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6º Curso Nacional de Atualização em Obstetrícia e

Ginecologia

Aula 2: Pós-datismo e
indução do trabalho de parto

Módulo 1: Obstetrícia normal


e intercorrências do parto

Profa. Dra. Rossana Pulcineli


Vieira Francisco
Tópicos que serão abordados
• Pós-datismo
• Conceito e riscos
• Avaliação da vitalidade fetal

• Maturação cervical e indução do trabalho de parto


• Indicações e contraindicações
• Métodos para a maturação cervical
• Indução de trabalho de parto
• Períodos clínicos do parto
• Partograma
Pós-datismo
Pós-datismo x gestação prolongada

• Pós-datismo: > 40 semanas


de gestação

• Gestação prolongada: > 42


semanas de gestação

• Pós-maturidade: síndrome
neonatal associada a
gestação pós-termo
Pós-datismo – incidência

Entre 3 e 14%

• DUM: 7,5 %
• USG: 2,6 %
• DUM + USG: 1,1 %

HC-FMUSP: 5,3%
Pós-datismo – incidência
• Antecedente obstétrico

• 1 pós-termo: 27%

• 2 pós-termos: 39%
Pós-datismo – etiologia

• Obesidade materna

• Feto masculino

• Primiparidade

• Raça:

• Italiana

• Grega
Pós-datismo – etiologia

• Insuficiência adreno-hipofisária

• Anencefalia

• Deficiência de sulfatase
placentária
Pós-datismo – etiologia

• Produção excessiva de progesterona

• Fator cervical
Riscos associados ao pós-datismo

Maternos

• Ansiedade

• Lesão de canal de parto

• Aumento da incidência de
cesarianas
Riscos associados ao pós-datismo
Fetais
• Sofrimento fetal

• Síndrome de aspiração meconial

• Macrossomia

• Toco traumatismo

• Mortalidade perinatal

• Síndrome da pós-maturidade
Pós-datismo: objetivo

Aumentar a
chance
de ocorrência de
parto vaginal,
desde que
assegurado
o bem-estar
fetal
Avaliação da vitalidade fetal
Avaliação da vitalidade fetal pós-datismo
Avaliar:

• Insuficiência placentária relativa

• Diminuição do ILA
Avaliação da vitalidade fetal pós-datismo
Avaliação do ILA
Diminuição significativa após 40 semanas

Campos Velho et al., 2001


Índice de líquido amniótico

Técnica dos quatro


quadrantes

Classificação
< 5,0 Oligoâmnio
5,1 a 8,0 Reduzido
8,1 a 18,0 Normal
18,1 a 24,9 Aumentado
> 25,0 Polidrâmnio
Rutherford SE, Phelan JP, Smith CV, Jacobs, N; 1987

Phelan JP, Smith CV, Broussard P, Small M; 1987


Perfil biofísico fetal

Hipoxia aguda
• Cardiotocografia
• Mov. respiratórios
• Mov. corpóreos
• Tônus
Hipoxia crônica
• ILA

Manning FA, Platt LD, Sipos L; 1980


Avaliação da maturação cervical

Índice de Bishop

PONTUAÇÃO
Zero Um Dois
Dilatação 0 1-2 3-4
Esvaecimento (%) 0-30 40-50 60-70
Altura da apresentação -3 -2 -1 / 0
Consistência Dura Média Amolecida
Posição Posterior Mediana Anterior
Pós-datismo
Avaliação da gestante

Maturação cervical presente Maturação cervical ausente


Oligoâmnio ILA normal
Macrossomia Peso fetal adequado
Vitalidade fetal anormal Vitalidade fetal normal
LA meconial

Avaliação cervical, vitalidade fetal,


2 x/semana 40 e 41 sem

Maturação cervical presente


PARTO Vitalidade fetal anormal
IG 42 semanas
Indução do trabalho de parto
Objetivo

Estimular contrações uterinas


capazes de dilatar o colo
uterino, permitindo que ocorra
o parto vaginal sem que haja
sofrimento fetal
Incidência
EUA: 9,5% em 1990
23,3% em 2012
Osterman & Martin et al., 2014

Clínica Obstétrica HC-FMUSP: 16,6%


Indução eletiva
EUA aumentou de 2 para 8% (2000 a 2012)
Aumenta sofrimento fetal
Cesárea por distocia funcional

ELETIVA: > 39 sem


Indução do TP – indicações
Síndromes hipertensivas
Distúrbios metabólicos
RCF
Oligoâmnio
Pós-datismo
Óbito fetal
Colagenoses
Amniorrexis prematura
Indução do TP – contraindicações

Gestação múltipla
Placenta prévia
Macrossomia fetal
Sofrimento fetal
Apresentações anômalas
Malformações uterinas
Vício pélvico
Infecções: HIV, herpes
Carcinoma cervical invasivo
Preditores do sucesso da indução do trabalho de parto

• Idade

• Paridade

• Peso e altura maternos

• Idade gestacional

• Peso fetal

• Maturação cervical
Maturação cervical
Maturação cervical

Processo pelo qual o colo uterino se


altera de estrutura fechada, determinada
a manter a gestação para uma estrutura
macia, complacente, capaz de se dilatar e
permitir a passagem fetal.
Substâncias envolvidas na maturação cervical
Heparina

Sulfato de heparan

Dermatan

Sulfato de condroitina

Proteases

Colagenases

Citocinas

Hormônios: relaxina, estrógeno, progesterona


Como avaliar a maturação cervical?

• Índice de Bishop

• Ultrassonografia de colo uterino

Bishop EH, 1964


Avaliação da maturação cervical

Índice de Bishop

Pontuação
Zero Um Dois
Dilatação 0 1-2 3-4
Esvaecimento (%) 0-30 40-50 60-70
Altura da apresentação -3 -2 -1 / 0
Consistência Dura Média Amolecida
Posição Posterior Mediana Anterior
Ultrassonografia
• Comprimento do colo

• Orifício interno do colo

• Ângulo eixo cervical-segmento inferior

Resultados inferiores aos do Índice de Bishop


Métodos para a maturação cervical
Farmacológicos
• Prostaglandina E2 (dinoprostone)
• Prostaglandina E1 (misoprostol)
• Relaxina
• Óxido nítrico

Mecânicos
• Balão
• Laminária
• Descolamento de membranas
Prostaglandinas
Mecanismo de ação:

• Dissolução de feixes de colágeno e um


aumento do teor de água da submucosa do
colo do útero
Prostaglandinas
Indicações
• Indução do parto
• Ausência de contraindicação à indução
• Colo de útero não favorável
• Gestação única
• Apresentação cefálica
• Vitalidade fetal preservada
Prostaglandinas
Contraindicações
• Febre
• Alergia ao medicamento
• Glaucoma
• Sangramento vaginal
• Trabalho de parto
Prostaglandinas
Protocolo:
• Misoprostol 25 mcg, VV (2 doses)

• Intervalo a cada 4 h
• Cardiotocografia
• Verificar contrações antes de nova dose
• Ocitocina após 4 a 6 horas
Laminárias
Materiais hidrofílicos
• Laminárias marinhas
• Laminárias sintéticas
Lamicel
Dilapan

Principal complicação:
• Infecções
Retenção de material
Reação anafilática
Cateter balão de Foley
• Exame especular
• Inserção da sonda até passar OI
• Inflar balão com 30 a 50 mL
• Sonda de 14 a 26 gauges
• Usualmente, a sonda é eliminada em 12 h
• Seguro manter até 24 h
• Efeitos colaterais: morbidade febril puerperal,
sangramento e amniorrexe
Descolamento digital de membranas ovulares

• Considerado evidência C (baseado em


consenso de opiniões)
• Toque vaginal, ultrapassar OI e realizar
movimento circular
• Aumento de prostaglandinas?
• Complicações: infecção, sangramento e
amniorrexe
Indução do trabalho de parto
com ocitocina
Ocitocina
Hormônio nonapeptídico cíclico sintetizado nos
núcleos paraventriculares e supraóptico do
hipotálamo e liberado de forma pulsátil pela porção
posterior da hipófise

• Tempo para resposta uterina: 3 a 5 min


• Metabolizada: rins e placenta
Protocolos de utilização

Tipo Dose inicial Aumento


mUI/min mUI/min

Baixas doses 0,5 a 2,0 1a2

Altas doses 4a6 4a6

Dose máxima: 20 a 40 mUI/min


Períodos clínicos do parto – partograma

• Permite avaliar a evolução do trabalho de parto

• Partograma
• Ministério da saúde considera obrigatório o seu uso
• Registro simplificado
Conclusões
Pós-datismo
• Avaliar possibilidade de parto vaginal
• Seguimento com avaliação da vitalidade fetal

Indução do trabalho de parto


• Ocitocina

Maturação cervical
• Prostaglandinas
Obrigada!

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