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cálculo

e álgebra linear
volume 4
Cálculo com mais de uma
Variável — Equações Diferenciais

Wilfred Kaplan
Donald J. Lewis

Departamento de Matemática
Universidade de Michigan

Equipe de tradutores: Marco Antônio Raupp (Coordenador)


Hilton Vieira Machado
Adilson Gonçalves
José Raimundo Braga Coelho
Antônio Conde
Marcos Duarte Maia
Eduardo Kanan Marques

Professores do Departamento de. Matemática


da Universidade de Brasília

Livros Técnicos e Científicos Editora S.A.


Rio de Janeiro - GB/1974
CO PYRIGHT © 1973, by LIVROS TÉCNICOS E CIEN TÍFICO S EDITORA S.A.
A LL RICHTS RESERVED

Authorized translation from English language edition published by John Wiley Gr Sons,
Inc., New York. Copyright © 1971 by John W iley Gr Sons, Inc. AH Rights Reserved.

Tradução autorizada de edição em língua inglesa publicada por John Wiley Gr Sons,
Inc., New York. Copyright © 1971 by John W iley Gr Sons. Todos os Direitos Re­
servados .

Título dó original em inglês: "CALCULUS AND LIN EAR ALCEBRA” Volume II.

IMPRESSO NO BRA SIL/PR IN TED IN B R A ZIL

1.® edição — 1973


Reimpressão — 1974

Capa: ag comunicação visual Itda.

Tiragem desta reimpressão 4.000 exemplares

A 1.® edição deste livro foi coeditada com o Instituto Nacional do Livro/M EC, dentro dc
Programa do Livro-Texto para o Ensino Superior, patrocinada pelo Ministério do Plane­
jamento o Coordenação Geral.

(Preparada pelo Centro de Catalogação-na-fonte do


Sindicato Nacional dos Editores de Livros, GB)

Kaplan, Wilfred.
K26c Cálculo e álgebra linear 1 por | Wilfred Ka­
plan I e I Donald J . Lew is; tradução coordenada
por Marco Antônio Baupp. Rio de Janeiro, Livros
Técnicos e Científicos, 1974.
V. ilust. 23cm.
Do original em inglês: Calculus and linear
algebra.
Apêndices.
Bibliografia.
1. Cálculo. 2 . Álgebra linear. I . Lewis, Do­
nald J . II . Título.
CDD — 17. — 517
512.897
18. — 512.15
51 2 .5
CDU — 517
74-0288 51 2 .8

LIVROS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS EDITORA S.A.


Av. Venezuela, 163 — ZC-14 — CP. 823
Rio de Janeiro — GB
PREFÁCIO

Nos Vols. 1 e 2 foi dese,nvolvido o Cálculo para uma variável, juntamente com
os vetores no plano e algumas idéias fundamentais relativas aos espaços vetoriais
gerais. Nestes 3.° e 4 .° volumes, desenvolvemos a Álgebra Linear mais extensiva­
mente e então aplicamo-la à Geometria, ao Cálculo para duas variáveis e a equações
diferenciais. Êstes tópicos apresentam-se tão intimamente ligados que o assunto em
questão é considerado aqui como um corpo de matemáticas bem definido e firme­
mente unido. A Álgebra Linear trata das relações cujas representações gráficas são
lineares: linhas, planos e seus correspondentes em dimensões maiores. Na Geometria,
vemos estas representações gráficas como estruturas no espaço euclidiano ou, mais
generalizadas, no R^. O Cálculo ocupa-se em parte, com relações cujas representações
gráficas são objetos curvos: caminhos (ou trajetórias) e superfícies. O Cálculo Dife­
rencial é essencialmente uma ferramenta para a “ linearização” destas relações (através
da diferencial) e seus gráficos (através de linhas e planos tangentes). Uma vez linea­
rizadas, as relações e representações gráficas podem ser tratadas pela Álgebra Linear
e pela Geometria. O Cálculo também lida com classes de funções: por exemplo, a
classe de todas as funções contínuas num intervalo ou numa região, a classe de todas
as funções que possuem a enésima derivada contínua num intervalo, a classe de todos
os polinómios, o conjunto de tôdas as funções racionais, o conjunto de tôdas as funções
representáveis por séries de potências num intervalo (funções analíticas) ou o con­
junto de soluções de uma equação diferencial linear homogênea num intervalo. Cada
uma destas classes constitui um espaço vetorial, e as idéias da Álgebra Linear de nôvo
encontram aplicações. Talvez, o mais belo exemplo destas aplicações esteja mostrado
na Fig. 13-49, indicando o núcleo e o domínio dos quatro operadores lineares V>
rot e div.
Achamos que as idéias centrais são mais nitidamente expressadas na Geometria,
e esperamos .que os leitores dêste livro possam devotar um tempo adequado ao Cap. 1 1,
no qual a Geometria Euclidiana é estudada em detalhes.
Fazemos a seguir um breve sumário por capítulo dos Vols. 3 e 4 com alguns
comentários.

Volume 3:

Capítulo 9. Espaços Vetoriais. Os espaços vetoriais são definidos axiomàtica-


mente; entretanto, foi tornado claro que em quase tôdas as aplicações, as verificações
dos axiomas requerem simplesmente a observação se são coerentes com as operações
básicas. A ferramenta essencial da Álgebra Linear é desenvolvida: subespaços, adição
de conjuntos, variedades lineares, independência linear, bases, dimensão, aplicações
lineares, núcleo, domínio, pôsto, nulidade, transformações lineares (aplicações de um
espaço em si mesmo), espaços vetoriais das aplicações lineares, álgebra das transfor­
mações lineares, aplicação inversa. Em muitos casos, ilustrações geométricas são dadas
(como antecipação do Cap. 11) e muitos exemplos são tomados do Cálculo.
V III P R EFÁ C IO

Capítulo 10. Matrixes e Determinantes. As matrizes são introduzidas como apli­


cações lineares de Vn (o espaço vetorial de w-uplas * reais) em Vm, a partir do que,
utilizando-se os resultados gerais de tais aplicações, podemos falar em pôsto de uma
m atriz. As idéias simples da Álgebra Linear permitem que sejam obtidos todos os
principais resultados relativos às equações lineares simultâneas, excetuando-se alguns
poucos, dependentes dos determinantes. Estas equações são cuidadosamente estudadas
e relacionadas com a Geometria. As operações com matrizes são desenvolvidas ampla­
mente (sempre como uma aplicação da teoria prèviamente desenvolvida das aplicações
lineares). É dada atenção especial às matrizes quadradas (transformações lineares) e
suas inversas. Os determinantes são desenvolvidos sistemàticamente e é ressaltado seu
significado geométrico. As seções optativas dizem respeito às matrizes de funções,
técnicas de eliminação, autovalores e semelhança.

Capítulo 11. Geometria Linear Euclidiana. A ênfase é dada neste capítulo ao


espaço tridimensional, embora seja mostrada, de um modo breve, em seções opcionais,
a generalização para espaços w-dimenslonais. Introduz-se o produto Interno, dedu­
zem-se as suas propriedades e define-se o em termos da função-distância corres­
pondente. O produto vetorial é também desenvolvido, sendo apresentado como impor­
tante ferramenta no estudo de retas e planos. São tratados pela Álgebra Linear muitos
problemas da Geometria, mas é dada ênfase no sentido de demonstrar quão bom é
êste método ao invés de ser enfatizada a teoria completa. O tratamento da área e
do volume é relacionado com o Cálculo. São consideradas as aplicações lineares de
R3 no R3; a idéia da matriz jacobiana e seu determinante é destacada e seu signi­
ficado geométrico é acentuado. (Neste ponto, na verdade, o Cálculo Diferencial e
Integral, a Álgebra Linear e a Geometria reunem-se em uma das Idéias centrais da
Matemática.) As superfícies no espaço e coordenadas esféricas e cilíndricas são dis­
cutidas, o mesmo sendo feito com relação à mudança de coordenadas, ainda que de
um modo sucinto.

Volume 4 :

Capítulo 12. Cálculo Diferencial de Funções de Várias Variáveis. Derivadas e


diferenciais parciais são desenvolvidas e mostradas como sendo parte de uma teoria
que destaca as funções e operações vetoriais, em particular o gradiente e a matriz
jacobiana. As várias regras de cadeia são apresentadas como casos de uma regra multo
simples para funções vetoriais. Funções implícitas e inversas são examinadas, enfati­
zando-se a aproximação linear proporcionada pelo Cálculo; existem aplicações corres­
pondentes às tangentes e normais. São discutidos os máximos e mínimos, incluindo o
caso das condições laterais (Multiplicadores de Lagrange) ; novamente aqui, a Álgebra
Linear é Importante.

Capítulo 13. Cálculo Integral de Funções de Várias Variáveis. As integrais duplas


e triplas são estudadas, sendo assinaladas as propriedades essenciais necessitadas para
aplicações. A integração em coordenadas curvilíneas (essenclalmente cilíndricas e esfé­
ricas) é considerada com referência à Fórmula de jacobi. São discutidas numerosas
aplicações. As integrais de linha são estudadas sistemàticamente, destacando-se o
Teorema de Green e a independência do caminho percorrido. As operações de diver­
gência e rotacional são introduzidas e através do Teorema de Green são mostrados
seus significados físico e geométrico. As extensões destas idéias ao espaço são consi­
deradas ràpidamente.

Capítulo 14. Equações Diferenciais Ordinárias. Êste é, de fato, um breve curso


sôbre o assunto, dando-se ênfase às equações lineares e métodos matriciais. O Teo­
rema da Existência e aplicações práticas não são demonstrados, mas é dada grande im­
portância à Idéia de estabilidade. A análise do plano de fase, os métodos das séries e
técnicas numéricas são brevemente considerados.

Pronuncia-se ênuplas.
P R E FÁ C IO IX

Curso Mínimo Sugerido. O esboço seguinte estabelece um curso completo, mas


apenas os assuntos essenciais de cada tópico são tratados: Seçs. 9-1 até 9-9, 9-1 1
até 9-14, 9-16, até 9-21, 10-1 até 10-13, 11-1, 11-2, 11-4, 11-6 até 11-8,
11- 10, 11-12, 11-14, 11-15, 1 1 -1 7 , 11-19, 11-20, 12-1 até 12-14, 12-17 até
12- 19, 13-1, 13-2, 13-4 até 13-9, 14-1 até 14-9, 14-11 até 14-13. Pode-se
inclusive omitir completamente o Cap. 14; para muitos fins, as seções sobre equações
diferenciais no Cáp. 7 são suficientes. Pospondo-se üm tratamento completo das equa­
ções diferenciais para um nível mais adiantado, haveria tempo para upia visão mais
completa dos Caps. 9 até 13.
Sinais (^) e ( í ) . Como nos Vols. 1 e 2, um sinal ( +) assinala uma seção opcio­
nal e um sinal (t ) indica uma seção tanto opcional quanto extremamente difícil.
Algumas demonstrações e problemas são marcados com um sinal ( t ) , como indicativo
de dificuldade.
Agradecimentos. Expressamos o nosso reconhecimento ao editor pelo apoio e
encorajamento dados através de tôda a preparação dêste volume; agradecemos espe­
cialmente a John B . Hoey pelos seus incansáveis esforços como representante do
projeto. A Helen M . Ferguson e Anna Church expressamos nosso aprêço pelo belo
trabalho na datilografia do manuscrito.

Wilfred Kaplan
Donald J. Lewrs
Ann Arbor, 1970
CONTEÚDO

Volume 3

CAP. 9 — ESPAÇOS VETORIAIS. 833

9-1 . Conceito de Espaço Vetorial, 833


9-2 . Subespaços, 839
9-3 . Interseção de Subespaços, 845
9-4 . Soma de Subconjuntos, 848
9-5 . Variedades Lineares, 854
9-6 . Envoltória Linear de um Conjunto, 859
9-7 . Bases, Independência Linear, 860
9-8 . Dimensão, 867
9-9 . Dimensão de Subespaços e de Variedades Lineares, 869
Í9 - 1 0 . Demonstrações de Teoremas Sobre Dimensões, 872
9 -1 1 . Transformações Lineares, 878
9 -1 2 ., Imagem de uma Transformação Linear, 884
9 -1 3 . Núcleo de uma Transformação Linear, 886
9 -1 4 . Pôsto e Nulidade de uma Transformação Linear, 889
19-15. Demonstração de Dois Teoremas, 892
9 -1 6 . Soma de Transformações Lineares, Múltiplos Escalares de
Transformações Lineares, 895
9 -1 7 . Composição de Transformações Lineares, 897
9 -1 8 . Inversa de uma Transformação Linear, 900
9 -1 9 . Transformações Lineares num Espaço Vetorial, 903
9 -2 0 . Polinómios em uma Transformação Linear, 906
9 -2 1 . Transformações Lineares Não Singulares, 910
9 -2 2 . O Polinómio Mínimo de uma Transformação Linear, 913
9 -2 3 . Autovetores e Autovalores, 916

CAP. 10 — MATRIZES E DETERMINANTES. 920

10-1 Matrizes, 920


10-2 . Matrizes e Transformações Lineares Vn em Fm, 921
10-3 . Matrizes como Transformações Lineares, 925
10-4 . Núcleo, Imagem, Nulidade e Pósto de uma Matriz, 927
10-5 . Matriz Identidade, Matriz Escalar, Matriz Zero, Matrizes
Complexas, 931
10-6 . Equações Lineares, 934
10-7 . Soma de Matrizes, Escalar Vêzes Matriz, 947
10-8 . Multiplicação de Matrizes, 949
10-9 . A Transposta, 952
X II CO N TEÚ D O

10-10. Partição de uma Matriz, 955


10-11 . A Álgebra de Matrizes Quadradas, 958
10-12. Matrizes Não Singulares, 964
10 - 13. Determinantes, 969
110-14. Demonstrações de Teoremas Sôbre Determinantes, 982
110-15. Outras Observações Sôbre Determinantes, 988
+10-16. O Método da Eliminação, 994
+10-17. Matrizes de Funções, 1001
+10-18. Autovalores, Autovetores, Polinómio Característico de uma
Matriz, 1004
tlO - 1 9 . Representações Matriciais de uma Transformação L i­
near, 1010
110-20. Matrizes de Jordan, 1.012
110-21 . Matrizes Semelhantes, 1016

CAP. 11 — GEOMETRIA EUCLIDIANA LINEAR, 1020


Introdução, 1020
11- 1 Produto Interno e Norma em Vst 1021
11-2 . Vetores Unitários, Ângulos Entre Vetores, 1023
Í11-3- . Espaço Vetorial Euclidiano de Dimensões n, 1025
11-4 . Pontos, Vetores, Distância, Retas no Espaço Euclidiano
Tridimensional 1028
Í1 1 -5 . Retas no Espaço Euclidiano n-dimensional, 1035
11-6 . Produto Vetorial, 1037
11-7 . Produtos Triplos, 1043
11-8 . Aplicação do Produto Vetorial a Retas no Espaço, 1045
111 -9 . O Produto Vetorial em Fn, 1047
11-10. Planos em R3. 1051
11-11. Relações Entre Retas e Planos, 1058
11-12. Relações Entre Dois Planos, 1060
ni-13. Hiperplanos e Hipersuperfícies Lineares em R ”, 1062
11-14. Outros Sistemas de Coordenadas Cartesiana sem 1065
11-15. Comprimentos, Áreas e Volumes em 1069
Í1 1 - 1 6 . Novas Coordenadas e Volume em R.", 1076
11-17. Transformações Lineares de R® em 1079
í 11-18. Transformações Lineares de R " em R ”*, 1082
11-19. Superfícies em R3, 1084
11-20. Coordenadas Cilíndricas e Esféricas, 1088
11-21 . Mudança de Coordenadas em .Rs, 1092
í 11 -2 2 . Mudança de Coordenadas em R", 1096

RESPOSTAS DOS PROBLEMAS, 1099

Volume 4
CAP. 12 — CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS
VARIÁVEIS, 1111

Introdução, 1111

12-1 Conjuntos no Plano, 1112


12-2 . Funções de Duas Variáveis, 1115
12.3 . Funções de Três oü Mais Variáveis, 1121.
12.4 . Funções Vetoriais, 1122
12-5 . Funções Matriciais, 1125
12-6 . Operações com Funções/ 1125
1 2,7 . Limites e Continuidade, 1128
12-8 . Derivadas ParciaiS/ 1137
CO N T EÚ D O X III

1 2 .9 . A Diferencial, 1143
12 -10. Regras de Cadeia, 1151
1 2 .1 1 . Derivada Direcional, 1157
1 2 .1 2 . Diferencial de uma Função Vetorial; Matriz Jacobiana, 1163
1 2 .1 3 . A Regra Geral da Cadeia, 1168
12-14. Funções Implícitas, 1173
^ 2 -1 5 . Teorema da Função Implícita, 1183
1 2 .1 6 . Funções Inversas/ 1189
1 2 .1 7 . Curvas no Espaço, 1196
1 2 .1 8 . Superfícies no Espaço, 1199
12-19. Derivadas Parciais de Ordem Mais Alta, 1207
H 2 .2 0 . Demonstração do Teorema Sôbre Derivadas Parciais Mistas, 1210
12- 21 . Fórmula de Taylor, 1215
1 2 .2 2 . Máximos e Mínimos de Funções de Duas Variáveis, 1221
112-23. Multiplicadores de Lagrange, 1230
M 2 -2 4 . Demonstração do Teorema Sôbre Máximos e Mínimos
Locais, 1233
112-25. Alguns Resultados mais Profundos Sôbre Continuidade, 1238

CAP. 13 — CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS


VARIÁVEIS, 1247

13- 1 . A Integral Dupla, 1247


13-2 . Teoria da Integral Dupla, 1256
Í13-3 . Demonstração de que a Integral Dupla Pode ser Repre­
sentada como Limite, 1265
13-4 . Integrais Duplas em Coordenadas Polares, 1270
Í13-5 . Outras CoordenadasCurvilíneas, 1273
13-6 . Integrais Tríplices, 1277
13-7 . Integrais Tríplices em Coordenadas Cilíndricas e Esféricas, 1285
13-8 . Outras Propriedades das Integrais Múltiplas, 1293
13-9 . Área de Superfície, 1299
13-10. Outras Aplicações das Integrais Múltiplas, 1303
13-11. Integrais de Linha, 1312
13-12. Teorema de Creen, 1323
13-13. Rotacional e Divergente; Forma Vetorial do Teorema de
Creen, 1325
13-14. Diferenciais Exatas e Independência do Caminho, 1337
13-15. O Teorema da Divergência e o Teorema de Stokes'no
Espaço, 1347

CAP. 14 — EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS, 1354

14-1 Conceitos Básicos, 1354


14-2 . Método Gráfico e Método de Integração por Etapas, 1364
14-3 . Equações Exatas de Primeira Ordem, 1369
14-4 . Equações com Variáveis Separáveis e Equações da Forma
y' = g^yl^), i376
14-5 . A Equação Linear de Primeira Ordem, 1382
14-6 . Equações Diferenciais Lineares de Ordem n, 1390
14-7 . Variação de Parâmetros, 1397
14-8 . Soluções com Valôres Complexos de Equações Diferenciais
Lineares, 1401
14-9 . Equações Diferenciais Lineares Homogêneas com Coefi­
cientes Constantes, 1403
+14-10. Independência Linear de Soluções da Equação Linear Ho­
mogênea com Coeficientes Constantes, 1408
14-11. Equações Diferenciais Lineares Não Homogêneas com
Coeficientes Constantes, 1410
X IV CO N TEÚ D O

14-12. Aplicações de Equações Diferenciais Lineares, 1414


14-13. Vibrações de um Sistema Mola-massa, 1420
14-14. Equações Diferenciais Lineares Simultâneas, 1427
14-15. Soluções Que Satisfazem às Condições Iniciais; Variação
dos Parâmetros, 1435
14 -1 6. Soluções com Valôres Comolexos de Sistemas de Equações
Diferenciais Lineares, 1441
14-17. Sistemas Lineares Homogêneos com Coeficientes Cons­
tantes, 1444
14-18. Sistemas Lineares Não Homogêneos com Coeficientes
Constantes; Estabilidade, 1449
14-19. Método de Eliminação, 1454
t i 4-20. Aplicação da Função Exponencial de uma Matriz, 1458
14-21 . Sistemas Lineares Autônomos de Ordem Dois, 1465
14-22. Solução por Série de Potências, 1474
14-23. Resolução Numérica de Equações Diferenciais, 1482

RESPOSTAS DOS PROBLEMAS, 1487


ÍNDICE ALFABÉTICO. 1499
CAPÍTULO 12
CÁLCULO DIFERENCIAL
DE FUNÇÕES DE
VÁRIAS VARIÁVEIS

Introdução
Começamos nosso estudo do Cálculo com a linha reta. No decorrer
dêste estudo, a reta e a função linear correspondentes tiveram um papel cen­
tral. A derivada de uma função de uma variável está estreitamerite rela­
cionada com uma função linear, aquela função cujo gráfico é a reta tan­
gente ao gráfico da função dada.
O Cálculo das Funções de Várias Variáveis está igualmente baseado
nos ‘'objetos lineares” : retas, planos e suas generalizações para dimensões
mais elevadas. Nos capítulos precedentes desenvolvemos a Álgebra e a
Geometria necessárias para trabalhar com êstes objetos lineares. Agora
passaremos a relacioná-los com o Cálculo. Veremos que derivadas apro­
priadas (derivadas parciais) podem ser introduzidas, através das quais po­
demos encontrar retas e planos tangentes para os gráficos correspondentes.
O próprio conjunto das derivadas forma uma matriz que podemos considerar
como a matriz representativa de uma transformação linear. Esta transfor­
mação linear pode ser considerada como uma boa aproximação para a
transformação, geralmente não linear, representada por nossa função (ou
funções) de várias variáveis.
O relacionamento está sugerido esquemàticamente na Fig. 12-1. Lá,
temos uma transformação não linear / de em R^. Por tal transformação,
cada sólido retangular no espaço x corresponde a um sólido curvilíneo no
espaço y\ as faces planas do sólido retangular correspondem às superfícies
curvas no espaço y\ as arestas do sólido correspondem a curvas no espaço
y. Pelo Cálculo, obteremos uma transformação linear

(< = 1, 2, 3),
3-1
1112 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Fig. 12-1. Transformação linear que aproxima a transformação não linear

ou, em forma de matriz,

y = Ax,

que aproxima razoàvelmente a transformação não linear dada. Em particular,


a transformação linear associa f { 0 ) a 0 '\ tomamos coordenadas escolhidas
de tal forma que / leve a origem do espaço x na origem do espaço y. Por
essa transformação linear, o sólido retangular se transforma num parale­
lepípedo no espaço y\ as arestas do sólido são transformadas nas arestas
do paralelepípedo, que são retas tangentes às curvas prèviamente obtidas;
as faces do sólido correspondem aos paralelogramos nos planos tangentes
às superfícies curvas prèviamente obtidas. Assim, "linearizamos” nossa
“transformação / substituindo-a por uma transformação linear aproximada.
Ver-se-á que as notações vetorial e matricial simplificam enormemente
o enunciado e a compreensão dos resultados no Cálculo de Várias Variáveis.
No decorrer dêste capítulo, aumentaremos gradativamente a ênfase nestas
notações.

12-1. Conjuntos no Plano


Para nosso estudo de funções de duas variáveis, necessitamos de vários
conceitos relativos a conjuntos no plano xy.
Por uma vizinhança^ de raio p, de um ponto Po, entendemos o conjunto
de todos os pontos P no plano que distam menos de p de Po, isto é, o con­
junto de todos os P tais que í/(P , P o) = | IPoP 11 < p. Aqui, p é um nú­
mero positivo. Assim, a vizinhança é formada de todos os pontos dentro
de um círculo (Fig. 12-2).
Se P é um conjunto no plano, então se diz que Po é um ponto interior
de E se se puder achar uma vizinhança de Po que caia inteiramente dentro
de E, O conjunto de todos os pontos interiores de P é chamado interior
12.1. CONJUNTOS NO PLANO 1113

de E, Assim, se E é o conjunto de todos os pontos de dentro e de sobre os


lados de um quadrado (Fig. 12-3), então somente os pontos de dentro do
quadrado são pontos interiores de E,

Fíg. 12-3.. Interior de um quadrado


como um conjunto aberto

Diz-se que um ponto P no plano é um ponto-fronteira de um conjunto


E se cada vizinhança de P contém pontos em ^ e pontos não em E, O
conjunto de todos os pontos-fronteira de £ é chamado fronteira de E, A
fronteira do quadrado da Fig. 12-3 consiste dos quatro lados.
Um conjunto E que consiste unicamente de pontos interiores é chamado
conjunto aberto. Por exemplo, o interior de um quadrado (Fig. 12-3) é um
conjunto aberto, como o é o semiplano jc > 0 (Fig. 12-4); uma vizinhança
qualquer (Fig. 12-2) também é um conjunto aberto. Pbr motivos técnicos,
o conjunto vazio é também considerado aberto.

FIg. 12-4. Um semiplano x > 0 como conjunto aberto


1114 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Diz-se que um conjunto E é conexo por caminhos se, para cada dois
pontos P\ e P 2 cm se puder encontrar um caminho r = r(/) (r = O P \
a ^ t < by inteiramente contido em JF, tal que r(a) = OPi, t{b) = OP 2f
isto é, cada dois pontos em E podem ser unidos por um caminho em E. A
Fig. 12-5(a) mostra um conjunto conexo por caminhos; a Fig. 12-5(b) mos­
tra uma conjunto E formado de duas partes e, por conseguinte, não conexo
por caminhos.

Fig. 12-5. (a) Conjunto conexo por caminnos e (b) conjunto não conexo por caminhos

Por umã região aberta (ou domínio), queremos dizer um conjunto não
vazio que é aberto e conexo por caminhos: por exemplo, o plano xy inteiro,
o interior de um quadrado, o interior de um círculo, um semiplano (Fig.
12-4), os pontos entre dois círculos concêntricos (faixa angular ; Fig. 12-6)
ou um conjunto como na Fig. 12-5(a).

Fig. 12-6. Uma faixa angular como


uma região aberta
12-2. FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1115

As regiões abertas são análogas aos intervalos a < x < b (onde a pode
ser — CO, 6 pode ser oo), e, na maior parte deste capítulo, nossas funções
serão definidas em regiões abertas. As análogas aos intervalos fechados
na reta são as regiões fechadas limitadas no plano. Por exemplo, um cír­
culo é uma região fechada limitada, como o é um quadrado. As regiões
fechadas limitadas serão consideradas adiante na Seç. 12-22. Elas não são
necessárias para as partes iniciais deste capítulo.
Devido às analogias mencionadas, iremos, de fato, ocasionalmente
referir-nos aos intervalos (a, b) no eixo x como regiões abertas e aos inter­
valos fechados como regiões fechadas limitadas. Também, uma vizinhança
de Xo de raio p será o intervalo aberto (xc — p, Xo + p). Estas definições
são coerentes com aquelas para o plano.

12-2. Funções de Duas Variáveis

Por uma função real de duas variáveis reais (resumidamente, função


de duas variáveis) queremos dizer uma função / que associa ^um número
feal z a cada par ordenado de números reais (x,y) num conjunto E de tais
pares. Assim, o domínio de / pode ser considerado como um conjunto no
plano \ y e, geralmente, considera-Io-emos assim. A imagem de / é um
conjunto de números no eixo z.
Tal função pode ser representada gràficamente como na Fig. 12-7. O
gráfico consiste de todos os têrmos (x, z) no espaço tais que z = /(x, ;')•
Aqui, /(2, 1) é o valor de z para x = 2, = 1, / ( l , 3) é o valor de z para
X = 1, j; = 3, f{a, b) é o valor de z para x = a, y = b q /(x, j ) é o valor de
z para os x e dados.
Funções de duas variáveis são freqüentemente definidas por equações:
z = 1 — x2 — ^2 define z = /(x, y) para todo (x, y). As equações

z =- - - u = \/v^ —
X y ’

definem funções g(x, y) e F{\\ w), a primeira para x 9^ 0, y 9^ 0, ã segunda


para |v | > |w |.
Uma função / de duas variáveis é muitas vêzes convenientemente "repre­
sentada por suas curvas de nível Estas são os conjuntos sôbre os quais
/ tem diferentes valores constantes c. Por exemplo, se z = /(x, y) = x‘- +
+ 3^2, então z = 1 para os pares {x,y) tais que x^ + = 1, z = 2 para
+ ;;2 = 2, z = 0 para x^ + 3^^ = 0, istç é, z = 0 somente em (0, 0),
z = — 1 para x^ + 3^^ = — 1, isto é, z = — 1 para nenhum par real
(x, 3^). Os resultados são apresentados gràficamente na Fig. 12-8.
1116 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

(b)
Fig. 12-8. (a) A função z = e (b) suas curvas de nível

Podemos pensar em z = f(x , y) como a altitude acima do nível do mar


para certos pontos sobre a superfície, da Terra (uma pequena porção apro­
ximadamente plana). Então, nossas curvas de nível correspondem às linhas
de contorno num mapa topográfico, como na Fig. 12-9. A prática com tais
mapas torna fácil a visualização do gráfico tridimensional da função, como
na Fig. 12-7.

Fig. 12-9. Um mapa topográfico

Para a função z = xy, as curvas de nível são as curvas xy = c, para


valores diferentes de c. Para c = 0, obtém-se os dois eixos coordenados:
X = 0 e j = 0; para c 5^ 0, a curva de nível é uma hipérbole. A função
e suas curvas de nível estão desenhadas na Fig. 12-10.
12-2. FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1117

(a) (b)
Fig. 12-10. (a) A função z = xy q (b) suas curvas de nível

Para a função z = sen {x — y), cada curva de nível é definida por uma
equação sen (x — y) = c. Para cada c entre — 1 e 1, inclusive, obtém-se
uma infinidade de retas paralelas, como sugere a Fig. 12-11. Como a fi­
gura mostra, o gráfico da função é uma superfície ondulada como a super­
fície do oceano. De fato, esta função está relacionada à propagação de
ondas. Se se substituir y pelo “tempo” t, a função se torna z = sen (x —t)
e descreve a propagação de uma onda pelo eixo x (Probl. 10 adiante).
1118 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Para. a função z = \ j{x^ + y^) (Fig. 12-12), deve-se excluir (0,0) do


domínio. De fato, à medida que nos aproximamos da origem, os valores
de z aproximam-se do co, de modo a têrmos uma descontinuidade feia
(Seç. 12-7 adiante). Observe que o domínio da função é ainda uma região
aberta.

(a) (b)
Fig. 12>12. (a) A função z = \j{x^ + y^) e (b) suas curvas de nível

Outras Notações. Em vez de escrevermos z = f(x , y), poderemos es­


crever z = f{P ), onde P representa o ponto (x,y) no plano. Para funções
definidas geomètricamente, esta notação é preferível. Ppr exemplo, a fun­
ção z = x^ + y^ pode ser escrita como z = f{P) = | \OP \ 1^, onde O é a
origem, como de costume.
Podemos também escrever z = /(v), onde v = ;ci + jj. Aqui, estamos
usando o fato de que temos uma correspondência biunívoca entre os vetores
e os pontos (jc, y) no plano. Por exemplo, a função z = 2x + pode ser
escrita como z = (2i -f 3j)*v. A notação vetorial é especialmente útil para
tais funções lineares, mas também pode ser usada geralmente e demonstra
ser de grande valor. Deve-se acentuar que usando z = /(v) ao invés de
z = f{ x , ; teremos substituído a função de duas variáveis reais por uma
função de uma variável vetorial.
12-2. FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1119

PROBLEMAS*

1. Para cada um dos seguintes conjuntos no plano xy^ faça um esboço e descreva o inte­
rior. Em cada caso, o conjunto consiste de todos (;c, y) que satisfazem à desigual­
dade (ou desigualdades) dada(s):
(a) x + í / > 1. (b) x - y < 2 . (c) W > 1.
(d) 2x2 + 1/2 > 1. (e) x2 + t/2 > 0. (f) (x - 1 )2( 1/ - 2)2 > 0.
(g) ^ - í/ > L 2x + t/ > 0, X + 3í/ > 2.
(h) 2x + 1/ > 5, —X -h 4i/ > 0, 4x — í/ > 7.

2. Para cada um dos seguintes conjuntos no plano xy, faça um esboço e enuncie se o
conjunto é aberto, conexo por caminhos ou uma região aberta. Em cada caso, o
conjunto consiste de todos (x,;^) que satisfazem à desigualdade (ou desigualdades)
dada(s):
(a) x2 + t/^ < 4. (b) 3x2 + 2t/2 < 1.
(c) [*2 + y 2 _ _ 2)2 + y2 _ 1] 0. (d) 0 < y < X^.
(e) f2 < COS 6 (em coordenadas polares). (f) f 2 < 1-
(g) COS t/ > 1. , (h) x2 -f eí' > 1, 1/ — sen X < 0.
3. (a) Demonstre: a união de dois conjuntos abertos é aberta.
(b) Demonstre: a interseção de dois conjuntos abertos é aberta.
(c) A união de duas regiões abertas é necessàriamente uma região aberta?
(d) A interseção de duas regiões abertas é necessàriamente uma região aberta?

4. Se z = fix^y) = + 2y^ para todos ( x , y \ avalie:


(a ) /( l,0 ) . ( b ) /( 3 ,2 ) . {c)f{a,b).
{ d ) f { 2x , 2 y ) . ie)f(-x .-y).

5. Represente a função gràficamente por curvas de nível e também por um esbôço de


superfície como nas Figs. 12-8 e 12-10:
(a) z = x + y.
Ço) z = y - 2x.
(c) z = y^- X .
(d) z = x+ y^.
(e) z = x^ + 2y^.
(f) 2 = y / l - x ^ - y^.
(g) z = + y^-
(h) z = - i/2.
(i) z = sen (2z -b y).
(j) z = e-"-^''^
(k) z = . ^
x2 -h 2l/2
(1) z = :
♦ Os problemas numerados em negrito terão as respostas dadas no final deste volume.
1120 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Fig. 12-13. A preparação de um mapa topográfico

6. Na preparação de um mapa topográfico tem-se geralmente informação referente à


altitude z somente em certos pontos do plano xy. Por interpolação linear aò longo
de paralelas aos eixos, pode-se então estimar z em outros pontos e, em particular, lo­
calizar pontos nos quais z tem valôres-padrão 100,
200, .... Unindo-se os pontos nos quais z = c por c 0 1 2 3
curvas suaves, podem-se obter as linhas de contômo.
O processo está ilustrado na Fig. 12-13. Um processo 0 0 1 4 9
semelhante é usadò para desenhar as linhas de pressão
1 2 3 6 11
constante (isobáricas) ou de temperatura constante
(isotérmicas) num mapa meteorológico. Use êste 2 8 9 12 12
método para esboçar as curvas de nível da função
3 18 19 22 27
z =f{Xy y) partindo dos valores de z dados no qua­
dro ao lado.

7. Seja V um vetor geral K2, a um vetor fixo de comprimento 2.


Seja z = /( v ) = a • V. Avalie:

(a) /(O). (b) /(a ). (c) /(3 a ). (d) / ( v + a). (e) /(2 v ).

8. Sejam a e b vetores fixos em V2 tais que â - a = l , a b = 3 e b b = 5. Seja /(v)


= a • V + b • V. Avalie:

(a) /(a ). (b) /(b ). (c) /( 2 a - b). (d) /( 3 a + b)

9. Para uma das funções dadas, diga quando o domínio é aberto e quando é uma região
aberta:
(a) z = y -h x~^, (b) z = In \xy\. (c) z = I n x y . (d) z =
12-3. FUNÇÕES DE TRÊS OU MÀIS VARIÁVEIS 1121

10. Para a função z = sen {x — t) (veja Fig. 12-11), vê-se o movimento ondulatório consi­
derando z como uma função de x para vários valores fixos de t. À medida que t
aumenta, vê-se a onda mover-se pelo eixo x. Faça o gráfico de z como uma função
de X para cada um dos seguintes valores de /: 0, tt/S, tt/4, Stt/S, 'tt/2, mostrando tôdas
as curvas num gráfico no plano xz. Por estas curvas, diga se a onda está se movendo
para a esquerda ou para a direita, à medida que t aumenta. Consegue-se um exemplo
físico grosseiro sacudindo-se uma corda comprida que esteja amarrada numa das ex­
tremidades. Outros exemplos são a transmissão do som e da luz.

12-3. Funções de Três ou Mais Variáveis

Os conceitos de vizinhança, interior, conjunto aberto e região aberta


estendem-se imediatamente ao espaço tridimensional Por exemplo, a
vizinhança de Po, de raio p, consiste de todos os P: {x ,y ,z) cuja distância
de Po seja menor do que p. Conseqüentemente, a vizinhança consiste de
todos os pontos dentro de uma esfera de raio p. Os seguintes conjuntos
são regiões abertas em \ todo o todos os (x, y, z) para os quais | x | <
<1, | z | < l (interior de um cubo), qualquer vizinhança em R^.
Funções de Três Variáveis. Uma função / de três variáveis associa
números reais w a certos pontos (x, y, z) do espaço tridimensional. Por
exemplo, w = 2x — y + z para todos os (x, y, z). Para esta função / , te­
mos / ( l , 3, 2) = 2 - 3 + 2 ^ 1, / ( l , 0, 0) = 2, /(a, b, c ) = 2 a - b + c,
/(x, y ,z ) = 2 x - y + z.
Uma função / de três variáveis não pode ser desenhada como na Fig. 12-7,
pois tal gráfico requereria quatro dimensões; pode ser projetada sôbre um
plano, como na Fig. 12-7, mas os resultados são difíceis de serem visualizados.
Pode-se desenhar gráficos de w = /(x, y, z) para valôres fixos diferentes de
z, por exemplo; isto é, desenhar w = /(x, y, 0),w = /(x, y, l),w = /(x, y, 2),...
e assim por diante. Tais gráficos juntos dão certas informações sôbre o
comportamento da função. As curvas de nível da Fig. 12-8 tornam-se ago­
ra superfícies de nível, novamente mais difíceis de desenhar-se e de se­
rem visualizadas. Assim, para w ^ x"^ + y^^ + z^ as superfícies de nível
são esferas concêntricas, como na Fig. 12-14.
Para funções dè três variáveis, pode-se usar novamente a notação geo­
métrica: w —/(P ), onde P é o ponto {x,y, z) de ou a notação vetorial:
w = /(v), onde v = xi + + zk ou v é o vetor (vi, V2, V3). Podemos
também traduzir a discussão sôbre conjuntos para linguagem vetorial. Por
exemplo, uma vizinhança de raió p do vetor Vo é o conjunto de todos os ve­
tores V tais que 11 v — Vo | | < p.
1122 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Fig. 12-14. Superfícies de nível de w = jc^ + 4-

Toda esta discussão estende-se ao e a funções definidas em subconjuntos


do isto é, funções de n variáveis x i , x „ . Podemos escrever /(xi, .,.,Xn)
para tal função, /(P ), onde P é um ponto de ou /(v), onde v é um vetor
de Kn. Pela notação vetorial, parece que estamos sempre a tratar de fun­
ções de uma variável e, numa proporção considerável, a teoria das funções
de uma variável real leva à teoria das funções de uma variável vetorial.

12-4. Funções Vetoriais

Um par de funções
u = /(.r, Í/), Ü= g(x, y)

Fig. 12-15. Transformação u = f { x , y \ v = g{x, y) como uma função vetorial


12^. FUNÇÕES VETORIAIS 1123

definidas num conjunto E no plano xy, pode ser considerado como uma
transformação do plano xy no plano wv, como sugere a Fig. 12-15. A trans­
formação associa um par (w, v) a cada (x, y) em E, ou podemos dizer que
ela associa um vetor w = ui + vj a cada vetor r = jci + yy Daí, a trans­
formação pode ser interpretada como uma função vetorial:

w = F(r).

Consideramos muitas funções vetoriais semelhantes nos Caps. 9 e 10, a


saber, as transformações lineares dadas na notação matricial por

w = Ar.

Pode-se também descrever a transformação da Fig. 12-15 em linguagem


geométrica: Q = onde P é um ponto do conjunto E no plano xy o Q
é um ponto no plano uv. Chamamos Q de imagem de P. Para cada con­
junto contido em £, a imagem dêsse conjunto é o conjunto de todos os
pontos <t>{P) para P no conjunto.
EXEMPLO As equações

u = — 1/^, V = ^xy

são equivalentes à função vetorial F dada por

ui + üj = (x2 - y2)i + (2xy)j

OU, em notação de parênteses, por

(u, v) = (x^ - 1/2, 2xyX

Assim, (ar, >^) = (0, 0) corresponde a (w, v) = (0, 0), ( x , y ) = ( 2 , l ) corres­


ponde a (w, v) = (3, 4); correspondentemente, escrevemos F(0i + Cj) = Oi +
+ Oj, F(2i + j) = 3i + 4j. Para esta transformação, em linguagem geo­
métrica, observamos que a imagem da origem é a origem; a imagem do
eixo X (onde = 0) é o conjunto de todos os (w, r) para os quais u = x “ e
V = 0, isto é, o eixo w positivo.
Uma discussão semelhante aplica-se a pares de funções de três variá­
veis:
u = f(x, y, z), V = g(.v, y, z\

Aqui, temos uma função vetorial w = F(r). onde r é o vetòr (.v, y, z) e w


é o vetor (z/, r). Assim, temos uma transformação do espaço tridimensional
no espaço bidimensional (Fig. 12-16).
1124 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Fig. 12-16. Função vetorial do espaço tridimensional no espaço bidimensional

Podem-se também considerar os pares de funções de uma variável:

^ y = &f)^ a <t <b (12-40)

Estes são equivalentes a uma função vetorial r = F(r), como na Seç. 3-10.
Semelhantemente, um terno de funções

^ y = ^ a <t <b (12-41)

é equivalente a uma função vetorial r = F(/), onde agora r = xi + +


+ zk. As funções (12-40) representam geralmente caminhos no plano xy;
as funções (12-41) representam geralmente caminhos no espaço tridimen­
sional.
Em geral, podemos considerar qualquer conjunto de m funções de n
variáveis:
«1 = F i(X i, . . . . X„), u^ = F J x „ ...,x „ ) (12-42)

Geralmente supomos que elas sejam definidas no mesmo conjunto E de


rt-uplas (xu Xn)- O conjunto E pode ser interpretado como um conjunto
de pontos em as correspondentes w-uplas (wi, u,n) formam um con­
junto em R^. Assim, (12-42) pode ser considerada como uma transformação
/ de R ' em podemos então escrever simplesmente Q = /(P ), onde P
é um ponto de £ e 0 é o ponto correspondente (i/i, ..., Wm) em R ,
Como acima, podemos também considerar (ati, ..., x„) e (wi, ...,Wm)
como conjuntos de componentes de vetores. Se representarmos êstes ve­
tores por X e u, então (12-42) se torna

u = F(x) (12-42')
12-6. OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 1125

uma transformação F cujo domínio é um conjunto no espaço vetorial Vn


e cuja imagem está contida no espaço vetorial Vm- Entre estas funções
vetoriais estão as transformações lineares estudadas nos Caps. 9 e 10. Elas
são dadas na notação matricial por

u = >4x,

ou, em coordenadas, por

i h • • • 9m
j=l

Cada tal transformação linear está definida em todo o Vn. Sua imagem
é um conjunto em Vmy mas não precisa ser todo o Vm.

12-5. Funções Matriciais

Os elementos de uma matriz A ■ = (oy)- podem


variáveis. Por exemplo, podemos ter

/x2 - y2 2x - 3y\
A = (
\x + 3y 3xy )

O caso geral é

■• • ••
A = h
\a ,i( x i,. . . , x„) Ogpi^V • •
Podamos abreviá-lo de muitas maneiras:

A = = (aij{x)) = A(x).

Normalmente, todos os a^ são definidos no mesmo conjunto E em (ou


Vn). Então, A{x) torna-se uma função transformando E no espaço vetorial
de todas as matrizes q por p (Seç. 10-7). Na Seç. 10-17 discutimos tais
funções, quando os aa são funções de uma única variável t.

12-6. Operações com Funções

Funções reais de um dado tipo, com o mesmo domínio, podem ser


combinadas como foi feito para funções de uma variável (Seç. 2-3). Assim,
para funções de duas variáveis f{ x ,y ), g (x ,y ),..., podemos formar f + g.
1126 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

f ^ Sy fis- Semelhantemente, funções vetoriais podem ser combinadas


com as operações permissíveis: f + g, f g, <pí (onde cp é uma função escalar),
como o podem as funções matriciais. Uma composição de funções requer
alguma combinação de domínios e imagens, e portanto, só faz sentido para
certas combinações. Assim, não podemos compor f(x , y) e ç>(w, v). Mas
podemos compor F(w, v) e o par u = /(x , y), v = g(x, y) para formar

contanto que / e g tenham o mesmo domínio e que os pares correspondentes


(w, v) estejam no domínio de F. Em geral, podemos compor F(u) ^ u = f(x)
sé a imagem de f está no domínio de F : obtemos então F(f(x)) ou a composta
F°f. Pode-se também compor funções matriciais e funções vetoriais:
por exemplo, compor y4(u) e u = f(x) para obter a nova função matricial
^(f(x)), sob hipóteses apropriadas.
Observamos que, se F e f são transformações lineares e F ° f é definida,
então F®f é uma transformação linear. Se F é representada pela matriz
^ e f pela matriz B, então F ° f é representada pela matriz AB (Seç. 10-8).
Esta regra de Álgebra Linear desempenha um importante papel no Cálculo,
como será visto.
Zeros de Funções. Como para funções de uma variável, dizemos que
(^0, >^0) é um zero de /(x, y) se /(xo, :fo) = 0. Em geral, b é um zero de f(x)
se f(b) = 0, e b é um zero de /l(x) se ^(b) = O. Observe que, para uma
função de duas variáveis /(x , ;;), os zeros de / juntos formam a curva de
nível /(x , y) = 0.

PROBLEMAS

1. Se z ==f(x,y, z) = {x - y)l(y - z), avalie:

(a) /( 2 , 3, 0) (b) /(O, 5, - 2 ) (c) /( 2 , 2, 1)


(d) ( 1, 2, 2) ( e ) / ( l , 1, 1) (f) / ( 3 , 2 , 2 )
(g) M c) (h) 2i/, 2z) (i) /(-X , -t/, - z )

2. Descreva as superfícies denível das funções:


(a) tü = 2x — t/ + z (b) u; = X — í/ + z
(c) xjo = /(x , t/, z) = 2x - y (d) u; = / ( x , y, z) = x^ + y^
(e) tü = 2x^ H- y2 + z^ (f) u; = x^ + y^ —

3. Considere as equações u ^ cos y, \ = sen y como uma transformação do plano


xy no plano uv.

(a) Ache {u, v) para cada uma das seguintes escolhas do ponto (x, y): (0, 0), (0, tt).
12-6. OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 1127

(0, 7t/ 2), (1, 37r/4j.


(b) Ache a imagem do eixo x no plano uv.
(c) Ache a imagem do eixo y.
(d) É a transformação biunívoca?

4. Para vetores u no plano, seja f(u) = [u (l + j)]u. Avalie f(i), fQ), f(2i — j), Í(a:í + >^j).

5. Para vetores u no plano, seja f(u) = 3(u u)i + (u u)2j. Avalie f(i), f(2i),fQ),f(i—j),

6. Para vetores u no plano, seja f(u) = 3u + 2u'‘. Avalie'f(i), fQ), f(2i + 3j),f(;d+ >^j).

7. Para t real, seja F(/) = tH + + 3k. Avalie F(0), F(l), F( - 1).

8. Para / real, seja F(r) = cos /i + sen tj + ík. Avalie F(0), F(7t/ 2), F(t ).

9. Para vetores v no espaço, seja F(v) = v i + v v. Avalie F(i), F(2í), F(i — j + 2k),
F(xi -hy} + zk).

10. Para vetores v no espaço, seja F(v) = v x i • (i+ i). Avalie F(i), F(i + j), F(k), F{xi -|-
+ y}-h zk).

11. Para vetores v em V2 seja F(?) = Fv, onde Ache F(i + j), F(2i - j).
< :>
F(0), F(xi + yi).

12. Para cada vetor u = xi + no plano, seja


F(u) = x{i + j + 3k) -f y{i - j + 2k) + 2i + 5j + k.

(a) Avalie F(0), F(i), FQ), F(3i + 7j). (b) Qual é a imagem de F?

13. Para cada^ vetor u = jd + em K3, seja F(u) = 2i + j 4- a:(í + j) + y{li — k) +


+ r(i + j + k). Avalie: F(i), FQ), F(k), F(i — k). Qual é a imagem de F?

( 2/2 /3\
I. Avalie /á(0), A{\), — 1).

0 t;
15. Sejam f{x^ y^ = x — y, g{x, y) = xy, A(jc, y) =x^ + y ’^, F(u, v) = — v. Ache expressões
para cada uma das funções compostas:
(a) F\f[x, y), g(x, y)]. (b) F[f(x, y), h{x, y)].
(c) F[h(x, y), f{x, y)]. (d) F{f{x, y), f(x, y)].

16. Para os vetores u e v no plano, sejam f(u) = (u • u)i-|- (u u)j, g(v) = 2v + 3v‘‘.
(a) Ache uma expressão para g[f(u)].
(b) Ache uma expressão para f[g(v)].
1128 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

17. Ache todos os zeros das seguintes funções:

(a) /(*. !/) = ^ + (b) f(x, y) = x - y .


(c) /(* , y) = x^ + y - (d) /(* , (/, z) = *^ + (/^ +

(e) f(u) = Avi, para u em V2 ^ A =


-V ò -
12-7. Limites e Continuidade
Para funções de várias variáveis, o conceito de continuidade é de maior
importância d o . que a teoria de limites. Damos aqui uma definição de
continuidade que não se refere a limites e deduzimos as propriedades prin­
cipais das funções contínuas. No final da seção, fazemos algumas obser­
vações sôbre limites.
Seja a função / de duas variáveis definida numa região aberta D do
plano xy e seja P\ (xo, ;^o) um ponto de D. Já que D é aberto, podemos
então escolher um ôo > 0 de modo que a vizinhança de Po de raio óo esteja
contida em D (veja Fig. 12-17). Diz-se que a função / é contínua em Pq
se os valôres de / puderem ser aproximados de f{xQ,yo) tanto quanto o de-

Fig. 12-17. Definição de continuidade

sejado, conservando (jc, y) suficientemente perto de (xo, yo), isto é, se para


cada € > 0 pudermos escolher um ó (menor do que óo) tal que

lf(x, y) - f{xo, yo)l < « para {x - x^f + {y - y^f <

Podemos escrever a definição em notação geométrica: / é contínua em Po


se

|/( P ) - /( P o ) |< C pSiT2id{P,Po)<S. (12-70)

Ou podemos dizer: para cada e > 0 podemos escolher uma vizinhança de


Po, de raio ò, dentro da qual |/(P ) —/(Po)l < e. Podemos também escre­
12-7. LIMITES E CONTINUIDADE 1129

ver a definição em notação vetorial: / é contínua em Vo se

|/(v) - /(vo)| < € para ||v - VqII < ô. (12-71)

Diz-se que a função / é contínua em D se /fô r contínua em cada ponto


P de D. Se P está em D e / não é contínua em P, então diz-se que / é des­
contínua P. A função / é também automàticamente descontínua em todo
ponto onde ela não estiver definida.

EXEMPLO. A função f{x, y) = x y é contínua para todo (x, y), pois


sejam dados um ponto (xo, ;^o) e um número € > 0. Então,

I* + ?/ - (^0 + !/o)l = l(^ - ^o) + iy - yo)l < - *oi + ly - y d < «

se (:c - + (j - yòf < onde ó = ejl, pois (x — XoY + (:»'- Jo)’' <
< = eV4 implica | x — Xo| < e/2 e \y — yo\ < í/2, de modo que |x —
- ^o| + b - Jo| < (€/2) -H (e/2) =.e.
Agora podemos formular os teoremas básicos sobre funções contínuas,
como na Seç. 2-7. A ordenação dos teoremas está em concordância com
essa seção.

TEOREMA B. Sejam f e g definidas na região aberta D do plano xy.


Se tanto f como g são contínuas em (jíco, yj), então também o são f ± g ,
f - g j fig, contanto que, para fjg, se tenha g{xo, yo) 7^ 0. Se f e g são
contínuas em D, então, assim o são f ± g, f g, f/g, contanto que, para
fig, g não tenha zeros em D.

TEOREMA C. Sejam f e g definidas na região aberta D do plano xy\


seja F{u, v) definida numa região aberta Di do plano wv. Seja a função
composta F[f{x, y), g(x, y)] definida em D. (a) Se f e g são contínuas
no ponto ( ato, yo) de D e F é contínua em {uq, Vq), onde f{xo, yo) = Uo e
g{xo, = Vo, então F[f{x, y), g{x, y)] é também contínua em (:vo, >^o).
{b) Se f e g são contínuas em D e F é contínua em Di, então F[f{x,y),
g(x,;;)] é contínua em D,

ÍDEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA C. É suficiente demonstrar (a),


já que (jj) é uma conseqüência de {d). Usamos a notação geométrica e
escrevemos Po para (xo, >^o), P para (x,y), Qo para (wo, Vo), Q para (w, v).
Seja dado um e positivo e escolhamos ói de modo que \F{Q) — F{Qo)\ < e
para Q na vizinhança de go de raio ôi. Escolhemos então €i tão pequeno
que a região aberta quadrada:
|w - Wol < 1^ - ^ol <
1130 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

esteja contida na vizinhança de Qo de raio ói (veja Fig. 12-18). Em seguida,


escolhemos ô' > 0 tão pequeno que lf(P) —/(Fo)| < ei para c/(P, Fo) < ô'

Fig. 12-18. Demonstração do Teorema C

e escolhemos ó" > 0 tão pequeno que |g(F) — g(Po) | < para d(F, Fo) <
< ó". Finalmente, seja ô o menor entre ó' e ó". Para d(F, Fo) < 5, po­
demos então concluir que

| / ( P ) - / ( P o ) | < íi lg(P)-g(Po)í<^i.

e portanto, que o ponto (w, v) = (f(F), g(F)) fica na região quadrada espe­
cificada acima, de modo que (w, v) também fica dentro da vizinhança de
Qo de raio ói. Portanto, |F ( m, v) — F(uo, Vo) | < e ou

Conseqüentemente, a função composta é contínua em Fo e (a) está demons­


trada.!
Agora, se F(w, v) = w + v. Então, F é contínua para todos os (w, v),
como no exemplo acima. Se aplicarmos o Teorema C a este caso, conclui­
remos que

y\ g(^> y ) ] = / ( ^ > y) + g (^ y)

é contínua todas as vêzes que / e g forem contínuas. Isto dá a parte do


Teorema B que se refere a / + g. As afirmativas para f — g, fg, fjg são
demonstradas da mesma maneira, tomando F(w, v) = w — v, wv, ujv (v 9^
7^ 0), respectivamente.

Observação. O Teorema C pode ser aplicado ao caso em que f c g


dependam somente de x. Assim, por exemplo, F[f(x), g(x)] é contínua
para a < x < b contanto que / e g sejam contínuas em [a, ò], F(u, v) seja
12-7. LIMITES E CONTINUIDADE 1131

definida e contínua em Di e F[_f{x), g{xy\ seja definida em [a,b\, (Aqui,


/ e g não são definidas em uma região aberta, mas essa condição não é cer­
tamente necessária para a demonstração do Teorema C; veja, a seguir, uma
discussão sôbre funções contínuas em conjuntos gerais.)
O Teorema do Valor Intermediário tem também um análogo.
TEOREMA D. Se^a z = /(x, y) definida e contínua na região aberta
D e sejam f(xi, yi) = Zi, f ( x 2, y^) = zi ^ Z2. Então, para cada
número Zo, entre Z\ e Z2, existe um ponto (^0, J^o) de D para 0 qual / ( jco,
= Zq,
DEMONSTRAÇÃO. Já que D é uma região aberta, D é conexo por
caminhos. Daí, podemos escolher um caminho x = x { t\ y ^ = y { t \ a <
< t < b, unindo Pi a P2 em D como na Fig. 12-19. Pela observação acima,
f{x{t\y {t)) é contínua em [a,b]. Também, f{x{a), y{a)) = f{xu y ^ = zu
J\x{b), y{b)) = /(x2, yj) = 22. Pelo Teorema do Valor Intermediário já visto,
existe um /o em [a, b] tal que f{x{to), y{tj)) = Zq. Assim, (xo, yo) = (x(to),
y(to)) tem a propriedade desejada.

Fig. 12-19. Teorema do Valor Intermediário

O Teorema E, que se refere à função inversa, será discutido na Seç. 12-16


adiante.
Funções Definidas em Conjuntos Gerais. A definição de continuidade
aplica-se, sem nenhuma mudança essencial, a uma função / cujo domínio
não seja necessàriamente uma região aberta; por exemplo, uma função cujo
domínio seja a região quadrada fechada: |jc| < 1, |>^| < 1 ou uma função
definida somente num segmento de reta. Se / tiver domínio E c Po for um
ponto de E, então diz-se que / é contínua em Pq se, para cada € > 0, for
possível achar um ó > 0 tal que \f(P) —f(Po)\ < € para todo P cm E tal que
d(P, Po) < ô. Por exemplo,/(x, y) = ^/xV~y é definida somente para x: > 0
e 7 > 0 e é contínua em Pq: (0, 0), como se pode'verificar'diretamente (veja
Probl. 10 adiante). Aqui, tôda a vizinhança de Po contém pontos nos quais
/ não é definida, mas simplesmente ignoramos tais pontos ao testar a conti-
1132 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

nuidade. A situação é análoga àquela para a função de uma variável defi­


nida num intervalo [a, b]\ aqui, / é contínua em a se fôr contínua à direita
em a. Os Teoremas B t C t suas demonstrações permanecem válidos, com
as modificações apropriadas, para funções contínuas definidas em conjuntos
gerais.

Existência de Máximos e de Mínimos. O básico Teorema F sôbre má­


ximos e mínimos para funções de uma variável tem sua contrapartida para
funções de duas variáveis: uma função definida e contínua numa região
fechada limitada E tem um máximo e um mínimo absolutos em E. Este
teorema será discutido nas Seçs. 12-22 e 12-25 adiante. Observamos que
não há necessidade de haver máximo ou mínimo absolutos para funções
definidas numa região aberta. Por exemplo, a função /(jc, y) = x + y,
0 < X < 1 , 0 < > ^ < 1 não tem máximo nem mínimo absolutos no domínio
dado; todavia, a função f( x ,y ) = x + y, 0 < x : < l , tem seu
máximo absoluto 2 em (1, 1) e seu mínimo absoluto 0 em (0, 0). Assim,
o máximo ou mínimo pode ocorrer na fronteira do domínio.
Observamos uma outra propriedade das funções contínuas: se f é con­
tínua na região aberta D, então, para cada c real, o conjunto dos (x, y) em
D para os quais /(x , y) > c é um conjunto aberto. Em outras palavras, as
condições

f{x,y)>c, {x, y) em D

carecterizam um subconjunto aberto E de D. De fato, esteja (xo, yo) em


E, de modo que /(xo, >^o) > c. Podemos escrever /(xo, >^o) = c + 2e, com
€ > 0. Para (x, y) numa vizinhança suficientemente pequena de (xo, >^o)
(em D), temos \f(x,y) —/(xo, ;vo)l< €, e portanto, evidentemente f(x ,y ) >
> c + €, de forma que (x, y) está em E. Portanto, E é aberto. De modo
semelhante, o conjunto caracterizado por duas de tais desigualdades:

f{x, y) > Cl, g{x, y) > Cg, (x, y)emD (12-72)

é aberto, como o será também o conjunto caracterizado por qualquer nú­


mero finito dessas desigualdades. Os conjuntos, naturalmente, podem ser
vazios (veja Probl. 14). Observamos que o conjunto (12-72) é a interseção
dos dois conjuntos: f{x,y) > ci, (x, >^) em Z), g(x,y) > C2, (x,>^) em D.

Funções de Mais de Duas Variáveis e Funções Vetoriais. A discussão


precedente estende-se imediatamente às funções de mais de duas variáveis.
De fato, a formulação da continuidade baseada em (12-70) é aplicável a
funções de n variáveis e os Teoremas B e C podem ser enunciados novamente
e demonstrados com modificações óbvias para o caso geral.
12.7. LIMITES E CONTINUIDADE 1133

A discussão também se estende a uma função vetorial F. A definição


básica (12-71) funciona, com / substituída por F e valor absoluto por nor­
ma. O Teorema B tem um análogo para funções vetoriais: s e Y , G e f são
contínuas num Vo em Vn, então, assim o serão F ± G, F G e /F . O Teorema
C tem um análogo: se F e G são funções vetoriais tais que a função composta
F ^G é definida em Vo, se G é contínua em \o e se F é contínua em Uo = G(vo),
então F^G é contínua em Vq. A s demonstrações são semelhantes àquelas
dadas acima. Pode-se mostrar (como na Seç. 3-10) que uma função veto­
rial F(v) = (Fi(v), ..., F^(v)) é contínua em Vo se, e sòmente se, suas compo­
nentes Fi(v),..., Fm{y) são, cada uma delas, contínuas em Vq. Então, todos
os teoremas sôbre propriedades de funções vetoriais podem ser demonstrados
por referência a teoremas apropriados para funções (escalares) de várias
variáveis.
Para uma função matricial A{x) {aifx)), pode-se simplesmente definir
continuidade em xo como a continuidade de todas as funções aifx) em Xo.
Pode-se então deduzir imediatamente que a soma e o produto de funções
matriciais contínuas são contínuos e também que o análogo do Teorema C
é válido.
Limites. A definição de limite é a mesma que a de continuidade, sò­
mente que a função não precisa ser definida no valor para o qual a variável
independente tende e não se permite nunca que a variável independente
seja igual àquele valor. Assim, para uma função de n variáveis, definida
numa região aberta D, exceto talvez no ponto Po de D, escreve-se

lim fíF) — c
P-^Po

se, para cada e > 0, pudermos achar um ó > 0 tal que

\f{P) - c \ < € para 0 < d{P, P^) < 8.

Há uma definição análoga para funções vetoriais. Podem-se também de­


finir limites infinitos para funções escalares da mesma forma como o foram
para funções de uma variável. Pode-se também verificar que / é contínua
em Po se, e sòmente se,

lim /(P )= /(P o ).


r^ro

Os teoremas sôbre limites de soma etc. podem ser demonstrados da ma­


neira usual para funções de várias variáveis e para,funções vetoriais.
O estudo de limites para funções de várias variáveis é muito mais com­
plexo do que para funções de uma variável. Exemplos desta complexidade
1134 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

são dados no Probl. 8 adiante. Como foi observado antes, não precisamos
de tais limites para a teoria neste texto.
Classes de Funções Contínuas de Várias Variáveis. Entre as funções
de duas variáveis x o y, estão aquelas que dependem somente de x ou sò-
mente de y: por exemplo, z = z = cos;'. Em geral, se z = f{x ) e / ,
como uma função de x, é contínua para a < x < b, então / , como uma
função de X c y, é contínua para a < x < b, — oo < > ^ < oo, isto é, / é
contínua numa faixa como na Fig. 12-20. Esta afirmativa segue-se imedia­
tamente da definição de continuidade. As curvas de nível de tal função
são as retas verticais x = const.
Partindo de funções contínuas conhecidas de uma variável e usando
repetidamente o processo dos Teoremas B e C, podemos construir novas

funções contínuas de duas ou mais variáveis; por exemplo, z =


z = cos>^, z = COS (x + y), w = xi^ + ^2^ + ... + x j . • Entre as fun­
ções importantes obtidas dêste modo estão as seguintes:
Polinomiais. Por exemplo, z = 2 -h x -f -h — j/2 _|_
-f- 5x^í/ — Funções racionais. Por exemplo,

xyz
w =
\ — 7? —

Polinomiais trigonométricas. Somas de têrmos que têm a forma a sen nx


COS my, a. cos nx sen my, a sen nx sen my ou a cos nx cos my\ por exemplo,

z = 2 -|- sen x + 2 cos t/ -h 5 sen2x cos 3y 6 sen5x cos ly.

As polinomiais e polinomiais trigonométricas são contínuas em tôda parte


e as funções racionais são contínuas exceto nos zeros do denominador.
Outras funções de várias variáveis são obtidas por processos de limite;
por exemplo,
12-7. LIMITES E CONTINUIDADE 1135

f(x, y) = lim + - J - )
n-^oo \x^ {x + 1)^ {x + 2)y {x -h n)y/

define uma função (a Função Zeta generalizada) para 0 < x < 1 , ^ > 1.
(Isto pode ser demonstrado.)
Do Teorema B resulta que a reunião de todas as funções contínuas
numa dada região aberta D no plano xy forma um espaço vetorial, vendo-se
fàcilmente que êste é de dimensão infinita. Outros espaços vetoriais de
funções ocorrem naturalmente: todas as polinomiais em (x, y), todas as
polinomiais trigonométricas em (x, y), tôdas as polinomiais em (;c, y) de grau
no máximo n. As funções contínuas racionais numa região aberta dada
também formam um espaço vetorial.
Efeito de Fixar Variáveis. Observamos acima que uma função de uma
variável dá origem a uma função de duas variáveis. Reciprocamente, de
uma função F (x,y) podemos, fixando y num valor particular, obter uma
função de x. Assim, se F(x, y) = cos xy, então, para y = 2, F torna-se a
função cos 2x. Se F é contínua em (xo, ;vo), então F(x, yò) é contínua em x
no ponto Xo e F{xq, y) é contínua em y no ponto yo, como resulta imedia­
tamente da definição de continuidade. (A recíproca desta afirmação é
falsa; veja Probl. 13 adiante.) Em geral, de F(xi, ..., Xn) obtemos, por
êste processo, funções tais como

/(^l) = ^2°. • • • . ^n°)>


/(Xi, Xj) = f (Xi, X2, X3O, . . . , X„0).

Se F é contínua em (xi°, ..., Xn°), estas são contínuas em x\^, e (x:i®, X2°),
respectivamente.

PROBLEMAS

1 . Dos resultados estabelecidos no texto, deduza onde as seguintes funções são contínuas:
(a) 2 = + 3íÇí/ + if . (b) z = (x2 + í/3)5
_ + í/2
~ ^- y
2x -f 3y
d ^ + y^
2 • (e) z = In {2 x + 3 y). (f),=

(g) z = Sen-1 ^ ■ (h) z = In (1 + cos y). (i) w = x^y^ In \z

(j) U) = X**''* . (k) tH + In t j + . (1) + fk.


(m) (x^ - y^)i + 2 x y j . (n) In (x + í/) i -h sen (x + 2 y)j .
(o) [u • (2i + 3j -h k)]u, onde u = xi -h í/j -h zk.
(p) (In ||u|| + u • k)u, onde u é como em (o).
1136 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

(<l) y = ^ n r > ^ const. (r)y = -, a const., a 7^ 0 .


x|| ' ' '' a •X
[Em (q) e (r), x e a são vetores em i?”.]

2. Cada uma das seguintes funções de (x,y) deve ser avaliada com um ên o de no má­
ximo 0,001 para x = y = um número de casas decimais para x g y que
assegure esta exatidão.

(a) 2* + 3 y . (b) 5x - y . 1
(c)
x + y «7

3. Demonstre, da definição, que a função é contínua onde enunciada:

(a) z = X — y, todos os (x ,y), (b) z = c = const., todos os(x, y).


(c) z = x-y, todos os (jc, >'). [Sugestão. Escreva x = xq h, y = yo mostre
que \xy — xq;voI pode tomar-se menor do que e fazendo ]h\ < ^, \hy^\ < c/3,
\k\ < € e |A:a:oI < e/3, e que estas condições são satisfeitas para k^ <
contanto que b seja escolhido adequadamente.]
(d) z = xjyy y > 0. (Sugestão. Faça uma análise geométrica das curvas de nível
de z.)

4. (a) Pode o ponto (xq, yo) do Teorema do Valor Intermediário para f(x, y) ser único?
(b) Formule e demonstre o teorema para uma função de três variáveis.

5. (a) Seja F(w, v) = (u^ + luv 4- v3)/«v, f(x, y) = ( x - y y - + l, g(x, y) = x‘^ - 3xy - 4 / .
Determine as regiões abertas no plano xy para as quais a função G(x, y) = F(f(x,y\
S(Xyy)) é definida.
(b) A função G(x,y) é contínua na região aberta 0 < 4;^ < ^?

6. (a) Seja F(u, v) = («^ — uv v)/(wv — v), f ( x , y ) = (sen x)/(y - 1), g (x,y) = x 3y.
Determine as regiões abertas no plano xy para as quais a função (7(jc, y) =
= F ( f ( x , y \ g(x,y)) é definida.
(b) A função G(Xyy) é contínua nos pontos (tt/2, 1), (tt, 2), (57t/ 2 , 2), ( ~ 37t,'ir)? Ex­
plique.

7. (a) Demonstre: se /(x ) é contínua numa região aberta D de Fn, então, para cada c
real, o conjunto de x em Z> para os quais /(x ) > c é um conjunto aberto de
(b) Seria a mesma conclusão válida para x em /) para os quais /(x ) < c?

8. Mostre que cada função z = f ( x ,y ) não tem limite quando (x, y) -> (0, 0):
/\ /IX ^+. íy;
^ -h t/22 ‘ ^(b)^^ = o +
. t/22 ' (c)
^ ^ ^ = lõ-;—
xf 2*

9. Seja z = f(x^ y) = y(x^ + y^)/[y^ + (x- + y ‘^)“]. Mostre que / tem limite 0 quando
(x, y) se aproxima de (0, 0) num raio (x = a t, y = bt), mas / não tem limite 0 quando
(x, y) —►(0,0). (Sugestão. Ache a curva de nível na qual / = |. )
12-8. DERIVADAS PARCIAIS 1137

10. Demonstre, pela definição de continuidade, que a função f { x ,y ) = V x V y * x > 0


e y > 0 , é contínua em (0, 0).

t l l . (a) Seja / uma transformação contínua de uma região aberta de em R ”^. Demons­
tre: para cada conjunto aberto E em o conjunto de todos os P para os quais
f(P ) está em £ é um conjunto aberto.
(b) Demonstre a recíproca do resultado da parte (a), isto é, se / é uma transformação
de uma região aberta de £ ” em e, para cada conjunto aberto £ em R ”^, o
conjunto de todos os pontos P para os quais f(P) está em £ é aberto, então / é
contínua em todo o seu domínio.
(c) Seja / uma transformação contínua de uma região aberta de em £ ”*. A
imagem de cada conjunto aberto contida no domínio de / é necessàriamente um
conjunto aberto em Mostre que, se a imagem de uma região aberta é aberta,
então a imagem é uma região aberta.

12. (a) Demonstre o análogo do Teorema C para funções vetoriais: se F(v) e f(u) são
tais que a função composta F o f é definida numa vizinhança de Uq, f é contínua em
Uo e F é contínua em Vq = f(uo), então F o f é contínua em uq.
(b) Mostre que o Teorema C, como formulado e demonstrado na Seç. 12-7, é um
caso especial da parte (a). {Sugestão. Use o fato de que uma função vetorial é
contínua se, e somente se, as funções componentes forem contínuas.)

+13. (a) Seja f{ x ,y ) = xyl{x- + y-) para {x,y) 7 ^ (0 ,0 ),/(0 ,0) = 0. Mostre que f{x,
é contínua para todo a:, / ( a-q, y) é contínua para todo y mas f{x, y) não é contínua
em (0,0). Aqui, xq e yo são números reais arbitrários.
(b) Seja f(x, >•) = sen (xly) para ; ^ > 0 e 0 < x < 7r>'e suponha que / tenha valor 0
para todos os outros (x, y). Mostre que f(x, >^o) é contínua para todo a“, / { xq, y)
é contínua para todo y, mas / é descontínua em (0, 0).

14. Mostre que o conjunto caracterizado por 1 — ;c^ — A : > 3 é o conjunto vazio.

12-8. Derivadas Parciais

Seja dada uma função z = f(x , y) numa região aberta D do plano xy


e seja (ato, yo) um ponto de D. Então, para x suficientemente perto de xo,
todos os pontos (x, >^o) estão também em D (Fig. 12-21). Assim, podemos
considerar z = f{x, yo) como uma função de a:, em um pequeno intervalo
em tôrno de Xo. A derivada em xo desta função de x (se a derivada existir)
é chamada derivada parcial de f em relação a x em (ato, yo) e é indicada por
uma das seguintes notações:

df dz
fxi^o>yo)’ -xi^o>yo)> ^(^o.yo).

Se voltarmos à definição da derivada como limite, poderemos escrever


1138 ca lcu lo d if e r e n c i a l de fu n ç õ es de v Ar ia s VARIAVEIS CAP. 12

/*(% yo) = l i m /(^»yo) (12 -80)


‘jc->0''
A Ax

Plano tangente

Fig. 12-21. Derivada parcial Fig. 12-22. Significado geométrico da


derivada parcial

Podemos interpretar geomètricamente a derivada parcial como uma


inclinação, como sugere a Fig. 12-22. Aqui se considera a seção da super­
fície z = f( x ,y ) pelo plano vertical y = yo- Naquele plano, a curva z =
= >^o) (ou, mais precisamente, sua reta tangente) tem inclinação fz{xo, yo)
em jco.
Se a derivada parcial de / em relação a x existe em todos os pontos de
Z>, então essa derivada torna-se uma nova função em D, que representamos
por fx, àfjdxy Zx ou dzjdx.
Considerando-se z como uma função de y, para x fixo, obtemos, de
maneira semelhante, uma derivada parcial fy = òfjdy = Zy = dzjdy. Esta
também corresponde a uma inclinação, como na Fig. 12-22. Para tornar
claro qual variável é mantida constante, escreve-se, algumas vêzes.

( |3 \ por por | £
Xdxfy dx dy.
\díJ/x oy

Para achar as derivadas parciais de uma função dada por uma equação
pode-se aplicar as regras usuais para funções de uma variável tratando-se
tôdas as variáveis independentes, exceto uma, como constantes.
12-8. DERIVADAS PARCIAIS 1139

EXEMPLO 1 z = x»y. Aqui, ^ = 3^», lã . = ^3.


dx dy
EXEMPLO 2 — I = 0, Aqui, z é dada implicitamente co­
mo uma função de ;c e Poderíamos tirar o valor de z, mas também po­
demos derivar implicitamente:

2x + 2z |5 = 0, daí ^ — —X í
dx dx z
dz dz
2w -h 2z — = 0 daí
z

Estas relações são válidas para tôda função z = f(x , y) que seja derivável
em relação a x e a e que satisfaça à equação dada.
Pela Fig. 12-22, é claro que as duas derivadas parciais fx{xo,yo) e /y(xo,
yo) dizem respeito somente ao comportamento de z = /(x, y) ao longo das
duas retas y = yo e x == xo. Assim, as derivadas parciais podem existir
mesmo se / fôr definida somente nas duas retas. As derivadas parciais
parecem não dizer nada a respeito do comportamento de / ao longo de uma
reta oblíqua, tal como a linha interrompida na Fig. 12-21. Ver-se-á que,
dependendo de outras hipóteses a respeito de / , podemos usar as derivadas
parciais para achar a razão de variação de z ao longo de tal reta (a derivada
direcional; veja Seç. 12-11 adiante).
Plano Tangente. Observamos acima que, no plano y = yo, sl reta com
inclinação fx(xo,yo) é tangente à seção de nossa superfície pelo plano. Há
um enunciado semelhante para a seção de nossa superfície pelo plano x =
= Xo. O plano tangente a uma superfície num ponto Po pode ser definido
como o plano que contém as retas tangentes em Po a todas as curvas na su­
perfície passando por Po. Mas se existe um plano tangente, então (sendo
êle um plano), êle é determinado por apenas duas retas contidas nêle. Se
usarmos as duas retas tangentes nos planos y = yo o x = xo, então seremos
levados à seguinte equação para o plano tangente em Po:

2 - ^0 = !/o)(^ - ^o) + /i/(% yò)iy - yo)- (12-81)

Aqui, zo =f(xo,yo)- Isto é claro, pois a Eq. (12-81) representa um plano


passando por Po:(xo, .Vo, ^o), e o plano contém as duas retas tangentes men­
cionadas; por exemplo, quando y = yo, equação se reduz a

^-^0 = yo)(^ - ^o),

que é a equação da reta tangente à seção da superfície pelo plano y = yo-


Veremos na Seç. 12-18 que, quando as derivadas parciais de / são contínuas,
1140 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

O plano (12-81) também contém as retas tangentes em P a todas as outras


curvas na superfície passando por Po.
EXEMPLO 3 Seja z = (Fig. 12-8). Então, dzidx = 2jc, dzidy =
= 2y; para (x,y) = (3, 1), z = 10 e dzjdx = 6, dzjdy = 2. Portanto, o
plano tangente em (3, 1, 10) é
z — 10 = 6(jc — 3) -h 2{y — 1) ou 6ac -h 2y — z = 10 .

Vetor Gradiente. Máximos e Mínimos Locais. Com duas derivadas


parciais de / num ponto podemos formar um vetor em V2 chamado vetor
gradiente e indicado por grad / ou V/:

Quando as derivadas parciais existem numa região aberta, grad / torna-se


uma função vetorial naquela região. O simbolo V f é pronunciado ''dei / ” .*
EXEMPLO 4 Seja f{x, y) = x^ + 3xy^. Então, grad / = (3x^ + 3;^^)i +
+ 6xyj.
Dizemos que f(x , y) tem um máximo local em (xo, j^o) se, em alguma
vizinhança de (xo, >^o), f{x, y) ^ /(xo, jo). Anàlogamente, / tem um mínimo
local em (xo, yo) se, em alguma vizinhança de (xo, yo), f(x , y) è /(xo, yo).
EXEMPLO 5 A função z = x"^ + y^ tem um mínimo local em (0, 0), pois
f(Xy y) = x^ + y^ > 0 = /(O, 0) para todos os (x, y).
EXEMPLO 6 A função z = ^-^2-2/2 máximo local em (0, 0), pois
f(x , y) < / ( 0 ,0) = 1 para todos os (x, y), visto que < 1 para w > 0.
TEOREMA 1. Seja f(x ,y ) definida na região aberta D e tenha um
máximo ou mínimo local em (xo, >^o). Se fx e fy existem em (xo, jo),
então.

yo) = 0 yo) ~

isto é, num máximo ou mínimo local, grad / é 0.


DEMONSTRAÇAO. Tenha / um máximo local em (xo, >»o). Então,
podemos escolher uma vizinhança de (xo, jo) na qual /(x, y ) < /(xo, >^o).
Então, ao formar a derivada parcial acima, obtemos /(x, y o ) , uma função
de X , definida num intervalo (xo — ó , Xo + ô ) , no qual /(x, y o ) < f ( x o , y o )-
Portanto, a função de uma variável /(x, yo) tem um máximo local em xo,
'^(N.R.) Êste símbolo também é pronunciado “nabla / ” ou “atled / ”, mas aqui
usaremos como no inglês, “dei / ”.
12-8. DERIVADAS PARCIAIS 1141

no qual sua derivada em relação a x existe. Mas então essa derivada deve
ser 0, isto é, /x(xo, y o ) = 0. Anàlogamente, f y ( x o , y o ) = 0 . O caso de um
mínimo é tratado da mesma maneira.
Para o Ex. 5 anterior, V f = 2 x i + l y y O único ponto no qual V / é
0 é (0, 0). Portanto, êste é o único ponto no qual um máximo ou um mí­
nimo local pode ocorrer. Vimos anteriormente que há um mínimo local
no ponto.
Num máximo ou mínimo local, a equação do plano tangente (12-81)
(se houver um) torna-se

= Zn.

Assim, o plano tangente é horizontal em cada máximo ou mínimo local. To­


davia, como para funções de uma variável, o fato de o plano tangente ser
horizontal não nos garante que tenhamos um máximo ou mínimo local.
EXEMPLO 7 z = xy. Aqui, V f — yí + x} c um máximo ou mínimo local
pode ocorrer em (0, 0), onde V / = 0 e o plano tangente é horizontal. To­
davia, /(O, 0) = 0, /(a, a) = a^, f{a, — a) = — cP’. Podemos tornar os pon­
tos (fl, d) e (a, — d) tão perto de (0, 0) quanto desejarmos; / é positiva nos
primeiros e negativa nos últimos. Portanto, / não tem nem máximo local
nem mínimo local em (0, 0). A função é representada na Fig. 12-10; o
desenho é chamado “ superfície de sela” . Em (0, 0) tem-se uma formação
como aquela no ponto mais alto de um passo de montanha.
Observação. A equação do plano tangente (12-81) pode ser escrita em
função do vetor gradiente como

Z - Z o = V f- {t -

onde r = xi + yj, ro = Xoi + yo] e V / é avaliado em (xo, >^o).


Generalizações. As derivadas parciais podem ser definidas de maneira
análoga para funções de três ou mais variáveis. Para uma função de n
variáveis z = /(x) ou f(x i, ..., Xn), pode-se escrever fxk para a derivada par­
cial em relação a Xk, todas as outras variáveis conservando-se constantes;
pode-se também abreviar isto como fk. Esta notação (embora menos fre-
qüentemente usada) tem vantagens mesmo para funções de duas variáveis:
/ i para /x, /2 para fy, onde /(x, y) é dada.
O vetor gradiente de /(xi, ..., Xn) é o vetor de Vni

V / = grad / = ( / * , , . . . , f j = + ••• +

onde Cl = (1, 0, 0), e2 = (0,1, 0), .... Assim, para f(x , y, z).
11« CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. U

V / = /x l + Ai +>ík-

Os máximos e mínimos locais são definidos para f{xi, xr„) como acima
para/(x,_y) e o Teorema 1 e sua demonstração permanecem válidos: num
máximo local de f{x\, x:„), g r a d / = 0 (contanto que tôdas as derivadas
parciais existam no ponto). Á Eq. (12-81) tem uma generalização em fun­
ção de um “hiperplano tangente” (veja Seç. 11-13), mas não discutimos
isto aqui.

PROBLEMAS
1. Ache dzjdx e dzjdy:
(a) z = 2x + i y . (b) 2 = 5x - l y . (c) z = x2 -
(d) z = 3*^ -I- (e) 2 = 2 x^y. (f) 2 = xy3

(g) 2 = e*" COS (x —2y). ( h) . = ^ . (i) 2 = In (x^ —2xy — y^).


x + y
(]■) z = log, y. (k) z = . (1) xyz -I- 2^ = 1.
(m) X® -I- y é -t- 2 = 0 (n) 2 = X sen x y . (o) In 2 -f- xye^ = 5.

#■

Fig. 12-23. Probl. 2

2. Das curvas de nível de y dadas na Fig. 12-23, estime as seguintes derivadas parciais:
12-9. A DIFERENCIAL 1143

( a ) / , ( l , 0). ( b ) / , ( l , 0). ( c ) / , ( 0, l ) .
( d ) / ,( 0, l ) (e) / , ( - ! , - 1 ). (f) / , ( - ! , - 1 ).
3. Ache o plano tangente no ponto pedido:
(a) z = - 1/2 c m ( 2 ,1, 3). (b) z = 3xy em (l, 2, 6).
(c) z = \n{x y) eih'(2 , — 1 , 0). (d) z — cos y em(0, tt, — 1 ).

4. Ache o vetor gradiente no ponto especificado:


(a) z = 2 x2 + t/2 e m (l, 1 ). (b) z = 3x2 - t/2 em ( 2 , 1 ).

(c) z = — em (l, 1 ). (d) z = x2e*'em (l, 0).


y
(e) z = sen(x + 2y) èm(x, y). (f) z = In (x - 3y) em (x, y ) .

5. Localize todos os pontos onde grad / é 0 e determine se / tem um máximo local ou


nunimo local em cada um deles:
(a) / = 2x2 + 4 y \
1
( b ) f = x ^ + 3y^. (c)f = 1 H- x2 y2

(d) /= 1 - *2 - í/2 (e) f = x ^ ~ (f) / = 2x2 - 3 y \


(g) / = x2 + 2xt/ + !/2. (h) / = (x2 +

6. Ache o vetor gradiente para cada função:


(a) /(x , !/, z) = . (b) f { x , y , z) = :^y - y^'z\
(c) f{u , Vy w) = s e n ( u + 2v — 3w). (d) f { U y Vy w) = In («2 -I- t;2 _
(e) / ( x j , . . . , x„) = * 1^ + X22 + . . . + x„2. (0 fi^V • • • »^n) “ ^1^2 ’ ‘ *

12-9. A Diferencial

Para uma função y = f(x ) de uma variável, a diferencial dy foi intro-


duzidà na^Seç. 3.22 como a “aproximação linear” de Ay. Assim, dy =
= m Ax, quando Ay = m A x + Axp{Ax), onde /?(Ax) é contínua em
Aa: 0 e ;?(0) = 0. Por exemplo, poderíamos ter A.y = m A x + Ax^.
Vimos que m tinha que ser a derivada no ponto considerado, de modo que
poderíamos escrever

dy = f \ x ) Ax ou dy = f'{x) dx

Para funções de duas variáveis, procuramos agora uma aproximação


linear análoga para o incremento. Seja z = f(x , y) dada na região aberta
D seja (xo, ;^o) um ponto de D. Agora consideramos a variação Az em z
quando tanto a : como y variam, digamos por Ax, Ay em relação a x o , y o ,
respectivamente. Assim, estudamos
1144 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CÁP. 12

Az = f{Xo + Ax, yo + ^V) ~ /(% . «/o) (12-90)


(veja Fig. 12-24). Consideramos um exemplo:
EXEMPLO 1 Seja z = + x y ’^ = f(x , y) e sejam xo = 2 , yo = 3. Então,
f{x o ,y o )= Â 2 , 3 ) = 2 2 e
f{xQ -h Ax, t/o -h At/) = /(2 -h Ax, 3 + Ay) = (2 + Ax)^ + (2 4- Ax)(3 + At/)^ =
= 22 -h 13Ax + 12Ay + (Ax)^ + 6Ax Ay + 2(Ay)^ + Ax(Ay)?

Portanto,
A ;^= /(2 + A x, 3 4 - A y ) - / ( 2 , 3) =
= 13Ax + 12Ay + (Ax)^ -h 6Ax Ay -f 2(Ay)^ -f Ax(Ay)^

Fig. 12-24. Incrementos para /(x , 3^)

Assim, em nosso exemplo, Az iguala-se a uma função linear 13Ax + 12Aj;


mais têrmos de grau mais alto. Quando A x e Ay são muito pequenos,
os têrmos lineares dominam. Por exemplo, para Ax: = 0,1, A;; = 0 ,1 ,

Az = 13 X 0,1 + 12 X 0,1 -h 0,01 -h 6 X 0^01 + 2 X 0,01 -f- 0,001.

A soma dos têrmos lineares é 2,5. A soma dos outros é 0,09. Assim, po­
demos escrever

Az ^ 13Ax 4- 12Ay,

onde a aproximação melhora à medida que Ax: e Ay aproxima-se de 0. No­


tamos que cada um dos têrmos de grau mais alto pode ser escrito com Ax:
ou A;; vêzes uma expressão que se reduz a 0 para Ax = 0, A^ = 0. Tôdas
estas observações sugerem nossa definição geral:
Definição. A função z = /(x, y) tem uma diferencial dz = aAx 4-
+ bAy = d f num ponto particular (xo, 70) se, para (A^, Aj) numa vizinhança
de (0, 0),
12-9. A DIFERENCIAL 1145

Az = /(xo + Ax, yo + Ai/) - f{xo, Vo) =


(12-91)
= a Ax -h b Ay + Ax Pi(Ax, Ay) 4- Ay P2 Í^^ Ay),
onde a e b são constantes e /7i(Ax, Ay), pi{Ax, Ay) são definidas numa
vizinhança de (Ax, Ay) = (0,0) e são contínuas em (0, 0) com valor 0 em
(0 , 0).
No nosso exemplo, podemos escrever

Az = 13Ax -h 12Ay -h Ax(Ax -1- 6Ay) + Ay(2Ay -f Ax Ay),

de modo que a = 13, 6 = 12, pi(Ax, Ay) = A x + 6Ay, p 2(Ax, Ay) =


= 2A;c + A xAy; agrupando-se os têrmos de grau mais alto de outras
maneiras, obteremos outras escolhas permissíveis de pi e p 2.
TEOREMA 2. Se z = f(pc, y) tem uma diferencial dz = aAx + bAy
em (xo, y ^ , então fx(xo, ;^o) e fy(xo, yo) existem e

de modo que

= /x(^> yo) + /(/(% yo) ^y •


DEMONSTRAÇÃO. A definição de dzjdx em (12-80) pode ser escri­
ta como o limite quando Aa: 0 de Az/Ax, para à y = 0. Para Ay = 0,
(12-91) dá
Az = aA x + Axp^(Ax, 0),

= a + 0) {Ax 0).

Se agora Ax —>0, então pi(Ax, 0) pi(0, 0) ^ 0. Por conseguinte.

llm | i = Ito /(«. + y«) - / ( % Vo) = a.


Ax->0 Ax Ax-^0 Ax
Assim, fx(xo, ;^o) = e, semelhantemente, fy(xo, ;^o) = b.
Observação. O teorema mostra que a diferencial, se existe, é univo­
camente determinada. Se dz — aAx + bAy, então a deve ser fx(xo, >^o) e
b deve ser f y ( x o , y o \
Quando / tem uma diferencial em (xo, 3^0), dizemos que / é diferenciável
em (xo, >^o). Quando / tem uma diferencial em cada ponto da região aberta
D, dizemos que ' f é diferenciável em Z)” . Neste caso, podemos escrever
1146 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

df df dz dz
df= ^A x^^A y ou dz = - A x + — Ay,
ox oy ax oy
onde df/dx e df/dy são funções de x e Outras notações são usadas para
a diferencial:

d f= ^ h + ^ k , df = ^ d x + ^ d y ,
OX oy ox oy '
df df
^ - *o) + ^ (</ - !/o) (em(xo, yo)).

Assim, Ax e Ay podem ser representados por outros símbolos. O uso de


dx e dy será explicado adiante.
Podemos também escrever a diferencial em notação vetorial:

dz = V f • dtj

onde dr = dxi + dyy


Quando / tem uma diferencial num ponto (xo, yoX temos informação
a respeito do comportamento de / em tôdas as direções por (xo, yo). Po­
demos escrever

y) !/o) + o(x - Xo) + b(y - í/ q)- (12-92)

Assim, / é aproximada, perto de (xo, 3^0), por uma função linear cujo gráfico
é um plano no espaço. Vimos, na Seç. 12-8, que êste plano é o plano tan­
gente à superfície z = f ( x , y ) em (xo, >^o, ^o). A relação (12-92) pode ser
usada para calcular valores de / aproximadamente.
EXEMPLO 2 Avalie (2,01)^*^^ Fazemos z = x^. Então,

dz = ^ d x ^ dy = yx^~^ dx x ^ln x dy.


dx dy ^ ^ ^

Tomamos Xo = 2, yo = dx = 0,01^ dy = 0,02, de modo que

dz = dx -h 2 In 2 dí/ = 0,01 + 0,04 In 2 = 0,0377

z - - 2 -h 0 ,0 3 7 7 = 2 ,0 3 7 7 .

Consultando uma tabela, acha-se que o valor exato é 2,0383.


TEOREMA 3. Se z = / ( x , y) tem uma diferencial em (xo, >^0), então
f é contínua em (xo, 3^0).
12-9. A DIFERENCIAL 1147

DEMONSTRAÇÃO. Podemos escrever (12-91) como segue:

y) - yo) = -^ o ) + K y - yo) + - ^o)Pi(x - ^o^y - yo) +


•+ ( ! /- yo)P Í^ - ^o^y - í/o).
2

Já que pi e p 2 são contínuas em (0, 0), resulta do Torema C (Seç. 12-7) que
o lado direito da equação é contínuo em (jco, >^o). Já que f(x , y) é igual a
f(xo, yo) mais o lado direito, / deve ser contínua em (xo, >^o).
TEOREMA 4. Seja z = f(x , y) definida na região aberta D e sejam
dzjdx, dzjdy contínuas em D. Então, f é diferenciável em D.
DEMONSTRAÇÃO. Sejam /l(x, y) = <t>{x, y), fy{x, y) = \p{x, y), de mo­
do que (f) c são contínuas em D. Então, podemos escrever

f i ^o + h , y o + k) - f{ x o , yo) =

= fi^o + h Vo + - fi^o, yo + k) + /{ xq, yo + k) - /{ xq, y^) =


^^0+^ ^Vo+k
= J /x(^> yo + k)dx + J
f^(xo, y) dy =
Vo
^xo-\-h 1/0
<t>(x, yo + k)dx + J xP(xq, y) d y . (12-93)

Assim, obtivemos o incren^ento total em / como a soma de um incremento


devido a uma variação em a: e de um incremento devido a uma variação
em y (veja Fig. 12.25).

íjco, yo + k) (xo + h, >^0

Á
______ w___
(xo, yo) Txo + h, vo)

Fig. 12-25. Demonstração do Teorema 4

Avaliamos cada um dêstes incrementos integrando a derivada parcial


respondente. Agora, para /i 0, o primeiro têrmo da última expressão é

•xo^-h r , ^ xo+ h n
/ <^{x, yQ + k) dx = h ^ j - J <j>(x, y^ + k) dx^ = hq^{h, k) ,

onde qi(h, k) é a. média de <t>no segmento de (xo, yo + k) a (xo -|- //, yo k).
Mas 0 é contínua em D, Então, para h q k suficientemente perto de 0, po-
1148 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

demos assegurar que os valores de permanecem tão perto de <t>(xo, yò)


quanto desejado. Portanto, o mesmo se aplica para a média, qi{hy k).
Não definimos qi(h, k) para h = 0 ; damos o valor <t>{xo, yo) para tais pontos
e podemos então dizer que qi(h, k) é contínua em (0,0) com ^i(0,0) =
= 0(xo, >^o) = fx(xo, yo). Então, o primeiro têrmo à direita do sinal de
igual em (12-93) iguala-se a hq\{h,k) para todos os (Juk) numa vizinhança
de (0, 0). Semelhantemente, o segundo têrmo em (12-93) pode ser escrito
como kq 2{hy k), onde q^Qi, k) é contínua em (0, 0) e ^2(0, 0) = ^(xo, >^o) =
=fv{xo,yo). Portanto,

/(^ü + í/o + ?/()) = =


= !/()) + fc)] + ^ [/i/(^0» i/o) + P2Í^>

onde /?i(A, k) e p 2(hy k) são contínuas em (0,0) e têm valor 0 em (0,0). Assim,
finalmente,

/(xo + h, y„ + k) - /(.v„, !/n) = !/n) + í/o) + Vi(^> + ^2(^>

e / tem uma diferencial em (xo, ;^o).í


Observação. A mera existência das derivadas parciais (sem continui­
dade) não nos assegura a diferenciabilidade d e /; de fato, nem mesmo impli­
ca continuidade de / ! (Veja Probl. 9 adiante.)
O Teorema 4 permite-nos concluir que muitas funções conhecidas são
diferenciáveis (exceto em pontos óbvios). Por exemplo, o polinómio z ~
= Ix^^y — 3x'V^ é diferenciável para todos os (x, y \ já que Zx = ^xy —
— 15x‘V , — 21 x y ^ e estas derivadas são contínuas em todos os
lugares. Assim, dz = (4xy — \5 x y ')d x + (2x:^ — 2\xy^)dy. Os seguintes
são mais exemplos de diferenciais:

d{xy) = y dx x d y (todos os (x, y)), d{e^ cos y) = cos y dx — sent/ dy •

d{xy^ In x) = y^(l + In x) dx -f- 3x1/^ In x dy ^ (x > 0).

Notamos que as diferenciais dadas aqui são as mesmas que aquelas obtidas
no Cálculo Elementar, com ;c e considerados como funções de t, por
exemplo. A razão disto é dada na seção seguinte.
TEOREMA 5. Seja f diferenciável na região aberta D e seja d/* = 0
em D, Então, f é idênticamente constante em D.
12-9. A DIFERENCIAL 1149

DEMONSTRAÇÃO. Pelo Teorema 1, devemos ter /j, = 0, = 0 em


D. Então, pelo cálculo de uma variável, / é constante ao longo de cada
segmento de reta em D paralelo ao eixo x ou ao eixo y. Logo, em cada
vizinhança circular D\ em Z), / é constante, pois se (xi, yi) e (jC2, >^2) estão
em Dl, então êstes dois pontos podem ser unidos por uma linha quebrada
em Dl, na qual / é constante: de (xi,;;i) a {x2, yi) (paralela ao eixo x) e
depois de (x 2, yi) a (x2, y 2) (paralela ao eixo y).
Sejam agora Pi e P 2 dois pontos quaisquer de D, Já que D é conexa
por arcos, podemos uni-los por um caminho r = OP = r(t), a < t < b,
com r(úf) = OPi, i{b) = OP 2. Para cada íq, a < íq < b, o ponto Po com
r(/o) = OPq fica em D, e portanto, fica numa vizinhança circular Dq contida
em D. Como acima, / é constante em Dq.Por continuidade de r(/), existe
um ôo > 0 tal que r(t) fica na vizinhança Dq para to — à < t < to + 8 (e
t em [a, /?]). Resulta que g{t) = /(r(/)) = f{x{t), y{t)) é constante para to —
— ò < t < to + à. Então, g \t) = 0 em [a,b] e g{t) = const. Portanto,
/(r(úf)) = f{j{b)) ou f{Pi) = /(P2). Assim, / é constante em D (veja Fig.
12-26).

Fig. 12-26. Demonstração do Teorema 5

O conceito de diferencial estende-se imediatamente a funções de mais


de duas variáveis. Para w ^ f { x , y , z), por exemplo,

dw = f ^ d x + fy dy + dz.

Para “pequenos” incrementos dx, dy e dz, dw aproxima o incremento Aw =


= /(^ + dx, y + dy, z + dz) —f{ x ,y , z). Os análogos dos Teoremas 2^ 3^
4 e 5 continuam a ser válidos.

PROBLEMAS

1 . Ache a diferencial da função dada:


(a) ^ . (b) ^ = 3a-í/ - 1/2
(c) ^ = xije^. (d) ;3 = xi/2gCos X
1150 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

(e) z — ------ - • (f) z = — ^ •


3C+ t/ X—
(g) tü = + t/2 + ;j2 (h) w = x yz.
(i) Z = 3wü2u;3 (j) z = e ^ ( v ^ - w ^ ) .
(k) ^ = Sen(uüu;). (1) z = é^ln (vw) .

2. Sabe-se que uma certa função z =f(x,y) tem as seguintes propriedades: /(0, 0) = 1,
/(l, 1) = 3, A 2, 3) = 5, A (0 ,0) = 2, fy (0 ,0) = - 1, / , ( ! .1) = 5, /^(l, 1) = - 2,
/x ( 2 ,3) = 2, /y (2 ,3) = 0. Avalie aproximadamente:

(a) /(O 1 ,0 ) . (b) /(O, - 0 ,2 ) . (c) /(1 ,8 , 3).


(d) / ( 2 , 2 ,8). (e) / ( l . 1>1). (f) / ( 0 ,7, 1 ).

3. Ache A z no ponto indicado e expresse-o na forma (12-91):

(a) z = xy em (2 , 1 ). (b) z = x^yem{2, 3 ).

J(c) z = x / y em (3 ,2 ).
1 em (l, 1 ).
♦(d) 2 =
< + !/

4. Avalie aproximadamente:

(a) VÍ;Õ 2 + (b) (1,04)3(1,99)®


(c) sen [1,991x1(1,03)]. (d) (cos 0,3ir)‘>^ .
(e) (1,01)(9,98)(8,03). (f) 3.99b0i/2,03_

5. (a) Interprete z = xy, para x e y positivos, como a área de um retângulo e mostre


por diagramas a maneira pela qual dz = y A x + x A y aproxima a área do retân­
gulo de lados x -h Ax, y -{- A y menos a área do retângulo de .lados x ,y ,
(b) Estenda a idéia da parte (a) a = xyz como volume de um sólido retangular de
lados jc, y, z.

6. (a) Demonstre: se F(x,y) e G(x,y) têm derivadas parciais contínuas numa região
aberta D e Fx(x, y) = G^ix, y), Fy{x, y) ==Gy{x, y) em D, então F{x, y) = G(x, y ) +
-h C, onde C é uma constante.
(b) Ache tôdas as funções z = F(x, y) tais que dz/dx = 2xy, dzjdx = x^ para todos
os

7. Seja f(x, y) = + 2xy -h y"^/{x -h y). Mostre que / , = = 0, mas


/ ( l , 1) = 1, / ( —1, — 1) = —L Isto contradiz o Teorema 5?

8. Com base do Teorema 4, mostre q u e / é diferenciável onde enunciada:

(a) /( * . y) = ^y^, todos os {x, y). (b) /( * , y) = In (** + y*), {x, y) j í (O.-O).

(C) f(x. y) = — ,x ^ y : (d) /(* , y) = , (X. y) 5.Í (0 .0 ).

9. Sejam z = /( x , y) = (xy)/{x^ + y*) para (x, y) ^ (0,0),/(0,0) = 0.


12-10. REGRAS DE CADEIA 1151

(a) Mostre que dzjdx e dz/dy existem para todos os (x, y),
(b) Mostre que / é descontínua em (0, 0).

12-10. Regras de Cadeia

Para funções de uma variável, a regra de cadeia

dy _ dy du
dx du^dx

é de muita valia. Esta regra tem análogas para funções de várias variáveis.
Para z = f{x, y), onde x = x{t) e j = y ( t\ a regra dá

dz dy (12-100)
dy dt ^
ou, em linguagem vetorial.

— = Vf • (12-100')
dt ^ dt

Ilustraremos a regra e depois prosseguiremos para prová-la:


EXEMPLO 1 Seja z = xy^ onde x q y são funções de /. Então,

dz dx dy
dt ^ dt dt

Esta é exatamente a regra para derivar produtos de funções de uma variável.


EXEMPLO 2 Seja z = sen (2jc + 3y), onde jc e são funções de t. Então,

^ = 2 COS (2x + 3y) ^ + 3 cos (2ac + 3y) ^ = (cos (2x + 3y)) ^ 2 ^ + 3 ^

Êste resultado também decorre das regras do Cálculo de uma Variável.


TEOREMA 6 (Uma regra de cadeia). Sejam x(t) e y(t) funções derh
váveis num t particular\ seja z = f(x , y) derivàvel no ponto correspon-
dente (x, y}. Então, z = g(t) = f[x(t), y(t)] é derivàvel no t dado e
dz dz dx dz dy dr
dt dx dt ^ dy dt dt ^
dz dz
1152 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

onde dzjdx, dzjdy são avaliadas em (x, y) = {x{i), y{t)) e, na última


equação, dx = x'(t)dt, dy = y'(t)dt.

DEMONSTRAÇÃO. Já que / é derivável em (x, y), neste ponto,

Az = ^ A x + + ^yp2i

onde pi e /?2 são funções de Ax, Ay que são contínuas para Ax = 0, A j = 0


e têm valor 0 neste ponto. Portanto, para A t 9^ 0,

+ + ( 12- 101)
Aí dx Aí ^ dy At ^ At ^ At

Podemos considerar aqui Ajc = x(t + Ar) — x(t) como sendo expresso em
função de Ar, e A;; como sendo expresso em função de Ar. Assim, pi e p^
tornam-se funções de Ar, contínuas para Ar = 0 e iguais a 0 para êste valor.
Logo, se aproximarmos Ar de 0 em (12-101), obteremos

,, , dz dzdx dz dy dx ^ dy ^
^ ^^ dt dxdt dy dt dt dt

e (12-100) procede. A expressão para dg dada no teorema resulta da mul­


tiplicação de ambos os lados de (12-100) por dt.
A fórmula para a diferencial de z = g{t) = /(x(r), XO Pode ser escrita

dz = ^ d x + ^ d y . ( 12- 102)
dx dy

Esta é idêntica à expressão usual para dz = df(x, y), como no Teorema 2.


Todavia, pava, df(x, y) consideramos dx e dy como variações arbitrárias em
X Q cm y: dx = Ajc, dy = Ay. Em (12-102), pensamos em dx e dy como
no Teorema 6: dx = x'{t)dt, dy = y'(t)dt; assim, dx e dy estão relacionados.
Já que a fórmula (12-102) é a mesma em ambos os casos, concluímos: a
relação entre úk, dx c dy é a, mesma para z = f(x , y ) c d x = Ax, dy = Ay
sem restrições como para z = f{x(t), y(t)) e dz, dx, dy todos expressos em
função de dt. É por esta razão que Aic b Ay podem ser substituídos por
dx e dy na expressão para dz.
Um resultado semelhante é geralmente válido para diferenciais, como
se pode verificar para as diferentes espécies de relações: se uma equação
em diferenciais é correta quando uma variável é considerada uma função
das outras, de modo que as diferenciais das outras sejam incrementos arbi­
trários, então a equação permanece correta quando tôdas as variáveis são
12-10. REGRAS DE CADEIA 1153

expressas como funções de uma ou mais variáveis novas e tôdas as diferen­


ciais referem-se a estas funções das novas variáveis. O Teorema 7 a seguir
é uma segunda ilustração deste princípio [Eq. (12-105)].

EXEMPLO 3 Seja z = f{ x { t\ y{t)), onde x = cos t, y = sen /. Então,

dz
= senf fy cos t.
dt

TEOREMA 7 {Outra regra de cadeia). Seja z = F{u, v) derivável em


(wo. Vo). Sejam u = f{x, y), v = g{x, y) deriváveis em {xq, yo), com
f{xo, >^o) = wo, g{xo, >^o) = Vo. Então,

z = G(x, y) = F [/(x , y \ g{x, y)]

é derivável em (JCo, ^o) ^

dz ^ dC dz du dz dv (12-103)
dx dx du dx dv dx
dz ^ dG dz du dz dv ^ (12-104)
'ày dy du dy dv dy ’
dz du +
— 1 1
— dv ^1
(12-105)
ou dv

onde as derivadas parciais em relação a u e v são avaliadas em {uq, Vo)^


aquelas em relação a {x, y) em (xo, yj) e du, dv são as diferenciais de f
e g em (xo, ;^o).

DEMONSTRAÇÃO. Se fixarmos y em jo, então m e v tornam-se


funções somente de x: w = /( x , jo), v = g(x, >^o) e estas funções de x são
deriváveis em xo com derivadas /a(xo, yo), gx{xo, >^o), em Xo. Então,

G(x, yo) = F[f(x, yo), g{x, yo)]

é composta como o é a função g no Teorema ó. Portanto, por êsse teorema,

_ 3F dfjx, yo) ^ dF dfjxp, y) _ ^


01' du dx dv dy du dx dv dx

Assim, (12-103) está demonstrada e (12-104) é demonstrada da mesma ma­


neira. Supondo que G tenha uma diferencial em (xo, yo), temos, naquele
ponto.
1154 ca lcu lo d if e r e n c i a l de fu n ç õ es De v á r ia s VARIAVEIS CAP. 12

dc = ^ à x + ^ à y =
ox oy
_ / ^ dv \ A , / ^ ^ A _
“ \d u dx dv dx) ^ Vaw dy dv d y ) ^

—^ d u + ^ d v
ou ov
Assim, (12-105) procede. A demonstração de que G tem uma diferencial
é deixada para a Seç. 12-13 (Teorema 9).

Nota. Em (12-103), dzjdx é (dzldx)y, dzidu é (dzldu)c, dujdx é {du!dx)y


e assim por diante.
As duas regras de cadeia dadas podem ser generalizadas para a compo­
sição de funções de duas e três variáveis, três e três, quatro e duas e assim
por diante. O caso geral é mais fàcilmente descrito com a ajuda de ma­
trizes; veja Seç. 12-13 adiante. Para z = F(w, v, h', ...), onde m, v, ... são
funções de x ,y , ..., achamos que

^ —f _i_ Y — 4- • dz _
^ ^ I ^ "T
ax “ " 0x " 3x dy - “ ay 9?/

EXEMPLO 4 Seja z = z/^ + v^, onde t/ e v são funções dc x e y. Então,

dz = C) — -f- 2í; —
:r-
dz o , o
= 2 u - ---- h 2ü — -)
dx di dx 9y 9y
dz = 2udu + 2v dv

(onde as diferenciais podem ser interpretadas como se referindo a z, z/ e v


•como funções de x: e ;;).

EXEMPLO 5 Seja z = (e^ + y y + cos v, onde v é uma função de x: e


Podemos escrever z = z/^ + cos v, onde u = + y, u c v são funções de
X e jv [a função v{x,y) sendo não especificada]. Então,

—= — —sen = 5(^ -h y^e^ — s e n y


dx dx dx ^ dx '
^ - senüfí ^ = 5(e* + # -sc n v ^^-
dy dy dy dy

EXEMPLO 6 Seja z = f(u, v), onde u = — y^, v = 2xy, Então,


12-10. REGRAS DE CADEIA 1155

EXEMPLO 7 Seja s = F{u, v, w) = + w^, onde u, v c w são fun­


ções de .V e Encontramos, por exemplo, que

EXEMPLO 8 Seja w = F(x, y, z, t), onde x, y q z são funções de t. Ache


dwjdt. Aqui, podemos escrever w = F(x, y, z, u), onde x, y, z q u são fun­
ções de r e acontece sabermos que u(t) = /. Então,

dw „ dx ^ dy ^ dz „ du „ dx dy dz ^
dt ^ dt ^ dt ^ dt dt ^ dt ^ dt ^ dt *

TEOREMA 8, Sejam f e g funções de duas variáveis que têm diferen-


ciais em (xq, ;^o). Então, f + g, f — g, f*g, fjg têm diferenciais em
(^o.>'o) e

à (f + g) = d f+ d g , d (f - g) = d f - dg,

d ( fg ) = fd g + gdf, d 0 = l t £ ^ ,

onde, à direita, f e g são avaliadas em (xo, yò) e para d{fjg) considera-se


que g{xQ, yo) 9^ 0.

DEMONSTRAÇÃO. Sejamz = F{u, v) = u + v ,u = f{x,y)^ v = ^ ( x ,y).


Então, o Teorema 7 é aplicável em (jcq, >^o). Já que dz/âw = 1, dzidv — 1,
temos, por (12-105),

dz = d[f(x, y) -h g(x, t/)] = 1 • dw -f 1 • du = d / -f dg •

As outras regras seguem da mesma maneira com F = u — v, w•v, w/v (v 5*^


9^ 0), respectivamente.
Êste resultado se estende também a funções com um número qualquer
de variáveis.
1156 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

PROBLEMAS

1. Sejam x { t \ y{t), u [t\ v(0 deriváveis para a < t < b. Aplique uma regra de cadeia
para achar dz/dt em cada um dos seguintes casos:

(a) z = . {^) z = 7?y^. ,(c) z = xyxj^.


(d) z = xu — y v . (e) z = sèn{xu + ty). (f) z = cos (u + v)

2. Sejam z = f{x, y) ^ x = x { t \ y = y{t) dadas. Avalie dz/dt segundo hipóteses ade­


quadas:

(a) X = — 1 , t/ = -h í . (b) X = -h y = 2e^ —


(c) x^ + xf + = 1, — t/í + = 1 . (d) f = X + e®, í = t/ + sen y .

3. Para os seguintes exercícios faça hipóteses de derivabilidade adequadas:


(a) Sejam z = /(« , v), u = 3x^y — y \ v = x^ — 3x^^y. Ache dz/dx, dz/dy.
(b) Sejam u = <f>{x, y), x = z"^ y = zw. Ache du/dz, du/dw.
(c) Sejam z = /(w, v, w \ u = v = x^^y, w = Ache dz/dx, dz/dy,
(d) Sejam w = /(x , y, z), x = 2uv — y = tu v^, z = uví. Ache dw/du, dw/dv,
dw/dt.

4. Faça hipóteses de derivabilidade -adequadas:


(a) Se z = f( x — y) [isto é, z = f{u), u = x ^ y], mostre que dz/dx i- dz/dy = 0.
(b) Se z = /(2 x — 3y), mostre que 3(dz/dx) + 2{dz/dy) — 0.
(c) Se z = /(x ^ — y ^
’ ), mostre que 2y{dz/dx) + 2x(dz/dy) = 0.
(d) Se z = f(xy), mostre que xzx — yzy — 0.

5. Seja z = F(u, v), « = 2x — 3;^, v = x + 2y, de modo que z pode também ser expressa
em X e e seja F derivável para todos u, v.
(a) Sq Zx + Zy = 0, mostre que z^ — 3z^, = 0.
(b) Se Zy — Zy ?= 0, mostre que Zx + 3zy = 0.

6. A função z = f(x,.y) toma-se uma função dê r, 6 quando x e são expressos em


função de coordenadas polares r, 6. Supondo a derivabilidade necessária, mostre que

z^ = z^ cos 0 Zy sen^, Ze = —z^ r sen ^ -f Zy r cos 0 ,

cos 0 — —Zff senO, Zy = z^ seli 6 - \ - ^ Z q cos 6


T r

7. Sejam as hipóteses do Teorema 7 satisfeitas e sejam as derivadas parciais tôdas avalia­


das em ( mo, Vo) ou (xq, >^o) como descrito.
(a) Se Zu = 1, z„ = 3, Ux = 5, Uy = — 1, = 2, = 7, ache Zx e Zy. Ache também,
aproximadamente, (7(xo + 0,3, y^^ + 0,1) — G(xq, yo)-
(b) Se Zx = 3, Zy = — 2, «X = 2, Uy = 3, = — 1, Vy = 4, ache z^ e z„. Ache
também, aproximadamente, F(«o + 0, 1 , vq — 0,2) — F{ uq, vq).
12-11. DERIVADA DIRECIONAL 1157

8. Seja z = /Í jc, y) derivável numa região aberta D incluindo o círculo = l.


Mostre que, se / tem seu valor máximo no círculo no ponto (;co, ^'o), então yfx — xfy =
= 0 neste ponto. {Sugestão, Use a representação paramétrica x = cost, y = sen r.)

9. Ache o valor-máximo de / no círculo x^ -\-,y'^ = I (veja Probl. 8):


(a) f i x , y) = x + y . (b) f{x, y) = : ^ y \
10. Seja z = z{x, y) uma função derivável numa dada região aberta D.
(a) Se xyz z^ = 1, ache expressões para z* e Zy em função de jc, y e z.
(b) Se yz^ — xz y z = 1, ache expressões para z^ e Zy em função dé x, y e z.

11. Sejam u{x,y) e v{x, y) funções deriváveis numa região aberta D.


(a) Se + «2 -f s 0, mostre que + luux + uvx vux = 0 q e^Uy + luuy 4-
+ uvy + yuy = 0.
(b) Se «2 4- y2 —cos(w + v) = 0, ache duas equações relacionando Ux,Uy, Vx e Vy.
(c) Se xu^ + uvy xv^ = 1 e x u h + yuv^ = 1, ache expressões para Ux e Vx em
função de x, y, u e. v:
(d) Se x^u + xyvln « = 1 e y^uv + xyu In v = 1, ache expressões para Uy e Vy em
função de x, y, u e v.

12. Demonstre as partes do Teorema 8 relacionadas com d(fg) e d(flg).

12-11. Derivada Direcional

T en h a F u m a d iferen cial em ( jco, / o), c o m o acim a. C o n sid e ra m o s en tã o


u m a reta orien ta d a através de (xo, /o ), c o m o n a F ig. 12-27. Seja a o â n g u lo

Fig. 12-27. Definição da derivada direcional

do eixo X positivo com a direção escolhida. Resulta, por geometria, que


a reta tem equações paramétricas
X = Xq s cosa = x(s), y = sscna = y(s) (12-110)
1U8 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

com s aumentando na orientação escolhida e = 0 em (;co, yo). Já que F


é definida numa vizinhança de (xo, yo), F é definida ao longo da reta para
s suficientemente perto de 0. Avaliamos F no ponto obtendo
uma função:

g(s) = F(x{s), y{s)).

Pelo Teorema 6 (com t substituído por s), sabemos que existe e

dx „
g'(«) = cosa + FySena,
ds

onde Fa; = dz/dx e Fy = dzjdy são avaliadas em (jc(^), ;^(.y)). O valor da


derivada g'{s) em = 0 é denominado derivada direcional de F em (x:o, y ^
na direção a. Assim, em (xo, y ^ ,

derivada direcional de F na direção a


( 12- 111)

= F^ÍXq, í/ o) COS a + F j,(xq, í/ o) sen a .

Observamos que quando a direção escolhida é aquela do eixo x {a =


= 0), estamos simplesmente achando a derivada parcial FJ{xo, y ^ , e que é
exatamente o que (12-111) dá para a = 0; semelhantemente, para ol = ttII,
obtemos Fy{xo, yo). [Também, para a = tt, obtemos — Fx(xo, ;^o).] Assim,
a derivada direcional é uma generalização da derivada parcial. Dá a razão
de variação de F (com relação à distância) na direção a. Esta idéia ocorre
em muitas situações práticas. Caminhando numa lagoa, observa-se que a
água se torna mais funda mais ràpidamente em algumas direções do que
em outras; aqui, F é a profundidade e estamos observando a derivada dire­
cional de F em vários pontos nas várias direções. Dirigindo por uma ci­
dade, observa-se que o tráfego está se tornando pior numa determinada
direção, e daí, podemos tentar outra direção; aqui, F é a ''densidade do
tráfego” .
A derivada direcional é algumas vêzes indicada por dFjds, mas esta
notação não explicita a direção, Uma notação melhor é sugerida por uma
interpretação vetorial de (12-111):

— = F^ COS a + FyScna = {FJ + Fy]) • (cos a i + sena j) = VF • u ^


do

onde u = cos ai + sen a]. Conseqüentemente, a derivada direcional é


simplesmente a componente de VF na direção do vetor unitário u na direção
escolhida. Podemos, portanto, representar a derivada direcional por
12-11. DERIVADA DIRECIONAL 1159

VuF
Outras notações são e V»F onde v é qualquer vetor não nulo na dire­
ção de u, de niodo que u = v/| lv| | e

V
V„F = V„F = VF ■
llvll

EXEMPLO 1 Seja F = x — 2y. Então, V F é o vetor constante i — 2j


Portanto, a derivada direcional na direção de u = cos a i + sen a j é

(i — 2j) • (cos a i -1- sen aj) = cos a — 2 sen a.

Se, por exemplo, n fôr o vetor unitário (i — 2j)/\/5 , então

V„F = (i - 2j) • = V5 .

Se u = (2i + j)/V 5 (perpendicular à escolha anterior), então

V „ F = ( i - 2 j ) - ^ ^ = 0.

As curvas de nível de F são linhas retas, como mostra a Fig. 1*2-28, e o ve­
to r gradiente V F é perpendicular à curva de nível em cada ponto. Esta
é a razão pela qual VFtem componente 0 na direção de um vetor ao longo
da reta.

-4
1".

t = a
s=0

Fig. 12-28. Curvas de nível e vetor gra­ Fig. 12-29. Derivada direcional ao longo
diente para F{x, y) = x — 2y de uma curva

Derivada Direcional ao Longo de uma Curva. Seja F derivável na re­


gião aberta D e seja dado um caminho suave C: x = /(/), y = g{t\ a < t <
1160 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

< by cm D (Fig. 12-29). Como na Seç. 4-29, podemos introduzir o com­


primento de arco como parâmetro ao longo de C. Supomos que [/'(Ol^ +
+ k'(0]^ > 0 a < t <by de modo que s pode ser escolhido como
estritamente crescente com r. O caminho é agora representado pelas equa­
ções X — x{s)y y = e a função G{s) = F{x{s\ y{s)) dá o valor da função
F no ponto (x(s), y{s)) da curva. A derivada de F(x(5), em relação
a .s é chamada derivada direcional de F ao longo de C na direção de t (ou de
s) crescente. Agora, como no caso da reta acima,

vW) = F , | + • ( | ‘ + |- i)

Ora,

dx. dy , —
— 1 H— —1 = T = c o sai + $cn a j >
ds ds

onde T é o vetor tangente unitário para o caminho na direção escolhida


(Seç. 6-6). Assim,

dF
= VF • T = V jF
ds

Em cada ponto sôbre C, a derivada direcional ao longo de C é a mesma que


a derivada direcional de F na direção do vetor tangente a C (na direção de
s crescente). Como acima, T pode ser substituído por qualquer vetor não
nulo que tenha a mesma direção; em particular, pelo “vetor velocidade”
v = / '( 0 í + ^ 'á )j:

— = V F = VF • — = VF • T.
ds " llvll

Se acontecer de C ser uma curva de mVel de F, então F é constante ao


longo de C e dF/ds = 0. Portanto, em cada ponto, VF-T deve ser 0 e VF
é ortogonal a T. O vetor gradiente é normal à curva de nível em cada ponto.
Isto está ilustrado na Fig. 12-28.
Significado Geométrico do Gradiente. Em cada ponto Po', {xo, yò) de D,
F tem uma derivada direcional em cada direção a , dada por

V F' u = V„F^

onde u é o vetor unitário cos ai + sen aj. Agora, deixemos que a varie
de 0 a 27t, de modo güe, quando u estiver representado por um segmento
12-11. DERIVADA DIRECIONAL 1161

de reta P qQ, o ponto final g d e u trace um círculo com o centro Po


(Fig. 12-30). A derivada direcional é a componente de V p na direção de u.

Fig. 12-30. Significado geométrico de V F

Logo, quando a varia, as derivadas direcionais também variam, alcançando


um máximo quando u tiver a mesma direção de VP e um mínimo quando
u tiver a direção oposta a VF. O valor máximo é, assim.

V P' VP
\ m \ .

o mínimo é — | | VP[ | . Quando u fôr ortogonal a VP,V^P = 0. Então,


podemos dizer: o vetor gradiente aponta na direção em que F estiver aumen­
tando mais ràpidamente; seu módulo \ \VF\ \ é a derivada direcional naquela
direção.
Êste resultado dá um significado geométrico ao vetor gradiente, inde­
pendente da posição dos eixos coordenados. Por exemplo, numa sala,
uma pessoa que esteja com frio mover-se-á instintivamente na direção do
vetor gradiente da temperatura; o benefício que ela recebe ao adiantar-se
um passo depende do módulo daquele vetor.
Notamos que se VP = 0 em Po, então VuP = 0 para cada u. (Isto
acontece, no nosso exemplo, quando a pessoa encontra o lugar mais quente
na sala.)
Extensão para Funções de Várias Variáveis. Para uma função P(:vi,
..., XnX a derivada direcional V„P em (jci^ ..., Xn^) é definida como a deri­
vada (d/ds) F(xi(s), Xn(s)), onde

^i(^) = % + ^1^» + «««

são as equações de uma reta através de (xi°, ..., Xn^) na direção do vetor
unitário u = (wi, ..., Wn). Verifica-se, como acima,’ que
1162 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Vj^F = VF • U.
O vetor gradiente aponta na direção da maior razão de crescimento de F
e seu comprimento dá a derivada direcional naquela direção.

PROBLEMAS

1 . Ache a derivada direcional da função z = F(x,y) no ponto e na direção dados:


(a) z = X® + 5x^y em (2,1) numa direção que faz ângulo ir/4 com o eixo dos x posi­
tivo.
(b) r = ^ em (2 ,3 ) numa direção que faz ângulo tt com o eixo dos x positivo.
(c) z = ye^^ em (0,0) na direção de 4i + 3j.
(d) z = y cos^jc em ( t /2, 1 ) na direção de i — J.
(e) r = em (2, 3), direção do vetor tangente à curva x^ + )^ = 13, com a
componente y positiva no ponto.
(f) z = x;' em (5, — 1) na direção de um vetor tangente à curva 2x -1- 5;^ = 15 no
ponto.

2. Seja F(x, 3^) = x^ — 2>^. Ache dFjcls ao longo da curva dada no ponto especificado,
se s aumenta com /:
(a) Em (1, 3), na curva x = y = 3eK
(b) Em (0,0), na curva x = / cos / sen /.

3. Seja F(x,y) derivável em cada ponto no círculo x^ + 1. Mostre que a deri­


vada direcional de F em (x, y) ao longo do círculo e na direção contrária à dos pon­
teiros de um relógio é — yFx(x, y) 4- xFy(x, >').

4. Com a ajuda do resultado do Probl. 3, ache os valôres máximo e mínimo de cada


uma das seguintes funções no círculo x^ + = 1:

(a) 2x^ 4- (b) (c) x^ + xy + y^ (d) 3x^ + 2xy + 3 y ^ ,

5. Seja V o espaço vetorial de tôdas as funções deriváveis numa região aberta dada D
no plano xy. Seja W o espaço vetorial de tôdas as funções vetoriais (campos veto­
riais) u = u(x,>^) =/(x,>^)i -h g ( x , y ) i em D.
(a) Mostre que a equação u = V F define uma transformação linear de V em fV,
(b) Mostre que V obedece às leis:

V(FG) = F V G + GVF,
V(F») = nP^-^VF, n = 1, 2,...

(c) Mostre que o núcleo da transformação V consiste de tôdas as funções constantes


em D.

6. Variação de temperatura. Vê-se que a temperatura numa determinada sala retangular


é dada por
12-12. DIFERENCIAL DE UMA FUNÇAO VETORIAL 1163

100 + 2cl,
100 - 7c/2 ’
onde d\ é 3. distância de uma parede externa, dy a de uma parede interna adjacente;
aqui, T está em graus Celsius, d\ e í/j estão em metros. Uma pessoa está de pé a 2
metros de cada uma destas paredes. Em que direção deve ela começar a mover-se
para esquentar-se?

12-12. Diferencial de uma Função Vetorial;


Matriz Jacobiana

Seja uma função vetorial y = F(x) = (Fi(x), ..., Fm(x)) definida numa
região aberta D de com valores em Km.
Dizemos que F é diferenciável em x° ou que F tem uma diferencial em
x°, se x° está em Z) e

AF = F(x« + h) - F(x0) = Ah -h P(h)h , ( 12- 120)

onde A é uma matriz constante m por n e P(h) é uma função matricial de


h, definida numa vizinhança de h = 0 com F(0) = O (ã matriz zero) e P
contínua em 0. A diferencial de F em Xo é então definida como a função
linear Ah:
dF = Ah . ( 12- 121)

Pode-se também escrever dF = A Ax, dF = A dx, dy = A A x ou dy = A dx.


De (12-120), vemos que, quando F tiver uma diferencial em x°, a trans­
formação dada é aproximada perto de x° por uma transformação linear:

AF -- A Ax

ou

F(x) - F(x«) - A (x - x«).

Esta última relação é da forma

y = F (x) ^ A x -h b

Se mudarmos para o ponto de vista geométrico e olharmos (xu x„),


(l’i, como coordenadas de pontos em respectivamente, então
a equação diz que (aproximadamente) a transformação F é uma transfor­
mação linear de F" em R'^ (Seç. 11-18). Podemos tomar novas origens
em x^’ (em F") e em (em R*'^) e introduzir novas coordenadas:
1164 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

X* = X — X®, y* = y — y^.

Então, relativamente a estas origens, nossa transformação linear é dada por

y* = Ax*

Realmente, x* é o mesmo que dx e y* pode ser interpretado como rfy, de


modo que a última equação é a mesma que dy = A dx (veja Fig. 12-31).
Esta relação está ilustrada na Fig. 12-31 para o caso m = n = 2, A
transformação F associa vetores y a vetores x, isto é, pontos (yi, ^2) a pontos
(Xí, X2). Em particular, F(x°) = y®. Os novos eixos coordenados no es­
paço X, com origem em x°, e aquêles no espaço y, com origem em y°, são
também mostrados. Pela transformação dada F, os novos eixos no espaço
X têm, como imagens, curvas que passam por y®. Pela transformação linea­
rizada dy = A dx, as curvas são "endireitadas” e tornam-se linhas retas
passando pela nova origem; pode-se mostrar que estas retas são tangentes
em y° às imagens curvas dos novos eixos dxi, dx2 no espaço x, obtidas ante­
riormente.

(ou r) iixiao;en?

Fig. 12-31. A diferencial como uma transformação linear aproximando uma transformação
geral dada

Em geral, Eq-. (12-120) é equivalente a m equações escalares^ das quais


a primeira é

Fi(xi« + h ^,...,x„^ + h j - , x„o) =


( 12- 122)
= + • • • + a^„h„ + Pn(h)fii + • • • + p m ^ K -

Da definição de continuidade de uma função matricial, concluímos: a função


vetorial F tem uma diferencial em x® se, e somente se, cada uma das funções
12-12. DIFERENCIAL DE UMA FUNÇAO VETORIAL 1165

escalares Fiíxi, Fm(xi, x„) tiver uma diferencial em x°. De


(12-122), deduzimos, como nos Teoremas 3 e 2: se F tiver uma diferenciai
Ah em x*’, então F será contínua em x®, tôdas as derivadas parciais õFi/dxj
existirão em x° e

« n = ^dx^ (=^1°. • • • . O . «12 = ^ (-Vl^ • • • .

e, em geral,
3^
= ........ V ) = ^ ( . T

Isto mostra que a diferencial Ah, se existir, é única.


A matriz

^ ^ (x ) ^ (x )
a.vi ,0x„
(12-123)

a.v^ ■■■ a.r„

é chamada matriz jacobiana da função ou transformação F. Assim, quando


F tiver uma diferencial em x^ essa diferencial será d¥ = A dx, onde A é a,
matriz jacobiana avaliada em x°:

dF
= (f)L -
Escreve-se também simplesmente F* ou y* para a matriz jacobiana, de modo
que

dF = F^(x^^)dx ou dy = y^{x^"')dx.

Como a notação nos faz lembrar, dF depende do ponto de referência x° e


de dx e, para cada x° fixo, dF é linear em dx.
Da equação precedente, resulta que dF é uma matriz m por n vêzes
uma matriz n por 1; portanto, dF é m por 1, um vetor-coluna. O /-ésimo
elemento da coluna é

+ g - * .= d F ,.
11é6 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

Portanto, podemos escrever

dF = = dy

A m atriz jacobiana e a transformação linear associada são as contra-


partes para as funções vetoriais da derivada e da diferencial, respectivamente,
para uma função de uma variável. Ver-se-á que a matriz jacobiana mede
a “ razão de variação” no sentido de razões de volumes /i-dimensionais. A
còntraparte da condição f'(x) > 0 ou f'(x) < 0 , que é tão importante para
funções de uma variável, é que a matriz jacobiana tenha pôsto máximo (isto
é, pôsto igual ao menor dos dois números m e n). Por exemplo, se esta
condição é válida em = n, então a transformação y = F(x) tem uma inversa
numa vizinhança convenientemente restringida.
EXEMPLO 1 Seja uma função vetorial de Va em Va definida pela equa­
ção
(ti, v) = F(3ç y) = (*2 - f , 2xy).

As equações escalares correspondentes são

u = X* — y*, o = 2xy.

A m atriz jacobiana é

/2x - 2y \
l 2y 2 x) '

Agora, F (2 ,1) = (3,4), e, em (2,1), ^ = ( j 4 )» modo que A tem

pôsto máximo 2 e é não singular. Aqui,

1 ) 0 ’
ou, em componentes,

du — 4dx — 2dy, do — 2dx + 4dy ( 12- 124)

Para dy = 0, du — 4dx e dv = 2dx, de modo que (du, dv) está numa reta de
inclinação i no plano «v; para dx = 0 , du = — 2dy, dv = 4dy, de modo
que (du, dv) está numa reta de inclinação — 2 no plano uv (veja Fig. 12-31).
12-12. DIFERENCIAL DE UMA FUNÇAO VETORIAL 1167

Ambas as retas contêm (3, 4). A reta dy é 2l reta = 1 e sua imagem


pela transformação dada F é a curva u = — 1, v = 2x; estas são equa-
çôes paramétricas, com x como parâmetro, para a parábola u = (v74) — 1.
A reta dx = Q (veja Fig. 12-31) é a reta .;c = 2 e sua imagem é a curva u =
= 4 — V = Ay. Estas são equações paramétricas, com y como parâ­
metro, para a parábola m = 4 — (vV16). Notamos que, como na Fig. 12-31,
as imagens das retas dy = 0 t dx = Q, pela transformação linearizada (12-124),
são retas tangentes às imagens daquelas retas pela transformação não linear
original F.
EXEMPLO 2 Seja (ji, >^2) = F(xi, X2, Xs) = (xi^ -f X2^ - Xa7 Xi^ - 3x2- +
+ X3^)^ de modo que

í/l = + ^2 ^ - ^3 ^ = ^2> ^ 3 ) ,
!/2 = - 3 X2^ + X32 = X2, X3) .

Então,

dF,= 2x3, —- = «
2x2, ^h =
= —2x.3 5
3 xi 3 X2 3X3

= 2xj,
9F2
- _
— = —6x0,
dF2 = 2 x.3 •
0Xi 3 X2 3x3

Assim^ a matriz jacobiana é

2x2 ^^3
6x, 2x, )
Em (xj,X2,X3) = (1,3,1),

6 - 2'
< -1 8
- 2/

/í/.Y,'
6
(1 í/v.>
18 2/ \2 -1 8

Por conseguinte,

dFi = 2^X3 + 6 dx2 — 2^X3, dp 2 = 2dx3 — 18dx2 + 2^X3 .

No ponto escolhido, F i — 9, F2 = — 25.' As equações precedentes dão


aproximadamente as variações de Fi e F2 em relação a êstes valores se Xi,
X2 e X3 variam por dxi, dxz e dx-i, respectivamente.
1168 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS YARIAVEIS CAP. 12

Casos Especiais da M atriz Jacobiana. Para n = 2 , m = \, isto é,


uma função de duas variáveis, digamos z = f(x, y), a matriz jacobiana é o
vetor-linha ifx,fy). Logo, é o vetor gradiente. Semelhantemente, para n
qualquer e w = 1 (uma função de « variáveis), digamos y = F{xu ^n),
a m atriz jacobiana é o vetor-linha (F*i, ..., Fx^), que é o vetor gradiente VF.
Para « = l e w = l, a matriz reduz-se à derivada de uma função de uma
variável.
Para n = \ e w = 2, isto é, duas funções de uma variável, digamos
X = f {t \ y = g(0, a matriz jacobiana é o vetor-coluna

//'W X
\gmj
Portanto, é o nosso vetor velocidade f\f)\ + Semelhantemente, para
n = \ e m geral {m funções de uma variável), digamos = M t),
i = 1, ..., m, a jacobiana é o vetor coluna (/^(/), . . . , / {t)\ que pode ser
interpretado como o vetor velocidade para um caminho em um espaço de
dimensão m. Quanto a w = 2 (veja Seç. 3-11), podemos, mostrar que
este vetor é um vetor tangente ao caminho.

12-13. A Regra Geral da Cadeia

Podemos agora form ular e demonstrar a regra geral da cadeia para


funções vetoriais compostas:

TEOREMA 9 {Regra geral da cadeia). Seja y = F(x) definida para


X na região aberta D de V„, com valores em Vm- Seja F expressa corno
a composição de duas funções y = f(u), u = g(x), de modo que F = f «g.
Se, num x determinado, g tiver uma diferencial áu — B A x e se, no valor
correspondente u = g(x), f tiver uma diferencial dy = A Au, então F
tem uma diferencial em x :

dF = AF Ax = Ax , (12-130)

de modo que, para y = F(x), a matriz jacobiana é dada por

F , = y , = y „ u ,. (12-131)

DEMONSTRAÇÃO. No particular x e correspondente u conside­


rados,

Au = [B -f Pi(Ax)] Ax, Ay = [A -1- P2(Au)] Au,


12-13. A REGRA GERAL DA CADEIA 1169

onde Pi e P2 são funções matriciais contínuas em 0 com valor O em 0. Sc


substituirmos a expressão para Au naquela para Ay, acharemos que

Ay = [A + P^ilB + Pi(Ax)] Ax)J[B + Pi(Ax)] Ax =


= [AP + APi(Ax)-f P2Í }P + P2{ }Pi (Ax)]Ax,

onde P2 O = P 2 HB + P i(A x )]A x }. Gomo P i(A x) é contínua em A x = 0 ,


com valor O em A x = 0, P2 O é contínua em A x e também é igual a O
para Ax = 0 (Teoretna C, Seç. 12-7; veja a discussão sobre funções m atri­
ciais nessa seção). Então, P(Ax) = A P i(A x) + P2 O P + P2 {}i^ i(A x ) é
contínua em 0 com valor O em 0 , e podemos escrever

ay = [AB -f P(Ax)] Ax = AB Ax + P(Ax) Ax

como exigido, de modo que dy = d ¥ = AB Ax, e (12-130) e (12-131) pro­


cedem.
Observações. A demonstração, como fo i apresentada, é estritamente
paralela à demonstração do teorema correspondente para funções fèais de
uma variável (Teorema 16, Seç. 3-23) e mostra como a Álgebra Linear nos
permite generalizar amplamente o Cálculo de uma Variável substituindo
simplesmente variáveis reais por variáveis vetoriais. Naturalmente, certas
precauções são necessárias. Por exemplo, a ordem das funções matriciais
num produto não pode ser alterada como o pode a ordem das funções de
valores reais.
Em função das componentes das funções vetoriais, a Eq. (12-131) to r­
na-se

t = = (12-131')
iè i ^ ’

EXEMPLO 1 Seja y = (yi, 72) = F(x), [onde x = (jci, JC2)], definida como
uma função composta f° g pelas equações:

i V v y^) = g (« l. “ 2 ) = « 1 ^W2 ^ + 3U i %2)>


(u^, U2 ) = f(x i, X2 ) = se n x g + co s X2, Senxg — x^ co s Xg).

Então, y , = yuU*, onde

f2u^U2'^ — 2 — 2u^^u. \
7u VSuj^^u.2^ + 15Wi %2

( sen +
^senx2 ^2 % ^ senx2)
2x, sen X2 — COS X2 x^^ co s X2 + x^ senx2/
1170 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAF. 12

Poderíamos fàdlmente multíplicar as duas matrizes. Mas é muito mais


simples deixar o resultado, como acima, na forma indicada. Para quaisquer
valôres numéricos de xi e X2 desejados, podemos fàdlmente calcular e
1^^ e portanto, y%. Por exemplo, para jci = 1 c X2 = ir/2, achamos que
«1 = 1, «2 = 1. e

•= (-i X - â

Neste exemplo, poderíamos também ter expressado a função dada y = f°g


diretamento em função de x pela eliminação de ui e U2. Isto nos teria dado
expressões muito complicadas. O processo seguido acima, baseado na
regra da cadeia, é muito mais simples.

EXEMPLO 2 Dá-se uma função díferenciável F = f«g e sabe-se que


g(0) = 0, f(0) = ( l,3 ,5 ) e

/3 4 2\
* • < * > = (5 -1 e> =

Ache F(0) e F,(0).


Solução. Observamos que F(0) = f[g(0)] = f(0) = (1,3,5). Também,
3 4 2N
F JO ) = f„( 0 ) g , ( 0) = I 7 2 II I = I 31 26 26
-2 -1 8
Êste exemplo ilustra como podemos usar a regra da cadeia para achar
os valôres das derivadas (isto é, as matrizes jacobianas) de funções compos­
tas spm saber nada a respeito das funções além de um par de valôres cor­
respondentes e das matrizes jacobianas nestes valôres. Em muitas situa­
ções práticas, as matrizes jacobianas podem ser encontradas empiricamente
por tentativas. Então, como no exemplo, através da regra da cadeia, po­
de-se deduzir as matrizes jacobianas para relações mais complexas.
Como para o Cálculo de uma Variável, pode-se também ter cadeias
maiores. Por exemplo,

yx ~ Yu^^v^w^x •

Aqui, existe uma “reação em cadeia” ligando o vetor x ao vetor w, w a v,


V a u, u a y, como na Fig. 12-32. Muitos fenômenos do mundo físico podem
ser descritos por tais relações. O vetor x descreve um conjunto de variá-
PROBLEMAS 1171

<S)
Fig. 12-32. Uma cadeia de espaços vetoriais

veis físicas. Uma vez que estas variáveis estejam determinadas, conhece-se
X e um outro conjunto de variáveis que forma o vetor w é também determi­
nado, e assim por diante. Os exemplos poderiam ser a temperatura, humi­
dade, velocidade do vento, pressão barométrica às 7 horas da manhã como
o primeiro conjunto de variáveis x; elas, por sua vez, determinam a quanti­
dade de neve e gêlo em certas estradas às 8 horas da manhã, um outro con­
junto de variáveis físicas qué forma o vetor w; então w conduz (de maneira
menos previsível) à presença de numerosíssimas trilhas sôbre a neve nas
estradas às 8h 30min da manhã, o vetor v. Semelhantemente, v conduz
a u, a quantidade de neve e gêlo na estrada às 9 horas da manhã e u con­
duz a y, a taxa de ocorrência de acidentes em várias estradas entre 9 e 10
horas da manhã. Agora, perguntamos o que acontecerá se x mudar ligei­
ramente, isto é, se for substituído por x + dx. Então, cada vetor da ca­
deia também muda ligeiramente. Cada mudança é obtida da anterior na
cadeia, multiplicando-se pela matriz jacobiana apropriada:

dw = D dxy dv = C dw, du = B dv, dy = A du

de modo que se descreve o efeito combinado multiplicando-se as matrizes

dy = ABCD dx

A regra da cadeia diz-nos que esta ingênua teoria é çorreta.


Observamos que o Teorema 9 inclui todas as regras da cadeia anteriores
(às das Seçs. 12-10 e 3-23) como casos especiais. A questão da diferen-
ciabilidade da função composta, deixada em aberto na demonstração do
Teorema 7 na Seç. 12-10, fica também agora estabelecida.

PROBLEMAS

1. Ache a matriz jacobiana para cada uma das seguintes transformações. Enuncie as
dimensões implicadas em cada caso:
1172 ca lcu lo d if e r e n c ia l de fu n çõ es de VARIAS VARIAVEIS CAF. 12

(a; (Ui, U2) = - 2x2, 2*1 + 3*2).


(b) (« 1 , U2 ) = {Xj^ + *2^, 2*1 + 3 * 1*2) •
(c) (« 1 , « 2. «3) = (* 1*2 * 3 > * 1**2 + *2**3. (*1 + *3)*)-
(d) («1, «2, U3) = (*1 COS *2, *isen*2, cos *2 senxj).
(e) {u. v) = {X* + xy^, x^y^ - 3 y * ) .
(f) (u, ü) = (* In (x + (/), (y - *) In (* + y)).
(g) («. o) = (*2 + yz - *2, *y - ** + 2z2).
(h) (m, o) = (*e» - yz, ye» + *y - 2*z).

2. (a) Ache as equações lineares que aproximam a transformação

«1 = *1 COS *2 - *3*, «2 = *1 *2 + *1*3. « 3 = *1*2*3

perto de x \ = 2 , jc2 == t /2, X3 = — 1 , e use estas equações para achar, aproxi


madamente, o vetor (wi, 1/2, «3) para jci = 2,1, X2 = 1,6, JC3 = — 0,9.

(b) Proceda como em (a) para a transformação (1/1, 1/2, « 3 ) =


X1 X2 — ^^2^:3) perto de X = ( 1 , 1 , 1 ) e use a transformação aproximadorá para
avaliar u em x = (1,01,1,03,0,99) aproximadamente.

3. Para a transformação dada, ache a matriz jacobiana e determine seu pôsto. [Obser--
vação, O pôsto de uma transformação linear dá a dimensão da imagem. Portanto,
numa região onde a matriz jacobiana tem pôsto r, espera-se que a transformação não
linear dada tenha uma imagem de dimensão r: para r = 0, um ponto; para r = 1 ,.
uma curva; para r = 2, uma superfície, e assim por diante. Isto pode ser inteiramente
justificado com base no Teorema da Função Implícita (Seç. 12-14).]

(a) (Uy v) = (cos(x + 2y), sen (x + 2j 0) (qual é a imagem?)

(b) (u, v) = (1 + X + y , ( l -h X -h x + y + 1 > 0 (qual é a imagem?)


(c) (u, V, w) = (x -h z, X — t/, x^ — xy — yz xz).
(d) (u, ü, u>) = \n {x + y z)y {x y + z)^)\ ac + t/ -h z > 0 .

4 . Para cada transformação, ache todos os pontos em que a matriz jacobiana exista e
tenha pôsto menor do que o pôsto máximo.

(a) (u, v) = (*3 - 3*y^ 3*^y - y^). (b) («. t>) = ■

(c) z = *2 + y2. (d) z = xy-


(e) y = } ? - 5 x . (f) y = *» - 3*2 - 9 * .

5. Uma transformação diferenciável y = F (x) é dada como uma composta de y = f (u>


e u = g (x). Em um certo ponto xq, gx é conhecida do mesmo modo que fu em uo =
— g (-^o)* Determine F x(xq) a partir dos valôres gx (xq) e fu (uq) dados.
13*14. FUNÇÕES IMPLÍCITAS U7Z

(«)gx(Xo) = (J ; W =( l - l )

(b) gx(*o) = ( 5) > ^uK) = ( q j )•

fuK) = ( J _l )

0
/I 0 r
1 íu(«o) = ( 2 1 0
2 0/ \3 0 - 2^

^ Em cada caso uma transformação y = F(x) é definida por composição. Determine


Fx no ponto pedido.
(a ) y = ( i / i . V2) = ("1 ^ - W i« 2 . W i« 2 + « 2 ^ ). « = (* 1 * 2 . *1^ - *2^) e 3
X = ( ,2 ) .

(b) y = («1 senug, cos M2), u = ® (^> ^)-


(c) y = «^2)^ u = (*1 - *2> *2 + 5*3) e (1.2,0).

(d) y = (uj/«2, «2/«3> «3/«i)> “ = (*i® + *2^ - *3>*1*2*3. *1^*2 + *2%) é (1.1. !)•

7. (a) Para a aplicação ü = 2x + ^ y, v = x + 4y -h avalie a aplicação linear


aproximada em (x, y) = (0,0) e compare gràficamente as imagens dos eixos x e y sob
a transformação dada e a aproximação linear.
(b) Repita o item (a) para a aplicação w = e* cos y, v = ^ sen y.

12-14 Funções Implícitas


Em nosso estudo de funções de uma variável, fomos levados às funções
implícitas, isto é, funções definidas por uma equação tal como

+ xy^ + —1 = 0

Em geral, dizemos que uma função y = f(x), a < x < b era definida impli­
citamente por uma equação

F{x, y) = 0 .

se
F(x,/(x)) = 0, a < x < b.

Do mesmo modo, dizemos que uma função z — f{x, y \ {x^ y) estando


na região Z), é definida implicitamente pela equação
1174 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAF. 12

F ix ,y ,z ) = Q (12-140)

se tivermos

F(x, y,f{x, y)) = 0, (x, y) estando em D.

Por exemplo a função

é definida implicitamente pela equação


x2 + y2 + ^2 _ 1 (12-141)

Observamos que a função

Z = - VI - +

é definida implicitamente pela mesma equação.


Òbviamente o conceito estende-se para funções dé um número qualquer
de variáveis. Em geral ocorre sòmente uma equação im plícita, como em
(12-140) sendo impossível resolvê-la expllcitamente para uma função de x
ou de y. Pode-se entretanto, obter uma expressão para as derivadas, do
mesmo modo que para funções de uma variável. Por exemplo, á p artir de
(12-141) pode-se observar que se z = f{x, ;v) é uma função diferenciável defi­
nida pela equação, então é possível diferenciar parcialmente com relação a
X t 9. y

2x -i- 2 z |^ = 0 (y = const), 2y -H 2 z ^ < = 0 (x = const).

Isto im plica em

9z X y_
J
9x z z

Assim obtivemos as derivadas em têrmos át y t z onde z significa /(x , y).


Mesmo que não conheçamos /(x , y) explicitamente, as expressões para deri­
vadas patriais são convenientes.

TEOREM A 10. Seja uma função F — F(x, y^ z) definida e diferenciá­


vel em uma região aberta D de R^. Seja a função z = /(x , y) definida
e diferenciável em uma região aberta D\ de R?, Seja a função f tal
12-14. FUNÇÕES IMPLÍCITAS 1175

que F { x ,y ,f{ x , y)) = 0 em Di, de modo que f é uma função definida


implicitamente pela equação F(x, y, z) — 0. Então para (x, y) em D\

(12-142)

onde à direita as derivadas parciais Fx, Fj,, F^ são calculadas em


(x, y, z) com z = f(x , y)y e supõe-se Fz ^ 0 em cada um dêstes pontos,

DEMONSTRAÇAO: Temos que

F(x, y,f{x, y)) = 0.

para todo (x, y) em Di, Isto implica que a derivada do membro da esquer­
da desta equação com relação ã x é 0, Pela regra da cadeia, concluímos
que

F. + F , | = 0

onde é calculada em (x, v) e F^, Fz são calculadas em (x, y, z) sendo


ox
z = f{x, y), Se F: 0 para este valor, podemos dividir por F* para obter
a primeira expressão em (12-142). A outra é obtida do mesmo modo.

Observação 1. Ao invés de tomarmos as derivadas parciais, podemos


tomar a diferencial de ambos os lados:

F^ dx + Fydy F^dz = () y

onde dz = df{x, y). Donde

d f= d z= - y d x - ^ d y ^

a partir de onde obtemos as derivadas parciais conforme é dado pela Eq.


(12-142).

Observação 2. O Teorema 10 estabelece que se uma função diferen-


ciável é definida por uma equação implícita, então a função possui derivadas
parciais conforme é indicado. O teorema não estabelece se existe tal função
/ . O Teorema da Função Implícita (veja a seção seguinte) fornece condi­
ções suficientes para existência de uma solução.
1176 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

O raciocínio estende-se imediatamente a uma equação

P(xi........^„) = 0 >

que pode definir uma função Xn = f(x i, •••, ^n-i) implicitamente. Mediante
hipóteses análogas, obtêm-se fórmulas para derivadas como segue:

n -l) ........ (12-143)


^Xn

Aqui, as Fx% são avaliadas em (xu Xn) com Xn = f( x i, ..., Xn-i). Quando
n — 2, estamos considerando uma equação F(x, y) = 0 c a fórmula torna-se

dx

EXEMPLO 1 Dada a equação implícita

+ xt/2 4 - xu^ + yu u^v — —1 = 0 >

süpomos que v = f(x , y, u) é uma função diferenciável que satisfaz à equação


e concluímos, de (12-143), que

dv 3x^ + dv _ 2xy u 0ü _ 3xu^ + !/ +


dx — 3v^ ' — 3v^ ’ du - 3t;2

onde, à direita, v é f(x , y, ú) e supõe-se que os denominadores sejam não


nulos. Poderíamos também tomar diferenciais:

(3x^ + + u^) dx -h (2xy -h u) dy


-h (3xw^ + !/ + 2wt>) du + {u^ — 3t)2) du = 0 •

Portanto,

- 3x^ + t/^ + - 2xy -h u _ 3xu^ + í/ + 2ut) ,


d v = -------- 0 ^ , 0 dx - ^ . d y --------^73^3^2----- >
«2 - 3ü2 u 2 - 3t)2

e podemos de nôvo obter as derivadas parciais.


Em alguns casos, se é levado a equações simultâneas; por exemplo,
F{x, y, u, v) = 0, G(x, y, u, v) = 0. (12-144)
12-14. FUNÇÕES IMPLÍCITAS 1177

Aqui, esperamos ser capazes de resolver para duas incógnitas cm função


das outras duas, digamos, x = f(u, v), y = g(w, v). Se supusermos que tais
funções existam e que condições de derivabilidade apropriadas são válidas,^
então poderemos derivar (12-144) implicitamente em relação a u, com v
mantido constante, para obter
dx dv _ dy
F ____ i. F — + F = 0 + G^— + G „ - 0.
* du ^ 9« ^ “ ’
Estas são equações lineares simultâneas para dxldu^ dyldu. Se as resol­
vermos pela Regra de Cramer, obteremos
F„ F, F, Fu
dx dy _ Gx
(12-145)
du Fx F, du Fr Fy
Gx G, Gy
Aqui, é essencial que os denominadores sejam não nulos. Os determinantes
que aparecem aqui são conhecidos como determinantes jacobianos ou sim­
plesmente jacobianos. Escreve-se, por exemplo.

a(F, G) ^
9( ^ y) G,

Com esta notação, (12-143) torna-se

9(F, G) 9(F, G)
dx 9( m . y) 9(x, u) (I2-.145')
du 9 (F G) du 9(F, G ) '
9( ^ y) ^(x,y)

onde supomos q w d(F, G)/d(x, y) 9^ 0. Estas fórmiilas podem ser lem-


bradas observando-se que ambos os denominadores são o jacobiano de F
e G em relação sl x c y. Indo-se do denominador para o numerador, subs­
titui-se a variável dependente, cuja derivada estamos achando, pela variável
independente em questão; na primeira equação, x e substituído por «, na
segunda, y é substituído por u. Existem fórmulas análogas a (12-145') para
dx/dv e dyjdv. De fato, pode-se simplesmente substituir sempre u por v.
Observamos que os determipantes jacobianos que aparecem aqui são,
exceto pelo sinal, menores de ordem dois da matriz jacobiana da função
vetorial (F, O) :
(Fx F^ F„ F„\
\G , G , G „ Gj
1178 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

EXEMPLO 2 + xu — xy -h = 0, xy -h — tiv = 0 .
Encontramos que

m O) 2r 4- u — y —X
= 2.r‘“ -h 4xy — 2 í/~ + xu -f 2yu,
d{x, y) tj x + 2yf

d(F, G) X — X
= x^ + '2xy — AT.
d(u, ij) -c X + 2y

e, por conseguinte, que

(X A*“ + 2xy — XV
Ihi 2a“ H- 4xy — 2|/“ + xu H- 2yu

As outras derivadas são encontradas da mesma maneira.


A discussão formal estende-se imediatamente ao caso de n equações
com /I + m incógnitas:

F ,(x „ .. •, x„, (/,, . . • . «,„) = 0.


(12-146)
F„(xi,..

(Quando o número de equações iguala-se ou excede ao número de incógnitas,


via de regra, nenhuma função é definida implicitamente.) De (12-146),
pode-se esperar resolver para Xi, X2, ...,Xa como funções de wi, ...,Wm:

^1 = /l(Wl> • • • . » n ) . •••. -V„ = / „ ( » l > • • • ,

Se se proceder como para as Eqs. (12-144), obtêm-se equações simultâneas


para as derivadas parciais dxilduj, para j fixado. A solução pela Regra de
Cramer leva a fórmulas das quais a seguinte é típica:

_ 9(^1. «1. • • • ’ ^n) (12-147)


9«1 8(Fi,. ■■, F„)
3(xi,. . . , x j

Aqui, por exemplo, o denominador é o determinante jacobiano

dF,/dx, ••• ÍFi/0x„


(12-148)
dF„/dx, ... 3F„/9x„
12-14. FUNÇÕES IMPLÍCITAS 1179

c O numerador é obtido dêste substituindo-se a segunda coluna por 5Fi/dwi,


...,aFn/âwi.
Estas fórmulas também podem ser obtidas por matrizes. Se derivarmos
(12-146) em relação a uu •••yUm, obteremos um conjunto de equações que
podem ser escritas

F^fu -h Fu — O. (12-149)

Aqui, Fx é a matriz cujo determinante é (12-148). É uma matriz jacobiana


de F em relação a Xi, tratando-se mi, ...,«m como constantes; F„ é
definida de modo semelhante. Se (12-148) não é 0, então a matriz F* é
não singular e resolvemos (12-149) multiplicando ambos os lados pela inversa
de Fx para obter

f —
— —F
* X“^F
^ U• (12-149')

Das fórmulas para a inversa de uma matriz (Teorema 18 na Seç. 10-13),


obtemos novamente equações tais como (12-147). Observamos que (12-149')
é uma forma excepcionalmente concisa para todas as fórmulas.
Para o Ex. 2 acima, consideramos x como xi, y como X2, u como uu
V como W2. Então,

F —
/2 x 4- M — y -^ \
•^x + 2yf ’
A !/ X - J
e portanto,
/d x/d u dx/dv\ /2 x + u — y —X \ “ ^ / X 2ü \
\d y /d u dy/dv) V y X 4- 2 y) V— V —u )

-1 ( x + 2y X \( ^
~ (2x2 + 4xy -- 2y^ 4- xu 4- 2yu) \ —y 2x u — yl \ — V —u.

-1 x^ 4- 2xy — X V 2xv 4- 4yü — xu


(2x^ + • • • 4- 2yu) \ ^ x y — 2xv — uv -h yv —2yv — 2xu — -h uy!

Agora podemos eliminar d x j d u (conseguindo a mesma expressão que acima),


bem como 5x/3v, d y l d u , d y j d v ,

EX EM PLO 3 Fi = — Sxg — 2ii2 — = 0^


F 2 = 2x^ — 3^2 + Uj + 4 u 2 4- 2^3 = 0.

Aqui, n = 2, m = 3, Também,
lis o CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

^ ■- ( l : l) ’

d {F ^ ,F 2 )_ \3 -5
d é tF , = = 1.
9(xi, X2) |2 -3

de modo que as fórmulas são aplicáveis. Se xi = /i(ui, U2, ua), X2 =


U2, U3), então

9(Fi .F2) -1 5
9(«i. 1 -3
% = 2,
dui m ,p 2 ) 3 -5
9(^1. ^2) 2 -3
/ - 3 5\
e assim por diante. Também verificamos que F , tem inversa I 2 3/
/ "--1
I 2 --5>
5\
e que ^ \ j 4
4 2V) '

/-3 5 W -1 2 -5 \_ /-8 -1 4 -2 5 \
" “ “ V-2 3/ V 1 4 2/ V -5 -8 -1 6 /'

da qual deduzimos

% = _25. | a = - 5 . . . „
0t/o du- du-^

Neste exemplo, acontece de as equações dadas serem lineares e poderem


ser escritas na forma

Ax + Bu = 0, A ^ (l :=), B= (-J ^ -®).

Já que A é não singular, podemos resolver para x multiplicando por =

=a:)^
Isto é.
^1 = “ 2- “ 3) = - 8 u i - 14«2 - 2 5 u3
^ = /2 (« 1. «2> «3) = - 5 « i - 8m2 - I6 IÍ3.
12.14. FÜNÇÕES IMPLÍCITAS 1181

Destas equações, deduzímos a matriz fu e as derivadas parciais como


acima.
Quando as equações não forem lineares, como no exemplo, é normal­
mente muito difícil resolver explicitamente para as funções fi. Todavia,
tomando as diferenciais, de fato substituímos as equações não lineares dadas
pelas equações lineares nas diferenciais. Estas equações lineares são tra­
tadas exatamente como no exemplo, isto é, são resolvidas para as diferen­
ciais dxi multiplicando-se pela inversa da matriz F* = {dFijdxj), (Toman­
do diferenciais no exemplo, nós simplesmente substituímos X{ por dxu Uj
por duj; as equações já estão linearizadas.) Uma vez que temos as dxi
em função das duj, podemos deduzir as derivadas parciais. Assim, a idéia
crucial é a de linearizar as equações. Já que as diferenciais dão aproxima­
ções lineares, podemos também dizer que estamos aproxima.ndo equações
não lineares dadas por equações lineares; as aproximações são tais que,
em cada ponto considerado, as derivadas podem ser obtidas exatamente
das equações lineares. Geomètricamçnte, o procedimento é análogo ao de
encontrar a derivada de = f{x) num ponto coinõ a inclinação da reta tan­
gente (gráfico da aproximação linear) no pontõ.
Observação 3. Quando as eqnações implícitas não lineares forem di­
fíceis de resolver, podem-se usar as fõrmulás de derivadas obtidas acima
como um auxílio para encontrar as soluções. Ilustramos isto por uma
equação da forma F{x, y) = 0, selecionando uma que, de fato, podemos
resolver explicitamente:
EXEMPLO 4 F(x, y) = x2 H- 2xy + 3y2 _ 6 = 0.
Observamos que o gráfico passa através do ponto (1, í) no plano xy
e:tentamos obter uma solução através dêste ponto. Por derivação implícita,

2xdx + 2y dx + 2xdy + 6y dy = Oy
2x + 2t/
dx 2x 4- 6y

Logo,

dy X+ y
dx ^ ^ + 3y

Todavia, esta é a derivada de uma função incógnita j = /(x ), em relação


à qual sabemos sòmente que / ( l ) = 1. Nossa equação dá

1 +1 1
/ '( l ) = -
1 +3
1182 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Agora, usamos a idéia de que a reta tangente aproxima a curva e seguimos


esta reta (de inclinação — è) à medida que x aumenta de 1 para 1,5. Assim,

y\'i
•■íV.

■/Jrí:'*
j s i t e •n.T‘

: ■■■;?■.:■-■
i íj>- -Ã-r;-:- :’••/•> a á i
■'íí* ''iíS/J® ■’R ■■•■':^yíl w.:•.
Fig. 12-33. A solução aproximada da equação x‘^ -h 2xy -i- —6 = 0

y varia de — J e alcançamos o ponto (1,5, 0,75) (veja Fig. 12-33). Neste


ponto, nossa inclinação é

1,5 + 0 J5
^ “ 1,5 + 3(0,75) “ “ ’ •

Portanto, seguimos a reta com inclinação — 0,60 para ;c = 2, com y decres­


cendo de — 0,3 e alcançamos o ponto (2, 0,45). Pode-se continuar o pro­
cesso indefinidamente. Também podemos conseguir melhores aproximações
usando intervalos menores.
A solução exata é dada por

— X ±: \ / l 8 — 2x^
y =

Tomamos o sinal mais e obtemos uma função derivável / com / ( l ) = 1:

-X + V l8 - 2x2
y=/W = -3<x<3.

Esta função é representada na Fig. 12-33 juntamente com a solução apro­


ximada. (O gráfico é parte de uma elipse; veja Seç. 6-5.)
12-15. FUNÇÕES IMPLÍCITAS 1183

O processo descrito pode ser aplicado geralmente a uma equação


F{Xyy) = 0 para a qual conhecemos um ponto inicial (xo, yo) sobre o grá­
fico. Obtemos uma fórmula para

!/'= - / = g(^>!/) (12-143')

e podemos então mover distâncias curtas ao longo de linhas retas para


obter uma linha quebrada que aproxima a solução. A Eq. (12-143') é uma
equação diferencial de primeira ordem e nosso processo é simplesmente
um método numérico comum para resolver tais equações (Cap. 14). O
método foi altamente melhorado a ponto de permitir uma alta precisão
e adaptado para computadores digitais. O processo pode ser estendido a
equações simultâneas gerais com várias incógnitas.
Para tôdas as fórmulas deduzidas, tivemos de supor que o denominador
apropriado não era 0. Êsse denominador é o jacobiano das funções F,
G,... em relação às variáveis dependentes escolhidas. Pode-se mostrar que,
quando êste determinante não for 0 e as condições de continuidade apro­
priadas forem válidas, estamos seguros de que as equações implícitas de­
finem funções diferenciáveis tais como se procurou. Esta é a essência do
Teorema da Função Implícita, discutido na seção seguinte.
Se o Jacobiano em questão fôr 0 no ponto considerado, normalmente
nenhuma função derivável é definida. Isto é ilustrado pela equação +
+ y^ = l. As fórmulas levam a dyldx = — { Ix jly ) — — {xjy) e o deno­
minador é 0 onde y = 0. Mas y = dz \ ^ l — x^ e, com qualquer dos dois
sinais, temos dificuldade onde y =0y isto é, onde x = ± 1, pois a derivada
dyjdx não existe (a inclinação da tangente ao círculo é oo).

í 12-15. Teorema da Função Implícita

A discussão das equações implícitas na seção precedente é puramente


formal; supomos que podemos resolvê-las e então damos fórmulas para as
derivadas das soluções. É importante saber quando podemos resolvê-las.
Na prática, a situação típica é aquela em que se conhece inicialmente exa­
tamente um ponto no gráfico da solução procurada e depois tenta-se encon­
trar uma solução contínua passando pelo ponto. O Teorema da Função
Implícita, em suas várias formas, assegura que, se o jacobiano relevante não
fôr zero no ponto, então isto é possível pelo menos numa vizinhança suficien­
temente pequena do ponto iniciai A base do teorema é o fato de que, perto
do ponto, nossa equação pode ser aproximada por equações lineares (to­
1184 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

mando as diferenciais), de modo que, desde que a matriz relevante seja não
singular, pode-se sempre resolvê-las.
Aqui consideramos sòmente o caso mais simples de uma equação com
duas incógnitas, que escrevemos como

F(x, y) = 0. (12-150)

Para uma discussão do caso geral, indicamos ao leitor o Cap. 9 do livro


Principies o f Mathematical Analysis de Walter Rudin (McGraw-Hill, New
York, 1964).

TEOREMA 11. Seja F{x,y) definida numa região aberta D do plano


xy^ esteja (xo, yo) em L>e seja F (ato, 7 o) = 0; sejam as derivadas parciais F*, Fy
contínuas em D e suponhamos que Fy{xo^ 70) 9^ 0. Então, exiislte uma função

7 = f{x), com domínio \x — Xo\ < ò, ò > 0 (12-151)

cujo gráfico está em D, com /(jco) = 70, e que satisfaz à Eq. (12-150).
Além disso, um número positivo q pode ser escolhido de modo que o grá­
fico de (12-151) fique no conjunto

\y-yo\<v

e fornece todas as soluções de (12-150) neste conjunto, A função f é


derivável e

^ /(^))
F /x ,f(x ))'

DEMONSTRAÇÃO. Colocamos

Fy(x, y)

sempre que Fy 0, dè modo que

F s= -F y g -

Ora, Fy(xo, yo) 7^ 0, Suponhamos, para ser específico, que Fy{xo,yo) > 0.
Então, por continuidade, Fy{x, 7) > 0 numa vizinhança de (a:o, 70). Por­
tanto, podemos escolher ò e 7] tão pequenos e positivos que a região retan­
gular fechada
12-15. FUNÇÕES IMPLfCITAS 1185

£: |x - arol < 5, \ y - y o \ < V


está em Z) e Fj, > 0 em A função g é também contínua em E e, por
conseguinte, tem mínimo m e máximo M absolutos em E (Teorema F,
Seç. 12-7 e Seç. 12-25 adiante):

^ < g(^ y) em £ .

Substituímos ó por um número menor, se necessário, para assegurar que


\m\ò <7) e \M \b <7!. Isto é feito para assegurar que os gráficos das
funções lineares

y - y o = M { x - x^), y - y ^ = mix-x^;), \x - x^] < ô (12-152)

estejam em E (veja Fig. 12-34). Supomos ò assim escolhido.

Fig. 12-34. Demonstração do Teorema da Função Implícita

Ora, já que £ 2, > 0 em £ e £(jCo, yo) = 0 , F é monótona estritamente


crescente ao longo da reta x = Xo em £ e, por conseguinte, é positiva
para y > yo, negativa para y < yo. Ao longo da reta

y - yo = H x - Xo)

F torna-se uma função de jc e

— = F + F — = F . + AF = ~ F 2 + AF = F (X - p)

Então, se X é maior que M, o máximo de g, dFIdx é positiva ao longo da


reta; assim, a própria F é positiva para ;c > Xo, negativa para x < Xo. Existe
1186 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

um raciocínio semelhante, com troca de sinais, para \ < m. Assim, o sinal


de F é como na Fig. 12-34. Visto que Fy > 0, F é monótona estritamente
crescente em y sôbre cada reta x = const. em E, e portanto, deve ir de ne­
gativa para positiva. Portanto, pelo Teorema do Valor Intermediário
(Seç. 2-7), F(x , ;') = 0 para exatamente um y, para cada x. Êste valor de
y indicamos por f(x). Assim,

F(x,f(x)) = 0

t y = f{x) fornece tôdas as soluções da equação im plícita em E.


O gráfico de / está comprimido entre as duas retas (12-152). Portanto,
/ é contínua em xo, com f(x) —* y o = f(xo) quando x —* JCo. Mas o mesmo
argumento se aplica para cada ponto (x, y) no gráfico de / ; podemos achar
o retângulo E centrado no ponto, e assim por diante, como para (xo, j^o).
Portanto, / é contínua para todos os x no intervalo | a: — Xo | < 5 . (Po­
demos também definir / nos pontos extremos do intervalo jco ± ô, mais
ignorar estes valores na discussão subseqãente.)
Finalmente, procuramos a derivada de / em xo. A o longo da reta
y — y o = Mx — JCo) com X = g(ATo, yo) -I- e ,« > 0, temos, como acima,

^ • (X - g) = • [g(xo, yo) - g(x, y) + (]■

Visto que g é contínua em (jco, J o), |^(^, y) - Jo)| < c para (jc, y)
suficientemente junto de (:vo, jo); assim, a expressão entre colchêtes é posi­
tiva e dFjdx > 0. Portanto, a própria F é positiva ao longo da reta, para
X > Xo t X suficientemente perto de Xo- Mas isto significa que o gráfico
de / deve estar abaixo da reta, isto é,

f{x) < yo + [g(xo, yo) + - Xo)

ou

f(x) - f{Xo)
< g(xo, yo) + €
X-Xo

para x > xo como acima. Anàlogamente,

f(x) - fjxp)
> g{xo, yo) - e
X — Xn

para x > Xo o x suficientemente perto de xq. Assim,


PROBLEMAS 1187

x-^Xq+ X — Xq

Do mesmo modo, o mesmo limite é encontrado quando x —^ x o —. Por­


tanto,

f 'M = g(^. Vo)-

Novamente o argumento se aplica a cada ponto (jc, y) no gráfico de / e con­


cluímos que, em cada ponto.

y)
f'{x) = g{x, y ) = -
Pyix, y)

Assim, o teorema está demonstrado.


Observação. Notamos que a demonstração dá alguma informação a
respeito do tamanho do intervalo x no qual uma solução y = f(x ) pode
ser encontrada. Pode-se, especificamente, escolher um retângulo E: |x —
— ^ol < à, l;' — ^o| < V no qual Fy > 0 (ou Fy < 0) e no qual ò foi res­
tringido de modo que ÒK < onde K = Máx lg(jc,>^)| em E. Como foi
ressaltado na Seç. 3-8, tem-se algumas vêzes mais informação a respeito de
F, de modo a permitir que se calcule melhor o tamanho do intervalo. Por
exemplo, se Fy > 0 em F e F é positiva para y = yo + V* negativa para
y = yo — Vy então a solução é definida e única para |x — ;co| < 6. A
restrição 1>^ — >^o| < Vy em geral, é necessária para assegurar a unicidade
da solução. Por exemplo, a equação

— t/senx — é^y + e^senx = 0

satisfaz à hipótese do teorema com Xo = 0, = 0 e uma solução é dada


por y = sen x. Contudo, uma outra solução é y = é^; excluímos esta
solução restringindo-nos a um retângulo suficientemente pequeno E em
torno de (0, 0).

PROBLEMAS

1. Ache as derivadas parciais indicadas supondo que o Teorema da Função Implícita


seja aplicável em cada caso:

^ ^ ~ —2u; = 0.
1188 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

, se xyzt — «2 + 1 = 0.
w ( t) ,_

(d) , se x^ In [x^ + x<^) + Xg sen(xi — x^ + cos (x^ H- Xg) = 0.


*'3' X
xo2X.
YX^ —xt — yH'^ — 1/ + 2 = 0 ,
(c ) dx\dt e dy\dt, se [^2 _
2t/í + xt’^ — y — t — x = 0.

uv — vw = 0,
(0 duldy.so
-h uv — V — 1 = 0.
/») / Í 2 . \ e í— ^ - !/ COS ü - sen !/ = 0,
\d u /^ \9t; Ju Ise n x — t/ sen u + x cos t; + cos 1/ = 0.

(h) ® ( 1 ^ ) ’ P— ^ equações da parte (g).

'x^ — ty xtz — uy^ + + 1 = 0;


x2 + xí - í/fó2 + - 2 = 0,
® (t). —XI/ + xz + fó —x^ —u = 0.
ríie“ H- seno — v w + x^ — xyz + 1 = 0 ,
(j) ®®'| + COS — u ü + x^ + 2íct/z — y = Oy

[w é" + sen u — vw + COS w — xy = 0.

2. Em cada um dos seguintes casos, têm-se equações Fi(xu Jr„) = 0, / =


A matriz jacobiana (õ/i/dxy) é dadaj avaliada num certo ponto (xi®, ...» Xn% no qual
tôdas as equações são satisfeitas. Desta informação, obtenha a matriz jacobiana
pedida, na forma indicada, como um ponto de matrizes; por exemplo, em (a) está
se resolvendo para x i e X2 em função de X3 e X4.

^“^ ( 3 5 2 í - 1 > 2 ,; - 3 ,4 .

, ache para i = 3 ,4 , / = 1 ,2 .
—1 1 3 6/
'6 .2 3 4 5>V
1 0 1 1 2 I ;ache , paia i = 1 ,2 ,3 , / = 4, 5.
.5 1 3 0 2>/

'4 2 1 2 1 7\
1 0 2 -1 0 5 1, ach e^ ^ j , para i — 2 , 3 , 5, / = 1 ,4 ,6 .
.6 1 1 5 2 3/

3. (a) Para o sistema do Probl. 2(a), suponha que (xi®, X2®, X3®, X4®) seja (0 ,0 ,0 ,0 ) e
ache xi, X2 aproximadamente para X3 = 0,5, X4 = 0,2.
(b) Para o sistema do Probl. 2(b), suponha que (xi®, X2 ®, X3 ®, X4 ®) seja ( 2 , 1,3,5) e
ache X3 , X4 ajproximadamente para x i = 2,2, X2 = 0,9.

J4. Mostre que a equação (1 + x^ + / ) z + + 1 = 0 pode ser resolvida para z =


= fix , y), onde / é definida e derivável para todos os (x, y).
12.16. FUNÇÕES INVERSAS 1189

5. Eqiiações algébricas. Seja FÍXjj') um polinómio cm jc, y sem têrmo constante, de


modo que F (0 ,0 ) = 0. O Teorema da Função Implícita pode então ser aplicado
para mostrar que, próximo a (0,0), o gráfico da equação F{x^ ^) = 0 pode ser repre­
sentado na forma y = f i x ) ou jc = ^O).
(a) Mostre que, se F(;c, y) = ax by + têrmos de grau mais alto e a^ + 0,
então fljc + Ó7 = 0 é a equação da reta tangente ao gráfico de F{x,y) = 0 em
(0, 0).
(b) Ache a reta tangente ao gráfico em (0,0) (veja parte (a)):

(i) 2x — 3i/ + jc^ = Oj (ii) X -h í/2 + JCí/^ = 0 (iii) 2 y - ^ y = 0.

t(c) Para cada uma das equações seguintes, mostre que o Teorema da Função Implí­
cita não é aplicável em (0,0) e descreve a natureza do gráfico próximo a (0,0):

(i) = 0; (ii) xy = 0; (iii) = 0; (iv) X'3 _ + t/2 = 0 .

12-16. Funções Inversas

Equações da forma

w = /( x , y), V = g{x, y) (1 2-160)

podem ser interpretadas como uma transformação de um conjunto do plano


xy no plano wv, como na Fig. 12-35. Se esta transformação fôr biunívoca,
pode-se formar uma transformação inversa da forma

X = (jp(w, u), y = v). (1 2-161)

Achar a transformação inversa é equivalente à resolução das Eqs. (12-160)


para x c y cm função de w e v. Se escrevermos (12-160) na forma

f { x , y) - u = 0, g{x, y) - V = 0y (1 2 -1 6 0 ')

veremos que estamos realmente tratando com duas equações implícitas com
quatro incógnitas e que estamos tentando resolvê-las para duas das incó­
gnitas, a saber, x c y. Por conseguinte, o Teorema da Função Implícita é
relevante para êste caso. Para aplicar o teorema, selecionamos um ponto
(^0, Jo) no qual f c g são definidas e supomos

«0 = fi^o> yol Vo = g{xo, yo)

como sugere a Fig., 12-35. Assim, (xo,yo, Wo, Vo) é um conjunto de valores
que satisfaz a ambas as Eqs. (12-160'). Supomos que /, g e suas derivadas
parciais satisfazem às condições de continuidade usuais na vizinhança de
(•Xo, yo)- Então, como na Seç. 12-14, a condição essencial é que o jacobiano
H 90 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

do sistema (12-160') tenha um valor diferente de zero; dispomos F\ = Fi(jc,


w, v) = f{x, y) — w, F2 = g(x, y) — v, e a condição torna-se

^{FyF,)
3(x, y)

em (xo, yof wo, vo). Mas

9(Fi ,F2) /x fy 9(/.g)


9( * . y) 9(^ . y )'
Portanto, se

9(/.g) 5^ 0 em (Xq, !/o), ( 12- 162)


9(^ . y)

conseguimos uma solução [a transformação inversa (12-161)] numa vizinhan-


ça de (i/o, Vo). As funções-solução são contínuas e têm derivadas parciais
contínuas:

WyF2) -1 fy
d(p 9( m . y) 0 gy ^ gy
du djFyF^) 9(/.g) 9(/.g)
d{x:y) 9(x, y) 9(x, y)

e assim por diante. Observamos que («o, vo) não aparece em (12-162).
O raciocínio estende-se a um sistema de n equações:

“ i = gj(=^i> • • • >=^»)> * = 1..........” (12-163)


13-16. FUNÇÕES INVERSAS 1191

Escrevemos estas como equações implícitas

giixv •. ., -t„) - Uj = 0, i = 1, . . . , n

e queremos resolver para xi, Xn em função de wi, Un (transformação


inversa). A condição sobre o jacobiano torna-se

9(gi> ■••■&») 7Í 0 em ........ (12-164)


, -v„)

Podemos interpretar êste resultado em forma matricial: temos uma função


vetorial diferenciável

u = g(x)

para x uma região aberta Do de Kn, com valores também em K„. Temos

du = gxrfx

e desejamos resolver para x próximo a x°, isto é, desejamos expressar dx


em função de du. Mas a última equação é uma equação matricial:

I dx, dx„ ^f ^

^ ... ^ / \ d x .
dx,

e pode ser resolvida univocamente, desde que a matriz n por n g, seja não
singular no ponto considerado [condição (12-164)]. A solução é

dx — du. (12-165)

Desta equação deduzimos as derivadas parciais dxijduj. Elas são os ele­


mentos da matriz x«, onde dx = Xu du = gx“^ du, de modo que

Xu = gx ^ = Ux 1. (12-166)

Assim, a matriz jacobiana da transformação inversa é o inverso da matriz


jacobiana da transformação.

Observação. Para /i = 1, temos uma equação

M = gW
1192 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAF. 12

e (12-166) torna-se a regra de Cálculo Elementar:

dx
du {du/dx)

Se acontecer de que as próprias Eqs. (12-163) tenham forma linear


n
«1 = 2 i = 1, • . . , n,
3= 1

poderemos tomar (0, 0) como o ponto dado (jci®, Xn®) e identificar


dxi com Xiy dui com U{ para todos os /. Portanto, temos uma equação
matiicial

u = B x,

que representa uma transformação linear de Vn em Kn. Sabemos (Seç. 10-12)


que esta transformação é biunívoca e tem uma inversa quando B for não
singular (isto é, det B 0). A inversa é linear e é dada por

X = B~^u.

O Cálculo, de fato, permite-nos reduzir o problema geral não linear para


um linear.

EXEMPLO 1 u = 2x -- 5yy V = X + y. Aqui, o determinante jacobiano é

9(/. g) 9(«. v) 2 -5
= 7.
d{x, y) d(x, y) 1 1

A própria transformação é linear, com matriz B O deter­


-fi ■;) ^
minante jacobiano é det B. Já que dei B 9^ 0, B é não singular e a trans­
formação é biunívoca. Resolvemos para x, y para obter a transformação
inversa:

x = y ( « + 5v), y = y ( - u + 2t>).

Assim,
B- = i ( 1 5\
7 \ - l 2/
12-16. FUNÇÕES INVERSAS 1193

A transformação pode ser estudada em detalhes considerando as imagens


de retas paralelas aos eixos. Por exemplo, retas x = çonst. = k corres­
pondem às retas paralelas

M -h 5ü =

enquanto as retas y = const. = k correspondem às retas


—w + 2ü = 7fc.

Fig. 12-36. A transformação u = 2x — 5y, v = x y

Notamos que êstes sistemas de retas fornecem coordenadas oblíquas no


plano uv (Fig. 12-36).
Observação. No exemplo, um quadrado com lados paralelos aos eixos
no plano xy corresponde a um paralelogramo no plano mv e pode-se verificar
que a área do paralelogramo é 7 vêzes a área do quadrado (Probl. 4 adiante).
De fato, tôdas as áreas aqui são multiplicadas por 7 quando se vai de um
conjunto no plano xy para sua imagem no plano uv, Existe um enunciado
análogo para a transformação linear geral de no Rr^ com matriz B, O
valor absoluto do det 5 dá a razão do «-volume da imagem do conjunto
E para o «-volume do conjunto E (veja Seç. 11-16). Para uma transforma­
ção não linear u = g(x), temos uma transformação linear aproximadora
junto a um ponto particular; sua matriz é gx e seu determinante é o deter­
minante jacobiano correspondente. Assim, o valor absoluto do determi­
nante jacobiano mede, aproximadamente, a razão do «-volume da imagem
para o «-volume do conjunto, nas proximidades de um ponto dado; a grosso
modo, é o fator de expansão. Quando o determinante é 0, algo se deu
errado.
1194 c a lcu lo d if e r e n c i a l de fu n ç õ es de v á r ia s v a r i Av e i s cap. n

EXEMPLO 2 X = r eos 6y y = r sen 0. Estas são as equações relacio-


nándo coordenadas polares e retangulares. Todavia, podemos considerá-las
como representando uma transformação do plano rd no plano xy. O deter­
minante jacobiano é

Hx, y) COS 6 —rscnd


= r.
d{r,e) sen 6 r cos 0

Então, o determinante é 0 sòmente quando r = 0, de modo que x = 0, y =


= 0. Para r 5»^ 0, o Teorema da Função Implícita se aplica e conseguimos
funções inversas. Podemos, de fato, resolver:

r = ± , 6 = cos~^ - = sen~^ — .
r r
Todavia, conseguimos muitos valôres de r e 0 para cada x c y. Para obter
expressões unívocas, devemos restringir r c 0 {c x, y correspondentemente),
por exemplo, fazendo com que r > 0 e —7r < f l < 7r. (A restrição está
de acordo com o Teorema da Função Implícita, que fornece uma solução
única sòmente numa vizinhança de um ponto dado.) Observamos final­
mente que as retas 0 = constante, r = constante correspondem às retas e
aos círculos concêntricos no plano xy^ como na Fig. 12-37.

r '"ní •”
i?=7I

r d0
dr
W
r

e TT

1
Fig. 12-37. Transformaçào associada com coordenadas polares

As coordenadas polares são um exemplo de coordenadas curvilíneas


no plano. Outras coordenadas curvilíneas são obtidas através de equações
^ = /(w, v), y = g{u, v), ou, em R^, por x = f(u); veja Probl. 3 adiante.
Notamos que, para a transformação associada com coordenadas polares,
o determinante jacobiano é r e que um pequeno retângulo de lados dr, dO
no plano rd corresponde a uma figura aproximadamente retangular no plano
xy, A área da imagem deve ser aproximadamente r dr dd c podemos veri­
ficar, por geometria, que isto, de fato, é uma aproximação muito boa da
área (Probl. 5 adiante).
PROBLEMAS 1195

PROBLEMAS

1. Para cada uma das seguintes transformações, ache o determinante jacobiano da trans­
formação e da transformação inversa:

(a) u = 2x — y, V = X 4y. (b) u = ^x 2y. v = x — y.


(c) u = X — y — z, V = 2x 2y 5zy w = X 3z.
(d) u = 2x y, V = 2y - z, w = 3x. (e) u = y^,v = 3e^ - 2 i / .

W ^ = -2
x^ + 2 ^ + y
(g) u = xyZy V = x^y — xy^, w = x^ — xz'^
(h) u = X COS y — ZyV = xSQny 2z, w = x^ z^.

2. Para cada uma das seguintes transformações, ache as equações lineares que se apro­
ximam da transformação e as equações lineares que se aproximam da transformação
inversa próximo ao ponto dado:
(a) Como no Probl. l(e), próximo de = 0, >> = 1.
(b) Como no Probl. l(f), próximo de a: = 1, 3; = 0.
(c) Como no Probl. l(g), em a: = 1, >^ = 1, z = 1.
(d) Como no Probl. l(h), em = 1, 3^= 0, z = 1,

3. (a) Sejam as equações do Probl. l(e) usadas para definir coordenadas curvilíneas
Xy y no plano wv. Esboce as retas x = const., y = const. e suas imagens para
várias escolhas das constantes.
(b) Proceda como na parte (a) com as equações do Probl. l(f).

4. Sejam a, ó, c, d constantes e suponhamos que as equações

u = ax + by, v = cx dy

definam uma transformação biunívoca do plano xy no plano uv,


(a) Mostre que o quadrado de vértices (0,0), (1,0), (1,1), (0,1) no plano xy tem
a b
como imagem um paralelogramo no plano uv cuja área é ± (veja Seç.
c d
1- 12).
(b) Mostre, geralmente, que cada triângulo de área A no plano JC3' tem como imagem
a b
um triângulo no plano uv cuja área é ± A.
c d

5. Sejam r, 6 coordenadas polares no plano xy. Mostre que a área da porção do plano
xy definida pelas desigualdades

^0 ^ ^ ^ ^0 + ^0 ^ ^ ^ ^0 +
onde ro > Oy dr > Oy 0 ^ dd < 27T, é r* dr ddy onde t* é um valor apropriado entre
/*o e ro + dr. Portanto, para dr pequeno, a área é aproximadamente ro dr dd.
1196 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

6. Mostre, com base no significado geométrico do determinante jacobiano, que, nas coor­
denadas cilíndricas r, 6, z, o volume da porção do espaço para o qual

Tq < r < Tq dr, Oq < 6 < 6 q dd, Zq < z < Zq dz,

onde ro > 0, fiír > 0, 0 < < 2tt, dz > 0, é dado aproximadamente (para dr, dd, dz
pequenos) por tq dr dO dz e justifique por um esboço (veja Probl. 5).
Í7. Ache um resultado análogo àquele do Probl. 6 para coordenadas esféricas (Seç. 11-20).

12-17. Curvas no Espaço

Como no plano, é mais conveniente representar uma curva no espaço


por equações paramétricas:

* = f{tl y - g (í). 2 = h{t). (12-170)

onde todas as funções são definidas e contínuas num dado intervalo. Estas
equações definem, então, um caminho no espaço (Fig. 12-38). Pode-se

Fig. 12-38. Caminho no espaço e reta tangente

pensar em t como o tempo e (x, y, z) como a posição de um ponto que se


move no espaço. Se escrevermos

r = OF = xi -h yj + ;rk,

então a Eq. (12-170) poderá ser substituída por uma equação vetorial
r = F(t). (1 2 -1 7 0 ')
12-17. CURVAS NO ESPAÇO 1197

Em particular, se a e b são vetores constantes,

r = a + íb, —o o < t < o o

representa uma linha reta no espaço, como na Seç. 11-4.


A derivada

^ = F .'( í) = f ( í) i + g'(í)j + /»'Wk

pode ser interpretada como a velocidade v do ponto móvel P. Seja OPi =


= F(/i) e suponhamos que F'(^i) exista e seja diferente de 0. Então, o
vetor V = F'(/i) dá a direção de uma reta passando por P \; esta direção é
a direção limite de uma corda P 1P2, como na Fig. 12-38. Portanto, exata­
mente como no plano, podemos interpretar esta reta como a tangente ao
caminho em Pi. Se 0 ^ um ponto geral na reta tangente, a reta tem a equa­
ção

OQ = OPi + r y = OPy + rF'(ri) (12-171)

em função do parâmetro r. Se Pi é (;ci, >^i, zi) e Q é (x, y; z), (12-171)


torna-se

X= -h a r, y = hr, z = cr^ (1 2 -1 7 T )

onde F'(íi) = ai + + ck.


EXEMPLO 1 x = t, y = t, z = t \ Aqui, F(0 = ti + tj + t % F'(/) =
= i + j + 2/k. Para t = ti = l, achamos a reta tangente como segue:
F (l) = i + j + k, de modo que Pi é (1, 1, 1), e F '(l) = i + j + 2k; a equa­
ção vetorial da reta tangente é

= i + j -h k - } - ' t ( í - f j + 2 k ).

As equações paramétricas da reta tangente são

X = 1 r, y = I T, z = I + 2 t , —oo< t < oo.

T ais caminho e reta tangente são mostrados na Fig. 12-38.


Se em (12-171') eliminarmos r, obteremos duas equações lineares em
X, y, z que representam dois planos que se interceptam na reta tangente
(veja Seç. 11-12). Para a reta encontrada no Ex. 1, obtemos
X - t/ = 0, 2|/ - z = 1.
1198 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Estas equações também representam a reta tangente. Como foi mostrado


na Seç. 11-12, todas estas representações são obtidas escolhendo-se dois
vetores linearmente independentes u , w ortogonais a v e formando as equa­
ções:

à ô - u = 0, P ^Yi =0,

Em geral, diz-se que um plano passando pela reta tangente é um plano tan-
gente à curva no ponto Pi. Assim, uma curva tem um número infinito
de planos tangentes em cada ponto.
Pode-se definir o comprimento de arco s para um caminho no espaço
exatamente do mesmo modo que para um caminho no plano (Seç. 4-27).
Tomando o limite de poligonais inscritas, obtemos

L = f" V[f'(t)]^ + [g'(t)r + dt, (12-172)


a

onde L é o comprimento do caminho (12-170) entre t = a e t = b; supomos


que f , g o h têm derivadas contínuas neste intervalo. Podemos escrever
(12-172) em outras formas:
pb pb
L =J ||F (í)|l dt ou ^ = J ^IMI (12-172')
a a

Assim, | [ v | | , o comprimento do vetor velocidade, pode ser interpretado


como velocidade:

onde .y é o comprimento do arco desde um tempo inicial fixo to até um t


geral:

s = / ' V[/'(u)]2 + [g'{u)Y + [h'{u)r d u . (12-173)

Como na Seç. 4-29, podemos considerar parametrizações diferentes e


definir que dois caminhos são equivalentes se um fôr obtido de outro por
uma equação t = ^ (r) que relaciona os dois parâmetros, onde (p' é contínua
e positiva (ou negativa) no intervalo correspondente. Quando F'(r) é, por-
si só, contínua e não 0 no caminho (12-170), podemos usar a Eq. (12-173)
para introduzir s com parâmetro ao longo do caminho; s então aumenta
12-18. SUPERFÍCIES NO ESPAÇO 1199

com t. Em função de s como parâmetro, o vetor tangente tem componentes


dx/dSy dyjds, dzjds:

dx dx jds \ dx dy __ 1 dy dz _ 1 dz
ds d t! dt ||v|| d f ~d^~~ llvll dt ’ ds llvll dt

Portanto, o novo vetor v^^ngente ^

„ dx, dy , d z, 1
(12 -1 7 4 )

Assim, T é simplesmente o vetor unitário na direção de v (veja Seç. 6-6).


Plano Normal a uma Curva. Para nosso caminho (12-170), o plano
passando por Pi, ortogonal à reta tangente no ponto, é chamado plano nor­
mal ao caminho no ponto. Visto que v = F'(^i) é um vetor normal do
plano, o plano normal tem a equação:

P i ô * F ( /i) = 0 . (1 2 -1 7 5 )

No ponto Pi i (1,1, 1) do Ex. 1, F'(ti) = i + j + 2k, de modo que o plano


normal é

(x — 1) -I- (y — 1) -f 2(;s — 1) = 0 ou X y 2z = 4.

Cada reta passando por Fi no plano normal é chamada reta normal ao ca­
minho no ponto; equivalentemente, podemos definir uma reta normal como
uma reta passando por Pi perpendicular à reta tangente.

12-18. Superfícies no Espaço

Consideremos primeiramente uma superfície dada por uma equação

^ y)r (1 2-180)

onde / é definida e derivável numa região aberta D e, por conseguinte, dzjdx


e dzjdy existem em D, Vimos, na Seç. 12-8, que dzjdx em (xi, yi) pode ser
interpretada como a inclinação da reta tangente à curva z = f { x , y i ) no
plano y = y i \ dzjdy pode ser interpretada semeJhantemente (Fig. 12-22).
Mostramos também na Seç. 12-8, que o plano que contém as duas retas
tinha a equação
2 - ^i) + / # 1. !/i)( y - yd (12-181)
1200 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

e que era razoável chamar êste plano de plano tangente à superfície no ponto
{x u y u zi), onde zi = f{ x u y i).
Uma superfície no espaço pode ser também definida por uma equação

F(x, I/, z) = 0 ( 12- 182)

como mostramos agora. Seja Pi\ (xi, y\, z\) um ponto que satisfaz à
equação; suponhamos que F tenha uma diferencial numa vizinhança de P\
e que V F não seja 0 em Fi. Se, por exemplo, Fz{xuyuZi) então o
Teorema da Função Implícita (Seçs. 12-14 e 12-15) implica que, pelo menos
numa vizinhança de Fi, o gráfico de (12-182) coincide com o gráfico de
uma função derivável z = /(x, y), de modo a obtermos uma superfície
(12-180). Agora, suponhamos que um caminho derivável r = (p{t)\-[-
+ + X(0k esteja na superfície (12-182) e passe em F i quando t = h.
Suponhamos também que o vetor velocidade

V = (p'(í^)i + + x '( íi) k

exista e seja diferente de 0. Como o caminho está na superfície,

x(t)] = 0

para todos os t no intervalo dado. Então, pela regra da cadeia,

+ F^xP'{t) + FX (t) = 0. (12-183)

Quando t = h, Fx = Fx(xi,yi, zi), e assim por diante, isto é, em F i, temos

V • V F = 0.

Ora, V F é um vetor não nulo fixado. Concluímos, então, que os vetores


tangentes em Fi a todos os caminhos na superfície que passam por Fi são
ortogonais a V F ou, equivalentemente, que as retas tangentes em Fi a êstes
caminhos estão, todas elas, no plano que passa por Fi com o vetor normal
VF. Portanto, o plano em questão deve ser o plano tangente à superfície
(12-182) em Fi (veja Fig. 12-39). A equação para o plano tangente é

VF • P^P = 0,

ou, na forma escalar,


Vv ^i)(^ - ^i) + yi, Z^){y - !/i) +
+ PÁ'^v Vv ^i)(2 - ^i) = 0- (12-184)
12-18. SUPERFÍCIES NO ESPAÇO 1201

Fig. 12.39. Plano tangente e reta normal à superfície F(Xy y , z ) — 0

Como uma verificação, consideremos a superfície (12-180). Aqui, po­


demos tomar F(x, y , z ) = z - f(x , y) e F , = - /x, Fy = - fy, Fz = I e
(12-184) reduz-se a (12-181).
O vetor V F (ou qualquer múltiplo escalar não nulo dêste vetor) é de­
nominado vetor normal da superfície em Pi e a reta V F X PíP = 0 é deno­
minada reta normal à superfície em Fi (veja Fig. 12-39).
Visto que, próximo a. Fi, 3, superfície é representável numa forma tal
como z = f{ x ,y ), podemos raciocinar, como na Seç. 12-9, que perto de Pi
a superfície é muito bem aproximada pelo plano tangente em Fi.

EXEMPLO 1 A equação x^ + y^ + z^ 9 define uma superfície, uma


esfera. Podemos escrever a equação como em (12-182), com F (x ,y ,z) =
= x^ + y^ + z^ — 9, Procuramos o plano tangente em Fii (2, 2, 1). Acha­
mos que Fx — 2x = 4, Fy = 2y = A, Fz = Iz — 1 em Fi. Por conseguinte,
(12-184) torna-se

4(x — 2) -h 4( í/ — 2) -1- 2(z — 1) = 0 ou 2 x + 2t/ -h z = 9.

Podemos também resolver para z:

z = ± VQ —

e devemos usar o sinal + para o ponto (2, 2,1). Neste ponto, encon­
tramos que

dz —X -y
= -2 , ^ = = -2
dx V9 - dy V 9 - x2 - £/2
1202 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAF. 12

e portanto, por (12-181),

z — I = —2(x — 2) — 2(y — 2) ou 2x 2y z = 9

como antes.
No ponto P2 : (3, 0, 0), Fz é achada como sendo 0 e não podemos re­
solver para z como uma função derivável de x c y. Neste ponto, poderíamos
resolver para x: x = y /9 — e proceder como antes com a ajuda
das derivadas parciais dxjdy, dxjdz. Tratando a equação implicitamente
(não resolvendo para uma letra) podemos evitar esta dificuldade e obter
o plano tangente num ponto geral da superfície; todavia, (12-184) mostra
(como o faz o Teorema da Função Implícita, veja Seç. 12-14) que pelo inenos
uma derivada parcial de F deve diferir de 0 a fim de que possamos garantir
que o plano esteja determinado.
Observação. Para uma função F, tendo um vetor gradiente contínuo,
cada superfície de nível de F tem uma equação

F(x, y,z) = c.

Se escrevermos isto na forma F(jc, j , z) — c = 0, veremos que a teoria pre­


cedente é aplicável e que, sempre que VF 9^ 0, a equação por certo define
a superfície com V F como vetor normal. Em cada ponto (x, y, z), o vetor
gradiente V F é normal à superfície de nível de F que atravessa aquêle ponto.
Por raciocínio semelhante, vemos que uma equação

F{x, y) = c

que define as curvas de nível de F(x, y) no plano xy também define uma


curva real através de cada ponto onde VF 5*^ 0 e que V F é um vetor normal
à curva de nível em cada ponto (veja Seç. 12-11).
Uma Curva como Interseção de Duas Superfícies. Suponhamos que duas
superfícies

F{x, y, z) = 0, G{x, y, z) = 0 (12-185)

contenham o ponto F i: (xi, yi, z\) e que ambas tenham os planos tangentes
em Pi como acima. Então, ambas as superfícies são muito bem aproxi­
madas, próximo a Fi, por seus planos tangentes em Fi e, se êstes planos
não forem coincidentes, êles devem interceptar-se numa reta L. Por isso,
esperamos então que as superfícies se interceptem numa curva e também
que a reta L seja tangente à curva em Fi. De fato, se existir uma curva
como a descrita, sua reta tangente deve estar em ambos os planos tangentes
12-18. SUPERFÍCIES NO ESPAÇO 1203

como acima, e portanto, deve ser a reta L. A condição para que os planos
tangentes não coincidam é que os vetores normais VF, VG sejam linear­
mente independentes em Pi, isto é, que a matriz

(F . Fy F ,\
( 12- 186)
Vg , Gy gJ

tenha pôsto 2 em (xi, yi, zi), e assim, que pelo menos um menor de ordem
dois seja não nulo.
Se, por exemplo,

/o ou ^ , . 0 .
9 ( * . y)

então, como na Seç. 12-14, podemos resolver (12-185) para jc e cm função


de z, em torno de zi: digamos, x = /(z ), y = g(z). Então, as equações

^ = /(^ )> y = z = Zi - s < f < -h ô

são equações paramétricas para a curva de interseção nas proximidades de


P i. Também, como na Seç. 11-12, V P x V G é um vetor ao longo da reta
tangente ao caminho.
EXEMPLO 2 As equações

X y — z = 0, = 1

descrevem um plano e um cilindro no espaço (Fig. 12-40; veja Seç. 11-19).

Fig, 12-40. A curva de interseção de plano e cilindro


1204 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

Para jc = l , 3; = 0 e z = l , ambas as equações estão satisfeitas; seja Pi o


ponto (1,0,1). Em Pi, a matriz jacobiana (12-186) é

(1 1 -U
V2 0 0/

e esta tem posto 2. Portanto, existe uma curVa de interseção. Também,


em Pu

i i k

V F X VG = 1 1 -1 = - 2 j - 2k.
2 0 0

Então, a reta tangente tem a equação PiP x ( — 2j — 2k) = 0 ou PiP =


= /(Í + k).
Representação Paramétrica de Superfícies. Na Seç. 11-10, vimos que
um plano poderia ser representado paramètricamente por equações de forma

ac = -h b^u -h y = a 2 H- b^u + C2Ü, z = b^u -h c^v,

onde — c o < í / < c x > , — o o < v < o o . Uma representação análoga é pos­
sível para superfícies no espaço:

X = f{u, v), y = g(w, ü), z = h{u, v). ,1 2 -1 8 7 )

Por exemplo, x = cos u, y = sonuy z = v são equações paramétricas para


um cilindro circular. A discussão de tais representações é deixada para
os exercícios (Probl. 8-13 adiante).

PROBLEMAS

.
1 Para cada um dos seguintes caminhos no espaço, ache a reta tangente e o plano normal
no ponto dado e desenhe:
(a) X = COS ^ = sen /, r = / (hélice) para / = tt/4.
(b) X ^ t, y = t^, z = í + para / = 1.
(c) X = COS t, y = sen r, r = cos / para t = ir/4.
(d) X = U y = z — e~^ para / = 1.
(e) x = t ^ - \ - h y = 3 z = 2+ / em (1,3, 2).
(f) X = Sen“^t, y = Cos“^t, z = 3, — 1 < / < 1, em (0, tt/2, 3).

2. Para cada uma das seguintes superfícies no espaço, ache o plano tangente e a reta
normal no ponto dado. Desenhe também a superfície perto dêste ponto:
PROBLEMAS 1205

(a) z = para x = 1, y = 2. (b) z = COS y para x =- 0, v = 0.


(c) z — ^-^2- 1/2 pgj.^ X = If y = 2, (d) z = x^ para x = 1, y - 1.
(e) x^ + y “^ + z^ = U em (3 ,1 ,1 ). (f) 2;c2 + / 4- 2z2 = 5 em (1,1,1).
(g) x^ — y^ — z"^ = 0 em (5, 3, 4). (h) jc2 + / = 13 em (3,2,1).

3. Mostre que, perto do ponto dado, as superfícies se interceptam numa curva, ache a
equação da reta tangente para a curva e desenhe:
(a) 2x + y z = 4, x^ y"^ + z^^ = 3 em (1, 1,1).
(b) X -{- y -h z = 1, x^ + y^ — = 0 em (1 ,0 ,1 ).
(c) = 3, + 2x^ = 2 em (1 ,1 ,1 ).
(d) — ^ = 0, — z = 0 em (1 ,1 ,1 ).

4. Para um caminho r = f(/), a < / < ^ no espaço, suponha que a velocidade v = f'(0
e aceleração a = f" (0 existam para a < t < b. Se, para um t particular, êstes ve­
tores são lineramente independentes, então o plano que passa pelo ponto correspon­
dente com o espaço-base Env (v, a) é denominado plano osculador da curva no ponto.
Êste é um plano tangente à curva e pode ser considerado como o plano tangente mais
próximo à curva perto do ponto.
(a) Mostre que o plano osculador tem a equação P \P y x a = 0.
(b) Ache V, a e o plano osculador para o caminho do Probl. l(a) no ponto dado.
(c) Proceda como na parte (b) usando o caminho do Probl. l(c).

5. Suponha que f(/) e g(/) definam caminhos no espaço e tenham f e g derivadas em /.


Demonstre que

[f(0 X g(í)]' = f(<) X g'(í) + f'(t) X g(í).

Í6. Curvatura de um caminho no espaço. Tenha f(/) derivadas até terceira ordem para
a < t < b e seja v = f'(/) 9^ 0 para a < t < b. Seja v = | |v| |T = (dsldt)T e seja
dT/ds 7^ 0 para a < t < b.
(a) Mostre que T -d T jd s = 0, e portanto, se pode escrever

^ = kN, k > 0
ds

onde N é um vetor normal unitário; k é denominado curvatura, p = \ jK raio da cur~


vatura e N vetor normal principal unitário.
(b) O vetor T x N = B é denominado vetor binormaL Demonstre que B é um vetor
unitário, normal à curva e demonstre as Fórmulas de Frenet

^ = kN, ^ = _ kT + tB,
ds ds ds

onde r é um escalar denominado torsão. {Sugestão. Use as relações N -N = 1,


N -T = N -B = B-T = 0, B-B = 1, e derive em relação a s.)
d\ d “s I IVI I“
(c) Mostre que a = — = — r T + - - N (veja Seç. 6-7).
dt dt^ p
1206 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

7. Movimento sob uma fôrça central. Suponha que uma partícula P de massa m se mova
no espaço sob a influência de uma fôrça F atuando na direção que se afasta de um
centro fixo O, distinto de P, de modo que F == (ç{t)ÕP, Seja r = ÕÍP, v = dridt.
Admita tôda a derivabilidade necessária. Observe também o resultado do Probl. 5.
d
(a) Mostre que —r- (r x v) = 0, de modo que r x v = h, onde h é um vetor cons*
at
tante.
(b) Mostre por (a) que, se h 0, P se move num plano fixado passando por O.
(c) Mostre por (a) que, se h = 0, então P se move numa reta fixada passando por
O, (Sugestão, Escreva r = rR, onde r = | |r| | e mostre que dRIdt = 0.)

8. Sejam as funções (12-187) definidas e deriváveis numa região aberta D do plano uv,
fu 8u

(
fo St Á®/
I (observe a transposição) pôsto
2. Considere as equações como definindo uma transformação de D em R \ Seja
P i: z ò a imagem de (wi, vi), de modo que x \ = / ( « i, v i) ,...

(a) Mostre que a reta v = vi cm D tem como imagem um caminho em com u


como parâmetro, e que, para w = «i, o vetor wi = A («i. vi)i + SuUtu vi)J +
+ Áu(wi, vi) k é tangente a êste caminho em P\,
(b) Obtenha um resultado análogo a (a) para a imagem da reta u = i/i; seja W2 o vetor
tangente encontrado.
(c) Conclua, pelos resultados de (a) e (b), que, se a imagem da transformação é uma
superfície em P®, então. wi x W2 é um vetor normal nao nulo para a superfície
em Pi, de modo que wi x W2 *PiP = 0 é a equação do plano tangente em P\,

9. As equações x = cos w, = sen «, z = v são equações paramétricas, para um cilindro


circular reto no espaço.
(a) Desenhe as curvas sôbre a superfície correspondentes a cada uma das seguintes
escolhas de i/ = const. ou v = const., como no Probl. 8.

(i) u = 0^ (ii) U = 7t/ 4. (iii) U = 77/2^ (iv) V = 0, (v) t? = 1; (vi) V = 2.

(b) Ache o plano tangente e a reta normal à superfície para u = t /4, v = h

10. As equações x = v cos w, ^ = v sen «, z = v são equações paramétricas para um cone


circular reto no espaço.
(a) Proceda como no Probl. 9(a), usando

(i) V = (ii) ü = 2, (iii) ü = O3 (iv) u = Oj (v) u = 7t/4

(b) Proceda como no Probl. 9(b), usando u = tt/4, v = 1.

11. As equações x = (2 + cos u) cos v, >> = (2 + cos u) sen u são equações paramétricas
para a superfície de um toro no espaço.
(a) Proceda como no Probl. 9(a), usando
12-19. DERIVADAS PARCIAIS DE ORDEM MAIS ALTA 1207

(i) ü = Oj (ii) V = 7t/ 2-, (iii) V = ^ /4j


(iv) U = 0-, (v) U = TTj (vi) U = 7t/2.

(b) Proceda como no Probl. 9(b), usando u = tt/4, v = irlA .

12. As equações a: = 3 cos w sen v, = 2 sen « sen v, z = cos v são equações paramétricas
para a superfície de um elipsóide no espaço.
(a) Proceda como no Probl. 9(a), usando

(i) 1/ = 0^ (ii) u = tt/ S j (iii) ü = Oj (iv) V = 7t/6 .

(b) Proceda como no Probl. 9(b), usando u = ít/3, v = tt/6.

13. Seja dada uma superfície na forma paramétrica pelas Eqs. (12-187). Um caminho
na superfície pode então ser especificado dando « e v como funções de de modo que,
finalmente, x, y e z tornam-se funções de t. Mostre, admitindo tôda a derivabilidade
necessária, que a reta tangente a tal caminho fica no plano tangente correspondente
do Probl. 8(c).

12-19. Derivadas Parciais de Ordem Mais Alta

Seja a função z = f{x, y) definida na região aberta D do plano xy e


suponhamos que as derivadas parciais f x ^ f y existam em D, Então, cada
uma destas derivadas parciais é uma função com domínio D, e podemos
procurar suas derivadas parciais:

(12-190)

As novas derivadas, quando existem, são denominadas derivadas parciais


de f de segunda ordem. Parece, por (12-190), que existem 4 destas derivadas
de segunda ordem. Todavia, ver-se-á que, se / , /c, /y, fxy e fyx são contínuas
em D, então as derivadas mistas são iguais:

f x y — fy x ^ (12-191)

Portanto, existem, com efeito, somente 3 derivadas parciais de segunda


ordem: fxx, fxy e fyy. Uma demonstração de (12-191) será dada na seção
seguinte.
EXEMPLO 1 Seja z = x^^y^ + x cos (xy) = f(x , y). Então, escrevemos
1208 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

^ = fxi^> y) = + COS (xy) - xysen{xy)^

1 ^ = fv(^> y) = 3x2^2 _ ^ s&Tí{xy\


02^
= fxxi^^ y) = 2y2 - 2y sen{xy) - xy^ cos (xy),

= fxyi^> ^ ~ 2xsen(a:y) - j^y cos {xy\

^ ^ = fvxi^>!/) = ^ !/)) = - 2xsen(xy) - x2y cos (xy),


dx dy dx
dh
0y2 = /?/!/(*’ y) = ~ . ^ ^^y'>

Observamos que fxy = fyx, de acordo com (12-191). As notações d-zjdx^y


d^^zjdydx,.,. são também introduzidas aqui. A diferença entre d^zldydx e
d^zldxdy deve ser notada; todavia, por (12-191) estas são iguais (nas condi­
ções enunciadas).
Se as derivadas parciais de segunda ordem existem em Z), podem-se
formar derivadas de terceira ordem:

3x3 “ “ 3x dy 9x2 fxxy ^yifxxiX>y)l

e assim por diante. Por causa de (12-191), a ordem de derivação não impor­
ta para funções regulares, isto é, por exemplo.

dh dh dh
dy dx^ dx dy dx dx^ dy

Portanto, obtêm-se ao todo (sob condições de continuiáade apropriadas)


quatro derivadas parciais de terceira ordem:

fxxx^ fxxy^ fxyy^ fyyy -

Semelhantemente, obtêm-se, em geral, w + 1 derivadas parciais de ordem/i:

d^z d^z d^z


dx^ * dx^ ^ dy ’ dx^

As definições estendem-se naturalmente a funções de três ou mais va­


riáveis. Por exemplo, a função f{x, y, z) tem (sob condições de continui­
dade apropriadas) 3 derivadas parciais primeiras, 6 derivadas parciais se­
gundas:
12-19. DERIVADAS PARCIAIS DE ORDEM MAIS ALTA 1209

fxx^ fyy^ fzz^ fxy^ fyz^ fxz


e 10 derivadas parciais terceiras:

fxxx^ fyyyf fzzz"> fxxy^ fxxz’ fxyy’ fxzz^ fyzz’>fyyz^ fxyz'

Deve-se observar que a regra (12-191) precisa ser provada somente para
funções de duas variáveis, pois uma vez que isso tenha sido feito, resulta
que

f^y(x, y , z , . . . ) = fy^{x, y , z , . . .),

já que em ambos os lados z,... são tratados como constantes. Portanto,


a regra (12-191) estabelece que (sob as condições de continuidade relevantes)
para todas as derivadas parciais a ordem de derivação não importa.
Derivadas parciais de ordem mais alta surgem em muitos problemas
físicos, por exemplo, nas teorias do eletromagnetismo, condução de calor,
vibração de corpos sólidos, movimento de fluidos e termodinâmica. Em
todos êstes casos, as leis físicas básicas são expressas como equações que
relacionam as derivadas parciais de funções apropriadas. Por exemplo, a
equação do calor

du — jL2 ^ 1 (12-192)
dt

governa a variação de temperatura u = /(/, x, y, z) com o tempo í e a po­


sição (x, y, z) dentro de um corpo sólido homogêneo sujeito a certas varia­
ções de temperatura no meio circundante. Outros exemplos são dados
nos Probls. de 5 a 7 a seguir. A Eq. (12-192) é um exemplo de uma equação
diferencial parcial. A função que satisfaz a tal equação numa região aberta
é denominada solução da equação diferencial parcial.
Outras Notações. Escreve-se, por exemplo,

dH
y) = y) = ^ (^’!/)* / l 2 = /x y > Í22 = fvv '

Para enfatizar as variáveis que são tidas como constantes, escreve-se, por
exemplo,

por !/>^)> ^ = /(^> !/>


1210 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Usa-se também um símbolo :

Aqui, se pode pensar em como componentes do operador gradiente


V; em função dc x, y c z

de modo que

- fx^ + fyi + fz^'


Escreve-se também

V 'V = V ^ = — + —
dx^ ^ 9y2 ^ 0z2 ’

de modo que

^ er‘ af íif

Chama-se esta expressão de laplaciano de f . Os mesmos símbolos são usados


para funções de duas variáveis x t y, sendo eliminados os têrmos relacio­
nados com 2. A equação

^ f f
9x2 9y2 0^2

é chamada Equação de Laplace, Uma função f ( x , y , z) [ou f(x,y)] que


satisfaz a esta equação numa região aberta é chamada harmônica,

Í12-20. Demonstração do Teorema Sôbre Derivadas


Parciais Mistas

Primeiramente, formularemos um novo Teorema do Valor Médio.


TEOREMA 12. Seja f {x, y) definida numa região aberta D que inclui
a região R : Xo < x < Xi, j^o < .V < yu Sejam f fx e fxy contínuas em
D. Então, existe um ponto (^, t;) em R tal que

yi) - Vo) - fi^o> yd + /( ^ o . yo) = fxviè> v)i^i - ^ o )(y i - yol


( 12- 200 )
12-20. TEÔREMA SOBRE DERIVADAS PARCIAIS MISTAS 1211

DEMONSTRÁÇAO. Já que fxy é contínua em R, ela tem um mínimo


absoluto m e um máximo absoluto M tm R (veja Seçs. 12-7 e 12-22). Logo,
fxy < M implica

/ fxvi^> y)dy < f Mdy ou f^(x, - f^{x, í/q) <M{ y - y^),


1/0 Vo
e portanto, que

/ yd - yo)] ^/ ^(yi - yo)


OU

/ ( ^ i> yd - / (% . yo) - fi^ > yd + fi^o> yo) < - ^o)iyi - yo)-

Anàlogamente, mostramos que

fi^ v yd - f i^ i’ yo) - yd + fi^o> yo) > - ^o)(yi - yo)-

Já que fxv(x,y) é contínua em R, ela assume todos os valôres entre m e M


em R. Então, para algum (í, 17), a Eq. (12-200) é válida.
Agora podemos deduzir a regra sôbre derivadas mistas:
TEOREMA 13. Seja a função f definida na região aberta D do plano
xy. Sejam f /*, fy, fxy e fyx continuas em D. Então,

fxv(x,y) =f yx{x,y) em D.

DEMONSTRAÇÃO. Seja (xo, um ponto fixo de D, sejam x\ =


Xo h, yi = yo + h e seja h tão pequeno e positivo que a região retan­
gular R do Teorema 12 fique em D. Então, o Teorema 12 dá

/ ( xq -I- /i, yo + /») - f{xo + h, yo) - f(xo, yo + h) + / ( xq, yo) = fxyi^y


( 12- 201)

oride Xo < ^ < Xo + h, yo < V < yo + h. Se invertermos os papéis de x e


y, obteremos uma relação semelhante envolvendo /,* :

/(^o + h ,y o + h) - f { x o , yo + h) - f{x o -I- h , yo) -I- /(xo, yo) = f y x i Í ' y y ')h ^ -


(12-201')
Todavia, o lado esquerdo de (12-201) e o lado esquerdo de (12-20T) são
os mesmos! Portanto, se subtrairmos a segunda equação da primeira,
obteremos
1212 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

0 = - U ^ ',V 'W
ou

fxyil V) = fy M ’>V) ( 12- 202)

Se deixarmos agora h - * 0 + , então (^, rj) —> (xo,70) e 1) ' ) ( x o , ;vo). Já


que fxy e fyx são contínuas, concluímos, por ( 12-202), que

fxyi^O^ ?/o) fyxi^O’ Vo)

como queríamos demonstrar.

Observação. Podemos interpretar o lado esquerdo de (12-201) ou


(12-201') como uma diferença segunda de f Podemos escrever

^ x f = /(* + /I, y) - f{x), \ f = f{x, y + h) - f{x,y).

Estas são chamadas diferenças primeiras de f Delas obteremos a diferença


segunda

= \ [ f ( x + h,y) - f(x, y)] =


= [f{x + K y + h ) ~ f{x, y + h ) ] ~ [f{x + h , y ) ~ f{x, y)] =
= f{x + h y + h ) - f{x, y + h ) - f { x + h, y) -|- /(x, y).

Assim, òi^yf é o lado esquerdo de (12-201) avaliado em (xo,yo). A sime­


tria da expressão mostra que

Kyf = \xf.

É a simetria da diferença segunda que leva à igualdade das derivadas


mistas fxy e fyx- Por (12-201), podemos, portanto, escrever agora

Kyf
fxyi^O’ yo) = v) = lim ^2

e, anàlogamente, por (12-201'),

- lim
fyxi^O’ Vo) = lim ^ ^2 •

Já que à j y f = à y J , resulta q u e / í j Cxo. J o) =/i/i(Jío,Jo).


PROBLEMAS 1213

PROBLEMAS

1. Ache as derivadas pedidas:


(a) fxxJxy e fyy para f{x, y) = ^ - 2y.
(b) f x x J y x e fyy para f{x,y) = x^Hy^ + 1).
(c) /xy, fyz^Jxz para f{x, y, z) = x^é^\
(d) fx y z ifx x z ® fxzz para f{Xy y^ z') — cos (2^ — 3z).

2. Verifique se /*y = ^ x em cada um dos seguintes casos:

(a) /(x , y) = x^yS. (b)/(* .« /)= $ •


y
(c) /( x , y) = x». (d) /( x , y) = X In (x* - y^).
(e) /( x , y, z) = x^z^ - y V + x^y^, (f) /( x , y, z) = x /( y + z).

3. Verifique s e / é harmônica em cada um dos seguintes casos:

(a) f{x> y) = ^ - y^. (b) f{x , y) = xy.


(c) /(* . y) = ^ - W - (d) /( * , y) = x* - 6x2y2 + y4.
(e) /(x . y, z) = x2 + y2 - 2z2, (f) /( x , y, z) = (x? + y2 + z 2) - i ^2

4. Mostre que cada uma das seguintes funções é uma solução da equação do calor (12-192);
a e A: são sempre constantes não nulas.

oT-axVt
(a) sen a x . (b) cos a{x + y). (c) - — — , a =
Vt
5. A equação biarmônica

VJ=V^(VJ) = 0

é importante na teoria da elasticidade..


(a) Mostre que, em duas dimensões, a equação é

Í^
0x^
+ 29x^^dy^ + ^
9í/^
= 0.

(b) Mostre que tôda função harmônica é biarmônica.


(c) Para que valôres de a é ax^ + 2x^y^ + y^ biarmônica?

6. A equação da onda

9^2 “ ^ Vax2 a ^2 + 9^2 / - c o n st.> 0)

é importante na teoria do eletromagnetismo.


(a) Mostre que u = sen (x — ct) é uma solução (veja Fig. 12-11 na Seç. 12-2).
1214 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARlAVEIS CAP. 12

(b) Mostre, de maneira geral, que toda função de forma u ~ f( x — ct) ou da forma
14 = f( x + ct) é uma solução, contanto que / seja aproximadamente derivável.

7. A Equação de Poisson

0X* ^ 01/* ^ 0z* ^ ' '

é importante na teoria da gravitação. Ache uma solução para cada um dos seguintes
casos:

(a) g(x, y, z) = 1. (b) g(x, y, z) = e* (c) g(*, y, z) = x - y + 2z.

8., Mostre que as soluções das seguintes equações numa região aberta dada formam um
espaço vetorial:
(a) Equação de Laplace em 2 dimensões.
(b) Equação do calor para k fixado.
(c) Equação biarmônicá’ em 2 dimensões (Probl. 5).
(d) A equação da onda (Probl. 6) para c fixado.

9. Mostre que, para g dado, as soluções da Equação de Poisson (Probl. 7) numa dada
região aberta Z), se existir alguma, formam uma variedade linear no espaço vetorial
de tôdas as funções definidas em D.

10. Tenha / derivadas contínuas até a segunda ordem numa região aberta que inclui o
quadrado de vértices (0,0), (1,0), (0,1), (1,1) e tenha / um zero em cada vértice. Mos­
tre que f^y tem um zero dentro do quadrado.

11. Demonstre: se / tem derivadas contínuas até segunda ordem pára todos os (jc,>^) e se
fxy = 0, então / pode ser expressa como a soma de uma função de e uma função de
y. {Sugestão, Aplique o Teorema 12 com xq = 0, = 0» = y-)

12. Para demonstrar o Teorema 12, considere

F(x, y) = (*i - Xo)(yi - yo)/(x, y) -

- (* - *b)(y - yo)[/(*i- Vi) - /(%> Vo) - /(*o. Vi) + /(*o. yo)]-


Agora aplique o Teorema de Rollc a F(x, y{) — F{x, ya) para mostar que Fx{^, y d —
— Fxi^^yo) = 0 para algum xo < $ < xi. Depois aplique o Teorema de Rolle
a Fxi^y y) para mostrar que Fxy(f, r?) = 0 para algum rj, yo < rj < y i e verifique que
esta última equação dá o resultado desejado.

13. Regras de cadeia. Sejam z = F(w, v), u = f{x^ y)y v = g{x, y \ de modo que z =
= F [f{X yy\ ^(x, y)]. Demonstre, segundo hipóteses apropriadas:

/ V0^ _ ü , Oü du dv , p d^v . p d^u , p d^v

0^Z — p , p / du dv . du d v \ . p dv dv
(b )
dx dy ““ 0:c du dy ^ dy d x ) ^ "" 0x dy
+
d^u 02ü
^ d x d y ^ d x d y
12-21. FÓRMULA DE TAYLOR 1215

12-21. Fórmula de Taylor

Para uma função / de uma variável, a Fórmula de Taylor pode ser escri­
ta como:

f"(a)
f{x) = f{a) + { x - a )f’{a) + {x - + ■■■ + {x - a f ^ - ^ +

( 12- 210 )

com

(x - a)"+i/<"+i'(a -I- ít(x - a)) ^ ^ ^ ,


------------ ( T r i ) ! --------------■ ‘X í - o -

Aqui, demos o resto Rn na Forma de Lagrange (veja Seçs. 6-12 e 8-19). A


fórmula tem o efeito de substituir / por um polinómio mais um têrmo extra.
Mediante condições apropriadas, o têrmo extra é pequeno e a fórmula for­
nece uma aproximação de / por um polinómio. Também, em muitos casos,
-R» —> 0 quando n —> <», de modo que

/(x) = lim [/(ü) + . . . + { x - a r f ^ ] = 2 (x - a r


n-^col n! J

Esta é a representação de / por sua Série de Taylor (Seç. 8-20).


Para uma função f(x , y) de duas variáveis, uma série de potências com
centro (a,b) tem a forma:

Coo + Cio(x - a) + Coi(y - b) + C2o(x - a f + c„(x - a){y - h)+


+ Co2(y - b f + . . .

Para simplificar, concentremo-nos no caso a = 0, b = 0; o caso geral pode


ser obtido dêste caso especial por uma simples substituição (translação).
Assim, consideramos a equação

v) = Coo + CioX + Coiy + - ! - • • • + c„„x” y" (12-211)

c prosseguimos formalmente, supondo que todos os passos sejam justifi­


cados. Por (12-211), vemos que Coo = /(O, 0). Também,
fx = Cio + 2 c 2 qX • • • + m c„„x” - iy " - !- •••

fv = Coi + CjiX -f- • • • -I- nc„„x”y"-' -!-•••


fxx = 2 c2 o + 6 C3 0 X + ■■■ + m i m - l)c „ „ x ^ -'^ y " -!-••■

fxv = c „ + 2 c2 i X -I- • • •• -I- m n c „ „ x ^ - i y " - ’ -f •••


1216 CALCULO' DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 12

Portanto, /x(0, 0) = cio, /»(0,0) = Coi, fzJlfi, 0) = 2c2o, fxviO, 0) = cn, e assim
por diante. Em geral, •

0’‘+»/
(0,0) = rlslc„,
0y*

de modo que

ris! dnf 0y*

onde « = r + í. Portanto, por (12-211),

f(x, y) = / ( 0 ,0) -h xf,(0,0) -1- yf„{0,0)+

+ ^ [^/xx(0,0) -H 2xyfJÓ , 0) -H y J J O , 0)]-K

+ f
nlL 0 x " ^ \l/ ^0x”- i dy - ■ " 0y"J

onde todas as derivadas parciais são avaliadas em (0, 0). Esta é a Série
de Taylor de f(x , y) com centro (0, 0). Pode-se mostrar que a representação
é válida para muitas funções comuns em regiões apropriadas. Não conti­
nuaremos a falar mais aqui sobre êste tópico mas antes, consideraremos a
aproximação polinomial que êle sugere. Escrevemos

( 12- 212)

Assim, a Série de Taylor de / é simplesmente a série 2r/?n(x, y), Escrevemos


agora

/ (^ . y) = Po(^> í/ ) + • • • + P n (^ . !/ ) + • (12-213)

Esta será a nossa Fórmula de Taylor para funções de duas variáveis^ contanto
que demos uma representação para o resto Rn.
TEOREMA 14. Seja /{x^y) definida e tenha derivadas contínuas até
a {n + Xyésima ordem numa região aberta D que inclui a origem (0, 0).
Seja {x, y) um ponto de D tal que o segmento de reta de (0, 0) a {x, y)
fique em D. Então, a Fórmula de Taylor (12-213) é válida, onde
n+l
1 /n + 1 \ 0"+y
R. = (12-214)
(n + s
;^a\/r ii^+l-r (p^. py)
Idj^dy'

e p é um número entre 0 e 1 que depende de {x, y).


12-21. FÓRMULA DE TAYLOR 1217

Observações. Na fórmula para Rn, as derivadas parciais de / são ava­


liadas em um ponto (íJíx,fJiy) entre (x^y) e (0, 0), como na Fig. 12-41. Isto

Fig. 12-41. Demonstração da Fórmula de Taylor

está em analogia direta com a fórmula (12-210) para fánções de uma variável.
Notamos dois casos especiais do Teorema 14:
n = 0: f(x, y) = / ( 0 ,0) + \iy) + yfyijix, yy),
n = 1: f(x, y) = / ( 0 ,0) + ^ ,(0 ,0 ) + yf^O, 0) +

+ + y%y{p-x,yy)l

O caso w = 0 é chamado Teorema do Valor Médio para funções de duas


variáveis.
DEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA 14. Seja (;c, y) como enunciado
no teorema e seja

g{ t ) =f { t x , t y \ 0 < t< l.

Como t varia de 0 a 1, {tx^ ty) move-se de (0, 0) para (jc, y) sobre o segmento
de reta que une êstes pontos; portanto, / é definida em todos êstes pontos
e g é definida para 0 < t < 1. Pela Regra da Cadeia,

g'(í) = ty) + ty)^


g"(f) = ty) + 2xyf^y{tx, ty) + y%y{tx,ty)^

e, por indução (Probl. 5 adiante),

= 2 ( ^ ) x^y'^ ^ ty)> ^ 1..........” + 1- (12-215)


rzzO
1218 ca lcu lo d if e r e n c i a l dé fu n çõ es de v á r ia s v a r iá v e i s CAP. 12

Portanto,

r= 0

Agora, pondo í = 1 na Fórmula de Taylor para g(t) em [0, 1], obtemos

g"(0)
g(l) = g(0) + g'(0) + ^ + ••• + ní (n + 1)1

Mas g(l) = /(x , yX g(0) f=/(0, 0), = k!pk(x, y) para k = 1,..., n como
acima e por (12-215) g^"^^^\ij)/{n + 1)! é igual a i?n, como dado em (12-214).
Portanto, (12-213) procede.

EXEMPLO 1 Seja /(x , y) = x y cos x. Então,

= l = 1+ cos oc,
/„ = -e'> cos X = -fy y , = - e ‘'senx.

Então, /

f{x,y) = 1 + X + 2y + ■ ^(—x^e'**'cos/ix — 2xye>^VS6Uiix + y^e>^^ cosnx).

Se (jc, y) estiver bastante perto de (0, 0), os primeiros três termos à direita
darão uma boa aproximação de / ; esta é, de fato, uma aproximação do
gráfico de z = f(x , y) pelo gráfico do plano tangente em (0, 0, 1) ou a apro­
ximação de .A/ = f ( x , y ) —/(O, 0) por df.

Discussão. Para n = 1, o resto pode ser escrito como

Rí = y) + y) + */)• (12-216)

Aqui, para cada (x, y) que não (0, 0),

para uma escolha adequada de ju, 0 < ju < 1. Também colocamos qi{0,0 )=
= (l/2!)/».(0,0) e, por continuidade de /,» , concluímos que gi(x, ;>') é con­
tínua em (0, 0). Um raciocínio análogo aplica-se a Ç2, qa- Portanto, Ri
pode ser escrito como em (12-216) onde qi, qa, qz são contínuas em (0, 0).
Resulta que tôdas as três funções são limitadas em uma determinada vizi­
nhança de (0,0), digamos | 1 < K /3, / = 1,2, 3 para uma constante apro­
priada K. Se escrevermos x — r cos 6, y = r sen 6, então nesta vizinhança.
12-21. FÓRMULA DE TAYLOR 1219

= \^( 9 i + <j-2 COS 9 scn^ + ^aSen^í)! < i^(\qi\ + Iq^] + Iflal), < Ki^.

Portanto, quando r - ^ 0, o resto aproxima-se de 0 pelo menos tão rápido


quanto uma constante vêzes r^.
Para n geral, raciocinamos da mesma maneira e concluímos que, numa
vizinhança de (0, 0),

/(*. y) = Pô(*>y) + + y) + «»>


K = y) + y) + • • + y)>

Aqui, as qi são contínuas em (0, 0). Assim, / é aproximada por um poli­


nómio de grau n mais um resto que se aproxima de 0, quando (x, y) —> (0, 0),
mais rápido do que uma constante vêzes
Observarnos que nossa função f {x, y) pode ser representada de uma só
maneira na forma que se acabou de descrever: como a soma de um poli­
nómio de grau no máximo n e um resto cujo valor absoluto é menor ou
igual a uma constante vêzes A demonstração é deixada como exer­
cício (Probl. 4 adiante). Êste resultado é muito útil, pois nos diz que se,
de malquer maneira, encontramos uma representação de / como tal soma,
então a parte polinomial deve ser po{x,y) + p iix ,y ) + ... + Pn{x,y).

EXEMPLO 2 Sabemos, pelo Cálculo de uma Variável, que, em cada


intervalo \u\ ^ c.

e“ = l + u + |^ + g(«),

onde o resto g{ü) satisfaz a |g(w)| < k\ u\ ^ para alguma constante k [veja
o último parágrafo da Seç. 6-12], Podemos agora escrever

(2x -h
= 1 + 2x + 3y + + g(2x + 3y).
21

Se colocarmos g{2x + 'òy) = R 2{x, y), então saberemos que, para | 2a: +
+ 3y\ < c [portanto, uma vizinhança de (0, 0)],

!/ )l < -h 3 t / |3 = kr^\2.coie -h 3 s e n 6 ^ |3 <

já que | 2c os 0 + 3 sen0| não pode certamente exceder 5. Então,


satisfaz à desigualdade própria e, de fato, encontramos a Fórmula de Taylor
para n = 2 para a função
1220 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAF. 12

g2x+3» = i + 2x + 3 y + + y).

Êste resultado foi encontrado sem calcular qualquer derivada parcial de


nossa função.

EXEMPLO 3 Já que sen w = w — («V^) + onde l^(w)| < k\u\^


para | m| < c, achamos que

sen(x H- t/) = X + t/ - [(x + t/)V6] + R^(x, y).

O raciocínio é o mesmo que o do Ex. 2.


Dêste modo, podemos achar muitas representações em Fórmula de
Taylor sem achar as derivadas parciais. Não estamos obtendo a represen­
tação detalhada do resto, mas para muitas finalidades isto não é necessário.
O Teorema 14 pode ser generalizado a funções de mais de duas variá­
veis. As fórmulas são consideradas no Probl. 3 adiante. Em geral, a fór­
mula prevê uma aproximação de /(x) = /( x i, ..., por um polinómio Fn
em xi, .. . , xa de grau n mais um resto Fn(x), onde |/?n(x)l < |x |
para | |x | | < ó. O polinómio Pn pode ser descrito como o único polinómio
de grau n em Xi, ..., x* tal que/(x) = Fn(x) + i?„(x) e li?n(x)| < A:| lx|

PROBLEMAS

1. Siga o método do Ex. 2 para obter uma Fórmula de Taylor .para a função dada em
(0, 0) com o valor dado para n (nào se exige nenhuma expressão detálhada para o
resto).

(a) COS (x + t/), n = 3. (b) tg (2x — y), n = 2.


' (c) In (1 + 2x + t/), n = 2. (d) \ / l -h x -j- y, n = 2.
^ (e) n = 4. (f) (2x + t/)sen(2x + t/), n = 5.
~ (g) s e n ( l + X H- í/), n = 2 [Sugestão, Primeiro desenvolva sen (1 + u)
em tôrno de w = 0.]
4h) cos (1 -f 2x H- í/), n = 3.
2. Escreva a Fórmula de Taylor para a função dada e o valor dado de w, dando o resto
como no Ex. 1.
. (a) /(x , y) = X COS x y , n = 0 (b) /(x , y) = x senxt/, n = ü .

' (c) /(x , y) = xe^, n = 1. (d) /( x , y) = , n = 1.


í +y
(e) f{x, y) = CO Sx y , n = 2. (f) /( x , (/) = In (1 + x^ + y % n = 2.

3. (a) Seja P(x, y, z) = S cú tx V z* um polinómio em x, y , z. Mostre que


12-22. MAXIMOS E m ín im o s DE FUNÇÕES DE DUAS VARlAVEIS 1221

1 7)i+i+kp
^ il/lW 0x* dyi 0Z*
(b) Com base no resultado de (a), escreva a fórmula de Taylor para /(jc, y, z) para
/f = 1.
(c) Estenda os resultados das partes (a) e (b) a / ( j c i , Xk) e a if > 0 geral.

4. Suponha que/(jc,y) satisfaça às hipóteses do Teorema 14 e, numa vizinhança de (0,0),


sejam f(x, y) = Pi{x, y) + Q i ( x - y \ f(x, y) = y) + Qç^Xfy\ onde Pi(x, y) e
^ 2 ÍXy y) são polinómios de grau no máximo n e | Qi{x, y) | < | y) I <
< para certas constantes Ki e Ag. Demonstre que Pi(Xy y) = PfiXj y) e
Q i{x,y) = Q 2 (x,y), [Sugestão, Seja P(x, y) = Pi(x, y) - Ag(jf, y) e mostre que P
é um polinómio de grau no máximo /z, satisfazendo a uma' desigualdade |P(jr,y)| <
< para algum K. Mostre que, para cada t fixado, P(x, tx) é um polinómio
em X com coeficientes que são polinómios em / e que |P(jf, tx)\ < Con­
clua disto que cada coeficiente de uma potência de x em P{x, tx) deve ser idênticamente
0, de modo que P(jc, y ) s 0.]

5. Demonstre (12-215) por indução. [Sugestão, Use a regra:

12-22. Máximos e Mínimos de Funções de Duas


Variáveis

Para o desenvolvimento da teoria até êste ponto, consideramos prin­


cipalmente regiões abertas, as análogas dos intervalos a < x < b na reta.
Para problemas relativos â máximos e mínimos, devemos admitir regiões
fechadas limitadas, as análogas dos intervalos fechados na reta. Lembra­
mos que uma função fix ) contínua num intervalo fechado deve ter um má­
ximo absoluto M e um mínimo abisoluto m naquele intervalo e que não
existe tal proposição para uma função f{x) definida e contínua num inter­
valo aberto. A dificuldade surge porque o máximo e o mínimo podem
ocorrer no fim do intervalo (ou à função pode ter um lirriite infinito à medida
que se aproxima das extremidades do intervalo). Para uma função f { x , y )
dê duas variáveis, temos um enunciado análogo: se f é definida e contínua
numa região fechada limitada, então f tem um máximo absoluto M e um m/-
nimo absoluto m; para uma função definida numa região aberta, pode não
haver rnáximo ou mínimo absolutos. Por exemplo, se f(x , y ) = x + y numa
região circular x^ + y^ < 1 (veja Fig. 12-42), então f tem um máximo abso­
luto de ^ /2 no ponto {y/2!2í, V 2 t^ ) e um mínimo absoluto de — y /2 no
ponto ( —V ^ 2 , —V 2/2) (isto será demonstrado abaixo). A função / ( jc,
y) = 1/(^2 + y^) para 0 < < 1 não tem máximo ou mínimo abso-
1222 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Fig. 12-42. Ponto-fronteira

lutos; torna-se positiva arbitràriamente grande (limite <») quando (x,y) se


aproxima de (0, 0); é sempre maior do que 1 mas pode tornar-se tão próxi­
ma de 1 quanto se queira escolhendo-se (x, y) suficientemente perto da cir­
cunferência-fronteira JC^ + = 1.
A fim de enunciar nossos resultados precisamente, necessitamos de
várias definições referentes a conjuntos, estendendo aquelas da Seç. 12-1.
Enunciamos estas para conjuntos no plano, mas as definições estendem-se
imediatamente a como acontece com o teorema básico F sobre máximos
e mínimos.
Por um ponto-fronteira de um conjunto E no plano, queremos dizer
um ponto P tal que tôda vizinhança de P contém pelo menos um ponto de
E e um ponto não em E, Por exemplo, se -E é o conjunto de todos os (x,>')
tais que + y^ < 1 (Fig. 12-42), então cada ponto de circunferência é
um ponto-fronteira de E,
Diz-se que um conjunto E é fechado se todo ponto-fronteira de E per­
tence a E, Por motivos técnicos, considera-se que o conjunto vazio é tam­
bém fechado.
Se a qualquer conjunto E juntarmos todos os pontos-fronteira não per­
tencentes a E, então obteremos um conjunto Ei que é fechado,
Para demonstrar esta proposição, suponhamos que Pi seja um ponto-
-fronteira de E\ e escolhamos uma vizinhança Ih de Pi, de raio pi. Então,
esta vizinhança deve conter um ponto de E\, digamos Q e um ponto não
em El e assim não em E, Escolhamos em seguida uma vizinhança U2 de
Qy com raio p2 tão pequeno que a vizinhança de U2 esteja contida na vizi-
12-22. MÁXIMOS E MÍNIMOS DE FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1223

nhança de Pi (veja Fig. 12-43) prèviamente escolhida. Então, como Q


está em £*1, a vizinhança U2 deve conter pontos em E, Portanto, a vizinhan­
ça Ui de Pi contém um ponto em ^ e um ponto não em E. Isto é válido

Fig. 12-43. Demonstração de que um conjunto mais fronteira é um conjunto fechado

para toda vizinhança Ui de Pi. Portanto, Pi é um ponto-fronteira de


E Q Pi pertence a Eu Portanto, todo ponto-fronteira de Ei pertence a
El t E l é um conjunto fechado.t
Definimos regiões abertas na Seç. 12-1: são conjuntos que são não
vazios, abertos e conexos por arcos. Agora definimos uma região fechada
como uma região aberta à qual todos os pontos-fronteira são reunidos.
Portanto, toda região fechada é um conjunto fechado.
Diz-se que um conjunto E é limitado se houver um número ÁT > 0 tal
que I |0 P | I < K para todos os pontos P em E, Assim, a região circular
da Fig. 12-42 é limitada como o são. tôdaa.as vizinhanças. Mas um semi-
plano X > 0 não é limitado (dizemos que é ilimitado).
Podemos agora enunciar o teorema principal sobre máximos e mínimos.

TEOREMA F. Seja a função f(x, y) definida e contínua num conjunto


não vazio, fechado e limitado no plano xy. Então, f tem um máximo
absoluto M e um mínimo absoluto m, isto é, existem números m e M tais
que

m < f(x, y) < M em E

^ Â x u yi) = rn, f ( x 2, 3^2) = M para certos pontos (xu yi), (X2, J 2) em E.


Este teorema será demonstrado na Seç. 12-25. Observamos que cada
um dos seguintes é um conjunto fechado e limitado: um segmento de reta,
inclusive seus pontos extremos; a circunferência de um círculo; um retân­
gulo, inclusive todos os pontos de dentro e todos os pontos sôbre os lados;
um disco circular, inclusive todos os pontos dentro e sôbre a circunferência.
1224 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

Para uma função contínua numa região fechada e limitada E, como o


conjunto E da Fig. 12-42, sabemos que / tem tanto um máximo absoluto
como um mínimo absoluto em E, Para procurar o máximo absoluto, por
exemplo, primeiramente tentamos determinar se êle ocorre num ponto inte­
rior de E, Se nao, então examinamos a fronteira de £* e tentamos localizá-
lo aí. Se o máximo absoluto ocorrer num ponto interior Po, então / terá
também um máximo local em Po [isto é, em notação geométrica, /(P ) <
< /(P o) em alguma vizinhança de Po] e, pelo Teorema 1 da Seç. 12-8, se /
é dexivável em Po, então, V f = 0 em Po. Então, para procurar os pontos
de máximo interiores, primeiramente procuramos os pontos onde V/ = 0
(isto é, onde tanto fx como fy sejam 0). Chamamos êstes pontos de pontos
críticos de / . Como para funções de uma variável, um ponto crítico pode
fornecer um máximo local, um mínimo local ou nenhum. Para funções de
uma variável, tínhamos testes úteis (veja Seç. 6-1) para classificar os pontos
críticos. Desenvolveremos aqui tais testes para funções de duas variáveis.
Com o objetivo de preparar o caminho para êstes testes, consideraremos
primeiramente vários exemplos. Poderíamos suspeitar que, se (ato, jo) é
um ponto tal que, para y = fixado, f { x , y ^ tem um máximo local (como
uma função de x) em Xo e f(xo, y) tem um máximo local em yo, então / deve
ter um máximo local em ( jc o , >^o). Nosso primeiro exemplo mostra que
este não é o caso.

EXEMPLO 1 A função

z = - 3 ^ + 3xy - = f(x, y)

é tal que

f{x,0)=-^, m y )= -y \

Assim, em ambos os casos existe um máximo local (0,0) (Fig. 12-44).


Todavia, para x = y, z = x ’^, de modo que, ao longo da reta x = y, f tem
um mínimo local em (0, 0). Ás curvas de nível de f são mostradas na Fig.
12-45. Elas formam um ponto de sela em (0, 0). Pelas curvas de nível
(hipérboles), está claro que, ao longo do eixo x (como função de x), / tem
um máximo local em x = 0 e ao longo do eixo y (como função de y ) , f i t m
um máximo local em y = 0; to d av ia ,/(x ,;;) não tem um máximo local em
(0, 0) já que em tôda vizinhança de (0, 0) / toma valores maiores que /(0,0) =
= 0.
12-22. MÁXIMOS E MÍNIMOS DE FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1225

Fig. 12-44. A função z = — + 3xy —

EXEMPLO 2 f(x , y) = 2x^ + 3y^, Já que fx — 4x, fy = 6y, existe um


ponto crítico em (0, 0). Evidentemente, f{x, y) > /(O, 0) = 0 para (a:, y) 9^

F i|. 12-45. Curvas de nível para a função da Fig. 12-44


1226 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

^ (0, 0). Então, existe um mínimo local (de fato, absoluto) em (0,0). A
função e suas curvas de nível estão representadas nas Figs. 12-46 e 12-47.
As curvas de nível são elipses.

Fig. 12-46. z = 2;c“ + 3y“ Fig. 12-47. Curvas de nível da função da Fig. 12-46

EXEMPLO 3 /(x, y) = 3jc^ - Ix y + Zy\ Aqui, U = 6a: - 2j, fy = -


— 2x + (^y. Por conseguinte, os pontos críticos são as soluções das equações

Q x - 2 y = 0, -2 a+ 6 í/ = 0.

Verificamos que (0, 0) é a única solução. As curvas de nível de / são as


curvas
3x2 _ 2xy -f 3 í/2 = c

para valôres diferentes de c. Pelas regras da Seç. 6-5, elas são elipses, pos­
sivelmente degeneradas. Pode-se, de fato, rotaciohar os eixos de 45®, como
na Seç. 6-5, para obter a nova equação

2x'2 + 4t/'2 Z i: c.

Esta equação mostra logo que as curvas são elipses. Também, em função
das novas coordenadas, nossa função é dada poi
z = 2x'2 4- 4y'2
12-22. MÁXIMOS E MÍNIMOS DE FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1227

Assim, como no Ex. 2, existe um mínimo local (de fato, absoluto) na origem.
A função e suas curvas de nível estão desenhadas nas Figs. 12-48 e 12-49.
As figuras também mostram os novos eixos coordenados x' e y \
EXEMPLO 4 f(x , = — 3jc^ + Ixy — 3y^. Esta é a função do Ex. 3
com os sinais trocados. Portanto, as curvas de nível são elipses como na
Fig. 12-49 (com os valores de / multiplicados por — 1) e / tem um máximo
relativo em (0, 0).

Fig. 12-48. z = 3jc2 - 2 x y + 3 / Fig. 12-49. Curva de nível para a função


da Fig. 12-48

Por êstes exemplos, é claro que para uma função quadrática geral

f{x, y) = Ax^ + Bxy + Cy^

para a qual as curvas de nível correspondentes são elipses, a função / tem


um máximo ou mínimo local (de fato, absoluto) em (0, 0). Para dizer se
uma tem um máximo ou mínimo local, precisa-se considerar somente a fun­
ção ao longo dos eixos x ou y: f{x, 0) = Áx"^ ou /(O, y) = Cy‘^. Se A c C
forem positivos, existe um mínimo local; se A e C forem negativos, existe
um máximo local. Notamos que, para elipses, tem-se

- 4AC<0,
1228 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

de modo que A e C devem ter o mesmo sinal. (A expressão — AAC é


chamada discriminante da função quadrática.)
Quando — AAC > 0, as curvas de nível são hipérboles como no
Ex. 1, e tem-se um pónto de sela sem nenhum máximo ou mínimo local.
Quando B^ — AAC = 0, as curvas de nível são (possivelmente degeneradas)
parábolas. Êste caso é deixado para o Probl. 5 adiante.
Consideramos a função quadrática exaustivamente porque ela é a chave
para o caso geral. Seja uma função/ dada com um ponto crítico em (xo,7o).
Transladando-se os eixos, podemos mudar para coordenadas corn origem
em (xo, yo\ e portanto, reduzir nossa discussão ao caso em que o ponto
crítico é (0, 0). Assim, /x(0, 0) = 0, fy(0, 0) = 0. Pelas hipóteses usuais, a
Fórmula de Taylor dá

fix, y) = f { 0, 0) + i (x2/,,(0,0) + 2xy/,,(0,0) + 0)) + • • •

= / ( 0 ,0) + Ax2 -h Bxy + Ci/2 + . . .

Os têrmos restantes podem ser considerados como desprezíveis para (x, y)


suficientemente perto (0, 0). Então, / deve comportar-se como a função
quadrática Ax^ + Bxy + Cy^, Em particular, se B^ — 4AC < 0, espera­
mos que / tenha um máximo local (se A < 0) ou mínimo (se A > 0) em
(0, 0); se — 4AC > 0, esperamos um ponto de sela; se B"^ — AAC = 0,
estamos num caso ambíguo (e, neste caso, os têrmos de grau mais alto na
Fórmula de Taylor devem ser considerados). Assim, somos levados a for­
mular um teorema:
TEOREMA 15. Seja f(x, y) definida na região aberta D e suponhamos
que tenha derivadas parciais contínuas até a segunda ordem em D, Su­
ponhamos também que f tenha um ponto crítico em (jco, ;^o) e sejam

^ 2 !/o)’ B = /xy(xo, yol ^ fvv(^’ Vo)-

I. Se B^ — AAC < 0, então f tem máximo local em {xo, yo) se A < 0


e um mínimo local em (xo, yo) se A > 0,
II. Se — 4AC > 0, então f não tem nem máximo nem mínimo em
(^0, ;^o).
A demonstração será feita na seção seguinte.
EXEMPLO 5 Seja f{x, y) = x^ — Ix^^y — — 2>’- — 3jc. O s pontos crí­
ticos são dados pelas equações

= 3x2 - 4xt/ - 2x - 3 = 0, fy = -2x2 - 4t/ = 0.


12-22. MÁXIMOS E MÍNIMOS DE FUNÇÕES DE DUAS VARIÁVEIS 1229

Eliminando-se y, somos levados a uma equação cúbica para x:

2:r3 + 3:^2 - 2:r - 3 = 0.

Achamos que as raízes são x = 1, x = — l , x = — 3/2; os valores corres­


pondentes de y são — 1/2, — 1/2, e — 9/8. Agora,

fss = 6 x - 4 y - 2 , = -4 x, = -4 .

Assim, em (1, — 1/2), achamos que A = 3, B = — 4, C — — 2, Portanto


— 4AC = 40 > 0, e não existe nem máximo nem mínimo em (1, — 1/2).
Em ( - 1, - 1/2), ^ = - 3, 5 = 4, C = - 2, de modo que B^ - 4AC =
= — 8 < 0; assim, / tem um máximo local em ( — 1, — 1/2). Finalmente^
em ( — 3/2, — 9/8), A = — 13/4, B = 6, C = — 2, de modo que B^ —
— 4AC = 10 > 0; não existe máximo ou mínimo local neste ponto.
EXEMPLO 6 Seja f(x , y) = x y para x^ + y^ < 1. Procuramos o má­
ximo e o mínimo absolutos de / . A qui,/* = 1, / , = 1, de modo que não
existem pontos críticos. Então, o máximo e mínimo absolutos devem ocorrer
na fronteira. A fronteira é o círculo j Representamos êste
paramètricamente por x = cos r, y = sen t, 0 < t < 2 tt. Então, na fron­
teira,

f(Xy y ) = cos t 4- s t n t — g{t), 0 < t < 2t7.

da Fig. 12-50
1230 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

A função g{t) tem derivada — sen í + cos í, e portanto, g tem pontos crí­
ticos em / = 7t/4 q t = 5ir/4. Nestes pontos, g tem valores V 2 e —\ / 2 ,
respectivamente. Também, g "(0 = ~ sen t — cos t e = —^ 2 ,
^"(5 t /4) = y/2 Logo, g tem um máximo local em ir/4 e um mínimo local
em 57t/4. Esta informação é suficiente (como mostra a Seç. 6-1) para asse­
gurar-nos de que achamos o máximo e mínimo absolutos de g, e portanto,
d e / ; / tem seu mínimo absoluto de — V 2 em ( — V 2 /2 , -- V 2/2), seu má­
ximo absoluto de \ / 2 em ( \/2 /2 , \/2 /2 ). A função e suas curvas de nível
estão representadas nas Figs. 12-50 e 12-51.

EXEMPLO 7 f{ x ,y ) = para | ; c | < l , \y\ < l. Procuramos no­


vamente o máximo e mínimo absolutos. Aqui, fx = 2 x e fy = 2 y e existe
um ponto crítico em' (0, 0), onde / tem valor 0. Êste é claramente o mínimo
absoluto de / . O máximo absoluto deve ocorrer na fronteira. A fronteira
é formada de quatro segmentos: ; c = l , — = —1 <J C<1 ;
X = — l, — I < y < l; y = — íy — I < X < 1. No primeiro segmento
f( x ,y ) = / ( l , 3^) = 1 + y^y de modo que / tem um máximo de 2 em (1, 1)
e em (1, — 1); no segundo segmento f(x , y) = /(x , 1) = + 1, e / tem
um máximo de 2 em (1,1) e ( — 1, 1). Continuando dêste modo,
achamos que o máximo absoluto de / é 2 e que êste ocorre em todos os
quatro pontos ( ± 1, ± 1).

j12-23. Multiplicadores de Lagrange

Êste tópico é tratado brevemente na Seç. 6-2. Agora discutimo-lo


novamente com instrumentos mais poderosos à nossa disposição.
Consideramos o problema da maximização de z = f(Xy y), onde x e y
estão relacionados por uma equação g(x, y) = 0, chamada condição lateral.
Suponhamos que a equação g(jc, = 0 tenha como gráfico uma curva C
no plano xy e que V f e Vg sejam contínuos numa região aberta D que con­
tém a curva C inteira. Suponhamos também que Vg 5*^ 0 ao longo de C.
Pelo Teorema da Função Implícita (Seçs. 12-14 e 12-15), isto significa que
cada ponto na curva C tem uma vizinhança na qual a curva pode ser repre­
sentada numa das duas formas y = F{x) ou x = G(y), onde F ou C é deri-
vável e a derivada correspondente é dada pela equação gx dx + gy dy = 0.
Resulta que o vetor Vg = (gx, gy) é um vetor normal não nulo para C.
Agora, numa vizinhança de cada ponto (xo, >^o) em C, f(x , y) pode ser
expressa numa das duas formas f(x , F(x)) = <tf(x), ou f(G(y), y) = \[/(y) e per­
guntamos se qualquer destas funções tem um máximo ou mínimo locais no
valor Xo ou yo, respectivamente (veja Exs. 6 e 7 da seção precedente). Equi-
valeqtemente, podemos introduzir o comprimento de arco s como parâmetro
12-23. MULTIPLICADORLS DE LAGRANGE 1231

ao longo de C e perguntar se f(x(s), >^(5)) = H(s) tem um máximo ou mínimo


local no valor correspondente so. Mas H'(s) é justamente a derivada dire­
cional de / ao longo da curva C e, por conseguinte, H \s) pode ser 0 somente
se V / tiver uma componente nula ao longo da tangente à curva (Seç. 12-11).
Mas esta última condição é equivalente à condição de que V / seja um múl­
tiplo escalar do vetor normal Vg no ponto. Isto é, deve existir um número
X tal que

V / + XVg = 0. (12-230)

Portanto, para achar os máximos e mínimos locais de f ao longo de C, deve­


mos achar todos os (x, y) em C tais que (12-230) seja satisfeita para algum
X, isto é, devemos resolver as três equações

9/ r.
g{x, y) = 0 (12-231)

simultâneamente para x, y c Êste é o método dos Multiplicadores de


Lagrange em sua forma mais simples; X é o Multiplicador de Lagrange.
Se encontrarmos todos os máximos e mínimos locais de / em C e C fôr um
conjunto fechado e limitado, poderemos então achar o máximo absoluto
de / em C simplesmente vendo que máximo local dá o maior valor para / .
EXEMPLO 1 /(jc, y) = X + y, onde + y^ = I (veja Ex. 6 da seção
precedente). Aqui, (12-231) torna-se

1 -f 2Xx = 0, 1 -h 2 \y — 0, -f = 1

(g sendo x^ + y^ — 1). Resolvemos as duas primeiras equações para x e


substituímos na terceira e achamos X^ == 1/2. Para X = V 2 / 2 , x = — \ Z 2 / 2 ,
y = — V 2 / 2 ; para X = — \ / 2 / 2 , x = y = V 2 / 2 . Assim, os máximos e míni­
mos locais ocorrem nos pontos ( — V 2 / 2 , — V 2 / 2 ) e ( V 2 / 2 , V 2 / 2 ) . Já que
/ = — V 2 no primeiro ponto e / = V 2 no segundo, temos um mínimo
local e absoluto no primeiro ponto e temos um máximo local e absoluto no
segundo ponto. Isto concorda com os resultados do Ex. 6 da seção pre-
- j . 0 - ■
cedente. Os vetores V / e Vg são mostrados na Fig. 12-51. E claro que
são linearmeiite dependentes somente nos dois pontos mostrados.
O método estende-se a funções de várias variáveis. Por exemplo, para
/(x , y, z) com uma condição lateral g(x, y, z) = 0, que descreve uma super­
fície apropriada S no espaço, raciocinamos que num máximo local Po, por
exemplo, / deve ter derivada direcional zero em Po ao longo de cada curva
na superfície S passando por Po, e portanto, V/ deve ser novamente um
múltiplo escalar do vetor normal Vg. Assim, obtemos novamente (12-230)
1232 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

e devemos resolver as equações simultâneas

| í , x | i = 0, | í + x |£ = o. ^ + = g{x, y,z) = 0.
dx dx oy oy oz oz
(12-232)

EXEMPLO 2 f{x, y, z) = 2>x y z, onde I x ’^ + = 1 (a super­


fície S é um elipsóide). Aqui, (12-232) torna-se

3 + 4Ax = 0, 1 + 2 \y = 0, 1 -}^ 2Az = 0, 2x^ + ^2 ^2 ^ 1

Achamos fàcilmente que existem dois pontos nos quais / pode ter um má­
ximo ou um mínimo local, a saber, ( ± 3/V 26, ± 2/V 26, ± 2 / \ / ^ ) . Por­
tanto, / tem um máximo absoluto de 13/V26 e um mínimo absoluto de
- 1 3 /V ^ .
O método também se estende para o caso de várias condições laterais,
por exemplo, para f{x, y, z) com condições laterais

g(x, y,z) = 0 h{x, t/, z) = 0. (12-233)

Supomos que as superfícies g(x, y, z) = 0 e h(x, y ,z ) = 0 se interceptem


numa curva C no espaço^ como na Seç. 12-18 e que Vg e Vh sejam contínuas
e linearmente independentes em cada ponto de C. Então, como na Seç. 12-18,
o vetor tangente a C é normal tanto a Vg como a Vh. Exigir que V f tenha
componente zero ao longo de vetor tangente é o mesmo que exigir que V f
esteja em Env ( ^g, Vh ), isto é, que haja escalares Ai, A2, tais que

V/ + Al Vg -h Ag Vh = 0. (12-234)

As Eqs. (12-233) e (12-234) fornecem cinco equações simultâneas para Xi,


X2, X, y t z.
Por raciocínio análogo, obtemos equações para maximizar /(xi, ..., Xn)
com condições laterais

gi(xi, g^(xi,. . ., = 0. (12-235)

Aqui, k deve ser menor do que n, (Por quê?) A condição encontrada é

+ Al Vgi + ... + A, Vg, = 0. (12-236)

As Eqs. (12-235) e (12-236) fornecem n + k equações simultâneas para Xi,


•••> X^, ^ 1, ..«> Xn»
12-24. TEOREMA SOBRE MÁXIMOS E MÍNIMOS LOCAIS 1233

í 12-24. Demonstração do Teorema Sôbre Máximos e


Mínimos Locais

Passemos agora à demonstração do Teorema 15. Como acima, po­


demos, sem perda de generalidade, tomar (jco, yo) como sendo (0, 0).

Caso I. — 4AC < 0. Aqui, A ^ 0. Primeiramente suponhamos


A > 0. Afirmamos então que existe um número w > 0 tal que

Ax^ -h Bxij H- Cí/^ > m{x^ + (x, y) ^ (0, 0). (12-240)

Para mostrar isto, tomemos

M = g(^> y) = ^

Se escrevermos x = r col J, y = r sen 0, 0 < 0 < 27t, então

u —^ ^ ^ H- J5 sen^ cos Q -h CsQvfiO = ^>{9).


ir

Aqui, (p é contínua para 0 < 0 < 27t. Também, completando o quadrado,

çp{6) = a ( COS 9 ^ sen^) — sen^ 9— (12-241)


\ 2A / 4A

Como — 4AC < 0 e A > 0, ambos os têrmos são não negativos. O


segundo têrmo é 0 somente para sen 9 = 0 , caso em que o primeiro têrmo
é igual a A > 0. Então, <p(9) > 0 para 0 < 9 < I tt, Portanto, <p(9) tem um
mínimo positivo m t u = (p(9) > m > 0 para todos os 9 ou, em coordenadas
retangulares.

Ax2 -h Bxy + Cy2


> m > 0,
x^ + y^

o que nos dá (12-240).


Agora, pela Fórmula de Taylor [Seç. 12-21, Eq. (12-216)],

/(^ . y) = / ( 0 .0) + + q2^y + qsV'

onde qi = qi{x, y) é contínua em (0, 0) (/ = 1, 2, 3) e ^i(0, 0) = A, ^2(0, 0) =


= B, ^3(0, 0) = C. Então, podemos escolher b tão pequeno o positivo que
1234 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

\q ,-A \< f, \q2 - B \ < f , \q s-C \< f para < g2.

Para (jc, assim restringido,

|(9i - A)x2 + (92 - B)xy + (93 - C)y^\ <


< I9, - A\i^ + 192 - B\f^ + \ q ^ - c \ i ^ < ^ ’ 3 i ^ = ^ ( x ? + y^)

Por esta desigualdade e por (12-240), concluímos que

y) = /( 0 .0) + + Bxy + Cy^ + {q^ - A)*2 + - B)xy + (93 - C)y^ >


> / ( 0, 0) + m{x? + 92) _ |i ( x 2 + y2) = f( 0 ,0) + + y^)

para 0 < Portanto, f{x, y) > /(O, 0) para 0 <


e f tem um mínimo local em (0, 0).
Para A < 0 , sl demonstração de que / tem um máximo local é semelhante.

Caso n . — 4AC > 0. Introduzimos u = g(x, y) como no Caso I


e escrevemos u como <p(d). Afirmamos que <p(d) troca de sinal no intervalo
[0, 27t]. Se e C são ambos 0, então B 9^ 0 q <p(9) = B sen d cosd, de
modo que a afirmativa tem fundamento. Se, por exemplo, A 9^ 0, então
podemos escrever <p{d) como em (12-241); então, <p(0) = A e quando ff =
= Cotg“^ ( — B jlA ), <p{6) tem o sinal de — A, Portanto, <p{d) muda o
sinal. Sejam <p{9i) = wi > 0, <p(d2) W2 < 0. Então, em coordenadas
retangulares,

Ax^ + Bxy + Cí/^ = para x = rcos^^, y = rsen^^

O mesmo raciocínio do Caso I permite-nos concluir que

Tít
f(x, y) > / ( 0 ,0) + - A + y2) paj^ X — rcos^i, y — rsení^j
Zi

contanto que 0 < x ‘^ y^ < 5i^. Anàlogamente,

?7Z
f{x, y) < / ( 0 ,0) - -^(x2 + !/2) para x = rco s0^, y = rs&nd^,

contanto que 0 < + >^^ < 62^ Então, / não pode ter nem um máximc
local nem um mínimo local em (0, 0).
PROBLEMAS 1235

PROBLEMAS

1. Para cada um dos seguintes conjuntos, determine se o mesmo é fechado ou não e, em


qualquer caso, determine a sua fronteira. Para (a ),..., (d) considere os conjuntos
como contidos em R^.
(a) O conjunto de números racionais da forma 1/w, n um inteiro positivo.
(b) O conjunto de números racionais que consiste de 0 e dos números da forma 1/n,
n um inteiro.
(c) O conjunto de todos os números racionais com valôres absolutos de no máximo 1.
(d) O conjunto de todos os números irracionais com valor absoluto de no máximo 1.
(e) O conjunto dos pontos no plano com coordenadas racionais.
(f) O conjunto de pontos no plano que satisfazem às desigualdades: — l < y <
< sen a:, 0 < < 2.
(g) O conjunto de todos os pontos no plano que satisfazem às duas desigualdades:
- 1 < XI + < 2, 0 < a: < 9.
t(h) O conjunto de pontos no plano que satisfazem às desigualdades: —1 < y < sen
( l l x \ 0 < jc < l/ir.

{2. (a) Por complementar de um conjunto E em i?”, queremos dizer o conjunto de todos
os pontos de que não estão em E. Mostre: se £" é aberto, então o complemen­
tar de £ é fechado; se E é fechado, então o complementar de £ é aberto.
(b) Mostre que o complementar da união de dois conjuntos é a interseção de seus
complementares.
(c) Mostre que a interseção de dois conjuntos fechados é fechada.
(d) Pede um conjunto E em R^ ser tanto aberto como fechado?

3. Localize todos os pontos crííicos e determine se um máximo local ou mínimo ocorre


em cada um:

(a) z = xy. (b) z = 1 - - 2y^. (c) z = x2 4- 2x + 1/2


(d) z = -h 4 jc + t/2 — 6y. (e) z = x^ — xy 4- y^. ^
(f) z = 2x2 4- 5xí/ + í/2 (g) z = x2 4- 2xy 4- 3^2 + 4^ 4. Sy.
(h) z = 2x2 4xy + t/2 — x + 2t/. (i) z =
(j) z = x 2 — 2 x(sen y -f- cos í/) + 1 . (k) z = xt/2 4- x^y — xy.
(1) Z = x2 + ^3 (m) z = x^ — 2xy 4- í/^ — 2 x + 2y.
(n) z = X^ 4- 3x2í/2 4- y^
(o) z r= [x^ (y l ) 2][x 2 4- (t/ — 1 ) 2] (interprctc geomètricamente).

4. Ache 0 máximo e mínimo absolutos de z = f( x ,y ) na região dada:

(a) z = 3x + 4 y ,x ^ + <1.
(b) z = 5 x + I2y, *2 + < 1,
(c) z = 3x2 + 2 i/ 2, x 2 + y 2 < 1 .
(d) z = x 2 - y^, x 2 + y 2 < 1
1236 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

(e) 2: = xy, < I.


(f) = x e ~ ^ COS y , — l < x < l , — 7 T < y < 7 r .

(g) z = H- 2xy + 3y^ + 4x + 6^, —2 < x < ( ) , —l < t / < 0 [veja Probl.
3(g)].
(h) z = x^ — 2 x y y^ — 2x 2 y , 0 < x < 2, 0 < y < 2 [veja Probl. 3(m)],

5. Mostre que se — 4AC = 0 mas A 9^ 0, então a função z = Ax^ + Bxy -f- Cy^
tem um máximo ou mínimo local em (0,0), mas também tem outros pontos críticos.
Discuta a natureza das curvas de nível.

6. Ache a perpendicular comum às duas retas reversas:

L^: ÕP = (3, 4, 0) + t(2, - 2 , 1), L 2 : Õ P = (4, 6, 2) + r(2, 1, - 2 )

escolhendo t e r para minimizar o quadrado da distância entre os pontos correspon­


dentes sôbre as retas.

7. Método dos mínimos quadrados. Para interpolar-se dados {x{, >»j), / = n por
êste método, seleciona-se uma fórmula y = (fix^ai, dependendo de k parâ­
metros « 1, e tenta-se escolher otu ak de modo que o êrro quadrático total

Z= S ~ «1>• • • >^kW = f(«i. • • ■. «4)


i= l

seja minimizado (veja Probl. 20 em seguida à Seç. 6-1).


(a) Ache a linha reta y = a ix + «2 que melhor se ajusta.
(b) Ache a parábola y = aix^ + 0:2 que melhor se ajusta.
(c) Ache a função senoidal y = a \ cos x í sen ;c que melhor se ajusta.
0 2

(d) Ache a parábola y = a \ a 2 X + a^x^ que melhor se ajusta.


[Nota. Em cada caso, somos levados a equações simultâneas para os a. Supondo que
o determinante dos coeficientes não seja 0, pode-se mostrar que êste é o caso, sob hipó­
teses razoáveis nos valôres Xn, por exemplo, que não sejam todos iguais aos das
partes (a) e (b).]

8. Em Mecânica, diz-se que uma partícula P se move num campo de forças conservativas
se a fôrça F que age em P depender sòmente da posição e

F = -JÍU ,

onde U é a energia potencial de P. Em cada ponto crítico de C/, a fôrça é 0 e tem-se


uma posição de equilíbrio para a partícula. Pode-se mostrar que o equilíbrio é estável
se U tiver um mínimo relativo no ponto; caso contrário, é instável.
(a) Suponha que P se mova no plano xy com energia potencial kix"^ + y^)yDeter­
mine a posição de equilíbrio e se esta é estável. Admita que A: > 0.
(b) Suponha que P se mova no plano xy com energia potencial U = k{r^ + r^+
+ /*3^), onde k é uma constante positiva, r{ = | | | e é (0, 2), P 2 é (v/3, —
— 1), Pg é ( — —1)* Mostre que a única posição de equilíbrio é (0,0) e de­
PROBLEMAS 1237

termine se é estável. (Aqui, P Pode ser considerado como atraído para P i, P 2


e P 3 por três molas, de acordo com a Lei de Hooke.)
(c) Suponha que P se mova no plano xy com energia potencial U = — k[(llr{) +
+ ( 1 /^2)]» onde ri é a distância de P a (1,0), r2 é a distância d e P a ( — 1,0) e k
é uma constante positiva. Mostre* que (0,0) é uma posição de equilíbrio e
determine se é estável. (Êste problema corresponde ao movimento de uma
partícula num plano, sujeita à atração gravítacional de duas massas fixas iguais.)
(d) Considere o efeito na parte (c) de substituir k por uma constante negativa h, [As
forças tornam-se repulsivas, como seria o caso se houvesse cargas elétricas de
mesmo sinal em (1,0), ( — 1, 0) e P.]

$9. Use o método dos Multiplicadores de Lagrange para localizar todos os máximos e
mínimos locais e também para achar o máximo e mínimo absolutos:

(a) f(x. y) = 3x + 4t/, onde ^2 ^2 _ j

(b) fix . y) = 5x + 12í/, onde x2 -h t/2 = 1.


(c) f(x. y) = x2 -h 1/ 2^ onde -f- t/^ = 1.

(d) f{x. y) = xy, onde 2x2 + t/2 = 1.


(e) f(x> y ) ^ X + onde (1/x) + { l / y ) = 1, x > 0 . y > 0.

(f) f(x, y ) ^ x2 -h onde x2/^ + ^2/3 _ *>o. t/>0.

(g) f(x. </.«) = X H- t/ + z, onde y"^ ■= 1.

(h) f(x. = 2x — ^ + 3z, onde + 2y2 + -= 1.

(i) fix . y.2) = xy yz xz, onde x^ + y"^ z^ = 1 (veja Probl. 12).

(j) /(* , y.2) = x2 — 2í/2 — 3 z2, onde x2 + t/2 + Z2:= 1.


(k) f{x. ?/.«) = X + t/ + z, onde x2 + j e y 2 + z2 = 1.

(1) f{x. y>z) = x2 + t/2 _|_ ^2 ^ onde x + t/ + z = 1 e x2 + ^2 - Z2 = 0 .


tlO. Ache 0 pé da perpendicular de P: (6 ,2 ,3 ) ao plano z = 5x — y + 2 minimizando o
quadrado da distância de P a (x, y, z), onde (x, y, z) está no plano.

t l l . Ache os máximos e mínimos locais de z = sujeitos à condição lateral enun­


ciada (veja Seç. 6-2 para discussão da interpretação geométrica; deve-se notar que o
X da Seç. 6-2 corresponde a — 1/X como usado aqui).

(a) 3x2 H- 3cy + 3t/2 = y (b) 2*2 + « / + 2y2 = 1.


(c) xy = 1. (d) *2 + 4*y + y2 = 1 .

12. Mostre que maximizar /(* j, . . . , * „ ) = ^ sujeita à condição lateral

*j2 — 1, leva às equações

(A - X í)x - 0, ||x||2 - 1,

onde A ■■= (aij). Então, as soluções são dadas pelos valôres X e os vetores, x, onde
X é um autovalor de ^ e x é um autovetor associado, tomado com módulo 1.
1238 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

+12-25. Alguns Resultados Mais Profundos Sôbre


Continuidade
Para algumas propriedades mais importantes de funções contínuas, é
necessário uma análise mais profunda de conjuntos em R^. Levamos a
efeito aqui uma tal análise e estabelecemos as conseqüências para funções
contínuas. Por conveniência, trabalhamos em o plano xy, já que a
expressão para o caso geral é imediata.
Definição. Seja {Pn} (/í = 1, 2, ...) uma seqüência de pontos no espaço
R ”^. Por uma subseqüência de {Pn}, queremos dizer uma seqüência {Pni,},
k = 1,2, ..., onde rik é estritamente crescente em k.
Por exemplo, uma subseqüência (le {P„} é a seqüência P2, P a, Pe, •••,
P 2k, ... Aqui, Uk = 2k. Uma outra subseqüência é P4, Pi, Pio, ..., Pzk+i, ...
Aqui, W jfc = 3/: + 1. Em geral, para obter uma subseqüência de [Pn], dei­
xamos simplesmente de fora alguns elementos da seqüência, ficando com
um número infinito e tornando a numerar o restante na ordem em que êles
ocorrem. Assim, {2“”} é uma subseqüência de {!/«}. Omitimos aqui to­
dos aquêles elementos l/n para os quais n não é uma potência de 2.
TEOREMA J {Teorema de Weierstrass-Bolzanó), Seja E um conjun­
to fechado e limitado no plano xy, seja {Pn} uma seqüência infinita de
pontos de E, Então, {Pn} contém uma subseqüência convergente. Mais
precisamente, existe uma subseqüência {Pn;;.} para a qual

= -Po (12-250)

e Po está em E.
Observação. A condição (12-250) é interpretada como em tôdas as
definições de limite: para cada € > 0, existe um K tal que d{Po, P^j) =
= 1|PüPn^ I I < í para k > K,
DEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA / , Já que E é um conjunto
fçchado e limitado, podemos encerrar E num círculo e, por conseguinte,
também num retângulo Po* a < x < b, c < y < d. Dividimos agora Po
em quatro retângulos unindo os pontos médios dos lados opostos, como
na Fig. 12-52. Pelo menos um dêstes quatro retângulos deve conter Pn
para um número infinito de valôres de n. Escolhemos um tal retângulo:
dl < X < bi. Cl < X < dl, dividimo-lo em quatro retângulos da mesma
maneira e de nôvo selecionamos um dos quatro que contenha Pn para uma
infinidade de n, e assim por diante. Dêste modo, obtemos uma seqüência
infinita de retângulos
12.25. ALGUNS RESULTADOS MAIS PROFUNDOS SOBRE CONTINUIDADE 1239

d =d i -

a = ai bi b X
Fig. 12-52. Demonstração do Teorema de Weierslrass-Bolzano

cada um contendo Pn para uma infinidade de n. Por construção, {am} e


{cm} são sequências monótonas não decrescentes limitadas, {òm} e
são sequências monótonas não crescentes limitadas e bm — am —á),
dm — Cm = — c). Pelo Teorema H da Seç. 2-12, resulta que todas
as quatro seqüências convergem e

lim - lim = Xq, lim = lim d„ = y^.

Também, tôda vizinhança circular de Po: f e , }^o) contém o retângulo Em


para m suficientemente grande, e portanto, contém Pn para um número
infinito de «. Assim, Pq ou está em P ou é um ponto-fronteira de E. Visto
que E é fechado, P q deve estar em E. Agora, suponhamos que Pn\ seja o
Pn de mais baixo índice que fica na vizinhança de P q de raio 1 e suponhamos
que Pn2 seja o Pn de mais baixo índice depois de n\ que cai na vizinhança
de P q de raio prosseguimos assim indutivamente (Seç. 0-20) até obter
uma subseqüência IPoPnn < 2- Portanto, (12-250) é
válida.
DEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA F. São dados um conjunto E
como no Teorema J (não vazio, limitado e fechado) e uma função / definida
e contínua em E. Mostraremos que / tem um máximo absoluto em P,
sendo análoga a demonstração para um mínimo.
A imagem de nossa função / forma um conjunto B de números reais
que podemos considerar no eixo z. Se B tiver um número máximo, então
êste será o nosso máximo absoluto M. Suponhamos que B seja limitado
superiormente; então B tem um supremo z*. Se z* não estiver em P, po­
deremos escolher números em B tão próximos de z* quanto desejarmos
(veja Observação 1 na Seç. 2-14); escolhemos Zn em B de modo que z* —
— 2~^^ < Zn < z*. Então, {zn} é uma seqüência em B convergindo para
1240 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

z*. Se z* estiver em tal seqüência também existe, pois podemos agrupar


zi = Z2 = = z*. Se B não fôr limitado superiormente, poderemos
achar números arbitràriamente grandes em B, e portanto, achar uma seqüên­
cia {zn} em B, tal que lim Zn = ^ • Assim, sempre temos uma seqüência
{zn} em B tal que { z j converge para z* se B fôr limitado superiormente
e lim Zn = ^ nos outros casos.
Como B é di imagem de / , podemos escrever Zn = /(/^n), onde Pn é um
ponto de E. A seqüência {Pn} agora satisfaz às condições do Teorema J,
Então, podemos escolher uma subseqüência que convirja para um
ponto Po em E. Afirmamos que / tem seu máximo em Pq, De fato, pela
continuidade de /,

lim z = lim f(P ) = /(?o).


k-^CO

Visto que J(Po) é definida, ela é um número real finito; resulta que B deve
ser limitado superiormente, e portanto, que Znj^ converge para z*. Assim,
f(Po) = z* Q z* deve ser o máximo absoluto de /.

TEOREMA K {Teorema da Continuidade Uniforme), Seja E um


conjunto fechado e limitado no plano xy e seja f contínua em E, Então,
para cada € > 0 existe wm ô > 0 tal que tôdas as vezes que P, Q esti­
verem em E e d{P, Q) = | \PQ \ | < ó teremos \f{P) —/ ( 0 | < c.

Observação. A conclusão parece-se exatamente com a definição de


continuidade. Todavia, anteriornJente fixávamos um ponto Q e depois,
para cada €, podíamos escolher b de modo que | | PQ^ | < ò implicava
\f{P) —f{Q) I < €. Quando mudamos Q, geralmente temos que encontrar
um nôvo ò para cada e q Q\ assim, podemos pensar em b como uma função
de g e e: 5 = b{Q, e). O Teorema K afirma que, se nosso domínio é um
conjunto fechado e limitado E, então, para cada e, um único ó funciona
para todos os g em E. A conclusão do teorema é geralmente mencionada
como a "continuidade uniforme” de / no conjunto E.

DEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA K, Usaremos uma demonstra­


ção por contradição. Suponhamos que a conclusão falhe. Então, para
algum € > 0 não existe b com a propriedade alegada. Em particular, para
b = b n = 2"^, devem existir pontos Pn, Qn em E tais que | | PnQn | | < 2"”
mas \f{Pn) — /(g n )| > €. Pelo Teorema / , a seqüência {Pn} tem uma sub­
seqüência convergente {Pnjf com limite Po em E. Pela continuidade de
f podemos escolher óo = ^o{Q, €) tal que | | PoQ | | < 5o implica \f{Po) —
—/ ( 0 1 <c/2. Agora escolhamos nk tão grande que 2“"* < 5o/2 e I IPn^Po I I <
< ôo/2. Então \\PntQnu II < 2“"* < ôo/2, de modo que (veja Fig. 12-53)
12-25. ALGUNS RESULTADOS MAIS PROFUNDOS SOBRE CONTINUIDADE 1241

Fig. 12-53, Demonstração do Teorema da Continuidade Uniforme

^0 ■ ^0
llÇ n /o ll < llÇ n /n J I + IK/oW < V2 + ^2 = «O'

Portanto, pela escolha de 6o,

IfiQnJ - f { P o ) \ < Y

Também | | Pni,Po | | < 5q/2 < 6o, de modo que, da mesma maneira,

\nP nj-f{P o)\< Y

Conseqüentemente,

I f i P n J - f i Ç n J l = lUiPnJ-fiPo)] + Í/ W ~ / ( Ç n ,) ] l <

< \f(PnJ - f(Po)\ + |/(Po) - fiQnJl < f + I =

Isto contradiz nossa escolha das seqüências {Pn}, {Ôn}* Portanto, a con­
clusão do teorema deve ser verdadeira: para cada e > 0, existe um 6 > 0
tal que P, g em £ e | | PQ | | < 6 implicam |/(P) —f{Q) 1 < e.

Existência da Integral de Riemann. O Teorema K pode ser usado para


simplificar enormemente a demonstração (Seç. 4-26) da existência da Integral
de Riemann de uma função contínua. Necessitamos da forma unidimen­
sional do Teorema K: sq f é contínua num conjunto E fechado e limitado
no eixo X, então / é uniformemente contínua: para cada e > 0, existe um
5 > 0 tal que x\, xz em E q ^\ xi — X2 \ < 5 implicam \f(xi) —f{x 2)\ < e.
Definimos a integral definida de uma função contínua em [a, b\ como o
ínfimo de todas as somas
1242 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

2
i-1

onde o intervalo [a, è] foi subdivido como de costume t Mi é o máximo


de / em x j. Queremos mostrar que a integral também é igual a
Integral de Riemann

norma-♦o 1—1
onde Xi-^ < < X{,
Seja dado um e positivo e seja €i = ej{b — a). Já que / é contínua em
[a, b] e [a, b] é um conjunto fechado e limitado, podemos escolher b de
modo que ry em [a, è] e ] ^ — ry | < ô implicam |/(^) —/ ( t?) | < €i. Agora
escolhemos uma subdivisão de norma menor que ô. Então em cada subin-
tervalo x j , / tem seu máximo M i em algum e seu mínimo rtii em
algum rji*. Já que nossa norma é menor que ô, | ^i* — rji* | < ô, e por­
tanto, \Mi — mi\ < €i. Já que rrii < Mi, podemos escrever Mi — /w» <
< €i. Por conseguinte,

2 AiX - 2 = 2 • 2 -a)=€.
i=l i= l i= l i= l

Mas sabemos que

2 Ajx < J /(x) d x < ' ^ M i Ajx

e que

2 «ij A^x < 2 / f e ) < 2


i= l i= l

Resulta que, para todas as subdivisões de norma menor que ó, temos

2 / ( |,) A ,x - f f { x ) d x < €
i=l
OU

lim V / ( | , ) A , x = í f{x)dx (12-251)


norma—
na->0
>0 1
x—1 ^
como eria para ser demonstrado.
12-25. ALGUNS RESULTADOS MAIS PROFUNDOS SOBRE CONTINUIDADE 1243

Integral de Ríemann de Funções Compostas. Em diversos pontos nos


Caps. 4 e 7, tivemos de mostrar que uma Integral de Riemann envolvendo
duas funções f{x) e ^( a:) podia ser obtida como um limite de somas nas quais
f Q g são avaliadas em diferentes pontos no intervalo da subdivisão
(veja, por exemplo, o Probl. 5 que segue à Seç. 4-26 e a discussão do compri­
mento de arco na Seç, 4-27). Levamos em conta todos êstes casos demons­
trando o seguinte teorema:
TEOREMA L. Sejam f e g contínuas em [a, b], com c < f{x) < d e
h < g{x) < k para a < x < b. Seja F{u, v) contínua no retângulo E:
c < u < d , h < v < k . Então,

F(f(x), g(x)) dx = li.m 2 êM ) (12-252)


r n o rm a -^ 0

onde, à direita, subdivisões do intervalo [a, b] são consideradas como de


costume e rji são escolhidos em [xi~i, jcj.
DEMONSTRAÇÃO. Seja dado e > 0 e seja €i = ej{b — d). Já que F
é contínua rium conjunto E fechado e limitado, podemos escolher ói > 0
de modo que P, Q t m E q \ |PQ| | < ôi implicam |F(P) — F{Q)\ < 6i/2.
Como g é contínua no intervalo fechado [a, è], podemos escolher Ô2 > 0
de modo que t] tm[a,b] q \^ — v \ ■< ^2 implicam |g($) — g(ry) | < ôi.
Como F(f(x), g(x)) è contínua em [a, Z?], podemos escolher Ô3 > 0 de modo
que, para. cada subdivisão de norma menor que Ô3,

É - r g(^)) dx < | (12-253)


Í-1 O,

Suponhamos que ó seja o menor entre Ó2 e Ô3 e consideremos a subdivisão


de norma menor que 5. Se agora escolhermos os ^i, y]i em ArJ, então
\^i - Vi \ < ^2, de modo que |g(^i) - g(rji)\ < ài. Por conseguinte, os
dois pontos

im iig iv i) )

em E estão afastados por uma distância de no máximo ôi. Portanto, pela


escolha de ói,

S P iM il gfè)) - S P i f U g(Vi)) ^ x <


i=l i=l
1244 CALCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VÂRIAVEIS CAP. 12

< 2 « - r n i i ) , g(^i))i V <


i= l

2í=i
Conseqúentemente, por (12-253),

^ F ( f U g i - n i ) ) ^ x - J F (f(x),g {x))d x <


•— a

< i F i f U gM) 2 F ( f U giè,)) \ x +


i= l i= l

+ S èiQ) - / Fifix), gix)) dx <


i= l -a

^ 2 2
e ( 12-252) está demonstrada.
Continuidade da Integral. Como uma outra aplicação da continuidade
uniforme, consideramos uma integral

J F(x,y)dx.

Para cada y fixado, temos uma integral definida usual que, pela hipótcie
da continuidade, tem um valor. Êste valor depende do y escolhido. Por
exemplo.
yXy 1 ^ - 1
e“^dx =
-0 y 0 y
para y 9^ 0. Para j = 0, o valor é 1. Gostaríamos de mostrar que, quando
F{Xy y) é contínua em (x, y), o valor da integral I F(x, y) dx é uma função
, a
continua de y,
TEOREMA M. Seja F contínua no retângulo E: a < x < b, c < y <
< d. Então,

g(y) = Ja F{x, y) dx
define uma função continua para c < y < d.
PROBLEMAS 1245

DEMONSTRAÇAO. Como foi observado no fim da Seç. 12-7, para


cada y fixado, F(x, y) é contínua em x (aqui para a < x < b). Assim, g{y)
é definida para c < y < d. Pela continuidade uniforme, dado c > 0, po­
demos escolher ô > 0, de modo que

\p(^v yd - !/ 2 )I < €i = €/(b - a)

para (xi, >^i), (X2, y 2) cm E c separados por uma distância menor que 6.
Portanto, para — >^2! < 5 , temos

lg (y i) - g (« / 2 )l = | / í ’( * . f y^) dx

[F{x, y^) - F{x, y 2)] dx\ <


= 1/
< J yd - 1/ 2)1 < j ^1 =

Portanto, g é contínua em [c, d].


Para nosso exemplo com F(x, y) = g(y) deve ser contínua em =
= 0. Portanto, concluímos:

PROBLEMAS

1. Escolha subseqüèncias convergentes das seguintes sequências:

(a) { ( - 1 ) " } . (b)

(c) [ ( c o s ^ . s e n ? ^ ) ) . (d) ( ( n s e n ^ f , n cosÍ | l)} .

2. Faça uma demonstração do Teorema de Weierstrass-Bolzano para um conjunto fe­


chado e limitado no eixo x.

3. Use o Teorema de Weierstrass-Bolzano para demonstrar a existência de um máximo


para uma função / contínua em [a, b].

4. Sejam E\ e E2 dois conjuntos fechados e limitados no plano sem nenhum ponto em


comum. Demonstre que existem dois pontos mais próximos nos conjuntos, isto é.
1246 CÁLCULO DIFERENCIAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 12

demonstre que existem pontos P\ em Pt cm tais que | \ Q\Q 2 \ | > 1 \I


para todos os Q\ em £Í, C 2 em E^.

5. . Ache ô(e) de modo que |/(jti) —f{ x 2 ^\ < t para \x\ ^ xt\ < ô se:

(a) f(x) = 3x - 1, 0 < X < l l (b) f{x) = 0 < x < l.

6, Demonstre: se |/'W 1 < K para a < x < b, então |/íx i) - A x 2 )\ < e para \xi —
- JC2 I < elK.

7. Demonstre: se f ( x , y ) é definida para a < x < b, c < y < d e

Ifi^vVi) -/(*2>!/2)I < ■Kil^i - *2! + f^2\yi - yt\

para todos os (xi, ^1), f e , y ^ no dondnio, onde K\ e Ko são Constantes, então / é


contínua. Ache um 5(6) tal que

!/(%> y-í) -,/( * 2 - !/2)I < «

para to» 72) separados por umâ distância máxima Ô(€).

8, Generalize o Teorema L e sua demonstração para F(f{x\ g { x \ b(x)).

9. Avalie as integrais e verifique a continuidade como no Teorema M:

(a) sen x y d x (b) — -— dx (c) f + ?/ dx.


‘'0 ‘'0 ^ + ?/ ‘t.5

10. Demonstre: se fp(y) é contínua para c < y < d, <p(y) > a para c < y < d e F to j')
é contínua para a < x < <p{yX c < y <d^ então

g(y) = f F (x,y)dx

é contínua para c < y < d. [Sugestão. Ponha x = a u {(p{y) — a) e aplique o


Teorema M.]
CAPITULO 13
CALCULO IN TEG RA L
DE FUNÇÕES
DE VARIAS V A R IA V EIS

Neste capítulo, apresentamos a teoria de integrais duplas e tríplices e


conceitos correlatos. As idéias são extensões naturais das do Cap. 4, mas
vários processos novos são introduzidos.

13-1. A Integral Dupla

Começamos com uma discussão intuitiva para trazer à tona as idéias


principais. Na Seç. 13-2, tornaremos rigorosa a teoria.
Chega-se naturalmente à integral dupla ao procurar-se o volume de
uma região "abaixo de uma superfície” , exatamente como chegamos à in­
tegral definida ao procurarmos a área abaixo de uma curva. Suponhamos

Z = f{x, y)

Fig. 13-1. O volume representado por f f f i p c , y) d A


R
1248 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

que a superfície seja dada por z = f { x , y) para (x, y) numa região R do


plano xy, como na Fig. 13-1. Seja f { x , y ) contínua e não negativa para*
{x,y) em R, Para encontrar-se o volume, pode-se subdividir a região R
em muitas regiões pequenas jRi,. . Rn. Suponhamos que Ri tenha área
/ = 1 , . . n. Então, o volume A ,F da porção de nosso sólido acima
de Ri é aproximadamente o volume de um cilindro cuja base é AiA e cuja
altura é algum número entre o mínimo w, e o máximo Mi de / em R^,
Portanto,

AiA < AiV < Mi A^A


n
e para o volume total V = Z AiV, podemos escrever
i -1

2miA,A< V<
i= l i= l
É plausível que se as regiões Ri forem tomadas suficientemente pequenas,
então ambas as somas podem ser tornadas tão próximas de V quanto dese­
jarmos, isto é, esperamos

K = inf 2 Mi AiA e K = sup ^ A^A *


i= l i=l

Aqui, o inf e o sup referem-se a todos os valôres das somas obtidas de tôdas
as subdivisões possíveis de R. Mostraremos que, para unia função contínua
z = f { x , y ) e uma região R que satisfaça a hipóteses razoáveis, o inf e o
sup existem e são iguais. O valor comum é a integral dupla de / sôbre R
e escrevemos

J J f{x,y) dA = inf A,a ) = s u p jX m , A,a ) . (13-10)

A integral dupla é também indicada por

///(«{x, y)dxdy
mas é importante distinguir esta da integral iterada, que discutiremos em
seguida. Escreve-se também simplesmente S f ix, y) dA^ com apenas um
R
sinal de integral, já que o dA indica estar-se tratando de uma integral bidi­
mensional. Para f > 0 , 2 i integral dupla pode ser sempre interprotada como
o volume da região sólida correspondente. Contudo, a integral dupla tem
outras aplicações, inclusiye aquelas para as quais / tem sinal variável.
13.1. A INTEGRAL DUPLA 1249

Avaliação da Integral Dupla por Meio de uma Integral Iterada. Apre­


sentamos uma definição da integral dupla. Agora perguntamos: como po­
demos avaliar uma?
Suponha que R é s , região entre as curvas 3; = 1 + cos x ^ y = sen x
para 0 < x ^ ir [l (Fig. 13-2). Para uma tal região R vimos, na Seç. 7-7,

Fig. 13-2. O volume como integral da área da seção transversal

que era razoável associar volume à região sólida sob a superfície z = f ( x , y),
para {x,y) em R, pela fórmula

V= J A{x)dx (13-11)

onde A(x) é a área da seção transversal do sólido por um plano perpendicular


ao eixo X, Aqui, cada tal seção pode ser considerada como uma região
plana no plano yz (já que x é fixo), a saber, a região abaixo da curva
z —f { x , y) para y i < y < 3^2, onde yi — sen jc e >^2 = 1 + cos x. Assim,
2/2 l “l” CO S «c

M ^ ) = f f{x,y)dy = j ‘ f{x,y)dy. (13-12)


yi senx
Nestas duas integrais, x é tratado como constante; a integração é em relação
a y. De (13-12) e (13-11), obtemos
'tt/2 r -1+cosa? -i
v =f J f(x, y) dy dx
0 *-"senar
É costume a omissão dos colchêtes e escrever-se
^'tt/2 1+cosar
y = f f f{x, y) dy dx (13-13)
"0 senar
1250 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Em tais expressões, devemos primeiro integrar em relação à variável interna


(aqui esta variável é e depois em relação à variável externa (aqui, x). O
lado direito de (13-13) é um exemplo de uma integral iterada.
Vimos anteriormente que o volume é também dado por uma integral
dupla:
V = f f f(x, y) dA, (13-14)
n
onde R é a região da Fig. 13-2. De (13-13) e (13-14), concluímos agora:

fi.,y)dydx. (13-15)
^ 0 seri®

Assim, paira* o caso considerado, a integral dupla pode ser substituída por
úma integral iterada.
Mostrar-se-á que o procedimento ilustrado é válido sempre que R fôr
uma região entre duas curvas:

ú y ^ 92W para a < x <-b (13-16)

onde <pi e (p2 são contínuas em [a, b] [veja Fig. 13-3(a)]. Para uma tal região
R, temos a integral iterada

I I f{x,y) dyd x.
a
Se / é contínua em R, então a integral iterada existe. Em muitos casos,
os métodos do Cap. 4 (e tabelas de integrais) permitem-nos avaliar a integral
exatamente.

Fig. 13-3. Regiões para integrais iteradas, (a) Região para a Eq. (13-16); (b) região
para a Eq. (13-16')

Para uma região como a da Fig. 13-3(a) e uma função não negativa f,
a integral iterada e a integral dupla dão, ambas, o volume da região sólida
13-1. A INTEGRAL DUPLA 1251

sob a superfície z = f { x , y) para (x, y) em R. Então, a integral iterada e


a integral dupla são iguais. Veremos que a igualdade mantém-se válida de
uma maneira geral:

J J f(^> y ) d A = j
J f{x, y) dy dx (13-17)
R a <p\(x)
com nenhuma hipótese acêrca do sinal de /.
Uma discussão semelhante aplica-se ao caso de uma região R do tipo

V^i(í/) < ^ < para c < y < d (13-16')

onde ypi e ^2 são contínuas em [c, d]. A Fig. 13-3(b) mostra uma região
destas. Uma integral dupla de uma função / sobre R pode ser avaliada
como uma integral iterada:

f f y)dA = f f f{x, y) dx dy. (13-17')


R c yjyiiv)

Notamos que a região R da Fig. 13-1 poderia ser descrita ou por desi­
gualdades da forma (13-16) ou por desigualdades da forma (13-16'). Então,
para esta região, podemos usar ou (-13-17) ou (13-17') para avaliar a integral
dupla. Podemos usar ambas as maneiras para checar um cálculo.
EXEMPLO 1 Seja / (x, y) = + y^ para 0 < x < l , 0 < y <2, como
na Fig. 13-4. Então, o volume V abaixo da superfície z = f ( x , y ) é dado
por
V = f j f(x, y)dA
R

onde R é s , região retangular 0 < jc < 1, 0 < v < 2 . Segundo (13-17),


podemos escrever
12 12
V = j j f{x,y)dA = J J /(x, y)dydx = J J {x^ + y^) dy dx
0 0 0 "0

=r í ) I« * = -f ’ (D ! * = f '
Anàlogamente, por (13-17'),

I/
*^0 ^ 0
dxdy = f (^
‘ 'o ' ^
-I- x y A I
•X= 0
dy

EXEMPLO 2 Seja f { x , y ) = 1 para' ( x — 1)^ -f- ( j — 2)2 = 1, como na


Fig! 13-5.
T252 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Flg. 13-4. Ex. 1 FIg. 13-5. Ex. 2

A região R é circular e o sólido é um cilindro circular de altura h = I


e raio a = 1, e assim/ tem volume ira^h = x. Podemos também escrever
^ . ^2 2+ y/l-{x-i)2 2 I y = 2 + v r ::
V = \ \ f{x ,y )d A = f \ d y d x = f y\ dx
' v-2-\T7.

= f 2 V l - ( x - 1)2 dx = [ ( x - l ) V l - ( ^ - 1)^ + Seiri(* - 1)] = w

Anàlogamente, podemos integrar em outra ordem:


-3 -I+ n/I-Ív-Z)^
V = I I ______ dxdy.

EXEMPLO 3 S e ja /(x .^ ) = 1 + jc para 0 < x < 3, 0 < 2x» — Pjc’* +


+ 12xr.

Fig. 13-<. Ex. 3


13-1. A INTEGRAL DUPLA 1253

As desigualdades descrevem uma região R como na Fig. 13-6. Segundo


(13-17),
3 ^2ar3-9x2 + 12x
jjf{x,y)d A = f [ (1 -H dy dx
0 "0
3 i/=2ír3-9x2+l2ar
X
u
iy + xy)
y= 0
dx

= {2x* - Ix^ + 3x2 + i2x) dx = 3 6 ^ -

Para esta região R, a fórmula (13-17') não pode ser aplicada, já que R não
pode ser descrita por desigualdades da forma (13-16'), pois fixado y, x não
está confinado a um só intervalo.. Para tais casos, pode-se tentar decompor
R em vários pedaços, para cada um dos quais aplica-se uma fórmula da
forma (13-16'), somando-se depois os resultados.
Em geral, para (13-17), precisamos de uma região R como a da Fig.
13-3(a), descritível por (13-16); aqui, cada reta x = const. = k, a < k < b,
encontra R em um único segmento. Para (13-17'), precisamos de uma re­
gião R como a da Fig. Í3-3(b), descritível por (13-16'); aqui, cada reta
y — const. = k, c < k < d, encontra R em um único segmento.
Para uma região R como a da Fig. 13-7, nem (13-17) nem (13-17') são
aplicáveis. Poderíamos, com algum esforço, decompor R em um número
de partes, a cada uma das quais se aplicaria uma das fórmulas (13-17) e
(13-17'). Alternativamente, pode-se procurar um método numérico direto
para calcular a integral dupla de / sobre R. Com esta finalidade, racio­
cinamos que, para uma subdivisão suficientemente fina de i^, a integral
dupla deveria ser aproximadamente igual a

M [(^i. ^i) em f i j
i=l
já que, para cada /, nii Ai A < f( ^ i, r]^) Ai A < Mi A^ A. Mais precisamen­
te, esperamos que

f f f{ ,. y) dA = ^ m ± f ( ( „ ,.) A,A (13-18)


R i=l
tendo o limite o mesmo sentido que para a Integral de Riemann f (x)
a
dx (Seç. 4-25). 'A norma deveria ser a "largura” máxima das sub-regiões
Ru . . Rn. em algum sentido razoável. Para avaliar numèricamente a
integral, podemos simplesmente subdividir R como na Fig. 13-7, com a
ajuda de paralelas aos eixos. Escolhemos então um ponto {^i, rj^) em cada
pequena região Ri, multiplicamos f {^i, k]^ por A e somamos. Para a
1254 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP 13

subdivisão como a da Fig. 13-7, as áreas são fáceis de serem encontradas


para tôdas as regiões quadradas 7?^, pois todas são iguais a (0,2)2 = 0,04:
para as irregulares, pode-se estimar a área gràficamente. De fato, para
uma subdivisão suficientemente fina, a contribuição para a soma em (13-18)
das regiões irregulares pode ser considerada como sendo desprezível, isto é,
para uma região R razoável, (13-18) permanece correta se simplesmente
abandonarem-se os têrmos da direita provenientes de sub-regiões que
encontram a fronteira de i?.

2 -

Fig. 13-7. Ex. 4


J__ L

EXEMPLO 4 j y (x + y) dA sôbre a região R da Fig. 13-7. Esco­


lhemos então os quadrados Ri que tenham o vértice esquerdo inferior num
ponto marcado e também usamos êste ponto como rj^). A operação
numérica é indicada pela Tab. 13-1. A soma 2 / (x^;;^) A íA é igual a

0,04 2 /(x„ y^) = 0,04(57,8) = 2,312.


Tabela 13-1.

X y f(x,y) X y f(x,y) X y fix,y)


0,4 1,6 2,0 0,8 1,6 2,4 1,2 1,6 2,8
1,8 2,2 1,8 2,6 1,8 3,0
0,6 1,4 2,0 2,0 2,8 2,0 3,2
1,6 2,2 1,0 1,6 2,6 2,2 3,4
1,8 2,4 1,8 2,8 1.4 1,8 3,2
2,0 2,6 2,0 3,0 1.6 1,8 3,4
0,8 1,4 2,2 2,2 3,2 1,8 2,0 3,8
soma 15,6 19,4 22,8
PROBLEMAS 1255

Portanto, o valor da integral é aproximadamente 2,31. Melhoraríamos a


exatidão fazendo uma estimativa da contribuição dos quadrados parciais
junto à fronteira mas a correção não seria muito grande. A exatidão pode
também ser melhorada usando-se quadrados menores.
EXEMPLO 5 X í sen {x^ + dA, onde R é como no Ex. 3. Pode­
is;
ríamos usar uma integral iterada com os mesmos limites de integração que
no Ex. 3. Contudo, o integrando não tem integral indefinida conhecida
em relação a y. Então, não podemos avaliar a integral iterada como nos
Exs. 1 a 3 e devemos recorrer a algum procedimento numérico. O mais
simples é usar (13-18) e substituir a integral por uma soma Z / rji)
como para o Ex. 4. O trabalho é exatamente como aquêle para tal exemplo.
Portanto, vemos que a Eq. (13-18) é de interêsse muito mais que teórico.
É um instrumento importante para a avaliação numérica da integral quando
a região R fôr irregular ou quando o integrando / fôr complicado.

PROBLEMAS

1. Ache o volume da região sólida abaixo da superfície dada z = f ( x , y) para {x, y) na


região R definida pelas desigualdades dadas:
(a) z = COS [/, 0 < x < l , 0 < t / < 7t-/2.
(b) z = 0 < x < l , 0<t/<2.
(ç) z = x^yy 0 < x < l y X + l < y < x - \ - 2 ,
(d) 2; = x-| -t/ , 0 < i / < l , 0 < x < l - | - t / 2 ‘
(e) z = sen (x 4- t/), 0 < t/ < 1, 1 — y < X < 1,
(f) z = {x + l/)2, 0 < X < 1, < 1/ <
(g) z = 1 - x2 - 2í/2, 0 < X < 1 - 2l/2.
(h) z = V l — — 1/ 2 ^ x^ y^ < I (hemisfério).

(i) Z = V x 2 ^ ^ , X2 - 1/2 > 0, 0 < X < 1,


(j) z = 1, x2 + 2 i/ 2 < 1 (cilindro elítico).
(k) ; 3 = l , 0 < y , 0 < x < l — !/ (prisma triangular).
(l) z = l — X — [/, 0 < | / , ( ) < x < l — 1/ (tetraedro).
(m) z = \ / l — 2x2 — 3i/2, 2x2 -h 3i/2 < 1 (metade do elipsóide).
(n) z = V l - ^2, 0 < x , 0 < í / < l - x .
(o) Z = 3 —X — I /, x2 — 1 < Í/ < 1 — x2.
(p ) z = xi/, 0 < t / < 4 , 4 — í / < x < 8 — (t/ — 2)^.

2. Para cada uma das seguintes escolhas de R, represente j y f { x , y) dA como uma


tt
integral iterada de ambas as formas (13-17) e (13-17'), sempre que possível:
(a) 1 < X < 2, 1 _ X < 1/ < 1 + X (b) - 1 < X < 2, - x 2 < ty < x2 + 1.
1256 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

(c) Região limitada pelas retas y = x, x y + 1 =0, x — 2y + 3 = 0


(d) Região limitada por y = 1 — x^ e y = x^ — 1,
(e) í/2 + X{X - 1) < 0. (f) + y2/3 <

(g) x - { - y — l > 0 y X ^ - \ - y ^ < l ,


(h) XI/ < 2, X — í/ -f 1 > 0, X -- 1/ — 1 < 0.
(i) x + i/ — 1 > 0 , —x + i / H - l > 0 , t / — 1 < 0 .
(j) X — 2y — 3 < 0, X + 3i/ + 2 > 0, X + I3 y — 18 < 0.
3. Para cada uma das seguintes integrais iteradas, ache a região R e escreva a integral
na outra forma (trocando a ordem de integração):

/ / f{^>y)dydx. / / f(^>y)dxdy.
•'1/2 •'o •'o *'o
„i - n/T-Tí 1 -\/r:íí
(c) f f f(x ,y )d y d x . (d) J ___ f ( x , y ) d y d x .
•'n *‘'^a0
•'0 •'o
r^l /.O
/ / f(^<y)d^dy. / f(x ,y )d y d x .
*'o V-I *^0 * ' l - x
^1 ^'77-x/2
(g) / / f{x ,y )d y d x . J / f(x ,y)d yd x .
•'o *^Sin-^x
4. Avalie, intercambiando a ordem de integração:

0 X Vx2+^
«'tt/2 ^__________
(b) I j COS 2y V l — seil^ ^ í^Í/» 0 <

5. (a) Avalie ^ ^Ci 2í/)/io Q^de R é o quadrado 0 < j c < 2 , 0 < > > < 2 , subdividindo
H
A em 4 qiu^drados iguais e avaliando a soma correspondente 2 /(Ç í,
para escolhas adequadas dos (ff, r?,:).
(b) Proceda como na parte (a) usando 16 quadrados iguais ao invés de 4.
6. Avalie j y (x^ — y) dx dy, onde A é a região fora do quadrado de vértices (1, 0), (1,
H
2), ( — 1, 2), ( — 1, 0) e dentro do quadrado de vértices (3, 0), (d= 3, 6), ( — 3, 0), sub­
dividindo R em quadrados de lado 1 e avaliando a soma correspondente 2 /( f f , tjí,)A íA
para escolhas apropriadas de (ff, rji,),
7. Seja R a região da Fig. 13-7. Use a subdivisão nessa figura para avaliar numèri-
camente:

(a) f f x y d A . (b ),ffe -> 'd A . (c)ffy^dA. (d) f f dA.

13-2. Teoria da Integral Dupla

Desenvolvemos agora, em detalhe, o conceito de integral dupla. Seja


C um caminho simples, fechado e suave por partes no plano xy; assim, C
é o caminho ÕR = r (t), a < í < b, onde r é contínua em [a, b], e (exceto
13-2. TEORIA DA INTEGRAL DUPLA 1257

para um número finito de valores de t) r'(0 é contínua em [a, é] e r (s) = r(/)


com a < s < t < b se, e somente s = a, t = b (veja Fig. 13-8). Seja R
a região fechada e limitada encerrada por C. Assim, R consiste de C mais
o interior. Por uma subdivisão de R, queremos dizer unia decomposição
de R em um número finito de regiões . . . , Rn, do mesmo tipo de R, isto é,
cada uma encerrada por um caminho simples, fechado e suave por partes.
Representamos por a área de Ri ri), A área de R é a soma
dos ^ íA.

Fig. 13-8. Subdivisão da região R

Seja / uma função definida e contínua em R tendo mínimo absoluto m


e máximo absoluto Af em R (Teorema F, Seç. 12-7). Sejam rrii e M» o mí­
nimo e o máximo absolutos, respectivamente, de / em R{, Chamamos o

número ^ de soma superior para / e o número V A^A


i= i i t l

de soma inferior p a ra /. Acontece que toda soma superior é maior ou igual a


n n
2 m A^A = m 2 A^A = mA^
i= l i= l

onde A é a área de R. Anàlogamente, toda soma inferior é menor ou igual


a M A.
Definimos agora nossa integral dupla:

/ / /(^. y)àA = inf 2 Mi AjA, (13-20)


i= l

onde o inf refere-se a todas as subdivisões de R como acima.


Ao estabelecermos nossa definição, admitimos tàcitamente que R e as
regiões menores Ri têm área. Uma demonstração disto, de modo geral,
pode ser dada com base na teoria da Seç. 7-4. Contudo, interessar-nos-emos
principal mente por regiões bastante simples (do tipo da Fig. 13-3) ou outras
obtidas de tais regiões por meio de junções ou remoções de pedaços, e, para
tôdas essas regiões, as áreas podem ser achadas, como de costume, por in­
1258 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIAVEIS CAP. 13

tegrais definidas. Também para estas regiões, as subdivisões podem ser


feitas fàcilmente, como mostra a Fig. 13-10.
Vimos, no Cap. 4, que, para a integral definida, tôda soma inferior
é no máximo igual à integral e, por conseguinte, tôda soma inferior é menor
ou igual a tôda soma superior. Para a integral dupla, existe um enunciado
semelhante, que formulamos como um lema:
LEMA. Para uma função f contínua em R como acima, tôda soma in­
ferior é menor ou igual a tôda soma superior.
Uma demonstração dêste lema será dada na Seç. 13-3.
TEOREMA 1. Seja R uma região fechada e limitada encerrada por um
caminho simples, fechado e suave por partes C. Seja f continua em R,
com mínimo absoluto m e máximo absoluto M em R. Então,

/ / / ( « . » ) dA

existe. Além do mais,

mA ^ j j /(^» y) dA < M A , (13-21)

e, mais geralmente, se K < f ( x , y) < L em R, então

KA < j j f { x , y ) d A < L A . (13-22)

DEMONSTRAÇÃO. A existência da integral dupla decorre do fato


de que as somas superiores ^ M i A íA são tôdas limitadas inferiormente
por mA. Então, como na Seç. 2-13, o ínfimo (inf) do conjunto de tôdas as
somas superiores existe. Assim, a integral dupla é definida precisamente
por (13-20). Sc K < f (x, y) < L em R, então K < Mi < L para todos os i,
de modo que

^ K A i A = KA < <LA =
i= l i= l i= l

Portanto, obtemos (13-22) e (13-21) é um caso especial de (13-22).


Diz-se que no conjunto E no plano é limitado (Seç. 12-22) quando êle
pode ser encerrado numa região circular (de raio finito). Se £ é limitado,
o conjunto de tôdas as distâncias | |>el | entre pontos P c Q cm E c limi­
tado superiormente. O supremo (sup) de tôdas estas distâncias chama-se
diâmetro de E. Êste conceito é ilustrado pela Fig. 13-9.
13-2. TEORIA DA INTEGRAL DUPLA 1259

Fig. 13-9. Diâmetro d de um conjunto

Seja R uma região como no Teorema 1. Por norma de uma subdivísãa


de R, queremos dizer o maior diâmetro das sub-regiões ..., Com
o auxílio de paralelas aos eixos coordenados como nas Figs. 13-7 e 13-10,
podemos obter uma subdivisão cuja norma seja tão pequena quanto dese­
jarmos. Uma prova desta afirmação é difícil em geral; uma demonstração
para o caso de uma região R como a da Fig. 13-3 será apresentada na pró­
xima seção.
TEOREMA 2. Sob as hipóteses do Teorema 1,

J J /(X , y) dA ^ Vi) \A , (13-23)

isto é, se I indica o valor da integral dupla, então para todo e > 0, existe
um b > 0 tal que

i-Y .m i,V i)^A <€


i= l

para tôda subdivisão de R de norma menor que ò e qualquer escolha dos


(Xi, i?í) em Ri n).
Uma demonstração será apresentada na próxima seção. O teorema
mostra que, para uma funçãb contínua / , a integral dupla pode ser definida
da mesma maneira que a Integral de Riemann (Seç. 4-25).
TEOREMA 3. Sob as hipóteses do Teorema 1,

/ / y ) d A - s u p ^ mi AiA, (13-24)
i= l

onde o sup é tomado sobre todas as subdivisões de R e m i é o mínimo abso­


luto de f em Ri.
DEMONSTRAÇAO. Já que tôda soma inferior de / é menor do que
ou é igual a tôda soma superior, resulta que tôda soma inferior é menor do
que ou é igual à integral dupla d e / :

AjA < J J /(x, y)dA = I. (13-25)


i= l
1260 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

Agora, dado € > 0, escolhemos ò como no Teorema 2 e selecionamos uma


subdivisão de norma menor que 6. Em cada Ri, podemos escolher rjt)
como um ponto onde / atinja seu mínimo absoluto em R(, isto é, de modo
que 17,) = rrii. Então, pelo Teorema 2,
^ r r iiA iA - I
i= l
c, conseqüentemente, para esta subdivisão,

i= l
Portanto, sup A,>4} é pelo menos igual a /. Por (13-25), o sup é no
máximo igual a /, e portanto, deve ser igual a /.
Podemos concluir agora, como para a integral definida, que j y f(x , y)
R
dA é O único número I tal que

i= l i= l
para todas as subdivisões de R,
TEOREMA 4. Seja R dada pelas desigualdades

a <x<h, <jpi(x) < y < fPzix),

onde <pi{x) e <P2Íx) são contínuas em [a, b\ e seja f continua em R. Então,

J J/(^> y ) d A = j J f(x, y) dy dx. (13-26)


^ a (pi (x)
t DEMONSTRAÇÃO. Segundo as hipóteses enunciadas, a integral
/ (p2Íx)
f(x, y) dy
(Pl(x)
é uma função contínua de x em \a,b]. Isto decorre do Teorema M na
Seç. 12-25; veja também o Probl. 10 que segue àquela seção. Portanto,

Fig. 13-10. Subdivisão de região, a < x < b , < y < ç>2W


13-2. TEORIA DA INTEGRAL DUPLA 1261

O lado direito de (13-26) tem significado, como o têm as outras integrais


iteradas que ocorrem em nossa demonstração.
Agora, seja € um número positivo dado e escolha ò como no Teorema 2.
Selecionamos uma subdivisão de R com norma menor que como sugere
a Fig. 13-10. Aqui, cada sub-região é da forma oíí< x </3 í, pi{x) < y <qi\
(.r), onde Pi (jc) e qi{x) são contínuas; quando pi e são funções constan­
tes, a sub-região é um retângulo. Uma demonstração de que tal subdivisão
pode ser escolhida com norma menor que 6 será apresentada na próxima
seção. Da forma de Ri, podemos avaliar a integral iterada correspondente,
f ii p Q i i x )

/ J
O-i P i( x)
f(x ,t/)d y d x = /i.

Se se somam tôdas aquelas integrais iteradas que têm o mesmo intervalo x


digamos a < x < ^ (veja Fig. 13-10) e aplica-se repetidamente a regra

, obtém-se a integral iterada


^(P2ÍX)

JJ a *^(pi (a;)
fi^> y) dy dx.

Se se somam tôdas estas integrais, para todos os subintervalos x, obtém-se


a integral iterada à direita de (13-26). Assim,
^<P2Íx)
j J fi^yy)dydx=J i +
a (x)
■■■ + /„•
Agòra, em Ri, mi < f (x, y) < Mi. Então, para oíí< x < ^i,
^'j(x)
- Pi(^)] < I f(x, y) dy < Mi[qi(x) - Pi(x)].
Portanto,
Pi p f i i ^ Q iix )
/
Cti
[9iW - P iW ] d x < \
^OLi
j
*^Pi ix)
f { x , y) d y d x < M i j
*^OCi
[qi(x) - Pi(x)] dx.

As integrais à esquerda e à direita são iguais a A íA, a área de Ri. Portanto,

A^A < Ji < Mi A^A,

e, desta forma, pelo Teorema D da Seç. 12-7*,

Ji = \A

para algum (^,,17») em J?,. Portanto,


<P2ÍX) n
jJ
a <P1 ix)
f(^ > y )d y d x = /i+ ■ ■ ■ + J „ = ^ f ( ^ i, V i) A iA
i= l
* O Teorema D está enunciado para rp^ões abertas mas êle pode ser demonstrado
para uma região fechada de um modo inteiramente semelhante.
1262 CÁLCULO" INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Já que nossa norma é menor que ò, a última soma difere da integral dupla
por no máximo e. Portanto, isto permanece válido para a integral iterada.
Mas a integral iterada é um número fixo que não depende de e. Portanto,
ela é igual à integral dupla, e (13-26) fica provada. {
Da mesma maneira, demonstra-se que, para uma região apropriada R,
como na Fig. 13-6,

jjf(^y)^=J f y)^y-
a (y)

TEOREMA 5. Seja R como no Teorema 1. Sejam f i e f 2 contínuas


em R e sejam c\ e c^ constantes. Então,

/ / ( q / . + c ,fi,d A = c . J / A d A + f fAdA^ (13-27)


R R R

DEMONSTRAÇÃO. Para cada subdivisão de R e escolha dos 17,)


em Ri, temos:

2 ■Hi) + <^2f2Í^i’ ^i)] M = Cj 2 AjA -I- C2 2 /zfè. »){) AjA.


iz z l Í=1 i=l
Mas se a subdivisão tem norma menor que 6 e ó é suficientemente pequeno,
então cada uma das três somas difere da integral dupla correspondente em
(13-27) por menos que e. Portanto, a integral dupla à esquerda de (13-27)
difere da soma dos têrmos à direita de (13-27) por menos que € + | cil e +
+ I C2I € = € (1 + I Cl I + I C21). Êste último número pode ser tornado tão
pequeno quanto se queira pela escolha adequada de e. Portanto, ambos os
lados de (13-27) devem ser iguais.
TEOREMA 6. Seja R como no Teorema 1 e que suponha que R seja
subdividida em duas regiões R' e R", Seja f contínua em R, Então,

/ / / ( ^ . «/) = J J / ( ^ . !/) ^ + / /
R R' R"

DEMONSTRAÇÃO. Seja R' subdividida em regiões Ri, . . . , Rmi seja


R " subdividida em regiões Rm+i,. . . , Rn- Então, R está subdividida em
R i , . . . , R„ (veja Fig. 13-11). Seja i7i) escolhido em R,- para / = 1 , . . . , n.
Então,
n m n

2 / ( í i , ^i) A,A = ^i) A^A + 2 ^i) M .


i= l i= l iz im + 1
13-2. TEORIA DA INTEGRAL DUPLA 1263

Fig. 13-11. Demonstração do Teorema 6

O resto da demonstração é essencialmente o mesmo que para o Teorema 5


(Probl. 9 adiante).
Desprêzo das Sub-regiões que Encontram a Fronteira. Sugerimos em
diversos pontos que, no processo de limite (13-23), poderíamos ignorar
alguns ou todos os têrmos provenientes de sub-regiões que encontram a
fronteira, já que a área total de tais sub-regiões se aproxima de 0 à proporção
que a norma se aproxima 4e 0 Formulamos êste resultado e uma apli­
cação como um suplemento ao Teorema 2:
TEOREMA 2'. Sob as hipóteses do Teorema 1, a Eq, (13-23) perma­
nece válida se, em cada soma, alguns ou todos os têrmos provenientes de
sub-regiões que encontram a fronteira de R forem substituídos por zero.
Em particular, para R como no Teorema 4,

r f / ( x , y ) d A = lim (13-28)
norma—>0
R ^-1
onde cada subdivisão de R é formadá de retângulos Ri de lados AiX,
A iy(i = ! , . . . , « ) como na Fig. 13-10 e de outras sub-regiões {despre­
zadas na soma) tocando as curvas da fronteira y = <Pi{x), y = (P2{x),
a < X < b.
Uma demonstração para o caso da Fig. 13-10, isto é, de (13-28) será
apresentada na próxima seção.
Integração de Funções Contínuas por Partes. Seja R como no Teorema 1.
Dizemos que uma função f , definida em R, é contínua por partes em R se
existir uma subdivisão de R em regiões i^i, . , Rk Q para cada / existir uma
função contínua na região fechada Ri tal q u e /(:r, j^) = fi{ x ,y ) dentro
de Ri, Por exemplo, a função / definida por
1264 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

r para 0 < x < y < I


f(x, v) = 1
\ x — y, para 0 < t/ < x < 1
é contínua por partes no quadrado j R : 0 < x < l , 0 < j ^ < l . Aqui, R é
subdividida em duas regiões Ri, R 2 pela diagonal y = x; suponhamos que
jRi esteja acima da diagonal e R 2 ;abaixo dela. Em Ri, f coincide com
dentro de R 2, f coincide com f 2{x,y) = x — y. Em geral,
/ é contínua dentro de cada Ri e tem um limite em cada ponto-fronteira
de Ri quando o ponto é aproximado por dentro de Rii nos pontos-fronteira
comuns às duas sub-regiões, geralmente obtêm-se limites diferentes para as
duas regiões. Para nosso exemplo, / tem limite e^^^ quando (y, y) é apro­
ximado por dentro de Ri, tem limite 0 quando (y, y) é aproximado por den­
tro de R 2.
Para uma função / contínua por partes, pode-se definir a integral dupla
de / sobre R pela equação:

/ / = j j f id A + j j fj^dA.
R R, R,

Pode-se verificar que a integral dupla pode inclusive ser obtida como
um limite como no Teorema 2. A discussão é análoga àquela da Seç. 4-30.
Regiões Mais Gerais de Integração. Até aqui aesenvolvemos a teoria
apenas para uma região contornada por uma única curva simples e fechada C.
Com modificações mínimas, tudo que temos feito pode ser estendido a uma
região R contornada por um número finito de caminhos simples, fechados
e suaves por partes, como na Fig. 13-12. A integral dupla sobre tal região
pode ser também representada como uma soma de um número finito de
integrais sobre regiões 5 i , . . . , 5*, cada uma das quais é contornada por
um único caminho simples, fechado e suave por partes. O processo de
decompor R em tais regiões é sugerido pela Fig. 13-12.

Fig. 13-12. Região R contornada Fig. 13-13. Região para integral dupla
por várias curvas
13-3. INTEGRAL DUPLA COMO LIMITE 1265

Se o integrando / para a região R da Fig. 13-12 fôr contínuo sobre toda


a região Ri contornada por Ci, então, como no Teorema 6,

JR/ /(^> y)dA = j j f(x, y) dA -


R,
- j J /(*. y)àA - J J f{x, y)dA - J J f{x, y) dA,
i?2 ^3 ^4
onde Ri, R í , R í são as regiões contornadas por C2, C?, C4. respectivamen­
te. A teoria estende-se também a tipos mais complicados de regiões, como
as da Fig. 13-13.

t13-3. Demonstração de que a Integrai Dupla Pode


ser Representada como Limite

Nosso objetivo nesta seção é demonstrar o Teorema 2: que a integral


dupla pode ser representada como lim X / tjí) A^A quando a norma
se aproxima de 0.
Temos uma região R como no Teorema 1. Então, R tem uma subdi­
visão de norma arbitràriamente pequena (veja a seguir). R também tem
área (veja Seç. 7-4).
Imitamos agòra a demonstração da existência da Integral de Riemann
de uma função contínua de uma variável na Seç. 12-25. Dado € > 0, fa­
zemos €i = €là , onde A é Si área de R, Já quG f i x , y ) é contínua em R
c R é um conjunto fechado e limitado, / é também uniformemente contínua
em R (Teorema K, Seç. 12-25). Portanto, podemos escolher ô > 0 de modo
que \ f ( P ) —f( Q ) \ < para quaisquer dois pontos P e Q em R para os
quais 11PQ 11 < ó. Escolhemos agora uma subdivisão de R de norma
menor que ó. Então, em cada sub-região Ri, a função / toma seu máximo
absoluto Mi em Ri num poiíto Pi, seu mínimo absoluto rrii num ponto Qi,
Então, 0 < M ^ - m i = /(P^) - /( Ç J < Portanto,

^ M ià ^ A - M = «•
i=l i=l i=l i=l
Mas sabemos que

2 m, M < / J f{x, y ) d A < f ^ M ^ ^ A


i= l

e que
2 nii àiA < 2 fiè i, Vi) AjA < Y j Mí A^A.
i=l i=l
1266 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

Resulta que para toda subdivisão de norma menor que 5 temos

1 ' ^ i ) f í / (* > y ) ^ <c


i=l ip
ou

lim
normar->0 ^
= ff y) ^

como devia ser demonstrado.


Demonstração da Existência de uma Subdivisão de Norma Arbitrária^
mente Pequena. Demonstrar isto para a região R mais geral é um pouco
difícil e, assim sendo, restringimo-nos a uma região a < x < b, <p\ (x) <
^ y < <P2 W , como na Fig. 13-10; aqui, <pi e <P2 são contínuas e <pi (x) <
< <P2 (x), exceto talvez em a e è, onde a igualdade pode verificar-se. Seja
dado um número positivo e. Agora, pelo Teorema K, Seç. 12-25, (pi{x)
é uniformemente contínua; portanto, podemos escolher ói > 0 de modo
que \(Pi{x') — < e/4 para todos os x \ jc" em [a, A] para os quais
\x ' — x" I < ói. Escolhemos semelhantemente em relação a ç?2 e defi­
nimos ó como o menor dentre ói, Ô2 e e/4. Subdividimos depois o inter­
valo [a, b] em partes iguais de amplitude menor que ó, por pontos xo = a,
X i,. . Xm = b. As retas verticais x = xo, x = Xi , . , x = Xm subdividem,
então, R om m règiões. Subdividimos cada uma delas ainda mais, com a
ajuda das retas y = k ó/2. A: = 0, ± 1 , zb 2 , . . . , para aqueles valores de k
para os quais

9i(x) < kô/2 < (p^{x), < x<

onde [xj^u xj] é o intervalo x para a sub-região em questão (veja Fig. 13-14);
pode acontecer que nenhum segmento paralelo ao eixo x seja permitido.

iP2(x)

Fig. 13-14. Processo de subdivisão


13-3. INTEGRAL DUPLA COMO LIMITE 1267

Depois de havermos levado a efeito êste processo para todos os m inter­


valos [jco, JCi],. . [jCm-i, JCm], temos uma subdivisão de R em regiões it,,
/= n. Cada R{ é ou (1) retângulo, ou (2) uma região cuja fronteira
superior é parte do gráfico de ® fronteira inferior é um seg­
mento y = kòl2 como acima, òu (3) uma região cuja fronteira superior é
êste .segmento e cuja fronteira inferior é parte do gráfico de ou
(4) uma região Xj^i ^ x ^ jcy, ^ y ^ Agora, sejam m /, M / os
mínimos e máximos absolutos de <p2Íx) para Xj^i ^ x ^ Xj, Pela escolha
de 6, M / — rrij' < e/4. Portanto, cada Ri do tipo (2) fica num retângulo
de base menor que b e altura menor que (5/2) + (^/4). O diâmetro de Ri
é menor do que ou igual ao do retângulo, e portanto, é menor que a soma
da base e da altura. Logo, o diâmetro de cada Ri do tipo (2) é menor que

O mesmo raciocínio se aplica a cada Ri do tipo (3). Cada /?, do tipo (1) é
um retângulo de diâmetro menor que ò + (à/2), que é menor que 3e/8.
Cada Ri do tipo (4) está contida num retângulo de base menor que ò e altura
menor que (Ó/2) + (e/4) + (í/4) e logo, seu diâmetro é menor do que

Portanto, qualquer Ri tem diâmetro menor do que €, como exigido.


d e m o n s t r a ç A o d e u m c a s o e s p e c i a l d o t e o r e m a 2'.
Observamos que a área total das regiões Ri do tipo (2) é menor do que

(% - % ) ( f + j ) + (»2 - % )(|- + j ) + ■ ■ ■ + ( » » - + j) =

Existem estimativas semelhantes para a área total das regiões dos tipos (3)
e (4); em cada caso, a área total é menor do que {b — á)e. Isto explica a
razão pela qual, ao computar numèricamente a integral dupla, podemos
ignorar as contribuições de sub-regiões que tocam nas curvas-fronteira
y = (p\(x), y = (p2Íx). De fato, seja K o máximo de \f{ x , y) | em R, Então,
na soma Ayy4, os têrmos que surgem destas sub-regiões têm valor
absoluto total menor que K vêzes sua área to ta l; portanto, ao todo, menor
que 3Ke{b — d). Para e suficientemente pequeno, êste número é despre­
zível num cálculo que busque uma determinada exatidão. Portanto, a
Eq. (13-28) fica estabelecida. Observação semelhante se aplica às sub-
-regiões que se encontram com as retas x = a, x = b. Para a região geral R
limitada por um caminho simples, fechado e suave por partes C, a contri-
1268 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES PE VÁRIAS VARlAVEIS CAP. 13

buiçâo para a soma, de sub-regiões confinantes com a fronteira, pode ser


ignorada simplesmente porque a fronteira pode ser coberta por um número
finito de retângulos cuja área total é tão pequena quanto se queira, isto é,
a curva-fronteira tem área zero, como na Seç. 4-18.
DEMONSTRAÇAO d o l e m a d a SEÇAO 13-2. Para demonstrar
o lema, consideramos uma soma inferior A / A e uma soma superior
A"jy4. Aqui, em geral, as duas somas referem-se a duas diferentes
subdivisões de R: uma de regiões R i , ..., Rp\ outra de regiões R i \ ..
Admitamos agora que podemos encontrar uma nova subdivisão comum
d e R, isto é, uma subdivisão de R por regiões Ru • • Rn^ tal que cada R /
seja subdividida por um número finito das Ri e cada R /' fique subdividida
po r um número finito das R,. Sejam A íA a soma inferior e ^ M i A íA^
a soma superior para a subdivisão dada pelas Ri. Seja R i\ por exemplo,
a união de Ri, R2 e Rz, Já que Ru R 2 e Rz estão contidas em R i\ mi não
pode exceder rtiu ou rrizy e portanto,
A[A — -h A^A + A3A) = A^A H- m'^ A^A + A3A
< AjA + rug AgA + A3A.
Raciocinando anàlogamente para todas as R / e para as somas superiores,
concluímos que

A;A < A,A < A,A < A;'A


e nossa afirmativa procede.
Em geral, não se pode achar uma subdivisão comum Ri,..., Rn. Con­
tudo, pode-se dividir R por retas paralelas aos eixos como na Fig. 13-7,
dividindo também, assim, cada R / e cada Ry" em pequenas regiões que são
ou quadrados ou quadrados parciais que confinam com as curvas-fronteira
das R í e das Ry". Se ignorarmos os quadrados parciais e considerarmos
apenas aquêles quadrados Ri, R2,,..., que se encontram totalmente contidos
nas Ri e nas Ry", teremos, com efeito, uma subdivisão comum Ri, Rn
e poderemos raciocinar como antes. Para uma subdivisão suficientemente
fina, o êrro cometido pelo desprêzo dos quadrados parciais pode ser redu­
zido ao mínimo que se quiser e se conclui que a soma inferior dada não
pode exceder à soma superior dada.

PROBLEMAS

1 . Justifiaue as desigualdades:

(a) 0 < J J (,v2 + y 2) < 30 onde ^ é o retângulo 0 < * < 1 , 0 < y < 3
PROBLEMAS 1269

(b) < JJ áA < onde Jl é a região 0 < * < 1, 0 < y < 1 + *2.
R

(c) 1 + e < J J dA < 5 e onde R é o quadrado: 0 < ;c < 2 ,


R
0 < t/ < 2. (Sugestão. Subdivida R cm quatro quadrados.)

(d) 2L zl < f f ^ dA < 1 4- — ^ , onde R é z, região circular

H- t/2 < 1 (Sugestão. Subdivida R pelas retas x = ± \ / 2 / 2 , t/ = ± V 2 /2 .)

2. Mostre que se A: é uma constante, então ^ k d A = kAy onde A é z área de R.


R
3. (a) Avalie f f (x + y) dA, onde R é z região limitada pelo quadrado de vértices
( 1 , 1 ), ( 1 , — 1 ) ,,( — 1 , — 1 ), ( — 1 , 1 ) e pelo quadrado de vértices (2 , 2), (2 , — 2),
( - 2, - 2), ( - 2, 2).
(b) Avalie f f (x^ + >^) dA, onde R é o anel limitado pelos círculos 4- = 1,
R
= A.
4. Seja R a região entre o círculo x* 4- = 1 c a dipse 4- = 16. Mostre que
(* n ^2 « \/l 6—4x2
J J /(^> y ) d A = J J /i(x , t/) di/ dx ,
V •'-2-'-n/Í6=:4Í^
onde f\(x ,y ) = f( x » y ) em f^ {x.y) — 0 dentro do círculo x^ ^ (Assim,
para x fixo entre — 1 e 1 , / i é continua por partes em y.)
5. Seja / contínua em 4- >^ < 25. Sejam /?2, . . . , definidas da seguinte ma­
neira:
« 2- 4- < 4, R^: (x - 3)2 + < l,
R^: x 2 + t/2 < 1 , R^: (x - 1)2 + i/2 < L
Seja Ci z fronteira de R^ para i = 1, . . . , 5. Seja /»• a integral dupla de / sôbre Ri e
sejam
Jl = 10, J2 = 3, J3 = 1, J4 = 6, J5 = 2

Ache a integral dupla de / sôbre a região limitada pelas curvas:


(a) Cl e C2. (b) Cl, C3 e C4. (c) C2 e C4.
(d) Cl, C2 e C3. (e) C2 e Cs. (f) Ci, C3 e Cs.
Í x
f{t) dt, FjW =
O
= Ç F ,{t)d t, F Jx )= fF ,_ ,{t)d t
0 ‘'0
(a) Mostre que, para x > 0,

ff
'^0 ‘'0
f(t)g (v -t)d td v = ff
‘'0 •'0
f(t)g(u) du dt.

(b) Mostre que F 2(x) = f f{t){x — t) d t .


•'0

(c) Mostre que F„(x) = fV (* ) ~ dt.


‘'0 “ 1)!
1270 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

7. Seja uma região de área A, como no Teorema 1 e seja R subdividida em regiões


convexas Ri, com norma menor que 5. Suponha que / tenha derivadas parciais pri­
meiras contínuas numa região aberta contendo R e que 11 V / | | < AT em Mostre
que se $ < €l(KA), então

f{x, y ) d A - ^ f { è i , r t i ) A,A <<


i /j
R <=i
(confronte o Teorema 24, Seç. 4-25). Nota: Um conjunto E cm RP chama-se convexo
se, para cada par de pontos A, B em E, o segmento de reta AB estiver em E,
8. Descreva cm detalhe uma subdivisão áe R: 0 < x < t, sen < ^ < 4 — 2 sen x, de
norma menor que J .
9. Complete a demonstração do Teorema 6.

13-4. [ntegrais Duplas em Coordenadas Polares

Voltamos a considerar, em primeiro lugar, a expressão para a integral


dupla de uma função g (x, y) sôbre uma região R: a ^ x ^ b, <pi(x) ^ y ^
< tpzix), como na Fig. 13-10. Se subdividirmos como nessa figura e ex­
cluirmos aquelas regiões que tocam as fronteiras superior e inferior (como
nos é permitido), estaremos tratando apenas com retângulos e A{A =
AiX para cada sub-região. Então, como no Teorema 2',

J j g(x>y)dA = j j g(x,y)dydx =
(a?)
(13-40)

Í—1
Seja dada agora uma região R em função de. coordenadas polares r,
6 pelas desigualdades
a < 6 <P, pi{6) < r < p^iO), -(1 3 -4 1 )

onde pi(6) e P 2 (6) são contínuas para a ^ 0 ^ ^ , l 3 — ot:^ 2ir, eO ^ p i(0 ) <
< P20)> exceto talvez para P i ( a ) = pzCoc), P i 0 ) = P 2 0 ) (veja Fig. 13-15).
Então, por analogia com a Fig. 13-10, subdividimos a região R em regiões Ri
com a ajuda de raios e arcos circulares, como na Fig. 13-15. Se não le­
varmos em conta aquelas regiões que tocam as fronteiras r =Pi{0), r = P2(0),
então, cada Ri tem área
A^A = r^AifA^O,

onde n* é a média dos raios interno e externo de Ri, como na Fig. 13-16
(Probl. 3 adiante).
13-4. INTEGRAIS DUPLAS EM COORDENADAS POLARES 1271

Fig. 13-15. Regiào para integral dupla em Fig. 13-16. Sub-região


coordenadas polares básica

Agora, seja a função / definida e contínua em R. Então, pelas equações


X = r COS 6, y = r sen d, f pode ser expressa em função de coordenadas
polares e torna-se uma função contínua de r e 0; de f a to ,/(x , y) = f ( j cos 0^
r sen 0) = F(r, 0). Desprezando as sub-regiões que tocam as fronteiras
r = j?i(0), r = P2(0), a soma para a integral dupla de / sôbre R torna-se

2 F(r<, <?;) A,A = 2 F(rí, A,r A,ft


*=1 i= l
Aqui, (r/, 0/) são coordenadas polares de um ponto arbitrário em R{. Po­
demos, em particular, tomar r/ = r,*. Então, nossa soma torna-se

i= l
Esta tem a mesma forma que a soma em (13-40), com A{y substituído por
A,r, A{X por A^0 e a função g(x, y) pela função rF(r, 0). A condição “nor­
m a —» 0” em (13-40) é equivalente a “ valor máximo de | AiX 1 + A,_y \ 0”,
e portanto, toma-se “ valor máximo de I A,r | 1A ^ \ -» 0 ” que, por seu
turno, implica “norm a—>0” para as subdivisões de R na Fig. 13-15. Por­
tanto, (13-40) permite-nos escrever

\\fdA=\ f F (r,0)rdrd0= lim V F (r t, A ,r A^^ (13-42)


V « Pi<«> n o r m a ^ 0 ._ j

Esta equação permite-nos avaliar integrais duplas sôbre regiões mais


fàcilmente descritas em função de coordenadas polares, especialmente regiões
circulares 0 ^ 0 : ^ 2ir, 0 < r ^ a. A fórmula é relembrada com mais faci­
lidade na forma
dA = rdrd0, (13-43)

que descreve o fato de que nossa região básica F, é aproximadamente um


retângulo com lados dr e r dd, como na Fig. 13-17.
1272 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Fig. 13-17. dA em coordenadas polares

A fórmula (13-42) também decorre de uma fórmula geral para integrais


duplas em coordenadas curvílíneas:
y) du dv»
/ / / {x, y) dx dy = ^ ^ f H u , ‘o ),y{u,v)]
d{u, v)

Isto será discutido na próxima seção. Para coordenadas polares, tomamos


u = r, V = d, e o fator iacobiano (note o valor absoluto) torna-se
9(^. y) _ dx/dr dx/dO —rsen0
— 11 COS0
11 —
0(r, â) ~ ' dy/dr dy/dO sen 0 r cos 0
= r cos^ d -h rsetf í = r

Fig. 13-18. Ex*. 1 Fig. 13-19. Ex. 2

EXEMPLO 1 Ache o volume da região sólida sob a superfície z = 3 —


— para < \ (veja Fig. 13-18). Aqui, R é dada pelas
desigualdades 0 ^ 0 ^ 27t, 0 ^ r ^ 1 e / é dada em coordenadas polares
por 3 — r2 (cos2 0 + 2 sen2 0). Portanto,
13-5. OUTRAS COORDENADAS CURVILINEAS 1273

V = r r fd A = r r (3 - r2(cos2^ + 2sQn^ e))rdrdO

cos^e 2 se n 2 ^ \^ ^ 9t7
= 4, l ã - ^ ------------4— j ‘® = — •

EXEMPLÒ 2 Avalie a integral dupla de z — f (x, y) = y /x ^ + sôbre


a região triangular de vértices (0, 0), (1, 0), (1, 1). A q u i,/ = r em coorde­
nadas polares, R é dada por 0 ^ 0 ^ tt/4, 0 < r ^ sec 0 (veja Fig. 13-19).
Portanto, a integral é
f -TT-Zé -SeCÔ ^-TT/é
r f2drd0=4r sec30d0
u ‘V O
'7T/4
= —[sec0 tg .^ + In (sec B + tg, ^)]
6 0

= - |[ \ / 2 - M n ( l + V2)].

Observação. Uma vez que temos uma integral iterada, como na ex­
pressão do meio em (13-42), podemos esquecer que r, 0 são coordenadas
polares e podemos tratar a integral exatamente como se fosse em x e
A região de integração pode ser representada como na Fig. 13-20. Quando
esta região é do tipo apropriado, pode-se também* integrar na outra ordem.

Fig. 13-20. Região de integração para (13-42), com r, d representados como coordenadas
retangulares

J13-5. Outras Coordenadas Curvilíneas

As coordenadas polares são um exemplo de "coordenadas curvilíneas’^


no plano. Outras coordenadas curvilíneas são obtidas através das equações
X = H{u, u), y = G{u, v ) (13-50)
1274 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

para (u, v) numa região Ruv no plano uv. Sob condições adequadas em H
e G. estas equações descrevem transformações contínuas biunívocas de R^y
sôbre uma região Rxy no plano xy, como na Fig. 13-21 (veja Seç. 12-16).
As retas u = const., v = const. em R^v tornam-se curvas em Rxy com auxílio
das quais associamos coordenadas curvilíneas (w, v) aos pontos de Rxy. No
caso de coordenadas polares, a região Ruv é tipicamente como na Fig. 13-20
e Rxy como na Fig. 13-15; as retas w = const., v = const. são as retas
r = const., 6 = const., que se tornam os raios e os círculos da Fig. 13-15; as
equações de transformação (13-50) são as equações x = r cos 9, y = r sen 9

u = 3

fig . 13-21. Coordenadas curvilíneas introduzidas por uma transformação

Se subdividirmos Ruv por paralelas aos eixos w e v e ignorarmos as sub-


-regiões que tocam a fronteira, obteremos retângulos de lados AiU, A y. Um
tal retângulo Si corresponde a um retângulo curvilíneo R'i no plano xy;
a área A íA de Ri pode ser encontrada da área do retângulo correspondente
em Ruv e das funções de transformação (13-50). Quando F t G têm deri­
vadas parciais primeiras contínuas, temos a fórmula

A,A = y) (13-51)
«=«' Ajü,
0(w, v) v — v'

onde ( m', v ') é um ponto adequadamente escolhido em Si. De (13-51) de­


duz-se que o determinante jacobiano é, exceto o sinal, o limite de razões
entre áreas;
y) lim A..A
u~un =
d{u, v) v — vo diâm. dc S,-+0 A u A ü

Assim, o determinante jacobiano é, em certo sentido, uma generalização da


derivada para duas dimensões. De (13-51) deduz-se, raciocinando-se como
na Seç. 13-4, que
a(x, y)
f f f d A ,^ = f f F(u,v) dA MV5 (13-52)
d(u, v)
13-5. OUTRAS COORDENADAS CURVILÍNEAS 1275

onde / é contínua em e, à direita, F{u, v) = f[H (u , v), G{u, v)]. No


caso de coordenadas polares, o determinante jacobiano é \d(x, y)ld(r, d)\ = r,
como se mostra na Seç. 13-4, e (13-52) torna-se, para uma região como a
da Fig. 13-20,

fd A ,^ = f f F rd A ,, = f f ^ '''F i r , e ) r d r d 0 .
/ /

íirff
N a Seç. 11-17 apresentamos uma demonstração de (13-51) para o caso em
que a transformação (13-50) é linuar; o caso de coordenadas polares foi
tratado no Probl. 5 ao fim da Seç. 12-16.
Para uma demonstração de (13-51) ou de (13-52), deve-se recorrer a
textos sobre Cálculo Avançado, por exemplo, a Seç. 5-14 do livro de
W. Kaplan, Advanced Calculus, Addison-Wesley, Reading, Mass., 1955.
Podemos deduzir (13-51) intuitivamente da seguinte maneira: próximo a
um ponto determinado (uo, vo), H t G podem ser aproximadas por funções
lineares, de modo que nossa transformação é dada aproximadamente por

X = Xo -1- a(u - Uo) -I- h { v - Uo),


(13-53)
y = y o + c { u - Uo) -I- d { v - üo).
onde
a = H„(uo, üo). b = H„(uo, üq), c = G^iu^, Vq), d = G^ { uq , üo).

Obtemos esta aproximação linear da transformação pela Fórmula de Taylor


ou, equivalentemente, escrevendo dx = H^du + Hvdv, dy = Gudu + Gvdv e
aproximando A x = x — Xq por dx. Ay ^ y — yo por dy. De (13-53), desco­
brimos que o retângulo uo ^ u < uq+ A u, vq ^ v < Vq + A v corresponde
a um paralelogramo no plano xy, como na Fig. 13-22. Duas arestas orien­
tadas dêste paralelogramo representam os vetores Au{cn + cj), Av(éi + d}).
Portanto, (veja Seç. 1-12) a área do paialelogramo é
a Au c Au Hu
= ± Au Av = ± Au Av Hu
b Av d Av

(xQ-^aAu-i-bAv, yo-¥cAu+dAv)

(xQ-^aAu, yo-¥cAu)
(xQ+bAv, yo+dAv)

• (xQ,yo)

Fig. 13-22. A aproximação linear para uma transformação

onde o sinal é escolhido para dar um resultado positivo e Hu........ G, são


avaliadas em (uo, Vo). O paralelogramo aproxima uma sub-região Ri. e
1276 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

portanto, sua área aproxima A,y4. Logo, é razoável que A^A seja dada
como em (13-51).
EXEMPLO X = t/2 — v2, y = 2uv em 1 < u < 2, _ l < v < l .
Aqui, descobrimos que a região é, como na Fig. 13-23, limitada por
quatro arcos parabólicos (Probl. 4 adiante).

vA

J_____ L

13-23. Transformação x = ^ .= luv

As retas* u = const., v = const. são também arcos parabólicos. Para avaliar


a integral dupla de / (x, y) = x sobre Rxy^ escrevemos
-,2 2u —2ü
dv du =
2ü 2u

= 1 I — ü^)(4u^ + 4t;2) dü dw=


•'i *'-1

= 4 J" J '

Observação. Para mais discussão sôbre a interpretação de um deter­


minante como razão de áreas ou, em espaços «-dimensionais, como razão
de volumes «-dimensionais para transformações lineares, veja Seçs. 11-18
e 12-16.

PROBLEMAS

1. Avaliar, com a ajuda de coordenad^ polares:

(a) J / dA, R: + y^<4.

(b) J J ( * ^ + y) dA, R: < 1.


13-6. INTEGRAIS TRÍPLICES 1277

(c) f f ^ y dA, i í : Ó < t / < V 2 /2 , t / < ^ < \/l — (setor,circular).


R

(d) J J xy^ dA, R: 0 < X < 2, 0 < y < V4 — x^ .


R

(e) J J / d A , f ( r , 6) = cos (9, fí: 0 < ^ < 77/2, 1 < r < 1 + sen
R

(f) J J /d A , /(r, = COS H : 0 < ^ < 7 7 , 0 < r < 2 —sen


R

(g) J f f d A , f ( r , 0 ) ^ r , R : O < 0 < w/2, 0 < r < 6.


R

(h) J J f d A , f{r, 6) = e^, R-.O < 6 < Stt, é / 2 < r < (faça um gráfico dá
R região R)
2 . Ache o volume do sólido com a ajuda de coordenadas cilíndricas r, 6, z:
(a) O cilindro sólido: 0 < r < a , 0 < 6 < 2ir, 0 < z < h,
(b) O cilindro sólido de altura h cuja base é a região encerrada pela cardióide r == a
(1 + COSB).
(c) O volume da região abaixo do plano z = 2 + jc + ^ para -]r = 1.
(d) O volume abaixo do plano z = 2 — x — y para ^2 < \
(e) O volume do cone sólido acima da superfície z^lh^ = (x^ + y^)la^ e abaixo do
plano z = h, para x^ y'^ < a^.
(f) O volume do toro obtido pela rotação, em tôrno do ebco z, da região circular no
plano x z com centro em {b, 0, 0) e raio a, onde 0 < c < ó.
3. Mostre geomètricamente que a região R{ da Fig. 13-16 tem área Aj-r Lfi, onde
Vi* é a média dos raios dos dois arcos circulares.
4. Mostre que o Exemplo da Seç. 13-5 leva ao gráfico da Fig. 13-23.
5. iSeja a transformação- a: = 3« — v, y = u -\'2v dada em R^^,: 0 < w < l , 0 < v < l .
Mostre que a região correspondente Rxy no plano xy é um paralelogramo e avalie

J J ^xy dA^y

por meio de (13-52).


6. Seja a transformação x = cos v, y = sen v dada em R^^\ 0 < « < l , 0 < v < 7t/ 2 ,
Ache a região correspondente Rxy no plano xy e avalie

J J x^ydA^y^

13-6. Integrais Tríplices

A integral dupla tem uma extensão natural para o espaço tridimensional:


a integral tríplice

/ / / / ,. o„ / / / /(x, y, z) dx dy dz (13-60)
1278 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

e para o espaço «-dimensional, a integral n-dimensional

/ • • • / /(% . • • •. ou J - • j f(x^, dxi dx„

Estas integrais (para n '> 2 ) são chamadas integrais múltiplas. Nesta seção,
estudamos a integral tríplice. A integral múltipla «-dimensional pode ser
estudada da mesma maneira, com o «-volume substituindo o volume comum
(veja Seç. 11-16; veja também o Probl. 10 ao fim da Seç. 13-7).
Para a integral tríplice (13-60), consideramos r*na função w = f { x , y, z)
definida numa região R do espaço xyz. Por analogia com a integral dupla,
quando / ^ 0, podemos interpretar a integràl como o volume (de quatro
dimensões) abaixo da "superfície” w = f ( x , y , z ) no espaço xyzw. Assim,
somos forçados a passar para o espaço tetradimensional para esta inter­
pretação. Um modêlo fácil de se compreender é o de massa e densidade.
Imaginamos f como densidade, em unidades de massa por unidade de vo­
lume. Então, (13-60) dá a massa total do sólido que ocupa a região R.
Uma cuidadosa discussão de regiões R apropriadas para integrais trí­
plices conduz-nos a uma área de alguma complexidade. Não tentamos tal
discussão aqui e procedemos intuitivamente. Estamos a pensar no objeto
sólido típico que temos em volta de nós: uma nesa, uma cadeira, um edi­
fício, uma ponte, a Terra inteira. Em cada caso, estamos tratando com
uma região fechada, limitada, cuja fronteira parece ser formada por um
número finito de superfícies; cada superfície limitante é suave, exceto quanto
a um número finito de arestas e cantos onde^ se juntam as porções suaves.
Exemplos matemáticos típicos são: uma esfera sólida ou uma bola, um
cilindro sólido (limitado por três superfícies suaves que se ajustam ao longo
de dois círculos), um cubo sólido (limitado por seis superfícies suaves que
se ajustam ao longo de 12 arestas), um toro sólido (limitado por uma super­
fície suave), uma casca esférica entre duas esferas concêntricas (limitada por
duas superfícies suaves). Referir-nos-emos a cada uma destas regiões como
a uma região sólida *'standard"\ Uma classe bastante importante destas
últimas consiste daquelas regiões R que, para escolha adequada de coorde­
nadas no espaço, são definidas pelas desigualdades
a<x<b, <jPi(x) <y < y) < z < (13-61)

onde <p\0 <p2 são contínuas em [a, 6] e e ^2 são contínuas para a ^ x ^ b,


<Pi(x) ^ y ^ fPiM (Pig- 13-24). A maioria das regiões que ocorrem nas
aplicações é dêste tipo ou pode ser subdividida num número finito de
regiões dêste tipo.
O diâmetro de uma região sólida fechada e limitada R define-se como
em duas dimensões: é o supremo do conjunto de todas as distâncias | \BÃ\ |
13^. INTEGRAIS TRÍPLICES 1279

entre pares de pontos de R. Por uma subdivisão de uma região "standard”


R, queremos dizer uma representação de R como uma união de regiões
"standard” R \,,,,,R j^ , cada duas das quais se interceptam sòmente ao
longo das superfícies-fronteira. Por norma da subdivisão, queremos dizer
o diâmetro máximo de R^^.

z = \p2(x,y)

y = <Pi(x)
Fíg. 13-24. Região típica para integral tríplice

Admitimos agora que toda região sólida "standard” R tem volume V,


Uma demonstração disto, baseada numa definição precisa de região "stan­
dard” e numa teoria matemática do volume, exige instrumentais mais avan­
çados; o problema análogo para a área é discutido nas Seçs. 4-18 e 7-4.
Para uma região como a da Fig. 13-24, o raciocínio da Seç. 13-1 nos leva
a uma expressão para V como uma integral dupla

j j ['p2Í^>y) - ! / ) ]

onde Rxv é a região a ^ x ^ b, (P\{x) ^ y e ^2 são como em


(13-161).
Admitimos também, como foi feito para as integrais duplas, que toda
região sólida "standard” R tem uma subdivisão de norma arbitràriamente
pequena. Isto pode ser provado como na Seç. 13-3 para uma região como
a da Fig. 13-24. Pode-se demonstrar também, como naquela seção, que o
volume total das sub-regiÕes que tocam a fronteira de R se aproxima de 0
quando a norma tende a 0; admitiremos que isto foi demonstrado para
todas as regiões "standard” . Sucede então que, como p ara.as integrais
duplas, ao obter-se a integral tríplice como limite de uma soma, podem-se
incluir ou ignorar têrmos que correspondam a sub-regiões que tocam a fron­
teira.
Definição. Seja R uma região sólida "standarc'” no espaço xyz e seja
a função / definida e contínua em R. Então,
1280 ca lcu lo INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

J J J f{x, y, z) d V = inf ( 2 M, A, v ) ;

onde o ínfimo é tomado sobre todas as subdivisões de R em sub-regiões


R i y . . Rny à i V é o volume de R{ e Af» é o máximo absoluto de / em Mi.
Da definição deduz-se, como para a integral dupla, que

IIIR
í2 "^1
'■1=1
'
onde nti é agora o mínimo absoluto de / em R{. Sucede que o Valor I da
integral tríplice é aquêle único número tal que

2m ,A iV <Z<2M iA ,V
i=l 1=1
para tôdas as subdivisões de R.
Além do mais, a integral tríplice pode ser obtida por um processo de
limite como o da Integral de Riemann:

( f f fix , y, z )d V = lim 2 m , Vi, ?i) ^ V, (13-62)


JJJ nQrmar->0
R ^=1
onde rjty é agora um ponto arbitrário em Ri, Na soma à direita
podem ser omitidos alguns ou todos os têrmos provenientes de sub-regiões
Ri que tocam a fronteira de R,
Integral Iterada. Somos levados a uma integral iterada pelo seguinte
raciocínio intuitivo: consideramos / como densidade e admitimos que R,
como na Fig. 13-24, é descrita por (13-61). Podemos computar a massa
total dividindo R em fatias finas por meio de planos perpendiculares ao
eixo X. Dentro de cada fatia, jc é efetivamente constante, de modo que a
densidade depende apenas áe y g z. Portanto, a massa total da fatia é,
aproximadamente, dada por uma integral dupla em relação a, y g z. Pode-se
escrever
Am = /(x, T], ?) Axj
onde Am é a massa da porção da fatia para a qual (y, z) se encontra numa
pequena região Ryz, AAyzé a área de Ryz, A x é a espessura da fatia e (77, f)
está em Ryz, Por conseguinte, a massa total da fatia é, aproximadamente,
r. p ^(P2Íx) yp2(x,y)
D
J J<pi(x) rpiix^y)
J y^
onde integramos sobre toda a seção transversal no x dado. A soma das
massas das fatias é uma soma para uma Integral de Riemann em relação a x.
Passando ào limite obtemos:
13-6. INTEGRAIS TRÍPLICES 1281

«b ^<P2 Íx) 2 ix,y)


massa total = í I I f{ x ,y ,z ) dzdydx*
a (piix) \pi(x,y)

Somos assim levados à regra básica: para uma região definida por
(13-61), como na Fig. 13-24,
J j J /(*. y ,z )d V = J J J f{x, y, z) dz dy dx. (13-63)
fl a (ar)
Uma demonstração estrita pode ser dada como na Seç. 13-2* Ao aplicar
(13-63), deve-se notar que qq b são o menor e maior valores de x no sólido,
e são o menor e o maior valores de^ no corte de R por um plano
X = const. e yl/\{x,y) e yl/2{x,y) são o menor e maior valores de z em R,
para x c y fixos. Existem fórmulas análogas para os casos nos quais R é
representável por fórmulas como (13-61), mas com os papéis de jc, e z
permutados, como por exemplo:
a <z<b, <pi(z) < y < <P2(z), 4^^{y, z) < x < xP^iy, z).
Existem 6 casos ao todo (correspondentes às 6 permutações xyz, zxy, yzx,
xzy, zyx, yxz). Para algumas regiões, duas ou mais diferentes represen­
tações podem existir. Tem-se então a opção de duas ou mais diferentes
ordens de integração.
Para todos os casos, deve-se operar de fora para dentro. Em (13-63),
a variável externa é x, 2l variável imediata é e a variável interna é z. Para
estabelecerem-se limites para uma integral típica, deve-se resolver qual va­
riável deve ser a externa, qual a imediata e qual a interna. Deve-se então
seguir estas etapas em ordem:
Etapa 1. Ache os valores menor e maior da variável externa; se estes
valôres forem a q b, respectivamente^ e a variável externa fôr x, poder-se-á
então escrever
f{ ...) d . . . d . . . dx\.
////<
Etapa 2. Considere a variável externa fixada num valor, determinando
um corte da região sólida; determine os valôres menor e maior da variável
imediata nesse corte. Se ;c é a variável externa e a variável imediata é y,
então os valôres menor e maior de y são (p\{x) e respectivamente, e
pode-se escrever agora
^ ^ .5 (P2(x)
J J J/(. . ) d z d y d x .
a (pi(x)
Etapa 3, Finalmente, fix e a variável externa e a variável imediata em
valôres típicos, restringindo consequentemente a atenção aos pontos da região
numa Unha reta; determine os valôres menor e maior da variável interna nessa
reta. Se x é a variável externa, y a variável imediata, então z é a variável
interna e os valôres menor e maior de z na reta .v ^ const., r ^ const. são
1282 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

y) e y)y respectivamente, e obtém-se (13-63).


EXEMPLO 1 Seja R o paralelepípedo retangular 0 < x ^ h, 0 < y ^ k,
0 < z < 1. Então,

0 0 0

=JJ0 Tg 2;
Z— l

z=0
dy dx=

= JJ x^e^ Tg J x ^ Tg ~ ^ l e ^ y —k
^ ld y d x = dx=z
"'0 0 0 y=0
.h
= f x^^ Tg ^ l{e^ — l) dx = — Tg l{e^ — 1).

Poder-se-iam usar aqui todas as 6 ordens. O exemplo ilustra o fato de que,


numa integral iterada, pode-se muitas vêzes fatorar e escrever a integral
como um produto de integrais. Assim, quando a i , . . . , 63 são constantes e
o integrando fatora em f{x)g{y)h{z),

fI f f(^ 'fê (y M ^ )d z d y d x ^ J f(x )d x f g(y) dy f h{z)dz

pois o resultado de integrar-se em relação a z é uma constante que pode ser


fatorada; o mesmo se aplica à integração em relação a y, Anàlogamente,
se c \j/2 são constantes, digamos az, bz q o integrando fatora, então
p^2Íx) hs pbi ^(p2 Íx) 63
I I I f(x, y)h(z) d z d y d x ^ l I f(x, y) dy dx / h{z) dz
dl (plix ) Ü3 dl (p lix) ds

pelo mesmo raciocínio.


EXEMPLO 2 Seja R o tetraedro de vértices (0, 0, 0), (1, 0, 0), (0, 2, 0),
(0, 0, 3), como na Fig. 13-25. O plano que passa pelos três vértices distintos
de (0, 0, 0) tem equação

e portanto, R é definida pelas quatro desigualdades


13^. INTEGRAIS TRÍPLICES 1283

^ > 0, !/ > 0, z>0, 6ac + 3y + 2z — 6 < 0


(veja Seç. 11-15). Escolhemos z para variável externa, y para a imediata
e X para a interna. Etapa 1: o menor valor de z em /í é òbviamente 0 e
o maior valor de z é 3. Etapa 2: para z fixado, entre 0 e 3, (jc, y) varia por
sôbre o triângulo jc > 0, > 0, 6x + 3>^ < 6 — 2z (Fig. 13-26). Então, os
valores menor e maior de y são 0 e (6 — 2z)/3, respectivamente. Etapa 3:
para z q y fixados, x varia entre 0 e (6 — 2z — 3;^)/6. Portanto,
-^^ o 6-2z Q-2z-Zy
,{x -I- z) dx dy dz

6 dy dz =
= j J . M 2 + “ ;L ..
Neste exemplo, podem ser usadas todas as 6 ordens. Naturalmente que os
limites de integração mudam quando mudamos a ordem da integração.
EXEMPLO 3 Seja R o hemisfério x^ + y^ + z^ < 1, y > 0, como na
Fig. 13-27; então,
rr r •v T ^ pyjl-x^—
ri rV'i--x^ V 1 -X 2 -2z^
-JJJ iJ _ ,/r :p fo f( x ,y ,z ) d y d z d x

Í 1 çy/l —z^ ry/l —y^—z^ /(x, t/, z) dx dy dz


.2 ./ Q _-1vT:
Para a primeira integral iterada, a Etapa 1 dá — 1 e 1 como valores menor
e maior de x. Então, a Etapa 2 dá — \ / 1 — x \ *\/ 1 — x- como os va­
lores menor e maior de z para x fixado; o corte x = const. é uma região
semicircular (Fig. 13-27). Finalmente, a Etapa 3 dá 0 e 1 — — z^
como os valores menor e maior de y para x q z fixados; considera-se aqui
uma reta na qual x e z são constantes, como na Fig. 13-27. Para a segunda
integral iterada, o raciocínio é semelhante.

=-v r^

Fig. 13-27. Ex. 3


1284 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Outras Propriedades das Integrais Tríplices. Arrolamos aqui proprie­


dades análogas àquelas das integrais duplas. As demonstrações são as
mesmas. Em todas elas, R é uma região sólida ''standard” de volume V,
e f c g são contínuas em R,
1. Se K ^ f {x, y, z) ^ L em R, então
K V < j j / / (x, í/, z) dV < LV.
R
2. Se Cl e C2 são constàntes, então
f ^ 2 g ) d V = Cj J f f f d V + C2 J J j g d V .
R R R
3. Se R é subdividida em regiões ''standard'^ R i e R 2, então

R R, R-i
4. Para uma região R como em (13-61),
r c r (p2Íx) 2 i x, y)
i i i y>^)dV = j j J f(x, y, z) dz dy dx =
a *^<pi ix) {x, y)

norma—>0

onde para a última soma, R é subdividida por planos perpendiculares aos eixos
coordenados em paralelepípedos retangulares Ri (/ = ! , . . de arestas
/^iX, à.iy, ^iZ e outras sub-regiões que tocam a fronteira de R e que são despre­
zadas na soma.
As seguintes propriedades adicionais serão discutidas na Seç. 13-8 mas,
por conveniência, também as arrolamos aqui.
5. {Teorema do valor médio para integrais tríplices.) Para algum
( t 17, D em R,

6. Se f {x, y, z) < g{x, y, z) em R, então

iiÍ f{ x ,y ,z )d V ^ iii^ ix ,y ,z )d Y

1. Se Ry é uma região ''standard'" contida em R e f { x ,y , z ) '> 0 em R,


então

R, R

8. lim = /(•'■„> '/„> ~o)


d iâm . d e A / í—►{) A V
13-7. INTEGRAIS EM COORDENADAS CILÍNDRICAS' E ESFÉRICAS 128S

onde no processo de limite consideram-se regiões **standard” AR, de volume


AV, contidas em R e contendo (jC o.^o, Zo).
9. S e f( x , y, z) > 0 em R e f f f f ( x , y, z) d V = 0, então f { x . y. z) =r0
R
em R.

13-7. Integrais Tríplices em Coordenadas Cilíndricas e


Esféricas

Coordenadas cilíndricas r, 0, z (veja Seç. 11-20) são mais adequadas


para uma região “standard” R definida pelas desigualdades
a < 6 < P, <Pi(0) < r < <p Í ), 2 0 ypi(r, 0) < z < \p (r, 6),
2

z = \p 2 ( r ,d )

e= a A ; r ^ '1 ,

Fig. 13-28. Região para integral tríplice em coordenadas Fig. 13-29. O elemento de
cilindricas volume para coordenadas
cilíndricas

como sugere a Fig. 13-28. Se se subdividir R por planos passando pelo


eixo z (planos d = const.), planos perpendiculares ao eixo z (planos z =
= const.) e cilindros (superfícies) circulares retos r = const., e desprezar
as sub-regiões que tocam a fronteira de .obtêm-se sub-regiÕes como as
da Fig. 13-29. Para uma norma pequena, cada sub-região Ri é aproxima­
damente um paralelepípedo retangular de arestas A /, A^z e r/ Ai0, onde r /
1286 c Al c u l o in t e g r a l de fu n çõ es de v a r ia s VARIAVEIS CAP. 13

é um valor médio de r em R{. De fato, como para A íA em coordenadas


polares (Seç. 13-4),
\ V = rl^^zà^r^^e
onde r,' é a média dos raios interno e externo (Probl. 6 adiante). Para avaliar
yX /* / dV, onde / = / (x, y. z) é contínua em R, escrevemos
f{x, y, z) = f{r COS 6, rsen í, z) = F(r, 0, z).
Podemos escrever então:

i /( li, ^íi, U) Ai V = 2 F(rr. Oi, z'^Yi ^6.


Í-1 i=l
Podemos -admitir aqui que rji, f») são escolhidos de modo que r / ' = r /.
Podemos então aplicar a Regra 4 da Seç. 13-6, exatamente como na Seç. 13-4,
e concluir:
r r P P<P2Íff) f*^2ÍTye)
j\\fd V = \ I I F{r,e,z)rdzdrdB. (13-70)

Como para as coordenadas polares, o lado direito pode ser interpretado


como uma integral tríplice sobre a região Rrdz no espaço rdz, com r, 0, z
consideradas como coordenadas retangulares. Escrevemos então (13-70) da
seguinte manejra:
= J J J/(r COSe, Tsene, z)r . (13-71)

Esta fórmula é aplicável não sòmente a uma região como a da Fig. 13-28
mas também a uma região “ standard” arbitrária Rxyz.
Para coordenadas esféricas p, <p,6 (Seç. 11-20),
X sen (p cos 0, y = psca<p sen 6, z = p cos <p
e prosseguimos por um raciocínio análogo. Começamos com uma regiãc
“ standard” R como na Fig. 13-30:
a < 0 < ^, gi(d) <(p < g2(0), Yi<p, 0) < p < 6)

P = h2(<P, 0)

Fig. 13-30. Região para a integral tríplice em coordenadas esféricas


13-7. INTEGRAIS EM COORDENADAS CILÍNDRICAS E ESFÉRICAS 1287

Subdividimos então R por planos 6 = const, cones <p = comt. e esferas


p = const. (superfícies). Obtemos uma sub-região típica como a da Fig.
13-31. Raciocinamos aqui intuitivamente que se a sub-região R, tem norma
pequena, então Ri é aproximadamente um paralelepípedo retangular com

Fig. 13-31. Elemento de volume em coordenadas esféricas

arestas A,p, p / sen <p/ A^0, p /' Ai<p, onde p /, p /', cp/ são valores médios
adequados de p e ^ em R{. Portanto, esperamos
AiV = p',pr sencp; A,p A,cp A,0, (13-72)
e, no limite (como na Seç. 13-3),
^^^ -iS f.{j2ie) ^h2(q>y e)
I
I I /(^» = \ I I /(psencp COS0,.. .)p^sêíKp dp dcp d0t
R (13-73)
e, mais geralmente, para uma região "standard” arbitrária Rxyz^

fff ptsenKpCOS6, ...)p^sen<p dV^^g- (13-74)


^xyz ^p<p6
A fórmula (13~12) pode ser justificada obtendo-se primeiro uma fórmula
exata para o volume AiV ou da fórmula geral (13-75) (Probl. 7 adiante).
Deve-se notar que nossa dedução intuitiva repousa no fato de que as super­
fícies p = const., <p = const., 0 = const. se encontram ortogonalmente^ isto é,
as retas normais a duas superfícies que se encontram num ponto são orto­
gonais.
Outras Coordenadas Curvilíneas. Os argumentos geométricos especiais
usados para as coordenadas cilíndricas e esféricas levam-nos a pedir por um
método geral para computação de integrais tríplices em coordenadas curvi­
líneas. Pelos métodos da Seç. 13-5, somos conduzidos à fórmula geral
0(x, V, z)
F(W, ü, w ) — ■ á K ,,. (13-75)
d( u, V, w )
1288 01LCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARlAVEIS CAP. 13

onde X = pi(u, v, w), y = piiu. v. h»), z = paiu, v. w) e F(u, v, iv) = f(p i(u ,
V, M»),.. .)• Para discussão desta fórmula, deve-se recorrer a textos sôbre
Cálculo Avançado, por exemplo, o Cap. 5 do livro de W. Kaplan já citado.
Para coordenadas cilíndricas, tomamos u = r, v = d, w = z e descobrimos
que o jacobiano é r. Para coordenadas esféricas tomamos u = p, v = 6 ,
w = <p c descobrimos que o jacobiano é — p2 sen <p (Probl. 8 adiante). Ob­
temos assim (13-71) e (13-74).
EXEMPLO 1 Seja fipc.y, z) = 4xy. Seja R a região cilíndrica x^+ y^ ^ 1,
0 ^ z ^ 1. Então, R é dada em coordenadas cilíndricas pelas desigualdades
0 < í <27 t, 0 < r < l , 0 < z < l

4f2 sen^ COS O rdzdr dO»

Aqui, os limites de integração são constantes e o integrando é exprimível


como produto de uma função de r vêzes uma função de d. Por conseguinte,
podemos escrever a integral como
«2'7T 1 1 2'7T 1
sen2 0
I sen 6 COS 6 d9 j dz I 4r^ dr = Z
^4
= 0.
0 0

EXEMPLO 2 Seja / (x, y, z) = Seja R a região esférica x^+ y^+ z'^ < 1.
Então, R é dada em coordenadas esféricas pelas desigualdades < tf < 2tt
0 < (p < 77-, 0 < p < 1 e

/■í/ dV =f"^0 í ^0T^0 p2 cos^ (f çP' sencp dp d(p dB


■x2nr
C C 4*tt

X dff I cos^ <psén<p d<p j


•'a
dp = —
15

EXEMPLO 3 Seja / (x, y, z) = + y^ + Seja R a região x^ + y^ < 1,


0 < z ^ 4 — x^ — y^ (Fig. 13-32). Usamos coordenadas cilíndricas:

27T 1 4_7*2
f f f -h -h z^) dV = f f f 4- Z^)r dz dr d0
X ‘'o *^0 •'o
|^=4-r2
r ( ) drd0
u ‘'o ' ^ ' U=o

drdB

.2'7t / ^6 /4 _ ,2 )4 \ ir= l
13-7. INTEGRAIS EM COORDENADAS CILÍNDRICAS E ESFÉRICAS 1289

Seguimos aqui as três etapas da Seç. 13-7. Etapa 1: os valores menor e


maior de d podem ser tomados como sendo 0 e 2t . Etapa 2: para d fixado,
os valores menor e maior de r são 0 e 1. Etapa 3: para 0 e r fixados, os
valores menor e maior de z são 0 e 4 — r2 (veja Fig. 13-32). (Aqui, a inte­
gração em 6 poderia ter sido fatorada e, por conseguinte, substituída por
um fator 27t.)

Fig. 13-32. Ex. 3 Fig. 13-33. Ex. 4

EXEMPLO 4 Seja f{x, y, z) = y^. Seja R a região x- +.y^ + z- < 1,


^2 y 2 < ^2^ z > 0, como na Fig. 13-33. Aqui, podemos descrever R em
coordenadas esféricas pelas desigualdades 0 < d < 2 tt,

0 < 9 < ir/4, 0 < p < 1 e J J f (x^ + y^) dV =


R

Í
2'7T 'tt/4 1
I I (p^sen^ (jp cos^ 0 + p^sen^ çpsen^ ff)p^sen(p dp d(p dd~
u /o ^
^2ir 'ir/4 ^1
=J J J pHén^ (p dp d(p dd-
*'0 *^0 *^0
«'Tt/4 w( 4 V 5 - 5)
= jf = —

Neste exemplo, R podia ser. também descrita em coordenadas cilíndricas


pelas desigualdades:
0 < 6» < 2i7, 0 < r < V2/2, r < z < Vl -
Então,

f f f (,» + v ‘)dV = r» ***


1290 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

A integração pode ser realizada com um esforço um pouco maior do que


em coordenadas esféricas.
EXEMPLO 5 A região entre as duas hipérboles = 4, 4y- — = 16
e entre os raios z = zL y para y > 0 é rotacionada em tôrno do eixo z para
obtenção de uma região sólida i?, como na Fig. 13-34.

Fig. 13-34. Ex. 5

Procuramos a integral tríplice de/ (x, y , z) x- + y- z - sobre R , Usamos


coordenadas esféricas. No plano y z , <p varia entre tt/4 e 37t/4 e, para <p fi­
xado, p varia entre seus valores nas duas hipérboles. Agora, as hipérboles
têm equações em coordenadas esféricas (tendo d o valor tt/2 no plano yz):

4p^sen^ <p — cos^ cp = 4, 4p^sén^ ( p — cos^ ( p = 16-


Então,
) l/2 / 20 U /2
gi(«p) = ( 4sen^ C
cpp —
— cos^ Cp j - ^ - Í4sen2 ^ _ cos2 <p/ ^ ^2(9)

na região. Já que R é um sólido de revolução em tôrno do eixo z, os limites


para p não dependem de 0 e 0 vai de 0 a 27t. Portanto,
n ^ ^^ 2'
2 ' tt 37t / 4 ^g 2 Í< p )
37T/4

JJJ
^
~ J J
‘'0 *f'7/4 " J gi((p)
t
p ^ p^ sQ n cp d p dcp d d .

A integração é um tanto longa mas pode ser levadá a cabo


PRPBLEMAS 1291

PROBLEMAS

1. Avalie f f f f ix» y,z) d V para as seguintes escolhas de / e R\


R
(a) f { x , y , z ) = v Ç T " y ~ -M , fi: o cubo de vértices (0, 0, 0), ( 1 , 0 , 0), (0 , 1 , 0),
(0,0,1), (1,1,0), (1,0,1), (0,1,1), (1,1,1).
(b) /(x , y, z) = (2x — y — z)^, R: o paralelepípedo retangular 0 < x < 1,
0 < i / < 2, 0 < z < 3 .
(c) /(x , y, z) = x^yz, R: o tetraedro de vértices (0, 0, 0), ( 1 ,0 , 0), ( 1 , 1 , 0),
( 1, 1, 1).
(d) /(x , t/, z) = x^ + z^, R: a pirâmide de vértices (±1, ±1,0) e (0,0,1).
(e) /(x , y, z) = X z, R: x^ y^ z^ < ly X > 0, y > 0, z > 0.
(f) /( x , t/, z) = 2t/z, R: a região 0 < z < I — x^ — y^.

2. Escreva cada uma das seguintes integrais na forma


«<P2(ar) ^rp2ÍX,v)
I I I f{x,y,z) dzdy dx-.
a fpi(x) \pi(x,y)

13 5 -2í. «4■* ^ X
1
(a) r •r'2 ‘'4r e^dxdydz (^) fí í
•'1 •'2 *{)
dz dx dy.

l ^1 „ l—x ^~\/(x~l)-—x'^
m ____ lsen (x í/)d zd x d y , W I I x^ dy dz dx.

3. Avalie com a ajuda de coordenadas cilíndricas:

(a) f f f xy dV, R: x^ + y^ < I X > 0, y > 0, 0 < z < 1.


R

(b) J J J sen* í dV, J?: 0 < f < 1 - COS2«, 0 < 0 < V2, 0 < 2 < 1.
R

(c) j y j * dV, jR: 0 < r < e ^ , 0 < ^ < 7T, 0 < z < rsen^.
R

(d) A integral do Probl. l(e).

4. Avalie com a ajuda de coordenadas esféricas:

(a) J I J (x 2 + t/2 + z2)3/2 dVy R: x^ y^ + < h


R

(b) JJJ p^sen^<p dVy R: x^ + y^ z^ < 1 .


R

(c) JJJ P COS (<p H- ^) dV, H : 0 < p < l , 0 < ^ < tt/ 2, 0 < <p < $.
R

(d) JJJ e-P sené/ dV, K: 0 < p < 1 , 0 < ^ < 27t, 0 < cp < tt/4 .
1292 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

5. Justifique cada proposição:

(a) 847Tg-i® < J J J d Y < 847re-\ '>onde= R : I < < 16.


R

(b) / / / + (/2 + z 2 a v < / / / (x + y + z ) d V = l onde -R é o cubo do


R R Probl. 1 (a).

6. Em coordenadas cilíndricas, seja R a região < r < T2 = + Ar,


a < d < a A6, h < z < h àz. Mostre, geomètricamente, que R tem volume

AV= + r^j àrAOAz.


7. (a) Justifique a afirmativa: se uma região num plano que passe pelo eixo z fôr rota-
cionada em tôrno dêsse, mas apenas através do ângulo a (ao invés de 27t), para
formar um ''sólido parcial de revolução”, então o volume dêste sólido será o:/(2t )
vêzes o volume do sólido completo de revolução.
(b) Aplique o resultado da parte (a) para obter o volume da região (descrita por coor­
denadas esféricas):
Po < p < Po + <Po < < 9o + ^9, 0 ^ < e <6^^-
e portanto, justifique (13-172) e (13-173). {Sugestão. Aqui, o: = e o sólido,
completo de revolução é uma região sólida entre duas cascas cônicas. Pelo resul­
tado da Seç. 7-6, seu volume é
2.[(p. + Ap)> - p.*I
Mostre que isto pode ser escrito na forma
2 1
277 • 3p' Ap • -^senejp' A<p,
ó
onde Po < p' < Po + <Po < < <Po + ^ ‘P-]

8. Demonstre: (a) para coordenadas cilíndricas, 9(i, y,z)/'d(r,0, z) = r.


(b) Para coordenadas esféricas d(Xy y, z)/d(p, 6, (p) = —p^senç?.
t9. Seja Rxy uma região fechada e limitada no plano x y contornada pelo caminho simples,
fechado e suave por partes C. Sejam \[/i(x,y) e 4^2Íx,y) contínuas para todos os
{ x , y \ seja f { x ^ y » z ) contínua para todos os { x ,y ,z ) . Seja R a região formada de
todos os pontos (jc, y, z ) para os quais (x, y) está em Rxy e \f^i(x, y) < z < ^2 (^x, y).
Justifique a relação:

[ f f /(* . y> ff I f f(^> y>

10. Para achar o /i-volume de uma /i-esfera sólida B em i?" podem-se tomar coordenadas
escolhidas de tal modo que B seja dada pela desigualdade x \ Xj? < a^. Se­
guindo o raciocínio da Seç. 13-1, obteremos a fórmula

v = f f(x „ )d x „ ,

onde /(Xn) é o (n — l)-volume do corte de B por um hiperplano Xn = const. Mas


êste corte é uma (n — l)-esfera sólida de raio \ / — Xn^. Usamos agora a indução
e admitimos demonstrado que o ( « — l)-volume da (n — l)-esfera sólida de raio b
é ^n-db^~K onde Pn-i é uma constante a ser encontrada. Concluímos então que
13-8. OUTRAS PROPRIEDADES DAS INTEGRAIS MÚLTIPLAS 1293

a _<7r/2
/ - x,2)(-D/2 dx, = f COS- e dJ9^.
-a *^0

Portanto, V = com
f*'rr/2
= 2^n-l I COS^dde.
‘'o
Use agora tabelas de integrais e o valor conhecido de 02 (o Que é 0i?) para mostrar que

^n / 2^ ^ l . 2 . . . , se /I é par,

2 (2 t7)^”“ ^^/2/(1 * 3 • ♦ • n), se /í é ímpar.

11. Avalie:

(a) ff f f dx 2 dx^ dx^, onde R é s . região 0 < < a, 0 < x^/b < 1 —
R
x-t/a, 0 < Xg/c < 1 — x-j^/a — x^/b, 0 < x ^ / d < 1 — x ^ / a — x ^ / h — Xg/c,

onde fl, 6, c, são constantes positivas. {Observação. R é um 4-simplexo e a in­


tegral dá o 4-volume de R. Isto pode ser encontrado também na Seç. 11-16.)

(b) ffff dx^ dx 2 dxg dx^, onde R é a. região 0 < x^ < 1 ,


R
0 < Xg < 2, 0 < Xg < 3, 0 < X4 < 4.

13-8. Outras Propriedades das Integrais Múltiplas

Nesta seção, consideramos diversas propriedades adicionais das integrais


múltiplas. As idéias envolvidas têm interpretações importantes em função
de massa e densidade. Portanto, desenvolvemos a teoria juntamente com
suas aplicações. Para simplificar, consideramos somente integrais duplas,
mas todos os resultados têm sua contraparte para integrais tríplices e «-di­
mensionais.
Estaremos a pensar em massa espalhada sobre um plano. Um bom
modêlo físico é uma camada de tinta numa superfície lisa. Existem muitos
outros modelos não necessariamente relacionados com massa; por exemplo,
a distribuição de carga elétrica numa placa, a distribuição de calor numa
superfície e a distribuição de uma população de qualquer espécie numa área
geográfica. Aqui, referir-nos-emos apenas à massa e à densidade em função
de massa por unidade de área; todavia, as idéias têm a interpretação mais
ampla já sugerida. No caso da massa, as integrais correspondentes (massa
total) e integrandos (densidade) são não negativos. Contudo, nossa teoria
incluirá o caso mais geral de sinal variável, por exemplo, como ocorre para
as distribuições de carga elétrica.
1294 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Nas Seçs. 7-9 a 7-12, consideramos distribuições de massas de vários


tipos, particularmente distribuições no plano xy. Contudo, consideramos
apenas aquelas distribuições no plano para as quais a densidade é constante
por sôbre regiões inteiras i ? i ,. . Rk. Descobrimos então que a massa
total era
Mq = -h ôgAg + • • • -h ^jc^k ’
onde òi é a densidade em R^ e é a área de R^ k), Para uma
distribuição geral contínua não homogênea da massa sôbre uma região R,
a densidade ó torna-se uma função contínua de x e y, digamos ò = f {x,
Se R fôr subdividida em pequenas regiões R i , . , Rn, é razoável aproxi-
mar-se a massa total pela soma
/ ( ^ l . ^ l ) A jA + • • • + / ( ! „ , Vn) M í

onde rji) está em Ri e Ri tem área A,A n). Aqui / rji)


pode ser considerada como uma estimativa da densidade média sôbre R^,
Como deixamos a norma de nossa subdivisão aproximar-se de 0, esperamos
que a soma se aproxime do valor exato da massa total. Assim, escrevemos

M o= Um Vi) A ^ A = f f f(x,y)dA. (13-80)


norma->0 J
i —1 IV
Esta fórmula que apenas mostramos ser plausível, será justificada de muitas
maneiras diferentes na discussão que se segue.
Em tôda esta seção consideramos regiões limitadas, contornadas por
um número finito de caminhos simples, fechados e suaves por partes, como
ao fim da Seç. 13-2. Atendendo à brevidade, referimo-nos a tal região
como uma região standard^\ Como assinalado ao fim da Seç. 13-2, todos
os teoremas daquela seção podem ser estendidos às regiões "standard” .
TEOREMA 7 {Teorema do valor médio para integrais duplas). Seja
f contínua na região ''standard"^ R, de área A. Então existe um ponto
(^, 7i) em R tal que

■JJ =f{è,v)A. (13-81)

DEMONSTRAÇÃO. Pelo Teorema 1, o valor da integral dupla é um


número entre mA e MA (inclusive); portanto, a integral dividida por A é
um número k entre m q M. Pelo Teorema D da Seç. 12-7,/ ( ^ , rj) = k para
alguns {^,r]) em R. Então, (13-81) procede.
Podemos escrever (13-81) da seguinte maneira:
J J f(x ,y )d A
fiLv) = (13-81')
13-8. OUTRAS PROPRIEDADES DAS INTEGRAIS MÚLTIPLAS 1295

e considerarmos o lado direito como um valor médio de / em R, Se divi­


dirmos em Al partes de área igual A/n, então o lado direito será aproxi­
mado por uma soma correspondente, dividido por A:
'2, fiivV i){A /n)
i=l + ••• + fièn^Vn)
A n
Isto é apenas a média ordinária dos v a lo re s/(^ i, r /i),. . .,/(^ n , VnX Assim,
é natural denominar o lado direito de (13-81') de valor médio de / em R,
O Teorema 7 afirma que / é igual a seu valor médio em algum ponto de R,
Em função de massa e densidade, o teorema enuncia que a massa total em R
pode ser sempre escrita como a área de R vêzes a densidade média e a densi­
dade média é igual à densidade real em algum ponto em R.
TEOREMA 8. Seja R uma região ''standard'\ sejam f e g contínuas
em R e seja f {x, y) < g(X y) em R, Então,
g(x, y) d A .
R R
Em particular, se f {x, y ) > 0 em R, então
f f fi^>y)dA > 0 ,

o teorema decorre do Teorema 1. Os detalhes são deixados como


exercício (Probl. 7 adiante). O Teorema pode ser interpretado da seguinte
maneira: se aumentarmos a densidade, então a massa total aumenta; também,
se a densidade fôr não negativa (como se supõe usualmente), então a massa
total será não negativa.
TEOREMA 9. Seja a região ^'standard"* R subdividida em duas regiões
*^standards"^ R i, R 2 ; seja f contínua em R e seja f (:jc, y )> Q em R. Então,
f f f(x, y )d A < f f f(x, y) d A . (13-82)
R
DEMONSTRAÇAO. Segundo o Teorema 6 para regiões “ standards”
(ao final da Seç. 13-2),
f J /(^> y) + f f
R, r I R

Já que / (x, y) > 0 em R, o segundo têrmo à esquerda é não negativo, pelo


Teorema 8, de modo que (13-82) procede.
Observação 1. Por métodos mais adiantados, pode-se demonstrar: se
f e R são como enuncia o Teorema 9 e é qualquer região "standard”
contida em R, então (13-82) permanece verdadeira. Em função de massa,
(13-82) estabelece simplesmente que quanto maior a região maior a massa
que ela contém.
1296 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

TEOREMA 10. Seja R uma região ^^standard^\ seja f contínua em R


e seja (xo, 3^0) um ponto em R. Então, para todo 6 > 0, «m número
d > 0 pode ser encontrado tal que
f ff ( x > y ) d A
D*
- - /(^o> !/o) < £ (13-83)
A*
para toda região ^^standard"* R* contida em R, que contenha (xq, yo), que
tenha área A* e que tenha diâmetro menor que d,
DEMONSTRAÇÃO. As hipóteses são ilustradas na Fig. 13-35. A
conclusão do Teorema 10 pode ser escrita:

^R
A AA = f(xo,yo) (13-83')
diam. d e /?—♦() A

\0üAJ?

||A »V A rea
Oüà A

Fig. 13-35. Densidade como “aerivada” de massa

A razão da integral para área em (13-83) ou (13-83') é apenas o valor médio


na região R* ou AR, Assim, o teorema estabelece que o valor médio de f ,
numa região R* que contenha (xo, 3^0) se aproxima de / (xo, 3^0) quando o
diâmetro de R* se aproxima de 0. Pelo Teorema 7, o valor médio é igual
a /(^ * ,? 7*), onde (^*,77*), é um ponto de R*. Quando o diâmetro de R*
se aproxima de 0, a distância de (^*, 77*) para (xo, 3’o) se aproxima de 0, e
portanto, pela continuidade de / f (^*,77*) se aproxima de / (xo, 3^0). En­
tão, (13-83') fica demonstrada.
C0R 01(Á R I0. Seja f e g contínuas na região '"standard"" R e seja

/ / /(^> y) ^ = / / ^ (13-84)
13-8. OUTRAS PROPRIEDADES DAS INTEGRAIS MÚLTIPLAS 1297

para toda região ^^standard'^ R* contida em R, Então, f {x, y) = g{x, y)


em R.
DEMONSTRAÇÃO. Segundo (13-84) e (13-83'), para qualquer (xo, yo)
em R
jffdA ffgdA

/(^ o - yo) = lim AA


----- = g(*o. Vo)-

Observação 2. O Teorema 10 é uma versão bidimensional do Teorema


Fundamental do Cálculo (Teorema 11, Seç. 4-17), pois o último teorema
pode ser escrito
^xo+àx
J f(x) ãx
t t o " ^ x --------
Podemos, portanto, considerar o limite em (13-83) ou (13-83') como uma
espécie de derivada: a derivada da integral/ em relação à área. O teorema
estabelece que podemos recuperar o integrando da integral sobre regiões
variáveis (uma espécie de integral indefinida) tomando a derivada neste
sentido. A Eq. (13-83') pode ser interpretada da seguinte maneira: a densi­
dade em um ponto é o limite da massa dividida pela área quando o diâmetro
tende a zero; esta afirmação é freqüentemente usada como a própria defi­
nição de densidade.
TEOREMA 11. Seja f contínua na região '^standard"" R, se ja f(x , >^) > 0
em R e
/ / f{x ,y )d A = 0.

Então, f {x, y) = 0 em R,
DEMONSTRAÇÃO. Seja (xo, yo) um ponto de R, seja AR uma região
em R que contenha (xo, yo). Então, pelos Teoremas 8 e 9,
0 < í f f(x ,y )d A , j f f{ x ,y ) d A < í f f{x ,y )d A
^R Ai? R

(veja a Observação 1 acima). Mas a última integral é 0. Por conseguinte.

J f f ( x , y)dA - 0.
\R
Segundo (13-83'), concluímos agora:
/ / / ( * > y) dA
^R
= 0.
jf(xo> yo)
\ o u o/ = ãel^R -> 0 M
1298 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Logo, / (x, = 0 em R.
o teorema estabelece: se a massa total é 0, então a densidade é sempre 0.
Observação 3. Existe mais uma questão em relação à massa e à densi­
dade. É muito natural começar com a definição de densidade mencionada
acima: densidade é o limite de massa dividida pela área, Se, para uma dada
distribuição de massa em R, descobre-se que, por esta definição, existe uma
densidade contínua h = f { x , y), então a massa total deve ser a integral dupla
de / sobre R, A demonstração fica como exercício (Probl. 12 a seguir.).

PROBLEMAS

1. A massa é distribuída pela região R com densidade ò = f ( x , y) dada (num sistema,


fixado de unidades). Ache a massa total em cada caso:
(a) f { x ,y ) = ^ y\ R: + y^ < 1.
(b) f { x ,y ) = R: quadrado de vértices (=t 1, ± 1 ) .
(c) f ( x ,y ) = 3x + 2y, R: triângulo de vértices (0, 0), (1, 1), (1, 2),
(d) f ( x , y) = 3 \ / x^ y^ -- 2 — x^ — y^, R: 1 < x^ + y^ < 2.
2. Uma carga elétrica, em coulombs, é espalhada por uma placa circular com densidade
de carga f ( x , y) = k sen '\/x 2 + y \ 0 < x^ + y'^ < 4 (em coulombs por cm^, x c y
em centímetros). Ache a carga total.
3. Acha-se que, num certo município, a densidade da população é bem aproximada pela
fórmula Ò = 200 para r < 5, ô = 200e^^“^^/^®. para 5 < r < 100, onde r é a dis­
tância em quilômetros a partir da Prefeitura. Ache a população total.
4. Densidade de probabilidade, Se o resultado de um experimento é um par de números
reais (jc, y \ pode-se associar uma densidade de probabilidade f ( x , y ) (aqui chamada
de densidade de probabilidade **conjunta” das variáveis aleatórias x q y) tal que a
integral dupla de / sôbre a região dê a probabilidade p de que {x, y) caia em R,
A qui,p é um número entre 0 e 1, inclusive. Diz-se que x c y são independentes se / {x ,y)
puder ser escrita como um produto g {x)h{y).
(a) Seja / (a-, y) = para todos os {x, y). Mostre que a-, y são inde­
pendentes e ache a probabilidade de que (jc, y) esteja no círculo x"^ 4- y"^ < cP-, /
(b) Sejam / {x, y) = 4xy para 0 < ;c < 1, 0 < ;^ < 1 e / (jr, ;^) = 0 de outro modo
(de maneira que f é descontínua ao longo de dois lados do quadrado). Ache
a probabilidade de que (;c,>') se encontre dentro do círculo (^^—1 )2+ (^ — i ) 2= i.
{Sugestão, Interprete a probabilidade como massa total.)
5. Uma massa é espalhada sôbre o quadrado de vértices (0, 0), (1,0), (0, 1 ), ( 1 , 1) com
densidade f { x , y) = 3x 5y, Ache a densidade média e ache os pontos (^, rj) nos
quais a densidade é igual a seu valor médio.
6. Seja R o quadrado do Probl. 5. Justifique as desigualdades:

(a) J J sen ^ ^ dx d y < (b) 1 < JJ Vl + + í/^ d x d y <

7. Demonstre o Teorema 8.
13.9. ÁREA DE SUPERFÍCIE 1299

8. Uma distribuição de massa no quadrado R do Probl. 5 é tal que para cada região
circular de centro (jto, JFo) e raio ro em R, a massa em é kro^ (4xo^ + ro^, onde k
é uma constante positiva. Ache a densidade / .
9. Seja f ( x , y) contínua em R: a < x < b, c < y < d, seja F(x, y) = v) dv du
em R, Demonstre:
I ^XQ+h ^vo+k
/ / f(x>y)dydx =
= F{xo + h,yo + k ) - F(*o + h, y^) - F{Xo, yo + k) + F(a^, y^).
02F 02F dentro de R.
(b) /( * . y) = dy dx dxdy
02F F{xq + h, yo + h) - FjXf, + h, y^) - F ( iq , j/p + fe) + F ( % yp)
(c) dy dx I™
dentro de R (veja Seç. 12-20).
10. (a) Para uma região sólida sob uma superfície z = F(x» y), (x, y) numa região R^^,
pode-se introduzir o conceito de densidade ô como massa por unidade de vo­
lume. Mostre que, se a densidade é dada como uma função de x e de ^ somente,
ô = / ( x , y), então é razoável obter-se a massa total do sólido como

^0 = J í / (* ' y)F(^< y) dA.


^xv
(b) Deduza o resultado da parte (a) como uma conseqüência da representação da
massa M q de um sólido de densidade f ( x , y , z ) como uma integral tríplice:

AÍq = f f f / ( ^ ’ y’^)dV.

(Veja o Probl. 9 ao final da Seç. 13-7.)


11. A densidade ô da atmosfera terrestre no verão é descrita aproximadamente pela fór­
mula ò = ke"^^ g/cm^, onde k = 1,2 •lO"^ g/cm^, h é a altura acima da terra (isto é,
acima do nível do mar) em km, e a = ^ , Ache uma fórmula para M q {h \ a massa
total até a altura h, e faça o gráfico. Ache lim M q(/i) quando h -^ ca e enuncie o
significado dêste limite.
Í12. Para estabelecer o resultado referido na Observação 3 ao final da Seç. 13-8, admita-se
que temos uma região '^standard” R q no plano e que, para cada região ‘‘Standard” R
contida em /?o» conhecemos a massa em R, a qual indicamos por y.{R). Por consistên­
cia, exigimos que, se R é subdividida em regiões “standard” i ? i , . . então yiR ) =
—y.{R\) + . . . + /i(/?fc). Além do mais, admitimos que em cada ponto (xo, 7 o) de R,
fjL(AR)IAA tem um limite quando o diâmetro de AR tende a 0, onde AR é uma região
“standard” contida em R q, contendo (xo, 7 o) e com área AA, Representamos êste
limite p or/(xo, 7 o) e admitimos/ contínua em R, Demonstre: para cada região “stan­
dard” R contida em R q, tem-se

KR) = j j f(x, y) dA.

13-9. Area de Superfície

Na Seç. 7-8 deduzimos uma fórmula para a área de uma superfície de


revolução. Agora procuramos uma fórmula para a área de uma superfície
geral no espaço-
1300 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Consideramos uma superfície dada pela equação

z = F(x,í/), (x,y)emR (13-90)


onde R é uma região "standard” no plano xy (Fig. 13-36). Admitimos
que F tenha derivadas parciais primeiras contínuas numa região aberta con­
tendo R. Podíamos tentar achar a área desta superfície inscrevendo super­
fícies poliédricas, exatamente como achamos o comprimento de arco inscre­
vendo poligonais. Contudo, êste processo tem se mostrado não muito
prático (em geral, não leva a um limite). Portanto, temos de encontrar
outra maneira.

Fig, 13-36. Área da superfície

O método que escolhemos baseia-se na aproximação da superfície,


próximo a um ponto, pelo plano tangente. Subdividimos nossa região R
por meio de paralelas aos eixos e consideramos apenas aquelas sub-regiões
que não tocam a fronteira. Cada sub-região Ri considerada é então um
retângulo de lados AjX, A,y, Escolhemos em Ri e construímos o
plano tangente à superfície no ponto correspondente Pi’. {^í,7Jí, Zi), Zi =
= F(^i, 7]i). Procuramos então a área da porção do plano tangente acima
de Ri, isto é, a área do paralelogramo Hi no plano tangente cuja projeção
no plano xy é Ri, A equação do plano tangente (Seç. 12-18) é
~ - ~i = Í'x(-V - ^ i) + !/ ^ Vi)

onde Fx e Fy são avaliadas em (^„ 77,). Do significado das derivadas parciais


resulta que o paralelogramo Hi tem lados que, quando propriamente orien­
tados, representam os vetores
u = A,.v i + F^ \ x k, V = j + F^ A,.|/ k .
Desta forma, como na Seç. 11-15, a área de //^ é | ]u x v 11. Ora, u x v =
= AiX Ai)'{— jPxi — Fyj + k). Portanto,
PROBLEMAS 1301

área de = ^ ^ x V F J + fJ + 1

e a área total de todos os paralelogramos é

Ê V[F,(Cí ,7j,)]2 + [F„(|„ t,,)]2 + 1 A,A.


i= l

Para sub-regiões i?» bastante pequenas, a área //* seria uma excelente apro­
ximação à área da superfície acima de Conseqüentemente, é razoável
tomar-se o Umite das somas (quando existe) como a área total da superfície:

S = área total da superfície = f f y)]^ + y)]^ + 1 dA=


(13-91)
-// '^ y
Tomamos esta equação como uma definição de S; ela pode ser mais ampla­
mente justificada como o valor geométrico natural para a área da superfície.
Para uma superfície de revolução, a fórmula (13-91) conduz àquela dada
na Seç. 7-8 (Probl. 2 adiante).
Observamos que os vetores u e v que ocorrem acima são uma base para
o espaço-base do plano tangente, de modo que u x v é um vetor normal n
para a superfície. O co-seno do ângulo y entre u x v e k é

l|u X v|| + F / -f 1
Portanto, podemos escrever (13-91) como segue:

S = f f secy dA, y = k), n = normal em(x, y, F{x, y)). (13-91')


R

Equivalentemente, podemos escrever:


dS = se c Y dA
Esta relação, na forma
dA = COS y dS
simplesmente estabelece que a área da projeção no plano x y de um peda­
cinho de superfície é a área dS do pedaço de superfície vezes o co-seno do
ângulo entre o plano tangente e o plano xy (ou entre as normais n e k)
(veja Probl. 3 a seguir).

PROBLEMAS

1 . Ache a área de cada uma das seguintes superfícies:


1302 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

(a) z = 3 X — 2 y , 0 < X < l , 0 < y < X.


(b ) z = 5 X + y, 0 < y < l y y — I < X< I — y.

(c) z = ( X /V 2 ) In COS (x — y)y 0 < X < 77-/2, x —(tt/4 ) < y < x.

(d) z = ( I / V 2 ) In s c n ( x 4- t/), 0 < 1/ < 37t/4 , {tt/ 2) — y < x < (37t/4 ) — y.


(e) z = V 4 - - t/2 , 1 < x 2 + t/2 < 2 .
(f) 2? = V 2 - x2 - 1/2, 0 < íc2 + 1/2 < 1
(g) Z = Xt/, X2 + 1/2 < ^ > 0, y > 0.
(h) z = x^ - y ^ 0 < y < 1 / V 2 , */ < x < V l -
(i) Z = 3 — x2 — y2^ x2 - f t/2 < 1 > Q > Q

(j) Z =z V x ^ 4- 1/^ , 0 < X2 + t/2 < 1,

(k) z = :J(3x + 51n y), 0 < X < 1, 1 < y < 2.

(l) ^ = (t ) 4- (y^lby^l para (jc. >>) no triângulo formado pelos eixos x e y


e a reta (x/a) 4- (ylb) = X, onde a > 0 , A > 0 e X > 0.
2* (a) Mostre que, para uma superfície z = G(r, 6 \ (/*, 0) em 2?^^, dada em coordenadas
cilíndricas (r, dyZ\ a área da superfície é dada por

S = JJ y c / + Í g / + 1 rdrdff.

(b) Mostre que, em coordenadas cilíndricas, uma equação z = G(r), a < r < b y 0 < ^ < 2 t ,
descreve uma superfície de revolução e, segundo (a), a área de sua superfície é

S= Ç VG,2 + l r d r .

Como na Seç. 7-8 [Eq. (7-87)].


(c) Ache a área da superfície z = cos ^ 4- b^ sen 0)/r, a < B < ^ y h < r < k .
{Sugestão. Ponha == tf* 4- b \ u^ — à + H na integral em relação a r.)
(d) Ache a área da superfície z = ar bd, a < B < 0 <r<c.
Í3. Repouse o triângulo PiP^Pz no plano ^ 0. Pela projeção (ortogonal) do triângulo
no plano H\y Pto} h \P \P 2 P z» queremos dizer o triângulo Q iQ 2 G3 onde Gjb e o pé da
perpendicular a H \ baixada por Pjt (A: = 1 , 2, 3).
(a) Mostre, por geometria vetorial (Seç. 11-15), que a área de Proj^iPiP 2P3 é igual
a ICOS <p I vêzes a área de P 1P 2P 3, onde çj = <(Afo, ^ 1), o ângulo entre os vetores
normais a //o e H \.
(b) Sejam /f i, H 2 e os planos yz, zx e xy. respectivamente. Sejam A a área de
P 1P 2P 3» ^ Proj^PiP 2^3 = 1. 2, 3). Demonstre que

A= V Ã JT Ã JT Ã J-
(Sugestão. Mostre que A 2 e A^ relacionam-se com as componentes do vetor
j ^ 2 X KP z )
4. A rea da superfície para superfícies em forma paramétrica. Na Seç. 12-18, assinala-se
que, sob determinadas hipóteses, as equações
(*) * = /(u , v), y = g{u, v), z = h(u, v), (u, ü) êm
13-10. OUTRAS APLICAÇÕES DAS INTEGRAIS MÚLTIPLAS 1303

podem ser consideradas como equações paramétricas de uma superfície no espaço xyz.
Próximo a um ponto determinado («o» vo), raciocinamos, como na dedução de (13-91),
que a transformação (♦) pode ser aproximada por equações lineares dx = du-\-f^ dv,
As equações lineares transformam um retângulo de lados du, dv num paralelogramo
cujos lados, pròpriamente orientados, representam os vetores wi du^ W2 dv, onde
+ gui + h jí, W2 = fj + gj + /i„ k

(veja Probl. 8 ao final da Seç. 12-18). Então, o paralelogramo tem área dudv || Wj x Wg ||.
(a) Mostre que o raciocínio descrito conduz à seguinte fórmula para a área da super­
fície;

= /j \ 0(u, v))

Observação, Esta fórmula é análoga bidimensional da fórmula para o compri­


mento de arco:

L = f V [x 'it)V + [y '{t)V d t.

(b) As equações x = a sen ç? cos 0, y = a sen sen 9, z = a cos ç?, 0 < ç? < ir, 0 <
< 9 < l T y são equações paramétricas de uma superfície esférica de raio a\ aqui,
os parâmetros ç?, 9 são coordenadas esféricas, como na Seç. 11-20. Mostre que,
em função das coordenadas esféricas, a área de uma porção da superfície esférica
é dada por

S= JJ sên (p dcp dê.

Assim, o elemento de área em coordenadas esféricas é dS = ar sen ç? diç d9*


(c) As equações x = (2 cos u) cos v, y = (2 + cos u) sen v, z = sen í/, 0 < « < 27T,
0 < V < 27t, são equações paramétricas para a superfície de um toro. Ache o
elemento de área da superfície em função de u c v.
5. Para achar o comprimento de uma curva y = f ( x ), a < x < b, onde / ' é contínua
no intervalo, pode-se raciocinar como na dedução de (13-91); subdivide-se o intervalo
como para a integral definida e aproxima-se o comprimento da curva pela soma dos
segmentos de reta y = miX + bi, X{_^ < x < Xi. onde cada segmento é tangente à
curva em (f,*, /( f i) ) , Xi_^ < < X{, Mostre que isto leva à soma

i VI + [/'«()]2 A,x

e portanto, à integral f j * V n T + l/'(;c)]^ dx como no Teorema 28, Seç. 4-27.

13-10. Outras Aplicações das Integrais Múltiplas

Até aqui, temos considerado aplicações das integrais múltiplas relacio-


nadas com volume, área de superfície, massa e densidade. Assinalamos
que elas podem também ser aplicadas à área no plano. De fato, se to­
marmos f { x , y ) = 1, então nossa integral dupla tornar-se-á
1304 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIÁVEIS CAP. 13

J J 1 dA = f f dA = lim 2 M = ^ de R. (13-100)
R R^
Para uma região R descrita em coordenadas polares pelas desigualdades
a < 0 < j 8 , 0 < r < F{0)y descobrimos que, como na Seç. 13-4,
r r í* í* ^ p P «■'. F(0)
Área de R = j j dA = f f rd rd B = f ^ de-
2
(13-101)
= |j [ [m ?d0.
Êste resultado já foi encontrado na Seç. 7-2.
Da mesma forma, deduzimos que, no espaço,

/ / / Id V = = Volume de R. (13-102)
R R

Antes de passarmos a outras aplicações, mostraremos uma extensão


da fórmula básica para uma integral dupla como um limite. Sejam / (x, y)
e g{x, y) contínuas na região "standard” Rxyy seja F(w» v) uma função con­
tínua num conjunto E no plano uv e tal que a função composta F [ f (x, y \
g{x,y)] seja definida em Fxy. Então,

/ f f [ / ( ^ y), g(x,!/)] dA = lim 2 F [ / ( |; , 1,;), g (|", ni')} A,A, (13-103)


n norma—>ü \ /
i= l

onde ijí) e rj/’) estão em Ri.


Sob as hipóteses enunciadas, a função composta F [ f (x, y), g(x, ;>)] =
= G(x, y) é continua em Rx„ è, se ( |/ , ri/) forem tomados coincidindo com
rii”), então (13-103) seria o mesmo que

G(jc, y )d A = lim y G (|j, r^^) A^A,


// norma .

como de costume. Todavia, permitindo-se que ( ^ /,rji) e (^ /',r;/') sejam dife­


rentes (mas não muito, já que estão em Ri e a norma se estende a zero), não é
óbvio que (13-103) seja verdadeira. Encontramos o mesmo problema para
as integrais definidas, por exemplo, na Seç. 4-27, ao discutirmos o compri­
mento de arco. Na Seç. 12-25 (Teorema L) é dada uma demonstração da
contraparte de (13-103) para as integrais definidas. A demonstração pode
ser repetida com pequenas modificações para as integrais duplas. A regra
e a demonstração podem ser também estendidas a integrais que envolvem
mais de duas funções / e g, por exemplo, a F [f{x , y), g(x, y), h{x, y)].
A importância de (13-103) será mostrada em diversas aplicações apre­
sentadas a seguir.
Momentos. Seja uma massa distribuída pela região "standard” R, com
densidade contínua f ( x , y \ como na Seç. 13-8. Somos induzidos às defi-
13-10. OUTRAS APLICAÇÕES DAS INTEGRAIS MÚLTIPLAS 1305

nições dos momentos Mkx e Mky por um raciocínio semelhante ao da


Seç. 7-10. Para M**, subdividimos R em regiões R{. como na Fig. 13-37.
Pelo Teorema do Valor Médio (Teorema 7, Seç. 13-8), Ri tem massa

/ / y )d A = f{i\ , J]\) \ A , {è'i, i?'j) em


Ri
O ^-ésimo momento Mkx da massa em Ri deve ser igual à massa vêzes algum
valor médio de jc* em Ri menor que o máximo e maior do que o jc* mí­
nimo em Rk. Então, êste momento deve ser igual à massa vêzes onde

Fig. 13-37. Definição de momentos

(&"» V i l é um ponto apropriadamente escolhido em Ri (Fig. 13-37). Por­


tanto, o momento x total é igual a

2 C T ( r „ 7 ,;) A ,A .
i= l
Pela Eq. (13-103), com g{x, y) = x'‘ c F(u, v) = wv, quando a norma tende a
zero, esta soma tem como limite a integral dupla de x ’‘f { x , y) sôbre R.
Portanto, esta integral dupla é o momento desejado:

M;fc. = / / (^ = 0 , 2 , . . . ) . (1 3-104')

Da mesma forma, somos levados ao A:-ésimo momento y \

= J J t/Y fe y)dA {k = 0 ,1 ,2 ,...) . (13-104")


R

Como na Seç. 7-10, estas equações são consideradas como definições dos
momentos.
Centro de Massa. Como na Seç. 7-10, o centro de massa (x, y) é um
ponto no qual tôda massa pode ser colocada e produzir os mesmos pri­
meiros momentos Mix e Miy. Portanto,
1306 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

MqX = MqI/ =
OU

X —
/J y) dA ! í yf{x,y)dA
R___________ (13-105)
SSf i ^ ’ y)dA í f f(^’ y)dA

É prática comum abreviar-se f ( x , y) dA, onde / é densidade, por dm e cha­


mar-se esta expressão de elemento de massa; é comum também escrever-se
apenas um sinal de integral, já que o contexto torna claro o significado.
Assim, escreve-se

f xdm f yd m
R_____
X = -y = ^ (1 3 -1 0 5 ')
/ dm f dm
R R
Com esta notação, as fórmulas para o centro de massa em várias dimensões
tornam-se todas as mesmas. O conceito mais geral de uma Integral de
Stieltjes permite que se apliquem estas fórmulas tanto a distribuições discretas
de massa quanto à distribuições contínuas e ainda a combinações dos dois
tipos.
Como sugere o caráter universal das fórmulas, o centro de massa tem
uma localização independente do sistema de coordenadas; isto é o que se
demonstra em vários casos no Cap. 7 e as demonstrações se generalizam
imediatamente ao caso de (13-105) ou (13-105').
Momento de Inércia. O momento de inércia de nossa distribuição
plana de massa em torno de uma reta L no plano define-se como o valor
de M 2y, quando são escolhidas coordenadas cartesianas tendo L como o
eixo X . Assim, o momento de inércia em volta de L é

h = ^ 2v = J J í/^ /(*. y ) d A = Ç (1 3 -1 0 6 )
R R

Podemos até escrever, mais geomètricamente,

Ir J ' df^ drriy (1 3-106')

onde dL é ã distância de um ponto genérico até L (dL = \y \ quando L é


o eixo x) (veja Fig. 13-38). O Teorema do Eixo Paralelo da Seç. 7-10
continua a ser válido. Podemos escrevê-lo como segue:
13-10. OUTRAS APLICAÇÕES DAS INTEGRAIS MÚLTIPLAS 1307

= /x + Mod2, (1 3 -1 0 7 )

Fig. 13-38. Momento de inércia

onde L é uma paralela a L passando pelo centro de massa e d é a distância


entre L e L, Para demonstrar êste resultado, escolhemos L como o eixò x.
Então / l, é dado por (13-106) e
Ix = j { y — y)^ àm = j dm — 2y J y dm -h y^ J d m =
R R R R

= J dm - ZyMoy + = h ~
R

Já que d = [y\, (13-107) procede.


O raio de giração de nossa distribuição de massa em volta de L é o
número positivo p tal que Mop^ = h - Assim, quando L é o eixo x,

J y^ dm
Mo
Mn J dm

Tôdas estas fórmulas estendem-se ao espaço tridimensional, com


dm = f (x, y, z) dV. A distância de (x, y, z) ao eixo z é \ /x 2 + y2 (Seç.
11-20). Então, de (13-106'), obtemos o momento de inércia em torno do
eixo z, L, como

4 = / + y^) dm = j (x^ + y^)f{x, y, z) dV. (13-108)


R R

Distribuições de Massas em Superfícies. Para uma superfície como em


(13-90), podemos considerar uma distribuição contínua de massa na super­
fície. Isto nos levaria a uma densidade de massa por unidade de área de
1308 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

superfície. Seja ò = f ( x , y , z ) a função-densidade; esta é uma função de


três variáveis, mas é definida somente na superfície, isto é, para z = F(x, y).
Admitimos que f { x , y, F(x, y)) seja contínua em R, Se subdividirmos R
como acima, a massa da porção de superfície acima de Ri deve ser a área
A^S desta porção vêzes a densidade média. De (13-91) e do Teorema do
Valor Médio,

\ S = / / VF,2 + . . . dA = V [ W . < ) ] " + ••• M -


R i

Logo, a massa total é

2 m'i, v'i, Vi)) V[ f a í ". v í t + íF ,ar,vnr + 1\ a,


i=l
Segundo (13-103), esta soma tem como limite uma integral dupla, e podemos
escrever:

massa total = J J f(x, y, F{x, y)) V[F,{x, y)V + [F^ix, y)]^ + 1 dA. (13-109)

A expressão / (x, y, F(x, 7)) \ / F ^ + Fy'^ + i dA pode ser também


interpretada como dm, como acima. Podem ser então obtidas expressões
para momentos de distribuição de massa numa superfície §:

M,k x = fx> ‘ dm = f f x>^f(x, y, F{x, y)) V F / + + 1 dA,

^k v = J !/* ^kz = /
oS s
o centro da massa {x, y, z) é então dado por

M, f Xdm I y dm I zd m
X = • y = z =
Mn
/ dw J* dm J* dm
S S oS

A integral à direita de (13-109) é também escrita como

Independentemente da interpretação de / como densidade, tal integral é


chamada de integral de superfície. Quando S não é do tipo z = F{x, y)
considerado aqui, pode-se usualmente decompô-la em vários pedaços de um
dos tipos z = F{x, ;^), x = F{y, z) ou j = F{x, z) e então pode-se proceder
como acima para substituir a integral de superfície por uma integral dupla.
PROBLEMAS 1309

PROBLEMAS

1. Para cada das seguintes regiões no plano xy (com r, d como coordenadas polares),
represente a área como uma integral dupla e avalie:
(a) 1 < í/ < 2, < x < e ^ ( h) I < X y <2, x > 0 , y > 0
(c) 0 < r < sen2 40 (d) I < r < 2, r <
2. Uma massa é espalhada sôbre a região R com densidade f ( x ,y ) . Ache a massa e
o centro de massa para cada um dos seguintes casos:
(a) f ( x ,y ) = W + lyl , fí: o quadrado de vértices ( ± 1 , ± 1 )
(b) f{x , y) = R:x^ + y ^ < l
(C) f{x , y) = (X2 + fi: X > 0 , 1/ > 0 , *2 + j^2 < 1
(d) f{x, y) = V / ( 0, 0) = 0. fi: X > 0 , y > 0 , 1 < x 2 + < 2
3. (a) ... (d) Para cada uma das distribuições de massa do Probl. 2, ache o momento
de inércia em tôm o do eixo x,
4. (a) N a Seç. 7-10, são dadas as seguintes fórmulas:

A í,, = j f ‘ x*/(x) 8{x) dx, [/(*)]*^‘ á(x) dx

para massa distribuída sôbre a região a < x < b, 0 < y < f ( x ) com densidade
ô(a:). Deduza estas fórmulas com a ajuda de integrais duplas.

(b) N o Probl. 3 que segue à Seç. 7-12, são dadas as seguintes fórmulas:
S .P ^
Aí„ =
para massa distribuída sôbre a região a < 6 < 0 < r < /(^ ) com densidade
constante ô. Deduza estas fórmulas com o auxílio de integrais duplas e gene­
ralize para o caso em que ò depende de 6.
5. Ache o centro de massa da distribuição numa superfície como especificada:
(a) Um hemisfério de raio a com densidade constante.
(b) Um hemisfério de raio a com densidade proporcional à distância do plano dia­
metral.
(c) O parabolóide hiperbólico z = xy, 0 < j r < l , 0 < j í < l com densidade ò =
= (1 + + y^y^f\
6, Integrais duplas de funções vetoriais. Seja y = f { x , >^)i + g{x, ;v)j = F(;c, y) uma função
vetorial (ou campo vetorial) definida na região "'standard” R, Sejam f q g contínuas,
de modo que a função vetorial F também seja contínua. Definimos a integral dupla
de F pela equação

/J y) dA = lim 2 ■^i)
íiorm3—
>0 j—1
Como para as funções de uma variável (Seç. 4-31), concluímos que a integral existe
e é igual a

R ' ' R
As propriedades básicas da integral dupla vetorial são agora dedutíveis destas integrais
duplas ordinárias.
1310 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAF. 13

(a) Avalie / / (y i - 4 ) d x d y , R: 0 < x < 1, 0 < y < 1 .

(b) Mostre que se uma distribuição de massa em R tem densidade continua 8 = / ( jc, y \
então o centro de massa é dado pelas equações

OPc = ^ j j f( x ,y )r d A , r = ÕP = xi + yj.
®R
7. Pressão e fôrça. Suponhamos que a pressão p aja normalmente sôbre uma superfície
chata, a qual é uma região R no plano xy, de modo que p = p{x, y).
(a) Mostre que a fôrça total normal à superfície é f f p(x, d A,
H

(b) Como esta fórmula seria modificada para a pressão sôbre uma superfície curva
tal como a superfície de uma esfera?
8. Elipse de inércia. Seja uma massa distribuída na região ''standard” R com densidade
contínua f { x , y). Seja L uma reta que passe pela origem O e seja u = cos a i + sen aj
um vetor unitário ao longo de L.
(a) Mostre que I l = A cos^ a + R cos a sen a + C sen^ a , onde

A = J dm = B = —2 /^^ = —2 j x y dm, C = J dm =

Ixy é chamado produto de inércia..


0?) Seja P = 0. Mostre que, se C < A, então II tem seu menor valor, C, para
a = 7t/2 (L : o eixo Mostre que, se C = ^4, então I I tem o mesmo valor para
todos os a .
(c) Mostre que se os eixos coordenados forem rotacionados através do ângulo ^ para
obterem-se novas coordenadas x \ y \ como na Seç. 6-5, então

= / ^'y' cos (A - C) + Ixy (cos^ p — sen^


R

e portanto, = 0 conquanto que ff seja escolhido de maneira que

Observação. A curva Ax’^ + Bxy + Cy"^ = 1 é uma elipse, chamada de elipse de


inércia. O resultado em (c) mostra que, pela rotação dos eixos como na Seç. 6-5
(veja o Probl. 6 que segue a essa seção) para eliminar o têrmo jcy, estamos também
escolhendo eixos para os quais o correspondente produto de inércia seja 0. Como
em (b), as direções dos eixos maiores e menores da elipse dão as direções das retas
que passam por O propiciando o momento de inércia maior e menor. Estas di­
reções chamam-se eixos principais de inércia. Cada reta L encontra a elipse num
ponto x = r COS a , y = r sen a para o qual 1 = A x ‘^-\-Bxy-{-Cy‘^—r \A cos^ a + ...) =
= rHL‘ Portanto, II é 1/r- ou lUx"^ + >^) (no sistema de unidades escolhido).
9. Em cada um dos seguintes exercícios, mostre primeiramente como uma integral
tríplice pode ser usada para achar-se a quantidade pedida e depois ache o valor.
(a) A massa de um cubo 0 < x < a, 0 < y < a, 0 < z < a cuja densidade é
ô = k(xz + yz).
(b) O volume da região 1 < x “^ + y^ + z < 2 , 1 < ;c + ^ < 2 , 1 < jc< 2 .
PROBLEMAS 1311

(c) o centro de massa do cubo da parte (a).


(d) A temperatura média numa região esférica ^ ^ a temperatura
fôr T — k(x^ + e“ + + z2 )[a2 ^
}(e) O potencial gravitacional total em um ponto P, distante b unidades do centro
de uma esfera sólida de raio a {a < b \ tendo densidade proporcional ao qua­
drado da distância do centro. {Sugestão, Pela Física, o potencial em P de uma
partícula de massa m em Q é — km! 11^ 11, onde A: é a constante de gravitação.)
í(f) O volume total de um fluido incompressível atravessando a esfera = <P
entre os instantes e /g» dado que o campo de velocidade é cO xti + ly t \ — 5z/k).
10. A integrar tríplice sôbre uma região R em de uma função vetorial z) =*
= /(jc, y, z)i + g{x, y, z)i + Kx^ y, z)k, onde / , g, h são contínuas na região ''standard”
R, é definida da seguinte maneira:
JJJ F(*, y, z) d V = jjj f(x , y, z) d V i

* * + JJJ B
g(*. y. z) d V j + fjf
li
h(x, y, z) d V k.

(a) Demonstre: se a é uma função vetorial constante, então

J / / ( a - F ) d V = a . / / / F dV
R R

JJ/(axF)dV=ax JJJ FdV .

t(b) Justifique a fórmula

COT / / / S(x, y , z ) - ^ d V (r = xi + yj + zk, r = ||r||)

para fôrça gravitacional exercida por um sólido de densidade b (x ,y, z) sôbre uma
partícula de massa m na origem (não em R \ onde c é a constante de gravitação.
Ache esta fôrça para uma esfera homogênea de raio a, cujo centro esteja a uma
distância b da origem.
(c) O momento linear de uma partícula de massa m e velocidade v é my. Justifique

a fórmula / / / í/> z)\{x, y, z) d V para o momento linear total de um sólido


R
de densidade ô e velocidade v em (x, y, z). Avalie esta expressão para uma esfera
sólida homogênea de raio a e velocidade v = ío x r, onde ío é constante e r =
= x i y i -y zk ; aqui, a esfera está girando em torno de uma reta L que passa
pela origem, ío é um vetor ao longo de L e 11 w| | é a velocidade angular.
(d) O momento angular em tôm o de O de uma partícula P de massa m e velocidade

V é r X /wv, onde õ p = r. Justifique a fórmula / / / 5(x, y, z)r X v d V para o


R
momento angular total em volta de O de um sólido em movimento e avalie para
a esfera sólida em rotação da parte (c).
í l l . Usamos notação indiciai para coordenadas e vetores no espaço. Suponhamos que
um corpo sólido preencha a região “standard” R no espaço, com densidade contínua / .
Seja L: õ p = t\x uma reta que passe pela origem O, onde ü é um vetor unitário.

(a) Mostre que 4 = 2 onde Vü = /( ^ i^ + ^2^ + ^3^ — dm c.


1312 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

para i 9 ^ /, Yij = — J d m . A matriz T = é chamada de matriz de


R
inércia\ chama-se também F de tensor de inércia, já que a matriz particular depende
de nossa escolha dos eixos coordenados no espaço e esta dependência segue as
regras da análise tensorial [veja a parte (c)].
(b) Considere u como um vetor-coluna cujo transposto u' é um vetor-linha. Mostre
que II = uT u.
(c) Sejam introduzidas novas coordenadas cartesianas (y \,y 2 »yz) no espaço pela equa­
ção X = Ay, onde A é uma matriz ortogonal 3 por 3 (Seç. 11-21). Mostre que
a matriz de inércia Fz nas coordenadas jc e a matriz Fy nas coordenadas y se
relacionam pela equação Vy = A'VxA.

13-11. integrais de Linha

O conceito de integral de linha é introduzido no Cap. 7 para certos


casos especiais; em particular, a integral de linha

y d x -ir x d y

é discutida e mostra-se que ela representa a área envolvida por uma curva
simples e fechada C. Analisamos agora as integrais de linha em geral. Na
seção seguinte veremos que elas estão estreitamente relacionadas com as
integrais duplas.
Seja C um caminho no plano xy dado pelas equações
^ = /W » y= a<t<b, (13-110)
onde f c g têm derivadas primeiras contínuas. Assim, C é um caminho
suave. Permitimos que C cruze a si mesmo, como na Fig. 13-39. Podemos
associar uma orientação a C: a do / crescente ou a do í decrescente. A não
ser que outra maneira seja indicada, escolheremos a orientação de t cres-

Fig. 13-39. Definição de integral de linha


13-11. INTEGRAIS DE LINHA 1313

cente como a orientação positiva. Definimos também o comprimento de


arco s ao longo de C, por exemplo, pela equação

*= / v [ f'( u } r + { g '{ u ) fd u .

Recordanios que num caminho dado, podemos substituir o parâmetro


dado t por outro através de uma equação t = (p{r\ a ^ r < onde é
contínua e não tem zeros. O caminho com o parâmetro r é chamado de
equivalente ao antigo (veja Seç. 4-29). Quando dsjdt > 0 para a ^ t ^ b,
t se relaciona com s por uma tal equação t = ç?(5), e portanto, pode-se usar
s como parâmetro para a obtenção de um caminho equivalente.
Agora, seja P{x, y) uma função definida em todos os pontos de C;
geralmente, P será definida numa região aberta contendo C, mas para que
a definição proceda, P{x, y) necessita apenas ser definida num conjunto E
incluindo todos os pontos de C. Admitimos também que P{x, y) é con­
tínua em E,
Subdividimos agora o intervalo [a, b] como para a integral definida:
a= - =

Definimos Xi = / (ti), yi = g(h) e


~ h ~~ U - v ~ ~~ ^ i - v \ y ~ \Ji ~ Di-v i •••jn

como na Fig. 13-39, Escolhemos no intervalo [ti_i, ti] e escrevemos

de maneira que (^i, iji) seja um ponto no caminho entre ti^i e U (Fig. 13-39).
Formamos a soma

e procuramos o limite destas somas quando a norma da subdivisão de [a, b]


tende a 0. Se êsse limite existe, chama-se de integral de linha de P em relação
a X ao longo de C q escrevemos
n

J
r P{x, y) dx = lim
norm a-»0._^
^ '^i) (13-111)

Deve-se notar que o parâmetro ao longo de C entra aqui sòmente para


ajudar-nos a subdividir o caminho e dar um significado a "norm a —> 0” .
Sucede que a mudança de parâmetro em C não tem efeito na integral de
linha. Esta afirmação será ilustrada e demonstrada detalhadamente adiante.
Se Q(x, y) é contínua num conjunto E contendo C, a integral de linha
J ' Q dy ao longo de C é definida anàlogamente:
1314 CALCULO in t e g r a l DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

/ y) dy ^i) ^iy-
i=l
Mais comumente, considera-se uma soma dè integrais de linha J*P dx e
J"Q dy; escreve-se tal soma como

j Pdx Qdy,

TEOREMA 12. Seja C um caminho suave no plano xy e sejam P{x, y)


e Q(x, y) contínuas num conjunto que inclua C. Então, a integral de
linha

j Pdx + Q dy
c
existe, Se C tem equações paramétricas x = f (/), y = g { t\ a < t < b,
então
j P d x - \ - Q dy = f ^P(x, y ) ^ + Q{x, y) dt, (13-112)

onde, na integral à direita, x = f { t ) e j = {gt\ isto é,


f P(x, y) dx + Q(x, y) dy=
(13-112')
"" r"
= j + Q i n t i g i w i t ) } dt

DEMONSTRAÇÃO. Consideiamos uma subdivisão de [a, b] como


acima. Seja F{t) = P [f{t), g(/)]. Então, a soma í/í) A,cc pode ser
escrita

i m i m - /(íi-i)] = i m i)m
i —l izzl

Aplicamos aqui o Teorema do Valor Médio comum a /(/,) — / ( t i ) .


Quando a norma tende a 0, a última soma tem como limite a integral

f dt = f P[f{t), g{t)]f{t) dt

(veja o Teorema L na Seç. 12-25). Por conseguinte, J*P dx existe e tem


c
como valor a integral que acabou de ser obtida. Anàlogamente.

J Q dy = f Çlf(t), g(í)]g' (t) dt.

Se somarmos êstes resultados, obteremos (13-112'), e portanto, (13-112); ao


mesmo tempo provamos a existência da integral de linha J 'P dx + Q dy
ao longo de C.
13-11. INTEGRAIS DE LINHA 1315

EXEMPLO 1 Seja C o caminho jc = cos /, = sen /, 0 ^ ^ tt/2.


Seja F(x, y) = — seja Q{x, y) = xye". Então,
c
J Pdx Q dy = j (sêtf ^H- sent cos^ te®®®*) dt=
çir/2 T/2
e '“»‘s é n íd f = = g -1 .
= X '
Litegral de Tinha como Trabalho. Escrevemos

F = Pi + Ç j
e interpretamos F como um vetor fôrça agindo sôbre uma partícula mo-
vendo-se no sentido positivo ao longo de C. Em cada ponto (x, y) em C
o vetor P(x. j)i + Q(x, y)j é especificado, de modo que nossa partícula fica
sujeita a uma fôrça que varia com a posição (Fig. 13-40). Escrevemos
também, para uma subdivisão como acima,
= ^^xi + ^^yi, i = l, . . . , n

Fig. 13-40. Trabalho

de modo que é o vetor deslocamento de um ponto de subdivisão para


o outro imediato. Podemos escrever
n
í Pdx + Q d y = l i m ^ P($,. ij,) A,x + Ç(^i, i),) \ y -
c i= l

= l i m 2 F ( í i . ’ni) • V -
i=1
Se tomarmos (^i, em (Xj-i, yi^i), como nos é permitido, então os vetores
fôrça na soma são como na Fig. 13-40. Agora, o produto interno da fôrça
e do deslocamento é o trabalho realizado pela fôrça (admitida constante)
durante o deslocamento (Seç. 1-10). Também, F varia continuamente ao
1316 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

longo de C. Portanto, para uma subdivisão suficientemente fina, F será


quase constante ao longo de cada subintervalo e o caminho no subintervalo
é aproximadamente o segmento de reta que une os pontos. Portanto, a
soma • A^<r deve ser uma boa aproximação para o trabalho total
realizado por F quando a partícula percorre C inteiro. Portanto, o limite
destas somas, que é a integral de linha, deve ser o trabalho total realizado
por F, e somos conduzidos à definição geral:
trabalho realizado por
F = f Pdx -h Ç d y = j (Pi -i- Çj) • (dxi + dijj)=:
^ ^ (13-113)
= / • ' ■*■
Aqui também usamos notação vetorial para abreviar. A fórmula (13-113)
pode ser também escrita
J Pdx + Ç d y = (F-^jdt = ^ ( F- v ) dt ,

onde V = dtldt é o vetor velocidade da partícula. Se substituirmos F por


ma ou mdyjdt e fizermos v = | |v | ), concluiremos, como na Seç. 7-13, que
t-b
trabalho realizado por F = J dt = ^ mv^

Isto é, o trabalho é igual ao ganho em energia cinética.


TEOREMA 13. Sob as hipóteses do Teorema 12, suponhamos que seja
introduzido um novo parâmetro pela equação
t — (p(r), « ^ 'T <
onde (p' é contínua e <
p \ t) > 0 em [a, /?], de modo que as equações

^= /[ < p W ] , y = g [« p W ], a < T <

definem um caminho C\ equivalente a C. Então,


J Pdx Ç dy = Pdx Ç dy.
c c,
DEMONSTRAÇÃO. Pelo Teorema 12,
J Pdx = P[/{?( t)), g{<p(T))] =
C,
= / P [ / { < P ( t ) } , g { < p (T )} ]/'{ < jr (T )} (p '{ 'r ) dj.
Se fizermos t = (p{f) na última integral, então, como na Seç. 4-21, esta se
torna

/ p [ / ( f ) , g ( 0 ] / '( í ) * = / P{x.y)dx.
13.11. INTEGRAIS DE LINHA 1317

Portanto,

J F dx = J P dx.
Cj c
Um argumento semelhante se aplica ao têrmo cm dy e o teorema procede.
EXEMPLO 2 Seja C o caminho x = t, y = 1 — t, 0 < r < l . N Sejam
y) = x^y, Q(x, y) = x ^ — y. Então,

J P d x + Ç d y = j ' [í2 (l - í ) ( l) + {*2 _ (1 _ f ) } ( _ l ) ] d t t

= f \ l -t-t^)dt = j.

EXEMPLO 3 Seja Ci o caminho x = 2 sen r , y = l — 2 sen t, 0 < t < ir/6.


Então, com P t Q como no Ex. 2,

J Pdx + Qd y
c^
tt/6
Í [4 (^ên2 t )(1 — 2 se h T )2 c o st + (4sén2 ^ _ x _|_ 2 s ê n T )(—2 c o s r )] dr=

= J (1 — 2 sênr — 8sen^ r)2 cos t dr = —.

Notamos que, em ambos os exemplos, o caminho segue o segmento de


reta de (0, 0) a (1, 1), como na Fig. 13-41. Os caminhos são equivalentes;
a relação entre os parâmetros é t — 2 sen r , 0 < r < tt/6. Já que P q Q
são os mesmos nos dois exemplos, as integrais de linha devem ser iguais,
como de fato mostram ser.

FIg. 13-41. Exs. 2 e 3

Enquanto dsidt = | [v 11 0 ao longo de nosso caminho, podemos usar


o próprio s como parâmetro, com, por exemplo, j = 0 para t = a e s = L
para t = b, Feito isto.
1318 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

j Pdx + Ç d y ^ f ^P(x, y ) ^ + Q{x, y) ds

= I [P{x, y) C O S a -f- Ç(x, t/)s e n a ] ds


‘'o
(13-114)
. ..
=J (Pi -h Çj) • (cos a i + sen aj) ds = J F • T ds

^ T J rw. . , d x , dif , 1
= Frpds onde T = c o s a i-h s e n « i = — i -(-- ^ j = --v
^ ' ds ds^ llvll

é o vetor unitário tangente com a orientação escolhida (veja Seç. 6-6), e Ft


é a componente tangencial da função vetorial F = Pi + g j. Estas fórmulas
concordam com a expressão para o trabalho na Seç. 7-13. Notamos que
I P r I ^ 11 F 11, e portanto, deduzimos as desigualdades

I r Pdx + Qdy\ < VP^ -f ds < KL (13-115)


'c ' -^0
se cm C, K > 0, c L fôr o comprimento de C.
Até aqui temos nos restringido a caminhos suaves ( / ' e g' contínuas).
Todos os resultados podem ser estendidos ao caso de um caminho suave
por partes, isto é, um caminho formado de um número finito de pedaços
suaves, tal como o caminho que coincide com os lados de um quadrado.
A integral de linha sôbre tal caminho pode ser obtida somando-se as inte­
grais para os pedaços separados ou, se conveniente, por uma integração em
relação a um parâmetro adequado; neste último caso, as funções dxjdt e
dyldt são usualmente apenas contínuas por partes, mas isto não causa di­
ficuldades. Podem-se também usar parâmetros diferentes para diferentes
porções do caminho.
Uma integral tal como S b Ft ds pode ser considerada como uma es­
pécie de integral de linha. Em geral, define-se

J S(.v, (/) ds = lim ^ \;S

como acima, com s como parâmetro ao invés de t. Contudo, como no


Teorema 12,

J S(.v, (/) ds = J S[x(s), y(s)] ds.

Pode-se também mudar para uma parametrização equivalente, com parâ­


metro t, a ^ t ^ b. Então.
13-11. INTEGRAIS DE UNHA 1319

f S(x, y)ds = J S[f(t), g(í)] ^ dt


c dt
onde dsidt = [ {/'(O ) ^ + {g' (0} como acima.
Para um caminho simples e fechado C, escreve-se usualmente uma inte­
gral de linha como

^ F d x + Ç d^ ou ^Fdx+Çdt/.
c c
As flechas indicam a orientação escolhida (veja Fig. 13-42).

Fig. 13-42. Caminhos para integrais de linha Fig. 13-43. Ex. 4

Pode-se usar aqui uma parametrização que comece em qualquer ponto


conveniente (3To, J o) em C, por exemplo, x = / ( t) , y = g(t), t < b, com
f{ à ) = f { b ) = Xo, g(a) = g{b) = Vo.
As integrais de linha têm várias propriedades semelhantes às das in­
tegrais definidas:
I. Se Cl e Cl são constantes, então

j F^dx + dy + C2 j P2 + Ç2 ^!/ =
c c
= f (^1^1 + dx + (CiÇi + C2Ç2) dy.
c
II. Se C é obtido de C por reversão de orientação, então

^ F dx Q dy — —J F dx + Q dy,
c c
III. Se C é formado de duas partes Ci e Ci, como na Fig. 13-42, então
1320 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

j P dx Ç dy j P dx Ç dy = j P dx Ç dy,
Cj C2 c
Estas propriedades seguem imediatamente de (13-112), por exemplo.
Porque o valor de uma integral de linha não c afetado pela troca de
parâmetros, como no Teorema 13, tendemos a considerar caminhos equi­
valentes como sendo o mesmo caminho. Por exemplo, imaginamos um
caminho seguindo um semicírculo de uma extremidade a outra como um
caminho definido, embora não tenhamos especificado o parâmetro; podemos
pensar em comprimento de arco como o parâmetro, ou qualquer t cp{s)
onde ip' > 0 . Freqüentemente se está a trabalhar com um caminho simples
C de um ponto A \ (xo, para um ponto B\ (x^, y{). Escreve-se então
a integral como

I P dx -P O dy ou I P dx O dy
c
e dá-se uma equação para C. Assim, para o Ex. 2, poderíamos escrever

I x^y dx -f- {x^ — y) dy, ao longo de y = I ~ x.


^(0.1)
Concluímos a seção com um exemplo que ilustra alguns dos pontos
apresentados.
EXEMPLO 4 Avalie

J y‘^ dx — xy d y »

onde C é a fronteira da região \ < x < 2, I < y < I + como na


Fig. 13-43. Podemos escrever a integral como a soma das integrais ao longo
de C l , . . ., Ca, como na figura. (Cada um dêsses caminhos é suave. O
caminho original é apenas suave por partes.) Tomamos x como parâmetro
ao longo de Ci, isto é, representamos o caminho como x = t, y — l, I ^ t ^ 2.
Já que dy = 0 2iO longo de Ci,

J y^ dx — xy dy = j y^ dx — j dx = l.
Cl c, 1
(Não nos incomodamos em substituir x por t.) Anàlogamente, já que x = 2
ao longo de C 2,
^(2,5) ^5 ^5
I y^dx-xydy= (^xy)dy= (-.2y) dy = - 2 4 .
C2
Ao longo de C3, com orientação revertida, usamos x como parâmetro,
PROBLEMAS 1321

. ( 1 , 2) ,(2,5)
f ij~dx - xy dy = - f t / d x - xy dy

= - f [(1 + 1-2)2 - 1(1 + i 2)2;v] dx


‘'l

= (1 - X*) dx =
Finalmente,

f y^dx-xydy=-f
( 1,2)

(-xy)dy=f y dy = ~
C<1,2> c; ^

Portanto, a integral de linha dada é igual a — 16,3.


PROBLEMAS
1. Avalie as integrais de linha

(a) J
c
2 y dx — d y , C: x = I — t, y = 2 + 0 < t < 1.

(b) J 5y dx + 3xdy, C: ,r = 3 2t, y = õ — t, 0 < t < 2.


c

(c) I xy dx — y ‘^ dy, ao longo da parábola y = x^.


/(-U)

(d) I — d x ------dy ao longo da reta y — 2 — ,v.


> ,- i) y

.V dx y dy
„ ^ , C: X = COS ty y = sen b 0 < í <
+ ?/

( f ) J Aí/ d.r — d y, C: x = cos t, y = sen t, 0 < í < 2 t7.


c
(g) / dx + x ijd y , C: o caminho triangular de (1,0) para ( 1 , 1 ) para (0,0) paia
^ (1,0).
(h) y dx + 2x dy,C:SL fronteira do quarto de círculo a- + / “ < L - y < -r < r. >' > 0.
c
(i) j 5y dx — 2 x d y , C: x = cos 5t, y = sen õt, 0 < f < õtt.

( j) J '2y dx + 3 a d y, C: x = sen t + sen 3f, y = cos t - co s3 ^ i) < t < 277.

2. Ache o trabalho realizado pela fôrça F dada sôbre uma partícula movendo-se no ca­
minho C dado:
(a) F - 2i — 5j, C: caminho poligonal de (0, 0) a (1, 1) a (I, 2) a (2, 2).
1322 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÒES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

(b) F = 3i + 2j, C: caminho poligonal de (1, 1) a (1, — I) a (— 1, — 1) a (— 1, 1).


(c) F = jd, C: y = de (0, 0) a (1, 1).
(d) F = >»i, C como em (c).
(e) F = ;ci - f - yj, C: círculo -h y^ = 1 percorrido uma vez no sentido contrário
ao dos ponteiros do relógio.
(f) F = — xj, C como em (e).
3, Avalie as integrais de linha:

(a) j xy ds, C: X = t, y = t, 0 < t < 1.

(b) j (x — y ) d s , C como no Probl. 2 (a).


c

(c) j x ^ ds , C: X = COS 2t, y = sén 2í, 0 < í < 27t.

(d) / V ^ d s , C : y = x2 de (0, 0) a (1, 1),L).

4. Verifique se os caminhos C e Ci são equivalentes e se as integrais de linha ao longo


de C e ao longo de Q são iguais para cada um dos seguintes casos:
(a) J 2 y dx -h 3x d y , C: x = t^ , y = 1 — ^ ^ t < 2, Q : x = 2 “^, y = I — 4"',
0 < T < 2.

(b) J '2 dx + 3 d y , C: X = t, y = 2 /(3 — í)., 0 < t < 1, C^: x = (3 t — 2 )/ t , y = t ,

2/3 < T < 1.


ixi,yi)
Í y dx x d y = x^y^ - x^y^, C : x = f { t ) , y = g(í), a < t < b.
c,(aro,yo)
(b) I sen y dx + cos y d y — sen y^ — sen i/ q, C: x = f{t), y =
^ixo,yo)
- g(í), a < t < b.
Observação, Nestes dois casos, o valor da integral de linha depende apenas do ponto
inicial ^ ponto terminal (xi, >^i); êle não depende do caminho seguido.
Quando isto acontece, diz-se que a integral de linha é independente do caminho (veja
a Seç. 13-14 adiante).
6. Demonstre: (a) Sôbre o caminho C: y = /( x ) , a < x < b , no sentido de x crescente,

J P(x, y) dx + Ç{x, y ) d y = f [P(x,f(x}) + Ç (x,f(x))f'(x)] dx.'


C o.
(b) Sôbre o caminho C: x = g(y), c < y < d, no sentido de y crescente,

J P(x, y) dx + Q{x, y ) d y - f [ P(g( y), y) g'( y) + Ç(g( y), t/)] dy.


c ^
7. Seja C um caminho simples de ( xq, J o) ^ (^ 1» J^i)» onde os pontos são distintos. Seja Cj
um caminho que comece em (xq, 7 o) o termine em (x^, 7 i) e siga^C, volte para trás e
para frente um número de vêzes, por exemplo, como na Fig. 13-44, de Bq a B.^, então
de volta a B2 , depois para frente para B^^ em seguida de volta a B^, logo para frente
para B^^ depois de volta a B^, e então para frente para B^, Mostre que
13-12. TEOREMA DE GJtEEN 1323

J ‘ P d x -j- Q d y = J ' P dx + Ç d y

Fig. 13-44. Probl. 7

13-12. Teorema de Green

o teorema seguinte dá a relação fundamental entre as integrais de linha


e as integrais duplas.
TEOREMA 14 (Teorema de Green). Seja R uma região no plano xy
contornada por um caminho simples, fechado e suave por partes C,
Tenham P(x, _y) e Q(x, v) derivadas parciais primeiras contínuas numa
região aberta que contenha C e R, Então,

DEMONSTRAÇÃO. Primeiramente, seja R da forma a ^ ^ x < b ,


(fi{x) ^ y ^ como na Fig. 13-45. Então,
y—q>y{x)
dx
y— g - 1 ( J-)

= f [ P(x, cp,(x)) - P(x, cp,(x))] dx (13-120)


a

r” r”
= J P(x, CP2 (X)) dx - j P(x, <f-^(x)) dx.
a a

Ora, a integral de linha X P dx ao longo de C é a soma das quatro integrais


em Cl, . . ., Cj. Já que dx 0 em Ci e C» e a: pode ser usado como parâ­
metro em Cl e C{, temos
^ P (x , y) dx = J P{x, y) dx + J P(x, y) dx = J" P ~ J P dx -
c c, c, c, c;,
. , (13-121)
= j P(x, 9 i(.r)) dx - J P(.x, (f,(-v)) dx.
a a

De (13-120) e (13-121),
1324 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VAR1AVE|S CAP. 13

Cs y = (P2(x)

y - <Pi(x)

Fig. 13-45. O caso especial para o Fig. 13-46. O caso geral para o
Teorema de Green Teorema de Green

(13-122)

Podemos agora estender a regra (13-122) a qualquer região R que possa ser
subdividida em regiões R u . . Rk do tipo especial da Fig. 13-45, com o
auxílio de retas a : = constante; veja a Fig. 13-46. De fato, por (13-122)
para o tipo especial de região
-d P \
i = 1 , . . . , fc
ií. ' ’ c.
onde Q é a fronteira de Ri. Se somarmos estas relações para i = 1, . .
as integrais duplas resultam no lado esquerdo de (13-122) e as integrais de
iifiha resultam no lado direito, pois quando somamos duas integrais de linha
em caminhos que têm uma porção em comum, as integrais na parte comum
cancelam-se pela Propriedade II da Seç. 13-11, e somente a integral de linha
ao longo da fronteira externa C permanece. Para a região mais geral espe­
cificada no teorema, a fórmula (13-122) segue agora por um processo de
Binke que não tentaremos levar avante. (O resultado que demonstramos
cobre todos os casos de interêsse prático.)
Da mesma maneira demonstramos:

= Q{x, y) dy. (13-122')

Se somarmos (13-122) e (13-122'), obteremos a conclusão do Teorema 14.


EXEMPLO 1
— ^ —y dx + X dy = ^ j (1 + l ) dA=: / / ^ = Á rea de R.
13-13. ROTACIONAL E DIVERGENTE 1325

Esta é a regra básica para a área estudada na Seç. 7-3.


EXEMPLO 2 Para fc = 0, 1 , 2 , . . . ,

-— S - x ^ y d x + dy - J J [(fc -f- l)x^ + x ^ ] d A = ^ \ x^ dA.

Esta é a regra básica para o momento Mkx dada na Seç. 7-10.


EXEMPLO 3 Seja R o quadrado de vértices ( ± 1, db 1), seja C a fron­
teira de R, Então,

^ xy dx — dy = j j {—6x — x) dA = —7 j j xdA.
C R R

Agora, j y x d A é igual a Àx, onde (3c, >^) é o centróide de R. Por simetria,


R
3c = 0. Logo, a integral de linha é igual a 0.

13-13. Rotacional e Divergente, Forma Vetorial do Teo­


rema de Green

Consideramos uma região aberta D no espaço tridimensional e dois


tipos de funções em D:
(a) as funções escalares F (x ,y,z);
(b) as funções vetoriais \ —f { x , y, z)\ + g{x, y, z)j + y» Em
Física, tais funções são geralmente denominadas de campos \ campos esca­
lares ou campos vetoriais. Para o campo escalar F, imaginam-se os valores
de F como números associados aos vários pontos de D (como os números
colocados nas casas de uma cidade); para o campo vetorial, imaginam-se
segmentos de reta orientados associados aos vários pontos como na Fig.
13-47. Tais campos aparecem em muitas aplicações. Por exemplo, no
movimento de um fluido, os vetores velocidade dos vários pontos formam
um campo vetorial v; a temperatura nos vários pontos forma um campo
escalar F, O vetor força em diferentes pontos devido à gravidade, (ou a
um ímã) é um campo vetorial.
Para evitarmos repetição, admitiremos que tôdas as funções que apa­
recerem nesta seção tenham derivadas parciais contínuas das ordens que
apareçam. Nossa discussão enfatiza o espaço tridimensional, mas será
também extensiva ao espaço bidimensional. Podemos imaginar campos
escalares bidimensionais como funções F que não dependem de z, e campos
vetoriais bidimensionais como campos v que têm 0 como componente z e
para os quais as componentes x t y dependem apenas de ;c e de y, de modo
1326 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIÁVEIS CAF. 13

Fig. 13-47. Campo de velocidade (rotação pura)

que V = P{x, y)i + Q(x, y)y Os campos bidimensionais denominam-se


campos planos.
Se começarmos com um campo escalar F{x, y, z), poderemos então
obter um campo vetorial formando VF, o vetor gradiente de F. Êste campo
denomina-se campo gradiente.
EXEMPLO 1 Seja v = 2xi + 2y\ + 2zk. Então, v = ¥(x, y, z) é um
campo vetorial em R^. Neste caso, v é um campo gradiente, pois
V = V{x^ 4- -f
Agora, seja v ==/ ( x . y, z)i + g(x, y, z)j + h(x, y, z)k um campo vetorial
na região aberta /) de e suponhamos que / , g, h tenham derivadas parciais
primeiras em D. Já que f , g, h são as componentes de v, podemos escrever
y> ^)> y> y>
(Nesta e nas próximas duas seções, os índices x, y, z não serão usados para
derivadas parciais, mas apenas para indicar componentes.) Das derivadas
parciais primeiras de / , g e A formamos um novo campo vetorial:

= _ ^V i +
\ 9y 92/ \ 9z dx) \ 9x dy)
13-13. ROTACIONAL E DIVERGENTE 1327

Podemos também escrever simbolicamente


i j k

w = rot V = V X V = 9?/ dz
dx 0Z
1 -h •

e as fórmulas simbólicas são mais fáceis de ser lembradas.


A definição que acabamos de dar parece artificial. Contudo, o rota-
cional de um campo vetorial tem um profundo significado geométrico e
físico. Podemos pensar no campo vetorial v como o campo de vetores
velocidade das partículas de um fluido em movimento. Então, o rotacional
v mede a extensão em que o movimento é como uma rotação em tôrno de
um eixo determinado. Quando o rotacioilal v é idênticamente 0, o movi­
mento denomina-se ‘"irrotacional” ; o mesmo têrmo é usado para qualquer
campo vetorial cujo rotacional seja 0. (Veja também o parágrafo final da
discussão do Teorema de Stokes no plano, mais adiante.)
EXEMPLO 2 V= — Aqui,
i j k
_0_ 0
rot v = = 2 k.
dx dz
-y X 0
Neste caso, como sugere a Fig. 13-47, temos uma rotação pura em tôrno
do eixo z, com velocidade angular de um radiano por unidade de tempo.
TEOREMA 15. Seja o campo vetorial v definido e continuamente deri-
vável na região aberta D. Se y é um gradiente, então rot v = 0 em D,

DEMONSTRAÇÃO. Seja V = grad F = + |^ k . Então.


ox oy oz
i j k

rot v = _0_
dx dz
K ÈK M.
dx 9?/ dz
' 02F 02F 02F 02F 02F 02F
- { dydz dzdy h i dz dx dx dz dxdy dydx
= 0
pela regra básica sôbre derivadas parciais mistas (Teorema 13, Seç. 12-20).
Sob certas restrições na região D, a recíproca dêste teorema é verdadeira:
se rot V = 0 em D, então v é um campo gradiente em D, O resultado é
particularmente válido quando D é todo o ou quando D é o interior de
1328 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

um sólido convexo tal como uma esfera ou um cubo, mas não é válido para
o interior de um toro. Mais discussão sobre êste ponto e uma demons­
tração da recíproca no caso bidimensional serão apresentadas nas seções
seguintes.
A condição de que v = / i + gj + Ak seja um campo gradiente é equi­
valente à condição de que / dx + gdy + h dz seja a diferencial de uma
função F. De fato, quando / = dFjdx, g = dFIdy, h = dFjdz, podemos
escrever
f d x + g dy + h d z = ^ d x + ^ d y + ^ d z = dF^
ox ay oz
e, reciprocamente, se dF ~ f dx g dy + h dz, então (pelo Teorema 2,
Seç. 12-9),/ = dF jdx, g = d F jd y , h = dF ldz. Assim, podemos reenunciar
o Teorema 15 e sua recíproca (subentendidas as restrições em D) como segue:
A expressão f {x, y, z) dx + g(x, y, z) dy + h{x, y, z) dz é a diferencial dF
de uma função F em D se, e somente se.

d f 0g 0g dh , 0/ dh
^ = — • (13-130)
dydx ’ dz dy dz dx
Referimo-nos a uma expressão f d x + g d y + h dz que é a diferencial
dF de uma função F como uma diferencial exata,
EXEMPLO 3 Se a e 6 são constantes, a expressão
{ay -f- bz) dx -h (3x + 2z) dy -f- (2 y + x) dz
é uma diferencial exata se, e sòmente se,
a = 3, 2 = 2, b=l.
Assim, a condição é a = 3, & = 1. Com estas escolhas, temos
(3 y z)dx (3x + 2z) dy + {2y x) dz = dF
ou
{3y dx -f- 3x dy) + {zdx x dz) -f {2z dy 4- 2y dz) = dF.
Òbviamente, podemos tomar
F = 3xy -h xz -1- 2yz + const.
Em geral, a função F é determinada a menos de uma constante. De
fato, a adição de uma constante a F não tem efeito sobre dF e, se dF\ = dF2,
então d(Fi — Ffi = 0, de modo que V(Fi — Ff) = 0 em D e, por conse­
guinte, pelo Teorema 5 da Seç. 12-9, F\ — F2 é constante.
EXEMPLO 4 Mostre que
e‘^^^{y 4- 2x^yz) dx 4- dy 4- x^ye^^^ dz
é uma diferencial exata e ache a função F para a qual ela é a diferencial.
As condições (13-130) tornam-se
13-13. ROTACIONAL E DIVERGENTE 1329

2x^z) =
-4- + 2x^z), = x^e^^^
e^^^(3x^y -h 2x^yz) = e^^^(3x^y -j- 2 x^t/z)
e portanto, são satisfeitas por todos os (x, y, z), É difícil ver o que F é.
Contudo, podemos raciocinar:

9jP
— = x 3y e ^ ^
óz
de modo que F = mais (não necessàriamente uma constante) uma
função cuja derivada em relação a z seja 0, isto é, uma função (p{x, y):
F = xye^^^ + q){x, y).
As condições

= + 2x^yz), = xe*
9x
tornam-se
9(p
+ 2x^yz) + — = e^'^^{y + 2x^yz), xe'X'^Z ^
ox
Assim, d<pjdx = 0, dipjdy = 0 e é realmente uma constante:
F{x, y, z) = xye^^^ + c (c = const)
Podemos particularizar o Teorema 15 e a subseqüente discussão para
campos vetoriais em isto é, para o campo plano v = / ipc, y)i + g(x, y)\.
Assim, V não tem componente z e as componentes jc e de v dependem
somente de x q y. Concluímos de novo que se v é um campo gradiente:

v = / Í 4 - g j = VF = f i + | ^ i

com F = F(x, y), então rot v = 0. Mas agora

> J k
d d d
rot V =
dx dy dz Vax dy)
y) g (^ . y) 0

Portanto, a condição rot v = 0 torna-se

9y 9x (13-131)

A Eq. (13-131) é uma condição suficiente para que f ( x , y) dx+ g(x, y) dy


seja uma diferencial exata:
f(x, y)dx + g{x, y) dy = dF, F = F{x, y). (13-132)
133a CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

Como antes, (13-131) implica (13-132) apenas numa região aberta apropriada
D no plano xy (z pode ser completamente ignorada). A condição sôbreD
é que ela seja simplesmente conexa (Seç. 7-4; veja Seç. 13-14).
EXEMPLO 5 Mostre que {2x + ?^y) dx + (3x + 4y) dy é uma diferencial
exata dF e ache F. Verificamos que a condição (13-131) é satisfeita:

A ^ + 3 j ) = | ; ( 3 < + 4„) = 3.

Raciocinamos então como no Ex. 4:


F == • + 3xt/ + (p(y),

■|^ = 3x + 4y, de modo que + (p\y) = 3 x-f 4y,

9(y) = 2t/2 + C, F(x, y) = x2 + 3x^ + 2y2 + c.

O Teorema de Stokes no Plano. O Teorema de Green pode ser formu­


lado agora em forma vetorial. Tomamos u = P(x, >^)i + Q(x, j;)j como no
Teorema 14. Assim, u é um campo vetorial em D. A integral de linha
^ P d x -h Ç dy que aparece no Teorema de Green pode ser escrita como
^U j, ds como em (13-114). Na integral dupla, o integrando é a compo­
nente z de rot u. Então, o Teorema de Green toma a forma:
^ Uj,ds = j j TOtz u d A . (13-133)
c R
Es% equação é uma forma bidimensional do Teorema de Stokes. Esten-
<fcmOs isto ao espaço tridimensional na Seç. 13-15.
;A integral de linha >^Uj,ds à esquerda de (13-133) é conhecida como
a circulação do campo vetoridl u em C; ela mede a extensão em que o movi­
mento correspondente do fluido é semelhante a uma rotação em C. Pelo
Teorema do Valor Médio (Teorema 7, Seç. 13-8), podemos escrever (13-133)
como
Ufpds — rotz u A,

onde A é a área de R. Se dividirmos por A e passarmos ao limite como no


Teorema 10 (Seç. 13-8), deixando R reduzir-se a um ponto (xo, yo), conclui­
remos que

rot« u = lim — <Suj,ds,


(xo,!/o) ‘‘■■âm- A^
Assim, a componente z de rot u é um limite de circulação por unidade de área,
Êste resultado mostra que o rotacional, em verdade, tem um significado
geométrico e físico básico.
13.13. ROTACIONAL E DIVERGENTE 1331

Divergente de um Campo Vetorial. Seja v = / (x, y, z)i + g(x, y, z)j +


+ y, ^)k como acima. De v construímos uma função escalar (ou campo
escalar), o divergente de v, pela equação:
nG(x,
/ y, z)\ = div V = ^ ^ , (13-134)
ox oy oz
De novo, a definição parece ser artificial. Contudo, o divergente também
tem um significado físico e geométrico básico. Como mostraremos, para
o caso de um campo de velocidades v, divv mede o quanto o fluido se
expande. Em particular, div v = 0 para o movimento de um fluido incom-
pressível. Quando div v = 0, o campo vetorial v chama-se solenoidaL
EXEMPLO 6 V = —y\ + jcj. Êste é o campo do Ex. 2 considerado acima
(Fig. 13-47) e é o campo de velocidades de um movimento puramente rota-
cional. Descobrimos que

divv = |^ ( - ! , ) + ^ W = 0.

Já que o movimento não envolve expansão ou contração, o resultado é espe­


rado.
Podemos usar uma notação simbólica para divv:

divv = V • V = ( A i + + A k) . + v_k)

e isto ajuda a lembrar a definição.


TEOREMA 16. Seja v = rot w em D, onde as componentes de w têm
derivadas parciais contínuas até segunda ordem em D. Então, div v = 0
em D,
DEMONSTRAÇÃO. Se v = rot w, então

V = 4. + Z i ^ -
\ du dz / V dx ) V dx du J

d (dw 9u) \ d /dw ^ dw^ \ + ^ _ ^ \=


- i f ) + dy \ dz dx } d z \ d x du
9?/ I
02.tu.. d^w. 9V .
+ + = 0
dxdy dxdz dy dz dy dx dz dx dzdy
segundo a regra de derivadas parciais mistas.
Também aqui existe uma recíproca: se div v = 0 em D, então v = rot w
para algum w; de novo, devem ser impostas restrições a B (não as mesmas
que para a recíproca do Teorema 15). A recíproca é válida, em particular,
para todo o R* e para o interior de um sólido convexo. Para mais infor-
1332 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

mação, veja Advanced Calculus, por W. Kaplan (Addison-Wesley, Readíng,


Mass., 1952).
O divergente pode ser definido para campos vetoriais em Rn, para
qualquer n:

dv^ dvo
d iv V =
dx^ dX2
O conceito tem aplicações importantes na teoria cinética dos gases, com n
da ordem de 10^^!
Divergente de um Gradiente. Se v = onde F tem derivadas até
segunda ordem em D> entãò

d iv V = d iv grad F = f (f:) + f
d x \d x / dy\dy) dz\dz)

0íc2 ^ 0y2 ^ 0^2


Então, o divergente de um gradiente é o mesmo que o laplaciano (Seç. 12-19).
Simbolicamente,
V • V = V2
o Teorema da Divergência. Consideramos novamente o Teorema de
Green, mas deixamos agora v = g i — P j = — u^, onde u = P i + Q\.
Então,
, dO d?
d iv V =
dx dy
e êste é o integrando na integral dupla. Para a integral de linha, intro­
duzimos o vetor

„ = - r = ^ i - È j
ds ds
de modo que n seja um vetor normal unitário ao longo do caminho apon­
tando para o exterior P, como na Fig. 13-48. Então,

„, = v n = e ^ + F ^ = » - T = „ ,.

Então, o Teorema de Green toma a forma:

^ü„ds = JJ d iv v d A . (1 3 -1 3 5 )
c R
Esta fórmula é válida para todo campo vetorial plano que satisfaça às con­
dições exigidas de continuidade. A Eq. (13-135) é conhecida como o teorema
da divergência no plano.
13.T3. ROTACIONAL E DIVERGENTE 1333

Fig. 13-48. Teorema da Divergência

A integral de linha k esquerda de (13-135) é conhecida como


o fluxo de V através de C. Se v é o campo dos vetores velocidade de um
movimento bidimensional de um fluido, o fluxo mede a rapidez com que
o fluido está deixando R ou entrando em R. Um argumento como aquêle
para o rotacionál mostra que

/•
div V = lim-
(aro.Vo)
Assim, o divergente é um limite de fluxo por unidade de área, novamente
uma idéia física e geométrica básica (veja o Probl. 3 adiante).
Gradiente, Rotacional, Divergente e Laplaciano como Transformações
Lineares. Cada uma das quatro operações arroladas pode ser aplicada aos
elementos de um espaço vetorial apropriado para dar uma transformação
linear dêsse espaço vetorial em outro espaço vetorial. Por exemplo, supo­
nhamos que U seja o espaço vetorial de tôdas as funções escalares em D
que tenham derivadas continuas de tôdas as ordens e que V seja o espaço
vetorial dc todos os campos vetoriais em D cujas componentes tenham deri­
vadas parciais contínuas de tôdas as ordens. Então,
V transforma í/ em K
lo t transforma V cm V
div transforma V cm U
transforma U cm U
Cada uma destas transformações é linear (Probl. 9 adiante). Observamos
que = div grad f de modo que é o produto das duas transformações
lineares div e grad.
Como para qualquer transformação linear, indagamos agora pelo núcleo
e imagem de cada uma destas transformações. Para uma região D, tal
como o interior de uma esfera (ou de um círculo em duas dimensões), podem
1334 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

>
O
>

Cd
c

Cd
a
PROBLEMAS 1335

ser feitas as seguintes afirmações em face de nossa discussão ou, pela última
das afirmações, em face de teoria mais avançada:
A imagem de V é o conjunto dos campos gradientes, e isto é o núcleo
de rot (portanto, o,mesmo que campos irrotacionais).
A imagem de rot é o conjunto dos campos solenoidais, e isto é o núcleo
de div.
o núcleo de é o conjunto das funções harmônicas em D.
A imagem de e C/ e a imagem de div é U.
Tôdas estas relações estão sugeridas no diagrama da Fig. 13-49.

PROBLEMAS
1. Avalie pelo Teorema de Green:
(a) {a-^x -I- h-^y) dx + (02^ + dy, a^, constantes, C arbitrário.
c

(b) '^ P (x)dx + Q { y ) d y , C arbitrário.

(c) 'Px^y dx — xy^ dy, C: x^ + í/^ = 1.


c

(d) '^ e^ (x + ^ri y) dx + H- cos y) dy, C: quadrado de vértices ( ± 1, zh 1).


c
2. Seja C uma curva simples, fechada e suave envolvendo a região R\ seja n a normal
unitária em C, apontando para fora; suponha que djdn signifique a derivada direcional
na direção de n e que f q g satisfaçam a condições de derivabilidade adequadas. De­
monstre:

(^)
c ^
= JJ
R
( ^ /* (veja Probl. 12).

C R

(c) S e / é harmônica cm R, então '^f^ds = j j \\Vf\\^dA.


C R

(d) S e / é harmônica e m i ? e ^ f ^ d s z= 0^ então / é constante em R,


c

'•> C
-«!■)*=íJ R

(f) Se / e ^ são harmônicas em R, então ~


c c
3. Neste problema, raciocine fisicamente ao invés de tentar uma dedução matemática
precisa. Consideramos um movimento bidimensional de um fluido no plano xy»
Isto pode ser imaginado como o movimento das partículas na superfície de um rio
1336 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

OU como o movimento de um fluido no espaço tridimensionàl em que tôdas as par­


tículas se movam paralelas ao plano xy e tenham velocidade v independente da coor­
denada 2 . Assim, V = y(x, y) ou, se a velocidade mudar com o tempo, v = y{x, y, t),
(a) Suponha que v é um vetor constante. Seja C um segmento de reta orientado
com vetor unitário normal n. Mostre que J v • n CÍ5 é igual à razão em que o
fluido está atravessando C (Fig. 13-50) em unidades de área por unidade de tempo;
iima razão negativa significa que o fluido atravessa no sentido oposto a n. Quando
a razão é 0?

Fig. 13-50. Movimento bidimensional de um fluido

(b) Estenda o resultado de (a) para um campo geral v e caminho C e mostre que,
quando C é fechado e encerra uma região v •n é a razão líquida de perda
c
de fluido em R, Conclua dêste resultado que o fluido é incompressível se, e
somente se, div v = 0.

(c) Tenha o fluido densidade Ò — Ô(x, y, í). Suponha que C encerre R, de área A,
Mostre que é a razão líquida de perda de massa de R^ Suponha que
R se reduza a um ponto (xq, y d Para concluir que

lim 4" íô v • n ds
diâm. de if-^0 A^
é a razão de decrescimento da densidade em (jtq, yd* Conclua que

^ + div (ôv) = 0.

Esta é a equação hidrodinâmica da continuidade para 2 dimensões. Conclua que


se ô é constante no tempo e posição, de modo que o fluido é incompressível,
então div v = 0.
4. Achando a circulação de v em tôrno do círculo C: x^ + y"^ = a^, dividindo por ira^
e deixando a —»0, ache rot v em (0, 0). Esboce o campo vetorial em cada caso.
(a) V = — >^i + (rotação), (b) v = jci,4- (movimento radial).
(c) V = x l (d) V F= ;cj.
13-14. DIFERENCIAIS EXATAS E INDEPENDÊNCIA DO CAMINHO 1337

5. Ache o rotacíonal de cada um dos seguintes campos vetoriais:


(a) i/i 4- + ídk.
(b) (3x — 2t/)i + (3y — 2z)j + (3z — 5x)k,
(c) x^yzi + (x^y — y^z^)j + xyz^k,
(d) x y c o s z i 4- {x^ — t/^)|senzj 4- (x^ — x y ) c o s z k ,
6. (a ) ... (d) Ache o divergente dos campos vetoriais do Probl. 5.
7. Mostre que cada um dos seguintes campos vetoriais é irrotacional e ache F tal que
v = VF:
(a) V = yzi 4- 3czj 4- xyk, (b ) V = + COS y ] -f- z ^ k .

(C) V = ^ (xi + yj). (d) V = (x2 + ^

8. Mostre que cada uma das seguintes é uma diferencial exata dF e ache F:
(a) (2x + y) dx {2y X + z) d y + { y — 2z) dz*
(b) (6z — 1/ 4- 2z) dx 4- ( — — x — z) d y 4- (2x — í/ 4- 2z) dz,
(c) (x* - 2y) dl + (y2 _ 2x) d y.
(d) (seihxt/ 4- xy cos xy) dx 4- cos xy dy,
(e) (e* + 2xy) dx + (x^ + iseray) dy.
(f) (1 + In X + e*) dx + (xe'' + sec^ y) dy.
9. Demonstre que cada uma das seguintes operações é uma transformação linear, como
foi descrito ao fim da Seç. 13-13:

(a) V- (b) rot. (c) div. (d)

10. Mostre que v é solenoidal e ache w de modo que rot w = v: {Sugestão, Suponha
= 0.)
(a) V = xi + yj — 2zk (b) v = (x^ 4- y^)k,

11. Seja «(x, >^)i — v(x, >^)j um campo vetorial solenoidal e irrotacional na região aberta D;
suponha que u, v tenham derivadas parciais contínuas até a segunda ordem.
(a) Mostre que (duldx) = {dvidy) e (duldy) = — (dv/dx).
(b) Mostre que « e v são harmônicas em D.
[As equações em (a) chamam-se Equações de Cauchy-Riemam. Existe uma vasta lite­
ratura referente às funções que as satisfazem. Elas são discutidas em livros sôbre
funções de uma variável complexa.]
12. Demonstre, segundo hipóteses adequadas:

(a) V ( / g ) = / V g + g V /.
(b) V - ( / v ) = / ( V - v ) + ( V / - v ) .
(c) div (u X v) = v • rot u — u • rot v.

13-14. Diferenciais Exatas e Independência do Caminho

Na Seç. 13-13, definimos uma expressão P d x + Q dy como sendo uma


diferencial exata na região aberta D se P dx + Q dy = dF para alguma
1338 ca lcu lo in t e g r a l de fu n ç õ es de v a r ia s VARIAVEIS CAP. 13

função F em D. Mostramos também que se iiF = P dx + Q dy t se se


mantiverem condições apropriadas de continuidade, então

0P
(13-140)
dx
Afirmamos também que se (13-140) permanecer válida e D fôr simplesmente
conexa, então P dx -\- Q dy é uma diferencial exata. Nesta seção estabe­
lecemos êste último resultado, explicamos por que é necessária a conexão
simples é mostramos como F pode ser encontrada a partir de P e g .
Definição. Sejam P{x,y) e Q(x,y) definidas e contínuas na região
aberta D, Dizemos que a integral de linha J ' P dx + Q dy é independente
do caminho em D sc o valor da integral de linha depender apenas dos pontos
terminais e não do caminho determinado que liga êstes pontos terminais,
isto é, se

j Pdx + Qdy — J Pdx + Ç dy

para todas as escolhas á t A q B c dos caminhos C e Ci de ^4 a P em Z>.


TEOREMA 17. Suponhamos que F(x,y) tenha derivadas parciais pri­
meiras contínuas na região aberta D, Seja VE = Pi + Q], de modo que
d F j d x = P, dFjdy = Q e dF = P dx + Q dy, e portanto, P dx Q dy
é uma diferencial exata. Então, J ' P dx Q dy é independente do
caminho em D e

f ' ' P d x + Ç d y = F(Xi, !/i) - F( xq, y^) = F(x, y)


ixo,yo)
DEMONSTRAÇAO. Basta que consideremos apenas caminhos suaves,
já que o caminho suave por partes geral pode ser decomposto em vários
caminhos suaves e a afirmativa a ser provada decorre do caso especial por
simples soma. Seja C um caminho suave x = / ( í ) , y = g(t), a < t < b.
Então,
r, j 7 /dF dx dF d y \ ^
\ dt dt J \dx dt dy dt )

=f !/(^)]
pela regra da cadeia (Seç. 12-10, Teorema 6). Então,
t-b
J P d x + Ç d y - F[x{t), y{t)] = p(xv */i) - yol
Íi^o>yo)
O valor obtido não depende do caminho C. Portanto, fica provado o teo-
rema.
13-14. DIFERENCIAIS EXATAS E INDEPENDÊNCIA DO CAMINHO 1339

EXEMPLO 1
' ( 2 .8 ) ^(2,8) ( 2 ,8 )

yd x + x d y ^ J d(xy) = (xy) = 16 - 3 = 13.


^(1,3) •'(1,3) (1,3)
C C
Como o exemplo indica, o Teorema 17 pode ser enunciado precisamente
como segue:

dF = F(B) - F(A). (13-141)


c
A escolha do caminho é irrelevante e pode-se mesmo escrever a integral como
dF, omitindo-se qualquer referência a C.
TEOREMA 18 {Recíproca do Teorema 17). Sejam P { x , y ) e Q{x,y)
contínuas na região aberta D e seja f P dx Q dy independente do
caminho em D. Então, existe uma função F{x, y), definida em D, para
a qual dF = P dx + Q dy ou, equivalentemente,
K - p Q, isto é, VF = Pi + P j
7)^ 9i/

Fig. 13-51. Construção de F tal que Fig. 13-52. Demonstração do


dF = F dx + Qdy Teorema 19

DEMONSTRAÇÃO Seja {xo, yo) um ponto fixado em D. Para cada


ponto (xi, yi) de D, definimos F(xi, ;^i) pela equação

J ''(^lJ'l) P d x + Çdy , (13-142)

onde C é um caminho de (;co, yo) a (xi, j i ) em D, como na Fig. 13-51. Já


que a integral de linha independe do caminho, não importa que caminho C
de (xo, yo) a (xi, yi) usamos em (13-142).
Agora, seja | h | tão pequeno e positivo que o segmento de reta Ci de
>^i) a (xi + h, yi) esteja em D. Então,
1340 ca lcu lo in t e g r a l de fu n çõ es de v Ar ia s v a r i Av e i s CAP. 13

Pdx + Qdy + f Pdx + Qdy=


(jCo
Í(^ nC
.Vn))'
Vq UiO'i)
xx +h
= f (x i,y i) + J P {x,y^dx =

= F(xi, yi) + hP{t t/i), entre Xj e x^ + h)


pelo Teorema do Valor Médio para integrais. Portanto,
F(xi + h, yi) - Fjx^, yi) ^

Se fizermos A aproximar-se de 0, concluímos que

^ { x „ y , ) = P{x„y,l

Semelhantemente, dFjdy = g em 2) e o teorema fica provado.


Observação. A função F hão é única, pois podemos òbviamente somar
uma constante. Também, se
_ 8F dF. 0F
^ — em i>.
dx dx dy dy
então V(Fi — F ) = 0 cm D, de modo que Fj = F + consthntç^ Então,
tôda§ as soluções são dadas por F + const., onde F é uma solução. (O
núéíêo da transformação V consiste de todas as funções constantes em D,)
TEOREMA 19. Sejam F(x, y) e Q(x, y) contínuas na região aberta D,
Então, a integral de linha J^P dx + Q dy é independente do caminho em
D^se, e somente se.

^ Pdx -r Q dy = 0 (13-143)

para todo caminho C, simples, fechado e suave por partes em D,


DEMONSTRAÇÃO. Suponhamos que a integral de linha seja inde­
pendente do caminho e que C seja um caminho simples como na Fig. 13-52.
Escolhemos pontos distintos A q B tm C. Então, decompomos C num
caminho C\ de A 2l B q num. caminho C 2 de B a A, Então,

P dx Q dy = F í/x 4 Q dy + j P dx Ç dy=.
c ct cf
= Pdx + Q dy - Pdx -h Q dy

Pela independência do caminho, as duas últimas integrais são iguais e (13-143)


permanece válida.
13-14. DIFERENCIAIS EXATAS E INDEPENDÊNCIA DO CAMINHO 1341

Reciprocamente, suponha que (13-143) valha para todos os caminhos,


simidès e fechados em D. Se Cz e Ca são dois caminhos simples á t M 2l N
em D (Fig. 13-52), cruzando-se apenas em pontos L i , .. então a in­
tegral ao longo de Cs de M a Li é igual à integral ao longo de C4 de M a
Li, já que a integral ao longo de C4 de M a Li seguida por aquela ao longo
de Cs, com direção revertida, de Li a Af, é 0 segundo (13-143). Anàlo-
gamente, a integral de Li a L2 ao longo de Cs é a mesma que aquela ao
longo de C4, e assim por diante. Somando-se êstes resultados, concluímos
que

Sm P d x + Ç d y ^ £ P d x + Ç d y . (13-144)
C4
O mesmo resultado é válido quando C3 e C4 não forem simples ou cruza-
rem-se uma infinidade de vêzes, como é mostrado em textos avançados.
Aceitando êste resultado, concluímos de (13-144), que a integral de linha
J* P dx + Qdy independe do caminho em D.
TEOREMA 20, Suponhamos que P{x, y) e Q(x,y) tenham derivadas
parciais primeiras contínuas na região aberta D, Se a integral de linha
J ' P d x + Qdy é independente do caminho em D, então
dP dç _
dy dx
isto é, rot (Fi + Q}) = 0 em D,
DEMONSTRAÇÃO. Pelo Teorema 18, existe uma função F tal que
P==dFldx, Q = d F l d y . Então,
dP 02F d^F
dy dx ' dx dx dy
Já que todas as derivadas são contínuas, sabemos quQ d^^F/dxdy =d^Fldydx
(Teorema^ 13 na Seç. 12-20). Portanto, d P / d y = d Q j d x em D,
Chegamos agora ao principal teorema da seção. Os teoremas até aqui
não fizeram referência ao tipo de região D. No teorema que se segue, exi­
gimos que D seja simplesmente conexa, isto é, que D não tenha /'buracos”,
como sugere a Fig. 13-53(a). Uma região que não é simplesmente conexa
é chamada multiplamente conexa; ela é duplamente conexa quando tem um
"buraco” , triplamente conexa quando tem dois "buracos”, e assim por diante.
Para as nossas finalidades, podemos definir uma região aberta D como sim­
plesmente conexa quando todo caminho C simples e fechado em D forma a
fronteira de uma região fechada e limitada R contida em D. Esta proprie­
dade é òbviamente verdadeira para a região da Fig. 13-53(a). Não é válida
para b q c, já que, nestes casos, para algumas escolhas de C, não podemos
1342 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARlAVElS CAP. 13

ter R totalmente dentro de D. Em geral, quando C contorna um "buraco”,


há dificuldades. A razão para a importância da propriedade da conexão
simples é que, quando é válida, pode-se aplicar livremente o Teorema de

Fig. 13-53. Regiões abertas simplesmente conexas e mültiplamente conexas, (a) Sim­
plesmente conexa; (b) duplamente conexa; (c) tríplamente conexa

Green; quando ela faJha, o Teorema de Green é inaplicável a certas curvas


simples e fechadas. Por exemplo, não podemos aplicar o Teorema de Green
à integral de linha
seri X
dx -I- cosx
H- x^ -1-

onde C é o círculo = \. Aqui, nossos coeficientes P t Q são defi­


nidos e deriváveis na região aberta D, que consiste do plano xy inteiro menos
um ponto: a origem (0, 0). Êste ponto excepcional é um "buraco” em D,
de modo que D é duplamente conexa. Já que C contorna o "buraco”, não
podemos aplicar o Teorema de Green.
TEOREMA 21. Seja D uma região aberta simplesmente conexa no
plano xy. Suponha que P(x,y) e Q(x,y) tenham derivadas parciais pri­
meiras contínuas em D e que
dP dO

Então, P dx + Q dy é uma diferencial exata, isto é, existe uma função F


em D tal que

K -P
dx ’ dy
Observação. Em linguagem vetorial, o teorema diz: se rot ( P i+ ô j) = 0
num domínio D simplesmente conexo, então P i + ÔJ = VP em T>. Os
Teoremas 20 e 21 afirmam de modo geral: em domínios simplesmente co­
13.14. DIFERENCIAIS EXATAS E INDEPENDÊNCIA DO CAMINHO 1343

nexos no plano xy, os campos vetoriais irrotacionais e os campos gradientes


são os mesmos.
DEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA 21. Seja C um caminho simples,
fechado e suave por partes em D, como na Fig. 13-53(a). Já que Z) é sim­
plesmente conexa, C é a fronteira de uma região Jl, limitada e fechada em B ,
e o Teorema de Green é aplicável:

C ^ ^ dy)

Já que d Q f d x = d P l d y em D, o lado direito é 0. Então,

^ Pdx + Ç d y = 0

para todo caminho simples, fechado e suave por partes em D. Portanto,


pelo Teorema 19, a integral de linha J* P dx + Q dy independe do caminho
em D e, desta forma, pelo Teorema IS, P dx + Q dy é uma diferencial exata.
Fica assim demonstrado o teorema.
Para o Ex. 1, P = y, Q — x q d Q f d x = d P l d y . Assim, y dx x dy
deve ser uma diferencial exata. Neste caso, vemos logo que y d x - { - x d y =
= d{pcy). Em outros casos, pode acontecer que não reconheçamos a função
F com tanta facilidade. Podenios então usar (13-142) para encontrar F.
EXEMPLO 2. Ixy'^ e^^^dx + e*^Kl + x^^y) dy. Aqui,
P = 2xy'^e^^^, Q= -h x^y)

— = e^^^{4xy -h 2x^y^) , = e^^^{2xy + 2xy{l -h x^y))^

e dP j d y — õ Q l d x para todo (x, y), -Nossa região D é todo o plano xy; não
há "buracos” , e D é simplesmente conexa. Portanto, P dx + Qd y = dF,
Por (13-142), tomamos
f (a?i ,Vi)
2xy^e^^^ d x -h + x “^y) d y
u),0)
1344 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

e a escolha de C fica à nossa disposição. Por exemplo, tomemos C como


sendo a linha quebrada de (0, 0) a (xi, 0) a (jci, yi) como na Fig. 13-54.
Achamos então que

Odx+ j + Xj^y) dy.


u *^0
Na segunda integral, tratamos xi como uma constante. Se xi 0, inte­
gramos por partes para descobrir que

í/l) = (1 -h
y=0
—•'nf dy =

Para x i = 0 , achamos que


pi
Í d y = y^.
u
Então, F{x\, = 7i para todo (jci, .V |), isto é, F{x, j») = y e ’^'>. A
função mais geral tendo como diferencial P dx -\- Q dy é ye^^'' + c.

Verifique: = 2xyH^‘‘^ - P, ÈE = + x'^y) = Q.

EXEMPLO 3 P= -y
-h y^ Q = x^ + y 2*

Aqui,
-x 2 y2 -
dx 2\2
(x2 + y^)
^y (x^ + y ^

e d Pj dy = d Q j d x , Mas não podemos escolher D como o plano xy inteiro,


já que P t Q são descontínuas na origem (0, 0). Podemos usar qualquer
região aberta D simplesmente conexa que não contenha a origem. Por
exemplo, podemos supor que D seja o "semiplano direito” ;c > 0, como
na Fig. 13-55. Podemos então tomar

F(^V yi) = I 2 ^ 2- - -

Podemos avaliar F em detalhe, como no Ex. 2. Contudo, reconhecemos


a integral de linha como aquela para a função angular das Seçs. 5-4 e 6-6.
O valor F(xi,yi) é simplesmente a variação no ângulo polar 0 quando vamos
de (1, 0) para (xi, ,vi), e 6 varia continuamente no caminho. Desde que
estamos restritos ao semiplano direito, podemos 0 = 0 em (l, 0) e então,
por continuidade, temos — tt/2 < 0 < irjl em Z>. Portanto,
7T 7T
^(•«1. y ô = ângulo polar d em (xi, y{), onde
PROBLEMAS 1345

Podemos também escrever

F(x„y,) = T g - i ^

já que o valor principal da inversa da tangente dá exatamente o valor que


queremos.
Se permitíssemos que D fôsse todo o plano xy menos a origem, então
o valor F dependeria da escolha de C. Para o caminho C\ da Fig. 13-55,
o valor seria lir mais do que ao longo de C. Notamos também que, para
um caminho simples e fechado C2 contornando o ‘‘buraco” em (0, 0),
—yd x + xdy
= 277-
c " + y
já que o ângulo polar aumenta de I tt neste caminho.
Em outros exemplos, pode acontecer que D tenha vários “buracos”
mas a integral y* F d x + Q dy em volta de cada “ buraco” é 0. Quando
isto acontece, P dx + Q dy = dF cm todo D, mesmo que D não seja sim­
plesmente conexa [Probls. 3(e) e 4 a seguir].
PROBLEMAS
1. Avalie:
«(4,8)
(a) r y dx X d y , C: x — y = F , \ < t < 2.

Ae.en
(b) I y dx X d y , C: x = , y = 0 < f < 1.

(c) y dx X d y , C: x = 100 cos t — cos lOí, y = 100 sen t — sen lOí.

^<0.17)
(d) I y d x + x d y em qualquer caminho C que se escolher.
•/r11,0,)
,7
^(3,2) ^(3,5)
(e) J'
7u)
2xy dx + dy. (f) f
7o,o)
e^y ( xy -f 1) dy.

2. Verifique a exatidão e, quando a expressão fôr exata, ache as funções que tenham as
seguintes diferenciais dadas:
(a) + 3 x ‘^y^) d x + {Sx^y"*^ -|- e^) d y (b) cos {x + 2 y ) d x + 2 cos (x + 2 y ) d y
(c) y d x - x d y (d) e^ (l + sen2 y) d x + 2e^ seny cos y d y
(e) - y ) d x + {3xy * + x^) d y (f) {x^ + xy^) d x + (x^y + y^) d y
(g) sen y d x + xe^ cos y d y (h) y sen (xy) d x + x sen (xy) d y
y dx — X dy -y d x + (x -l)d y
(•) ---- T2----^ 0^ (X - 1)2 + y2
x dx y dy
(k) (1) e^^^’y \ F , d x + F ^ d y )
+ yY
1346 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

3. (a) Seja R uma região limitada por duas curvas fechadas, simples e suaves por partes
Cl e C2 como na Fig. 13-56. Suponha que P t Q tenham derivadas parciais'
primeiras contínuas numa região aberta que contenha R. Mostre que

dx + Ç d y - ^ P d x - \ - Q dy'=-

{Sugestão, Divida R em duas regiões para as quais seja aplicável o Teorema


de Green e some os resultados.)

Cl

Fig. 13-56. Probl. 3

(b) Estenda o resultado da parte (a) para uma região limitada por diversas curvas
Cl»...« Cfi*
(c) Mostre que s t R é como na Fig. 13-56 e d Q /d x = d P / d y em R, então

^ Pdx Q d y = ^ ^ P dx Ç d y = ^ P dx -\- Q dy,


C, c, C

onde C é um caminho simples, fechado e suave por partes separando C^ e Cg.


(d) Mostre que se Z> é mültiplamente conexa, d Q ld x = d P / d y em D e Cj, Cg
são caminhos simples, fechados e suaves por partes em D contornando ò$ mes­
mos "buracos” de D. então

^ Pdx Ç d y = '^ P d x Ç dy^

(e) Seja D uma região aberta triplamente conexa. Suponha que d Q ld x = d P I d y


em D. Sejam

^Pdx + Çdy = ^ P dx + Ç dt/ = fcg,


c. c,
onde Cj envolve apenas um dos "buracos” de D e Cg envolve sòmente o outro.
Mostre que para cada dois pontos (xq, j^o)» (-^i* Pi) a integral de linha
J 'P dx + Q d y de (xq, yd) a (xi, ^i) ao longo de um caminho em D, embora geral­
mente dependente do caminho, tem, para dois caminhos diferentes, valores que
diferem em n\k^ -f «2 ^ 2» ® inteiros (possivelmente 0 ou negativos).
13-15. O TEOREMA DA DIVERGENCIA E O DE STORES 1347

Mostre que se /:i e At2 forem 0, a integral de linha é independente do caminho em D.


4. Para P{x, y) = xj{x^ + Q(x,y) = yl(x^ + >^), a região natural D é o plano xy
menos a origem. Demonstre: dPIdy = dQldx em D e, embora D tenha um **buraco”,
P dx Q dy = dF, de modo que J*P dx + Qdy é independente do caminho em D.

13-15. O Teorema da Divergência e o Teorema de Stokes


no Espaço

o Teorema da Divergência no plano [Eq. (13-135)] afirma que, para


um campo vetorial plano v,

J j div \ dA VJ^cls»
R C
É natural supor-se haver uma fórmula análoga para um campo vetorial v
no espaço:

JJ/divvdV= J J (13-150)

onde R é uma região sólida limitada pela superfície, S n é um vetor normal


unitário externo a S, como na Fig. 13-57, Vn = v • n, e é o elemento de
área de superfície em S (Seç. 13-9); o lado direito de (13-150) é uma integra!

Fig. 13-57. Teorema da divergência no espaço

de superfície (Seç. 13-10). A fórmula (13-150) é chamada de Teorema da


Divergência (ou Teorema de Gauss) no espaço. Ela pode ser demonstrada
sob condições bastante gerais [veja textos sobre Cálculo Avançado ou o
livro Foundations o f Potential Theory, de O. D. Kellogg (Springer, Berlin,
1929)]. Notamos que para v = r = xi + + zk, lemos

= 1 + 1 + 1 = 3.
1348 CALCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VARIAS VARIAVEIS CAF. 13

Então, após a divisão por 3, a fórmula (13-150) torna-se

(13-151)

Esta é uma expressão útil para o volume (veja a Seç. 11-15). Para uma
região sólida retangular R: ai ^ x ^ «2» J - ^ 2» cj ^ z ^ C2 (Fig.
13-58) podemos verificar (13-150) diretamente. Na superfície-fronteira

Fig. 13-58. Teorema da Divergência para um sólido retangular

X = Cj a normal n é —i e o „ = v - n = — y,z). Anàlogamente,


na superfície-fronteira § 2= ^ ^ !/> ^)- Tanto em S j como em
§ 2, dS = dydz, e assim,

f f v „ d S + f f ü„ dS ■= ÍT
Cl 6i
[v^{02, y, z) - u,(oi, y, z)] dy d z =
S,
^^2 ^02 0^ CCC

. . l l =
Resultados semelhantes aplicam-se às superfícies § 3: y = é §^rt/ = i?2
às superfícies § 5: z = e z = Cg. Somando-se as integrais para todas
as seis superfícies, resulta

como esperado. Outros casos especiais ficam para os exercícios.


Interpretação Física do Teorema da Divergência. A integral de super­
fície à direita de (13-150) é chamada de fluxo do campo vetorial v através
da superfície S na direção de n. Quando v é o campo de velocidades do
movimento de um fluido no espaço, para cada pequena porção dS de S
o produto Vn dS é o volume de um sólido cilíndrico de base dS e altura Vnl
13-15. O TEOREMA DA DIVERGÊNCIA E O DE STOKES 1349

já que Vn é distância poT unidade de tempo, VndS é volume por unidade de


tempo. Assim, para um fluido, o fluxo de v através de S é razão segundo
a qual o fluido está deixando R, medida em volume por unidade de tempo*
Se aplicarmos (13-150) a uma pequena região à R que contenha um ponto
(xo, Zo) e aplicarmos também a Propriedade 8 da Seç. 13-6, concluiremos
que, em (xo,yo,zo\

dS
J/
d iv V = lim (13-152)
diâm. deAfí—>0 AV

onde AS é a superfície-fronteira de AR. Assim, como em duas dimensões


(Seç. 13-13), o divergente de um campo vetorial pode ser interpretado como
o limite de fluxo por unidade de volume. Para o caso de um fluido não com-
pressível, o fluxo através de A S é 0, já que a razão líquida de perda de fluido
em A R é 0; por conseguinte, para um fluido não compressível com campo
de velocidades v, tem-se
d iv v = 0 .
Para um fluido geral, pode-se também fazer v = 5u, onde u é a velocidade
e ô(x, y, z,t) é 3, densidade. O fluxo de v através de S iguala-se agora à
razão de perda de massa em R. O lado direito de (1*3-152) dá o limite da
razão de perda de massa por unidade de volume; mas isto é simplesmente
— dô/dt,a razão de diminuição da densidade ô. Portanto, por (13-152),

d iv (ôu) -f = 0. (13-153)
ot
Esta é a equação da continuidade da Mecânica dos Fluidos.

EXEMPLO 1 Seja v = 3xi — 2y} + 5zk. Avalie f§>f na fronteira S


de um toro sólido R no espaço, onde n é a normal externa.
Solução. Pelo Teorema da Divergência,

f f v„dS = f f f div v d V ^ f f f ( 3 - 2 + 5) d V ^ e V ,
g R R

onde F é o volume do toro.


EXEMPLO 2 Seja y = x ^ + xy] + ^zk. Avalie JJv^dS -sobre a super-
S
fície do cubo 0 : < x < l , 0 < 7 < l , 0 < z < l , onde n é a normal externa.
Solução. Pelo Teorema da Divergência,
v^dS -- f j j {2x -y X x) dV = 4 j X dm = 4MqX,
g ^ R R
1350 CÁLCULO INTEGRAL DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS CAP. 13

onde A/o é a massa do cubo quando tomamos uma densidade constante 1,


e {x, y,z ) é o correspondente centro de massa. Òbviamente, Mo = I e
X= de modo que a integral é igual a 2.
Integrais de Linha no Espaço e Teorema de Stokes* O conceito de in­
tegral de linha (Seç. 13-11) se estende fàcilmente a caminhos no espaço.
Se C é um caminho suave por partes: r = F(í) = f(t )i + g(/)j + A(t)k,
a < t < b, e um campo vetorial contínuo v = A"i + Tj + Z k é definido
ao longo de C, então a integral de linha é dada formalmcnte pela equação
f X d x + Ydy + Z d z = \ i m ' ^ (X A.r + Y \ y + Z Az),
c
onde omitimos os índices usuais e outros detalhes a serem completados como
na Seç. 13-11. Podemos também definir a integral de linha diretamente em
função do comprimento de arco e do vetor tangente unitário T ao longo
de C: ^
J X dx + y dij Z dz = j y • T ds — J Vj.ds = J* Vj,ds,
C C c 0

Aqui, T = Em função do parâmetro dado em C,


^Xdx+Ydy+Zdz = f [ x ( / ( í ) , g (í), m
• ) ^ + Z(-
at
A discussão destas relações é a mesma que na Seç. 13-11. Como naquela
seção, a integral de linha pode ser interpretada como o trabaiho realizado
pela força X\-{- Tj + Zk ao longo de C.
Na Seç. 13-13, vimos que o Teorema de Green podia ser escrito na
forma:
= / / rot_^ VdA.
C R

Podemos interpretar a integral dupla da direita como uma integral de super­


fície sôbre uma superfície S que por acaso é uma região R no plano xy\
podemos também substituir rotz v por rot„ v, onde rotn v indica a compo­
nente de rot V na direção da normal n (escolhida aqui como k) para a super­
fície S. Com estas substituições, a equação torna-se
J" Djrds = rot„ V dS. (13-154)
c §
(Retiramos também a flecha circular sôbre a integral de linha,ncomo expli­
caremos a seguir.) A Eq. (13-154) é o Teorema de Stokes no espaço. Êle
é válido para um campo vetorial v diferenciável e para uma superfície S
arbitrária e suave por partes no espaço que tenha vetor normal n e cuja
borda seja formada pelo caminho simples, fechado e suave por partes C,
propriamente orientado; veja a Fig. 13-59. Para uma discussão completa,
aconselhamos ao leitor os textos sôbre Cálculo Avançado. Observamos
13.15. O TEOREMA DA DIVERGÊNCIA E O DE STOKES 1351

Fig. 13-59. Teorema de Stokes no espaço

aqui que a escolha da normal n em S e da orientaça: em C requer muito


cuidado. De fato, para algumas superfícies (chamadas não orientáveis),
não existe maneira de definir-se n em S, de modo que o teorema fica ina­
plicável! O mais famoso exemplo dêste fenômeno é a superfície ^'de uma só
face” , conhecida como Faixa de Mobius (Fig. 13-60); ela pode ser criada
fisicamente tomando-se uma longa tira retangular de papel, girando-a depois
em meia dobra e unindo-se as extremidades.

EXEMPLO 3 Seja S a porção da esfera z'^ = 1 no primeiro


octante, como na Fig. 13-61, com normal n = ;ci + + zk. Seja C a
borda de S, formada de três arcos circulares e orientados como na figura.
(Esta é a direção própria em C para o Teorema de Stokes.) Seja v = +
+ 2xyi + xzk. Então, o Teorema de Stokes dispõe que

J dx -h 2xy dy + xzdz = J J rot^ (x^i -f- 2xyj -f xzk) dS

Avaliamos cada lado separadamente para verificar a igualdade. A integral


de linha pode ser escrita como a soma de três integrais nos caminhos x = cos
1352 ca lcu lo in t e g r a l de fu n ç õ es de VARIAS VARIAVEIS CAP. 13

y = sen t, z = 0, 0 ^ t ^ njl; = 0, y = cos t, z = sen t, 0 ^ ^ ir/2;


jc = sen í, y = 0, z = cos t, 0 < t < ttI2. Portanto,
r
I Vj^ds = I ,[cos^ f (—senf) + 2 cos^ í^sení] dt +
c 0
n 'i r / 2
Í
'Tt/2 1
0 dt + I [sen^ t cos t 4- senf cos t { —sent)] dt =
u *^o ^
Agora, rot V = — zj + 2yk^ de modo que rotn v = (rot v) • n = yz. Tam­
bém dS = sec y dxdy, como na Seç. 13-9, e sec7 = 1/z, já que cos 7 =
= n • k = z. (Note que | |n 11 = 1.) Portanto, a integral de superfície é

j J y z d S = j j y dx dy,
S Rxv
onde Rxy é a região + y'^ < l, x > 0, y > 0, Descobrimos fàcilmente
que a integral dupla é igual a de modo que o teorema fica verificado.

PROBLEMAS
1. Avalie /J ®°de S é a superfície-fronteira da região sólida R dada, v é o campo
S
vetorial dado, n é a normal exterior unitária à superfície:
(a) R: -h < 1; v = xy^ + + xyk.
(b) R: o tetraedro de vértices (0, 0, 0), (1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1); v = jc^í+
+ xzj + xyk,
(c) R: o sólido retangular 0 < jc< 1 , 0 < y < 2 , 0 < z < 3 ; y = cos y i +
+ sen j + ze^ k.
(d) R: o elipsóide sólido + 3>-2 + < 1; v = + xyi 4- z^k.
2. Seja v um campo vetorial diferenciável no espaço tal que para cada superfície esférica §

no espaço j j v^dS = 0, onde n é o vetor unitário normal exterior em § (apontando


S
para fora do centro da esfera). Demonstre que div v = 0.
3. Verifique a correção do Teorema da Divergência para uma região i? e um campo ve­
torial V como descrito (suponha diferencialibjilidade conforme fôr necessário).
(a) R: o tetraedro de vértices (a, ó, c ) , {a + h , b , c \ {a,b + k, c), (a, b, c 4 - / ) ;
V = Z(jc,>', z)k. (Sugestão. A face oblíqua do tetraedro tem equação
X—a tf — b z —c
h ^ k ^ I
Avalie a integral tríplice de div v na ordem dz dy dx.)
(b) R: uma tetraedro arbitrário, v; um campo vetorial arbitrário. [Sugestão. Para
um tetraedro como o da parte (a), o teorema é válido para y = X(x, y, z)i e para
V = Y(x, y, z)j pelo mesmo raciocínio da parte (a). Portanto, conclua que o
teorema funciona para um v geral para um tetraedro como na parte (a). Para
um tetraedro arbitrário, decomponha-o em tetraedros como na parte (a), aplique
o Teorema da Divergência para cada um e some os resultados.]
(c) R: uma região 0 < z < ip(x, y), (Pi(x) < y < <P2(^)> < x < h ; v = Z(x, y, z)k
4. Seja V um campo vetorial duas vêzes diferenciável no espaço. Seja C um círculo no
PROBLEMAS 1353

espaço. Sejam § j e §2 Porções de duas superfícies esféricas, cada uma tendo C como
borda (Fig. 13-62). Seja definido um vetor unitário normal n em apontando no
sentido do afastamento do centro, e, en\ § 2* apontando no sentido da aproximação
do centro. Mostre, pelo Teorema da Divergência, que

JJ
§1
( v) • n dS =
§2
( rot \ ) • n d S

Como êste resultado é sugerido pelo Teorema de Stokes?

Fig. 13-62. Probl. 4

5. A definição da independência de caminho para integrais de linha no espaço é a mesma


que para as integrais de linha no plano (Seç. 13-14). Em todo êste problema, D é
uma região aberta no espaço, F é uma função contínua em D, v = A'! + Tj + Z k é
um campo vetorial contínuo em D, Admite-se que todos os caminhos sejam suaves
por partes.
(a) Demonstre: se = v, então J*Xdx + Y d y + Z d z é independente do caminho
em D (confronte o Teorema 17 na Seç. 13-14).
(b) Demonstre: se f X d x + Y d y Z d z é independente do caminh6 em D, então
existe uma função C(jc, y» z) em D tal que y G = v (confronte o Teorema 18 na
Seç. 13-14).
(c) Demonstre: f X d x + Y d y -k' Z d z é independente do Caminho em D se, e sò-

mente se, J x dx -h Y dt/ -|- Z dz = 0 para todo caminho fechado em D (con-


c
fronte o Teorema 19 na Seç. 13-14).
(d) Demonstre: se X, Y, Z têm derivadas parciais primeiras contínuas em D e
f X dx Ydy Z d z é independente do caminho em /) / então rot v = 0 em Z),
isto é, dXjdy = òYldx, dX jdz = dZjdx, d Y ldz = dZ jdy (confronte o Teorema
20 na Seç. 13-14).
(e) Chamamos D simplesmente conexa se cada caminho fechado, simples e suave
por partes em D formar a borda de uma superfície suave § em /) à qual seja'apli­
cável o Teorema de Stokes. (Esta definição difere da definição ‘"standard”, mas
para aplicações usuais a diferença não apresenta maior significado.) Demonstre:
se Z) é simplesmente conexa, v é diferenciável e rot v s 0 em Z), então v = grad F
para algum F em D (confronte o Teorema 21 na Seç, 13-14).
CAPITULO 14
EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDIN.ARIAS

As equações diferenciais ordinárias apareceram em diversos pontos dos


capítulos anteriores, espècialmente no Cap. 7. Estudamo-las em separado
neste capítulo, sem referência aos resultados anteriores, exceto quanto às
demonstrações de alguns poucos teoremas.

14-1. Conceitos Básicos

Por derivação da equação y = + sen x, obtemos a equação

y' = 2x + COS X

para a derivada da função dada. Da equação y^ = I obtemos, por


derivação implícita, 2x + 2yy' = 0 ou
/ ^
^ ~ í/‘
Em ambos os exemplos, a derivações levou-nos a uma relação entre a deri­
vada y \ o próprio y q x, onde y é uma função de x. Diz-se que uma tal
relação é uma equação diferencial ordinária de primeira ordem. Podemos
escrever a equação na forma Ç(x, y, y') = 0. Neste capítulo, consideramos
apenas equações que são explicitamente resolvíveis para y '\ neste caso, a
equação tem a forma:

y' - F{x, y). (14-10)

Nossos exemplos sugerem que cada equação diferencial (14-10) surge ao


derivar-se uma equação que defina y como uma função de x. Contudo,
as equações diferenciais surgem de muitas outras maneiras, especialmente de
problemas nas ciências. Pode-se fàcilmente escrever muitas equações dife­
renciais ordinárias de primeira ordem
14-1. CONCEITOS BASICOS 1355

(0 y’ = y + (« ) y' = y^-, (14-11)


(Ui) y' = *2 _ y2. ,(/v) y' = + tgx.:
Não é de pronto evidente como cada uma destas equações decorre de uma
equação relacionando x q y. De fato, nosso problema fundamental é achar,
para cada equação da forma (14-10), todas as funções y = f ( x ) tais que a
relação (14-10) seja satisfeita, isto é, achar tôdas as funções / (x) tais que

f'{x) = F[x,f{x)]

para todos os x no intervalo em que / é definida. Diz-se que uma tal função
/ é uma solução da equação diferencial (14-10). Por exemplo, a função
y = — — 2x — 2 é uma solução da Eq. (14-11/) já que

y = — x^ — 2 x — 2, í/' = —2x —2 = y

para todos os x. Contudo, esta não é a única solução da equação diferencial.


Por exemplo, y = — x^ — 2x — 2 também é uma solução, já que, se
y = — x^ — 2x — 2, então y' = — 2x — 2 = + x^ para todos os x.
Acharemos oportuna mente tôdas as soluções desta equação diferencial
y' = y A coleção de tôdas as soluções de uma equação diferencial
chama-se solução geral da equação.
A equação diferencial {iií) em (14-11) é unia equação difícil, e não é
fácil ''advinhar” soluções. (Tente!) Isto nos leva a indagar se estamos
seguros de que tôdas as equações da forma (14-10) devem ter uma solução
(digamos pelo menos uma). Esta indagação é respondida pelo famoso
Teorema de Existência, enunciado detalhadamente ao final desta seção.
Em essência, o Teorema de Existência afirma que sob hipóteses "'razoáveis”
sôbre F, tôda equação diferencial y' = F{x,y) tem soluções; de fato, para
todo ponto (xo, j^o) no plano xy (com a exceção de certos pontos onde F
"se comporta mal”), existe uma e apenas uma solução y = f { x ) de (14-10)
cujo gráfico passa através de (xo, yj).
Há um caso em que o problema em foco reduz-se a um problema co­
nhecido, a saber, a equação

y' = (14-12)

onde F é contínua para a < x < b. Aqui, conhecemos tôdas as soluções:


elas são dadas por

y=JF{^) dx + C
1356 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

OU por

y = G{x) + Cy (14-13)
onde G(;c) é uma integral indefinida de F no intervalo a < x < b. Por
exemplo, podemos tomar

G(x) = J* F{u)du, a<Cx<Cb

onde Xo é um ponto do intervalo. (O fato que G' = F decorre do Teoiema


Fundamental do Cálculo, Seç. 4-17.) Os gráficos das funções (14-13) têm
a aparência da Fig. 14-1. A variação de C apenas eleva ou abaixa o grá­
fico. Pôitánto, é claro que existe precisamente uma solução através de
cada ponto da região aberta a < x < b, — <;;<

EXEMPLO 1 Ache a solução de y' = xe^ tal que y = 2 quando x = 3

Fig. 14-1. Soluções de y = F{x) Fig. 14-2. Campo de segmentos lineares deter­
minados pela equação y' = F(x, y)

Solução, A solução geral é

— J xe^ dx + C — xe^ — C.

Fazendo y = 2, x = 3, achamos que 2 — 3e^ — + C, de modo que


C = 2(1 — e^) e a solução procurada é
y = xe^ — + 2(1 —
14-1. CONCEITOS BÁSICOS 1357

Para a equação geral / = F(x, y), não temos uma tal fórmula simples
que dê tôdas as soluções. Contudo, podemos dar um significado gráfico
à equação, e daí, ver por que esperar soluções. Seja F dada numa deter­
minada região aberta D no plano xy. Então, em cada ponto (x, y) de D,
a Eq. (14-10) dá um valor correspondente de y', isto é, conhecemos a incli­
nação da tangente a uma solução muito embora não conheçamos a solução.
Desenhemos um pedacinho desta Veta tangente próximo a (x, v) e repitamos
o processo em muitos pontos de D. O resultado é uma configuração a
da Fig. 14-2. Chamamos a esta configuração de campo de segmentos li­
neares, Enquanto F comportar-se razoàvelmente, as inclinações dêstes
segmentos lineares variam gradualmente à medida que se varia o ponto
(x, y). Então, os próprios segmentos lineares sugerem curvas suaves que
os têm como tangentes; cada uma destas curvas é, aproximadamente, uma
solução da equação diferencial (14-10). Algumas curvas são mostradas na
Fig. 14-2. É plausível que deva haver uma destas curvas através de cada
ponto de D. Isto é precisamente o que nos diz o Teorema da Existência.
O processo gráfico corresponde a um bem conhecido experimento físico;
quando se coloca limalha de ferro sobre uma placa de vidro horizontal e
depois se coloca um ímã sob a placa, cada fio de limalha se alinha de acordo
com o campo de forças magnéticas. Então, os fios de limalha formam um
campo de segmentos lineares e pode-se fisicamente observar as curvas que

Fig. 14-3. Campo de segmentos lineares criado por um ímà


1358 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

eles formam, chamadas de "linhas de força” . Neste experimento, as leis


do magnetismo levam a uma equação diferencial cujas soluções estamos
observando (Fig. 14-3).
Até aqui, temos considerado apenas equações diferenciais de primeira
ordem. Uma equação diferencial ordinária de segunda ordem é uma equação
que pode ser escrita na forma G(x, y, y \ y") = 0. Consideramos aqui so­
mente equações explicitamente resolvíveis para isto é, consideramos
equações da forma

y" = F(x, y, y'). (14-14)


Mais genèricamente, uma equação diferencial ordinária de «-ésima ordem
é uma equação da forma

(14-15)

onde n é um inteiro positivo. A palavra "ordinária” refere-se ao fato de


que não aparecem derivadas parciais; quando estas aparecem, tem-se uma
equação diferencial parcial. Omitiremos geralmente a palavra "ordinária”,
já que, com raras exceções, consideramos apenas equações diferenciais ordi­
nárias neste capítulo. As equações

y iiv ) ^
y" = y" = xy' - y^ y'" = xcosy - yy

são equações diferenciais de ordens 2, 2, 3 e 4, respectivamente.


Por uma solução de (14-15), queremos dizer uma função y = /(jc) que
tenha derivadas até a ordem n em algum intervalo, tal que

no intervalo. Perguntamos novamente se uma equação da forma (14-15)


tem soluções. Um estudo do caso especial

y<-> = F{x)

como acima para n = 1, leva-nos a esperar um Teorema da Existência na


forma: se F comporta-se bem, para um dado conjunto de valores yo, y'o,
num Xo escolhido, existe uma, e apenas uma, solução de (14-15) tal
que

/(Xo) = yo. /'(Xo) = yó. •••> /<"-'*(xi,) = yo<"-«. (14-16)

Em aplicações, x é freqüentemente substituído pelo tempo í, e por esta razão.


14-1. CONCEITOS BÁSICOS 1359

OS valores y o , .. são chamados de valores iniciais e as Eqs. (14-16)


são chamadas de condições iniciais,
EXEMPLO 2 Um foguete está subindo verticalmente sujeito a uma força
gravitacional de cima para baixo (aproximadamente constante), uma fôrça
constante para cima e um impulso adicional para cima proporcional ao
tempo t decorrido após o lançamento. Ache a altura e a velocidade t se­
gundos após o lançamento.
Solução. Suponha que a altura no tempo t seja y, de modo que a velo­
cidade seja dyjdt e = 0 , dyjdt = 0 para r = 0 (estas são as condições ini­
ciais). A Segunda Lei de Newton (fôrça é igual à massa vezes aceleração)

= a bt - mg»

onde m, a, b t g são constantes positivas. Integrando duas vêzes, achamos


que

dy bt^
^~dt ^ ~
bt^ ^2
my = — + (a - ^ g ) ^ + ^2’

onde Cl e C2 são constantes. Das condições iniciais dadas, concluímos que


Cl = 0 e C2 = 0 , de modo que

y =

Da forma da solução, vemos que, para um lançamento efetivo, devemos


ter a > mg. (Por quê?)
Êste exemplo ilustra como a Segunda Lei de Newton leva a equações
diferenciais. Muitas outras equações diferenciais surgem de problemas
físicos desta mesma maneira. Outras leis de Física, tais como as que go­
vernam as correntes elétricas e a condução do calor, também conduzem a
equações diferenciais. Uma razão pela qual devemos esperar que leis fí­
sicas correspondam a equações diferenciais é que a maioria das leis funda­
mentais da Física não enuncia exatamente como se comportará um sistema,
mas antes enuncia restrições sôbre seu comportamento; cada lei especifica
não uma função, mas um conjunto de funções. As soluções de uma equa­
1360 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

ção diferencial também formam um conjunto de funções, e resulta que,


em muitos casos, êste conjunto descreve tôdas as maneiras pelas quais um
determinado sistema físico pode comportar-se. O comportamento real é
determinado por como o sistema é deflagrado, isto é, dando-se os valores
iniciais próprios que especificam uma determinada solução da equação
diferencial.
O conceito de equação diferencial deve ser ainda mais generalizado a
fim de satisfazer às necessidades dos problemas físicos; em outras palavras,
para incluir equações diferenciais simultâneas. Estas são equações dife­
renciais que relacionam diversas funções de uma variável e suas derivadas.
Damos um exemplo:

d‘^x dx ^ dv d^u dx
(1 4 -1 7 )
'd ê ^ ^ ~ d t -d F = ^ d i - « -

Aqui, X Q y são funções não especificadas de t. Uma solução dêste par de


equações diferenciais simultâneas é um par de funções: x = /(O , y = g(i).
satisfazendo às equações idênticamente em um intervalo. Se escrevermos
dxjdt = z, dyjdt = w, então as duas equações poderão ser substituídas por
quatro equações:

dx
=
dt

dt
(14-17')
^ = 3z — 5 x w + usení,
dt

dw o
= 3z - y.
dt ^

Para a maioria das finalidades, uma forma como (14-17') é preferível a uma
forma como (14-17) (que envolve derivadas de ordem mais alta que a pri­
meira ordem). Êste processo leva-nos à forma normal para equações dife­
renciais simultâneas:

— = ..., t). {i = 1 ,. . . , n) (14-18)

Referimo-nos a (14-18) como um sistema de equações diferenciais de primeira


ordem, em forma normal. Uma solução de (14-18) é um conjunto de n
funções
= /i( f ) (t = 1 , . . . , n)
14-1. CONCEITOS BÁSICOS 1361

satisfazendo a (14-18) em um intervalo, de modo que

fi(t} = Piifiitl ■■■>/«(í).t) (t = 1,. ..,n)


sôbre o intervalo.
Observamos que (14-18) pode ser simplificada pela notação vetorial:

f = F(m ). (14-18')

Aqui X, F são funções (valores em V,,). Vetores e matrizes ajudam enor­


memente no estudo dos sistemas. A equação de /7-ésima ordem (14-15)
pode também ser escrita na forma (14-18) [e portanto, como uma equação
vetorial (14-18')]. De fato, seja yi = y, y2 >yn Então,
(14-15) é equivalente ao sistema

dyi _ dy2 _ dyn- dlfn


dx ~ = y^>
dx = !/n. ~ ^ = F(x, !/i.. . . , y j . (14-15')
dx

Êste raciocínio mostra que (14-18) ou (14-18') podem ser tomadas como a
forma básica para o estudo de equações diferenciais ordinárias.
Quando os vetores em (14-18') são tridimensionais, podemos inter­
pretar a equação fisicamente em função do movimento de um fluido no
espaço. Para um tal movimento, existe uma velocidade v = dxjdt em cada
ponto, em geral, variando com o tempo; a equação diferencial descreve
esta configuração variável. As soluções da equação diferencial são sim­
plesmente os caminhos das partículas do fluido. Quando F depende so­
mente de X , não de t, a equação torna-se

(14-18")

Chamamos tal equação [ou o sistema correspondente (14-18)] de autônoma.


O movimento correspondente do fluido é constante; a configuração de velo­
cidades é imutável no tempo e fornece um campo de segmentos lineares
tangentes aos caminhos-solução. Um exemplo é fornecido por um rio que
corre suavemente.
Guiados por nossa experiência com a equação de primeira ordem (14-10),
esperaríamos que a equação vetorial de primeira ordem (14-18') tivesse uma
solução única com valor inicial de x igual a Xo para um valor inicial de t
escolhido como equivalentemente, esperaríamos que (14-18) tivesse uma
solução única com valores iniciais dados de jci, . . ., Xn para t = to. Para
1362 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS GAP. 14

O sistema especial (14-15'), esperamos uma solução única com valores iniciais
dados de yi, . . yn para x = Xq. Dêste modo, pela maneira que yi, . . ., y,,
foram definidos, (14-15) deveria ter uma solução única com valores iniciais
dados de y, y \ . . , em x = Xo. Esta última afirmação é exatamente
o Teorema de Existência para (14-15), como foi formulado acima. Assim,
vemos que há realmente apenas um Teorema de Existência básico necessário
e que êle pode ser enunciado para (14-18) [ou, em linguagem vetorial, para
(14-18')]. Enunciamos agora formalmente o teorema para um sistema de
equações de primeira ordem.
TEOREMA DE EXISTÊNCIA. Sejam as funções /^(xi, ..., x.^, t) (/ = 1,
. . n) definidas numa região aberta D no espaço de dimensão {n+ 1)
(no qual Xi, . ., x,„ t são as coordenadas). Sejam estas funções contínuas
e tenham derivadas parciais primeiras contínuas em relação a X\, Xn
em D. Então, para cada ponto (xi®, . . ., x.^^, tj) em D, existe um con­
junto de funções

= /i(í)> i = 1 ,..., n, \t - t ^ K h

que formam uma solução í/e (14-18) no intervalo \t — /o | < h e satisfazem


às condições iniciais

m (z = 1, . . . , n)

Esta solução é única, isto é, se x, ^ gi(t), \t — to\ < k, é também uma


solução que satisfaz às mesmas condições iniciais

gi(^o) = (i = 1 , . . . , n)

então fi(t) = gi(t) para i = ,,n na parte comum aos dois intervalos.
Para uma demonstração do Teorema de Existência, veja o Cap. 12 de
Ordinary Differential Equations, de W. Kaplan (Addison-Wesley, Reading,
Mass., 1958).* Para vários casos especiais, as demonstrações serão dadas
à proporção que êstes forem sendo discutidos.

PROBLEMAS

1. Seja y = f { x ) uma função derivável definida pela equação dada. Ache a equação
diferencial de primeira ordem satisfeita por esta função.

(a) y = e \ (b) y = \ n x . (c) y = sen x.


(d) t / = T g - i x . (e) 2 x2 + 3 í/2 = 1. (f) x^ + y^ = L
(g) -j- x “^ y y^ = 0, (h) xe^ -h y cos x -f- a;2 + y2 — q.

* Este livro será sempre citado com o ODE.


PROBLEMAS 1363

2. Ache uma equação diferencial de segunda ordem satisfeita pela função y = f { x ) dada:

(a) y — 5 x , (b) y = (c) y = (d) y — cos x.

3. Cada uma das seguintes equações contém uma constante arbitrária c. Mostre qu e
para cada c, sujeita às restrições dadas, a equação define uma função y = f ( x ) e que,
para cada ponto (ato, 7 o) na região aberta D especificada, existe exatamente uma tal
função cujo gráfico passa através do ponto; desenhe várias destas funções. Ache
uma equação diferencial de primeira ordem satisfeita por estas funções.

Í2l) y = x \ n X c. D: X > 0. (b) 7 = sen x c\ D : todos os (;r, y).

(c) 7 = tg (jc + c), D : todos os (x, 7 ). (d) 7 = In (;c + c), D : todos os {x, 7 ).

(e) + 7 ^ = c, D : y > 0; c > 0. (f) x y = c, D : x > 0.

Observação. Cada uma das equações ( a ) , Cf) chama-se prim itiva da equação dife­
rencial correspondente.

4. Ache a solução que satisfaça às condições iniciais dadas:

(a) 7' = xK y para jc = 0. (b) 7 ' = sen 5jc, 7 = 1 para x = t .

(c) 7' = 1 para ;c = 0. (d) 7 ' = tg x, y = 1 para x = irl4.

(e) 7" =■x^, y e 7 ' = — 1 para a: = 0.

(f) 7 " =- > \ e y ' = 0 para ;c = 0 .

(g) y " ' == 0, y 7 ' = 2 e 7 " = 3 para a: = 0.

(h) yiiv) = x'^. 0, 7 ' = 0, 7" = 0 , y"' = 0 para = 0.

Uma partícula de massa m move-se numa reta, o eixo x, sujeita a uma fôrça F que
depende do tempo t, com o especificado, com as condições iniciais dadas. Ache a
posição no instante h . Neste problema, k, 0 3 , b são constantes positivas e v = d x id t.

(a) F =. k F , X = xot v = vq para r = 0.


(b) F = k sen oít, x = 0, v = 0 para / = 0.

(c) F = ke~^\ ;c = 0, v = 0 para t = 0.


(d) F = k sec^ bt, x = X{^, v = 0 para r = 0.

6. Verifique se o par de funçpes dado é uma solução do sistema de equações de primeira


ordem:

(a) ( d x / d t ) = y , { d y / d t ) — —4 x ; x = cos 2 í, y = —2 s e n 2 í.
(b) ( d x / d t ) = 2 x — y , ( d y / d t ) = y; x = e \ y =

7. Escreva com o um sistema de equações diferenciais de primeira ordem em forma norm al:
(a) y" = e*"' - y . (b) y" = + y'^-

(c) y =xy^ - y y . (d) - x - t


1364 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

14-2. Método Gráfico e Método de Integração por


Etapas

Na Seç. 14-1, assinalamos que uma equação diferencial / = F {x ,y )


determina um campo de segmentos lineares cujo gráfico sugere as soluções
procuradas. Pode-se desenvolver esta idéia sistemàticamente por meio de
isóclinas para obter-se um método bastante útil na execução gráfica das
soluções.
Uma isóclina da equação diferencial y = F(x, y) é uma curva ao longo
da qual F tem um valor constante, digamos m. Assim, é uma curva de
nível de F. As isóclinas não são (com raras exceções) por si mesmas so­
luções das equações diferenciais mas, como veremos, elas ajudam a encontrar
as soluções.

EXEMPLO 1. y = — y'^. Aqui, as isóclinas são as curvas — y'^ = m,


para diferentes valôres de m. Assim, elas formam uma família de hipér­
boles; para m = 0 , a isóclina é o gráfico de — y'^ = 0 , formado das duas
retas x == áz y (hipérboles degeneradas); estas retas formam as assintotas
de tôdas as hipérboles. Desenhamos agora um certo número de isóclinas
como na Fig. 14-4. Selecionamos uma isóclina, por exemplo, aquela para
m = 1 , e desenhamos vários pequenos segmentos de reta de inclinação m,

Fig. 14-4, Solução de y' =


por meio de isóclinas

todos centrados na isóclina. Fazemos o mesmo para a isóclina m =


depois para m = 0, m = — e assim por diante. Se usarmos de algum
14-2. MÉTODO GRÁFICO E MÉTODO DE INTEGRAÇÃO POR ETAPA 1365

cuidado no desenho dos segmentos, êles se ajustarão para formar linhas


quebradas sugerindo curvas suaves, que são as soluções. Podemos assim
aproximar gràficamente as soluções numa região. A exatidão pode ser
melhorada escolhendo-se valores de m com espaçamentos menores. Infe-
lizmente, o método não tem valor prático para as equações de ordem mais
alta do que a primeira.
O método gráfico tem uma contraparte numérica que nos permite
computar soluções com tanta exatidão quanto fôr desejada.
Para a equação geral y' = F(x, y), começamos com o ponto inicial
(■Xo, jo) e tentamos encontrar a solução y = f (x) através do ponto inicial.
Começamos por tentar determ inar/(x + Ax). Já que / é conhecido em xo,
podemos usar a diferencial dy = y' Ax para aproximar a variação Ay em
Já que em xo temos y' = F(xo, >»o), computamos A;; aproximadamente pela
fórmula:

^y ~ F { xq, yo) A x .

Se escrevermos x:i = Xo + Ax, yi = yo + Ay, teremos então encontrado um


ponto {xi, yi) que está próximo de nossa curva-solução; o êrro é causado
porque seguimos a reta tangente ao invés da própria curva (Fig. 14-5); po­
demos reduzir o êrro diminuindo Ax .
Tendo encontrado o ponto (xi, yi), podemos usá-lo como um novo
ponto inicial, variar de nôvo x por uma quantidade Ax: (não necessàriamente
a mesma que antes), e encontrar A;; pela fórmula Ay ^ F(xi, yi) Ax\ ob­
temos assim um nôvo ponto (x-2 , y 2 ), onde X2 = Xi + Ax:, y 2 = yi + Ay,
O processo pode ser repetido indefinidamente. Obtemos uma seqüência
de pontos (x„, >^„), onde

yn — !/n-l ?/n-l)(^n ^n-l) (14-20)

e os valôres x:o, Xi, X2, . . . são escolhidos arbitràriamente (como uma se­
qüência crescente ou decrescente). Escolhendo-os bem juntos, geralmente
melhoramos a exatidão; contudo, ao fazer assim, passamos também a pre­
cisar de um número de etapas correspondentemente maior para cobrir um
dado intervalo. - O processo no seu todo chama-se integração numérica por
etapas da equação diferencial. O método produz a seqüência de pontos
(xo, >^o), (xi, j^i), . . .; ligando-se os pontos sucessivos, obtemos uma linha
quebrada que aproxima nòssa solução. Para uma demonstração de que,
sob hipóteses apropriadas sôbre F, o êrro na aproximação em um dado
intervalo pode tornar-se tão peqUeno quanto se queira, referimos a Intro-
duction to Numerical Analysis, de F. B. Hildebrand (McGraw-Hill, N.Y.,
1956), especialmente ao Cap. 6 .
1366 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

EXEMPLO 2 y' = 2x — 3y, y = 1 para a: = 0. Aqui, tomamos Ax = 0,1


e buscamos a solução no intervalo [0, 1 ]. Os resultados são dados na
Tab. 14-1. A última coluna mostra a solução exata; por métodos desenvol­
vidos mais adiante neste capítulo, acha-se que esta é

y = - 2 -f 6x)/9.

A concordância é bastante boa; o êrro máximo é 0,074. No cálculo, os


decimais tiveram que ser arredondados. Este processo cria erros que podem
ser sérios, especialmente por acumulação.

T ab ela 14-1.

y' = Aí/ = í/' A.V, y


X
y =2x - 3y A a- = 0 ,1 exata
0 ,0 1 ,0 0 0 - 3 ,0 0 - 0 ,3 0 0 1 ,0 0 0
0 ,1 0 ,7 0 0 - 1 ,9 0 - 0 ,1 9 0 0 ,7 4 3
0 ,2 0 ,5 1 0 - 1 ,1 3 - 0 ,1 1 3 0 ,5 7 8
0 ,3 0 ,3 9 7 - 0 ,5 9 - 0 ,0 5 9 0 ,4 7 1
0 ,4 0 ,3 3 8 - 0 ,2 1 - 0 ,0 2 1 0 ,4 1 1
0 ,5 0 ,3 1 7 0 ,0 5 0 ,0 0 5 0 ,3 8 2
0 ,6 0 ,3 2 2 0 ,2 3 0 ,0 2 ,3 0 ,3 7 8
0 ,7 0 ,3 4 5 0 ,3 7 0 ,0 3 7 0 ,3 9 3
0 ,8 0 ;i8 2 0 ,4 5 0 ,0 4 5 0 ,4 2 1
0 ,9 0 ,4 2 7 0 ,5 2 0 ,0 5 2 0 ,4 5 9
1 ,0 0 ,4 7 9 0 ,5 0 5

No exemplo, podemos também tomar Ax negativo (por exemplo,


Ax = — 0 , 1 ) para obter uma solução aproximada no intervalo [— 1 , 0 ],
por exemplo.
O método de integração por etapas pode ser estendido a equações de
ordem mais alta e a sistemas. Por exemplo, para a equação de segunda
ordem

í/" = !/ -

com valores iniciais y — U y' = 0 para x = 0, introduzimos o sistema corres­


pondente

dz
= y - ^
dx dx

e então aproximamos Ay, Az para Ax dado, como antes. A Tab. 14-2


mostra um cálculo típico, com Ax = 0,1. Em cada caso. Ay = z Ax 0, Iz,
Az = (y — x) A x = 0,1(;^ — x).
14-2. MÉTODO GRÁFICO E MÉTODO DE INTEGRAÇÃO POR ETAPA 1367

Tabela 14-2.

X y

0 ,0 1 ,0 0 0 0 ,0 0 0 0 ,0 0 0 0 ,1 0 0
0 ,1 1 ,0 0 0 0 ,1 0 0 0 ,0 1 0 0 ,0 9 0
0 ,2 1 ,0 1 0 0 ,1 9 0 0 ,0 1 9 0 ,0 8 1
0 ,3 1 ,0 2 9 0 ,2 7 1

Para um sistema geral de equações de primeira ordem

dx^ „ / X . . .

as equações correspondentes para as aproximações são

^Xi — F^(xi, . . . , x ^ , t ) Aí.

Voltamos à discussão dos métodos numéricos na Seç. 14-23. Estes são


da maior importância devido à disponibilidade atual de computadores rá­
pidos.

Observação. Para a equação y' = F(x), o método de integração por


etapas reduz-se a um processo conhecido para avaliar uma integral definida.
Seja y = yo para x = Xq. Então, os valôres sucessivos de y são dados pòr

y i = yo + - ^ ),
!/2 = i/i + (14-21)

!/n — ? /n —1 P{^n—l)i^n ^n—l ) .

Se escrevermos a primeira equação como yi — yo = . . a segunda como


y 2 — yi = . . . e assim por diante, e somarmos as equações, obteremos

y» = !/o + 2
i= l

Se tomarmos xo = a q Xn = b, então jco, . . ., dá uma subdivisão do inter­


valo [a, 6 ] e a soma é uma aproximação à integral definida de F de a e Z?.
Se deixarmos a norma da subdivisão aproximar-se de 0, então a soma se
aproximará da integral como um limite, e portanto, yn-^y* onde

y = yo + f F { x ) d x . (14-22)
1368 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Se / (x) é a solução da equação diferencial y' = F(x) tal que / (xo) yo,
então f '( x ) = F(x), de modo que

f(b) = / ( xq) + J f'(x) dx = t/o + f F(x) dx.


Xo a

Portanto, (14-22) dá realmente o exato valor y = f{b).


Um método semelhante para integrais indefinidas é discutido na
Seç. 4-14.

PROBLEMAS

1. Resolva gràficamente com o auxílio de isóclinas:

(a) y ' = 1 y (soluções y = ce^ — 1 ).

(b) t/' = X — y ( soluções y = x — 1 ce~^),

(c) y' = t/A . X > 0 . (d) y' = x / { y - 1), y > 1,


(e) y' = x^ + (f) y' = - 1.
(g) y' = xy. (h) y' = y + y^-
2. Resolva por integração numérica por etapas e compare os resultados com a solução
exata dada:

(a) y ' = começando emA: = 2, > ^ = — l e continuando até x: = 5 com A x = 0,5;


a solução exata é y = 11(1 — x).

(b) y ' = — y , começando em ;c = 0, = 1 e continuando até x = 3 com A x = 0,5;


a solução exata é y =

(c) y ' = — x y, começando Qxn x = 0, y = 1 ^ continuándo até = 1 com A x = 0,2;


a solução exata é y =

(d) y ' = x^ — 3y, começando em jc = 0, = 0 e continuando até x = 5 com A x = 1;


a solução exata é y = (9x^ — 6 x 2 — 2e~^^)l21.

3. Para a equação diferencial y ' = — 2 y 2 com condição inicial y = 0 para x = 0,


a solução exata é = 1 — Para cada uma das seguintes escolhas de A x , ache
uma solução por integração por etapas sôbre o intervalo [0 , 2 ], desenhe-a com o uma
linha quebrada e compáre-a com o gráfico da solução exata:

(a) A x = l . (b) Ax = 0 ,5 -. (c) Ax = 0 ,2 . (d) Ax = 0 ,1 ,

4. Para cada um dos seguintes sistemas de equações de primeira ordem, ache uma solução
aproximada por integração por etapas e compare-a com a solução exata dada:

(a) d x jd t = X y , d y jd t = Ax + y , começando em / = 0, x = 1, y = — 2; usando


A t = 0,5 e continuando até / = 2; a solução exata t x = y = —

(b) d x jd t = y t, d y jd t = x y — F + 1, começando em r = 0 , x = 0 , = 0, usando


A t = 0,5 e continuando até t = 3; a solução exata é x = F, y = t.
14-3. EQUAÇÕES EXATAS DE PRIMEIRA ORDEM 1369

5. Resolva por inte|ração por etapas e compare com a solução exata dada:
(a) y" = — y, começando em ;c = 0, = 0, = 1, usando à x = 0,5 e continuando
até ;c = 3; a solução exata é y = sen a:.
(b) y ' = y^^ — COS X — cos^ X , começando em x = 0, >^ = 1, y = 0, com Ax = 0,5
e confinuando até x = 3; a solução exata é = cos x.
(c) y '" = y y ' + y " — y , começando em x = 0, y = l, / = 1,y " = 1,usando
Ax = 0,5 e continuando até x = 2; a solução exata é y = e^.
(d) = xy' — 4y 24, começando em x = 0, y = 0, y' = 0, y" = 0, y'" = 0,
usando Ax = 0,2 e continuando até x = 1; a solução exata é >^ = x'^.

14-3. Equações Exatas de Primeira Ordem

Equações diferenciais de primeira ordem frequentemente aparecem na


forma:

P{x, y) dx + Ç{x, y)dy = 0. (14-30)

Dizemos que esta equação está em forma diferencial. Depois da divisão


por Q(x, y)dx, a equação pode ser escrita,

^ y) (14-30')
dx Q{x, y)

e portanto, como uma equação da forma y' = F(x, y). Pode-se também
dividir (14-30) por P{x, y) dy para obter a equação:

dx Ç{^>y)
(14-30")
dy y) = G{x, y).
Podemos considerar esta como uma equação de primeira ordem para x
como uma função de y. Realmente, é mais simples trabalhar com a forma
(14-30), que trata x e na mesma base. Ver-se-á que, para muitas destas
equações, as soluções são dadas por uma equação da forma:

H{x, y) - c. (14-31)

Para cada c, esta é uma equação implícita (Seçs. 3-8 e 12-14), que define
certas funções y = f { x ) e também certas funções x = g{y)\ sob hipóteses
razoáveis, estas funções são soluções da equação diferencial correspondente
(14-30') ou (14-30"). Mais geralmente, consideramos como uma solução
de (14-30) tôda função y = f{ x ) ou x = g(y) que satisfaça (14-30) identi­
camente em algum intervalo. Através de (14-31), estas funções são dadas
geomètricamente como cuivas de nível da função H (Seç. 12-2).
1370 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Notamos que (14-30') torna-se sem significado em pontos (x, v) nos


Q{x, y) = 0, ao passo que o mesmo ocorre com (14-30") em pontos
{x, y) nos quais P (x,; ) = 0. Em pontos {x, ; ’) nos quais ambas as equações
são válidas:

P{x, y) = 0 e Ç(x, y) = 0,

nem (14-30') nem (14-30") têm significado. Tais pontos são chamados
pontos singulares da Eq. (14-30); o mesmo têrmo é usado para pontos nos
quais uma ou ambas dentre P Q Q são descontínuas. Ao resolver equações
da forma (14-30), tem-se freqüentemente razões para multiplicar ou dividir
a equação por uma função v(x, >’) (o fator integrante). Esta operação pode
introduzir novos pontos singulares [onde v(x, v) = 0 ] ou remover, por cance­
lamento, pontos singulares aparentes. A operação pode também introduzir
soluções estranhas a (14-30). Realçaremos estas dificuldades, quando signi­
ficativas, em conexão com os exemplos.
EXEMPLO 1 y dx x dy = 0 . A equação é a mesma que d{xy) — 0.
Portanto, as soluções são dadas por

xy = Cf

uma família de hipérboles (Fig. 14-6); para c = 0, a hipérbole é degenerada,


reduzindo-se a duas linhas retas: x = 0 q y = 0. Cada uma destas relas
dá uma solução da equação em forma diferencial. Por exemplo, se x == 0

(função constante de v), então dx = {dxjdy) dy = 0 dy = 0 ^ y dx + x dy =


= • 0 + 0 dy = 0 para todos os e dy. Notamos que a equação tem
um ponto singular na origem: (0 , 0 ); aqui, ambas as equações
14-3. EQUAÇÕES EXATAS DE PRIMEIRA ORDEM 1371

dy ^ y dx x
dx x’ dy y
não têm significado. Em todos os outros pontos, pelo menos uma das duas
formas é usável e as soluções são dadas, respectivamente, por y = cjx ou
X = cjy através de tais pontos. Note-se que temos duas soluções que passam
através do ponto singular, mas apenas uma solução através de cada outro
ponto.

EXEMPLO 2 y dx — x d y = ^ . Aqui, dividimos por y ’^ para obter

y dx — xdy
= 0.

Isto é o mesmo que d{x!y) = 0 e, por conseguinte, as soluções são dadas por

y
^ = C,

uma família de linhns retas passando pela origem (Fig. 14-7). Ao dividir
por y, introduzimos pontos singulares ao longo da reta == 0 , o eixo x.
Contudo, = 0 é uma solução da equação original. Portanto, devemos
também incluir esta como uma solução, e temos agora tôdas as retas pas­
sando pela origem. A origem mesma é um ponto singular da equação
original.

Fig. 14-7. Soluções da equação y dx — x d y = 0

Notamos que podíamos também ter dividido a equação por — x-

-y dx + xdy
= 0 ou

e portanto.
1372 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS pftDINÁRIAS CAP. 14

1 = C.
X

Obtemos, assim, as soluções: y = cx e x = 0,


Podíamos também ter dividido por xy:

dx dy
----------- ^ = 0, d(ln X — \n y) = 0, In X — In ^ = c.
X y
l n ^ = c, ^ =
y y X =: C y .

As passagens são válidas somente para x > 0 e 7 > 0; para x < 0, deve-se
substituir In x por In (— x), para j < 0 deve-se substituir In y por In (— y);
contudo, ,a equação única x = Cy cobre todos êstes casos. Para x == 0 ou
3^ = 0 , têm-se as soluções especiais retas observadas acima.

Os exemplos levantam uma série de questões:


1) Para uma dada equação P(x, y)dx + Q{x, y)dy = 0, como reconhecer
quando a equação pode ser escrita na forma dH{x,y) = 0 e, se fôr possível,
como encontrar H?
2) Tendo achado H, sabemos se a equação H{x, y) = c implicitamente
define soluções da equação diferencial e se ela dá tôdas as soluções?
3) Pode-se sempre encontrar um fator integrante v(x, y) tal que, após
multiplicação por v, a equação diferencial dada possa ser escrita na forma
dH(x, y) - 0?
As questões sugerem uma definição importante: Diz-se que a equação
P(x, y) dx + Q{x, y) dy = 0 é exata, na região aberta D, quando existir uma
função H, diferenciável em D, tal que dH = P dx + Q dy em D,
Responderemos agora à primeira das questões:

TEOREMA 1. Suponha que as funções P{x, y) e Q(x, y) tenham deri­


vadas parciais primeiras contínuas na região aberta D. Se a equação
diferencial P dx Q dy = 0 é exata em D, ^ntão

dP
em X). (14-32)
^y dx

Reciprocamente, se (14-32) é válida em D e D é simplesmente conexa,


então a equação P dx f- Q dy = 0 é exata em D.

Observação. Em virtude dêste teorema, a condição (14-32) é chamada


de Teste de Exatidão.
14-3. EQUAÇÕES EXATAS DE PRIMEIRA ORDEM 1373

DEMONSTRAÇÃO DO TEOREMA 1. O teorema é uma conse­


quência imediata dos resultados da Seç. 13-14. Como foi mostrado nessa
seção, quando (14-32) é válida e D é simplesmente conexa, pode-se sempre
encontrar H pela equação

íf( x ,y ) = f P dx+ Ç dy, (14-33)


^(XoJo)

onde (a:o, yo) é um ponto fixado de D e a integral de linha é tomada em qual­


quer caminho conveniente de (jco, ;^o) a (jc, y) em D.
Se o Teste de Exatidão (14-32) é satisfeito, mas D não é simplesmente
conexa, pode-se aplicar o Teorema 1 a cada porção simplesmente conexa Di
de D para obter-se a função Hi em Di de modo que dHi = P dx + Q dy
em Dl. Para a equação diferencial dada em D, isto significa que podemos
necessitar de várias representações diferentes para as soluções em diferentes
partes de D. Todavia, acontece freqüentemente que uma função H pode
ser encontrada para toda a D, mesmo que D não seja simplesmente conexa
(veja Probl. 4 ao final da Seç. 13-14).

EXEMPLO 3 (x^ + 3x^y) dx + (cos y + x^) dy = 0. Aqui, o Teste de


Exatidão é satisfeito:

dy = dx

para todos os (jc,j;). Então, a equação é exata em todo o plano xy (ume


região aberta simplesmente conexa). Podemos fàcilmente advinhar a função //.
Podemos também usar (14-33) e escolhei um caminho de (0,0) a (x, y),
como na Fig. 14-8:

(x,0) Ax,y)
Í(0 ,0)
Pdx + Q dy I
(x,0)
Pdx -j- Ç dy^

= f t^d t -h f (cos u -h x^)du = ^ + \seny -h x^y.

Verificamos logo que dH = P dx + Qdy.


Temos respondida a Questão 1. Para a Questão 2, enunciamos aqui
simplesmente que a resposta é afirmativa: para uma equação exata, as so­
luções outras que não aquelas que passam por pontos singulares são as
funções definidas implicitamente pela equação //(jc, y) = c . A demons­
tração fica como exercício (Probl. 7 adiante). Para a Questão 3, a resposta
completa é mais complicada. Damos aqui uma resposta parcial: se P e g
1374 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS ÇAP. 14

(x^y)
#r
IP ^

14.8 Caminho para o Ex. 3

têm derivadas parciais primeiras contínuas em Z) e (jco, yo) é um ponto de D


que não é um ponto singular da equação diferencial, então, numa vizinhança
suficientemente pequena de (xo, yo), existe um fator integrante v(x, y). Para
uma demonstração, remetemos ao Cap. 12 de ODE. Achar fatores inte­
grantes é um problema muito difícil. Para muitos tipos especiais de equa­
ções, têm sido encontradas regras para fatores integrantes. Ilustrações
serão dadas no próximo exemplo e nos exercícios.
EXEMPLO 4 (4xy^ + 3y) dx + { 5 x Y + 3x) dy = 0.
Solução. Escrevemos a equação como segue:

4xy^ dx -I- 5x^í/2 dy -f 3{y dx x dy) = 0.

A quantidade entre parênteses é d{xy). Se multiplicarmos a equação por


uma função de xy, por exemplo g{xy)y a última parte da equação tornar-se-á
3g{xy)d{xy) = 3g{u)du, onde u = xy. Por conseguinte, esta última parte
permanecerá exata; ela é a diferencia) de 3G{xy), onde G'{u) = g{u). Devido
à forma da primeira parte da equação, tentamos g{xy) = (xy)”^ para algum rn
constante, para obter

4 ^ + i^ m + 3 _j_ 5^ + 2^m +2 ^(xy)^ d{xy) = 0.

Para tornar exata a primeiia.parte da equação, aplicamos o Teste de Exa­


tidão :

_ ^ (4 ^ m + l^ m + 3 ) — ^ f^^j^rn+2y7n+2^

ou
PROBLEMAS 1375

Esta equação é satisfeita para todos os (x, y) se 4m + \2 = 5m + \0 ou


m = 2 , Nossa equação torna-se, então,

ch + dif + 3(.v|/)“ d{x{i) — 0.

Reconhecemos os primeiros dois têrmos como d(x^y'^) e tôda a equação


pode ser escrita como d[xy^ + (^7)^1 = 0. As soluções são dadas por

x^y^ + x^y^ ~ c.

PROBLEMAS

1. Desenhe as curvas de nível dadas, ache a equação diferencial correspondente e observe


os pontos singulares:

(a) = c (b) — ij'^ — c (q) Xsenij = c. (d) , /

2. Mostre que a equação é exata, ache a solução geral e ache a solução que satisfaça às
condições iniciais dadas:
(a) 2xij d x 4 - x~ dij = 0 ; a: = 1 , i/ = 2 (b) c-' d x + xe^ dij = 0 ; a = l , ij = 0

(c ) (2 a + 3 i/ ) d x + ( 3 a 4- 4 i/ ) d y = 0; a = 2, y = —1

(d) (4 a — 5 y ) d x 4- { 2 y — 5 a) d y = 0; x = 3, y = 4
(e) 2xe^'~ sen y d x + (e^' cos y — sen y) d y = 0; a = 0, y = —tt/ 4

(f) ( — -----; ^ , ) (Ix + ( ^ , - - 4 ) cly = 0; ,v = 1, ly = 1


\ij x - + t j-/ \.v - + !/- ij-l
3. Ache a solução com o auxílio de um fator integrante:
(a) (3 a^^ — 4 y ) d x 4- (2 a “1/ — 2 a) d y = 0
(b) (xy -h y) d x + (a 4 - dy = 0
( c ) (a - 4 - i / 4- a) d x f :/ d y = 0

(d) {Sx^y — y^) d x + (^3a[/“ — 5 a ^) d y = 0. {Sugestão. Tente v = y^.)


(e) (3^^ 4 - 5 a) d x 4- 4 x y d y = 0. [Sugestão. Tente v = para a > 0 e v=
= (- a )” para a < 0 .]
(f) (2 a 4- 4- sen 3 í/) dA 4 - 3 cos 3 y d y = 0. [Sugestão. Tente v = ^(a ).]

4. Seja dada a equação diferencial P d x Q d y = 0, onde P{x, y ) e Q{x, y ) têm deri­


vadas parciais primeiras contínuas na região aberta D simplesmente conexa.
(a) Demonstre: v(a , y ) é um fator integrante se, e somente se,

/ ,/aP dO \ ^dv ^dv

í(b) Demonstre: dP/dy — dQldx = r{x)Q{x,y) em D, onde r é contínua, implica que


a equação tem um fator integrante que só depende de a .
1376 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

(c) Demonstre: s& a(x), 0 ( x \ y ( x ) e y ' { x ) são contínuas para a < x < b ^ y { x ) 9 ^0
em (a, b \ então a equação (equação linear em y)

[a{x)y -h /Ô(a:)] dx + yW d y = 0

tem um fator integrante que só depende de x.

+5. Seja D o plano xy menos a origem, de modo que D não seja simplesmente conexa.
Mostre que a equação diferencial

- y d x + xdy _

satisfaz ao Teste de Exatidão em D, mas não existe uma função H tal que dH = { — y
dx + X dy)l(x^ + y'^) em tôda a D (veja a Seç. 13-14).

J 6 . Seja \f/(z) uma função tal que yp' seja contínua e não tenha zeros para — 0 0 < z < 0 0 .
Mostre que as funções H {x , y ) e H i(x , y ) = \l/[H(x, y)] têm as mesmas curvas de nível.
Compare as equações diferenciais para os dois conjuntos de curvas de nível. [Observa-
vação, Êste resultado mostra que a representação das soluções de uma equação dife­
rencial na forma H {x , y ) = c não é única. Pela mesma razão, o fator integrante não
é único.]

l l . Seja dH{x, = P {x. y ) d x - Q{x, dy, de modo que a equação P dx + Q dy = 0 é


exata. Sejam P q Q contínuas na região aberta D.

(a) Demonstre: se = / ( j c ) é uma solução da equação diferencial, então a curva


y = f ( x ) é uma curva de nível de H. {Sugesíõo. Mostre que H[x, f(x)] é cons­
tante.}
(b) Demonstre: se Q( xq, yçi) 9 ^ 0, então existe uma única curva de nível de H que
passa por (xq, y^) da forma y = f ( x ) e que / é uma solução da equação diferencial.
(Sugestão. Aplique o Teorema da Função Implícita da Seç. 12-15.)

14-4. Equações com Variáveis Separáveis e Equações da


Forma = g{y/x)

Uma equação que comumente ocorre é uma da forma:

P{x) dx + Qiy) dy = 0. (14-40)

Diz-se que uma equação que pode ser escrita nesta forma tem variáveis
separáveis. Notamos que uma equação de forma

(14-41)
14-4. EQUAÇÕES COM VARIÁVEIS SEPARÁVEIS 1377

tem variáveis separáveis. Para ''separar as variáveis”, isto é, para escrever


a equação na forma (14-40), deve-se dividir por G(y); os pontos em que
G(y) = 0 devem então ser estudados separadamente.
Se P(x) é contínua para a < x < b e Q(y) é contínua para c < y < d,
então (14-40) é exata na região aberta D: a < x < b , c < y < d. Pois
podemos tomar

H(x, y) = f P{x) dx +- f Ç(y) dy

usando quaisquer escolhas convenientes das integrais indefinidas. Assim,


as soluções de (14-40) (exceto talvez em pontos singulares) são obtidas inte-
grando-se:

JF(x) dx + J Ç{y) dy = c. (14-42)

EXEMPLO 1 y d x + x^dy = 0.
Solução. Separamos as variáveis dividindo por x ‘^y, de modo que
Ijix^^y) é o fator integrante:

dx du dx rdu 1 ,
= 0,
/ —----f- In 1/ = c.
X

Para < 0, devemos substituir Inj; por In (— y). Podemos evitar esta
complicação escrevendo

í» = i„
/

Então, nossas soluções são dadas por

- 4- In = 0, y = ± ce l / x
X

e a equação única y = descreve tôdas estas soluções. Já que dividimos


por x-y, os pontos em que x = 0 ou = 0 devem ainda ser examinados.
Vemos que tanto x = 0 como = 0 são soluções. A origem é um ponto
singular. As soluções estão em gráfico na Fig. 14-9. A estranha confi­
guração na origem deve ser notada (Prob). 6 adiante).
EXEMPLO 2 / = x{y- — 1). Separamos as variáveis:
1378 EQUAÇ6ES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

^ = ^ =xdx, { y ^ ± iy ,

r dy r 1 y — 1 x^
( —5---- r = xdx, ir ^ n - ------ = — + c,
J - 1 J 2 y
t / ++ l 2 ’

y - 1
C ef (C = e^^))
y + 1
1
(14-43)
1- '

Fig. 14-9. Soluções de y dx + x- dy = 0 Fig. 14-10. Soluções de / = x{y- — 1)

Dividimos por — 1 = (>^ + 1) (ji; — 1 ) e notamos que y = I q y ~ — 1


são soluções da equação diferencial dada. Ao resolvermos acima, intro­
duzimos uma nova constante arbitrária C = De sua definição, C deve
ser positiva. Contudo, verificamos que as funções (14-43) satisfazem à
equação diferencial para tôda escolha de C. A razão do paradoxo é que,
na integração de deveríamos ter usado o logaritmo do valor
absoluto, como no Ex. 1. Se levarmos isto em consideração, descobriremos
que C pode ter todos os valôres exceto 0. O valor C = 0 corresponde a
uma das duas soluções horizontais: y = 1. A outra reta: y — I pode
ser considerada como sendo o caso limite C - ^ co.
Podemos evitar a troca de constantes arbitrárias escrevendo

du 1
/ ^2 _ 1 " I
1 y - 1
In^^-----^ - - l n C = -ln
í/ + 1 2 C{y + 1) / xdx =

Se resolvermos para obteremos novamente (14-43).


14-4. EQUAÇÕES COM VARIÁVEIS SEPARÁVEIS 1379

As soluções estão representadas na Fig. 14-10. Notamos que para


0 < C < 1, cada função (14-43) é realmente formada de três soluções sepa­
radas; para C = 1, ela é formada de duas soluções; para C < 0 ou C > 1,
cada função (14-43) é uma solução para — oo < jc < oo.

Equações da Forma y' = g ( y l x ) . As equações diferenciais da forma


mencionada (chamadas muitas vêzes de "'equações homogêneas de primeira
ordem”) são redutíveis a equações com variáveis separáveis. Exemplos
são as seguintes:

, X- - !/ _ 1 - (ij/x) ev/xy.2
y =
x+y I + iy/x)’ ^ 1/2 (f)'

O método geral é introduzir uma nova variável dependente v = y /x e obter


uma equação diferencial para v em função de x. Escrevemos formalmente:

XV = y, xv' + v = y' = g = g(ü),

x ^ + v - g(v) = 0,

dv
+ ^ = 0.
V - g(v) X

Assim, as variáveis são separadas. Se obtemos as soluções em função


de X e então podemos substituir v por y /x para obtermos as soluções em
função de X e Por hipóteses apropriadas de continuidade (e uma consi­
deração de zeros nos denominadores), o método dá as soluções desejadas.
1- ü
EXEMPLO 3 y= ^ - y
X y
________
1 -|- ü
. Com V = y/x,

, 1-V 1-2v-v^
XV/ +. V = y / = —
1 ——V , XV = ----------- V =
1 ü 1 -h V I + v
r,^ ^ d v + f ^ = 0, iln^' + 2ü-l - \ n x = Oy
J v^ -h 2v — 1 J X 2
+ 2 t> — 1 = "Y , í/^ + 2xy — x^ = c.

As soluções vão representadas na Fig. 14-11. Notamos que a origem é


um ponto singular para a equação correspondente em forma diferencial:
(x — y) dx — (x + y) dy = 0 .
1380 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Fig. 14-11. Soluções de / = { x - y)l(x + y)

Observação. Para equações da forma y' = giyjx), o campo correspon­


dente de segmentos lineares é tal que, ao longo de cada reta que passa pela
origem, todos os segmentos lineares são paralelos, como indica a Fig. 14-11.
(Assim, as isóclinas são as retas que passam pela origem; veja a Seç. 14-2.)
Se, para um m determinado,g(m) = m, então a reta que passa pela origem com
inclinação m é uma solução; isto é ilustrado pelàsretasX i e L 2 da Fig.14-11.
Da propriedade dos segmentos lineares que acabamos de observar, também
decorre que, sg y = f ( x ) é uma solução, então ky = f (kx) também define
uma solução {k = const. 9^ 0), isto é, as soluções são curvas semelhantes
(veja Probl. 10 adiante).

PROBLEMAS

1 . Ache a solução geral:


(a) dx -{■ 2y dy = 0 . (b) cos 2x dx 4- ye^^dy = 0.
(c) dx 4- dy = 0*
(d) {x^y — xy — x) dx {xy + 2y) dy = 0 .
(e) y' = 1 + y. (f) t/' = 1 + t/2.
'(g) y' = ^y^- (hj y' = é^cosx.

2. Ache a solução geral:


2x — 3t/
(a) y' = ; (b) y', _= ^ - y (c) y ’ =
3x-5y' x -2 y X
^2 -h y2 y^ + xy — 2iJ^ — x2
(d) y' = ■ (e) y' = (f) y ' = - ^ ----- Í - .
xy
PROBLEMAS 13£1

Crescimento. A taxa de crescimento de uma população num ambiente fixado é gover­


nada principalmente pelo tamanho dà população, e portanto, é bem descrita por uma
equação diferencial d x j d t = / ( jc), onde / é o tempo e x é um número real que mede
o tamanho da população. Discuta a evolução da população para cada uma das se­
guintes escolhas de / : A: e ò são sempre constantes positivas.

(a) f { x ) = k x (b) f ( x ) =
(c) f { x ) = k x {b - x) (d) f { x ) = k x ‘^(b - x)

4. Resistência do ar. Um corpo caindo contra a resistência do ar está sujeito a uma força
que depende principalmente da velocidade, de m odo que a Segunda Lei de Newton
leva a uma equação diferencial dvjdt = /( v ) , onde v é a velocidade (medida positi­
vamente para baixo) e / é o tempo. Discuta o tipo de variação da velocidade com o
tempo para cada das seguintes escolhas á Q f \ g , a , m & b são sempre constantes positivas.

(a) / ( « ) = (g/m ) - bv. (b) f { v ) = (g /m ) - b v^. (c) f { v ) = (g /m ) -

5. O Teorema de Existência (Seç. 14-1) não se aplica à equação y' = em pontos (;co, 0),
já que a função y^!^ não tem uma derivada contínua para y = 0. Ache as soluções,
desenhe e mostre que a unicidade das soluções é violada ao longo do eixo x.

6. A equação do Ex. 1 na Seç. 14-4 tem um ponto singular em (0, 0) e o Teorema


de Existência não é aplicável ià equação correspondente y ' = — y j x ’^ neste ponto.
Mostre que a equação tem uma infinidade de soluções que passam pela origem para
Jt < 0 mas apenas uma solução através da origem para > 0.

7. Seja dada uma família de curvas no plano, formando a solução geral de uma equação
diferencial y ' = F{x, y ) numa região aberta D. Diz-se que uma segunda família de
curvas em D forma o conjunto de trajetórias ortogonais da primeira família se em cada
ponto {x, y ) a curva da primeira família através do ponto fôr ortogonal à curva da
segunda família através do ponto. Pela Geometria Analítica, as retas perpendiculares
têm inclinações m \ q m 2 = — 1/wi. Portanto, uma curva y = f { x ) da segunda fa­
mília satisfaz à equação y ' = — \!F{x, :^) em cada ponto sôbre seu gráfico e assim,
as trajetórias ortogonais formam a solução geral da equação diferencial y ' = — 1/F
{x, y ) em D (pelo menos, onde F ^ 0). Pode-se também escrever a equação dada na
forma P{x, y ) d x + Q{x, y ) d y = 0, e então a equação das trajetórias ortogonais é
— Q(x, y ) d x + P (x , y ) d y = 0; assim, u = Pi -f Qj é substituída por u H = — Qi + Pj.
(Qual é o significado geométrico de u?) Observamos que a primeira família é também
a família de trajetórias ortogonais da segunda família. Exemplos importantes de
trajetórias ortogonais são os conjuntos de retas paralelas aos eixos coordenados e as
curvas r~= const. q 6 = const. nas coordenadas polares (de fato, as trajetórias orto­
gonais são muitas vêzes as bases para coordenadas curvilíneas no plano).
Para cada uma das equações diferenciais abaixo, enuncie a equação diferencial
para as trajetórias e ache sua solução geral. Também desenhe as soluções da equação
dada e as trajetórias ortogonais:
(a) y' = (b) y' = + I [c) y dx + x d y = 0. (d) y dx — x d y = 0.
(e) x^dy + y d x = 0 - (f) (x + y ) d x + { x - y) d y = 0 .
1382 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

| 8 . Para uma equação y = F(x)G (y) na qual G tem zeros em y \ e 7 2 » as retas y = y \ e


y = y 2 são soluções, e parece que soluções que comecem entre estas retas ficam “presas”
entre elas, com o na Fig. 14-10. Para estabelecer isto, suponha que F{x) seja contínua
para todos os x, que G'(y) seja contínua para todos os y q que G(y i) = G (y 2 ) = 0,
0 ( y ) > 0 para y i < y < 7 2 - Suponha y i < yo < y 2 ^ mostre que uma solução y = f ( x )
com valor inicial ( xq, ;^o) é definida para — 00 < x < co e satisfaz b. y i < f { x ) < y >2
para todos os x. {Sugestão. Mostre que / é definida implicitamente pela equação
^ (y) = ( p M , onde

g( y ) = y du, <p(*)= y F(t) dt.


G{u)

Mostre que existem constantes positivas K i, K 2 tal que G(y ) < K \ { y — y{^ e G{ y) <
< K 2 Íy 2 — y ) para y i < y < y 2 , ^ portanto, conclua que g ( y ) é m onótona estritamente
crescente para — 00 < 3; < 00 com limite + 00 quando y y 2 — , limite — co quando
y y i + . Agora, use o fato de que f ( x ) =

}9. Suponha que P (x , y ) e Q(x , y ) tenham derivadas primeiras contínuas para todos os
(x, y ) e que P e Q sejam homogêneas de grau n, de m odo que P (tx , ty) = t^P{x, y),
Q{tx, ty) = t^Q(x, y). Mostre que a equação P d x y Q d y = 0 pode ser escrita na
forma y ' == g ( y lx ) e que ( x P + yQ)~^ é um fator integrante para a equação.

ílO. Demonstre: se y = = f ( x ) é uma solução da equação diferencial y ' = g ( y lx ) , então


também o é = h{x) = ( \ / k ) f ( k x ) , onde k é uma constante não nula. Interprete o
resultado mostrando que as soluções de y ' = g ( y l x ) são uma família de curvas seme­
lhantes.

14-5. A Equação Linear de Primeira Ordem

Uma equação de primeira ordem da forma,

s{x)y' + p{x)y = q{x)

chama-se linear. Sempre que s(x) 0, podemos dividir por í (a:) para ob-
termos uma equação da forma

y' + r i^ y = 9 (^ )- (14-50)

Consideraremos apenas a equação linear na forma (14-50). Equações desta


forma são excepcionalmente importantes para aplicações.
As soluções da Eq. (14-50) podem ser encontradas com o auxílio de
um fator integrante, como na Seç. 7-16. Ilustramos aqui a aplicação de
outro método: a variação de parâmetros. Primeiro consideramos a equação
í/' + p{x)y = 0 (14-51)
14-5. A EQUAÇÃO LINEAR DE PRIMEIRA ORDEM 1383

chamada de equação homogênea associada da Eq. (14-50). [A palavra ''ho­


mogênea” aqui não tem relação com as equações de forma y' = g{yjx) consi­
deradas na seção precedente.] As soluções de (14-51) são fàcilmente encon­
tradas separando-se as variáveis:

+ / P(^) àx = 0, In-^ + J p{x) dx = 0.

y = (14-52)

Admitimos uma escolha determinada da integral indefinida de p. Agora,


para obtermos as soluções da Eq. (14-50), substituímos a constante arbi­
trária em (14-52) por uma função de ;c e procuramos soluções na forma:

y = v{x)e (14-53)

Substituição em (14-50) dá

V)'e — ve p pve~f^^^ = q{x)


ou
ü' (x) = q { x ) e •

Então, (14-53) é uma solução de (14-50) precisamente quando

v{x) = dx + C)

isto é, tôdas as soluções de (14-50) são dadas por

y= J q^x'jjp(x)dx ^ (14-54)

Nosso procedimento foi puramente formal. Contudo, tôdas as etapas são


válidas se p(x) e q(x) são contínuas sobre um intervalo a < x < b e, portan­
to, (14-54) dá a solução geral de (14-50) neste intervalo.
Observamos também que (14-54) dá uma única solução através de cada
ponto (xq, >^o) com a < Xo < b. De fato, já que o coeficiente de c não tem
zeros, a avaliação de ambos os lados de (14-54) em (xo, >^o) leva a uma equa­
ção de forma yo = h + kc, onde k ^ 0, e esta^equação tem uma solução
única para c. Portanto, temos demonstrado o seguinte Teorema de Exis­
tência (Seç. 14-1).
1384 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

TEOREMA 2. Sejam p{x) e q{x) contínuas para a < x < b. Então,


para cada ponto (xo, 3^0) com a < Xq < b, existe uma única solução y{x),
a < X < b, da equação diferencial linear

y' + p{^)y = 9 (^ )

tal que X ^o) = Jo-

EXEMPLO y + y tg x = sen x cos x.

Solução. Imitamos o método usado na dedução de (14-54). A equação


homogênea associada é

y' + y t g x = 0.

Resolvemos separando as variáve^

/— y
f tg xdx = 0, In — — In cos %= 0, y = c cos x,

Depois estabelecemos y = v cos x na equação dada:


v' cos X — V semx f v cos x tg x = sen x cos x
v' cos X = senx cos x, v' = isencc, v = ^cos x + Cf
y = V cos X = (c — cos x) cos x = c cos x — cos^x.

As passagens são todas válidas se nos restringirmos a um intervalo no qual


tg X seja contínua, por exemplo, ao intervalo —•' tt/2 < x < tt/2. (Note que
em tal intervalo cos x não tem zeros e, por conseguinte, o cancelamento

Fig. 14-12. Soluções para y' y t % x = sen x cos x


14-5. A EQUAÇÃO LINEAR DE PRIMEIRA ORDEM 1385

dêsse fator é permitido.) As soluções neste intervalo vão ilustradas na


Fig. 14-12.

ObservaçãOí Para a equação linear (14-50), é muita vêzes conveniente


considerar a equação num intervalo a < x < b, a < x < b , ou a < x < b,
Toda esta discussão se aplica a êstes casos. Para o intervalo a < x < b,
por exemplo, a solução / (x) tem uma derivada à direita em a, e, se indi­
carmos esta derivada por f \ a \ então

f'{a) + p(a)/(a) = q{a).

Discussão da Equação Linear. A teoria da equação linear é excepcio­


nalmente simples. A equação pode ser considerada num intervalo dado
de x; todas as soluções existem sôbre êsse intervalo e formam uma confi­
guração muito simples, como na Fig. 14-12. Existe uma fórmula geral
(14-54) para as soluções.
Pode-se considerar a equação do ponto de vista da Álgebra Linear.
Sejam p q q contínuas num intervalo fixado. Então, consideramos o espaço
vetorial V de tôdas as funções que tenham derivadas primeiras, contínuas
no intervalo e o espaço vetorial W de tôdas as funções que sejam contínuas
no intervalOi Para cada função / em V, formamos g = T [/], onde

g{x) = f'{x) + p{x)f{x\

isto é, T[f ] = g = f p f . Então, T é uma transformação linear de V


em W. De fato, se T [ f ] = gi q T[ f 2 ] = g2 , então

gi = f'i + Pfv g2 = /2 + P/2 »


C ig i + c ^2 = (C ]/i + + P ( c i/ i + C 2/2),

e portanto, ^

O núcleo da transformação linear T é dado pelo conjunto das / tais que


T[f] = 0, isto é, por todos os y = /( x ) tais que

y' + pif)y = 0-

Mas esta equação é exatamente a equação homogênea (14-51) associada


a (14-50). Portanto, o núcleo de T consiste ^de tôdas as soluções da equação
homogênea. Então, o núcleo consiste de tôdas as funções (14-52) para c
arbitrário. Se escrevermos
1386 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

(para uma escolha determinada da integral indefinida), então (14-52) é da


forma

y= c i/ i( x ) j

onde yi não é i dênticamente 0 e c pode ser ’ qualquer constante. Desta


forma, o núcleo de T é um espaço vetorial unidimensional. Uma base para
êste espaço vetorial é qualquer elemento não nulo do núcleo, isto é, o pró­
prio yi(x), ou cyi(x) para algum escalar c não nulo.
Para achar a solução geral de (14-50), temos de achar todas as funções
y = f ( x ) tais que T[f] = q, para um dado q em W, isto é, procuramos a
imagem inversa de q por T. Segundo a Álgebra Linear (Seç. 9-13), esta
imagem inversa (se não vazia) forma uma variedade linear que consiste de
todas as funções + u, onde y* é uma função tal que T[y"^] = g q u é uma
função arbitrária no núcleo de T. Assim, a imagem inversa de q por T
consiste de tôdas as funções

y = y*(x) + oy^ix), ( 1 4 - 5 4 ')

onde y"^{x) é uma solução da equação diferencial dada y' + py = q t y\{x)


é uma solução não nula da equação diferencial homogênea associada. Agora,
(14-54) também dá a solução geral de (14-50) e (14-54) também consiste de
dois têrmos. O segundo têrmo reconhecemos como cyi(x). Para c = 0,
a função y{x) definida por (14-54) reduz-se ao primeiro têrmo. Portanto,
o prirneiro têrmo deve ser uma solução j^*(x) de (14-50). Assim (14-54)
é o mesmo que (14-54').
Em particular, temos mostrado que, para todo q cm W, a, imagem in­
versa de q por T não é vazia. Portanto, T transforma V sobre W,

Aplicações da Equação Linear. Devido à simplicidade da teoria da


equação linear, a equação é excepcionalmente útil para a descrição de fenô­
menos naturais. De fato, é prática comum construírem-se aparelhos que
funcionam de acôrdo com uma equação diferencial linear de primeira ordem.
Afirmações semelhantes ap)icam-se às equações lineares de ordem mais
alta, discutidas nas últimas seções dêste capítulo.
Em muitas aplicações, a variável independente é o tempo t, e escreve-se
a equação da seguinte maneira:

^ -I- p{t)x = q{t). (1 4 -5 5 )


PROBLEMAS 1387

Para um sistema de controle, tal como um termostato, p{t) é usualmente


dado para 0 < / < c» q q pode ser qualquer de uma classe de funções con­
tínuas em [0, oo) [freqüentemente um subespaço de e[0, <»)]. Considera-se
q como a entrada ("'imput”) e a solução a: como a resposta (‘‘output”). A
fórmula (14-54') torna-se

X = x \t) -f cxi(í). (14-56)

Aqui, x\{t) é uma solução não trivial da equação homogênea:

x \t) + p{t)x{t) = 0. (14-57)

Para a maioria das aplicações, Xi(/)--^0 quando t -^co^ e assim, xi(t)


chama-se transiente. Para t suficientemente grande, a preocupação então
é com o comportamento de x*(/), chamado um estado permanente. Por
exemplo, a equação

x'{t) + X = sen t — COS t

tem como soluções


X = sen t-\- ce ^

O têrmo ce~^ aproxima-se de 0 à medida que / oo, para todo c. Assim,


para t muito grande, x se aproxima de uma função seno pura. Notamos
que neste exemplo a entrada pode ser escrita como \ / 2 sen (/ — (tt/4)); então,
a resposta estado permanente se assemelha à entrada, com o mesmo período
(ou frequência), mas com uma mudança na amplitude e fase, [Em geral,
X = sen (co/ + a) tem aplitude A, freqüência co, período lirjo) e fase a.]
Muito da teoria dos sistemas de controle diz respeito à maneira pela qual
entradas senoidais se relacionam com suas respostas como neste exemplo.
Exemplos particulares são ilustrados nos exercícios.

PROBLEMAS

1. Ache a solução geral:


(a) y' -h 3t/ = (b) y' -h 2y = e~^.
(c) t/' -h 5t/ = (d) y' - y = xe^.
(e) xy' 4- 1/ = s e n x . (f) xy' -h y = 6x2.
(g) ^y' + 2t/ = Inx. (h) xy' - 3y = x^.

(1) y' y cot ^ (j) i / ' + í / s e c x = tg íx .


(k ) e^y' - y = 1, (1) xy' — xy = — X In X — xe^ + 1.
1388 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

2. Seja a uma constante não nula. Para cada uma das seguintes escolhas de q{t'), veri­
fique se a equação linear x '{t) + a x { t ) = q{t) tem uma solução particular ;c*(/) como
dada, de m odo que a solução geral seja x = x * {t) + ce~^^. {k, b q o) são sempre cons­
tantes não nulas, P { t ) é um polinómio de grau n > 0.)

3. (a) Seja q{t) contínua para / > 0 e seja a uma constante. Mostre que a solução da
equação x' + a x = q com valor inicial ao para / = 0 é

.V = í (}iu) d u + .v,,c
‘^0

(b) Mostre que a solução da parte (a) pode ser escrita:

.V = r (j{t - V) dv +

4. Um mecanismo de contrôle é governado pela equação diferencial x' + 3x = q(t).


Mostre que se qir) é senoidal, q{t) A sen (u>f - a ) , então a resposta estado perma­
nente x * ( t ) também é senoidal: a- -= 5 sen (co/ ~ (3). Ache sua amplitude B e fase /3.
{Sugestão. Use os resultados do Probl. 2.)

5. O movimento da descida de um pára-quedista é governado pela equação diferencial


m {d vld í) ^ kv = mg, onde m é a massa do homem e do pára-quedas, v é a velocidade
(medida positivamente no sentido de cima para baixo) q k q g são constantes positivas.
Para r = 0, a velocidade é vq. Descreva o movimento em cada um dos três casos:

(a) 0 < < m g /k . (b) Vo = m g / k . (c) t;„ > m g / k .

6. A lei do resfriamento de Newton afirma que a razão de variação da temperatura x


de um corpo é proporcional à diferença entre a: e a temperatura z do meio ambiente.
Mostre que, se z permanece próximo a um valor zo mas flutua senoidalmente com
alta frequência em volta dêste valor, então, à medida que t aumenta, a: ignora essen­
cialmente as flutuações em z e se aproxima de zq (veja Probls. 2 e 4).
PROBLEMAS 1389

7. Para uma partícula que se m'ova ao longo de uma reta (o eixo x ) contra um atrito pro­
porcional à velocidade, e sujeita a uma fôrça elástica — k'^x e a uma fôrça externa
F (t), a Segunda Lei de Newton dá a equação diferencial

onde h, k Q m são constantes positivas. Se h fôr excepcionalmente grande, é razoável


ignorar o primeiro têrmo, de m odo que se tenha uma equação diferencial de primeira
ordem para a-. Discuta o movimento para o caso F {t) = onde a q b são cons­
tantes positivas, com m substituído por 0 na equação diferencial.

8. Na teoria da eletricidade, mostra-se que um circuito contendo uma indutância L , resis-

Fig. 14-13. Circuito elétrico simples

tência R , capacitância C e fôrça eletrom otriz acionadora, a carga acumulada q satisfaz


à equação

dt^

onde L , R e C são constantes positivas e é a fem variável (Fig. 14-13). A


corrente i é dada por / = dqjdt. Quando não há indutância, o têrmo em L é omitido
e tem-se uma equação diferencial de primeira ordem para q; quando não há conden­
sador, o têrmo em 1/C é omitido e tem-se uma equação diferencial de primeira ordem
para /. Discuta 6 comportamento da carga e/ou corrente para / > 0 com o pedido,
para os seguintes casos:

(a) q Q i; L = 0, E = E q = const., q = 0 para / = 0.

(b) q Q i; L = 0, E = E q sen cot onde E q = const., q = 0 para / = 0.

(c) /; nenhum condensador, E = E q = const., / = 0 para / = 0.

(d) /; nenhum condensador, E = E q sen cot onde E q = const., / = 0 para t = 0.


1390 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINARIAS CAP. 14

14-6. Equações Diferenciais Lineares de Ordem n

Na seção precedente, discutimos as equações lineares de primeira ordem.


Consideramos agora a equação diferencial linear de ordem n, isto é, a equação
de forma:

+ • • • + A■^{x)y' + A^{x)y = Q{x). (14-60)

Consideraremos esta equação somente num intervalo em que o coeficiente


A,ix) não fôr 0. Então, podemos dividir por An{x) e obter uma equação
da forma:

-I- ' -h
1 ••• + a.^{x)y'+adx)y= q{x). (14-61)
Admitimos que os coeficientes . . ., a^ix) e o membro do lado direito
q{x) são contínuos num intervalo J. Quando an-u . . úfo são constantes
[ou An, . . /ío são constantes, com An 7 ^ 0, em (14-60)] dizemos que a
' equação tem coeficientes constantes,

EXEMPLOS (0 y" - y =
(//) y"' + x y " - y = Q;
(Ui) 4y*’”’ — 2y'" + y" — 2y' -h y In x.

O primeiro e o terceiro exemplos têm coeficientes constantes. O intervalo J


seria tomado como sendo o intervalo infinito (— , oo) para os Exemplos
(/) e (//), e o intervalo (0, oo) para o Exemplo (Ui).
Na Seç. 14-1, enunciamos um Teorema de Existência geral para equa­
ções diferenciais. Para a equação linear (14-61), podemos enunciar um
resultado mais forte:

TEOREMA 3. Sejam ao(x), an^i(x), q(x) definidas e contínuas no


intervalo J. Então, existe uma solução y{x) da Eq. (14-61) no intervalo J
com valores iniciais prescritos

y{xo) -yo> • • •. (*o) = (14-62)

num ponto Xo de J. Além do mais, a solução é única, isto é, se y"^{x)


é uma solução de (14-61) num intervalo J* que inclua Xq e >^*(xo) = yo,
.. então y{x) = y*{x) na parte comum dos dois
intervalos.
Para « = 1, o teorema decorre do Teorema 2 da Seç. 14-5. Para « > 1,
demonstraremos o teorema para casos especiais abaixo. Para o caso geral,
veja o Cap. 12 de ODE.
14-6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES DE ORDEM n 1391

O Teorema 3 difere do Teorema de Existência da Seç.-14-l porque se


garante a existência da solução por todo o intervalo J. Para equações não
lineares, esta propiiedade geralmente falha (Probl. 5 adiante). Devido ao
Teorema 3, para uma equação diferencial linear usaremos a palavra ''solução”
apenas para uma função y{x) que satisfaça à equação sôbre todo o intervalo J.
Notamos que toda solução y{x) de (14-61) tem derivadas contínuas
até a ordem n no intervalo J (Probl. 6 adiante).
Se em (14-61) a função q(x) é idênticamente 0 em então a Eq. (14-61)
é chamada homogênea. Isto é ilustrado pelo Exemplo (//) acima. Para
uma Eq. (14-61) não homogênea dada, obtemos a equação homogênea asso­
ciada substituindo q{x) por 0:

+ ••• + + aQ{x)y = 0. (14-63)

Para « = 1, vimos na Seç. 14-5 que as soluções da equação homogênea


formam um espaço vetorial unidimensional e que as soluções da equação
não homogênea formam uma variedade linear cujo espaço-base consiste das
soluções da equação homogênea associada. A discussão que se segue mostra
que êstes resultados se generalizam para a Eq. (14-61) de ordem n.

TEOREMA 4. Sejam í7u(x), . . ., an-\(x) contínuas no intervalo J.


Então, as soluções da equação homogênea (14-63) em J formam um espaço
vetorial ^ . Ainda, se f está em 3^ e f satisfaz às condições iniciais

fM = 0, /-^(X o) = 0 (14-64)

em algum ponto JCo de J, então f é a função zero em J.

DEMONSTRAÇÃO. Suponhamos que e indique o espaço vetorial de


tôdas as funções contínuas em J\ suponhamos que 6^"^ seja o espaço vetorial
de tôdas as funções que tenham derivadas contínuas até a ordem n em J.
P ara/ em. definimos L[f] = g em e pela equação:

g{x) = f ”\x) -I- + ■■■ + %{x)f{x) = L[f]-


\

Então, L é uma transformação linear; a demonstração é exatamente como


aquela para a transformação T na Seç. 14-5. As funções de ^ são preci­
samente as funções / em tais que L[f] = 0, isto é, 3^ é o núcleo de L.
Portanto, 3>f é um espaço vetorial, um subespaço de
Pelo Teorema 3, existe apenas uma função em 3^ que satisfaz às con­
dições iniciais (14-64). Mas a função zero está em-Jf" e claramente satisfaz
a (14-64)1 Portanto, se / está em e satisfaz a (14-64), então f (x) = 0
em J.
1392 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

As Funções Vetoriais Associadas. Para cada função y{x) em asso­


ciamos a função vetorial contínua^ v(x) = (y(x), y (x), . . em J.
Para cada Xo fixo, v(xo) é um vetor de e, se y{x) é uma solução de (14-63),
as componentes de v(xo) são justamente os valores iniciais correspondentes
y(xo), y (x o ),. . A função v(x) pode ser considerada como um
elemento do espaço vetorial de todas as funções vetoriais contínuas em J
com valores em (veja Seç. 9-16).

LEMA 1. Sejam yi(x), . . yk(x) funções em 6^"^ Então, ;^i(x), . .


yk{x) são lineàrmente dependentes em J se, e somente se, as funções ve­
toriais associadas Vi(x),. . Vfc(x) forem linearmente dependentes em J,

DEMONSTRAÇÃO. Se yi(x) , . . . , yk(x) são linearmente dependentes


em J, então existem escalares Ci,.. ., Ck, não todos 0, de modo que Ciyi(x) +
+ . .. + Ckyk{x) = 0 em y. Derivamos repetidamente e concluímos que

+ • • • + c^yk^\x) = 0 em / , i = 0 , . . . , n - 1. (14-65)
Mas isto implica que
CiVi(x) -h • • • + ^ em y, (14-65')

de modo que Vi(x),. .., va:(x) são funções vetoriais linearmente dependentes.
Reciprocamente, se Vi(x), . .., \k{x) são funções vetoriais linearmente depen­
dentes, então (14-65') é válida com ci, .. ., Ck não todos 0. Conseqüente-
mente, (14-65) é válida para / = 0; mas esta é exatamente a relação C\yi{x) +
+ . . . -f Ckyk{x) = 0. Portanto, yiix), . . ., yk(x) são linearmente depen­
dentes.
LEMA 2. Sejam y \{ x ),. . yk{x) soluções de (14-63) em J, Se as
funções vetoriais associadas Vi(x), . . ., Va:(-^) são vetores linearmente
dependentes em Vrt para um valor Xo, então Vi(x),. .., Va:(x) são funções
vetoriais linearmente dependentes em J,

DEMONSTRAÇÃO. Suponhamos que Ci, . . . , Ck não sejam todos 0


e que

í^iVi(:Co) + ■■■ + Cj,Vfc(xo) = 0.

Então, pelo Teorema 4, a função y(x) = Ci;^i(x) -f . .. -f Ckyk{x) é uma


solução de (14-63), e, pela equação precedente,

= (^iyi*K^o) + • • • + Ckyk^*\xo) = 0 para í = 0, . . . , n - 1.

Portanto, pelo Teorema 4, y(x) = 0 em y. Da mesma forma.


14-6. EIQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES DE ORDEM H 1393

Ciyiix) -h • • • + Cj,y^{x) — 0,
de modo que yi(x), .. yk(x) são linearmente dependentes em J e, pelo
Lema 1, também o são Vi (a:), . . V;k(A:).
Observação. A conclusão do Lema 2 q falsa se omitirmos a hipótese
de que y\{x), . . .^yk{x) são soluções de uma equação diferencial linear homo­
gênea; veja a observação que segue ao Ex. 2 adiante.
TEOREMA 5. O espaço vetorial do Teorema 4 tem dimensão n.
Portanto, a equação linear homogênea (14-63) tem n soluções linearmente
independentes em J e, se . . ., yu{x) forem n soluções linearmente
independentes em J, a solução geral será dada por

y = Ciyiix) + ■■■ + c^yjx)-


DEMONSTRAÇÃO. Fixemos jío em J. Escolhamos n vetores linear-
mente independentes Ui, . . ., u„ em [por exemplo, os vetores-base (1,
0, . . ., 0),. . ., (0, . . 0, 1)]. Para cada i = 1, . . ., w, escolhemos yiix), uma
solução de (14-63) com valôres iniciais em Xq tais que para o v/ a:) associado
tem-se v,(xo) = u,. Conseqüentemente, Vi (a:), . . ., v„(x) são linearmente
independentes em Vn para x = x^; portanto, pelo Lema 2, Vi(jc), . . \n(x)
são funções vetoriais linearmente independentes em J e, conseqüentemente,
pelo Lema 1, yAx), . . .,y„(x) são linearmente independentes em J. Então,
dim > n.
Por outro lado, não podemos escolher mais do que n soluções yi{x),
. . ., >’a(^) de (14-63) linearmente independentes. De fato, se pudéssemos,
as funções vetoriais associadas Vi(jc), . . ., Va(jc) seriam linearmente inde­
pendentes e, conseqüentemente, pelo Lema 2, Vi(xo), . . VaÍ-Xo) seriam
vetores em linearmente independentes. Mas não pode haver mais do
que n vetores em V„ linearmente independentes, já que dim = n. Con­
seqüentemente, k não pode exceder a a? e dim — n.
O Wronskiano. Se y\(x), . . yk(x) são soluções de (14-63), pode-se
formar a matriz n por k Y(x) cujos vetores-coluna são Vi (a:), . . ., Va(x):

i/iW yÁ^)
Y(x) = -

Dos Lemas 1 e 2, vemos que y\(x)^. . yk(x) são linearmente independentes


em J se, e sòmente se, Y(x) tiver pôsto k para todo x em J\ se o pôsto for k
para um x, então êle será k para todo x em J\ se o pôsto fôr menor que k para
um X, então será menor que k para todo x em J.
1394 EQUAÇÕES d if e r e n c i a i s 'ORDINÁRIAS CAP. 14

Para k = n, Y{x) é uma matriz quadrada e seu determinante W(x) é


chamado de wronskiano de yi{x) , .. .,yn(x):

Vni^)
W{x) = (14-66)

!/i‘”

Então, ou W(x) = 0 em / ou W(x) não tem zeros em J; no primeiro caso,


as soluções são linearmente dependentes; no último caso, elas são linear­
mente independentes. Quando são linearmente independentes, elas servem
como uma base para como no Teorema 5.
Sejam yi(x), . .., yn(x) soluções de (14-63) em / e seja Ji um intervalo
contido em J, Então, yi{x) , . . .,yn{x) são soluções de (14-63) em 7i. Se
yi(x), . . yn(x) são linearmente independentes em /, então são òbviamente
linearmente independentes no subintervalo Ji. De fato, se W(x) não tem
zeros em J, não tem também em /i.
Reciprocamente, se>^i(^),. . ., yjyc) são linearmente independentes em /i,
então devem ser linearmente independentes em J, pois C\yi{x) + .. . +
+ Cnyn(x) = 0 em / implicaria Ciyi(x) + . . . + Cnyn{x) = 0 em Ji.
EXEMPLO 1 y " — j = 0. Tomamos J como sendo (— oo, oo). As
funções ji(x ) = e y 2(x) = são soluções e têm o wronskiano

W{x) = = -2 .

Como W{x) não tem zeros, as soluções são linearmente independentes e a


solução geral é

y =

EXEMPLO 2 {x — 1 ) /' — xy' + y = 0, Dividimos por {x — 1) para


obter uma equação da forma (14-63):

^ / y = 0.
X - 1 í/' + X - 1

Devido à descontinuidade em x: = 1, vemos que J pode ser tomado como


(1, oo) ou (— 00, 1) mas não como (— oo, oo). Achamos que yi = x,
y2 = são soluções. O wronskiano delas é
14-6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES DE ORDEM fl 1395

Tanto em (1, oo) como em (— oo, 1), W(x) não tem zeros, Então, em
qualquer dêstes intervalos, a solução geral é y = cix + C2e^,
Observação. O Ex. 2 ilustra duas funções yi(x), y 2{x) em (— oo^ oo)
que são tais que as funções vetoriais associadas Vi(x) = {x, 1), V2(x) = e^)
são linearmente dependentes em para um x, a saber, jc = 1: Vi(l) = (1, 1),
Vg(l) = (e, e). Mas Vi(x:), V2(jc) não são funções vetoriais linearmente de­
pendentes em (— oo, 00), pois se fôssem, elas seriam linearmente depen­
dentes em F2 para cada x fixado, e esta condição falha para x = 0: vi(0) =
= (0, 1), ¥2(0) = (1, 1). Assim, falha a conclusão do Lema 2. Contudo,
yi(x) e y 2(x) não são soluções de uma equação diferencial de forma (14-63)
em todo o intervalo (— °o). Toda dificuldade vem da descontinuidade
em x: = 1, onde o coeficiente de y", na equação como primeiramente dada,
é zero.
TEOREMA 6. Sob as hipóteses do Teorema 3, seja S o conjunto de
todas as soluções de (14-61) em J, seja ^ 0 conjunto de todas as soluções
da equação homogênea associada (14-63) em J, Então, S é não vazio e,
se yp é uma função em S,

§ = {yp + ífC}
Assim, S é uma variedade linear em com espaço base
DEMONSTRAÇÃO. O fato que S é não vazio decorre do Teorema 3
e o de que S é uma variedade linear resulta por Álgebra Linear (Teorema 20,
Seç. 9-13). Em particular, se L é como na Demonstração do Teorema 4,
então S é a imagem inversa de q{x) por L, L tem núcleo 2^, e portanto,
S = {yp +
EXEMPLO 3 y" — y = — 2 sen x, A equação homogênea associada é
y" — y — 0, como no Ex. 1. Sua solução geral é y = C\e^ + C2e'~^, Uma
solução particular da equação não homogênea dada é yp = sen x. Portan­
to, a solução geral é

y = sen x -I- c-^e^ -I- ^2^"^

Discussão. Uma base para ^ (isto é, um conjunto de soluções linear­


mente independentes yi(x) , ..., yn(x) para a equação homogênea associada),
é chamada de conjunto fundamental de soluções da equação homogênea.
A solução geral correspondente y = c\yi{x) + . .. + Cnyjpc) é chamada de
função complementar e abreviada como y fx ). Assim, a solução geral da
equação não homogênea (14-61) é yp{x) + ydx), isto é, uma solução par­
ticular mais a função complementar, A dificuldade essencial reside em en­
contrar-se um conjunto fundamental; existe realmente um número infinítn
1396 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

dêles. Para equações com coeficientes -constantes, é razoável mente simples


encontrar-se um conjunto fundamental; veja a Seç. 14-9 adiante. Quando
os coeficientes aj{x) em (14-61) não são constantes, pode ser excepcio­
nalmente difícil determinar-se um conjunto fundamental de soluções em
forma exata, e temos, freqüentemente, que recorrer a métodos numéricos
ou séries de potências (Seçs. 14-22 e 14-23 adiante). Uma vez conhecida a
função complementar, há um processo "standard” para encontrar-se uma
solução determinada yp{x) da equação não homogênea; veja a Seç. 14-7
adiante.

PROBLEMAS

1. Para cada uma das seguintes equações diferenciais, verifique se as funções dadas são
soluções, determine se elas são linearmente independentes e se formam uma base para
o conjunto 3 ^ de soluções:

(a) t/'" H- y' = 0; 1, COS x, sen x em ( —oo, oo).


(b) t/'" — 2t/" — 5t/' + 6^ = 0; em ( —oo, oo).
(c) + t/'" — 3i/" — í/' + 2t/ = 0; e~^ em(—oo, oo).
(d) x y ”' — y " = 0; 1, x, x^ em (0, oo).
(e) x^t/" -h 3xy' y = 0; x“^, x”^In x em (0, oo).
(f) x^y" + 4xt/' + 2í/ = 0; x“^ x~^ em(—oo, 0).
is) y ” ' — 4í/' = 0; em ( —00, oo).
(h) y” ' + t/' = 0; COS X, sen x em ( —oo, oo).
(1) y " ~ y = 0; cosh x, senh x em (—oo, oo).
(j) x^y" — 2xy' -|- 2y = 0; 2x^ — x, x^ -f- 2x, x^ em ( —oo, oo).

2. (a) Demonstre: se ^i(x) e y 2Íx) são soluções da equação y ' + a i{x)y + oçf,x)y = 0
em /, então seu wronskiano fV (x ) =« y i( x ) y ' 2 (x ) — y 2 Í x ) y \ { x ) satisfaz à equação
W '{ x ) + a i{ x )W (x ) = 0, de modo que

(’) W{x) = W(*o)e-

Conclua: se W tem um zero em J, então lV(x) = 0.


í(b) Demonstre: se I^(x) é o wronskiano de soluções y i( x ), . . ,,yn{x) de (14-63) em /.
então JV%x) + an-i(x)W(x) = 0, de modo que

W{x) =
Conclua: se W tem um zero em J, então lV(x) = 0. {Sugestão. Veja o Teorema 20
na Seç. 10-17.)

3. (a ). . . ( f ) . Verifique as regras (*) ou (**) do Probl. 2 para as equações e soluções


do Probl. l(a )...C f).
14-7. VARIAÇÃO DE PARÂMETROS 1397

4. Ache a solução geral;


(a) y '" y = X. [Sugestão, Veja o Probl. l(a); procure uma solução particular
de forma ax^ bx c.]

(b) y " y' = COS X , [Sugestão. Tente y p = a x cos x b x sen x.]

(c) x y '" — y ” = X, [Sugestão. Coloque u = y ' . ]


(d) x y ” ' — / ' . =

5. Ache tôdas as soluções e discuta os intervalos em que estão definidas:


(a) y = (b) y = ey.

6. Demonstre: se o o W, . . e q{x ) são contínuas no intervalo J, então cada so­


lução de (14-61) em J tem uma /i-ésima derivada contínua.

se X < 0 ,
se x > 0 .

Mostre que jf'i e y '2 são contínuas em ( — 00 , 00) e que vi(x) = (jiCx), j^'i(x)), V2(x) =
= (7 2 (-^), y ^ ix )) são linearmente dependentes para cada x fixado, mas são funções
vetoriais linearmente independentes em ( — 00, 00).

8. Dadas as funções . . . , yn (x) tendo derivadas de /z-ésima ordem num intervalo,


pode-se definir seu wronskiano por (14-66). Se W {x) não tem zeros, elas formam
um conjunto linearmente independente, (a) Mostre que as funções y = x q y = x^
são linearmente independentes em ( — «», 00), mas que seu wronskiano tem um zero
em X = 0. (b) Mostre que estas duas funções não podem ser soluções de uma equação
diferencial 7 " + p {x )y ' + q {x )y = 0 em (— 00 , 00), onde p ^ q são contínuas.

14-7. Variação de Parâmetros

Discutimos agora um método para determinar uma solução particular


yp de uma equação diferencial linear não homogênea

+ • • • + adx)y= q{x) (14-70)

admitindo que já conhecemos uma base para o espaço de soluções da


equação homogênea associada:

-I- -1- • • • -I- %{x)y = 0. (14-71)

Assim, admitimos que conhecemos a função complementar:

!/cW = Cií/iW + • • • + c„y„(x) (14-72)

Admitimos que a„_i(x), . . . , ao(x), q{x) são contínuas no intervalo / , de


modo que todos os teoremas da seção precedente se aplicam.
1398 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

O método de variação de parâmetros para achar-se yp baseia-se na


suposição de que podemos encontrar funções Ui(x),. . Un(x) tais que

!/p = t ^ i(x )y i(x ) + ••• + u „(x )y „(x ) (14-73)

seja uma solução de (14-70). Como desejamos determinar n funções, espe­


ramos impor n condições aos u/x). Naturalmente, uma destas condições
será a de que yp satisfaça a (14-70). Estamos livres para escolher as outras
condições de modo que nossos cálculos se simplifiquem. Como parte de
nossa dificuldade provém da resolução de equações diferenciais de ordem
mais alta do que um, escolheremos as condições restantes de modo a não
precisarmos nunca considerar relações que envolvam quaisquer para
k > 1. Da Eq. (14-73) obtemos

y'p = ^iV i + • • • + + • • • + <í/„.

Para garantia de que nenhum wy" apareça em cálculos posteriores, exigimos


que

“ í!/i + • • • + Kí/n = 0 em 7.
Temos então

y'p = “ lí/i + • • • + «„!/;»


e portanto.

y'p = «i?/i + • • • + «„!/„ + «iJ/i + • • • + u„y„‘

Como acima, exigimos que

“ Íí/Í + • • • + = 0 em /.

e obtemos
y'p = « l!/l + • ■• + « n !/n -

Continuando desta maneira, exigimos que

+ • • • + Ky^^'' = 0 em / para = 0,1,..., n - 2


e obtemos
!/p^’ = + ••• + para fc = 0 , 1 , . . . , n - 1.
.14-7. VARIAÇÃO DE PARÂMETROS 1399

Substituindo as últimas expressões em (14-70), obtemos

+ ••• + + ••• + + • • • + ao(*)yn] +


+ + ••• + = q{xy
Mas y i(x \ . . yn{x) são soluções da equação homogênea (14-71). Por­
tanto, a última equação reduz-se a

+ •• • +

Reunindo as condições que impusemos a wi, . . . , w„, vemos que procuramos


funções Ml,. .., Un tais que, em /,

+ <Vn = 0

(14-74)
te-2) + . . . + = 0

+ • • • + «n!/n

Já que ,Vi(x),.. ., yn(x) são uma base para 2^, seu wronskiano

Viix)
W{x) =
•••

não tem zeros em J. Mas podemos considerar (14-74) como n equações-


lineares nas n incógnitas Mi ', . . . , Un, e W(x) é o determinante dos coefi­
cientes. Portanto, podemos resolver as Eqs. (14-74) unicamente para mi',
,. .Un e obter

, Wiix)
/■= 1 , . . . , n, (14-75)
W(x) ’

onde fVj(x) difere de W(x) por ter 0, . . 0 , q(x) como sua y-ésima coluna.
As funções W(x) e W,(x) são contínuas, de modo que podemos integrar
as Eqs. (14-75) para obter «i(x),. . . , Un(x). Pela maneira com que foram
determinadas as Uj(x), a função (14-73) satisfaz a (14-70) em J. Como es­
tamos procurando apenas uma solução, escolhemos apenas uma integral
indefinida ao passar de cada u / para «y.
1400 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Observação. Se a equação diferencial estiver escrita na forma

flnWy'”’ + • • • + ao(‘^)y = q{x)

devemos então substituir q{x) por q{x)lan{x) em (14-74).

EXEMPLO 1 Ache uma solução particular da equação — y = q{x\


onde q{x) é contínua em [0, 1].

Solução. Podemos verificar fàcilmente que sen x, cos x, senh x, cosh x


são soluções da equação homogênea associada: y^^'^— y = 0. Seu wrons-
kiano é

senx cos X sen hx co shx

cos X —senx co sh x senhx


W{x) = =4
—senx — c o sx senhx co shx

—cos X senx co shx senhx

Portanto, yc = Ci sen x + C2 cos x + C3 senh x + C4 cosh x, e uma solução


particular será dada por
yp = u^&cnx -h t/gsenx -h u^scnhx -h cosh x.

Usamos (14-75) para encontrar os u /:

COS X senh x cosh x


«í = - -q{x) —senx coshx senhx = - jq {x) cos a:,
—cos X senh x cosh x

sen X senh x cosh x


«2 = cos X cosh X senh x
—sen X senh x cosh x

“3 = cosh a:, « ; = - |-qí(x)senha:.


Portanto,
r* —o(í) cos # f * o(í)sení
y p = s e n x j ------ ^------ dt + cos x j — ^-----d t-h
r “’ q(t) cosh t r* —o(í)senh# ,
+ senhx ------dt + coshx — ^ ------- d t=
dn 2 Jr. 2
14-8. SOLUÇÕES COM VALÔRES COMPLEXOS 1401

= -| J 9(f)[sen(í - x) - senh(f - x)] dt

é um a solução particular de — y = q{x).

14-8. Soluções com Valores Complexos de Equações Di­


ferenciais Lineares

Consideraremos aqui funções com Valores complexos de uma variável


real, isto é, funções da forma / (jc) = u{x) + ív(x), onde u{x) e v(x) têm va-
lôres reais. O cálculo pode ser estendido a tais funções pelas fórmulas

f'{x) = u'{x) -f iv\x) e J* f{x) dx = J u(x) dx + i J v{x) dx.

As regras conhecidas continuam a ser válidas. Se a e 6 são reais, define-se

^ia+ib)x _ ^ x ^ ib x _ gfl«(cOSfcx + iscnbx)

e verifica-se depois que


^^ia+ib)xy = (fl -|_ ih y a + ib )x

Para as demonstrações dêstes enunciados, enviamos o leitor à Seç. 5-8; veja


também a Seç. 8-23.
Agora, seja L[y] = + í Z n - i + . . . + ao(Jc)j como acima,
de modo que equação diferencial linear é a equação:

^.y] = 9(*)- (14-80)

Se permitirmos que úfo(x), . . . , a„_i(x) e q{x) sejam funções complexas de x,


então (14-80) torna-se uma equação diferencial linear complexa para a função
complexa y{x).

EXEMPLO 1 A equação

y" - 3iy' - 2y = 0 (14-81)

é uma equação linear complexa homogênea de segunda ordem.


Os teoremas da Seç. 14-6 estendem-se todos à equação complexa (14-80),
com essencialmente as mesmas demonstrações. Em tôdàs as considerações
de espaços vetoriais, devem-se usar espaços vetoriais complexos, isto é,
espaços vetoriais nos quais os escalares são complexos. Por exemplo, as
1402 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

soluções de (14-81) formam um espaço vetorial complexo bidimensional.


As funções e y 2{x) = são soluções e são linearmente inde­
pendentes, isto é, não existem escalares outros que não ci = 0, C2 = 0 para
os quais c\y\{x) + C2y 2{x) = 0 . O wronskiano é
^2ix
= 3^ i sen Sx)
le'''

e êste não tem zeros em (— oo, c»). Desta maneira, a solução geral do
(14-81) é y = cie^^ + onde ci e C2 são constantes complexas arbitrárias.
Na maior parte das aplicações, ocorrem equações nas quais ao(x), . . .
cin~i(x) e q(x) têm valores reais. Mas, em tais casos, muitas vêzes é conve­
niente considerá-las como funções complexas (que têm parte imaginária 0).
Podemos então discutir a solução complexa geral de tal equação real. Das
soluções complexas podem ser então recuperadas as soluções reais (como
aquelas soluções complexas que têm parte imaginária 0).
EXEMPLO 2 y" y = 0. As funções e são soluções e formam
uma base para as soluções complexas, como se verifica. A solução com­
plexa geral é

y - = («1 + + (ag +

onde a i, jSi, 0:2, ^2 são constantes arbitrárias reais. Procuramos a solução


com parte imaginária 0:

y = (a^ i^^){cos X + isQnx) -f (0:2 + ^ ~ ^senx) =


= («j + «2) COS X -h (/^2 “ /^i) scnx -h i[(a^ — a^JsQnx -(- -h /3^) cos x].

A parte imaginária é o 0 quando a 2 = oíi, ^2 = — jSi, de modo que as so­


luções reais são dadas por

y = 2a^ cos x — 2y^jsenx = cos x + C2 scnx^

onde Cl e C2 são constantes reais arbitrárias.


Podíamos ter também raciocinado que outra base para as soluções
complexas é dada por

cos X + g- —e
= ------ —— sen X =
2 2i

De iato, estas combinações lineares de geram o mesmo espaço ve­


torial que A solução complexa geral é então cic o sx + C2 senx;
isto é real precisamente quando Ci e C2 são reais.
PROBLEMAS 1403

Finalmente, podemos raciocinar em geral: se u{x) + iv{x) é uma so­


lução de uma equação real (14-80), então

L[u -1- iv\ = L[w] -1- iL[v] = q(x).

Portanto, L[ü\ = q{x\ L[v] = 0. Assim, a solução complexa dá uma


solução real da equação dada e uma solução real da equação homogênea
associada. Se q{x) fôr 0, m e v são ambas soluções da equaçãohomogênea:
Isto é ilustrado pelo Ex. 2 com u{x) + /v(x) = = cos x i sen x. Tanto
cos X como sen x são soluções reais de y" + y = 0.

PROBLEMAS

1. A che a solução geral (real) com o auxílio da função complementar dada:

(a) y " - 4 y = y, = -h
(b) y " y = cos x, y^ = c o s x + CgSenx.
(c) y " -h 3 y' + 2y = y, = c^e~^ -H

(d) y " -h 2 y' + 2 t/ = y^ = c^e~^ c o s x -|- C2 e" ^ se n x .

(e) y"' + y' = ^ .y c = Ci + cos x -i- c^sonx.


(f) y " ' + í/' = í/c = Cl + C2 cos X -h Cgsenx.
(g) ^ y " - 3xí/" + 3y = X, y^ = c^x + C2X^ x > 0.
(h) x^y" - 3 x y ' + 3t/ = 1 /x , y^ = c^x + C2 X^, x > 0 .

2. Mostre que as funções dadas formam uma base para o conjunto 3 ^ de tôdas as soluções
complexas:
(a) y " + 4y = 0; í/i = y^ =
(b) y " + 4 y = 0; t/i = cos 2x, t/2 = S é n 2 x .
(c) t/" + 2t/' -I- 2í/ = 0; 1/2 =
(d) t/" -h 2 í/' -I- 2t/ = 0; t/i = e~^ cos x, 1/2 = e“^ sen x .
(e) y' iy = 0; y^ =

(f) (1 — ix )y " — xy' + í/ = 0; í/i = X, t/2 = [ e m ( — 00, 00)],

3. Dem onstre: se a o (x \ . . On^iix) tem valores reais c y = u(x) + /V(x) é uma solução
de L [y] = 0, então ii{x) — iv{x) também é uma solução.

14-9. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas com


Coeficientes Constantes

Consideramos a equação diferencial


Or.?/'”' + + CoV = 0 (1 4 -9 0 )
1404 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

na qual Gq, • • são constantes e 0. Podemos dividir por Qn para


tornar o coeficiente de igual a 1, mas isso não é essencial para a discussão
que se segue. Os teoremas da Seç. 14-6 aplicam-se a (14-90) para o inter­
valo J: (— oo, co) e nos garantem que as soluções de (14-90) formam um
espaço vetorial de dimensão n. Nosso problema é achar uma base
para 3^.
Para a maior parte desta seção, podemos considerar (14-90) ou como
uma equação diferencial linear complexa ou como uma equação diferencial
linear real, e não precisamos especificar qual caso se tem em vista. Para
certos pontos especiais, existe uma diferença entre os dois casos; notaremos
a diferença onde ela surgir.
Introduzimos o símbolo D para a derivada djdx e consideramos D como
uma transformação linear no espaço vetorial 6^°°^ de funções definidas em
( — o o , o o ) tendo derivadas de tôdas as ordens. Como na Seç. 9-20, podemos
formar potências de D tais como D- (a segunda derivada) e (a terceira
derivada). Podemos também formar polinómios em D tais como 3/)^ —
— 5 Z ) + ’l; aqui, 1 representa a transformação identidade I. Cada um
dêstes polinómios é também uma transformação linear no espaço vetorial
Por exemplo,

(3D2 - 5D + l)í/ = 3í/" - 5t/' -h 1/

para cada função y{x) em Se PÇK) é um polinómio em X, então indi­


camos por P{D) a transformação linear obtida substituindo X por D. Por
exemplo, se P(X) = 3X^ — 5X + 1, então P{D) é a transformação linear
3/)^ — 5D + 1. Mostra-se, na Seç. 9-20, que os polinómios em D podem
ser somados e multiplicados como na Álgebra comum. Por exemplo,
— 4 = (£) -f 2){D — 2) onde, por exemplo, 4 está no lugar de 4/.
Nossa equação diferencial (14-90) pode ser agora escrita como

(a J T + • • • H- a^D -f- aç^)ij — 0 (14-90')


ou como

P{D)y = 0 (14-90")

onde
F(A) = í/^,X" + • • • -h «()• (14-91)

Chamamos P(X) de polinómio característico associado à equação diferencial


(14-90). A equação P{\) = 0:
14-9. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES HOMOGÊNEAS 1405

+ . . . + ao = 0 (14-92)
é chamada de equação característica associada a (14-90); suas raízes, os
zeros de -P(X), são chamadas de raízes características da Eq. (14-90).
Ora, pela Álgebra, a Eq. (14-92) tem n raízes complexas Xi, . . . , Xn,
algumas das quais podem coincidir, e existe uma correspondente fatoração
de P(X):
P(X) = a,(X - Xi)(A - X2) . . . (A - XJ.
Então, também
P(P) = a , ( p - A,)(D - A2) . . . (D - AJ.

Portanto, a Eq. (14-90) pode ser escrita:


a , ( D- Ai ) . . . ( D - A J t / = 0. (14-90'")
Notamos a seguinte identidade útil, chamada de deslocamento expo­
nencial :

P{D){e^^y) = e^^P{D + a)y. (14-93)

Aqui, a é uma constante. Por exemplo,

(D2 - l){e^^y) = e^^[{D -h 3)^ - l]y = H- 6D -h S)y.

Verificamos à correção desta relação escrevendo

(D^ — l){e^^y) = D^(e^^y) — e^^y = D[D{e^^y)] — e^^y =


= Dy -(- Se^^^y) — é'^‘^y =
= e^^D-y 4- -h ^)e^^y
Dy - e^^y=
= e'^^{Dhy + 6D7 -h 87).

Outra forma do deslocamento exponencial é a seguinte:

ef^'^P{D)y = F(D - (14-93')

As demonstrações destas identidades são deixadas para os exercícios


(Probl. 13 adiante).
Agora, seja Xi uma raiz característica de multiplicidade fc. Então,
P{D) = Q(D){D — Xl)^ onde 0(X) é um polinómio de grau n — k. Por
(14-93),
l\D )i, + A|i» = c>"'\XD + A,)/>■(/.

Então, se w é escolhido de modo que D^u = 0, então y = e^^^u é uma


solução de P(D)y = 0. Mas D^u = 0 para todo polinómio de grau no
1406 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

máximo k — 1:

u = bQ-{-b^x • • • -f-
Então,
y = e^^^{bQ b^x -j- • • • +

é uma solução de P(D)y = 0 para qualquer escolha das constantes bo, ..


bk~i- Em particular, as funções

(14-94)

são soluções de P(D)y = 0. Continuamos desta maneira para cada raiz


característica. Cada raiz de multiplicidade k leva a k soluções como em
(14-94), e ao todo obtemos n soluções diferentes yi(x), . . . , yn(x) da equação
diferencial. Mostraremos na próxima seção que estas n soluções são li­
nearmente independentes em (— oo, oo), de modo que elas formam uma
base para
EXEMPLO 1 D^(D — l)KD + 3yy = 0. Aqui, demos a equação dife­
rencial em "forma fatorada” . Se multiplicarmos, obteremos a equação

(D^ + 7D^ -f- lOD^ - 18D4 - 27D3 + 27D^)y = 0


ou
yi7) 7y(6) ^ - 27y"' -h 27y" = 0.

A equação característica é X^(X — 1)2(X + 3)^ = 0, as raízes características


são 0, 0, 1, 1, — 3, — 3 , - 3 . Portanto, a solução geral é

y = -h €2X6^^ -h -I- c^xe^ + -h CQxe~^^ -f

ou, mais simplesmente,

y = + C2X + c^x) -f CqX + c^x^),

EXEMPLO 2 -f 4>^ = 0 ou (D^ + 4)y = 0. A equação característica


é X^ + 4 = 0, as raízes características são 2/, — 2i. Portanto, é natural
que se forme primeiramente a solução complexa geral

y = (ci, C2 constantes complexas arbitrárias).

Contudo, como a equação diferencial tem coeficientes reais, estamos também


interessados nas soluções reais. Como assinalamos na Seç. 14-8, quando
14-9. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES HOMOGÊNEAS 1407

u{x) + /v(:v) é uma solução complexa de uma equação homogênea com coe­
ficientes reais, tanto u{x) quanto v(x) são soluções reais. Aqui, = cos
I x + i sen 2x é uma solução complexa; por conseguinte, tanto cos 2x como
sen 2x são soluções reais. Elas são linearmente independentes já que seu
wronskiano é

cos 2x sen 2x
= 2.
—2 sen2x 2 cos2ac

Logo, a solução real geral é

y = Cl cos 2jc + C2 sen 2x (ci, C2 constantes reais arbitrárias).

A mesma conclusão pode ser deduzida de outras maneiras, como é mostrado


na Seç. 14-8.
EXEMPLO 3 2y+2^ = 0. A equação característica é — 2X + 2 = 0.
as raízes características são 1 ± /, a solução complexa geral é

y = -I- €26^^ (ci, C2 complexas).


Já que
^(i+i)x _ ^x^ix _ ^ _|_ f senx) = cos x -h í^^senx,

e ^c o sx c e^scn x são soluções reais; verificamos que elas são linearmente


independentes, e portanto, que

y = cos X -h senx (c^, C2 reais)

é a solução geral.
EXEMPLO 4 (D^ — 1)(Z)2 + 4D -t- 5)^;; = 0. As raízes características são
1, — 1, — 2, ± /, — 2 ± /. Procuramos apenas a solução real geral. Já
que são soluções complexas, obtemos as soluções reais
correspondentes cos x, sen x, xe"^^ cos x, sen x. Estas, juntas
com e formam uma base para as soluções reais. A solução real geral é

y = c-^e^ + ^2^"^ “b + ^4^) cos X -h (cg -h Cgx)senx].

Resumimos os procedimentos para encontrar soluções reais de uma


equação real homogênea com coeficientes reais: a cada raiz característica
real X de multiplicidade k associam-se as k funções xe^^,. . . ,
As raízes complexas virão sempre em pares conjugados de multiplicidades
iguais. Se o:db//5 é um par de raízes complexas de multiplicidade k, asso­
ciam-se então as 2k funções
1408 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

COS sen^x, xé^^ cos ^x, xé^^ sen ^x,


..., COS ^x, sen/^x.
Ao todo, n funções >^i(;c),. . yn{x) são associadas e a solução real geral é

y = í^ií/iW + • • • + c^í/n(4

:{:14-10. Independência Linear de Soluções da Equação


Linear Homogênea com Coeficientes Constantes

Desejamos demonstrar que os métodos das seções precedentes dão-nos


sempre uma base para o conjunto 3^ de soluções da equação linear homo­
gênea com coeficientes constantes (14-90).
TEOREMA 7. Para cada conjunto de constantes distintas Xi,. . e
inteiros positivos k\, . . kmy com k\ + km = n, as n funções

..., ..., ..., (14-100)

são funções linearmente independentes em e ( “ )(— o», <»).


DEMONSTRAÇAO. Sejam Ci, . , ,,Cn constantes tais que

c.e',Xia? -h = 0 em (—oo, oo)

Podemos escrever esta equação como

e^^^pj^x) + • • • -f- e^^^pjx) = 0i (14-101)

onde p i{x \ , . pm{x) são polinómios. Afirmamos que (14-101) implica


pi{x) = 0 , . . ,,Pm{x) = 0, e portanto, Ci = 0 , . . . , = 0, de modo que as
n funções do teorema são linearmente independentes.
Demonstramos nossa afirmativa por indução. Para m == 1, (14-101)
torna-se e'^^^ pi{x) = 0, o que implica p\{x) = 0, como afirmado. Supo­
nhamos que a afirmativa tenha sido demonstrada para m ~ N q então consi­
deremos o caso m = N + \, Temos que

+ ••• + = 0. (14-101')

Multiplicamos por para obter a equação

+ ••• + + Pat+i W = 0, (14-102)

onde jUi = X; — \ n+u • • .,P n = Xat— X^r+i. Derivamos (14-102) kN+i vêzes.
14-10. INDEPENDÊNCIA LINEAR DE SOLUÇÕES 1409

Notamos que

D[e>‘i%{x)] = + iij)pj{x) = + HjPj{x)]

pelo deslocamento exponencial (14-93). Como py = Xy — ^ 0 para


/ - 1 ,.. A^, nosso resultado é da forma e^^^qj{x) onde qj{x) é do mesmo
grau que Pj{x). Portanto, derivar-se kNn vêzes não tem nenhum efeito
nos graus dos polinómios em (14-102), exceto para o último têrmo (êsse
têrmo é um polinómio de grau Un+i — 1 e sua fcy+i-ésima derivada é zero).
Portanto, depois de derivarmos vêzes, temos uma equação da forma:

-f • • • + = 0.

Pela hipótese da indução, resulta que qi(x) = 0 , . . . , qN(x) = 0. Como os q


têm o mesmo grau que os p correspondentes, concluímos que pi{x) = 0 , . .
Pn {x ) = 0, e portanto, por (14-101') também Pn ^i {x) = 0. Portanto, a
indução é completa e o teorema está demonstrado.

Observação. A demonstração dada é válida em ambos os casos, real


e complexo. Para o caso complexo, deve ser notado que

^{a+ifi)x _ px i ^tn^x)

não tem zeros em (— oo, oo), pois em um zero teríamos tanto cos j8x = 0
como senj3x = 0, o que é impossível já que cos^jSx + sen^jSx = 1.

TEOREMA 8. No Teorema 7, seja 2s < n e seja \ i = a i +


X2 = a i — 0ii, . .., X2.-1 = as + psi, X2a = as — psi e sejam \ 2s+u • . X,«
reais. Então, as n funções reais

cosP^x, e^^^SGu/i^x,. . . , cosP^x, V^^sen^^x,

COS P^x, sen/?^x,. . . , cos P^x, sen^S^x, (14-103)


0^2s+l^

são linearmente independentes em (— 00, c»).

DEMONSTRAÇAO. Consideramos primeiro o caso dos coeficientes


complexos. Basta-nos apenas demonstrar que as n funções (14-103) geram
o mesmo subespaço do espaço vetorial complexo que aquêle gerado
pelas funções (14-100). Agora,
^^(«-1-/3i)a? ^ c o S ) 3 x -h ÍX^e“ ® 'SeniS x,

_ ^^x _ io^ef^^%tnPx
1410 EQUAÇÕES DIFElfiNCIAIS ORDINARIAS CAP. 14

fj%x _f3%x "I *1


COS fix = -----= 4-
2 2 2
^ptX I ^—plX 1 1
---- — ----- = _ J^jjeiot-ip)x.
2i 2i 2i
Vemos assim, que as funções de cada conjunto são exprimíveis como uma
combinação linear das funções do outro conjunto. Portanto, ambos os
conjuntos geram o mesmo subespaço e as n funções (14-103) são linearmente
independentes em relação aos coeficientes complexos. Mas isto implica
que são linearmente independentes em relação aos coeficientes reais (Probl. 4
adiante). Portanto, fica provado o teorema.
Observações. Questões relacionadas com esta seção são discutidas na
Seç. 5-11.

14-11. Equações Diferenciais Lineares não Homogêneas


com Coeficientes Constantes

Consideramos a equação

+ • • • + Oo?/ = (14-110)

onde flo, .. são constantes, ãn 0 e q(x) é contínua num intervalo J,


A solução geral em / é dada por

y = Ciyiix) + ■■• + c„y„{x) + ypix) = y^{x) -I- yp(x),


onde ydx) é a solução geral da equação homogênea associada e yp{x) é uma
solução particular de (14-110). Como a equação tem coeficientes constantes,
podemos determinar ydx), como na Seç. 14-9; a solução gerál em (— oo, oo)
como encontrada naquela seção nos dá também a solução geral no inter­
valo 7. Tendo achado jc(^), podemos então achar yp(x) por variação de
parâmetros como na Seç. 14-7.
EXEMPLO (D ^ — l)y = Para a equação homogênea associada, fà-
cilmente obtemos a solução geral y = Cie^ + C2e~^, Para obter a solução
particular colocamos

yp =

Então, o método da Seç. 14-7 leva-nos às equações


14-11. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES NÃO HOMOGÊNEAS 1411

v',e^ + V2e~^ = 0,
=
Resolvemos para encontrar vi' = ^2' = — e portanto, podemos
tomar Vi(x) = e^^l4, V2(jc) = — de modo que

o3ar c3x
v * ) = í- - Y = V
A solução geral [em (— 00, 00)] é
y = + C2e ~ ^ -h ( ^ V 8 ) ,

Por causa da importância de equações da forma (14-110) em aplicações,


vários outros métodos para achar soluções particulares foram desenvolvidos.
Alguns dêles vão ilustrados a seguir. Notamos que podemos escrever (14-110)
como antes, na forma L[y] = q, onde L é uma transformação linear. Por­
tanto, se L[fi{x)] = qi{x) e L[f 2{x)] = qi{x), então

L[Cifi + C 2 /2 ] = + C 292 *

Desta maneira, para encontrar uma solução particular yp de L[y] ^ q =


= c\qi + C2^2, podemos encontrar soluções particulares /i, /2 de L[f\] = q\
e L [/ 2] = ^2 e então tomar yp(x) = Cifx(x) + C2 f 2 (x). Este processo é
algumas vêzes chamado de princípio da superposição.
Método dos Coeficientes a Determinar. Para encontrar uma solução
particular yp de P{D)y = q{x) com q{x) = ^^^r(jc), onde r{x) é um polinómio
de grau m, raciocina-se que q{x) é, ela própria, uma solução de uma equação
Q{D)y = 0, onde Q{D) = {D — Ent ão, se P{D)yp — q{x)^ então

Ç{D)P(D)y^ = Q(D)q(x) = 0.

Portanto, yp é uma solução da equação linear homogênea Q(D)P(D)y = 0.


A solução geral desta equação é formada de duas partes: a primeira parte
é a solução geral de P(D)y = 0; a segunda parte é formada de têrmos extras
por causa do fator Q{D), Ao procurarmos yp, podemos ignorar a primeira
parte, já que ela é simplesmente >^c(^) para P(D)y = 0; a segunda parte
oferece uma expressão para yp com certos coeficientes a serem determinados.
Por exemplo, para a equação

(D - 1)(D + 2)^y = - 1),

tomamos Q(D) = (D — 1)^ já que e^(x^— 1) é uma solução de (Z>— ly y = 0.


1412 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

A solução geral de

iP - l ) \ D + 2)2y = 0

é y = \c\e^ + C2e'~^^ + czxe~'^^] + [kixe^ + k 2X^e^ + kzx^e^], A primeira


parte é ydx) e deve ser ignorada. Substituímos = kixe^ k 2X^e^ + kzx^e^
na equação dada para determinar k\, k 2 e kz. Depois da substituição ob­
temos

+ (36^3 + lSk^)xe^ + (6*3 + 12^2 + ^K)e^ = e%x^ - 1),

Comparamos coeficientes de x V , e (por quê?) e encontramos que


21kz = 1) '^^kz ISkz — 0, 6kz “h \2k2 “i~ ^k\ = — 1. Portanto, k = —
— 1/27, At2 = — I j l l , kz = 1/27 e

?/p = (eV 27)(-x - 2x2 + ^3)^

Aplicação do Deslocamento Exponencial. Ilustramos procedimentos que


simplificam o método dos coeficientes a determinar. Para a equação
{D — 1)(D + l^yy = e^ix’^ — 1) considerada acima, multiplicamos por e
usamos o deslocamento exponencial:

e~\D - 1){D + 2)2j/ = x2 - 1, D{D + ^)\e~^y) = x^ - l .

Fazemos u = e procuramos u de modo que D(D + = x^ — 1 ou


(D + 3y(Du) = x ^ — 1. Colocamos v = Du e procuramos v de modo que
(D + 3)^v = x^ — 1 ou v" + 6v' + 9v = — 1. Podemos encontrar uma
solução que seja um polinómio de grau 2: v = ki + kzx + kzx^ (coefi­
cientes a determinar). Achamos ki = — 1/27, kz = — 4/27, kz = \j9.
Tendo encontrado v = Du, obtemos u por integração e então y = e^u.

Método de Fatoração. Para encontrar uma solução particular da equa­


ção P{D)y = q{x), podemos fatorar P{D) em fatores de primeiro grau em D
e fazer substituições correspondentes para obter um conjunto de equações
diferenciais lineares de primeira ordem, que podem ser resolvidas, por sua
vez, como na Seç. 14-5. Por exemplo, para a equação {D — 1)(D — 2)y =
colocamos (Z> — 2)y = w e {D — \)u = (ou u' — u = e^), O método da
Seç. 14-5 dá u = e^(x + c). Desprezamos o c e tomamos u = xe^. Então,
(Z> — 2)y = xe^ ou y' — 2y = xe^ é resolvida semelhantemente para dar
y = — xe^ — e^; aqui, o segundo têrmo está incluído em y^x) e pode ser
desprezado. Portanto, obtemos y^{x) = — xe^.
PROBLEMAS 1413

PROBLEMAS

1. Ache a solução real geral:

(a) (D2 - 9) = 0 (b) (I>3 - 4D - 5)!/ = 0.


(c) (D2 - 4D + 4)t/ = C (d) (D2 + 16)y = 0.
(e) D2(D2 + 4)(/ = 0 (f) {D - 1)3(D2 + 2D + 5)1/ = 0.
(g) (D3 - D2 - D + l)y = 0 (h) (D® - 1)®!/ = 0.
(i) (D"-8)«/ = 0 (]•) !/<^> - 5i/" + 4y = 0.
(k) t/«> - 6</" + 4y = 0 (1) !/<«>-i/<3> = 0.

2. Ache a solução real geral:

(a) (D2 - 9)1/ = (b) (D® - 9)1/ = X - 2.


(c) (D2 _ 9)!/ = ^3" (d) (D® - 9)1/ = xV <
(e) !/"' - y " - y ' + y = X + 1 (f) (D® + D2 - D - l)y = X .+ e*
(g) y " - 2 y ' + y = ^ (h) y" + 9y = COS 2x.
(i) y" + 9y=sen2x (j) y " + 9;/ = COS3x.
(k) y" + 9y =sen3* (1) y" + 9y = xsen3x.

3. Ache a solução que satisfaça às condições iniciais dadas:


(a) y'" - y " - y + y = 0 - y(0) = 1. y'(0) = y"(0) ^ 0.
(b) y " _ 2 y ' + 1/ = 0; y(0) = 0. y'(0) = 1.
(c) (D^ — 9)í/ = t/ = 1 e t/' = Oparax = 0.
(d) (D^ + 9)y = se n 2 x ; i/ = 0 e y ' = Oparax = 0.
(e) í/"' + 7t/" + í/ = 0; í/ = 0, t/' = 0, t/" = Oparax = 0. [Sugestão. Ache uma
maneira fácil!]

4. Demonstre: se / i , . . .,fm são funções de valor real no intervalo J que são linearmenie
independentes para escalares complexos, então elas são linearmente independentes
para escalares reais.

5. Demonstre: se u(x) + iv(x) é uma solução complexa de uma equação diferencial líneai
com coeficientes reais L [y] = q{x), onde ^(x) tem valor complexo, então L[u] = Re(<?(x))
e L[v] — Im(^(x)). Portanto, para achar uma solução de L [y\ = ^^co s/8 x ou
sen )3x, pode-se encontrar primeiro uma solução particular y^ de L[y] = e
depois tomar partes reais e imaginárias, respectivamente.

6. Seja dada uma equação diferencial linear P{D)y = q.

(a) Mostre que sc q = c F (a ) ^ 0, então uma solução particular é e^^lP (á ).

(b) Mostre que se q — eP^ cos ffx, P{D) tem coeficientes reais e P(a + fii) 7 ^ 0, então
uma solução particular é + /3/)j (veja o Probl. 5).
(c) Mostre que se çr = e®* sen ffx, P(D) tem çoeficientes reais e P (a + ffi) 7 ^ 0, então
uma solução particular é Im[e(“+/3‘> /P (a + /3/)].
1414 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

7. Aplique os resultados do Probl. 6 para obter uma solução particular:

(a) (D^ + 8)!/ = (b) (D2 + '6D -h 9)1/ =


(c) (D^ — 4) í/ = cos 3x (d) (D^ —4)^ = sen.’3x.
(e) (D^ + 3 D + 1) í/ = COS 2 x (f) (D2 4- 3D + l)í/ = ^^sen2x.

8. ( a ) . . .0) Aplique o m étodo dos coeficientes a determinar para achar y p para as partes
( a ) , . . ( 1 ) do Probl. 2. O deslocamento exponencial será de utilidade em alguns
casos. Para as partes ( g ) , . . . , (i) deve-se primeiro resolver com a função ade­
quada na direita, com o no Probl. 5.

9. ( a ) . . . (f) Aplique o m étodo dos coeficientes a determinar para achar y p (x ) para as


partes ( a ) , . . . , (f) do Probl. 7. Pode-se usar aqui a superposição e os resultados
do Probl. 5.

10. Aplique o m étodo da fatoração para achar y p para as partes ( a ) , . . . » 0 ) do Probl. 2.

11. U se os resultados dos problemas anteriores para achar uma solução particular:

(a) (D ^ — 9 ) i/ = -h (b) (D ^ + 9 ) í/ = 5 cos 2x + se n 3 x .

Í12. (a) Aplique o m étodo da fatoração e indução para demonstrar que a solução geral
da equação P (D )y = 0 é dada pela expressão + . . . , de acordo com as
regras da Seç. 14-9. Verifique Jsto primeiro para /i = 1, depois suponha que
isso foi demonstrado para equações de ordem n e escreva a equação de ordem
« + 1 com o (D — X i ) . . . (D — {D — Xn+i) y = 0, Agora coloque (D — Xn+i)
y = u,ÚQ m odo que (D — Xi) . . . ( £ ) — \n )u = 0 e conhecemos a expressão para u.
Ache y da equação y ' — Xn+i y = u e mostre que ela tem a forma enunciada.
(b) Mostre também por indução, com o na parte (a), que a equação P (D )y = 0 tem
uma solução única que satisfaz às condições iniciais X-^o) = 3^0,
N ote que dos valôres iniciais ><jco), . . . , y ^ x o ) são obtidos os valores iniciais
« “- ‘(ato), onde (D - X„+i)>' = u.
O bservação. Os resultados do Probl. 12 fornecem uma nova demonstração do
Teorema da Existência, o Teorema 3 da Seç. 14-6, para equações diferenciais li­
neares homogêneas com coeficientes constantes. Os métodos descritos também
se estendem à equação não homogênea.

13. Demonstre por indução que = e^% D + a T y e, por conseguinte, demonstre


(14-93). Demonstre (14-93') a partir de (14-93).

14-12. Aplicações de Equações Diferenciais Lineares

Na Seç. 14-5 ilustramos como as equações diferenciais lineares de pri­


meira ordem são usadas para representar o comportamento de sistemas
físicos. Estendemos agora a discussão às equações lineares de ordem mais
alta. Acentuaremos o caso de equações com coeficientes constantes. A
maioria das idéias generaliza-se para equações com coeficientes variáveis.
14.12.. APLICAÇÕES DE EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES 1415

Existem muitos sistemas que são descritos por uma equação diferencial
linear homogênea de ordem n com coeficientes reais constantes:

+ + OqX = 0. (14-120)

Aqui, X é uma função do tempo t, mais comumente considerada jio intervalo


(— 00 , 00) ou no intervalo [0, c») (/ = 0 sendo o instante inicial para um
processo continuado indefinidamente). O valor de x pode ser uma coorde­
nada de uma partícula ou de um ponto de referência num corpo rígido; êle
pode ser uma voltagem ou uma corrente ou qualquer outra grandeza elétri­
ca; pode ser uma temperatura; pode indicar uma variável-chave rium pro­
cesso biológico ou econômico.
A Eq. (14-120) tem uma solução bastante simples: = 0 para todo t.
Chamamos a isto de solução zero. Em aplicações na Mecânica, chamamos
jjc = 0 de posição de equilíbrio do sistema mecânico. (Em geral, uma posição
de equilíbrio de um sistema mecânico é aquela em que todas as fôrças são
nulas, de modo que, se não perturbado, o sistema pode permanecer em
repouso eterno nessa posição.) Um exemplo é fornecido pelo movimento
de um pêndulo (Fig. 14-14). Aqui, Ô é üma coordenada angular que mede

Fig. 14-14. Pêndulo simples

o deslocamento do pêndulo da posição vertical. Para pequenas oscilações


(| 0| permanecendo perto de 0), o movimento é governado pela equação

mL -h mgO = 0 (14-121)

(Probl. 3 adiante). Aqui, a solução zero d = 0 corresponde à permanência


do pêndulo na posição vertical.
1416 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

A solução zero x = 0 de (14-120) é denominada estável"^ se cada solução


de (14-120) se aproxima de 0 para /*-> oo, ou, em outras palavras, se cada
solução de (14-120) fôr um transiente. Quando a solução zero, é estável
dizemos também que x = 0 é um ponto de equilíbrio estável.
Agora, para a Eq. (14-121), as soluções são dadas por

= Cj COS Pt + C2sen^í, P = (14-122)

Aqui, as soluções são geralmente não transientes e o equilíbrio não é estável.


Contudo, as soluções (14-122) têm a propriedade de ser limitadas: 1^(01 <
< k = constante. Quando as soluções têm esta propriedade, dizemos que
a posição de equilíbrio é neutramente estável. Se se levar em conta o atrito,
então a Eq. (14-121) é substituída por

m L — ^ -h m n —— h mg^ = 0, (14-1210
dt^ dt
onde h é uma constante positiva. Se A é muito pequeno, de modo que
h} < 4gL, as soluções de (14-121') são dadas por

6= COS Pt -h CgSenySf)^ (14-1220


onde
h V4gL —
a = — P =
2L’ 2L

Agora, |cosjS/| < 1 e |senj8í| < 1, de modo que

I^WI < e“‘(|ci| + IC2I)

e í"* —> 0 quando / 00, já que a = — hl(2L) < 0. Portanto, para a


equação mais realística (14-121'), a solução zero 0 = 0 é estável. Se se
experimenta com um pêndulo (um simples pêso pendurado por um cordel),
observa-se que cada movimento diminui com o decorrer do tempo. Po­
demos tentar reduzir o atrito a um mínimo, e assim, baixar a taxa de dimi­
nuição das oscilações. Contudo, descobrimos que não podemos eliminar
completamente o atrito; se pudéssemos, poderíamos conseguir a solução
(14-122) e ter uma máquina de moto contínuo!

*. O conceito de estabilidade é tratado aqui de forma simplificada. Para um trata­


mento completo, remetemos a textos avançados de equações diferenciais.
14-12. APLICAÇÕES DE EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES 1417

Pode-se também considerar o movimento de um pêndulo próximo à


posição õm que o balanço se encontre diretamente acima do ponto de apoio
(0 = 7T na Fig. 14-14). Podemos introduzir uma nova coordenada angular di
relativa a esta posição (por exemplo, di = 9 — tt) e obter uma equação
diferencial como (14-121) para o movimento nas proximidades de 6i = 0:

- mg^i = 0 (14-121")

(Probl. 3 adiante). Aqui, as soluções são

0^ =z + ' ^ 2^ -pt (14-122")

Assim, exceto para as soluções que tenham Ci = 0, cada solução 9i desvia-se


mais e mais de 0 para t grande (teoricamente aproximando-se de oo quando
í —^ 00). O equilíbrio é evidentemente não estável e nem mesmo neutra­
mente estável. A introdução do atrito não afeta a forma das soluções
[Probl. 3(c) adiante], e portanto, não propicia estabilidade. Se experi­
mentarmos (usando uma haste ao invés de um cordel), convencer-nos-emos
imediatamente de que a posição superior de equilíbrio do balanço é instável.
As soluções com Ci = 0 correspondem a movimentos com exatamente a
velocidade inicial correta, de modo que nos aproximamos gradualmente da
posição vertical (o mínimo êrro nos forçará a acelerar ou a travar, de modo
que êste movimento não pode ser fisicamente realizado).
Fazemos agora a pergunta geral: Quando a solução zero de (14-120)
é estável? A resposta é muito simples: A solução zero de (14-120) é estável
precisamente quando toda raiz característica é ou um número real negativo
ou um número complexo com parte real negativa.
De fato, X < 0 implica que e ^ —>0 quando r —> « e também que, para
todo inteiro positivo k, t^e^^ 0 quando /--> oo ; para \ = a + i0, a < 0
implica que ^ «c o sj 9/ -^ 0 e ^^senjS/~»0 e, em geral, cos 0 e
t^e^^ sen^ t —^0 quando / . Por outro lado, se X > 0, então nem e^
nem t^e^^ têm limite 0 quando / —> » . Anàlogamente, para X = a + /j8
com a > 0, nenhum dentre cos/3r, sen/3r, t^e*^ cosj3r, senj9í tem
limite 0 quando r —> oo. As demonstrações ficam para o Probl. 4 adiante.

EXEMPLO 1 3x" + 2x' + 9x = 0. As raízes características são (— 1 ±


z t \ / — 26)/3 = a i t ^ i com a = — J. Então, a solução zero é estável.
O exemplo sugere que para toda equação diferencial de ségunda ordem
ax" -\- bx' cx = 0 com a > 0, a solução zero é estável precisamente
1418 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

quando è > 0 e c > 0. Esta conjectura é fàcilmente verificada como sendo


verdadeira [Probl. 2(a) adiante].
EXEMPLO 2 a:'" + 3:v" + 4x' + 32x = 0. A equação característica é

\3 + 3A2 -h 4A -h 32 = 0 ou (X + 4)(X2 - X + 8) = 0,

As raízes são — 4 e fl db \ / — 31)/2 = a + |8/ com a = §. Portanto, a


solução zero não é estável. Êste exemplo ilustra que, para uma equação
de terceira ordem, a positividade dos coeficientes não assegura estabilidade
[Probl; 2(b) adiante].
Em geral, a averiguação da estabilidade da solução zero de (14-120)
nos leva a um problema de Álgebra: determinar se todas as raízes de uma
equação algébrica têm partes reais negativas. Êste problema tem sido estu­
dado intensamente e têm sido estabelecidos unia grande variedade de critérios
(veja, por exemplo, o Cap. XV de Theory o f Matrices, Vol. II, por Gant-
macher, Chelsea Pub. Co., *N. Y., 1959).
Entrada e Resposta. A equação não homogênea

Hr
n A. (14-123)

à qual a Eq. (14-120) é associada, tem também muitas aplicações físicas.


Muitas destas dizem respeito a sistemas de controle e podem ser discutidas
em função de entrada e resposta (ou saída) como na Seç. 14-5. O membro
do lado direito q{t) é a entrada\ a solução x{t) é a resposta. Quando a so­
lução zero da equação homogênea associada é estável, o sistema dé con­
trole descrito por (14-123) é chamado estável. Assim, para um sistema
estável, as respostas são da forma Xp{t) -f x^{t), onde jc.(/) é um transiente.
O efeito do têrmo transiente torna-se desprezível para t suficientemente
grande, de modo que, com efeito, se tem apenas uma resposta (chamada
estado permanente) para cada entrada.
Problemas de Contôrno. As soluções de uma equação diferencial linear
de ordem n dependem de n constantes arbitrárias. Até aqui temos usado
as n constantes apenas para atender condições iniciais prescritas. Contudo,
em grande número de importantes aplicações de equações de ordem mais
alta que 1, as condições iniciais são substituídas por um conjunto de n con­
dições sôbre os valores da solução e algumas das suas derivadas em dois
pontos, as extremidades de um intervalo fechado J. O problema de en­
contrar-se uma solução dà equação em J, que satisfaça às condições dadas
nos pontos das extremidades, chama-se problema de contôrno para o inter­
valo / ; as n condições são chamadas condições de contôrno. Um problema
14-12. APLICAÇÕES DE EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES 1419

de contorno pode não ter solução, pode ter uma solução única, ou muitas
soluções.
EXEMPLO 3 Mostra-se em Física que uma corda vibrante, como a de
um violino, pode emitir tons puros de freqüência v, onde v é tal que o pro­
blema de contôrno

a Y ' + p^y = 0, 0 <x<L


(14-124)
y(0) = 0, y{L) = 0

tem uma solução y(x) não idênticamente nula. Cada solução de (14-124)
dá a forma da corda quando emitindo o tom de freqüência p. Em (14-124),
a é uma constante que determina essencialmente a "velocidade do som”
ao longo da corda; L é o comprimento da corda. Também v é uma cons­
tante positiva, mas seu valor não é conhecido; devemos achar todos os va­
lores possíveis de v para os quais o problema de contôrno (14-124) tenha
uma solução outra que não y{x) = 0.
Ora, a solução geral da equação a Y ' + p^y = 0 é

V , V
y COS — X -h Co sen— X.
a a

As condições de contôrno dão

f\
0 = c-i, f\ pL ,
0 = Cl COS----- pL
h Cosen----
a ' a

Portanto, ci = 0 e C2 pode ser uma constante arbitrária não nula, conquanto


que sen {pLjd) = 0. Esta última equação nos mostra que pLja deve ser
um múltiplo de tt:

pL tiTra
= riTT-, n - 1,2,...
L ’

Portanto, as possíveis freqüências de tons puros são múltiplas de uma fre­


qüência fundamental iralL. Quando n = 2, obtém-se o primeiro harmônico
(a oitava em música); quando az = 3, o segundo harmônico (oitava mais
quinta), e assim por diante. Para cada escolha de az, as soluções dão a
forma da corda:

y = C2 seâ— X, n = 1, 2 , . , . (Cg 0).


X-/

Estas formas são mostradas para az = 1, 2 e 3 na Fig. 14-15. Elas podeiri


ser fàcilmente vistas numa corda de violino em vibração.
1420 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Fig. 14-15. Formas de uma corda vibrante

14-13. Vibrações de um Sistema Mola-massa

Suponhamos que uma partícula de massa m se mova sobre o eixo x


sujeita à força exercida por uma mola de acordo com a Lei de Hooke: a
força é proporcional ao deslocamento (Fig. 14-16). O deslocamento é x,
medido a partir da posição da partícula quando a mola não está nem esten­
dida nem comprimida. Segundo a Lei de Hooke, a força da mola é — k^^x,
onde k é uma constante positiva. Suponhamos também que exista um

------> F ( t )

---------------- ^
----------- -- --------------- ►
Fig. 14-16. Sistema mola-massa

atrito proporcional à velocidade, ou seja, uma fôrça da forma — hx'{t)^


onde h é uma constante positiva ou 0. Finalmente, permitimos uma fôrça
impulsionadora externa F{t), Pela Segunda Lei de Newton, o movimento
da partícula é governado pela equação

ou
(14-130)

Esta é uma equação diferencial linear de segunda ordem com coeficientes


constantes. Portanto, tôdas as soluções podem ser achadas pelos métodos
das Seçs. 14-9 e 14-11.
14-13. VIBRAÇÕES DE UM SISTEMA MOLA-MASSA 1421

Quando F{f) = 0, o movimento é não forçado e a equação diferencial


é a equação homogênea:

m g + k f + F , = 0. (14-131)
dt^ dt
Seja primeiramente A = 0 ísem atrito), de modo que temos a equação:

(14-132)

A equação característica é = 0, as raízes características são ± /S/,


onde j3 = k l\ /m e as soluções são

X = Cl cos^f H- C2Sény8í. (14-133)

Aqui, podemos escrever Ci — A sen 7 , C2 = A COS7 [de modo que /í, 7 são
coordenadas polares do ponto (c2, ci)]. Assim,

X = A(seny cos -h cos ysen^Sf) = Asen(/8f 4- y). (14-133')

Esta equação mostra que o movimento é dado por uma senóide variada em
escala e posição, como na Fig. 14-17. Dizemos que a partícula se move
segundo um movimento harmônico simples. O tempo para um ciclo com­
pleto (de um máximo para o seguinte) é chama-se a êste de período
da oscilação. O número /? é chamado de frequência (medida em radianos
por unidade de tempo). O valor máximo x t A, que chamamos de
amplitude da oscilação. Quanto ao pêndulo (Seç. 14-12), a posição de equi­
líbrio X — 0 é apenas neutramente estável.

Fig. 14-17. M ovimento harmônico simples


1422 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Para A > 0, a equação característica torna-se mK^ + AX + = 0, e as


raízes são

—A ± VA^ — 4k^m
2m
Aqui temos três casos:
I) A^ — 4k^m > 0. As raízes Xi, X2 são reais e distintas. Notamos
que, como m, k e são positivos, nenhuma raiz característica pode ser posi­
tiva. Portanto, Xi < 0, X2 < 0 e a solução zero é estável. As soluções
são dadas por x = e ;c se aproxima de 0 quando <».
Uma solução típica é representada na Fig. 14-18. Refirimos-nos ao movi­
mento Como decrescimento exponencial A força de atrito (proporcional a A)
é tão grande que as vibrações desapareceram. Em geral, o atrito tem uma
tendência de diminuir ou amortecer as vibrações. Dizemos aqui que o-
movimento é superamortecido,
II) A^ — 4k^m = 0. As raízes Xi, X2 são reais, iguais e negativas e
a solução zero é estável. As soluções têm forma x = Cie^^* + C2té^^ e,
como Xi < 0, elas novamente se aproximam de 0 quando O movi­
mento é muito parecido ao da Fig. 14-18. _ Dizemos aqui que as vibrações

Fig. 14-18. Decrescimento exponencial Fig. 14-19. Vibrações amortecidas

são criticamente amortecidas, Êste é um caso limite, como mostrará o


próximo parágrafo.
III) A* — 4Â:*m<0. Agora as raizes características são complexas:
a ± /S/, onde

a = - — <0, ; 8 = : í^ 5 Z Z _ > o.
2m 2m
14-13. VIBRAÇÕES DE UM SISTEMA MOLA-MASSA 1423

As soluções têm forma x — Cie** cos /3r + C2C“‘ sen = e“‘ A sen (/3r + 7 )
exatamente como para o movimento harmônico simples. O-movimento é
como aquêle da Fig. 14-17 exceto que, porque a < 0, o fator força o
amortecimento gradual das vibrações, aproximando-se de 0 quando <—>•<»,
como na Fig. 14-19 e a solução zero é estável. Chamamos o movimento
de vibração amortecida.
Efeito da Fôrça Externa. Quando temos uma fôrça acionadora externa,
o movimento da partícula é descrito pelo acréscimo de uma solução par­
ticular à função complementar. Consideramos apenas o caso de uma fôrça
externa senoidal de freqüência w > 0, isto é, consideramos á equação:

-t- k^x = Bsenwí. (14-134)


dt^ dt

Consideramos dois exemplos e deixamos o resto da análise para os pro­


blemas.
EXEMPLO 1

^ + 3 ^ + 2x = 2sen2f.
dt

Pelos métodos das Seçs. 14-9 e 14-11, a solução geral é encontrada como
sendo

X — c-,e~^ + Coe -f sen2í — 3 cos2í)i

Quando t cresce, os primeiros dois termos se aproximam de 0 (portanto,


são chamados transientes) e, por conseguinte, para / grande e positivo,
sòmente os dois últimos dois têrmos são importantes. Êles representam um
movimento harmônico simples da mesma freqüência que a fôrça externa.
EXEMPLO 2

d^x
+ 4x = 24sen2t
dfi
Achamos a solução geral como sendo x = Ci cos 2t + C2 sen 2t — 6t cos 2/.
Os primeiros dois têrmos representam um movimento harmônico simples,
não amortecido. Contudo, o último têrmo representa uma oscilação fir­
memente crescente em tamanho, e portanto, dominando o movimento para t
grande e positivo, êste têrmo está representado na Fig. 14-20. Temos aqui
um exemplo de ressonância ou vibrações simpatéticas. A fôrça externa tem
1424 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Fig. 14-20. Ressonância

a mesma freqúência, 2, que as vibrações "'naturais” x = a cos 2t + b sen 2t.


O têrmo que força e as vibrações naturais reforçam-se mütuamente e levam
às oscilações sempre crescentes. Isto pode ser ilustrado pelo perigo que
constitui soldados atravessarem uma ponte em passo de marcha.

PROBLEMAS

Verificar a estabilidade da solução zero:

(a) x" - 3x' + 4x = ,0. (b) x" + 4x' + 5x = 0.


(c) x" + 2x' + X = 0. (d) x" -h 16x = 0 .
(e) x"' H- 2x" + 5x' -|- 4x = 0. (f) 2 x'" + x" + x' + 2x = 0 .

2. (a) Demonstre: se > 0, então a solução zero de ax” bx' cx = 0 é estável se,
e sòmente se, ^ > 0 e c > 0.
í(b) Demonstre: se a > 0, então a solução zero de ax'" + + cx' + dx = 0 é
estável se, e sòmente se, b > 0, c > 0, d > 0 c bc — ad > 0, ISugestão. Pela
parte (a), tem-se estabilidade precisamente quando o polinómio característico
puder ser fatorado como (X — XiX^X^ + BX -f C) onde Xi < 0, B > 0 e C > 0.

3. (a) Aplique a Segunda Lei de Newton para derivar a equação diferencial (14-121)
para o movimento do pêndulo. (Substitua sen d por $ para |0| pequeno.)
(b) Mostre, com o auxílio da Fig. 14-14 que, se = 0 — ir, de modo que = 0
quando o balanço do pêndulo está acima do apoio, então a equação diferencial
para o movimento é (14-121"), para 6 i perto de 0.
(c) Para o caso da parte (b), mostre que, se .uma fôrça de atrito mh(dOildt) é intro­
duzida, então a posição de equilíbrio permanece instável.
PROBLEMAS 1425

4. (a) Demonstre: se a < 0 e é um inteiro não negativo, então > 0 quando


t —>00.

(b) Demonstre: se a e /: são como na parte (a), então cos /3/—►0 e sen
> 0 quando / —> oo.
(c) Demonstre: s e a > O e A : é u m inteiro não negativo, então não tem limite 0
quando / —> oo, e portanto, as funções da parte (b) não têm limite 0 quando / -> oo.

5. A equação (♦) + oqx = k, onde On,____ A: são constantes e no tem


a solução particular x = /cIoq, Como x permanece constante, esta é novamente cha­
mada de pàsição de equilíbrio,

(a) Mostre que u = x — { k M satisfaz à equação homogênea + . . . + no« -= 0


e que a solução constante x = kla^ toma-se a solução zero u = 0 ,
(b) Chamamos estável à solução constante x = kjao de (*) se :«(/) —>á/no quando
/ —►00 para tôda solução de. (*). Mostre que a solução constante de (*) é estável
precisamente quando a equação "homogênea associada tem uma solução zero
estável.

6. Encontre tôdas as soluções de cada um dos seguintes problemas de contômo:

(a) y " = 0 em [0, 1], y(0) = 3, i/(l) = 5 (interprete geomètricamente).


(b) y " = 0, y { 0 ) + y '{ 0 ) = 1, y { l ) - y ' { l ) = 2.
(c) y" + y = 0, 1/(0) = 1, y(2^) = 1.
(d) y " + 4(/ = 0, y ' ( 0 ) - 1, y'{ w ) - -1 ,

7. Em cada uma das seguintes equações, determine se o movimento é harmônico simples,


superamortecído, criticamente amortecido ou uma vibração amortecida e faça o grá­
fico de uma solução não nula típica:
(a) (d^x/dt^) -h 2{dx/dt) -|- 2x = 0 * (b) {dH/dt'^) -|- 9x = 0# .
(c) (dH /dt^ ) + ^(dx/dt) + 3x = 0. (d) ( d H / d f ) -f- ^(dx/dt) + 16x = 0.
(e) (d V d í2 ) + 16x = 0 . (f) (dH /di^ ) -|- 4(cíx/dí) -h 5x = 0.

8. O Ex. 1 da Seç.14-13 sugere que, em geral, a Eq. (14-134) tem uma solução da forma
a COS w/ + ô sen wf, onde a & h são constantes.

(a) Pela substituição desta expressão na Eq. (14-134), mostre que tal solução existe

—Bhcc - m<o2)
a= b=
(K^ - mío2)2 + ’

conquanto que os denominadores não sejam 0. Mostre também que o último


caso só surge quando A = 0, o> ==
(b) Mostre que, no caso excepcional da parte (a), a fôrça externa e as vibrações na­
turais têm ambas freqúência co. Mostre, substituindo nas equações, que a equação
tem uma solução particular da forma x = atco$ coi» com a = — BUlmui)» Êste
é o caso da ressonância.
1426 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

9. Determine a solução da equação do Ex. 1 da Seç. 14-13 tal que x = xq c dxjdí = vq


quando r = 0.

10. Mostre que no Caso I da Seç. 14-13 (movimento superamortecido), cada solução não
nula tem no máximo um ponto crítico (onde dx/dt = 0).

11. Vibrações torcionais. Um corpo de massa m quando suspenso por um arame vertical
pode mover-se rotacionando como se o arame fôsse eixo, de modo que o arame fica
torcido ou destorcido. A Mecânica mostra que o movimento é governado pela equação

/ g + c» = o,

onde / e C são constantes positivas e 6 é o ângulo pelo qual o arame foi torcido. Des­
creva o movimento para o caso em que 6 = tt/2 e ddjdt = 0 para / = 0.

12. Uma massa de cem quilogramas estica uma mola 5 centímetros sob seu próprio pêso.
Com que freqüência a mola oscilará quando suportando o pêso?

13. Um pêso de 100 g estica uma mola cm 4 cm. Quando o pêso está em equilíbrio,
ela sofre a ação de uma fôrça cujo impacto é uma velocidade de 8 cm/s para baixo.
Mostre que o pêso percorre um distância de 2 cm durante o intervalo de tempo de 0
a ir/8 s antes de começar a voltar. (Aqui use g = 980 cm/s*.)

14. Quando um certo pêso apoiado por uma mola vertical é colocado em movimento,
o período é de 1,5 s. Quando há um adicional de 8 kg, o período torna-se 2,5 s. Qual
o pêso que havia originalmente sôbre a mola?

15. Mostre que para a Eq. (14-131), no Caso III (vibrações amortecidas), a freqüência /3
é menor do que a freqüência do movimento harmônico simples que ocorre quando h
é substituído por 0. Explique fisicamente por que você poderia esperar êste resultado.

16. Mostre que os máximos locais de cos ffí não ocorrem em pontos na curva x =

17. O movimento de uma certa mola é descrito por

x"{t) + 25x = 4 cos 3í, x{0) = 0 e x'(0) = 0 .

Mostre que ;r = ^ sen 4/ sen t e represente x{t) em gráfico. Dizemos que o movi­
mento é uma modulação de amplitude do movimento x = sen 4/. Em acústica, tais
flutuações chamam-se batimentos. Podem-se experimentar batimentos pondo-se em
vibração dois diapasões de freqüências aproximadamente iguais.

18. Uma vibração forçada é descrita por

x '\t) -I- 4x = a cos^ b t (a > 0, ò > 0)*

Mostre que existem dois valôres de b para os quais obtemos ressonância.


14-14. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES SIMULTANEAS 1427

19. Consideramos um circuito elétrico LRC simples como no Probl. 8 que segue à Seç. 14-5.

(a) Seja L = 0,25 H, i? = 0, C = 1(H F, 40 V; para / = 0, seja ^ = 0 e / = 0.


Determine a carga máxima no condensador.
(b) Seja L = 0,5 H, R = 5 Q, C = 0,08 F, E = 0. Para í = 0, g = 0 e i = 10 A ,
determine a carga máxima no condensador.

20. Quando a entrada q{t) em (14-123) é uma função periódica de /, pode-se desenvolver
q{t) numa Série de Fourier, como na Seç. 8-24. Obtém-se uma Série de Fourier
para a resposta encontrando-se uma resposta senoidal para cada têrmo da Série de
Fourier da entrada e somando-se os resultados. Pode-se mostrar que esta série con­
verge para uma solução de (14-123). Obtenha uma resposta como uma Série de Fourier
para cada uma das seguintes equações:

(a) x"(í) + x \t) + 2x(t) = ( s ^ í — 3 COS 4í.

(b) x"{t) -h 2x\t) + x(f) = 2 “ l)-isen:(2n - l)í.


n=l

(c) x '\t) H- x \t) -h x(t) = 2 sen ní.


n=l

21. Mostre que a resposta para a equação

„ , . ^ cos n t
X" -h4x= X - I T -

apresenta ressonância.

14-14. Equações Diferenciais Lineares Simultâneas

Na Seç. 14-1, o conceito de equações diferenciais simultâneas é intro­


duzido e a forma normal para tais equações é definida:

- ^ = .......... í) (i = 1 , . . . , n) (1 4 -1 4 0 )

Para equações simultâneas que não estão na forma normal, a introdução


de novas variáveis apropriadas leva geralmente a equações na forma normal,
como ilustra a Seç. 14-1.
Estamos interessados aqui em equações diferenciais lineares para as
quais a forma normal é como
dx‘ ”
-^ = S + 9i(í) (t = 1 , . . . . n). (1 4 -1 4 1 )
1=1
1428 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Aqui, os coeficientes au podem ser funções de r, mas daremos ênfase ao


caso de coeficientes constantes Oij. Os seguintes são exemplos de sistemas
de equações diferenciais lineares na forma normal.

EXEMPLO 1 ^ = 3x + 8y + t + 10,

f = . + !, + 2, + 2.

EXEMPLO 2 + 5X2 +

+ 2X2 +

— = - 4 x i + 5X2 + 4:^3.

O tratamento de sistemas de equações diferenciais lineares é grandemente


simplificado pela notação matricial. Para (14-141), introduzimos o espaço
vetorial Vn e escrevemos x para (xu • . Xn), A para a matriz (o^y), q(/) para
(qi(t)y todos os vetores serão considerados como vetores-coluna.
Agora, (14-141) torna-se formalmente

■ ^ = Ax + q(t). (14-142)

Aqui, a matriz A pode depender de t: A = A(t), mas, como afirmado acima,


daremos ênfase ao c ^ o em que A é constante. O Ex. 2 quando escrito na
forma (14-142) torna-se:

( -5 5 7^

-2 2 3 |x, X = col {xi, X2, X3).

-4 5 4,

Pela definição, uma solução de (14-140) é uma «-upla de funções


X i{t) ,. . Xn(t) que satisfazem às Eqs. (14-141) idênticamsnte em algum
intervalo J. Assim, em notação vetorial, uma solução de (14-142) é uma
função vetorial'X = f ( t) quef'(í)=
satisfaz a (14-142)
A f(í)-H q (í) idênticamente:

em um intervalo de t. Por exemplo.


14-14. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES SIMULTANEAS 1429

é uma solução do Ex. 2, isto é, as equações dadas são satisfeitas para

Xj = x^ — é , X3 = e*.

O Teorema de Existência geral da Seç. 14-1 assegura-nos que, sob hipó­


teses apropriadas, existe uma única solução de (14-140) com valores iniciais
dados num /o escolhido. Para equações diferenciais lineares temos um
teorema mais forte (Teorema 9) a seguir. De agora em. diante desenvol­
veremos a teoria em estreita analogia com a Seç. 14-6; a razão para a ana­
logia é que, como foi ressaltado na Seç. 14-1, a equação simples de ordem n
com variável dependente Jc pode ser escrita como um sistema de equações
de primeira ordem no qual as n variáveis dependentes são jc, x \ . . . ,
Nosso primeiro teorema é um paralelo ao Teorema 3 da Seç. 14-6:

TEOREMA 9 {Teorema de Existência para sistem as de equações dife­


renciais lineares). Seja A(t) = (o ,> (í)) uma função matricial n X n con­
tínua de t no intervalo J \ seja q(r) uma função vetorial contínua em J \
seja /o wm número em J, Então, para qualquer escolha do vetor x© em
Vn» existe uma solução x = f{t) de (14-142) no intervalo J tal que f(/o)= Xo.
A solução é única, isto é, se g{t) é uma segunda solução de (14-142) num
intervalo Ji que contém to e g(/o) = Xo, então f(í) = g(0 na parte comum
J e J\,
Para uma demonstração, veja o Cap. 12 de ODE. Para casos especiais,
as demonstrações aparecerão nas seções seguintes. Acentuamos que, como
na Seç. 14-6, o Teorema de Existência para equações diferenciais lineares
assegura a existência de cada solução em todo o intervalo J. Por esta razão,
suporemos que cada solução seja definida em todo o intervalo.
Se em (14-142) q(í) s 0, dizemos que (14-142) é homogênea; caso con­
trário, (14-142) é chamada não homogênea, Para cada equação não homo­
gênea (14-142), existe uma equação homogênea associada:

^ = A x. (14-143)
dt

Êstes têrmos também se aplicam às equações simultâneas (14-141); quando


todas as qj{t) são idênticamente 0, as equações são homogêneas; o sistema
homogêneo associado é obtido substituindo-se tôdas as gi por 0:
1430 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

dx, _ "
(í = 1 , . . . , n). (14-144)
}=i
Cada solução de (14-143) é uma função vetorial f definida no intervalo J
com valores em Vn, O conjunto de todas as funções vetoriais em J forma um
espaço vetorial V (Seç. 9-16). Já que nossas fímções vetoriais formam um
espaço vetorial, os conceitos de subespaço, base e independência linear
podem ser aplicados; em particular, se xi(0, . . . , Xn(0 estão em V, então
estas n funções vetoriais são linearmente independentes se, e somente se,

CiXi(t) + • • • + C^xjf) = 0 em /

implica Cl = 0 , . . . , Cn = 0.
Observamos que as funções vetoriais em V que são contínuas em J
formam um subespaço de V\ representamos êste subéspaço por C; anàlo-
gamente, as funções vetoriais em V que têm uma derivada contínua em J
formam um subespaço de V, Também, se A(t) é contínua em / , então
a transformação L definida por

Ax

para x = í(t) em é uma transformação linear de em C:

dx-i dxn
L [cjX ^ + CgXg] = + ‘^ 2 - ^ - A xi - A xj = C iL [x i] + C gL ÍX g],

TEOREMA 10. Seja A(t) uma função matricial contínua n por n no


intervalo J. Então, as saluções da equação homogênea dxjdt = .A x em J
formam um espaço vetorial 2^. Além disto, se f está em 3^ e satisfaz à
condição inicial

m = 0 (14rl45)

em algum ponto ío de J, então í é a função vetorial zero em J,


DEMONSTRAÇÃO. Na notação dada acima, é o conjunto das
funções vetoriais x = f(0 em para as quais L[x] = 0. Portanto, 3^
é o núcleo da transformação linear L e também é um subespaço de
Pelo Teorema 9, existe exatamente uma função vetorial em 3^ que satisfaz
à condição inicial (14-145). Mas a função zero está em e evidentemente
satisfaz a (14-145). Portanto, se f está em 3^ e satisfaz a (14-145), então
f(r) = 0 em /.
14-14. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES SIMULTANEAS 1431

LEMA. Seja A{i) como no Teorema 10. Sejam xi(r), . . k


soluções de (14-143) em J e sejam Xi(ro),. . x*(/o) vetores linearmente
dependentes em Vn para algum, t^ em J. Então, Xi(r),. . . , x*(0 são
funções vetoriais em C linearmente dependentes sobre J.

DÉMONSTRAÇAO. Por hipótese, podemos escolher Cl, . . . , Cib não


todos 0 de modo que

CiXi(ío) + • • • + = 0.
Pelo Teorema 10, a função
x(í) = CiXi(í) + • • • + c*x*(í)

é uma solução de (14-143), e, pela equação precedente, x(ro) = 0. Portanto,


pelo Teorema 10, x(r) s 0 em / . Portanto,

CiXi(f) -H • • • -I- CtXj(f) = 0 em /

de modo que x'i(r),. . . , xt(t) são funções vetoriais linearmente dependentes


em C.

Observação. A conclusão do lema será falsa se omitirmos a hipótese


de que Xi(r), . . . , x«(/) são soluções de uma equação da forma (14-143);
veja Probl. 4 adiante.

TEOREMA 11. O espaço vetorial 3 ^ do Teorema 10 tem dimensão n.


Portanto, a solução geral da Eq. (14-143) é dada por

X = CiXi(í) - »- •• • + c„x„(#)

onde Xi(0,. . Xn(/) são soluções linearmente independentes.

DEMONSTRAÇAO. Escolhemos /o em / e /i vetores linearmente


independentes em Vn [digamos, os vetores Ci = (1, 0 , . . . , 0 ) ,. .. , Cn =
= ( 0, ... , 0,1)]. Pelo Teorema 9, para / = 1 , .. ., /i, podemos escolher
uma solução x,</) de (14-143) tal que x,</o) = e*. Pelo Lema, Xi(/),. . . , Xn(0
são funções vetoriais linearmente independentes em J. Então, 3^\jdm di­
mensão de no mínimo n. Também não podemos escolher mais do que n
soluções linearmente independentes xi(/), .. ., Xk{t) de (14-143), pois, se
pudéssemos, então, pelo Lema, x i( 0 , .. Xjb(ro) seriam k vetores linearmente
independentes em Fn, mas isso é impossível para k > n. Portanto, 3 ^ tem
dimensão /i e a solução geral tem a forma enunciada.
1432 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Observações. Sejam Xi(0, . . xa;(0 soluções de (14-143) em 7 e escreva

de modo que Xij{t) seja a /-ésima componente da função vetorial xy(/). Po­
demos então introduzir a função matricial

= I : (14-146)

Os k vetores-coluna de X{t) são as soluções X i ( / ) , Xk{t). Pelo Lema, vemos


que estas soluções são linearmente independentes precisamente quando X{t)
tem posto k para todo t em 7; se o pôsto é k para um /, então é k para todos
os / em 7; se o pôsto é menor do que k para um r, então é menor do que k
para todos os t em 7
Para k = n , X{t) é uma matriz quadrada e seu determinante W{t) é
chamado wronskiano de X i( / ) ,. . xjjt):

W{t) =
^nl(í) •••

Então, ou W(t) = 0 em 7 ou W{t) não tem zeros em 7; no primeiro caso,


as soluções são linearmente dependentes; no segundo caso, elas são linear­
mente independentes e servem como uma base para 3^, como no Teorema 11.
Nos seguintes exemplos, certas soluções de equações diferenciais homo­
gêneas serão dadas sem explicação. Na Seç. 14-17 explicaremos como são
encontradas.

EXEMPLO 3
f = 3 , + 8„,
em ( —00, oo)
dy

Aqui, uma solução é

X = x-^(t) =
y= ?/i(í) =
OU
(:)= Q ’
pois
14-14. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES SIMULTÂNEAS 1433

^ = 20«5‘ = 12e®‘ + 8e5‘ = 3x + 8y,


dt

^
= Se5‘ = 4r>‘ + = ít + y.
dt
Anàlogamente, uma segunda solução é x = x^t) = 2e~*, y =

Agora, estas duas soluções são línearmente independentes já que seu wrons-
kíano é

4e’‘ 2e~*
W(t) = = — 6e«
— e-«

e ^(r) não tem zeros. Consequentemente, a solução geral é

ou
X= -f 2 c 2e“ ^ y =

/—2 — 3\
EXEMPLQ 4 (rfx/rfO = I j 4) * ^ E n c o n tr a m o s
soluções linearmente independentes

«.(') = ( - « . ) • = ((3,’ + % ) '


Portanto, a solução geral é

Podemos, naturalmente, escolher outras bases para J f . Por exemplo,


Xi(r) e X2 U) + Xj(t) são também línearmente independentes (por quê?) e,
daí, a solução geral é também dada por

EXEMPLO 5
/- 5 5 7>
•^ = I —2 2 3 |x em ( —c», 00).

\-4 5 4/
1434 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Aqui encontramos três soluções linearmente independentes

COS í — 7 sen ^7 COS f + sen f >


X2(t) =1 COS í — 3 sen í x^(t) = ( 3 COS í -f sén f )•
\ —cost — 3sèní i v 3 c o s t — sent>

A solução geral é x = ciXi(/) .+ C2X2(0 + í^sXsÍO-


TEOREMA 12. Seja A(t) uma função matricial n por n contínua no
intervalo J, Sçja q(t) uma função vetorial n por 1 contínua em J. Seja
S o conjunto de todas as soluções da equação não homogênea (14-142)
em J; seja o conjunto de todas as soluções da equação homogênea asso-
ciada (14-143) em J. Então, S é não vazio e, seXp = Xp(/) é uma função
em S, lo^o

S = {Xp rl-
Assim, S é uma variedade linear em com espaço-base 3^.
DEMONSTRAÇAO. Que S é não vazio resulta do Teorema 9. Que
S é uma variedade linear resulta por Álgebra Linear (Teorenia 20 na Seç. 9-13).
De fato, S é a imagem inversa de q por L t L tem núcleo onde X[x] =
= x' — Ax.

EXEMPLO 6 d\
dt
A equação homogênea associada é aquela do Ex. 3. Sua solução geral é

/4e^*\ /2e-‘ \

( at + b \
I, onde a, b, c e
ct d f
d são constantes (coeficientes a determinar). Se substituirmos na equação
diferencial, acharemos que

c)=G í “I" 2 >


e daí.
a = 3(af -f 6) -f- 8(cí + d) -h f + 10,
c = uf-f-h4-cf^-d-|-2f-|-2.
14-15. SOLUÇÕES QUE SATISFAZEM AS CONDIÇÕES INICIAIS 1435

Para que estas equações sejam válidas para todos os t, devemos ter

d — 3b + Sd 10, 0 = 3g -|- 8 c + 1
c = . fe + d + 2, 0 = fl-|-c-l-2

Encontramos uma única solução: a = — 3, 6 = 1, c = 1, d = — 2. Daí,

X p (0 = e a .solução geral é

14-15. Soluções que Satisfazem às Cojidições Iniciais;


Variação dos Parâmetros

Começamos por algumas observações sôbre o cálculo das funções ma­


triciais de uma variável real. Um exemplo de tal função é

= C 0 .5 ,)’ - “ <><»•

Em geral, consideramos uma função Y(t) = (yoit)) definida num inter­


valo J . A derivada d Y jd t de tal função é definida simplesmente como a
matriz das derivadas dos elementos;

í^ y ii \
dt ~ \ d t r

contanto que todos os yn (t) tenham derivadas no valor ou valôres de t consi­


derados. Para a matriz X(t) dada acima,

dX /2t 3e3» \
d f “ V3#2 -5 se » 5 # /’ °®< < *•

Da definição, segue imediatamente que as regras usuais sôbre derivada de


uma soma e de uma constante (escalar) vêzes uma função são válidas. Há
também uma regra para produtos:

|ir(« )Z (.)l = r ( « ) f + f z

Aqui, os tamanhos de F e Z devem combinar e deve-se conservar a ordem


dada. Esta regra resulta imediatamente da definição do produto de duas
1436 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

matrizes (Probl. 10 adiante). Há também urna regra da cadeia: se 7 = {yij)y


onde ya = yn{u) t u = f ( t ) , então (supondo que todas as funções sejam
deriváveis, como de costume),

— = — — zz fUt) (
dt du dt \d u /

Isto resulta imediatamente da regra da cadeia usual.


Pode-se também integrar as funções matriciais elemento a elemento e as
regras usuais são válidas. Na discussão seguinte encontraremos funções ma­
triciais sob o sinal dê integra), mas a integração é aplicada sòmente a funções
vetoriais. Para as últimas, integra-se componente a componente, como na
Seç. 4-31.
Considera-se agora a equação homogênea

dx .
-3 - = Ax (14-150)
dt

como acima, com a solução geral x = ciX\{t) + . . . + c„Xn(t). Formamos


a matriz correspondente X(í) = (x«(0) como em (14-146) e notamos que
a solução geral de (14-150) é

X = CiXi(í) + t • • + C„X„(í) =

OU

X= x m (14-151)

onde c = ( c i , . . c„) é um vetor constante arbitrário. Como acima, po­


demos derivar X(,t) derivando cada elemento da matriz. Mas a derivada
da y-ésima coluna àe X é A vêzes essa coluna, já que a coluna é uma
solução da equação diferencia] homogênea (14-150). Resulta que

^ = AX (14-152)
dt

Podemos verificar também esta relação escrevendo


dXji
Ji- = 2 (t = 1 , . n. j = 1........ n),
dt k=l
14-15. SOLUÇOES QUE SATISFAZEM AS CO W IÇÕ ES INICIAIS 1437

já que x,<0 = (jfiXO........*nX0) ^ solução para cada j . Assim, X{t)


é uma solução da equação diferencial m atricial (14-152).
Reciprocamente, se X{í) é uma matriz n por n solução de (14-152), então
as colunas de X(t) dão n soluções de (14-150). Se X(t) é não singular paia
um t, então, pelo Lema da Seç. 14-14, é não sibgular para todos os t em J
e as colunas de X(t) dão n soluções Unearmente independentes de (14-150);
a solução geral é dada por (14-151). Uma matriz não singular solução de
(14-152) é chamada m atriz fundqm ental.
Por (14-151), podemos encontrar a solução de (14-150) com o valor
inicial dado Xo em to, pois escrevemos

Xo = Xito)e

e devemos resolver para c. Já que X(to) é não singular, podemos multi­


plicar por X~^(to):

X~'(to)Xo = c.

Portanto, encontramos c e

x(0 = 2r(02r-*(/,)x, (14-153)

é a solução de (14-150) com valor iniciál dado Xo em to-


Observamos que também podemos escolher X(t) como uma solução de
(14-152) tendo um valor inicial prescrito X(to). De fato, sòmente precisamos
escolher os vetores-coluna de X(t) [soluções de (14-150)] tendo como valôres
iniciais as colunas correspondentes de X(to). Em particular, podemos es­
colher X(t) de modo que X(to) seja a matriz identidade /. Com esta escolha,
(14-153) simplifica-se para

x(0 = X(t)xo ÍX(to) = /). (14-1530

EXEMPLO 1 Para o Ex. 3 da seção precedente, a equação diferencial'


matricial é

dX /3 8\
dt \1 l)

e uma matriz fundamental é


/4e** 2e~*\
^ \ - e - ‘/
1438 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

As duas colunas de X são as duas soíuções linearmente independentes ante­


riormente encontradas. Para verificar isto computamos

dX ^ /20e^ —26”^
dt \ e

_ /3 8W4e» 2e-‘ \ _ / 2 0 e » -2 e ~ * \
■ ^ ~ \1 l / \ e® —e~V \ 5g® e“v

Vemos que elas são igums. Também det X(jt) = — 6e^, de modo que
X(t) é não singular para todos os t.
Imponhamos condições em t = 0. Achamos fàcilmente que (veja
Seç. 10-12, Ex. l)

x(o)=(í j) , ^ - ( 0 ) = i( ;

e, por conseguinte, a solução (14-153) torna-se

/4e®‘ 2e"‘\ 1 / 1 i /4e®‘ + 2c“* — 8e“‘\

Esta acha-se agora na forma (14-153') e daí, a função matricial

_ _1 / 4e5* -I- 2e“‘ 8e®‘ — 8e~‘ \


^^ ~ 6 V 2é« + 4e-« /

f 1 o\
deve ser a matriz fundamental com valor ^ ~ ^ t = 0. Veri­

ficamos que êste é o caso. Também,

_ 1 /4e®* -1- 2e“‘ \


” 6\ -c-‘ /

é uma solução da equação diferencial dada com valor inicial ^ ^ ^ para r = 0.

Anàlogamente, a segunda coluna da matriz Y(t) é uma solução da equação


/0 \
diferencial com valor inicial 1 ^ 1 para r = 0.
14-1S. SOLUÇÕES QUE SATISFAZEM AS CONDIÇÕES INICIAIS 143*

Variaçio dos Parâmetros.O processo a ser descrito aqui é análogo


àquele da Seç. 14-7. Procuramos uma solução particular Xp da equação
não homogênea

^ = > 4 x -l-q ( 0 - (14-154)

Supomos que encontramos a solução geral da equação homogênea asso­


ciada (14-150). Escrevemos esta solução geral na forma

X = X(í) c

como em (14-151), onde X satisfaz a (14-152). Agora procuramos nossa


solução particular na forma

x = Jr(r)v(0, (1 4 -1 5 5 )

onde v(l) é uma função vetorial a ser encontrada. Ora, pela regra do pro­
duto para funções matriciais,

Assim, se substituirmos (14-155) em (14-154) obteremos

AXv(t) + X ^ = AXv(t) + q(t)


dt
ou
(1 4 -1 5 6 )

Esta é a solução a ser satisfeita por v(/) se (14-155) for uma solução da equa­
ção não homogênea. Já que X(t) é não singular, obtemos

^ = X -\t)q(tU

V = J X~\t)q{t)dt. (1 4 -1 5 7 )

Aqui, é uma função vetorial e a integração é como na Seç. 4-31.


Procuramos sòmente uma integral indefinida. Podemos também escrever

V = J* X -» q (u ) du, (1 4 -1 5 7 ')
to
1440 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

onde to é um ponto de J [notamos que é contínua em J; veja Probl. 8


adiante].
De (14-155), nossa solução é dada como

,{t)= X {t) f X-H t)q(t)dt (1 4 -1 5 8 )

Esta é a fórmula da variação dos parâmetros para uma solução particular.


A solução geral de (14-154) é agora dada por

X = Z(/)c -I- Xp(0 (14-159)

com Xp(r) como em (14-158). Se usarmos (14-157') e também escolhermos


X(t) de modo que Z(ío) = /, então (14-159) torna-se

X = X(t)c + X(t)J^ X~'^(u)q(u) du.

Se pusermos t = to na. direita, obteremos c. Daí, x(to) = c. Portanto,

X = X(t)x(to) + X(t) f ‘ X-^(u)q(u) du (14-159')


*'<0

é a solução com valor inicial x(to), contanto que X(to) = I.


EXEMPLO 2 jx /3 8\ ( t + 10\ ,
dt \l l) \2 t+ 2 ) ^

Êste é o mesmo que o Ex. 6 da seção precedente. Pelo Ex. 1, podemos


tomar

5 :)
e encontramos que

Daí, por (14-158)


,, /4eS‘ 2e-‘ \ r 2e~^*\ / í -|- 10\ ,

_ i/4c®‘ 2e~*\ r / e “®‘(5f-t-14)\


= 6I - e - 7 J \ e ‘( - 7 í - \ - 2 ) ) ^ * ~
I4 -U . SOLUÇÕES COM VALÔRES COMPLEXOS 1441

_ j_/4e®‘ 2e-‘ \ //«"«(St + 14) d t \ _


6\ 7t + 2)dt /
_ j_/4«« 2e-‘\ / e - “ ( - í - 3 ) \_
“ 6V - e - * ) \ e * { - 7 t + 9) / “
/ - 3 í + 1\
\ t-2 /
Êste concorda com o resultado precedente.

14-16. Soluções com Valôres Complexos de Sistemas de


Equações Diferenciais Lineares

Como na Seç. 14-8, a teoria das equações dherenciais lineares simul­


tâneas estende-se imediatamente ao caso das funções com valôres complexos.
As componentes aci(/), . . . , x„(r) de uma solução x(r) são agora funções
complexas de f, os valôres de x estão no espaço vetorial complexo de di­
mensão n Todos os teoremas da Seç. 14-14 continuam a ser válidos
com todos os espaços vetoriais interpretados como complexos; em par­
ticular, a dependência linear é definida com referência a escalares complexos.
Para uma equação

dx
= 4x — q(r) (14-160)
'di

na qual A = (a,y) e q = ........ q„) são tais que a,y e todos os q,- são de
valor real, dizemos que a equação tem forma real. Para tal equação po­
demos procurar as soluções complexas e as soluções reais. Como na Seç.
14-8, a solução real geral pode ser obtida da solução complexa geral simples­
mente escolhendo aquelas soluções complexas que são reais; pode-se também
simplesmente tomar a parte real da solução complexa geral. Quando os a,y
são reais, mas q(r) é complexa, podemos escrever

q(í) = qi(0 + »q2(0


onde qi(r) e qjft) têm componentes reais, Então, cada solução xU) pode
ser escrita como Xi{t) + ix^t), onde

^ = Axi + qi(í). — Axj -(- q2(t). (14-161)

Assim, tomando partes reais e imaginárias de x(/), obtemos soluções das


duas Eqs. (14-161) na forma real.
1442 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

PROBLEMAS

1. Para cada uma das equações diferenciais dadas, verifique se as funções dadas são so­
luções em ( — 00, oo) e são linearmente independentes, ache a solução geral e a matriz
fundamental X {t) tal que Jf(0) = /:

7 - 2\ /2e2í\ ( e^\
15 -
-2 2\ /2e3í\ /
=( -1 5
7
- ( -1 0

dx

( \
(2t - t^)e‘
\ l í + 6t - 4t^)e‘l

2, Seja A(t) uma função matricial contínua n por n no intervalo / . Seja X uma matriz
fundamental para a equação dxidt = i4x.
(a) Mostre que, se C é uma matriz constante n por então X (t)C é uma matriz fun­
damental se, e sòmente se, C fôr não singular.
(b) Mpstre que, se Y{t) é também uma matriz fundamental, então C pode ser esco­
lhida de modo que Y(j) = X(t)C; a saber, C = onde / q é um número
em / . [Sugestão, A A:-ésima coluna de X {t)C é X(j)Ck, onde é o A:-ésimo
vetor-coluna de C]
Observação. Êstes resultados mostram como as diferentes formas da solução
geral de dxjdt = Ax estão relacionadas. Para verificar que x = X{t)c e x = Y{t)c
representam a mesma solução geral, pode-se computar C = X -\ío)Y (to) e Veri­
ficar que Y(t) = X(t)C.

3. Üse os resultados do Probl. 2 para mostrar que cada um dos seguintes dá a solução
geral da referida equação diferencial:
_/6e^^+e^ 10e^^ + 2e^\
equação do Probl. l(a).
^ * \ I5e^^ -h 25e^^ -I- 6e^)

!(»■
* = (l5e« + 3 ,- 25.» +
PROBLEMAS 1443

4. (a) Mostre que as funções vetoriais de C (— » , « )

'.,')=(!)■ '> ( ') = ( ,')

são linearmente independentes, mas, para cada t, os vetores fi(/), faC/) são
vetores linearmente dependentes em

(b) Mostre que as funções vetoriais de C ( — « , «>)

(sen A
sen/ j,
/ COS A
£2 (0 = I senf j,
/s c a t\
f3 (í) = í cos / J
COS t J \s e n t / \sc n t /

são linearmente independentes, mas há valôres de / para os quais os três vetores


fi(^)> fsC^)» fs( 0 são vetores linearmente dependentes em K3 .

5. Ache uma solução particular com a ajuda da informação dada no Probl. 1.

(n) — — ( ^ X+ í \(Sugesiõo, Primeiro resolva com c o s3/ substitui-


dt - \ 1 5 - 4 ) ^ V 2 cos3 f ; ^ ^ p ^ ^ ^ ^ j

/JX dx / 7 3\ /s e n S A
^ d t ~ \ -1 0 - 4 / * ^ \c o s 5 f /*

6. Demonstre: se fi(/),. . . , fjk(/) são definidas em J com valôres em Kn, então as k funções
são linearmente dependentes em relação a coeficientes complexos se, e sòmente se, elas
forem linearmente dependentes em relação a coeficientes reais.

7. Seja = (bijit)) uma função matricial contínua n por n em / .


(a) Mostre que as funções matriciais Y{t) que são soluções da equação

dt

são as transpostas X* das soluções de

^ = AX. com A = B'.


dt

(b) Seja dY jdt — YB, como na parte (a). Escreva o sistema de equações diferenciais
satisfeitas pelos vetores-linha de Y,
EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

8. Demonstre: se X {t) é uma matriz fundamental de dxjdt = Ax^ onde A(t) é contínua
em / , então X - \ t ) é continua em J (veja Teorema 18, Seç. 10-13).

9. Demonstre: se A(t), B (t) e dBIdt são funções matriciais n por n contínuas em J com
det ^ jií 0 em / e dxjdt = Ax^ então y = ^(/)x é uma solução de

com C(/) = B {t)A {t)B -\t) - (dBldt)B~\t),

10. Sejam X = X (t) e T = Y(t) funções matriciais deriváveis no intervalo / , onde X é m


por n e Y é n por p. Sejà / ( / ) uma função escalar derivável em J, seja c um escalar
constante. Demonstre as regras:

(.)i(X + Y )= f+ f.
= ■ 'f •
(c) Se X (t) = const., então sua derivada é O.
(d) Se a derivada de X (t) é O, então X (t) = const.

(g) Se X (t) é não singular para todos os t, então


dt dt
(h) Se /(j) é uma função derivável para a < s < b c tem valôres em / , então

=i f •

14-17. Sistem as Lineares Homogêneos com Coeficientes


Constantes

Consideramos o sistema

dxi
= S i = 1, • • •, n, (1 4 -1 7 0 )
dt j=l
onde os a^y são constantes. O mais simples é admitir valôres complexos
para iniciar. Quando os são reâis obtemos soluções reais como na
Seç. 14-16. Tôdas as soluções são definidas em (— «>, » ).
Escrevemos as equações na forma matricial:

dx
A = (o.v). (14-170')

Dos exemplos e exercícios das seções precedentes esperar-se-iam soluções


da forma
14-17. SISTEMAS LINEARES HOMOCCNEOS 144S

X = e^b, (14-171)

onde X é um escalar constante, b é um vetor não nulo constante em K/.


Substítuíndo-se em (14-170') obtemos Xe^b = ou

Ah = Xb. (14-172)

Portanto, X deve ser um autovalor de ^ e b um autovetor associado com X


(Seç. 10-18). Daí, X deve ser uma raiz da equação característica:

det(.4 — X/) = 0. (14-173)

Esta é uma equação algébrica de grau n. Na forma desenvolvida é a equação

«n ^\2 flnn
^21 ^22 ^ «2n
= 0. (14-173')

^nl ^n2 • • • «»» - ^

Cada solução de (14-173') é um autovalor X e podemos determinar pelo


menos um autovetor correspondente b = (bi, . . b„) resolvendo a equação
correspondente

(A — Xl)b = 0, (14-174)

ou, na forma desenvolvida,


(flji — X)bj + + ••• + = 0»
+ («22 - + • • • + <hnK = 0 ,
(14-174')

O nA + o„2b2 + • • • + (a»« - = 0.

Os autovetores associados com um autovalor particular X, mais o 0, formam


um subespaço de dimensão k de
Suponhamos primeiramente que os autovalores Xi, . . . , X„ são distintos.
Então, pelo Teoremá 31, na Seç. 9-23, podemos encontrar autovetores asso­
ciados bi,. . . , b„ que são necessàriamente linearmente independentes. As
soluções correspondentes (14-171)

X= bi X= b.

são n soluções linearmente independentes de (14-170'). De fato, seu wrons-


kiano é
1446 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINARIAS CAP. 14

••• -'In
W(t) =
’n l

Aqui, escrevemos b* = ( ò n , . . b„t). Vemos que


bn bin
W(t) =
bra •• ^nn
e, já que bi, . . b„ são linearmente independentes, ÍV(t) não tem zeros.
Portanto, a solução geral é

X= + ■■■ + c„e^"*b„ = X(f)c,

onde X(t) é a matriz cujas colunas são bi,..., b„.


EXEMPLO 1

A - /3 8\
dt U 1/ ’
Êste é o mesmo que o Ex. 3 da Seç. 14-14. A equação característica é

^ ^ ^ =0 ou — 4 A —5 = 0*
1 1- A

As raízes são Xi = 5, A2 = — 1. Para Ai = 5, bi = (bn, Í21) é encon­


trado resolvendo-se as equações lineares simultâneas (escrevemos x para bn,
y para 621):

[■(S — 5)x = 0 ( - 2 x + 8y = 0,
ou
llx -I- (1 — 5)y = 0 [ x - 4 y = 0-

Vemos que as soluções formam um espaço vetorial unidimensional c(4, 1).


Portanto, um autovetor associado (0 não é permitido!) é (4, 1) = bi. Assim,
encontramos uma solução:

c)= rí)
Anàlogamente, para X2 = — 1 obtemos as equações:
(3 -f- l)x + 8y = 0,
í(3 |4 x + 8y = 0»
OU
+ (1 + l)y = 0, [x + 2y = 0*
14-17. SISTEMAS UNEARES HOMOGÊNEOS 1447

As soluções são c(2, — 1) e nossa segunda solução da equação diferencial


é e~‘(2, — 1). A solução geral é

_ /4e®‘ 2e~‘ \
- \^ t -e-t)

como na Seç. 14-14.


EXEMPLO 2

/- 5 5 7^
dx
-2 2 3 |x .
* \-4 5 41

Êste é o Ex. S da Seç. 14-14. A equação característica é

-5-X 5 7
-2 2 -X 3 = 0.
-4 5 4 -X

Depois de desenvolver, esta torna-se X* — X* + X — 1 = 0 ou (X — 1)


(X* + 1) = 0. Então, os autovalores são Xi = 1, X2 = /, X3 = — /. Para
Xi = 1 encontramos um autovalor bi = (jc, y , z) resolvendo as equações

—6x + -h 7z = 0>
—2x H- t/ + 3z = Ot
- 4 x -h 5f/ + 3z = 0.
#
A eliminação de z da primeira e da segunda equações ou da segunda e da
terceira dá x — 2>^ = 0. Então, podemos escolher >^ = 1, x = 2 e encon­
tramos z = 1 ; as soluções formam o espaço vetorial unidimensional c(2, 1, 1)
e nossa solução é

ou

Para X2 = 1 temos as seguintes equações para l>2 = (x, y , z):


(—5 — i)x -I- 5y H- 7z = 0»
—2x “1“ (2 — i)y -|- 3z — Of
—4jc + 5y -h (4 — i)z = 0.
1448 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

A eliminação de z das primeiras duas equações dá

(1 + 3 i)x -(l -f 7i)y = 0.

Portanto, podemos tomar ;c = 1 + 7/, >^ = 1 + 3/ e achamos z = — 1 + 3/.


PortantOi temos b2 = (1 + li, 1 + 3 / , — 1 + 3/) e nossa solução é

(1 + li)e^^'
(1 +
^ (-1 +

Se substituirmos por cos / + / sen / e desenvolvermos a solução tornar-se-á

COS t — 1 sên t \ /7 COS t + sen t\


COS t — 3senf j + íí 3 cos t + sen/ j ,
V—COS t — 3 sên// \3 cos / —sen//

Agora verificamos que as partes reais e imaginárias desta solução são so­
luções e que as três soluções

cos / — 7 sen/' 7 cos / + sen /


cos / — 3 sen/ 3 cos / + sen/
V—cos / — 3 sen/ 3 cos / — sen/

são soluções reais linearmente independentes da equação diferencial (Prob!. 7


adiante). Portanto, não precisamos nos ocupar de X3 = — / e temos a
solução real geral

( cos t — 1 sen / 7 cos / + sen t\


X= ( cos / — 3 sen/ 3 cos / + sen/ i c*
—cos/ —3sen/ 3 cos / —sen/y

Os exemplos mostram que, para o caso de autovalores distintos, nosso


problema é resolvido de uma maneira fácil por Álgebra Linear. Para equa­
ções com coeficientes reais, as raízes complexas vêm em pares conjugados
de forma a dz /3/. Para cada tal par de raízes, acha-se a solução corres­
pondente a a + jS/ e tomam-se as partes real e imaginária como acima para
obter as duas soluções correspondentes, conforme fôr necessário.
Quando alguns dos autovalores forem repetidos, o método geralmente
não dá soluções linearmente independentes suficientes. Ainda usando Ál­
gebra Linear, pode-se mostrar que as soluções que faltam podem ser esco-
14-18. SISTEMAS LINEARES NAO HOMOGÊNEOS 1449

Ihidas na forma .. ,/^n(0)» onde X é um autovalor de ^ e pi(r),..


Pn{t) são polinómios de grau menor que a multiplicidade de X. Em detalhe»
tem-se o seguinte teorema:
TEOREMA 13. Seja Á uma m atriz constante n por n. Então, a equa-
ção diferencial

dx
— = Ax
dt

tem um conjunto de n soluções linearmente independent<^s Xi(t), . . Xn(/),


cada uma tendo a forma

X = í^(/>l(r)......... Pn(f)). (14-175)

Aqui, \ é um autovalor de A e cada um de pn(t) é um polinómio


em t de grau menor que a multiplicidade de Para cada autovalor X
de multiplicidade m , existem m soluções da form a (14-175) no conjunto
x i(0....... x,(/).
Para uma demonstração dêste teorema, veja o Cap. 6 do ODE. Os
exemplos serão dados na Seç. 14-19 adiante. Dever-se-ia notar que é pos­
sível acontecer que todos os polinómios p,-(t) tenham grau 0, mesmo que X
seja uma raiz múltipla; veja o Ex. 5 na Seç. 14-19.

14-18. Sistemas Lineares Não Homogêneos com Coefi­


cientes Constantes; Estabilidade

Para as equações não homogêneas com coefícientes constantes

^ =Ax + q(0. (14-180)

o método de variação dos parâmetros está sempre disponível e pode ser


aplicado como na Seç. 14-15; veja o Ex. 2 dessa seção. Damos mais um
exemplo.
EXEMPLO 1

dx /I —5 \ /6 sen 3 t\
*=V2 0 ;■

Para a equação homogênea relacionada, a equação característica 6


1 -X -5
= 0 ou X^ -t- 9 = 0.
-1 -X
1450 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Os autovalores são ± 3/. Para X = 3/, um autovetor b = (éi, deve


satisfazer a

(1 - 3í)bi - 5^2 = 0, + ( - 1 - 3í)fc2 = 0.

Achamos uma solução que é b = (5, 1 — 3/). Daí, (1 — 3/)e^*0 ou

(5 COS 3f + 5í sen3t, cos 3t + 3sen3f + í( —3 cos 3t + sen3í))

é uma solução correspondente da equação homogênea. Tomando as partes


reais e imaginárias como acima, obteremos duas soluções linearmente inde­
pendentes e obteremos a matriz fundamental

( 5cos3f 5sen3t \
cos 3t-I-3sen3í —3 cos 3f + sen3t/

Nossa solução particular é agora dada por (14-158):

Xp = X(í)Jx-i(í)q(í)ííí-

Encontramos fàcilmente que


1 /3 cos 3t —sen3í 5sen3í >
cos 3í + 3 sen 3t —5 cos 3í >

Portanto (omitimos constantes arbitrárias),


(3 cos 3t — sen3í 5sen3í \ /6 se n 3 í\
Jx -i(í)q (f)d í = ^ / ( dt
^cos 3t “I” 3 sen 3t 5 cos 3t
1 r /18 cos 3tsen3t — 6sen^ i2 3t
3A
dt
V
^ l5 J V 6 c o s 3í sen3í + ISsen^ 3í/
1 /3sen2 3í — 3í -I- sen 3í c o s 3í\
~ 15 Vsétf 3t + 9t — 3sen3í c o s 3t)

e Xp é X(t) vêzes esta ou

_ 1 /5sen^ 3t + 5sen3t cos^ 3t + 15f(3sen3í — cos 3t)\


^ 15 \ lOsen^ 3í + 10sen3í cos^ 3í — 30tcos3í /

Estabilidade. Para a Eq. (14-180), temos uma discussão análoga àquela


da Seç. 14-12. A equação homogênea associada
14.18. SISTEIMAS LINEARES NAO HOMOGÊNEOS 1451

dx
—r = A x
dt

tem sempre a solução zero x = 0. Diz-se que esta solução é estável se todas
as outras soluções aproximam-se de 0 quando <». Neste caso, as so­
luções da equação homogênea são chamadas transientes e cada solução da
equação não homogênea é da forma "solução particular mais transiente"’.
Então, para t positivo e grande, a solução particular domina e pode ser
considerada como o estado permanente. Agora, o Teorema 13 nos dá a
forma geral de uma base para as soluções da equação homogênea. Dessa
informação, concluímos, como na Seç. 14-12, que a solução zero é estável
precisamente quando todos os autovalores de A têm partes reais negativas.
EXEMPLO 2 Discuta o comportamento para t positivo e grande das
soluções da equação

X +

Solução. Para a equação homogênea relacionada, a equação caracte­


rística é

-1 -A 1 1
-1 -2 -A 2 = 0 ou A^ 4- 6A2 -I- 13A -h 20 = 0.
-3 1 - 3 -A

Pelo resultado do Probl. 2(b) que se segue à Seç. 14-13, as raízes da equação
característica tôdas elas têm parte real negativa. Portanto, as soluções da
equação homogênea são transientes e, para t positivo e grande, precisamos
sòmente considerar a solução particular.
Para achar uma solução particular, podemos usar aqui coeficientes a
determinar como se segue. Tentamos encontrar uma solução da forma:

X = (a^ COS t -h b^scnty Og t -h b2 Sttít, cos t + b^SGtít).

A substituição na equação diferencial e a independência linear de cos /,


sen t levam às equações simultâneas
fll — ^2 ” ^3 ^1 = “*■ ~ -h ^2 =
3a^ — 02 + 3fl3 -h ^3 = 0, — b^ + b2 + b^ = — ly
02 — b^ — 2^2 + 2^3 = 0, o^ — 3bi 4 ^2 ~
1452 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Resolvendo, achamos ai = 17/170, «2 = 47/170,. . e daí,

X= COS t + 51senf, 47 cos t — 69senf, 21 cos t — 67íSenf)

Observações. O Ex. 2 é típico de aplicações das equações diferenciais


lineares simultâneas. Mais comumente, só se está interessado na estabi­
lidade da solução zero da equação homogênea e na questão relacionada
dos transientes. Para êste fim, necessita-se sòmente achar a equação carac­
terística e responder à pergunta: As raízes tôdas têm partes reais negativas?
Como íoi mencionado na Seç. 14-12 (veja especialmenie o livro de Gant-
macher citado lá), existem muitos testes para responder à questão proposta.
Uma vez que se saiba que as soluções da equação homogênea são transientes,
pode-se estudar a natureza de uma solução particular da equação não homo­
gênea. O método de coeficientes a determinar pode ser estendido conside-
ràvelmente e é suficiente para as aplicações mais comuns.
Quando algumas ràízes características simples têm parte real zero, mas
nenhuma raiz característica tem parte real positiva, as soluções da equação
homogênea são formadas de têrmos em sen co/ e cos co/ para vários co e tran­
sientes. Neste caso, as soluções geralmente não se aproximam de 0 quando
oo, mas elas, pelo menos, são limitadas, de modo que se tem "estabi­
lidade neutra” (veja Seç. 14-12); isto é ilustrado pelo Ex. 1 acima. Para
tais equações, uma entrada senoidal de freqüência apropriada pode levar à
ressonância; isto é também ilustrado no Ex. 1 (veja também Probl. 4 adiante).

PROBLEMAS

1. Ache a solução geral:

dx /I 1\ dx
1 5 1X .
(a) 1X. (b)
~dt ~ \ 4 - 2 ) ~di ” 1 -1 1 )

dx 3 i dx
|x . (d) |x.
(C) dt I 2 2 ]
~dt ~ ( - . 3 1 )

-1 - 1 - r
dx p dx
(e) 2 (f) 2 1
dt dt V
\2 1 “- r -
1/ \() 1 2

2. Para cada uma das seguintes escolhas de A , determine se a solução zero da equação
d x id í = A x é estável. (N ão é ner.?ssárío achar a solução geral.)

-1
2
PROBLEMAS 1453

/-2 1 1\ /-I 0
(c) í 1 -3 iV (d) [ 0 3
V 1 1 -4/ \ 2 0
3. Seja dada a seguinte equação diferencial:

2 r
dt
0 -3 -1
^ 1 4 -2
(a) Mostre que a solução zero da equação homogênea associada é estável.
(b) Ache a solução particular para q(r) = (2, 1, — 8). [Sugestão. Tente x(/) = c,
um vetor Còriíanle.]
(c) Ache uma solução particular para q(/) = ^^(1, 0, 1). [Sugestão. Tente x(/) = e^c.
(d) Ache uma solução particular para q(/) = (0, 3 cos 2r — sen 2/, — 2 cos 2t + sen 2t).

4. Seja dada a seguinte equação diferencial

(a) Verifique se para a equação homogênea associada os autovalores são — 1 e ± i ,


de modo que a solução zero é neutramente estável.
(b) Verifique se para q(/) = (sen t, 0, 0) ocorre ressonância.
(c) Verifique se para q(/) = (2 sen t , sen /, sen t \ uma solução particular é dada por
X = (è) (2 sen r — 2 COS r, sen / — cos /, sen / — cos r), de modo que não h^ja
ressonância.

Observação. As partes (b) e (c) mostram que, mesmo quando d= /o) são auto­
valores, uma fôrça externa senoidal de frequência u) pode, mas não necessàriamente,
levar à ressonância.

Afo/as acopladas. Seja uma massa m\ suspensa por uma mola. Seja uma segunda
massa /ri2 suspensa da primeira por uma segunda mola (Fig. 14-21). Então, um equi­
líbrio será alcançado por gravidade. Suponha que x\, x t meçam os deslocamentos
para baixo destas posições das duas massas como na figura. Se desprezarmos o atrito,
então, por Mecânica, o movimento vertical do sistema é governado pelas equações
diferenciais

(Px^ <PX2
+ *2(*2 - *l). = -*=2(*2 - *l)-

Como na Seç. 14-1, estas equações são equivalentes a um sistema:

*í = Xo — Xa. + *=2(*2 - *l)> = -fc2(*2 ” *l)-

Tome iffi = 3, irit — 2, k \ — k t — \ (em unidades apropriadas) e ache a solução


geral. Mostre também que existem movimentos possíveis do sistema nos quais as
1454 EQUAÇÕES D IFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

duas massas oscilam sincrônicamente na mesma freqüência co e ache duas freqüências co


para as quais isto é possível. (Estas oscilações são chamadas m odos norm ais. Os
resultados dos exercícios podem ser verificados experirhentalmente.)

T» . g
J l
TTll k

*=i

m2 ^ i ^ l - '^ 2

Fig. 14-21. Molas acopladas Fig. 14-22. Um circuito clclrico

6. C ircuitos elétricos. O caso de um circuito .simples está discutido no Probl. 8 que se


segue à Seç. 14-5. A Fig. 14-22 mostra uma rêde simples. Pela Física, resulta que as
correntes /, I\, /2 e a carga armazenada q estão relacionadas pelas equações

dq
+^ = 1 = 1 , - h-

Aqui, a indutância L , a resistência R e sl capacitância C são constantes positivas e s


é uma função dada de /. Mostre que o vetor x = {q, /i) satisfaz à equação diferencial
d x jd t = A x + f(/), onde

l - l /■1/(LC)
(L C ) o r \& /u

Mostre também que se g é constante e L < 4R^C, então q c h são representadas por
vibrações amortecidas.

7. Verifique as etapas que precisam de justificação na solução do Ex. 2 na Seç. 14-17.

14-19. Método de Eliminação

Ilustramos o método:
EXEMPLO 1 ^
= 3x A- Sy -j- t 10^
dt
14-19. MÉTODO DE ELIMINAÇAO 145S

du
^ = x + y + 2# + 2.
at
Êste é o mesmo que o Ex. 6 da Seç. 14-14. Escrevemos agora D = d/dt
e usamos a notação de operador como na Seç. 14-9. As equações podem
ser escritas

(D — 3)x — 8 y = t + 10»
(14-190)
- X -I- (D - l)y = 2í -I- 2.

Eliminamos agora y multiplicando a primeira equação por D — 1, a segunda


por 8 e somando:

(D - 1)(D - 3)x - 8x = (D - l)(í -t- 10) -I- 8(2í 4- 2) = 15f -I- 7


ou
(D2 - 4 D - 5)x = 15í -I- 7.

Daí, por coeficientes a determinar (Seç. 14-11), achamos que x — Cie^ +


+ C26~‘ -f 1 — 3/. Da primeira equação de (14-190) achamos que

8y = { ü - 3 ) x - t - 10 = (D - 3)(cie5< + c^e~‘ -H 1 - 3í) - í - 10,

e daí, achamos que y = \cie^ — + t — 2. Podemos escrever nossa


solução geral na forma vetorial:

Esta é evidentemente equivalente à solução encontrada na Seç. 14-14.


O método pode ser aplicado a qualquer conjunto de equações diferen­
ciais lineares simultâneas com coeficientes constantes da forma

<Pii(D)xi -I- • • • -I- <Pi„(D)x„ = 9i(í),


(14-191)
9>„i (£>)^1 + • • • + <Pnn(0)»W = 9 n ( 0 -

Aqui, cada <pij(D) está no lugar de um polinómio em D; por exemplo,


5D^ — 2D^ + D — 1; as funções qj(t) são tidas como tendo derivadas de
uma ordem apropriada num intervalo dado.
De (14-191) obtemos um conjunto equivalente de equações (um com
as mesmas soluções) multiplicando-se qualquer çquação por uma constante
1456 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

não nula ou subtraindo-se de (ou somando-se a ) uma equação / (D) vezes


uma outra equação do conjunto, onde / (D) é um polinómio em D, Assim,
podemos substituir a segunda equação em (14-191) por

i<P2i(D) - / ( D ) < P i i ( D ) K + ■ • • + (9 2„ (D ) - /( D ) < p ,„ (D )) x „ =


(1 4 -1 9 2 )
= 92W
Se esta nova equação é válida e a primeira, terceira, . . ., «-ésimas equações
dadas (14-191) são válidas, então a segunda equação dada deve também
ser válida. De fato, / (D) vêzes a primeira equação é então válida:

f(D)<p,,iD)x, -H • • • + f(D)<p,„(D)x„ = f(D)q,{t).

Se somarmos esta equação a (14-192), recuperaremos a segunda equação


original. Reciprocamente, se tôdas (14-191) são válidas, então (14-192) é
válida por raciocínio semelhante.
Aplicando-se os dois processos descritos, podemos sempre sucessiva^
mente eliminar as variáveis, e portanto, conseguir a solução geral, como
no Ex. 1 acima [para detalhes, veja Seç. 7-10 de Theory o f Matrices por
S. Perlis (Addison-Wesley, Reading, Mass., 1952)].

EXEMPLO 2 dx
= - 3i/,
dt

^ = 3íc -I- 4 y .
dt ^

Êste é o mesmo que o Ex. 4 da Seç. 14-14. A equação característica é

^ = 0 ou — 2A -1 -1 = 0 .
3 4 —A

Portanto, existe uma raiz dupla: Xi = \ 2 = 1. O método da Seç. 14-17


falha. Usamos a eliminação:

(1) (D 4- 2)x + 3t/ = 0,


(2) -3 x + (D - 4)1/ = 0.

Multiplicamos (1) por (Z) — 4) e subtraímos de 3 vêzes (2) para obter uma
nova equação:
(2') (D2 - 2D -f l)x = 0.
14-19. MÉTODO DE ELIMINAÇAO 1457

Achamos x = Cié + ctte‘ e substituímos em (1) para obter y :

Zy = —{D 2)ac = —{D -|- 2)(cie* -I- Cgíe*) = — — c^e^iZt + 1).

Na forma vetorial a solução geral é

C ) =( J - jo It .K ) '-

Esta é equivalente à solução encontrada na Seç. 14-14.

EXEMPLO 3

( 1) “ 2*1 + *2.

(2) = -3*2 + *3»


dx.
(3) ^ = -* , 13ic2 + 4x3.
dt

Êste é o mesmo que o Probl. l(f) que se segue à Seç. 14-16. A equação
característica é
2 - \ 1 0
0 - 3 -X 1 = 0.
-1 -1 3 4 -A

Depois do desenvolvimento, esta torna-se (K — 1)*


raiz tripla: Xi = X2 = X3 = 1. Usamos a eli
equação como
(1) (D - 2)x, - X2
(2) (D + 3)x2 - X3 = 0,
(3) Xj + 13x2 + {D — 4)x3 = 0.
Eliminamos x« da terceira equação somando a ela (D — 4) vêzes (2) para
obter

(3') xi -I- (D2 - D -H 1)X2 = 0.

Eliminamos xi da (1) subtraindo dela (D — 2) vêzes (3') para obter

(1') (D3 - 3r>2 + 3D - 1)X2 = 0.


1458 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

X2 = “h C2te^ +
= —(D^ — D 4- l)x2 = — C 2 e\t + 1) — c ^ e \ t ‘^ + 2t 2),
X3 = (D -h 3)x2 = 4- ^2(4 ^ 4- l)e^ 4 - + 2t)e^.
Portanto, a solução geral é
-1 -t-1
1 t I c.
4 4í 4- 1 4t^ + 2 t j
Esta pode ser verificada como sendo equivalente à solução prévia (veja
Probl. 2 que segue à Seç. 14-16).
EXEMPLO 4
' 1 1 0
dx
-1 3 0 X.
dt
. 1 -1 2

Aqui, achamos os autovalores como sendo 2, 2, 2. O método de eliminação


[Probl. 2(e) adiante] dá a solução geral:
= e ^ \ c ^ 4- C2Í), X2 — 4 - ^2(1 4 - í) ], % = e ^ \ — C2 t 4- C3).

Notamos que o autovalor tem multiplicidade 3 mas os polinómios que apa­


recem têm grau de no máximo 1.
EXEMPLO 5
' 2 0 0

dx 2 0 - 2
dt -1 1 3
1 1

Aqui, achamos os autovalores como sendo 2, 2, 2, 1. Por eliminação


[Probl. 2(f)] achamos a solução geral como sendo

^1 = e^^{ 3 c^ + C2 4 - C3),
— ^2t
e^^{3c^ C2 — C4),
X3 = C3^^^ 4- c ^ e \ X4 = e ^ \ 2 c^ + ^2 4- C3) — c^eK

Aqui, apesar do autovalor múltiplo, a solução geral é da forma 4-


+ C2€^^^U2 + . . ., onde ui, U2, . . ., são vetores constantes, exatamente como
no caso dos autovalores distintos.

+14-20. Aplicação da Função Exponencial de uma Matriz


Consideramos aqui séries infinitas cujos têrmos são matrizes n por
n. A soma de tal série é obtida somando-se elemento por elemento;
14-20. >PLICAÇAO DA FUNÇAO EXPONENCIAL 1459

por exemplo,

Aqui, as séries individuais são séries geométricas. Em geral, para A t =


escrevemos

(14-200)
k=p \= p '

contanto que tôdas as séries à direita convifjam.


Se é uma matriz quadrada n por n, podemos definir por tal série:

e» = / + B + ^ B 2 + ••• ••• (14-201)

Veremos que esta série converge para qualquer B, e portanto, define c®


como uma matriz n por n. Por exemplo, para n = 2,

=(ò -

J U 0 ),

Para verificar a convergência de (14-201) em geral, escolhemos uma


constante positiva c tal que | Ay | < c para todos os i e j. Então, cada ele­
mento de B- é da forma

h i K -H • • • -I- tn^nj

e é, por conseguinte, em valor absoluto, no máximo nc^. Por indução,


mostramos dêste modo que cada elemento de é, em valor absoluto, no
1460 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

máximo Então [veja (14-200)] cada elemento de é definido por


uma série que é dominada pela série de têrmos positivos

l + c -h - ^ n c ^ - h ••• + ^ -h • • •
2! Kl

que converge [para — 1) + Ij. Portanto, é bem definida para


qualquer B,
Estamos interessados aqui especialmente em onde é real t A é yma
matriz quadrada constante n por n:

= Z + íA + ^ í 2 A 2 + . • . • + + ••• (1 4 -2 0 2 )
2! k\
Notamos que

= A{I + íA -h • • •) = A -f tA^ -f • • •?
e^^A = (7 + íA -h • • -)A = A 4- íA2 + • • o
e portanto, que
Ae^^ = e^^A. (14-203)

A multiplicação têrmo a têrmo da série por A, pela esquerda ou pela direita,


é justificada pelo raciocínio comum sôbre limites de somas e produtos.
Agora, da definição (14-202), resulta que cada elemento de é em
si mesmo uma série de potências em t que converge para todos os t reais
pelo raciocínio exposto acima. Mas tal série de potências em t pode ser
derivada têrmo a têrmo, substituindo-se por para todos os k\ isto é
demonstrado para séries com coeficientes reais na Seç. 8-18. Para séries
com têrmos complexos, a afirmativa é demonstrada primeiramente tomando
as partes reais e imaginárias. Concluímos que como uma função de t,
tem uma derivada:

4 -e ^ ^ = A + ^ 2 í A 2 -1- . . . -I-
dt 2! k\

= A + tA ^+ . . . 4- ^ í*A *= + i
kl

I t A -\- + ] = Ae^^ . ,
k! )=
Portanto, temos a importante regra para a derivada da função exponencial
i,lA .
14-20. APLICÀÇAO DA FUNÇÃO EXPONENCIAL 14«1

— e'^ = Ae‘^. (14-204)


dt

Esta é a análoga matricial da regra comum do Cálculo {e”)' = ae^.


Por (14-204), podemos agora demonstrar a regra:

. (14-205)

De fato, podemos escrever s + t = h. Daí,

^ ^h-tU^A ,

e, para h fixado, pela regra da cadeia [veja Probl. 10(h) que segue à
Seç. 14-16],

A (^ h -tu ^ A ) = -I- =
dt
= —O.

Portanto, como uma função matricial de /, é constante. Para


r = 0, seu valor é Daí,

como foi afirmado. Por (14-205), concluímos que e comutam:

De fato, ambos os lados são iguais a Se tomarmos t = •- s em


(14-205), concluiremos que

e^0-^A — g0i4 _ _ 2^ (14-206)

Então, em geral, é a inversa de é ^,


Agora aplicamos nossos resultados a equações diferenciais:

TEOREMA 14. Seja Á uma matriz constante n por n. Então, a matriz


fundamental X{t) para a equação diferencial

dx
— = Ax
dt

tal que A^(0) = 1 é

X{t) = e^^.
1462 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Consequentemente, a solução com valor inicial x(0) em t = 0 é

X = e*^x(0).

DEMONSTRAÇAO. Por (14-204) acima, se A" = então

£ (e<^) = Ae‘^ = AX.

Também Z(0) = e^^ = e^ = I + O + . . , + O + , .. = I. Portanto, o teo­


rema está provado.
Assim, parece que temos uma fórmula geral para a solução geral de
um sistema linear homogêneo de equações diferenciais com coeficientes
constantes. Todavia, a expressão (14-202) para e^^ em função de séries
infinitas é difícil de ser trabalhada e, para finalidades práticas, esta fórmula
não é adequada. Esforço considerável tem sido dispendido para encon-
trar-se outros caminhos para computar e^^ e pode-se, de fato, encontrar
sempre e^'^ por operações matriciais que não envolvam séries infinitas.
Quando A tem autovalores distintos, nossa matriz fundamental (veja
Seçs. 14-15 e 14-17) é

Y(0 =
le^'* b„„e^‘

Se multiplicarmos à direita por T“^(0), obteremos a matriz fundamental,


cujo valor em r 0 é / (veja Probl. 2 que segue à Seç. 14-16). Portanto,
esta deve ser a mesma que X{t) = e^^:

\ -1
bn
(14-207)
X11

onde Xi, . . ., X„ são os autovalores distintos de /í e bj, . . ., b,^ são os auto-


vetores associados. Onde A tiver autovalores múltiplos, esta fórmula deve
ser modificada.

Observação. O Teorema 14 mostra que a equação dxldt = Ax tem


uma solução com valor inicial dado em t = 0, A demonstração dada não
se apóia no Teorema de Existência (Teorema 9, Seç. 14-14). Podemos
também mostrar que esta solução é única sem usar o Teorema de Existência.
De fato, se x(/) é üma solução, então.
PROBLEMAS 1463

^ -A x
dt
dx
e —-----e~^^Ax = 0,
dt

^d- ( e - x ) = 0,

e ^^x = c = x(0)í
X = ^^x(0).

Aqui, usamos (14-203), (14-204) e (14-206).


Nossa demonstração mostra com efeito que é um fator integrante
para a equação diferencial.

PROBLEMAS

1. (a ). . . (f) Use o método de eliminação para achar a solução geral de cada uma das
equações do Probl. 5 que segue à Seç. 14-16.

2. Verifique se existe um autovalor múltiplo e ache a solução geral:

h 1 -2 5 13 ) * -

/-I 7 i\ /1 3 -2 0 -8 \
dx
6 llx. -9 -4 jx .
di
\-l 3 2/ V 6 -1 0 -3 /
(e) A equação do Ex. 4 na Seç. 14-19.
(f) A equação do Ex. 5 na Seç. 14-19.

3. Ache a solução geral por eliminação:

dx /I 2\ íe^ — \
(*>■*■ = ( 2 + + 2 e -)‘

_ , dx / 2 6\ / COS 3f -I- sen 3í \ ,


< ^ > * = (2 3l‘ *\ ^3, I

í2 4 n
dx
(d)- ^ = 2 0 7\x +
\8 9 8/ \f3 + 3f - 57

{4. Demonstre: se >4 é uma matriz diagonal com elementos diagonais Xi, . . . , X», então
é uma matriz diagonal com elementos diagonais
1464 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

j5. Seja A uma matriz diagonal com autovalores distintos Xi , . . X^. Seja ^(X) = det
(XI — A), Seja

Mostre que a matriz JLa;(^) tem 0 em tôdas as posições exceto na kk, onde 1 ocorre.
Portanto, mostre que

= e^^^L^{A) + • • • + e^”'L^(A).

(Sugestão, Veja Probl. 4.)

; 6. Seja B uma matriz n por n com autovalores distintos. Então (veja Seç. 10-21) para
alguma matriz U, B — UAU-^, onde A é como no Probl. 4. Mostre que

Lfc(B) = ULj^{A)U~\

e portanto, que

i = l

/I 2 -5 \
í?. Usando o Probl. 6, determine quando 5 = 1 0 —1 4 |.
\0 0 2/

J8. Suponha que C seja uma matriz n por n com X como seu único autovalor. Então,
(C — X/)"* = O (veja Seç. 10-20), e portanto, (C — X/)* = O para k > n. Mostre que

n - l .k

k= 0

;9. Use o Probl. 8 para determinar quando

2 1 3'
0 2 -5
,0 0 2.

;10. Seja A uma matriz constante n por n com autovalores distintos a \ ^ í f t , . . . , « « /ft,
' X2S+1, . . . , Xn, onde X2«+i,. . . , X„ são reais. Sejam ui, . . . , u^ autovetores de A asso­
ciados com a \ + ifiu . . . , as + i0s, sejam U2«+i, . . . , Un autovetores de A asso­
ciados com X28+1, . . Xn. Tenham U2s+i,. . . , Un componentes reais; sejam ui = ui' +
+ /ui",. . . , U5 = Us' + /u'%, onde ui ' , . . . , têm componentes reais. Mostre que as
n funções
eA^\cos — senyS^^f u^') = Re */c = 1, . . ., 5
(*) e®*^(senjS^í uj^ + cos ü]^') = Im k = 1 , s
14.21. SISTEMAS LINEARES AUTÔNOMOS 1465

são soluções reais de dxidt = Ax^ línearmente independentes em relação a coeficientes


reais em ( — o o ). [Sugestão, Mostre primeiro que u** = u*' — lu*" é um auto-
vetor de A associado com a k —ifik* Depois mostre que as n funções (*) são exprimiveis
como combinações lineares das n funções

{k= 1 ,.... s)
D
28 + 1»

e também que as funções (**) são exprimiveis como combinações lineares das funções (*)»
de *modo que ambos os conjuntos geram Portanto, as funções são linearmente
independentes em relação a coeficientes complexos. Agora, mostre que isto implica
que elas são linearmente independentes em relação a coeficientes reaist]

11. Demonstre: para tôdas as matrizes quadradas A, é não singular. [Sugestão, e*^ é
uma matriz fundamental de dxjdt = Ax.]

14-21. Sistem as Lineares Autônom os de Ordem Dois

Nesta seção consideramos o sistema linear


dx,
— = 4- « 12X2
ou ^ = A x. (14-210)
dxo dt
— = 021X1 + 0-22X2

Aqui, A = (oii) e as 0,7 são constantes reais. Já que t não aparece no lado
direito, o sistema é autônomo (Seç. 14-1). Cada solução provê um caminho

JCj = X i(t), X j = X2(t), - 00 < f < 00 ( 1+ 211)


no plano X1X2. Assim, t é interpretado como um parâmetro ao longo do
caminho. Fisicamente, t é normalmente tempo e referir-nos-emos sempre
a êle desta maneira.
Se em (1+21 1) substituirmos t por t + h, onde A é uma constante, então
obteremos um outro caminho que passa através dos mesmos pontos no
plano X1X2, com um atraso ou uma antecipação em tempo de h, conforme A
seja negativo ou positivo. O caminho atrasado ou antecipado é também
uma solução de (1+210). De fato, por (1+210), x'(t) = A x(t) para todos
os t, e portanto, x'(r + A) = A x(t + A); assim, pela regra de cadeia,

4-x(í + A) = x'(f + A) = Ax(t + A).


dt

Para um dado ponto (xi<*\ no plano X1X2 podemos sempre


achar uma solução (1+21 1) que passa través dêste ponto. Logo, preci-
1466 EQUAÇÕES D IFERENCIAIS ORDINARIAS CAP. 14

samos somente escolher a solução (14-211) com valores iniciais xi(0) =


X2(0) = Se

X l = X*(f), X j = X 2(í)

é uma outra solução que passa através de digamos, para t = Uy


então devemos ter

“ ^o)’ ^2(0 = - O-

Então, tanto (a:i *(0, ^2*(0) como (xi(t — to), X2(t — ío)) são soluções de
(14-210) e concordam para t = to\ portanto, pela unicidade das soluções,
elas concordam para todos os t. Logo, afora o atraso ou antecipação em
tempo, existe somente um caminho-solução através de cada ponta
no plano.

Observação. Pode-se eliminar t de (14-210) para obter a equação simples


de primeira ordem

_ ^21^1 ^22^2 (14-212)


dXi 011^1 + ^12^2
As soluções (14-211) são representações paramétricas das soluções de (14-212).
Notamos que (14-212) é do tipo y' = giyjx) (equação homogênea de pri­
meira ordem) estudada na Seç. 14-4. Portanto, como assinalamos nessa
seção, afora os raios que começam em (0, 0), as soluções são uma famílig^
de curvas semelhantes (veja Probl. 4 adiante).
Prosseguimos agora para estudar as, configurações formadas pelos
caminhos-solução. Consideramos primeiro um exemplo.

EXEMPLO 1
dx ^ / I —2 \
= L -4 /

A equação característica é

1- A -2
= 0 ou A2 + 3X 2 0.
3 -4 - A

Os autovalores são — 1 e — 2. Como na Seç. 14-17, encontramos soluções


linearmente independentes x = {e~\ e x = (2e“^^ 3e~^^). Então, a
solução geral é
14-21. SISTEMAS LINEARES AUTÔNOMOS 1447

2 e -^ \/c A
\e - ‘ 3 e -^ /\c J
OU

Xi = c-^e ^ Xg = c^e~^ + 3c2e“2^

Para ci = 1, C2 = 1, obtemos a solução particular


Xi = e~^ -I- 2e~^\ X2 = e~^

Notamos que —►0 e X2 —►0 quando / —> <» e que jci —►<» e JC2 ®
quando / — oo. Outras propriedades do gráfico são encontradas com a
ajuda de derivadas, como na Seç. 6-4. Esta solução e aquelas para outras
escolhas de ci, C2 estão desenhadas na Fig. 14-23. As setas apontam no
sentido de / aumentando.

FIg. 14-23. Nó

Notamos que quatro das soluções são raios. Também, para Ci = 0, C2 = 0,


obtemos a solução zero x \ = 0, JC2 = 0, que permanece na origem para todos
os /; portanto, referimo-nos à origem como um ponto de equilíbrio. Afora
os raios e as soluções zero, as soluções formam uma fandlia de cufvas seme­
lhantes ; tendo desenhado uma tal curva, pode-se desenhar outras substi­
tuindo-se cada ponto (xi, X2) na primeira curva por {kx\, k x ^ para uma
constante k (positiva ou negativa). É claro que tôdas as soluções apro-
1468 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

ximam-se da origem quando de modo que o ponto de equilíbrio


é estável. Já que os autovalores Xi, X2 são ambos negativos, isto era de
se esperar (Seç. 14-18).
Para o sistema geral (14-210), podemos classificar as configurações
possíveis de acordo com a natureza dos autovalores. Os principais casos
são os seguintes:
I. Nó. (a) X2 < Xi < 0 ou (b) 0 < Xi < X2.
II. Ponto de sela. Xi < 0, X2 > 0.
III. Foco. X = a zb //3, e (a) o: < 0 ou (b) a > 0.
IV. Centro. \ > 0.
Esta lista omite certos casos limite tais como Xi < 0 e X2 = 0. Ilus­
tramos alguns dos casos ausentes nos exercícios adiante. Para aplicações,
os casos enumerados são aquêles de maior interêsse.
Na discussão a seguir, várias propriedades das soluções serão enunciadas
sem demonstração. Para maiores explicações se é reportado ao Cap. 11
de ODE.

Caso I: Nó. (a) Autovalores desiguais e negativos. Aqui nossas so­


luções são dadas por

-I-
X 2 < X i< 0 . (14-213)
^2 = -h

(Al, A2) é um autovetor associado a Xi e (Ai, é um autovetor associado


a X2. Este caso está ilustrado no Ex. 1 anterior (Fig. 14-23) e as proprie­
dades principais observadas são válidas em geral. Por exemplo, 0
e X 2-^0 quando já que os autovalores são negativos e a origem
é um ponto de equilíbrio estável. Existem quatro soluções que são raios:
aquelas para Ci = zh 1, C2 = 0 e aquelas para ci = 0, C2 = dz 1. Para as
duas primeiras xi = zt h^e^^^ X2 = ± e os raios passam através de
(~Ai, -A2); para as duas segundas, os raios passam através de (-A i,
- k ^ . Assim, os dois auto vetores servem para localizar as quatro soluções
radiais. Para uma outra solução que não um raio ou a solução zero, obser­
vamos que

%2 _ ^1^2 "F
Xi ~ + C2k-^e^^^ -h ^

e, já que X2 < Xi, x j x i quando / > co. Isto implica que a solução
se aproxima da origem na direção tangente à solução radial X\ = cihié^^\
X2 = CiA2^^^^; isto está ilustrado na Fig. 14-23.
14-21. SISTEMAS LINEARES AUTONOMOS 1449

Caso I: (b) Autovalores desiguais e positivos. Aqui 0 < Xi <


Nó.
< Xj; a discussão é a mesma que para o Caso I(a), exceto que a direção
do tempo é invertida e / -^ <*> deve ser substituído por í ^ ® em todos
os lugares. A configuração é a mesma que na Fig. 14-23, exceto pela inversão
de orientação dos caminhos. A origem toma-se um ponto de equilíbrio
instável.
Caso //: Ponto de Sela. Autovalores de slhais opostos. As soluções
são dadas novamente por (14-213), exceto que agora Xi < 0 < Xt-
Temos novamente Soluções radiais x = ± Aj) e x = ± A:*)-
Cada uma das duas primeiras aproxima-se da origem quando 00, já
que Xi < 0; cada uma das duas segundas aproxima-se da origem quando
/ —» — 00, já que Xt > 0. Há novamente uma solução zero, de modo que
a origem é um ponto de equilíbrio. Para cada solução que não um raio
ou a solução zero, quando / ± oo uma ou ambas dentre Xi e Xt deve
ter um limite infinito, pois quando r oo, —»o, oo e há um racio­
cínio análogo para t —* — <*>. Um exemplo típico está desenhado na
Fig. 14-24. A configuração é chamada de ponto de sela. Neste caso, a
origem é claramente um ponto de equilíbrio instável.
Caso III: Foco. (a) X = a ± i/3, a < 0, /S > 0. Se (Ai + iftt, á i+
+ iki) é um autovetor correspondente a X = a + i/3, então uma solução
complexa é a função vetorial ((Ai + /At)e(“+^'^>‘) e, por conseguinte, soluções
reais linearmente independentes são dadas por
/ c“*(Ai COS — Aj senySt) \ / «“‘(Aj cos -f Aj sén^Sí) \
\ cos fit — k^sen0 t) ) ’ \ e"‘(A2 c o s ^ t + k ^se u P t))

Fig. 14-24. Ponto de seia


1470 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

e a solução real geral é dada por

c o s^t — /igSenySí) + C2^^(/i2 cos^Sf + /i^sen^Sf),


(14-214)
Xg = COS — fc2sen^f) + C2^^(fc2 cos/3t + fc^sen/^f).

O exemplo seguinte ilustra a natureza das soluções.

EXEMPLO 2

dx
dt - L I - I h

Os autovalores são encontrados como sendo — 1 d= /. Um autovetor corres­


pondente a — 1 -f- / é encontrado como sendo ( — 1, 1 — /). Portanto,
Al = — 1, /i2 = 0, = 1, /:2 = — 1 e a solução geral (14-214) torna-se
= —c^e~^ COS t — C2^“^sení,
X2 = c^e~\cos t -h sení) -h C2^~^( —cos t -h sen f).

À solução com Ci = 1, C2 = 0 é

Xj = e~^ COS t, X2 = e~^(cos t -f- sen t). (14-215)

Se o fator e ^ não estivesse presente, teríamos o caminho JCi = — cos t,


JC = COS í H- sen t, que é uma elipse.
2 De fato,

Xj -h X2 = sent, (xj -h X2)^ =sen^ t = I — cos^ t = 1 — x^


ou
2x^^ -I- 2x^X2 -1- X2^ = 1.

Pela regra da Seç. 6-5 (B^ — 4ÀC < 0), esta curva de segundo grau é uma
elipse. Verificamos também pelas equações paramétricas que, à medida
que t aumenta, a elipse é traçada no sentido dos ponteiros do relógio.
O caminho real (14-215) difere do caminho elíptico por causa do fator
À medida que t aumenta, e~^ diminui aproximando-se de 0. Portanto, o
caminho deve mover-se em espiral em direção à origem aproximando-se
dela quando / 00. Pela semelhança dos caminhos, todos os outros ca­
minhos são também espirais e obtemos a configuração da Fig. 14-25, cha­
mada um foco. A origem é evidentemente um ponto de equilíbrio estável.
14-21. SISTEMAS LINEARES AUTÔNOMOS 1471

Fig. 14-26. Centro

Pode-se mostrar que o exemplo é típico do Caso III(a).

Caso III: Foco. (b) X = a ± i/3, a > 0, /3 > 0. Aqui as soluções


são as mesmas que no precedente, exceto que o fator aumenta à medida
que t aumenta. Por conseguinte, obtém-se a mesma configuração com
setas invertidas. A origem é agora instável.

Caso IV : Centro. X = ± |3/, |8 > 0. Êste caso é semelhante ao


Caso III, exceto que o fator exponencial e ^ está faltando e os caminhos
são elipses semelhantes. Damos uma ilustração:

EXEMPLO 3
íÈc _ /2 —1 \
- 2/ ’

Os autovalores são dz /. Para X = /, um autovetor é (1, 2 — i). Portanto,


para o Caso III, achamos a solução geral:
Xi = Cj COS t -f CgSent, Xg = Cj(2 cos t -h stnt) -h C2(2senf — cos f).
1472 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Para ci == 1, C2 = 0, a solução é xi = cos t, X2 = 2 cos t + sen t, Elimi-


nando-se t obtemos

+ ^2^ = 1.

Já que 16 — 20== — 4 < 0 , o caminho segue uma elipse. As soluções


estão desenhadas na Fig. 14-26.
No caso de um centro, cada solução é. limitada, e portanto, chama­
ríamos a origem de ponto de equilíbrio neutramente estável
Aplicação a Equações Não Lineares. Seja dada uma equação autô­
noma.

^ = F (y ) (14-216)

onde y é agora um vetor de F,, e F é definida e tem uma matriz jacobiana


contínua Fy numa região aberta D de Vn. Seja F(y°) = 0. Então y =
= const. = é uma solução da equação diferencial (14-216), isto é, y®
é um ponto de equilíbrio. Em muitos problemas, deseja-se estudar o com­
portamento das soluções perto de tal ponto de equilíbrio, como fizemos
para o sistema linear (14-210). Já que y deve permanecer próximo a y°,
é razoável escrever, como na Seç. 12-12,

AF = F(y) - F(y0) ^ dF = A{y - y^) 9

onde A é Si matriz jacobiana Fy avaliada em y°. Já que estamos admitindo


F(y0) = 0, nossa relação torna-se

F(y) ~ A(y - y»)

e a equação diferencial (14-216) está sendo aproximada, para y perto de y°,


pela equação

(14-217)

Finalmente, pomos x = y — y® (isto é, tomamos uma nova origem no ponto


de equilíbrio y^^) e (14-217) torna-se a equação linear homogênea:

dx
— = Ax, (14-218)
dt

Aqui, A é uma matriz constante, de modo que a teoria da Seç. 14-17 se


aplica.
PROBLEMAS 1473

Mostra-se que, exceto em certos casos críticos, a equação aproximadora


(14-218) nos dá as características principais das soluções da equação dife­
rencial não linear original (14-216) próximo ap ponto de equilíbrio. Em
particular, se todos os autovalores de A tiverem parte real negativa, de modo
que a solução zero de (14-218) seja estável, então a posição de equilíbrio y**
será também estável. [Veja, por exemplo, o Cap. 13 do Uvro Theory o f
Ordinary Linear Differential Equations por E. A. Coddington e N. Levinson
(McGraw-Hül, N.Y., 1955).] S e n = 2 , então a equação linear aproximadora
(14-218) tem forma (14-210) e pode-se classificar os possíveis casos como
acima. Pode-se mostrar que se a equação linear tem um nó, então o tem
a equação não linear; o mesmo é válido para um foco ou um ponto de sela,
mas é falho para um centro (veja Cap. 11 de ODE).
Aplicações a Vibrações Não Lineares. Em vários problemas físicos se
é levado a uma equação diferencial não linear

assemelhando-se à equação para vibrações considerada na Seç. 14-13. Se


se escreve x i = x, X2 = dxidt, então a equação é substituída por um sistema
de duas equações

^ = X2, % = -X 2 f(x i. *2) - g(*i)


dt

que são um caso especial de (14-216). Logo, as soluções de (14-219) podem


ser estudadas no plano X1X2, usualmente denominado plano de fase.

PROBLEMAS
1. (a) Verifique o gráfico na Fig. 14-23 das soluções do £x. 1.

(b) Verifique se o sistema dxijdt = 2jfi + 3jc2, dx^jdt é do tipo n,


ache a solução geral e verifique o gráfico das soluções dado na Fig. 14-24.
(c) Verifique o gráfico na Fig. 14-25 das soluções do Ex. 2.
(d) Verifique o gráfico na Fig. 14-26 das soluções do Ex. 3.

2. Para cada uma das seguintes escolhas da matriz A, ache a solução geralda equação
diferencial dxjdt = A x e diga se se tem um nó, um foco,um ponto de sela ou um centro
e diga se a origem é um ponto de equilíbrio estável.

^ --1 1 }
1474 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

« ( J o ) « (-_ * ; S )'
3. Para cada uma das seguintes escolhas da matriz A, a equação diferencial dx/dt = Ax
ilustra um caso não incluído nos casos de I a IV discutidos no texto. Ache a solução
e desenhe as soluções:

'•'C: í )

4. Para mostrar a semelhança dos gráficos das soluções da Eq. (14-210) demonstre: se
^1 = /i(0 » ^ 2 = Â U ) é uma solução, então, assim o é xi = X2 = kfiit) para
qualquer constante k. Interprete o resultado em função de espaços vetoriais.

5. Para cada um dos seguintes sistemas não lineares, mostre que a origem é um ponto
de equilíbrio, ache o sistema linear aproximador na origem, determine o tipo de confi­
guração para o sistema linear e daí, determine se a origem é um ponto de equilíbrio
estável para o sistema não linear dado.

dx2
—3 s e n x i + 4(g^- — 1),
~dT ^ dt

[Sugestão. Veja a Probl. 2(a).)

1_ dx2
—5x^ -h 4^2 + XjX2,
dt “ ~df ~
[Sugestão. Veja o Probl. 2(b).|

^ ^ ^1 - ^2 __ -h
dxo _ __________ _
dt I X2 ' dt 1 -f Xj 4- ^2 *

(d) ^ = e*'*-sen (x^ + ^ = cos (Xj - ^2) - 1 + 2 x2 -

14-22. Solução por Série de Potências

Lembramos que a Série de Taylor (Seç. 8-20) de uma função f ( x ) com


centro Xo é a. série

(X - xf
/ ( ^ o ) + / ' ( ^ o ) ( * - * 0) + / " ( * o ) 2!
(X - XoT
(14-220)
n\

Sob condições apropriadas esta série converge p a ra /( a:) num intervalo com
centro Xq.
14-22. SOLUÇÃO POR SÉRIE DE POTÊNCIAS 1475

Agora, SC y = f ( x ) é uma solução de uma equação diferencial

y = F {x .y ) (Í4-221)

t F é apropriadamente derivável, então podemos obter o valor / (xo) = yo


de uma condição inicial dada e podemos obter tôdas as derivadas de / em Xo
da própria equação diferencial. A equação dá-nos primeiramente

f'(^o) = p(^o> yo) = y'o-

Em seguida, derivamos a equação diferencial para obter uma expressão


para Pela regra da cadeia, y " Fyy', de modo que

/"(xo) = F,(xo. yo) + yo)y'o = y'ó

Por derivação repetida, podemos achar e daí, obter f ^ " \ x ^ em função


dos valôres prèviamente encontrados. Portanto, podemos, em principio,
construir a Série de Taylor (14-220) e daí, se soubermos que a série converge
para /(x ), poderemos obter a solução desejada de (14-221) como a soma
de uma série de potências. Um raciocínio semelhante aplica-se a equações
de ordem mais alta e a equações simultâneas. Em todos os casos, os va­
lôres iniciais nos dão a partida e as equações diferenciais nos dão uma infor­
mação pela qual podemos obter sucessivamente tantas derivadas da solução
quantas desejadas. Prosseguiremos a ilustrar o processo formal por exemplos.
EXEMPLO 1

y ' = x + y + ^ , y = 0 para x = 0.

Aqui, / = 0 * 0 + 0 = 0 para x = 0. Em geral,

y" = l + y' + 2yy\


y '" = y " + 2j/'2 -I- 2yy",
yW = + 6y'y" + 2yy"',
y<5) _ y<4) ^ 8y'y"' + 6y"2 -H 2yy*^,
y(6) _ y<5) ^ 10y'y^^* -|- 20y"y'" -|- 2yy^®, . . .

Portanto, com x = 0, j = 0, / = 0, achamos que y ” = 1, / " = 1, = 1,


_y(*) = 7^ y(») = 27. Logo, nossa solução é

ff (Mx )—- nt -1-


+ O 0 xr -I-
+ - J+- - -I.
+ ^** -U
+ — 4-
+ - ^

Notamos que é difícil achar uma fórmula geral para o n-ésimo desta série.
1476 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÃRIAS CAP. 14

EXEMPLO 2 / ' = xy, com y = 1, y' = 2 para x = 3. Aqui, y ” = 3


para x = 3 e

y"' = xy' + y, = xy" + 2y', y^^'> = xy"' + 3y", . . . ,

e, evidentemente, enl geral,

y (n ) _ j-y (n -2 ) ^ _ 2 )y ^ ” ~3)

Portanto, em x = 3, temos 7 = 1, j ' = 2, y ' = 3 e y "' — 7, y^^^ = 13,


^(6) = 30, = 67 e nossa solução é

r. X , .X 3(^ - 3)^ 7(x - 3)3 13(x - 3)4 ,


f{x) = 1 + 2(x - 3) + ^ ^ ' '
2! 3! 4!
^ 30(x - 3)3 ^ 67(x - 3)3 ^
5! 6!

EXEMPLO 3 (dxidt) = xy, {dyjdt) = x — y; jc = l, 7 = 0 para t = 0.


Aqui, x'(0) = 0, j'(0 ) = L Em geral (com ' = d/dt),

x' = xy, y' = x - y, x" = xy' + x'y, y" = x'- y',


x'" = xy" + 2x'y' + x"y, y"' = x" - y", . . .

e daí,para / = 0: x = 1, >> = 0, x' = 0, y = 1, x" = 1, y" = — 1, x '" = — 1,


y '" = 2 e nossa solução é

, = i + 0, + | - | i + . . ,

, = 0 + < - | + 2 |l+ ...

Dêstes exemplos, fica claro que formalmente a série de potências para


a solução é univocamente determinada e pode ser encontrada explicitamente
para tantos têrmos quantos forem desejados. Pode-se mostrar que, para
cada um dêstes casos, a série converge em algum intervalo em tôrno do valor
inicial Xo e de fato representa a solução única com os valores iniciais dados.
Em geral, para uma equação de primeira ordem (14-221), se soubermos
que F(x, y) é analítica numa vizinhança de (xo, >^0), isto é, representável por
sua Série de Taylor (Seç. 12-21) em tal vizinhança, então a série de potências
formal obtida para a solução de fato converge e representa a solução em
algum intervalo |x — Xo| < h. Há enunciados semelhantes para equações
de ordem mais alta e equações simultâneas. Para demonstrações destas
afirmativas, veja o Cap. 12 de ODE.
14-22. SOLUÇÃO POR SÉRIE DE POTÊNCIAS 1477

Caso de Equações Lineares. Para equações diferenciais lineares, pro­


cesso formal para achar soluções por série de potências pode ser simplificado
e, em muitos casos, podem-se encontrar fórmulas para o /i-ésimo têrmo da
série para a solução geral. Também se pode ser muito mais específico
acêrca do intervalo no qual a série-solução é válida. . Para informação sôbre
êste ponto, veja a Seç. 12-14 de ODE.
EXEMPLO 4 y ” + 3xy' + y = 0. Procuramos uma solução na forma de
uma série de potências com centro jc = 0, mas deixamos os valôres iniciais
de e não especificados. Escrevemos

y = Co -h CiX -f • • • -h c^x" -h • • •,
de modo que
y ' = Cl H- 2 c2X -I- • • • -h n c^ x ^ ^ + ••
y" = 2c2 + 6C3X -h • • + n(n — l)c„x""2 -|- . . .

Substituímos na equação diferencial:

2c2 + 6C3X -h • • • -h n(n - + . . . -|-


-h 3x(ci -h 2C2X -h . . . -h nc„x"” ^ -h • • •) +
+ Cq -h CjX + • • • + c„x" + • • • = 0 .

Raciocinamos então que o lado esquerdo pode ser arranjado como uma
série de potências em x e que a soma de tal série pode se reduzir a 0 em um
intervalo sòmente se o coeficiente de fôr 0 para cada n (Seç. 8-17). O
coeficiente de x^ é 2c2 + Co e o de x^ é 6cz + 4ci, . . . , de modo que po­
demos concluir:

2 c2 -H Cq = 0, 6C3 -h 4 c i = 0, I2C4 -h 7 c2 = 0,

e, em geral,

n(n — l)c^ + (3n — 5)c^_2 ~


Daí,

1
^2 — “ "2 ^0» ^3 “ 0 ^1» ~ 12
e, em geral, há uma fórmula de recorrência:
3n - 5
n ( n - l ) ^n-2 ■
1478 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

Portanto, se n fôr par,

- ( 3 n - 5) - (3 n - 11) -7 -1
Cr, =
n(n - 1) (n - 2)(n - 3) 4 -3 2 - 1 ^0 í

se n fôr ímpar,

_ _ (3 n - 5) ^ -(3 n - 11) -4
n (n — 1) (n — 2)(n — 3) 3 -2

Aqui, Co e Ci podem ser escolhidos arbitràriamente; são exatamente os va­


lores iniciais áQ y q y' para ;c = 0. Nossa solução geral pode ser escrita

( - l ) ( - 7 ) - . . ( - 3 n + 5)
= 0 .(lV Í x”) +
' n -2
n!
npar
A x I f ; ( - 4 ) ( - 1 0 ) - - - ( - 3 n + 5)
+ C X” ,
' n=3 n!
n impar

ou, com n = 2k na primeira série e « = — 1 na segunda,

( - I f l • 7 ••• (6 fc -5 )
x2'=)-t-
+ .1 (2i)I

i - l ) H • 10 . (6fc - 8)
+ c,(x+ J
(2fc - 1)1

A razão entre têrmos consecutivos na primeira série é (6k — 5)x^l[2k(2k — 1)};


esta tem limite 0 para todos os x quando A: . Portanto, a série con­
verge para todos os x. A mesma situação prevalece para a segunda série.
Portanto, tôdas as etapas formais são válidas e os dois parênteses repre­
sentam soluções 3^i(x) e yi(x) para todos os x. As duas funções são linear­
mente independentes, já que nenhuma das duas é uma constante vêzes a
outra. Portanto, nós, de fato, encontramos a solução geral da equação
diferencial.
No exemplo acima, notamos que a equação pode ser escrita

y" = - 3 x y ' - y = F{x, y, y')

e o lado direito é bem definido e contínuo para todos os x, y, y'. Em um


número de importantes equações diferenciais lineares, resolver para a deri­
vada mais alta leva a descontinuidades precisamente nos valores x de maior
14-22. SOLUÇÃO POR SÉRIE DE POTÊNCIAS 1479

interesse. O exemplo seguinte ilustra esta dificuldade. Mostramos como,


apesar da dificuldade, soluções podem ser encontradas com a ajuda de série
de potências.

EXEMPLO 5 + xy* + (x* — h?)y = 0, onde k é uma constante nào


negativa. Esta equação é conhecida como Equação de Bessel. Se resol­
vermos para obteremos

- x y ' - (x2 -
y" = = F(x, y, y')

e F é descontínua para x = 0, de modo que o Teorema de Existência não


é aplicável quando 0 é o valor inicial para x; diz-se que a equação tem um
ponto singular em x = 0. Achou-se que uma solução pode ser encontrada
na forma

i/i(i) i= **(1 + + C2** H: + + •), (14-222)

onde a série converge para todos os x. Se A: é um inteiro não negativo,


esta é certamente uma série de potências para Todavia, k pode ser
uma fração tal como § e então nossa solução não é uma série de potências
em X. Para verificar a veracidade de nossa afirmação, simplesmente subs­
tituímos (14-222) na equação diferencial e tentamos determinar os c:

yi(Jt) = X* -H -J- CaX*"*"* -I- -I- c„x*+2« ^


yi(x) = -I- Ci(A: -I- 2)x*'*'^ + C2Ík -|- 4)x*‘*'®-!-••• +
-I- c„(it -I- 2 n)x*+2n-i + . . .
y"(x) = it(jt - l)x*-2 -I- c,(Jt + 2)(k -t- l)x* -I- C2(Jt -H 4)(it -|-3)x*+2 -I- . . . +
-I- c j)í + 2n)(k + 2n — l)x*‘*'2"“^ -!-•••

Daí,

x2yi' + xy{ (x2 - jt2)yi = k(k - l)x* -I- Ci(Jk -I- 2){k + l)x*+2 -I-
-I- c^(k + 4)(lt -I- 3)x*+“ -I- • • • -I- c„(jt -I- 2n)(Jt -I- 2n - l)x*+2» + ■■■ +
-H fcc* -H Ci(k + 2)x*+2 4- C2Ík -I- 4)x*f"''^ -H • • • -H c„(k -t- 2n)x*'*'^" +
+ . . . + **+2 + dX^+4 ^ c2X*+« -I- • • • -I- C,X*+2"+2 + ----- ^
- it2ciX*+2 _ jt2c2X*+< - . . . - it2c„x''+2» _ . . . = Q.

A potência mais baixa de x que ocorre é x*. Seu coeficiente é k (k - 1 ) - | -


-1- A: — A:* = 0. Portanto, êste têrmo cai. Para x* +* p cqeficiente é
Ci(Jk -I- 2)(jt -I- 1) -I- c^(k -I- 2) -I- 1 - Jk^ci = c^(4k 4- 4) -I- 1
1480 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS CAP. 14

e igualando êste a zero temos

-1
c. =
^ 4(fc + 1)

O coeficiente de + é

cjjk + 2n)(fc + 2n — 1) -h cjjk H- 2n) +

e igualando êste a zero temos

= —■ ^n-l