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Ao examinar a criança a gente observa muitas situações que motivam essa primeira

consulta, muita dessas queixa principal se referem a lesões cariosas ou a traumas


dentários, muitas vezes a gente encontra crianças nessa situação.

(Ele só espelhou essa imagem durante a aula, então tudo que ela estiver citando é a
respeito dessa imagem)

Quando um trauma ocorre em um dente decíduo existe uma grande preocupação, que
é um dos principais objetivos da odontopediatria, que é manter esse dente decíduo na
cavidade bucal até o momento da sua esfoliação. Eu sei que o dente decíduo tem um
ciclo de vida, que ele vai ser substituído e que muitas vezes chegam pacientes com
caries extensas, com presença de lesões com alterações pulpares e periradiculares, e
que muitas vezes o pai chega a falar “ Por que não arranca logo esse dente, ele não
precisa ser substituído? “ e a gente fica preocupado com essa fala por que nós
sabemos da importância de manter esses dentes no arco dentário. Então agora eu
pergunto pra vcs “ Se esses pais chegassem nessa situação acima e dissese, ele tem
muitas lesões cariosas, arranca!”

Qual seria a resposta de vocês ?

R: Não pai, existe a possibilidade de manter esse dente decíduo mesmo sabendo que
ele vai ser substituído. Esse dente é importante para manter o espaço do dente que vai
substitui-lo, se eu removo ele antes do tempo pode ocorrer desse espaço fechar e o
dente do seu filho que vai nascer pode vir em uma posição errada. Além de manter
esse espaço, esse dente protege o germe do permanente, ele é importante para
mastigação e para o seu filho ter maior qualidade de vida. Esse dente é importante
para a fonação, se o seu filho perder ele muito cedo ele vai ter dificuldades em alguns
fonemas que são lingo dentais, seu filho vai ter problemas de hábitos pq esse espaço
cria hábitos com o de colocar o dedo na boca, as vezes até puxar o lábio nessa área e
assim gerando uma lesão.

Assim nós vamos convencer os pais dessa importância de manter os decíduos.

Nessa foto acima estamos vendo 2 crianças, a primeira com uma extensa lesão de
cárie( lesão de cárie ativa) no incisivos, presença de fístula; no segundo caso a gente
observa um caso de trauma. Diante desses 2 casos muitos questionamentos vem “
Qual é o diagnostico?”, eu sabendo o diagnostico já vou saber os tipos de tratamento
para essa lesão, eu tenho que pensar tbm “ Em que situações eu vou indicar o
tratamento endodôntico?” Como a gente tem como principal objetivo preservar esse
dente... como esse tem uma alteração periradicular ou periapical a nossa primeira
opção de tratamento é o endodôntico. A primeira opção sempre é o tratamento
endodôntico, porém a gente vai avaliar todas as situações envolvidas para avaliae se
realmente eu posso indicar o tratamento endodôntico ou posso contraindicar. Esse vai
ser nosso questionamento durante a aula.

O tratamento endodôntico em dentes decíduos é de extrema importância e para a


gente chegar na decisão do tratamento pulpar que vamos realizar vai depender do
grau de saúde do dente ou então do grau de inflamação ou então no grau de necrose.
Então esses fatores vão ser preponderantes para o tratamento, mas quando se pensa
em tratamento, eu primeiro tenho que ter todo o passo a passo, antes eu preciso ter o
diagnostico e ter feito coleta de vários dados desse paciente, uma boa anamnese e
principalmente eu preciso conhecer corretamente os sintomas manifestados pelo
dente decíduo. Então para esse quebra cabeça eu preciso ter minha fundamentação
teórica e assim chegar um diagnostico e depois no tratamento.

Quando a gente avalia alterações pulpares em dentes decíduos a gente avalia tanto as
alterações agudas como as crônicas, então nas pulpites agudas nós temos a pulpite
irreversível e a pulpite reversível. Voces lembram qual o sinal da pulpite reversível? Ou
melhor o sintoma da pulpite reversível? Por que ao falar em pulpite, já estamos
falando em inflamação, mas essa inflamação pode ter caráter reversível ou
irreversível , e pra ter caráter reversível quais são os sintomas que eu vou avaliar nesse
paciente? Se é uma pulpite aguda é por que tem dor, agora se ela tem dor... qual é
essa dor? Ela pode ser provocada ou espontânea. Quando se tem dor provocada se
tem uma pulpite reversível e é uma dor fugaz e rápido, por ser uma pulpite reversível a
gente pode utilizar um tratamento mais conservado que no caso é a pulpotomia ou
então capeamento indireto dependendo da situação. Já a pulpite irreversilvel, é caso
de dor espontânea, quando todo o comprometimento pulpar esta inflamado e não é
mais possível você preservar algum tecido como a polpa radicular e assim você tem
que obtar pelo tratamento radical que é a pulpectomia. Então a gente vai observar que
existem casos em que realizamos a pulpotomia, que é a remoção de parte da polpa,
permanecendo a parte radicular com vitalidade; e a pulpectomia, onde a remoção de
toda essa polpa que está inflamada.

As alterações crônicas nós temos a pulpite hiperplásica crônica, vocês viram que isso
tem outra terminologia, qual o outro termo? Polipo pulpar, a gente observa que o
paciente não sente dor e que o tratamento é pulpectomia. Além das alterações
pulpares, temos as periodontite perirradiculares no caso da periodontite radicular
aguda e o abscesso perirradicular aguda, onde existe presença de dor espontânea. Na
periodontite perirradicular aguda ele vai sentir a sensação de dente crescido e no caso
do abscesso perirradicular agudo ocorre um edema, você observa uma dor violenta.
No caso das crônicas, no casa da periodontite perirradicular crônica, você observa
radiograficamente uma lesão perirradicular, uma área de rarefação e a sintomatologia
o paciente não tem dor, ou seja, caso de dor pregressa e o paciente tem algo muito
caracteristico que é a fistula.

 Testes de frio e calor não são indicados em crianças(decíduos)


 Algumas vezes os dentes decíduos são assintomáticos (hiperemia -> necrose
pulpar)
 Semelhantes de uma forma geral aos permanentes
 Camada de esmalte e dentina mais fina( decíduos)
 Volume pulpar maior(decíduos )

Então a anamnese, o exame clinico e radiográfico é de extrema importância para assim


chegarmos a um diagnostico conclusivo e apartir desse diagnostico ser possível
estabelecer o tratamento para esta polpa, seja ela inflamada ou necrosada. Nós
sabemos que o exame radiográfico é um exame complementar de extrema
importância, não só para avaliar esse delineamento do comprometimento com a polpa
mas também é importante para avaliar o grau de reabsorção radicular por que o
dente decíduo é um dente que passa por um processo de ciclo vital, por que o dente
decíduo é assim... ele rompe na cavidade e depois de 1 ano e meio que ele rompeu ele
ta com a raiz formado e 3 anos antes da sua esfoliação ele começa a reabsorver as
raízes, então ele passa por um processo de reabsorção. Então a criança de 9 anos já
pode ter um dente na fase de regressão, então é de extrema importância avaliar no
exame radiográfico o grau de reabsorção radicular. Na figura assim vocês observam
que possui uma imagem com a raiz completamente reabsorvida e que não esta
completamente reabsorvida, então essa rizolise acontece de forma simultânea mas
por alguns processos cariosos ou alterações pulpares podem levar uma aceleração
dessa reabsorção e vocês observarem que uma raiz esta mais reabsorvida que a outra
e isso é de extrema importância pois isso vai definir nosso tratamento. Então a
radiografia é de extrema importância nas terapias pulpares, não só para avaliar o
delineamento da carie em relação aos condutos como vai nos auxiliar durante o
tratamento e na decisão desse tratamento, na medida que eu tenho que avaliar o grau
de reabsorção pra saber se eu posso ou não indicar essa terapia pulpar.

Com relação os dentes decíduos, quando se fala em teste de quente ou frio em


dentes decíduos nós não indicamos, por que ? Por que ele não é fidedigno, por que
muita das vezes a criança não sabe dar a resposta correta do que esta sentindo
durante aquele teste, até por que o teste muita das vezes ele pode levar a dor e isso
pode influenciar no comportamento da criança, então os testes de frio e calor eles não
são muito indicados no momento que estamos avaliando os dados pra chegar a um
diagnostico. Outro fator importante também é que as vezes os dentes decíduos são
assintomáticos, as vezes ele passa de uma hiperemia e quando vai ver já é uma
necrose pulpar, uma das situações que isso ocorre muito são em casos de traumas,
que são chamados de concunção, em que a criança sofre um trauma e ao sofrer esse
trauma ele só tem uma lesão aos tecidos de suporte que pode naquele momento pode
ter só uma sensibilidade, não vai ter mobilidade, não vai ter deslocamento e muitas
das vezes passa despercebido pelos pais, a criança reclama naquele momento mas
depois não reclama mais, quando passa algum tempo já vai se observar uma fistula ou
escurecimento do dente por que a concunção é um dos traumas que mais leva a
necrose pulpar.

Vamos avaliar a extensão da cárie, lembrando que muita das vezes não podemos
subestimar uma cavidade de carie, a gente pode achar que ela é bem pequena na
mesial ou distal e muita das vezes esta próxima da polpa. Temos que avaliar não só a
carie mas os tecidos de suporte, avaliando a presença de fistulas e muita das vezes
pode passar despercebido se você não fizer um bom exame nesse paciente, então
aqueles que olharem apenas dente podem perder esse diagnostico, temos que olhar
tanto extrabucal e depois irmos para o exame dos dentes, e sempre que avaliar uma
lesão extensa temos que avaliar os tecidos de suporte. Temos que avaliar também a
mobilidade do dente por que nós sabemos que o dente decíduo apesar dele sofrer um
processo de reabsorção e rizolise e passar por uma mobilidade fisiológica, porem
existe a mobilidade patológica e a gente tem que observar isso, observar a mobilidade
que foi decorrente de cárie e que levou a um processo pulpar e periradicular e que
levou uma reabsorção acelerada das raízes mais precocemente e que isso também
pode mudar o tratamento deste paciente, então por exemplo: um dente que você esta
observando, que possui uma lesão cariosa que vocês observaram área de rarefação, a
reabsorção radicular esta bem acentuada e ele esta com mobilidade, dependendo de
como esta essa mobilidade a terapia pulpar pode ser até contraindicada. Então
entendam a importância desse exame e além de saber com a relaçao desse bom
exame, também é importante a gente conhecer esse dente decíduo.

Uma vez que vocês vão tratar o dente decíduo... como é esse dente decíduo?

 Assoalho da câmara pulpar dos dentes decíduos apresenta uma anatomia


irregular
 Região de furca( Relevancia )

 Presença de inúmeros canais secundários

Esse dente decíduo de uma forma geral é parecido com os permanentes porém tem
algumas particularidades: ele apresenta camada de esmalte e dentina mais fina
quando comparado ao permanente associado ao volume pulpar maior... o que isso
significa? Muita das vezes o processo carioso se inicia e logo, logo você já vê o
comprometimento pulpar por que até ele chegar na polpa é como se fosse um
caminho mais curto em decorrência desse esmalte e dentina mais fina, além de ser
menos mineralizado, então isso faz com que o processo carioso dele se avance bem
mais rápido e chegue na polpa e muitas vezes vocês devem ter bastante cuidado ao
observar carie principalmente nos primeiros molares decíduos, as vezes você observa
uma carie pequena mas ela já ta com comprometimento pulpar. Além dela ter esse
volume pulpar maior, os cornos pulpares também são mais proeminentes. Outro fator
importante também na nossa avaliação é que o dente decíduo no assoalho da câmara
pulpar apresenta uma anatomia irregular, é mais fino comparado com o permanente,
então a gente tem que ter muito cuidado quando for fazer a terapia pulpar para não
acontecer acidentes e outro fator importante é que bem nessa região biradicular, que
nos chamamos de furca, ele tem uma certa relevância, por que ele tem vários
canalículos, pode apresentar canais secundários e acessórios e isso faz que quando o
processo inflamatório ocorre facilmente por apresentar esse assoalho mais fino e
irregular, por apresentar esses vários canalículos a infecção ocorre a esse nível; a gente
vai observar sempre uma área de rarefação.
É importante a radiografia para a gente observar a relação entre rarefação com a
cripta do permanente, então quando existe uma relação estreita entre dente decíduo
germe do permanente vocês observam que eu tenho o cuidado de quando for avaliar a
radiografia do meu paciente que esta com área de rarefação... eu vou observar se essa
área esta extensa, se essa área já comprometeu o germe do permanente. Quando eu
sei que comprometeu o germe do permanente? Quando eu sei que a cripta( linha
radiopaca) foi também interrompida pela lesão e aí compromete, isso pode levar a
esse germe que esta em formação a sofrer alguma alteração, entre elas a hipoplasia,
dependendo do momento de formação dele, se ele estiver em um momento de
aposição do esmalte e ocorrer uma infecção em área de rarefação... ele pode ter uma
hipoplasia, então nessas situações o tratamento pode ser alterado. Quando a gente vai
avaliar um caso desse a gente tem que avaliar como um todo, avaliar bem a radiografia
de forma sintomática, por que isso vai ser importante na decisão do meu tratamento.

 Crescimento do órgão pulpar – inicio da formação da coroa até a raiz completa


 Maturação do órgão pulpar – estágio de raiz completa até o inicio da
reabsorção radicular
 Regressão do órgão pulpar - inicio de reabsorção radicular até esfoliação do
dente

Eu tenho que entender que além disso, esse dente passa por um ciclo biológico, qual é
esse ciclo biológico ? É que ele tem 3 etapas importantes e dependendo dessas etapas
ele vai ter uma resposta a um tipo de tratamento, então a polpa no dente decíduo
apresenta 3 fases importantes: a fase de crescimento do órgão pulpar, que essa fase
corresponde a quando a coroa começa a se formar até a raiz se tornar completa,
lembram daqueles 1 ano e meio que se espera para a a raiz toda estar completa?
Então, essa fase se chama de crescimento do órgão pulpar; a segunda fase, a fase de
maturação do órgão pulpar, é um estagio da raiz estando completa até o inicio da
reabsorção radicular que ocorre nesse período, logo após do dente romper, a gente
observa que nessa fase já começou a reabsorção radicular; o terceiro é o processo de
regressão do órgão pulpar, até da iniciação da reabsorção radicular até a esfolição do
dente, então quando o dente esfolia começa todo esse processo da reabsorção
radicular. Então são 3 fases: de crescimento(até a raiz se tornar completa), maturação
da raiz completa(até iniciar a reabsorção radicular) e a fase de regressão(quando
começa a reabsorção radicular; e quando começa a reabsorção radicular? Comeca em
um período de 3 anos, tem crianças com 4 anos ou 5 anos de idade mas vai depender
do dente). Então na fase de crescimento a polpa é jovem, é muito fácil a reparação do
dente, já na fase de regressão a gente já observa as fibras e já esta em fase de
degeneração, então o que a gente pode pensar? Que nessa polpa jovem podemos
realizar procedimentos conservadores e vamos ter um bom prognostico; já na polpa
senil, em fase de regressão esse prognostico já se torna duvidoso para uma terapia
conservadora, nesse caso precisaríamos de uma terapia radical . Então só
relembrando, nós temos 3 etapas do ciclo: crescimento, maturação e regressão.

Qual é a fase do ciclo biológico da polpa que nós não poderemos optar por um
tratamento conservador que o prognostico será desfavorável ?

R: Regressão, então a gente vai ter que avaliar que em muito desses casos vamos ter
que partir para a terapia pulpar, no caso a pulpectomia, mas também associado a
todos os outros fatores como a inflamação da polpa... o tipo de inflamação.

 Capeamento pulpar indireto


 Capeamento pulpar direto
 Pulpotomia
 Pulpectomia

Então entendo um pouco a anatomia do dente decíduo, nós vamos conversar agora
sobre a terapia pulpar, quais são ? Todas essas vocês já conhecem, porém tem
algumas particularidades quando vamos fazer nos dentes decíduos e essas
particularidades eu quero que fique bem claro por que vocês tem uma visão mais
complexa do tratamento endodôntico e no dente decíduo todo esse protocolo do
dente permanente não será igual, até pelas características do dente decíduo. Nós
vamos conversar aqui sobre capeamento pulpar direto, capeamento pulpar indireto, a
pulpotomia e a pulpectomia. Quando eu falo capeamento pulpar indireto, ele consiste
na remoção seletiva do tecido cariado em dentes com lesões de carie profunda com o
principal objetivo de evitar o risco de exposição e comprometimento pulpar, então
quando eu sei que tem uma extensa lesão de carie onde eu vejo uma fina camada de
dentina pela radiografia e existe o risco de uma exposição pulpar, a minha primeira
escolha de tratamento sempre é o mais conservador, então minha primeira opção sera
capeamento pulpar indireto. Mas em que teoria se baseia esse capeamento pulpar
indireto? Como eu posso fazer uma remoção seletiva de tecido cariado? Como eu
posso deixar ainda tecido cariado? Existe essa possibilidade

 Capeamento pulpar indireto: Remoção seletiva do tecido cariado em dentes


com lesões de cárie, a fim de evitar riscos de exposição e comprometimento
pulpar
Então foi com base nos primeiros trabalhos de Fusaiama, onde ele observou que a
dentina cariada é dividia em zonas que nós podemos identificar como dentina
infectada e dentina afetada. A dentina infectada é a mais externa, vocês vão observar
que clinicamente ela é mais amolecida; a dentina mais interna é chamada de dentina
cariada afetada, essa dentina clinicamente você observa já em raspas, quando você vai
removendo você vai observando ela em raspas, como se fossem escamas de peixe e
você observa outro fator é que ela tem capacidade de remineralizar. Então nas
camadas mais externa há uma capacidade maior de bactérias, uma camada mais
desorganizada, toda a camada de colágeno dessa dentina esta degradada (A aula da
professora aqui caiu e ela começou outra )

 Camada externa infectada


-bactérias
-não passível de remineralização
-desorganizada
-fibras colágenas degradadas

 Camada interna afetada


-livre ou com poucas bastérias
-passível de remineralização
-fibras colágenas íntegras
 Pesquisas atuais : remoção seletiva de tecido cariado( dentina infectada) na
parede pulpar dos dentes decíduos, porém remoção total nas paredes
circundantes
 Cimento de hidróxido de cálcio
 Cimento ionômero de vidro
 Restauração definitiva
 Técnica realizada em uma única sessão
 Em casos de micro- exposição sem contaminação pela saliva ou cárie
 Contra-indicado: pulpites ou necrose pulpar
 Contra-indicado: pulpites ou necrose pulpar
 Material utilizado: hidróxido de cálcio P.A + cimento de hidróxido de cálcio +
CIV + restauração

“ Remoção da polpa coronária seguida do uso de medicamentos que procuram manter


a polpa radicular em condições de saúde, permitindo que o ciclo biológico da
reabsorção radicular se processe naturalmente”

 Indicados para dentes decíduos com vitalidade


 Não possuindo mais de dois terços de reabsorção radicular
 Com ausência de lesão periapical
 Não indicamos esta conduta para dentes tão destruídos, que seria impossível a
reconstrução dos mesmo após a terapia endodôntica .
( a parte 2 começou daqui)

Medicamento que podemos utilizar na pulpotomia em decíduos, vocês vão observar


medicamentos que são muito utilizado que são:

 Pasta Iodoformada
A pasta Iodoformada foi uma pasta que foi preconizada por Guedes Pinto,
composta por iodoformo, rifocor e paramono; esses 3 componentes se
misturam e colocamos bem na área dos condutos . Ela já foi muito utilizada
mas muita das vezes ela trazia escurecimento ao dente e atualmente com
ausência do rifocor, ele deixou de ser utilizado. Depois que o rifocor saiu, ela
também deixou um pouco de desususo, tanto para uso em pulpotomia e
pulpectomia. A professora disse que depois explicava por que esse
medicamento deixou de ser usado
 Formocresol
Tambem nós temos o Formocresol, que também contraindicamos, por vários
fatores mostrados em pesquisas. O formocresol talvez ainda é encontrado em
postos públicos. Por muito tempo foi utilizado formocresol em pulpotomias,
onde se pegava esse material, ele é um liquido, esse liquido após ser feita a
remoção de toda a polpa coronária colocava-se esse liquido em um algodão
estéril e levava na cavidade( bem na entrada dos canais) por 5 minutos ou 24
horas. O que as pesquisas mostraram em relação a esse material e a essa
conduta? Primeiro, o objetivo do formocresol era formar uma superfície
necrótica bem superficial, deixando toda aquela área com vitalidade, porém
quando se colocava o formocresol não se tinha o controle da quantidade de
formocrosol que iria penetrar naquela área de polpa radicular, aí se observava
que por mais que se dissese assi “ coloque o algodão, tire todo o excesso e
coloque sobre o dente por 5 minutos e depois retire e faça a restauração, ou
deixe por uns dias e quando retornar você faz a restauração “; porém esse
formocrol de 5 minutos e nem o de 24 horas... ele não causa reparo biológico,
ele nõ promove nenhum reparo, ele vai promover reparo biológico só na
superfície externa mas isso não vai de alguma forma causar reparo, ele é toxico
e o que se observou que ao colocar o algodão com o formocresol é que ele
penetrava muito além do se pensava chegando em toda a polpa e isso levava a
muitas infecções, rarefações e por isso deixamos de utilizar na odontopediatria
 Pasta de Hidróxido de Cálcio
O que esta se utilizando agora é a pasta de hidróxido de cálcio ! Tem vários
outros medicamentos que podem ser utilizados mas a pasta de hidróxido de
cálcio é o que utilizamos para uso em pulpotomias por ser bactericida, por
promover um reparo biológico.

Aqui só mostrando para vocês a pasta iodoformada, no caso o paramono,


iodoformico e ridofor. No caso o iodoformico deixou de ser utilizado e
substitui-se por Oncilon. Na outra imagem de vermelgo é o paramono e o
amarelo é o iodoformico, manipulava-se em proporções iguais e colocava-se na
entrada dos condutos

Agora ela mostra um caso clinico

Caso de cárie
Remoção com baixa rotação , essa baixa rotação nos removemos todo o tecido
cariado, ao ocorrer a trepanação você remove o teto com a endo z, é muito
importante para vocês que vão atender crianças e sabendo de toda essa anatomia do
dente decíduo... de como o assoalho e irregular e fino... precisamos ter muito cuidado.
Então eu sugiro a todos que apartir do momento que fomos remover todo o tecido
cariado e observou que ocorreu a abertura/ acesso, não continue usando a broca
esférica, passe a utilizar a endo z por que ela não tem corte na ponta e você vai
trabalhar com muito mais segurança pra remover todo o teto.

Então já com a abertura, vamos remover essa polpa coronária inflamada para deixar
apenas a polpa com vitalidade que é a polpa radicular. Voce observa esse vermelho
mais escuro, você observa que não tem resistência e facilmente é removido.
Qual a solução de irrigação? É o soro fisiológico, na pulpotomia a solução de irrigação é
o soro fisiológico por que? Por que ele tem compatibilidade, o soro remove as raspas
de dentina que podem servir como corpo estranho e causar um processo inflamatório
depois. Então ele remove as raspas de dentina, ajuda na formação de coaculo e com
isso conseguimos ter uma boa limpeza.

Aqui a entrada dos condutos.

Partimos para a pasta de hidróxido de cálcio, vamos manipular o hidróxido de cálcio


P.A com soro fisiológico. Manipulamos, colocamos na entrada e depois cimenta com
cimento de hidróxido de cálcio e ionômero e restaura.

Nesse caso teve a remoção do tecido cariado, então aqui ocorreu a remoção, observou
que durante a remoção houve alguns pontos de acesso e foi colocada a endo z e foi
feita a abertura. Removeu essa polpa com curetas, é bom que as curetas sejam curetas
novas e afiadas. Depois foi feita hemostasia, colocada a medicação e depois da
medicação restaura com hidróxido de cálcio .

Baseia- se quase que exclusivamente na ação dos medicamentos intracanais,


objetivando a promoção da desinfecção dos mesmo.

A pulpectomia na remoção total da polpa inflamada, onde vai estar aplicando


medicamentos dentro desses canais, objetivando a promoção de desinfecção dos
mesmos, dessa forma vamos estar tratando e deixando que esse dente fique um
pouco mais até chegar o momento da sua esfoliação. Quando que vamos indicar
pulpectomia? Nas alterações inflamatórias irreversíveis da polpa e quando a polpa
tiver necrosada e com alterações perirradiculares. A pulpectomia sempre vai ser
indicada nessas situações, a não ser que haja alguma contraindicação que impeça que
esse tratamento seja realizado. Mas sempre que tiver um caso de alteração
inflamatória, de necrose pulpar ou de uma necrose com alteração perirradicular você
vai obtar por uma pulpectomia.

Quando indicar a pulpectomia?

 Em casos de pulpite aguda irreversível


 Necrose pulpar
 Lesão periapical

Porém, a gente vai observar que irão haver algumas que a pulpectomia será
contraindicada. Casos de Rizólise avançada e lesões periapicais extensas
acompanhadas de mobilidade.
Então todas as vezes que a gente falou que ocorreu primeiro uma alteração
inflamatória irreversível ou uma necrose com lesão ou não a gente vai optar
primeiro pela pulpectomia porém você vai avaliar nesse caso se tem alguma
contraindicação para esse tratamento. Quais são as contraindicações?
 Rizólise avançadas

Então se esse paciente estiver com a reabsorção das raízes avançadas, não vai ser mais
indicado o tratamento endodôntico, no caso a pulpectomia.

 Lesoes periapicais extensas, acompanhadas de mobilidade

Nesses casos em que vocês não forem obtar pelo tratamento endodôntico, vocês irão
optar por uma exodontia.

 Abscessos Volumosos
 Alveóliose( reabsorção do alvéolo)

Aqui se vocês observarem, ocorreu um trauma, a criança não procurou no


primeiro momento e ai observasse que houve extrusão desse dente, além disso
ele também sofreu reabsorção do alvéolo. Como você observa a reabsorção da
raiz? Vai ter mobilidade nesse dente.
 Dentes decíduos irrestauráveis
- dentes que você observa que o termino está abaixo da margem gengival,
abaixo do osso alveolar, por que não tem como fazer um aumento de coroa em
um dente decíduo, se fosse um permanente você faria um aumento de coroa e
depois restaurava. Não é possível fazer isso no decíduo por que você vai
desgastar osso e ali tem o germe do permanente.
 Lesões de cárie destruindo o assoalho da câmara

Outra contraindicação são lesões de carie destruindo o assoaldo da câmara


pulpar, embora tenho material restaurador... observem que todo o assoalho foi
destruído. Não se opta pelo tratamento endodôntico e sim pela exodontia.

Outra situação, é quando tiver uma área de rarefação que esteja rompendo a
cripta do germe do permanente! Se essa lesão romper a cripta, o dente deve
ser removido. Toda vez que eu optar pela exodontia eu tenho que me
questionar “ eu vou precisar ou não colocar mantenedor de espaço?” por que
isso vai estar na dependência da formação da raiz do germe permanente, então
se esse germe do permanente estiver com 2/3 da raiz formada, eu não preciso
colocar o mantenedor de espaço mas se ele tiver com menos de 2/3 aí eu
preciso colocar mantenedor de espaço.

 Pasta de Hidróxido de Cálcio


 Pasta Iodoformada

A pasta de hidróxido de cálcio nós utilizamos para obturação dos condutos. Olhe bem,
existe uma para obturação dos condutos, por que vocês vão ver que os dentes
decíduos não obturamos os condutos com o cone de guta percha, nós obturamos com
pasta de hidróxido de cálcio, então essa pasta de hidróxido de cálcio pode ser utilizada
tanto como medicamento de demora, dependendo de qual tratamento você estiver
fazendo... por que se você estiver tratando um abscesso crônico, você vai ter que ter
uma medicação de demora pra depois voltar pra colocar a pasta definitiva ou você
pode ta trabalhando na obturação com a pasta iodoformada. A pasta de hidróxido de
cálcio é a que elegemos atualmente, por que ? Por todas as suas características:
bactericida, boa reparação.

A pasta iodoformada é a pasta que é o iodoformo, junto com o paranamo e o oncilon;


o que se observou? Ela já foi muito utilizada na obturação dos condutos e em muitas
situações observava-se o escurecimento, por isso não estava mais sendo indicada para
o tratamento endodôntico, como também se observava como se ela reabsorvesse
dentro do dente desciduo e o dente ficava oco. Então esses foram um dos fatores que
fizeram esse medicamento ser reavaliado.

Então na pulpectomia o primeiro passo é, no dente decíduo vocês vão observar que
existem algumas alterações, na verdade é mais simples. Embora seja mais simples,
com menos estapas, porém em uma das estapas que se tem introdução da pasta se
torna um pouco mais difícil , mas no todo ela é mais simples.

Então primeiro radiografamos o paciente e vamos avaliar uma lesão de


comprometimento pulpar, onde você observou a necessidade do tratamento
endodôntico com pulpectomia. Nesse momento, nessa mesma radiografia de
diagnostico você vai fazer a mensuração e essa mensuração vai ter um ponto de
referencia, nem sempre ela vai ser da coroa até o ápice, por que isso não pode
acontecer? O dente decíduo sofre rizolise e essa rizolise nos dentes anteriores se inicia
por lingual, uma radiografia é bidimensional, então eu observo aqui que a raiz vai até
essa altura, porém se for um dente que esta sofrendo rizolise, na radiografia eu não
vou observar por ela ser bidimensional, por essa perda de reabsorção pode estar
ocorrendo por lingual, então se eu tiver uma lima e vier até a ponta e se esse dente
estiver em processo de reabsorção, eu posso atingir com a lima o germe do
permanente.

Então para que isso não ocorra, o que é feito? Nós vamos fazer uma linha de
referencia e qual vai ser essa linha de referencia? A referencia vai ser o germe do
permanente, então eu vou fazer a linha aqui da coroa aí quando eu chegar na linha do
permanente eu faço uma linha de referencia(isso em cima da radiografia, assim como
mostrado na imagem). Então com a régua, eu faço uma linha imaginaria e vou medir
da incisal até a referencia( germe do permanente), aí eu posso tirar 1 mm para caso de
necrose ou de 2 mm e esse vai ser meu comprimento de trabalho( de 1 mm ou até no
máximo 3 mm). Voce subtrai 1mm no caso de necrose ou em casos de biopulpectomia.
Essa odontometria se faz com a radiografia de diagnostico, não é necessário aquela
etapa de você colocar as limas e ir até o raio X fazer a imagem radiográfica, voltar pra
ver o comprimento...NÃO É NECESSARIO NO DENTE DECIDUO. A instrumentação tem
que ser feita com limas no comprimento que você obteve com essa radiografia de
diagnostico.

Aqui nessa radiografia, observem que ele não tem sobreposição, mas sempre o germe
vai ser a referencia.

Outra forma de fazer a odontometria são com os localizadores apicais, onde vai se
observar até onde pode ir.

Então vamos para a seguencia de todo esse protocolo .


Na pulpectomia de dentes anteriores, começa a remoção, aqui já tinha uma
restauração provisória que foi feita e removida, depois fez o acesso, houve
sangramento, fez se a abertura e irrigação e instrumentação. A irrigação e a
instrumentação ocorre da seguinte forma: no caso de pulpectomia vamos irrigar com
solução de Milton a 1% , vocês lembram que na pulpotomia foi soro fisiológico!

Então selecionamos a lima, faz se a primeira... segunda...terceira e quarta, então no


máximo 3 limas após a primeira. Essa instrumentação é bem simples, ela não é pra
formar batente, você só vai no comprimento para fazer a desinfecção! É mais uma
limpeza do canal. Não há formação de batente por que pode estar ocorrendo a
reabsorção da raiz e não tem como você preparar um batente.

Nesse caso o material endodôntico sera a pasta de hidróxido de cálcio. Voce pode usar
ela da seguinte forma: Sobre uma placa de vidro você coloca hidróxido de cálcio P.A,
proprileno glicol (que é o veiculo) mais o pó de hidróxido de zinco, essa que é a pasta
para obturação do canal. Essa pasta é colocada dentro dos condutos, depois na
entrada dos canais é colocado cimento de hidróxido de cálcio e cimento forrador , ai
restaura e faz o raixo X final.

Diante disso como é que essa pasta de hidróxido de cálcio P.A é feita? Numa placa de
vidro eu coloco hidróxido de cálcio P.A, propileno glico( o veiculo) e o oxido de zinco;
por que eu coloco oxido de zinco? Por que ele vai dar radioopacidade para essa pasta.
Qual a consistência dessa pasta? Uma consistência de creme, fica como um creme
dental e essa pasta que vai obturar.

Não se utiliza os cones de guta percha para obturar por que ele não é reabsorvido,
então por isso se utilizam pastas!

Como eu vou colocar essa pasta dentro do conduto? Voce precisa ter o cuidado de
ficar inserindo essa pasta para garantir que ela ficou dentro do conduto. Essa pasta é
colocada com uma lima limpa, então você vai pegar uma lima limpa e insere dentro do
conduto com movimentos rotatórios, entrando com movimentos horários e sai com
movimentos anti-horário e assim vai colocando, você vai ter que fazer isso varias vezes
( essa é a parte mais complicada) e isso vai condensando com um condensador até
você preencher completo.

Outra forma de material obturador

Eu posso também pegar callen sem paramono e eu coloco sobre uma placa de vidro e
manipulo ele com oxido de zinco, ao manipular ele vai ficar mais espesso e além de
mais espesso vai dar radiopacidade .
A reabsorção do dente posterior ocorre na mesial, onde vai ter contato com o dente,
então por isso que eu tenho que ter cuidado para sempre avaliar a altura do germe.

Por exemplo, se fosse nessa radiografia, eu iria verificar o tamanho da raiz distal e
mesial, então o que eu faço? Eu passo uma linha de referencia aqui( printei bem onde
ela apontou) e tudo pra cima será o comprimento. Faço a linha de referencia e faço a
medida desde a cúspide de referencia até o risco e apartir dai eu tiro 1mm ou 2mm ou
3mm.

Aqui eu tenho 3 situações, na primeira o germe está bem distante ( onde tem a seta
apontando), a segunda é uma situação em que só uma raiz esta próxima do germe e a
terceira é muito corriqueira em que o germe está entre as raízes. PS: A linha verde é a
linha imaginaria traçada nessas situações para medir o canal.
Como eu faria a anestesia desse dente?->essa criança tem 7 anos de idade

Se fosse uma criança de 4 eu até poderia fazer a técnica infiltrativa por que eu
não tenho molar permanente, essa mandíbula não está totalmente calcificada
e eu tenho melhores condições de ter uma boa resposta. Mas como é uma
criança de 7 anos, o molar permanente já erupcionou, a mandíbula já ta com o
osso bem mais calcificado... eu vou optar pela pterigomandibular regional.
Então eu tenho que saber a anestesia, vou fazer isolamento absoluto, vou fazer
remoção de tecido cariado, vou remover o teto da câmera pulpar, depois vou
fazer a remoção com endo z, depois vou irrigar com solução de Milton e vou
também instrumentar uma lima depois mais 3 com a intenção de fazer uma
limpeza desses condutos, depois eu vou secar com cones absorventes e depois
eu vou colocar o material obturador. Na entrada dos canais eu posso colocar
cimento de hidróxido de cálcio, aí depois ionômero de vidro e restaurar
normalmente.

VAMOS EXERCITAR UM POUCO!


1- Verdadeiro, então os procedimentos conservadores da polpa são
contraindicados na fase de regressão. Agora na fase de crescimento e
maturação nos podemos indica-los.

2- Verdadeiro, na pulpotomia é o soro fisiológico, agora na pulpectomia a


gente usa a solução de Wilton a 1 %

3- Falso, a referencia é no germe do permanente.

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