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JOSEF K. X KAFKA, UM PROCESSO ALÉM DA FICÇÃO?

Marileda Borba

RESUMO

O presente trabalho investiga a relação existente entre conhecimento literário e jurídico. Para tanto, tem-se como objeto de análise a obra O Processo, de Franz Kafka. Na Antigüidade, Platão já percebera os liames que se estabeleciam entre literatura e pensamento jurídico. Segundo o filósofo, “a ordem jurídica é a mais excelente das tragédias”. É, pois, o imaginário da arte literária construindo situações possíveis de se materializarem no universo jurídico. Em sua genialidade, Kafka apresenta uma ordem jurídica tão absurda e que se conduz tirânica e autoritariamente por meio da Lei. A narrativa kafkiana, de forma alegórica e em seus múltiplos paradoxos, abrange temas como a liberdade humana e a negação de direitos. A verdade é que grandes obras literárias, como O Processo, abundantes em conteúdo humano, ultrapassam o conhecimento literário e nos possibilitam o auto-conhecimento, o conhecimento do outro e da época e sociedade na qual estamos inseridos. São, pois, as narrativas e histórias contadas sobre a humanidade e para ela que podem abalar certezas e dogmas, conduzindo-nos a interrogações essenciais.

Nossa proposição é analisar na obra O Processo, de Franz Kafka, a forma

como o poder se legitima através da Lei e com isso, conseqüentemente, a negação

de direitos que então se estabelece. Subjacente a essa temática, investigamos a

perspectiva de aliar o conhecimento estético-literário ao conhecimento jurídico

analisando o texto de Kafka. O Processo é uma das mais interessantes obras do

Século XX. Possui uma temática de caráter extremamente complexo, aliada a uma

estética única que serviu de inspiração para outros grandes autores modernos.

Encontramos no texto a possibilidade de um conhecimento reflexivo sobre o

significado da Lei, da época de Kafka aos nossos dias.

O tema é atemporal e por

isso uma leitura entrecruzando os caminhos da Literatura e da Ciência Jurídica

torna-se instigante. Segundo o jurista e filósofo do Direito François Ost (p. 382), “é

pela Literatura que Kafka debate o que vem a ser a Lei”.

São

inúmeras

as

análises

do

mundo

kafkiano

ora

sob

uma

vertente

psicanalítica, ora existencial e, ainda, sob um prisma da possível religiosidade

contida no vasto e ambíguo universo kafkiano. Essas diferentes análises muito

contribuíram

para

elucidar

e

esclarecer

os

“labirínticos

corredores”

que

se

apresentam na leitura de O Processo.

No entanto, algumas dessas análises são

aqui desconsideradas ou não mencionadas em razão termos feito um recorte para

efetuar nosso estudo. Não há intenção, obviamente, de esgotar verdades sugeridas

ou implícitas, isto é, não é nossa pretensão fazer uma interpretação única do texto

de Kafka. Há somente o desejo de apresentar um entendimento que possa

acrescentar significados a leituras já feitas. De acordo com Ost (p. 382), Kafka

prevenia contra interpretações únicas de seus textos, pois, segundo o romancista, a

significação deles só surgia depois que estavam concluídos, e mesmo assim ainda

parcialmente.

A obra O Processo e seu autor são inesgotáveis, incansáveis e o que os

marca, definitivamente, é a indecisão em ambos de se revelarem por completo. No

jogo de incertezas, estabelecido pelo texto, cabe ao leitor buscar as possíveis

verdades e, em se tratando de Kafka, as “aparentes mentiras” que o autor tcheco

possa desvelar sobre a existência e sobre o ser humano. A noção de coletividade,

em Kafka, traz importantes reflexões sobre a natureza humana; para o autor, a idéia

de coletividade extrapola e ultrapassa o tempo, é noção atemporal.

Ele percebe a

humanidade como resultado de sua própria ancestralidade e os que hão de vir, em

qualquer tempo, receberão, inexoravelmente, as marcas deixadas pelos que aqui já

estiveram, isto é, herdarão a terra, mas não somente a terra! O futuro herdará o que

várias gerações pensaram, acreditaram, pelo que lutaram, ou fizeram de seu

presente. E essa avaliação profunda do presente possibilitou a Kafka refletir em sua

obra sobre questões de ordem subjetiva e coletiva, realidades que viriam se

configurar tempos depois, mas isso nada teve de profético. Foi um autor sensível às

instabilidades, aos abismos e ao injustificável de seu tempo. Sua ficção é produto

dessa extrema sensibilidade manifesta, também, em sua trajetória pessoal.

Quanto

a

aspectos

formais

de

uma

narrativa,

é

importante

abordar

a

ficcionalidade. No entanto, a menção de tal aspecto interessa no que tange à ficção

kafkiana. A ficcionalidade é uma característica importante da obra literária em si,

mas não sejamos ingênuos em não pensar que este conceito, por vezes, fica

atrelado e obediente a padrões estéticos de determinada época ou cultura, o que lhe

confere, assim, de certa forma, um limite. Kafka rompe, como todo grande autor,

com esse limite. E é no território ambíguo, dialógico e polifônico de O Processo que

encontramos um pouco da complexidade dessa obra. Podemos comprovar, em

análise, tal idéia através das palavras de Luiz Costa Lima:

Se, ao invés, de tudo se põe em questão, a fonte questionadora mesma se torna socialmente intolerável, porque tudo se desestabiliza. Mas é exatamente isso o que faz Kafka. Com ele, o objeto ficcional não permite o alívio de dizer -se: que bom, afinal o mundo não é assim; ao menos, não é só isso. Ou em termos concretos: afinal, fora d’O Processo as leis continuam a ser respeitadas e a polícia não pode bater à minha porta na hora que bem entenda. N’O Processo a ficção básica é a do Estado de Direito. (LIMA. C.L.1993.p.163).

Nesse sentido, parafraseando Benedetto Crocce, podemos dizer que “a arte

sem ter a intenção de pregar ou garantir a verdade pode ser mais verdadeira que a

própria História”, e uma verdade é que os grandes artistas tentam interpretar,

através do que mostram em suas

obras, a condição de existência e até de

sobrevivência da espécie humana. Foi por meio das percepções que tinha de seu

tempo, que Kafka registrou situações de opressão, apresentadas de maneira insólita

e

absurda,

em

sua

obra,

e

que

viriam,

posteriormente,

mostrar

a

face

da

modernidade. Algumas posições e interpretações, como as de Heller e de Luckácks,

consideram o autor tcheco um conformista. Ao contrário de tais posições e ao

encontro de que pensamos, o professor Costa Lima afirma que:

Em uma parcela significativa dos textos de Kafka, entre as quais o Processo, há uma nítida inflexão política, a partir da presença do questionamento epistemológico da Lei legitimadora da modernidade.(LIMA, L.C. 1993, p.90).

É preciso acrescentar a essas considerações o fato de que o questionamento

em torno da legitimação do poder através da Lei e a análise sobre a extensão que

alcança o significado de Lei-- lei paterna, lei judaica, lei religiosa, leis sociais e lei

jurídica--na ficção de Kafka, bem como todo o Processo, enquanto procedimento

jurídico, já se introduz no discurso kafkiano desde o período inicial do texto.

Salientamos, também, a idéia de que, propositalmente, a detenção de Josef K. é,

aparentemente, desmotivada de razões. Essa situação inesperada em que K. se

encontra ao ser detido, pela manhã, em seu quarto, e os insultos que dirige aos

supostos agentes detentores relaciona elementos, no mínimo, estranhos a si

mesmos: comicidade e uma situação desesperadora e absurda. Quer seja na

passagem anteriormente mencionada, ou em muitas outras, ao longo da narrativa,

há a fusão de elementos que, aparentemente não se relacionam gerando, assim,

todo um contexto de conteúdo paradoxal, quase inverossímil, pleno de incertezas,

porém, coerente dentro da lógica internamente criada pelo autor. Essa lógica interna

da narrativa, tipicamente kafkiana, faz com que o leitor sinta-se constantemente

intrigado

com

a

seqüência

de

fatos

pouco

ou

nada

convencionais.

O

anti-

convencionalismo

estende-se

a

diversos

elementos

da

narrativa

como

dados

imprecisos, sem biografia, do protagonista, caracterizando uma despersonalização

do sujeito; a atemporalidade, e atmosfera e ambientes onde se passa a ação. Tudo

isso presente na maneira de enredar os fatos, que, por vezes, apresentam uma certa

comicidade, reiterando, assim, a ironia e o paradoxo marcantes no texto.

Milan

Kundera (p. 95), soube muito bem definir a presença da comicidade na escrita de

Kafka: “o cômico é inseparável da essência do kafkiano”.

Em determinados trechos do romance, o protagonista reflete e assume uma

atitude de quem se nega a crer no “inacreditável”, no supostamente impossível.

Kafka ironiza, então, com sutileza, a negação de direitos através de uma patética

situação em que se encontra o “herói”, como se pode comprovar nas linhas a seguir,

“ vivia em um Estado de Direito e reinava a paz em toda a parte, todas as leis

estavam em vigor, quem ousava cair de assalto sobre ele em sua casa?”, (Cap. I

p.10, Kafka, 2003). E, à medida que a narrativa se desenvolve, vários elementos se

unem para que o leitor, no bailar das incertezas, procure concluir alguns fatos e

possa tecer hipóteses que poderão ou não se confirmar no próximo capítulo, ou no

próximo trecho. Mas, o leitor, ao tentar acompanhar a trajetória de Josef K., por

maior estranheza que essa possa lhe causar, percebe que, em um tom quase

lacônico o autor tenta subverter algumas idéias, concepções ou conceitos muitas

vezes cristalizados. É possível, então detectar a profunda ironia em todo um

contexto: Josef K. acredita em Estado de Direito, que busca manter a ordem social e

que, pressupostamente, está a serviço de K., cidadão cumpridor de seus deveres,

procurador de uma instituição financeira, mas que se volta contra ele. E, diante

dessa situação de ironia extremada, não há muito que fazer, não há inocência e não

existe defesa. Essa constatação confunde a personagem que passa a ter uma

postura indiferente e alheia aos fatos. Em análise da obra de Kafka, Costa Lima (p.

205) afirma que “a Lei é mera forma pela qual o poder se manifesta”. E em relação a

essas reflexões, é possível constatar que Josef K. acreditara que Lei e Justiça

fossem sinônimas. Kafka, em meio a contradições e paradoxos, deixa o protagonista

seguir até o fim da narrativa enredado em suas crenças e confuso diante dos fatos

que tem vivenciado. Segundo o professor Luiz Costa Lima:

As idéias de K. se configuram em algo quixotesco: K. é um Quixote peculiar, porque os valores que professa teoricamente são valores em vigência.

Ao menos, aparentemente, esses valores continuam a ser os do leitor, que deverá estar tão convencido tanto quanto o acusado da manutenção do

Estado de Direito. (

)

Ao passo que a resposta diante de um texto de Kafka

é

bem mais complexa: eis um homem comum que crê no que todos cremos

e

perseguido por uma fatalidade que não podemos entender senão como

Em

O

motivada pelo intricado da existência. ( LIMA,L.C

Processo,

além

da complexidade

temática,

1993).

a

figura

do

narrador

apresenta-se

não-confiável;

emite

pistas

falsas,

utiliza-se

de

uma

linguagem

ambígua

e de alegorias

e mantém um

distanciamento irônico em

relação à

personagem. Conduz, então, o leitor a possíveis equívocos e torna difícil extrair uma

única mensagem da obra.

É certo que, enquanto leitores de seu texto, Kafka nos

oportuniza tecer redes para efetivar a compreensão, mas ainda é mais certo que

vamos descobrindo, ao longo da narrativa, que muitos significados constroem-se e

que outros fogem ou tendem a se ocultar. E isso é possível porque o autor, conforme

Walter Benjamin (p.

136

164) “priva os gestos humanos de seus esteios

tradicionais e os transforma em tema de reflexões intermináveis”. A amplitude de

reflexões, a forma ambígua e alegórica como o narrador se coloca na narrativa não

ofusca a intenção de mostrar sutilmente uma inversão de valores éticos.

Nesse contexto, podemos dizer que a época contemporânea bem entende das

inversões aludidas na obra de Kafka e de complicadas questões relativas à

manutenção do Estado de Direito. Sabemos, pois, que o ético e o moralmente justo

nem sempre são legitimados e assegurados por lei. E esse entendimento torna

possível acessarmos o significado trazido no contexto de O Processo. Para além dos

caminhos da ficção kafkiana, existem elementos pertinentes à realidade. Ao longo

da História humana, acreditamos na punição como algo declinado somente aos

culpados e, portanto, essa punição seria justa havendo um mecanismo que,

historicamente, evoluíra das Ordálias - juízo medieval - para um procedimento

jurídico que contemplaria ampla defesa - O Processo. Acrescentamos aqui o

entender de Benjamin sobre o fato de que na obra de Kafka, “ o direito existe nos

códigos, mas eles são secretos e através deles a pré-história exerce seu domínio

ainda mais

ilimitadamente.” É

sensato,

então,

pensarmos

que,

nas primeiras

décadas do século XX, criar uma realidade alternativa mostrando que, enquanto

cidadãos, podemos não estar assegurados em nossas liberdades individuais e

coletivas, como quereriam os princípios vigentes no início do século passado e que

supostamente vigem até hoje, é, no mínimo, relembrar a Pré-história e as barbáries

cometidas pela humanidade e legitimadas sempre em nome de um poder.

Michel

Foucault, em sua obra Vigiar e Punir (1997), discute questões da legitimidade do

poder através da lei e nos reportamos aqui a um trecho bastante elucidativo:

Durante todo o século XVIII, dentro e fora do sistema judiciário, na prática penal cotidiana como na crítica das instituições, vemos formar uma nova estratégia para o exercício de castigar . E a “reforma” propriamente dita, tal como ela se formula nas teorias de direito ou que se esquematiza nos projetos, é a retomada política ou filosófica dessa estratégia, com seus objetivos primeiros: fazer da punição e da repressão das ilegalidades uma função regular coextensiva à sociedade; não punir menos, mas punir melhor, punir talvez com severidade atenuada, mas para punir com mais universalidade e necessidade, inserir mais profundamente no corpo social o poder de punir”. * (FOUCAULT, Michel. 1997.p.69-70).

Revisitando as palavras de Foucault entendemos que, em sentido estrito, a lei,

sejam quais forem os seus métodos de execução ou seus procedimentos, apropria-

se da punição e, em sentido amplo está sempre a serviço de algum tipo de poder.

Josef K. já sabia disso, Kafka também. É a literatura, enquanto manifestação

artística, que precede em muito a ciências e teorias diversas que estudam a

natureza, o comportamento e a existência humana. Não é função precípua da arte

ser utilitária, bem sabemos disso e Kafka, em sua lucidez de grande escritor, não

tinha a intenção direta de denunciar ou desestabilizar o então proclamado Estado de

Direito, da época moderna, reconhecido pelas garantias individuais e coletivas

criadas pós-iluminismo.

No entanto, o autor de O Processo, apresentou, em seu

texto, o que o filósofo francês discute e teoriza décadas mais tarde. Poderia não ser

essa a pretensão do autor tcheco, mas não se pode negar que sua literatura mostra

como se constrói

e

como se

legitima o poder

e até onde podem

ir

os

seus

tentáculos. É possível assim dizer que o texto kafkiano enveredou pelos corredores

sombrios da modernidade e veio instalar-se em salões, auditórios ou tribunais da

época contemporânea. É lição que não se pode ou não se deve esquecer, pois, nem

mesmo Josef K., sólido cidadão, funcionário de uma também sólida instituição

financeira, não escapou de viver uma situação que se pode definir como tipicamente

kafkiana: embater-se contra um poder que não tem face, que se dissimula e se faz

representar

pela

Lei.

De

acordo

com

Costa

Lima

(p.

205)

a

Lei

é

uma

fantasmagoria, um fantasma que justifica o poder.” E nada é mais kafkiano e, ao

mesmo tempo, contemporâneo do que isso.

Sob esse aspecto, da presença arbitrária do poder e que se manifesta das

mais diversas formas, procuramos fazer a análise do texto de Kafka, considerado

por um expressivo número de críticos literários uma de suas melhores obras. E,

dessa

forma,

ao

analisar

O

Processo,

enfocamos,

também,

a

relevância

incontestável da arte literária nos desígnios do conhecimento humano expresso em

suas diferentes áreas e, especificamente, na Ciência Jurídica. Para ratificar a idéia

de que o enfoque temático dado ao texto é extremamente atual e atestar-lhe a

universalidade, consideramos o comentário de Jorge Furtado, diretor e roteirista do

cinema brasileiro contemporâneo, publicado no jornal Zero Hora, de 29/5/2004, que

assim diz:

Alguém certamente havia caluniado Josef K., pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum”. Com esta primeira frase , direta ao ponto, Kafka agarra o leitor pelo pescoço e, de quebra, inaugura o século XX. Você nem precisa ser um prisioneiro iraquiano em Abu Ghraid, conduzido pela coleira por uma simpática soldado americana grávida ( grávida e fumando); quem já tentou cancelar por telefone um cartão de crédito, lutou para se livrar de uma vendedora de tele-marketing ou se embrenhou pelos corredores da burocracia sabe o que é uma situação kafkiana, mesmo sem

ter lido um só livro dele. (

) Kafka foi um ser estranho, capaz de escrever

frases como esta em seu diário: 1914, 2 de agosto: a Alemanha declarou

guerra à Rússia. Natação à tarde. Esta visão particular da aventura

humana (

Kafka pressentisse e registrasse o surgimento de um novo mundo, em que

este profundo sentimento de inadequação fizeram com que

)e

o indivíduo pode ser esmagado sob o peso de uma insanidade coletiva e sem rosto. (FURTADO, Jorge. Jornal Zero Hora, 29/5/2004).

REFERÊNCIAS

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FILHO, L. R. O que é direito. 10ª ed. São Paulo: Brasiliense.

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KUNDERA, Milan. A arte do romance - ensaio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1986

LIMA, C. L. Limites da Voz - KAFKA. Rio de Janeiro: Rocco. 1993

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OST, François. Contar a lei - As fontes do imaginário jurídico. São Leopoldo:

Unisinos. 2004

WALTY, C. L. I. O que é ficção? São Paulo: Brasiliense. 1999