Você está na página 1de 10

Fisioterapia – Estágio Saúde da Mulher

Estrias, suas implicações e tratamentos


fisioterapêuticos – revisão bibliográfica

Heloise Machado
Marcella Bruno
Stefania Bianchi

Anhanguera Educacional
2017
Etiologia

A patogênese ainda não é inteiramente conhecida. Os estudos científicos


reconhecem seu caráter multifatorial e vêm explanando os vários fatores sugeridos em
sua origem. As mudanças nas estruturas que aguentam forças tênsil e elasticidade geram
um “afinamento” do tecido conectivo que, aliado a maiores tensões sobre a pele,
produzem as estriações cutâneas (TOSCHI apud BONETTI, 2007).
Existem três teorias para tentar justificar o aparecimento das estrias: a teoria
mecânica, teoria endócrina e teoria infecciosa, que ainda há muitas controvérsias
(GUIRRO e GUIRRO, 2002; WHITE, 2007).
Provam-se através de fatos, sejam estes isolados ou não, que seriam as alterações
das forças de tensão que agem sobre a pele, então denominadas striae distensae. A teoria
mecânica explica que por meio da deposição excessiva de gordura no tecido adiposo,
ocorre dano nas fibras elásticas e colágenas da pele, também aparecendo como sequelas
de rápidos períodos de crescimento, onde ocorre a ruptura ou perda das fibras elásticas
dérmicas, como por exemplo, na gestante, no estirão do crescimento e em obesos
(BONETTI, 2007; GUIRRO e GUIRRO, 2002; LIMA, 2005).
Na teoria endócrina a etiologia da estria parece estar intimamente relacionada com
as alterações hormonais, especificamente com os hormônios corticóides. Esta teoria
postula que o hormônio esteróide está presente de forma atuante em todos os quadros
em que as estrias surgem como na obesidade, adolescência e gravidez, explicando o fato
da ocorrência de estrias ser raríssima em crianças abaixo de cinco anos, ou até nove
anos, mesmo que obesas, pois a secreção desse hormônio só se inicia na puberdade
(BONETTI, 2007; GUIRRO e GUIRRO, 2002; LIMA, 2005).
Na teoria infecciosa sugere que processos infecciosos acarretam danos às fibras
elásticas, provocando as estrias. Foi observada em adolescentes a presença de estrias
púrpuras após febre tifóide, tifo, febre reumática, hanseníase e outras infecções
(GUIRRO e GUIRRO, 2004; LIMA, 2005).
Definição

A estria é uma atrofia tegumentar adquirida, de aspecto linear, a princípio


avermelhadas, depois esbranquiçadas e abrilhantadas. Indica um desequilíbrio elástico
localizado, caracterizando portanto uma lesão na pele. (GUIRRO & GUIRRO, 2002).
A estria atrófica é uma ruptura das fibras elásticas, localizada na segunda camada
da pele, a derme. Este rompimento gera uma atrofia, sendo definida como atrofia
tegumentar adquirida, linear, com um ou mais milímetros de largura (MONDO E
ROSAS, 2004).
Essas atrofias cutâneas lineares são formadas devido uma tensão tecidual que
provoca uma lesão do conectivo dérmico, gerando uma dilaceração das malhas (LIMA
E PRESSI, 2005). Apresentam-se, geralmente, perpendiculares às fendas da pele e se
dispõe paralelamente em relação às outras estrias. Tendem a ser bilaterais, distribuindo-
se simetricamente nos dois hemicorpos (CAVALCANTI et al., 2007).

Patologia

 As estrias caracterizam-se por um rompimento repentino das fibras elásticas da


pele localizadas na derme que sustentam sua camada intermediária, formada por
colágeno e elastina (responsáveis pela sua elasticidade e tonicidade), elas são atrofias
lineares. Instala-se um processo inflamatório que determina a destruição do colágeno e
da elastina. A cor rosa significa que existe um processo inflamatório na epiderme,
porém reações do organismo fazem com que as estrias fiquem mais longas, largas e
escuras. Finalmente, quando a inflamação termina a pele é substituída por tecido
fibroso, tecido de cicatrização, e fica com uma coloração esbranquiçada.
 As estrias afetam homens (40%) e mulheres (60%), são mais comuns durante a
adolescência ou no transcorrer da gestação. As estrias geralmente acometem mais as
nádegas, abdômen e mamas nas mulheres e costas, lombar e região lateral das coxas nos
homens. As estrias que surgem atrás do joelho, nos ombros e nas costas,
horizontalmente, geralmente são sinais de crescimento repentino que provoca distensão
mecânica e aparecem mais na adolescência. O mesmo mecanismo explica, nas grávidas,
as que aparecem no abdômen e nas mamas.

Classificação

Os estágios de evolução da estria podem ser interpretados através de sua coloração e


sensibilidade dolorosa. Segundo Bitencourt (2007), inicialmente, as estrias são
eritematosas devido a vasodilatação associada ao processo inflamatório na derme. Por
sua coloração são denominadas rubras ou violáceas e são sensíveis a estímulos
dolorosos. Posteriormente, tornam-se hipopigmentadas, fibróticas e atróficas, recebendo
o nome de estrias albas. Nesta etapa a sensibilidade é reduzida. Podem variar entre
superficiais e profundas e estreitas ou largas (DE ALBUQUERQUE, 2010).
Fatores risco

Fatores de risco para estrias são ganho rápido de peso, crescimento repentino,
geralmente ocorrido na adolescência e razões fisiológicas ou patológicas, como
gravidez, uso prolongado de esteroides, corticoides ou contraceptivos hormonais,
síndromes de Cushing, Marfan, diabetes mellitus ou alterações hormonais da adrenal. A
maior incidência está entre as adolescentes, de 12-14 anos e adultas jovens, entre 20-30
anos, especialmente em períodos de pico hormonal (BITENCOURT, 2007).

Diagnóstico

A anamnese deve conter informações sobre ano de menarca, número de gestações,


presença de disfunção hormonal, doenças como Sindrome de Cushing, Marfan,
Diabetes Melittus, problemas de circulação ou cicatrização, predisposição para
queloides, uso de medicamentos como corticoides, contraceptivos, esteroides e ganho
de peso. Na história da moléstia, em que período apareceu. A inspeção detecta a
coloração da pele da paciente, os locais comprometidos, o estagio em que se encontra a
partir de sua coloração, assim como a profundidade das mesmas. A mensuração é feita
para determinação da área afetada e a sensibilidade dolorosa é testada.

Tratamento Global

Subcisão

Subcisão, ou cirurgia subcutânea sem incisão, é um método muito utilizado em


cirurgia dermatológica para tratamento de alterações do relevo da pele como: cicatrizes
de acne, cicatrizes traumáticas, estrias profundas e fibro edema gelóide de grau elevado.
É realizado por dermatologista ou cirurgião plástico, mediante anestesia local injetável.

O procedimento consiste em uma penetração na porção mais profunda da pele para


descolar e soltar a pele que está com aspecto retraído ou repuxado. Além de liberar a
pele, o procedimento promove a formação de hematoma que, por sua vez, vai ajudar na
produção de colágeno, preenchendo o local tratado, dando aspecto mais uniforme à
pele.

A técnica é contraindicada em casos de problemas de cicatrização ou queloides,


alergia a medicações, problemas de coagulação, doenças sistêmicas descontroladas
(como o diabetes) e infecção ativa no local. (SAMPAIO, 2012).

Laser
Laser fracionário de CO2: de 10,600nm promove aumento na espessura da epiderme,
aumento de fibras colágenas e elásticas após o tratamento. O recurso permite
remodelação dérmica. Considerado ideal para estrias de coloração esbranquiçada, pois
realiza microperfurações na pele, que vai responder com cicatrização de colágeno.
(GLESILENE PONTE, 2016)

Intradermoterapia:
A intradermoterapia constitui um tratamento coadjuvante para as estrias. A técnica
consiste em levar os medicamentos desejados até o nível dérmico, fornecendo substrato
para a reorganização das alterações observadas nas estrias. Além disso, a própria
puntura representa um estimulo para a regeneração do tecido afetado. Bons resultados
tem sido alcançados com a vitamina C, sempre associada com um anestésico (procaína
ou mesocaína) para diminuir a ardência.

Contraindicações: em alergias as substâncias aplicadas, infecções no local da


aplicação, doenças autoimunes, gestantes, lactantes. (GLESILENE PONTE, 2016).

Cremes

Existem no mercado diversos cremes para estrias, que combinam na fórmula


complexos antielastese (que protegem o colágeno e a elastina da degradação) e óleos
vegetais, além de hidratar a pele e possuir propriedades antioxidantes. A indicação é
aplicar duas vezes ao dia, de manhã e à noite, sempre sob a orientação de um
dermatologista. (PRISCILA MAIA, 2014).
Tratamento Fisioterapêutico

Carboxiterapia
A carboxiterapia é uma técnica nova utilizada nas disfunções dermatológicas e
estéticas. Caracteriza-se pelo uso terapêutico do gás carbônico medicinal com 99,9% de
pureza administrado de forma subcutânea, tendo como objetivo uma vasodilatação
periférica e melhora do oxigênio tecidual.

O gás carbônico provoca um processo inflamatório no local da estria que responde


com o aparecimento de leve edema e hiperemia, a fim de aumentar a capacidade de
replicação dos fibroblastos e, consequentemente, a produção de fibras colágenas e
elásticas na pele estriada. (PRISCILA MAIA, 2014).

Peeling químico

O peeling químico, que também é conhecido como quimioesfoliação ou


dermopeeling, consiste na aplicação de determinado agente esfoliante, com ph inferior
ao da pele, transformando assim em uma região ácida, proporcionando uma descamação
cutânea, que vai destruir partes da epiderme e/ou derme, para que ocorra assim, uma
regeneração dos tecidos destruídos.
O ácido tricloroacético, ácido glicólico e o ácido retinóico, são exemplos de alguns
ácidos usados em peeling para o tratamento de estrias, sendo o mais comum o ácido
glicólico tendo a capacidade de estimular a produção de colágeno.
A concentração ou percentual do ácido escolhido para o peeling químico vai
depender do fototipo cutâneo, da sensibilidade dérmica, do quadro clínico da paciente e
do tipo de ácido utilizado.
O peeling tem como objetivo proporcionar afinamento e compactação do estrato
córneo, aumentar a espessura da epiderme, suavizando, melhorando a coloração,
aumentando a densidade do colágeno solúvel, aumentando a hidratação da pele e o
número de fibroblastos.
Contraindicação: Fotoproteção inadequada, gravidez, estresse e escoriações
neuróticas (impulsos de coçar, arranhar e picar a si mesmo), uso de isotretioína oral há
menos de 6 meses e cicatrização deficiente ou formação de queloides. (CIÊNCIA E
VIDA, 2016).

Luz pulsada
É um tipo de laser que promove uma melhora vascular em estrias rubras, marrons e
microvasinhos através de uma luz pulsada. É ideal para estrias em fase inicial. Esse
tratamento é realizado a cada oito semanas, sendo necessária de três a quatro sessões.
Contraindicações: gravidez, epilepsia, neoplasias e distúrbios circulatórios.
(GLESILENE PONTE, 2016).

Microdermoabrasão
É uma técnica de esfoliação abrasiva não cirúrgica, sendo considerada um método de
desgaste superficial da pele, com efeito sobre a remodelação dérmica.
Possui inúmeras recomendações, dentre elas, a prevenção de estrias e o afinamento
do tecido epitelial, preparando-o para tratamentos que consistam em revitalização e
resultando em uma textura saudável e fina, causada pelo aumento de proteínas de
reticulina, elastina e colágeno.
Apresenta caráter regenerativo, o qual desencadeia um processo inflamatório,
baseado em uma lesão causada por agente físico.
Contraindicações: dermatose na fase ativa, hipersensibilidade da pele para o dióxido
de alumínio, herpes ou outras doenças inflamatórias da pele, hiperpigmentação e feridas
abertas. (PRISCILA MAIA, 2014).

Microgalvânica
É uma microcorrente polarizada, de baixa frequência e intensidade diminuída ao nível
de microampères. O eletrodo ativo é em forma de agulha, que pode ser descartável ou
esterilizável, acoplada a um porta-agulha no formato de caneta, sendo este conectado ao
pólo negativo da corrente a qual foi agregada.
É uma técnica que associa os benefícios da corrente galvânica, como a estimulação
sensorial, hiperemia capilar, aumento da circulação, nutrição da área e aceleração do
processo de cicatrização, juntamente com os efeitos do processo inflamatório, induzido
pela puntura da agulha, sendo o principal meio, o qual a corrente penetrará pela pele na
estria.
Deve-se utilizar a intensidade de 100μA, recomenda -se que o tratamento seja
unilateral, para que se observe e se compare o progresso no aspecto da pele.
Contraindicações: Síndrome de Cushing ou na puberdade, pós gestação recente,
alterações hormonais, portadores de doenças cardíacas, neoplasias, gestantes, epiléticos
ou qualquer outra patologia que contraindique a aplicação de eletricidade. (CIÊNCIA E
VIDA, 2015).

Técnicas:
Punturação: visa provocar uma lesão traumática na pele (epiderme), ocorrendo ainda
uma necrose tecidual em virtude do componente galvânico da corrente contínua. A
“lesão” das células do estrato espinhoso obriga o organismo a uma ação reparadora.
Essa técnica visa a aplicação da agulha sobre a epiderme, onde deverá levantar o tecido,
abaixando-o em seguida e retirando a agulha. O procedimento deve ser realizado em
todo o trajeto da estria. (BORGES, 2010)

A escarificação também tem seu efeito comprovado no tratamento das estrias quanto
à sua capacidade de provocar a inflamação para o posterior reparo tecidual da pele
lesionada. É dividida em duas técnicas de aplicação: em 90º e em 45º, onde deve-se
deslizar a agulha acompanhando o trajeto da estria até que a mesma fique hiperemica.
(DEPIERI, 2013).

Massagem Clássica
Seu objetivo é melhorar a circulação local e fornecer substratos necessários à
recomposição do tecido, visa também, melhorar a oxigenação tecidual, promover
relaxamento, sendo um dos grandes atuantes contra o estresse, que é um dos fatores de
pré-disposição para o aparecimento da estria.
Contraindicação: trombose venosa profunda, infecções, câncer na área a ser tratada,
infecções de pele no local a ser tratado, entre outras. (Bitencourt, 2007).
Exercícios Ativos

Neste caso, além de manter uma alimentação saudável e a hidratação da pele, o ideal
é que a paciente tenha uma rotina ativa de exercícios, já que qualquer atividade física
ajuda na melhora da circulação sanguínea. Tem como objetivo oxigenar os músculos,
aumentar o metabolismo, ajudar na vascularização de toda a região, atuar na
metabolização da gordura, além de combater a flacidez. (Bitencourt, 2007).

Bibliografia:

Bitencourt, Shanna. "Tratamento de estrias albas com galvanopuntura: benéfico para a


estética, estresse oxidativo e perfil lipídico." (2007).

de Albuquerque Furlani, Laura, et al. "Estrias: fator de risco para distopia


urogenital?." Surgical & Cosmetic Dermatology 2.1 (2010): 18-22.

GLESILENE PONTE, Maria. Caderno de Ciências Biológicas e da Saúde


www.cathedral.edu.br Boa Vista, n. 02, 2013 RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS
UTILIZADOS NO TRATAMENTO DAS ESTRIAS: UMA REVISÃO DE
LITERATURA. 2016. 41 f. tcc (Fisioterapia)- Cathedral, [S.l.], 2016. Disponível em:
<http://200.230.184.11/ojs/index.php/CCBS/article/view/61/51>. Acesso em: 23 mar.
2017.

GUIRRO, E.C.O. GUIRRO. R.R.J. Fisioterapia em estética; fundamentos, recursos e


patologias. Ed. São Paulo: Manole, 2002.

GUIRRO, ELAINE; GUIRRO, RINALDO. Fisioterapia Dermato Funcional, 3ª ed.


Editora Manole, São Paulo, 2002.

Hermanns JF, Piérard GE. High-resolution epiluminescence colorimetry of striae


distensae. J Eur Acad Dermatol Venereol 2006;20:282-7.

MICROCORRENTE GALVÂNICA E PEELING QUÍMICO DE ÁCIDO GLICÓLICO


PARA TRATAMENTO DE ESTRIAS ALBAS. Título Revista FACID : Ciência &
Vida: [s.n.], 2015. Disponível em:
<http://imagens.devrybrasil.edu.br.s3.amazonaws.com/drupal-
content/arquivos/facid/revista_facid_2015.2.pdf#page=90>. Acesso em: 23 mar. 2017.

PRISCILA MAIA MEJIA, Dayana. Autor 1 Tratamento de estrias esbranquiçadas com


uso do laser. 2014. 13 p. Acadêmico (Fisioterapia)- FAIPE, [S.l.], 2015. Disponível em:
<http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/98/130-
Tratamento_de_estrias_esbranquiYadas_com_uso_de_laser.pdf>. Acesso em: 23 mar.
2017.

PRISCILA MAIA MEJIA, Daya. Autor 1 Efeito da microdermoabrasão com p ee ling


de cristal na terapêutica. 2012. 14 f. Acadêmico (Fisioterapia)- Faculdade Ávila, [S.l.],
2012. Disponível em:
<http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/14/23_Efeito_da_microdermoabrasYo_co
m_peeling_de_cristal_na_terapYutica_das_estrias.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2017.

SAMPAIO, Maise. Subcisão: tratamento de cicatrizes, estrias e celulite. Disponível em:


<http://dermatologiaesaude.com.br/doencas-da-pele/subcisao-
tratamento-de-cicatrizes-estrias-e-celulite/>. Acesso em: 23 mar. 2017.

SOUZA DA COSTA, Rosangela. Autor 1 Principais métodos para tratamento estético


de estrias. 2016. 41 f. tcc (Biomedicina estética)- INESP, [S.l.], 2016. Disponível em:
<http://www.ccecursos.com.br/img/resumos/principais-m-todos-para-tratamento-est-
tico-de-estrias-tcc---rosangela-souza-da-costa.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2017.