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GEERTZ, Clifford. Nova luz sobre a Antropologia, 2000.

Objetivo:
- Fazer antropologia cultural dialogar com outras matrizes disciplinares; Fortalecer ligação
entre Antropologia e os Estudos Culturais p.8
- Escrever sua própria história
- Debater situação pós-II Guerra e pós-miro de Berlim e a cultura nisso
- Defender uma abordagem da cultura

Livro: conjunto variado e apenas parcialmente organizados de comentários e exemplos,


criticas, ruminações, avaliações e indagações que tem a ver com assuntos e pessoas –
relativismo, mente, conhecimento, o eu, Taylor, Rorty, Kuhn, James – pelo menos
supostamente filosóficos

Capítulo I – Paisagem e acidente: uma vida de aprendizagem. 1999


[Prefácio:] introdutório, revê caminho vacilante de minha carreira profissional
Objetivo do texto: montar minha própria lenda p.29
História da sua vida e da antropologia p.26, qdo cita rapidamente LS.
Autoanálise
p.19 “exercício de astuciosa franqueza e ocultação publica de mim mesmo
auto-obituário [lista de óbitos]

Tempo e espera [da morte] p.29


Amargar do fim, auto-obituário [lista de óbitos]
Está tentando endireitar o que vê torto, debates idiotas, jovens acadêmicos com dificuldades
A medida que meus amigos e companheiros de conspiração vão envelhecendo e deixando
‘esta vasta deselegância’ e que eu mesmo vou enferrujando e sendo esquecido, com certeza
serei tentado a intervir e endireitar as coisas. Mas isso é inútil e ridículo. Nada é mais
inadequado a uma vida acadêmica do que a luta para não abandoná-la
No momento estou contente de montar minha própria lenda antes que os necrologistas me
apanhem. Foi isso o q eu fiz aqui.

Capítulo II – O pensamento como ato moral: dimensões éticas do trabalho de campo


antropológico nos países novos. 1968.
[Prefácio:] abordam angustias morais surgidas no meu trabalho de campo
Objetivo do texto: discutir dimensões éticas das experiências de campo

Capítulo III – Anti antirrelativismo. 1983


[Prefácio:] alguns argumentos ditos antirelativistas recentemente popularizados na
antropologia
Destruir o medo do relativismo cultural
Se supõe consequências morais infundadas: subjetivismo, niilismo, incoerência, eliminar a
capacidade critica

1
Não quero defender o relativismo, mas atacar o antirrelativismo. Ser ‘anti anti’ não quer dizer
ser pró.

Capítulo IV – Os usos da diversidade. 1986.


Sobre o etnocentrismo

Capítulo V - Situação atual [da Antropologia]. 1985


Tentativas de definições, demarcações territoriais da Antropologia

Capitulo VI – O estranho estranhamento: Charles Taylor e as ciências naturais. 1995


Manifesto pra juntar hermeneutas e naturalistas; ciências humanas e naturais, ver p.137
Taylor: pautar estudos o homem nas ciências naturais
Combater a naturalização das ciências humanas é iniciativa q Taylor contribuiu de maneira
vigorosa

Capítulo VII – O legado de Thomas Kuhn: o texto certo na hora certa. 1997
[esse textos é pra ir contra o cientificismo, que é um dos críticos ao seu relativismo]

Capitulo VIII – O beliscão do destino: a religião como experiência, sentido, identidade e


poder. 1999
Situação atual religiosa

Capítulo IX – Um ato desequilibrador: a psicologia cultural de Jerome Bruner. 1997


Antropologia x ciência

Capítulo X – Cultura, mente, cérebro / cérebro, mente, cultura. 1999


Prefácio: analise das relações entre o q supostamente passa na cabeça e o q aparentemente
acontece no mundo

Capitulo XI – O mundo em pedaços: cultura e política no fim do século. 1998


Prefácio: questões recente onda de ‘conflitos etnicos’

Abordagem teórico-metodologia:

Antropologia interpretativa p.26 Abordagem hermenêutica ou interpretativa


Contexto: reviravolta linguística, hermenêutica, revolução cognitiva. Wittgenstein, Kuhn,
Foucault, LS, Goffman Criaram o ambiente e forneceram os instrumentos especulativos para
tornar mais fácil a existência de alguém que via os seres humanos amarrados a teias de
significado que eles mesmo teceram

Teoria da significação [é o principal problema do Geertz, como se constrói o sentido, mas ele
tem teoria da significação]

2
O sentido, sob a forma de sinais interpretáveis, passa a existir dentro de jogos de linguagem,
de sistemas de referência intersubjetivos. Ele surge no contexto de uma interação social
concreta p.75
interpretação = tentativa de dar sentido

Percepção p.75LS somos passageiros desses trens q são nossas culturas, cada qual se movendo
em seus trilhos próprios. Os trens que correm lado a lado não são mtos diferentes. Os trens
oblíquos ou paralelos em direções opostas percebemos numa imagem vaga, fugaz quase não
identificável

Aspectos teóricos-metodológicos:
-Empreendimento hermenêutico
- Descrição densa
- Objetos podiam ser lidos como textos: A briga de galos, a lei, o formato da aldeia,

Objeto: cultura enquanto sistema de sinais;

Problemas do autor:
- Sentido do significado; estudo da produção do sentido;
- Revelar as singularidades dos modos de vida de outros povos
o estudo da cultura de outros povos implica descrever quem eles pensam que são, o que
pensam q estão fazendo, e com que finalidade pensam que estão fazendo p.26
- Seu trabalho lidou com problema geral da modernização de sociedades tradicionais p.32

Saber universal X Local1


Problema/postura teórico-metodológico, onde se propõe chegar/pretensão. [problema é o
objetivo e não o método]

Local e estrutural são duas posturas, não tem melhor, depende do que se quer obter.
Que esperamos ganhar com uma orientação ou outra.
Somos menos divididos pelo método (a gente usa o que tem) do que pelo o que pretendemos

Quem conhece melhor o rio o nadador [postura local] ou o hidrólogo [postura universal?
Depende do que se pretenda com conhecer

Posturas das tarefas das ciências humanas


- Universal: Objetivo das ciências humanas: descobrir fatos, dispô-los em estruturas. Deduzir
leis, prever consequências e administrar racionalmente a vida social. Busca da universalidade

1
Subtítulo original: O “saber local” e seus limites: obter dicta [argumentos acessórios, pra completar o
raciocínio/discussão] p.124
3
- Local: Objetivo: esclarecer o que acontece com varias pessoas em varias épocas, extrair
algumas conclusões sobre os aspectos práticos da vida. Busca de aperfeiçoar a capacidade de
levar uma vida que faça sentido
Postura está em ascensão.

Lugar da oposição: a oposição deve ser entre tipos de saberes locais e não entre local e
universal [ex. etnografia x neurologia]. Ninguém sabe tudo pq não há um tudo para saber
[parece oposição entre iguais, ou no mesmo nível, e não entre polos; mas não justifica porque
isso é o melhor]

Universal/lei
- Universais: ex.: todo mundo tem tabu do incesto
- Leis: nas ciências humanas não há leis [infalíveis], implica cientificismo. ex: casamento grupal
para a matrilinearidade para a patrilinearidade.
Não consigo pensar em nenhuma candidata séria; leis pretendem formular ciência da verdade.
O cientificismo é quase sempre um blefe.

Critica aos universais/leis: má generalização


Inútil, banal, falso/enganoso, infundado
A maioria dos universais, se não todo, sé tão geral que não tem força ou interesse intelectual,
é uma grande banalidade, tem pouquíssima serventia [banalidade, inutilidade e infundado =
má generalização] Leis estão superadas
Má generalização, qq frase q seja ‘todas as sociedades são/tem...’
Mesmo os universais menos triviais, mais pormenorizados e originais: ex: a força produtora de
solidariedade que existe na dadiva), eles são infundados [X MAUSS]

Motivo:
Não pode generalizar universais para povos não estudados. Em termos etnográficos só
pesquisamos um proporção pequena de sociedades que existiram. Nada é estudado em toda
parte ou por muito tempo e isso não é remediável
Abrangência rala, implausível.
O universal não tem limite, esse é o problema. Observador desposicionado, Renunciar visões
que partem de lugar nenhum

Generalização: podem ser probabilísticas, ter exceção e contradição, são aproximações.


[acho que ele ta querendo dizer q tudo tem exceção, nada é universal mesmo? Há
generalizações e não universais]
As generalizações são uteis como pontos de partida para aprofundamentos e não como
conclusões

Local:
Local = termo relativo: depende de onde/como/quem se relaciona; particularidades
4
A busca dos universais afasta-nos do que é produtivo na etnografia – as obsessões intelectuais
particulares (a troca de Mali, simbolismo animal de LS, a adivinhação de EP) e nos leva pra uma
abrangência rala, implausível).

Aspectos/parte/local x todo
Tentar compreender aspectos da vida ou parte /algumas sociedades não é uma ninharia,
podemos dizer com mais concretude do que entidades grandiosas e fugidia ‘o Homem’, etc.

Comparação: é possível e necessária: ver coisas particulares contra o pano de fundo de outras
coisas particulares, com isso aprofundando a particularidade de ambas.
Capacidade de ordenar particularidades

Limites/posicionamento/circunstancias: reconhecimento do limite de um dado observador


num certo momento e lugar. Tds somos observadores posicionados.
Dados circunstanciados A teoria parte de circunstancias particulares. Não tem teoria
construída fora de um contexto específico.

Dimensão ética: [capítulo II] pouco discutida

- Pesquisador expõe os problemas, mas não pode resolvê-los [impotência da Antropologia]

Expos problema da produção e do emprego no Marrocos e da Indonésia


Trabalho do pesquisador em novos países é como o do oncologista, que despende a maior
parte de seus esforços em expor delicadamente patologias graves que não está preparado
para combater. P.36 [impotência do antropólogo]

Trabalho de campo

Etnografia x sistemas
Defesa da etnografia: “Sou da cabeça aos pés, um etnógrafo que escreve sobre etnografia – e
não construo sistemas” p.8 [X LS]
Do autor: Java, Bali, Marrocos

Definição:
Trabalho de campo: abordagem do estudo da cultura p.26
Adquirir uma familiaridade operacional com os conjuntos de significados [através do trabalho
de campo]

Tornar-se nativo
Isso não requer sentir e pensar como eles o que é impossível, nem virar nativo. Requer
aprender como viver com eles, sendo de outro lugar e tendo um mundo próprio diferente.

5
Tensão moral/conflitos do trabalho de campo: [capítulo II]

1. Distanciamento: não é dom natural, nem talento fabricado, mas uma conquista parcial
e laboriosa alcançada e precariamente mantida
Dificuldade de ser ao mesmo tempo um ator envolvido numa situação e um observador
imparcial.

Trabalho de campo obriga a fusão entre esfera ocupacional e extra-ocupacional: devemos


encontrar amigos entre os informantes e informantes entre os amigos; devemos ver a
sociedade como objeto e experimentá-la como sujeito. Em campo, tem que aprender a viver e
a pensar ao mesmo tempo
O distanciamento não provem do desinteresse, mas de um interesse flexível o bastante para
suportar uma enorme tensão entre a reação moral e a observação cintífica
A fuga para o cientificismo ou por outro lado para o subjetivismo não passa de um sinal de que
a tensão não pode mais se r suportada, de que os nervos não aguentam e de que se fez a
opção de suprimir a própria humanidade ou a própria racionalidade p.46

2. Interesses das partes: acordo implícito

- Do antropólogo: obter dados para sua pesquisa científica; Nativos ajudam o antropólogo a
obter a sua pesquisa;
O antropólogo apoia-se no valor científico de seus dados.

- Informante:
O informante, seu interesse é mantido por toda uma série de ganhos secundários: a sensação
de ser um colaborador numa empreitada importante; orgulho por sua própria cultura; chance
de expressar ideias e opiniões pessoais; algum beneficio material direto ou indireto

Assimetria: quebra da dádiva ou dádiva cuja retribuição é desigual

- Nativos ajudam o antropólogo no que mais lhe importa - sua pesquisa [que rende dinheiro,
prestigio e posição]
- Antropólogo não consegue ajudar os nativos a obter o que realmente importa [melhorias
radicais]
Se o antropólogo é essencialmente irrelevante para o destino dos informante, com base em
que ele tem o direito de esperar q essas pessoas o aceitem e o ajudem? Atuamos em meio a
pessoas necessitadas que esperam melhorias radicais em suas condições de vida, melhorias
que não parecem iminentes. Além disso, somos os típicos benfeitores capazes de trazer
exatamente as melhorias que eles buscam, obrigados tbm a pedir a sua caridade, o que é
quase pior, obtendo-a. Essa é uma experiência desorientadora. [espécie de culpa, não vai
trazer as melhorias que esperam. Eles te ajudam e vc não ajuda eles]

6
3. Meios e dificuldades para estabelecer relações:

- Mendicância e suborno:
Pedidos claros de ajuda material e serviços pessoais são fáceis de lidar, mas são uma armadilha
Bugigangas como meio de estabelecer relações é fácil tenta o antropólogo

Nunca se livra da culpa por ser o príncipe entre os miseráveis. Mas logo se torna rotina e logo
o antropólogo se resigna de ser visto como uma fonte de renda

- Amizade: a única coisa que temos a oferecer para evitar a mendicância ou o suborno somos
nós mesmos, nos tornarmos pessoalmente valiosos ou seja amigos.

Não acho impossível o progresso desses países e nem o autentico contato humano através das
barreiras culturais. O que estou assinalando é a enorme pressão tanto sobre o pesquisador
quanto sobre seus pesquisados para encarar essas metas como próximas, qdo na verdade são
distantes. Essa pressão deriva da assimetria moral inerente ao trabalho de campo p.40

4. Assimetria da relação: inerente tensão moral entre pesquisador e objeto [sujeito]

A relação entre um antropólogo e um informante repousa sobre um conjunto de ficções


parciais que são mais ou menos percebidas.

Posição do antropólogo: membro, ainda que marginal, das classes mais privilegiadas do
mundo; mostruário de bens

Quer queira quer não, você é colocado numa posição moral um tanto parecida com a do
burguês que aconselha os pobres a serem pacientes [...] em virtude do fato de que o
antropólogo é um membro, ainda que marginal, das classes mais privilegiadas do mundo
É essa assimetria radical de opiniões sobre as verdadeiras chances do informante e de seu pais,
especialmente se combinada com uma concordância sobre o que eles deveriam ser, que dá ao
trabalho de campo esse colorido moral que considero irônico.
O antropólogo é um mostruário de bens que não estão disponíveis.

Outro conflito entre a minha maneira típica de ver as coisas e a da maioria dos nativos. O
pesquisador representa uma exemplificação, uma vitrine ambulante das oportunidades que
eles logo terão na vida, ou se não eles, com certeza seus filhos

5. Rompimento do acordo: revelação da ficção

7
Mas se é rompido o acordo implícito se gera tédio e desapontamento, desmorona
subitamente o sentimento mutuo de que se foi enganado, usado e rejeitado. O namoro foi
rompido. Encaram seus mundos como separados e incomunicáveis.
Esse fim não chega a ser típico nos relacionamentos entre antropólogos e infomantes, é
possível manter a sensação de que são temporariamente membros de uma mesma
comunidade moral
É essa ficção, não falsidade, que está no coração da pesquisa antropológica.
Reconhecer a tensão moral e a ambiguidade ética implícita no encontro
antropólogo/informante

O tal encontra exige de ambas as partes para ser autentico. Descobrir isso é descobrir algo
complicado não claro sobre a natureza da sinceridade, autenticidade, hipocrisia, honestidade e
auto-ilusão. O trabalho de campo é experiência educativa completa

Relativismo

Relativismo:
Pode ser encontrado em Montaigne “todo homem chama de barbarismo uma pratica que não
seja a sua”
Foi acionado pra combater racismos.
Relativismo e o anti-relativismo como respostas genéricas a maneira como nossa percepção é
afetada pelo impulso centrifugo da antropologia; outros lugares, época, etc.
Retavismo preocupa-se com o perigo da percepção seja restrita pelos valores de nossa
sociedade; sensibilidade ao apelo de outras culturas
Vemos a vida dos outros através de lentes que nos mesmo polimos e que os outros nos veem
através das deles

Relativismo: p.46 uma expressão da confiança em tentar ver o comportamento humano em


termos das forças que o animam é um elemento essencial para compreendê-lo, e em que
julgar sem compreender é uma ofensa moral.

Anti-relativismo:
Medo do relativismo, a moral é colocada acima da cultura. O que é bom ou ruim, o que é a
verdade.
Supõe consequências morais infundadas: subjetivismo, niilismo, incoerência, eliminar a
capacidade critica
Achar que leitores de antropologia não vão ter opinião nenhuma sobre nada

Definição de relativismo por antirrelativistas: postura segundo a qual toda avaliação é relativa
a um padrão, seja qual for, e os padrões derivam de culturas

As tentativas de banir o relativismo não são empreendimento único e ordenado. Ataque vem
de vários lados.
8
Argumentos baseados: Universalismo x relativismo
- Na natureza humana: a natureza humana é a mesma universal; a tarefa do homem é
funcionar direito p.57, mecanicista. Estimulada pelos avanços da genética e teoria
evolucionista. Leva a recolocar concepções clássicas o desvio. Há verdades absolutas ou tds os
modos de pensamento são validos, a nossa realidade que é a correta, a nossa visão é a
verdadeira
- Na Mente humana: mesma tendência a ver a diversidade como superficial e a universalidade
como profunda. Estimulada pela psicologia cognitiva, linguística... Traz de volta ideia do
pensamento primitivo/primário

Cientificismo x relativismo [capítulo VII]


Kuhn questionou as ciências como fenômeno social.
Possibilitou explosão dos estudos sócio-históricos da ciência
Mostrou que a ciência não é o ultimo baluarte do privilegio epistêmico, estrada para o
realmente real.
[vai contra o cientificismo, aqueles que reclamam do relativismo com argumentos
cientificistas]
Desprendimento da logica da verdade

Anti anti-relativismo
Destruir o medo do relativismo cultural. Não quero defender o relativismo, mas atacar o anti-
relativismo. Ser ‘anti anti’ não quer dizer ser pró.

Não sou niilista, nem subjetivista, tenho opiniões sobre o real. Tranquilizar é tarefa dos outros,
a nossa é inquietar.
Fomos os primeiros a insistir em que vemos a vida dos outros através de lentes que nos
mesmo polimos e que os outros nos veem através das deles.
Mas isso levou alguns a achar que o céu estava caindo, q o juízo e a comunicação estavam
desaparecendo.

O anti antirrelativismo não rejeita abordagem do tipo “tudo depende da maneira como vc ve
as coisas” ou abordagem moral tipo “em Roma, como os romanos”. O antirrelativismo objeta o
fato de que estas abordagens só podem ser derrotadas se a moral for posta acima da cultura e
o conhecimento acima de ambas.
Se quisermos verdades caseiras, deveríamos ter ficado em casa.

Etnocentrismo

- Fidelidade a certo conjunto de valores faz com que as pessoas fiquem parcialmente ou
totalmente insensíveis a outros valores. Atitudes normais, legitimas e inevitáveis; não é ruim
em si, é coisa boa desde que não fuja do controle - destruir ou reprimir valores alheios
[etnocídio de Clastres]
O etnocentrismo garante a integridade cultural. Pode tornar-se perigosamente fraco: igualar
ou anular a diversidade
9
Lévi-Strauss, Raça e cultura, se rebelou contra o abuso da linguagem pelo qual as pessoas
tendem a confundir o racismo com atitudes normais, legitimas e inevitáveis, com o
etnocentrismo, embora não usasse esse termo.
Sobre o etnocentrismo, LS argumenta em outro texto, não é ruim em si, é coisa boa desde que
não fuja do controle. A fidelidade a certo conjunto de valores faz com que as pessoas fiquem
parcialmente ou totalmente insensíveis a outros valores. Não tem nada de repugnante a não
ser destruir ou reprimir valores alheios
A diversidade resulta do desejo de cada cultura de resistir as culturas que a cercam, de
distinguirem-se delas.

Medo de acabar coma diversidade pelo contato


Medo de o relativismo frisar a diferença

O caso do Índio Bêbado e da Máquina de Hemodiálise p.78


Exemplo dos conflitos de valores surgidos da diversidade cultural p.79

Escassez de maquinas levou a filas num programa do governo americano. Fila organizada por
gravidade e chegada dos pedidos
Índio q conseguiu acesso ao equipamento escasso se recusou a parar de beber, como estipula
o tratamento. Os médicos acham q o índio estava impedindo outras pessoas de ter acesso ao
aparelho. Mas o índio continuou indo por alguns anos e morreu.

Se houve falha nesse episodio tratou-se da incapacidade de ambos de compreender o outro,


ao que parece ninguém aprendeu nada nesse encontro
Surdez ao apelo de outros valores

A etnografia pode ser disciplina facilitadora, facilita um contato com subjetividade variante. Ela
é grd inimiga do etnocentrismo.

Cultura
Ninguém sabe mto bem o que é cultura. Contestado, alguns diriam vazio e perigoso p.22
Conceito definido de várias maneiras.

- Século XIX: Antropo tinha seu lugar como estudo da cultura – esse complexo que inclui
crenças, moralidade, leis, costumes do homem como membro da sociedade. [Prefacio]
Cultura século XIX e boa parte do XX: propriedade universal da vida social humana. Palavra que
se opunha era natureza p.217

- Depois I Guerra Mundial: crescimento do trabalho de campo participativo, a concepção


genérica começou a ser posta de lado em favor de concepções configurativistas. Em vez de
uma cultura como tal, passamos a ter culturas, delimitadas coerentes, coesas e autônomas.

10
- Anos 50: totalidades de padrões de comportamento de grupos; comportamento adquirido, é
superorgânica e molda nossas vidas como uma forma.
Já em 1950 a ideia antropológica de cultura já estava acessível [ao senso comum].
A cultura tão abrangente que parecia uma explicação para tudo o que o ser humano fizesse,
imaginasse, dissesse, fosse ou acreditasse. Td mundo sabia q os Kwakiutl eram
megalomaníacos, os alemães autoritários... [padrões de cultura da Ruth Benedict]

- Reformulação conceito de cultura


Esse conceito começava a perde força
Assumi como tarefa reduzir a ideia de cultura a um tamanho adequado para dar uma
dimensão menos vasta. P.23

Projeto Modjokuto (1952 foi pra Java) – reformulação da cultura 2


Uma sociedade antiga, heterogênea, urbanizada, letrada – uma civilização
Tornava obsoleta visão e cultura voltada para os primitivos

- Conceito:
Conjuntos de significados em meio aos quais as pessoas levam suas vidas
Cultura: sistemas simbólicos utilizados pelos indivíduos na construção do sentido p.176
Cultura: estruturas de sentido em que as pessoas vivem e formam suas convicções, suas
individualidades, estilos de solidariedade, força ordenadora das questões humanas p.215

- Cultura na aldeia global: na situação atual


Cultura ou grupo étnico como grupo consensual mínimo
Nação ou estado como grupo consensual máximo p.222

O que é uma cultura se não um consenso?

Matrizes disciplinares: fronteiras

Campo cada vez mais diferenciados de disciplinas com projetos mutuamente condicionados
p.182, uma depende da outra. Interação das matrizes disciplinares [conceito do Kuhn]

Nem tudo precisa convergir, não tem que criar disciplinas hibridas mas tirar o melhor proveito
possível

Antropologia x filosofia:
Fronteiras não são bem demarcadas
2
Ignorou LS, que publicou Les Structures élémentaires de la parenté (As estruturas elementares do
parentesco), Paris, Presses universitaires de France, 1949; nova edição revista, La Haye-Paris, Mouton,
1968.]
11
Houve uma aproximação da Antropologia e filosofia feita por Wittgenstein 3: resposta a nossas
indagações mais gerais nos pequenos detalhes da vida vivida; língua como jogo de linguagem,
como conjunto de praticas; Buscar o uso, a pratica.
Mesmo objeto e mesmo interesse: vida e pensamento humano
Ambas sobrem assedio e estão imobilizadas

- Antropologia: etnografia, empírico p.8


Explora terra firme, produz um retrato pouco nítido, nebuloso e incerto e isso é a sua força.

- Filosofia: sistemas conceituais; examinar o alcance e estrutura da experiência humana e sua


finalidade [Considera LS filósofo?]
Explora ‘condições ideias’

Antropologia x Estudos culturais:


Estudos culturais: pressões separatistas na antropologia
A partir do século XIX- Antropo tinha seu lugar como estudo da cultura – esse complexo que
inclui crenças, moralidade, leis, costumes do homem como membro da sociedade.
Hj várias disciplinas improvisadas: estudo de gênero, da ciência, pós-coloniais, mídia [arte]...
agrupados como “estudos culturais”, que se amontoam no terreno que a Antropologia
cultivou.
A separação entre ambas é menor do q se acredita.
Meu interesse é em estabelecer uma ligação ou fortalece-la

Antropologia x psicologia [Capítulo IX]


Antropologia: objeto é a cultura; são voltados para fora –cult; estudam como o sentido é
construído
Psicologia: objeto é a mente; voltados pra dentro – mente; estudam como os seres humanos
raciocinam, sentem...
Psicologia: não é campo único, compartimentada, dividido em escolas.
Ciências cognitivas: dissidência da psicologia; fogem destes termos usam: circuitos neurais,
que não aborda social e significação

Ciência Cognitiva
Bruner: um dos lideres da revolução cognitiva, fim década de 1950, lema: trazer a mente de
volta. Contras os padrões de reposta [Skinner], mas os ats mentais. Contra o objetivismo
Depois Bruner desencantou-se com a Revolução Cognitiva, solapou impulso original
desumanizou o conceito e de afastou das ciências humanas, por ganhos tecnológicos, etc.
Reducinaismo
Bruner expõe direções q a psicologia cultural deve se mover. Atitude conciliadora entre
abordagens biologica e a cultural
Mostrar que a mente humana é construto social e dispositivo computacional. Vida mental é
determinada pela cultura, historia, mundo físico
3
Principais atores da virada linguística na filosofia do século XX.
12
Psicologia cultural
Bruner levantou bandeira da Psicologia Cultural, [década de 1980]
Engajamento do individuo nos sistemas estabelecidos de significados compartilhados
Usa como quadro de testagem a Educação
Em vez de uma psicologia que vê a mente como mecanismo programável, é uma q vê como
conquista social
Entrada do sentido
Criança constrói, agente ativos. Não tem q dar algo que falta – privação cultural, facilitar algo q
tem
Cultura: fator facilitador que concentra a mente, o modo de viver e pensar que construímos
Produção social do sentido

Educação cultural: construção de narrativas como forma de significação


Crescer entre narrativas é o palco essencial da educação, vivemos num mar de histórias.
Aprender a nadar nesse mar, construir histórias, entender/classificar histórias é isso que
consiste a escola e toda a educação cultural.
Os seres humanos dão sentido ao mundo contando histórias sobre eles. As historias são
ferramentas, instrumentos da mente em prol da criação do sentido.
[pensamento domesticado Historia] p.171
Visão narrativa como modo de pensar e expressão da cultura
Narrativa é modo de conhecimento primário, que montamos individualidades. Teoria da
mente
Desde o nascimento somos criadores de sentido, ativos, a procura de historias plausíveis

Mente x cultura
Antropo: evita mente ou formula mal [cita LS]
A localização da mente dentro da cabeça e a cultura fora dela já é um desvio
Psicologia cultural esta tentando trabalho com mente e cultura.
Tornar a reunir o cérebro, o corpo e o mundo. Titulo livro de Clark

Conciliação:
Pra juntar tem a abandonar a ideia de que o cérebro é capaz de um funcionamento autônomo
do contexto. Funcionamento mental como intracerebral. O cérebro tá no corpo, que ta no
mundo.

Antropologia do self e do sentimento – abordagens semióticas das emoções


Apreensão da relação entre formas expressivas e dos sentimentos que estão ligados a cultura
e derivam sua significação do lugar que ocupam na experiência de vida de pessoas particulares
em sociedades particulares p.183

Estudos dos sistemas vocabulares da emoção [exemplo], podem levar a uma rede de valores e
atitudes culturais
Examinar os sentidos das emoções
Há estudos- etno-esteticos musica, arte
13
Constituição cultural da emoção
Há descaso com dinâmica intra-psiquicia, lidar com subjetividade
A questão a se fazer é como essas emoções passam a ter força, pertinência e o efeito qure têm
p.186
Mente infantil: construtora do mundo, criando/buscando sentido. Capaciedade e propensão
das criaças a construir modelos da sociedade
Processos biológicos baseados na cultura.

Ciências humanas x naturais


Preço alto demais abismo entre as duas, obstruiu o progresso de ambas. Guerra entre
hermeneutas e naturalistas. Quer diálogo, estabelecer relações possíveis e produtivas.
Contra disciplinas hibridas: sóciobiologia e física social – fantasia exótica.
Humanas: menos extas, mais fraca, menos maduras. Movida pelo ideal do self engajado,
lutando na incerteza com signos pra dar sentido a ação intencional p.136
Naturais: consciência desengajada, segurança cognitiva, mundo absoluto de fatos verificáveis

Estudos da ciência: investigação histórica, social, cultural e psicológica. Olhar a ciência com
uma perspectiva interpretativista
Não humanos não são externos ao que acontece. Essas coisas tem que ser incorporadas a
história, agentes humanos e não humanos unidos em narrativas interpretativas . Construção
dessa narrativa que abarca mundos supostamente imiscíveis da cultura e da natureza, da ação
humana e do processo físico, da intencionalidade e do mecanicismo p.140 Não foi feito ainda
esses estudos.
Mas abordam a ciência não como precipitado opaco, mas como ação social provida de sentido

Kuhn. Estrutura das revoluções científicas. Objetivo do livro: compreender as razões históricas
do improvável sucesso da ciência
Foi texto certo na hora certa.
A sociologia do conhecimento não tinha tratado da ciência naturais. A historia que havia era
antiquada. Sociologia era externalista, não tratava questões internas: pq teorias e praticas
cientificas assumem as formas que assumem.
Kuhn questionou as ciências como fenômeno social.
Possibilitou explosão dos estudos sócio-históricos da ciência
Mostrou que a ciência não é o ultimo baluarte do privilegio epistêmico, estrada para o
realmente real.
Questionamentos: distanciamento da inteligibilidade geral; implicações morais, pesquisas
isentas de juízos de valor, desmistificação da autoridade científica, com sua reinclusão no
tempo e na sociedade, desprendimento da logica da verdade, etc.

Trajetória: minha própria lenda


Infância: cresci no meio rural na época da grande depressão e não supunha que frequentaria a
faculdade.
14
Juventude: guerra. 1946 saiu da marinha americana, boom do ensino universitário US. Lei dos
ex-combatentes
Faculdade: Descrição da faculdade Antioch College, 1946-50
Queria ser escritor, foi pra filosofia. Na faculdade adquiriu uma sensibilidade
Foi Copy Boy no New York Post
Fez doutorado em Antropologia, por indicação de um professor da Filosofia, Departamento de
Relações Sociais, departamento interdisciplinar [descrição p.19], que foi dissolvido em 1970.
Aprendendo a postura adequada
Como se tornou um indonesianista, de forma um pouco casual p.20 Convidado pelo chefe de
departamento a um trabalho de campo, financiado pela Fundação Ford.
Rendeu Tese sobre vida religiosa javanesa
Ficou em outras universidades, Chicago; e quase 30 anos em Princeton p.21

Situação neurótica da Universidade e afastamento do trabalho de campo, obcecados com a


eficiência, os custos e os lucros. Bolsas escassas e mercantilizadas p.21

Situação atual do mundo : pós II Guerra e pós queda murro de Berlim

- Descolonização: identidades étnicas, linguísticas, religiosas ganharam destaque


- Desmontagem do muro de Berlim, desilusão das narrativas ideológicas mestras como
arcabouços de identidades coletivas;
- Particularismos: trouxe formas mais particularistas de autorepresentação, mundo em
pedaços;
- Maior mobilidade: já não é fácil evitar o contato entre as pessoas de crenças diferentes.
Dinstinções são mais imediatqas e tensas
- Forças contrarias de agregação: globalização

Pós-queda muro de Berlim. Fim do mundo das potencias compactas, macroalianças.


Não há mais a ordem de estados inteiriços reunidos sobre blocos e superblocos. O mundo que
existe é menos claro, mais pluralista, parece emergir de forma vaga e irregular, feita de
retalhos, colapso dos blocos, descolonização, etc.

Em 1945 havia 50 países; hj mais de 200., por conta da descolonização e fragmentação


blocos...
Foi transformação de nossa ideia de as relações entre a história, o lugar e o pertencimento
politico.
A dinâmica da construção das nações/países não está mais sendo reproduzida.

Migrações e culturalmente discordantes em larga escala; movimento políticos-religiosos,


novos centros de riqueza = sentimento de incostancia e incerteza, de dispersão,
descentrmaento. Produzem novas possibilidades e perigos inéditos

15
Chamemos de desmontagem: deixa dos grandes conceitos totalizadores e integradores q
usamos pra organizar ideias sobre politica mundial e alteridade entre povos = tradição,
identidade, religião, ideologia, valores, nação, cultura e sociedade.

Panorama mundial tá ficando mais global e dividido, interligado e compartimentado

Tecnologia da comunicação – mundo em rede


Aldeia global – aldeia precária

Propostas/visão sobre a situação emergente:


- Pós-modernismo: busca de padrões abrangentes deve ser abandonada, como o resto da
busca do eterno, absoluto, etc.. Não há narrativas mestras sobre cultura, identidade, tradição
ou qq coisa. Há apenas historias divergentes que não se poe conciliar. Obtê-las é ilusão
Ceticismo neurastênico/desiludido. A diferença é incontornável.
- Conceitos ainda maiores: choques de civilizações

Saídas:
- Política:
A diferença tem que ser reconhecida de maneira explicita e franca. Deve ser vista não como
negação da semelhança, etc, estamos diante de emaranhados cada qual singular [sem
hierarquia? A diferença reduz a hierarquia, a universalização hierarquiza – César]

Parecemos necessitar de uma nova forma politica que encare a afirmação étnica, religiosa,
racial, linguística ou regional como qualquer outro problema social, como a desigualdade. O
desenvolvimento desta política deverá variar de um lugar pro outro. Desenvolver atitude
menos simplista e demonizante da diferenciação.
Adaptar liberalismo e democracia social que ainda são os melhores guias. E concepção mais
clara do que consiste a politica, que depende de compreensão melhor do que vem a ser
cultura [vai restabelecer a cultura de novo...]

O liberalismo p.225
Ênfase na liberdade, na lei e na universalidade dos direitos humanos. O desenvolvimento de
um liberalismo com a capacidade de se comprometer com um mundo diferencado é
necessário
Liberalismo tbm não é compacto e homogêneo e acabado. Precisa ser refeito.

- Método de estudo:
Não precisamos de ideias grandiosas e nem do seu abandono completo. Precisamos de modos
de pensar particularidade, descointunidades, vinculação que não é abrangente
Devemos examinar os estilhaços do mundo estilhaçado.
É preciso construir algumas ideias gerais novas ou recondicionadas
Requer alteração na maneira como concebemos IDENTIDADE e do vocabulário que usamos.

16
Trabalho delicado e caracterização geral devem iluminar-se um ao outro. Ligar paisagens locais
e as complexas/maiores,
Parece necessário algo intermediário, combine reflexos do self, agente, vontade e
levantamentos histórico, surgimento de etnicidades, estados, grups
Separar aspecto s políticos dos culturais na formação das personae coletivas

Identidade
Como num mundo multifacetado surge uma identidade politica, social ou cultural? Existem
muitas maneiras de reunir
A medida que o mundo se torna mais interligado, pessoas se deslocam, o catalogo de
identificações disponíveis se expande.

Unidade genérica da ação coletiva


- Antes era centrada no pais/nação/estado – alicerces da ordem politica global
A dinâmica da construção das nações/países não está mais sendo reproduzida.
- Unidade genérica da ação coletiva coerentemente definida como um self histórico

Tensão entre concepção convergente e outra dispersiva da ação coletiva, entre a tentativa de
tornar os termos [pais/nação/povo] dessa ação idênticos ou intercambiáveis e a tentativa de
manter suas diferenças e separações reflete o que está acontecendo no mundo.

Conceito de cultura na situação atual:


Cultura ou grupo étnico como grupo consensual mínimo
Nação ou estado como grupo consensual máximo p.222

O que é uma cultura se não um consenso?


Hj as culturas não coincidem com nações, como se achava antes.

Cultura: estruturas de sentido em que as pessoas vivem e formam suas convicções, suas
individualidades, estilos de solidariedade, força ordenadora das questões humanas p.215

A atrapalhação da antropologia de lidar com isso vem da dificuldade de achar a melhor


maneira de pensar cultura

Dopo II Guerra mundial: poroso, incerto, busca da totalidade era uma guia incerta, solidez se
desfez, fragmentos e fragmentação
Seja lá o que for que define a identidade no capitalismo sem fronteira da aldeia global não se
trata de acordo profundos sobre questões profundas [não se trata de cultura! HAHAHA]

Heterogeneidade culturais, com uma série de níveis, difícil organizar esse quadro geral, saber
onde traçar as linhas de separação e os focos [ele tá perdidinho]

17
Identidade cultural como um campo de diferenças que se conformam em todos os níveis,
desde a família, aldeia, bairro

Duas tendências opostas


- Tentar criar gotículas de cultura
- Diferença: tensões culturais não deseparecem

- Processo de suavização do contraste cultural. Os antropólogos terão de compreender


diferenças mais sutis. As diferenças estão se suavizando, mas vão continuar a existir.
A diversidade já não é mais como antigamente vagões separados. A tendência é tornar-se mais
vago e continuo e menos discriminado a medida que as formas simbólicas se divideme
proliferam
A diversidade já não é mais como antigamente vagões separados. A tendência é tornar-se mais
vago e continuo e menos discriminado a medida que as formas simbólicas se divideme
proliferam

As fronteiras sociais e culturais tem coincidência cada vez menor, embaralhamento que vem
acontecendo.

Situação anterior no âmbito religioso:


Na época de James a religião parecia estar ficando cada vez mais subjetivada
Os secularista acham isso sinal de progresso. A religião estaria se afastando das preocupações
temporais. Mas não foi assim que as coisas aconteceram.

- Situação atual no âmbito religioso: [capítulo VIII]


O solo se moveu sob nossos pés; mudança no panorama [e no paradigma – saída do
individualismo]
O beliscão4 [individualismo]continua a existir, mas menos particular, mais difícil de localizar
Luta religiosa refere-se a ocorrências bem externas ao self, ocorre em praça publica
Busca de identidade: self coletivo, as identificações religiosas do self vão ganhando cada vez
mais destaque no discurso secular da praça publica

Identidades religiosas e também étnicas, linguísticas, ganharam destaque.


Desilusão das narrativas ideológicas mestras como arcabouços de identidades coletivas;
tornou a religião como algo que não falhou.
A religião é a variável dependente favorita de todo o mundo. O mundo não funciona apenas
com crenças, mas é difícil funcionar sem elas.

Pra captar as tonalidades da devoção de nossa época é necessário empregar termos mais
transpessoais como: sentido, identidade e poder
4
William James: a religião era o beliscão individual do destino, tal como o individuo o sentia [espécie de
individualismo, secularismo] Beliscão = individualismo
18
Reconfiguração religiosa da politica do poder.
Comunidades de fé – eixo da luta pelo poder

Estudo Suzanne Brenner relações javanesas ao adotar o julbab


Contexto do ressurgimento islâmico
A conversão ao jilbab mudou sentimentos sobre si mesmas e dos seus atos. Mudança d
vestuário é mudança de ser/estar o mundo, preocupação com transgressões, sentimento de
estar em vigilância moral religiosa
Precisamos do tipo de investigação que James foi pioneiro
Tivemos mudanças maciças que precisam ser estudadas

- Papel da antropologia no mundo atual: disciplina facilitadora

Agora que o outro está perto é necessário um reajuste de nossos hábitos retóricos.
A etnografia pode ser disciplina facilitadora, facilita um contato com subjetividade variante. Ela
é grd inimiga do etnocentrismo.
Devemos conhecer uns aos outros e viver com esse conhecimento

Para viver na colagem do mundo atual é preciso ser capaz de discernir seus elementos,
compreende-los, o que não significa concordância de opiniões
Enxergar com largueza.

- Era do pós-tudo: pós-estruturalismo, pos-colonialismo, pós-modernismo, etc.

Situação atual da antropologia:

Resumo da situação atual:


Problemas
- conflitos internos e externos
- avanços técnico nas disciplinas afins
- cientificismo ressurgente
- privado de objeto original e isolamento na pesquisa
Saídas:
- enfatizar trabalho de campo
- Manter debates e controvérsias: acabamos sendo muito bons em entrar de mansinho, com o
passo desajeitado. Em nossa confusão reside nossa força. P.93
A antropologia extrai a maior parte de sua vitalidade das controvérsias que as animam p.94

Movimento centrífugo e de autonomização das ciências intra-antropologicas: divisões


internas,.

19
Dificuldade é que ela consiste numa coletânea de ciências mto diversamente concebidas por
versarem sobre O homem e suas obras. Arqueologia, antropologia física, antropologia cultural
e a linuistica antropológica divisões pouco interligadas
O desvio da antiga aliança foi se acentuando
Antropo física virou de pernas pro ar depois dos avanços da genética, neurologia. A evolução
humana passou pras ciências biológicas
Linguística antropológica: virou ciência cognitiva
Arqueologia: refere-se a si mesma de forma mais ambiciosa [independência, autonomizou]
Antropologia cultural e social: maior ramo, tbm tem problemas nela

Perda do objeto: não podemos trata de povos tribais ou primitivos, pq a essa altura a maioria
de nós não o faz e nã temos mta certeza do que seja uma tribo ou primitivo. Nem outras
sociedades, pq cada vez mais estudamos nos mesmos.
Não podemos estudar a cultra, pq nestes tempos hermenêuticos-semióticos, quem não o faz?
Essa situação não é nova, já tava em Tylor, Heorodot, etc. Um incomodo crônico
Desaparecimento do objeto, dos ‘primitivos’, de uma temática única; tbm não estamos mais
sozinhos no trabalho de campo, perda do isolamento

Perda do problema teórico:


Agora que ‘do Homem’ é um pouco demais como resposta, [a antropo] é: ciência de quê? [X
LS] p.89

Problema da objetividade p.90


Pesquisa apoiadas maciçamente no fator pessoal se podem ser sufucuentemente objetivas.
Ciencia onde o instrumento são eles mesmos e a técnica é a sociabilidade
Antropo dividida entre ciência humana e física social

Problema do pós-colonialismo/pos-modernismo – eu x eles p.91 fim


Acusações intelectuais do terceiro mundo
Divisam entre os que sabem e os que são objetos do saber
Pos-modernismo: preocupação com a representação do outro. Quem somos nós pra falar em
nome deles? Não podemos descartar essa pergunta, mas seri desejável que ela fosse tratada
com menos agressões [do terceiro mundo]
Mudança da Antropologia das margens do mundo moderno para seu centro

Saídas:
- Enfatizar o método do Trabalho de campo: A reposta parece ser enfatizar o método, o
trabalho etnográfico de campo. OS outros só fazem ocasionalmente e não tão bem feito.
Abordagem holistas, humanista, qualitativa e artesanal
- Manter debates e controvérsias: acabamos sendo muito bons em entrar de mansinho, com o
passo desajeitado. Em nossa confusão reside nossa força. P.93
A antropologia extrai a maior parte de sua vitalidade das controvérsias que as animam p.94

20
Controvérsias

- Obeyesekere X Sahlins
Baseiam-se no mesmo corpus
Como entender os atos e emoções de povos distantes em épocas remotas
Em que consiste o saber dos outros. A compreensão da diferença cultural.
Os relatos oitocentistas podem ser usados para reconstruir o passado histórico ou estão
impregnados dos preconceitos dos missionários. Cook conseguia compreender o que os
havaianos o diziam?
Como entender praticas culturais que nos parecem ilógicas?
Colocam indagações teóricas e metodológicas fundamentais sobre conhecer o outro.
Eles elevaram o nível do debate antropologico

Sahlins: existem culturas distintas como sistemas completo de ação, entendidas em moldes
estruturalistas.
Cook consagrado como deus, por ter chegado da maneira certa na hora certa, ele foi morto
como um deus, sacrificado para manter intacta a estrutura, por ter retornado ao Havaí de
maneira e hora errada.
Para Sahlins os havaianos são outros e distintos, possuem um esquema distinto num sistema
cultural completo da ação humana, numa outra cosmologia interiramnte descontinua da
racionalidade burguesa moderna. Culturas e racionalidades diferentes.
Argumentos plausíveis do Sahlins: se transformar em racionalidades generalizados perde as
particularidades profundas
Considero Sahlins mais persuasivo, descrições mais pormenorizadas

Obeyesekere: atos e crenças tem funções praticas, entendidas em moldes psicológicos.


Promete biografia psicanalítica de Cook
Razões morais e politicas, tratou os havaianos como selvagens, infantis tão embriagados com
seus signos que eram incapazes de enxergar o que lhes estava diante dos olhos [o sistema do
outro]
A exposição de Sahlins é chamada de etnocêntrica, Sahlins é neoimperialista por silenciar as
vozes dos nativos
Para Obeyesekere os havaianos são racionalistas ‘pragmaticos’, ‘calculistas’ e ‘estrategistas’,
eles avaliam reflexivamente as implicações em termos de critérios pratosc. Parecendo mto
conosco. Racionalidade pratica
Posição: se afirma como um ‘nativo’ de uma ex-colonia destroçada. Sujeito nativo ofendido e
injuriado portando-se como um universalista do iluminismo.
Argumentos plausíveis do Obeyesekere: o contato chega ate nos filtrado pela perspectiva de
quem narra; de que ninguém viveu num mundo distante das preocupações de ordem pratica

- Pierre Clastres x James Clifford p.102


São da mesma geração acadêmica, a que foi produzida pela contracultura.
Esses autores formularam questão sobre a pesquisa de campo
Ambos têm preocupação com o lugar dos despossuídos e com futuro humano
21
Saída entre os dois é a posição do meio: sustentar tradição de pesquisa e reinventar essas
tradições em favor de uma abordagem mais plural e dialógica.
Conclusão: [salvou o Clastres] Clastres sabia onde estava indo e chegou lá. Clifford apesar da
sua originalidade e disposição pra experimentar é vacilante. Talvez seja cedo de mais pra
trocar as raízes pelas rotas [Routs]

Clastres
Ligado ao estruturalismo. Foi ao Paraguai, anos 1960
Estilo: Exagera no velho estilo etnográfico; prosa direta e concreta
Registrar as crenças e praticas da vida dos Guaiaqui. Ele escrever para expor a NOS esses
adultos selvagens, logica da vida p.106-7
Critica ao livro Crônica dos Índios Guayaki, “diário missionário recém-descoberto de um
jesuíta setecentista’
Trata o primitivo como o bom selvagem e separação nos x eles
Voz pensativa e tristonha irrompendo aqui e ali numa fúria moral que sugere que talvez estej
acontecendo algo além do mero relato de curiosidades distantes
Peregrino romântico numa expedição auto-avaliadora confrontando-se com o outro radical
nas profundezas da selva
Clastres foi estruturalista ortodoxo, apesar de não ter usado esse termo. Constatou o que LS
chama de sociedades ‘quentes’ apanhadas pelo processo de mudança histórica e frias q se
recusam a tomar parte nesse processo. [tom critico ao LS, mas a critica não tá bem explicitada

Clifford
Formado como historiador, autodidata a Antropologia e mais tarde aos estudos culturais
Routes/Rotas: serie desordenada de ‘explorações pessoais’, ambiente híbridos, culturas
itinerantes
Estilo: prosa variada e indireta, ora acadêmica – abstrata e argumentativa; ora experimental
Afirma uma relação entre elementos heterogêneos num conjunto repleto de sentido, luta por
manter certa esperança e uma incerteza lucida
Espectador reservado, a meia distancia, movendo-se sem desenvoltura por um salão de
espelhos pós-moderno
Objetivo: proferir critica da busca exotista, antropológica e orientalista de tipos culturais das
totalidades sociais
Zonas de contato: espaço em que pessoas geográficas e historicamente separadas entram em
contato que em geral envolvem coerção, desigualdade e conflitos. Relações de poder
assimétricas
Clifford se interessa por lugares culturais e vê-las como arenas politica

História e Antropologia [capítulo V]

Acusações e Estereótipos: não vale a pena leva-los adiante

- Historiadores acham que a antropologia = imagens estáticas de sociedades imóveis.


Exploradores das formas elementares do elementar
22
- Antropologia sobre a história = contar historinhas esquemáticas. Memorialistas da
humanidade
Veyne diz q a sociol. esforço pra discernir princípios constantes da vida humana
LS: historia quer entender sequencialmente essa vida

- Grande x pequeno [micro x macro]


Historia = muralista – grds movimentos do pensamento e da ação, que ao antropos acusam
por esquematismo
Antropo = miniaturista – atolam nos detalhes sem importância
Antropologia fica com o quadro e a história com o drama

- Vivos x mortos
Sociedades vivas no presente
Instantâneos do passado

- Oral x escrito
Escrito é elitista
Oral – fragilidade da memoria

Singular x estrutura
Historiadores aprendem coisas singulares
Aprendem sistemas e afundam os indivíduos

Conciliação: História + Antropologia


Para além dos estereótipos acima
Historia e antropologia tem o mesmo problema – alteridade, lidar com o outro, mesmo que
esse outro fique muito longo ou há mto tempo daqui [LS fala a mesma coisa] P.113

O outro/nós da antropologia e história são diferentes


Outro da historia: ancestral de algum modo levou a maneira como vivemos hj. O nós é um
momento numa genealogia cultural e o aqui uma herança
Outro da Antropo: isso não acontece. Nos é um verbete no dicionário geográfico cultural e o
aqui é nossa casa.

Migração: está havendo uma migração de territórios, troca de interesses e objetos: maior
atenção a história não ocidental; interesse antropológico pelos vilarejos inglês. Tbm há
interesse teórico-metodológico5. Não é simples modismo. Uma tbm não engolirá a outra.
Exemplos de migrantes:

- Grupo de Melbourne p.115


5
A onda de interesse dos antropólogas não pelo passado, q sempre se interessaram por ele, mas pelo
modo como os historiadores lhe dão um sentido atual; e do interesse dos historiadores não pela
estranheza da cultura, mas pela maneira como os antropólogos trazem pra perto de nos
23
Historiadores se envolvendo com ideias antropológicas
Aponta táticas textuais em 3 livros

- Grupo da construção simbólica do estado


Convergência fortuita para um interesse comum
Historiadores tem se interessado cada vez mais pelas formas simbólicas
Aparato simbólico de representação do estado
Signos do poder

Minhas criticas
Meu, todo mundo ta na sua, é isso? Vc quer dizer q vc venceu, é isso? Varias áreas da ciência
tem a mesma teoria q vc, ts te seguem. Eu criei meu mito

24

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