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Discente: Mayla Henrique (UFMA-2020.

1) @Vishvouestudar
RESPONSABILIDADE CIVIL

Toda norma deve observar o dever jurídico (conduta externa de um individuo imposta pelo Direito
Positivo por exigência da convivência social);
- Dever jurídico primário ou originário: é estabelecido pela lei (sentido amplo) → 01. cumprimento ou 02.
Ato ilícito que fere o dever jurídico primário (causa um desequilíbrio nas relações da comunidade)
- Dever jurídico derivado ou sucessivo: é a reparação do prejuízo oriundo da violação do dever jurídico
primário.
A responsabilidade civil está ligada a reparação. Existem doutrinas que dizem que a reparação é
algo independente da obrigação. Mas a doutrina majoritária acredita que para existir reparação é
necessária a violação de uma obrigação (modelo sombra-objeto).
A função da responsabilidade civil é restaurar o equilíbrio violado pelo agente, ou seja,
restabelecer o status quo ante, logo o estado anterior.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADE CIVIL

CIVIL PENAL
Não há responsabilidade civil sem danos Há responsabilidade penal sem danos
Sistema de responsabilidade civil é
Sistema de responsabilidade penal é punitivo, ou
compensatório, ou seja, visa restituir a vítima
seja, punir quem pratica a conduta
pelos danos sofridos.

QUESTIONAMENTO: A responsabilidade civil depende da responsabilidade penal, ou vice-versa?


R = No ordenamento jurídico brasileiro vigora o princípio da independência das responsabilidades, ou seja,
não significa que uma absolvição no processo civil irá automaticamente absolver no processo penal, são
independentes! Para haver interferência nos processos deverá ocorrer o sobrestamento de um processo.
(Dependerá do caso concreto, qual processo será sobrestado).
Art. 200 CC o prazo prescricional no civil não conta enquanto não existir sentença de mérito transitado
em julgado no juízo penal.

CONTRATUAL EXTRACONTRATUAL (Aquiliana)


As partes possuem um vínculo jurídico. Ofensor e vítima não possuem vinculo jurídico
Fonte → inadimplemento (direito das obrigações) FONTE → ato ilícito
O ônus da prova está com o credor, ele deve
O autor da ação é o responsável por provar que
demonstrar que a prestação não foi cumprida,
o fato se deu por culpa do agente. É necessário
não há necessidade de comprovar a culpa, mas
provar a culpa
apenas o descumprimento e o dano
Ato praticado por incapaz pode ser reparado por
É necessário a capacidade plena dos agentes. Sob
aqueles que são legalmente encarregados de sua
pena de nulidade.
guarda (art. 928 CC)

OBJETIVA SUBJETIVA
A reparação do dano independe da culpa, sendo
A conduta deve ser culposa, seja ela com dolo ou
necessário o nexo de causalidade entre a ação e
culpa.
o dano.

A culpa presumida se encontra na responsabilidade subjetiva.


Responsabilidade civil extracontratual subjetiva → necessita que seja provada a culpa do agente, possui
os 4 elementos essenciais (conduta, culpa, dano e nexo causal).
A reponsabilidade civil extracontratual objetiva → a culpa do agente não é o objeto de discussão ou
prova, possui 3 elementos essenciais (conduta, dano e nexo causal), tem como fundamento a teoria do
risco. (risco é a probabilidade de dano real a alguém) Tipos de risco: risco proveito é aquele em que parte
da ideia que a pessoa que pode causar esse dano irá ter algum ganho com aquilo. Risco criado não leva
em consideração que o agente irá auferir lucros com a atividade, mas ela pode causar algum risco. Risco
profissional e aquele que em razão da profissão pode causar dano a alguma pessoa. Risco administrativo
é pautada na responsabilização civil do Estado. Risco integral (não se aplica em todos os casos) é apenas
usada quando a lei designar, ex.: danos ambientais.

LEIS APLICADAS NO CASO CONCRETO

Constituição Federal → O Estado responderá objetivamente pelos causados por seus agentes, o direito
de regresso será do agente.
Código Civil → a responsabilidade civil subjetiva, mas se o agente causa risco será objetiva.
Código de Defesa do Consumidor → o fornecedor ou prestador de serviço responde objetivamente, mas
os profissionais liberais respondem de forma subjetiva.

PRESSUPOSTO

Conduta humana → a existência de um dever jurídico primário (não precisa ser expresso) um dever de
prudência nas relações sociais, assim deve haver uma conduta humana que viole o dever jurídico.
Culpa → Pode ser classificada em culpa ou dolo, a culpa está na negligência ou na imprudência. é uma
falta de cuidado, enquanto o dolo se caracteriza na vontade de cometer a conduta, de forma consciente
e intencional.
Tipos de culpa:
01. In eligenda: decorre de uma escolha malfeita do representante
02. In vigilando: ausência de fiscalização
03. In committendo: ação ou ato positivo
04. In ommittendo: omissão quando havia o dever de não se abster
05. In custodiendo: falta de cuidados na guarda de algum objeto ou animal.
Dano → a consequência da conduta humana. Pode ser material ou moral.
Nexo de Causalidade → é o elemento de ligação da conduta humana ao dano que foi causado.

TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

1 – Teoria da Culpa: a hipótese de responsabilidade civil subjetiva, os 3 elementos do ato ilícito devem
estar presentes, a conduta deve ser culposa (dolo ou sentido estrito) deve provar a intenção do autor
em causar o dano. Possui um desdobramento → teoria da culpa provada: em que o ônus de provar a
conduta está com a vítima e teoria da culpa presumida o ônus de provar a ‘não culpa’ está com o ofensor.
2 - Teoria do Risco: hipóteses de responsabilidade civil objetiva, os três elementos devem estar presentes
a conduta não precisa ser culposa, basta que demonstre que prove que a conduta resultou no dano da
vítima.
No Brasil → admite as duas teorias!
Teoria do risco integral → não se deve observar a conduta, mas sim a causalidade e o dano ocorrido,
como nos casos de acidentes com material nuclear (responsabilidade da União), ou riscos ambientais
(responsabilidade de quem causou, ex.: poluição de rios por empresa, responsabilidade da empresa)

ELEMENTOS ESSENCIAIS

CONDUTA → é o comportamento humano voluntário, por meio de uma ação ou uma omissão que
gera consequências jurídicas.
O indivíduo só possui responsabilidade por conduta própria. Exceção → Dono de hotel é
responsável pelas bagagens dos hospedes; donos de animais (ou objetos) são responsáveis pelos danos
causados pelos animais (objetos); pais e representantes legais por seus tutelados ou curatelados.
Apenas agentes capazes podem ser responsabilizados. Exceção: inimputáveis que causem danos
e seus responsáveis não possuem condições financeiras, mas os inimputáveis possuem, eles serão
responsáveis pelo reparo do dano.
CULPA (lato sensu) → é caracterizado pelo dolo (conduta intencional) e culpa – stricto sensu – (conduta
voluntária) que violão um dever jurídico. A culpa ser caracterizada pela:
- Imprudência → ato contra um dever jurídico (dirigir acima da velocidade permitida)
- Negligência → omissão, não faz algo imposto pelo direito (dirige sem cinto de segurança)
- Imperícia → não tem habilidade para exercer tal ato (não saber dirigir e dirigir)
Doutrina Civil estabelece uma gradação da culpa, ou seja, estabelece graus:
• Grave → leve → levíssima (É importante para a sentença do juiz. Assim a condenação poderá ser
maior ou menor.)
Tipos de Culpa
❖ In eligendo → culpa referente ao ato de escolha, ao eleger seus representantes, se ele comete ato
ilícito você se torna responsável.
❖ In vigiando → pessoas que possuem o dever de cuidar, como por exemplo os representantes legais, O
filho derruba um objeto da prateleira, a mãe será responsável pelo dano, pois ela deveria vigiar a
criança.
❖ In custodiando → algumas pessoas tem o dever de guardar determinados objetos. Por exemplo os
donos de animais, que são responsáveis pelos danos causados por estes.
❖ Culpa contra a legalidade → o dever violado resulta de texto expresso de lei ou regulamento;
❖ Culpa concorrente → as duas partes são culpadas, a indenização é proporcional na medida da culpa
de cada um.
QUESTIONAMENTO: Existe presunção de culpa no Direito Civil?
R = divergências. Sumula 341 do STF “É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do
empregado ou preposto.” Reconhece a culpa presumida, é uma presunção relativa, pois admite prova em
contrário. A doutrina afirma que não existe a presunção de culpa no Código de 2002.
NEXO CAUSAL → elemento que liga a conduta ao resultado, através da qual pode se concluir
quem foi o causador do dano.
Teoria da causalidade adequada: diante de todos os elementos existentes apenas o será
considerado aquilo que foi suficiente pra causar o dano. Ex.: motociclista com capacete é atingido por
um veículo que causa a sua queda, por conseguinte a vítima a partir da queda tem fratura da costela
que perfura o pulmão e leva a vítima a óbito. O fato da vítima está de capacete não diminui a
responsabilidade do condutor do carro, já que a morte foi causada pela fratura obtida a partir da queda.
Concausas: são outras causa ou situações que juntas com a principal agravam o dano. Ex.: sujeito
desfere socos em outro, e a vítima possui hemofilia e vem a óbito → a pessoa conhecendo ou não a
doença possui a responsabilidade e vai responder pela morte da vítima, caso a morte se dê pela conduta.
Coparticipação (causalidade comum) todos os agentes assumem o risco. Ex.: 4 amigos fazem um
pacto de revezamento na direção e acontece um acidente, todas os 4 amigos serão responsabilizados
pelo acidente.
Teoria da Causalidade alternativa: impossível de se apurar culpa, logo todos as pessoas envolvidas
serão responsabilizadas. Ex.: jarro cai de uma janela num condomínio e não é possível descobrir quem era
o dono, todas os moradores serão responsabilizados.
Dano → é classificado como: material, moral, estético, moral coletivo e social. O dano material,
ainda pode ser dividido em emergente aquele que se sobressai de forma imediata ao ato ilícito (ex.:
alguém bate no seu carro e quebra a lanterna, e o valor da lanterna é de 100 reais, então o dano material
emergente é de 100 reais) existe também o lucro cessante, valor recebido com o uso do objeto, ( o lucro
cessante era de 500 reais, com a batida o carro fica inutilizável por um período de 2 meses, logo o dono
não irá receber o valor de 1000 reais que se refere ao lucro cessante) assim é caracterizado o dano
emergente no valor de 100 reais, além do lucro cessante de 1000 reais. Uma nova categoria criada, a
perda de uma oportunidade, que pode ser encontrada dentro do dano moral, já que seria uma chance
efetiva de ganhar algo e o ato ilícito retira essa oportunidade. O dano moral é a violação a algum
elemento da dignidade da pessoa humana, ofensa ao direito de liberdade, por exemplo. O dano estético
seria um ato ilícito que altero a estética de uma pessoa, o dano moral coletivo repercute em uma
determinada categoria de pessoas. O dano social atinge mais do que uma categoria de pessoas, mas
atinge um direito difuso.

EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL

Irão incidir no nexo de causalidade, se não houver o nexo não a dever de reparação.
Fato ou culpa exclusiva da vítima: o agente causa o dano aparentemente, mas na verdade ele é a apenas
um instrumento, já que a vítima é a responsável pelo dano.
Caso fortuito ou força maior: caso fortuito é um evento imprevisível já a força maior é um evento
previsível, mas ambos não hão de se esquivar!
Fato de terceiro: apenas quem causou o dano pode repará-lo, possuem exceções.
O caso fortuito ou força maior e o fato de terceiro a princípio retiram o nexo de causalidade,
porém o Enunciado n.443 Conselho da Justiça Federal só haverá exclusão se o risco não fizer parte do
negócio.
JURISPRUDÊNCIA (DIZER O DIREITO)
01. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM CASO DE MORTE DE DETENTO: A responsabilidade civil do
Estado é a obrigação que a Administração Pública tem de indenizar os danos patrimoniais ou morais que
seus agentes, atuando nesta qualidade, cause a terceiro. [art. 37, §6º ‘As pessoas jurídicas de direito
público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que sue agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiro, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa”.] A responsabilidade é OBJETIVA. Os requisitos para que haja responsabilidade são: 1 –
conduta praticada por um agente público (nesta qualidade); 2 – dano; e 3 – nexo de causalidade. Teorias
do risco administrativo e do risco integral. 01 – Teoria do risco administrativo (adotada no ordenamento
jurídica brasileiro) → a responsabilidade do Estado é objetiva (a vítima lesada não precisa provar culpa)
/ o Estado só poderá se eximir caso seja provada as excludentes de responsabilidade. 02 – a teoria do
risco integral → a vítima não precisa provar a culpa, não é admitido excludentes de responsabilidade,
logo é obrigado a indenizar de qualquer maneira, é a adotada no direito brasileiro de forma excepcional
um desses casos definidos pelo STF é o de dano ambiental. A TEORIA ADMITIDA É A ADMINISTRATIVA!
Condutas Omissivas: doutrina majoritária + STJ é a responsabilidade SUBJETIVA (STJ. 2ª Turma. AgRg no
REsp 1345620/RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 24/11/2015) (teoria da culpa); Jurisprudência
do STF é a responsabilidade OBJETIVA observado o disposto no art. 37, §6º (STF. 2ª Turma. ARE 897890
AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2015). Caso um detento seja morto dentro da unidade
prisional, haverá sim responsabilidade civil do Estado (Art.5º, XLIX “ é assegurado aos presos o respeito
à integridade física e moral”).
02. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM CASO DE SUICÍDIO DE PRESO: Seguindo precedentes do caso
anterior, o Estado é responsável por suicídio de detento, caso seja provado que o Poder Público não tenha
cumprido seu dever de proteção. A responsabilidade é OBJETIVA. (STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp
1305249/SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 19/09/2017.) há fundamentação na teoria administrativa,
logo o Estado poderá provar alguma causa de excludente de responsabilidade. O Ministro Fux (STF, RE
nº841526.) Se o detento que praticou o suicídio já vinha apresentando indícios de que poderia agir assim,
então, neste caso, o Estado deverá ser condenado a indenizar seus familiares. Isso porque o evento era
previsível e o Poder Público deveria ter adotado medidas para evitar que acontecesse. Por outro lado, se
o preso nunca havia demonstrado anteriormente que poderia praticar esta conduta, de forma que o
suicídio foi um ato completamente repentino e imprevisível, neste caso o Estado não será
responsabilizado porque não houve qualquer omissão atribuível ao Poder Público.
03. RESPONSABILIDADE ADMINSTRATIVA AMBIENTAL É DE NATUREZA SUBJETIVA: O art. 225 §3º, da
CF/88 “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas
físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os
danos causados” Assim, a RESPONSABILIDADE CIVIL é OBJETIVA, já a ADMINISTRATIVA é SUBJETIVA. É
adotada a teoria da culpabilidade, deverá ser comprovado o elemento subjetivo do agressor, como
também o nexo causal entre a conduta e o dano. A responsabilidade administrativa segundo José Afonso
(2004) é aquela que resulta de infração a normas administrativas, assim a sanção será na esfera
administrativa.
ANOTAÇÕES
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