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O patOlÓGICO

O PATOLÓGICO

leiddd O patOlÓGICO O PATOLÓGICO Centro Acadêmico Adolfo Lutz - Medicina Unicamp - ano mmix -

Centro Acadêmico Adolfo Lutz - Medicina Unicamp - ano mmix - fevereiro

a GREVE DOS RESIDENtES NO HC

Veja a carta dos residentes das especialidades cirúrgicas e a entrevista com o Superintendente do HC a respeito da greve publicada nesta edição

N o início de 2009, houve no Hospi- tal das Clínicas da UNICAMP

uma paralisação parcial den- tro das especialidades cirúr- gicas, iniciada pelos residen- tes do hospital.

A mídia trouxe à tona a greve e jornais como o “Cor- reio Popular” de Campinas noticiaram o ocorrido. Assim, nesta edição, pub- licamos na íntegra a carta escrita pelos residentes a re-

speito da greve. Além disso, trazemos uma entrevista ex- clusiva com nosso superin- tendente do HC, Prof. Dr. Luiz Carlos Zeferino, realizada no dia 23/01 por um dos mem- bros de nossa gestão, Diego Augusto Barbosa. Nesta entrevista, vários aspectos do nosso Hospital Escola foram discutidos e problemas apontados. Acreditamos que a fun- ção como gestão do Centro Acadêmico seja participar

ativamente da avaliação e construção de um Hospital Universitário adequado para nossa formação médica. Pretendemos, em nosso planejamento, fazer dis- cussões a respeito de nosso Hospital. Acesse o planeja- mento em nosso site (caalu- nicamp.com.br) e veja quais espaços temos a intenção de promover para discussão du- rante o ano. Confira a matéria na pá- gina 3!

O pRÓ-SaÚDE

Veja as 2 entrevistas a respeito do programa federal, com uma acadêmica da enfermagem do CaE e nossa

coordenadora do Ensino de Graduação.

p. 4 e 5

COBREM 2009 Sarah Segalla, da gestão Roda Viva, faz um repasse do espaço promovido pela
COBREM 2009
Sarah Segalla, da gestão Roda Viva, faz um repasse do espaço promovido pela DENEM em For-
taleza.
» leia mais, p. 8
CONHEÇaa OpROJEtO INtEGRaSaÚDE p. 5
CONHEÇaa
OpROJEtO
INtEGRaSaÚDE
p. 5

“ACABEÇAPENSA

ONDEOSPÉSPISAM”

Veja a reflexão sobre a Exten- são Universitária, feita por

thais Machado. » leia mais, p. 7

PATOCULTURAL

Veja o texto de Ricardo Schwin-

gel

a respeito do estilo espa-

nhol Flamenco.

 

»

leia mais, p. 6

SAIU NA MÍDIA

leia “Futuros Médicos Racistas”, que saiu na Caros amigos, a res- peito do ocorrido na UNIFESp

» leia mais, p. 7

SPASMO!

 

Marcelo

taricani

e

Fernando

Bergo trazem o poema publica- do no Orkut: “pra quê?”

 

»

leia mais, p. 8

2

O patOlÓGICO

FEVEREIRO DE 2009

Editorial

O terceiro “O Patológico” de nossa gestão sai em

fevereiro!Nesta edição, temos o balancete de janeiro, aqui ao lado. Contamos também com a carta redigida pelos residentes de especialidades cirúrgioas do HC e

a entrevista com o Superintendente do HC.

A seção Spasmo! continua com 1 poema tirado do orkut, com

co-autoria de 2 já ex-alunos da faculdade. Já a seção Saiu na Mídia apresenta a reportagem da Caros Amigos a respeito do ocorrido na UNIFESP, com uma reflexão a respeito escrita por Henrique

Sater.

explanação

minunciosa a respeito da arte andaluza do flamenco.

Além destes, temos a matéria a respeito do Pró-Saúde, com 2 entrevistas bem esclarecedoras a respeito do programa que envolve nossa faculdade. Confira também os textos a respeito de Extensão e sobre o COBREM, ambos produzidos por integrantes de nossa gestão, além da explicação a respeito do Integra Saúde.

E atenção: a próxima edição será em março, portanto, envie

seu texto o quanto antes para chaparodaviva@gmail.com e tenha

seu texto publicado!

Até o próximo pato! tiragem: 600 exemplares Impressão: Gráfica Central da UNICaMp Diagramação, editoração e elaboração: Gestão Roda Viva

A

seção

PATOCULTURAL

conta

com

uma

Agestão2009

Alessandra XLIV Ana Carolina XLV Antônio Fernando

XLV

Brayner XLVI

Bruna XLVI

Camilla XLVI

Carolina XLVI

Diego Barbosa XLVI Fernanda XLVI Gines XLV Heloisa XLVI Henrique(Abrealas)

XLV

Italo (Lili) XLVI Josué XLV Lucas (Trigo) XLV Luiza Manhezi XLVI Karla XLVI Marcelo XLVI Mariana Toro XLVI Miquelline XLV Natália XLVI Priscilla XLVI Rafael (Habib) XLVI Sarah (XLVI) Tati XLV Thais MG XLV Thaís Tubero XLVI Vanessa XLVI Victor(Baiano) XLVI

MÉDICOS?

 

Foca (XLIII) - OMBUDSMAN

 

Evolução: s.f. (lat. evolutio, ação de desenrolar). 1. Passagem progressiva de um estado a outro. 2. Desenvolvimento ou transformação de idéias, sistemas, costumes, hábitos.

D esde que entramos na faculdade de Medicina nos foi dito que o aprendizado viria com o tempo, com a experiência prática adquirida por cada um. Com o passar dos anos vamos notando, mais do que o acúmulo de conteúdo teórico, a aquisição de habilidades que antes não imaginávamos que poderíamos desenvolver. Isso, graças a uma integração entre o saber e o “saber como fazer”. Saber é fácil: quem estuda, sabe! Saber

fazer também é fácil: basta aprender uma atividade manual qualquer e repeti-la, da mesma maneira, ao longo da

vida. Entretanto, o“saber como fazer”, dinâmico e pensante, não é para qualquer um, é preciso paciência, experiência

e muitas madrugadas em claro. No curso de Medicina, destaca-se o aluno que sabe como fazer.

 

É

claro, contudo, que este equilíbrio não é alcançado somente mediante vontade própria. Também é preciso que

a Escola Médica ofereça recursos que permitam a obtenção do máximo potencial de cada futuro médico. E isso não

é qualquer faculdade (com “F” minúsculo) que proporciona. Quem sabe isso seja algum tipo de preconceito com

os bons alunos de escolas não tão boas assim, ou também seja uma máscara enfeitada para o aluno que se utiliza do nome de sabidamente boas Universidades mas, até que se prove o contrário, cada médico formado é tão bom quanto assim o é a Faculdade que cursou. Portanto, nós da UNICAMP temos a obrigação de ser, pelo menos, tão bons quanto qualquer outro médico formado em nosso país.

Esta certeza baseia-se, principalmente, nos recursos que nos são oferecidos pela FCM e o modo como a prática está incluída em nosso currículo. Quanto ao implemento de recursos, o PROMED/Pró-Saúde, aparentemente,

mostrou-se uma alternativa interessante para a melhora da infra-estrutura da inserção do graduando na rede básica. Não posso falar com relação aos outros cursos, mas na Medicina o contato precoce do estudante com o SUS e os Centros de Saúde proporciona conhecimento aplicado à prática para o aluno e melhor atendimento (pelo menos foi

que eu ouvi da maioria dos pacientes que eu atendi no CS) para a população. Claro que isso não resolve todos os problemas, mas é preciso recursos físicos adequados para se formar um bom médico.

o

De nada vale a oportunidade da atividade prática se esta não puder ser realizada. É com este argumento que se levantou a greve dos residentes das áreas cirúrgicas, impossibilitados de “praticar” com o reduzido quadro de anestesistas. Ora, por que então a gigantesca carga horária da residência, se a parte que realmente importa, o “saber como fazer” está engessado? Esta paralisação tem motivo justo de ter ocorrido e é obrigação da nossa faculdade proporcionar os recursos para a boa formação do médico residente. Também não posso deixar de elogiar a iniciativa da entrevista com o Dr. Zeferino. É sempre importante sabermos como tais discussões se dão em níveis diferentes dentro da FCM/HC/UNICAMP. Por fim, nada disso terá valido a pena se o foco de todo esse esforço, o aluno de Medicina, não trouxer consigo

algumas qualidades essenciais, e uma delas (quem sabe a principal

)

é o respeito ao próximo. A Faculdade busca

preencher o ser humano em formação com conhecimento suficiente para que ele se torne um“curador de problemas”, mas não pode ensinar respeito, educação, compreensão e outras tantas qualidades para um jovem de 20 e poucos anos que em breve tornar-se-á Médico (no sentido mais amplo e filosófico da palavra). Uma fatia importante do “saber como fazer” é constituído pelo caráter do profissional, independentemente da profissão. “Ninguém é melhor como médico do que é como pessoa” (frase dita por algum professor em algum momento desses mais de 4 anos de graduação).

 

É

claro que o texto retirado da “Caros Amigos” exagera em alguns pontos: “o leão tomar LSD” não desenha a

minha paisagem mental, não vou pra Intermed porque lá tem putaria e porrada (

)

e nem Santa Rita do Passa Quatro

deixou de sediar esta competição após a “primeira invasão bárbara”. Também é colocado o amor e identificação dos estudantes com sua escola num balaio só, junto com fixação irracional e deterioração de todos os valores possíveis. Amo minha escola, freqüento a Intermed, grito os hinos da UNICAMP e, nem por isso, sou bárbaro ou racista.

Saber e saber como fazer são pré-requisitos básicos da evolução de qualquer estudante de Medicina. Sem um equilíbrio entre recursos educacionais e formação humanística há grandes chances de obter-se um profissional não preparado para as demandas da sociedade e, portanto, médicos exercendo a não-Medicina.

Balancete

JaNEIRO

Dia

Descrição

Dia

 

Saldo

   

Débito

Crédito

 
 

Saldo Mês Anterior

   

R$ 30.461,91

02/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 30.611,91

02/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 30.761,91

02/02

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 30.911,91

05/01

Salário Funcionários

R$ 3.116,44

 

R$ 27.795,47

05/02

Pagamento Patológico

R$ 292,57

 

R$ 27.502,90

05/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 27.652,90

05/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 27.802,90

05/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 27.952,90

05/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 28.102,90

05/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 350,00

R$ 28.452,90

05/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 28.602,90

05/01

Gastos Reunião Contador

R$ 31,40

 

R$ 28.571,50

06/01

Pagamento de telefone

R$ 336,84

 

R$ 28.234,66

06/01

Pagamento Transporte COBREM

R$ 1.510,00

 

R$ 26.724,66

08/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 90,00

R$ 26.814,66

09/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 60,00

R$ 26.874,66

09/01

Pagamento Contador

R$ 1.350,00

 

R$ 25.524,66

12/01

Pagamento provedor internet

R$ 9,90

 

R$ 25.514,76

12/01

Aluguel Randall

 

R$ 800,00

R$ 26.314,76

13/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 30,00

R$ 26.344,76

13/01

Repasse Cantinas

 

R$ 5.014,56

R$ 31.359,32

14/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 155,00

R$ 31.514,32

15/01

Mensalidade da conta

R$ 35,00

 

R$ 31.479,32

15/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 45,00

R$ 31.524,32

16/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 810,00

R$ 32.334,32

20/01

Pagamento Telefone Embratel

R$ 31,24

 

R$ 32.303,08

20/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 170,00

R$ 32.473,08

20/01

Transferência para a Poupança

R$ 380,00

 

R$ 32.093,08

22/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 1.000,00

R$ 33.093,08

22/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 300,00

R$ 33.393,08

22/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 266,67

R$ 33.659,75

22/01

Pagamento Caneca Calourada

R$ 160,00

 

R$ 33.499,75

22/01

Pagamento Xerox

R$ 142,56

 

R$ 33.357,19

23/01

Taxa extrato inteligente

R$ 3,90

 

R$ 33.353,29

23/01

Patrocínio Calourada

R$ 500,00

 

R$ 32.853,29

27/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 335,00

R$ 33.188,29

27/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 90,00

R$ 33.278,29

27/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 100,00

R$ 33.378,29

27/01

Reembolso CAAL Noel

 

R$ 100,00

R$ 33.478,29

28/01

Transporte COBREM

 

R$ 150,00

R$ 33.628,29

28/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 95,25

R$ 33.723,54

29/01

Pagamento Alarme

R$ 309,08

 

R$ 33.414,46

29/01

Patrocínio Calourada

 

R$ 450,00

R$ 33.864,46

29/01

Reembolso FCM

 

R$ 1.138,15

R$ 35.002,61

 

Saldo Final do Mês

   

R$ 35.002,61

 

Poupança

   

R$ 16.301,09

 

Saldo Total do CAAL

   

R$ 51.303,70

Intercâmbio

O CAAL participou do processo de recontagem dos estágios internacio-

nais (DENEM SCOPE e SCORE – ciclo 2009-2010), que ocorreu entre os dias 22 e 29 de janeiro no DA Lucas Machado da FCMMG, compondo a Comissão

de Recontagem e Supervisão, eleita na plenária final do XXI COBREM 2009, em Fortaleza, da qual fizemos parte, junto a outros 2CA’s (CAOC-FMUSP e DAAB-UFMG). Ficamos com a responsabilidade de refazer todo o processo, desdeacorreçãodoscadernosatéaclassificaçãofinal doscandidatos.

A recontagem dos pontos de intercâmbio dos estudantes do país intei-

ro foi requisitada na ROEX Salvador, devido aos diversos erros cometidos no processolevadopelaCEV2008, quelevaramàdescrençaquantoàfidelida- de e à transparência deste órgão restrito na realização da seleção. Para certificar a legitimidade do processo, nenhum dos participantes da Comissão estava concorrendo às vagas. Além disso, os avaliadores não jul- garam os documentos de estudantes de suas próprias universidades.

O processo foi acompanhado de perto por três dos quatro componen-

tes da CEV 2009, coordenando as atitudes e decisões tomadas pela Comis-

são,quetambémforamrespaldadaspelagestãoDENEM2009,apósrecebi-

mento das atas das atividades da Comissão.

Esperamostercolaboradocomumaavaliaçãojustaetransparentepara

todos os estudantes de Medicina do Brasil. LuizaManhezi (46) eMiquelline(45) Gestão Roda Viva - CAAL 2009

O patOlÓGICO

FEVEREIRO DE 2009

3

CARTA DOS RESIDENTES ARESPEITODAgREvE NOhC

O p a t O l Ó G I C O FEVEREIRO DE 2009 3 CARTA

Nós, Médicos Residentes das Disciplinas Cirúr- gicas da Unicamp (Departamentos de Cirurgia, Ortopedia, Otorrinolaringologia e Disciplina de

Neurocirurgia), vimos por meio desta carta prestar esclarecimentos quanto ao movimento de Paralisa- ção dos Médicos Residentes em curso.

O presente movimento de Paralisação resulta da

ampla insatisfação de todos os Médicos Residentes supracitados quanto à suspensão de horários cirúr-

gicos iniciada regularmente em Janeiro de 2008 de- vido à depleção não compensada de anestesistas no Hospital das Clínicas. Esta inadequação vem sendo observada há pelo menos um ano e vem se agravan- do, principalmente nos últimos seis meses, apesar de medidas já tomadas na tentativa de amenizá-la. Isto resulta num número crescente de cancelamen- tos de salas (de aproximadamente 10% em Agosto e Setembro a quase 30% dos períodos em Dezembro), com prejuízo irreparável da formação dos Médicos Residentes e da assistência aos pacientes.

A proposta de adequação ao quadro vigente é

de corte formal de horários entre 30% e 50% nos primeiros três meses do ano de 2009, o que é ina-

Especialidade

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Média

Cardíaca

0

0

4,7

8,3

17

6

Ortopedia

8,3

6,4

16,2

14,4

20,5

13,1

Plástica

8,8

11,7

19,4

40

46,1

25,2

Urologia

9,7

8,5

22,2

15,7

21,6

15,5

Vascular

8,3

11,5

23

18,1

30

18,8

Pediátrica

18,1

14,2

17,3

22,2

37,5

21,8

Torácica

22,2

6,2

10

21,4

41,6

20,2

Proctologia

9,3

6,4

17,2

29,1

25

17,4

Neurocirurgia

12

25

19,2

21,4

35

22,5

Gastrocirurgia

14,7

12,9

19,6

20,7

19,2

17,4

Cabeça e Pescoço

10,5

6,2

20

15,3

25

15,4

ORL

11,3

12,5

19,1

18,7

18,9

16,1

Média Mensal

11,1

10,1

17,3

20,4

28,1

17,4

Porcentagem de suspensão de períodos cirúrgicos

ceitável frente às necessidades de treinamento em serviço dos Médicos Residentes e às já existentes de- ficiências da assistência aos pacientes.

O movimento de paralisação encontra embasa- mento no Código de Ética Médica, no artigo n° 24 que versa sobre o direito a greve. Nossa principal exigência é o retorno integral dos horários cirúrgicos pré-existentes, conforme cons- tante da Tabela de Horários eleborada pela diretoria do Centro Cirúrgico. Durante a vigência da paralisação, manter-se-á

apenas o atendimento de urgência e emergência, o que implica a não realização de atividades eletivas. Conforme decidido em Assembléia, será mantido o

número habitual de Residentes das Áreas Cirúrgicas em plantão, que atenderão as Urgências/Emergên- cias no Pronto Socorro e Centro Cirúrgico e os pa- cientes internados nas enfermarias. Considerando o caráter de urgência dos Transplantes, os Médicos Residentes desempenharão suas funções habituais nestes eventos. Serão ainda atendidos os retornos ambulatoriais de pacientes em pós-operatório re- cente.

OPATOENTREvISTAOSUPERINTENDENTE DOhC

re- cente. OPATOENTREvISTAOSUPERINTENDENTE DOhC “A falta de anestesistas é um problema crônico. Em

“A falta de anestesistas é um problema crônico. Em outros momentos o HC já teve que diferenciar o salário do anestesista; mas recentemente somaram-se alguns fatos e o salário é um deles. Outro fato é a alteração da residência de anestesiologia, de dois para três anos. No ano passado quando os R2 eram para ter saído para o mercado de trabalho, eles foram fazer R3, e ficou um ano sem entrar anestesistas no mercado, então isto complicou muito a situação de uma especialidade que já apresentava dificuldades.”

Entrevistarealizadadia23/01/2009porDiegoBarbosa(XLVI)

Gestão Roda Viva - Qual a importância do HC-UNICaMp comohospital-escola? Prof. Dr. Luiz Carlos Zeferino - Como hospital-escola, o HC tem uma importância por estar associado à Faculdade de Ciências Médicas, e como a FCM é uma das melhores escolas do Brasil, o HC precisa corresponder a isso e buscar ser um dos hospitais de ponta do Brasil. GRV - Este mês houve uma greve dos residentes das áre- as cirúrgicas, quais foram as conseqüências na assistência do

HC? PDLCZ – A greve, logicamente, reduziu o número de cirurgias

eletivas do hospital; essa foi a conseqüência do ponto de vista de atendimento. E o que eu estou sabendo pelos próprios residen- tes é que estas cirurgias estão sendo remarcadas de acordo com

a prioridade clínica, na medida do possível, sem prejuízo aos pa-

cientes. - Qual a repercussão de uma greve no HC-UNICaMp para asociedade? PDLCZ – A repercussão direta é o prejuízo na assistência. O HC-UNICAMP, pela sua importância no ensino e por ser um gran- de centro de pesquisa e assistência, acaba sendo um referencial, não só para as pessoas que o procuram, mas também para as pes- soas que nunca precisam ser atendidas aqui. É um órgão, uma ins- tituição pública e, portanto, utiliza e é financiado pelos recursos públicos, que são de todos. Com certeza, mesmo os que não uti- lizam o hospital, querem que ele seja eficiente e, então, qualquer imagem ou fato que seja negativo dentro do hospital é algo pelo qual a sociedade/comunidade se interessa. GRV - por que há uma falta de anestesistas no HC-UNI- CaMp, isto é reflexo da ausência desta especialidade no mer- cado de trabalho, ou o salário oferecido pelo HC-UNICaMp está abaixo do que os anestesistas pretendem ganhar? PDLCZ – Esta pergunta seria melhor respondida pelos anes- tesistas. A falta de anestesistas é um problema crônico. Em outros momentos o HC já teve que diferenciar o salário do anestesista; mas recentemente somaram-se alguns fatos e o salário é um de- les. Outro fato é a alteração da residência de anestesiologia, de dois para três anos. No ano passado quando os R2 eram para ter saído para o mercado de trabalho, eles foram fazer R3, e ficou um ano sem entrar anestesistas no mercado, então isto complicou muito a situação de uma especialidade que já apresentava difi- culdades. GRV - Qual foi o acordo realizado com os residentes para o fim da greve? PDLCZ – O acordo com os residentes compõe-se de dois pon-

tos principais. Um é voltar à normalidade das atividades cirúrgicas, possível em fevereiro devido à conclusão da residência pelos R3 .

O segundo componente é um conjunto de medidas importantes

para o centro cirúrgico, que serão analisadas pelo colegiado ges- tor do centro cirúrgico e, dentro do possível, atendidas. GRV - Foi realizado um contrato de emergência para

contratação de novos anestesistas pela FUNCaMp. Como foi realizado este contrato de emergência com os anestesistas? Houvealteraçãonos salários? PDLCZ – Sim, houve uma alteração de salários. Existem três tipos de contratos: para 24, 30 e 40 horas semanais. Quem optou por 24 horas semanais,não teve aumento, quem optou por traba- lhar por 30 horas semanais teve um aumento, e quem entrou para trabalhar por 40 horas semanais teve um aumento proporcional- mente maior, porque o que se deseja é priorizar pessoas traba- lhando 40 horas semanais, pois é mais fácil organizar o trabalho e é mais fácil de deslocar pessoas para atender períodos que estão com maior deficiência. As pessoas que trabalham com 24 horas não têm flexibilidade para mudar de horário. GRV - Qual a diferença entre um funcionário contratado viaFUNCaMpeviaHC-UNICaMp? PDLCZ – Na UNICAMP, você entra por concurso público que tem as regras mais fixas, e na FUNCAMP, você entra por processo seletivo; os dois modos são abertos. O profissional de nível supe- rior da UNICAMP ganha cerca de R$ 1.000,00 a mais que o funcio- nário FUNCAMP. GRV - O que um médico procura ao trabalhar no HC com um salário menor do que o oferecido no mercado de traba- lho? PDLCZ – Muitos profissionais que trabalham na UNICAMP com contrato de 24 horas semanais valorizam a relação com a UNICAMP. De maneira geral, fazer parte do quadro de médicos da UNICAMP é um privilégio, e esse é o principal fator para que eles aceitem trabalhar aqui ganhando menos que no mercado (de trabalho). Esses profissionais são muito bons, são os melhores profissionais aí fora. E o fato deles serem os melhores profissio- nais aí fora também está associado ao fato de serem médicos da UNICAMP. Contudo, eu queria deixar claro que o ideal seria (o pro- fissional) receber o que merece. É evidente que pagar mais não é simples. GRV - Há ainda o risco de voltar a existir suspensão de ci- rurgias por causa da ausência de anestesistas? PDLCZ – Eu não gosto muito de falar em futuro, mas nós es- tamos trabalhando para que isso não aconteça, incentivando a permanência desses profissionais no Hospital. Tanto o Hospital, quanto o Departamento de Anestesiologia estão investindo nis-

to. GRV - No dia 3 de Novembro foi redigida uma carta pelas 41º e 42º turmas da Medicina UNICaMp reivindicando mu- danças no pS (UER) do HC-UNICaMp, quais medidas foram adotadas? PDLCZ – Nós já estamos discutindo o nosso Pronto socorro há muito tempo com profissionais da Cirurgia do Trauma e da Emergência; este é um tema complexo que tem origem desde que existe o HC-UNICAMP , pois não estava prevista a instalação de um PS. Para haver um PS aqui no HC houve uma paralisação dos alunos, mas o problema era onde implantar. Aquela área (de emergência) é um espaço da Imaginologia mais um “puxadinho”

que fizeram no prédio do HC. A atual estrutura da emergência é melhor do que a primeira, pois a área é cerca do dobro da inicial. Ao longo do tempo não houve aumento da demanda no PS, mas houve um aumento na gravidade dos pacientes que nós atende- mos, e não é tanto pelo sistema de emergência; se você analisar os pacientes que estão nas macas (na emergência), a maioria são pacientes que são acompanhados no HC e como nós não pos- suímos leitos suficientes na enfermaria, eles permanecem no PS.

O que mais congestiona o PS não é um problema no sistema de

emergencia, é porque nosso Hospital de Clinicas é muito peque-

no em número de leitos, nós temos 379 leitos funcionando hoje.

O HC-UNICAMP é menor do que qualquer outro de São Paulo,

como o HC-SP, menor que o HC-FMRP, Hospital de Base de Rio

Preto e inclusive menor que o Hospital de Botucatu. Se nós tivés- semos mais 40 ou 50 leitos para acolher os pacientes que estão na emergência, seria muito bom. Quanto à reforma no PS, nós até pensamos em fazer algumas adaptações, mas o PS é aquela casa que, por mais que você mexe, ela continua comdefeitos, por isso nosso projeto é a construção de um prédio novo, um prédio de fato para emergência. Portanto, não é um problema de ago-

ra com a carta dos alunos, mas desde que se abriu este hospital.

Agora, nós estamos equipando a emergência com alguns novos equipamentos; de acordo com normas do Ministério da Saúde, um consultório deveria ter no mínimo 7m 2 e local para lavar as mãos, mas nenhum consultório da nossa emergência tem estas

características; a sala de emergência (sala vermelha) teria que ficar na porta de entrada do PS onde a ambulância estaciona e não no fundo do PS. Por isso nós pretendemos iniciar a construção de um prédio novo para emergência neste ano com previsão de conclu- são dentro de 2 anos após o inicio das obras. GRV - Qual o seu conselho para que um aluno ou residen- te faça em situações de deficiência do ensino médico para que não seja necessário o extremo de uma greve?

PDLCZ–Oalunoeoresidenteestãovinculadosasuasrespec-

tivas comissões: Comissão de Ensino da Graduação e Comissão de Residência. O primeiro local que os alunos devem colocar suas dificuldades, suas criticas ou sugestões são nas suas respectivas comissões. Nos colegiados da faculdade há representantes dis- centes e, se o problema persistir, pode ser apresentado e solicita- das informações, seja individualmente ou através da sua respecti- va comissão. Como nós estamos em uma instituição publica, ela tem que estar organizada e institucionalizada para que os vários participantes dos seus conselhos tenham voz, participem do que for necessário e para que haja um respeito entres estes. As gran- des decisões são tomadas pelo conselho formado por docentes e discentes, e este conselho é fundamental.

Luiz Carlos Zeferino concluiu o doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas em 1994. Atualmente é Professor Associado do Departamento de Tocoginecologia da Facul- dade de Ciências Médicas e Superintendente do Hospital de Clínicas, Unicamp.(fonte:currículoLattes)

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O patOlÓGICO

FEVEREIRO DE 2009

OPRó-SAúDE

ELEIÇÃO PARA REPRESENTANTE DISCENTE DO PRÓ-SAÚDE Inscrição para eleição: 13/03 a 20/03 Eleição: 23, 24

ELEIÇÃO PARA REPRESENTANTE DISCENTE DO PRÓ-SAÚDE Inscrição para eleição: 13/03 a 20/03 Eleição: 23, 24 e 25 de março

PARA REPRESENTANTE DISCENTE DO PRÓ-SAÚDE Inscrição para eleição: 13/03 a 20/03 Eleição: 23, 24 e 25
eleição: 13/03 a 20/03 Eleição: 23, 24 e 25 de março

OPró-SaúdeéoProgramaNacionaldeReorientaçãodaFormaçãoProfissionalemSaúde.Comoditonaediçãodedezembro,trazemosnessaumaprofundamento desse tema por meio de duas entrevistas, com nossa coordenadora de Ensino da graduação e uma acadêmica do curso de Enfermagem e integrante do CAE.

Gestão Roda Viva - O que é o pró-Saúde e de onde surgiu a idéia desse programa?

ProfªDrªAngélicaMariaBicudoZeferino-OPró-Saúde(Progra-

ma Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde)

veio seguindo o PROMED, que era um programa de incentivo às

mudanças curriculares do curso de medicina e objetivava mudar

o perfil do médico que estava sendo formado. A idéia da criação

desses programas surgiu a partir do diagnóstico de que os médicos formados pelas faculdades de medicina não estão preparados para as necessidades da população em geral; portanto, há uma dificul- dade de inserção do médico na rede, na atenção básica. Assim, o ministério da saúde resolveu investir nisso.

GRV - O pROMED surgiu no final do governo de Fernando Henrique Cardoso com algumas regras: o dinheiro era para dar condições de inserção do aluno na rede. Quando mudou o governo, mudou todo o ministério e esqueceram um pouco do programa, mas como este já tinha sido aprovado, ele con- tinuou vigente. Entretanto, voltou ao ministério o grupo do Francisco Campos (participante da criação do pROMED), res- gatando o projeto com outro nome, ampliando o pró-Saúde para os cursos de enfermagem e odontologia. a idéia do pró- Saúde era começar com esses três cursos e ir ampliando para outras áreas, o que já está acontecendo. PDMABZ - No Pró-Saúde as regras são mais fechadas ainda. Na

primeira carta acordo só poderia investir dinheiro na rede para que

o aluno tivesse um ensino de qualidade nela e que propiciasse um pouco dessa mudança para a faculdade, ampliando o campo de estágio além do hospital.

GRV - Qual a sua avaliação sobre o pró-Saúde (como pro- grama do governo federal) e por que foi pensado em se utilizar esse programa na FCM/UNICaMp? PDMABZ - Avalio que o Pró-Saúde é um incentivo muito bom, pois fez a diferença em muitas escolas e na FCM/UNICAMP, viabili- zou um projeto que a escola já tinha. Antes do PROMED, já havia sido aprovada a mudança curricular, já havia esse projeto de ir pra rede, só que ainda não estava viabilizado.Tal viabilização ocorreu graças ao PROMED e agora ao Pró-Saúde. que está dando conti- nuidade a ela. Isso nos ajudou muito, pois há uma contrapartida para a rededaquiloquea gentefaz lá; então, vocêvai pra redecom muitos alunos e oferece algo em troca. Assim, o centro de saúde que recebe o aluno está recebendo muita coisa em troca, não só da qualidade que a gente leva no atendimento, na interação com a unidade, mas também com equipamentos, com infra-estrutura de melhoria do prédio. Isso tem feito a diferença, pois nós temos sido convidados a nos inserir em outras unidades. Eu encaro como um incentivo importante que faz a diferença. O único problema é que

ele precisa ser mais bem pensado, em sua flexibilidade; mas por ou- tro lado o ministério tem sempre as razões dele quando radicaliza

o projeto. Um exemplo: no PROMED nós gastamos em forma total

comensino, masteveescolasquenãofizeramisso.Talvezporissoo Ministério fechou tanto o Pró-Saúde; por causa de algumas institui- ções fizeramregras para todo mundo, o que falta é flexibilizar mais pra cada escola. Toda vez que existe um projeto, o ministério abre um edital com regras. Nós submetemos o projeto ao ministério e o nosso foi aprovado, pois ele previa essa inserção do ensino na rede básica de saúde; por isso a FCM/UNICAMP participa do programa.

GRV - O projeto da FCM/UNICaMp mandado ao ministério foi escrito por quem? teve participação discente? Em quanto tempo ficou pronto? Os estudantes foram consultados nesse processo? Houve divulgação do projeto para os estudantes antes de esse ser remetido ao ministério? PDMABZ - O projeto enviado ao ministério para a participação

no Pró-Saúde não teve participação discente em sua elaboração.

O ministério mandou o edital em dezembro, quando todos os co-

ordenadores de curso estavam de férias e tinha prazo até o fim de janeiro. Foi uma correria. Na verdade, eu e o Carlos tivemos que fazer super rápido e não houve tempo para consultas, pois era período de férias. Troquei informações com outros coordenadores que estavam elaborando seus projetos . Foi muito louco, o aluno não participou porque não teve tempo. Aliás, todo processo do Pró-Saúde os alunos tem participado muito pouco na medicina. O projeto ficou pronto em menos de 15 dias e não houve divulgação na faculdade antes dele ser enviado ao ministério, pois não havia tempo.

GRV - Como são utilizadas as verbas recebidas através do programa pró-Saúde na FCM/UNICaMp? PDMABZ - Nós utilizamos as verbas mais pra rede, principal- mente para o 4º ano; mas com o Pró-Saúde estendemos para as unidades do 1º ano e 2º ano. Quando nosso projeto enviado ao

ministério foi aprovado, assinamos a primeira carta acordo do Pró- Saúde e receberíamos duas parcelas de verbas. A primeira carta acordo foi muito rígida com algumas coisas: a gente não podia pagar mais tutor e só podia comprar equipamentos; além de ser obrigado a ter uma comissão de acompanhamento do projeto. As- sim, comessa primeira carta acordo a gente não podia fazer quase nada, apenas comprar o que faltava. Fizemos um levantamento na rede junto com a prefeitura, principalmente nas unidades que

a gente tem ensino (tanto a enfermagem quanto a medicina), de

necessidades do campo para melhorar (ex: falta de eletrocardio- grama, cadeira, mesa, lousa, estetoscópio), o que foi contemplado. Depois, outras unidades que atendiam o primeiro ano e que não constavam no projeto, o que valeu muito. Essa foi a primeira carta acordo com as duas parcelas. A primeira parcela a gente teve muita dificuldade para gastar, porque tudo tinha que ser de acordo com

a prefeitura, então até isso sair demorou meses. Eu sei que foi difícil gastar. Foram estipulados, então, prazos para se gastar a segunda parcela, e nós acabamos perdendo-a, pois comaquela rigidez para usá-la não se podia gastar com nada. Tudo que se vai comprar tem que licitar e ver qual é o preço. A FUNCAMP tem um a prestação de .contas demorada. Em 2009, reenviamos o projeto para assinar

sado. A prestação do PROMED está acabando de ser feita, pois esse ano ainda recebemos a última parte do dinheiro do programa para ser gasto até dia 31 de janeiro (prazo super apertado).

GRV - Os objetivos que foram pensados para a adoção des- se programa na faculdade foram alcançados? PDMABZ - Temos cada vez mais alcançado os objetivos pen- sados quando o Pró-Saúde foi adotado. A rede nos informa que os alunos que têm saído da faculdade apresentam uma inserção mui- to boa, com um desempenho brilhante. Isso já é um reflexo, uma mudança de paradigma, porque na verdade o aluno odiava a rede, achava que tudo era ruim; e agora há uma solicitação de aumento dos estágios do 4º ano, para que passem a ser semanais (que era o projeto original).

GRV - Quais os benefícios que o programa trouxe para a reforma curricular? PDMABZ - São a viabilização da inserção do aluno na rede, com

o 4º ano na clínica e na ginecologia-obstetrícia e o 5º ano com a clínica na rede básica de saúde.

GRV - Quando será finalizado o recebimento de verbas através do pró-Saúde na FCM/UNICaMp? Há perspectiva de renovação do programa? PDMABZ - O prazo depende da prestação de contas. A gente tem três parcelas. Demoramos quase 2 anos para gastar uma par- cela; agora eu não sei quanto tempo vai ter para a segunda carta acordo. Antes não tinham prazos, agora estão apertados. Por isso que não conseguimos utilizar a segunda parcela da primeira carta acordo.

GRV- Há algum projeto de se adotar o pEt-Saúde? PDMABZ - Quando veio o edital do PET-Saúde, eu li, reli, não consegui entender, li de novo. Na minha análise não daria pra en- trar no PET-Saúde. Achamos que ele ia poder pagar tutor, facilitar transporte; mas veio com um edital engessado de uma forma to- talmente inadequada, porque o que propõe fortemente é estimu- lar iniciação científica para pesquisa na rede. Exigia integração e se tivesse alguma chance seriam o 1º e 2º anos. Entreguei o projeto nas mãos dos gestores de módulo. Saí de férias e quando voltei não tinha sido viabilizado. Eu sabia de antemão que não daria para re- alizar um projeto agora, porque não adiantaria colocar no papel o quenãoseriaviabilizado.OPET-Saúdenãodeucerto,poisteríamos que criar outro modelo, o nosso modelo não ia dar pra entrar no editalprafazeroprojetoqueeleestavasendoexigido.Aintegração tem que ser construída A prefeitura mesmo propôs um seminário de integração para ver se é possível fazer essa integração para os próximos editais do PET-Saúde. Temos um currículo que não é fácil mexer e mudar, mas podemos conseguir uma integração maior.

GRV - Os problemas ocorridos para a divisão de turma nos centros de saúde não podem ser resolvidos com a verba rece- bida pelopró-Saúde? PDMABZ - Quando a gente recebeu o dinheiro, a faculdade foi na prefeitura pra ver onde seria aplicado; recebemos 200 mil por ter enfermagem e medicina no Pró-Saúde. Só que esse dinheiro

não veio pra nós, mas simpara a prefeitura e nós que decidiríamos onde seria aplicado. Na discussão ponderamos onde a enferma- gem e medicina tinham estágios Optamos pela reforma do cen- tro de saúde Santa Mônica. A idéia era que a prefeitura doasse o terreno ao lado do centro de saúde para a unidade, fazendo uma

a

ampliação do mesmo no terreno conjunto. Não seriam utilizados

ampliação. Foram aprovadas a reforma do centro de saúde e

“Os benefícios são a viabilização da inserção do aluno na rede, com o 4º ano na clínica e na ginecologia- obstetrícia e o 5º ano com a clínica na rede básica de saúde. “

a segunda carta acordo, e o ministério viu que muitas escolas não

conseguiram gastar as duas parcelas da primeira, e houve uma mudança nas rubricas. Não assinamos ainda. Mas sei que agora a segunda carta acordo veio muito mais maleável, por exemplo: só se pode gastar 10% em equipamento, mas em compensação po- deremospagartutor,quenoséfundamental.Estamosesperandoa segunda carta acordo que está no ministério para assinar. O projeto mandado da primeira vez não precisou ser reescrito; apenas as ne- cessidades foramreescritas

GRV - Como ocorre o processo de acompanhamento da utilização das verbas do programa na FCM/UNICaMp? Como ocorre a escolha do representante discente? Qual sua avalia- ção sobre a participação discente nesse processo de acompa- nhamento? Qual a importância da participação discente na comissão de acompanhamento? O processo ocorre por meio de uma comissão de acompanha- mento. Nessa comissão temos a prefeitura, a instituição de ensino superior, os alunos e o usuário. Montamos tal comissão e optamos por unir a enfermageme a medicina; e a odontologia pela localiza- ção física (o fato de se localizar em Piracicaba) não foi possível estar junto. Eu sempre pedi pro CAAL escolher o representante discente

“As reuniões dessa comissão de acompanhamento são mensais e no momento a vaga de representação discente na mesma, não está preenchida.”

apenas os 200 mil, pois ficaria muito mais; a prefeitura aprovou essa reforma, aprovou usar os 200 mil e mais os recursos dela para fazer tudo. A proposta foi começar pela reforma da unidade onde ocorre

o atendimento; após o termino da reforma e de ficar tudo arruma-

do, começaria a ampliação. Só que essa reforma iria mexer em tudo

que ser alguém do quarto ano que esteja vivenciando a rede, a situ-

ação.Minhaavaliaçãosobreaparticipaçãodiscenteéquenãohou- terminar em janeiro. Em fevereiro estaria pronto. Como seriam 3

ve uma participação efetiva. Apenas nos seminários realizados em Brasília que estava presente em todos. Mas eu não acho que isso seja ruim, pois eu vejo uma confiança na nossa coordenação, por-

que não há uma necessidade de uma vigilância, já que o aluno sabe que eu sou gestora do módulo, faço parte da pediatria social e meu ensino sempre foi na rede; então, de maneira alguma farei alguma coisa que não privilegie aquilo que esta no projeto. As reuniões dessa comissão de acompanhamento são mensais e no momento

a vaga de representação discente na mesma, não está preenchida.

e não seria possível ficarmos lá. Era pra começar em novembro e

do Pró-Saúde e quando essa comissão foi criada, o Luiz Gustavo era coordenador geral do CAAL e, como ele estava se inserindo na rede na época, ele ficou de representante discente. Acho que tem

meses de reforma, pensamos que daria pra fazer nas férias. Só que entramos de férias e não começou a reforma; ela começará agora; então não é possível nosso estágio no Santa Monica. Assim, tive- mos que procurar outra unidade para colocar os alunos. Tentamos

o centro de saúde Jardim Aurélia, que acabou de ser reformado.

Entretanto faltavam salas para o espaço que precisamos. Por fim, discutimos com o grupo gestor e optamos por dividir os alunos nos 5 centros de saúde que sobraram e já estavam preenchidos com outros alunos do 4º ano. Profª Drª Angélica Maria Bicudo Zeferino é coordenadora do en-

sino de Graduação da Medicina e membro da Comissão de Acompa- nhamento Local do Pró-Saúde.

GRV - Houve prestação de contas do dinheiro utilizado através desse programa? Quando? PDMABZ - Houve a prestação de contas do Pró-Saúde ano pas-

O patOlÓGICO

FEVEREIRO DE 2009

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Outra avaliação

Gestão Roda Viva - Qual a sua avaliação sobre o Pró-Saúde (como programa do governo federal)? E qual sua avaliação de sua aplicação na prática, na FCM-UNICAMP? Marina Fuzita - O Pró-Saúde se propõe a melhorar a integração ensino-serviço reorientando a formação com ênfase na atenção bá- sica e assegurando uma abordagem integral no processo saúde-do- ença. Para atingir esse objetivo, o programa conta comuma estraté- gia que prevê que o curso“faça melhorias” em três eixos: orientação teórica (determinantes de saúde e doença, educação permanente

e pesquisa ajustada à realidade local), cenários de prática (integra-

ção ensino-serviço, uso de diversos níveis de atenção) e orientação pedagógica(aprendizagemativa, integraçãobásico-clínicaeanálise crítica dos serviços). É um programa bastante interessante uma vez que se propõe a pensar a formação dos profissionais de saúde adequando o perfil desses às necessidades da população brasileira. Entretanto, algumas considerações devemser feitas:

- 66% dos recursos do Pró-Saúde II (R$ 63.340.544, 96) foram

gastos em instituições públicas e 34% (R$ 32.925.345,77) em insti- tuições privadas e grande parte da verba deve ser utilizada com a compra de equipamentos. Não seria uma forma de passar dinheiro público para o setor privado?

- A formação de grande número de profissionais orientados a

atuar na atenção básica não causará uma desvalorização desse pro- fissional, causando redução de seu salário?

- De que forma o impacto desse investimento público pode ser

avaliado?

GRV - O projeto da FCM/UNICaMp foi feito sem participação discente? Comovocê avalia esse processo? MF - Não há um projeto da FCM exatamente. Os projetos da Enfermagem e da Medicina foram elaborados separadamente e são

projetos diferentes, apesar de serem acompanhados em parceria. Não tenho propriedade para dizer quanto ao projeto da Medicina

e da Fonoaudiologia, mas no caso da Enfermagem, houve a parti-

cipação de duas estudantes que contam terem se sentido parte da construção do projeto apesar de não ter havido muito tempo para reflexões, debates e discussões, pois o prazo entre a abertura do edi- tal e entrega do projeto fora muito curto. Houve também um esfor- ço da graduação em apresentar o projeto aos estudantes mas sem muito sucesso.

GRV - Como são utilizadas as verbas recebidas através do programa pró-Saúde na FCM/UNICaMp? E qual sua avaliação do uso delas? MF - O Pró-Saúde prevê a existência de uma Comissão Gestora Local (também conhecida como Comissão Local de Acompanha- mento - CLA), no nosso caso, essa Comissão é composta pelos cur- sos da Medicina e Enfermagem e agora também pela Fonoaudio- logia. A CLA conta com a presença de estudantes (um titular e um suplente para cada curso), docentes, gestores (representantes do

serviço/CETS) e usuários. É nas reuniões da CLA que são decididas as formas de uso do recurso recebido com o Pró-Saúde. Porém, a

maneiracomoaverbadevesergastaépreviamenteestipuladapelo

Ministério da Saúde na forma de rubricas. Por exemplo: X % da verba deve ser gasto em equipamentos, Y% em material de consumo, Z% em serviços e W% em viagens. Geralmente, o tempo para gastar a parcela recebida é muito curto e o dinheiro acaba sendo gasto às

Integra saúde 2009

U ma das novidades para a recepção dos calouros em 2009 será o Integra Saúde, evento que irá substituir a antiga Fei- ra de Saúde. Para uma melhor compreensão sobre como será o Integra Saúde, é necessário, inicialmente, explicar os

motivos que provocaram a mudança do formato deste evento. Em outubro do ano passado iniciaram-se as conversas entre os interessados em organizar a Feira de Saúde, com a intenção de pro- porcionar uma atividade tão boa ou ainda melhor do que o evento de 2008 – do qual participamos como calouros e que foi muito bem avaliado pela XLVI, como um todo. Para o início das atividades, hou- ve uma reunião com os organizadores da Feira do ano anterior, para a troca de idéias sobre a realização do novo evento. Uma das suges- tões foi a de participar das reuniões do CA Saúde (Centro Acadêmico dos Cursos da Saúde), para que, junto com os outros cursos da FCM, fosse possível refletir e pensar de forma mais crítica sobre o modelo da Feira de Saúde (afinal, até aquele momento, só era considerada a visão da feira segundo os calouros da Medicina). Nessas reuniões surgiram alguns problemas com relação à anti- ga e tradicional Feira da Saúde, como a baixa relevância do atendi- mento à população e a falta de integração entre os diferentes cursos que participavam do evento, resultado da dificuldade em se atender aos interesses e opiniões de todos os cursos. Então, ao entrar em con- tato com representantes dos outros cursos da FCM (Enfermagem, Farmácia e Fonoaudiologia), o formato do evento foi modificado, transformando-se em algo descentralizado que ocorreria em alguns Centros de Saúde de Campinas e contaria com a participação da po-

pressas ou devolvido para o Ministério. Ainda, a rubrica de equipa- mentos, geralmente, ocupa a maior parte do dinheiro a ser gasto sobrando muito pouco para assessorias, viagens ou outros serviços. Acredito que a reorientação da formação profissional, pretendida com o Pró-Saúde, não pode ser atingida com a compra majoritária de equipamentos mas sim com o uso de“tecnologias leves”, ou seja, capacitação de docentes, assessorias pedagógicas e outras formas. Certamente, o investimento em melhoria dos campos de estágio propicia a integração ensino-serviço e causa mudanças positivas nos campos de atividade prática. Entretanto, as reorientações teóri- ca e pedagógica ficam a desejar.

GRV - Como ocorre a escolha do representante discente na FCM-UNICaMp? Há uma padronização ou cada curso faz de umamaneira? Qual suaavaliaçãosobreaparticipaçãodiscente na comissão de acompanhamento? Como você avalia a impor- tância dessa participação na comissão? MF - Creio que não haja uma padronização dos cursos para a escolha dos representantes discentes. No caso da Enfermagem, o Centro Acadêmico tem indicado seus representantes através de ofí- cio encaminhado à Comissão de Graduação do curso. A Fonoaudio-

“O fato de alguns profissionais receberem bolsas por participarem de atividades de ensino não geraria descontentamento naqueles que realizam essas atividades e nada recebem?”

logia, ainda não indicou (pelo menos até dezembro) seus represen- tantes, pois acabou de entrar no projeto. As reuniões geralmente acontecem em horário de aula e, apesar de tentarmos comparecer ao máximo nas reuniões, nem sempre é possível participar de todos os encontros e, certamente, esse deve ser o motivo da ausência do representante discente da Medicina. Acredito que a participação discente é e tem sido muito importante pois, além de permitir-nos acompanhar o andamento do projeto, é uma estratégia para impul- sionar mudanças curriculares. Penso também que a participação dos estudantes não deve acontecer apenas através de seus repre- sentantes, mas todos os estudantes do curso deveriam ter mais in- teresse em conhecer e acompanhar o desenvolvimento do projeto, afinal, sua formação está em questão.

GRV - Você considera que os objetivos que foram pensados para a adoção desse programa na faculdade foram alcança- dos? MF - Ano passado, o CAE elaborou uma enquete e aplicou a 116 de 160 alunos de Enfermagem. Os resultados mostraram que cerca de 42% dos alunos entrevistados notaram mudanças nos campos de atividade prática. Porém, apenas 1,8% dos entrevistados nota- ram alguma mudança em relação aos métodos de ensino (orienta- ção pedagógica) e apenas 5,5% notaram mudanças relacionadas à orientação teórica. É possível notar que houve mudanças no campo de estágio. Porém, a aprendizagem continua se dando de forma passiva, sem muita integração entre as disciplinas do IB e as discipli- nas específicas da profissão. Essa reorientação da formação encon- tra resistências internas e não consegue ser resolvida apenas com o recebimento de verba. O projeto, quase sempre, é acompanhado um grupo pequeno de docentes e estudantes e creio que seja pos-

pulação local que tem como referência em saúde aquele determina- do Centro. Para isso, foi montada uma comissão organizadora com- posta por representantes de cada curso da área da saúde e firmada uma parceria com a Secretaria de Saúde de Campinas. Essa proposta foi apresentada à diretoria da FCM que aprovou e apoiou o projeto, interessando-se pelo fato dele agregar todos os cursos da FCM. A partir disso, pôde-se começar a pensar melhor sobre o evento. Muita coisa já foi discutida desde então. Várias reuniões foram realizadas em novembro, dezembro e janeiro, a FEF interessou-se e uniu-se ao projeto, e finalmente chegamos ao formato do Integra Saúde. O projeto foi escrito sob a supervisão do Prof. Dr. Gastão Wag- ner do Departamento de Medicina Preventiva e Social e teve o aval do CETS (Centro de Educação dos Trabalhadores da Saúde), além do apoio da direção da FCM. A proposta é levar cerca de 15 alunos para cada Centro de Saúde, em grupos contendo, pelo menos, um calouro de cada curso. Lá eles seriam supervisionados por veteranos dos 5 cursos participantes (Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia e Medicina), participariam de atividades visando à saúde de forma interdisciplinar no território do Centro de Saúde e conheceriam a importância, as funções e as possíveis potencialida- des das profissões de saúde dentro do SUS. Para encerrar, no final do mês de janeiro foram divulgados os 12 Centros de Saúde interessados em participar do Integra Saúde: CS Orosimbo Maia, CS Fernanda, CS Monte Cristo, CS Nova América, CS São Marcos, CS DIC III, CS CAIC, CS Itatinga, CS Aeroporto, CS Concei- ção, CS São Quirino e CS 31 de Março. Em seguida houve uma reu- nião, no CETS, com os coordenadores dos 12 centros para a criação dos projetos individuais de cada local, a partir do projeto comum do Integra Saúde. A comissão organizadora do Integra Saúde se frag- mentou em 12, e existe, no mínimo, um aluno responsável por cada

sível afirmar que nem todos os professores envolvidos na nossa for- mação atuam em consonância com o projeto dificultando o alcance de seus objetivos. Quais os benefícios que o programa traz para a formação do profissional de saúde? Você acha que um dos objeti- vos do Projeto: “de formar profissionais habilitados a responder às necessidades da população brasileira” é alcançado? Creio que o principal benefício que o Pró-Saúde traz para nossa formação seja a oportunidade de fazer com que professores, usuários, alunos e pro- fissionais do serviço “olhem” para o nosso currículo e se perguntem “que tipo de profissionais estamos formando?”e iniciem a discussão da importância em romper com os modelos de atenção “hospitalo- cêntricos”e“centrados na doença”. É uma pena que esse benefício se restrinja aos envolvidos no projeto e não esteja conseguindo atingir um grande número pessoas dos cursos. Formar profissionais capa- zes de responder às necessidades da população brasileira não é ta- refa das mais fáceis e acredito que dentro da lógica de universidade esociedadequeestamosinseridosestamosformandomaispessoas que pensam em responder à sua própria necessidade do que pesso- as que se comprometem com a população brasileira.

GRV- Qual suaavaliaçãosobreoprogramapEt-Saúde? Sua implantação na FCM-UNICaMp seria condizente com a nossa realidade, ele supriria alguma deficiência da implantação do pró-Saúde? a FCM enviou projeto do pEt-Saúde? Qual sua opi- niãoa respeito? MF - Ao que sei, a FCM não enviou nenhum projeto para o PET- Saúde por ter avaliado que não seria possível nesse momento. Uma das principais dificuldades foi encontrar disciplinas que envolviam os três cursos (Enf, Med e Fono). E, mais uma vez, o prazo entre a abertura do edital e a entrega dos projetos foi muito curto para con-

seguir garantir as discussões e sua elaboração. Eu e a Aline (2º ano de Enf, suplente na CLA) participamos de algumas reuniões. Não pude- mos participar de todas devido às atividades do final de semestre. O PET-Saúde é um programa que tem por finalidade “estimular”, atra- vés do oferecimento de bolsas, docentes, estudantes e profissionais do serviço a realizarem atividades de ensino, pesquisa e extensão de acordo com as necessidades do SUS. Uma estratégia bastante interessante, que promove a interdisciplinaridade, mas que tam- bém encontra bastante dificuldade em sua aplicação prática. Seria um projeto para auxiliar o Pró-Saúde a superar algumas dificulda- des encontradas em sua execução. Porém, a meu ver, a formulação e acompanhamento de um outro projeto dificulta, na prática, sua operacionalização. Creio que o PET- Saúde poderia ser parte do Pró- Saúde e não necessariariamente um outro projeto à parte. Existem também algumas questões a se pensarem quanto à sua aplicação. Por exemplo:

- O fato de alguns profissionais (funcionários dos Centros de

Saúde) receberem bolsas por participarem de atividades de ensino

nãogerariadescontentamentonaqueles querealizamessas ativida- des e nada recebem?

- O número de bolsas não é suficiente para todos os alunos.

Como se daria esse processo seletivo?

- Como seriam escolhidos os docentes que participariam desse

projeto? - Temos professores que não são docentes. Esses professores po- deriam se candidatar a essas bolsas? Marina Fuzita, estudante do 4º ano de enfermagem, membro do Centro Acadêmico da Enfermagem – CAE, representante discente na Comissão Local de Acompanhamento do Pró-Saúde e na Subcomissão Gestora do Pró-Saúde (doDepartamentodeEnfermagem), temparticipadodediversas discussões do tema, esteve emoficinas regionais do Pró-Saúde e no Seminário Nacional.

um dos Centros de Saúde, para a realização dos projetos. As reuniões individuais já começaram, os projetos já estão sendo desenhados e o financiamento e patrocínio foram buscados, na esperança de se conseguir reduzir consideravelmente os custos do evento. Nossos objetivos pessoais são de que o Integra Saúde seja tão bem avaliado pelos calouros quanto foi a Feira de Saúde para nós; que seja construído e organizado por todos os cursos participantes; que transforme a opinião dos calouros em relação aos “pré-concei- tos” da saúde publica brasileira e, finalmente, que traga benefícios reais para a comunidade e para os profissionais do Centro de Saú- de.

Algumas pessoas poderiam achar que este evento seria uma an- tecipação de disciplinas do currículo da Medicina, como Ações em Saúde ou ainda Medicina e Saúde. Acreditamos que isso não seja verdade, afinal em momento algum do nosso currículo existe uma atividade que integra os estudantes da área da saúde da Unicamp, futuros profissionais que trabalharão juntos para produzir saúde. Este é o grande diferencial do Integra Saúde ao proporcionar este momento único para o calouro. Gostaríamos de contar com as idéias de quem se interessar pelo projeto, afinal o nosso principal objetivo é que nossos calouros se divirtam tanto quanto nós nos divertimos na nossa Semana de Ca- lourada. Esperamos que todos compreendam os motivos que nos leva- ram a modificar a feira de saúde e estamos abertos a sugestões para melhorar cada vez mais esse projeto.

Muito obrigado, Diego, Fernanda, Luiza Manhezi e Heloisa.(XLVI) Membros da comissão organizadora do Integra Saúde

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O patOlÓGICO

SAIU NA MÍDIA

FEVEREIRO DE 2009

6 O patOlÓGICO SAIU NA MÍDIA FEVEREIRO DE 2009 Futuros Médicos Racistas Caso de polícia É

Futuros Médicos Racistas

Caso de polícia

É de indignar e causar asco o jornal O Menisco, da Associação Atlética Acadêmica Pereira Barreto, da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp – a Escola Paulista de Medicina. A Atlética con-

grega alunos que, anualmente, disputam a Intermed, tor- neio criado em 1966, cada ano numa cidade paulista. O

jornal dedicado à competição retrata o péssimo caráter de parcela importante dos futuros médicos brasileiros.

O Menisco apareceu no pior momento possível. A

Unifesp vivia dias tensos, o reitor acusado de pagar com cartão corporativo despesas de viagem – hotel na Disney, compra de produtos esportivos e eletrônicos, total 230 mil. Ulysses Fagundes Neto alegou ter devolvido o dinhei- ro para facilitar as investigações e acabou renunciando em 25 de agosto. Estudantes acampam na sede paulistana da Unifesp, na Vila Clementino. Diferentes motivos excitam a rapaziada. Alguns saem rumo a Araraquara para a Intermed. O clima esquenta quando alunos investem contra os acampados, estariam “manchando a imagem da instituição”. Pancada- ria, lutadores rolam pela escadaria histórica. A renúncia do reitor leva à convocação de Assembléia Geral dos Estudantes. A aluna negra Talita de Carvalho Honorato, 24 anos, cotista, da turma 75 de Medicina, pro- testa contra piadas racistas no Menisco. Constrangimento. Pedem para Talita ler as ofensas, ela se recusa, era muita humilhação. Talita, ao pedir explicações na Atlética, foi ex- pulsa. Estava “causando” na diretoria. “Alguém, não sei o nome, disse: ponha-se da porta para fora.” Não era novidade para Talita o racismo. Na edição an-

terior ofenderam uma aluna obesa. À noite e no outro dia, recebeu telefonemas de diretores da Atlética, defendendo

a publicação, depois admitindo o erro, mas sondando se

a colega tomou alguma providência legal. Na Semana da

Pátria, sete dias de folga esfriaram a cabeça de Talita. Me- lhor não se expor tanto numa universidade dominada por brancos ricos, pensou. Mas a história não parou aí. Nem juvenil é: infantil Dois alunos de Guarulhos, município colado a São Pau-

lo, acionaram a prefeitura – ali a Unifesp instalou unidades, as primas pobres do curso de Medicina. Além de racista, o jornal ofende a mulher. Há páginas grotescas com fotos de lanches – o hambúrguer entre pães é a imagem da vagina em montagem com fotos de corpos femininos.

As 29 piadas racistas ocupam 3 páginas e, ao apresen-

tá-las, O Menisco se diz “betuminosamente indignado”. Cinismo: o tom não é de indignação, sim de ironia. Lemos abjetas citações tiradas do Google: “Por que inventaram o cavaquinho? Pro preto poder tocar algemado.” Este repór- ter não tem estômago para reproduzir o resto. Mas se você está se perguntando que tipo de cabeça

pensa e publica tais aberrações, a explicação está no pró- prio jornal (68 folhas de sulfite xerocadas e encadernadas com espiral). Sai em ocasiões especiais, na chegada dos calouros ou às vésperas da Intermed. A edição em questão

é um calhamaço de arroubos, incentivos aos atletas e co- branças infantis (nem chegam a juvenis). “Tudo o que a gente tem que ensinar é muito simples:

é ensinar a amar a Escola, de verdade, acima de tudo, de todas as dificuldades.” Mais transcrições literais:

Ão, ão, ão, pau no cu da tradição! Vamos DESTRUIR essa porra. Viva a morte do meu pau

Há informações sobre pacotes de “brejas”, alojamentos

e camisetas para a Intermed, e o aviso: “pela milionésima vez, cartão só Visa”. Músculos no cérebro Após a catraca na entrada, há um corredor e, no fim,

um painel marca os dias que faltam para a Intermed. Toda manhã um funcionário atualiza. A Atlética é o clube dos alunos de Medicina. Tem duas quadras, sala de ginástica, piscina; e guarda reluzentes troféus. Espécie de irmanda- de, para alguns quase religião, cumpre calendário de ritu-

ais, como a “aula da Atlética”, palestra histórica para os ca- louros. Costumavam projetar no telão a imagem do reitor que se demitiu, atleticano roxo, bebendo num troféu em antiga festa da vitória.

O símbolo é uma caveira de cartola e piteira – apesar

de cigarro não combinar com saúde. Interessante notar o significado aristocrático da imagem, copiada por outras Atléticas. A diretoria é sempre ocupada por alunos do ter- ceiro ano. O evento mobilizador é a Intermed, nas quais rolam putaria, porrada e bebedeira. As cidades que os re- cebem nunca mais os querem de volta. Arrogantes, inva- dem cidades e agem como bárbaros. Em Araraquara, explodiram bomba caseira no teto da escola Rafael de Medina. Em 2007, uma aluna da Unicamp tomou tijolada na cara. Por causa da violência, a Atlética da USP abandonou a competição em 2005. Os hinos das torcidas das várias universidades paulis- tas desenham a paisagem mental dos futuros médicos. Os alunos da Unifesp puxam grito de guerra típico:

“Não tenho medo de morrer, eu dou porrada pra va-

ler.”

Os da Universidade Estadual Paulista, Unesp, de Botu- catu, optam pela rima pobre e chula:

“Enterra, enfia e põe no cu; meu pau levanta, abaixa; vem aí Botucatu.” Na edição racista do Menisco, o texto sério, em tom de ata, é de Jorge Carlos Machado Curi, presidente da As- sociação Paulista de Medicina. Segundo ele, em reuniões decidiu-se coibir bebedeira e brigas com punições rigo- rosas, segurança particular e filmagem do evento – será que alguém registrou os artífices da bomba na escola de Araraquara? Quando há problemas, os responsáveis somem. O ex- presidente da Atlética da Unifesp, Carlos Augusto M. Me- negozzo, criou novo perfil no Orkut. O anterior informa que o sujeito, natural de Sorocaba, tem 22 anos, não fuma nem bebe. E recomenda: “Acho melhor vir me conhecer e tirar suas conclusões.” Cercado de advogados e protegido

pelo corporativismo, não é fácil encontrar o presidente da Atlética da gestão que publicou O Menisco racista. Silêncio geral. No Orkut, a página da Atlética comunica que o Ministério Público move ação relativa ao jornal. Dos 1.544 membros da comunidade, um comentou. Ricardo

Saick, da turma 75, saiu com esta: “Falácias

sensacionalismo e tudo mais.” O alu-

errada, tendenciosa

interpretação

no participa de 685 grupos virtuais, entre eles “Sou des- cendente de alemão” e “Meu beijo dá tesão”. Haverá justiça?

A Unifesp foi a primeira universidade paulista a adotar

as cotas, em 2005. Não reservou vagas, aumentou em 10% o número delas, evitando reclamações quanto à diminui- ção do espaço para os abastados. Concorrem negros, par- dos e indígenas vindos do Ensino Médio público. Um ano depois, expandiu-se para quatro localidades próximas: Diadema, Guarulhos, São José dos Campos e Baixada Santista. Dos 14 novos cursos, nenhum tão cobi-

çado quanto os oferecidos na capital. Hoje são 3.274 alu- nos; cotistas aprovados, 117.

O Menisco é a primeira manifestação documentada de

racismo na Unifesp. Depois da semana da Pátria, a história poderia ter acabado, mas felizmente continuou. Os alunos de Guarulhos acionaram a Coordenadoria da Mulher e da Igualdade Racial da prefeitura, que levou o caso ao Mi-

nistério Público. A reitoria instaurou sindicância e o novo reitor garante a seriedade da iniciativa. Marcos Pacheco de Toledo Ferraz considera uma barbaridade o conteúdo racista do jornal e espera que os responsáveis paguem:

“Minha expectativa é que se faça justiça.” Ele admite: alguns professores discordam da sindicân- cia, acham que são bons meninos que se excederam. A in- vestigação corre em segredo e, no Natal, completará três meses.

O professor negro Joaquim Machado Junior, psiquiatra

voluntário do Departamento de Psiquiatria, levantou o as-

sunto em sala de aula, na disciplina Psiquiatria Médica, no primeiro ano de Medicina. Pediu relatório. Percebeu mais vergonha que indignação nos textos. Uma aluna liberou

a verve. Antes não tivesse escrito. Considerou absurdas

as piadas, mas com a mesma indignação afirmou que as cotas prejudicam a relação entre estudantes. Contou do professor que rechaçou o sistema, sugerindo registro pro-

fissional de cotista (CRM) e, pior: o super sincero prometia discriminar, barrando os alunos na prova de residência médica, após a conclusão do sexto ano. Os primeiros co- tistas prestarão exame em 2010. Há dois inquéritos instaurados. Um, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, São Paulo, apu- ra a responsabilidade criminal pela publicação racista, e intolerante, pelas ofensas contra a mulher. Oito pessoas

já foram ouvidas, mas faltam muitos, e a delegada pediu

prorrogação de prazo. Outro, na 4ª Delegacia de Crimes Eletrônicos, investiga o sítio de onde os componentes da Atlética retiraram as piadas. E desde 15 de outubro o Mi- nistério Público paulista está no caso. No imponente prédio de 13 andares do MP, centro de São Paulo, em 19 de novembro, véspera do feriado da Consciência Negra, a promotora Deborah Kelly Affonso, do Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social, espera naquela tarde a presença do presidente da Atlética à épo- ca dos fatos. Ele não comparece. Até aquele dia, a Atlética não havia respondido nenhum requerimento da promo- tora. Quem pode, pode Na última parte da reportagem, eu tentaria conversar com os alunos da Atlética, especialmente da diretoria an- terior. Estava autorizado pela reitoria e assessoria de im- prensa a percorrer o campus e entrevistar pessoas. Chego às 11 da manhã da segunda-feira após o feria- do da Consciência Negra. Burburinho na porta da Atléti- ca. Com copos de cerveja nas mãos, ninfetinhas de nariz empinado e musculosos em roupas de banho entram e

saem. A batucada come solta e os trabalhadores no ponto de ônibus espiam. Trata-se de mais um evento tradicional da Atlética, o “banho”, ou “passagem do balde” dos alunos concluintes do sexto ano. Bebem e se molham, divertidís- simo para eles. Tento entrar sem dizer nada, mas o segurança impede. Explico-me, chamam alguém. Vem à portaria Tiago Cyrillo Devitte, o Ticão, presidente da Atlética. Bafo de cerveja, coloca rapidinho os óculos escuros quando digo que sou repórter fazendo matéria sobre O Menisco. Proíbe minha entrada. Insisto, estou autorizado. Sem chance, é dia de

festa, a diretoria anterior publicou o jornal e deveria res- ponder, não eles. Sentei na mureta ao lado para aguardar

a assessora de imprensa da Unifesp. Vários alunos vêm até

a porta, espiam, comentam, apontam para mim. Meio-dia falo com a assessora, pelo telefone da recep- ção. Reitera a autorização, e apesar do prédio da Atlética fazer parte da Unifesp, diz que lá quem manda são os alunos. Entendi. Restava ir à biblioteca conferir no livro comemorativo aos 75 anos da universidade a citação do ex-aluno Rubens Belfort, que declara:

“Estávamos na época da ditadura, talvez seus piores anos, e a escola era dividida em dois grupos: comunistas do Centro Acadêmico e fascistas da Atlética, mas a grande maioria dos estudantes não era nada.” Antes de sair, encontro dois ex-diretores da Atlética, justamente os responsáveis pela edição do Menisco. Dou- glas Renê de Alencar e Bruno Paganotti lêem uma cópia de anotações, parece conteúdo de aula. Só faltou Samuel

Salu, outro dos editores do infame jornal. Surpresos, fica- riam brancos se já não fossem. Refeitos, não querem falar. Dei voz aos envolvidos. Deixo meu número de celular e vou embora. Ninguém é obrigado a responder perguntas de um repórter – mas no caso, as de diretores, promotores

e delegados, sim.

Marcos Zibordi é jornalista. mzibordi@hotmail.com Caros Amigos - Dezembro 2008

O patOlÓGICO

FEVEREIRO DE 2009

7

Conseguiramseparar o gene da melanina? Henrique Sater (Abrealas)

S alve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado

do oceano. O Atlântico é pequeno pra nos separar,

porque o sangue é mais forte que a água do mar.” Co-

meço esse texto com versos do sagaz Gabriel O Pensa-

dor, na música com o título quase que tautológico: Racismo é Burrice. Mas burrice nunca foi justificativa, ainda que intrínseca ao ser humano desde o começo dos tempos. O caso na UNIFESP parece um absurdo e referente apenas aos “índios” mais exal-

tados e radicais, ainda mais envolto pelo sensacionalismo pe- jorativo do jornalista da revista Caros Amigos.

No entanto, isso não isenta o fato do racismo estar mais

presente no ensino superior público do que imaginamos. A fa- vor das cotas ou não, é indubitável que a maior parte de meus leitores não produzem lá muita melanina. E tal se caracteriza o perfil do usuário da universidade pública brasileira, desde docentes a graduandos, são poucos os negros. E, coinciden- temente, é possível ver funcionários negros trabalhando na limpeza de nosso espaço. Vocação(?!) ou falta de opção, urge

a multietnicidade dentro do meio acadêmico, com acesso uni- versal a todo e qualquer espaço . Pode, pois, surgir o argumento do senso-comum: “tentar

. Pode, pois, surgir o argumento do senso-comum: “tentar inserir negros na universidade pública de forma

inserir negros na universidade pública de forma não-espontâ- nea não é racismo?”. Ou ainda: “aposto que não há muito nari- gudos na universidade, devemos inseri-los também?”. As duas perguntas exigem mais reflexão pessoal que argumentos con- trários sólidos, por mais convincentes que o sejam. As exce-

ções às regras são criadas para diminuir desigualdades, não gerá-las. Caso contrário, devemos eliminar as filas especiais para idosos, as meias entradas para estudantes e os assen- tos para obesos nos ônibus. Apelo para a jocosidade, pois é necessário mostrar que preservar e zelar pela diversidade não necessariamente está embasado em preconceito. É triste ver o quanto podemos retroceder em um evento tão juvenil quanto o ocorrido na UNIFESP. São anos de luta, milhares de mortos e oprimidos em batalhas e massacres étnicos, mártires e ícones da luta contra o racismo, para es- tudantes do curso mais concorrido de uma grande univer- sidade brincarem com algo tão sério. Isso porque em cada turma há pelo menos 11 cotistas, o que gera um número extraordinariamente maior de negros presentes em nosso curso. A era em que o grande império do mundo é comanda- do por um negro pode ainda ser uma era marcada por ra- cismo. Cabe a nós enxergá-lo e fazer questão de cessá-lo. Caso contrário, a diversidade continuará seleta e baseada em quantidades mesquinhas de melanina.

“A Cabeça Pensa Onde os Pés Pisam”

thais Machado Dias (XlV)

H oje entendo meu pai. Um homem precisa via- jar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e seus pés para entender o que é Um homem precisa viajar para lugares que

não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como nós imaginamos e não como ele é

ou pode ser; essa arrogância que nos faz professores

e doutores no que não vimos, quando deveríamos ser

alunos e ir ver.” Amir Klink No tripé universitário, o ensino se constitui como razão primeira da própria existência da universidade, a pesquisa é o olhar crítico sobre o conhecimento que é dado, buscando sua comprovação e sua complementa- ção com novas informações a cada dia, e a extensão Sobre extensão é que se pretende falar nesse texto. A palavra extensão, nesse contexto, significa esten-

der-se, a algum lugar e/ou a alguém. A extensão univer- sitária é uma forma de interação entre a universidade

e a comunidade na qual está inserida. É uma espécie

de ponte permanente entre a universidade e diversos setores da sociedade. A universidade vai até a comuni- dade prestar-lhe serviços e assistência e aprender com ela, com um olhar especial em suas necessidades. Ter a realidade social como parte indissociável do tripé universitário significa entender que a educação superior deve se voltar à realidade, tê-la como ponto de partida e de chegada do processo educativo. É acre- ditar numa educação fruto do ambiente, sem perder a

seu. (

)

dimensão da universalidade, e com o compromisso de transformação para a melhoria desse ambiente social. Essa relação da universidade com a sociedade, en- tretanto, pode- se dar das mais diversas maneiras. Há os que acreditam na extensão como “a mão santa que vai salvar aquele que recebe a ação extensionista ” ou que o objetivo maior da extensão é servir de campo de

ou que o objetivo maior da extensão é servir de campo de prática e diretriz de

prática e diretriz de pesquisa da universidade (tendo

desse modo, a universidade como finalidade última da ação). Acreditamos, por todos os motivos citados acima (inclusive o de prática e pesquisa) que a universidade é sim, e muito, beneficiada com o as atividades de exten- são, mas que devemos direcionar um olhar especial à comunidade. Isso por uma questão de responsabilida-

de social, seja ela oriunda de ideologias (ao acreditar- mos que somos sim responsáveis pela realidade que nos cerca, e que devemos atuar a todo momento em busca da sociedade que queremos, pois a passividade nesse sentido já é uma postura política de continuidade da realidade atual) ou por uma questão mais simples, de que é essa sociedade que financia toda estrutura universitária e é nossa responsabilidade ética oferecer nosso trabalho a ela, já que ela nos oferece a oportuni- dade de formação. Acreditamos, então, na extensão universitária como um meio de promoção de autonomia da comunidade e que contribua também para o exercício das cobranças de ações políticas. A extensão como um trabalho social útil e com intencionalidade de transformação, com res- peito mútuo, diálogo e solidariedade. Buscamos com a extensão o empoderamento das pessoas da comunidade e nosso aprendizado, seja ele técnico ou político, visto que a extensão é um exercí- cio de cidadania tanto para universidade quanto para comunidade. Cabe aqui, provocar nos leitores uma última refle- xão: o quanto nossa universidade, e principalmente nossa Faculdade de Ciências Médicas, tem se dedicado a essa parte tão fundamental do tripé universitário? Se existem ações nesse sentido, o quanto nós, alunos do curso de medicina, buscamos nos inteirar e participar delas? Se não existem, o que temos feito para mudar isso?

COBREM

D e 11 a 18 de janeiro realizou-se no campus da UFC, em Fortaleza (CE), o XXI Congresso Brasileiro de Estudantes de Medicina. O COBREM é instância deliberativa da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina

(DENEM) e inicia cada ano de movimento em uma construção coletiva, com a participação de todas as escolas médicas através de seus delegados.

O COBREM tem um papel fundamental

na DENEM, pois é nele que os estudantes de todo o Brasil têm a oportunidade de planejar estrategicamente mais um ano de atividade no Movimento Estudantil de Medicina (MEM), aprofundando a discussão sobre a conjuntura nacional, educação, educação e saúde, Hospitais Universitários, entre outros assuntos, sempre inserindo esse debate no nosso cotidiano enquanto estudantes de medicina. Todos os congressistas têm direito a voz e participam ativamente na construção do planejamento da DENEM, que identifica, seleciona e prioriza os problemas, bem como debate sobre as suas causas e efeitos, definindo um conteúdo propositivo para o planejamento, visando sempre à viabilidade estratégica das ações planejadas e avaliando se estamos prontos para sustentar as lutas e executar as estratégias propostas. A UNICAMP contribuiu nessa construção com oito delegados, sete representantes eleitos pelos alunos em eleição realizada em novembro, e um delegado indicado pelo CAAL, além de outro 13 alunos que compareceram e contribuíram para o congresso.

Do planejamento desse COBREM, foram escolhidas três frentes

prioritárias de luta para a entidade, listadas a seguir:

Frente de Saúde: “Lutar por uma saúde pública, gratuita,

universal, de qualidade e orientada pelos determinantes sociais da Saúde.” Frente de Educação Médica: “Lutar por uma transformação socialmente referenciada da formação médica, por uma avaliação justa em todas as esferas, pela regulamentação e contra a precarização dos espaços de prática e pela qualidade dos estágios, internato e espaços extra-curriculares.” Frente de Educação: “Luta por uma Universidade Popular que forme médicos socialmente referenciados para o trabalho em saúde, entendo como importante a Extensão Popular e a

cada centro acadêmico, organizados em regionais de acordo com suas realidades; a nossa regional é a Sul2, que é composta pelas escolas de PR e SP. A coordenação nacional é formada por sede administrativa, coordenações regionais e coordenação de relações exteriores. Cabe aqui destacar, com muita satisfação, a eleição de um membro da UNICAMP como coordenador regional, a Marília Felício, da 44ª turma, ex-membro do CAAL. As coordenações de área abrangem as coordenações:

Científica (CoCien), de Cultura (CoCult), de Educação e Saúde (CoES), de Estágios e Vivências (CEV), de Extensão Universitária (CExU), de Meio Ambiente (CoMA), de Políticas Educacionais (CPE) e de Políticas de Saúde (CPS). Juntas formam o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Saúde (CENEPES), que objetiva aprofundar o conhecimento da entidade nessas áreas. Aqui cabe mais uma estrelinha para o novo Coordenador de Estágios e Vivências, o Tung (Stênio Duarte), também da 44ª turma e ex-membro do nosso centro acadêmico. Esperamos que essas representações tão próximas de nós na DENEM favoreçam nosso contato com a entidade e gostaríamos muito que todos os alunos da Medicina UNICAMP se apropriassem desse privilégio. Como participante desse COBREM, devo destacar que foi uma experiência muito especial entrar em contato com pessoas de todos os estados e planejar com eles algo tão importante quanto o caminho que nossa executiva deve trilhar por este ano. Foi um espaço de criação de idéias e de estreitamento de laços, além de fortalecimento de lutas e ideais. Até agora, as idéias estão fervilhando na minha cabeça e espero de todos os que lá encontrei, a mesma força de vontade para realizar nossas lutas postas em papel. “Não há nada como um sonho para criar o futuro”Victor Hugo Sarah Barbosa Segalla Gestão RodaViva - CAAL 2009

Hugo Sarah Barbosa Segalla Gestão RodaViva - CAAL 2009 articulação com os movimentos sociais. Contra a

articulação com os movimentos sociais. Contra a reestruturação neoliberal e a mercantilização do Ensino Superior evidenciadas pelo Projeto REUNI, pelas mensalidades abusivas e pela abertura indiscriminada de novas escolas.” Além dessas ocorreu o planejamento da Frente Organizacional, que é permanente, diferente das outras frentes, que são reformuladas ano a ano. A frente organizacional consta de operações e diretrizes referentes à articulação do movimento estudantil de medicina com seus próprios alunos e com outros movimentos de luta e sociais, incluindo o movimento estudantil geral e os de outros cursos da área da saúde.

Nomesmoespaçohouveaeleiçãodosmembrosdagestão2009

da DENEM, que se organiza em Coordenações Locais, Coordenação Nacional e Coordenações de Área. As coordenações locais são

8 O patOlÓGICO

PATOCULTURAL

8 O patOlÓGICO PATOCULTURAL O FLAMENCO Ricardo Schwingel (XLVI) O O flamenco é uma arte andaluza,

O FLAMENCO

Ricardo Schwingel (XLVI)

O O flamenco é uma arte andaluza, nascida ao sul da Espanha. Por

ser uma arte popular muito antiga transmitida oralmente, é difícil

determinar suas origens com precisão. A passagem de diversas

etnias e civilizações pela Andaluzia aportou uma variedade de

influências, que determinaram substancialmente sua evolução. Os povos que mais contribuíram no desenvolvimento desta arte foram os ciganos, os árabes, os judeus e os cristãos, mas também devemos considerar que a região

recebeu influências mais antigas de fenícios, gregos, romanos e persas. A arte flamenca manifesta-se em três formas: no cante, no baile e na guitarra.

O termo cante é uma denominação coletiva que abarca e diferencia um

copioso número de canções dentro do grande conjunto dos cantares pró- prios do povo andaluz. As primeiras aparições historicamente constatáveis dessa música a situam nos espaços mais caracteristicamente marginais da sociedade espanhola da época. O ambiente carcerário, a serra como lugar de

bandoleiros, contrabandistas, o mundo marinheiro, o trabalho nas ferrarias são temas constantes nos versos desses cantes.

O baile teve suas características básicas

vavelmente entre 1869 e idade de ouro do flamen- vivo e está em constante

natureza,

do executor e, portanto, liberdade a quem dança, muito a comunicação Apesar dessa liberdade para criar, não pode ele direção, de uma série de que caracterizam o ges- coreográfica dessa arte e do próprio flamenco.

A guitarra, no seu princípio, teve exclusi-

relaciona-se

cristalizadas pro- 1929, a chamada co. Apesar disso, é

evolução. Por sua com as emoções deixa uma ampla o que enriquece com o público. que lhe é atribuída prescindir de uma normas e regras tual e a estética que fazem parte

de uma normas e regras tual e a estética que fazem parte vamente uma finalidade básica

vamente uma finalidade básica de acompanhamento ao cante. Sua função técnica se resumia na marcação rítmica e na sustentação harmônica do que

estivesse sendo executado, sem qualquer participação de destaque, como

hoje ocorre. Com a modernização do cante no início do século XX, também

a guitarra foi abrindo caminho no panorama musical, com a introdução de

expressivos matizes no toque como arpejos, acordes e dedilhados. Adap- tados, muitas vezes, da técnica da guitarra clássica, esses recursos enrique-

ceram o sabor natural, o colorido e o regionalismo desse instrumento, que atualmente tem papel de destaque pelo grande número de concertistas que

a ela se dedicam. Apesar de ser uma arte popular, o flamenco recebeu contribuições impor- tantes de autores individuais, dentre os quais vale destacar:

- No cante: El Planeta, El Fillo, Silverio Franconetti, Enrique El Mellizo, Anto- nio Chacón, Antonio Mairena, Manuel Torre, Fernanda e Bernarda de Utrera, Pastora Pavón e Camarón de La Isla.

- No baile: Juana La Macarrona, Vicente Escudero, Antonio, Carmen Amaya,

Matilde Coral, Antonio Gades, Manuela Carrasco, Antonio Canales, Eva La Yerbabuena e Sara Baras.

- Na guitarra: Maestro Patiño, Ramón Montoya, Diego Del Gastor, Sabicas,

Niño Ricardo, Serranito, Paco de Lucía, Manolo Sanlúcar, Tomatito, Gerardo Nuñez e Vicente Amigo.

Córdoba, Pepe de. Palos Flamencos. – 1. Ed. - São Paulo: Edicon, 2008. Reyes, Alberto García. Guía Del Flamenco de Andalucía. 3. Ed. - Junta de Andalucía, Consejeria de Turismo, Comercio y Deporte, Turismo Andaluz, S.A. Egondi Artes Gráficas, 2005. Graf-Martinez, Gerhard. Flamenco Gitarrenschule. ED 8253 BSS 48089. B. Schott’s Söhne, Mainz, 1994. Pohren, D E. El arte flamenco. Sevilla: Editora Española, 1970.

D E. El arte flamenco. Sevilla: Editora Española, 1970. FALáCIAS FEVEREIRO DE 2009 Me pega de

FALáCIAS

FEVEREIRO DE 2009

Editora Española, 1970. FALáCIAS FEVEREIRO DE 2009 Me pega de novo que foi gostoso! Suze(45) p/

Me pega de novo que foi gostoso!

Suze(45) p/ Bambu (45), que a ensinava a nadar no dia livre do COBREM

“tô quebrada! Já tentei todas as posições nesse banco mas não dá!

Lú Manhezi(46) para Miquelline (45), ao reclamar do desconforto do banco do ônibus da UFPR na viagem de volta do COBREM.

“Está quente mas é gostoso

vai, põe tudo na boca

Jabá (FIDABEM-SP) com Miquelline 45 sobre uma tortinha frita do Mac durante o COBREM.”

SPASMO!

sobre uma tortinha frita do Mac durante o COBREM.” SPASMO! Praquê? E então Você percebe que

Praquê?

E então

Você percebe que tem um dom qualquer Algo que você não sabe pra que serve,

não se diz e não se pode compartilhar! Não sabe se te faz melhor ou pior.

É só o que VOCÊ vê

Um dom que tem uma latência de uma vida se perceber.

Um dom que é ridiculamente pífio na eternidade a partir de, de

Agora!

Mas isso não te basta e te angustia

Como se a cada dia fosse lhe dado o direito, o dever, a possibilidade De salvar uma alma por dia e todo dia você falhasse Um remoer por dentro do seu único EU Escarnecendo encarcerado, rosnando amordaçado, eclodindo de suas

entranhas

grunhindo palavras santas e blasfêmias Você é livre? Independente? Maleável? Flexível?

Você convive com

Acredita que a possibilidade de entender coisas é passar por elas, provar Há textura, odor, viagem -exclusivamente única?! Você deve? Cobra? Quem cobra?

Você lê: “A maior prova de independência e liberdade é saber preservar-se.”

E acaba indo dormir mais burro do que acordou! Malditos sejam todos!

Que fazem pensar que meus pensamentos não são meus. Eles são meus e teus suportas o meu altruísmo sem inveja?

E a minha crueldade sem nojo?

A distância que nos separa é tão ilusória

quanto a idéia de existir um “meu” e um “seu”

Sou tanto parte de você quanto você imagina sermos seres

distintos

por isso prefiro o vinho tinto

Existe sempre um momento em que se pode resistir Ou se atirar de cabeça

-É preferível, e inteligente, que se adie tal momento

Há penumbra em nossas escolhas

gente?

escura para atrair!

clara para o que convém!

O

momento o conduz por onde lhe apraz. Cada situação tem

vida própria para conduzir!

A estranha familiaridade

-O que mais se pode querer?!

-Acabou

Aceite!

Chello(37) e Bergo (41) mais no orkut, na Comunidade “Devaneios Tolos”