Você está na página 1de 8

6804 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.

o 298 — 27-12-1997

MINISTÉRIO DO AMBIENTE Ferro Rodrigues — Elisa Maria da Costa Guimarães Fer-


reira — Paulo Jorge Sacadura Almeida Coelho.

Decreto-Lei n.o 379/97 Promulgado em 2 de Dezembro de 1997.


de 27 de Dezembro Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Tem-se registado nos últimos anos um número sig-
nificativo de acidentes em parques infantis. Dados do
Referendado em 9 de Dezembro de 1997.
EHLASS, o Sistema Europeu de Vigilância de Aciden-
tes Domésticos e de Lazer, revelam que em Portugal O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira
ocorrem cerca de 4000 acidentes por ano. Atendendo Guterres.
a que este número tem como referência apenas os casos
que necessitam de recorrer à urgência hospitalar, é pos- ANEXO
sível afirmar que o número global de acidentes ocorridos
REGULAMENTO QUE ESTABELECE AS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA
será, certamente, mais elevado. A OBSERVAR NA LOCALIZAÇÃO, IMPLANTAÇÃO, CONCEPÇÃO
O presente diploma tem, pois, como objectivo alterar E ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL DOS ESPAÇOS DE JOGO E
esta realidade, procedendo à definição e regulamenta- RECREIO, RESPECTIVO EQUIPAMENTO E SUPERFÍCIES DE
IMPACTE.
ção das condições de segurança a observar na locali-
zação, implantação, concepção e organização funcional
dos espaços de jogo e recreio, respectivo equipamento CAPÍTULO I
e superfícies de impacte, criando ainda um sistema ins- Disposições gerais
pectivo e sancionatório adequado.
No âmbito deste diploma legal, esta designação Artigo 1.o
abrange todo e qualquer espaço de jogo e recreio, res-
pectivo equipamento e superfícies de impacte, locali- Objecto
zados, nomeadamente, em jardins públicos, na proxi- O presente Regulamento estabelece as condições de
midade de edifícios habitacionais, em parques temáticos segurança a observar na localização, implantação, con-
de diversão, em zonas de recreação, em instituições de cepção e organização funcional dos espaços de jogo e
educação (jardins-de-infância, espaços de recreio de recreio, respectivo equipamento e superfícies de
escolas, creches), bem como os que se encontrem loca- impacte, destinados a crianças, necessárias para garantir
lizados junto de estradas ou auto-estradas. a diminuição dos riscos de acidente, de traumatismos
Para que se exerça o direito a brincar em segurança, e lesões acidentais, e das suas consequências.
corolário do direito a brincar expresso no artigo 31.o
da Convenção Internacional dos Direitos da Criança,
Artigo 2.o
perante o vazio legal existente, urge, pois, legislar.
Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Âmbito
Regiões Autónomas e a Associação Nacional de Muni-
1 — Este Regulamento aplica-se a todos os espaços
cípios Portugueses. de jogo e recreio de uso colectivo, e respectivo equi-
Assim: pamento e superfícies de impacte, destinados a crianças,
Nos termos da alínea a) do n.o 1 do artigo 198.o da qualquer que seja o local de implantação.
Constituição, o Governo decreta o seguinte: 2 — Excluem-se do âmbito de aplicação deste
diploma os recintos com diversões aquáticas.
Artigo 1.o
Artigo 3.o
É aprovado o Regulamento Que Estabelece as Con-
dições de Segurança a Observar na Localização, Implan- Definições
tação, Concepção e Organização Funcional dos Espaços Para efeitos de aplicação deste Regulamento enten-
de Jogo e Recreio, Respectivo Equipamento e Super- de-se por:
fícies de Impacte, anexo ao presente diploma e que dele
faz parte integrante. a) Espaço de jogo e recreio — área destinada à
actividade lúdica das crianças, delimitada física
Artigo 2.o ou funcionalmente, em que a actividade motora
assume especial relevância;
O presente diploma entra em vigor 60 dias após a b) Equipamento de espaço de jogo e recreio —
sua publicação. materiais e estruturas, incluindo componentes
e elementos construtivos, destinados a espaços
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 9 de jogo e recreio, com os quais ou nos quais
de Outubro de 1997. — António Manuel de Oliveira as crianças possam brincar ao ar livre ou em
Guterres — António Luciano Pacheco de Sousa espaços fechados, individualmente ou em grupo;
Franco — Alberto Bernardes Costa — João Cardona c) Superfície de impacte — superfície na qual deve
Gomes Cravinho — José Eduardo Vera Cruz Jar- ocorrer o impacte do utilizador do equipamento,
dim — Augusto Carlos Serra Ventura Mateus — Gui- em resultado da sua utilização normal e pre-
lherme d’Oliveira Martins — Maria de Belém Roseira Mar- visível e que possui propriedades de absorção
tins Coelho Henriques de Pina — Eduardo Luís Barreto do choque produzido pelo impacte;
N.o 298 — 27-12-1997 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6805

d) Entidade responsável pelo espaço de jogo e de soluções técnicas eficientes, devendo ser observadas
recreio — pessoa singular ou colectiva de direito as seguintes distâncias, contadas a partir do perímetro
público ou privado que assegura o regular fun- exterior do espaço até aos limites da via ou do esta-
cionamento do espaço de jogo e recreio. cionamento de, pelo menos:
a) 10 m em relação às vias de acesso local sem
CAPÍTULO II continuidade urbana e estacionamentos, admi-
tindo-se afastamentos mínimos até 5 m, apenas
Dos espaços de jogo e recreio quando a velocidade dos veículos seja fisica-
mente limitada a valores muito reduzidos e
Artigo 4.o desde que sejam previstas soluções técnicas efi-
Obrigação geral de segurança cientes de protecção contra o trânsito de veí-
culos;
Os espaços de jogo e recreio não podem ser sus- b) 20 m em relação às vias de distribuição local
ceptíveis de pôr em perigo a saúde e segurança do uti- com continuidade urbana e estacionamentos,
lizador ou de terceiros, devendo obedecer aos requisitos admitindo-se afastamentos mínimos até 10 m,
de segurança constantes deste Regulamento. apenas quando a velocidade dos veículos seja
fisicamente limitada a valores muito reduzidos
SECÇÃO I e desde que sejam previstas soluções técnicas
eficientes de protecção contra o trânsito de
Localização e implantação veículos;
c) 50 m em relação às restantes vias de circulação
Artigo 5.o de veículos com maior intensidade de tráfego,
Localização
devendo os espaços de jogo e recreio estar fisi-
camente separados destas vias.
Os espaços de jogo e recreio não devem estar loca-
lizados junto de zonas ambientalmente degradadas, de 2 — Os espaços de jogo e recreio existentes à data
zonas exteriores utilizadas para carga, descarga e depó- de entrada em vigor do presente diploma e que não
sito de materiais e produtos ou de outras zonas poten- preencham os requisitos estabelecidos no número ante-
cialmente perigosas, nem de locais onde o ruído dificulte rior devem assegurar a protecção contra o trânsito de
a comunicação e constitua uma fonte de mal-estar. veículos por meio de soluções técnicas eficientes.
3 — Nas vias de circulação de veículos a que se refere
Artigo 6.o o n.o 1 deve existir limitação de velocidade por sina-
lização e adequadas soluções de controlo físico da velo-
Acessibilidade cidade e da circulação de veículos, adaptadas a cada
1 — Os espaços de jogo e recreio devem observar situação específica, tais como «lombas», bandas sonoras,
as seguintes condições: traçados viários sinuosos, barreiras e interdições loca-
lizadas da circulação e estacionamento de veículos.
a) Acessibilidade a todos os utentes, designada-
mente aqueles que apresentem uma mobilidade Artigo 8.o
condicionada, e que facilitem a intervenção dos
meios de socorro e salvamento; Protecção contra efeitos climáticos
b) Estar inseridos na rede de circulação de peões Os espaços de jogo e recreio devem oferecer abrigo
da respectiva área urbanizada, devendo os seus das intempéries, quando se situem em zonas não adja-
acessos estar bem sinalizados e equipados, centes à habitação.
designadamente com passadeiras pedonais e ilu-
minação artificial. Artigo 9.o
Protecção dos espaços
2 — Os acessos aos espaços de jogo e recreio devem:
Os espaços de jogo e recreio devem ser protegidos
a) Ser afastados das zonas de circulação e esta- de modo a:
cionamento de veículos e, designadamente,
daquelas com trânsito mais intenso e rápido; a) Impedir a entrada de animais;
b) Ter soluções de pormenor que evitem o acesso b) Dificultar os actos de vandalismo;
intempestivo das crianças às zonas de circulação c) Impedir acessos directos e intempestivos de
e estacionamento de veículos. crianças às vias de circulação e às zonas de esta-
cionamento de veículos, devendo existir sepa-
3 — No acesso aos espaços de jogo e recreio a partir ração física adequada em todas as vias que não
dos edifícios circundantes deve evitar-se os atravessa- sejam as de acesso e distribuição local referidas
mentos de vias para veículos, aceitando-se apenas atra- no n.o 1 do artigo 7.o
vessamentos de vias de acesso local.
Artigo 10.o
Artigo 7.o Condições de proximidade e visibilidade
Protecção contra o trânsito de veículos Os espaços de jogo e recreio devem:
1 — Os espaços de jogo e recreio devem estar isolados a) Estar situados na proximidade de acessos a edi-
do trânsito, restringindo-se o acesso directo entre esses fícios habitacionais ou de instalações de uso
espaços e vias e estacionamentos para veículos por meio colectivo em funcionamento;
6806 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 298 — 27-12-1997

b) Possuir adequadas e duráveis condições de ilu- quer obstáculos, bem identificados, que facilitem a cir-
minação artificial. culação de todos os utentes, designadamente daqueles
que apresentem mobilidade condicionada.
2 — Os corredores de circulação interna pedonal a
SECÇÃO II que se refere o número anterior devem respeitar a lar-
Concepção e organização funcional gura mínima de 1,60 m.
3 — Nos casos em que for prevista a possibilidade
Artigo 11.o de utilização de bicicletas, patins ou outro equipamento
semelhante, devem ser criados corredores de circulação
Princípios gerais próprios, devidamente identificados e separados dos cor-
1 — Na concepção dos espaços de jogo e recreio deve redores referidos no n.o 1.
atender-se à sua inserção no espaço envolvente, ao
objectivo, ao uso e à aptidão lúdica.
CAPÍTULO III
2 — Na organização funcional dos espaços de jogo
e recreio deve ter-se em conta, nomeadamente: Dos equipamentos e superfícies de impacte
a) A adequação às necessidades motoras, lúdicas
e estéticas dos utentes; Artigo 15.o
b) O equilíbrio na distribuição de equipamentos Obrigação geral de segurança
e áreas, designadamente por hierarquização dos
graus de dificuldade e pela previsão de zonas Os equipamentos e superfícies de impacte destinados
de transição, de modo a permitir a separação aos espaços de jogo e recreio, quando utilizados para
natural de actividades e a evitar possíveis o fim a que se destinam ou outro previsível atendendo
colisões. ao comportamento habitual das crianças, não podem
ser susceptíveis de pôr em perigo a saúde e a segurança
3 — Caso seja prevista a utilização do espaço de jogo do utilizador ou de terceiros, devendo, quando colo-
e recreio por crianças com menos de 36 meses de idade, cados no mercado e durante todo o período da sua
a respectiva área específica deve ser concebida de modo utilização normal e previsível, obedecer aos requisitos
a permitir o acompanhamento pelos adultos. de segurança constantes deste diploma.

Artigo 12.o SECÇÃO I


Mobiliário urbano e instalações de apoio Segurança dos equipamentos
1 — Os espaços de jogo e recreio devem estar devi- Artigo 16.o
damente equipados, nomeadamente com:
Conformidade com os requisitos de segurança
a) Iluminação pública;
b) Bancos; 1 — A conformidade com os requisitos de segurança
c) Recipientes para recolha de resíduos sólidos. deve ser atestada pelo fabricante ou seu mandatário
ou pelo importador estabelecido na União Europeia,
2 — Os espaços de jogo e recreio devem, sempre que mediante a aposição sobre os equipamentos e respectiva
possível, estar devidamente equipados com bebedouros embalagem, de forma visível, legível e indelével, da men-
e telefone de uso público ou, em alternativa, devem ção «Conforme com os requisitos de segurança».
possuir estes equipamentos nas suas imediações, a uma 2 — O fabricante ou seu mandatário ou o importador
distância adequada e de rápido e fácil acesso para os estabelecido na União Europeia de equipamentos des-
seus utentes. tinados a espaços de jogo e recreio devem apor, ainda,
de forma visível, legível e indelével, sobre:
Artigo 13.o
Informações úteis
a) O equipamento e respectiva embalagem:
i) O seu nome, denominação social ou
Nos espaços de jogo e recreio deve existir informação
marca, o endereço, a identificação do
distribuída por diferentes locais, bem visível e facilmente
modelo e o ano de fabrico;
legível, contendo, nomeadamente, as seguintes indi-
ii) A idade mínima e máxima dos utiliza-
cações:
dores a quem se destina;
a) Identificação e número de telefone da entidade iii) O número máximo de utentes em simul-
responsável pelo espaço de jogo e recreio e da tâneo;
entidade fiscalizadora;
b) Localização do telefone mais próximo; b) O equipamento e os avisos necessários à pre-
c) Localização e número de telefone da urgência venção dos riscos inerentes à sua utilização
hospitalar ou outra mais próxima;
d) Número nacional de socorro. 3 — A menção a que se refere o n.o 1 apenas pode
ser aposta sobre os equipamentos e superfícies de
impacte cuja concepção e fabrico satisfaçam uma das
Artigo 14.o
seguintes condições:
Circulação interna pedonal
a) Obedeçam ao disposto nos normativos euro-
1 — Nos espaços de jogo e recreio devem existir cor- peus, projectos normativos europeus ou a outras
redores de circulação interna pedonal, livres de quais- especificações técnicas aplicáveis constantes de
N.o 298 — 27-12-1997 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6807

lista a publicar por portaria conjunta dos Minis- c) Fixações ao solo salientes e cabos de fixação
tros da Economia e do Ambiente; que possam constituir obstáculo pouco visível
b) Estejam conformes com modelo que possua cer- e susceptível de provocar acidente;
tificado de conformidade com os requisitos de d) Cordas, cabos ou correntes pouco resistentes
segurança, emitido com base em exame de tipo ou facilmente deterioráveis;
efectuado por organismo acreditado, constante e) Superfícies que provoquem queimaduras quer
de lista dos organismos de certificação acredi- por contacto quer por fricção.
tados no âmbito do Sistema Português da Qua-
lidade, a publicar por portaria do Ministro da
3 — Os equipamentos dos espaços de jogo e recreio
Economia.
devem ser concebidos de forma que:
4 — O responsável pela primeira colocação no mer- a) As dimensões, o grau de dificuldade e a atrac-
cado deve manter disponível, para efeitos de verificação, tibilidade sejam adequados à idade dos uti-
um dossier técnico do equipamento, do qual conste: lizadores;
a) No caso de se verificar a condição a que se b) O risco inerente à actividade seja apreendido
refere a alínea a) do número anterior, uma e previsto pelos utilizadores;
descrição detalhada do equipamento e da super- c) As junções e as partes móveis não tenham aber-
fície de impacte e dos meios pelos quais o fabri- turas que permitam prender partes do vestuário
cante garante a conformidade do fabrico com ou provocar entalões de partes do corpo;
as normas aí mencionadas, bem como o ende- d) Os adultos possam aceder a todas as partes do
reço dos locais de fabrico e armazenagem; equipamento.
b) No caso de se verificar a condição a que se
refere a alínea b) do número anterior, uma
4 — As zonas elevadas acessíveis dos equipamentos
descrição detalhada do equipamento, o certi-
ficado de conformidade com os requisitos essen- devem ser correctamente protegidas, para evitar o risco
ciais de segurança ou uma cópia autenticada, de queda acidental.
uma descrição dos meios pelos quais o fabri- Artigo 20.o
cante garante a conformidade do fabrico com
o modelo examinado e o endereço dos locais Área de utilização
de fabrico e armazenagem.
1 — Para cada equipamento e superfície de impacte
deve ser respeitada uma área de utilização constituída
Artigo 17.o por:
Manual de instruções
a) Área ocupada pelo equipamento e superfície
Todo o equipamento e superfície de impacte devem de impacte;
ser acompanhados de um manual de instruções, redigido b) Área livre de obstáculos, que impeça quer as
em português, que contenha indicações adequadas, cla- colisões entre os utilizadores quer as destes com
ramente descritas e ilustradas, respeitando os requisitos o próprio equipamento;
previstos nos documentos normativos aplicáveis, cons- c) Área de transição entre cada um dos equi-
tantes de lista a publicar pela portaria a que se refere pamentos.
a alínea a) do n.o 3 do artigo anterior.
2 — Deve ser feita uma marcação evidente das áreas
Artigo 18.o de jogo activo associadas aos diversos equipamentos.
Segurança dos materiais

1 — Os materiais utilizados no fabrico dos equipa- SECÇÃO II


mentos devem ser duráveis e de fácil manutenção.
2 — Não podem ser utilizados materiais facilmente Requisitos de segurança para equipamentos específicos
inflamáveis, tóxicos ou susceptíveis de provocar alergias.
Artigo 21.o
o
Artigo 19.
Escorregas
Segurança dos equipamentos
1 — As superfícies de deslizamento devem ser con-
1 — As fundações para a instalação dos equipamentos cebidas de modo que a velocidade de descida seja razoa-
devem ser executadas de forma a que garantam a sua velmente reduzida no final da trajectória.
estabilidade e resistência e não devem constituir obstá- 2 — As acelerações da velocidade do corpo resultante
culo que ponha em risco a saúde e segurança dos das variações da curvatura do escorrega devem ser limi-
utilizadores. tadas, de modo a não provocarem acidentes devidos
2 — Os equipamentos dos espaços de jogo e recreio ao ressalto e a evitar que os utilizadores sejam pro-
não devem ter: jectados para fora da trajectória.
a) Arestas vivas, rebarbas ou superfícies rugosas 3 — A parte deslizante do escorrega deve ser de fácil
susceptíveis de provocar ferimento; acesso.
b) Lascas, pregos, parafusos ou qualquer outro 4 — A entrada da superfície de deslizamento deve
material pontiagudo susceptível de causar feri- ser concebida de modo a desencorajar qualquer tentativa
mento; de acesso na posição de pé.
6808 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 298 — 27-12-1997

Artigo 22.o Artigo 27.o


Equipamentos que incluam elementos rotativos Manutenção do espaço de jogo e recreio

1 — Os elementos rotativos devem ser concebidos de 1 — Para que seja assegurada uma manutenção regu-
modo que os riscos de lesão sejam reduzidos ao mínimo, lar e periódica do espaço de jogo e recreio devem ser
em particular quando o utilizador cai do elemento rota- efectuadas verificações de rotina que abranjam toda a
tivo ou sai dele ainda em movimento. área ocupada pelo espaço de jogo e recreio, incluindo,
2 — Os espaços entre os elementos rotativos do equi- nomeadamente, as vedações, os portões, o mobiliário
pamento e as suas estruturas estáticas não devem per- urbano e as instalações de apoio a que se refere o
mitir a introdução de partes do corpo, nem do vestuário, artigo 12.o
susceptíveis de prender o utilizador ao elemento rota- 2 — Atento o disposto no número anterior e sempre
tivo. que se verifiquem deteriorações susceptíveis de pôr em
risco à segurança dos utentes, a entidade responsável
Artigo 23.o pelo espaço de jogo e recreio deve diligenciar a sua
Baloiços e outros equipamentos que incluam elementos de balanço
reparação imediata ou se esta não for viável a imo-
bilização ou retirada do elemento danificado.
1 — Todos os elementos de balanço devem ter carac-
terísticas apropriadas de amortecimento dos choques, Artigo 28.o
nomeadamente através do encabeçamento dos topos
Manutenção dos equipamentos e superfícies de impacte
frontal e posterior do assento do baloiço por uma bor-
dadura em material adequado a essa finalidade, por 1 — A manutenção dos equipamentos e superfícies
forma a evitar lesões se um desses elementos atingir de impacte deve ser assegurada de acordo com o dis-
o utilizador ou um terceiro. posto nos documentos normativos aplicáveis, constantes
2 — A colocação dos baloiços e de outro equipamento de lista a publicar pela portaria a que se refere a alínea
semelhante deve permitir a apreensão do movimento a) do n.o 3 do artigo 16.o do presente diploma.
pendular e impedir o acesso pela retaguarda do equi- 2 — Caso os equipamentos ou as superfícies de
pamento. impacte apresentem deteriorações susceptíveis de pôr
em risco a segurança dos utentes, a entidade responsável
SECÇÃO III pelo espaço de jogo e recreio deve diligenciar a sua
Solo e segurança das superfícies de impacte
reparação imediata ou, se esta não for viável, a imo-
bilização ou retirada do equipamento.
3 — Quando apenas uma parte do equipamento tenha
Artigo 24.o de ser desmontada ou retirada, deve também aquela
Solo entidade proceder à protecção ou desmontagem das
fixações ou das fundações do equipamento.
O solo para implantação dos espaços de jogo e recreio 4 — Sempre que a superfície de impacte seja cons-
deve possuir condições de drenagem adequadas. tituída por areia, aparas de madeira ou outro material
semelhante, deve ser assegurado o nível de altura da
camada de material adequada à absorção do impacte.
Artigo 25.o
Superfícies de impacte Artigo 29.o
1 — As superfícies de impacte devem ser concebidas Condições hígio-sanitárias
de acordo com os requisitos estabelecidos nos docu- 1 — A entidade responsável pelo espaço de jogo e
mentos normativos aplicáveis, constantes de lista a publi- recreio deve manter o espaço permanentemente limpo,
car pela portaria a que se refere a alínea a) do n.o 3 incluindo os equipamentos, as superfícies de impacte,
do artigo 16.o do presente diploma. o mobiliário urbano e as instalações de apoio.
2 — Não é permitida a utilização de superfícies de 2 — Sempre que a superfície de impacte seja cons-
impacte constituídas por tijolo, pedra, betão, material tituída por areia, aparas de madeira ou outro material
betuminoso, macadame, madeira ou outro material semelhante, deve proceder-se à sua renovação completa
rígido que impossibilite o amortecimento adequado do pelo menos uma vez por ano.
impacte.

CAPÍTULO IV Artigo 30.o


Livro de manutenção
Da manutenção
A entidade responsável pelo espaço de jogo e recreio
Artigo 26.o deve possuir um livro de manutenção que contenha os
seguintes elementos:
Requisitos gerais
a) Projecto geral de arquitectura e demais espe-
A entidade responsável pelo espaço de jogo e recreio cialidades que elucidem sobre a distribuição dos
deve assegurar uma manutenção regular e periódica de equipamentos, o posicionamento das infra-
toda a área ocupada pelo espaço, bem como de todo -estruturas e o desenvolvimento do espaço de
o equipamento e superfícies de impacte, de modo que jogo e recreio;
sejam permanentemente observadas as condições de b) Listagem completa e detalhada dos equipamen-
segurança e de higiene e sanidade previstas no presente tos, dos seus fornecedores e dos responsáveis
diploma. pela manutenção;
N.o 298 — 27-12-1997 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6809

c) Programa de manutenção e respectivos proce- fiscalizadora mandar proceder à protecção ou desmon-


dimentos, adequados às condições do local e tagem das fixações ou das fundações do equipamento.
do equipamento, tendo em conta a frequência 5 — Sempre que a entidade fiscalizadora detecte
de utilização e as instruções do fabricante; infracções cuja gravidade impeça o funcionamento
d) Registo das reparações e das principais acções seguro dos espaços de jogo e recreio, deve determinar
de manutenção corrente efectuadas; o seu encerramento até que sejam repostas as respectivas
e) Registo das reclamações e dos acidentes. condições de segurança.
6 — Do encerramento do espaço de jogo e recreio
deve a entidade fiscalizadora promover o respectivo
CAPÍTULO V conhecimento público, nomeadamente por meio de
Do seguro aviso a afixar à entrada do respectivo espaço.
7 — Do relatório a que se refere o n.o 2 é dado conhe-
Artigo 31.o cimento à entidade responsável pelo espaço de jogo e
recreio.
Seguro de responsabilidade civil
Artigo 34.o
1 — A entidade responsável pelo espaço de jogo e Contra-ordenações
recreio terá de celebrar obrigatoriamente um seguro
de responsabilidade civil por danos corporais causados 1 — Constituem contra-ordenação punível com
aos utilizadores em virtude de deficiente instalação e coima:
manutenção dos espaços de jogo e recreio, respectivo a) A inexistência de condições de acessibilidade
equipamento e superfícies de impacte. tal como previstas nas alíneas a) e b) do n.o 1
2 — O valor mínimo obrigatório do seguro referido do artigo 6.o
no número anterior é fixado em 50 000 000$ e será auto- b) A inexistência de protecção contra o trânsito
maticamente actualizado em Janeiro de cada ano, de de veículos tal como prevista no n.o 2 do
acordo com o índice de preços no consumidor verificado artigo 7.o;
no ano anterior e publicado pelo Instituto Nacional de c) A inexistência de protecção dos espaços de jogo
Estatística. e recreio de modo a impedir o acesso directo
CAPÍTULO VI das crianças às vias de circulação e zonas de
estacionamento de veículos tal como prevista
Da fiscalização na alínea c) do artigo 9.o;
d) A inexistência ou falta de operacionalidade de
Artigo 32.o iluminação pública, de bancos e de recipientes
Entidade competente para recolha de resíduos sólidos conforme pre-
vistos no n.o 1 do artigo 12.o;
1 — A fiscalização do cumprimento do disposto neste e) A inexistência ou insuficiência das informações
Regulamento compete às câmaras municipais. úteis previstas no artigo 13.o;
2 — O Instituto Nacional do Desporto fiscaliza os f) A existência de corredores de circulação interna
espaços de jogo e recreio cuja entidade responsável seja pedonal que não respeitem a largura mínima
a câmara municipal. prevista no n.o 2 do artigo 14.o;
Artigo 33.o g) A inexistência de corredores de circulação pró-
prios tal como previstos no n.o 3 do artigo 14.o;
Acções de fiscalização h) A falta ou insuficiência das menções e avisos
1 — Sem prejuízo das acções de fiscalização realiza- previstos nos n.os 1 e 2 do artigo 16.o;
das na sequência de queixas ou reclamações, as câmaras i) A aposição da menção de conformidade a que
municipais e o Instituto Nacional do Desporto devem se refere o n.o 1 do artigo 16.o em violação do
promover pelo menos uma fiscalização anual a todos estabelecido no n.o 3 do artigo 16.o;
os espaços de jogo e recreio localizados na área da sua j) A falta ou insuficiência do dossier técnico pre-
circunscrição. visto no n.o 4 do artigo 16.o;
2 — De cada acção de fiscalização deverá ser ela- l) A inexistência ou falta do manual de instruções
borado relatório, do qual deve constar, nomeadamente: previsto no artigo 17.o;
m) A utilização de materiais em infracção ao dis-
a) A apreciação global do espaço; posto no n.o 2 do artigo 18.o;
b) A apreciação particular de cada um dos equi- n) A instalação de equipamentos em infracção ao
pamentos instalados; disposto no artigo 19.o;
c) As infracções detectadas; o) A inexistência da área de utilização para cada
d) O prazo estabelecido para regularização; equipamento e superfície de impacte e a falta
e) A proposta de aplicação de medida cautelar, de marcação das áreas de jogo activo previstas
se for caso disso. no artigo 20.o;
p) A instalação de escorregas em infracção ao dis-
3 — Caso os equipamentos ou as superfícies de posto no artigo 21.o;
impacte apresentem deteriorações susceptíveis de pôr q) A instalação de elementos rotativos em infrac-
em risco a segurança dos utentes, a entidade fiscali- ção ao disposto no artigo 22.o;
zadora deve ordenar a sua reparação imediata ou, se r) A instalação de baloiço e outros equipamentos
esta não for viável, a imobilização ou retirada do que incluam elementos de balanço em infracção
equipamento. ao disposto no artigo 23.o;
4 — Quando apenas uma parte do equipamento tenha s) A instalação de superfícies de impacte em
de ser desmontada ou retirada, deve também a entidade infracção ao disposto no artigo 25.o;
6810 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 298 — 27-12-1997

t) A não manutenção regular e periódica dos equi- CAPÍTULO VI


pamentos do espaço de jogo e recreio conforme
previsto no artigo 27.o; Disposições finais e transitórias
u) A não manutenção dos equipamentos e super-
fícies de impacte conforme estabelece o n.o 1 Artigo 36.o
do artigo 28.o; Espaços de jogo e recreio já existentes
v) A existência em funcionamento de equipamen-
tos ou superfícies de impacte em infracção ao Os espaços de jogo e recreio existentes à data da
disposto nos n.os 2 a 4 do artigo 28.o; entrada em vigor do presente diploma serão objecto
x) A falta das condições hígio-sanitárias previstas de uma inspecção, destinada a verificar a sua confor-
no artigo 29.o; midade com as disposições nele estabelecidas.
z) A inexistência, falta ou insuficiência do livro de
manutenção a que se refere o artigo 30.o; Artigo 37.o
aa) A inexistência ou insuficiência do seguro de res-
ponsabilidade civil previsto nos termos do Comissões técnicas
artigo 31.o;
bb) A não disponibilização de documentação e 1 — A inspecção a que se refere o artigo anterior
informação aos membros das comissões técnicas será efectuada, por comissões técnicas a constituir, no
prazo de 60 dias a contar da data de entrada em vigor
conforme previsto no n.o 5 do artigo 37.o
deste diploma, por nomeação do presidente da câmara
ou do Instituto Nacional do Desporto.
2 — As contra-ordenações previstas nas alíneas a), 2 — As comissões técnicas integrarão:
e) e f) do número anterior são punidas com coima de
50 000$ a 250 000$ ou de 200 000$ a 1 000 000$, con- a) O adjunto do delegado regional de saúde do
soante se trate, respectivamente, de pessoas singulares distrito respectivo ou a autoridade de saúde
ou de pessoas colectivas. por ele designada;
3 — As contra-ordenações previstas nas alíneas b) a b) Um arquitecto ou engenheiro com competência
d) do n.o 1 são punidas com coima de 100 000$ a técnica em matéria de segurança de equipamen-
500 000$ ou de 400 000$ a 2 000 000$, consoante se trate, tos e de instalações.
respectivamente, de pessoas singulares ou de pessoas
colectivas. 3 — As comissões técnicas referidas no número ante-
4 — As contra-ordenações previstas nas alíneas g) a rior poderão integrar funcionários ou agentes da admi-
s), x) e bb) do n.o 1 são punidas com coima de 150 000$ nistração central, obtida a autorização dos dirigentes
a 600 000$ ou de 600 000$ a 7 000 000$, consoante se máximos do respectivo serviço.
trate, respectivamente, de pessoas singulares ou de pes- 4 — As comissões dispõem de um ano a contar da
soas colectivas. data da sua constituição para proceder à inspecção de
5 — As contra-ordenações previstas nas alíneas t) a cada um dos espaços de jogo e recreio existentes nas
v), z) e aa) do n.o 1 são punidas com coima de 200 000$ respectivas áreas de actuação.
a 750 000$ ou de 800 000$ a 9 000 000$, consoante se 5 — Aos membros das comissões técnicas, quando
trate, respectivamente, de pessoas singulares ou de pes- devidamente identificados, deve ser facultada toda a
soas colectivas. documentação e informação necessárias à realização das
6 — A negligência e a tentativa são puníveis. suas funções.
7 — Às contra-ordenações previstas neste Regula- Artigo 38.o
mento e em tudo o que nele não se encontrar espe-
Relatório de inspecção
cialmente regulado são aplicáveis as disposições do
Decreto-Lei n.o 433/82, de 27 de Outubro, com a redac- 1 — As comissões técnicas deverão elaborar relatório
ção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.o 356/89, de circunstanciado de cada inspecção, do qual deve constar,
17 de Outubro, e pelo Decreto-Lei n.o 244/95, de 14 nomeadamente:
de Setembro.
a) Apreciação global do espaço;
Artigo 35.o b) Apreciação particular de cada um dos equipa-
Aplicação das sanções
mentos instalados;
c) Correcções necessárias;
1 — A instrução de processos por contra-ordenação d) Prazo para efectuar as correcções, o qual não
compete às câmaras municipais ou ao Instituto Nacional deve ser superior a 180 dias.
do Desporto, nos termos do artigo 32.o
2 — A aplicação de coimas previstas neste diploma 2 — No prazo de 30 dias a contar do prazo estabe-
compete ao presidente da câmara ou ao presidente do lecido para a realização das correcções previstas nos
Instituto Nacional do Desporto. termos da alínea d) do número anterior, a comissão
3 — O montante das coimas reverte para as seguintes técnica realizará nova inspecção, com vista ao encer-
entidades: ramento do espaço ou ao seu funcionamento.
3 — Os relatórios referidos no n.o 1 serão enviados
a) 60 % para o Estado; pelas comissões técnicas à entidade responsável pelo
b) 40 % para a entidade instrutora do processo por espaço de jogos e recreio e, para conhecimento, ao Ins-
contra-ordenação. tituto do Consumidor.
N.o 298 — 27-12-1997 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6811

Artigo 39.o em fase de projecto ou de aprovação à data da publi-


Poderes da comissão técnica cação do presente diploma.

1 — Caso os equipamentos ou as superfícies de


impacte apresentem deteriorações susceptíveis de pôr Artigo 41.o
em risco a segurança dos utentes, a comissão técnica Apoios e encargos
deve determinar a sua reparação imediata ou, se esta
não for viável, a imobilização ou retirada do equi- 1 — O apoio necessário ao funcionamento das refe-
pamento. ridas comissões será prestado pelos serviços das câmaras
2 — Quando apenas uma parte do equipamento tenha municipais e do Instituto Nacional do Desporto.
de ser desmontada ou retirada, deve a comissão técnica 2 — Os encargos com os funcionários ou agentes
mandar proceder à protecção ou desmontagem das fixa- designados para constituírem as comissões técnicas
ções ou das fundações do equipamento. serão suportados pelos respectivos serviços de origem.
3 — A comissão técnica ordenará o encerramento
imediato do espaço de jogo e recreio se este for sus-
ceptível de pôr em risco a saúde e segurança dos seus Artigo 42.o
utentes. Regiões Autónomas
Artigo 40.o
O disposto no presente diploma é aplicável às Regiões
Espaços de jogo e recreio em fase de projecto Autónomas dos Açores e da Madeira, sem prejuízo das
ou de aprovação
adaptações decorrentes da estrutura própria da admi-
O disposto no presente diploma aplica-se a todos e nistração regional autónoma, a introduzir por diploma
quaisquer espaços de jogo e recreio que se encontrem regional adequado.