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O CHORO

Por ALEXANDRE GONÇALVES PINTO - -1936 --

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O Chôro
REMINISCENCIAS DOS CHORÕES ANTIGOS
POR

Alexandre Gonçalves Pinto

Contendo: O perfil de todos os chorões da velha guarda, e grande parte dos chorões d’agora, factos e costumes dos antigos pagodes, este livro faz reviver grandes artistas musicistas que estavam no esquecimento.

RIO DE JANEIRO 1936 RREÇO 4$000 Tiragem 1ª edição 10.000 Exemplares

–3– Carta do maior cantor e poeta de todos os tempos Catullo Cearense, ao autor deste livro. ALEXANDRE
O prefacio que me pediste para o teu livro, fica para outra vez. Não te posso ser util nas correcções dos erros, porque só uma revisão geral poderia melhoral-o, o que é impossivel, depois de o teres quase prompto. O leitor, porém, se deliciará com a sua leitura, fechando os olhos aos desmantelos grammaticaes, revivendo comtigo a historias desses chorões, que te ficarão devendo eternamente o serviço que lhes prestas, arrancando-os do esquecimento. Só mesmo tu, com o teu grande coração, serias capaz de uma obra tão saudosa para os que, como eu, viveram naqueles tempos de immarcesciveis recordações. Se, como penso, este livro tiver o acolhimento que merece, para fazeres uma segunda edição, prometto-te corrigil-o com muito carinho, auxiliando-te no que puder, para que a lista completa dos antigos e afamados chorões, resuscitados por ti com boas gargalhadas e lagrimas sentidas, pois é uma ineffavel satisfação percorrer todas as “sepulturas” deste cemitério de vivos na nossa memória. Pedes-me uma poesia para a abertura ? Envio-te esta, "O Passado", que vem a calhar. E, para terminar, recebe o abraço do amigo velho, que não se cansará de felicitar-te pela lembrança feliz deste formoso, carinhoso e saudoso breviario dos dias da nossa festiva, alegre e rumorosa mocidade. CATULLO CEARENSE. Rio, 28/10/935.

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O PASSADO
(De CATULLO CEARENSE)
Quantas vezes eu não digo ao meu Passado, esse amigo que me alenta no soffrer : - "Acorda, tem paciencia ! Anda conversar commigo, e perdôa a impertinencia de tanto te aborrecer!" E o pobre velho, coitado, Mal dormido e já cansado de tanto e tanto o chamar, levanta-se, bocejando, e vem a mim, caminhando passo a passo, a me fitar ! Ao meu convite assentindo, penteando os cabellos brancos e as barbas brancas... sorrindo; jovialmente se vestindo com as suas vestes de côres; deitando o barco no rio, cujas margens reverdecem com seus antigos verdores; accendendo as luminarias, as multifarias lanternas de luzes multicolores; offerecendo-me a taça de seus magicos licôres, licôres que fez das lagrimas de nossos velhos amôres; e, por fim, saudando a lua, que em seus mágicos fulgores já tantas vezes saudou,

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- o meu Passado, embarcando, soltando a vela e remando para a nascente do rio, que já tão longe ficou, - cantando, e, ás vezes, chorando, na viagem me vae mostrando, no proprio espelho das aguas, os meus prazeres e maguas, tudo quanto já passou ! Mas basta um leve arrepio no liso espelho do rio, quebrando, instantaneamente, todo o encanto da visão, para eu vêr, desilludido, que tudo é um sonho perdido, um sonho só, reflectido, não no espelho da corrente, mas no crystal transparente da minha imaginação !! Pois só assim é que eu vejo que o barqueiro, o velho amigo, que vae cantando commigo, revivendo o tempo antigo, que o Tempo já devorou, é um homem transfigurado, é um morto resuscitado, é o cadaver do Passado, que inda depois de morrer, ao menos, pela memoria, concede-me a excelsa gloria, - a gloria de reviver!

CATULLO CEARENSE.

. Conhecedor de toda gyria da cidade E' o prototypo extremo da bondade: Eis aqui traçado o perfil do "ANIMAL". P'ra comer e beber é grande General.. com o proprio coração. já bem grisalho e urucungado. e por todos estimado.–6– PERFIL DO ANIMAL Alto. contente. e cuéra Violão: Ser politico sempre foi seu maior predicado E por varias vezes já tem sido pistolão. E' sincero e leal.. Anda sempre sem dinheiro mas. MAX-MAR . Physionomia alegre. Bom chefe de familia.. funccionario honrado Tocador de Cavaquinho. e sempre brincalhão. Governa a sua vida. Tendo o dom da palavra é intelligente.

autor destas reminiscencias do Chôro Antigo .–7– [IMAGEM: FOTOGRAFIA DO AUTOR] ALEXANDRE GONÇALVES PINTO.

Chorões de cavaquinhos e violões ! Tereis neste livro as vossas rosas E do antigo tempo: as tradições. Descreverei com amor os bons artistas E tudo o mais que nos traz recordações. Rebrilharam nos antigos ambientes. Vou tentar reviver celebridades. Que a germinar. Em cada chorão. findou-se um baluarte. Que deixou em nosso peito uma saudade. Pistonistas soberbos. Nas paginas deste livro hão de ter Toda a altivez da grande inspiração. Grandes astros fulgentes se sumiram.–8– PERFIL DOS CHORÕES Conjuncto de flautas maviosas. Musica. MAX-MAR . costumes. Clarinetistas Ides todos ter aqui vossas acções. Fazer dos bons artistas allusões. emfim todo o prazer Que floresceu na passada geração. corróe por toda a parte Desde o momento que subiram a eternidade. Distinguindo em cada um a qualidade E demonstrando o perfil dos bons chorões. E as alegrias comnosco repartiram Evocando melodias refulgentes.

é tão simplesmente em linguagem dispretenciosa. as sciencias e o credo politico. o autor só teve por fito recordar. Estas linhas não tem a pretenção de mostrar erudição nem é commercial nem expositiva. são comparados os costumes na vida dos pobres de accôrdo com a evolução. São chronicas do que se respirava no Rio de Janeiro neste periodo desde o . dos pédrestes até hoje. expontaneo. assim como da pessôa que escreveu que communga no mesmo credo. Factos occoridos de 1870 para cá. Moquécas Bahianas e os Trinta Botões do theatro antigo até a Cidade Maravilhosa de hoje. quer seja para o bem ou para o mal. com as policias mais adeantadas actualmente. que é um novo sentir e tornar a viver conforme a phrase do poeta. emfim cada um escreve o que póde ou o que sabe. trazendo ao scenario do ambiente actual a comparação do que foi e do que é actualmente. a Maria Cachucha.–9– O C H Ô RO PREFACIO tempo do João Minhoca. não tendo ao menos a intenção de instruir. tivemos por tradição os Ao dar publicidade a um livro encontramo-nos sempre na duvida de um facto auspicioso para os leitores. escrevendo de bôa fé. ao alcance de todas as intelligencias. da Lanterna Magica do Chafariz do Lagarto. se sentindo num ambiente agradavel. assim como são comparadas as religiões. dos Guardas Urbanos.

entôo um hymno em louvor e reminiscencia dos chorões da velha guarda. destruida por um terremoto. E as pessôas que sobreviveram áquelle cataclysma ainda tinham a impressão nos ouvidos das notas plangentes dos sinos daquella cidade. embora com os explendores da actualidade. naquilo que é nosso e que aqui guardamos com a maior veneração dentro de nossos corações. São João. a communhão de idéas e a uniformidade de vida ! As noites estrelladas e frias de Santo Antonio. aquellas festas simples onde imperavam a sinceridade. Contam numa lenda que em uma região onde haviam innumeras Igrejas. uma igreja foi soterrada. . a alegria expontanea. não tem a graça natural da simplicidade daquellas reuniões onde os chorões da velha guarda expandiam-se em inspirações musicaes. E assim agradecendo a aceitação dos apreciadores de musica. os bailes das casas de familias.– 10 – costumes bahianos que foram trazidos da Africa pelos nossos queridos antepassados e firmaram os costumes no Brasil. São Pedro e Sant'Anna. Assim agora as pessôas daquelles tempos no Rio de Janeiro recordam-se e sente n'alma a vibração das musicas daquella época: os chorões do luar. onde os sinos plangentes annunciavam as grandes matinas e as festas religiosas com rituaes ou profanas. a hospitalidade. dando e trecalando o perfume da recordação dos apaixonados daquelles tempos e que faço reviver nos corações dos leitores deste livro.

Callado. apesar de os chôros de hoje não serem como os de antigamente. quando em bailes. Naquelles tempos existiam excellentes musicos. o que constituia o verdadeiro chôro dos antigos chorões. entrando muitas vezes o sempre lembrado ophicleide e trombone. na sua flauta. . pois os verdadeiros choros eram constituidos de flauta. violões e cavaquinhos. Hoje ainda este nome não perdeu de todo o seu prestigio. tornou-se um Deus para todos que tinham felicidade de ouvil-o. que ainda hoje são citados como os cometas que passam de cem em cem annos ! CALLADO Callado foi um flauta de primeira grandeza. serenatas (que eram feitas em plena rua pois naquelle tempo eram permittidas não havendo intervenção da policia). pois as suas composições musicaes nuncam perdem o seu valor.OS CHÔROS Quem não conhece este nome ? Só mesmo quem nunca deu naqueles tempos uma festa em casa. e ainda hoje é lembrado e chorado pelos musicos desta época.

quando eram manejados pelos batutas da velha guarda. sendo muito abraçado e cumprimentado por aquelles que souberam do facto. que gerações ainda iguaes. pois apesar da chave ter sahido fóra do logar. e Callado fazer um grande fiasco. que ao passarem n'aquelle mosoléu curvam-se respeitosamente em homenagem áquellas duas entidades. ophicleide. Callado e Viriato foram tão amigos em vida como na morte. cavaquinho. mas o seu intento não deu o resultado esperado. estando neste meio o velho Imperador que condecorou com . bombardão. Viriato.– 12 – Os acompanhamentos eram violão. Luizinho. a força de beiço tocou toda a partitura sem perturbar-se. como sejam: Silveira. mas o grande musico deixando a sua flauta deitada na estante um official do mesmo officio. Callado. que Callado foi chamado para um concerto num dos theatros desta cidade ao qual compareceu com a sua flauta maravilhosa. as actuaes não deram Contavam alguns daquelles tempos que tambem já dormem o somno dos justos. e assim comprehendendo os musicos daquella época organizaram um festival e com o produ[012] cto do mesmo mandaram construir um mosoléu do lado direito do Cemiterio de São Francisco Xavier. dando assim uma recordação perpetua aos chorões de agora. desaparafusou uma das chaves de seu instrumento sem que elle percebesse afim de quando fossse tocar a mesma pular. etc. instrumentos estes que naquella época faziam pulsar os corações dos chorões. onde se acham os dois juntinhos dormindo o sonho da eternidade.

compadre e . Marreco e Jorge. Mello Moraes Filho. que faziam suas serenatas em São Christovão quasi sempre na Quinta Imperial. passava a mão em qualquer papel quando não trazia o proprio. quantas vezes achava-se tocando em um baile de casamento. anniversario ou outra qualquer reunião e se nesta occasião qualquer dama ou cavalheiro pedisse para escrever um chôro em homenagem ao festejado. dahi a momento entre gava a um chorão presente que executandoa tornava-se um delirio para todos os convivas pela clareza e pela linda inspiração da mesma.– 13 – o titulo de Commendador. baptizado. O escriptor deste livro chorão neste tempo de violão e cavaquinho. não dizia que não. que todos os annos organizava a tradicional festa do Bumba meu Boi. riscava a lapis e zaz ! punha-se a escrever. Callado foi o rei da musica daquelle tempo. [013] Estes afamados flautas eram tambem frequentadores da casa do sempre chorado Dr. Callado não era só músico para tocar de primeira vista. em casa de Maria Prata. que dava pagodes quasi todas as semanas alegrando os seus habitantes com os chôros moles deste tempo. Callado. lembras-se que quasi numa das ultimas festas do BUMBA MEU BOI Bumba meu Boi. com as visitas em casa de seus amigos e com especialidade em casa do grande brasileiro que foi o Visconde de Ouro Preto. como tambem para compôr qualquer chôro de improviso. onde se achava Tambem foram grandes o grandioso e celebre violão flautas nesta época os irmãos Candinho Ramos.

pulando. finalizando a jornada na bella vivenda do saudoso Visconde de Ouro Preto. na rua 8 de Dezembro em Mangueira. ficando combinado logo a estréa para o dia seguinte. o Dr. mas o caso interessante é que se meu antecessor foi pessimo boi eu ainda fui peior ! pois ia pelas ruas afóra convencido mesmo que era um boi de verdade bravo.– 14 – dedicado amigo de Mello Moraes. radiante com a minha affirmativa. respondendo eu: não tenho receio pois sempre fui cuidadoso em tudo que assumo responsabilidade ! Candinho. Entrei todo satisfeito no celeberrimo boi andando pelas ruas de São Christovão em visita aos amigos do Dr. de forma que quando cheguei em casa do inesquecivel Visconde de Ouro Preto. na hora regimental lá estava eu firme para assumir o compromisso. dando marradas a torto e a direito em todas as pessôas que passavam e nas que faziam parte da comitiva. o qual perguntou-me se eu queria sahir no boi. apresentou-me ao Dr. quando reparou o estado do bicho. que gostosamente aceitei. elle então me fez vêr que o meu antecessor já tinha escangalhado um boi. Mello Moraes. precisando um homem de confiança para sahir no boi. o boi estava em petição de miseria com o carão todo esfacelado com um chifre só e os pannos dos lados tinham ficado pelas ruas ! Candinho. Mello consultou a Candinho muito meu amigo e até compadre. na maior calma deste mundo: pois não foi para dar marradas que eu sahi no boi ? respondendo Candinho: eu . e que o mesmo carecia de cuidados pois custava muito dinheiro. botou as mãos na cabeça me dizendo: compadre você me collocou mal com o compadre Mello Moraes ! respondendo eu. como o homem escolhido para sahir no boi. Mello Moraes.

onde se faziam reuniões e respondendo eu com a maior muitas vezes tratava-se de ingenuidade: Este boi me tem interesses postaes.– 15 – quando te indiquei para sahires em que situação eu me achava no boi. com o carão do me para a "9. e não me vendo em uma das mesas e Candinho veio parra janella me espiar ! mandou vir dois cafés. retirou-se para junto de pelo modo com que você seus convidados.ª secção".ª secção dos Preto. queixo em uma das janellas da Depois de ter assignado o ponto.existe nos fundos do correio me o que era aquillo. Façam os leitores uma idéia correspondeu á minha confiança . de cara amarrada cumprimentando-me componentes da festa. Mello Moraes. muito obrigado de riso. e foi logo Então o Visconde dando um ar se desabafando: . que era bicho na janella e olhando para a um botequim que ainda hoje sala bem iluminada perguntou. Sentamo-nos muita amizade. Mello Moraes ! De volta chegando á casa do [014] Dr. sala onde se achavam os chegou o Candinho. muito sua parte. julguei mais cuidado de perante o Candinho e o Dr. pois eramos carteiros.Compadre. pendurei o animal pelo correios. então antes de Candinho entrar na linda vivenda de Ouro trabalhava na 2. Reparando o Visconde de muito secco e depois chamouOuro Preto. que depressa ! eu. então desculpei-me da sorrateiramente arriei o animal seguinte forma: Nesta noite sem que ninguém percebesse e cahia uma chuvinha miu'da e chispei para casa afim de tinha sido a causadora do boi ter organizar desculpas para dar no ficado naquelle estado mais dia seguinte ao compadre Ramos.

porque se forem todos como o compadre. Mello Moraes não guardava rancor. dando cabeçadas. eu . ficando assim privado de tomar parte de suas festas. está na lembrança das antigas familias e dos grandes chorões da velha guarda. pois como sabes. Mello Moraes. Estas festas faziam o encanto do bairro de São Christovão.. era preciso um para cada sahida !. ficou bastante aborrecido não só commigo como tambem com você. pois era o unico que conservava as tradições de todas estas festas antigas.. e as saudades invadem meu coração por estas tradições que os annos não [015] tou as minhas desculpas trazem mais. nunca mais compadre. pois aquelle acontecimento era effeito da mocidade. Lembrando-me destes bons tempos as lagrimas me vem aos olhos. eu por ter apresentado como pessôa de minha amizade e a você por ter espatifado o animal ! Foi preciso mandar fazer um boi novo para continuarmos os festejos do Bumba meu Boi ! Esta vae me servir de emenda. tornando-se serio commigo que Vamos relembrar ainda de felizmente durou pouco. apesar de saber que o Dr. couces etc. que julgava ser um boi de carne e osso em vez de se mandar fazer um boi. e ainda hoje.– 16 – ! O compadre Mello Moraes.. Mello Moraes. Eu muito maneirosamente respondilhe que o boi era feito para se escangalhar. indicarei ninguem para sahir no boi. o bicho tinha que virar frangalho ! Candinho não acceifiquei muito envergonhado ausentando-me da casa do Dr. As festas do Bumba meu Boi desappareceram com a morte do grande escriptor e inesquecivel poeta Dr.

– 17 – mais alguns flautistas que tiveram sua grande época. apesar de não ser um grande flautista. outros já se forma para o além deixando melodiosas producções musicaes. procurava o dono da casa e pedia para ir ao quintal afim de passar pela cozinha e ver a fartura ou a miseria em que se achava o dono da festa. nome que se dava nos "pagodes". mas perguntava logo se tinha "pirão". quando tinha bôa mesa e bebidas com fartura. SALVADOR MARINS [016] Era carteiro de primeira classe. endireitava os oculos cujos vidros tinha uma grossura enorme. Quando ia tocar num baile. vendo fartura vinha para a sala todo satisfeito. o que fazem recordar em todos os bons choros pelas pessôas que tiveram a felicidade de privarem com os mesmos. E depois arranjava um motivo. alguns ainda vivem. Na proporção que vou lembrando é muito difficultoso citar todos. Não viemos aqui para passar "gin- . pois estou atacado de terrivel dôr de vendo tudo triste sem aquelle alento dos grandes "pagodes" chamava um collega e dizia: Está me parecendo que aqui o gato está dormindo no fogão. infelizmente tambem já dorme o somno dos justos. não se negando a convites. pois era myope de verdade e respondia logo: sinto muito não poder tocar. vamos sahindo de barriga. Dahi a pouco vinha o dono da casa ou pessôa da familia pedir que tocasse um pouco. Salvador. ja" (que quer dizer fome). pois o numero é grande e já pela minha idade ser difficil possuir a mesma memoria de 40 annos passados. em caso contrario dizia: O gato está no fogão rapaziada. tocava seu pedaço com correcção.

fazia um encanto nos salões quando tocava o seu instrumento. e era sempre encontrado no bairro de Villa Isabel em companhia quasi CARLOS FURTADO sempre do grande musico a Era um hábil chorão. cujas composições acham-se no caderno de muitos flautistas da actualidade. Luizinho e do trombonista Candinho Silva. Silveira. tocava quem peço licença para trazer . então as pessôas da casa penalizadas. recusava declarando que soffria do coração e que a reacção do medicamento podia lhe ser fatal e arribava do pagode carregando todos os acompanhadores. Carlos Furtado. Candinho toca trombone como poucos. deixando muitas saudades aos seus companheiros de repartição e amigos e admiradores que possuia aos punhados em Botafogo onde sempre morou e morreu. era deveras engraçado. Marins. mas elle. Em meu poder tenho grande quantidade das mesmas que guardo com todo carinho como uma joia de alto valor. é um verdadeiro maestro no instrumento.– 18 – cabeça. suas composições são de uma belleza de arte e de gosto. nenhum dos antigos musicos escreveu tanta quantidade de chôros como Candinho Silva tem escripto. é admiravel em suas composições pois não só escreve com difficuldades para os tocadores batutas. Assim findou-se o heroe do chôro. flauta com certa perfeição. era esta a evasiva para cahir fóra do baile que não tinha "pirão". provocava tambem aos companheiros grande ataque de riso pois o Marins. despedindo-se da familia iamos para fóra fazendo commentarios do sucedido. como também para os fraquinhos. offereciam um comprimido qualquer para estancar o mal. em grandes gargalhadas e verve. era especialista nas musicas de Callado.

se não me falha a memoria. Francisco Magalhães. já fallecido. quasi não podendo falar. antigo Mata Porcos. da entrada do Estacio. O autor destas linhas acompanhou a vida de Furtado. Naquelle tempo morava em uma pequena avenida na entrada da rua de São Christovão. então por gracejo lhe disse: Viemos te buscar pois temos um pagode puxado a "Qui-Qui" (porco). onde com Santa Cecilia ia tocar os hymnos santos do céo ! Morreu de uma tuberculose deixando um vacuo triste e difficultoso de ser preecnhido. até os seus ultimos dias. já tambem fallecidos. Indo certa vez em sua residencia em companhia de Ernesto Magalhães e Billot. onde . dando com isso grande prazer ao seu mestre. Furtado. MANOEL TEIXEIRA (Cupido) Foi um chorão de facto. nada respondeu. este riso era já advinhando a sua partida para o além. do lado direito. chamado. tornando-se um trombonista respeitado. brincamos juntos e soltar papagaios lá pelas bandas da chacara do Céo. dedicou-se ao trombone tendo como mestre Candinho Sil[017] va. A sua flauta em seus labios parecia até o canto de um sabiá. Vito. encontrou elle muito abatido.– 19 – seu nome. Conheci-o de menino como tambem eu o era. em reuniões e até muitas serenatas fizemos. o illustrado e humanitario medico Dr. e a todos deliciava. elle com um pequeno riso nos labios. tocava nos bailes. Cupido era filho de um velho tocador de violão já fallecido. abandonando a flauta. e de seu sempre chorado irmão e também grande violão Ernesto Magalhães. no cimo do Morro de São Carlos.

foi um chorão que deixou Apesar de não o ter conhecido pessoalmente pude pegar algusaudades. nos bailes onde tocava. sempre arremediava. morava no poraneos. esta casa era a de assombro. sabendo que elle privou com os GEDEÃO grandes flautas da antiguidade.– 20 – [018] tambem comiamos os cajás azedos que existiam naquelle tempo em abundancia. flautista dos bons. no vinho ou em . onde o autor deste flauta de cinco chaves já muito livro ia alli beber naquella fonte velha. que tambem já se LEOPOLDO PE' DE MEZA foram e de seus contemTocava pouco. musica composições de diversos flautistas. Cupido que sentia em seu instrumento. Morava numa pequena casa na rua Machado Coelho Morro do Pinto. não era musico perto do Estacio. Gostava carteiro. comia como gente ARTHUR FLUMINENSE De saudosa memoria foi grande. mas servia para reunião dos chorões. Dizia de uma abrideira antes de entrar nos pirões. e bebia melhor. mas pequenas informações.sua morte causou grande claro bem executor eximio do chôro. e depois se atolava o na cerveja. sendo por "encher tripa" na falta dos tanto uma grande escola de grandes chorões. presa com elasticos sua aprendizagem de Violão e tocava só musicas faceis. lá uma ou outra mais difficil. entre seus amigos daquella possuia em seu caderno de época. pois com a sua musicistas. emfim Cavaquinho. Sublime artista musical tam.

que tantas glorias. bellezas e applausos tem feito na nossa capital e tambem retumbante successo no estrangeiro. conheci-o ainda solteiro quando frequentavamos bons e maus bailes na Tijuca. alguns pagodes que estavam acostumados a receber os musicos a café e cachaça. luminosa estrella theatral no nosso amado Brasil. que significava não haver uma bella ceia regada com o CARLOS ESPINDOLA competente vinho. Não quero dizer com isso que todos os musicos fossem assim. Se pela madrugada vinha um chocolate com biscoitos não regeitava a parada e tomava mais de uma chicara. pae da grande artista Aracy Córtes. pelo muito que comeu e bebeu neste planeta. Mattoso. Itapagipe e muitos outros lugares desta capital.– 21 – qualquer outras bebidas que viesse. Julgo que elle já deu contas a Deus. e quando numa meza via um Qui-Qui (porco) com a competente batata na bocca e azeitona nos olhos. Fui amigo intimo de seu pae. festas estas que Espindola. ia me dizendo vamos dar o fóra pois não estou acos[019] tumado a passar a "Pirão de Areia secca" e "Pirão de Bagre". Villa Isabel. não tinha mais vontade de levantar-se. já não posso mais. grande perfeição. Andarahy. e quando isso fazia ia dizendo: hoje comi para um mez. então Foi um grande amigo e respondia eu vamos sahir de chorão. executor de flauta com barriga pois ella esta dando . mas gostavam de comer bem e se assim não fosse tratavam de dar o fóra deixando os convidados a vêr navios. era dos taes que cada vez que chimpava um "gole"da bôa estalava a lingua. como elle. estou empanturrado.

Falleceu á rua Barão de Ubá. pois. caminhavamos pela rua afóra rindo e commentando o baile. João Salgado que era um professor de grande merito e paciencia para ensinar a mais rude cabeça foi aos poucos ensinando a Espindola. impondo-se á admiração de todos que o conheciam e tambem deste que estas linhas escreve. sahiamos dalli mais ou menos forrados. Palestramos um pouco. comia bem e antes de tocar flauta já era grande frequentador de pagodes. Dahi parte o conhecimento delle com o inesquecivel professor João Salgado. quando carteiro que fazia entrega na rua do Lavradio encontrei-a. finalizando a nossa conversa sobre a vida do seu saudoso esposo. pois em poucos tempos tornou-se um flautista respeitado nas rodas dos tocadores. também de saudosa memoria. pão e vinho e assim faziamos um bello repasto. aprender a tocar flauta. pois conhecendo muitos tocadores de chôro escorregava nas aguas delles. mandavamos vir uma porção de mortadella. se vivesse. Espindola. uma occasião. e o autor destas linhas acompanhou o seu enterramento ao Cemiterio de São Francisco Xavier. o que conseguiu comprando uma de novo systema convidando João Salgado para seu professor que promptamente aquieceu. Saindo deste pagode hiamos para qualquer botequim. um dos astros que circula em nosso . se a sua viuva ainda existe. Nesse tempo metteuse na cabeça de Espindola. que com a vontade que tinha de aprender foi depressa. hoje seria a gloria dos grandes chorões com a sua maviosa flauta. o que faço votos que sim. morando no Hotel Nacional. o cargo de feitor de turma da Prefeitura. Morreu muito moço ainda e. Occupava elle. A sua dilecta filha Aracy Córtes.– 22 – horas. Não sei de certo. que muito o apreciava.

tal era a gravidade do seu sopro. Chiquinho Baptista. um dos "predilectos" mencionar que se chamavam em violonistas da turma de Callado. Carnavalesa Pragas do Egypto. bairro em que morreu. Viriato. vida Edegar. Estes. não só nos . Juca Russo Violão. Penso existir ainda a cumprimento dos seus deveres. Esse nossos corações a maior tristeza instrumento nos seus labios. Acompanhei-o [020] muitas vezes com o meu vilão seus camaradas fosse onde este chorão. primoroso flautista repentinamente. raras vezes dizia não. as impossivel de descrever. Também dois chorões celeCandinho Trombone. o na Tijuca.– 23 – meio artistico homenageada Correia. D. a vi muito creança. e Henrique. radores. Pedrinho morreu Pedrinho. o autor PEDRINHO deste livro. Não era lá destes fosse. mas o pouco Fabrica de Tecidos de Villa que tocava dizia com alma e Isabel. Lequinho e muitos pelos applausos dos seus admi. sendo assiduo no bom gosto. filho do inesquecivel bres que não posso deixar de Juca Valle. Ismael faziam encantos. Baziza Cavaquinho. aos Falleceu lá para as bandas do Jardim Botanico. féras amansavam-se e os CHIQUINHO passarinhos enebriavam-se. Estes musicos tocavam na S. Era operario da flautas de admirar. Rangel e Silveira. o chôro. eram dois flautas sublimes. deixando em de uma educação sublime. conheciPedrinho. pois. que era o Presidente. sua viuva e filhos no mesmo Eram os seus acompanhadores.outros que me falha a memoria.

typo de gentilman. e que tocou com maestria em diversos bailes onde era sempre o mais preferido. sendo um eximio professor. e "Só para [021] moer". de uma educação finissima pois. executando as musicas de sua lavra. que infelizmente não as possuo. e já cansado das luctas. chamava-se Benedicto Bahia. pelos annos. E o João Soares com o seu bandolim e cavaquinho ornamentava tambem a "troupe" de Bahia. Hoje. Outro companheiro. Eram os seus acompanhadores o Ademar Casaca. admirado. mesmo assim. Ambos infelizmente já dormem o somno eterno.– 24 – bailes como nos Theatros. Só aqui podemos descrever duas das suas producções "Macia". pois. que se fosse fazer a apologia de Viriato e de outros musicistas de sua tempera seria necessario multiplicar as paginas deste livro. Faço ponto aqui deste grande musico scientifico aos meus leitores. ZE' FLAUTA Como era conhecido. CAPITÃO RANGEL . Deixou o violão e toca actualmente Trombone com maestria. morreu. elle um pouco retirado. musicas estas que nunca perderão o seu valor. bom na flauta residente em Botafogo. ainda muito instado demonstra o que foi. VIRIATO Inesquecivel musico de grande nomeada pelas suas producções admiraveis. digno de ser apreciado. Moravam lá para as bandas da Gavea. primoroso violão. quando devia viver. As suas composições são innumeras. as suas musicas eram executadas com ternura e bom gosto.

"Ternura". não estando aqui descriptas nem a terça parte de suas musicas. como sejam: "Geralda". "Saudades de 1° de Agosto de 1888". "Você me prometteu". Geraldo foi um eximio funccionario dos Correios. autor de innumeras composições. "Emilia" e "Sympathia". ALFREDO VIANNA Melodioso flauta que podia se comparar com os acima descriptos. de cinco chaves e ultimamente em uma. "Alice". maestro e talentoso flauta que repercutiu as nossas glorias musicaes [022] . "Amelia". conhecido na roda dos chorões por "Bico de Ferro". Tocava de primeira vista. sendo por este modo acclamado e festejado. "Futuro Risonho". a principio. Era conhecido pelos seresteiros da Cidade Nova pelo seu sopro. tinha por elle um grande devotamento e por esta razão o acompanhava para todos os chôros á guiza de um cicerone.– 25 – Musicista. "Olhos de Candinha". O seu pae. Falleceu ha pouco deixando grandes saudades e inesqueciveis recordações a todos os Chorões. quando tocava em qualquer festa era divulgado e conhecido pela melodia do seu instrumento. de novo systema. apesar de ser elle de maior idade. "Vivi". "Não machuca a gente". Deixou elle um grande archivo de musicas antigas e modernas que deve achar-se em poder de seu filho Pixinguinha. GERALDO DOS SANTOS Immensuravel flauta. pois. na sua flauta amarella. Rangel foi um dos principes dos Chorões da Velha Guarda. muito estimado pelos companheiros.

Ultimamente.– 26 – no Estrangeiro. e que. CUPERTINO Grande maestro. era um eximio professor de flauta. e tambem as de Callado. Agora já se acha velho e retirado dos chôros. Apesar de não vel-o ha muito tempo. FELISBERTO MARQUES Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda. já fallecido. que o publico conhece-a todas não só pelo Radio. acho que ainda vive para a felicidade dos seus innumeros alumnos e de seus amigos. deixo de innumeral-as pois. Rangel. Formou até uma sociedade de aprendizagem de musicos onde tem se aproveitado grande quantidade de moças e moços que já se acham diplomados pelo Instituto de Musica. como tambem em muitas festas de Chôros que se exhibem nesta Cidade Maravilhosa onde é apreciado e ovacionado pela maneira admiravel com que sabe executar o que é nosso. pois Felisberto além de um bom executor. tendo se dedicado ao violino tornando-se um admirador de Paganini. que no rol d'elles se encontra o escriptor. Felisberto Marques. já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um subito mal que . Viriato e de outros tantos por mim descriptos. quero dizer com isto que é um filho que sabe honrar a tradição de seu pae no circulos dos Chorões. Tem de sua lavra grande quantidade de chôros. flauta fluente e sonoroso "primus inter pares" entre seus componentes pelo gosto e modo de exprimir com sentimento as suas produções. mais conhecido por Maçarico. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiraveis composições.

que tantos prodigios conquistaram. Elle privou com os antigos chorões do seu tempo. e deste tempo para orgulho meu e de seus amigos.– 27 – com espanto de todos os seus admiradores. "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. BACURY Tambem flauta respeitado da antiguidade. "Tutú". grande compositor de Chôros. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma". fazenda as alegrias dos lares. que já dorme o somno derradeiro ha mais de cincoenta annos. JUPIAÇARA Flauta de outros. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto. tendo as suas ricas producções cahido no esquecimento no correr de tantos annos. chôros e reuniões de amigos com a sua OSCAR CABRAL linda flauta toda de prata. Poucos muito os aprecia e que ainda flautas tinham o gosto de Cabral. apesar [023] Conserva na sua linda vivenda os retratos de quasi todos os grandes flautistas acima mencionados. Não gostava de musicas extran- . Ainda vive. Morador lá para os lados do Jupiaçara conheceu todos os chorões d'aquelle tempo que Suburbios. perdeu a embocadura. pois é uma reliquia que d'alli não se retira por modo algum. pela sua inteligência musical e seu fino trato. guarda-fiscal da Prefeitura. dos seus janeiros ainda não deixa de ir ás festas. hoje tem grandes recordações. e nada mais pôde tocar. na Piedade. Era Bacury.

se ache algumas. já bastante idoso. que deve estar por ahi desprezadas. Foi grande compositor cujas producções devem estar em poder da sua distincta familia. tocava todas as musicas dos velhos e novos flautas ou de outro qualquer instrumento.– 28 – geiras pois sempre dizia que tinha verdadeira adoração pela nossa musica e tinha um archivo que. muito conhecido e amigo de Oscar Cabral. e pela molestia que aos poucos foi minando o seu organismo. e que talvez no caderno de Cabral. parecia aos seus amigos cheio de vida. serenatas e festas. que nunca tendo escripto qualquer musica. BENEDICTO Benedicto. pois foi o encanto dentro da Cidade Nova e nos suburbios onde os bailes bons e pessimos eram aos borbotões. porém apesar de não compor. outro bom flauta. e que hoje como seu . e no entanto assim não foi. [024] QUINTILIANO Quintiliano Pinto. Quando a nossa Mãe morreu. compoz uma valsa. deixando muitas saudades aos seus amigos. que botou o nome de "Minha Mãe". elle apaixonou-se tanto. Escreveu algumas composições bôas. Morreu elle ha pouco mais de tres annos lá para os lados do suburbio. Infelizmente morreu moço. Tocou em muitos bailes. sepultou-se no Cimeterio do Pichincha em Jacarépaguá proveniente de uma paralysia. bastante triste. affirmo que muito poucos possuem não só em numeros como em belleza. tinha muito gosto pela musica. um dos velhos chorões e de nome na roda dos que tocavam ou não. e. irmão do escriptor. Só deixou a flauta. especializando-se das antigas do seu tempo.

Mi menor. parava a flauta. em qualquer passagem. sahindo-se os fracos tocadores bem. e então logo perguntava ao que errou. sabendo musica. Respondeu Videira: pois bem. de saudosa memoria. VIDEIRA nenhuma. e então ia logo dizendo: Agora eu vou tocar para o senhor não cahir. pelos acompanhadores. Sol Maior. e só. e a minha pratica é quasi convidou-me para tocarmos em . e lastimo a sua morte. Dinga pouco. ainda choro. apesar de tocar de ouvido. E perguntando então: Qual os tons que o senhor confere no seu instrumento ? o que respondia: Dó Maior. o que muito nos atrapalha. Era muito respeitado. E' verdade que tocava de ouvido mas sabia dizer na flauta o que dizia aos outros. O senhor sabe tocar? o que era conhecido por apellido Dinrespondia o interpellado. o que era uma decepção [025] para os convidados. tambem como eu farrista que Videira. pois sempre tocamos juntos. e mesmo para não acabar com o baile. toco ga. Vou contar um facto que deu-se commigo.– 29 – irmão. e Videira. flautista e chorão de respeito também já descansado desta vida aos seus 35 annos mais ou menos. então vamos tocar só nestes tons e assim fazia. Com esta franqueza Videira ficava radiante. e tinha um defeito. e depois o senhor toca com muita difficuldade. Paz á sua alma é o que peço a Deus como todos os seus companheiros que com elle dormem o somno da eternidade. contentissimo demonstrando assim a sua Maestria. se qualquer dos instrumentos désse uma nota fóra da musica. e muitos nos estimavamos. e um meu grande amigo.

pois os tons que sabia naquella occasião eram muito poucos. dentro dos tons que nós conheciamos e não para acompanharmos flauta. lá pelas ruas de S. que fomos alli. indagando eu ao dono da casa quem era o flauta. Quando estavamos quasi para retirar-nos. E assim dizendo pegou-me pela mão. Videira dando uma gostosa gargalhada. o ranzinza que elle era! pois sabia da decepção que ia passar e meus companheiros. com medo que Vieira entrasse. E dizendo o dono da casa que iamos nos retirar. e não para acompanhar. só para cantar modinhas. parecia que ia ter uma syncope. pensando que fossemos excelentes tocadores.– 30 – um anniversario e baptizado. Ao chegar á sala de jantar. Então eu. muito medroso e nervoso lhe disse. do pouco que você toca: pois eu tocarei tudo dentro das notas que conhece. Pois bem: com o medo de tocar com Videira. e a do Dinga. Quando lá chegamos. acompanhamos com grande prazer. Oh. veio Videira ao nosso encontro dizendo: Eu peço aos senhores que não se retirem. decepção ! Um suor frio desceu-me por todo o corpo. satisfeito talvez. pois desta forma ficará a festa toda estragada. Diogo. pois sabia por informações. e disse: vamos lá dentro tomar uma bôa talagada. eu e Dinga. abraçou-me e dizendo-me: menino não tenha medo. hoje General Pedra. Nos que tambem gostavamos. pois faltava-nos a pratica. encontramos uma bella . e que muito sorridento nos comprimentou. que só servia para distrahir. surgiu Videira com a sua maviosa flauta em baixo do braço. arranjamos um pretexto para darmos o fóra. que tinha de tocar me respondeu que era um seu amigo por nome Videira. pois o que eu sabia era de principiante. o flauta ainda não tinha chegado.

palavra muito em uso por elle. nem suspirava. "Pallida madona. deu um grande estalo com a [026] lingua. tocamos a noite inteira. um dia louco. despedimo-nos do dono da casa.– 31 – mesa. que foi sorvido quasi de uma só vez. E assim eu o Dinga e Videira. puzemos a cantar modinhas. o que vale o fulgor de Oropé e muitas em que o escriptor destas paginas era um batuta pois possuia uma bella voz que encantava aos ouvintes. Virgem de louros cabellos. E assim dentro dos tons que sabiamos. pela maneira alegre e ordem que reinou até ao findar da mesma. Cervejas e etc. cheia de assados. Lá chegando. nos entregou. Videira quando sorveu o ultimo gole. O dono da casa. e sua familia e mais convidados. e zás bebiamos. outra garrafa. dizendo-nos: Que bôa talagada. pois desta existem poucas. fomos até o largo do Rocio Pequeno. Videira era intimo da familia. e sendo sempre muito applaudido. e as competentes garrafas de vinhos tintos. Depois de muito commentarmos sobre a festa despedimo-nos . e enchia os copos. Videira mandou abrir uma garrafa de vinho do Porto. depois de um bello chocolate. feita a capricho o que foi uma delicia para nós. E assim soldamos os pulmões para poder contar modinhas muito em voga naquelles tempos. que naquelle tempo era bom e barato e enchendo os nossos copos que era dos grandes. logo que Videira pedia. Lá pelas tantas da madrugada depois de muitos chôros tocar. trazia logo sem pestanejar. Porto." Eu sei que teus olhares são só delle. hoje Praça 11 de Junho. De vez em quando Videira mandava vir mais outras talagadas. que ficaram muito gratos. Finda a festa ao romper da manhã.

Chorão dos chorões. com elle. JOÃO DE BRITO João de Brito. e cavaquinho. obrigado sou a retirarme para a vida privada. onde lá entregou sua alma a Deus. pela boa camaradagem que reinou.– 32 – com bastante pezar. pois elle os conhecia regularmente. tendo de[027] pendurado nas paredes cheio de pó. comecei a procurar Videira. e assim acompanhei muitas quadrilhas como fosse: "Minha dôr. epigraphe esta. Lucinda. daquelle dia em diante. tão querido outr’ora. Hoje ao peso da idade já cansado. tornando-me assim um bamba nos dois instrumentos de cordas de que fiz uso por muitos annos. e muitas outras como polkas. chotes. Pois bem. Saudades do Engenho Velho. Andando sempre com elle principiei a tocar violão. que era em uma pequena avenida na rua dos Invalidos. que andaram. mazurkas. privaram e tocaram. onde elle trabalhava como cigarreiro. e dentro do meu cérebro as reminiscências descriptas neste livro. não só em sua casa. que espontaneamente. pobre de literatura. valsas. o meu violão e cavaquinho. Então Videira offereceu-nos a sua casa. de uma intervenção cirurgica. e tornando-me desta forma um violão e cavaquinho respeitado na roda dos tocadores batutas. rico de recordações. Ermelinda. como em uma charutaria na rua do Ouvidor. e no esquecimento. por ter sido os meus instrumentos que tanta fama me empolgou na minha mocidade. que era um astro . etc. dou-lhe diante dos factos testemunhados por todos os musicistas. Personagem. porém. flauta também de bom gosto. da Cidade Nova".

na minha reminiscencia. Deixou diversas composições que infelizmente nenhuma possuo. entre seus acompanhadores. tocava todas as musicas dos flautas antigos já por mim descriptos. porém. discípulo do sempre chorado e inesquecivel Felisberto Marques. nos corações de seus amigos que ainda hoje pranteiam a sua morte. João de Brito morreu. para chôros. THOMAZINHO Thomazinho. Pois como elle na sua flauta magica só tocou Pan o Deus da natureza de que falla a mythologia. daquelles tempos. Morreu em uma das ruas do Cattete. Vive. attrahente. era tambem um [028] . Era senhor de um bom sopro e de bom mecanismo. tendo seu enterramento sido uma apotheose de saudades. João de Brito era cigarreiro da fabrica Leite Alves. Autoridade nas melodias que sabia exprimir com facilidade no seu instrumento. de maneiras francas. bom flauta. e elle se esquecia de tudo até de sua familia de quem era estremecidamente dedicado. O autor deste livro tinha por elle grande devotamento e muitas vezes accedeu aos seus convites. Era demasiadamente apaixonado pelo chôro. JOÃO BRUNO flauta conquistado pelos bons João Bruno. o enthusiasmo lhe supplantava. que ainda hoje guardo bem tristonho. que occupava o acompanhadores. Quando empunhava a flauta. e chorão do Cattete. era um caboclo sympathico. era estafeta cargo de carteiro.– 33 – que illuminou na sua trajectoria os lares ricos e pobres. e positivas por isso tornava-se communicativo.

JUCA KALUT Juca Kalut. immensuravel artista. e pelo saber que tinha na sua maviosa flauta. Era de côr parda. com arte e bom gosto que tinha pela musica. Kallut era exemplar chefe de familia e amigo dedicado. foi optimo funccionario e aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe. Era respeitado. Hermes Fonetes. Catullo Cearense. e outros poetas de valor aproveitaram suas composições em que escreveram bellissimos poemas. Nunca companheiro algum por mais esperto que fosse. Kalut morava em Jacarépaguá. São de sua lavra as valsas: "Camponezas. cada qual era um mundo de inspirações. conseguiu derrubal-o em uma rasteira. pois bolia com os nervos de quem o escutava. altura reglar. tocadores. composições sublimes. onde era muito estimado. de uma agilidade sem nome. vivia sempre a brincar com os companheiros como elle. pois a belleza e os sentimentos dos chôros que elle escreveu. pelo seu fino trato. o apogeu deste grande mestre. pandego. É impossível descrever aqui.– 34 – dos Telegraphos e morava lá pelos suburbios. Era um grande athleta no jogo de capoeiragem. que a minha penna treme ao trazer aqui o nome deste afamado professor. Morreu a poucos annos. Tinha adoração pelo que tocava. Julgo em consequencia de um grande desgosto que teve. Adorava seus filhos a quem . Irene" e muitas outras bellissimas composições. ou em qualquer golpe. pernostico. onde foi sempre sua moradia. deixou uma grande bagagem musical. Sorrir Dormindo. muito o elevaram no conceito de outros grandes musicos e professores.

pelo bom gosto de suas composições. [029] Morreu.– 35 – tratava com o maior desvelo educando-os com o maior carinho. que falleceu a poucos annos no cargo de guarda municipal. muito se apaixonou. Aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe. não olhando sacrificios. juntamente com o grande violão e cavaquinho Narcizo Gomes Barcellos. e tambem pelo seu fino trato. Poucos bailes se deram na cidade nova que Guilherme. deixando immorredouras saudades que somente a propria morte apagará. pois tinha dado uma educação aprimorada. é lembrado como lidimo expoente da musica. Conhecia todas as musicas dos velhos flautas antigos que já dormem tambem o somno eterno. talvez nas mãos de algum bom flautista a quem dou meus parabens por possuir uma joia primorosa. e assim deixou um claro bem custoso de preencher. As suas composições andam ao léo. pois ja era uma maestrina. como tambem seu pae. GUILHERME CANDIDO DIAS Outro chorão e bom flauta chamou-se em vida Guilherme Candido Dias. e creio por desgosto intimo falleceu logo depois de casado. não fosse chamado. Com a morte de uma sua filha. Ainda hoje o nome de Kallut. . tendo exercido na Succursal da Praça 11 de Junho. fui seu acompanhador. apesar de sua difficuldade monetaria. não só nas letras como na musica. Guilherme foi flauta de seu tempo como poucos. Na sua flauta Guilherme sabia dizer o que sentia e assim tocamos muito nestes chôros na cidade nova e no morro do Pinto. Conheci-o e privei muito com elle. Morreu a poucos annos.

MANGUEIRA Mangueira. Comia bem e regado com a canninha.– 36 – annos já deu a alma a Deus.conheceu ? antigos bem poucos ! PHOROS" Não sei se ainda é vivo. Soares "Caixa de phospho. onde era muito conhecido. A sua morte foi muito sentida não só da distincta officialidade. e bom amigo. Era muito expansivo. quem não Dos tocadores SOARES "CAIXA DE PHOS. musicos e amigos cá de fóra. ou vinho que podia beber-se. o que elle tinha as centenas. mesmo assim primoroso flauta que a muitos sabia dizer o seu segredo pois . Muito caprichoso. fazendo o encanto dos lares onde era chamado. pois era barato. recebendo assim o seu Diploma de Professor. Onde tocava fazia sempre pilherias engraçadas que agradavam bem. Pois bem: Camargo foi Regente daquellas bandas chegando a galgar o posto de official. não só o chôro que compunha. e mesmo bastante intelligente ingressou nas fileiras da Brigada Policial fazendo seus estudos no Conservatorio de Musica. CAMARGO [030] Camargo conheci-o no Ameno Resedá tocando regularmente flauta de 5 chaves. como todos os de seus companheiros. Tocava com alma. tornando-se alli um alumno intelligente. Diogo. Creio que morava alli pela rua de S.Mangueira tocava flauta de ros" como era conhecido foi um cinco chaves.

como dos modernos tempos. tocava os chôros faceis como se fosse: polka. Juca Mãozinha. Juca Flauta foi tambem meu amigo inseparavel Juca Gonçalves. e tambem o [031] celebre violão e cavaquinho .– 37 – conhecia os chôros de todos os bons flautistas. lundú. como era conhecido. A gentil Carolina era bella" e muitas outras que não me vem a mente pois nellas estes tocadores eram batutas. e eram excellentes cantores de modinhas. Qual fica doido o macaco. porém. JUCA FLAUTA Mario do Estacio. quadrilha. Perdão Emilia. chotes. Destes por mim citados só existe o escriptor. já naquelle tempo bem velho. era irmão do carteiro acompanhador. não só dos antigos. tocamos sempre juntos. Juca Mulatinho. todos estes tocavam violão e cavaquinho. conhecido no chôro. elle com toda a paciencia ensinava o tom. Em horas mortas da noite. Mangueira era o typo do bom amigo. eram "Lá naquelle Gigante de Pedra. etc. JUCA GONÇALVES mazurka. valsa. eu como seu por Bita. Juca Flauta. pois naquelle tempo a graça do baile era quando terminava com bellas modinhas. e quando tocava com um violão fraco. morava em uma Avenida na rua D. Feliciana. não era tambem um grande flautista naquelle tempo. Os olhos Castanhos são lindos e serenos. e as que estavam em moda naquelle tempo. o que levanta ás mãos ao céo por ainda lhe dar esta graça. e suas passagens ficando assim apto para acompanhal-o Se é vivo ou morto não posso dizer.

começou nos chôros. estando sepultado no Cemiterio do Pechincha em Jacarépaguá. JORGE SEIXAS Deste maestro me falta intelligencia para descrever os seus feitos. a sua flauta era de 5 chaves. toca hoje o seu violão por musica. que Toca qualquer musica no seu . pois sabia dizer o que sentia. Abandonou a musica. bem poucos tocarão violão como Seixas.– 38 – de 1ª classe hoje aposentado Alfredo Luiz de Oliveira Gonçalves. allegrando os corações tristes. Acabou os seus dias. Naquelle bairro elle fez o encanto. e alma. como um dos melhores acompanhadores. Seixas. solando musicas classicas de primeira vista. Morreu em casa de seu irmão. toca todos os instrumentos especializando-se no violão. e assim como o violão fez progresso. e com grande habilidade. Zezé. tambem razão porque. o que muito o apaixonou. e tambem. ainda foi atacado de uma tuberculose. JOSE' FRAGOSO Maestro no violão. como é conhecido no meio dos chorões. Morou muitos annos na Ladeira de João Cardos. porém. capacidade quanto a musica e mais. onde faz seu estudo. era um primor de gosto quando tocava nos pagodes. intelligencia. visto ter ficado cégo. em companhia de seu irmão. em todo meio e muito considerado. pois tinha muito gosto. evadindo os salões da aristocracia. pois além da sua cegueira. dando occasião a muitos casamentos. em Jacarápaguá. As suas musicas vem todas da Allemanha. Posso aqui affirmar que no Brasil. é sympathico e querido.

CAPITÃO BRAGUINHA Conheci-o muito. e desfazer alguns erros. JUSTINIANO andando sempre com os Era flauta que morava em "guandos". Braguinha [032] morava na rua de Santo numa pequena gno funccionario da Casa da Henrique. Moeda. e executar aquela musica de primeira vista e com a maior facilidade. ficou admirado. onde elevou aquella sociedade ao conceito publico. avenida daquella rua. Foi Director de Harmonia das Pragas do Egypto. onde glorificou-se com o seu saber. como tambem em bailes. e de bocca aberta vendo elle trazer o seu lindo violão. O autor compoz um tango que deu o nome de "Ingratidão". que punham em embaraço musicos de primeira nomeada. E gravava no ouvido as melhores musicas. Trabalhava como caixeiro de despachante da Alfandega. festas. foi tambem nos ultimos tempos Director de Harmonia do Ameno Resedá. Jorge é muito diNictheroy. e que se estasiavam de ouvil-o tocar. e levando á sua casa para a endireitar. O Justiniano. musicista primus-interpares.– 39 – mavioso violão de primeira vista. inda hoje se fala no apurado ouvido de Justiniano. e que tocava de ouvido musicas difficeis. para executar na sua flauta de cinco chaves. serenatas e mais. Este facto passou-se mais ou menos a cincoenta e tantos anos. . ouvir os ensaios da banda regida pelo inesquecivel Bocó. com a intelligencia de sua batuta. e com elle privei não só na sua residencia. ia todos os dias para o Arsenal.

– 40 – Era por isto muito procurado pelos seus amigos que elle tinha de toda classe. mesmo na [033] effervescencia da Revolta de 93. Floriano Peixoto. Andava sempre acompanhado pelo pessoal bom e mau. e voltava como tinha sahido. e . conhecendo na sua flauta que era de cinco chaves. pois não fazia mal a ninguem. Serviu em um Batalhão da Guarda Nacional creio. Então elle com o bom coração que tinha não fazia selecção delles. magrinho. nunca encontrando pessôa apta para o serviço militar. na falta de um bom flauta. muito baixinho. Nos bailes chepas em que tocava. intercalando elles de forma que poucos comprhendiam a malandragem de Braguinha. Braguinha. com isto elle julgava-se grande maestro. onde elle foi um baluarte ao lado do invicto e sempre chorado soldado. e a physionomia pequena. sabia illudir os convidados. não é porque não encontrasse. sahia á rua com a escolta. pois pela sua bondade o exploravam não só pedindo dinheiro. Porém. servia ! Apesar de tocar muito mal e de ouvido. pois tinha pilherias muito bôas. uns tres ou quatro chôros. Braguinha. para pegar gente para completar o Batalhão. Pois bem. entrando em diversos botequins. leitores. Era muito engraçado nos bailes que tocava. de tambem saudosa memoria. e mandando arriar abessa. como tambem bebidas. fazendo hilaridade dos que ouviam. o que elle não se negava. Sempre que via o amigo recebia com um ar de riso engraçado. Mesmo o seu porte era engraçado. Era de um coração de pomba. para satisfação dos beberrões. Braguinha nunca deu parte de um soldado. sobre o commando do coronel Salustiano Quintanilha.

e como amigo era de uma dedicação sem nome. Eu frequentava a casa de Juca Russo. musica como gente grande. e fiquei logo seu amigo. ARTHUR VIROU BODE mesmo de primeira vista. foi bom filho e excelente esposo. pois a escolta trazia o paisano á sua presença. que dedicou a Arthur. Conheci-o em casa do celeberrimo violão Juca Russo. Braguinha ficava logo pensativo baixando a cabeça. pois a casa de Juca Russo era frequentada sempre por grande numero de tocadores. com muitos outros tocadores de nomeada. toca informações sei que foi um . e com grande maestria. não sabendo qual a razão. que é meu compadre. mas por O seu sopro é mavioso. pelo seu bom coração. O appellido na roda dos tocadores é devido a um chôro feito por Candinho Silva. pois vi nelle um bom camarada. e então num auge de sentimento dizia: pode retirar-se. onde faz os attractivos. Estavamos sempre juntos. e ouvindo dos mesmos dizendo-lhe que tinham filhos e mulher para sustentar e outras coisas mais. O chorão me parece que mora lá para os suburbios. pois vi nelle um bom camarada. Eu frequentava a casa de Juca Russo. Quem não conhece este PEDRO DE ALCANTARA eximio flauta? bem poucos! No seu instrumento é de uma Não tive a felicidade de agilidade nos dedos admiravel. e fiquei logo seu amigo.– 41 – sim. e muitas vezes até as lagrimas lhe vinham aos olhos. dispensava. Braguinha. Morreu a poucos annos. E causando muitas vezes a admiração da escolta. deixando aos seus amigos profunda consternação. conhece conhecel-o.

fazendo o contentamento e alegria de diversos lares. porém bem mobiliada. de grande capacidade intellectual. em companhia do mesmo. e de outros seus companheiros artistas como elle. Na casa do sr. imenso poeta. ou cavaquinho o acompanhei por diversas vezes. Com meu violão. que era um eximio tocador de harmonio. conhecia musica a fundo. que infelizmente como tantos outros já dorme o somno eterno. residia na rua do Nuncio. fez a canção do Africano. acompanhei muito este chorão. instrumento este que fazia parte do mobiliario acima referido. Em chôros seus. Além destes predicados era um flautista sublime. sem nada ter-se aproveitado.– 42 – flautista de respeito. Fructuoso. [034] PAULO VIEIRA DA COSTA Morou muitos annos na Estrada Velha da Tijuca. que em 1888. O FRUCTUOSO O Fructuoso era um senhor de idade. em companhia de Galdino Barreto e Luiz de Souza. Como violão que fui. que tantas glorias tem alcançado. que talvez não existam mais nenhuma. tinha muito boas composições suas. Paulo tambem como seu pae era de uma educação sublime. e até poeta. estando talvez as mesmas jogadas ao monturo. Infelizmente pelo tempo julgo ser morto. em que se reuniam naquelle tempo diversos musicistas. fazia nos chôros que tocava os encantos dos lares. infelizmente nada publicou. com seu pae Juca Mamede. . Foi ahi que o Catullo. era de uma suavidade sublime. Era elle um solteirão. em uma casa pouco confortada. Tocava também as musicas classicas com grande maestria.

com uma moça filha de um dilecto amigo meu. Conheci-o apesar de poucas vezes que com elle privei.– 43 – CICERO TELLES DE MENEZES Era conhecido na roda dos tocadores como Cicero dos Telegraphos. pois só durou mez e meio após o seu casamento. Tambem sabia dizer o que sentia na sua maviosa flauta. Uma tuberculose o victimou. mettia-se em farras. porque era de um genio estourado. Tambem cantava muitas modinhas. não chegou a galgar posto algum. umas alegres e outras sentimentaes e com uma voz maviosa de fazer encantar. tocava flauta com grande maestria. Conheci-o QUES PORTO como soldado destacado em um Era filho de uma distincta posto que existia na Estrada familia bahiana. apesar de sua grande instrucção. Velha da Tijuca. Marques Porto como era conhecido. pois occupava o cargo de Estafeta de 3ª classe. Conheci-o. Gostava muito das musicas antigas e novas.aquelles bairros da Estrada Nova e Velha da Tijuca. no piano e no orgão era de uma decia de supplantar. na rua de D. e até assisti o seu casamento. Com estes dotes muito alegrou ANTONIO JOAQUIM MAR. não se encomodando com ordens nem disciplina. Maria na Piedade. tambem tinha algumas composições suas. pois tinha um sopro encantador. bem encostado . no violão era sublime. Cicero teve a infelicidade de gozar pouco a sua lua de mel. era jovial. como [035] soldado do antigo Corpo Militar da Policia da Côrte. noite e noites perdidas.

devido a isto pouco uso fazia da musica. Ninguem arrancava uma musica qualquer para fóra. gastando todo em farras e patuscadas. tinha grande zelo pelas mesmas. pois para elle não havia difficuldades. Morreu a poucos annos lá pelas [036] bandas da Aldeia Campista. Marques Porto. Era muito respeitado na roda dos que o conheciam.– 44 – á Caixa Velha. nunca lá foi. se não me engano. CARLINHOS . como Callado e seus componentes. lá ia elle divertir aquellas familias que muito o estimavam. tinha diversos cadernos de chôros. porém. em poucos dias familiarizou-se com todas as familias alli residentes. JOÃO SAMPAIO Quem o conheceu pode gloriar-se. com seu espirito bohemio. Contava-me elle que sua bonissima mãe mandava-lhe dinheiro para seu regresso á Bahia. a flauta nos seus labios dizia o que era bom e maravilhoso. conhecia musica de verdade. pois foi um flauta de peso. onde deixou immensas saudades. E assim lá se foi para via eterna um heróe. pois era de uma fina educação e trato. Morreu já cansado pelos annos. com sua flauta sempre em baixo do braço. em uma enxerga na Santa Casa de Misericordia. Bohemio que era e não ligando a sociedade acabou o heroe do chôro. Tocava qualquer chôro de primeira vista. que pelo seu saber e cultura podia hoje seu nome estar esculpido em uma estatua para gloria do porvir. só deixava copiar em sua casa sob as suas vistas. As suas musicas quasi todas foram dos velhos e antigos chorões.

como Esse flauta encheu de glorias a nossa bella Capital. . e os de agora. Carlinhos. pertenceu á banda do Corpo de Bombeiros. muito apreciava todos os chôros dos antigos.– 45 – Como divida de gratidão pelo muito que sabe não podemos esquecer este chorão da gemma. e muitas outras. que infelizmente tambem dorme o somno dos justos. nada fica devendo aos velhos. Casou-se. pois já nasceu com o dom da musica. pois é primoroso flauta. que eram um primor de bom gosto. Pianinho foi grande musico e chorão. Tinha muitas musicas de sua lavra. como tambem Pianinho. RIQUINHO) IRINEU PIANINHO Já tambem dorme. sem jaça. brilhante. e modernos tocadores já por nós descriptos. com seus maviosos preludios. e o "Genio de Maricota e Geny". e tanto assim que em poucos annos galgou todos os cargos de Carteiro onde chegou até o de 1ª classe. E' também de uma educação finissima. no tempo do sempre lembrado e chorado Anacleto de Medeiros. pois diz o que sente. Mesmo assim uma vez ou outra não dá o seu quinhão ao vigario. que apesar de ainda ser novo na lucta. Toca tudo dos grandes e sempre lembrados flautas da antiguidade. toca com grande maestria e gosto. encantando assim os que tiveram a felicidade de ouvil-o. Talvez devido a isto retirou-se da lucta. mora em Villa Isabel em uma das casas da Companhia HENRIQUE DOURADO (HENde Tecidos. Infelizmente só temos duas que são de nome "Os deuses de Maricota". maestro de primeira grandeza.

– 46 – muitos de seus companheiros o somno eterno. Exalto o seu grande genio que foi o Henriquinho, como era conhecido. Tinha o seu grande valor no meio dos tocadores, pois era um flautim adorado, tocava todos os chôros dos antigos flautas o que elle muito adorava, como tambem as composições suas. Foi tambem flauta de verdade. Encantou muitos lares, fez apagar muitas tristezas e senti[037] mentos, nos corações dos que soffriam, com o seu mavioso sopro. Encantava todos aquelles musicos ou não, que tivesse a sorte de conhecel-o, não só pelos dotes musicaes, com tambem pelo seu fino trato. Morreu muito moço, o que foi um sentimento geral e se assim não fosse, as suas musicas seriam hoje em grande quantidade. PORFIRIO DE SA' Fui um grande admirador da flauta que elle tocava com o maior prazer e alegria, escreveu muitos chôros, e cada qual de arrepiar cabellos. Tendo depois deixado a flauta, dedicando-se ao contrabaixo, por lhe faltar a embocadura, como tambem os annos e molestia que foi adquirindo com o correr dos tempos. Aprendeu a tocar violoncello em pouco tempo. Seus professores admiravam-se da sua inteligencia, e a rapidez com que aprendeu um instrumento tão difficultoso. Pois bem, Porfirio, tornou-se um grande contrabaixista, tocando até em orchestras. Agora vamos aqui trazer nomes de algumas composições suas. Eil-as: "Os meus desejos", "Diamantina" e muitas dezenas de outras que foi

– 47 – impossivel adquiril-as. BENEDICTO BAHIA Vamos agora bolir com as fibras de outro immenso folião da flauta que se chama Benedicto Bahia, foi bamba nos segredos da flauta, quasi todo Botafogo conhece-o como chorão de facto, pois quando melodiava na sua flauta naquelles chôros molles que é commum nelle, as mulatas ficavam todas dengosas, dizendo bravo, seu Bahia ! Hoje pelos annos e pezo de familia está um pouco retirado, mas mesmo assim ainda dá a sua pernada. Eram seus acompanhadores o celeberrimo violão Ademar Casaca, morador a muitos annos tambem em Botafogo, violão primoroso, sola e acompanha com grande maestria. Hoje toca trombone por musica o que conhece com theoria e rythmo. Hoje já um pouco alquebrado pelos annos, só lecciona, não só violão como piano ou qualquer instrumento. Era tambem acompanhador de Bahia o immenso cavaquinho que foi João Soares de saudosa memoria, João Soares de grande bagagem de musicas por elle feitas e que deve ter algumas o nosso estimado Bahia. [038] JOÃO PINHEIRO De saudosa memoria, a sua morte veio abrir um grande claro no exercito dos tocadores, pois elle era bom em tudo, muito amoroso, delicado, de uma educação finissima, conheci-o logo que ingressou na Côrte de Appellação como funccionario de pequena categoria, com seu exemplar comportamento, de dedicação ao trabalho, galgou em pouco tempo, bem alto cargo naquella Repartição. Na sua flauta, era maravilhoso ouvir-lhe tocar, não só os chôros dos

– 48 – grandes mestres mortos e vivos, como tambem as bellas composições suas. Não recusava a convite de seus amigos, pois achava-se sempre prompto para a lucta, sem pestanejar. Nos bailes e festas em que ia tocar, fazia logo camaradagem, tornando-se muitas vezes intimo da familia, pois o seu tratamento era finissimo. Morre a pouco tempo na invicta Nictheroy, em uma casa de sua propriedade e lá foi dado á sepultura o seu corpo. Em vida tanta alegria deu ao povo daquella cidade, como o daqui da Capital Federal. LEITE ALVES Quem não o conheceu ? Só quem não foi musico daquelles tempos pois era um primoroso flauta daquelle tempo a uns cincoenta annos mais ou menos, era um primor ouvil-o tocar. Tinha garbo no que tocava, pois conhecia todos os chôros de seus collegas antigos e modernos. Conheci-o desempregado, privei muito com elle, conheci em um baile, na rua D. Feliciana, ficamos muito amigos, dahi em diante todos os pagodes que elle, ou eu tinha, tocavamos sempre juntos, eu de violão ou cavaquinho, faziam-nos o regallo destes bailes, que naquelle tempo de tudo barato existia a milhares, pois não havia lar que fazendo um baptizado, anniversario, casamento, etc., que não désse um baile, puxado ao leitão, ao peru', gallinhas, muitas bebidas, como sejam cervejas, vinhos, licores, etc. De fórma que os chorões daquella época não passavam necessidades, comendo bem, e bebendo melhor. Como acima disse Leite Alves desempregado, me falou um dia na sua necessidade, e que precisava arranjar uma colocação, e que eu talvez lhe pudesse remediar este mal, pois sabia que

– 49 – [039] dispunha de elementos para tal. Então lhe respondi que ia fazer todos os esforços para sua collocação. Sendo eu muito amigo e collega de Maximiano Martins conhecido pelo appellido Seu Velho, a elle me dirigi contando toda a historia de Leite Alves, o que Seu Velho me respondeu: que sendo muito amigo, como eu tambem o era, do capitão Sebastião, que exercia o cargo de Continuo na Camara dos Deputados, que iria pedir a elle. Pois bem, foi tiro e quéda. Sebastião apeser de continuo exercia uma grande influencia na Camara, entre os Deputados e especializando nesta amizade a do dr. Herculando de Freitas, deputado pelo Estado de São Paulo, e de grande influencia politica, pois bem foi nomeado Leite Alves para servente do Thesouro e lá trabalhou pouco tempo abandonando o logar, para dedicar-se á musica, pois era seu fraco, e assim foi reger uma banda julgo em Minas Geraes, onde lá falleceu, tendo deixado grandes saudades, e aberto um claro na avalanche dos chorões que muito tristonhos ficaram com a morte deste heróe, que tão bem sabia dizer, as musicas deliciosas dos companheiros antigos e modernos daquella época. PORTO CASCATA Qual o chorão da Velha Guarda, que o não conheceu ? Bem poucos ou nenhum. Podiase considerar um maestro, conhecia musica a fundo, não só o classico, como os grandes chôros especializando Callado, Viriato, Rangel e outros de celebridade naquella época. Não sei se tinha composições suas, o que acho que sim. Era de finissimo trato, de uma educação aprimorada. Qualquer pessôa

– 50 – que com elle privasse, ficava logo cativo pelo seu elevado trato. A poucos annos era Agente do Correio de Engenho Novo, onde prestou por muitos annos grandes serviços na mesma, sendo muito considerado pelo publico daquelle lugar. A muito não o vejo, nem noticia tenho, não sabendo se será vivo ou não e assim fica mais ou menos descripto a vida não só como um chorão eminente, como tambem publica. GREGORIO COUTO Chorão de respeito, e estimado. Na sua adoravel flauta sabia dizer o que sentia, fazendo [040] nella alegria e tristeza, pois tinha musicas para ambos sentimentos. Era bom e distincto amigo. Os que com elle privassem ficavam logo á primeira vista encantados não só pelo seu trato, e mesmo com o seu bello tratamento, julgo que pelos annos que já se vão que já não existe e assim mais ou menos ahi fica a vida deste grande musico. ALBERTO MARTINS Alberto Martins, é Carteiro dos Correios, tem exercicio na Agencia de Copacabana, conhece bem a sua flauta, e toca tambem saxophone. Em qualquer destes dois instrumentos ninguem lhe passa a perna, pois os executa com a maior perfeição. Estudou bem a musica e por isto não teme a qualquer adversario. No chôro em que ás vezes toca encanta com a sua melodia, dando o maior prazer aos circunstantes. Conhece todos os chôros dos seus collegas musicos como elle antigos e modernos. Tambem tem bôas composições suas, que faz o encanto de o escutar, o que elle

felicidade de tocar com o heróe. e sabe dar o seu JOÃO HILARIO XAVIER verdadeiro valor. me sendo esquecia as maguas. encantava a todos com seu instrumento. e conhece o bom Louro. LOURO No teclado de um piano era . intelligencia e Acompanhei-o algumas vezes actividade galgou todos os com meu violão e cavaquinho. feitos deste immenso artista musical. Chorão de nome. A muito que não o vejo. E' moço ainda. acima descripto. clarinete flauta moderno. e postos até chegar á posição de sei o quanto precisam cavar nas official. pois sabe fazer sentir. Xavier era simples. posto que foi [041] aposentado. Quando erra. Louro em um 1° official dos Correios. se AURELIO CAVALCANTI esquecia de tudo e dizia na sua flauta em magnificas expressões. cavaquinhos e violões. despido de cordas e nos dedos para não preconceitos. e expandia impossivel descrever os grandes as alegrias de seu coração. razão esta que se fazer um feio (isto é cahir) como tornava querido e admirado de se chama na gyria aquelles que seus subalternos. armava sua flauta de prata de não sei se será vivo. mas mesmo de primeira linha ? O autor deste livro teve a assim não inveja os antigos. no meio dos votos que sim. que mavioso pelo seu saber. baile.– 51 – Quen não conheceu. começou como Carteiro. o que faço novo systema. ou tem grande prazer. e não fazia distincção de seus subordinados.

Era bom chefe de familia e bom amigo. pois sabia dizer o que sentia neste mavioso instrumento. é como a electricidade. Morreu ha poucos annos deixando muitas saudades e lembranças. CHIROL Outro grande chorão no piano. pois conheço a sua modestia. Para este chorão. Os seus dedos em um teclado. Familia de uma maneira impossivel de descrever-se.– 52 – primoroso. As suas composições ahi estão que são um primor de belleza. quem o imitasse. antes de sua morte escreveu com grande nitidez a vida deste grande chorão. e bom gosto e facilidade. em sua casa. e alli todos são tratados por elle. não existia naquelle tempo. de seu tempo. Feliz daquelle como o escriptor que privou com este chorão pois fica logo encantado com a sua fina educação. O grande escriptor Coelho Netto. fazendo assim risos aos convidados. não ha difficuldades na musica. e alquebrado. Aurelio foi excelente musico. pois toca tudo o que apparece. A sua morte ainda hoje é pranteada. Azeredo costuma dar em sua vivenda nos suburbios onde mora bellas sumptuosas festas. tal o tratamento com que todos são recebidos. em bailes e festas estava sempre alegre. era de um verdadeiro hymno de amor. Paz á sua alma. com o maior sentimento. . Mesmo depois de velho. Fez os encantos de muitos lares com as suas bellas harmonias. e sua Exma. Aqui peço desculpa a este chorão em trazer seu nome. e cavalheirismo. AZEREDO PINTO E' um dos chorões da pontinha. fazendo bôas pilherias e ditos gostosos.

pois sabia que naquella noite elle iria entrar nos bellos pirões. pois gosto era um copo seguro. não se primeiras pianistas em todo o encommodava de não ganhar Brasil. não se fazia de musica e assim ia ganhando rogada. bons tocadores eram poucos. abria o piano e. e de ouvido. tocando ficando Nas ruas desta Capital não admiravelmente. Maestrina e compositora. era de uma destes grandes musicos. esperando um CHIQUINHA GONZAGA circumstante para chamal-o para tocar. como em seus tempos os tratamento sublime. Era de um extraordinario como meza. sempre risonha e satisfazendo a todos convidados. conhecia o piano por nada o que elle queria era bôa dentro e por fóra. de um porém. recebia todos com o maior Porto. Não era lá nenhum ainda appareceu. fazia sua parada. pois tocava pouco. e bastante bebidas. cheia de vida. foi uma das Chico Porto. Chiquinha Gonzaga. Morreu de Grippe Hespanhola. na sua casa. bastante triste. educação finissima. Francisco onde era. com os fama como grande pianista. o que elle ficava satisfeito. seus dedos habeis e admirados Porto já no fim de sua vida tinha principiava com um chôro . chôro. deixando muita [042] saudades como bom amigo que No Largo de S. carinho. e retirando-se do havia quem não o conhecesse. Chiquinha. sabia fazer afita. Quando pedia-se para reptindo sempre a mesma tocar um chôro.– 53 – deixado de tocar com o CHICO PORTO OU RUANO apparecimento desta mocidade. satisfeita.

Paganini e muitos outros grandes musicos. Puccini. ERNESTO NAZARETH . Leoncavallo. em que os artistas são sublimissimos não só com as suas suaves vozes como tambem o acompanhamento destes distinctos chorões daquelle hospitaleiro Estado. através deste apparelho que é a admiração do mun[043] do inteiro. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. Tocava tambem o classico. á distincta familia Neves Gonzaga. tambem os do grandioso Estado Bandeirante. tambem adorava as musicas de Verdi. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. e gloriosos. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. Todos conhecem bem. Aqui dou os meus applausos a todos os cantores dos Radios Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem a gloria do Radio. Não são só os que tocam no Radio daqui. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. que ella conhecia com grande proficiencia. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. e fazia a delicia dos que a escutavam.– 54 – composto por ella pois são innumeros. como tambem pelos instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimada impossivel de descrever-se. todos os conhecem os seus feitos que são artistas de hoje. e tambem de seus ouvintes.

– 55 – LE'O VIANNA Ernesto Nazareth, espirito superior aprimorada educação, musico de primeira agua, foi brilhante sem jaça, que bem poucos o iguariam no seu saber. As harmonias feitas por elle eram um hymno do céo. Tocou em grandes e nobres salões, onde sabia portar-se como gentleman dotados de familia, onde tocasse fazia logo camaradagem, ficando logo intimo, como se fosse de um conhecimento longo. Tocou em muitas festas, em que tambem se achavam os grandes chorões como elle, que tambem fizeram seus explendores nos bailes desta capital como sejam: J. Christo, Costinha, Chiquinha Gonzaga, já por nós descriptos, Paulino do Sacramento, e todos os outros que não me vem á mente, pois foram em grandes quantidades destes chorões da velha guarda, que infelizmente já não existem. Quem é que não conhece o bom Léo, o distincto amigo que a todos sabe agradar, sempre com os sorriso nos labios ? Léo é filho tambem do grande flautista Alfredo Vianna, já por mim descripto aqui nestas paginas e irmão de Pixinguinha. E' chorão de fama brasileira. Tocou flauta como gente grande, as melodias feitas com a sua flauta encantavam todos que o ouviam. Deixando depois a flauta, dedicou-se ao violão tornandose um batuta não respeitando os seus congeneres. Cavaquinho na sua mão é sôpa, não só acompanha, como sóla as musicas antigas, e modernas admiravelmente. [044] O chôro que ás vezes dá em sua casa, é de arrepiar de tão bom que é.

– 56 – O tratamento dado por Léo aos seus convivas, é de ficar captivo. A sua excelentissima esposa é um anjo de bondade e trato, fazendo escravo a todos que com ella privam. Léo, não só é musico de grande prestigio, conhecedor a fundo dos instrumentos que toca, o que sinto com a minha pobreza de intelligencia não possa levar Léo ao seu logar que merece como discipulo de Santa Cecilia a deusa da musica. LUIZ CAXEIRINHO BINIGNO LUSTRADO Chorão no pandeiro, morreu e residiu muitos annos na Estação de Piedade. Os "pagodes" em casa de Caxeirinho, tinham brados d'armas ! e tambem em casa de seu vizinho mamede, este já fallecido. Deixar de proclamar que foi este chorão nos seus bellos tempos, era commetter uma grande ingratidão, pois elle, era um chorão naquelle tempo Eximio tocador de violão, conheci-o a cincoenta e tantos annnos, quando elle era companheiro de Voltaire e acompanhadores do grande Callado o maior flauta daquelle tempo. Benigno ainda vive, e toca o seu violão, trabalhando no seu officio de lustrador. Este grande chorão, é digno de todas as homenagens, e que formava na vanguarda dos foliões. A casa repercutia no meio de todas as celebridades musicaes do passado, pois não havia um só musicista de valor que não rendesse homenagens a este grande astro que ainda hoje resplandece no cerebro daquelles que vivem, recordações cheias de saudades, de horas felizes e cheias de harmonia, pelas notas vibradas pelo pandeiro de Caxeirinho, em seus conjunctos. Já falleceu.

– 57 – porque nestas linhas patenteio as suas excellentes qualidades, e o amôr e devotamento que sempre teve e ainda tem pelos seus companheiros de chôro e do seu instrumento, o violão. GILBERTO BOMBARDINO Era chorão de facto, conhecia bem musica, mas se fosse convidado para acompanhar um chôro de ouvido, não dava nada. Era muito pilherico e engraçado. [045] Nos pagodes, onde ia tocar, desde que houvesse parte para ler, com toda a musica sem pestanejar, e ás vezes fazendo até floreados nos intervallos da mesma. Gilberto – em pagodes comia bem, e tambem bebia regular. Gilberto gostava muito que os pagodes em que tocasse fosse até de manhã, pois gostava muito de um chocolate com biscoitos ou pão de ló. Gilberto não precisava se pagar, bastava que tivesse bôa e farta mesa acompanhada com bôas bebidas. Assim findou-se este heróe de gastronomia. Foi morador muitos annos na Tijuca, onde tocava em uma Sociedade Dansante Musical, que existia em uma casa na Estrada Velha da Tijuca, quasi ao chegar á caixa velha. Pela sua bondade e camaradagem, a sua morte deixou muitas saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. SABINO MALAQUIAS DE SIQUEIRA (O BINOCA) Conheci-o muito e com elle privei não só na intimidade, como nos chôros, em que elle era um inveterado. A pessôa de que falamos, era um violão sublime. As cordas nos seus dedos faziam pulsar corações de

– 58 – tanta graçã, e as bellas melodias que nelle, parecia que vinha do berço. Cantava bellas modinhas. Uma que eu me lembro era de uma beleza impossivel de descrever-se. E vou tentar lembrar de um dos primeiros versos que é: Meu peito é um jardim Teu coração canteiro Meus olhos regas flôres Eu mesmo sou jardineiro. E esta modinha que elle cantava com muito sentimento, e todos o applaudiam, ás vezes fazia repetir. Binoca, foi carteiro do Correio, foi de uma felicidade medonha, pois aprendendo a tocar trombone tornou-se um musico de primeira agua. O chorão de que falo, com sua inteligencia, aprendeu musica, foi um bellissimo companheiro, sempre prompto, a servir aos seus amigos emprestando nas festas muito brilhantismo com seu instrumento. Já falleceu, e quando se trata de seu nome é sempre com saudades. Na physionomia daquelles que com elle privavam, o nome de Binoca, é escripto com letras de ouro, como chorão de tempera. [046] OLAVO PINHEIRO Trabalha a muitos annos na Portaria da Alfandega, amigo e compadre do grande chorão Luiz Brandão. Nasceu na Engenhoca, pequeno lugarejo de Nictheroy. O seu pae era um distincto advogado, que dava em sua casa chôros agradabilissimos. Indo daqui da Capital, o competente chôro, que eram: Henriquinho, de flautim; Lica, de bombardão; Galdino, de cavaquinho; Feslisberto, de flauta; Espindola,

– 59 – e muitos outros e também o chorão Olavo do que tratamos. Este que é um amigo dedicado e sincero, e que sabe acatar, com sua bôa palestra e sympathia, por conhecer, de perto toda a gyria dos chorões. Muito eu quizera dizer, relativamente a esse personagem, porém, tenho que me limitar, attendendo a muitos outros, de que tenho dever de mencionar aqui neste livro. Assim direi: recebe Olavo, nessas toscas linhas, a admiração que a ti devoto. LEONARDO DE MENEZES Era natural da Bahia. Inveterado chorão, conheci-o no Correio e frequentei muito a sua casa, que era na rua da Providencia n. 26, onde se reunia, uma vez por semana Carramona, de pistão; Lica, de bombardão; Salgado, de ophiclide, e muitos violões e cavaquinhos, que faziam a alegria daquella rua. O sempre chorado Leonardo, tinha voz de soprano, e era autoridade nas modinhas bahianas. Era bom collega, e amigo sincero, ainda hoje tenho saudades da peixada que o Leonardo fazia com todo o rigor da Bahia. Aqui pranteio a sua morte. PIMENTA DA ALFANDEGA Veterano de Jacarépaguá, companheiro de Coelho Grey e de outros de sua tempera, com o seu mavioso bombardão. Ultimamente é aposentado da Alfandega, onde prestou relevantes serviços, razão porque, ainda hoje, é consideradissimo pelos seus collegas e superiores hierarchicos. PEDRO ITABORAHY Este distincto chorão, é

samba. é ouvir o heróe [047] ARTHEMIO Foi uma garganta de ouro. como conheceram. baptizados e grande ophiclidista. Itaborahy.– 60 – carteiro de 3. que elle conhecia bem. e sei o que vale. pois fóra disto ninguem andava. com meu violão posso dizer de cadeira. Valeriano foi um sejam casamentos. Eu que muito o acompanhei. tal a sua maestria neste instrumento. Quem quizer sentir o palpitar de coração. encanta. não admira. era preciso treino. Os dedos do chorão acima nas cordas do violão. mas de muito bom trato para seus amigos. Morreu assassinado em uma das ruas desta Capital a alguns annos. o que elle valia. jongo. pelo seu fino tratamento. Acompanhar certas modinhas do heróe acima. tal a maneira que elle dedilha o seu violão. só mesmo vendo.ª classe dos Correios e Telegraphos. Em chôros em que . Conhecia musica admiramais. Tinha uma voz maviosa que encantava a qualquer ouvinte. acima dedilhar o violão. quasi um impossivel. como invejo a sua proficiencia no solo de que Feliz daquelles que o toca com grandes dificuldades. velmente. é de uma velocidade. e lundús. Era atirado e valente. macumba. O acompanhamento feito por Itaborahy. nas suas maviosas modinhas. faz admirar a todos. Conheço-o muito. Nos chôros dos bailes. e elle sabe o quanto o admiro pela sua finissima educação. Não me admira tanto o seu JOÃO VALERIANO acompanhamento. Fazer elogio de Pedro Itaborahy.

não acredito que possa existir ! Lupercio. e quasi sou capaz de apostar que no Brasil inteiro não terá outro igual. Julgo. tal agilidade de sôpro e bom gosto que elle tinha na musica. as suas dedilhações naquelle pequeno por elle. como chefe exemplar.– 61 – acompanhava os grandes flautas. grande violão. e Ernesto Magalhães. oriundo de uma distincta familia. fazia sempre parte nos chôros com o grande flauta que foi [048] o immenso Quintiliano. era de admirar. Agarrava-se ao violão que nunca mais deixava. que muito o estimava pelo seu porte. tal era o seu gosto pelo chôro. que sempre foi. é como um Cometa que passa de mil em mil annos. e até mesmo no seio de sua muito nobre familia. LUPERCIO MIRANDA E' admiravel o ouvir-se pelo Radio. Nelle é um dom que trouxe . Paulino. que não exista quem toque. Privei muito com este chorão. Era muito procurado. Tocava tambem com Paulino. Era elle um dedicado amigo. que não me vem á memoria. Infelizmente hoje já tambem dorme o somno eterno. com maestria manejado. Valeriano. o grande trombonista Bellot. PAULINO Era Guarda Municipal. Esquecia de tudo neste mundo quando estava num chôro molle. Não quero dizer com isto. como Lupercio. não era só musico para acompanhar. como tambem era um solante de alto valor e saber. mas. não tendo quasi tempo para o descanso. e outros. O heróe acima era um chorão de facto.

e que as gerações vindouras talvez não traga outro. O a todos os componentes da seu instrumento era o sempre musica. lembrado ophicleide. Conheci-o pessoalmente e apesar de muito criança. e sei dar o valor aos grandes maestros. de seu ser. por ser fabricado alli este refrigerante. que naquelle tempo pois tinha prazer em supplantar era o luxo. apreciei muitas vezes tocar em bailes que se davam constantemente em uma casa alli no Estacio. que era conhecida com o nome de Gelo. ao Largo do mesmo nome. Daqui destas toscas linhas. Era um musico de respeito. que elle só deixando recordações e saudades. Tambem já não existe.– 62 – Leal era amigo e companheiro de Callado. Viriato. [049] Trabalhava muito em confeccionar botas para Era um genio nos chôros. chamado Bailly. Silveira. . Luizinho. digo para mim. manejava com maestria. fico absorto ao ouvil-o. montaria. pois acompanhava os flautistas acima com gosto e alma. que encantava a todos Estacio de Sá. e os meus sinceros parabens. com quem sempre tocava. que era de um francez. como é Lupercio. acceite Lupercio. morava na rua amigo. Foi chorão como poucos. haver um genio igual ? Tambem fui chorão. No Radio onde o escuto. LEAL CARECA Leal Caréca. será possivel. era um distincto Era sapateiro. que hoje julgo já não existir mais. quasi ao chegar que o conheciam. por este geio que tu és. um effusivo abraço. ninguem pode igualal-o naquelle pequenino instrumento.

e d'acola. e ficava num desespero horrivel. em fim um inferno para todos os conjunctos em bailes. Josino. e de ouvido. e nada. e botava a bocca. botava o instrumento nas costas. Josino. Oh ! decepção!. pois tocava fóra do tom. então ao muito repara.. muito padeceu na mão dos musicos quando descansava seu ophicleide enzinhavrado.– 63 – Paz á sua alma. jurando que na primeira opportunidade mataria. etc. soprando daqui. ficava uma féra. amassado em diversas partes. De maneira quando o flauta dava o sinal. JOSINO FACÃO Tocava pessimamente o ophicleide. detratando-os emfim. desafiando os companheiros para brigar. emfim fazia o diabo. sem rythmo. Josino.. muito soffreu com estas brincadeiras. emquanto os componentes da musica ficavam dado grossas gargalhadas. nem uma nota. O instrumento não dava uma só nota ! O que Josino muito encabulado dizia ao flauta. páre ! páre ! Mas o flauta que já sabia da brincadeira continuava. e arribava do "pagode" onde todos davam graças a Deus. deixando-o bem atrapalhado ! Josino. todo amarrado de elastico. Então.. areia. Os flautas não gostavam de tocar com Josino. por ficar livre daquelle "Maestro" !. esfolaria um. festas e mais. e alguns musicos por pilheria.. botavam dentro do instrumento. foi carteiro dos Correios onde trabalhou muitos annos tendo sido exonerado . Josino. pedaços de ossos dos assados. era grande trapalhão. feijão cru'. pois era costume do heróe virar a campana para cima. pois além de não conhecer musica. dava com o defeito. Josino pegava o instrumento sem reparar.

ALFREDO LEITE Alfredo Leite. onde esperei um omnibus para aquellas bandas. e assim findou-se um heróe. que era um verdadeiro Paraizo. pacientemente esperei outro. chegou o tal omnibus. visto por Vianna e Cupertino. já eu ouvia o mavioso som da maravilhosa flauta do Professor Cupertino. Depois de muito esperar. para assistir um conjuncto de chorões lá para as bandas de Agua Santa. Na chegada do segundo. Em passos cadenciados. foi um delyrio ! Vianna todo sorridente veio me receber á porteira dando-me um abraço que ainda sinto o seu contacto.– 64 – creio por abandono de emprego. cahe para acolá. [050] A BELLA VIVENDA DE MANOEL VIANNA Fui convidado pelo grande Professor Cupertino. onde habitaram nossos primeiros paes. da familia e tudo. infelizmente como o heróe acima já é fallecido. E lá fui no tal vehiculo que cahe daqui. não sem grande custo. pois quando mettia-se no chôro esquecia do emprego. Cupertino recebeu-me sorridente e agradecendo o meu . Já um pouco distante. e consegui entrar. emfim. tal o assalto da grande população que alli tambem esperava. lá cheguei com os orgãos internos todos soltos de seu competente lugar. Tomando um trem de suburbios. e com a roupa toda amassada. onde me foi impossivel embarcar. cheguei á casa. saltei no Engenho de Dentro. tomei coragem. Ao chegar á porteira da casa. Emfim. que era muito conhecido pelo appellido de Timbó. pisado. porque no primeiro fui completamente barrado.

agradando a todos os componentes do conjuncto. tocando com todos os seus accordes. que era o Heitor Ribeiro. Pois todos os chorões sabem que o cavaquinho é um instrumento que nestes chôros é de uma necessidades de grande valor. um grande chorão de violão. Heitor. O chorão acima é de uma educação finissima de um trato sem igual. apesar dos annos passados. Faltava alli um cavaquinho. Viriato. alto funccionario dos Correios e Telegraphos. e a . Silveira. que pousava em cima de uma cadeira. Estavam todos tocando em um bello terraço que tem a sua casa. que era uma delicia. tocando Callado. ainda me lembrava. Sentando-me em uma das cadeiras depois de ter cumprimentado a todos. de fazer admirar. eu então afinando-o comecei manhosamente a dedilhar contentando mais ou menos a todos. e tocando eu tambem este instrumento. Luizinho e outros grandes flautas antigos e modernos.Então Cupertino disse: Vamos a um chôro ? e collocando a sua maviosa flauta aos labios tocou uma bellissima Polka de Callado. Vianna trouxe-me um e entregou-me. [051] E então o Professor Cupertino. Lá se encontrava tambem. desfiou o rosario. é sublime no violão. . e assim fui fazendo um Mi menor com seus acordes. não só acompanha como sola com uma maestria digna de se apreciar. agarrei de unhas e dentes um mavioso violão. Lá tambem se achava a sua mais que distincta esposa. que eu felizmente. o que me fez ficar babado pelo gosto que sentia.– 65 – comparecimento ao seu convite. agarrado a um maravilhoso violão. toca com graça e arte.

de uma maviosidade sem nome. para elle era . E assim fiquei familiarizado com todos estes chorões. de uma agilidade nos seus dedos. e difficultosos. não só acompanha. só mesmo quem assistir. AARÃO Foi chorão de verdade. e sua distincta filha. fazendo no seu bandolim. Ernesto Cardoso. chotes. é que póde dar o valor de sua finissima educação. creou no mundo. pois dedilhava com gosto e alma. e tambem da sua exma. não se pode descrever. me deixando embasbacado não só pela graça de seu acompanhamento. familia. de uma educação aprimorada. como tambem do seu solo. Solava como poucos. especializando Vianna. Nadinho. valsas. e meus agradecimentos a todos os componentes deste bello conjuncto de harmonias. Vianna é um violão inveterado. como tambem sola admiravelmente. O violão na mão deste heróe era de admirar. Fazia o centro do conjuncto o Nadinho. os seus solos facil. [052] O seu acompanhamento era mesmo de endoidecer. mazurkas. esposa. faz a gente esquecer Patria. impossivel de poder descrever nestas toscas linhas. que é um velho amigo de quarenta annos. tambem atracado no seu choroso bandolim sabia fazer a graça naquelle instrumento. O tratamento dado por Vianna na sua bella vivenda. como seu pae. violão que foi. e tudo mais que Deus. segredos de encantar. como tambem a sua mãe. chorão no bandolim.– 66 – sua gentil e encantadora filhinha. toca este instrumento como gente grande. Aqui fica a verdade de tudo. o seu acompanhamento é de uma belleza admiravel.

dos chôros da velha guarda. os O seu desapparecimento deixou que commungam com os meus um grande vacuo. que Deus. tal a sua agilidade nos seus recordações e saudades. encontrarão erros absurdos a sua palavra facil de trocadilhos nas minhas narrativas. aposentando-se ainda vivem !. amigo inseparavel de em nossos corações de velhos. Conheci ainda moço. revivendo as alegrias. mas o repentinos e inspirados pela velho Alexandre. Quem não conheceu o Velho para ser criticado e sim para relembrar tudo que passou. e saudoso folião. Paula Ney ? chefe telegraphista da E. entre os sentimentos de apaixonado chorões da velha guarda difficil veterano. dedos. Ha muito que não o vejo. era . e não voltam verve. e O VELHO BILHAR muito tocamos em todo o suburbio.. B. não escreveu bondade do seu grande coração. Leitores perdôem todos os com quarenta annos de serviços erros. julgando foi um astro que só apparece de seculo a seculo. que neste tambem já fallecido. e estimado.. a sua intellectualidade. que venho destacava como um sol que descrevendo relativamente ás brilha e rebrilha supplantando as personagens. mas façam justiça a este sem ter nunca perdido um dia o folião. conhecido. F. dos antigos batutas tristezas. planeta foi o pharol. além de ser um pouco rabiscar estas linhas de gago sabia dizer com graça. e que Bilhar. onde elle era O inesquecivel Satyro Bilhar. conservou para Bilhar. C.– 67 – sôpa. dos de ser preenchido tal era a sua dias que passaram. e mais. que illuminou a bohemia entre os AOS LEITORES grandes bohemios onde elle se As reminiscencias.

Parece-me estar ouvindo ainda elle dizer: "Tu és uma estrella de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá. Bilhar. era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos accordes.– 68 – myope de verdade. era uma casa cheia. no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença. nas harmonias. pois os grandes chorões ainda não conseguiram imital-o e reconhecem que Bilhar. Quando elle acompanhava um chôro. era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas familias. gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar. porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia. eram estes os dictados e as modinhas do repertorio de 40 annos do velho Bilhar. as moças o rodeavam. foi o rei dos accordes. afinal. o velho Bilhar. as [053] posições com que o Bilhar tirava os seus accordes eram tão difficeis que só elle sabia fazer. o Bilhar. e que tinha uma passagem que lhe agradava elle pedia ao cantante: repete por favor. as ondas são anjos que dormem no mar. e tinha producções suas. O Bilhar tambem conhecia as musicas classicas. era um encanto vel-o solar a sua tradicional polka "Tira Poeira". no piano tambem era um chorão. tá errado com o velho Bilhar. como os arpejos d'arpa e Melodias. no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. onde elle estava. com o seu tradicional pince-nez. presas pelo seu fino espirito de graças attractivas . razão porque apesar de sua grande bohemia. Quando um flauta tocava um chôro elle dizia: "Virgem Maria isso p'ra mim é agua com assucar". minha familia é minha vida inteira ! e viva São João p'ro anno.

MANDUCA DE CATUMBY [054] Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição. era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões.– 69 – imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. sabia tirar partido nos chô- . e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo. ainda possuia uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados. concentrado. typo idoso. em bora não tendo elegancia. de seu tempo. Aqui. fazia proezas nas cordas de tripas. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos. fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda. eis porque digo que Manduca de Catumby. era calmo. pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento. de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca. trabalhava numa litographia na rua da Assembléa. Manduca de Catumby. fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham. e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão. porém. modesto. de côr parda. ros que executava. nestas linhas. trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro. sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões. porque se sabia conduzir entre outros chorões.

que com uma ponta de cigarro no canto da bocca tornando-se indefferente aos applausos feitos por estes maestros chorões. compositor de diversas musicas. a sua tonalidade de quatro cordas para cinco. inegualaval no meio dos chorões. continuava victoriosamente o curso proficiente de um artista de valor. por esta razão o seu nome é sempre citado em todas as reuniões dos chorões antigos. Era também grande tocador de violão. conhecido chorão pela facilidade com que executava as musicas daquelle tempo em sua harmonica. JOÃO DA HARMONICA João da Harmonica era de côr preta. e a convicção das notas vibradas pela palheta encantada de Galdino. emquanto isso Galdino. conheci-o em 1880 morando á rua de Sant'Anna nos fundos de uma rinha de gallos de briga. continuava com o seu cavaquinho de quatro cordas tirando infinidades de tons e combinações de acordes que me é aqui difficil de descrever. e que atenho . Exercia a arte colinaria bom chefe de familia e excelente amigo e grande artista musical. só aquelles que privaram com elle poderão dizer o valor de sua capacidade no manejo deste difficil instrumento. aonde elle foi o unico educador deste instrumento que se chama cavaquinho. este grande artista. tal é a magia.– 70 – GALDINO CAVAQUINHO Mestre dos mestres. que se celebrizou com o seu aprendiz Mario. cujo discipulo venceu naquelle época todas difficuldades do instrumento transformando. pois acompanhava musicos de nomeada que quando viam elle entrar com sua harmonica ligavam pouca importancia para depois ficarem extasiados e deslumbrados pelos accordes feitos pelo criolo.

nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção. era typographo. por este motivo executava com muita cadencia. tal era o seu enthusiasmo. em Piedade. de quem se tornou um fervoroso amigo. pela anciedade de sua presença. foi um grande bohemio e um grande chorão. Lica. dava sempre preferencia em acompanhar flauta. entrava nos salões arrancando applausos da assistencia. conhecedor de seu mecanismo. sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão. Ninguem como o Lica. fazia gosto vel-o tocar. conhecia o seu instrumento de mais. depois Lica. por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia. fazendo uma carranca na barriga. tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas. pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia. nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade. foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo da batuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros.– 71 – no meu archivo algumas dellas. morava na rua Sá. tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical. . houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões. [055] LICA Lica. cavaquinho e violão. bombardão falado e conquistado. a chegada de Lica. fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um panno branco. Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra.

sempre foi e ainda é muito operoso. José. conservando uma li[056] nha irreprehensivel. da menina Ivone. executora de musicas classicas ao violão. e cavaquinho pae. como seu director de harmonia. como contra baixo de cordas. muito cooperou para o seu titulo de Rancho Escola. JOSÉ CAVAQUINHO José Rabello da Silva. veio para o Rio ainda muito jovem. de São Paulo. nasceu em Guaratinguetá E. applaudida por artistas scientificos que não regateiam seus applausos dispensados a sua filha e discipula. Tal a macieza de seu sôpro. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas. Elle se sente ufano pelo progresso da mesma. tambem é um flauta de nomeada e já teve a sua grande época tocando nos cinemas mais frequentados do Rio. elle foi um dos fundadores do Ameno Resedá. conhecido na roda dos chorões por (José Cavaquinho) por ter sido o cavaquinho o instrumento de sua iniciativa no circuito da velha guarda.– 72 – Lica. fazendo nas suas notas um violão. autor de diversos methodos de violão. e . José Cavaquinho. foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda. por esta razão ainda não adoptou as cordas de aço conservando as de tripas como uma tradição. director de canto. José. ao lado de Antenor de Oliveira e Napoleão. estimado pela sua sympathia communicativa e attenciosa. é um violonista de folego e escrupuloso em tudo que se prende ao violão. propriedade esta que muito se une aos seus dotes de artista e excellente professor que é.

– 73 – outros elementos levaram este rancho ao apogeu que teve até a gloria de entrar no palacio do presidente da Republica ! O autor deste livro e toda gente sabe que José Cavaquinho. uma quadra de Catullo. etc. e até no estrangeiro. pois é elle um grande educador do violão. e ainda os cantores modernos adoram as suas canções e todas as vezes que cantam as modinhas do grande mestre. Actualmente é funcionario do M. Tambem é autor de diversas musicas como sejam: Miragem. CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE Catullo é o sol que ainda com os seus fulgurantes raios dá vida á modinha brasileira ! pois foi e continúa a ser o trovador acclamado em todo o Brasil. as suas letras musicadas fizeram época. são muito festejados pois fazem nascer nos corações do pessoal da "corôa" as saudades dos tempos passados que não voltam mais. despertavam quarteirões inteiros para apreciarem os cantores daquella época. Ypiranga Tango Guanabara. poeta verdadeiro. que eram . tendo preparado muitos bons violonistas. e os tempos que lhe sobram da repartição lecciona violão. porque tudo que é muito nosso [057] vae desapparecendo pois com o "progresso" não existem mais as musicas melodiosas que arrancavam do grande cerebro do poeta as canções de amôr. da Agricultura. é um poema. valsa. e de tristeza que em tempos que já se foram das grandes serenatas nas lindas noites de luar. o campeão de harmonia Ameno Resedá. é o senhor do segredo das harmonias dos cantos carnavalescos que tanto deliciou o povo carioca.

. emquanto isso Catullo. estava o Bilhar. o maior trovador esta glorificado e ultimamente tem se dedicado a outro genero escrevendo poemas sertanejos que são uma verdadeira joia da poesia brasileira.– 74 – dotados de voz linda e forte. Macario. Irineu Batina. tal eram as melodias dos accordes que elles arrancavam nos acompanhamentos de suas modinhas. Martha meu amôr. havia entre ambos uma grande amizade por conseguinte em todo chôro que estava Catullo. o autor destas linhas commungou muitas vezes com Catullo. Mario Cavaquinho. em casa do Ripper de gloriosa memoria. Souza Pistão. O que amenidade. Irineu Pianinho. remodelou todas as modinhas de autores antigos corrigindo-as dos erros grammaticaes fazendo uma verdadeira recapitulação dando novas feições ás mesmas. e o "pinho" em suas mão pareciam ter magia. Patricio. Vae o meu amôr ao Campo Santo. João Salgado e muitos outros que lhe inspiraram com as suas musicas as letras para as seguintes modinhas: Talento e Formosura. Carramona. Escreveu diversas peças theatraes como seja: "O Marrureiro". Quincas Laranjeira. Luar do Sertão. Pernambuco. Néco. Catullo e Bilhar era uma dupla respeitada pelos chorões da velha guarda. como sejam: Anacleto de Medeiros. Como todo mundo sabe Catullo. Lica. Não vel-a mais. Conviveu com os maiores chorões daquelle tempo. Bilhar e José Martins. João dos Santos. Hoje só imperam as musicas estrangeiras barulhentas e irritantes ou então os sambas e marchas que tem glorificado alguns cantores modernos. tanto assim que há muito não apparece uma nova canção de Catullo. tem mesmo saudades dos antigos trovadores que interpretavam as suas producções com tanta alma.

Quincas foi o continuador de Catullo. eximio violonista. de maneiras esplendorosas. grande artista. sem que a nossa imprensa lhe prestasse as honras que merecia. elevando-o até ao Conservatorio de Musica para depois ser conquistado pela nata social. deixou muitas producções. começando quando elle. partindo com elle todas as suas illusões de um artista que elevou o seu nome e de seu instrumento o violão. Aposentou-se no posto de escripturario. na qualidade de porteiro de hygiene. Quincas Larenjeira. attendia o publico com presteza e a delicadeza que lhe era peculiar.– 75 – o inesgotavel em seus discursos. seriam precioso todas as paginas deste li[058] vro. Como funccionario Municipal. QUINCAS LARANJEIRA Quincas Laranjeira. que teve nelle um pedestal de glorias. Catullo. era bom amigo. nos salões aristocraticos do violão. como executor e professor era valorizado. modesto e attencioso. que digam os seus innumeros discipulos que tanto o consideravam pela maneira affavel que dispensava aos seus alumnos. elle. era fiel cumpridor de seus deveres. sempre teve a sua época e finalmente desappareceu do meio de seus amigos e dos chorões da velha guarda. era primus interpari no circulo dos grandes chorões de violão. por isso tinha em cada collega do chôro um verdadeiro admirador de suas excellentes qualidades. onde o violão tem primazia manejados por . para se fazer a biographia de Catullo. foi mestre de escola e usava sobrecasaca. hoje é o Ghandi da modinha brasileira e dos poemas sertanejos.

João dos Santos era nortista. muitos bons chôros onde clarinetistas mais chorões d'areunia-se a flôr dos chorões. "Gardino". com signaes de bexigas. pois o seu JOÃO DOS SANTOS clarinette tinha magestade da João dos Santos pertencia á melodia da harmonia dos soluçantes que banda de operarios do Arsenal queixumes de Guerra dirigida pelo Boco extasiavam todos os auditoriso e professor de nomeada que com a dos chorões musicistas que não sua requinta tirou distincção no lhes negavam os seus applausos. "'nós seus mêmo" e outras phrases assistentes. Parece-me estar vendo e [059] ouvindo os gemidos da sua quella época onde os bons clarineta acompanhada por . de rosto descripção privou com elle largo. ahi é que se podia tinha boa pronuncia por isso apreciar o inesquecivel João dos tornava-se engraçado quando Santos melodiar em sua clarineta chamava os amigos de magica enchendo de alegria os acompanhadores e "cumpade". 3. era um dos residencia no Becco da Batalha n. onde este tinha a primazia entre os seus collegas. não das festas. Tinha um dos dedos tempo a continuação do chôro e polegar cortado ao meio. O protagonista desta meio dos chorões. em sua identicas. muitas vezes em chôros e baixo. João dos Santos. Elle também dava.– 76 – tocadores do quilate de Quincas musicos eram disputados pelos seus valores de bons executores Laranjeira. tinha uma perna mais ficavamos para o enterro dos curta do que a outra e um pouco ossos como se chamava naquelle arcadas.

pouco mais ou menos quem foi o nosso sempre lembrado João dos Santos. e cahiu logo no chôro dando uma grande vida á festa com as marcações de quadrilhas. só faltava falar. discursos e afinal foi a alegria da festa. campeão de harmonia entre os seus congeneres. Era o maestro que aproveitava as melodias dos passaros. e dahi ha dias João dos Santos.– 77 – violões. em mangas de camisa. E assim. dos . o chefe do chôro foi chamado para entender-se com o recem-chegado a quem com toda attenção mandou entrar fazendo apresentação ao dono da casa na forma do estylo. chegou um tá de "Carvacante". Eis ahi. Uma vez elle estava tocado em um chôro. O apresentado chamava-se Esculapio. que escangalhou o pagode todo. o Néco. de quem era irmão. cavaquinhos e outros instrumentos que faziam um mundo de harmonia. e ás paginas tantas chegou um personagem procurando por um violinista de nome Néco. na intimidade João dos Santos. não compareceu. com uma toalha de feltro ao pescoço para enxugar o suor que lhes descia em borbotões. o teu irmão Chico Escalope" foi quem fez a festa que correu "as mi maraviás" mais adepois seu cumpadé. [060] ANACLETO DE MEDEIROS Nasceu na ilha de Paquetá e morava na rua da Ajuda com o inesquecivel humorista Moreira da Imprensa Nacional. sendo elle. foi tambem um dos melhores elementos da orchestra do Ameno Resedá. descrevia em notas vivas como tinha decorrido o chôro e assim se expressava: "Ah ! seu Néco. fazia tanta coisa com a sua clarinetta que esta. muito conhecido dos chorões daquelle tempo pela sua verve espiritual. João dos Santos.

foi um grande leccionador de musica. do trinar dos apitos dos guardas-nocturnos. Anacleto. .– 78 – apitos das fabricas. assim como um mestre de muitas bandas particulares deixando muitos discipulos que fizeram honra a seus dotes de professor eximio. Como mestre da Banda do Corpo de Bombeiros elle immortalizou-se. com a sua intelligencia e devotamento. Como maestro ensaiador transformou a Banda do Corpo de Bombeiros em um conjuncto de musicos professores que o respeitavam e o obedeciam. do badalar dos sinos. das cornetas dos tripeiros. Privando com elles na maior intimidade no mesmo nivel de igualdade os acompanhando para o chôro onde sobresahia com um inegualavel executor no seu saxofone que era o seu instrumento predilecto. quando não tinha na mão a batuta era um cordeiro de mansidão. dos toques das buzinas. Era uma pomba sem fel e um sincero amigo dos seus subordinados. Por elle eram todos esses rythmos aproveitados para as suas sublimes composições. trabalhou corrigindo. e de tudo que formasse uma nota bôa ou semitonada. Os chôros organizados por Anacleto faziam falar os mudos e movimentava os paralyticos. desatinava a mocidade e trazia a juventude nos corações dos velhos. modellando e aperfeiçoando. todos os seus comandados com a magia de uma grande vara usada por elle nos ensaios a guisa de batuta que fazia obedecer os seus alumnos. dos automoveis. na maior rispidez de suas energias. As competições musicaes de Anacleto são conquistadas e admiradas por todos os chorões. Porém. era um director de musica caprichoso e violento. pois Anacleto.

era um tigre que fazia tremer de susto com a sua presença o continuo José Pavão. eis porque o sr. era exquisito. não fazia as suas refeições sem tomar daquella agua que passarinho não bebe. Ahi vae o reverso da medalha: o sr. era em casa de familia um gallo capão governado pela sogra dona Catharina. usava oculos pretos. razão esta porque elle andava sempre tresnoitado. não respeitando os domingos nem os dias santificados. dona Bernardina Ramos. Amaral sempre o censurava. era severo no regimen do mando. dava-lhe vomitorios. calculem pois o leitor. nariz adunco. fazia inqueritos constantes para descobrir suas maldades. Em um dos dias do mez de fevereiro de 1890 a dona Catharina sogra de . Seu Amaral. que era um cabra sarado e conhecido em todas as rodas do chôro. a inferneira que reinava no lar de seu Amaral. de rosto descarnado. Amaral era um chefe de secção aposentdo da Conta[061] bilidade de um de nossos Bancos. ciumenta de primeira marca. Amaral. que farejava a sua roupa e toda a sua papelada. era uma velhota de cincoenta e tantos annos. A esposa do Amaral. e quando empunhava o seu violão esquecia-se de todos os seus deveres. autoritario nas suas resoluções. fronte alva de entradas quasi chegando á calvicie. UM CHORÃO APOSENTADO O sr. uma martyr soffredora do hysterismo pois dava meia duzia de ataques diarios. queixo redondo de onde sahia a guisa de espanador um cavagnac grisalho.– 79 – composições estas que deixo de enumeral-as aqui por serem todas ellas conhecidas pelos chorões da velha guarda.

. reduzindo a expressões mais simples a . e em bello improviso enaltece as qualidades de José Pavão. fez annos e deu um grande "pagode" aonde reuniram-se: Bilhar. fazendo uma apresentação de seu excontinuo. Galdino. Catharina. Néco. o auditorio foi surprehendido suppondo que o José Pavão tivesse endoidecido. José Pavão. Juca Kallut. neste momento Bilhar. quando avistou o seu ex-chefe pulou pela janella e cahiu em cima de uma mesa cheia de louças de porcelana reduzindo tudo em cacos !. que acompanhava o chôro encostado a uma janella e a perna em cima de uma cadeira. Cavaquinho. pede a palavra. José Pavão. tambem sur[062] presa pelo acontecimento pediu explicações ao José Pavão. que tremendo de medo escondia o rosto para não ser visto pelo Amaral. todos estes personagens eram convidados de dona Catharina. esqueceu-se do prejuizo da louça e deu uma formidavel gargalhada e dando o braço ao José Pavão. e foi no auge de uma polka saltitante cheia de passagens e remeleixos. Dona Catharina. Catullo. foi ao encontro de seu Amaral. Luiz Brandão. como pessôa grata de sua familia. ex-continuo de seu Amaral. ordenando que daquella hora em diante respeitasse o sr. e tambem o José Pavão. Manduca de Catumby.– 80 – seu Amaral. que entrou pela porta principal o seu Amaral. maxixados da autoria de Callado.. e explicou a matrona farrista o temor que lhe causava a presença de seu ex-chefe de repartição por ter sido elle um de seus maiores algozes durante os annos em que trabalhou sobre suas ordens no Banco ! D. que quando via um bom chôro perdia a cabeça expandindo apaixonadamente as suas alegrias.

. ao lado do grande Romeu. MINHA INFANCIA Ah. E depois no Ameno Resedá. com seu instrumento favorito que nesta época era o clarinete que manejava com grande mecanismo. Amaral humilhado retirou-se e o chôro continuou dois dias !. ao lado do grande maestro Romeu Silva. Pombos. minha bella infancia ! onde passei nas brenhas do nosso interior das antigas Provincias do Rio de Janeiro. debaixo dos applausos de dona Catharina sua sogra. e divino sôpro. Depois evoluiu de accôrdo com o progresso desta cidade maravilhosa. Em casa de meus paes onde tinham pouso para descanço das suas perigrinações os foliões da bandeira do Divino. O MALAGUTA Conheci como Director de Harmonia da Flôr do Abacate. ainda recorda aos meus ouvidos o rhytmo da cadencia langorosa de suas canções. tambem. Recebeu pois Malaguta do autor deste livro os sinceros applausos.– 81 – hyerarchia do sr. e outros. onde tenho a lembrança dos foliões que cantavam tirando para o Divino Espirito Santo.. Amaral. frangos e fitas adornavam o symbolo da divina ban[063] . O nosso bom Malaguta foi depois director de um rancho que chegou ao apogeu lá pelos lados de Botafogo. Hoje elle é um dos grandes executores do saxophone. e sua esposa don Bernardina Ramos e de todos que tomavam parte no pagode ! O sr. regendo com maestria Jazz-Band e Tuna Mambembe.

sua voz é de uma doçura impossível de descrever-se. que diga aquelles. que elle tinha em seu repertório inesquecível. de uma sublime suavidade. não toca. entre arrufos de adufes de pandeiros e melodias da rabeca e da viola que gemia dolente sobre a prima e a terceira do tom que trazem aos nossos ouvidos as seguintes quadras: Veja que horas são estas Ainda estamos sem jantar E andamos todos os dias Cantando a peregrinar A visita consagrada Deus do céo que vos mandou Queira nos dar a pousada Jesus lhe paga a favor O Divino pede esmola Mas não é por precisão Só pede para conhecer Os devotos quem são Eu venho villa e villa Em comarca e povoado Trazer a luz do Divino Dando todos o bom agrado ANGELO PINTO Companheiro de saudosa memoria. Ahi vão umas quadrinhas compassadas e rufladas ao rataplan dos tambores. Era um amigo dilecto do chôro deixando com a sua morte um grande claro entre os trovadores chorões daquelle tempo. fraco violão. O violão nos dedos de Lily. garganta de ouro. Lily. e musicista. Falleceu como carteiro aposentado. chora e diz as maguas que sente.– 82 – deira. A sua voz encantava. nos . Ella é uma camarada sincera. canta como poucos. que como eu. tiveram a felicidade de andar com elle nos chôros. ao tilimtilim dos ferrinhos. LILY S. nas modinhas ternas. PAULO Eximia violinista. de grande valor.

não sabendo se reformou-se no chôro como quem escreve este livro. escuta Lily. muito com elle aprendeu. festa tradicional da nossa historia em que a estrella . As familias se reuniam para festejarem desejando as bôas serenatas. finalmente para toda realização dos bons ideaes.– 83 – convites para o chôro não dá para traz. que desfraldava a bandeira da esperança de um anno cheio de prosperidade encastellado de projectos de alegria idealizado pelos namorados. que era o rei dos accordes. [064] AS NOSSAS FESTAS Vem de muito longe as coisas que nos interessam hoje comquanto tenham passado por immensidade de remodelações. Também era estylo deste tempo os cartões. (pudera não ser) ella. Sylvestre. de maneira que. ella ainda tem o cunho da antiguidade pois os factos demonstram prosperidade da rustica tradição que calam em nossa alma e em nossos corações as saudades de tudo aquillo que podemos observar e conhecer de perto em nossa infancia. Esta chorona ha muito que não vejo. as cartas. está sempre prompta. tudo tem prosperado supplantando os factos e os costumes da antiguidade. Depois os Reis. sendo uma companheira de chôro do sempre lembrado Bilhar. Com o correr dos tempo tudo tem evoluido. logo diz alli está o Bilhar. Quem é capaz de ter no esquecimento as festas de fim de anno das épocas remotas que começavam pelo Anno Bom ao romper d'alvorada. e maviosos chôros em louvor a S. os telegramas de felicitações de parte das pessôas de relações de amizade que se resentiam quando de serem felicitadas pelas pessôas íntimas. E' especialista nos accordes.

dos blocos. padroeiro desta Cidade Maravilhosa. E musica que inspira. Depois o Carnaval com as cinzas precursora da Semana Santa. realizações de casamentos e baptizados.– 84 – annunciou e apontou no Oriente o Nascimento do Menino Deus que se chamou Jesus. Nesta data movel que reproduz a tragedia do Calvario a Ascensão do nosso divino Salvador começam então as festas immoveis seguidos do rito catholico que espontaneamente louvam e festejam os dias da tradição idas e probas ephemerides e anniversariantes das familias do Brasil. que se vão. antes mais. e que foi o nosso Salvador. de . O brilho desta estrella illuminou e apontou aos tres Reis Magos que chegaram no dia da Epiphania a vigilia das pastorinhas do advento do anno que começa dahi seguindo para o glorioso dia do Martyr São Sebastião. que tinha o esplendor das festas de todos os lares familiares. reanima. influe em todos os corações a alegria e o enthusiasmo dos foliões musicistas que no tempo da antiguidade organizavam chôros que iam de villa em villa. dos cortejos dos ranchos. O ornamento maior do Carnaval de accôrdo com as fantasias e as chimeras da loucura que impera o rei Momo deus da Folia e da gargalhada na organização dos prestitos allegoricos. e dos antigos cordões. bailes cheios de alegria organizados por chorões que com as suas harmonias deliciavam a grandeza deste dia. do que agora se venera de outra modalidade de ac[065] côrdo com o Radio e a influencia do tempo e da bolsa do camarada que vive satisfeito com os problemas da vida financeira e economica. dia este.

da missa do Gallo. as festas se prolongam com musica e harmonia em louvor a este dia. segundo o Christianismo. accendem-se os turybulos que incensam os fieis. Oh ! que reminiscencias que tenho das festas destes dias que já se foram! como o glorioso Natal do Nascimento do Filho de Deus. E depois vem o Domingo de Ramos.– 85 – cidade em cidade. um dos maiores da historia. dos limões de cheiro e até dos baldes dagua e das bisnagas de accôrdo com os costumes daquelle tempo. que em romaria prestam homenagem ao Filho de Deus. no correr do anno. O CARNE ENSOPADA Seu Gaudencio empregado como abridor Alfandega. é uma festa universal onde a musica Divina enche os corações de alegria. enfrentando o entrudo da agua. que era naquelle tempo o esplendor harmonioso do amor dos corações de todos os devotos. Depois a Conceição festiva com todas as suas tradições de casamentos e baptizados. festas estas que tinham resplendor e devotamento em cada um chorão da velha guarda. Ornamentam-se as Igrejas. que espalhou o balsamo consolador pela humanidade soffredora com a divindade do pão e do vinho. Depois a Paschoa. dia que faz feliz os namorados christões. O Natal. os innocentes. eis aqui em pallidas e cinzeladas palavras a transcripção das grandes festas dos tempos que passaram. por motivo que convem guardar segredo demittido e ficou andando alli na con[066] era da me foi por . Os lares se transbordam de alegria. festival que significa a Redempção Espiritual passagem da Ressureição.

e foi logo se misturando com o pessoal do sereno com o olhar activo para descobrir um conhecido que lhe desse um ingresso. e virando-se para o cosinheiro dizia "tire uma carne ensopada". Bernardino. O seu Gaudencio comia em um frege-mosca que havia em outros tempos na travessa do Rosario. tocador de flauta de cinco chaves. e formou em frente á janella que dava para o pessoal do sereno que grita logo: bravo do Carne Ensopada ! E elle virando-se para a dama disse: não faça caso minha senhora. elle procurava uma casa de pasto no Largo da Sé de propriedade do Sr. e quando via o seu Gaudencio entrar dizia: "bom dia meu camarada". O sr. Bernardino que tinha um caixeiro mulatinho chamado Timotheo. isto é uma canalha. mas quando as coisas lhe corriam bem. e o nosso camarada não encontrando um par. foi caminhando até á cosinha para arranjar uma dama que era a mulher do dono da casa. que era tambem servente da Alfandega e morava lá para os lados da Gloria e tinha um Café volante no portão da Alfandega ao lado do Mercado Velho. tinha uma veia poetica e servia a sua freguezia versejando. e não demorou muito.– 86 – vivencia dos seus conhecimentos e afinal enconstou-se ao inesquecivel Raymundo. dava preferencia á Carne Ensopada. Era uma casa especialista em angu' á bahiana mas o seu Gaudencio. Elle embarafustou-se pela casa a dentro no momento justamente que estavam formando uma quadrilha. O seu Gaudencio chegou. tinha grande predilecção por Guerra Junqueiro. é uma cambada e começou a proferir palavras . que por signal tinha o seu retrato em um grande quadro á entrada do seu estabelecimento e de vez em quando recitava um Alexandrino deste saudoso poeta portuguez.

direita á seus pares. é irmão da grande violinista Lily. Maneco. e retrucou com palavras obscenas estabelecendo-se uma grande [067] confusão. sangê anarriê. o homenzinho ficou daquelle geito. o chôro continuou tornando-se cada vez melhor com a chegada do Bilhar. Foi ahi que o sereno em pêso bradou: "Ahi seu Carne Ensopada ! Não queiram saber. dava o seu verdadeiro . tal foi a sua precipitação quando entrou. e já estava na quinta parte quando gritou: prepara para o grande "granchene". O seu Gaudencio foi posto do baile para fóra.– 87 – rebarbativas. em cima do chapéu do Carne Ensopada. No momento de sahir não sabia onde tinha botado o chapéu. S. e os dois juntos em uma festa faziam os encantos. que ainda mais desatinado ficou dizendo para a dama: Não tinha outro logar para sentar-se. esquerda com esquerda. mas depois lembrou-se que tinha posto encima de uma cadeira. onde se tinha sentado uma senhora muito gorda. não só nas cordas do seu violão. sangê. é sublime. Eu nunca mais tive noticia do Gaudencio o "Carne Ensopada". PAULO Bem poucos existem como elle. mavioso. Ah! começou elle a marcar a quadrilha. e só se ouvia o pessoal do sereno gritar: O Carne Ensopada foi barrado ! Fóra o Carne Ensopada. sangê double. sem ser em cima do meu chapéu sinhá sapaintanha ! O leitor não pode imaginar o sururu' que houve. Leal. como tambem como cantador de modinhas. sahiu a vaia foi formidavel. Quando o seu Gaudencio. grande promenade. Depois desta ovação de desagrado. João Thomaz e Chico Borgs.

bradou logo: Guardem distancia senhores que eu quero entrar com meu jogo ! Cruzes meu Deus. e por sua alta recreação. Quando chegaram. Em uma occasião. Aqui nestas linhas eu transcrevo uma homenagem merecida a S. convidou um penetra-mór. meu muito digno collega. o baile estava molle. em ponto de bala. carteiro do Correio Geral um primoroso chorão que não concluirei este livro sem que faça a sua biographia. Acerta o passo pessoal ! . Paulo e á sua irmã Lily. mulato sarará.– 88 – valor á mesma. O chôro estava destes que faz levantar defunto do caixão. Lily cantava e seu irmão acompanhava. tocador de trombone e bombardino de saudosa memoria. e começaram a virar no passo de siry-candeia. vamos ao nosso Alma de Maçon que farejava um chôro como quem num sabbado do meiado do mez corre atraz dos dinheiros para o "Boi com abobora" do domingo. e a vice-versa ficando assim os circumstantes embriagados com tanta suavidade. O Alma de Maçon. Era um rapaz magrinho. até parece que é alma de maçon. foi convidado para um chôro lá para as bandas da Terra Nova. e que se distinguia no meio dos penetras daquelle tempo. mas como era distante da cida[068] de teve mêdo de ir sózinho. Pois bem. ALMA DE MAÇON O Alma de Maçon trabalhava na Imprensa Nacional. Foram logo evadindo a sala e cada um tomou a sua dama. de sua tempera e ás paginas tantas seguiram elles para o chôro depois de terem bebericado bastante. Eu o conheci por intermedio do Ismael Brasil.

Eis a razão que no tempo em que eu andava pelos chôros em logares estranhos. respeitado na roda. O senhor com quem elle falava era o dono da casa. Neste ponto o dono da casa lhe perguntou: Quem foi que lhe convidou para esta festa ? O malandro respondeu: isto não tem importancia. o dom de prender as suas amizades. typo alegre. O senhor está vendo aquella mulata velha que está ao lado da pequena com quem eu dansei ? tambem é um pancadão. por isso. com o predicado do passarinho cabo[069] .– 89 – Quando terminou a polka chorosa que faz mexer o osso. que foi apontado pelo malandro por quem tinha sido convidado. Nunca pensei que esta meleca estivesse tão bôa. tinha. fazia questão fechada de. o convidado do Alma de Maçon. dirigiu-se a um senhor idoso que se achava enconstado a uma janella e todo prosa e risonho disse: Estaes gostando da maxixada ? Dansei agora com um mulatão da ponta da orelha. Neste momento appareceu o Alma de Maçon. pois. sympatico. Oh ! si tem ! faça o favor de me mostrar com quem veio. a mulata e velha. e outros attractivos. e a pequena com quem elle dansou era sua filha. e vão sahindo antes que páu ronque. Eu só vim aqui p'ra vadiar com estas morenas. Então o dono da casa observou com toda calma: Um convidado convida outro. tomem os seus chapéus. LUIZ BRANDÃO Chorão de tempera. e o dono da casa bota dois na rua. antes de mais nada ser apresentado ao dono da casa para não acontecer como aconteceu ao Alma de Maçon e ao seu conviva. e tem ainda. era a sua senhora.

todos os outros passarinhos. a sua prole augmentou consideravalmente lhe sobrecarregando de deveres que elle sabia cumprir. Dizer qum foi Brandão. Elle constituiu familia muito moço ainda. no meio dos chorões. para resistir ás noitadas. O autor deste perfil. Felisberto marques. que com o seu assovio reune. ta era a sua bagagem de occurrencias agradaveis no meio de seu convivio. tinha que fugir para não dar o prego. prendendo os auditorios com os gestos e maneira com que acompanhava. de quem era compadre e amigo incondicional. Geraldo João dos Santos. naquelle tempo. Assim era o Brandão. sendo digno de ser apreciado. Nos chôros pela suas verve e maneira agradavel no meio do pessoal elle se distinguia pelo alegria que emprestava a si mesmo. sendo por isto muito conquistado pelos seguintes solistas: João de Britto. Carlos Espindola. andou . Morou uns tempos com o Bilhar. Assim entrava mez e sahia mez. tal era o grão de sympathia que tinham por elle. era grande autoridade nas finanças fazendo até. e elle parecia até um homem encantado. Onde elle estivesse era sempre rodeado pela tropa dos chorões que iam ao seu encontro prestar-lhes homenagens e com elle trocar idéas. torna-se para mim difficil. Elle tinha um repertorio de modinhas de assombrar que as cantava e acompanhava com gosto. pois não havia um só dia em que o nosso amigo Brandão. pois o Brandão. Henriquinho e muitos outros. milagres. ficando por alli até que elle finalizasse o seu serviço. Não havia que pudesse imital-o. forjado de ferro.– 90 – rê. e aquelle que quizesse fazer. não tivesse um convite para um bom chôro.

Já está um pouco usado. Sempre foi distinguido pela nata social. um filho. E' methodico. tem se conservado solteiro. [070] Sempre primou pela sinceridade em todos os seus tratos. deixando como substituto. Elle começou como aprendiz do Arsenal de Guerra. Hoje elle está aposentado. escrupuloso nas suas amizades de quem faz sérias selecções.– 91 – muito com elle. e o respeito com que se impõe . logar este. E' bom. Nictheroy. Não é um celibatario. B. que occupou com brilho. e mais tarde continuo da Portaria da Alfandega. com as pessôas que não são da sua intimidade. depois. esta que tem predilecção pelo seu violão. retirado dos pagodes. facto este. dignidade e dedicação. Foi ultimamente aposentado como Guarda Municipal. que se deu com muitos outros camaradas. porém. chorão no violão. só trabalhava em calçados finos de senhora de salto á Luiz XV. O Brandão tinha a primazia no chôro. forte e bem disposto.. porém. porém. NECO Nasceu este lá para os lados de Santa Rosa. Começou a sua vida como oficial de sapateiro. pouco expansivo. que honra o presente. teve que desertar na virada pois a corrida deste chorão era de muitas milhas e eu me dei por vencido. F. C. carteiro do Correio Ambulante da E. e leal amigo predicado este que faz parte integrante de um passado glorificado. porém. no cumprimento de sua palavra. com as suas economias tornou-se proprietario lá para as bandas de Bosuccesso.

passando á vida privada. Não tem orgulho nem vaidade mas. Diante de tudo isto que aqui fica escripto. Por esta razão quando se fala no meio dos instrumentos cantante no nome do Néco. Andou muito com Luiz Brandão de quem era um verdadeiro amigo. na roda do chôro é um santuario. E elle se desculpa dizendo: Não gosto destas musicas d'agora. e muitos outros. Néco. ultimamente tem se retrahido. sim. deixando de tocar o seu invencivel violão. porém. e por este motivo tem se tornado muito censurado por infinidade de seus apreciadores. de um mecanismo facil tirando infinidades de sons sem esforço por ser tudo isto executado pelo seu dom favoravel na magia do violão. muito amor proprio sendo um amigo prestativo e dedicado. o meu violão está acostumado com as musicas antigas e tem mêdo de ser enxo[071] valhado pelos violões modernos. que sem lisonja só elle sabe fazer. Néco. Zé Rabello. tem por elle um verdadeiro culto como um dos primeiros acompanhadores de chôro ao violão. o inesquecivel Quinca Larangeira. Catullo. elle é acolhido com as homenagens que de direito lhe pertence. teve que fugir para pregar em outra freguezia. também foi um optimo cantador de modinhas. é uma veneração na formação dos seus accordes maravilhosos e embriagantes de harmonia nas passagens das tonalidades das musicas difficeis. Galdino. . o nosso imponente bom amigo correligionario Néco immortalizou-se e agora vive dos louros do passado. O nome de Néco. E' de um ouvido apurado.– 92 – perante as familias e o zelo que tem pelo seu nome na roda dos chorões. Pernambuco.

não deixava ninguem dormir applicando "mosquitos'. João Claudio do Senado. Felizberto Marques. primava por apresentar-se sempre asseiado. logar este em que occupou com muito esmero e capricho. e ainda mais pelos grandes chorões daquelle tempo. Uma occasião elle foi convidado para . Era filho de D. Raymundo da Alfandega. fazendo caricaturas com rolha queimada. amigos. accendendo papeis e gritando por socorro. typo engraçado. Timbó. Era um funccionario irreprehensivel. Era um trombonista de sopro macio. e no bombardino então não se fala. pois. o appelidaram de Bamza. e quando se inaugurou o casamento civil. era um chorão interessante. Antonica eximia modista das mais distinctas familias do bairro do Cattete. de um modo moleirão. tornando-se por este motivo cada vez mais estimado na roda dos chorões. Tinha no rosto signaes de bexiga. Quando o pagode se prolongava. Era um chorão extraordinario na intimidade dos pagodes o bom do Ismael imitava com a transformação do rosto todos os bichos da Zoologia. e foi por isto que nos Correios. João de Britto. Foi muito tempo estafeta dos Telegrafos. tendo por isso sempre preferencia pelos flautas seguintes: Videira. foi elle nomeado continuo desta Repartição onde permaneceu longo tempo até que foi nomeado Carteiro do Correio Geral. no rosto dos que dormiam e infinidades de coisas que só elle sabia fazer. Genilicio. Ismael.– 93 – O ISMAEL BRASIL Conheci-o ainda muito moço na rua de Santa Christina. Balduino tendo por elle veneração. Era de estatura alta. razão porque era querido e admirado pelos companheiros de classe. Salvador Marins.

e assim elle e seus companheiros de chôro tiveram um bom almoço de gallinha. era seu collega de Repartição. e voltu de novo a tocar. sem que ninguem percebesse arranjou um punhado de feijão e encheu o ophicleide do camarada. Em um outro pagode. e as paginas tantas apareceu no referido baile um tocador de ofphicleide desafinado. mas não garanto a criação podem ser Bhramas ou Mistiças. atra[072] as gallinhas mortas debaixo do poleiro. uma pranteada recordação. e ainda hoje quando se falla no nome de Ismael Brasil repercute no coração de cada um chorão daquella época. palhando toda a bôa harmonia. e foi cortando o pescoço das ditas deixando correr o sangue. Ismael deixou diversas producções. amigo e admirador deste astro que brilhou e desappareceu deixando saudades imorredouras. que. O QUARTO DO RAYMUNDO Quando o dia rompeu lá estavam . o Ismael notou que não havia "boia" então foi direito ao quintal sorrateiramente e torceu o pescoço de quatro galinhas. O autor deste livro. Todas as pessôas da casa julgaram tratarse de peste. quando foi todo dengoso tocal-o não pôde por se achar o mesmo intupido.– 94 – tocar em um baile em Jacarépaguá. entre ellas a polka "Norival" que causou muito successo naquelle tempo. E elle fazendo um grande espanto de ingenuidade pediu uma faca. pretas ou Carijós. em Nictheroy. O que fez o Ismael. e tirando as notas fóra do compasso. Acompanhei-o até á ultima morada. e de vez em quando dizia para os companheiros de chôro: Já matei quatro animaes. Falleceu no Cattete.

Depois dissolviam-se para reunirem-se no dia seguintes na sede que era o quarto d grande folião carnavalesco Raymundo Conceição. desses que governam a vida com o coração. Na data de 1890 a 1898 em um quarto sito á rua de Sant'Anna. Executava no seu violão acompanhamentos em accordes relativamente ao seu bom gosto. onde se reuniam. que era considerado um succursal de suas residencias. e depois o centro da cidade arrancando enthusiasticos applausos de todo pessoal de bom gosto da musica que em romaria. moço ainda. e tem no cerebro uma usina de alegria e de esplendidos predicados que muitas vezes se prejudicava em beneficio de seus amigos. acompanhava-o bisando quasi todos os numeros executados magistralmente. que fantasiados. de côr morena. sympathico e communicativo. um admirador. ensaiavam. Tinha em cada chorão daquelle tempo. formavam blocos divinaes dos melhores daquella época. em uma avenida do lado opposto da Igreja do mesmo nome. era um chorão apaixonado. tal era o conjuncto de harmonias vibra[073] das por estes grandes artistas musicistas que percorriam os bairros da Cidade Nova. por occasião do Carnaval. era ahi que se reunia a flôr dos chorões.– 95 – Raymundo Conceição. e guardavam os seus . amigo no superlativo. raro eram os componentes do chôro que não fosse um assiduo frequentador do quarto do Raymundo. Eu quizera ter neste momento em minha reminiscencia os bons episodios que se passaram entre os grandes chorões que frequentavam o quarto do Raymundo. um bohemio dos bons. Praça Onze. pois bem.

Era elle oficial da Guarda Nacional por ter feito toda a revolta de 93 senco um optimo impressor. ao dar a publicidade deste livro só tenho em mira elevar ao apogeu os grandes artistas chorões antigos. Conheci-o na casa do inesquecível Teixeira. Quando vinha o dia. homem franco. As festas na casa do Teixeira duravam sempre uma semana e quem organizava o chôro era o Raymundo. o Manzolillo. Deixo de especificar aqui o nome de todos estes chorões pela razão de que eu. e de poucas conversas. para voltarem depois como as "Pombas" de Raymundo Correia. valente. foi lá que eu conheci o Gloria. pela grande paixão que tinham elles pela musica produzida pelo conjuncto que se organizava no quarto do inesquecível Raymundo Conceição. ficavam todos abarracados no quarto do Raymundo em esteiras. sentese immorredouras saudades. porém. Hoje quando se fala na casa do Teixeira e nas suas festas. e de partidos. como eram estes a quem acima me refiro. de quem elle foi um grande protector. e não para apontar defeitos praticados. Inesperadamente foi o . do grande talentoso jornalista José do Patrocínio. amigo de verdade e muito respeitado pela garotada dos jornaes. De volta dos bailes. companheiros de infancia e de [074] trabalho. distribuidor do jornal "Cidade do Rio". pois eran todos nagoas Guaymús. haviam chorões que tinham até acolchoados.– 96 – instrumentos. distribuidores tambem de jornaes. cada qual seguia o seu destino no cumprimento de seus deveres. no jornal "Cidade do Rio". Trabalhava elle.

que passou no quarto do sempre lembrado Raymundo Conceição. Era toda de musicos começando pelo velho Grey que era o chefe desta familia intelligente. o professor Coelho Grey. era um eximio tocador de violão. que disso tendo sciencia. Quem escreve estas linhas tem muito bôas impressões e recordações dos dias alegres. O Antonio Grey. e que executava em seu violino partituras sentimentaes de musicas classicas e tambem muito bons chôros. offereceu-se ao commandante para regel-a. Na revolta de 1893. Vou aqui contar um episodio que se deu com elle. hoje Estrada Rio São Paulo. seu filho mais velho. e o mais moço. precisava de um bom e habilitado mestre de musica. que era uma republica de harmonia e liberdade dos bohemios chorões. O commandante retrucou: Eu quero um mestre com mais habilidade do que o senhor tem.– 97 – Raymundo acommetido de uma fraqueza. A FAMILIA DOS GREY Esta familia morava no Marco 4 em Jacarépaguá. depois. porque preciso que este saiba escolher os instrumentos para a organização . Este tocava todos os instrumentos de sôpro e de cordas. tocava instrumento de sôpro. e continuando sempre no chôro. e assim foi definhando para fallecer rodeado de seus verdadeiros amigos que ainda hoje pranteiam o seu desapparecimento e a saudade do convivio daquelle quarto. muitas vezes foi acommetido de hemoptises. tendo mais predilecção pelo saxophone e violão. Era um dos primeiros musicos de Jacarépaguá daquelle tempo. fazendo parte da mesma Coelho Grey. funccionario da Alfandega. Os batalhões da Guarda Nacional organizaram cada um as suas bandas de musicas e o commandante de um dos batalhões.

com aquellas polkas do repertorio do inesquecivel maestro Anacleto. E assim aconteceu. O nosso bom Coelho Grey promptificou-se a ir em companhia do commandante para escolher. foi logo pegando n'um pistão tirou a sua escala e assim fez em todos os outros instru[075] mentos apresentados pelo lojista. Foi uma delicia vêr e ouvir-se a familia toda tocando acompanhada por todos nós. Lica. cheio de curiosidade para vêr e ouvir o seu companheiro de instrumento que era o . foi-me apresentado pelo mesmo os irmão Antonico e Coelho Grey que.– 98 – da banda. O comandante cahiu das nuvens pela surpresa que acabava de ter. com muita instancia. inclusive os chorões alli reunidos onde se achava o pranteado Horacio Theberge. chegou o Coelho Grey. e muitos outros lá para as bandas de São Christovão lá para as tantas quando o chôro deliciava de harmonia. Pimenta da Alfandega. Tambem ouvi dizer que estando tocando em um chôro destes do bom Anacleto de Medeiros. o Santos bombardão (Nhonhô) e muitos outros. mostraram desejo de apresentarme á sua familia. e com todo enthusiasmo lhe apertou a mão e disse: Está promovido a tenente do meu batalhão e mestre da banda do mesmo. como um simples convidade. Eu não podia fazer este livro deixar de descrever os encantos que experimentei neste dia saudoso de tantas harmonias. Chegando à loja de instrumentos. que tendo dado um formidavel chôro em sua residencia no Campinho. Luiz de Souza. Tive o grande prazer de conhecer esta familia por intermedio do inesquecivel capitão Alamiro Cabral. porém.

Anacleto contrafeito. regendo bandas musicaes particulares das Fabricas de Tecidos desta Capital. De facto disseramme que o Grey ficou extasiado com o sôpro e a execução do Anacleto. O dono da casa fez a apresentação do Coelho Grey ao Anacleto e aos seus companheiros de chôro. emeritos musicistas. Coelho Grey. sendo isto . maestro. nem todos tocavam como elle. Anacleto dando um abraço em Coelho Grey disse-lhe: Continue a tocar que eu quero lhe apreciar. Era excellente professor de musica. como mestre da banda do Corpo Policial da Provincia do Rio de Janeiro. e por tanta belleza musical. conhecedor da gyria de todos os instrumentos. Anacleto ficou radiante de contente tal foi a maestria com que executou os primeiros numeros de musica. que devem ainda existir muito por ahi. que digam os seus alumnos.– 99 – saxophone. Emquanto o resto de sua digna familia nunca mais tive noticias. e pediu que cedesse um pouco o seu saxophone ao seu amigo convidado Coelho Grey. ainda vive e consta-me que é empregado na Municipalidade e com certeza [076] já retirado do chôro e já aposentado e conservando a sua tradição de um professor. JOÃO ELIAS João Elias da Cunha. conheci este. Não vos digo nada. por uma civilidade accedeu ao pedido pois não gostava que tocassem no seu instrumento. onde reformouse e depois. pois. naquella época em Jacarépaguá. Eis aqui traçado em poucas linhas o perfil de uma familia toda musica que deu muito brilho aos chôros realizados.

comquanto não possa fazer um perfeito perfil desta grande eminencia musical. Era um bombardão de excellência. artista maestro. lembrando os feitos de todos os artistas de merito. Juca Rezende e muitos outros chorões daquelle tempo. a harmonia do Ameno Resedá morava no bombardão do Gonzaga. fizeram prodigio naquella época. LUIZ GONZAGA DA HORA Era natural da Bahia. que sempre acolhia as suas bôas opiniões. O Gonzaga fazia parte da . foi musico naval. meus bons amigos leitores.– 100 – confirmado por um de seus filhos de nome Godofredo. como foi o incansavel professor de musica João Elias. e de eximio sopro mavioso e melodioso. compositor. pois era pae adoptivo do inesquecivel Antenor Oliveira. mestre e regente de bandas militares. este que tocava com prazer. Elle era herdeiro das maiores glorias e victorias deste Rancho-Escola. parando seu instrumento para trocar idéas com o [077] director de Harmonia. pois. João Elias ao lado de Damasio. Por esta razão tinha naquelle tempo em cada socio do Resedá um seu admirador e amigo. com dedicação e com exigência na afinação de tudo quanto era concernente á melodia. de que elle fazia parte na sua orchestra. respeitado e considerado no meio de seu convivio. depois de ser musico no seu Estado. Tentei dizer o que delle me ocorre na memoria cumprindo assim uma homenagem e um sacrosanto dever. Era um grande apaixonado do Ameno Resedá. como foi o professor João Elias por me faltar os dados necessarios. com gosto. director de canto deste rancho.

operoso trabalhador e sabedor dos . fazendo esplendidas organizações de grupos de musicos de primeira grandeza. sendo um exemplar chefe de familia e digno operario das officinas do Arsenal de Marinha. O Souza era um Resedá intransigente. Catullo. mestre da banda da Fortaleza. Luiz de Souza era respeitado na roda dos chorões. Foi aprendiz de musica do grande e notavel pistonista Soares Barbosa.– 101 – orchestra do Resedá desde a sua fundação. Elle deixou muito bôas producções. O autor destas linhas o acompanhou até á sua ultima morada. tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só elle possuia. era um sol que illuminava a alma e os corações com as suas notas amenisantes tiradas no seu instrumento. Luiz de Souza. foi menor da Fortaleza de São João. para onde elle levou o segredo da harmonia do Ameno Resedá. Bilhar e muitos outros não o dispensavam do seu meio pois o Souza. onde com muito brilho fez prodigios com o seu invencivel pistão. para depois fazer parte da bande de musica do Corpo de Bombeiros na regencia de Anacleto e ao lado de Albertino Caramona. O seu pistão tinha a magia das grandes melodias. como bem disse o "Jornal do Brasil" ao fazer a sua necrologia. LUIZ DE SOUZA Pistão dos mais chorões que até hoje ainda occupa o primeiro logar entre todos os chorões. depois musico do 23° de Infantaria onde teve baixa como contra-mestre da referida banda. onde trabalhava com assiduidade. Falleceu inesperadamente. Foi elle o componente das orchestras dos cinematographos desta Capita. por isso era muito distinguido.

Rancho-Escola e Campeão de Harmonia. Quinca. respeitada e muito camarada para aquelles que conheciam nelle este predicado. Eu quizera fazer aqui a apologia desta bôa camarada que se chamou Durvalina. momentos. Lulú Bastos. Horacio Theberge. patenteando uma homenagem que será acompanhada por todos os . cheios de alegria. farei apreciação desta distincta amiga dos chorões resumidamente. dando bons jantares e bailes que se prolongavam a maior das vezes no correr da semana. bonita. Côrte Real. pois raro era o dia em que não havia lá. Assim leitores. Luiz Pinto. que diga o nosso bom amigo velho João Thomaz. mezes. seria necessario muito me prolongar. José Maria e muitos outros. onde se reunia a rapaziada do chôro. João de Britto. moça. dias. não falando aqui em Bilhar. já fallecidos. esta que não regateava a sua igualdade a todos os bons chorões daquelle tempo. mas para dizer tudo o que foram horas. uma bôa tocata. pois foi a sua morte muito pranteada por todos os chorões e finalmente por todos que tiveram [078] a dita de privar com esse bom amigo e extraordinarissimo genio executor. Era ella uma mulara. Eis aqui o que tenho a dizer relativamente a este grande artista que se chamou Luiz de Souza.– 102 – segredos maviosos dos canticos genuinamente brasileiro expandidos nos Carnavaes pelo conjuncto do Ameno Resedá. Brandão e Néco. A CASA DA DURVALINA A casa da Durvalina era na rua do Bom Jardim. maravilhos pistonista. Henrique Rosa. A casa da Durvalina era uma especie do quarto do Raymundo.

porque este bom e autor destas linhas privou muito amavel amigo para mim com este talentoso e respeitado inesquecivel. Elle tambem . João dos Santos. O seu instrumento preferido entusiasta e admirador de suas era o ophicleide no chôro. e maestro era assiduo frequentador do quarto conhecido no meio do chôro por do Raymundo Conceição. da Velha Guarda. Irineu Pianinho. Era companheiro de chôro integrante nas festas que se de Luiz de Souza. Irineu Corpo de Bombeiros.bagagem de musica de infinitas casaca comprida. porém bellas producções. Galdino. Era elle Este professor. poeticas. andava sempre de sobre.– 103 – chorões daquella época que Irineu era um artista de muito commungaram como parte valor. O nosso bom Catullo. inesperadamente. era um era um typo gordo de altura muito bonachão. Henrique. Carramona. assim como para artista. Néco. realizaram na casa da Durvalina. eximio executor do bombardino. muito em voga inspirações. regular. que tinha deixando um grande vacuo na por elle muita veneração pois o roda dos chorões. era delle um grande naquella época. [079] esta que é fallecida e lembrada a todo o momento pelos chorões Lica. O "Batina". aproveitando nas companhias lyricas elle era as mesmas. Henrique Rosa. este que deixou uma todos. Como componente da bando do verdadeiras maravilhas. IRINEU BATINA Mrio e muitos outros. que lhe inspiravam um trombonista disputado por com as suas melodiosas letras que tornaram todos os maestros estrangeiros. estimado e admirado pelo Falleceu inesquecivel Anacleto.

pois elle é uma fonte . que ainda hoje obedece com respeito e veneração. o Mephistopheles das Evas no reinado das Odaliscas. em Tio San. o Brasil civilizado nas Ligas das Nações. as Divindades que regem o Destino do Mundo. Napoleão de Oliveira. em Daphinus. na direcção de canto com sua voz de tenor. funccionario que honra a sua classe. amigo sincero. alcançou a primazia de um instructor substituindo com muita igualdade o inesquecivel Antenor de Oliveira. cantor insinuante que ao lado de Pedro Paulo e de outros bons elementos. Genio de Cassia. filho extremoso. O autor destas linhas. as insinuações de sua velha e idolatrada mão. professor dos contra-alto e soprano das pastoras. deus cantor discipulo de Pan.– 104 – foi director de harmonia do Rancho Filhas das Jardineiras da Cidade Nova. o admirando. Napoleão 1° dos carnavaes antigos. Eis aqui o que tenho a dizer deste intelligente musicista com o meu coração cheio de saudades. ainda hoje com elle priva. Quem [080] não conhece o Napoleão de Oliveira ? o alchimista vendedor das pillulas infernaes ctuaes. e muitas outras fulgurantes representações no conjuncto do Rancho Escola Ameno Resedá. em homenagem á America do Norte. e bebendo luzes em todos seus argumentos intelle- Chorão de cultura fina nos batedores Carnavalescos. Rancho este que competiu com o Ameno Resedá no Carnaval de 913. violão mavioso e scientifico. e figurante do Rancho Escola Ameno Resedá. NAPOLEÃO DE OLIVEIRA de Belzebuth.

. com as suas bellas poesias.– 105 – pura de aguas christallinas do saber que reparte como um sol que distribue a luz espancando as trévas. José Rebello. e grande trovador de modinhas. Fazendo logo prodigio. dando vida e esplendor aos papeis a elle confiados. (Zé Cavaquinho) que é tambem um artista de muito valor. do inesquecivel Anacleto de Medeiros. ANTENOR DE OLIVEIRA Dotado de espirito culto. ao lado do competente director de Harmonia. Antenor foi um esplendido amador de arte dramatica. como foi. e musicistas de todos os conjunctos carnavalescos. occupou tambem no Ameno Resedá o cargo de director de Poemas. na roda de todos os chorões. Aqui ainda não fica ditas nestas linhas tudo quanto eu quizera dizer. e mérito. Antenor de Oliveira. se distinguiu sempre. Antenor era um batuta no violão. e Barnabé. levaram este rancho ao apogeu. e falleceu nesta Capital em 1912. nasceu em Angra dos Reis em 1881. que sem lisonja o que merece o nosso Napoleão. quando fez a letra para o dobrado jubileu. A morte de Antenor foi muito sentida. elle se immortalizou com a admiração de muitos poetas naquelle tempo. da Cidade Nova e Pedro Paulo. era operarios do Arsenal de Marinha. Vou tentar fazer o seu perfil. e pranteada. o Moreno da Flôr do Abacate. e fulgor da sua capacidade inegualavel. que unidos a outras capacidades amenistas daquella época. fazia as delicias de quantos tivessem a felicidade de conhecel-o. começando a dizer que elle foi um fundador do Rancho Escola Ameno Resedá. e com elle privar. no cargo de director de canto. O bom Antenor competiu com os eximios directores de cantos.

C. como tambem solante de [081] extasiar. o instrumento nos seus dedos era de maravilhar. ás vezes um pouco apimentados. que via nelle um batuta respeitado. pois não podia ver um companheiro queixar-se de qualquer necessidade que não valesse na quantia que precisasse. de que elle era um apologista. Com sua morte. abriu-se um grande vacuo na roda dos chorões. Era de todos estimado. só fazia o brilhantismo. . e irmão dos glorificados musicos Pixinguinha e Léo. pois o bom China era conhecido nesta cidade como estrella brilhante. tal a delicadeza do seu trato. era como perolas de alto valor. Não só acompanhava muito bem. pois era um pandego de primeira agua. Tinha uma garganta de ouro pois nos "cabarets" onde se exhibia era muitissimo applaudido pelos circumstantes. tal a maneira que sahia da sua garganta. Onde China estivesse só reinava o bom gosto e alegria.– 106 – CHINA Quem não conheceu este bom e distincto amigo ? Julgo que bem poucos. ficando muitas vezes desprevenido pecuniariamente. China. China. fazendo assim a alegria. Nas suas modinhas que cantava tinha algumas tristes e outras alegres. Nos bailes onde tocava. Como amigo ninguem lhe excedia. B. para não ver seu amigo mal. Cantava bons lundús. pois ainda hoje o seu nome é lembrado e chorado. Tinha uma voz de baritono de encantar. e grande risos aos convidados da festa. GONZAGA DA E. F. era tambem filho do velho chorão Alfredo Vianna. era violão afamado.

Tocava elle com grande maestria. fazendo o sólo em polkas. No acompanhamento nem se falla. dirigia-se á sua cas. quadrilhas. com este grande executor de musicas. se queria comer e beber. No ophicleide tambem solava admiravelmente. como qualquer um João ninguem. acabando.– 107 – Bom e excellente musico. ophicleide e tambem pistão. um bonét. pois nunca encontrou um amigo que lhe désse a mão. Gonzaga. fazendo carretos. dizendo. e tambem a sua electrica dedilhação no seu instrumento. E assim morrem muitos heróes. fazia um defunto mexer-se no caixão. Toquei em muitas festas. trabalhava em um lugar tão baixo ! O que elle respondia com a maior naturalidade. e uma rodilha á cintura. tocava com grande saber e arte. lá estava o heroe em frente á Estação de Pedro II. Gonzaga ia a um pagode todo janóta. pois era de encantar. Nestes instrumentos. Pois apesar de seu preparo. que elle sendo um musico tão afamado. de uma belleza sem igual. os chôros por elle executados. que a sua estrella nunca brilhou e por isso vivia no abandono. occupar um serviço naquellas condições. viu-se obrigado a sugeitar-se a ser carregador. Muitos que não o conheciam ficavam admirados de um musica de grande quilate que era elle. tal a maneira de seu bello sopro. que apesar de seu saber nunca encontraram uma alma caridosa . schothischs. tal a agilidade de seus dedos de ouro. valsas. [082] Então muitos que o conheciam. eram de encantar. vestia uma blusa. ás vezes perguntavam-lhe a razão.

ARTHUR PEQUENO O lema era: Cada um cumpra A muito que não o vejo. sociedade violão Juca Russo. doente. acompanhar modinhas que Caboclo como era conhecido tinham um gosto extraordinario. Tocava Quintiliano. prompto para entrear mesa. Era mesmo um caboclo bom. mas mesmo assim outros. ROMUALDO CABOCLO morava lá pelos bairro de Villa Isabel. sabendo se é vivo ou morto. elle lá estava firme como Gostava muito de ir a pagodes uma pedra. Com seu dobrar o pagode. Era muito bairrista. Bom até á ultima gotta. Carlos Furtado e pouco violão. era de agradar. Tambem muito gostava de entrar na sahia mais. Candinho. para assistir o violão. Era muito choroso no com séde na rua Major Avila. elle acompanhava bellas enterro dos ossos que elle modinhas. Era um violão seguro. acompanhou nos chôros. . com seu violão onde tambem houvesse farta atracado. grande e bellissimo executor de Foi socio e vice-presidente das Pragas do Egypto. Muitas vezes até bellos e lindos accordes. pois não dava para traz. era da turma do elle tinha por este instrumento. não perdia uma só festa dada por pois acompanhava sempre com esta sociedade. de seu Estado. E era daquelles que depois de para bem descer o mastigo. firme para a luta. Pedrinho. ninguem lhe pelo resto do leitão e mais. o ajudasse.– 108 – Era muito distincto amigo e companheiro. em fogo. não com o seu dever. que chegava a ressonar tal o gosto era o glorioso Pernambuco. com o competente molho. tal o gosto que Arthur.

AGENOR FLAUTA Morava na rua Visconde de Itamaraty. Era empregado como chefe de turma. O VELHO MENEZES Quem em Botafogo. Tocava todos os choros dos grandes flautas antigos e tambem modernos. de supplantar. Amigo e companheiro de linha. Muito me ajudou nas pragas do Egypto quando eu era seu presidente. Era um excellente chefe de familia. e acompanhei com meu violão ou cavaquinho. e sim do amigo que na primeira esquina lhe contasse uma necessidade. Tocava com grande esplendor na sua flauta. pois é . Por seu companheiro dava a vida. Era chorão afamado. e adjacencias não conhece o bom Menezes. se queria ser seu amigo. alli pelas ruas Arnaldo Quintella. finalmente este farrista já é fallecido. De lá trouxe muitas formosas modinhas. da Saude Publica. O seu dinheiro não era delle. e adjacencias. que levava nas horas de folga a cantar e acompanhar. Tinha um sopro macio e sublime. Era um amigo dedicado. Cantava tambem bellas e sumptuosas modinhas de arrebatar. Thereza Guimarães. deixando muitas saudades a todos os moradores da rua Major Avila. que era de novo systema. Escreveu alguns chôros bons que devem andar por ahi nos cadernos destes chorões da nova guarda. Tambem tocava todas as musicas de Candinho. Fernandes Guimarães. o que muito valeu o seu bom nome. as suas melodiosas musicas de fazer admirar.– 109 – [083] tocasse em seu Estado.

Jacarépaguá. onde se atola até não [084] poder mais. Dedicou-se á arte de bombeiro hydraulico. e cavaquinhos. como seja: em Botafogo. Neste tempo o seu instrumento predilecto era o cavaquinho. muito trabalhador. ainda não deu seu quinhão ao vigario (como se diz na giria). Tocou muito um inveterado do chôro. pois tem um BILÁU ouvido apurado para acompanhamento.– 110 – com velhos flautas e hoje não arrepia carreira com os novos. pois sabe dizer nas cordas o que sente. fazendo os encantos dos lares. e de admiriar. me sahi daquella intalladella. Menezes toca violão com pirões. Felizmente. grande perfeição. Menezes fica quasi doido quando em qualquer chôro. pois. quasi sempre está com o violão em baixo do braço. em uma reunião de tocadores de violão. Conheci-o em Copacabana. Nictheroy e outros logares que Menezes frequenta. onde Menezes me jogou um pezado em cima. Conheci em moço. Menezes tambem é excellente amigo. elle [o]briga um bella feijoada. de que me vi bem atrapalhado. uma bôa pinga para descer os Hoje. Inhau'ma. Solava muito bem. quando trabalhava como estafeta dos Telegraphos. e assim sustenta honradamente a sua distincta familia. com bastante difficuldade. que elle manejava com grande facilidade. tal a agilidade de seus dedos. bonissimo chefe de familia. Pois apesar de sua idade. . acompanhado com tocando muitas vezes juntos. Dahi ficamos amigos.

e que deu ao mestre grande gloria. chôros bem difficultosos. tal os recursos que elle tinha naquelle instrumento. no violão tinha brados de armas. E ahi dedilhou. [085] Celestino. JOSE' CELESTINO Quem em Engenho de Dentro não conheceu este grande astro do violão ? Bem poucos ! Era elle operario das officinas na Estação acima. julgo com a morte do seu sempre chorado pae. no entanto nos dedos de Biláu foi sôpa. Morreu na . O violão nos seus maviosos dedos não tocava. Depois precisando ir áquelle bairro. Retirando-me da Tijuca muitos annos. Hoje acha-se retirado da lucta. e sua bôa irmã. esta valsa é bem custosa de solar. para os accompanhamentos. Tinha um ouvido apuradissimo. outra. pois era um explendoroso violonista. tal a maneira que elle sabia dedilhar aquellas cordas no seu instrumento. Biláu foi aprendiz se não me engano do sempre chorado Mario do Cavaquinho.– 111 – Conheci bem criança. fez alli um tom com todos seus accordes que fiquei bem admirado da sua agilidade naquelle pequeno instrumento de arrebatar. onde seu sempre chorado pae occupava alta posição. na Caixa Velha da Tijuca. Afinando o cavaquinho. de admirar seus congeneres. Solava admiravelmente. de que me fez babar. e dos bons. encontrei Biláu já moço e atracado a um cavaquinho todo novo. Depois solou uma valsa se não me engano o nome é "Sorrir meu doce amor". Era difficultoso cahir. soluçava.

Era tambem um optimo falleceu. e tambem no grande numero de amigos que elle tinha dos melhores. Conhecia o seu instrumento felicidade de conhecel-o. A ufanava de ser um chefe morte de Theberge repercutiu amoroso. onde baixa da vida militar. não só de seus SALUSTIANO TROMBONE superiores. como aqui tocou com sentimento no seu grande em muitas sociedades musicaes. cargo em que Dramatico no Meyer. Hespanhola. e se funccionario dos Correios. Exercito. com grande proficiencia. deixando immensas saudades aos seus collegas tocadores. . E assim findou-se mais um Foi grande musico. Foi HORACIO THEBERGE primeiro trombonista no 7° Batalhão de Infanteria do Inesquecivel violonista. como de seus collegas. Tendo meio dos chorões. deixou um grande numero de amigos. circulo de amigos. que tornaram-se grandes que fez um grande sucesso no e afamados musicos. Morava em Nictheroy onde tinha uma familia. onde fez papeis de comportamento galgado ao responsabilidade em um Club posto de carteiro.– 112 – e dansantes. conceito. Lá. No correio onde trabalhou. e deixando grandes respeitado pelo seu saber heroe saudades dos que tiveram a musical. Leccionou seu instrumento a esplendido cantor de Modinhas muitos. Era tambem amador tendo pela sua correcção e Dramatico. sendo sempre muito procurado pela sua real proficiencia. naquelles bons tempos. ingressou Theberge tinha admiração e nos Correios como servente.

razão porque. JUCA VALLE Persona grata do dr. e outros. sendo por isso fama. amigo de seu amigo. Luizinho e muitos [086] outros flautas que tinha nelle um transigente nos seus direitos. Pinto mendigo. Amigo dedicado que foi do Morreu como uma estrella chorado Quinca que some-se deixando ainda sempre . tal a confiança que elle tinha no seu ouvido. nunca desprezou o seu fraque.– 113 – HENRIQUE ROSA (CASAQUINHA) reflectir o seu brilho nos grandes astros. ou uma sempre uns ternos impolados de modinha. Manafástara. Foi um dos primeiros violões Murtinho. que tocava com bastante amor e gosto. conhecido e violão. violão de fóra da moda. não admittia que lhe gato pingado. Hoje tomba relomba e calafate. Foi quando falla deste chorão empregado antiquissimo da pranteado sentimos saudades. Policia onde prestou com sua JOSE' CONCEIÇÃO intelligencia e perspicacia innumeros e bons serviços. Companheiro ininseparavel de Callado e Viriato. acompanhado seguro no seu violão seguro. Nas suas palestras. e quando appellidado (Casaquinha). mettia acompanhava um chôro. considerado por todos os VENTURA CARE'CA chorões. mesmo Ventura Caréca. desse o tom. de sua época. Rangel. Conservador de tradições.

estava fazendo tudo para imital-o. Era irmão do grande violinista Lafaiete. e um pouco retirado do circulo dos chorões. Diziam os musicos daquelle tempo que Callado. [087] foi bom filho. como acompanhava. conhecia regra de harmonia e tudo mais de seu pertence. naquelle tempo nunca poude apanhar delle nenhumas de suas modulações. e chorado. é um amigo certo e communicativo digno de applausos. admirado por todos os flautas como elle. e excellente amigo. e que muito se elevou no conceito publico. estando hoje aposentado. Tinha accordes maviosos. na sua maviosa flauta fazia um quarteto. Era flauta de respeito. NENE' MARIO Conheci morando no Estacio de Sá. prestando nella os mais relevantes serviços.– 114 – Laranjeiras. e que Patapio muito o admirando. tendo delle apanhado todo seu estylo serviu muitos annos como guarda-civil. quasi igualava com o immenso flautista Callado. Patapio. Morreu a pouco no cargo de guarda-civil. sendo neste posto. e tanto assim que já fazia um dueto no seu maravilhoso instrumento. Era quem organizava o conjuncto de musicos professores. e tão difficeis que o escriptor que tambem era um malandro chorão. tocava muito bem violão. Hoje acha-se retirado um pouco . e os mais musicos de nomeada. um grande cumpridor do dever. Patapio estudou musica a fundo. PATAPIO SILVA Ainda hoje o nome deste professor é fallado. não só solava. para tocarem nestas casas de diversões.

chorões. Viriato e Luizinho eram suas predilectas. que felizmente ainda vive. Gostava de tocar em bailes onde houvesse gordos pirões. acompanhado de bellas bebidas.– 115 – da musica. o Patapio. e tem composto bellas Aves Maria. OLEGARIO FLAUTA Conheci ainda moço. para tocarem nas festas de igrejas. conhecia pouco musica. Este chorão sabia entrar em uma sala. mas mesmo assim dava prazer nos logares onde tocava. abandonando o logar. Estacio de Sá. e risonho para a grandeza do nosso caro Brasil. Então as musicas Callado. e muitos outros logares. tirando carta de solicitador. mesmo assim ainda é chamado. é quem fórma as orchestras. Foi aprendiz do grande luminar da musica Cupertino. um futuro prospero. Em bailes e festas era agradavel ver soprar a sua maviosa flauta. Este heroe do chôro falleceu a poucos annos. AGAPITO Chorão de marca. Olegario foi em 89 servente na 4ª Secção dos Correios. Não era destes primorosos. Agapito é morto [088] ha alguns annos deixando muitas saudades a todos nós. tocando nos bailes da Cidade Nova. tocava com grande agrado para todos. Infelizmente perdeu-se com a morte deste professor. tocava com primor as musicas de chôro. E se assim não fosse dava o fóra dizendo que não foi feito para passar ginja. THOMAZINHO Foi grande flauta de seu tempo. dedicou-se ao forum. pois .

Luizinho. Era seresteiro de verdade. gostava muito dos chôros de Callado. Em bailes e festas. Conhecia musica a fundo. pela sua graça. muito tocou. Tocava o classico. Viriato. tambem um companheiro distincto. pois já se acha cansado pela idade. Thomazinho era grande amigo de Ismael Brasil grande trombonista já neste livro por mim descripto. e o considerava. e tambem o chôro de todos aquelles immensos flautas já por mim descripto. pela maneira sublime que agradava immensamente. Silveira. e que bem poucos o imitavam. PEDRO DE ASSIS Tambem luminoso flauta de sua época. e muito querido de seus companheiros de musicas e dos que tiveram a felicidade de conhecel-o. foi alumno do grande mestre Duque Estrada Meyer. Tocava com alma. que tinha nelle um discipulo de extraordinario valor musical. Se não me falha a memoria.– 116 – ficava logo estimado. e bom gosto. que muito o estimava. Pedro de Assis era de uma educação finissima. e muitos outros daquelles tempos. conhecia bem a musica. o que muito agradava a Meyer. e era um primor ouvil-o. pois aprendia com muita felicidade as lições passadas. o que julgo tambem dos chôros. Pedro de Assis. pelas informações que tive a muitos annos. Infelizmente este grande flautista como seus companheiros ha muitos annos já desappareceu do meio dos vivos. Rarissimo . e por isto tocava com primor e bom gosto. Hoje é reformado da Marinha. RAYMUNDO FLAUTA Era tambem um flauta respeitado.

Annibal foi intimo do sempre chorado. como elle tambem. vou procurando mais ou menos reviver a sua memoria. par me dar conhecimentos certos. onde eu pudesse trilhar. morava. Compoz muitos bons chôros. Emfim este livro não faz mais do que trazer os seus nomes. como de todos os seus companheiros de jornada. e immenso chorão. o que muito tem me difficultado pelos annos já passados.– 117 – era o dia que Raymundo não tivesse um chôro para tocar. e mais ou menos os seus feitos. no esquecimento. e prazer deu áquella sempre chorada festa. e os poucos ou quasi nenhum chorão daquelles luminosos tempos. que o fazia muito estimado. Mello Moraes. pois era muito conhecido na roda dos acompanhadores daquella época. se não me falha a memoria lá para as bandas de São Christovão. que tanta gloria deu áqueles . e o estimava. ANNIBAL Tambem grande professor de musica. de uma educação natural. que muito gosto. que muito o admirava. fiquem mais ou menos a par destes grandes luminares das festas em salões. serenatas e mais. e que sempre o chamavam! tal a sua maestria no gosto pelo chôro. Era um amigo dedicado. para que os chorões. com bastante desembaraço. Annibal. Era grande. e lembrado dr. que agora neste insignificante livro. e o publico que aprecia a flauta e a musica. que deve [089] estar por ahi. Tive a felicidade de acompanhal-o em muitos e bons chôros na casa do grande intelectual Mello Moraes. era o ensaiador do celebre Bumba meu boi. Não sei se ainda vive pois a muitos annos que não tenho delle noticias.

Deixou muitas bôas composições que devem existir nas estantes dos bons flautistas. Era um flauta primoroso. que ainda felizmente temos. adorava um baile. tocar em bailes. JOÃO DE OLIVEIRA [090] JERONYMO SILVA Pae do eximio musico Candinho Silva. como ninguem rogava aos seus acompanhadores para que delle não se esquecesse. com um chorão de seu tempo. o que lhe facilitava tocar com grande primor e arte. lhe dava o necessario para viver. Tambem flauta do chôro. e chorão de facto. Apesar de tambem não ter conhecido pessoalmente pude pegar estas informações. já neste livro descripto. nem sempre pela morte. talvez cansado pelos annos. que naquelles tempos existiam em grande quantidade sendo cada uma de melhor gosto. pois tinha mesmo prazer em se exhibir nas festas conscio do que sabia. Era um bom amigo e dedicado companheiro. Não dava para traz em qualquer convite. Tambem já dorme o somno do Não podia ver defunto que não descanso desta vida tão cheia chorasse. pois era o seu fraco. Conhecia bem a musica. quasi sempre de ingratidão. Era muito querido de seus companheiros musicistas. Este IGNACINHO FLAUTA heróe tinha uma Fabrica de Cigarros na rua do Ouvidor. tocava com alma e gosto os melhores chôrso que existiam na sua época. Sabia tocar com alma todas as bôas musicas. que tudo termina. que Foi profissional no chôro.– 118 – bairros. Hoje julgo ter-se retirado da lucta musical. .

pois. Conhecia musica como gente morou muitos annos em São grande. Gostava muito dos pagodes que houvesse grude. e era motorneiro da . Tocava bellos e ternos chôros. sempre PORTO JUNIOR arremediava em chôros. tocava tambem o classico com grande desembaraço. fazendo assim. Morreu já ha annos deixando grandes saudades. Infelizmente já tambem não existe. As musicas por mais Christovão. amigos dos que com elle privavam. JUCA TENENTE Era tambem chorão de fama. de uma educação finissima.– 119 – que não o deixavam parar. apesar de não tocar por musica. como elle chamava a farta mesa. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata. Foi companheiro dos bons. pois era um folgazão de marca maior. deixando muitas saudades. onde Flautista de respeito. tocava fosse impossivel na occasião com grande primor e arte. e fazia muitos trocadilhos engraçados. não só na [091] roda dos flautistas. Este chorão salões onde tocava. risos. difficultosas que fossem. que delle ficavam amigos. que faziam o encanto dos salões. tornando-se agradavel a todos. Em bailes que tocasse ficava logo intimo. Era muito brincalhão. era arranmuito considerado. Apesar de tocar musicas faceis e poucas. o que conhecia tocava com alma. mesmo de primeira vista. que ainda hoje perdura nos que o conheciam. como tambem nos grandes e pequenos jar-se um dos bons. tocava com a maior facilidade.

– 120 – Light. Era distincto amigo, não dava para traz a qualquer convite desde que houvesse os competentes pitéos acompanhados dos grandes molhos. Este bom companheiro, tambem já dorme o somno eterno, por uma tuberculose, deixando muitas saudades, e mesmo lagrimas de todos que como eu, muito o conheci, e com elle privei, não só em bailes, festas e até serenatas, de que elle era um batuta respeitado, não só em São Christovão onde morava, como na cidade nova, Estacio, Catumby, Morro de São Carlos e Rio Comprido, etc. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana". JUSTO VARGAS

Eximio flautista e melodioso chorão. Descendia de uma distincta GENERAL GASPARINO familia Vargas, moradora no Musico de cultura, e valor. lugar denominado "Coelho", em Era professor de flauta e de S. Gonçalo. Era infelizmente cégo, porém, de finisimo trato, grande saber. De uma educação finissima e typo bonito e sympathico, por esta razão era sempre rodeado posição elevada.

– 121 – pelo bello sexo. Além de ser um bom executor de flauta era tambem professor eximio, muito considerado, não só na roda dos flautistas, como tambem nos grandes, e pequenos salões onde tocava. Conhecia musica como gente grande. As musicas por mais difficultosa que fosse, tocava com a maior facilidade, mesmo de primeira vista, tocava também o classico com grande desembaraço. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata, [092] Impossivel me é descrever, a grandeza, e a sublimidade deste grande professor. As suas glorias foram tantas e tantas, que só com muitas lagrimas pode-se dizer a sua vida, como immenso maestro que foi o nome acima. Foi um genio na musica, conhecia theoria como poucos, a PEDRO SACHRISTÃO sua flauta em seus labios não Grande flauta de cinco tocava mas chorava. Não só chaves, toquei tambem com este conhecia os grandes choros dos de uma educação finissima, tornando-se agradavel a todos, que delle ficava amigo. Infelizmente já tambem não existe, deixando muitas saudades. heroe do choro, em Nictheroy na rua da Soledade em casa de um sr. Guimarães que vendia bilhetes de Loteria. Pedro era um bello moço, muito amavel, e modesto. Era naquelle tempo, sachristão da Igreja de Santo Antonio, que ainda hoje existe, na rua de S. Lourenço. Com elle fiz tambem muito bôas serenatas ao luar, se não me falha a memoria julgo já ser fallecido. O GRANDE PROFESSOR DUQUE ESTRADA MEYER

– 122 – immensos flautas já por mim descripto, como tambem o classico. Tocou em muitas orchestras, sendo admiradissimo, pelos maestros daquella época. Meyer era um genio alegre, e folgazão, de uma educação finissima, exemplar pae de familia. No chôro quando tocava as musicas de Callado, Viriato Silveira, Luizinho, e outros, fazia com alma sentimento e graça. Foi grande amigo dos chorões acima, mas tinha uma grande predilecção pelo sempre chorado musico Callado, pois quasi sempre tocavam juntos. Callado em attenção a esta grande e bondoza familia, escreveu uma quadrilha dedicada á mesma, que botou o nome de Familia Meyer que é um primor de arte, e que tenho em meu archivo como uma joia inesquecivel. Essa familia qua[093] si toda de bons musicos era admirada por todos. Pelas informações por mim colhidas, parece existir uma pessôa desta distincta familia, que como Meyer, é tambem grande executor de flauta, que infelizmente não tenho a felicidade de conhecel-o, e ao contrario, talvez pudesse descrever essa grande gloria brasileira, com maior perfeição. Aqui fica mais ou menos descripta a vida musical e pessoal deste grande musico, para a gloria dos flautistas d'agora, e dos que vierem para melhor conhecer essas glorias que o tempo, não trarão mais. HONORIO DO THESOURO Quem nesta capital não conhece este grande chorão. E' um flauta primoroso, conhece bem a musica. Conhece todas as composições dos chorões por mim descripto, especialisando-

– 123 – se nas de Candinho Silva. Honorio morou, ou mora nos bairros de Villa Isabel. Foi chorão de facto, é exemplar chefe de familia, amigo de uma superioridade immensa. No chôro em que toca é um bamba dos bons. Toca sabendo dizer na sua flauta maravilhosa o que sente. Acompanhei-o muitas vezes e sei o que elle vale. Agora não sei se ainda é o bamba de outros tempos mas julgo que não, pois os janeiros talvez não deixe fazer as proezas de uns quinze annos atraz. Porem tenho a certeza se bolirem com este heroe, ainda não dá para traz, sabendo dizer na sua flauta o que sente. GODINHO Conheci-o como mestre da bando do Corpo Militar de Policia da Côrte. Era muito intelligente, e regia a banda com grande maestria, chegando a galgar o poisto de alferes, nome que que se dava naquelle tempo, o que hoje equivale o de 2° tenente. Godinho era muito estimado pelos seus superiores, e tambem pelos seus subordinados. Morreu já a bastantes annos deixando muitas saudades e lembranças. O instrumento de Godinho era flautim que manejava com arte. [94] OS CHÔROS ANTIGOS Vou aqui descrever as antigas festas obrigadas aos bons e afamados choros daquelle inesquecivel tempo, pois são para mim grande transmissor de saudades. Como eram as festas da casa do Machado Breguedim, na Estação do Rocha, Machadinho, como era conhecido era um flauta de nomeada, os choros organisados em sua residencia

– 124 – eram fartos de excellentes iguarias e regados de bebidas finas; sendo um alto funccionario da Alfandega era financeiro, por isto fazia grandes economias para gastar em suas festas, onde reunias os musicos seus amigos. As festas em casa do Machadinho, se prolongavam por muitos dias sempre na maior harmonia de intimidade e enthusiasmo eram dignos de grande admiração os conjunctos dos chorões que se succediam uns a outros, querendo cada qual mostrar as suas composições e o valor de suas agilidades mecanicas e sopro aprimorado. E assim eram as festas da casa do inesquecivel Machado Breguedim. ADALTO Este morava tambem nos suburbios e as suas brincadeiras eram realisadas com chorõe escolhidos tomando parte Anacleto de Medeiros, Luiz de Souza, Lica, Gonzaga da Hora, José Cavaquinho, Galdino Barreto, Mario, Irineu Batina, Carramona, Néco, José Conceição, Luiz Brandão, Horacio Teberge e muitos outros, daquella época. O Adalto, foi pessôa grata e de confiança do Marechal Floriano Peixoto, que ao terminar a revolta de 93, mandou que elle, escolhesse um bom logar em uma secretaria de Estado, opinando elle, para a de Correio de Ministro tal era a sua modestia e desinteresse por dinheiro, Adalto era exemplar chefe de familia e um amigo sempre prompto a servir a todos. Os choros em sua festa tambem se prolongavam sempre dentro da ordem, do respeito e da alegria. Para findar esta apologia direi: O Adalto era um apaixonado do chôro que desappareceu marcando a sua época.

nos casamentos. muitos outros conhecidos como . na Bandeira. Vermelho. no orçamentario do Barão. no Botequim do Avila. Nos anniversarios. Augusto Mello e comitiva. aonde se comiam Confeitaria do velho Chico. São na fazenda do Barão da Taquara. os grandes [095] chorões eram procurados em por elle organisada que durava pontos certos. Pedro e Sant'Anna.– 125 – BARÃO DA TAQUARA PONTO DOS CHORÕES Foi nesta quadra primorosa Havia tambem uma tradicional festa promovida pela que imperava o chôro nas festas flôr dos chorões de Jacarépaguá. este que Engenho Velho. que bôas peixadas. nos baptisados. fazendo parte integrante de sua Tres Pernambuco. no repercutia como um encanto nos Matadouro. e na propriedade. festa esta que Botequim da Cancella. de Santo Antonio. familia os chorões de sua reuniam os grandes valentes intimidade acompanhavam como foi "Bocca Queimada". São João. no muitos dias. Tambem elle fazia todos numa vendinha que existia no os annos uma grande estadia na Largo de São Francisco esquina Ilha do Pontal. Israel. no lares de todas as familias pois já Confeitaria vinha a muitos annos fazendo Andarahy. Tempos. de sua da rua dos Andradas. no Portão era tambem um grande Major admirador de choros e serenatas. no Gato Preto e no parte no programma Botequim Braço de Ouro. no Estacio de Sá. no centro da cidade. no Cattete. nesta estação em ficava do lado oposto eram que o Barão veraneava com sua nestes estabelecimentos que se Exma.

o chôro continuava em cas do compadre lá para as bandas da rua Machado Coelho. era pae de um moço que tornou- . O Coimbra que era devoto de Santa Rita. muitas bebidas. convidado um dia para um chôro em casa do seu compadre onde se realisava um baptisado. chamasse um carregador para carregal-o para sua residencia! Na hora da sahida sua comadre entregou ao dito carregador uma duzia de ovos para sua senhora depois de muito custo chegou em casa o Coimbra. o nosso Coimbra. tambem faziam paradas ahi os franciscanos. começou a comer e a beber as paginas tantas já não soletrava [096] "Cascadura" não conhecia ninguem. pedindo que não o deixasse beber. muita comida.– 126 – flor da gente. que festejavam neste largo a data gloriosa de 2 de Abril dia de São Francisco. Emquanto se passava esta scena de sacrilegio. e antes de ira para o chôro ajoelhou-se deante da Santa Rita. jogando todos os ovos na Santa. O COIMBRA DO TROMBONE Foi este. aconteceu que para voltar para casa foi necessario que seu compadre que era Guarda Municipal. foi direito ao quarto onde estava. O Coimbra. onde muitos delles sahiam com sinos. blasfemando por não ter sido attendido no seu pedido. não pôde resistir. pois quando elle bebia ficava impossivel de se aturar depois do pedido tocou o Coimbra para o pagode. tomando das mãos do carregador a duzia de ovos. Tambem eram encontrados muitos musicos chorões que combinavam bôas patuscadas. muitas saudações. na sua chegada teve grande recepção como era de esperar.

e começamos a tomar umas "lambadas". e Rabéca de Ouro na mesma rua. cantando mo[097] dinhas e assobiando. pegando os pobres bichinhos pelo cangote virava de pernas para o ar para mostrar o sexo. CHORÕES ANTIGOS Os musicos na sua maioria faziam ponto nos chás de musicas da rua dos Ourives. de propriedade de Buschhman Guimarães e Bevilaqua. o "cabra" era repudiado e dispensado com todo deferentismo por seus companheiros de conjuncto. ao ouvido . e Moreira. uma occasião encontrei-o no Estacio de Sá. levou-me para sua residencia para mostrar-me uma linda criação de porquinhos da india. as paginas tantas já estavamos cercando frango. á rua Gonçalves Dias. matou quasi todos! passaram-se ainda outros episodios com outros personagens. 50. e com grande compreensão nervosa motivada pelo uso do alcool. Em uma occasião depois de terminado um chôro botaram dentro de uma carroça da Gary este chorão. pois quando um componente da troupe dos chorões desrespeitavam algum amigo entre elles. por ter abusado extraordinariamente das bebidas tornando-se inconveniente no pagode. O Coimbra neste tempo morava na rua de São Carlos. e tambem no Cavaquinho de Ouro.– 127 – se um grande chorão no violão. já fallecido. e tendo sido tomada esta medida para a moralisação dos chorões. afim de que não se reprdoduzisse scenas identicas. Nos botequins encontravam-se os malandros chorões. Eu privei muito com o Coimbra. á rua da Carioca.

era uma familia. como um grande disciplinador de harmonia. E assim correram os tempos cheios de saudades desses modestos compositores de musicas alegres. e o respeito as familias que os acolhiam em seus lares. Companheiro do Romeu e do saudoso Paulino Sacramento e de muitos outros grandes musicos. tal a união que existia entre elles. Conheci-o como subdirector de harmonia do Ameno Resedá. deste passado que estamos tentando descrever. Os chorões daquella época. abriam-se as janellas. e o devotamento que tinham dos seus instrumentos. e saltitantes. E assim compunham musicas de inspirações e melodias. e os comestiveis feitos a La minuta. repercute. HENRIQUE MARTINS Foi alumno do Collegio dos Meninos Desvalidos. que satisfaziam os apreciadores das explendidas serenatas ao luar. e as portas das moradas. e repercutirão na grandeza. na belleza dos nossos antigos musicos. onde os harpejos dos violões as notas sonoras da flauta. como uma homenagem e esta prole de musicista brasileiros que repercutiram. dando entrada ao conjuncto que formavam os choros até mesmo dos penetras que em todos os tempos jámais perderam a vasa. com estima e simplicidade.– 128 – de outros predilectos do chôro. improvisava-se então o baile. despertava os moradores de todo o quarteirão. portadores de inesqueciveis recordações. e vibrações do cavaquinho. Henrique é hoje um professor de musica que ornamenta as . fazendo cousas impossiveis com o seu trombone e bombardinonos contra-cantos da marcação do bombardão do inesquecivel Gonzaga.

pois era um conhecia como poucos. em porquinho nem se fall. o distincto amigo e bom companheiro que foi HERNANDES FIGUEIREDO Saturnino. apaga da vida [098] homens que se ainda vivesse. Podia-se chamar um maestro. simples e de fino tratamento por isso muito estimado pelos seus collegas de classe e pelos chorões da velha guarda. Era bom e sublime musico com o já disse e companheiro dedicado gostava muito. Era um gato do matto para gostar de gallinhas.– 129 – recheiado. suburbios. pandego de força. Conhecia musica a fundo. Nos suburbios. nos pagodes onde tinha intimidade empenhava-se e fiscalisava a cabeça do leitão. especialisando-se atraz de um papo de peru no violão. Saturnino estava caro Brasil. A morte com seu admirar. Hernandes de sempre firme como sentinella Figueiredo está neste caso. bailes alfange tudo corta. de dura pouco. já aqui descripto instrumentos. Elle tocava todas as composições dos pois tocava quasi todos os grandes flautas. Ia longe. modesto. dizendo que SATURNINO era para a feijoada completa do Quem não conheceu nos dia seguinte. executava a mesma. Era eximio tocador Infelizmente o que é bom de flauta. avançada. . sempre prompto para o combate. que era de um primor orchestras constituidas de musicos nacionaes e extrangeiros. E' um artista sincero. faria a maior gloria do nosso que houvesse. Nos pagodes onde especialisando theoria que elle tocava fazia graça. de um enterro de ossos.

etc. e mais artigo este. DESIDERIO PINTO MACHADO Foi distincto carteiro de 1ª classe dos Correios agora aposentado. e instrumentos. polkas. chotechs. e aos seus collegas. quando aqui esteve esteve o tambem immenso violão Barrios. acompanhando com profissiencia o [099] que cantava. sua tonalidade. Excellente chefe de familia. com uma vóz maviosa de tenor. mazurkas. daquelle bairro em que elle era adorado.– 130 – como poucos seus dedos no instrumento era de ouro pois encantavam os que ouviam. não só acompanhava. O grande Professor. de que era um funccionario exemplar. quando exercendo a sua profissão. que foi irrespondivel tal a nitidez e conhecimentos que Hernandes. Falleceu a poucos tempos e . e superiores. Companheiro sem igual. como eu. Christovão. o encordoamento. Desiderio aposentou-se se a minina nota que o desabonasse. de um educação finissima. e cantava admiravelmente. Muitas vezes extaziou-me ao ouvir-lhe solar operas inteiras. tinha sobre a musica. sobre o violão. a sua aposentadoria deixou muitas saudades. onde fazia o encanto dos lares de muitas familias. sustentou uma polemica pelos jornaes desta capital. Falleceu repentinamente. julgo em um compartimento dos correios. Tocava muito bem o violão. No seu violão. Morava em S. e conquistado pela sua mais que finissima educação. com solava admiravelmente. que tive o prazer de aprecial-o. Era um collega distincto sobre todos os pontos.

era instrumento por dentro e por chorão de verdade. tambem polkas. e collega attrahente. os meus conheça este chorão no piano. como cantantes de ouvido. pois conhece o Irmão de Disiderio. E' distincto amigo. E' acompanhava os instrumentos artista não só na musica. Conhecia o seu instrumento a ainda faz de um piano velho. Deu grandes agilidade nos seus dedos. Toca prazeres. pois mesmo de primeira vista. Lobinho é um THEOTONIO MACHADO artista de merito.– 131 – que daqui destas tocas paginsa Poucos serão que não envio a sua familia. como tambem defeito por maior que seja. ninguem CARLOS DE SOUZA LOBO – lhe supplanta. conhece bem a musica. Occupava este chorão linha. Pois bem. sentidos e chorosos pezames. do O LOBINHO . ophicleide com grande saber. tal a mazurkas. Mora para as bandas. Como chefe falleceu. chotchs. e admiravelmente. fundo. neste heroe tudo é bom. Elle além de ser bom musico. encantar aos ouvintes. Não só tocava com a novo concertando qualquer parte á frente. Tocava fóra. Solava no concerto dos mesmos. etc. e com profissiencia. Deu grandes prazeres todos os choros por musica nos bailes em que tocava. de familia é exemplar. Lobinho toca quadrilhas inteiras. com uma fazendo facilidade extraordinaria. com os seus os compostos pelos antigos modos de tratar. que era como modernos pianistas. de educação o cargo de estafeta de 1ª classe de dos Telegraphos quando aprimorada. tanto sabia fazer amigos.

como tambem nos enterro dos ossos. ophicleide. e por daquelles tempos. Não era grande musico. acompanhada depois por costume encostar o com boas Cervejas e vinho. Rio Comprido. Era um chorão de Cidade Nova. ANTONICO DOS TELEGRAPHOS ficava o instrumento com uma vóz maravilhosa. que tocava com Executava com grande perfeição as musicas dos velhos tocadores alma. Hoje está aposentado no logar de carteiro de 1ª classe dos Correios. POLICARPO FLAUTA Muito o conheci e com elle Era Estafeta de 1ª classe dos muito toquei em bailes. . afim de encher no Musicaes. tinha muito instrumento cantante com uma boas pilherias de fazer risos. alli pela Telegraphos. tinha abrideira.– 132 – Meyer. adorava. Catumby. qualquer pandego de força. Era dos taes isto. Antonico Comia bem e gostava de uma quando tocava em chôro. Era um com gosto e arte. bem de ouvido acompanhando mais vontade tinha. e assim fallecido. onde faz os encantos daquelle logar. belleza de admirar. Estacio e muitos [100] outros logares. O seu instrumento era o que tocava era sublime. Não se fatigava de Além de musico que era. e saber. era sempre chamado para que gostava de dobrar nos tocar nas sahidas das Sociedades pagodes. tocava tocar. de que elle bailes que as mesmas desse. Já é instrumento a um canto. mas facto. Conhecia muito musica. de embasbacar a todos os ouvintes. pois quanto mais tocava. Tambem já é fallecido a muitos annos.

Benjamin de Oliveira e Mario Pinheiro e muitos outros. vibrar as platéias com seu OLIMPIO (CONDE DE mágico violão? Cantando . apimentados. se bulirem com elle ainda faz preludios de admirar. de Assumpção o grande palhaço pois cantava bem e tocava de circo de cavallinhos que fazia melhor. Era distincto amigo e respeitado. Julio de Assumpção foi aprendiz do palhaço Polidoro de gloriosa memoria. e eu de cavaquinho. acha-se um pouco retirado. onde Carneiro morava. Quando entrava [101] no picadeiro. de flauta. e humuristicos. pagando assim bem caro a sua imprudencia. que conhece com a maior facilidade todos os choros dos antigos chorões. JULIO ASSUMPÇÃO Muito toquei com elle pois Quem não conheceu o Julio era explendido companheiro. mas mesmo assim. Frequentei muito a sua casa. Era da turma de Eduardo das Neves. lá pelos lados do Andarahy onde falleceu por ter comido um bello surucucú ensopado. elle de violão. era acclamado pois sabia dizer com graça e verve os trocadilhos pilhericos que a todos faziam rir. fazia-mo os encantos da rua Wencesláu. Tendo ficado o seu corpo todo chagado. Hoje já velho e cansado. Carneiro é um dos velhos violão. e eu de cavaquinho. Muito choros toquei com o Carneiro. modinhas e ludús. Carneiro de violão. e lá com Oscar Cabral.– 133 – CARNEIRO E' official de Justiça de uma das Pretorias criminaes.

como tambem nos Estados. mas a sua guela era brilhante sem jaça. de fazer extase. Barata não só conhecia com profissiencia a musica. Tocava pouco violão. e dar uma pequena apparencia com o grande capitalista infelizmente tambem fallecido. emfim deixou seu nome esculpido no coração de cada carteiro que o venerava. tal a sua maestria no seu ophicleide. onde prestou bons e reaes serviços. Quem dos velhos chorões. Era musico de primeira agua. pois a morte o surprehendeu quando no apogeu da gloria. e digna de se apreciar. pois tinha a tonalidade de baritono. como collega e amigo. não só aqui nesta Capital. [102] . Foi professor de grande valor. Foi chamado para reger uma banda de musicos no Estado do Rio. tocava com grande facilidade qualquer parte que lhe désse. ophecleide posso quasi garantir que naquelle tempo ninguem o igualava. Ensinou musica a muitos. Cantava todas as modinhas daquella época que não vae longe com um sentimento de bom gosto. Cantava uma noite inteira. e para lá indo pouco durou. Falleceu como carteiro de 1ª classe dos Correios. e tambem os que o conhecia. Tocava este genio. por ser muito vermelho. Olimpio era um farrista de fama. ninguem o supplantava.– 134 – LEOPOLDINA) BARATA O heroe acima era conhecido por este appelido. como chefe de familia era exemplar. sem repettir. com tambem acompanhava o chôro de ouvido. não conheceu este astro de superior grandeza. A sua vóz era uma maravilha ouvir-se.

andava sempre com as suas mentiras. Christovão canto de Miguel de Frias. e oboé. Deixando grande saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. morando lá pelos bairros do Andarahy. e um grande professor. PORFIRIO LEFEVER Era grande musico. pois é de um tratamento aprimorado. mas sendo o seu predilecto o clarinette. que tocava todos os instrumentos. no Club Independencia Musical. E' regente de grande nomeada. caixa e ferrinho. Porfirio além de tocar bombardão. Reformou-se no posto acima onde morreu a poucos annos. Tocou muito em grande orchestra onde era respeitado pelo seu saber. tratando-os todos com a maior distinção. Porfirio era muito mentiroso. tocava tambem bombo. Era grande amigo dos seus commandados. galgou o posto de major e mestre de todas as bandas da Policia Militar. tocava bombardão. fazendo muitas vezes .– 135 – AGOSTINHO GOUVÊA Artista sublime na musica. Rocha com a sua capacidade e vasta intelligencia. MAJOR ROCHA Conheci-o no antigo Corpo Militar de Policia da Côrte. sendo mestre desta banda. sociedade esta que existia na Rua de S. Como amigo ninguem o supplanta. fazendo a admiração dos que o apreciam. Chamava-se este professor João Maia. onde na banda era um ophicleide respeitado. que conhece a fundo é com grande maestria. Seu instrumento predilecto. E' maestro de primeira agua e professor do Conservatorio de musica.

que desaparecendo esta ainda me sôa nos ouvidos. Com um pequeno canivete bem amoladinho por elle. e tambem os filhos do Dr. anormalidade com a moradia quando no seu piano. pois qualquer serviço por mais difficultoso. Para elle não havia nada impossivel. muito habilitada. apellidado em familia Barão. e Yáyá. Alcina Carneiro de Queiroz. Adolpho Bezerra de Menezes. que sendo Presidente da Camara Municipal. e de um trato finissimo. Tambem [103] frequentava a Escola suas irmãs legigo na cidade. elle fazia. de comer a farta. e beber melhor. Zizinha. de grande pasciencia. confeccionava palitos. etc. conhecendo bem o portuguez. não fazendo selecção de pessoas. de uma belleza sem par. e até no centro da familia de sua mulher. Bezerra de Menezes. Tendo sido sua primeira Directora se não me falha a memoria D. Era de uma habilidade impossivel de descrever-se. O autor deste livro foi seu alumno. abriu na Estrada Velha um Escola denominada Escola Mixta de Nossa Senhora das Dôres. Gostava muito nos bailes em que ia tocar. do sempre lembrado.– 136 – alli. chorado e humanitario Dr. que eram o Octavio. fazendo nos dedos anneis. Felizmente Sinhazinha. não podia vir a um col- . e homens. o francez. que pella difficuldade monetaria. pulseira. e que felizmente de vez em quando. dedilhava fuzuê entre os musicos. Ensinou a muita gente a ler e escrever. nós encontramos e ainda nos relembramos dos tempos de criança que tantas recordações alegres nos trazem. Era muito preparado. Figas de arrudas e guiné de uma perfeição admirada. a muitas crianças. e um dos primeiros.

– 137 – com muita graça, e harmonia. A Lucia de La Memour. Infelizmente os principaes componentes desta mais que distincta familia já estão com Deus, praticando lá a caridade. PAULO ESTEVES Qual o velho carteiro que não conheceu o bom do Paulo? O personagem acima era chorão viciado, não podia ver defunto que não chorasse. Chegava a indagar onde existia um chôro, para elle metter os peitos. E assim era raro o collega que não chamasse o bom do Paulo, para fazer força, em festas que muito dava os carteiros naquelles saudosos tempos, que hoje ao lembrar-me as lagrimas me rolam pelo peito abaixo. E Paulo satisfeito, lá ia com seus instrumentos que era flauta, e ophecleide qualquer dos dois tocava regularmente, fazendo prazer nas festas onde tocava. Paulo, foi carteiro, tendo sido exonerado por abandono de emprego, pois o chôro fez esquecer os seus deveres.. Tambem já falleceu. JULIO BEMÓL Conheci-o e muito privei com este chorão. O seu primeiro instrumento foi ophecleide que tocou admiravelmente, acompanhando os grandes flautas daquellas épocas. Mais tarde passou aprender flauta que aprendeu com facilidade, pois era muito intelligente. Bemól foi conteporaneo de [104] Callado, com quem muito tocou. Tambem tocou com Rangel, Luizinho, Viriato, que eram naquelles tempos Batutas. Aqui deixo seu nome para gloria dos chorões de agora. SARGENTO VELLOZO

– 138 – Era Sargento da antiga Escola Militar, Bahiano da gemma. Cantava admiravelmente. E todas as suas modinhas, era feita por elle, não só fazia a musica, como tambem os versos, modinhas estas, da maior difficuldade os seus acompanhamentos. Vellozo, de vez em quando, dava um passeio a Bahia, e levava para outros tocadores de lá, as modinhas difficultosas para os de lá cahissem, afim de vingar-se, por outras tambem difficultosas, que lá cantavam para que Vellozo tambem cahisse. E assim Vellozo levou muitos annos para lá, para cá, nessa teimosia sem fim, só deixando com o seu fallecimento. Tentei muitas vezes acompanhar as suas modinhas, porém, isto sempre me foi impossivel, tal a sua difficuldade. Não fui eu só o christo, neste ponto muitos violões superiores a mim tambem passaram por esta decepção. E assim finalizou-se este chorão que não sei se o glorioso Estado terá igual. CANTALICE Foi musico de fazer vibrar corações com o seu admiravel violino. Tocava com muita alma, gosto e saber. Conhecia muito bem a musica, que tocava com grande facilidade, e maestria. Nos chôros que tocava era de embasbacar, tal o embellezamento que elle fazia naquelle já velho instrumento. Solava muito bem, as polkas, valsas, chotiche de Callado, Viriato e Rangel, que elle adorava-os. Solava quadrilhas inteiras de fazer encantar. Acompanhava qualquer cantante, com alma e sentimentos. Muitas occasiões me dizia, que a musica é como a morte, precisa fazer tristeza,

– 139 – para ter effeito, e outras vezes, deve ser ao contrario, para fazer alegria, natural, o que alguns musicos não comprehendia. Tocava com a parte a frente mas faltava-lhe alma que é o necessario nestas occasiões. Contalice, morreu já um pouco alquebrado pelos annos, mas mesmo assim não fi[105] cava devendo nada aos moços, que muito o admirava. AMERICO JACOMINO (O CANHOTO) Infelizmente tambem já fallecido a poucos temos no glorioso Estado de S. Paulo, deixando o maior sentimento em todo Brasil. Jacomino, foi uma estrella de alta grandeza, e immenso brilho. Bem poucos violãonistas, serão capaz de igualar a Jacomino, pois era de uma admiração extrema. Jacomino nas cordas de seu violão, fazia coisas impossiveis, encantava aos seus ouvintes, não só pela agilidade, como pela sua profissiencia no instrumento por elle magistralmente manejado, com facilidade enorme. Solava como poucos, era de invejar a sua electricidade, nas cordas do seu mavioso violão. Acompanhava muito bem mesmo de ouvido, pois conhecia e tocava por musica. Compoz diversos choros, que é de uma belleza sem igual, e que de vez em quando pelo radio, todos nós escutamos com o maior prazer, arpejados por outros bellissimos e encantadores violões que tocam no Radio. O musicista acima era de uma educação finissima, o seu tratamento encantava a todos que com elle privasse. Daqui destas poucas linhas envio ao grande Estado de S. Paulo os meus sentidos pezames por esta perda irreparavel, e impossivel

– 140 – Emfim, de Verçoza tudo se de substituição, pois era uma aproveitava, pois tudo nelle era gloria brasileira. bom. Tambem já fallecido a bastante annos. VERÇOZA Foi carteiro de 2ª classe dos Correios, era collega distincto. Tambem muito amigo dos seus companheiros de farra. Verçoza, era um inveterado no chôro. no correio onde trabalhava, todos os collegas quando dava uma festa, convidavam para tocar o seu mavioso violão, tal o saber e gosto, pelo instrumento que tocava com grande facilidade, que todos muito o apreciava. Tambem era solista de fama, que fazia a admiração de todos que o escutavam. Acompanhava os cantantes com uma habilidade de espantar, tal a ligeireza de seus dedos, e bem assim os bellissimos accordes que elle conhecia magistralmente. Cantava tambem as bellas modinhas e lundús, que fazia extasiar os que o apreciava. [106] BILU' VIOLÃO Caboclo dos bons. Bilu' foi chorão tambem de facto. Não podia ver uma flauta fazer seus preludios que não ficasse em cocegas, para meter-se no conjuncto, e metendo-se, era um delirio! agarrava-se ao violão fazendo nos seus dedos os gemidos ternos nas cordas de seu mavioso instrumento. O heroe acima, não só acompanhava, como solava, e tambem cantava bellas, e ternas modinhas, de fazer a gente babar, tal era, o gosto que elle tinha pelas modinhas, quando acompanhadas por elle, pois fazia accordes de embasbacar. Era excellente amigo, e admirador de seus

– 141 – companheiros, como elle farrista. Privei muito com Bilu', e sei o quanto elle valia. Já é fallecido a uns 18 annos pouco mais o menos. MODINHA (Um dia Louco)
E sempre, sempre, com sorrir nos labios, Ao lêr teu nome, maldição sorri. Desrespeitei-te sem horro sem peijo Com indiferença neste meu sorrir E do sepulchro, que te guardo o resto Um só queixume não ouvi sahir. Ai! se eu pudesse de joelhos em terra Beijar teu nome nessa louza escripta Sentir as dôres que os remorsos findam Pranto no peito do infeliz proscripto Sim de prescripto desses gosos santos

Aqui neste livro vou tentar Em que meus braços, sem saber fruir... descrever uma modinha, que E que não posso recordal-o agora além de muitas outras, era S e m d ô r , s e m m a g u a s , s e m c h o r a r [por ti. bastante apreciada nos salões daquelle tempo, onde houvesse Porém agora que suspira o peito. E que meus prantos, já voltou tambem! um chôro. Sinto as saudades despertar minh'Peço aos que lerem a mesma, [alma disculpar a falta de alguma Sinto os remorsos que ferir-me vem. Mas estes prantos que me cahe das palavra, de menos ou de mais. [faces, E' tanto a bôa vontade de Se infiltram todo neste impuro chão! servir condignamente aos bons Ai! quem me déra de joelhos em terra musicos chorões d'agora, Entre soluços te pedir perdão. esforcei-me o que pude, para Esta modinha no meu tempo satisfazer aquelles, que este livro de moço, que muito, a mesma lerem. Esta modinha que aqui cantei, e por mim mesmo escrevo tem o nome de Um dia acompanhada com grande louco. sentimento, o tom que fazia era Um dia eu louco, no rumor sem pouso de ré menor, e neste tom, não só Teu nome santo, n'um sepulchro eu li ficava favoravel a voz, e mesmo

especialisando o bom. tal era o CHICO BORGES seu prazer pela farra. Os seus dedos eram Repartição como servente. e bôa harmonia nos instrumentos. e azeitona nos olhos. não se negava a um superiores chegando a carteiro convite. e gordinho leitão assado. com a competente batata na bocca. este é muito melodioso. era para elle. Solava os E' carteiro aposentado dos chôros antigos com uma Correios. . que agora vive no esquecimento. que tudo Como era conhecido o heroe fazia esquecer neste mundo de acima. que naquelle tempo apreciava doidamente as nossas modinhas quando havia bella voz. foi galgando os postos verdade. e uma seda finissima nas cordas com sua fina educação. Foi distincto collega. O heroe era farrista de trabalho. foi por isto exonerado. Tendo abandonado o serviço. Foi sempre um companheiro perfeição e belleza. Mondego entrou para aquella perfeição qualquer instrumento cantante. Falleceu a uns 20 era um hymno de encantar. Fazia annos. Acompanhava com grande de linha. gostava de comer bem. Em aposentou. como estafeta dos Telegraphos e carteiro dos Correios. no violão coisas de supplantar. mesmo não havendo o de 1ª classe cargo em que se competente mastigo. O violão nos seus dedos meu Deus. fazendo encantos de admirar. amor ao do violão. embasbacando aquelle conjuncto de moças. E assim fazia-se os encantos dos lares. um regallo. MONDEGO Tocava todos os tons com sublimes accordes.– 142 – pagodes que ia tocar.

tambem Mondego dedicou-se ao e sumptuoso bombardino que toca belissimo admiravelmente e com maestria. Valleriano do Couto. Conheço-o grandez. e paciencia era como fossem. que foi no [108] seu tempo uma estrella da maior Morava na rua tros do Instituto. e arte. O tambem respeitado primeiro logar. que é de uma que era continuo da Secretaria da Guerra. era um céo aberto. Agora mesmo. desde que foi mestre de uma Bomjardim numero 1. belleza de gosto. já por mim concurso que prestou tirou o descripto neste livro. Tenente Castro. acaba de fazer um hymno a ophecleidista. onde soube fazer todos REIS os cursos admiravelmente com contentamento de todos os Quais me pasou maesdesapercebido este immenso e inveterado chorão. A casa de Sociedade Musical na Estrada Paschoal. classe de carteiros. e acha-se um pouco retirado da ainda mais os grandes e . Suntum Alves. de uma das Valleriano. pois a chorões de fama daquella época sua profissiencia. tambem violão de arrebatar. pelo Instituto de PASCHOAL RODRIGUES Musica. pois no ophecleidista. sublimissimo flauta e de encantar.– 143 – Mondego tem carta de lucta. Ali reuniam-se os maiores Velha da Tijuca onde fez grande quantidade de musicos. ophecleidista o Manoel Pereira Hoje já cansado pelos annos. professor. Fortalezas nesta Capital. seu irmão João Tambem foi mestra da Banda tambem o melodioso de Musica.

polka tambem de Silveiras. Como é bom. o que é bom. de fama. Pagodeira. [109] do grande e sumptuoso Capitão Rangel. Capitão Rangel. 12 de Agosto. Geralda. polka de Viriato. Quadrilha de Callado. Camponeza. centenares de que não me recordo. tambem de Callado. e lembrado Paschoal. Naquella casa que era uma maravilha. polka de Silveiras. Familia Meyer. polka de Callado. Ali naquelle conjuncto de chorões só tocava o que era custoso para acompanhar. e executores daquelles saudosos tempos. Macia. Policena de Callado. que não volta mais. aprendeu tambem a tocar cavaquinho e violão. Viriato.– 144 – immortaes Callado. do grande Callado. Vivi. Mas julgo outras bellas composições de que só com estas possa avaliar o que era aquelles grandes compositores. quasi me é . E finalmente. Sonhos do Porvir. E assim vou ver se me lembro de alguns choros belissimo que se tocava. polka de Callado. polka de Callado. appellidade por Zinho. Salomé. Mimosa. Lembrança do Cáes da Gloria. Ultimo suspiro. Quadrilha de Rangel. Quadrilha de Rangel. Quadrilha de Callado. Emfim dizer o que era a casa do Paschoal. polka tambem de Rangel. o Orlando Affonso Reis. Quadrila do grande Professor Antonio Pedro. filho do seu sempre chorado. Geralda. Electrisante do immenso Silveira. Luizinho e outros muitos que não me vem a mente. devido os grandes tempos já passados. que foi naquelles tempos um violão e cavaquinho. Queixume d'alma.

só estava bem no meio daquelles imminentes musicos. como amigo ninguem o supplanta! Como chefe de familia é exemplar! A musica para elle é um sacrario. pois alli só reinava a alegria e o bom gosto pela musica. Os seus dedos nas manual enciclopedico. não só por elle como tambem pela sua sempre chorada prole. elle toca cordas de seu violão. naquelles bons tempos. Era de uma educação impossivel de descrever-se. faz violão admiravelmente. e assim executa bellas peças cheias de harmonias no seu instrumento que é uma seja a musica. o que foi aquella casa. pois. E' tambem um excellente amigo e de educação finissima. pois era farta. naquelle ambiente. e bem regada em boas bebidas. encantos. Oscar. em tudo. Aqui fica mais ou menos dicto. OSCAR DE ALMEIDA Bem sei que estou muito áquem para descrever os grandes e heroicos feitos do distincto amigo acima estas linhas. e felicidade. pois alli todos eram tratados com a maior fidalguia. Os accordes por elle feito é de fazer extase tal a sua belleza. E assim nunca o gato estava no fogão. E' um grande e valoroso que Professor de violão. que já são executores de admirar. Oscar é um maravilha. que mais adore. Tem grande quantidade de alumnos e alumnas. empolga mesmo os que ouvirem. Conhece [110] musica a fundo. depois de Deus e familia nada elle vê GUSTAVO em sua frente. canta de .– 145 – impossivel. era onde elle encontrava vida.

Feliz da Patria que possue um filho tão digno e educado como o grande e immenso Oscar. escrevendo bellos versos que todos os carnavalescos. dando as glorias aquella sociedade. Oscar. Faz bellos versos para musicas. Já escreveu um livro com o titulo de Aturdidos que é de uma belleza impossivel de descrever-se com a minha pobre penna.– 146 – fazer encantar as suas modinhas. Quando recita o seu FIEL. Napoleão de Oliveira. Quando Oscar. e distincta Sociedade. Escreve poemas admiraveis. o que elle vale. os apreciadores estão com os olhos marejados de lagrimas. Oscar no Ameno Resedá. e assim a maneja tão bem. Todas a modinha cantadas por elle. Recita poesias inteiras com a maior graça e enthusiasmo. que julgo a propria Santa Cecilia o admirar. que já descrevi o seu brilho. e por elle acompanhada. a mesma torna-se de uma belleza sem igual. com seu mavioso estro. tal a voz maviosa que elle tem. Agora já tem quasi prompto um bello livro. que vae dar a publicidade muito breve. Oscar de Almeida se immortalizou descrevendo a Quéda da Rosa musica de Bonfilho de Oliveira. alegria. e extasiar. e poesia. E assim tem sido a vida deste distincto brasileiro. que faz inveja. e das letras que elle idolatra. já nasceu impunhando a lyra. Em qualquer festa que elle estiver. Faz versos de improviso. conhecem. E' amigo que poucos o iguala. ao lado do grandioso luminar da musica. é de invejar. faz fim na poesia. e outras. que tão alto tem elevado o nome da nossa Patria. Faz sentimentos a umas. A classe dos Carteiros deve se orgulhar de possuir um collega . No Recreio das Flores tambem muito elevou aquella grande. que tambem é um astro. a gente quasi fica maluco. cheia de bellos acordes.

pela cabeçada. mas me é impossivel tal o immenso valor de Oscar. pela navalha. para um hymno escripto por um nosso colega. da vingança da traição. que são consideradas hoje. Guerriavam pela conquista da victoria de seus partidos sangrentos. que eram disputados pela força do dinheiro. dos partidos de capoeiragem. arraiaes. [111] nos. pelo calçador e mais as infalliveis rasteiras e pantanas. liberal. chefes dos partidos politicos. para tocarem nas festas de Igrejas. sem instrucção. davam um cunho de verdadeira alegria n'aquelle meio tristonho. A poucos dias fez os versos.– 147 – de tão elevada reputação. mas. que dominavam no tempo da Monarchia. grandes nababos. cidades. A ALVORADA DA MUSICA As organizações das Bandas de Musicas nas Fazendas. dos crimes. cabos eleitoraes verdadeiros "leões de chacara". Nagôas e Guayamús salientados pela faca. defendida deste modo. sem cultivo onde imperava a soberania dos fazendeiros. como de intelligencia. sadio. e conservador. pelo tombo bahiano. chefiados pelos ambiciosos. Nesta época só existiam estes dois. distriudores das urnas eleitoraes em defesa de suas eleições. longe e perto das antigas villas e freguezias. e mais muitos outros golpes deste sport genuinamente brasileiro. Queria dizer mais cousas. pelo rabo de arraia. Os politicos d'aquelle tempo aproveitavam estes elementos fazendo de seus chefes. e de scenas de pugilatos pelos capangas e chefes de malta. pela flôr da gente como eram conhecidos pelas tropas partidarias. e . orgulhosos..

abriu com chave de [112] ouro as portas da nossa civilização e indicou ao Brasil o caminho da prosperidade dandolhes um novo rumo como o pioneiro do Continente SulAmericano. que se foi definando as iras dos Fazendeiros. A musica rude das passadas éras da escravidão. a terra do Cruzeiro do Sul com os seus formidaveis e inegualaveis encantos com os seus vergeis de campinas e mattas virgens circundadas de montanhas avelludas de verde. A Princeza Isabel. esse bella apotheose que foi a Lei Aurea de 13 de Maio de 1888. onde o feitor de bacalháu em punho tinha os fóros dos Cerberos infernaes. foi a magia das notas maviosas da musica que conseguiu abrandar os duros corações dos grandes escravocratas. que afrouxaram as algemas e os grilhões das correntes de martyrios dos infelizes escravos. n'uma inspiração divina começaram a adubar o canteiro do amôr e da igualdade. e d'ellas sahiram muitos musicos notaveis. a Redemptora. Foi depois destas organisações de Bandas de Musica. que extasiam e surprehendem. Tal. do eito. transformando em alvorada de alegria as senzalas. e os Abolicionistas. Em taes Fazendas haviam Bandas de Musica composta de escravos. regada e cultivada pela mão dos grandes obreiros.– 148 – carrascos fazendeiros. que começaram a serem illuminadas pelo brilho da estrella da Redempção. que se identificaram com as harmonias dos seus instrumentos. de admiração á todos os nossos visitantes que inspirou neste deslumbramento da Natureza o nosso Alencar que escreveu os encantos de Iracema e a valentia . onde foi plantada a semente da flôr da Liberdade.

na certeza que só primei na elevação de fazer surgir os feitos dos meus saudosos companheiros inolvidaveis.– 149 – do nosso Indio. por um acaso possam ser dirigidas irreflectidamente por espiritos malevolos. e que Carlos Gomes teve a feliz inspiração de transportar para a arrebatadora partitura do Guarany ! Eis aqui a conclusão da segunda parte do meu livro onde descrevi sem o minimo resentimento os personagens de muitos chorões só no intuito de valorisal-os. ficando deste modo desfeito as maledicencias que. porém. E se muitas vezes de passagem toquei nas vidas intimas de algum d'elles foi tão somente. Com estas minhas tôscas linhas pretedendo desfazer qualquer um juizo máu que porventura possa se fazer de mim. que se foram. descrevi-os dentro dos limites da veneração e do respeito pois não podia eu de modo nenhum descrever um mundo de saudadse sem me intervalinhar com a minha humildade perante as grandezas artisticas valorisadas nos feitos de cada um destes grandes protagonistas da musica. e patentear uma homenagem e um verdadeiro exemplo de confraternização aos chorões d'agora. relembrando factos historicos que me ocorreram sem a minima malicia de offendel-os pois me foi necessaria assim proceder para dar o cunho real no perfil de cada um só tendo em mira enaltecer factos e costumes de todos os chorões dentro do thema que iniciei e architectei em reviver o passado destes distinctos companheiros musicistas que se achavam esquecidos. era uma dansa figurada com cadencia de seis por oito e dois por quatro no . A "QUADRILHA" A quadrilha.

E quando o "marchante" se "Volta gente que está enganava ? chovendo"! Eram um "suicidio-moral". o sempre lembrado Sil. Os dansarinos sempre veira. Os seus melhores a vez a "marcante". se descuidava habilidades e o seu devotamento. e estar muito attento ao desenrolar da [113] musica. era que o dansarino mostrava as suas E quando elle. Era um destes "fiascos" que Por exemplo: no "Travessê!" muita gente boiava quando um custava grossas gargalhadas e cavalheiro pulava do seu logar e que ficavam registrados na sua ia figurar ao lado de uma dama fé de officio. porque maestro Mesquita e muitos era a dansa mais divertida e a que mais enthusiasmava. Esse estylo de dansa. o Saudoso Metra o inolvidave Anacleto. Na quadrilha. não só outros. Havia uma grande differença que se achava distante. e bradava: "Chê de dama"! e a musica parava ? a "Terpesychore". o immortal gostaram da "quadrilha". era escriptores foram o inesquecivel Barata. saudades das marcações: como tambem pelas "Travessê"! "Balancê"! "Tour"! demonstrações de agilidade a os "pacholas" eram "Anavancatre"! "Marcantes que anavan"! "Caminhos da roça"! obrigados. Para ser "marcante". era as vezes na "quadrilha" dansada num rico obrigado a um "doublé". O "tocert"...preciso conhecer todas as evoluções da "quadrilha". para a salão de Botafogo e Tijuca e da frente ou a retaguarda conforme que era desengonçada na Cidade . traz pelas suas passagens comicas.– 150 – compasso.

[114] Succedia. A marcação era "gosada". tinha uns en- . Outras vezes este dava signal para parar.– 151 – No "caminho da roça". Ahi o marcante bradava: . Nova e Jacarépaguá.. e de "estrillo" do "marcante". conforme a festividade "mestre do chôro". percorria-se toda a casa. Os ricos. porque muitas vezes.. eram consideradas de "élite". ainda. por exemplo. que o xertos. ou á bombacha e as damas que se apresentavam com os vestido de merinó. por "malhas ou tralhas". o pessoal se apresentava como podia e os que melhor trajavam ostentava a calça de bocca de sino. quando a musica não o permittia. sobre-casaca. porque a maioria pegava mesmo o seu vestidinho de chita. mettidos na sua casaca.Aos "seus logares"! Era a hora do "fuzuê". davam-se passagens de rir a bom rir. Todos se atrapalhavam correndo daqui para acolá e cada cavalheiro era obrigado a figurar com a sua primitiva dama! Succedia muitas vezes que o "marcante" se enthusiasmava e se esquecia da dar signal para acabar uma parte o "chôro" parava deixando em meio uma evolução. do fraque e as damas de vestidos decotados e com grandes caudas. Na roda do povo de "bongalafumenga". sahindo pela cosinha para entrar novamente pela sala de visitas. não gostasse do do marcante. observavam rigorosamente a pronuncia franceza e a orchestra só parava quando o "marcante" dava o sinal. porque sendo feita num "francez-macarronico". Era outros "fiasco". Era motivo de gargalhadas geraes.

pois. revalidade. as polkas escolhidas eram quasi sempre: "Inygma". * * . porque o tocador só parava quando o marcante dizia: -Pára mano véio! * * * A quadrilha. Anacleto de Medeiros. era nos bailes de harmonica. Irineu de Almeida. quando representavam um dramalhão. Era assim uma especie de desafogo. finalisavam o espectaculo com uma desopilante comedia. havia. "dôr de cotovello" e então sujeitava-o ás mais desconcertantes borracheiras em plena "salão". Felisberto Marques. bem macia. Chiquinha Gonzaga. "Conceição". estão sendo aos poucos recordado. "Flôr Amorosa". apezar da evolução porque estamos passando. uma polka bem chorosa. Nazareth. em que appareciam os saudosos musicistas: Callado. Malaquias. inimizade pessoal. "Margarida está chorando" e outras. Viriato. não se prestava aos derriços dos pares de namorados. Onde isto não succedia. porque. "Cabocla". para. "Amor tem Fogo". ou imitação do que succedia nos theatros. como especie de premio de consolação. o repertorio antigo. [115] João Salgado. Após a agitação provocada pela quinta parte. bem cadenciada e que compensava perfeitamente os esforços empregados na quadrilha. cheia de movimentação. "Só para Moer". e muitos outros que jamais poderão ser esquecidos.– 152 – "marcante": anthipatia. sendo uma dansa accelerada. Paulino Sacramento. Assim. Luiz de Souza.

Qualquer que seja a modalidade de dansa que os modernistas ou futuristas possam inventar. como tradição dos nossos costumes.. si O "Chôro". Do mesmo modo que os argentinos cultivam o tango e os portuguezes não deixam morrer a "canna verde". suarentos e dirigiam-se ao "buffet". só nós o que Deus permitiu que nascessem debaixo da constelação do Cruzeiro do Sul. a sabemos dansar. – um tradição brasileira. é e continuará a ser o A. a unica que tem brasilidade. tem forçosamente que cahir no passo da polka.. AS POLKAS A polka é como o samba. E' possivel que nos classifiquem passadistas. B. esqueçam que é puramente brasileiro e mistifiquem o que é nosso. sendentos por um vinho do Porto-barril. havemos de mantel-a atravéz dos seculos. a cultivamos com carinho e amor. por uma cerveja Logos ou Guarda-Velha. dos dansarinos. não devemos permittir que os evolucionistas trucidem as tradições. como recordação dos nossos antepassados e como herança ás gerações vindouras. nós os brasileiros havemos de aguentar a polka. * * * A polka foi. com . mas.– 153 – Quando finalisava a polka da quadrilha. não passa de uma recordação do passado. A polka é a unica dansa que encerra os nossos costumes. todos os pares estavam cansados. tem que obedecer a sua cadencia do mesmo modo que nenhuma palavra se forma sem recorrer as letras do abecedario. que eram as bebidas predilectas da gente da Velha Guarda. C.

mas. etc. dos apaixonados ou a approximação de dansarinos arrufados. venham para a Cidade Maravilhosa á titulo precario. A polka. onde foi resolvida a exclusão do fox e outras dansas. com toda a sua belleza. um cavaquinho palhetado hontem por Mario. Antonico Piteira e hoje pelo mestre dos mestres Galdino Barreto. é e continuará a ser a alma da dansa brasileira. João Martins – foi. Quantas vezes dois entes que se querem. do maxixi. A polka. como um preito de homenagem aos nossos bis-avós e como respeito ás nossas tradições. com todo o seu explendor de melodia e a sua belleza de musica buliçosa. Néco ou [116] Manduca de Catumby e hoje por Felizardo Conceição. Coelho Grey. . de novidade. Nelson. o João de Deus ou Benedicto Lacerda. Sim. para os segredinhos da pacificação. Bilhar. A polka cadenciada e chorosa ao som de uma flauta. que se acham separados.. Quincas Laranjeira.. aproveitam a cadencia de uma polka. Chico Borges. attrahente e as vezes convidativa aos repuchos do maxixe. essa modalidade sómente nossa e hoje officialisada nos grandes centros norte-americanos. Lulu' Santos.. o Rangel ou seja o Pixinguinha. o Callado. fosse o flautista o Viriato.– 154 – as bambochatas que repassadsa da velha Europa cansada e carcomida. por Juca Valle.. a brasileirissima polka ainda é a delicia dos namorados. jámais poderá desapparecer dos nossos salões e das nossas salinhas. José Rabello.. Donga. João Thomaz. com todos os requisitos de elegancia e com todas as tentações que a sua execução provoca. um violão dedilhado outr'ora.

pertencente a um partido . estivesse presente fulano. que Os foliões de outr'ora. descobriam eram um tanto arriscados. Havia mais camaradagem.os lados do Chichorro. partido denominado Onde ia a corda. couves".. não raro se colligavam para uma mais respeito e sobretudo [117] harmonia. Os bairros mais predilectos Gambôa. Do mesmo modo que os de estariam tambem sicrano e Catumby se colligavam. Chacara do Céo. o bairro do agrião. até na musica. onde "Santa Rita". ia a outro caçamba. de modo que. porque o "chôro" era constituido verdadeira guerrilha com um de uns blocos indissoluveis. Os flautistas de antigamente ao pessoal da Saude e Sacco do eram menos flauteadores que os Alferes. eram tambem chamados "papa. do Itapirú. medonhas e as vezes envolviam que durante muitos annos foi o pessoal da Gloria e Cattete. tambem os do bairro Santa Rita se uniam beltrano. eram constituiam os famosos partidos dos Nagôas e Guayamús. um convidado Os "chôros" em Catumby.– 155 – OS FOLIÕES DE OUTR'ORA porque ali se abrigavam os maiores valentões da época. que era o maior "chôros" em Catumby eram um tanto perigosos: donatario daquellas terras. dos "chorões" eram: Estas "pegadas" eram Catumby. que bem differentes dos de hoje. lá para Os catumbyenses. A's vezes num baile.. que constituiam os bairros de Santo Christo e de hoje. Eis a razão porque os uma especie de tenda do padre Simião.

A' paginas tantas. de outro bairro. verdadeiras divindades. do violão. E o "chôro" continuava. sempre appareciam os poetas. Morro do Pinto. Todo mundo poderia dar e apanhar menos os musicos que eram considerados entes intangiveis. Praia formoza. O botequim enchia-se de ceresteiros que vinham de outros forrobodós e o "chôro" continuava. porém. se preparava para sahir com a "dama" a seu lado.– 156 – contrario. depois que o "chôro" tocava o "galope". até 9. no final. havendo. o "chôro" sahia tocando uma polka dengosa e o pessoal mergulhava no primeiro botequim que encontrava aberto. . O sol invadia o botequim e a flauta se fazia ouvir acompanhada do cavaquinho. approximavam-se dos musicos e diziam toque a Dalila. não leva! E o páo comia gente! O mesmo succedia quando o pessoal do Catumby sahia do seu reducto e ia para os lados do Morro do Nhéco. o "estrangeiro-adversario". quem preferisse o – rabo de gallo – que era uma mistura de paraty. * * Findo o baile. O portuguez gorducho dono do estabelecimento já sabia e perguntava logo: – Então o que vae? Uma gemmada com vinho do Porto ou uma boa "misturada". Ouvia-se o brado: – Quem trouxe. A festa corria bem. mel de abelha e canella. Cada um escolhia a bebida de sua predilecção. 10 e 11 horas. mas. alta madrugada. Saude e Sacco do Alferes. * * * Nos choros da Cidade Nova. que variavam as festas com os recitativos.

foi. aproveitavam o momento dos recitativos e cantorias e . Ou então: Ando na moda para enganar as bellas que nas janellas. manhosamente. E ainda mais: Entrava então humoristico: Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi Tomou o bonde Foi p'ra Catumby. Hoje não dou nem posso" A' luz da lua seductora eu vi. no terreiro um gallo. Quando a festa ia em meio. ré maior ou afinar á "prima" e berravam quasi sempre com voz de "canna rachada": Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi A quanto tempo Que não a vi Foi. mandavam tirar um – dó. hoje não faço E lá ia poesia: Eu por ti já dei a vida Era no outono quando a imagem tua. o cantor Sou guarda urbano. Approximavam-se dos musicos. recolhidos á sua modéstia. os donos da casa que em geral eram de captivante gentileza para com os convidados. que.– 157 – [118] "Caso de amor tão fingido O que já fiz. Etc. Verdade fallo – é o meu desejo. instigavam os amigos para que "insistissem" que cantassem. pelas ruas vago Foi. foi. pigarreavam concertando a voz. ao passar eu vejo Tornar-me dellas. Tambem não se faziam rogados. De espada á cinta por não ter emprego E os marmanjos quando vão passando Foi-se embora me deixou Dizem rosnando: sáe daqui morcêgo! Levou tudo quanto eu tinha Até a joia carregou Isto era um brecha. foi. foi. para os cantadores de modinhas.

A canja e a gallinha eram substituidas por uma grossa peixada. carne assada. castanhas. – Meus senhores! Permittam que eu levante a minha debil voz. manja do céo. cerveja Logos ou Guarda Velha. onde a mesa estava armada. Quando se tratava de baptisado ou casamento. doce de letria e arroz doce com canella. carne de porco. amendoas. Doce de coco. Anno Bom e Reis. A segunda meza era a dos marmanjos. levantava-se um gajo: – Meus senhores! Reclamava então a presença dos donos da casa. arroz do fôrno e pão á béssa. de abobora. gallinha assada. rabanadas.. e licores feitos em casa durante toda a semana. E o orador proseguia. Mal começava a ser apreciada a canja..– 158 – recrutavam as damas que eram levadas para a sala de jantar ou para o quintal. havia sempre um castello de doces adequado ao acto e que representava um presente de um dos padrinhos. etc. por causa dos discursadores. – Não apoiado! Não apoiado! – . em pó por cima vinho do Porto. Esta demorava mais e os convidados que não fossem precavidos comiam menos. com vinho e assucar. de laranja da terra. para neste solemne momento rogar ao supremo . O "menú" era quasi invariavel: canja (que conforme o nu[119] mero de convidados era mais ou menos aguada). (que era descascada e posta de molho oito dias antes com uma boneca de cinza para não amargar e ficar bem molle) doce de cidra. a sobremeza variava: Abacaxy. Quando se tratava de festa de Natal.

.sim.. desejando aos amphytriões saude e fraternidade... – Como está gostoas esta galinha! Diz um a outro convidado: Ergue-se outro orador: – Peço a palavra pela ordem! Todos se levantam: – D.... Jaca.. Começavam então a servir o ensopado.. notavam que já haviam. permittam. Xandóca e seu "Manduca"... Permittam em que eu um dos mais mesquinhos. Quando a gente está com appetite. Casca. Quando todos sentavam-se novamente.. – Não apoiado! Não apoiado! O outro: – Modéstia a parte! – .. E os oradores iam se succedendo e os pratos iam sendo retirados até chegar á sobremeza. como direi? Que venha comungar das idéas do orador que acabou de orar. Cascadura!. Hip! Hip! Hip! Urrha! [120] Urrha!.. Jacarépaguá! Outros: – Casca.. – Sapo. Resultado: levantando-se todos da meza e reclamando contra a "eloquencia" dos ... – Jaca. Sapo.permittam.. tudo quanto apparece na frente é saboroso.. que estenda sobre os donos deste lar abençoado... o manto diaphano da fantasia ! – Muito bem! Muito bem! quando todos se assentavam para continuar a apreciar a canja. sempre o brinde de honra ao bello sexo.. dos mais indigentes dos seus admiradores. notavam que já haviam retirado o prato de gallinha ensopada..– 159 – architecto do universo. para fazer um addendo... já haviam retirado o prato. Sapopemba!.....

Por esta razão o leitor calculará o valor artistico de J... Xandóca" e de seu "Manduca". por haverem impedido que apreciassem os pitéos. obedecendo ao mesmo rythmo. merecedor de muita disticção. Tocava não só bons choros. TORRES Era de um sopro mavioso de um mecanismo de admirar. Havia. do nosso querido poeta e grande cantor. que o acatava com grande distincção. Era de uma inspiração sublimada. Cantor de modinhas. e celebre tocador do violhão. porque apenas beberam "á razão da mesma". que arrumava um prato de "boia" e ia devoral-o no fundo do quintal. Torres.– 160 – oradores. O GUERRA Está hoje aposentado da Estrada de Ferro. e Sacra que deve andar por ahi talvez ao léo Infelizmente é a cina de quasi todos os musicos naquella época viver e morrer sem um amparo de uma mão caridosa. GONÇALVES (FLAUTA) . [121] Eximio pianista. Era amigo inseparavel do sempre saudoso professor de flauta. escriptor de musicas sublimes pois compunha desde polka até o classico. J. porém. e familias. Catullo. Foi escripto por elle a bellissima musica da modinha: O juramento. um convidado mais intimo de D. acabou na maior penuria. Era um chorão maravilhoso. general Gasparino. pois. Seguiam-se outras mezas de marmanjos. executor e autor de muitas musicas. pela maneira que sabia se conduzir entre seus amigos.

ella é a modinha tambem muito se percursora de todas as seáras harmoniza com o violão. A nossos sentimentos. para despertar magia. A modinha. é um estende na planicie das praias. e a tornando-se cada vez mais delicia do presente. afinal em toda plebe. poesia que diz infinidades de A modinha sabe manejar com cousas da vida real. para estimular Ella opera até na propria todos os desejos nos corações da natureza. do namorados. A modinha é a evolui todas as paixões de amor. este . é uma enseada do A modinha é o vehiculo de todas as saudades. o bisturil que invade explendor transitorio. que o Leão que dorme o amor. por ser o vulcão que paramos azues. esta geração. A modinha. que é a nossa alma. em todo seu habilidade de um aacercote da sciencia. em toda sua evoluindo de geração em evolução. companheira. imperando em cheio no coração da humanidade. alvinetente.– 161 – como tambem o classico com sociaes tendo guarida na élite dos palacios. possantes. ella tem a amor tem na modinha uma leal belleza das épocas tradicionaes. que se electrifica. Este enobrece todos os pensamentos. A modinha tem meguice tem todos os corações. Ella tem. O mundo de harmonias. o lençol que se é um mimo de maravilhas. morros. que queima e E' uma aguia de azas fogueira. que vae além dos martyrisa. onde sulca os bateis dos reminiscencias transitoria. a excencia de todas as (A MODINHA) dores. e as mar. bom e do bello. E' a repercussora do passado. Em ondas compassadas. os mocidade e da velhice. tem encantos. e nos casebres dos alma e saber.

inspirando accordões nos violões. MARIQUINHAS DUAS COVAS Era mulata gorda. todos estes já são fallecidos. Oscar de Almeida. Vamos continuar com os sobreviventes que são: João Thomaz. desvendando estes segredos. Horacio Theberge. Nene. e vive. Bahia. Disiderio Machado. Calheiros Vicente Sabonete. os grandes cantadores de modinhas. André [122] Pinho. denominar. Patricio Teixeira. Lulu' Bastos. Siqueira.– 162 – instrumento que dedilhado pelos trovadores chorões. Mario. Francisco Alves. fazem o explendor das grandes melodias. Augusto Gallo. Nair de Castro Leal. Mocinho. Juca Mãosinha. Aracy Côrtes. cultivadores da tradição dessa deusa de amor. e Aurora Miranda. Bilhar. com feição bonita. A razão do appellido acima porque quando ria fazia uma pequena . Almirante. Carmen Miranda. que viveu. Pacifico. pois a modinha. da Imprensa Nacional. guarda em seu seio. Creoula. Napoleão de Oliveira. João de Barros. Lily S. Vicente Celestino. tinha um pequeno papo que lhe fazia muita graça. Julio de Assumpção. o que pedimos desculpas mil. Pedro Paulo. (rouxinol) dos suburbios). Paulo. Catullo Cearense. Bilu'. Barros. e viverá na alegria do coração do mundo: Peixinho. Eduardo das Neves. E muitos outros que não me occorre a mente. Vou aqui. Leandro. o segredo da musica. Tambem o escriptor deste livro. Antenor de Oliveira. Mario Pinheiro. Leonardo de Menezes. Nhozinho. Sylvio Caldas. Gastão Formenti Petra de Barros. João Quadros.

como Piedade. A sua casa vivia sempre cheia de suas amigas necessitadas que [123] ella as abrigava. Como sua mãe. cantava bellas modinhas e Lundús. que com os seus trezeitos. ella não se negava. tinha um coração que não podia ver ninguem chorar miseria.– 163 – cova em cada face. condoida da sua sorte. quer fosse por falta de um abrigo o fome. e sendo muito feliz. Mariquinhas tinha uma filha casada com um grande musico clarinetista. botando tudo em um sacco. Na sua casa os chorões era aos cardumes. que tambem já não existe. era uma inimiga. fazia bom rir. ainda abrigava muitos chorões. dava a ella tudo. que tomava. e liberal. os que a ouviam. Era muito perseguida não só pelos chorões como tambem os que a vissem. . era uma deusa de bondade. Costumava ir a Mercado e arrematava grandes quantidades de peixes de diversas qualidades. sem nenhuma protecção. pois nunca o gato estava no fogão. Sua filha era como sua mãe de um genio folgazão. Mariquinha era filha da terra do Vatapá e ella tinha neste seu nascimento. achando-se sua bolsa sempre aberta para ella. de que me lembro de um que era Mestre Domingos. um orgulho impossivel de descreverse. Era muito franca. Como sua mãe. A folgazã de quem fallo era bonita de verdade. A sua casa foi sempre farta. mesmo por brincadeira. Ella vivia em companhia de um tal Manduca que tinha uma fabrica de Cigarros. contra seu Estado. Independente destas. Mariquinhas. quer em comidas como bebidas. alguns desempregados. E ai daquelles que disse-se a minima cousa. O seu riso e andar embriagava até as pedras. as suas portas estavam sempre abertas.

e la vai obra! Todos ali reunidos. quando se lembrava de sua terra natal. e ficar muito tempo em uma cama. ninguem lhe supplantava no fazer o pirão "peixada". sentiu-se mal. hoje tem cousas para vocês esfolar! assim virava o sacco em uma tina. Indo a uma festa á noite na Igreja de Sant'Anna. e lá chegando. que desejava uma morte repentina. até a sua casa. e pelo quintal outros. que era um das ruas perto da Companhia de São Christovão. Apezar da grande quantidade de peixes ensopado. pois não queria dar trabalho a ninguem. botou a mão sobre o coração. quando todos levantava da mesa. Daqui a pouco já sentia-se o perfume do azeite de Dendê do quento. A heroina era uma grande espirita. escamava abria e limpava os peixes. ficava radiante. mesmo assim bem chupadas. em fim. Depois de alguns chorões de pandulho cheio fazia um bello discurso a Mariquinhas. dando uma faca. dizia que não queria cahir doente. Mariquinhas ia dizendo. Ao entrar acompanhando o carregador. foi feita. que ella trazia do mercado. a cada um. e assim veio em passos largos.– 164 – despachava num bagageiro e rumava a casa. e sempre que me fallava. como aos seus anjos de guarda. Em quanto o mais pertencia a Maraquinha que sendo bahiana. uma delicia. comendo aquelle pitél acompannhando de um bello paraty. só existia a espinha. pelo seu . Pois a sua vontade. e exaltando o glorioso Estado da Bahia o que Mariquinhas. Quando sentava mos a mesa uns. E satisfeita. que era em grande porção. e assim pedia não só a Jesus. da pimenta de cheiro. e ao entrar na soleira da porta deu um grande grito! acudida logo.

pois já velho. Em nossa companhia achavase sempre o sempre chorado Christino de Andrade. deliciando o bello sexo. etc. bôa. Pois elle tinha tudo. [124] Dos chorões que eram visita permanente uns. Pois sendo conquistador de verdad e lá existindo grande quantidade do sexo fraco. existia um que não sahia de lá. nem cantar. que com a sua maviosa flauta tambem fazia as delicias daquella casa a quem Mariquinhas muito apreciava. que apezar de não tocar. era um companheiro apreciavel. Mas tantas fez que uma dellas aborreceu bastante a Mariquinhas. Hoje este campeão está aposentado não só do logar que occupava. Esta casa era sempre frequentada por mim escriptor que vivia dia e noite de violão em punho. . o Ernesto Magalhães. retirou-se a vida privada. E assim findou-se esta bôa camarada deixando muitas saudades. Bilu' e muitos outros que não me vem a mente. quando era a noite lá estava rente como pão quente. pois alli fazia o seu regallo. ficava elle nas suas quintas. Destes permanentes. bom pirão. o Juca Russo.– 165 – companheiro. Tambem era frequentada pelo meu irmão Quintiliano. Este penetra inveterado chama-se Benildo que apesar de ser operario da Central do Brasil. que só teve tempo de corregar para seu aposento. etc. os seus acompanhadores era eu. bebidas a farta. a cantar modinhas. logo expirou atacada de uma aneurisma da aorta.. e com elle de máu humor o pobre do Benildo não teve remedio se não dar o fóra de lá bastante contrariado. collocando-a na cama. e mesmo muito delle gostava. meza. e de vez em quando outros. como em tudo. que ficando sempre de cra amarrada.

E' um chorão de respeito amigo dilecto de seu amigo. de suas poesias. por estes moivos Catullo Cearense. e canta muito bem. é o violão nortista. não só do chôro como do classico. e fino trato. é uma tarefe difficil. amigo. e numerosas familias. sertanejas. que arrebata. primus inter-pares. e chorão. dos seus congeneres. o distingue como um pharol que brilha no mundo da harmonia. na formação dos tons e na dedilhação das cordas. E assim tudo se finda com o tempo que tudo derroca com a morte. pois João Pernambuco tem magia nos dedos. Queria dizer muito mais do que disse mas me é impossivel. Eis aqui tudo quanto pude dizer deste grande artista. Irmão da Opa. no meio distincto de todos os chorões de sua época. e tambem como nós. e pessoal de João Pernambuco. E' pae do grande e estimado Professor J. e pobreza de minha pennas. Thomaz. João Pernambuco. e bom comedor. tal o seu merecimento.– 166 – pois muito brincalhão. tal é o seu immenso valor. JOÃO PERNAMBUCO Dizer aqui nessa descripcão o valor artistico. e [125] conquistado por todos os chorões. que faz vibrar no seu glorioso violão independente disso é querido. porque João Pernambuco muito mais merece. e . com a sua modestia. e conquista todas as sympathias que elle sabe angariar. tambem grande musico. Seu pae João Thomaz é um violão seguro. fazia as delicias da casa de Mariquinhas. JOÃO THOMAZ E' conductor de trem da Central do Brasil. a que elle com veneração e respeito priva. por falta de dados.

onde tem-se dedicado de uma maneira admiravel fazendo-se respeitar. e agora ainda mais. que voltou ao Brasil como grande professor de flauta. pelos peiores infractores da lei. foi alumno dos Meninos Desvalidos de Villa Izabel. Inda me lembro de uma modinha por elle feita dedicada a uma bella e boa camarada. e muitas vezes jogado a sua Este nome acima. Chegou a dar um passeio na França. que é um brinco de gosto.– 167 – com grande agrado. vida em holocausto ao bem Tambem já fallecido. na qualidade de investigador. compõe musicas para as suas modinhas. publico. O heroe que fallo. de Villa Izabel em 1889 onde elle era empregado. já tendo muitas. que se chamou em vida Durvalina. Macario toca admiravelmente o seu MACARIO . e lá aprendeu elle com aquelles grandes professores a flauta de que fez prodigio. bastante estimado dos directores da fabrica daquelles tempos pois sempre foi um empregado trabalhador e assiduo. se applicou de maneiras tal. FREDERICO DE BARROS Descrever este nome com perfeição. e faz tambem as poesias para as mesmas. Felizmente este chorão da velha guarda ainda vive. Depois Macario ingressou na Guarda Civil tendo prestado a mesma innolvidavel serviços. Tocou em muitas orchestas bandas e chôros que [126] muito o apreciavam como distincto executor. Macario conheci ainda tocando Requinta na Sociedade Musical Dansante da Fabrica de Tecidos. e lá. de admirar. é mais difficultoso do que remoer o Pão de Assucar.

excellente chefe de familia.– 168 – instrumento. Néco. BAHIANO Quem será que na roda do chôro não conhece este heroe? Julgo que ninguem. Em muitas boas festas estive com este. Desembanhando da sua capa um lindo. (Não fosse elle filho do glorioso Estado da Bahia). não só nas sociedades. com . era tão gostoso. e custoso violão. Conheci pela primeira vz na casa do meu sempre chorado amigo Côrte Real. que todos eram bisados. O chôro tocado pelo heroe. pois era quem organizava o conjuncto para tocar nos theatros. Não quero dizer mais nada. acima. Logo de primeira vista. Tinha muitas cousas a dizer porém ellas são tantas. duas e as vezes tres. tambem tocava nos instantes. Apesar de ser organisador de musica. muito me sympathisei com este grande chorão. tocando. que muito o apreciava pela maestria que elle sabia dizer no seu instrumento. noites inteiras. o saudoso Angelo Pinto. e nos bailes. bom e distincto amigo. na Estação de Ramos em uma festa de anniversario na sua sempre lembrada casa. Frequentou bons e luxuosos salões. e o autor deste livro. Juca Russo. e dobrando durante o dia o sol de fóra. FERREIRA DIAS (SYMPHONIA) E' carteiro aposentado dos Correios. mais que distincto amigo. onde é conhecido por Symphonia. com seus acompanhadores que eram Luiz Brandão. nas orchestras dos theatros. e tambem pequenos. como outro musico qualquer. cantando e dansando. foi logo fazendo um Mi-menor. para exhibir-se com seu mavioso violino. que para descrevel-as precisava dispor de mais espaço. melhor elle dirá. e tão b6oas.

tal o seu valor real. Só posso garantir. A muito que não o vejo. como grande musico. Nos chôros onde tocasse. tal a maneira do gosto. muito lastimoso queixou-se a mim que tinha sido roubado no seu mavioso instrumento. e linda. e arte que elle desenvolveu naquelle instrumento. especialisando o seu mais que glorioso Estado. mesmo por ter me retirado dos chôros. pois faz delle o que quer quer. officleidista afamado. Na festa se achava um flauta empregado na Leopoldina. Conhece o seu violão como gente grande. e escutar a sua bella e maviosa voz. pela idade. mas posso afiançar que era dos bons. dando assim grande gloria ao Brasil. o que eu acreditei por ter a felicidade de vel-o. e difficultosas outras. TORRES OFFICLEIDE Muito digno funccionario da Prefeitura. Depois desta festa encontrando-me com elle. me dizendo que seria muito custoso encontrar igual. [127] Tocando com bastante facilidade umas. só fazia prazer. e me achar cançado da lucta. Logo após solou uma polka difficultosa. e que não me lembro seu nome. que Bahiano. é dos bons. e que Bahiano comia aquillo com a maior facilidade. retirando-me a vida privada. aos meus leitores. nestas difficuldades solou muitas outras. tendo me sahido desta intaladella com bastante difficuldade e assim.– 169 – todos os seus accordes que fiquei todo arrepiado. é um general que não foge ao maior perigo. Aqui fica registrado o valor de um amigo . que eu com meu cavaquinho me vi bambo para o acompanhar.

bom chefe de familia que encantava aos seus ouvintes. onde tambem Não vistes a peregrina foi o sempre lembrado Alferes Que matou teu trovador Abilio. desta modinha. e outras de seu . em que o grande garbo por esta que era de sempre lembrado Visconde do sua predilecção: Rio Branco foi obrigado a Não vistes a nebulosa. o maior encanto. cantar. annos. deixava aos ouvinte. tinha um Territorio do Acre. Abili era sublime violonista. e assim era muito SANT'ANNA conquestado pelo seu real valor. Tendo embarcado modinhas. Entre as muitas com o Brasil. por questão do modinhas que cantava.– 170 – dedicado. acompanhava a todos os solantes. no posto de Alferes. exemplar. do major do Seu pae o major Sant'Anna era Exercito. conhecido por major [128] Sant'Anna. Abilio no acompanhamento não só solava admiravelmente. e tinha prazer de para o Acre. Conheci como segundo cadete do 10° Batalhão de grande cantor de bellas Infantaria. perfeição de extasiar. com uma da velha guarda. sempre acompanhadas Na questão solicitada do Perú por seu filho. com grande amor. Era dilecto filho. E assim cantando toda a mopois a morte o surprehendeu ainda na flôr de vinte e poucos dinha. mandar para aquellas paragens De um fluminense cantor. um contingente. funccionario e chorão como tambem. Fazia no seu instrumento accordes ALFERES ABILIO DE sublimes. Lá chegando pouco durou.

para conhecimento dos chorões d'agora. e por isto não lhe davam folga. Tinha um apurado. como tambem seu filho. e que mesmo no accaso. Seu pae tinha garbo daquelle filho. por muita boa vontade que se tenha. chamava a attenção de todos os seus moradores. era muitas que faziamos na Cidade Nova. EUGENIO TORRES Sinto-me feliz em poder no meu livro. Paz as suas almas. illuminará sempre com suas lembranças e todos nós. Ahi fica nestas linhas escripto o valor de Abilio e seu pae. até tambem a nossa eternidade. os bons solantes que tinham nelle um companheiro sem igual. como para as bandas da Saude. Frequentei por seu intermedio a casa de sua distincta familia. Chico Borges. Sempre apreciei o seu alto valor no dedilhar do seu mavioso violão. que a elle faziam. deixava todos com o maior contentamento. Ouvir tocar este artista equivalia uma epopéa. impossivel de descrever-se. em companhia dos mestres de chôro. Seu pae era de grande cultura.– 171 – sempre lembrado e chorado pae. Abilio era bom. com seus acompanhamentos. Era mesmo de admirar. que como um sol que appareceu. em que tocavamos juntos. que muito o admirava. pois entrava de serviço diariamente. para acompanhamento. o que muito satisfazia os solantes. e distincto amigo. pois era de encantar. os maiores elogios merecidos. onde passei horas bem alegres. este immenso chorão. Fez boas farras. Raymundo . e de uma educação. escrever. e os vindouros do valor real destas duas entidades. Foi de fama no meu tempo. e educado ouvido. onde com o solo de seu violão. pois além de ser um executor aprimorado.

O violão nos seus dedos de seda em suas seis [129] cordas. feita de suas conhecendo. depois . que elle faz no seu instrumento. musico de nomeada. não só nos choros. casas de Caixeirinho. Conheci-o em 1882. E' tambem muito habilidoso e Fallar no nome deste heroe do choro. fiquei tambem admirado de ver pois mesmo muito o tocar ocarina. fica-se extasiado. Nasceu em logar chamado quando carteiro da Rua Lavradio. com seu labor e valor deste meu grande amigo e honra. encontro grande proprias mãos! onde elle tira um difficuldade. que só póde o elevar e a chorão afamado. onde elle morava em Anaya. ficando de metal. nas acompanhando admiravelmente. tantas VICENTE SABONETE é as diabruras. me é bastante difficil. tocando em . e Mamede.– 172 – Conceição. João Thomaz. aqui descriptp mais o menos o como homem sério e seu valor real que mesmo assim trabalhador. bem admirado quando num como musico da Banda de choro escutei-o com seu Musica Flôr de Sant'Anna em mavioso violão não só Nictheroy. conheci muito menino finalmento todos instrumentos quando nada tocava. Cordeiro de São companhia do meu inseparavel Gonçalo. pois sustenta a sua fica muito a quem de dizer o illustre familia. o seu sempre chorado seu instrumento foi sempre avô que muito com elle privei. ophecleide e depois bombardino Vicente. E assim fica heroicos. JUCA MARQUES sua distincta familia de que eu tive o prazer de conhecer. tal os seus feitos partido de enebriar. como tambem fazendo solos de arrebatar. O amigo.

muzicas dificeis. . Mais tarde o Juca Marques. Juca Marques. e profissiencia no saber tocar. Juca Rezende. e tambem fui a elle aprezentado pelo Madeira Ophicleide em um choro la para as bandas dos suburbios. Receba pois. onde elle é aclamado com muito enthusiasmo e admiração. [130] NELSON ALVES Eximio tocador de cavaquinho. armado em Bandolin. onde elle fez diabruras de assombrar. tal a sua agilidade. sabia tirar partido de sua Harmonica. musica da Banda Policial la Provincia. e mais tarde. onde se achava Catullo e o inesquecivel Bilhar. hoje é chefe de numerosa familia e um cacique considerado que vive para a sua prole. Eis o que tenho a dizer deste chorão. e acompanhando com facilidade. solando. debaixo da batuta do Coronel João Elias. Juca Marques por intermedio destas linhas um apertado abraço. em Nictheroy.– 173 – choros. Conheci por intermedio de Serpa Pistão. os meus sinceros aplausos. e outros musicistas de nomeada d'aquelle tempo em que a Banda fazia retretas no jardim Pinto Lima. PEDRO DE HARMONICA Era impressor de muzicas. hoje dá preferencia ao banjo. é um eximio musico que sempre teve predilecção pelo choro. este divinal instrumento tornando-se deste modo um profissional artista. Receba pois Nelson. de merito na roda dos chorões de sua classe. Pedro. ao lado do grande Damasio. porem. assumiu a batuta desta referida banda que ainda hoje na avançada idade de setenta e tantos annos é copiador e archivista da mesma.

hoje se acha aposentado. onde com zello e assiduidade prestou relevantes serviços. que tem por elle grande admiração e devotamento. pois é um fervoroso apostollo das modinhas Brasileiras.– 174 – CAPITÃO ROGERIO Mestre de bandas de muzicas. VELLOSO O MOR . este chorão inesquecivel. CAMAS Era funcionario do Oeste. e por isto não cantava modinhas de mais nin[131] guem tal a paixão que elle tinha por aquellas. O heroe acima admirava e idolatrava as modinhas de Catullo. e muito outros executores Pistonistas. e que diga o nosso distincto Poeta e Cantor Catullo. A sua voz era de maravilhar. GUILHERME "O MANGUINHO" Este cantor se immortalizou cantando as modinhas de Catullo. autor de muitas excellentes muzicas. Manguinho. mas não para o escriptor destas linhas. Nada mais posso dizer. e celebre Pistonista. muzicas estas que fizeram os encantos daquelle tempo. que guarda com veneração no intimo de sua alma esta tradição de saudades. Foi um trovador respeitado. era um artista de renome. é aposentado do Theszouro Federal. esta que marcarão sua época. Capitão Rogerio. para muita gente. um talvez maior do Brazil. Era um peito de aço. e uma garganta de Ouro. e adorado por todos que tinha a felicidade de conhecel-o. que se revalisava com José Soares.

Com esta quadra absorve o Ismael de todos seus pecados. na segunda Ediçào deste livro. Com seu violão. diz com alma. trezentos e sesenta e dois dias. e custa sahir. um dia contou-me um chorão. Vou mais ou menos. é hoje do tribunal de contas. Toca com precisão e gosto. e amigo de verdade do choro.. ISMAEL CORRÉA Ismael alem de ser um violão. o violão.– 175 – Violão de fama. sociedade em que Valioso tocador de Flautim prestou relevantes serviços o seu amor pela arte muzical. ADHEMAR VIEIRA Foi funccionario da Alfandega. comprometome dar mais desenvolvimento o perfil deste chorão. hoje grande dizer com isto. Isamel fica doido quando entra na fuzarca. foi uma pegada feia: não havendo vencedores pois ambos eram chorões de primeira agua!. igual a muitos outros ou quasi todos. razão porque. não é pouco é justo que nos tres dias de carnaval se seja louco. e conhecedor de todos os tons deste dificil instrumento. que o bom do Flautista. o Poeta sertanejo que é delle um grande admirador. que Velloso. descrever este inveterado apreciador do choro. em punho. não tenho dados . CECILIO Foi Presidente das Pragas do Egispto. pegou-se em desafio com o sempre lembrado Ventura Caréca. E' destes que não dá para traz. pois ter juizo.. Não é dos grandes tocadores mas o que toca. e dos chorões. não a quem possa com elle. pois nos choros é peior que uma criança. quero naquelle tempo. Que diga Catullo.

pois elles são tantos. e de milhares de seus apreciadores. porem sei. e de fino trato. [132] PROFESSOR NICANOR Professor de Flauta e eximio executor. a muito teria ingressado na Academia de Letras. Depois de fazer justiça merecida ao nosso venerado Catullo vou mencionar a guisa de Sateletes ao redor do . que foi. este que sabe cantar e tambem dizer. um exímio chorão destes que não arrepia. carreira por mais terrivel que esteja a batalha. de quem elle é um fervoroso propagandista. me é bastante dificultoso. e apreciador das suas produções. e que ainda é. Não sei se ainda vive? Era grande admirador do immenso e idolatrado Poeta Catullo. onde conta no meio de companheiros de trabalho innumeros amigos. Aqui fica nestas referencias as minhas considerações a este grande artista. por ser elle o idolo das modinhas Brasileiras. e expressivas. OS GRANDES CANTORES Descrever estes grandes astros com perfeição. Se meu voto tivesse valor. Aqui finaliso dizendo quando podia dizer deste velho companheiro chorão.– 176 – muitos conhecidos para descrever este grande personagem. o remodelador de tudo que é nosso. Ao fazer. Sei tambem que é dignissimo operario do Arsenal de Guerra. O Poeta Catullo da Paixào Cearense. pois foi e é um astro de primeira grandeza pois as suas produções ahi estão para nossa admiração. maneiras sinceras. tenho que citar aqui mais uma vez o mestre dos mestres. e seus feitos maiores. tal o seu valor real para mim. e de todas as nossas muzicasantigas. era um gentilimam.

Augusto Pedro. Napoleão de Oliveira.. João Tomaz . Prachedes. São João. funcionario da Estrada de Ferro!. Augusto Sachristão. que fica num pagode" noventa dias!. Bilu'. Jonjoca. muitas vezes certo dos sapos. Nonô. Nozinho. Xisto Bahia. Anthenor de Oliveira. Nenê Mario. Branquinho. Sinhô.. e fazendo uma estação de "agua" que passarinho não beb!. Que foram: Boneco.. Olympio de Oliveira. Angelo Pinto. e sabem que Uriel. Barnabé. André Pinho. da velha guarda. França. Cadete. trovador adora o deserto e é um amigo apaixonado. Felice Roxinho. pois já dedicou . Moreno. é o verdadeiro escriptor sentimental. e muitos outros. Disiderio Machado. Placida dos Santos. pois descrevem tudo que este formidavel bohemio sente n'alma! Quem não conhece o Uriel? [133] "O casa cheia". Augusto Padre. Terra Passos.. Uriel. Geraldo. Bilhar.. os grandes chorões. Rouxinol dos Suburbios. Julio de Assupção. Alem. Mario Pinheiro. Leandro. Pedro Paulo.. Barros. Peixinho. Theberge. as suas letras musicadas mexem com os nossos corações porque todas são de uma beleza inegualavel. de vez enquanto elle desapparece e nem a sua propria familia tem noticias do mesmo! porém já estão acostumados a estes retiros. URIEL NORIVAL Este extraordinario trovador Poeta sublime. está abarracado em casa de um amigo veranneando conforme a sua phrase. Lulu' Bastos. Felix Baptista. Adhemar Casaca. Uriel.– 177 – Sol.Teffi. Juca Mãosinha.

o que elle fazia. que a todos faz razão porque é isto era um flauta sublime. Principe de melodia. Uriel. pois era sublime artista. nem se falla! Me jogou muitas vezes no chão. sei que estou despedia-se e lá se ia na maior muito longe de o fazer tal seu rapidez e a passos largos. como garganta de Ouro. Com o tempo fui me acostumando. e mais. Então em casa do Bita. aos mesmos uma duzia de sonetos! Este "chorão"sabe se conduzir nos lares de seus amigos pois além de ter um preparo superior. que elle sublimessimo violão e de não se incommodava. executor de violão. no dedilhar de puzeram este apellido. ou um Escrever este grande cantor. VIEIRA MALUCO Cinemas. serenatas. Com tudo invejada vós. Infelizmente tambem já elle fosse. pois a Radio. Vieira não só tocava em choros. da canção. pois tinha muito choro dificultoso de fazer arripiar carreiras. era as pressas. não é que divinal. . é um dos maiores trovadores dos ultimos tempos. é dotado de uma intelligencia fora do commum. manejava com arte e explendor.– 178 – heroe do choro. FRANCISCO ALVES Na Rua por onde andasse era sempre correndo. Quando encontrava um amigo. Então real valor. mas sim porque tudo é morto. e chorão não se demorava. Toquei muito em bailes com este do samba e da modinha. extasiar Conhecia muito bem a conhecido pelos ouvintes de mechanica da mesma. Afinal. como tambem em Orchestras. pois o seu sopro era O apelido acima. que o acompanhava com a maior facilidade.

que é bastante merecedor. pouco mais ou menos no Theatro S. no estran[134] geiro. o fallecimento. e como. Figueredo. com grandes aplausos. meu bom Francisco Alves. Arranha Céos. foi-se aperfeiçoando e hoje é um pharol que illumina o meio a onde elle é aclamado. em mil novecentos e doze. que vem dos morros. este. onde é um idolo da maior veneração. Progrida pois cada vez mais. daqui a meio seculo. para que. fazendo o estímulo na phalange que pertences. propagandista de tudo que é nosso. introduziu o Violão no Conservatorio. e primus interpares dos cantores da actualidade e alvo da maior admiração no Brasil inteiro. pelo modo e maneiras que cantas. Onde deu uma audição. José Cavaquinho. com o aparecimento do Radio. e enche de alegria a nossa cidade maravilhosa. especializando-se na Republica Argentina. MORREU QUINCAS LARANJEIRAS Pranteamos aqui. que em companhia de Catullo. para que o violão se exhibisse nos grandes e aristocratos Salões. e apreciado.– 179 – Francisco Alves. em 1908. possa ser descripto. José. que tocas e interpreta as muzicas genuinamente Brazileiras. fazendo pontas e cantando modinhas com vós ainda pouco educada. abrindo caminho. ao lado de Alfredo Silva. deste inegualavel leader do violão. hoje Instituto de Muzica. os teus feitos. pelos chorões da minha tempera. com verdadeira justiça. Carlos Torres. Conheci-o com o apelido de Chico viola. Quincas . engrandecendo as nossas Avenidas Palacios. e outros que não me vem a mente.

harmonia e bellos acordes de seu mais que brilhante Cavaquinho com bons predicados de um bom filho. deixando após de si. que sumiu-se esta Estrella. que desappareceu deixando após de si estas maravilhas que se findou. E foi assim. e nova guarda. de um bom pae. e verdadeiro amigo. Que não sendo o crepusculo do sol. por entre chorões da velha. e sim. sabia tirar de seu instrumento. com sua inspiração musical. Ao escrever este Necrologio só tenho em mira realçar. fazendo a sua rotaçãodiaria e depois some-se no occaso. Galdino Barreto. imitar com cores Yris o deslumbrante painel da natureza. o brilho transitorio das harmonias sonoras. que desapareceu. e outros daquella ou desta. Morreu levando comsigo todas as suas illusões. que nem o pincel Murillo. MORREU GALDINO BARRETO Como um sól que circulla. de um bom esposo. sem que a nossa Imprensa dessem not. Féra. e valorizar o nome glorioso do grande e inesquecivel artista que se chamou Quincas Laranjeiras. geração. onde se retrata o crepusculo. como uma estrella diamantina. foi o crepusculo da muzica nas produções que abaixo menciono. Saudades. deixando a saudade. della.– 180 – Laranjeiras. Encantada. Polkas: Me espere na sahida. Na sombra da Laranjeira. fez a sua passagem. . deixando tambem no seu trajecto. Os olhos de Flausina. Valsas: Izaltina. Ricardina. Recordação. seria capaz de reproduzir. os effeitos do sol. que só elle. a todos aquelles que tiveram a felicidade de o conhecer. Honoria. o quadro maravilhoso. deste planeta. deixando em seu percurso. Foi assim como o sól.

e Muitas outras. JOSE' MONTEIRO Quadrilhas. dava em na rua 13 de Maio. tocava Cruz. infelizmente já dorme o somno da eternidade. Mazurcas. era proeminente das serenatas. no Engenho de ALVARO CUNHA (Mocinho) . nas farras passadas. figura obriconheci-o como guarda da [136] Alfandega. tive com elle intimidade frequentei a sua casa em companhia do poeta. O mais destemperado de era pessoa grata de Guttemberg todos os foliões. quando nas salas ou no quem Ripper tinha por elles sereno cantava as letras do grande devotamento e muitos Grande Catullo. e maior gatoria em todos os "pagodes" cantor do Brasil Catullo sulapando os cantadores de Cearense e o velho Bilhar por fama. pois possuia uma voz maravilhosa! Zé Monteiro JOÃO RIPPER foi um principe no cavaquinho. teve a sua grande época. E assim se recolherem aos bastidores! Este cantor. arrancava do outros chorões a quem o Ripper povo os maiores applausos! offerecia a cada um d'elles um obrigando a outros cantadores a grande discurso. Quem não conheceu o Zé Monteiro.– 181 – e Dentro? Cantador de modinhas que deslumbrava. no Engenho de reunia o pessoal mais Dentro. hoje sua casa muito bôas festas. cavaquinho e violão. que tantos termino estas linhas co o corações fez pulsar tambem coração cheio de saudades. onde Abolição.

tinha vóz de barytono. Era funccionario da Estrada de Ferro. JOÃO LIMA companheiro como poucos. e de todos os cantadores e tocadores dos suburbios. tem sempre recordações que nos fazem nascer as lagrimas nos olhos. .– 182 – Mocinho. pois era de um gosto extraordinario. se não em cada modinha. era cem tombos. cantava uma ou duas noites as suas modinhas inteiras. fazendo successo. O velho Alexandre. Era muito conhecido não só aqui como em todos suburbios. pois Mocinho. PINGUSSA O nome de Pingussa. Para acompanhar o heroe acima era preciso ser violão de verdade. principe da velha guarda. pois onde tivesse não lhe faltavam os applausos. Inda hoje a sua morte é pranteada. afinal é uma estrella que ainda brilha. a sempre lembrado por todos os todos arrebatava. só mesmo acompanhada por elle. onde tinha innumeros admiradores e amigos. bom amigo. tal a falta que fez entre os chorões da velha e nova guarda. (O Animal) deseja que tu vivas 200 annos e sempre "mocinho"!. e ainda canta e acompanha as modinhas dos nossos tempos! este "malandro" é uma casa "cheia" porque sósinho faz uma festa com o seu violão! Mocinho. Guttemberg. João Lima era chorões da velha guarda. conhece. Com uma vóz encantadora.. Em fim as modinhas de João Lima. a de ser Luminar dos Seresteiros. e mostrando o valor dos antigos chorões. sem repetir. foi companheiro inseparavel de Leandro. é actualmente unico rei das serenatas. e ter muita pratica..

E' reformado hoje do Corpo de Bombeiros. elle sempre soube adquirir sympathia. Pingussa. assim sendo presto nesta descripção uma homenagem a esse chorão que se chamou José Aymoré. VELLOSO. Flauta já descripto por mim neste livro. de todos que com elle conviveram. pensamentos como um penhor TUTI de saudade. ainda repercute batuta estimado e respeitado no vibrando em nossos seu cavaquinho. [137] Astro do quilate deste grande artista! quando desaparece. No sólo? nem se falla! Deixa apreciadores bambos das pernas tal a maneira do manejo nesses dois instrumentos. violão e bandolim sublime! No acompanhamento é de admirar em qualquer dos dois instrumentos. haverá. DA ESTRADA DE FERRO Foi um bom tocador de violão. JOSE' AYMORE' Era cavaquinho e flauta e da turma de João de Brito. era um excellente cantador de modinha. e que fez á alegria com seus choros em muitos lares. deixa um vacuo consideravel e difficil de ser preenchido. era um chorão de facto. Além de tudo isto.– 183 – As notas arancadas de seu em Nictheroy. onde elle era um violino. que não conheça o bom Tuti. e lá no seu bandolim e violão deixava todos extasiados independente da sua fina educação. este que teve a sua época no tempo em . não só aqui como Bem poucos chorões.

onde cantando. onde estava um. . julgo nunca ter galgado posto algum. deram-se muito bem naquella linda cidade. andando quasi sempre. Velloso foi do bom. fizeram o agrado da bôa e agradavel população daquelle logar. e o segundo Guarda Municipal. Pestana. Pois de um genio folgazão e inveterado farrista. Tocando muito bem violão (e cantando admiravelmente. Pois bem. Pestana foi guarnecer a cidade de Vassou[138] ras. E arranjou ir para lá tambem destacado. ERNESTO PESTANA E GRACINHA O primeiro foi Praça de Policia. esquecia-se de ordens e disciplina. estava o outro. não poude se conter! Empenho d'aqui. como tambem seu inseparavel amigo Pestana. levando de vez em quando uma cadeia. Estes dois andavam sempre juntos. Gracinha vendo-s aqui separado de seu amigo. como obrigação. Pestana. dando prazer e alegria ao pessoal que tanto lhe applaudia. e Gracinha voluntariamente alistou-se no Batalhão Municipal que naquella occasião se criou para defeza da ordem. Porém nem mesmo assim. tambem. com bastante pezar daquella excellente população. e d'acolá. detinha-o de farrista inveterado. Quando terminou a revolta. onde o noso bom Velloso se exhibiu com todo gosto. como praça de Policia. na revolta da Armada. e tocando. prestaram seu serviço ao lado do inclito soldado Floriano Peixoto. atracado ao seu violão. os heroes regressaram á esta Capital.– 184 – que o choro tinha brado de armas no suburbio. Ambos na revolta da Aramada.

ao fazer perfis de celebridades iguaes a esta que vou tentar descrever. deste astro luminoso e professor Emerito. Ver o heroe acima tocar é um céo aberto. em um bond da Companhia Villa Izabel.– 185 – Gracinha era tambem da mesma tempera de seu companheiro e amigo. que elle manejava admiravelmente. PALMIERI E' tambem violão de encantar. percorria os mundos de harmonias. Esta ultima particularidade já trouxe dos seus paes. violão. bem na Ponte dos Marinheiros. especialisando-se no bandolim. tocou sem parar no seu . Este morreu de um desastre. fazendo a maior consternação aos seus amigos que muito o estimavam. Disseram-me que em um torneio o chorão acima. acompanha tambem com grande maestria afinal de Palmieri tudo é bom especialisando a sua excellente educação e fino trato. um chorão de valor. que abraçado ao violão. Pois Horta era um pedagogo. Sóla muito bem. [139] CHICO NETTO Era funccionario dos Telegraphos. BRANT HORTA Lucio sempre com muita difficuldade. Eis tudo que tenho a dizer. e cavaquinho. recebe Palmieri o meu abraço. tocava muito bem o violino. Ambos já são fallecidos. tornando-se deste modo. e tanto assim que toca no bando do excellente flauta Pixinguinha. Porém apaixonado pela musica. com accordes que só elle arrancava com inspiração. Sem mais assumpto neste perfil.

Discute esas linguas com profissiencia. Lucio tinha a lucidez de seu nome. FRANCISCO GALVÃO (CHICO CARE'CA) . Olavo Bilac e muitos outros no Largo de S. pois era uma capacidade intellectual. Descrever Jacobino. e immenso valor. funcionario da Imprensa Nacional. que ir em vida para o céo. conhece o Portuguez a fundo. Sabia cantar e dizer com alma. Muitas vezes o aprecier na roda de Luiz Murat. JACOBINO FREIRE Este bom chorão trabalha ha Escrever este meu amigo de muitos annos no Jornal do peito me é bastante impossivel. LUCIO REIS Era um bom amigo e distincto cidadão. Descrevo aqui esta cellebridade porque Jacobino é o Poéta dos chorões. é mais difficultoso. Francisco. por isso levou tres bandolins. na confeitaria Paschoal. Latinista de primeira grandeza. tendu um repertorio de Modinhas que por gosto se podia ouvir. afim de supprir a falta do que elle tocava quando arrebentasse uma corda ou desafinasse.– 186 – bandolim mais de quarenta e oito horas. A morte de Lucio. apezar de já estar no senectus et morbus. tal o seu grande. Castellões e muitas outras. Demonstrando assim ser um tocador de follego e grande resistencia. Eu que muito com elle privei sei o quanto vale. ainda não dobrou a sua espinha dorsal. as delicias de tudo que nos falla o coração. Rijo e forte parece um menino de seus vinte annos. e voz suave. foi chorada e pranteada pelos homens de letras daquelle tempo.

Apezar de sua estatura ser baixa. Amigo sincero e respeitador. Era de um genio alegre e folgazão sabendo fazer boas pilherias. Juca . é bamba no Trombone e turuna no Obóe. Tocava muito pouco. Tinha um braço um pouco seco. e assim apresentava-se nos choros com seu violão em baixo do braço. JUCA MÃOZINHA Era filho de um sapateiro alli na Rua do Estacio de Sá. por esta razão não podia de modo nenhum deixar de lhes prestar esta homenagem aqui. só servia para acompanhar as modinhas que cantava. Chico Cereca é um chorão devertido.– 187 – Commercio. E assim com sua vós um pouco baixa. um coração de ouro. todo cheio de si. e que tinha uma bella e suava vós. mal ou bem fazendo o que podia. ia dizendo! Quasi não posso andar! E logo este desabotoava o primeiro botão das calças e sentava-se de pernas esticadas por não podelas curvar. afim de contentar as pessoas prezentes. que as vezes encabulava o camarada. era muito magrinho o que não impedia de comer como gente grande. pois o estomago estava muito dilatada e hia assim. Levanando-se da meza. explendido chefe de familia. instrumento este por quem elle tem muita predilecção. Eu tambem que comia bem ficava admirado de vêr um homem daquella forma acompanhado com as bellas cervejas vinhos e etc. de maneiras que só por isto era conquistado por todos que o conhecia. Eis tudo o quanto tenho de [140] dizer deste chorão antigo e muito querido pelos chorões da velha e nova guarda.

n'um choro.– 188 – Mãosinha. sabia corresponder Néco. denominada Adamastor. e sympathia razão porque. lamento cheio de saudades o seu desaparecimento no meio dos chorões. [141] JULIO BARBOSA Chorão antigo e inveterado. onde hia até o enterro dos ossos. e retirou-se da lucta para sempre. MANECO LEAL Primoroso pianista. como em todos suburbios. deixando saudades a todos os chorões. que JOÃO CAPELANI elle com maneiras graciosas. Era bom typographo dos jornaes daquelle tempo. e falleceu em Nictheroy. e excellente chefe de familia com elle muito privei. querido e fallado não só aqui. e nas mazurkas. e Catullo. E assim foi-se mais um que fazia alegria nos lares. cazou-se depois de já um pouco maduro. nem se falla. lá para os lados da Cidade Nova. Gostava muito de um baile. e compartilhei com sua amizade. Era um prodigio nas nossas polkas. pois tinha brado d'armas. Por isso era conquistado pelo bello sexo. o que elle adorava doidamente. O Maneco. Era distincto amigo. Deixou muitas boas composições. assim como em muitas outras. Companheiro inseparavel do inesquecivel e saudoso Bilhar. fazia o piano fallar. Era . e Era irmão do grande violão finas verves. e nas valsas lentas. gente grande. que tocava em uma Sociedade Dansante. de escriptores allemães. Tocava cavaquinho como as espectativas do genero. Era especialista nos tangos do inesquecivel Ernesto Nazareth. pois depois de seu casamento pouco viveu.

O seu maior predicado. Receba pois Dr. com toda justiça de quem é merecedor. E assim sendo continu'a a ser um chorão admirado e respeitado. Bulhões toca tudo não só dos velhos chorões. pois resolve os problemas mais dificeis com a palavra sim!. Com elle muito privei. parece um general quando nos campos quer ganhar a batalha. Hoje retirado do choro. Tem grande quantidade de musicas de sua lavra. como tambem dos novos. os applausos que sempre lhe dispensei. a palavra não.. é um intellectual da nossa Engenharia.– 189 – pianista chorão de facto e respeitado na roda de seus congeneres. é de extasiar. Bulhões não! Cada vez mais agarrado ao piano que elle toca com grande facilidade. Conheço muito de perto este grande musicista e sei o quanto elle vale não só para mim. é não conhecer. como todos que tem a felicidade de conhecel-o. Sempre foi Smart. pois com seus trocadilhos engraçados só faz hyllaridade. onde com seus feitos immortalisou-se. Dos chorões velhos quasi todos já se acham retirados: Porém. Pois Julio no tempo que tocava era senhor dos segredos do piano pois quando o acompanhava com meu violão. e de fama. No Rio não existe Sociedade que não conheça este astro do choro. Sempre foi de uma generosidade sem limites e de uma educação fina e aprimorada. Julio. Onde este heroe estiver não tem ninguem triste. que é uma bellezza. me trazia de canto chorado. e delle recebi muitas boas lições musicaes. Por isso daqui envio-lhe os meus sinceros parabens por este astro .. BULHÕES Chorão velho. trajando-se com apreço e bom gosto.

que foi um bom filho. Em fim era dilecto amigo. pois sabia corresponder a confiança que os chefes das casas lhe depositavam! Nas cançonetas. Barnabé. . Tem algumas boas composições por elle feita. companheiro e collega de repartição do grande Antenor de Oliveira. porque além de ter bellissima voz era um dos cantores mais afamado de seu tempo! Morreu muito moço. uma serenata organisada por Barnabé e seus companheiros transformava-se em tres. quando se falasse no chôro não dava pra traz. Que diga o Catullo e o Idomineu. era um chorão adorado por todos que sabiam dar o valor aos trovadores das madrugadas d'aquella época.– 190 – de fina tempera. e seus suburbios. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas da quelles tempos que já se foram. despertava alegria e saudades nos corações das familias. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. BARNABE' GUIOMAR BOIS Cantor de modinhas de meus tempos ainda. de facto era deveras engraçado. Tinha choros molle. aonde estivesse cantando enchia a rua de ouvintes. quatro ou cinco dias de farra! porque este trovador. que abriam os seus lares para este bohemio. nas modinhas. e um sincero amigo. Barnabé. pois ambos eram operarios do Arsenal de Marinha. [142] AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. nesta cidade. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. arrancava os maiores applausos dos presentes.

e os seus Conheci-o como um dos trocadilho eram expontaneos grandes ornamentos da tanto no palco como na inesquecivel Companhia intimidade. tudo para os suburbios e Nictheroy. em companhia do grande cantor e poeta dos Sertões. Tocando em seu violino. era. onde o violão artista. Esta celebridade. conheci pois o França. depois dos espectaculos. todos os seus descendentes.. com perfeição e gosto. este que foi tempo. pois era um passaram. tornando-se por isso muito popular. são munido do seu querido violão. e quando elle era um eximio nos acompanhava para toda. eu mandava um portador MAESTRO VILLA LOBOS esperal-o na porta do theatro. uma obrigada. [145] .. onde enlutou o Theatro Nacional. das serenatas que já prodigio. Conheço a sua prole. dignos da minha consideração. elle. de um eximio havia uma peça. Com elle. e cummunicativo. quando tinha um bom chôro para ir. pois em dava a vida por uma seresta. muito toquei. e um chorão e chorão de verdade.– 191 – deixando nos Corações de seus amigos as mais vivas se exhibia o França fazia lembranças. O seu fallecimento Dramatica Dias Braga. Era seguro nos accordes e nos quaes vejo reflectir em cada cantava quasi todas as modinhas um d'elles a imagem do meu e lundús em voga n'aquelle bom amigo França. Tinha muita ACTOR FRANÇA presença de espirito. artista considerado. no nosso conjuncto. até chorão. No theatro todas as vezes que o que é muito nosso.

que glorificou e elevou a nossa musica no Brasil.. nem devia morrer. quando se toca um samba intimo amigo. já está por si inautecidos.– 192 – Catullo Cearense. dado a todos os auditorios. de que elle é um dedicado amigo. . este distinctissi. Sabe porque leitor?. de quem é crata. ainda é muito pouco. deste dilecto artistas. acompanhador.descendo do morro. onde encarnou o nosso querido e estimado samba. para os mo chorão.. razão porque. por elle levantado. porém Sinhô morreu quando devia. sempre foi e é. que foi cognominado Rei dos gostam de ouvir as boas Sambas. é o progenitor do salões aristomuito digno Dr. Por que elle foi além dos paramos com as suas producções originaes de musicas theatraes. Villas Lobos é hoje uma gloria do nosso amado Brasil. Sinto-me fraco quando tenho de dizer qualquer cousa de um personagem da esphera do grande maestro Villas Lobo. e muito merecimusicas. pois genio igual a elle. eis o que tenho a dizer damente. um grande admirador do Mestre dos Mestre. Com elle muito privei. pois por mais que eu diga. Advogado [146] Lauro Salles. é sempre ouvido com chôro. e inegualavel desenvolvido e tomado vulto. como um pedestal. SINHÔ REI DOS SAMBAS Infelizmente a vida tem seus caprichos. ha indivuos que não podia. Ainda ARTHUR ALVES hoje. Catullo. que o samba tem se Violão celebre. e companheiro de de Sinhô. que tantas delicias tem a maior attenção. com todos os predicados melodiosos genuinamente brasileiro.

de saudosa memoria.– 193 – conheci-o em companhia do Dr. A Princeza notou. maravilhosas producções. tocando um dia no Palacio Guanabara. ficou encantada com o solo do pistão. E assim desappareceu este astro flamejante. Pois estando esta banda. que muito sentiu. sendo logo escolhido como contra-mestre da mesma. Desvalidos de Villa Izabel. e compadre. a Princeza. das estações de Radio que vae de polo a polo. debaixo da batuta do inesquecivel Anacleto de Medeiros. engrandecendo as musicas brasileiras. mandando vir a sua presença o executor que era o nosso sempre lembrado Carramona. Eximio pistonista. muito difficil de ser substituido. deixando um claro no meio dos chorões. . de quem era grande amigo. Ahi foi que Carramona ALBERTINO CARRAMONA mostrou competencia. e de mundo a mundo. e saber. protegido de Princeza Izabel. finalmente entrou par o Corpo de Bombeiros. que lhe collocou um olho de vidro. Depois elle tocou em diversas bandas. que difficilmente se notava. que findou-se dentro de uma barca. todos os microphones. para esta Capital. que fazia o trajecto da Ilha do Governador. admirado. patenteando o valor deste inesquecivel artista. De Antenor de Oliveira. e tocava com maestria e gosto o seu violão. tal foi a perfeição do scientista. este que lhe inspirava em bellos accordes. Foi aprendiz dos meninos de um verdadeiro artista. Julio Barbosa. como primeiro pistão. que elle tinha uma das vistas vazadas. depois de ter illuminado com seu grande brilho. pois Sinhô era um aprimorado pianista. tão perfeito. e ordenou que lhe fosse apresentado a um occulista.

que era uma belleza innegualavel.– 194 – Esquecia-se de tudo quando se mettia na fuzarca. ninguem! nosso. com CHRISPIM (OPHICLEIDE) suas modinhas e seu querido violão. seguindo com capacidade. de por agente bambo. Vou aqui . boas polkas. enche de alegria. As musicas de Carramona. acompanhava todos os choros com graça e arte. Solava muito bem. CASTRO AFILHADO Harmonia dos Campos. sitar algumas que são: O Falleceu ha poucos annos. cantando velhas e novas immenso chorão acima. que tinha nelle um inveterado chorão? Que ainda hoje. no roda como elle bem poucos. são dispoutada pelo valor. Vagalume. o querido amigo e mestre Anacleto. e respeito. Era amigo de verdade trabalhou na Light como cocheiro sendo muito [147] estimado por seus patrões. de vez emquando. Garbosa Civismo. respeito e venerado. pelos microphones dos Quem não conheceu este Radios. e quadrilhas. e prazer. Falleceu no posto de 2° tenente do Corpo de Bombeiros. chotichs. e elevada inspiração. No seu Ophicleide. compositor e continuador do seu inesquecivel mestre. tornava-se mesmo um doido mal comparando. é um nome Chrispim foi chorão de fama. nos devotado mestre e amigo. tendo lhe substituido no nivel de igualdade. Tornando-se um eximio professor. julgo canções e tudo que é muito que daquelles tempos. Castro Afilhado. e ensaiador da Quem não conhece este Banda.

e vendo-se fechado. ALBERTO LEÃO Grande e gostoso violão Leão era violão de veras tocava como poucos. acordando. ficando todos nós presos. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. poz-se a dar grandes urros. Lembro-me de uma baile em casa de uma grande chorão que se chamava Nascimento na rua D'Eu [148] Lá pelas tantas de madrugada. e onde estivesse o Cabral não havia tristeza. e nós que ali estavamos tambem. Leão quando foi lá pelas pelas tantas do dia. que foi uma grande patuscada de todos. hoje Frei .– 195 – intima de todos os chorões do Conde Caneca. que já se foram e não volta mais. Pela manhã Nascimento trancou o quarto. Os seus accordes. Nascimento. e acompanhamento era de arrepiar. arranjou um quarto com umas esteiras para descançar-mos um pouco achava-se em nosas companhia o celebre violão Juca Russo e tambem o escriptor deste. de maneira que os gritos que elle dava fazia grossas gargalhadas nas pessoas de casa. farrista de muito folego tocava violão como gente grande. imitando o bicho leão. Era um amigo de verdade. tal o gosto em que elle tocava. que foi uma grande patuscada para todos. Muito com elle andei e hoje ainda sinto saudades d'aquelles tempos. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. Estava formado o brinquedo. O chôro fazia parte da bagagem de sua alegria. antigos e modernos. CABRAL Era guarda Municipal. e um baluarte que não negava fogo. solo.

encantar Bem poucos farão o que expandil-a pelo Radio. passam depois de centenares de annos. e executor Rodrigues n. de dar expansão as musicas nunca simas musicas. que pelo Radio se sceptico das criaturs extasiará ao ouvir esas bellienthusiasmar-se ao ouvil-o [149] Daqui destas toscas linhas. cederá maviosa flauta. o grande de flauta. pela em obtel-as. as musicas destes Daqui da nossa casa. 31. de fazer o mais população. admiravel. Tenho assim a plena certeza. . Capitão Rangel e Luizinho. com uma perfeita como fazendo o encanto da theoria musical. pois é de pois terá muito prazer em ouvir de um musico como Benedicto. escriptor que foram Callado. e seculos não trarão mais. Me é bastante difficultoso difficuldades escrever sobre este grande e procurando na rua Mattos immenso professor. BENEDICTO LACERDA não executes estes choros. que deixando grandes saudades. ou instrumento. tal a sua maestria neste professor Cupertino. todos estes foram planetas. Talvez o grande flautista. que os flauta. que muito esquecidas dos sempre agradecerá ao Benedicto e o destas apoucadas lembrados e chorados flautas. Viriato. linhas. mesmo estatico em apreciar este sublime musico na sua mais que que o bom do Cupertino. com seu sopro perpetuando amemoria delles. não só Benedicto faz. ao ouvir todas Benedicto nos preludios da sua immensos chorões. vou fazer um pedido a Benedicto. chego a ficar perplexo. pois tem o mesmo no seu caderno qusi.– 196 – Leão tambem já não vive.

Luiz de Souza e muitos outros. que não ficava nada devendo ao inesquecivel Henriquinho Dourado. Fez parte de um bello conjuncto. Foi contra-mestre da Bando do Corpo de Bombeiros e hoje é considerado um professor de musica tanto para leccionar como para executar.– 197 – PEDRO AUGUSTO E' um clarinetista de primeira grandeza. e ultimamente de ouvil-o a maviosa flauta no Rancho "Quem falla de nós tem Paixão". Lica. Naquelle tempo o seu instrumento predilecto era o flautin. que muito o admirei. Pedro Augusto ainda vive para alegria de sua familia e de seus amigos. Geraldo Bombardino. RAUL (FLAUTIN) Conheci mais ou menos aos vinte annos chorão de respeito. tocava conforme o valor dos acompanhadores. SAMUEL LEITE Foi funccionario da Estrada de Ferro. e outras de facil acompanhamento. pois Raul. era irmão do inesquecivel Timbó tocava bem violão cantando as nossas modinhas com muita alma. é hoje um flauta de sopro mavioso e cheio de expressão. companheiro dos bons e explendido official de orthopedia. que neste fazia parte. E' um chorão que tem excellencia respeitavel em seu meio que constava de Carramona. distincto amigo. Era . Eis aqui mais ou menos o perfil de um grande chorão que não me podia passar por desapercebido por modo nenhum. Raul além de ser um grande apreciavel musico. é exemplar chefe de familia. tambem o mavioso violonista Vicente Sabonete. as musicas que tocava era de arrepiar carreira umas.

no meio de todos os vossos companheiros de choro. esta grande maravilha do Seculo. a tantas modinhas. que elle adora. O Radio. PATRICIO TEIXEIRA Conheço-o e sei o seu real valor. a tantas canções. é pena que Patricio tenha se passado ultimamente para embolladas deixando no esquecimento as modinhas de enebriar. pois conhece seu instrumento por dentro e por fóra com maestria. para alegria de todos os lares. batuta respeitado pela maestria que dedilha o seu afamado violão. o vehiculo de sua incalculavel grandeza. . encontrou em Patricio Teixeira. e modinas. que retroceda em recordações.– 198 – um verdadeiro seresteiro e chorão de tempera. sabe cantar. aos seus ouvintes. LEANDRO DE SANT'ANNA (MAESTRO) Era um clarinetista de immensuravel valor professor eximio [150] que regeu muitas bandas de musicas. pois elle é possuidor de um repertorio de sambas. Foi e é. que tanto impera. a tantos sambas tão cheio de melodias interpretada pela vosa maviosa vóz. Ainda hoje o Samuel é muito lembrado pelos seus companheiros de farra com muita razão pois o inesquecivel Samuel não dava p'ra traz em nda. Acompanha qualquer instrumento cantante com a maior facilidade. nos choros. onde elle por intermedio de microphone sabe dizer. acho bom meu caro Patricio. Pouco tenho que dizer deste grande artista musical por me faltar os dados capazes de inaltecer ainda mais este chorão que talvez possa fazer na segunda edição.

fosse elle onde fosse. te apreciar. pois estava sempre prompto para a lucta. Andava na roda do Theberge. e conversamos dos nossos saudosos tempos. por estas lembranças que nos molesta o coração. Vianninha foi um doido pelo choro. com applausos de todos que como eu. acompanhava elle mesmo com ternas e graciosas harmonias. tem a felicidade de pelo Radio. sempre em baixo do braço. Eis porque. Eu não podia neste meu livro esquecer este grande amigo. e saudoso violão. . de mim escriptor destas reminiscencias. e era sublime cantor de [151] boas modinhas. este valoroso companheiro firme e seguro e dei o valor real do seu tempo. e harmoniosa voz.– 199 – que não regateia o vosso valor que tens adquerido com tantos esforços e bôa vontade. acompanhava-nos para todos os choros. o autor destas linhas. pois quando por acaso nos encontramos. ainda rola tristonhas lagrimas. Nas festas onde se achava não havia tristezas. elle sabia dizer o que sentia. vos admira. em que tudo eram flores. retirou-se a vida privada. Não recusava parada. que com prazer. só tratando de sua distincta familia. tinha sempre belas pilherias e trocadilhos de fazer risos. onde elle sabia da vida ás festas. nos olhos de Vianninha. que Vianninha. nunca tinha folga. Com seu mavioso. pois Vianninha. do Brandão do Quintiliano. Tocava regularmente o violão. não as perdia. Hoje tambem como eu. Nas modinhas daquelles saudosos tempos. do Bilu'. VICENTE VIANNA (Vianninha) Conheço bem de perto. querendo eu dizer. pois além de possuir bella.

é um maestro professor de muisca. em casa tambem um bom escriptor que muito tem feito pela grandeza do do velho Bilhar. em cada amigo. possuidor de maneiras communicativas. Benedicto. Ha muito tempo não o vejo. As musicas de Benedicto Monte são reputadas e acclamadas pela sua melodia. Benedicto as felicitações por tudo que descrevi porque muito te admiro. peças estas que alcançaram exito pelo valor da sua musica e tambem pela verve de trocadilhos finos e humoristicos. Elle tambem tem escripto muitas peças theatraes. além de um eximio maestro é Conheci-o em 1911. polkas bregeiras. Elle é um explendido amigo. e regente de orchestras de quasi todos os theatros d'aqui do rio. pois. e partituras de infinidades de peças theatraes. e merecida dedicação. e. que se immortalizou com as suas valsas lentas. tem elle. pianista de renome. BENEDICTO MONTE dignos dos nossos applausos. um admirador. mas ainda existe morando lá para os lados de Nictheroy. Receba pois. e sendo assim. esse immensunosso Theartro. Benedicto Monte. Musico de nomeada. como tambem de Nictheroy de onde é filho e morador.– 200 – E nada mais. razão porque se torna . em cada conhecido um amigo. principalmente em se traando de valsas. ou então como regente de alguma Companhia em excursão pelo Norte ou Sul. com a sua [152] intelligencia. Quero dizer com isto que o SÃO JOÃO nosso bom Benedicto Monte. conhece todas as praças theatraes do nosso Brasil.

e depois deste dia. nos lundu' e nas modinhas. e um canto com uma esteira. e o bibirique. e era tambem do inesquecivel. ao mais selecto. abarrotados.– 201 – ravel chorão. nunca dos que frequentasse a sua casa della . e arte todos os auditorios do rude. Onde encontra-se um abrigo. e sempre chorado Bilhar. CASA EM QUE OS CHORÕES ABARRACAVAM-SE Existia na Tijuca uma creoula de meia idade. São João é uma casa cheia. na declamação. estavam num céo aberto. na prosa. e hoje faz parte da commisão Rondon. é hoje para mim uma reliquia que guardo com carinho. De violão em punho. e que andavam sempre sem vintem. que prende com graça. que tivesse o pirão. tive a felicidade de ser por elle apresentado. Esta creoula. não sahiam mais. São João. flauta. Este que um dia de uma grande festa. em sua residencia. cavaquinho. E' eximio violonista. e aprimorada. em meu coração. a maioria era de chorões desempregados. e a expressão da sympathia que prende e cativa a todas as pessoas que privam com elle. de Catullo Cearense... que elles se encostasse. pela maneira gentil do seu fino trato. Piedade. que ainda hoje conservo.. e a tinir. que elle tem como um evangelho. E' um grande amigo. a sua casa vivia dia e noite. e honrada. era uma creoula seria. etc. E' um grande admirador e propagandista das nossas musicas. de verve humoristica. harmonica. pelo modo. foi alumno da Escola Miitar. chamava-se Maria da Piedade. São João. fiquei preso aos laços de sua amizade. E de uma educação fina. que era uma maluca pelo chôro.

De maneiras que. pois as 11 ou 12 horas. ficarem sem vintem. era para gastar na venda no açougue. etc. A casa de Piedade era um sanatorio de molestias que preciso-sasse ar puro pois não recusava doentes. no Padeiro. pois Piedade. e outras vezes em aluguel. um senhor Antonico Ferreira. Estes doentes eram quasi sempre dos que estavam mal de vida. jogava dentro tres e quatro kilos de carne secca ½ kilos de toucinho. diéta. e mais pertences. buxo. que mandavam buscar em uma venda que era dono. lombo salgado. A feijoada era sempre acompanhada de um bello paraty. pois tinha grande freguezia e ajudada no trabalho.– 202 – abusasse. que ella lavava bem. (isto é) lavando e engommando. pois caprichava muito nesta qualidade de bebida. desde que qualquer destes chorões pedisse. já estava em ponto de bala preparado para comer-se. e ali os chorões se atolavam. estas duas comadres. As duas comadres se deleitavam com estes chorões. e que era muito procurada. ainda alimentava estas pobresinhas com remedios. que ia até a madrugada. A mesa era posta no quintal que era grande. tripa. escaldava e depois. e mais que . Esta lata ia para o fogo ás 4 horas da manhão. O que ellas ganhavão. Vivia do seu trabalho. [153] As panellas que Piedade fazia os pirões era uma lada de kerozene. Não encommodando-se de no fim do mez. eram fanaticas pelos choros em sua casa cotidianos. que muito a ajudava em casa. o que ellas queriam era o choro. por uma mulata sua comadre de nome Felismina. convidando moças para dansarem. além dos chorões que ella sustentava e abrigava. que o seu bolso estava em falencia.

pelos grandes. nada pagava. um filho de criação apelidado de Passarinho e tendo omesmo feito uma desordem na Muda da Tijuca. Luiz Brandão. annos já passados. até medico. tendo o seu corpo sido enterrado no cemiterio de S. e até muitos musicos que foram do Arsenal de Guerra. João Cabelleira Quintiliano que era o flauta predilecto. Baziza. Os componentes das festas naquelle tempo que frequentavam a casa eram: O escriptor deste livro. TINOCO . sendo acompanhado por muitos chorões. e tomando ella um grande choque. estando nes[154] te meio o escriptor. Mario cavaquinho. pois tendo Piedade. onde ella era venerada como uma santa. e com medicos que para elles e as familias. Ismael Brasil. aconpanhado pelos cavallarianos que chegavam a metter os cavallos dentro da mesma. E muitos outros que não me vêm a mente. Horacio Theberge. fulminada por uma syncope. cahiu para traz. Francisco Xavier. Corte Real.– 203 – fosse preciso. Juca Russo. por muito bem que praticou. e na approximação dos cavallarianos pelos mesmos. e mesmo remedio que elles davam com compaixão da doente e o acto humanitario de Piedade. Piedade morreu victima de uma scena brutal de dois cavallariano. ella chamava que com o grande conhecimento que tinha no logar. Seu Velho. ao entrar na casa correndo. João Cabelleira. onde ella tinha numerosos camaradas. E assim apagou-se uma vida que deixou grandes consternações nos chorões e toda aquella população. Seu velho e Juca Russo.

e que era muito apreciado. De maneira que não deixavam socegar o bom Tinoco. e alli. João Cabelleira. MADEIRA Conheci este distincto amigo em diversos bailes que junto tocamos. afim de contar as suas proezas. em tom baixo só para elles escutarem. Napoleão Faquista. esquina de Andradas. . que com outros bohemios daquella época. Luiz Boccamolle. Era muito conquistado não só pelos seus amigos. como era conhecido. Faria Menino. Diogo da Lapa. não fazia outra coisa se não cantar boas modinhas.– 204 – Conheci-o. bem difficultoso de ser prehenchido. era tambem respeitado. Estava sempre no Largo de S. reunião-se em uma venda alli existente. como tambem pela sua finissima educação. Alli Tinoco com Antonico Moura. Maneco Linguiça. e eu o acompanhando de violão. o que elle adorava. Dominguinhos da Sé. com os mais. Posso mesmo afiançar. Também já é morto. pois carregavam para todo logar. ou cavaquinho. Anthenor da Praia. Ferraz. com grande prazer. que o adorava. Felix Roxinho. não só por ser este predicado. Vicente Italiano e muitos outros campeões bambas que alli se reuniam. e já por mim descripto. Angelo Pinto. Alfredo Caveira. Era um excellente amigo e companheiro firme para tudo que se tratasse do chôro. podia comparar-se com Tinoco. Tito da Praia. Tinoco naquella roda. que era dono um tal chiquinho. que bem poucos cantores de modinhas. Dario Cleto. que era um primor. deixando assim um claro. como tambem por muitas familias. afim de cantar suas bellas modinhas. que para elles era o maior prazer que podia existir naquelle tempo. elle na sua valente flauta. Francisco. com a linda vóz que possuia.

. e adorado pelos donos dos mesmos.– 205 – Era elle estafeta dos Telegraphos. o apreciava-o gostosamente. de quem nunca me cansarei de elogiar. não sabendo se ainda é vivo. porém não ficava devendo nada. e que faço votos que sim. e que não tivesse compromisso. para dar conta de seu recado. não dizia que não! Pois sua blauta estava sempre prompta para o serviço. Seu instrumento predilecto era a flauta. Era excellente chefe de familia. que elle tocava com amor e carinho. cargo em que se aposentou. ELIAS Foi chorão afamado. aos que tocavam a [155] de novo systema. Tocava em uma flauta de cinco chaves. e venerava. em que elle era conquistado. de quem já fallei. Elias era irmão de sangue do grande professor de musica João Elias. Foi organisador dos choros dos maxixes naquelles tempos. Nos choros que com elle toquei. Madeira sabia dizer naquella flauta os segredos mais profundos que um coração possa sentir. Nos choros quando era convidado. amigo dilecto de seus amigos. Quasi todas as musicas que tocava era deste incomparavel flauta. Depois aposentando-se nunca mais nos encontramos. Sinto-me orgulhoso de reelembrar aquellas musicas todas! (Que se aguentasse os pobres acompanhadors) que se viam tontos. pois elle era um obsecado pelas musicas do sempr chorado e lembrado Callado. Tinha grande predileção por Callado que elle adorava.

e dos que quando botava a bocca na flauta. Companheiro de Cypriano. por isso não gostava muito de brincadeiras. floria com sua maviosa flauta nos bailes em que se dava. frequentava n'aquelle tempo a casa do Caixerinho e do Mamede lá para os lados da Piedade. e ainda outros que não me lembro já pelos annos passados. e que um ainda me lembro que elle. Privei com elle não só nos choros. offereceu a filha de um meu collega. e assim ia até de manhã. Morava elle em Nictheroy onde era um bamba. e consi[156] deração. e no entanto era um coração de ouro. como tambem dentro de seu lar. o Antonico Piteira de cavaquinho. onde todos eram tratados com a maior consideração impossivel de descrever-se. e amigo distincto.– 206 – Além dos maxixes em que tocava. se esquecia de tudo quando estava de violão em punho. Soares bombardão. era um chorão de patente pois. Era excellente flauta. e o Antonico dos Telegraphos de ophicleide. e as vezes até pelo dia acima que era um primor. que era uma belleza. com o nome de Alcina. o ventura Caréca de violão. Escreveu muito bons choros. Juca Valle. o Theotonio Machado. EDMUNDO . tambem de violão. tratava a todos com o maior respeito. os acompanhadores aguentasse! pois era chôro. naquelles bons tempos. O Binoca trombone. Eram seus acompanhadores. Néco e Luiz Brandão. em cima de chôro. Tinha um genio retrahido. TABACÃO Tocava violão e cantava bôas modinhas. Infelizmente já fallecido a bastante annos.

e frequentei a sua morada que era um céo aberto de grandezas. Henrique rosa. Ella foi uma estrella que brilhou em todos os palcos brasileiros do Sul ao Norte. PLACIDA DOS SANTOS Digna de admiração. Elle é uma fervorosa admiradora do violão. onde o luxo se intervalinhava com a simplicidade dos seus usos e dos costumes. Quinca Larangeira. Era a Placida dos Santos nesta occasião uma bella morena côr de jambo com todos os requesitos de uma artista consumada. Foi elle o autor da musica da explendida modinha do nosso bom e explendido poeta Catullo Cearense "Talento e Formosura". Catullo. A sua mesa era farta em tudo. Placida dos Santos é irmã do inesquecivel. e muitos outros. Muito simples e modesta tornava-se deste modo cummunicativa.– 207 – Artista de merito. Mario e Galdino cavaquinho. com quem andei em muitos bons pagodes aqui na . Este musicista immortalisou-se com as suas musicas maravilhosas. razão porque. foi em seu tempo uma garganta de ouro. Néco. Dizendo isto disse tudo o quanto podia dizer deste grande artista. compositor eximio. Fez a sua época de admiração e deslumbramento no antigo Eldorado sito ao Becco do Imperio na Lapa. seu instrumen[157] to predilecto. Sabia cantar com gosto as modinhas Brasileiras lundús bahianos apimentados e buliçosos e tambem dizer com arte os monologos humoristicos. Bilhar. era frequentada pelos chorões d'aquella época como foses Luiz Brandão. Lulú Vasconcellos de saudosa memoria. Com ella privei. onde tornou-se o idolo das platéas.

para onde havia partido Quem conheceu o em busca de melhoras para a sua "molequinho da fláta". o meu admiravel amplexo. tangos e quadrilhas.– 208 – nos bailes e mesmo na intimidade desmanchar-se em duetos. mesmo porque Lulú Vasconcellos e Placida dos Santos eram dois corações irmãos com palpitações iguaes. mas. é que pode dizer o (Bambino) flauta chorão que foi Leocadio. era muito considerado na roda dos chorões. tratavam seus amigos na JORGE LINO PEREIRA intimidade. – Deixando o numero dos vivos muito cedo. nos choros. este ornamento artistico. valsas. de saudosa memoria. Lulú Vasconcellos falleceu e Placida está inveteravel carnavalesca. Hoje. Vasconcellos não tocava nem cantaa. Placida. e por esta razão rendo aqui uma homenagem. Receba pois. como o saude. finando-se na flor da idade. quando ouvimos as maravilhosas composições dos mestres Anacleto de Medeiros e Irineu de Almeida. tendo o seu throno de apogeu como rainha que é de todas as tradições festivaes de Momo do Club dos Democraticos. deixou sangrando o coração da sua extremosa mãe e immoredouras saudades dos seus amigos e companheiros que não tiveram a ventura de prestar-lhe o ultimo conforto em virtude de haver LEOCADIO DA CONCEIÇÃO fallecido em São João d'El-Rey. (Minas). Era tão sagaz que muitas O cantor dos tempos vezes o vimos junto ao Edgard. executadas por outros. . ainda vive. Capital e em Nictheroy. temos a impressão de que estamos ouvindo o grande flautista Leocadio.

Mario botou o nome de Bando. Este instrumento não havendo nomenclatura na musica. que supre o . tangos e lundús que pontificavam Catullo. de tambem aprender. como tambem acompanhava muito bem. Eduardo da Neves. o que conseguiu com Mario. E' o verdadeiro cantor de salão o Bambino. Lulu' vendo ser tocado e inventado por Mario. alguns ainda vivos. que não conheceu o bom e excellente amigo Lulu' cavaquinho. Juca Russo. Causa admiração ver-se um cerebro previlegiado como o do Bambino. Antenor de Oliveira. Dentro do craneo do Bambino existe um deposito de modinhas ternas. Napoleão. instrumento este. Quincas Laranjeiras. Era o grande executor acima de uma habilidade bellissima neste instrumento.– 209 – passados e ainda de hoje. com perfeição. Benjamin e muitos outros cantores e compositores de versos. Galdino. Sabendo dizer. Jorge Seixas. em doze. LULU' CAVAQUINHO Bem poucos serão dos farristas de agora. e muitos outros chorões. Ainda hoje se lembra e canta musicas de nem sei a quantos annos atraz. empolga o auditorio mais exigente. Era da turma de Mario. pois não só solava. as poesias do seu vasto repertorio. não deu o seu quinhão ao vigario. transformando o cavaquinho de quatro cordas. sem faltar uma só phrase. Para isto basta que elle [158] esteja disposto e que se ache com elle o Chico. metteuse na cabeça. polkas. com grande facilidade. que o acompanha admiravelmente ao violão. valsas.

e tambem sola em qualquer tom. Mariquinhas muito gostava de Tafy. não só nos acompanhamentos como em solos. sem precisar recorrer as oitavas. que tinha-os muito bons. Tinha tambem bella voz. relacionou-se com os grandes. a não ser o grande musico Jorge Seixas aprendendo o mesmo sem mestre. TAFY Era bahiano de nascimento. Lulu' foi da turma dos bons. que fazia arrebatar os auditorios. tendo lá sido encontrado. tambem era um bom cantor de modinhas. . Na sua casa Tafy fazia o regallo. que sendo Bahiana tambem. que eram excellentes. Morreu no seu quarto repentinamente. Hoje bem poucos o tocam. e muito o apreciava. de que muito se orgulhava. que é em Fá sustenido menor. Apreciei muito este executor de violão. principalmente. Tafy logo que aqui chegou em pouco tempo. e pequenos chorões desta capital. não só de Mariquinhas. onde eu pude pegar um delles. e carioca de coração. Muito toquei com este chorão. como as mais pessoas que sempre lá estavão. Tinha bellos accordes. ainda hoje o seu nome é lembrado e commentado na roda dos chorões. das que trouxe de seu estado. em casa de Mariquinhas duas covas. principalmente ao bello sexo. pois sendo elle bahiano. pois tocava com grande primor e arte. Era um violão respeitado. já o conhecia de seu Estado natal. Deixando muitas saudades. além de ser um sublime violão. que eram ás dezenas. de lá já vinha o seu conhecimento desde pequenos. fazendo com elles grandes amizades.– 210 – cavaquinho. [159] Tafy.

Puccini. Leoncavallo. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. que são artistas de hoje. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. a distincta familia Neves Gonzaga. conhecia o piano por dentro e por fóra. recebia todos com o maior carinho. Paganini e muitos outros grandes musicos. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. Era de um gosto extraordinario como nenhum ainda apareceu. como tambem pelos os instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimidade impossivel de descrever-se. tambem adorava as musicas de Verdi. e que todos os conhecem os seus feitos. abria o piano e. Quando pedia-se para tocar um chôro. que ella conhecia com grande profisciencia. Tocava tambem o classico. sempre risonha e satisfeita. e fazia a delicia dos que a escutavam. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. atravez deste apparelho que é a admiração do mundo inteiro. de um tratamento sublime. com os seus dedos habeis e admirados principiava com um chôro composto por ella pois são innumeros. era de uma educação finissima. Chiquinha. Não são só os que tocam no Radio daqui.– 211 – CHIQUINHA GONZAGA Maestrina e compositora. tambem os do . não se fazia de rogada. e gloriosos. foi uma das primeiras pianistas em todo o Brasil. Chiquinha Gonzaga. Todos conhecem bem. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. na sua casa.

de bellas harmonias. em dilluvio sejam: O Sol. Em outra edição direi musico que honra a sua classe com mais justeza o valor real pelo seu saber. As suas producções tem a Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem soberania das inspirações que a gloria do Radio. conhecia de sobra. o vozes como tambem o acompa. os seus admiradores Pastoril. pela sua . os de harmonia levou este querido segredos de seu instrumento que Rancho ao apogeu. já tem o seu nome feito em todas as rodas do chôro. e por esta razão o nosso festejado Bonfilio seus ouvintes.– 212 – grandioso Estado Bandeirante. que em suas mãos belleza de suas marchas. a Queda da Rosa. em que os artistas são sublimisBONFILIO DE OLIVEIRA [160] Musico por excellencia simos não só com a sua suave eximio compositor e executor.todos os seus collegas de classe. e com a era o violino. que fazia a Luz da Inspiração. Aqui dou os meus applausos magestade do seu pistão dolente a todos os cantores dos Radios e mavioso. Consolação e outras.seu nome figura na vanguarda de nhamento destes distinctos cho. e tambem de encanta as multidões. que tanto o admirava. como dizia o que sentia. ERNESTINO SERPA Elle immortalisou-se no Já é fallecido este grande Ameno Resedá como Director artista. rões daquelle hospitaleiro Elle é um astro que circula em derredor do Radio com a Estado. Canção extasiar. Assim sendo Bonfilio. é um mais selectos. deste grande artista.

onde elle é um esforçado cumpridor de seus deveres. O que faço aqui ao bom Arthur Martins não é uma homenagem. e a minha admiração por elle é tanta que estas linhas não traduzem tudo o quanto eu teria de dizer sobre este grande artista. Arthur Martins. era um dedicado amigo e companheiro do flauta João Pinheiro. em Nictheroy. (o Zinho) de quem já fallei.– 213 – modestia. Este excellente musico tambem fez parte da orchestra do Ameno Resedá. onde se glorificou ainda mais o seu nome. ARTHUR MARTINS Conheci este. um dever de gratidão merecida. . bom clarinetista dedicado amigo e collega que honra a classe dos carteiros do Correio. mas sim.

MATTA ILLUMINADA: – "Anacleto. a maior homenagem que a noite podia receber de corações humanos! e quantas vezes nós offerecemos a Deus este espectaculo. Gonzaga. cantando. no bombardão. no saxophone. n'uma esplendida noite de luar!!! Que saudade!!!" . na flauta e eu. no trombone. Chico Borges. pois terá uma recordação tão profunda. no ephicleide. Mas.– 214 – [161] Aqui tem o leitor a photographia de um grupo de "chorões" antigos. sentirá os olhos cheios de agua. verá este quadro apenas com curiosidade. Galdino. no cavaquinho. Néco e Alexandre. Irineu de Almeida. Se o leitor é moçõ. tirada na ilha de Paquetá em 1° de Fevereiro de 1906. Luiz de Souza no piston. no seu livro de poemas. Gasparino. se é velho. E aqui transcrevemos o que diz Catullo Cearense. no violão. que só a saudade poderá consolar as suas lagrimas. (perdoem-me a immodestia) era. Candinho. em uma serenata.

Gonzaga da Hora. pistonista. oplicléide. de violão. um grande chorão de trombone. Estulano. e outro chorão de violão. . Luiz de Souza. bombardão. Irineu de Almeida.– 215 – [162] CHORÕES DA VELHA GUARDA [IMAGEM] João dos Santos. clarinete.

A narração dos perfis dos chorões da velha guarda em companhia de Luiz de Souza. JUCA PISTÃO A minha penna treme. onde com o primor de seu violão emprestou ao campeão de Harmonia o brilho valoroso de um grande artista. onde celebrisou-se com seu mavioso instrumento que era trombone. pois conhecia com grande facilidade. não havia tristeza. e brasileiro de coração. com uma admiração impossivel de descrever-se. Gonzaga da Hora. paulo. com grande belleza. Vindo para . JACINTO COSTA (O QUATY) Teve grande nomeada este celebre musico. mas sempre lembrado por todos os chorões da velha guarda.– 216 – [163] ESTULANO Este chorão. faz parte no cliché dos chorões publicado neste livro. quando tem que dizer qualquer predicado de homens como o acima estas linhas. que foi o explendor dos musicos nesta cidad. a bastante annos. Tambem já fallecido. Era distincto amigo e de finissima educação e trato. era portuguez de nascimento. Elle foi um violão bamba e dos bons. e arte no seu instrumento. Foi um fervoroso Resedá. pois era muito pandego e brincalhão. Naquelles tempos o seu nome andava de bocca em bocca. Juca Pistão. Onde estivesse o grande chorão. E' já fallecido. Acompanhava-os choros de ouvido. Irineu Battina e outros. fazendo os encantos nas notas de extasiar. onde elle contava innumeros amigos. Nictheroy e até em S. Quaty era musico de verdade.

aqui se aclimatou. e seus conhecimentos a maior dôr com que se possa descrever. como sejam o Club União Independencia Musical. O seu pae era o prototypo da honradez. sem grandes difficuldades poude dar uma carta de professora. Alli não se fallava em tristeza. era outro coração de ouro. A sua bolsa estava sempre aberta para todos aquelles que uma necessidade tivesse. onde uma sua filha unica. Era muito conquistado pelos mestres de bandas Musical. e assim não. deixando nas suas collegas. não dava a isto occasião. pelo seu saber e arte. se exhibia em bellos tangos. Foi musico de muitas sociedades. apezar de sua pouca instrucção não pensava assim para sua filha.– 217 – o Brasil bem pequenino. Falleceu em Guaratiba regendo uma Escola naquelle logar. Morava elle na rua Barão de Mesquita se não me engano no n. encrustado de brilhantes. de um coração de ouro. que fazia os encantos daquella santa vivenda. . como sua filha. 214. operas e mais. fazia nas festas que sempre lá se davam os encantos daquelle lugar. Era a mesma muito prendada. [164] pelo Instituto Profissional Municipal. onde aquella casa era um verdadeiro céo. tornando-se um perfeito filho desta patria. polkas. na Sociedade Musical da Tijuca. não medindo esforços para que tivessem o maior conforto. que recebia sempre com carinho. pois Juca. A sua casa vivia sempre cheia de amigas necessitadas. Tocando muito bem o Pistão instrumento de sua predileção. Juca. do Portão Vermelho e outras muitas que pelos annos não me recordo. e intelligente. Naquella casa de saudosa memoria tinha um bello Pleyel.

Enquanto isto a flauta é. o instrumento da moda figura obrigada nos Fox-americanos. tive a felicidade de com elle privar. muito a contragosto dos seus innumeros admiradores. e tento reviver. ESCOBAR Explendido pianista. meu este livro grande ANTONIO MARIA Um eximio e melodioso flauta que se passou. implorando ao meu bom e querido Antonio Maria. Infelizmente tambem já fallecido no mesmo logar de sua filha.– 218 – de que elle era um profissional. Em bailes que tocava tinha a primazia. que não quero morrer sem vos ouvir e acompanhar no meu violão ou no meu cavaqui- . Este grande chorão era querido e tinha primazia pelo modo correcto e fino trato. Aqui no homenageando chorão. E' um dever meu consideral-o sem favor. a pedido dos convidados. agora com armas e bagagens para o saxophone. Era funccionario da Estrada de Ferro. pois quasi sempre das suas musicas tinha de fazer o "bis". e será [165] sempre a rainha melodiosa da nossa musica brasileira. Fui muito amigo deste inesquecivel musico. ella se harmonisa com o violão e o cavaquinho que aqui nas paginas deste livro procuro. pois no seu instrumento fazia a graça e arte. que tinha o dom de declamar. a todos que como eu. que a todos encantava. pedindo. porque o saxophone é hoje em dia. onde privei no seio de sua familia em que era tratado com a maior distincção. deixando as maiores saudades. E sabe porque? Porque.

conhecido em todas as rodas. e é apaixonado pelas modinhas. pelo valor que elle sempre soube dar a musica. dos chorões. Luiz de Souza e muitos outros. não só a ella. Era tambem distincto amigo. e por isto muito querido. e desde essa ocasião.– 219 – nho as tuas composições. Irineu de Almeida. Toca pouco violão. e com grande maestria. Solava admiravelmente e tanto assim que só vivia da musica. que o adorava. e com isto sustentava dignamente a sua familia. O seu instrumento era a requinta de que elle tocava muito bem. Conhecia bem a musica. tambem já fallecido. como tambem a sua esposa. Carramona. Só não tocava de graça pois fazia da musica um emprego de que pudesse viver. Desde que se casou. que lhe pagavão bem. Anacleto. que com tanta expressão e gosto executas. registrando assim o meu pedido cheio de esperança porque sei que vou ser attendido. que estrondava em todos os auditorios. com sua vóz de baritono respeitado. pela maneira digna e amavel que tratava. dando a vida por uma farra. tornei-me delle amigo. e tocava nos circos. sempre morou com sua sogra. JOÃO BRASIL Este chorão me foi um dia apresentado pelo consagrado poeta Catullo Cearense. que a todos tratava com a maior distinção. como tambem os choros dos inesqueciveis. Quem não . CATANHEDE Era oriundo de uma distincta familia desta Capital. FELIX ROXINHO Bahiano de coração. Casado com uma filha de Mariquinhas duas covas de quem já fallei. em festas e bailes.

Cantava com muito sentimento e graça. Nebulosa Eu vi sentado. e de grande muitos velhos cantores que valor. depois de ter sido um genio aleconheceu Felix Roxinho? De saudosa memoria. e muitas outras de Trajando as vestes do primeiro amor. vontade. fazia gosto ouvil-o.. Thiburcio daquelle mavioso instrumento. para fazer lembrar aos Era violão.– 220 – com muita graça e arte. porém bom amigo e . que scismava a sombra difficuldade. no entanto isto não é tuta respeitado. como fosse. Os Anjos Bahianos. Solava admiravelmente boas polkas. pois era senhor de todos os segredos que já se foram. não me recordo. No acompanhamento dos instrumentos cantates.. A laranjeira rebentando em flôr. Era de uma presença de espirito incalculavel. era uma belleza sem igual. tal a sua Foi pela séxta. Nos choros em mais do que grande força de que tocava.. especialisando nesta [166] que ainda mais ou menos. me grande folgazão.esquece. Companheiro firme e ba. em um tronco verde A rosa que ao nascer. e COELHO mesmo este acima não tenho grande confiança pois com o Foi tambem um amigo dedi. tangos e etc. As modinhas lembro: cantada por elle trazia os violões de canto chorado. homem dos grandes almoços. Conhecia os segredos ainda por ahi existem.passar dos tempos tudo se cado. grandes difficuldades. Em fim os outros versos que THIBURCIO MACHADO acompanha.. que multava os convidados quando não compareciam as suas festas. seguro. As aguas correntes.

E assim desappareceu uma vida para o chôro tão preciosa. Dias Braga. senhor da magia das musicas Brasileiras. que não sei quando teremos aqui neste planeta um outro Xisto Bahia. Quem não conheceu Xisto Bahia? O Conegundes da vespera de Reis. Mattos. Ninguem como Xisto Bahia n'aquelle tempo fazia um maluco rustico. Foi um propheta. difficultoso de preencher. Pinto Velho. o seu suicidio nas mattas das Laranjeiras. Vasques. Se elle hoje ainda existisse estaria regosijando com o progresso deste instrumento maravilhoso que se chama violão. que venceu igualmente na vanguarda de todos os actores do seu tempo como sejam: Affonso de Oliveira. que era seu devotado instrumento. emfim. ao ler nos orgãos desta Capital no anno de 1889. do Norte ao Sul do Brasil. ingenuo como elle. principe do Theatro Nacional. Guilherme de Aguiar. deixou todos seus amigos perplexos. tal o seu grande valor como bom amigo. que annunciou a prosperidade do violão. . XISTO BAHIA Actor Brasileiro. Tambem sabia recitar com graça os seus monologos. Tocava bem violão especialista nos [167] lundús e modinhas Bahianas. Artista que tanto prestigiou as nossas peças nacionaes e tornando-se senhor de todas as platéas tal er os seus dotes scientificos que possuia na arte de representar revistas. e no meio musical. Colás. Para finalisar vos direi leitor. em tudo que era genuinamente nosso.– 221 – gre e folgazão. dramas. senhor do braço do violão. Foi um grande chorão. Muito querido das platéas do Rio e de Nictheroy. e comedias. finalmente.

O bom amigo acima era baDescrever João Quadros é um hiano de nascimento attendo-se aposentado no cargo de carteiro. Tocou executava com muita perfeição. e que faziam parte com quem Xisto se rivalisou em admiração. e era o trombone nas festas que dava DEODATO MATTA quasi continuamente em casa da Foi chorão de facto. Já fallecido a muitos o que sentia. e dos sabia naquelle instrumento dizer bons. Tocava muito bem o seu instrumento. que elle com bastante perfeição. não dansantes. onde elle residiu por muito tempo. muitos outros Conheci muito de perto este da sua turma. quadro triste para mim.. O seu instrumento era o trombone. deixando grandes saudades. João Foi residir no seu torrão natal [168] e lá falleceu. Companheiro para FELIPPE TROMBONE . e Maria Arauna. bons bailes. JOÃO QUADROS Ranchos etc. na casa da Maria um nivel de Arauna. de fazer arrebatar. pois distincto companheiro. Sociedades. Quadros era um amigo dedicado.– 222 – Brandão Velho. Tambem tocava bombardino inveterado. Tocou em muitos annos. onde houvesse um tambem de ouvido. acompanhou chôro alli pelo Catumby tambem grande chorões daquella época e estava o bom do Felippe. Bahia sempre chorão. Era senpre a contento de todos. em muitos bailes em sociedades Acompanhava muito bem. era farrista de só com a parte a frente como verdade.

De vez em quando. que era uma bella feijoada. Os violões e cavaquinhos. com batatas. De vez em quando uma das do bello sexo. dava as ordens para a mesa. matava e depennava as gallinhas. vinho. etc. Amigo assim existiu muito poucos. João Quadros. Aparecia nestas festas quotidianas grande quantidade do bello sexo. que era a granel.. e alli todos os dias faziamos farras immensas. e finalmente. fazia-se bellos pitéos acompanhado das competentes bebidas. não só nas comidas. principiava-mos a 1° de Janeiro e terminava-mos a 31 de Dezembro.– 223 – tudo. que . pois a barriga já dava horas. Eu posso dizer de cadeira. hiamos para a mesa na maior alegria. Emquanto cantavam. Privei com elle. No nosso quarto. quem foi este distincto meu amigo. arroz. Ao sentar-mos ia se servindo a vontade.. como fóra dela. estavam soluçando com bôas polkas e. com outras. acompanhada com todos os pertences de porco. Cada uma destas componentes tinha sua missão uma. mais. que no sei de sua familia. outras fazia os doces. os malandros que lá estavam só esperavam a hora da boia. continuava. com o maior gosto. outras temperava. gallinha ensopada. todas trabalhavam. dirigia-se aos tocadores e pedia para a acompanhal-as. Morei em um quarto com João Quadros na rua Miguel de Frias. que estava cheirando appetitosamente. modinhas cantada por cada uma dellas. como nas bebidas. e lá vai uma daquellas modinhas daquelles tempos: Na hora que se cobre De nevoa a serrania O sino em triste dobre Murmura Ave-Maria E assim. e o paraty.

Conheci-o muito moço ainda. que era um bom solante. quando sahia-mos me felicitava. tocar. Ventura Caréca. pois estaes perdendo a vergonha!. rompendo o cavaquinho tocado por Nenê. pois perdi a vergonha de cantar. por elle mesmo acompanhada. que fazia as delicias daquella rua. e co elle fiz uma amizade. ficar comendo. E com a continuação de sua companhia. João Quadros. e era o seu fraco. João Quadros sempre foi muito meu amigo e companheiro.– 224 – principiava com a brasileira. fazendo o acompanhamento que era delicioso. Tiburcio Machado Coelho. comer e tudo mais sem acanhamento. Acompanhava de violão Juca Mulatinho. por não mais me [169] lembrar.. o sempre chorado flautista Quintiliano o Guilherme Dias. tambem grande chorão da flauta. Tocava muito pouco violão. Lá se achava Juca Duro. mas cantava boas modinhas. dizendo. agora sim! Estaes ficando malandro. era a figura maxima daquellas festas. para descansar outros retiravam-se para suas casa e para voltar no dia seguinte. Juca Mãosinha. gostava muito das farras. pois era de um genio folgazão. Esse meu . e adjacencias.. tambem comparecia a estas festa quotidianas. Mario do Estacio. e muitos outros impossivel de descrever aqui os seus nomes. Juca Russo. e continuar na mesma alegria. Lá pelas tantas cada um procurava um logar em qualquer canto. pois aprendi com elles a comer ligeiro. e bom acompanhador. e eu folgado. deixando muitas vezes. Após o bom repasto todos se levantavam na maior alegria. João Quadros. mais que irmão. fiquei bamba em tudo.

para distrahir-se. convenceu de acceitarme como bom amigo.– 225 – amigo era cocheiro. que nunca tinha levado nenhum amigo na casa de seu pae. de violão ou cavaquinho. O escriptor destas linhas. As damas. e pessoa seria. ali tudo era fartura. pois já muito tinha perdido a vergonha. Binoca de trombone. os musicos daquella época. filho tambem de um velho cocheiro que era appellidado por José Sinhá. que era meu saudoso irmão: Quintiliano de flauta. que era um regallo. Alfredo vianna tambem de flauta. pois sendo uma familia grande. em frente a Travessa do Rio Comprido. distincta. e finalmente muitos outros que não me vem na meoria. tambem de quasi todos os dias. que trabalhava em uma cocheira muito antiga na rua Hadock Lobo. até Nossa Senhora da Conceição. Eu escriptor deste livro. e cavalheiros. pelo dia a fóra. Tiburcio Machado Coelho. E assim abarrotava a casa de musicos tornando-se um chôro bom e de respeito. almoçando e jantando. o que seu pae cedeu. fazia uma ou outra sahida. era um céo aberto. Theotonio Machaviolão. de cada uma pessoa que fizesse annos. era o incumbido de arranjar os musicos. bastante cançados e somnolentos . lá me achava [170] do de ophicleide. com grande pompa. não sem custo. Então trazia as festas. e andando eu sempre com João. era uma festa. ali se festejava todos os annos. Naquella casa havia quasi sempre bailes. tocando toda a noite e as vezes. onde seu filho ás vezes. A casa do pae de João Quadros. Nenê Mario de cavaquinho. Cantalice de vioino. Quadros.

que foi uma apotheose. ia dizendo: hora do pirão! vamos para a mesa! todos immediatamente. quando todos se retiravam com grande pezar. E no meio daquelle prazer todos se levantavam indo para a sala de visitas. as suas proezas neste instrumento são phantasticas! farrista. cada um assentado nos seus logares. Moleque Diabo. entornava as bebidas nos copos e sempre fazendo versos. irmã de João Quadros. que a todos muito agradou. com o meu inseparavel e distincto amigo Benildo Manoel dos Santos casamento este. João Quadros sempre amavel. principiavam o mastigo que era uma belleza. para alegria. é amigo certo pois quando algum dos mesmos. num chôro faz os maiores successos com as suas extraordinarias paletadas. causando grande risos. e saudades. e pilherias. pois durou tres dias na maior alegria. porque na hora marcada Moleque Diabo está firme com o seu maravilhoso instrumento! . e satisfaçào minha. Felizmente Benildo ainda vive. só deixando. E assim se foi a minha mocidade. precisam de seu concurso para abrilhantar uma festa intima pode contar com a sua palavra.– 226 – dormitavam nas cadeiras. acordavam. Ainda recordo-me do casamento de uma das filhas de José Sinhá. e bohemio. principiava-se a cantar as ternas modinhas daquelles tempos e assim hiamos até a noite. como poucos. é um dos maiores bandolins. tristes lembranças. é tambem chorão da corôa! todos os chorões antigos e modernos prestam homenagem a este excellente musico. Dahi a opuco João Quadro com aquella bizarriam. ARISTIDES (Moleque Diabo) Moleque Diabo.

que muito o apreciava pelas suas qualidades de homem probo.– 227 – [171] EDMUNDO DANTÉS Foi immenso e admirado chorão de seu tempo. Além deste seu prodicado. Tinha uma bella vóz.. com os grandes flautista por mim já descriptos no principio deste livro. que muito o apreciavam. tambem como seu irmão. excellentes modinhas. e bons monologos de fazer hillariedade!. que era o violão. e recitados nos palcos.. tal a maneira agradavel do seu acompanhamento. e nunca esquecidos tempos. Hoje velho. pois. fazia as delicias de seus apreciadores. Recitava belas poesias. de alto intellecto. e recitando bellos monologos. onde elle tambem com graça. e assim gostava tambem de um baile. Solava admiravelmente. não só escrevendo peças. não podiua no seu tempo ver defunto que não chorasse. e arte sabia se exhibir. e de agradar. como fazendo bellos versos para serem cantados. Dantés foi ensaiador de muitos theatrinhos em diverso arrabaldes da nossa Urbis. e de grande cultura intellectual. nos theatros desta capital. e cansado pelos . Onde elle estivesse tocando não podia haver tristeza. Era irmão de um distincto amigo meu. foi tambem grande actor theatral. e nelle sabia fazer a alegria. cantando bellos lundús. Tocava com grande perfieção o seu instrumento. com uma perfeição divina. Foi muito bom e distincto amigo. pois cantava modinhas daquelles saudosos. Tocou e fez bellos conjunctos. em que representou papel de grande importancia. o Ildefonso de Albuquerque. acompanhava com grande saber os instrumentos cantante. fazendo grandes applausos do respeitavel publico.

Cipriano não era só um chorão. de qum sempre tive sempre o Soares bombardão respeitado que tambem sabia grande veneração.– 228 – janeiros que se vem multiplicando quantas vezes nas hora de sua nostalgia. Fazia no seu instrumento accordes sublimes e de alto valor musical. Luiz Brandão de quem era amigo inseparavel. ao ler este insignificante apanhado dos feitos do nosso tempo. tambem estava o inveterado chorão. dizer as suas maguas naquelle . e respeitado nas suas dedilhações [172] que eram sublimes. amadurecendo em seu mento estes bellos dias da sua infancia. Daqui de nossa mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. pois amigo como tú! faz-se preces ao creador. CIPRIANO DE NICTHEROY Escrever os grandes feitos deste heroe: equivalle uma epopéa. Neste conjuncto se achava a tua vida ao lado de sua Exma. e não volta mais. que o meu mais que distincto amigo. que o adorava como acompanhador sublime. em que tantas vezes com meu violão o acompanhei. Convivi muito com este distincto farrista e ainda hoje. mas um dilecto amigo. Familia. saiba que o velho Alexandre. Acompanhava admiravelmente. e mesmo aqui nesta Capital. e contentamento dos convidados dos choros. ainda não esqueceuo. fazendo o agrado. para que perdure por longos annos. não esteja sentindo esta mocidade que se foi. Toquei em muitos bailes em Nictheroy. o grande e immenso Felisberto flauta. pranteio a sua morte. e sei dar o valor deste apaixonado do violão. Onde estivesse Cipriano. que aos centenares juntos estivemos.

bons. nunca esteve triste. passei na casa de Cipriano. No arriar os gallinaceos no quintal de sua moradia. mesmo assim bem chupados! Das bebidas nem cheiro! a não ser as garrafas vazias! que ainda tinha de . ia-nos dizendo: E' hora do boi babar! Cada um vae tirando a sua e depenando botavamos num grande alguidar. era doidinho por este conjuncto. era de arregallar o olho! tal o bello olphato que se sentia. fazia os encantos daquellas festas.– 229 – instrumento. que era uma beleza. e entregava-se a Cipriano. para depois vir abraçado com duas. e alegres dias. vinhos. onde ia commigo. pois adorava como codi[173] mento. etc. paraty. e logo após esta cerimonia cahia na rua. fazendo appetite aos fastiosos. o azeite de Dendê que fazia nas comidas por elle feitas uma delicia. Muitas vezes. pois os pitéos por elle feito. E assim em quanto Cipriano viveu. não se falla. por elle manejado Olavo. Logo a nossa chegada Cipriano todo contente nos ia abraçando. um caixão de cerveja. A casa de Cipriano era um céo aberto nestes dias! Pois ao pôr a mesa todos se sentava e lá vai obra! Da mesa ao levantarmos em baixo de pilherias. uma perna de porco. a invicta Nictheroy. pois Cipriano era uma sentinella avançada na alegria. que dava uma grossa gargalhada. os chorões acima. e trocadilhos nada ficava! a não ser os ossos. Cipriano era um cosinheiro de grande fama. tres e quatro gordas gallinhas. como satisfeito com seus obreiros. pois tambem com seu mavioso violão. Acompanhava-o um individuo qualquer que com elle vinha ajudando-o a carregar a malutagem para depois de prompta moder-nos.

e de uma maneira altruistica. foi aprendiz da banda de musica do Arsenal de Guerra.. seus labios eram grossos. Já todos somnolentos. pois nunca mais teve as alegrias. e no Theatro. e lá vae fazenda. JOÃO SALGADO O chorão acima. Fagote. lundús. Muito educado. regida pelo sempre lembrado Santos Bocó. Em tanto era um amigo dilecto.– 230 – repetir-se por diversas vezes. E assim com modinhas. e sim de seus amigos. ao romper do sol. instrumento este que tocava com perfeição. razão porque era disputado nos conjunctos musicaes das grandes Companhias Lyricas. com bastante pezar. por uma questão de someno importancia. Tinha gande fama de valente em Nictheroy e muitas vezes foi capanga de politicos naquella cidade onde elle era respeitado. alto. aquella cidade cobriu-se para sempre de luto. O seu sepultamento foi uma apotheose tal a amizade que ali. despediamos de Cipriano. com bellos choros de Felisberto. e muito pandego. e delicias. Seu instrumento era ophicleide na referida banda. Emfim com a morte deste chorão. Além de ser. Foi assassinado naquella cidade por um seu amigo. e bellos sólos dos violões.. hia mos até o dia seguinte. era tambem um explendido . corpulento. Cipriano era homem de côr. que sabia dizer o que sentia. e aqui. e quasi sem poder mais tirar uma nota nos seus instrumentos. appellidade por Bacalháu. E assim cada um pegava no seu instrumento. pois não era para menos. um grande executor. a todos tratava com a maior consideração. como era no tempo de sua apreciada vida. o que tinha não era seu. Paz á sua alma. dispunha.

Eis uma modinhas das que faz a festa. agrado aos ouvintes. e artistico. que tambem sabiam instrumentos. pois com boas modinhas. Falleceu que poucos o iguala. A sua familia eram todos onde prestou relevantissimo serviços. monologos. não precisa ouvir-se os e Adelaide. poi selle sósinho cantar muito bem. pois tinha um chorão que elle é. lundús. não o deixão mais sahir. Acorda desperta do leito samba e mais por elle Deixa de tanto dormir declamado é um prazer. fazendo muito Directoria do Ameno Resedá. e a immensa educação que como functem. tocava saudades. Estando em um chôro. Quando vae a uma festa. Não é lá Vem ouvir um desgraçado dos grandes violões. tal o valor moral. Pois só JOAQUIM FIALHO nós tocadores é que Descrever. tal o fino trato. mas o que . deixando em sua toca. dellas os seus irmãos Laurindo. bem o violão. tal o [174] seu valor moral. sabendo dizer nelle o segredo que tem. cionario dos Correios. citando no meio rancho. E' amigo mais que distincto.– 231 – compositor. este excellente amigo conhecemos. elles mais cantavam. Já fez parte da peito de aço. O chorão acima cantava e companheiro é bem difficultoso. e bagagem uma infinidade de bellas producções. para gloria daquelle bons cantores. faz graça no que canta. e de muitas modinhas. deixando ALBERTO CARÃO a todos e tambem aos velhos chorões immorredouras Farrista como poucos.

sendo alguns feitos por elle. captivando pela primeira vez.– 232 – Que hoje quer. pois a todos recebia sempre com risos e alegria. que só a morte apagará. pois as por[175] tas estavam sempre abertas para as pessoas de sua amizade que delle necessitasse. No Carnaval vinha uma caravana de foliões da antiga Quinta da Boa Vista. que sabia dizer com o gosto. tal o trato que a todos davam. e um coração de ouro. que infelizmente hoje só tenho a lembrança immorredoura. e que era tratado como pessoa de seu lar. o grande carnavalesco Sant'anninha. e cantava boas modinhas e excelentes lundús. e com elle muito privei. de quem era um apaixonado. aquella mais que distinta familia. Filho de uma distincta familia que morava no principio da rua Conde Bomfim. onde frequentei. Tinha tambem um irmão de nome Ernesto que era um bom companheiro. morrer por ti. era outro bellissimo coração. sendo chefe. que dansava e cantava sambas de bom gosto. pois tinha plena convicção. . não só nas modinhas. Sua mãe era uma Deuza de bondade. como tambem no dedilhar de seu violão. Naquella casa não se negava um abrigo a ninguem. Era muito procurado para em casa de familia tocar e cantar. pois fomos amigos inseparaveis. De maneiras que naquella casa nestes dias era de um prazer impossivel de descrever-se. Tinha tambem uma irmã. Tocava regularmente o violão. MAJOR MASCARENHAS Muito o conheci. quem com ella privasse. o que elle tinha grande prazer. que como sua mãe.

e collegas [176] do chôro. . um optimo centro no cavaquinho. porém por falta de dados registro aqui com applausos as suas personalidades como dois chorões. Leocadio. quadrilhas etc. no conjuncto de Edgard. Podia dizer muitas cousas destes dois chorões. polkas. de ouvido apurado. enchia de alegria as familias devotadas pelo choro. na Cidade Nova. EDUARDO VELHO E ANTONIO VELHO Eram dois irmãos e distinctos pianistas pois onde chegavam. que não eram poucos. Infelizmente já é fallecido. Hoje está aposentado por sua conta propria mas se fôr necessario ainda "ronca" como era de seu habito quando tocava qualquer dos dois instrumentos. deixou muita saudade em seus companheiros de choro. Foram dois musicistas de renome. tambem. ANTONIO BAPTISTA ROSA Era um violão seguro. como um idolo. IDOMINEU REIS E hoje aposentado da Alfandega. E' elle de uma bondade extrema para seus amigos. este chorão celebre. tocou em muito choros. e tambem nos Suburbios. é um céo aberto. E um frenetico pelas modinhas do grande Catullo.– 233 – VICTOR DA SILVA (Caboré) Foi um violão de destaque em acompanhamentos de valsas. Chico e Zé Russinho. e. A casa deste veterano. a quem elle venera.

os mais celebres choros. desta consagração. Luiz de Souza Irineu de Almeida. cantando as suas modinhas como só elle. Mamede e casa de Idomineu. ALVARO NUNES Cantor das modinhas de Catullo. GERALDINO Tocava bombardino pertenceu ao Corpo Bombeiros. fica preso e cativo do seu finissimo trato. CANTOR TIL E KANTZE e de . Morto. e ade Luiz Caxeirinho. a casa do Idomineu. que lhe faço expontaneamente. felicito a Idomineu por estes alegres passados que não voltam mais. FREDERICO ROCHA Vive ainda. NHONHÔ SOARES Fallecido em 1905. por isso mais uma vez. se torna digno para mim. já desapareceram. em que se reuniam. Catulle extasiava os auditorios. na Piedade. A sua casa. sabe cantar pela altivez dos versos e difficuldades da musica. Quincas Laranjeiras.– 234 – Quem for uma vez. e Mamede. e muitas outras. Foi um bello bombardino e pertenceu ao Corpo de Bombeiros. Cupertino. figuras obrigadas. podia-se comparar com a de Machado Bringuidin. Idomineu é um chorão de muita tradição. Pedro Augusto. Carramnona. do Luiz Cacheirinho. Adalto. Mario. Morou sempre na Piedade e era aposentado da Casa da Moeda. Podia até cantar no Lyrico. E' do Thezouro e tem uma bella voz de barytono. Farras como o da casa de Machado Bringuidin do Adalto. por esta razão. Galdino. Como se fossem Anacleto.

Tinha o segredo nos dedos e era collega de Samuel. Acompanhava-se ao violão nas [177] operas e modinhas que cantava. Antonico mas farristas de arripiar. Tocava flauta soffrivelmente. onde é muito . Era o Vive ainda. Foi um ROMEU pianista de ouvido dos melhores até hoje apparecidos. morreu na Santa Casa e foi jogado n'uma valla commum! EDUARDO VELHO DA SILVA Morto ha uns 20 annos. Quando se tocava esta polka sempre os que dansavam gritavam-lhe pelo nome. Morreu em 1886. quando não havia outro Thezouro. Era irmão de Velho. pianista Dois cytaristas extrangeiros. ás vezes. no Encantado. que foi denominada por Samuel "Venancinho chorando na ladeira". que foi uma celebridade.– 235 – instrumento. Ameaçado por Samuel de levar tunda. companheiros de Catullo. por causa de uma mulher. o valente. Eram tambem e musico distincto. começou a chorar. Era da Estrada de Ferro. ALEXANDRE TROVADOR Foi um grande cantor. Venancinho. Morreu em 1908. com quem teve uma questão n'um chôro. alli. Imitava todas as vozes dos cantores lyricos daquelle tempo. a VENANCINHO quem acompanhavam. Funccionario do acompanhador de Catullo ao piano. Esse preto. acabando tudo em paz e elle fazendo de improviso uma polka.

Bello . Affonso Pinheiro. A sua nunca deixou de cantar a sua modinha mais querida: "O mar predilecta é que a chorar. Bello violão e bello cantor de modinhas. Grande Flautista de nomeada. Foi coração por um choro. Pistonista discipulo de Foi um grande chorão. não cansa". valente. VICTOR VALLE SALVADOR Trombonista. merecimento. pistonista e Mora no Engenho de Dentro. que conceituado. NICANOR SOTER Flautista afamado. mas bom companheiro. JOÃO MULATINHO LEANDRO Mavioso bombardino. Dava o e bebedor. ha uns 25 annos. farrista. Alma bôa e serena. Morreu de Luiz de Souza e Irineu. Morreu farrista do Instituto ha pouco. Companheiro Foi do Arsenal de Guerra e foi um grande pistonista.– 236 – Foi um violão e cantor. profissional Foi um professor de Nacional. como elle. Não sabemos se ainda vive. "Vê que amenidade [178] "que serenidade "tem a noite em meio" MIGUELINHO de Catullo Cearense.

E' um distincto amigo. Nos bairros de Botafogo. ou Zé da Gavea. era seu costume fazer o cantante repetil-os até conseguir um acompanhamento ade[179] . amigo e companheiro de farras. E assim deixo o meu apertado abraço por este chorão.– 237 – musico que o copo muito prejudicou. As suas composições são bellissimas. Todos que tinham o prazer de ouvil-o em conjuncto com Zé Russinho. Este instrumento na bocca de Americano é de fazer embasbacar. confundiam os dois instrumentos tal era a certeza de um na marcação e o outro no contracanto. Gavea. não respeitando nem as fuzas. LUIZ AMERICANO Velho e bom chorão no seu saxophone. num convite para um choro. pois me extasio ouvindo-as no Radio. que elle com facilidade sabe executar. que elle electrisa com suas musicas e de outros. para me deliciar com as boas musicas. imitando o bombardino. Paracamby e Nictheroy sempre se destacou com os seus contracantos tirados nas oitavas do seu violão. (o pé de boi nos baixos). tal a maneira. Foi contra-mestre da banda dos bombeiros. que tenho na minha residencia. de um sublime sopro. que elle devora sem muito esforço. que sabe no seu instrumento. Quando nos ensaios dos choros. não dá para traz. Villa Isabel. FRANCISCO JOSE' DA SILVA (Chico) O Chico foi um eximio violãonista que sempre se dedicou em acompanhamentos de choros. como era conhecido o seu compadre. fazendo gemer o Ré. Suburbios. elevar as musicas genuinamente brasileiras.

poeta dos Desvalidos. O seu saxophone tem a magia JOÃO DOS SANTOS DE NICTHEROY da melodia. Se começarem a mexer muito considerado celebridade pelo com elle. tudo o que é nosso. fazendo sobresahir voluntaria e cahir de novo na com vantagens pelos mundos activa. ROMEU SILVA Hoje acha-se aposentado devido ao declinio que tomou o Hoje um maestro. Veio este da Banda musica dos Meninos cantador de modinhas. é compositor e tempos idos. com o mesmo fulgor dos civilisados. que ainda vive. Trabalha elle no Fôro mais tarde a convite de desta capita e reside em Napoleão de Oliveira. Director Nictheroy. foi palavra tornando-se desta forma Director de Harmonia da Flôr do orador dos pagodes d'aquelle Abacate onde fez prodigios. elle é um habilitadissimo director de Este chorão é um explendido "jazz-band". e tempo. dizendo. um choro.– 238 – um bom amigo. se arrisca a vêl-o jogar seu talento musical e patriotismo para o lado a aposentadoria consumado. regular de tocador de violão. Romeu Silva. sendo grande interpetre das nossas muiscas no razão porque apreciador do que é bom e Extrangeiro. tornou-se admirado e nosso. eximio executor. continuando ainda na estacada. ha tempo não quando. foi . e depois de andar bons possuidor do dom da tocando em diversos choros. mas sei accordes necessarios. tem bôa palestra e é de Canto do Ameno Resedá. com os baixos e tendo o prazer de vel-o. sómente ao cantante: "de novo".

Romeu Silva consagrou-se. Nos choros que dava-se em qualquer parte de Jacarépaguá. o que Mauricio. de deixar os ouvintes de pernas bambas. Escrever a sua personalidade. tal o seu valor. sympathico. era Pão de Lót de todas as festas. Tanque. Além de tocar maviosamente o seu violão. me desculpará. pois mesmo de muito boa vontade. não só nos acompanhamentos. Romeu. é bastante . onde pertence estes logares. e alegres. das suas modinhas. e finalmente [180] em Jacarépaguá. que foi uma gloria musical. O violão nos seus dedos soluçava! JUCA AFFONSO Não era possivel passar despercebido este nome. pelo Pechincha. dedicado de fino trato. é um gentleman. e de alto valor. e ainda agora. Mauricio. sem falhas. e nova guarda. MAURICIO Como é conhecido na roda dos chorões da velha. e em artista de grande valor. Foi chorão de fama. é impossivel tal os feitos heroicos. glorificou-se no extrangeiro levando ao apogeu o nome do Brasil que lhe deve a sua propaganda musica nestes paizes civilisados. onde alli com intelligencia e dedicação fez dois carnavaes. Toca violão impossivel de descreverse. E' encontrado alli. e um batuta de alta esphera musical.– 239 – elle Director de Harmonia do mesmo. melancolicas. é immenso cantor de modinhas o que elle canta com um gosto aprimorado.

que era a Santa de sua devoção. denominada Santa Cecilia. teve necessidade de retirar-se para um logar solitario na grande terra de Tiradentes. [181] O seu instrumento manejado por elle. de Nossa Senhora da Conceição. chamava-se Miguel Affonso. fazia admiração e os encantos onde elle estivesse. e de immensa admiração. era completamente morto. de sua fidalguia. de que elle manejava com grande maestria. como o scriptor.– 240 – difficultosa. que eu ouvindo um dia Juca recitar. fiquei . Coração de ouro encrustado de puro brilhante. Era muito distincto amigo de seus amigos. na Trav. a protectora da musica. Ficando enfermo. enebriava com seu instrumento. que no meu tempo. por ser ella.ª do Affonso. Formou na rua Conde de Bomfim em frente a Igreja acima por mim descripta uma Sociedade Musical. foi mestre de diversas Bandas de Musica na Tijuca. se formou bons musicos. que privou com elle alguns annos. e de lá escreveu ao seu irmão um bello soneto. situado na r. morava este incomparavel amigo. O seu instrumento era requinta. Era musico de primeira e limpida agua. era um cidadão respeitado. Juca Affonso. tal a maneira e o gosto que elle executava. e o grande respeito que este possuia sempre mereceu aos que tiveram a grande felicidade de o conhecer. Tinha elle um irmão que como elle. Naquella Sociedade. que cobriu de gloria a um logar. tal o seu porte. os bailes em que tocava. pelas pessôas que o conheciam. Conde de Bomfim quasi em frente a uma Igreja que se não me engano.

E' este o seu titulo: AO ANOITECER NA ROÇA Pallido e. me offereceu tambem dois de sua lavra.. frio. sempre lembrando e chorado como elle. [182] O sabiá.. um concerto animando. vão tristonhas procurando.– 241 – por elle encantado. O soneto de seu irmão Miguel Affonso. Avesinhas. o sol vae-se occultando. Vão os grillos. solta o pio derradeiro. Lentamente.. que projecta sobre a terra.. Busca o ninho no pé do caféeiro. de nocturno inimigo. Onde possam. . o que aqui vou descrevel-a para que os leitores deste insignificante livro. Deixando do bosque a expessura.. occulto abrigo. em arbusto.. que é uma delicia da sua alta capacidade intellectual. A' devassa escapar – do féro bando!. possa dar o seu justo valir. De arbusto. pedindo o favor de escrever-me para que o guardasse como uma joia do mais alto valor. por entre longas serras! A' sombra. Independente do soneto de seu irmão.

... a seguir p'ralli sózinha!.. que na solidão onde se achava. Aveste branca. –––––oOo––––– Eis aqui o soneto de Miguel Affonso. Olhar triste . outros tres sonetos de Juca Affonso. me apparece a casinha. Agora vou descrever. E' um canto desprendido do arcano.. Que.. Da trança dos cabellos vae pendente O laço lindo de fita. Toda branca. a verdadeira vida da roça. – Noctivagos viventes da natura!. Esvoaçam.. que tambem me offereceu. azul-claro!.. grasnam.– 242 – Vem depois o crespulo.. – Dedilha com paixão no seu piano. o que ainda guardo. . A vóz do coração que a Nogueirinha.... no meu coração.. na collina entre as flores!.. dér um pequeno alento: Como Esquecer-te ?. piam. enquanto o bom Deus... e guardarei.. subtil se aninha!. Vae surgindo a donzella! os seus primores!.. agoureiros. o rosto meigo descontente! ... descreveu com a mior naturalidade.. – á noite escura!.. Ao ouvil-a..

triste. Pois havendo boas pernas p'ra dansar.. Em seu rosto coitado!. – me mostrou agua fervendo!.. um olhar triste.... [183] Mais um anno de esperiensia Se um deia vae passando. pretextando ir a egreja.. Boa mesa não falta haja dança!.. – amando raro! E... E quiz sahir. Este dia assim. ––––– Agora vou descrever a dedicatoria. E' um marco que o procura o ente humano.. um outro avança. Deitára á mesa núa. há de haver ao paladar. por elle a mim escripto.. elle. Muito mais.. mais deseja. Para toda queixada que não cança!.. em minh'alma sepultou-se eternamente!. – é de festança!. que .. E. e. eu falei lendo.. Vem um anno.. achado. Comilão dos que bem come. O quanto o coração ficou sentido..– 243 – A vóz do coração é vóz dolente – Da donzela que morreu.. depois de outro anno.

JOSE' AFFONSO E assim quiz reviver um passado. Me [184] participou que. Adeus. ––––– . me sinto ufano. – 29-9-907. impossivel esquecel-a. no todo desse Soneto. eis ahi o soneto – o amanhecer na Roça" – do fallecido e sempre lembrado irmão Miguel. que ao escrever essa chronica. pela recordação deste passado que só a morte poderá apagar. Os demais não passam de attestados. por isso. – ordena o dever. da maneira que me escreveu: ALEXANDRE Conforme me pediste. por mim nunca esquecido. e que. Quanto ao primeiro dos mesus. de dois primeiros amores. tal o sentimento da morte de seu irmão. como daquella. não é mais do que um pallido reflexo de um passado inesquecivel.– 244 – muito me commoveu. Aqui vae verbum-ad-verbum. – já mais se apague de meu pensamento. para comprovar esta propria existencia. Do amigo. se acha bem impressa uma verdadeira phase da natureza. emquanto a vida ainda me alentar. e tambem melancolico.

– da cabo da cerveja. segreda-lhe – ao ouvido o que quer que seja.. os freguezes já de pé Seguiram p'ra bebel-o com alegria [185] Entre elles o Lisbôa – com folia Teve pressa de tocar na cafeteira Para o chão. Da casa um complacente. – E elle fica.. tudo alli vendo. que alli fôra ocorrido.. e. eu fiquei. O servente. com o titulo: Occurencia O relogio marcara meio dia: Era a hora dilecta do café...– 245 – Agora vou descrever este outro tambem e bom. –––––oOo––––– . então. Com pezar. Mas. ella escapa mui ligeira Transformando o café em avaria!. O triste facto.. Do escriptorio. m'explica inda tremendo.. que assiste..

impanando deste modo os seus setenta annos. muito ajudou o brilhantismo de alguns Carnavaes. Não são poucas as suas composições. Com a sua intelligencia musical. Ninguem é capaz de dizer ou calcular a idade deste veterano da velha guarda por estar de fisionomia fresca e agradavel. pagamentos no Thesouro e Municipalidade. Quero dizer com isto que o meu bom amigo e collega Paula Freire. Paula Freire foi em seu tempo um tocador de clarineta respeitado por todos os chorões d'aquelle tempo em que elle era o orgonisador de conjunctos musicaes para tocar quasi em todas as funcções tornando-se deste modo conhecido e estimado na roda do chôro. Ha muito tempo não vejo o meu bom amigo André. com as marchas de sua autoria bellissimas e cadenciadas.– 246 – PAULA FREIRE Chefe de grande prole um verdadeiro Cacique da familia Paula Freire. Já está como eu aposentado vendo um extremoso funccionario cumpridor dos seus deveres. Conheci-o como contra-mestre da banda de musica do 10° Batalhão. Aqui termino prestando a Paula Freire uma justissima homenagem merecida. Trata hoje de papeis de casamento. eximio clarinetista. é um clarinetista de muito folego. em 1884 e depois como meu collega no Correio Geral em 1888. Foi director de hormonia do Ameno Resedá. [186] ANDRE' CORRÊA Um bom musicista de relevada inspiração. o Periquito como é conhecido pelos seus collegas da . está bem conservado fazendo ju's a um grande profissional laureado pelos seus feitos.

e inesqueciveis Pinnas que desappareceram para todos. por grandes saudades destes luminosos planetas. e do publico. a cathegoria. Em fim. no cumprimento de um grande dever. pertenceram ao meu conjuncto. tendo deixado a clarineta para tocar saxofone. ainda é pouco. a penna me treme. ESTANISLAU COSTA . em nossas modinhas. sinto palpitações. não é facil. para mim ainda vivem e viverá immortalisados na minha amizade e lembranças immorredouras. Eram celebridades. deixando um clarão de um pharol que muito illuminou os choros daquelle tempo. que desappareceam. Assim demonstram o valor. e tambem para descarregar minha consciencia. Eis aqui cumprido um dever sincero. os choros onde estivessem. as novellas. como reflexo de um espelho. Henrique de violão e Manduca de cavaquinho abrilhantavam com suas harmonias. porque elles.– 247 – Imprensa Nacional. E tudo quanto possa dizer destes grandes personagens. Segundo me consta elle agora dirige um bom "jazz-Band". E' preciso ter muito bôa vontade para isto fazer. porém. OS IRMÃOS HENRIQUE E MANDUCA PINNA Escrever estes dois luminares do chôro. que reunidos formam uma historia do passado. tendo grande intimidade com sua respeitavel familia. vou fazer esta tentativa para maior conhecimento dos chorões. que se pode ver hoje aquillo que se passou a muito tempo igual aos romanos contos. Fui delles amigo dedicado e admirador. e educação a preciosidade dos tratos de musicistas da tempera dos meus amigos.

pois a morte cedo o surprehendeu. a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. pois aprendeu com bons pistonistas. e grande professor Candinho Silva. Occupava o cargo de carteiro dos Correios e sempre a contento de seus cuperiores e collegas. e fazendo do seu pistão clarin. Conhecia bem a musica.– 248 – Tocou muito bem o seu pistão. Acompanhava admiravelmente. sendo um de seus mestres. Amigo dedicado. por ser elle pistão de verdade. tal a maneira que sabia dedilhar aquelle minusculo instrumento. Sociedades Dansantes e tambem em bons choros. para um pouco augmentar as suas finanças. o bom e grande executor de pistão o distincto companheiro. Era admirado pela sua execução que tinha naquelle instru[187] mento. que diga o meu dedicado amigo. que era conhecido na roda dos musicos como Victor Pistão. deixando immensas saudades. fazendo assim a alegria dos lares. Eurico dedicou-se ao cavaquinho. em cinemas. Toucou muito. tocou tambem. companheiro firme impossivel de descreerse. que muito agradava os seus congeneres. Este instrumento muito lhe serviu. Aposentou-se e gosou pouco. e muitos outros que em choros com este sempre chorado e . nos carros para propaganda das touradas quando se achava alli no Mangue. EURICO Quem em Villa Izabel não conheceu o bom do Eurico. e tocava com alma o seu instrumento. e por isso era muito disputado. Jorge Seixas. Jucas Ruso. Estanislau conhecia. que celebrisou-se.

Eurico. que julgo ter sido seu professor e bom o Candinho e tambem o sempre lembrado Sequito. foi muito admirado por seus companheiros chorões. Infelizmente este bom e distincto amigo falleceu a poucos annos deixando Villa Izabel. Sabia com profisciencia organizar Bandas de Sociedades Musical. onde os maestros muito o apreciava. falleceu tocando bem. fazendo até. pela rapidez com que aprendeu este instrumento. Era um dedicado amigo descrever-se a bondade deste companheiro é bastante difficil. pois viam em Victor. pois. coberta de luto. VICTOR (PISTÃO) Sublimissimo no seu instrumento. os que precizassem . mesmo de admirar. tal a maneira que elle conhecia musica e fundamente a theoria. Depois dedicou-se a trombone. e assim levantou uma Sociedade Musical Dansante. Era tambem um amigo dilecto. Eurico fez as alegrias em Villa Isabel. por ver que elle era profundo. a sua inistrumentação que os mestres muito acatavam. como poucos. arrancando os maiores ap[188] plausos. e fóra della. um collega de respeito. Em bndas tambem fez a admiração dos mestres. Estava sempre prompto. denominada "Os Africanos". Tocou muito em orchestra. e o fino tratamento que elle dava em sua casa. e nas principaes ruas desta cidade em diversos carnavaes. que gostosamente sabia dizer no seu trombone todas as maguas de um coração sentido. para ensinar. tal a bondade de seu coração. que muitas glorias deram a Villa Izabel.– 249 – lembrado musicista.

flauta e ophicleide. tocava violão. Vive ainda. MARIO RAMOS discipulo do grande Barrios. na rua Assis JOÃO CARLOS CABRAL Carneiro. e acho muito pouco. VICENTE FRANCO Alferes do exercito. enfrenta um copo com o vique era um espirito de [189] verdadeiro artista. pelo seu grande valor. Meyer. E' de São Paulo. depois. Essa casa de Mario Ramos podia ser chamada gor da mocidade. era o centro pagodista de Catullo. Morreu a muito.– 250 – saber. pezado de annos. casa. JOÃO AVELINO SOUTO Violãonista de merito. mas ainda e mais companheiros. guarda Anacleto. Irineu fiscal. deixando immensas saudades. na Piedade. Luiz de Souza. Era da antiga Escola Militar. Tem 78 annos. em Citaremos Mario Ramos. Que diga os que o conheceram. antiga Amazonas. Mora no – A Casa da Alegria. Typographo e. se é o não verdade. . Era genro do "Manoelinho". cuja 1884. o que aqui digo. onde se exhibia com perfeição sublime no seu pistão. BALDUINO Bombardino e companheiro de Cantalice. Gostava tambem muito de tocar em choro.

o menino da flauta maviosa que conheci soprando o canudo de cinco chaves. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. Elle é uma casa cheia. vamos fallar do Edgard. E' disputado pelos seus admiradores. . Quem conviveu e cantador celebre de vóz. é excellente chorão na intimidade. professor João Elias. Que o diga o Catullo e o Idomineu. como ARTHUR MATTOSO aprendiz de flautim do saudoso Cabra chorão de verdade. Arthur Mattoso é um perfeito chorão. EDGARD BULHÕES DE FREITAS Já que estamos relembrando os chorões de outros tempos. Caixeirinho e Luiz Felippe Nery. AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. Em fim era dilecto. não dava para traz. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. companheiro de Mamede Adalto. pois Arthur Mattoso. amigo. nesta cidade. Tem algumas boas composições por elle feita. é um folgazão. com explendor e alegria. Começou seus estudos na banda de musica da Fabrica de Tecidos Corcovado. jámais quando impunha o seu violão arrancando d'elle as melodias de perfeitos accordes. e seus suburbios. Tinha choros molle.– 251 – E' dos telegraphos e tem 81 annos. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas daquelles tempos que já se foram. quando se falasse no chôro. harmoniosa e expressiva diz com graça e humorismo as cançonetas de sua autoria. A sua casa era um lar de "choros".

que foi uma das maiores glorias nos tempos idos e um verdadeiro chorão consumado. que para elle não tinha segredos como pelo seu genio alegre e folgazão que trazia todos quantos com elle privaram. – O dictado é de hoje. Tocava este inveterado farrista violão. Com Edgard. era preciso escrever-se com penna de ouro. etc. ANTONIO XAVIER Foi chorão da velha guarda. nas festas em que ia tocar pedia para sentar-se em uma cama. tangos. mazurcas. Quadrilhas inteiras. – Esse menino com a vocação que trouxe do berço. Dedicava-se muito a dedilhar maestralmente a viola. Dizer os feitos deste grande e immenso solista e acompanhador de choros. pois solava bellas polkas. mas bem merece ser applicado ao saudoso [190] flautista. dia a dia foi se desenvolvendo na flauta Boheme: – Devida a essa vertiginosa carreira. Botafogo. tristezas não pagavam dividas. de fazer um defunto levantar-se da cova. chotes. sagrou-se um artista do outro mundo. nos bairros da Gaveia. deixando no seio dos seus amigos e companheiros uma lacuna difficil de ser preenchida não só pela maestria com que sabia tirar os recursos da flauta. Paracamby e outros arrabaldes. deixando mesmo ambasbacado . ou mesmo no seu violão.– 252 – compartilhou com Edgard nos bailes e festas intimas. e alli principiava a dedilhar na sua viola. poderá dizer alguma coisa a seu respeito. que era um assombro nos seus dedos neste instrumento rustico elle fazia cousas impossiveis. apezar de ser paralytico das pernas. de canto chorado. Morreu cedo esse artista.

GUIMARÃES VAGALUME estaria hoje collocado nas alturas em que estão muitos. porém. tem cavaquinho dedilha com grande encontrado. no seu musico.– 253 – não só os donos da casa. a este jornalista meio jornalistico. e autor da roda dos sambas! Guimarães não é um E'chorão de fama. pois conhece o seu . com Vou aqui fazer uma justa menos capacidade do nosso homenagem. pois todos estes. Guimarães é um bohemio de ABRAHÃO jaça. era mesmo officio. e ANTONIO MADEIRA assim tambem é um chorão! Este chronista carnavalesco. este deus da bohemia. e se assim não fosse. pois todos preferiam escutar o Xavier! Este sublime heroe morou muitos annos no jardim Botanio numa rua dos Suburbios. tal a sua da antiga Escola Militar e tocava capacidade intellectual. deixando ficar os musicos parados. o nome deste astro de intelligencia. Morreu com uns 80 annos. e collegas do Foi um regular ophicleidista. sempre com Sergio. amigo de todos os chorões. como todos os convidados. e encontrarão na sua precisão. lá deu sua alma a Deus tendo o seu enterramento sido uma apotheose. pistonista. é um amigo. e de tudo o que é nosso. de suas musicas. considerado e respeitado por todos os foliões. penna maravilhosa um defensor de suas producções. Cumpro um dever mencionando aqui entre os chorões da velha e nova [191] guarda. e defensor.

Figurou como um dos primeiros cavaquinhos do Resedá. A primeira vista. . um adorador apaixonado. como excellente amigo que é. pouco gosta de se exhi[192] bir. e é daquella sociedade. e eu fazendo segundo cavaquinho. Era o acompanhador effectivo do chorado clarinetista João dos Santos. pois só elle conhecia o seu segredo. Bilu'. em Nictheroy. aquelle que souber estudal-o encontrará n'elle. Muito tocamos na casa do Olavo. eu o destaco como um dos "primus inter pares" na interpretação das modinhas brasileiras antigas e modernas. Juca Russo do violão. Não fosse o nosso clarinete o João dos Santos. Para mim. um apaixonado da musica. como tambem em muitas casas daquelle arrebalde. não só pela sua lealdade como tambem pelo correctismo que só elle sabe dispensar as pessoas de sua amisade. porém. ELPIDIO BORGES (BILU') Funccionario antigo do "Jornal do Commercio". um coração de ouro. Aarão é bastante apreciado não só tocando. seria um dos grandes astros que tanto brilham nos palcos e salões. uma alma cheia de grandeza encoberta pela modestia e ficticia sizudez que lhes é natural. e não ha na roda do chôro quem não tenha veneração pelo Bilu'. Especialisando-se nos choros que faziamos em serenata nos dias de Carnaval que era mesmo de arrepiar. que não o dispensava por cousa alguma. nota-se n'elle uma sizudez de uma cara de poucos amigos. e se não fosse assim.– 254 – segredo como gente grande. não só no choro que ella dava. um bom amigo. como eu. Luiz Brandão tambem de violão.

em acompanhamentos. MACARIO Ophicleidista de nome. da qual fazia parte da Directoria.– 255 – Segundo me consta. que em breve desejo ver o teu nome evoluido com esta tua voz entre o baritono e o tenor para a alegria de todos os teus amigos. Era creoulo e magro. do qual faziam parte seu velho amigo e compadre Chico. no ponto final dos bonds da Gavea. Eu aqui. Na Sociedade Flôr da Gavea. Latou. nos bons tempos do velho Andrade. sois um artista. Vicente. nos moldes da inesquecivel e inegualavel escola do choro e musica do Cavaquinho de Ouro. causando contentamento geral o facto de . "O Paganii". para as suas reuniões dansantes. um dos melhores conjunctos até hoje lembrado. vos encorajo Bilu'. Edgard e Leocadio. O maior comedor que até hoje veio ao mundo. cavaquinho. JOSE' FRANCISCO DA COSTA E SOUZA (Zé Russinho ou Zé da Gavea) Sem receio de errar foi o violão que marcou. o seu violão se destacava pelo facto de reunir nesse instrumento o saxe e o bombardom. de Botafogo. como era habito tratar os seus amigos mais intimos que frequentavam aquella casa: Gustavo. o Bilu' vae se aperfeiçoar no violão para acompanhar as suas modinhas do seu vasto repertorio. E' morto. desde o Salgueirinho. na Lagôa Rodrigo de Freitas até o Guimarães. organisou. flauta. No choro. Victor. boas farras se fizeram. em Marquez de S. etc. seu proprietario. Em sua residencia. um novo advento para esse instrumento. não se olhando se era dia ou noite. Amigo de Irineu. (cousa ruim). o violão que falava.

Aguas Dormentes. E' musico de firme tempera. Actualmente reside em Todos os Santos. o bloco "Pandega e Miseria". – Ainda assim não é qualquer violão. acompanhados do bom inho. pois o Zé Russinho. – Quando um amigo dos tempos idos o procura. e venerado. que se tenha na conta de "bonito" que se anime a acompanhal-o nas suas "sabugueiragens". cascas de tangerina em aguardente e assucar). a celebre (casquinha para abrir o apetite. [193] Núm dos carnavaes antigos fez sahir. que fez bastante sucesso sobresahindose as bellas canções de sua autoria. nunca deixando que elles ficassem com a barriga dando horas. Pertenceu ao Corpo de Marinheiros. pois corre o risco de tomar suadouros sem estar com febre. com as musicas americanas. nas horas vagas. Hoje está afastado por não se conformar. com especialidade valsas. Caridade. onde aprendeu com grande profissiencia a tocar o . ainda e lembrado. percorrendo os bairros da Gavea e Botafogo. ainda pégan no pinho e é o mesmo violão de antigamente não só acompanhando como solando composições de sua autoria que elle denomina "sabugueiragens". acompanhando no seu violão. faz musas e. de maneira alguma. não se esquecendo tambem.– 256 – sua digna esposa estar sempre alegre e solicita para com os visitantes. e que modinhsa: Anjos Bahianos. canta modinhas. etc. preparando as gostosas gallinhas de molho pardo ou ensopada com batatas. de arribação. quando está disposto. em uma aprazivel chacara. MALAQUIAS (CLARINETE) O nome de Malaquias. tambem.

E' muito conhecido em Botafogo. ainda dá sua pernada como qualquer rapaz. E' [194] bastante procurado. e tambem nossos com grande facilidade. como elle a minha. PAULINO SACRAMENTO Foi companheiro do nosso grande maestro Francisco Braga na Banda de Musica do Collegio dos Meninos desvalidos de onde eram alumnos. e faz com seu saxofone a alegria dos lares. Figner. pois gravou nesta casa. o que ahi fica é bastante para te dar o valor que tu mereces! RICARDO DE ALMEIDA (Saxophone) Muito conheço este bom amigo. em choro não se falla. com alma. porém. Sahindo do Corpo de Marinheiros. que muito o admirava. onde móra. Assim. julgo que por motivo pecuniario não chegou ao fim. nas Sociedades Dansantes Musicaes. quem substituiu Francisco Braga.– 257 – clarinete sendo assim um musico de alto valor e saber. Foi Pauliro Sacramento. Dansantes. em que toca. quando seguiu . muitos choros de sua lavra e de outros bons chorões. No seu instrumento sabe dizer o que sente. Toca muitos choros americanos. hoje velho e cançado das luctas musicaes acha-se bastante retirado. ou outra. frequento a sua casa. peço desculpas ao Malaquias de aqui não dizer o que tu vale. pois elle era muito conquistado. onde o heroe é procurado como o brilhante sem jaça. Tocou em um conjuncto que fez os explendores na casa. ingressou no Instituto de Musica. porém uma vez. Tocou em muitas Sociedades Musicaes.

Depois de fazer alguns tons. para [195] satisfazer seu pae. deixando o reflexo do seu magico clarão em todos os palcos dos nossos theatros. Paulino Sacramento. seu pae o João Ferramenta tocava Guitarra. a Julinho a tocar violão. Julinho principiou a frequentar as casas . foi se desenvolvendo de uma maneira assustadora. foi um astro que fulgurou no horizonte dos chorões.– 258 – para a Europa para estudar musica e d'ahi surgiu o prodigio da sua intellectualidade musical que foi além de todas as espectativas. No Theatro Brasileiro. mas as suas musicas reviverão. que pouco a pouco. aqui pretendo revivel-as. e obrigava. Paulino Sacramento. As musicas escriptas por Paulino Sacramento. Eis o que foi este grande maestro. pois. estas que fizeram uma verdadeira apotheose de suas maravilhosas producções. surgiu como um sol que illuminou com as suas partituras todas as platéias. o seu alto valor. que aqui comparo como uma cratera a expellir em borbotões inspirações musicaes. e que. ensinou a Julinho. são immortaes. não acho palavras inaltecidas para dizer as verdades das grandezas de um cerebro como era de Paulino Sacramento. Elle falleceu. as quaes se acham immortalisadas nos louros que colheram. tornou-se um principe das inspirações musicaes. Vôou como um condor no meio dos chorões. E' indiscriptivel para mim citar aqui. pois. JULINHO FERRAMENTA Conheci-o bem menino. afim de ter um acompanhador pois seu pae conhecendo um bocado de violão. ficando logo valorisado como um grande maestro que foi.

dando em pouco tempo de sua molestia. Gustavo. cavaquinho. Além de solista. e muitas outras. E' filho de Juca Valle. e muitos outros. julinho não aguentando a batalha. do sempre chorado Canhoto. e tambem excellente violão. como fossem Quincas Larangeiras. mais com um bucado de paciencia vae. que tocar com este chorão fica electrisado. a maior saudades. vendo-os toar. da turma de Callado. o qualquer instrumento. Escrever este batuta é duro. Juca Russo como seu pae. pois tinha um ouvido apurado. JUCA RUSSO Sublimissimo. que era sublimissimo. e que elle era excellente general. tornou-se um bamba. é um principe no violão. onde elle ia ouvir os grandes violonistas e mais batutas tocarem. pois morreu ainda moço.– 259 – de instrumentos. Abismo de rosas. Os flautas. e assim depois de solar com grande alma. naquelle bello. João Pernambuco. por elle. Julinho. Pois bem! Com sua presença nessas casas frequentados de grandes e sublimes violões. e difficultoso instrumento. era tambem sublime acompanhador. Rogerio. pois sei o que . e fiquei quais perplexo. e no cavaquinho. que fazia o encanto de todos aquelles que o ouviam. e algumas de sua lavra felicitei-o. pela maneira que o vi solar no seu bellissimo violão. pelo seu grande aproveitamento. pois no sólo. Jacomino Canhoto. tal a agilidade nos seus sedosos dedos. onde lá fui uma vez a seu convite. apanhou uma tuberculose. Eu o admiro. Morava na Ilha do Governador. que muito o estimavam. deixando a todos chorões. tem um ouvido de desafiar. foi immenso athleta na roda dos grandes maestros de violão. a alma a Deus.

Viriato. Igual a elle são poucos. acompanhada por uma bella canninha. Em qualquer excellente companheiro para elle qualquer choro onde elle não admittia difficuldades. pois parece impossivel que dez dedos possa fazer o que elle faz. Luizinho. RanJUCA MULATINHO gel e Silveira. não tem mais vontade de sahir.– 260 – assado. Juca Valle. que eram um sól naquelle tempo. é um Deus nos acuda. um porquinho elle vale. Nos sólos que faz. muito applicado deixe a curuja vôar! Da minha mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. Andava quasi sempre lombrigue. Fomos sempre muito amigos e na nossa infancia sempre tocamos juntos. assim mesmo. e a elevação das nossas musicas que tú tanto adora. era Sempre morou pelas adjacenadorado. para a minha satisfação. Pois encanta os que o ouve. e melhor os sejam. na grande quantidade de choros que tem. elle resona. que tu fique completamente. umas gallinhas de molho pardo. como amigo e companheiro cias do Estacio de Sá. Capitão. Era no choro. Este heroe foi atacado a uns tres annos de uma paralisia. bom da tua molestia. pois é um genio! Trouxe do berço a tara do seu sempre lembrado . e ainda faz nos mesmos. e mais. Juca Russo. e venerado. e então tem um termo. ou mesmo uma feijoada. pois na roda de Callado. Juca Russo. valioso chorão. ainda não desmereceu nos seus instrumentos predilectos. E assim mais ou menos aqui [196] fica descripto a vida deste pae. o que fazia quando bom. desafia quem tambem distincto amigo.

Jonjoca pouco descansava. honradamente. não desse ao camarada.– 261 – prompto sem nenhum. mas em fim. Cantava tambem suas bellas modinhas que hoje já não me lembro de seus nomes. pois era agarrado para todos os choros. dando excellente exemplo a memoria de seu pae. e sempre muito bem tratado pela sua esposa. Não podia ver nenhum companheiro ou amigo contar miseria. pois apezar de tocar pouco o seu violão. tal a maneira que elle se espressava. com sua maviosa voz. Era muito conquistado por todos os tocadores. ninguem me responde. Triste se esconde por de traz de um véo. que o pouco que tirava para sua familia. les tempos já passados o bom do Jonjoca? Julgo que ninguem. que era um anjo de bondade. JONJOCA Infelizmente. Julgo ainda viver em companhia de uma sua filha que trabalha em um dos collegios publicos desta capital. estremecia e diz: – Que mal eu fiz. onde ganha a vida. Nas suas attrahentes modinhas destacava-se sempre uma das suas predilectas que era Minh'alma chama. pois fazia grande alegria nos pagodes onde elle se achava. era de arrepiar. Tocava um bocado de violão não sendo dos afamados.sua passagem. deixando aos . sempre ajudava nos choros que elle muito gostava. sabia com arte acompanhar as suas bellas e harmoniosas mo- [197] dinhas. já a muito fez a Quem não conheceu naquel. arriscando-se as vezes a levar o não. Frequentei muito a sua casa. Era bom e dedicado amigo. Esta modinha cantada por Jonjoca. e assim as vezes lá caminhava elle. para pedir emprestado. Coberta de luto. afim de ouvil-o cantar. que agravei o céo.

O Accyoli vence todas marcha infernal da Côrte de as musicas por mais dificil que Belzebuth. pois Donga procurado pelos organizadores tem apóz de si. Ha poucos dias ACCYOLI encontrei com elle troquei idéas E' um pistonista de muito nos relembrando de muitas folego. e independente disto saudades. onde o seu pistão conquistado pelas Companhias conversava com o pistão do Extrangeiras que nos visitam. Chorão que deve-se escrever momento os nossos melhores musicistas. e ainda faz. sejam em um só golpe de vista. pois verdadeiro astro que com o seu não ha na roda dos chorões brilho eleva o valor dos nossos quem não conhece o valor que musicos. uma rica das orchestras dos nossos bagagem de effeitos musicaes.– 262 – chorões a mais duras e ternas inesqueciveis Luiz de Souza e Carramona. é um leal amigo e de apurada educação. Carnaval de 1911. Elle é tambem um trombone Resedá. grande chorão da tempera dos . e que tem feito prodigios cousas passadas quando fazia parte da orchestra do Ameno com o seu pistão. E' elle sempre com letras de ouro. DONGA razão porque é conhecido como artista de primeiro plano E' um dos batutas da Roda de vencendo todas as difficuldades da crise que avassala no Pixinguinha. Theartros. onde elle é um que não preciso descrever. na satisfazendo sempre todas as sahida do referido Rancho do exigencias dos maestros Palacio Guanabara em uma regentes. Accyoli foi e é um elle tem. inesquecivel Luiz de Souza.

que forram irradiadas com grandes sucessos.– 263 – [198] do Exercito e tambem da Policia. Tambem já fallecido. Este que Era chorão de facto. choros. encorajando sempre o meio dos seus pares com enovações de suas expirações. O heroy acima tocava bem o Bombardino. o que elle ficava muito satisfeito. que éra o Flautim. e de dos bons. Eis porque me sinto enthusiasmado PEDRO DA MOTTA em fazer o perfil de um chorão da tempera de Donga. Foi muzico Foi um farrista de fama! Não dava folga ao corpo pois da Brigada Policial. no tempo do todo o dia entrava de serviço nos grande Professor Major Rocha. . é expoente propagandista e dedicado. minas. farrista prende os auditorios com harmonia de seu violão. Julgo garimpeiro procura o ouro nas tambem aposentado dos choros. Na propaganda dos sambas. Donga é um dos autores das primeiros sambas que abrio com chave de ouro as portas das gravações. pois éra mesmo um pois a velhice e a prole muitas obsecado do choro. Para elle não havia seus amigos com sua simpathia. Era muito procurado pelos acompanhadores daquelle tempo que não lhe dava um socego. Foi muzico vezes assim nos obrigam. Era procurado como o que muito o apreciava. nas nossas modinhas e afinal. acompanhada com a bebida JOÃO FLAUTIM brazileira. onde com seu instrumento muito elevou a arte muzical nos choros em que tocava. fazia admiração pela maneira que sabia se expressar naquelle minusculo instrumento. difficuldades nos choros. Desde que houvesse o pirão.

tendo por companheiro o saudoso poeta Hermes Fontes. Guttemberg. amigo certo dos trovadores. da velha e da nova guarda. aonde residiu muitos an[199] nos. . auctor de muitas partituras. afinal. Quincas. é figura de relevo no meio theatral. pois também é um bello chorão. Uriel e Candido das Neves. Brasileiro. pois Pedro Freire. LEOPOLDO FROES QUINCAS FREIRE Foi a maior gloria do Theatro E' funccionario dos Correios. tambem sabe cantar com sentimento e entre seus filhos tem um que possue bellissima voz. suas letras musicadas são de uma belleza superlativa.– 264 – Jacubino Freire. que as lagrimas lhe vem aos olhos! E' grande admirador das letras de Catullo. e vai fazendo successo no radio. honra a tradição dos seus. morre de amores por Paquetá. pois sente tanta alegria. FREIRE JUNIOR Grande maestro e escriptor. o maior prazer deste folião é ouvir uma modinha de nossas antigas serenatas. foi. pois Freire Junior. a casa de Quincas. Leopoldo Fróes e filho do grande professor tambem era um grande chorão. está sempre cheia de musicos e cantores. é. e continua a ser um ornamento do Theatro Nacional. conhece o sentimento do povo. Chorão de verdade. e em todas as reuniões em que toma parte. tanto que as mesmas alcançam logo de primeira vista os maiores successos. e estão sempre em voga é um chorão maestro e de fino trato.

essa que sabia dominar com intelligencia e arte em todas as representações de responsabilidades. Leopoldo Fróes. EDUARDO SOUTO chorão da tempera de Eduardo Souto. fazia successos nas serenatas ao luar. FRANCISCO ESQUERDO Foi um grande cantor das modinhas ternas. agradava tanto. e por este motivo os folhetos eram arrebatados das mãos do mesmo!. Francisco Esquerdo já é fallecido. O seu desapparecimento deixou claro nos vendedores de modinhas. sabia cantar arrancando os maiores aplausos das platéas. Morreu mais suas glorias são inmortaes.. além de ser um maestro gentilman de fino trato. foi o invicto galan do treatro nacional e extrangeiro. é senhor dos segredos da melodia. palcos do Brasil. as suas produções são disputadas. Ultimamente vevia vendendo folhetos e modinhas e quando [200] entrava em um trem cantando uma novidade. Professor eximio. eis tudo quanto posso dizer de um musicista quando ouvia um choro se .. o Theatro Nocional muito lhe deve pois as suas musicas tem ALEXANDRE THOMPSON resplandecido em todos os Espirito alegre e folgazão. razão porque. pois possuia bella voz. é querido e aclamado no meio de todos os chorões aonde é uma figura de destaque.– 265 – pois sabia chorar as suas maguas no violão! instrumento este de sua paixão dedilhava com alma. pois Souto.

Thompshon. morreu quando precizava viver. possuidor de bôa voz. Alamiro.– 266 – esquecia até da familia! tinha um verdadeiro devotamento pelo velho Bilhar. é o unico que tem o maior archivo das antigas letras musicadas do tempo da corôa. A bondade de seu coração excedia a todas expectativas. funcionario dos Correios aonde deixou infinidades de amigos e admiradores. CAPITÃO ALAMIRO Morava. JOSE' VASQUES (Nozinho) Chorão da velha guarda companheiro do velho Bilhar.. sempre foi querido e respeitado em todo meio de seu convivio. Euclydes e todo o pessoal do Tugurio dos Simples de quem elle era um dos seus fundadores. Era exemplar chefe de familia. Morcêgo. teria muito mais a dizer deste chorão mas me falta os dados. Angelino. em Jacarépaguá. foi um chorão que marcou a sua época. que fallarei na 2ª edição deste livro. é um especialista das modinhas antigas. . Gama. e tinha um grande repertorio de modinhas em voga daquelles tempos o desapparecimento de Alamiro foi uma va'cuo dificil de ser preenchido tal o seu valor entre os seus amigos. Guidão. cantava bem as suas modinhas e acompanhava com sentimento era um amigo dedicado e não puchava p'ra traz. os seus amigos do choro para matar as saudades. amigo incondicionalmente. infelizmente já é fallecido. A muito está retirado do chôro mais em segredo ainda reune em sua bella vivenda em uma Estação dos Suburbios da Central.. e de Thompson. pois era bom e franco. tocava regularmente violão. Bulhões.

era um chorão dos bons alegre e communicativo que digam todos os chorões que com o mesmo privaram como este que escreve estas linhas.– 267 – EDUARDO DAS NEVES [201] A sua morte foi uma surpreza. Eis tudo o quanto posso Trabalha na Casa da Moeda é dizer de um Chorão moderno. um Resedá de coração. Escreveu e muito cantou. "O Indio" do qual já fiz neste livro as referencias merecidas. a Europa curvou-se ante o Brazil. foi um bom tocador de violão. e nella immortalisou-se. bello lundu's de fazer hylaridades pois as vezes era bem apimentados. auctor de diversas marchas que muito . de que foi muito aplaudido. FREITAS Pianista O heroy acima morreu deixando saudades nos corações dos cariocas. Vou render aqui uma homenagem a um musicista de primeira grandeza auctor de finas composições e que sabe reger o seu jazz-band com autoridade de um artista consumado nos soirées nas grandes festas nos theatros. emfim o Freitas é um chorão que JOSE' (BAIANINHO) merece mais do que aqui fica escripto. elle desappareceu! porém ainda vive no coração de todos os seus amigos. Eduardo das Neves. sabendo com bom gosto e arte. como seu filho o innesquecivel Poeta Candido das Neves. entre os seus congeneres do choro. fazer os sentimentos na alma dos que ouviam Cantar nos circos. nos palcos as mais ternas e boas modinhas.

Apreciei-o em muitas festas naquelle lugar. em que elle sabia se impor. o sentimento cernarias do Engeno Velho. em choros que sabe dizer por intermedio do que se davam as centenas nas teclado do Piano. as polkas. Morreu como conductor de Bonds da Companhia de S. que éra a Flauta. é um clarinette que sabe dizer neste instrumento o sentimento melodioso da musica razão porque eu não poderia deixar de mencionar em meu livro como uma homenagem relativa que tenho feito a todos os Chorões antigos. Baianinho. este privei muitas vezes. éra um grande cantor de modinhas. Era um excellente violão solque possue pela Musica. do Maestro Bomfilio de JORGE GUERREIRO Oliveira. Não éra excellente muzico mas o que tocava muito agradava pois tinha muito inthusiasmo pelo seu instrumento. e mais daquelles saudosos tempos. Independente [202] de sollista. valsas. pois tinha nelle abrilhantou a harmonia deste Rancho. cuja biographia já tive o prazer de fazer neste livro. . Era filho do guarda geral da mesma caixa. sabe. BENEDICTO DE OLIVEIRA Christovão em consequencia de uma pedrada que levou no Este grande chorão é irmão imposto do vintem.– 268 – Tijuca. Era muito LOLO' conquistado pelos seus Morava na caixa velha da companheiros. de fazer admiração. Conheci-o bastante com elle tambem não podia deixar de fazer o mesmo a Benedicto. que lava muito bem.

Romeu Silva. Tambem foi grande capoeira. organisado pela retirar-se a vida privada. Tocava com grande parte do conjuncto deste rancho perfeição e arte de admirar os em todos os Carnavaes debaixo seus congeneres. e que com sua morte foi um destroço no Poucos serão que não conjunto dos chorões. é um de encantar. De vez em quando ainda vae funcionario da mesma Repartição em um samba de fazer a um chôro. Bomfilio de Oli. é um chorão hoje fica embasbacado diante do . e o Seixas. tal a rapidez da batuta de José Rabello. nos seus dedos. Ainda este anno eu o vi fazer preludios no seu a musica decahiu bastante sendo Cavaquinho em um grupo obrigado o chorão acima a Carnavalesco. synchronisação. foi um dos afamados e admirados. conheçam este inveterado HENRIQUE (CAVAQUINHO) pianista. Henrique Martins. Com a veira. Costinha. Nunes.– 269 – dos bambas da velha guarda. no instrumento. e faz no piano cousa arrrepiar. [203] Henrique é funccionario da Casa da Moeda. Quem não conhece o Henrique? e jogava no partido Nagô. Henrique. e muitos outros. Foi COSTINHA excellente camarada. vivendo Casa da Moeda de baixo da só de seu emprego na Central do batuta do invicto maestro Seixas. que a meninada de explendido amigo. um baluarte. era Este chorão é um fanatisado procurado no seu tempo como pelo Ameno Resedá pois a sua um brilhante e outros valorosos magia do seu Cavaquinho fez metaes. Brasil.que elle electrisava.

Gil. conheci como compositor. Nazareth. tal o arraigamento que elle tinha pelo mesmo. e de seus amigos. fez parte da Banda de Musica da Provincia do Rio de Janeiro. Costinha ainda vive para a felicidade de sua familia. Toquei com elle em muitos chôros da Cidade Nova. e sei o seu valor real. como os choros antigos. talvez. e suburbios onde era uma figura obrigada. Juca Marque. Eugenio pelo chôro perdia a cabeça. Costinha fez parte da turma do Julio Barbosa. regida pelo Professor João Elias. Damazo falleceu no catre de um Hospital. sinto a maior satisfação. na Tijuca. retirou-se a vida privada. que todos os quarteis desta capital dava toda liberdade para sua entrada nos mesmos. Sei que Eugenio hoje. deixando em paz o seu guarda. bom amigo e distincto chefe de familia digno de toda consideraDAMAZO PORCINO DE . o seu genio musical era tão sublime. por estas lembranças EDUARDO DE CASTRO dos tempos idos. as musicas em evidencia. e muitos outros musicos de nomeada. Conheço bem de perto. ao lado de Juca Rezende. Aurelio Cavalcanti e muitos outros. pois sabia que elle iria só instruir as musicas no Batalhão. E' um querido e afamado violão. e foi assim que desapareceu um artista do valor de Damazo.– 270 – que elle toca. pois quando o encontro. EUGENIO TORRES OLIVEIRA Musico como nenhum naquella época. hoje é funccionario Municipal. ainda hoje vive felizmente. ao peso de Conheci este chorão da velha seus janeiros.

Eduardo de Castro. E desta maneira. compridor de seus em quando reune em sua casa deveres. Tem muitos sambas e marchas escriptos letra e musica. superiores e amigo de seus amigos do cordão da velha guarda. o escuto no modinhas com uma escola toda sua. tomando parte em reuniões meu Radio. o sublime dedilhar das mais distinctas famiias de do eximio Professor me deixado ção. sempre com o seu amigo de todos os tempos o violão. pois de o conhecer pessoalmente. Canninha. estimado pelos seus muitos chorões da velha guarda. ainda brilha ! Conhece toda escola do mas tenho um criado que tudo violão. e as mais antigas fazem parte de seu repertorio. é um grande admirador das letras do grande Catullo. onde de vez da Fazenda. elle aprecia com ardor os bons artistas e sabe abalisadamente ajuisar o valor de cada um delles. E' funccionario das de Jacarépaguá. que alcançaram os maiores successos nas épocas [204] carnavalescas. ficando eu dos actuaes professores ainda dá habilitado para mais ou menos no couro. Mora lá para as ban- . conhecedor do braço do violão. é um gentilman dedicado amigo e de fino trato.– 271 – nossa sociedade. tambem canta poder dar o seu valor. JOSÉ DE MORAES (Canninha) PROFESSOR FREITAS E' um verdadeiro chorão de Apezar de não ter a felicidade velha e da nova guarda. tanto assim que no meio me traz pelo som. além de ser um chorão inveterado.

Canta e toca bem o violão. um gemido soltar. Não indaguem quem foi meu amôr E' segredo que guardo em meu peito. Apreciei-o muito em uma [205] NO SILENCIO DA NOITE SÓMENTE No silencio da noite. que instrumento que é o violão. Conheci-o na casa do saudoso e –––––oOo––––– sempre lembrado Bilhar. O teu coração é de pedra. por Deus minha dôr. etc. sómente. Que sabel-o não há de ninguem! . Não procurem saber porque sofro. etc. Não escutem. Posso livre. começava assim: Recebe o Freitas os meus aplausos. morando lá pelos suburbios. O GUERRA DA ESTRADA DE A muito que não vejo este FERRO chorão penso que ainda vive.– 272 – extasiado naquelle sublime modinha que elle cantou. Que no meio das bulhas do dia Não me é dado um momento chorar! Riam todos a vista do pranto.

Pois bem desgraçado Sou na terra. . minha dôr? ! ––––– [206] NAS AGUAS DORMENTES Nas aguas dormentes do mar da existencia Sonhamos aos raios do frio luar Sonhamos e a mente se embebe na imagem Com quem nós podemos a gosto sonhar As brisas vem cheias de aromas e beijos. vou mudo descer! Mas depois de findar a existencia Meu segredo não podem saber! Deixem pois no silencio da louza Meu segredo p'ra sempre dormir.– 273 – E' qual onda queixosa. Esquecido do mundo e de todos.. meus ais. se vão se apagando Meus gemidos. que importa. gemendo Sobre as rochas cavada d'além E' segredo que n'alma conservo Breve a campa. Desvendal-o ninguem ha de vir! Não não ha de!. por ser trovador! Mas..

unico descriptos. Que placidos sonhos. Foi unido a estas . que musica e flôres! Nos peitos amantes. Que bando de crenças. esperança! Aos doces murmurios das ondas que choram. que a briza desliza entre flôres. Mas o que fazer obstaculos. que muitas vezes faz-nos os meus sonhos dourados. Sonhemos ao leve balanço do mar. que brando suspiram. accordo com os meus obscuros reduzir montanhas e vencer conhecimentos. ––––– bons leitores? Agi como se fosse [207] impulsionado por uma missão que me parecia ser ditada pelo EPILOGO poder Supremo de todas as Ao finalizar este livro que era cousas. Cantando saudades. amôr. suspiram – Amar! A lua branqueia n'areia gelada A praia é deserta! Que bello sonhar Amamos. que sonhos de amores! Deslisa a canoa e a vóz do barqueiro Confunde-se aos roncos das ondas do mar! Que orchestra divina! Que magos encantos! As brisas que passam. repousa descança! As harpas de amores suspiram nos ares. esmorecer quando temos uma perpetúo estes musicistas vontade unida a fé. mal ou bem de recurso que resta ao ser humano.– 274 – O mar de cançado.

sem que seja um literato. Não foi facil a minha tarefa. lutei como um naufrago que agarrado ao batél da Esperança. muzicas essas que jamais poderão desapparecer dos grandes ou pequenos archivos dos bons collecionadores. embora pallida. Como "chorão" que fui pranteio as saudades de todos os meus companheiros do "choro" mortos e sobreviventes prestando-lhes uma homenagem. e revivendo com enthusiasmo e alegria. Com elles evolui e caminhei por esta estrada cheia de harmonias. pois nelle derramei a essencia das saudades.– 275 – duas alavancas que metti. para voltar de novo. Foi por isso bom amigo leitor. fazendo resurgir das trévas uma grande parte de celebridades que dormiam no esquecimento. mas sim. cheio de erros gramaticaes. extraordinarios castellos de fantasias que com o correr dos tempos se desmoronavam como as bolhas de sabão. mãos a obra. um fervoroso admirador da bôa litteratura. Eis porque tive o arrojo e temeridade de dictar um livro pobre de litteratura. é que me veio ao pensamento escrever algo sobre os chorões da antiga e nova guarda. e synthetizando com devotado amôr todas as suas sublimes inspirações para que as gerações d'agora e futuras saibam que existiu essa grande phalange de chorões que elevaram e inalteceram as musicas genuinamente Brasileiras. que pertencendo e convivendo no meio desses vencedores da arte musical. Ao lado desta pleiade para mim immoredoura foi que se embalsamou o meu grande enthusiasmo dentro da poesia e da musica. porém rico na extensão da palavra. luta sulcando o mar revolto de . por esta razão criei em meu cerebro.

Penso ter vencido. retribuo o choro é primo inter pares. esta maravilho do mensagem de grandeza fulgente dos artistas da musica que aqui seculo da luz. que foram. facil as memorias em perfil que revivendo o para muitos. [208] o amor proprio de uma geração parece que fui o portador de uma passada. e illuminada porque amigo leitor? porque me pela luz merediana que é o pharol que plantarão neste conjuncto de chorões modernos. resplandescida de alegria FIM deixando que se faça justiça a este grande triumpho. de quem são elles neste livro fiz reviver em os verdadeiros satelites que homenagem merecida. E a estes chorões de hoje que producções. Sinto-me ufano e todos os chorões da velha regosijado.– 276 – de uma nova aurora. Fiz transformou a cidade colonial resurgir do esquecimento as que transcrevi. Sinto-me victorioso pela tudo quando disse relativamente. circundada descrença. mas para mim descrevi. laureado . difficil por em pratica como esquecimento em que estavam agora o fiz. os seus gigantescos "Arranha e nos que já falleceram. e sabe de nuvens roseas. arrazando o bellezas e as harmonias vibradas morro do Castelle. e construindo com alma n'aquelles que vivem. Céos" sendo até chrismado deixando após de si resplandecer Cidade maravilhosa" não os como um sól. e com a alma guarda. concluzão de uma causa. as suas olvidará. são e serão a alegria nas festas em que ao terminar este livro que era o meu sonho dourado. O radio.

pois.– 277 – O AUTOR –––––oOo––––– ACONTECIMENTO IMPREVISTO Venho por meio destas linhas dar uma satisfação aos meus amigos leitores relativamente a demora da saida do meu livro O "Chôro" que deveria ter saido muito antes do Carnaval. o prelo onde tinha que ser impresso. razão porque só agora poude entregal-o a publicidade porem isto não desmereceu nada porque agora está satisfeita a vossa vontade e a minha. Assim não aconteceu por motivos muito independente da minha vontade. mesmo porque o melhor da festa é esperar pela mesma. quebrou. .

– 278 – ERRATA Na pag. 88 no fnal do elogio a Pedro de Assis. que pertence a pag. . sahiu o ultimo periodo pertencente a descripção de Raymundo Flauta. seguinte n° 89.

Gloria. Rua LEDO. . etc. 20 – RIO. Drops e Doces de Leite A marca de confiança BUSI Fortifica e alimenta A venda em todas as casa do genero Typ.– 279 – [Última capa] ACONSELHAMOS canticos. a ás usarem e pessôas abusarem que façam usa do "VOZ" em orações. dos productos de BUSI Caramellos de luxo Bonbons.

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