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Mecanismos de fratura dos

materiais
Nós vimos na última aula que a fratura é a separação de um material em duas ou mais
partes devido à ação de uma tensão.

Para a maioria dos materiais, existe dois tipos de fratura: dúctil ou frágil.
O que é a fratura?

Um material que experimenta uma deformação plástica muito pequena ou mesmo


nenhuma deformação plástica antes de sofrer a ruptura é chamado de frágil.
Fratura frágil

Um material que apresenta uma grande deformação plástica antes da ruptura é


chamado de dúctil.
Fratura dúctil
Mecanismos de fratura dos
materiais metálicos
Fratura dúctil

Em monocristais (sem heterogeneidades), a fratura ocorre quando um plano


cristalográfico escorrega em relação a um outro (criação de uma banda de
cisalhamento, BC). Esse processo continua até a ruptura e é chamado colapso
plástico.
Fratura dúctil

Em monocristais (sem heterogeneidades), a fratura ocorre quando um plano


cristalográfico escorrega em relação a um outro (criação de uma banda de
cisalhamento, BC). Esse processo continua até a ruptura e é chamado colapso
plástico.

O colapso plástico faz com que chegamos (após diferentes ativações de sistema de
escorregamento) a uma estrição que vira um único ponto.
Se o monocristal tiver uma configuração (orientação) desfavorável a fratura vai ser por
clivagem.
Fratura dúctil
Quando existe heterogeneidades no material, o processo é diferente. Nesse caso, a
fratura é caracterizada pela propagação lenta de trincas resultantes da nucleação e
crescimento de microcavidades.
Fratura dúctil
Quando existe heterogeneidades no material, o processo é diferente. Nesse caso, a
fratura é caracterizada pela propagação lenta de trincas resultantes da nucleação e
crescimento de microcavidades.

(a)  Inclusões na matriz

(b)  Nucleação de vazios

(c)  Crescimento de vazios

(d)  Localização de deformação entre


os vazios

(e)  Empescoçamento entre vazios

(f)  Coalescência de vazios e fratura


Fratura dúctil

1.  Ao aplicar uma carga de tração em um corpo-de-prova vai aparecer uma estrição
inicial;
Fratura dúctil

1.  Ao aplicar uma carga de tração em um corpo-de-prova vai aparecer uma estrição
inicial;
2.  Pequenas cavidades vão se formar na seção tranversal da estrição;
Fratura dúctil

1.  Ao aplicar uma carga de tração em um corpo-de-prova vai aparecer uma estrição
inicial;
2.  Pequenas cavidades vão se formar na seção tranversal da estrição;
3.  Com o aumento da deformação as cavidades vão se espalhar até formar uma trinca
elíptica;
Fratura dúctil

1.  Ao aplicar uma carga de tração em um corpo-de-prova vai aparecer uma estrição
inicial;
2.  Pequenas cavidades vão se formar na seção tranversal da estrição;
3.  Com o aumento da deformação as cavidades vão se espalhar até formar uma trinca
elíptica;
4.  A fusão das cavidades favorece a propagação da trinca na direção perpendicular à
solicitação;
Fratura dúctil

1.  Ao aplicar uma carga de tração em um corpo-de-prova vai aparecer uma estrição
inicial;
2.  Pequenas cavidades vão se formar na seção tranversal da estrição;
3.  Com o aumento da deformação as cavidades vão se espalhar até formar uma trinca
elíptica;
4.  A fusão das cavidades favorece a propagação da trinca na direção perpendicular à
solicitação;
5.  A trinca se propaga até a superfície do material. O esforço responsável pela fratura é
uma deformação por cisalhamento segundo um ângulo de 45° em relação ao eixo
de solicitação.
Fratura dúctil

•  Zona fibrosa – corresponde ao início da fratura.


•  Zona radial – corresponde à região de propagação instável da fratura, com aparência
rugosa.
•  Zona de cisalhamento – inclinada 45° em relação ao eixo de tração.
Fratura dúctil

Fratura taça e cone


Uma parte do corpo-de-prova tem a forma
de uma taça e a outra um cone

Fractografia
=
Estudo da microestrutura de uma fratura utilizando microscópios
ópticos ou eletrônicos
Fratura dúctil

Fractografia
=
Estudo da microestrutura de uma fratura utilizando microscópios
ópticos ou eletrônicos

O microscópio eletrônico de varredura revela a presença de alvéolos (“dimples”), que


são os remanescentes das cavidades nucleadas.
Fratura dúctil

Fractografia
=
Estudo da microestrutura de uma fratura utilizando microscópios
ópticos ou eletrônicos
A superfície de ruptura mostra a zona de cisalhamento com microcavidades de formato
parabólico, que são características de uma fratura dúctil sob solicitação por
cisalhamento.
Fratura frágil

Esse tipo de fratura é caracterizada pela propagação rápida de trincas. Tem pouca ou
nenhuma deformação plástica e a fratura ocorre em determinados planos
cristalográficos chamados planos de clivagem ou ao longo dos contornos de grão
(intergranular).

Fratura por clivagem

A clivagem é um processo de ruptura sucessiva das


ligações atômicas ao longo de um plano
cristalográfico. Ela é também chamada de ruptura
transgranular (através do grão).
Fratura frágil

Esse tipo de fratura é caracterizada pela propagação rápida de trincas. Tem pouca ou
nenhuma deformação plástica e a fratura ocorre em determinados planos
cristalográficos chamados planos de clivagem ou ao longo dos contornos de grão
(intergranular).

Fratura por clivagem

A clivagem é um processo de ruptura sucessiva das


ligações atômicas ao longo de um plano
cristalográfico. Ela é também chamada de ruptura
transgranular (através do grão).

Na escala microscópica, para identificar uma fratura


por clivagem, na superfície de ruptura deve ter a
presença de marcas de rio (linhas na imagem).

Como as marcas de rio aparecem?


Fratura frágil

As marcas de rio aparecem devido à interação do plano de clivagem (plano


cristalográfico) com uma discordância (defeito linear da rede) em hélice que atravessa o
plano, isso gera um degrau na superfície de fratura.
As marcas de ria são os degraus.
Fratura frágil

As marcas de rio aparecem devido à interação do plano de clivagem (plano


cristalográfico) com uma discordância (defeito linear da rede) em hélice que atravessa o
plano, isso gera um degrau na superfície de fratura.
As marcas de ria são os degraus.

No material, as discordâncias podem se organizar em estruturas de baixa energia,


chamadas contornos de sub-grão.
Contornos de sub-grão compostos predominantemente de discordâncias em hélice são
chamados contornos de rotação.
Esses contornos de sub-grão possuem várias discordâncias em hélice e eles produzem
vários degraus na superfície de fratura que convergem para formar degraus maiores.
Fratura frágil
Na escala macroscópica a superfície de fratura mostra uma textura facetada ou
granulada devido às mudanças de orientação dos planos de clivagem.

Início da trinca

« Marcas de sargento »
em forma de V.
Fratura frágil
Fratura intergranular
Sob circunstâncias especiais (quando o contorno de grau é menos resistente que a
matriz), a fissura pode se propagar ao longo do contorno de grão.

Intergranular

Não há nenhum mecanismo único para explicar a fratura intergranular.


No entanto, existem várias situações que podem conduzir à fratura intergranular:
•  Precipitação de uma fase frágil no contorno de grão
•  Corrosão intergranular
Mecanismos de fratura dos
materiais não metálicos
Mecanismo de fratura dos polímeros

Revisão sobre os polímeros

Polímeros são macromoléculas constituídas de unidades repetitivas, ligadas através de


ligações covalentes.
Mecanismo de fratura dos polímeros

Revisão sobre os polímeros

Polímeros são macromoléculas constituídas de unidades repetitivas, ligadas através de


ligações covalentes.

Linear

Ramificada

Reticulada
(Ligação cruzada)
Mecanismo de fratura dos polímeros

Revisão sobre os polímeros

Polímeros são macromoléculas constituídas de unidades repetitivas, ligadas através de


ligações covalentes.

Polímero com estrutura amorfa Polímero com estrutura cristalina

Polímeros semicristalinos contém as duas fases. As proporções das duas fases vão
depender da vários fatores como a estrutura molecular e a taxa de resfriamento.
Mecanismo de fratura dos polímeros

A ruptura dos polímeros amorfos ocorre após aparecimento de bandas de cisalhamento


ou “crazing” (microfibrilamento).

Microfibrilamento

Como as microfibrilas se formam?


Ao aplicar a carga, um vazio microscópico vai
ser gerado devido a presença de
heterogeneidades.

As regiões de pontos fracos vão se separar mas


as regiões de pontos fortes vão segurar a carga.

Se a carga for suficiente, o vazio vai crescer e


formar uma cavidade, o “craze”, e as outras
moléculas (pontos fortes) se alinham na direção
da solicitação.

A ruptura das microfibrilas faz com que a ponta


do craze avança o que consequentemente leva
à formação de trincas cujo propagação leva à
fratura do polímero.
Mecanismo de fratura dos polímeros

A ruptura dos polímeros amorfos ocorre após aparecimento de bandas de cisalhamento


ou “crazing” (microfibrilamento).

Banda de cisalhamento

Consiste na distorção do material sem alteração significativa no volume. O mecanismo


é pouco conhecido.
Para resumir esse mecanismo simplesmente: as macromoléculas deslizam entre si até
a ruptura.
Mecanismo de fratura dos materiais cerâmicos

Os materiais cerâmicos sempre fraturam antes de qualquer deformação plástica, ou


seja, a fratura é frágil.

A fratura dos materiais cerâmicos cristalinos pode ser tanto transgranular como
intergranular.

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