusíadas, traçou a épica narrativa das navegações portuguesas. Gil Vicente produziu
uma obra considerável, tendo títulos como A Farsa de Inês Pereira e Auto da Barca do Inferno.

França

François Rabelais satirizou a Filosofia Escolástica e a Igreja nas obras Gargántua e Pantagruel.
Michel Montaigne, em Ensaios, criticou a sociedade francesa de seu tempo.

Renascimento Científico

O conhecimento medieval era fundamentalmente baseado nas informações e explicações contidas


nos livros sagrados e profanos. A curiosidade impõe o surgimento de experiências e observações durante
o Renascimento. O resultado foi um extraordinário desenvolvimento científico.
Um dos melhores exemplos da ciência renascentista é Leonardo da Vinci. Sua obra é principalmente
artística. Somente após sua morte é que foram difundidas suas ideias científicas, que são precursoras de
inventos modernos. Teorizou alguns princípios da geologia e pode ser considerado precursor remoto do
avião, do submarino e do carro de assalto.

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O polonês Nicolau Copérnico concluiu que a Terra não era o centro do Sistema Solar, mas sim o
Sol. Não era o Sol que girava em torno da Terra, corno se pensava na Idade Média, mas a Terra que
girava em torno do Sol. Suas pesquisas foram completadas pelo alemão Keppler e pelo italiano Galileu.
Na medicina, Versálio publicou uma obra que continha os princípios da anatomia: o espanhol Miguel
Servet descobriu uma parte da lei da circulação sanguínea: o médico francês Paré encontrou uma nova
forma de estancar a hemorragia.

Questões

01. (ENEM)

Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e


sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os cientistas também
iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo
a expressão e o sentimento.
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.

O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela
constante relação entre
(A) fé e misticismo.
(B) ciência e arte.
(C) cultura e comércio.
(D) política e economia.
(E) astronomia e religião.

02. (UERJ)

Eu te coloquei no centro do mundo, a fim de poderes inspecionar, daí, de todos os lados, da maneira
mais cômoda, tudo que existe. Não te fizemos nem celeste, nem terreno, mortal ou imortal, de modo que
assim, tu, por ti mesmo, qual modelador e escultor da própria imagem, segundo tua preferência e, por
conseguinte, para tua glória, possas retratar a forma que gostarias de ostentar.
Fala de Deus a Adão.
Pico della Mirandola, 1486.
PICO DELLA MIRANDOLA, Giovanni. A dignidade do homem. São Paulo: GRD, 1988.

O trecho acima reflete as novas ideias introduzidas no ocidente europeu, a partir do século XV, que
permitiram o desabrochar de um pensamento mais original em relação às artes, às ciências e ao
conhecimento.
Estas ideias podem ser relacionadas ao seguinte processo histórico:
(A) Iluminismo
(B) Revolução Científica
(C) Reforma Religiosa
(D) Renascimento

03. (ENEM)
O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos teólogos, por
uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e também por introduzir, no
ensino, as ideias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escreveu: "Pode ser que se fabriquem máquinas
graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem mais depressa do que
se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a
ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem (...) bata o ar com asas
como um pássaro. Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios"
(apud. BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII. São Paulo: Martins Fontes, 1996, vol. 3).

Considerando a dinâmica do processo histórico, pode-se afirmar que as ideias de Roger Bacon
(A) inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média ao privilegiarem a crença em Deus como o
principal meio para antecipar as descobertas da humanidade.
(B) estavam em atraso com relação ao seu tempo ao desconsiderarem os instrumentos intelectuais
oferecidos pela Igreja para o avanço científico da humanidade.

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(C) opunham-se ao desencadeamento da Primeira Revolução Industrial, ao rejeitarem a aplicação da
matemática e do método experimental nas invenções industriais.
(D) eram fundamentalmente voltadas para o passado, pois não apenas seguiam Aristóteles, como
também baseavam-se na tradição e na teologia.
(E) inseriam-se num movimento que convergiria mais tarde para o Renascimento, ao contemplarem a
possibilidade de o ser humano controlar a natureza por meio das invenções.

04. (ENEM)

"Os próprios céus, os planetas, e este centro


reconhecem graus, prioridade, classe,
constância, marcha, distância, estação, forma,
função e regularidade, sempre iguais;
eis porque o glorioso astro Sol
está em nobre eminência entronizado
e centralizado no meio dos outros,
e o seu olhar benfazejo corrige
os maus aspectos dos planetas malfazejos,
e, qual rei que comanda, ordena
sem entraves aos bons e aos maus."
(personagem Ulysses, Ato I, cena III).
SHAKESPEARE, W. Tróilo e Créssida. Porto: Lello & Irmão, 1948.

A descrição feita pelo dramaturgo renascentista inglês se aproxima da teoria


(A) geocêntrica do grego Claudius Ptolomeu.
(B) da reflexão da luz do árabe Alhazen.
(C) heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico.
(D) da rotação terrestre do italiano Galileu Galilei.
(E) da gravitação universal do inglês Isaac Newton.

05. (UFC) A análise histórica do Renascimento italiano, caso das obras de Leonardo da Vinci e de
Brunelleschi, permite identificar uma convergência entre as artes plásticas e as concepções burguesas
sobre a natureza e o mundo naquele período. Acerca da relação entre artistas e burgueses, é correto
afirmar que ambos:
(A) convergiram em ideias, pois valorizavam a pesquisa científica e a invenção tecnológica.
(B) retomaram o conceito medieval de antropocentrismo ao valorizar o indivíduo e suas obras
pessoais.
(C) adotaram os valores da cultura medieval para se contrapor ao avanço político e econômico dos
países protestantes.
(D) discordaram quanto aos assuntos a serem abordados nas pinturas, pois os burgueses não
financiavam obras com temas religiosos.
(E) defenderam a adoção de uma postura menos opulenta em acordo com os ideais do capitalismo
emergente e das técnicas mais simples das artes.

Gabarito

01.B / 02.D / 03.E / 04.C / 05.A

Comentários

01. Resposta: B
O Renascimento é caracterizado pela valorização dos costumes greco-romanos e pelo distanciamento
entre a ciência e a religião. A figura humana passa a ser retratado de forma naturalizada, com a busca
por retratar o corpo da maneira mais fiel possível, através de estudos de perspectiva, luz, sombras etc.

02. Resposta: D
A expressão renascentista nos remete à Idade Moderna, momento em que uma nova visão de mundo
se desenvolveu ao mesmo tempo em que a burguesia e o comércio estavam em expansão. A cultura
renascentista resgatava valores greco-romanos em contraposição a visão medieval ainda predominante

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na sociedade e, dessa maneira, revalorizou a razão, estimulando a reflexão e o senso crítico, com novas
descobertas científicas, assim como uma nova arte, que refletia não apenas a adoção de novas técnicas,
mas a valorização do ser humano e de sua vida cotidiana.

03. Resposta: E
Roger Bacon viveu na baixa idade média, quando alguns teólogos vislumbraram possibilidades
maiores do que aquelas definidas pela Bíblia. A crença na capacidade criadora do homem chocava-se
com as concepções teocêntricas da Igreja Católica, que entendia que apenas Deus era “criador”. A
escolástica, filosofia que incorporou aspectos humanistas e racionais ao cristianismo, representou uma
porta para o desenvolvimento de novas visões de mundo que, séculos depois, permitiram o renascimento
cultural.

04. Resposta: C
Shakespeare é um autor da época do renascimento cultural e foi influenciado pelas descobertas
científicas da época. O texto enfatiza a importância do sol, entronizado (colocado no trono) e, portanto,
equivalente a um rei em meio a outros astros. O heliocentrismo foi uma importante teoria do renascimento,
defendida por Copérnico, que chocou-se com as teses da Igreja, predominantes até então, que defendiam
a Terra como centro do universo (geocentrismo).

05. Resposta: A
Uma das características básicas do Renascimento era o racionalismo, indutor do cientificismo. As
descobertas científicas fundamentavam as concepções de um contexto de transição, contrárias ás
concepções medievais formuladas e afirmadas pela Igreja.

REFORMAS RELIGIOSAS E A INQUISIÇÃO

Reforma Religiosa

A reforma religiosa começou com Martinho Lutero em 1517, na Alemanha, quando ele protestou contra
a venda de indulgências e aproveitou para fazer outras críticas à estrutura eclesiástica.
Combatido pelo Papa, Lutero foi condenado pelo imperador Carlos V na Dieta (reunião ou assembleia
oficial) de Worms e somente escapou da execução porque se refugiou na Saxônia, com o duque
Frederico, o Sábio.
Uma nova Assembleia foi reunida em Spira, em 1529. O imperador Carlos V impôs o catolicismo
romano aos príncipes, que se rebelaram. Daí o nome "protestante". Em 1530, em Augsburgo, a doutrina
de Lutero foi exposta por Melanchton por meio da Confissão de Augsburgo, que se tornou a constituição
da nova Igreja. Os príncipes protestantes organizaram a Liga de Smalkalde contra o imperador.
Finalmente, em 1555, uma nova Dieta de Augsburgo colocava os príncipes protestantes em vantagem,
pois estabelecia a teoria de que cada príncipe deveria determinar a religião dos súditos. Terminava, assim,
a primeira guerra de religião na Alemanha.

Doutrina Luterana

Para o luteranismo, a salvação não se alcança pelas obras, e sim pela fé, pela confiança na bondade
de Deus, pelo sofrimento interior do fiel. O culto é muito simples: um contato "direto entre fiel e salvador";
somente salmos e leituras da Bíblia.
Lutero rejeitou a maior parte dos sacramentos; conservou apenas três, que foram depois reduzidos a
dois: batismo e eucaristia. Mesmo na eucaristia, a presença de Cristo existe no pão e no vinho, não há
transformação do corpo e sangue de Cristo em pão e vinho, ou seja, não há transubstanciação, e sim
consubstanciação.

Revolução de João Calvino

A Igreja na França sofria os mesmos males da Igreja em toda a Europa, agravados pela Concordata
de 1516, que transferia para o rei da França o direito de nomear bispos e abades.
Com essa reforma, o rei passou a distribuir as abadias e bispados como forma de recompensa por
serviços prestados, deixando em segundo plano as preocupações religiosas.
Por outro lado, as ideias de Erasmo haviam se difundido bastante na França, surgindo mesmo
humanistas admiráveis como Lefèvre d'Etaples, que propunha uma reforma interior e progressiva da

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Igreja. Quando surgiu Calvino, portanto, as ideias de uma reforma humanista e mesmo luterana já haviam
feito numerosos adeptos na França.
Calvino estudou em Novon. Assimilou os ensinamentos luteranos e, por isso, foi obrigado a refugiar-
se em Estrasburgo, por volta de 1534. Retirou-se depois para Bale, onde publicou sua principal obra,
Instituição Cristã, que se tornou a constituição de sua reforma.
A ação de Zwinglio havia iniciado a Reforma na Suíça, mas esta falhara. Calvino instalou-se em Gene-
bra em 1536, a convite de Guilherme Farei, que pertencera ao grupo de Lefèvre d'Etaples, dando início à
Reforma naquela cidade.
A Reforma de Calvino foi bastante radical. Implantou uma censura rígida na cidade, dirigindo-a por
meio de ordenações eclesiásticas. A intolerância era total. A Igreja reformada compreendia os fiéis, os
pastores e o conselho dos anciões. Um consistório dirigia a política religiosa e moral de Genebra.
Essas ideias difundiram-se com rapidez. Theodoro de Beza levou-as para Gênova. Ele havia dirigido
a Academia que se ocupava dos problemas teológicos e da difusão da crença. Na França, os artesãos,
burgueses e mesmo grandes senhores converteram-se à fé de Calvino, que se instalou solidamente na
Holanda e também penetrou na região do Rio Reno. Na Escócia, João Knox e os nobres escoceses
impuseram a Reforma à rainha Maria Stuart (1557-1560). Dessa forma, a Igreja Calvinista, extremamente
igualitária, austera, dirigida por um conselho de pastores e dos anciãos, instalou-se firmemente na
Escócia.

Doutrina Do Calvinismo
Mesmo em relação à doutrina luterana, a doutrina calvinista é bastante radical. Em relação ao
catolicismo, então, há enormes diferenças.
Para Calvino, a salvação é conseguida pela predestinação, que a condiciona totalmente à vontade
de Deus. O amor ao trabalho, o espírito de economia e eventualmente a riqueza material são indícios de
escolha divina para a salvação. Somente os sacramentos do batismo e da eucaristia foram conservados.
O culto é de absoluta simplicidade. Não há imagens nem paramentos, apenas uma Bíblia que deve ser
comentada.

Reforma na Inglaterra

Henrique VIII, rei da Inglaterra (1509-1547), era católico, inclusive opusera-se violentamente à Reforma
Luterana.
As divergências de Henrique VIII com a igreja católica começaram em 1527, quando o rei pretendeu
casar-se com uma dama da corte, Ana Bolena. O problema do desejo de matrimonio do rei é que ele já
possuía uma esposa, Catarina de Aragão.
Tendo o papa se negado a dissolver o seu casamento anterior com Catarina, o rei rompeu com a igreja
católica.
Em 1534, o Parlamento promulgou o Ato de Supremacia, pelo qual Henrique VIII se tornava o chefe
supremo da Igreja na Inglaterra. Assim, a Igreja Anglicana tornou-se uma Igreja nacional, separada de
Roma. Nenhuma reforma foi efetuada na doutrina ou no culto. Henrique VIII perseguiu tanto os católicos
quanto os calvinistas (os chamados puritanos).
Sob a influência do bispo Cramer, o calvinismo penetrou na Inglaterra durante o reinado de Eduardo
VI (1547-1553). Assim, a missa foi suprimida e o casamento dos padres, permitido. O poder passou em
seguida a uma rainha católica, Maria Tudor (1553-1558), que empreendeu profunda perseguição aos
calvinistas e anglicanos, restaurando o catolicismo.
Foi somente com Elizabeth (1558-1603) que se estabeleceu definitivamente a Reforma na Inglaterra.
Confirmou-se a superioridade do rei nos assuntos religiosos. Completou-se a separação de Roma. Foi
instituído um livro de orações comuns, e a hierarquia do clero, mantida.

Características da Doutrina Anglicana


Em termos da doutrina, a salvação pela predestinação, apoio das Sagradas Escrituras, supressão das
conexões com Roma, manutenção da hierarquia, conservação de dois sacramentos, presença espiritual
de Cristo na eucaristia, eliminação do sacrifício da missa e preservação da liturgia foram as modificações
introduzidas.

Contrarreforma

A igreja católica passava por disputas internas entre o Papado e o Concílio, envolvidos numa luta pelo
controle da Igreja. Isso impediu a pronta ação contra o protestantismo, que teve uma expansão tão rápida,

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tão fulminante que a Igreja Católica finalmente percebeu que poderia ser completamente destruída. Daí
a necessidade de uma reorganização interna.
O surgimento da Companhia de Jesus, destinada a apoiar o papa, permitiu a convocação do Concilio
de Trento (1545-1563), no qual se adotaram as principais medidas de defesa da Igreja Católica. O
Concílio conservou a doutrina tradicional, manteve a autoridade do papa e criou os seminários para
melhorar a formação do clero.
Confirmou-se o já existente Tribunal da Inquisição e foi criado o índice dos Livros Proibidos (Index
Librorum Prohibitorum). O Concílio realizou, pois, um trabalho de reestruturação da Igreja Católica, de
reforma interna da Igreja, condição básica para poder enfrentar os protestantes.

Consequências da Reforma
No plano econômico, a Reforma Calvinista trouxe consigo a ideia da predestinação (Deus elegia
previamente os fiéis para a salvação) e de que um dos sinais da escolha divina era o êxito profissional, a
riqueza. Tal concepção adaptava-se perfeitamente à ética capitalista, ao ideal da acumulação e do inves-
timento. Socialmente, a Reforma deu margem a convulsões sociais, pois em nome da religião os cam-
poneses e artesãos aproveitaram para fazer suas reivindicações específicas. Politicamente, os reis e os
príncipes transformaram a Reforma em instrumento de luta pelo poder, pois o rompimento com a Igreja
tornava-os mais fortes.

A Inquisição Medieval e Moderna

O termo Inquisição refere-se a várias instituições dedicadas à supressão da heresia no seio da Igreja
Católica. A Inquisição foi criada inicialmente para combater o sincretismo entre alguns grupos religiosos,
que praticavam a adoração de plantas e animais e utilizavam mancias. A Inquisição medieval, da qual
derivam todas as demais, foi fundada em 1184 no Languedoc (sul da França) para combater a heresia
dos cátaros ou albigenses. Em 1249, implantou-se também no reino de Aragão, como a primeira
Inquisição estatal e, já na Idade Moderna, com a união de Aragão e Castela, transformou-se na Inquisição
espanhola (1478 – 1834), sob controle direto da monarquia hispânica, estendendo posteriormente sua
atuação na América. A Inquisição portuguesa foi criada em 1536 e existiu até 1821. A Inquisição romana
ou “Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício” existiu entre 1542 e 1965.
O condenado era muitas vezes responsabilizado por uma “crise da fé”, pestes, terremotos, doenças e
miséria social, sendo entregue às autoridades do Estado, para que fosse punido. As penas variavam
desde confisco de bens e perda de liberdade, até a pena de morte, muitas vezes na fogueira, método que
se tornou famoso, embora existissem outras formas de aplicar a pena. Os tribunais da Inquisição não
eram permanentes, sendo instalados quando surgia algum caso de heresia e eram depois desfeitos. Os
judeus viveram o seu apogeu na Península Ibérica nos séculos X e Xll e a medicina, a filosofia, a literatura
entre os judeus ibéricos eram de grande expressão. Os judeus estavam bem estabelecidos. Apesar da
presença muçulmana na Espanha, a cultura judaica não era afetada, pois se expressava em toda a
península de todas as formas, criando até um centro de estudos cabalístico em Girona, de grande
repercussão.
Mais tarde, sobe ao poder na Espanha dois reis católicos: Fernando e Isabel de Aragão, que com a
bandeira do catolicismo, conseguiram unificar os reinos ibéricos. Dessa união, surge de forma
consolidada a Espanha. O reino culpava os judeus, diante da Santa Sé romana, de todos os males que
afligiam os reinos espanhóis da Inquisição, com o famoso manual inquisitório “Directorium Inquisitorum”.
Para os judeus, dizia-se: “a morte ou água benta”. Centena de milhares de judeus foram batizados, porém
guardando em suas casas os ritos judaicos, o que lhes rendeu maior perseguição, começando então os
Pogroms: ataques violentos em massa aos judeus, onde cerca de 50 mil foram mortos e cerca de 120 mil
fugiram para Portugal. A caminho da fogueira Na Espanha e em Portugal, a Inquisição abusava da
crueldade para punir quem se desviasse da fé católica.1
A Inquisição moderna, diferentemente da medieval, contava com estruturas fixas e um corpo
hierarquizado de agentes em atividade permanente. A de Castela e Leão, fundada em 1478 por iniciativa
da Coroa, atuou na Espanha e em suas colônias da América Latina, nos Países Baixos e em regiões da
Península Itálica sob domínio da monarquia hispânica sem maiores problemas de adaptação. Só foi
abolida definitivamente em 1834.
A portuguesa, estabelecida em 1536, na sequência de difíceis negociações desencadeadas pelo rei
D. João III, vigorou nos territórios de Portugal e de seu império pluricontinental, desde Macau, no Extremo
Oriente, até o Brasil. Foi extinta em 1821.

1
Adaptado de museudainquisicao

19
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A romana foi fruto de reorganização em 1542, durante o pontificado de Paulo III, com a criação da
Congregação Romana do Santo Ofício. Teve jurisdição na Península Itálica, e já em 1965 passou a
designar-se Congregação para a Doutrina da Fé, modificando seus propósitos e práticas.
Havia diferenças entre as três. A portuguesa não teve lastro medieval a precedê-la, ao contrário das
outras. Embora alguns inquisidores – franciscanos e dominicanos – tivessem sido nomeados pelo papa,
não há registro de sua atuação.
A natureza dos tribunais era distinta. Os ibéricos tinham uma aparência híbrida, com fortes vinculações
e dependências em relação à Coroa e ao sumo pontífice, o que foi bem usado para garantir certa
independência, em especial no caso português. Em Roma, a Congregação era exclusivamente
dependente do papado. Nos casos espanhol e romano, os confrontos entre bispos e inquisidores foram
mais fortes e recorrentes, enquanto em Portugal houve, de modo geral, grande cooperação e
complementaridade entre eles.
Todas tinham como objetivo principal eliminar as heresias e preservar a ortodoxia do catolicismo
romano. Mas elas se concentraram em grupos distintos. A portuguesa centrou sua atividade na
perseguição aos cristãos-novos judaizantes, e assim se manteve até 1773, quando foi abolida pelo
marquês de Pombal a distinção entre cristãos-novos e velhos. A espanhola, inicialmente, teve sua mira
apontada para o mesmo alvo. No entanto, os delitos quantitativamente mais significativos foram as
blasfêmias e o cripto-islamismo praticado pelos mouriscos. A Inquisição romana, por sua vez, apontou
baterias contra o protestantismo e, em segundo plano, contra as práticas mágico-supersticiosas.
Calcula-se que 400 brasileiros foram condenados e 21 queimados em Lisboa, para onde eram
mandados os casos mais graves. Os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 2 mil
foram mortas na fogueira. Na Espanha, até a extinção do Santo Ofício, em 1834, estima-se que quase
300 mil pessoas tenham sido condenadas e 30 mil executadas.

As Fases do Processo

O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório


e a sentença.

Tempo de Graça
Ao chegar às aldeias e às cidades, os inquisidores solicitavam a todos os acusados de heresia que se
apresentassem espontaneamente aos juízes. Era então estabelecido o tempo de graça, que poderia ser
de 15 dias a um mês.
O herético que se apresentasse, durante esse período, para confessar seu erro era tratado com certa
misericórdia, recebendo geralmente penas leves, a critério do juiz. Terminando o tempo de graça, porém,
os juízes do tribunal tornavam-se implacáveis, perseguindo duramente os suspeitos.

Interrogatório
Perante o tribunal, os acusados de heresia eram longamente interrogados pelos os juízes, que faziam
de tudo para que o réu confessasse o crime. Caso o réu se recusasse a confessar, podia ser submetido
a diversas formas de violência e tortura, como chicotadas, queimaduras com brasas etc.
O manual dos inquisidores, espécie de guia prático do ofício inquisitorial, escrito em 1376 pelo
dominicano espanhol Nicolau Eymerich (depois revisto e atualizado, em 1578, por Francisco de La Penã),
diz que:
A finalidade da tortura é obrigar o suspeito a confessar a culpa que cala. Pode-se qualificar de
sanguinários todos esses juízes de hoje, que recorrem tão facilmente à tortura, sem tentar, através de
outros meios, completar a investigação. Esses juízes sanguinários impõem torturas a tal ponto que matam
os réus, ou os deixam com membros fraturados, doentes sempre.
O inquisidor deve ter em mente que: o acusado deve ser torturado de tal forma que sai saudável para
ser liberado ou para ser executado.
Para muitos daqueles que observam a prática das torturas ao longo da inquisição, parece bastante
óbvio concluir que tal prática simplesmente manifestava o desmando e a crueldade dos clérigos
envolvidos com esta instituição. Contudo, respeitando os limites impostos pelo tempo em que viveram os
inquisidores, devemos ver que essas torturas também refletiam concepções teológicas que eram tomadas
como verdade para aqueles que as empregavam.
O “potro” era uma das torturas mais conhecidas pelos porões da Santa Inquisição. Neste método, o
réu era deitado em uma cama feita com ripas e tinha seus membros amarrados com cordas. Usando uma
haste de metal ou madeira, a corda amarrada era enrolada até ferir o acusado. Por conta dos vergões e

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cicatrizes deixadas por esse tipo de tortura, os inquisidores realizavam-na algumas semanas antes da
conclusão final do processo.
O mais temido instrumento de tortura era a roda. Nesse método, a vítima tinha seu corpo preso à parte
externa de uma roda posicionada em baixo de um braseiro. O torturado ia sofrendo com o calor e as
queimaduras que se formavam na medida em que a roda era deslocada na direção do fogo. Em algumas
versões, o fogo era substituído por ferros pontiagudos que laceravam o acusado. Os inquisidores alemães
e ingleses foram os que mais empregaram tal método de confissão.
No pêndulo, o acusado tinha as canelas e pulsos amarrados a cordas integradas a um sistema de
roldanas. Depois disso, seu corpo era suspenso até certa altura, solto e bruscamente segurado. O impacto
causado por esse movimento poderia destroncar a vítima e, em alguns casos, deixá-la aleijada. Em uma
modalidade semelhante, chamada de polé, o inquirido era igualmente amarrado e tinha as extremidades
de seu corpo violentamente esticadas.
Em uma última modalidade da série, podemos destacar a utilização da chamada “tortura d’água”.
Neste aparelho de tortura, o acusado era amarrado de barriga para cima em uma mesa estreita ou
cavalete. Sem poder esboçar a mínima reação, os inquisidores introduziam um funil na boca do torturado
e despejavam vários litros de água goela abaixo. Algumas vezes, um pano encharcado era introduzido
na garganta, causado a falta de ar.

Sentença
Arrancada a confissão do réu, os inquisidores proferiam a sentença em uma sessão pública
denominada sermão geral. As sentenças previam três tipos básicos de penas: confiscação de bens, prisão
e morte.
A maioria dos condenados à morte eram queimados vivos numa grande fogueira. Somente a alguns
permitia-se o estrangulamento antes de serem lançados ao fogo.

A Defesa dos Interesses das Classes Dominantes


A ação dos tribunais da Inquisição estendeu-se por vários reinos cristão: Itália, França, Alemanha,
Portugal e, especialmente, Espanha. Nesse último país, a Inquisição penetrou profundamente na vida
social, possuindo uma gigantesca burocracia pública com cerca de vinte e cinco mil funcionários a serviço
do movimento inquisitorial.
Pressionada pelas monarquias católicas, a Inquisição desempenhou um papel político e social, freando
os movimentos contrários às classes dominantes e, dessa maneira, ultrapassando sua finalidade
declarada de proceder ao mero combate às heresias religiosas.

Questões

01. (IF/SC - Professor - História – IF/SC) As transformações no modo de agir e pensar típicos da
transição do medievo para a modernidade caracterizam um período histórico marcado por rupturas e
permanências.
No que diz respeito às Reformas Religiosas ocorridas na Europa, todas as alternativas abaixo estão
corretas, EXCETO UMA, assinale-a.
(A) A Reforma é consequência das teorias iluministas antieclesiásticas que se basearam nas ideias de
Hegel de que a fé é um elemento individual.
(B) O movimento reformista promoveu um abalo na estrutura do poder religioso do mundo europeu
ocidental.
(C) As transformações decorridas do movimento da reforma relacionam-se com aspectos relativos às
normas de conduta e concepções de valores.
(D) O movimento reformista, além de propiciar mudanças institucionais, também está relacionado com
a crise moral e religiosa pela qual a Europa passava naquele período.
(E) A crítica aos abusos cometidos pela Igreja Católica foram um ponto central para a ocorrência do
movimento reformista, entretanto, elementos relativos à economia devem ser considerados.

02. (SEDUC/RO - Professor – História – FUNCAB) Durante a reforma protestante, surge um


movimento em que a maioria dos convertidos era recrutada nas massas camponesas e nos trabalhadores
urbanos, cujas dificuldades materiais e inquietações religiosas não foram levadas em conta por outros
reformadores, identificados com as classes dominantes. Identifique a qual corrente do movimento
reformista o enunciado faz referência.
(A) Luteranismo.
(B) Zwinglianismo.

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(C) Anabatista.
(D) Calvinismo.
(E) Anglicanismo.

03. (IF/SC - Professor - História - IF-SC) De acordo com seus conhecimentos a respeito da Reforma
Protestante, ocorrida na Europa durante o século XVI, relacione a COLUNA A com a COLUNA B e, em
seguida, marque a alternativa correta, de cima para baixo.

COLUNA A
1 – Henrique VIII
2 – João Calvino
3 – Martinho Lutero

COLUNA B
( ) Criou uma igreja inicialmente sem grandes modificações em termos de doutrina e culto
comparativamente à católica, mas a ideia de igreja nacional e de catolicismo sem Roma teve em sua
ação maior expressão que nos demais países – tornou-se chefe supremo desta igreja através da
aprovação pelo Parlamento do “Ato de Supremacia” (1534).
( )Condenou a venda de indulgências (perdão dos pecados), pois acreditava que a salvação da alma
resultava da fé e que as boas obras em nada influíam para a salvação.
( ) Pregava o rigor da disciplina, a valorização moral do trabalho e da poupança, oferecendo aos
setores burgueses uma justificativa religiosa sólida a suas atividades.
( ) Negou o ato da transubstanciação (transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo),
sugerindo que a mesma fosse vista apenas como a bênção sagrada do pão e do vinho, que ele chamou
de consubstanciação.
( ) Se mostrou favorável a livre interpretação da Bíblia, a uma igreja nacional livre da hierarquia
romana, o celibato dos padres desapareceria, haveria apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia.
a) 2, 3, 2, 1, 3
b) 2, 1, 3, 2, 1
c) 3, 2, 1, 1, 2
d) 1, 3, 2, 3, 3
e) 1, 3, 1,2 , 3

Gabarito

01.A / 02.D / 03.D

Comentários

01. Resposta: A
Questão que se resolve apenas pela datação. A Reforma protestante (século XVI) é um movimento
que antecede o iluminismo (séculos XVII e XVIII).

02. Resposta: D
Apesar de receber o nome com relação a Calvino, o calvinismo foi um movimento que recebeu diversas
influências. Foi conhecida como segunda fase reformista e também foi um sequência do movimento
luterano. Iniciou-se na Suíça e expandiu-se por vários pontos da Europa.

03. Resposta: D

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f. A montagem da colonização europeia na América: os Sistemas Coloniais
espanhol, francês, inglês e dos Países Baixos.

SISTEMA COLONIAL

Administração Colonial Espanhola2


Com a efetivação do projeto de dominação colonial espanhol, os novos conquistadores da América
iniciaram a implantação de um complexo sistema de controle sob as regiões dominadas. Valendo-se da
justificativa religiosa e do grande interesse comercial da Coroa, a Espanha apresentou hábitos,
instituições e homens que garantiram o funcionamento da lógica de exploração hispânica.
Inicialmente, as possessões espanholas foram divididas em quatro grandes Vice-reinados: Nova
Espanha (MEX), Nova Granada (COL/EC), Peru (PERU/BOL) e Rio da Prata (PAR/URU/ARG).
Paralelamente, houve a instalação de outras quatro capitanias-gerais: Cuba, Guatemala, Chile e
Venezuela. Nomeados pela Coroa, os vice-reis e capitães-gerais contavam com uma série de órgãos que
legitimavam sua autoridade político-administrativa.
Na esfera regional, ainda existiam os cabildos (ou ayuntamientos), que funcionavam como câmaras
municipais incumbidas de resolver as questões de caráter local. Todos os cargos do alto escalão
administrativo da Coroa Espanhola eram dominados por um grupo específico. Somente os indivíduos
nascidos na Espanha, chamados chapetones, podiam ocupar estes cargos.
Logo em seguida, existia uma elite local que detinha o controle sobre as atividades comerciais e
agroexportadoras. Os criollos formavam uma elite nascida em solo americano que, por determinação da
administração colonial, não usufruíam dos mesmos privilégios políticos da classe chapetone. Esse tipo
de separação causou grandes conflitos entre criollos e chapetones na América espanhola.
Nos extratos intermediários da sociedade colonial hispânica estavam os mestiços. Esses, apesar de
serem trabalhadores livres, não desfrutavam de nenhuma espécie de direito político. Por fim, as
populações indígenas compunham a grande parcela da população colonial e, ao mesmo tempo,
representava o sustentáculo de toda economia. A exploração da mão-de-obra indígena era organizada
em duas diferentes modalidades: a mita e a encomienda.
A mita consistia em uma espécie de imposto pago em forma de trabalho. Essa relação de trabalho,
herdada dos incas, escolhia por sorteio parcelas da população indígena que deveriam compulsoriamente
prestar serviços durante um período de três a quatro meses. Já encomienda era um tipo de relação de
trabalho onde um encomendero organizava as populações que teriam sua mão-de-obra explorada. Em
troca, os índios recebiam a catequização católica. A escravidão também foi explorada na América
Espanhola, principalmente na medida em que a mão-de-obra indígena mostrava-se insuficiente.
O Conselho Real e Supremo das Índias era o órgão máximo da administração colonial. Para controlar
as riquezas produzidas e a cobrança dos impostos foi criada na metrópole a Casa de Contratação. Nelas,
o “sistema de porto único” era dotado para evitar o contrabando comercial. Segundo esse sistema,
somente nos portos de Cádiz e Sevilha poderia circular os produtos oriundos e destinados ao continente
americano. Em solo americano, somente os portos de Veracruz (MEX), Porto Belo (PAN), e Cartagena
(COL) podiam comercializar com a Espanha.
Ao longo do século XVII e XVIII, os interesses político-econômicos da elite criolla e a ascensão do
ideário iluminista criaram um sério desgaste na administração colonial espanhola. Com o advento da Era
Napoleônica, as autoridades coloniais metropolitanas perderam sua autoridade no momento em que
Napoleão ameaçava a estabilidade do poder central hispânico. Nesse contexto, as várias independências
latino-americanas do século XIX deram fim ao poderio colonial espanhol.

Colonização Francesa nas Américas3


A colonização francesa nas Américas, assim como a inglesa, foi retardatária se comparada às
expedições espanholas e portuguesas. Apesar do atraso, os franceses empreenderam tentativas de
colonização nas três Américas.
Como os franceses ficaram fora da divisão do Tratado de Tordesilhas, o rei francês Francisco I havia
ironizado o tratado, ao dizer que queria ver o testamento de Adão para saber se ele havia destinado as

2
SOUZA, Rainer. Administração colonial espanhola. Mundo educação.http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historia-america/administracao-colonial-
espanhola.htm
3
P. DOS SANTOS, Tales. Colonização Francesa nas Américas. Mundo educação.http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historia-america/colonizacao-francesa-
nas-americas.htm

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terras do mundo apenas a Portugal e Espanha. Porém, o tratado não impediu os franceses de tentar
colonizar áreas do território americano e nem de tentar lucrar com o comércio marítimo na região.
As práticas de pirataria foram estimuladas pela coroa francesa. Inúmeros navios corsários passaram
a navegar em águas americanas, com o objetivo de saquear navios e localidades comerciais litorâneas.
Com as ações de pirataria, os franceses conseguiram ganhos econômicos consideráveis.
Havia também interesse na criação de colônias nos territórios americanos. Uma tentativa se deu em
meados do século XVI, na região da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Em estreita ligação com os
indígenas da região, os franceses fundaram em 1555 a França Antártica, cujo objetivo era criar um espaço
de colonização no litoral brasileiro, buscando desenvolver atividades econômicas, principalmente no
extrativismo. A iniciativa teria fim alguns anos depois, quando os portugueses e seus aliados indígenas
derrotaram os Franceses.
Ainda no que conhecemos como litoral brasileiro, os franceses tentaram uma nova empresa
colonizadora, dessa vez na atual região do Maranhão. Nesse local, entre 1612 e 1615, os franceses
criaram a França Equinocial, cujo principal legado é a cidade de São Luís do Maranhão. Mais uma vez
os franceses não foram capazes de manter a colônia, sendo novamente expulsos pelos portugueses.
Na América do Sul, os franceses teriam mais sorte na região das Guianas, onde até os dias atuais há
um território francês: a Guiana Francesa. Nela houve a produção de produtos tropicais destinados à venda
no mercado europeu.
Na América do Norte, os franceses ocuparam inicialmente territórios onde hoje se localiza o Canadá.
O ponto de partida foi a formação de Quebec no início do século XVII. A partir daí os franceses passaram
a ocupar a região dos Grandes Lagos, onde conheceram a foz do rio Mississipi. O rio auxiliou ainda os
franceses a ocuparem a região central do continente norte-americano, em uma faixa territorial que ia
desde os Grandes Lagos até o Golfo do México, ao sul. A região ficou conhecida como Louisiana, nome
dado em homenagem ao rei Luís XIV.
Na região do Golfo do México, os franceses construíram a cidade de Nova Orleans, um importante
entreposto comercial, onde eram escoadas principalmente madeiras e peles, já que não houve um
incentivo à produção agrícola nos territórios franceses. Tal situação ocorreu principalmente por não ter
havido grande incentivo da coroa francesa na colonização, cabendo a empresas privadas a exploração.
Na região das Antilhas, os franceses conquistaram algumas ilhas, destacando-se parte da Ilha de
Santo Domingo, atual Haiti. Inicialmente a exploração agrícola dessa região era de produtos como tabaco,
café e cana-de-açúcar, trabalhados pelos chamados “engagés” (engajados), criminosos e marginalizados
na metrópole que iam para a colônia em troca de trabalho e acesso a terra após três anos de serviços.
Mas com o aumento da produção, essa mão de obra foi substituída pelo trabalho de africanos
escravizados. No século XVII, o ministro das Finanças de Luís XIV mudou a política colonial e criou a
Companhia das Índias Ocidentais, 1635, com objetivo de administrar as colônias.
O Haiti tornou-se a principal colônia francesa, onde era produzida a maior parte do açúcar fabricado
no mundo. Entretanto, com a eclosão da Revolução Francesa, os ideais revolucionários influenciaram a
luta dos escravos, que aboliram a escravidão em 1794 e conseguiram a independência em 1804.
Os territórios da América do Norte seriam perdidos após uma série de derrotas em guerras travadas
contra algumas potências europeias, principalmente a Inglaterra. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e
os acordos do Tratado de Paris custaram aos franceses a região de Quebec e todas as suas possessões
no Canadá, além da Louisiana e de algumas ilhas das Antilhas.
Nos dias atuais, ainda se mantêm como departamentos franceses as Ilhas de Guadalupe, São
Martinho, São Bartolomeu e Martinica, nas Antilhas; e a Guiana Francesa, na América do Sul.

Império Colonial Holandês4


Recebeu a denominação de Império Colonial Holandês o conjunto de territórios ultramarinos
controlados, em um primeiro momento, pelas Províncias Unidas (República das Sete Províncias Unidas
dos Países Baixos), nos séculos XVI ao XVII, e posteriormente, pelo moderno estado dos Países Baixos,
uma monarquia constitucional, indo do século XVIII ao XX.
Os holandeses foram responsáveis pelo estabelecimento de uma nova forma de colonialismo, que em
certos pontos lembra as atividades das grandes corporações capitalistas em atividade nos dias de hoje.
As diferenças começam pelo fato dos holandeses não se envolverem muito nas atividades exploratórias,
sendo poucos o navegadores holandeses a descobrirem territórios, como Abel Tasman, Willem Barents
ou Henry Hudson.
A estratégia da nova potência, recém-independente da Espanha, em 1581, foi a de se estabelecer em
entrepostos já consolidados pelas duas únicas forças ultramarinas à época, ou seja, a sua antiga
4
SANTIAGO, Emerson. Império Colonial Holandês. Info Escola http://www.infoescola.com/historia/imperio-colonial-holandes/.

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metrópole, a Espanha, e Portugal. É assim, que quase ao mesmo tempo os holandeses irão ocupar os
entrepostos lusos no Brasil, São Tomé & Príncipe, Angola, Índia Portuguesa, Sri Lanka, Formosa
(Taiwan), Japão e Indonésia. A duras penas, os portugueses recuperariam parte desses territórios, mas
abandonaria para sempre outros, em especial os territórios colonizados na Indonésia, onde começa a se
constituir o Império Holandês.
O Império Holandês possuía ainda outras características que o diferenciava dos outros. Ao invés de
manter políticas mercantilistas e impor as restrições do chamado Pacto Colonial aos seus territórios, eles
optaram por "terceirizar" o trabalho a companhias especializadas, responsáveis por armar navios, manter
entrepostos em todo o globo, transportar colonos para povoamento e trabalho, transportar escravos e
coletar os produtos. Eram elas a Companhia Holandesa das Índias Orientais (Vereenigde Oost-Indische
Compagnie, VOC, em holandês), responsável pelos entrepostos localizados no oriente, e a Companhia
Holandesa das Índias Ocidentais (Geoctroyeerde Westindische Compagnie, WIC, em holandês),
destinada aos territórios holandeses no ocidente. Praticamente toda a atividade colonial era comandada
por estas duas companhias, sendo o estado holandês responsável apenas nominalmente pela
empreitada.
Os dois pilares da colonização holandesa eram a Colônia do Cabo e a já citada Indonésia, sob o nome
de Índias Orientais Holandesas, sendo o primeiro ponto de povoamento e parada de navios, e o segundo
fonte de várias matérias-primas que seriam distribuídas pela Europa através dos capitalistas em Haia e
Amsterdam. Além destes territórios, estavam sob domínio das duas companhias o Sri Lanka, o entreposto
em Deshima, Nagasaki, no Japão, onde os holandeses tinham a exclusividade de comércio com aquele
país, Malaca, na Malásia, vários postos tomados aos portugueses na Índia, no oriente; no ocidente,
estavam Nova Amsterdam (futura Nova Iorque, trocada pelo atual Suriname no fim do século XVII), Costa
do Ouro (atual Gana), Antilhas Holndesas, Suriname, Tobago, Ilhas Virgens Britânicas e nordeste do
Brasil.
A rivalidade com outras potências emergentes, como França, e Grâ-Bretanha iria desgastar aquela
que foi a maior força marítima até então, com os melhores e mais velozes navios de sua época. A Grâ-
Bretanha se apoderaria de boa parte de seus territórios, e a França de Napoleão invadiria a república,
tornando-a um estado-satélite francês. Ao recuperar sua independência, em 1815, o país já era uma
monarquia, que havia se unido à Bélgica e Luxemburgo, formando o Reino Unido dos Países Baixos,
estado que duraria até 1830, com a independência da Bélgica. As duas companhias responsáveis pelas
colônias tinham sido liquidadas, revertendo todos os territórios ao Estado. O que restou do império, ou
seja, Indonésia, Suriname, Curaçao e Dependências e Costa do Ouro (Gana) foram administradas a partir
de então, sem maiores investimentos.
Gana foi cedida aos britânicos em 1872, e a Indonésia se tornaria independente após breve luta com
a metrópole, em 1949, sendo que a parte ocidental da ilha de Nova Guiné (Nova Guiné Holandesa)
permaneceria holandesa até 1962. O objetivo era tornar o território um país independente, o que não
ocorreu, pois no ano seguinte a Indonésia anexou o território e promoveu um dúbio referendo no qual a
população escolheu por unir-se a esta; ainda hoje, oposicionistas dentro do território de Irian Jaya (nome
que o território tomou como província indonésia) buscam a independência. Suriname teve sua
independência concedida em 1975, e com isso, permanecem em poder holandês apenas as Antilhas
Holandesas. Aruba, em referendo ocorrido em 1986 decidiu por ser um território à parte do conjunto de
ilhas. Em 2010, as Antilhas Holandesas foram dissolvidas, sendo que Curaçao e Sint Maarten também
optaram por serem administradas em separado, e Bonaire, Saba e Sint Eustatius formam o atual Caribe
Holandês, parte autônoma dos Países Baixos.
O funcionamento interno das colônias foi um dos principais pontos de divergência. Apesar dos fatores
que levaram Inglaterra e Espanha a explorarem seus interesses nas colônias, de certo modo semelhantes
(interesses mercantis), é possível perceber que o desenvolvimento das colônias se deu de maneiras bem
diferente.

A colonização inglesa
Um dos motivos para a vinda de ingleses para a América foi a intolerância religiosa em seu país de
origem. Ao chegar ao poder, a dinastia Stuart encontrou na Inglaterra diversos grupos protestantes e
católicos, além da Igreja Anglicana, a oficial, em conflito. Diversos grupos, entre eles os quakers,
enxergavam na América uma oportunidade de serem livres na prática de seus cultos.
No começo da colonização muitos grupos religiosos se dirigiam para a América em busca de liberdade
para seus cultos, vetados na Inglaterra, a exemplo dos peregrinos, que vieram para a América abordo do
navio Mayflower. Os quatro principais grupos religiosos da América Inglesa eram os puritanos, os
anglicanos, os quakers, e os holandeses reformados. Além destes também haviam presbiterianos,
católicos, luteranos e huguenotes. Algumas colônias foram criadas com o intuito de livre culto. A religião

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oficial das colônias era o Anglicanismo, porém havia a presença de batistas e presbiterianos no “Velho
Oeste”, além de pastores de seitas alemães. Os católicos (especialmente em Maryland), huguenotes,
batistas, entre outros, eram perseguidos em algumas colônias pela divergência religiosa, e muitas vezes
se encontravam em conflito com os anglicanos
A colônia também era utilizada como destino para o excedente populacional da Inglaterra que alcançou
nos anos anteriores um forte crescimento demográfico.
A presença de negros nas colônias inglesas se fez de maneira muito intensa, utilizados como mão-de-
obra nas lavouras principalmente no sul, introduzido pela necessidade de mão-de-obra nas plantations.
O trabalho escravo era considerado mais rentável e barato que a mão-de-obra livre.
A exploração colonial e a escravidão estavam tão relacionadas que chegaram a ser vistas como
sinônimos, “peças inseparáveis do mesmo sistema”.
Nas colônias inglesas do sul, a exploração colonial era apoiada na grande propriedade agrícola voltada
para o comércio e no escravismo. As colônias existiam principalmente para o fornecimento de produtos
de áreas tropicais para as metrópoles.
As colônias do norte, por seu clima semelhante ao europeu não ofereciam muitos produtos novos para
a Inglaterra e eram vistas como competidoras com a metrópole. A economia da região era voltada ao
mercado interno e à subsistência, então estava tão condicionada aos interesses da metrópole. Pautava-
se, principalmente, no trabalho livre. A distinção climática entre as colônias do Norte e do Sul causavam
também a distinção socioeconômica.

Colonização Espanhola
Ao chegarem na América os espanhóis se depararam com grandes e complexas civilizações. Muitos
dos centros urbanos criados pelos povos pré-colombianos superavam as cidades da Europa.
Um dos mais expressivos processos de dominação da população nativa aconteceu quando Hernán
Cortéz liderou as ações militares contra o Império Asteca, dominando e escravizando uma numerosa
população indígena.
O confronto e a doença funcionavam como importantes meios de dominação, além de outros casos,
em que os espanhóis instigavam o acirramento das rivalidades entre duas tribos locais. Dessa forma,
depois dos nativos se desgastarem em conflitos, a dominação hispânica agia para controlar as tribos em
questão.
Após a conquista, os colonizadores tomaram as devidas providências para assegurar os novos
territórios e, no menor espaço de tempo, viabilizar a exploração econômica de suas terras. A extração de
metais preciosos e o desenvolvimento de atividades agroexportadoras nortearam a nova feição da
América colonizada. Além de contar com uma complexa rede administrativa, os espanhóis aproveitaram
da mão de obra dos indígenas subjugados.
O grupo majoritário era composto de indígenas, que formavam a base de sustentação da economia
colonial. Os indígenas foram considerados os vassalos do rei e deviam trabalhar para que o Império
Espanhol ficasse mais forte. Além disso, deveriam pagar impostos, cobrados na forma de trabalhos
compulsórios.
A América Espanhola, foi caracterizada por uma descentralização administrativa, que se subdividia em
quatro vice-reinos:

– Nova Espanha: vice-reino foi criado no ano de 1535, estando assim incluído o México, parte da
América central e o oeste dos Estados Unidos.
– Peru: esse vice-reino criado no ano de 1543 e formado pelo novo Peru e por parte da Bolívia.
– Nova Granada: vice-reino criado no ano de 1717 e formado por novos territórios da Colômbia,
Equador e Panamá.
– Rio da Prata: esse vice-reino foi criado no ano de 1776 e foi formado por novos territórios do
Paraguai, parte do Peru e da Bolívia, Uruguai e Argentina.

Colonização inglesa na América do Norte5


A participação da Inglaterra na expansão marítima dos europeus para novas terras ocorreu
posteriormente às empreitadas realizadas por Portugal e Espanha, que desde o século XV haviam se
lançado às expedições no oceano Atlântico. Apesar da diferença temporal, a colonização inglesa na
América do Norte foi importantíssima para o desenvolvimento econômico da Inglaterra e de suas colônias
no norte do continente americano, conhecidas como as Treze Colônias.

5
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historia-america/colonizacao-inglesa-na-america-norte.htm

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A primeira tentativa de ocupação da América do Norte pelos ingleses ocorreu com Walter Raleigh, que
organizou três expedições à região no fim do século XVI. Raleigh não conseguiu o sucesso esperado com
as expedições, em virtude dos constantes ataques dos povos indígenas que habitavam o local. Mas por
volta de 1607, Raleigh conseguiu constituir uma colônia na América do Norte: a Virgínia, nome dado em
homenagem à rainha Elisabeth I, que era solteira.
A intensificação do processo colonizador se daria apenas na metade final do século XVII em
decorrência das várias situações políticas e econômicas que ocorriam nas ilhas britânicas. Após a vitória
sobre a Invencível Armada, esquadra do rei espanhol Felipe II, comerciantes ingleses em conjunto com
o Estado passaram a formar companhias de comércio marítimo, destacando-se a Companhia das Índias
Orientais, o que intensificou os contatos com as terras americanas. Outro estímulo da Coroa inglesa foi
dado às ações de pirataria nas águas do Atlântico.
Um grande impulso a esse comércio foi conseguido com a aprovação, em 1651, dos Atos de
Navegação, que estipulavam que poderiam desembarcar nos portos ingleses apenas as mercadorias dos
navios britânicos ou da nacionalidade de origem das mercadorias.
Paralelo a essa situação econômica, havia as disputas políticas e as questões sociais na Inglaterra,
principalmente em torno das sucessões dinásticas, das perseguições religiosas e do despovoamento dos
campos.
A perseguição religiosa aos puritanos, os calvinistas ingleses, principalmente depois da criação do
anglicanismo com Henrique VIII, levou-os a se deslocarem para a América. O objetivo era criar espaços
de vivência onde podiam exercer livremente seus preceitos religiosos. A primeira expedição de puritanos
para a América do Norte ocorreu em 1620, quando o navio Mayflower atracou onde hoje se localiza o
estado de Massachusetts. Nessa região, os puritanos criaram o primeiro núcleo de colonização,
conhecido como Plymouth.
Além das disputas políticas e religiosas, que em períodos diferentes levaram anglicanos e puritanos à
América, houve também a expulsão de grande parte da população camponesa dos campos,
principalmente com os Cercamentos. Esse processo de cercamento de terras por grandes proprietários
gerou um inchaço populacional urbano, contribuindo para que parte da população emigrasse para a
América do Norte.
A religião puritana contribuiu para a colonização inglesa, no sentido de que a religião preconizava que
através do trabalho se poderia alcançar a graça e a salvação divina. Os preceitos religiosos serviram para
consolidar uma ética do trabalho, contribuindo para a prosperidade dos colonos e também conformando
um rígido código de conduta social.
Essa situação verificou-se mais na região norte das Treze Colônias, que ficou conhecida como Nova
Inglaterra. Faziam parte da Nova Inglaterra as colônias de Massachusetts, Connecticut, Rhode Island e
New Hampshire. Com clima temperado, semelhante ao que existia na Inglaterra, desenvolveram-se
atividades econômicas ligadas à pesca, à pecuária, a atividades comerciais e à produção manufatureira.
Em virtude da maioria de puritanos na região, a intolerância religiosa também marcou a forma de
organização social da região.
Ao contrário dessa intolerância religiosa da Nova Inglaterra, as colônias centrais, Nova Iorque,
Delaware, Pensilvânia e Nova Jersey mostraram-se mais abertas à vinda de grupos sociais de distintas
crenças. Além disso, destacou-se na colonização dessas áreas a presença de holandeses, suecos,
escoceses e de outros povos europeus. No aspecto econômico, as colônias centrais aproximavam-se de
suas vizinhas do norte, ganhando destaque a formação de um importante centro comercial na cidade da
Filadélfia.
Essas duas regiões conheceram o desenvolvimento de uma economia autônoma da metrópole,
mercantil e manufatureira. Uma característica distinta das colônias do Sul.
Região formada pelas colônias da Virgínia, Maryland, Carolina do Norte e Geórgia, o Sul das Treze
Colônias era marcado pela produção agrícola em sistema de plantation: monocultura trabalhada por mão
de obra escrava, em grandes propriedades e destinadas à venda no mercado europeu. Existia nessa
região uma lógica de povoamento distinta, em face do trabalho escravo e da produção agrícola de tabaco,
algodão, arroz e do índigo (anil) para a Europa.
Apesar das diferenças, o que unia essas colônias, além da origem comum da maioria da população,
foi a política de extermínio realizada contra os povos indígenas da região. Apaches, sioux, comanches,
cheyennes, iroqueses e esquimós foram exterminados e expulsos de suas terras pelos colonizadores
europeus.
Havia ainda a dependência da metrópole inglesa. Porém, essa dependência era muito diferente da
verificada nas colônias portuguesas e espanholas. Os embates políticos na metrópole inglesa dificultavam
um controle maior sobre as colônias americanas.

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Porém, a partir do século XVIII, quando o desenvolvimento econômico capitalista e a estabilidade
política foram alcançados na Inglaterra, a monarquia parlamentar buscou delinear uma nova política
colonial de ampliação da restrição econômica e de aumento da tributação sobre os colonos. Estes seriam
os principais motivos para as lutas de independência, que se iniciaram em 1776.

Crise do Sistema Colonial 6


A crise colonial teve como antecedentes as diversas revoluções que ocorreram não só na Europa, mas
também na América do Norte e uma série de movimentos nativistas realizada na colônia portuguesa.
A burguesia estava em constante Ascenção do poder na Europa e neste período predominava o
Iluminismo Burguês com racionalismo, liberdade, igualdade e felicidade, ao contrário do que pregava o
Antigo Regime. Esse pensamento iluminista ajudou ainda a fortalecer e fazer acontecer a Revolução
Industrial, a Americana e a Francesa.
Para que pudessem explorar mais a colônia, as metrópoles precisavam desenvolvê-las, mas quanto
mais estas cresciam, mais se aproximavam da independência. Com a chegada da Revolução Industrial
na Inglaterra, por volta de 1970, os industriais passaram a desejar o fim das colônias modificando as
relações econômicas. Isso para que estas pudessem consumir os produtos e fornecer matéria-prima
barata.
Dez anos depois, as Treze Colônias Inglesas tornaram-se independentes com a Revolução Americana
e em 1789, a Revolução Francesa aconteceu, sendo caracterizada pela ascensão da burguesia e pela
quebra do antigo sistema colonial.

Questões

01. (FGV) Uma forma de arrecadação de imposto e de censura foi imposta pela metrópole inglesa aos
colonos das Treze Colônias, em 1765, através da(s):
(A) leis denominadas, pelos colonos, intoleráveis;
(B) Lei do Selo;
(C) Lei Townshend;
(D) criação de um tribunal metropolitano de averiguação de preços e documentos na colônia.
(E) permissão de circulação exclusiva de jornais ingleses metropolitanos.

02. (Cesgranrio) No século XVIII, a revogação da Lei do Selo causou grande tristeza aos políticos
ingleses, o que, entretanto, contrastava com a alegre movimentação dos trabalhadores na beira do cais,
em decorrência da reabertura dos armazéns de manufaturados e da partida para a América de inúmeros
navios carregados de mercadorias.
Assinale a opção que explica corretamente a "tristeza" dos políticos com a revogação da Lei do Selo.
(A) A revogação da Lei do Selo representou um golpe nas pretensões inglesas de arrecadação,
mediante impostos, nas colônias americanas.
(B) A revogação da Lei do Selo significou a vitória dos norte-americanos que, assim, não mais
precisariam pagar impostos sobre o chá, o ferro e o açúcar.
(C) A pressão popular sobre o Parlamento aumentou, já que, com a revogação da Lei do Selo, do Chá
e do Açúcar, os membros das Câmaras dos Lordes e dos Comuns voltaram a ficar submetidos ao rei
inglês.
(D) Em meados do século XVIII, a metrópole inglesa perdeu cerca da metade de seu mercado
consumidor de manufaturas, face ao crescimento da produção colonial.
(E) As Treze Colônias criaram impedimentos à atuação inglesa no continente americano, delimitando
a ação da metrópole exclusivamente às áreas de plantation do sul.

03. Na estrutura administrativa montada pela coroa espanhola, cabia ao encomendero:


a) assegurar a instrução religiosa (cristã) aos nativos, bem como a utilização da mão de obra escrava
deles nas atividades econômicas da colônia, como a agricultura e a extração de metais.
b) garantir o monopólio dos criollos (descendentes de espanhóis nascidos na colônia) sobre o
excedente colonial, impedindo que a coroa espanhola de participasse dos lucros.
c) garantir a iniciativa dos jesuítas europeus de protegerem os índios do trabalho escravo e dos abusos
da autoridade civil espanhola.
d) iniciar o processo de industrialização das colônias espanholas nas regiões do México e da Península
de Yucatã.

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http://www.estudopratico.com.br/crise-do-sistema-colonial-como-se-deu-e-independencia-do-brasil/

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e) Encomendar produtos do Extremo Oriente (China e Índia).

04. Leia o texto a seguir: “A primeira colonização foi feita por um punhado de homens. Na Espanha,
desde o início, a emigração era controlada pela Casa de Contratación: precisava-se de uma licença para
se instalar na América, só os súditos da Coroa de Castela podiam consegui-la – os conversos de origem
judaica estavam excluídos. [...]”. (FERRO, Marc. História das colonizações: das conquistas às
independências – séculos XIII a XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.)
Qual era a função da Casa de Contratación no sistema administrativo da Coroa Espanhola?
a) Tinha a função de contratar mercenários de várias regiões do mundo para combater corsários e
piratas que pilhavam os navios espanhóis.
b) Tinha a função de controlar e administrar todo o fluxo de mercadorias que iam das colônias para a
metrópole (Espanha) e preparar e orientar os navegadores que serviriam à Coroa.
c) Tinha a função de perseguir, prender e executar a pena capital contra os judeus espanhóis.
d) Tinha a função de administrar o patrimônio cultural dos astecas, maias e incas.
e) Tinha a função de contratar africanos islamizados para trabalharem na extração de metais nas
colônias americanas.

05. Durante o processo de colonização das Américas, a França, além de estabelecer colônias na região
da América do Norte, também construiu colônias na América do Sul e no Caribe. Com relação à presença
dos franceses nessa última região, pode-se dizer que:
a) os franceses estabeleceram-se na região das ilhas Guianas, que são até hoje consideradas
territórios da França.
b) os franceses estabeleceram-se nas Antilhas, em especial na região do atual Haiti.
c) a França perdeu seus territórios no Caribe em decorrência da Guerra dos Cem Anos.
d) A França não conseguiu ficar por muito tempo com domínios no Caribe, em virtude da falta de mão
de obra escrava e de colonos que se aventurassem nas novas terras.
e) A ilha da Guiana Francesa foi a região mais próspera do Caribe durante três séculos

Gabarito

01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.B

Comentários

01. Resposta B
A Lei do Selo foi criada em 1765, estabelecendo que todos os documentos em circulação
na colônia americana deveriam receber selos provenientes da colônia. A Lei de Townshend foi criada em
1767 e determinava a taxação de artigos de consumo como o chá, o vidro, o papel e outros, além da
criação de tribunais alfandegários nas colônias.

02. Resposta A
A revogação da Lei do Selo foi um golpe nas pretensões econômicas inglesas, acabando com a
arrecadação pretendida. As outras leis citadas, como a Lei do Chá ainda não havia sido criada e a lei do
açúcar ainda permanecia, sendo necessário ainda o pagamento dos impostos provenientes dela.

03. Resposta A
O encomendero, como o nome indica, era o responsável pela encomienda, isto é, o arrendamento de
terras concedido pela Coroa Espanhola a quem estivesse apto a administrá-las e fazê-las produzir bens.
Cabia, portanto, ao encomendero garantir a extração de metais e a produção agrícola a partir do uso da
mão de obra compulsória dos nativos. Para tanto, o processo de cristianização dos povos nativos também
se tornou fundamental nesse contexto.

04. Resposta B
A Casa de Contratação, situada em Sevilla, Espanha, possuía um sistema de administração e controle
das mercadorias que chegavam das colônias e de outras regiões do mundo. Sua função era semelhante
às das alfândegas contemporâneas. Além disso, era também nos domínios da Casa de Contratação que
se transmitia o conjunto de saberes e de experiências náuticas aos navegadores que zarpariam para as
colônias em contrato com a metrópole.

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05. Resposta B
Os franceses estabeleceram-se na região das Antilhas, no Caribe. O Haiti foi sua principal colônia, a
qual foi ocupada tanto por imigrantes franceses quanto por escravos africanos. O Haiti foi o primeiro país
da América central a conquistar a sua independência, em 1804, em decorrência da crise política
deflagrada pela Revolução Francesa.

g. O Sistema Colonial português na América: estrutura político-administrativa;


estrutura socioeconômica; invasões estrangeiras; expansão territorial; rebeliões
coloniais. Movimentos Emancipacionistas: Conjuração Mineira e Conjuração
Baiana.

BRASIL COLONIAL

Da Organização da Colônia ao Governo Geral

• A organização colonial mostrada aqui é aquela a partir de 1530, após o chamado período pré-colonial.
É o período após o envio da expedição de Martin Afonso de Souza com a intenção de policiar, ocupar e
explorar efetivamente o território brasileiro, aceito como início real da colonização.

As Capitanias Hereditárias

Fonte: http://www.estudopratico.com.br/

A implantação do regime de capitanias hereditárias no Brasil em 1534 está vinculada com a


incapacidade econômica do Estado português em financiar diretamente a colonização. Lembrando que o
comércio com as Índias, maior responsável pelo excedente da balança comercial portuguesa já não era
tão lucrativo.
Por essa razão, e considerando a necessidade de se colonizar o país, D. João III decidiu dividir o
território em capitanias hereditárias para que elas se “auto colonizassem” com recursos particulares sem
que a coroa tivesse que investir dinheiro.

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O regime de capitanias já havia sido aplicado com êxito nas ilhas atlânticas (Madeira, Açores, Cabo
Verde e São Tomé) e no próprio Brasil já existia a capitania de São João, correspondente ao atual
arquipélago de Fernando de Noronha.
O território brasileiro foi dividido em 14 capitanias e doadas a doze donatários. Os limites de cada
território definido sempre por linhas paralelas iniciadas no litoral, estavam especificados na Carta de
Doação. Este documento estipulava que a capitania seria hereditária, indivisível e inalienável, podendo
ser readquirida somente pela Coroa.
Nesse processo havia um segundo documento: o Foral, que regulamentava minuciosamente os
direitos do rei. Na realidade, os donatários não recebiam a propriedade das capitanias, mas apenas sua
posse. Ainda assim possuíam amplos poderes administrativos, militares e judiciais, respondendo
unicamente ao soberano. Tratava-se portanto de um regime administrativo descentralizado.
São Vicente e Pernambuco foram as únicas capitanias que prosperaram. O fracasso do projeto como
um todo decorreu de vários fatores: falta de coordenação entre as capitanias, grande distância da
metrópole, excessiva extensão territorial, ataques indígenas, desinteresse de vários donatários e, acima
de tudo, insuficiência de recursos.
Motivado por esses fracassos, a saída encontrada pelo rei foi uma mudança na forma de administrar
a colônia, com a criação do Governo-Geral.
As capitanias hereditárias não desapareceram de uma vez com a criação do Governo-Geral, elas
foram gradualmente readquiridas pela Coroa até serem totalmente extintas, na segunda metade do século
XVIII pelo Marquês de Pombal.

* A relação de propriedades e nomes dos donatários e suas capitanias já não é alvo de questões (é
mais pedida em vestibulares do que em concursos). De qualquer forma a lista segue abaixo. Sugiro que
foquem sua atenção mais nas características e motivos do fracasso do que na relação capitania-
donatário.

Principais Capitanias Hereditárias e seus donatários: São Vicente (Martim Afonso de Sousa),
Santana, Santo Amaro e Itamaracá (Pêro Lopes de Sousa), Paraíba do Sul (Pêro Gois da Silveira),
Espírito Santo (Vasco Fernandes Coutinho), Porto Seguro (Pêro de Campos Tourinho), Ilhéus (Jorge
Figueiredo Correia), Bahia (Francisco Pereira Coutinho), Pernambuco (Duarte Coelho), Ceará (António
Cardoso de Barros), Baía da Traição até o Amazonas (João de Barros, Aires da Cunha e Fernando
Álvares de Andrade).

Governo Geral

A ideia de D. João III era centralizar a administração colonial subordinando as capitanias a um


governador-geral que coordenasse e acelerasse o processo de colonização do Brasil. Com esse objetivo
elaborou-se em 1548 o Regimento do Governador-Geral no Brasil, que regulamentava as funções do
governador e de seus principais auxiliares — o ouvidor-mor (Justiça), o provedor-mor (Fazenda) e o
capitão-mor (Defesa).
O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa, fundador de Salvador, primeira cidade e capital do
Brasil. Com ele vieram os primeiros jesuítas.
A administração do segundo governador-geral, Duarte da Costa, apresentou mais problemas que seu
antecessor:
- revoltas dos índios na Bahia
- conflito entre o governador e o bispo
- a invasão francesa do Rio de Janeiro (criação da França Antártica).

Em compensação, o terceiro governador-geral, Mem de Sá, mostrou-se tão eficiente que a metrópole
o manteve no cargo até sua morte. Foi ele quem conseguiu expulsar os invasores franceses, com ajuda
de seu sobrinho Estácio de Sá.
Depois de Mem de Sá, por duas vezes a colônia foi dividida temporariamente em dois governos-gerais:
a primeira teve como divisão a Repartição do Norte, com capital em Salvador, e a do Sul, com capital no
Rio de Janeiro.
A segunda divisão foi durante a União Ibérica7, onde o Brasil foi transformado em duas colônias
distintas: Estado do Brasil (cuja capital era Salvador e, depois, Rio de Janeiro) e Estado do Maranhão

7
*A União Ibérica foi o período em que o império português e espanhol estiveram sob a mesma administração. Quando D. Sebastião – Rei de Portugal -
desapareceu durante conflitos contra os mouros na África sem deixar herdeiros diretos, o trono português foi ocupado provisoriamente por seu tio-avô. Após seu

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(cuja capital era São Luís e, depois, Belém). A reunificação só seria concretizada pelo Marquês de
Pombal, em 1774.
Além das Capitanias e do Governo-Geral, as Câmaras Municipais nas vilas e nas cidades
desempenhavam papel menor na administração do Brasil colonial. O controle das Câmaras Municipais
era exercido pelos grandes proprietários locais, conhecidos como "homens-bons". Entre suas
competências, destacavam-se a autoridade para decidir sobre preços de mercadorias e a fixação dos
valores de alguns tributos.
As eleições para as Câmaras Municipais eram realizadas entre os já citados homens-bons. Elegiam-
se três vereadores, um procurador, um tesoureiro e um escrivão, sob a presidência de um juiz ordinário
(juiz de paz).

Sistema Colonial

Sociedade
No topo da pirâmide social do período estavam os senhores de engenho. Eles dominavam a economia
e a política, exercendo poder sobre sua família e sobre outras pessoas que viviam em seus domínios sob
sua proteção – os agregados. Era a chamada família patriarcal.
Na camada intermediária estavam os homens livres, como religiosos, feitores, capatazes, militares,
comerciantes, artesãos e funcionários públicos. Alguns possuíam terras e escravos, porém não exerciam
grande influência individualmente, principalmente em relação à economia.
Na base estava a maior parte da população, que era composta de africanos e índios escravizados
(sendo os índios a primeira tentativa de escravidão). Os escravos não eram vistos como pessoas com
direito a igualdade. Eram considerados propriedade dos senhores e faziam praticamente todo o trabalho
na colônia. Os escravos nas zonas rurais não tinham nenhum direito na sociedade e começavam a
trabalhar desde crianças.
A sociedade colonial brasileira foi um reflexo da própria estrutura econômica, acompanhando suas
tendências e mudanças. Suas características básicas entretanto, definiram-se logo no início da
colonização segundo padrões e valores do colonizador português. Assim, a sociedade do Nordeste
açucareiro do século XVI, essencialmente ruralizada, patriarcal, elitista, escravista e marcada
pela imobilidade social, é a matriz sobre a qual se assentarão as modificações dos séculos seguintes8.
No século XVIII, a sociedade brasileira conheceu transformações expressivas. O crescimento
populacional, a intensificação da vida urbana e o desenvolvimento de outras atividades econômicas para
atender a essa nova realidade, resultaram indubitavelmente da mineração. Embora ainda conservasse o
seu caráter elitista, a sociedade do século XVIII era mais aberta, mais heterogênea e marcada por uma
relativa mobilidade social, portanto mais avançada em relação à sociedade rural e escravista dos séculos
XVI e XVII.
Os folguedos (festas populares) das camadas mais pobres conviviam com os saraus e outros eventos
sociais da camada dominante. Com relação a esta, o hábito de se locomover em cadeirinhas ou redes
transportadas por escravos, evidencia o aparecimento do escravo urbano, com destaque para os
chamados negros de ganho9.

Escravos e homens livres na Colônia


No Brasil colonial a mão de obra escrava foi utilizada amplamente. A escravidão está presente na
formação do país, desde os índios aos negros que chegavam em navios, a utilização do trabalho escravo
se deu pela intenção de maximizar lucros através da super exploração do trabalho e do trabalhador.
Apesar da ampla utilização do trabalho escravo, este não foi o único. Uma parte da sociedade era livre,
composta de trabalhadores livres, que no início eram apenas os portugueses condenados ao exílio na
América como punição.
Ser livre, mas pertencer ao último estamento social na colônia significava apenas não ser escravo.
Mesmo sendo livres, os mais pobres eram marginalizados e tinham poucas chances de ascensão sendo
privados de exigir melhores situações econômicas. No grupo de trabalhadores livres estavam os
desgredados portugueses, escravos forros (libertos) e os pardos.
O cultivo do açúcar e os engenhos motivaram essa variação de posição dos trabalhadores livres, em
que os senhores de engenhos consideravam estar no topo da sociedade. A divisão da terra através das

falecimento, Felipe II, rei da Espanha e tio de D. Sebastião assume o trono português. Esse período durou 60 anos (1580 – 1640). Ele influenciou definitivamente as
relações entre Portugal e Espanha e alterou de forma marcante nosso território originalmente definido pelo Tratado de Tordesilhas.
8
https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/sociedade-colonial-brasileira
9
Escravos que repassavam todos os ganhos de seu trabalho aos seus donos.

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sesmarias10 beneficiava os mais abastados que se tornavam os grandes proprietários e arrendavam uma
parte para colonos que não possuíam condições para ter sua própria terra, denominando assim os
senhores de engenhos (produtores de açúcar) e os agricultores (produtores de cana). As relações entre
senhores de engenho e agricultores, unidos pelo interesse e pela dependência em relação ao mercado
internacional, formaram o setor açucareiro.

A Resistência à Escravidão
Onde quer que tenha existido escravidão, houve resistência escrava. No Brasil os escravizados
criaram diversas maneiras de resistência ao sistema escravista durante os quase quatro séculos em que
a escravidão existiu entre nós. A resistência poderia assumir diversos aspectos: fazer “corpo mole” na
realização das tarefas, sabotagens, roubos, sarcasmos, suicídios, abortos, fugas e formação de
quilombos. Qualquer tipo de afronta à propriedade senhorial por parte do escravizado deve ser
considerada como uma forma de resistência ao sistema escravista.
As motivações que levavam um escravizado a fugir eram variadas e nem todas as fugas tinham por
objetivo se livrar do domínio senhorial. De forma contrária, às vezes, o escravizado fugia à procura de um
outro senhor que o comprasse; caso o seu senhor não aceitasse a negociação, ele poderia continuar
fugindo e, portanto, dando prejuízos e maus exemplos, até que seu senhor resolvesse vendê-lo.
Era comum a fuga por alguns dias, quando em geral o escravizado ficava nas imediações da moradia
de seu senhor, às vezes para cumprir obrigações religiosas, outras para visitar parentes separados pela
venda, outras ainda, para fazer algum “bico” e, com o dinheiro, completar o valor da alforria.

Os Quilombos
Os quilombos ou mocambos (conjunto de habitações miseráveis) existiram desde a época colonial até
os últimos anos do sistema escravista e assim como as fugas, foram comuns em todos os lugares em
que existiu escravidão. A formação de quilombos pressupõe um tipo específico de fuga, a fuga de
rompimento, cujo objetivo maior era a liberdade. Essa não era uma alternativa fácil a ser seguida, pois
significava viver sendo perseguido não apenas como um escravo fugido, mas como criminoso.
O Brasil teve em sua história vários grandes quilombos e o mais conhecido foi Palmares. Palmares foi
um quilombo formado no século XVII, na Serra da Barriga, região entre os estados de Alagoas e
Pernambuco. Localizado numa área de difícil acesso, os aquilombados conseguiram formar um Estado
com estrutura política, militar, econômica e sociocultural, que tinha por modelo a organização social de
antigos reinos africanos. Calcula-se que Palmares chegou a possuir uma população de 30 mil pessoas.
Depois da abolição definitiva da escravidão no Brasil, em 1888, as comunidades negras deram outro
sentido ao termo “quilombo”, não sendo mais utilizado como forma de luta e resistência ao cativeiro, mas
sim como morada e sobrevivência da família negra em pequenas comunidades onde seus valores
culturais eram preservados. Tais comunidades receberam diferentes nomeações: remanescentes de
quilombos, quilombos, mocambos, terra de preto, comunidades negras rurais, ou ainda comunidades de
terreiro.

Educação
A história da educação no Brasil tem início com a vinda dos padres jesuítas no final da primeira metade
do século XVI, inaugurando a primeira, mais longa e a mais importante fase da educação no país,
observando que a sua relevância encontra-se nas consequências resultantes para a cultura e civilização
brasileiras11.
Os jesuítas se dedicaram à pregação da fé católica e ao trabalho educativo. Logo perceberam que não
seria possível converter os índios à fé católica sem que soubessem ler e escrever.
De Salvador a obra jesuítica estendeu-se para o sul e, em 1570, vinte e um anos depois da sua
chegada, já eram compostos por cinco escolas de instrução elementar – cursos de Letras, Filosofia e
Teologia -, localizadas em Porto Seguro, Ilhéus, São Vicente, Espírito Santo e São Paulo de Piratininga,
e três colégios, localizados no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia.
A educação era privilégio apenas das classes abastadas, pois as famílias tradicionais faziam questão
de terem entre seus filhos um doutor (médico ou advogado) e um padre. A educação era usada como
instrumento de legitimação da colonização, inculcando na população ideias de obediência total ao Estado
português. Os jesuítas impunham um padrão educacional europeu, que desvalorizava completamente os
aspectos culturais dos índios e dos negros.
10
Sesmarias nada mais eram do que pedaços de terra doados a beneficiários para que estes a cultivassem. Assim como no exemplo das capitanias, a posse
real ainda era da Coroa e os beneficiários, deviam cumprir uma série de exigências para garantir sua posse. Diferentemente das capitanias, ela não podiam ser
divididas em novos lotes.
11
OLIVEIRA, M. B. AMANDA. Ação educacional jesuítica no Brasil colonial. Revista Brasileira de História da Religiões.
http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf8/ST6/005%20-%20AMANDA%20MELISSA%20BARIANO%20DE%20OLIVEIRA.pdf

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Em relação às mulheres, mesmo as das famílias mais abastadas raramente recebiam instrução
escolar, e esta limitava-se às aulas de boas maneiras e de prendas domésticas. As crianças escravas por
sua vez estavam excluídas do processo educacional, não tendo acesso às escolas.

Religião
A origem do processo de ocupação territorial do Brasil, serviu também para as intenções da igreja
católica.
Os portugueses que vieram para o Brasil estavam inseridos no ideal similar ao das cruzadas, adotando
o catolicismo como símbolo do poder da coroa.
Diante desta ideia, todo o não católico era considerado um inimigo em potencial, a não aceitação da
fé em cristo era vista como contestação do poder do rei e afronta direta a todo português, uma motivação
que incentivou, dentre outros fatores, o extermínio dos indígenas, vistos como pagãos e infiéis.
Havia também o outro lado da moeda, em que o gentil era visto como potencialmente um servo da
coroa e de Deus, desde que tivesse a devida instrução. Essa ideia era defendida por muitos jesuítas,
como o padre Manuel da Nóbrega, conhecido por defender o direito de liberdade dos nativos
cristianizados.
Dentro deste contexto, a construção de igrejas passou a delimitar a conquista territorial, garantindo a
soberania do Estado.

A Religiosidade Africana
Vigiados de perto por seus senhores e fiscalizados pelos eclesiásticos católicos, na qualidade de
escravos, considerados utensílios de trabalho semelhantes a uma ferramenta, os africanos foram
obrigados a aceitar a fé em cristo como símbolo da submissão aos europeus e a coroa portuguesa12.
Apesar disso, elementos das religiões africanas sobreviveram se ocultando em meio à simbologia
cristã.
Associações de caráter locais, as irmandades negras contribuíram para forjar a polissemia (múltiplos
sentidos de uma palavra) e sincretismo13 religioso brasileiro.
Impedidos de frequentar espaços que expressavam a religião católica dos brancos, as irmandades
representavam uma das poucas formas de associação permitidas aos negros no contexto colonial.
Surgiram como forma de conferir status e proteção aos seus membros, sendo responsáveis pela
construção de capelas, organização de festas religiosas e pela compra de alforrias de seus irmãos,
auxiliando a ação da igreja e demonstrando a eficácia da cristianização da população escravizada.
Entretanto, ao se organizarem geralmente em torno da devoção a um santo específico que assumiu
múltiplos significados, incorporando ritos e cultos que eram originais aos deuses africanos, permitiram o
nascimento de religiões afro-brasileiras como o acotundá, o candomblé e o calundu.

Os Judeus
Perseguidos pelo Tribunal do Santo Ofício na Europa, os judeus sempre estiveram em situação de
perigo iminente, sendo obrigados a converterem-se ao cristianismo em Portugal.
Aos olhos do Estado, os convertidos passaram a ser considerados cristãos-novos, vigiados de perto
pela Inquisição sofrendo preconceitos e perseguições esporádicas.
O Brasil se transformou na terra prometida para os cristãos-novos portugueses, compelidos a
migrarem para novas terras em além-mar.
Foi uma saída viável à recusa da aceitação de sua fé no reino, tendo em vista o fato da Inquisição
nunca ter se instalado por aqui, embora tenham sido instituídas visitações do Santo Ofício em 1591, 1605,
1618, 1627, 1763 e 1769.
Alojados sobretudo na Bahia, em Pernambuco, na Paraíba e no Maranhão; os cristãos-novos recém-
chegados integraram-se rapidamente ocupando cargos nas Câmaras Municipais em atividades
administrativas, burocráticas e comerciais, destacando-se também como senhores de engenho, algo
impensável em Portugal.
Sem a Inquisição em seus calcanhares, os cristãos-novos continuaram a exercer práticas judaicas no
interior de seus lares, mantendo vivos os laços familiares e comunitários clandestinamente e ao mesmo
tempo, adotando uma postura pública católica respondendo a uma necessidade de adesão, participação
e identificação.

12
MOREIRA, S. ANTONIA. Intolerância Religiosa em Acapare. UNILAB.
http://repositorio.unilab.edu.br:8080/jspui/bitstream/123456789/373/1/Antonia%20da%20Silva%20Moreira.pdf
13
Fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas, com reinterpretação de seus elementos.

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Cultura
As manifestações artístico-culturais foram até o século XVII, condicionadas às atividades
desenvolvidas aos centros de educação, que eram os colégios jesuíticos. No trato social alicerçavam-se
práticas, usos e costumes que seriam marcantes para a formação da sociedade brasileira. A partir do
século XVIII esse cenário mudou.
Com a emergência da mineração, inúmeras manifestações tornaram-se presentes, como a arte
barroca (seja ela plástica ou literária), as manifestações árcades e parnasianas, principalmente ligadas a
uma referência mais letrada e influenciada pelos matizes europeus (a produção cultural não era mais
monopólio da igreja).

Economia
• A primeira atividade extrativista lucrativa da colônia foi em torno da exploração do pau-brasil. É
considerado seu ápice ainda no período pré-colonial, anterior a 1530 com a chegada de Martin Afonso e
o empenho dos primeiros engenhos. Tratamos aqui a partir do cultivo de cana e produção do açúcar.

- A cana-de-açúcar
Houveram muitos motivos para a escolha da cana como principal produto da colônia, sendo o principal
a ocorrência do solo de massapê, propício para o cultivo da cana-de-açúcar. Além disso, era um produto
muito bem cotado no comércio europeu.
As primeiras mudas chegaram no início da ocupação efetiva do território brasileiro, trazidas por Martim
Afonso de Souza e plantadas no primeiro engenho, construído em São Vicente.
Os principais centros de produção açucareira do Brasil localizavam-se nos atuais estados de
Pernambuco, Bahia e São Paulo.
A ocupação do Brasil no Século XVI esteve profundamente ligada à indústria açucareira. A economia
de plantation14 possui relação intensa com os interesses dos proprietários de terras que lucravam
enormemente com as culturas de exportação.
O latifúndio formou-se nesse período tendo consequências até os dias de hoje. A produção da cana-
de-açúcar também contribuiu para a vinculação dependente do país em relação ao exterior, a monocultura
de exportação e a escravidão com suas consequências. A colônia portuguesa de exploração prosperou
graças ao sucesso comercial de sua produção.
Em 1630 os holandeses invadiram o nordeste da colônia, na região de Pernambuco, que era a maior
produtora de açúcar na época. Durante sua permanência no Brasil, os holandeses adquiriram o
conhecimento de todos os aspectos técnicos e organizacionais da indústria açucareira. Esses
conhecimentos criaram as bases para a implantação e desenvolvimento de uma indústria concorrente,
de produção de açúcar em grande escala, na região do Caribe. A concorrência imposta pelos holandeses,
que haviam sido expulsos pelos portugueses, fez com que o Brasil perdesse o monopólio que exercia no
mercado mundial do açúcar, levando a produção a entrar em declínio.

- Outras atividades econômicas


Na região Nordeste a atividade pastoril expandiu-se rapidamente, pois o capital necessário para a
montagem de uma fazenda de gado era bastante reduzido. As terras eram fartas e o criador precisava
somente requerer a doação de uma sesmaria ou simplesmente apossar-se da terra.
As instalações das propriedades pastoris eram comuns, com poucas casas e alguns currais feitos com
material encontrado nas localidades. O método de criação também era muito simples, feito de maneira
extensiva (o gado vivia solto no campo), o que dispensava mão-de-obra numerosa ou especializada.
Na região amazônica a geografia impedia a implantação de fazendas de cultivo ou a criação de
animais. Ao penetrarem os rios e selvas da região os portugueses notaram que os índios utilizavam uma
grande variedade de frutas, ervas, folhas e raízes para fins medicinais e alimentícios. Os produtos
utilizados, em especial cacau, baunilha, canela, urucum, guaraná, cravo e resinas aromáticas foram
chamados de drogas do sertão, e possuíam bom valor de comércio na Europa, podendo ser vendidas
como substitutas ou complementos das especiarias. Além das plantas, outras variedades de drogas do
sertão incluíam: gordura de peixe-boi, ovos de tartaruga, araras e papagaios, jacarés, lontras e felinos.

- O ciclo do ouro
Quando foi divulgada a notícia da descoberta de jazidas auríferas, muitas pessoas dirigiram-se para
as regiões onde foi encontrado o ouro, em especial para o atual território do estado de Minas Gerais.
Praticamente todas as pessoas que se deslocaram para a região o fizeram na intenção de dedicar-se

14
Possui como características: latifúndio, mão de obra escrava e interesses voltados à exportação.

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exclusivamente na exploração do metal, deixando de lado até mesmo atividades essenciais para a
sobrevivência, como a produção de alimentos.
Isso gerou uma profunda escassez de mercadorias na região. Era comum entre os anos de 1700 e
1730 a ocorrência de crises de fome caso o acesso a outras regiões das quais os produtos básicos eram
adquiridos fossem interrompidas. A situação começa a mudar com a expansão de novas atividades, e
com a melhoria das vias de comunicação.

- Impostos e a administração da coroa


Com as primeiras notícias de descobrimento das jazidas em Minas Gerais, a Coroa publicou o
Regimento dos Superintendentes, Guardas-Mores e Oficiais-Deputados para as minas de ouro, no ano
de 1702.
Para executar o regimento, cobrar impostos e superintender o serviço de mineração, foram criadas as
Intendências de Minas, uma para cada capitania em que houvesse a extração de ouro.
Quando uma nova jazida era descoberta, era obrigatória a comunicação para a Intendência. O Guarda-
mor, então, dirigia-se ao local, ordenando a demarcação do terreno a ser explorado. Este era dividido em
lotes, que eram chamados de datas.
As datas eram entregues através de sorteio. No dia da distribuição, comunicado com certa
antecedência, deviam comparecer todos aqueles que estivessem interessados em receber um lote; não
se admitiam procuradores ou representantes. O descobridor da jazida não só tinha o direito de escolher
uma data, mas também de receber um prêmio em dinheiro. A Intendência separava em seguida uma data
para si, vendendo-a depois em leilão público. As datas restantes eram sorteadas entre os presentes.
Encerrado o sorteio, se sobrassem terras auríferas, fazia-se uma distribuição suplementar. Se o número
de interessados era muito grande, o tamanho das datas era reduzido. Normalmente as datas eram lotes
com no máximo 50 metros de largura.
No início da atividade mineradora foi estabelecido um imposto para as pessoas que se dedicavam à
extração: o quinto. Correspondia a 20% do ouro extraído, que deveria ser pago para a Coroa. Como era
difícil determinar se uma barra ou saca de ouro havia sido ou não quintada, a sonegação era uma pratica
fácil de ser realizada.
Com o objetivo de regularizar a cobrança, foi criado um imposto adicional chamado finta15 que não
funcionou como planejado e acabou sendo extinto. Para resolver o problema o governo criou as Casas
de Fundição, das quais a mais famosa foi a de Minas Gerais, inaugurada em 1725.
Nas casas de fundição o minerador entregava seu ouro, que era fundido e transformado em barras,
das quais era descontado o quinto. Após as Casas de Fundição, também foi proibida a comercialização
e exportação de ouro em pó. É possivelmente dessa época o surgimento dos “Santos do pau oco”
(imagens de santos esculpidas por dentro e preenchidas com ouro em pó, para fugir da fiscalização e da
cobrança).
Em 1735 a Coroa começou a cobrar um novo imposto, a Capitação. Era um imposto per capita, pago
em ouro pelas pessoas e estabelecimentos comerciais da área mineradora.
Em 1750 a capitação foi extinta, restando apenas o quinto. Apesar disso, era exigida uma arrecadação
mínima de 100 arrobas de ouro por ano. Caso não fosse atingida a arrecadação era decretada a derrama:
cobrança da quantidade que faltava para completar as 100 arrobas de arrecadação.
Conforme as jazidas foram se esgotando, a produção de ouro caiu assim como a arrecadação de
impostos. As suspeitas de sonegação de impostos e a violência da Intendência aumentaram juntamente,
gerando atritos e conflitos entre autoridades e mineradores, uma das causas da Inconfidência Mineira de
1789.
Para a extração do ouro foram organizados dois tipos de empreendimentos: lavras e faiscações.
As lavras eram unidades de produção relativamente grandes, podendo até possuir equipamento
especializado e o trabalho de mais de 100 escravos, o que exigia o investimento de alto capital, sendo
rentável apenas em jazidas de ouro de tamanho suficientemente grande.
Nas faiscações, que eram pequenas unidades produtoras, trabalhavam somente algumas pessoas
(por vezes eram até mesmo compostas de trabalhadores individuais). Era comum a prática do envio de
escravos por homens livres para faiscação, sendo o ouro encontrado dividido entre ambos.

Expansões Geográficas

Entradas e bandeiras, conquista e colonização do nordeste, penetração na Amazônia, conquista do


Sul, Tratados e limites.

15
30 arrobas de ouro cobradas anualmente.

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Bandeiras e Bandeirantes
As bandeiras, tradicionalmente definidas como expedições particulares, em oposição às entradas, de
caráter oficial, contribuíram decisivamente para a expansão territorial do Brasil Colônia. A pobreza de São
Paulo, decorrente do fracasso da lavoura canavieira no século XVI, a possibilidade da existência de
metais preciosos no interior e particularmente, a necessidade de mão-de-obra para o açúcar nordestino
durante a União Ibérica, levaram os paulistas a organizar a caça ao índio, o bandeirismo de contrato e a
busca mineral.

• As entradas tinham uma origem diferente, porém com finalidade semelhante à dos bandeirantes.
Enquanto o movimento das bandeiras tratava-se de uma expedição particular (normalmente financiada
pelos próprios paulistas) com objetivo de obter lucros (encontrando metais preciosos, preando índios ou
comercializando as ervas do sertão), as entradas eram expedições financiadas pela Coroa, normalmente
composta por soldados portugueses e brasileiros. Embora o objetivo inicial fosse mapear o território
brasileiro e facilitar a colonização, as entradas também envolviam-se em conflitos com os índios
(principalmente aqueles que apresentavam resistência) e, como era de se esperar, também lucravam
com isso.

A Caça ao Índio
Inicialmente a caça ao índio (preação) foi uma forma de suprir a carência de mão-de-obra para a
prestação de serviços domésticos aos próprios paulistas. Porém logo transformou-se em atividade
lucrativa, destinada a complementar as necessidades de braços escravos, bem como para a triticultura
(cultura do trigo) paulista.
Na primeira metade do século XVII os vicentinos (bandeirantes da Vila de São Vicente) realizaram
incursões principalmente contra as reduções jesuíticas espanholas, resultando na destruição de várias
missões, como as do Guairá, Itatim e Tape, por Antônio Raposo Tavares. Nesse período, os holandeses,
que haviam ocupado uma parte do Nordeste açucareiro, também conquistaram feitorias de escravos
negros na África, aumentando a escassez de escravos africanos no Brasil.

O Bandeirismo de Contrato
A ação de bandeirantes paulistas contratados pelo governador-geral ou por senhores de engenho do
Nordeste com o objetivo de combater índios inimigos e destruir quilombos, corresponde a uma fase do
bandeirismo na segunda metade do século XVII. O principal acontecimento desse ciclo de bandeiras foi
a destruição de um conjunto de quilombos situados no Nordeste açucareiro, conhecido genericamente
como Palmares.
A atuação do bandeirismo foi de fundamental importância para a ampliação do território português na
América. Num espaço muito curto os bandeirantes devassaram o interior da colônia explorando suas
riquezas e arrebatando grandes áreas do domínio espanhol, como é o caso das missões do Sul e Sudeste
do Brasil.
Antônio Raposo Tavares, depois de destruí-las, foi até os limites com a Bolívia e Peru atingindo a foz
do rio Amazonas, completando assim o famoso périplo brasileiro. Por outro lado, os bandeirantes agiram
de forma violenta na caça de indígenas e de escravos foragidos, contribuindo para a manutenção do
sistema escravocrata que vigorava no Brasil Colônia.

Conquistas e Tratados
Fato curioso na ação das bandeiras e entradas é que eles não tinham real noção do tamanho do nosso
território. Era comum pensarem que se adentrassem o suficiente, logo chegariam às colônias espanholas.
As necessidades econômicas (que já falamos acima) levaram os portugueses a adentrar muito mais do
que o combinado no Tratado de Tordesilhas e posteriormente obrigou os governos a reconhecerem novos
acordos.
No século XVII um evento ajudou para que essa expansão ocorresse sem maiores problemas. Trata-
se da União Ibérica. Para a expansão territorial brasileira isso foi ótimo. Primeiro por estreitar as relações
entre colônias portuguesas e espanholas e depois por, quando dos portugueses adentrarem o território
além do estabelecido não encontrarem nenhum problema, afinal os espanhóis entendiam que o seu povo
estava povoando a sua terra.
Os limites estabelecidos em Tordesilhas foram tão alterados e de forma tão definitiva (várias novas
colônias já haviam sido estabelecidas) que um novo acordo sobre os limites territoriais entre Portugal e
Espanha foi estabelecido: o Tratado de Madri (1750). Em resumo ele reconhecia que a maioria do
território desbravado pertencia a Portugal, baseado no princípio da posse por uso.

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• No período colonial, que dura até o ano de 1815 quando o Brasil é elevado à categoria de Reino
Unido de Portugal e Algarves, ainda teremos o início dos conflitos da Cisplatina (1811 – 1828) – disputa
entre Portugal e Espanha em torno da fronteira do RS devido às pretensões espanholas de controlar o
rio da Prata -. Porém esse conteúdo é mais comumente pedido dentro do período imperial, talvez pelo
seu final ter sido após 1822.

União Ibérica
Em 1578, na luta contra os mouros marroquinos em Alcácer-Quibir, o rei D. Sebastião de Portugal,
desapareceu. Com isso teve início uma crise sucessória do trono português, já que o rei não deixou
descendentes. O trono foi assumido por um curto período de tempo por seu tio-avô, o cardeal Dom
Henrique, que morreu dois anos depois, sem deixar herdeiros.
Logo após, Filipe II da Espanha e neto do falecido rei português D. Manuel I, demonstrou o interesse
em assumir o trono português. Para alcançar o poder, além de se valer do fator parental, o monarca
hispânico chegou a ameaçar os portugueses com seus exércitos para que pudesse exercer tal direito.
Assim foi estabelecida a União Ibérica, que marca a centralização de Portugal e Espanha sob um mesmo
governo.
A vitória política de Filipe II abriu oportunidade para que as finanças de seu país pudessem se
recuperar após diversos gastos em conflitos militares. Para tanto, tinha interesse em estabelecer o
comércio de escravos com os portugueses que controlavam a atividade na costa africana. Além disso, o
controle da maior parte das possessões do espaço colonial americano permitiria a ampliação dos lucros
obtidos através da arrecadação tributária.
Apesar das vantagens, o imperador espanhol manteve uma significativa parcela dos privilégios e
posições ocupadas por comerciantes e burocratas portugueses.
Mesmo preservando aspectos fundamentais da colonização lusitana, a União Ibérica também foi
responsável por algumas mudanças. Com a junção das coroas, as nações inimigas da Espanha passam
a ver na invasão do espaço colonial lusitano uma forma de prejudicar o rei Filipe II. Desta maneira, no
tempo em que a União Ibérica foi vigente, ingleses, holandeses e franceses tentaram invadir o Brasil.
Entre todas essas tentativas, podemos destacar especialmente a invasão holandesa, que alcançou o
monopólio da atividade açucareira em praticamente todo o litoral nordestino. No ano de 1640 a
Restauração definiu a vitória portuguesa contra a dominação espanhola e a consequente extinção da
União Ibérica. Ao fim do conflito, a dinastia de Bragança, iniciada por dom João IV, passou a controlar
Portugal.

Invasões

Invasões Francesas
A França foi o primeiro reino europeu a contestar o Tratado de Tordesilhas que dividiu as terras
descobertas na América entre Portugal e Espanha em 1494. Visitaram constantemente o litoral brasileiro
desde o período da extração do pau-brasil mantendo relações amistosas com os povos indígenas locais.
Deste acordo surgiu a Confederação dos Tamoios (aliança entre diversos povos indígenas do litoral:
tupinambás, tupiniquins, goitacás, entre outros), que possuíam um objetivo em comum: derrotar os
colonizadores portugueses.
Em 1555 os franceses fundaram na baía de Guanabara a França Antártica, criando uma sociedade
de influências protestantes. Através dos franceses, algumas partes do litoral brasileiro ganharam diversas
feitorias e fortes.
Por aproximadamente cinco anos ocorreram conflitos entre os portugueses e a Confederação dos
Tamoios. Em 1567 os portugueses derrotaram a Confederação e expulsaram os franceses do litoral
brasileiro, o que não desencorajou os ideais franceses.
No século XVII (1612), fundaram a França Equinocial, correspondente à cidade de São Luís, capital
do estado do Maranhão.
Com a intenção de conter a expansão francesa, Portugal enviou uma expedição militar à região do
Maranhão. Essa expedição atacou os franceses tanto por terra quanto por mar. Em 1615, foram
derrotados e se retiraram do Maranhão, deslocando-se para a região das Guianas onde fundaram uma
colônia, a chamada Guiana Francesa.
Após duas tentativas mal sucedidas de estabelecimento de uma civilização francesa no Brasil colonial,
os franceses passaram a saquear através de corsários (piratas), algumas cidades do litoral brasileiro no
século XVIII. A principal delas foi a cidade do Rio de Janeiro, de onde escoava todo ouro extraído da
colônia rumo a Portugal. Uma primeira tentativa de saque, em 1710, foi barrada pelos portugueses;
entretanto, no ano de 1711, piratas franceses tomaram a cidade do Rio de Janeiro e receberam dos

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portugueses um alto resgate para libertá-la: 600 mil cruzados, 100 caixas de açúcar e 200 bois.
Terminavam, então, as tentativas de invasões francesas no Brasil.

Invasões Inglesas
As incursões inglesas no Brasil ficaram restritas a ataques de piratas e corsários.
William Hawkins foi o primeiro corsário inglês a aportar na colônia. Entre 1530 e 1532, percorreu alguns
pontos da costa e fez escambo de pau-brasil com os índios. Outro foi Thomas Cavendish, que atracou
em Santos em 1591. Conhecido como “lobo-do-mar”, Cavendish estava a serviço da rainha inglesa
Elizabeth I.
O corso realizado pelos ingleses, entretanto, intensificou-se apenas na segunda metade do século XVI,
quando os conflitos entre católicos e protestantes tornaram-se intensos na Inglaterra e os mercadores
empolgaram-se com as possibilidades comerciais abertas pelas novas rotas marítimas.
A primeira incursão pirata dos ingleses ao litoral brasileiro foi em 1587. Em 1595, o inglês James
Lancaster conseguiu tomar o porto do Recife. Retirou grande volume de pau-brasil, que levou para a
Inglaterra depois de realizar saques na capitania durante mais de um mês.

Invasões Holandesas
As invasões holandesas na primeira metade do século XVII estão relacionadas com a criação da União
Ibérica. Antes do domínio dos Habsburgos16, as relações comerciais e financeiras entre Portugal e
Holanda eram intensas. Pouco antes de Filipe II tornar-se rei de Portugal, os Países Baixos iniciaram uma
guerra de independência tentando libertar-se do domínio espanhol. Iniciada em 1568, essa guerra de
libertação culminou com a União de Utrecht17, sob a chefia de Guilherme de Orange. Em 1581, nasciam
as Províncias Unidas dos Países Baixos, mas a guerra continuou.
Assim que Filipe II assumiu o trono luso, proibiu o comércio açucareiro luso-flamengo. O embargo de
navios holandeses em Lisboa provocou a criação de companhias privilegiadas de comércio. Entre 1609
e 1621, houve uma trégua que permitiu a normatização temporária do comércio entre Brasil-Portugal e
Holanda. Em 1621, terminada a trégua, os holandeses fundaram a Companhia de Comércio das Índias
Ocidentais cujo alvo era o Brasil. Começava então a Guerra do Açúcar.
A primeira invasão foi na Bahia, realizada por três mil e trezentos soldados. Salvador foi ocupada sem
muita resistência e o governador Diogo de Mendonça Furtado foi preso, tendo a cidade saqueada. A
população fugiu para o interior onde a resistência foi organizada pelo bispo D. Marcos Teixeira e por
Matias de Albuquerque. Os baianos também receberam a ajuda de uma esquadra luso-espanhola
(“Jornada dos Vassalos”) e, em maio de 1625 os holandeses foram expulsos.
A segunda invasão holandesa no Nordeste foi direcionada contra Pernambuco, uma capitania rica em
açúcar e pouco protegida. Olinda e Recife foram ocupadas e saqueadas. A resistência foi comandada por
Matias de Albuquerque a partir do Arraial do Bom Jesus, e durante alguns anos impediu que os invasores
ampliassem sua área de dominação. Mas a traição de Domingos Calabar alterou a situação.
Entre 1637 e 1644, o Brasil holandês foi governado pelo conde Mauricio de Nassau-Siegen, que
expandiu o domínio holandês do Nordeste até o Maranhão e conquistou Angola (fornecedora de
escravos). Porém, em 1638 fracassou ao tentar conquistar a Bahia.
Quando Portugal restaurou sua independência e assinou a Trégua dos Dez Anos com a Holanda,
Nassau continuou administrando o Brasil holandês de forma exemplar. Urbanizou Recife, fundou um
zoológico, um observatório astronômico e uma biblioteca, construiu jardins e palácios e promoveu a vinda
de artistas e cientistas para o Brasil.
Além disso, adotou a tolerância religiosa e dinamizou a economia canavieira. Sua política garantiu o
apoio da aristocracia local, mas entrou em choque com os objetivos da Companhia das Índias Ocidentais.
O desgaste com a Companhia levou Nassau a deixar o Brasil em 1644. Enquanto isso, os próprios
brasileiros organizaram a luta contra os flamengos com a Insurreição Pernambucana. Os líderes foram
André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira, Henrique Dias (negro) e o índio Filipe Camarão.
Em 1648 e 1649, as duas batalhas de Guararapes foram vencidas pelos nativos. Em 1652, o apoio
oficial de Portugal e as lutas dos holandeses na Europa contra os ingleses em decorrência dos prejuízos
causados pelos Atos de Navegação de Oliver Cromwell, levaram os holandeses a Capitulação da
Campina do Taborda18.
Os holandeses foram desenvolver a produção de açúcar nas Antilhas, contribuindo para a crise do
complexo açucareiro nordestino. Mais tarde, Portugal e Holanda firmaram o Tratado de Paz de Haia

16
Poderosa família que dos séculos XVI ao XX governaram diversos reinos na Europa, entre eles Áustria, Nápoles, Sicília e Espanha.
17
A União de Utrecht foi um acordo assinado na cidade holandesa de Utrecht, em 23 de Janeiro de 1579, entre as províncias rebeldes dos Países Baixos -
naquele tempo em conflito com a coroa espanhola durante a guerra dos 80 anos.
18
Acordo que estabelecia, entre tantas cláusulas que o governo holandês abdicava de suas terras no Brasil.

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(1661), graças a mediação inglesa. Segundo tal tratado a Holanda receberia uma indenização de 4
milhões de cruzados e a cessão pelos portugueses das ilhas Molucas e do Ceilão, recebendo ainda o
direito de comercializar com maior liberdade nas possessões portuguesas, em razão da perda do Brasil
holandês.

As Rebeliões Nativistas
A população colonial já enraizada na terra e, portanto, com fortes sentimentos nativistas, manifestou
seu descontentamento frente às exigências metropolitanas. Em vista disto, surgiram os primeiros sinais
de rebeldia, denominadas rebeliões nativistas.

Revolta de Beckman (1684)


Na segunda metade do século XVII, a situação da economia maranhense que nunca fora boa, tendia
a piorar. A Coroa, pressionada pelos jesuítas proibiu a escravização de indígenas, os quais eram a base
da mão-de-obra local utilizados na coleta de “drogas do sertão” e na agricultura de subsistência.
Visando melhorar a situação da capitania, o governo português criou em 1682 a Companhia de
Comércio do Maranhão, a qual recebia o monopólio do comércio maranhense e em troca deveria
promover o desenvolvimento da agricultura local.
A má administração da empresa gerou uma rebelião de colonos em 1684, sob a chefia dos irmãos
Manoel e Thomas Beckman. O objetivo dos rebeldes era o fechamento da Companhia e a expulsão dos
jesuítas. A revolta foi sufocada pela coroa, mas a Companhia encerrou suas atividades.

A Guerra dos Emboabas (1708-1709)


Apesar da fome que assolou as Minas em 1696-1698 ter sido terrível, uma crise de desabastecimento
ainda mais devastadora aconteceu na região em 1700. Três anos depois da descoberta das primeiras
jazidas, cerca de 6 mil pessoas haviam chegado às minas. Na virada do século XVIII, esse número
quintuplicara: 30 mil mineiros perambulavam pela área.
Pouco depois surgiram os conflitos entre paulistas, que foram os descobridores das jazidas e primeiros
povoadores e os Emboabas, forasteiros, normalmente portugueses, pernambucanos e baianos.
Os dois grupos disputavam o direito de exploração das terras. Os paulistas argumentavam que
deveriam ter o direito de exploração, por serem os descobridores. Já os emboabas defendiam que por
serem cidadãos do Reino também possuíam o direito de exploração das riquezas. Entre 1707 e 1709,
ocorreram lutas violentas entre os dois grupos, com derrotas sucessivas por parte dos paulistas.
O governador Albuquerque Coelho e Carvalho promoveu a pacificação geral em 1709, quando foi
criada a capitania de São Paulo e Minas de Ouro, pertencente à coroa.

A Guerra dos Mascates (Pernambuco, 1710-1714)


Luta entre os proprietários rurais de Olinda e os comerciantes portugueses de Recife, originada pela
expulsão dos holandeses no século XVII. Se a perda do monopólio brasileiro do fornecimento de açúcar
à Europa foi trágica para os produtores pernambucanos, não foi tanto assim para a burguesia lusitana de
Recife, que passou a financiar a produção olindense, com elevadas taxas e grandes hipotecas.
A superioridade econômico-financeira de Recife não tinha correspondente político, visto que seus
habitantes continuavam dependendo da Câmara Municipal de Olinda. Em 1710, Recife conseguiu sua
emancipação político-administrativa transformando-se em município autônomo. Os olindenses,
comandados por Bernardo Vieira de Melo invadiram Recife, provocando a reação dos Mascates,
chefiados por João da Mota.
A luta entre as duas cidades manteve-se até 1714, quando foi encerrada graças à mediação da Coroa.
O esforço da aristocracia fora inútil: Recife manteve sua autonomia.

Os Movimentos Emancipacionistas

As revoltas emancipacionistas foram movimentos sociais ocorridos no Brasil Colonial, caracterizados


pelo forte anseio de conquistar a independência do Brasil com relação a Portugal. Entre os principais
motivos para esses movimentos estavam:
- a alta cobrança de impostos;
- limites estabelecidos pelo Pacto Colonial que obrigava o Brasil de comercializar somente com
Portugal;
- a falta de autonomia e representação na criação de leis e tributos, além da política dominada por
Portugal;
- os ideais iluministas e separatistas vindos da Europa e dos Estados Unidos.

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A Inconfidência Mineira (1789)
Na segunda metade do século XVIII, a produção de ouro nas Minas Gerais vinha apresentando um
grande declínio, o que aumentou os choques e conflitos entre a população local e as autoridades
portuguesas. Quanto menos ouro era extraído, maiores eram os boatos e ameaças do acontecimento da
Derrama19, atitude que afetaria boa parte da elite local.
Os grupos mais influenciados pelas ideias iluministas, que eram também os que mais teriam a perder
com as medidas do governo português, resolveram tomar uma atitude dando início em 1789 ao
movimento que seria chamado pela metrópole de Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira.
Os inconfidentes tinham como objetivo a imediata separação da colônia, criando uma República
moldada pelo pensamento liberal-iluminista e pela Constituição dos Estados Unidos, que havia
conquistado sua independência em 1776. Após conquistada a liberdade em relação à metrópole,
estabeleceriam São João del-Rei como capital, criariam a Universidade de Vila Rica e dariam estímulo à
abertura de manufaturas têxteis e de uma siderurgia para o novo Estado. Em relação à escravidão as
posições eram divergentes.
A revolta foi suspensa quando participantes da conspiração denunciaram o movimento ao governador.
O coronel Joaquim Silvério dos Reis foi apontado como principal delator. Endividado com a coroa assim
como outros inconfidentes, o coronel resolveu separar-se do movimento e apresentar um depoimento
formal para o governador da capitania, Visconde de Barbacena. O governador suspendeu a cobrança e
mandou prender os inconfidentes.
Após a confissão de Joaquim Silvério e a prisão dos suspeitos foi instituída a devassa, uma
investigação levada a cabo pelas autoridades da época, constatando que envolveram-se no movimento
da Capitania das Minas grandes fazendeiros, criadores de gado, contratadores, exploradores de minas,
magistrados, militares, além de intelectuais luso-brasileiros.
Dentre os inconfidentes, destacaram-se os padres Carlos Correia de Toledo, José de Oliveira Rolim e
Manuel Rodrigues da Costa, além do cônego Luís Vieira da Silva; o tenente-coronel Francisco de Paula
Freire de Andrade, comandante militar da capitania, os coronéis Domingos de Abreu Vieira, também
comerciante, e Joaquim Silvério dos Reis, rico negociante; e os letrados Cláudio Manuel da Costa, Inácio
José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi o único “conspirador” que não fazia parte da elite.
Conhecido como alferes (primeiro posto militar) e dentista prático, foi talvez por sua origem o mais
duramente castigado. A memória de Tiradentes passou a ser celebrada no Brasil com a Proclamação da
República, quando foi considerado herói nacional pelo regime estabelecido em 15 de novembro de 1889.
Sua representação mais conhecida é muito semelhante à imagem de Cristo, reforçando a construção da
imagem de mártir.
Assinada em 19 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, a sentença de morte de Tiradentes cumpriu-se
dois dias depois: ele foi enforcado, decapitado e esquartejado. Os outros participantes foram condenados
ao desterro na África.

Conjuração Baiana (1798)


A conjuração Baiana, ou Revolta dos Alfaiates, assim como a Conjuração Mineira, foi influenciada
pelos ideais iluministas, em especial a Revolução Francesa. Ocorrida na Bahia em 1798, buscava a
emancipação e defendeu importantes mudanças sociais e políticas na sociedade.
Entre as causas do movimento estava a insatisfação com Portugal pela transferência da capital para
o Rio de Janeiro em 1763. Com tal mudança, Salvador (antiga capital) sofreu com a perda dos privilégios
e a redução dos recursos destinados à cidade. Somado a tal fator, o aumento dos impostos e exigências
à colônia vieram a piorar sensivelmente as condições de vida da população local. O preço dos alimentos
também gerou revolta na população. Além de caros, muitos produtos tornavam-se rapidamente escassos
pelas restrições impostas sobre o comércio e as importações.
Os revoltosos defendiam a separação da região do restante da colônia, buscando independência de
Portugal e instalando um governo baseado nos princípios da República. Também defendiam a liberdade
de comércio (fim do pacto colonial estabelecido), o aumento dos soldos20 e a igualdade entre as pessoas,
resultando na abolição da escravidão.
O movimento ganhou o nome de Revolta dos Alfaiates pela grande adesão desses profissionais no
movimento, entre eles Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento. Outros setores
também aderiram ao movimento, como o militar, representado pelo soldado Luís Gonzaga das Virgens.

19
No Brasil Colônia, a derrama era um dispositivo fiscal aplicado em Minas Gerais a fim de assegurar o teto de cem arrobas anuais na arrecadação do quinto.
O quinto era a retenção de 20% do ouro em pó ou folhetas que eram direcionadas diretamente a Coroa Portuguesa
20
A palavra ¨soldo¨ (em latim ¨solidus¨), remuneração por serviços militares e ¨soldado¨, têm sua origem no nome desta moeda.

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O movimento contou com a participação de pessoas pobres, letrados, padres, pequenos comerciantes,
escravos e ex-escravos.
A revolta foi impedida antes mesmo de começar. O ferreiro José da Veiga informou sobre os detalhes
do movimento ao governador, que pôde mobilizar tropas do exército para conter os revoltosos.

Questões

01. (TJ/SC - Analista Administrativo - TJ) Sobre o Período Colonial Brasileiro, assinale a alternativa
INCORRETA:
(A) De 1500 a 1530 a economia brasileira gravitou em torno do pau-brasil. Após 1530, declinando o
comércio com as Índias, a coroa portuguesa decidiu-se pela colonização do Brasil.
(B) A extração do pau-brasil foi declarada estanco, ou seja, passou a ser um monopólio real, cabendo
ao rei conceder a permissão a alguém para explorar comercialmente a madeira. O primeiro arrendatário
a ser beneficiado com o estanco foi Fernando de Noronha, em 1502.
(C) A administração colonial foi efetuada inicialmente por meio do sistema de Capitanias Hereditárias.
Com seu fracasso foram instituídos os Governos Gerais, não para acabar com as capitanias, mas para
centralizar sua administração.
(D) No sistema de Capitanias hereditárias a ocupação das terras era assegurada pela Carta de Doação
e pelo Foral. A carta de doação determinava os direitos e deveres dos donatários e o Foral cedia aos
donatários as terras, bem como o poder administrativo e jurídico das mesmas.
(E) O primeiro núcleo de colonização do Brasil foi a Vila de São Vicente, fundada no litoral paulista em
1532.

02. (TJ/SC - Assistente Social - TJ) Sobre o Período Colonial brasileiro, assinale a única alternativa
que está INCORRETA:
(A) Portugal só deu início à colonização das terras conquistadas, que passaram a chamar-se Brasil,
devido à pressão que sofria com o declínio de seu comércio com o oriente e com a sistemática ameaça
estrangeira no território brasileiro.
(B) O sistema de Capitanias Hereditárias foi implantado por D. João III mas não teve o sucesso
esperado. Entre os fatores que contribuíram para o fracasso das capitanias podemos citar: falta de terras
férteis em algumas regiões, falta de interesse dos donatários, conflitos com os indígenas, falta de recursos
financeiros para o empreendimento por parte de quem recebia a capitania.
(C) Tomé de Souza foi o primeiro Governador-Geral do Brasil e a sede do governo geral foi
estabelecida na Bahia.
(D) A estrutura econômica brasileira do período colonial tinha como principais características a
monocultura, o latifúndio, o trabalho escravo e a produção para o mercado externo.
(E) O primeiro núcleo de colonização do Brasil foi a Vila de Santos, fundada em 1532.

03. (PC/SC - Investigador de Polícia - ACAFE) Sobre a economia do período colonial do Brasil, todas
as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) O ciclo do ouro contribuiu para a formação de núcleos urbanos no interior do Brasil e para a
transferência da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro.
(B) A propriedade agrícola no qual se baseava o sistema colonial tinha duas características básicas: a
monocultura e o trabalho escravo.
(C) O pau-brasil foi um dos primeiros produtos explorados no Brasil, sendo obtido pelos europeus
numa relação de escambo com os nativos.
(D) O ciclo da cana-de-açúcar foi fundamental para a criação de um mercado econômico interno,
realizando a ligação comercial entre o litoral e o interior da colônia.

04. (Prefeitura de Padre Bernardo/GO - Contador) Entre 1708 e 1709 o estado de Minas Gerais foi
palco de um conflito marcado pela disputa pelo Ouro. Tal guerra se baseou no conflito entre bandeirantes
paulistas e forasteiros que buscavam a riqueza oriunda dos metais preciosos. Tal conflito ficou conhecido
como:
(A) Guerra das Emboabas.
(B) Inconfidência Mineira.
(C) Levante de Vila Rica.
(D) Guerra Mata Maroto.

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05. (PUC) “Nenhuma outra forma de exploração agrária no Brasil colonial resume tão bem as
características básicas da grande lavoura como o engenho de açúcar.”
Alice Canabrava, in Sérgio Buarque de Holanda (org.) História geral da civilização brasileira. Rio de Janeiro: Difel, 1963, tomo I, vol. 2..

A frase pode ser considerada correta, entre outros motivos, porque na produção açucareira:
(A) prevalecia o regime de trabalho escravo e a grande propriedade monocultora.
(B) havia emprego reduzido de mão de obra e prevalecia a agricultura de subsistência.
(C) prevalecia a atenção ao mercado consumidor interno e à distribuição das mercadorias nas grandes
cidades.
(D) havia disposição modernizadora do aparato produtivo e prevalecia a mão de obra assalariada.
(E) prevalecia a pequena propriedade familiar e a diversificação de culturas

06. (VUNESP) Leia o texto para responder à questão.


O Brasil colonial foi organizado como uma empresa comercial resultante de uma aliança entre a
burguesia mercantil, a Coroa e a nobreza. Essa aliança refletiu-se numa política de terras que incorporou
concepções rurais tanto feudais como mercantis.
(Emília Viotti da Costa. Da Monarquia à República, 1987.)

A afirmação de que “O Brasil colonial foi organizado como uma empresa comercial resultante de uma
aliança entre a burguesia mercantil, a Coroa e a nobreza” indica que a colonização portuguesa do Brasil
(A) desenvolveu-se de forma semelhante às colonizações espanhola e britânica nas Américas, ao
evitar a exploração sistemática das novas terras e privilegiar os esforços de ocupação e povoamento.
(B) implicou um conjunto de articulações políticas e sociais, que derivavam, entre outros fatores, do
exercício do domínio político pela metrópole e de uma política de concessões de privilégios e vantagens
comerciais.
(C) alijou, do processo colonizador, os setores populares, que foram impedidos de se transferir para a
colônia e não puderam, por isso, aproveitar as novas oportunidades de emprego que se abriam.
(D) incorporou as diversas classes sociais existentes em Portugal, que mantiveram, nas terras
coloniais, os mesmos direitos políticos e trabalhistas de que desfrutavam na metrópole.
(E) alterou as relações políticas dentro de Portugal, pois provocou o aumento da participação dos
burgueses nos assuntos nacionais e eliminou a influência da aristocracia palaciana sobre o rei.

Gabarito

01.D / 02.E / 03.D / 04.A / 05.A / 06.B

Comentários

01. Resposta: D
Na alternativa incorreta houve uma inversão, pois Carta de Doação era um documento que cedia aos
Donatários a posse da terra, já o Foral era o documento que estabelecia direito e os deveres dos
donatários.

02. Resposta: E
Martim Afonso de Souza fundou, em 1532, o primeiro núcleo populacional do Brasil: A Capitania de
São Vicente.

03. Resposta: D
A produção de cana-de-açúcar era feita em grandes latifúndios, toda a produção feita na colônia era
voltada ao mercado externo, nessa época não havia produção destinada ao mercado interno, exceto os
gêneros alimentícios de subsistência.

04. Resposta: A
O enunciado da questão faz referência a Guerra dos Emboabas. Como havia sido um paulista a
descobrir ao ouro, eles achavam que tinham direitos especiais sobre a terra. Quando um dos líderes dos
emboabas enfrentou, junto com uma frente armada e conseguiu expulsar os paulistas da região de
Sabará, o ato foi entendido por eles como uma declaração de guerra.

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05. Resposta: A
A produção do açúcar no Brasil foi a primeira grande atividade comercial estabelecida de forma efetiva
para a geração de lucros para a coroa portuguesa. Era caracterizada pela mão-de-obra escrava (indígena,
depois africana), a grande propriedade rural (Latifúndio) e a exportação para o mercado europeu.

06. Resposta: B
Durante o período colonial, a obtenção de terras estava vinculada à concessão do rei, que as cedia
para pessoas com capital disponível para a construção de engenhos ou investimentos na colônia.

h. O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido.

O ILUMINISMO - Pensadores e Características21

O Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, que defendia
o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas) e pregava maior liberdade econômica e política. Este
movimento promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade,
igualdade e fraternidade. O Iluminismo tinha o apoio da burguesia, pois os pensadores e os burgueses
tinham interesses comuns.

As críticas do movimento ao Antigo Regime eram em vários aspectos como:


- Mercantilismo.
- Absolutismo monárquico.
- Poder da igreja e as verdades reveladas pela fé.

Com base nos três pontos acima, podemos afirmar que o Iluminismo defendia:
- A liberdade econômica, ou seja, sem a intervenção do estado na economia.
- O Antropocentrismo, ou seja, o avanço da ciência e da razão.
- O predomínio da burguesia e seus ideais.

As ideias liberais do Iluminismo se disseminaram rapidamente pela população. Alguns reis


absolutistas, com medo de perder o governo - ou mesmo a cabeça -, passaram a aceitar algumas idéias
iluministas.
Estes reis eram denominados Déspotas Esclarecidos, pois tentavam conciliar o jeito de governar
absolutista com as ideias de progresso iluministas.
Alguns representantes do despotismo esclarecido foram: Frederico II, da Prússia; Catarina II, da
Rússia; e Marquês de Pombal, de Portugal.
Alguns pensadores ficaram famosos e tiveram destaque por suas obras e ideias neste período. São
eles:

John Locke
John Locke é Considerado o “pai do Iluminismo”. Sua principal obra foi “Ensaio sobre o entendimento
humano”, aonde Locke defende a razão afirmando que a nossa mente é como uma tábula rasa sem
nenhuma ideia.
Defendeu a liberdade dos cidadãos e Condenou o absolutismo.

Voltaire
François Marie Arouet Voltaire destacou-se pelas críticas feitas ao clero católico, à inflexibilidade
religiosa e à prepotência dos poderosos.

Montesquieu
Charles de Secondat Montesquieu em sua obra “O espírito das leis” defendeu a tripartição de poderes:
Legislativo, Executivo e Judiciário.

21
MACHADO, Leonardo. Questões Iluminismo. Desconversa.https://descomplica.com.br/blog/exercicios-resolvidos/questao-comentada-qual-foi-o-seculo-das-
luzes/.
SOHISTORIA. O iluminismo – Pensadores e características. Só História. http://www.sohistoria.com.br/resumos/iluminismo.php>.

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No entanto, Montesquieu não era a favor de um governo burguês. Sua simpatia política inclinava-se
para uma monarquia moderada.

Rousseau
Jean-Jacques Rousseau é autor da obra “O contrato social”, na qual afirma que o soberano deveria
dirigir o Estado conforme a vontade do povo. Apenas um Estado com bases democráticas teria condições
de oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos.
Rousseau destacou-se também como defensor da pequena burguesia.

Quesnay
François Quesnay foi o representante oficial da fisiocracia. Os fisiocratas pregavam um capitalismo
agrário sem a interferência do Estado.

Adam Smith
Adam Smith foi o principal representante de um conjunto de idéias denominado liberalismo econômico,
o qual é composto pelo seguinte:
- o Estado é legitimamente poderoso se for rico;
- para enriquecer, o Estado necessita expandir as atividades econômicas capitalistas;
- para expandir as atividades capitalistas, o Estado deve dar liberdade econômica e política para os
grupos particulares.

A principal obra de Smith foi “A riqueza das nações”, na qual ele defende que a economia deveria ser
conduzida pelo livre jogo da oferta e da procura.

Despotismo Esclarecido

Orientados por filósofos da Ilustração, numerosos príncipes buscaram pôr em prática novas ideias,
procurando governar de acordo com a razão, segundo os interesses do Estado, mas sem abandonar seu
poder absoluto. Esta aliança de princípios filosóficos e poder Monárquico deu origem a um regime típico
do século XVIII: o despotismo esclarecido.
Na Prússia, Frederico II concedeu liberdade de culto. Estimulou o ensino básico, tendo ele mesmo
baixado o princípio de instrução primaria obrigatória para todos. Apesar de os jesuítas estarem sendo
expulsos de quase todos os países da Europa por suas ligações com o Papado, atraiu-os devidos a suas
qualidades de educadores. A tortura foi abolida e um novo código de justiça organizado. Exigia obediência
total às ordens, mas concedia liberdade de expressão. Procurou estimular a economia, adotando medidas
protecionistas contrárias as ideias iluministas e preservando, assim, a ordem social existente A Prússia
permaneceu em estado feudal, com servos sujeitos a classe dominante dos proprietários, chamados
junkers.
Catarina II atraiu os filósofos franceses à sua Corte, mantendo com eles correspondência regular.
Anunciou grandes reformas que jamais realizou, apesar de ter concedido liberdade religiosa e de se
preocupar em desenvolver a educação das altas classes sociais. O essencial permaneceu como era ou
foi agravado, pois a servidão não foi abolida e os direitos dos proprietários sobre os servos da terra foram
aumentados, incluindo até mesmo a condenação à morte. Melhorou a administração e estimulou a
colonização da Rússia meridional, na Ucrânia e no Volga. Talvez o resultado único de sua política tenha
sido a polidez da alta sociedade russa, completamente afrancesada nos usos e costumes.
Jose II da Áustria, foi o tipo mais bem acabado do despotismo esclarecido. Fez numerosas reformas
ditadas pela razão: aboliu a escravidão; deu igualdade a todos perante a lei; uniformizou a administração
em todo o Império; deu liberdade de culto e direito de emprego aos católicos. Houve reações às suas
reformas na Hungria e um levante dos belgas nos Países Baixos.
Na Espanha, o ministro Aranda pôs em execução urna série de reformas: o comércio foi liberado
internamente; a indústria de luxo e tecidos de algodão foi estimulada: a administração foi dinamizada com
a criação de intendentes, que fortaleceram o poder do rei Carlos III.
Em Portugal, o Marquês de Pombal, ministro de D. Jose I, fez numerosas reformas que o colocaram
entre os principais déspotas: a indústria de vinho, peixes, diamantes, seda e chapéus cresceu; o comercio
passou a ser controlado por companhias que detinham o monopólio comercial nas regiões coloniais; a
agricultura da cana e da videira foi estimulada; a nobreza e o clero foram perseguidos com o objetivo de
fortalecer o poder real.

45
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Questões.

01. (FUVEST) Sobre o chamado despotismo esclarecido é correto afirmar que


(A) foi um fenômeno comum a todas as monarquias europeias, tendo por característica a utilização
dos princípios do Iluminismo.
(B) foram os déspotas esclarecidos os responsáveis pela sustentação e difusão das ideias iluministas
elaboradas pelos filósofos da época.
(C) foi uma tentativa bem intencionada, embora fracassada, das monarquias europeias reformarem
estruturalmente seus Estados.
(D) foram os burgueses europeus que convenceram os reis a adotarem o programa de modernização
proposto pelos filósofos iluministas.
(E) foi uma tentativa, mais ou menos bem sucedida, de algumas monarquias reformarem, sem alterá-
las, as estruturas vigentes.

02. (UFV) O Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I (1750-1777), foi o responsável por uma série
de reformas na economia, educação e administração do Estado e do império português, inspiradas na
filosofia iluminista e na política econômica do mercantilismo, cabendo a ele a expulsão dos padres jesuítas
da Companhia de Jesus dos domínios de Portugal.
O Marquês de Pombal foi um dos representantes do chamado:
(A) Despotismo Esclarecido.
(B) Socialismo Utópico.
(C) Socialismo Científico.
(D) Liberalismo.
(E) Parlamentarismo Monárquico.

03. (ENEM) Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico.
Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem
poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por
pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de
poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecersua
vida, física e culturalmente.
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 2004 (adaptado).
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a
ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse
contexto, a investigação científica consiste em:
(A) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.
(B) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.
(C) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso.
(D) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e
religiosos.
(E) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos.

Gabarito

01.A / 02.A / 03.C

Comentários
01. Resposta A
Ainda era muito cedo para eles acabarem com o absolutismo, portanto, conseguiram uma maneira de
se adaptar à nova condição mundial, voltada para o cientificismo e com tendências iluministas. Marquês
de Pombal e Dom Pedro II eram considerados déspotas esclarecidos.

02. Resposta A
Com uma participação importantíssima na História do Brasil, o Marquês de Pombal marcou época ao
revolucionar o modo de Portugal lidar com suas colônias, intensificando a rentabilidade com conceitos
iluministas. Pombal era considerado um déspota esclarecido, pois sempre utilizava métodos cientificistas
vigentes na época.

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03. Resposta C
Alguns pensadores e a maioria dos iluministas valorizam a razão como a forma de o homem se libertar.
Mas se libertar de quê? Estão compreendidas nessa libertação a igreja e até mesmo as leis da natureza.
Quando se desconhece não se pode dominar, porém, quando se entende, a dominação é quase que
inevitável e libertadora.

i. As Revoluções Inglesas (Século XVII) e a Revolução Industrial (séculos XVIII a


XX).

REVOLUÇÕES INGLESAS

Dinastia Tudor

Após o fim da Guerra dos Cem Anos, travada contra a França, a Inglaterra viveu uma forte crise
dinástica, quando duas famílias de nobres disputaram o trono, envolvendo o país na Guerra das Duas
Rosas, que foi uma guerra civil ocorrida entre os anos de 1455 e 1485. Os conflitos ocorreram pela
disputa do trono inglês entre duas importantes famílias nobres britânicas: Lancaster e York.
O nome da guerra vem dos emblemas que representavam estas duas famílias: Casa de Lancaster
(rosa vermelha) e Casa de York (rosa Branca).
O conflito terminou quando Henrique Tudor foi coroado rei, com o nome de Henrique VII. Nesse
momento, a autoridade do monarca esbarrou no Parlamento, que restringiu sua atuação e impediu a
implantação do absolutismo.
Com a morte de Henrique VII, o poder foi transmitido a seu filho Henrique VIII, que começou a impor
seu poder aos nobres feudais, com a ajuda da burguesia, carente de apoio na sua expansão comercial.
A partir desse momento, o poder real passou a centralizar-se cada vez mais na figura do rei.
Este rei rompeu com a Igreja Católica, apoderando-se de todos os seus bens e aumentando seu poder
político. Por meio do Ato de Supremacia, o Parlamento investiu o rei com a suprema autoridade
eclesiástica.
O rei governava por decretos que não eram submetidos à sanção parlamentar. O Parlamento era figura
decorativa, sendo convocado em raras oportunidades. O Conselho real era instrumento fundamental do
poder monárquico.
No governo da rainha Isabel I (Elizabeth), o Parlamento foi mantido com um poder apenas aparente,
porém o absolutismo foi implantado de fato.
Nesse período, a tensão entre Inglaterra e Espanha cresceu.
Nesse momento, a hegemonia espanhola foi substituída pela hegemonia da Inglaterra, que passou a
exercer a supremacia comercial no Atlântico. Durante o reinado de Isabel I, foi iniciado o processo de
"cercamentos", arruinando os pequenos proprietários, que passaram a concentrar-se nas cidades.
Buscando solucionar a crise social resultante, Isabel I assinou em 1601 a 'Lei dos Pobres", que obrigava
a população marginalizada e sem ocupação a trabalhar em oficinas, abastecendo o setor manufatureiro
de grande quantidade de mão de obra barata.
Durante o longo reinado de Isabel, o poder absoluto foi implantado de fato. A próxima dinastia, Stuart,
tentaria legalizá-lo. Esse esforço dos Stuarts iniciou-se com a ascensão ao trono de Jaime I, primo de
Isabel e rei da Escócia, e terminaria com a Revolução Gloriosa de 1688.

Etapas da Revolução
As Revoluções Inglesas podem ser separadas nas seguintes fases:
- A Revolução Puritana, de 1642 a 1649;
- O Protetorado de Cromwell, de 1649 a 1658, que corresponde à República;
- Um intervalo de dois anos, bastante confuso, que levou à restauração da Monarquia em 1660;
- A Revolução Gloriosa, completada em 1688.

Todos estes períodos revolucionários constituem um único problema, que é a Revolução Inglesa,
iniciada em 1640 e completada em 1688.
A revolução da burguesia na Inglaterra contra os entraves ao seu desenvolvimento, representados
pelo rei, é um marco importantíssimo na história da Inglaterra. Depois da Revolução Gloriosa de 1688,
nenhuma outra revolução se produziu na Inglaterra, até hoje. Somente por este fato, pode-se perceber a
sua importância.

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No plano da história europeia, as Revoluções Inglesas precederam a Revolução Francesa,
C
constituindo um exemplo para esta, com a qual se igualam em importância histórica, e E mesmo a
Revolução Francesa supera-as por ter sido definitiva. e
Com a morte de Elisabeth I, a Inglaterra foi governada por Jaime I, iniciando-se a Dinastia dos Stuarts,
de origem escocesa. Sua atuação absolutista chocou-se contra o Parlamento, que iniciou uma luta política
com os Stuarts.

Fatores das Revoluções Inglesas


Na Revolução Inglesa, os problemas econômicos, sociais e políticos misturaram-se aos religiosos.
Com o aumento de importância da agricultura (em 1640 a Inglaterra fornecia quatro quintos do
consumo europeu, já que o seu intenso comércio estimulou a produção de alimentos e matéria-prima), os
empresários capitalistas passaram a investir na compra e exploração das terras, adotando técnicas
e equipamentos que aumentavam a produção. Com os pequenos proprietários, a quem se uniram,
estavam interessados em expulsar das terras os seus antigos rendeiros. Mas esses rendeiros eram
protegidos pelo rei, pelos nobres e pelos chefes da Igreja Anglicana, que estavam todos ligados
à agricultura, também, e em nada queriam alterar a situação vigente. Os monopólios concedidos pelo
rei a alguns grandes capitalistas, e os privilégios ("herdados" da Idade Média) que tinham as
corporações na produção de artigos artesanais nas cidades constituíam outros motivos de insatisfação
para a burguesia.
Empobrecidos pela concorrência burguesa na agricultura, os nobres viram sua riqueza diminuir
ainda mais com a inflação (que enriquecia os burgueses); agarraram-se então às rendas do Estado,
controlando a administração. Os burgueses, por seu lado, controlavam o poder local e elegiam seus
representantes para o Parlamento.
Ao pretender aumentar os impostos pagos pela burguesia para manter os nobres (seu instrumento
contra a ascensão burguesa, que ameaçava o poder real), o rei entrou em choque com o Parlamento,
que se considerava o único com direito a legislar sobre essa matéria.
Rei e burgueses opuseram-se também por questões religiosas. O puritanismo tinha numerosos
adeptos na burguesia, pois pregava o trabalho e a poupança, tão ao gosto dessa classe social. O
rei, para quem o c o n t r o l e d a I g r e j a e r a u m instrumento indispensável do poder, protegia
a Igreja Anglicana e perseguia os que at acavam a r eligião oficial. Os conflitos religiosos entre
puritanos e anglicanos foram, desse modo, a expressão de uma luta mais importante: o choque entre
burguesia e realeza. A prova é que o primeiro movimento revolucionário pelo controle do poder na
Inglaterra foi chamado de revolução puritana.

Revolução Puritana
A luta entre o Parlamento e o rei começou em 1628, quando o Parlamento impôs a Carlos I a "Petição
dos Direitos", pela qual problemas relativos a impostos, prisões, julgamentos e convocações do exército
não poderiam ser executados sem a autorização parlamentar. Carlos I disse que aceitava a imposição,
mas não a cumpriu. Quando a reunião parlamentar do ano seguinte condenou sua política religiosa e o
aumento dos impostos, o rei dissolveu o Parlamento e governou sem ele durante onze anos. As decisões
que tomou durante esse tempo provocaram protestos em toda a Inglaterra.
A revolta começou na Escócia, por causa da tentativa de imposição do anglicanismo aos puritanos e
presbiterianos, e logo espraiou-se. Os rebeldes, que se negaram a pagar os novos impostos instituídos
por Carlos I, foram condenados pelos tribunais reais, em 1639 e 1640.
Em 1640, os problemas financeiros obrigaram o rei a convocar o Parlamento; este só funcionou du-
rante um mês, pois foi dissolvido ao negar-se a aumentar os impostos, como queria Carlos I. Ainda nesse
mesmo ano foi reunido um novo Parlamento, que, durante os dezoito meses nos quais trabalhou, transfor-
mou a administração da Inglaterra, perseguiu ministros do rei e passou a controlar a convocação do
exército e a política religiosa.
Em 1641, a eclosão de uma revolta separatista na Irlanda forçou a organização de um exército, cujo
comando foi negado ao rei. Tornou-se, então, obrigatória a reunião do Parlamento pelo menos a cada
três anos, e o rei perdeu o direito de dissolvê-lo.
Ainda em 1641, porém, o Parlamento dividiu-se entre alguns líderes radicais (que queriam desapropriar
as terras dos senhores religiosos) e a aristocracia unida aos burgueses capitalistas conservadores (que
se sentiram ameaçados pelo povo e voltaram-se para o rei, "encarnação" da ordem e da segurança).
Aproveitando-se disso, Carlos I tentou recuperar seu poder, indo contra as medidas parlamentares.
Começou então a guerra civil, no início de 1642.
O comando do exército parlamentarista foi dado a Cromwell, que revolucionou a organização militar
da época, tornando-a muito mais eficiente. A ascensão aos postos começou a ser feita por merecimento,

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e não por nascimento, como antes. O povo pôde participar da revolução, pois foi organizado em grupos
para discutir os problemas mais importantes. Embora precisasse dele na sua luta contra o rei, a burguesia
começou a temê-lo, vendo que o povo começava a influir no curso dos acontecimentos.
O exército de Cromwell foi influenciado durante algum tempo pelas ideias democráticas de certos
grupos artesãos, os "niveladores", que não conseguiram, no entanto, convencê-lo de suas ideias radicais.
A sua luta pelo poder favoreceu o aparecimento dos "escavadores", proletários urbanos e rurais que não
possuíam terras. Em 1649, quando se apossaram de terras no condado de Surrey e começaram a escavá-
las, para demonstrar que elas lhes pertenciam, foram dizimados pelos soldados da República. O mesmo
movimento surgiu em outras regiões da Inglaterra, mas em todas elas foi reprimido.
Muito disciplinado, o exército de Cromwell acabou por tornar-se uma força política poderosa: ocupou
cidades; pôs em fuga líderes do Parlamento e assumiu o controle da situação; destituiu a Câmara dos
Lordes; aprisionou e depois mandou decapitar em praça pública o rei. A guerra civil culminou com a
implantação da República, em 1649.

Commonwealth
Com a República, começou a segunda fase da Revolução Puritana, a Commonwealth. Em poucos
anos, Cromwell venceu Carlos II (filho de Carlos I) e dominou todo o Império Britânico. O "Ato de
Navegação", baixado em 1651 (os produtos importados pela Inglaterra só podiam ser transportados por
navios britânicos ou pertencentes aos países produtores), provocou a luta com os Países Baixos, cujo
comércio se baseava no transporte de mercadorias. Esse ato permitiu que fosse estabelecida a su-
premacia inglesa nos mares.
Cromwell governou com intolerância e rigidez, impondo a todos as suas ideias puritanas. Quando, em
1653, o Parlamento tentou limitar seu poder, Cromwell dissolveu-o e fez-se proclamar "Protetor" da
Inglaterra, Escócia e Irlanda. A partir daí governou com plenos poderes, até a sua morte, em 1658.
Sucedeu-o seu filho Ricardo, que, não tendo as qualidades do pai, foi considerado incapaz e destituído
do poder, em 1659. Os burgueses desejavam a segurança, e os irlandeses e escoceses, a volta da
realeza. O Parlamento procurou então Carlos II, que estava refugiado na Holanda. Ao ser restaurado no
poder, em 1660, Carlos II prometeu a anistia geral, a tolerância religiosa e o pagamento ao exército.
Embora tudo parecesse continuar como antes, o Estado tinha sido reorganizado em outras bases: o rei
era agora uma espécie de funcionário da nação, a Igreja Anglicana deixou de ser um instrumento do
poder real, e a burguesia já estava bem mais poderosa que a nobreza.

Revolução Gloriosa

Sentindo-se totalmente limitado pelo Parlamento (que legislava sobre as finanças, a religião e as
questões militares), Carlos II uniu-se secretamente a Luís XIV da França, rei católico e absolutista, o que
o tornou suspeito ao Parlamento. Desse momento em diante, o rei não pôde mais interferir na política
europeia sem o consentimento parlamentar.
Seu irmão e sucessor, Jaime II, era católico e amigo da França. Como tomasse várias medidas a favor
dos católicos, o Parlamento revoltou-se e chamou Maria Stuart e seu marido, Guilherme de Orange, dos
Países Baixos, para assumir o governo em lugar do rei, que fugiu para a França.
Guilherme só foi proclamado rei (com o nome de Guilherme III) depois de ter aceito a Declaração de
Direitos (Bill of Rights), que limitava muito a sua liberdade e dava ainda mais poder ao Parlamento: o rei
não podia cancelar as leis parlamentares e o próprio trono podia ser dado pelo Parlamento a quem lhe
aprouvesse, após a morte do rei em função; as reuniões parlamentares e as eleições seriam regulares; o
orçamento anual seria votado pelo Parlamento; inspetores controlariam as contas reais; os católicos
foram afastados da sucessão; a manutenção de um exército permanente em tempo de paz foi
considerada ilegal. Todas as decisões começaram a ser tomadas pelos ministros, sob a autoridade do
lorde tesoureiro. O Tesouro passou a ser dirigido por funcionários que, na época das guerras, orientavam
a política interna e externa. Em 1694, foi criado o Banco da Inglaterra, para emprestar dinheiro ao Tesouro
e aconselhar seus funcionários.
Ficou assim organizado o tripé do desenvolvimento do capitalismo inglês, montado pela burguesia: o
Parlamento, o Tesouro e o Banco da Inglaterra. Encerra-se, sem derramamento de sangue, a Revolução
Gloriosa, que marcou a ascensão da burguesia ao controle total do Estado. Nesse sentido, ela pode ser
considerada o complemento da Revolução Puritana.
Uma vez estabelecida no poder, a burguesia fez com que fossem retirados os obstáculos à sua
expansão: a terra foi liberada para os comerciantes e completou-se a expulsão dos rendeiros. O
desenvolvimento da Inglaterra, depois disso, foi enorme.

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Questões.22
01. (MACK) O período em que Oliver Cromwell dirigiu a Inglaterra, decretando, entre outros, o Ato de
Navegação que consolidou a marinha inglesa em detrimento da holandesa, ficou conhecido como:
(A) Monarquia Absolutista
(B) Monarquia Constitucional
(C) Restauração Stuart
(D) República Puritana
(E) Revolução Gloriosa

02. A morte de Cromwell, em 1658, desencadeou uma nova onda revolucionária na Inglaterra, pois
seu filho e sucessor, Richard, não conseguiu ter a mesma força política do pai. A situação na Inglaterra
só se estabilizou em 1688, com a chamada:
(A) Revolução Anarquista.
(B) Reforma Anglicana
(C) Revolução dos Navegadores
(D) Revolução Gloriosa
(E) Revolução Industrial

03. (UERJ) “O rei é vencido e preso. O Parlamento tenta negociar com ele, dispondo-se a sacrificar o
Exército. A intransigência de Carlos, a radicalização do Exército, a inépcia do Parlamento somam-se para
impedir essa saída "moderada"; o rei foge do cativeiro, afinal, e uma nova guerra civil termina com a sua
prisão pela segunda vez. O resultado será uma solução, por assim dizer, moderadamente radical (1649):
os presbiterianos são excluídos do Parlamento, a câmara dos lordes é extinta, o rei decapitado por traição
ao seu povo após um julgamento solene sem precedentes, proclamada a república; mas essas bandeiras
radicais são tomadas por generais independentes, Cromwell à testa, que as esvaziam de seu conteúdo
social.” (RENATO JANINE RIBEIRO. In: HILL, Christopher. "O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640". São Paulo:
companhia das letras, 1987).
O texto faz menção a um dos acontecimentos mais importantes da Europa no século XVII: a Revolução
Puritana (1642-1649). A partir daquele acontecimento, a Inglaterra viveu uma breve experiência
republicana, sob a liderança de Oliver Cromwell. Dentre suas realizações mais importantes, destaca-se
a decretação do primeiro Ato de Navegação. A determinação do Ato de Navegação consistia em:
(A) não permitir que nenhuma matéria-prima de origem asiática entrasse na Inglaterra.
(B) não permitir que nenhuma embarcação estrangeira atracasse no litoral inglês;
(C) permitir que os portos ingleses fossem usados livremente por outras nações;
(D) permitir que os holandeses usufruíssem da frota marítima inglesa.
(E) não permitir que as frotas marítimas inglesas trafegassem fora dos mares do norte.

Gabarito

01.D / 02.D / 03.B

Gabarito

01. Resposta D
Oliver Cromwell foi o responsável pela implementação da República Puritana em meios às ondas
sucessivas de revoluções que mudaram a Inglaterra no início da modernidade.

02. Resposta D
A chamada Revolução Gloriosa completou o processo revolucionário desencadeado na Inglaterra. A
solução encontrada foi o modelo da Monarquia Parlamentarista, no qual há a representação simbólica do
monarca, porém as decisões políticas efetivas são tomadas pelo parlamento, que tem como
representante periódico um Primeiro-Ministro.

22
FERNANDES, Cláudio. Exercícios sobre Cromwell e a Revolução Puritana Inglesa. Mundo Educação. https://bit.ly/2OEf9FO.

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03. Resposta B
A política dos Atos de Navegação proibia que os portos ingleses fossem usados por navios de outras
nações, exceto quando estes transportavam matéria-prima inglesa. A importância dessa lei para a
economia inglesa foi enorme, pois, a longo prazo, forneceu os meios e estrutura básica para o
desenvolvimento industrial desse país.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A revolução industrial é um dos momentos de maior importância e influência sobre o modo de vida das
sociedades atuais. Ela marca a passagem e as transformações sociais ocorridas primeiramente na
Europa e que posteriormente se espalharam pelo restante do mundo.
A passagem da sociedade rural para a sociedade urbana, a transformação do trabalho artesanal e
manufatureiro para o trabalho assalariado e a organização fabril foram algumas dessas transformações.
A Revolução Industrial normalmente é dividida em três fases:
A Primeira Fase que vai de 1760 a 1850, predominantemente na Inglaterra, quando surgiram as
primeiras maquinas a vapor;
A Segunda Fase que vai de 1830 a 1900 e marca a difusão da revolução por países europeus como
Bélgica, França, Alemanha e Itália, além dos Estados Unidos e Japão. Durante esse período surgem
formas alternativas de energia, como a hidrelétrica e motores de combustão interna, movidos a gasolina
e diesel.
E por fim, a Terceira Fase que começa em 1900, caracterizada pela inovação nas comunicações e do
aumento da produção em massa.

O que é Industrialização?

A industrialização pode ser entendida como a transformação de matérias-primas para serem


consumidas e utilizadas pelo ser humano.
A transformação de matérias-primas em produtos por meio de da utilização de maquinas é conhecida
como maquinofatura, enquanto a transformação manual é conhecida como manufatura.
Existe também uma outra categoria de transformação, o artesanato, em que o processo de produção
é efetuado por uma única pessoa do início ao fim.

* Cuidado ao diferenciar o artesanato, manufatura e maquinofatura.


O artesanato condiz a técnica do trabalho manual não industrializado, no qual é realizado elo artesão,
e que escapa à produção em série. A manufatura é um estágio mais avançado, em que numerosos
trabalhadores se reúnem para a realização de um mesmo objetivo, possuem funções definidas e são
coordenados por um chefe que gerencia a produção.
Por sua vez, maquinofatura se caracteriza pelo uso de ferramentas e máquinas que são utilizadas no
processo de produção.

Como tudo começou?


Para entender a Revolução Industrial é preciso entender as mudanças ocorridas na Inglaterra a partir
do século XVIII e o restante da Europa no século XIX.
Um dos fatores que colaborou com a Revolução Industrial foi a melhoria de condições de higiene e
alimentação, garantindo uma maior longevidade, que aumentava o consumo de produtos e também
disponibilizava mão-de-obra para o trabalho na indústria.
As revoluções inglesas que ocorreram no século XVIII colocaram o poder político da Inglaterra nas
mãos da burguesia capitalista. Seu interesse no desenvolvimento econômico colaborou para a
organização do sistema de circulação de mercadorias através da abertura de canais, estradas, portos e
comercio exterior. Os impostos (cobrança e aplicação) foram organizados no mesmo período.
A ascensão da burguesia ao poder colaborou para o processo de cercamento de terras baldias e terras
de uso comum, o que extinguiu os yeomen23, que formavam uma classe de pequenos proprietários e
trabalhadores rurais que sobreviviam do cultivo de terras arrendadas e da utilização das áreas comuns.
Com as terras que eram utilizadas pelos yeomen confiscadas pelo governo, muitos trabalhadores
rurais acabaram migrando para as cidades em busca sobrevivência, tornando-se empregados nas
manufaturas.

23 classe de homens que possuem pequenas e médias terras.

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A religião teve um importante papel para a mentalidade e economia na Inglaterra. O Puritanismo é
uma concepção da fé cristã que surgiu na Inglaterra, criada por grupos protestantes radicais após as
reformas que ocorreram no país. Inspirados pelo calvinismo, tinham a crença da acumulação, poupança
e enriquecimento, que eram vistos como demonstrativos da salvação.
Além disso, durante muito tempo, os ingleses desenvolveram seu comércio e sua agricultura. O
comercio foi expandido em escala mundial, criando um grande mercado que pudesse comprar seus
produtos e absorver sua produção de produtos industrializados, em especial o algodão.
Ele mostrou-se uma alternativa mais atraente para os comerciantes ingleses, devido à sua abundancia
de produção nas colônias britânicas no Oriente e nos Estados Unidos, que ainda pertenciam à Inglaterra.
Como não havia regulamentação sobre o comercio do algodão e a mão-de-obra disponível juntamente
com a matéria-prima era extremamente atraente, do ponto de vista econômico, os esforços empresariais
concentraram-se nessa área.
Toda essa rede de comercio e produção garantiu para a Inglaterra grande acumulo de capital, ou seja,
os recursos necessários para investir e aumentar a produção industrial.
Esse capital, junto de outros fatores ajudaram a Inglaterra a destacar-se como pioneira na Revolução
Industrial com o aluguel de terras produtivas, o lucro obtido na venda de matérias primas e a elevação
constante de preços, que garantiam uma grande margem de lucro para os comerciantes.
Com uma grande quantidade de capital disponível era possível fazer empréstimos que possuíam juros
baixos, o que permitia fazer investimentos a longo prazo, em produtos e maquinas que levavam um longo
tempo para garantir retorno e compensação financeira.
A Inglaterra possuía além dos fatores econômicos e sociais necessários para a criação de industrias,
elementos minerais que eram utilizados na construção das máquinas, como o ferro e o carvão.
A existência de ferro e carvão no país colaboraram para as invenções que ajudaram a mudar a
indústria. A criação de mecanismos que aumentavam determinada etapa da produção obrigava outros
setores a buscar alternativas para acompanhar o ritmo de produção, transformando-se em um ciclo de
desenvolvimento industrial, gerados através da busca pela produção.

Industrialização e o Trabalho

Para suprir a grande produção e atender o mercado consumidor, as fabricas precisavam de mão-de-
obra para operar a produção. Se antes os trabalhadores, principalmente artesãos, trabalhavam em suas
casas, agora o trabalho era concentrado no ambiente das fabricas.
Para conseguir lucros as fabricas precisavam produzir em larga escala, o que barateava a produção,
pois não fazia sentido a utilização de recursos imensos como maquinas a vapor e represamento de rios
para a utilização de energia hidráulica com o intuito de produzir pouco.
Outra grande mudança para os trabalhadores era a relação entre o tempo e o trabalho. Para produzir
com eficiência as fabricas precisavam organizar seus funcionários, seja em turnos ou escalas, para que
garantam que a produção nunca pare ou caia, o que ajudava a maximizar os lucros e evitar prejuízos, e
é aí que entra o conceito de tempo.
Até o período anterior à revolução industrial era comum que pessoas trabalhassem sem horários ou
dias fixos, normalmente eles o faziam (trabalhavam) até obter o necessário para os gastos da semana ou
pelo período desejado.
Com o trabalho concentrado nas fabricas e com a necessidade de se manter a produção, era essencial
que os trabalhadores cumprissem horários determinados de entrada e saída em seus postos de serviço.
Foi nesse período que o relógio se popularizou, já que era necessário para garantir a rotina imposta pelas
fábricas.
Com a introdução da maquinofatura outro importante aspecto ganha forma: a separação entre
trabalhador e meio de produção.

Se antes da Revolução Industrial um fabricante de tecidos utilizava seus equipamentos, como a roca
de fiar, agora ele dependia de equipamentos sofisticados para tornar seus produtos competitivos. Os
preços desses equipamentos normalmente atingiam valores altos, que poucas pessoas poderiam pagar.
Anteriormente um artesão era capaz de produzir com suas próprias ferramentas, agora com o trabalho
nas indústrias e com o custo dos equipamentos, o trabalhador dependia dos meios de produção, no
entanto, não os possuía, assim a pessoa acabava se tornando funcionário de uma empresa, e a partir daí
utilizava os seus meios de produção.
Com essa mudança a sociedade divide-se em duas categorias:

- Quem possuía os meios de produção, capital, matéria prima e equipamentos – uma pequena minoria;

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- E as pessoas que vendiam sua força e capacidade de trabalho para o primeiro grupo em troca de um
salário.

As mudanças que ocorreram no século XVIII não agradaram a todos. Muitos artesãos e trabalhadores
ficaram insatisfeitos com as rotinas de trabalho de impostas. Era comum existirem jornadas de trabalho
de 14 a 16 horas diárias em condições extremamente desfavoráveis e arriscadas, como o barulho
incessante de maquinas e o trabalho repetitivo a que se sujeitavam para receber baixos salários.
A situação era ainda mais complicada no caso de mulheres e crianças, que recebiam uma quantia
menor, independentemente do nível de trabalho executado em relação aos homens.
Com a grande leva de camponeses que buscavam oportunidades nos centros industriais, a
concorrência por empregos aumentava. Com isso os donos de fabricas davam preferência para a mão-
de-obra barata e abundante que vinha do campo.
A concentração em grandes centros também prejudicava aqueles com pouco poder aquisitivo. Nas
regiões industrializadas a população crescia em ritmo acelerado, chegando a cidade a possuir mais de 1
milhão de habitantes antes do século XIX.
O crescimento da população nem sempre era acompanhado pela oferta de moradia, o que gerava
alugueis com altos preços e aglomeração de pessoas em pequenos espaços, muitas vezes abrigando
diversas famílias.
O próprio país sofreu mudanças em sua paisagem. Nesse período a Inglaterra dividia-se em dois
contextos: a Inglaterra Negra, que era dominada por industrias, instaladas principalmente onde havia
disponibilidade de carvão, em geral no norte e oeste do país, e a Inglaterra Verde no sul e sudeste, que
era responsável pela agricultura e pastoreio.

Movimentos Organizados
As dificuldades enfrentadas levaram à criação de movimentos organizados de trabalhadores que
reivindicavam melhores condições de remuneração e segurança no trabalho.
Entre os movimentos de reinvindicação que ocorreram no século XVIII, o Ludismo possui destaque.
Os ludistas eram contra a industrialização da produção e mecanização do trabalho e ficaram famosos
por quebrarem maquinas em indústrias têxteis. Seus membros acreditavam que as maquinas tiravam o
trabalho das pessoas e que era necessário acabar com elas para garantir empregos para a população.
Apesar do movimento ludista ter durado pouco tempo (entre 1811 e 1812) ele teve uma grande
repercussão e serviu de inspiração para movimentos posteriores. Entre os atos mais notáveis de seus
participantes está a invasão noturna na manufatura de William Cartwright que ficava no condado de York,
em abril de 1812.
Como consequência, 64 pessoas foram acusadas de participar da invasão e julgadas um ano depois.
Dentre as penas sofridas, 13 pessoas foram condenadas à pena de morte, sob o crime de atentado contra
a manufatura de Cartwright e duas pessoas foram deportadas para as colônias britânicas.
O termo Ludismo ainda hoje é utilizado para referir-se a pessoas que são contra o desenvolvimento
tecnológico e industrial. Seu nome deriva do nome de um operário chamado Ned Ludd, que supostamente
teria quebrado as maquinas de seu patrão. A história serviu de inspiração para que outras pessoas
aderissem a essa ideia.
Um segundo movimento importante foi o Cartismo, que ocorreu nas décadas de 1830 e 1840 na
Inglaterra. Sua origem vem da carta escrita pelo radical William Lovett, que ficou conhecida como Carta
do Povo, documento que continha as reivindicações do grupo.
Suas exigências eram:
- Voto universal;
- Igualdade entre os distritos eleitorais;
- Voto secreto por meio de cédula;
- Eleição anual;
- Pagamento aos membros do Parlamento;
- Abolição da qualificação segundo as posses para a participação no Parlamento;

O movimento cartista buscava melhorias nas condições dos operários, que mesmo após quase cem
anos do início da Revolução Industrial ainda eram péssimas. Possuiu uma grande adesão da população
e foi considerado o primeiro grande movimento tanto de classe como de caráter nacional que lutava contra
a condição social na Grã-Bretanha.
A intenção era de que a Carta do Povo fosse aprovada pelo parlamento inglês, de maneira a garantir
os direitos reivindicados. O parlamento não só rejeitou a carta como perseguiu os líderes e simpatizantes
do movimento, com a intenção de acabar com sua influência.

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Apesar dos esforços do parlamento, o movimento exerceu grande influência no operariado, tanto inglês
como internacional e conseguiu convocar em 1848 uma grande mobilização que estimava reunir 500 mil
trabalhadores e pressionar o parlamento. A mobilização fracassou, porém, diversas leis trabalhistas foram
criadas para beneficiar os trabalhadores.

As Trade Unions
Como maneira de conseguir melhores condições de trabalho, muitos trabalhadores partiram para a
formação de associações e para lutar por seus direitos.
Em várias partes da Inglaterra, em especial nas cidades com grande concentração de indústrias como
Lancashire, Yorkshire e Manchester, diversas sociedades de trabalhadores (conhecidas como Trade
Unions) começam a aparecer com o objetivo de promover ajuda mútua entre os trabalhadores.
Por sua vez, os patrões ficaram atentos ao movimento dos trabalhadores e também se organizaram
para conter as revoltas. As greves, uma das formas de protesto mais prejudiciais para a indústria até hoje,
foram amplamente utilizadas.
Com trabalhadores paralisados em manifestações e protestos, as maquinas paravam e, portanto, não
produziam, o que afetava os lucros.
De olho em formas de conter tanto greves como associações, os empresários e patrões tiveram que
recorrer à influência que possuíam no governo da Inglaterra. Em 1799 uma lei foi criada para proibir as
associações de trabalhadores, que foi derrubada pela forte oposição que eles conseguiram fazer.
Além de leis, também era utilizada a violência para conter o aumento dessas associações. Apesar da
grande disputa entre os dois lados, em 1824 as leis que proibiam a formação de associações foram
revogadas.

Outros Países na Disputa


Durante muitos anos, a Revolução Industrial ocorreu praticamente apenas na Inglaterra, que fez o
possível para manter as maquinas e técnicas de produção em seu território. Apesar de toda a legislação
e proibições, muitos fabricantes tinham interesse em expandir seus negócios.
Em 1807 William Cockrill criou fabricas para a produção de tecidos na Bélgica, que se desenvolveram
com bastante eficiência, já que além do interesse também haviam ferro e carvão disponíveis em
quantidades satisfatórias.
A França passava por um período turbulento na época, com o fim da Revolução Francesa. Além disso
havia uma tradição da pequena indústria no país juntamente com a produção de artigos de luxo. Somente
após 1848 a indústria começa a desenvolver-se timidamente e com uma política protecionista de
mercado, ou seja, com o impedimento de importações e o incentivo de exportação de produtos franceses.
E tanto Itália como Alemanha começam a desenvolver suas industrias após 1870, quando os países
terminam seus processos de unificação.
Além da Europa, os Estados Unidos foram o único país a desenvolver com êxito a Revolução Industrial,
com uma grande produção de artigos manufaturados no fim do século XIX.

Segunda Revolução Industrial

No final do século XIX novas tecnologias propiciaram o que ficou conhecido como Segunda
Revolução Industrial ou Revolução Techno-científica. A produção agora não estava restrita somente
a tecidos e produtos do gênero. Através do investimento em pesquisa e produção em outras áreas, além
da descoberta de novas fontes de energia e transporte, o leque industrial ampliou-se.
No setor energético duas mudanças foram significativas: a utilização de produtos derivados do
petróleo e a energia elétrica.
Edwin Drake perfurou o primeiro poço de petróleo em 1859, no estado da Pensilvânia. A técnica
utilizada por Drake foi desenvolvida a partir das técnicas de exploração das minas de sal. A descoberta
de uma maneira viável de extrair o petróleo ajudou a expandir sua utilização em vários setores industriais.
O dínamo industrial também foi um passo muito importante e marcou a passagem da utilização do
carvão para a energia elétrica, que se mostrava mais barata e eficiente. O dínamo é um aparelho que
gera corrente contínua, convertendo energia mecânica em eléctrica, através de indução eletromagnética.
A descoberta de novas técnicas para a produção de aço, como o processo de Bessemer24 na Inglaterra
possibilitou a criação de maquinas mais resistentes. A indústria química também se desenvolveu e
possibilitou a criação de novos ramos de produção como tintas, corantes, fertilizantes e munições.

24 primeiro processo industrial de baixo custo para a produção em massa de aço a partir de ferro gusa fundido.

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Os transportes se desenvolveram em grande escala com a invenção e aprimoramento de maquinas a
vapor, com destaque para a locomotiva criada na Inglaterra em 1814, e do navio a vapor em 1805 nos
Estados Unidos.
A criação de meios de transporte mais rápidos e eficientes possibilitou uma melhor movimentação no
transporte de cargas e produtos, deixando de depender de condições climáticas e naturais. Um exemplo
são os trilhos da locomotiva que estavam sempre no mesmo lugar e evitavam que ela atolasse ou tivesse
que parar durante a viagem. Os navios também não dependiam mais da força dos ventos para navegar.
Outras invenções que revolucionaram o setor de transportes foram o avião, no início do século XX e
motor de combustão interna, que popularizou a utilização do automóvel como meio de transporte.
As comunicações passaram por grandes mudanças durante o período, e permitiram o contato entre
duas pessoas a uma longa distância através de mensagens em tempo real. Em 1837 Samuel Morse
inventou o telégrafo nos Estados Unidos e ao longo do século XIX a colocação de cabos submarinos
permitiram a ligação telegráfica entre os Estados Unidos e a Europa.
O trabalho também passou por diversas mudanças que buscavam aumentar a eficiência e os lucros
das empresas através da organização da produção. O fordismo e o taylorismo foram as duas principais
ideias adotadas.
O Fordismo tem como características: produção em série e a introdução de linhas de produção
mecanizadas. É famosa a frase de seu idealizador Henry Ford quando se referia ao seu famoso
automóvel, o Ford T: “Quanto ao meu automóvel, as pessoas podem tê-lo em qualquer cor, desde que
seja preta!”. Acontece que, para a Linha de Produção Fordista, a cor preta é a que secava mais rápido.
No Taylorismo existe o controle da produtividade dos operários através da análise técnica de seus
gestos e movimentos diante das maquinas.

Lado Financeiro
As grandes inovações e novas invenções que surgiam quase diariamente tornavam cada vez mais
difícil os investimentos feitos por uma única pessoa. Nesse contexto os bancos ganham muito destaque,
lucrando através de empréstimos e de ações de empresas na bolsa de valores.
Você sabe como funciona a bolsa de valores?

A bolsa de valores é o mercado organizado onde se negociam ações de sociedades de capital aberto
(públicas ou privadas) e outros valores mobiliários25.
Tudo começa quando uma empresa decide lançar ações ao público. Essa iniciativa é conhecida
como abrir o capital. Com o capital aberto, novos acionistas são atraídos e injetam dinheiro nessa
empresa. Em caso de lucro, todos ganham. Se houver prejuízo, as perdas também são divididas
proporcionalmente.
Para participar das apostas na bolsa, a companhia precisa credenciar-se em uma corretora de
valores. Essas instituições estão por trás de todas as negociações, fazendo as transações para quem
quer investir em ações e mantendo a bolsa financeiramente.

Neste período as práticas monopolistas também se intensificaram. As consequências foram o acumulo


de capital nas mãos de poucos grupos ou pessoas. Assim surge o que ficou conhecido como capitalismo
financeiro ou monopolista.
O monopólio é a pratica de dominação do mercado através do controle de um determinado produto.
Além do monopólio outras práticas surgiram e se fortaleceram:

- Cartel: o cartel é um acordo entre empresas independentes com a finalidade de criar uma ação
coordenada para o estabelecimento de preços. Atualmente no Brasil a prática de cartel é considerada
uma atividade criminosa. Como exemplo é possível citar os carteis em redes de postos de combustível26.
- Dumping: o dumping é a pratica da venda de produtos a um preço artificialmente baixo, para eliminar
a concorrência e voltar a praticar preços mais altos.
- Holding: o holding é a pratica de uma empresa controlar as ações de diversas outras empresas.
- Sociedades anônimas: são um tipo de sociedade em que o capital é dividido em ações que podem
ser livremente negociáveis.
- Truste: é a fusão de empresas que visam obter controle sobre alguma atividade econômica.

25 https://www.osmelhoresinvestimentos.com.br/bolsa-de-valores/como-funciona-bolsa-valores/
26 http://www.cade.gov.br/servicos/perguntas-frequentes/perguntas-sobre-infracoes-a-ordem-economica

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Terceira Revolução Industrial

A Terceira Revolução Industrial ocorre após o termino da Segunda Guerra Mundial, em meados de
1940. Sua principal característica é o uso de tecnologias avanças para a produção industrial e teve como
líder os Estados Unidos.
As fontes de energia passam a ter importância ainda maior e é nesse período começam as buscas por
fontes alternativas como a energia nuclear e a eólica. O desenvolvimento tecnológico nesse período é
importante não apenas na busca de novas fontes de energia, mas na produção em si.
Uma grande mudança proporcionada pela tecnologia é a disputa com a mão-de-obra humana. Linhas
de produção passaram a dispensar trabalhadores e substitui-los por maquinas que conseguem fazer o
serviço com mais rapidez e precisão, o que abriu ainda mais o leque de industrias, com destaque para a
Biotecnologia e a Nanotecnologia.
No cenário mundial surgiram outras potências tecnológicas como a Alemanha, o Japão e a China. A
globalização é um fenômeno bem característico do período, com a produção de produtos com peças que
são fabricados em diversas partes do mundo.
Com o grande investimento e desenvolvimento da tecnologia, ela passa a ser cada vez mais acessível
para as pessoas, o que revolucionou novamente os meios de comunicação com a produção em massa e
de baixo custo de telefones celulares, computadores pessoais, notebooks, tablets e smartfones.

Questões

01. (TRT/15ª Região – Analista Judiciário – FCC/2018) Uma diferença importante entre a Terceira
Revolução Industrial e as duas primeiras ocorridas anteriormente reside na constatação de que o produto
final, no caso da Terceira Revolução Industrial,
(A) tem elevado valor agregado, considerando-se os altos custos e investimentos em seu processo de
produção.
(B) produz impacto reduzido na sociedade, uma vez que permanecem inalterados os hábitos e padrões
de consumo.
(C) gera distribuição de riqueza, uma vez que promove a participação de pequenos produtores no
processo industrial.
(D) causa poucos danos ao meio ambiente, uma vez que os materiais envolvidos são recicláveis e
gasta-se pouca energia em sua fabricação.
(E) favorece a autonomia do trabalhador, uma vez que independe da lógica de produção industrial e
em série.

02. (IF/TO – Professor – IF/TO - 2019) A Revolução Industrial inaugurou um ciclo de inovações
tecnológicas que permeiam as atividades humanas desde o século XVIII. O uso disseminado das
máquinas, advindas dessas inovações, modificou as relações de trabalho, como satirizado na charge
seguinte, ampliou a produção e a produtividade, impulsionou a urbanização e assim reestruturou a
organização do espaço no mundo.

Analise as alternativas seguintes sobre a Revolução Industrial, suas fases e os reflexos econômicos e
sociais no espaço mundial e brasileiro e assinale a correta:

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(A) Como estratégia para promover o crescimento econômico e o desenvolvimento industrial, a Grã-
Bretanha, nos primórdios da Revolução Industrial, adotou uma postura protecionista, executando medidas
tanto para impedir transferência de tecnologia para os principais concorrentes, como reduzindo ou
abolindo as tarifas alfandegárias de importação de matérias-primas importantes para sua atividade
industrial, além de conceder subsídios para a exportação de seus produtos industriais. Essa política de
fomento de sua atividade industrial durou até meados do século XIX.
(B) A 2ª Revolução Industrial, iniciada em meados do século XIX, também denominada de Revolução
Técnico-Cientifico-Informacional, ampliou a industrialização para além do continente europeu, abarcando
o continente americano como um todo e parte do continente asiático.
(C) Os fatores locacionais para a instalação de unidades industriais configuram-se como vantagens
competitivas de um lugar em detrimento de outro. Para as indústrias de alta tecnologia, os fatores
locacionais mais importantes são, em ordem decrescente: amplo mercado consumidor, incentivos fiscais,
disponibilidade de matéria-prima e mão de obra altamente qualificada.
(D) A importância alcançada pelas empresas transnacionais no mercado global possibilitou a
descentralização industrial e, por meio da fragmentação do processo produtivo, favoreceu o
desenvolvimento industrial de países não industrializados como o Brasil e a Rússia. Nestes países, desde
o início de seu desenvolvimento industrial, o consumo foi ampliado por meio da obsolescência
programada.
(E) Na 1ª Revolução Industrial a exploração dos trabalhadores foi intensa. Cargas horárias de trabalho
excessivas, poucos ou nenhum direito trabalhista, baixas remunerações e condições insalubres de
trabalho foram e são enfrentadas por todos os trabalhadores do setor secundário até a atualidade nas
economias emergentes.

03. (SEDUC/AL – Professor – CESPE/2018) Determinadas transformações do sistema capitalista


mundial resultam da revolução tecnológica das últimas décadas do século XX e do início do século XXI.
A esse respeito, julgue o item subsequente.
A revolução tecnológica da Terceira Revolução Industrial aumentou a produtividade sem descentralizar
o capital das grandes empresas.
(A) Certo
(B) Errado

04. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE/2018) A Revolução Industrial teve início no século
XVIII e transformou econômica e socialmente boa parte do Ocidente ao longo de suas fases. Tendo essa
informação como referência inicial, julgue (C ou E) o item a seguir, que dizem respeito ao referido período
e aos seus desdobramentos.
O emprego e uso da noção e conceito de mercado, essencial ao capitalismo industrial, foi herdado do
mercantilismo. A partir da necessidade de expansão e garantia de mercados, houve a formação de
Estados territoriais e de impérios coloniais: o Imperialismo resultou da Revolução Industrial.
(A) Certo
(B) Errado

05. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE/2018) A Revolução Industrial teve início no século
XVIII e transformou econômica e socialmente boa parte do Ocidente ao longo de suas fases. Tendo essa
informação como referência inicial, julgue (C ou E) o item a seguir, que dizem respeito ao referido período
e aos seus desdobramentos.
Os cercamentos ingleses aconteceram com o objetivo de incentivar o excesso de mão de obra
necessária às fábricas na Inglaterra. Esse processo foi pacífico e contou com o apoio dos pequenos e
médios produtores, pois estes adotaram a lógica comercial vigente e se integraram à cadeia de consumo.
(A) Certo
(B) Errado

Gabarito

01.A / 02.A / 03.B / 04.A / 05.B

Comentários
01. Resposta: A
A Terceira Revolução Industrial ocorre após o termino da Segunda Guerra Mundial, em meados de
1940. Sua principal característica é o uso de tecnologias avanças para a produção industrial e teve como

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líder os Estados Unidos. A utilização de tecnologias avançadas demandou altos investimentos e por
consequência produtos com valores superiores até então.

02. Resposta: A
Protecionismo é uma doutrina, uma teoria que prega um conjunto de medidas a serem tomadas no
sentido de favorecer as atividades econômicas internas, reduzindo e dificultando ao máximo, a importação
de produtos e a concorrência estrangeira. Tal teoria é utilizada por praticamente todos os países, em
maior ou menor grau, estando presente no contexto do desenvolvimento da Revolução Industrial inglesa.

03. Resposta: B
A tecnologia possibilitou o aumento da produção de forma geral, ao contrário do que ocorreu no início,
quando o capital de grandes fabricas ficou concentrado em seus núcleos. Hoje, é comum que grandes
empresas tecnológicas se estabeleçam perto de centros com mão de obra qualificada por exemplo. A
diversidade desses centros também faz com que esse capital permaneça descentralizado.

04. Resposta: A
O capitalismo comercial foi a base para o desenvolvimento do capitalismo industrial. Os Estados
territoriais e impérios coloniais foram formados e delimitados para atender aos monopólios derivados do
mercantilismo que, em decorrência da produção e a busca por mercado consumidor e matéria-prima,
resultou no imperialismo.

05. Resposta: B
Cercamentos são o processo de exclusão dos trabalhadores de seu meio de sustento, as terras
produtivas, na transição do feudalismo para o capitalismo, mediante sua transformação em propriedade.
Como mostra a alternativa, não foi um processo pacífico nem tampouco contou com o apoio de médios e
pequenos produtores27.

j. A Independência dos Estados Unidos da América.

ESTADOS UNIDOS

A Independência dos EUA (1776)


A colonização dos EUA ocorreu no século XVII através da formação de uma colônia de povoamento.
Os primeiros colonos fugiam das perseguições religiosas que sofriam na Inglaterra e fundaram colônias
puritanas (protestantes ingleses). Os laços coloniais não eram tão rígidos e os colonos possuíam certa
liberdade com relação à metrópole, principalmente a liberdade de produzir suas próprias manufaturas.
Eram as treze colônias. As colônias do norte eram tipicamente de povoamento, predominava a mão de
obra livre e as manufaturas. As colônias do sul eram próximas do modelo de exploração e se baseavam
na agricultura do plantation (monoculturas para exportação realizada em grandes latifúndios) e na
escravidão africana.

27 http://www.fau.usp.br/docentes/depprojeto/c_deak/CD/4verb/cercamentos/index.html

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Apesar de constituírem um território único de pertencimento à Inglaterra, as treze colônias possuíam
diferenças marcantes, em especial na questão da forma de trabalho e organização da sociedade. Apesar
disso todas ainda estavam sujeitas as mesmas leis de domínio inglês.
Como as colônias do Norte tinham uma produção semelhante ao continente europeu, o comercio
metropolitano despertou pouco interesse e tornava alto o preço de viagens comerciais entre Inglaterra e
a região, já que os navios traziam produtos mas geralmente voltavam sem nenhuma carga para comercio.
Esse fato colaborou para o desenvolvimento e prosperidade do modelo de pequena e média propriedade
e da criação de manufaturas, mesmo que estas fossem proibidas na colônia pelo modelo de pacto
colonial.
A criação de manufaturas ajudou as colônias do norte a desenvolver uma economia fortalecida e uma
quase autonomia em relação à Inglaterra.
A situação do Sul era completamente oposta. Como as condições climáticas permitiam a produção de
mercadorias tropicais, predominaram as grandes propriedades escravistas e a monocultura voltada
para exportação. Os principais produtos produzidos eram o algodão, o tabaco e o anil.

Pacto colonial? metrópole? monopólio?


O Pacto Colonial é a relação comercial entre a colônia e sua metrópole. Mas o que isso significa?
Durante o período de colonização da América, os países que controlavam as colônias eram
chamados de metrópoles. O pacto colonial nada mais era do que a relação de comercio
exclusivo(monopólio) entre a colônia, como as treze colônias, por exemplo, e a metrópole, no caso a
Inglaterra. A manutenção desse comercio exclusivo garantia vantagens para a metrópole que poderia
controlar e lucrar facilmente com os produtos produzidos na colônia, já que ela não poderia fazer
comercio com outros agentes, somente com a metrópole. Caso a colônia tentasse comercializar seus
produtos com outras metrópoles poderia sofrer consequências como intervenções militares e aumento
de impostos.

Os triângulos comerciais
Aos poucos as atividades comerciais das colônias do Norte foram se expandindo, e começaram a
surgir os triângulos comerciais. Estes triângulos consistiam no comercio em etapas. O mais famoso
desses triângulos incluía o comercio de peixe, gado e madeira com as Antilhas, onde eram adquiridos

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melaço, rum e açúcar. Esses produtos voltavam para os portos de Nova York e Pensilvânia, onde o
melaço era transformado em rum e somado ao rum comprado nas Antilhas, que então era enviado para
a África com a finalidade de comprar escravos. Os escravos adquiridos eram comercializados novamente
com as Antilhas ou com as colônias do Sul que precisavam de mão-de-obra escrava para produção.
Outros triângulos incluíam carregamentos saídos da Filadélfia, Nova York ou Newport até a Jamaica,
onde ocorria a troca por melaço e açúcar que seguiam para a Inglaterra, onde as cargas eram trocadas
por tecidos e ferragens que retornavam para seus portos de origem.
O desenvolvimento do comercio pelas colônias do Norte acabou desenvolvendo-se até um ponto em
que despertou o interesse da Inglaterra, no momento em que começou a concorrer com o comercio
metropolitano.

A intervenção da Inglaterra nas colônias


Com a intenção de frear uma possível concorrência das próprias colônias, a Inglaterra passa a aprovar
medidas que aumentem sua influência e poder.
A Guerra dos Sete dias (1756-63). Foi uma guerra travada entre a Inglaterra e a França (que
colonizara a região de Quebec, litoral atlântico do Canadá) pelos territórios hoje canadenses. A França
foi derrotada e perdeu seus territórios na América. Essa derrota garantiu um certo alívio para os colonos
que eram pressionados pela França, porém teve como resultado o aumento dos impostos cobrados na
colônia como forma de compensar os custos da guerra e punir os colonos, que não fizeram muito para
auxiliar a Inglaterra e obtiveram lucros através do comercio com franceses durante o conflito.
Aumento da opressão Inglesa: A Inglaterra venceu a guerra dos 7 anos, mas teve gastos enormes,
e resolveu transferir os custos da guerra para sua colônia aumentando os impostos. Os colonos não
aceitaram o aumento da pressão da Inglaterra. Entre as novas medidas da Inglaterra estavam:
- Lei do açúcar, ou Sugar Act.(1764) Determinava que somente poderiam consumir o açúcar
fornecido pela metrópole. Seriam proibidos de comprar açúcar do caribe, melhor e mais barato. Além
disso a fiscalização foi reforçada para impedir a ação de contrabandistas.
- Lei do Selo ou Stamp Act.(1765) A lei do selo determinava que fosse fixado um selo em todos os
documentos legais, contratos, jornais, folhetos, baralhos e dados. A reação dos colonos foi imediata, com
o argumento de que o imposto cobrado deveria permanecer nas colônias, e não ser enviado para a
Inglaterra.
Outro argumento de protesto dos colonos era a falta de representação no parlamento inglês, que era
responsável por aprovar as leis que influenciavam a vida e o comercio nas colônias. Em 1765 o
congresso da Lei do Selo decidiu boicotar o comercio inglês, porém mantendo-se fiel à coroa e seu
domínio. Com a queda nas negociações o parlamento inglês foi pressionado pelos comerciantes ingleses,
que contaram com o auxílio de William Pitt e Edmund Burke para revogar a Lei do Selo e reduzir os
impostos sobre a importação do melaço.
A tensão entre colônia e metrópole agravou-se ainda mais com a chegada de Charles Townshend ao
posto de primeiro-ministro. Em 1767 foram aprovados os Atos de Townshend baseados na ideia de que
os colonos deviam impostos para a metrópole sobre os produtos importados, como chá, vidro, papel,
zarcão e corantes. Novamente houve boicote comercial por parte dos colonos e pressão por parte dos
comerciantes, o que levou ao fim dos Atos de Townshend em 1770, com exceção da Lei do Chá
A Lei do Chá ou Tea Act dava o monopólio do comercio de chá para a Companhia das Índias
Orientais, o que atendia ao interesse de diversos políticos ingleses. A intenção era de que o comercio
fosse feito diretamente entre as índias e as colônias americanas, sem intermediários, o que aumentaria
o lucro da companhia e diminuiria o preço para o consumidor final.
A Lei do Chá criou uma grande preocupação entre os colonos, já que nada impedia que outras leis
semelhantes fossem criadas, o que prejudicaria muitos comerciantes americanos. Como maneira de
revidar, comerciantes em Boston fantasiaram-se de índios Mohawks e destruíram trezentas caixas de chá
dos porões de navios parados no porto de Boston, em um episódio que ficou conhecido como Boston
tea party ou Festa do Chá de Boston.
Como forma de controlar as revoltas na colônia e firmar sua posição de dominação a Inglaterra baixou
em 1774 as Leis Intoleráveis, que interditaram o porto de Boston até que fossem reparados os danos,
estabeleceram novos critérios de julgamento para funcionários ingleses que cometessem crimes e dando
poderes excepcionais para o governador de Massachusetts. Além disso, o governo resolveu conter a
expansão para o interior do continente, determinando como limite as montanhas Allegheny, uma extensão
dos montes Apalaches. Qualquer território a oeste deste ponto foi considerada reserva indígena. A
proibição da expansão foi um duro golpe para os produtores do Sul, que quando endividados vendiam
suas terras e rumavam para oeste em busca de novas áreas de plantio para manter seus negócios.

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A Lei da Moeda, ou Currency Act que havia sido aprovada em 1764, proibia a emissão de moedas
nas colônias, o que limitava a alta dos preços de produtos agrícolas e tornava mais complicada a situação
dos plantadores.
Foram convocadas dois grandes congressos: O primeiro e o segundo congresso da Filadélfia. No
primeiro somente queriam a abolição das medidas restritivas da metrópole e o retorno da situação
anterior, mas diante da recusa inglesa de aceitar as exigências dos colonos, o segundo congresso decidiu
pela independência e a Inglaterra declarou guerra. Thomas Jefferson redigiu a Declaração de
Independência dos Estados Unidos da América. A Guerra se estendeu por sete anos e em 1777 foi
redigida a primeira constituição dos EUA. Esta constituição, assim como todo o processo de
independência, foi profundamente influenciada pelas ideias iluministas. Foi proclamada a república
presidencialista, adotada uma constituição democrática, regime federalista (autonomia jurídica dos
estados do pais), garantia da propriedade privada e várias garantias individuais. Apesar de todos estes
avanços a escravidão foi mantida. O primeiro presidente dos EUA foi George Washington.

Relação entre a Independência dos Estados Unidos e o Iluminismo28


A independência americana foi baseada nas ideias iluministas, tais como: igualdade, direito à
liberdade, participação popular nas decisões políticas através da escolha dos representantes dos
cidadãos para governar a nação (voto); a divisão dos três poderes e a elaboração de uma Constituição
que define a vida do país. Tais características podem ser identificadas na Declaração de Independência
dos Estados Unidos da América na qual está registrado: "Todos os homens foram criados iguais, foram
dotados de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade"
e "que, a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos
poderes do consentimento dos governados". Por ter proclamado o direito à resistência contra um governo
opressivo, influenciou a revolução francesa. Nos Estados Unidos da América, apesar da forte presença
da escravidão negra, não havia nobreza, servidão de camponeses nem uma igreja oficial.
A Constituição, que vigora até o presente, zela pelo equilíbrio entre os três poderes (o legislativo, o
judiciário e o executivo).

Questões

01. (PUC/PR) Leia o texto a seguir e extraia a ideia central:


"São verdades incontestáveis para nós: todos os homens nascem iguais; o Criador lhes conferiu certos
direitos inalienáveis, entre os quais os de vida, o de liberdade e o de buscar a felicidade; para assegurar
esses direitos se constituíram homens-governo cujos poderes justos emanam do consentimento dos
governados; sempre que qualquer forma de governo tenda a destruir esses fins, assiste ao povo o direito
de mudá-la ou aboli-la, instituindo um novo governo cujos princípios básicos e organização de poderes
obedeçam às normas que lhes pareçam mais próprias para promover a segurança e a felicidade gerais."
(Trecho da "Declaração de Independência dos Estados Unidos da América", Ministro das Relações Exteriores, EUA.)
A ideia central do texto é:
(A) A forma de governo estabelecida pelo povo deve ser preservada a qualquer preço.
(B) A realização dos direitos naturais independem da forma, dos princípios e da organização do
governo.
(C) Cabe ao povo determinar as regras sob as quais será governado.
(D) Todos os homens têm direitos e deveres.
(E) Cabe aos homens-governo estabelecer as regras para o povo.

02. (CESGRANRIO) No século XVIII, a revogação da Lei do Selo causou grande tristeza aos políticos
ingleses, o que, entretanto, contrastava com a alegre movimentação dos trabalhadores na beira do cais,
em decorrência da reabertura dos armazéns de manufaturados e da partida para a América de inúmeros
navios carregados de mercadorias.

28 http://aformacaodosestadosunidos.blogspot.com.br/2013/04/relacao-entre-independencia-americana-e.html

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Assinale a opção que explica corretamente a "tristeza" dos políticos com a revogação da Lei do Selo.
(A) A revogação da Lei do Selo representou um golpe nas pretensões inglesas de arrecadação,
mediante impostos, nas colônias americanas.
(B) A revogação da Lei do Selo significou a vitória dos norte-americanos que, assim, não mais
precisariam pagar impostos sobre o chá, o ferro e o açúcar.
(C) A pressão popular sobre o Parlamento aumentou, já que, com a revogação da Lei do Selo, do Chá
e do Açúcar, os membros das Câmaras dos Lordes e dos Comuns voltaram a ficar submetidos ao rei
inglês.
(D) Em meados do século XVIII, a metrópole inglesa perdeu cerca da metade de seu mercado
consumidor de manufaturas, face ao crescimento da produção colonial.
(E) As Treze Colônias criaram impedimentos à atuação inglesa no continente americano, delimitando
a ação da metrópole exclusivamente às áreas de plantation do sul.

03. (FATEC) A Lei do Açúcar (1764), a Lei do Selo (1765) e a Lei Townshend (1767) representaram,
quando implementadas, para
(A) os EUA, um estopim à declaração de guerra à França, aliada, incondicionalmente, aos interesses
ingleses.
(B) a França e a Inglaterra, formas de arrecadação e controle sobre o Quebec e sobre as Treze
Colônias.
(C) os EUA, uma excepcional oportunidade, pela cobrança destes impostos, à ampliação de seus
mercados interno e externo.
(D) as Treze Colônias, uma medida tributária que possibilitou a expansão dos negócios da burguesia
de Boston na Europa, marcando, assim, o início da importância dos EUA no cenário mundial.
(E) a Inglaterra, uma alternativa para um maior controle sobre as Treze Colônias, e, também, uma
medida tributária que permitisse saldar as dívidas contraídas na guerra com a França.

04. (FGV) Uma forma de arrecadação de imposto e de censura foi imposta pela metrópole inglesa aos
colonos das Treze Colônias, em 1765, através da(s):
(A) leis denominadas, pelos colonos, intoleráveis;
(B) Lei do Selo;
(C) Lei Townshend;
(D) criação de um tribunal metropolitano de averiguação de preços e documentos na colônia.
(E) permissão de circulação exclusiva de jornais ingleses metropolitanos.

05. (Mackenzie) Cremos, como verdades evidentes por si próprias, que todos os homens nasceram
iguais e que receberam do seu Criador alguns direitos inalienáveis [que seria injusto retirar], como a vida,
a liberdade e a busca da felicidade.
Thomas Jefferson

O fragmento de texto acima integra um importante documento da História da humanidade, e inspirou


muitos combates pela liberdade na Europa e nas Américas. Esse documento é,
(A) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
(B) A Declaração das Nações Unidas.
(C) A Doutrina Monroe.
(D) A Declaração de Independência dos E.U.A.
(E) A Declaração de Libertação dos Escravos.

Gabarito

01.C / 02.A / 03.E / 04.B / 05.D

Comentários

01. Resposta C.
O trecho destacado tem relação com as ideias do iluminismo, com os ideais de que o povo tem poder
para escolher seus governantes, ao contrário do absolutismo onde o rei governava de maneira total e
com poderes ilimitados.

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02. Resposta A.
A revogação da Lei do Selo foi um golpe nas pretensões econômicas inglesas, acabando com a
arrecadação pretendida. As outras leis citadas, como a Lei do Chá ainda não havia sido criada e a lei do
açúcar ainda permanecia, sendo necessário ainda o pagamento dos impostos provenientes dela.

03. Resposta E.
Os constantes conflitos com a França geraram enormes gastos para a Inglaterra, que viu em suas
colônias uma fonte de renda extra para cobrir as despesas. Essas leis também serviram para aumentar
o ódio e descontentamento dos colonos em relação à metrópole, o que viria a causar alguns anos depois
as revoltas pela independência dos Estados Unidos, que foram apoiados inclusive pela França.

04. Resposta B.
A Lei do Selo foi criada em 1765, estabelecendo que todos os documentos em circulação
na colônia americana deveriam receber selos provenientes da colônia. A Lei de Townshend foi criada em
1767 e determinava a taxação de artigos de consumo como o chá, o vidro, o papel e outros, além da
criação de tribunais alfandegários nas colônias.

05. Resposta D.
É muito importante estar sempre atento ao autor do documento. No caso o autor do trecho destacado
é Thomas Jefferson, que foi o terceiro presidente dos Estados Unidos, e o principal autor da declaração
da independência. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão seria redigida mais tarde, durante
a Revolução Francesa. A doutrina Monroe e a libertação dos escravos seriam criados no século XIX e as
Nações Unidas viriam a surgir somente no século XX.

k. A Revolução Francesa e a Restauração: o Congresso de Viena e a Santa


Aliança.

REVOLUÇÃO FRANCESA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Ao proporem a divisão quadripartite da História (Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e Idade
Contemporânea), os historiadores do século XIX elegeram a Revolução Francesa como um dos grandes
marcos divisórios da chamada “História Geral” – baseada na concepção eurocêntrica –.
Por ter representado uma profunda mudança nos padrões de vida e da sociedade do período, o ano
de 1789 (início da Revolução) marca a divisão entre a Idade Moderna e a Idade Contemporânea.

Antecedentes da Revolução

Na França do século XVIII vigorava um sistema de governo conhecido como Absolutismo Monárquico.
Luís XVI era o rei francês no período da Revolução e sua imagem personificava o Estado, reunindo em
sua pessoa os direitos de criar leis, julgar e governar (daí a referência ao poder absoluto).
Dentro da França absolutista havia uma divisão de três grupos distintos, chamados de Estados
Gerais:
- o Primeiro Estado era representado pelos representantes do Alto Clero;
- o Segundo Estado tinha como representantes a nobreza, ou a aristocracia francesa – que
desempenhava funções militares (nobreza de espada) ou funções jurídicas (nobreza de toga);
- o Terceiro Estado era representado pela burguesia e pelos camponeses. Sozinho, ele totalizava
cerca de 97% da população.
Apesar de representar a maioria esmagadora da população, o terceiro estado possuía direitos limitados
e estava subordinado aos interesses dos dois primeiros estados.

Sua composição era bastante heterogêneo e dele faziam parte:


- Alta burguesia: banqueiros e grandes empresários;
- Média burguesia: profissionais liberais;
- Pequena burguesia: artesãos e lojistas;
- Sans-culottes: trabalhadores, aprendizes e marginalizados urbanos e cerca de 20 milhões de
camponeses, dos quais cerca de 4 milhões ainda viviam em estado de servidão feudal.

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Era sobre o Terceiro Estado que pesava o ônus dos impostos e das contribuições para a manutenção
do Estado e da Corte, e mesmo sem existir uma unidade, os membros do Terceiro Estado de uma maneira
geral concordavam em reivindicações como o fim dos privilégios de nascimento e instauração da
igualdade civil.
Ao longo do século XVIII alguns fatores contribuíram para a agitação política e a insatisfação popular
verificadas no instante da revolução. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763), travada contra a Inglaterra,
contabilizou milhares de mortos, feridos e elevadíssimos gastos e prejuízos materiais para ambos os
países, além da própria derrota sofrida pela França.
A derrota levou o país a financiar e instigar os colonos britânicos da América a buscarem autonomia,
o que resultou no processo de independência dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a Corte absolutista
francesa que possuía um alto custo de vida era financiada pelo Estado, que, por sua vez, já gastava
bastante seu orçamento com a burocracia que o mantinha em funcionamento. A esses dois fatores ainda
vale acrescentar a crise que afetou a produção agrícola francesa nas décadas de 1770 e 1780, o que
resultou em péssimas colheitas e alta da inflação.
O resultado desses fatos gerou uma crise financeira, ao passo em que o Estado terminava por
arrecadar uma quantidade inferior aos gastos anuais, com uma dívida pública que se acumulava
sobretudo pela falta de modernização econômica – principalmente a falta de investimento no setor
industrial.
O último item que deve ser levado em conta para entender o contexto da Revolução é a ascensão da
burguesia. Resultado do desenvolvimento do capitalismo comercial, essa classe social apresentava duas
tendências marcantes: ou procurava ingressar na nobreza por meio da compra de títulos, ou tentava
afirmar os seus valores, impondo critérios econômicos de hierarquização social em substituição ao critério
do nascimento e da tradição, típico da sociedade estamental29.
A segunda tendência marcou a ascensão da burguesia e rompeu os quadros da sociedade do Antigo
Regime.

Cenário Político
Em meio ao caos econômico vivido na França, Luís XVI chega ao poder em 1774 enfrentando desde
o início o problema de insuficiência na arrecadação de impostos. Turgot, primeiro de seus ministros de
finanças, tenta cobrar impostos de padres e nobres. Frente a negatividade de suas ações foi obrigado a
renunciar.
Ele foi substituído por Necker, que incentivou o apoio francês à independência dos Estados Unidos
como forma de revidar o resultado da Guerra dos Sete Anos. Necker permaneceu até 1781, quando
contraiu grandes empréstimos para cobrir os gastos com o financiamento da emancipação americana e
acabou por aumentar a dívida francesa.
Calonne, seu sucessor, buscou cobrar impostos sobre as terras da nobreza e acabou substituído por
Brienne, que teve o mesmo destino. A saída de Brienne gerou uma crise ministerial, resolvida com a volta
de Necker.
Somente em 1789, durante o mandato de Necker, as autoridades reais abriram portas para o
movimento reformista. Em maio daquele ano, os Estados-gerais foram convocados para a formação de
uma assembleia que deveria mudar o conjunto de leis da França.
A Assembleia dos Estados Gerais era um órgão político de caráter consultivo e deliberativo (servia
para que o rei consultasse a opinião dos membros, além de poder tomar decisões, se o rei assim
permitisse), constituído por representantes dos três estados.
Na contagem dos representantes de cada estado, o primeiro estado contava com 291 membros, o
segundo com 270 e o terceiro estado dispunha de 578 membros votantes. Apesar da maioria absoluta, a
forma de voto da Assembleia dos Estados Gerais impedia a hegemonia dos interesses do terceiro estado.
Conforme previsto, os votos eram dados por estados, com isso a aliança de interesses entre o clero e a
nobreza impedia a aprovação de leis mais transformadoras que beneficiassem o terceiro estado.
Os Estados Gerais reuniram-se em Versalhes, em 5 de maio de 1789. O Terceiro Estado queria
votações individuais. Os outros dois insistiam em voto por Estado, tendo o apoio do rei.
O Terceiro Estado, revoltado com essa situação reuniu-se separadamente e jurou não se dispersar
enquanto o rei não aceitasse uma Constituição que limitasse seus poderes.
Por sua vez Luís XVI cedeu, mandando o clero e a nobreza juntarem-se ao Terceiro Estado, surgindo
assim a Assembleia Nacional Constituinte. O rei queria ganhar tempo, pois pretendia juntar tropas para
dispersar a Assembleia.

29 Sociedade Estamental é uma forma de organização social na qual a sociedade é dividida em grupos sociais separados uns dos outros por privilégios, sendo
a estratificação social garantida pelo proprio Estado.

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Ao mesmo tempo em que ocorriam essas tensões políticas, socialmente também haviam problemas.
Os produtos alimentícios começavam a faltar, surgindo revoltas nas cidades e nos campos. Os rumores
de composição aristocrática da realeza cresciam aumentando o medo do Terceiro Estado. Tudo isso junto
da reunião de tropas próximas a Paris, e a demissão de Necker, provocaram a insurreição.

Em 14 de julho de 1789 ocorre a queda da Bastilha.

A Bastilha foi construída em 1370, e era uma fortaleza utilizada pelo regime monárquico como prisão
de criminosos comuns. Na regência do Cardeal Richelieu, entre 1628 e 1642, o prédio foi transformado
em prisão de intelectuais e nobres, especialmente os opositores à monarquia, sua política ou mesmo à
religião católica, oficial no período monárquico. Apesar de ser uma prisão, na data de sua invasão a
Bastilha contava com apenas sete presos.
Para além do sentido físico de domínio do prédio, a tomada da Bastilha representou a derrota do Antigo
Regime para a revolta da população, sendo considerada a data de início da Revolução Francesa.
O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o
povo que invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal sobre os camponeses foi abolido
e os privilégios tributários do clero e da nobreza acabaram.

Assembleia Nacional (1789-1791)

Após a invasão de Bastilha, a Assembleia Geral Nacional se transformou em Assembleia Constituinte,


onde os deputados elaboraram uma constituição que determinou o fim dos privilégios feudais e de
nascimento, a igualdade de todos perante a lei e a garantia de propriedade. Foi feito um juramento, que
deu origem ao lema da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (Déclaration des Droits de l'Homme et du
Citoyen), proclamada em 26 de agosto de 1789 determinou o fim das estruturas restantes do Antigo
Regime. Ela proclama que todos os cidadãos devem ter garantidos os direitos de “liberdade, propriedade,
segurança, e resistência à opressão”. Isto argumenta que a necessidade da lei provém do fato que “… o
exercício dos direitos naturais de cada homem tem só aquelas fronteiras que asseguram a outros
membros da sociedade o desfrutar destes mesmos direitos”. Portanto, a Declaração vê a lei como “uma
expressão da vontade geral”, que tem a intenção de promover esta igualdade de direitos e proibir “só
ações prejudiciais para a sociedade”. Sobre ela, o historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu:
"Este documento é um manifesto contra a sociedade hierárquica de privilégios nobres, mas não um
manifesto a favor de uma sociedade democrática e igualitária. Os homens nascem e vivem livres e iguais
perante as leis”, dizia seu primeiro artigo; mas ela também prevê a existência de distinções sociais, ainda
que “somente no terreno da utilidade comum”. A propriedade privada era um direito natural sagrado,
inalienável e inviolável. ”30

Segue abaixo a reprodução do texto da Declaração:


Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a
ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males
públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis
e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo
social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder
Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda
a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos,
doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da
Constituição e à felicidade geral.
Em razão disto, a Assembleia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser
Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão:

Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem
fundamentar-se na utilidade comum.
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis
do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.
Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação,
nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.
30 Eric Hobsbawm, A ERA DAS REVOULUÇÕES

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Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício
dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros
membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela
lei.
Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não
pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.
Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer,
pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja
para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a
todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que
não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.
Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de
acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar
ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve
obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.
Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser
punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.
Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável
prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.
Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua
manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.
Art. 11º. A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem.
Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos
desta liberdade nos termos previstos na lei.
Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é,
pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.
Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável
uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.
Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da
necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar
a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.
Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a
separação dos poderes não tem Constituição.
Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não
ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia
indenização.

Luís XVI, mesmo derrotado, se opunha aos decretos e recusava-se a ratificá-los. Tendo o rei se
recusado a sancionar estes últimos decretos, o povo de Paris (a comuna), marchou em direção ao Palácio
de Versalhes trazendo o rei para a cidade e obrigando-o a assiná-los. Se sentindo ameaçada, a nobreza
francesa fugiu para o Império Austríaco.
Em 1790, os bens do clero foram confiscados, servindo de lastro para a emissão dos assignats (papel
moeda), por intermédio da Constituição Civil do Clero.
A lei visava reorganizar em profundidade a Igreja da França, transformando os párocos em
"funcionários públicos eclesiásticos”, e serviu de base para a integração da Igreja Católica ao novo
sistema político em vigor a partir de 1789.
A Lei sobre a Constituição Civil do Clero se compunha de quatro partes, dedicadas aos cargos
eclesiásticos, o pagamento dos religiosos e outras questões práticas. As circunscrições das dioceses
foram adaptadas às novas unidades estatais dos départements, cada um destes correspondendo a um
bispado. A redistribuição reduziu o número de sedes episcopais de 139 para 83.

A Constituição francesa ficou pronta em setembro de 1791, modificando completamente a organização


social e administrativa da França. O documento concebeu uma forma de governo baseada no princípio
da separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), proposta por Montesquieu.
O poder executivo, responsável por gerir o Estado, foi confiado à monarquia, que agora deveria
obedecer aos princípios determinados na constituição, ou seja, também estava sujeita à força da lei,
conforme deixavam bem claros os artigos 3 e 4 do capítulo II:

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Artigo 3. Não existe na França autoridade superior à da Lei. O Rei reina por ela e não pode exigir a
obediência senão em nome da lei.
Artigo 4. O Rei, no ato de sua elevação ao trono, ou a partir do momento em que tiver atingido a
maioridade, prestará à Nação, na presença do Corpo legislativo, o juramento de ser fiel à Nação e à Lei,
de empregar todo poder que lhe foi delegado para, manter a Constituição decretada pela Assembleia
Nacional constituinte nos anos de 1789, 1791, e de fazer executar as leis.

O poder legislativo passava a ser formado por uma assembleia, que não poderia ser violada ou
dissolvida (evitando o abuso do poder real). Ela era eleita com o uso do voto censitário, e tinha o poder
de fiscalizar os ministros, as finanças e a política estrangeira. O voto censitário era a concessão do direito
do voto apenas àqueles cidadãos que possuíam certos critérios que comprovassem uma situação
financeira satisfatória.
Na prática, a política continuava nas mãos da classe abastada, em geral dos grandes proprietários,
excluindo do processo mais de 20 milhões de franceses que não atendiam os critérios estabelecidos pelo
voto censitário.
A exclusão da maior parte da população do processo político logo tornou o novo governo impopular,
gerando também rupturas internas, que fizeram com que a Assembleia se dividisse em várias tendências:

Feuillants: monarquistas constitucionais, liderados por La Fayette e Barnave


Jacobinos: defensores da República democrática
Girondinos: grupo de deputados convencionais, liderados por representantes da região da Gironda,
partidários da Revolução e da República, mas com posições bem mais moderadas do que os Jacobinos,
especialmente quanto ao papel das massas populares no movimento revolucionário.
Cordeliers: clube político muito próximo das posições dos “sans-culottes”, representando a população
mais pobre.

A dificuldade para governar enfraqueceu a Assembleia, o que garantiu a Luís XVI a chance de tentar
escapar para o Império Austríaco, com o objetivo de organizar uma contrarrevolução. O rei foi
reconhecido próximo a região de Varennes, onde foi capturado e enviado para Paris. Após a tentativa
frustrada de fuga, a Assembleia suspendeu seu poder.
O êxito da Revolução na França deu novo estímulo aos revolucionários de outros países, ao qual não
surtiu efeito, como nos Países Baixos, Bélgica, Suíça, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Áustria e Itália. Ainda
assim, simpatizantes com a Revolução na França organizaram demonstrações de apoio. Os déspotas
esclarecidos, alarmados, abandonaram seus programas de reformas e se aproximaram da aristocracia
contra as classes baixas.
Alguns escritores na Europa defenderam a contrarrevolução, ou seja, a retomada do poder na França
pela força das armas e restauração da Monarquia Absoluta.
Muitos franceses abandonaram o país. Nobres, clérigos e mesmo burgueses esperavam o auxílio das
potências europeias que por sua vez se mantiveram indiferentes a princípio, mas, quando as ideias que
resultaram da Revolução ameaçavam abalar os soberanos absolutos da Europa, modificaram sua atitude.
Em 20 de abril de 1792, a perseguição dos emigrados pelos franceses provocou a guerra com a
Áustria, que continuaria com poucas interrupções até 1815. Os insucessos repetiram-se de abril a
setembro.
O avanço do exército prussiano rumo a Paris fez crescer o temor da contrarrevolução, arquitetada pelo
rei e pela aristocracia. Em 10 de agosto as tulherias31 foram ocupadas e o rei aprisionado no templo. No
início de setembro, a massa parisiense atacou as prisões e massacrou os nobres feitos prisioneiros. O
Exército passou a convocar voluntários para defender a Revolução.
Em Valmy, as forças francesas venceram os invasores. No mesmo dia, uma nova Assembleia tomava
posse: a Convenção. Foi nesse período que a República foi proclamada. A segunda fase da guerra, de
setembro de 1792 a abril de 1793, é marcada pelas vitórias da França, que avançou em direção à Bélgica,
região do Reno, Savoia e Nice.

Convenção Nacional

Os membros eleitos para a Convenção Nacional organizaram-se em três grandes partidos: Gironda,
Montanha e Planície. (Contra as cinco principais representações anteriores).

31 Palácio parisiense, cuja construção começou em 1564 sob o impulso de Catarina de Médici, num local ocupado anteriormente por uma fábrica de telhas
(tuiles)

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- Gironda: Os Girondinos faziam parte um grupo político moderado durante o processo da Revolução
Francesa. Seus integrantes faziam parte da burguesia francesa. Entre seus líderes destacavam-se Brissot
e Vergniaud.
- Montanha (ou Jacobinos): Os jacobinos faziam parte de uma organização política, criada em 1789
na França durante o processo da Revolução Francesa. No princípio tinham uma posição moderada sobre
os encaminhamentos revolucionários, porém, com a liderança de Robespierre, passaram a ter posições
radicais e esquerdistas. Pequenos comerciantes e profissionais liberais eram as principais camadas
sociais que compunham este grupo. Entre seus líderes destacavam-se Saint Just, Marat, Danton e
Robespierre.
- Planície (ou Pântano): apesar de ser formada por membros da burguesia, era considerado um
partido de centro, fazendo acordos e estabelecendo relações com ambos os partidos.

Convenção Girondina (1792-1793)


Após seu estabelecimento, a Convenção foi liderada pelos girondinos, sob forte oposição jacobina.
O rei foi julgado pela Convenção em 21 de janeiro de 1793 e, a despeito do esforço dos Girondinos,
foi condenado à morte como traidor, sendo guilhotinado.
A condenação do rei abalou as demais monarquias absolutistas europeias, que temiam sofrer
processos revolucionários parecidos em seus países. Assim, os impérios da Áustria, da Rússia e da
Prússia uniram-se militarmente com Inglaterra e Holanda, contestadoras da ocupação francesa sobre a
Bélgica, e formaram a I Coligação. A união de forças foi capaz de derrotar as tropas francesas, além de
incentivarem os contrarrevolucionários a influenciarem a revolta camponesa da Vendéia.
As derrotas sofridas pelas tropas, aliadas aos problemas internos, acentuaram os ânimos dos
extremistas montanheses. Os Jacobinos, núcleo mais radical da Montanha, eram apoiados pela Comuna
de Paris, composta por trabalhadores, artífices, pequenos proprietários e trabalhadores rurais.
O acirramento dos ânimos levou a exigência da criação de um tribunal revolucionário contra os
suspeitos e chefes girondinos, além da criação de um exército revolucionário para a defesa do país. As
reivindicações foram suficientes para reunir as camadas mais baixas e resultaram na queda dos
girondinos em junho de 1793.

Convenção Montanhesa (1793-1794)


Os montanheses chegaram ao poder com o apoio dos sans-culottes, porém buscaram conter o
movimento popular para evitar extremos. Como parte das reformas introduzidas, no campo político
aboliram a escravidão nas colônias e confiscaram as terras dos nobres, transformando-as em pequenas
propriedades. Na política, introduziram uma constituição democrática, assegurando uma participação
mais ativa das camadas mais baixas.
As tensões internas e as vitórias da I Coligação criaram um clima de insegurança, que aumentou ainda
mais quando o líder montanhês Marat foi assassinado pela monarquista Charlotte Corday, o que revelou
a possibilidade do restabelecimento da monarquia. Esses fatores colaboraram para a instalação do
Terror.

O Terror
Colocado em prática em setembro de 1793, o Terror contou com amplo apoio dos sans-culottes.
Liderados por Robespierre, os montanheses criaram os Comitês da Salvação Pública e da Segurança
Geral com o objetivo de governar o país, e o Tribunal Revolucionário, para aplicar a justiça.
As prisões eram feitas com base na Lei dos Suspeitos, que permitia capturar e julgar todos aqueles
considerados suspeitos de traição contra a República. Milhares de pessoas foram enviadas para a
guilhotina, entre elas a rainha Maria Antonieta.
Com o mesmo argumento de proteção da Revolução, as igrejas também foram fechadas, sendo
instituído o “culto do Ser Supremo”, que na verdade tratava-se de uma devoção à razão.
No plano econômico foi instituída a lei do Máximo Geral, ou seja, a fixação de um teto Máximo para
os produtos de primeira necessidade.
O calendário também foi substituído, dando lugar ao Calendário Revolucionário32.
O terror gerou resultados, com a derrota da Vendéia e da Coligação. Superadas as dificuldades,
Robespierre acreditava que a ditadura era a única forma de manter a Revolução, e não hesitou em enviar
para a guilhotina todos aqueles que considerou inimigos.

32 Os revolucionários propuseram a utilização de um novo calendário, que deveria diferenciar-se do calendário gregoriano, símbolo do cristianismo e do Antigo
Regime Monárquico que havia sido extinto. Ele foi adotado a partir de 1793, mas seu início marcaria a data de 22 de setembro de 1792, dia em que foi instaurada a
República.
O objetivo era iniciar a marcação de uma nova era de ruptura com as tradições cristãs e mais próxima ao racionalismo burguês. O ano I, iniciado em 1792, era
o ano da adoção da Constituição que havia instituído o sufrágio universal, a democratização (https://bit.ly/2mGeTN0).

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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Paris durante esse período passava por um momento de grande efervescência política, e grupos
distintos, com visões completamente diferente acabaram levando o mesmo fim, tendo as cabeças
separadas dos corpos. Os enragés (enraveicidos) propunham a taxação e a suspensão da especulação
monetária e tinham muito prestígio perante os sans-culottes, porém foram guilhotinados.
Os indulgentes, liderados por Danton, acreditavam que as medidas eram enérgicas e autoritárias
demais. Por outro lado, os hebertistas, liderados por Hébert, consideravam que elas ficavam aquém do
necessário para salvar a Revolução. Para Robespierre tanto um quanto outro, e qualquer outro tipo de
divergência eram uma ameaça, e ambos foram guilhotinados.
Nem mesmo o cientista Lavoisier escapou da condenação, pois era visto com maus olhos por possuir
origem nobre e ser membro da Ferme Générale, agência ligada ao governo e responsável pelo
recolhimento de impostos, vista como corrupta.
O Terror não poupou nem mesmo seus dirigentes. As execuções em massa, a ditadura e a intervenção
na economia acabaram enfraquecendo o poder de Robespierre, que teve sua queda votada pela
Convenção em 27 de julho de 1794. Juntamente com dezenove partidários, o líder acabou enfrentando o
destino que muitos de seus tiveram: a própria guilhotina.

A Guilhotina
Criada pelo médico Joseph Ignace Guillotin, a guilhotina não apareceu como um método de
execução usado para amedrontar os inimigos da revolução. Criada com a finalidade de proporcionar
uma morte rápida e sem dor aos condenados à morte, o doutor Gillotin defendeu na Assembleia
Nacional que esse seria um método mais humanitário, eficaz e igualitário, pois os condenados teriam
a mesma pena e o executor não precisaria necessariamente sujar suas mãos com sangue.
Porém, com a Revolução Francesa todo e qualquer suspeito de se opor ao regime passou a ser
decapitado, dessa forma a guilhotina ficou marcada como símbolo de crueldade e opressão.
Mesmo com o fim da Revolução na França, a guilhotina continuou a funcionar como aparelho de
execução, com a última condenação registrada em 1977, quase duzentos anos após sua utilização em
massa.

Convenção Termidoriana
Após a queda de Robespierre, um novo governo assumiu o poder liderado pela Planície. O novo
governo buscou afastar-se da pequena burguesia e dos sans-culottes, e pouco a pouco retirou os poderes
do Comitê de Salvação Pública, além de revogar as leis dos Suspeitos e do Máximo. A Igreja e o novo
governo estabeleceram um acordo de separação.
O fim da Lei do Máximo provocou um aumento nos preços dos produtos, inflacionando os assignats.
O aumento nos preços gerou novas tensões populares, e a alta burguesia, com medo de perder seus
privilégios e seu poder, eliminou o governo de convenção e criou a Constituição do ano III que instituía
o Diretório, em 1795. A nova constituição buscou reafirmar o direito à propriedade e a liberdade
econômica, pelo uso do restabelecimento do voto censitário, o que excluiu novamente as camadas
populares do processo político.

Diretório (1795-1799)
O novo governo baseava-se na teoria da separação dos poderes. O poder legislativo dividia-se entre
o Conselho dos Quinhentos (em que os membros deveriam ter mais de 30 anos) e o conselho dos Anciãos
(que deveriam ter mais de 40 anos). O poder executivo era composto por um Diretório (junta de diretores)
que era eleito pelos conselhos.
A nova constituição não conseguiu estabilizar o país, e também não conseguiu afastar os opositores
(nobres emigrados e sans-culottes). Os nobres tentaram um golpe de retomada do poder, porém foram
impedidos pelo general Napoleão Bonaparte. Entre as camadas populares, o crítico da propriedade
privada, Graco Babeuf articulou uma conjuração, a Revolta dos Iguais, que buscava derrubar o
Diretório, porém não obteve sucesso.
A corrupção no governo e a má administração enfraqueceram o regime. Juntamente com os problemas
internos, foi formada a II Coligação, através da união militar entre o Império Turco, a Rússia, a Inglaterra
e a Áustria, com o objetivo de retomar o poder na França.
Frente aos problemas enfrentados, alguns membros do Diretório defendiam a ideia de que a única
forma de manter o poder era o estabelecimento de uma nova monarquia. Preocupando-se em perder o
poder, parte da alta burguesia apoiou um golpe de Estado, contando com a popularidade de Napoleão
que havia conquistado vitórias importantes no Egito e no norte da Itália.

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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Apoiado por Roger Ducos e pelo abade Sièys, ambos lideres burgueses, em 9 de novembro de 1799
Napoleão derrubou o Diretório e estabeleceu um consulado provisório, composto pelo general e pelos
dois líderes que ajudaram a arquitetar o golpe.
A chegada de Napoleão ao poder ficou conhecida como golpe de 18 Brumário, data que correspondia
aos meses de outubro e novembro no calendário revolucionário. Os apoiadores do golpe acreditavam
que através de um poder executivo autoritário poderiam conter os contrarrevolucionários. Contudo, ao
assumir o poder, Napoleão buscou satisfazer suas próprias ambições, e impôs uma ditadura na França.

Período Napoleônico

Ao chegar ao poder em 1799, a França apresentava um aspecto desolador: a indústria e o comércio


estavam arruinados, os caminhos e os portos destruídos e o serviço público desorganizado. Todos os
dias mais e mais pessoas deixavam o país, fugindo da desordem e da ameaça de ver os seus bens
confiscados. Os clérigos que se tinham negado a jurar fidelidade à nova Constituição eram perseguidos
e a guerra civil ameaçava estourar em numerosas províncias.
Napoleão buscou conciliar os diferentes grupos em conflitos, na tentativa de restabelecer a paz e a
segurança.
Em 1799 uma nova constituição foi submetida a um plebiscito, e com a aprovação por mais de 3
milhões de votos, Napoleão agora possuía poderes ilimitados, sob o disfarce do consulado. O voto voltou
a ser universal, e os candidatos eram escolhidos através de uma lista dos mais votados. O Poder
legislativo perdeu grande parte de sua importância, tornando-se basicamente um poder formal.
Ele era composto de quatro assembleias: o Conselho de Estado, que preparava as leis; o Tribunal,
que as discutia; o Corpo Legislativo, que as votava e o Senado, que velava pela sua execução.
O Poder Executivo, confiado a três cônsules nomeados pelo Senado por dez anos, era o mais forte de
todos. Quem detinha efetivamente o poder era o primeiro-cônsul, que propunha, mandava publicar as
leis e nomeava os ministros, os oficiais, os funcionários e os juízes.
As guerras continuaram até 1802, quando Napoleão assinou a Paz de Amiens, pondo fim ao conflito
europeu iniciado em 1792. A administração do Estado foi reorganizada e centralizada.
Importantes medidas financeiras, como a criação de um corpo de funcionários para arrecadar os
impostos e a fundação do Banco da França (que recebe o direito de emitir papel moeda), foram tornadas,
melhorando sensivelmente a situação econômica do pais.
Na educação, o ensino secundário foi organizado com o objetivo de instruir funcionários para o Estado.
Uma das maiores contribuições do de Napoleão foi a criação do Código Civil, inspirado no Direito
Romano, nas Ordenações Reais e no Direito Revolucionário, completado em 1804, continua, na essência,
em vigor até hoje na França.
As relações com a Igreja Católica foram retomadas, através de Concordata33 com o papa. O sumo-
pontífice aceitou o confisco dos bens eclesiásticos e o Estado ficou proibido de interferir no culto. Os
bispos, indicados pelo governo e investidos de funções religiosas pelo papa, prestariam juramento de
fidelidade ao governo e as bulas só entrariam em vigor depois de aprovadas por Napoleão.
Os êxitos obtidos tanto internamente como externamente permitiram a Napoleão conquistar o direito
de nomear seu sucessor garantido pelo senado, em 1802. Na prática, estabelecia-se uma Monarquia
hereditária.
Com o reinício dos conflitos externos em 1803, o Consul aproveitou-se da situação de perigo nacional
para que fosse proclamado imperador da França. Já em 1804 uma nova Constituição legalizava a
instituição do Império e convocava um plebiscito para confirmá-la. Oficializada a proclamação através da
vontade popular, Napoleão foi sagrado imperador pelo papa, e tratou de formar uma nova corte, com
muitos membros da antiga nobreza francesa.
Além do Código Civil, que já vinha sendo elaborado, foram criados o Código Comercial e o Código
Penal. A economia sofreu um grande impulso, tanto pelo aumento da produção no campo – o que levou
os camponeses a apoiarem o imperador – quanto no incentivo pela industrialização do país. Os projetos
de reformas de pontes e estradas foram concluídos e novos portos e canais concluídos.
Ao mesmo tempo em que era verificada prosperidade em algumas áreas, em outras as coisas não
pareciam caminhar tão bem. Com o aumento da popularidade, Napoleão tornava-se cada vez mais
despótico, até mesmo para os padrões da monarquia francesa. As assembleias foram suprimidas, o poder
judiciário passou cada vez mais para as mãos do imperador e as liberdades individuais foram revogadas.
A imprensa também passou a ser censurada, e o ensino foi modelado para garantir a obediência ao
imperador, tanto que se estendeu à educação superior: a Universidade Imperial monopolizou o ensino e

33 Acordo diplomático que o Vaticano celebra com outro Estado

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as disciplinas consideradas perigosas para o regime (História e Filosofia) tiveram seus programas
alterados.
No plano religioso, o catecismo orientava que os deveres existiam para com Deus e também com o
Imperador. As desavenças com poder papal, que não aceitou as imposições feitas pelo imperador,
resultaram no confinamento do pontífice em Savoia e na tomada de seus Estados. Os bispos que
buscaram apoiar a Igreja foram também perseguidos.
O resultado foi uma nova onda de crises e descontentamento. A burguesia opunha-se à perda de
liberdade e às perseguições policiais, as guerras arruinavam a economia e os portos, o restabelecimento
de antigos impostos irritava os contribuintes e os jovens procuravam fugir ao serviço militar obrigatório.

Conflitos externos
Apesar de Napoleão ter assinado com a Inglaterra a Paz de Amiens34, em 1805, as ameaças francesas
promoveram a formação da primeira coligação antifrancesa, reunindo a Inglaterra, Rússia e Áustria.
Napoleão venceu em Ulm e Austerlitz, mas a esquadra franco-espanhola foi derrotada em Trafalgar
pelo almirante inglês lorde Nelson. Após a vitória contra a nova coligação, em 1806, Napoleão dissolveu
o Sacro Império Romano-Germânico, fundando a Confederação do Reno35.
Em 21 de novembro de 1806, foi decretado que os países que estavam sob o domínio do império
francês estavam proibidos de fazer comércio ou autorizar o acesso aos portos para navios ingleses. A
medida, que ficou conhecida como Bloqueio Continental, visava enfraquecer o concorrente, afim de poder
dominá-lo.
Para que o bloqueio fosse efetivo, Napoleão necessitava que todas as nações sob sua influência
aderissem totalmente ao acordo, o que foi feito pela Rússia e Pela Áustria, mas não por Portugal.
Portugal era um pequeno reino na Península Ibérica que dependia imensamente de suas colônias para
o sustento econômico. O principal parceiro econômico de Portugal era a Inglaterra, e desde 1703 os dois
países estavam sob um acordo conhecido como Tratado de Methuen, que recebeu o nome em função do
embaixador inglês que conduziu as negociações.
O Tratado estabelecia o comércio de panos ingleses e vinhos portugueses, o que a longo prazo provou-
se desvantajoso para Portugal, pois o volume de panos que chegava era maior que o volume de vinhos
que saía. Com o investimento na produção de vinho, Portugal perdeu muitas das áreas de produção de
alimentos, o que o obrigou a importar parte dos gêneros alimentícios. Além dos alimentos, Portugal deixou
de investir em sua indústria, e importava uma grande quantidade de produtos manufaturados da
Inglaterra.
Por conta de todos os fatores citados, o Bloqueio Continental era desvantajoso para o pequeno país,
que optou por não aderir à estratégia de Napoleão. Sentindo-se prejudicado pela decisão portuguesa, e
vendo que seus esforços para impedir o comércio não estavam rendendo o esperado, em agosto de 1807
Napoleão envia um ultimato a D. João VI: ou Portugal rompia suas relações com a Inglaterra, ou seria
invadido.
Como Portugal manteve-se firme em sua decisão, a França assinou em conjunto com a Espanha o
Tratado de Fontainebleau, que dividia o território português entre os dois países e extinguia a dinastia
dos Bragança, à qual pertencia D. João VI.
Buscando manter suas relações comerciais, a Inglaterra, que possuía um poderoso poder naval,
pressionou Portugal através de seu embaixador em Lisboa, lorde Strangford, a fugir para o Brasil.
Em novembro de 1807, o Príncipe Regente reuniu a família real e toda sua corte, totalizando cerca de
15 mil pessoas, e partiu para o Brasil aportando em 22 de janeiro de 1808 na Bahia.
Aproveitando-se da luta de Napoleão na Espanha, a Áustria formou em 1809 uma coligação, sendo
porém, derrotada em Wagram36, perdendo vastos territórios e transformando-se em potência secundária.
Nesse momento, o Império Napoleônico encontrava-se em seu apogeu, com mais de 70 milhões de
habitantes, dos quais somente 27 milhões eram franceses. O exército francês parecia imbatível. Em 1812,
porém, a Rússia rompeu o bloqueio ao comércio inglês, sendo invadida por forças francesas. Apesar da
vitória na Batalha de Moscou, Napoleão foi obrigado a fazer uma retirada desastrosa, na qual morreram
milhares de homens.
Entusiasmados por este fracasso de Napoleão, Inglaterra, Áustria, Prússia, Rússia e Suécia formaram
uma coligação, derrotando os franceses na Batalha de Leipzig, em 1813. Napoleão foi então aprisionado
na ilha de Elba, de onde fugiu um ano depois, retornando à França e retomando o poder. Inicia-se o
governo dos Cem Dias. Durante esse governo, enfrentou a última coligação contra a França, sendo

34 Tratado de paz firmado em 25 de março de 1802 na cidade francesa de Amiens. Ele pôs fim às hostilidades existentes entre França e Reino Unido durante
as chamadas Guerras Revolucionárias Francesas.
35 A Confederação do Reno ou Liga Renana foi constituída por Napoleão Bonaparte em 12 de Julho de 1806, no contexto da Terceira Coligação contra a França
36 Deutsch-Wagram é um município da Áustria localizado no distrito de Gänserndorf, no estado de Baixa Áustria

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derrotado pelos ingleses em Waterloo, na Bélgica, e novamente aprisionado e exilado na ilha de Santa
Helena, onde morreu em 1821.

A Europa em Guerra e em Equilíbrio (1789 -1830): Napoleão, Congresso de Viena e


Restauração.37
Com o fim da Era Napoleônica, as potências que se envolveram nas guerras empreendidas pelo
imperador francês articularam-se na capital da Áustria, Viena, para traçar os rumos que a Europa tomaria
a partir daquele momento. A essa articulação deu-se o nome de Congresso de Viena.
Além da Áustria, que sediou o congresso, as outras potências participantes foram a França, a Prússia,
a Rússia e a Grã-Bretanha.
O objetivo principal do Congresso de Viena era retomar o modelo político que ordenava a Europa antes
das guerras napoleônicas, o que significava retomar as estruturas do Antigo Regime, com repressão às
ideias liberais e às manifestações revolucionárias das quais a França foi o principal alvo.
Os líderes participantes do Congresso de Viena ainda propuseram a defesa de dois princípios gerais:
o princípio da legitimidade (determinava que as dinastias que detinham o poder no período anterior ao
processo revolucionário francês deveriam reassumir seus tronos e territórios) e o equilíbrio do poder
(pregava que as potências que ganharam a guerra contra a França teriam o direito sobre territórios fora
do continente europeu e poderiam permanecer com aqueles que já lhes pertenciam por merecimento pela
participação na luta contra Napoleão Bonaparte).

Os Reis de Volta ao Trono


O princípio da legitimidade garantiu o retorno de algumas das antigas dinastias europeias, como os
Bourbon em Nápoles, Espanha e França, a dinastia Orange na Holanda, os Bragança em Portugal e os
Saboia no Piemonte, além do restabelecimento do papa nos Estados Pontifícios.
Pelas intervenções de Talleyrand, a França – que saíra derrotada com a queda de Napoleão – garantiu
sua integridade territorial, restaurando suas fronteiras de antes de 1792. A Inglaterra foi o que mais se
beneficiou a longo prazo, pois conseguiu garantir a hegemonia militar e comercial nos oceanos, além de
grande influência política e econômica no continente. A Prússia praticamente dobrou sua extensão
territorial, incorporando partes da Saxônia, da Pomerânia e da Polônia, assim como a Rússia, que garantiu
a anexação da Finlândia, da Bessarábia e de parte da Polônia.
Esse retorno à antiga ordem que caracterizou as propostas das potências vencedoras também
implicava uma redefinição do mapa geopolítico da Europa, que havia sido profundamente afetado pelo
império napoleônico. Para tanto, o czar russo, Alexandre I, propôs a criação de uma aliança.
Formada por Rússia, Prússia e Áustria, a Santa Aliança, como ficou conhecida, objetivava garantir a
hegemonia desses três países, bem como combater focos de revoluções impulsionados pelas ideias
liberais.
O primeiro artigo da Santa Aliança pode ser lido abaixo:
Art. 1º De acordo com as palavras das Santas Escrituras que ordenam a todos os homens olharem-se
como irmãos, os três monarcas contratantes permanecerão unidos pelos laços de uma fraternidade
verdadeira e indissolúvel e, considerando-se como compatriotas, se prestarão, em qualquer ocasião ou
lugar, assistência, ajuda e socorro; julgando-se, em relação aos seus súditos e exércitos, como pais de
família, eles os dirigirão no mesmo espírito de fraternidade de que se acham animados para proteger a
religião, a paz e a justiça. (“Tratado da Santa Aliança”. Trad. Luiz Arnault. Dep. Hist. Contemporânea. UFMG.)
O pacto militar começou a ruir a partir do momento em que a Inglaterra se recusou a apoiá-lo. Ela era
contrária aos propósitos do envio de tropas para a América Latina, com o propósito de reprimir os diversos
levantes emancipacionistas que ameaçavam o colonialismo. Além disso havia grande interesse na
expansão comercial e em garantir novos mercados aos seus produtos industrializados, os ingleses
desaprovavam a presença militar nas colônias americanas, postando-se contra a política intervencionista
da Santa Aliança.

Questões

01. (MPE/GO – Auxiliar Administrativo – MPE/GO – 2019) A Revolução Francesa é um marco


histórico no que diz respeito à cidadania. Foi na França que o conceito de cidadão passou a ter uma
dimensão de reconhecimento de direitos. Pergunta-se: em que ano ocorreu a Revolução Francesa?

37 FERNANDES, Cláudio. Congresso de Viena. https://bit.ly/2MtiZA8


SANTOS, Marco Cabral dos. Congresso de Viena: Conservadores restauram o Antigo Regime. https://bit.ly/2nlIOah.

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(A) 1787
(B) 1789
(C) 1791
(D) 1772
(E) 1790

02. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE/2018) A cultura política revolucionária não pode ser
deduzida das estruturas sociais, dos conflitos sociais ou da identidade social dos revolucionários. As
práticas políticas não foram simplesmente a expressão de interesses sociais e econômicos subjacentes.
Por meio de sua linguagem, suas imagens e atividades políticas diárias, os revolucionários trabalharam
para reconstruir a sociedade e as relações sociais. Procuraram conscientemente romper com o passado
francês e estabelecer a base para uma nova comunidade nacional.
Lynn Hunt. Política, cultura e classe na Revolução Francesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 33 (com adaptações)

Tendo o fragmento de texto anterior como referência inicial, julgue (C ou E) o seguinte item, acerca
das revoluções dos séculos XVIII e XIX.
Iniciada em 1789, a Revolução Francesa rompeu com o despotismo e pôs fim ao Antigo Regime, mas
não instaurou uma sociedade democrática e igualitária
(A) Certo
(B) Errado

03. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE/2018) A cultura política revolucionária não pode ser
deduzida das estruturas sociais, dos conflitos sociais ou da identidade social dos revolucionários. As
práticas políticas não foram simplesmente a expressão de interesses sociais e econômicos subjacentes.
Por meio de sua linguagem, suas imagens e atividades políticas diárias, os revolucionários trabalharam
para reconstruir a sociedade e as relações sociais. Procuraram conscientemente romper com o passado
francês e estabelecer a base para uma nova comunidade nacional.
Lynn Hunt. Política, cultura e classe na Revolução Francesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 33 (com adaptações)

Tendo o fragmento de texto anterior como referência inicial, julgue (C ou E) o seguinte item, acerca
das revoluções dos séculos XVIII e XIX.
Devido ao aprendizado de seus métodos por revolucionários que a sucederam, a Revolução Francesa
é considerada a mãe das revoluções políticas ocorridas depois dela.
(A) Certo
(B) Errado

04. De um modo geral, observa-se como numa sociedade a intervenção dos detentores do poder no
controle do tempo é um elemento essencial (...). Depositário dos acontecimentos, lugar das ocasiões
místicas, o quadro temporal adquire um interesse particular para quem quer que seja, deus, herói ou
chefe, que queira triunfar, reinar, fundar.
JACQUES LE GOFF
Adaptado de "Memória-História". Lisboa: Imprensa Nacional; Casa da Moeda, 1984.

Diversas experiências políticas contemporâneas alteraram as representações do tempo histórico, na


forma como são mencionadas no texto. Uma ação política que exemplifica essa intervenção no controle
do tempo, e que resultou na implantação de um novo calendário, ocorreu no contexto da revolução
denominada:
(A) Cubana
(B) Francesa
(C) Mexicana
(D) Americana

05. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE/2018) A cultura política revolucionária não pode ser
deduzida das estruturas sociais, dos conflitos sociais ou da identidade social dos revolucionários. As
práticas políticas não foram simplesmente a expressão de interesses sociais e econômicos subjacentes.
Por meio de sua linguagem, suas imagens e atividades políticas diárias, os revolucionários trabalharam
para reconstruir a sociedade e as relações sociais. Procuraram conscientemente romper com o passado
francês e estabelecer a base para uma nova comunidade nacional.
Lynn Hunt. Política, cultura e classe na Revolução Francesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 33 (com adaptações)

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Tendo o fragmento de texto anterior como referência inicial, julgue (C ou E) o seguinte item, acerca
das revoluções dos séculos XVIII e XIX.
A reflexão filosófica e política da denominada República das Letras e o cosmopolitismo europeu a ela
inerente, por si só, não foram os fatores que conduziram à ação revolucionária: esse papel coube à plebe
que, de fato, pôs a teoria em prática.
(A) Certo
(B) Errado

Gabarito

01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.A

Comentários

01. Resposta: B.
A Revolução Francesa ocorreu no ano de 1789 e é considerada o evento que marca a passagem do
Período Moderno para o Contemporâneo.

02. Resposta: A.
Apesar de a Revolução atingir o interesse burguês no período e apresentar uma proposta democrática,
em diferentes episódios vimos que essa proposta não foi atingida. A divisão entre jacobinos e girondinos
e o governo autoritário apresentado posteriormente por Napoleão são exemplo de que a igualdade e a
democracia foram bandeira, mas não foram práticas pós revolução.

03. Resposta: A
A Revolução Francesa é um marco na mudança de períodos históricos. A Idade Moderna e os
movimentos que seguiram dentro do período levaram bandeiras fomentadas e difundidas no movimento
francês (como os Direitos Naturais do Homem) derivados do iluminismo e que combateram praticas do
Antigo Regime que insistiram em permanecer na modernidade.

04. Resposta: B.
A revolução Francesa representou uma mudança muito grande na forma de entendimento de política
e organização de uma sociedade. Durante sua fase mais radical foi criado até mesmo um novo calendário
baseado nos ideais iluministas e rompendo com o calendário Gregoriano, de origem cristã.

05. Resposta: A
Reconhecidamente uma revolução burguesa, os “letrados” tiveram papel essencial na propagação de
ideias iluministas e contra os princípios do Antigo Regime. Apesar disso, A Revolução foi realizada pelo
povo, como a força do número exigiu no período.

l. O Brasil Imperial: o processo da independência do Brasil: Período Joanino;


Primeiro Reinado; Período Regencial; Segundo Reinado; Crise da Monarquia e
Proclamação da República.

PERÍODO JOANINO E A INDEPENDÊNCIA

Só passando para lembrar que quando tratamos sobre a chegada dos portugueses no Brasil a
partir do período joanino ou após o período colonial, estamos falando das CORTES portuguesas, uma
vez que a presença lusitana no nosso território é ininterrupta desde o descobrimento.

Realizações Político-sociais das Cortes no Brasil

As mudanças econômicas e políticas que vinham soprando suas ideias da América do Norte e da
Europa para as colônias é fator chave para entendermos porque a família real portuguesa mudou-se com
toda a sua Corte da “civilizada” Lisboa para a abandonada colônia brasileira.
O absolutismo viu suas bases estremecerem na segunda metade do século XVIII principalmente pelo
sucesso das Revoluções Estadunidense e Francesa com suas ideias democráticas. No mesmo sentido,

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sua política econômica - o mercantilismo - via o capitalismo industrial começar a tomar a dianteira frente
ao capitalismo comercial, marca desses governos.
Mas foi da França o empurrão fundamental para a mudança da Corte lusitana38. Quando da expansão
napoleônica na Europa, apenas a Inglaterra conseguia fazer frente aos franceses. Em uma tentativa de
enfraquecer seu maior adversário, a França decreta um bloqueio comercial à Inglaterra por todos os
países que estavam sob sua influência, entre eles, Portugal, que não aceita manter o bloqueio,
desencadeando a invasão francesa, consequência da fuga da Corte para o Brasil.
Os motivos que o leva a não aceitar manter o bloqueio dizem respeito a uma série de acordos
econômicos entre Portugal e Inglaterra (mal feitos), que tornou Portugal uma nação dependente. As
premissas dos acordos mantinham os portugueses como uma economia basicamente agrária enquanto
os ingleses desenvolviam sua indústria.
O Tratado de Methuen exemplifica bem isso: Portugal forneceria vinho aos ingleses (campo) e a
Inglaterra forneceria tecidos aos portugueses (indústria). Sem opção e por exigência da Inglaterra,
Portugal recusa o bloqueio.
Por sua vez, Napoleão foi um cão que latia e também mordia. Ao ver a recusa portuguesa nos seus
planos, a França invade e divide Portugal com a Espanha (Tratado de Fontainebleau) além de declarar
extinta a Dinastia dos Bragança.

A Fuga para o Brasil


Portugal contou com o apoio naval inglês para sua fuga. Cerca de 15 mil pessoas que compunham a
Corte fizeram a viagem que durou cerca de dois meses com escolta e medidas de segurança como
colocar membros da família real em diferentes navios, caso houvesse ataques.
Ao chegar, D. João tomou duas medidas que afetaram tanto França quanto Inglaterra, sendo:
- a retaliação à Napoleão, invadindo e conquistando a Guiana Francesa; e
- premiando a Inglaterra e visando o próprio conforto, ainda em 1808 assinou uma Carta Régia com a
medida que ficou conhecida como “Abertura dos Portos às Nações Amigas”, beneficiando basicamente o
país inglês.
A medida mudava o status do Brasil, mas beneficiou muito os ingleses que agora não precisavam mais
negociar com a metrópole suas relações comerciais em território nacional.
Além das mudanças que afetavam política e economia externas, D. João também realizou mudanças
internas.
Temos que ter em mente que até então o Brasil é uma colônia. Isso significa que todo o aparato
administrativo, judiciário e econômico são da metrópole. Com a vinda da Corte, todos os tipos de decisões
nesse sentido que eram tomadas em Lisboa, teriam que ser tomadas no Rio de Janeiro e para isso seguiu-
se uma série de mudanças: nomeou ministros de Estado, criou secretarias públicas, criou tribunais de
justiça, o Banco do Brasil e o Arquivo Central.
Mudanças na cidade também foram realizadas com a intenção de tornar a capital do Brasil uma cidade
mais próxima do que a Corte estava acostumada na Europa: foram criados jornais de circulação diária,
uma biblioteca real com mais de 60 mil exemplares vindos de Lisboa, Academias militar e da marinha,
faculdades de medicina e de direito, observatórios, jardim botânico, teatros (...) Estruturalmente a cidade
ganhou iluminação pública, ruas pavimentadas, chafarizes e pontes.
Culturalmente a principal mudança se deu pela vinda da Missão Francesa para a criação da Imperial
Academia e Escola de Belas-Artes, tendo como principal nome o artista Jean-Baptiste Debret.
Apesar de os trabalhos realizados pela Missão Francesa não influenciarem o grosso da população
brasileira e carioca, foram de grande importância para o conhecimento do Brasil na Europa.
Como era no Rio de Janeiro que as coisas aconteciam, foi natural o crescimento populacional. Além
do número crescente de brasileiros que migravam em busca de emprego na capital, o número de escravos
também aumentou – para atender a maior demanda de serviços – assim como o de estrangeiros que
faziam negócios e já pregavam a ideia de trabalhadores assalariados.
Economicamente, apesar de D. João autorizar a instalação de manufaturas no país, os acordos
desiguais feitos com a Inglaterra castravam as intenções empreendedoras dos brasileiros.
Em 1810 foi assinado o Tratado de Comércio e Navegação em que os produtos ingleses entravam em
nosso país com taxas menores até do que os produtos portugueses.

38 Que se refere à Lusitânia, antiga região situada na península Ibérica. Atualmente, refere-se ao território português.

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O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves

Após a derrota de Napoleão, o Congresso de Viena39 contou com os principais representantes dos
países europeus e decidiu os caminhos que seriam tomados a partir de então.
Em uma disputa de interesses entre Inglaterra e França, D. João acaba sendo influenciado pelas ideias
francesas e decide continuar com a Corte no Brasil, além de declará-lo como Reino Unido de Portugal e
Algarves.
No Congresso de Viena ficou decidido que toda e qualquer mudança realizada durante a expansão
napoleônica seria desfeita. Reis destituídos – como os casos de Portugal e Espanha – teriam seu governo
restaurado. Essa era uma medida que beneficiaria novamente a Inglaterra. Se D. João voltasse a
Portugal, dificilmente ele conseguiria fazer com que as mudanças realizadas no Brasil (econômicas)
voltassem ao modelo antigo, aquele em que a metrópole tem controle sobre a colônia.
A Inglaterra já havia estabelecido negócios e influência dentro do nosso país, e os próprios
comerciantes e classe alta brasileiros não aceitariam o retorno à condição de colônia.
Do outro lado do Atlântico tínhamos uma Lisboa financeiramente debilitada ao ponto de a Corte preferir
permanecer no Rio de Janeiro. A solução para manter a posição em Lisboa e o controle sobre o Brasil foi
elevá-lo a categoria de Reino e não mais colônia.

Revolução Pernambucana

Todas as melhorias que foram descritas há pouco ficaram restritas apenas ao Rio de Janeiro. As outras
províncias do Brasil ainda sofriam com a precariedade econômica e social. Esse cenário gerou
descontentamento em várias regiões mas apenas algumas fizeram algo a respeito, como foi o caso de
Pernambuco.
Com ideais republicanos, separatistas e anti-lusitanos, a Revolução Pernambucana ia contra os
pesados impostos, descaso administrativo e opressão militar.
A Revolução apenas teve início após a delação do movimento. Quando os líderes conspiradores foram
presos, a luta começou. A revolta chegou a contar com a participação da Paraíba e Rio Grande do Norte,
porém a coroa conseguiu encerrá-la através da força militar.
Alguns líderes foram executados e outros receberam o perdão real anos depois, como Frei Caneca.

O Retorno de D. João para Portugal

Lisboa e Rio de Janeiro literalmente inverteram os papeis nesse período. Se antes Lisboa era o centro
do império português com suas instituições e riquezas colhidas pela forma de governo colonial, agora ela
via o Rio de Janeiro assumir esse papel.
Os comerciantes portugueses viram sua economia despencar quando das assinaturas de D. João nos
novos acordos com os ingleses. O Brasil era o principal mercado lusitano. Não bastasse isso, o rei de
Portugal não tinha planos de regressar e ainda deixou o governo do país a cargo de um inglês (general
Beresford).
Fórmula certa para insatisfação, foi o que ocorreu: Em 24 de agosto de 1820 eclodiu a Revolução do
Porto, onde, vitoriosa, a nova Assembleia Constituinte (Cortes portuguesas) adotou nova Constituição,
exigindo o retorno da Família Real para jurar a ela e a volta do Brasil à condição de colônia. Não foi o que
aconteceu.
D. João garantiu que sua família ainda governasse os dois territórios. Para agradar os portugueses,
ele regressou à Portugal. Para agradar os brasileiros ele deixou seu filho, D. Pedro I como regente,
assegurando que o Brasil não voltaria a ser colônia.

O Dia do Fico e a Independência do Brasil

Apesar dos planos de D. João, as Cortes portuguesas não encararam bem o fato de D. Pedro I ter
ficado no Brasil como regente. A partir daí ele passa a ser pressionado a voltar para Portugal e prestar
homenagens às Cortes.
Por outro lado, a aristocracia brasileira sabia que a única forma de garantir que o país não regressasse
à condição de colônia era apoiar o movimento emancipacionista em volta de D. Pedro I.
Em janeiro de 1822 com grande apoio do movimento emancipacionista brasileiro D. Pedro I não
cumpre às exigências das Cortes e afirma que permaneceria no Brasil (“Dia do Fico”). Esse dia foi seguido
39 O Congresso de Viena foi uma conferência entre embaixadores das grandes potências europeias que aconteceu na capital austríaca, entre maio de 1814 e
junho de 1815, cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a derrota da França napoleônica

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de negociações e mudanças na administração brasileira até finalmente em 7 de setembro do mesmo ano
ser declarada a independência do Brasil.

O Reconhecimento da Independência
O simples fato de D. Pedro I declarar o Brasil independente não o tornava assim. Era necessário que
externamente essa independência fosse reconhecida. Portugal, claro, não o fez. No início apenas alguns
reinos africanos com o qual o Brasil tinha relações comerciais (negociação de escravos) e os Estados
Unidos (dois anos depois) reconheceram nossa autonomia.
A Inglaterra, embora continuasse fazendo negócios com o Brasil não reconheceu de imediato a nova
condição, uma vez que não queria perder Portugal como parceiro/dependente dentro da Europa. Visando
os próprios interesses foi ela quem intercedeu para que um acordo fosse realizado entre Brasil e Portugal.
Em 29 de agosto de 1825 foi assinado o Tratado de Paz e Aliança, em que mediante o pagamento de
dois milhões de libras esterlinas como indenização, e a continuidade do título de imperador do Brasil para
D. João, Portugal reconhecia a emancipação do Brasil.
O dinheiro foi conseguido junto à Inglaterra que reviu seus acordos comerciais com o Brasil e
conseguiu o “compromisso” do fim da escravidão no país, além do pagamento da própria dívida. A partir
daí outras nações da América e do mundo também reconheceram o Brasil como nação autônoma.

O Primeiro Reinado (1822-1831)

De cara, alguns fatores chamaram a atenção a respeito da independência do Brasil:


- éramos o único país na América que após a emancipação da metrópole continuamos a viver em um
regime monárquico;
- a população não teve participação alguma no processo e até mesmo províncias mais distantes só
ficaram sabendo da mudança meses depois;
- a aceitação não foi total e pacífica como era de se esperar.

Algumas regiões, principalmente aquelas com conservadores portugueses e acúmulo de tropas


lusitanas não apenas recusaram-se a aceitar a autoridade de D. Pedro I como lutaram contra ela.
As províncias da Bahia, Cisplatina, Maranhão, Piauí e Pará resistiram ao novo governo e apenas com
o uso da força aceitaram a nova condição.
Na prática, nossa política não teve mudanças, ainda vivíamos em uma monarquia centralizadora e
mesmo os defensores de ideias republicanas só pensavam em sua projeção política e não em uma
mudança de fato.

A Primeira Constituição Brasileira


D. Pedro I havia convocado uma Assembleia Constituinte antes mesmo de declarar o Brasil
independente. E desde o primeiro momento houve desacordo.
A Assembleia, liderada pelos irmãos Andrada, tinha a intenção de fazer uma Constituição similar à
portuguesa, onde D. Pedro teria seus poderes limitados. Já o monarca, que era conhecido por ser
autoritário e centralizador trabalhou para permanecer com todos os poderes em torno de si.
Apesar da Constituição elaborada por influência dos Andrada ter a intenção de limitar os poderes de
D. Pedro I, ela garantia os privilégios da aristocracia rural. Popularmente conhecida como Constituição
da Mandioca40 ela garantia os privilégios à quem tivesse a posse da terra e defendia a manutenção da
escravidão.
Acontece que essa Constituição, onde o legislativo predominaria pelo executivo nem chegou a ser
concluída. Em 12 de novembro de 1823 D. Pedro I ordenou o fechamento da Assembleia (episódio
conhecido como “Noite da Agonia”), convocou um Conselho de Estado e encomendou a nova
Constituição do país, onde seu poder estaria assegurado.
A nova Constituição dividia o Estado em quatro poderes: executivo, legislativo, judiciário e moderador.
O poder moderador era exclusivo de D. Pedro I e estava acima de todos os outros. Assim ele mantinha
todas as características centralizadoras e absolutistas de uma monarquia e não via precedentes de
verdadeira oposição.

A Confederação do Equador
A tendência autoritária de D. Pedro I e a nova Constituição desagradaram em vários aspectos muitas
províncias brasileiras. O nordeste, já marginalizado nesse período e com histórico de revoltas contra a

40 Apenas pessoas com mais de 150 alqueires de mandioca poderiam se candidatar ou votar.

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coroa, novamente se movimentou. Com início em Pernambuco e com apoio popular, outras províncias se
juntaram ao movimento (Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba).
Apesar de iniciada por lideranças populares, entre eles Cipriano Barata e Frei Caneca, as elites
regionais também apoiaram o movimento. Do ponto de vista social foi o mais avançado do período com
reformas sociais, mudança de direitos políticos e abolição da escravidão.
Essas mesmas mudanças radicais levaram as elites regionais a abandonar o movimento, pois temiam
perder seus próprios privilégios.
Sem o apoio da aristocracia local e com forte repressão do governo, o levante foi contido com
dezesseis membros sendo condenados à morte, entre eles, Frei Caneca.

A Cisplatina
A região da Cisplatina41 sempre foi alvo do interesse do governo português que desejava expandir
suas fronteiras até o rio da Prata. Após a “bagunça” feita por Napoleão às Coroas europeias, mais
precisamente à Coroa espanhola que teve sua continuidade interrompida e retomada após a queda do
general francês, as colônias americanas viviam um período de instabilidade e descentralização. Todos os
movimentos de independência dessas colônias, apesar de bem sucedidos, as debilitaram econômica e
politicamente. Foi quando dessa instabilidade que D. João viu a oportunidade de realizar um antigo desejo
português, em 1820 ele ordena às tropas imperiais invadirem a região da Cisplatina.
Mesmo após o retorno de D. João à Portugal e à independência, a Cisplatina continuou sendo parte
do Brasil (até 1828), porém à duras custas, a região nunca aceitou o domínio brasileiro, e constantemente
D. João e posteriormente D. Pedro I tinham de enviar expedições para conter as revoltas. Isso não apenas
gerava custos aos cofres imperiais como também atacava a imagem do imperador, que se mostrava
incapaz de resolver a questão. A opinião pública era avessa à causa de gastar com os conflitos e insistir
em manter a posse de uma região que nem era semelhante culturalmente ao povo brasileiro.
Enfim, em 1828, com apoio do governo argentino, as forças cisplatinas fazem com que o Brasil se
retire do conflito e proclamam a República Oriental do Uruguai.
A imagem de D. Pedro I sai abalada após o episódio. Seguiu-se a isso o misterioso assassinato de
Libero Badaró (jornalista declarado opositor e crítico de D. Pedro I), maior força do movimento liberal e
aumento das críticas a respeito da conduta política do imperador.
Além da pressão política, do exército e da população, D. Pedro I teve de superar uma crise sucessória.
Quando D. João faleceu, D. Pedro I abdica do trono português em favor de sua filha. Em Portugal é
iniciado então um conflito sucessório entre D. Maria da Glória e o irmão de D. Pedro I, D. Miguel.
D. Pedro passa a gastar recursos brasileiros para garantir o trono de sua filha, o que gera mais
descontentamento nacional. Com a pressão interna e a necessidade de cuidar de seus interesses em
Portugal, D. Pedro I abdica do trono brasileiro e retorna para seu país, deixando como herdeiro seu filho,
D. Pedro II.

O Período Regencial (1831-1840)

D. Pedro II, herdeiro do trono brasileiro tinha apenas cinco anos de idade quando D. Pedro I retornou
a Portugal. A maioria dos políticos brasileiros ainda eram favoráveis à manutenção do império e se
preocuparam com as possíveis revoltas que haveriam tendo uma criança como governante. Ficou então
decidido que o país seria governado por regentes até a idade apropriada de D. Pedro II.
Politicamente esse foi o período mais conturbado desde a colonização. Além dos grupos regionais que
se revoltaram, o próprio cenário político não tinha unidade. Apesar de todos fazerem parte basicamente
dos mesmos segmentos e terem interesses econômicos semelhantes, politicamente estavam divididos
entre:

- Restauradores (conhecidos como Caramurus, eles defendiam a continuidade de D. Pedro I no poder


e acreditavam que a tranquildade política passava pela ação absolutista. José Bonifácio fazia parte desse
grupo que foi articulador do Golpe da Maioridade anos depois);
- Liberais moderados (apesar do nome, esse grupo era composto em grande parte pela aristocracia
rural. Eram contra reformas sociais e lutavam por manter seus privilégios. Defendiam a monarquia, porém
de forma menos autoritária do que D. Pedro I empregava. Eram chamados de Chimangos);
- Liberais exaltados (era o grupo mais variado, tinha desde aristocratas até trabalhadores livres e sem
terras. Esse grupo buscava reformas sociais e políticas, maior autonomia das províncias e mudanças
constitucionais. Eram conhecidos como Chapéus-de-palha).

41 Província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e, posteriormente, do Império do Brasil. A província correspondia ao atual território do Uruguai.

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A Regência Trina Provisória
A Constituição previa que caso o soberano não tivesse um parente próximo com mais de 35 anos para
governar em seu lugar, uma regência trina (composta por três pessoas) deveria fazê-lo.
Como na época em que D. Pedro I abdicou os deputados estavam de férias, foi formada uma Regência
Trina Provisória.
Suas principais ações foram a manutenção da Constituição de 1824, reintegração do ministério
demitido por D. Pedro I, anistia aos presos políticos e a promulgação da Lei Regencial de abril de 1831,
que limitava os poderes dos regentes.

A Regência Trina Permanente


Foi eleita em junho de 1831. Com o padre Digo Antônio Feijó como ministro da justiça e composta por
Bráulio Muniz, Costa Carvalho e Francisco de Lima e Silva, essa regência teve como principal realização
a criação da Guarda Nacional.
A criação da Guarda Nacional gera uma série de consequências que serão vistas até o século XX,
principalmente no período da República Velha. A Guarda foi uma tentativa de baratear os custos da
segurança no país “terceirizando” as funções de polícia e do exército. Os chamados coronéis compravam
suas patentes militares e recebiam autonomia para organizar suas próprias forças armadas locais.
Embora na teoria seu papel fosse garantir a ordem regional, essa força só servia aos seus interesses,
como as leis garantiam que apenas ingressasse na Guarda quem dispusesse de altos ganhos anuais, e
estes eram apenas os grandes proprietários de terras, apenas a aristocracia rural ficou identificada com
os coronéis.
A mesma administração ainda promulga a “Lei Feijó” que proibia o tráfico e tornava livre todos os
africanos introduzidos em território brasileiro. Essa lei nunca foi respeitada de fato e a escravidão
permaneceu até 1888.

Ato Adicional de 1834


O Ato Adicional de 1834 foi uma revisão da Constituição de 1824. Promulgado em 12 de agosto,
possuía caráter descentralizador, instituindo a criação de assembleias legislativas nas províncias, a
supressão do Conselho de Estado e a Regência Una (governante único). O Rio de Janeiro foi considerado
um território neutro. Também foi reduzida a idade para o imperador ser coroado, de 21 para 18 anos.

Regência Una
Apesar de uma tentativa frustrada de assumir o poder em 1832, abandonando o cargo de Ministro da
Justiça logo em seguida, o padre Feijó obteve a maioria dos votos na eleição para Regente em 1835.
Sendo empossado em 12 de outubro do mesmo ano para um mandato de quatro anos, não completando
nem dois anos no cargo. Seu governo é marcado por intensa oposição parlamentar e rebeliões
provinciais, como a Cabanagem, no Pará, e o início da Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul. Com
poucos recursos para governar e isolado politicamente, renunciou em 19 de setembro de 1837.

Segunda Regência Una


Com a renúncia de Feijó e o desgaste dos liberais, os conservadores obtêm maioria na Câmara dos
Deputados e elegem Pedro de Araújo Lima como novo regente único do Império, em 19 de setembro de
1837. A segunda regência una é marcada por uma reação conservadora, e várias conquistas liberais são
abolidas. A Lei de Interpretação do Ato Adicional, aprovada em 12 de maio de 1840, restringe o poder
provincial e fortalece o poder central do Império. Acuados, os liberais aproximam-se dos partidários de D.
Pedro II. Juntos, articulam o chamado golpe da maioridade, em 23 de julho de 1840.

Revoltas no Período Regencial

Em muitas partes do império a insatisfação com o governo cresceu muito, levando alguns grupos a
apelarem para a luta armada e a revolta como forma de protesto.

Cabanagem (1833-1840)
A Cabanagem foi uma revolta que ocorreu entre 1833 e 1839, na região do Grão-Pará, que
compreende os atuais estados do Amazonas e Pará. A revolta começou a partir de pequenos focos de
resistência que aumentaram conforme o governo tentava sufocar os protestos, impondo leis mais rígidas
e a obrigação de participação no exército para aqueles que fossem considerados praticantes de atos
suspeitos. A cabanagem contou com grande participação da população pobre, principalmente os

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Cabanos, pessoas que viviam em cabanas na beira dos rios. Os revoltosos tomaram a cidade de Belém,
porém foram derrotados pelas tropas imperiais.

Revolução Farroupilha (1835-1845)


A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos foi uma revolta promovida por grandes proprietários
de terras no Rio Grande do Sul, conhecidos como estancieiros. O objetivo de seus líderes era de separar-
se do restante do país.
A revolta começa pelo descontentamento de produtores do sul em relação aos produtores estrangeiros
de charque, principalmente os platinos e argentinos que comercializavam e concorriam com os
estancieiros pelo mercado do produto no Brasil, utilizado principalmente na alimentação de escravos.
Em 1835, insatisfeitos com o governo, os estancieiros iniciam a revolta, tendo Bento Gonçalves como
principal chefe do movimento, comandando as tropas farroupilhas que dominaram Porto Alegre. Com as
vitórias obtidas foi proclamado um governo independente em 1836, conhecido como República do Piratini,
com Bento Gonçalves como presidente.
Em 1839, o movimento farroupilha conseguiu ampliar-se. Forças rebeldes, comandadas por Giuseppe
Garibaldi e Davi Canabarro, conquistaram Santa Catarina e proclamaram a República Juliana.
A revolta consegue ser contida somente após a coroação de D. Pedro II e com os esforços do Barão
de Caxias, encerrando os conflitos em 1 de março de 1845.

Revolta dos Malês (1835)


Em Salvador, nas primeiras décadas do século XIX, os negros escravos ou libertos correspondiam a
cerca de metade da população. Pertenciam a vários grupos étnicos, culturais e religiosos, entre os quais
os muçulmanos – genericamente denominados malês -, que protagonizaram a Revolta dos Malês, em
1835.
O exército rebelde era formado em sua maioria, por “negros de ganho”, escravos que vendiam produtos
de porta em porta e, ao fim do dia, dividiam os lucros com os senhores. Podiam circular mais livremente
pela cidade que os escravos das fazendas, o que facilitava a organização do movimento. Além disso,
alguns conseguiam economizar e comprar a liberdade. Os revoltosos lutavam contra a escravidão e a
imposição da religião católica, em detrimento da religião muçulmana.
A repressão oficial resultou no fim da Revolta dos Malês, que teve muitos mortos, presos e feridos.
Mais de quinhentos negros libertos foram degredados para a África como punição.

Sabinada (1837-1838)
A Sabinada ocorreu na Bahia, com o objetivo de implantar uma república independente. Foi liderada
pelo médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, e por isso ficou conhecida como Sabinada. O
principal objetivo da revolta era instituir uma república baiana, mas só enquanto o herdeiro do trono
imperial não atingisse a maioridade legal. Diferentemente de outras revoltas ocorridas no período, a
sabinada não contou com o apoio das camadas populares e nem com os grandes proprietários rurais da
região, o que garantiu ao exército imperial uma vitória rápida.

Balaiada (1838-1841)
Balaiada ocorreu no Maranhão, em 1838, e recebeu esse nome devido ao apelido de uma das
principais lideranças do movimento, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o "Balaio", conhecido por ser
vendedor do produto.
A Balaiada representou a luta da população pobre contra os grandes proprietários rurais da região. A
miséria, a fome, a escravidão e os maus tratos foram os principais fatores de descontentamento que
levaram a população a se revoltar.
A principal riqueza produzida na província, o algodão, sofria forte concorrência no mercado
internacional, e com isso o produto perdeu preço e compradores no exterior. Além da insatisfação popular,
a classe média maranhense também se encontrava descontente com o governo imperial e suas medidas
econômicas, encontrando na população oprimida uma forma de combatê-lo.
Os revoltosos conseguiram tomar a cidade de Caxias em 1839 e estabelecer um governo provisório,
com medidas que causaram grande repercussão, como o fim da Guarda Nacional e a expulsão dos
portugueses que residiam na cidade.
Com a radicalização que a revolta tomou, como a adesão de escravos foragidos, a classe média que
apoiava as revoltas aliou-se ao exército imperial, o que enfraqueceu bastante o movimento e garantiu a
vitória em 1841, com um saldo de mais de 12 mil sertanejos e escravos mortos em batalhas. Os revoltosos
que acabaram presos foram anistiados pelo imperador.

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A Maioridade e a Tranquilidade Política
Toda a instabilidade do período regencial colocou tanto liberais quanto conservadores em xeque, uma
vez que ambos haviam ocupado o poder mas nenhum conseguiu trazer estabilidade ao país. A ideia de
antecipar a maioridade de D. Pedro II começou a agradar ambos os grupos: os liberais esperavam que
com isso teriam a chance de voltar ao governo. Os conservadores viam nisso uma oportunidade de
preservar a monarquia e manter a unidade do império. Em 1840, com uma regência conservadora o
parlamento aprova adiantar a maioridade de D. Pedro II.

Segundo Reinado

Ao contrário do que aconteceu com seu pai, a preparação política de D. Pedro II parece ter sido melhor.
Mesmo sem abandonar o aspecto autoritário em seu governo, politicamente ele soube trabalhar com as
aristocracias rurais. D. Pedro II dava a elas a condição de crescerem economicamente e em troca recebia
seu apoio político.
Falamos em aristocracias porque nesse período uma nova elite agrária e mais poderosa surgiu
representada pelos cafeicultores do sudeste frente a antiga elite nordestina. O café passou a ser o
principal produto do país e assim permaneceu até a república.

Liberais e Conservadores42
Liberais (chamados de Luzia) e conservadores (Saquarema) diferiam em suas teorias e aspirações
políticas em seus discursos, porém, durante todo o Segundo Reinado ficou claro que quando no poder,
ambos eram iguais.
Os liberais defendiam a descentralização e autonomia das províncias enquanto os conservadores,
como o próprio nome sugere, defendiam um governo forte e centralizado.

As Eleições do Cacete
Ao assumir, D. Pedro II vivenciou um grande impasse político: para auxiliá-lo em seu governo foi criado
o Ministério da Maioridade. O problema se deu porque o Ministério tinha sua maioria composta por
liberais, enquanto a Câmara era composta maioritariamente por conservadores. Qualquer decisão a ser
tomada gerava grande debate pelas divergências entre ambos.
A solução encontrada para acabar com essa disputa foi dissolver a Câmara e convocar novas eleições:
As Eleições do Cacete. O nome não foi por acaso. Para garantir a vitória, o partido liberal colocou
“capangas” para trabalhar nas eleições e através de coerção e ameaças eles venceram.
Os liberais mantiveram-se no poder por pouco tempo. Apesar de serem maioria, as pressões externas
(Inglaterra) e internas (Guerra dos Farrapos), e a má impressão que ficou após o uso da força nas eleições
fez com que o imperador novamente dissolve-se a Câmara e formasse um novo ministério, este composto
por ambos os lados.

Revolução Praieira
A Revolução Praieira ocorreu na metade do século XIX (1848) em um contexto onde o nordeste já
sofria as consequências econômicas da crise do açúcar, enquanto a região sudeste já era a “favorita” do
Império com a prosperidade econômica ocasionada pelo café.
Pernambuco era uma província conturbada na época: eram os portugueses quem controlavam o
comércio e a política local. O cenário de problemas econômicos, sociais e políticos criou o clima para um
conflito entre os partidos Liberal e Conservador.
Os portugueses se concentravam em torno do partido conservador. Os democratas e liberais
brasileiros em torno do partido liberal. Após as eleições de 1848 que tiveram como resultado a eleição de
um conservador para o cargo de presidente de província, os liberais revoltam-se pegando em armas e
lançando o Manifesto ao Mundo, documento que exigia o fim dos privilégios comerciais portugueses,
liberdade de imprensa, fim da monarquia e proclamação da república, fim do voto censitário, extinção do
poder moderador e Senado vitalício.
Com adesão popular os revoltosos chegaram a derrubar o presidente de província e controlar Olinda,
porém as tropas imperiais os contêm em 1849.

O Parlamentarismo às Avessas
Em 1847 D. Pedro II cria no Brasil um sistema parlamentarista até então inédito no mundo.

42 Adaptado de MARTINS. U. (Segundo Reinado – 1840 – 1889)

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Um sistema parlamentarista tradicional funciona com o rei (ou presidente) sendo o chefe de Estado,
porém não sendo o chefe de governo. Isso implica nas responsabilidades políticas do cargo, onde o chefe
de governo as têm em muito maior quantidade.
Normalmente é o parlamento quem elege o Primeiro Ministro para chefe de governo. No Brasil as
coisas aconteceram um pouco diferentes: o Parlamentarismo às Avessas, como ficou conhecido, contava
com um novo cargo, o de Presidente do Conselho de Ministros (que em um sistema normal seria o
Primeiro Ministro), submisso e escolhido por D. Pedro II, que poderia destitui-lo quando quisesse.
Era uma forma de manter o parlamento e o Presidente sob controle e que acabava descaracterizando
o sistema como Parlamentarista.

A Influência do Café
O sistema de produção rural no Brasil sempre foi o mesmo, baseado na monocultura, grande
propriedade e trabalho escravo. Desde a crise do açúcar e esgotamento das jazidas de ouro, o país
procurava seu novo salvador econômico. Este se apresentou na figura do café, que além da mudança
em relação à mão de obra, mostrou poucas mudanças na estrutura de produção.
Graças ao aumento do consumo europeu, clima e solos favoráveis, além da já estabelecida estrutura
de grandes propriedades e monocultura, o café já na primeira metade do século XIX despontava como
principal produto nacional. Das primeiras fazendas comerciais no Rio de Janeiro, até sua expansão para
o interior de Minas Gerais, São Paulo e norte do Paraná, até quase a metade do século seguinte o café
não apenas conseguia sozinho equilibrar nossa balança comercial, mas foi responsável pelo
desenvolvimento da malha ferroviária, algumas cidades que a acompanhavam e pela introdução da mão
de obra livre.
Com crescente demanda, maior necessidade de braços para a lavoura, com a pressão da Inglaterra
pelo fim do tráfico e posteriormente fim da escravidão, os cafeicultores não encontraram outra solução
que não trazer trabalhadores imigrantes europeus para suas fazendas.
Esse foi um período que marca o país em todos os aspectos:
- sociais com o surgimento de novas classes;
- políticos com a mudança do eixo central da velha oligarquia açucareira para a nova oligarquia
cafeeira (Barões do Café); e
- econômicas com o desenvolvimento de cidades, serviços e ensaios de industrialização.

Cultura
A cultura no século XIX desenvolveu-se de acordo com os padrões europeus.
Na literatura tínhamos o romantismo como principal gênero seguindo as devidas influências exteriores.
José de Alencar com sua obra O Guarani nos dá um bom exemplo disso, descrevendo o índio Peri como
herói que enfrenta tribos menos civilizadas.
No campo das artes os indígenas também eram retratados de maneira ao imaginário europeu:
passivos e martirizados, além de características físicas distorcidas (a obra Moema – Victor Meirelles - é
representada com pele quase branca).
No campo das instituições, D. Pedro II revelou-se grande entusiasta e apoiador. Sempre demonstrou
interesses pelas atividades do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) do qual chegou a receber
o título de protetor da instituição. Pouco depois fundou a Ópera Nacional, a Imperial Academia de Música
e o Colégio Pedro II, onde ele frequentemente fazia visitas.
Por fim, manteve incentivos financeiros em campos de estudo como medicina e direito.

O Caso Indígena
No século XVIII se desenvolveu um projeto civilizador que foi incorporado à colônia. O conceito era
simples à primeira vista: povos que não respondiam ao poder real precisavam ser subjugados.
Acontece que as elites locais/regionais ao incorporar a ideia não levavam em conta o fator “civilizador”,
mas sim o econômico. Caso não houvesse a possibilidade de angariar recursos (de qualquer natureza) a
intervenção não era justificada. De uma forma mais simples: o projeto só aconteceu em regiões que
dariam algum retorno financeiro para as expedições, para as elites ou para o governo central.
Civilizar ou não o indígena tinha um segundo lugar de importância nessa empreitada.

A Questão Agrária
Do início da colonização até o século XIX a questão e a política agrária no Brasil eram definidas pelas
sesmarias. Ao mesmo tempo em que a concessão de uma sesmaria era a garantia legal de posse da
terra, apenas quem tivesse relações e contatos políticos conseguiam esse acesso.

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Outras formas como a ação de posseiros também eram comuns, porém até o ano de 1850 ela era
ilegal mediante algumas condições.
O que muda em 1850 é o advento da Lei nº 601, conhecida como Lei de Terras. A criação dessa lei
não apenas afirmava a legalidade das sesmarias como garantia o direito legal da terra a posseiros (desde
que as terras tivessem sido possuídas anteriormente à lei e fossem devidamente cultivadas).
A Lei de Terras veio para garantir o valor de um novo produto, a própria terra, uma vez que a escravidão
via seus dias contados desde a aprovação da Lei Eusébio de Queirós. A lei que proibia o tráfico de
escravos dificultou a obtenção de mão de obra para os grandes fazendeiros, que então importavam
escravos de outras regiões do país. Com a escassez de escravos, a terra passaria a ser o principal
produto e símbolo de status (da mesma forma que ter um grande número de escravos destacava as
pessoas de maiores fortunas e influência, agora a terra garantia essa imagem).
A Lei de Terras ainda tinha um segundo propósito: garantir que apenas quem tivesse capital
(normalmente quem já tinha terras) conseguisse obtê-las. As terras devolutas (aquelas “desocupadas”43)
não mais seriam entregues por doação ou ação de posseiros, o que garantia que os trabalhadores
dependessem de um emprego em fazendas.
O governo arrecadou mais impostos com demarcação e vendas e com isso conseguiu financiar, junto
de cafeicultores a vinda de mão de obra imigrante no período.

Imigração44
Vários são os motivos que explicam o movimento de imigração para o Brasil: internamente havia o
preconceito dos grandes produtores rurais que, quando obrigados a abrir mão do trabalho escravo por
motivos de lei ou econômicos, não admitiam ter que pagar para os mesmos negros trabalhar em suas
terras. Havia a desinteligência de que a partir daquele momento o escravo não seria ideal para o trabalho
rural e ainda as aspirações do governo de uma “recolonização”, principalmente da região sul ainda alvo
de disputas de fronteiras ou povoada por indígenas.
Externamente víamos na Europa um exemplo inverso ao Brasil: aqui tinham terras de sobra e poucos
trabalhadores, lá eles tinham muitos braços livres e poucas terras. A Europa do século XVIII e XIX viu um
aumento na taxa de natalidade, expulsão dos trabalhadores do campo e pequenos proprietários, além de
perseguições políticas e religiosas.
Pareceu à época uma solução natural que os imigrantes europeus arriscassem a sorte no novo
continente.
A região sudeste, principalmente o estado de São Paulo, apesar de ter tido grande influência imigrante
demorou a “engrenar”. As primeiras experiências receberam o nome de sistema de parceria. Nesse
sistema os imigrantes trabalhavam no cultivo e colheita do café, e dividiam os lucros e eventuais prejuízos
com o dono da terra. O maior exemplo desse sistema (e seu fracasso) foi o implantado pelo Senador
Campos Vergueiro. Apesar da promessa, a fazenda tinha o monopólio de tudo que os imigrantes
necessitavam adquirir (sempre com preços mais elevados), o que resultava em uma dívida viciosa com
o fazendeiro. Além disso, devido à proximidade do contato com o trabalho escravo, o tratamento com os
imigrantes era semelhante, o que chegou a fazer com que o próprio governo italiano recomendasse que
seus cidadãos não viessem para o Brasil.
Nos últimos anos do século XIX, com a situação se agravando na Itália e com a maior necessidade de
mão de obra no Brasil, governo e fazendeiros oferecem melhores condições, o que abre as portas
definitivamente para a chegada do europeu.
O sul, como falamos acima, mostrou uma colonização diferente. Composto por pequenas propriedades
familiares ou comunidades rurais, a região não atendeu os interesses do mercado externo e o governo
tinha maior preocupação em garantir a posse do Brasil na região do que garantir as exportações da época.

Tráfico Negreiro, Lutas Abolicionistas e o Fim da Escravidão45


À época da independência D. Pedro I se viu pressionado por dois lados muito importantes para manter
seu governo:
- De um lado a Inglaterra, nação industrializada que via na extinção do comércio de escravos (e na
própria instituição escravista) maior possibilidade de capital e mercado consumidor. Seu apoio político e
financeiro ao Brasil no processo de independência estava condicionado ao compromisso do país em
abolir essa prática.

43 Quando falamos em terras “desocupadas” falamos do ponto de vista do governo da época. Eram terras no qual o governo não havia recebido rendimentos.
Indígenas e posseiros sem permissão ocupavam essas terras e eram expulsos sem cerimônia ou compensação.
44 Adaptado: UNOPAREAD < http://www.unoparead.com.br/sites/museu/exposicao_sertoes2/Imigrantes-e-migracoes.pdf>
45 Adaptado de FOGUEL, I. Brasil: Colônia, Império e República. < https://bit.ly/2Iqul4S>

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- Do outro lado estavam os grandes proprietários de terra, motivo pelo qual nem D. Pedro I, nem a
regência e nem D. Pedro II conseguiram cumprir o acordo.
No curto período anterior ao aumento da produção cafeeira no país, o tráfico de escravos de fato
diminuiu em números visto que a necessidade de mão de obra era menor. A partir do momento em que
os grandes fazendeiros sentiram necessidade de mais braços em suas lavouras, mesmo com leis da
regência proibindo a importação de escravos, o volume voltou a crescer. As consequências foram a maior
pressão inglesa sobre o Brasil no aspecto político, e na prática uma perseguição real da marinha inglesa
a navios negreiros.
Sentindo a pressão britânica surtir mais efeito que a interna, finalmente em 1850 o governo brasileiro
promulga uma lei com a verdadeira intenção de cumpri-la. A Lei Eusébio de Queiroz, que a partir da data
de sua publicação proíbe o tráfico negreiro no Brasil.
Como o governo não tinha intenção nenhuma de acelerar o processo que levaria o fim da escravidão,
a Lei Eusébio de Queiroz garantia apenas o fim do tráfico de importação. O tráfico ou troca interna ainda
era permitido, o que ocasionou grande deslocamente de contingente negro escravo do nordeste para as
colheitas de café no Vale do Paraíba no sudeste.
Uma segunda consequencia foi que com o capital que agora estava “sem destino”, uma vez que a
compra de escravos se tornava mais difícil com o tempo, novas atividades econômicas começaram a
receber esse dinheiro: bancos, estradas de ferro, indústrias, companhias de navegação...
A modernização do pensamento econômico, mesmo que de certa forma forçada, também provocou
mudanças na política externa do país. Em 1844 o ministro da Fazenda Alves Branco promulga uma lei
que levaria seu nome, e que aumentava as taxas alfandegárias para os produtos importados. Era uma
das poucas vezes até então em nossa história que o governo tomava medidas que beneficiavam nossa
indústria em relação à estrangeira.

Processo Abolicionista46
Em maio de 1888, a princesa Isabel Cristina Leopoldina de Bragança conhecida posteriormente como
“A Redentora” assina o documento que finalmente colocou fim à escravidão no país.
A História normalmente nos ensina a respeito do ato generoso dessa figura, mas não podemos ignorar
que o dia 13 de maio foi apenas o cume de uma empreitada que vinha sendo construída há muito tempo.
A resistência à escravidão por parte dos negros existiu sempre que houve a escravidão. Fugas,
violência contra os senhores e formação de quilombos eram algumas das práticas comuns que existiam
desde a colônia. A partir da segunda metade do século XIX, talvez por algumas leis já existirem, elas se
tornaram mais comuns.
A sociedade também já contava com um número maior de entusiastas que estavam dispostos a lutar
pelo fim dessa prática e pressionar o governo. O império inglês junto desses fatores finalmente consegue
se colocar em posição de forma que o Brasil não podia mais ignorá-lo.
As seguintes leis são o resultado dessas pressões e mostram a evolução do processo de abolição:

Lei no 581 (Lei Eusébio de Queirós), de 4 de setembro de 1850: a partir dessa data é proibido o
tráfico de escravos para o Brasil. Trocas internas entre províncias de escravos que já estão no país ainda
são permitidas.

Lei no 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de setembro de 1871: considerava livre todos os filhos de
mulheres escravas nascidas a partir dessa data.

Lei no 3.270 (Lei dos Sexagenários ou Lei Saraiva-Cotegipe), de 28 de setembro de 1885: a Lei
concedia liberdade a escravos com mais de 60 anos de idade.

Lei no 3.353 (Lei Áurea), de 13 de maio de 1888: Art. 1o É declarada extinta desde a data desta lei a
escravidão no Brasil.”

A Questão Platina47

A questão da Cisplatina foi um conflito entre Brasil e Argentina pelo controle de parte da bacia do Prata,
especificamente na região Cisplatina (que corresponde ao atual Uruguai).
Deve-se entender que apesar de em parte da história o Uruguai pertencer ao Brasil ou ser tomado
pela Argentina, o conflito nunca envolveu apenas duas partes.
46 História do Negro no Brasil. CEAO/UFBA.
47 Adaptado de: JARDIM, W. C. A Geopolítica no Tratado da Tríplice Aliança. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História - ANPUH

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Historicamente o que hoje corresponde ao território uruguaio foi uma colônia portuguesa (Colônia de
Sacramento). Quase um século depois (1777) a colônia passa a ter domínio espanhol, que dura até a
transferência da coroa portuguesa para o Brasil que volta a anexá-lo.
Acontece que o período em que a Espanha controlou a região deixou marcas mais fortes que o período
colonial português (cultura e língua). Não se sentindo como parte do império português, a Cisplatina
(Uruguai) inicia um movimento de separação.
A Argentina que já era independente e tinha interesses expansionistas à região não demorou a comprar
o lado do Uruguai enviando além do apoio político, suprimentos.
O governo brasileiro não recuou, além de fazer frente ao Uruguai ele declarou guerra à Argentina.
Apesar de haver algum equilíbrio durante o início do conflito, o nosso governo sofreu com grande pressão
interna. O país já estava endividado com os gastos da independência e bancar um conflito em tão pouco
tempo depois causou insatisfação geral (aumento de impostos).
Em 1828, com mediação inglesa e se vendo muito pressionado, Brasil e Argentina chegam a um
acordo e ambos concordam que a região da Cisplatina se tornaria independente. Tinha início a república
do Uruguai.
Posteriormente Brasil e Argentina ainda brigaram indiretamente dentro do território uruguaio: a política
do novo país estava dividida principalmente entre dois partidos, os “colorados” e os “blancos” (federalistas
e unitários respectivamente) onde o Brasil apoiava os colorados e a Argentina os blancos.
Internamente o Uruguai sofreu com sucessivas trocas no comando por parte de generais ou de acordo
com os interesses vizinhos até o ano de 1865, contando com grande contingente brasileiro (gaúcho)
quando o general Flores assume o poder e cessam os conflitos internos.

A Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai foi um conflito envolvendo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina que durou entre
os anos de 1864 e 1870 e teve consequências que marcam o continente até hoje.
O Paraguai não era o país mais rico da América Latina até o início do conflito, mas é correto dizer que
era o mais desenvolvido socialmente e menos dependente economicamente.
Desde 1811, ano de sua independência, o país fora governado por apenas três governantes, não
encontrando a turbulência política interna que aconteceu com alguns vizinhos, como o Uruguai.
Era Francisco Solano Lopes o líder uruguaio no período do conflito e assim como seus antecessores
ele garantiu algumas medidas que tornavam o Paraguai um país único na América Latina: apesar de não
ser democrático, seu governo beneficiava as camadas populares, não havia elite agrária e as terras eram
garantidas aos trabalhadores rurais, seus principais produtos (erva-mate e madeira) eram de monopólio
do Estado, a maioria das famílias tinham garantido o direito a emprego, comida, moradia e vestuário. O
analfabetismo quase não existia, não tinha dívida externa e já havia iniciado um processo de
industrialização.

As Causas da Guerra
O Paraguai se manteve fora dos conflitos na região desde sua independência. Tinha um acordo com
o Brasil que garantia a autonomia uruguaia e um acordo com o Uruguai que garantia ajuda mútua.
Foi a partir das intervenções brasileiras no governo uruguaio (quando depôs Aguirre e assume Flores)
que o Paraguai quebra sua política de neutralidade. Considerando que o Brasil perturbava a harmonia da
região e temendo que ele mesmo fosse o próximo alvo (além do fato de Solano Lopes ser simpatizante
de Aguirre, derrotado no Uruguai com ajuda brasileira), o Paraguai direcionou vários avisos preventivos
ao Brasil. Não surtindo efeito, no final de 1864 Solano Lopes ordena o aprisionamento do navio brasileiro
Marquês de Olinda e declara guerra do Brasil, é o início da Guerra do Paraguai.

O Conflito
O início do conflito envolveu apenas os dois países, porém o próprio Paraguai acabou fomentando os
seus vizinhos a se juntarem a causa brasileira.
O Paraguai mostrou clara vantagem tomando partes do território brasileiro (MS) e posteriormente
invadindo até a Argentina (queria através dela dominar o Rio Grande do Sul). A vantagem do país se
mantém até a formação da Tríplice Aliança, unindo Brasil, Argentina e Uruguai.
A partir daí o conflito se torna desfavorável. Apesar de o Paraguai estar estruturado, os números não
podiam ser ignorados. O Paraguai contava com uma população total de 800.000 habitantes no período
contra 13.000.000 dos aliados. O Rio da Prata, única via de comunicação do Paraguai para fora do
continente foi bloqueado pelo maior número de navios aliados. Por fim, países como a Inglaterra
ofereciam apoio financeiro aos aliados enquanto o Paraguai se matinha sozinho.

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A partir de 1868, muito sob o domínio de Caxias a vantagem já havia passado para os aliados e a
Guerra se passou apenas em território paraguaio. Em março de 1870, já com o conflito vencido, Conde
D’Eu, genro de D. Pedro II, substituto de Caxias no comando das tropas aliadas persegue o restante das
forças paraguaias e executa Solano Lopes.

As Consequências da Guerra
Apesar de os países aliados ganharem territórios, seu saldo comum dessa guerra foi o aumento da
dívida externa além do número de vidas perdidas.
Para o Paraguai as perdas foram irremediavelmente mais pesadas e mostram sequelas até hoje.
Cerca de 75% de sua população morreu nesse período (90% dos homens). Ele perdeu 150.000 km²
de seu território, teve seu parque industrial destruído, sua malha ferroviária vendida a companhias
inglesas a preço de sucata, reservas de madeira e erva-mate praticamente entregue aos estrangeiros.
Por fim, todas as terras passaram para o controle de banqueiros estrangeiros que as alugavam aos
paraguaios.

A Crise do Império

A partir da década de 1870 o império brasileiro vê seus melhores dias passarem. Uma crise iniciada
com o conflito do Paraguai resultaria em quase vinte anos depois na proclamação da república.
A crise do império pode ser baseada em quatro pilares:

- Questão abolicionista e de terras: durante muito tempo a escravidão foi a base econômica das
elites que apoiavam a monarquia. Com a grande campanha abolicionista e as medidas graduais tomadas
pelo império, a antiga aristocracia escravista que ainda apoiava D. Pedro II ficou descontente com seu
governo. As novas elites, que faziam fortuna com o café e se adaptaram ao trabalho livre imigrante
europeu, ansiavam por mais autonomia política, e passaram a fazer grande campanha em favor da
república.
A sociedade, agora com crescente número de imigrantes também convivia com novas ideias (entre
elas o abolicionismo).
D. Pedro II se viu sem o apoio da classe média da sociedade, da nova aristocracia e também da antiga.

- Questão religiosa: a Constituição de 1824 declarava o Brasil um país oficialmente católico. A


Constituição fixava que a Igreja deveria ser subordinada ao Estado, razão pelo qual já haviam alguns
atritos. O problema maior se dá a partir de 1860 quando o Papa Pio IX publica a Bula Syllabus, excluindo
membros da maçonaria de irmandades católicas. Apesar de o imperador não acatar as recomendações,
os bispos de Olinda e Belém seguem as instruções do Papa. Em consequência, D. Pedro II ordena que
ambos sejam presos, o que leva a Igreja a também dar as costas a coroa.

- Questão militar: até a Guerra do Paraguai o exército brasileiro não tinha qualquer influência ou
importância para o governo. Durante as regências a criação da Guarda Nacional garantiu que a
necessidade de um exército forte quase não existisse.
A Guerra do Paraguai vem para mudar essa situação. Forçados a se modernizar e se estruturar, após
a guerra o exército não apenas exige maior participação no governo do país como passa a ter setores
contrários às ideias monarquistas.
Como a Coroa continuava intervindo em assuntos militares e punindo alguns de seus membros a ponto
de censurar a imprensa em determinados assuntos relacionados às forças armadas, o exército também
dá as costas a monarquia e com isso deixa D. Pedro II sem nenhum apoio de peso.
Sem apoio após a abolição da escravatura por parte da princesa Isabel, em novembro de 1889 com a
ação militar, sem conflitos ou participação popular, termina o império brasileiro e tem início o período
Republicano.

Questões

01. (Prefeitura de Monte Mor/SP – Agente de Transito – CONSESP) Historicamente, o primeiro


passo para o advento do Parlamentarismo no Brasil, ocorreu na época do Impéri o com:
(A) A Constituição outorgada em 1824
(B) A criação da presidência do Conselho de Ministros por D. Pedro II
(C) A abdicação de D, Pedro I
(D) A declaração da maioridade

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02. (IF/AL – Professor-História – CEFET/AL) No processo crescente que levou à abolição dos
escravos (1888), o Brasil passou a instituir uma legislação que iria culminar com a abolição. Em 1850
foi sancionada a Lei Euzébio de Queiróz (proibição do tráfico de escravos). Em contrapartida o império
instituiu a Lei das Terras, que significou:
(A) Objetivando regularizar os quilombos que existiam no Brasil, foi criada a Lei das Terras, dessa
forma, os quilombolas poderiam permanecer nas terras ocupadas.
(B) O império objetivava com a criação da LEI DAS TERRAS facilitar a aquisição de terras pelos negros
libertos e dificultar para os imigrantes.
(C) A Lei das Terras tinha o objetivo de restringir terras para os novos libertos e facilitar para os
imigrantes.
(D) Pensando em proteger os negros libertos, a Lei das Terras seria um arcabouço jurídico que
protegeria todos os brasileiros.
(E) Visando a aumentar os valores das terras, a lei foi criada dificultando, assim, a compra por parte
dos libertos, favorecendo a permanência dos libertos como trabalhadores nas fazendas já existentes.

03. (SEDUC/AM – Professor-História – FGV) A Constituição do Império do Brasil, outorgada por


D. Pedro I em 1824, inaugurou formalmente um sistema político-eleitoral que sofreu algumas
alterações ao longo do período monárquico (1822-1889).

Assinale a opção que caracteriza corretamente uma dessas alterações.


(A) 1834 – modificação da Constituição extinguiu o Poder Moderador, assegurando a independência
dos três poderes.
(B) 1840 – interpretação parcial da Reforma Constitucional de 1834, ampliando a autonomia dos
legislativos provinciais.
(C) 1847 – criação do cargo de Presidente do Conselho de Ministros, inaugurando o “parlamentarismo
às avessas”.
(D) 1855 – reforma eleitoral denominada “Lei dos Círculos”, extinguindo o voto distrital da Constituição
do Império.
(E) 1881 – nova reforma eleitoral conhecida como “Lei Saraiva”, estendendo o direito de voto aos
analfabetos.

04. O período monárquico no Brasil costuma ser dividido em três momentos distintos: Primeiro Reinado
(1822-1831); Regências (1831 1840) e Segundo Reinado (1840-1889). Sobre as principais questões que
marcaram esses momentos, assinale a alternativa incorreta.
(A) A Guerra do Paraguai marcou o Primeiro Reinado e foi a grande responsável pelo enfraquecimento
do poder de D. Pedro I, resultando na Independência do Brasil.
(B) A primeira etapa da monarquia brasileira teve dificuldades para se consolidar, o Primeiro Reinado
foi curto e marcado por tumultos e conflitos entre D. Pedro I - que era português com os brasileiros.
(C) A primeira Constituição Brasileira foi outorgada em 1824, por D. Pedro I.
(D) A segunda etapa da história do Brasil monárquico inicia-se em 1831, com a renúncia de D. Pedro
I em favor do filho Pedro de Alcântara, com apenas cinco anos de idade.
(E) O terceiro momento da monarquia no Brasil inicia-se com o reinado de Dom Pedro II, período
marcado pela centralização do poder de um lado e pelas disputas político-partidárias entre liberais e
conservadores, de outro.

05. (UEL/PR) “[...] explodiu na província do Grão-Pará o movimento armado mais popular do Brasil
[...]. Foi uma das rebeliões brasileiras em que as camadas inferiores ocuparam o poder.”

Ao texto podem-se associar:


(A) a Regência e a Cabanagem.
(B) o Primeiro Reinado e a Praieira.
(C) o Segundo Reinado e a Farroupilha.
(D) o Período Joanino e a Sabinada.
(E) a abdicação e a Noite das Garrafadas.

06. (FATEC) Em 4 de setembro de 1850, foi sancionada no Brasil a Lei Eusébio de Queirós (ministro
da Justiça), que abolia o tráfico negreiro em nosso país. Em decorrência dessa lei, o governo imperial
brasileiro aprovou outra, "a Lei de Terras".

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Dentre as alternativas a seguir, assinale a correta.
(A) A Lei de Terras facilitava a ocupação de propriedades pelos imigrantes que passaram a chegar ao
Brasil.
(B) A Lei de Terras dificultou a posse das terras pelos imigrantes, mas facilitou aos negros libertos o
acesso a elas.
(C) O governo imperial, temendo o controle das terras pelo coronéis, inspirou-se no "Act Homesteade"
americano, para realizar uma distribuição de terras aos camponeses mais pobres.
(D) A Lei de Terras visava a aumentar o valor das terras e obrigar os imigrantes a vender sua força de
trabalho para os cafeicultores.
(E) O objetivo do governo imperial, com esta lei, era proteger e regularizar a situação das dezenas de
quilombos que existiam no Brasil.

Gabarito

01.B / 02.E / 03.C / 04.A / 05.A / 06.D

Comentários

01. Resposta: B
Como falamos, a primeira experiência com o parlamentarismo ocorreu da criação e prática do que
ficou conhecido como “Parlamentarismo às Avessas”, em que D. Pedro II criou um quarto poder, o
“moderador” onde a ele (o próprio D, Pedro II) caberia autoridade sobre todos os outros e a livre opção
de colocar ou retirar qualquer pessoa do cargo de Primeiro Ministro.

02. Resposta: E
Além da questão econômica (agora a terra não seria apenas um símbolo de status social, mas de
poder), a medida garantia que o preço elevado das terras mantivesse apenas quem tinha maior poder
aquisitivo com sua posse. Como quem detinha o poder financeiros eram comumente os próprios
proprietários de terras, acabou-se criando um ciclo onde aqueles que trabalhavam nela, teriam que
continuar trabalhando pela dificuldade em obtê-la.

03. Resposta: C
Dentre todas as mudanças que a Constituição sofreu, como o senado vitalício, a criação do cargo de
Presidente do Conselho de Ministros foi a mais drástica, uma vez que em nenhuma outra experiência
parlamentarista havia um quarto poder acima dos outros. A alternativa “E” poderia causar alguma
confusão, mas note que ela não faz nenhuma referência a uma renda mínima, critério presente na
Constituição.

04. Resposta: A
A Guerra do Paraguai ocorre somente durante o segundo reinado, quando D. Pedro II estava no trono.
A abdicação de D. Pedro I ocorre somente em 1831, ou seja, quase dez anos após a Proclamação da
Independência.

05. Resposta: A
O período Regencial foi marcado por inúmeras revoltas, na maioria descontentes com o governo
imperial, mas também com os grandes proprietários rurais. Assim como a Cabanagem, a Farroupilha
também ocorreu no mesmo período, porém no Rio Grande do Sul.

06. Resposta: D
Com o fim do tráfico negreiro, era necessário encontrar uma nova mão-de-obra que pudesse substituir
a força de trabalho deixada pelo escravo. A regularização nas vendas, juntamente com aumento de
preços foi a solução encontrada para evitar a concorrência de imigrantes, que deveriam se submeter ao
trabalho assalariado para sobreviver, já que muitos não conseguiriam adquirir uma propriedade no
momento em que chegassem ao Brasil.

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m. O Pensamento e a Ideologia no Século XIX: O Idealismo Romântico; o
Socialismo Utópico e o Socialismo Científico; o Cartismo; a Doutrina Social da
Igreja; o Liberalismo e o Anarquismo; o Evolucionismo e o Positivismo.

(Neste bloco, o assunto “cartismo” não será tratado, ele foi abordado quando falamos sobre a
Revolução Industrial).

O Romantismo e o Idealismo alemão

O Romantismo e o Idealismo alemão foram movimentos do final do século XVIII e início do século XIX.
O Romantismo
O Romantismo é um movimento filosófico, cultural e artístico. Enfatizava o “eu”, a criatividade, a
imaginação e o valor da Arte. O movimento se opõe ao Racionalismo e ao Empirismo da era anterior – a
Era da Razão – representando a mudança do objetivo para o subjetivo. O universo empírico deixava
pouco espaço para a liberdade e a criatividade do espírito humano. A ênfase romântica na Arte e na
imaginação é uma reação direta e crítica ao Empirismo.
O Romantismo enfatizava fortes emoções como fonte da experiência estética. Era representado de
forma mais poderosa por meio das Artes visuais, da Música e da Literatura, mas possuía também um
ramo filosófico.
A Filosofia Romântica é fundamentada na ideia de que o universo é uma entidade única, unida e
interconectada, repleta de valores, de tendências e de vida, e não meramente de matéria objetiva e
inorgânica. No Romantismo predominam as emoções: os sentimentos estão acima da razão. A visão do
Romantismo é que a razão falsifica a realidade ao quebrá-la em entidades desconectadas e inorgânicas,
e que a melhor maneira de perceber a realidade é por meio de sentimentos subjetivos e pela intuição.
Dessa forma, participa-se do assunto de nosso conhecimento em vez de o enxergar como algo externo.
A Natureza é uma experiência – não algo a ser manipulado e estudado. Por meio da experiência, o
indivíduo se torna mais consciente de seus sentimentos e é isso que o faz criar valores morais.
As raízes da Filosofia Romântica se encontram nas obras de Jean-Jacques Rousseau e de Immanuel
Kant. Rousseau, que escreveu sobre o “bom selvagem” – o indivíduo que não se corrompeu pela
artificialidade e pela sociedade –, acreditava que a civilização preenche o Homem com vontades não
naturais e o afasta de sua verdadeira natureza e de sua liberdade inata. Kant acreditava que os seres
humanos não enxergam o mundo de forma direta, e sim, por meio de uma série de categorias. Isto é, o
homem não enxerga as coisas “por si só”; em vez disso, compreende o mundo apenas por meio de seu
ponto de vista humano.
As origens do Romantismo se encontram na Alemanha. Alguns dos filósofos e escritores associados
ao movimento Romântico foram Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), Friedrich Wilhelm Joseph
von Schelling (1775-1854) e George Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), na Alemanha; Samuel Taylor
Coleridge (1772-1834) e William Wordsworth (1770-1850), na Grã-Bretanha.

Idealismo Alemão
O Idealismo é a doutrina de que ideias e pensamentos constituem a realidade fundamental.
Essencialmente, é qualquer corrente filosófica que defenda a ideia de que a única coisa verdadeiramente
concebível é a consciência (ou o conteúdo da consciência) e que não se pode ter certeza a respeito da
existência de qualquer coisa do mundo externo. Portanto, as únicas coisas reais são entidades mentais,
não físicas, pois estas existem apenas à medida que são percebidas.
A teoria de Kant sustentava a ideia de que não enxergamos as coisas por si só: apenas
compreendemos o mundo por meio de nosso ponto de vista humano. Os Idealistas alemães que deram
continuidade à filosofia de Kant – adaptando e ampliando sua obra por meio de suas interpretações sobre
o Idealismo – podem ser considerados Românticos. Os mais importantes desses filósofos foram Johann
Gottlieb Fichte, Friedrich Schelling, Georg Wilhelm Friedrich Hegel e Arthur Schopenhauer.

Fichte
Johann Gottlieb Fichte (1762 - 1814) foi um filósofo alemão e um dos fundadores do Idealismo alemão.
Fichte acreditava que a ideia de Kant de que “a coisa em si é inconcebível” deveria ser descartada.
Ele argumentava que o Ego puro, percebido por meio de intuição intelectual, deveria ser o ponto de partida
da Filosofia.

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Fichte propôs uma ideia radical: a de que a consciência não está fundamentada no tal chamado
“mundo real”. Ele deu origem ao argumento de que a consciência não está fundamenta em nada fora de
si mesma. Essa noção se tornou, posteriormente, a característica marcante do Idealismo alemão.
De acordo com Fichte, a consciência é o Princípio criador de toda a realidade. O mundo de fenômenos
é gerado pela autoconsciência, pela atividade do ego e pela consciência moral. Segundo o filósofo, a
realidade “externa” era produto do espírito humano. Fichte chegou a chamar as coisas da realidade – o
que é exterior ao homem – de o não-Eu criado pelo Eu.
Fichte também escreveu obras de filosofia política. Ele é considerado um dos pais do nacionalismo
alemão. Ele é famoso por ter introduzido o conceito de nação-estado.

Schelling
Friedrich Wihelm Joseph Schelling (1775-1854) foi um filósofo alemão e uma das principais figuras do
Idealismo alemão e dos movimentos Românticos do final do século XVIII e início do século XIX.
Ele é considerado a ponte entre o Idealismo de Kant e Fichte e a obra de Hegel. Schelling e Hegel
foram colegas de quarto na faculdade.
Schelling concordava com a ideia de Kant de que a consciência é a única coisa sobre a qual temos
conhecimento direto. Segundo Schelling, apenas o homem, por meio do pensamento, tem consciência
de si mesmo. O mundo exterior é considerado um adjunto ao que é real: a mente.
Para Schelling, ambos o subjetivo e o objetivo estão unidos dentro do Absoluto (Deus), o que expressa
sua união fundamental. Por ser a máxima realidade, o Absoluto não pode ser concebido por meio do
intelecto ou do espírito, mas apenas por meio da Arte, pois é apenas na Arte que o natural e o
transcendental podem ser conciliados e o inconsciente pode se representar. Para Schelling, é pela Arte
que a mente se torna plenamente consciente de si mesma.
Schelling defendia uma filosofia que dava mais ênfase à intuição do que à razão e que valorizava,
acima de tudo, a estética e a imaginação criativa. A filosofia de Schelling constituiu uma forma singular
de Idealismo, denominada Idealismo Estético. O filósofo acreditava que na Arte, o contraste entre a
subjetividade e a objetividade é sublimado e que todas as contradições – entre o conhecimento e a ação,
entre atos conscientes e os subconscientes, entre a liberdade e a necessidade – são harmonizados.

SOCIALISMO UTÓPICO E SOCIALISMO CIENTÍFICO

O Socialismo, bem como sua vertente mais bem acabada, o comunismo, é a mais importante proposta
teórica revolucionária dos tempos modernos. Suas origens remontam ao início do século XIX, quando do
esforço burguês para apaziguar as agitações operárias, alguns membros reformadores da classe
formularam críticas severas a nova sociedade industrial e aos sistemas socioeconômicos capitalistas.
Segundo eles, a produção e a distribuição de renda e de produtos deveriam ser planejadas, e as relações
de trabalho tinham que ser modificadas a fim de tornarem-se mais justas. O Socialismo, então, surge
dessas formulações e ramifica-se em duas correntes: Socialismo Utópico e Socialismo Científico.
Em geral, desde o momento em que surge a propriedade privada dos meios de produção, e com ela
os antagonismos de classe, levantaram-se vozes e surgiram movimentos-isolados sempre-contra as
injustiças, os abusos da opulência, as esperanças de um futuro melhor. O elemento comum em todos
esses movimentos, é que nenhum tinha por ideal a implantação da propriedade comunal, coletiva para
toda a sociedade, mas apenas para um setor de classe ou para os adeptos, os “eleitos” de uma seita
religiosa qualquer. Nada disso, ao nosso ver, pode ser confundido com Socialismo.
A primeira vez em que é colocada a questão da propriedade coletiva, igualitária em termos de uma
sociedade inteira, (e não apenas facções dela), surgiu no século XIX, de maneira um tanto romântica,
como descrição de sociedades imaginárias.
Aí estaria a pré-história do Socialismo. Este divide-se em três momentos: o socialismo
reacionário(feudal, pequeno-burguês),o socialismo utópico e o socialismo científico. A esses dois últimos,
entretanto, será dedicado este trabalho, que tem por pretensão apresentar a diversidade e a riqueza de
que o pensamento socialista é portador, enfocando também as distinções entre ambos, bem como os
principais pensadores que os representam.

O Socialismo Utópico e o Socialismo Científico


A ideologia Socialista Moderna é essencialmente fruto dos ideais que impulsionaram a Revolução
Francesa e do advento da industrialização com a Revolução Industrial Inglesa. Esses dois grandes
eventos históricos trouxeram um estado de conflito entre duas classes sociais antagônicas: a burguesia
conquistadora(exploradores) e o proletariado em formação(explorados). Assim, os socialistas têm se
empenhado, desde então, a eliminar ou pelo menos atenuar tal conflito.

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Entre o final do século XVIII e início do século XIX, reformadores da época evidenciavam e até
exaltavam as injustiças sociais, porém, não tratavam das possíveis soluções para o problema em questão.
Em meio a presença das desigualdades sociais e a ausência de soluções para tal problemática, os
homens começaram a fabricar em seu cérebro sistemas sociais melhores do que aquele que gerava as
injustiças. Surge, então, o Socialismo Utópico, uma concepção de espírito determinada pela existência
das desigualdades entre as classes, defendendo a ideia de que o elixir para os males sociais tinha que
ser buscado no cérebro dos homens e não da evolução da sociedade.
A utopia dessa vertente do pensamento socialista está justamente no fato dele consistir menos no
conteúdo do seu sistema do que no fato de não ter em nenhuma conta o grau de maturidade do período
histórico considerado, vendo portanto, as transformações sociais como fruto do estado de espírito de
justiça dos homens. Em suma, os utópicos não se baseavam num método de análise da realidade (ao
contrário de Marx com o Socialismo Científico), sendo suas ideias fruto do idealismo pequeno-burguês.
Saint-Simon é um dos principais representantes do Socialismo Utópico. Para ele, a sociedade estava
repousada na indústria e esta, juntamente da tecnologia, poriam fim a miséria. Sua doutrina era baseada
na filosofia do trabalho, alegando quem sem este, nada existiria.
Condenava, então, a ociosidade, para ele muito bem representada pelo poderio clerical-feudal,
defendendo a ideia de que o governo deveria estar sob o comando dos “produtores” (tanto os empresários
quanto os operários).
No período de 1818 à 1820, Saint-Simon passa a refletir sobre a parte mais numerosa da nação
trabalhadora (a parte oprimida e dominada), em busca de uma solução para melhorar as condições de
vida dessas pessoas. Essa sua reflexão exerceu uma forte dose de influência para alguns de seus
discípulos, a exemplo de Marx, principalmente com a abordagem que fez sobre a luta de classes:” A
espécie humana esteve até o presente dividida entre duas frações desiguais, sendo que a menor delas
constantemente empregou todas as suas forças, e muitas vezes até uma parte das forças da maior para
dominar esta última.”
Hegel é outro grande exemplo a ser destacado quando falamos em Socialismo Utópico. Ele propõe
uma articulação entre um sistema de pensamento que demonstre a unidade de todas as coisas como um
“espírito absoluto” através da dialética, que consiste no movimento de suprassunção das oposições entre
pensamento e realidade, unificando o absoluto no espírito, o que ele denomina de História. Trataria-se de
uma dinâmica que, a partir da contradição dos opostos, surgiria uma síntese contendo a unidade do que
era divido anteriormente. O tempo, por exemplo, corresponderia a dinâmica desse processo dialético,
posto que quando ele é, imediatamente já não é mais.
Diferentemente da maneira metafísica de pensar, a dialética trata os fatos levando em conta suas
diversas desencadeações, o dinamismo de cada um, bem como seu processo de desenvolvimento,
comprovando então que os acontecimentos se dão em meio aos caminhos traçados pela dialética e não
pelas trilhas metafísicas, as quais tratam os fatos com monotonia, como se fossem imutáveis.
Hegel era profundamente idealista. Suas ideias eram projeções realizadas no âmbito da “Ideia”, em
vez de serem um reflexo dos objetos ou fenômenos da realidade.
O idealismo também marcou presença forte nos pensamentos de Charles Fourier, o qual idealizou
uma sociedade perfeita embasada da divisão do trabalho em conformidade com a natureza humana,
considerando as paixões próprias dos diversos indivíduos. Seu grande princípio estava na necessidade
de se satisfazer as paixões humanas, as quais não devem ser contrariadas, uma vez que afloradas,
transformariam a sociedade.
Fourier defendia a ideia de que o livre dinamismo da indústria conduziria, automaticamente, a uma
ordem social mais coerente, porém, fez duras críticas a ambição mercantil e a concorrência desenfreada,
atribuindo ao comércio as causas do “mal social”. Outra característica importante a ser lembrada, é que
sua utopia social encontra respaldo nas ideias de Deus, uma vez que acredita que o homem e as coisas
da natureza estão em concordância divina e tudo é verdadeiro e bom, chegando a reconhecer a
exuberância total da vida – momento este que é considerado o clímax de sua utopia –. Fourier trata mais
da obrigação de ser feliz do que da necessidade de agir, organizar e dominar a produção, exaltando o
dinheiro como uma “mania saudável” e uma “alegre paixão”, deixando claro seu amor pelas riquezas e
pelo prazer.
Owen é outro grande exemplo, que não pode ser esquecido dentro do pensamento socialista utópico.
Sua contribuição nasce da própria experiência, uma vez que instala em New Lanark(Escócia), uma
comunidade inspirada nos ideais utópicos, na qual foi montada uma fiação onde foi promovida a
organização de serviços comunitários de educação, saúde e assistência social, fornecendo, portanto,
condições de vida mais dignas a seus operários. A comunidade passa a se autogerir e todos os
integrantes são pertencentes a mesma classe.

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De 1824 à 1829, Owen tentou realizar na América uma colônia comunitária chamada “New Harmony”,
a qual fracassou, consumindo grande parte de seus bens. Ele retornou para a Inglaterra, tornando-se o
guia do movimento operário, aderindo a ação cooperativa, já que acreditava que a felicidade social seria
encontrada nas cooperativas (“comunismo oweniano”).
Profundamente influenciado pelas ideias ilustradas do Iluminismo, Robert Owen defende a “Revolução
pela Razão”, uma vez que para ele, a miséria e os males da humanidade eram frutos de um conhecimento
inadequado. A intelectualidade, portanto, seria a solução para o mal que atinge os homens. Extremamente
racionalista e determinista, o fundamental em sua perspectiva era agir sobre as circunstâncias,
defendendo a ideia de que são essas que explicam tudo da vida de cada homem.
Apesar do fracasso de suas ideias (a exemplo de “New Harmony”), Owen foi o grande responsável por
todos os movimentos sociais e progressos de fato ocorridos no âmbito da classe trabalhadora da
Inglaterra.
As tentativas de revolucionar as relações de produção por parte dos socialistas utópicos não
progrediam. Elas pressupunham a existência de um modelo socialista numa sociedade em que
imperavam as normas capitalistas burguesas. Desta forma, logo ia tornando-se claro que as relações de
produção socialistas só teriam efeito numa sociedade regida por normas socialistas.
Para que isso ocorresse, era necessário que as relações capitalistas fossem destruídas e tal iniciativa,
claro, não seria tomada pelo capitalista, mas sim, pela classe oprimida, o proletariado, ocorrendo, então,
uma verdadeira revolução social. A partir daí, surge, no século XIX, uma teoria que pressupunha a ação
efetiva da classe trabalhadora. Trata-se da outra vertente do pensamento socialista, denominada
Socialismo Científico, o qual analisaremos mais profundamente a seguir.
O Socialismo Científico nasce a partir do momento em que a doutrina socialista torna-se uma Ciência.
É a “expressão teórica do movimento proletário” (Engels,”Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”
),e rompe com o Socialismo Utópico por apresentar uma análise crítica da realidade econômica, da
evolução histórica, das sociedades e do capitalismo. Karl Marx e Friedrich Engels chegam a enaltecer os
utópicos por seu pioneirismo, além de por estes terem sido influenciados, uma vez que emprestaram do
utopismo a ideia de que o homem pode ser transformado e modificado profundamente por meio de
circunstâncias históricas novas, além dos conceitos importantes sobre o proletariado, etc. Porém, os
socialistas científicos defendem uma ação mais prática e direta contra o capitalismo através da
organização da revolucionária classe proletária. Eles observam os fatos buscando a descoberta das leis
que os regem, considerando os antagonismo sociais e a necessidade de dar a classe oprimida a
consciência de seu papel histórico. Á medida em que os fatos são observados, conclui-se que a História
transforma-se continuamente, e que essas transformações são causadas pelo desenvolvimento da
técnica, dos instrumentos de produção e a medida que esses se desenvolvem, são criadas as condições
de uma transformação econômica.
Numa economia socialista, os instrumentos de produção são propriedade coletiva, pertencendo a toda
coletividade, A produção é ajustada de acordo com as necessidades. Assim sendo, o Socialismo
Científico vê como solução para os problemas trazidos pelo capitalismo a substituição da organização
embasada na minoria privilegiada(financeiros) por uma organização fundada sobre os interesses da
coletividade.
Marx fundamentou seu estudo da sociedade capitalista numa abordagem histórica, chamada de
Materialismo Histórico. Por meio deste, ele procurou simplificar as complexas relações de causa e efeito
que relacionavam as diversas faces dos sistemas sociais, seja em nível das ideias, das leis, das crenças
religiosas, dos códigos morais, etc. Segundo ele, essa simplificação permitiria seu enfoque sobre as
relações verdadeiramente fundamentais que determinam a direção geral em que move os sistemas
sociais.
Segundo Marx, a base material é formada por forças produtivas (que são as ferramentas, as máquinas,
as técnicas, tudo aquilo que torna viável a produção) e por relações de produção (relações entre os que
são proprietários dos meios de produção e aqueles que possuem apenas a força de trabalho). Ao se
desenvolverem, as forças produtivas trazem conflitos entre os proprietários dos meios de produção e os
não-proprietários destes. A evolução de um modo de produção para outro, para os socialistas científicos,
ocorre a partir do desenvolvimento das forças produtivas e da luta entre as classes sociais que
predominam em cada período histórico. No prefácio do livro “Contribuição a Crítica da Economia Política”,
Marx identifica na História, de maneira geral, quatro estágios de desenvolvimento dos modos de
produção: o Asiático (comunismo primitivo), o Escravista (da Grécia e de Roma), o Feudal e o Burguês,
sendo este o último baseado nas diferenças de classes, uma vez que segundo Marx, tais diferenças
seriam substituídas pelo Comunismo, sem classes, sem Estado e sem desigualdades sociais. Este era o
grande objetivo do Socialismo Científico. Este defende a ideia de que classe burguesa, surgida a partir

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da dissolução do modo de produção feudal, detém o poder econômico e consequentemente, utiliza o
Estado como meio de manutenção desse poder.
Como os proletários não detêm os meios de produção, eles são obrigados a vender sua força de
trabalho aos capitalistas, tendo como função reproduzir capital e gerar lucros a esses. A exploração do
proletariado objetivava a aprimoração do trabalho não pago, surgindo então o conceito de “mais-valia”,
que se dá quando o que os trabalhadores produzem pode ser vendido por mais do que eles recebem
como salário.
O Materialismo Dialético é outro método utilizado por Marx em sua análise da realidade social.Com
este método, ele busca definir a História e as estruturas sociais como resultados de “contradições
internas”, uma vez que todo e qualquer sistema econômico “traria em si os germes de sua própria
destruição”. Ele destaca como exemplo o próprio capitalismo, que implica na existência de duas classes
sociais antagônicas (burguesia e proletariado), sendo que deste conflito resulta o Socialismo. Deste
modo, Marx considera a luta de classes o “motor” da História.
O pensador alemão foi também o criador da uma “Ciência Política”, posto que teorizou as relações
entre Poder e classes sociais. Ele procura apreender e explicar o modo de produção capitalista em sua
“economia política”. Para Marx e Engels, o capitalismo seria vítima da contradição que existe entre
propriedade privada e produção coletiva.
O resultado disso seria a exploração do trabalho (de onde vem o lucro), a concentração de renda nas
mãos dos capitalistas e a crescente pauperização da classe operária. Tudo isso levaria a eliminação das
classes médias e á fortificação da luta de classes, cujo clímax seria a Revolução Socialista que levaria o
proletariado ao poder.
Marx revolucionou a maneira de se interpretar a ação dos homens na História, abrindo ao
conhecimento uma nova ciência e aos homens uma nova visão filosófica de mundo…” Os pensadores
antigos se limitaram a pensar a História, agora é tempo de transformá-la.” (Karl Marx).

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

A expressão “doutrina social da Igreja” designa o conjunto de orientações da Igreja Católica para os
temas sociais. Ela reúne os pronunciamentos do magistério católico sobre tudo que implica a presença
do homem na sociedade e no contexto internacional. Trata-se de uma reflexão feita à luz da fé e da
tradição eclesial.
A função da doutrina social é o anúncio de uma visão global do homem e da humanidade e a denúncia
do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade.
Sendo assim, não é uma ideologia, nem se confunde com as várias doutrinas políticas construídas
pelo homem. Ela poderá encontrar pontos de concordância com as diversas ideologias e doutrinas
políticas quando estas buscam a verdade e a construção do bem comum, mas irá denunciá-las sempre
que se afastarem destes ideais.
A doutrina social da Igreja “situa-se no cruzamento da vida e da consciência cristã com as situações
do mundo e exprime-se nos esforços que indivíduos, famílias, agentes culturais e sociais, políticos e
homens de Estado realizam para lhe dar forma e aplicação na história” (João Paulo II, Carta encicl.
Centesimus annus, 59).
Ela busca o desenvolvimento humano integral, que é “o desenvolvimento do homem todo e de todos
os homens” (Paulo VI, Carta encicl. Populorum Progressio, 42; Bento XVI, Carta encicl. Caritas in veritate,
8).
Ao anunciar o Evangelho à sociedade em seu ordenamento político, econômico, jurídico e cultural, a
Igreja quer atualizar no curso da história a mensagem de Jesus Cristo. Ela busca colaborar na construção
do bem comum, iluminando as relações sociais com a luz do Evangelho.
A expressão “doutrina social” remonta a Pio XI (Carta encicl. Quadragesimo anno, 1931). Designa o
corpus doutrinal referente à sociedade desenvolvido na Igreja a partir da encíclica Rerum novarum (1891),
de Leão XIII. Em 2004, foi publicado o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, organizado pelo Pontifício
Conselho Justiça e Paz, que apresenta de forma sistemática o conteúdo da doutrina social da Igreja
produzido até aquela ocasião. A partir daí,este se tornou o documento de referência obrigatório para
quem deseja aprofundar-se neste campo.
Considerado o primeiro grande documento da doutrina social da Igreja, a Rerum novarum aborda a
questão operária no fim do século XIX. Leão XIII denuncia a penosa situação dos trabalhadores das
fábricas, afligidos pela miséria, num contexto profundamente transformado pela revolução industrial.
Depois da Rerum novarum, apareceram diversas encíclicas e mensagens referentes aos problemas
sociais.

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Com sua doutrina social, a Igreja não quer impor-se à sociedade, mas sim fornecer critérios de
discernimento para a orientação e formação das consciências. Nesta perspectiva, a doutrina social
cumpre uma função de anúncio de uma visão global do homem e da humanidade, e também de denúncia
do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade (Compêndio da Doutrina
Social da Igreja – CDSI –, 81). Não entra em aspectos técnicos nem se apresenta como uma terceira via
para substituir sistemas políticos ou econômicos.
Seu propósito é religioso, sendo matéria do campo da teologia moral. Sua finalidade é interpretar as
realidades da existência do homem, examinando a sua conformidade com as linhas do ensinamento do
Evangelho. É uma doutrina dirigida em especial a cada cristão que assume responsabilidades sociais,
para que atue com justiça e caridade. Ou seja, visa a orientar o comportamento cristão.
Por isso, a doutrina social implica “responsabilidades referentes à construção, à organização e ao
funcionamento da sociedade: obrigações políticas, econômicas, administrativas, vale dizer, de natureza
secular, que pertencem aos fiéis leigos, não aos sacerdotes e aos religiosos” (CDSI, 83).
O Liberalismo é a doutrina que prega a defesa da liberdade política e econômica. As ideias do
liberalismo pautam-se na defesa do Estado Mínimo, ou seja, um Estado que exerça apenas a menor
parcela possível de controle sobre a economia e sobre a vida de seus cidadãos. O Estado entraria como
mantenedor da liberdade, criando leis que permitissem às pessoas viverem suas vidas da maneira como
quisessem, desde que isso não provocasse lesões ou danos a outras pessoas. As pessoas são livres
para fazer o que quiserem, o que traz a ideia de livre mercado, criado através da concorrência.
O liberalismo surgiu da concepção de um grupo de pensadores imersos na realidade da Europa dos
séculos XVII e XVIII. Durante esse período, o absolutismo ainda era presente na grande parte dos
governos europeus, e estava baseado na ideia de que o rei, como legítimo representante de Deus na
terra, teria natural primazia sobre todos os assuntos que envolvessem a nação.
Os ideais do Iluminismo vão gradualmente implodir tal sistema de excessiva intervenção do estado,
auxiliadas pelo espírito empreendedor e autônomo da burguesia, abrindo espaço para outras
possibilidades na relação entre os homens e o mundo. O burguês, que se lançava ao mundo para o
comércio e usava a somente a própria iniciativa para alcançar seus objetivos, destoava de todo um
período anterior onde os homens colocavam-se subservientes ao pensamento religioso.
Então, como uma reação natural à ordem anterior de coisas, vários pensadores se mobilizam no
esforço de dar sentido àquele mundo que se transformava. Surge um ponto fundamental do pensamento
liberal quando é concebida a ideia de que o homem tinha toda sua individualidade formada antes de
perceber sua existência em sociedade. Para o liberalismo, o indivíduo estabelecia uma relação entre seus
valores próprios e a sociedade.
De acordo com o pensador John Locke, que foi um dos fundadores do pensamento liberal, a falta de
recursos poderia levar à disputa entre os seres humanos pela sobrevivência. A sobrevivência, sendo uma
questão primordial na relação do homem e o mundo exterior, seria possível na medida em que o trabalho
proporcionasse o seu sustento. Assim, no momento em que o homem adquirisse algo por meio do
trabalho, as riquezas trazidas alcançadas pelo seu esforço seriam de sua propriedade.
Estendendo essas concepções para o campo econômico, o pensamento liberal, principalmente em
Adam Smith, pregou uma ideia de que a conservação das liberdades é primordial para o bom
funcionamento da economia. Assim, a livre concorrência de mercado, a quebra dos monopólios e o fim
das áreas de exploração colonial seriam pontos importantes para o desenvolvimento saudável da
economia.
Focado em tais princípios, o liberalismo se desenvolveu de modo a responder e dar continuidade às
configurações do sistema capitalista.

LIBERALISMO
Crítica ao Liberalismo
Partindo para a interpretação socialista, temos um outro tipo de compreensão que nega os argumentos
liberais que tentavam naturalizar as desigualdades. O pensamento socialista, inspirado por pressupostos
lançados pelo Rousseau, tenta enxergar esses problemas como consequência das relações sociais
estabelecidas entre os homens. Seguindo tal linha, os socialistas passariam a realizar uma crítica ao
comportamento assumido pelos homens em sociedade que estabelecia tais diferenciações.
Dessa forma, os argumentos que justificavam as desigualdades por meio do fracasso pessoal perdem
terreno para o questionamento profundo de toda a lógica que formava a sociedade capitalista. Antes de
apontar o progresso do capital como um benefício, os socialistas realizam uma investigação que vai
detectar na oposição entre as classes sociais a força que opera grande parte dessas relações e problemas
da sociedade.

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O socialismo, em suas origens intelectuais, não era uma teoria política e sim uma teoria econômica.
Mais precisamente, uma teoria que procurava reorganizar a sociedade industrial. Os primeiros ideólogos
socialistas — os que Engels chamou de “socialistas utópicos” — simplesmente não cogitavam de
instituições políticas.
O socialismo só se politizou com Marx, que fundiu a crítica do liberalismo econômico com a tradição
revolucionária e igualitária do comunismo.
Marx nunca valorizou os direitos civis (de expressão, profissão, associação, etc.). Ao contrário, chegou
mesmo a condená-los, vendo neles mero instrumento de exploração de classe. O socialismo marxista, e
muito especialmente o praticado pelos regimes comunistas, sempre refletiu esse menosprezo pelos
direitos civis.
Em Lenin, a indiferença de Marx para com a liberdade civil torna-se verdadeira hostilidade aos direitos
civis e políticos. Hoje, ninguém mais duvida de que nos regimes comunistas, ninguém consegue, ou tenta,
tornar compatíveis socialismo e democracia.

ANARQUISMO

A palavra Anarquia possui origem na língua grega. Anarquia vem do grego anarkos (an=não,
arkos=poder) ou acracia (a=sem, cracia=governo), sem governo, sem autoridade, sem hierarquias, logo
sem estado, negando qualquer princípio de autoridade.
Ao contrário do significado popularmente atribuído, o termo não consiste em um sinônimo de desordem
ou baderna. Na verdade, resume a oposição política a qualquer forma de poder que limite as liberdades
individuais.
Os indivíduos na sociedade anarquista devem adotar formas de cooperação voluntária e autodisciplina,
capazes de estabelecer um equilíbrio ideal entre a ordem social e as liberdades do indivíduo.
Essa oposição do anarquismo às instituições se inspira na ideia de que o homem precisa ser
completamente livre para o alcance da liberdade. Em outras palavras, o anarquismo defende que a
liberdade humana parte dos próprios homens e não de suas instituições. A responsabilidade do indivíduo
deveria tomar o lugar das regras dos líderes e governos. Inspirando diversos trabalhadores pelo mundo,
a ideologia anarquista atuou fortemente nos sindicatos e mobilizações trabalhistas, entre o fim do século
XIX e o início do século XX.
O anarquismo foi um movimento contemporâneo às teorias socialistas desenvolvidas por Karl Marx e
Friedrich Engels. Um dos primeiros a lançar as primeiras ideias anarquistas foi William Godwin (1756 –
1836), que propôs uma radical transformação nas bases organizacionais da sociedade. Ele acreditava na
criação de uma organização comunitária fundada na abolição da propriedade privada e o repúdio a
qualquer tipo de lei ou governo. A razão seria o guia maior dessa nova sociedade e a total liberdade ética
e política deveriam ser garantidas.
Pierre-Joseph Proudhon (1809 – 1865) foi outro importante pensador anarquista. Em sua principal obra
“O que é propriedade?”, propôs críticas contundentes ao sistema capitalista. Inspirado por alguns
pressupostos do socialismo utópico, ele defendia a criação de um regime político que seria guiado por
uma “república de pequenos proprietários”. Bancos e cooperativas deveriam ser criadas para fornecer,
sem juros, recursos a toda e qualquer atividade produtiva realizável em pequenas propriedades.
Mikhail Bakunin (1814 – 1876) foi um dos maiores seguidores das teses de Proudhon. Discordante das
teorias marxistas, Bakunin não aceitava a ideia de que o alcance de uma sociedade comunista passava
pela manutenção de um Estado transitório. Para Bakunin, a abolição do Estado deveria ser imediata. Por
isso, ele defendeu o uso da violência para que os governos fossem rapidamente extinguidos. Nem mesmo
os partidos políticos eram vistos como vias de representação da liberdade de pensamento humano.

EVOLUCIONISMO

Evolucionismo é uma teoria elaborada e desenvolvida por diversos cientistas para explicar as
alterações sofridas pelas diversas espécies de seres vivos ao longo do tempo, em sua relação com o
meio ambiente onde elas habitam. O principal cientista ligado ao evolucionismo foi o inglês Charles Robert
Darwin (1809-1882), que publicou, em 1859, a obra Sobre a origem das espécies por meio da seleção
natural ou a conservação das raças favorecidas na luta pela vida, ou como é mais comumente conhecida,
A Origem das Espécies.
Darwin elaborou sua principal obra a partir de uma pesquisa realizada em várias partes do mundo,
após uma viagem de circum-navegação ocorrida entre 1831 e 1836, coordenada pelo Almirantado
britânico. Nessa viagem, o cientista inglês pôde perceber como diversas espécies aparentadas possuíam
características distintas, dependendo do local em que eram encontradas.

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Darwin pôde perceber ainda que entre espécies extintas e espécies presentes no meio ambiente havia
características comuns. Isso o levou a afirmar que havia um caráter mutável entre as espécies, e não
uma característica imutável como antes era comum entender. As espécies não existem da mesma forma
ao longo do tempo, elas evoluem. Durante a evolução, elas transmitem geneticamente essas mudanças
às gerações posteriores.
Entretanto, para Darwin, evoluir é mudar biologicamente (e não necessariamente se tornar melhor), e as
mudanças geralmente ocorrem para que exista uma adaptação das espécies ao meio ambiente em que
vivem. A esse processo de mudança em consonância com o meio ambiente Charles Darwin deu o nome
de seleção natural.
A teoria elaborada por Charles Darwin causou grande polêmica no meio científico. Isso mesmo tendo
existido antes dele cientistas que já afirmavam que toda a alteração no mundo orgânico, bem como no
mundo inorgânico, é o resultado de uma lei, e não uma intervenção miraculosa, como escreveu o
naturalista francês Jean-Baptiste de Lamark (1744-1829).
Havia ainda à época uma noção de que as espécies tinham suas características fixadas desde o início
de sua existência, não havendo o caráter de mudança não divina apontada pelo cientista inglês. Tal
concepção era fortemente influenciada pela filosofia religiosa cristã, da criação por Deus de todos os
seres vivos desde o início do mundo. Até Charles Darwin teve suas convicções religiosas abaladas com
os resultados de suas pesquisas, o que o levou a se recusar a apresentá-los por cerca de vinte anos.
Uma polêmica constante na teoria evolucionista está relacionada com os seres humanos. No que se
refere à evolução de homens e mulheres, o evolucionismo indica que nós temos um ancestral comum
com algumas espécies de macacos, como o chimpanzé. Pesquisas recentes de decodificação do genoma
indicam uma semelhança de 98% entre os genes de seres humanos e chimpanzés. Porém, isso não quer
dizer que o homem descende do macaco. Indica apenas que somos parentes.

POSITIVISMO

O positivismo é comumente atribuído ao filósofo Augusto Comte (1798-1857) e pode ser definido como
a linha de pensamento que entende que o conhecimento científico sistemático é baseado em observações
empíricas, na observação de fenômenos concretos, passíveis de serem apreendidos pelos sentidos do
homem.
Além disso, o positivismo é a ideia da construção do conhecimento pela apreensão empírica do mundo,
buscando descobrir as leis gerais que regem os fenômenos observáveis. Dessa forma trabalham as
ciências naturais, como a biologia ou a química, que se debruçam sobre seus objetos de estudo em busca
de estruturação das “regras” que constituem as formas de interação entre organismos e seus compostos
no mundo biológico observável ou das interações entre diferentes reagentes químicos.
Para Comte, a busca pelo conhecimento positivo constituiria a principal forma de construção de
conhecimento do homem. Diante disso, os estudos das áreas das ciências humanas deveriam tomar esse
mesmo rumo, de forma a produzir um real conhecimento com o objetivo último de compreender as leis
que constituem e regem as interações entre indivíduos e fenômenos no mundo social,
independentemente do tempo ou do espaço no qual se encontram.
A escrita da história deveria ser feita de forma rígida, privilegiando os grandes acontecimentos e os
grandes heróis, baseando-se sempre em documentos oficiais, que seriam as únicas fontes aceitas como
verdadeiras.
Ele acreditava ser possível entender as leis que regem nosso mundo social, ajudando-nos a
compreender os processos sociais e dando-nos controle direto sobre os rumos que nossas sociedades
tomariam, acreditando ser possível dessa forma prever e tratar os males sociais que nos afligiriam tal
como trataríamos um corpo enfermo.
A construção do conhecimento positivo só seria possível, então, por meio da observação dos
fenômenos em seu contexto físico, palpável, ao alcance dos nossos sentidos e submetidos à experiência.
Este seria o papel da ciência, a compreensão dos fenômenos passíveis de observação sensorial direta,
com o intuito de entender, por meio da experiência, as relações entre esses fenômenos, de forma a
abstrair as leis que regem as interações para que, assim, seja possível predizer como os acontecimentos
envolvidos em determinado fenômeno se darão. A ciência e o método científico são a síntese das ideias
positivistas48.

48
BRASIL, ALETEIA. O que é a doutrina social da Igreja? Aleteia. Disponível em: < http://pt.aleteia.org/2013/02/01/o-que-e-a-doutrina-social-da-igreja/>.
DENIS, Wesley. Socialismo utópico e científico. Disponível em: < https://deniswesley.wordpress.com/2013/07/12/socialismo-utopico-e-socialismo-cientifico/>.
EDUCABRAS. O Romantismo e o Idealismo alemão. Educabras. Disponível em: <
https://www.educabras.com/vestibular/materia/filosofia/aulas/o_romantismo_e_o_idealismo_alemao>.
PINTO, S. TALES. Evolucionismo. Mundo educação. Disponível em: < http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/evolucionismo.htm>.

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Questões

01. (ENEM) O texto abaixo, de John Locke (1632-1704), revela algumas características de uma
determinada corrente de pensamento.
“Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua
própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa liberdade, por
que abandonará o seu império e sujeitar-se-á ao domínio e controle de qualquer outro poder? Ao que é
óbvio responder que, embora no estado de natureza tenha tal direito, a utilização do mesmo é muito
incerta e está constantemente exposto à invasão de terceiros porque, sendo todos senhores tanto quanto
ele, todo homem igual a ele e, na maior parte, pouco observadores da equidade e da justiça, o proveito
da propriedade que possui nesse estado é muito inseguro e muito arriscado. Estas circunstâncias
obrigam-no a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores e perigos constantes; e
não é sem razão que procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros que estão já unidos, ou
pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de
propriedade.”
(Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991)
Do ponto de vista político, podemos considerar o texto como uma tentativa de justificar:
(A) a existência do governo como um poder oriundo da natureza.
(B) a origem do governo como uma propriedade do rei.
(C) o absolutismo monárquico como uma imposição da natureza humana.
(D) a origem do governo como uma proteção à vida, aos bens e aos direitos.
(E) o poder dos governantes, colocando a liberdade individual acima da propriedade.

02. Leia o texto a seguir:


“Nos séculos XVIII e XIX, o termo liberalismo geralmente se referia a uma filosofia de vida pública que
afirmava o seguinte princípio: sociedades e todas as suas partes não necessitam de um controle central
administrador porque as sociedades normalmente se administram através da interação voluntária de seus
membros para seus benefícios mútuos. Hoje não podemos chamar de liberalismo essa filosofia porque
esse termo foi apropriado por democratas totalitários. Em uma tentativa de recuperar essa filosofia ainda
em nosso tempo, damos a ela um novo nome: liberalismo clássico.”
(Rockwell, Lew. O que é o Liberalismo Clássico. IBM.)
O autor do texto argumenta que o termo “liberalismo clássico” reabilita a tradição de ideias políticas e
econômicas dos séculos XVIII e XIX. Entre os representantes dessa tradição, estão:
(A) Lenin, Mikhail Bakunin e Voltaire
(B) Karl Marx, Vilfredo Pareto e John M. Keynes
(C) Adam Smith, David Ricardo e John Locke
(D) Rousseau, Louis Blanqui e Diderot
(E) Edmund Burke, Max Weber e Trotsky

03. (Uel) A ópera-balé Os Sete Pecados Capitais da Pequena Burguesia, de Kurt Weill e Bertold
Brecht, composta em 1933, retrata as condições dessa classe social na derrocada da ordem democrática
com a ascensão do nazismo na Alemanha, por meio da personagem Anna, que em sete anos vê todos
os seus sonhos de ascensão social ruírem. A obra expressa a visão marxista na chamada doutrina das
classes.

Em relação à doutrina social marxista, assinale a alternativa correta.


a) A alta burguesia é uma classe considerada revolucionária, pois foi capaz de resistir à ideologia
totalitária através do controle dos meios de comunicação.
b) A classe média, integrante da camada burguesa, foi identificada com os ideais do nacional-
socialismo por defender a socialização dos meios de produção.
c) A pequena burguesia ou camada lúmpen é revolucionária, identificando a alta burguesia como sua
inimiga natural a ser destruída pela revolução.
d) A pequena burguesia ou classe média é uma classe antirrevolucionária, pois, embora esteja mais
próxima das condições materiais do proletariado, apoia a alta burguesia.
e) O proletariado e a classe média formam as classes revolucionárias, cuja missão é a derrubada da
aristocracia e a instauração do comunismo.

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04. (Espcex (Aman)) Observe as ideias de três pensadores da Idade Moderna.
- Adam Smith (escocês), em sua obra A riqueza das nações, afirmava que a única fonte de riqueza era
o trabalho, e não a terra.
- A ideia central da doutrina de Karl Marx (alemão) é que a “história das sociedades humanas é a
história da luta de classes”.
- Thomas Malthus (inglês), em sua obra Ensaio sobre o princípio da população, escreveu que a
natureza impõe limites ao progresso material, já que a população cresce em progressão geométrica,
enquanto a produção de alimentos aumenta em progressão aritmética.
Pode-se afirmar que
a) os três pensadores defendem o liberalismo clássico.
b) as três ideias propõem a ditadura do proletariado.
c) Adam Smith propõe o liberalismo clássico, Thomas Malthus e Karl Marx, o socialismo utópico.
d) Thomas Malthus e Adam Smith defendem o pensamento liberal clássico e Karl Marx foi um dos
autores do socialismo científico.
e) Karl Marx e Adam Smith são considerados anarquistas, e Thomas Malthus, socialista utópico

05. (Fgv) O “socialismo real” agora enfrentava não apenas seus próprios problemas sistêmicos
insolúveis mas também os de uma economia mundial mutante e problemática, na qual se achava cada
vez mais integrado.
Com o colapso da URSS, a experiência do “socialismo realmente existente” chegou ao fim. Pois,
mesmo onde os regimes comunistas sobreviveram e tiveram êxito, como na China, abandonaram a ideia
original de uma economia única, centralmente controlada e estatalmente planejada, baseada num Estado
completamente coletivizado.
(Eric Hobsbawm, Era dos extremos. p. 458 e 481. Adaptado)
A partir do texto, é correto afirmar que:
a) os países do socialismo real, como a União Soviética, acompanharam em parte as mudanças da
década de 1970 e sobreviveram sem reformas, pois, mesmo sem o grande avanço técnico-científico,
conseguiram neutralizar os graves efeitos da burocratização, da economia planificada, da proletarização
da classe média e do obsoleto parque industrial e, ainda, mantiveram a unidade do bloco socialista.
b) nos anos 1980, as reformas econômicas e políticas – a perestroika – colocaram os países do
socialismo real no rumo do capitalismo, substituindo a ação estatal pelo mercado, com ênfase nas
privatizações e na abertura para o capital estrangeiro, medidas que obtiveram pleno êxito e fizeram a
economia perder suas características estatizantes, impedindo, ainda, o fim do bloco socialista.
c) a unidade do bloco do socialismo real foi motivada pelo equilíbrio da estrutura política dos Estados
em se adaptar às necessidades da economia de mercado, pois a planificação pelo Estado burocratizado
é incompatível com a economia de mercado, apoiada no desenvolvimento técnico-científico, nas
crescentes privatizações, no apoio do capital externo e nas diferenciações salariais.
d) nos países do socialismo real, os problemas externos, isto é, da economia mundial, a partir dos
anos 1970, responsáveis pelas oscilações do comércio internacional, prevaleceram sobre os problemas
internos, como a burocratização do Estado e o atraso técnico-científico, que sofreram reformas estatais
nos anos 1980 e minimizaram as graves tensões sociais, mantendo a união do bloco socialista.
e) além dos problemas internos da própria estrutura política endurecida pela burocracia e pelo
autoritarismo, os países do socialismo real, a partir dos anos 1970, já inseridos no mercado mundial,
enfrentaram o baixo desenvolvimento técnico-científico e as tensões sociais e ensaiaram, sem êxito, nos
anos 1980, reformas políticas e econômicas para manter a unidade do bloco socialista.

Gabarito

01.D ; 02.C / 03.D / 04.D / 05.E

Comentários

01. Resposta: D
John Locke foi um dos mais importantes filósofos iluministas e pai do pensamento liberal. Sendo assim,
se posicionava contra o poder absoluto e total dos governantes, seja rei ou não.

02. Resposta: C
Adam Smith, David Ricardo e John Locke estão entre os principais representantes do liberalismo
clássico.

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03. Resposta D.
É uma crítica em Marx o fato de a classe média, por não ser do grupo da alta burguesia apoia-la. A
falta dessa união com seu estamento mais próximo (o proletariado) não possibilita a revolução social.

04. Resposta D.
Segundo consta no material, Malthus e Smith são teóricos do pensamento liberal enquanto Marx, um
dos teóricos do socialismo.

05. Resposta E.
Foi uma característica geral na década de 80 os países socialistas enfrentarem problemas
econômicos, técnicos, científicos e políticos. O socialismo empregado os manteve engessados em vários
aspectos, o que os manteve atrasados em relação a países capitalistas.

n. O Mundo à época da Primeira Guerra Mundial: o imperialismo e os


antecedentes da Primeira Guerra Mundial; a Primeira Guerra Mundial;
consequências da Primeira Guerra Mundial;

IMPERIALISMO E NEOCOLONIALISMO

O Imperialismo é a prática através da qual nações poderosas procuram ampliar e manter controle ou
influência sobre povos ou nações mais pobres.
Algumas vezes o imperialismo é associado somente com a expansão econômica dos países
capitalistas; outras vezes é usado para designar a expansão europeia após 1870. Embora Imperialismo
signifique o mesmo que Colonialismo e os dois termos sejam usados da mesma forma, devemos fazer a
distinção entre um e outro.
Colonialismo normalmente implica em controle político, envolvendo anexação de território e perda da
soberania.
Imperialismo se refere, em geral, ao controle e influência que é exercido tanto formal como
informalmente, direta ou indiretamente, política ou economicamente.

Desde o século XVIII, a Europa vinha passando pela Revolução Industrial, importante para o
entendimento da sociedade atual. Conforme novas técnicas e equipamentos eram desenvolvidos, a
produção industrial tornava-se mais eficiente, muitas vezes porém, à custa dos trabalhadores. Com o
passar do tempo os trabalhadores começaram a reunir-se em associações e sindicatos que buscavam
defender seus interesses e lutar por condições de trabalho mais dignas. Vale lembrar que benefícios
como férias remuneradas, auxílio doença, décimo terceiro salário, licença-maternidade, entre outros,
foram conquistados através da busca por situações de trabalho mais dignas para os trabalhadores.
Para evitar o pagamento de salários mais altos, os empresários passaram a investir em tecnologia. O
investimento em tecnologia barateava o custo da produção e ao mesmo tempo diminuía o número de
trabalhadores necessários para operar uma fábrica. Porém, em compensação, não havia quem pudesse
comprar as mercadorias, forçando a queda dos preços.
Essa relação entre a produção e os preços foi a primeira grande depressão sofrida pelo capitalismo,
iniciada em 1873, e acabando somente em 1896. Para resolver a situação de crise em que se
encontravam, foram propostas duas saídas:
- A concentração do capital, através da formação de grandes empresas capazes de resistir à crise e
não ir à falência;
- A abertura de novo mercados consumidores de produtos industrializados na África e na Ásia,
originando um novo colonialismo.

As colônias também seriam utilizadas para investir os lucros da produção industrial, para evitar uma
crise de superprodução na Europa. Além de evitar crises, os lucros obtidos com esses investimentos em
infraestrutura, como transporte, iluminação e energia poderiam ser até maiores que os investimentos na
indústria europeia.
As colônias, além de zona de despejo para as sobras da industrialização, forneceriam à metrópole
alimentos e matérias-primas estratégicas, como o petróleo. Para as colônias eram também enviados os
excedentes demográficos que agravavam os problemas sociais das metrópoles, evitando-se assim a
perda dessa mão-de-obra com a emigração. As colônias transformar-se-iam em elementos de prestígio

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no concerto internacional das nações: população maior para o recrutamento militar, pontos de apoio para
a Marinha, pontos de abastecimento para as rotas oceânicas.
Além das vantagens econômicas e estratégicas, a religião também foi um fator de impulso para a
exploração das colônias. Com o discurso de expandir a civilização europeia para o mundo, considerada
pelos europeus como mais avançada e necessária para o bem da humanidade, além de expandir também
a fé cristã, considerada mais civilizada, “justa” e importante, os europeus, baseados nas teorias raciais
desenvolvidas a partir dos estudos de Charles Darwin sobre a evolução das espécies. Essa prática ficou
conhecida como Darwinismo Social.
Em 1859 o cientista Charles Darwin publicou seu livro, revolucionário para a época, chamado “A
Origem das Espécies”. O livro causou polêmica ao negar as ideias de que os seres vivos haviam sidos
criados por um ser superior, mas sim eram resultado de um longo processo evolutivo, através da
adaptação ao ambiente em que viviam. Pensadores sociais começaram a transferir os conceitos de
evolução e adaptação para a compreensão das civilizações e demais práticas sociais. A partir de então
o chamado “darwinismo social” nasceu desenvolvendo a ideia de que algumas sociedades e civilizações
eram dotadas de valores que as colocavam em condição superior às demais. No caso, dizer que europeus
estavam em um estágio de evolução superior ao que se encontravam muitas civilizações africanas ou
asiáticas. Portanto, era comum entre os defensores do neocolonialismo o argumento da ignorância dos
povos nativos em relação às riquezas que possuíam em suas terras. O domínio europeu era tido como
uma atitude justa, que promovia a circulação das riquezas que tais povos não utilizavam nem para o
benefício próprio e muito menos para os demais.
As ideias do Darwinismo Social chegaram inclusive ao Brasil. Além das diferenças sociais, os
defensores dessa teoria racista acreditavam que o europeu, homem branco, era biologicamente superior
aos demais povos. Um dos exemplos dessa crença está descrito nas páginas do livro L’émigration au
Brésil, de 1873, escrito pelo Conde de Gobineau, amigo de D. Pedro II. Em um dos trechos de seu livro
ele diz que: “Todos os países da América, seja no Norte seja no Sul, mostram hoje de uma maneira
categórica que os mulatos dos diferentes graus só se reproduzem até um número limitado de gerações.
A infecundidade não se apresenta sempre nos casamentos; mas os produtos vão gradualmente se
mostrando doentios, tão pouco viáveis que desaparecem, seja antes mesmo de ter gerado crianças, seja
deixando crianças que não podem sobreviver.” A partir dessa convicção, Gobineau estabeleceu a
previsão de que por volta de 2140 a população brasileira fruto da miscigenação iria desaparecer, restando
somente os descendentes diretos dos europeus.

As Diferenças entre o Colonialismo do Século XVI e do Século XIX

Apesar do nome semelhante, o colonialismo exercido pela Europa durante o século XVI possuiu
diferenças marcantes com o praticado durante o século XIX.
Durante a primeira fase do colonialismo, no século XVI, a preocupação das potencias europeias estava
pautado no metalismo (acumulação de ouro e prata), no encontro de mercados fornecedores de
especiarias e outros produtos tropicais e de mercados consumidores para os produtos manufaturados
europeus. Durante essa fase a concentração de interesses esteve voltada principalmente para a América,
também chamada de Novo Mundo.
Já no século XIX, os olhares voltam-se para terras novas, porém já conhecidas há muito tempo pela
Europa: a África e a Ásia. Apesar da mudança geográfica, os interesses continuavam sendo econômicos,
além de serem acrescidos por outros: busca por mercados fornecedores de matérias-primas, como o
ferro, o carvão, o petróleo, terras para o cultivo de algodão e também alimentos; busca por um mercado
consumidor capaz de absorver os excessos de produção da indústria europeia e de regiões onde os
lucros obtidos com a produção pudessem ser investidos.
Além disso, a população europeia estava crescendo num ritmo acelerado e precisava encontrar novas
terras onde pudesse se estabelecer. No plano político, os Estados europeus estavam preocupados em
aumentar seus contingentes militares, para fortalecer sua posição entre as demais potências. Possuindo
colônias, contariam com maior disponibilidade de recursos e de mão de obra para os seus exércitos.
A religião também impulsionou a ocupação. Os missionários cristãos desejavam converter africanos e
asiáticos à sua crença, e havia gente que considerava ser o dever dos europeus difundir a sua civilização
entre esses povos, considerados primitivos e atrasados. Essas preocupações civilizadoras, porém, foram,
principalmente, pretexto para justificar a colonização.

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A Ocupação da África

Até a primeira metade do século XIX a presença colonial europeia na África esteve limitada aos colonos
holandeses e britânicos na África do Sul e aos militares britânicos e franceses na África do Norte.
Com a descoberta de diamantes na África do Sul e abertura do Canal de Suez, ambos em 1869, a
Europa criou interesse sobre a importância econômica e estratégica do continente. Os países europeus
rapidamente começaram a disputar territórios no continente.
Em algumas áreas os europeus usaram forças militares para conquistar os territórios, em outras, os
líderes africanos e os europeus entraram em entendimento à respeito do controle em conjunto sobre os
territórios. Esses acordos foram decisivos para que os europeus pudessem manter tudo sob controle.
A corrida colonialista do século XIX começou com o rei Leopoldo II da Bélgica, que formou uma
sociedade capitalista internacional para explorar economicamente o Congo. Essa sociedade, denominada
Associação Internacional Africana foi seguida pela criação, posteriormente, do Comitê de Estudos do Alto
Congo.
Os demais países europeus lançaram-se rapidamente à aventura africana. A França conquistou a
Argélia, Tunísia, Madagascar; os ingleses anexaram a Rodésia, União Sul-Africana, Nigéria, Costa do
Ouro e Serra Leoa; a Alemanha, que entrou tardiamente na corrida colonial, adquiriu apenas Camarões,
África Sudoeste e África Oriental; e a Itália anexou o litoral da Líbia, Eritreia e Somália.
Os antigos países colonizadores da Europa, Portugal e Espanha, ficaram com porções reduzidas: a
Espanha, com Marrocos Espanhol, Rio do Ouro e Guiné Espanhola; Portugal, com Moçambique, Angola
e Guiné Portuguesa. A Conferência de Berlim, convocada por Otto Von Bismarck, primeiro-ministro da
Alemanha, foi o marco mais importante na corrida colonialista. Sua finalidade primeira foi legalizar a
propriedade pessoal do rei Leopoldo II da Bélgica sobre o Estado Livre do Congo e estabelecer as regras
da "partilha da África" entre as principais potências imperialistas. A corrida colonial africana produziu
inúmeros atritos entre os países colonialistas, constituindo de fato um dos fatores básicos do desequilíbrio
europeu responsável pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.

Imperialismo na Ásia

Até o século XIX, as relações entre a Ásia e o mundo ocidental se resumiam ao contato estabelecido
entre as cidades portuárias e as embarcações comerciais europeias. Algumas poucas experiências
coloniais se desenvolviam nas regiões do Macau (China), Damão, Goa e Diu (Índia), e Timor (Indonésia),
todas elas controladas pelos portugueses. Além disso, os espanhóis exploravam as Filipinas e os
holandeses se fixaram nas regiões de Java e Sumatra.
Esse relativo isolamento garantiu certa imunidade à influência europeia no Oriente, situação que
mudou a partir do crescimento no interesse dos europeus pelos recursos e pelo mercado asiático a partir
do século XIX. Os países ocidentais passaram do simples comércio portuário para a política de zonas de
influências, promovendo uma verdadeira partilha. Começaram os investimentos em ferrovias, que abriram
o mercado asiático para os produtos ocidentais. A Rússia era o país mais interessado na expansão
territorial da Ásia, graças à proximidade com seu território. Chocou-se com os ingleses na Ásia Central e
com o Japão na Manchúria, depois da construção da estrada de ferro que ia de Moscou a Vladivostok,
no litoral do Pacifico.
Já durante o século XVIII a penetração inglesa havia começado, a partir da tomada da Índia em 1763,
então pertencente aos franceses. Após a conquista, uma companhia inglesa ficou encarregada da
exploração das riquezas do território. Em 1858, os nativos que serviam nos exércitos coloniais, e que
eram conhecidos como Cipaios, revoltou-se. Após a revolta ser contida a Índia foi incorporada ao Império
Britânico.
A ação inglesa também se estendeu até a China, quando os britânicos descobriram que poderiam
explorar a comercialização do ópio como droga entorpecente. Inconformado com os prejuízos causados
à saúde da população, o governo chinês estabeleceu a proibição do comércio da droga e uma severa
política contra qualquer tentativa de contrabando do mesmo produto. A insistência dos ingleses na venda
do produto, legal ou ilegalmente, gerou a Guerra do Ópio, motivada pela destruição de carregamentos de
ópio pertencentes a súditos ingleses, pelos chineses, o que permitiu a conquista de Hong Kong, Xangai
e Nanquim. Outras expedições militares foram organizadas a pretexto de punição pela morte de
missionários, provocando a abertura de novos portos.
Na segunda metade do século XIX, o Japão abre os portos ao comércio externo. Em 1868 começou
através de uma revolução, seguida de uma guerra civil, a Era Meiji. O imperador Mutsuhito, que acabara
de assumir o controle sobre o país, abole o feudalismo. Ao contrário do que ocorria com seus vizinhos, o
Japão, após resistir durante muito tempo ao imperialismo ocidental, dá início à própria expansão

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imperialista. Vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), em que disputa o controle da Coréia.
Os alemães conquistaram a península Chantung, enquanto a França dominava a Indochina. A reação
contra a invasão da China partiu dos Boxers, que promoviam atentados contra os estrangeiros residentes
na China. As nações europeias organizaram uma expedição conjunta para punir a sociedade e o governo
chinês que a apoiava, surgindo daí a Guerra dos Boxers, que completou a dominação da China pelas
potências ocidentais.
De forma geral, existiam dois tipos de dominação colonial, a exemplo do caso francês, que não
diferenciava do praticado por outros países. A França administrava dois tipos de empreendimentos:
colônias e protetorados.
As colônias estavam sob forte intervenção da metrópole. Eram supervisionadas pelo Ministério das
Colônias, e governadas por um governador-geral, que era responsável por administrar as atividades
coloniais.
Os Protetorados por sua vez possuíam grande autonomia, com parlamento eleito localmente e
domínios de certa forma independentes.

A Exploração das Colônias


Com exceção dos ingleses, que possuíam um império colonial imenso, ao redor de todo o planeta, os
países colonialistas da Europa procederam de maneira empírica na organização do sistema de
exploração colonial. A partir de 1850, a política livre-cambista da Inglaterra foi estendida às colônias. O
livre-cambismo caracteriza-se não interferência do estado na economia, diferenciando-se do
protecionismo. A França adotou uma política tarifária variante. Dependia da colônia e dos tipos de
produtos que produzia e comercializava.
A ocupação de terras nas colônias causou problemas para a administração europeia. Muitos dos
colonos que vinham da Europa queriam terras, que tinham de ser desapropriadas dos ocupantes nativos.
Para resolver esse impasse, as tribos locais eram confinadas em pequenas reservas criadas pelo
governo, nem sempre nos mesmos locais que habitavam e em condições que muitas vezes não atendiam
às necessidades básicas.
A exploração econômica das terras foi concedida a particulares, visando a encorajar a colonização.
Somente as grandes companhias capitalistas tinham condições de empreender a exploração, que
necessitava de uma vultosa soma de capitais. Os empreendimentos industriais nas colônias praticamente
inexistiam, evidentemente para evitar a concorrência com a produção metropolitana. Por isso, as únicas
indústrias que conseguiram sobressair, impulsionando a economia colonial, eram as extrativistas de
minerais e vegetais, que utilizavam a abundante mão de obra e a matéria-prima disponível. A construção
de estradas de ferro nas colônias significou o interesse de particulares em obter elevados rendimentos.
Era apenas um negócio lucrativo, não apresentando nenhuma preocupação em relação ao
desenvolvimento das vias de comunicação colonial, visando apenas a incrementar o comércio
metropolitano.

Imperialismo Norte-Americano

Imperialismo norte-americano é uma referência ao comportamento autoritário de influência militar,


cultural, política, geográfica e econômica dos Estados Unidos sobre os outros países.
É por meio dessa prática que sucessivos governos dos EUA mantêm o controle econômico de diversas
nações.
O conceito refere-se a império americano, considerando o comportamento político dos EUA a partir da
segunda metade de 1800.
No caso dos Estados Unidos, o imperialismo está enraizado na crença do diferencial em relação aos
demais países do mundo em que teria como missão a difusão dos ideais de liberdade, a igualdade e a
democracia.

Guerras e Poder
O termo ganhou força ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, considerando a demonstração do
poderio bélico dos EUA, com o lançamento de duas bombas atômicas sobre o Japão.
No decorrer da chamada "idade do imperialismo", o governo norte-americano exerceu forte controle
político, social e econômico sobre Cuba, as Filipinas, a Alemanha, a Coreia, o Japão e a Áustria.
Entre as experiências intervencionistas também estão as guerras ocorridas no Vietnã, Líbia,
Nicarágua, Iraque, Iugoslávia, Afeganistão, Paquistão e Líbia. Nos países do Oriente Médio, o interesse
norte-americano é claro: o controle sobre as reservas de petróleo.

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Com o advento da Guerra Fria, os EUA passaram a incentivar a organização de ditaduras militares na
América Latina.

Política do Big-Stick

A política do Big-Stick (porrete grande em português) é a referência à maneira do presidente norte-


americano Theodore Roosevelt (1901 - 1909) de tratar as relações internacionais.
Em discurso, Roosevelt afirmou que era preciso falar de maneira mansa, mas deixar as demais nações
conscientes do poderio militar norte-americano.
O big-stick foi usado para interferir na política dos países latino-americanos contra credores europeus.
O presidente disse que os EUA impediu que a Alemanha atacasse a Venezuela, mas ponderou que o
governo norte-americano poderia usar da força contra os países latino-americanos, caso julgasse
necessário.

Doutrina Monroe
A doutrina Monroe é uma referência à política externa do presidente James Monroe (1817 - 1825) a
partir de 1823 para reconhecer a independência das colônias sul-americanas.
Segundo a doutrina, qualquer ato de agressão de europeus às nações sul-americanas sofreria
interferência dos EUA.

A Belle Époque
A Belle Époque normalmente é entendida como o período que vai do final do século XIX até o início
da Primeira Guerra Mundial, em 1914.
A expressão francesa Belle Époque significa “bela época”, e representa um período de cultura
cosmopolita na história da Europa. A época em que esta fase era comum foi marcada por transformações
culturais intensas que demonstravam novas formas de pensar e viver. Considerada uma época de ouro,
beleza, inovação e paz entre os países; a fase trazia invenções que faziam com que a vida se tornasse
mais simples para todos os níveis sociais. Era comum a crença de que a partir dessa época a humanidade
viveria um grande período de prosperidade, melhorando cada vez mais.
Durante esta época, a Europa passou por diversas mudanças, especialmente na área tecnológica.
Entre as principais inovações estão o surgimento do telefone, do telégrafo sem fio, do cinema, do avião
e do automóvel. A França, e principalmente paris, tornam-se centro da cultura, com os balés, livrarias,
óperas, teatros e diversas expressões artísticas. Estes ambientes tornaram-se, nesta época, muito
comuns na rotina dos burgueses e apenas eles tinham acesso ao mundo da arte.

Art Nouveau
O termo tem origem na galeria parisiense L'Art Nouveau, aberta em 1895 pelo comerciante de arte e
colecionador Siegfried Bing. Suas características envolvem a valorização das cores vivas, curvas
sinuosas que se baseavam nas formas das plantas, animais e mulheres, além dos ornamentos. As
principais obras deste estilo são fachadas de edifícios, vitrais, joias, móveis e portões.
Durante esse período o Brasil possuía uma ligação muito forte com a França, sendo muito comum a
visita de membros da elite brasileira à Paris, ao menos uma vez por ano, para interagir e ficar a par das
novidades do velho mundo.
No Brasil o movimento ganhou força com a Proclamação da República em 1889, e vai até 1922,
quando explode o Movimento Modernista, com a realização da Semana da Arte Moderna na cidade de
São Paulo.
Todo o movimento de prosperidade e alegria vividos na Europa fora, em boa parte, sustentado pela
exploração das riquezas coloniais. Essas mesmas riquezas foram motivo de disputas entre as potencias
europeias entre o final do século XIX e início do século XX. Cada vez mais intensas, as disputas atingiram
seu ápice em 1914. A Primeira Guerra Mundial acabou com o sentimento de prosperidade vivido até
então. Os perfumes da belle époque deram lugar ao cheiro de pólvora das trincheiras. Para o historiador
inglês Eric Hobsbawm, 1914 foi o ano que inaugurou “oficialmente” o século XX, marcado pelos conflitos
sangrentos por territórios, por duas guerras mundiais, pelo racismo e pelo preconceito e também por
movimentos totalitários e ditaduras.

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Questões

01. (IF/AL – História – CEFET/AL) A colonização portuguesa e espanhola do século XVI havia se
limitado à América. Com raras exceções, as terras africanas e asiáticas não foram ocupadas. Ali, os
europeus limitaram-se ao comércio, principalmente o de especiarias e de escravos. Por isso, no século
XIX, havia grandes extensões de terras desconhecidas nos dois continentes, que Portugal e Espanha
não tinham condições de explorar. Começou então uma nova corrida colonial envolvendo outras
potências europeias, sobretudo as que haviam passado por uma transformação industrial, como
Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha e Itália. É nesse contexto que tem início o Imperialismo, que se
caracterizou:
(A) Pela busca incessante por metais preciosos e mercados abastecedores de produtos tropicais e
consumidores de manufaturas europeias;
(B) Pela urgência de desenvolver novos mercados produtores de manufaturados nas áreas periféricas
da África;
(C) Pela divisão entre o capital bancário e o capital industrial formando o capital financeiro;
(D) Pelo acirramento das tensões entre as principais potências industrializadas da época, situação que
seria determinante para eclosão da II Guerra Mundial;
(E) Por uma alteração na economia capitalista, em que a empresa individual tende a ser substituída
pelas sociedades anônimas que administram conglomerados transnacionais ou multinacionais.

02. (Prefeitura de Congonhas/MG – História – CONSULPLAN) “… Nós conquistamos a África pelas


armas… temos direito de nos glorificarmos, pois após ter destruído a pirataria no Mediterrâneo, cuja
existência no século XIX é uma vergonha para a Europa inteira, agora temos outra missão não menos
meritória, de fazer penetrar a civilização num continente que ficou para trás…"

A partir da citação anterior, analise as afirmativas:


I. Os europeus em geral classificavam os povos que viviam no continente africano, asiático e em outros
continentes como primitivos para justificar a ocupação territorial e a submissão que utilizavam.
II. A ideia de levar a civilização aos povos considerados bárbaros estava presente no discurso dos que
defendiam a política imperialista.
III. Para os europeus, civilizar consistia em povoar e partilhar a cultura com os povos de outros
continentes, assim desenvolveram a origem da globalização.
IV. Uma das preocupações dos estados nacionais europeus era justificar a ocupação dos territórios,
apresentando os melhoramentos materiais que beneficiariam as populações nativas.
Estão corretas apenas as afirmativas:
(A) II, IV
(B) I, II, III
(C) I, II, IV
(D) I, III
(E) III, IV

03. (IFC/SC – História – IFC) O texto abaixo se refere aos “instrumentos e modalidades coloniais”
inerentes ao imperialismo na África, Ásia e América.
A penetração colonial se fez de diferentes maneiras. Em certos casos, o reconhecimento da região era
feito através de expedições científicas, religiosas e paramilitares, ao que se seguia o estabelecimento de
companhias concessionárias e depois (ou simultaneamente) o estabelecimento da soberania político-
administrativa do Estado colonizador. Em outros casos, a expedição militar abria caminho para o
estabelecimento da exploração econômica ou ia juntamente com ela.
(MOURA, Gerson; FALCON, Francisco. A Formação do Mundo Contemporâneo. RJ: Campus, 1989. p. 87)
Quanto a uma correta nomenclatura dos autores para os instrumentos coloniais, relacione a COLUNA
A com a COLUNA B e em seguida assinale a alternativa correta de cima para baixo.
COLUNA A
1 – Áreas ou Zonas de influência
2 – Colônias estratégicas
3 – Colônias propriamente ditas
4 – Protetorados

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COLUNA B
( ) áreas em que o domínio da metrópole colonizadora é exercido em todos os setores e níveis da
atividade econômica, se subdivide em colônias de enraizamento ou povoamento e colônias de
enquadramento.
( ) o país colonizador assegura a manutenção aparente da estrutura política e social pré-existente,
como se o país colonizado fosse apenas um aliado “protegido” e ajudado pelo país colonizador, que se
faz representar por intermédio de um ministro residente ou seu equivalente.
( ) a potência colonizadora reserva para seus nacionais áreas em que os mesmos possam atuar sob
a proteção de privilégios especiais em detrimento dos possíveis competidores europeus; o Estado pré-
existente é conservado e com ele são negociados os tratados e convenções necessários.
( ) muito em voga no século XIX, se referem à obtenção de portos, ilhas e outros pequenos territórios
capazes de servir ao abastecimento de frotas de guerra e navios mercantes ou de entrepostos comerciais,
ou mesmo de simples ponto de apoio para as comunicações telegráficas.
(A) 4, 2, 3, 1
(B) 2, 3, 4, 1
(C) 1, 4, 2, 3
(D) 3, 1, 2, 4
(E) 3, 4, 1, 2

04.(CESGRANRIO) A "partilha do mundo" (1870 -1914) resultou do interesse das potências


capitalistas europeias em:

(A) investir seus capitais excedentes nas colônias, obter mercados fornecedores de matérias-primas e
reservar mercados para seus produtos industrializados;
(B) desenvolver a produção de gêneros alimentícios nas colônias, visando suprir as deficiências de
grãos existentes na Europa na virada do século;
(C) buscar "áreas novas" para a emigração, uma vez que a pressão demográfica na Europa exigia
uma solução para o problema;
(D) promover o desenvolvimento das colônias através da aplicação de capitais excedentes em
programas sociais e educacionais;
(E) favorecer a atuação dos missionários católicos junto aos pagãos e assegurar a livre concorrência
comercial.

05. (UFES) No século XIX, assistiu-se à consolidação da sociedade burguesa por meio do
amadurecimento do capitalismo industrial e da expansão de mercados. Essas transformações foram
nomeadas por economistas e historiadores como Imperialismo.
Sobre esse período, NÃO é correto afirmar que
(A) a necessidade de novos mercados de fornecimento de matérias-primas baratas e de escoamento
de produtos industrializados conduziu as grandes potências europeias ao neocolonialismo.
(B) as nações europeias mais industrializadas fecharam seus mercados para as concorrentes, dando
origem à política de ocupação territorial e econômica de regiões do mundo menos desenvolvidas.
(C) a corrida neocolonial foi dirigida por Estados europeus voltados para a aplicação da política
mercantilista, baseada no bulhonismo e no exclusivo comercial.
(D) a expansão econômica e política das potências industriais, em escala mundial, durante o século
XIX, deu início à fase monopolista do sistema mundial capitalista.
(E) os mercados afro-asiáticos foram integrados ao sistema de produção, dominado pelos industriais
e banqueiros, que investiam seus capitais na comercialização de produtos e na realização de
empréstimos.

Gabarito

01.E / 02.C / 03.E / 04.A / 05.C

Comentários

01. Resposta: E
A relação entre a produção e os preços foi a primeira grande depressão sofrida pelo capitalismo,
iniciada em 1873, e acabando somente em 1896. Para resolver a situação de crise em que se
encontravam, foram propostas duas saídas:

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- A concentração do capital, através da formação de grandes empresas capazes de resistir à crise e
não ir à falência;
- A abertura de novo mercados consumidores de produtos industrializados na África e na Ásia,
originando um novo colonialismo.

02. Resposta: C
Os europeus utilizaram a justificativa de levar sua civilização, crenças e costumes para os povos da
África e da Ásia para beneficiá-los com sua superioridade. Eles não tinham interesse em compartilhar os
costumes alheios, no máximo viam os outros povos como algo curioso.

03. Resposta: E

04. Resposta: A
No século XIX, os olhares voltam-se para terras novas, porém já conhecidas há muito tempo pela
Europa: a África e a Ásia. Apesar da mudança geográfica, os interesses continuavam sendo econômicos,
além de serem acrescidos por outros: busca por mercados fornecedores de matérias-primas, como o
ferro, o carvão, o petróleo, terras para o cultivo de algodão e também alimentos; busca por um mercado
consumidor capaz de absorver os excessos de produção da indústria europeia e de regiões onde os
lucros obtidos com a produção pudessem ser investidos.

05. Resposta: C
O mercantilismo, o exclusivo comercial ou pacto colonial, e o bulhonismo(metalismo) são práticas
relacionadas ao período colonial do século XVI, praticados principalmente na América.

DESCOLONIZAÇÃO DA ÁFRICA E ÁSIA

Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrou em declínio, e passou a sofrer forte
influência da União Soviética e dos Estados Unidos. O declínio europeu permitiu o fortalecimento do
nacionalismo e o crescimento do desejo de independência. Desejo esse que passou a se apoiar na Carta
da ONU, que reconhecia o direito à autodeterminação dos povos colonizados e que fora assinada pelos
países europeus (os colonizadores).
No ano de 1955, vinte e nove países recém-independentes reuniram-se na Conferência de Bandung,
capital da Indonésia, estabelecendo seu apoio à luta contra o colonialismo. A Conferência de Bandung
estimulou as lutas por independência na África e Ásia.
Os princípios emersos da Conferência de Bandung podem ser resumidos nestas dez disposições
descritas abaixo:
01.Respeito aos direitos fundamentais, de acordo com a Carta da ONU.
02.Respeito à soberania e integridade territorial de todas as nações.
03.Reconhecimento da igualdade de todas as raças e nações, grandes e pequenas.
04.Não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outro país. (Autodeterminação dos
povos)
05.Respeito pelo direito de cada nação defender-se, individual e coletivamente, de acordo com a Carta
da ONU
06.Recusa na participação dos preparativos da defesa coletiva destinada a servir aos interesses
particulares das superpotências.
07.Abstenção de todo ato ou ameaça de agressão, ou do emprego da força, contra a integridade
territorial ou a independência política de outro país.
08.Solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos (negociações e conciliações,
arbitragens por tribunais internacionais), de acordo com a Carta da ONU.
09.Estímulo aos interesses mútuos de cooperação.
10.Respeito pela justiça e obrigações internacionais.

A independência dos países africanos e asiáticos recebeu apoio tanto do bloco capitalista quanto do
bloco comunista, que enxergavam a possibilidade de ampliar sua influência política nas novas nações.
A luta pela independência teve características próprias em cada país, com a transição por meios
violentos e também por meios pacíficos. No caso da via pacífica, a independência da colônia era realizada
progressivamente pela metrópole, com a concessão da autonomia político-administrativa, mantendo-se
o controle econômico do novo país, criando, dessa forma, um novo tipo de dependência.

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As independências que ocorreram pela via da violência resultaram da intransigência das metrópoles
em conceder a autonomia às colônias. Surgiam as lutas de emancipação, geralmente vinculadas
ao socialismo, que levaram a cabo as independências.

Processo de Descolonização da Ásia

Fim do Domínio Inglês na Índia


A partir da década de 1920, Mahatma Gandhi e Jawarharlal Nerhu, através do Partido do Congresso,
com apoio da burguesia, passaram a liderar o movimento de independência da Índia. Gandhi pregava a
desobediência civil e a não-violência como meios de rejeição à dominação inglesa, transformando-se na
principal figura do movimento indiano pela independência.
O desfecho da Segunda Guerra resultou na perda do poder econômico e militar pela Inglaterra, o que
retirou-lhe as condições para continuar a dominação na Índia.
Em 1947, os ingleses reconheceram a independência indiana, que levou — em função das rivalidades
religiosas — à formação da União Indiana, governada por Nerhu, do Partido do Congresso, com maioria
hinduísta, e do Paquistão (Ocidental e Oriental), governado por Ali Jinnah, da Liga Muçulmana, com
maioria islamita. O Ceilão também se tornava independente, passando a ilha a se denominar Sri-Lanka,
com maioria budista.
A independência da Índia resultava de um longo processo de lutas nacionalistas, permeadas pelas
divergências religiosas entre hinduístas e muçulmanos, o que levou, em 1949, ao assassinato de Gandhi.
O Paquistão Oriental, em 1971, sob liderança da Liga Auami, separa-se do Paquistão Ocidental,
constituindo a República de Bangladesh.

A Independência da Indonésia
A Indonésia é formada por cerca de dezessete mil ilhas das quais seis mil são habitáveis, com
destaque para Java e Sumatra, as duas maiores. Desde o século XVII até 1941, o arquipélago esteve
sob domínio holandês.
Em 1941, durante as ofensivas da Segunda Guerra, o Japão passou a dominar a Indonésia, o que
levou à formação de um movimento nacionalista de resistência liderado por Alimed Sukarno.
Com a derrota japonesa, em 1945, o movimento de resistência proclama a independência do país, que
não foi aceita pela Holanda, o que acabou gerando uma tentativa de recolonização da Indonésia. Sukarno,
aglutinando os nacionalistas, liderou a guerrilha contra a Holanda que, em 1949, reconheceu a
independência da Indonésia.

Indochina
A Indochina esteve sob o domínio francês entre os anos de 1887 e 1940, quando o país europeu foi
invadido pela Alemanha.
Em 1941 os japoneses aproveitaram-se da aliança feita com os nazistas e ocuparam toda a Indochina,
com o consentimento do Marechal Philippe Pétain, chefe do regime de Vichy, que executou as ordens de
Hitler na França.
A ocupação japonesa levou à formação do movimento de resistência nacionalista, comandado
pelo Vietminh (Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã).
O Vietminh era liderado por Ho Chi Minh, dirigente comunista, que após a derrota do Japão na Segunda
Guerra proclamou a independência da República Democrática do Vietnã (parte norte).
Terminada a Segunda Guerra, os franceses não reconheceram o governo de Ho Chi Minh e tentaram,
a partir de 1946, recolonizar a Indochina, ocupando as regiões do Laos, Camboja e o Vietnã do Sul,
desencadeando a Guerra da Indochina, que se estendeu até 1954, quando os franceses foram derrotados
na Batalha de Dien Bien Phu.
No mesmo ano, realizou-se a Conferência de Genebra, na qual a França retirava suas tropas e
reconhecia a independência da Indochina, dividida em Laos, Camboja, Vietnã do Norte e Vietnã do Sul.
Laos e Camboja ficaram proibidos de manter bases militares estrangeiras em seu território, e no Vietnã
deveriam se realizar eleições num prazo de dois anos para decidir a reunificação.

Filipinas
As Filipinas, que desde o século XVI passava pelo domínio da Espanha, EUA e Japão, em 1946 é
retomada pelos norte-americanos, que lhe concedem a independência.

Birmânia
A Birmânia, em 1948, tornou-se independente da Inglaterra.

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Malásia
A Malásia, em 1957, tornou-se independente da Inglaterra e integrante da Comunidade Britânica,
a Commonwealth.

Descolonização da África

No início do século XX, 90,4% do território africano estava sob domínio do colonialismo europeu.
Apenas três Estados eram independentes: África do Sul, Libéria e Etiópia.
A descolonização da África ocorreu de forma veloz. Entre 1957 e 1962, 29 países tornaram-se
independentes de suas metrópoles europeias.

Egito
O Egito esteve sob domínio francês até 1881, quando a Inglaterra assumiu o controle do território. Em
1914, tornou-se um protetorado inglês. O fim do domínio colonial inglês cessou em 1936. Porém, a
Inglaterra não abriu mão do controle que exercia desde 1875 sobre o Canal de Suez.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Egito foi palco de manobras militares alemãs e italianas,
comandadas pelo general Rommel (Afrikakorps). Os ingleses, em 1942, expulsaram as tropas do Eixo e
impuseram o rei Faruk no poder.
Em 1952, o general Naguib, com o apoio do Exército, depôs o rei e proclamou a República, assumindo
o poder. Em 1954, o coronel Gamal Abdel Nasser substituiu o general Naguib, mantendo-se no poder até
1970.

Argélia
A Argélia foi dominada pela França em 1830. A partir da década de 1880, iniciou-se um processo de
imigração francesa para o território argelino, ocupando as melhores terras, que passaram a ser destinadas
à vinicultura.
Os colonos franceses na Argélia, denominados pieds noirs (pés pretos), tinham condições de vida
superiores às dos argelinos e o grau de discriminação era muito grande.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a invasão da França pelos alemães provocou a divisão do território
francês e a formação de dois governos: Paris ficou diretamente controlada pelos nazistas, e em Vicky
estabeleceu-se o governo colaboracionista do marechal Pétain. O general Charles de Gaulle comandava
a França livre. A Argélia passou a responder ao governo de Pétain.
Em 1945 ocorreram as primeiras manifestações pela independência — em razão da crise econômica
do pós-Segunda Guerra na França, que nas áreas coloniais foi muito mais grave. Essas manifestações
foram lideradas por muçulmanos, grupo religioso predominante na Argélia, mas foram prontamente
sufocadas pelos franceses.
A derrota francesa na Guerra da Indochina, em 1954, evidenciava o enfraquecimento do seu poder.
Nesse mesmo ano, a população muçulmana da Argélia, movida pelo nacionalismo islâmico, voltou a
colocar se contra a França, através de manifestações que foram coibidas, mas que resultaram na criação
da Frente Nacional de Libertação.
A Frente Nacional de Libertação passou a se organizar militarmente para derrotar o domínio francês.
No próprio ano de 1954 eclodia a guerra de independência. Em 1957, ocorreu a Batalha de Argel, na
qual os líderes da Frente foram capturados e levados presos para Paris, onde permaneceram até 1962.
A violência praticada pelos franceses com a população civil na Batalha de Argel só fez aumentar ainda
mais os descontentamentos dos argelinos.
Em 1958 é proclamada a IV República francesa. O general De Gaulle sobe ao poder e recebe plenos
poderes para negociar a paz com o Governo Provisório da Argélia, estabelecido no Cairo (Egito).
As negociações de paz se estendem até 1962, quando foi assinado o Acordo de Evian, segundo o
qual a França reconhecia a independência da Argélia, pondo fim à guerra que já durava oito anos.

Congo (antigo Zaire)


Em 1867, a Bélgica funda a Sociedade Internacional para a Exploração e Civilização da África,
iniciando a ocupação do Congo, que se tornou possessão belga a partir de 1885, e colônia em 1908.
O congo presenciou um dos piores atos de genocídio já registrados. Sob o domínio de Leopoldo II,
que fazia da escravidão a principal forma de trabalho no território, foi criada a Força Pública, um temível
corpo de soldados reforçado por mercenários.
Para garantir a produção e exploração dos recursos naturais disponíveis no Congo, foi criado um
sistema de cotas. Assassinatos, amputações, estupros e saques eram comuns em casos de cotas não
cumpridas. Tentativas de resistência mais veementes eram contidas com violência tão brutal que

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contribuiu para um total de mortos estimado por acadêmicos em 8 a 10 milhões de pessoas, o que
equivalia, na época, a metade da população congolesa.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os movimentos de emancipação se generalizavam na África
e, em 1960, na Conferência de Bruxelas, a Bélgica concede a independência do Congo, que passa a
constituir a República do Congo.
O governo passou a ser exercido pelo presidente Joseph Kasavubu e pelo primeiro-ministro Patrice
Lumumba.
Em seguida à independência do país, na província de Catanga, ocorre um movimento separatista
liderado pelo governador Moise Tchombe, que, apesar de proclamar a independência da província, não
obteve o reconhecimento internacional. Desencadeou-se, então, uma guerra civil. Catanga recebia apoio
de grupos internacionais interessados nos minérios da região e de tropas mercenárias belgas.
Em setembro de 1960, o presidente Kasavubu demite o primeiro-ministro Patrice Lumumba, e Joseph
Ileo assume o Gabinete. Lumumba não aceitou sua demissão e o Congo passou a ter dois governos.
Então, o coronel Mobutu dissolveu os Gabinetes. Kasavubu foi preservado. Lumumba foi aprisionado e
levado para Catanga, onde foi assassinado, em 1961. Sua morte provocou violentas manifestações
dentro e fora do Congo. Internamente, a crise política se alastrava, o Congo se fragmentava, e as lutas
dividiam a população.
Em 1962, as forças da ONU intervieram no Congo para impedir a secessão de Catanga. Moise
Tchombe foi para o exílio.
Assumia o governo Cyrille Adula em meio aos movimentos liderados pelos partidários de Lumumba
(morto em 1961), que se tornaria o símbolo da luta congolesa.
Os partidários de Lumumba dominavam boa parte do país, em 1964, quando Adula convida Moise
Tchombe (recém-chegado do exílio) para auxiliá-los e vencer os rebeldes. Adula renuncia e Tchombe
assume o cargo de primeiro-ministro.
A guerrilha aumentava e, então, os EUA intensificaram a ajuda militar — que já vinha concedendo —
ao governo de Tchombe.
Os partidários de Lumumba, em resposta, transformaram 60 norte-americanos e 800 belgas em reféns
da guerrilha, o levou a Bélgica a preparar uma ação de resgate, provocando o fuzilamento de 60 reféns
pelos guerrilheiros; os demais foram libertados.
O presidente Kasavubu, em 1965, demitiu o primeiro-ministro Tchombe e logo em seguida o general
Mobutu dá um golpe e assume a presidência do país, que a partir de 1971, passa a se denominar
República do Zaire.

Fim do Império Colonial Português

Portugal foi o grande expoente durante o período das Grandes Navegações. No início do século XV,
mais precisamente em 1415, os portugueses conquistaram Ceuta, no Norte da África, o que permitiu o
avanço pela costa do continente.
No século XVII o Império formado por Portugal começou a entrar em declínio, o que resultou na perda
de grande parte de suas colônias para os espanhóis, holandeses e ingleses. Após a perca de territórios
no século XVI, as conquistas portuguesas não obtiveram o mesmo sucesso, e durante a corrida
neocolonialista no século XIX o país obteve Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e aos arquipélagos de
Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.
Em 25 de abril de 1974, ocorreu a Revolução dos Cravos em Portugal, marcando a ascensão de um
regime democrático que substituiu o governo fascista do presidente Américo Tomás e do primeiro-ministro
Marcelo Caetano, já enfraquecido com a morte de Oliveira Salazar, que governou Portugal entre 1932 e
1970.
O novo governo empossado em 1974 reconhecia no ano seguinte as independências das colônias, o
que significou a desintegração do Império Colonial Português.

Angola
O MPLA, Movimento Popular pela Libertação da Angola, foi fundado em 1956, e em 1961
desencadeou as lutas pela independência no país, sob a liderança do poeta Agostinho Neto.
Outros dois movimentos surgiram dentro do processo de lutas de independência: a União Nacional
para a Independência Total de Angola, Unita, e a Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA.
Em 1974, foi assinado o Acordo de Alvor, segundo o qual os portugueses reconheceriam a
independência de Angola em 1975, devendo ser formado um governo de transição composto pelo MPLA,
Unita e FNLA.

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Os três grupos iniciaram entre si uma série de divergências que culminaram com uma guerra civil e a
invasão do país por tropas do Zaire e da África do Sul (apoiadas pela FNLA e Unita, respectivamente),
que recebiam ajuda militar norte-americana.
O MPLA, liderado por Agostinho Neto, solicitou então ajuda de Cuba e, em 1976, derrotou as forças
da Unita e da FNLA.

Moçambique
Em 1962, foi criada a Frente de Libertação de Moçambique, Frelimo, por Eduardo Mondlane, que
iniciou as lutas pela independência.
Samora Machel, em 1969, assumiu a direção do movimento, que passou a disputar, através da
guerrilha, o controle do território.
Em 1975, Portugal reconheceu a independência da República Popular de Moçambique.

Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe


Amilcar Cabral, em 1956, fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde,
PAIGC, que desencadeia a luta pela independência a partir de 1961.
Em 1973, mais da metade do território da Guiné estava sob domínio do PAIGC. Nesse ano, Amilcar
Cabral é assassinado e assume Luís Cabral a presidência da recém- proclamada República Democrática
Anti-imperialista e Anticolonialista da Guiné.
Em 1974, o governo português reconhece a independência da Guiné.
Em 1975, Cabo Verde tem sua independência reconhecida por Portugal.
São Tomé e Príncipe, no mesmo ano que Cabo Verde, tem sua independência reconhecida por
Portugal.

Consequências da Descolonização Afro-Asiática


A principal consequência do processo de descolonização afro-asiática foi a criação de um novo bloco
de países que juntamente com a América Latina passaram a compor o Terceiro Mundo.
Os efeitos da exploração europeia nos dois continentes ainda podem ser observados, principalmente
através da divisão territorial que não respeitou limites étnicos e acabou confinando povos inimigos em um
mesmo país, gerando uma série de conflitos e guerras civis.

Questões

01. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) Ao chegar ao fim, a Segunda Guerra Mundial
desvelava um novo cenário mundial. Ao declínio europeu e à emergência de um sistema internacional
bipolar, soma-se o movimento de independência na Ásia e na África. Relativamente a esse processo de
descolonização, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
O processo de descolonização foi marcado pelo ambiente de tensão próprio da Guerra Fria, mas não
pode ser a esta debitada influência exclusiva sobre as motivações e a forma de condução da luta pela
emancipação das colônias.
(A) Certo
(B) Errado

02. (UFSM/RS) "A primeira coisa, portanto, é dizer-vos a vós mesmos: Não aceitarei mais o papel de
escravo. Não obedecerei às ordens como tais, mas desobedecerei quando estiverem em conflito com a
minha consciência. O assim chamado patrão poderá sussurrar-vos e tentar forçar-vos a servi-lo. Direis:
Não, não vos servirei por vosso dinheiro ou sob ameaça. Isso poderá implicar sofrimentos. Vossa
prontidão em sofrer acenderá a tocha da liberdade que não pode jamais ser apagada." (Mahatma Gandhi)
In: MOTA, Myriam; BRAICK, Patrícia. História das cavernas ao Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, 2005. p.615.

“Acenderá a tocha da liberdade que não pode jamais ser apagada” são palavras de Mahatma Gandhi
(1869-1948) que, no contexto da Guerra Fria, inspiraram movimentos como
(A) o acirramento da disputa por armamentos nucleares entre os EUA e a URSS, objetivando a
utilização do arsenal nuclear como instrumento de dissuasão e amenização das disputas.
(B) a reação dos países colonialistas europeus visando a diminuir o poder da Assembleia Geral da
ONU e reforçar o poder do Secretário-Geral e do Conselho de Segurança.
(C) as concessões unilaterais de independência às colônias que concordassem em formar alianças
econômicas, políticas e estratégicas com suas antigas metrópoles, como a Comunidade Britânica de
Nações e a União Francófona.

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(D) o reforço do regime de “apartheid” na África do Sul que, após prender o líder Nelson Mandela e
condená-lo à prisão perpétua, procurou expandir a segregação racial para os países vizinhos, como a
Rodésia e a Namíbia.
(E) o não alinhamento político, econômico e militar aos EUA ou à URSS, decisão tomada pelos países
do Terceiro Mundo reunidos na Conferência de Bandung, na Indonésia.

03. A utilização maciça de desfolhantes “pretendia arrasar a cobertura vegetal, para impedir que o
adversário se camuflasse, e destruir as colheitas para matar de fome as populações e os combatentes.
O segundo objetivo era explícito: como as operações de guerrilha dependiam estreitamente das colheiras
locais para seu abastecimento, os agentes antiplantas possuíam um elevado potencial ofensivo para
destruir ou limitar a produção de alimentos.”
GRENDEU, Francis. Quem Faz as guerras químicas. Le Monde Diplomatique, 1º janeiro de 2006.
O texto acima se refere a táticas utilizadas em uma guerra inserida no contexto da Descolonização
Afro-asiática. À qual conflito se refere o texto?
(A) A guerra de independência da Indonésia.
(B) A guerra pela libertação da Argélia.
(C) A guerra do Vietnã.
(D) A guerra separatista do Congo.
(E) A luta pela formação do Estado Palestino.

Gabarito

01.A / 02.E / 03.C

Comentários

01. Resposta: A
Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrou em declínio, e passou a sofrer forte
influência da União Soviética e dos Estados Unidos. O declínio europeu permitiu o fortalecimento do
nacionalismo e o crescimento do desejo de independência.

02. Resposta: E
A luta pela descolonização e pela independência dos países africanos e asiáticos resultou também na
oposição às políticas imperialistas tanto dos EUA quanto da URSS, dando origem ao chamado movimento
dos Países Não Alinhados, que envolvia o chamado Terceiro Mundo.

03. Resposta: C
Foi na guerra do Vietnã que os EUA utilizaram uma grande quantidade de armas químicas para tentar
derrotar a guerrilha que eles enfrentavam. Apesar de todas as atrocidades cometidas, os vietnamitas
conseguiram vencer os estadunidenses.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

A Primeira Guerra Mundial ou Grande Guerra aconteceu entre os anos de 1914 e 1918. Ela recebeu
esse nome de seus contemporâneos, sob a justificativa de que até então nenhuma das guerras europeias
haviam atingido tamanha proporção.

Antecedentes

A Primeira Guerra Mundial surgiu a partir de tensões formadas na segunda metade do século XIX
com o desenvolvimento do imperialismo e do nacionalismo.
Esses dois movimentos aliados às motivações capitalistas (expansão econômica de mercados) fizeram
aumentar a tensão entre alguns países europeus. Essas tensões surgiram e cresceram antes mesmo dos
anos anteriores ao início do conflito.
A divisão da África e da Ásia no final do século XIX deixou de fora da partilha desses continentes a
Itália e a Alemanha – países que demoraram a se unificar –. Por outro lado, França e Inglaterra
exploravam toda a vantagem econômica que as novas colônias disponibilizavam.
Esses benefícios geraram descontentamento e aumentaram o sentimento de rivalidade existente entre
Alemanha e França desde o episódio envolvendo a Região de Alsácia-Lorena.

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A Alemanha, apesar de ter se unificado tardiamente, conseguiu que seus produtos ganhassem espaço
formando uma grande indústria que conseguiu fazer frente à tradicional potência britânica.
Junto desses aspectos, o nacionalismo aparece como uma fonte legitimadora da guerra. Esse
sentimento aparece sob diversas formas como por exemplo na França, em que o revanchismo aparece
provocado pela sua derrota na Guerra Franco-Prussiana.
Na Rússia, surge o pan-eslavismo, ideia que se baseava na teoria de que todos os eslavos
pertencentes à Europa Oriental deveriam constituir-se como uma família, e a Rússia como país mais
poderoso dos estados eslavos, deveria ser o líder e o protetor.
Ideia similar manifestou-se na Alemanha através do pangermanismo, uma corrente ideologica que
lutava para que todos os povos germânicos se unissem sob a liderança alemã.

SE LIGA: Alsácia-Lorena era uma região de população germânica. Na primeira metade do


século XVII ela foi tomada pela França e novamente se tornou alvo de disputas quando a
Prússia, principal reino do Império alemão liderou um conflito contra a França para recuperá-
la (Guerra Franco-Prussiana). A disputa pela região é apontada como um dos principais
motivos para a França declarar guerra à Alemanha.

Estopim do Conflito

Rivalidades e tensões formadas, a única coisa que faltava para iniciar o confronto era um pretexto,
surgido no dia 28 de junho de 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro
do trono austríaco, em Sarajevo, capital da Bósnia, por um estudante sérvio.
Com a morte do arquiduque, a Áustria culpou a Sérvia e exigiu que providencias fossem tomadas.
Como a Sérvia não encontrou uma saída que agradasse a ambos, a Áustria declarou guerra contra a
Sérvia.
A Rússia entra no conflito no dia 30 de julho ao mobilizar suas tropas para atacar a Áustria (justificada
pelo ataque à Sérvia).
Em resposta a esse movimento, a Alemanha declara guerra aos russos. No dia 03 de agosto, a
Alemanha declara guerra à França e invade o território Belga, um país neutro. Devido a violação da
neutralidade, a Alemanha deu motivos para a Inglaterra intervir e declarar guerra à Alemanha, no dia 04
de agosto.

Política de Alianças

Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX e
durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada
em 1882 pela Itália, pelo Império Austro-Húngaro e pela Alemanha.
Do outro lado havia a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e
Reino Unido.

Situação da Itália
Foram esses dois blocos que lideraram o conflito após o início da Primeira Guerra Mundial. Porém, em
1915 a Itália deixa a Tríplice Aliança passando para o lado da Entente.
Ela alegou que a Tríplice Aliança havia sido criada com propósito de defesa, diferente da postura
ofensiva da Alemanha, além da promessa da Entente por territórios na Ásia e África.

Outros Países
A Tríplice Entente também contou com a participação de outros países durante a Primeira Guerra
Mundial como Sérvia, Japão, Estados Unidos, Brasil, Portugal e Grécia. Esse apoio configurou-se de
forma direta (envio de tropas, suprimentos ou estrutura) ou indireta (apoio político).

Primeira Fase da Guerra: Guerra de Movimento

A primeira fase da guerra contou com ataques da Alemanha à França. Os alemães planejavam derrotar
a França de forma rápida, contudo o exército francês conseguiu fazer frente às forças alemãs.

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Os conflitos desse período na França ficaram conhecidos como Batalha de Marne. Essa batalha
inaugurou a chamada guerra de trincheiras (frentes estáticas escondidas em valas cavadas no chão). Os
franceses conseguiram deter a ofensiva alemã que mirava Paris. Apesar disso, a capital do país passou
a ser Bordeaux.
Em 15 de agosto de 1914, a Rússia invade a Alemanha e a Austro-Hungria.

Segunda Fase da Guerra: Guerra de Trincheiras ou Guerra de Posições

A segunda fase da Primeira Guerra Mundial foi a época em que ocorreram os avanços estratégicos.
Além disso, a utilização de novos armamentos despertou um boom industrial.
Em 1917 com o triunfo da Revolução Russa, a Rússia assina um acordo com as Potências Centrais
(Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano) que oficializava a sua saída da
guerra. Esse acordo levou o nome de Tratado de Brest-Litovsk.
No mesmo ano os Estados Unidos entram no conflito após ter seus navios mercantes atacados em
águas internacionais por submarinos alemães.
O receio de que seus principais parceiros comerciais na Europa perdessem o conflito também foi um
motivo para a entrada estadunidense na guerra.
Com o desenrolar da guerra, as alianças estavam desenhadas da seguinte forma:

- Tríplice Aliança: antes de iniciar a guerra, reunia a Alemanha, Austro-Hungria e Itália. Com o início
dos conflitos, O império Turco-Otomano alia-se com a Alemanha em 1914 e a Bulgária em 1915.
- Tríplice-Entente: antes era formada pela Inglaterra, França e Rússia. Durante a guerra, mais 24
nações foram incorporadas à aliança.
A Itália que antes pertencia a Tríplice Aliança, entra no conflito em 1915 ao lado dos países da Tríplice-
Entente.

O Final da Guerra

Após a saída da Rússia e com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a situação da Aliança foi
ficando cada vez mais crítica. Em março de 1918 os alemães iniciaram mais uma ofensiva na frente
ocidental, utilizando aviões, canhões e tanques visando conquistar Paris.
Nesse momento, com a ajuda dos Estados Unidos, os alemães foram obrigados a recuar e a partir
desse momento começaram a perder aliados até o ponto de a situação ficar insustentável.
Neste momento da guerra o povo alemão sofria com a fome, devido a um bloqueio naval. A escassez
de alimentos levou a população a fazer uma manifestação pedindo o a saída da guerra.
A população de Berlim, em novembro de 1918, conseguiu tirar do poder o imperador Guilherme II e
implantou então um governo provisório, sob a liderança do Partido Social-Democrata, que assinou um
acordo de paz com os Aliados, terminando assim, a Primeira Guerra Mundial

Consequências
Com a rendição dos países que formavam a Tríplice Aliança, um acordo foi assinado nas proximidades
de Paris, em que apenas os países vencedores participaram. Pelo acordo, a Alsácia-Lorena voltava a
pertencer a França.
Este tratado também impôs fortes punições à Alemanha que foi obrigada a pagar uma indenização aos
países vencedores. Além disso, parte de sua frota mercante, suas locomotivas e reservas de ouro também
foram entregues à Entente.
Seu exército foi reduzido, assim como sua indústria bélica. Esse tratado, assinado em junho de 1919
levou o nome de Tratado de Versalhes, pois foi assinado na sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes.
A Primeira Guerra Mundial, deixou um legado de aproximadamente 10 milhões de mortos, e quase o
triplo de feridos. Campos e indústria foram destruídos, além dos prejuízos estruturais nas áreas de
conflito.
O conceito de guerra mudou a partir da Primeira Guerra Mundial em que o modelo aristocrático que
caracterizou as guerras de Napoleão, não existia mais. O uso de novas armas, como bombas, tanques,
rifles de precisão e metralhadoras, transformaram os exércitos.

As Influências da Primeira Guerra Mundial no Cenário Brasileiro

No início do século XX, após anos de estreita aliança com a Grã-Bretanha, a República brasileira voltou
suas atenções para os Estados Unidos. Essa radical mudança de eixo em nossas relações exteriores,

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estabelecida durante a gestão do barão do Rio Branco no Itamarati (1902-1912), foi além do plano político-
diplomático. Também no tocante às relações econômicas internacionais, que envolvem tanto o comércio
como as relações financeiras, os Estados Unidos substituíram a Inglaterra como principal parceiro do
Brasil49.
A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em julho de 1914, não trouxe alteração na política externa
brasileira. Desde o início o Brasil declarou sua completa neutralidade, e só quase no final da guerra mudou
de posição.
Em abril de 1917, um bloqueio naval imposto pela Alemanha à Grã-Bretanha, França, Itália e todo o
Mediterrâneo Oriental levou ao torpedeamento do navio brasileiro Paraná, que navegava nas águas
bloqueadas. A consequência imediata foi a ruptura de relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha.
Logo a seguir, em maio de 1917, outro navio brasileiro foi afundado por submarinos alemães.
Dessa vez, a reação do presidente Venceslau Brás foi ainda mais severa: enviou mensagem ao
Congresso Nacional solicitando a encampação dos navios mercantes alemães estacionados em portos
brasileiros, o que, na prática, estabelecia o fim da neutralidade.
O ministro das Relações Exteriores, Lauro Müller, devido à sua ascendência alemã, foi substituído por
Nilo Peçanha. Não se deve esquecer também que os Estados Unidos, principal aliado do Brasil em
questões internacionais, haviam recuado de seu isolacionismo inicial e declarado guerra à Alemanha em
abril de 1917. Afinal, em 27 de outubro o Brasil proclamou o estado de guerra contra o Império Alemão.
A participação militar brasileira na Primeira Guerra Mundial foi modesta e tardia. Além de uma equipe
médica, que se estabeleceu na França, foram enviadas divisões navais incumbidas de se juntar às forças
britânicas e americanas para dar proteção às rotas do Atlântico. Uma parte dessas divisões foi
contaminada em Dacar pela gripe espanhola, e o restante chegou a Gibraltar um dia antes da declaração
de armistício.
A delegação brasileira à Conferência de Paz de Paris, realizada entre 1919 e 1920, foi chefiada por
Epitácio Pessoa. Sua participação se limitou, de modo geral, a seguir o voto da delegação norte-
americana. Mas foi signatária do Tratado de Versalhes, que estabeleceu as condições de paz entre os
Aliados e a Alemanha, e representou o Brasil como membro fundador da Liga das Nações.
O principal órgão deliberativo da Liga era o Conselho Executivo, composto de membros permanentes
(Grã-Bretanha, França, Itália e Japão) e membros provisórios, eleitos para um mandato de três anos. O
Brasil foi eleito membro provisório para dois mandatos sucessivos, em 1921 e 1925. Entretanto, uma
mudança de rumo na política das potências europeias em relação à Alemanha, por volta de 1925, fez
com que fosse vista com bons olhos a integração do antigo inimigo no Conselho Executivo da Liga, na
condição de membro permanente.
O Brasil deixou claro que apoiaria uma ampliação do Conselho, desde que também fosse incluído
como membro permanente. A ausência de apoio à reivindicação brasileira, tanto da parte das grandes
potências como dos países latino-americanos, gerou um impasse que resultou no veto brasileiro à entrada
da Alemanha, logo seguido da retirada do Brasil do Conselho Executivo. Ambos os gestos foram
determinados diretamente pelo presidente Artur Bernardes e seu ministro das Relações Exteriores, Félix
Pacheco, e foram cumpridos apesar da oposição do então do chefe da delegação brasileira, Afrânio de
Melo Franco.
Por fim, o Brasil comunicou oficialmente sua retirada da Liga, em junho de 1926, por intermédio de
nota dirigida à Secretaria Geral onde era duramente criticada a atuação das grandes potências.

Questões

01. (ABIN - Oficial de Inteligência – CESPE – 2018) A respeito da Primeira Guerra Mundial, julgue o
item subsequente.
O Czar Nicolau II retirou a Rússia da guerra em 1917, na tentativa de conter a Revolução Bolchevique
que estava em andamento no país.
(A) Certo
(B) Errado

02. (ABIN - Oficial de Inteligência – CESPE – 2018) A respeito da Primeira Guerra Mundial, julgue o
item subsequente.

49
FGV. Política Externa. https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CentenarioIndependencia/PoliticaExterna.

114
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Estabelecida logo após o fim da guerra, a Sociedade das Nações foi bem-sucedida em promover o
desarmamento e a paz mundial ao longo da década de 30 do século XX.
(A) Certo
(B) Errado

03. (ABIN - Oficial de Inteligência – CESPE – 2018) A respeito da Primeira Guerra Mundial, julgue o
item subsequente.
Muitas inovações tecnológicas foram utilizadas nessa guerra, considerada pela historiografia uma
guerra total: os aviões foram decisivos para a vitória da Entente, que então gozava de grandes vantagens
tecnológicas frente aos países aliados.
(A) Certo
(B) Errado

04. (PC/MG - Escrivão de Polícia Civil – FUMARC) São conjunturas que precedem à eclosão da
Primeira Guerra Mundial, EXCETO:
(A) A presença de várias potências europeias na Ásia e na África fez com que interesses imperialistas
se antagonizassem, sobretudo, no que se refere ao controle de territórios.
(B) A política de alianças produzirá um “efeito dominó”, lançando à guerra, uma após outra as nações
signatárias dos acordos.
(C) O nacionalismo adquire grande importância na eclosão da guerra, uma vez que as alianças entre
as nações europeias, no período que precede o conflito, nortearam-se fundamentalmente, por questões
étnicas.
(D) A escalada inflacionária, o desemprego e o ódio racial favoreceram a subida ao poder de partidos
totalitários como o Partido Nacional dos Trabalhadores Alemães. Antissemitismo e expansionismo
territorial faziam parte da política desses partidos, o que acabou determinando a guerra.

05. (Prefeitura de Betim/MG – Professor PII - História - Prefeitura de Betim – MG) É coerente com
as razões que levaram à 1ª Grande Guerra Mundial:
(A) Um dos fatos que contribuiu para o final do confronto foi a entrada da Rússia na Guerra, pois tinha
um exército grande e bem preparado, impondo aos alemães derrotas vexatórias.
(B) O processo de Imperialismo, promovido pelas grandes potências capitalistas da Europa,
principalmente França, Inglaterra e Alemanha, gerou conflitos e até confrontos pela disputa de territórios,
ao ponto de desencadear a 1ª Guerra.
(C) Temendo uma ofensiva alemã, Japão, Inglaterra e França formaram a Tríplice Aliança.
(D) O início da Guerra se deu quando as tropas alemãs invadiram a Polônia, apresentando ao mundo
a famosa Guerra Relâmpago, deixando marcas desastrosas para os poloneses.

Gabarito

01.B / 02.B / 03.B / 04.A / 05.B

Comentários

01. Resposta: B
A Rússia (posteriormente URSS) se retira apenas quando a Revolução atinge sucesso. É bem verdade
que foi a decisão do Czar que agravou os problemas econômicos sociais na Rússia e sob a liderança de
Lênin eles abandonam o conflito.

02. Resposta: B
O órgão criado após o final do conflito com o objetivo de promover a paz mundial não conseguiu
cumprir a função ao qual foi proposto. Houveram por exemplo conflitos como a Guerra na Machúria, a
Guerra Civil espanhola, a Guerra Sino-japonesa e a própria Segunda Guerra Mundial.

03. Resposta: B
A aviação não pode ser apontada como fator decisivo na Primeira Guerra Mundial (ao contrário do que
ocorreu na Segunda, portanto, fácil de confundir). A respeito das vantagens tecnológicas, Entente e
Aliança se encontravam em equilibro.

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04. Resposta: A.
Apesar de ter se unificado tardiamente, a Alemanha conseguiu que seus produtos industrializados
ganhassem espaço. Os alemães conseguiram formar uma grande indústria que conseguiu superar a
tradicional potência britânica.

05. Resposta: B.
O capitalismo, motivou o conflito entres as grandes potências europeias. O desejo de ampliar
mercados, através do imperialismo, aumentou ainda mais a tensão entre os países da Europa, pois como
a Alemanha e a Itália se unificaram tardiamente, ambas ficaram fora do processo neocolonial, o que gerou
grande descontentamento.

A República Velha no Brasil; conflitos brasileiros durante a República Velha.

BRASIL REPÚBLICA

A palavra República possui várias interpretações, sendo a mais comum a identificação de um sistema
de governo cujo Chefe de Estado é eleito através do voto dos cidadãos ou de seus representantes, com
poderes limitados e com tempo de governo determinado.
A República tem seu nome derivado do termo em latim Res publica, que significa algo como “coisa
pública” ou “coisa do povo”.
Em 15 de novembro de 1889 foi instituída a República no Brasil. Entre os fatores responsáveis para o
acontecimento, estão a crise que se instalou sobre o império, os atritos com a Igreja e o desgaste
provocado pela abolição da escravidão. Com a Guerra do Paraguai e o fortalecimento do exército, os
ideais republicanos começaram a ganhar força, sendo abraçados também por parte da elite cafeicultora
do Oeste Paulista.

O Movimento Republicano e a Proclamação da República

Mesmo com a manutenção do sistema escravista e de latifúndio exportador, na segunda metade do


século XIX o Brasil começou a experimentar mudanças, tanto na economia como na sociedade.
O café, que já era um produto em ascensão ganhou mais destaque quando cultivado no Oeste Paulista.
Juntamente com o café na região amazônica a borracha também ganhava mercado.
Com a ameaça do fim da escravidão, começaram os incentivos para a vinda de trabalhadores
assalariados gerando o surgimento de um modesto mercado interno, além da criação de pequenas
indústrias. Surgiram diversos organismos de crédito e as ferrovias ganhavam cada vez mais espaço,
substituindo boa parte dos transportes terrestres, marítimos e fluviais.
As mudanças citadas acima não alcançaram todo o território brasileiro. Apenas a porção que hoje
abrange as regiões Sul e Sudeste foram diretamente impactadas, levando inclusive ao crescimento dos
núcleos urbanos. Em outras partes como na região Nordeste, o cultivo da cana-de-açúcar e do algodão,
que por muito tempo representaram a maior parte das exportações nacionais, entravam em declínio.
Muitos dos produtores e da população dessas regiões em desenvolvimento passavam a questionar o
centralismo político existente no império brasileiro que tirava a autonomia local. A solução para resolver
os problemas advindos da mudança pela qual o país passava foi encontrada no sistema federalista, capaz
de garantir a tão desejada autonomia regional. Não é de se espantar que entre os principais apoiadores
do sistema federalista estivessem os produtores de café do oeste paulista, que passavam a reivindicar
com mais força seus interesses econômicos.
Apesar das influências republicanas nas revoltas e tentativas de separação desde o século XVIII, foi
apenas na década de 1870, com a publicação do Manifesto Republicano, que o ideal foi consolidado
através da sistematização partidária.
O Manifesto foi publicado em 3 de dezembro de 1870, no jornal A República, redigido por Quintino
Bocaiúva, Saldanha Marinho e Salvador de Mendonça, e assinado por cinquenta e oito cidadãos entre
políticos, fazendeiros, advogados, jornalistas, médicos, engenheiros, professores e funcionários públicos.
Defendia o federalismo (autonomia para as Províncias administrarem seus próprios negócios) e criticava
o poder pessoal do imperador.
Após a publicação do Manifesto, entre 1870 e 1889 os ideais republicanos espalharam-se rapidamente
pelo país. Um dos principais frutos foi a fundação do Partido Republicano Paulista, fundado na Convenção

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de Itu em 1873 e marcado pela heterogeneidade de seus membros e da efetiva participação dos
cafeicultores do Oeste Paulista.
Os republicanos brasileiros divergiam em seus ideais, criando duas tendências dentro do partido: A
Tendência Evolucionista e a Tendência Revolucionária.
Defendida por Quintino Bocaiuva, a Tendência Evolucionista partia do princípio de que a transição
do império para a república deveria ocorrer de maneira pacífica, sem combates. De preferência após a
morte do imperador.
Já a Tendência Revolucionária, defendida por Silva Jardim e Lopes Trovão, dizia que a República
precisava “ser feita nas ruas e em torno dos palácios do imperante e de seus ministros” e que não se
poderia “dispensar um movimento francamente revolucionário”. A eleição de Quintino Bocaiúva (maio de
1889) para a chefia do Partido Republicano Nacional expurgou dos quadros republicanos as ideias
revolucionárias.
O final da Guerra do Paraguai (1870) aumentou os antagonismos entre o Exército e a Monarquia. O
exército institucionalizava-se. Os militares sentiam-se mal recompensados e desprezados pelo Império.
Alguns jovens oficiais, influenciados pela doutrina de Augusto Comte (positivismo) e liderados por
Benjamin Constant, sentiam-se encarregados de uma "missão salvadora" e estavam ansiosos por corrigir
os vícios da organização política e social do país. A "mística da salvação nacional" não era privativa deste
pequeno grupo de jovens. Generalizara-se entre os militares a ideia de que só os homens de farda eram
"puros" e "patriotas", ao passo que os civis, as “casacas” como diziam eram corruptos venais e sem
nenhum sentimento patriótico.
A Proclamação resultou da conjugação de duas forças: o exército descontente, e o setor cafeeiro da
economia, pretendendo este eliminar a centralização vigente por meio de uma República Federativa que
imporia ao país um sistema favorável a seus interesses.
Portanto, a Proclamação não significou uma ruptura no processo histórico brasileiro: a economia
continuou dependente do setor agroexportador. Afora o trabalho assalariado, o sistema de produção
continuou o mesmo e os grupos dominantes continuaram a sair da camada social dos grandes
proprietários. Houve apenas uma modernização institucional.
O golpe militar promovido em 15 de novembro de 1889 foi reafirmado com a proclamação civil de
integrantes do Partido Republicano, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Ao contrário do que
aparentou, a proclamação foi consequência de um governo que não mais possuía base de sustentação
política e não contou com intensa participação popular. Conforme salientado pelo ministro Aristides Lobo,
a proclamação ocorreu às vistas de um povo que assistiu tudo de forma bestializada.

O Governo Provisório e a República da Espada

Proclamada a República, o primeiro desafio era estabelecer um governo. O Marechal Deodoro da


Fonseca ficou responsável por assumir a função de Presidente até que um novo presidente fosse eleito.
Os primeiros atos decretados por Deodoro foram o banimento da Família Real do Brasil, estabelecimento
de uma nova bandeira nacional, separação entre Estado e Igreja (criação de um Estado Laico, porém não
laicista), liberdade de cultos, secularização dos cemitérios e a Grande Naturalização, ato que garantiu a
todos os estrangeiros que moravam no Brasil a cidadania brasileira, desde que não manifestassem dentro
de seis meses a vontade de manter a nacionalidade original.
No plano econômico, Rui Barbosa assumiu o cargo de Ministro da Fazenda lançando uma política de
incentivo ao setor industrial, caracterizada pela facilitação dos créditos bancários, a especulação de ações
e a emissão de papel-moeda em excesso. As medidas tomadas por Rui Barbosa que buscavam
modernizar o país, acabaram por gerar uma forte crise que provocou o aumento da inflação e da dívida
pública, a quebra de bancos e empobrecimento de pequenos investidores. Essa dívida ficou conhecida
como Encilhamento.
Em 24 de fevereiro de 1891 foi eleito um Congresso Constituinte, responsável por promulgar a primeira
Constituição republicana brasileira, elaborada com forte influência do modelo norte-americano. O Poder
Moderador, de uso exclusivo do imperador foi extinto, assim como o cargo de Primeiro-Ministro, a
vitaliciedade dos senadores, as eleições legislativas indiretas e o voto censitário.
Em relação ao poder do Estado, foi adotado o sistema de tripartição entre Executivo, Legislativo e
Judiciário, com um sistema presidencialista de voto direto com mandato de 4 anos sem reeleição. As
províncias, que agora eram denominadas Estados, foram beneficiadas com uma maior autonomia através
do Sistema Federalista.
Em relação ao voto, antes censitário, foi declarado o sufrágio universal masculino, ou seja, “todos” os
homens alfabetizados e maiores de 21 anos poderiam votar. Na prática o voto ainda continuava restrito,
visto que eram excluídos os mendigos, os padres e os praças (soldados de baixa patente). No Brasil de

117
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1900, cerca de 35%50 da população era alfabetizada. Desse total ainda estavam excluídas as mulheres,
já que mesmo sem uma regra explícita de proibição na constituição, “considerou-se implicitamente que
elas estavam impedidas de votar”51
A Constituição também determinava que a primeira eleição para presidente deveria ser indireta através
do Congresso. Deodoro da Fonseca venceu a eleição por 129 votos a favor e 97 contra, resultado
considerado apertado na época. Para o cargo de vice-presidente o Congresso elegeu o marechal Floriano
Peixoto.
A atuação de Deodoro foi encarada com suspeita pelo Congresso, já que ele buscava um
fortalecimento do Poder Executivo baseado no antigo Poder Moderador. Deodoro substituiu o ministério
que vinha do governo provisório por um outro, que seria comandado pelo Barão de Lucena, tradicional
político monárquico. Em 3 de novembro de 1891 o presidente fechou o Congresso, prometendo novas
eleições e a revisão da Constituição.
A intenção do marechal era limitar e igualar a representação dos Estados na Câmara, o que atingia os
grandes Estados que já possuíam uma participação maior na política. Sem obter o apoio desejado dentro
das forças armadas, Deodoro acabou renunciando em 23 de novembro de 1891, assumindo em seu lugar
o vice Floriano Peixoto.
Floriano tinha uma visão de República baseada na construção de um governo estável e centralizado,
com base no exército e no apoio dos jovens das escolas civis e militares. A visão de Floriano chocava-se
diretamente com a visão dos grandes fazendeiros, principalmente os produtores de café de São Paulo
que almejavam um Estado liberal e descentralizado. Apesar das diferenças, o presidente e os fazendeiros
conviveram em certa harmonia, pela percepção de que sem Floriano a República corria o risco de acabar,
e sem o apoio dos fazendeiros, Floriano não conseguiria governar.
Os dois primeiros governos republicanos no Brasil ganharam o nome de República da Espada devido
ao fato de seus presidentes serem membros do exército.

A Revolução Federalista
Desde o período imperial, o Rio Grande do Sul fora palco de protestos e indignações com o governo,
como pode ser observado na Revolução Farroupilha, que durou de 1835 até 1845. Com a Proclamação
da República, a política no Estado manteve-se instável, com diversas trocas no cargo de presidente
estadual. Conforme aponta Fausto, entre 1889 e 1893, dezessete governos se sucederam no comando
do Estado52, até que Júlio de Castilhos assumiu o poder no Estado.
Dois grupos disputavam o controle do Rio Grande do Sul: o Partido Republicano Rio-grandense (PRR)
e o Partido Federalista (PF).
O Partido Republicano era composto por políticos defensores do positivismo, apoiadores de Júlio de
Castilhos e de Floriano Peixoto. Sua base política era composta principalmente de imigrantes e habitantes
do litoral e da Serra do Rio Grande do Sul, formando uma elite política recente. Durante o conflito foram
conhecidos como Pica-paus.
O Partido Federalista defendia um sistema de governo parlamentarista e a revogação da constituição
do Estado, de caráter positivista. Foi fundado em 1892 e tinha como líder o político Silveira Martins,
conhecida figura política do Partido Liberal durante o império. A base de apoio do Partido Federalista era
composta principalmente de estancieiros de campanha, que dominaram a cena política durante o império.
Durante o conflito ganharam o apelido de Maragatos.
O conflito teve início em fevereiro de 1893, quando os federalistas, descontentes com a imposição do
governo de Júlio de Castilhos, pegaram em armas para derrubar o presidente estadual. Desde o início da
revolta, Floriano Peixoto, então presidente do Brasil, colocou-se do lado dos republicanos. Os opositores
de Floriano em todo o país passaram a apoiar os federalistas.
No final de 1893 os federalistas ganharam o apoio da Revolta Armada que teve início no Rio de Janeiro,
causada pelas rivalidades entre o exército e a marinha e o descontentamento do almirante Custódio José
de Melo, frustrado em sua intenção de suceder Floriano Peixoto na presidência.
Parte da esquadra naval comandada pelo almirante deslocou-se para o Sul, ocupando a cidade de
Desterro (atual Florianópolis), em Santa Catarina, e a partir daí ocupando parte do Paraná e a capital
Curitiba. O prolongamento do conflito, com grandes custos aos revoltosos, levou à decisão de recuar e
manter-se no Rio Grande do Sul.
A revolta teve fim somente em agosto de 1895, quando os combatentes maragatos depuseram as
armas e assinaram um acordo de paz com o presidente da república, garantindo a anistia para os
participantes do conflito. Apesar de curta, a Revolução Federalista teve um saldo de mais de 10.000

50
Souza, Marcelo Medeiros Coelho de. O analfabetismo no brasil sob enfoque demográfico. Cad. Pesqui. Jul 1999, no.107, p.169-186. ISSN 0100-1574
51
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1999. Página 251.
52
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1999.

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mortos, a maior parte deles de prisioneiros capturados em conflitos e mortos posteriormente, o que
garantiu o apelido de “revolução da degola”.

Características da Primeira República

O período que vai de 1889, data da Proclamação da República, até 1930, quando Getúlio Vargas
assumiu o poder, é conhecido como Primeira República. O período é marcado pela dominação de poucos
grupos políticos, conhecidos como oligarquias, pela alternância de poder entre os estados de São Paulo
e Minas Gerais (política do café-com-leite), e pelo poder local exercido pelos Coronéis.
Com a saída dos militares do governo em 1894, teve início o período chamado República das
Oligarquias. A palavra Oligarquia vem do grego oligarkhía, que significa “governo de poucos”. Os grupos
dominantes, em geral ligados ao café e ao gado, impunham sua vontade sobre o governo, seja pela via
legal, seja através de fraudes nas votações e criação de leis específicas para beneficiar o grupo
dominante.

O Coronelismo
Durante o período regencial, espaço entre a abdicação de D. Pedro I e a coroação de D. Pedro II,
diversas revoltas e tentativas de separação e instalação de uma república aconteceram no Brasil. Sem
condições de controlar todas as revoltas, o governo regencial, pela sugestão de Diogo Feijó, criou a
Guarda Nacional.
Com o propósito de defender a constituição, a integridade, a liberdade e a independência do Império
Brasileiro, sua criação desorganiza o Exército e começa a se constituir no país uma força armada
vinculada diretamente à aristocracia rural, com organização descentralizada, composta por membros da
elite agrária e seus agregados. Para compor os quadros da Guarda nacional era necessário possuir
amplos direitos políticos, ou seja, pelas determinações constitucionais, poderiam fazer parte dela apenas
aqueles que dispusessem de altos ganhos anuais.
Com a criação da Guarda e suas exigências para participação, surgiram os coronéis, que eram
grandes proprietários rurais que compravam suas patentes militares do Estado. Na prática, eles foram
responsáveis pela organização de milícias locais, responsáveis por manter a ordem pública e proteger os
interesses privados daqueles que as comandavam. O coronelismo esteve profundamente enraizado no
cenário político brasileiro do século XIX e início do século XX.
Após o fim da República da Espada, os grupos ligados ao setor agrário ganharam força na política
nacional, gerando uma maior relevância para os coronéis no controle dos interesses e na manutenção da
ordem social. Como comandantes de forças policiais locais, os coronéis configuravam-se como uma
autoridade quase inquestionável nas áreas rurais.
A autoridade do coronel, além de usada para manter a ordem social, era exercida principalmente
durante as eleições, para garantir que o candidato ou grupo político que ele representasse saísse
vencedor. A oposição ao comando do coronel poderia resultar em violência física, ameaças e
perseguições, o que fazia com que muitos votassem a contragosto, para evitar as consequências de
discordar da autoridade local, gerando uma prática conhecida como Voto de Cabresto.
Na república velha, o sistema eleitoral era muito frágil e fácil de ser manipulado. Os coronéis
compravam votos para seus candidatos ou trocavam votos por bens materiais. Como o voto era aberto,
os coronéis mandavam os capangas para os locais de votação, com o objetivo de intimidar os eleitores e
ganhar os votos. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais
eleitorais.
Os coronéis costumavam alterar votos, sumir com urnas e até mesmo patrocinavam a prática do voto
fantasma. Este último consistia na falsificação de documentos para que pessoas pudessem votar várias
vezes ou até mesmo utilizar o nome de falecidos nas votações.
Dessa forma, a vontade política do coronel era atendida, garantindo que seus candidatos fossem
eleitos em nível municipal e também estadual, e garantindo também participação na esfera federal.

Prudente de Morais

Floriano tentou garantir que seu sucessor fosse um aliado político, porém as poucas bases de apoio
de que dispunha não lhe foram suficientes para concretizar o desejo. No dia 1 de março de 1894 foi eleito
o paulista Prudente de Morais, encerrando o governo de membros do exército, que só voltariam ao poder
em 1910, com a eleição do marechal Hermes da Fonseca.

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Prudente buscou desvincular o exército do governo, substituindo os cargos que eram ocupados por
militares por civis, principalmente representantes da cafeicultura, promovendo uma descentralização do
poder.
Suas principais bandeiras eram a de uma república forte, em oposição às tendências liberais,
antimonarquistas e antilusitanas.

Campos Salles

Em 1898 o paulista Manuel Ferraz de Campos Salles assumiu a presidência no lugar de Prudente de
Morais. Antes mesmo de assumir o governo, Campos Salles renegociou a dívida brasileira, que vinha se
arrastando desde os tempos do império.
Para resolver a situação, ele se reuniu com os credores e estabeleceu um acordo chamado Funding-
Loan. Este acordo consistia no seguinte: o Brasil fazia empréstimos e atrasava o pagamento da dívida,
fazendo concessões aos banqueiros nacionais. Como consequência a indústria e o comércio foram
afetados e as camadas pobres e a classe média também foram prejudicadas.
A transição de governos consolidou as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais no poder. O único
entrave para um governo harmônico eram as disputas políticas entre as oligarquias locais nos Estados.
O governo federal acabava intervindo nas disputas, porém, a incerteza de uma colaboração duradoura
entre os Estados e a União ainda permanecia. Outro fator que não permitia uma plena consolidação
política era a vontade do executivo em impor-se ao legislativo, mesmo com a afirmação na Constituição
de que os três poderes eram harmônicos e independentes entre si.
A junção desses fatores levou Campos Salles a criar um arranjo político capaz de garantir a
estabilidade e controlar o legislativo, que ficou conhecido como Política dos Governadores.
Basicamente, a política dos governadores apoiava-se em uma ideia simples: o presidente apoiava as
oligarquias estaduais mais fortes, e em troca, essas oligarquias apoiavam e votavam nos candidatos
indicados pelo presidente.
Na Câmara dos Deputados, uma mudança simples garantiu o domínio. Conhecida como Comissão de
Verificação de poderes, essa ferramenta permitia decidir quais políticos deveriam integrar a Câmara e
quais deveriam ser “degolados”, que na gíria política da época significava ser excluído.
Quando ocorriam eleições para a Câmara, os vencedores em cada estado recebiam um diploma. Na
falta de um sistema de justiça eleitoral, ficava a cargo da comissão determinar a validade do diploma. A
comissão era escolhida pelo presidente temporário da nova Câmara eleita, o que até antes da reforma
de Campos Salles significava o mais velho parlamentar eleito.
Com a reforma, o presidente da nova Câmara deveria ser o presidente do mandato anterior, desde
que reeleito. Dessa forma, o novo presidente da Câmara seria sempre alguém ligado ao governo, e caso
algum deputado oposicionista ou que desagradasse o governo fosse eleito, ficava mais fácil removê-lo
do poder.

Convênio de Taubaté
Desde o período imperial o café figurava como principal produto de exportação brasileiro,
principalmente após a segunda década do século XIX. Consumido em larga escala na Europa e nos
Estados Unidos, o cultivo da planta espalhou-se pelo vale do Paraíba fluminense e paulista. Continuando
sua marcha ascendente, houve expansão dos cafeeiros na província de Minas Gerais (Zona da Mata e
sul do estado), ao mesmo tempo em que a produção se consolidava no interior de São Paulo,
principalmente no “Oeste Paulista”.
A grande oferta causada pela produção em excesso levou a uma queda do preço, visto que havia mais
produto no mercado e menos pessoas interessadas em adquiri-lo.
O convênio de Taubaté foi um acordo firmado em 1906, último ano do mandato de Rodrigues Alves
(1902-1906), entre os presidentes dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, na cidade
de Taubaté (SP), com o objetivo de pôr em prática um plano de valorização do café, garantindo o preço
do produto por meio da compra, pelo governo federal, do excedente da produção. O acordo foi firmado
mesmo contra a vontade do presidente, e foi efetivamente aplicada por seu sucessor, Afonso Pena.

O Tratado de Petrópolis e a Borracha


O espaço físico que constitui o Estado do Acre, era, até o início do século XX, considerado uma zona
não descoberta, um território contestado pelos governos boliviano e brasileiro.
Em 1839, Charles Goodyear descobriu o processo de Vulcanização, que consistia em misturar enxofre
com borracha a uma temperatura elevada (140ºC/150ºC) durante certo número de horas. Com esse
processo, as propriedades da borracha não se alteravam pelo frio, calor, solventes comuns ou óleos.

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Apesar do surto econômico e da procura do produto, favorável para a Amazônia brasileira, havia um
sério problema para a extração do látex: a falta de mão-de-obra.
Isso foi solucionado com a chegada à região de nordestinos (Arigós) que vieram fugindo da seca de
1877. Prisioneiros, exilados políticos e trabalhadores nordestinos misturavam-se nos seringais do Acre,
fundavam povoações, avançavam e se estabeleciam em pleno território boliviano.
A exploração brasileira na região incomodava o governo boliviano, que resolveu tomar posse definitiva
do Acre. Fundou a vila de Puerto Alonso, em 03 de janeiro de 1889, e foram instalados postos da
alfândega para arrecadar tributos originados da comercialização de borracha silvestre. Essa atitude
causou revolta entre os quase sessenta mil brasileiros que trabalhavam nos seringais acreanos.
Liderados pelo seringalista José Carvalho, do Amazonas, os seringueiros rebelaram-se e expulsaram as
autoridades bolivianas, em 03 de maio de 1889.
Após o episódio, um espanhol chamado Luiz Galvez Rodrigues de Aurias liderou outra rebelião, de
maior alcance político, proclamando a independência e instalando o que ele chamou de República do
Acre, no local conhecido como Seringal Volta da Empresa, em 14 de julho de 1889. Galvez, o “Imperador
do Acre”, como auto proclamava-se, contava com o apoio político do governador do Amazonas, Ramalho
Junior. Entretanto, a República do Acre durou apenas oito meses. O governo brasileiro, signatário do
Tratado de Ayacucho, de 23 de março de 1867, reconheceu o direito de posse da Bolívia, prendeu Luiz
Galvez Rodrigues de Aurias e devolveu o Acre ao governo boliviano.
Mesmo com a devolução do Acre aos bolivianos, a situação continuava insustentável. O clima de
animosidade persistia e aumentava a cada dia. Em 11 de julho de 1901, o governo boliviano decidiu
arrendar o Acre a um grupo de empresários americanos, ingleses e alemães, formado pelas empresas
Conway and Withridge, United States Rubber Company, e Export Lumber. Esse consórcio constituiu o
Bolivian Syndicate que recebeu da Bolívia autorização para colonizar a região, explorar o látex e formar
sua própria milícia, com direito de utilizar a força para atender seus interesses.
Os seringueiros brasileiros, a maior parte formada por nordestinos, não aceitaram a situação.
Estimulados por grandes seringalistas e apoiados pelos governadores do Amazonas e do Pará, deram
início, no dia 06 de agosto de 1902, a uma rebelião armada: a Revolta do Acre. Os seringalistas
entregaram a chefia do movimento rebelde ao gaúcho José Plácido de Castro, ex-major do Exército,
rebaixado a cabo por participar da Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, ao lado dos Maragatos.
A Revolta por ele liderada, financiada por seringalistas e por dois governadores de Estado, fortalecia-
se a cada dia, na medida em que recebia armamentos, munições, alimentos, além de apoio político e
popular. Em todo o país ocorreram manifestações em favor da anexação do Acre ao Brasil.
A imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo exigia do governo brasileiro imediatas providências em
defesa dos acreanos. Por seu lado, o governo brasileiro procurava solucionar o impasse pela via
diplomática, tendo à frente das negociações o diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão
do Rio Branco. Mas todas as tentativas eram inócuas e os combates entre brasileiros e bolivianos
tornavam-se mais frequentes e acirrados.
Em meio aos conflitos, o presidente da Bolívia, general José Manuel Pando, organizou sob seu
comando uma poderosa expedição militar para combater os brasileiros do Acre. O presidente do Brasil,
Rodrigues Alves, ordenou que tropas do Exército e da Armada Naval, acantonadas no Estado de Mato
Grosso, avançassem para a região em defesa dos seringueiros acreanos. O enfrentamento de tropas
regulares do Brasil e da Bolívia gerou a Guerra do Acre.
As tropas brasileiras, formadas por dois regimentos de infantaria, um de artilharia e uma divisão naval,
ajudaram Plácido de Castro a derrotar o último reduto boliviano no Acre, Puerto Alonso, hoje Porto Acre.
Em consequência, no dia 17 de novembro de 1903, na cidade de Petrópolis, as repúblicas do Brasil e da
Bolívia firmaram o Tratado de Petrópolis, através do qual o Brasil ficou de posse do Acre, assumindo o
compromisso de pagar uma indenização de dois milhões de libras esterlinas ao governo boliviano e mais
114 mil ao Bolivian Syndicate.
O Tratado de Petrópolis, aprovado pelo Congresso brasileiro em 12 de abril de 1904, também obrigou
o Brasil a realizar o antigo projeto do governo boliviano de construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré.
A Bolívia, aproveitando-se do momento político, colocou na pauta de negociações seu ambicionado
projeto. Em contrapartida, reconheceu a prioridade de chegada dos primeiros brasileiros à região e
renunciou a todos os direitos sobre as terras do Acre.

O Declínio da Borracha
Em 1876, Henry Alexander Wyckham contrabandeou sementes de seringueiras da região situada entre
os rios Tapajós e Madeira e as mandou para o Museu Botânico de Kew, na Inglaterra. Muitas das
sementes brotaram nos viveiros e poucas semanas depois, as mudas foram transportadas para o Ceilão
e Malásia.

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Na região asiática as sementes foram plantadas de forma racional e passaram a contar com um grande
número de mão-de-obra, o que possibilitou uma produção expressiva, já no ano de 1900. Gradativamente,
a produção asiática foi superando a produção amazônica e, em 1912 há sinais de crise, culminando em
1914, com a decadência deste ciclo na Amazônia brasileira.
Para a economia nacional, a borracha teve suma importância nas exportações, visto que em 1910, o
produto representou 40% das exportações brasileiras. Para a Amazônia, o primeiro Ciclo da Borracha foi
importante pela colonização de nordestinos na região e a urbanização das duas grandes cidades
amazônicas: Belém do Pará e Manaus.
Durante o seu apogeu, a produção de borracha foi responsável por aproximadamente 1/3 do PIB do
Brasil. Isso gerou muita riqueza na região amazônica e trouxe tecnologias que outras cidades do sul e
sudeste do Brasil ainda não possuíam, tais como bondes elétricos e avenidas construídas sobre pântanos
aterrados, além de edifícios imponentes e luxuosos, como o Teatro Amazonas, o Palácio do Governo, o
Mercado Municipal e o prédio da Alfândega, no caso de Manaus, o Mercado de São Brás, Mercado
Francisco Bolonha, Teatro da Paz, Palácio Antônio Lemos, corredores de mangueiras e diversos
palacetes residenciais no caso de Belém.

Industrialização e Greves
Ao ser proclamada a República em 1889, existiam no Brasil 626 estabelecimentos industriais, sendo
60% do ramo têxtil e 15% do ramo de produtos alimentícios. Em 1914, o número já era de 7.430 indústrias,
com 153.000 operários.
Após o incentivo para abertura de novas indústrias decorrentes do período de 1914 a 1918, em que a
Europa esteve em guerra, diversas empresas produtoras principalmente de matéria-prima iniciaram
atividades no Brasil. Em 1920, o número havia subido para 13.336, com 275.000 operários. Até 1930,
foram fundados mais 4.687 estabelecimentos industriais.
Há que se levar em conta que a industrialização se concentrou no eixo Rio-São Paulo e,
secundariamente, no Rio Grande do Sul. O empresariado industrial era oriundo do café, do setor
importador e da elite dos imigrantes.
Durante o período republicano fica evidente o descaso das autoridades governamentais com os
trabalhadores. O país passava por um momento de industrialização e os trabalhadores começam a se
organizar.
Em sua maioria imigrantes europeus que possuíam uma forte influência dos ideais anarquistas e
comunistas, os primeiros trabalhadores das fábricas brasileiras possuíam um discurso inflamado,
convocando os colegas a se unirem em associações que resultariam posteriormente na fundação dos
primeiros sindicatos de trabalhadores.
Os líderes dos movimentos operários buscavam melhores condições de trabalho para seus colegas
como redução de jornada de trabalho e segurança no trabalho. Lutavam contra a manutenção da
propriedade privada e do chamado “Estado Burguês”.
Ocorreram entre 1903 e 1906 greves de pouca expressão pelo país, através de movimentos de
tecelões, alfaiates, portuários, mineradores, carpinteiros e ferroviários. Em contrapartida, o governo
brasileiro criou leis para impedir o avanço dos movimentos, como uma lei expulsando os estrangeiros que
fossem considerados uma ameaça à ordem e segurança nacional.
A greve mais significativa do período ocorreu em 1917, a Greve Geral em São Paulo, que contou com
os trabalhadores dos setores alimentício, gráfico, têxtil e ferroviário como mais atuantes. O governo, para
reprimir o movimento utilizou inclusive forças do Exército e da Marinha.
A repressão cada vez mais dura do governo através de leis, decretos e uso de violência acabou
sufocando os movimentos grevistas, que acabaram servindo de base para a criação no ano de 1922,
inspirado pelo Partido Bolchevique Russo, do PCB, Partido Comunista Brasileiro. Os sindicatos também
começam a se organizar no período.

Revoltas

Revolta da Armada
Rebelião em unidades da Marinha ocorrida entre setembro de 1893 e março de 1894. Começou no
Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e chegou ao sul do Brasil, onde a Revolução Federalista acontecia
simultaneamente. Sem apoio popular ou do Exército, o movimento foi sufocado pelo presidente Floriano
Peixoto, a quem pretendia depor53.

53
Beatriz Coelho Silva. Revolta da Armada. Atlas Histórico do Brasil. FGV CPDOC. https://atlas.fgv.br/verbetes/revolta-da-armada.

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Desenvolvimento
Iniciada em 1893, a Revolta da Armada teve seus antecedentes dois anos antes, em 3 de novembro
de 1891, quando o primeiro presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, sem conseguir
negociar com as bancadas dos estados, especialmente os produtores de café (São Paulo, Rio de Janeiro
e Minas Gerais), fechou o Congresso Nacional. Unidades da Marinha se sublevaram e, sob a liderança
do almirante Custódio José de Melo, ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. Para evitar uma guerra
civil, em 23 de novembro Deodoro renunciou.
O vice-presidente, marechal Floriano Peixoto, assumiu seu lugar e não convocou eleições
presidenciais, conforme previa o artigo n° 42 da Constituição para o caso de vacância do cargo em menos
de dois anos após a posse do presidente. Sua alegação era que tal norma valia para presidentes eleitos
por voto direto, e tanto Deodoro como ele próprio haviam sido eleitos indiretamente, pelo Congresso
Constituinte. Mesmo assim, foi acusado de ocupar a presidência ilegalmente, e o primeiro movimento de
oposição veio em março de 1892, quando 13 oficiais-generais divulgaram um manifesto em que exigiam
a convocação de novas eleições.
O manifesto acusava Floriano Peixoto de armar “brasileiros contra brasileiros” e denunciava desvio
das “arcas do erário público a uma política de suborno e corrupção”. O movimento foi sufocado, e seus
líderes, presos. Parte deles foi mandada para a cidade de Tabatinga, no interior do estado do Amazonas.
Em 6 de setembro de 1893, um grupo de oficiais da Marinha voltou à carga. Eram liderados pelo
almirante Custódio de Melo, que ocupara os ministérios da Marinha e da Guerra no governo de Floriano
e pretendia candidatar-se a presidente da República. No grupo estava também o almirante Eduardo
Wandenkolk, ministro da Marinha no governo de Deodoro e senador pelo Distrito Federal, que fora preso
e reformado por ter assinado o manifesto dos 13 generais um ano antes.
No dia 7 de setembro, o diretor da Escola Naval, almirante Luís Filipe Saldanha da Gama, aderiu
publicamente ao movimento, declarando-se favorável à volta da monarquia. Além das denúncias contra
a política florianista, que não pacificava as rivalidades regionais, os oficiais da Marinha sentiam-se
desprestigiados diante do Exército, força de origem dos dois primeiros presidentes, Deodoro e Floriano.
No dia 13 de setembro começaram assim os bombardeios aos fortes do litoral fluminense em poder
do Exército. A frota era formada por 16 embarcações da Marinha de Guerra e 14 navios civis confiscados
de empresas brasileiras e estrangeiras para dar apoio às forças rebeldes. Devido ao bombardeio dos sete
fortes de Niterói, capital do estado do Rio de Janeiro, a sede do governo foi transferida para a cidade de
Petrópolis, na serra, fora do alcance dos canhões da Marinha. A capital só voltaria para o litoral em 1903.
Embora fossem maioria na Marinha, os revoltosos não tinham apoio popular e enfrentaram forte
oposição no Exército, com a adesão de milhares de jovens a batalhões de apoio ao presidente na capital
federal e nos estados. Esses soldados eram nacionalistas, republicanos e não refutavam a violência na
defesa de Floriano Peixoto, especialmente contra estrangeiros, a quem atribuíam conspirações contra a
República. Inspirados na Revolução Francesa, diziam-se jacobinos e promoviam manifestações ruidosas
em teatros e praças públicas. As elites estaduais também apoiavam o presidente, especialmente em São
Paulo, onde era forte o Partido Republicano Paulista (PRP). Diante da impossibilidade de tomar a capital
federal, os revoltosos foram para o Sul do país, onde estava em curso a Revolução Federalista.
A luta no Sul foi uma típica disputa entre elites dos anos iniciais da República, pois o presidente do
Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos, chefe do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) e um dos
poucos que tinham a seu lado a bancada de seu estado no Congresso, apoiara o marechal Deodoro da
Fonseca em 1891. Floriano Peixoto, ao assumir a presidência, destituíra todos os presidentes e
governadores estaduais ligados a seu antecessor, atingindo Júlio de Castilhos. Logo se instalou a luta
pelo poder entre os partidários de Castilhos e os aliados de Gaspar Silveira Martins, que formaram o
Partido Federalista. Defensores do parlamentarismo e da revogação da Constituição estadual positivista,
os federalistas e os dissidentes do PRR não se conformaram com a reconciliação entre Floriano e
Castilhos e, com a volta deste ao governo estadual em janeiro de 1893, e optaram pelo confronto armado.
Em seu deslocamento rumo ao Sul, parte da frota dos revoltosos da Armada chegou até a cidade do
Desterro, capital de Santa Catarina. Custódio de Melo ensaiou uma aliança com os federalistas, mas o
acordo não avançou. Enquanto isso, o governo federal comprou, às pressas, novos navios de guerra, que
foram apelidados de “frota de papel”. Em março de 1894, a Revolta da Armada havia sido sufocada. O
marechal Floriano Peixoto tornou-se o homem forte da República e baluarte de seus ideais. Governou até
novembro de 1894 e passou o cargo a Prudente de Morais, que se tornou o primeiro presidente civil do
Brasil, eleito pelo PRP.
Apesar de ter sido uma entre tantas rebeliões da última década do século XIX, a Revolta da Armada
evidenciou as cisões da jovem República brasileira. As rivalidades entre os marechais Deodoro da
Fonseca e Floriano Peixoto ficaram evidentes, assim como o dissenso entre as instituições que deveriam
sustentar o regime, como a Marinha e o Exército, os governos e as bancadas estaduais etc. As batalhas

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da Revolta da Armada foram registradas pelo fotógrafo espanhol Juan Gutierrez, e hoje esse material, 77
imagens da destruição causada nos fortes do Rio de Janeiro e de Niterói, está no acervo do Museu
Histórico Nacional.

Guerra de Canudos
A revolta em Canudos deve ser entendida como um movimento messiânico, ou seja, a aglomeração
em torno de uma figura religiosa capaz de reunir fiéis e trazer a esperança de uma vida melhor através
de pregações.
Canudos formou-se através da liderança de Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido também por
Antônio Conselheiro, um beato que, andando pelo sertão pregava a salvação por meio do abandono
material, exigindo que seus fiéis o seguissem pelo sertão nordestino.
Perseguido pela Igreja, e com um número significativo de fiéis, Antônio Conselheiro estabeleceu-se no
sertão baiano, à margem do Rio Vaza-Barris, formando o Arraial de Canudos. Ali fundou a cidade santa,
à qual dera o nome de Belo Monte, administrada pelo beato, que contava com vários subchefes, cada
qual responsável por um setor (comandante da rua, encarregado da segurança e da guerra, escrivão de
casamentos, entre outros).
A razão para o crescimento do arraial em torno da figura de Antônio Conselheiro pode ser explicada
pela pobreza dos habitantes do sertão nordestino, aliada à fome e a insatisfação com o governo
republicano, sendo o beato um aberto defensor da volta da monarquia.
A comunidade de Canudos, assim, sobrevivia e prosperava, mantendo-se por via das trocas com as
comunidades vizinhas.
Devido a um incidente entre os moradores do arraial e o governo da Bahia - uma questão mal resolvida
em relação ao corte de madeira na região - o governo estadual resolveu repreender os habitantes,
enviando uma tropa ao local. Apesar das poucas condições materiais dos moradores, a tropa baiana foi
derrotada, o que levou o presidente da Bahia a apelar para as tropas federais.
Canudos manteve-se firme diante das ameaças, derrotando duas expedições de tropas federais
municiadas de canhões e metralhadoras, uma delas comandada pelo Coronel Antônio Moreira César,
também conhecido como "corta-cabeças" pela fama de ter mandado executar mais de cem pessoas na
repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. A incapacidade do governo federal em conter os
revoltosos, com derrotas vergonhosas, gerou diversas revoltas no Rio de Janeiro.
Com a intenção de resolver de vez o problema, foi organizada a 4ª expedição militar ao vilarejo, com
8.000 soldados sob o comando do general Artur de Andrade Guimarães. Dotada de armamento moderno,
a expedição levou um mês e meio para vencer os sertanejos, finalmente arrasando o arraial em agosto
de 1897, quando os últimos defensores do vilarejo foram capturados e degolados.
Canudos foi incendiada para evitar que novos moradores se estabelecessem no local. Nos jornais e
também no pensamento do governo federal, a vitória sobre Canudos foi uma vitória “da civilização sobre
a barbárie”.
Os combates ocorridos em Canudos foram contados pelo Jornalista Euclides da Cunha, em seu livro
Os Sertões. O livro busca trazer um relato do ocorrido, através do ponto de vista do autor, que possuía
uma visão de “raça superior”, comum do pensamento científico da época. De acordo com esse
pensamento, o mestiço brasileiro seria uma raça de características inferiores, que estava destinada ao
desaparecimento por conta do avanço da civilização.
Não só Euclides da Cunha pensava da mesma forma. O pensamento racial baseado em teorias
científicas foi comum no Brasil da virada do século XX.

A Guerra do Contestado
Na virada do século XX uma grande parte da população que vivia no interior do estado era composta
por sertanejos, pessoas de origem humilde, que viviam na fronteira com o Paraná. A região foi palco de
um intenso conflito por posse de terras, ocorrido entre 1912 e 1916, que ficou conhecido como Guerra do
Contestado.
O conflito teve início com a implantação de uma estrada de ferro que ligaria o Rio Grande do Sul a São
Paulo, além de uma madeireira, em 1912, de propriedade do empresário Norte-Americano Percival
Farquhar.
A Brazil Railway ficou responsável pela construção da estrada de ferro que ligaria os dois pontos.
Como forma de remuneração por seus serviços, o governo cedeu à companhia uma extensa faixa de
terra ao longo dos trilhos, aproximadamente 15 quilômetros de cada margem do caminho.
As terras doadas pelo governo foram entregues à empresa na categoria de terras devolutas, ou seja,
terras não ocupadas pertencentes à união. O ato desconsiderou a presença de milhares de pessoas que
habitavam a região, porém não possuíam registros de posse sobre a terra.

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Apesar do contrato firmado, de que as terras entregues à companhia pudessem ser habitadas somente
por estrangeiros, o principal interesse do empresário era a exploração da madeira que se encontrava na
região, em especial araucárias e imbuias, com alto valor de mercado. Não tardou para a criação da
Southern Brazil Lumber and Colonization Company, responsável por explorar a extração da madeira e
que posteriormente tornou-se a maior empresa do gênero na América do Sul.
A derrubada da floresta implicava necessariamente em remover os antigos moradores regionais,
gerando conflitos imediatos. Os sertanejos encontraram na figura de monges que vagavam pelo sertão
pregando a palavra de Deus a inspiração e a liderança para lutar contra o governo e as empresas
estrangeiras. O primeiro Monge que criou pontos de resistência ficou conhecido como José Maria.
Adorado pela população local, o monge era visto pelos sertanejos como um salvador dos pobres e
oprimidos, e pelo governo como um empecilho para os trabalhos de construção da estrada de ferro.
O governo e as empresas investiram fortemente na tentativa de expulsão dos sertanejos, e em 1912
próximo ao vilarejo de Irani ocorreu uma intensa batalha entre governo e população, causando a morte
do Monge. A morte do líder causou mais revolta nos sertanejos, que intensificaram a resistência, unindo
sua crença em outras figuras que despontavam como lideranças, como Maria Rosa, uma jovem de quinze
anos de idade, que foi considerada por historiadores como Joana D'Arc do sertão. A jovem afirmava
receber ordens espirituais de batalha do Monge Assassinado.
O conflito foi tomado como prioridade pelo governo federal, que investiu grande potencial bélico na
contenção dos revoltosos, como fuzis, canhões, metralhadoras e aviões. O conflito acaba em 1916 com
a captura dos últimos lideres revoltosos. Assim como em Canudos, a Revolta do Contestado foi marcada
por um forte caráter messiânico.

A Revolta da Vacina
A origem dessa revolta ocorrida no Rio de Janeiro deve ser procurada na questão social gerada pelas
desigualdades sociais e agravada pela reurbanização do Distrito Federal pelo prefeito Pereira Passos.
O grande destaque do período foi a Campanha de Saneamento no Rio de Janeiro, dirigida por Oswaldo
Cruz. Decretando-se a vacinação obrigatória contra a varíola, ocorreu o descontentamento popular.
Isso ocorreu devido a forma que a campanha foi conduzida, onde os agentes usavam da força para
entrar nas casas e vacinar a população. Não houve uma campanha prévia para conscientização e
educação. Disso se aproveitaram os militares e políticos adversários de Rodrigues Alves.
Assim, irrompeu a Revolta da Vacina (novembro de 1904), sob a liderança do senador Lauro Sodré.
O levante foi rapidamente dominado, fortalecendo a posição do presidente.

Revolta da Chibata54
A Revolta da Chibata ocorreu em 22 de novembro de 1910 no Rio de Janeiro. Entre outros, foi motivada
pelos castigos físicos que os marinheiros brasileiros recebiam. As faltas graves eram punidas com 25
chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.
O estopim da revolta se deu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250
chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra
estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros,
desencadeou a revolta.
O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já
na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo.
O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o
fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso
não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de
Janeiro (então capital do Brasil).

Segunda Revolta55
Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos.
Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão
de alguns deles. A insatisfação retornou e no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta
na Ilha das Cobras.
Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram
presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida
eram desumanas alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a
Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.
54
http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/revolta-da-chibata
55
http://www.abi.org.br/abi-homenageia-filho-do-lider-da-revolta-da-chibata/

125
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O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de
Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que participaram
da revolta.

O Cangaço no Nordeste56
Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), ganharam força, no nordeste
brasileiro, grupos de homens armados, conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em
função principalmente das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio que concentrava
terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava a margem da sociedade a maioria da população.
Existiram três tipos de cangaço na história do sertão:

O defensivo, de ação esporádica na guarda de propriedades rurais, em virtude de ameaças de índios,


disputa de terras e rixas de famílias;
O político, expressão do poder dos grandes fazendeiros;
O independente, com características de banditismo.

O Cangaço pode ser entendido como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por
parte dos cangaceiros, que andavam em bandos armados e espalhavam o medo pelo sertão nordestino.
Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção
de resgates. A população que respeitava e acatava as ordens dos cangaceiros era muitas vezes
beneficiada por suas atitudes. Essa característica fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até
mesmo admirados por parte da população da época.
Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos
policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação
cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que
possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou
obterem esconderijos.
Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o bando
comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do
Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930.
De 1921 a 1934, Lampião dividiu seu bando em vários subgrupos, dentre os quais os chefiados por
Corisco, Moita Brava, Português, Moreno, Labareda, Baiano, José Sereno e Mariano. Entre seus bandos,
Lampião sempre teve grande apreço pelo bando de Corisco, conhecido como “Diabo Loiro” e também
grande amigo de Virgulino.
Lampião morreu numa emboscada armada por uma volante57, junto com a mulher Maria Bonita e
outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais
públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.
A morte de lampião atingiu o movimento do Cangaço como um todo, enfraquecendo e dividindo os
grupos restantes. Corisco foi morto em uma emboscada no ano de 1940, encerrando de vez o cangaço
no Nordeste.

A Semana de Arte Moderna de 1922

O ano de 1922 representou um marco na arte e na cultura brasileira, com a realização da Semana de
Arte Moderna, de 11 a 18 de fevereiro. A exposição marcava uma tentativa de introduzir elementos
brasileiros nos campos da arte e da cultura, vistas como dominadas pela influência estrangeira,
principalmente de elementos europeus, trazidos tanto pela elite econômica quanto por trabalhadores
imigrantes, principalmente italianos que trabalhavam na indústria paulista.
Na virada do século XX, São Paulo despontava como segunda maior cidade do país, atrás apenas do
Rio de Janeiro, capital nacional. Apesar de ocupar o segundo lugar em tamanho, a cidade possuía grande
taxa de industrialização, mais até que a capital, principalmente pelos recursos proporcionados pela
produção de café.
O contato proporcionado pelos novos meios de transporte e de comunicação proporcionou o contato
com novas tendências que rompiam com a estrutura das artes predominante desde o renascimento. Entre
elas estavam o futurismo, dadaísmo, cubismo, e surrealismo.
No Brasil, o espírito modernista foi apresentado por autores como Euclides da Cunha, Monteiro Lobato,
Lima Barreto e Graça Aranha, que se desligaram de uma literatura de “falsas aparências”, procurando
56
http://www.seja-ead.com.br/2-ensino-medio/ava-ead-em/3-ano/03-ht/aula-presencial/aula-5.pdf
57
Tropa ligeira, que não transporta artilharia nem bagagem.

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discutir ou descobrir o “Brasil real”, frequentemente “maquiado” pelo pensamento acadêmico. As novas
tendências apareceram em 1917, em trabalhos: da pintora Anita Malfatti, do escultor Brecheret, do
compositor Vila Lobos e do intelectual Oswaldo de Andrade.
Os modernistas foram buscar inspiração nas imagens da indústria, da máquina, da metrópole, do
burguês e do proletário, do homem da terra e do imigrante.
Entre os escritores modernistas, o que melhor reflete o espírito da Semana é Oswald de Andrade. De
maneira geral, sua produção literária reflete a sociedade em que se forjou sua formação cultural: o
momento de transição que une o Brasil agrário e patriarcal ao Brasil que caminha para a modernização.
Ao lado de Oswald de Andrade, destaca-se como ponto alto do Modernismo a figura de Mário de Andrade,
principal animador do movimento modernista e seu espírito mais versátil. Cultivou a poesia, o romance,
o conto, a crítica, a pesquisa musical e folclórica.

Os Anos 1920 e a Crise Política58

Após a Primeira Guerra Mundial, a classe média urbana passava cada vez mais a participar da política.
A presença desse grupo tendia a garantir um maior apoio a políticos e figuras públicas apoiados em um
discurso liberal, que defendesse as leis e a constituição, e fossem capazes de transformar a República
Oligárquica em República Liberal. Entre as reivindicações estavam o estabelecimento do voto secreto, e
a criação de uma Justiça Eleitoral capaz de conter a corrupção nas eleições.
Em 1919, Rui Barbosa, que já havia sido derrotado em 1910 e 1914, entrou novamente na disputa
como candidato de oposição, enfrentando o candidato Epitácio Pessoa, que concorria como novo
sucessor pelo PRM (Partido Republicano Mineiro).
Permanecendo ausente do Brasil durante toda a campanha, devido à sua atuação na Conferência de
Paz da França, Epitácio venceu Rui Barbosa no pleito realizado em abril de 1919 e retornou ao Brasil em
julho para assumir a presidência da República.
Apesar da derrota, o candidato oposicionista conseguiu atingir cerca de um terço dos votos, sem
nenhum apoio da máquina eleitoral, inclusive conquistando a vitória no Distrito Federal.
Mesmo com o acordo de apoio conseguido com a Política dos Governadores, e o controle estabelecido
por São Paulo e Minas Gerais no revezamento de poder a partir da década de 1920, estados com uma
participação política e econômica considerada mediana resolveram interferir para tentar acabar com a
hegemonia da política do “Café com Leite”.
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia se uniram nas eleições presidenciais de 1922,
lançando um movimento político de oposição - a Reação Republicana - que lançou o nome do fluminense
Nilo Peçanha contra o candidato oficial, o mineiro Artur Bernardes.
A chapa oposicionista defendia a maior independência do Poder Legislativo frente ao Executivo, o
fortalecimento das Forças Armadas e alguns direitos sociais do proletariado urbano. Todas essas
propostas eram apresentadas num discurso liberal de defesa da regeneração da República brasileira.
O movimento contou com a adesão de diversos militares descontentes com o presidente Epitácio
Pessoa, que nomeara um civil para a chefia do Ministério da Guerra. A Reação Republicana conseguiu,
em uma estratégia praticamente inédita na história brasileira, desenvolver uma campanha baseada em
comícios populares nos maiores centros do país. O mais importante deles foi o comício na capital federal,
quando Nilo Peçanha foi ovacionado pelas massas.
Em outubro de 1921, os ânimos dos militares foram exaltados com a publicação de cartas no Jornal
Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, assinadas com o nome do candidato Artur Bernardes e endereçadas
ao líder político mineiro Raul Soares. Em seu conteúdo, criticavam a conduta do ex-presidente e Marechal
do Exército, Hermes da Fonseca, por ocasião de um jantar promovido no Clube Militar.
As cartas puseram lenha na fogueira da disputa, deixando os militares extremamente insatisfeitos com
o candidato. Pouco antes da data da eleição dois falsários assumiram a autoria das cartas e comprovaram
tratar-se de uma armação. A conspiração não teve maiores consequências, e as eleições puderam
transcorrer normalmente em março de 1922.
Como era de se esperar, a vitória foi de Artur Bernardes. O problema foi que nem a Reação
Republicana nem os militares aceitaram o resultado. Como o governo se manteve inflexível e não aceitou
a proposta da oposição de rever o resultado eleitoral, o confronto se tornou apenas uma questão de
tempo.

58
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CrisePolitica

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O Tenentismo59
Após a Primeira Guerra Mundial, vários oficiais jovens de baixa patente, principalmente tenentes (e
daí deriva o nome do movimento tenentista) sentiam-se insatisfeitos. Os soldos permaneciam baixos e o
governo não fazia menção de aumentá-los. Havia um grande número deles, e as promoções eram muito
lentas. Um segundo-tenente podia demorar dez anos para alcançar a patente de capitão.
Sua reinvindicações oficiais foram contra a desorganização e o abandono em que se encontrava o
exército brasileiro. Com o tempo os líderes do movimento chegaram à conclusão de que os problemas
que enfrentavam não estavam apenas no exército, mas também na política.
Com a intenção de fazer as mudanças acontecerem, os revoltosos pressionaram o governo, que não
se prontificou a atendê-los, o que gerou movimentos de tentativa de tomada de poder por meio dos
militares. Esse programa conquistou ampla simpatia da opinião pública urbana, mas não houve
mobilização popular e nem mesmo engajamento de dissidências oligárquicas à revolução (com exceção
do Rio Grande do Sul), daí o seu isolamento e o seu fracasso.

Os 18 do Forte
Como citado anteriormente, a vitória de Artur Bernardes em março de 1922 não agradou os setores
oposicionistas. Durante o período em que aguardava para assumir a posse, que acontecia no dia 15 de
novembro, houveram diversos protestos contra o mineiro.
Em junho, o governo federal interveio durante a sucessão estadual em Pernambuco, fato que foi
extremamente criticado por Hermes da Fonseca. O presidente Epitácio Pessoa, que ainda exercia o
poder, mandou prender o ex-presidente e ordenou o fechamento do Clube Militar em 2 de julho.
As ações de Epitácio geraram uma crise que culminou em uma série de levantes na madrugada de 5
de julho. Na capital federal, levantaram-se o forte de Copacabana, guarnições da Vila Militar, o forte do
Vigia, a Escola Militar do Realengo e o 1° Batalhão de Engenharia; em Niterói, membros da Marinha e do
Exército; em Mato Grosso, a 1ª Circunscrição Militar, comandada pelo general Clodoaldo da Fonseca, tio
do marechal Hermes. No Rio de Janeiro, o movimento foi comandado pelos "tenentes", uma vez que a
maioria da alta oficialidade se recusou a participar do levante.
Os rebeldes localizados no Forte de Copacabana passaram a disparar seus canhões contra diversos
redutos do Exército, forçando inclusive o comando militar a abandonar o Ministério da Guerra. As forças
legais revidaram, e o forte sofreu sério bombardeio.
Os revoltosos continuaram sua resistência até a tarde de 6 de julho, quando resolveram abandonar o
Forte e marchar pela Avenida Atlântica, indo de encontro às forças do governo que enfrentavam.
Em uma troca de tiros com as forças oficiais, morreram quase todos os revoltosos, que ficaram
conhecidos como “Os 18 do Forte de Copacabana”. Apesar do nome atribuído ao grupo, as fontes de
informação da época não são exatas, com vários jornais divulgando números diferentes. Os únicos
sobreviventes foram os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes, com graves ferimentos.

A Revolta de 192460
Os participantes das Revoltas de 1922 foram julgados e punidos em dezembro de 1923, acusados de
tentar promover um golpe de Estado. Novamente o exército teve suas relações com o governo federal
agravadas, com uma tensão crescente que gerou uma nova revolta militar, novamente na madrugada,
em 5 de julho de 1924 em São Paulo, articulada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, pelo major
Miguel Costa, comandante do Regimento de Cavalaria da Força Pública do estado, e pelo tenente
Joaquim Távora, este último morto durante os combates. Tiveram ainda participação destacada os
tenentes Juarez Távora, Eduardo Gomes, João Cabanas, Filinto Müller e Newton Estillac Leal.
O objetivo do movimento era depor o presidente Artur Bernardes, cujo governo transcorria, desde o
início, sob estado de sítio permanente e sob vigência da censura à imprensa.
Entre as primeiras ações dos revoltosos, ganhou prioridade a ocupação de pontos estratégicos, como
as estações da Luz, da Estrada de Ferro Sorocabana e do Brás, além dos quartéis da Força Pública,
entre outros.
Logo após a ocupação, no dia 8 de julho o presidente de São Paulo, Carlos de Campos, deixou o
palácio dos Campos Elíseos, sede do governo paulista na época. No dia seguinte, os rebeldes instalaram
um governo provisório chefiado pessoalmente pelo general Isidoro. O ato foi respondido com um intenso
bombardeio das tropas legalistas sobre a cidade, principalmente em bairros operários de São Paulo na
região da zona leste. Os bairros da Mooca, Brás, Belém e Cambuci foram os mais atingidos pelo
bombardeio.

59
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CrisePolitica/MovimentoTenentista
60
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A partir do dia 16, sucederam-se as tentativas de armistício. Um dos principais mediadores foi José
Carlos de Macedo Soares, membro da Associação Comercial de São Paulo. Num primeiro momento, o
general Isidoro condicionou a assinatura de um acordo à entrega do poder a um governo federal provisório
e à convocação de uma Assembleia Constituinte. A negativa do governo federal, somada às
consequências do bombardeio da cidade, reduziu as exigências dos revoltosos à concessão de uma
anistia ampla aos revolucionários em 1922 e 1924. Entretanto, nem essa reivindicação foi atendida.
Como as exigências dos revoltosos não foram atendidas e a pressão do governo aumentava, a solução
foi mudar a estratégia. Em 27 de julho os revoltosos abandonaram a cidade, indo em direção a Bauru, no
interior do Estado. O deslocamento foi facilitado graças a eclosão de diversas revoltas no interior, com a
tomada de prefeituras.
Àquela altura, já haviam eclodido rebeliões militares no Amazonas, em Sergipe e em Mato Grosso em
apoio ao levante de São Paulo, mas os revoltosos paulistas desconheciam tais acontecimentos.
Em outubro, enquanto os paulistas combatiam em território paranaense, tropas sediadas no Rio
Grande do Sul iniciaram um levante, associadas a líderes gaúchos contrários à situação estadual. As
forças rebeladas juntaram-se aos paulistas em Foz do Iguaçu, no Paraná, no mês de abril de 1925.
Formou-se assim o contingente que deu início à marcha da Coluna Prestes.

A Coluna Prestes
Enquanto alguns militares se rebelavam em São Paulo, Luís Carlos Prestes, também militar,
organizava outro grupo no Rio Grande do Sul. Em abril de 1925, as duas frentes de oposição, a Paulista
liderada por Miguel Costa, e a Gaúcha, por Prestes, uniram-se em Foz do Iguaçu e partiram para uma
caminhada pelo Brasil.
Sempre vigiados por soldados do governo, os revoltosos evitavam confrontos diretos com as tropas,
por meio de táticas de guerrilha.
Por meio de comícios e manifestos, a Coluna denunciava à população a situação política e social do
país. Num primeiro momento, não houve muitos resultados, porém o movimento ajudou a balançar as
bases já enfraquecidas do sistema oligárquico e a preparar caminho para a Revolução de 1930.
A Coluna Prestes durou 2 anos e 3 meses, percorrendo cerca de 25 mil quilômetros através de treze
estados do Brasil. Estima-se que a Coluna tenha enfrentado mais de 50 combates contra as tropas
governistas, sem sofrer derrotas.
A passagem da Coluna Prestes, gerava reações diversas na população. Como forma de desmoralizar
o movimento, o governo condenava os rebeldes e associavam suas ações a assassinos e bandidos.
Iniciando a marcha, a coluna concluiu a travessia do rio Paraná em fins de abril de 1925 e adentrou no
Paraguai com a intenção de chegar a Mato Grosso. Posteriormente percorreu Goiás, entrou em Minas
Gerais e retornou a Goiás.
Após a passagem por Goiás, a Coluna partiu para o Nordeste, chegando em novembro ao Maranhão,
ocasião em que o tenente-coronel Paulo Krüger foi preso e enviado a São Luís. Em dezembro, penetrou
no Piauí e travou em Teresina sério combate com as forças do governo. Rumando então para o Ceará, a
coluna teve outra baixa importante: na serra de Ibiapina, Juarez Távora foi capturado.
Em janeiro de 1926, a coluna atravessou o Ceará, chegou ao Rio Grande do Norte e, em fevereiro,
invadiu a Paraíba, enfrentando na vila de Piancó séria resistência comandada pelo padre Aristides
Ferreira da Cruz, líder político local. Após ferrenhos combates, a vila acabou ocupada pelos
revolucionários.
Continuando rumo ao sul, a coluna atravessou Pernambuco e Bahia e retornou para Minas Gerais,
pelo norte do Estado. Encontrando vigorosa reação legalista e precisando remuniciar-se. O comando da
coluna decidiu interromper a marcha para o sul e, em manobra conhecida como "laço húngaro61", retornar
ao Nordeste através da Bahia. Cruzou o Piauí, alcançou Goiás e finalmente chegou de volta a Mato
Grosso em outubro de 1926.
Àquela altura, o estado-maior revolucionário decidiu enviar Lourenço Moreira Lima e Djalma Dutra à
Argentina, para consultar o general Isidoro Dias Lopes quanto ao futuro da coluna: continuar a luta ou
rumar para o exílio.
Entre fevereiro e março de 1927, afinal, após uma penosa travessia do Pantanal, parte da coluna,
comandada por Siqueira Campos, chegou ao Paraguai, enquanto o restante ingressou na Bolívia, onde
encontrou Lourenço Moreira Lima, que retornava da Argentina. Tendo em vista as condições precárias
da coluna e as instruções de Isidoro, os revolucionários decidiram exilar-se.
Durante o tempo em que passou na Bolívia, Prestes dedicou-se a leituras em busca de explicações
para a situação de atraso e miséria que presenciara em sua marcha pelo interior brasileiro. Em dezembro

61
Recebia esse nome devido ao percurso da manobra lembrar o desenho aplicado na platina dos uniformes dos oficiais de antigamente, o “laço húngaro”.

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de 1927 foi procurado por Astrojildo Pereira, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, que fora
incumbido de convidá-lo a firmar uma aliança entre "o proletariado revolucionário, sob a influência do
PCB, e as massas populares, especialmente as massas camponesas, sob a influência da coluna e de
seu comandante".
Prestes, contudo, não aceitou essa aliança. Foi nesse encontro que obteve as primeiras informações
sobre a Revolução Russa, o movimento comunista e a União Soviética. A seguir, mudou-se para a
Argentina, onde leu Marx e Lênin.

A Defesa do Café
Os acordos para a manutenção do preço do café elevaram a dívida brasileira, principalmente após as
emissões de moeda realizadas entre 1921 e 1923 por Epitácio Pessoa, o que gerou uma desvalorização
do câmbio e o aumento da inflação. Artur Bernardes preocupou-se em saldar a dívida externa brasileira,
retomando o pagamento dos juros e da dívida principal a partir do ano de 1927.
Com o objetivo de avaliar a situação financeira do Brasil, em fins de 1923 uma missão financeira
inglesa, chefiada por Edwin Samuel Montagu chegou ao país. Após os estudos, a comissão apresentou
um relatório à presidência da República, em que apresentava os riscos decorrentes da emissão
exagerada de moeda e o consequente receio dos credores internacionais.
A defesa dos preços do café representava um gasto entendido pelo governo federal como secundário
nesse momento, mesmo em meio às críticas de abandono proferidas pelo setor cafeeiro. A solução foi
passar a responsabilidade da defesa do café para São Paulo. Em dezembro de 1924 foi criado o Instituto
de Defesa Permanente do Café, que possuía a função de regular a entrada do produto no Porto de Santos
e realizar compras do produto para evitar a desvalorização.

O Governo de Washington Luís

Em 1926, mantendo a tradicional rotação presidencial entre São Paulo e Minas Gerais, o paulista
radicado Washington Luís foi indicado para a sucessão e saiu vencedor nas eleições de 1926. Seu
governo seguiu com relativa tranquilidade, até que em 1929 uma série de fatores, internos e externos,
mudaram de maneira drástica os rumos do Brasil.
No plano interno, a insatisfação das camadas urbanas, em especial da classe média, crescia cada vez
mais. A estrutura de governo baseada no poder das oligarquias, dos coronéis e da predominância dos
grandes proprietários e produtores de café da região de São Paulo não atendia as exigências e os anseios
de boa parte da população, que não fazia parte ou não era beneficiada pelo sistema de governo.
Em 1926 surgiu o Partido Democrático, de cunho liberal. O partido desponta como oposição ao PRP
(Partido Republicano Paulista), que repudiava o liberalismo na prática. Seus integrantes pertenciam a
uma faixa etária mais jovem em comparação aos republicanos, o que também contribuiu para agradar
boa parte da classe média insatisfeita com o PRP.
Formado por prestigiados profissionais liberais e filhos de fazendeiros de café, o partido tinha como
pauta a reforma do sistema político, através da implantação do voto secreto, da representação de
minorias, a real divisão dos três poderes e a fiscalização das eleições pelo poder judiciário.

A Sucessão de Washington Luís


Voltando à política do Café-com-leite, em 1929 começava a campanha para a escolha do sucessor de
Washington Luís. Pela tradição, o apoio deveria ser dado a um candidato mineiro, já que o presidente
que estava no poder fora eleito por São Paulo.
Ao invés de apoiar um candidato mineiro, Washington Luís insistiu na candidatura do governador de
São Paulo, Júlio Prestes. A atitude do presidente gerou intensa insatisfação em Minas Gerais, e ajudou
a alavancar o Rio Grande do Sul no cenário político.
O governador mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, que esperava ser o indicado para a sucessão
presidencial, propôs o lançamento de um movimento de oposição para concorrer contra a candidatura de
Júlio Prestes. O apoio partiu de outros dois estados insatisfeitos com a situação política: Rio Grande do
Sul e Paraíba.
Do Rio Grande do Sul surgiu, após inúmeras discussões entre os três estados, o nome de Getúlio
Vargas – governador gaúcho eleito em 1927, que fora Ministro da Fazenda de Washington Luís – para
presidente, tendo como vice o nome do governador da Paraíba e sobrinho do ex-presidente Epitácio
Pessoa, o pernambucano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.
Definidos os nomes, foi formada a Aliança Liberal, nome que definiu a campanha. O Partido
Democrático de São Paulo expressou seu apoio à candidatura de Getúlio Vargas, enquanto alguns
membros do Partido Republicano Mineiro resolveram apoiar Júlio Prestes.

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A Aliança Liberal refletia os desejos das classes dominantes regionais que não estavam ligadas ao
café, buscando também atrair a classe média. Seu programa de governo defendia o fim dos esquemas
de valorização do café, a implantação de alguns benefícios aos trabalhadores, como a aposentadoria
(nem todos os setores possuíam), a lei de férias e a regulamentação do trabalho de mulheres e menores
de idade. Além disso, insistiam no tratamento com seriedade pelo poder público das questões sociais,
que Washington Luís afirmava serem “caso de polícia”. Um dos pontos marcantes da campanha da
Aliança Liberal foi a participação do proletariado.

Reflexos da Crise de 1929 no Brasil


No plano externo, a quebra da bolsa de valores de Nova York, seguida da crise que afetou grande
parte da economia mundial, também teve repercussões no Brasil.
O ano de 1929 rendeu uma excelente produção de café, tudo que os produtores não esperavam. A
colheita de quase 30 milhões de sacas na safra 1927-1928 representava aproximadamente o dobro da
produção dos anos anteriores. Esperava-se que, devido a alternância entre boas e más safras 1929
representasse uma colheita baixa, já que as três últimas safras haviam sido boas.
Aliada a ideia de uma safra baixa, estava a expectativa de lucros certos, garantidos pela Defesa
Permanente do Café, o que levou muitos produtores a contraírem empréstimos e aumentarem suas
lavouras.
A produção, ao contrário do esperado, graças às condições climáticas e a implantação de novas
técnicas agrícolas. O excesso do produto foi de encontro com a crise, que diminuiu o consumo, e
consequente o preço do café. O resultado foi um endividamento daqueles que apostaram em preços altos
e não quitaram suas dívidas.
Em busca de salvação para os negócios, o setor cafeeiro recorreu ao governo federal na busca de
perdão das dívidas e de novos financiamentos. O presidente, temendo perder a estabilidade cambial,
recusou-se a ajudar o setor, fator que foi explorado politicamente pela oposição.
Apesar do esforço em tentar combater o candidato de Washington Luís, a Aliança Liberal não foi capaz
de derrotar Júlio Prestes, que foi eleito presidente em 1º de Março de 1930.

A Revolução de 1930

Em 1º de março de 1930 Júlio Prestes foi eleito presidente do Brasil conquistando 1.091.709 votos,
contra 742.794 votos recebidos por Getúlio Vargas. Ambos os lados foram acusados de cometer fraudes
contra o sistema eleitoral, seja manipulando votos, seja impondo votos forçados através de violência e
ameaça.
A derrota Getúlio Vargas nas eleições de 1930 não significou o fim da Aliança Liberal e sua busca pelo
controle do poder executivo. Os chamados “tenentes civis” acreditavam que ainda poderiam conquistar o
poder através das armas.
Buscando agir pelo caminho que o movimento tenentista havia tentado anos antes, os jovens políticos
buscaram fazer contato com militares rebeldes, que receberam a atitude com desconfiança. Entre os
motivos para o receio dos tenentes, estava o fato de que alguns nomes, como João Pessoa e Osvaldo
Aranha, estiveram envolvidos em perseguições, confrontos e condenações contra o grupo.
Porém, depois de conversas e desconfianças dos dois lados, os grupos chegaram a um acordo com a
adesão de nomes de destaque dos movimentos da década de 20, como Juarez Távora, João Alberto e
Miguel Costa. A grande exceção foi o nome de Luís Carlos Prestes, que em maio de 1930 declarou-se
abertamente como socialista revolucionário, e recusou-se a apoiar a disputa oligárquica.
Os preparativos para a tomada do poder não aconteceram da maneira esperada, deixando o
movimento conspiratório em uma situação de desvantagem. Porém, em 26 de julho de 1930 ocorreu um
fato que serviu de estopim para o movimento revolucionário: por volta das 17 horas, na confeitaria “Glória”,
em Recife, João Pessoa foi assassinado por João Duarte Dantas.
O crime, motivado tanto por disputas pessoais como por disputas públicas, foi utilizado como
justificativa para o movimento revolucionário, sendo explorado seu lado público, e transformado João
Pessoa em “mártir da revolução”.
A morte de João Pessoa foi extremamente explorada por seus aliados como elemento político para
concretizar os objetivos da revolução. Apesar de ter morrido no Nordeste e ser natural da região, o corpo
do presidente da Paraíba foi enterrado no Rio de Janeiro, então capital da República, fator que reuniu
uma enorme quantidade de pessoas para acompanhar o funeral. A morte de João Pessoa garantiu a
adesão de setores do exército que até então estavam relutantes em apoiar a causa dos revolucionários.
Feitos os preparativos, no dia 3 de outubro de 1930, nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul
e no Nordeste, estourou a revolução comandada por Getúlio Vargas e pelo tenente-coronel Góes

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Monteiro. As ações foram rápidas e não encontraram uma resistência forte. No Nordeste, as operações
ficaram a cargo de Juarez Távora, que contando com a ajuda da população, conseguiu dominar
Pernambuco sem esforços.
Em virtude do maior peso político que os gaúchos detinham no movimento e sob pressão das forças
revolucionárias, a Junta finalmente decidiu transmitir o poder a Getúlio Vargas. Num gesto simbólico que
representou a tomada do poder, os revolucionários gaúchos, chegando ao Rio, amarraram seus cavalos
no Obelisco da avenida Rio Branco. Em 3 de novembro chegava ao fim a Primeira República.

Candidato(a), segue abaixo a lista completa dos presidentes da República Velha com a cronologia
correta:

- 1889-1891: Marechal Manuel Deodoro da Fonseca;


- 1891-1894: Floriano Vieira Peixoto;
- 1894-1898: Prudente José de Morais e Barros;
- 1898-1902: Manuel Ferraz de Campos Sales;
- 1902-1906: Francisco de Paula Rodrigues Alves;
- 1906-1909: Afonso Augusto Moreira Pena (morreu durante o mandato)
- 1909-1910: Nilo Procópio Peçanha (vice de Afonso Pena, assumiu em seu lugar);
- 1910-1914: Marechal Hermes da Fonseca;
- 1914-1918: Venceslau Brás Pereira Gomes;
- 1918-1919: Francisco de Paula Rodrigues Alves (eleito, morreu de gripe espanhola, sem ter assumido
o cargo);
- 1919: Delfim Moreira da Costa Ribeiro (vice de Rodrigues Alves, assumiu em seu lugar);
- 1919-1922: Epitácio da Silva Pessoa;
- 1922-1926: Artur da Silva Bernardes;
- 1926-1930: Washington Luís Pereira de Sousa (deposto pela Revolução de 1930);
- 1930: Júlio Prestes de Albuquerque (eleito presidente em 1930, não tomou posse, impedido pela
Revolução de 1930);
- 1930: Junta Militar Provisória: General Augusto Tasso Fragoso, General João de Deus Mena Barreto,
Almirante Isaías de Noronha.

Questões

01. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário - História - FCC) Seu Mundinho, todo esse tempo
combati o senhor. Fui eu quem mandou atirar em Aristóteles. Estava preparado para virar Ilhéus do
avesso. Os jagunços estavam de atalaia, prontos para obedecer. Os meus e os outros amigos, para
acabar com a eleição. Agora tudo acabou.
(In: AMADO, Jorge. Gabriela, cravo e canela)

O texto descreve uma realidade que, na história do Brasil, identifica o


(A) tenentismo, que considerava o exército como a única força capaz de conduzir os destinos do povo.
(B) coronelismo, que se constituía em uma forma de o poder privado se manifestar por meio da política.
(C) mandonismo, criado com o objetivo de administrar os conflitos no interior das elites agrárias do
país.
(D) messianismo, entidade com poderes políticos capaz de subjugar a população por meio da força.
(E) integralismo, que consistia em uma forma de a oligarquia cafeeira demonstrar sua influência e
poder político.

02. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário - História - FCC) Para responder à questão, considere
o texto abaixo.
... A forma federativa deu ampla autonomia aos Estados, com a possibilidade de contrair empréstimos
externos, constituir forças militares próprias e uma justiça estadual.
[...] A representação na Câmara dos Deputados, proporcional ao número de habitantes dos Estados,
foi outro princípio aprovado...
[...] A aceitação resignada da candidatura Prudente de Moraes, que marcou o início da república civil
oligárquica, consolidada por Campos Sales, se deu em um momento difícil, quando Floriano dependia do
apoio regional [...].
(Adaptado de: FAUSTO, Boris. Pequenos ensaios de História da República (1889-1945). São Paulo: Cebrap, 1972, p. 2-4)

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O principal mecanismo para a consolidação da república a que o texto se refere foi a
(A) política de “salvação nacional", desencadeada pelos militares ligados aos grandes fazendeiros
mineiros e paulistas com a finalidade de fortalecer o poder das oligarquias estaduais do sudeste.
(B) “campanha civilista" que defendia a regulamentação dos preços dos produtos de exportação e
garantia os empréstimos contraídos no exterior aos fazendeiros das grandes propriedades.
(C) “política dos governadores", que consistia na troca de apoio entre governo federal e governos
locais, com a finalidade de manter no poder os representantes dos grandes fazendeiros.
(D) política do “café-com-leite", que incentivava uma disputa acirrada entre os representantes dos
pequenos Estados e enfraquecia o poder dos fazendeiros paulistas e dos mineiros.
(E) política de “valorização do café" realizada pelos Estados contribuía para o enfraquecimento do
poder local e garantia a troca de favores entre os fazendeiros e o governo federal.

03. (TRT 3ª Região/MG - Analista Judiciário - História - FCC) Ao contrário do que sucedeu na Capital
da República, as primeiras manifestações do movimento operário em São Paulo surgiram já sob a
inspiração de ideologias revolucionárias ou classistas – o anarquismo e, em muito menor grau, o
socialismo reformista. As condições sócio-políticas tendiam a confirmar as ideologias negadoras da
organização vigente na sociedade aos olhos da marginalizada classe operária nascente, estrangeira em
sua grande maioria. (...) O anarquismo se converteria, entretanto, na principal corrente organizatória do
movimento operário, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo.
(FAUSTO, Boris. Trabalho urbano e conflito social. São Paulo: s/data, p.60-62)

A corrente ideológica a que o texto se refere, e que dominou a cena do movimento operário brasileiro
durante a segunda década do século XX,
(A) pode ser tratada como um sistema de pensamento social visando a modificações fundamentais na
estrutura da sociedade com o objetivo de substituir a autoridade do Estado por alguma forma de
cooperação não governamental entre indivíduos livres.
(B) investe contra o capital e o Estado capitalista, pretendendo substitui-lo por uma livre associação de
produtores diretos, possuidores dos meios de produção e na organização do sindicato único como meio
de promover a emancipação das classes trabalhadoras.
(C) defende a coletivização dos meios de produção, a violência nas lutas operárias e dá ênfase ao
papel que os sindicatos desempenhariam na obra emancipadora dos trabalhadores e da sociedade, e na
luta operária para a conquista do Estado.
(D) argumenta que o sindicalismo operário deve ser o articulador da autogestão e um instrumento do
plano econômico e da unidade de produção, e que as diversas associações produtivas devem ser
coordenadas pelas federações sindicais ligadas ao Estado.
(E) inclina-se pelo caminho revolucionário ao sustentar a necessidade de realizar de imediato a tese
marxista segundo a qual o critério de distribuição de bens e serviços deveria ser determinada pelas
assembleias sindicais de cada Estado da Federação.

04. (SEE/AC - Professor de Ciências Humanas - FUNCAB) Leia o texto.

“O São Francisco lá pra cima da Bahia


Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato
que dizia que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão”
(Sobradinho. Sá e Guarabyra.)

A expressão “O sertão vai virar mar” está associada a uma personagem de um importante movimento
messiânico do início da República brasileira.
O personagem referido é:
(A) João Cândido.
(B) Beato José Maria.
(C) Antônio Conselheiro.
(D) Marcílio Dias.
(E) Barão de Drumond.

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Gabarito

01.B / 02.C / 03.A / 04.C

Comentários

01. Resposta: B
Durante a República Velha os grandes fazendeiros(coronéis) impunham seu poder através de seus
exércitos particulares de jagunços. O voto era aberto e os eleitores que moravam nas grandes fazendas
eram forçados a votar no candidato do coronel.

02. Resposta: C
A política dos governadores foi um sistema político não oficial, idealizado e colocado em prática pelo
presidente Campos Sales (1898 – 1902), que consistia na troca de favores políticos entre o presidente da
República e os governadores dos estados. De acordo com esta política, o presidente da República não
interferia nas questões estaduais e, em troca, os governadores davam apoio político ao executivo federal.

03. Resposta: A
O anarquismo é o movimento político que defende a supressão de todas as formas de dominação e
opressão vigentes na sociedade moderna, dando lugar a uma comunidade mais fraterna e igualitária,
fruto de um esforço individual a partir de um árduo trabalho de conscientização. O anarquismo é
frequentemente apontado como uma ideologia negadora dos valores sociais e políticos prevalecentes no
mundo moderno como o estado laico, a lei, a ordem, a religião e a propriedade privada.

04. Resposta: C
Antônio Conselheiro foi o líder do arraial de canudos, no interior da Bahia, local em que ocorreu a
guerra de canudos, revolta de grande repercussão no período republicano.

o. O mundo à época da Segunda Guerra Mundial: o período entre guerras; a


Segunda Guerra Mundial; o Brasil na Era Vargas; a participação do Brasil na
Segunda Guerra Mundial.

Após o conflito da Primeira Guerra Mundial, alguns países da Europa conheceram e usaram de novas
formas de governo que foram decisivos também para o início do segundo conflito.

Totalitarismo

O Totalitarismo é uma forma de governo em que uma ditadura controla o estado em todas as esferas
da sociedade. O controle sobre os meios de informação é muito forte e a repressão é utilizada como meio
de conter as revoltas da população e evitar novas ações. A educação vincula-se à propaganda como
meio de controle e promoção do regime, ressaltando suas realizações, obras, projetos e principalmente
a figura do líder do governo, que em muitos casos passa a ser venerado através da imposição. O modelo
totalitário ganhou força no século XX após a Primeira Guerra Mundial. Existem duas vertentes do
Totalitarismo: Esquerda e Direita
O Totalitarismo de Esquerda caracteriza-se pela abolição da propriedade privada, adoção das ideias
do socialismo, extinção da religião na esfera política e coletivização obrigatória de meios de produção
agrícolas e industriais.
No Totalitarismo de Direita as organizações sindicais estão sob olhar atento do Estado. A cultura,
religião e etnicidade são valorizados de maneira tradicionalista e a burguesia industrial é fortemente
apoiada.
Apesar das grandes diferenças, tanto o Totalitarismo de esquerda como o de direita possuem diversas
semelhanças, como a adoção de um único partido que comanda o pais e de onde partem as decisões
sobre os rumos que ele deve tomar. Ideias de supervalorização do sentimento de orgulho do
país(patriotismo), seu enaltecimento e elogios ao potencial energético, natural e humano (Ufanismo) e a
defesa ferrenha e muitas vezes irracional do país (chauvinismo) são incentivadas e impostas à população
como forma de aumentar e garantir seu domínio. O culto à personalidade do líder do partido é também
imposto como forma de dominação carismática. Alguns dos maiores exemplos de culto à personalidade

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são os ditadores Adolf Hitler na Alemanha Nazista e Joseph Stalin na União Soviética. Na atualidade a
figura de Kim Il-Sung na Coréia do Norte é um exemplo de culto à personalidade.
Entre os regimes totalitários mais significativos estão o Nazifacismo presentes em países como Itália,
Alemanha, Portugal e Espanha, e o Stalinismo na União Soviética.

Fascismo Italiano

O fascismo italiano teve início no começo da década de 20, resultado da insatisfação com os resultados
da Primeira Guerra Mundial. Os tratados assinados após a guerra não garantiram para a Itália alguns
territórios de interesse, como o caso de algumas colônias alemãs na África e a região da Dalmácia,
atribuída à Iugoslávia. Além dos territórios desejados não serem entregues ao país, o saldo de mortos
durante a guerra foi enorme. Em torno de 650 mil pessoas morreram, além da região de Veneza ter sido
devastada.
A situação econômica do pais entrou em um momento de grande caos e crise. A Itália já possuía um
problema de superpovoamento e atrasos de desenvolvimento, que foram agravados após a I Guerra com
a alta inflação provocada pela emissão de moedas e empréstimos exteriores para financiar seu exército.
Como resultado, a Lira, que era a moeda nacional da época, ficou extremamente desvalorizada.
Com a crise econômica afetando até mesmo as grandes indústrias do país, o desemprego cresceu,
juntamente com o número de greves de operários. Revoltas e pilhagens de lojas pela população tornaram-
se constantes. Por volta de 1920, mais de 600 mil metalúrgicos das regiões piemonteses e lombardos
tomaram controle de fábricas e tentaram dirigi-las, tentativa que falhou por conta da falta de credito
bancário. Além das fábricas e cidades, no campo várias terras foram ocupadas e muitos camponeses
exigiam reforma agraria.
Com medo do avanço dos movimentos sociais, do avanço das ideias comunistas e a incapacidade do
governo em conter as revoltas, grupos burgueses acabaram aliando-se a um grupo contrário ao
comunismo e ao socialismo: os Fascistas.
Os fascistas tinham como representante Benito Mussolini. Nascido em uma família pobre e
crescendo em um meio de influencias anarquistas, ingressou no Partido Socialista e refugiou-se durante
algum tempo na Suíça para fugir do serviço militar. Mussolini possuía ideais pacifistas, tendo inclusive
trabalhado como redator do jornal Avanti. Suas opiniões mudariam após o início da I Guerra Mundial,
quando fazia pedidos de intervenção militar da Itália em favor dos aliados em seu próprio jornal, Popolo
d’Itália.
Mussolini participou da guerra, de onde voltou gravemente ferido. Em seu jornal exigia atendimento
aos ex-combatentes que não conseguiam empregos, além de propor reformas sociais e criticar a
degradação e perda de poder do Estado, exigindo um regime de governo forte.
Os fascistas culpavam a democracia e o liberalismo. Vestiam-se de preto, daí o nome como foram
conhecidos, “camisas negras de Milão”. Formavam grupos paramilitares, os Squadres, ou “Fascio
de combatimiento” que combatiam as greves e os comunistas. Em 1922 estava marcada uma grande
greve geral em Roma, liderada pelos comunistas. Os fascistas impediram violentamente esta greve e
realizaram uma grande passeata, a “Marcha sobre Roma”. Após a marcha e a grande popularidade
alcançada pelos fascistas, o Imperador italiano indicou Mussolini para Primeiro Ministro. Mussolini foi
responsável por uma grande manobra diplomática com a Igreja Católica. Através do Tratado de Latrão
foi criado o Estado do Vaticano, que conquista o apoio e reconhecimento do Estado Italiano pela Igreja
(reconhecimento que não havia ocorrido desde a unificação Italiana em 1870)

Salazarismo e Franquismo

As consequências do fim da I Guerra Mundial e da Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque


causaram um efeito devastador na política e na economia de muitos países europeus. As crises
econômicas se alastravam, o desemprego aumentava junto com a insatisfação de operários de fabricas
que realizavam greves constantemente e muitos grupos políticos de esquerda chegavam ao poder. Com
medo de perder espaço e privilégios, os grandes empresários e a igreja católica aliaram-se e financiaram
a ascensão de grupos políticos de extrema-direita para conter as revoltas sociais e o avanço das ideias
socialistas que se espalhavam pelo continente. A década de 30 na Europa foi marcada pela ascensão do
nazifascismo. Esse modelo de governo surgido na Itália e Alemanha foi também praticado em Portugal
(Salazarismo) e Espanha (franquismo).
Em Portugal, assim como na Alemanha, a crise de 1929 colocou a extrema direita no poder, o que
possibilitou a ascensão de Antônio Oliveira Salazar que em 1930 instaurou a ditadura do “Estado Novo”
e outorgou uma constituição autoritária, nacionalista, com unipartidarismo e a proibição de greves. O

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ditador permaneceu no poder até 1970, quando faleceu. O modelo ditatorial permaneceu em vigor até o
ano de 1974, quando acontece a “Revolução dos Cravos” que derruba o governo autoritário promove
novamente a democracia. A revolução também coloca fim na Guerra Colonial portuguesa, conflito entre
tropas portuguesas e grupos separatistas de Angola, Guiné e Moçambique. Os separatistas buscavam a
autonomia, ou seja a independência do domínio colonial de Portugal. Salazar foi contrário à ideia de
separação e enviou tropas para suas colônias na África a partir de 1961 para conter os rebeldes. Com a
saída de Salazar do poder, a partir de 1975 tem início uma rodada de negociações para discutir a
descolonização dos territórios conflituosos com o Tratado de Alvor.
Com a queda do governo monárquico em 1931, após a renúncia do rei Afonso XIII, é proclamada a
Segunda Republica. Nas eleições ocorridas em dezembro do mesmo ano a esquerda sai vitoriosa. Alcalá
Zamora é eleito presidente da República. Com as reformas propostas pelo governo, que não se
mostraram significativas para nenhum dos lados, a insatisfação aumenta.
Manuel Azaña ficara encarregado por Alcalá Zamora de organizar o governo, que não consegue
resolver as questões agrária e trabalhista. Na questão religiosa, a companhia de Jesus é dissolvida na
Espanha, e as demais ordens religiosas apesar de continuarem, são proibidas de dedicar-se ao ensino.
As reformas foram consideradas moderadas em relação ao espirito anticlerical presente no parlamento
espanhol, que era composto por uma maioria de esquerda. As medidas tomadas não agradaram nem a
direita e a igreja, que enxergavam de forma negativa a laicização do Estado (Separação entre Estado e
religião) e do ensino, nem a esquerda, que considerava as reformas promovidas como medidas
insignificantes.
A polarização política (como no resto da Europa) entre a extrema direita e a extrema esquerda levou
o pais à uma guerra civil em 1936. Enfrentaram-se o “Nacionalistas”, grupo formado pelo Exército, a
Igreja e os Latifundiários (grandes proprietários de terra) e os “Republicanos”, grupo formado pelos
sindicatos, partidos de esquerda e os partidários da democracia. A Guerra Civil Espanhola (1936-1939)
teve apoio das tropas portuguesas da ditadura salazarista e também o apoio da Alemanha nazista. O
conflito serviu de laboratório para a nova nova tática de guerra nazista: a Blitzkrieg (termo alemão para
"guerra-relâmpago. A Blitzkrieg consistia em uma doutrina militar que consistia em utilizar forças móveis
em ataques rápidos e de surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tivessem tempo de
organizar a defesa.Com o desequilíbrio das forças militares os nacionalistas venceram a guerra e subiu
ao poder o General Francisco Franco, que governou até 1975, ano de sua morte. Seu governo era
fundamentado no militarismo, anticomunismo e no catolicismo.
A Guerra Civil Espanhola deixou um saldo de mais de 500 mil vítimas, além de muitos prédios
destruídos, metade do gado do país morto e uma estagnação econômica que durou pelos próximos 30
anos. A guerra causou impacto também em vários artistas, que manifestaram sua visão através de obras
e textos criticando o conflito. Entre as produções mais expressivas está a pintura de Pablo Picasso,
Guernica.
A obra, uma pintura a óleo em estilo cubista, retrata o bombardeio e a destruição da cidade basca de
Guernica, no norte da Espanha. O autor a produziu em 1937, enquanto o autor morava em Paris. Nela
estão retratados os sofrimentos e mutilações de pessoas e animais e a destruição edifícios atingidos pela
Luftwaffe (Força Aérea Alemã).

Picasso, Pablo. Guernica. Óleo sobre tela.


Fonte:http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/guernica2.jpg

Além de Picasso, outros artistas como o pintor surrealista Salvador Dali, o poeta Federico García Lorca
e o escritor estadunidense Ernest Hemingway.

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O Nazismo Alemão

O Nazismo era a sigla em alemão para “partido nacional socialista dos trabalhadores alemães”
(National Sozialistische Deutsche Arbeiterpartei ou N.S.D.A.P) fundado em 1920. Em 1923 membros do
partido tentam um golpe de Estado que ficou conhecido como Putch de Munique. O golpe foi frustrado e
os nazistas foram presos, entre eles um soldado que combatera na Primeira Guerra Mundial, chamado
Adolf Hitler. Na cadeia Hitler escreve seu livro com os princípios fundamentais do nazismo o “Mein Kampf”
(minha luta) no qual ele expressou suas ideias antissemitas, racialistas e nacional-socialistas. Após serem
anistiados (anistia = perdão de crime político) os membros do partido começaram um intenso trabalho de
divulgação de suas ideias, recebendo o apoio de grandes industriais e banqueiros alemães. Com o apoio
recebido os nazistas chegam ao poder. Após a vitória parlamentar do partido nazista, Hitler é nomeado
chanceler (primeiro ministro) da Alemanha em 1933.
Com a chegada de Hitler ao poder, tem início a implantação da ditadura totalitária nazista. O
parlamento foi incendiado e a culpa foi jogada nos grupos comunistas. As greves e os partidos comunistas
foram proibidos, e teve início a perseguição realizada aos Judeus. Hitler desobedece ao tratado de
Versalhes e inicia a militarização do país, pregando a necessidade de “espaço vital” alemão, ou seja o
espaço necessário para a expansão territorial de um povo, e a conquista de territórios ocupados pela
população Germânica. Inicia-se também a recuperação econômica com base em um programa baseado
na militarização do país e criação de empregos (principalmente na indústria militar).

A expansão Nazista
Os nazistas deram início em 1936 uma expansão militar com a participação em conflitos, a invasão e
anexação de territórios. Hitler leva a Europa à guerra (desta vez sim, a culpa é da Alemanha). O início da
expansão militar ocorre com a participação alemã na “Guerra Civil Espanhola”, em 1936, depois em
1938 anexam a Áustria, e em 1938/39 invadem e anexam os Sudetos da Tchecoslováquia (região
montanhosa à sudoeste do país).

A Guerra civil espanhola e a Blitzkrieg: Para muitos historiadores a Guerra Civil Espanhola foi um
laboratório para os alemães testarem sua nova tática de guerra, a Blitzkrieg (Guerra relâmpago). Era um
ataque surpresa e simultâneo entre a aviação (Luftwaffe), divisão de tanques blindados (divisão Panzer)
e a infantaria de soldados.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Segunda Guerra Mundial ocorreu entre 1939 e 1945 e assim como a Primeira Guerra, ganhou esse
nome por não ficar confinada apenas ao continente europeu. Foi a maior guerra vista na história da
humanidade, com número de mortes que variam de acordo com as fontes, entre 55 e 80 milhões de
pessoas62.

Antecedentes

Com o final da Primeira Guerra Mundial e com o Tratados de Versalhes, nações como a Alemanha
entraram em uma profunda crise social e econômica. A década de 1920 que começava a se recuperar do
ponto de vista econômico, volta a piorar com a quebra da bolsa de Nova York em 1929. Essa situação
gera um grande descontentamento em relação ao liberalismo norte-americano.
Nesse cenário surgem movimentos em diversos países da Europa - principalmente Alemanha e Itália
– que resultam em governos totalitaristas:
- Em 1922, Benito Mussolini chega ao poder na Itália, iniciando uma ditadura do Partido Fascista.
- Na Alemanha, em 1932 o Partido Nazista vence as eleições alcançando maioria de parlamentares
eleitos colocando Adolf Hitler em posição política influente a ponto de ser nomeado chanceler.
Com o objetivo de expandir seu território e ter de volta regiões que lhe foram tiradas pelo Tratado de
Versalhes, o governo Alemão, desafiando as medidas estabelecidas no mesmo, volta a produzir
armamentos e a aumentar sua força militar.
Em 1935, a Itália dá início ao seu processo de expansão, anexando a Etiópia e logo depois a Albânia.
Na Alemanha, esse processo começa em 1938 quando anexam a Áustria e a Tchecoslováquia.

62
DW. A Segunda Guerra em Números. https://www.dw.com/pt-br/a-segunda-guerra-mundial-em-n%C3%BAmeros/a-50212146.

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* Itália e Alemanha já haviam assinado um acordo de apoio mútuo, em 1936, chamado de Eixo Roma-
Berlim. Posteriormente – 04 anos depois – o Japão adere ao mesmo acordo.

Nações como a França e a Inglaterra só interviram nas ações desses países, quando em 1939, após
ter assinado um pacto de não agressão com a União Soviética – Pacto Ribbentrop-Molotov – a
Alemanha invade a Polônia, que deveria ter seu território dividido pelo mesmo acordo.
Dois dias após a invasão, França e Grã-Bretanha, seguindo um acordo de intervenção que haviam
assinado com a Polônia no caso de invasão deste país, declararam guerra à Alemanha.
A Segunda Guerra Mundial reuniu nações de grande parte do mundo, divididas em dois blocos, o Eixo,
liderado pela Alemanha, Itália e Japão, e os Aliados, liderados principalmente pelos Estados Unidos,
Inglaterra e União Soviética.

DICA: Atualmente partidos com tendência à extrema direita estão


ganhando espaço em vários países do mundo. Fique de olho em questões
que possam fazer paralelos aos movimentos fascistas desse período.

A Guerra

Invasão da França e URSS


Sob o comando do general Erich Von Manstein, a Alemanha inaugura uma nova forma de guerra.
Conhecida como Blitzkrieg – guerra relâmpago – ela consistia em destruir o inimigo através do ataque
rápido e surpresa.
Usando essa tática, em abril de 1940, o exército alemão invade e ocupa a Dinamarca e a Noruega.
Um mês depois Luxemburgo, Holanda e Bélgica, países até então neutros também foram invadidos. O
próximo destino alemão foi atacar a fronteira da França, que pega de surpresa não conseguiu se defender
deixando o exército alemão se aproximar de Paris.
No dia 14 de julho de 1940 a capital francesa é dominada, forçando o governo francês a se transferir
para o interior do país, onde posteriormente se rendeu.
No acordo de rendição, metade do território da França passava a pertencer a Alemanha, a outra
metade ficaria com os franceses, desde que as autoridades locais colaborassem com os alemães.
Em 1941, sem nenhum aviso, o exército alemão, invade a URSS (União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas), atacando durante três meses, três regiões diferentes – Leningrado, Moscou e Stalingrado –.
Sabendo da força do exército, a posição tomada pela URSS foi de recuar. Contudo, Hitler subestimou as
forças soviéticas, e ordenou um ataque a Moscou e Leningrado, onde assistiu a sua tática de guerra
falhar. Além dos soviéticos terem se defendido bem, os alemães se viram enfrentando o rigoroso inverno
Russo.
Quando finalmente conseguiram chegar a Stalingrado, a batalha aconteceu nas próprias ruas, onde
com 285 mil soldados a Alemanha se vê cercada por forças soviéticas. Apenas em janeiro de 1943 é que,
depois de vários meses de guerra, os sobreviventes alemães se rendem à força da URSS. Esse fato
marca o fim da fase próspera vivida pelo Eixo.

Guerra no Pacífico e Entrada dos Estados Unidos


Apesar do Japão estar aliado ao Eixo, ele permaneceu fora do conflito direto nos primeiros anos da
guerra. Até o ano de 1941 sua estratégia era pressionar os Estados Unidos para que este reconhecesse
sua superioridade no continente Asiático. Quando perceberam que o governo estadunidense não
atenderia às suas exigências, o governo japonês ordenou um ataque surpresa à base norte-americana
de Pearl Harbor, no Havaí em dezembro de 1941. Após o ataque, os Estados Unidos entram na guerra
em favor aos Aliados.
Por sua vez, os japoneses conseguiram conquistar diversas regiões da Ásia, onde conseguiram o
domínio de matérias-primas importantes, como o petróleo, borracha e minério.

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Em junho de 1942, os Estados Unidos conseguem vencer a força japonesa no pacífico. Essa batalha
ganhou o nome de “Batalha de Midway”

Fim da Guerra

Após a derrota dos japoneses no pacífico, as forças inglesas e estadunidenses conseguiram expulsar
o exército alemão do norte da África. No ano seguinte, em 1943, os Aliados conseguiram chegar no sul
da Itália e enquanto isso, o exército soviético (Exército Vermelho) dava início a invasão da Alemanha.
Em 1944, na Itália, Mussolini é fuzilado por guerrilheiros Antifascistas.
No mesmo ano, no dia 6 de junho, que ficaria conhecido como o “Dia D”, as forças inglesas e
estadunidenses, conseguem chegar no norte da França, região da Normandia e em agosto, os Aliados
conseguem entrar em Paris. A partir desse momento, o final da guerra para os alemães era apenas uma
questão de tempo.
No dia 30 de abril de 1945, Hitler, com sua mulher Eva Braun, se suicidam na capital da Alemanha.
Após a sua morte, os soviéticos conseguem chegar a Berlim, onde finalmente o exército alemão, junto
com seus comandantes, assinam a rendição.
Apesar da guerra ter acabado na Europa, o Japão se recusou a render-se. Para forçar sua saída, no
dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos ordenam o lançamento de uma bomba atômica sobre a
cidade de Hiroshima, em que em questão de segundos mais de 80 mil pessoas foram mortas.
Mesmo após o ataque o Japão não concordou em assinar a rendição. Com isso, três dias depois, outra
bomba atômica é lançada agora sobre a cidade de Nagasaki, matando mais de 40 mil pessoas. Depois
do segundo ataque, o governo japonês concorda em assinar a rendição.

Participação do Brasil na Segunda Guerra63

Neutralidade Brasileira na Primeira Fase da Guerra


Desde 1939 o início do conflito o Brasil assumiu uma posição neutra na Segunda Guerra Mundial,
embora o presidente no período, Getúlio Vargas mantivesse preferências ao lado do Eixo.

Ataques nazistas e entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial


Esta posição de neutralidade acabou em 1942 quando algumas embarcações brasileiras foram
atingidas e afundadas por submarinos alemães no Oceano Atlântico. A partir deste momento, Vargas fez
um acordo com Roosevelt (presidente dos Estados Unidos) e o Brasil entrou na guerra ao lado dos
Aliados.
Era importante para os Aliados que o Brasil ficasse ao lado deles em função da posição geográfica
estratégica de nosso país e de seu vasto litoral.

Participação efetiva no conflito


O Brasil enviou para a Itália (ocupada pelas forças nazistas) em julho de 1944, 25 mil militares da FEB
(Força Expedicionária Brasileira), além de 42 pilotos e 400 homens de apoio da FAB (Força Aérea
Brasileira).

Vitórias
Os militares brasileiros da FEB - pracinhas - conseguiram ao lado de soldados aliados importantes
vitórias. Após duras batalhas, os militares brasileiros ajudaram na tomada de Monte Castelo, Turim,
Montese e outras cidades.

Outras Formas de Participação


Além de enviar tropas para as áreas de combate na Itália, o Brasil participou de outras formas. Vale
lembrar que o Brasil forneceu matérias-primas, principalmente borracha, para os países das forças
aliadas.
O Brasil também cedeu bases militares aéreas e navais. A principal foi a base militar da cidade de
Natal (RN) que serviu de local de abastecimento para os aviões dos Estados Unidos.
Foi importante também a participação da marinha brasileira, que realizou o patrulhamento e a proteção
do litoral nacional, fazendo também a escolta de navios mercantes brasileiros para garantir a proteção
contra ataques de submarinos alemães.

63
O Brasil na Segunda Guerra Mundial. Sua Pesquisa. https://bit.ly/2Og74Gs

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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Conferências

Conferência do Cairo
Em novembro de 1943 encontraram-se na capital do Egito, Winston Churchill (primeiro-ministro
inglês), Franklin Delano Roosevelt (presidente dos Estados Unidos) e Chiang Kai-chek (presidente da
China).
O objetivo da reunião era discutir o mapa da Ásia após a vitória sobre o Japão. Nessa reunião ficou
decidido que a China receberia os territórios tomados pelo Japão durante a guerra sino-japonesa.
Os demais países conquistados pelo Japão durante o conflito retomariam sua independência.

Conferência de Teerã
Em dezembro de 1943, na capital do Irã, Roosevelt e Churchill encontraram-se com o presidente da
União Soviética, Josef Stalin.
Com a entrada dos soviéticos no conflito, a derrota da Itália e o enfraquecimento da Alemanha, os três
líderes discutiram a abertura de uma nova frente de batalha na Europa Ocidental para derrotar de vez os
nazistas. O local escolhido foi a Normandia, no norte da França, onde desembarcaram as tropas Aliadas
no episódio que ficou conhecido como Dia D.
Foi formulada a proposta de criação de um organismo internacional para preservar a paz. Decidiu-se
a divisão da Alemanha em zonas de influência.
Estônia, Letônia e Lituânia, além do leste da Polônia, foram considerados áreas anexadas ao território
soviético pelos EUA e Inglaterra.

Conferência de Ialta
Em fevereiro de 1945, Stalin, Churchill e Roosevelt voltaram a se encontrar no balneário de Ialta, na
União Soviética.
Durante o encontro houve a confirmação do desmembramento da Alemanha, após o término da guerra,
e sua submissão a um Conselho de Controle Aliado, composto por EUA, França, Inglaterra e União
Soviética.
O leste da Polônia ficou sob controle da União soviética, assim como o arquipélago das Curilas, o sul
da Ilha Sacalina e Porto Arthur.
A Coréia foi dividida em duas zonas de influência, ficando o norte controlado pela União Soviética e o
Sul pelos Estados Unidos (A separação permanece até hoje com a Coréia do Norte e Coréia do Sul)
A Iugoslávia, que já possuía influência soviética, teve o governo do marechal Tito legitimado.

Conferência de Potsdam
Após a derrota alemã, realizou-se um novo encontro em Potsdam, na Alemanha.
Clement Attlee (novo primeiro-ministro da Inglaterra), Harry Truman (presidente dos Estados Unidos
após o falecimento de Roosevelt) e Stalin reuniram-se entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945 para
confirmar as decisões tomadas em Ialta.
Com relação à Alemanha, decidiu-se pelo fim do nazismo, a criação de um tribunal para que fossem
julgados os crimes de guerra (Tribunal de Nuremberg), a divisão do território alemão em quatro zonas
de influência, a entrega de Dantzig para a Polônia e a divisão da Prússia Oriental entre Polônia e União
Soviética.
A Alemanha ainda deveria pagar uma indenização de 20 bilhões de dólares para a União Soviética,
França, Inglaterra e Estados Unidos.

Consequências da Guerra

Após a guerra, os Estados Unidos e a URSS saíram como grandes potências mundiais. As ideias
antagônicas desses países acabaram por dividir o mundo: de um lado estava o capitalismo e do outro
o socialismo. A partir dessa divisão, um conflito entre essas grandes potências se instaurou e começou
a chamada Guerra Fria.

Criação da Organizações das Nações Unidas


Em fevereiro de 1945, após uma das conferências de paz, ficou decido a criação de um órgão que
tentaria unir as nações, estabelecendo relações amistosas entre os países. A Carta das Nações Unidas
foi inicialmente assinada por cinquenta países, onde foram excluídos de participar os países que
participaram do Eixo.

140
1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
A criação da ONU foi a segunda tentativa de promover a paz, a primeira tentativa que fracassou foi a
formação da Liga das Nações, criada após a Primeira guerra.

Holocausto

O Holocausto foi uma prática de perseguição política, étnica, religiosa e sexual estabelecida durante
o governo de Adolf Hitler. Segundo as ideias do nazismo, a Alemanha deveria ser composta apenas por
indivíduos superiores. Segundo essa mesma ideia, o povo legitimamente alemão era descendente dos
arianos, um antigo povo que – segundo os etnólogos europeus do século XIX – tinham pele branca e
deram origem à civilização europeia.
Para que a supremacia racial ariana fosse conquistada pelo povo alemão, o governo de Hitler passou
a pregar o ódio contra aqueles que impediam a pureza racial dentro do território alemão. Segundo o
discurso nazista, os maiores culpados por impedirem esse processo de eugenia étnica eram os ciganos
e – principalmente – os judeus. Com isso, Hitler passou a perseguir e forçar o isolamento em guetos do
povo judeu da Alemanha.
Dado o início da Segunda Guerra, o governo nazista criou campos de concentração onde os judeus e
ciganos eram forçados a viver e trabalhar. Nos campos, os concentrados eram obrigados a trabalhar nas
indústrias vitais para a sustentação da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Além disso, os ocupantes
dos campos viviam em condições insalubres, tinham péssima alimentação, sofriam torturas e eram
utilizados como cobaias em experimentos científicos.
Com o fim dos conflitos da 2ª Guerra e a derrota alemã, muitos oficiais do exército alemão decidiram
assassinar os concentrados. Tal medida seria tomada com o intuito de acobertar todas as atrocidades
praticadas nos vários campos de concentração espalhados pela Europa. Porém, as tropas francesas,
britânicas e norte-americanas conseguiram expor a carnificina promovida pelos nazistas alemães.
Depois de renderem os exércitos alemães, seus principais líderes foram julgados por um tribunal
internacional criado na cidade alemã de Nuremberg. Com o fim do julgamento, muitos deles foram
condenados à morte sob a alegação de praticarem crimes de guerra. Hoje em dia, muitas obras, museus
e instituições são mantidos com o objetivo de lutarem contra a propagação do nazismo ou ódio racial.

As Transformações da Condição Feminina depois da 2ª Guerra Mundial

Em 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia pelos alemães, a Segunda Guerra Mundial foi
oficialmente declarada, e novamente as mulheres foram convocadas a trabalhar. A experiência da
Primeira Guerra foi aproveitada e intensificada, e, já em 1940, o número de mulheres empregadas nas
fábricas atingiu a capacidade máxima.
A quantidade de órgãos militares praticamente dobrou e, em todos os cantos do mundo, elas
apareceram como soldadoras, enfermeiras, pilotos de aviões, motoristas, secretárias, datilógrafas, etc.64
As funções femininas eram específicas em cada país. Na maioria dos países aliados, as mulheres
eram convocadas para todas as frentes de trabalho, desde o setor industrial até os exércitos. Já a
Alemanha, manteve por muito tempo centros onde as mulheres serviam como “reprodutoras e
perpetuadoras da raça pura” – os lebensborn.
Apesar das diferenças, todos eles tinham algo em comum: as mulheres não tinham a permissão para
atuar na linha de frente, como combatentes.
Entretanto, na URSS aconteceu o contrário e houve registros de mulheres combatentes desde o século
XIX. A franco-atiradora Lyudmila Pavlichenko e Marina Raskova, pilotos bombardeiros, são sempre
lembradas quando se fala da participação de mulheres na Segunda Guerra Mundial.
Raskova também liderou um dos esquadrões de bombardeio noturno, apelidado pelos alemães de
Bruxas da Noite, tamanha a destreza dos pilotos nos ataques aéreos. Muitas foram condecoradas como
heroínas de guerra.
No Brasil, a participação das mulheres se deu por meio do envio de 73 enfermeiras para ajudar a Força
Expedicionária Brasileira (FEB), em missão na Itália.
Com o fim da Guerra em 1945, as mulheres retornaram mais uma vez, ao ambiente doméstico. A
maioria dos órgãos militares, exclusivamente femininos, voltou a surgir somente no final do século XX.

64
http://pre.univesp.br/as-mulheres-na-guerra#.WKbyUW8rKM8.

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Questões

01. (Prefeitura de Salvador/BA – Professor – FGV/2019) Considerando a participação brasileira na


Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assinale a afirmativa correta.
(A) Ficou restrita ao monitoramento do espaço marítimo do Atlântico Sul pela FAB.
(B) Foi provocada pela retaliação ao alinhamento brasileiro aos países do Eixo.
(C) Foi o resultado da reavaliação político-ideológica do governo brasileiro, previamente alinhado às
potências do Eixo.
(D) Foi motivada por uma represália ao rompimento de relações diplomáticas do Brasil com os países
da Aliança Ocidental.
(E) Foi fundamental para a obtenção do assento permanente na Organização das Nações Unidas
(ONU), no pós-Guerra.

02. (TJ/MG – Titular de Serviços de Notas e Registros – CONSULPLAN – 2019) A Segunda Guerra
Mundial foi o maior conflito da história da humanidade, e envolveu diversos países em quatro continentes.
Os participantes se aliaram em dois grupos, sendo eles os Aliados e os Países do Eixo. Marque a
alternativa na qual estão relacionados os Países do Eixo.
(A) Alemanha, Itália e Japão.
(B) Inglaterra, EUA e Polônia.
(C) Alemanha, URSS e Hungria.
(D) França, Inglaterra, EUA e URSS.

03. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE – 2018) A Segunda Guerra Mundial, na verdade,
trouxe soluções, pelo menos por décadas. Os impressionantes problemas sociais e econômicos do
capitalismo na Era da Catástrofe aparentemente sumiram. A economia do mundo ocidental entrou em
sua Era de Ouro; a democracia política ocidental, apoiada por uma extraordinária melhora na vida
material, ficou estável; baniu-se a guerra para o terceiro mundo. Por outro lado, até mesmo a revolução
pareceu ter encontrado seu caminho para a frente. Os velhos impérios coloniais desapareceram ou logo
estariam destinados a desaparecer.
Eric Hobsbawn. Era dos extremos: o breve século XX. Cia das Letras: São Paulo, 2005, p. 59
Tendo como referência inicial o texto precedente, julgue (C ou E) o seguinte item, relativo às causas e
aos desdobramentos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Para a Itália, a derrota na Primeira Guerra Mundial e a sua instabilidade política na década de 20 foram
motivos decisivos para a adoção do fascismo após a crise de 1929.
(A) Certo
(B) Errado

04. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE – 2018) Considerando a célebre frase de Karl
Clausewitz: “A guerra é a continuação da política por outros meios”, julgue (C ou E) o item a seguir, a
respeito da participação brasileira no Teatro da Guerra ao longo de sua história.
Os preparativos para a participação das tropas brasileiras na Segunda Guerra Mundial restringiram-se
à formação dos combatentes e aos contratos de fornecimento de material bélico por parte dos Estados
Unidos da América.
(A) Certo
(B) Errado

05. (SJC/SC – Agente de Segurança Socioeducativo – FEPESE) Analise o texto abaixo:


“A internacionalização dos direitos humanos constitui, assim, movimento extremamente recente na
história, que surgiu a partir do pós-guerra, como resposta às atrocidades e aos horrores cometidos
durante o nazismo. […] No momento em que os seres humanos se tornam supérfluos e descartáveis, no
momento em que vige a lógica da destruição, em que cruelmente se abole o valor da pessoa humana,
torna-se necessária a reconstrução dos direitos humanos, como paradigma ético capaz de restaurar a
lógica do razoável. […] Diante dessa ruptura, emerge a necessidade de reconstruir os direitos humanos,
como referencial e paradigma ético que aproxime o direito da moral.”
PIOVESAN, 2013, p. 190
O texto de Flávia Piovesan se refere ao processo de internacionalização dos direitos humanos no
cenário global e sua reconstrução a partir do final da:
(A) Guerra Fria.
(B) Revolução Francesa.
(C) Revolução Americana.

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(D) Primeira Guerra Mundial.
(E) Segunda Guerra Mundial.

Gabarito

01.C / 02.A / 03.B / 04.B / 05.E

Comentários

01. Resposta: C
A posição de neutralidade do Brasil acabou em 1942 quando algumas embarcações nacionais foram
atingidas e afundadas por submarinos alemães no Oceano Atlântico. A partir deste momento, Getúlio
Vargas fez um acordo com o presidente dos Estados Unidos e o Brasil entrou na guerra ao lado dos
Aliados.

02. Resposta: A
As Potências do Eixo, também conhecidas como Aliança do Eixo, Nações do Eixo ou apenas Eixo,
eram a Alemanha, Itália e posteriormente Japão.

03. Resposta: B
Durante o período da Primeira Guerra Mundial a Itália, apesar de iniciar o conflito ao lado da Aliança,
terminou o conflito no lado vencedor (mudou de lado).
A opção pelo regime Fascista ocorreu antes da eclosão da Crise de 1929 (1922 com a chegada de
Mussolini a poder).

04. Resposta: B
O Brasil enviou para a Itália (ocupada pelas forças nazistas) em julho de 1944, 25 mil militares da FEB
(Força Expedicionária Brasileira), além de 42 pilotos e 400 homens de apoio da FAB (Força Aérea
Brasileira).
As dificuldades foram muitas, pois o clima era muito frio na região dos Montes Apeninos, além do que
os soldados brasileiros não eram acostumados com relevo montanhoso.

05. Resposta: E
O período diretamente posterior à Segunda Guerra Mundial ficou marcado pela preocupação da
humanidade com o valor vida, em especial, após atrocidades e barbáries das guerras mundiais.
A partir desse momento, houve aprofundamento e a definitiva internacionalização do Direitos
Humanos, envolvendo direitos individuais, direitos civil e política, direitos de conteúdo econômico e social.

A ERA VARGAS

Dentro das divisões históricas do período republicano, a “Era Vargas” é dividida em três intervalos
distintos:
1 - um período provisório, quando assume o governo após o movimento de 1930;
2 - um período constitucional, quando eleito após a promulgação da Constituição de 1934, e;
3 - um autoritário, com o golpe de 1937, que deu início ao período conhecido como Estado Novo.

Período Provisório

As Forças de oposição ao Regime Oligárquico


No decorrer das três primeiras décadas do século XX houveram uma série de manifestações operárias,
insatisfação dos setores urbanos e movimentos de rebeldia no interior do Exército (Tenentismo). Eram
forças de oposição ao regime oligárquico, mas que ainda não representavam ameaça à sua estabilidade.
Esse quadro sofreu uma grande modificação quando, no biênio 1929-30, a crise econômica e o
rompimento da política do café-com-leite por Washington Luís colocaram na oposição uma fração
importante das elites agrárias e oligárquicas. Os acontecimentos que se seguiram (formação da Aliança
Liberal, o golpe de 30) e a consequente ascensão de Vargas ao poder podem ser entendidos como o
resultado desse complexo movimento político.
Getúlio Vargas se apoiou em vários setores sociais liderados por frações das oligarquias descontentes
com o exclusivismo paulista sobre o poder republicano federal.

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O Governo Provisório
Ao final da Revolução de 1930, com Washington Luís deposto e exilado, Getúlio Vargas foi empossado
como chefe do governo provisório. As medidas do novo governo tinham como objetivo básico promover
uma centralização política e administrativa que garantisse ao governo sediado no Rio de Janeiro o
controle efetivo do país. Em outras palavras, o federalismo da República Velha caía por terra.
Para atingir esse objetivo, foram nomeados interventores para governar os estados. Eram homens de
confiança, normalmente oriundos do Tenentismo, cuja tarefa era fazer cumprir em cada estado as
determinações do governo provisório.
Esse fato e o adiamento que Getúlio Vargas foi impondo à convocação de novas eleições
desencadearam reações de hostilidade ao seu governo, especialmente no Estado de São Paulo. As
eleições dariam ao país uma nova Constituição, um presidente eleito pela população e um governo com
legitimidade jurídica e política. Mas poderia também significar a volta ao poder dos derrotados na
Revolução de 30.

A Reação Paulista
A oligarquia paulista estava convencida da derrota que sofreu em 24 de outubro de 1930, mas não
admitia perder o controle do Executivo em “seu” próprio estado. A reação paulista começou com a não
aceitação do interventor indicado para São Paulo, o tenentista João Alberto. Às pressões pela indicação
de um interventor civil e paulista, se somou à reivindicação de eleições para a Constituinte. Essas teses
foram ganhando rapidamente simpatia popular.
As manifestações de rua começaram a ocorrer com o apoio de todas as forças políticas do Estado, até
por aquelas que tinham simpatizado com o movimento de 1930 (exemplo do Partido Democrático - PD).
Diante das pressões crescentes, Getúlio resolveu negociar com a oligarquia paulista, indicando um
interventor do próprio Estado. Isso foi interpretado como um sinal de fraqueza. Acreditando que poderiam
derrubar o governo federal, os oligarcas articularam com outros estados uma ação nesse sentido.
Manifestações de rua intensificaram-se em São Paulo. Numa delas, quatro jovens, Miragaia, Martins,
Dráusio e Camargo (MMDC) foram mortos e se transformaram em mártires da luta paulista em nome da
legalidade constitucional. Getúlio, por seu lado, aprovou outras “concessões”: elaborou o código eleitoral
(que previa o voto secreto e o voto feminino), mandou preparar o anteprojeto para a Constituição e marcou
as eleições para 1933.

A Revolução Constitucionalista de 1932


A oligarquia paulista, entretanto, não considerava as concessões suficientes. Baseada no apoio
popular que conseguira obter e contando com a adesão de outros estados, desencadeou em 9 de julho
de 1932, a chamada Revolução Constitucionalista.
Ela visava a derrubada do governo provisório e a aprovação imediata das medidas que Getúlio
protelava. Entretanto, o apoio esperado dos outros estados não ocorreu e, depois de três meses, a revolta
foi sufocada. Até hoje, o caráter e o significado da Revolução Constitucionalista de 1932 geram polêmicas.
De qualquer forma, é inegável que o movimento teve duas dimensões:
No plano mais aparente, predominaram as reivindicações para que o país retornasse à normalidade
política e jurídica, baseadas numa expressiva participação popular. Nesse sentido, alguns destacam que
o movimento foi um marco na luta pelo fortalecimento da cidadania no Brasil.
Em um plano menos aparente, mas muito mais ativo, estava o rancor das elites paulistas, que viam no
movimento uma possibilidade de retomar o controle do poder político que lhe fora arrebatado em 1930.
Se admitirmos que existiu uma revolução em 1930, o que aconteceu em São Paulo em 1932, foi a
tentativa de uma contra revolução, pois visava restaurar uma supremacia que durante mais de 30 anos
fez a nação orbitar em torno dos interesses da cafeicultura. Nesse sentido, o movimento era marcado por
um reacionarismo elitista, contrário ao limitado projeto modernizador de 1930.

As Leis Trabalhistas
Como forma de garantir o apoio popular, Getúlio Vargas consolidou um conjunto de leis que garantiam
direitos aos trabalhadores, destacando-se entre eles: salário mínimo, jornada de oito horas,
regulamentação do trabalho feminino e infantil, descanso remunerado (férias e finais de semana),
indenização por demissão, assistência médica, previdência social, entre outras.
A formalização dessa legislação trabalhista teve vários significados e implicações. Representou a
primeira modificação importante na maneira de o Estado enfrentar a questão social e definiu as regras a
partir das quais o mercado de trabalho e as relações trabalhistas poderiam se organizar. Garantiu, assim,
uma certa estabilidade ao crescimento econômico. Por fim, foi muito útil para obter o apoio dos
assalariados urbanos à política getulista.

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Essa legislação denota a grande habilidade política de Getúlio. Ele apenas formalizou um conjunto de
conquistas que, em boa parte, já vigoravam nas relações de trabalho nos principais centros industriais.
Com isso, construiu a sua imagem como “Pai dos Pobres” e benfeitor dos trabalhadores.

O Controle Sindical
A aprovação da legislação sindical representou um grande avanço nas relações de trabalho no Brasil,
pois pela primeira vez o trabalhador obtinha individualmente amparo nas leis para resistir aos excessos
da exploração capitalista.
Por outro lado, paralelamente à sua implantação, o Estado definiu regras extremamente rígidas para
a organização dos sindicatos, entre as quais a que autorizava o seu funcionamento (Carta Sindical), as
que regulavam os recursos da entidade e as que davam ao governo direito de intervir nos sindicatos,
afastando diretorias se julgasse necessário. Mantinha, assim, os sindicatos sob um controle rigoroso.

Período Constitucional

Eleições Presidenciais de 1934


Uma vez promulgada a Constituição de 1934, a Assembleia Constituinte converteu-se em Congresso
Nacional e elegeu o presidente da República por via indireta: o próprio Getúlio. Começava o período
constitucional do governo Vargas.

O Governo Constitucional e a Polarização Ideológica


Durante esse período, simultaneamente à implantação do projeto político do governo, foram se
desenhando duas ideologias para o país: uma defendia um nacionalismo conservador, a outra, um
nacionalismo revolucionário.

- Nacionalismo conservador
Esse movimento contava com o apoio das classes médias urbanas, Igreja e setores do Exército. O
projeto que seus apoiadores tinham em mente decorria da leitura que eles faziam da história do país até
aquele momento.
Segundo os conservadores, o aspecto que marcava mais profundamente a formação histórica do país
e do seu povo era a tradição agrícola. Desde o descobrimento, toda a vida econômica, social e política
organizou-se em torno da agricultura. Todos os nossos valores morais, regras de convivência social,
costumes e tradições fincavam suas raízes no modo de vida rural.
Dessa forma, tudo o que ameaçava essa “tradição agrícola” (estímulos a outros setores da economia,
crescimento da indústria, expansão da urbanização e suas consequências, como a propagação de novos
valores, hábitos e costumes tipicamente urbanos) representava um atentado contra a integridade e o
caráter nacional, uma corrupção da nossa identidade como povo e nação.
O movimento se caracterizava como nacionalista e conservador por ser contrário a transformações
modernizadoras de origem externa (induzidas pela industrialização, vanguardas artísticas europeias,
etc.).
Para que a coerência com a nossa identidade histórica fosse mantida, os ideólogos do nacionalismo
conservador propunham o seguinte: os latifúndios (grandes propriedades rurais) deveriam ser divididos
em pequenas parcelas de terras a ser distribuídas. Assim, as famílias retornariam ao campo tornando o
Brasil uma grande comunidade de pequenos e prósperos proprietários.
Podemos concluir a partir desse ideário, que eram antilatifundiários e antiindustrialistas. Na esfera
política, defendiam um regime autoritário de partido único.
Nesse contexto o maior defensor dessas ideias foi o movimento que recebeu o nome de Ação
Integralista Brasileira (AIB), cujo lema era Deus, Pátria e Família, que tinha como seu principal líder e
ideólogo Plínio Salgado.
Tradicionalmente, a AIB também é interpretada como uma manifestação do nazifascismo no Brasil,
pela semelhança entre os aspectos aparentes do integralismo e do nazifascismo: uniformes, tipo de
saudação, ultranacionalismo, feroz anticomunismo, tendências ditatoriais e apelo à violência eram traços
que aproximavam as duas ideologias.
Um exame mais atento, entretanto, mostra que eram projetos distintos. Enquanto o nazi fascismo era
apoiado pelo grande capital e buscava uma expansão econômico-industrial a qualquer custo, ao preço
de uma guerra mundial se necessário, os integralistas queriam voltar ao campo. Num certo sentido, o
projeto nazifascista era mais modernizante que o integralista. Assim, as semelhanças entre eles
escondiam propostas e projetos globais para a sociedade radicalmente distintos.

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- Nacionalismo Revolucionário
Frações dos setores médios urbanos, sindicatos, associações de classe, profissionais liberais,
jornalistas e o Partido Comunista prestaram apoio a outro movimento político: o nacionalismo
revolucionário. Este defendia a industrialização do país, mas sem que isso implicasse subordinação e
dependência em relação às potências estrangeiras, como a Inglaterra e os Estados Unidos.
O nacionalismo revolucionário propunha uma reforma agrária como forma de melhorar as condições
de vida do trabalhador urbano e rural e potencializar o desenvolvimento industrial. Considerava que a
única maneira de realizar esses objetivos seria a implantação de um governo popular no Brasil. Esse
movimento deu origem à Aliança Nacional Libertadora, cujo presidente de honra era Luís Carlos Prestes,
então membro do Partido Comunista.

As Eleições de 1938
Contida a oposição de esquerda, o processo político evoluiu sem conflitos maiores até 1937. Nesse
ano, começaram a se desenhar as candidaturas para as eleições de 1938, destacando-se Armando Sales
Oliveira, paulista que articulava com outros estados sua eleição para presidente.
Getúlio Vargas, as oligarquias que lhe davam apoio e os militares herdeiros da tradição tenentista não
viam com bons olhos a possibilidade de retorno da oligarquia paulista ao poder. Uma vez mantido o
calendário eleitoral, isso parecia inevitável. Como forma de evitar que as eleições acontecessem, Getúlio
Vargas coloca em prática o famoso Plano Cohen.
Segundo as informações oficiais, forças de segurança do governo tinham descoberto um plano de
tomada do poder pelos comunistas. Muito bem elaborado, esse plano colocava em risco as instituições
democráticas do país.
Para evitar o perigo vermelho, Getúlio Vargas solicitou ao Congresso Nacional a aprovação do estado
de sítio, que suspendia as liberdades públicas e dava ao governo amplos poderes para combater a
subversão.

Período Autoritário

A Decretação do Estado de Sítio e o Golpe de 1937


A fração oligárquica paulista hesitava em aprovar a medida, mas diante do clamor do Exército, das
classes médias e da Igreja, que temiam a escalada comunista, o Congresso autorizou a decretação do
estado de sítio. A seguir, com amplos poderes concentrados em suas mãos, Getúlio Vargas outorgou
uma nova Constituição ao país, implantando, por meio desse golpe o Estado Novo.

Estado Novo (1937-1945)65


A ditadura estabelecida por Getúlio Vargas durou oito anos, indo de 1937 a 1945. Embora Vargas
agisse habilidosamente com o intuito de aumentar o próprio poder, não foi somente sua atuação que
gerou o Estado Novo. Pelo menos três elementos convergiam para sua criação:

1 - A defesa de um Estado forte por parte dos cafeicultores, que dependiam dele para manter os preços
do café;
2 - Os industriais, que seguiam a mesma linha de defesa dos cafeicultores, já que o crescimento das
indústrias dependia da proteção estatal;
3 - As oligarquias e classe média urbana, que se assustavam com a expansão da esquerda e julgavam
que para “salvar a democracia” era necessário um governo forte.

Além disso Vargas tinha também o apoio dos militares, por alguns motivos:

- Por sua formação profissional, os militares possuíam uma visão hierarquizada do Estado, com
tendência a apoiar mais um regime autoritário do que um regime liberal;
- Os oficiais de tendência liberal haviam sido expurgados do exército por Vargas e pela dupla Góis
Monteiro-Gaspar Dutra66;
- Entre os oficiais do exército estava se consolidando o pensamento de que se deveria substituir a
política no exército pela política do exército. A política do exército naquele momento visava o próprio
fortalecimento, resultado atingido mais facilmente em uma ditadura.

65
MOURA, José Carlos Pires. História do Brasil.1989.
66
Ambos foram ministros da Guerra no período em que Vargas estava no poder. Monteiro (1934-1935). Dutra (1936-1945)

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Com todos esses fatores a seu favor, não houveram dificuldades para Getúlio instalar e manter por
oito anos a ditadura no país. Durante o período foi implacável o autoritarismo, a censura, a repressão
policial e política e a perseguição daqueles que fossem considerados inimigos do Estado.

Política Econômica do Estado Novo67


Por meio de interventores, o governo passou a controlar a política dos estados. Paralelamente a eles,
foi criado em cada um dos estados um Departamento Administrativo, que era diretamente subordinado
ao Ministério da Justiça com membros nomeados pelo presidente da república.
Cada Departamento Administrativo estudava e aprovava as leis decretadas pelo interventor e
fiscalizava seus atos, orçamentos, empréstimos, entre outros. Dessa forma os programas estaduais
ficavam subordinados ao governo federal.
Na área federal foi criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Além de
centralizar a reforma administrativa, o Departamento tinha poderes para elaborar o orçamento dos órgãos
públicos e controlar a execução orçamentária deles.
Com a criação do DASP e do Conselho Nacional de Economia, não só a atuação administrativa e
econômica do governo passou a ser muito mais eficiente, como também aumentou consideravelmente o
poder do Estado e do presidente da república, agora diretamente envolvido na solução dos principais
problemas econômicos do país, inclusive com a criação de órgãos especializados: o instituto do Açúcar
e Álcool, o Instituto do Mate, Instituto do Pinho, etc.
Por meio dessas medidas, o governo conseguiu solucionar de maneira satisfatória os principais
problemas econômicos da época. A cafeicultura foi convenientemente defendida, a exportação agrícola
foi diversificada, a dívida externa foi congelada, a indústria cresceu rapidamente, a mineração de ferro e
carvão expandiu-se e a legislação trabalhista foi consolidada.
Com essas medidas, as elites enriqueceram, a classe média melhorou seu padrão de vida e o
operariado ganhou a proteção que lutou por anos para conseguir. Dessa forma, mesmo com a repressão
e perseguição política em seu regime, Vargas atingiu altos níveis de popularidade.
No período de 1937 a 1940, a ação econômica do Estado objetivava racionalizar e incentivar atividades
econômicas já existentes no Brasil. A partir de 1940, com a instalação de grandes empresas estatais, o
Estado alterou seu papel passando a ser um dos principais investidores do setor industrial.
Os investimentos estatais concentravam-se na indústria pesada, principalmente a siderurgia química,
mecânica pesada, metalurgia, mineração de ferro e geração de energia hidroelétrica. Esses eram setores
que exigiam grandes investimentos e garantiam retorno somente no longo prazo, o que não despertou o
interesse da burguesia brasileira.
Como saída, existiam duas opções para sua implantação: o investimento do capital estrangeiro ou o
investimento estatal. O segundo foi o escolhido. A iniciativa teve êxito graças a um pequeno número de
empresários e também do exército, que associava a indústria de base com a produção de armamentos,
entendendo-a como assunto de segurança nacional.
A maior participação do Estado na economia gerou a formação de novos órgãos oficiais de
coordenação e planejamento econômico, destacando-se:
CNP – Conselho Nacional do Petróleo (1938)
CNAEE – Conselho Nacional de Aguas e Energia Elétrica (1939)
CME – Coordenação da Mobilização Econômica (1942)
CNPIC – Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial (1944)
CPE – Comissão de Planejamento Econômico (1944)

As principais empresas estatais criadas no período foram:


CSN – Companhia Siderúrgica Nacional (1940)
CVRD – Companhia Vale do Rio Doce (1942)
CNA – Companhia Nacional de Álcalis (1943)
FNM – Fábrica Nacional de Motores (1943)
CHESF – Companhia Hidroelétrica do São Francisco (1945)

Desse modo, apesar da desaceleração do crescimento industrial ocasionado pela Segunda Guerra
Mundial devido à dificuldade para importar equipamentos e matéria-prima, quando o Estado Novo se
encerrou em 1945, a indústria brasileira estava plenamente consolidada.

67
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos37-45/PoliticaAdministracao/DASP

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Características Políticas do Estado Novo
Pode até parecer estranho, mas a ditadura estadonovista possuía uma constituição, que é uma
característica das ditaduras brasileiras, onde a constituição afirmava o poder absoluto do ditador.
A nova constituição foi apelidada de “Polaca”, elaborada por Francisco Campos, o mesmo responsável
por criar o AI-1 (Ato Institucional) em 1964, que deu origem à ditadura militar no Brasil. A constituição
“Polaca” era extremamente autoritária e concedia poderes praticamente ilimitados ao governo.
Em termos práticos, o governo do Estado Novo funcionou da seguinte maneira:
- O poder político concentrava-se todo nas mãos do presidente da república;
- O Congresso Nacional, as Assembleias Estaduais e as Câmaras Municipais foram fechadas;
- O sistema judiciário ficou subordinado ao poder executivo;
- Os Estados eram governados por interventores nomeados por Vargas, os quais, por sua vez,
nomeavam os prefeitos municipais;
- A Polícia Especial (PE) e as polícias estaduais adquiriram total liberdade de ação, prendendo,
torturando e assassinando qualquer pessoa suspeita de se opor ao governo;
- A propaganda pela imprensa e pelo rádio foi largamente usada pelo governo, por meio do
Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Os partidos políticos foram fechados (até mesmo o Partido Integralista que mudou seu nome para
Associação Brasileira de Cultura.). Em 1938 os integralistas tentaram um golpe de governo que fracassou
em poucas horas. Seus principais líderes foram presos, inclusive Plínio Salgado, que foi exilado para
Portugal.
Nesse meio tempo, o DIP e a PE prosseguiam seu trabalho. Chefiado por Lourival Fontes, o DIP era
incansável tanto na censura quanto na propaganda, voltada para todos os setores da sociedade –
operários, estudantes, classe média, crianças e militares – abrangendo assuntos tão diversos quanto
siderurgia, carnaval e futebol.
Procurava-se assim, formar uma ideologia estadonovista que fosse aceita pelas diversas camadas
sociais e grupos profissionais e intelectuais. Cabia também ao DIP o preparo das gigantescas
manifestações operárias, particularmente no dia 1º de Maio, quando os trabalhadores, além de
comemorarem o Dia do Trabalho, prestavam uma homenagem a Vargas, apelidado de “o pai dos
pobres”68.

Leis trabalhistas no Governo de Getúlio Vargas


As concessões garantidas por Getúlio criavam a imagem de Estado disciplinando ao mercado de
trabalho em benefício dos assalariados, porém também serviram para encobrir o caráter controlador do
Estado sobre os movimentos operários.
O relacionamento entre Getúlio e os trabalhadores era muito interessante, temperado pelos famosos
discursos do governante nos quais sempre começavam pela frase “trabalhadores do Brasil...”. Utilizando
um modelo de política populista, Vargas, de um lado, eliminava qualquer liderança operária que tentasse
uma atuação autônoma em relação ao governo, acusando-a de “comunista”, enquanto por outro lado,
concedia frequentes benefícios trabalhistas ao operariado.
Desse modo, por meio de uma inteligente mistura de propaganda, repressão e concessões, Getúlio
obteve um amplo apoio das camadas populares.

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) entrou em vigor em 1943, durante a típica comemoração
do 1º de maio. Entre seus principais pontos estão:
- Regulamentação da jornada de trabalho – 8 horas diárias.
- Descanso de um dia semanal, remunerado.
- Regulamentação do trabalho e salário de menores.
- Obrigatoriedade de salário mínimo como base de salário.
- Direito a férias anuais.
- Obrigatoriedade de registro do contrato de trabalho na carteira do trabalhador.

As deliberações da CLT priorizaram em 1943 as relações do trabalhador urbano, praticamente


ignorando o trabalhador rural que ainda representava uma grande parcela da população. Segundo dados
do IBGE, em 1940 aproximadamente 70% da população brasileira estava na zona rural.
Essas pessoas não foram beneficiadas com medidas trabalhistas específicas, nem com políticas que
facilitassem o acesso à terra e à propriedade.

68
Referência: < http://pessoal.educacional.com.br/up/50240001/1411397/12_TERC_7_HIST_265a326%20(1)-%20AULA%2075.pdf>

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Para organizar os trabalhadores rurais, a partir da década de 1950 surgiram movimentos sociais como
as Ligas Camponesas, as Associações de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, até o mais estruturado
destes movimentos, o MST (Movimento dos Trabalhadores dos Trabalhadores Rurais Sem Terra),
nascido nos encontros da CPT- Comissão Pastoral da Terra, em 1985, no Paraná.
Enquanto isso, a PE continuava agindo: prendia pessoas, sendo que a maioria jamais foi julgada,
ficando apenas presas e sendo torturadas durante anos a fio.
Após o fim do Estado Novo foi formada uma comissão para investigar as barbaridades cometidas pela
polícia durante o período de ditadura, chamada de “Comissão Parlamentar de Inquérito dos Atos
Delituosos da Ditadura”. Mas os levantamentos feitos pela comissão em 1946 e 1947, eram quase sempre
abafados, fazendo-se o possível para que caíssem no esquecimento, por duas razões:

1 - A maioria dos torturadores e assassinos permaneciam na polícia depois que a PE havia sido extinta,
sendo apenas transferidos para outros órgãos e funções;
2 - Muitos civis e militares envolvidos nas torturas e assassinatos fizeram mais tarde rápida carreira,
chegando a ocupar postos importantes na administração e na política.

Também era comum durante o período a espionagem feita por militares e civis, que eram conhecidos
como “invisíveis”. Sua função poderia ser a de espiar alguém em específico ou fazer uma espionagem
generalizada em escolas, universidades, fábricas, estádios de futebol, transporte público, cinemas, locais
de lazer, unidades militares e repartições públicas. Formaram-se milhares de arquivos pessoais com
informações minuciosas sobre as pessoas, que seriam utilizadas novamente 19 anos após o fim do
Estado Novo, na Ditadura Militar.

Fim do Estado Novo


O início da Segunda Guerra Mundial em 1939, possibilitou algumas variações ao Brasil.
Permitiu ao governo de Vargas neutralidade para negociar tanto com os Aliados (Estados Unidos,
Inglaterra, Rússia...) como com o Eixo (Itália, Alemanha e Japão). Conseguiu financiamento dos Estados
Unidos para a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda, a compra de armamentos alemães e
fornecimento de material bélico norte-americano.
Apesar da neutralidade de Getúlio, que esperava o desenrolar do conflito para determinar apoio ao
provável vencedor, em seu governo haviam grupos divididos e definidos sobre quem apoiar:
Oswaldo Aranha, que era ministro das Relações Exteriores era favorável aos Estados Unidos,
enquanto os generais Gaspar Dutra e Góis Monteiro eram favoráveis ao nazismo. Com a entrada dos
Estados Unidos na guerra em 1941 e o torpedeamento de vários navios mercantes brasileiros, o país
entra em guerra ao lado dos aliados em agosto de 1942.
Em 1944 foram mandados 25.000 soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Itália,
marcando a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Mais do que a vitória contra as forças do Eixo na Europa, a Segunda Guerra Mundial teve um efeito
na política brasileira. Muitos dos que lutavam contra o Fascismo na Europa não aceitavam voltar para
casa e viver em um regime autoritário.
O sentimento de revolta cresceu na população e muitas manifestações em prol da redemocratização
foram realizadas, mesmo com a forte repressão da polícia. Pressionado pelas reivindicações, em 1945
Vargas assinou um Ato Adicional que marcava eleições para o final daquele ano.
Foram formados vários partidos: UDN (União Democrática nacional), PSD (Partido Social
Democrático), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PCB (Partido Comunista Brasileiro) foi legalizado,
além de outros menores.
Apesar dos protestos para o fim do Estado Novo, muitas pessoas queriam que a redemocratização
ocorresse com a continuação de Getúlio no poder. Daí vem o movimento conhecido como “Queremismo”,
que vem do slogan “Queremos Getúlio”.

Questões

01. (MPE/GO – Secretário auxiliar – MPE/2017) Sobre o Estado Novo de Getúlio Vargas, é incorreto
afirmar:
(A) que foi implantado por Getúlio Vargas sob a justificativa de conter uma nova ameaça de golpe
comunista no Brasil.
(B) que tomado por uma orientação socialista, o governo preocupava-se em obter o favor dos
trabalhadores por meio de concessões e leis de amparo ao trabalhador.

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(C) financiava o amplo desenvolvimento do setor industrial brasileiro, ao realizar uma política de
industrialização por substituição de importações e com criação das indústrias de base.
(D) para dar ao novo regime uma aparência legal, Francisco Campos redigiu uma nova Constituição
inspirada nas constituições fascistas italiana e polonesa.
(E) adotou o chamado “Estado de Compromisso”, onde foram criados mecanismos de controle e vias
de negociação política responsáveis pelo surgimento de uma ampla frente de apoio a Getúlio Vargas.

02. (IPEM/RO – Agente de Atividades Administrativas – FUNCAB) O processo histórico da


formação do estado de Rondônia possui muitos capítulos importantes, com diferentes atores. Um dos
marcos nesse processo foi a criação do Território Federal do Guaporé por meio do Decreto-Lei nº 5.812,
de 13 de setembro de 1943. O Presidente da República que assinou o referido documento foi:
(A) Getúlio Vargas.
(B) Gaspar Dutra.
(C) Juscelino Kubitschek.
(D) Jânio Quadros.
(E) João Goulart.

03. (MPE/GO – Secretário Auxiliar – MPE/2017) Em 1945 chega ao fim o Estado Novo implantado
pelo presidente Getúlio Vargas. Entre as causas tivemos a(s)
(A) Revolução de 1945 realizada pelos sindicatos e apoiado pelo Partido Trabalhista Brasileiro daquela
época.
(B) Atuação do movimento estudantil, liderado pela UNE, que assumiu o poder apoiando o partido da
União Democrática Nacional.
(C) Pressões norte-americanas obrigando Getúlio Vargas a extinguir o Estado Novo e tornar o país
uma democracia.
(D) Adesão de Getúlio ao Fascismo, propiciando que ele implante no Brasil um regime semelhante
após 1945.
(E) Participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial ao lado das democracias, criando uma situação interna
contraditória, pois o país vivia, até aquele ano, uma ditadura.

04. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) Assinale a opção correta a respeito do Estado Novo,
implantado pela Constituição de 1937.
(A) Comparada à Constituição de 1934, a nova carta apresentava como característica nítida a
descentralização do poder.
(B) O Plano Cohen serviu de pretexto para o reforço do autoritarismo.
(C) A Lei de Segurança Nacional, até hoje vigente, foi proposta após a instauração da nova carta.
(D) Plínio Salgado, líder da Ação Integralista Brasileira, foi um dos grandes beneficiados pelo novo
regime político.
(E) Imediatamente após a implantação do Estado Novo, Getúlio Vargas substituiu todos os
governadores de estado.

05. (MPE/GO – Secretário Auxiliar – MPE/2017) “No dia 10 de novembro de 1937, tropas da polícia
militar cercavam o Congresso Nacional e impediram a entrada dos congressistas. O ministro da Guerra
– general Dutra – se opusera a que a operação fosse realizada por foças do Exército. À noite, Getúlio
anunciou uma nova fase política e a entrada em vigor de uma Carta constitucional, elaborada por
Francisco Campos” (trecho extraído do livro História do Brasil, de Boris Fausto). O período histórico
brasileiro narrado acima descreve o início:
(A) da Ditadura Militar
(B) da Política do Café com Leite
(C) do Tenentismo
(D) do Estado Novo
(E) da Revolta da Armada

Gabarito

01.B / 02.A / 03.E / 04.B / 05.D

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Comentários

01. Resposta: B
Getúlio nunca escondeu sua simpatia pelo regime Fascista, e não pelo socialista. Seu governo teve
forte caráter populista, o que não deve ser confundido como um regime de cunho socialista. Vale lembrar
que apesar de sua simpatia pelos regimes fascistas, no período da Segunda Guerra, o Brasil ficou do
lado dos Aliados.

02. Resposta: A
Questão simples que não necessita de conhecimentos regionais (RO) para encontrar a questão
correta. É necessário apenas lembrar que durante do período de 1930 a 1945 Getúlio Vargas esteve no
poder. Em caráter provisório (1930-1934), em caráter legal (1934-1937) e em caráter inconstitucional
(1938 – 1945).

03. Resposta: E
O fato de o Brasil enviar seus soldados para lutar pelos estados que representavam a democracia na
2ª Guerra Mundial criou uma situação contraditória no país. Defendíamos a democracia lá fora e vivíamos
em uma ditadura aqui dentro. A mobilização popular contra essa situação ganhou força de modo que
Getúlio desistiu de seu governo permitindo eleições livres.

04. Resposta: B
Percebendo que não teria sucesso nas próximas eleições, Getúlio Vargas colocou em prática o Plano
Cohen. Sob o pretexto de que os comunistas tinham um plano para controlar o Congresso Nacional,
Vargas, para garantir a integridade do país toma para si a responsabilidade de “limpar” o Brasil do perigo
comunista. Com plenos poderes e encorado por uma nova Constituição, o Estado Novo nasce nesse
contexto.

05. Resposta: D
O golpe ocorrido em novembro de 1937 foi a forma que Getúlio Vargas encontrou para continuar no
poder, uma vez que não venceria as eleições que ocorreriam no ano seguinte. Esse movimento ocorreu
quando da aplicação do já citado Plano Cohen. O Estado Novo durou até o ano de 1945, quando o próprio
Getúlio convoca novas eleições.

p. O mundo no auge da Guerra Fria: a reconstrução da Europa e do Japão e o


surgimento do mundo bipolar; os principais conflitos da Guerra Fria – a Guerra
da Coreia (1950-1953); a Guerra do Vietnã (1961- 1975); os conflitos árabe-
israelenses (1948-1974); a descolonização da África e da Ásia; a República
Brasileira entre 1945 e 1985.

BIPOLARIZAÇÃO DO MUNDO E GUERRA FRIA

Guerra Fria
O período conhecido como Guerra Fria teve início logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em
1945, percorrendo praticamente todo o restante do século XX, e terminando em 1991, com o fim da União
Soviética.
Ela tem início partir da emergência de duas grandes potências econômicas no fim da Segunda Guerra
Mundial: Estados Unidos e União Soviética, defensores do Capitalismo e do Socialismo,
respectivamente.
A diferença ideológica entre os dois países era marcante, o que levou o período a ser conhecido
também como Mundo Bipolar.

A Conferência de Potsdam
Logo após o término da guerra, em 1945, as nações vencedoras do conflito reuniram-se para decidir
sobre os rumos da política e da economia mundial.
No dia 17 de julho os Estados Unidos, a União Soviética e o Reino Unido estabeleceram as definições
sobre a Alemanha no pós-guerra, dividindo-a em zonas de ocupação. Sob o controle soviético ficaram os
territórios a leste dos rios Oder e Neisse. Berlim, encravada no território que viraria Alemanha Oriental,

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também foi dividida em quatro setores. Ao final da conferencia foram definidas quatro ações prioritárias a
serem exercidas na Alemanha: desnazificar, desmilitarizar, descentralizar a economia e reeducar os
alemães para a democracia. Também foi exigida a rendição imediata do Japão.

As Tensões Começam
Desde a Revolução Russa, em 1917, vários setores do capitalismo, especialmente nos Estados
Unidos, temiam o aumento do socialismo, conflitante com seus interesses. Após o fim da Segunda Guerra
essa preocupação aumentou ainda mais, já que a União Soviética havia saído como uma das vencedoras
do conflito.
A definição de fronteiras estabelecidas durante acordos anteriores, como a conferencia de Yalta não
agradou a todos, e focos de conflitos começaram a aflorar. Em 1947 surgiram, tanto na Grécia quanto na
Turquia, movimentos revolucionários de caráter comunista, com o objetivo de aliar esses países à União
Soviética. Pelo acordo estabelecido na Conferência de Yalta, ambos os países deveriam ficar sob o
domínio do Reino Unido, o que levou as tropas estadunidenses a intervirem na região e sufocar os
movimentos revolucionários.
Como parte da justificativa para a invasão, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, enviou
uma mensagem ao Congresso dizendo que os Estados Unidos deveriam apoiar os países livres que
estavam “resistindo a tentativas de subjugação por minorias armadas ou por pressões externas.” Com
esse discurso o presidente pretendia justificar também qualquer intervenção em países que estivessem
sob o domínio ou influência política comunista.
Essa atitude do presidente ficou conhecida como Doutrina Truman, iniciando efetivamente a Guerra
Fria. A partir de então, Estados Unidos e União Soviética passaram a buscar o fortalecimento econômico,
político, ideológico e militar, formando os dois blocos econômicos que dominaram o mundo durante
restante do conflito.
A oposição dos Estados Unidos ao comunismo gerou um pensamento maniqueísta, colocando
capitalismo como algo bom e o comunismo como algo ruim e mau. A análise desses sistemas econômicos
através de definições tão simples é algo equivocado, pois não é possível reduzi-los a uma comparação
tão rasa. O auge desse maniqueísmo político se deu através da figura do senador Joseph Raymond
McCarthy. Por meio de discursos inflamados e diversos projetos de lei, esse estadista conseguiu aprovar
a formação de comitês e leis que determinavam o controle e a imposição de penalidades contra aqueles
que tivessem algum envolvimento com “atividades antiamericanas”. Essa perseguição ao comunistas
ficou conhecida como Macarthismo.

Incentivos Econômicos
Em 1947 os Estados Unidos lançaram uma política econômica de reconstrução da Europa, devastada
pela guerra. O Programa de Recuperação Europeia ficou popularmente conhecido como Plano
Marshall. Recebeu esse nome em função do Secretário de Estado dos Estados Unidos chamado
George Marshall, seu idealizador.
Entre os objetivos do Plano Marshall estavam:
- Possibilitar a reconstrução material dos países capitalistas destruídos na Segunda Guerra Mundial;
- Recuperar e reorganizar a economia dos países capitalistas, aumentando o vínculo deles com os
Estados Unidos, principalmente através das relações comerciais;
- Fazer frente aos avanços do socialismo presente, principalmente, no leste europeu.

Até o início da década de 1950, os Estados Unidos destinaram cerca de 13 bilhões de dólares aos
países que aderiram ao plano. O dinheiro foi aplicado em assistência técnica e econômica e, ao fim do
período de investimento, os países participantes viram suas economias crescerem muito mais do que os
índices registrados antes da Segunda Guerra Mundial. A Europa Ocidental gozou de prosperidade e
crescimento nas duas décadas seguintes e viu nascer a integração que hoje a caracteriza. Por outro lado,
os Estados Unidos solidificavam sua hegemonia mundial e a influência sobre vários países europeus,
enquanto impunha seus princípios a vários países de outros continentes. Entre os países que mais
receberam auxílio do plano estão a França, a Inglaterra e a Alemanha.
A União Soviética também buscou recuperar a economia dos países participantes do bloco socialista,
através da COMECON (Conselho de Assistência Econômica Mútua) auxiliando a Polônia, Bulgária,
Hungria, Romênia, Mongólia, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental. Assim como os Estados Unidos, a
União Soviética também utilizou o plano para espalhar sua influência e sua ideologia para os países
beneficiados.

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Baseados nesses programas de ajuda, os dois blocos que se formavam passaram a construir alianças
político-militares com o objetivo de proteção contra ataques inimigos. Essas alianças também eram
utilizadas como demonstração de força através do desenvolvimento armamentista.

As Alianças Militares
No dia 4 de abril de 1949 foi criada em Washington a Organização do Tratado do Atlântico Norte
(OTAN), formada pelos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha Ocidental, Canadá, Islândia,
Bélgica, Holanda, Noruega, Dinamarca, Luxemburgo, Portugal, Itália, Grécia e Turquia. Ficava então
estabelecido que os países envolvidos se comprometiam na colaboração militar mútua em caso de
ataques oriundos dos países referentes ao bloco socialista.
A atuação da OTAN não ficou restrita apenas ao campo militar. Embora fosse seu preceito inicial, a
organização tomou dimensões de interferência nas relações econômicas e comerciais dos países
envolvidos.

Bandeira da OTAN

Como resposta à criação da OTAN, em 1955 o bloco soviético também criou uma aliança militar, o
Pacto de Varsóvia, celebrado entre a União Soviética, Albânia, Bulgária, Tchecoslováquia, Hungria,
Polônia, Romênia e Alemanha Oriental.
A atuação do Pacto de Varsóvia se deu no âmbito militar e no econômico, e manteve a ligação entre
os países membros. As principais ações do Pacto de Varsóvia se deram na repressão das revoltas
internas. Foi o caso no ano de 1956 quando as forças militares do grupo reprimiram ações de revoltosos
na Hungria e na Polônia e também em 1968 no evento conhecido como Primavera de Praga, ocorrido na
Tchecoslováquia.

Conflitos

Com a criação das alianças políticas, tanto Estados Unidos como União Soviética estiveram presentes
em diversos conflitos pelo mundo, fosse com a presença militar ou com o apoio econômico. Apesar disso,
os países nunca enfrentaram um ao outro diretamente.

Guerra da Coréia (1950-1953)


Após o termino da Segunda Guerra, a Coréia foi dividida em duas zonas de influência: o Sul foi
ocupado pelos Estados Unidos e o Norte foi ocupado pela União Soviética, sendo divididos pelo Paralelo
38º, determinado pela conferência de Potsdam
Em 1947, na tentativa de unificar a Coréia, a Organização das Nações Unidas – ONU - cria um grupo
não autorizado pela URSS, para pretensamente ordenar a nação através da realização de eleições em
todo o país. Esta iniciativa não tem êxito e, no dia 9 de setembro de 1948, a zona soviética anuncia sua
independência como República Democrática Popular da Coréia, mais conhecida como Coréia do
Norte. A partir de então, a região é dividida em dois países diferentes - o norte socialista, apoiado pelos
soviéticos; e o sul, reconhecido e patrocinado pelos EUA.
Mesmo após a divisão entre os dois países, a região da fronteira continuou gerando tensões, com
tentativas dos dois lados para garantir a soberania sobre o território vizinho, principalmente através da
propaganda, de ambos os lados.
Em 25 de junho de 1950 a Coreia do Norte alegou uma transgressão do paralelo 38º pela Coreia do
Sul. A partir de então começa uma invasão que resulta na tomada da capital sul-coreana, Seul, em 3 de
julho do mesmo ano.
A ONU não aceitou a invasão propagada pela Coreia do Norte e enviou tropas para conter o avanço,
comandadas pelo general americano Douglas MacArthur, para expulsar os socialistas, que pretendiam
unificar o país sob a bandeira do Comunismo. A união Soviética não agiu diretamente no conflito, porém,
cedeu apoio militar para a Coreia do Norte.

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Em setembro de 1950, as forças das Nações Unidas tentam resgatar o litoral da região oeste, sob o
domínio dos norte-coreanos, atingindo sem muitas dificuldades Inchon, próximo a Seul, onde se
desenrola uma das principais batalhas, e depois de poucas horas elas ingressam na cidade invadida, com
cerca de cento e quarenta mil soldados, contra setenta mil soldados da Coréia do Norte. O resultado é
inevitável, vencem as forças sob o comando dos EUA. Com o domínio do Sul, as tropas multinacionais
seguem o exemplo dos norte-coreanos e também atravessam o Paralelo 38º. Seguem então na direção
da Coréia do Norte, entrando logo depois em sua capital, Pyongyang, ameaçando a fronteira chinesa ao
acuar os norte-coreanos no Rio Yalu, sede de intensa batalha.
Com medo do avanço das tropas sobre seu território, a China resolve entrar na batalha, enviando
trezentos mil soldados para auxiliar a Coreia do Norte, forçando o general MacArthur a recuar e
conquistando Seul em janeiro de 1951. Em contrapartida, as tropas americanas avançaram novamente
entre fevereiro e março, expulsando as tropas coreanas e chinesas e obrigando-as a retornar para os
limites estabelecidos pelo Paralelo 38º, deixando os conflitos equilibrados entre os dois lados. A guerra
continua até meados de 1953, quando em 27 de julho o tratado de paz é assinado, com o Armistício de
Panmunjon. Após o tratado, as fronteiras estabelecidas em 1948 foram mantidas e foi criada uma região
desmilitarizada entre as duas Coreias. Apesar do fim da guerra as tensões entre os dois países continua
até a atualidade, com a corrida armamentista e as declarações da Coreia do Norte sobre a fabricação e
armazenamento de armamento nuclear.

Guerra do Vietnã (1959-1975)


O Vietnã está localizado na península da Indochina. Era uma possessão colonial francesa. Na
Segunda Guerra foi invadido pelos japoneses. Os vietnamitas expulsaram o Japão ao fim da guerra e
teve início o processo independência (chamado pelos franceses de descolonização). Ao norte as tropas
que expulsaram os franceses eram tropas lideradas por líderes socialistas. Em 1954, na Convenção de
Genebra, foi reconhecida a independência dos países da península da Indochina: Laos, Camboja e
Vietnã.
Foi estabelecida então a divisão do Vietnã pelo Paralelo 17º. O Vietnã do Norte manteve-se governado
pelo líder comunista Ho Chi Minh e o Vietnã do Sul, governado pelo rei Bao Dai, que nomeou Ngo Dinh
Diem como Primeiro-ministro.
Em 1955, Ngo Dinh Diem, aplicou um golpe de Estado e depôs o rei Bao Dai. Após a chegada ao
poder, Ngo Dihn Diem proclamou a República, recebendo apoio dos Estados Unidos. O governo de Ngo
Dihn Diem foi marcado pelo autoritarismo e pela impopularidade. Em 1956 o presidente suspendeu as
eleições estabelecidas pela conferência de Genebra, repetindo o ato em 1960.
Em oposição ao governo foi criada a Frente de Libertação Nacional, que tinha como objetivo depor
o presidente e unificar o Vietnã. A Frente de Libertação, possuía um exército guerrilheiro, o Vietcongue.
Após o cancelamento das eleições em 1960, o conflito teve início. O exército Vietcongue teve apoio
do Vietnã do Norte e em 1961 os Estados Unidos enviaram auxilio ao presidente do Vietnã do Sul. O
exército guerrilheiro dominou boa parte dos territórios do Sul até 1963, mesmo ano em que morreu o
presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, e o governo foi assumido por seu vice, Lyndon Johnson.
Em 1964, dois comandantes estadunidenses iniciaram o bombardeio do Vietnã do Norte, sob a
alegação de que o país havia atacados dois navios norte-americanos em Tonquim.
Os bombardeios norte-americanos sobre o Norte prolongaram-se até 1968, quando foram suspensos
com o início das conversações de paz, em Paris, entre norte-americanos e norte-vietnamitas. Como nos
encontros de Paris não se chegou a uma solução, os combates prosseguiram. Em 1970, o presidente dos
EUA, Richard Nixon, autorizou a invasão do Camboja e, em 1971, tropas sul-vietnamitas e norte-
americanas invadiram o Laos. Os bombardeios sobre o Vietnã do Norte por aviões dos EUA recomeçaram
em 1972.
Desde 1968, a opinião pública norte-americana, perplexa diante dos horrores produzidos pela guerra,
colocava-se contrária à permanência dos EUA no conflito, exercendo uma forte pressão sobre o governo,
que iniciou a retirada gradual dos soldados. Em 1961, eram 184.300 soldados norte-americanos em
combate; em 1965, esse número se elevou para 536.100 soldados; e, em 1971, o número caía para
156.800 soldados. Em 27 de janeiro de 1973 era assinado o Acordo de Paris, segundo o qual as tropas
norte-americanas se retiravam do conflito; haveria a troca de prisioneiros de guerra e a realização de
eleições no Vietnã do Sul. Com a retirada das tropas norte-americanas, os norte-vietnamitas e o
Vietcongue deram início a urna fulminante ofensiva sobre o Sul, que resultou, em abril de 1975, na vitória
do Norte. Em 1976, o Vietnã reunificava-se, adotando o regime comunista, sob influência soviética. Em
1975, os movimentos de resistência no Laos e no Camboja também tomaram o poder, adotando o regime
comunista, sob influência chinesa no caso do Camboja. Os soldados cambojanos, com apoio vietnamita,
em 1979, derrubaram o governo pró-chinês do Khmer Vermelho.

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A guerra do Vietnã é considerada o conflito mais violento da segunda metade do século XX, com
violações constantes dos direitos humanos e batalhas sangrentas. Durante todo o desenrolar da guerra,
os meios de comunicação do mundo inteiro divulgaram a violência e intensidade do conflito, além de
falarem sobre o mau desempenho dos americanos, que investiram bilhões de dólares e mesmo assim,
não conseguiram derrotar o Vietnã. Foi nesta guerra que os helicópteros foram usados pela primeira vez.
Entre as técnicas mais devastadoras utilizadas pelos Estados Unidos estavam o Agente Laranja e o
Napalm.
A característica de guerrilha do exército Vietcongue priorizava os ataques através de emboscadas,
evitando o combate direto. Para facilitar a identificação dos guerrilheiros nas matas, os norte-americanos
e sul-vietnamitas utilizaram o Agente Laranja, um desfolhante (produto químico que causa a queda das
folhas, normalmente utilizado como agrotóxico) lançando-o através de aviões, o que impedia que os
soldados se escondessem na mata. Calcula-se que tenham sido lançados 45,6 milhões de litros do
produto durante os anos 60, atingindo vinte e seis mil aldeias e cobrindo dez por cento do território do
Vietnã. O Agente Laranja causa sérios danos ao meio ambiente e à população, e seus efeitos, como
degradação do solo e mutações genéticas são sentidos até hoje.
Outro agente químico utilizado na guerra, foi o Napalm, que é um conjunto de líquidos inflamáveis à
base de gasolina gelificada, tendo o nome vindo de seus componentes: sais de alumínio co-precipitados
dos ácidos nafténico e palmítico.
O napalm foi usado em lança-chamas e bombas incendiárias pelos Estados Unidos, vitimando alvos
militares e cidades e vilarejos de civis posteriormente.

Conflitos Árabes-Israelenses (1948-1974)


Desde a criação de Israel, em 1948, por diversas ocasiões o estado judeu entrou em guerra com seus
vizinhos árabes. As diferenças entre esses grupos continuam no século XXI.
A parte do Oriente Médio conhecida como Palestina era a antiga terra do povo judeu. No século I d.C.,
os romanos expulsaram grande parte dos judeus da região, espalhando-os por outras partes do império.
Os muçulmanos tomaram posse da Palestina no século VII. De 1923 a 1948, a região foi dominada pelos
britânicos, e nesse período muitos judeus emigraram de volta da Europa para lá. Tanto os árabes como
os judeus que viviam na Palestina passaram a disputar o controle do território.
Quando os britânicos deixaram a região, as Nações Unidas (ONU) dividiram a região. Cada um dos
dois povos recebeu uma parte da terra, mas os árabes não concordaram com a partilha, dizendo que os
judeus receberam terras que pertenciam a eles.
Em 14 de maio de 1948, com a criação de Israel, os palestinos e os países árabes vizinhos declararam
guerra a Israel. Forças árabes ocuparam partes da Palestina, mas quando acabou a guerra Israel ficou
com mais terras do que tinha antes.
Em janeiro de 1949, Israel e os países árabes assinaram acordos sobre as fronteiras. Contudo, não
houve um tratado de paz. Os inúmeros palestinos que perderam suas casas foram acabar em campos de
refugiados nos países árabes.
Em meados de 1967, o conflito entre a Síria e Israel levou à Guerra dos Seis Dias. Israel viu que o
Egito estava se preparando para entrar na guerra para ajudar a Síria. Em 5 de junho, os israelenses
atacaram rapidamente a força aérea egípcia e destruíram-na quase por completo. Em apenas seis dias
Israel ocupou a Cidade Velha de Jerusalém, a península do Sinai, a Faixa de Gaza, o território da Jordânia
a oeste do rio Jordão (chamado Cisjordânia) e as colinas sírias de Golã, junto à fronteira de Israel.
Em 6 de outubro de 1973, dia do Yom Kippur (ou Dia do Perdão), que é sagrado para os judeus, e
época do ramadã, mês sagrado para os palestinos, o Egito e a Síria atacaram Israel. Nessa guerra, os
israelenses empurraram ambos os exércitos inimigos de volta a seus territórios, mas sofreram pesadas
perdas. Ao terminar a luta, no início de 1974, a ONU estabeleceu zonas neutras entre esses países e
Israel.
Em 26 de março de 1979, Israel e o Egito assinaram um tratado de paz. Contudo, a tensão entre Israel
e as comunidades árabes continuou. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) atacou Israel
em 1982, a partir de campos de refugiados no Líbano. Em 5 de junho de 19892, Israel contraatacou e
invadiu esse país. Após meses de bombaredeios israeleses, foi negociada a retirada da OLP da capital
libanesa. As tropas israelenses permaneceram ali até 2000.
No final da década de 1970, os israelenses começaram a construir assentamentos nas áreas ocupadas
por eles na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Em 1987, o aumento no número desses assentamentos
causou protestos dos palestinos. Estouraram rebeliões e ataques — conhecidos como intifada —, que
continuaram até o início dos anos 1990. Em 1993, Israel concordou em ceder aos palestinos parte do
controle dos territórios ocupados. Em 2000, porém, começou nova intifada. Isso paralisou as
conversações de paz entre Israel e os palestinos.

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A Questão Alemã e o Muro de Berlim

Após a divisão alemã entre os vencedores da Segunda Guerra, os países capitalistas (Estados Unidos,
França e Inglaterra) resolveram unificar suas zonas de ocupação e implantar uma reforma monetária,
além de criar um Estado provisório sob seu controle. Para empresários e autônomos, a reforma era algo
extremamente favorável.
Com medo de que a população do lado oriental migrasse para a zona de domínio ocidental, Stalin
bloqueou o lado ocidental de Berlim, deixando-o isolado. Para incorporar essa parte da cidade à Zona de
Ocupação Soviética, Stalin mandou interditar todas as comunicações por terra.
Vale lembrar que pela divisão de territórios em Potsdam, Berlim estava situada dentro do domínio
soviético. Porém, a cidade também foi dividida, provocando isolamento da parte Ocidental por via
terrestre.

Isolado das zonas ocidentais e de Berlim Oriental, o oeste de Berlim ficou sem luz nem alimentos de
23 de junho de 1948 até 12 de maio de 1949. A população só sobreviveu graças a uma ponte aérea
organizada pelos Aliados, que garantiu seu abastecimento.
Em 23 de maio de 1949, os aliados criaram a República Federal da Alemanha (RFA). A URSS que
ocupava a parte leste do país decidiu também por transformá-la em um país, e em outubro do mesmo
ano foi fundada a República Democrática Alemã (RDA), com capital em Berlim Oriental. A RDA era
baseada na política comunista e de economia planificada, dando prosseguimento à socialização da
indústria e ao confisco de terras e de propriedades privadas. O Partido Socialista Unitário (SED) passou
a ser a única força política na "democracia antifascista" alemã-oriental.
Com a criação dos dois Estados alemães, a disputa entre EUA e URSS foi acirrada, manifestando de
maneira intensa a disputa da Guerra Fria.
Auxiliada pelo Plano Marshall, em alguns anos a Alemanha Ocidental alcançou um nível de
prosperidade econômica elevada, garantida também pela estabilidade interna e pela integração à
comunidade europeia que surgia no pós-guerra. A RFA também integrou a OTAN.
A Alemanha Oriental integrou o pacto de Varsóvia, e apesar das despesas com a guerra e com a
reconstrução do país, também alcançou desenvolvimento significativo entre os países socialistas.
Apesar do avanço, com o passar do tempo as diferenças foram acentuando-se, e muitos alemães
residentes na parte Oriental migravam para a parte ocidental, atraídos pela liberdade democrática e pelo
estilo de vida.
A situação ficou crítica no final dos anos 50, com as tentativas de unificação. A RFA não reconhecia a
RDA como um país, e exigia a integração. Por outro lado, os soviéticos exigiam a saída das tropas norte-
americanas de Berlim Ocidental.
Entre 1949 a 1961, quase 3 milhões de pessoas fugiram da Alemanha comunista para os setores
ocidentais de Berlim. Somente em julho de 1961, 30 mil pessoas escaparam. A ameaça de esvaziamento
da Alemanha Oriental levou a URSS a construir uma barreira física no meio da cidade. Na manhã de 13
de agosto de 1961, soldados começaram a construir o Muro de Berlim, demarcando a linha divisória
inicialmente com arame farpado, tanques e trincheiras. Nos meses seguintes, foi sendo erguido em
concreto armado o muro que marcaria a vida da cidade até 1989. Ao longo dos anos, a fronteira

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transformou-se numa fortaleza. Como os soldados tivessem ordem de atirar para matar, muitos que
tentaram atravessar acabaram morrendo.

Foto de Conrad Schumann, soldado da Alemanha Oriental, em direção à Berlim Ocidental, saltando o muro que até então era uma cerca de arame farpado, em 15
de agosto de 1961

A divisão imposta pelo Muro de Berlim também separou muitas famílias, o que levou muitas pessoas
a tentar atravessá-lo durante os 28 anos em que manteve-se de pé. Ao longo do tempo o muro foi sendo
fortificado com paredes de concreto, alarmes, e torres de vigia, dificultando cada vez mais a fuga.

Corrida Armamentista
Apesar de não terem travado batalhas diretas, os líderes dos blocos econômicos gastaram
massivamente na pesquisa, desenvolvimento e produção de armas. Assim que um novo armamento era
apresentado por um país, o outro buscava desenvolver algo semelhante e, se possível, melhor. Essa
busca pela superioridade bélica ficou conhecida como corrida armamentista, e preocupou muitos, pois
a capacidade de destruição alcançada pelos armamentos poderia até mesmo destruir o planeta, caso
usados com força total.
O ponto de partida da corrida armamentista se deu com as bombas nucleares lançadas pelos Estados
Unidos no Japão em 1945. Em 1949 a União Soviética também possuía a tecnologia para produzir tais
bomba. A possibilidade de ataque nuclear por ambos os lados criaram a ideia de uma Hecatombe
Nuclear, que aconteceria caso um dos países atacasse o outro, desencadeando uma guerra que
terminaria por extinguir os seres humanos.
Surgiu assim um jogo político-diplomático conhecido como "o equilíbrio do terror", que se transformou
num dos elementos principais do jogo de poder entre EUA e URSS. Os dois buscavam produzir cada vez
mais armamentos de destruição em massa, como forma de ameaçar o inimigo.
A corrida armamentista implicava também uma estratégia de dominação, em que as alianças regionais
e a instalação de bases militares eram de extrema importância. Os exércitos de ambos os lados possuíam
centenas de soldados, armas convencionais, armas mortais, mísseis de todos os tipos, inclusive
nucleares que estavam permanentemente apontados para o inimigo, com objetivo de atingir o alvo a partir
de longas distâncias.
Para se ter uma noção do poder destrutivo dos armamentos, em 1960 a União Soviética produziu a
maior bomba nuclear de todos os tempos, a Tsar Bomba. Com um poder de detonação de 100 megatons
a bomba era 3 mil vezes mais poderosa que a bomba lançada sobre Hiroshima em 1945, e era capaz de
destruir tudo em um raio de 35 quilômetros da explosão.
A necessidade de posicionar-se contra o inimigo deixou o mundo muito perto da Terceira Guerra
Mundial em 1962, durante o episódio conhecido como Crise dos Mísseis de Cuba.
Em 1961 os Estados Unidos haviam instalado uma base na Turquia, com capacidade de operação de
armamentos nucleares. A atitude desagradou os soviéticos, devido à proximidade geográfica da Turquia
e da URSS. Para revidar, a União Soviética decidiu instalar uma base de misseis em Cuba, sua aliada na
América, que havia passado por uma revolução socialista em 1959, e estava localizada a
aproximadamente 200 quilômetros da costa da Flórida, ao sul dos Estados Unidos.

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Desde a revolução socialista, os Estados Unidos tentavam derrubar o presidente da ilha, Fidel Castro.
Em 1961, apoiados pela CIA, agência secreta americana, um grupos de 1400 refugiados cubanos tentou
invadir a ilha pela baía dos Porcos, em um episódio desastroso que acabou com a morte de 112 pessoas
e a prisão dos restantes.
Buscando novas maneiras de depor o presidente, em 1962 os americanos sobrevoaram a ilha e
descobriram que a União Soviética estava instalando também plataformas de lançamento de armamentos
nucleares.
No dia 14 de agosto, o presidente americano, John Kennedy, anunciou para a população de seu país
sobre o risco existente com a possibilidade de um ataque altamente destrutivo, encarando o fato como
um ato de guerra. Do outro lado do Atlântico, o Primeiro Ministro soviético Nikita Kruschev alegou que a
base com os mísseis resultavam apenas de uma ação defensiva e serviriam também para impedir um
nova invasão dos Estados Unidos à Cuba.
Durante treze dias de tensão, foram realizadas diversas negociações que acabaram por resultar na
retirada dos misseis da Turquia e de Cuba.

A tentativa de superioridade não esteve limitada ao campo bélico. Durante a Guerra Fria a disputa
também foi travada fora do planeta.
Durante a Segunda Guerra, os cientistas alemães desenvolveram a tecnologia de propulsão de
foguetes, que foram utilizados para equipar as bombas V-1 e V-2. Após o termino da guerra, muitos dos
cientistas que trabalharam no projeto de construção desses artefatos foram capturados por ambos os
lados, que buscavam o domínio dessa tecnologia.
Em 4 de outubro de 1957 a União Soviética lançou na órbita terrestre o satélite Sputnik I. Poucas
semanas depois, em novembro, os soviéticos inovaram novamente e lançaram o primeiro ser vivo ao
espaço, a cadela Laika, que morreu na volta.
Como reação por parte dos Estados Unidos, em 1958 foi criada a National Aeronautics & Space
Administration, NASA, que no mesmo ano lançou ao espaço o satélite Explorer 1.
Buscando superar suas conquistas, a união Soviética saiu na frente novamente, lançando o primeiro
ser humano em órbita terrestre. Em 12 de abril de 1961, durante uma hora e quarenta e oito minutos, o
cosmonauta Iuri Gagarin percorreu 40 mil quilômetros ao redor da terra, a bordo da capsula espacial
Vostok 1. Os Estados Unidos reagiram em 1962, ao enviar o astronauta John Glenn para o espaço.
Após os lançamentos de seres humanos ao espaço, o objetivo foi enviar um ser humano para a lua.
Os Estados Unidos investiram pesadamente no programa Apollo, que em 1968 enviou a primeira equipe
de astronautas para a órbita lunar e, em 1969 realizou o primeiro pouso, com os astronautas Neil
Armstrong e Edwin Aldrin.
A União Soviética não conseguiu acompanhar o passo dos Estados Unidos, e mudou seu foco para a
exploração e pesquisa do ambiente espacial e da gravidade zero com a estação espacial Salyut, lançada
em 19 de abril de 1971. Em resposta, os americanos lançaram, em maio de 1973, a Skylab. Em 1986, a
URSS lançou a Mir, que já foi destruída.
Durante a Guerra Fria, importantes projetos espaciais foram realizados. A sonda americana Voyager
1, lançada em 1977, foi a Júpiter e a Saturno e a Voyager 2, lançada no mesmo ano, visitou Júpiter,
Saturno, Urano e Netuno. As duas sondas encontram-se agora fora do sistema solar. O Telescópio
Espacial Hubble, a nave Galileu, a Estação Espacial Internacional Alpha, a exploração de Marte e o Neat
(Programas de Rastreamento de Asteroides Próximos da Terra) fazem parte dessa geração.
Em 1978, a Agência Espacial Europeia entra na corrida espacial com os foguetes lançadores Ariane.
A França passa a controlar sozinha o projeto Ariane em 1984 e, atualmente, detém cerca de 50% do
mercado mundial de lançamento de satélites.

Fim da Guerra Fria

A disputa entre União Soviética e Estados Unidos durante a Guerra Fria sofreu uma desaceleração
entre o fim dos anos 1970 e início de 1980. Durante esse período a União Soviética passou a enfrentar
crises internas nos setores políticos e econômicos. O gasto com armamentos e pesquisas espaciais para
equiparar-se aos Estados Unidos foi enorme, e os dois países buscam firmar acordos para reduzir o poder
bélico, e finalmente alcançar uma trégua.
Internamente, o país passava por crises de abastecimento e revoltas sociais. Desde a morte de Stalin,
em 1956, a URSS passou por pequenas reformas, porém manteve o perfil ditatorial, com controle sobre
os meios de comunicação e da população. Os líderes que sucederam Stalin mantiveram o mesmo
sistema, o que agravou a crise interna. Em 1985 o país colocou no poder o ultimo líder do Partido

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Comunista da União Soviética: Mikhail Gorbachev. Gorbachev defendia a ideia de que a URSS deveria
passar por mudanças que a adequassem à realidade mundial.
Durante a década de 1980 a União Soviética enfrentou momentos difíceis, como a invasão ao
Afeganistão, que gerou altos gastos, e o acidente na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. Além disso,
boa parte das commodities, matérias-primas exportadas pelo país, como petróleo e gás natural sofreram
quedas nos preços. Buscando salvar o país de um colapso iminente, Gorbachev lançou dois planos: a
Perestroika e o Glasnost.
A Perestroika, Também chamada de reestruturação econômica, teve início em 1986, logo após a
instalação do governo Gorbatchev. A Perestroika consistia em um projeto de reintrodução dos
mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e
retomada do crescimento. Ou seja, acabar com a economia planificada existente na União Soviética.
A Economia planificada, também chamada de "economia centralizada" ou "economia centralmente
planejada", é um sistema econômico no qual a produção é previa e racionalmente planejada por
especialistas, na qual os meios de produção são propriedade do Estado e a atividade econômica é
controlada por uma autoridade central.
A perestroika tinha como objetivo acabar com os monopólios estatais, descentralizar as decisões
empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados
nacionais e estrangeiros. Apesar das mudanças, o Estado continuaria como principal proprietário, porém,
permitindo a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio
varejista e serviços não-essenciais. No setor agrícola foi permitido o arrendamento de terras estatais e
cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da
conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de
investimentos estrangeiros.
O Glasnost, Também chamado de transparência política, surgiu juntamente com a perestroika, e foi
considerado essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política
nacional de realizar as reformas.
Entre as medidas mais importantes estavam o fim da censura, da perseguição e da proibição de
determinados assuntos. Foi marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em
1986, e incluiu campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a
intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na
liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova
safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número
crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.
A abertura causada pela Perestroika e pelo Glasnost impulsionaram os movimentos de independência
e de separação de países membros da URSS, enfraquecendo o Pacto de Varsóvia. Um importante
acontecimento nesse período foi a queda do Muro de Berlim, que simbolicamente representava o fim da
Guerra Fria.
O muro de Berlim formava uma barreira, sendo que Somente na região metropolitana de Berlim, o
Muro tinha mais de 43 quilômetros de comprimento, vigiado por torres militares para observação do
movimento nos arredores. Além disso, contava com cães policiais e cercas elétricas para manter a
população afastada. Mesmo com todos esses mecanismos, muitas pessoas tentaram atravessar essa
barreira, resultando em 80 mortes oficialmente.
A proibição existia apenas na passagem de Berlim Oriental para Berlim Ocidental. O trajeto contrário
era permitido. Durante a década de 70, havia oito pontos onde, obtidas as permissões e os documentos
necessários, as pessoas do lado ocidental podiam atravessar o muro. O mais famoso deles - conhecido
como Checkpoint Charlie - era reservado para visitantes estrangeiros, incluindo diplomatas e autoridades
militares do bloco capitalista.
Durante o tempo em que esteve de pé, o Muro de Berlim foi um ícone da Guerra Fria. Com as
mudanças políticas ocorridas na União Soviética, várias revoltas começaram a surgir nas duas partes da
Alemanha, pedindo a queda do Muro, que separava o país desde 1961. No dia 9 de novembro de 1989,
diante das pressões contra o controle de passagem do muro, o porta-voz da Alemanha Oriental, Günter
Schabowski, disse em uma entrevista que o governo iria permitir viagens da população ao lado Ocidental.
Questionado sobre quando essa mudança vigoraria, ele deu a entender que já estava valendo.
Finalmente, população revoltada resolve derrubar o muro por conta própria, utilizando marretas, martelos
e tudo o mais que estivesse disponível.

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O muro só foi totalmente destruído entre julho e novembro de 1990, porém as pessoas e o próprio governo iam abrindo passagens para facilitar o transito entre as
duas partes da cidade. No dia 3 de outubro de 1991, após uma separação que dividiu a Alemanha em duas, o país foi novamente unificado por lei, atendendo ao
desejo da população alemã que celebrou a vitória.

Além da Alemanha, a Polônia e a Hungria abriam caminho para eleições livres, e revoltas pelo fim da
URSS aconteceram na Tchecoslováquia, Bulgária, e Romênia. As políticas adotadas por Gorbachev
causaram uma divisão dentro do Partido Comunista, com setores contra e a favor das reformas. Esta
situação repentina levou alguns conservadores da União Soviética, liderados pelo General Guenédi
Ianaiev e Boris Pugo, a tentar um golpe de estado contra Gorbachev em Agosto de 1991. O golpe, todavia,
foi frustrado por Boris Iéltsin. Mesmo assim, a liderança de Gorbachev estava em decadência e, em
Setembro, os países bálticos conseguiram a independência.
Em Dezembro, a Ucrânia também se tornou independente. Finalmente, no dia 31 de Dezembro de
1991, Gorbachev anunciava o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, renunciando ao cargo.
Assim termina a União Soviética, e também acaba oficialmente a Guerra Fria.

Questões

01. (VUNESP PM/SP) Os dois lados viram-se comprometidos com uma insana corrida armamentista
para a mútua destruição. Os dois também se viram comprometidos com o que o presidente em fim de
mandato, Eisenhower, chamou de “complexo industrial-militar”, ou seja, o crescimento cada vez maior de
homens e recursos que viviam da preparação da guerra.
Mais do que nunca, esse era um interesse estabelecido em tempos de paz estável entre as potências.
Como era de se esperar, os dois complexos industrial-militares eram estimulados por seus governos a
usar sua capacidade excedente para atrair e armar aliados e clientes, e conquistar lucrativos mercados
de exportação, enquanto reservavam apenas para si os armamentos mais atualizados e, claro, suas
armas nucleares.
(Eric Hobsbawm. Era dos extremos – O breve século XX – 1914-1991.
São Paulo: Cia. das Letras, 1995, p. 233. Adaptado)
O historiador refere-se à situação da política internacional que resultou, em grande medida, da
Segunda Guerra Mundial, e que pode ser definida como a
(A) democratização do uso de armas nucleares, o que tornou possível o seu emprego por pequenos
grupos de guerrilheiros.
(B) existência de equilíbrio nuclear entre as maiores potências, somada à grande corrida armamentista.
(C) expansão da ideologia da paz armada, que estimulou as potências a equiparem os países pobres
com armas nucleares.
(D) predominância de uma potência nuclear em escala global, que interfere militarmente nos países
subdesenvolvidos.
(E) formação de uma associação internacional de potências nucleares, que garantiu uma paz
duradoura entre os países.

02. Período histórico denominado de Guerra Fria, refere-se


(A) à rivalidade de dois blocos antagônicos liderados pelos EUA e URSS.
(B) às sucessivas guerras pela independência nacional ocorridas na Ásia.

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(C) ao conjunto de lutas travadas pelo povo iraquiano contra a dinastia Pahlevi.
(D) às disputas diplomáticas entre árabes e israelenses pela posse da península do Sinai.

03. Sobre a queda do muro de Berlim, no dia 10 de novembro de 1989, é correto afirmar que
(A) o fato acirrou as tensões entre Oriente e Ocidente, manifestas na permanência da divisão da
Alemanha.
(B) resultou de uma longa disputa diplomática, que culminou com a entrada da Alemanha no Pacto de
Varsóvia.
(C) expressou os esforços da ONU que, por meio de acordos bilaterais, colaborou para reunificar a
cidade, dividida pelos aliados.
(D) constituiu-se num dos marcos do final da Guerra Fria, política que dominou as relações
internacionais após a Segunda Guerra Mundial.
(E) marcou a vitória dos princípios liberais e democráticos contra o absolutismo prussiano e
conservador.

04. O lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, em 6 de agosto de 1945, provocou
a rendição incondicional do Japão, na Segunda Guerra. Nesse momento, o mundo ocidental vivia a
dualidade ideológica, capitalismo e socialismo. Nesse contexto, o lançamento da bomba está relacionado
com
(A) o descompasso entre o desenvolvimento da ciência, financiado pelos Estados beligerantes (em
guerra), e os interesses da população civil.
(B) a busca de hegemonia dos Estados Unidos, que demonstraram seu poder bélico para conter, no
futuro, a União Soviética.
(C) a persistência da luta contra o nazifascismo, pelos países aliados, objetivando a expansão da
democracia.
(D) a difusão de políticas de cunho racista associadas a pesquisas que comprovassem a superioridade
da civilização europeia.
(E) a convergência de posições entre norte-americanos e soviéticos, escolhendo o Japão como inimigo
a ser derrotado.

05. (SEDUC/PI – História – NUCEPE) O século XX foi marcado por conflitos de diferentes matizes,
principalmente após a 2ª Guerra Mundial. Sobre esse período, podemos afirmar corretamente, EXCETO
que
(A) a Guerra do Vietnã, que durou entre 1967 e 1975, teve início quando as tropas do Vietnã do Norte
invadiram Saigon, capital do Vietnã do Sul. Considerada a maior derrota militar dos Estados Unidos no
século XX, teve entre seus motores de reação a guerrilha, a militância pacifista e a cobertura crítica da
imprensa.
(B) na União Soviética, o governo de Mikhail Gorbatchev implantou a glasnost no campo político e a
perestroika na área econômica, decisões que evidenciaram a crise do “socialismo real” naquele país,
contribuindo para seu esfacelamento político.
(C) na década de 1950, os Estados Unidos implantaram a política conhecida como macarthismo, que
restringiu-se ao apoio financeiro para a reconstrução das economias europeias, devastadas após a 2ª
Guerra Mundial.
(D) a Queda do Muro de Berlim, em 1989, é considerada a metáfora do fim da Guerra Fria, e
repercutiu no mundo inteiro, com o fim de diversos regimes socialistas do Leste Europeu, tendo
repercutido até nas eleições presidenciais brasileiras, ao promover um discurso de descrédito às
esquerdas brasileiras.
(E) a Revolução Cubana, na década de 1950, combateu o governo de Fulgêncio Batista e implantou
um governo dirigido pelo Partido Comunista na América Central.

06. (Prefeitura de Catolé do Rocha/PB - Auxiliar de Serviços Gerais (ASG) – CPCON) A queda do
muro de Berlim no final da década de oitenta, do século XX, gerou:
(A) O surgimento da Guerra nas Estrelas.
(B) O início da Guerra Fria.
(C) O fim do neoliberalismo.
(D) As condições para a reunificação alemã.
(E) A implantação do socialismo na URSS.

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07. (CISMEPAR/PR -Técnico Administrativo – FAUEL) Novembro de 1989, começou a ser
derrubado na Alemanha o Muro de Berlim. Este acontecimento histórico carrega um importante valor
simbólico, que diz respeito ao:
(A) colapso do regime nazista.
(B) fim da Segunda Guerra Mundial.
(C) término da Guerra Fria.
(D) avanço comunista na Alemanha.

08. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) A Guerra Fria constitui um dos fenômenos mais
importantes da História Contemporânea. Acerca de sua fase inicial, julgue (C ou E) os itens a seguir.
O Plano Marshall foi peça fundamental da estratégia norte-americana na Guerra Fria, configurando-se
como tradução econômica da Doutrina Truman.
(A) Certo
(B) Errado

09. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) A guerra fria assinalou a fase de confronto entre as
duas superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial, tendo seu clímax após o anúncio da
Doutrina Truman, pela qual os Estados Unidos da América (EUA) se dispunham a apoiar os países que
resistissem ao comunismo.
(A) Certo
(B) Errado

10. (UFPB - Auxiliar em Administração – IDECAN) “A expressão Guerra Fria designou a disputa
pela hegemonia mundial entre Estados Unidos e URSS após a Segunda Guerra Mundial. Significou uma
intensa disputa econômica, ideológica, diplomática e tecnológica pela conquista de áreas de influência.
Dividiu o mundo em dois blocos, com sistemas econômicos e políticos opostos: o chamado mundo
capitalista (Primeiro Mundo), liderado pelos EUA, e o chamado mundo socialista ou comunista (Segundo
Mundo), encabeçado pela URSS. A Guerra Fria provocou uma corrida armamentista que se estendeu por
40 anos e colocou o mundo sob a ameaça de uma guerra nuclear.”
Qual foi o símbolo do final da Guerra Fria?
(A) Tratado de Madri.
(B) Queda do Muro de Berlim.
(C) Bomba atômica lançada sobre o Japão.
(D) Assassinato do arquiduque austro-húngaro.

Gabarito

01.B / 02.A / 03.D / 04.B / 05.C / 06.D / 07.C / 08.A / 09.A / 10.B

Comentários

01. Resposta B.
O medo de um ataque nuclear desferido pelo inimigo fez com que as duas maiores potências do mundo
durante a Guerra Fria, EUA e URSS entrassem em uma disputa tecnológica para provar ao inimigo que
possuíam o melhor armamento. O clima de desconforto entre as duas nações criou um equilíbrio gerado
pela constante atualização de seus armamentos.

02. Resposta A.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os dois países emergem como as duas grandes
superpotências do planeta, em uma disputa indireta que possuía ideias políticas diferentes. De um lado
os EUA com a defesa do Capitalismo enquanto do outro a URSS representava a ideia de uma sociedade
Socialista.

03. Resposta D.
A queda do muro de Berlim é um dos grandes marcos do fim da Guerra Fria. Após o fim da Segunda
Guerra e a divisão da Alemanha entre os vencedores do conflito e simbolizou a divisão do mundo durante
a Guerra Fria, separando em dois a cidade de Berlim e estabelecendo contraste entre o mundo capitalista
e o mundo socialista.

162
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04. Resposta B.
Com o lançamento de duas bombas atômicas no Japão em 1945, os estados Unidos demonstram ao
mundo o seu potencial bélico. A demonstração de poder levou a URSS a desenvolver um programa
nuclear durante a Guerra Fria, dentro da ideia do medo de ser atacado pelo inimigo sem poder devolver
o ataque em poder de fogo semelhante.

05. Resposta: C
O Macarthismo era uma ideia de perseguição aos comunistas dentro dos EUA. A política de auxilio
econômico após a Segunda Guerra Mundial ficou conhecida como Plano Marshall.

6. Resposta: D.
No dia 9 de novembro de 1989, com a queda do muro de Berlim cai, a Alemanha começa novamente
a sua unificação, acabando de vez com a divisão entre oriental e ocidental.

7. Resposta: C.
A queda do muro de Berlim, é um importante marco histórico, pois foi através dele que a Guerra Fria
começa a ver o seu fim. Após a sua queda, a Alemanha é unificada novamente.

8. Resposta: A.
A afirmativa está correta, pois tendo em vista o início da guerra fria, a criação do Plano Marshall foi o
grande marco da disputa por áreas de influência que as duas superpotências iniciaram. Após a criação
desse plano pelos Estados Unidos, a união soviética também busca dar ajuda financeira a países, o seu
plano ficou conhecido como Plano Molotov.

9. Resposta: A.
A ideia, que ficou conhecida como Doutrina Truman consistia em ajudar financeiramente os países
europeus que ficaram devastados pela guerra. Através dessa ajuda é que eles impediriam que tais países
aderissem ao socialismo, que estava se propagando na época.

10. Resposta: B.
O símbolo maior que marca o fim desse período é a destruição do muro que dividia Berlim. Após a
queda do muro, já era possível ver o final da guerra, que só acabou oficialmente dois anos depois, em
1991.

FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA69

A queda do governo de Stálin trouxe à tona uma série de transformações que abriu portas para o fim
da centralização política promovida pelo stalinismo. No governo de Nikita Kruchev, várias das práticas
corruptas e criminosas do regime stalinista foram denunciadas. Depois de seu governo, Leonid Brjnev
firmou-se frente a URSS de 1964 a 1982. Depois desse período, Andropov e Constantin Tchernenko
assumiram o governo russo.
Nesse período, os problemas gerados pela burocratização do governo soviético foram piorando a
situação social, política e econômica do país. O fechamento do país para as nações não-socialistas forçou
a União Soviética a sofrer um processo de atraso econômico que deixou a indústria soviética em situação
de atraso. Além disso, os gastos gerados pela corrida armamentista da Guerra Fria impediam que a União
Soviética fosse capaz de fazer frente às potências capitalistas.
A população que tinha acesso ao ensino superior acabou percebendo que o projeto socialista
começava a ruir. As promessas de prosperidade e igualdade, propagandeadas pelos veículos de
comunicação estatais, fazia contraste com os privilégios a uma classe que vivia à custa da riqueza
controlada pelo governo. Esse grupo privilegiado, chamado de nomenklatura, defendia a manutenção do
sistema unipartidário e a centralização dos poderes políticos.
No ano de 1985, o estadista Mikhail Gorbatchev assumiu o controle do Partido Comunista Soviético
com idéias inovadoras. Entre suas maiores metas governamentais, Gorbatchev empreendeu duas
medidas: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência). A primeira visava modernizar a
economia russa com a adoção de medidas que diminuía a participação do Estado na economia. A
glasnost tinha como objetivo abrandar o poder de intromissão do governo nas questões civis.

69
http://brasilescola.uol.com.br/historiag/urss.htm

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Em esfera internacional, a União Soviética buscou dar sinais para o fim da Guerra Fria. As tropas
russas que ocupavam o Afeganistão se retiraram do país e novos acordos econômicos foram firmados
junto aos Estados Unidos. Logo em seguida, as autoridades soviéticas pediram auxílio para que outras
nações capitalistas fornecessem apoio financeiro para que a nação soviética superasse suas dificuldades
internas.
A ação renovadora de Mikhail Gorbatchev criou uma cisão política no interior da União Soviética. Alas
ligadas à burocracia estatal e militar faziam forte oposição à abertura política e econômica do Estado
soviético. Em contrapartida, um grupo de liberais liderados por Boris Ieltsin defendia o aprofundamento
das mudanças com a promoção da economia de mercado e a privatização do setor industrial russo. Em
agosto de 1991, um grupo de militares tentou dar um golpe político sitiando com tanques a cidade de
Moscou.
O insucesso do golpe militar abriu portas para que os liberais tomassem o poder. No dia 29 de agosto
de 1991, o Partido Comunista Soviético foi colocado na ilegalidade. Temendo maiores agitações políticas
na Rússia, as nações que compunham a União Soviética começaram a exigir a autonomia política de
seus territórios. Letônia, Estônia e Lituânia foram os primeiros países a declararem sua independência.
No final daquele mesmo ano, a União Soviética somente contava com a integração do Cazaquistão e do
Turcomenistão.
No ano de 1992, o governo foi passado para as mãos de Boris Ieltsin. Mesmo implementando diversas
medidas modernizantes, o governo Ieltsin foi marcado por crises inflacionárias que colocavam o futuro da
Rússia em questão. No ano de 1998, a crise econômica russa atingiu patamares alarmantes. Sem
condições de governar o governo, doente e sofrendo com o alcoolismo, Boris Ieltsin renunciou ao governo.
Somente a partir de 1999, com a valorização do petróleo no governo de Vladimir Putin, a Rússia deu
sinais de recuperação.

Declínio do Socialismo nos Países Europeus70

Depois da Segunda Guerra Mundial, os países da Europa Oriental ficaram sob a área de influência da
União Soviética. Com exceção da Iugoslávia e da Albânia, todos eles seguiam rigorosamente as diretrizes
do Partido Comunista da União Soviética. É claro, portanto, que a introdução da perestroika e da glasnost
iria desencadear enormes mudanças também nesses países.
Por seu significado no jogo da guerra fria, o grande marco dessas mudanças foi a queda do muro de
Berlim, em novembro de 1989. A destruição do muro – que o mundo inteiro viu com a sensação de estar
assistindo ao próprio desenrolar da História – simbolizou como nenhum outro fato o esfacelamento do
mundo socialista e a redefinição do poder no mundo.
Vamos examinar a transformação ocorrida nos países da Europa Oriental, um por um: Polônia,
Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária, Romênia, Albânia, Alemanha Oriental e Iugoslávia.

Polônia
Na Polônia, o processo de transformações políticas e econômicas começou antes que em qualquer
outro país socialista. Já no final da década de 1970 e início da de 1980, movimentos grevistas agitaram
os principais centros industriais do país, principalmente os estaleiros de Gdansk.
Diante da falta de iniciativa das autoridades e dos sindicatos, atrelados ao governo, um grupo de
operários e de intelectuais fundou um sindicato independente, o Solidarnosc (Solidariedade). Sua
combatividade entusiasmou os operários, que aderiram em massa à organização.
A iniciativa dos trabalhadores e de seus líderes, entre os quais se destacava Lech Walesa, atingiu
frontalmente as autoridades, que passaram imediatamente a combater o Solidariedade. Como não
conseguiram resultado, em 1982 o governo instaurou a lei marcial, e o sindicato foi declarado ilegal e
proibido de funcionar.
Os anos seguintes foram extremamente difíceis. O Solidariedade funcionou na ilegalidade e diversos
membros da sua direção estiveram presos.
Com a perestroika na União Soviética, a partir de 1985, a situação começou a mudar, e em 1988 o
sindicato emergiu novamente com força, liderando uma onda de greves. O governo foi obrigado a ceder.
Por um acordo assinado entre o Solidariedade e o governo, em abril de 1989, a ilegalidade do sindicato
foi revoga da e foram estabelecidas novas regras para o jogo político: foi criado o cargo de presidente da
República e instituído um Parlamento com duas câmaras.

70
As mudanças nos Países da Europa Oriental. Aticaeducacional. Disponível em: < http://www.aticaeducacional.com.br/htdocs/Especiais/URSS/link17.htm>
Acesso em 03 de maio de 2017.

164
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Em junho do mesmo ano, o Solidariedade, agora transformado em partido, conquistou 99 das 100
cadeiras do Senado e 35% das da Câmara dos Deputados (65% haviam sido reservadas aos comunistas
e seus aliados). Tadeus Mazowiecki, um dos principais líderes do Solidariedade, assumiu o cargo de
primeiro-ministro.
O Partido Comunista, após as eleições, passou a perder força a cada dia, até tornar-se totalmente
inexpressivo.
Em 1990 Lech Walesa venceu a primeira eleição para presidente da República. Durante seu governo,
procurou acelerar o processo de retorno da economia polonesa às regras do livre mercado.

Hungria
Em 1956 a Hungria fez uma tentativa de mudar os rumos do socialismo. Imre Nagy liderou um
movimento que propunha a democratização do regime, com maior liberdade de expressão e certa
liberalização da economia, mas as tropas enviadas pela facção stalinista do PC esmagaram a rebelião.
O sucessor de Nagy , embora seguisse inicialmente a orientação de Moscou, começou lentamente a
introduzir algumas reformas na economia. A produção de bens de consumo passou a ter prioridade e as
empresas estatais ganharam maior autonomia.
A coletivização da agricultura foi abandonada, os camponeses ganharam liberdade para comercializar
suas safras. Graças a essas medidas, o abastecimento alcançou excelentes níveis de eficiência, difíceis
de observar nos outros países socialistas.
Com o advento da perestroika, essas reformas foram aceleradas por iniciativa do próprio Partido
Socialista Operário Húngaro (o Partido Comunista). Em fevereiro de 1989 foi abolido o sistema de partido
único e introduzido o pluripartidarismo. No ano seguinte realizaram-se eleições para a Presidência da
República e o Parlamento.
A transição para a economia de mercado manteve-se em ritmo acelerado. Em 1990 a Hungria
inaugurou a primeira bolsa de valores do mundo socialista.

Tchecoslováquia
Em 1968, Alexander Dubcek, então secretário-geral do Partido Comunista da Tchecoslováquia, iniciou
um intenso movimento de democratização do país, que ficou conhecido como Primavera de Praga. Os
tanques do Pacto de Varsóvia interromperam violentamente as reformas e Dubcek foi destituído do cargo.
Só em 1977 é que um novo movimento começou a estruturar-se com a publicação de um manifesto
assinado por diversos intelectuais. A Carta 77 protestava contra a repressão e exigia maior respeito aos
direitos humanos. A violenta reação do governo interrompeu o processo, que seria retomado apenas na
segunda metade da década de 80, graças à perestroika.
A partir de 1987 a oposição se reorganizou e recomeçaram os protestos contra o regime. O movimento
intensificou-se em 1989, quando os intelectuais da Carta 77 passaram a liderá-lo. Eles tinham fundado o
Fórum Cívico, cujo líder mais importante era Vaclav Havel, grande escritor e teatrólogo.
Rapidamente o movimento de oposição, fortalecido por grandes manifestações populares, obrigou o
Partido Comunista a deixar o poder, que foi assumido pelo Fórum Cívico. Em dezembro de 1989
Alexander Dubcek assumiu a presidência da Câmara dos Deputados. Vaclav Havel tornou-se presidente
da República. As mudanças na Tchecoslováquia receberam o nome de revolução de veludo.
Com a democratização, voltou a manifestar-se o nacionalismo eslovaco, represado durante o regime
socialista. Em 1º de janeiro de 1993, concluindo um processo pacífico de negociação, a Tchecoslováquia
dividiu-se em dois Estados indepentendentes: a República Tcheca e a Eslováquia.

Alemanha Oriental
A República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental, era o país mais desenvolvido de todo o Leste
europeu. Erich Hõnecker era seu dirigente máximo.
Na década de 1980, para manter a política de subsídios, característica dos regimes socialistas, o
governo recorreu a empréstimos externos, endividando o país e diminuindo os investimentos em
infraestrutura. Em decorrência, a economia entrou em crise. Mais do que nunca, os alemães orientais se
viram tentados a cruzar a fronteira com a Alemanha Ocidental, o país mais rico da Europa, em busca de
novas oportunidades de trabalho. Nem o muro de Berlim conseguia desestimular as fugas.
No final de década de 1980, com a abertura dos regimes da Polônia e da Hungria, consolidou-se uma
via segura de evasão. Como não era necessário passaporte para transitar entre os países socialistas, os
alemães orientais dirigiam-se para a Polônia e a Hungria e dali para o Ocidente, sem maiores dificuldades.
Em agosto de 1989, quando a Hungria abriu suas fronteiras com a Áustria, milhares de alemães
orientais atravessaram a Tchecoslováquia, a Hungria e a Áustria e chegaram à Alemanha Ocidental.

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Em setembro começaram a ocorrer em diversas cidades grandes manifestações populares em favor
de reformas. A polícia política – Stasi –tentava reprimi-las, mas com pouco sucesso. Em 1989, Egon
Krenz, um dos altos dirigentes do Partido Comunista, derrubou Erich Hõnecker e deu início a reformas no
partido e no regime.
Em novembro de 1989, sem ver outra alternativa, o governo de Egon Krenz determinou a derrubada
do muro de Berlim.
Foi uma festa. Milhares de pessoas ajudaram alegremente a quebrar a muralha. Todos queriam
participar daquele momento histórico. Em três dias, 3 milhões de alemães-orientais foram visitar Berlim
Ocidental. Eram recebidos com alegria e ganhavam de presente do governo ocidental alguns marcos
para comemorar a liberdade.
O muro de Berlim, que tinha sido o marco principal da divisão do mundo entre capitalismo e socialismo,
tornava-se o símbolo mais importante da derrocada do mundo socialista.
A população passou a se organizar em partidos, sindicatos e grupos políticos diversos, alguns dos
quais defendiam a reunificação da Alemanha. Entre esses movimentos destacou-se o Novo Fórum, com
uma plataforma contrária reunificação e a favor da democratização do socialismo. Era, até o início de 90,
a agremiação favorita nas eleições previstas para abril.
Mas, de olho na unificação, partidos políticos da Alemanha Ocidental interferiram na política interna
Oriental, especialmente Helmut Kohl, chanceler (primeiro-ministro) e membro da Democracia Cristã.
Procurando agrupar os conservadores, Kohl conseguiu formar uma coalizão – Aliança pela Alemanha –
com um discurso pró-unificação que surtiu efeito junto ao eleitorado alemão oriental, esvaziando a força
do Novo Fórum.
Nas eleições, a Aliança pela Alemanha recebeu sozinha 48% dos votos para o Parlamento da
Alemanha Oriental. Helmut Kohl conseguira seu intento: em 3 de outubro de 1990 a Alemanha foi
reunificada.
Após os festejos que uniram alemães dos dois lados, começou o processo de absorção da parte
oriental pela parte ocidental. Muitas empresas do leste foram fechadas, pois utilizavam tecnologia
superada. A moeda oriental foi trocada pela ocidental. Como a unificação se deu muito rapidamente,
acabou sendo traumática para muitas pessoas, que perderam seus empregos.

Bulgária
A Bulgária sempre foi um país fielmente ligado à União Soviética. Por isso, as mudanças começaram
apenas em 1989, quando o movimento já estava muito adiantado em outros países da Europa Oriental.
No final de 1989, começaram manife