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O CHORO

Por ALEXANDRE GONÇALVES PINTO - -1936 --

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O Chôro
REMINISCENCIAS DOS CHORÕES ANTIGOS
POR

Alexandre Gonçalves Pinto

Contendo: O perfil de todos os chorões da velha guarda, e grande parte dos chorões d’agora, factos e costumes dos antigos pagodes, este livro faz reviver grandes artistas musicistas que estavam no esquecimento.

RIO DE JANEIRO 1936 RREÇO 4$000 Tiragem 1ª edição 10.000 Exemplares

–3– Carta do maior cantor e poeta de todos os tempos Catullo Cearense, ao autor deste livro. ALEXANDRE
O prefacio que me pediste para o teu livro, fica para outra vez. Não te posso ser util nas correcções dos erros, porque só uma revisão geral poderia melhoral-o, o que é impossivel, depois de o teres quase prompto. O leitor, porém, se deliciará com a sua leitura, fechando os olhos aos desmantelos grammaticaes, revivendo comtigo a historias desses chorões, que te ficarão devendo eternamente o serviço que lhes prestas, arrancando-os do esquecimento. Só mesmo tu, com o teu grande coração, serias capaz de uma obra tão saudosa para os que, como eu, viveram naqueles tempos de immarcesciveis recordações. Se, como penso, este livro tiver o acolhimento que merece, para fazeres uma segunda edição, prometto-te corrigil-o com muito carinho, auxiliando-te no que puder, para que a lista completa dos antigos e afamados chorões, resuscitados por ti com boas gargalhadas e lagrimas sentidas, pois é uma ineffavel satisfação percorrer todas as “sepulturas” deste cemitério de vivos na nossa memória. Pedes-me uma poesia para a abertura ? Envio-te esta, "O Passado", que vem a calhar. E, para terminar, recebe o abraço do amigo velho, que não se cansará de felicitar-te pela lembrança feliz deste formoso, carinhoso e saudoso breviario dos dias da nossa festiva, alegre e rumorosa mocidade. CATULLO CEARENSE. Rio, 28/10/935.

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O PASSADO
(De CATULLO CEARENSE)
Quantas vezes eu não digo ao meu Passado, esse amigo que me alenta no soffrer : - "Acorda, tem paciencia ! Anda conversar commigo, e perdôa a impertinencia de tanto te aborrecer!" E o pobre velho, coitado, Mal dormido e já cansado de tanto e tanto o chamar, levanta-se, bocejando, e vem a mim, caminhando passo a passo, a me fitar ! Ao meu convite assentindo, penteando os cabellos brancos e as barbas brancas... sorrindo; jovialmente se vestindo com as suas vestes de côres; deitando o barco no rio, cujas margens reverdecem com seus antigos verdores; accendendo as luminarias, as multifarias lanternas de luzes multicolores; offerecendo-me a taça de seus magicos licôres, licôres que fez das lagrimas de nossos velhos amôres; e, por fim, saudando a lua, que em seus mágicos fulgores já tantas vezes saudou,

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- o meu Passado, embarcando, soltando a vela e remando para a nascente do rio, que já tão longe ficou, - cantando, e, ás vezes, chorando, na viagem me vae mostrando, no proprio espelho das aguas, os meus prazeres e maguas, tudo quanto já passou ! Mas basta um leve arrepio no liso espelho do rio, quebrando, instantaneamente, todo o encanto da visão, para eu vêr, desilludido, que tudo é um sonho perdido, um sonho só, reflectido, não no espelho da corrente, mas no crystal transparente da minha imaginação !! Pois só assim é que eu vejo que o barqueiro, o velho amigo, que vae cantando commigo, revivendo o tempo antigo, que o Tempo já devorou, é um homem transfigurado, é um morto resuscitado, é o cadaver do Passado, que inda depois de morrer, ao menos, pela memoria, concede-me a excelsa gloria, - a gloria de reviver!

CATULLO CEARENSE.

Governa a sua vida. com o proprio coração. Anda sempre sem dinheiro mas. P'ra comer e beber é grande General. MAX-MAR . já bem grisalho e urucungado. Bom chefe de familia..–6– PERFIL DO ANIMAL Alto.... contente. e sempre brincalhão. E' sincero e leal. funccionario honrado Tocador de Cavaquinho. e por todos estimado. Physionomia alegre. e cuéra Violão: Ser politico sempre foi seu maior predicado E por varias vezes já tem sido pistolão. Tendo o dom da palavra é intelligente. Conhecedor de toda gyria da cidade E' o prototypo extremo da bondade: Eis aqui traçado o perfil do "ANIMAL".

autor destas reminiscencias do Chôro Antigo .–7– [IMAGEM: FOTOGRAFIA DO AUTOR] ALEXANDRE GONÇALVES PINTO.

Fazer dos bons artistas allusões. Nas paginas deste livro hão de ter Toda a altivez da grande inspiração. Grandes astros fulgentes se sumiram. emfim todo o prazer Que floresceu na passada geração. Que a germinar. Musica. Em cada chorão. Distinguindo em cada um a qualidade E demonstrando o perfil dos bons chorões. Rebrilharam nos antigos ambientes. findou-se um baluarte. corróe por toda a parte Desde o momento que subiram a eternidade.–8– PERFIL DOS CHORÕES Conjuncto de flautas maviosas. MAX-MAR . costumes. Vou tentar reviver celebridades. Pistonistas soberbos. Clarinetistas Ides todos ter aqui vossas acções. Chorões de cavaquinhos e violões ! Tereis neste livro as vossas rosas E do antigo tempo: as tradições. Descreverei com amor os bons artistas E tudo o mais que nos traz recordações. Que deixou em nosso peito uma saudade. E as alegrias comnosco repartiram Evocando melodias refulgentes.

as sciencias e o credo politico. dos Guardas Urbanos. é tão simplesmente em linguagem dispretenciosa. assim como da pessôa que escreveu que communga no mesmo credo. trazendo ao scenario do ambiente actual a comparação do que foi e do que é actualmente. assim como são comparadas as religiões. o autor só teve por fito recordar. da Lanterna Magica do Chafariz do Lagarto. escrevendo de bôa fé. se sentindo num ambiente agradavel. a Maria Cachucha. dos pédrestes até hoje. que é um novo sentir e tornar a viver conforme a phrase do poeta. Estas linhas não tem a pretenção de mostrar erudição nem é commercial nem expositiva. Moquécas Bahianas e os Trinta Botões do theatro antigo até a Cidade Maravilhosa de hoje. com as policias mais adeantadas actualmente. São chronicas do que se respirava no Rio de Janeiro neste periodo desde o . ao alcance de todas as intelligencias. emfim cada um escreve o que póde ou o que sabe. Factos occoridos de 1870 para cá. são comparados os costumes na vida dos pobres de accôrdo com a evolução. tivemos por tradição os Ao dar publicidade a um livro encontramo-nos sempre na duvida de um facto auspicioso para os leitores. não tendo ao menos a intenção de instruir. expontaneo.–9– O C H Ô RO PREFACIO tempo do João Minhoca. quer seja para o bem ou para o mal.

os bailes das casas de familias. aquellas festas simples onde imperavam a sinceridade. entôo um hymno em louvor e reminiscencia dos chorões da velha guarda. E assim agradecendo a aceitação dos apreciadores de musica.– 10 – costumes bahianos que foram trazidos da Africa pelos nossos queridos antepassados e firmaram os costumes no Brasil. E as pessôas que sobreviveram áquelle cataclysma ainda tinham a impressão nos ouvidos das notas plangentes dos sinos daquella cidade. uma igreja foi soterrada. destruida por um terremoto. a hospitalidade. naquilo que é nosso e que aqui guardamos com a maior veneração dentro de nossos corações. a alegria expontanea. Contam numa lenda que em uma região onde haviam innumeras Igrejas. Assim agora as pessôas daquelles tempos no Rio de Janeiro recordam-se e sente n'alma a vibração das musicas daquella época: os chorões do luar. São João. São Pedro e Sant'Anna. embora com os explendores da actualidade. onde os sinos plangentes annunciavam as grandes matinas e as festas religiosas com rituaes ou profanas. dando e trecalando o perfume da recordação dos apaixonados daquelles tempos e que faço reviver nos corações dos leitores deste livro. não tem a graça natural da simplicidade daquellas reuniões onde os chorões da velha guarda expandiam-se em inspirações musicaes. . a communhão de idéas e a uniformidade de vida ! As noites estrelladas e frias de Santo Antonio.

OS CHÔROS Quem não conhece este nome ? Só mesmo quem nunca deu naqueles tempos uma festa em casa. apesar de os chôros de hoje não serem como os de antigamente. que ainda hoje são citados como os cometas que passam de cem em cem annos ! CALLADO Callado foi um flauta de primeira grandeza. tornou-se um Deus para todos que tinham felicidade de ouvil-o. o que constituia o verdadeiro chôro dos antigos chorões. pois as suas composições musicaes nuncam perdem o seu valor. na sua flauta. Callado. Hoje ainda este nome não perdeu de todo o seu prestigio. quando em bailes. e ainda hoje é lembrado e chorado pelos musicos desta época. violões e cavaquinhos. Naquelles tempos existiam excellentes musicos. . entrando muitas vezes o sempre lembrado ophicleide e trombone. pois os verdadeiros choros eram constituidos de flauta. serenatas (que eram feitas em plena rua pois naquelle tempo eram permittidas não havendo intervenção da policia).

desaparafusou uma das chaves de seu instrumento sem que elle percebesse afim de quando fossse tocar a mesma pular. ophicleide. estando neste meio o velho Imperador que condecorou com . que ao passarem n'aquelle mosoléu curvam-se respeitosamente em homenagem áquellas duas entidades. cavaquinho. Callado. pois apesar da chave ter sahido fóra do logar. as actuaes não deram Contavam alguns daquelles tempos que tambem já dormem o somno dos justos. Luizinho. Viriato. bombardão. como sejam: Silveira. e Callado fazer um grande fiasco. e assim comprehendendo os musicos daquella época organizaram um festival e com o produ[012] cto do mesmo mandaram construir um mosoléu do lado direito do Cemiterio de São Francisco Xavier. quando eram manejados pelos batutas da velha guarda. dando assim uma recordação perpetua aos chorões de agora. instrumentos estes que naquella época faziam pulsar os corações dos chorões. etc. mas o seu intento não deu o resultado esperado. que Callado foi chamado para um concerto num dos theatros desta cidade ao qual compareceu com a sua flauta maravilhosa.– 12 – Os acompanhamentos eram violão. a força de beiço tocou toda a partitura sem perturbar-se. Callado e Viriato foram tão amigos em vida como na morte. onde se acham os dois juntinhos dormindo o sonho da eternidade. sendo muito abraçado e cumprimentado por aquelles que souberam do facto. mas o grande musico deixando a sua flauta deitada na estante um official do mesmo officio. que gerações ainda iguaes.

que dava pagodes quasi todas as semanas alegrando os seus habitantes com os chôros moles deste tempo. não dizia que não. como tambem para compôr qualquer chôro de improviso. Marreco e Jorge. Callado não era só músico para tocar de primeira vista. onde se achava Tambem foram grandes o grandioso e celebre violão flautas nesta época os irmãos Candinho Ramos. em casa de Maria Prata. riscava a lapis e zaz ! punha-se a escrever. Callado foi o rei da musica daquelle tempo. dahi a momento entre gava a um chorão presente que executandoa tornava-se um delirio para todos os convivas pela clareza e pela linda inspiração da mesma. que faziam suas serenatas em São Christovão quasi sempre na Quinta Imperial. baptizado. passava a mão em qualquer papel quando não trazia o proprio. Mello Moraes Filho. Callado. [013] Estes afamados flautas eram tambem frequentadores da casa do sempre chorado Dr.– 13 – o titulo de Commendador. com as visitas em casa de seus amigos e com especialidade em casa do grande brasileiro que foi o Visconde de Ouro Preto. quantas vezes achava-se tocando em um baile de casamento. anniversario ou outra qualquer reunião e se nesta occasião qualquer dama ou cavalheiro pedisse para escrever um chôro em homenagem ao festejado. compadre e . lembras-se que quasi numa das ultimas festas do BUMBA MEU BOI Bumba meu Boi. O escriptor deste livro chorão neste tempo de violão e cavaquinho. que todos os annos organizava a tradicional festa do Bumba meu Boi.

elle então me fez vêr que o meu antecessor já tinha escangalhado um boi. Mello Moraes. na maior calma deste mundo: pois não foi para dar marradas que eu sahi no boi ? respondendo Candinho: eu . ficando combinado logo a estréa para o dia seguinte. botou as mãos na cabeça me dizendo: compadre você me collocou mal com o compadre Mello Moraes ! respondendo eu. precisando um homem de confiança para sahir no boi. mas o caso interessante é que se meu antecessor foi pessimo boi eu ainda fui peior ! pois ia pelas ruas afóra convencido mesmo que era um boi de verdade bravo. radiante com a minha affirmativa. o boi estava em petição de miseria com o carão todo esfacelado com um chifre só e os pannos dos lados tinham ficado pelas ruas ! Candinho. como o homem escolhido para sahir no boi. na hora regimental lá estava eu firme para assumir o compromisso. dando marradas a torto e a direito em todas as pessôas que passavam e nas que faziam parte da comitiva. que gostosamente aceitei. o Dr. finalizando a jornada na bella vivenda do saudoso Visconde de Ouro Preto. Entrei todo satisfeito no celeberrimo boi andando pelas ruas de São Christovão em visita aos amigos do Dr. Mello consultou a Candinho muito meu amigo e até compadre. quando reparou o estado do bicho. apresentou-me ao Dr.– 14 – dedicado amigo de Mello Moraes. Mello Moraes. de forma que quando cheguei em casa do inesquecivel Visconde de Ouro Preto. pulando. e que o mesmo carecia de cuidados pois custava muito dinheiro. na rua 8 de Dezembro em Mangueira. respondendo eu: não tenho receio pois sempre fui cuidadoso em tudo que assumo responsabilidade ! Candinho. o qual perguntou-me se eu queria sahir no boi.

de cara amarrada cumprimentando-me componentes da festa. queixo em uma das janellas da Depois de ter assignado o ponto. retirou-se para junto de pelo modo com que você seus convidados.ª secção". Mello Moraes. sala onde se achavam os chegou o Candinho. muito obrigado de riso.Compadre. e foi logo Então o Visconde dando um ar se desabafando: . que era bicho na janella e olhando para a um botequim que ainda hoje sala bem iluminada perguntou. então antes de Candinho entrar na linda vivenda de Ouro trabalhava na 2. Reparando o Visconde de muito secco e depois chamouOuro Preto.– 15 – quando te indiquei para sahires em que situação eu me achava no boi. que depressa ! eu. pois eramos carteiros. Mello Moraes ! De volta chegando á casa do [014] Dr. pendurei o animal pelo correios.existe nos fundos do correio me o que era aquillo. com o carão do me para a "9. e não me vendo em uma das mesas e Candinho veio parra janella me espiar ! mandou vir dois cafés. onde se faziam reuniões e respondendo eu com a maior muitas vezes tratava-se de ingenuidade: Este boi me tem interesses postaes. julguei mais cuidado de perante o Candinho e o Dr. muito sua parte.ª secção dos Preto. Sentamo-nos muita amizade. Façam os leitores uma idéia correspondeu á minha confiança . então desculpei-me da sorrateiramente arriei o animal seguinte forma: Nesta noite sem que ninguém percebesse e cahia uma chuvinha miu'da e chispei para casa afim de tinha sido a causadora do boi ter organizar desculpas para dar no ficado naquelle estado mais dia seguinte ao compadre Ramos.

Mello Moraes. o bicho tinha que virar frangalho ! Candinho não acceifiquei muito envergonhado ausentando-me da casa do Dr.. Estas festas faziam o encanto do bairro de São Christovão. tornando-se serio commigo que Vamos relembrar ainda de felizmente durou pouco. couces etc. Mello Moraes. Mello Moraes não guardava rancor.. eu . ficou bastante aborrecido não só commigo como tambem com você.– 16 – ! O compadre Mello Moraes. Eu muito maneirosamente respondilhe que o boi era feito para se escangalhar. era preciso um para cada sahida !. porque se forem todos como o compadre. apesar de saber que o Dr. que julgava ser um boi de carne e osso em vez de se mandar fazer um boi. nunca mais compadre. eu por ter apresentado como pessôa de minha amizade e a você por ter espatifado o animal ! Foi preciso mandar fazer um boi novo para continuarmos os festejos do Bumba meu Boi ! Esta vae me servir de emenda. indicarei ninguem para sahir no boi. e as saudades invadem meu coração por estas tradições que os annos não [015] tou as minhas desculpas trazem mais. As festas do Bumba meu Boi desappareceram com a morte do grande escriptor e inesquecivel poeta Dr. dando cabeçadas. pois como sabes. e ainda hoje. Lembrando-me destes bons tempos as lagrimas me vem aos olhos. está na lembrança das antigas familias e dos grandes chorões da velha guarda. ficando assim privado de tomar parte de suas festas. pois aquelle acontecimento era effeito da mocidade. pois era o unico que conservava as tradições de todas estas festas antigas..

E depois arranjava um motivo.– 17 – mais alguns flautistas que tiveram sua grande época. tocava seu pedaço com correcção. vamos sahindo de barriga. vendo fartura vinha para a sala todo satisfeito. pois era myope de verdade e respondia logo: sinto muito não poder tocar. ja" (que quer dizer fome). não se negando a convites. em caso contrario dizia: O gato está no fogão rapaziada. SALVADOR MARINS [016] Era carteiro de primeira classe. Dahi a pouco vinha o dono da casa ou pessôa da familia pedir que tocasse um pouco. Quando ia tocar num baile. outros já se forma para o além deixando melodiosas producções musicaes. pois estou atacado de terrivel dôr de vendo tudo triste sem aquelle alento dos grandes "pagodes" chamava um collega e dizia: Está me parecendo que aqui o gato está dormindo no fogão. nome que se dava nos "pagodes". Não viemos aqui para passar "gin- . infelizmente tambem já dorme o somno dos justos. quando tinha bôa mesa e bebidas com fartura. Salvador. o que fazem recordar em todos os bons choros pelas pessôas que tiveram a felicidade de privarem com os mesmos. endireitava os oculos cujos vidros tinha uma grossura enorme. procurava o dono da casa e pedia para ir ao quintal afim de passar pela cozinha e ver a fartura ou a miseria em que se achava o dono da festa. Na proporção que vou lembrando é muito difficultoso citar todos. mas perguntava logo se tinha "pirão". alguns ainda vivem. apesar de não ser um grande flautista. pois o numero é grande e já pela minha idade ser difficil possuir a mesma memoria de 40 annos passados.

era especialista nas musicas de Callado. é admiravel em suas composições pois não só escreve com difficuldades para os tocadores batutas. é um verdadeiro maestro no instrumento. em grandes gargalhadas e verve. fazia um encanto nos salões quando tocava o seu instrumento. nenhum dos antigos musicos escreveu tanta quantidade de chôros como Candinho Silva tem escripto. como também para os fraquinhos. Silveira. Carlos Furtado. Assim findou-se o heroe do chôro. recusava declarando que soffria do coração e que a reacção do medicamento podia lhe ser fatal e arribava do pagode carregando todos os acompanhadores. Luizinho e do trombonista Candinho Silva. era deveras engraçado. despedindo-se da familia iamos para fóra fazendo commentarios do sucedido. deixando muitas saudades aos seus companheiros de repartição e amigos e admiradores que possuia aos punhados em Botafogo onde sempre morou e morreu. Candinho toca trombone como poucos. flauta com certa perfeição. era esta a evasiva para cahir fóra do baile que não tinha "pirão". cujas composições acham-se no caderno de muitos flautistas da actualidade.– 18 – cabeça. tocava quem peço licença para trazer . provocava tambem aos companheiros grande ataque de riso pois o Marins. então as pessôas da casa penalizadas. offereciam um comprimido qualquer para estancar o mal. Marins. suas composições são de uma belleza de arte e de gosto. mas elle. e era sempre encontrado no bairro de Villa Isabel em companhia quasi CARLOS FURTADO sempre do grande musico a Era um hábil chorão. Em meu poder tenho grande quantidade das mesmas que guardo com todo carinho como uma joia de alto valor.

e de seu sempre chorado irmão e também grande violão Ernesto Magalhães. tocava nos bailes. o illustrado e humanitario medico Dr. encontrou elle muito abatido. Conheci-o de menino como tambem eu o era. até os seus ultimos dias. antigo Mata Porcos.– 19 – seu nome. nada respondeu. MANOEL TEIXEIRA (Cupido) Foi um chorão de facto. brincamos juntos e soltar papagaios lá pelas bandas da chacara do Céo. onde . em reuniões e até muitas serenatas fizemos. Francisco Magalhães. Naquelle tempo morava em uma pequena avenida na entrada da rua de São Christovão. e a todos deliciava. então por gracejo lhe disse: Viemos te buscar pois temos um pagode puxado a "Qui-Qui" (porco). O autor destas linhas acompanhou a vida de Furtado. dedicou-se ao trombone tendo como mestre Candinho Sil[017] va. da entrada do Estacio. já fallecido. quasi não podendo falar. se não me falha a memoria. Vito. já tambem fallecidos. no cimo do Morro de São Carlos. Cupido era filho de um velho tocador de violão já fallecido. do lado direito. abandonando a flauta. dando com isso grande prazer ao seu mestre. onde com Santa Cecilia ia tocar os hymnos santos do céo ! Morreu de uma tuberculose deixando um vacuo triste e difficultoso de ser preecnhido. Furtado. A sua flauta em seus labios parecia até o canto de um sabiá. Indo certa vez em sua residencia em companhia de Ernesto Magalhães e Billot. chamado. tornando-se um trombonista respeitado. este riso era já advinhando a sua partida para o além. elle com um pequeno riso nos labios.

nos bailes onde tocava. que tambem já se LEOPOLDO PE' DE MEZA foram e de seus contemTocava pouco. sabendo que elle privou com os GEDEÃO grandes flautas da antiguidade. Sublime artista musical tam. sendo por "encher tripa" na falta dos tanto uma grande escola de grandes chorões. morava no poraneos. comia como gente ARTHUR FLUMINENSE De saudosa memoria foi grande. esta casa era a de assombro. Cupido que sentia em seu instrumento. lá uma ou outra mais difficil. mas servia para reunião dos chorões. foi um chorão que deixou Apesar de não o ter conhecido pessoalmente pude pegar algusaudades. emfim Cavaquinho. Morava numa pequena casa na rua Machado Coelho Morro do Pinto. não era musico perto do Estacio. pois com a sua musicistas. e depois se atolava o na cerveja. musica composições de diversos flautistas. sempre arremediava. e bebia melhor.sua morte causou grande claro bem executor eximio do chôro. mas pequenas informações.– 20 – [018] tambem comiamos os cajás azedos que existiam naquelle tempo em abundancia. presa com elasticos sua aprendizagem de Violão e tocava só musicas faceis. no vinho ou em . Dizia de uma abrideira antes de entrar nos pirões. entre seus amigos daquella possuia em seu caderno de época. flautista dos bons. onde o autor deste flauta de cinco chaves já muito livro ia alli beber naquella fonte velha. Gostava carteiro.

que significava não haver uma bella ceia regada com o CARLOS ESPINDOLA competente vinho. pae da grande artista Aracy Córtes. Mattoso.– 21 – qualquer outras bebidas que viesse. era dos taes que cada vez que chimpava um "gole"da bôa estalava a lingua. não tinha mais vontade de levantar-se. festas estas que Espindola. e quando isso fazia ia dizendo: hoje comi para um mez. que tantas glorias. Não quero dizer com isso que todos os musicos fossem assim. luminosa estrella theatral no nosso amado Brasil. alguns pagodes que estavam acostumados a receber os musicos a café e cachaça. bellezas e applausos tem feito na nossa capital e tambem retumbante successo no estrangeiro. mas gostavam de comer bem e se assim não fosse tratavam de dar o fóra deixando os convidados a vêr navios. conheci-o ainda solteiro quando frequentavamos bons e maus bailes na Tijuca. ia me dizendo vamos dar o fóra pois não estou acos[019] tumado a passar a "Pirão de Areia secca" e "Pirão de Bagre". grande perfeição. pelo muito que comeu e bebeu neste planeta. Se pela madrugada vinha um chocolate com biscoitos não regeitava a parada e tomava mais de uma chicara. estou empanturrado. executor de flauta com barriga pois ella esta dando . então Foi um grande amigo e respondia eu vamos sahir de chorão. Julgo que elle já deu contas a Deus. Fui amigo intimo de seu pae. e quando numa meza via um Qui-Qui (porco) com a competente batata na bocca e azeitona nos olhos. já não posso mais. Andarahy. como elle. Itapagipe e muitos outros lugares desta capital. Villa Isabel.

que com a vontade que tinha de aprender foi depressa. pois conhecendo muitos tocadores de chôro escorregava nas aguas delles. Occupava elle. e o autor destas linhas acompanhou o seu enterramento ao Cemiterio de São Francisco Xavier. o que conseguiu comprando uma de novo systema convidando João Salgado para seu professor que promptamente aquieceu. se a sua viuva ainda existe.– 22 – horas. aprender a tocar flauta. também de saudosa memoria. Espindola. o cargo de feitor de turma da Prefeitura. Palestramos um pouco. pois. hoje seria a gloria dos grandes chorões com a sua maviosa flauta. que muito o apreciava. Não sei de certo. comia bem e antes de tocar flauta já era grande frequentador de pagodes. caminhavamos pela rua afóra rindo e commentando o baile. Falleceu á rua Barão de Ubá. João Salgado que era um professor de grande merito e paciencia para ensinar a mais rude cabeça foi aos poucos ensinando a Espindola. pão e vinho e assim faziamos um bello repasto. morando no Hotel Nacional. pois em poucos tempos tornou-se um flautista respeitado nas rodas dos tocadores. impondo-se á admiração de todos que o conheciam e tambem deste que estas linhas escreve. um dos astros que circula em nosso . finalizando a nossa conversa sobre a vida do seu saudoso esposo. Dahi parte o conhecimento delle com o inesquecivel professor João Salgado. mandavamos vir uma porção de mortadella. sahiamos dalli mais ou menos forrados. o que faço votos que sim. Morreu muito moço ainda e. A sua dilecta filha Aracy Córtes. Saindo deste pagode hiamos para qualquer botequim. se vivesse. quando carteiro que fazia entrega na rua do Lavradio encontrei-a. uma occasião. Nesse tempo metteuse na cabeça de Espindola.

o chôro. Pedrinho morreu Pedrinho. mas o pouco Fabrica de Tecidos de Villa que tocava dizia com alma e Isabel. conheciPedrinho. sua viuva e filhos no mesmo Eram os seus acompanhadores. que era o Presidente. Não era lá destes fosse. Rangel e Silveira. Penso existir ainda a cumprimento dos seus deveres. primoroso flautista repentinamente. Baziza Cavaquinho. Estes musicos tocavam na S. não só nos . pois. tal era a gravidade do seu sopro. Juca Russo Violão. féras amansavam-se e os CHIQUINHO passarinhos enebriavam-se. Lequinho e muitos pelos applausos dos seus admi. eram dois flautas sublimes. a vi muito creança. Esse nossos corações a maior tristeza instrumento nos seus labios. deixando em de uma educação sublime. Também dois chorões celeCandinho Trombone. as impossivel de descrever. raras vezes dizia não. Ismael faziam encantos. vida Edegar.outros que me falha a memoria. um dos "predilectos" mencionar que se chamavam em violonistas da turma de Callado. Era operario da flautas de admirar. o autor PEDRINHO deste livro.– 23 – meio artistico homenageada Correia. filho do inesquecivel bres que não posso deixar de Juca Valle. Carnavalesa Pragas do Egypto. e Henrique. Estes. bairro em que morreu. sendo assiduo no bom gosto. aos Falleceu lá para as bandas do Jardim Botanico. Chiquinho Baptista. o na Tijuca. D. Acompanhei-o [020] muitas vezes com o meu vilão seus camaradas fosse onde este chorão. Viriato. radores.

que infelizmente não as possuo. As suas composições são innumeras. Moravam lá para as bandas da Gavea. pois. Faço ponto aqui deste grande musico scientifico aos meus leitores. VIRIATO Inesquecivel musico de grande nomeada pelas suas producções admiraveis. Hoje. e já cansado das luctas. typo de gentilman. elle um pouco retirado. Ambos infelizmente já dormem o somno eterno. pelos annos. Outro companheiro. e que tocou com maestria em diversos bailes onde era sempre o mais preferido. chamava-se Benedicto Bahia. mesmo assim. primoroso violão. sendo um eximio professor. as suas musicas eram executadas com ternura e bom gosto. E o João Soares com o seu bandolim e cavaquinho ornamentava tambem a "troupe" de Bahia. executando as musicas de sua lavra. digno de ser apreciado. ZE' FLAUTA Como era conhecido. admirado. e "Só para [021] moer". Eram os seus acompanhadores o Ademar Casaca. Só aqui podemos descrever duas das suas producções "Macia".– 24 – bailes como nos Theatros. de uma educação finissima pois. quando devia viver. morreu. Deixou o violão e toca actualmente Trombone com maestria. ainda muito instado demonstra o que foi. musicas estas que nunca perderão o seu valor. CAPITÃO RANGEL . que se fosse fazer a apologia de Viriato e de outros musicistas de sua tempera seria necessario multiplicar as paginas deste livro. bom na flauta residente em Botafogo.

GERALDO DOS SANTOS Immensuravel flauta. "Vivi". "Futuro Risonho". "Saudades de 1° de Agosto de 1888". como sejam: "Geralda". sendo por este modo acclamado e festejado. de cinco chaves e ultimamente em uma. "Não machuca a gente". "Emilia" e "Sympathia". O seu pae. Deixou elle um grande archivo de musicas antigas e modernas que deve achar-se em poder de seu filho Pixinguinha. não estando aqui descriptas nem a terça parte de suas musicas. "Amelia". Falleceu ha pouco deixando grandes saudades e inesqueciveis recordações a todos os Chorões. "Olhos de Candinha". muito estimado pelos companheiros. a principio. Tocava de primeira vista. apesar de ser elle de maior idade. Era conhecido pelos seresteiros da Cidade Nova pelo seu sopro. tinha por elle um grande devotamento e por esta razão o acompanhava para todos os chôros á guiza de um cicerone. "Alice". "Ternura". ALFREDO VIANNA Melodioso flauta que podia se comparar com os acima descriptos. autor de innumeras composições. quando tocava em qualquer festa era divulgado e conhecido pela melodia do seu instrumento. maestro e talentoso flauta que repercutiu as nossas glorias musicaes [022] .– 25 – Musicista. pois. "Você me prometteu". na sua flauta amarella. conhecido na roda dos chorões por "Bico de Ferro". Geraldo foi um eximio funccionario dos Correios. de novo systema. Rangel foi um dos principes dos Chorões da Velha Guarda.

Viriato e de outros tantos por mim descriptos. Ultimamente. e tambem as de Callado. Tem de sua lavra grande quantidade de chôros.– 26 – no Estrangeiro. já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um subito mal que . era um eximio professor de flauta. Formou até uma sociedade de aprendizagem de musicos onde tem se aproveitado grande quantidade de moças e moços que já se acham diplomados pelo Instituto de Musica. pois Felisberto além de um bom executor. FELISBERTO MARQUES Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda. que o publico conhece-a todas não só pelo Radio. e que. quero dizer com isto que é um filho que sabe honrar a tradição de seu pae no circulos dos Chorões. CUPERTINO Grande maestro. tendo se dedicado ao violino tornando-se um admirador de Paganini. flauta fluente e sonoroso "primus inter pares" entre seus componentes pelo gosto e modo de exprimir com sentimento as suas produções. acho que ainda vive para a felicidade dos seus innumeros alumnos e de seus amigos. Felisberto Marques. Agora já se acha velho e retirado dos chôros. Rangel. como tambem em muitas festas de Chôros que se exhibem nesta Cidade Maravilhosa onde é apreciado e ovacionado pela maneira admiravel com que sabe executar o que é nosso. já fallecido. Apesar de não vel-o ha muito tempo. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiraveis composições. que no rol d'elles se encontra o escriptor. deixo de innumeral-as pois. mais conhecido por Maçarico.

Ainda vive. chôros e reuniões de amigos com a sua OSCAR CABRAL linda flauta toda de prata. e nada mais pôde tocar. Poucos muito os aprecia e que ainda flautas tinham o gosto de Cabral. perdeu a embocadura. Elle privou com os antigos chorões do seu tempo. "Tutú". hoje tem grandes recordações. Morador lá para os lados do Jupiaçara conheceu todos os chorões d'aquelle tempo que Suburbios. grande compositor de Chôros. pois é uma reliquia que d'alli não se retira por modo algum. "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. e deste tempo para orgulho meu e de seus amigos. que já dorme o somno derradeiro ha mais de cincoenta annos. Era Bacury. que tantos prodigios conquistaram. guarda-fiscal da Prefeitura. dos seus janeiros ainda não deixa de ir ás festas.– 27 – com espanto de todos os seus admiradores. JUPIAÇARA Flauta de outros. pela sua inteligência musical e seu fino trato. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma". apesar [023] Conserva na sua linda vivenda os retratos de quasi todos os grandes flautistas acima mencionados. Não gostava de musicas extran- . BACURY Tambem flauta respeitado da antiguidade. fazenda as alegrias dos lares. na Piedade. tendo as suas ricas producções cahido no esquecimento no correr de tantos annos.

irmão do escriptor. serenatas e festas. um dos velhos chorões e de nome na roda dos que tocavam ou não. elle apaixonou-se tanto. BENEDICTO Benedicto. Infelizmente morreu moço. tinha muito gosto pela musica. deixando muitas saudades aos seus amigos. especializando-se das antigas do seu tempo. Foi grande compositor cujas producções devem estar em poder da sua distincta familia.– 28 – geiras pois sempre dizia que tinha verdadeira adoração pela nossa musica e tinha um archivo que. sepultou-se no Cimeterio do Pichincha em Jacarépaguá proveniente de uma paralysia. Escreveu algumas composições bôas. [024] QUINTILIANO Quintiliano Pinto. porém apesar de não compor. que deve estar por ahi desprezadas. e pela molestia que aos poucos foi minando o seu organismo. e que talvez no caderno de Cabral. Morreu elle ha pouco mais de tres annos lá para os lados do suburbio. affirmo que muito poucos possuem não só em numeros como em belleza. já bastante idoso. e. pois foi o encanto dentro da Cidade Nova e nos suburbios onde os bailes bons e pessimos eram aos borbotões. que nunca tendo escripto qualquer musica. Só deixou a flauta. Tocou em muitos bailes. tocava todas as musicas dos velhos e novos flautas ou de outro qualquer instrumento. outro bom flauta. muito conhecido e amigo de Oscar Cabral. parecia aos seus amigos cheio de vida. e que hoje como seu . se ache algumas. e no entanto assim não foi. que botou o nome de "Minha Mãe". Quando a nossa Mãe morreu. bastante triste. compoz uma valsa.

e então ia logo dizendo: Agora eu vou tocar para o senhor não cahir. e então logo perguntava ao que errou. tambem como eu farrista que Videira. pois sempre tocamos juntos. ainda choro. então vamos tocar só nestes tons e assim fazia. e tinha um defeito. flautista e chorão de respeito também já descansado desta vida aos seus 35 annos mais ou menos. se qualquer dos instrumentos désse uma nota fóra da musica. Paz á sua alma é o que peço a Deus como todos os seus companheiros que com elle dormem o somno da eternidade. E' verdade que tocava de ouvido mas sabia dizer na flauta o que dizia aos outros. Mi menor. toco ga. E perguntando então: Qual os tons que o senhor confere no seu instrumento ? o que respondia: Dó Maior. em qualquer passagem. e Videira.– 29 – irmão. Sol Maior. e a minha pratica é quasi convidou-me para tocarmos em . sahindo-se os fracos tocadores bem. e muitos nos estimavamos. e lastimo a sua morte. parava a flauta. Com esta franqueza Videira ficava radiante. Dinga pouco. e só. de saudosa memoria. o que muito nos atrapalha. sabendo musica. Era muito respeitado. e depois o senhor toca com muita difficuldade. Vou contar um facto que deu-se commigo. apesar de tocar de ouvido. o que era uma decepção [025] para os convidados. e um meu grande amigo. Respondeu Videira: pois bem. contentissimo demonstrando assim a sua Maestria. VIDEIRA nenhuma. e mesmo para não acabar com o baile. pelos acompanhadores. O senhor sabe tocar? o que era conhecido por apellido Dinrespondia o interpellado.

que fomos alli. e que muito sorridento nos comprimentou. muito medroso e nervoso lhe disse. pois o que eu sabia era de principiante. e a do Dinga. encontramos uma bella . pois os tons que sabia naquella occasião eram muito poucos. Pois bem: com o medo de tocar com Videira. E dizendo o dono da casa que iamos nos retirar. o flauta ainda não tinha chegado. parecia que ia ter uma syncope. Então eu. Videira dando uma gostosa gargalhada. e disse: vamos lá dentro tomar uma bôa talagada. surgiu Videira com a sua maviosa flauta em baixo do braço. Quando estavamos quasi para retirar-nos. com medo que Vieira entrasse. hoje General Pedra. pois faltava-nos a pratica.– 30 – um anniversario e baptizado. o ranzinza que elle era! pois sabia da decepção que ia passar e meus companheiros. Oh. e não para acompanhar. acompanhamos com grande prazer. Nos que tambem gostavamos. pensando que fossemos excelentes tocadores. Ao chegar á sala de jantar. lá pelas ruas de S. do pouco que você toca: pois eu tocarei tudo dentro das notas que conhece. só para cantar modinhas. indagando eu ao dono da casa quem era o flauta. eu e Dinga. dentro dos tons que nós conheciamos e não para acompanharmos flauta. abraçou-me e dizendo-me: menino não tenha medo. arranjamos um pretexto para darmos o fóra. que só servia para distrahir. veio Videira ao nosso encontro dizendo: Eu peço aos senhores que não se retirem. satisfeito talvez. decepção ! Um suor frio desceu-me por todo o corpo. pois sabia por informações. Diogo. E assim dizendo pegou-me pela mão. Quando lá chegamos. pois desta forma ficará a festa toda estragada. que tinha de tocar me respondeu que era um seu amigo por nome Videira.

De vez em quando Videira mandava vir mais outras talagadas. palavra muito em uso por elle. logo que Videira pedia. Videira mandou abrir uma garrafa de vinho do Porto. hoje Praça 11 de Junho. deu um grande estalo com a [026] lingua. E assim eu o Dinga e Videira. e sua familia e mais convidados. que foi sorvido quasi de uma só vez. e as competentes garrafas de vinhos tintos. trazia logo sem pestanejar. E assim soldamos os pulmões para poder contar modinhas muito em voga naquelles tempos. pela maneira alegre e ordem que reinou até ao findar da mesma. e sendo sempre muito applaudido. Videira quando sorveu o ultimo gole. e enchia os copos. fomos até o largo do Rocio Pequeno. Cervejas e etc. Depois de muito commentarmos sobre a festa despedimo-nos . um dia louco. cheia de assados. o que vale o fulgor de Oropé e muitas em que o escriptor destas paginas era um batuta pois possuia uma bella voz que encantava aos ouvintes.– 31 – mesa. despedimo-nos do dono da casa. outra garrafa. que naquelle tempo era bom e barato e enchendo os nossos copos que era dos grandes. Lá pelas tantas da madrugada depois de muitos chôros tocar. E assim dentro dos tons que sabiamos. O dono da casa. Finda a festa ao romper da manhã." Eu sei que teus olhares são só delle. depois de um bello chocolate. tocamos a noite inteira. "Pallida madona. Virgem de louros cabellos. que ficaram muito gratos. feita a capricho o que foi uma delicia para nós. e zás bebiamos. nos entregou. Porto. Lá chegando. Videira era intimo da familia. pois desta existem poucas. dizendo-nos: Que bôa talagada. puzemos a cantar modinhas. nem suspirava.

pobre de literatura. dou-lhe diante dos factos testemunhados por todos os musicistas. que andaram. Hoje ao peso da idade já cansado. e dentro do meu cérebro as reminiscências descriptas neste livro. obrigado sou a retirarme para a vida privada. onde lá entregou sua alma a Deus. e assim acompanhei muitas quadrilhas como fosse: "Minha dôr. onde elle trabalhava como cigarreiro. com elle. e muitas outras como polkas. não só em sua casa. pela boa camaradagem que reinou. da Cidade Nova". comecei a procurar Videira. por ter sido os meus instrumentos que tanta fama me empolgou na minha mocidade. epigraphe esta. Então Videira offereceu-nos a sua casa. tendo de[027] pendurado nas paredes cheio de pó. que era um astro . chotes. Andando sempre com elle principiei a tocar violão. Saudades do Engenho Velho. Ermelinda. pois elle os conhecia regularmente. que era em uma pequena avenida na rua dos Invalidos. rico de recordações. de uma intervenção cirurgica.– 32 – com bastante pezar. daquelle dia em diante. etc. flauta também de bom gosto. como em uma charutaria na rua do Ouvidor. Lucinda. e cavaquinho. porém. tão querido outr’ora. tornando-me assim um bamba nos dois instrumentos de cordas de que fiz uso por muitos annos. e no esquecimento. Personagem. Pois bem. e tornando-me desta forma um violão e cavaquinho respeitado na roda dos tocadores batutas. valsas. privaram e tocaram. que espontaneamente. JOÃO DE BRITO João de Brito. o meu violão e cavaquinho. mazurkas. Chorão dos chorões.

nos corações de seus amigos que ainda hoje pranteiam a sua morte. bom flauta. Quando empunhava a flauta. e elle se esquecia de tudo até de sua familia de quem era estremecidamente dedicado. de maneiras francas. era tambem um [028] . e positivas por isso tornava-se communicativo. João de Brito era cigarreiro da fabrica Leite Alves. e chorão do Cattete. daquelles tempos. Autoridade nas melodias que sabia exprimir com facilidade no seu instrumento. que ainda hoje guardo bem tristonho. Morreu em uma das ruas do Cattete. que occupava o acompanhadores. discípulo do sempre chorado e inesquecivel Felisberto Marques. tocava todas as musicas dos flautas antigos já por mim descriptos. porém. Deixou diversas composições que infelizmente nenhuma possuo. Era senhor de um bom sopro e de bom mecanismo. para chôros. entre seus acompanhadores. o enthusiasmo lhe supplantava. THOMAZINHO Thomazinho. na minha reminiscencia.– 33 – que illuminou na sua trajectoria os lares ricos e pobres. era um caboclo sympathico. Pois como elle na sua flauta magica só tocou Pan o Deus da natureza de que falla a mythologia. era estafeta cargo de carteiro. Vive. João de Brito morreu. tendo seu enterramento sido uma apotheose de saudades. attrahente. Era demasiadamente apaixonado pelo chôro. O autor deste livro tinha por elle grande devotamento e muitas vezes accedeu aos seus convites. JOÃO BRUNO flauta conquistado pelos bons João Bruno.

Kalut morava em Jacarépaguá. Adorava seus filhos a quem . deixou uma grande bagagem musical. foi optimo funccionario e aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe.– 34 – dos Telegraphos e morava lá pelos suburbios. Irene" e muitas outras bellissimas composições. altura reglar. Catullo Cearense. onde era muito estimado. Tinha adoração pelo que tocava. pernostico. immensuravel artista. Julgo em consequencia de um grande desgosto que teve. o apogeu deste grande mestre. de uma agilidade sem nome. tocadores. com arte e bom gosto que tinha pela musica. Hermes Fonetes. É impossível descrever aqui. pelo seu fino trato. Era respeitado. cada qual era um mundo de inspirações. Morreu a poucos annos. e outros poetas de valor aproveitaram suas composições em que escreveram bellissimos poemas. pandego. Nunca companheiro algum por mais esperto que fosse. composições sublimes. vivia sempre a brincar com os companheiros como elle. Sorrir Dormindo. onde foi sempre sua moradia. que a minha penna treme ao trazer aqui o nome deste afamado professor. JUCA KALUT Juca Kalut. São de sua lavra as valsas: "Camponezas. conseguiu derrubal-o em uma rasteira. Kallut era exemplar chefe de familia e amigo dedicado. pois bolia com os nervos de quem o escutava. muito o elevaram no conceito de outros grandes musicos e professores. pois a belleza e os sentimentos dos chôros que elle escreveu. Era um grande athleta no jogo de capoeiragem. Era de côr parda. ou em qualquer golpe. e pelo saber que tinha na sua maviosa flauta.

e tambem pelo seu fino trato. Guilherme foi flauta de seu tempo como poucos. deixando immorredouras saudades que somente a propria morte apagará. Conheci-o e privei muito com elle. e assim deixou um claro bem custoso de preencher. . [029] Morreu. é lembrado como lidimo expoente da musica. que falleceu a poucos annos no cargo de guarda municipal. talvez nas mãos de algum bom flautista a quem dou meus parabens por possuir uma joia primorosa. Morreu a poucos annos. muito se apaixonou. As suas composições andam ao léo. Com a morte de uma sua filha. pois tinha dado uma educação aprimorada. Ainda hoje o nome de Kallut. tendo exercido na Succursal da Praça 11 de Junho. pelo bom gosto de suas composições. pois ja era uma maestrina. não fosse chamado. GUILHERME CANDIDO DIAS Outro chorão e bom flauta chamou-se em vida Guilherme Candido Dias.– 35 – tratava com o maior desvelo educando-os com o maior carinho. não olhando sacrificios. Poucos bailes se deram na cidade nova que Guilherme. juntamente com o grande violão e cavaquinho Narcizo Gomes Barcellos. não só nas letras como na musica. Conhecia todas as musicas dos velhos flautas antigos que já dormem tambem o somno eterno. fui seu acompanhador. como tambem seu pae. apesar de sua difficuldade monetaria. Na sua flauta Guilherme sabia dizer o que sentia e assim tocamos muito nestes chôros na cidade nova e no morro do Pinto. e creio por desgosto intimo falleceu logo depois de casado. Aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe.

– 36 – annos já deu a alma a Deus. Diogo. Soares "Caixa de phospho. tornando-se alli um alumno intelligente. quem não Dos tocadores SOARES "CAIXA DE PHOS. CAMARGO [030] Camargo conheci-o no Ameno Resedá tocando regularmente flauta de 5 chaves. MANGUEIRA Mangueira. não só o chôro que compunha. pois era barato. Comia bem e regado com a canninha. Onde tocava fazia sempre pilherias engraçadas que agradavam bem. fazendo o encanto dos lares onde era chamado. Era muito expansivo. Tocava com alma. musicos e amigos cá de fóra. e bom amigo. recebendo assim o seu Diploma de Professor. mesmo assim primoroso flauta que a muitos sabia dizer o seu segredo pois .conheceu ? antigos bem poucos ! PHOROS" Não sei se ainda é vivo. o que elle tinha as centenas. ou vinho que podia beber-se. Creio que morava alli pela rua de S. Pois bem: Camargo foi Regente daquellas bandas chegando a galgar o posto de official. Muito caprichoso. A sua morte foi muito sentida não só da distincta officialidade. e mesmo bastante intelligente ingressou nas fileiras da Brigada Policial fazendo seus estudos no Conservatorio de Musica. como todos os de seus companheiros.Mangueira tocava flauta de ros" como era conhecido foi um cinco chaves. onde era muito conhecido.

valsa. Juca Flauta foi tambem meu amigo inseparavel Juca Gonçalves. Perdão Emilia. Juca Mulatinho. Destes por mim citados só existe o escriptor. A gentil Carolina era bella" e muitas outras que não me vem a mente pois nellas estes tocadores eram batutas. Os olhos Castanhos são lindos e serenos. e tambem o [031] celebre violão e cavaquinho . JUCA GONÇALVES mazurka. chotes. já naquelle tempo bem velho. quadrilha. e eram excellentes cantores de modinhas. eu como seu por Bita. tocava os chôros faceis como se fosse: polka. Juca Flauta. etc. pois naquelle tempo a graça do baile era quando terminava com bellas modinhas. porém. o que levanta ás mãos ao céo por ainda lhe dar esta graça. elle com toda a paciencia ensinava o tom. e suas passagens ficando assim apto para acompanhal-o Se é vivo ou morto não posso dizer. Mangueira era o typo do bom amigo. Juca Mãozinha. morava em uma Avenida na rua D. e as que estavam em moda naquelle tempo. Em horas mortas da noite. Qual fica doido o macaco. JUCA FLAUTA Mario do Estacio. todos estes tocavam violão e cavaquinho. não só dos antigos.– 37 – conhecia os chôros de todos os bons flautistas. era irmão do carteiro acompanhador. lundú. eram "Lá naquelle Gigante de Pedra. não era tambem um grande flautista naquelle tempo. e quando tocava com um violão fraco. Feliciana. como dos modernos tempos. tocamos sempre juntos. como era conhecido. conhecido no chôro.

toca todos os instrumentos especializando-se no violão. como é conhecido no meio dos chorões. visto ter ficado cégo. solando musicas classicas de primeira vista. capacidade quanto a musica e mais. como um dos melhores acompanhadores. evadindo os salões da aristocracia. Morou muitos annos na Ladeira de João Cardos. pois tinha muito gosto. ainda foi atacado de uma tuberculose. em companhia de seu irmão. e com grande habilidade. era um primor de gosto quando tocava nos pagodes. allegrando os corações tristes.– 38 – de 1ª classe hoje aposentado Alfredo Luiz de Oliveira Gonçalves. pois sabia dizer o que sentia. bem poucos tocarão violão como Seixas. em todo meio e muito considerado. e assim como o violão fez progresso. dando occasião a muitos casamentos. Acabou os seus dias. começou nos chôros. intelligencia. As suas musicas vem todas da Allemanha. e alma. é sympathico e querido. Zezé. a sua flauta era de 5 chaves. que Toca qualquer musica no seu . JORGE SEIXAS Deste maestro me falta intelligencia para descrever os seus feitos. em Jacarápaguá. estando sepultado no Cemiterio do Pechincha em Jacarépaguá. Morreu em casa de seu irmão. onde faz seu estudo. JOSE' FRAGOSO Maestro no violão. pois além da sua cegueira. Posso aqui affirmar que no Brasil. Abandonou a musica. Seixas. e tambem. tambem razão porque. porém. toca hoje o seu violão por musica. Naquelle bairro elle fez o encanto. o que muito o apaixonou.

onde elevou aquella sociedade ao conceito publico. onde glorificou-se com o seu saber. como tambem em bailes. E gravava no ouvido as melhores musicas. Braguinha [032] morava na rua de Santo numa pequena gno funccionario da Casa da Henrique. para executar na sua flauta de cinco chaves. Foi Director de Harmonia das Pragas do Egypto. O autor compoz um tango que deu o nome de "Ingratidão". que punham em embaraço musicos de primeira nomeada. e que tocava de ouvido musicas difficeis. Este facto passou-se mais ou menos a cincoenta e tantos anos. e desfazer alguns erros. CAPITÃO BRAGUINHA Conheci-o muito. Moeda. inda hoje se fala no apurado ouvido de Justiniano. Trabalhava como caixeiro de despachante da Alfandega. serenatas e mais. foi tambem nos ultimos tempos Director de Harmonia do Ameno Resedá.– 39 – mavioso violão de primeira vista. ia todos os dias para o Arsenal. e que se estasiavam de ouvil-o tocar. ficou admirado. ouvir os ensaios da banda regida pelo inesquecivel Bocó. . e de bocca aberta vendo elle trazer o seu lindo violão. O Justiniano. musicista primus-interpares. e com elle privei não só na sua residencia. festas. e levando á sua casa para a endireitar. avenida daquella rua. com a intelligencia de sua batuta. JUSTINIANO andando sempre com os Era flauta que morava em "guandos". Jorge é muito diNictheroy. e executar aquela musica de primeira vista e com a maior facilidade.

magrinho. pois tinha pilherias muito bôas. como tambem bebidas. sobre o commando do coronel Salustiano Quintanilha. Porém. Serviu em um Batalhão da Guarda Nacional creio. Sempre que via o amigo recebia com um ar de riso engraçado. uns tres ou quatro chôros. e a physionomia pequena. sabia illudir os convidados. para pegar gente para completar o Batalhão. Era de um coração de pomba.– 40 – Era por isto muito procurado pelos seus amigos que elle tinha de toda classe. com isto elle julgava-se grande maestro. muito baixinho. conhecendo na sua flauta que era de cinco chaves. Andava sempre acompanhado pelo pessoal bom e mau. servia ! Apesar de tocar muito mal e de ouvido. Pois bem. não é porque não encontrasse. Braguinha. nunca encontrando pessôa apta para o serviço militar. e voltava como tinha sahido. sahia á rua com a escolta. Braguinha. Braguinha nunca deu parte de um soldado. de tambem saudosa memoria. pois pela sua bondade o exploravam não só pedindo dinheiro. para satisfação dos beberrões. e . Nos bailes chepas em que tocava. Era muito engraçado nos bailes que tocava. onde elle foi um baluarte ao lado do invicto e sempre chorado soldado. entrando em diversos botequins. pois não fazia mal a ninguem. Mesmo o seu porte era engraçado. Floriano Peixoto. Então elle com o bom coração que tinha não fazia selecção delles. o que elle não se negava. leitores. fazendo hilaridade dos que ouviam. e mandando arriar abessa. intercalando elles de forma que poucos comprhendiam a malandragem de Braguinha. na falta de um bom flauta. mesmo na [033] effervescencia da Revolta de 93.

Eu frequentava a casa de Juca Russo. e então num auge de sentimento dizia: pode retirar-se. pois vi nelle um bom camarada. e como amigo era de uma dedicação sem nome. não sabendo qual a razão. foi bom filho e excelente esposo. O chorão me parece que mora lá para os suburbios. que dedicou a Arthur. e com grande maestria. E causando muitas vezes a admiração da escolta. conhece conhecel-o. ARTHUR VIROU BODE mesmo de primeira vista. e ouvindo dos mesmos dizendo-lhe que tinham filhos e mulher para sustentar e outras coisas mais. Estavamos sempre juntos. onde faz os attractivos. O appellido na roda dos tocadores é devido a um chôro feito por Candinho Silva. deixando aos seus amigos profunda consternação. e muitas vezes até as lagrimas lhe vinham aos olhos. Quem não conhece este PEDRO DE ALCANTARA eximio flauta? bem poucos! No seu instrumento é de uma Não tive a felicidade de agilidade nos dedos admiravel. e fiquei logo seu amigo. Braguinha. pois a casa de Juca Russo era frequentada sempre por grande numero de tocadores. Eu frequentava a casa de Juca Russo. Braguinha ficava logo pensativo baixando a cabeça. toca informações sei que foi um . que é meu compadre. e fiquei logo seu amigo.– 41 – sim. musica como gente grande. pois a escolta trazia o paisano á sua presença. Morreu a poucos annos. pois vi nelle um bom camarada. pelo seu bom coração. dispensava. mas por O seu sopro é mavioso. Conheci-o em casa do celeberrimo violão Juca Russo. com muitos outros tocadores de nomeada.

fez a canção do Africano. sem nada ter-se aproveitado. fazia nos chôros que tocava os encantos dos lares. e até poeta. Com meu violão. acompanhei muito este chorão. Em chôros seus. fazendo o contentamento e alegria de diversos lares. instrumento este que fazia parte do mobiliario acima referido. e de outros seus companheiros artistas como elle. em que se reuniam naquelle tempo diversos musicistas. [034] PAULO VIEIRA DA COSTA Morou muitos annos na Estrada Velha da Tijuca. O FRUCTUOSO O Fructuoso era um senhor de idade. que infelizmente como tantos outros já dorme o somno eterno. residia na rua do Nuncio. imenso poeta. . era de uma suavidade sublime. Era elle um solteirão. Paulo tambem como seu pae era de uma educação sublime. Além destes predicados era um flautista sublime. que era um eximio tocador de harmonio. Infelizmente pelo tempo julgo ser morto. infelizmente nada publicou. conhecia musica a fundo. de grande capacidade intellectual. Na casa do sr. em companhia do mesmo. Foi ahi que o Catullo. que talvez não existam mais nenhuma. em uma casa pouco confortada. tinha muito boas composições suas. Fructuoso. que em 1888.– 42 – flautista de respeito. ou cavaquinho o acompanhei por diversas vezes. Tocava também as musicas classicas com grande maestria. estando talvez as mesmas jogadas ao monturo. porém bem mobiliada. em companhia de Galdino Barreto e Luiz de Souza. com seu pae Juca Mamede. que tantas glorias tem alcançado. Como violão que fui.

com uma moça filha de um dilecto amigo meu.– 43 – CICERO TELLES DE MENEZES Era conhecido na roda dos tocadores como Cicero dos Telegraphos. como [035] soldado do antigo Corpo Militar da Policia da Côrte. Uma tuberculose o victimou. não se encomodando com ordens nem disciplina. Com estes dotes muito alegrou ANTONIO JOAQUIM MAR. era jovial. Conheci-o apesar de poucas vezes que com elle privei. mettia-se em farras. Conheci-o. Cicero teve a infelicidade de gozar pouco a sua lua de mel. Tambem cantava muitas modinhas. pois só durou mez e meio após o seu casamento. porque era de um genio estourado. Velha da Tijuca. Conheci-o QUES PORTO como soldado destacado em um Era filho de uma distincta posto que existia na Estrada familia bahiana. Gostava muito das musicas antigas e novas. noite e noites perdidas. pois occupava o cargo de Estafeta de 3ª classe. Tambem sabia dizer o que sentia na sua maviosa flauta. umas alegres e outras sentimentaes e com uma voz maviosa de fazer encantar. na rua de D. Marques Porto como era conhecido. no piano e no orgão era de uma decia de supplantar. tocava flauta com grande maestria. no violão era sublime. não chegou a galgar posto algum.aquelles bairros da Estrada Nova e Velha da Tijuca. bem encostado . pois tinha um sopro encantador. Maria na Piedade. e até assisti o seu casamento. tambem tinha algumas composições suas. apesar de sua grande instrucção.

As suas musicas quasi todas foram dos velhos e antigos chorões. JOÃO SAMPAIO Quem o conheceu pode gloriar-se. E assim lá se foi para via eterna um heróe. tinha grande zelo pelas mesmas. Era muito respeitado na roda dos que o conheciam. Contava-me elle que sua bonissima mãe mandava-lhe dinheiro para seu regresso á Bahia. Ninguem arrancava uma musica qualquer para fóra. lá ia elle divertir aquellas familias que muito o estimavam. como Callado e seus componentes. Tocava qualquer chôro de primeira vista. Marques Porto. pois para elle não havia difficuldades. porém. em poucos dias familiarizou-se com todas as familias alli residentes. Morreu já cansado pelos annos. a flauta nos seus labios dizia o que era bom e maravilhoso. Morreu a poucos annos lá pelas [036] bandas da Aldeia Campista.– 44 – á Caixa Velha. gastando todo em farras e patuscadas. conhecia musica de verdade. CARLINHOS . que pelo seu saber e cultura podia hoje seu nome estar esculpido em uma estatua para gloria do porvir. onde deixou immensas saudades. pois era de uma fina educação e trato. com sua flauta sempre em baixo do braço. nunca lá foi. Bohemio que era e não ligando a sociedade acabou o heroe do chôro. com seu espirito bohemio. pois foi um flauta de peso. só deixava copiar em sua casa sob as suas vistas. se não me engano. devido a isto pouco uso fazia da musica. tinha diversos cadernos de chôros. em uma enxerga na Santa Casa de Misericordia.

que eram um primor de bom gosto. Tinha muitas musicas de sua lavra. como Esse flauta encheu de glorias a nossa bella Capital. como tambem Pianinho. . Toca tudo dos grandes e sempre lembrados flautas da antiguidade. que infelizmente tambem dorme o somno dos justos. RIQUINHO) IRINEU PIANINHO Já tambem dorme. no tempo do sempre lembrado e chorado Anacleto de Medeiros. Infelizmente só temos duas que são de nome "Os deuses de Maricota". e o "Genio de Maricota e Geny". toca com grande maestria e gosto. sem jaça. e os de agora. E' também de uma educação finissima. Casou-se. maestro de primeira grandeza. e modernos tocadores já por nós descriptos. com seus maviosos preludios. nada fica devendo aos velhos. pois é primoroso flauta. brilhante. pois já nasceu com o dom da musica. e tanto assim que em poucos annos galgou todos os cargos de Carteiro onde chegou até o de 1ª classe. que apesar de ainda ser novo na lucta. Carlinhos. encantando assim os que tiveram a felicidade de ouvil-o. Pianinho foi grande musico e chorão. e muitas outras. mora em Villa Isabel em uma das casas da Companhia HENRIQUE DOURADO (HENde Tecidos. Mesmo assim uma vez ou outra não dá o seu quinhão ao vigario. pois diz o que sente. muito apreciava todos os chôros dos antigos. Talvez devido a isto retirou-se da lucta.– 45 – Como divida de gratidão pelo muito que sabe não podemos esquecer este chorão da gemma. pertenceu á banda do Corpo de Bombeiros.

– 46 – muitos de seus companheiros o somno eterno. Exalto o seu grande genio que foi o Henriquinho, como era conhecido. Tinha o seu grande valor no meio dos tocadores, pois era um flautim adorado, tocava todos os chôros dos antigos flautas o que elle muito adorava, como tambem as composições suas. Foi tambem flauta de verdade. Encantou muitos lares, fez apagar muitas tristezas e senti[037] mentos, nos corações dos que soffriam, com o seu mavioso sopro. Encantava todos aquelles musicos ou não, que tivesse a sorte de conhecel-o, não só pelos dotes musicaes, com tambem pelo seu fino trato. Morreu muito moço, o que foi um sentimento geral e se assim não fosse, as suas musicas seriam hoje em grande quantidade. PORFIRIO DE SA' Fui um grande admirador da flauta que elle tocava com o maior prazer e alegria, escreveu muitos chôros, e cada qual de arrepiar cabellos. Tendo depois deixado a flauta, dedicando-se ao contrabaixo, por lhe faltar a embocadura, como tambem os annos e molestia que foi adquirindo com o correr dos tempos. Aprendeu a tocar violoncello em pouco tempo. Seus professores admiravam-se da sua inteligencia, e a rapidez com que aprendeu um instrumento tão difficultoso. Pois bem, Porfirio, tornou-se um grande contrabaixista, tocando até em orchestras. Agora vamos aqui trazer nomes de algumas composições suas. Eil-as: "Os meus desejos", "Diamantina" e muitas dezenas de outras que foi

– 47 – impossivel adquiril-as. BENEDICTO BAHIA Vamos agora bolir com as fibras de outro immenso folião da flauta que se chama Benedicto Bahia, foi bamba nos segredos da flauta, quasi todo Botafogo conhece-o como chorão de facto, pois quando melodiava na sua flauta naquelles chôros molles que é commum nelle, as mulatas ficavam todas dengosas, dizendo bravo, seu Bahia ! Hoje pelos annos e pezo de familia está um pouco retirado, mas mesmo assim ainda dá a sua pernada. Eram seus acompanhadores o celeberrimo violão Ademar Casaca, morador a muitos annos tambem em Botafogo, violão primoroso, sola e acompanha com grande maestria. Hoje toca trombone por musica o que conhece com theoria e rythmo. Hoje já um pouco alquebrado pelos annos, só lecciona, não só violão como piano ou qualquer instrumento. Era tambem acompanhador de Bahia o immenso cavaquinho que foi João Soares de saudosa memoria, João Soares de grande bagagem de musicas por elle feitas e que deve ter algumas o nosso estimado Bahia. [038] JOÃO PINHEIRO De saudosa memoria, a sua morte veio abrir um grande claro no exercito dos tocadores, pois elle era bom em tudo, muito amoroso, delicado, de uma educação finissima, conheci-o logo que ingressou na Côrte de Appellação como funccionario de pequena categoria, com seu exemplar comportamento, de dedicação ao trabalho, galgou em pouco tempo, bem alto cargo naquella Repartição. Na sua flauta, era maravilhoso ouvir-lhe tocar, não só os chôros dos

– 48 – grandes mestres mortos e vivos, como tambem as bellas composições suas. Não recusava a convite de seus amigos, pois achava-se sempre prompto para a lucta, sem pestanejar. Nos bailes e festas em que ia tocar, fazia logo camaradagem, tornando-se muitas vezes intimo da familia, pois o seu tratamento era finissimo. Morre a pouco tempo na invicta Nictheroy, em uma casa de sua propriedade e lá foi dado á sepultura o seu corpo. Em vida tanta alegria deu ao povo daquella cidade, como o daqui da Capital Federal. LEITE ALVES Quem não o conheceu ? Só quem não foi musico daquelles tempos pois era um primoroso flauta daquelle tempo a uns cincoenta annos mais ou menos, era um primor ouvil-o tocar. Tinha garbo no que tocava, pois conhecia todos os chôros de seus collegas antigos e modernos. Conheci-o desempregado, privei muito com elle, conheci em um baile, na rua D. Feliciana, ficamos muito amigos, dahi em diante todos os pagodes que elle, ou eu tinha, tocavamos sempre juntos, eu de violão ou cavaquinho, faziam-nos o regallo destes bailes, que naquelle tempo de tudo barato existia a milhares, pois não havia lar que fazendo um baptizado, anniversario, casamento, etc., que não désse um baile, puxado ao leitão, ao peru', gallinhas, muitas bebidas, como sejam cervejas, vinhos, licores, etc. De fórma que os chorões daquella época não passavam necessidades, comendo bem, e bebendo melhor. Como acima disse Leite Alves desempregado, me falou um dia na sua necessidade, e que precisava arranjar uma colocação, e que eu talvez lhe pudesse remediar este mal, pois sabia que

– 49 – [039] dispunha de elementos para tal. Então lhe respondi que ia fazer todos os esforços para sua collocação. Sendo eu muito amigo e collega de Maximiano Martins conhecido pelo appellido Seu Velho, a elle me dirigi contando toda a historia de Leite Alves, o que Seu Velho me respondeu: que sendo muito amigo, como eu tambem o era, do capitão Sebastião, que exercia o cargo de Continuo na Camara dos Deputados, que iria pedir a elle. Pois bem, foi tiro e quéda. Sebastião apeser de continuo exercia uma grande influencia na Camara, entre os Deputados e especializando nesta amizade a do dr. Herculando de Freitas, deputado pelo Estado de São Paulo, e de grande influencia politica, pois bem foi nomeado Leite Alves para servente do Thesouro e lá trabalhou pouco tempo abandonando o logar, para dedicar-se á musica, pois era seu fraco, e assim foi reger uma banda julgo em Minas Geraes, onde lá falleceu, tendo deixado grandes saudades, e aberto um claro na avalanche dos chorões que muito tristonhos ficaram com a morte deste heróe, que tão bem sabia dizer, as musicas deliciosas dos companheiros antigos e modernos daquella época. PORTO CASCATA Qual o chorão da Velha Guarda, que o não conheceu ? Bem poucos ou nenhum. Podiase considerar um maestro, conhecia musica a fundo, não só o classico, como os grandes chôros especializando Callado, Viriato, Rangel e outros de celebridade naquella época. Não sei se tinha composições suas, o que acho que sim. Era de finissimo trato, de uma educação aprimorada. Qualquer pessôa

– 50 – que com elle privasse, ficava logo cativo pelo seu elevado trato. A poucos annos era Agente do Correio de Engenho Novo, onde prestou por muitos annos grandes serviços na mesma, sendo muito considerado pelo publico daquelle lugar. A muito não o vejo, nem noticia tenho, não sabendo se será vivo ou não e assim fica mais ou menos descripto a vida não só como um chorão eminente, como tambem publica. GREGORIO COUTO Chorão de respeito, e estimado. Na sua adoravel flauta sabia dizer o que sentia, fazendo [040] nella alegria e tristeza, pois tinha musicas para ambos sentimentos. Era bom e distincto amigo. Os que com elle privassem ficavam logo á primeira vista encantados não só pelo seu trato, e mesmo com o seu bello tratamento, julgo que pelos annos que já se vão que já não existe e assim mais ou menos ahi fica a vida deste grande musico. ALBERTO MARTINS Alberto Martins, é Carteiro dos Correios, tem exercicio na Agencia de Copacabana, conhece bem a sua flauta, e toca tambem saxophone. Em qualquer destes dois instrumentos ninguem lhe passa a perna, pois os executa com a maior perfeição. Estudou bem a musica e por isto não teme a qualquer adversario. No chôro em que ás vezes toca encanta com a sua melodia, dando o maior prazer aos circunstantes. Conhece todos os chôros dos seus collegas musicos como elle antigos e modernos. Tambem tem bôas composições suas, que faz o encanto de o escutar, o que elle

pois sabe fazer sentir. intelligencia e Acompanhei-o algumas vezes actividade galgou todos os com meu violão e cavaquinho. feitos deste immenso artista musical. Quando erra. mas mesmo de primeira linha ? O autor deste livro teve a assim não inveja os antigos. Louro em um 1° official dos Correios. começou como Carteiro. me sendo esquecia as maguas.– 51 – Quen não conheceu. e não fazia distincção de seus subordinados. felicidade de tocar com o heróe. Xavier era simples. LOURO No teclado de um piano era . o que faço novo systema. e conhece o bom Louro. encantava a todos com seu instrumento. E' moço ainda. e expandia impossivel descrever os grandes as alegrias de seu coração. armava sua flauta de prata de não sei se será vivo. que mavioso pelo seu saber. se AURELIO CAVALCANTI esquecia de tudo e dizia na sua flauta em magnificas expressões. clarinete flauta moderno. cavaquinhos e violões. despido de cordas e nos dedos para não preconceitos. baile. Chorão de nome. A muito que não o vejo. acima descripto. e sabe dar o seu JOÃO HILARIO XAVIER verdadeiro valor. posto que foi [041] aposentado. ou tem grande prazer. razão esta que se fazer um feio (isto é cahir) como tornava querido e admirado de se chama na gyria aquelles que seus subalternos. no meio dos votos que sim. e postos até chegar á posição de sei o quanto precisam cavar nas official.

com o maior sentimento. Mesmo depois de velho. Para este chorão.– 52 – primoroso. Azeredo costuma dar em sua vivenda nos suburbios onde mora bellas sumptuosas festas. e alli todos são tratados por elle. Fez os encantos de muitos lares com as suas bellas harmonias. não existia naquelle tempo. Paz á sua alma. Feliz daquelle como o escriptor que privou com este chorão pois fica logo encantado com a sua fina educação. pois conheço a sua modestia. A sua morte ainda hoje é pranteada. pois sabia dizer o que sentia neste mavioso instrumento. Os seus dedos em um teclado. e bom gosto e facilidade. quem o imitasse. e cavalheirismo. Aurelio foi excelente musico. e sua Exma. . era de um verdadeiro hymno de amor. em bailes e festas estava sempre alegre. fazendo bôas pilherias e ditos gostosos. As suas composições ahi estão que são um primor de belleza. não ha difficuldades na musica. tal o tratamento com que todos são recebidos. O grande escriptor Coelho Netto. e alquebrado. Familia de uma maneira impossivel de descrever-se. antes de sua morte escreveu com grande nitidez a vida deste grande chorão. em sua casa. pois toca tudo o que apparece. AZEREDO PINTO E' um dos chorões da pontinha. fazendo assim risos aos convidados. de seu tempo. Aqui peço desculpa a este chorão em trazer seu nome. Era bom chefe de familia e bom amigo. é como a electricidade. Morreu ha poucos annos deixando muitas saudades e lembranças. CHIROL Outro grande chorão no piano.

como em seus tempos os tratamento sublime.– 53 – deixado de tocar com o CHICO PORTO OU RUANO apparecimento desta mocidade. Maestrina e compositora. Não era lá nenhum ainda appareceu. Era de um extraordinario como meza. Chiquinha Gonzaga. não se fazia de musica e assim ia ganhando rogada. Quando pedia-se para reptindo sempre a mesma tocar um chôro. pois gosto era um copo seguro. Francisco onde era. sempre risonha e satisfazendo a todos convidados. pois sabia que naquella noite elle iria entrar nos bellos pirões. tocando ficando Nas ruas desta Capital não admiravelmente. satisfeita. recebia todos com o maior Porto. abria o piano e. e de ouvido. educação finissima. Chiquinha. o que elle ficava satisfeito. foi uma das Chico Porto. conhecia o piano por nada o que elle queria era bôa dentro e por fóra. cheia de vida. Morreu de Grippe Hespanhola. não se primeiras pianistas em todo o encommodava de não ganhar Brasil. seus dedos habeis e admirados Porto já no fim de sua vida tinha principiava com um chôro . carinho. chôro. de um porém. sabia fazer afita. bons tocadores eram poucos. bastante triste. na sua casa. com os fama como grande pianista. e bastante bebidas. fazia sua parada. era de uma destes grandes musicos. e retirando-se do havia quem não o conhecesse. pois tocava pouco. esperando um CHIQUINHA GONZAGA circumstante para chamal-o para tocar. deixando muita [042] saudades como bom amigo que No Largo de S.

Paganini e muitos outros grandes musicos. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. Puccini. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. Todos conhecem bem. todos os conhecem os seus feitos que são artistas de hoje. tambem os do grandioso Estado Bandeirante. á distincta familia Neves Gonzaga. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. que ella conhecia com grande proficiencia. como tambem pelos instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimada impossivel de descrever-se. Não são só os que tocam no Radio daqui. e fazia a delicia dos que a escutavam. tambem adorava as musicas de Verdi. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. Tocava tambem o classico. através deste apparelho que é a admiração do mun[043] do inteiro. Aqui dou os meus applausos a todos os cantores dos Radios Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem a gloria do Radio. e tambem de seus ouvintes. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. ERNESTO NAZARETH .– 54 – composto por ella pois são innumeros. Leoncavallo. e gloriosos. em que os artistas são sublimissimos não só com as suas suaves vozes como tambem o acompanhamento destes distinctos chorões daquelle hospitaleiro Estado.

– 55 – LE'O VIANNA Ernesto Nazareth, espirito superior aprimorada educação, musico de primeira agua, foi brilhante sem jaça, que bem poucos o iguariam no seu saber. As harmonias feitas por elle eram um hymno do céo. Tocou em grandes e nobres salões, onde sabia portar-se como gentleman dotados de familia, onde tocasse fazia logo camaradagem, ficando logo intimo, como se fosse de um conhecimento longo. Tocou em muitas festas, em que tambem se achavam os grandes chorões como elle, que tambem fizeram seus explendores nos bailes desta capital como sejam: J. Christo, Costinha, Chiquinha Gonzaga, já por nós descriptos, Paulino do Sacramento, e todos os outros que não me vem á mente, pois foram em grandes quantidades destes chorões da velha guarda, que infelizmente já não existem. Quem é que não conhece o bom Léo, o distincto amigo que a todos sabe agradar, sempre com os sorriso nos labios ? Léo é filho tambem do grande flautista Alfredo Vianna, já por mim descripto aqui nestas paginas e irmão de Pixinguinha. E' chorão de fama brasileira. Tocou flauta como gente grande, as melodias feitas com a sua flauta encantavam todos que o ouviam. Deixando depois a flauta, dedicou-se ao violão tornandose um batuta não respeitando os seus congeneres. Cavaquinho na sua mão é sôpa, não só acompanha, como sóla as musicas antigas, e modernas admiravelmente. [044] O chôro que ás vezes dá em sua casa, é de arrepiar de tão bom que é.

– 56 – O tratamento dado por Léo aos seus convivas, é de ficar captivo. A sua excelentissima esposa é um anjo de bondade e trato, fazendo escravo a todos que com ella privam. Léo, não só é musico de grande prestigio, conhecedor a fundo dos instrumentos que toca, o que sinto com a minha pobreza de intelligencia não possa levar Léo ao seu logar que merece como discipulo de Santa Cecilia a deusa da musica. LUIZ CAXEIRINHO BINIGNO LUSTRADO Chorão no pandeiro, morreu e residiu muitos annos na Estação de Piedade. Os "pagodes" em casa de Caxeirinho, tinham brados d'armas ! e tambem em casa de seu vizinho mamede, este já fallecido. Deixar de proclamar que foi este chorão nos seus bellos tempos, era commetter uma grande ingratidão, pois elle, era um chorão naquelle tempo Eximio tocador de violão, conheci-o a cincoenta e tantos annnos, quando elle era companheiro de Voltaire e acompanhadores do grande Callado o maior flauta daquelle tempo. Benigno ainda vive, e toca o seu violão, trabalhando no seu officio de lustrador. Este grande chorão, é digno de todas as homenagens, e que formava na vanguarda dos foliões. A casa repercutia no meio de todas as celebridades musicaes do passado, pois não havia um só musicista de valor que não rendesse homenagens a este grande astro que ainda hoje resplandece no cerebro daquelles que vivem, recordações cheias de saudades, de horas felizes e cheias de harmonia, pelas notas vibradas pelo pandeiro de Caxeirinho, em seus conjunctos. Já falleceu.

– 57 – porque nestas linhas patenteio as suas excellentes qualidades, e o amôr e devotamento que sempre teve e ainda tem pelos seus companheiros de chôro e do seu instrumento, o violão. GILBERTO BOMBARDINO Era chorão de facto, conhecia bem musica, mas se fosse convidado para acompanhar um chôro de ouvido, não dava nada. Era muito pilherico e engraçado. [045] Nos pagodes, onde ia tocar, desde que houvesse parte para ler, com toda a musica sem pestanejar, e ás vezes fazendo até floreados nos intervallos da mesma. Gilberto – em pagodes comia bem, e tambem bebia regular. Gilberto gostava muito que os pagodes em que tocasse fosse até de manhã, pois gostava muito de um chocolate com biscoitos ou pão de ló. Gilberto não precisava se pagar, bastava que tivesse bôa e farta mesa acompanhada com bôas bebidas. Assim findou-se este heróe de gastronomia. Foi morador muitos annos na Tijuca, onde tocava em uma Sociedade Dansante Musical, que existia em uma casa na Estrada Velha da Tijuca, quasi ao chegar á caixa velha. Pela sua bondade e camaradagem, a sua morte deixou muitas saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. SABINO MALAQUIAS DE SIQUEIRA (O BINOCA) Conheci-o muito e com elle privei não só na intimidade, como nos chôros, em que elle era um inveterado. A pessôa de que falamos, era um violão sublime. As cordas nos seus dedos faziam pulsar corações de

– 58 – tanta graçã, e as bellas melodias que nelle, parecia que vinha do berço. Cantava bellas modinhas. Uma que eu me lembro era de uma beleza impossivel de descrever-se. E vou tentar lembrar de um dos primeiros versos que é: Meu peito é um jardim Teu coração canteiro Meus olhos regas flôres Eu mesmo sou jardineiro. E esta modinha que elle cantava com muito sentimento, e todos o applaudiam, ás vezes fazia repetir. Binoca, foi carteiro do Correio, foi de uma felicidade medonha, pois aprendendo a tocar trombone tornou-se um musico de primeira agua. O chorão de que falo, com sua inteligencia, aprendeu musica, foi um bellissimo companheiro, sempre prompto, a servir aos seus amigos emprestando nas festas muito brilhantismo com seu instrumento. Já falleceu, e quando se trata de seu nome é sempre com saudades. Na physionomia daquelles que com elle privavam, o nome de Binoca, é escripto com letras de ouro, como chorão de tempera. [046] OLAVO PINHEIRO Trabalha a muitos annos na Portaria da Alfandega, amigo e compadre do grande chorão Luiz Brandão. Nasceu na Engenhoca, pequeno lugarejo de Nictheroy. O seu pae era um distincto advogado, que dava em sua casa chôros agradabilissimos. Indo daqui da Capital, o competente chôro, que eram: Henriquinho, de flautim; Lica, de bombardão; Galdino, de cavaquinho; Feslisberto, de flauta; Espindola,

– 59 – e muitos outros e também o chorão Olavo do que tratamos. Este que é um amigo dedicado e sincero, e que sabe acatar, com sua bôa palestra e sympathia, por conhecer, de perto toda a gyria dos chorões. Muito eu quizera dizer, relativamente a esse personagem, porém, tenho que me limitar, attendendo a muitos outros, de que tenho dever de mencionar aqui neste livro. Assim direi: recebe Olavo, nessas toscas linhas, a admiração que a ti devoto. LEONARDO DE MENEZES Era natural da Bahia. Inveterado chorão, conheci-o no Correio e frequentei muito a sua casa, que era na rua da Providencia n. 26, onde se reunia, uma vez por semana Carramona, de pistão; Lica, de bombardão; Salgado, de ophiclide, e muitos violões e cavaquinhos, que faziam a alegria daquella rua. O sempre chorado Leonardo, tinha voz de soprano, e era autoridade nas modinhas bahianas. Era bom collega, e amigo sincero, ainda hoje tenho saudades da peixada que o Leonardo fazia com todo o rigor da Bahia. Aqui pranteio a sua morte. PIMENTA DA ALFANDEGA Veterano de Jacarépaguá, companheiro de Coelho Grey e de outros de sua tempera, com o seu mavioso bombardão. Ultimamente é aposentado da Alfandega, onde prestou relevantes serviços, razão porque, ainda hoje, é consideradissimo pelos seus collegas e superiores hierarchicos. PEDRO ITABORAHY Este distincto chorão, é

Em chôros em que .ª classe dos Correios e Telegraphos. que elle conhecia bem. faz admirar a todos. jongo. Acompanhar certas modinhas do heróe acima. Os dedos do chorão acima nas cordas do violão. Valeriano foi um sejam casamentos. e elle sabe o quanto o admiro pela sua finissima educação. o que elle valia.– 60 – carteiro de 3. O acompanhamento feito por Itaborahy. Eu que muito o acompanhei. é ouvir o heróe [047] ARTHEMIO Foi uma garganta de ouro. acima dedilhar o violão. Tinha uma voz maviosa que encantava a qualquer ouvinte. era preciso treino. Conheço-o muito. não admira. pois fóra disto ninguem andava. Fazer elogio de Pedro Itaborahy. como invejo a sua proficiencia no solo de que Feliz daquelles que o toca com grandes dificuldades. baptizados e grande ophiclidista. e sei o que vale. Era atirado e valente. e lundús. Itaborahy. com meu violão posso dizer de cadeira. Nos chôros dos bailes. quasi um impossivel. macumba. como conheceram. Conhecia musica admiramais. encanta. samba. tal a maneira que elle dedilha o seu violão. pelo seu fino tratamento. Morreu assassinado em uma das ruas desta Capital a alguns annos. mas de muito bom trato para seus amigos. tal a sua maestria neste instrumento. Não me admira tanto o seu JOÃO VALERIANO acompanhamento. é de uma velocidade. só mesmo vendo. velmente. Quem quizer sentir o palpitar de coração. nas suas maviosas modinhas.

fazia sempre parte nos chôros com o grande flauta que foi [048] o immenso Quintiliano. e até mesmo no seio de sua muito nobre familia. mas. O heróe acima era um chorão de facto. que muito o estimava pelo seu porte. Agarrava-se ao violão que nunca mais deixava. Tocava tambem com Paulino. oriundo de uma distincta familia. como Lupercio. Paulino. Valeriano. não era só musico para acompanhar. não acredito que possa existir ! Lupercio. Nelle é um dom que trouxe . Era elle um dedicado amigo.– 61 – acompanhava os grandes flautas. Esquecia de tudo neste mundo quando estava num chôro molle. tal era o seu gosto pelo chôro. LUPERCIO MIRANDA E' admiravel o ouvir-se pelo Radio. que sempre foi. tal agilidade de sôpro e bom gosto que elle tinha na musica. Não quero dizer com isto. e quasi sou capaz de apostar que no Brasil inteiro não terá outro igual. PAULINO Era Guarda Municipal. grande violão. como tambem era um solante de alto valor e saber. Privei muito com este chorão. Infelizmente hoje já tambem dorme o somno eterno. com maestria manejado. que não me vem á memoria. Julgo. que não exista quem toque. é como um Cometa que passa de mil em mil annos. as suas dedilhações naquelle pequeno por elle. Era muito procurado. e Ernesto Magalhães. e outros. era de admirar. como chefe exemplar. o grande trombonista Bellot. não tendo quasi tempo para o descanso.

que era conhecida com o nome de Gelo. como é Lupercio. por este geio que tu és. Silveira. Daqui destas toscas linhas. era um distincto Era sapateiro. Viriato. manejava com maestria. lembrado ophicleide. [049] Trabalhava muito em confeccionar botas para Era um genio nos chôros. acceite Lupercio. com quem sempre tocava. haver um genio igual ? Tambem fui chorão. um effusivo abraço. morava na rua amigo. ninguem pode igualal-o naquelle pequenino instrumento. e os meus sinceros parabens. que elle só deixando recordações e saudades. será possivel. ao Largo do mesmo nome. e sei dar o valor aos grandes maestros. LEAL CARECA Leal Caréca. digo para mim. chamado Bailly. que hoje julgo já não existir mais. e que as gerações vindouras talvez não traga outro. Foi chorão como poucos. Conheci-o pessoalmente e apesar de muito criança. No Radio onde o escuto. pois acompanhava os flautistas acima com gosto e alma. por ser fabricado alli este refrigerante. Era um musico de respeito. que era de um francez. que encantava a todos Estacio de Sá.– 62 – Leal era amigo e companheiro de Callado. apreciei muitas vezes tocar em bailes que se davam constantemente em uma casa alli no Estacio. quasi ao chegar que o conheciam. . Tambem já não existe. montaria. fico absorto ao ouvil-o. Luizinho. de seu ser. O a todos os componentes da seu instrumento era o sempre musica. que naquelle tempo pois tinha prazer em supplantar era o luxo.

. e alguns musicos por pilheria. pedaços de ossos dos assados. foi carteiro dos Correios onde trabalhou muitos annos tendo sido exonerado . emfim fazia o diabo. Josino. e ficava num desespero horrivel. detratando-os emfim. Josino pegava o instrumento sem reparar. emquanto os componentes da musica ficavam dado grossas gargalhadas. etc.. pois tocava fóra do tom. e botava a bocca. JOSINO FACÃO Tocava pessimamente o ophicleide. botava o instrumento nas costas. deixando-o bem atrapalhado ! Josino. em fim um inferno para todos os conjunctos em bailes. nem uma nota. desafiando os companheiros para brigar. pois além de não conhecer musica. Então. então ao muito repara. Oh ! decepção!. Josino. ficava uma féra. De maneira quando o flauta dava o sinal.– 63 – Paz á sua alma. era grande trapalhão. pois era costume do heróe virar a campana para cima. sem rythmo. e arribava do "pagode" onde todos davam graças a Deus. soprando daqui. jurando que na primeira opportunidade mataria. páre ! páre ! Mas o flauta que já sabia da brincadeira continuava. dava com o defeito. muito soffreu com estas brincadeiras. botavam dentro do instrumento. festas e mais. O instrumento não dava uma só nota ! O que Josino muito encabulado dizia ao flauta.. por ficar livre daquelle "Maestro" !.. Os flautas não gostavam de tocar com Josino. e de ouvido. Josino. todo amarrado de elastico. areia. muito padeceu na mão dos musicos quando descansava seu ophicleide enzinhavrado. e nada. Josino. e d'acola. feijão cru'. esfolaria um. amassado em diversas partes.

Tomando um trem de suburbios. Ao chegar á porteira da casa. para assistir um conjuncto de chorões lá para as bandas de Agua Santa.– 64 – creio por abandono de emprego. Depois de muito esperar. ALFREDO LEITE Alfredo Leite. E lá fui no tal vehiculo que cahe daqui. Emfim. cheguei á casa. chegou o tal omnibus. emfim. porque no primeiro fui completamente barrado. pacientemente esperei outro. onde me foi impossivel embarcar. não sem grande custo. Já um pouco distante. lá cheguei com os orgãos internos todos soltos de seu competente lugar. e assim findou-se um heróe. e com a roupa toda amassada. tomei coragem. Cupertino recebeu-me sorridente e agradecendo o meu . tal o assalto da grande população que alli tambem esperava. saltei no Engenho de Dentro. Em passos cadenciados. foi um delyrio ! Vianna todo sorridente veio me receber á porteira dando-me um abraço que ainda sinto o seu contacto. Na chegada do segundo. pisado. da familia e tudo. visto por Vianna e Cupertino. pois quando mettia-se no chôro esquecia do emprego. onde esperei um omnibus para aquellas bandas. que era muito conhecido pelo appellido de Timbó. [050] A BELLA VIVENDA DE MANOEL VIANNA Fui convidado pelo grande Professor Cupertino. já eu ouvia o mavioso som da maravilhosa flauta do Professor Cupertino. infelizmente como o heróe acima já é fallecido. e consegui entrar. cahe para acolá. que era um verdadeiro Paraizo. onde habitaram nossos primeiros paes.

e a . alto funccionario dos Correios e Telegraphos. um grande chorão de violão. Pois todos os chorões sabem que o cavaquinho é um instrumento que nestes chôros é de uma necessidades de grande valor. o que me fez ficar babado pelo gosto que sentia.Então Cupertino disse: Vamos a um chôro ? e collocando a sua maviosa flauta aos labios tocou uma bellissima Polka de Callado. ainda me lembrava. e tocando eu tambem este instrumento. desfiou o rosario. e assim fui fazendo um Mi menor com seus acordes. Luizinho e outros grandes flautas antigos e modernos. . [051] E então o Professor Cupertino. agarrei de unhas e dentes um mavioso violão. agradando a todos os componentes do conjuncto.– 65 – comparecimento ao seu convite. é sublime no violão. toca com graça e arte. tocando Callado. Vianna trouxe-me um e entregou-me. O chorão acima é de uma educação finissima de um trato sem igual. de fazer admirar. Lá se encontrava tambem. agarrado a um maravilhoso violão. não só acompanha como sola com uma maestria digna de se apreciar. Lá tambem se achava a sua mais que distincta esposa. que eu felizmente. Heitor. apesar dos annos passados. eu então afinando-o comecei manhosamente a dedilhar contentando mais ou menos a todos. Estavam todos tocando em um bello terraço que tem a sua casa. tocando com todos os seus accordes. Faltava alli um cavaquinho. Silveira. que era uma delicia. que era o Heitor Ribeiro. Viriato. que pousava em cima de uma cadeira. Sentando-me em uma das cadeiras depois de ter cumprimentado a todos.

Nadinho. para elle era . fazendo no seu bandolim. chotes. AARÃO Foi chorão de verdade. toca este instrumento como gente grande. valsas. violão que foi. de uma maviosidade sem nome. tambem atracado no seu choroso bandolim sabia fazer a graça naquelle instrumento. me deixando embasbacado não só pela graça de seu acompanhamento. chorão no bandolim. familia. creou no mundo. como tambem sola admiravelmente. Solava como poucos. Aqui fica a verdade de tudo. e sua distincta filha. é que póde dar o valor de sua finissima educação. como seu pae. mazurkas. e tudo mais que Deus.– 66 – sua gentil e encantadora filhinha. pois dedilhava com gosto e alma. de uma agilidade nos seus dedos. segredos de encantar. O tratamento dado por Vianna na sua bella vivenda. como tambem do seu solo. não se pode descrever. esposa. O violão na mão deste heróe era de admirar. especializando Vianna. como tambem a sua mãe. que é um velho amigo de quarenta annos. impossivel de poder descrever nestas toscas linhas. Fazia o centro do conjuncto o Nadinho. e tambem da sua exma. o seu acompanhamento é de uma belleza admiravel. não só acompanha. Ernesto Cardoso. e meus agradecimentos a todos os componentes deste bello conjuncto de harmonias. faz a gente esquecer Patria. Vianna é um violão inveterado. de uma educação aprimorada. [052] O seu acompanhamento era mesmo de endoidecer. só mesmo quem assistir. E assim fiquei familiarizado com todos estes chorões. os seus solos facil. e difficultosos.

– 67 – sôpa. encontrarão erros absurdos a sua palavra facil de trocadilhos nas minhas narrativas. e mais. dos de ser preenchido tal era a sua dias que passaram. Quem não conheceu o Velho para ser criticado e sim para relembrar tudo que passou. mas o repentinos e inspirados pela velho Alexandre. e estimado. C. era . Leitores perdôem todos os com quarenta annos de serviços erros. além de ser um pouco rabiscar estas linhas de gago sabia dizer com graça. Conheci ainda moço. Paula Ney ? chefe telegraphista da E. aposentando-se ainda vivem !. a sua intellectualidade. os O seu desapparecimento deixou que commungam com os meus um grande vacuo. dos chôros da velha guarda. onde elle era O inesquecivel Satyro Bilhar. que Deus. dos antigos batutas tristezas. Ha muito que não o vejo. tal a sua agilidade nos seus recordações e saudades. e saudoso folião. julgando foi um astro que só apparece de seculo a seculo. mas façam justiça a este sem ter nunca perdido um dia o folião. entre os sentimentos de apaixonado chorões da velha guarda difficil veterano. conhecido. e não voltam verve. B. que venho destacava como um sol que descrevendo relativamente ás brilha e rebrilha supplantando as personagens. dedos. planeta foi o pharol. não escreveu bondade do seu grande coração.. F. e que Bilhar. revivendo as alegrias. e O VELHO BILHAR muito tocamos em todo o suburbio. amigo inseparavel de em nossos corações de velhos. que illuminou a bohemia entre os AOS LEITORES grandes bohemios onde elle se As reminiscencias. conservou para Bilhar.. que neste tambem já fallecido.

O Bilhar tambem conhecia as musicas classicas. o velho Bilhar. afinal. onde elle estava. no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. presas pelo seu fino espirito de graças attractivas . razão porque apesar de sua grande bohemia. como os arpejos d'arpa e Melodias. as ondas são anjos que dormem no mar. e tinha producções suas. eram estes os dictados e as modinhas do repertorio de 40 annos do velho Bilhar. no piano tambem era um chorão. era um encanto vel-o solar a sua tradicional polka "Tira Poeira". foi o rei dos accordes. Quando elle acompanhava um chôro. no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença. minha familia é minha vida inteira ! e viva São João p'ro anno. gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar. porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia. com o seu tradicional pince-nez.– 68 – myope de verdade. e que tinha uma passagem que lhe agradava elle pedia ao cantante: repete por favor. nas harmonias. Parece-me estar ouvindo ainda elle dizer: "Tu és uma estrella de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá. pois os grandes chorões ainda não conseguiram imital-o e reconhecem que Bilhar. era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas familias. as [053] posições com que o Bilhar tirava os seus accordes eram tão difficeis que só elle sabia fazer. era uma casa cheia. tá errado com o velho Bilhar. Bilhar. Quando um flauta tocava um chôro elle dizia: "Virgem Maria isso p'ra mim é agua com assucar". o Bilhar. era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos accordes. as moças o rodeavam.

concentrado. MANDUCA DE CATUMBY [054] Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição. porque se sabia conduzir entre outros chorões. em bora não tendo elegancia. fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda.– 69 – imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões. era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões. e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão. trabalhava numa litographia na rua da Assembléa. modesto. trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro. typo idoso. Aqui. sabia tirar partido nos chô- . pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento. ainda possuia uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados. de côr parda. Manduca de Catumby. de seu tempo. e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos. porém. fazia proezas nas cordas de tripas. era calmo. eis porque digo que Manduca de Catumby. de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca. nestas linhas. ros que executava. fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham.

continuava com o seu cavaquinho de quatro cordas tirando infinidades de tons e combinações de acordes que me é aqui difficil de descrever. inegualaval no meio dos chorões. aonde elle foi o unico educador deste instrumento que se chama cavaquinho. Exercia a arte colinaria bom chefe de familia e excelente amigo e grande artista musical. por esta razão o seu nome é sempre citado em todas as reuniões dos chorões antigos. a sua tonalidade de quatro cordas para cinco. que com uma ponta de cigarro no canto da bocca tornando-se indefferente aos applausos feitos por estes maestros chorões. conheci-o em 1880 morando á rua de Sant'Anna nos fundos de uma rinha de gallos de briga.– 70 – GALDINO CAVAQUINHO Mestre dos mestres. e que atenho . este grande artista. Era também grande tocador de violão. que se celebrizou com o seu aprendiz Mario. conhecido chorão pela facilidade com que executava as musicas daquelle tempo em sua harmonica. JOÃO DA HARMONICA João da Harmonica era de côr preta. e a convicção das notas vibradas pela palheta encantada de Galdino. emquanto isso Galdino. cujo discipulo venceu naquelle época todas difficuldades do instrumento transformando. compositor de diversas musicas. continuava victoriosamente o curso proficiente de um artista de valor. só aquelles que privaram com elle poderão dizer o valor de sua capacidade no manejo deste difficil instrumento. pois acompanhava musicos de nomeada que quando viam elle entrar com sua harmonica ligavam pouca importancia para depois ficarem extasiados e deslumbrados pelos accordes feitos pelo criolo. tal é a magia.

conhecedor de seu mecanismo. fazendo uma carranca na barriga. de quem se tornou um fervoroso amigo. nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade. por este motivo executava com muita cadencia. bombardão falado e conquistado. era typographo. fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um panno branco. pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia. cavaquinho e violão. entrava nos salões arrancando applausos da assistencia. houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões. tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas. fazia gosto vel-o tocar. Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra. . morava na rua Sá. Ninguem como o Lica.– 71 – no meu archivo algumas dellas. tal era o seu enthusiasmo. sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão. tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical. [055] LICA Lica. foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo da batuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros. dava sempre preferencia em acompanhar flauta. a chegada de Lica. em Piedade. por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia. foi um grande bohemio e um grande chorão. nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção. pela anciedade de sua presença. Lica. depois Lica. conhecia o seu instrumento de mais.

fazendo nas suas notas um violão. Tal a macieza de seu sôpro. de São Paulo. José. conhecido na roda dos chorões por (José Cavaquinho) por ter sido o cavaquinho o instrumento de sua iniciativa no circuito da velha guarda. executora de musicas classicas ao violão. sempre foi e ainda é muito operoso. José. nasceu em Guaratinguetá E. da menina Ivone. estimado pela sua sympathia communicativa e attenciosa. propriedade esta que muito se une aos seus dotes de artista e excellente professor que é. muito cooperou para o seu titulo de Rancho Escola. e cavaquinho pae.– 72 – Lica. director de canto. e . como seu director de harmonia. como contra baixo de cordas. José Cavaquinho. Elle se sente ufano pelo progresso da mesma. ao lado de Antenor de Oliveira e Napoleão. elle foi um dos fundadores do Ameno Resedá. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas. conservando uma li[056] nha irreprehensivel. foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda. JOSÉ CAVAQUINHO José Rabello da Silva. é um violonista de folego e escrupuloso em tudo que se prende ao violão. veio para o Rio ainda muito jovem. autor de diversos methodos de violão. por esta razão ainda não adoptou as cordas de aço conservando as de tripas como uma tradição. applaudida por artistas scientificos que não regateiam seus applausos dispensados a sua filha e discipula. tambem é um flauta de nomeada e já teve a sua grande época tocando nos cinemas mais frequentados do Rio.

o campeão de harmonia Ameno Resedá. e de tristeza que em tempos que já se foram das grandes serenatas nas lindas noites de luar.– 73 – outros elementos levaram este rancho ao apogeu que teve até a gloria de entrar no palacio do presidente da Republica ! O autor deste livro e toda gente sabe que José Cavaquinho. porque tudo que é muito nosso [057] vae desapparecendo pois com o "progresso" não existem mais as musicas melodiosas que arrancavam do grande cerebro do poeta as canções de amôr. é um poema. CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE Catullo é o sol que ainda com os seus fulgurantes raios dá vida á modinha brasileira ! pois foi e continúa a ser o trovador acclamado em todo o Brasil. Ypiranga Tango Guanabara. e os tempos que lhe sobram da repartição lecciona violão. pois é elle um grande educador do violão. as suas letras musicadas fizeram época. despertavam quarteirões inteiros para apreciarem os cantores daquella época. Actualmente é funcionario do M. etc. e ainda os cantores modernos adoram as suas canções e todas as vezes que cantam as modinhas do grande mestre. uma quadra de Catullo. poeta verdadeiro. é o senhor do segredo das harmonias dos cantos carnavalescos que tanto deliciou o povo carioca. valsa. que eram . e até no estrangeiro. são muito festejados pois fazem nascer nos corações do pessoal da "corôa" as saudades dos tempos passados que não voltam mais. tendo preparado muitos bons violonistas. Tambem é autor de diversas musicas como sejam: Miragem. da Agricultura.

remodelou todas as modinhas de autores antigos corrigindo-as dos erros grammaticaes fazendo uma verdadeira recapitulação dando novas feições ás mesmas.– 74 – dotados de voz linda e forte. Escreveu diversas peças theatraes como seja: "O Marrureiro". Néco. Patricio. Luar do Sertão. Souza Pistão. Como todo mundo sabe Catullo. Quincas Laranjeira. o maior trovador esta glorificado e ultimamente tem se dedicado a outro genero escrevendo poemas sertanejos que são uma verdadeira joia da poesia brasileira. Macario. Carramona. . Conviveu com os maiores chorões daquelle tempo. Irineu Pianinho. Hoje só imperam as musicas estrangeiras barulhentas e irritantes ou então os sambas e marchas que tem glorificado alguns cantores modernos. tanto assim que há muito não apparece uma nova canção de Catullo. Lica. havia entre ambos uma grande amizade por conseguinte em todo chôro que estava Catullo. Não vel-a mais. João Salgado e muitos outros que lhe inspiraram com as suas musicas as letras para as seguintes modinhas: Talento e Formosura. Vae o meu amôr ao Campo Santo. em casa do Ripper de gloriosa memoria. Irineu Batina. Bilhar e José Martins. e o "pinho" em suas mão pareciam ter magia. Martha meu amôr. Mario Cavaquinho. Catullo e Bilhar era uma dupla respeitada pelos chorões da velha guarda. Pernambuco. estava o Bilhar. como sejam: Anacleto de Medeiros. tem mesmo saudades dos antigos trovadores que interpretavam as suas producções com tanta alma. emquanto isso Catullo. O que amenidade. o autor destas linhas commungou muitas vezes com Catullo. tal eram as melodias dos accordes que elles arrancavam nos acompanhamentos de suas modinhas. João dos Santos.

deixou muitas producções. hoje é o Ghandi da modinha brasileira e dos poemas sertanejos. attendia o publico com presteza e a delicadeza que lhe era peculiar. grande artista.– 75 – o inesgotavel em seus discursos. eximio violonista. nos salões aristocraticos do violão. elle. sempre teve a sua época e finalmente desappareceu do meio de seus amigos e dos chorões da velha guarda. era bom amigo. para se fazer a biographia de Catullo. elevando-o até ao Conservatorio de Musica para depois ser conquistado pela nata social. como executor e professor era valorizado. foi mestre de escola e usava sobrecasaca. onde o violão tem primazia manejados por . que teve nelle um pedestal de glorias. Quincas Larenjeira. na qualidade de porteiro de hygiene. de maneiras esplendorosas. sem que a nossa imprensa lhe prestasse as honras que merecia. era primus interpari no circulo dos grandes chorões de violão. QUINCAS LARANJEIRA Quincas Laranjeira. que digam os seus innumeros discipulos que tanto o consideravam pela maneira affavel que dispensava aos seus alumnos. era fiel cumpridor de seus deveres. por isso tinha em cada collega do chôro um verdadeiro admirador de suas excellentes qualidades. partindo com elle todas as suas illusões de um artista que elevou o seu nome e de seu instrumento o violão. começando quando elle. modesto e attencioso. seriam precioso todas as paginas deste li[058] vro. Catullo. Como funccionario Municipal. Aposentou-se no posto de escripturario. Quincas foi o continuador de Catullo.

3. "Gardino".– 76 – tocadores do quilate de Quincas musicos eram disputados pelos seus valores de bons executores Laranjeira. não das festas. João dos Santos era nortista. pois o seu JOÃO DOS SANTOS clarinette tinha magestade da João dos Santos pertencia á melodia da harmonia dos soluçantes que banda de operarios do Arsenal queixumes de Guerra dirigida pelo Boco extasiavam todos os auditoriso e professor de nomeada que com a dos chorões musicistas que não sua requinta tirou distincção no lhes negavam os seus applausos. era um dos residencia no Becco da Batalha n. João dos Santos. em sua identicas. Tinha um dos dedos tempo a continuação do chôro e polegar cortado ao meio. ahi é que se podia tinha boa pronuncia por isso apreciar o inesquecivel João dos tornava-se engraçado quando Santos melodiar em sua clarineta chamava os amigos de magica enchendo de alegria os acompanhadores e "cumpade". "'nós seus mêmo" e outras phrases assistentes. com signaes de bexigas. tinha uma perna mais ficavamos para o enterro dos curta do que a outra e um pouco ossos como se chamava naquelle arcadas. muitas vezes em chôros e baixo. Parece-me estar vendo e [059] ouvindo os gemidos da sua quella época onde os bons clarineta acompanhada por . onde este tinha a primazia entre os seus collegas. muitos bons chôros onde clarinetistas mais chorões d'areunia-se a flôr dos chorões. de rosto descripção privou com elle largo. O protagonista desta meio dos chorões. Elle também dava.

sendo elle. o teu irmão Chico Escalope" foi quem fez a festa que correu "as mi maraviás" mais adepois seu cumpadé. só faltava falar. Eis ahi. em mangas de camisa. chegou um tá de "Carvacante".– 77 – violões. muito conhecido dos chorões daquelle tempo pela sua verve espiritual. campeão de harmonia entre os seus congeneres. na intimidade João dos Santos. que escangalhou o pagode todo. [060] ANACLETO DE MEDEIROS Nasceu na ilha de Paquetá e morava na rua da Ajuda com o inesquecivel humorista Moreira da Imprensa Nacional. Era o maestro que aproveitava as melodias dos passaros. o Néco. O apresentado chamava-se Esculapio. pouco mais ou menos quem foi o nosso sempre lembrado João dos Santos. não compareceu. cavaquinhos e outros instrumentos que faziam um mundo de harmonia. e ás paginas tantas chegou um personagem procurando por um violinista de nome Néco. dos . com uma toalha de feltro ao pescoço para enxugar o suor que lhes descia em borbotões. discursos e afinal foi a alegria da festa. o chefe do chôro foi chamado para entender-se com o recem-chegado a quem com toda attenção mandou entrar fazendo apresentação ao dono da casa na forma do estylo. de quem era irmão. e cahiu logo no chôro dando uma grande vida á festa com as marcações de quadrilhas. fazia tanta coisa com a sua clarinetta que esta. e dahi ha dias João dos Santos. descrevia em notas vivas como tinha decorrido o chôro e assim se expressava: "Ah ! seu Néco. foi tambem um dos melhores elementos da orchestra do Ameno Resedá. Uma vez elle estava tocado em um chôro. E assim. João dos Santos.

Porém. Por elle eram todos esses rythmos aproveitados para as suas sublimes composições. Os chôros organizados por Anacleto faziam falar os mudos e movimentava os paralyticos. do badalar dos sinos. desatinava a mocidade e trazia a juventude nos corações dos velhos. Privando com elles na maior intimidade no mesmo nivel de igualdade os acompanhando para o chôro onde sobresahia com um inegualavel executor no seu saxofone que era o seu instrumento predilecto. foi um grande leccionador de musica. Como mestre da Banda do Corpo de Bombeiros elle immortalizou-se. Como maestro ensaiador transformou a Banda do Corpo de Bombeiros em um conjuncto de musicos professores que o respeitavam e o obedeciam. era um director de musica caprichoso e violento. assim como um mestre de muitas bandas particulares deixando muitos discipulos que fizeram honra a seus dotes de professor eximio. das cornetas dos tripeiros. e de tudo que formasse uma nota bôa ou semitonada. trabalhou corrigindo. todos os seus comandados com a magia de uma grande vara usada por elle nos ensaios a guisa de batuta que fazia obedecer os seus alumnos. dos automoveis.– 78 – apitos das fabricas. com a sua intelligencia e devotamento. . Era uma pomba sem fel e um sincero amigo dos seus subordinados. Anacleto. modellando e aperfeiçoando. quando não tinha na mão a batuta era um cordeiro de mansidão. dos toques das buzinas. do trinar dos apitos dos guardas-nocturnos. na maior rispidez de suas energias. pois Anacleto. As competições musicaes de Anacleto são conquistadas e admiradas por todos os chorões.

– 79 – composições estas que deixo de enumeral-as aqui por serem todas ellas conhecidas pelos chorões da velha guarda. uma martyr soffredora do hysterismo pois dava meia duzia de ataques diarios. fronte alva de entradas quasi chegando á calvicie. de rosto descarnado. ciumenta de primeira marca. era exquisito. Em um dos dias do mez de fevereiro de 1890 a dona Catharina sogra de . Amaral. UM CHORÃO APOSENTADO O sr. dava-lhe vomitorios. que era um cabra sarado e conhecido em todas as rodas do chôro. dona Bernardina Ramos. não fazia as suas refeições sem tomar daquella agua que passarinho não bebe. Ahi vae o reverso da medalha: o sr. calculem pois o leitor. fazia inqueritos constantes para descobrir suas maldades. era em casa de familia um gallo capão governado pela sogra dona Catharina. a inferneira que reinava no lar de seu Amaral. era severo no regimen do mando. era um tigre que fazia tremer de susto com a sua presença o continuo José Pavão. não respeitando os domingos nem os dias santificados. razão esta porque elle andava sempre tresnoitado. que farejava a sua roupa e toda a sua papelada. era uma velhota de cincoenta e tantos annos. usava oculos pretos. eis porque o sr. Amaral sempre o censurava. queixo redondo de onde sahia a guisa de espanador um cavagnac grisalho. A esposa do Amaral. Seu Amaral. autoritario nas suas resoluções. e quando empunhava o seu violão esquecia-se de todos os seus deveres. nariz adunco. Amaral era um chefe de secção aposentdo da Conta[061] bilidade de um de nossos Bancos.

neste momento Bilhar.– 80 – seu Amaral. Catullo. como pessôa grata de sua familia. Dona Catharina. esqueceu-se do prejuizo da louça e deu uma formidavel gargalhada e dando o braço ao José Pavão. foi ao encontro de seu Amaral. Juca Kallut. fazendo uma apresentação de seu excontinuo. reduzindo a expressões mais simples a . pede a palavra. José Pavão. José Pavão. o auditorio foi surprehendido suppondo que o José Pavão tivesse endoidecido. todos estes personagens eram convidados de dona Catharina. e em bello improviso enaltece as qualidades de José Pavão. fez annos e deu um grande "pagode" aonde reuniram-se: Bilhar. maxixados da autoria de Callado. Néco. e tambem o José Pavão. que tremendo de medo escondia o rosto para não ser visto pelo Amaral. que acompanhava o chôro encostado a uma janella e a perna em cima de uma cadeira. quando avistou o seu ex-chefe pulou pela janella e cahiu em cima de uma mesa cheia de louças de porcelana reduzindo tudo em cacos !. Galdino.. Manduca de Catumby.. tambem sur[062] presa pelo acontecimento pediu explicações ao José Pavão. que entrou pela porta principal o seu Amaral. Luiz Brandão. e foi no auge de uma polka saltitante cheia de passagens e remeleixos. que quando via um bom chôro perdia a cabeça expandindo apaixonadamente as suas alegrias. e explicou a matrona farrista o temor que lhe causava a presença de seu ex-chefe de repartição por ter sido elle um de seus maiores algozes durante os annos em que trabalhou sobre suas ordens no Banco ! D. Cavaquinho. Catharina. ex-continuo de seu Amaral. ordenando que daquella hora em diante respeitasse o sr.

debaixo dos applausos de dona Catharina sua sogra.. Pombos. Recebeu pois Malaguta do autor deste livro os sinceros applausos. onde tenho a lembrança dos foliões que cantavam tirando para o Divino Espirito Santo. ao lado do grande maestro Romeu Silva. tambem. regendo com maestria Jazz-Band e Tuna Mambembe. minha bella infancia ! onde passei nas brenhas do nosso interior das antigas Provincias do Rio de Janeiro. ao lado do grande Romeu. O MALAGUTA Conheci como Director de Harmonia da Flôr do Abacate.– 81 – hyerarchia do sr. e divino sôpro. O nosso bom Malaguta foi depois director de um rancho que chegou ao apogeu lá pelos lados de Botafogo. Amaral humilhado retirou-se e o chôro continuou dois dias !. E depois no Ameno Resedá. Hoje elle é um dos grandes executores do saxophone. frangos e fitas adornavam o symbolo da divina ban[063] . com seu instrumento favorito que nesta época era o clarinete que manejava com grande mecanismo. ainda recorda aos meus ouvidos o rhytmo da cadencia langorosa de suas canções.. e outros. Amaral. MINHA INFANCIA Ah. Depois evoluiu de accôrdo com o progresso desta cidade maravilhosa. e sua esposa don Bernardina Ramos e de todos que tomavam parte no pagode ! O sr. Em casa de meus paes onde tinham pouso para descanço das suas perigrinações os foliões da bandeira do Divino.

Ella é uma camarada sincera. fraco violão. A sua voz encantava. e musicista. que diga aquelles. de grande valor. O violão nos dedos de Lily. nas modinhas ternas. Era um amigo dilecto do chôro deixando com a sua morte um grande claro entre os trovadores chorões daquelle tempo. chora e diz as maguas que sente. ao tilimtilim dos ferrinhos. tiveram a felicidade de andar com elle nos chôros. nos .– 82 – deira. garganta de ouro. que como eu. PAULO Eximia violinista. que elle tinha em seu repertório inesquecível. de uma sublime suavidade. LILY S. não toca. sua voz é de uma doçura impossível de descrever-se. Ahi vão umas quadrinhas compassadas e rufladas ao rataplan dos tambores. Lily. Falleceu como carteiro aposentado. entre arrufos de adufes de pandeiros e melodias da rabeca e da viola que gemia dolente sobre a prima e a terceira do tom que trazem aos nossos ouvidos as seguintes quadras: Veja que horas são estas Ainda estamos sem jantar E andamos todos os dias Cantando a peregrinar A visita consagrada Deus do céo que vos mandou Queira nos dar a pousada Jesus lhe paga a favor O Divino pede esmola Mas não é por precisão Só pede para conhecer Os devotos quem são Eu venho villa e villa Em comarca e povoado Trazer a luz do Divino Dando todos o bom agrado ANGELO PINTO Companheiro de saudosa memoria. canta como poucos.

muito com elle aprendeu. festa tradicional da nossa historia em que a estrella . Depois os Reis. escuta Lily. logo diz alli está o Bilhar. de maneira que. está sempre prompta. os telegramas de felicitações de parte das pessôas de relações de amizade que se resentiam quando de serem felicitadas pelas pessôas íntimas. que era o rei dos accordes. Sylvestre. que desfraldava a bandeira da esperança de um anno cheio de prosperidade encastellado de projectos de alegria idealizado pelos namorados. As familias se reuniam para festejarem desejando as bôas serenatas. Esta chorona ha muito que não vejo. tudo tem prosperado supplantando os factos e os costumes da antiguidade. ella ainda tem o cunho da antiguidade pois os factos demonstram prosperidade da rustica tradição que calam em nossa alma e em nossos corações as saudades de tudo aquillo que podemos observar e conhecer de perto em nossa infancia. as cartas. [064] AS NOSSAS FESTAS Vem de muito longe as coisas que nos interessam hoje comquanto tenham passado por immensidade de remodelações. e maviosos chôros em louvor a S. não sabendo se reformou-se no chôro como quem escreve este livro. finalmente para toda realização dos bons ideaes.– 83 – convites para o chôro não dá para traz. Com o correr dos tempo tudo tem evoluido. (pudera não ser) ella. sendo uma companheira de chôro do sempre lembrado Bilhar. Também era estylo deste tempo os cartões. E' especialista nos accordes. Quem é capaz de ter no esquecimento as festas de fim de anno das épocas remotas que começavam pelo Anno Bom ao romper d'alvorada.

– 84 – annunciou e apontou no Oriente o Nascimento do Menino Deus que se chamou Jesus. O ornamento maior do Carnaval de accôrdo com as fantasias e as chimeras da loucura que impera o rei Momo deus da Folia e da gargalhada na organização dos prestitos allegoricos. Nesta data movel que reproduz a tragedia do Calvario a Ascensão do nosso divino Salvador começam então as festas immoveis seguidos do rito catholico que espontaneamente louvam e festejam os dias da tradição idas e probas ephemerides e anniversariantes das familias do Brasil. que se vão. dos blocos. e que foi o nosso Salvador. influe em todos os corações a alegria e o enthusiasmo dos foliões musicistas que no tempo da antiguidade organizavam chôros que iam de villa em villa. do que agora se venera de outra modalidade de ac[065] côrdo com o Radio e a influencia do tempo e da bolsa do camarada que vive satisfeito com os problemas da vida financeira e economica. Depois o Carnaval com as cinzas precursora da Semana Santa. e dos antigos cordões. reanima. padroeiro desta Cidade Maravilhosa. antes mais. dia este. realizações de casamentos e baptizados. bailes cheios de alegria organizados por chorões que com as suas harmonias deliciavam a grandeza deste dia. de . que tinha o esplendor das festas de todos os lares familiares. dos cortejos dos ranchos. O brilho desta estrella illuminou e apontou aos tres Reis Magos que chegaram no dia da Epiphania a vigilia das pastorinhas do advento do anno que começa dahi seguindo para o glorioso dia do Martyr São Sebastião. E musica que inspira.

no correr do anno. festival que significa a Redempção Espiritual passagem da Ressureição. Ornamentam-se as Igrejas. Depois a Paschoa. por motivo que convem guardar segredo demittido e ficou andando alli na con[066] era da me foi por .– 85 – cidade em cidade. da missa do Gallo. eis aqui em pallidas e cinzeladas palavras a transcripção das grandes festas dos tempos que passaram. festas estas que tinham resplendor e devotamento em cada um chorão da velha guarda. segundo o Christianismo. O CARNE ENSOPADA Seu Gaudencio empregado como abridor Alfandega. dia que faz feliz os namorados christões. as festas se prolongam com musica e harmonia em louvor a este dia. os innocentes. que espalhou o balsamo consolador pela humanidade soffredora com a divindade do pão e do vinho. enfrentando o entrudo da agua. é uma festa universal onde a musica Divina enche os corações de alegria. Os lares se transbordam de alegria. que em romaria prestam homenagem ao Filho de Deus. O Natal. accendem-se os turybulos que incensam os fieis. dos limões de cheiro e até dos baldes dagua e das bisnagas de accôrdo com os costumes daquelle tempo. Depois a Conceição festiva com todas as suas tradições de casamentos e baptizados. Oh ! que reminiscencias que tenho das festas destes dias que já se foram! como o glorioso Natal do Nascimento do Filho de Deus. E depois vem o Domingo de Ramos. que era naquelle tempo o esplendor harmonioso do amor dos corações de todos os devotos. um dos maiores da historia.

O sr. e não demorou muito. O seu Gaudencio chegou. Era uma casa especialista em angu' á bahiana mas o seu Gaudencio.– 86 – vivencia dos seus conhecimentos e afinal enconstou-se ao inesquecivel Raymundo. Elle embarafustou-se pela casa a dentro no momento justamente que estavam formando uma quadrilha. tinha uma veia poetica e servia a sua freguezia versejando. tinha grande predilecção por Guerra Junqueiro. foi caminhando até á cosinha para arranjar uma dama que era a mulher do dono da casa. e formou em frente á janella que dava para o pessoal do sereno que grita logo: bravo do Carne Ensopada ! E elle virando-se para a dama disse: não faça caso minha senhora. e o nosso camarada não encontrando um par. e virando-se para o cosinheiro dizia "tire uma carne ensopada". é uma cambada e começou a proferir palavras . que era tambem servente da Alfandega e morava lá para os lados da Gloria e tinha um Café volante no portão da Alfandega ao lado do Mercado Velho. Bernardino que tinha um caixeiro mulatinho chamado Timotheo. elle procurava uma casa de pasto no Largo da Sé de propriedade do Sr. e foi logo se misturando com o pessoal do sereno com o olhar activo para descobrir um conhecido que lhe desse um ingresso. e quando via o seu Gaudencio entrar dizia: "bom dia meu camarada". que por signal tinha o seu retrato em um grande quadro á entrada do seu estabelecimento e de vez em quando recitava um Alexandrino deste saudoso poeta portuguez. Bernardino. tocador de flauta de cinco chaves. O seu Gaudencio comia em um frege-mosca que havia em outros tempos na travessa do Rosario. mas quando as coisas lhe corriam bem. isto é uma canalha. dava preferencia á Carne Ensopada.

sangê anarriê. O seu Gaudencio foi posto do baile para fóra.– 87 – rebarbativas. Ah! começou elle a marcar a quadrilha. esquerda com esquerda. Depois desta ovação de desagrado. João Thomaz e Chico Borgs. não só nas cordas do seu violão. como tambem como cantador de modinhas. No momento de sahir não sabia onde tinha botado o chapéu. que ainda mais desatinado ficou dizendo para a dama: Não tinha outro logar para sentar-se. Leal. onde se tinha sentado uma senhora muito gorda. é sublime. e só se ouvia o pessoal do sereno gritar: O Carne Ensopada foi barrado ! Fóra o Carne Ensopada. direita á seus pares. PAULO Bem poucos existem como elle. grande promenade. Quando o seu Gaudencio. dava o seu verdadeiro . sangê. S. sahiu a vaia foi formidavel. mavioso. Foi ahi que o sereno em pêso bradou: "Ahi seu Carne Ensopada ! Não queiram saber. e os dois juntos em uma festa faziam os encantos. e retrucou com palavras obscenas estabelecendo-se uma grande [067] confusão. é irmão da grande violinista Lily. tal foi a sua precipitação quando entrou. o homenzinho ficou daquelle geito. em cima do chapéu do Carne Ensopada. mas depois lembrou-se que tinha posto encima de uma cadeira. e já estava na quinta parte quando gritou: prepara para o grande "granchene". Eu nunca mais tive noticia do Gaudencio o "Carne Ensopada". o chôro continuou tornando-se cada vez melhor com a chegada do Bilhar. sangê double. sem ser em cima do meu chapéu sinhá sapaintanha ! O leitor não pode imaginar o sururu' que houve. Maneco.

de sua tempera e ás paginas tantas seguiram elles para o chôro depois de terem bebericado bastante. até parece que é alma de maçon.– 88 – valor á mesma. o baile estava molle. Paulo e á sua irmã Lily. Aqui nestas linhas eu transcrevo uma homenagem merecida a S. Foram logo evadindo a sala e cada um tomou a sua dama. Eu o conheci por intermedio do Ismael Brasil. mas como era distante da cida[068] de teve mêdo de ir sózinho. e por sua alta recreação. convidou um penetra-mór. Lily cantava e seu irmão acompanhava. e a vice-versa ficando assim os circumstantes embriagados com tanta suavidade. Era um rapaz magrinho. bradou logo: Guardem distancia senhores que eu quero entrar com meu jogo ! Cruzes meu Deus. Pois bem. O chôro estava destes que faz levantar defunto do caixão. Em uma occasião. Acerta o passo pessoal ! . vamos ao nosso Alma de Maçon que farejava um chôro como quem num sabbado do meiado do mez corre atraz dos dinheiros para o "Boi com abobora" do domingo. mulato sarará. carteiro do Correio Geral um primoroso chorão que não concluirei este livro sem que faça a sua biographia. e começaram a virar no passo de siry-candeia. ALMA DE MAÇON O Alma de Maçon trabalhava na Imprensa Nacional. tocador de trombone e bombardino de saudosa memoria. e que se distinguia no meio dos penetras daquelle tempo. Quando chegaram. O Alma de Maçon. em ponto de bala. meu muito digno collega. foi convidado para um chôro lá para as bandas da Terra Nova.

dirigiu-se a um senhor idoso que se achava enconstado a uma janella e todo prosa e risonho disse: Estaes gostando da maxixada ? Dansei agora com um mulatão da ponta da orelha. por isso. tomem os seus chapéus. pois. LUIZ BRANDÃO Chorão de tempera. antes de mais nada ser apresentado ao dono da casa para não acontecer como aconteceu ao Alma de Maçon e ao seu conviva. Neste momento appareceu o Alma de Maçon. Nunca pensei que esta meleca estivesse tão bôa. e o dono da casa bota dois na rua. Eu só vim aqui p'ra vadiar com estas morenas. a mulata e velha. e tem ainda. respeitado na roda. o convidado do Alma de Maçon. Neste ponto o dono da casa lhe perguntou: Quem foi que lhe convidou para esta festa ? O malandro respondeu: isto não tem importancia. O senhor com quem elle falava era o dono da casa. O senhor está vendo aquella mulata velha que está ao lado da pequena com quem eu dansei ? tambem é um pancadão. typo alegre. o dom de prender as suas amizades. que foi apontado pelo malandro por quem tinha sido convidado. com o predicado do passarinho cabo[069] . Eis a razão que no tempo em que eu andava pelos chôros em logares estranhos. Oh ! si tem ! faça o favor de me mostrar com quem veio.– 89 – Quando terminou a polka chorosa que faz mexer o osso. tinha. e outros attractivos. e a pequena com quem elle dansou era sua filha. Então o dono da casa observou com toda calma: Um convidado convida outro. fazia questão fechada de. era a sua senhora. sympatico. e vão sahindo antes que páu ronque.

pois não havia um só dia em que o nosso amigo Brandão. Geraldo João dos Santos. era grande autoridade nas finanças fazendo até. Elle constituiu familia muito moço ainda. naquelle tempo. Henriquinho e muitos outros. Felisberto marques. para resistir ás noitadas. Morou uns tempos com o Bilhar.– 90 – rê. e aquelle que quizesse fazer. torna-se para mim difficil. sendo digno de ser apreciado. Onde elle estivesse era sempre rodeado pela tropa dos chorões que iam ao seu encontro prestar-lhes homenagens e com elle trocar idéas. Assim entrava mez e sahia mez. Assim era o Brandão. ta era a sua bagagem de occurrencias agradaveis no meio de seu convivio. não tivesse um convite para um bom chôro. sendo por isto muito conquistado pelos seguintes solistas: João de Britto. pois o Brandão. prendendo os auditorios com os gestos e maneira com que acompanhava. a sua prole augmentou consideravalmente lhe sobrecarregando de deveres que elle sabia cumprir. que com o seu assovio reune. forjado de ferro. ficando por alli até que elle finalizasse o seu serviço. tinha que fugir para não dar o prego. tal era o grão de sympathia que tinham por elle. andou . de quem era compadre e amigo incondicional. Elle tinha um repertorio de modinhas de assombrar que as cantava e acompanhava com gosto. Dizer qum foi Brandão. e elle parecia até um homem encantado. O autor deste perfil. no meio dos chorões. milagres. Nos chôros pela suas verve e maneira agradavel no meio do pessoal elle se distinguia pelo alegria que emprestava a si mesmo. Não havia que pudesse imital-o. todos os outros passarinhos. Carlos Espindola.

E' bom. Foi ultimamente aposentado como Guarda Municipal. tem se conservado solteiro. carteiro do Correio Ambulante da E. O Brandão tinha a primazia no chôro. Sempre foi distinguido pela nata social. com as pessôas que não são da sua intimidade. logar este.– 91 – muito com elle. Elle começou como aprendiz do Arsenal de Guerra. [070] Sempre primou pela sinceridade em todos os seus tratos. teve que desertar na virada pois a corrida deste chorão era de muitas milhas e eu me dei por vencido. e mais tarde continuo da Portaria da Alfandega. Não é um celibatario. que se deu com muitos outros camaradas. um filho. e leal amigo predicado este que faz parte integrante de um passado glorificado. porém. porém. que honra o presente. NECO Nasceu este lá para os lados de Santa Rosa. Nictheroy. facto este. porém. só trabalhava em calçados finos de senhora de salto á Luiz XV. E' methodico. que occupou com brilho. Já está um pouco usado. chorão no violão. esta que tem predilecção pelo seu violão. porém. e o respeito com que se impõe . dignidade e dedicação. forte e bem disposto. com as suas economias tornou-se proprietario lá para as bandas de Bosuccesso. retirado dos pagodes. depois. Começou a sua vida como oficial de sapateiro. no cumprimento de sua palavra. Hoje elle está aposentado. B.. pouco expansivo. F. C. escrupuloso nas suas amizades de quem faz sérias selecções. deixando como substituto.

elle é acolhido com as homenagens que de direito lhe pertence. Néco. o meu violão está acostumado com as musicas antigas e tem mêdo de ser enxo[071] valhado pelos violões modernos. tem por elle um verdadeiro culto como um dos primeiros acompanhadores de chôro ao violão. de um mecanismo facil tirando infinidades de sons sem esforço por ser tudo isto executado pelo seu dom favoravel na magia do violão. e por este motivo tem se tornado muito censurado por infinidade de seus apreciadores. Não tem orgulho nem vaidade mas. Zé Rabello. e muitos outros. deixando de tocar o seu invencivel violão. O nome de Néco. o inesquecivel Quinca Larangeira. . que sem lisonja só elle sabe fazer. E elle se desculpa dizendo: Não gosto destas musicas d'agora. também foi um optimo cantador de modinhas. porém. Por esta razão quando se fala no meio dos instrumentos cantante no nome do Néco. Andou muito com Luiz Brandão de quem era um verdadeiro amigo. é uma veneração na formação dos seus accordes maravilhosos e embriagantes de harmonia nas passagens das tonalidades das musicas difficeis.– 92 – perante as familias e o zelo que tem pelo seu nome na roda dos chorões. E' de um ouvido apurado. Néco. Galdino. muito amor proprio sendo um amigo prestativo e dedicado. na roda do chôro é um santuario. o nosso imponente bom amigo correligionario Néco immortalizou-se e agora vive dos louros do passado. Pernambuco. teve que fugir para pregar em outra freguezia. passando á vida privada. Catullo. Diante de tudo isto que aqui fica escripto. ultimamente tem se retrahido. sim.

não deixava ninguem dormir applicando "mosquitos'. razão porque era querido e admirado pelos companheiros de classe. Balduino tendo por elle veneração. Era filho de D. Salvador Marins. logar este em que occupou com muito esmero e capricho. no rosto dos que dormiam e infinidades de coisas que só elle sabia fazer. Foi muito tempo estafeta dos Telegrafos. o appelidaram de Bamza. foi elle nomeado continuo desta Repartição onde permaneceu longo tempo até que foi nomeado Carteiro do Correio Geral. João Claudio do Senado. Felizberto Marques. typo engraçado. era um chorão interessante. accendendo papeis e gritando por socorro. Genilicio. tendo por isso sempre preferencia pelos flautas seguintes: Videira. pois. primava por apresentar-se sempre asseiado.– 93 – O ISMAEL BRASIL Conheci-o ainda muito moço na rua de Santa Christina. Era um trombonista de sopro macio. e ainda mais pelos grandes chorões daquelle tempo. de um modo moleirão. tornando-se por este motivo cada vez mais estimado na roda dos chorões. João de Britto. e no bombardino então não se fala. Raymundo da Alfandega. fazendo caricaturas com rolha queimada. Quando o pagode se prolongava. e foi por isto que nos Correios. Ismael. Era de estatura alta. Tinha no rosto signaes de bexiga. amigos. e quando se inaugurou o casamento civil. Timbó. Era um chorão extraordinario na intimidade dos pagodes o bom do Ismael imitava com a transformação do rosto todos os bichos da Zoologia. Uma occasião elle foi convidado para . Era um funccionario irreprehensivel. Antonica eximia modista das mais distinctas familias do bairro do Cattete.

sem que ninguem percebesse arranjou um punhado de feijão e encheu o ophicleide do camarada. e as paginas tantas apareceu no referido baile um tocador de ofphicleide desafinado. Acompanhei-o até á ultima morada. era seu collega de Repartição. Em um outro pagode. e foi cortando o pescoço das ditas deixando correr o sangue. que. e ainda hoje quando se falla no nome de Ismael Brasil repercute no coração de cada um chorão daquella época. em Nictheroy. e tirando as notas fóra do compasso. palhando toda a bôa harmonia. O QUARTO DO RAYMUNDO Quando o dia rompeu lá estavam . O autor deste livro. quando foi todo dengoso tocal-o não pôde por se achar o mesmo intupido. e assim elle e seus companheiros de chôro tiveram um bom almoço de gallinha. amigo e admirador deste astro que brilhou e desappareceu deixando saudades imorredouras. pretas ou Carijós. Todas as pessôas da casa julgaram tratarse de peste. mas não garanto a criação podem ser Bhramas ou Mistiças. entre ellas a polka "Norival" que causou muito successo naquelle tempo. O que fez o Ismael. e de vez em quando dizia para os companheiros de chôro: Já matei quatro animaes. atra[072] as gallinhas mortas debaixo do poleiro. o Ismael notou que não havia "boia" então foi direito ao quintal sorrateiramente e torceu o pescoço de quatro galinhas.– 94 – tocar em um baile em Jacarépaguá. Ismael deixou diversas producções. Falleceu no Cattete. E elle fazendo um grande espanto de ingenuidade pediu uma faca. e voltu de novo a tocar. uma pranteada recordação.

em uma avenida do lado opposto da Igreja do mesmo nome. um admirador. que fantasiados. onde se reuniam.– 95 – Raymundo Conceição. amigo no superlativo. e tem no cerebro uma usina de alegria e de esplendidos predicados que muitas vezes se prejudicava em beneficio de seus amigos. um bohemio dos bons. ensaiavam. Executava no seu violão acompanhamentos em accordes relativamente ao seu bom gosto. moço ainda. Eu quizera ter neste momento em minha reminiscencia os bons episodios que se passaram entre os grandes chorões que frequentavam o quarto do Raymundo. acompanhava-o bisando quasi todos os numeros executados magistralmente. raro eram os componentes do chôro que não fosse um assiduo frequentador do quarto do Raymundo. desses que governam a vida com o coração. formavam blocos divinaes dos melhores daquella época. sympathico e communicativo. era um chorão apaixonado. era ahi que se reunia a flôr dos chorões. pois bem. Depois dissolviam-se para reunirem-se no dia seguintes na sede que era o quarto d grande folião carnavalesco Raymundo Conceição. Na data de 1890 a 1898 em um quarto sito á rua de Sant'Anna. que era considerado um succursal de suas residencias. Tinha em cada chorão daquelle tempo. e guardavam os seus . tal era o conjuncto de harmonias vibra[073] das por estes grandes artistas musicistas que percorriam os bairros da Cidade Nova. de côr morena. por occasião do Carnaval. e depois o centro da cidade arrancando enthusiasticos applausos de todo pessoal de bom gosto da musica que em romaria. Praça Onze.

distribuidor do jornal "Cidade do Rio". De volta dos bailes. de quem elle foi um grande protector. porém. pois eran todos nagoas Guaymús. no jornal "Cidade do Rio". como eram estes a quem acima me refiro. o Manzolillo. e de poucas conversas. cada qual seguia o seu destino no cumprimento de seus deveres. Conheci-o na casa do inesquecível Teixeira. para voltarem depois como as "Pombas" de Raymundo Correia. companheiros de infancia e de [074] trabalho. valente. Quando vinha o dia. As festas na casa do Teixeira duravam sempre uma semana e quem organizava o chôro era o Raymundo. Era elle oficial da Guarda Nacional por ter feito toda a revolta de 93 senco um optimo impressor. e não para apontar defeitos praticados. e de partidos.– 96 – instrumentos. pela grande paixão que tinham elles pela musica produzida pelo conjuncto que se organizava no quarto do inesquecível Raymundo Conceição. ao dar a publicidade deste livro só tenho em mira elevar ao apogeu os grandes artistas chorões antigos. sentese immorredouras saudades. do grande talentoso jornalista José do Patrocínio. foi lá que eu conheci o Gloria. ficavam todos abarracados no quarto do Raymundo em esteiras. homem franco. Inesperadamente foi o . amigo de verdade e muito respeitado pela garotada dos jornaes. Hoje quando se fala na casa do Teixeira e nas suas festas. distribuidores tambem de jornaes. haviam chorões que tinham até acolchoados. Deixo de especificar aqui o nome de todos estes chorões pela razão de que eu. Trabalhava elle.

A FAMILIA DOS GREY Esta familia morava no Marco 4 em Jacarépaguá. e continuando sempre no chôro. e que executava em seu violino partituras sentimentaes de musicas classicas e tambem muito bons chôros. fazendo parte da mesma Coelho Grey. Era um dos primeiros musicos de Jacarépaguá daquelle tempo. muitas vezes foi acommetido de hemoptises. Quem escreve estas linhas tem muito bôas impressões e recordações dos dias alegres. porque preciso que este saiba escolher os instrumentos para a organização . hoje Estrada Rio São Paulo. Na revolta de 1893. seu filho mais velho. precisava de um bom e habilitado mestre de musica. o professor Coelho Grey. Este tocava todos os instrumentos de sôpro e de cordas. funccionario da Alfandega. tocava instrumento de sôpro. Os batalhões da Guarda Nacional organizaram cada um as suas bandas de musicas e o commandante de um dos batalhões. e assim foi definhando para fallecer rodeado de seus verdadeiros amigos que ainda hoje pranteiam o seu desapparecimento e a saudade do convivio daquelle quarto. O Antonio Grey. era um eximio tocador de violão. e o mais moço. depois. que passou no quarto do sempre lembrado Raymundo Conceição. tendo mais predilecção pelo saxophone e violão. que era uma republica de harmonia e liberdade dos bohemios chorões. O commandante retrucou: Eu quero um mestre com mais habilidade do que o senhor tem. offereceu-se ao commandante para regel-a.– 97 – Raymundo acommetido de uma fraqueza. que disso tendo sciencia. Era toda de musicos começando pelo velho Grey que era o chefe desta familia intelligente. Vou aqui contar um episodio que se deu com elle.

com muita instancia. Pimenta da Alfandega. com aquellas polkas do repertorio do inesquecivel maestro Anacleto. Chegando à loja de instrumentos. Lica. porém. Tive o grande prazer de conhecer esta familia por intermedio do inesquecivel capitão Alamiro Cabral. como um simples convidade. chegou o Coelho Grey. e muitos outros lá para as bandas de São Christovão lá para as tantas quando o chôro deliciava de harmonia. o Santos bombardão (Nhonhô) e muitos outros. Luiz de Souza. Tambem ouvi dizer que estando tocando em um chôro destes do bom Anacleto de Medeiros. Foi uma delicia vêr e ouvir-se a familia toda tocando acompanhada por todos nós. O nosso bom Coelho Grey promptificou-se a ir em companhia do commandante para escolher. cheio de curiosidade para vêr e ouvir o seu companheiro de instrumento que era o . inclusive os chorões alli reunidos onde se achava o pranteado Horacio Theberge. foi-me apresentado pelo mesmo os irmão Antonico e Coelho Grey que.– 98 – da banda. O comandante cahiu das nuvens pela surpresa que acabava de ter. E assim aconteceu. que tendo dado um formidavel chôro em sua residencia no Campinho. e com todo enthusiasmo lhe apertou a mão e disse: Está promovido a tenente do meu batalhão e mestre da banda do mesmo. mostraram desejo de apresentarme á sua familia. Eu não podia fazer este livro deixar de descrever os encantos que experimentei neste dia saudoso de tantas harmonias. foi logo pegando n'um pistão tirou a sua escala e assim fez em todos os outros instru[075] mentos apresentados pelo lojista.

regendo bandas musicaes particulares das Fabricas de Tecidos desta Capital. Emquanto o resto de sua digna familia nunca mais tive noticias. conhecedor da gyria de todos os instrumentos. O dono da casa fez a apresentação do Coelho Grey ao Anacleto e aos seus companheiros de chôro. que devem ainda existir muito por ahi. onde reformouse e depois. Era excellente professor de musica. e pediu que cedesse um pouco o seu saxophone ao seu amigo convidado Coelho Grey. por uma civilidade accedeu ao pedido pois não gostava que tocassem no seu instrumento. ainda vive e consta-me que é empregado na Municipalidade e com certeza [076] já retirado do chôro e já aposentado e conservando a sua tradição de um professor. Eis aqui traçado em poucas linhas o perfil de uma familia toda musica que deu muito brilho aos chôros realizados. Anacleto contrafeito.– 99 – saxophone. JOÃO ELIAS João Elias da Cunha. naquella época em Jacarépaguá. nem todos tocavam como elle. Coelho Grey. Não vos digo nada. De facto disseramme que o Grey ficou extasiado com o sôpro e a execução do Anacleto. conheci este. maestro. emeritos musicistas. e por tanta belleza musical. sendo isto . Anacleto ficou radiante de contente tal foi a maestria com que executou os primeiros numeros de musica. como mestre da banda do Corpo Policial da Provincia do Rio de Janeiro. pois. que digam os seus alumnos. Anacleto dando um abraço em Coelho Grey disse-lhe: Continue a tocar que eu quero lhe apreciar.

O Gonzaga fazia parte da . compositor. LUIZ GONZAGA DA HORA Era natural da Bahia. mestre e regente de bandas militares. artista maestro. pois era pae adoptivo do inesquecivel Antenor Oliveira. João Elias ao lado de Damasio. que sempre acolhia as suas bôas opiniões. parando seu instrumento para trocar idéas com o [077] director de Harmonia. foi musico naval. comquanto não possa fazer um perfeito perfil desta grande eminencia musical.– 100 – confirmado por um de seus filhos de nome Godofredo. como foi o professor João Elias por me faltar os dados necessarios. com dedicação e com exigência na afinação de tudo quanto era concernente á melodia. como foi o incansavel professor de musica João Elias. meus bons amigos leitores. e de eximio sopro mavioso e melodioso. a harmonia do Ameno Resedá morava no bombardão do Gonzaga. Era um grande apaixonado do Ameno Resedá. director de canto deste rancho. Juca Rezende e muitos outros chorões daquelle tempo. fizeram prodigio naquella época. Tentei dizer o que delle me ocorre na memoria cumprindo assim uma homenagem e um sacrosanto dever. lembrando os feitos de todos os artistas de merito. depois de ser musico no seu Estado. Elle era herdeiro das maiores glorias e victorias deste Rancho-Escola. respeitado e considerado no meio de seu convivio. de que elle fazia parte na sua orchestra. Era um bombardão de excellência. pois. Por esta razão tinha naquelle tempo em cada socio do Resedá um seu admirador e amigo. este que tocava com prazer. com gosto.

Catullo. Foi elle o componente das orchestras dos cinematographos desta Capita. depois musico do 23° de Infantaria onde teve baixa como contra-mestre da referida banda. sendo um exemplar chefe de familia e digno operario das officinas do Arsenal de Marinha. O autor destas linhas o acompanhou até á sua ultima morada. onde com muito brilho fez prodigios com o seu invencivel pistão. por isso era muito distinguido.– 101 – orchestra do Resedá desde a sua fundação. tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só elle possuia. LUIZ DE SOUZA Pistão dos mais chorões que até hoje ainda occupa o primeiro logar entre todos os chorões. onde trabalhava com assiduidade. Foi aprendiz de musica do grande e notavel pistonista Soares Barbosa. foi menor da Fortaleza de São João. fazendo esplendidas organizações de grupos de musicos de primeira grandeza. Falleceu inesperadamente. Bilhar e muitos outros não o dispensavam do seu meio pois o Souza. operoso trabalhador e sabedor dos . para depois fazer parte da bande de musica do Corpo de Bombeiros na regencia de Anacleto e ao lado de Albertino Caramona. como bem disse o "Jornal do Brasil" ao fazer a sua necrologia. mestre da banda da Fortaleza. era um sol que illuminava a alma e os corações com as suas notas amenisantes tiradas no seu instrumento. Luiz de Souza era respeitado na roda dos chorões. Luiz de Souza. O seu pistão tinha a magia das grandes melodias. Elle deixou muito bôas producções. para onde elle levou o segredo da harmonia do Ameno Resedá. O Souza era um Resedá intransigente.

Horacio Theberge. Henrique Rosa. Lulú Bastos. que diga o nosso bom amigo velho João Thomaz. José Maria e muitos outros. Brandão e Néco. respeitada e muito camarada para aquelles que conheciam nelle este predicado. dias. Quinca. patenteando uma homenagem que será acompanhada por todos os . Era ella uma mulara. pois foi a sua morte muito pranteada por todos os chorões e finalmente por todos que tiveram [078] a dita de privar com esse bom amigo e extraordinarissimo genio executor. João de Britto. uma bôa tocata. A CASA DA DURVALINA A casa da Durvalina era na rua do Bom Jardim. moça. cheios de alegria. mas para dizer tudo o que foram horas. farei apreciação desta distincta amiga dos chorões resumidamente. Eis aqui o que tenho a dizer relativamente a este grande artista que se chamou Luiz de Souza. mezes. Luiz Pinto. já fallecidos. Assim leitores. bonita.– 102 – segredos maviosos dos canticos genuinamente brasileiro expandidos nos Carnavaes pelo conjuncto do Ameno Resedá. A casa da Durvalina era uma especie do quarto do Raymundo. seria necessario muito me prolongar. Eu quizera fazer aqui a apologia desta bôa camarada que se chamou Durvalina. Côrte Real. não falando aqui em Bilhar. Rancho-Escola e Campeão de Harmonia. pois raro era o dia em que não havia lá. momentos. maravilhos pistonista. onde se reunia a rapaziada do chôro. esta que não regateava a sua igualdade a todos os bons chorões daquelle tempo. dando bons jantares e bailes que se prolongavam a maior das vezes no correr da semana.

inesperadamente. estimado e admirado pelo Falleceu inesquecivel Anacleto. O seu instrumento preferido entusiasta e admirador de suas era o ophicleide no chôro. era delle um grande naquella época. andava sempre de sobre. IRINEU BATINA Mrio e muitos outros. aproveitando nas companhias lyricas elle era as mesmas. O nosso bom Catullo. Elle tambem .bagagem de musica de infinitas casaca comprida. O "Batina". Era companheiro de chôro integrante nas festas que se de Luiz de Souza. regular. este que deixou uma todos. porém bellas producções. eximio executor do bombardino. Como componente da bando do verdadeiras maravilhas. Carramona. Henrique. Irineu Pianinho. assim como para artista. era um era um typo gordo de altura muito bonachão. poeticas. e maestro era assiduo frequentador do quarto conhecido no meio do chôro por do Raymundo Conceição. Era elle Este professor. realizaram na casa da Durvalina. Henrique Rosa. Irineu Corpo de Bombeiros. [079] esta que é fallecida e lembrada a todo o momento pelos chorões Lica. da Velha Guarda. porque este bom e autor destas linhas privou muito amavel amigo para mim com este talentoso e respeitado inesquecivel. que lhe inspiravam um trombonista disputado por com as suas melodiosas letras que tornaram todos os maestros estrangeiros. João dos Santos. muito em voga inspirações. Néco. Galdino.– 103 – chorões daquella época que Irineu era um artista de muito commungaram como parte valor. que tinha deixando um grande vacuo na por elle muita veneração pois o roda dos chorões.

em homenagem á America do Norte. funccionario que honra a sua classe. e bebendo luzes em todos seus argumentos intelle- Chorão de cultura fina nos batedores Carnavalescos. Eis aqui o que tenho a dizer deste intelligente musicista com o meu coração cheio de saudades. na direcção de canto com sua voz de tenor. que ainda hoje obedece com respeito e veneração. pois elle é uma fonte . professor dos contra-alto e soprano das pastoras. Genio de Cassia. e muitas outras fulgurantes representações no conjuncto do Rancho Escola Ameno Resedá. O autor destas linhas. cantor insinuante que ao lado de Pedro Paulo e de outros bons elementos. o admirando. Napoleão 1° dos carnavaes antigos. alcançou a primazia de um instructor substituindo com muita igualdade o inesquecivel Antenor de Oliveira. amigo sincero. o Mephistopheles das Evas no reinado das Odaliscas. Napoleão de Oliveira. Rancho este que competiu com o Ameno Resedá no Carnaval de 913. filho extremoso. as Divindades que regem o Destino do Mundo. ainda hoje com elle priva. em Tio San. e figurante do Rancho Escola Ameno Resedá. o Brasil civilizado nas Ligas das Nações. deus cantor discipulo de Pan. as insinuações de sua velha e idolatrada mão.– 104 – foi director de harmonia do Rancho Filhas das Jardineiras da Cidade Nova. violão mavioso e scientifico. NAPOLEÃO DE OLIVEIRA de Belzebuth. Quem [080] não conhece o Napoleão de Oliveira ? o alchimista vendedor das pillulas infernaes ctuaes. em Daphinus.

no cargo de director de canto. fazia as delicias de quantos tivessem a felicidade de conhecel-o. e com elle privar. ao lado do competente director de Harmonia. se distinguiu sempre. Antenor era um batuta no violão. na roda de todos os chorões. e falleceu nesta Capital em 1912. e grande trovador de modinhas. occupou tambem no Ameno Resedá o cargo de director de Poemas. que sem lisonja o que merece o nosso Napoleão. Fazendo logo prodigio. começando a dizer que elle foi um fundador do Rancho Escola Ameno Resedá. o Moreno da Flôr do Abacate. com as suas bellas poesias. que unidos a outras capacidades amenistas daquella época. como foi. e musicistas de todos os conjunctos carnavalescos. da Cidade Nova e Pedro Paulo. e mérito. ANTENOR DE OLIVEIRA Dotado de espirito culto. e Barnabé. dando vida e esplendor aos papeis a elle confiados. do inesquecivel Anacleto de Medeiros. e pranteada. levaram este rancho ao apogeu. nasceu em Angra dos Reis em 1881. Aqui ainda não fica ditas nestas linhas tudo quanto eu quizera dizer. A morte de Antenor foi muito sentida. e fulgor da sua capacidade inegualavel. quando fez a letra para o dobrado jubileu. era operarios do Arsenal de Marinha. Vou tentar fazer o seu perfil.– 105 – pura de aguas christallinas do saber que reparte como um sol que distribue a luz espancando as trévas. O bom Antenor competiu com os eximios directores de cantos. Antenor foi um esplendido amador de arte dramatica. . (Zé Cavaquinho) que é tambem um artista de muito valor. Antenor de Oliveira. elle se immortalizou com a admiração de muitos poetas naquelle tempo. José Rebello.

F. pois ainda hoje o seu nome é lembrado e chorado. que via nelle um batuta respeitado. era tambem filho do velho chorão Alfredo Vianna. Nos bailes onde tocava. China. ficando muitas vezes desprevenido pecuniariamente. tal a maneira que sahia da sua garganta. Nas suas modinhas que cantava tinha algumas tristes e outras alegres. Onde China estivesse só reinava o bom gosto e alegria. tal a delicadeza do seu trato. de que elle era um apologista. para não ver seu amigo mal.– 106 – CHINA Quem não conheceu este bom e distincto amigo ? Julgo que bem poucos. Tinha uma voz de baritono de encantar. pois o bom China era conhecido nesta cidade como estrella brilhante. B. Não só acompanhava muito bem. era como perolas de alto valor. era violão afamado. só fazia o brilhantismo. Era de todos estimado. e grande risos aos convidados da festa. pois era um pandego de primeira agua. fazendo assim a alegria. abriu-se um grande vacuo na roda dos chorões. C. como tambem solante de [081] extasiar. e irmão dos glorificados musicos Pixinguinha e Léo. Como amigo ninguem lhe excedia. ás vezes um pouco apimentados. Tinha uma garganta de ouro pois nos "cabarets" onde se exhibia era muitissimo applaudido pelos circumstantes. China. GONZAGA DA E. . Cantava bons lundús. pois não podia ver um companheiro queixar-se de qualquer necessidade que não valesse na quantia que precisasse. o instrumento nos seus dedos era de maravilhar. Com sua morte.

um bonét. que elle sendo um musico tão afamado. e tambem a sua electrica dedilhação no seu instrumento. tal a agilidade de seus dedos de ouro. lá estava o heroe em frente á Estação de Pedro II. Tocava elle com grande maestria. se queria comer e beber. de uma belleza sem igual. dirigia-se á sua cas. Gonzaga.– 107 – Bom e excellente musico. tal a maneira de seu bello sopro. viu-se obrigado a sugeitar-se a ser carregador. dizendo. fazendo carretos. fazendo o sólo em polkas. quadrilhas. Pois apesar de seu preparo. pois nunca encontrou um amigo que lhe désse a mão. trabalhava em um lugar tão baixo ! O que elle respondia com a maior naturalidade. acabando. Nestes instrumentos. os chôros por elle executados. tocava com grande saber e arte. ophicleide e tambem pistão. fazia um defunto mexer-se no caixão. pois era de encantar. ás vezes perguntavam-lhe a razão. Gonzaga ia a um pagode todo janóta. que apesar de seu saber nunca encontraram uma alma caridosa . valsas. e uma rodilha á cintura. No acompanhamento nem se falla. [082] Então muitos que o conheciam. No ophicleide tambem solava admiravelmente. como qualquer um João ninguem. vestia uma blusa. schothischs. eram de encantar. com este grande executor de musicas. occupar um serviço naquellas condições. Muitos que não o conheciam ficavam admirados de um musica de grande quilate que era elle. Toquei em muitas festas. E assim morrem muitos heróes. que a sua estrella nunca brilhou e por isso vivia no abandono.

que chegava a ressonar tal o gosto era o glorioso Pernambuco. tal o gosto que Arthur. Era mesmo um caboclo bom. mas mesmo assim outros. não perdia uma só festa dada por pois acompanhava sempre com esta sociedade. com o competente molho. Candinho. elle lá estava firme como Gostava muito de ir a pagodes uma pedra. com seu violão onde tambem houvesse farta atracado. elle acompanhava bellas enterro dos ossos que elle modinhas. Com seu dobrar o pagode. ninguem lhe pelo resto do leitão e mais. Pedrinho. E era daquelles que depois de para bem descer o mastigo. era de agradar. acompanhou nos chôros. Era muito choroso no com séde na rua Major Avila. de seu Estado. doente. acompanhar modinhas que Caboclo como era conhecido tinham um gosto extraordinario. não com o seu dever. ROMUALDO CABOCLO morava lá pelos bairro de Villa Isabel. sociedade violão Juca Russo. era da turma do elle tinha por este instrumento. sabendo se é vivo ou morto.– 108 – Era muito distincto amigo e companheiro. em fogo. o ajudasse. Muitas vezes até bellos e lindos accordes. Era muito bairrista. ARTHUR PEQUENO O lema era: Cada um cumpra A muito que não o vejo. prompto para entrear mesa. . pois não dava para traz. Tocava Quintiliano. Bom até á ultima gotta. grande e bellissimo executor de Foi socio e vice-presidente das Pragas do Egypto. firme para a luta. Carlos Furtado e pouco violão. Era um violão seguro. Tambem muito gostava de entrar na sahia mais. para assistir o violão.

e sim do amigo que na primeira esquina lhe contasse uma necessidade. finalmente este farrista já é fallecido. e adjacencias não conhece o bom Menezes. se queria ser seu amigo. pois é . Thereza Guimarães. as suas melodiosas musicas de fazer admirar. Muito me ajudou nas pragas do Egypto quando eu era seu presidente. que era de novo systema. Tocava todos os choros dos grandes flautas antigos e tambem modernos. Tinha um sopro macio e sublime. Cantava tambem bellas e sumptuosas modinhas de arrebatar. deixando muitas saudades a todos os moradores da rua Major Avila. Escreveu alguns chôros bons que devem andar por ahi nos cadernos destes chorões da nova guarda. alli pelas ruas Arnaldo Quintella. AGENOR FLAUTA Morava na rua Visconde de Itamaraty. o que muito valeu o seu bom nome. Tambem tocava todas as musicas de Candinho. Amigo e companheiro de linha. e adjacencias. Era chorão afamado. Era um excellente chefe de familia. O seu dinheiro não era delle. Por seu companheiro dava a vida.– 109 – [083] tocasse em seu Estado. De lá trouxe muitas formosas modinhas. que levava nas horas de folga a cantar e acompanhar. e acompanhei com meu violão ou cavaquinho. de supplantar. da Saude Publica. Era um amigo dedicado. O VELHO MENEZES Quem em Botafogo. Fernandes Guimarães. Tocava com grande esplendor na sua flauta. Era empregado como chefe de turma.

grande perfeição. pois sabe dizer nas cordas o que sente. pois. ainda não deu seu quinhão ao vigario (como se diz na giria). Felizmente. que elle manejava com grande facilidade. Tocou muito um inveterado do chôro. como seja: em Botafogo. Neste tempo o seu instrumento predilecto era o cavaquinho. onde Menezes me jogou um pezado em cima. muito trabalhador. . me sahi daquella intalladella. Solava muito bem. quasi sempre está com o violão em baixo do braço. pois tem um BILÁU ouvido apurado para acompanhamento. com bastante difficuldade. em uma reunião de tocadores de violão. Jacarépaguá. Pois apesar de sua idade. e de admiriar. Conheci em moço. e assim sustenta honradamente a sua distincta familia. de que me vi bem atrapalhado. fazendo os encantos dos lares. Menezes tambem é excellente amigo. Menezes toca violão com pirões. acompanhado com tocando muitas vezes juntos. Conheci-o em Copacabana. Inhau'ma. Nictheroy e outros logares que Menezes frequenta. elle [o]briga um bella feijoada. bonissimo chefe de familia. Dahi ficamos amigos. uma bôa pinga para descer os Hoje.– 110 – com velhos flautas e hoje não arrepia carreira com os novos. Dedicou-se á arte de bombeiro hydraulico. onde se atola até não [084] poder mais. Menezes fica quasi doido quando em qualquer chôro. tal a agilidade de seus dedos. e cavaquinhos. quando trabalhava como estafeta dos Telegraphos.

na Caixa Velha da Tijuca. julgo com a morte do seu sempre chorado pae. esta valsa é bem custosa de solar. no entanto nos dedos de Biláu foi sôpa. chôros bem difficultosos.– 111 – Conheci bem criança. para os accompanhamentos. tal os recursos que elle tinha naquelle instrumento. tal a maneira que elle sabia dedilhar aquellas cordas no seu instrumento. pois era um explendoroso violonista. [085] Celestino. outra. Depois precisando ir áquelle bairro. no violão tinha brados de armas. Depois solou uma valsa se não me engano o nome é "Sorrir meu doce amor". Tinha um ouvido apuradissimo. e sua bôa irmã. E ahi dedilhou. Morreu na . O violão nos seus maviosos dedos não tocava. de admirar seus congeneres. Afinando o cavaquinho. Hoje acha-se retirado da lucta. fez alli um tom com todos seus accordes que fiquei bem admirado da sua agilidade naquelle pequeno instrumento de arrebatar. encontrei Biláu já moço e atracado a um cavaquinho todo novo. e que deu ao mestre grande gloria. Solava admiravelmente. onde seu sempre chorado pae occupava alta posição. soluçava. de que me fez babar. e dos bons. Biláu foi aprendiz se não me engano do sempre chorado Mario do Cavaquinho. Era difficultoso cahir. Retirando-me da Tijuca muitos annos. JOSE' CELESTINO Quem em Engenho de Dentro não conheceu este grande astro do violão ? Bem poucos ! Era elle operario das officinas na Estação acima.

Hespanhola. . Lá. A ufanava de ser um chefe morte de Theberge repercutiu amoroso. onde baixa da vida militar. No correio onde trabalhou. deixou um grande numero de amigos. e tambem no grande numero de amigos que elle tinha dos melhores. ingressou Theberge tinha admiração e nos Correios como servente. conceito. Leccionou seu instrumento a esplendido cantor de Modinhas muitos. Conhecia o seu instrumento felicidade de conhecel-o. Morava em Nictheroy onde tinha uma familia. deixando immensas saudades aos seus collegas tocadores. como aqui tocou com sentimento no seu grande em muitas sociedades musicaes. Era tambem um optimo falleceu. e deixando grandes respeitado pelo seu saber heroe saudades dos que tiveram a musical. não só de seus SALUSTIANO TROMBONE superiores. que tornaram-se grandes que fez um grande sucesso no e afamados musicos. Era tambem amador tendo pela sua correcção e Dramatico. circulo de amigos. sendo sempre muito procurado pela sua real proficiencia. Tendo meio dos chorões. Foi HORACIO THEBERGE primeiro trombonista no 7° Batalhão de Infanteria do Inesquecivel violonista. naquelles bons tempos. cargo em que Dramatico no Meyer.– 112 – e dansantes. com grande proficiencia. como de seus collegas. onde fez papeis de comportamento galgado ao responsabilidade em um Club posto de carteiro. Exercito. e se funccionario dos Correios. E assim findou-se mais um Foi grande musico.

Hoje tomba relomba e calafate. e quando appellidado (Casaquinha). conhecido e violão. amigo de seu amigo. Policia onde prestou com sua JOSE' CONCEIÇÃO intelligencia e perspicacia innumeros e bons serviços. Rangel. Amigo dedicado que foi do Morreu como uma estrella chorado Quinca que some-se deixando ainda sempre . violão de fóra da moda. acompanhado seguro no seu violão seguro. Nas suas palestras. Foi um dos primeiros violões Murtinho. nunca desprezou o seu fraque. tal a confiança que elle tinha no seu ouvido. Pinto mendigo. JUCA VALLE Persona grata do dr. mesmo Ventura Caréca. que tocava com bastante amor e gosto. Luizinho e muitos [086] outros flautas que tinha nelle um transigente nos seus direitos. ou uma sempre uns ternos impolados de modinha. e outros. sendo por isso fama. mettia acompanhava um chôro. Manafástara. Companheiro ininseparavel de Callado e Viriato. Conservador de tradições. não admittia que lhe gato pingado. desse o tom. razão porque.– 113 – HENRIQUE ROSA (CASAQUINHA) reflectir o seu brilho nos grandes astros. de sua época. Foi quando falla deste chorão empregado antiquissimo da pranteado sentimos saudades. considerado por todos os VENTURA CARE'CA chorões.

tocava muito bem violão. na sua maviosa flauta fazia um quarteto. estando hoje aposentado. Era irmão do grande violinista Lafaiete. estava fazendo tudo para imital-o.– 114 – Laranjeiras. Hoje acha-se retirado um pouco . [087] foi bom filho. e que muito se elevou no conceito publico. como acompanhava. conhecia regra de harmonia e tudo mais de seu pertence. não só solava. é um amigo certo e communicativo digno de applausos. tendo delle apanhado todo seu estylo serviu muitos annos como guarda-civil. prestando nella os mais relevantes serviços. Diziam os musicos daquelle tempo que Callado. e os mais musicos de nomeada. quasi igualava com o immenso flautista Callado. Patapio estudou musica a fundo. e excellente amigo. Tinha accordes maviosos. e tanto assim que já fazia um dueto no seu maravilhoso instrumento. PATAPIO SILVA Ainda hoje o nome deste professor é fallado. Patapio. sendo neste posto. Era flauta de respeito. e chorado. admirado por todos os flautas como elle. Era quem organizava o conjuncto de musicos professores. um grande cumpridor do dever. naquelle tempo nunca poude apanhar delle nenhumas de suas modulações. e tão difficeis que o escriptor que tambem era um malandro chorão. NENE' MARIO Conheci morando no Estacio de Sá. e um pouco retirado do circulo dos chorões. para tocarem nestas casas de diversões. e que Patapio muito o admirando. Morreu a pouco no cargo de guarda-civil.

Viriato e Luizinho eram suas predilectas. e muitos outros logares. mesmo assim ainda é chamado. é quem fórma as orchestras. e risonho para a grandeza do nosso caro Brasil. dedicou-se ao forum. e tem composto bellas Aves Maria. Então as musicas Callado. Foi aprendiz do grande luminar da musica Cupertino. Gostava de tocar em bailes onde houvesse gordos pirões. acompanhado de bellas bebidas. Agapito é morto [088] ha alguns annos deixando muitas saudades a todos nós. abandonando o logar. THOMAZINHO Foi grande flauta de seu tempo. AGAPITO Chorão de marca. chorões.– 115 – da musica. Em bailes e festas era agradavel ver soprar a sua maviosa flauta. mas mesmo assim dava prazer nos logares onde tocava. Olegario foi em 89 servente na 4ª Secção dos Correios. um futuro prospero. Este heroe do chôro falleceu a poucos annos. o Patapio. tocava com primor as musicas de chôro. para tocarem nas festas de igrejas. que felizmente ainda vive. tirando carta de solicitador. pois . tocando nos bailes da Cidade Nova. Não era destes primorosos. Este chorão sabia entrar em uma sala. Estacio de Sá. conhecia pouco musica. E se assim não fosse dava o fóra dizendo que não foi feito para passar ginja. Infelizmente perdeu-se com a morte deste professor. tocava com grande agrado para todos. OLEGARIO FLAUTA Conheci ainda moço.

Luizinho. Viriato. Silveira. pela sua graça. gostava muito dos chôros de Callado. Tocava com alma. conhecia bem a musica. e que bem poucos o imitavam. Pedro de Assis era de uma educação finissima. e era um primor ouvil-o. e por isto tocava com primor e bom gosto. e bom gosto. tambem um companheiro distincto. pois já se acha cansado pela idade. que muito o estimava. Se não me falha a memoria. foi alumno do grande mestre Duque Estrada Meyer. Rarissimo . pela maneira sublime que agradava immensamente. Tocava o classico. pois aprendia com muita felicidade as lições passadas. muito tocou. Conhecia musica a fundo. que tinha nelle um discipulo de extraordinario valor musical. e tambem o chôro de todos aquelles immensos flautas já por mim descripto. PEDRO DE ASSIS Tambem luminoso flauta de sua época. RAYMUNDO FLAUTA Era tambem um flauta respeitado. Thomazinho era grande amigo de Ismael Brasil grande trombonista já neste livro por mim descripto. e muito querido de seus companheiros de musicas e dos que tiveram a felicidade de conhecel-o. e o considerava. Em bailes e festas. Pedro de Assis. Hoje é reformado da Marinha. pelas informações que tive a muitos annos.– 116 – ficava logo estimado. Era seresteiro de verdade. o que muito agradava a Meyer. o que julgo tambem dos chôros. Infelizmente este grande flautista como seus companheiros ha muitos annos já desappareceu do meio dos vivos. e muitos outros daquelles tempos.

Era grande. e os poucos ou quasi nenhum chorão daquelles luminosos tempos. Mello Moraes. era o ensaiador do celebre Bumba meu boi. que muito gosto. o que muito tem me difficultado pelos annos já passados. morava. e o publico que aprecia a flauta e a musica. pois era muito conhecido na roda dos acompanhadores daquella época. e lembrado dr. com bastante desembaraço. Annibal. se não me falha a memoria lá para as bandas de São Christovão. Compoz muitos bons chôros. que deve [089] estar por ahi. e prazer deu áquella sempre chorada festa.– 117 – era o dia que Raymundo não tivesse um chôro para tocar. para que os chorões. que o fazia muito estimado. Emfim este livro não faz mais do que trazer os seus nomes. Tive a felicidade de acompanhal-o em muitos e bons chôros na casa do grande intelectual Mello Moraes. vou procurando mais ou menos reviver a sua memoria. que agora neste insignificante livro. de uma educação natural. e mais ou menos os seus feitos. e o estimava. Não sei se ainda vive pois a muitos annos que não tenho delle noticias. como elle tambem. Era um amigo dedicado. que tanta gloria deu áqueles . como de todos os seus companheiros de jornada. serenatas e mais. par me dar conhecimentos certos. onde eu pudesse trilhar. que muito o admirava. Annibal foi intimo do sempre chorado. no esquecimento. fiquem mais ou menos a par destes grandes luminares das festas em salões. e que sempre o chamavam! tal a sua maestria no gosto pelo chôro. ANNIBAL Tambem grande professor de musica. e immenso chorão.

Sabia tocar com alma todas as bôas musicas. nem sempre pela morte. Não dava para traz em qualquer convite. quasi sempre de ingratidão. que naquelles tempos existiam em grande quantidade sendo cada uma de melhor gosto. que ainda felizmente temos. pois tinha mesmo prazer em se exhibir nas festas conscio do que sabia. já neste livro descripto. tocar em bailes. com um chorão de seu tempo. . o que lhe facilitava tocar com grande primor e arte. adorava um baile. que Foi profissional no chôro. tocava com alma e gosto os melhores chôrso que existiam na sua época. como ninguem rogava aos seus acompanhadores para que delle não se esquecesse. Tambem flauta do chôro. que tudo termina. e chorão de facto. Apesar de tambem não ter conhecido pessoalmente pude pegar estas informações. talvez cansado pelos annos. pois era o seu fraco. Deixou muitas bôas composições que devem existir nas estantes dos bons flautistas. Era um bom amigo e dedicado companheiro.– 118 – bairros. Este IGNACINHO FLAUTA heróe tinha uma Fabrica de Cigarros na rua do Ouvidor. Era um flauta primoroso. Hoje julgo ter-se retirado da lucta musical. Conhecia bem a musica. JOÃO DE OLIVEIRA [090] JERONYMO SILVA Pae do eximio musico Candinho Silva. Era muito querido de seus companheiros musicistas. lhe dava o necessario para viver. Tambem já dorme o somno do Não podia ver defunto que não descanso desta vida tão cheia chorasse.

pois era um folgazão de marca maior. difficultosas que fossem. e fazia muitos trocadilhos engraçados. mesmo de primeira vista. não só na [091] roda dos flautistas. Morreu já ha annos deixando grandes saudades. de uma educação finissima. tocava tambem o classico com grande desembaraço. tocava fosse impossivel na occasião com grande primor e arte. Tocava bellos e ternos chôros. amigos dos que com elle privavam. sempre PORTO JUNIOR arremediava em chôros. JUCA TENENTE Era tambem chorão de fama. risos. pois. apesar de não tocar por musica. Foi companheiro dos bons. que faziam o encanto dos salões. Em bailes que tocasse ficava logo intimo. Conhecia musica como gente morou muitos annos em São grande. Apesar de tocar musicas faceis e poucas. Era muito brincalhão. e era motorneiro da . onde Flautista de respeito. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata. fazendo assim. Gostava muito dos pagodes que houvesse grude. Este chorão salões onde tocava. deixando muitas saudades. como elle chamava a farta mesa. tornando-se agradavel a todos.– 119 – que não o deixavam parar. que ainda hoje perdura nos que o conheciam. Infelizmente já tambem não existe. que delle ficavam amigos. o que conhecia tocava com alma. era arranmuito considerado. tocava com a maior facilidade. As musicas por mais Christovão. como tambem nos grandes e pequenos jar-se um dos bons.

– 120 – Light. Era distincto amigo, não dava para traz a qualquer convite desde que houvesse os competentes pitéos acompanhados dos grandes molhos. Este bom companheiro, tambem já dorme o somno eterno, por uma tuberculose, deixando muitas saudades, e mesmo lagrimas de todos que como eu, muito o conheci, e com elle privei, não só em bailes, festas e até serenatas, de que elle era um batuta respeitado, não só em São Christovão onde morava, como na cidade nova, Estacio, Catumby, Morro de São Carlos e Rio Comprido, etc. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana". JUSTO VARGAS

Eximio flautista e melodioso chorão. Descendia de uma distincta GENERAL GASPARINO familia Vargas, moradora no Musico de cultura, e valor. lugar denominado "Coelho", em Era professor de flauta e de S. Gonçalo. Era infelizmente cégo, porém, de finisimo trato, grande saber. De uma educação finissima e typo bonito e sympathico, por esta razão era sempre rodeado posição elevada.

– 121 – pelo bello sexo. Além de ser um bom executor de flauta era tambem professor eximio, muito considerado, não só na roda dos flautistas, como tambem nos grandes, e pequenos salões onde tocava. Conhecia musica como gente grande. As musicas por mais difficultosa que fosse, tocava com a maior facilidade, mesmo de primeira vista, tocava também o classico com grande desembaraço. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata, [092] Impossivel me é descrever, a grandeza, e a sublimidade deste grande professor. As suas glorias foram tantas e tantas, que só com muitas lagrimas pode-se dizer a sua vida, como immenso maestro que foi o nome acima. Foi um genio na musica, conhecia theoria como poucos, a PEDRO SACHRISTÃO sua flauta em seus labios não Grande flauta de cinco tocava mas chorava. Não só chaves, toquei tambem com este conhecia os grandes choros dos de uma educação finissima, tornando-se agradavel a todos, que delle ficava amigo. Infelizmente já tambem não existe, deixando muitas saudades. heroe do choro, em Nictheroy na rua da Soledade em casa de um sr. Guimarães que vendia bilhetes de Loteria. Pedro era um bello moço, muito amavel, e modesto. Era naquelle tempo, sachristão da Igreja de Santo Antonio, que ainda hoje existe, na rua de S. Lourenço. Com elle fiz tambem muito bôas serenatas ao luar, se não me falha a memoria julgo já ser fallecido. O GRANDE PROFESSOR DUQUE ESTRADA MEYER

– 122 – immensos flautas já por mim descripto, como tambem o classico. Tocou em muitas orchestras, sendo admiradissimo, pelos maestros daquella época. Meyer era um genio alegre, e folgazão, de uma educação finissima, exemplar pae de familia. No chôro quando tocava as musicas de Callado, Viriato Silveira, Luizinho, e outros, fazia com alma sentimento e graça. Foi grande amigo dos chorões acima, mas tinha uma grande predilecção pelo sempre chorado musico Callado, pois quasi sempre tocavam juntos. Callado em attenção a esta grande e bondoza familia, escreveu uma quadrilha dedicada á mesma, que botou o nome de Familia Meyer que é um primor de arte, e que tenho em meu archivo como uma joia inesquecivel. Essa familia qua[093] si toda de bons musicos era admirada por todos. Pelas informações por mim colhidas, parece existir uma pessôa desta distincta familia, que como Meyer, é tambem grande executor de flauta, que infelizmente não tenho a felicidade de conhecel-o, e ao contrario, talvez pudesse descrever essa grande gloria brasileira, com maior perfeição. Aqui fica mais ou menos descripta a vida musical e pessoal deste grande musico, para a gloria dos flautistas d'agora, e dos que vierem para melhor conhecer essas glorias que o tempo, não trarão mais. HONORIO DO THESOURO Quem nesta capital não conhece este grande chorão. E' um flauta primoroso, conhece bem a musica. Conhece todas as composições dos chorões por mim descripto, especialisando-

– 123 – se nas de Candinho Silva. Honorio morou, ou mora nos bairros de Villa Isabel. Foi chorão de facto, é exemplar chefe de familia, amigo de uma superioridade immensa. No chôro em que toca é um bamba dos bons. Toca sabendo dizer na sua flauta maravilhosa o que sente. Acompanhei-o muitas vezes e sei o que elle vale. Agora não sei se ainda é o bamba de outros tempos mas julgo que não, pois os janeiros talvez não deixe fazer as proezas de uns quinze annos atraz. Porem tenho a certeza se bolirem com este heroe, ainda não dá para traz, sabendo dizer na sua flauta o que sente. GODINHO Conheci-o como mestre da bando do Corpo Militar de Policia da Côrte. Era muito intelligente, e regia a banda com grande maestria, chegando a galgar o poisto de alferes, nome que que se dava naquelle tempo, o que hoje equivale o de 2° tenente. Godinho era muito estimado pelos seus superiores, e tambem pelos seus subordinados. Morreu já a bastantes annos deixando muitas saudades e lembranças. O instrumento de Godinho era flautim que manejava com arte. [94] OS CHÔROS ANTIGOS Vou aqui descrever as antigas festas obrigadas aos bons e afamados choros daquelle inesquecivel tempo, pois são para mim grande transmissor de saudades. Como eram as festas da casa do Machado Breguedim, na Estação do Rocha, Machadinho, como era conhecido era um flauta de nomeada, os choros organisados em sua residencia

– 124 – eram fartos de excellentes iguarias e regados de bebidas finas; sendo um alto funccionario da Alfandega era financeiro, por isto fazia grandes economias para gastar em suas festas, onde reunias os musicos seus amigos. As festas em casa do Machadinho, se prolongavam por muitos dias sempre na maior harmonia de intimidade e enthusiasmo eram dignos de grande admiração os conjunctos dos chorões que se succediam uns a outros, querendo cada qual mostrar as suas composições e o valor de suas agilidades mecanicas e sopro aprimorado. E assim eram as festas da casa do inesquecivel Machado Breguedim. ADALTO Este morava tambem nos suburbios e as suas brincadeiras eram realisadas com chorõe escolhidos tomando parte Anacleto de Medeiros, Luiz de Souza, Lica, Gonzaga da Hora, José Cavaquinho, Galdino Barreto, Mario, Irineu Batina, Carramona, Néco, José Conceição, Luiz Brandão, Horacio Teberge e muitos outros, daquella época. O Adalto, foi pessôa grata e de confiança do Marechal Floriano Peixoto, que ao terminar a revolta de 93, mandou que elle, escolhesse um bom logar em uma secretaria de Estado, opinando elle, para a de Correio de Ministro tal era a sua modestia e desinteresse por dinheiro, Adalto era exemplar chefe de familia e um amigo sempre prompto a servir a todos. Os choros em sua festa tambem se prolongavam sempre dentro da ordem, do respeito e da alegria. Para findar esta apologia direi: O Adalto era um apaixonado do chôro que desappareceu marcando a sua época.

no Gato Preto e no parte no programma Botequim Braço de Ouro. nos baptisados. Augusto Mello e comitiva. no lares de todas as familias pois já Confeitaria vinha a muitos annos fazendo Andarahy. no Portão era tambem um grande Major admirador de choros e serenatas. familia os chorões de sua reuniam os grandes valentes intimidade acompanhavam como foi "Bocca Queimada". nesta estação em ficava do lado oposto eram que o Barão veraneava com sua nestes estabelecimentos que se Exma. que bôas peixadas. no muitos dias. de Santo Antonio. Tempos. e na propriedade. no Botequim do Avila. festa esta que Botequim da Cancella. muitos outros conhecidos como . na Bandeira. Pedro e Sant'Anna. Tambem elle fazia todos numa vendinha que existia no os annos uma grande estadia na Largo de São Francisco esquina Ilha do Pontal. no Cattete. Nos anniversarios. no centro da cidade. no orçamentario do Barão. no Estacio de Sá. nos casamentos. de sua da rua dos Andradas. fazendo parte integrante de sua Tres Pernambuco.– 125 – BARÃO DA TAQUARA PONTO DOS CHORÕES Foi nesta quadra primorosa Havia tambem uma tradicional festa promovida pela que imperava o chôro nas festas flôr dos chorões de Jacarépaguá. São na fazenda do Barão da Taquara. aonde se comiam Confeitaria do velho Chico. Vermelho. os grandes [095] chorões eram procurados em por elle organisada que durava pontos certos. no repercutia como um encanto nos Matadouro. Israel. este que Engenho Velho. São João.

aconteceu que para voltar para casa foi necessario que seu compadre que era Guarda Municipal. na sua chegada teve grande recepção como era de esperar. O COIMBRA DO TROMBONE Foi este. pedindo que não o deixasse beber. não pôde resistir. muita comida. começou a comer e a beber as paginas tantas já não soletrava [096] "Cascadura" não conhecia ninguem.– 126 – flor da gente. jogando todos os ovos na Santa. e antes de ira para o chôro ajoelhou-se deante da Santa Rita. Tambem eram encontrados muitos musicos chorões que combinavam bôas patuscadas. que festejavam neste largo a data gloriosa de 2 de Abril dia de São Francisco. o chôro continuava em cas do compadre lá para as bandas da rua Machado Coelho. chamasse um carregador para carregal-o para sua residencia! Na hora da sahida sua comadre entregou ao dito carregador uma duzia de ovos para sua senhora depois de muito custo chegou em casa o Coimbra. muitas bebidas. pois quando elle bebia ficava impossivel de se aturar depois do pedido tocou o Coimbra para o pagode. onde muitos delles sahiam com sinos. blasfemando por não ter sido attendido no seu pedido. Emquanto se passava esta scena de sacrilegio. tambem faziam paradas ahi os franciscanos. foi direito ao quarto onde estava. O Coimbra. convidado um dia para um chôro em casa do seu compadre onde se realisava um baptisado. O Coimbra que era devoto de Santa Rita. muitas saudações. era pae de um moço que tornou- . o nosso Coimbra. tomando das mãos do carregador a duzia de ovos.

50. e Rabéca de Ouro na mesma rua. e com grande compreensão nervosa motivada pelo uso do alcool. pegando os pobres bichinhos pelo cangote virava de pernas para o ar para mostrar o sexo. por ter abusado extraordinariamente das bebidas tornando-se inconveniente no pagode. as paginas tantas já estavamos cercando frango. o "cabra" era repudiado e dispensado com todo deferentismo por seus companheiros de conjuncto. afim de que não se reprdoduzisse scenas identicas. levou-me para sua residencia para mostrar-me uma linda criação de porquinhos da india. já fallecido. uma occasião encontrei-o no Estacio de Sá. de propriedade de Buschhman Guimarães e Bevilaqua. e Moreira. matou quasi todos! passaram-se ainda outros episodios com outros personagens. CHORÕES ANTIGOS Os musicos na sua maioria faziam ponto nos chás de musicas da rua dos Ourives. Nos botequins encontravam-se os malandros chorões. cantando mo[097] dinhas e assobiando. á rua Gonçalves Dias. O Coimbra neste tempo morava na rua de São Carlos. Em uma occasião depois de terminado um chôro botaram dentro de uma carroça da Gary este chorão. á rua da Carioca. e começamos a tomar umas "lambadas". e tendo sido tomada esta medida para a moralisação dos chorões.– 127 – se um grande chorão no violão. ao ouvido . pois quando um componente da troupe dos chorões desrespeitavam algum amigo entre elles. Eu privei muito com o Coimbra. e tambem no Cavaquinho de Ouro.

fazendo cousas impossiveis com o seu trombone e bombardinonos contra-cantos da marcação do bombardão do inesquecivel Gonzaga. E assim correram os tempos cheios de saudades desses modestos compositores de musicas alegres.– 128 – de outros predilectos do chôro. Companheiro do Romeu e do saudoso Paulino Sacramento e de muitos outros grandes musicos. repercute. como um grande disciplinador de harmonia. como uma homenagem e esta prole de musicista brasileiros que repercutiram. abriam-se as janellas. e os comestiveis feitos a La minuta. onde os harpejos dos violões as notas sonoras da flauta. improvisava-se então o baile. Henrique é hoje um professor de musica que ornamenta as . e vibrações do cavaquinho. na belleza dos nossos antigos musicos. Conheci-o como subdirector de harmonia do Ameno Resedá. que satisfaziam os apreciadores das explendidas serenatas ao luar. despertava os moradores de todo o quarteirão. e repercutirão na grandeza. HENRIQUE MARTINS Foi alumno do Collegio dos Meninos Desvalidos. Os chorões daquella época. e o respeito as familias que os acolhiam em seus lares. e saltitantes. e o devotamento que tinham dos seus instrumentos. deste passado que estamos tentando descrever. e as portas das moradas. tal a união que existia entre elles. dando entrada ao conjuncto que formavam os choros até mesmo dos penetras que em todos os tempos jámais perderam a vasa. com estima e simplicidade. portadores de inesqueciveis recordações. E assim compunham musicas de inspirações e melodias. era uma familia.

Era eximio tocador Infelizmente o que é bom de flauta. de dura pouco. Nos pagodes onde especialisando theoria que elle tocava fazia graça. apaga da vida [098] homens que se ainda vivesse. modesto. Nos suburbios. simples e de fino tratamento por isso muito estimado pelos seus collegas de classe e pelos chorões da velha guarda. faria a maior gloria do nosso que houvesse. A morte com seu admirar. de um enterro de ossos. Ia longe. Conhecia musica a fundo. pois era um conhecia como poucos. Hernandes de sempre firme como sentinella Figueiredo está neste caso. suburbios. executava a mesma. Elle tocava todas as composições dos pois tocava quasi todos os grandes flautas. já aqui descripto instrumentos. em porquinho nem se fall. bailes alfange tudo corta. especialisando-se atraz de um papo de peru no violão. E' um artista sincero. sempre prompto para o combate. que era de um primor orchestras constituidas de musicos nacionaes e extrangeiros. Era bom e sublime musico com o já disse e companheiro dedicado gostava muito. Era um gato do matto para gostar de gallinhas. Saturnino estava caro Brasil. pandego de força. . Podia-se chamar um maestro. avançada.– 129 – recheiado. o distincto amigo e bom companheiro que foi HERNANDES FIGUEIREDO Saturnino. nos pagodes onde tinha intimidade empenhava-se e fiscalisava a cabeça do leitão. dizendo que SATURNINO era para a feijoada completa do Quem não conheceu nos dia seguinte.

Morava em S. Tocava muito bem o violão. e conquistado pela sua mais que finissima educação. O grande Professor. Era um collega distincto sobre todos os pontos. Falleceu a poucos tempos e . e superiores. a sua aposentadoria deixou muitas saudades. como eu. Muitas vezes extaziou-me ao ouvir-lhe solar operas inteiras. Desiderio aposentou-se se a minina nota que o desabonasse. de um educação finissima. polkas. Falleceu repentinamente. com solava admiravelmente. sustentou uma polemica pelos jornaes desta capital. que foi irrespondivel tal a nitidez e conhecimentos que Hernandes. sobre o violão. e aos seus collegas. Companheiro sem igual. mazurkas. quando exercendo a sua profissão. acompanhando com profissiencia o [099] que cantava. Christovão. No seu violão. sua tonalidade. julgo em um compartimento dos correios. Excellente chefe de familia. não só acompanhava. e mais artigo este. etc. DESIDERIO PINTO MACHADO Foi distincto carteiro de 1ª classe dos Correios agora aposentado. daquelle bairro em que elle era adorado. com uma vóz maviosa de tenor. o encordoamento. e instrumentos. tinha sobre a musica. onde fazia o encanto dos lares de muitas familias. chotechs. e cantava admiravelmente. que tive o prazer de aprecial-o.– 130 – como poucos seus dedos no instrumento era de ouro pois encantavam os que ouviam. de que era um funccionario exemplar. quando aqui esteve esteve o tambem immenso violão Barrios.

Occupava este chorão linha. etc. pois conhece o Irmão de Disiderio. Pois bem. tanto sabia fazer amigos. chotchs. Solava no concerto dos mesmos. tambem polkas. neste heroe tudo é bom. como tambem defeito por maior que seja. com os seus os compostos pelos antigos modos de tratar. do O LOBINHO . e collega attrahente. Como chefe falleceu. com uma fazendo facilidade extraordinaria. Deu grandes prazeres todos os choros por musica nos bailes em que tocava. sentidos e chorosos pezames. Não só tocava com a novo concertando qualquer parte á frente. Conhecia o seu instrumento a ainda faz de um piano velho. e admiravelmente. Lobinho toca quadrilhas inteiras. ninguem CARLOS DE SOUZA LOBO – lhe supplanta. E' acompanhava os instrumentos artista não só na musica. encantar aos ouvintes. e com profissiencia. de familia é exemplar. como cantantes de ouvido. Toca prazeres. fundo. Elle além de ser bom musico. pois mesmo de primeira vista. Lobinho é um THEOTONIO MACHADO artista de merito. de educação o cargo de estafeta de 1ª classe de dos Telegraphos quando aprimorada. Tocava fóra.– 131 – que daqui destas tocas paginsa Poucos serão que não envio a sua familia. era instrumento por dentro e por chorão de verdade. E' distincto amigo. os meus conheça este chorão no piano. Mora para as bandas. conhece bem a musica. que era como modernos pianistas. tal a mazurkas. ophicleide com grande saber. Deu grandes agilidade nos seus dedos.

tocava tocar. tinha abrideira. onde faz os encantos daquelle logar. Conhecia muito musica. alli pela Telegraphos. bem de ouvido acompanhando mais vontade tinha. O seu instrumento era o que tocava era sublime. e assim fallecido. Estacio e muitos [100] outros logares. como tambem nos enterro dos ossos. era sempre chamado para que gostava de dobrar nos tocar nas sahidas das Sociedades pagodes. Não se fatigava de Além de musico que era. Catumby. Rio Comprido. . e por daquelles tempos. ANTONICO DOS TELEGRAPHOS ficava o instrumento com uma vóz maravilhosa. Hoje está aposentado no logar de carteiro de 1ª classe dos Correios. Antonico Comia bem e gostava de uma quando tocava em chôro. afim de encher no Musicaes. Era um chorão de Cidade Nova. Era dos taes isto. Já é instrumento a um canto. que tocava com Executava com grande perfeição as musicas dos velhos tocadores alma. mas facto. Tambem já é fallecido a muitos annos. adorava. acompanhada depois por costume encostar o com boas Cervejas e vinho. de embasbacar a todos os ouvintes.– 132 – Meyer. pois quanto mais tocava. POLICARPO FLAUTA Muito o conheci e com elle Era Estafeta de 1ª classe dos muito toquei em bailes. Era um com gosto e arte. e saber. de que elle bailes que as mesmas desse. tinha muito instrumento cantante com uma boas pilherias de fazer risos. qualquer pandego de força. ophicleide. belleza de admirar. Não era grande musico.

Quando entrava [101] no picadeiro. e eu de cavaquinho. elle de violão. pagando assim bem caro a sua imprudencia. de Assumpção o grande palhaço pois cantava bem e tocava de circo de cavallinhos que fazia melhor. acha-se um pouco retirado. fazia-mo os encantos da rua Wencesláu. que conhece com a maior facilidade todos os choros dos antigos chorões. Carneiro é um dos velhos violão. JULIO ASSUMPÇÃO Muito toquei com elle pois Quem não conheceu o Julio era explendido companheiro. lá pelos lados do Andarahy onde falleceu por ter comido um bello surucucú ensopado. modinhas e ludús. era acclamado pois sabia dizer com graça e verve os trocadilhos pilhericos que a todos faziam rir. Era da turma de Eduardo das Neves. de flauta. e humuristicos. Benjamin de Oliveira e Mario Pinheiro e muitos outros. e lá com Oscar Cabral. Muito choros toquei com o Carneiro. vibrar as platéias com seu OLIMPIO (CONDE DE mágico violão? Cantando . Frequentei muito a sua casa. apimentados. Era distincto amigo e respeitado. Julio de Assumpção foi aprendiz do palhaço Polidoro de gloriosa memoria. mas mesmo assim. onde Carneiro morava. se bulirem com elle ainda faz preludios de admirar.– 133 – CARNEIRO E' official de Justiça de uma das Pretorias criminaes. e eu de cavaquinho. Carneiro de violão. Tendo ficado o seu corpo todo chagado. Hoje já velho e cansado.

Tocava este genio. sem repettir. Foi chamado para reger uma banda de musicos no Estado do Rio. pois a morte o surprehendeu quando no apogeu da gloria. ophecleide posso quasi garantir que naquelle tempo ninguem o igualava. Cantava uma noite inteira. Quem dos velhos chorões. como chefe de familia era exemplar. [102] . Ensinou musica a muitos. mas a sua guela era brilhante sem jaça. tal a sua maestria no seu ophicleide. e tambem os que o conhecia. e digna de se apreciar. onde prestou bons e reaes serviços. de fazer extase. como collega e amigo. como tambem nos Estados. Olimpio era um farrista de fama. Tocava pouco violão. Era musico de primeira agua. A sua vóz era uma maravilha ouvir-se. tocava com grande facilidade qualquer parte que lhe désse. Cantava todas as modinhas daquella época que não vae longe com um sentimento de bom gosto. Falleceu como carteiro de 1ª classe dos Correios. Foi professor de grande valor. não só aqui nesta Capital. com tambem acompanhava o chôro de ouvido. pois tinha a tonalidade de baritono. e para lá indo pouco durou. ninguem o supplantava. e dar uma pequena apparencia com o grande capitalista infelizmente tambem fallecido. por ser muito vermelho. não conheceu este astro de superior grandeza.– 134 – LEOPOLDINA) BARATA O heroe acima era conhecido por este appelido. emfim deixou seu nome esculpido no coração de cada carteiro que o venerava. Barata não só conhecia com profissiencia a musica.

E' regente de grande nomeada. tocava tambem bombo. pois é de um tratamento aprimorado. sendo mestre desta banda. Deixando grande saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. e oboé. mas sendo o seu predilecto o clarinette. Rocha com a sua capacidade e vasta intelligencia. galgou o posto de major e mestre de todas as bandas da Policia Militar.– 135 – AGOSTINHO GOUVÊA Artista sublime na musica. E' maestro de primeira agua e professor do Conservatorio de musica. Christovão canto de Miguel de Frias. Porfirio era muito mentiroso. Porfirio além de tocar bombardão. sociedade esta que existia na Rua de S. andava sempre com as suas mentiras. Tocou muito em grande orchestra onde era respeitado pelo seu saber. MAJOR ROCHA Conheci-o no antigo Corpo Militar de Policia da Côrte. Chamava-se este professor João Maia. fazendo muitas vezes . tratando-os todos com a maior distinção. Como amigo ninguem o supplanta. Reformou-se no posto acima onde morreu a poucos annos. que tocava todos os instrumentos. PORFIRIO LEFEVER Era grande musico. Era grande amigo dos seus commandados. onde na banda era um ophicleide respeitado. tocava bombardão. Seu instrumento predilecto. no Club Independencia Musical. que conhece a fundo é com grande maestria. caixa e ferrinho. e um grande professor. morando lá pelos bairros do Andarahy. fazendo a admiração dos que o apreciam.

que sendo Presidente da Camara Municipal. de grande pasciencia. Adolpho Bezerra de Menezes. Tambem [103] frequentava a Escola suas irmãs legigo na cidade. Ensinou a muita gente a ler e escrever. pois qualquer serviço por mais difficultoso. Gostava muito nos bailes em que ia tocar. elle fazia. Com um pequeno canivete bem amoladinho por elle. que eram o Octavio. de uma belleza sem par. dedilhava fuzuê entre os musicos. que pella difficuldade monetaria. fazendo nos dedos anneis. etc. muito habilitada. do sempre lembrado. não fazendo selecção de pessoas. Tendo sido sua primeira Directora se não me falha a memoria D. Era muito preparado. Para elle não havia nada impossivel. a muitas crianças. abriu na Estrada Velha um Escola denominada Escola Mixta de Nossa Senhora das Dôres. Felizmente Sinhazinha. conhecendo bem o portuguez. e Yáyá. que desaparecendo esta ainda me sôa nos ouvidos. Figas de arrudas e guiné de uma perfeição admirada. e até no centro da familia de sua mulher. chorado e humanitario Dr. anormalidade com a moradia quando no seu piano. e de um trato finissimo. e um dos primeiros. nós encontramos e ainda nos relembramos dos tempos de criança que tantas recordações alegres nos trazem. de comer a farta. Era de uma habilidade impossivel de descrever-se. Zizinha. apellidado em familia Barão. não podia vir a um col- . o francez. confeccionava palitos.– 136 – alli. e que felizmente de vez em quando. e beber melhor. e homens. Bezerra de Menezes. e tambem os filhos do Dr. Alcina Carneiro de Queiroz. pulseira. O autor deste livro foi seu alumno.

– 137 – com muita graça, e harmonia. A Lucia de La Memour. Infelizmente os principaes componentes desta mais que distincta familia já estão com Deus, praticando lá a caridade. PAULO ESTEVES Qual o velho carteiro que não conheceu o bom do Paulo? O personagem acima era chorão viciado, não podia ver defunto que não chorasse. Chegava a indagar onde existia um chôro, para elle metter os peitos. E assim era raro o collega que não chamasse o bom do Paulo, para fazer força, em festas que muito dava os carteiros naquelles saudosos tempos, que hoje ao lembrar-me as lagrimas me rolam pelo peito abaixo. E Paulo satisfeito, lá ia com seus instrumentos que era flauta, e ophecleide qualquer dos dois tocava regularmente, fazendo prazer nas festas onde tocava. Paulo, foi carteiro, tendo sido exonerado por abandono de emprego, pois o chôro fez esquecer os seus deveres.. Tambem já falleceu. JULIO BEMÓL Conheci-o e muito privei com este chorão. O seu primeiro instrumento foi ophecleide que tocou admiravelmente, acompanhando os grandes flautas daquellas épocas. Mais tarde passou aprender flauta que aprendeu com facilidade, pois era muito intelligente. Bemól foi conteporaneo de [104] Callado, com quem muito tocou. Tambem tocou com Rangel, Luizinho, Viriato, que eram naquelles tempos Batutas. Aqui deixo seu nome para gloria dos chorões de agora. SARGENTO VELLOZO

– 138 – Era Sargento da antiga Escola Militar, Bahiano da gemma. Cantava admiravelmente. E todas as suas modinhas, era feita por elle, não só fazia a musica, como tambem os versos, modinhas estas, da maior difficuldade os seus acompanhamentos. Vellozo, de vez em quando, dava um passeio a Bahia, e levava para outros tocadores de lá, as modinhas difficultosas para os de lá cahissem, afim de vingar-se, por outras tambem difficultosas, que lá cantavam para que Vellozo tambem cahisse. E assim Vellozo levou muitos annos para lá, para cá, nessa teimosia sem fim, só deixando com o seu fallecimento. Tentei muitas vezes acompanhar as suas modinhas, porém, isto sempre me foi impossivel, tal a sua difficuldade. Não fui eu só o christo, neste ponto muitos violões superiores a mim tambem passaram por esta decepção. E assim finalizou-se este chorão que não sei se o glorioso Estado terá igual. CANTALICE Foi musico de fazer vibrar corações com o seu admiravel violino. Tocava com muita alma, gosto e saber. Conhecia muito bem a musica, que tocava com grande facilidade, e maestria. Nos chôros que tocava era de embasbacar, tal o embellezamento que elle fazia naquelle já velho instrumento. Solava muito bem, as polkas, valsas, chotiche de Callado, Viriato e Rangel, que elle adorava-os. Solava quadrilhas inteiras de fazer encantar. Acompanhava qualquer cantante, com alma e sentimentos. Muitas occasiões me dizia, que a musica é como a morte, precisa fazer tristeza,

– 139 – para ter effeito, e outras vezes, deve ser ao contrario, para fazer alegria, natural, o que alguns musicos não comprehendia. Tocava com a parte a frente mas faltava-lhe alma que é o necessario nestas occasiões. Contalice, morreu já um pouco alquebrado pelos annos, mas mesmo assim não fi[105] cava devendo nada aos moços, que muito o admirava. AMERICO JACOMINO (O CANHOTO) Infelizmente tambem já fallecido a poucos temos no glorioso Estado de S. Paulo, deixando o maior sentimento em todo Brasil. Jacomino, foi uma estrella de alta grandeza, e immenso brilho. Bem poucos violãonistas, serão capaz de igualar a Jacomino, pois era de uma admiração extrema. Jacomino nas cordas de seu violão, fazia coisas impossiveis, encantava aos seus ouvintes, não só pela agilidade, como pela sua profissiencia no instrumento por elle magistralmente manejado, com facilidade enorme. Solava como poucos, era de invejar a sua electricidade, nas cordas do seu mavioso violão. Acompanhava muito bem mesmo de ouvido, pois conhecia e tocava por musica. Compoz diversos choros, que é de uma belleza sem igual, e que de vez em quando pelo radio, todos nós escutamos com o maior prazer, arpejados por outros bellissimos e encantadores violões que tocam no Radio. O musicista acima era de uma educação finissima, o seu tratamento encantava a todos que com elle privasse. Daqui destas poucas linhas envio ao grande Estado de S. Paulo os meus sentidos pezames por esta perda irreparavel, e impossivel

– 140 – Emfim, de Verçoza tudo se de substituição, pois era uma aproveitava, pois tudo nelle era gloria brasileira. bom. Tambem já fallecido a bastante annos. VERÇOZA Foi carteiro de 2ª classe dos Correios, era collega distincto. Tambem muito amigo dos seus companheiros de farra. Verçoza, era um inveterado no chôro. no correio onde trabalhava, todos os collegas quando dava uma festa, convidavam para tocar o seu mavioso violão, tal o saber e gosto, pelo instrumento que tocava com grande facilidade, que todos muito o apreciava. Tambem era solista de fama, que fazia a admiração de todos que o escutavam. Acompanhava os cantantes com uma habilidade de espantar, tal a ligeireza de seus dedos, e bem assim os bellissimos accordes que elle conhecia magistralmente. Cantava tambem as bellas modinhas e lundús, que fazia extasiar os que o apreciava. [106] BILU' VIOLÃO Caboclo dos bons. Bilu' foi chorão tambem de facto. Não podia ver uma flauta fazer seus preludios que não ficasse em cocegas, para meter-se no conjuncto, e metendo-se, era um delirio! agarrava-se ao violão fazendo nos seus dedos os gemidos ternos nas cordas de seu mavioso instrumento. O heroe acima, não só acompanhava, como solava, e tambem cantava bellas, e ternas modinhas, de fazer a gente babar, tal era, o gosto que elle tinha pelas modinhas, quando acompanhadas por elle, pois fazia accordes de embasbacar. Era excellente amigo, e admirador de seus

– 141 – companheiros, como elle farrista. Privei muito com Bilu', e sei o quanto elle valia. Já é fallecido a uns 18 annos pouco mais o menos. MODINHA (Um dia Louco)
E sempre, sempre, com sorrir nos labios, Ao lêr teu nome, maldição sorri. Desrespeitei-te sem horro sem peijo Com indiferença neste meu sorrir E do sepulchro, que te guardo o resto Um só queixume não ouvi sahir. Ai! se eu pudesse de joelhos em terra Beijar teu nome nessa louza escripta Sentir as dôres que os remorsos findam Pranto no peito do infeliz proscripto Sim de prescripto desses gosos santos

Aqui neste livro vou tentar Em que meus braços, sem saber fruir... descrever uma modinha, que E que não posso recordal-o agora além de muitas outras, era S e m d ô r , s e m m a g u a s , s e m c h o r a r [por ti. bastante apreciada nos salões daquelle tempo, onde houvesse Porém agora que suspira o peito. E que meus prantos, já voltou tambem! um chôro. Sinto as saudades despertar minh'Peço aos que lerem a mesma, [alma disculpar a falta de alguma Sinto os remorsos que ferir-me vem. Mas estes prantos que me cahe das palavra, de menos ou de mais. [faces, E' tanto a bôa vontade de Se infiltram todo neste impuro chão! servir condignamente aos bons Ai! quem me déra de joelhos em terra musicos chorões d'agora, Entre soluços te pedir perdão. esforcei-me o que pude, para Esta modinha no meu tempo satisfazer aquelles, que este livro de moço, que muito, a mesma lerem. Esta modinha que aqui cantei, e por mim mesmo escrevo tem o nome de Um dia acompanhada com grande louco. sentimento, o tom que fazia era Um dia eu louco, no rumor sem pouso de ré menor, e neste tom, não só Teu nome santo, n'um sepulchro eu li ficava favoravel a voz, e mesmo

no violão coisas de supplantar. era para elle. que agora vive no esquecimento. e gordinho leitão assado. e bôa harmonia nos instrumentos. E assim fazia-se os encantos dos lares. foi galgando os postos verdade. que tudo Como era conhecido o heroe fazia esquecer neste mundo de acima. Mondego entrou para aquella perfeição qualquer instrumento cantante. gostava de comer bem. amor ao do violão. .– 142 – pagodes que ia tocar. Foi distincto collega. Falleceu a uns 20 era um hymno de encantar. embasbacando aquelle conjuncto de moças. Fazia annos. e azeitona nos olhos. Solava os E' carteiro aposentado dos chôros antigos com uma Correios. este é muito melodioso. Foi sempre um companheiro perfeição e belleza. MONDEGO Tocava todos os tons com sublimes accordes. O heroe era farrista de trabalho. um regallo. com a competente batata na bocca. como estafeta dos Telegraphos e carteiro dos Correios. Acompanhava com grande de linha. Os seus dedos eram Repartição como servente. não se negava a um superiores chegando a carteiro convite. mesmo não havendo o de 1ª classe cargo em que se competente mastigo. foi por isto exonerado. O violão nos seus dedos meu Deus. especialisando o bom. Em aposentou. que naquelle tempo apreciava doidamente as nossas modinhas quando havia bella voz. e uma seda finissima nas cordas com sua fina educação. tal era o CHICO BORGES seu prazer pela farra. fazendo encantos de admirar. Tendo abandonado o serviço.

era um céo aberto. Fortalezas nesta Capital. ophecleidista o Manoel Pereira Hoje já cansado pelos annos. e arte. que foi no [108] seu tempo uma estrella da maior Morava na rua tros do Instituto. pois a chorões de fama daquella época sua profissiencia.– 143 – Mondego tem carta de lucta. desde que foi mestre de uma Bomjardim numero 1. que é de uma que era continuo da Secretaria da Guerra. Tenente Castro. e acha-se um pouco retirado da ainda mais os grandes e . belleza de gosto. Valleriano do Couto. onde soube fazer todos REIS os cursos admiravelmente com contentamento de todos os Quais me pasou maesdesapercebido este immenso e inveterado chorão. A casa de Sociedade Musical na Estrada Paschoal. e paciencia era como fossem. já por mim concurso que prestou tirou o descripto neste livro. de uma das Valleriano. seu irmão João Tambem foi mestra da Banda tambem o melodioso de Musica. O tambem respeitado primeiro logar. classe de carteiros. sublimissimo flauta e de encantar. Suntum Alves. professor. pois no ophecleidista. tambem Mondego dedicou-se ao e sumptuoso bombardino que toca belissimo admiravelmente e com maestria. acaba de fazer um hymno a ophecleidista. pelo Instituto de PASCHOAL RODRIGUES Musica. Ali reuniam-se os maiores Velha da Tijuca onde fez grande quantidade de musicos. Agora mesmo. tambem violão de arrebatar. Conheço-o grandez.

Emfim dizer o que era a casa do Paschoal. e executores daquelles saudosos tempos. o Orlando Affonso Reis. Macia. Luizinho e outros muitos que não me vem a mente. Policena de Callado. Quadrilha de Callado. Ali naquelle conjuncto de chorões só tocava o que era custoso para acompanhar. Lembrança do Cáes da Gloria. filho do seu sempre chorado. polka tambem de Rangel. E finalmente. Familia Meyer.– 144 – immortaes Callado. polka de Callado. o que é bom. polka de Viriato. Sonhos do Porvir. 12 de Agosto. Ultimo suspiro. Queixume d'alma. E assim vou ver se me lembro de alguns choros belissimo que se tocava. Mas julgo outras bellas composições de que só com estas possa avaliar o que era aquelles grandes compositores. polka de Callado. devido os grandes tempos já passados. centenares de que não me recordo. do grande Callado. Geralda. polka de Callado. Vivi. Quadrilha de Rangel. tambem de Callado. de fama. polka tambem de Silveiras. Quadrilha de Rangel. Como é bom. polka de Silveiras. e lembrado Paschoal. aprendeu tambem a tocar cavaquinho e violão. Pagodeira. que foi naquelles tempos um violão e cavaquinho. que não volta mais. Camponeza. [109] do grande e sumptuoso Capitão Rangel. appellidade por Zinho. Electrisante do immenso Silveira. quasi me é . Mimosa. Viriato. Geralda. Quadrila do grande Professor Antonio Pedro. Naquella casa que era uma maravilha. Salomé. Quadrilha de Callado. Capitão Rangel.

– 145 – impossivel. E' um grande e valoroso que Professor de violão. naquelle ambiente. canta de . em tudo. pois. e bem regada em boas bebidas. não só por elle como tambem pela sua sempre chorada prole. Conhece [110] musica a fundo. naquelles bons tempos. Os seus dedos nas manual enciclopedico. E assim nunca o gato estava no fogão. Era de uma educação impossivel de descrever-se. E' tambem um excellente amigo e de educação finissima. faz violão admiravelmente. pois alli só reinava a alegria e o bom gosto pela musica. Os accordes por elle feito é de fazer extase tal a sua belleza. Oscar. e assim executa bellas peças cheias de harmonias no seu instrumento que é uma seja a musica. Tem grande quantidade de alumnos e alumnas. encantos. só estava bem no meio daquelles imminentes musicos. e felicidade. pois era farta. depois de Deus e familia nada elle vê GUSTAVO em sua frente. elle toca cordas de seu violão. o que foi aquella casa. empolga mesmo os que ouvirem. que já são executores de admirar. OSCAR DE ALMEIDA Bem sei que estou muito áquem para descrever os grandes e heroicos feitos do distincto amigo acima estas linhas. pois alli todos eram tratados com a maior fidalguia. era onde elle encontrava vida. como amigo ninguem o supplanta! Como chefe de familia é exemplar! A musica para elle é um sacrario. que mais adore. Oscar é um maravilha. Aqui fica mais ou menos dicto.

E assim tem sido a vida deste distincto brasileiro. Quando recita o seu FIEL. os apreciadores estão com os olhos marejados de lagrimas. escrevendo bellos versos que todos os carnavalescos. já nasceu impunhando a lyra. com seu mavioso estro. Recita poesias inteiras com a maior graça e enthusiasmo. No Recreio das Flores tambem muito elevou aquella grande.– 146 – fazer encantar as suas modinhas. Oscar no Ameno Resedá. ao lado do grandioso luminar da musica. e assim a maneja tão bem. Escreve poemas admiraveis. Oscar de Almeida se immortalizou descrevendo a Quéda da Rosa musica de Bonfilho de Oliveira. Napoleão de Oliveira. que tambem é um astro. e outras. Já escreveu um livro com o titulo de Aturdidos que é de uma belleza impossivel de descrever-se com a minha pobre penna. Todas a modinha cantadas por elle. que tão alto tem elevado o nome da nossa Patria. Oscar. e poesia. alegria. E' amigo que poucos o iguala. tal a voz maviosa que elle tem. dando as glorias aquella sociedade. cheia de bellos acordes. Em qualquer festa que elle estiver. e extasiar. que julgo a propria Santa Cecilia o admirar. Faz bellos versos para musicas. é de invejar. Quando Oscar. faz fim na poesia. Faz versos de improviso. que faz inveja. e distincta Sociedade. que já descrevi o seu brilho. e por elle acompanhada. a mesma torna-se de uma belleza sem igual. Faz sentimentos a umas. e das letras que elle idolatra. a gente quasi fica maluco. que vae dar a publicidade muito breve. Feliz da Patria que possue um filho tão digno e educado como o grande e immenso Oscar. conhecem. A classe dos Carteiros deve se orgulhar de possuir um collega . o que elle vale. Agora já tem quasi prompto um bello livro.

[111] nos. e . orgulhosos. chefiados pelos ambiciosos. da vingança da traição. mas me é impossivel tal o immenso valor de Oscar. pela navalha. Os politicos d'aquelle tempo aproveitavam estes elementos fazendo de seus chefes. liberal. sadio. dos crimes. e conservador. que são consideradas hoje. que eram disputados pela força do dinheiro. mas. longe e perto das antigas villas e freguezias. cidades. cabos eleitoraes verdadeiros "leões de chacara". defendida deste modo. A ALVORADA DA MUSICA As organizações das Bandas de Musicas nas Fazendas. que dominavam no tempo da Monarchia.– 147 – de tão elevada reputação. pela flôr da gente como eram conhecidos pelas tropas partidarias. para um hymno escripto por um nosso colega. dos partidos de capoeiragem. chefes dos partidos politicos. Guerriavam pela conquista da victoria de seus partidos sangrentos. para tocarem nas festas de Igrejas. sem cultivo onde imperava a soberania dos fazendeiros. sem instrucção. arraiaes. pelo calçador e mais as infalliveis rasteiras e pantanas. davam um cunho de verdadeira alegria n'aquelle meio tristonho. como de intelligencia. Nagôas e Guayamús salientados pela faca. pelo rabo de arraia. e de scenas de pugilatos pelos capangas e chefes de malta. e mais muitos outros golpes deste sport genuinamente brasileiro. Queria dizer mais cousas. distriudores das urnas eleitoraes em defesa de suas eleições. pela cabeçada.. pelo tombo bahiano. A poucos dias fez os versos. grandes nababos. Nesta época só existiam estes dois.

que extasiam e surprehendem. onde o feitor de bacalháu em punho tinha os fóros dos Cerberos infernaes. e os Abolicionistas. do eito. onde foi plantada a semente da flôr da Liberdade. n'uma inspiração divina começaram a adubar o canteiro do amôr e da igualdade. que afrouxaram as algemas e os grilhões das correntes de martyrios dos infelizes escravos. foi a magia das notas maviosas da musica que conseguiu abrandar os duros corações dos grandes escravocratas. esse bella apotheose que foi a Lei Aurea de 13 de Maio de 1888. a Redemptora. abriu com chave de [112] ouro as portas da nossa civilização e indicou ao Brasil o caminho da prosperidade dandolhes um novo rumo como o pioneiro do Continente SulAmericano. Tal. e d'ellas sahiram muitos musicos notaveis. que se identificaram com as harmonias dos seus instrumentos. Em taes Fazendas haviam Bandas de Musica composta de escravos. que começaram a serem illuminadas pelo brilho da estrella da Redempção. regada e cultivada pela mão dos grandes obreiros. A musica rude das passadas éras da escravidão. transformando em alvorada de alegria as senzalas. que se foi definando as iras dos Fazendeiros. a terra do Cruzeiro do Sul com os seus formidaveis e inegualaveis encantos com os seus vergeis de campinas e mattas virgens circundadas de montanhas avelludas de verde.– 148 – carrascos fazendeiros. de admiração á todos os nossos visitantes que inspirou neste deslumbramento da Natureza o nosso Alencar que escreveu os encantos de Iracema e a valentia . A Princeza Isabel. Foi depois destas organisações de Bandas de Musica.

Com estas minhas tôscas linhas pretedendo desfazer qualquer um juizo máu que porventura possa se fazer de mim. na certeza que só primei na elevação de fazer surgir os feitos dos meus saudosos companheiros inolvidaveis. E se muitas vezes de passagem toquei nas vidas intimas de algum d'elles foi tão somente. A "QUADRILHA" A quadrilha. que se foram. descrevi-os dentro dos limites da veneração e do respeito pois não podia eu de modo nenhum descrever um mundo de saudadse sem me intervalinhar com a minha humildade perante as grandezas artisticas valorisadas nos feitos de cada um destes grandes protagonistas da musica. relembrando factos historicos que me ocorreram sem a minima malicia de offendel-os pois me foi necessaria assim proceder para dar o cunho real no perfil de cada um só tendo em mira enaltecer factos e costumes de todos os chorões dentro do thema que iniciei e architectei em reviver o passado destes distinctos companheiros musicistas que se achavam esquecidos. e que Carlos Gomes teve a feliz inspiração de transportar para a arrebatadora partitura do Guarany ! Eis aqui a conclusão da segunda parte do meu livro onde descrevi sem o minimo resentimento os personagens de muitos chorões só no intuito de valorisal-os.– 149 – do nosso Indio. porém. era uma dansa figurada com cadencia de seis por oito e dois por quatro no . por um acaso possam ser dirigidas irreflectidamente por espiritos malevolos. ficando deste modo desfeito as maledicencias que. e patentear uma homenagem e um verdadeiro exemplo de confraternização aos chorões d'agora.

preciso conhecer todas as evoluções da "quadrilha".. o immortal gostaram da "quadrilha". saudades das marcações: como tambem pelas "Travessê"! "Balancê"! "Tour"! demonstrações de agilidade a os "pacholas" eram "Anavancatre"! "Marcantes que anavan"! "Caminhos da roça"! obrigados. Esse estylo de dansa.– 150 – compasso. Havia uma grande differença que se achava distante. para a salão de Botafogo e Tijuca e da frente ou a retaguarda conforme que era desengonçada na Cidade . traz pelas suas passagens comicas.. O "tocert". o sempre lembrado Sil. o Saudoso Metra o inolvidave Anacleto. Os dansarinos sempre veira. era as vezes na "quadrilha" dansada num rico obrigado a um "doublé". e bradava: "Chê de dama"! e a musica parava ? a "Terpesychore". não só outros. Os seus melhores a vez a "marcante". Para ser "marcante". E quando o "marchante" se "Volta gente que está enganava ? chovendo"! Eram um "suicidio-moral". e estar muito attento ao desenrolar da [113] musica. era escriptores foram o inesquecivel Barata. porque maestro Mesquita e muitos era a dansa mais divertida e a que mais enthusiasmava. era que o dansarino mostrava as suas E quando elle. se descuidava habilidades e o seu devotamento. Na quadrilha. Era um destes "fiascos" que Por exemplo: no "Travessê!" muita gente boiava quando um custava grossas gargalhadas e cavalheiro pulava do seu logar e que ficavam registrados na sua ia figurar ao lado de uma dama fé de officio.

mettidos na sua casaca. Era outros "fiasco". conforme a festividade "mestre do chôro". não gostasse do do marcante. porque a maioria pegava mesmo o seu vestidinho de chita. e de "estrillo" do "marcante". Era motivo de gargalhadas geraes. eram consideradas de "élite". Os ricos.Aos "seus logares"! Era a hora do "fuzuê". tinha uns en- . do fraque e as damas de vestidos decotados e com grandes caudas. porque muitas vezes. A marcação era "gosada". ainda. ou á bombacha e as damas que se apresentavam com os vestido de merinó. o pessoal se apresentava como podia e os que melhor trajavam ostentava a calça de bocca de sino. [114] Succedia.– 151 – No "caminho da roça". percorria-se toda a casa.. Todos se atrapalhavam correndo daqui para acolá e cada cavalheiro era obrigado a figurar com a sua primitiva dama! Succedia muitas vezes que o "marcante" se enthusiasmava e se esquecia da dar signal para acabar uma parte o "chôro" parava deixando em meio uma evolução. observavam rigorosamente a pronuncia franceza e a orchestra só parava quando o "marcante" dava o sinal. por exemplo. quando a musica não o permittia. Ahi o marcante bradava: . que o xertos. Na roda do povo de "bongalafumenga". sobre-casaca. por "malhas ou tralhas".. davam-se passagens de rir a bom rir. Nova e Jacarépaguá. sahindo pela cosinha para entrar novamente pela sala de visitas. Outras vezes este dava signal para parar. porque sendo feita num "francez-macarronico".

Chiquinha Gonzaga. estão sendo aos poucos recordado. porque. como especie de premio de consolação. bem macia. as polkas escolhidas eram quasi sempre: "Inygma". Era assim uma especie de desafogo. Viriato. Assim. Paulino Sacramento. * * . cheia de movimentação. Nazareth. bem cadenciada e que compensava perfeitamente os esforços empregados na quadrilha. em que appareciam os saudosos musicistas: Callado. Anacleto de Medeiros. para. Após a agitação provocada pela quinta parte. Onde isto não succedia. "dôr de cotovello" e então sujeitava-o ás mais desconcertantes borracheiras em plena "salão". "Conceição". o repertorio antigo. sendo uma dansa accelerada. "Amor tem Fogo". finalisavam o espectaculo com uma desopilante comedia. inimizade pessoal. era nos bailes de harmonica. revalidade. ou imitação do que succedia nos theatros. "Margarida está chorando" e outras. quando representavam um dramalhão. havia. uma polka bem chorosa. Felisberto Marques. apezar da evolução porque estamos passando. Malaquias. pois. "Cabocla". "Flôr Amorosa". não se prestava aos derriços dos pares de namorados.– 152 – "marcante": anthipatia. Luiz de Souza. "Só para Moer". [115] João Salgado. porque o tocador só parava quando o marcante dizia: -Pára mano véio! * * * A quadrilha. Irineu de Almeida. e muitos outros que jamais poderão ser esquecidos.

suarentos e dirigiam-se ao "buffet". – um tradição brasileira. si O "Chôro". C. * * * A polka foi.. AS POLKAS A polka é como o samba. sendentos por um vinho do Porto-barril. é e continuará a ser o A. A polka é a unica dansa que encerra os nossos costumes. como tradição dos nossos costumes. por uma cerveja Logos ou Guarda-Velha. mas. tem forçosamente que cahir no passo da polka. com . a sabemos dansar. dos dansarinos. como recordação dos nossos antepassados e como herança ás gerações vindouras. não devemos permittir que os evolucionistas trucidem as tradições. todos os pares estavam cansados. Do mesmo modo que os argentinos cultivam o tango e os portuguezes não deixam morrer a "canna verde". esqueçam que é puramente brasileiro e mistifiquem o que é nosso.– 153 – Quando finalisava a polka da quadrilha. que eram as bebidas predilectas da gente da Velha Guarda. só nós o que Deus permitiu que nascessem debaixo da constelação do Cruzeiro do Sul.. havemos de mantel-a atravéz dos seculos. a unica que tem brasilidade. B. E' possivel que nos classifiquem passadistas. nós os brasileiros havemos de aguentar a polka. Qualquer que seja a modalidade de dansa que os modernistas ou futuristas possam inventar. a cultivamos com carinho e amor. tem que obedecer a sua cadencia do mesmo modo que nenhuma palavra se forma sem recorrer as letras do abecedario. não passa de uma recordação do passado.

Néco ou [116] Manduca de Catumby e hoje por Felizardo Conceição. Bilhar. Sim. é e continuará a ser a alma da dansa brasileira. João Thomaz. de novidade. a brasileirissima polka ainda é a delicia dos namorados. onde foi resolvida a exclusão do fox e outras dansas. A polka. um cavaquinho palhetado hontem por Mario. que se acham separados. essa modalidade sómente nossa e hoje officialisada nos grandes centros norte-americanos. João Martins – foi. Lulu' Santos. por Juca Valle. Coelho Grey. A polka cadenciada e chorosa ao som de uma flauta. com todo o seu explendor de melodia e a sua belleza de musica buliçosa.. attrahente e as vezes convidativa aos repuchos do maxixe. Nelson. o Rangel ou seja o Pixinguinha. um violão dedilhado outr'ora. Chico Borges. venham para a Cidade Maravilhosa á titulo precario. como um preito de homenagem aos nossos bis-avós e como respeito ás nossas tradições.. Donga.– 154 – as bambochatas que repassadsa da velha Europa cansada e carcomida. mas. etc. Quincas Laranjeira. do maxixi. aproveitam a cadencia de uma polka. jámais poderá desapparecer dos nossos salões e das nossas salinhas.. Quantas vezes dois entes que se querem.. para os segredinhos da pacificação. o Callado. fosse o flautista o Viriato. José Rabello. dos apaixonados ou a approximação de dansarinos arrufados. Antonico Piteira e hoje pelo mestre dos mestres Galdino Barreto. com todos os requisitos de elegancia e com todas as tentações que a sua execução provoca.. com toda a sua belleza. . A polka. o João de Deus ou Benedicto Lacerda.

estivesse presente fulano. tambem os do bairro Santa Rita se uniam beltrano. Os flautistas de antigamente ao pessoal da Saude e Sacco do eram menos flauteadores que os Alferes. que bem differentes dos de hoje. medonhas e as vezes envolviam que durante muitos annos foi o pessoal da Gloria e Cattete. que constituiam os bairros de Santo Christo e de hoje. do Itapirú.. Do mesmo modo que os de estariam tambem sicrano e Catumby se colligavam. lá para Os catumbyenses. A's vezes num baile. eram tambem chamados "papa.. onde "Santa Rita". que era o maior "chôros" em Catumby eram um tanto perigosos: donatario daquellas terras.– 155 – OS FOLIÕES DE OUTR'ORA porque ali se abrigavam os maiores valentões da época. Eis a razão porque os uma especie de tenda do padre Simião. ia a outro caçamba. Chacara do Céo. dos "chorões" eram: Estas "pegadas" eram Catumby. partido denominado Onde ia a corda. de modo que. Havia mais camaradagem. o bairro do agrião.os lados do Chichorro. descobriam eram um tanto arriscados. até na musica. couves". porque o "chôro" era constituido verdadeira guerrilha com um de uns blocos indissoluveis. não raro se colligavam para uma mais respeito e sobretudo [117] harmonia. Os bairros mais predilectos Gambôa. que Os foliões de outr'ora. eram constituiam os famosos partidos dos Nagôas e Guayamús. um convidado Os "chôros" em Catumby. pertencente a um partido .

quem preferisse o – rabo de gallo – que era uma mistura de paraty. Morro do Pinto. mel de abelha e canella. havendo. Saude e Sacco do Alferes. o "estrangeiro-adversario". Praia formoza. até 9. verdadeiras divindades. Cada um escolhia a bebida de sua predilecção. O portuguez gorducho dono do estabelecimento já sabia e perguntava logo: – Então o que vae? Uma gemmada com vinho do Porto ou uma boa "misturada". O sol invadia o botequim e a flauta se fazia ouvir acompanhada do cavaquinho. mas. do violão. Ouvia-se o brado: – Quem trouxe. 10 e 11 horas. não leva! E o páo comia gente! O mesmo succedia quando o pessoal do Catumby sahia do seu reducto e ia para os lados do Morro do Nhéco.– 156 – contrario. de outro bairro. alta madrugada. no final. * * * Nos choros da Cidade Nova. depois que o "chôro" tocava o "galope". se preparava para sahir com a "dama" a seu lado. o "chôro" sahia tocando uma polka dengosa e o pessoal mergulhava no primeiro botequim que encontrava aberto. O botequim enchia-se de ceresteiros que vinham de outros forrobodós e o "chôro" continuava. . Todo mundo poderia dar e apanhar menos os musicos que eram considerados entes intangiveis. approximavam-se dos musicos e diziam toque a Dalila. * * Findo o baile. sempre appareciam os poetas. que variavam as festas com os recitativos. porém. E o "chôro" continuava. A festa corria bem. A' paginas tantas.

foi. Quando a festa ia em meio. Tambem não se faziam rogados. Hoje não dou nem posso" A' luz da lua seductora eu vi. Ou então: Ando na moda para enganar as bellas que nas janellas. o cantor Sou guarda urbano. que. recolhidos á sua modéstia. E ainda mais: Entrava então humoristico: Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi Tomou o bonde Foi p'ra Catumby. para os cantadores de modinhas. pelas ruas vago Foi. manhosamente. aproveitavam o momento dos recitativos e cantorias e . pigarreavam concertando a voz. mandavam tirar um – dó. instigavam os amigos para que "insistissem" que cantassem. hoje não faço E lá ia poesia: Eu por ti já dei a vida Era no outono quando a imagem tua. foi. no terreiro um gallo. ao passar eu vejo Tornar-me dellas. Verdade fallo – é o meu desejo. De espada á cinta por não ter emprego E os marmanjos quando vão passando Foi-se embora me deixou Dizem rosnando: sáe daqui morcêgo! Levou tudo quanto eu tinha Até a joia carregou Isto era um brecha. ré maior ou afinar á "prima" e berravam quasi sempre com voz de "canna rachada": Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi A quanto tempo Que não a vi Foi. Etc. os donos da casa que em geral eram de captivante gentileza para com os convidados. Approximavam-se dos musicos. foi. foi.– 157 – [118] "Caso de amor tão fingido O que já fiz.

. carne de porco. Doce de coco. arroz do fôrno e pão á béssa. e licores feitos em casa durante toda a semana. de laranja da terra. Esta demorava mais e os convidados que não fossem precavidos comiam menos. Quando se tratava de festa de Natal. em pó por cima vinho do Porto. onde a mesa estava armada. E o orador proseguia. Mal começava a ser apreciada a canja. (que era descascada e posta de molho oito dias antes com uma boneca de cinza para não amargar e ficar bem molle) doce de cidra. Quando se tratava de baptisado ou casamento. O "menú" era quasi invariavel: canja (que conforme o nu[119] mero de convidados era mais ou menos aguada). a sobremeza variava: Abacaxy. rabanadas. por causa dos discursadores. etc. A segunda meza era a dos marmanjos. Anno Bom e Reis. com vinho e assucar. para neste solemne momento rogar ao supremo . amendoas.. manja do céo. havia sempre um castello de doces adequado ao acto e que representava um presente de um dos padrinhos. de abobora. – Meus senhores! Permittam que eu levante a minha debil voz. doce de letria e arroz doce com canella. – Não apoiado! Não apoiado! – . A canja e a gallinha eram substituidas por uma grossa peixada. cerveja Logos ou Guarda Velha. gallinha assada. castanhas.– 158 – recrutavam as damas que eram levadas para a sala de jantar ou para o quintal. carne assada. levantava-se um gajo: – Meus senhores! Reclamava então a presença dos donos da casa.

Começavam então a servir o ensopado. Jaca... Permittam em que eu um dos mais mesquinhos. Quando a gente está com appetite..sim..... para fazer um addendo.. permittam. Hip! Hip! Hip! Urrha! [120] Urrha!.. notavam que já haviam. – Sapo.. Sapopemba!. notavam que já haviam retirado o prato de gallinha ensopada. – Não apoiado! Não apoiado! O outro: – Modéstia a parte! – . Xandóca e seu "Manduca". Sapo.... Casca.. – Como está gostoas esta galinha! Diz um a outro convidado: Ergue-se outro orador: – Peço a palavra pela ordem! Todos se levantam: – D... Cascadura!...– 159 – architecto do universo... o manto diaphano da fantasia ! – Muito bem! Muito bem! quando todos se assentavam para continuar a apreciar a canja. Quando todos sentavam-se novamente. Jacarépaguá! Outros: – Casca. sempre o brinde de honra ao bello sexo. desejando aos amphytriões saude e fraternidade. tudo quanto apparece na frente é saboroso.permittam.. – Jaca. já haviam retirado o prato.. Resultado: levantando-se todos da meza e reclamando contra a "eloquencia" dos ... como direi? Que venha comungar das idéas do orador que acabou de orar..... que estenda sobre os donos deste lar abençoado. E os oradores iam se succedendo e os pratos iam sendo retirados até chegar á sobremeza. dos mais indigentes dos seus admiradores..

e celebre tocador do violhão. Era de uma inspiração sublimada. pela maneira que sabia se conduzir entre seus amigos. pois. TORRES Era de um sopro mavioso de um mecanismo de admirar.. O GUERRA Está hoje aposentado da Estrada de Ferro. merecedor de muita disticção. Por esta razão o leitor calculará o valor artistico de J. Havia. Seguiam-se outras mezas de marmanjos.– 160 – oradores. e Sacra que deve andar por ahi talvez ao léo Infelizmente é a cina de quasi todos os musicos naquella época viver e morrer sem um amparo de uma mão caridosa. Era amigo inseparavel do sempre saudoso professor de flauta.. [121] Eximio pianista. Catullo. Torres. J. GONÇALVES (FLAUTA) . obedecendo ao mesmo rythmo. escriptor de musicas sublimes pois compunha desde polka até o classico. e familias. do nosso querido poeta e grande cantor. Cantor de modinhas. porém. Era um chorão maravilhoso. Xandóca" e de seu "Manduca". Foi escripto por elle a bellissima musica da modinha: O juramento. um convidado mais intimo de D. executor e autor de muitas musicas. Tocava não só bons choros. acabou na maior penuria. porque apenas beberam "á razão da mesma". por haverem impedido que apreciassem os pitéos. general Gasparino. que arrumava um prato de "boia" e ia devoral-o no fundo do quintal. que o acatava com grande distincção.

bom e do bello.– 161 – como tambem o classico com sociaes tendo guarida na élite dos palacios. ella é a modinha tambem muito se percursora de todas as seáras harmoniza com o violão. que vae além dos martyrisa. que se electrifica. em todo seu habilidade de um aacercote da sciencia. e as mar. A modinha. Em ondas compassadas. A modinha tem meguice tem todos os corações. que queima e E' uma aguia de azas fogueira. por ser o vulcão que paramos azues. o bisturil que invade explendor transitorio. Este enobrece todos os pensamentos. poesia que diz infinidades de A modinha sabe manejar com cousas da vida real. E' a repercussora do passado. é uma enseada do A modinha é o vehiculo de todas as saudades. para despertar magia. e nos casebres dos alma e saber. imperando em cheio no coração da humanidade. para estimular Ella opera até na propria todos os desejos nos corações da natureza. afinal em toda plebe. esta geração. alvinetente. O mundo de harmonias. tem encantos. que é a nossa alma. é um estende na planicie das praias. possantes. onde sulca os bateis dos reminiscencias transitoria. que o Leão que dorme o amor. do namorados. A modinha é a evolui todas as paixões de amor. morros. em toda sua evoluindo de geração em evolução. companheira. este . Ella tem. os mocidade e da velhice. ella tem a amor tem na modinha uma leal belleza das épocas tradicionaes. o lençol que se é um mimo de maravilhas. A nossos sentimentos. A modinha. e a tornando-se cada vez mais delicia do presente. a excencia de todas as (A MODINHA) dores.

Horacio Theberge. E muitos outros que não me occorre a mente. Nene. (rouxinol) dos suburbios). Leonardo de Menezes. Patricio Teixeira. Eduardo das Neves. João Quadros. Augusto Gallo. o segredo da musica. Oscar de Almeida. Francisco Alves. Pedro Paulo. Sylvio Caldas. pois a modinha.– 162 – instrumento que dedilhado pelos trovadores chorões. Catullo Cearense. Mario Pinheiro. Siqueira. Barros. guarda em seu seio. Nair de Castro Leal. Antenor de Oliveira. Napoleão de Oliveira. Mario. Lulu' Bastos. A razão do appellido acima porque quando ria fazia uma pequena . MARIQUINHAS DUAS COVAS Era mulata gorda. João de Barros. Vou aqui. Lily S. Paulo. Julio de Assumpção. Creoula. Calheiros Vicente Sabonete. com feição bonita. André [122] Pinho. denominar. os grandes cantadores de modinhas. e viverá na alegria do coração do mundo: Peixinho. Nhozinho. Juca Mãosinha. tinha um pequeno papo que lhe fazia muita graça. cultivadores da tradição dessa deusa de amor. Vicente Celestino. Bahia. Aracy Côrtes. Bilhar. e Aurora Miranda. Leandro. Tambem o escriptor deste livro. inspirando accordões nos violões. Pacifico. e vive. Vamos continuar com os sobreviventes que são: João Thomaz. Bilu'. Almirante. Mocinho. Gastão Formenti Petra de Barros. que viveu. da Imprensa Nacional. o que pedimos desculpas mil. fazem o explendor das grandes melodias. Disiderio Machado. desvendando estes segredos. Carmen Miranda. todos estes já são fallecidos.

O seu riso e andar embriagava até as pedras. alguns desempregados. tinha um coração que não podia ver ninguem chorar miseria. Mariquinhas tinha uma filha casada com um grande musico clarinetista. os que a ouviam. Independente destas. mesmo por brincadeira. que com os seus trezeitos. A sua casa foi sempre farta. Costumava ir a Mercado e arrematava grandes quantidades de peixes de diversas qualidades. Como sua mãe. e liberal. condoida da sua sorte. que tomava.– 163 – cova em cada face. sem nenhuma protecção. fazia bom rir. . que tambem já não existe. ainda abrigava muitos chorões. Como sua mãe. era uma inimiga. quer fosse por falta de um abrigo o fome. Na sua casa os chorões era aos cardumes. dava a ella tudo. Ella vivia em companhia de um tal Manduca que tinha uma fabrica de Cigarros. quer em comidas como bebidas. achando-se sua bolsa sempre aberta para ella. pois nunca o gato estava no fogão. e sendo muito feliz. E ai daquelles que disse-se a minima cousa. de que me lembro de um que era Mestre Domingos. como Piedade. Sua filha era como sua mãe de um genio folgazão. cantava bellas modinhas e Lundús. A folgazã de quem fallo era bonita de verdade. botando tudo em um sacco. Era muito franca. Mariquinha era filha da terra do Vatapá e ella tinha neste seu nascimento. as suas portas estavam sempre abertas. era uma deusa de bondade. Era muito perseguida não só pelos chorões como tambem os que a vissem. contra seu Estado. um orgulho impossivel de descreverse. A sua casa vivia sempre cheia de suas amigas necessitadas que [123] ella as abrigava. ella não se negava. Mariquinhas.

Depois de alguns chorões de pandulho cheio fazia um bello discurso a Mariquinhas. e sempre que me fallava. foi feita. que desejava uma morte repentina. que era um das ruas perto da Companhia de São Christovão. e la vai obra! Todos ali reunidos.– 164 – despachava num bagageiro e rumava a casa. Apezar da grande quantidade de peixes ensopado. Daqui a pouco já sentia-se o perfume do azeite de Dendê do quento. escamava abria e limpava os peixes. até a sua casa. E satisfeita. mesmo assim bem chupadas. pois não queria dar trabalho a ninguem. dizia que não queria cahir doente. que era em grande porção. Indo a uma festa á noite na Igreja de Sant'Anna. em fim. e pelo quintal outros. e ao entrar na soleira da porta deu um grande grito! acudida logo. da pimenta de cheiro. que ella trazia do mercado. pelo seu . Mariquinhas ia dizendo. quando todos levantava da mesa. A heroina era uma grande espirita. como aos seus anjos de guarda. e exaltando o glorioso Estado da Bahia o que Mariquinhas. quando se lembrava de sua terra natal. Em quanto o mais pertencia a Maraquinha que sendo bahiana. e ficar muito tempo em uma cama. Quando sentava mos a mesa uns. só existia a espinha. ficava radiante. botou a mão sobre o coração. uma delicia. e assim veio em passos largos. e lá chegando. sentiu-se mal. Pois a sua vontade. dando uma faca. ninguem lhe supplantava no fazer o pirão "peixada". Ao entrar acompanhando o carregador. a cada um. e assim pedia não só a Jesus. hoje tem cousas para vocês esfolar! assim virava o sacco em uma tina. comendo aquelle pitél acompannhando de um bello paraty.

Pois sendo conquistador de verdad e lá existindo grande quantidade do sexo fraco. Bilu' e muitos outros que não me vem a mente. Pois elle tinha tudo. etc. deliciando o bello sexo.. era um companheiro apreciavel. nem cantar. e mesmo muito delle gostava. bôa. Tambem era frequentada pelo meu irmão Quintiliano. existia um que não sahia de lá. quando era a noite lá estava rente como pão quente. e com elle de máu humor o pobre do Benildo não teve remedio se não dar o fóra de lá bastante contrariado. que ficando sempre de cra amarrada. como em tudo.– 165 – companheiro. Hoje este campeão está aposentado não só do logar que occupava. o Ernesto Magalhães. os seus acompanhadores era eu. que só teve tempo de corregar para seu aposento. bom pirão. . pois já velho. retirou-se a vida privada. Esta casa era sempre frequentada por mim escriptor que vivia dia e noite de violão em punho. E assim findou-se esta bôa camarada deixando muitas saudades. collocando-a na cama. meza. Mas tantas fez que uma dellas aborreceu bastante a Mariquinhas. etc. Destes permanentes. [124] Dos chorões que eram visita permanente uns. ficava elle nas suas quintas. que apezar de não tocar. logo expirou atacada de uma aneurisma da aorta. pois alli fazia o seu regallo. Em nossa companhia achavase sempre o sempre chorado Christino de Andrade. a cantar modinhas. bebidas a farta. e de vez em quando outros. Este penetra inveterado chama-se Benildo que apesar de ser operario da Central do Brasil. que com a sua maviosa flauta tambem fazia as delicias daquella casa a quem Mariquinhas muito apreciava. o Juca Russo.

e . amigo. não só do chôro como do classico. Irmão da Opa. Queria dizer muito mais do que disse mas me é impossivel. dos seus congeneres. e [125] conquistado por todos os chorões. com a sua modestia. e pobreza de minha pennas. e canta muito bem. JOÃO PERNAMBUCO Dizer aqui nessa descripcão o valor artistico. de suas poesias. e conquista todas as sympathias que elle sabe angariar. no meio distincto de todos os chorões de sua época. Seu pae João Thomaz é um violão seguro. e numerosas familias. tambem grande musico. fazia as delicias da casa de Mariquinhas. na formação dos tons e na dedilhação das cordas. e tambem como nós. Thomaz. e pessoal de João Pernambuco. porque João Pernambuco muito mais merece. a que elle com veneração e respeito priva. Eis aqui tudo quanto pude dizer deste grande artista. JOÃO THOMAZ E' conductor de trem da Central do Brasil. é uma tarefe difficil. e bom comedor. sertanejas. por falta de dados. e chorão. o distingue como um pharol que brilha no mundo da harmonia. é o violão nortista. primus inter-pares. por estes moivos Catullo Cearense. que faz vibrar no seu glorioso violão independente disso é querido.– 166 – pois muito brincalhão. E' um chorão de respeito amigo dilecto de seu amigo. e fino trato. pois João Pernambuco tem magia nos dedos. que arrebata. tal é o seu immenso valor. tal o seu merecimento. E assim tudo se finda com o tempo que tudo derroca com a morte. E' pae do grande e estimado Professor J. João Pernambuco.

pelos peiores infractores da lei. Depois Macario ingressou na Guarda Civil tendo prestado a mesma innolvidavel serviços. Chegou a dar um passeio na França. e faz tambem as poesias para as mesmas. bastante estimado dos directores da fabrica daquelles tempos pois sempre foi um empregado trabalhador e assiduo. e agora ainda mais. de admirar. já tendo muitas. onde tem-se dedicado de uma maneira admiravel fazendo-se respeitar. se applicou de maneiras tal. Felizmente este chorão da velha guarda ainda vive. que voltou ao Brasil como grande professor de flauta. na qualidade de investigador. Macario toca admiravelmente o seu MACARIO . que é um brinco de gosto. Tocou em muitas orchestas bandas e chôros que [126] muito o apreciavam como distincto executor.– 167 – com grande agrado. de Villa Izabel em 1889 onde elle era empregado. vida em holocausto ao bem Tambem já fallecido. publico. é mais difficultoso do que remoer o Pão de Assucar. que se chamou em vida Durvalina. e muitas vezes jogado a sua Este nome acima. foi alumno dos Meninos Desvalidos de Villa Izabel. Inda me lembro de uma modinha por elle feita dedicada a uma bella e boa camarada. FREDERICO DE BARROS Descrever este nome com perfeição. e lá. e lá aprendeu elle com aquelles grandes professores a flauta de que fez prodigio. Macario conheci ainda tocando Requinta na Sociedade Musical Dansante da Fabrica de Tecidos. compõe musicas para as suas modinhas. O heroe que fallo.

cantando e dansando. Juca Russo. muito me sympathisei com este grande chorão. na Estação de Ramos em uma festa de anniversario na sua sempre lembrada casa. bom e distincto amigo. Apesar de ser organisador de musica. O chôro tocado pelo heroe. FERREIRA DIAS (SYMPHONIA) E' carteiro aposentado dos Correios. tocando. Frequentou bons e luxuosos salões. mais que distincto amigo. Logo de primeira vista. que para descrevel-as precisava dispor de mais espaço. Néco. duas e as vezes tres. e nos bailes. nas orchestras dos theatros. era tão gostoso. (Não fosse elle filho do glorioso Estado da Bahia). Tinha muitas cousas a dizer porém ellas são tantas. noites inteiras. excellente chefe de familia. e dobrando durante o dia o sol de fóra. e tambem pequenos. com . acima. tambem tocava nos instantes. foi logo fazendo um Mi-menor. que muito o apreciava pela maestria que elle sabia dizer no seu instrumento. Não quero dizer mais nada. com seus acompanhadores que eram Luiz Brandão. não só nas sociedades. que todos eram bisados. o saudoso Angelo Pinto. Conheci pela primeira vz na casa do meu sempre chorado amigo Côrte Real. e custoso violão. onde é conhecido por Symphonia. melhor elle dirá. Em muitas boas festas estive com este.– 168 – instrumento. como outro musico qualquer. para exhibir-se com seu mavioso violino. pois era quem organizava o conjuncto para tocar nos theatros. Desembanhando da sua capa um lindo. BAHIANO Quem será que na roda do chôro não conhece este heroe? Julgo que ninguem. e tão b6oas. e o autor deste livro.

– 169 – todos os seus accordes que fiquei todo arrepiado. e me achar cançado da lucta. é um general que não foge ao maior perigo. A muito que não o vejo. Depois desta festa encontrando-me com elle. officleidista afamado. Só posso garantir. e arte que elle desenvolveu naquelle instrumento. retirando-me a vida privada. Na festa se achava um flauta empregado na Leopoldina. é dos bons. Nos chôros onde tocasse. Conhece o seu violão como gente grande. pela idade. Logo após solou uma polka difficultosa. o que eu acreditei por ter a felicidade de vel-o. nestas difficuldades solou muitas outras. tal o seu valor real. dando assim grande gloria ao Brasil. e difficultosas outras. como grande musico. pois faz delle o que quer quer. aos meus leitores. e escutar a sua bella e maviosa voz. Aqui fica registrado o valor de um amigo . [127] Tocando com bastante facilidade umas. tal a maneira do gosto. TORRES OFFICLEIDE Muito digno funccionario da Prefeitura. que eu com meu cavaquinho me vi bambo para o acompanhar. e linda. me dizendo que seria muito custoso encontrar igual. especialisando o seu mais que glorioso Estado. mesmo por ter me retirado dos chôros. só fazia prazer. e que Bahiano comia aquillo com a maior facilidade. muito lastimoso queixou-se a mim que tinha sido roubado no seu mavioso instrumento. mas posso afiançar que era dos bons. e que não me lembro seu nome. tendo me sahido desta intaladella com bastante difficuldade e assim. que Bahiano.

Abili era sublime violonista. em que o grande garbo por esta que era de sempre lembrado Visconde do sua predilecção: Rio Branco foi obrigado a Não vistes a nebulosa. mandar para aquellas paragens De um fluminense cantor. tinha um Territorio do Acre.– 170 – dedicado. acompanhava a todos os solantes. Abilio no acompanhamento não só solava admiravelmente. onde tambem Não vistes a peregrina foi o sempre lembrado Alferes Que matou teu trovador Abilio. e outras de seu . conhecido por major [128] Sant'Anna. funccionario e chorão como tambem. E assim cantando toda a mopois a morte o surprehendeu ainda na flôr de vinte e poucos dinha. Conheci como segundo cadete do 10° Batalhão de grande cantor de bellas Infantaria. e assim era muito SANT'ANNA conquestado pelo seu real valor. e tinha prazer de para o Acre. por questão do modinhas que cantava. com uma da velha guarda. Era dilecto filho. um contingente. Entre as muitas com o Brasil. sempre acompanhadas Na questão solicitada do Perú por seu filho. com grande amor. deixava aos ouvinte. o maior encanto. perfeição de extasiar. cantar. do major do Seu pae o major Sant'Anna era Exercito. Tendo embarcado modinhas. bom chefe de familia que encantava aos seus ouvintes. exemplar. desta modinha. annos. Fazia no seu instrumento accordes ALFERES ABILIO DE sublimes. Lá chegando pouco durou. no posto de Alferes.

que a elle faziam. era muitas que faziamos na Cidade Nova. Ahi fica nestas linhas escripto o valor de Abilio e seu pae. e educado ouvido. Era mesmo de admirar. pois entrava de serviço diariamente. Seu pae era de grande cultura. impossivel de descrever-se. até tambem a nossa eternidade. o que muito satisfazia os solantes. com seus acompanhamentos. para conhecimento dos chorões d'agora. que muito o admirava. Raymundo . Fez boas farras. Sempre apreciei o seu alto valor no dedilhar do seu mavioso violão. Frequentei por seu intermedio a casa de sua distincta familia. e os vindouros do valor real destas duas entidades. EUGENIO TORRES Sinto-me feliz em poder no meu livro. os maiores elogios merecidos. por muita boa vontade que se tenha. Ouvir tocar este artista equivalia uma epopéa. Foi de fama no meu tempo. Tinha um apurado. em companhia dos mestres de chôro. illuminará sempre com suas lembranças e todos nós. para acompanhamento. e por isto não lhe davam folga. em que tocavamos juntos. Chico Borges. como para as bandas da Saude. que como um sol que appareceu. e de uma educação. Seu pae tinha garbo daquelle filho. este immenso chorão. onde com o solo de seu violão. os bons solantes que tinham nelle um companheiro sem igual. como tambem seu filho. pois além de ser um executor aprimorado. chamava a attenção de todos os seus moradores. e distincto amigo. deixava todos com o maior contentamento. Abilio era bom.– 171 – sempre lembrado e chorado pae. pois era de encantar. escrever. Paz as suas almas. onde passei horas bem alegres. e que mesmo no accaso.

feita de suas conhecendo. e Mamede. onde elle morava em Anaya. não só nos choros. O violão nos seus dedos de seda em suas seis [129] cordas. me é bastante difficil. Nasceu em logar chamado quando carteiro da Rua Lavradio. musico de nomeada. com seu labor e valor deste meu grande amigo e honra. João Thomaz. que elle faz no seu instrumento. casas de Caixeirinho. bem admirado quando num como musico da Banda de choro escutei-o com seu Musica Flôr de Sant'Anna em mavioso violão não só Nictheroy. tocando em . aqui descriptp mais o menos o como homem sério e seu valor real que mesmo assim trabalhador. encontro grande proprias mãos! onde elle tira um difficuldade. nas acompanhando admiravelmente. Conheci-o em 1882. ophecleide e depois bombardino Vicente. tal os seus feitos partido de enebriar. E' tambem muito habilidoso e Fallar no nome deste heroe do choro. como tambem fazendo solos de arrebatar. fiquei tambem admirado de ver pois mesmo muito o tocar ocarina. conheci muito menino finalmento todos instrumentos quando nada tocava. O amigo. Cordeiro de São companhia do meu inseparavel Gonçalo. o seu sempre chorado seu instrumento foi sempre avô que muito com elle privei. tantas VICENTE SABONETE é as diabruras. ficando de metal. JUCA MARQUES sua distincta familia de que eu tive o prazer de conhecer. depois . E assim fica heroicos. que só póde o elevar e a chorão afamado. pois sustenta a sua fica muito a quem de dizer o illustre familia. fica-se extasiado.– 172 – Conceição.

Eis o que tenho a dizer deste chorão. assumiu a batuta desta referida banda que ainda hoje na avançada idade de setenta e tantos annos é copiador e archivista da mesma. [130] NELSON ALVES Eximio tocador de cavaquinho. este divinal instrumento tornando-se deste modo um profissional artista. onde elle é aclamado com muito enthusiasmo e admiração. tal a sua agilidade. Juca Marques. hoje é chefe de numerosa familia e um cacique considerado que vive para a sua prole.– 173 – choros. porem. ao lado do grande Damasio. Juca Marques por intermedio destas linhas um apertado abraço. solando. e acompanhando com facilidade. Pedro. debaixo da batuta do Coronel João Elias. Mais tarde o Juca Marques. e tambem fui a elle aprezentado pelo Madeira Ophicleide em um choro la para as bandas dos suburbios. onde se achava Catullo e o inesquecivel Bilhar. e mais tarde. e outros musicistas de nomeada d'aquelle tempo em que a Banda fazia retretas no jardim Pinto Lima. Juca Rezende. Receba pois. Receba pois Nelson. hoje dá preferencia ao banjo. armado em Bandolin. Conheci por intermedio de Serpa Pistão. em Nictheroy. de merito na roda dos chorões de sua classe. muzicas dificeis. musica da Banda Policial la Provincia. os meus sinceros aplausos. . PEDRO DE HARMONICA Era impressor de muzicas. e profissiencia no saber tocar. sabia tirar partido de sua Harmonica. onde elle fez diabruras de assombrar. é um eximio musico que sempre teve predilecção pelo choro.

era um artista de renome. Era um peito de aço. e adorado por todos que tinha a felicidade de conhecel-o. A sua voz era de maravilhar. CAMAS Era funcionario do Oeste. que se revalisava com José Soares. um talvez maior do Brazil. e uma garganta de Ouro. esta que marcarão sua época. para muita gente. Foi um trovador respeitado. que guarda com veneração no intimo de sua alma esta tradição de saudades. pois é um fervoroso apostollo das modinhas Brasileiras. e muito outros executores Pistonistas. e celebre Pistonista. muzicas estas que fizeram os encantos daquelle tempo.– 174 – CAPITÃO ROGERIO Mestre de bandas de muzicas. autor de muitas excellentes muzicas. onde com zello e assiduidade prestou relevantes serviços. Capitão Rogerio. hoje se acha aposentado. este chorão inesquecivel. é aposentado do Theszouro Federal. Nada mais posso dizer. Manguinho. VELLOSO O MOR . e por isto não cantava modinhas de mais nin[131] guem tal a paixão que elle tinha por aquellas. que tem por elle grande admiração e devotamento. GUILHERME "O MANGUINHO" Este cantor se immortalizou cantando as modinhas de Catullo. e que diga o nosso distincto Poeta e Cantor Catullo. O heroe acima admirava e idolatrava as modinhas de Catullo. mas não para o escriptor destas linhas.

ISMAEL CORRÉA Ismael alem de ser um violão. o violão. comprometome dar mais desenvolvimento o perfil deste chorão. descrever este inveterado apreciador do choro.. que o bom do Flautista. e conhecedor de todos os tons deste dificil instrumento. Toca com precisão e gosto. diz com alma. quero naquelle tempo. pois ter juizo. pois nos choros é peior que uma criança. e amigo de verdade do choro. Vou mais ou menos. em punho. sociedade em que Valioso tocador de Flautim prestou relevantes serviços o seu amor pela arte muzical. Não é dos grandes tocadores mas o que toca. CECILIO Foi Presidente das Pragas do Egispto. hoje grande dizer com isto.. é hoje do tribunal de contas. Isamel fica doido quando entra na fuzarca. ADHEMAR VIEIRA Foi funccionario da Alfandega. foi uma pegada feia: não havendo vencedores pois ambos eram chorões de primeira agua!. que Velloso. na segunda Ediçào deste livro.– 175 – Violão de fama. E' destes que não dá para traz. Com seu violão. não a quem possa com elle. não tenho dados . o Poeta sertanejo que é delle um grande admirador. trezentos e sesenta e dois dias. pegou-se em desafio com o sempre lembrado Ventura Caréca. e dos chorões. razão porque. igual a muitos outros ou quasi todos. Com esta quadra absorve o Ismael de todos seus pecados. Que diga Catullo. e custa sahir. não é pouco é justo que nos tres dias de carnaval se seja louco. um dia contou-me um chorão.

Não sei se ainda vive? Era grande admirador do immenso e idolatrado Poeta Catullo. este que sabe cantar e tambem dizer. carreira por mais terrivel que esteja a batalha. e de todas as nossas muzicasantigas. era um gentilimam. Depois de fazer justiça merecida ao nosso venerado Catullo vou mencionar a guisa de Sateletes ao redor do . O Poeta Catullo da Paixào Cearense. OS GRANDES CANTORES Descrever estes grandes astros com perfeição. um exímio chorão destes que não arrepia. e que ainda é. Aqui fica nestas referencias as minhas considerações a este grande artista. tal o seu valor real para mim. pois foi e é um astro de primeira grandeza pois as suas produções ahi estão para nossa admiração. por ser elle o idolo das modinhas Brasileiras. tenho que citar aqui mais uma vez o mestre dos mestres. [132] PROFESSOR NICANOR Professor de Flauta e eximio executor. e expressivas. e de fino trato. e seus feitos maiores. a muito teria ingressado na Academia de Letras.– 176 – muitos conhecidos para descrever este grande personagem. e apreciador das suas produções. Sei tambem que é dignissimo operario do Arsenal de Guerra. que foi. Se meu voto tivesse valor. pois elles são tantos. onde conta no meio de companheiros de trabalho innumeros amigos. e de milhares de seus apreciadores. me é bastante dificultoso. maneiras sinceras. o remodelador de tudo que é nosso. de quem elle é um fervoroso propagandista. Ao fazer. Aqui finaliso dizendo quando podia dizer deste velho companheiro chorão. porem sei.

França. muitas vezes certo dos sapos. André Pinho. Prachedes. Uriel. João Tomaz . Nenê Mario. Angelo Pinto. funcionario da Estrada de Ferro!. pois já dedicou . URIEL NORIVAL Este extraordinario trovador Poeta sublime. Adhemar Casaca. que fica num pagode" noventa dias!. Juca Mãosinha. Uriel. Augusto Sachristão. de vez enquanto elle desapparece e nem a sua propria familia tem noticias do mesmo! porém já estão acostumados a estes retiros. São João. pois descrevem tudo que este formidavel bohemio sente n'alma! Quem não conhece o Uriel? [133] "O casa cheia".Teffi. Bilhar. Peixinho... trovador adora o deserto e é um amigo apaixonado. Jonjoca. Xisto Bahia. Pedro Paulo. Barros. as suas letras musicadas mexem com os nossos corações porque todas são de uma beleza inegualavel. da velha guarda. Napoleão de Oliveira. Terra Passos. Anthenor de Oliveira. e sabem que Uriel. Felix Baptista. Felice Roxinho. Lulu' Bastos. Cadete.. Augusto Padre. está abarracado em casa de um amigo veranneando conforme a sua phrase. e fazendo uma estação de "agua" que passarinho não beb!. Nonô. Barnabé.. Moreno.. os grandes chorões. Olympio de Oliveira. Augusto Pedro. Theberge. é o verdadeiro escriptor sentimental. Branquinho. e muitos outros. Sinhô. Disiderio Machado. Alem. Bilu'.. Julio de Assupção. Rouxinol dos Suburbios. Que foram: Boneco. Mario Pinheiro. Leandro.– 177 – Sol. Geraldo. Placida dos Santos. Nozinho.

que elle sublimessimo violão e de não se incommodava. aos mesmos uma duzia de sonetos! Este "chorão"sabe se conduzir nos lares de seus amigos pois além de ter um preparo superior. não é que divinal. e chorão não se demorava. como garganta de Ouro. sei que estou despedia-se e lá se ia na maior muito longe de o fazer tal seu rapidez e a passos largos. era as pressas. Quando encontrava um amigo. manejava com arte e explendor.– 178 – heroe do choro. é um dos maiores trovadores dos ultimos tempos. VIEIRA MALUCO Cinemas. Uriel. Então real valor. pois a Radio. pois tinha muito choro dificultoso de fazer arripiar carreiras. mas sim porque tudo é morto. é dotado de uma intelligencia fora do commum. Com tudo invejada vós. Infelizmente tambem já elle fosse. . Principe de melodia. que a todos faz razão porque é isto era um flauta sublime. extasiar Conhecia muito bem a conhecido pelos ouvintes de mechanica da mesma. Afinal. como tambem em Orchestras. nem se falla! Me jogou muitas vezes no chão. e mais. Toquei muito em bailes com este do samba e da modinha. FRANCISCO ALVES Na Rua por onde andasse era sempre correndo. ou um Escrever este grande cantor. da canção. Vieira não só tocava em choros. o que elle fazia. executor de violão. Com o tempo fui me acostumando. Então em casa do Bita. que o acompanhava com a maior facilidade. no dedilhar de puzeram este apellido. serenatas. pois era sublime artista. pois o seu sopro era O apelido acima.

ao lado de Alfredo Silva. Quincas . em 1908. com o aparecimento do Radio. que é bastante merecedor. Conheci-o com o apelido de Chico viola. Arranha Céos. pelos chorões da minha tempera. engrandecendo as nossas Avenidas Palacios. que tocas e interpreta as muzicas genuinamente Brazileiras. daqui a meio seculo. Figueredo. hoje Instituto de Muzica. fazendo o estímulo na phalange que pertences. José Cavaquinho. deste inegualavel leader do violão. o fallecimento. Carlos Torres. José. em mil novecentos e doze. onde é um idolo da maior veneração. e outros que não me vem a mente. meu bom Francisco Alves. propagandista de tudo que é nosso. foi-se aperfeiçoando e hoje é um pharol que illumina o meio a onde elle é aclamado. abrindo caminho. fazendo pontas e cantando modinhas com vós ainda pouco educada. este. especializando-se na Republica Argentina. pouco mais ou menos no Theatro S. os teus feitos. MORREU QUINCAS LARANJEIRAS Pranteamos aqui. e primus interpares dos cantores da actualidade e alvo da maior admiração no Brasil inteiro. no estran[134] geiro. que vem dos morros. que em companhia de Catullo. possa ser descripto. pelo modo e maneiras que cantas. para que o violão se exhibisse nos grandes e aristocratos Salões. para que. Onde deu uma audição. e como.– 179 – Francisco Alves. e enche de alegria a nossa cidade maravilhosa. introduziu o Violão no Conservatorio. com verdadeira justiça. com grandes aplausos. Progrida pois cada vez mais. e apreciado.

Na sombra da Laranjeira. de um bom esposo. sabia tirar de seu instrumento. o brilho transitorio das harmonias sonoras. deixando após de si. . Valsas: Izaltina. com sua inspiração musical. sem que a nossa Imprensa dessem not. fazendo a sua rotaçãodiaria e depois some-se no occaso. Foi assim como o sól. e verdadeiro amigo. harmonia e bellos acordes de seu mais que brilhante Cavaquinho com bons predicados de um bom filho. que só elle. que sumiu-se esta Estrella. deixando tambem no seu trajecto. seria capaz de reproduzir. e outros daquella ou desta. Féra. Polkas: Me espere na sahida. que desapareceu.– 180 – Laranjeiras. deste planeta. Recordação. onde se retrata o crepusculo. Os olhos de Flausina. della. deixando a saudade. Morreu levando comsigo todas as suas illusões. geração. e valorizar o nome glorioso do grande e inesquecivel artista que se chamou Quincas Laranjeiras. foi o crepusculo da muzica nas produções que abaixo menciono. Honoria. e sim. o quadro maravilhoso. Ricardina. Ao escrever este Necrologio só tenho em mira realçar. a todos aquelles que tiveram a felicidade de o conhecer. Galdino Barreto. Que não sendo o crepusculo do sol. que desappareceu deixando após de si estas maravilhas que se findou. e nova guarda. que nem o pincel Murillo. por entre chorões da velha. E foi assim. os effeitos do sol. imitar com cores Yris o deslumbrante painel da natureza. deixando em seu percurso. Encantada. fez a sua passagem. MORREU GALDINO BARRETO Como um sól que circulla. de um bom pae. Saudades. como uma estrella diamantina.

no Engenho de reunia o pessoal mais Dentro. no Engenho de ALVARO CUNHA (Mocinho) . dava em na rua 13 de Maio. pois possuia uma voz maravilhosa! Zé Monteiro JOÃO RIPPER foi um principe no cavaquinho. infelizmente já dorme o somno da eternidade. que tantos termino estas linhas co o corações fez pulsar tambem coração cheio de saudades. onde Abolição. hoje sua casa muito bôas festas. teve a sua grande época. Mazurcas.– 181 – e Dentro? Cantador de modinhas que deslumbrava. tive com elle intimidade frequentei a sua casa em companhia do poeta. O mais destemperado de era pessoa grata de Guttemberg todos os foliões. figura obriconheci-o como guarda da [136] Alfandega. arrancava do outros chorões a quem o Ripper povo os maiores applausos! offerecia a cada um d'elles um obrigando a outros cantadores a grande discurso. cavaquinho e violão. Quem não conheceu o Zé Monteiro. quando nas salas ou no quem Ripper tinha por elles sereno cantava as letras do grande devotamento e muitos Grande Catullo. JOSE' MONTEIRO Quadrilhas. E assim se recolherem aos bastidores! Este cantor. e Muitas outras. nas farras passadas. tocava Cruz. e maior gatoria em todos os "pagodes" cantor do Brasil Catullo sulapando os cantadores de Cearense e o velho Bilhar por fama. era proeminente das serenatas.

conhece. Para acompanhar o heroe acima era preciso ser violão de verdade. afinal é uma estrella que ainda brilha. (O Animal) deseja que tu vivas 200 annos e sempre "mocinho"!. a de ser Luminar dos Seresteiros. Era muito conhecido não só aqui como em todos suburbios. João Lima era chorões da velha guarda. tal a falta que fez entre os chorões da velha e nova guarda. sem repetir. Guttemberg. O velho Alexandre. PINGUSSA O nome de Pingussa. pois era de um gosto extraordinario. tinha vóz de barytono.. e mostrando o valor dos antigos chorões.– 182 – Mocinho. Inda hoje a sua morte é pranteada. JOÃO LIMA companheiro como poucos. bom amigo. se não em cada modinha. pois onde tivesse não lhe faltavam os applausos. tem sempre recordações que nos fazem nascer as lagrimas nos olhos. e de todos os cantadores e tocadores dos suburbios.. e ainda canta e acompanha as modinhas dos nossos tempos! este "malandro" é uma casa "cheia" porque sósinho faz uma festa com o seu violão! Mocinho. principe da velha guarda. . e ter muita pratica. pois Mocinho. a sempre lembrado por todos os todos arrebatava. cantava uma ou duas noites as suas modinhas inteiras. foi companheiro inseparavel de Leandro. era cem tombos. é actualmente unico rei das serenatas. só mesmo acompanhada por elle. Com uma vóz encantadora. fazendo successo. Era funccionario da Estrada de Ferro. onde tinha innumeros admiradores e amigos. Em fim as modinhas de João Lima.

No sólo? nem se falla! Deixa apreciadores bambos das pernas tal a maneira do manejo nesses dois instrumentos. JOSE' AYMORE' Era cavaquinho e flauta e da turma de João de Brito. ainda repercute batuta estimado e respeitado no vibrando em nossos seu cavaquinho. haverá. Flauta já descripto por mim neste livro. assim sendo presto nesta descripção uma homenagem a esse chorão que se chamou José Aymoré. E' reformado hoje do Corpo de Bombeiros. que não conheça o bom Tuti. e lá no seu bandolim e violão deixava todos extasiados independente da sua fina educação. Pingussa. de todos que com elle conviveram. não só aqui como Bem poucos chorões. violão e bandolim sublime! No acompanhamento é de admirar em qualquer dos dois instrumentos. pensamentos como um penhor TUTI de saudade. DA ESTRADA DE FERRO Foi um bom tocador de violão. Além de tudo isto. elle sempre soube adquirir sympathia. era um excellente cantador de modinha. e que fez á alegria com seus choros em muitos lares. este que teve a sua época no tempo em . VELLOSO. deixa um vacuo consideravel e difficil de ser preenchido. era um chorão de facto. onde elle era um violino.– 183 – As notas arancadas de seu em Nictheroy. [137] Astro do quilate deste grande artista! quando desaparece.

Estes dois andavam sempre juntos. não poude se conter! Empenho d'aqui. como tambem seu inseparavel amigo Pestana. . como praça de Policia. com bastante pezar daquella excellente população.– 184 – que o choro tinha brado de armas no suburbio. os heroes regressaram á esta Capital. Velloso foi do bom. atracado ao seu violão. Pois bem. detinha-o de farrista inveterado. onde estava um. Porém nem mesmo assim. Pestana. fizeram o agrado da bôa e agradavel população daquelle logar. tambem. julgo nunca ter galgado posto algum. e Gracinha voluntariamente alistou-se no Batalhão Municipal que naquella occasião se criou para defeza da ordem. ERNESTO PESTANA E GRACINHA O primeiro foi Praça de Policia. como obrigação. Ambos na revolta da Aramada. levando de vez em quando uma cadeia. Pestana foi guarnecer a cidade de Vassou[138] ras. e tocando. E arranjou ir para lá tambem destacado. esquecia-se de ordens e disciplina. Pestana. deram-se muito bem naquella linda cidade. na revolta da Armada. e d'acolá. Quando terminou a revolta. Pois de um genio folgazão e inveterado farrista. e o segundo Guarda Municipal. andando quasi sempre. Tocando muito bem violão (e cantando admiravelmente. dando prazer e alegria ao pessoal que tanto lhe applaudia. prestaram seu serviço ao lado do inclito soldado Floriano Peixoto. onde cantando. onde o noso bom Velloso se exhibiu com todo gosto. estava o outro. Gracinha vendo-s aqui separado de seu amigo.

BRANT HORTA Lucio sempre com muita difficuldade. fazendo a maior consternação aos seus amigos que muito o estimavam. que abraçado ao violão. percorria os mundos de harmonias. e cavaquinho. Eis tudo que tenho a dizer. [139] CHICO NETTO Era funccionario dos Telegraphos. Esta ultima particularidade já trouxe dos seus paes. acompanha tambem com grande maestria afinal de Palmieri tudo é bom especialisando a sua excellente educação e fino trato. tocava muito bem o violino. que elle manejava admiravelmente.– 185 – Gracinha era tambem da mesma tempera de seu companheiro e amigo. Pois Horta era um pedagogo. especialisando-se no bandolim. com accordes que só elle arrancava com inspiração. tocou sem parar no seu . Sóla muito bem. bem na Ponte dos Marinheiros. deste astro luminoso e professor Emerito. Este morreu de um desastre. um chorão de valor. e tanto assim que toca no bando do excellente flauta Pixinguinha. Ver o heroe acima tocar é um céo aberto. Ambos já são fallecidos. violão. tornando-se deste modo. PALMIERI E' tambem violão de encantar. Porém apaixonado pela musica. Sem mais assumpto neste perfil. ao fazer perfis de celebridades iguaes a esta que vou tentar descrever. recebe Palmieri o meu abraço. Disseram-me que em um torneio o chorão acima. em um bond da Companhia Villa Izabel.

Descrever Jacobino. Lucio tinha a lucidez de seu nome. tal o seu grande. Francisco. tendu um repertorio de Modinhas que por gosto se podia ouvir. A morte de Lucio. pois era uma capacidade intellectual. as delicias de tudo que nos falla o coração. ainda não dobrou a sua espinha dorsal. Descrevo aqui esta cellebridade porque Jacobino é o Poéta dos chorões. Olavo Bilac e muitos outros no Largo de S. Castellões e muitas outras. apezar de já estar no senectus et morbus. Discute esas linguas com profissiencia. funcionario da Imprensa Nacional. LUCIO REIS Era um bom amigo e distincto cidadão. é mais difficultoso. que ir em vida para o céo. Eu que muito com elle privei sei o quanto vale. Demonstrando assim ser um tocador de follego e grande resistencia. na confeitaria Paschoal. Muitas vezes o aprecier na roda de Luiz Murat. por isso levou tres bandolins. conhece o Portuguez a fundo. Latinista de primeira grandeza. FRANCISCO GALVÃO (CHICO CARE'CA) . JACOBINO FREIRE Este bom chorão trabalha ha Escrever este meu amigo de muitos annos no Jornal do peito me é bastante impossivel.– 186 – bandolim mais de quarenta e oito horas. e immenso valor. afim de supprir a falta do que elle tocava quando arrebentasse uma corda ou desafinasse. Sabia cantar e dizer com alma. foi chorada e pranteada pelos homens de letras daquelle tempo. Rijo e forte parece um menino de seus vinte annos. e voz suave.

é bamba no Trombone e turuna no Obóe. Juca . instrumento este por quem elle tem muita predilecção. Chico Cereca é um chorão devertido. JUCA MÃOZINHA Era filho de um sapateiro alli na Rua do Estacio de Sá. e assim apresentava-se nos choros com seu violão em baixo do braço. E assim com sua vós um pouco baixa. um coração de ouro. afim de contentar as pessoas prezentes. ia dizendo! Quasi não posso andar! E logo este desabotoava o primeiro botão das calças e sentava-se de pernas esticadas por não podelas curvar.– 187 – Commercio. Tinha um braço um pouco seco. de maneiras que só por isto era conquistado por todos que o conhecia. por esta razão não podia de modo nenhum deixar de lhes prestar esta homenagem aqui. Eu tambem que comia bem ficava admirado de vêr um homem daquella forma acompanhado com as bellas cervejas vinhos e etc. só servia para acompanhar as modinhas que cantava. todo cheio de si. Era de um genio alegre e folgazão sabendo fazer boas pilherias. e que tinha uma bella e suava vós. Amigo sincero e respeitador. Apezar de sua estatura ser baixa. que as vezes encabulava o camarada. explendido chefe de familia. era muito magrinho o que não impedia de comer como gente grande. Tocava muito pouco. pois o estomago estava muito dilatada e hia assim. mal ou bem fazendo o que podia. Eis tudo o quanto tenho de [140] dizer deste chorão antigo e muito querido pelos chorões da velha e nova guarda. Levanando-se da meza.

cazou-se depois de já um pouco maduro. gente grande. e nas valsas lentas. Era um prodigio nas nossas polkas. nem se falla. Era distincto amigo. deixando saudades a todos os chorões. e compartilhei com sua amizade. Por isso era conquistado pelo bello sexo. lá para os lados da Cidade Nova. assim como em muitas outras. fazia o piano fallar. O Maneco. que tocava em uma Sociedade Dansante. Deixou muitas boas composições. n'um choro. Companheiro inseparavel do inesquecivel e saudoso Bilhar. e excellente chefe de familia com elle muito privei. onde hia até o enterro dos ossos. denominada Adamastor. querido e fallado não só aqui. E assim foi-se mais um que fazia alegria nos lares. pois tinha brado d'armas. sabia corresponder Néco. e falleceu em Nictheroy. e retirou-se da lucta para sempre. e sympathia razão porque. Era especialista nos tangos do inesquecivel Ernesto Nazareth. [141] JULIO BARBOSA Chorão antigo e inveterado. MANECO LEAL Primoroso pianista. lamento cheio de saudades o seu desaparecimento no meio dos chorões. Era bom typographo dos jornaes daquelle tempo. que JOÃO CAPELANI elle com maneiras graciosas. como em todos suburbios. o que elle adorava doidamente. e nas mazurkas. e Era irmão do grande violão finas verves.– 188 – Mãosinha. e Catullo. pois depois de seu casamento pouco viveu. Tocava cavaquinho como as espectativas do genero. de escriptores allemães. Era . Gostava muito de um baile.

Pois Julio no tempo que tocava era senhor dos segredos do piano pois quando o acompanhava com meu violão. BULHÕES Chorão velho. como todos que tem a felicidade de conhecel-o. onde com seus feitos immortalisou-se.– 189 – pianista chorão de facto e respeitado na roda de seus congeneres. Sempre foi Smart. é de extasiar. pois com seus trocadilhos engraçados só faz hyllaridade. Sempre foi de uma generosidade sem limites e de uma educação fina e aprimorada. e de fama. Julio.. Tem grande quantidade de musicas de sua lavra. Hoje retirado do choro. Por isso daqui envio-lhe os meus sinceros parabens por este astro . O seu maior predicado. a palavra não. os applausos que sempre lhe dispensei. No Rio não existe Sociedade que não conheça este astro do choro. é não conhecer. pois resolve os problemas mais dificeis com a palavra sim!. parece um general quando nos campos quer ganhar a batalha. me trazia de canto chorado. Bulhões toca tudo não só dos velhos chorões. é um intellectual da nossa Engenharia. como tambem dos novos. Receba pois Dr. Com elle muito privei. com toda justiça de quem é merecedor. Dos chorões velhos quasi todos já se acham retirados: Porém. E assim sendo continu'a a ser um chorão admirado e respeitado. Bulhões não! Cada vez mais agarrado ao piano que elle toca com grande facilidade.. trajando-se com apreço e bom gosto. que é uma bellezza. Conheço muito de perto este grande musicista e sei o quanto elle vale não só para mim. Onde este heroe estiver não tem ninguem triste. e delle recebi muitas boas lições musicaes.

pois sabia corresponder a confiança que os chefes das casas lhe depositavam! Nas cançonetas. Barnabé. que abriam os seus lares para este bohemio. Em fim era dilecto amigo. e seus suburbios. uma serenata organisada por Barnabé e seus companheiros transformava-se em tres. que foi um bom filho. arrancava os maiores applausos dos presentes. nesta cidade. companheiro e collega de repartição do grande Antenor de Oliveira. Tinha choros molle. . pois ambos eram operarios do Arsenal de Marinha. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas da quelles tempos que já se foram. quatro ou cinco dias de farra! porque este trovador. quando se falasse no chôro não dava pra traz. de facto era deveras engraçado. e um sincero amigo. nas modinhas. aonde estivesse cantando enchia a rua de ouvintes. era um chorão adorado por todos que sabiam dar o valor aos trovadores das madrugadas d'aquella época. Que diga o Catullo e o Idomineu. Tem algumas boas composições por elle feita.– 190 – de fina tempera. despertava alegria e saudades nos corações das familias. Barnabé. BARNABE' GUIOMAR BOIS Cantor de modinhas de meus tempos ainda. porque além de ter bellissima voz era um dos cantores mais afamado de seu tempo! Morreu muito moço. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. [142] AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres.

elle. artista considerado. no nosso conjuncto. em companhia do grande cantor e poeta dos Sertões.– 191 – deixando nos Corações de seus amigos as mais vivas se exhibia o França fazia lembranças. No theatro todas as vezes que o que é muito nosso. depois dos espectaculos. uma obrigada. Conheço a sua prole. eu mandava um portador MAESTRO VILLA LOBOS esperal-o na porta do theatro. até chorão. [145] . tornando-se por isso muito popular. tudo para os suburbios e Nictheroy. pois era um passaram.. Era seguro nos accordes e nos quaes vejo reflectir em cada cantava quasi todas as modinhas um d'elles a imagem do meu e lundús em voga n'aquelle bom amigo França. Com elle. este que foi tempo. muito toquei. pois em dava a vida por uma seresta. onde enlutou o Theatro Nacional. e os seus Conheci-o como um dos trocadilho eram expontaneos grandes ornamentos da tanto no palco como na inesquecivel Companhia intimidade.. Esta celebridade. todos os seus descendentes. e um chorão e chorão de verdade. com perfeição e gosto. das serenatas que já prodigio. Tinha muita ACTOR FRANÇA presença de espirito. quando tinha um bom chôro para ir. são munido do seu querido violão. dignos da minha consideração. e cummunicativo. e quando elle era um eximio nos acompanhava para toda. Tocando em seu violino. conheci pois o França. onde o violão artista. O seu fallecimento Dramatica Dias Braga. de um eximio havia uma peça. era.

Por que elle foi além dos paramos com as suas producções originaes de musicas theatraes. de quem é crata. Sabe porque leitor?. com todos os predicados melodiosos genuinamente brasileiro.. e muito merecimusicas.– 192 – Catullo Cearense. e inegualavel desenvolvido e tomado vulto. . é sempre ouvido com chôro. Villas Lobos é hoje uma gloria do nosso amado Brasil. por elle levantado. um grande admirador do Mestre dos Mestre. como um pedestal. sempre foi e é. e companheiro de de Sinhô. para os mo chorão. ha indivuos que não podia. já está por si inautecidos. deste dilecto artistas. pois genio igual a elle. ainda é muito pouco. Sinto-me fraco quando tenho de dizer qualquer cousa de um personagem da esphera do grande maestro Villas Lobo. Advogado [146] Lauro Salles. que glorificou e elevou a nossa musica no Brasil.descendo do morro. Com elle muito privei. pois por mais que eu diga. este distinctissi. que foi cognominado Rei dos gostam de ouvir as boas Sambas. de que elle é um dedicado amigo. porém Sinhô morreu quando devia.. quando se toca um samba intimo amigo. SINHÔ REI DOS SAMBAS Infelizmente a vida tem seus caprichos. onde encarnou o nosso querido e estimado samba. que tantas delicias tem a maior attenção. razão porque. dado a todos os auditorios. Catullo. eis o que tenho a dizer damente. Ainda ARTHUR ALVES hoje. acompanhador. é o progenitor do salões aristomuito digno Dr. nem devia morrer. que o samba tem se Violão celebre.

maravilhosas producções. e ordenou que lhe fosse apresentado a um occulista. Eximio pistonista.– 193 – conheci-o em companhia do Dr. E assim desappareceu este astro flamejante. Pois estando esta banda. protegido de Princeza Izabel. Foi aprendiz dos meninos de um verdadeiro artista. Ahi foi que Carramona ALBERTINO CARRAMONA mostrou competencia. para esta Capital. e saber. tal foi a perfeição do scientista. De Antenor de Oliveira. Depois elle tocou em diversas bandas. sendo logo escolhido como contra-mestre da mesma. que elle tinha uma das vistas vazadas. que findou-se dentro de uma barca. admirado. que muito sentiu. Desvalidos de Villa Izabel. e compadre. de saudosa memoria. . que lhe collocou um olho de vidro. muito difficil de ser substituido. e tocava com maestria e gosto o seu violão. como primeiro pistão. tão perfeito. finalmente entrou par o Corpo de Bombeiros. pois Sinhô era um aprimorado pianista. patenteando o valor deste inesquecivel artista. ficou encantada com o solo do pistão. das estações de Radio que vae de polo a polo. todos os microphones. mandando vir a sua presença o executor que era o nosso sempre lembrado Carramona. engrandecendo as musicas brasileiras. depois de ter illuminado com seu grande brilho. debaixo da batuta do inesquecivel Anacleto de Medeiros. a Princeza. de quem era grande amigo. este que lhe inspirava em bellos accordes. que difficilmente se notava. deixando um claro no meio dos chorões. e de mundo a mundo. Julio Barbosa. tocando um dia no Palacio Guanabara. A Princeza notou. que fazia o trajecto da Ilha do Governador.

julgo canções e tudo que é muito que daquelles tempos. respeito e venerado. e ensaiador da Quem não conhece este Banda. Garbosa Civismo. ninguem! nosso.– 194 – Esquecia-se de tudo quando se mettia na fuzarca. Vou aqui . Era amigo de verdade trabalhou na Light como cocheiro sendo muito [147] estimado por seus patrões. de por agente bambo. As musicas de Carramona. nos devotado mestre e amigo. Vagalume. Solava muito bem. e quadrilhas. cantando velhas e novas immenso chorão acima. pelos microphones dos Quem não conheceu este Radios. de vez emquando. Falleceu no posto de 2° tenente do Corpo de Bombeiros. seguindo com capacidade. é um nome Chrispim foi chorão de fama. chotichs. No seu Ophicleide. tendo lhe substituido no nivel de igualdade. boas polkas. Castro Afilhado. sitar algumas que são: O Falleceu ha poucos annos. tornava-se mesmo um doido mal comparando. com CHRISPIM (OPHICLEIDE) suas modinhas e seu querido violão. e elevada inspiração. Tornando-se um eximio professor. o querido amigo e mestre Anacleto. que tinha nelle um inveterado chorão? Que ainda hoje. e respeito. CASTRO AFILHADO Harmonia dos Campos. no roda como elle bem poucos. e prazer. acompanhava todos os choros com graça e arte. que era uma belleza innegualavel. enche de alegria. são dispoutada pelo valor. compositor e continuador do seu inesquecivel mestre.

Lembro-me de uma baile em casa de uma grande chorão que se chamava Nascimento na rua D'Eu [148] Lá pelas tantas de madrugada. hoje Frei . que já se foram e não volta mais. ALBERTO LEÃO Grande e gostoso violão Leão era violão de veras tocava como poucos. Pela manhã Nascimento trancou o quarto. Leão quando foi lá pelas pelas tantas do dia. e nós que ali estavamos tambem. Estava formado o brinquedo. Muito com elle andei e hoje ainda sinto saudades d'aquelles tempos. ficando todos nós presos. e vendo-se fechado. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. e um baluarte que não negava fogo. acordando. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. que foi uma grande patuscada para todos. que foi uma grande patuscada de todos. farrista de muito folego tocava violão como gente grande. imitando o bicho leão.– 195 – intima de todos os chorões do Conde Caneca. Era um amigo de verdade. e onde estivesse o Cabral não havia tristeza. Nascimento. solo. CABRAL Era guarda Municipal. antigos e modernos. O chôro fazia parte da bagagem de sua alegria. Os seus accordes. poz-se a dar grandes urros. e acompanhamento era de arrepiar. arranjou um quarto com umas esteiras para descançar-mos um pouco achava-se em nosas companhia o celebre violão Juca Russo e tambem o escriptor deste. tal o gosto em que elle tocava. de maneira que os gritos que elle dava fazia grossas gargalhadas nas pessoas de casa.

– 196 – Leão tambem já não vive. vou fazer um pedido a Benedicto. ao ouvir todas Benedicto nos preludios da sua immensos chorões. escriptor que foram Callado. pela em obtel-as. Tenho assim a plena certeza. encantar Bem poucos farão o que expandil-a pelo Radio. as musicas destes Daqui da nossa casa. de dar expansão as musicas nunca simas musicas. que os flauta. que pelo Radio se sceptico das criaturs extasiará ao ouvir esas bellienthusiasmar-se ao ouvil-o [149] Daqui destas toscas linhas. Me é bastante difficultoso difficuldades escrever sobre este grande e procurando na rua Mattos immenso professor. não só Benedicto faz. com seu sopro perpetuando amemoria delles. ou instrumento. de fazer o mais população. 31. chego a ficar perplexo. que deixando grandes saudades. todos estes foram planetas. que muito esquecidas dos sempre agradecerá ao Benedicto e o destas apoucadas lembrados e chorados flautas. o grande de flauta. admiravel. Capitão Rangel e Luizinho. linhas. . cederá maviosa flauta. e seculos não trarão mais. pois é de pois terá muito prazer em ouvir de um musico como Benedicto. pois tem o mesmo no seu caderno qusi. mesmo estatico em apreciar este sublime musico na sua mais que que o bom do Cupertino. passam depois de centenares de annos. Talvez o grande flautista. tal a sua maestria neste professor Cupertino. BENEDICTO LACERDA não executes estes choros. e executor Rodrigues n. com uma perfeita como fazendo o encanto da theoria musical. Viriato.

tambem o mavioso violonista Vicente Sabonete. RAUL (FLAUTIN) Conheci mais ou menos aos vinte annos chorão de respeito. Naquelle tempo o seu instrumento predilecto era o flautin. que muito o admirei. pois Raul. Era . que neste fazia parte. tocava conforme o valor dos acompanhadores. Eis aqui mais ou menos o perfil de um grande chorão que não me podia passar por desapercebido por modo nenhum. era irmão do inesquecivel Timbó tocava bem violão cantando as nossas modinhas com muita alma.– 197 – PEDRO AUGUSTO E' um clarinetista de primeira grandeza. E' um chorão que tem excellencia respeitavel em seu meio que constava de Carramona. SAMUEL LEITE Foi funccionario da Estrada de Ferro. Luiz de Souza e muitos outros. é exemplar chefe de familia. Foi contra-mestre da Bando do Corpo de Bombeiros e hoje é considerado um professor de musica tanto para leccionar como para executar. Pedro Augusto ainda vive para alegria de sua familia e de seus amigos. Raul além de ser um grande apreciavel musico. é hoje um flauta de sopro mavioso e cheio de expressão. as musicas que tocava era de arrepiar carreira umas. Fez parte de um bello conjuncto. distincto amigo. e ultimamente de ouvil-o a maviosa flauta no Rancho "Quem falla de nós tem Paixão". que não ficava nada devendo ao inesquecivel Henriquinho Dourado. Geraldo Bombardino. e outras de facil acompanhamento. companheiro dos bons e explendido official de orthopedia. Lica.

pois conhece seu instrumento por dentro e por fóra com maestria. aos seus ouvintes. a tantas canções. é pena que Patricio tenha se passado ultimamente para embolladas deixando no esquecimento as modinhas de enebriar. que tanto impera. a tantos sambas tão cheio de melodias interpretada pela vosa maviosa vóz. sabe cantar. a tantas modinhas. esta grande maravilha do Seculo. que retroceda em recordações. . nos choros. onde elle por intermedio de microphone sabe dizer. batuta respeitado pela maestria que dedilha o seu afamado violão.– 198 – um verdadeiro seresteiro e chorão de tempera. para alegria de todos os lares. LEANDRO DE SANT'ANNA (MAESTRO) Era um clarinetista de immensuravel valor professor eximio [150] que regeu muitas bandas de musicas. o vehiculo de sua incalculavel grandeza. Foi e é. pois elle é possuidor de um repertorio de sambas. Acompanha qualquer instrumento cantante com a maior facilidade. Pouco tenho que dizer deste grande artista musical por me faltar os dados capazes de inaltecer ainda mais este chorão que talvez possa fazer na segunda edição. O Radio. e modinas. acho bom meu caro Patricio. PATRICIO TEIXEIRA Conheço-o e sei o seu real valor. que elle adora. encontrou em Patricio Teixeira. Ainda hoje o Samuel é muito lembrado pelos seus companheiros de farra com muita razão pois o inesquecivel Samuel não dava p'ra traz em nda. no meio de todos os vossos companheiros de choro.

Com seu mavioso. Nas modinhas daquelles saudosos tempos. Hoje tambem como eu. em que tudo eram flores.– 199 – que não regateia o vosso valor que tens adquerido com tantos esforços e bôa vontade. não as perdia. VICENTE VIANNA (Vianninha) Conheço bem de perto. do Bilu'. retirou-se a vida privada. este valoroso companheiro firme e seguro e dei o valor real do seu tempo. Eu não podia neste meu livro esquecer este grande amigo. pois quando por acaso nos encontramos. e saudoso violão. te apreciar. sempre em baixo do braço. tem a felicidade de pelo Radio. Tocava regularmente o violão. Não recusava parada. fosse elle onde fosse. Nas festas onde se achava não havia tristezas. pois estava sempre prompto para a lucta. de mim escriptor destas reminiscencias. vos admira. tinha sempre belas pilherias e trocadilhos de fazer risos. e harmoniosa voz. acompanhava-nos para todos os choros. que Vianninha. que com prazer. nos olhos de Vianninha. do Brandão do Quintiliano. com applausos de todos que como eu. querendo eu dizer. acompanhava elle mesmo com ternas e graciosas harmonias. só tratando de sua distincta familia. e era sublime cantor de [151] boas modinhas. por estas lembranças que nos molesta o coração. ainda rola tristonhas lagrimas. o autor destas linhas. elle sabia dizer o que sentia. onde elle sabia da vida ás festas. pois Vianninha. Andava na roda do Theberge. nunca tinha folga. pois além de possuir bella. Eis porque. . e conversamos dos nossos saudosos tempos. Vianninha foi um doido pelo choro.

mas ainda existe morando lá para os lados de Nictheroy. esse immensunosso Theartro. peças estas que alcançaram exito pelo valor da sua musica e tambem pela verve de trocadilhos finos e humoristicos. além de um eximio maestro é Conheci-o em 1911. polkas bregeiras. conhece todas as praças theatraes do nosso Brasil. principalmente em se traando de valsas. tem elle. é um maestro professor de muisca. e partituras de infinidades de peças theatraes.– 200 – E nada mais. Ha muito tempo não o vejo. Benedicto as felicitações por tudo que descrevi porque muito te admiro. BENEDICTO MONTE dignos dos nossos applausos. razão porque se torna . Elle tambem tem escripto muitas peças theatraes. Elle é um explendido amigo. Musico de nomeada. que se immortalizou com as suas valsas lentas. Benedicto. e. pois. um admirador. em casa tambem um bom escriptor que muito tem feito pela grandeza do do velho Bilhar. possuidor de maneiras communicativas. pianista de renome. com a sua [152] intelligencia. em cada conhecido um amigo. e regente de orchestras de quasi todos os theatros d'aqui do rio. como tambem de Nictheroy de onde é filho e morador. Benedicto Monte. em cada amigo. As musicas de Benedicto Monte são reputadas e acclamadas pela sua melodia. ou então como regente de alguma Companhia em excursão pelo Norte ou Sul. Receba pois. Quero dizer com isto que o SÃO JOÃO nosso bom Benedicto Monte. e sendo assim. e merecida dedicação.

e aprimorada. foi alumno da Escola Miitar. chamava-se Maria da Piedade. tive a felicidade de ser por elle apresentado. e que andavam sempre sem vintem. E de uma educação fina. Onde encontra-se um abrigo. que elles se encostasse. e honrada. e era tambem do inesquecivel. a maioria era de chorões desempregados. de verve humoristica. nos lundu' e nas modinhas. CASA EM QUE OS CHORÕES ABARRACAVAM-SE Existia na Tijuca uma creoula de meia idade. e depois deste dia. flauta. a sua casa vivia dia e noite. E' um grande amigo. de Catullo Cearense. São João. e hoje faz parte da commisão Rondon. Piedade. fiquei preso aos laços de sua amizade. e a tinir. pelo modo. abarrotados.. que era uma maluca pelo chôro. que tivesse o pirão. São João é uma casa cheia. e o bibirique. De violão em punho. São João.– 201 – ravel chorão. era uma creoula seria.. Este que um dia de uma grande festa. harmonica. estavam num céo aberto. E' um grande admirador e propagandista das nossas musicas. é hoje para mim uma reliquia que guardo com carinho. e a expressão da sympathia que prende e cativa a todas as pessoas que privam com elle. ao mais selecto. e um canto com uma esteira.. na prosa. que ainda hoje conservo. nunca dos que frequentasse a sua casa della . que prende com graça. na declamação. Esta creoula. em meu coração. não sahiam mais. pela maneira gentil do seu fino trato. cavaquinho. em sua residencia. E' eximio violonista. que elle tem como um evangelho. etc. e arte todos os auditorios do rude. e sempre chorado Bilhar.

A casa de Piedade era um sanatorio de molestias que preciso-sasse ar puro pois não recusava doentes. [153] As panellas que Piedade fazia os pirões era uma lada de kerozene. e mais que . que o seu bolso estava em falencia. Não encommodando-se de no fim do mez. A mesa era posta no quintal que era grande. que ia até a madrugada. e ali os chorões se atolavam. pois as 11 ou 12 horas. lombo salgado. jogava dentro tres e quatro kilos de carne secca ½ kilos de toucinho. buxo. que ella lavava bem. e mais pertences. e que era muito procurada. (isto é) lavando e engommando.– 202 – abusasse. eram fanaticas pelos choros em sua casa cotidianos. As duas comadres se deleitavam com estes chorões. além dos chorões que ella sustentava e abrigava. um senhor Antonico Ferreira. no Padeiro. pois caprichava muito nesta qualidade de bebida. o que ellas queriam era o choro. desde que qualquer destes chorões pedisse. Estes doentes eram quasi sempre dos que estavam mal de vida. Esta lata ia para o fogo ás 4 horas da manhão. etc. pois Piedade. tripa. Vivia do seu trabalho. que muito a ajudava em casa. pois tinha grande freguezia e ajudada no trabalho. A feijoada era sempre acompanhada de um bello paraty. convidando moças para dansarem. e outras vezes em aluguel. que mandavam buscar em uma venda que era dono. ainda alimentava estas pobresinhas com remedios. já estava em ponto de bala preparado para comer-se. De maneiras que. diéta. estas duas comadres. O que ellas ganhavão. escaldava e depois. ficarem sem vintem. era para gastar na venda no açougue. por uma mulata sua comadre de nome Felismina.

nada pagava. Corte Real. e tomando ella um grande choque. até medico. ella chamava que com o grande conhecimento que tinha no logar. Juca Russo. e até muitos musicos que foram do Arsenal de Guerra. e mesmo remedio que elles davam com compaixão da doente e o acto humanitario de Piedade. Mario cavaquinho. Seu Velho. João Cabelleira. pois tendo Piedade. aconpanhado pelos cavallarianos que chegavam a metter os cavallos dentro da mesma. E assim apagou-se uma vida que deixou grandes consternações nos chorões e toda aquella população. Luiz Brandão. Os componentes das festas naquelle tempo que frequentavam a casa eram: O escriptor deste livro. por muito bem que praticou. um filho de criação apelidado de Passarinho e tendo omesmo feito uma desordem na Muda da Tijuca. annos já passados. TINOCO . onde ella era venerada como uma santa. E muitos outros que não me vêm a mente. Ismael Brasil. onde ella tinha numerosos camaradas. tendo o seu corpo sido enterrado no cemiterio de S.– 203 – fosse preciso. João Cabelleira Quintiliano que era o flauta predilecto. Seu velho e Juca Russo. Francisco Xavier. fulminada por uma syncope. sendo acompanhado por muitos chorões. Piedade morreu victima de uma scena brutal de dois cavallariano. e na approximação dos cavallarianos pelos mesmos. pelos grandes. estando nes[154] te meio o escriptor. ao entrar na casa correndo. Baziza. e com medicos que para elles e as familias. cahiu para traz. Horacio Theberge.

Dario Cleto. que era dono um tal chiquinho. João Cabelleira. podia comparar-se com Tinoco. Também já é morto. esquina de Andradas. o que elle adorava. Estava sempre no Largo de S. Anthenor da Praia. Alli Tinoco com Antonico Moura. como tambem pela sua finissima educação. reunião-se em uma venda alli existente. Francisco. MADEIRA Conheci este distincto amigo em diversos bailes que junto tocamos. Ferraz. como era conhecido. deixando assim um claro. Faria Menino. bem difficultoso de ser prehenchido.– 204 – Conheci-o. afim de contar as suas proezas. Angelo Pinto. Alfredo Caveira. que para elles era o maior prazer que podia existir naquelle tempo. e já por mim descripto. e eu o acompanhando de violão. Era um excellente amigo e companheiro firme para tudo que se tratasse do chôro. que o adorava. Posso mesmo afiançar. Vicente Italiano e muitos outros campeões bambas que alli se reuniam. Diogo da Lapa. não fazia outra coisa se não cantar boas modinhas. com a linda vóz que possuia. que com outros bohemios daquella época. com grande prazer. Dominguinhos da Sé. Tito da Praia. Felix Roxinho. com os mais. Napoleão Faquista. Era muito conquistado não só pelos seus amigos. Luiz Boccamolle. ou cavaquinho. que bem poucos cantores de modinhas. Maneco Linguiça. em tom baixo só para elles escutarem. e alli. elle na sua valente flauta. afim de cantar suas bellas modinhas. era tambem respeitado. Tinoco naquella roda. De maneira que não deixavam socegar o bom Tinoco. . pois carregavam para todo logar. que era um primor. e que era muito apreciado. não só por ser este predicado. como tambem por muitas familias.

e que não tivesse compromisso. o apreciava-o gostosamente. amigo dilecto de seus amigos. para dar conta de seu recado. de quem já fallei. e venerava. Foi organisador dos choros dos maxixes naquelles tempos. . Seu instrumento predilecto era a flauta. Sinto-me orgulhoso de reelembrar aquellas musicas todas! (Que se aguentasse os pobres acompanhadors) que se viam tontos. e adorado pelos donos dos mesmos. Nos choros quando era convidado. pois elle era um obsecado pelas musicas do sempr chorado e lembrado Callado. Madeira sabia dizer naquella flauta os segredos mais profundos que um coração possa sentir. Depois aposentando-se nunca mais nos encontramos. aos que tocavam a [155] de novo systema. não dizia que não! Pois sua blauta estava sempre prompta para o serviço. e que faço votos que sim. Quasi todas as musicas que tocava era deste incomparavel flauta. Elias era irmão de sangue do grande professor de musica João Elias. porém não ficava devendo nada. Tocava em uma flauta de cinco chaves.– 205 – Era elle estafeta dos Telegraphos. Tinha grande predileção por Callado que elle adorava. ELIAS Foi chorão afamado. cargo em que se aposentou. em que elle era conquistado. Era excellente chefe de familia. que elle tocava com amor e carinho. Nos choros que com elle toquei. de quem nunca me cansarei de elogiar. não sabendo se ainda é vivo.

floria com sua maviosa flauta nos bailes em que se dava. e dos que quando botava a bocca na flauta. e o Antonico dos Telegraphos de ophicleide. que era uma belleza. Tinha um genio retrahido. o ventura Caréca de violão. O Binoca trombone. naquelles bons tempos. e que um ainda me lembro que elle. Companheiro de Cypriano. Juca Valle. Privei com elle não só nos choros. Eram seus acompanhadores. o Antonico Piteira de cavaquinho. como tambem dentro de seu lar. Morava elle em Nictheroy onde era um bamba. EDMUNDO . com o nome de Alcina. tratava a todos com o maior respeito. se esquecia de tudo quando estava de violão em punho. e amigo distincto. Soares bombardão. tambem de violão. era um chorão de patente pois. o Theotonio Machado. em cima de chôro. offereceu a filha de um meu collega. onde todos eram tratados com a maior consideração impossivel de descrever-se. e as vezes até pelo dia acima que era um primor. e ainda outros que não me lembro já pelos annos passados. Néco e Luiz Brandão. por isso não gostava muito de brincadeiras. os acompanhadores aguentasse! pois era chôro. Era excellente flauta. TABACÃO Tocava violão e cantava bôas modinhas. e no entanto era um coração de ouro.– 206 – Além dos maxixes em que tocava. e consi[156] deração. frequentava n'aquelle tempo a casa do Caixerinho e do Mamede lá para os lados da Piedade. e assim ia até de manhã. Infelizmente já fallecido a bastante annos. Escreveu muito bons choros.

A sua mesa era farta em tudo. Fez a sua época de admiração e deslumbramento no antigo Eldorado sito ao Becco do Imperio na Lapa. PLACIDA DOS SANTOS Digna de admiração. Bilhar. foi em seu tempo uma garganta de ouro. Lulú Vasconcellos de saudosa memoria. Foi elle o autor da musica da explendida modinha do nosso bom e explendido poeta Catullo Cearense "Talento e Formosura". era frequentada pelos chorões d'aquella época como foses Luiz Brandão. Este musicista immortalisou-se com as suas musicas maravilhosas. Sabia cantar com gosto as modinhas Brasileiras lundús bahianos apimentados e buliçosos e tambem dizer com arte os monologos humoristicos. onde o luxo se intervalinhava com a simplicidade dos seus usos e dos costumes. Muito simples e modesta tornava-se deste modo cummunicativa. Mario e Galdino cavaquinho. com quem andei em muitos bons pagodes aqui na . Quinca Larangeira. Elle é uma fervorosa admiradora do violão. Com ella privei. razão porque. seu instrumen[157] to predilecto. onde tornou-se o idolo das platéas. Henrique rosa. e frequentei a sua morada que era um céo aberto de grandezas. Néco. e muitos outros.– 207 – Artista de merito. Era a Placida dos Santos nesta occasião uma bella morena côr de jambo com todos os requesitos de uma artista consumada. Ella foi uma estrella que brilhou em todos os palcos brasileiros do Sul ao Norte. Dizendo isto disse tudo o quanto podia dizer deste grande artista. Placida dos Santos é irmã do inesquecivel. compositor eximio. Catullo.

como o saude. executadas por outros. Capital e em Nictheroy. Placida. mesmo porque Lulú Vasconcellos e Placida dos Santos eram dois corações irmãos com palpitações iguaes. mas. valsas. . temos a impressão de que estamos ouvindo o grande flautista Leocadio. é que pode dizer o (Bambino) flauta chorão que foi Leocadio. Hoje. deixou sangrando o coração da sua extremosa mãe e immoredouras saudades dos seus amigos e companheiros que não tiveram a ventura de prestar-lhe o ultimo conforto em virtude de haver LEOCADIO DA CONCEIÇÃO fallecido em São João d'El-Rey. o meu admiravel amplexo. Era tão sagaz que muitas O cantor dos tempos vezes o vimos junto ao Edgard. Vasconcellos não tocava nem cantaa. tratavam seus amigos na JORGE LINO PEREIRA intimidade. Receba pois. tangos e quadrilhas. (Minas). tendo o seu throno de apogeu como rainha que é de todas as tradições festivaes de Momo do Club dos Democraticos. e por esta razão rendo aqui uma homenagem. era muito considerado na roda dos chorões. para onde havia partido Quem conheceu o em busca de melhoras para a sua "molequinho da fláta". ainda vive. – Deixando o numero dos vivos muito cedo. finando-se na flor da idade. quando ouvimos as maravilhosas composições dos mestres Anacleto de Medeiros e Irineu de Almeida. Lulú Vasconcellos falleceu e Placida está inveteravel carnavalesca. este ornamento artistico.– 208 – nos bailes e mesmo na intimidade desmanchar-se em duetos. nos choros. de saudosa memoria.

polkas. Antenor de Oliveira. de tambem aprender. as poesias do seu vasto repertorio. LULU' CAVAQUINHO Bem poucos serão dos farristas de agora. transformando o cavaquinho de quatro cordas.– 209 – passados e ainda de hoje. que supre o . o que conseguiu com Mario. Napoleão. Benjamin e muitos outros cantores e compositores de versos. alguns ainda vivos. em doze. empolga o auditorio mais exigente. Dentro do craneo do Bambino existe um deposito de modinhas ternas. Para isto basta que elle [158] esteja disposto e que se ache com elle o Chico. Mario botou o nome de Bando. Era da turma de Mario. Ainda hoje se lembra e canta musicas de nem sei a quantos annos atraz. sem faltar uma só phrase. Juca Russo. Quincas Laranjeiras. metteuse na cabeça. Jorge Seixas. E' o verdadeiro cantor de salão o Bambino. instrumento este. com grande facilidade. valsas. tangos e lundús que pontificavam Catullo. com perfeição. como tambem acompanhava muito bem. e muitos outros chorões. que o acompanha admiravelmente ao violão. pois não só solava. Sabendo dizer. Era o grande executor acima de uma habilidade bellissima neste instrumento. Galdino. que não conheceu o bom e excellente amigo Lulu' cavaquinho. não deu o seu quinhão ao vigario. Eduardo da Neves. Lulu' vendo ser tocado e inventado por Mario. Este instrumento não havendo nomenclatura na musica. Causa admiração ver-se um cerebro previlegiado como o do Bambino.

onde eu pude pegar um delles. sem precisar recorrer as oitavas. e carioca de coração. Morreu no seu quarto repentinamente. pois tocava com grande primor e arte. de lá já vinha o seu conhecimento desde pequenos. TAFY Era bahiano de nascimento. principalmente. que sendo Bahiana tambem. ainda hoje o seu nome é lembrado e commentado na roda dos chorões. Lulu' foi da turma dos bons. Deixando muitas saudades. relacionou-se com os grandes. Apreciei muito este executor de violão. além de ser um sublime violão. Na sua casa Tafy fazia o regallo. Mariquinhas muito gostava de Tafy. . das que trouxe de seu estado. [159] Tafy. que tinha-os muito bons. em casa de Mariquinhas duas covas. Era um violão respeitado. tambem era um bom cantor de modinhas.– 210 – cavaquinho. que eram excellentes. Tinha bellos accordes. que fazia arrebatar os auditorios. não só nos acompanhamentos como em solos. que eram ás dezenas. tendo lá sido encontrado. e tambem sola em qualquer tom. Hoje bem poucos o tocam. a não ser o grande musico Jorge Seixas aprendendo o mesmo sem mestre. principalmente ao bello sexo. de que muito se orgulhava. não só de Mariquinhas. como as mais pessoas que sempre lá estavão. e muito o apreciava. que é em Fá sustenido menor. Tafy logo que aqui chegou em pouco tempo. Tinha tambem bella voz. e pequenos chorões desta capital. Muito toquei com este chorão. já o conhecia de seu Estado natal. fazendo com elles grandes amizades. pois sendo elle bahiano.

tambem os do . e fazia a delicia dos que a escutavam. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. Puccini. não se fazia de rogada. que são artistas de hoje. Chiquinha. e gloriosos. sempre risonha e satisfeita. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes.– 211 – CHIQUINHA GONZAGA Maestrina e compositora. Tocava tambem o classico. Todos conhecem bem. com os seus dedos habeis e admirados principiava com um chôro composto por ella pois são innumeros. Não são só os que tocam no Radio daqui. Quando pedia-se para tocar um chôro. foi uma das primeiras pianistas em todo o Brasil. a distincta familia Neves Gonzaga. Chiquinha Gonzaga. tambem adorava as musicas de Verdi. Paganini e muitos outros grandes musicos. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. abria o piano e. que ella conhecia com grande profisciencia. atravez deste apparelho que é a admiração do mundo inteiro. era de uma educação finissima. Leoncavallo. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. de um tratamento sublime. como tambem pelos os instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimidade impossivel de descrever-se. e que todos os conhecem os seus feitos. recebia todos com o maior carinho. conhecia o piano por dentro e por fóra. na sua casa. Era de um gosto extraordinario como nenhum ainda apareceu.

conhecia de sobra. Consolação e outras. Em outra edição direi musico que honra a sua classe com mais justeza o valor real pelo seu saber. em dilluvio sejam: O Sol. os seus admiradores Pastoril. deste grande artista. é um mais selectos. a Queda da Rosa. e tambem de encanta as multidões. ERNESTINO SERPA Elle immortalisou-se no Já é fallecido este grande Ameno Resedá como Director artista. Aqui dou os meus applausos magestade do seu pistão dolente a todos os cantores dos Radios e mavioso. que tanto o admirava. e por esta razão o nosso festejado Bonfilio seus ouvintes.– 212 – grandioso Estado Bandeirante. As suas producções tem a Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem soberania das inspirações que a gloria do Radio. em que os artistas são sublimisBONFILIO DE OLIVEIRA [160] Musico por excellencia simos não só com a sua suave eximio compositor e executor. rões daquelle hospitaleiro Elle é um astro que circula em derredor do Radio com a Estado. que em suas mãos belleza de suas marchas. como dizia o que sentia. Canção extasiar. os de harmonia levou este querido segredos de seu instrumento que Rancho ao apogeu. o vozes como tambem o acompa.todos os seus collegas de classe. de bellas harmonias. Assim sendo Bonfilio. pela sua . já tem o seu nome feito em todas as rodas do chôro. que fazia a Luz da Inspiração. e com a era o violino.seu nome figura na vanguarda de nhamento destes distinctos cho.

O que faço aqui ao bom Arthur Martins não é uma homenagem. (o Zinho) de quem já fallei. ARTHUR MARTINS Conheci este. Arthur Martins. em Nictheroy. um dever de gratidão merecida. onde elle é um esforçado cumpridor de seus deveres. onde se glorificou ainda mais o seu nome. mas sim. e a minha admiração por elle é tanta que estas linhas não traduzem tudo o quanto eu teria de dizer sobre este grande artista. . bom clarinetista dedicado amigo e collega que honra a classe dos carteiros do Correio.– 213 – modestia. Este excellente musico tambem fez parte da orchestra do Ameno Resedá. era um dedicado amigo e companheiro do flauta João Pinheiro.

no trombone. se é velho. MATTA ILLUMINADA: – "Anacleto. no ephicleide. Irineu de Almeida. no bombardão. Galdino. na flauta e eu. E aqui transcrevemos o que diz Catullo Cearense. sentirá os olhos cheios de agua. verá este quadro apenas com curiosidade. Gasparino. em uma serenata. Chico Borges. no saxophone. Se o leitor é moçõ. cantando. no seu livro de poemas. que só a saudade poderá consolar as suas lagrimas. Gonzaga. Luiz de Souza no piston. Mas. tirada na ilha de Paquetá em 1° de Fevereiro de 1906. no cavaquinho. Candinho. n'uma esplendida noite de luar!!! Que saudade!!!" . Néco e Alexandre.– 214 – [161] Aqui tem o leitor a photographia de um grupo de "chorões" antigos. pois terá uma recordação tão profunda. no violão. (perdoem-me a immodestia) era. a maior homenagem que a noite podia receber de corações humanos! e quantas vezes nós offerecemos a Deus este espectaculo.

– 215 – [162] CHORÕES DA VELHA GUARDA [IMAGEM] João dos Santos. Irineu de Almeida. Luiz de Souza. Gonzaga da Hora. . oplicléide. clarinete. pistonista. de violão. bombardão. um grande chorão de trombone. Estulano. e outro chorão de violão.

com uma admiração impossivel de descrever-se. Juca Pistão. onde com o primor de seu violão emprestou ao campeão de Harmonia o brilho valoroso de um grande artista. que foi o explendor dos musicos nesta cidad. Tambem já fallecido. Quaty era musico de verdade. Irineu Battina e outros. A narração dos perfis dos chorões da velha guarda em companhia de Luiz de Souza. Gonzaga da Hora. JACINTO COSTA (O QUATY) Teve grande nomeada este celebre musico. Era distincto amigo e de finissima educação e trato. com grande belleza.– 216 – [163] ESTULANO Este chorão. faz parte no cliché dos chorões publicado neste livro. onde elle contava innumeros amigos. onde celebrisou-se com seu mavioso instrumento que era trombone. era portuguez de nascimento. a bastante annos. pois era muito pandego e brincalhão. não havia tristeza. quando tem que dizer qualquer predicado de homens como o acima estas linhas. Foi um fervoroso Resedá. Naquelles tempos o seu nome andava de bocca em bocca. Vindo para . JUCA PISTÃO A minha penna treme. Nictheroy e até em S. Acompanhava-os choros de ouvido. e brasileiro de coração. fazendo os encantos nas notas de extasiar. e arte no seu instrumento. mas sempre lembrado por todos os chorões da velha guarda. Onde estivesse o grande chorão. paulo. Elle foi um violão bamba e dos bons. E' já fallecido. pois conhecia com grande facilidade.

Foi musico de muitas sociedades. aqui se aclimatou. pelo seu saber e arte. onde aquella casa era um verdadeiro céo. e seus conhecimentos a maior dôr com que se possa descrever. como sua filha. operas e mais. . não dava a isto occasião. A sua bolsa estava sempre aberta para todos aquelles que uma necessidade tivesse. que recebia sempre com carinho. pois Juca. e intelligente. [164] pelo Instituto Profissional Municipal. Naquella casa de saudosa memoria tinha um bello Pleyel. de um coração de ouro. Falleceu em Guaratiba regendo uma Escola naquelle logar. A sua casa vivia sempre cheia de amigas necessitadas.– 217 – o Brasil bem pequenino. fazia nas festas que sempre lá se davam os encantos daquelle lugar. tornando-se um perfeito filho desta patria. Tocando muito bem o Pistão instrumento de sua predileção. e assim não. Alli não se fallava em tristeza. se exhibia em bellos tangos. deixando nas suas collegas. era outro coração de ouro. que fazia os encantos daquella santa vivenda. encrustado de brilhantes. não medindo esforços para que tivessem o maior conforto. Era a mesma muito prendada. na Sociedade Musical da Tijuca. polkas. O seu pae era o prototypo da honradez. apezar de sua pouca instrucção não pensava assim para sua filha. sem grandes difficuldades poude dar uma carta de professora. Morava elle na rua Barão de Mesquita se não me engano no n. Era muito conquistado pelos mestres de bandas Musical. do Portão Vermelho e outras muitas que pelos annos não me recordo. como sejam o Club União Independencia Musical. onde uma sua filha unica. 214. Juca.

que tinha o dom de declamar.– 218 – de que elle era um profissional. e tento reviver. pois no seu instrumento fazia a graça e arte. a todos que como eu. deixando as maiores saudades. Aqui no homenageando chorão. E sabe porque? Porque. Enquanto isto a flauta é. Em bailes que tocava tinha a primazia. Era funccionario da Estrada de Ferro. onde privei no seio de sua familia em que era tratado com a maior distincção. agora com armas e bagagens para o saxophone. que não quero morrer sem vos ouvir e acompanhar no meu violão ou no meu cavaqui- . o instrumento da moda figura obrigada nos Fox-americanos. E' um dever meu consideral-o sem favor. muito a contragosto dos seus innumeros admiradores. pois quasi sempre das suas musicas tinha de fazer o "bis". meu este livro grande ANTONIO MARIA Um eximio e melodioso flauta que se passou. a pedido dos convidados. Infelizmente tambem já fallecido no mesmo logar de sua filha. porque o saxophone é hoje em dia. Este grande chorão era querido e tinha primazia pelo modo correcto e fino trato. implorando ao meu bom e querido Antonio Maria. pedindo. que a todos encantava. ESCOBAR Explendido pianista. e será [165] sempre a rainha melodiosa da nossa musica brasileira. ella se harmonisa com o violão e o cavaquinho que aqui nas paginas deste livro procuro. Fui muito amigo deste inesquecivel musico. tive a felicidade de com elle privar.

e desde essa ocasião. Era tambem distincto amigo. Solava admiravelmente e tanto assim que só vivia da musica. Carramona. Conhecia bem a musica. e é apaixonado pelas modinhas. conhecido em todas as rodas. dos chorões. registrando assim o meu pedido cheio de esperança porque sei que vou ser attendido. Casado com uma filha de Mariquinhas duas covas de quem já fallei. e com isto sustentava dignamente a sua familia. Toca pouco violão.– 219 – nho as tuas composições. FELIX ROXINHO Bahiano de coração. Só não tocava de graça pois fazia da musica um emprego de que pudesse viver. e por isto muito querido. Luiz de Souza e muitos outros. e com grande maestria. O seu instrumento era a requinta de que elle tocava muito bem. como tambem a sua esposa. Anacleto. sempre morou com sua sogra. que lhe pagavão bem. dando a vida por uma farra. que a todos tratava com a maior distinção. que o adorava. JOÃO BRASIL Este chorão me foi um dia apresentado pelo consagrado poeta Catullo Cearense. que estrondava em todos os auditorios. Desde que se casou. tambem já fallecido. Quem não . e tocava nos circos. como tambem os choros dos inesqueciveis. que com tanta expressão e gosto executas. em festas e bailes. com sua vóz de baritono respeitado. pelo valor que elle sempre soube dar a musica. não só a ella. pela maneira digna e amavel que tratava. Irineu de Almeida. CATANHEDE Era oriundo de uma distincta familia desta Capital. tornei-me delle amigo.

Thiburcio daquelle mavioso instrumento.– 220 – com muita graça e arte.. me grande folgazão. Nos choros em mais do que grande força de que tocava. tangos e etc. vontade. As modinhas lembro: cantada por elle trazia os violões de canto chorado. e COELHO mesmo este acima não tenho grande confiança pois com o Foi tambem um amigo dedi. Cantava com muito sentimento e graça. porém bom amigo e .esquece. para fazer lembrar aos Era violão. não me recordo.. como fosse. fazia gosto ouvil-o. depois de ter sido um genio aleconheceu Felix Roxinho? De saudosa memoria. Solava admiravelmente boas polkas. que multava os convidados quando não compareciam as suas festas. Conhecia os segredos ainda por ahi existem. Companheiro firme e ba. em um tronco verde A rosa que ao nascer. e de grande muitos velhos cantores que valor. no entanto isto não é tuta respeitado. Em fim os outros versos que THIBURCIO MACHADO acompanha. pois era senhor de todos os segredos que já se foram. que scismava a sombra difficuldade. Os Anjos Bahianos. As aguas correntes. seguro. Nebulosa Eu vi sentado. tal a sua Foi pela séxta. A laranjeira rebentando em flôr.passar dos tempos tudo se cado. Era de uma presença de espirito incalculavel. grandes difficuldades.. No acompanhamento dos instrumentos cantates.. era uma belleza sem igual. e muitas outras de Trajando as vestes do primeiro amor. homem dos grandes almoços. especialisando nesta [166] que ainda mais ou menos.

Se elle hoje ainda existisse estaria regosijando com o progresso deste instrumento maravilhoso que se chama violão. e no meio musical. Tocava bem violão especialista nos [167] lundús e modinhas Bahianas. Artista que tanto prestigiou as nossas peças nacionaes e tornando-se senhor de todas as platéas tal er os seus dotes scientificos que possuia na arte de representar revistas. E assim desappareceu uma vida para o chôro tão preciosa. dramas. difficultoso de preencher. deixou todos seus amigos perplexos. Pinto Velho. ingenuo como elle. Colás. que venceu igualmente na vanguarda de todos os actores do seu tempo como sejam: Affonso de Oliveira. e comedias. Para finalisar vos direi leitor. Ninguem como Xisto Bahia n'aquelle tempo fazia um maluco rustico. Vasques. Muito querido das platéas do Rio e de Nictheroy. emfim. do Norte ao Sul do Brasil. Quem não conheceu Xisto Bahia? O Conegundes da vespera de Reis. Mattos. ao ler nos orgãos desta Capital no anno de 1889. senhor da magia das musicas Brasileiras. que era seu devotado instrumento. Foi um propheta. senhor do braço do violão. . Tambem sabia recitar com graça os seus monologos.– 221 – gre e folgazão. principe do Theatro Nacional. Foi um grande chorão. que annunciou a prosperidade do violão. Guilherme de Aguiar. Dias Braga. em tudo que era genuinamente nosso. o seu suicidio nas mattas das Laranjeiras. tal o seu grande valor como bom amigo. que não sei quando teremos aqui neste planeta um outro Xisto Bahia. XISTO BAHIA Actor Brasileiro. finalmente.

O seu instrumento era o trombone. Tambem tocava bombardino inveterado. muitos outros Conheci muito de perto este da sua turma. Era senpre a contento de todos. João Foi residir no seu torrão natal [168] e lá falleceu. Quadros era um amigo dedicado. na casa da Maria um nivel de Arauna.– 222 – Brandão Velho. e dos sabia naquelle instrumento dizer bons. onde elle residiu por muito tempo. bons bailes. em muitos bailes em sociedades Acompanhava muito bem. era farrista de só com a parte a frente como verdade. JOÃO QUADROS Ranchos etc. e Maria Arauna. Bahia sempre chorão. de fazer arrebatar. Sociedades. Já fallecido a muitos o que sentia. que elle com bastante perfeição. Tocou executava com muita perfeição. O bom amigo acima era baDescrever João Quadros é um hiano de nascimento attendo-se aposentado no cargo de carteiro. Tocou em muitos annos. Companheiro para FELIPPE TROMBONE . onde houvesse um tambem de ouvido. quadro triste para mim. pois distincto companheiro. acompanhou chôro alli pelo Catumby tambem grande chorões daquella época e estava o bom do Felippe. não dansantes. Tocava muito bem o seu instrumento. deixando grandes saudades. e era o trombone nas festas que dava DEODATO MATTA quasi continuamente em casa da Foi chorão de facto.. e que faziam parte com quem Xisto se rivalisou em admiração.

com outras. e o paraty. matava e depennava as gallinhas. Eu posso dizer de cadeira. não só nas comidas. principiava-mos a 1° de Janeiro e terminava-mos a 31 de Dezembro. João Quadros. De vez em quando uma das do bello sexo. que estava cheirando appetitosamente. e alli todos os dias faziamos farras immensas.– 223 – tudo. Os violões e cavaquinhos. De vez em quando. Privei com elle. fazia-se bellos pitéos acompanhado das competentes bebidas. acompanhada com todos os pertences de porco. com o maior gosto. e lá vai uma daquellas modinhas daquelles tempos: Na hora que se cobre De nevoa a serrania O sino em triste dobre Murmura Ave-Maria E assim. Morei em um quarto com João Quadros na rua Miguel de Frias. Amigo assim existiu muito poucos. Emquanto cantavam. continuava.. quem foi este distincto meu amigo. que era a granel. que no sei de sua familia. Aparecia nestas festas quotidianas grande quantidade do bello sexo. pois a barriga já dava horas. estavam soluçando com bôas polkas e. todas trabalhavam. arroz. os malandros que lá estavam só esperavam a hora da boia. como fóra dela. dirigia-se aos tocadores e pedia para a acompanhal-as. que . gallinha ensopada. modinhas cantada por cada uma dellas. vinho. mais. outras fazia os doces. dava as ordens para a mesa. No nosso quarto. e finalmente. com batatas.. outras temperava. que era uma bella feijoada. hiamos para a mesa na maior alegria. etc. Ao sentar-mos ia se servindo a vontade. como nas bebidas. Cada uma destas componentes tinha sua missão uma.

Tiburcio Machado Coelho. para descansar outros retiravam-se para suas casa e para voltar no dia seguinte. e eu folgado. dizendo. comer e tudo mais sem acanhamento. o sempre chorado flautista Quintiliano o Guilherme Dias. e continuar na mesma alegria. deixando muitas vezes. Mario do Estacio. quando sahia-mos me felicitava. Ventura Caréca. Esse meu . Juca Mãosinha. por não mais me [169] lembrar. era a figura maxima daquellas festas. e adjacencias. Conheci-o muito moço ainda. tambem grande chorão da flauta. e bom acompanhador. João Quadros. E com a continuação de sua companhia. gostava muito das farras. João Quadros sempre foi muito meu amigo e companheiro. tocar. Lá se achava Juca Duro. pois aprendi com elles a comer ligeiro. fiquei bamba em tudo. Acompanhava de violão Juca Mulatinho. mas cantava boas modinhas. agora sim! Estaes ficando malandro. Tocava muito pouco violão. pois perdi a vergonha de cantar. tambem comparecia a estas festa quotidianas. Após o bom repasto todos se levantavam na maior alegria. ficar comendo. que fazia as delicias daquella rua. e era o seu fraco. Lá pelas tantas cada um procurava um logar em qualquer canto.. pois era de um genio folgazão. João Quadros. e co elle fiz uma amizade. Juca Russo. que era um bom solante.– 224 – principiava com a brasileira. rompendo o cavaquinho tocado por Nenê.. por elle mesmo acompanhada. e muitos outros impossivel de descrever aqui os seus nomes. pois estaes perdendo a vergonha!. fazendo o acompanhamento que era delicioso. mais que irmão.

Tiburcio Machado Coelho. Naquella casa havia quasi sempre bailes. que era um regallo. com grande pompa. bastante cançados e somnolentos . distincta. os musicos daquella época. Theotonio Machaviolão. e cavalheiros. ali tudo era fartura. O escriptor destas linhas. que nunca tinha levado nenhum amigo na casa de seu pae. era o incumbido de arranjar os musicos. Então trazia as festas. Binoca de trombone. até Nossa Senhora da Conceição. E assim abarrotava a casa de musicos tornando-se um chôro bom e de respeito. lá me achava [170] do de ophicleide. tocando toda a noite e as vezes. para distrahir-se. tambem de quasi todos os dias. e andando eu sempre com João. Nenê Mario de cavaquinho. e finalmente muitos outros que não me vem na meoria. Cantalice de vioino. pelo dia a fóra. ali se festejava todos os annos. de violão ou cavaquinho. convenceu de acceitarme como bom amigo. era um céo aberto. As damas. o que seu pae cedeu. pois já muito tinha perdido a vergonha. almoçando e jantando. A casa do pae de João Quadros. que trabalhava em uma cocheira muito antiga na rua Hadock Lobo. fazia uma ou outra sahida. Eu escriptor deste livro. Alfredo vianna tambem de flauta. em frente a Travessa do Rio Comprido.– 225 – amigo era cocheiro. pois sendo uma familia grande. de cada uma pessoa que fizesse annos. não sem custo. onde seu filho ás vezes. e pessoa seria. que era meu saudoso irmão: Quintiliano de flauta. filho tambem de um velho cocheiro que era appellidado por José Sinhá. era uma festa. Quadros.

E no meio daquelle prazer todos se levantavam indo para a sala de visitas. porque na hora marcada Moleque Diabo está firme com o seu maravilhoso instrumento! . causando grande risos. quando todos se retiravam com grande pezar. só deixando. Ainda recordo-me do casamento de uma das filhas de José Sinhá. e pilherias. é um dos maiores bandolins. precisam de seu concurso para abrilhantar uma festa intima pode contar com a sua palavra. entornava as bebidas nos copos e sempre fazendo versos. acordavam. Moleque Diabo. para alegria.– 226 – dormitavam nas cadeiras. e bohemio. as suas proezas neste instrumento são phantasticas! farrista. E assim se foi a minha mocidade. que a todos muito agradou. e satisfaçào minha. ARISTIDES (Moleque Diabo) Moleque Diabo. Dahi a opuco João Quadro com aquella bizarriam. ia dizendo: hora do pirão! vamos para a mesa! todos immediatamente. João Quadros sempre amavel. que foi uma apotheose. com o meu inseparavel e distincto amigo Benildo Manoel dos Santos casamento este. pois durou tres dias na maior alegria. principiavam o mastigo que era uma belleza. num chôro faz os maiores successos com as suas extraordinarias paletadas. como poucos. irmã de João Quadros. principiava-se a cantar as ternas modinhas daquelles tempos e assim hiamos até a noite. tristes lembranças. cada um assentado nos seus logares. é amigo certo pois quando algum dos mesmos. é tambem chorão da corôa! todos os chorões antigos e modernos prestam homenagem a este excellente musico. e saudades. Felizmente Benildo ainda vive.

e arte sabia se exhibir. que era o violão. e bons monologos de fazer hillariedade!. acompanhava com grande saber os instrumentos cantante. não só escrevendo peças. o Ildefonso de Albuquerque. tambem como seu irmão. Era irmão de um distincto amigo meu. Foi muito bom e distincto amigo. tal a maneira agradavel do seu acompanhamento. cantando bellos lundús. com uma perfeição divina. e assim gostava tambem de um baile. Dantés foi ensaiador de muitos theatrinhos em diverso arrabaldes da nossa Urbis. excellentes modinhas. não podiua no seu tempo ver defunto que não chorasse. pois. e nelle sabia fazer a alegria. Tinha uma bella vóz. em que representou papel de grande importancia. e de grande cultura intellectual. e recitando bellos monologos. e recitados nos palcos. e cansado pelos . Tocava com grande perfieção o seu instrumento. Recitava belas poesias. fazendo grandes applausos do respeitavel publico. nos theatros desta capital.– 227 – [171] EDMUNDO DANTÉS Foi immenso e admirado chorão de seu tempo. de alto intellecto. pois cantava modinhas daquelles saudosos. fazia as delicias de seus apreciadores. com os grandes flautista por mim já descriptos no principio deste livro. Onde elle estivesse tocando não podia haver tristeza. Solava admiravelmente.. que muito o apreciavam. e nunca esquecidos tempos. e de agradar. foi tambem grande actor theatral. Além deste seu prodicado. como fazendo bellos versos para serem cantados. que muito o apreciava pelas suas qualidades de homem probo. onde elle tambem com graça. Hoje velho. Tocou e fez bellos conjunctos..

não esteja sentindo esta mocidade que se foi. fazendo o agrado.– 228 – janeiros que se vem multiplicando quantas vezes nas hora de sua nostalgia. saiba que o velho Alexandre. e contentamento dos convidados dos choros. Cipriano não era só um chorão. Acompanhava admiravelmente. dizer as suas maguas naquelle . Toquei em muitos bailes em Nictheroy. Luiz Brandão de quem era amigo inseparavel. pois amigo como tú! faz-se preces ao creador. ainda não esqueceuo. Familia. de qum sempre tive sempre o Soares bombardão respeitado que tambem sabia grande veneração. que o adorava como acompanhador sublime. Onde estivesse Cipriano. o grande e immenso Felisberto flauta. e não volta mais. pranteio a sua morte. que aos centenares juntos estivemos. CIPRIANO DE NICTHEROY Escrever os grandes feitos deste heroe: equivalle uma epopéa. Convivi muito com este distincto farrista e ainda hoje. e mesmo aqui nesta Capital. Neste conjuncto se achava a tua vida ao lado de sua Exma. que o meu mais que distincto amigo. para que perdure por longos annos. Fazia no seu instrumento accordes sublimes e de alto valor musical. e sei dar o valor deste apaixonado do violão. Daqui de nossa mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. ao ler este insignificante apanhado dos feitos do nosso tempo. mas um dilecto amigo. em que tantas vezes com meu violão o acompanhei. tambem estava o inveterado chorão. amadurecendo em seu mento estes bellos dias da sua infancia. e respeitado nas suas dedilhações [172] que eram sublimes.

para depois vir abraçado com duas. não se falla. como satisfeito com seus obreiros. nunca esteve triste. era de arregallar o olho! tal o bello olphato que se sentia.– 229 – instrumento. vinhos. Cipriano era um cosinheiro de grande fama. mesmo assim bem chupados! Das bebidas nem cheiro! a não ser as garrafas vazias! que ainda tinha de . um caixão de cerveja. etc. fazia os encantos daquellas festas. tres e quatro gordas gallinhas. ia-nos dizendo: E' hora do boi babar! Cada um vae tirando a sua e depenando botavamos num grande alguidar. pois tambem com seu mavioso violão. Acompanhava-o um individuo qualquer que com elle vinha ajudando-o a carregar a malutagem para depois de prompta moder-nos. bons. paraty. A casa de Cipriano era um céo aberto nestes dias! Pois ao pôr a mesa todos se sentava e lá vai obra! Da mesa ao levantarmos em baixo de pilherias. e entregava-se a Cipriano. onde ia commigo. os chorões acima. E assim em quanto Cipriano viveu. e logo após esta cerimonia cahia na rua. pois os pitéos por elle feito. o azeite de Dendê que fazia nas comidas por elle feitas uma delicia. e trocadilhos nada ficava! a não ser os ossos. era doidinho por este conjuncto. uma perna de porco. passei na casa de Cipriano. que era uma beleza. a invicta Nictheroy. No arriar os gallinaceos no quintal de sua moradia. por elle manejado Olavo. que dava uma grossa gargalhada. pois Cipriano era uma sentinella avançada na alegria. e alegres dias. pois adorava como codi[173] mento. Logo a nossa chegada Cipriano todo contente nos ia abraçando. Muitas vezes. fazendo appetite aos fastiosos.

Já todos somnolentos. corpulento.. com bellos choros de Felisberto. ao romper do sol. e de uma maneira altruistica. alto. Foi assassinado naquella cidade por um seu amigo.. que sabia dizer o que sentia. despediamos de Cipriano. regida pelo sempre lembrado Santos Bocó. Paz á sua alma. Seu instrumento era ophicleide na referida banda. lundús. aquella cidade cobriu-se para sempre de luto. E assim cada um pegava no seu instrumento. E assim com modinhas.– 230 – repetir-se por diversas vezes. JOÃO SALGADO O chorão acima. um grande executor. hia mos até o dia seguinte. instrumento este que tocava com perfeição. dispunha. e lá vae fazenda. a todos tratava com a maior consideração. e aqui. e muito pandego. e bellos sólos dos violões. Emfim com a morte deste chorão. O seu sepultamento foi uma apotheose tal a amizade que ali. appellidade por Bacalháu. e delicias. Em tanto era um amigo dilecto. pois não era para menos. foi aprendiz da banda de musica do Arsenal de Guerra. e quasi sem poder mais tirar uma nota nos seus instrumentos. Muito educado. era tambem um explendido . Fagote. com bastante pezar. por uma questão de someno importancia. seus labios eram grossos. Tinha gande fama de valente em Nictheroy e muitas vezes foi capanga de politicos naquella cidade onde elle era respeitado. como era no tempo de sua apreciada vida. o que tinha não era seu. e no Theatro. razão porque era disputado nos conjunctos musicaes das grandes Companhias Lyricas. Além de ser. Cipriano era homem de côr. pois nunca mais teve as alegrias. e sim de seus amigos.

bem o violão. este excellente amigo conhecemos. pois tinha um chorão que elle é. que tambem sabiam instrumentos. cionario dos Correios. mas o que . tal o [174] seu valor moral. A sua familia eram todos onde prestou relevantissimo serviços. fazendo muito Directoria do Ameno Resedá. monologos. para gloria daquelle bons cantores. Falleceu que poucos o iguala. Quando vae a uma festa. pois com boas modinhas. O chorão acima cantava e companheiro é bem difficultoso. dellas os seus irmãos Laurindo. deixando em sua toca. Eis uma modinhas das que faz a festa. poi selle sósinho cantar muito bem. lundús.– 231 – compositor. Estando em um chôro. não precisa ouvir-se os e Adelaide. citando no meio rancho. agrado aos ouvintes. tocava saudades. deixando ALBERTO CARÃO a todos e tambem aos velhos chorões immorredouras Farrista como poucos. elles mais cantavam. faz graça no que canta. Já fez parte da peito de aço. E' amigo mais que distincto. e a immensa educação que como functem. Não é lá Vem ouvir um desgraçado dos grandes violões. sabendo dizer nelle o segredo que tem. Pois só JOAQUIM FIALHO nós tocadores é que Descrever. e bagagem uma infinidade de bellas producções. tal o valor moral. Acorda desperta do leito samba e mais por elle Deixa de tanto dormir declamado é um prazer. e artistico. tal o fino trato. e de muitas modinhas. não o deixão mais sahir.

como tambem no dedilhar de seu violão. o que elle tinha grande prazer. e com elle muito privei. e que era tratado como pessoa de seu lar. pois tinha plena convicção. Sua mãe era uma Deuza de bondade. que infelizmente hoje só tenho a lembrança immorredoura. sendo alguns feitos por elle. morrer por ti. que como sua mãe. Tinha tambem um irmão de nome Ernesto que era um bom companheiro. e um coração de ouro. que sabia dizer com o gosto. não só nas modinhas. aquella mais que distinta familia. No Carnaval vinha uma caravana de foliões da antiga Quinta da Boa Vista. o grande carnavalesco Sant'anninha. pois a todos recebia sempre com risos e alegria. e cantava boas modinhas e excelentes lundús. era outro bellissimo coração. pois as por[175] tas estavam sempre abertas para as pessoas de sua amizade que delle necessitasse. Filho de uma distincta familia que morava no principio da rua Conde Bomfim. De maneiras que naquella casa nestes dias era de um prazer impossivel de descrever-se. Tinha tambem uma irmã. quem com ella privasse. de quem era um apaixonado. Tocava regularmente o violão. sendo chefe. captivando pela primeira vez. tal o trato que a todos davam. pois fomos amigos inseparaveis. . que só a morte apagará.– 232 – Que hoje quer. MAJOR MASCARENHAS Muito o conheci. Era muito procurado para em casa de familia tocar e cantar. que dansava e cantava sambas de bom gosto. onde frequentei. Naquella casa não se negava um abrigo a ninguem.

IDOMINEU REIS E hoje aposentado da Alfandega. porém por falta de dados registro aqui com applausos as suas personalidades como dois chorões. Foram dois musicistas de renome. a quem elle venera. este chorão celebre. ANTONIO BAPTISTA ROSA Era um violão seguro. e. e collegas [176] do chôro. é um céo aberto. e tambem nos Suburbios. polkas. E um frenetico pelas modinhas do grande Catullo. Hoje está aposentado por sua conta propria mas se fôr necessario ainda "ronca" como era de seu habito quando tocava qualquer dos dois instrumentos.– 233 – VICTOR DA SILVA (Caboré) Foi um violão de destaque em acompanhamentos de valsas. enchia de alegria as familias devotadas pelo choro. tambem. Leocadio. Infelizmente já é fallecido. na Cidade Nova. E' elle de uma bondade extrema para seus amigos. de ouvido apurado. um optimo centro no cavaquinho. deixou muita saudade em seus companheiros de choro. . A casa deste veterano. que não eram poucos. quadrilhas etc. Chico e Zé Russinho. no conjuncto de Edgard. Podia dizer muitas cousas destes dois chorões. EDUARDO VELHO E ANTONIO VELHO Eram dois irmãos e distinctos pianistas pois onde chegavam. tocou em muito choros. como um idolo.

E' do Thezouro e tem uma bella voz de barytono. Foi um bello bombardino e pertenceu ao Corpo de Bombeiros. já desapareceram. e muitas outras. Quincas Laranjeiras. se torna digno para mim. Como se fossem Anacleto. A sua casa. podia-se comparar com a de Machado Bringuidin. NHONHÔ SOARES Fallecido em 1905. Carramnona. Adalto. Pedro Augusto. fica preso e cativo do seu finissimo trato. Cupertino. que lhe faço expontaneamente. Luiz de Souza Irineu de Almeida. Idomineu é um chorão de muita tradição. Mamede e casa de Idomineu. cantando as suas modinhas como só elle. Morto. do Luiz Cacheirinho. Podia até cantar no Lyrico. CANTOR TIL E KANTZE e de . e ade Luiz Caxeirinho. figuras obrigadas. Morou sempre na Piedade e era aposentado da Casa da Moeda. GERALDINO Tocava bombardino pertenceu ao Corpo Bombeiros. os mais celebres choros. felicito a Idomineu por estes alegres passados que não voltam mais. por isso mais uma vez. Farras como o da casa de Machado Bringuidin do Adalto. FREDERICO ROCHA Vive ainda.– 234 – Quem for uma vez. Galdino. Catulle extasiava os auditorios. sabe cantar pela altivez dos versos e difficuldades da musica. na Piedade. e Mamede. por esta razão. Mario. ALVARO NUNES Cantor das modinhas de Catullo. em que se reuniam. desta consagração. a casa do Idomineu.

Acompanhava-se ao violão nas [177] operas e modinhas que cantava. Funccionario do acompanhador de Catullo ao piano. ALEXANDRE TROVADOR Foi um grande cantor. Antonico mas farristas de arripiar. Ameaçado por Samuel de levar tunda. Imitava todas as vozes dos cantores lyricos daquelle tempo. morreu na Santa Casa e foi jogado n'uma valla commum! EDUARDO VELHO DA SILVA Morto ha uns 20 annos. Era o Vive ainda. Morreu em 1886.– 235 – instrumento. por causa de uma mulher. com quem teve uma questão n'um chôro. onde é muito . que foi denominada por Samuel "Venancinho chorando na ladeira". Era da Estrada de Ferro. alli. Esse preto. no Encantado. ás vezes. Venancinho. quando não havia outro Thezouro. companheiros de Catullo. Tocava flauta soffrivelmente. Quando se tocava esta polka sempre os que dansavam gritavam-lhe pelo nome. Tinha o segredo nos dedos e era collega de Samuel. que foi uma celebridade. Era irmão de Velho. Eram tambem e musico distincto. o valente. Foi um ROMEU pianista de ouvido dos melhores até hoje apparecidos. a VENANCINHO quem acompanhavam. começou a chorar. Morreu em 1908. pianista Dois cytaristas extrangeiros. acabando tudo em paz e elle fazendo de improviso uma polka.

não cansa". Dava o e bebedor.– 236 – Foi um violão e cantor. Bello violão e bello cantor de modinhas. merecimento. Affonso Pinheiro. Foi coração por um choro. ha uns 25 annos. farrista. Não sabemos se ainda vive. como elle. pistonista e Mora no Engenho de Dentro. profissional Foi um professor de Nacional. "Vê que amenidade [178] "que serenidade "tem a noite em meio" MIGUELINHO de Catullo Cearense. Morreu farrista do Instituto ha pouco. que conceituado. Companheiro Foi do Arsenal de Guerra e foi um grande pistonista. Pistonista discipulo de Foi um grande chorão. mas bom companheiro. JOÃO MULATINHO LEANDRO Mavioso bombardino. A sua nunca deixou de cantar a sua modinha mais querida: "O mar predilecta é que a chorar. Alma bôa e serena. valente. Bello . NICANOR SOTER Flautista afamado. Morreu de Luiz de Souza e Irineu. Grande Flautista de nomeada. VICTOR VALLE SALVADOR Trombonista.

pois me extasio ouvindo-as no Radio. E' um distincto amigo. Este instrumento na bocca de Americano é de fazer embasbacar. num convite para um choro. Nos bairros de Botafogo. FRANCISCO JOSE' DA SILVA (Chico) O Chico foi um eximio violãonista que sempre se dedicou em acompanhamentos de choros. Todos que tinham o prazer de ouvil-o em conjuncto com Zé Russinho. que tenho na minha residencia. E assim deixo o meu apertado abraço por este chorão. que elle electrisa com suas musicas e de outros. não dá para traz.– 237 – musico que o copo muito prejudicou. confundiam os dois instrumentos tal era a certeza de um na marcação e o outro no contracanto. fazendo gemer o Ré. imitando o bombardino. como era conhecido o seu compadre. de um sublime sopro. amigo e companheiro de farras. que sabe no seu instrumento. não respeitando nem as fuzas. ou Zé da Gavea. LUIZ AMERICANO Velho e bom chorão no seu saxophone. Villa Isabel. Gavea. (o pé de boi nos baixos). elevar as musicas genuinamente brasileiras. para me deliciar com as boas musicas. As suas composições são bellissimas. Paracamby e Nictheroy sempre se destacou com os seus contracantos tirados nas oitavas do seu violão. era seu costume fazer o cantante repetil-os até conseguir um acompanhamento ade[179] . Foi contra-mestre da banda dos bombeiros. Suburbios. que elle devora sem muito esforço. tal a maneira. Quando nos ensaios dos choros. que elle com facilidade sabe executar.

tudo o que é nosso. Director Nictheroy. sendo grande interpetre das nossas muiscas no razão porque apreciador do que é bom e Extrangeiro. e tempo. mas sei accordes necessarios. se arrisca a vêl-o jogar seu talento musical e patriotismo para o lado a aposentadoria consumado. foi palavra tornando-se desta forma Director de Harmonia da Flôr do orador dos pagodes d'aquelle Abacate onde fez prodigios.– 238 – um bom amigo. regular de tocador de violão. tornou-se admirado e nosso. é compositor e tempos idos. fazendo sobresahir voluntaria e cahir de novo na com vantagens pelos mundos activa. eximio executor. tem bôa palestra e é de Canto do Ameno Resedá. sómente ao cantante: "de novo". que ainda vive. foi . Veio este da Banda musica dos Meninos cantador de modinhas. e depois de andar bons possuidor do dom da tocando em diversos choros. dizendo. ha tempo não quando. Se começarem a mexer muito considerado celebridade pelo com elle. com os baixos e tendo o prazer de vel-o. poeta dos Desvalidos. com o mesmo fulgor dos civilisados. Trabalha elle no Fôro mais tarde a convite de desta capita e reside em Napoleão de Oliveira. ROMEU SILVA Hoje acha-se aposentado devido ao declinio que tomou o Hoje um maestro. Romeu Silva. O seu saxophone tem a magia JOÃO DOS SANTOS DE NICTHEROY da melodia. elle é um habilitadissimo director de Este chorão é um explendido "jazz-band". um choro. continuando ainda na estacada.

e em artista de grande valor. MAURICIO Como é conhecido na roda dos chorões da velha. Romeu Silva consagrou-se. Romeu. era Pão de Lót de todas as festas. me desculpará. O violão nos seus dedos soluçava! JUCA AFFONSO Não era possivel passar despercebido este nome. e ainda agora. Foi chorão de fama. é um gentleman. onde alli com intelligencia e dedicação fez dois carnavaes. Escrever a sua personalidade. é immenso cantor de modinhas o que elle canta com um gosto aprimorado. sympathico. Toca violão impossivel de descreverse. E' encontrado alli. glorificou-se no extrangeiro levando ao apogeu o nome do Brasil que lhe deve a sua propaganda musica nestes paizes civilisados. é bastante .– 239 – elle Director de Harmonia do mesmo. Além de tocar maviosamente o seu violão. que foi uma gloria musical. Nos choros que dava-se em qualquer parte de Jacarépaguá. e nova guarda. Tanque. tal o seu valor. não só nos acompanhamentos. melancolicas. Mauricio. o que Mauricio. sem falhas. pois mesmo de muito boa vontade. e de alto valor. das suas modinhas. pelo Pechincha. onde pertence estes logares. e finalmente [180] em Jacarépaguá. de deixar os ouvintes de pernas bambas. é impossivel tal os feitos heroicos. e alegres. dedicado de fino trato. e um batuta de alta esphera musical.

que no meu tempo. denominada Santa Cecilia. Coração de ouro encrustado de puro brilhante. e de immensa admiração. que privou com elle alguns annos. por ser ella. Era muito distincto amigo de seus amigos. Conde de Bomfim quasi em frente a uma Igreja que se não me engano.– 240 – difficultosa. Formou na rua Conde de Bomfim em frente a Igreja acima por mim descripta uma Sociedade Musical. os bailes em que tocava. O seu instrumento era requinta. como o scriptor. de sua fidalguia. fiquei . era um cidadão respeitado. [181] O seu instrumento manejado por elle. de que elle manejava com grande maestria. de Nossa Senhora da Conceição. se formou bons musicos. era completamente morto. e o grande respeito que este possuia sempre mereceu aos que tiveram a grande felicidade de o conhecer. chamava-se Miguel Affonso. fazia admiração e os encantos onde elle estivesse. na Trav. morava este incomparavel amigo. Tinha elle um irmão que como elle. pelas pessôas que o conheciam. situado na r. Juca Affonso. a protectora da musica. teve necessidade de retirar-se para um logar solitario na grande terra de Tiradentes. tal a maneira e o gosto que elle executava. tal o seu porte. Naquella Sociedade. e de lá escreveu ao seu irmão um bello soneto. que cobriu de gloria a um logar. Ficando enfermo.ª do Affonso. Era musico de primeira e limpida agua. foi mestre de diversas Bandas de Musica na Tijuca. que eu ouvindo um dia Juca recitar. enebriava com seu instrumento. que era a Santa de sua devoção.

– 241 – por elle encantado. pedindo o favor de escrever-me para que o guardasse como uma joia do mais alto valor. em arbusto. sempre lembrando e chorado como elle. . que projecta sobre a terra. De arbusto.. possa dar o seu justo valir. E' este o seu titulo: AO ANOITECER NA ROÇA Pallido e. Independente do soneto de seu irmão. Avesinhas. o sol vae-se occultando. por entre longas serras! A' sombra.. me offereceu tambem dois de sua lavra. um concerto animando.... Deixando do bosque a expessura. Vão os grillos. A' devassa escapar – do féro bando!. occulto abrigo. [182] O sabiá. o que aqui vou descrevel-a para que os leitores deste insignificante livro. vão tristonhas procurando. Lentamente. Onde possam. Busca o ninho no pé do caféeiro. frio. de nocturno inimigo. solta o pio derradeiro. que é uma delicia da sua alta capacidade intellectual. O soneto de seu irmão Miguel Affonso..

. Aveste branca. azul-claro!.. – á noite escura!. enquanto o bom Deus.. o rosto meigo descontente! . Que. descreveu com a mior naturalidade. me apparece a casinha.. e guardarei. Olhar triste ... no meu coração.. na collina entre as flores!. que tambem me offereceu. dér um pequeno alento: Como Esquecer-te ?.. piam. que na solidão onde se achava.. – Dedilha com paixão no seu piano. a verdadeira vida da roça.. ..– 242 – Vem depois o crespulo.. o que ainda guardo. agoureiros.. Agora vou descrever. Ao ouvil-a... outros tres sonetos de Juca Affonso. –––––oOo––––– Eis aqui o soneto de Miguel Affonso.. Toda branca. a seguir p'ralli sózinha!. Esvoaçam..... – Noctivagos viventes da natura!. subtil se aninha!.. Vae surgindo a donzella! os seus primores!.. E' um canto desprendido do arcano. Da trança dos cabellos vae pendente O laço lindo de fita.. A vóz do coração que a Nogueirinha. grasnam.

– me mostrou agua fervendo!. [183] Mais um anno de esperiensia Se um deia vae passando. achado. elle.. Vem um anno. e.. Este dia assim. ––––– Agora vou descrever a dedicatoria. Muito mais.. há de haver ao paladar... Pois havendo boas pernas p'ra dansar. mais deseja.– 243 – A vóz do coração é vóz dolente – Da donzela que morreu.. em minh'alma sepultou-se eternamente!.. Comilão dos que bem come... – é de festança!. E... Deitára á mesa núa... O quanto o coração ficou sentido. E quiz sahir.. pretextando ir a egreja. que . depois de outro anno. por elle a mim escripto.. Em seu rosto coitado!. eu falei lendo. Para toda queixada que não cança!.. triste. Boa mesa não falta haja dança!. E' um marco que o procura o ente humano.. um olhar triste.. um outro avança. – amando raro! E.

– 29-9-907. por mim nunca esquecido. que ao escrever essa chronica. por isso. e que. emquanto a vida ainda me alentar. Adeus. impossivel esquecel-a. me sinto ufano. se acha bem impressa uma verdadeira phase da natureza. eis ahi o soneto – o amanhecer na Roça" – do fallecido e sempre lembrado irmão Miguel. no todo desse Soneto. Aqui vae verbum-ad-verbum. para comprovar esta propria existencia. como daquella. – já mais se apague de meu pensamento.– 244 – muito me commoveu. Me [184] participou que. pela recordação deste passado que só a morte poderá apagar. Os demais não passam de attestados. não é mais do que um pallido reflexo de um passado inesquecivel. Do amigo. JOSE' AFFONSO E assim quiz reviver um passado. de dois primeiros amores. tal o sentimento da morte de seu irmão. ––––– . – ordena o dever. da maneira que me escreveu: ALEXANDRE Conforme me pediste. e tambem melancolico. Quanto ao primeiro dos mesus.

Do escriptorio... m'explica inda tremendo.. ella escapa mui ligeira Transformando o café em avaria!. e.. tudo alli vendo. – E elle fica. O triste facto. os freguezes já de pé Seguiram p'ra bebel-o com alegria [185] Entre elles o Lisbôa – com folia Teve pressa de tocar na cafeteira Para o chão. O servente. – da cabo da cerveja. que assiste. segreda-lhe – ao ouvido o que quer que seja.. –––––oOo––––– . Da casa um complacente. com o titulo: Occurencia O relogio marcara meio dia: Era a hora dilecta do café.– 245 – Agora vou descrever este outro tambem e bom. então.. Com pezar. Mas.. que alli fôra ocorrido.. eu fiquei.

o Periquito como é conhecido pelos seus collegas da . eximio clarinetista. impanando deste modo os seus setenta annos. Quero dizer com isto que o meu bom amigo e collega Paula Freire.– 246 – PAULA FREIRE Chefe de grande prole um verdadeiro Cacique da familia Paula Freire. muito ajudou o brilhantismo de alguns Carnavaes. Com a sua intelligencia musical. pagamentos no Thesouro e Municipalidade. Ha muito tempo não vejo o meu bom amigo André. Não são poucas as suas composições. Trata hoje de papeis de casamento. em 1884 e depois como meu collega no Correio Geral em 1888. com as marchas de sua autoria bellissimas e cadenciadas. Já está como eu aposentado vendo um extremoso funccionario cumpridor dos seus deveres. [186] ANDRE' CORRÊA Um bom musicista de relevada inspiração. Paula Freire foi em seu tempo um tocador de clarineta respeitado por todos os chorões d'aquelle tempo em que elle era o orgonisador de conjunctos musicaes para tocar quasi em todas as funcções tornando-se deste modo conhecido e estimado na roda do chôro. Ninguem é capaz de dizer ou calcular a idade deste veterano da velha guarda por estar de fisionomia fresca e agradavel. Foi director de hormonia do Ameno Resedá. está bem conservado fazendo ju's a um grande profissional laureado pelos seus feitos. é um clarinetista de muito folego. Conheci-o como contra-mestre da banda de musica do 10° Batalhão. Aqui termino prestando a Paula Freire uma justissima homenagem merecida.

tendo deixado a clarineta para tocar saxofone. por grandes saudades destes luminosos planetas. porém. e educação a preciosidade dos tratos de musicistas da tempera dos meus amigos. a penna me treme. porque elles. pertenceram ao meu conjuncto. e inesqueciveis Pinnas que desappareceram para todos. sinto palpitações. Eram celebridades. tendo grande intimidade com sua respeitavel familia. que reunidos formam uma historia do passado. Henrique de violão e Manduca de cavaquinho abrilhantavam com suas harmonias. as novellas. E' preciso ter muito bôa vontade para isto fazer. Em fim. e tambem para descarregar minha consciencia. OS IRMÃOS HENRIQUE E MANDUCA PINNA Escrever estes dois luminares do chôro. ESTANISLAU COSTA . não é facil. Fui delles amigo dedicado e admirador. Eis aqui cumprido um dever sincero. Assim demonstram o valor. deixando um clarão de um pharol que muito illuminou os choros daquelle tempo.– 247 – Imprensa Nacional. no cumprimento de um grande dever. em nossas modinhas. ainda é pouco. para mim ainda vivem e viverá immortalisados na minha amizade e lembranças immorredouras. que desappareceam. E tudo quanto possa dizer destes grandes personagens. os choros onde estivessem. como reflexo de um espelho. a cathegoria. que se pode ver hoje aquillo que se passou a muito tempo igual aos romanos contos. e do publico. Segundo me consta elle agora dirige um bom "jazz-Band". vou fazer esta tentativa para maior conhecimento dos chorões.

Este instrumento muito lhe serviu. e muitos outros que em choros com este sempre chorado e . que era conhecido na roda dos musicos como Victor Pistão. o bom e grande executor de pistão o distincto companheiro. por ser elle pistão de verdade. Sociedades Dansantes e tambem em bons choros. e fazendo do seu pistão clarin. companheiro firme impossivel de descreerse. pois aprendeu com bons pistonistas. Era admirado pela sua execução que tinha naquelle instru[187] mento. Jucas Ruso.– 248 – Tocou muito bem o seu pistão. tal a maneira que sabia dedilhar aquelle minusculo instrumento. Toucou muito. e tocava com alma o seu instrumento. e grande professor Candinho Silva. em cinemas. nos carros para propaganda das touradas quando se achava alli no Mangue. EURICO Quem em Villa Izabel não conheceu o bom do Eurico. Aposentou-se e gosou pouco. deixando immensas saudades. que diga o meu dedicado amigo. Occupava o cargo de carteiro dos Correios e sempre a contento de seus cuperiores e collegas. Conhecia bem a musica. pois a morte cedo o surprehendeu. fazendo assim a alegria dos lares. Eurico dedicou-se ao cavaquinho. sendo um de seus mestres. e por isso era muito disputado. a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. Amigo dedicado. que celebrisou-se. Jorge Seixas. para um pouco augmentar as suas finanças. tocou tambem. Estanislau conhecia. que muito agradava os seus congeneres. Acompanhava admiravelmente.

Eurico. e nas principaes ruas desta cidade em diversos carnavaes. tal a bondade de seu coração. que muitas glorias deram a Villa Izabel. os que precizassem . fazendo até. pela rapidez com que aprendeu este instrumento. Sabia com profisciencia organizar Bandas de Sociedades Musical. como poucos. que gostosamente sabia dizer no seu trombone todas as maguas de um coração sentido. Era um dedicado amigo descrever-se a bondade deste companheiro é bastante difficil. a sua inistrumentação que os mestres muito acatavam. Depois dedicou-se a trombone. tal a maneira que elle conhecia musica e fundamente a theoria. mesmo de admirar. e assim levantou uma Sociedade Musical Dansante. Estava sempre prompto. VICTOR (PISTÃO) Sublimissimo no seu instrumento.– 249 – lembrado musicista. e fóra della. falleceu tocando bem. Tocou muito em orchestra. foi muito admirado por seus companheiros chorões. Em bndas tambem fez a admiração dos mestres. denominada "Os Africanos". onde os maestros muito o apreciava. coberta de luto. Era tambem um amigo dilecto. que julgo ter sido seu professor e bom o Candinho e tambem o sempre lembrado Sequito. arrancando os maiores ap[188] plausos. e o fino tratamento que elle dava em sua casa. Eurico fez as alegrias em Villa Isabel. Infelizmente este bom e distincto amigo falleceu a poucos annos deixando Villa Izabel. por ver que elle era profundo. um collega de respeito. pois. para ensinar. pois viam em Victor.

BALDUINO Bombardino e companheiro de Cantalice. MARIO RAMOS discipulo do grande Barrios. JOÃO AVELINO SOUTO Violãonista de merito.– 250 – saber. VICENTE FRANCO Alferes do exercito. Morreu a muito. tocava violão. Tem 78 annos. Essa casa de Mario Ramos podia ser chamada gor da mocidade. se é o não verdade. Era genro do "Manoelinho". depois. Gostava tambem muito de tocar em choro. era o centro pagodista de Catullo. o que aqui digo. Meyer. pelo seu grande valor. . Mora no – A Casa da Alegria. Typographo e. guarda Anacleto. deixando immensas saudades. mas ainda e mais companheiros. antiga Amazonas. Irineu fiscal. flauta e ophicleide. pezado de annos. Era da antiga Escola Militar. em Citaremos Mario Ramos. casa. E' de São Paulo. cuja 1884. enfrenta um copo com o vique era um espirito de [189] verdadeiro artista. na Piedade. Vive ainda. na rua Assis JOÃO CARLOS CABRAL Carneiro. onde se exhibia com perfeição sublime no seu pistão. e acho muito pouco. Que diga os que o conheceram. Luiz de Souza.

e seus suburbios. amigo.– 251 – E' dos telegraphos e tem 81 annos. como ARTHUR MATTOSO aprendiz de flautim do saudoso Cabra chorão de verdade. EDGARD BULHÕES DE FREITAS Já que estamos relembrando os chorões de outros tempos. Que o diga o Catullo e o Idomineu. é um folgazão. pois Arthur Mattoso. Arthur Mattoso é um perfeito chorão. Começou seus estudos na banda de musica da Fabrica de Tecidos Corcovado. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. . quando se falasse no chôro. Em fim era dilecto. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. vamos fallar do Edgard. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas daquelles tempos que já se foram. Tinha choros molle. A sua casa era um lar de "choros". AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. o menino da flauta maviosa que conheci soprando o canudo de cinco chaves. Caixeirinho e Luiz Felippe Nery. nesta cidade. Tem algumas boas composições por elle feita. Quem conviveu e cantador celebre de vóz. E' disputado pelos seus admiradores. Elle é uma casa cheia. jámais quando impunha o seu violão arrancando d'elle as melodias de perfeitos accordes. professor João Elias. não dava para traz. companheiro de Mamede Adalto. com explendor e alegria. é excellente chorão na intimidade. harmoniosa e expressiva diz com graça e humorismo as cançonetas de sua autoria.

que para elle não tinha segredos como pelo seu genio alegre e folgazão que trazia todos quantos com elle privaram. que era um assombro nos seus dedos neste instrumento rustico elle fazia cousas impossiveis. Tocava este inveterado farrista violão. etc. ANTONIO XAVIER Foi chorão da velha guarda. deixando no seio dos seus amigos e companheiros uma lacuna difficil de ser preenchida não só pela maestria com que sabia tirar os recursos da flauta. mazurcas. mas bem merece ser applicado ao saudoso [190] flautista. deixando mesmo ambasbacado . nos bairros da Gaveia. de fazer um defunto levantar-se da cova. sagrou-se um artista do outro mundo. que foi uma das maiores glorias nos tempos idos e um verdadeiro chorão consumado. e alli principiava a dedilhar na sua viola. – O dictado é de hoje. apezar de ser paralytico das pernas. ou mesmo no seu violão. Quadrilhas inteiras. de canto chorado. dia a dia foi se desenvolvendo na flauta Boheme: – Devida a essa vertiginosa carreira. Com Edgard. Dizer os feitos deste grande e immenso solista e acompanhador de choros. pois solava bellas polkas. tristezas não pagavam dividas. Botafogo. – Esse menino com a vocação que trouxe do berço. era preciso escrever-se com penna de ouro. Dedicava-se muito a dedilhar maestralmente a viola. tangos. Morreu cedo esse artista. Paracamby e outros arrabaldes.– 252 – compartilhou com Edgard nos bailes e festas intimas. chotes. nas festas em que ia tocar pedia para sentar-se em uma cama. poderá dizer alguma coisa a seu respeito.

e collegas do Foi um regular ophicleidista. pois todos preferiam escutar o Xavier! Este sublime heroe morou muitos annos no jardim Botanio numa rua dos Suburbios. de suas musicas. sempre com Sergio. e autor da roda dos sambas! Guimarães não é um E'chorão de fama.– 253 – não só os donos da casa. este deus da bohemia. era mesmo officio. GUIMARÃES VAGALUME estaria hoje collocado nas alturas em que estão muitos. Morreu com uns 80 annos. e defensor. e encontrarão na sua precisão. considerado e respeitado por todos os foliões. e ANTONIO MADEIRA assim tambem é um chorão! Este chronista carnavalesco. pois todos estes. a este jornalista meio jornalistico. lá deu sua alma a Deus tendo o seu enterramento sido uma apotheose. o nome deste astro de intelligencia. penna maravilhosa um defensor de suas producções. pois conhece o seu . tal a sua da antiga Escola Militar e tocava capacidade intellectual. porém. e de tudo o que é nosso. e se assim não fosse. tem cavaquinho dedilha com grande encontrado. pistonista. como todos os convidados. no seu musico. deixando ficar os musicos parados. amigo de todos os chorões. Guimarães é um bohemio de ABRAHÃO jaça. é um amigo. com Vou aqui fazer uma justa menos capacidade do nosso homenagem. Cumpro um dever mencionando aqui entre os chorões da velha e nova [191] guarda.

Para mim. porém. um adorador apaixonado. que não o dispensava por cousa alguma. Não fosse o nosso clarinete o João dos Santos. como excellente amigo que é. . eu o destaco como um dos "primus inter pares" na interpretação das modinhas brasileiras antigas e modernas. A primeira vista. e eu fazendo segundo cavaquinho. aquelle que souber estudal-o encontrará n'elle. Era o acompanhador effectivo do chorado clarinetista João dos Santos. em Nictheroy. ELPIDIO BORGES (BILU') Funccionario antigo do "Jornal do Commercio". Bilu'. Luiz Brandão tambem de violão. não só pela sua lealdade como tambem pelo correctismo que só elle sabe dispensar as pessoas de sua amisade. e não ha na roda do chôro quem não tenha veneração pelo Bilu'. seria um dos grandes astros que tanto brilham nos palcos e salões. Muito tocamos na casa do Olavo. Aarão é bastante apreciado não só tocando. Figurou como um dos primeiros cavaquinhos do Resedá. Juca Russo do violão.– 254 – segredo como gente grande. Especialisando-se nos choros que faziamos em serenata nos dias de Carnaval que era mesmo de arrepiar. um apaixonado da musica. como tambem em muitas casas daquelle arrebalde. um bom amigo. e é daquella sociedade. e se não fosse assim. um coração de ouro. pouco gosta de se exhi[192] bir. pois só elle conhecia o seu segredo. não só no choro que ella dava. uma alma cheia de grandeza encoberta pela modestia e ficticia sizudez que lhes é natural. como eu. nota-se n'elle uma sizudez de uma cara de poucos amigos.

na Lagôa Rodrigo de Freitas até o Guimarães. vos encorajo Bilu'. "O Paganii". como era habito tratar os seus amigos mais intimos que frequentavam aquella casa: Gustavo. (cousa ruim). de Botafogo. O maior comedor que até hoje veio ao mundo. Eu aqui. o violão que falava. Latou. um dos melhores conjunctos até hoje lembrado.– 255 – Segundo me consta. o Bilu' vae se aperfeiçoar no violão para acompanhar as suas modinhas do seu vasto repertorio. nos moldes da inesquecivel e inegualavel escola do choro e musica do Cavaquinho de Ouro. que em breve desejo ver o teu nome evoluido com esta tua voz entre o baritono e o tenor para a alegria de todos os teus amigos. em Marquez de S. cavaquinho. E' morto. Amigo de Irineu. sois um artista. o seu violão se destacava pelo facto de reunir nesse instrumento o saxe e o bombardom. Na Sociedade Flôr da Gavea. MACARIO Ophicleidista de nome. Em sua residencia. JOSE' FRANCISCO DA COSTA E SOUZA (Zé Russinho ou Zé da Gavea) Sem receio de errar foi o violão que marcou. Victor. não se olhando se era dia ou noite. boas farras se fizeram. flauta. Vicente. Era creoulo e magro. No choro. organisou. do qual faziam parte seu velho amigo e compadre Chico. etc. causando contentamento geral o facto de . da qual fazia parte da Directoria. Edgard e Leocadio. em acompanhamentos. um novo advento para esse instrumento. para as suas reuniões dansantes. desde o Salgueirinho. nos bons tempos do velho Andrade. no ponto final dos bonds da Gavea. seu proprietario.

– Ainda assim não é qualquer violão. Aguas Dormentes. canta modinhas. etc. em uma aprazivel chacara. pois corre o risco de tomar suadouros sem estar com febre. de arribação. que se tenha na conta de "bonito" que se anime a acompanhal-o nas suas "sabugueiragens". MALAQUIAS (CLARINETE) O nome de Malaquias. e venerado. tambem. com as musicas americanas. Caridade. Pertenceu ao Corpo de Marinheiros. que fez bastante sucesso sobresahindose as bellas canções de sua autoria. não se esquecendo tambem. com especialidade valsas. a celebre (casquinha para abrir o apetite. E' musico de firme tempera. e que modinhsa: Anjos Bahianos. preparando as gostosas gallinhas de molho pardo ou ensopada com batatas. de maneira alguma. – Quando um amigo dos tempos idos o procura. onde aprendeu com grande profissiencia a tocar o . o bloco "Pandega e Miseria". quando está disposto. nunca deixando que elles ficassem com a barriga dando horas.– 256 – sua digna esposa estar sempre alegre e solicita para com os visitantes. faz musas e. nas horas vagas. ainda e lembrado. [193] Núm dos carnavaes antigos fez sahir. Hoje está afastado por não se conformar. Actualmente reside em Todos os Santos. acompanhando no seu violão. acompanhados do bom inho. ainda pégan no pinho e é o mesmo violão de antigamente não só acompanhando como solando composições de sua autoria que elle denomina "sabugueiragens". cascas de tangerina em aguardente e assucar). pois o Zé Russinho. percorrendo os bairros da Gavea e Botafogo.

e tambem nossos com grande facilidade. hoje velho e cançado das luctas musicaes acha-se bastante retirado. Assim. ainda dá sua pernada como qualquer rapaz. pois elle era muito conquistado. quando seguiu . em que toca. porém uma vez.– 257 – clarinete sendo assim um musico de alto valor e saber. Tocou em muitas Sociedades Musicaes. que muito o admirava. em choro não se falla. pois gravou nesta casa. com alma. Foi Pauliro Sacramento. E' [194] bastante procurado. onde o heroe é procurado como o brilhante sem jaça. onde móra. o que ahi fica é bastante para te dar o valor que tu mereces! RICARDO DE ALMEIDA (Saxophone) Muito conheço este bom amigo. nas Sociedades Dansantes Musicaes. Figner. frequento a sua casa. ou outra. Tocou em um conjuncto que fez os explendores na casa. Dansantes. No seu instrumento sabe dizer o que sente. julgo que por motivo pecuniario não chegou ao fim. E' muito conhecido em Botafogo. muitos choros de sua lavra e de outros bons chorões. PAULINO SACRAMENTO Foi companheiro do nosso grande maestro Francisco Braga na Banda de Musica do Collegio dos Meninos desvalidos de onde eram alumnos. como elle a minha. Sahindo do Corpo de Marinheiros. ingressou no Instituto de Musica. e faz com seu saxofone a alegria dos lares. porém. peço desculpas ao Malaquias de aqui não dizer o que tu vale. Toca muitos choros americanos. quem substituiu Francisco Braga.

são immortaes. deixando o reflexo do seu magico clarão em todos os palcos dos nossos theatros. e obrigava. foi se desenvolvendo de uma maneira assustadora. Julinho principiou a frequentar as casas . pois. Depois de fazer alguns tons. não acho palavras inaltecidas para dizer as verdades das grandezas de um cerebro como era de Paulino Sacramento. as quaes se acham immortalisadas nos louros que colheram. As musicas escriptas por Paulino Sacramento. o seu alto valor. foi um astro que fulgurou no horizonte dos chorões. que aqui comparo como uma cratera a expellir em borbotões inspirações musicaes. Paulino Sacramento. Paulino Sacramento. estas que fizeram uma verdadeira apotheose de suas maravilhosas producções. No Theatro Brasileiro. surgiu como um sol que illuminou com as suas partituras todas as platéias.– 258 – para a Europa para estudar musica e d'ahi surgiu o prodigio da sua intellectualidade musical que foi além de todas as espectativas. a Julinho a tocar violão. pois. JULINHO FERRAMENTA Conheci-o bem menino. Eis o que foi este grande maestro. Vôou como um condor no meio dos chorões. aqui pretendo revivel-as. para [195] satisfazer seu pae. afim de ter um acompanhador pois seu pae conhecendo um bocado de violão. mas as suas musicas reviverão. que pouco a pouco. tornou-se um principe das inspirações musicaes. ficando logo valorisado como um grande maestro que foi. ensinou a Julinho. Elle falleceu. seu pae o João Ferramenta tocava Guitarra. e que. E' indiscriptivel para mim citar aqui.

e muitas outras. do sempre chorado Canhoto. pelo seu grande aproveitamento. e tambem excellente violão. mais com um bucado de paciencia vae. tem um ouvido de desafiar. como fossem Quincas Larangeiras. que muito o estimavam. Juca Russo como seu pae. é um principe no violão. Julinho. que tocar com este chorão fica electrisado.– 259 – de instrumentos. a alma a Deus. pois tinha um ouvido apurado. a maior saudades. cavaquinho. e que elle era excellente general. pois no sólo. foi immenso athleta na roda dos grandes maestros de violão. naquelle bello. onde lá fui uma vez a seu convite. o qualquer instrumento. JUCA RUSSO Sublimissimo. Os flautas. pela maneira que o vi solar no seu bellissimo violão. e algumas de sua lavra felicitei-o. tal a agilidade nos seus sedosos dedos. apanhou uma tuberculose. Rogerio. João Pernambuco. e difficultoso instrumento. Gustavo. que era sublimissimo. E' filho de Juca Valle. tornou-se um bamba. Eu o admiro. era tambem sublime acompanhador. e fiquei quais perplexo. Pois bem! Com sua presença nessas casas frequentados de grandes e sublimes violões. da turma de Callado. vendo-os toar. e assim depois de solar com grande alma. Morava na Ilha do Governador. e no cavaquinho. dando em pouco tempo de sua molestia. Jacomino Canhoto. Além de solista. e muitos outros. pois sei o que . por elle. julinho não aguentando a batalha. Abismo de rosas. pois morreu ainda moço. deixando a todos chorões. Escrever este batuta é duro. onde elle ia ouvir os grandes violonistas e mais batutas tocarem. que fazia o encanto de todos aquelles que o ouviam.

na grande quantidade de choros que tem. bom da tua molestia. valioso chorão. E assim mais ou menos aqui [196] fica descripto a vida deste pae. não tem mais vontade de sahir. Pois encanta os que o ouve. e a elevação das nossas musicas que tú tanto adora. Juca Valle. Luizinho. pois na roda de Callado. ou mesmo uma feijoada. Juca Russo. RanJUCA MULATINHO gel e Silveira. assim mesmo. é um Deus nos acuda. Viriato. umas gallinhas de molho pardo.– 260 – assado. um porquinho elle vale. acompanhada por uma bella canninha. era Sempre morou pelas adjacenadorado. muito applicado deixe a curuja vôar! Da minha mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. e mais. desafia quem tambem distincto amigo. Era no choro. Igual a elle são poucos. e ainda faz nos mesmos. e então tem um termo. Nos sólos que faz. que eram um sól naquelle tempo. Em qualquer excellente companheiro para elle qualquer choro onde elle não admittia difficuldades. Andava quasi sempre lombrigue. que tu fique completamente. Capitão. pois parece impossivel que dez dedos possa fazer o que elle faz. ainda não desmereceu nos seus instrumentos predilectos. para a minha satisfação. e venerado. e melhor os sejam. pois é um genio! Trouxe do berço a tara do seu sempre lembrado . como amigo e companheiro cias do Estacio de Sá. Este heroe foi atacado a uns tres annos de uma paralisia. Fomos sempre muito amigos e na nossa infancia sempre tocamos juntos. Juca Russo. elle resona. o que fazia quando bom.

sempre ajudava nos choros que elle muito gostava. pois fazia grande alegria nos pagodes onde elle se achava. tal a maneira que elle se espressava. Esta modinha cantada por Jonjoca. já a muito fez a Quem não conheceu naquel. Não podia ver nenhum companheiro ou amigo contar miseria. pois apezar de tocar pouco o seu violão. Frequentei muito a sua casa. afim de ouvil-o cantar. para pedir emprestado. deixando aos . Tocava um bocado de violão não sendo dos afamados. ninguem me responde. Era muito conquistado por todos os tocadores. onde ganha a vida. pois era agarrado para todos os choros. Cantava tambem suas bellas modinhas que hoje já não me lembro de seus nomes. Triste se esconde por de traz de um véo. honradamente. que o pouco que tirava para sua familia. Jonjoca pouco descansava. les tempos já passados o bom do Jonjoca? Julgo que ninguem. mas em fim. Nas suas attrahentes modinhas destacava-se sempre uma das suas predilectas que era Minh'alma chama. estremecia e diz: – Que mal eu fiz. Era bom e dedicado amigo. Julgo ainda viver em companhia de uma sua filha que trabalha em um dos collegios publicos desta capital.sua passagem. dando excellente exemplo a memoria de seu pae. que era um anjo de bondade. e assim as vezes lá caminhava elle. era de arrepiar. com sua maviosa voz.– 261 – prompto sem nenhum. não desse ao camarada. arriscando-se as vezes a levar o não. Coberta de luto. JONJOCA Infelizmente. e sempre muito bem tratado pela sua esposa. que agravei o céo. sabia com arte acompanhar as suas bellas e harmoniosas mo- [197] dinhas.

Elle é tambem um trombone Resedá. E' elle sempre com letras de ouro. Accyoli foi e é um elle tem. Theartros. e independente disto saudades. sejam em um só golpe de vista. uma rica das orchestras dos nossos bagagem de effeitos musicaes. e que tem feito prodigios cousas passadas quando fazia parte da orchestra do Ameno com o seu pistão. onde elle é um que não preciso descrever.– 262 – chorões a mais duras e ternas inesqueciveis Luiz de Souza e Carramona. na satisfazendo sempre todas as sahida do referido Rancho do exigencias dos maestros Palacio Guanabara em uma regentes. é um leal amigo e de apurada educação. DONGA razão porque é conhecido como artista de primeiro plano E' um dos batutas da Roda de vencendo todas as difficuldades da crise que avassala no Pixinguinha. Ha poucos dias ACCYOLI encontrei com elle troquei idéas E' um pistonista de muito nos relembrando de muitas folego. Carnaval de 1911. onde o seu pistão conquistado pelas Companhias conversava com o pistão do Extrangeiras que nos visitam. e ainda faz. O Accyoli vence todas marcha infernal da Côrte de as musicas por mais dificil que Belzebuth. pois verdadeiro astro que com o seu não ha na roda dos chorões brilho eleva o valor dos nossos quem não conhece o valor que musicos. inesquecivel Luiz de Souza. pois Donga procurado pelos organizadores tem apóz de si. grande chorão da tempera dos . Chorão que deve-se escrever momento os nossos melhores musicistas.

Na propaganda dos sambas. Eis porque me sinto enthusiasmado PEDRO DA MOTTA em fazer o perfil de um chorão da tempera de Donga. que éra o Flautim. Era muito procurado pelos acompanhadores daquelle tempo que não lhe dava um socego. o que elle ficava muito satisfeito. fazia admiração pela maneira que sabia se expressar naquelle minusculo instrumento. Donga é um dos autores das primeiros sambas que abrio com chave de ouro as portas das gravações. acompanhada com a bebida JOÃO FLAUTIM brazileira. . Desde que houvesse o pirão. que forram irradiadas com grandes sucessos. O heroy acima tocava bem o Bombardino. Este que Era chorão de facto. onde com seu instrumento muito elevou a arte muzical nos choros em que tocava. pois éra mesmo um pois a velhice e a prole muitas obsecado do choro. Foi muzico Foi um farrista de fama! Não dava folga ao corpo pois da Brigada Policial. Julgo garimpeiro procura o ouro nas tambem aposentado dos choros. Tambem já fallecido. choros. difficuldades nos choros. encorajando sempre o meio dos seus pares com enovações de suas expirações. Foi muzico vezes assim nos obrigam. é expoente propagandista e dedicado. no tempo do todo o dia entrava de serviço nos grande Professor Major Rocha. farrista prende os auditorios com harmonia de seu violão. Para elle não havia seus amigos com sua simpathia. e de dos bons.– 263 – [198] do Exercito e tambem da Policia. nas nossas modinhas e afinal. Era procurado como o que muito o apreciava. minas.

pois Pedro Freire. a casa de Quincas. amigo certo dos trovadores. tambem sabe cantar com sentimento e entre seus filhos tem um que possue bellissima voz. LEOPOLDO FROES QUINCAS FREIRE Foi a maior gloria do Theatro E' funccionario dos Correios. afinal. Chorão de verdade. auctor de muitas partituras. pois também é um bello chorão. é. foi. da velha e da nova guarda. tanto que as mesmas alcançam logo de primeira vista os maiores successos. Quincas. FREIRE JUNIOR Grande maestro e escriptor. que as lagrimas lhe vem aos olhos! E' grande admirador das letras de Catullo. Leopoldo Fróes e filho do grande professor tambem era um grande chorão. conhece o sentimento do povo. suas letras musicadas são de uma belleza superlativa. e continua a ser um ornamento do Theatro Nacional.– 264 – Jacubino Freire. e em todas as reuniões em que toma parte. o maior prazer deste folião é ouvir uma modinha de nossas antigas serenatas. morre de amores por Paquetá. é figura de relevo no meio theatral. . aonde residiu muitos an[199] nos. e estão sempre em voga é um chorão maestro e de fino trato. Guttemberg. e vai fazendo successo no radio. pois sente tanta alegria. honra a tradição dos seus. Uriel e Candido das Neves. Brasileiro. está sempre cheia de musicos e cantores. tendo por companheiro o saudoso poeta Hermes Fontes. pois Freire Junior.

pois Souto. foi o invicto galan do treatro nacional e extrangeiro.. eis tudo quanto posso dizer de um musicista quando ouvia um choro se .. pois possuia bella voz. sabia cantar arrancando os maiores aplausos das platéas. razão porque.– 265 – pois sabia chorar as suas maguas no violão! instrumento este de sua paixão dedilhava com alma. e por este motivo os folhetos eram arrebatados das mãos do mesmo!. é querido e aclamado no meio de todos os chorões aonde é uma figura de destaque. Morreu mais suas glorias são inmortaes. O seu desapparecimento deixou claro nos vendedores de modinhas. FRANCISCO ESQUERDO Foi um grande cantor das modinhas ternas. agradava tanto. EDUARDO SOUTO chorão da tempera de Eduardo Souto. é senhor dos segredos da melodia. Ultimamente vevia vendendo folhetos e modinhas e quando [200] entrava em um trem cantando uma novidade. o Theatro Nocional muito lhe deve pois as suas musicas tem ALEXANDRE THOMPSON resplandecido em todos os Espirito alegre e folgazão. as suas produções são disputadas. essa que sabia dominar com intelligencia e arte em todas as representações de responsabilidades. além de ser um maestro gentilman de fino trato. palcos do Brasil. Leopoldo Fróes. Professor eximio. Francisco Esquerdo já é fallecido. fazia successos nas serenatas ao luar.

funcionario dos Correios aonde deixou infinidades de amigos e admiradores.. Gama. Alamiro.– 266 – esquecia até da familia! tinha um verdadeiro devotamento pelo velho Bilhar. é um especialista das modinhas antigas. CAPITÃO ALAMIRO Morava. é o unico que tem o maior archivo das antigas letras musicadas do tempo da corôa. Morcêgo. JOSE' VASQUES (Nozinho) Chorão da velha guarda companheiro do velho Bilhar. que fallarei na 2ª edição deste livro. . Era exemplar chefe de familia. teria muito mais a dizer deste chorão mas me falta os dados. Euclydes e todo o pessoal do Tugurio dos Simples de quem elle era um dos seus fundadores. Bulhões. e de Thompson. os seus amigos do choro para matar as saudades. infelizmente já é fallecido. Angelino. e tinha um grande repertorio de modinhas em voga daquelles tempos o desapparecimento de Alamiro foi uma va'cuo dificil de ser preenchido tal o seu valor entre os seus amigos. Thompshon. A muito está retirado do chôro mais em segredo ainda reune em sua bella vivenda em uma Estação dos Suburbios da Central. foi um chorão que marcou a sua época. em Jacarépaguá. Guidão. cantava bem as suas modinhas e acompanhava com sentimento era um amigo dedicado e não puchava p'ra traz. tocava regularmente violão. possuidor de bôa voz.. pois era bom e franco. A bondade de seu coração excedia a todas expectativas. sempre foi querido e respeitado em todo meio de seu convivio. amigo incondicionalmente. morreu quando precizava viver.

Vou render aqui uma homenagem a um musicista de primeira grandeza auctor de finas composições e que sabe reger o seu jazz-band com autoridade de um artista consumado nos soirées nas grandes festas nos theatros.– 267 – EDUARDO DAS NEVES [201] A sua morte foi uma surpreza. nos palcos as mais ternas e boas modinhas. sabendo com bom gosto e arte. "O Indio" do qual já fiz neste livro as referencias merecidas. como seu filho o innesquecivel Poeta Candido das Neves. emfim o Freitas é um chorão que JOSE' (BAIANINHO) merece mais do que aqui fica escripto. bello lundu's de fazer hylaridades pois as vezes era bem apimentados. Escreveu e muito cantou. e nella immortalisou-se. entre os seus congeneres do choro. um Resedá de coração. auctor de diversas marchas que muito . Eduardo das Neves. a Europa curvou-se ante o Brazil. foi um bom tocador de violão. Eis tudo o quanto posso Trabalha na Casa da Moeda é dizer de um Chorão moderno. era um chorão dos bons alegre e communicativo que digam todos os chorões que com o mesmo privaram como este que escreve estas linhas. de que foi muito aplaudido. FREITAS Pianista O heroy acima morreu deixando saudades nos corações dos cariocas. elle desappareceu! porém ainda vive no coração de todos os seus amigos. fazer os sentimentos na alma dos que ouviam Cantar nos circos.

Independente [202] de sollista. .– 268 – Tijuca. em choros que sabe dizer por intermedio do que se davam as centenas nas teclado do Piano. que éra a Flauta. e mais daquelles saudosos tempos. é um clarinette que sabe dizer neste instrumento o sentimento melodioso da musica razão porque eu não poderia deixar de mencionar em meu livro como uma homenagem relativa que tenho feito a todos os Chorões antigos. sabe. em que elle sabia se impor. Morreu como conductor de Bonds da Companhia de S. Conheci-o bastante com elle tambem não podia deixar de fazer o mesmo a Benedicto. Era um excellente violão solque possue pela Musica. que lava muito bem. Baianinho. valsas. do Maestro Bomfilio de JORGE GUERREIRO Oliveira. Apreciei-o em muitas festas naquelle lugar. éra um grande cantor de modinhas. as polkas. Era filho do guarda geral da mesma caixa. BENEDICTO DE OLIVEIRA Christovão em consequencia de uma pedrada que levou no Este grande chorão é irmão imposto do vintem. de fazer admiração. este privei muitas vezes. pois tinha nelle abrilhantou a harmonia deste Rancho. o sentimento cernarias do Engeno Velho. Era muito LOLO' conquistado pelos seus Morava na caixa velha da companheiros. cuja biographia já tive o prazer de fazer neste livro. Não éra excellente muzico mas o que tocava muito agradava pois tinha muito inthusiasmo pelo seu instrumento.

conheçam este inveterado HENRIQUE (CAVAQUINHO) pianista. Costinha. e o Seixas. que a meninada de explendido amigo. tal a rapidez da batuta de José Rabello. e que com sua morte foi um destroço no Poucos serão que não conjunto dos chorões. é um de encantar. Brasil. organisado pela retirar-se a vida privada. Com a veira. [203] Henrique é funccionario da Casa da Moeda. nos seus dedos. e muitos outros. Ainda este anno eu o vi fazer preludios no seu a musica decahiu bastante sendo Cavaquinho em um grupo obrigado o chorão acima a Carnavalesco. De vez em quando ainda vae funcionario da mesma Repartição em um samba de fazer a um chôro. Henrique. Henrique Martins. Nunes. foi um dos afamados e admirados. e faz no piano cousa arrrepiar. vivendo Casa da Moeda de baixo da só de seu emprego na Central do batuta do invicto maestro Seixas. Foi COSTINHA excellente camarada. um baluarte. no instrumento. synchronisação. Tocava com grande parte do conjuncto deste rancho perfeição e arte de admirar os em todos os Carnavaes debaixo seus congeneres. era Este chorão é um fanatisado procurado no seu tempo como pelo Ameno Resedá pois a sua um brilhante e outros valorosos magia do seu Cavaquinho fez metaes.que elle electrisava. Tambem foi grande capoeira.– 269 – dos bambas da velha guarda. Bomfilio de Oli. Romeu Silva. Quem não conhece o Henrique? e jogava no partido Nagô. é um chorão hoje fica embasbacado diante do .

que todos os quarteis desta capital dava toda liberdade para sua entrada nos mesmos. ao peso de Conheci este chorão da velha seus janeiros. e sei o seu valor real. Damazo falleceu no catre de um Hospital. retirou-se a vida privada. as musicas em evidencia. E' um querido e afamado violão. como os choros antigos. Nazareth.– 270 – que elle toca. hoje é funccionario Municipal. deixando em paz o seu guarda. fez parte da Banda de Musica da Provincia do Rio de Janeiro. o seu genio musical era tão sublime. pois quando o encontro. regida pelo Professor João Elias. Sei que Eugenio hoje. bom amigo e distincto chefe de familia digno de toda consideraDAMAZO PORCINO DE . e suburbios onde era uma figura obrigada. Toquei com elle em muitos chôros da Cidade Nova. Conheço bem de perto. EUGENIO TORRES OLIVEIRA Musico como nenhum naquella época. tal o arraigamento que elle tinha pelo mesmo. conheci como compositor. Costinha fez parte da turma do Julio Barbosa. Gil. por estas lembranças EDUARDO DE CASTRO dos tempos idos. e foi assim que desapareceu um artista do valor de Damazo. Eugenio pelo chôro perdia a cabeça. ainda hoje vive felizmente. Costinha ainda vive para a felicidade de sua familia. talvez. Aurelio Cavalcanti e muitos outros. pois sabia que elle iria só instruir as musicas no Batalhão. Juca Marque. sinto a maior satisfação. e muitos outros musicos de nomeada. ao lado de Juca Rezende. na Tijuca. e de seus amigos.

é um grande admirador das letras do grande Catullo. compridor de seus em quando reune em sua casa deveres. E' funccionario das de Jacarépaguá. o escuto no modinhas com uma escola toda sua. tomando parte em reuniões meu Radio. que alcançaram os maiores successos nas épocas [204] carnavalescas. superiores e amigo de seus amigos do cordão da velha guarda. sempre com o seu amigo de todos os tempos o violão. Tem muitos sambas e marchas escriptos letra e musica. ainda brilha ! Conhece toda escola do mas tenho um criado que tudo violão. estimado pelos seus muitos chorões da velha guarda.– 271 – nossa sociedade. e as mais antigas fazem parte de seu repertorio. Canninha. tambem canta poder dar o seu valor. além de ser um chorão inveterado. pois de o conhecer pessoalmente. E desta maneira. o sublime dedilhar das mais distinctas famiias de do eximio Professor me deixado ção. tanto assim que no meio me traz pelo som. conhecedor do braço do violão. é um gentilman dedicado amigo e de fino trato. elle aprecia com ardor os bons artistas e sabe abalisadamente ajuisar o valor de cada um delles. Mora lá para as ban- . ficando eu dos actuaes professores ainda dá habilitado para mais ou menos no couro. Eduardo de Castro. JOSÉ DE MORAES (Canninha) PROFESSOR FREITAS E' um verdadeiro chorão de Apezar de não ter a felicidade velha e da nova guarda. onde de vez da Fazenda.

sómente. por Deus minha dôr. Posso livre. Apreciei-o muito em uma [205] NO SILENCIO DA NOITE SÓMENTE No silencio da noite. um gemido soltar. Não procurem saber porque sofro. Canta e toca bem o violão. que instrumento que é o violão. etc. Que no meio das bulhas do dia Não me é dado um momento chorar! Riam todos a vista do pranto. morando lá pelos suburbios.– 272 – extasiado naquelle sublime modinha que elle cantou. O GUERRA DA ESTRADA DE A muito que não vejo este FERRO chorão penso que ainda vive. O teu coração é de pedra. etc. Não escutem. Conheci-o na casa do saudoso e –––––oOo––––– sempre lembrado Bilhar. começava assim: Recebe o Freitas os meus aplausos. Que sabel-o não há de ninguem! . Não indaguem quem foi meu amôr E' segredo que guardo em meu peito.

gemendo Sobre as rochas cavada d'além E' segredo que n'alma conservo Breve a campa.– 273 – E' qual onda queixosa. Esquecido do mundo e de todos. que importa. Desvendal-o ninguem ha de vir! Não não ha de!. . Pois bem desgraçado Sou na terra. por ser trovador! Mas. meus ais. minha dôr? ! ––––– [206] NAS AGUAS DORMENTES Nas aguas dormentes do mar da existencia Sonhamos aos raios do frio luar Sonhamos e a mente se embebe na imagem Com quem nós podemos a gosto sonhar As brisas vem cheias de aromas e beijos.. se vão se apagando Meus gemidos. vou mudo descer! Mas depois de findar a existencia Meu segredo não podem saber! Deixem pois no silencio da louza Meu segredo p'ra sempre dormir..

Mas o que fazer obstaculos. que brando suspiram. mal ou bem de recurso que resta ao ser humano. que sonhos de amores! Deslisa a canoa e a vóz do barqueiro Confunde-se aos roncos das ondas do mar! Que orchestra divina! Que magos encantos! As brisas que passam. amôr. que a briza desliza entre flôres. unico descriptos. que musica e flôres! Nos peitos amantes. esperança! Aos doces murmurios das ondas que choram. esmorecer quando temos uma perpetúo estes musicistas vontade unida a fé. repousa descança! As harpas de amores suspiram nos ares. ––––– bons leitores? Agi como se fosse [207] impulsionado por uma missão que me parecia ser ditada pelo EPILOGO poder Supremo de todas as Ao finalizar este livro que era cousas. suspiram – Amar! A lua branqueia n'areia gelada A praia é deserta! Que bello sonhar Amamos. Que bando de crenças. Sonhemos ao leve balanço do mar.– 274 – O mar de cançado. Que placidos sonhos. Foi unido a estas . que muitas vezes faz-nos os meus sonhos dourados. accordo com os meus obscuros reduzir montanhas e vencer conhecimentos. Cantando saudades.

mas sim. pois nelle derramei a essencia das saudades. e revivendo com enthusiasmo e alegria. para voltar de novo. porém rico na extensão da palavra. Eis porque tive o arrojo e temeridade de dictar um livro pobre de litteratura. embora pallida. sem que seja um literato. muzicas essas que jamais poderão desapparecer dos grandes ou pequenos archivos dos bons collecionadores. lutei como um naufrago que agarrado ao batél da Esperança. mãos a obra. luta sulcando o mar revolto de . Não foi facil a minha tarefa.– 275 – duas alavancas que metti. e synthetizando com devotado amôr todas as suas sublimes inspirações para que as gerações d'agora e futuras saibam que existiu essa grande phalange de chorões que elevaram e inalteceram as musicas genuinamente Brasileiras. fazendo resurgir das trévas uma grande parte de celebridades que dormiam no esquecimento. Foi por isso bom amigo leitor. Como "chorão" que fui pranteio as saudades de todos os meus companheiros do "choro" mortos e sobreviventes prestando-lhes uma homenagem. extraordinarios castellos de fantasias que com o correr dos tempos se desmoronavam como as bolhas de sabão. Com elles evolui e caminhei por esta estrada cheia de harmonias. é que me veio ao pensamento escrever algo sobre os chorões da antiga e nova guarda. cheio de erros gramaticaes. por esta razão criei em meu cerebro. Ao lado desta pleiade para mim immoredoura foi que se embalsamou o meu grande enthusiasmo dentro da poesia e da musica. um fervoroso admirador da bôa litteratura. que pertencendo e convivendo no meio desses vencedores da arte musical.

que foram. Penso ter vencido. e com a alma guarda. laureado . Céos" sendo até chrismado deixando após de si resplandecer Cidade maravilhosa" não os como um sól. resplandescida de alegria FIM deixando que se faça justiça a este grande triumpho. mas para mim descrevi. Fiz transformou a cidade colonial resurgir do esquecimento as que transcrevi. difficil por em pratica como esquecimento em que estavam agora o fiz. retribuo o choro é primo inter pares.– 276 – de uma nova aurora. e sabe de nuvens roseas. O radio. concluzão de uma causa. E a estes chorões de hoje que producções. Sinto-me ufano e todos os chorões da velha regosijado. Sinto-me victorioso pela tudo quando disse relativamente. e construindo com alma n'aquelles que vivem. os seus gigantescos "Arranha e nos que já falleceram. [208] o amor proprio de uma geração parece que fui o portador de uma passada. de quem são elles neste livro fiz reviver em os verdadeiros satelites que homenagem merecida. circundada descrença. arrazando o bellezas e as harmonias vibradas morro do Castelle. e illuminada porque amigo leitor? porque me pela luz merediana que é o pharol que plantarão neste conjuncto de chorões modernos. são e serão a alegria nas festas em que ao terminar este livro que era o meu sonho dourado. as suas olvidará. esta maravilho do mensagem de grandeza fulgente dos artistas da musica que aqui seculo da luz. facil as memorias em perfil que revivendo o para muitos.

razão porque só agora poude entregal-o a publicidade porem isto não desmereceu nada porque agora está satisfeita a vossa vontade e a minha. quebrou.– 277 – O AUTOR –––––oOo––––– ACONTECIMENTO IMPREVISTO Venho por meio destas linhas dar uma satisfação aos meus amigos leitores relativamente a demora da saida do meu livro O "Chôro" que deveria ter saido muito antes do Carnaval. pois. mesmo porque o melhor da festa é esperar pela mesma. . o prelo onde tinha que ser impresso. Assim não aconteceu por motivos muito independente da minha vontade.

.– 278 – ERRATA Na pag. sahiu o ultimo periodo pertencente a descripção de Raymundo Flauta. que pertence a pag. seguinte n° 89. 88 no fnal do elogio a Pedro de Assis.

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