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DIREITO CIVIL - PROF. PABLO STOLZE www.novodireitocivil.com.

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31/07/2008 INTENSIVO I
AULA 1
1- PERSONALIDADE JURIDICA
1.1 - CONCEITO:
É moldado em primeiro plano pela psicologia, no entanto para o direito é aptidão genérica para se
titularizar direitos e contrair obrigações na ordem jurídica, ou seja, é qualidade para ser sujeito de direito.
-Questão: em que momento a pessoa física adquire personalidade jurídica?
1cr.: Em primeira interpretação literal do CC, podemos afirmar a luz da primeira parte do Art. 2 do
nascimento com vida.1
Obs: nascimento com vida significa: funcionamento do aparelho cardiorrespiratório, com a conseqüente
separação da mãe. Resolução n 1/88 do conselho nacional de saúde. Diferentemente do Art. 30 do
código civil espanhol a luz da dignidade humana, a luz da personalidade jurídica, não exige a forma
humana e nem o tempo mínimo de sobrevida.
1.2 NATUREZA JURIDICA DO NASCITURO
-Questão: o que é nascituro? R: Com base no pensamento de Limongi França o nascituro é o ente
concebido, mas ainda não nascido.
- Questão: o nascituro tem personalidade jurídica é sujeito de direito?
Teorias fundamentais sobre o nascituro:
a) natalista: para esta teoria a personalidade jurídica só adquirida a partir do nascimento com vida, de
maneira que o nascituro não seria considerado pessoa, gozando apenas de expectativa de direitos.
Expoentes: Vicente Rao, Silvio Rodrigues, Eduardo Spinola, Silvo Venoza.
b) personalidade condicional: para esta segunda teoria o nascituro teria uma simples personalidade
jurídica formal, de maneira a permitir o reconhecimento de direitos personalíssimos; no entanto, a sua
personalidade só estaria completa e materialmente formada, sob condição de nascer com vida. Expoente:
Serpa Lopes
c) concepcionista: para esta terceira teoria o nascituro é dotado de personalidade desde a concepção,
vale dizer, o nascituro é sujeito de direito, inclusive para efeitos patrimoniais. Expoentes: Augusto Teixeira
de Freitas, Clovis Beviláqua, Silmara Chinelato, Maria Berenice Dias.
Para este o nascimento com vida vem confirmar a personalidade ex tunc desde a concepção.
Acórdão da lavra de Maria Berenice Dias: condenou o pai ao pagamento de alimentos retroativos desde a
concepção.
Esta teoria explica com mais clareza os direitos conferidos ao nascituro, uma vez que lhe reconhece
personalidade jurídica (ver no material de apoio quadro esquemático elencando hipóteses de
reconhecimento de direitos de nascituro).
Questão: Qual é a teoria explicativa adotada pelo CC?
R: Clovis Beviláqua no clássico livro código civil dos estados unidos do Brasil edição de 1940, afirma que
teoria natalista é mais pratica posto não seja a melhor. Assim, concluímos que o CC no Art. 2
aparentemente pretendeu adotar a teoria natalista, embora haja sofrido inúmeros pontos influencia da
doutrina concepcionista.
Questão: O nascituro tem direitos alimentos? R: embora a jurisprudência resista existe decisões no
sentido(agI 70006429096TJRS) de conceder alimentos ao nascituro.
Questão: O nascituro tem direito a indenização por dano moral? R: STJ (resp 399028 da quarta turma)
admitiu a possibilidade de indenizar o dano moral sofrido por nascituro.
NATIMORTO X NASCITURO
Natimorto: é o nascido morto e para ele, nos termos do enunciado n 1 da primeira jornada de direito civil
são reconhecidos determinados direitos. No que concerne a nome, imagem, sepultura.
Estes enunciados não são sumula e nem jurisprudência, são postulados de doutrinas, para facilitar a sua
interpretação.
3 CAPACIDADE
3.1 - CONCEITO:
a) Capacidade de direito: é capacidade genérica reconhecida a toda e qualquer pessoa.
b) Capacidade de fato: é a capacidade para pessoalmente praticar atos na vida civil.
-Nem todo mundo tem, uma criança tem capacidade de direito, mas não de fato.
A capacidade de plena e soma das duas capacidades.
A incapacidade é ausência de capacidade de fato.
4 - INCAPACIDADE
a) absoluta Art. 3 - o absolutamente incapaz é representado.
b) relativa Art. 4 - o relativamente incapaz é assistido.
Questão: Na proteção conferida aos incapazes, insere-se o beneficio de restituição (restitutio in
integrum)?
R: beneficio de restituição: trata-se de um beneficio que era concedido aos incapazes, para permitir a
anulação do negocio realizado, caso lhe fosse prejudicial.
O CC permite a anulação do negocio jurídico quando houver conflito de interesses entre representante e
representado. Podendo ser pedido a anulação pelo ministério público.2
4.1 - INCAPACIDADE X ILEGETIMIDADE
ILEGITIMIDADE : traduz um impedimento específico contra pessoas capazes.
Ex: dois irmão maiores capaz não podem casar entre si. Art. 1521, IV.
Ex: o tutor não pode adquirir bens do tutelado: Art. 1749, I.
4.2 - INCAPACIDADE ABSOLUTA
Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I os menores de dezesseis anos;
II os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática
desses atos;
Através do processo de interdição o juiz de direito reconhece a incapacidade absoluta, nomeando lhe
curador, uma vez publicada e registrada a sentença, qualquer ato que venha praticar é considerado
invalido.
Questão: não estando o absolutamente incapaz interditado, o ato por ele praticado pode ser considerado
invalido?
R: Orlando Gomes seguindo doutrina italiana, na linha do Art. 503 codigo civil da frança, afirma que o ato
pode se invalidado se concorrem três requisitos: a) incapacidade, b) prejuízo ao incapaz, c) má-fé da
outra parte. Lembra-nos Silvo Rodrigues que a má-fé da parte pode ser provada pela circunstancias.
III os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
Ex: pessoa que sofre acidente de carro, e está em coma. Causa transitória que priva o discernimento.
Ex: intoxicação fortuita pode gerar incapacidade absoluta cinderela. Ex: boa noite cinderela.
Obs: Vale lembrar, segundo o grande Alvino Lima ( culpa e risco ) que a intoxicação provocada
voluntariamente a luz da teoria actio libera in causa , não é fundamento para exclusão da
responsabilidade civil.
SURDO MUDO
Mesmo não havendo inciso explicito o surdo mudo incapaz de manifestar vontade esta implicitamente
contemplado no inciso III dor Art. 3 CC.
4.3 INCAPACIDADE RELATIVA
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:
I os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento
redu zido;
EMBRIAGUES
A embriagues e toxicomania for total, privam totalmente o discernimento é absolutamente incapaz.
III os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV os pródigos.
-PRÓDIGO
O prodigo pode ser interditado, mas é uma interdição parcial, pois o curador somente devera assisti-lo em
atos de conteúdo patrimonial. Art. 1782 CC.3
Questão: Para casar o curador do prodigo deve se manifestar? R: o curador deve se manifestar no
aspecto patrimonial do matrimonio, ou seja, sobre o regime de bens.
Questão: Porque a lei brasileira protege o interesse do pródigo? R: O fundamento da tutela do pródigo,
além do interesse público, consubstancia-se na doutrina do estatuto jurídico do patrimônio mínimo
desenvolvida por LUIZ EDISON FACHIN. Trata-se de uma tese segundo a qual, em perspectiva civil
constitucional, e a luz do principio da dignidade humana, a normas civis devem resguardar o mínimo de
patrimônio para que cada pessoa tenha vida digna.
-SILVÍCOLA
Não se escreve mais esta palavra e sim índio.
O CC remete o tratamento a lei especial que é a lei 6001/73.4
-SENIL
A senilidade, de per si, não é causa de incapacidade no direito civil.
5 EFEITOS DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE CIVIL
Campo previdenciário: o enunciado n 3 da primeira jornada de direito civil, deve se respeitar o limite etário
da lei especial, o beneficio continua a ser pago até 21 anos, a redução para 18 anos no CC não altera a
lei 8213/91.
No campo penal e processual penal a redução da maioridade deve ser vista com cuidado. No campo
penal o beneficio da menoridade (Art. 65 e 115 CP ) a luz do principio da individualização da pena,
continua em vigor os 21 anos.
Questão: No entendimento do STJ, a redução da maioridade civil implicou cancelamento automático da
pensão alimentícia? R: A luz do principio da solidariedade familiar e nos termos do informativo 232 do
STJ, a redução da maioridade não implica cancelamento automático da pensão alimentícia que poderá
ser paga até a conclusão dos estudos.
Questão: O MP tem legitimidade para recorrer de sentença que exonera o pai para pagamento de pensão
alimentícia: STJ Resp: 982410/07 afirmou que o MP não tem legitimidade para recorrer da decisão
exoneratória de pensão alimentícia em face da maioridade do credor.
AULA 2 07/08/2008
Noticias:
PL 7376/06: regulamenta a pensão alimentícia, a mulher grávida.
PL 07/07: visa por como dependente o nascituro.
6 EMANCIPAÇÃO
Questão: quando se completa a maioridade? Na primeira hora do natalício, ou no fim do dia natalício?
Segundo Washington de Barros Monteiro, a maioridade é atingida no primeiro instante do dia do natalício,
valendo lembrar que a pessoa nascida em 29 de fevereiro, completa a maioridade em 1 de março, caso
não seja ano bissexto.
6.1 - Conceito:
É instrumento jurídico por meio do qual se antecipa a capacidade plena, podendo ser voluntaria, judicial,
legal.
6.2 Previsão legal
a) VOLUNTÁRIA: Art. 5 , único, I, 1 parte trata da emancipação concedida pelos pais ou por um deles na
falta do outro, em caráter irrevogável, mediante instrumento público independentemente de homologação
judicial.
-A emancipação valida é irrevogável, se acompanhada de algum vicio de liberdade, é anulável.
-Vale advertir que o menor para ser emancipado de ter pelo menos 16 anos completos. O menor não
precisa autorizar os pais para a emancipação, uma vez, que não tem poderes para o ato, mas participa de
todo ato.
Questão: emancipado voluntariamente o menor, os pais continuariam a ter responsabilidade civil pelos
atos?
R:
1cr.: Visão ortodoxa: não teriam responsabilidade, pois não teriam mais poder familiar.
2cr.: Tendência da Doutrina: Desde CARVALHO SANTOS, até CARLOS ROBERTO GONÇALO, e na
mesma linha proposição aprovada no 8 encontro nacional de tribunais de alçada, aponta no sentido de
que emancipação voluntaria não isenta os pais de responsabilidade civil por ato do filho até que atinja 18
anos de idade. Não pode valer os pais do instituto para fraudar futuros credores.
-A emancipação não significa antecipação da imputabilidade penal, pois esta vem aos 18 anos.
-O menor emancipado pode sofrer prisão civil, pois este instituto é meio coercitivo de pagamento, e não
prisão penal.
b) JUDICIAL: Art. 5 , único, I, 2 parte - emancipação judicial é a concedida pelo ato do juiz, ouvido o tutor,
desde que o menor tenha 16 anos completos.
c) LEGAL: Art. 5 , único, II a V: nestes casos decorrem da lei, aqui os pais não continuam responsáveis.
c1) casamento: em regra geral a idade mínima é do Art. 1517 CC, que é aos 16 anos para ambos, no
entanto entre 16 e 18 precisa de autorização para casamento. Por exceção o Art. 1520 CC dá duas
exceções que se pode casar abaixo de 16 anos.
- a separação judicial e divorcio, não prejudica a emancipação operada, mas a invalidade do casamento,
ressalvada a aplicação da teoria da aparência, poderá atingir a emancipação ocorrida(estudaremos este
ponto na aula de família).
Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art.
1.517), para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.
c2) Exercício de emprego público efetivo: um exemplo é a carreira militar, e assumir função publica
efetivo.
c4) Colação de grau: somente colação e curso superior, e não confunda com aprovação vestibular em
curso superior.
c5) existência de relação emprego ou estabelecimento civil ou comercial: junto estas hipóteses devem ter
o menor 16 anos e economia própria.
Economia própria é um conceito aberto, a ser preenchido pelo juiz no caso concreto, a luz do denominado
princípio operabilidade: esta expressão remete-nos a idéia de independência econômica.
Obs: O CC novo seguindo uma tendência européia, estabelecendo um sistema aberto, tem vários pontos
o codificador coloca expressões abertas, para facilitar aplicação ao caso concreto. Dando clausulas geral
e conceitos vagos.
Obs2: Vale acrescentar, conforme vimos na ultima aula, que a redução da maioridade civil, não repercutiu
substancialmente no âmbito previdenciário (en. 3 da 1 jornada), uma vez que o beneficio poderá ser pago
até 21 anos de idade, todavia, o Art. 16, I, da l. 8213/91 exclui o emancipado da percepção do beneficio.
Questão: emancipando-se o menor emprego, caso venha a ser dispensado, voltara à situação de
incapacidade?
R: mesmo que venha dispensado, o menor que emancipou pela relação de emprego não pode voltar à
situação de incapacidade, em razão da segurança jurídica.
O CC novo seguindo uma tendência européia, estabelecendo um sistema aberto, tem vários pontos o
codificador coloca expressões abertas, para facilitar aplicação ao caso concreto. Dando clausulas gerais e
norma aberta.
7 EXTINÇÃO DA PESSOA NATURAL
Na forma do Art. 6 CC, a morte marca o fim da pessoa física ou natural.
Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos
casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.
LEI EM CASA APOSTILA DE PABLO SOBRE AUSENCIA, MATERIAL DE APOIO.
Tradicionalmente a morte foi encarada com exceção das funções vitais do aparelho cardiorrespiratório, no
entanto, a comunidade cientifica mundial, (res. 1480/97 CFM) firmou o entendimento no sentido de que o
marco de extinção da pessoa física. É a morte encefálica, inclusive para efeito de transplante.
A morta deve ser aferida por declaração medica, admitindo a lei de registro públicos, (L.6015/73), que na
falta de medico, duas testemunhas podem declarar o óbito.
7.1 MORTE PRESUMIDA
a) Art. 6 , 2 parte: ausência: se traduz na hipótese que desaparece do seu domicilio, sem deixar
procurador ou noticias.
Em primeiro momento a transferência de bens em caráter provisoriamente.
Em segundo momento a transferência de bens em definitivo, dado neste momento a morte presumida. A
declaração de morte presumida não é registrada no livro de óbito, nos termos Art. 29, III, LRP, é
registrada em livro próprio, que não é de óbito.
b) morte presumida propriamente dita:
Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o
término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois
de esgota das as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.
O juiz para declarar a morte tem esgotar todas vias, através de ofícios a todos órgãos possíveis, para o
juiz declarar a morte. E esta da registro no livro de obito.
c) comoriência: traduz por morte simultânea, regulada no Art. 8 CC.
Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos
como rientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.
Não que dizer que seja no mesmo lugar, mas normalmente se dá no mesmo legal. O CC brasileiro, na
mesma linha do argentino e chinelo, estabelece a presunção de morte simultânea, com a conseqüente
abertura de cadeias sucessórias, autônomas e distintas.
ATENÇÃO A LINHA SUCESSORIA:
Ex: morte de um casal sem herdeiros necessários.
Morte simultânea: divide o patrimônio em duas partes, abrindo as linhas sucessórias aos dois lados.
Morte de um após outro: a sucessão se dá de do primeiro para segundo, este por sua vez abre do seu
lado a sucessão.
PESSOA JURIDICA
1 - Denominações:
Na historia do direito tem vários nomes, mas no Brasil é pessoa jurídica. A pessoa jurídica nasce para o
direito pela influência do fato associativo.
Pessoa jurídica é grupo humano personificado pelo direito com objetivo de realizar finalidades comuns.
2 - Teorias explicativas da pessoa jurídica:
2.1- Corrente negativista: defendida por autores como BRINZ, PLANIOL, DUGUIT e outros autores. Esta
negando a pessoa jurídica enquanto sujeito de direito. Diziam que pessoa jurídica não existe, seria no
máximo um grupo de pessoas reunidas.
2.2- Corrente afirmativista: aceitava a personalidade da pessoa jurídica. Teoria afirmativista: a) Da ficção
(Savigny); b) realidade objetiva (C. Bevilaqua); c) Realidade técnica (Ferrara).
a)TEORIA DA FICÇAO: A pessoa jurídica não teria existência social, de maneira que seria um produto da
técnica jurídica em outras palavras a pessoa jurídica seria uma abstração sem realidade social.
b)TEORIA DA REALIDADE OBJETIVA: Influenciado pelo organicismo sociológico contrariamente,
afirmavam que a pessoa jurídica teria existência social consistindo em organismo vivo na sociedade.
Bevilaqua era positivista ao extremo.
c)TEORIA DA REALIDADE TECNICA: Esta equilibra as duas teorias anteriores uma vez que reconhece a
atuação social da pessoa jurídica, admitindo ainda que a sua personalidade é fruto da técnica jurídica. O
código civil adotou no seu art 45 pelo entendimento dos doutrinadores. O registro da pessoa jurídica a luz
do art 45 CC é constitutivo da sua personalidade jurídica. Algumas pessoas jurídicas para existirem
precisam de autorização. Ex. para abrir um Banco é preciso uma autorização do Banco Central;
Seguradora de saúde autorização da agencia nacional de saúde.
Sem registro a pessoa jurídica não tem personalidade. A falta do registro publico do ato constitutivo,
caracteriza o ente como sociedade despersonificada (irregular ou de fato), disciplinada a partir do art 986
CC. Tem uma sociedade despersonificada gera a responsabilidade pessoal e ilimitada dos sócios.
OBS: Nos termos do art12 do CPC que Tb não são pessoas jurídicas mas apenas entendes
despersonificado com capacidade processual, o condomínio o espolio; a massa falida e adjacente.
Pessoa Jurídica para existir: Contrato social ou estatuto em geral o registro publico é feito na junta
comercial ou Cartório de Registro pessoa jurídica.
3 - PESSOAS JURIDICAS DE DIREITO PRIVADO
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral? Existem duas correntes; a corrente majoritária pode sofrer dano
moral, súmula 227 STJ e art. 52 do CC. Ex. honra objetiva. Na segunda corrente contraria Arruda Alvim e
o enunciado 286 da jornada também fortalece a tese contraria a reparação do dano moral. Sofreria um
dano econômico.
AULA 3 12/08/2008
Espécies de pessoas jurídicas de direito privado: art. 44 do CC
3.1 - ASSOCIAÇÕES:
Conceito: as associações são pessoas jurídicas de direito privada formada por indivíduos, com propósitos
de realizar fins não econômicos (art.53 do CC). Ex. clubes recreativos; associação de bairro; sindicatos
tem natureza associativa também. Toda associação tem finalidade ideal e não econômica. O estatuto é o
ato constitutivo (art.54 do CC). A assembléia geral é o órgão mais importante da associação(art.59 do
CC). Obs. Vale lembrar que é possível a existência de categoria diferenciadas de associados, mas dentro
de cada categoria os associados não podem ser descriminados entre se (art.55 do CC).
Qual é o destino do patrimônio de uma associação extinta? Nos termos do art.61 do CC regra geral,
dissolvida a associação do seu patrimônio será atribuído as entidades de fins não econômicos
designadas no estatuto ou omisso este, será atribuído a instituição municipal, estadual ou federal de fins
iguais ou semelhantes. O novo código admite a exclusão do associado nos termos do art.57 do CC. Não
se aplica a exclusão para o condomínio. O associado só pode ser expulso se tive o contraditório. A
finalidade não é lucro.
3.2 - FUNDAÇÕES DO DIREITO PRIVADO:
As ONG S no Brasil se organizam ou como fundação ou associação. As fundações assim como as
associações têm finalidade ideal e não lucrativa. (Art.62 do CC).
Conceito de fundação: Diferentemente da associação não é grupo de pessoas, mas sim um patrimônio
que se personifica visando a perseguir finalidade ideal. A fundação trata-se de um patrimônio que é
destacado e se personifica. O ato constitutivo organizacional da fundação é o seu estatuto. As pessoas
jurídicas também pode constituir fundação.
Requisitos para instituição para uma fundação: a) afetação de bens livres do instituidor; b) É a escritura
pública ou testamento. c) elaboração do estatuto da fundação. Deve ser elaborado. Pode ser elaborado
pelo próprio instituidor, ou fiduciariamente por terceiro nos termos do art.65 do CC. O MP supletivamente
poderá elabora o estatuto caso o terceiro não o faça. O estatuto elaborado devera ser ainda aprovado
pelo MP e em seguida registrado no cartório de registro de pessoa jurídica. O MP que tem atribuição legal
de fiscalização das fundações no Brasil. Art.66 do CC. A ADI 2794 já julgada procedente reconheceu a
usurpação da atribuição constitucional constante no 1 do art. 66 e firmou a tese segundo a qual a função
de fiscalizar no Distrito Federal é do próprio MP do DF e não a procuradoria da republica. O art67 do CC
alterou o quorum de deliberação para alteração do estatuto da fundação que, no código anterior era de
maioria absoluta. Se não houve unanimidade art68 do CC.
3.3 - SOCIEDADES: É um tema de direito empresarial
3.3.1 - Conceito: a sociedade espécie de pessoa jurídica de direito privado, instituída por meio de contrato
social, é dotada de personalidade jurídica própria e visa perseguir fins econômicos ou lucrativos.
Sociedade tem contrato social que vem regulado no art.981 do CC. Uma sociedade tem sócios com
finalidade econômica.
É possível sociedade entre cônjuges? Art.977 do CC. O código proíbe que pessoas casadas em
comunhão universal ou separação obrigatória pudesse contratar para criar uma sociedade, poderia haver
fraude de bens. É muito polemico.
O departamento nacional de registro de comercio, por meio do parecer jurídico 125/2003 firmou o
entendimento correto de que o art.977 CC em respeito ao ato jurídico perfeito não atinge sociedade entre
cônjuges anterior ao novo código civil.
3.3.2 - Classificações das sociedades:
a) Forma tradicional:
1) civis (não praticavam atos de comercio);
2) mercantis (comerciais) praticavam atos de comercio. Então foi substituída por TEORIA DA EMPRESA
não se fala mais em sociedade mercantis.
b) Novo Código civil se divide em:
1) sociedade simples (os sócios diretamente atuam são prestadoras de serviço)
2) sociedade empresaria (art.982 do CC). Obs. Vale observar que a sociedade anônima e sempre
empresaria e a cooperativa é sociedade simples. Uma sociedade é empresaria quando se observa dois
requisitos um material (é toda soc. Empresaria realiza uma atividade econômica organizada, uma
atividade tipicamente empresarial e um formal (é preciso que obrigatoriamente tenha registro na junta
comercial (registro publico de empresa). A sociedade empresaria é capitalista.
A sociedade empresaria é aquela que conjuga os requisitos do art982, e alem disso com a característica
da impessoalidade, os seus sócios atual precipuamente como meros articuladores de fatores de produção
( capital, trabalho, tecnologia e matéria prima a exemplo de um banco ou de uma revendedora de veiculo.
O seu registro é feito na junta comercial e sujeitam se a legislação falimentar.
Já a sociedade simples, tem por principal característica a pessoalidade: os seus sócios não são meros
articuladores de fatores de produção, uma vez que prestam e supervisionam direta e pessoalmente a
atividade desenvolvida. Em geral, são sociedades prestadoras de serviço, a exemplo a sociedade de
advogados ou de médicos. O seu registro é feito em geral no CRPJ.
3.4 - COOPERATIVA:
São tratadas como sociedade simples, por força de lei, predominando o entendimento doutrinário (Julita
Lenz, Paulo Rego) no sentido de que a despeito da lei 8934/94(antes era feito na junta comercial), o seu
registro a luz do novo código civil deve ser feito no CRPJ e não na junta comercial. Ex. cooperativa de
táxi( resultado da atividade do próprio cooperado). OBS. Sergio Campinho na obra o direito de empresa
sustenta que o registro da cooperativa deve continuar sendo feito na junta comercial sobre o fundamento
de que a lei 8934/94 é norma especial, mas não prevalece, pois o código é claro é sociedade simples.
3.5 - ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS (são formas de associação)- foram incluídos força religiosa. Não
estão obrigados a se adaptar ao art. 2031 CC.
3.5 - PARTIDOS POLITICOS (são formas de associação) foram incluídos por força política. Não estão
obrigados a se adaptar ao art. 2031CC.
EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA
AULA 4 19/08/2008
SUMULA 358 STF
O que é teoria ultravires societatis? De origem anglo saxônica no art.1015 do CC esta teoria sustenta ser
nulo o ato praticado pelo sócio que extrapolou assim concedido pelo contrato social. Esta teoria visa
proteger a pessoa jurídica.
4 - DIREITO POSITIVO E DESCONSIDERAÇAO DA PESSOA JURIDICA
OBS. CDC Art. 28; Lei anti-truste; Lei ambiental; CC/02 Art. 50.
ART 50 do CC Obs. Lembra-nos Edmar Andrade, que regra geral é material de reserva de jurisdição.
Mas, observa Gustavo Terpedino que excepcionalmente poderá ter desconsideração da pessoa jurídica.
RESP 15166 BA.
Requisitos para desconsideração da pessoa jurídica no Código Civil: 1) descumprimento da obrigação
(insolvência); 2) abuso caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial.
Obs. Um exemplo típico de abuso por confusão patrimonial opera-se quando uma pessoa jurídica
controladora constitui uma nova pessoa jurídica controlada, para pratica atos por meio desta.
Seguindo a doutrina de Fabio Konder Comparato podemos concluir que o art.50 do CC concedeu a teoria
da desconsideração com caráter objetivo dispensando a prova do dolo especifico do sócio ou
administrador.
Qual é a diferença entre a teoria maior e teoria menor da desconsideração da pessoa jurídica? Teoria
maior é a adotada pelo código civil exigindo uma gama maior de requisitos uma vez que demanda a prova
do abuso do sócio ou administrador, já a teoria menor adotada pelo código de defesa do consumidor e
legislação ambiental é de aplicação mais facilitada, pois não exige a demonstração do abuso ( Resp
2792273).
Desconsideração inversa? Este tipo de desconsideração, especialmente aplicada no direito de família
segundo Rolf Madaleno, pretende, inversamente, atingir o patrimônio da pessoa jurídica visando a
alcança o sócio ou administrador causador do desvio de recurso do seu patrimônio pessoal. O enunciado
283 da quarta jornada do direito civil consagrou esta teoria.
Obs. Processual, é pacifica a jurisprudência do STJ a desconsideração da pessoa jurídica é cabível no
curso da execução (Resp92062 do DF).
5 - DOMICILIO
Domicilio domus (no direito romano significa casa), a importância do conceito de domicilio refere a
segurança jurídica, pois em regra geral o foro de domicilio do réu fixa a competência territorial daquele
processo.
Primeiramente deve-se entender o que é residência e o que é morada. Morada é o lugar em que a pessoa
física se fixa temporariamente.
Obs. Moradia não desloca seu domicilio.
Residência é mais do que morada, pois é o lugar que a pessoa física é encontrada com habitualidade.
Obs. Pode ter mais de uma residência.
O plus da residência em relação a morada é a habitualidade.
Mas para ser domicilio é preciso que haja intenção de permanecia, transformando aquele local um centro
de vida jurídica daquela pessoa.
Deve haver animus manendi .
Conceito de domicilio: é o lugar onde a pessoa física fixa residência com aminus definitivo transformando
em centro da sua vida jurídica (art70 do CC)
O sistema brasileiro seguindo o direito alemão admite pluralidade de domicílios, nos termos do art. 71 do
CC.
O que é domicilio aparente ou ocasional? Para pessoa que não tem o domicilio certo, por fixação legal é
considerado o domicilio o lugar em que foi encontrada. (art75 do CC).
5.1 - CLASSIFICAÇAO DO DOMICILIO
a) DOMICILIO VOLUNTARIO: Fixado que simples ato de vontade cuja natureza jurídica é ato jurídico em
sentido estrito. (também chamado de ato não negocial)
b) ESPECIAL OU DE ELEIÇAO: é o estipulado por clausula especial de contrato (art78 do CC). Nos
contratos de adesão especialmente de consumo, a clausula de foro de eleição prejudicial ao consumidor
ou aderente é nula de pleno direito. O juiz pode determinar de oficio de sua competência quando verificar
o prejuízo ao consumidor, (RESP201195/SP).
c) DOMICILIO LEGAL OU NECESSARIO: Decorre do próprio ordenamento jurídico. (art76 e 77 do CC) -
Incapaz; Servidor publico; Militar; Marítimo; preso.
Obs. Servidor público temporário não gera domicilio legal.
O preso domicilio onde cumpre sentença.
1 - BEM DE FAMÍLIA
1.1 - Histórico: A fonte histórica mais importante do Bem de família é o HOMESTEAD ACT - TEXANO do
longínquo ano de 1839.
(A mais conhecida origem do bem de família remonta ao Homestead, surgido na República do Texas,
antes de sua incorporação pelos EUA, que se deu no ano de 1845.
No entanto, quando o México se separou da Espanha, editou, em 1823, lei imperial de colonização, que já
estatuía que todos os instrumentos agrícolas, máquinas e outros utensílios que tenham sido introduzidos
no território pelos colonos, para seu uso, à época de sua entrada no império seriam isentos de penhora,
bem como as mercadorias que cada família havia levado consigo, até o valor de 2 mil dólares.
Essa legislação foi determinante para que surgisse no Texas, após sua a sua separação do território
Mexicano, o homestead. De um lado, já havia na população a idéia da proteção estatal ao mínimo
essencial ao colono.
Em poucos anos nos EUA houve uma crise, bancos fecharam, houve várias falências. Por meio do
HOMESTEAD ACT- TEXANO criou proteção legal aos bens, o nosso bem de família tem origem naquele
instituto.
1.2 TIPOS DE BEM DE FAMÍLIA:
a) Voluntário regulado pelo art. 1711 CC.
Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de
seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido
existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial
estabelecida em lei especial.
b) Legal regulado pela Lei 8009/90
Bem de família voluntário - disciplinado a partir do art. 1711 do C.C., é o instituído por ato de vontade do
casal ou de 3º, mediante formalização no registro de imóvel, deflagrando dois efeitos fundamentais: a)
impenhorabilidade limitada. b) inalienabilidade relativa.
Deve ser formalizado por escritura pública, registrado no Cartório de imóveis, deve haver vontade das
partes ou de um 3º, diante disso ocorre dois efeitos: Impenhorabilidade limitada, diz que o imóvel torna-se
isento de dívidas futuras, salvo obrigações tributárias referentes ao bem (IPTU) e despesas condominiais
(art. 1715 CC).
Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição, salvo as que
provierem de tributos relativos ao prédio, ou de despesas de condomínio
Uma vez inscrito o bem de família voluntário, outro efeito é a inalienabilidade limitada, ou seja, ele só
pode ser alienado com a autorização dos interessados, cabendo ao MP intervir qdo houver participação
de incapaz (art. 1717 CC).
Art. 1.717. O prédio e os valores mobiliários, constituídos como bem da família, não podem ter destino
diverso do previsto no art. 1.712 ou serem alienados sem o consentimento dos interessados e seus
representantes legais, ouvido o Ministério Público.
Obs: só quem tem patrimônio, (só os solventes) podem instituir bem de família voluntario.
Para evitar fraudes, o art. 1711 CC, limitou o valor do bem de família voluntário ao teto de 1/3 do
patrimônio liquido dos seus instituidores. (obs: não pode inscrever Imóvel que ultrapassar 1/3 do seu
patrimônio liquido).
O oficial do registro não tem meios para fazer essa investigação prévia, se descobrir futuramente
caracteriza fraude contra credores.
O NCC também inovou ao admitir no art. 1712, a possibilidade de afetar valores mobiliários (rendas) ao
bem de família voluntário, visando a proteção legal do imóvel.
Art. 1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e
acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá abranger valores mobiliários,
cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família.
Ex: V. Mora com sua esposa e institui bem de família voluntario no Cartório, declara que o Imóvel não
ultrapassa o valor de 1/3 do patrimônio liquido, também v. Pode fazer o seguinte: V. Pode afetar a renda
ao Imóvel (ex: com dinheiro aplicado eu pago condomínio, mantenho o imóvel, posso então afetar essa
renda). Muitos podem dizer que a renda é para manter o Imóvel com isso protejo o imóvel e o valor.
Valores mobiliários rendas
Obs: O STJ tem admitido também, em situação diversa, inclusive para o bem de família legal, que a renda
proveniente de imóvel locado seja considerada impenhorável a luz das normas do bem de família. (RESP
439/920 SP).
Ou seja, um Casal aluga o Imóvel que é bem de família e vai morar em outra casa, o valor do aluguel que
percebe pelo aluguel é bem de família.
Art. 1720 cuida da administração do bem de família voluntário.
Art. 1.720. Salvo disposição em contrário do ato de instituição, a administração do bem de família
compete a ambos os cônjuges, resolvendo o juiz em caso de divergência.
Art. 1722 cuida da extinção do bem de família voluntário.
Art. 1.722. Extingue-se, igualmente, o bem de família com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade
dos filhos, desde que não sujeitos a curatela.
Essas regras do bem de família voluntário não pegou no Brasil, não alcançou sucesso entre nós, por isso
em 1990 surge a lei 8009, que consagrou o bem de família legal, revolucionou ao consagrar o bem de
família, essa lei continua em vigor. Obs: A sumula 205 STJ admite a aplicação retroativa da lei 8009/90,
ou seja, aplica a penhora anterior a sua vigência, ela consagra a impenhorabilidade legal do bem de
família, independentemente de inscrição voluntária em Cartório.
-STJ Súmula nº 205 - 01/04/1998 - DJ 16.04.1998
1.3 A PENHORA DO BEM DE FAMÍLIA:
A Lei nº 8.009-90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência.
Bem de família voluntario não foi revogado, ambos convivem juntos.
Se pessoa tem 2 imóveis residenciais, a impenhorabilidade recai no Imóvel de menor valor a não ser se a
pessoa inscreveu o de maior valor como bem de família voluntário. Obs: as pessoas em geral não fazem
essa inscrição.
O bem de família legal decorre da lei, independe de registro, não tem limite de valor.
Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá
por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos
cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses
previstas nesta Lei.
único: A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações,
as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis
que guarnecem a casa, desde que quitados.
obs: a despeito do que dispõe o único do art. 1º da Lei 8009, o STJ tem admitido o desmembramento
para efeito de penhora (RESP 510643 do DF, RESP 515122 do RS).
Se o imóvel for imenso admite-se o desmembramento, é construção pretoriana no Brasil.
Ex: de bens móveis quitados protegidos pelos bens de família, (maquina de lavar, maquina de secar,
televisão, ar condicionado, antena parabólica) e segundo o RESP (teclado musical).
Exceções a essa proteção legal art. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte, obras
de arte e adornos suntuosos.
único - No caso de imóvel locado, a impenhorabilidade aplica-se aos bens móveis quitados que
guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário, observado o disposto neste artigo.
1.3.1 - As exceções as proteções legais ao bem de família:
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
I - em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições
previdenciárias;
II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel,
no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato;
III - pelo credor de pensão alimentícia;
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel
familiar;
V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade
familiar;
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
Essas proteções aplica por extensão ao bem de família voluntário.
Onde há a mesma razão há de haver o mesmo Direito
Art. 3º I cobrança de credito de trabalhador da própria residência, não pode alegar que é bem de família ,
não recolheu o INSS não tem a defesa do bem de família.
A melhor Hermenêutica do inciso I do art. 3º é no sentido que empregados meramente eventuais, (ex:
pintor, eletricista, diarista, pedreiro, etc.) não se subsumam ao previsto em lei, não estão na exceção.
RESP 644733 SC. Esses trabalhadores não podem penhorar seu apartamento.
2ª exceção: Financiando um apartamento, caso não pague v. Não pode alegar bem de família, isso é de
uma clareza meridional, se não pagar o Imóvel a casa retoma ao Imóvel. Não pode opor bem de família
legal a CEF que financiou o apartamento.
3ª exceção: Não pode opor para o credor da pensão alimentícia.
4ª exceção: não paga obrigações tributarias referente a imóveis não pode opor bem de família. Obs: O
STF já entendeu que interpretando o IV do art. 3º que despesas condominiais, também vencem a
proteção legal do bem de família (RE 439 003 SP), despesas de condomínio se não pagou vencem o bem
de família, seu apartamento pode ser penhorado.
5ª Exceção: Não pode opor a exceção do bem de família se o processo foi movido
vai contrair um empréstimo em um Banco, este pede a garantia de hipoteca, e segundo a lei se por ato de
vontade v. Hipotecar o seu Imóvel não pode opor depois bem de família.
O STF tem dito que a simples indicação do bem da penhora, o devedor pode nos embargos alegar o bem
de família, a simples indicação não é renuncia ao bem de família, obs: a mera indicação do bem a
penhora, segundo o STJ,não impede a futura alegação de bem de família (AgRg (Agravo regimental) no
Resp 813543 do DF).
6ª Se bem for produto do crime, ou precisar indenizar a vitima do crime.
7ª O fiador do contrato de locação não pode opor bem de família, o devedor mesmo comprando uma
casa. Essa matéria está pacificada: O STF pacificou o entendimento no sentido de que o fiador em
contrato de locação não goza da proteção do bem de família de maneira que a penhora do seu Imóvel
residencial é considerada Constitucional (RE 352940-4 SP).
Obs: Vale lembrar, nos termos do art. 1647 CC, que o cônjuge casado em regime que não seja, de
separação de bens, necessita da autorização do outro para prestar fiança.
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro,
exceto no regime da separação absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;
III - prestar fiança ou aval;
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação.
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem
economia separada.
-Questão: O devedor solteiro goza da proteção do bem de família?
Primeiramente tem se que saber que o que dá base ao bem da família é o principio da dignidade da
pessoa humana traduzido no direito constitucional da moradia, daí podemos concluir que o solteiro tem a
proteção do bem de família. RESP 450989 RJ que o Ministro lavrou em um momento de inspiração.
A interpretação teleológica do art. 1º, da Lei 8.009/90, revela que a norma não se limita ao resguardo da
família. Seu escopo definitivo é a proteção de um direito fundamental da pessoa humana: o direito à
moradia. Se assim ocorre, não faz sentido proteger quem vive em grupo e abandonar o indivíduo que
sofre o mais doloroso dos sentimentos: a solidão.
AULA 5 28/08/2008
Ag Rg Res- 1024652 rs trata sobre a necessidade de transferência do veiculo para afastar a solidariedade
passiva.
BEM JURIDICO
É toda utilidade física ou ideal que seja objeto de um direito subjetivo.
COISA X BEM JURÍDICO:
MARIA HELENA E VENOSA entendem que coisa é gênero.
WOSHITONG DE BARROS afirmam poder haver uma sinonímia.
ORLANDO GOMES e STOLZE bem jurídico é gênero e coisa é espécie.
-No direito alemão em seu código civil, Art. 90 que coisa somente é bem material, palpável.
Questão: MPF: o que se entende por patrimônio jurídico? R: a doutrina clássica costumava afirmar que o
patrimônio seria a representação econômica da pessoa. Modernamente o conceito de patrimônio foi
alargado para compreender também o que se denomina de patrimônio moral (conjunto de direitos da
personalidade). Quanto a natureza jurídica o patrimônio é uma universalidade de direitos e obrigações. E
forte a corrente doutrinaria que cada pessoa tem um patrimônio ainda que esse bens tem origens
diversas.
Obs: Patrimônio mínimo: consagra uma teoria da lavra do Prof. Luiz Edson Fachin, segundo a qual em
respeito a dignidade da pessoa humana a normas, devem resguardar um mínimo de patrimônio para cada
um tenha vida digna.
2 PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES DE BENS JURIDICOS
a) Imóvel por força de lei: Art. 80 CC:
- é forte a corrente doutrinaria(FRANCISCO CAHALI) no sentido de que, por conta da natureza imobiliária
do direito a herança, a cessão deste direito exige autorização conjugação, nos termos 1.647 CC.
b) Bem móvel por força de lei: Art. 83 CC:
- as energia que tenham valor econômico: sêmen do boi, energia elétrica.
-frutos são utilidades renováveis, que não esgotam a coisa principal. Ex: fruto natural, fruto civil
-produto é uma utilidade que não se renova, de maneira que sua percepção esgota a coisa principal.ex:
ouro, petróleo.
-pertenças: espécie de bem acessório, sendo a coisa que se integra ao bem principal, facilita a sua
utilização, pertença é o contrario de parte integrante do bem principal, e sim esta justa posta para servir
ao bem principal. Ex: aparelho de ar condicionado é uma pertença e tubulação de esgoto é pare
integrante do bem principal
-benfeitorias: a benfeitoria é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa, com propósito de
conservá-la (necessária), melhorá-la (útil) ou proporcionar prazer (voluptuária).
Acessão é quando aumento na coisa principal ultrapassa o conceito de benfeitoria.
En. 11 da 1 JDC: o CC não contemplou a categoria de imóvel por acessão intelectual (aquilo que o
proprietário intencionalmente emprega na coisa principal, a ex. maquinário agrícola).
FATO JURIDICO
1 CONCEITO:
É todo acontecimento natural ou humano apto a criar, modificar ou extinguir relações jurídicas. AGUSTIN
ALVIN fato jurídico é fato relevante para o direito.
2 CLASSIFICAÇÃO
a) fato jurídico em sentido estrito: é todo acontecimento natural, que deflagra efeitos jurídicos.
a1)ordinário: são os comuns. Ex: nascimento, morte natural, chuva de verão, decurso do tempo.
a2)extraordinário: são os fatos inesperados. Ex: tsunami.
Obs.: nesta primeira categoria não há plano de validade do fato.
b) ato-fato jurídico (PONTES DE MIRANDA): é comportamento que embora derive do homem e produza
efeitos jurídicos é desprovido de consciência ou voluntariedade em sua realização. Ex: menino acha uma
pepita de ouro.
c) ações humanas:
c1) lícitas: no sistema jurídico brasileiro se chama de ato jurídico.
c1.1) ato jurídico em sentido estrito: também chamado de ato não negocial, traduz um comportamento
humano, voluntario e consciente, cujo os efeitos jurídicos estão previamente determinados na lei. Não há
liberdade negocial ou autonomia privada na escolha dos efeitos perseguidos.
Ex: adquirir propriedade por especificação: o artesão que faz vaso com argila alheia adquire a
propriedade por força de lei, mas indeniza o proprietário da matéria prima.
c1.2) negocio jurídico: consiste em declaração de vontade, segundo a qual o agente movido pela
autonomia privada e pela liberdade negocial, persegue e escolhe, respeitando parâmetros de ordem
pública, determinados efeitos jurídicos.
c2) ilícitas: se convencionou tratar como ato ilícito.
*Na opção feita pelo legislador (Art. 186 e 187 CC) o ato ilícito é uma categoria própria, e não faz parte do
ato jurídico, como dizem alguns autores.
3- TEORIAS EXPLICATIVAS DO NEGOCIO JURIDICO
3.1 Teoria voluntarista: é a teoria mais antiga e afirma que o núcleo do negocio jurídico é a vontade
interna é a intenção. Foi à teoria que mais influencio o CC brasileiro. (Art. 112 CC)
3.2 Teoria objetivista: afirmam que o núcleo do negocio jurídico, é a vontade externa ou declarada.
Essas teorias se complementam, pois o negocio jurídico precisa das duas vontades.
Questão: O que teoria da pressuposição? R: trata-se de uma teoria desenvolvida por (Windscheid),
segunda qual o negocio jurídico seria considerado valido e eficaz, se a certeza subjetiva do declarante
não se modificasse. O negocio jurídico perde força se vontade do declarante se modifica no decurso do
tempo. Ex:
O CC adotou a teoria dualista nos lembra FACHIN, pois regulou separadamente o ato jurídico em sentido
estrito (Art. 185) e o negocio jurídico (Art. 04 e ss).
4 Esquema para entender o negocio jurídico:
NEGOCIO JURÍDICO
1 PLANO DE EXISTÊNCIA:
a) Manifestação de vontade: compreende a vontade interna e externa. Se não haver manifestação de
vontade o negocio jurídico é inexistente.
Questão: O silencio é manifestação de vontade? R: CAIO MARIO, lembra-nos que via de regra o silencio
é ausência de manifestação de vontade , mas excepcionalmente pode traduzir vontade nos termos do
Art.111 CC. Ex: no caso de doação pura (Art. 539cc) o silencio pode significar aquiescia.
b) Agente (emissor da vontade)
c) Objeto (do negocio jurídico)
d) Forma: é revestimento exterior do negocio, o que significa que a forma é veiculo e o meio pelo qual a
vontade se manifesta.
NEGOCIO JURIDICO INEXISTENTE
2 PLANO DE VALIDADE: são os pressupostos de existências qualificados.
a) manifestação de vontade = livre e de boa fé
- vícios de vontade: erro, dolo e coação atacam o plano de validade.
b) agente = capaz e legitimado
c) objeto = lícito, possível e determinado
d) forma = livre e expressa em lei
O Art. 107 CC, consagra o princípio da liberdade da forma para os negócios jurídicos, vale dizer que estes
em geral tem forma livre. Mas lei pode exigir forma:
A lei pode exigir a forma do negocio ou para efeito de prova(Art. 227cc) ou como pressuposto de validade
do negocio jurídico.
-A promessa de compra e venda de imóvel, qualquer que seja o valor não exige forma publica. (Art. 1417
CC e 1418 CC)
NEGOCIO JURIDICO = INVALIDO
3 PLANO DE EFICÁCIA
AULA 6 04/09/2008
1 - DEFEITOS DO NEGOCIO JURIDICO
1.1 ERRO:
No plano teórico é uma falsa representação positiva da realidade, um equivoco na atuação do agente; a
ignorância, por sua vez, traduz um estado negativo de desconhecimento.
-É causa de anulação do negocio jurídico.
-Tradicionalmente a doutrina, costuma apontar duas características:
Doutrina clássica: para que seja anulável o negocio o erro deve ser: a) SUBSTANCIAL; b)
ESCUSÁVEL(PERDOÁVEL).
Doutrina moderna: consoante podemos verificar no enunciado 12 da primeira jornada, a luz do princípio
da confiança e em respeito a boa-fé, sustenta dispensável a escusibilidade do erro.
1.1.2 ESPECIES DE ERRO(Segundo Roberto de Ruggiero)
a) erro sobre o objeto: incide nas características do bem.
b) erro sobre pessoa: incide no agente emissor da vontade.
c) erro sobre negocio: incide na declaração negocial da vontade.
-Questão: é juridicamente possível anulação do negocio por erro de direito?
BEVILAQUA não aceita a tese, razão por que, não regulava a matéria cc16. EDUARDO ESPINOLA,
CARVALHO SANTOS, CAIO MARIO e forte parcela da doutrina discordava, alegando a possibilidade do
erro de direito em favor do agente de boa-fé.
O erro de direito não traduz intencional recusa a aplicação da lei, mas consiste em equivoco justificável de
interpretação normativa, em outras palavras é um erro sobre a ilicitude do ato.
O CC em Art. 139, III , consagrou o erro de direito como causa também de anulação do negocio jurídico.
Não se pode confundir erro com negocio redibitório: Erro é subjetivo, uma vez que incide na psique do
agente, enquanto o vicio redibitório é objetivo, traduzindo-se como defeito oculta na própria coisa.
1.2 - DOLO
O dolo é um artifíci