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PERÍCIA AMBIENTAL

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Sumário
NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 3
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 4
..................................................................................................................................... 4
2. SOCIEDADE E AMBIENTE ................................................................................ 6
3. DANO AMBIENTAL ........................................................................................... 8
4. ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS DA PERÍCIA AMBIENTAL .............. 10
4.1. ATIVIDADE PERICIAL ................................................................................. 10
4.2. PAPEL DO PERITO E ASSISTENTES TÉCNICOS ....................................... 14
4.3. QUESITOS: ELABORAÇÃO E RESPOSTAS ................................................ 18
5. PERÍCIA AMBIENTAL ..................................................................................... 20
6. CARACTERÍSTICAS ATUAIS DA PERÍCIA AMBIENTAL ........................... 23
7. IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA AMBIENTAL NO CONTEXTO DA AÇÃO
CIVIL PÚBLICA........................................................................................................ 25
8. TIPOS DE PERÍCIA AMBIENTAL ................................................................... 26
9. ETAPAS DA PERÍCIA AMBIENTAL ............................................................... 27
10. LAUDO PERICIAL ......................................................................................... 28
Figura 10: Laudo Pericial. ........................................................................................... 28
11. ROTEIRO DE LAUDO PERICIAL ................................................................. 31
12. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 32
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 33

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NOSSA HISTÓRIA

A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre-


sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação
e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere-
cendo serviços educacionais em nível superior.

A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici-
pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação
contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos
e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra-
vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma


confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.

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1. INTRODUÇÃO
Figura 1: Coleta de amostra em campo.

Fonte: https://agropos.com.br/pericia-ambiental/

Ao se tratar da questão ambiental no Brasil é imprescindível considerar a


estruturação da legislação ambiental do país, que neste início de século é uma
das mais avançadas de todo mundo, apesar da distância entre o preconizado na
lei e a sua aplicação de fato. A legislação, em especial a Lei Federal nº 6.938/81
(instituiu a Política Nacional de Meio Ambiente), abarca uma série de princípios,
diretrizes, objetivos e acima de tudo instrumentos de planejamento e gestão do
meio ambiente. Buscar conhecer, aprofundar e desvendar estes instrumentos é
o grande desafio para toda sociedade, principalmente para as pessoas ligadas
ao meio técnico, científico e acadêmico, que necessitam aperfeiçoar a estrutura-
ção e metodologias desses instrumentos, afim de que sua execução seja a mais
coerente e traga o maior número de benefícios a sociedade.
A perícia é uma atividade utilizada para diversos fins, mas apresenta tam-
bém seu viés na área ambiental. A perícia ambiental é uma temática relativa-
mente recente nos meios de comunicação e técnico-acadêmicos e com reduzido
número de bibliografias, o que torna sua abordagem algo desafiador. Assim, a

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exposição de conceitos, procedimentos na construção de um laudo pericial e as
tendências para essa atividade, colocam-na como fundamental na gestão do
meio ambiente, isto porque, permite a elucidação de diversos crimes ambientais
a partir de um enfoque multidisciplinar.
O ambiente como bem a ser protegido judicialmente, caracteriza-se por
estar protegido por normas jurídicas, onde estas visam disciplinar a relação da
sociedade com a natureza, objetivando garantir o direito a toda sociedade de um
meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e as futuras gera-
ções, segundo o que preconiza a Constituição Federal de 1988. Portanto, a exis-
tência de um arcabouço legal que protege todos esses recursos (solo, ar, flora,
fauna, patrimônio histórico, água) reflete diretamente na vida de toda sociedade,
gerando conflitos de ordem econômica, social e cultural, ou seja, conflitos ambi-
entais. Estes guardam particularidades na sua ocorrência, bem como no seu tra-
tamento de acordo com o perfil cultural de cada sociedade.
Por isso é primordial a existência de uma legislação do meio ambiente
(nível federal, estadual e municipal), pois esta extrapola os limites territoriais,
assim como os danos ambientais. Problemas como ocupação irregular de mar-
gens de rios e encostas, despejo de resíduos sólidos em locais inadequados;
desmatamento e suas conseqüências como erosão dos solos, assoreamento,
enchentes e inundações; construção em áreas de preservação; são alguns dos
exemplos de atividades humanas que se realizadas de forma imprudente, oca-
sionam prejuízos a toda sociedade.
Dessa forma, a gama de danos ambientais que poderão ocorrer, sujeitam
os profissionais envolvidos na atividade de perícia na área ambiental uma cons-
tante relação multi e interdisciplinar no interesse em conseguir laudos conclusi-
vos condizentes com a problemática.

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2. SOCIEDADE E AMBIENTE
Figura 2: Sociedade e ambiente.

Fonte: https://www.sumarequalifica.com.br/cursos-de-extensao/188-sociedade-e-meio-
ambiente.html
O termo sociedade remete a existência de um agrupamento de seres que
vivem de forma agregada. É certo que o termo não se restringe apenas ao uso
da sociedade humana, podendo ser aplicado a outros seres vivos (plantas e ani-
mais, por exemplo). Contudo, a relação entre sociedade humana e o meio am-
biente pode ser considerada como a de maior complexidade, isto porque, as
ações do homem na Terra e suas repercussões no ambiente têm apresentado
uma variação na escala temporal, bem como em relação a regiões e culturas
(DREW, 1995).
O relacionamento da sociedade com a natureza faz parte da base do pro-
cesso de desenvolvimento e mudanças das sociedades humanas. Por isso de
uma forma ou de outra, o homem continua sempre a aumentar a sua interferên-
cia sobre o ambiente (BASTOS & FREITAS, 1998).
O tema abordado exige uma breve discussão a respeito do conceito de
meio ambiente, pois ao tratar de atividade pericial aplicada ao meio ambiente,
necessário que o profissional tenha de forma clara os meios ou ambientes que

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precisam ser levados em consideração no momento da construção e finalização
de um laudo pericial ambiental. Oportuno iniciar o confronto de entendimentos
pela transcrição das considerações de Édis Milaré, que diz:

A palavra ambiente indica o lugar, o sítio, o recinto, o espaço que envolve os seres vivos
ou as coisas. Redundante, portanto, a expressão meio ambiente, uma vez que o ambiente já
inclui a noção de meio. De qualquer forma, trata-se de expressão consagrada na Língua Portu-
guesa, pacificamente utilizada pela doutrina, lei e jurisprudência de nosso país, que, amiúde,
falam em meio ambiente, em vez de ambiente apenas.
Em sentindo estrito, o meio ambiente nada mais é do que a expressão do patrimônio
natural e suas relações com o ser vivo. Todavia, sua disciplina jurídica comporta um conceito
mais amplo, abrangente de toda a natureza original e artificial, bem como os bens culturais cor-
relatos, de molde a possibilitar o seguinte detalhamento: meio ambiente natural (constituído pelo
solo, pela água, pelo ar atmosférico, pela flora, pela fauna), meio ambiente cultural (integrado
pelo patrimônio arqueológico, artístico, histórico, paisagístico, turístico) e meio ambiente artificial
(formado pelas edificações, equipamentos urbanos, comunitários, enfim, todos os assentamen-
tos de reflexos urbanísticos). (ÉDIS MILARÉ apud CONSTANTINO, 2002, p.19)

Segundo Barbieri (2007), a expressão ambiente vem do latim, tendo o


prefixo ambi com o significado de “ao redor de algo” ou de “ambos os lados”.
Assim, a expressão meio ambiente exprime uma idéia de redundância. No en-
tendimento do autor, o meio ambiente é constituído tanto pelo ambiente natural
como o artificial. O primeiro representando os meios físico e biológico, enquanto
que o artificial é aquele alterado, resultante das ações do homem (áreas urba-
nas, industriais e rurais).
Já para Odum e Sarmiento (1997) apud Barbieri (2007), o meio ambiente
seria a soma de três tipos de ambientes. Um seria denominado de “ambiente
domesticado”, constituído por áreas utilizadas para agricultura, pecuária, silvicul-
tura, além de lagos artificiais e açudes. O outro seria um ambiente bastante des-
caracterizado no tocante as suas feições, fruto do uso e ocupação antrópica para
fins diversos (parques industriais, cidades, estradas, portos, etc.). E por fim o
“ambiente natural”1, o qual é exemplificado pelas matas virgens, unidades de
conservação, que sofrem o mínimo de ação e/ou efeitos da ação humana.
Por fim, Silva (1994) apud Araújo (2008) comenta a existência de três ambientes.
Um seria denominado de ambiente natural (ar, flora, fauna, solo, água), onde
ocorre uma correlação de reciprocidade entre espécies e estas com o meio fí-
sico. Um outro intitulado de cultural, constituído por vários patrimônios (artístico,

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histórico, turístico, arqueológico e espeleológico) e por fim um ambiente artificial,
ou seja, aquele caracterizado por um espaço urbano construído (ruas, praças,
áreas verdes, edificações).
Entende-se que inicialmente, o perito ambiental necessita compreender a
compartimentação do ambiente e ao mesmo tempo buscar o entendimento da
integração, ou seja, de que esses ambientes encontram-se diferenciados pelas
suas características e dinâmica próprias, mas que estabelecem relação entre si,
influenciando e sendo influenciados. Portanto, o profissional precisa de um olhar
holístico a fim de facilitar os procedimentos para construção do laudo pericial.

3. DANO AMBIENTAL
Figura 3: Dano ambiental.

Fonte: https://aempreendedora.com.br/o-dano-ambiental-e-a-responsabilidade-objetiva/

O ritmo das atividades humanas na atualidade somado a intensificação


da tecnologia em diversos campos do conhecimento, tem provocado um au-
mento de fatos adversos ao meio ambiente. Quando isso acontece, caracteriza
a ocorrência de um dano ambiental. É uma expressão comum na atualidade,
resultante do aumento das atividades humanas sem maiores preocupações com
os efeitos negativos dessas atividades. Araújo (2008, p.109) considera que “a
integração dos estudos ambientais com a legislação ambiental e os instrumentos
de defesa do ambiente são temas muito recentes e de desenvolvimento e apli-
cação ainda incipientes nas ciências de um modo geral [...].”
Por isso, a análise das relações homem x meio (sociedade x natureza)
ganha impulso nas áreas do conhecimento já naturalmente próximas ao trato

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dessa temática, mas também adquire novas abordagens em outras áreas cien-
tíficas, afim de uma perspectiva de maior integração para o estudo dos proble-
mas ambientais. A compreensão do mesmo deve partir do entendimento de que
não existe por si só, ou seja, só podem ser entendidos diante de uma realidade
previamente estabelecida.
Para Milaré (2001) um dano ambiental nada mais é do que uma ação que
ocasione a lesão ou dilapidação dos recursos naturais, acarretando em um qua-
dro de degradação (alteração adversa) da qualidade de vida e do equilíbrio eco-
lógico.
Já Maria Isabel de Matos Rocha (2000, p. 130), define como dano ambi-
ental “a lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio ambiental, levada a cabo por
atividades, condutas ou até uso nocivo da propriedade”. Portanto, havendo uma
lesão a um bem ambiental, resultante de atividade praticada por qualquer pes-
soa, seja esta física ou jurídica, pública ou privada, que seja responsável por
este dano, em caráter direto ou indireto, não somente há caracterização do
mesmo, como ainda há a identificação daquele que deve arcar com o dever de
indenizar. E complementa Antunes (2000), que a efetivação do dano ambiental
para ser caracterizado, não tem necessidade de que a sua base esteja presente,
no agente causador, o elemento psicológico. Daí ser a prática do dano ambiental
submetida às normas da responsabilidade objetiva.
Da análise da legislação brasileira, o dano ambiental deve ser compre-
endido, segundo José Ruben Morato Leite, como “toda lesão intolerável cau-
sado por qualquer ação humana (culposa ou não) ao meio ambiente, direta-
mente como macrobem de interesse da coletividade, em uma concepção tota-
lizante, e indiretamente, a terceiros, tendo em vista interesses próprios e indi-
vidualizáveis e que refletem no macrobem”.

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4. ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS DA PERÍCIA
AMBIENTAL

4.1. ATIVIDADE PERICIAL


Figura 4: Atividade Pericial.

Fonte: https://www.fragmaq.com.br/blog/entenda-o-que-e-pericia-ambiental-e-quando-
atividade-e-aplicada/

Segundo Araújo (2008), a Perícia é um meio de prova utilizada em pro-


cessos judiciais, estando disciplinada pelos artigos 420 a 439 da Seção VII – Da
Prova Pericial (CAPÍTULO VI – DAS PROVAS), do Código de Processo Civil
(CPC).
Abunahman (2006) comenta o surgimento dessa atividade ainda na Anti-
guidade. Segundo o autor, alguns povos orientais antigos já apresentavam ves-
tígios deste tipo de prova, contudo de modo vago, já que dependendo da forma
do governante (sistema de patriarcado com clãs ou reinados onde o rei era ab-
soluto e consequentemente exercia papel de magistrado, não precisando solici-
tar auxílio de ninguém, em alguns casos sem ter conhecimento da causa, resul-
tando em injustiças).
O decorrer do tempo demonstrou que a complexidade dos problemas a
serem solucionados não dava mais aos reis totais condições para solucionar li-
tígios, devendo-se recorrer a pessoas habilitadas.
Na Idade Média é possível constatar um atraso no campo científico, já que a
prova técnica seria dispensada pelo julgamento divino. Contudo, Abunahman
(2006) salienta que:

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A partir do século IX a própria Igreja Católica começou a incentivar o trabalho de técnicos
nos processos, havendo referências específicas aos “árbitros” nas Ordenações Afonsinas (séc.
XV) e nas Manoelinas (séc. XVI). No Brasil colônia, nas Ordenações Filipinas, há referência clara
aos peritos, inclusive com regulamentação sobre as perícias.
Posteriormente, no século XIX, com o Código Comercial, tivemos mais
ampla referência às perícias. Em 1939, com o surgimento do Código de Pro-
cesso Civil, as perícias receberam tratamento mais detalhado. (ABUNAHMAN,
2006, p. 299)
Assim, partindo do breve histórico até aqui exposto, inevitável o questio-
namento do que se entende atualmente por perícia. Ou seja, como se dá a ela-
boração dessa prova e a que se destina ou se aplica os resultados obtidos a
partir dos conhecimentos especializados.
O artigo 420 do Código de Processo Civil Brasileiro destaca a prova peri-
cial como sendo um exame, vistoria ou avaliação, sendo necessária nos casos
em que o juiz deferir a perícia, ou seja, quando a prova do fato depender de
conhecimento especial de técnico; sendo a verificação praticável; e se outras
provas produzidas não forem suficientes para esclarecer a situação.
Por isso Abunahman (2006) conceitua as três espécies de “provas espe-
cíficas”:
 Exame: é a inspeção sobre as coisas, pessoas ou documentos, para ve-
rificação de qualquer fato ou circunstância que tenha interesse para a so-
lução do litígio;

 Vistoria: é a mesma inspeção quando realizada sobre bens imóveis;

 Avaliação (ou arbitramento): é a apuração de valor, em espécie, de coi-


sas, direitos e obrigações em litígio.

A perícia vai se caracterizar por determinação de um juiz, ou seja, realizadas


no decorrer de um processo (perícias judiciais), ou tem caráter extrajudicial, caso
alguma das partes queira realizar fora do processo.
Partindo do entendimento constante no CPC, alguns autores elaboraram con-
ceitos sobre perícia. Para Dinamarco (2001):
Perícia é o exame feito em pessoas ou coisas, por profissional portador de
conhecimentos técnicos e com a finalidade de obter informações capazes de

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esclarecer dúvidas quanto a fatos. Daí chamar-se perícia, em alusão à qualifica-
ção e aptidão do sujeito a quem tais exames são confiados. Tal é uma prova
real, porque incide sobre fontes passivas, as quais figuram como mero objeto de
exame sem participar das atividades de extração de informes.
Já Nunes (1994) apud Araújo (1998), diz que a perícia é:
Exame realizado por técnico, ou pessoa de comprovada aptidão e idoneidade
profissional, para verificar e esclarecer um fato, ou estado ou a estimação da
coisa que é objeto de litígio ou processo, que com um deles tenha relação ou
dependência, a fim de concretizar uma prova ou oferecer o elemento de que
necessita a Justiça para poder julgar. No crime, a perícia obedece às normas
estabelecidas pelo Código de Processo Penal (arts. 158 e seguintes), devendo
ser efetuada o mais breve possível, antes que desapareçam os vestígios. No
cível compreende a vistoria, a avaliação, o arbitramento, obedecendo às normas
procedimentais do Código de Processo Civil [...] (ARAÚJO, 1998, p. 174)
Portanto, a atividade pericial parte da idéia de que toda ação humana deixa
marcas ou vestígios, sendo assim, o profissional imbuído de realizar uma perícia
necessita analisar e/ou sintetizar esses vestígios para obter a prova material da
existência do dano. Tal dano independe do tipo, como bem explica Araújo
(2008):
O Código de Processo Civil (CPC) regulamenta, de forma genérica, os pro-
cedimentos relativos à Prova Pericial, sem especificar modalidades. As diversas
modalidades de perícia – grafológica, contábil, médica, veterinária, de engenha-
ria, ambiental etc. – se definem pelas especificidades do objeto a ser periciado
e pela área do conhecimento que se fundamentam, incluindo a legislação espe-
cífica pertinente, em complemento às normas do CPC. (ARAÚJO, 2008, p.116)
As provas periciais no sistema processual brasileiro têm o Código de Pro-
cesso Civil como seu marco regulamentador, especialmente os artigos 145, em
seus §§ 1º e 2º; 147 e 420 a 439. A instituição desse instrumento ganha respaldo
também com o dever de recuperar e/ou indenizar os danos causados pelo polui-
dor e ao predador constante no artigo 4º, inciso VII da Lei que instituiu a Política
Nacional de Meio Ambiente. Tal dispositivo deu ao Ministério Público poderes
para ajuizar ação de responsabilidade civil por danos ambientais, que anos de-
pois veio a ser fortalecida com a Lei nº 7.347/1985, pois a mesma permite a ação
civil pública por danos diversos, entre esses ao meio ambiente.

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Por isso, a prova pericial constitui-se em um meio de demonstrar a verdade,
podendo em alguns casos ser diretamente a própria verdade. Em se querendo
demonstrar a verdade, Abunahman (2006) esclarece que é a pesquisa da ver-
dade, caso contrário a verdade é simplesmente o resultado da pesquisa. Então,
a perícia não constitui resultados absolutos, mas sim de cunho relativo, que é
utilizado nas fases do processo afim de comprovação. Porém, vale esclarecer
que a perícia não constitui a única prova do processo, podendo ser utilizada con-
sorciada a outros meios utilizados nos autos. Reside aí a importância da perícia,
já que as provas é que definem os fatos e sendo assim, existe a necessidade de
apurar o mais próximo da verdade os fatos reclamados pelas partes, a fim de
que no final do processo sejam garantidos os direitos de cada um.
Pode-se resumir nas palavras de Almeida et. al. as considerações sobre pe-
rícia:
Em todas as áreas técnico-científicas do setor humano, sobre as quais o co-
nhecimento jurídico do magistrado não é suficiente para emitir opinião técnica a
respeito, faz-se necessária uma perícia para apurar circunstâncias e/ou causas
relativas a fatos reais, com vistas ao esclarecimento da verdade.
A perícia surge normalmente em decorrência de uma demanda, por iniciativa
de uma das partes interessadas em busca de provas de atos e fatos por ela
levantados para fundamentar um direito pleiteado. A perícia pode ainda surgir
por iniciativa do juiz, para o conhecimento e esclarecimento de atos e fatos. (AL-
MEIDA et. al. , 2000, p. 7)
O Código de Processo Civil Brasileiro expõe alguns dispositivos sobre a
prova pericial:
Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as
provas necessárias à instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou
meramente protelatórias.
(...)
Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que
não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em
que se funda a ação ou a defesa.
(...)
Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.
Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando:

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I - a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico;
II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas;
III - a verificação for impraticável.
(...)
Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na
contestação, apresentarem sobre as questões de fato pareceres técnicos ou do-
cumentos elucidativos que considerar suficientes. (CÓDIGO DE PROCESSO CI-
VIL, 1973)

4.2. PAPEL DO PERITO E ASSISTENTES TÉCNICOS


Figura 5: Peritos e assistentes.

Fonte: https://adv-adrianasecundo.webnode.com/products/pericia-ambiental/

Durante a perícia é fundamental a presença de algumas pessoas que se-


rão imprescindíveis na elaboração da mesma. Sendo esta atividade atribuída a
pessoas com “pleno conhecimento de causa” nas palavras de Moacyr Amaral
Santos citado por Abunahman (2006).
O perito é aquela pessoa escolhida pelo Juiz, enquanto que os assisten-
tes técnicos são escolhidos pelas partes do processo. O Instituto Brasileiro de
Avaliações e Perícias de Engenharia define perito como: o profissional legal-
mente habilitado, idôneo e especialista, convocado para realizar uma perícia. No
caso do perito, além das atribuições determinadas nas diversas normas judiciá-
rias, o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 139 intitula-os como auxi-
liares da justiça, e disciplina as atribuições deste profissional em seus artigos
145, 146 e 147.

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CAPÍTULO II DOS DEVERES DAS PARTES E DOS SEUS PROCURADORES
Seção III Das Despesas e das Multas
Art. 33. Cada parte pagará a remuneração do assistente técnico que houver in-
dicado; a do perito será paga pela parte que houver requerido o exame, ou pelo
autor, quando requerido por ambas as partes ou determinado de ofício pelo juiz.
(...)
CAPÍTULO V
DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA
Art. 139. São auxiliares do juízo, além de outros, cujas atribuições são determi-
nadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o oficial de justiça, o
perito, o depositário, o administrador e o intérprete.
(...)
Seção II
Do Perito
Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou cientí-
fico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no art. 421.
§ 1o Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário, devi-
damente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o disposto no Ca-
pítulo Vl, seção Vll, deste Código.
§ 2o Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão
opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos.
§ 3o Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que preencham
os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos peritos será de livre es-
colha do juiz.
Art. 146. O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que Ihe assina a lei,
empregando toda a sua diligência; pode, todavia, escusar-se do encargo ale-
gando motivo legítimo.
Parágrafo único. A escusa será apresentada dentro de 5 (cinco) dias, contados
da intimação ou do impedimento superveniente, sob pena de se reputar renun-
ciado o direito a alegá-la (art. 423).
Art. 147. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas, res-
ponderá pelos prejuízos que causar à parte, ficará inabilitado, por 2 (dois) anos,
a funcionar em outras perícias e incorrerá na sanção que a lei penal estabelecer.

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(...)
Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que Ihe foi cometido,
independentemente de termo de compromisso.
(...)
Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146), ou ser recusado por impedimento
ou suspeição (art. 138, III); ao aceitar a escusa ou julgar procedente a impugna-
ção, o juiz nomeará novo perito.
Art. 424. O perito pode ser substituído quando:
I - carecer de conhecimento técnico ou científico;
II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que Ihe foi assi-
nado.
Parágrafo único. No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à
corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada
tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso no
processo.

Almeida et al. (2000) explica o papel do perito em uma perícia:


A atuação do perito é exercida no sentido de satisfazer a finalidade da perícia,
verificando fatos relativos à matéria em questão, certificando-os, apreciando-os
ou interpretando-os. Seu parecer técnico, resultante da perícia, será apresen-
tado, conforme determinação do juiz, em inquirição em audiência ou por escrito
(laudo). (ALMEIDA et. al., 2000, p. 33)
Ao tratar do critério para escolha do perito, Abunahman (2006) comenta
criticamente o princípio da liberdade, reinante no direito brasileiro, em que o juiz
é livre para escolher o perito. O autor lembra que essa liberdade propicia risco
da pessoa escolhida, não possuir ou ter baixa qualificação para o desempenho
da função de perito, o que inevitavelmente acarretará em efeitos na obtenção da
prova.
Uma série de deveres e direitos é atribuída aos peritos. No tocante ao
cumprimento de prazo, deve o perito cumprir o encargo no prazo previamente
fixado pelo juiz. Porém, existe a possibilidade de recusar o desempenho do que
foi atribuído, a partir de uma alegação com motivo legítimo, observando o prazo
máximo de cinco dias contados da intimação para recusa. Almeida et al. (2000)
aponta alguns motivos (legítimos) para o perito não prosseguir com a perícia:

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 Não se considerar versado na matéria para a qual foi designado a perícia;

 Ocorrência de força maior;

 A perícia ser relacionada com assunto em que já interveio de alguma


forma como interessado.

Existe ainda a possibilidade de substituição do perito decorrente do não cum-


primento, sem motivo justificado e legítimo, do encargo no prazo fixado. Em
acontecendo tal situação, cabe ao juiz comunicar a corporação profissional do
indicado, além de aplicar multa, tendo como parâmetro o valor da causa e pre-
juízos advindos do atraso no processo. Almeida et al. (2000) destaca outra pos-
sibilidade de penas relacionadas a atividade do perito:
O perito tem o dever de cumprir escrupulosamente o oficio naquele prazo,
independente de termo de compromisso, empregando toda a sua diligência. En-
tretanto se, por dolo ou culpa, o perito prestar informações inverídicas, respon-
derá pelos prejuízos que cause à parte, ficará inabilitado pelo prazo de dois anos
a funcionar em outras perícias e ainda incorrerá em sanção que a lei penal es-
tabelecer. (ALMEIDA et. al., 2000, p. 33)
Juntamente a presença do perito, se dá também a escolha dos assistentes
técnicos. Estes são indicados pelas partes no prazo de cinco dias a partir da
intimação do despacho de nomeação do perito. Assim, os assistentes técnicos
são profissionais da confiança das partes e não estão sujeitos a suspeição ou
impedimento. O Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia
(IBAPE, 1994) define como o profissional legalmente habilitado, indicado e con-
tratado pela parte para orientá-la, assistir os trabalhos periciais em todas as fa-
ses da perícia e, quando necessário, emitir seu parecer técnico. Almeida et. al
(2000, p. 34) salienta que ao contrário do que muitos rotulam, o assistente téc-
nico não é um fiscal do perito, mas um técnico que, junto àquele, haverá de
satisfazer a busca da verdade assemelhando-se ao perito como auxiliar da jus-
tiça. Segundo o Código de Processo Civil: “Os assistentes técnicos são de con-
fiança da parte, não sujeitos a impedimento ou suspeição” (CPC, 1973, Art. 422)

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4.3. QUESITOS: ELABORAÇÃO E RESPOSTAS

Os quesitos nada mais são do que perguntas ou questionamentos reme-


tidos tanto aos assistentes técnicos como aos peritos, buscando delimitar o ob-
jeto da perícia. Nas palavras de Tarcha (1993) apud Araújo (1998), os quesitos
são perguntas ou questões formuladas ao perito e assistentes técnicos, concer-
nentes aos fatos da causa, que constituem o objeto da perícia.
Para isso, os profissionais devem fazer uso de diversos meios a fim de alcançar
as respostas mais precisas. Como os quesitos devem expressar aspectos im-
portantes, os meios comumente utilizados nas perícias são os estudos, cálculos,
experiências, etc.
Ainda a respeito dos quesitos, a literatura especializada destaca que que-
sitos estranhos ao objetivo da perícia devem ser vedados, ou seja, o magistrado
(Juiz) tem a liberdade de indeferir quesito que seja irrelevante ou fora da pro-
posta da perícia ou além da competência do perito. Como também pode propor
quesitos, podendo as partes também fazer o mesmo, entendendo necessários
para aumentar o campo de investigação da perícia, resultando nisso em um grau
de objetividade e clareza maiores.
Contudo, Almeida et al. (2000) esclarece que além dos quesitos suplementares
acima comentados, existe a possibilidade de no laudo oficial o aparecimento dos
quesitos de esclarecimentos:
[...] após o laudo oficial, os chamados “quesitos de esclarecimentos”, cujo
objetivo é clarear ou dirimir dúvidas sobre pontos porventura pouco abordados
ou omissos no laudo pericial. Mas deverão se limitar a elucidação do que já foi
indagado na perícia, sem que constitua inovação. Com os esclarecimentos, o
perito retifica, complementa, ratifica ou fundamenta o laudo, conforme o caso.
(ALMEIDA et. al., 2000, p. 37)
Esses esclarecimentos podem vir a ser dados diretamente em audiências,
originados do requerimento das partes ou por determinação do juiz. Mas nesse
caso, deve-se observar o prazo mínimo de cinco dias antes da audiência inti-
mando o comparecimento dos profissionais. Nesse aspecto ainda, Araújo enfa-
tiza algo importante e que afeta o desenvolvimento do processo:

18
Na maioria das vezes os quesitos são formulados pelos advogados das
partes, sendo que o mais indicado seria que o fizessem sob a orientação de seus
respectivos assistentes técnicos, se estes tiverem sido indicados, pois as argüi-
ções devem ser pertinentes à matéria em causa, envolvendo questões técnicas
a serem elucidadas pelo perito e pelo assistente técnico da parte contrária. (ARA-
ÚJO, 1998, p. 184)
Vale acrescentar que de acordo com o artigo 426 do CPC, pode o juiz ou
promotor de justiça também formular quesitos. Em alguns casos, as partes op-
tam, por um motivo ou outro, em não apresentar quesitos ao perito. Nesse caso,
o perito pode requerer ao juiz que intime as partes para que apresentem quesitos
ou optem em seguir a elaboração e conclusão do laudo sem os quesitos obriga-
toriamente. Os quesitos podem ser:

 Quesitos originários: são os apresentados no prazo da lei;

 Quesitos suplementares: aqueles formulados posteriormente, mas antes


da perícia;

 Quesitos intempestivos: são os formulados fora dos prazos legais;

 Quesitos elucidativos: são os apresentados em audiência, para esclare-


cer dúvidas sobre o laudo.
O Código de Processo Civil também aborda brevemente a respeito dos que-
sitos na perícia em seus artigos 425 e 426:

Seção VII
Da Prova Pericial
Art. 425. Poderão as partes apresentar, durante a diligência, quesitos suplemen-
tares. Da juntada dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à parte contrá-
ria.
Art. 426. Compete ao juiz:
I - indeferir quesitos impertinentes;
II - formular os que entender necessários ao esclarecimento da causa.

19
5. PERÍCIA AMBIENTAL
Figura 6: Perícia Ambiental.

Fonte: https://ibracam.com.br/blog/o-que-e-pericia-ambiental

A perícia ambiental é o mecanismo usado para analisar informações e


acontecimentos de atividades relacionadas a crimes ambientais. Por meio da
chamada Lei dos Crimes Ambientais, de número 9.605, de 12 de fevereiro de
1998, a perícia avalia as condutas nocivas ao meio ambiente.

Ela se baseia em atividades e avaliações técnicas na busca do esclareci-


mento de fatos de maneira científica. Quando apenas a opinião técnica de um
profissional não é suficiente, usa-se a perícia para avaliar algum impacto ambi-
ental sob uma ótica especializada com base em provas concretas.

A atividade surgiu quando cresceu a necessidade de um profissional para


avaliar a fundo a dimensão dos danos cometidos ao ambiente para que as mul-
tas e punições fossem aplicadas de maneira coerente e justa. Com a criação da
lei, criou-se as normas específicas que são utilizadas para que a perícia seja
feita de maneira imparcial e metodizada para a avaliação de danos contra a
fauna, flora, solo, água e ar atmosférico.

Figura 7: Perito coletando amostra.

20
Fonte: https://ibracam.com.br/blog/o-que-e-pericia-ambiental

A perícia se baseia na investigação dos fatos na busca pela identificação


das causas e consequências do que será julgado. Todos os dados e informações
coletados na perícia são organizados nos laudos periciais. A realização dessa
atividade muitas vezes envolve muitos processos e questões e, por isso, alguns
casos exigem a formação de uma equipe de peritos e assistentes técnicos que
serão responsáveis por todos os processos.

O laudo é o compilado de todas as informações e é considerado a prova


final a ser julgada pelo juiz responsável. Por meio dele o juiz analisa a extensão
do dano causado e a pena a ser tomada.

Para atuar como perito ambiental, o profissional deve ser registrado e ins-
crito no fórum da região onde deseja atuar e a escolha do profissional para de-
terminado processo de perícia é feita pelo juiz responsável pelo caso. Atual-
mente, a graduação mais indicada para a profissão é a engenharia ambiental,
por abordar as competências técnicas e a legislação ambiental, mas existem
também diversos cursos técnicos e de capacitação para aqueles que desejam
se especializar e trabalhar na área. Não deixando de lado, é claro, o profissional
devidamente qualificado e registrado no conselho de sua profissão que já tenha
experiência prévia com perícia ambiental

21
A perícia tem evoluído bastante do Brasil por conta do aprimoramento da
legislação e maior rigidez nas leis no que diz respeito a conservação ambiental.
Por conta da necessidade de controle das atividades humanas sobre os recursos
naturais, os peritos se tornam parte fundamental do processo de construção de
um país mais sustentável e protegido.

A partir do lançamento desses dispositivos jurídicos anteriormente cita-


dos, somado a crescente preocupação com a questão ambiental por diversos
setores da sociedade, favoreceu o desenvolvimento de metodologias para estu-
dos e projetos ambientais. Isso tornou possível a sociedade juntamente com o
Ministério Público, a proteção de interesses (difusos coletivos), sendo possível
observar um número crescente de ações em defesa do meio ambiente. Estas
ações, inevitavelmente, requerem um conjunto de conhecimentos de cunho téc-
nico e científico de diversas áreas motivadas por empresas, pessoas físicas,
ONGs (Organizações Não-Governamentais), inserindo dessa forma a perícia
ambiental como instrumental a serviço da sociedade.
No tocante a implementação dos meios processuais que visam defender
o meio ambiente, associada diretamente a Ação Civil Pública Ambiental, está a
perícia ambiental, que constitui hoje um dos instrumentos mais importantes no
desvendamento e elucidação de caráter técnico das questões levadas a juízo.
Araújo (2008) esclarece a Perícia Ambiental:
A Perícia Ambiental é um meio de prova utilizado nos processos judiciais,
sujeita à regulamentação prevista pelo Código de Processo Civil, com prática
forense comum às demais modalidades de perícia, mas que irá atender a de-
mandas específicas advindas das questões ambientais. A Perícia Ambiental é
relativamente nova no Brasil, mas tem evoluído consideravelmente em decor-
rência do aprimoramento da legislação ambiental. (ARAÚJO, 2008, p.108)
Alguns autores atribuem a oficialização dessa nova modalidade de perícia
a partir da realização do IX Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e
Perícias (IX COBREAP) em 1997 pelo Instituto Brasileiro de Avaliações e Perí-
cias de Engenharia (IBAPE). O tema não poderia ser mais estimulador, “Perícias
ambientais: novos horizontes”. O evento proporcionou discussões e alertas a

22
respeito de avanços necessários na elaboração de critérios metodológicos a se-
rem utilizados nesse tipo de perícia, e lembrando que o seu caráter multidiscipli-
nar não havia sido observado pelas normas jurídicas até aquele momento.
Com isso, observa-se o caráter recente das atividades periciais ligadas
ao meio ambiente, estando presente em diversas áreas do conhecimento, pois
tem a multidisciplinaridade como princípio básico, exigindo não só especialistas
das ciências ambientais, como também profissionais que desenvolvam contribui-
ções nos avanços dos aspectos teóricos-jurídicos, metodológicos e técnicos.
A perícia ambiental se faz necessária toda vez que for preciso verificar e
comprovar a ocorrência ou ameaça da ocorrência de eventos denunciados nos
autos de um processo judicial (MAURO, 1997). Assim, não bastam informações
e certidões para a elucidação da lide, pois em alguns casos, será necessária
averiguar a existência de um dano e as conseqüências negativas que o mesmo
está provocando ao meio ambiente e essa elucidação correta só é possível a
partir do trabalho de profissionais qualificados na área específica.

6. CARACTERÍSTICAS ATUAIS DA PERÍCIA AMBIEN-


TAL
Figura 8: Perícia Ambiental.

23
Fonte: https://cursosabeline.com.br/curso/gratis/pericia-ambiental

Assim, resumem-se algumas características atuais da Perícia Ambiental


(ARAÚJO, 2008):

 Nova área de atuação profissional

 Relevante interesse social

 Prática multidisciplinar

 Especialização e qualificação profissional no âmbito das ciências ambi-


entais

 Necessidade de estudos e pesquisas que fundamentem desenvolver as-


pectos jurídicos, teóricos, técnicos e metodológicos

 Necessidade de futuras normatizações técnicas

 Estudos ambientais + Legislação ambiental + Instrumentos de defesa do


meio ambiente = Tema recente e aplicação/desenvolvimento incipientes
nos campos científicos.

Atualmente, o caminho mais comum para se chegar a necessidade de uma


perícia de cunho ambiental é através da Ação Civil Pública (ACP). Esta é prevista
e regulada pela Lei nº 7.347/85. A literatura especializada concebe a ACP como
processo de conhecimento, pois se desenvolve com a produção de provas sobre
o fato danoso levado a juízo e termina com uma sentença do Juiz, julgando pro-
cedente ou improcedente o pedido do autor. Segundo Araújo (2008), intitula-se
de Ação Civil Pública Ambiental aquela que aborda os bens tutelados constituí-
dos pelo meio ambiente, como também os bens e direitos de valores artístico,

24
estético, histórico, turístico e paisagístico. São partes legitimas para propor a
Ação Civil Pública, segundo a Lei nº 7.347/85:

Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:


I - o Ministério Público;
II - a Defensoria Pública;
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista;
V - a associação que, concomitantemente:
a) Esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil;
b) Inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, ao
consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico. (Lei nº 7.347/85)
Portanto, a perícia ambiental está diretamente relacionada a existência da
Lei Federal nº. 6.938, de 31/08/81 (Política Nacional de Meio Ambiente), consi-
derada a lei-mãe da legislação ambiental no Brasil, que dentre os vários avan-
ços, trouxe o princípio de que os responsáveis por danos ambientais sejam obri-
gados a tomarem providências, seja indenizando ou reparando. Para consolidar
tal princípio, criou-se a Ação Civil Pública, ou seja, a atividade pericial em uma
ACP é imprescindível para confirmar cientificamente a possibilidade ou ocorrên-
cia do dano, buscando esclarecer a sua real extensão ambiental, subsidiando o
magistrado no embasamento teórico do objeto da lide.

7. IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA AMBIENTAL NO CON-


TEXTO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Araújo justifica a importância da perícia ambiental no contexto da Ação


Civil Pública:
A prova pericial é de fundamental importância no contexto da Ação Civil
Pública, no sentido de se confirmar, cientificamente, a ocorrência do dano e a
apuração de sua real extensão ambiental, para que o juiz tenha convicção no
julgamento da procedência do pedido do autor e possa determinar, se for o caso,
a cessação da atividade ou conduta lesiva, a reconstituição do bem lesado, ou,

25
se impossível a reconstituição, a indenização em dinheiro equivalente ao preju-
ízo constatado, a ser revertida a um fundo para recuperação dos bens lesados.
(ARAÚJO, 2008, p. 116)
Conclui-se que a perícia ambiental é regida pelo Código de Processo Civil
(como demais modalidades de perícia), tendo a mesma prática forense, porém
atendendo aos preceitos de demandas específicas da legislação ambiental.

8. TIPOS DE PERÍCIA AMBIENTAL


Figura 9: Tipos de perícia ambiental.

Fonte: https://ibracam.com.br/blog/o-que-e-pericia-ambiental

Muito se fala hoje em perícia, parece que para tudo existe um perito, de
fato, a perícia está presente em todas as áreas do conhecimento, desde siste-
mas de informação, economia, na área criminal e claro, ambiental.

Há duas modalidades de perícia, a oficial, na qual atuam apenas servido-


res públicos, e a judicial, que pode ser realizada por qualquer profissional habili-
tado na área de interesse do processo. Ambas auxiliam o juiz durante um pro-
cesso judicial.

A perícia judicial ocorre quando o juiz responsável por um processo indica


um profissional especialista da área, que atua como perito apenas durante o
processo, este só é perito durante o tempo em que o processo estiver correndo.
Já a perícia oficial, e é desta que tanto ouvimos falar na tv e jornais, é realizada
por profissionais concursados e que ocupam cargos públicos, que tem a perícia
como carreira, por exemplo a polícia técnico-científica e outros nas esferas mu-
nicipais, estaduais e federais.

26
9. ETAPAS DA PERÍCIA AMBIENTAL

O primeiro passo é organizar uma lista de documentos que precisam ser


analisados e legislações aplicáveis ao caso. Exemplo: Documentos que devem
ser analisados no início da perícia – alvarás, licenças, autorizações, relatórios
de fiscalização, etc.

O Principais procedimentos técnicos de um perito ambiental são:

 Etapa 1 – Leitura completa e criteriosa dos autos do processo - Preparação para


vistoria: análise da quesitação. - Identificação dos Assistentes(Técnicos das par-
tes). - Solicitação de informações, documentos, projetos, etc. - Marcar data e
hora para a vistoria ao local da perícia.
 Etapa 2 – Levantamentos preliminares - Levantar legislação ambiental especí-
fica. - Levantar informações e parâmetros a serem cumpridos. - Preparação de
fichas de campo para auxiliar na vistoria ao local.
 Etapa 3 – Vistoria no local - Localização e descrição física do local. - Caracteri-
zação da área do entorno. - Descrição das atividades desenvolvidas apontando
constatações. - Verificação de horário em que as atividades são desenvolvidas
e número de funcionários. - Estimativa do número de pessoas direto e indireta-
mente atingidas pelo acontecimento. - Medições e coleta de amostras para aná-
lise (se necessário). - Registro fotográfico. - Confecção de croquis.
 Etapa 4 – Laudo Pericial - Relatório da vistoria. - Parecer conclusivo: resposta
aos quesitos (análise dos dados coletados no local, resultados das medições e
amostragens, correlação com a legislação específica, fundamentação técnica. -
Requerimento de juntada do Laudo aos autos do processo e solicitação dos ho-
norários periciais.

27
10. LAUDO PERICIAL

Figura 10: Laudo Pericial.

Fonte: http://www.cetecambiental.eco.br/laudo-de-pericia-ambiental/

Segundo Almeida et al. (2000), laudo é o resultado da perícia em conclusões


escritas e fundamentadas, onde serão apontados os fatos, circunstâncias, prin-
cípios e parecer sobre matéria submetida a exame do especialista, adotando-se
respostas objetivas aos quesitos.
Ainda de acordo com o mesmo autor, o laudo precisa atender alguns re-
quisitos, distinguidos entre extrínsecos e intrínsecos. Assim, os extrínsecos re-
metem-se ao atendimento do laudo na forma escrita e subscrita pelo autor ou
autores. Já os requisitos intrínsecos exigem que o instrumento seja completo,
claro, circunscrito ao objeto da perícia e fundamentado. Portanto, atendidos tais
requisitos, o perito deve atentar para compartimentação do mesmo. Ou seja,
para que o laudo seja tido como completo, necessita que estejam diferenciados
em três fases.
Inicialmente tem-se o histórico, caracterizando-se como a síntese das ale-
gações e posições de conflito entre as partes. Em uma segunda parte, deve-se
partir para uma exposição, que no entendimento de Almeida et al. (2000) visa
restaurar a coisa sujeita a exame, com todos os dados pertinentes, as operações
realizadas, fatos e circunstâncias ocorridos no curso das diligências. Por fim, a
última fase será aquela em se demonstrará às conclusões, dando um parecer a
partir das respostas às indagações.
Almeida et. al. faz uma consideração importante ainda na estruturação do
laudo pericial:

28
Deve ser evitada a reprodução quase literal das questões levantadas na
etapa inicial e na contestação, pois corre-se o risco de cair em dissertações pro-
lixas, com assuntos irrelevantes para a perícia.
O laudo deve ser inteligível, elaborado com clareza, abrangente e em es-
tilo simples. Não deve conter omissões ou apresentar obscuridade.
Refutam-se termos essencialmente técnicos, onde seu entendimento acarrete
novas abordagens, resultando, mais uma vez, na indesejável prolixidade. Deve-
mos lembrar que o laudo se destina, em última análise, à leitura de juízes e ad-
vogados, desconhecedores da matéria da perícia. (ALMEIDA et. al., 2000, p. 41)
O autor chama atenção para que seja feita uma elaboração bem feita não
só dos aspectos de conhecimento técnico e científico do perito, mas acima de
tudo, que estas informações possam ser passadas de modo mais claro possível,
a fim de que venham a contribuir para elucidação do caso e resulte em benefícios
sociais.
Para que os laudos periciais consigam alcançar tais anseios, deve o pro-
fissional buscar fundamentar da melhor maneira o caso, a partir do procedimento
empírico, pesquisas, informações colhidas, normas técnicas pertinentes, opera-
ções etc. Só dessa forma, o laudo terá credibilidade resultante das respostas e
não da subjetividade do perito. Como de suma importância no início da elabora-
ção do laudo, deve o profissional buscar o conteúdo dos próprios autos. E para
reforçar e consolidar o laudo:
O laudo deve ser instruído com documentos, plantas, croquis, fotografias,
pesquisas, orçamentos ou quaisquer outras peças elucidativas e/ou complemen-
tares. Entretanto, até porque lhe dará maior fundamentação ao laudo, o perito
deve instruí-lo com fotografias, plantas, pesquisas etc. A prática demonstra que
a melhor exposição é em forma de anexos, deixando o corpo do laudo apenas
para o texto específico. (ALMEIDA et. al., 2000, p. 42)
Por isso, o enriquecimento com informações comprovadas e bem estru-
turadas permite dá ao laudo maior credibilidade perante todos os participantes
do processo. Depois de atender aos mandamentos de elaboração, deve o perito
atentar para o prazo de entrega. Após a entrega o Juiz determina que as partes
pronunciem-se sobre o laudo. Podendo daí resultar em três situações: laudo sa-
tisfaz, laudo necessita de complementações ou esclarecimentos, o laudo não
satisfaz.

29
A importância em se atender a todos esses aspectos, além de outros ine-
rentes a perícia ambiental, é tornar os laudos os mais confiáveis possíveis, pos-
sibilitando garantir uma efetiva aplicação de punição, restrição e esclarecimentos
aos problemas ambientais diversos, como bem lembra Mauro (1997, p.47):
Destaca-se entre estes trabalhos, a elaboração de laudos periciais de
agressão ao meio ambiente, que podem funcionar como instrumentos de ação e
de complementação às demandas populares na defesa do meio ambiente e da
qualidade de vida. Estes apresentam-se como instrumentos com elevado poten-
cial educativo e de construção da cidadania, devendo ser apropriados individual
e coletivamente por todos os que lutam pelo estabelecimento de novas relações
sociedade/natureza” (MAURO, 1997, p.47)
Situações assim são reforçadas quando se remete ao fato do desrespeito
a legislação, podendo se constatar que as autoridades judiciais são mais sensí-
veis em agir contra as contravenções e crimes tradicionais do que aos da esfera
ambiental, ou seja, a ausência ou maior compreensão da funcionalidade da na-
tureza e seus reflexos negativos para a sociedade de um modo geral.
Por fim, cabe expor alguns dos vários exemplos de aplicação da perícia
ambiental. Mauro (1997) em sua obra “Laudos periciais em depredações ambi-
entais”, apresenta vários casos de laudos periciais na área de meio ambiente:

 Laudos Periciais e Pareceres Técnicos em Parcelamento do Solo e Cons-


trução de Habitações (Áreas de Preservação Permanente);

 Laudos Periciais em Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos e Lança-


mento de Efluentes (Disposição Final de resíduos sólidos; Contaminação
de mananciais por esgoto domiciliar);

 Laudos Periciais em Intervenções sobre Canais de Drenagem (Extração


de areia; Abertura de canais de drenagem em planícies de inundação);

 Laudos Periciais e Pareceres Técnicos em Áreas Litorâneas (Mangue-


zais; Terraplanagem em praia; Soterramento por dunas);

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 Laudos Periciais em Áreas de Mineração e Pedreiras (Impactos na região
de instalação das pedreiras);

 Laudos Periciais em Áreas de Barragens (Locação das barragens; Im-


pactos causados pela instalação);

 Laudos Periciais em Áreas de Exploração de Petróleo (Concepção de


projetos e alternativas; Impactos na área de influência da exploração).

11. ROTEIRO DE LAUDO PERICIAL

01 – Preâmbulo;
02 – Histórico (histórico do caso);
03 – Objetivos da Perícia;
04 – Dos documentos dos autos (documentos sobre o caso que foram analisa-
dos e anexados);
05 – Da data e hora da vistoria;
06 – Do auxílio à perícia;
07 – Do material utilizado;
08 – Do material apreendido constante dos autos – se houver;
09 – Da legislação em vigor (referenciar apenas);
10 – Da metodologia utilizada na perícia;
11 – Do local (Exame) Localização da área (mapa, coordenadas, situação legal
– pública, privada – destinação, utilização atual, etc);
12 – Da constatação (Diagnóstico do caso);
13 – De outros elementos – informações adicionais, depoimentos, etc);
14 – Das medidas mitigadoras – ações para minimizar os impactos no local;
15 – Da conclusão;
16 – Do encerramento. Anexos (plantas, desenhos, fotografias, e outras quais-
quer peças).

31
12. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Perícia Ambiental tornou-se, um instrumento de elucidação técnica de


âmbito dos conflitos ambientais locais, estaduais, nacionais e mundiais que são
levados a juízo. Desempenhando, um papel de extrema importância perante a
Justiça nas demandas ambientais.
Com isso apresenta um crescimento anual como resultado da conscienti-
zação da sociedade quanto à adoção de punições mais rígidas a aqueles que
agridem o meio ambiente.
A perícia ambiental é uma importante especialidade na área de perícia,
porém muito nova no Brasil, contudo há se destacar uma evolução considerável
nos últimos anos, com melhor aprimoramento da legislação ambiental, visando
assim à proteção de diversas divisões nas quais compõem o bem jurídico “meio
ambiente”.
O perito ambiental é um profissional legalizado e especializado que tem a
função de examinar, investigar e esclarecer o fato, apurando quais foram os ele-
mentos que causaram o dano.
Ele vai ao local onde ocorreu o crime ambiental e coleta tudo que for ne-
cessário. Também é importante ressaltar que para cada processo que necessitar
de esclarecimento técnico-científico haverá um perito.

32
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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