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EXMO. SR. DR.

JUIZ DO TRABALHO DA VARA DO TRABALHO DE JUNDIAÍ/SP

QUALIFICAÇÃO RECLAMANTE, por meio de seu advogado e procurador que esta


subscreve, vem à presença de V. Excelência propor a presente RECLAMAÇÃO
TRABALHISTA contra HOPI HARI S.A., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ
sob n. 00.924.432/0001-99, localizada na Estrada Municipal Vinhedo – Itupeva, 7001, Bairro
do Moinho, Vinhedo/SP, pelos motivos de fato e de direito que seguem abaixo.

DA GRATUIDADE JUDICIÁRIA

O art. 790, §3o da CLT, foi alterado pela Lei 13.467/17 para fixar os parâmetros de
concessão da gratuidade judiciária, sendo que, poderá o juiz conceder a benesse caso
empregado perceba salário inferior a 40% do teto do RGPS ou comprove sua situação de
hipossuficiência.

Verifica-se da CTPS da obreira, que esta recebe salário de R$ 1.138,00 (um mil cento e
trinta e oito reais), ou seja, salário inferior aos 40% do teto da previdência. Portanto, requer
a concessão da gratuidade judiciária nos termos da lei.

DO CONTRATO DE TRABALHO

A reclamante foi admitida em 22/08/2018 na função de Atendente com salário de R$


1.101,10 e jornada de quarta à domingo das 7h50m às 17h38h com 1 hora para descanso e
refeição. Trabalhava todos os domingos tendo uma folga a cada 5 semanas.

Permanece trabalhando até o presente momento, porém diante de diversas irregularidades


do contrato de trabalho e falta grave da reclamada nas suas obrigações contratuais, vem à
este juízo requerer o que lhe é de direito, vejamos.

DA RESCISÃO INDIRETA

Em 17/03, diante dos efeitos da pandemia nas atividades da reclamada, a obreira teve seu
salário reduzido em 30% sem a realização de acordo coletivo ou qualquer acordo individual
escrito. A reclamada suspendeu suas atividades, enviou os empregados para casa e
reduziu unilateralmente seus salários.
Tal situação perdurou até a edição da MP 936 em 09/04/2020 ocasião em que a reclamada
realizou o primeiro acordo para redução de jornada e salário por 60 dias.
A relação de acordos de redução e suspensão do contrato de trabalho segue abaixo:

Durante esse período entre suspensão e redução de jornada e salário, adveio a MP 946
autorizando o saque do FGTS até o limite de R$ 1.045,00, ocasião em que a reclamante se
dirigiu até a Caixa para se valer do saque e descobriu que não havia saldo na sua conta
vinculada.

Ou seja, a reclamada não realizava os depósitos fundiários regularmente descumprindo


obrigação contratual e legalmente prevista na lei 8.036/90. Da mesma forma a reclamada
não recolhe as contribuições previdenciárias regularmente segundo o relato de outros
empregados que sofrem da mesma falha da empresa.

São diversos os motivos que ensejam a rescisão indireta do contrato de trabalho com força
no art. 483, d, da CLT, a começar pela redução unilateral dos salários entre 17/03 à 09/04,
sem o pagamento das diferenças até o momento, bem como da falta de recolhimento
fundiário e previdenciário que são obrigações básicas do contrato de trabalho.

Ademais, o parque de diversões encontra-se em funcionamento e a reclamada não fornece


EPIs adequados a fim de reduzir o risco de contágio do vírus. A situação chega a ser grave
quanto aos EPIs, uma vez que a reclamante tem que compartilhar as máscaras de proteção
e o colete com outros colegas de trabalho.

Por fim, o risco de contágio aumenta na medida em que a reclamante tinha que ir trabalhar
de fretado e não havia qualquer controle de higienização no veículo fornecido pela
reclamada.

É cediço que a rescisão indireta, opera-se quando o empregador comete falta grave
suficiente para romper a fidúcia entre as partes, tornando insuportável a continuidade da
relação de emprego.

Nesse sentido, a jurisprudência vem entendendo que a ausência de FGTS e recolhimento


previdenciário, são consideradas faltas graves aptas a por fim ao contrato de trabalho:

RECURSO DE REVISTA. AUSÊNCIA REGULAR DE RECOLHIMENTO DO


FGTS. RESCISÃO INDIRETA DO CONTRATO DE TRABALHO.
CONFIGURAÇÃO. O atraso reiterado no recolhimento das contribuições ao
FGTS constitui motivo relevante para justificar a rescisão indireta do contrato
de trabalho, com base no art. 483, d, da CLT. Precedentes. Recurso de
revista parcialmente conhecido e provido . (TST - RR: 22144820125150115,
Relator: Walmir Oliveira da Costa, Data de Julgamento: 08/03/2017, 1a
Turma, Data de Publicação: DEJT 10/03/2017)

É o caso dos autos e para dar ciência à reclamada da intenção de rescindir o contrato, a
reclamante encaminhou uma notificação informando as faltas graves cometidas pela
empresa, bem como a fim de evitar futura alegação de abandono de emprego caso decida
sair antes do término da presente ação.

Portanto, requer seja a reclamada condenada no pagamento das verbas rescisórias de


estilo, a saber, o aviso prévio, férias acrescidas de 1/3, 13o salário e FGTS acrescido de
multa de 40%.

DA ESTABILIDADE PREVISTA NA LEI 14.020/2020

A reclamante teve 210 dias entre acordos de suspensão e redução de jornada e salário
conforme extrato acima, que demonstra as datas de celebração entre um e outro.

E nos termos do art. 10, II da Lei 14.020/2020, ao empregado que celebrou o acordo para
suspensão ou redução de jornada e salário, é devido um período de estabilidade durante o
período do acordo, bem como período equivalente após o encerramento da redução ou
suspenção.

Já o parágrafo 2o dispõe que não se aplica a estabilidade provisória nos casos de pedido
de demissão ou dispensa por justa causa do empregado, não vedando a possibilidade de
pleitear a indenização correspondente, em caso de rescisão indireta.

Logo, em caso de reconhecimento da falta grave patronal e a validação da rescisão indireta,


a reclamante faz jus a indenização de que trata o §1o do art. 10, no importe de 100% do
salário pelo período de suspensão e 75% do salário pelo período em que teve a redução de
jornada em 70%.

O valor da indenização para os períodos de suspensão de contrato de 30 dias totaliza R$


1.101,10 equivalente a um salário da reclamante. Quanto a redução da jornada pelo
período de 180 dias, totaliza o valor de R$ 4.954,95.

Portanto, requer a condenação da reclamada no pagamento da indenização da estabilidade


provisória do art. 10 da Lei 14.020/2020, no valor total de R$ 6.056,05.
DOS DIAS DE SALÁRIO REDUZIDOS UNILATERALMENTE

Como narrado acima, entre 17/03 até 08/04 a reclamada reduziu o salário da reclamante
em 70% de forma unilateral e em desacordo com o art. 7o da Carta Maior que autoriza a
redução salarial somente mediante acordo ou convenção coletiva.

Logo, requer a sua condenação no pagamento de R$ 539,53 referente a 70% do salário


reduzido por 23 dias.

DO FGTS

É certo que o ônus da prova quanto aos depósitos fundiários é da empresa, nos termos da
súmula 461 do C. TST, portanto a reclamada quem deve trazer aos autos os recibos de
pagamento.

Como não houve o pagamento do FGTS regularmente durante o contrato de trabalho,


requer a sua condenação no pagamento das parcelas fundiárias.

DA MULTA DO ART. 477 DA CLT

Uma vez reconhecida a validade da rescisão indireta, a reclamada deverá ser condenada
no pagamento da multa prevista no parágrafo 8o do art. 477 da CLT equivalente a um
salário da reclamante.

Nesse sentido:

MULTA DO ARTIGO 477, § 8o, DA CLT - RESCISÃO INDIRETA -


DEVIDA Somente quando o empregado der causa à mora é que não
será devida a multa. Portanto, o reconhecimento da rescisão indireta
não constitui motivo para afastar o dever do empregador de pagar a
multa prevista no art. 477, § 8o, da CLT.Recurso de Revista
conhecido e provido. (TST - RR: 78001620025020071 7800-
16.2002.5.02.0071, Relator: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de
Julgamento: 26/10/2005, 3a Turma,, Data de Publicação: DJ
03/02/2006.)

DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto acima requer:


1 – A concessão da gratuidade judiciária nos termos do art. 790, §3o da CLT;

2 – A notificação da reclamada para que, querendo, apresente defesa no momento


oportuno sob pena de incorrer em revelia e seus efeitos jurídicos;

3 – A condenação da reclamada no pagamento das verbas rescisórias de estilo, a saber, o


aviso prévio, férias acrescidas de 1/3, 13o salário e FGTS acrescido de multa de
40%............................................................................................R$ 5.334,22 (cinco mil
trezentos e trinta e quatro reais e vinte e dois centavos);

4 - A condenação da reclamada no pagamento da indenização da estabilidade provisória do


art. 10 da Lei 14.020/2020.................................................R$ 6.056,05 (seis mil e cinquenta
e seis reais e cinco centavos);

5 – A condenação no pagamento de R$ 539,53 referente a 70% do salário reduzido por 23


dias.

6 – A condenação da reclamada no pagamento do FGTS pelo período


contratual.................................................................................................R$ 2.378,37 (dois
mil trezentos e setenta e oito reais e trinta e sete centavos);

7 – A condenação da reclamada no pagamento da multa do art. 477 da


CLT...............................................................................................R$ 1.101,10 (um mil cento
e um reais e dez centavos);

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito em especial as
provas documentais e testemunhais, sendo estas, produzidas no momento oportuno.

Requer ainda a condenação da reclamada no pagamento de honorários sucumbenciais em


15% sobre o que resultar a condenação nos termos do art. 791-A da CLT.

Por fim requer seja a reclamada compelida a trazer nos autos todos os documentos
inerentes ao contrato de trabalho sob pena de incorrer em confissão nos termos do art. 400
do NCPC.

Dá-se a causa o valor de R$ 15.409,27 (quinze mil quatrocentos e nove reais e vinte e
sete centavos);

Termos em que

Pede deferimento

Indaiatuba, 26 de novembro de 2020