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Entre arte e cidade

O corpo como instrumento de interpretação e crítica


Amanda da Costa Pereira Alves e Eneida de Almeida

RESENHA DE : FERNANDO OLIVEIRA DE PAIVA

O texto apresenta as intervenções artísticas efêmeras, em especial a dança, como uma


ferramenta para incitar o indivíduo a repensar sua relação com os símbolos e os espaços da
cidade.
Cada época exige que o indivíduo para o pleno exercício da cidadania repense o seu lugar
na cidade , de forma a existir um laço de pertencimento entre o indivíduo e o lugar . As
autoras destacam a necessidade de uma reavaliação crítica sobre a relação entre o
indivíduo e o espaço urbano em virtude das mudanças culturais que ocorreram na transição
do movimento moderno para o pós- modernos (“arquitextos 236.01 fenomenologia: Entre
arte e cidade | vitruvius”, 2020).
Para que o indivíduo exerça a cidadania de forma ativa é necessário que o mesmo tenha
consciência de si próprio e do impacto que a cidade exerce sobre ele e ele sobre a cidade.
A obra Entre Ladeiras, destacada no texto, ao incorporar a participação dos indivíduos em
suas performances forçando-os a exercerem interações com o espaço diferentes de suas
rotinas convencionais, tem como efeito o descondicionamento do olhar destes indivíduos.
Este novo olhar, diferente do olhar engessado pela rotina, muitas vezes banal que o
indivíduo exerce nesses espaços. O confronto entre percepções diferentes sobre o mesmo
lugar,fruto dessas novas experiências, cria um contraste de percepções sobre o mesmo
objeto, possibilitando terreno para o surgimento de uma opinião crítica a respeito do espaço
e de si mesmo.
Este olhar descondicionado , muitas vezes proporcionado pela atividade artística, é
necessário não só ao indivíduo que habita esses espaços mas também ao profissional
responsável por projetá- los ,como fica claro no texto.
O texto mostra como a arte, fruto essencialmente da subjetividade humana, é também
uma ferramenta poderosa na concepção da arquitetura como elemento valorizador da
subjetividade dos indivíduos que irão usufruir de seus espaços .
Repensar o lugar e os símbolos que o compõem, é uma necessidade não só de adaptação
a um novo momento cultural ,como também é elemento indispensável para que o indivíduo
reconfigure estes espaços através da releitura de seus símbolos. Como é destacado no
texto ao enfatizar a “ ativação da memória” , a memória a qual é gravada no símbolos da
cidade nem sempre é consequência de um passado o qual se pretende repetir. O novo
olhar do indivíduo sobre o espaço e si mesmo e a releitura dos símbolos que compõem o
espaço ,propiciado pelas intervenções efêmeras destacadas, afirma o trabalhador comum
do espaço urbano não só como o construtor do espaço físico ,mão de obra braçal, mas
também como um idealizador destes espaços o se apropriar deles imprimindo a própria
subjetividade em seus símbolos .
REFERÊNCIA

arquitextos 236.01 fenomenologia: Entre arte e cidade | vitruvius. Disponível em:


<https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/20.236/7605>. Acesso em: 26 jun. 2021.

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