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AO JUÍZO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE XXXXXX – SC

XXXXXXXXX, menor impú bere, no ato representada por sua genitora


XXXXXXXXXX, brasileira, casada, inscrita no CPF sob nº XXXXXXXX, Identidade nº
XXXXXX, residente e domiciliada na Rua XXXXX, S/N, Bairro XXXXXX, na cidade de
XXXXXXX – SC, por seu procurador abaixo assinado, com escritó rio na Rua XXXXXX,
nº XX, Bairro XXXXXXX, neste mesmo município, e-mail:
XXXXXXXX.adv@gmail.com, vem propor
AÇÃO DE CONCESSÃO DE PENSÃO POR MORTE
em face do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, Autarquia Federal,
representada pela Procuradoria Federal, com sede na Rua XXXXXXX, nº XXXXX, no
município de XXXXXXXX – SC, pelos fatos e fundamentos enunciados em sequência:
I. DOS FATOS
No dia XX/XX/2018, a Autora, representada pela pessoa de sua genitora,
compareceu ao INSS a fim de realizar o pedido de seu benefício de pensã o por
morte, apresentando, para tanto, as informaçõ es e documentos exigidos.
Em resposta ao pedido, a Autarquia indeferiu o benefício sob o fundamento de que
o falecido, pai da Autora, haveria perdido a qualidade de segurado antes do ó bito,
na medida em que sua ú ltima contribuiçã o fora realizada em XX/2016,
permanecendo segurado até XX/XX/2018, em interpretaçã o adotada pelo INSS.
Entretanto, verifica-se do processo administrativo que a Autarquia-Ré analisou de
forma equivocada determinados vínculos empregatícios, olvidando-se de inserir
na data final o período em que o falecido ficara em aviso prévio, nã o se atendo
sequer à s anotaçõ es da CTPS. Nã o fosse esta incongruência, o benefício teria sido
concedido, pois estaria em qualidade de segurado.
Outrossim, consoante será comprovado mais à frente, o de cujus estava
terminantemente incapaz de trabalhar, de forma permanente, dada a gravidade
das moléstias que o acometiam, as quais, posteriormente, o levaram a ó bito, fato
que é capaz de impor a manutençã o da qualidade de segurado.
Considerando, portanto, que o segurado instituidor da pensã o por morte estava
enfermo e incapaz de realizar suas atividades quando do ó bito e dada a existência
de prévio requerimento administrativo com decisã o denegató ria, vem a este juízo
comprovar o cumprimento dos requisitos para o benefício, pleiteando-o a fim de
colimar a mais lídima Justiça.
II. DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA
Com fulcro no art. 5º, LXXIV, da CRFB/88, e do art. 99, do CPC/15, a Autora requer
a concessã o do benefício da gratuidade da justiça, pois nã o detém recursos
suficientes para arcar com as custas processuais e honorá rios advocatícios sem
prejudicar a sua subsistência ou a de sua família.
A fim de comprovar essa necessidade eminente, juntam-se aos autos os seguintes
documentos: a) declaraçã o de hipossuficiência de sua representante e b)
comprovante de renda de sua representante (IRPF).
III. DO DIREITO

1) DA PENSÃO POR MORTE


A pensã o por morte tem previsã o no art. 74 e seguintes da Lei 8.213/91, os quais
regulam que será devido o benefício ao conjunto de dependentes do segurado
falecido, aposentado ou nã o, a contar da data do ó bito, sempre que requerido em
até 90 (noventa dias) deste.
Comprovados os requisitos para o benefício, quais sejam, a qualidade de segurado
na data de seu ó bito e existência de dependentes legais, sã o entã o aplicá veis os
artigos 74 e 16, inciso I, ambos da Lei 8.213/91:
Art. 74. A pensã o por morte será devida ao conjunto dos dependentes do segurado
que falecer, aposentado ou nã o, a contar da data: (Redaçã o dada pela Lei nº 9.528,
de 1997) [...]
Art. 16. Sã o beneficiá rios do Regime Geral de Previdência Social, na condiçã o de
dependentes do segurado:
I - o cô njuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de
qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha
deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; (Redaçã o dada pela Lei
nº 13.146, de 2015)
[...]
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida
e a das demais deve ser comprovada.
No caso ora discorrido, vê-se que os requisitos para o gozo do benefício restam
plenamente atendidos, nã o podendo subsistir a negativa do INSS, como será visto
logo adiante.
2) DA QUALIDADE DE SEGURADO
Segundo a Lei de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), a concessã o do
benefício de pensã o por morte depende da ocorrência do evento morte e, além da
dependência de quem objetiva a pensã o – inexigível no caso -, a demonstraçã o da
qualidade de segurado do de cujus, ponto fulcral da presente demanda.
Portanto, discute-se nestes autos o teor da decisã o denegató ria em â mbito
administrativo, que justificou o indeferimento do benefício pela ocorrência do
ó bito posteriormente à perda da qualidade do segurado, sem se atentar à s causas
capazes de perfazer a manutenção da qualidade de segurado.
É pertinente assinalar que a legislaçã o regente, mais especificamente no art. 102, §
1º, da Lei 8.213/91, dispõ e que “a perda da qualidade de segurado não
prejudica o direito à aposentadoria para cuja concessão tenham sido
preenchidos todos os requisitos, segundo a legislação em vigor à época em
que estes requisitos foram atendidos”.
Outrossim, o § 2º do mesmo dispositivo legal estabelece exceçã o à s hipó teses de
perda da qualidade de segurado, estipulando que o benefício é devido, ainda que
aparentemente tenha perdido a qualidade de segurado, desde que preenchidos os
requisitos para aposentadoria na forma do § 1º.
Diferentemente do que o INSS alega como motivo para o indeferimento, a
jurisprudência, pautando-se no supracitado artigo, vem entendendo, de forma
pacífica, que o cidadã o que deixar de contribuir ao INSS por motivos de
incapacidade mantém a qualidade de segurado:
O reconhecimento da qualidade de segurado do instituidor da pensã o poderá ser
demonstrado pela comprovaçã o de que implementara as condiçõ es para obtençã o
do benefício de aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença, mesmo que nã o
requerido à época. Em outras palavras, deve ser mantida a qualidade de
segurado de quem deixou de contribuir para a Previdência Social em
decorrência de moléstia incapacitante para o trabalho, uma vez comprovado
nos autos que deveria ter recebido o benefício em razão da incapacidade.
(AÇÃ O CIVIL PÚ BLICA Nº 5012756-22.2015.4.04.7100/RS, Autor: Ministério
Pú blico Federal. Réu: INSS, Julgamento em: 13/01/2017)
Destaca-se que a presente ACP foi julgada para que produza seus efeitos em â mbito
nacional, sem qualquer limitaçã o objetiva ou subjetiva, com fundamento precípuo
no princípio da isonomia.
Veja-se que as decisõ es nesta linha sã o abundantes, pacíficas e uníssonas,
adequando-se perfeitamente à hipó tese delineada nestes autos. Colacionam-se, a
título exemplificativo, alguns excertos de tais julgados:
PENSÃ O POR MORTE. QUALIDADE DE SEGURADO. ALCOOLISMO CRÔ NICO.
INCAPACIDADE LABORAL. É devida a pensã o por morte aos dependentes do
falecido, quando comprovada a manutenção da qualidade de segurado,
devido à incapacidade para o trabalho, por alcoolismo crônico, causador do
óbito. (AC 2004.04.01.026904-0, Quinta Turma, Relator Rô mulo Pizzolatti, D.E.
16/02/2009)
Percebe-se, aliá s, que tal vértice decisó rio possui direcionamento e estabilidade, já
que desde 2004 até o presente momento – há mais de 14 anos, portanto -, a
exegese é idêntica, no sentido de que nã o ocorre a perda da qualidade de segurado
quando este deixou de contribuir por motivos de comprovada incapacidade para o
trabalho, bastando, para tanto, que se demonstre a implementaçã o das condiçõ es
para o benefício de aposentadoria por invalidez ou de auxílio-doença, este ú ltimo
ainda mais cristalino pelos documentos anexos.
Assim decidia o TRF4:
PREVIDENCIÁ RIO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. PENSÃ O POR MORTE.
CONTRIBUIÇÕ ES PREVIDENCIÁ RIAS. QUALIDADE DE SEGURADO. INCAPACIDADE.
INÍCIO DO BENEFÍCIO. 1. Não há perda da qualidade de segurado da
Previdência Social quando o afastamento do sistema previdenciário deve-se
à incapacidade da pessoa para o exercício de atividade laboral. 2. Hipó tese em
que restou configurado o direito do autor falecido à percepçã o de aposentadoria
por invalidez, geradora do amparo de pensã o por morte aos seus sucessores
previdenciá rios. (...): (TRF4, AC 2001.70.10.001472-6, Sexta Turma, Relator Nylson
Paim de Abreu, publicado em 20/10/2004)"
Atualmente, o entendimento é idêntico e reiterado, conforme coleçã o de ementas,
doravante transcritas:
Jurisprudência do Tribunal Regional da 4ª Região – TRF4:

1. PREVIDENCIÁ RIO. REMESSA NECESSÁ RIA. CONDENAÇÃ O DE


VALORFACILMENTE DETERMINÁ VEL. NÃ O CONHECIMENTO. AUXÍLIO-DOENÇA.
INCAPACIDADE TEMPORÁ RIA. TERMO INICIAL NO CASO DE
RESTABELECIMENTO. MANUTENÇÃ O DA QUALIDADE DE SEGURADO. CORREÇÃ O
MONETÁ RIA E JUROS DE MORA.
[...]
O trabalhador que teve cessado indevidamente o benefício por incapacidade, não
perde a qualidade de segurado enquanto perdurar, comprovadamente, a
impossibilidade de exercer atividades laborativas em decorrência da sua
condição de saúde. Hipótese em que não flui o período de graça de que trata
o art. 15 da Lei 8.213/91.
(Tribunal Regional Federal da 4ª Regiã o TRF-4 - APELAÇÃ O CIVEL: AC 0012886-
96.2016.4.04.9999 RS 0012886-96.2016.4.04.9999, Relator: TAÍS CHILLING
FERRAZ, Data de Julgamento: 25/04/2018, SEXTA TURMA)
2. PREVIDENCIÁ RIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PENSÃ O POR MORTE. PERÍODO
DE GRAÇA. MANUTENÇÃ O DA QUALIDADE DE SEGURADO EM RAZÃ O DE DOENÇA
QUE DAVA DIREITO A APOSENTADORIA POR INVALIDEZ.
Reconhecida a manutenção da qualidade de segurado do instituidor porque
em curso o período de graça quando sobreveio incapacidade ensejadora de
aposentadoria por invalidez e, ipso facto, pensão por morte.
(APELAÇÃ O/REEXAME NECESSÁ RIO Nº 0026253-13.2009.404.7000/PR, Relator:
Des. Federal Joã o Batista Pinto Silveira, Data de Julgamento: 09/02/2011.)
3. PREVIDENCIÁ RIO. PROCESSUAL CIVIL. PENSÃ O POR MORTE. QUALIDADE DE
SEGURADO. PERÍODO DE GRAÇA. INCAPACIDADE LABORATIVA NÃ O
COMPROVADA
No período de graça, há manutenção da condição de segurado,
independentemente de contribuições (art. 15 da Lei 8.213/91). Nesse lapso
temporal, são conservados todos os direitos previdenciários dos segurados
(art. 15, § 3º, da LB).
Considera-se preservada a qualidade de segurado quando demonstrado que
o de cujus estava impedido de trabalhar no período de graça, em face de
doenças incapacitantes. (TRF-4 - AC: 50121363820184049999 5012136-
38.2018.4.04.9999, Relator: OSNI CARDOSO FILHO, Data de Julgamento:
09/10/2018, QUINTA TURMA)
Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ
Em se tratando da pensã o por morte, necessá ria a concomitâ ncia de três
requisitos, condiçã o sine qua nom para a sua concessã o: o ó bito, a qualidade de
segurada da pessoa falecida por ocasiã o do ó bito, bem como a dependência
econô mica em relaçã o ao de cujus. 2. Conforme dispõ e o Art. 102 da Lei 8.213/91 e
o entendimento jurisprudencial do E. STJ, não ocorre a perda da qualidade de
segurado, quando o falecido, em vida, reuniu os requisitos necessários para
concessão da aposentadoria. Nesse passo, deixando de contribuir o de cujus
para a Previdência, por incapacidade laborativa, não perde ele a qualidade
de segurado.
(STJ - AREsp: 550975 SP 2014/0178308-7, Relator: Ministro SÉ RGIO KUKINA,
Data de Publicaçã o: DJ 09/06/2015)
A convicçã o dos julgadores nada mais é que a aplicaçã o natural de norma jurídica
constante do art. 15, I, da Lei 8.213/91, cujo texto afirma que “mantém a qualidade
de segurado, independentemente de contribuiçõ es [...] I - sem limite de prazo,
quem está em gozo de benefício”. Ora, se a qualidade de segurado é mantida
quando este goza de benefício, nã o se poderia dizer que o mero fato de este nã o o
ter obtido, em que pese o cumprimento dos requisitos para tanto, obstaria
eventual benefício pleiteado por seu dependente.
Destaca-se, aliá s, que os documentos médicos acostados aos autos comprovam
veementemente que a incapacidade existia de forma total e permanente, tanto é
que o segurado veio a ó bito em decorrência da miríade de doenças que o
acometiam, passando por inú meros tratamentos, internaçõ es e medicamentos
específicos para a tentativa de cura.
É possível extrair dos PPP’s anexos que o falecido exercia a funçã o de açougueiro
quando tiveram início as complicaçõ es decorrentes de suas afecçõ es, ainda no ano
de 2016. Tais enfermidades incapacitantes persistiram até o seu ó bito, no ano de
2018, como se pode perceber de uma aná lise do amplo conjunto documental
anexo.
Notoriamente, o de cujus estava incapaz de realizar atividades como as de operar,
cortar, manusear, buscar, guardar e desossar carnes, bem como de entrar e sair, a
todo momento, das câ meras de resfriamento, as quais atingem temperaturas
baixíssimas, alterando o funcionamento do corpo e desequilibrando o processo
natural de cura.
Outrossim, lidava com inú meros agentes químicos, físicos e bioló gicos, que
certamente fariam com que houvesse o agravamento de suas debilitaçõ es
corporais físicas e psicoló gicas.
Veja que em 2016, o de cujus já sofria de problemas psicoló gicos com sintomas de
XXXXXXX, com falta de apetite, dificuldades de sono, tristeza, etc. Nã o fosse o
suficiente, sofria com có licas biliares oriundas de calculose biliar e transtornos
oriundos do á lcool.
Em 2017, foi acometido por “XXXXX”, doença grave e incapacitante, o que
novamente torna clara a condiçã o deplorá vel de saú de, com imunidade
prejudicada e suscetibilidade a uma reaçã o em cadeia de afecçõ es posteriores,
mostrando-se palpá vel a existência de vá rios problemas nos exames sanguíneos,
MUITO ACIMA do nível tolerá vel a um ser humano em bom estado de saú de.
Em 2018, depois de muito lutar para manter-se vivo, seu corpo adoeceu
terminantemente e veio a falecer. O falecido já estava há 08 (oito) meses em
tratamentos diversos pois sua condiçã o de saú de havia piorado em proporçõ es
geométricas, culminando em encefalopatia hepá tica, cirrose alcoó lica, disfunçã o
renal, hepatite fulminante com distensã o abdominal, hipocalemia, etc.
Deste modo, é estreme de dúvidas que o segurado deveria estar recebendo
benefício por incapacidade total e permanente (aposentadoria por invalidez), e
ainda que fosse entendido de maneira diversa, seria devido o auxílio-doença
(incapacidade temporá ria) o que ensejaria o direito à pensã o por morte ora
pleiteada.
Decidir de forma diversa, deixando de reconhecer a incapacidade para as
atividades laborais à época mesmo com a imensidã o de documentos que a
demonstram, os quais explicitam inclusive o nexo entre as doenças, a incapacidade
e a morte do segurado, traria grave violaçã o aos direitos fundamentais como a
dignidade da pessoa humana e do princípio “in dubio pro misero”, acarretando em
puniçã o “bis in idem” aos segurados e seus dependentes da Previdência Social, pois
além da ausência do gozo de benefício por incapacidade, consolidar-se-ia ó bice à
pensã o por morte de sua filha, de baixa idade e carente de proteçã o social.
Adicionalmente à situaçã o de incapacidade, é patente que o segurado falecido se
amoldava à hipó tese de prorrogaçã o do período de graça constante do art. 15, § 1º,
da Lei 8.213/91, pois com o cá lculo efetuado de maneira escorreita, vê-se que as
contribuiçõ es por ele vertidas nã o se limitavam ao nú mero de 119 (cento e
dezenove), conforme fizera o INSS, na fl. nº 11, do processo administrativo anexo.
Explica-se: a Autarquia não computou o período do aviso prévio indenizado
como tempo de contribuição.
É sabido que o aviso prévio indenizado deve ser contado para todos os fins,
inclusive para tempo de contribuiçã o. O art. 487, § 1º, da CLT, determina que “a
falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos
salá rios correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração
desse período no seu tempo de serviço”.
No mesmo sentido o TRF-4:
PREVIDENCIÁRIO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. AVERBAÇÃO DEVIDA.
APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO.
CONSECTÁRIOS LEGAIS.
1.O aviso prévio indenizado, sobre o qual não incide contribuição
previdenciária, deve ser computado para todos os fins, inclusive como tempo
de serviço.
[...]
(TRF-4 - AC: 50047736820174047110 RS 5004773-68.2017.4.04.7110, Relator:
Fá bio Vitó rio Mattiello, Data de Julgamento: 23/10/2018, QUINTA TURMA)
Com base nos registros da CTPS, o vínculo empregatício com início em
19/10/2009 foi rompido apenas em 06/11/2010, diferente do cô mputo feito pela
Autarquia, cujo rompimento teria sido feito em 07/10/2010 (fl. 10, do processo
administrativo), ou seja, com um mês de antecedência. Adicionalmente, o cô mputo
fora interpretado incorretamente também no que se relaciona ao vínculo com
início em 02/12/2013 e rompido em 22/06/2014, já que o INSS antecipou o
rompimento para 31/05/2014. (vide fl. 10, do processo administrativo)
Com efeito, somando-se os meses do aviso prévio nã o computados pelo INSS, tem-
se que foram vertidas 121 (cento e vinte e uma) contribuiçõ es, exsurgindo, nesta
senda, o direito à prorrogação do período de graça por mais 12 (doze) meses,
atingindo o total de 36 (trinta e seis) meses, o que vem a propulsionar a
qualidade de segurado até 16/04/2019.
Nã o fosse o suficiente, há de se relembrar que o INSS também deixou de computar
os períodos em gozo de benefício de auxílio-doença como tempo de
contribuição e carência quando deveriam ter sido computados, dado que foram
intercalados com períodos de atividade.
A determinaçã o para que seja computado como tempo de contribuiçã o o período
em que o segurado esteve em gozo de benefício de auxílio-doença, desde que
intercalados com períodos de atividade, advém do Decreto nº 3.048/99, em seu
art. 60, III, nos seguintes termos:
Art. 60: Até que lei específica discipline a matéria, sã o contados como tempo de
contribuiçã o, entre outros:
[...]
III - o período em que o segurado esteve recebendo auxílio-doença ou
aposentadoria por invalidez, entre períodos de atividade;

De mais a mais, extrai-se da jurisprudência iterativa que o tempo em recebimento


de auxílio-doença intercalado com contribuiçõ es deve ser computado tanto para
fins de tempo de contribuição como para fins de carência, nesta linha:
· RE n. 583.834, da Relatoria do Ministro Ayres Britto, julgado pelo Plená rio do STF
em sede de repercussã o geral, publicado no DJe de 14-02-2012).
· REsp n. 1.410.433, da Relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, julgado pela
Primeira Seçã o do STJ em 11-12-2013, como recurso repetitivo e APL 5005613-
92.2014.4.04.7204 SC 5005613-92.2014.4.04.7204.
· APL: 50056139220144047204 SC 5005613-92.2014.4.04.7204, Relator: CELSO
KIPPER, Data de Julgamento: 29/11/2018, TURMA REGIONAL SUPLEMENTAR DE
SC, do TRF-4.
Por conseguinte, demonstra-se imperiosa a concessã o do benefício de pensã o por
morte, na medida em que as alegaçõ es para o indeferimento administrativo nã o
possuem amparo legal e/ou jurisprudencial, prejudicando indevidamente o pleito
da dependente do falecido, privando-a de proteçã o previdenciá ria.
3) DA INEXISTÊNCIA E RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA
Naturalmente, as questõ es já abarcadas em sentença prolatada nã o sã o mais
passíveis de nova decisã o, instituto a que se lhe atribui reconhecimento como
“coisa julgada material”, consolidando a relaçã o jurídica para produzir seus efeitos
em cará ter de imutabilidade.
Assim sendo, poder-se-ia haver a alegaçã o, por parte da Autarquia Ré, de que o
segurado já teria sido submetido a exame pericial ao encargo deste juízo, nã o
logrando êxito na constataçã o de sua incapacidade à época. Nã o obstante,
esclarece-se, para fins meramente argumentativos, que nã o haveria qualquer razã o
ou fundamento jurídico capaz de obstar a pretensã o autoral oriunda de situaçõ es
pretéritas.
Primeiramente, o instituto da coisa julgada possui aplicabilidade somente à s açõ es
idênticas, reputando-se como tais aquelas em que houver identidade de partes,
pedido e causa de pedir, conforme expressa disposiçã o do art. 337, § 2, do CPC/15,
o que claramente nã o é o caso, dado que inexiste a chamada tríplice identidade.
Ademais, a coisa julgada nã o produz efeitos perante terceiros alheios ao processo
decidido, já que o art. 506, do CPC/15, assevera que “a sentença faz coisa julgada
às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros”.
Assim sendo, na situaçã o trazida à baila, nã o há identidade de pedidos, causa de
pedir, nem de partes, bem como eventual sentença proferida em pleito em que se
buscou benefício por incapacidade nã o produz os efeitos da coisa julgada, pois a
Autora do presente processo é parte alheia ao processo anterior.
Além disso, é sabido que nas demandas previdenciá rias a coisa julgada nã o é
absoluta e imutá vel, vigendo, doutro viés, o princípio da “relativizaçã o da coisa
julgada”, pois tais causas possuem ínsita natureza de relaçã o jurídica continuativa
cujas modificaçõ es no estado de fato ou de direito – comumente o primeiro –
acontecem a todo instante, mormente em se tratando de benefícios por
incapacidade (auxílio-doença e aposentadoria por invalidez).
Acerca desta relativizaçã o da coisa julgada, elenca o art. 471, do CPC/15:
Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questõ es já decididas, relativas à
mesma lide, salvo:
I - se, tratando-se de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no
estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisã o do que
foi estatuído na sentença.
A pró pria Portaria Conjunta INSS/PGF, nº 4, de 10 de setembro de 2014, por seu
art. 10, estabelece critérios para a revisã o dos benefícios decididos em sentença
judicial, mesmo após o trânsito em julgado, trazendo, portanto, mais uma
exceçã o à coisa julgada, nos seguintes termos:
Art. 10. Os benefícios implantados por força de decisã o judicial devem ser
revisados preferencialmente:
I - apó s 6 (seis) meses da implantaçã o judicial ou do trâ nsito em julgado em se
tratando de auxílio-doença, salvo fato novo;
II - apó s 2 (dois) anos da implantaçã o judicial ou trâ nsito em julgado, para
aposentadoria por invalidez e benefício de prestaçã o continuada da assistência
social, salvo fato novo.
Notoriamente, a revisã o há de acontecer pois o segurado poderia ter recuperado a
capacidade laborativa – sempre que tenha havido concessã o – ou tenha sua
doença/incapacidade agravada, o que motivaria a alteraçã o de uma decisã o
negató ria pretérita para a concessã o do benefício por agravamento. Tal previsã o
decorre do art. 71, da Lei nº 8.212/91:
Art. 71. O Instituto Nacional do Seguro Social-INSS deverá rever os benefícios,
inclusive os concedidos por acidente do trabalho, ainda que concedidos
judicialmente, para avaliar a persistência, atenuaçã o ou agravamento da
incapacidade para o trabalho alegada como causa para a sua concessã o.
Nesta senda, consignam-se as liçõ es da Procuradora Federal Giovana Bortoluzzi
Fleig, em seu artigo: “Coisa Julgada nas Sentenças de Benefícios Previdenciários por
Incapacidade Laboral”:
A sentença que reconhece a existência da relaçã o jurídica previdenciá ria o faz
aplicando certa norma jurídica a um determinado suporte fá tico em dado
momento. A sentença que afirma a inexistência da relaçã o previdenciá ria supõ e a
inexistência do comando normativo ou da situaçã o de fato em certo momento.
Assim, não é correto dizer que fica indiscutível a condição de beneficiário de
aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença. A coisa julgada somente
vincula as partes e veda novo julgamento enquanto não houver alteração das
circunstâncias que geraram a relação jurídica de direito material. (FLEIG,
Giovana Bortoluzzi, Coisa Julgada nas Sentenças de Benefícios Previdenciá rios por
Incapacidade Laboral. Revista Virtual da AGU, ano XI, n. 119, dezembro 2011,
publicado em 03.01.12.)
Igualmente, José Antô nio Savaris (2011, p. 89), em sua obra “Direito Processual
Previdenciá rio”, interpreta o instituto da coisa julgada de forma relativizada, pois
que:
[...] Nã o é adequado que se sepulte, de uma vez por todas, o direito de receber a
proteçã o social em funçã o da certeza assegurada pela coisa julgada, quando a
pessoa, na realidade, faz jus à prestaçã o previdenciá ria que lhe foi negada
judicialmente.
Já o eminente Câ ndido Rangel Dinamarco (2001) defende a relativizaçã o da coisa
julgada como forma de coibir a perpetuaçã o de ilegalidades, injustiças e fraudes,
que de maneira oposta estariam protegidas pelo manto da imutabilidade das
decisõ es.
Discorreu nos termos seguintes:
Para dar efetividade à equilibrada flexibilizaçã o da coisa julgada em casos
extremos, insisto também na afirmaçã o do dever, que a ordem político-jurídica
outorga ao juiz, de postar-se como autêntico canal de comunicaçã o entre os valores
da sociedade em que vive e os casos que julga. Nã o é lícito entrincheirar-se
comodamente detrá s da barreira da coisa julgada e, em nome desta,
sistematicamente assegurar a eternizaçã o de injustiças, de absurdos, de fraudes ou
de inconstitucionalidades.
De acordo com o entendimento do TRF4, inexiste coisa julgada quando nã o houver
identidade de pedidos e causa de pedir (AC 5027344-96.2017.4.04.9999,
Publicado em: 31/01/2018).
De mais a mais, a TNU assim decidiu:
PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃ O. PREVIDENCIÁ RIO. BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE.
EXTINÇÃ O DO PROCESSO. COISA JULGADA. RENOVAÇÃ O DO REQUERIMENTO
ADMINISTRATIVO. NOVOS DOCUMENTOS. NÃ O INCIDÊ NCIAD A SÚ MULA TNU 43.
EXCEPCIONALIDADE DO CASO.RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. PRIMAZIA
DA PROTEÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDENTE CONHECIDO E PARCIALMENTE
PROVIDO.
(...) 9. Isso porque a relativização da cosia julgada previdenciária permite a
propositura de nova demanda para rediscutir o objeto da ação primitiva
julgada improcedente por insuficiência do conjunto probante, quando
amparada em nova prova. Segundo doutrina do Juiz Federal José Antonio Savaris
(SAVARIS, J.A. Coisa julgada previdenciá ria como concretizaçã o do direitos
constitucional a um processo justo. Revista Brasileira de Direito Previdenciá rio, v.
1, p.65-86, 2011),"[...] Não há insegurança em se discutir novamente uma
questão previdenciária à luz de novas provas, como inexiste insegurança na
possibilidade de se rever sentença criminal em benefício do réu. O que
justifica esta possibilidade é justamente o valor que se encontra em jogo, a
fundamentalidade do bem para o indivíduo e a sua relevância para a
sociedade. Mais ainda, não se pode esquecer que o indivíduo agravado com a
sentença de não-proteção se presume hipossuficiente (em termos
econômicos e informacionais) e sofrendo ameaça de subsistência pela
ausência de recursos sociais. Seria minimamente adequada a sentença que
impõe ao indivíduo a privação perpétua de cobertura previdenciária a que,
na realidade, faz jus? Em nome do quê, exatamente? [...]".
10. Em conclusã o, em primeiro lugar está a regra constitucional da proteçã o
previdenciá ria, permitindo, em determinadas hipó teses, a desconsideraçã o da
eficá cia plena da coisa julgada, como no caso dos autos, ante a apresentaçã o de
novas provas pela autora (CTPS e documentos médicos acerca da continuidade do
tratamento de suas moléstias). Interpretaçã o diversa implicaria obstá culo ao
princípio do acesso à justiça ao hipossuficiente, o que representa um contrassenso
ao princípio da instrumentalidade das formas.
[...]
12. Pedido de uniformizaçã o conhecido e parcialmente provido.
(PEDILEF 0031861-11.2011.4.03.6301, Turma Nacional de Uniformizaçã o, Relator
p/ Acó rdã o Joã o Batista Lazzari, julgado em 07/05/2015).(30)
Por conseguinte, nã o há que se falar em coisa julgada na situaçã o aventada nestes
autos, extirpando-se qualquer alegaçã o que possa advir neste mesmo sentido.
4) DA TUTELA DE URGÊNCIA E EVIDÊNCIA EM SENTENÇA

Segundo o art. 300, do CPC/15, e art. 7, III, da Lei 12.016/09, a tutela de urgência
será concedida sempre que houver elementos capazes de evidenciar a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado ú til do
processo.
A probabilidade do direito (fumus boni iuris) é demonstrada pelos documentos e
acostados e pelos fundamentos trazidos, que garantem o pró prio direito
perseguido.
O perigo de dano ou risco ao resultado ú til do processo (periculum in mora) é
imanente aos processos deste gênero, porquanto o benefício possui cará ter
veementemente alimentar e a necessidade de recursos para sobrevivência é
sempre atual e constante.
Por medidas de justiça social, a morosidade do processo nã o pode ser imputada ao
jurisdicionado, que nã o enseja o acionamento do judiciá rio por mera liberalidade.
A provocaçã o desta via dá -se por razõ es de indiferença da Autarquia Ré com os
direitos dos segurados, devendo possuir a seu favor uma tutela célere e eficiente.
Por conseguinte, requer a este insigne juízo a concessã o da tutela de urgência em
cará ter liminar apó s a sentença de primeiro grau com vistas a guarnecer os
direitos mais altíssimos da vivência humana.
5) DO PREQUESTIONAMENTO
Pelo princípio da eventualidade, caso superada toda a fundamentaçã o colacionada
a fim de permitir o convencimento judicial sobre o direito que assiste à parte
autora, impende deixar prequestionadas eventuais violaçõ es aos dispositivos
constitucionais e à s legislaçõ es infraconstitucionais acima mencionados, com o fito
ú nico de viabilizar o ingresso à via recursal junto aos tribunais superiores, como ao
Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, nos termos da Sú mula
nº 282, do STF.
6) DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer:
a) A citaçã o do INSS para, querendo, contestar a presente açã o;
b) O deferimento do pedido de justiça gratuita, por nã o possuir a Requerente
condiçõ es de suportar as custas do processo sem prejudicar o seu sustento e o de
sua família;
c) A apresentaçã o, por parte do INSS, do extrato CNIS e demais documentos
comprobató rios dos vínculos do empregado, bem como das atividades exercidas e
salá rios percebidos. Caso sejam apresentados aos autos documentos os quais o
autor nã o teve prévio acesso, por exemplo, contagem de tempo de serviço
diferente daquela que consta no processo administrativo, a parte autora requer
que lhe seja oportunizada a emenda ou retificação da petição inicial;
d) A concessão do benefício de PENSÃO POR MORTE à Requerente, em razã o do
ó bito de seu genitor, a contar da data do requerimento administrativo realizado
em 05/06/2018, devendo todos os valores serem monetariamente corrigidos,
inclusive acrescidos dos juros morató rios à razã o de 1% ao mês a contar da
citaçã o, incidentes até a data do efetivo pagamento, a ocorrer por meio de
RPV/precató rio;
e) A concessã o da tutela de urgência, implementando o benefício em sentença,
tendo em vista seu cará ter alimentar e de subsistência, nos termos do art. 300, do
CPC/15.
f) A condenaçã o da Autarquia em custas e honorários advocatícios
sucumbenciais em 20% sobre o valor da causa;
g) Em observâ ncia ao art. 319, VII, do CPC/2015, o Autor opta pela
desnecessidade da realização de Audiência de Conciliação;
h) Que, havendo reconhecimento da procedência do pedido por parte da Ré da
presente açã o ou na hipó tese de aplicabilidade da “teoria da causa madura”, seja
efetuado o julgamento antecipado do mérito, nos termos do artigo 355, I e II, do
CPC/15, por se tratar de matéria cujos fatos restam indubitavelmente
comprovados em favor do Autor pelos documentos anexos.
Requer, caso entenda este juízo pela necessidade de dilaçã o probató ria e nã o
sendo o caso da alínea h, seja deferida a produçã o de provas por todos os meios em
direito admissíveis, tais como a prova testemunhal, documental ou pericial.
Dá-se à causa o valor de R$ 24.950,00 (vinte e quatro mil, novecentos e
cinquenta reais).

Nestes termos, pede deferimento.

xxxxxxxx, 24 de janeiro de 2019.


Advogado: Joã o Leandro Longo
OAB/SC nº 52.287
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