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2.

O debate do desemprego segundo diversas correntes do pensamento econômico


Ordem: Neoclássicos – (crítica a Lei de Say) Marx – Kalecki (emprego como fenômeno
político e econômico) - Keynes (e os pós-Keynesianos)

Emprego em Keynes (e nos pós-Keynesianos)

Ferreira

O nível de emprego, para Keynes, não é determinado no mercado de trabalho, mas no


mercado de produtos, pelo "princípio da demanda efetiva". Um bom ponto de partida
para descrever os elementos fundamentais da teoria do emprego de Keynes está em seu
artigo de 1937, intitulado "The General Theory - Fundamental Concepts and
Ideas". Existem cinco passos lógicos no plano teórico keynesiano até a explicação
do nível de emprego em uma economia capitalista.
O primeiro elemento na cadeia lógica de sua exposição do princípio da demanda efetiva
é o seu conceito de incerteza: “O sentido no qual estou empregando o termo é aquele
segundo o qual a perspectiva de uma guerra europeia é incerta, assim como o preço do
cobre e a taxa de juros daqui a vinte anos, ou a obsolescência de uma nova invenção,
ou a posição dos detentores de riqueza privada no sistema social em 1970. Sobre estes
assuntos, não há base científica sobre a qual se possa formular um cálculo de
probabilidade. Simplesmente não sabemos.”
O segundo passo lógico é sua concepção do mercado de dinheiro, onde se forma a taxa
de juros. O desejo dos agentes de manter a riqueza sob a forma de dinheiro - um ativo
que não rende juros ou lucros - é sua resposta à incerteza quanto ao futuro. Os agentes
abrem mão dos rendimentos em favor da liquidez - e assim, segurança - da moeda.
Assim: “A taxa de juros obviamente mede - exatamente como se lê no livro de
aritmética - o prêmio que deve ser oferecido para induzir os agentes a manterem sua
riqueza em alguma forma diferente do entesouramento” e “A taxa de juros é o fator que
ajusta na margem a demanda e a oferta de moeda”. A taxa de juros depende, então, da
"preferência pela liquidez" dos agentes, e da quantidade ofertada de moeda – variável
determinada pelo governo.
O terceiro passo lógico encontra-se no mercado de um outro ativo, este de liquidez
praticamente nula, mas com possibilidade de trazer rendimentos futuros: o de bens de
capital. A taxa de juros terá impacto sobre os preços de bens de capital. Nas palavras de
Keynes: “O detentor de riqueza, que foi induzido a não manter sua riqueza na forma de
moeda, ainda tem duas alternativas entre as quais escolher. Ele pode emprestar seu
dinheiro à taxa de juros corrente ou comprar algum bem de capital.”
O passo seguinte é a determinação do volume de investimento. Os produtores de bens
de capital compararão o preço dos bens de capital assim determinado (pelo nível da taxa
de juros e expectativas de rendimento futuro) com seus custos de produção e
determinarão qual o volume de investimento corrente lhes é vantajoso propiciar à
economia.
No último passo lógico encontra-se a determinação do nível de emprego, e o
fechamento da teoria da demanda efetiva - uma teoria da demanda e oferta de produto
como um todo.

A demanda efetiva compõe-se de dois itens, gastos em bens de investimento e gastos


em bens de consumo. Já se viu que a determinação dos gastos em bens de investimento
dá-se em um mercado particular. Os gastos em bens de consumo dependem
fundamentalmente do nível de renda, sendo determinados pela lei psicológica
denominada "propensão a consumir", segundo a qual quando a renda aumenta, o
consumo também, porém de maneira menos que proporcional.

Isso terá uma implicação importante na determinação da quantidade de bens de


consumo que os empresários acharão vantajoso produzir (a quantidade que encontrará
comprador): ela depende do montante de gastos realizados em bens de investimentos -
uma vez que estes são parte integrante da renda. Ou seja, o consumo das famílias
(determinado pela renda) e, por consequência, o produto, depende dos gastos em
investimento pelos empresários. Aqui o investimento determina não só a renda
como também a capacidade produtiva que atenderá a demanda por bens de
consumo.

Assim, a proporção entre quantidade de bens de investimento produzidos e bens de


consumo produzidos deverá ser consistente com a proporção da renda gasta em bens de
consumo, pois senão os empresários não conseguirão realizar sua produção corrente no
mercado. Fazendo, então, como o faz Keynes, a suposição de que a renda esperada é
igual à renda efetiva (as expectativas de curto prazo são sempre satisfeitas), os gastos
de investimentos determinam a renda e o emprego. E estes gastos, por sua própria
natureza, estão sujeitos a grandes flutuações, uma vez que dependem de maneira
crucial das expectativas dos agentes quanto ao futuro, incorporadas na formação da taxa
de juros (ou na preferência pela liquidez) e na expectativa de rendimentos futuros
provenientes dos bens de capital (traduzida na curva de eficiência marginal
do capital). Deste modo, nas suas próprias palavras: “A teoria pode ser resumida
dizendo-se que, dada a psicologia do público, o nível de produto e emprego como um
todo depende do montante de investimento... pois é usual que, em um sistema
complexo, se considere como o “causa causans” o fator mais sujeito a flutuações
repentinas e violentas.”

Chega-se, enfim, ao mercado de trabalho: o ponto de Keynes é que somente em um


caso particular, o investimento agregado será tal que o nível de emprego no "ponto
de demanda efetiva" corresponda ao de pleno emprego. Desta forma, Keynes mostra
que a economia pode se encontrar em situações nas quais não haja utilização ótima dos
recursos disponíveis, nem harmonia entre os interesses dos agentes. E mais: esta
situação pode ser gerada pelas forças do próprio mercado, e pode ser crônica.

Ao contrário da teoria neoclássica, o mercado de trabalho não tem, no arcabouço


Keynesiano, autonomia na determinação no nível de emprego. Pelo contrário, este é
determinado fora e independentemente daquele. Neste caso, há que se responder à
pergunta: qual é o papel do mercado de trabalho no arcabouço Keynesiano?

Para responder a esta pergunta, é necessário um exame da estrutura de tal mercado. O


primeiro ponto a ressaltar é que Keynes aceita os termos clássicos para a definição do
mercado de trabalho. Em outros termos, os fundamentos microeconômicos do
mercado de trabalho são os mesmos, tanto para os Clássicos quanto para Keynes.
O que muda radicalmente de um para o outro é o papel atribuído a ele. Os "postulados
clássicos" que definem o mercado de trabalho são:
- O salário é igual ao produto marginal do trabalho (definindo a demanda por trabalho).
- A utilidade do salário, quando se emprega determinado volume de trabalho, é igual à
desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego (definindo a oferta de trabalho).
Keynes aceita o primeiro postulado, enquanto rejeita o segundo.

Há muita controvérsia sobre a formulação da curva de oferta de trabalho para


Keynes. No entanto, parece razoável supor que ele aceita a formulação clássica,
concebendo a curva como uma "fronteira" - a quantidade máxima de trabalho
ofertada pelos trabalhadores a cada nível de salário real. O ponto de Keynes é que os
trabalhadores não se encontram necessariamente sobre esta fronteira, no nível de
emprego determinado pelo princípio da demanda efetiva. Somente em uma situação
limite, o ponto de pleno emprego, o salário real iguala, de fato, a desutilidade marginal
do trabalho. A curva que relaciona o salário real à desutilidade marginal do
trabalho não tem, assim, para Keynes, nenhum papel na determinação do nível de
emprego nem do salário real, exceto na medida em que fixe um limite superior para o
primeiro e inferior para o segundo.

A demanda por trabalho de Keynes, por seu lado, é uma demanda derivada,
advinda do cálculo de maximização dos rendimentos dos empresários. O ponto a
destacar é que os empregadores estão sempre sobre esta curva de "demanda por
trabalho", uma vez que são eles, e somente eles, que definem o nível de emprego que
será ofertado, e a taxa de salário compatível com a maximização de seus lucros
empresariais.

Assim, uma vez determinada, pelo princípio da demanda efetiva, a quantidade de


trabalho que os empresários demandam, e dado o salário nominal, tomado como uma
variável institucional, a curva que relaciona a produtividade marginal do trabalho
correspondente a cada nível de emprego ao salário real estabelece a taxa de salário
real.
E assim se chega à resposta procurada: o papel do mercado de trabalho para
Keynes é, de um lado, determinar a taxa de salário real, dada a taxa de salário
nominal, e de outro, fixar um limite superior para o emprego (e inferior para o
salário real).

- Keynes e o equilíbrio com desemprego involuntário


Apesar de Keynes aceitar os termos clássicos para a concepção do mercado de trabalho,
parece claro que ele lhe atribui papel absolutamente distinto - tirando-lhe a prerrogativa
de determinação do nível de emprego.
Um aspecto fundamental da discordância de Keynes em relação aos seus
predecessores é que este tratava o mercado de trabalho como um mercado, por sua
natureza, absolutamente diverso do mercado de bens - e que, por isso mesmo, não
satisfazia a propriedade de market clearing.

Mas o que faz do mercado de trabalho um mercado particular? O ponto crucial é que a
quantidade do bem nele negociado é determinada fora dele. Isso porque há uma
assimetria fundamental entre os dois agentes que compõem o mercado: somente o
comprador tem o poder de determinar a quantidade do bem transacionado.

Com efeito, antes do ponto de pleno emprego, quando então a produtividade marginal
do trabalho (ou o salário real) é superior à desutilidade marginal do trabalho, "os
trabalhadores, em conjunto, não dispõem de nenhum meio de fazer coincidir o
equivalente do nível geral de salários nominais expresso em bens de consumo com a
desutilidade marginal do volume de emprego existente" [Keynes (1983, p.27)]. Ou seja,
os trabalhadores não têm como barganhar o salário real. Assim, mesmo que eles
aceitassem uma redução em seus salários nominais (dado que o salário nominal é a
única variável em jogo nas negociações salariais), isso não significaria uma queda em
seus salários reais, e muito menos um aumento no nível de emprego.

Há que se ressaltar que mesmo aceitando os termos clássicos para a definição


microeconômica do mercado de trabalho e, consequentemente, tomando por referência
o ponto de pleno emprego para definir o desemprego involuntário, a existência de
desemprego na economia é determinada fora deste mercado. É isso que faz o
desemprego ser, de fato, involuntário. Com efeito, mesmo que os trabalhadores, em
seu conjunto, estivessem dispostos a aceitarem reduções em seus salários nominais,
isto não lhes garantiria acesso a um posto de trabalho. Isto por uma razão simples:
a informação sobre o nível de emprego de equilíbrio vem de outro mercado: o de
produtos.

*CHICK

“Produto e emprego são determinados pelo princípio da demanda efetiva. Está na


operação deste princípio que as características de uma economia de produção,
organizada em linhas capitalistas, desempenham seus papeis mais claramente: os
produtores determinam o nível de produto; portanto, o princípio da demanda efetiva
repousa sobre um modelo de comportamento das empresas” (p. 69);

*PRONI

“Para desconstruir a argumentação teórica de Pigou, ele precisou refutar a ‘Lei de Say’
e demonstrar que a economia não tendia naturalmente ao pleno emprego – isto é, para
uma situação em que não houvesse desemprego involuntário e em que um aumento da
demanda agregada provocasse elevação dos preços.

“As formulações de Keynes introduziram uma nova perspectiva para a determinação do


nível agregado de emprego. Embora o funcionamento normal de uma ‘economia
monetária da produção’ seja compatível com a existência de uma taxa reduzida de
desemprego (decorrente de fricções no funcionamento do mercado de trabalho), ele
ofereceu uma argumentação convincente para demonstrar que as expectativas de
empresários e rentistas a respeito da rentabilidade futura de seu capital podem
resultar em decisões que acarretam uma persistente insuficiência de demanda
efetiva, a qual provoca desemprego involuntário mesmo sem a ocorrência de uma
crise aguda. Em adição, mostrou o papel fundamental da política monetária e, em
especial, da política fiscal na determinação do nível de emprego; e argumentou que o
governo deveria se esforçar em reduzir o grau de incerteza entre os agentes econômicos
para evitar quedas bruscas no nível de atividade econômica.

Emprego em Kalecki

*PRONI

“Outro economista cuja contribuição foi fundamental para refutar a teoria neoclássica é
Michal Kalecki, que formulou as bases do princípio da demanda efetiva com uma
abordagem própria. No artigo Three ways to full employment (1944), ao examinar os
determinantes do comportamento cíclico da economia capitalista, explicou que o pleno
emprego só poderia ser mantido se o governo interviesse na economia por meio de
investimento em infraestrutura ou subsídio ao consumo popular (gerando déficit
público), de incentivos ao investimento privado (reduzindo a taxa de juros,
cortando impostos ou dando subsídios) e de políticas de redistribuição de renda
(via tributação, elevação dos salários ou transferência de renda).

“Contudo, em Political aspects of full employment, publicado em 1943, Kalecki


argumentou que é falsa a crença de que um governo democrático adotaria políticas
macroeconômicas direcionadas a manter o pleno emprego desde que disponha dos
instrumentos necessários para tal. Em geral, os empresários veem o desemprego
como um elemento disciplinador da força de trabalho e preferem apoiar políticas
para manter a estabilidade monetária do que medidas destinadas a eliminar o
desemprego. Para ele, os interesses contrários à elevação dos salários levam à formação
de influentes blocos políticos, que assumem um discurso conservador, segundo o qual
estímulos à demanda efetiva não só são inócuos como ocasionam mais inflação,
sendo prudente o governo adotar uma política ortodoxa comprometida com a
austeridade fiscal.”

*ACRESCENTAR ELEUTÉRIO PRADO!

Emprego em Marx

*PRONI

“Em oposição a essa visão apologética, Karl Marx construiu uma análise crítica da
problemática do emprego no modo de produção capitalista, que se assenta em duas
ideias-chave presentes em Das kapital (1867): i) a acumulação de capital está
assentada na necessária exploração do trabalho assalariado no interior da esfera
de produção com o objetivo de gerar mais-valia; e ii) a reprodução do sistema
passa pela garantia de uma oferta de mão de obra suficiente para atender a
demanda das empresas, ou seja, um mercado de trabalho funcional aos interesses
do capital. Nesse sentido, convém mencionar que, ao explicar a lei geral da acumulação
de capital (livro 1, cap. XXIII), Marx argumentou que a concorrência intercapitalista
requer a busca incessante pelo aumento da produtividade do trabalho, que por sua
vez exige a recorrente introdução de inovação tecnológica – estava implícito que a
grande indústria já tinha subordinado plenamente os trabalhadores aos seus ditames.
Para que a acumulação capitalista não fosse contida por uma eventual escassez de
trabalhadores ou por uma forte elevação salarial, o desenvolvimento do capitalismo
providenciou o surgimento de um “exército industrial de reserva” (formado por
desempregados, trabalhadores em domicílio e camponeses, que podem ser recrutados
nos momentos de expansão econômica). Assim, desemprego, salários próximos do
nível de subsistência e pobreza deveriam ser entendidos como resultados inerentes
da dinâmica daquele regime de acumulação de capital, que impõe um modo de
funcionamento para o mercado de trabalho.

“Ademais, ele argumenta que a anarquia da produção, a desarticulação entre a


oferta e o consumo de mercadorias e o caráter fictício da riqueza financeira
conduzem o sistema a crises de superacumulação. Portanto, ao fazer uma crítica
contundente à “Lei de Say”, postulado segundo o qual a oferta agregada cria
automaticamente uma demanda correspondente, Marx recusa a crença de que as
forças de mercado tendem a propiciar o pleno emprego dos fatores produtivos
numa economia fundada na livre concorrência, e mostra que o sistema tende a
aumentar progressivamente a redundância do trabalho vivo (MAZZUCCHELLI,
1985).”

KALECKI (Crescimento e ciclo das economias capitalistas, p. 8): “Que Marx estava
profundamente consciente do impacto da demanda efetiva sobre a dinâmica do sistema
capitalista pode-se ver claramente no seguinte trecho do terceiro volume de O Capital:
‘as condições da exploração direta e as condições da realização da mais-valia não são
idênticas. Elas estão separadas não apenas pelo tempo e espaço mas também
logicamente. As primeiras estão limitadas meramente pela capacidade produtiva da
sociedade, e as segundas pelas proporções dos diversos ramos de produção e pelo poder
de consumo da sociedade’.

“Marx, contudo, não investigou sistematicamente o processo descrito por seus esquemas
de reprodução, do ponto de vista das contradições inerentes ao capitalismo resultantes
kaleckido problema da demanda efetiva.”

MIGLIOLI
O processo de acumulação
1) O circuito do capital dinheiro
Circuito D-M-D’, sendo D o capital-dinheiro e M o capital-mercadoria (composto de
bens de produção e de força de trabalho)
D=M=C+V
“De onde provém o lucro dos capitalistas? Do trabalho não pago efetuado pelos
trabalhadores. Ao vender suas mercadorias por D’, uma parte do dinheiro arrecadado
pelo capitalista serve para repor o dinheiro gasto na aquisição de bens de produção (C) e
outra parte serve para pagar os salários dos trabalhadores (V). Acontece, entretanto, que
o montante do trabalho efetuado pelos trabalhadores não é igual ao montante de salários
(V) que eles receberam, isto é, não corresponde apenas ao custo da força de trabalho.
Embora para o capitalista, a mercadoria força de trabalho custe apenas V (isto é, seja
igual ao montate de salários), a magnitude do trabalho incorporado, ou seja, o montante
do trabalho de criação das novas mercadorias, é de V + P. Mas o capitalista não paga
aos trabalhadores o valor de todo seu trabalho (V+P): ele paga apenas uma parte (V)
deste valor e retém para si a outra parte (P), que é seu lucro, a mais-valia extraída dos
trabalhadores.”
Taxa de mais-valia = P/V
Taxa de lucro = P/(C+V)
Composição orgânica do capital = C/V
2) Reprodução simples e ampliada do capital
“O processo de reprodução não se encerra quando o capital conclui um determinado
circuito, isto é, ao passar de D para D’. A produção é um processo contínuo, em
constante renovação, onde o capital, ao completar um dado circuito, inicia o circuito
seguinte.
“No processo de reprodução ampliada, o montante de capital cresce. Para isto o
capitalista incorpora a seu capital uma parte de seu lucro. Ao findar um determinado
circuito, o capitalista obtém de volta o capital D aplicado na produção bem como aufere
um lucro P; se, ao iniciar o circuito seguinte, o capitalista utiliza uma parte de seu lucro
para aumentar seu capital, isto significa que a produção se amplia.
“Cada capitalista se vê obrigado a acumular capital, expandir sua produção, para fazer
face à concorrência de outros capitalistas; assim não fazendo ele tenderá a ser expulso
do mercado. Portanto, em decorrência das próprias leis do capitalismo (no caso a
competição entre as empresas), a acumulação de capital se apresenta não como uma
opção, mas como uma necessidade de cada capitalista. Neste sentido, o processo de
reprodução ampliada do capital se torna o processo normal, característico, do sistema
capitalista.”
3) Condições materiais da reprodução
“Um capitalista qualquer, ao vender suas mercadorias, obtém um montante D’ de
dinheiro, montante este que é igual à soma C+V+P. Para consumir todo seu lucro e
reiniciar o processo de produção, o capitalista precisa encontrar no mercado: 1)
bens de consumo no valor de P; 2) meios de produção no valor de C, necessários
para repor o capital constante C desgastado no circuito anterior; 3) força de
trabalho no valor V, isto é, um mesmo número de trabalhadores recebendo um
montante de salários no valor de V. Agora, para que esta última condição seja
preenchida, é preciso também que o mercado disponha de bens de consumo para os
trabalhadores, também no valor de V, para suprir as necessidade de consumo destes
trabalhadores.
“A situação se torna ainda mais complicada no processo de reprodução ampliada. Neste
processo, uma parcela do lucro é utilizada para aumentar o volume de capital – tanto do
capital constante como do capital variável. Isso significa que a economia precisa
produzir um crescente montante de meios de produção e de bens de consumo dos
trabalhadores para permitir o acréscimo do capital constante do capital variável,
respectivamente. Suponhamos, por um momento, que a oferta de meios de produção
cresça; neste de caso, de nada adianta os capitalistas pretenderem ampliar seu
capital; eles podem dispor de dinheiro para isto, mas não haverá meios de
produção suficientes para que este dinheiro seja convertido em capital constante
adicional. Ou seja, falta aí a condição material para a reprodução ampliada, para
a acumulação de capital.”
4. Oferta e demanda da força de trabalho
“Na economia em seu conjunto, para os capitalistas como um todo, o problema das
condições materiais de acumulação é de fundamental importância.
a) Exército industrial de reserva
“A reprodução ampliada – a acumulação de capital – requer um maior emprego de força
de trabalho: crescem tanto o capital constante como o capital variável. O acréscimo de
força de trabalho pode ser obtido de dois modos: pela exploração mais intensa dos
trabalhadores já empregados (aumento da jornada de trabalho, do ritmo de trabalho,
etc.) ou pela aplicação do número de trabalhadores, isto é, pela ampliação do exército
industrial ativo.
“Paralelamente ao volume de força de trabalho empregada em atividades produtivas, o
sistema capitalista mantém um exército industrial de reserva - um volume de mão-de-
obra desempregada – ao qual os capitalistas recorrem nos momentos de intensa
acumulação de capital, quando cresce consideravelmente a demanda por força de
trabalho.
“Esta reserva de força de trabalho constitui uma superpopulação relativa, isto é, não um
excedente absoluto de população, resultante de leis demográficas autônomas, mas um
excedente de população relacionado às necessidades do capital criado pelo próprio
processo de acumulação de capital: “É a própria acumulação capitalista que produz
constantemente uma relativamente excessiva população de trabalhadores, isto é, uma
população maior do que o necessário para as exigências médias da auto-expansão do
capital e, portanto, uma população excedente.”
“A criação e perpetuação desta superpopulação relativa no sistema capitalista se
deve a diferentes motivos. Primeiro, com o processo de acumulação de capital, em que
este tende a se concentrar e centralizar cada vez mais, uma grande massa de pequenos
proprietários – seja em atividades rurais ou urbanas – é desapropriada de seus
meios de produção e lançada no exército de trabalhadores assalariados.
Segundo, a acumulação de capital, ao longo do tempo, é acompanhada por uma
crescente composição orgânica do capital (C/V), de modo que o montante de força
de trabalho por unidade de capital constante é cada vez menor (lembrando que V
corresponde quantitativamente ao montante de salário pago aos trabalhadores). A
composição orgânica cresce com a acumulação de capital ao longo do tempo. Mas não
se trata de um simples aumento de capital constante por trabalhador empregado. Trata-
se na verdade de uma alteração nas técnicas de produção, onde o volume de capital
constante por trabalhador se torna cada vez maior. Ou seja, a força de trabalho é
constantemente substituída por máquinas, e como isto provoca uma velocidade maior no
processo técnico de trabalho (maior produtividade), então aumenta também o montante
de insumos processados por cada trabalhador; portanto, ampliam-se tanto a parte fixa
como a parte circulante do capital constante.
O crescimento da composição orgânica do capital, associado ao progresso técnico,
resulta em parte da concorrência entre os capitalistas, cada qual estando interessado em
inovar os métodos de produção de sua empresa no sentido de reduzir custos e elevar sua
taxa de lucro. Mas o que efetivamente explica o fato de o progresso técnico no
processo de produção se traduzir em crescimento da composição orgânica do
capital é a competição entre o capital e a força entre os capitalistas e os
trabalhadores (LUTA DE CLASSES). O crescimento da composição orgânica
permite que a acumulação de capital se processe sem exercer uma forte pressão
altista sobre a demanda por força de trabalho e, daí, sobre as taxas de salário.
Assim, o crescimento da composição orgânica leva também à ampliação do
exército industrial de reserva. EM RESUMO, O SISTEMA CAPITALISTA
DISPÕE DE MECANISMOS PRÓPRIOS QUE LHE PERMITEM MANTER
UMA FORÇA DE TRABALHO POTENCIAL SUFICIENTEMENTE GRANDE
PARA NÃO CRIAR OBSTÁCULOS AO PROCESSO DE REPRODUÇÃO
AMPLIADA, DE ACUMULAÇÃO DE CAPITAL.
Terceiro, o próprio sistema de salário atua no sentido de criar e preservar um
excedente de trabalhadores. O salário, que é o preço da mercadoria força de trabalho –
é determinado, como no caso de qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho
necessário para a produção e reprodução da força de trabalho. A manutenção da força
de trabalho é efetuada através do consumo, os meios de subsistência necessários para a
manutenção do trabalhador.
Mas não se trata apenas do trabalhador já existente, mas também o salário deve
assegurar a oferta constante de força de trabalho, e por isso deve cobrir também o custo
de sua reprodução.
Nos momentos em que a acumulação de capital se torna intensa e, consequentemente,
há uma grande demanda por força de trabalho, a taxa de salário tende a ser maior do que
o nível de subsistência; em outras palavras, o preço da força de trabalho se torna ainda
maior do que seu valor. Nos momentos em que a acumulação se reduz ou estanca,
cresce o exército industrial de reserva, e a taxa de salário tende a ser menor do que o
nível de subsistência. De qualquer modo, é este nível de subsistência que determina,
em média, a taxa de salário. E esta taxa de salário reflete, por outro lado, uma
exigência do sistema capitalista: a necessidade de preservar um mercado de
trabalho abundante, que não imponha limites à acumulação de capital.”

*STIRATI
“In the classical economists and Marx, changes in the employment level could
affect the bargaining position of workers and hence the wage level – but a fall in
wages caused by higher unemployment was not seen as favouring higher employ-
ment (Stirati, 1994; 1999). Even before Marx, signs may rather be found of a
possible negative effect of low wages on consumption demand and hence pro-
duction (see for instance Turgot, 1912-1913 [1770], III, pages 288-289). With
Marx, the tendency to keep wages low in the face of increasing productivity comes
to be regarded as a distinctive inner contradiction of a capitalist system, which
leads to realization problems and crises of over-production.
The surplus approach shared by the Classical economists and Marx naturally
leads to the perception of the existence of a conflict of interests over income dis-
tribution among social classes. Conversely, this perception disappears with the
subsequent developments in the explanation of distribution. With the emergence
of the notion of a decreasing relation between employment and real wage in the
wage fund theory and later on of decreasing demand functions for production
factors in marginalist theory, any attempt to increase the wage rate above its full
employment equilibrium value, for example owing to the action of trade unions,
is regarded as causing a fall in the employment level. Thus, it is no longer true
(as it was in the framework of the surplus approach) that a rise in wages will ben-
efit a social group as a whole (the workers) at the expense of other social groups.”

*HARVEY

10. A acumulação capitalista

O primeiro modelo da acumulação capitalista (sem mudança tecnológica)


“O modelo de Marx é bastante simples. A acumulação do capital, pressupondo-se a
produtividade constante, aumenta a demanda por trabalho. Se isso gera ou não um
aumento de salários depende da população disponível. Mas quanto maior é a parcela
empregada da população disponível, maior é a elevação dos salários, o que diminui a
taxa de exploração. Mas a massa de mais-valor pode continuar a aumentar porque mais
trabalhadores estão empregados. Se em algum ponto, por alguma razão, a massa de
mais-valor começa a diminuir, a demanda por trabalho cai, a pressão sobre os
salários diminui e a taxa de exploração se recupera. Ao longo do tempo, portanto,
provavelmente veríamos oscilações contrabalançando as taxas de salário e de lucro. Se
os salários aumentam, a acumulação diminui; se os salários caem, os lucros e a
acumulação voltam a subir. Marx descreve aqui um sistema automático de ajuste
entre a demanda e a oferta de trabalho e a dinâmica da acumulação.” Em Marx os
capitalistas estão preocupados com a massa de lucro, por isso quando os salários
aumentam, caem os lucros e, consequentemente, a acumulação diminui. E a
acumulação mais intensa se dá com os salários mais baixos, o que representa um
sistema automático de ajuste entre demanda e oferta de trabalho, e a dinâmica da
acumulação.

O segundo modelo de acumulação (com mudança tecnológica)


“Uma produtividade crescente do trabalho (um valor crescente da composição do
capital) tem implicações para a demanda de trabalho. ‘Como a demanda de
trabalho não é determinada pelo volume do capital total, mas por sua componente
variável, ela decresce progressivamente com o crescimento do capital total, em vez de,
como pressupomos anteriormente, crescer na mesma proporção dele. Essa demanda
diminui em relação à grandeza do capital total e em progressão acelerada com o
crescimento dessa grandeza. Ao aumentar o capital global, também aumenta, na
verdade, sua componente variável, ou seja, a força de trabalho nele incorporada,
porém em proporção cada vez menor (Marx).”

“Isso significa que a acumulação capitalista ‘produz constantemente, e na proporção


de sua energia e seu volume, uma população trabalhadora adicional relativamente
excedente, isto é, excessiva para as necessidades médias de valorização do capital e,
portanto, supérflua’”.

“O capitalismo produz pobreza criando um excedente relativo de trabalhadores


por meio do uso de tecnologias que eliminam postos de trabalho. Uma massa
permanente de trabalhadores desempregados é socialmente necessária para que a
acumulação continue a se expandir. ‘Mas, se uma população trabalhadora excedente
é um produto necessário da acumulação ou do desenvolvimento da riqueza com base
capitalista, essa superpopulação se converte, em contrapartida, em alavanca da
acumulação capitalista, e até mesmo numa condição de existência do modo de
produção capitalista. Ela constitui um exército industrial de reserva disponível, que
pertence ao capital de maneira tão absoluta como se ele o tivesse criado por sua
própria conta.’ Não é, portanto, a tecnologia em si a principal alavanca da
acumulação, mas a massa de trabalhadores excedentes que ela faz surgir.”

“A existência dessa população excedente relativa resulta normalmente em


sobretrabalho para aqueles que estão empregados, uma vez que podem ser
ameaçados de demissão se não trabalharem além da jornada e não aceitarem aumentar a
intensidade de trabalho (...) O impacto sobre os salários é também significativo.
‘Grosso modo, os movimentos gerais do salário são regulados exclusivamente pela
expansão e
contração do exército industrial de reserva’. Os movimentos do salário são regidos
pela acumulação do capital. Isso contradiz a visão comum de que o ritmo de
acumulação do capital é regulado pelas flutuações das taxas salariais, causadas pelo
aumento populacional.” Ou seja, em Marx a causalidade é inversa: é a acumulação de
capital, por meio do exército industrial de reservas, que determina os salários, e não o
contrário.

“O modelo de Marx sugere que, onde quer que enfrente problemas de oferta de
trabalho, a acumulação do capital expulsa as pessoas de seus postos de trabalho,
recorrendo a inovações tecnológicas e organizacionais, e o resultado é a queda dos
salários abaixo de seu valor ou o aumento da jornada e da intensidade de trabalho
para aqueles que permanecem empregados.

“Nos períodos de estagnação e prosperidade média, o exército industrial de reserva


pressiona o exército ativo de trabalhadores; nos períodos de superprodução e paroxismo,
ele barra suas pretensões. A superpopulação relativa é, assim, o pano de fundo sobre
o qual se move a lei da oferta e da demanda de trabalho. Ela reduz o campo de ação
dessa lei a limites absolutamente condizentes com a avidez de exploração e a mania de
dominação próprias do capital.

“Temos, assim, que ‘o mecanismo da produção capitalista vela para que o


aumento absoluto de capital não seja acompanhado de um aumento
correspondente da demanda geral de trabalho.’”

“(...) o capital cria a demanda para o trabalho quando reinveste, mas também pode
administrar a oferta de trabalho mediante reinvestimentos em tecnologias que poupam
trabalho e produzem desemprego. Essa capacidade de operar dos dois lados da
equação de oferta e demanda contradiz totalmente o modo como os mercados
deveriam funcionar.”

*SHAIK

“The connection between mechanization, unemployment and the real wage also plays a
critical role in Marx’s argument that capitalism generates and maintains a pool of
(involuntarily) unemployed workers, a variable “reserve army labor” subordinate to the
needs of accumulation.”

*NETTO; BRAZ

“A mais-valia (excedente) varia conforme as condições do processo de trabalho. No


modo de produção capitalista, o capital tem necessidade de comandar (subordinar,
subsumir ou sujeitar) o processo de trabalho com o objetivo de extrair o máximo de
excedente da atividade do trabalhador.

“No modo de produção capitalista, o trabalho é, além de processo de criação de


valor, processo de valorização do capital. A criação de valor opera-se no tempo de
trabalho necessário; a valorização opera-se no tempo de trabalho excedente, não há
valorização mas, apenas, criação de valor.

EMPREGO NOS CLÁSSICOS (PRÉ-KEYNES) E NEOCLÁSSICOS: NOVOS


CLÁSSICOS E NOVOS KEYNESIANOS

*CHICK

A teoria clássica do emprego (clássicos segundo Keynes)

“O modelo clássico é o modelo de um mercado de trabalho perfeitamente competitivo.


As exposições do modelo são geralmente seguidas de modificações que levam em conta
a competição menos que perfeita do mercado de trabalho devido à existência de grandes
empresas e sindicatos; o mercado de trabalho foi até apresentado como um problema na
teoria do duopólio; mas, como em outras áreas de análise, o modelo perfeitamente
competitivo é ainda o ponto de partida da análise microeconômica, e os modelos
aprendidos inicialmente tendem a prevalecer em nosso espírito. É o modelo que se
baseia na ideia de que é inútil pressionar por salários mais elevados, uma vez que isso
só pode gerar desemprego; No que se segue, a ‘teoria clássica’ deve ser entendida como
abarcando a sua equivalente contemporânea.

“Sempre que houver excesso de oferta de trabalho, haverá queda no salário real e
sempre que houver excesso de demanda, haverá aumentos do salário real. Isso
garantirá que o mercado atinja um nível de salário real no qual a oferta de mão-de-
obra se iguale a demanda. Ou seja, neste nível de salário, todos que quiserem
trabalhar encontrarão emprego, e as empresas encontrarão oferta suficiente de
trabalho para atender sua demanda. Assim, quando o salário estiver acima do nível
de equilíbrio, haverá excesso de oferta de trabalho, caracterizando situação de
desemprego. Com isso, a concorrência entre os trabalhadores para obter empregos
levará à redução dos salários. reduzindo a oferta e ampliando a demanda, até que as
duas quantidades se igualem, em um nível de salário real inferior. Se o salário real
estiver abaixo do equilíbrio, haverá excesso de demanda por trabalho – com isso, a
concorrência entre as firmas para conseguir trabalhadores levará ao aumento do
salário real, ampliando a oferta de trabalho e diminuindo a demanda, até que as duas
quantidades se igualem novamente.”

A teoria clássica diz que a oferta e a demanda de mão-de-obra determinam os salários e


o emprego. Na TG, a teoria é definida como consistindo de dois postulados:

i) o salário é igual ao produto marginal do trabalho, que de acordo com Keynes,


representa a demanda de emprego, e

ii) a utilidade do salário quando um dado volume de mão-de-obra está empregado é


igual à desutilidade marginal dessa quantidade de emprego, ou seja, o salário real de
um empregado é o que apenas basta para induzir a mão-de-obra efetivamente
empregada a estar disponível. Ainda de acordo com Keynes, este postulado representa o
quadro de oferta de mão de obra,

“A teoria clássica afirma que o salário real e o nível de emprego se ajustam tanto ao
volume demandado quanto ao volume máximo voluntariamente oferecido; na prática,
ambos os postulados são satisfatórios. Se não houver mais mão-de-obra
espontaneamente oferecida por um dado salário do que o volume indicado pela curva de
oferta, a conclusão será que a teoria clássica afirma que todos os que querem um
emprego o terão – haverá pleno emprego.

“O fato de o desemprego ser observado, de vez em quando, no mundo real foi explicado
mediante o apelo às ‘imperfeições do mercado’, inclusive a ‘imperfeição’ de que às
vezes demora encontrar um emprego. Este último atributo do mundo real dá origem ao
desemprego fictício, que é, por natureza, transitório. E as pessoas são livres para, por
vontade própria, reduzir suas horas de trabalho ou tornar-se desempregadas.

“O volume de emprego é fixado no ponto onde a utilidade do produto marginal se


iguala à desutilidade marginal do emprego” (Keynes)

“Qualquer desemprego involuntário permanente era considerado impossível, enquanto


os salários reais fossem livres para se alterar. Essa ideia pressupunha que ‘há forças’
que tendem a impelir o salário para um nível que proporcionará pleno emprego e
maximização dos lucros – isto é, para o nível que atendem a ambos os postulados.”

*PRONI

*SNOWDON & VANE

Novos clássicos

Uma das hipóteses do modelo novo clássico é que a completa flexibilidade de salários e
preços garantem que markets clear, ou seja, mercados estão sempre em equilíbrio, seja
de produto ou de força de trabalho: agentes são sempre price takers e a estrutura de
mercado é sempre a competição perfeita. Essa hipótese é questionada mesmo por
escolas ortodoxas, como a novo-Keynesiana, que argumenta a existência de elementos
que impedem a perfeita flexibilidade de salários e preços. De acordo com os novo-
clássicos, no entanto, o desemprego é visto como um fenômeno voluntário.

Ciclos reais de negócios

A peculiaridade dos modelos de ciclos reais de negócios é que o mercado de trabalho


está sempre em equilíbrio, o que faz com que o próprio conceito de desemprego suma
da análise: flutuações cíclicas no nível de emprego refletem apenas mudanças
voluntárias na oferta de emprego (respostas maximizadores de agentes racionais).
Qual base analítica que sustenta a hipótese teórica de pleno emprego contínuo,
como nos ciclos reais de negócio? No mercado de trabalho isso é garantido pela
competição (flexibilidade de salários e preços) e comportamento maximizador sob
hipótese da função de produção bem comportada e de que fatores são substituídos de
acordo com suas produtividades marginais. Além dessas questões, a Lei de Say também
é necessária, para garantir que a demanda agregada sempre absorverá a oferta,
garantindo pleno emprego dos fatores de produção.

Novos keynesianos

“The declared purpose of New-Keynesian (NK) models is to provide consistent


microfoundations for two main propositions. First, that it is possible to have long run
equilibrium positions featuring some (involuntary) unemployment that is not merely
frictional: this proposition requires the real wage not to be fully flexible. Second, that
macroeconomic policy has real effects in the short run; this requires nominal prices to
be sticky.

“The new-Keynesian approach is often defined as the imperfect competition approach.


However, imperfect competition in product markets does not entail major consequences
concerning the system’s tendency towards full employment or the real effects of
aggregate demand. In imperfect competition macro-models the price level is
determined by nominal marginal costs plus a mark-up determined by the elasticity of
product demand for the “representative firm”. Accordingly, along the labour demand
function, the real wage at each employment level will depend on the corresponding
marginal product and the given mark-up. Although the imperfect competition labour
demand curve lies (other things being equal) below the perfect competition one, in
equilibrium the workers will still be on their labour supply function and full
employment will prevail.

What allows these models to obtain long-run unemployment equilibria is the


introduction of “microfounded” real wage rigidity based on efficiency wage or
bargained wage models. Although there is a great variety of such models all of them
lead to the conclusion that labour market institutions have an important role in affecting
the positive relationship (the “wage curve”) between employment and the (bargained or
efficient) real wage.”

*STIRATI

“Shortly after the publication of The General Theory, however, its conclusions were
overturned by the neoclassical synthesis put forward by Hicks (1937) and Modigliani
(1942), and involuntary unemployment redefined as a short run phenomenon, and/or a
phenomenon necessarily caused by the existence of some nominal or real rigidity. Since
then, mainstream debates on the theory of employment have substantially revolved
around the legitimacy of assuming such rigidities and their possible sources and
consequences. On the other hand, all mainstream approaches share the proposition
that in the long run it is aggregate demand that adjusts to the level of potential
output.”

“Before Keynes’s General Theory, economic theory was characterized by the view that
the economy would tend to be at, or close to, full employment in the long period, but
this went along with the acknowledgment of economic cycles. Indeed several
interpretations of the business cycle and of temporary states of less than full
employment were advanced. Pigou still perceived the roots of unemployment as due to
a lack of real wage flexibility, for which he provided various explanations. Wicksell
saw the roots of economic fluctuations and episodes of price inflation and deflation in
the existence of a developed banking system capable of creating credit money.”

EMPREGO NOS PÓS-KEYNESIANOS (LAVOIE)

“Just as neoclassical macroeconomics can be split into at least two branches – the New
classical and the New Keynesian schools, or the clearwater and the saltwater versions of
neoclassical macroeconomics – the post-Keynesian theory of employment can also
be subdivided into two branches, the Marshallian and the Kaleckian, corresponding
to the Marshallian and Kaleckian strands identified in Chapter 1. And just as the new
classical and the new Keynesian schools share some tools, the Marshallian and
Kaleckian branches also share some features. Thus although, like Stockhammer
(2011), we will be presenting two different models of the labour market, each associated
with one branch of post-Keynesianism, those two models will be sharing their depiction
of aggregate demand.

“A key feature of post-Keynesian economics is its rejection of Say’s law. There is no


insurance that all the goods produced will be sold. This is akin to the Marxist problem
of profit realization, as clearly explained by Bhaduri (1986). Whatever is produced will
not necessarily be sold. One has to take into account the effective demand constraint –
the constraint that aggregate supply needs to equal aggregate demand. The effective
demand constraint will impinge upon the level of employment. The shape of the
aggregate supply will distinguish the Marshallian and the Kaleckian models. But
aggregate demand is perceived by Keynes and Kalecki in the same terms.”

- The Kaleckian version of the post-Keynesian model

EMPREGO NOS PÓS-KEYNESIANOS (PRONI)

“O debate acadêmico no campo da Ciência Econômica estava pautado por três visões
principais (POSSAS, 1997; FERREIRA, 2003): i) a dos “novo-clássicos”, que dizem
ser possível explicar a dinâmica econômica a partir da agregação de modelos de análise
microeconômicos; ii) a dos “novos keynesianos”, que enfatizam a importância dos
fundamentos microeconômicos para sustentar a análise macroeconômica; iii) a dos
“pós-keynesianos”, que defendem a autonomia da macroeconomia em relação às
análises microeconômicas”

“Em paralelo, a crítica dos pós-keynesianos ao “novo consenso macroeconômico”


retomou o debate de Keynes com os neoclássicos, sessenta anos após a Teoria Geral,
para refutar o postulado do comportamento dos agentes baseado em expectativas
racionais e o dogma do equilíbrio produzido pelas forças de mercado via ajustes de
preços. O desemprego involuntário e a flutuação do nível de produção ocorrem mesmo
quando se abandona a hipótese da rigidez dos preços; a flexibilidade de preços e salários
não sustenta a economia numa situação de pleno emprego; e é igualmente equivocado
pensar que uma redução salarial produza necessariamente uma situação de equilíbrio
com desemprego, sendo mais provável que agrave a instabilidade e o “desemprego de
desequilíbrio” (OREIRO, 1997).”