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O CHORO

Por ALEXANDRE GONÇALVES PINTO - -1936 --

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O Chôro
REMINISCENCIAS DOS CHORÕES ANTIGOS
POR

Alexandre Gonçalves Pinto

Contendo: O perfil de todos os chorões da velha guarda, e grande parte dos chorões d’agora, factos e costumes dos antigos pagodes, este livro faz reviver grandes artistas musicistas que estavam no esquecimento.

RIO DE JANEIRO 1936 RREÇO 4$000 Tiragem 1ª edição 10.000 Exemplares

–3– Carta do maior cantor e poeta de todos os tempos Catullo Cearense, ao autor deste livro. ALEXANDRE
O prefacio que me pediste para o teu livro, fica para outra vez. Não te posso ser util nas correcções dos erros, porque só uma revisão geral poderia melhoral-o, o que é impossivel, depois de o teres quase prompto. O leitor, porém, se deliciará com a sua leitura, fechando os olhos aos desmantelos grammaticaes, revivendo comtigo a historias desses chorões, que te ficarão devendo eternamente o serviço que lhes prestas, arrancando-os do esquecimento. Só mesmo tu, com o teu grande coração, serias capaz de uma obra tão saudosa para os que, como eu, viveram naqueles tempos de immarcesciveis recordações. Se, como penso, este livro tiver o acolhimento que merece, para fazeres uma segunda edição, prometto-te corrigil-o com muito carinho, auxiliando-te no que puder, para que a lista completa dos antigos e afamados chorões, resuscitados por ti com boas gargalhadas e lagrimas sentidas, pois é uma ineffavel satisfação percorrer todas as “sepulturas” deste cemitério de vivos na nossa memória. Pedes-me uma poesia para a abertura ? Envio-te esta, "O Passado", que vem a calhar. E, para terminar, recebe o abraço do amigo velho, que não se cansará de felicitar-te pela lembrança feliz deste formoso, carinhoso e saudoso breviario dos dias da nossa festiva, alegre e rumorosa mocidade. CATULLO CEARENSE. Rio, 28/10/935.

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O PASSADO
(De CATULLO CEARENSE)
Quantas vezes eu não digo ao meu Passado, esse amigo que me alenta no soffrer : - "Acorda, tem paciencia ! Anda conversar commigo, e perdôa a impertinencia de tanto te aborrecer!" E o pobre velho, coitado, Mal dormido e já cansado de tanto e tanto o chamar, levanta-se, bocejando, e vem a mim, caminhando passo a passo, a me fitar ! Ao meu convite assentindo, penteando os cabellos brancos e as barbas brancas... sorrindo; jovialmente se vestindo com as suas vestes de côres; deitando o barco no rio, cujas margens reverdecem com seus antigos verdores; accendendo as luminarias, as multifarias lanternas de luzes multicolores; offerecendo-me a taça de seus magicos licôres, licôres que fez das lagrimas de nossos velhos amôres; e, por fim, saudando a lua, que em seus mágicos fulgores já tantas vezes saudou,

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- o meu Passado, embarcando, soltando a vela e remando para a nascente do rio, que já tão longe ficou, - cantando, e, ás vezes, chorando, na viagem me vae mostrando, no proprio espelho das aguas, os meus prazeres e maguas, tudo quanto já passou ! Mas basta um leve arrepio no liso espelho do rio, quebrando, instantaneamente, todo o encanto da visão, para eu vêr, desilludido, que tudo é um sonho perdido, um sonho só, reflectido, não no espelho da corrente, mas no crystal transparente da minha imaginação !! Pois só assim é que eu vejo que o barqueiro, o velho amigo, que vae cantando commigo, revivendo o tempo antigo, que o Tempo já devorou, é um homem transfigurado, é um morto resuscitado, é o cadaver do Passado, que inda depois de morrer, ao menos, pela memoria, concede-me a excelsa gloria, - a gloria de reviver!

CATULLO CEARENSE.

e sempre brincalhão. E' sincero e leal.. e por todos estimado. funccionario honrado Tocador de Cavaquinho.. e cuéra Violão: Ser politico sempre foi seu maior predicado E por varias vezes já tem sido pistolão. Tendo o dom da palavra é intelligente. contente. Governa a sua vida.. P'ra comer e beber é grande General. Bom chefe de familia. Conhecedor de toda gyria da cidade E' o prototypo extremo da bondade: Eis aqui traçado o perfil do "ANIMAL". Physionomia alegre. com o proprio coração. MAX-MAR . Anda sempre sem dinheiro mas.–6– PERFIL DO ANIMAL Alto.. já bem grisalho e urucungado.

–7– [IMAGEM: FOTOGRAFIA DO AUTOR] ALEXANDRE GONÇALVES PINTO. autor destas reminiscencias do Chôro Antigo .

Distinguindo em cada um a qualidade E demonstrando o perfil dos bons chorões. findou-se um baluarte. Rebrilharam nos antigos ambientes. Em cada chorão. corróe por toda a parte Desde o momento que subiram a eternidade. Nas paginas deste livro hão de ter Toda a altivez da grande inspiração. costumes. Pistonistas soberbos. Grandes astros fulgentes se sumiram. MAX-MAR . Descreverei com amor os bons artistas E tudo o mais que nos traz recordações. Chorões de cavaquinhos e violões ! Tereis neste livro as vossas rosas E do antigo tempo: as tradições. emfim todo o prazer Que floresceu na passada geração. E as alegrias comnosco repartiram Evocando melodias refulgentes. Que a germinar. Fazer dos bons artistas allusões. Musica. Que deixou em nosso peito uma saudade. Vou tentar reviver celebridades.–8– PERFIL DOS CHORÕES Conjuncto de flautas maviosas. Clarinetistas Ides todos ter aqui vossas acções.

com as policias mais adeantadas actualmente. Moquécas Bahianas e os Trinta Botões do theatro antigo até a Cidade Maravilhosa de hoje. escrevendo de bôa fé. se sentindo num ambiente agradavel. não tendo ao menos a intenção de instruir. dos Guardas Urbanos. as sciencias e o credo politico. a Maria Cachucha. da Lanterna Magica do Chafariz do Lagarto.–9– O C H Ô RO PREFACIO tempo do João Minhoca. trazendo ao scenario do ambiente actual a comparação do que foi e do que é actualmente. emfim cada um escreve o que póde ou o que sabe. expontaneo. tivemos por tradição os Ao dar publicidade a um livro encontramo-nos sempre na duvida de um facto auspicioso para os leitores. ao alcance de todas as intelligencias. quer seja para o bem ou para o mal. são comparados os costumes na vida dos pobres de accôrdo com a evolução. Factos occoridos de 1870 para cá. Estas linhas não tem a pretenção de mostrar erudição nem é commercial nem expositiva. que é um novo sentir e tornar a viver conforme a phrase do poeta. assim como são comparadas as religiões. é tão simplesmente em linguagem dispretenciosa. assim como da pessôa que escreveu que communga no mesmo credo. dos pédrestes até hoje. São chronicas do que se respirava no Rio de Janeiro neste periodo desde o . o autor só teve por fito recordar.

uma igreja foi soterrada. naquilo que é nosso e que aqui guardamos com a maior veneração dentro de nossos corações. Assim agora as pessôas daquelles tempos no Rio de Janeiro recordam-se e sente n'alma a vibração das musicas daquella época: os chorões do luar. São João. E assim agradecendo a aceitação dos apreciadores de musica. destruida por um terremoto. entôo um hymno em louvor e reminiscencia dos chorões da velha guarda.– 10 – costumes bahianos que foram trazidos da Africa pelos nossos queridos antepassados e firmaram os costumes no Brasil. a alegria expontanea. a hospitalidade. não tem a graça natural da simplicidade daquellas reuniões onde os chorões da velha guarda expandiam-se em inspirações musicaes. Contam numa lenda que em uma região onde haviam innumeras Igrejas. onde os sinos plangentes annunciavam as grandes matinas e as festas religiosas com rituaes ou profanas. a communhão de idéas e a uniformidade de vida ! As noites estrelladas e frias de Santo Antonio. aquellas festas simples onde imperavam a sinceridade. E as pessôas que sobreviveram áquelle cataclysma ainda tinham a impressão nos ouvidos das notas plangentes dos sinos daquella cidade. São Pedro e Sant'Anna. . os bailes das casas de familias. embora com os explendores da actualidade. dando e trecalando o perfume da recordação dos apaixonados daquelles tempos e que faço reviver nos corações dos leitores deste livro.

. violões e cavaquinhos. e ainda hoje é lembrado e chorado pelos musicos desta época. que ainda hoje são citados como os cometas que passam de cem em cem annos ! CALLADO Callado foi um flauta de primeira grandeza. o que constituia o verdadeiro chôro dos antigos chorões. na sua flauta. pois os verdadeiros choros eram constituidos de flauta. tornou-se um Deus para todos que tinham felicidade de ouvil-o. entrando muitas vezes o sempre lembrado ophicleide e trombone. Callado. apesar de os chôros de hoje não serem como os de antigamente. Hoje ainda este nome não perdeu de todo o seu prestigio. Naquelles tempos existiam excellentes musicos.OS CHÔROS Quem não conhece este nome ? Só mesmo quem nunca deu naqueles tempos uma festa em casa. serenatas (que eram feitas em plena rua pois naquelle tempo eram permittidas não havendo intervenção da policia). quando em bailes. pois as suas composições musicaes nuncam perdem o seu valor.

instrumentos estes que naquella época faziam pulsar os corações dos chorões. estando neste meio o velho Imperador que condecorou com . dando assim uma recordação perpetua aos chorões de agora. que gerações ainda iguaes. as actuaes não deram Contavam alguns daquelles tempos que tambem já dormem o somno dos justos. desaparafusou uma das chaves de seu instrumento sem que elle percebesse afim de quando fossse tocar a mesma pular. ophicleide. Callado e Viriato foram tão amigos em vida como na morte. que Callado foi chamado para um concerto num dos theatros desta cidade ao qual compareceu com a sua flauta maravilhosa. como sejam: Silveira. Viriato. Callado.– 12 – Os acompanhamentos eram violão. e Callado fazer um grande fiasco. quando eram manejados pelos batutas da velha guarda. mas o grande musico deixando a sua flauta deitada na estante um official do mesmo officio. mas o seu intento não deu o resultado esperado. bombardão. cavaquinho. etc. a força de beiço tocou toda a partitura sem perturbar-se. pois apesar da chave ter sahido fóra do logar. e assim comprehendendo os musicos daquella época organizaram um festival e com o produ[012] cto do mesmo mandaram construir um mosoléu do lado direito do Cemiterio de São Francisco Xavier. Luizinho. sendo muito abraçado e cumprimentado por aquelles que souberam do facto. que ao passarem n'aquelle mosoléu curvam-se respeitosamente em homenagem áquellas duas entidades. onde se acham os dois juntinhos dormindo o sonho da eternidade.

Callado. dahi a momento entre gava a um chorão presente que executandoa tornava-se um delirio para todos os convivas pela clareza e pela linda inspiração da mesma. Mello Moraes Filho. com as visitas em casa de seus amigos e com especialidade em casa do grande brasileiro que foi o Visconde de Ouro Preto. onde se achava Tambem foram grandes o grandioso e celebre violão flautas nesta época os irmãos Candinho Ramos. que todos os annos organizava a tradicional festa do Bumba meu Boi. anniversario ou outra qualquer reunião e se nesta occasião qualquer dama ou cavalheiro pedisse para escrever um chôro em homenagem ao festejado. passava a mão em qualquer papel quando não trazia o proprio.– 13 – o titulo de Commendador. em casa de Maria Prata. que dava pagodes quasi todas as semanas alegrando os seus habitantes com os chôros moles deste tempo. quantas vezes achava-se tocando em um baile de casamento. Callado foi o rei da musica daquelle tempo. [013] Estes afamados flautas eram tambem frequentadores da casa do sempre chorado Dr. riscava a lapis e zaz ! punha-se a escrever. compadre e . Marreco e Jorge. Callado não era só músico para tocar de primeira vista. baptizado. que faziam suas serenatas em São Christovão quasi sempre na Quinta Imperial. lembras-se que quasi numa das ultimas festas do BUMBA MEU BOI Bumba meu Boi. não dizia que não. como tambem para compôr qualquer chôro de improviso. O escriptor deste livro chorão neste tempo de violão e cavaquinho.

Mello consultou a Candinho muito meu amigo e até compadre. na maior calma deste mundo: pois não foi para dar marradas que eu sahi no boi ? respondendo Candinho: eu . respondendo eu: não tenho receio pois sempre fui cuidadoso em tudo que assumo responsabilidade ! Candinho. elle então me fez vêr que o meu antecessor já tinha escangalhado um boi. radiante com a minha affirmativa. o boi estava em petição de miseria com o carão todo esfacelado com um chifre só e os pannos dos lados tinham ficado pelas ruas ! Candinho. Mello Moraes. na rua 8 de Dezembro em Mangueira. finalizando a jornada na bella vivenda do saudoso Visconde de Ouro Preto. apresentou-me ao Dr. como o homem escolhido para sahir no boi. que gostosamente aceitei. e que o mesmo carecia de cuidados pois custava muito dinheiro. Entrei todo satisfeito no celeberrimo boi andando pelas ruas de São Christovão em visita aos amigos do Dr. ficando combinado logo a estréa para o dia seguinte. pulando. Mello Moraes. de forma que quando cheguei em casa do inesquecivel Visconde de Ouro Preto. na hora regimental lá estava eu firme para assumir o compromisso. o Dr. precisando um homem de confiança para sahir no boi. botou as mãos na cabeça me dizendo: compadre você me collocou mal com o compadre Mello Moraes ! respondendo eu. mas o caso interessante é que se meu antecessor foi pessimo boi eu ainda fui peior ! pois ia pelas ruas afóra convencido mesmo que era um boi de verdade bravo. dando marradas a torto e a direito em todas as pessôas que passavam e nas que faziam parte da comitiva.– 14 – dedicado amigo de Mello Moraes. quando reparou o estado do bicho. o qual perguntou-me se eu queria sahir no boi.

de cara amarrada cumprimentando-me componentes da festa. Reparando o Visconde de muito secco e depois chamouOuro Preto. sala onde se achavam os chegou o Candinho. então desculpei-me da sorrateiramente arriei o animal seguinte forma: Nesta noite sem que ninguém percebesse e cahia uma chuvinha miu'da e chispei para casa afim de tinha sido a causadora do boi ter organizar desculpas para dar no ficado naquelle estado mais dia seguinte ao compadre Ramos. que era bicho na janella e olhando para a um botequim que ainda hoje sala bem iluminada perguntou.ª secção dos Preto. Sentamo-nos muita amizade. Mello Moraes ! De volta chegando á casa do [014] Dr.existe nos fundos do correio me o que era aquillo. que depressa ! eu. e foi logo Então o Visconde dando um ar se desabafando: .Compadre. julguei mais cuidado de perante o Candinho e o Dr. queixo em uma das janellas da Depois de ter assignado o ponto. pois eramos carteiros. onde se faziam reuniões e respondendo eu com a maior muitas vezes tratava-se de ingenuidade: Este boi me tem interesses postaes.– 15 – quando te indiquei para sahires em que situação eu me achava no boi. Façam os leitores uma idéia correspondeu á minha confiança . com o carão do me para a "9. Mello Moraes. e não me vendo em uma das mesas e Candinho veio parra janella me espiar ! mandou vir dois cafés. muito obrigado de riso. pendurei o animal pelo correios.ª secção". retirou-se para junto de pelo modo com que você seus convidados. muito sua parte. então antes de Candinho entrar na linda vivenda de Ouro trabalhava na 2.

couces etc. indicarei ninguem para sahir no boi. e ainda hoje. pois aquelle acontecimento era effeito da mocidade. e as saudades invadem meu coração por estas tradições que os annos não [015] tou as minhas desculpas trazem mais. Mello Moraes. Eu muito maneirosamente respondilhe que o boi era feito para se escangalhar. apesar de saber que o Dr. Mello Moraes. está na lembrança das antigas familias e dos grandes chorões da velha guarda. que julgava ser um boi de carne e osso em vez de se mandar fazer um boi. nunca mais compadre. Mello Moraes não guardava rancor.. pois como sabes. ficando assim privado de tomar parte de suas festas. era preciso um para cada sahida !. o bicho tinha que virar frangalho ! Candinho não acceifiquei muito envergonhado ausentando-me da casa do Dr. porque se forem todos como o compadre.. As festas do Bumba meu Boi desappareceram com a morte do grande escriptor e inesquecivel poeta Dr. tornando-se serio commigo que Vamos relembrar ainda de felizmente durou pouco. eu . Lembrando-me destes bons tempos as lagrimas me vem aos olhos. Estas festas faziam o encanto do bairro de São Christovão. dando cabeçadas. ficou bastante aborrecido não só commigo como tambem com você. eu por ter apresentado como pessôa de minha amizade e a você por ter espatifado o animal ! Foi preciso mandar fazer um boi novo para continuarmos os festejos do Bumba meu Boi ! Esta vae me servir de emenda.– 16 – ! O compadre Mello Moraes. pois era o unico que conservava as tradições de todas estas festas antigas..

ja" (que quer dizer fome). quando tinha bôa mesa e bebidas com fartura. procurava o dono da casa e pedia para ir ao quintal afim de passar pela cozinha e ver a fartura ou a miseria em que se achava o dono da festa. nome que se dava nos "pagodes". outros já se forma para o além deixando melodiosas producções musicaes. infelizmente tambem já dorme o somno dos justos. o que fazem recordar em todos os bons choros pelas pessôas que tiveram a felicidade de privarem com os mesmos. Salvador. SALVADOR MARINS [016] Era carteiro de primeira classe. tocava seu pedaço com correcção. vamos sahindo de barriga.– 17 – mais alguns flautistas que tiveram sua grande época. pois estou atacado de terrivel dôr de vendo tudo triste sem aquelle alento dos grandes "pagodes" chamava um collega e dizia: Está me parecendo que aqui o gato está dormindo no fogão. E depois arranjava um motivo. apesar de não ser um grande flautista. alguns ainda vivem. não se negando a convites. em caso contrario dizia: O gato está no fogão rapaziada. endireitava os oculos cujos vidros tinha uma grossura enorme. pois o numero é grande e já pela minha idade ser difficil possuir a mesma memoria de 40 annos passados. pois era myope de verdade e respondia logo: sinto muito não poder tocar. Não viemos aqui para passar "gin- . vendo fartura vinha para a sala todo satisfeito. Na proporção que vou lembrando é muito difficultoso citar todos. mas perguntava logo se tinha "pirão". Quando ia tocar num baile. Dahi a pouco vinha o dono da casa ou pessôa da familia pedir que tocasse um pouco.

Carlos Furtado. Candinho toca trombone como poucos. Assim findou-se o heroe do chôro. em grandes gargalhadas e verve. deixando muitas saudades aos seus companheiros de repartição e amigos e admiradores que possuia aos punhados em Botafogo onde sempre morou e morreu. Luizinho e do trombonista Candinho Silva. era deveras engraçado. era especialista nas musicas de Callado.– 18 – cabeça. despedindo-se da familia iamos para fóra fazendo commentarios do sucedido. cujas composições acham-se no caderno de muitos flautistas da actualidade. Marins. é um verdadeiro maestro no instrumento. nenhum dos antigos musicos escreveu tanta quantidade de chôros como Candinho Silva tem escripto. Silveira. provocava tambem aos companheiros grande ataque de riso pois o Marins. como também para os fraquinhos. fazia um encanto nos salões quando tocava o seu instrumento. mas elle. flauta com certa perfeição. suas composições são de uma belleza de arte e de gosto. tocava quem peço licença para trazer . offereciam um comprimido qualquer para estancar o mal. então as pessôas da casa penalizadas. e era sempre encontrado no bairro de Villa Isabel em companhia quasi CARLOS FURTADO sempre do grande musico a Era um hábil chorão. é admiravel em suas composições pois não só escreve com difficuldades para os tocadores batutas. era esta a evasiva para cahir fóra do baile que não tinha "pirão". recusava declarando que soffria do coração e que a reacção do medicamento podia lhe ser fatal e arribava do pagode carregando todos os acompanhadores. Em meu poder tenho grande quantidade das mesmas que guardo com todo carinho como uma joia de alto valor.

do lado direito.– 19 – seu nome. onde com Santa Cecilia ia tocar os hymnos santos do céo ! Morreu de uma tuberculose deixando um vacuo triste e difficultoso de ser preecnhido. quasi não podendo falar. tornando-se um trombonista respeitado. O autor destas linhas acompanhou a vida de Furtado. MANOEL TEIXEIRA (Cupido) Foi um chorão de facto. da entrada do Estacio. A sua flauta em seus labios parecia até o canto de um sabiá. dando com isso grande prazer ao seu mestre. antigo Mata Porcos. este riso era já advinhando a sua partida para o além. Cupido era filho de um velho tocador de violão já fallecido. se não me falha a memoria. Furtado. e a todos deliciava. já tambem fallecidos. nada respondeu. Indo certa vez em sua residencia em companhia de Ernesto Magalhães e Billot. Conheci-o de menino como tambem eu o era. dedicou-se ao trombone tendo como mestre Candinho Sil[017] va. elle com um pequeno riso nos labios. Vito. tocava nos bailes. encontrou elle muito abatido. e de seu sempre chorado irmão e também grande violão Ernesto Magalhães. já fallecido. chamado. no cimo do Morro de São Carlos. onde . então por gracejo lhe disse: Viemos te buscar pois temos um pagode puxado a "Qui-Qui" (porco). Naquelle tempo morava em uma pequena avenida na entrada da rua de São Christovão. até os seus ultimos dias. o illustrado e humanitario medico Dr. brincamos juntos e soltar papagaios lá pelas bandas da chacara do Céo. abandonando a flauta. em reuniões e até muitas serenatas fizemos. Francisco Magalhães.

Morava numa pequena casa na rua Machado Coelho Morro do Pinto. morava no poraneos. Dizia de uma abrideira antes de entrar nos pirões.– 20 – [018] tambem comiamos os cajás azedos que existiam naquelle tempo em abundancia. Sublime artista musical tam.sua morte causou grande claro bem executor eximio do chôro. sendo por "encher tripa" na falta dos tanto uma grande escola de grandes chorões. sabendo que elle privou com os GEDEÃO grandes flautas da antiguidade. pois com a sua musicistas. emfim Cavaquinho. nos bailes onde tocava. que tambem já se LEOPOLDO PE' DE MEZA foram e de seus contemTocava pouco. mas servia para reunião dos chorões. e depois se atolava o na cerveja. mas pequenas informações. lá uma ou outra mais difficil. foi um chorão que deixou Apesar de não o ter conhecido pessoalmente pude pegar algusaudades. no vinho ou em . Gostava carteiro. e bebia melhor. comia como gente ARTHUR FLUMINENSE De saudosa memoria foi grande. esta casa era a de assombro. flautista dos bons. entre seus amigos daquella possuia em seu caderno de época. onde o autor deste flauta de cinco chaves já muito livro ia alli beber naquella fonte velha. Cupido que sentia em seu instrumento. não era musico perto do Estacio. musica composições de diversos flautistas. sempre arremediava. presa com elasticos sua aprendizagem de Violão e tocava só musicas faceis.

que significava não haver uma bella ceia regada com o CARLOS ESPINDOLA competente vinho. que tantas glorias. e quando numa meza via um Qui-Qui (porco) com a competente batata na bocca e azeitona nos olhos. Se pela madrugada vinha um chocolate com biscoitos não regeitava a parada e tomava mais de uma chicara. já não posso mais. como elle. Julgo que elle já deu contas a Deus. mas gostavam de comer bem e se assim não fosse tratavam de dar o fóra deixando os convidados a vêr navios. ia me dizendo vamos dar o fóra pois não estou acos[019] tumado a passar a "Pirão de Areia secca" e "Pirão de Bagre". pelo muito que comeu e bebeu neste planeta. não tinha mais vontade de levantar-se. alguns pagodes que estavam acostumados a receber os musicos a café e cachaça. bellezas e applausos tem feito na nossa capital e tambem retumbante successo no estrangeiro. estou empanturrado. festas estas que Espindola. executor de flauta com barriga pois ella esta dando . Fui amigo intimo de seu pae. Villa Isabel. Andarahy.– 21 – qualquer outras bebidas que viesse. conheci-o ainda solteiro quando frequentavamos bons e maus bailes na Tijuca. Mattoso. grande perfeição. luminosa estrella theatral no nosso amado Brasil. era dos taes que cada vez que chimpava um "gole"da bôa estalava a lingua. pae da grande artista Aracy Córtes. Itapagipe e muitos outros lugares desta capital. e quando isso fazia ia dizendo: hoje comi para um mez. Não quero dizer com isso que todos os musicos fossem assim. então Foi um grande amigo e respondia eu vamos sahir de chorão.

que com a vontade que tinha de aprender foi depressa. que muito o apreciava. Nesse tempo metteuse na cabeça de Espindola. João Salgado que era um professor de grande merito e paciencia para ensinar a mais rude cabeça foi aos poucos ensinando a Espindola. uma occasião. também de saudosa memoria. hoje seria a gloria dos grandes chorões com a sua maviosa flauta. o que conseguiu comprando uma de novo systema convidando João Salgado para seu professor que promptamente aquieceu. Saindo deste pagode hiamos para qualquer botequim. pois conhecendo muitos tocadores de chôro escorregava nas aguas delles. quando carteiro que fazia entrega na rua do Lavradio encontrei-a. Morreu muito moço ainda e. finalizando a nossa conversa sobre a vida do seu saudoso esposo. Não sei de certo. se vivesse. e o autor destas linhas acompanhou o seu enterramento ao Cemiterio de São Francisco Xavier. se a sua viuva ainda existe. A sua dilecta filha Aracy Córtes.– 22 – horas. comia bem e antes de tocar flauta já era grande frequentador de pagodes. morando no Hotel Nacional. impondo-se á admiração de todos que o conheciam e tambem deste que estas linhas escreve. caminhavamos pela rua afóra rindo e commentando o baile. pão e vinho e assim faziamos um bello repasto. Falleceu á rua Barão de Ubá. Dahi parte o conhecimento delle com o inesquecivel professor João Salgado. um dos astros que circula em nosso . sahiamos dalli mais ou menos forrados. o que faço votos que sim. mandavamos vir uma porção de mortadella. pois. o cargo de feitor de turma da Prefeitura. Occupava elle. pois em poucos tempos tornou-se um flautista respeitado nas rodas dos tocadores. aprender a tocar flauta. Espindola. Palestramos um pouco.

D. as impossivel de descrever. que era o Presidente. pois. Lequinho e muitos pelos applausos dos seus admi. Chiquinho Baptista. eram dois flautas sublimes. raras vezes dizia não. Ismael faziam encantos. um dos "predilectos" mencionar que se chamavam em violonistas da turma de Callado. féras amansavam-se e os CHIQUINHO passarinhos enebriavam-se. Penso existir ainda a cumprimento dos seus deveres. primoroso flautista repentinamente. tal era a gravidade do seu sopro. mas o pouco Fabrica de Tecidos de Villa que tocava dizia com alma e Isabel.– 23 – meio artistico homenageada Correia. Rangel e Silveira. não só nos . Não era lá destes fosse. filho do inesquecivel bres que não posso deixar de Juca Valle. Juca Russo Violão. Era operario da flautas de admirar. conheciPedrinho. vida Edegar. deixando em de uma educação sublime. sua viuva e filhos no mesmo Eram os seus acompanhadores. bairro em que morreu. Acompanhei-o [020] muitas vezes com o meu vilão seus camaradas fosse onde este chorão. o chôro. Estes. o na Tijuca. e Henrique. radores. a vi muito creança.outros que me falha a memoria. Pedrinho morreu Pedrinho. Carnavalesa Pragas do Egypto. Viriato. aos Falleceu lá para as bandas do Jardim Botanico. Estes musicos tocavam na S. Baziza Cavaquinho. o autor PEDRINHO deste livro. sendo assiduo no bom gosto. Esse nossos corações a maior tristeza instrumento nos seus labios. Também dois chorões celeCandinho Trombone.

musicas estas que nunca perderão o seu valor. Deixou o violão e toca actualmente Trombone com maestria. pois. quando devia viver. typo de gentilman. ainda muito instado demonstra o que foi. CAPITÃO RANGEL . pelos annos. as suas musicas eram executadas com ternura e bom gosto. executando as musicas de sua lavra.– 24 – bailes como nos Theatros. As suas composições são innumeras. ZE' FLAUTA Como era conhecido. Só aqui podemos descrever duas das suas producções "Macia". primoroso violão. Ambos infelizmente já dormem o somno eterno. Outro companheiro. mesmo assim. Eram os seus acompanhadores o Ademar Casaca. Faço ponto aqui deste grande musico scientifico aos meus leitores. e "Só para [021] moer". chamava-se Benedicto Bahia. que infelizmente não as possuo. elle um pouco retirado. E o João Soares com o seu bandolim e cavaquinho ornamentava tambem a "troupe" de Bahia. morreu. bom na flauta residente em Botafogo. admirado. Hoje. que se fosse fazer a apologia de Viriato e de outros musicistas de sua tempera seria necessario multiplicar as paginas deste livro. Moravam lá para as bandas da Gavea. e que tocou com maestria em diversos bailes onde era sempre o mais preferido. e já cansado das luctas. de uma educação finissima pois. sendo um eximio professor. VIRIATO Inesquecivel musico de grande nomeada pelas suas producções admiraveis. digno de ser apreciado.

como sejam: "Geralda". Geraldo foi um eximio funccionario dos Correios.– 25 – Musicista. sendo por este modo acclamado e festejado. não estando aqui descriptas nem a terça parte de suas musicas. pois. apesar de ser elle de maior idade. Era conhecido pelos seresteiros da Cidade Nova pelo seu sopro. na sua flauta amarella. a principio. Falleceu ha pouco deixando grandes saudades e inesqueciveis recordações a todos os Chorões. quando tocava em qualquer festa era divulgado e conhecido pela melodia do seu instrumento. "Emilia" e "Sympathia". autor de innumeras composições. tinha por elle um grande devotamento e por esta razão o acompanhava para todos os chôros á guiza de um cicerone. "Ternura". "Saudades de 1° de Agosto de 1888". Tocava de primeira vista. O seu pae. de cinco chaves e ultimamente em uma. ALFREDO VIANNA Melodioso flauta que podia se comparar com os acima descriptos. "Futuro Risonho". muito estimado pelos companheiros. Deixou elle um grande archivo de musicas antigas e modernas que deve achar-se em poder de seu filho Pixinguinha. "Amelia". conhecido na roda dos chorões por "Bico de Ferro". "Vivi". de novo systema. Rangel foi um dos principes dos Chorões da Velha Guarda. "Você me prometteu". "Alice". maestro e talentoso flauta que repercutiu as nossas glorias musicaes [022] . GERALDO DOS SANTOS Immensuravel flauta. "Não machuca a gente". "Olhos de Candinha".

pois Felisberto além de um bom executor. acho que ainda vive para a felicidade dos seus innumeros alumnos e de seus amigos. era um eximio professor de flauta. CUPERTINO Grande maestro. já fallecido. mais conhecido por Maçarico. que no rol d'elles se encontra o escriptor. já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um subito mal que . Tem de sua lavra grande quantidade de chôros. como tambem em muitas festas de Chôros que se exhibem nesta Cidade Maravilhosa onde é apreciado e ovacionado pela maneira admiravel com que sabe executar o que é nosso. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiraveis composições. Formou até uma sociedade de aprendizagem de musicos onde tem se aproveitado grande quantidade de moças e moços que já se acham diplomados pelo Instituto de Musica. que o publico conhece-a todas não só pelo Radio. e tambem as de Callado. Ultimamente. FELISBERTO MARQUES Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda. Agora já se acha velho e retirado dos chôros. e que. flauta fluente e sonoroso "primus inter pares" entre seus componentes pelo gosto e modo de exprimir com sentimento as suas produções. Felisberto Marques. deixo de innumeral-as pois. Rangel. quero dizer com isto que é um filho que sabe honrar a tradição de seu pae no circulos dos Chorões. Viriato e de outros tantos por mim descriptos.– 26 – no Estrangeiro. Apesar de não vel-o ha muito tempo. tendo se dedicado ao violino tornando-se um admirador de Paganini.

e deste tempo para orgulho meu e de seus amigos. que já dorme o somno derradeiro ha mais de cincoenta annos. pois é uma reliquia que d'alli não se retira por modo algum.– 27 – com espanto de todos os seus admiradores. Poucos muito os aprecia e que ainda flautas tinham o gosto de Cabral. "Tutú". Ainda vive. chôros e reuniões de amigos com a sua OSCAR CABRAL linda flauta toda de prata. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma". Morador lá para os lados do Jupiaçara conheceu todos os chorões d'aquelle tempo que Suburbios. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto. fazenda as alegrias dos lares. guarda-fiscal da Prefeitura. Era Bacury. e nada mais pôde tocar. Não gostava de musicas extran- . BACURY Tambem flauta respeitado da antiguidade. hoje tem grandes recordações. JUPIAÇARA Flauta de outros. na Piedade. apesar [023] Conserva na sua linda vivenda os retratos de quasi todos os grandes flautistas acima mencionados. tendo as suas ricas producções cahido no esquecimento no correr de tantos annos. Elle privou com os antigos chorões do seu tempo. dos seus janeiros ainda não deixa de ir ás festas. que tantos prodigios conquistaram. perdeu a embocadura. "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. pela sua inteligência musical e seu fino trato. grande compositor de Chôros.

sepultou-se no Cimeterio do Pichincha em Jacarépaguá proveniente de uma paralysia. porém apesar de não compor. e que hoje como seu . irmão do escriptor. Escreveu algumas composições bôas. Morreu elle ha pouco mais de tres annos lá para os lados do suburbio. deixando muitas saudades aos seus amigos. outro bom flauta. e que talvez no caderno de Cabral. BENEDICTO Benedicto. e. que nunca tendo escripto qualquer musica. Foi grande compositor cujas producções devem estar em poder da sua distincta familia. affirmo que muito poucos possuem não só em numeros como em belleza. pois foi o encanto dentro da Cidade Nova e nos suburbios onde os bailes bons e pessimos eram aos borbotões. parecia aos seus amigos cheio de vida. se ache algumas. Só deixou a flauta. que deve estar por ahi desprezadas.– 28 – geiras pois sempre dizia que tinha verdadeira adoração pela nossa musica e tinha um archivo que. tocava todas as musicas dos velhos e novos flautas ou de outro qualquer instrumento. serenatas e festas. [024] QUINTILIANO Quintiliano Pinto. bastante triste. e pela molestia que aos poucos foi minando o seu organismo. tinha muito gosto pela musica. um dos velhos chorões e de nome na roda dos que tocavam ou não. Quando a nossa Mãe morreu. já bastante idoso. Tocou em muitos bailes. especializando-se das antigas do seu tempo. elle apaixonou-se tanto. que botou o nome de "Minha Mãe". e no entanto assim não foi. compoz uma valsa. Infelizmente morreu moço. muito conhecido e amigo de Oscar Cabral.

então vamos tocar só nestes tons e assim fazia. e Videira. o que era uma decepção [025] para os convidados. E' verdade que tocava de ouvido mas sabia dizer na flauta o que dizia aos outros. apesar de tocar de ouvido. se qualquer dos instrumentos désse uma nota fóra da musica. em qualquer passagem. e um meu grande amigo. e a minha pratica é quasi convidou-me para tocarmos em . e lastimo a sua morte. E perguntando então: Qual os tons que o senhor confere no seu instrumento ? o que respondia: Dó Maior. O senhor sabe tocar? o que era conhecido por apellido Dinrespondia o interpellado. e então ia logo dizendo: Agora eu vou tocar para o senhor não cahir. pois sempre tocamos juntos. Respondeu Videira: pois bem. tambem como eu farrista que Videira. sahindo-se os fracos tocadores bem. flautista e chorão de respeito também já descansado desta vida aos seus 35 annos mais ou menos.– 29 – irmão. contentissimo demonstrando assim a sua Maestria. e muitos nos estimavamos. Era muito respeitado. Vou contar um facto que deu-se commigo. pelos acompanhadores. VIDEIRA nenhuma. ainda choro. e só. toco ga. de saudosa memoria. Sol Maior. Dinga pouco. e depois o senhor toca com muita difficuldade. parava a flauta. e mesmo para não acabar com o baile. Com esta franqueza Videira ficava radiante. o que muito nos atrapalha. e tinha um defeito. Mi menor. Paz á sua alma é o que peço a Deus como todos os seus companheiros que com elle dormem o somno da eternidade. sabendo musica. e então logo perguntava ao que errou.

Ao chegar á sala de jantar. pois sabia por informações. o ranzinza que elle era! pois sabia da decepção que ia passar e meus companheiros. Então eu. Pois bem: com o medo de tocar com Videira. satisfeito talvez. surgiu Videira com a sua maviosa flauta em baixo do braço. muito medroso e nervoso lhe disse. e a do Dinga. parecia que ia ter uma syncope. pois os tons que sabia naquella occasião eram muito poucos. pensando que fossemos excelentes tocadores. pois o que eu sabia era de principiante. arranjamos um pretexto para darmos o fóra. e não para acompanhar. lá pelas ruas de S. dentro dos tons que nós conheciamos e não para acompanharmos flauta. acompanhamos com grande prazer. E dizendo o dono da casa que iamos nos retirar. pois faltava-nos a pratica. e disse: vamos lá dentro tomar uma bôa talagada. Diogo. Videira dando uma gostosa gargalhada. Nos que tambem gostavamos. e que muito sorridento nos comprimentou. pois desta forma ficará a festa toda estragada.– 30 – um anniversario e baptizado. do pouco que você toca: pois eu tocarei tudo dentro das notas que conhece. que tinha de tocar me respondeu que era um seu amigo por nome Videira. indagando eu ao dono da casa quem era o flauta. que só servia para distrahir. hoje General Pedra. o flauta ainda não tinha chegado. Oh. veio Videira ao nosso encontro dizendo: Eu peço aos senhores que não se retirem. E assim dizendo pegou-me pela mão. que fomos alli. só para cantar modinhas. abraçou-me e dizendo-me: menino não tenha medo. com medo que Vieira entrasse. Quando estavamos quasi para retirar-nos. decepção ! Um suor frio desceu-me por todo o corpo. eu e Dinga. Quando lá chegamos. encontramos uma bella .

que ficaram muito gratos. despedimo-nos do dono da casa. nos entregou. que foi sorvido quasi de uma só vez. e sua familia e mais convidados. Porto. hoje Praça 11 de Junho. pois desta existem poucas. E assim eu o Dinga e Videira. que naquelle tempo era bom e barato e enchendo os nossos copos que era dos grandes. e sendo sempre muito applaudido. feita a capricho o que foi uma delicia para nós. nem suspirava. Videira mandou abrir uma garrafa de vinho do Porto. palavra muito em uso por elle. tocamos a noite inteira. Virgem de louros cabellos. puzemos a cantar modinhas. e as competentes garrafas de vinhos tintos. o que vale o fulgor de Oropé e muitas em que o escriptor destas paginas era um batuta pois possuia uma bella voz que encantava aos ouvintes. "Pallida madona. cheia de assados. Videira quando sorveu o ultimo gole. Cervejas e etc. depois de um bello chocolate. Finda a festa ao romper da manhã. pela maneira alegre e ordem que reinou até ao findar da mesma. dizendo-nos: Que bôa talagada. deu um grande estalo com a [026] lingua. e zás bebiamos. E assim dentro dos tons que sabiamos. outra garrafa. trazia logo sem pestanejar. O dono da casa. um dia louco. logo que Videira pedia. Depois de muito commentarmos sobre a festa despedimo-nos . Lá pelas tantas da madrugada depois de muitos chôros tocar." Eu sei que teus olhares são só delle.– 31 – mesa. e enchia os copos. Videira era intimo da familia. Lá chegando. De vez em quando Videira mandava vir mais outras talagadas. fomos até o largo do Rocio Pequeno. E assim soldamos os pulmões para poder contar modinhas muito em voga naquelles tempos.

etc. e dentro do meu cérebro as reminiscências descriptas neste livro. e tornando-me desta forma um violão e cavaquinho respeitado na roda dos tocadores batutas. obrigado sou a retirarme para a vida privada. Então Videira offereceu-nos a sua casa. Saudades do Engenho Velho. Hoje ao peso da idade já cansado. rico de recordações. flauta também de bom gosto. pois elle os conhecia regularmente. Pois bem. valsas. como em uma charutaria na rua do Ouvidor. chotes. Andando sempre com elle principiei a tocar violão. privaram e tocaram. tornando-me assim um bamba nos dois instrumentos de cordas de que fiz uso por muitos annos. que andaram. pela boa camaradagem que reinou. com elle. e cavaquinho. Chorão dos chorões. epigraphe esta. pobre de literatura. porém. por ter sido os meus instrumentos que tanta fama me empolgou na minha mocidade. daquelle dia em diante. onde lá entregou sua alma a Deus. e no esquecimento. Lucinda. que espontaneamente. da Cidade Nova".– 32 – com bastante pezar. tão querido outr’ora. tendo de[027] pendurado nas paredes cheio de pó. não só em sua casa. que era em uma pequena avenida na rua dos Invalidos. comecei a procurar Videira. dou-lhe diante dos factos testemunhados por todos os musicistas. onde elle trabalhava como cigarreiro. de uma intervenção cirurgica. Personagem. e assim acompanhei muitas quadrilhas como fosse: "Minha dôr. JOÃO DE BRITO João de Brito. Ermelinda. que era um astro . e muitas outras como polkas. o meu violão e cavaquinho. mazurkas.

era tambem um [028] . João de Brito morreu. Pois como elle na sua flauta magica só tocou Pan o Deus da natureza de que falla a mythologia. bom flauta. era estafeta cargo de carteiro. João de Brito era cigarreiro da fabrica Leite Alves. Era demasiadamente apaixonado pelo chôro. tendo seu enterramento sido uma apotheose de saudades. JOÃO BRUNO flauta conquistado pelos bons João Bruno. THOMAZINHO Thomazinho. de maneiras francas. Quando empunhava a flauta. o enthusiasmo lhe supplantava. nos corações de seus amigos que ainda hoje pranteiam a sua morte. entre seus acompanhadores. para chôros. porém. Deixou diversas composições que infelizmente nenhuma possuo. discípulo do sempre chorado e inesquecivel Felisberto Marques. e chorão do Cattete. daquelles tempos. O autor deste livro tinha por elle grande devotamento e muitas vezes accedeu aos seus convites. Vive. era um caboclo sympathico. Autoridade nas melodias que sabia exprimir com facilidade no seu instrumento. e positivas por isso tornava-se communicativo. na minha reminiscencia. Morreu em uma das ruas do Cattete. que occupava o acompanhadores. que ainda hoje guardo bem tristonho. tocava todas as musicas dos flautas antigos já por mim descriptos.– 33 – que illuminou na sua trajectoria os lares ricos e pobres. e elle se esquecia de tudo até de sua familia de quem era estremecidamente dedicado. attrahente. Era senhor de um bom sopro e de bom mecanismo.

e outros poetas de valor aproveitaram suas composições em que escreveram bellissimos poemas. pandego. onde foi sempre sua moradia. Catullo Cearense. Era um grande athleta no jogo de capoeiragem. Tinha adoração pelo que tocava. Hermes Fonetes. Era respeitado. cada qual era um mundo de inspirações. e pelo saber que tinha na sua maviosa flauta. Adorava seus filhos a quem . deixou uma grande bagagem musical. muito o elevaram no conceito de outros grandes musicos e professores. São de sua lavra as valsas: "Camponezas. composições sublimes. pois a belleza e os sentimentos dos chôros que elle escreveu. ou em qualquer golpe. com arte e bom gosto que tinha pela musica. Kalut morava em Jacarépaguá. conseguiu derrubal-o em uma rasteira. pois bolia com os nervos de quem o escutava. Sorrir Dormindo.– 34 – dos Telegraphos e morava lá pelos suburbios. vivia sempre a brincar com os companheiros como elle. É impossível descrever aqui. pelo seu fino trato. foi optimo funccionario e aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe. immensuravel artista. tocadores. Morreu a poucos annos. que a minha penna treme ao trazer aqui o nome deste afamado professor. pernostico. Julgo em consequencia de um grande desgosto que teve. JUCA KALUT Juca Kalut. de uma agilidade sem nome. altura reglar. Nunca companheiro algum por mais esperto que fosse. Kallut era exemplar chefe de familia e amigo dedicado. onde era muito estimado. o apogeu deste grande mestre. Era de côr parda. Irene" e muitas outras bellissimas composições.

apesar de sua difficuldade monetaria. não olhando sacrificios. e assim deixou um claro bem custoso de preencher. Guilherme foi flauta de seu tempo como poucos. Aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe. e tambem pelo seu fino trato. . Poucos bailes se deram na cidade nova que Guilherme. deixando immorredouras saudades que somente a propria morte apagará. Conhecia todas as musicas dos velhos flautas antigos que já dormem tambem o somno eterno. Ainda hoje o nome de Kallut. fui seu acompanhador. [029] Morreu. pois ja era uma maestrina. Conheci-o e privei muito com elle. pelo bom gosto de suas composições. Na sua flauta Guilherme sabia dizer o que sentia e assim tocamos muito nestes chôros na cidade nova e no morro do Pinto. muito se apaixonou. As suas composições andam ao léo. Morreu a poucos annos. não só nas letras como na musica. pois tinha dado uma educação aprimorada. juntamente com o grande violão e cavaquinho Narcizo Gomes Barcellos. como tambem seu pae. e creio por desgosto intimo falleceu logo depois de casado.– 35 – tratava com o maior desvelo educando-os com o maior carinho. não fosse chamado. tendo exercido na Succursal da Praça 11 de Junho. que falleceu a poucos annos no cargo de guarda municipal. talvez nas mãos de algum bom flautista a quem dou meus parabens por possuir uma joia primorosa. GUILHERME CANDIDO DIAS Outro chorão e bom flauta chamou-se em vida Guilherme Candido Dias. Com a morte de uma sua filha. é lembrado como lidimo expoente da musica.

ou vinho que podia beber-se.Mangueira tocava flauta de ros" como era conhecido foi um cinco chaves. Comia bem e regado com a canninha. musicos e amigos cá de fóra. Tocava com alma. A sua morte foi muito sentida não só da distincta officialidade. Onde tocava fazia sempre pilherias engraçadas que agradavam bem. quem não Dos tocadores SOARES "CAIXA DE PHOS.– 36 – annos já deu a alma a Deus. mesmo assim primoroso flauta que a muitos sabia dizer o seu segredo pois . como todos os de seus companheiros. Muito caprichoso. tornando-se alli um alumno intelligente. o que elle tinha as centenas. fazendo o encanto dos lares onde era chamado. pois era barato.conheceu ? antigos bem poucos ! PHOROS" Não sei se ainda é vivo. onde era muito conhecido. e mesmo bastante intelligente ingressou nas fileiras da Brigada Policial fazendo seus estudos no Conservatorio de Musica. recebendo assim o seu Diploma de Professor. Era muito expansivo. Pois bem: Camargo foi Regente daquellas bandas chegando a galgar o posto de official. e bom amigo. Soares "Caixa de phospho. MANGUEIRA Mangueira. não só o chôro que compunha. Diogo. CAMARGO [030] Camargo conheci-o no Ameno Resedá tocando regularmente flauta de 5 chaves. Creio que morava alli pela rua de S.

porém. tocamos sempre juntos. não era tambem um grande flautista naquelle tempo. A gentil Carolina era bella" e muitas outras que não me vem a mente pois nellas estes tocadores eram batutas. Juca Mulatinho. eu como seu por Bita. valsa. Feliciana. lundú. Mangueira era o typo do bom amigo. Juca Flauta. e suas passagens ficando assim apto para acompanhal-o Se é vivo ou morto não posso dizer. chotes. já naquelle tempo bem velho. elle com toda a paciencia ensinava o tom. JUCA FLAUTA Mario do Estacio. tocava os chôros faceis como se fosse: polka. pois naquelle tempo a graça do baile era quando terminava com bellas modinhas. Destes por mim citados só existe o escriptor. etc. Perdão Emilia. morava em uma Avenida na rua D. como era conhecido. eram "Lá naquelle Gigante de Pedra. Juca Flauta foi tambem meu amigo inseparavel Juca Gonçalves. o que levanta ás mãos ao céo por ainda lhe dar esta graça. Qual fica doido o macaco. Em horas mortas da noite. e tambem o [031] celebre violão e cavaquinho . quadrilha. como dos modernos tempos. era irmão do carteiro acompanhador. não só dos antigos. conhecido no chôro. e as que estavam em moda naquelle tempo. todos estes tocavam violão e cavaquinho.– 37 – conhecia os chôros de todos os bons flautistas. e quando tocava com um violão fraco. e eram excellentes cantores de modinhas. Os olhos Castanhos são lindos e serenos. Juca Mãozinha. JUCA GONÇALVES mazurka.

Morou muitos annos na Ladeira de João Cardos. Morreu em casa de seu irmão. Naquelle bairro elle fez o encanto. e tambem. e com grande habilidade. Seixas. era um primor de gosto quando tocava nos pagodes. visto ter ficado cégo. estando sepultado no Cemiterio do Pechincha em Jacarépaguá. dando occasião a muitos casamentos. tambem razão porque. intelligencia. a sua flauta era de 5 chaves.– 38 – de 1ª classe hoje aposentado Alfredo Luiz de Oliveira Gonçalves. ainda foi atacado de uma tuberculose. toca todos os instrumentos especializando-se no violão. toca hoje o seu violão por musica. como é conhecido no meio dos chorões. que Toca qualquer musica no seu . porém. e alma. Acabou os seus dias. JORGE SEIXAS Deste maestro me falta intelligencia para descrever os seus feitos. solando musicas classicas de primeira vista. Posso aqui affirmar que no Brasil. em companhia de seu irmão. bem poucos tocarão violão como Seixas. e assim como o violão fez progresso. Zezé. é sympathico e querido. evadindo os salões da aristocracia. JOSE' FRAGOSO Maestro no violão. allegrando os corações tristes. capacidade quanto a musica e mais. começou nos chôros. onde faz seu estudo. pois sabia dizer o que sentia. pois tinha muito gosto. em todo meio e muito considerado. o que muito o apaixonou. em Jacarápaguá. As suas musicas vem todas da Allemanha. pois além da sua cegueira. Abandonou a musica. como um dos melhores acompanhadores.

Jorge é muito diNictheroy. e desfazer alguns erros. O autor compoz um tango que deu o nome de "Ingratidão". onde elevou aquella sociedade ao conceito publico. como tambem em bailes. CAPITÃO BRAGUINHA Conheci-o muito. e levando á sua casa para a endireitar. JUSTINIANO andando sempre com os Era flauta que morava em "guandos". e que se estasiavam de ouvil-o tocar. . ouvir os ensaios da banda regida pelo inesquecivel Bocó. ia todos os dias para o Arsenal. e de bocca aberta vendo elle trazer o seu lindo violão. Moeda. O Justiniano. Trabalhava como caixeiro de despachante da Alfandega. foi tambem nos ultimos tempos Director de Harmonia do Ameno Resedá. serenatas e mais. musicista primus-interpares. e que tocava de ouvido musicas difficeis. Foi Director de Harmonia das Pragas do Egypto. ficou admirado. festas. e com elle privei não só na sua residencia. Braguinha [032] morava na rua de Santo numa pequena gno funccionario da Casa da Henrique. que punham em embaraço musicos de primeira nomeada. Este facto passou-se mais ou menos a cincoenta e tantos anos. para executar na sua flauta de cinco chaves.– 39 – mavioso violão de primeira vista. avenida daquella rua. e executar aquela musica de primeira vista e com a maior facilidade. E gravava no ouvido as melhores musicas. onde glorificou-se com o seu saber. inda hoje se fala no apurado ouvido de Justiniano. com a intelligencia de sua batuta.

na falta de um bom flauta. Andava sempre acompanhado pelo pessoal bom e mau. e . sahia á rua com a escolta. onde elle foi um baluarte ao lado do invicto e sempre chorado soldado. de tambem saudosa memoria. nunca encontrando pessôa apta para o serviço militar. Então elle com o bom coração que tinha não fazia selecção delles. fazendo hilaridade dos que ouviam. Braguinha nunca deu parte de um soldado. Braguinha. o que elle não se negava. Mesmo o seu porte era engraçado. Braguinha. pois pela sua bondade o exploravam não só pedindo dinheiro. Pois bem. para satisfação dos beberrões. intercalando elles de forma que poucos comprhendiam a malandragem de Braguinha. para pegar gente para completar o Batalhão. e mandando arriar abessa. com isto elle julgava-se grande maestro. Sempre que via o amigo recebia com um ar de riso engraçado. uns tres ou quatro chôros. conhecendo na sua flauta que era de cinco chaves. sabia illudir os convidados. magrinho. Era muito engraçado nos bailes que tocava. pois tinha pilherias muito bôas. e voltava como tinha sahido. não é porque não encontrasse. Serviu em um Batalhão da Guarda Nacional creio. muito baixinho. Porém. Floriano Peixoto.– 40 – Era por isto muito procurado pelos seus amigos que elle tinha de toda classe. sobre o commando do coronel Salustiano Quintanilha. Era de um coração de pomba. como tambem bebidas. entrando em diversos botequins. mesmo na [033] effervescencia da Revolta de 93. pois não fazia mal a ninguem. leitores. servia ! Apesar de tocar muito mal e de ouvido. Nos bailes chepas em que tocava. e a physionomia pequena.

e com grande maestria. E causando muitas vezes a admiração da escolta. musica como gente grande. não sabendo qual a razão. ARTHUR VIROU BODE mesmo de primeira vista. O appellido na roda dos tocadores é devido a um chôro feito por Candinho Silva. pois vi nelle um bom camarada. e então num auge de sentimento dizia: pode retirar-se. e como amigo era de uma dedicação sem nome. deixando aos seus amigos profunda consternação. pois a escolta trazia o paisano á sua presença. O chorão me parece que mora lá para os suburbios. foi bom filho e excelente esposo. e ouvindo dos mesmos dizendo-lhe que tinham filhos e mulher para sustentar e outras coisas mais. que dedicou a Arthur. toca informações sei que foi um . Braguinha. pois a casa de Juca Russo era frequentada sempre por grande numero de tocadores.– 41 – sim. Estavamos sempre juntos. que é meu compadre. Morreu a poucos annos. Eu frequentava a casa de Juca Russo. mas por O seu sopro é mavioso. pelo seu bom coração. dispensava. onde faz os attractivos. Braguinha ficava logo pensativo baixando a cabeça. e fiquei logo seu amigo. Eu frequentava a casa de Juca Russo. Quem não conhece este PEDRO DE ALCANTARA eximio flauta? bem poucos! No seu instrumento é de uma Não tive a felicidade de agilidade nos dedos admiravel. com muitos outros tocadores de nomeada. e fiquei logo seu amigo. pois vi nelle um bom camarada. conhece conhecel-o. Conheci-o em casa do celeberrimo violão Juca Russo. e muitas vezes até as lagrimas lhe vinham aos olhos.

Foi ahi que o Catullo. que tantas glorias tem alcançado. Infelizmente pelo tempo julgo ser morto. [034] PAULO VIEIRA DA COSTA Morou muitos annos na Estrada Velha da Tijuca. porém bem mobiliada. conhecia musica a fundo. fazia nos chôros que tocava os encantos dos lares. com seu pae Juca Mamede.– 42 – flautista de respeito. O FRUCTUOSO O Fructuoso era um senhor de idade. e de outros seus companheiros artistas como elle. residia na rua do Nuncio. que em 1888. e até poeta. Além destes predicados era um flautista sublime. de grande capacidade intellectual. Era elle um solteirão. imenso poeta. tinha muito boas composições suas. fazendo o contentamento e alegria de diversos lares. Tocava também as musicas classicas com grande maestria. instrumento este que fazia parte do mobiliario acima referido. em companhia de Galdino Barreto e Luiz de Souza. que talvez não existam mais nenhuma. fez a canção do Africano. estando talvez as mesmas jogadas ao monturo. em que se reuniam naquelle tempo diversos musicistas. que era um eximio tocador de harmonio. era de uma suavidade sublime. que infelizmente como tantos outros já dorme o somno eterno. Paulo tambem como seu pae era de uma educação sublime. Com meu violão. em companhia do mesmo. Como violão que fui. ou cavaquinho o acompanhei por diversas vezes. Em chôros seus. Fructuoso. sem nada ter-se aproveitado. acompanhei muito este chorão. infelizmente nada publicou. em uma casa pouco confortada. Na casa do sr. .

na rua de D.aquelles bairros da Estrada Nova e Velha da Tijuca. mettia-se em farras. Conheci-o apesar de poucas vezes que com elle privei. porque era de um genio estourado. Gostava muito das musicas antigas e novas.– 43 – CICERO TELLES DE MENEZES Era conhecido na roda dos tocadores como Cicero dos Telegraphos. tambem tinha algumas composições suas. pois só durou mez e meio após o seu casamento. era jovial. Com estes dotes muito alegrou ANTONIO JOAQUIM MAR. apesar de sua grande instrucção. Tambem sabia dizer o que sentia na sua maviosa flauta. bem encostado . não chegou a galgar posto algum. não se encomodando com ordens nem disciplina. umas alegres e outras sentimentaes e com uma voz maviosa de fazer encantar. Cicero teve a infelicidade de gozar pouco a sua lua de mel. como [035] soldado do antigo Corpo Militar da Policia da Côrte. com uma moça filha de um dilecto amigo meu. Conheci-o QUES PORTO como soldado destacado em um Era filho de uma distincta posto que existia na Estrada familia bahiana. no violão era sublime. Maria na Piedade. no piano e no orgão era de uma decia de supplantar. tocava flauta com grande maestria. Marques Porto como era conhecido. pois occupava o cargo de Estafeta de 3ª classe. Velha da Tijuca. e até assisti o seu casamento. Tambem cantava muitas modinhas. Conheci-o. Uma tuberculose o victimou. noite e noites perdidas. pois tinha um sopro encantador.

Era muito respeitado na roda dos que o conheciam. devido a isto pouco uso fazia da musica. As suas musicas quasi todas foram dos velhos e antigos chorões.– 44 – á Caixa Velha. Ninguem arrancava uma musica qualquer para fóra. nunca lá foi. porém. pois para elle não havia difficuldades. Morreu já cansado pelos annos. em uma enxerga na Santa Casa de Misericordia. onde deixou immensas saudades. com sua flauta sempre em baixo do braço. tinha grande zelo pelas mesmas. Contava-me elle que sua bonissima mãe mandava-lhe dinheiro para seu regresso á Bahia. Tocava qualquer chôro de primeira vista. a flauta nos seus labios dizia o que era bom e maravilhoso. Marques Porto. pois era de uma fina educação e trato. só deixava copiar em sua casa sob as suas vistas. Bohemio que era e não ligando a sociedade acabou o heroe do chôro. como Callado e seus componentes. em poucos dias familiarizou-se com todas as familias alli residentes. com seu espirito bohemio. Morreu a poucos annos lá pelas [036] bandas da Aldeia Campista. JOÃO SAMPAIO Quem o conheceu pode gloriar-se. que pelo seu saber e cultura podia hoje seu nome estar esculpido em uma estatua para gloria do porvir. conhecia musica de verdade. tinha diversos cadernos de chôros. E assim lá se foi para via eterna um heróe. gastando todo em farras e patuscadas. lá ia elle divertir aquellas familias que muito o estimavam. pois foi um flauta de peso. CARLINHOS . se não me engano.

Toca tudo dos grandes e sempre lembrados flautas da antiguidade. que eram um primor de bom gosto.– 45 – Como divida de gratidão pelo muito que sabe não podemos esquecer este chorão da gemma. Talvez devido a isto retirou-se da lucta. nada fica devendo aos velhos. e modernos tocadores já por nós descriptos. pois diz o que sente. RIQUINHO) IRINEU PIANINHO Já tambem dorme. muito apreciava todos os chôros dos antigos. brilhante. no tempo do sempre lembrado e chorado Anacleto de Medeiros. com seus maviosos preludios. e muitas outras. pertenceu á banda do Corpo de Bombeiros. Infelizmente só temos duas que são de nome "Os deuses de Maricota". pois é primoroso flauta. como tambem Pianinho. . e tanto assim que em poucos annos galgou todos os cargos de Carteiro onde chegou até o de 1ª classe. toca com grande maestria e gosto. e o "Genio de Maricota e Geny". E' também de uma educação finissima. pois já nasceu com o dom da musica. como Esse flauta encheu de glorias a nossa bella Capital. e os de agora. Carlinhos. Tinha muitas musicas de sua lavra. maestro de primeira grandeza. Mesmo assim uma vez ou outra não dá o seu quinhão ao vigario. mora em Villa Isabel em uma das casas da Companhia HENRIQUE DOURADO (HENde Tecidos. Pianinho foi grande musico e chorão. encantando assim os que tiveram a felicidade de ouvil-o. que apesar de ainda ser novo na lucta. sem jaça. Casou-se. que infelizmente tambem dorme o somno dos justos.

– 46 – muitos de seus companheiros o somno eterno. Exalto o seu grande genio que foi o Henriquinho, como era conhecido. Tinha o seu grande valor no meio dos tocadores, pois era um flautim adorado, tocava todos os chôros dos antigos flautas o que elle muito adorava, como tambem as composições suas. Foi tambem flauta de verdade. Encantou muitos lares, fez apagar muitas tristezas e senti[037] mentos, nos corações dos que soffriam, com o seu mavioso sopro. Encantava todos aquelles musicos ou não, que tivesse a sorte de conhecel-o, não só pelos dotes musicaes, com tambem pelo seu fino trato. Morreu muito moço, o que foi um sentimento geral e se assim não fosse, as suas musicas seriam hoje em grande quantidade. PORFIRIO DE SA' Fui um grande admirador da flauta que elle tocava com o maior prazer e alegria, escreveu muitos chôros, e cada qual de arrepiar cabellos. Tendo depois deixado a flauta, dedicando-se ao contrabaixo, por lhe faltar a embocadura, como tambem os annos e molestia que foi adquirindo com o correr dos tempos. Aprendeu a tocar violoncello em pouco tempo. Seus professores admiravam-se da sua inteligencia, e a rapidez com que aprendeu um instrumento tão difficultoso. Pois bem, Porfirio, tornou-se um grande contrabaixista, tocando até em orchestras. Agora vamos aqui trazer nomes de algumas composições suas. Eil-as: "Os meus desejos", "Diamantina" e muitas dezenas de outras que foi

– 47 – impossivel adquiril-as. BENEDICTO BAHIA Vamos agora bolir com as fibras de outro immenso folião da flauta que se chama Benedicto Bahia, foi bamba nos segredos da flauta, quasi todo Botafogo conhece-o como chorão de facto, pois quando melodiava na sua flauta naquelles chôros molles que é commum nelle, as mulatas ficavam todas dengosas, dizendo bravo, seu Bahia ! Hoje pelos annos e pezo de familia está um pouco retirado, mas mesmo assim ainda dá a sua pernada. Eram seus acompanhadores o celeberrimo violão Ademar Casaca, morador a muitos annos tambem em Botafogo, violão primoroso, sola e acompanha com grande maestria. Hoje toca trombone por musica o que conhece com theoria e rythmo. Hoje já um pouco alquebrado pelos annos, só lecciona, não só violão como piano ou qualquer instrumento. Era tambem acompanhador de Bahia o immenso cavaquinho que foi João Soares de saudosa memoria, João Soares de grande bagagem de musicas por elle feitas e que deve ter algumas o nosso estimado Bahia. [038] JOÃO PINHEIRO De saudosa memoria, a sua morte veio abrir um grande claro no exercito dos tocadores, pois elle era bom em tudo, muito amoroso, delicado, de uma educação finissima, conheci-o logo que ingressou na Côrte de Appellação como funccionario de pequena categoria, com seu exemplar comportamento, de dedicação ao trabalho, galgou em pouco tempo, bem alto cargo naquella Repartição. Na sua flauta, era maravilhoso ouvir-lhe tocar, não só os chôros dos

– 48 – grandes mestres mortos e vivos, como tambem as bellas composições suas. Não recusava a convite de seus amigos, pois achava-se sempre prompto para a lucta, sem pestanejar. Nos bailes e festas em que ia tocar, fazia logo camaradagem, tornando-se muitas vezes intimo da familia, pois o seu tratamento era finissimo. Morre a pouco tempo na invicta Nictheroy, em uma casa de sua propriedade e lá foi dado á sepultura o seu corpo. Em vida tanta alegria deu ao povo daquella cidade, como o daqui da Capital Federal. LEITE ALVES Quem não o conheceu ? Só quem não foi musico daquelles tempos pois era um primoroso flauta daquelle tempo a uns cincoenta annos mais ou menos, era um primor ouvil-o tocar. Tinha garbo no que tocava, pois conhecia todos os chôros de seus collegas antigos e modernos. Conheci-o desempregado, privei muito com elle, conheci em um baile, na rua D. Feliciana, ficamos muito amigos, dahi em diante todos os pagodes que elle, ou eu tinha, tocavamos sempre juntos, eu de violão ou cavaquinho, faziam-nos o regallo destes bailes, que naquelle tempo de tudo barato existia a milhares, pois não havia lar que fazendo um baptizado, anniversario, casamento, etc., que não désse um baile, puxado ao leitão, ao peru', gallinhas, muitas bebidas, como sejam cervejas, vinhos, licores, etc. De fórma que os chorões daquella época não passavam necessidades, comendo bem, e bebendo melhor. Como acima disse Leite Alves desempregado, me falou um dia na sua necessidade, e que precisava arranjar uma colocação, e que eu talvez lhe pudesse remediar este mal, pois sabia que

– 49 – [039] dispunha de elementos para tal. Então lhe respondi que ia fazer todos os esforços para sua collocação. Sendo eu muito amigo e collega de Maximiano Martins conhecido pelo appellido Seu Velho, a elle me dirigi contando toda a historia de Leite Alves, o que Seu Velho me respondeu: que sendo muito amigo, como eu tambem o era, do capitão Sebastião, que exercia o cargo de Continuo na Camara dos Deputados, que iria pedir a elle. Pois bem, foi tiro e quéda. Sebastião apeser de continuo exercia uma grande influencia na Camara, entre os Deputados e especializando nesta amizade a do dr. Herculando de Freitas, deputado pelo Estado de São Paulo, e de grande influencia politica, pois bem foi nomeado Leite Alves para servente do Thesouro e lá trabalhou pouco tempo abandonando o logar, para dedicar-se á musica, pois era seu fraco, e assim foi reger uma banda julgo em Minas Geraes, onde lá falleceu, tendo deixado grandes saudades, e aberto um claro na avalanche dos chorões que muito tristonhos ficaram com a morte deste heróe, que tão bem sabia dizer, as musicas deliciosas dos companheiros antigos e modernos daquella época. PORTO CASCATA Qual o chorão da Velha Guarda, que o não conheceu ? Bem poucos ou nenhum. Podiase considerar um maestro, conhecia musica a fundo, não só o classico, como os grandes chôros especializando Callado, Viriato, Rangel e outros de celebridade naquella época. Não sei se tinha composições suas, o que acho que sim. Era de finissimo trato, de uma educação aprimorada. Qualquer pessôa

– 50 – que com elle privasse, ficava logo cativo pelo seu elevado trato. A poucos annos era Agente do Correio de Engenho Novo, onde prestou por muitos annos grandes serviços na mesma, sendo muito considerado pelo publico daquelle lugar. A muito não o vejo, nem noticia tenho, não sabendo se será vivo ou não e assim fica mais ou menos descripto a vida não só como um chorão eminente, como tambem publica. GREGORIO COUTO Chorão de respeito, e estimado. Na sua adoravel flauta sabia dizer o que sentia, fazendo [040] nella alegria e tristeza, pois tinha musicas para ambos sentimentos. Era bom e distincto amigo. Os que com elle privassem ficavam logo á primeira vista encantados não só pelo seu trato, e mesmo com o seu bello tratamento, julgo que pelos annos que já se vão que já não existe e assim mais ou menos ahi fica a vida deste grande musico. ALBERTO MARTINS Alberto Martins, é Carteiro dos Correios, tem exercicio na Agencia de Copacabana, conhece bem a sua flauta, e toca tambem saxophone. Em qualquer destes dois instrumentos ninguem lhe passa a perna, pois os executa com a maior perfeição. Estudou bem a musica e por isto não teme a qualquer adversario. No chôro em que ás vezes toca encanta com a sua melodia, dando o maior prazer aos circunstantes. Conhece todos os chôros dos seus collegas musicos como elle antigos e modernos. Tambem tem bôas composições suas, que faz o encanto de o escutar, o que elle

que mavioso pelo seu saber. clarinete flauta moderno. intelligencia e Acompanhei-o algumas vezes actividade galgou todos os com meu violão e cavaquinho. posto que foi [041] aposentado. encantava a todos com seu instrumento. e postos até chegar á posição de sei o quanto precisam cavar nas official. ou tem grande prazer. no meio dos votos que sim. cavaquinhos e violões.– 51 – Quen não conheceu. mas mesmo de primeira linha ? O autor deste livro teve a assim não inveja os antigos. Chorão de nome. Quando erra. Louro em um 1° official dos Correios. e sabe dar o seu JOÃO HILARIO XAVIER verdadeiro valor. E' moço ainda. e não fazia distincção de seus subordinados. e expandia impossivel descrever os grandes as alegrias de seu coração. Xavier era simples. o que faço novo systema. A muito que não o vejo. razão esta que se fazer um feio (isto é cahir) como tornava querido e admirado de se chama na gyria aquelles que seus subalternos. se AURELIO CAVALCANTI esquecia de tudo e dizia na sua flauta em magnificas expressões. pois sabe fazer sentir. baile. LOURO No teclado de um piano era . feitos deste immenso artista musical. começou como Carteiro. despido de cordas e nos dedos para não preconceitos. e conhece o bom Louro. armava sua flauta de prata de não sei se será vivo. me sendo esquecia as maguas. acima descripto. felicidade de tocar com o heróe.

e sua Exma. As suas composições ahi estão que são um primor de belleza.– 52 – primoroso. com o maior sentimento. não ha difficuldades na musica. Familia de uma maneira impossivel de descrever-se. antes de sua morte escreveu com grande nitidez a vida deste grande chorão. em sua casa. Fez os encantos de muitos lares com as suas bellas harmonias. Era bom chefe de familia e bom amigo. AZEREDO PINTO E' um dos chorões da pontinha. Aqui peço desculpa a este chorão em trazer seu nome. A sua morte ainda hoje é pranteada. não existia naquelle tempo. O grande escriptor Coelho Netto. Os seus dedos em um teclado. fazendo bôas pilherias e ditos gostosos. quem o imitasse. Morreu ha poucos annos deixando muitas saudades e lembranças. pois toca tudo o que apparece. tal o tratamento com que todos são recebidos. pois sabia dizer o que sentia neste mavioso instrumento. de seu tempo. pois conheço a sua modestia. e alli todos são tratados por elle. CHIROL Outro grande chorão no piano. era de um verdadeiro hymno de amor. e bom gosto e facilidade. fazendo assim risos aos convidados. e alquebrado. . Feliz daquelle como o escriptor que privou com este chorão pois fica logo encantado com a sua fina educação. Mesmo depois de velho. é como a electricidade. Para este chorão. Paz á sua alma. em bailes e festas estava sempre alegre. Aurelio foi excelente musico. e cavalheirismo. Azeredo costuma dar em sua vivenda nos suburbios onde mora bellas sumptuosas festas.

seus dedos habeis e admirados Porto já no fim de sua vida tinha principiava com um chôro . carinho. pois tocava pouco. cheia de vida. foi uma das Chico Porto. educação finissima. Não era lá nenhum ainda appareceu. de um porém. não se fazia de musica e assim ia ganhando rogada. o que elle ficava satisfeito. esperando um CHIQUINHA GONZAGA circumstante para chamal-o para tocar. e retirando-se do havia quem não o conhecesse. com os fama como grande pianista. e bastante bebidas. bastante triste. bons tocadores eram poucos. Morreu de Grippe Hespanhola. tocando ficando Nas ruas desta Capital não admiravelmente. chôro. recebia todos com o maior Porto. fazia sua parada. Francisco onde era. e de ouvido. satisfeita. deixando muita [042] saudades como bom amigo que No Largo de S. sempre risonha e satisfazendo a todos convidados. abria o piano e. conhecia o piano por nada o que elle queria era bôa dentro e por fóra. sabia fazer afita. pois sabia que naquella noite elle iria entrar nos bellos pirões. era de uma destes grandes musicos. como em seus tempos os tratamento sublime. Quando pedia-se para reptindo sempre a mesma tocar um chôro. Chiquinha Gonzaga. não se primeiras pianistas em todo o encommodava de não ganhar Brasil. na sua casa. Era de um extraordinario como meza. Chiquinha. pois gosto era um copo seguro. Maestrina e compositora.– 53 – deixado de tocar com o CHICO PORTO OU RUANO apparecimento desta mocidade.

– 54 – composto por ella pois são innumeros. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. que ella conhecia com grande proficiencia. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. tambem os do grandioso Estado Bandeirante. Não são só os que tocam no Radio daqui. Aqui dou os meus applausos a todos os cantores dos Radios Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem a gloria do Radio. e gloriosos. e fazia a delicia dos que a escutavam. através deste apparelho que é a admiração do mun[043] do inteiro. Leoncavallo. Todos conhecem bem. em que os artistas são sublimissimos não só com as suas suaves vozes como tambem o acompanhamento destes distinctos chorões daquelle hospitaleiro Estado. Paganini e muitos outros grandes musicos. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. Tocava tambem o classico. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. e tambem de seus ouvintes. á distincta familia Neves Gonzaga. Puccini. ERNESTO NAZARETH . tambem adorava as musicas de Verdi. como tambem pelos instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimada impossivel de descrever-se. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. todos os conhecem os seus feitos que são artistas de hoje.

– 55 – LE'O VIANNA Ernesto Nazareth, espirito superior aprimorada educação, musico de primeira agua, foi brilhante sem jaça, que bem poucos o iguariam no seu saber. As harmonias feitas por elle eram um hymno do céo. Tocou em grandes e nobres salões, onde sabia portar-se como gentleman dotados de familia, onde tocasse fazia logo camaradagem, ficando logo intimo, como se fosse de um conhecimento longo. Tocou em muitas festas, em que tambem se achavam os grandes chorões como elle, que tambem fizeram seus explendores nos bailes desta capital como sejam: J. Christo, Costinha, Chiquinha Gonzaga, já por nós descriptos, Paulino do Sacramento, e todos os outros que não me vem á mente, pois foram em grandes quantidades destes chorões da velha guarda, que infelizmente já não existem. Quem é que não conhece o bom Léo, o distincto amigo que a todos sabe agradar, sempre com os sorriso nos labios ? Léo é filho tambem do grande flautista Alfredo Vianna, já por mim descripto aqui nestas paginas e irmão de Pixinguinha. E' chorão de fama brasileira. Tocou flauta como gente grande, as melodias feitas com a sua flauta encantavam todos que o ouviam. Deixando depois a flauta, dedicou-se ao violão tornandose um batuta não respeitando os seus congeneres. Cavaquinho na sua mão é sôpa, não só acompanha, como sóla as musicas antigas, e modernas admiravelmente. [044] O chôro que ás vezes dá em sua casa, é de arrepiar de tão bom que é.

– 56 – O tratamento dado por Léo aos seus convivas, é de ficar captivo. A sua excelentissima esposa é um anjo de bondade e trato, fazendo escravo a todos que com ella privam. Léo, não só é musico de grande prestigio, conhecedor a fundo dos instrumentos que toca, o que sinto com a minha pobreza de intelligencia não possa levar Léo ao seu logar que merece como discipulo de Santa Cecilia a deusa da musica. LUIZ CAXEIRINHO BINIGNO LUSTRADO Chorão no pandeiro, morreu e residiu muitos annos na Estação de Piedade. Os "pagodes" em casa de Caxeirinho, tinham brados d'armas ! e tambem em casa de seu vizinho mamede, este já fallecido. Deixar de proclamar que foi este chorão nos seus bellos tempos, era commetter uma grande ingratidão, pois elle, era um chorão naquelle tempo Eximio tocador de violão, conheci-o a cincoenta e tantos annnos, quando elle era companheiro de Voltaire e acompanhadores do grande Callado o maior flauta daquelle tempo. Benigno ainda vive, e toca o seu violão, trabalhando no seu officio de lustrador. Este grande chorão, é digno de todas as homenagens, e que formava na vanguarda dos foliões. A casa repercutia no meio de todas as celebridades musicaes do passado, pois não havia um só musicista de valor que não rendesse homenagens a este grande astro que ainda hoje resplandece no cerebro daquelles que vivem, recordações cheias de saudades, de horas felizes e cheias de harmonia, pelas notas vibradas pelo pandeiro de Caxeirinho, em seus conjunctos. Já falleceu.

– 57 – porque nestas linhas patenteio as suas excellentes qualidades, e o amôr e devotamento que sempre teve e ainda tem pelos seus companheiros de chôro e do seu instrumento, o violão. GILBERTO BOMBARDINO Era chorão de facto, conhecia bem musica, mas se fosse convidado para acompanhar um chôro de ouvido, não dava nada. Era muito pilherico e engraçado. [045] Nos pagodes, onde ia tocar, desde que houvesse parte para ler, com toda a musica sem pestanejar, e ás vezes fazendo até floreados nos intervallos da mesma. Gilberto – em pagodes comia bem, e tambem bebia regular. Gilberto gostava muito que os pagodes em que tocasse fosse até de manhã, pois gostava muito de um chocolate com biscoitos ou pão de ló. Gilberto não precisava se pagar, bastava que tivesse bôa e farta mesa acompanhada com bôas bebidas. Assim findou-se este heróe de gastronomia. Foi morador muitos annos na Tijuca, onde tocava em uma Sociedade Dansante Musical, que existia em uma casa na Estrada Velha da Tijuca, quasi ao chegar á caixa velha. Pela sua bondade e camaradagem, a sua morte deixou muitas saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. SABINO MALAQUIAS DE SIQUEIRA (O BINOCA) Conheci-o muito e com elle privei não só na intimidade, como nos chôros, em que elle era um inveterado. A pessôa de que falamos, era um violão sublime. As cordas nos seus dedos faziam pulsar corações de

– 58 – tanta graçã, e as bellas melodias que nelle, parecia que vinha do berço. Cantava bellas modinhas. Uma que eu me lembro era de uma beleza impossivel de descrever-se. E vou tentar lembrar de um dos primeiros versos que é: Meu peito é um jardim Teu coração canteiro Meus olhos regas flôres Eu mesmo sou jardineiro. E esta modinha que elle cantava com muito sentimento, e todos o applaudiam, ás vezes fazia repetir. Binoca, foi carteiro do Correio, foi de uma felicidade medonha, pois aprendendo a tocar trombone tornou-se um musico de primeira agua. O chorão de que falo, com sua inteligencia, aprendeu musica, foi um bellissimo companheiro, sempre prompto, a servir aos seus amigos emprestando nas festas muito brilhantismo com seu instrumento. Já falleceu, e quando se trata de seu nome é sempre com saudades. Na physionomia daquelles que com elle privavam, o nome de Binoca, é escripto com letras de ouro, como chorão de tempera. [046] OLAVO PINHEIRO Trabalha a muitos annos na Portaria da Alfandega, amigo e compadre do grande chorão Luiz Brandão. Nasceu na Engenhoca, pequeno lugarejo de Nictheroy. O seu pae era um distincto advogado, que dava em sua casa chôros agradabilissimos. Indo daqui da Capital, o competente chôro, que eram: Henriquinho, de flautim; Lica, de bombardão; Galdino, de cavaquinho; Feslisberto, de flauta; Espindola,

– 59 – e muitos outros e também o chorão Olavo do que tratamos. Este que é um amigo dedicado e sincero, e que sabe acatar, com sua bôa palestra e sympathia, por conhecer, de perto toda a gyria dos chorões. Muito eu quizera dizer, relativamente a esse personagem, porém, tenho que me limitar, attendendo a muitos outros, de que tenho dever de mencionar aqui neste livro. Assim direi: recebe Olavo, nessas toscas linhas, a admiração que a ti devoto. LEONARDO DE MENEZES Era natural da Bahia. Inveterado chorão, conheci-o no Correio e frequentei muito a sua casa, que era na rua da Providencia n. 26, onde se reunia, uma vez por semana Carramona, de pistão; Lica, de bombardão; Salgado, de ophiclide, e muitos violões e cavaquinhos, que faziam a alegria daquella rua. O sempre chorado Leonardo, tinha voz de soprano, e era autoridade nas modinhas bahianas. Era bom collega, e amigo sincero, ainda hoje tenho saudades da peixada que o Leonardo fazia com todo o rigor da Bahia. Aqui pranteio a sua morte. PIMENTA DA ALFANDEGA Veterano de Jacarépaguá, companheiro de Coelho Grey e de outros de sua tempera, com o seu mavioso bombardão. Ultimamente é aposentado da Alfandega, onde prestou relevantes serviços, razão porque, ainda hoje, é consideradissimo pelos seus collegas e superiores hierarchicos. PEDRO ITABORAHY Este distincto chorão, é

quasi um impossivel. que elle conhecia bem. como conheceram. jongo. e elle sabe o quanto o admiro pela sua finissima educação. Acompanhar certas modinhas do heróe acima. com meu violão posso dizer de cadeira. Valeriano foi um sejam casamentos. pelo seu fino tratamento. tal a maneira que elle dedilha o seu violão. é de uma velocidade. o que elle valia. macumba. mas de muito bom trato para seus amigos. Conhecia musica admiramais. Nos chôros dos bailes. acima dedilhar o violão. não admira. Morreu assassinado em uma das ruas desta Capital a alguns annos. samba. Não me admira tanto o seu JOÃO VALERIANO acompanhamento. baptizados e grande ophiclidista. Em chôros em que . tal a sua maestria neste instrumento. só mesmo vendo. encanta. velmente. faz admirar a todos. é ouvir o heróe [047] ARTHEMIO Foi uma garganta de ouro.– 60 – carteiro de 3. Conheço-o muito. O acompanhamento feito por Itaborahy. nas suas maviosas modinhas. Quem quizer sentir o palpitar de coração. Eu que muito o acompanhei. Fazer elogio de Pedro Itaborahy. como invejo a sua proficiencia no solo de que Feliz daquelles que o toca com grandes dificuldades. e lundús. Era atirado e valente. era preciso treino. Os dedos do chorão acima nas cordas do violão. Itaborahy.ª classe dos Correios e Telegraphos. Tinha uma voz maviosa que encantava a qualquer ouvinte. pois fóra disto ninguem andava. e sei o que vale.

oriundo de uma distincta familia. não era só musico para acompanhar. o grande trombonista Bellot. não acredito que possa existir ! Lupercio. grande violão. Paulino. Agarrava-se ao violão que nunca mais deixava. como Lupercio. era de admirar. e outros. PAULINO Era Guarda Municipal. Era muito procurado. Infelizmente hoje já tambem dorme o somno eterno. Julgo. como tambem era um solante de alto valor e saber. Privei muito com este chorão.– 61 – acompanhava os grandes flautas. Não quero dizer com isto. Esquecia de tudo neste mundo quando estava num chôro molle. as suas dedilhações naquelle pequeno por elle. O heróe acima era um chorão de facto. tal era o seu gosto pelo chôro. que sempre foi. Era elle um dedicado amigo. com maestria manejado. LUPERCIO MIRANDA E' admiravel o ouvir-se pelo Radio. tal agilidade de sôpro e bom gosto que elle tinha na musica. fazia sempre parte nos chôros com o grande flauta que foi [048] o immenso Quintiliano. não tendo quasi tempo para o descanso. que muito o estimava pelo seu porte. Nelle é um dom que trouxe . mas. que não exista quem toque. é como um Cometa que passa de mil em mil annos. que não me vem á memoria. e quasi sou capaz de apostar que no Brasil inteiro não terá outro igual. e até mesmo no seio de sua muito nobre familia. Tocava tambem com Paulino. e Ernesto Magalhães. como chefe exemplar. Valeriano.

haver um genio igual ? Tambem fui chorão. [049] Trabalhava muito em confeccionar botas para Era um genio nos chôros. ninguem pode igualal-o naquelle pequenino instrumento. que elle só deixando recordações e saudades. que era conhecida com o nome de Gelo. com quem sempre tocava.– 62 – Leal era amigo e companheiro de Callado. lembrado ophicleide. O a todos os componentes da seu instrumento era o sempre musica. um effusivo abraço. será possivel. que hoje julgo já não existir mais. Conheci-o pessoalmente e apesar de muito criança. digo para mim. quasi ao chegar que o conheciam. como é Lupercio. pois acompanhava os flautistas acima com gosto e alma. montaria. Tambem já não existe. apreciei muitas vezes tocar em bailes que se davam constantemente em uma casa alli no Estacio. por ser fabricado alli este refrigerante. Era um musico de respeito. Luizinho. que naquelle tempo pois tinha prazer em supplantar era o luxo. e que as gerações vindouras talvez não traga outro. Foi chorão como poucos. fico absorto ao ouvil-o. era um distincto Era sapateiro. de seu ser. manejava com maestria. Daqui destas toscas linhas. Silveira. . e os meus sinceros parabens. No Radio onde o escuto. ao Largo do mesmo nome. por este geio que tu és. que era de um francez. que encantava a todos Estacio de Sá. e sei dar o valor aos grandes maestros. Viriato. chamado Bailly. acceite Lupercio. morava na rua amigo. LEAL CARECA Leal Caréca.

e nada. deixando-o bem atrapalhado ! Josino. muito soffreu com estas brincadeiras.. amassado em diversas partes. Josino. jurando que na primeira opportunidade mataria. Josino. e botava a bocca. sem rythmo. pedaços de ossos dos assados. Então. Josino.. era grande trapalhão. e de ouvido. De maneira quando o flauta dava o sinal. emquanto os componentes da musica ficavam dado grossas gargalhadas.. dava com o defeito. Josino. e d'acola. feijão cru'. e arribava do "pagode" onde todos davam graças a Deus. O instrumento não dava uma só nota ! O que Josino muito encabulado dizia ao flauta. nem uma nota. pois era costume do heróe virar a campana para cima. muito padeceu na mão dos musicos quando descansava seu ophicleide enzinhavrado. foi carteiro dos Correios onde trabalhou muitos annos tendo sido exonerado . em fim um inferno para todos os conjunctos em bailes. soprando daqui. JOSINO FACÃO Tocava pessimamente o ophicleide. etc.– 63 – Paz á sua alma. e ficava num desespero horrivel. pois tocava fóra do tom. festas e mais. detratando-os emfim. Josino pegava o instrumento sem reparar. botava o instrumento nas costas. todo amarrado de elastico. por ficar livre daquelle "Maestro" !. então ao muito repara. emfim fazia o diabo.. e alguns musicos por pilheria. páre ! páre ! Mas o flauta que já sabia da brincadeira continuava. esfolaria um. Os flautas não gostavam de tocar com Josino. Oh ! decepção!. desafiando os companheiros para brigar. pois além de não conhecer musica. areia. botavam dentro do instrumento. ficava uma féra.

da familia e tudo. pacientemente esperei outro. Emfim. tomei coragem. onde habitaram nossos primeiros paes. pois quando mettia-se no chôro esquecia do emprego. ALFREDO LEITE Alfredo Leite. Ao chegar á porteira da casa. onde esperei um omnibus para aquellas bandas. e consegui entrar. Cupertino recebeu-me sorridente e agradecendo o meu . chegou o tal omnibus. Tomando um trem de suburbios. cahe para acolá. e assim findou-se um heróe. [050] A BELLA VIVENDA DE MANOEL VIANNA Fui convidado pelo grande Professor Cupertino. não sem grande custo. porque no primeiro fui completamente barrado. saltei no Engenho de Dentro. que era um verdadeiro Paraizo. pisado. já eu ouvia o mavioso som da maravilhosa flauta do Professor Cupertino. onde me foi impossivel embarcar. foi um delyrio ! Vianna todo sorridente veio me receber á porteira dando-me um abraço que ainda sinto o seu contacto. visto por Vianna e Cupertino. infelizmente como o heróe acima já é fallecido. para assistir um conjuncto de chorões lá para as bandas de Agua Santa. tal o assalto da grande população que alli tambem esperava. Na chegada do segundo. cheguei á casa. que era muito conhecido pelo appellido de Timbó. lá cheguei com os orgãos internos todos soltos de seu competente lugar. Já um pouco distante. emfim. e com a roupa toda amassada. Em passos cadenciados.– 64 – creio por abandono de emprego. Depois de muito esperar. E lá fui no tal vehiculo que cahe daqui.

Faltava alli um cavaquinho. ainda me lembrava. Heitor. um grande chorão de violão. [051] E então o Professor Cupertino. agarrado a um maravilhoso violão. e tocando eu tambem este instrumento.– 65 – comparecimento ao seu convite. Lá se encontrava tambem. agradando a todos os componentes do conjuncto. e assim fui fazendo um Mi menor com seus acordes. Estavam todos tocando em um bello terraço que tem a sua casa. tocando Callado. alto funccionario dos Correios e Telegraphos. de fazer admirar. . Viriato. que era o Heitor Ribeiro. Sentando-me em uma das cadeiras depois de ter cumprimentado a todos. Vianna trouxe-me um e entregou-me. agarrei de unhas e dentes um mavioso violão. eu então afinando-o comecei manhosamente a dedilhar contentando mais ou menos a todos. desfiou o rosario. é sublime no violão. Luizinho e outros grandes flautas antigos e modernos. O chorão acima é de uma educação finissima de um trato sem igual. o que me fez ficar babado pelo gosto que sentia. que pousava em cima de uma cadeira. não só acompanha como sola com uma maestria digna de se apreciar. Lá tambem se achava a sua mais que distincta esposa. e a . tocando com todos os seus accordes. apesar dos annos passados. Silveira.Então Cupertino disse: Vamos a um chôro ? e collocando a sua maviosa flauta aos labios tocou uma bellissima Polka de Callado. que era uma delicia. Pois todos os chorões sabem que o cavaquinho é um instrumento que nestes chôros é de uma necessidades de grande valor. que eu felizmente. toca com graça e arte.

Aqui fica a verdade de tudo. impossivel de poder descrever nestas toscas linhas. de uma maviosidade sem nome.– 66 – sua gentil e encantadora filhinha. para elle era . de uma agilidade nos seus dedos. especializando Vianna. toca este instrumento como gente grande. O violão na mão deste heróe era de admirar. como tambem do seu solo. pois dedilhava com gosto e alma. chotes. Fazia o centro do conjuncto o Nadinho. mazurkas. e tambem da sua exma. os seus solos facil. não só acompanha. como tambem a sua mãe. valsas. me deixando embasbacado não só pela graça de seu acompanhamento. o seu acompanhamento é de uma belleza admiravel. Ernesto Cardoso. creou no mundo. como tambem sola admiravelmente. só mesmo quem assistir. chorão no bandolim. e tudo mais que Deus. é que póde dar o valor de sua finissima educação. como seu pae. Solava como poucos. violão que foi. de uma educação aprimorada. segredos de encantar. E assim fiquei familiarizado com todos estes chorões. esposa. tambem atracado no seu choroso bandolim sabia fazer a graça naquelle instrumento. O tratamento dado por Vianna na sua bella vivenda. e meus agradecimentos a todos os componentes deste bello conjuncto de harmonias. AARÃO Foi chorão de verdade. que é um velho amigo de quarenta annos. Nadinho. e sua distincta filha. e difficultosos. não se pode descrever. Vianna é um violão inveterado. [052] O seu acompanhamento era mesmo de endoidecer. faz a gente esquecer Patria. fazendo no seu bandolim. familia.

e saudoso folião. e não voltam verve. mas o repentinos e inspirados pela velho Alexandre. dos de ser preenchido tal era a sua dias que passaram. que Deus. onde elle era O inesquecivel Satyro Bilhar. dos antigos batutas tristezas. Paula Ney ? chefe telegraphista da E.– 67 – sôpa. era . entre os sentimentos de apaixonado chorões da velha guarda difficil veterano. além de ser um pouco rabiscar estas linhas de gago sabia dizer com graça. revivendo as alegrias. e O VELHO BILHAR muito tocamos em todo o suburbio. amigo inseparavel de em nossos corações de velhos. os O seu desapparecimento deixou que commungam com os meus um grande vacuo. que illuminou a bohemia entre os AOS LEITORES grandes bohemios onde elle se As reminiscencias. julgando foi um astro que só apparece de seculo a seculo. aposentando-se ainda vivem !. conservou para Bilhar. planeta foi o pharol. F. encontrarão erros absurdos a sua palavra facil de trocadilhos nas minhas narrativas. Ha muito que não o vejo. e estimado. dedos. Conheci ainda moço. tal a sua agilidade nos seus recordações e saudades. Leitores perdôem todos os com quarenta annos de serviços erros. que venho destacava como um sol que descrevendo relativamente ás brilha e rebrilha supplantando as personagens. não escreveu bondade do seu grande coração. Quem não conheceu o Velho para ser criticado e sim para relembrar tudo que passou. C. conhecido. que neste tambem já fallecido. a sua intellectualidade. e mais.. e que Bilhar. B. mas façam justiça a este sem ter nunca perdido um dia o folião.. dos chôros da velha guarda.

O Bilhar tambem conhecia as musicas classicas. tá errado com o velho Bilhar. o velho Bilhar. foi o rei dos accordes. pois os grandes chorões ainda não conseguiram imital-o e reconhecem que Bilhar. era um encanto vel-o solar a sua tradicional polka "Tira Poeira". nas harmonias. Quando um flauta tocava um chôro elle dizia: "Virgem Maria isso p'ra mim é agua com assucar". o Bilhar. e tinha producções suas. com o seu tradicional pince-nez. no piano tambem era um chorão. no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. Quando elle acompanhava um chôro. Bilhar. onde elle estava. como os arpejos d'arpa e Melodias. afinal. era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos accordes. eram estes os dictados e as modinhas do repertorio de 40 annos do velho Bilhar. era uma casa cheia. razão porque apesar de sua grande bohemia. gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar. as [053] posições com que o Bilhar tirava os seus accordes eram tão difficeis que só elle sabia fazer. era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas familias. Parece-me estar ouvindo ainda elle dizer: "Tu és uma estrella de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá. as ondas são anjos que dormem no mar. presas pelo seu fino espirito de graças attractivas . porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia. e que tinha uma passagem que lhe agradava elle pedia ao cantante: repete por favor. no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença.– 68 – myope de verdade. as moças o rodeavam. minha familia é minha vida inteira ! e viva São João p'ro anno.

typo idoso. Aqui. de seu tempo. fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda. nestas linhas. eis porque digo que Manduca de Catumby. trabalhava numa litographia na rua da Assembléa. de côr parda. ros que executava. Manduca de Catumby. em bora não tendo elegancia.– 69 – imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. sabia tirar partido nos chô- . MANDUCA DE CATUMBY [054] Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição. fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham. fazia proezas nas cordas de tripas. pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento. porém. sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões. modesto. e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão. trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro. ainda possuia uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados. era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões. era calmo. e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos. concentrado. de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca. porque se sabia conduzir entre outros chorões.

que se celebrizou com o seu aprendiz Mario. pois acompanhava musicos de nomeada que quando viam elle entrar com sua harmonica ligavam pouca importancia para depois ficarem extasiados e deslumbrados pelos accordes feitos pelo criolo. Era também grande tocador de violão. aonde elle foi o unico educador deste instrumento que se chama cavaquinho. a sua tonalidade de quatro cordas para cinco. só aquelles que privaram com elle poderão dizer o valor de sua capacidade no manejo deste difficil instrumento. conheci-o em 1880 morando á rua de Sant'Anna nos fundos de uma rinha de gallos de briga. JOÃO DA HARMONICA João da Harmonica era de côr preta. e que atenho . cujo discipulo venceu naquelle época todas difficuldades do instrumento transformando. que com uma ponta de cigarro no canto da bocca tornando-se indefferente aos applausos feitos por estes maestros chorões. continuava victoriosamente o curso proficiente de um artista de valor. continuava com o seu cavaquinho de quatro cordas tirando infinidades de tons e combinações de acordes que me é aqui difficil de descrever. emquanto isso Galdino. conhecido chorão pela facilidade com que executava as musicas daquelle tempo em sua harmonica. este grande artista. inegualaval no meio dos chorões. compositor de diversas musicas.– 70 – GALDINO CAVAQUINHO Mestre dos mestres. por esta razão o seu nome é sempre citado em todas as reuniões dos chorões antigos. e a convicção das notas vibradas pela palheta encantada de Galdino. tal é a magia. Exercia a arte colinaria bom chefe de familia e excelente amigo e grande artista musical.

dava sempre preferencia em acompanhar flauta. conhecedor de seu mecanismo. fazia gosto vel-o tocar. nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade. morava na rua Sá. cavaquinho e violão. depois Lica. fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um panno branco. . [055] LICA Lica. sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão. Lica. Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra. entrava nos salões arrancando applausos da assistencia. tal era o seu enthusiasmo. de quem se tornou um fervoroso amigo. bombardão falado e conquistado. em Piedade. a chegada de Lica. era typographo. Ninguem como o Lica. por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia. houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões. foi um grande bohemio e um grande chorão. tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical. foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo da batuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros. conhecia o seu instrumento de mais. por este motivo executava com muita cadencia.– 71 – no meu archivo algumas dellas. fazendo uma carranca na barriga. pela anciedade de sua presença. tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas. pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia. nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção.

estimado pela sua sympathia communicativa e attenciosa. José. veio para o Rio ainda muito jovem. conhecido na roda dos chorões por (José Cavaquinho) por ter sido o cavaquinho o instrumento de sua iniciativa no circuito da velha guarda. Elle se sente ufano pelo progresso da mesma. da menina Ivone. por esta razão ainda não adoptou as cordas de aço conservando as de tripas como uma tradição. José Cavaquinho. propriedade esta que muito se une aos seus dotes de artista e excellente professor que é. director de canto. foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda. ao lado de Antenor de Oliveira e Napoleão. JOSÉ CAVAQUINHO José Rabello da Silva. e cavaquinho pae. sempre foi e ainda é muito operoso. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas. fazendo nas suas notas um violão. como seu director de harmonia. Tal a macieza de seu sôpro. executora de musicas classicas ao violão.– 72 – Lica. nasceu em Guaratinguetá E. muito cooperou para o seu titulo de Rancho Escola. de São Paulo. conservando uma li[056] nha irreprehensivel. e . autor de diversos methodos de violão. como contra baixo de cordas. elle foi um dos fundadores do Ameno Resedá. José. é um violonista de folego e escrupuloso em tudo que se prende ao violão. tambem é um flauta de nomeada e já teve a sua grande época tocando nos cinemas mais frequentados do Rio. applaudida por artistas scientificos que não regateiam seus applausos dispensados a sua filha e discipula.

o campeão de harmonia Ameno Resedá. despertavam quarteirões inteiros para apreciarem os cantores daquella época. é um poema. Ypiranga Tango Guanabara. as suas letras musicadas fizeram época. tendo preparado muitos bons violonistas. valsa.– 73 – outros elementos levaram este rancho ao apogeu que teve até a gloria de entrar no palacio do presidente da Republica ! O autor deste livro e toda gente sabe que José Cavaquinho. poeta verdadeiro. porque tudo que é muito nosso [057] vae desapparecendo pois com o "progresso" não existem mais as musicas melodiosas que arrancavam do grande cerebro do poeta as canções de amôr. Tambem é autor de diversas musicas como sejam: Miragem. da Agricultura. são muito festejados pois fazem nascer nos corações do pessoal da "corôa" as saudades dos tempos passados que não voltam mais. pois é elle um grande educador do violão. e ainda os cantores modernos adoram as suas canções e todas as vezes que cantam as modinhas do grande mestre. Actualmente é funcionario do M. etc. uma quadra de Catullo. CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE Catullo é o sol que ainda com os seus fulgurantes raios dá vida á modinha brasileira ! pois foi e continúa a ser o trovador acclamado em todo o Brasil. e até no estrangeiro. e os tempos que lhe sobram da repartição lecciona violão. é o senhor do segredo das harmonias dos cantos carnavalescos que tanto deliciou o povo carioca. e de tristeza que em tempos que já se foram das grandes serenatas nas lindas noites de luar. que eram .

Escreveu diversas peças theatraes como seja: "O Marrureiro". João dos Santos. o maior trovador esta glorificado e ultimamente tem se dedicado a outro genero escrevendo poemas sertanejos que são uma verdadeira joia da poesia brasileira. O que amenidade. emquanto isso Catullo. Conviveu com os maiores chorões daquelle tempo. Souza Pistão. Martha meu amôr.– 74 – dotados de voz linda e forte. Carramona. Hoje só imperam as musicas estrangeiras barulhentas e irritantes ou então os sambas e marchas que tem glorificado alguns cantores modernos. havia entre ambos uma grande amizade por conseguinte em todo chôro que estava Catullo. . como sejam: Anacleto de Medeiros. Patricio. Pernambuco. Lica. tem mesmo saudades dos antigos trovadores que interpretavam as suas producções com tanta alma. Irineu Batina. Quincas Laranjeira. Mario Cavaquinho. Catullo e Bilhar era uma dupla respeitada pelos chorões da velha guarda. estava o Bilhar. remodelou todas as modinhas de autores antigos corrigindo-as dos erros grammaticaes fazendo uma verdadeira recapitulação dando novas feições ás mesmas. Luar do Sertão. tanto assim que há muito não apparece uma nova canção de Catullo. Como todo mundo sabe Catullo. Irineu Pianinho. Bilhar e José Martins. Não vel-a mais. Vae o meu amôr ao Campo Santo. Néco. tal eram as melodias dos accordes que elles arrancavam nos acompanhamentos de suas modinhas. João Salgado e muitos outros que lhe inspiraram com as suas musicas as letras para as seguintes modinhas: Talento e Formosura. o autor destas linhas commungou muitas vezes com Catullo. e o "pinho" em suas mão pareciam ter magia. Macario. em casa do Ripper de gloriosa memoria.

era primus interpari no circulo dos grandes chorões de violão. seriam precioso todas as paginas deste li[058] vro. era fiel cumpridor de seus deveres. Quincas Larenjeira. partindo com elle todas as suas illusões de um artista que elevou o seu nome e de seu instrumento o violão. Quincas foi o continuador de Catullo. por isso tinha em cada collega do chôro um verdadeiro admirador de suas excellentes qualidades. na qualidade de porteiro de hygiene. elevando-o até ao Conservatorio de Musica para depois ser conquistado pela nata social. como executor e professor era valorizado. era bom amigo. elle. onde o violão tem primazia manejados por . foi mestre de escola e usava sobrecasaca. começando quando elle. Aposentou-se no posto de escripturario. de maneiras esplendorosas. modesto e attencioso. que digam os seus innumeros discipulos que tanto o consideravam pela maneira affavel que dispensava aos seus alumnos. QUINCAS LARANJEIRA Quincas Laranjeira. hoje é o Ghandi da modinha brasileira e dos poemas sertanejos. eximio violonista. nos salões aristocraticos do violão. Como funccionario Municipal. sempre teve a sua época e finalmente desappareceu do meio de seus amigos e dos chorões da velha guarda. deixou muitas producções. para se fazer a biographia de Catullo. sem que a nossa imprensa lhe prestasse as honras que merecia. grande artista.– 75 – o inesgotavel em seus discursos. attendia o publico com presteza e a delicadeza que lhe era peculiar. que teve nelle um pedestal de glorias. Catullo.

onde este tinha a primazia entre os seus collegas. não das festas. muitas vezes em chôros e baixo. de rosto descripção privou com elle largo. João dos Santos era nortista. tinha uma perna mais ficavamos para o enterro dos curta do que a outra e um pouco ossos como se chamava naquelle arcadas. Tinha um dos dedos tempo a continuação do chôro e polegar cortado ao meio.– 76 – tocadores do quilate de Quincas musicos eram disputados pelos seus valores de bons executores Laranjeira. 3. Elle também dava. "Gardino". João dos Santos. pois o seu JOÃO DOS SANTOS clarinette tinha magestade da João dos Santos pertencia á melodia da harmonia dos soluçantes que banda de operarios do Arsenal queixumes de Guerra dirigida pelo Boco extasiavam todos os auditoriso e professor de nomeada que com a dos chorões musicistas que não sua requinta tirou distincção no lhes negavam os seus applausos. muitos bons chôros onde clarinetistas mais chorões d'areunia-se a flôr dos chorões. em sua identicas. com signaes de bexigas. ahi é que se podia tinha boa pronuncia por isso apreciar o inesquecivel João dos tornava-se engraçado quando Santos melodiar em sua clarineta chamava os amigos de magica enchendo de alegria os acompanhadores e "cumpade". "'nós seus mêmo" e outras phrases assistentes. era um dos residencia no Becco da Batalha n. Parece-me estar vendo e [059] ouvindo os gemidos da sua quella época onde os bons clarineta acompanhada por . O protagonista desta meio dos chorões.

cavaquinhos e outros instrumentos que faziam um mundo de harmonia. de quem era irmão.– 77 – violões. foi tambem um dos melhores elementos da orchestra do Ameno Resedá. [060] ANACLETO DE MEDEIROS Nasceu na ilha de Paquetá e morava na rua da Ajuda com o inesquecivel humorista Moreira da Imprensa Nacional. fazia tanta coisa com a sua clarinetta que esta. Uma vez elle estava tocado em um chôro. chegou um tá de "Carvacante". descrevia em notas vivas como tinha decorrido o chôro e assim se expressava: "Ah ! seu Néco. dos . e cahiu logo no chôro dando uma grande vida á festa com as marcações de quadrilhas. com uma toalha de feltro ao pescoço para enxugar o suor que lhes descia em borbotões. muito conhecido dos chorões daquelle tempo pela sua verve espiritual. discursos e afinal foi a alegria da festa. não compareceu. campeão de harmonia entre os seus congeneres. pouco mais ou menos quem foi o nosso sempre lembrado João dos Santos. o Néco. O apresentado chamava-se Esculapio. Era o maestro que aproveitava as melodias dos passaros. Eis ahi. E assim. e dahi ha dias João dos Santos. sendo elle. o teu irmão Chico Escalope" foi quem fez a festa que correu "as mi maraviás" mais adepois seu cumpadé. João dos Santos. em mangas de camisa. na intimidade João dos Santos. só faltava falar. que escangalhou o pagode todo. o chefe do chôro foi chamado para entender-se com o recem-chegado a quem com toda attenção mandou entrar fazendo apresentação ao dono da casa na forma do estylo. e ás paginas tantas chegou um personagem procurando por um violinista de nome Néco.

era um director de musica caprichoso e violento. modellando e aperfeiçoando. dos toques das buzinas. Porém. todos os seus comandados com a magia de uma grande vara usada por elle nos ensaios a guisa de batuta que fazia obedecer os seus alumnos. Como mestre da Banda do Corpo de Bombeiros elle immortalizou-se. trabalhou corrigindo. com a sua intelligencia e devotamento. Os chôros organizados por Anacleto faziam falar os mudos e movimentava os paralyticos. pois Anacleto. desatinava a mocidade e trazia a juventude nos corações dos velhos. Privando com elles na maior intimidade no mesmo nivel de igualdade os acompanhando para o chôro onde sobresahia com um inegualavel executor no seu saxofone que era o seu instrumento predilecto. dos automoveis. do badalar dos sinos. assim como um mestre de muitas bandas particulares deixando muitos discipulos que fizeram honra a seus dotes de professor eximio. na maior rispidez de suas energias. quando não tinha na mão a batuta era um cordeiro de mansidão. . do trinar dos apitos dos guardas-nocturnos.– 78 – apitos das fabricas. das cornetas dos tripeiros. Como maestro ensaiador transformou a Banda do Corpo de Bombeiros em um conjuncto de musicos professores que o respeitavam e o obedeciam. Por elle eram todos esses rythmos aproveitados para as suas sublimes composições. Era uma pomba sem fel e um sincero amigo dos seus subordinados. foi um grande leccionador de musica. As competições musicaes de Anacleto são conquistadas e admiradas por todos os chorões. Anacleto. e de tudo que formasse uma nota bôa ou semitonada.

Seu Amaral. queixo redondo de onde sahia a guisa de espanador um cavagnac grisalho. era em casa de familia um gallo capão governado pela sogra dona Catharina. fazia inqueritos constantes para descobrir suas maldades. que farejava a sua roupa e toda a sua papelada. eis porque o sr. Em um dos dias do mez de fevereiro de 1890 a dona Catharina sogra de . dava-lhe vomitorios. a inferneira que reinava no lar de seu Amaral. razão esta porque elle andava sempre tresnoitado. Amaral. Amaral sempre o censurava. usava oculos pretos. Ahi vae o reverso da medalha: o sr. não respeitando os domingos nem os dias santificados. dona Bernardina Ramos. de rosto descarnado. era severo no regimen do mando. Amaral era um chefe de secção aposentdo da Conta[061] bilidade de um de nossos Bancos. fronte alva de entradas quasi chegando á calvicie. ciumenta de primeira marca. era uma velhota de cincoenta e tantos annos. que era um cabra sarado e conhecido em todas as rodas do chôro. nariz adunco. calculem pois o leitor. era um tigre que fazia tremer de susto com a sua presença o continuo José Pavão. não fazia as suas refeições sem tomar daquella agua que passarinho não bebe. A esposa do Amaral. UM CHORÃO APOSENTADO O sr.– 79 – composições estas que deixo de enumeral-as aqui por serem todas ellas conhecidas pelos chorões da velha guarda. era exquisito. autoritario nas suas resoluções. uma martyr soffredora do hysterismo pois dava meia duzia de ataques diarios. e quando empunhava o seu violão esquecia-se de todos os seus deveres.

e foi no auge de uma polka saltitante cheia de passagens e remeleixos. José Pavão. ordenando que daquella hora em diante respeitasse o sr. Dona Catharina.. fazendo uma apresentação de seu excontinuo. Luiz Brandão. e em bello improviso enaltece as qualidades de José Pavão. foi ao encontro de seu Amaral. Manduca de Catumby. que tremendo de medo escondia o rosto para não ser visto pelo Amaral. esqueceu-se do prejuizo da louça e deu uma formidavel gargalhada e dando o braço ao José Pavão. José Pavão. e explicou a matrona farrista o temor que lhe causava a presença de seu ex-chefe de repartição por ter sido elle um de seus maiores algozes durante os annos em que trabalhou sobre suas ordens no Banco ! D. que acompanhava o chôro encostado a uma janella e a perna em cima de uma cadeira. Catharina. Cavaquinho. Juca Kallut. como pessôa grata de sua familia. pede a palavra. quando avistou o seu ex-chefe pulou pela janella e cahiu em cima de uma mesa cheia de louças de porcelana reduzindo tudo em cacos !. que quando via um bom chôro perdia a cabeça expandindo apaixonadamente as suas alegrias. tambem sur[062] presa pelo acontecimento pediu explicações ao José Pavão. reduzindo a expressões mais simples a . neste momento Bilhar. fez annos e deu um grande "pagode" aonde reuniram-se: Bilhar.. maxixados da autoria de Callado. todos estes personagens eram convidados de dona Catharina. Galdino. e tambem o José Pavão. Néco. ex-continuo de seu Amaral. Catullo. que entrou pela porta principal o seu Amaral.– 80 – seu Amaral. o auditorio foi surprehendido suppondo que o José Pavão tivesse endoidecido.

. O nosso bom Malaguta foi depois director de um rancho que chegou ao apogeu lá pelos lados de Botafogo. frangos e fitas adornavam o symbolo da divina ban[063] . Amaral humilhado retirou-se e o chôro continuou dois dias !. regendo com maestria Jazz-Band e Tuna Mambembe. e outros. Depois evoluiu de accôrdo com o progresso desta cidade maravilhosa. Amaral.. com seu instrumento favorito que nesta época era o clarinete que manejava com grande mecanismo. Hoje elle é um dos grandes executores do saxophone. E depois no Ameno Resedá.– 81 – hyerarchia do sr. debaixo dos applausos de dona Catharina sua sogra. minha bella infancia ! onde passei nas brenhas do nosso interior das antigas Provincias do Rio de Janeiro. e sua esposa don Bernardina Ramos e de todos que tomavam parte no pagode ! O sr. Recebeu pois Malaguta do autor deste livro os sinceros applausos. ao lado do grande maestro Romeu Silva. ao lado do grande Romeu. ainda recorda aos meus ouvidos o rhytmo da cadencia langorosa de suas canções. e divino sôpro. O MALAGUTA Conheci como Director de Harmonia da Flôr do Abacate. Pombos. MINHA INFANCIA Ah. tambem. onde tenho a lembrança dos foliões que cantavam tirando para o Divino Espirito Santo. Em casa de meus paes onde tinham pouso para descanço das suas perigrinações os foliões da bandeira do Divino.

Falleceu como carteiro aposentado. entre arrufos de adufes de pandeiros e melodias da rabeca e da viola que gemia dolente sobre a prima e a terceira do tom que trazem aos nossos ouvidos as seguintes quadras: Veja que horas são estas Ainda estamos sem jantar E andamos todos os dias Cantando a peregrinar A visita consagrada Deus do céo que vos mandou Queira nos dar a pousada Jesus lhe paga a favor O Divino pede esmola Mas não é por precisão Só pede para conhecer Os devotos quem são Eu venho villa e villa Em comarca e povoado Trazer a luz do Divino Dando todos o bom agrado ANGELO PINTO Companheiro de saudosa memoria. Era um amigo dilecto do chôro deixando com a sua morte um grande claro entre os trovadores chorões daquelle tempo. que elle tinha em seu repertório inesquecível. A sua voz encantava. Ella é uma camarada sincera. não toca. canta como poucos. chora e diz as maguas que sente. Ahi vão umas quadrinhas compassadas e rufladas ao rataplan dos tambores.– 82 – deira. garganta de ouro. e musicista. fraco violão. sua voz é de uma doçura impossível de descrever-se. que diga aquelles. LILY S. PAULO Eximia violinista. ao tilimtilim dos ferrinhos. de grande valor. Lily. de uma sublime suavidade. O violão nos dedos de Lily. nos . nas modinhas ternas. que como eu. tiveram a felicidade de andar com elle nos chôros.

não sabendo se reformou-se no chôro como quem escreve este livro. Também era estylo deste tempo os cartões. que era o rei dos accordes. que desfraldava a bandeira da esperança de um anno cheio de prosperidade encastellado de projectos de alegria idealizado pelos namorados. Esta chorona ha muito que não vejo. sendo uma companheira de chôro do sempre lembrado Bilhar. tudo tem prosperado supplantando os factos e os costumes da antiguidade. de maneira que. [064] AS NOSSAS FESTAS Vem de muito longe as coisas que nos interessam hoje comquanto tenham passado por immensidade de remodelações. logo diz alli está o Bilhar. as cartas. escuta Lily. (pudera não ser) ella. finalmente para toda realização dos bons ideaes. e maviosos chôros em louvor a S. E' especialista nos accordes. Depois os Reis. os telegramas de felicitações de parte das pessôas de relações de amizade que se resentiam quando de serem felicitadas pelas pessôas íntimas. Sylvestre. está sempre prompta. Quem é capaz de ter no esquecimento as festas de fim de anno das épocas remotas que começavam pelo Anno Bom ao romper d'alvorada.– 83 – convites para o chôro não dá para traz. As familias se reuniam para festejarem desejando as bôas serenatas. ella ainda tem o cunho da antiguidade pois os factos demonstram prosperidade da rustica tradição que calam em nossa alma e em nossos corações as saudades de tudo aquillo que podemos observar e conhecer de perto em nossa infancia. muito com elle aprendeu. Com o correr dos tempo tudo tem evoluido. festa tradicional da nossa historia em que a estrella .

reanima. que tinha o esplendor das festas de todos os lares familiares. e dos antigos cordões. padroeiro desta Cidade Maravilhosa. influe em todos os corações a alegria e o enthusiasmo dos foliões musicistas que no tempo da antiguidade organizavam chôros que iam de villa em villa. bailes cheios de alegria organizados por chorões que com as suas harmonias deliciavam a grandeza deste dia. de . e que foi o nosso Salvador.– 84 – annunciou e apontou no Oriente o Nascimento do Menino Deus que se chamou Jesus. do que agora se venera de outra modalidade de ac[065] côrdo com o Radio e a influencia do tempo e da bolsa do camarada que vive satisfeito com os problemas da vida financeira e economica. E musica que inspira. realizações de casamentos e baptizados. O brilho desta estrella illuminou e apontou aos tres Reis Magos que chegaram no dia da Epiphania a vigilia das pastorinhas do advento do anno que começa dahi seguindo para o glorioso dia do Martyr São Sebastião. que se vão. Nesta data movel que reproduz a tragedia do Calvario a Ascensão do nosso divino Salvador começam então as festas immoveis seguidos do rito catholico que espontaneamente louvam e festejam os dias da tradição idas e probas ephemerides e anniversariantes das familias do Brasil. dos cortejos dos ranchos. antes mais. Depois o Carnaval com as cinzas precursora da Semana Santa. dos blocos. dia este. O ornamento maior do Carnaval de accôrdo com as fantasias e as chimeras da loucura que impera o rei Momo deus da Folia e da gargalhada na organização dos prestitos allegoricos.

Depois a Paschoa. O CARNE ENSOPADA Seu Gaudencio empregado como abridor Alfandega. da missa do Gallo. eis aqui em pallidas e cinzeladas palavras a transcripção das grandes festas dos tempos que passaram. E depois vem o Domingo de Ramos. um dos maiores da historia. as festas se prolongam com musica e harmonia em louvor a este dia. por motivo que convem guardar segredo demittido e ficou andando alli na con[066] era da me foi por . no correr do anno. accendem-se os turybulos que incensam os fieis. segundo o Christianismo. enfrentando o entrudo da agua.– 85 – cidade em cidade. Ornamentam-se as Igrejas. os innocentes. que em romaria prestam homenagem ao Filho de Deus. dos limões de cheiro e até dos baldes dagua e das bisnagas de accôrdo com os costumes daquelle tempo. O Natal. Oh ! que reminiscencias que tenho das festas destes dias que já se foram! como o glorioso Natal do Nascimento do Filho de Deus. festas estas que tinham resplendor e devotamento em cada um chorão da velha guarda. que espalhou o balsamo consolador pela humanidade soffredora com a divindade do pão e do vinho. Os lares se transbordam de alegria. que era naquelle tempo o esplendor harmonioso do amor dos corações de todos os devotos. festival que significa a Redempção Espiritual passagem da Ressureição. Depois a Conceição festiva com todas as suas tradições de casamentos e baptizados. dia que faz feliz os namorados christões. é uma festa universal onde a musica Divina enche os corações de alegria.

tinha grande predilecção por Guerra Junqueiro. mas quando as coisas lhe corriam bem. e quando via o seu Gaudencio entrar dizia: "bom dia meu camarada". que por signal tinha o seu retrato em um grande quadro á entrada do seu estabelecimento e de vez em quando recitava um Alexandrino deste saudoso poeta portuguez. e não demorou muito. O seu Gaudencio comia em um frege-mosca que havia em outros tempos na travessa do Rosario. O sr. tinha uma veia poetica e servia a sua freguezia versejando. isto é uma canalha. Bernardino que tinha um caixeiro mulatinho chamado Timotheo. foi caminhando até á cosinha para arranjar uma dama que era a mulher do dono da casa. é uma cambada e começou a proferir palavras . Elle embarafustou-se pela casa a dentro no momento justamente que estavam formando uma quadrilha. e o nosso camarada não encontrando um par. dava preferencia á Carne Ensopada. Bernardino. e virando-se para o cosinheiro dizia "tire uma carne ensopada". O seu Gaudencio chegou. e formou em frente á janella que dava para o pessoal do sereno que grita logo: bravo do Carne Ensopada ! E elle virando-se para a dama disse: não faça caso minha senhora. que era tambem servente da Alfandega e morava lá para os lados da Gloria e tinha um Café volante no portão da Alfandega ao lado do Mercado Velho.– 86 – vivencia dos seus conhecimentos e afinal enconstou-se ao inesquecivel Raymundo. tocador de flauta de cinco chaves. elle procurava uma casa de pasto no Largo da Sé de propriedade do Sr. Era uma casa especialista em angu' á bahiana mas o seu Gaudencio. e foi logo se misturando com o pessoal do sereno com o olhar activo para descobrir um conhecido que lhe desse um ingresso.

que ainda mais desatinado ficou dizendo para a dama: Não tinha outro logar para sentar-se. sangê. Quando o seu Gaudencio. Depois desta ovação de desagrado. direita á seus pares.– 87 – rebarbativas. e retrucou com palavras obscenas estabelecendo-se uma grande [067] confusão. No momento de sahir não sabia onde tinha botado o chapéu. Ah! começou elle a marcar a quadrilha. e só se ouvia o pessoal do sereno gritar: O Carne Ensopada foi barrado ! Fóra o Carne Ensopada. sangê anarriê. Leal. sangê double. sahiu a vaia foi formidavel. João Thomaz e Chico Borgs. S. onde se tinha sentado uma senhora muito gorda. não só nas cordas do seu violão. o chôro continuou tornando-se cada vez melhor com a chegada do Bilhar. O seu Gaudencio foi posto do baile para fóra. é sublime. é irmão da grande violinista Lily. em cima do chapéu do Carne Ensopada. e já estava na quinta parte quando gritou: prepara para o grande "granchene". Eu nunca mais tive noticia do Gaudencio o "Carne Ensopada". o homenzinho ficou daquelle geito. grande promenade. mas depois lembrou-se que tinha posto encima de uma cadeira. como tambem como cantador de modinhas. esquerda com esquerda. tal foi a sua precipitação quando entrou. mavioso. PAULO Bem poucos existem como elle. e os dois juntos em uma festa faziam os encantos. dava o seu verdadeiro . Maneco. sem ser em cima do meu chapéu sinhá sapaintanha ! O leitor não pode imaginar o sururu' que houve. Foi ahi que o sereno em pêso bradou: "Ahi seu Carne Ensopada ! Não queiram saber.

e a vice-versa ficando assim os circumstantes embriagados com tanta suavidade. e por sua alta recreação. Pois bem. e que se distinguia no meio dos penetras daquelle tempo. foi convidado para um chôro lá para as bandas da Terra Nova. tocador de trombone e bombardino de saudosa memoria. Era um rapaz magrinho. Foram logo evadindo a sala e cada um tomou a sua dama. convidou um penetra-mór.– 88 – valor á mesma. mas como era distante da cida[068] de teve mêdo de ir sózinho. até parece que é alma de maçon. e começaram a virar no passo de siry-candeia. Em uma occasião. carteiro do Correio Geral um primoroso chorão que não concluirei este livro sem que faça a sua biographia. O chôro estava destes que faz levantar defunto do caixão. ALMA DE MAÇON O Alma de Maçon trabalhava na Imprensa Nacional. bradou logo: Guardem distancia senhores que eu quero entrar com meu jogo ! Cruzes meu Deus. vamos ao nosso Alma de Maçon que farejava um chôro como quem num sabbado do meiado do mez corre atraz dos dinheiros para o "Boi com abobora" do domingo. Lily cantava e seu irmão acompanhava. o baile estava molle. Quando chegaram. Acerta o passo pessoal ! . O Alma de Maçon. Eu o conheci por intermedio do Ismael Brasil. Aqui nestas linhas eu transcrevo uma homenagem merecida a S. de sua tempera e ás paginas tantas seguiram elles para o chôro depois de terem bebericado bastante. em ponto de bala. mulato sarará. meu muito digno collega. Paulo e á sua irmã Lily.

Eis a razão que no tempo em que eu andava pelos chôros em logares estranhos. que foi apontado pelo malandro por quem tinha sido convidado. era a sua senhora. Então o dono da casa observou com toda calma: Um convidado convida outro. Neste ponto o dono da casa lhe perguntou: Quem foi que lhe convidou para esta festa ? O malandro respondeu: isto não tem importancia. Neste momento appareceu o Alma de Maçon. Eu só vim aqui p'ra vadiar com estas morenas. e o dono da casa bota dois na rua. O senhor com quem elle falava era o dono da casa. LUIZ BRANDÃO Chorão de tempera. Oh ! si tem ! faça o favor de me mostrar com quem veio. por isso. fazia questão fechada de. respeitado na roda. a mulata e velha.– 89 – Quando terminou a polka chorosa que faz mexer o osso. e vão sahindo antes que páu ronque. antes de mais nada ser apresentado ao dono da casa para não acontecer como aconteceu ao Alma de Maçon e ao seu conviva. pois. Nunca pensei que esta meleca estivesse tão bôa. e outros attractivos. dirigiu-se a um senhor idoso que se achava enconstado a uma janella e todo prosa e risonho disse: Estaes gostando da maxixada ? Dansei agora com um mulatão da ponta da orelha. typo alegre. tinha. e a pequena com quem elle dansou era sua filha. O senhor está vendo aquella mulata velha que está ao lado da pequena com quem eu dansei ? tambem é um pancadão. o convidado do Alma de Maçon. com o predicado do passarinho cabo[069] . o dom de prender as suas amizades. sympatico. tomem os seus chapéus. e tem ainda.

Não havia que pudesse imital-o. Onde elle estivesse era sempre rodeado pela tropa dos chorões que iam ao seu encontro prestar-lhes homenagens e com elle trocar idéas. andou . e aquelle que quizesse fazer. pois não havia um só dia em que o nosso amigo Brandão. sendo digno de ser apreciado. no meio dos chorões. Assim entrava mez e sahia mez. não tivesse um convite para um bom chôro. todos os outros passarinhos. torna-se para mim difficil. Henriquinho e muitos outros. pois o Brandão. milagres. Felisberto marques. Elle constituiu familia muito moço ainda. forjado de ferro. Assim era o Brandão. Elle tinha um repertorio de modinhas de assombrar que as cantava e acompanhava com gosto. prendendo os auditorios com os gestos e maneira com que acompanhava.– 90 – rê. de quem era compadre e amigo incondicional. Geraldo João dos Santos. Nos chôros pela suas verve e maneira agradavel no meio do pessoal elle se distinguia pelo alegria que emprestava a si mesmo. Dizer qum foi Brandão. a sua prole augmentou consideravalmente lhe sobrecarregando de deveres que elle sabia cumprir. ta era a sua bagagem de occurrencias agradaveis no meio de seu convivio. O autor deste perfil. ficando por alli até que elle finalizasse o seu serviço. e elle parecia até um homem encantado. era grande autoridade nas finanças fazendo até. Morou uns tempos com o Bilhar. naquelle tempo. sendo por isto muito conquistado pelos seguintes solistas: João de Britto. tinha que fugir para não dar o prego. tal era o grão de sympathia que tinham por elle. Carlos Espindola. para resistir ás noitadas. que com o seu assovio reune.

NECO Nasceu este lá para os lados de Santa Rosa. porém.– 91 – muito com elle. Começou a sua vida como oficial de sapateiro. porém. [070] Sempre primou pela sinceridade em todos os seus tratos. chorão no violão. que honra o presente. facto este. teve que desertar na virada pois a corrida deste chorão era de muitas milhas e eu me dei por vencido. dignidade e dedicação. Sempre foi distinguido pela nata social. porém. escrupuloso nas suas amizades de quem faz sérias selecções. B. que se deu com muitos outros camaradas. E' methodico. O Brandão tinha a primazia no chôro. Foi ultimamente aposentado como Guarda Municipal. porém. logar este. esta que tem predilecção pelo seu violão. e mais tarde continuo da Portaria da Alfandega. Nictheroy. tem se conservado solteiro. depois. carteiro do Correio Ambulante da E. um filho. só trabalhava em calçados finos de senhora de salto á Luiz XV. Já está um pouco usado. com as pessôas que não são da sua intimidade. forte e bem disposto. E' bom. e leal amigo predicado este que faz parte integrante de um passado glorificado. com as suas economias tornou-se proprietario lá para as bandas de Bosuccesso. e o respeito com que se impõe . pouco expansivo. Não é um celibatario. no cumprimento de sua palavra. deixando como substituto. C.. que occupou com brilho. retirado dos pagodes. F. Hoje elle está aposentado. Elle começou como aprendiz do Arsenal de Guerra.

Galdino. o nosso imponente bom amigo correligionario Néco immortalizou-se e agora vive dos louros do passado. é uma veneração na formação dos seus accordes maravilhosos e embriagantes de harmonia nas passagens das tonalidades das musicas difficeis. . Zé Rabello. e muitos outros. sim. O nome de Néco. passando á vida privada. o meu violão está acostumado com as musicas antigas e tem mêdo de ser enxo[071] valhado pelos violões modernos. tem por elle um verdadeiro culto como um dos primeiros acompanhadores de chôro ao violão. de um mecanismo facil tirando infinidades de sons sem esforço por ser tudo isto executado pelo seu dom favoravel na magia do violão. na roda do chôro é um santuario. e por este motivo tem se tornado muito censurado por infinidade de seus apreciadores. Andou muito com Luiz Brandão de quem era um verdadeiro amigo. E' de um ouvido apurado. Diante de tudo isto que aqui fica escripto. Não tem orgulho nem vaidade mas. Catullo. que sem lisonja só elle sabe fazer. deixando de tocar o seu invencivel violão. teve que fugir para pregar em outra freguezia. Néco.– 92 – perante as familias e o zelo que tem pelo seu nome na roda dos chorões. também foi um optimo cantador de modinhas. Pernambuco. muito amor proprio sendo um amigo prestativo e dedicado. E elle se desculpa dizendo: Não gosto destas musicas d'agora. ultimamente tem se retrahido. porém. elle é acolhido com as homenagens que de direito lhe pertence. Néco. Por esta razão quando se fala no meio dos instrumentos cantante no nome do Néco. o inesquecivel Quinca Larangeira.

pois. logar este em que occupou com muito esmero e capricho. Foi muito tempo estafeta dos Telegrafos. Salvador Marins. João de Britto. e foi por isto que nos Correios. Ismael. Tinha no rosto signaes de bexiga. accendendo papeis e gritando por socorro. e quando se inaugurou o casamento civil. primava por apresentar-se sempre asseiado. Era um chorão extraordinario na intimidade dos pagodes o bom do Ismael imitava com a transformação do rosto todos os bichos da Zoologia. tornando-se por este motivo cada vez mais estimado na roda dos chorões. o appelidaram de Bamza. e ainda mais pelos grandes chorões daquelle tempo. Era de estatura alta. amigos. Era um funccionario irreprehensivel. de um modo moleirão. Felizberto Marques.– 93 – O ISMAEL BRASIL Conheci-o ainda muito moço na rua de Santa Christina. e no bombardino então não se fala. typo engraçado. Quando o pagode se prolongava. razão porque era querido e admirado pelos companheiros de classe. não deixava ninguem dormir applicando "mosquitos'. fazendo caricaturas com rolha queimada. Balduino tendo por elle veneração. no rosto dos que dormiam e infinidades de coisas que só elle sabia fazer. Raymundo da Alfandega. Genilicio. foi elle nomeado continuo desta Repartição onde permaneceu longo tempo até que foi nomeado Carteiro do Correio Geral. Timbó. Antonica eximia modista das mais distinctas familias do bairro do Cattete. tendo por isso sempre preferencia pelos flautas seguintes: Videira. Era filho de D. era um chorão interessante. João Claudio do Senado. Uma occasião elle foi convidado para . Era um trombonista de sopro macio.

Em um outro pagode. sem que ninguem percebesse arranjou um punhado de feijão e encheu o ophicleide do camarada. em Nictheroy. e de vez em quando dizia para os companheiros de chôro: Já matei quatro animaes. O autor deste livro. que. amigo e admirador deste astro que brilhou e desappareceu deixando saudades imorredouras. quando foi todo dengoso tocal-o não pôde por se achar o mesmo intupido. atra[072] as gallinhas mortas debaixo do poleiro. e assim elle e seus companheiros de chôro tiveram um bom almoço de gallinha. E elle fazendo um grande espanto de ingenuidade pediu uma faca. o Ismael notou que não havia "boia" então foi direito ao quintal sorrateiramente e torceu o pescoço de quatro galinhas. e voltu de novo a tocar. Acompanhei-o até á ultima morada. e ainda hoje quando se falla no nome de Ismael Brasil repercute no coração de cada um chorão daquella época. e as paginas tantas apareceu no referido baile um tocador de ofphicleide desafinado. mas não garanto a criação podem ser Bhramas ou Mistiças. entre ellas a polka "Norival" que causou muito successo naquelle tempo. palhando toda a bôa harmonia. O QUARTO DO RAYMUNDO Quando o dia rompeu lá estavam . e tirando as notas fóra do compasso. e foi cortando o pescoço das ditas deixando correr o sangue.– 94 – tocar em um baile em Jacarépaguá. pretas ou Carijós. era seu collega de Repartição. uma pranteada recordação. Ismael deixou diversas producções. Falleceu no Cattete. Todas as pessôas da casa julgaram tratarse de peste. O que fez o Ismael.

Executava no seu violão acompanhamentos em accordes relativamente ao seu bom gosto. era ahi que se reunia a flôr dos chorões. Praça Onze. e depois o centro da cidade arrancando enthusiasticos applausos de todo pessoal de bom gosto da musica que em romaria. moço ainda. Tinha em cada chorão daquelle tempo. ensaiavam. e tem no cerebro uma usina de alegria e de esplendidos predicados que muitas vezes se prejudicava em beneficio de seus amigos. raro eram os componentes do chôro que não fosse um assiduo frequentador do quarto do Raymundo. em uma avenida do lado opposto da Igreja do mesmo nome. era um chorão apaixonado. tal era o conjuncto de harmonias vibra[073] das por estes grandes artistas musicistas que percorriam os bairros da Cidade Nova. por occasião do Carnaval. de côr morena. Depois dissolviam-se para reunirem-se no dia seguintes na sede que era o quarto d grande folião carnavalesco Raymundo Conceição. amigo no superlativo. sympathico e communicativo. desses que governam a vida com o coração. formavam blocos divinaes dos melhores daquella época. um admirador. onde se reuniam. e guardavam os seus . Na data de 1890 a 1898 em um quarto sito á rua de Sant'Anna. que era considerado um succursal de suas residencias. um bohemio dos bons. pois bem. acompanhava-o bisando quasi todos os numeros executados magistralmente.– 95 – Raymundo Conceição. que fantasiados. Eu quizera ter neste momento em minha reminiscencia os bons episodios que se passaram entre os grandes chorões que frequentavam o quarto do Raymundo.

para voltarem depois como as "Pombas" de Raymundo Correia. Inesperadamente foi o . no jornal "Cidade do Rio". o Manzolillo. Trabalhava elle. sentese immorredouras saudades. Era elle oficial da Guarda Nacional por ter feito toda a revolta de 93 senco um optimo impressor. Hoje quando se fala na casa do Teixeira e nas suas festas. distribuidores tambem de jornaes. e de poucas conversas. pela grande paixão que tinham elles pela musica produzida pelo conjuncto que se organizava no quarto do inesquecível Raymundo Conceição. homem franco. como eram estes a quem acima me refiro. De volta dos bailes.– 96 – instrumentos. Conheci-o na casa do inesquecível Teixeira. foi lá que eu conheci o Gloria. do grande talentoso jornalista José do Patrocínio. de quem elle foi um grande protector. e não para apontar defeitos praticados. porém. ficavam todos abarracados no quarto do Raymundo em esteiras. distribuidor do jornal "Cidade do Rio". ao dar a publicidade deste livro só tenho em mira elevar ao apogeu os grandes artistas chorões antigos. haviam chorões que tinham até acolchoados. amigo de verdade e muito respeitado pela garotada dos jornaes. valente. Quando vinha o dia. pois eran todos nagoas Guaymús. companheiros de infancia e de [074] trabalho. As festas na casa do Teixeira duravam sempre uma semana e quem organizava o chôro era o Raymundo. Deixo de especificar aqui o nome de todos estes chorões pela razão de que eu. e de partidos. cada qual seguia o seu destino no cumprimento de seus deveres.

muitas vezes foi acommetido de hemoptises. era um eximio tocador de violão. que disso tendo sciencia. e continuando sempre no chôro. tocava instrumento de sôpro. Este tocava todos os instrumentos de sôpro e de cordas. A FAMILIA DOS GREY Esta familia morava no Marco 4 em Jacarépaguá. e que executava em seu violino partituras sentimentaes de musicas classicas e tambem muito bons chôros. hoje Estrada Rio São Paulo. porque preciso que este saiba escolher os instrumentos para a organização . precisava de um bom e habilitado mestre de musica. seu filho mais velho. que era uma republica de harmonia e liberdade dos bohemios chorões. Os batalhões da Guarda Nacional organizaram cada um as suas bandas de musicas e o commandante de um dos batalhões. Quem escreve estas linhas tem muito bôas impressões e recordações dos dias alegres. O Antonio Grey. e assim foi definhando para fallecer rodeado de seus verdadeiros amigos que ainda hoje pranteiam o seu desapparecimento e a saudade do convivio daquelle quarto.– 97 – Raymundo acommetido de uma fraqueza. Vou aqui contar um episodio que se deu com elle. Era um dos primeiros musicos de Jacarépaguá daquelle tempo. e o mais moço. que passou no quarto do sempre lembrado Raymundo Conceição. offereceu-se ao commandante para regel-a. fazendo parte da mesma Coelho Grey. tendo mais predilecção pelo saxophone e violão. depois. funccionario da Alfandega. o professor Coelho Grey. Era toda de musicos começando pelo velho Grey que era o chefe desta familia intelligente. Na revolta de 1893. O commandante retrucou: Eu quero um mestre com mais habilidade do que o senhor tem.

Luiz de Souza. porém. e muitos outros lá para as bandas de São Christovão lá para as tantas quando o chôro deliciava de harmonia. foi logo pegando n'um pistão tirou a sua escala e assim fez em todos os outros instru[075] mentos apresentados pelo lojista. Eu não podia fazer este livro deixar de descrever os encantos que experimentei neste dia saudoso de tantas harmonias. Foi uma delicia vêr e ouvir-se a familia toda tocando acompanhada por todos nós. E assim aconteceu. O comandante cahiu das nuvens pela surpresa que acabava de ter. como um simples convidade. com muita instancia. Tambem ouvi dizer que estando tocando em um chôro destes do bom Anacleto de Medeiros. mostraram desejo de apresentarme á sua familia. cheio de curiosidade para vêr e ouvir o seu companheiro de instrumento que era o . o Santos bombardão (Nhonhô) e muitos outros. O nosso bom Coelho Grey promptificou-se a ir em companhia do commandante para escolher. e com todo enthusiasmo lhe apertou a mão e disse: Está promovido a tenente do meu batalhão e mestre da banda do mesmo. Lica. Chegando à loja de instrumentos. Pimenta da Alfandega. foi-me apresentado pelo mesmo os irmão Antonico e Coelho Grey que. chegou o Coelho Grey. Tive o grande prazer de conhecer esta familia por intermedio do inesquecivel capitão Alamiro Cabral. que tendo dado um formidavel chôro em sua residencia no Campinho. inclusive os chorões alli reunidos onde se achava o pranteado Horacio Theberge.– 98 – da banda. com aquellas polkas do repertorio do inesquecivel maestro Anacleto.

maestro. nem todos tocavam como elle. e por tanta belleza musical. Não vos digo nada. ainda vive e consta-me que é empregado na Municipalidade e com certeza [076] já retirado do chôro e já aposentado e conservando a sua tradição de um professor. JOÃO ELIAS João Elias da Cunha. por uma civilidade accedeu ao pedido pois não gostava que tocassem no seu instrumento. Anacleto contrafeito. que devem ainda existir muito por ahi.– 99 – saxophone. como mestre da banda do Corpo Policial da Provincia do Rio de Janeiro. conhecedor da gyria de todos os instrumentos. pois. emeritos musicistas. regendo bandas musicaes particulares das Fabricas de Tecidos desta Capital. onde reformouse e depois. Emquanto o resto de sua digna familia nunca mais tive noticias. De facto disseramme que o Grey ficou extasiado com o sôpro e a execução do Anacleto. naquella época em Jacarépaguá. Anacleto ficou radiante de contente tal foi a maestria com que executou os primeiros numeros de musica. Coelho Grey. O dono da casa fez a apresentação do Coelho Grey ao Anacleto e aos seus companheiros de chôro. sendo isto . Anacleto dando um abraço em Coelho Grey disse-lhe: Continue a tocar que eu quero lhe apreciar. Eis aqui traçado em poucas linhas o perfil de uma familia toda musica que deu muito brilho aos chôros realizados. que digam os seus alumnos. Era excellente professor de musica. e pediu que cedesse um pouco o seu saxophone ao seu amigo convidado Coelho Grey. conheci este.

como foi o incansavel professor de musica João Elias. com dedicação e com exigência na afinação de tudo quanto era concernente á melodia. artista maestro. Era um bombardão de excellência. pois era pae adoptivo do inesquecivel Antenor Oliveira. como foi o professor João Elias por me faltar os dados necessarios. Elle era herdeiro das maiores glorias e victorias deste Rancho-Escola. e de eximio sopro mavioso e melodioso. de que elle fazia parte na sua orchestra. lembrando os feitos de todos os artistas de merito. O Gonzaga fazia parte da . a harmonia do Ameno Resedá morava no bombardão do Gonzaga. foi musico naval. com gosto. respeitado e considerado no meio de seu convivio. Por esta razão tinha naquelle tempo em cada socio do Resedá um seu admirador e amigo. Juca Rezende e muitos outros chorões daquelle tempo. compositor. parando seu instrumento para trocar idéas com o [077] director de Harmonia. comquanto não possa fazer um perfeito perfil desta grande eminencia musical.– 100 – confirmado por um de seus filhos de nome Godofredo. mestre e regente de bandas militares. depois de ser musico no seu Estado. este que tocava com prazer. João Elias ao lado de Damasio. meus bons amigos leitores. director de canto deste rancho. Era um grande apaixonado do Ameno Resedá. LUIZ GONZAGA DA HORA Era natural da Bahia. que sempre acolhia as suas bôas opiniões. pois. Tentei dizer o que delle me ocorre na memoria cumprindo assim uma homenagem e um sacrosanto dever. fizeram prodigio naquella época.

operoso trabalhador e sabedor dos . para onde elle levou o segredo da harmonia do Ameno Resedá. O seu pistão tinha a magia das grandes melodias. Foi aprendiz de musica do grande e notavel pistonista Soares Barbosa. fazendo esplendidas organizações de grupos de musicos de primeira grandeza. O Souza era um Resedá intransigente. sendo um exemplar chefe de familia e digno operario das officinas do Arsenal de Marinha. tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só elle possuia. Luiz de Souza. Bilhar e muitos outros não o dispensavam do seu meio pois o Souza. Falleceu inesperadamente. Elle deixou muito bôas producções. LUIZ DE SOUZA Pistão dos mais chorões que até hoje ainda occupa o primeiro logar entre todos os chorões. Catullo. onde com muito brilho fez prodigios com o seu invencivel pistão. O autor destas linhas o acompanhou até á sua ultima morada. Luiz de Souza era respeitado na roda dos chorões. como bem disse o "Jornal do Brasil" ao fazer a sua necrologia. foi menor da Fortaleza de São João. onde trabalhava com assiduidade. mestre da banda da Fortaleza. era um sol que illuminava a alma e os corações com as suas notas amenisantes tiradas no seu instrumento. para depois fazer parte da bande de musica do Corpo de Bombeiros na regencia de Anacleto e ao lado de Albertino Caramona.– 101 – orchestra do Resedá desde a sua fundação. por isso era muito distinguido. Foi elle o componente das orchestras dos cinematographos desta Capita. depois musico do 23° de Infantaria onde teve baixa como contra-mestre da referida banda.

moça. Henrique Rosa. uma bôa tocata. patenteando uma homenagem que será acompanhada por todos os . seria necessario muito me prolongar. Luiz Pinto. onde se reunia a rapaziada do chôro. Quinca. Horacio Theberge. farei apreciação desta distincta amiga dos chorões resumidamente. respeitada e muito camarada para aquelles que conheciam nelle este predicado. Côrte Real. dando bons jantares e bailes que se prolongavam a maior das vezes no correr da semana. Assim leitores. que diga o nosso bom amigo velho João Thomaz. dias. João de Britto. José Maria e muitos outros. bonita. não falando aqui em Bilhar. momentos. Eu quizera fazer aqui a apologia desta bôa camarada que se chamou Durvalina. pois raro era o dia em que não havia lá. Eis aqui o que tenho a dizer relativamente a este grande artista que se chamou Luiz de Souza. Brandão e Néco. pois foi a sua morte muito pranteada por todos os chorões e finalmente por todos que tiveram [078] a dita de privar com esse bom amigo e extraordinarissimo genio executor. Era ella uma mulara. esta que não regateava a sua igualdade a todos os bons chorões daquelle tempo. mezes. maravilhos pistonista. Rancho-Escola e Campeão de Harmonia. Lulú Bastos. A casa da Durvalina era uma especie do quarto do Raymundo. já fallecidos. A CASA DA DURVALINA A casa da Durvalina era na rua do Bom Jardim.– 102 – segredos maviosos dos canticos genuinamente brasileiro expandidos nos Carnavaes pelo conjuncto do Ameno Resedá. cheios de alegria. mas para dizer tudo o que foram horas.

poeticas. Carramona. O nosso bom Catullo. Irineu Pianinho. João dos Santos. regular. era delle um grande naquella época. estimado e admirado pelo Falleceu inesquecivel Anacleto. porque este bom e autor destas linhas privou muito amavel amigo para mim com este talentoso e respeitado inesquecivel. que lhe inspiravam um trombonista disputado por com as suas melodiosas letras que tornaram todos os maestros estrangeiros. Henrique. aproveitando nas companhias lyricas elle era as mesmas. Era companheiro de chôro integrante nas festas que se de Luiz de Souza. Elle tambem . realizaram na casa da Durvalina. Galdino. este que deixou uma todos. O "Batina". Néco. assim como para artista. Como componente da bando do verdadeiras maravilhas. muito em voga inspirações.bagagem de musica de infinitas casaca comprida. Henrique Rosa. que tinha deixando um grande vacuo na por elle muita veneração pois o roda dos chorões. Era elle Este professor. IRINEU BATINA Mrio e muitos outros. porém bellas producções.– 103 – chorões daquella época que Irineu era um artista de muito commungaram como parte valor. O seu instrumento preferido entusiasta e admirador de suas era o ophicleide no chôro. eximio executor do bombardino. e maestro era assiduo frequentador do quarto conhecido no meio do chôro por do Raymundo Conceição. [079] esta que é fallecida e lembrada a todo o momento pelos chorões Lica. inesperadamente. da Velha Guarda. Irineu Corpo de Bombeiros. era um era um typo gordo de altura muito bonachão. andava sempre de sobre.

Napoleão 1° dos carnavaes antigos. o Brasil civilizado nas Ligas das Nações. em Daphinus. professor dos contra-alto e soprano das pastoras. as Divindades que regem o Destino do Mundo. amigo sincero. pois elle é uma fonte . e muitas outras fulgurantes representações no conjuncto do Rancho Escola Ameno Resedá. e figurante do Rancho Escola Ameno Resedá. em Tio San. Eis aqui o que tenho a dizer deste intelligente musicista com o meu coração cheio de saudades. funccionario que honra a sua classe. e bebendo luzes em todos seus argumentos intelle- Chorão de cultura fina nos batedores Carnavalescos. que ainda hoje obedece com respeito e veneração. em homenagem á America do Norte. alcançou a primazia de um instructor substituindo com muita igualdade o inesquecivel Antenor de Oliveira.– 104 – foi director de harmonia do Rancho Filhas das Jardineiras da Cidade Nova. Rancho este que competiu com o Ameno Resedá no Carnaval de 913. Quem [080] não conhece o Napoleão de Oliveira ? o alchimista vendedor das pillulas infernaes ctuaes. O autor destas linhas. NAPOLEÃO DE OLIVEIRA de Belzebuth. cantor insinuante que ao lado de Pedro Paulo e de outros bons elementos. deus cantor discipulo de Pan. Napoleão de Oliveira. filho extremoso. o Mephistopheles das Evas no reinado das Odaliscas. as insinuações de sua velha e idolatrada mão. Genio de Cassia. o admirando. na direcção de canto com sua voz de tenor. violão mavioso e scientifico. ainda hoje com elle priva.

na roda de todos os chorões. José Rebello. e musicistas de todos os conjunctos carnavalescos. . que unidos a outras capacidades amenistas daquella época. e falleceu nesta Capital em 1912. ANTENOR DE OLIVEIRA Dotado de espirito culto. O bom Antenor competiu com os eximios directores de cantos. e fulgor da sua capacidade inegualavel. nasceu em Angra dos Reis em 1881. Antenor foi um esplendido amador de arte dramatica. com as suas bellas poesias. quando fez a letra para o dobrado jubileu. occupou tambem no Ameno Resedá o cargo de director de Poemas. e pranteada. era operarios do Arsenal de Marinha. Antenor era um batuta no violão. e mérito. do inesquecivel Anacleto de Medeiros. fazia as delicias de quantos tivessem a felicidade de conhecel-o. e grande trovador de modinhas. Antenor de Oliveira. da Cidade Nova e Pedro Paulo. e com elle privar. no cargo de director de canto. dando vida e esplendor aos papeis a elle confiados. ao lado do competente director de Harmonia. (Zé Cavaquinho) que é tambem um artista de muito valor. Vou tentar fazer o seu perfil. A morte de Antenor foi muito sentida.– 105 – pura de aguas christallinas do saber que reparte como um sol que distribue a luz espancando as trévas. que sem lisonja o que merece o nosso Napoleão. como foi. e Barnabé. levaram este rancho ao apogeu. se distinguiu sempre. elle se immortalizou com a admiração de muitos poetas naquelle tempo. começando a dizer que elle foi um fundador do Rancho Escola Ameno Resedá. Fazendo logo prodigio. o Moreno da Flôr do Abacate. Aqui ainda não fica ditas nestas linhas tudo quanto eu quizera dizer.

só fazia o brilhantismo. ficando muitas vezes desprevenido pecuniariamente. que via nelle um batuta respeitado. F. Cantava bons lundús. B. C. tal a delicadeza do seu trato.– 106 – CHINA Quem não conheceu este bom e distincto amigo ? Julgo que bem poucos. pois era um pandego de primeira agua. Onde China estivesse só reinava o bom gosto e alegria. Nos bailes onde tocava. tal a maneira que sahia da sua garganta. ás vezes um pouco apimentados. Tinha uma voz de baritono de encantar. para não ver seu amigo mal. China. Era de todos estimado. e grande risos aos convidados da festa. Nas suas modinhas que cantava tinha algumas tristes e outras alegres. era violão afamado. . de que elle era um apologista. abriu-se um grande vacuo na roda dos chorões. GONZAGA DA E. Tinha uma garganta de ouro pois nos "cabarets" onde se exhibia era muitissimo applaudido pelos circumstantes. o instrumento nos seus dedos era de maravilhar. pois o bom China era conhecido nesta cidade como estrella brilhante. Não só acompanhava muito bem. era tambem filho do velho chorão Alfredo Vianna. e irmão dos glorificados musicos Pixinguinha e Léo. Como amigo ninguem lhe excedia. como tambem solante de [081] extasiar. fazendo assim a alegria. China. Com sua morte. era como perolas de alto valor. pois não podia ver um companheiro queixar-se de qualquer necessidade que não valesse na quantia que precisasse. pois ainda hoje o seu nome é lembrado e chorado.

dizendo. que elle sendo um musico tão afamado.– 107 – Bom e excellente musico. Toquei em muitas festas. Nestes instrumentos. pois era de encantar. tal a maneira de seu bello sopro. valsas. No acompanhamento nem se falla. schothischs. que apesar de seu saber nunca encontraram uma alma caridosa . lá estava o heroe em frente á Estação de Pedro II. um bonét. e uma rodilha á cintura. No ophicleide tambem solava admiravelmente. pois nunca encontrou um amigo que lhe désse a mão. tocava com grande saber e arte. Muitos que não o conheciam ficavam admirados de um musica de grande quilate que era elle. acabando. se queria comer e beber. Pois apesar de seu preparo. vestia uma blusa. trabalhava em um lugar tão baixo ! O que elle respondia com a maior naturalidade. ophicleide e tambem pistão. E assim morrem muitos heróes. como qualquer um João ninguem. que a sua estrella nunca brilhou e por isso vivia no abandono. e tambem a sua electrica dedilhação no seu instrumento. os chôros por elle executados. fazia um defunto mexer-se no caixão. eram de encantar. Tocava elle com grande maestria. fazendo carretos. [082] Então muitos que o conheciam. quadrilhas. com este grande executor de musicas. fazendo o sólo em polkas. occupar um serviço naquellas condições. ás vezes perguntavam-lhe a razão. Gonzaga. Gonzaga ia a um pagode todo janóta. dirigia-se á sua cas. tal a agilidade de seus dedos de ouro. de uma belleza sem igual. viu-se obrigado a sugeitar-se a ser carregador.

. ROMUALDO CABOCLO morava lá pelos bairro de Villa Isabel. Era mesmo um caboclo bom.– 108 – Era muito distincto amigo e companheiro. Carlos Furtado e pouco violão. em fogo. era da turma do elle tinha por este instrumento. com seu violão onde tambem houvesse farta atracado. doente. tal o gosto que Arthur. não com o seu dever. Era um violão seguro. o ajudasse. elle lá estava firme como Gostava muito de ir a pagodes uma pedra. Com seu dobrar o pagode. para assistir o violão. E era daquelles que depois de para bem descer o mastigo. ninguem lhe pelo resto do leitão e mais. acompanhou nos chôros. era de agradar. sociedade violão Juca Russo. de seu Estado. com o competente molho. Pedrinho. Tocava Quintiliano. Era muito bairrista. elle acompanhava bellas enterro dos ossos que elle modinhas. Tambem muito gostava de entrar na sahia mais. pois não dava para traz. Candinho. Muitas vezes até bellos e lindos accordes. que chegava a ressonar tal o gosto era o glorioso Pernambuco. não perdia uma só festa dada por pois acompanhava sempre com esta sociedade. ARTHUR PEQUENO O lema era: Cada um cumpra A muito que não o vejo. Bom até á ultima gotta. mas mesmo assim outros. acompanhar modinhas que Caboclo como era conhecido tinham um gosto extraordinario. Era muito choroso no com séde na rua Major Avila. grande e bellissimo executor de Foi socio e vice-presidente das Pragas do Egypto. prompto para entrear mesa. sabendo se é vivo ou morto. firme para a luta.

Fernandes Guimarães. Thereza Guimarães. Muito me ajudou nas pragas do Egypto quando eu era seu presidente. que era de novo systema. e adjacencias não conhece o bom Menezes. as suas melodiosas musicas de fazer admirar. Amigo e companheiro de linha. finalmente este farrista já é fallecido.– 109 – [083] tocasse em seu Estado. Por seu companheiro dava a vida. deixando muitas saudades a todos os moradores da rua Major Avila. Tambem tocava todas as musicas de Candinho. AGENOR FLAUTA Morava na rua Visconde de Itamaraty. alli pelas ruas Arnaldo Quintella. da Saude Publica. Era um amigo dedicado. que levava nas horas de folga a cantar e acompanhar. se queria ser seu amigo. Era empregado como chefe de turma. pois é . Tinha um sopro macio e sublime. de supplantar. Tocava todos os choros dos grandes flautas antigos e tambem modernos. Tocava com grande esplendor na sua flauta. O VELHO MENEZES Quem em Botafogo. e adjacencias. o que muito valeu o seu bom nome. Escreveu alguns chôros bons que devem andar por ahi nos cadernos destes chorões da nova guarda. O seu dinheiro não era delle. Era chorão afamado. De lá trouxe muitas formosas modinhas. e acompanhei com meu violão ou cavaquinho. e sim do amigo que na primeira esquina lhe contasse uma necessidade. Era um excellente chefe de familia. Cantava tambem bellas e sumptuosas modinhas de arrebatar.

quasi sempre está com o violão em baixo do braço. em uma reunião de tocadores de violão. me sahi daquella intalladella. uma bôa pinga para descer os Hoje. pois sabe dizer nas cordas o que sente. e cavaquinhos. com bastante difficuldade. acompanhado com tocando muitas vezes juntos. Menezes toca violão com pirões. Tocou muito um inveterado do chôro. tal a agilidade de seus dedos. Pois apesar de sua idade. Conheci em moço. Felizmente. Neste tempo o seu instrumento predilecto era o cavaquinho. que elle manejava com grande facilidade. pois tem um BILÁU ouvido apurado para acompanhamento. . Jacarépaguá. e de admiriar. e assim sustenta honradamente a sua distincta familia. ainda não deu seu quinhão ao vigario (como se diz na giria). Menezes fica quasi doido quando em qualquer chôro. Nictheroy e outros logares que Menezes frequenta. Menezes tambem é excellente amigo. quando trabalhava como estafeta dos Telegraphos. como seja: em Botafogo. Dedicou-se á arte de bombeiro hydraulico. pois. Inhau'ma.– 110 – com velhos flautas e hoje não arrepia carreira com os novos. muito trabalhador. bonissimo chefe de familia. onde se atola até não [084] poder mais. grande perfeição. onde Menezes me jogou um pezado em cima. Dahi ficamos amigos. de que me vi bem atrapalhado. elle [o]briga um bella feijoada. fazendo os encantos dos lares. Conheci-o em Copacabana. Solava muito bem.

e que deu ao mestre grande gloria. onde seu sempre chorado pae occupava alta posição. de que me fez babar. encontrei Biláu já moço e atracado a um cavaquinho todo novo. chôros bem difficultosos. Solava admiravelmente. na Caixa Velha da Tijuca. de admirar seus congeneres. Tinha um ouvido apuradissimo. e dos bons. Depois solou uma valsa se não me engano o nome é "Sorrir meu doce amor". Morreu na . Hoje acha-se retirado da lucta. pois era um explendoroso violonista. [085] Celestino. no entanto nos dedos de Biláu foi sôpa. para os accompanhamentos. tal a maneira que elle sabia dedilhar aquellas cordas no seu instrumento. Depois precisando ir áquelle bairro. soluçava. outra. Era difficultoso cahir. JOSE' CELESTINO Quem em Engenho de Dentro não conheceu este grande astro do violão ? Bem poucos ! Era elle operario das officinas na Estação acima.– 111 – Conheci bem criança. Afinando o cavaquinho. e sua bôa irmã. O violão nos seus maviosos dedos não tocava. julgo com a morte do seu sempre chorado pae. fez alli um tom com todos seus accordes que fiquei bem admirado da sua agilidade naquelle pequeno instrumento de arrebatar. Retirando-me da Tijuca muitos annos. tal os recursos que elle tinha naquelle instrumento. esta valsa é bem custosa de solar. Biláu foi aprendiz se não me engano do sempre chorado Mario do Cavaquinho. E ahi dedilhou. no violão tinha brados de armas.

cargo em que Dramatico no Meyer. Lá. onde fez papeis de comportamento galgado ao responsabilidade em um Club posto de carteiro. Leccionou seu instrumento a esplendido cantor de Modinhas muitos. circulo de amigos. onde baixa da vida militar. Foi HORACIO THEBERGE primeiro trombonista no 7° Batalhão de Infanteria do Inesquecivel violonista. Tendo meio dos chorões. ingressou Theberge tinha admiração e nos Correios como servente. e tambem no grande numero de amigos que elle tinha dos melhores. . Exercito.– 112 – e dansantes. conceito. não só de seus SALUSTIANO TROMBONE superiores. sendo sempre muito procurado pela sua real proficiencia. Conhecia o seu instrumento felicidade de conhecel-o. naquelles bons tempos. como de seus collegas. A ufanava de ser um chefe morte de Theberge repercutiu amoroso. como aqui tocou com sentimento no seu grande em muitas sociedades musicaes. deixou um grande numero de amigos. E assim findou-se mais um Foi grande musico. e deixando grandes respeitado pelo seu saber heroe saudades dos que tiveram a musical. com grande proficiencia. Era tambem amador tendo pela sua correcção e Dramatico. deixando immensas saudades aos seus collegas tocadores. No correio onde trabalhou. que tornaram-se grandes que fez um grande sucesso no e afamados musicos. Era tambem um optimo falleceu. Hespanhola. Morava em Nictheroy onde tinha uma familia. e se funccionario dos Correios.

Luizinho e muitos [086] outros flautas que tinha nelle um transigente nos seus direitos. tal a confiança que elle tinha no seu ouvido. Policia onde prestou com sua JOSE' CONCEIÇÃO intelligencia e perspicacia innumeros e bons serviços.– 113 – HENRIQUE ROSA (CASAQUINHA) reflectir o seu brilho nos grandes astros. ou uma sempre uns ternos impolados de modinha. mettia acompanhava um chôro. JUCA VALLE Persona grata do dr. Foi um dos primeiros violões Murtinho. de sua época. Hoje tomba relomba e calafate. Manafástara. Amigo dedicado que foi do Morreu como uma estrella chorado Quinca que some-se deixando ainda sempre . Rangel. razão porque. e quando appellidado (Casaquinha). Companheiro ininseparavel de Callado e Viriato. acompanhado seguro no seu violão seguro. violão de fóra da moda. conhecido e violão. Foi quando falla deste chorão empregado antiquissimo da pranteado sentimos saudades. Conservador de tradições. mesmo Ventura Caréca. Pinto mendigo. que tocava com bastante amor e gosto. desse o tom. nunca desprezou o seu fraque. não admittia que lhe gato pingado. e outros. sendo por isso fama. amigo de seu amigo. Nas suas palestras. considerado por todos os VENTURA CARE'CA chorões.

e os mais musicos de nomeada. e chorado. conhecia regra de harmonia e tudo mais de seu pertence. Morreu a pouco no cargo de guarda-civil. um grande cumpridor do dever. PATAPIO SILVA Ainda hoje o nome deste professor é fallado. e que Patapio muito o admirando. para tocarem nestas casas de diversões. quasi igualava com o immenso flautista Callado. Era quem organizava o conjuncto de musicos professores. estava fazendo tudo para imital-o. Patapio estudou musica a fundo. e tanto assim que já fazia um dueto no seu maravilhoso instrumento.– 114 – Laranjeiras. como acompanhava. é um amigo certo e communicativo digno de applausos. Hoje acha-se retirado um pouco . tendo delle apanhado todo seu estylo serviu muitos annos como guarda-civil. Diziam os musicos daquelle tempo que Callado. e tão difficeis que o escriptor que tambem era um malandro chorão. Era irmão do grande violinista Lafaiete. Patapio. e excellente amigo. admirado por todos os flautas como elle. NENE' MARIO Conheci morando no Estacio de Sá. [087] foi bom filho. tocava muito bem violão. naquelle tempo nunca poude apanhar delle nenhumas de suas modulações. prestando nella os mais relevantes serviços. Tinha accordes maviosos. estando hoje aposentado. Era flauta de respeito. sendo neste posto. não só solava. na sua maviosa flauta fazia um quarteto. e que muito se elevou no conceito publico. e um pouco retirado do circulo dos chorões.

tocando nos bailes da Cidade Nova. é quem fórma as orchestras. Foi aprendiz do grande luminar da musica Cupertino. OLEGARIO FLAUTA Conheci ainda moço. Viriato e Luizinho eram suas predilectas. o Patapio. conhecia pouco musica. e tem composto bellas Aves Maria. Agapito é morto [088] ha alguns annos deixando muitas saudades a todos nós. que felizmente ainda vive. Este heroe do chôro falleceu a poucos annos. e risonho para a grandeza do nosso caro Brasil. AGAPITO Chorão de marca. chorões. tocava com grande agrado para todos. tocava com primor as musicas de chôro. mas mesmo assim dava prazer nos logares onde tocava. um futuro prospero. Gostava de tocar em bailes onde houvesse gordos pirões. Infelizmente perdeu-se com a morte deste professor. tirando carta de solicitador. e muitos outros logares. THOMAZINHO Foi grande flauta de seu tempo. dedicou-se ao forum. pois . Olegario foi em 89 servente na 4ª Secção dos Correios. acompanhado de bellas bebidas. Não era destes primorosos. Este chorão sabia entrar em uma sala. para tocarem nas festas de igrejas. Estacio de Sá. Então as musicas Callado. E se assim não fosse dava o fóra dizendo que não foi feito para passar ginja. Em bailes e festas era agradavel ver soprar a sua maviosa flauta. abandonando o logar.– 115 – da musica. mesmo assim ainda é chamado.

pela sua graça. o que julgo tambem dos chôros.– 116 – ficava logo estimado. e muitos outros daquelles tempos. Se não me falha a memoria. e era um primor ouvil-o. pela maneira sublime que agradava immensamente. Silveira. conhecia bem a musica. o que muito agradava a Meyer. Infelizmente este grande flautista como seus companheiros ha muitos annos já desappareceu do meio dos vivos. pois já se acha cansado pela idade. Pedro de Assis era de uma educação finissima. e tambem o chôro de todos aquelles immensos flautas já por mim descripto. PEDRO DE ASSIS Tambem luminoso flauta de sua época. Viriato. Thomazinho era grande amigo de Ismael Brasil grande trombonista já neste livro por mim descripto. tambem um companheiro distincto. e o considerava. Luizinho. RAYMUNDO FLAUTA Era tambem um flauta respeitado. e por isto tocava com primor e bom gosto. que tinha nelle um discipulo de extraordinario valor musical. e muito querido de seus companheiros de musicas e dos que tiveram a felicidade de conhecel-o. e que bem poucos o imitavam. Tocava com alma. foi alumno do grande mestre Duque Estrada Meyer. Hoje é reformado da Marinha. pois aprendia com muita felicidade as lições passadas. Em bailes e festas. Era seresteiro de verdade. Rarissimo . e bom gosto. Pedro de Assis. muito tocou. pelas informações que tive a muitos annos. Conhecia musica a fundo. que muito o estimava. Tocava o classico. gostava muito dos chôros de Callado.

Era grande. de uma educação natural. vou procurando mais ou menos reviver a sua memoria. Emfim este livro não faz mais do que trazer os seus nomes. e o estimava. pois era muito conhecido na roda dos acompanhadores daquella época. que muito o admirava. o que muito tem me difficultado pelos annos já passados. Mello Moraes. par me dar conhecimentos certos. onde eu pudesse trilhar. e lembrado dr. e os poucos ou quasi nenhum chorão daquelles luminosos tempos. que muito gosto. para que os chorões. e que sempre o chamavam! tal a sua maestria no gosto pelo chôro. Tive a felicidade de acompanhal-o em muitos e bons chôros na casa do grande intelectual Mello Moraes. Era um amigo dedicado. se não me falha a memoria lá para as bandas de São Christovão. Não sei se ainda vive pois a muitos annos que não tenho delle noticias. como elle tambem. era o ensaiador do celebre Bumba meu boi. Compoz muitos bons chôros. ANNIBAL Tambem grande professor de musica. morava. fiquem mais ou menos a par destes grandes luminares das festas em salões. e o publico que aprecia a flauta e a musica. e prazer deu áquella sempre chorada festa. como de todos os seus companheiros de jornada. no esquecimento. Annibal foi intimo do sempre chorado.– 117 – era o dia que Raymundo não tivesse um chôro para tocar. e immenso chorão. que deve [089] estar por ahi. serenatas e mais. Annibal. com bastante desembaraço. que tanta gloria deu áqueles . e mais ou menos os seus feitos. que agora neste insignificante livro. que o fazia muito estimado.

adorava um baile. Apesar de tambem não ter conhecido pessoalmente pude pegar estas informações.– 118 – bairros. . Este IGNACINHO FLAUTA heróe tinha uma Fabrica de Cigarros na rua do Ouvidor. e chorão de facto. como ninguem rogava aos seus acompanhadores para que delle não se esquecesse. tocava com alma e gosto os melhores chôrso que existiam na sua época. Conhecia bem a musica. quasi sempre de ingratidão. pois tinha mesmo prazer em se exhibir nas festas conscio do que sabia. Era muito querido de seus companheiros musicistas. talvez cansado pelos annos. tocar em bailes. nem sempre pela morte. o que lhe facilitava tocar com grande primor e arte. lhe dava o necessario para viver. Sabia tocar com alma todas as bôas musicas. Hoje julgo ter-se retirado da lucta musical. que Foi profissional no chôro. Era um flauta primoroso. que naquelles tempos existiam em grande quantidade sendo cada uma de melhor gosto. que ainda felizmente temos. Não dava para traz em qualquer convite. Tambem flauta do chôro. Era um bom amigo e dedicado companheiro. que tudo termina. Deixou muitas bôas composições que devem existir nas estantes dos bons flautistas. pois era o seu fraco. com um chorão de seu tempo. já neste livro descripto. JOÃO DE OLIVEIRA [090] JERONYMO SILVA Pae do eximio musico Candinho Silva. Tambem já dorme o somno do Não podia ver defunto que não descanso desta vida tão cheia chorasse.

difficultosas que fossem. tornando-se agradavel a todos. sempre PORTO JUNIOR arremediava em chôros. Conhecia musica como gente morou muitos annos em São grande. não só na [091] roda dos flautistas. que faziam o encanto dos salões. e era motorneiro da . deixando muitas saudades. que delle ficavam amigos. apesar de não tocar por musica. Este chorão salões onde tocava. Apesar de tocar musicas faceis e poucas. como tambem nos grandes e pequenos jar-se um dos bons. tocava fosse impossivel na occasião com grande primor e arte. e fazia muitos trocadilhos engraçados. de uma educação finissima. mesmo de primeira vista. Era muito brincalhão. onde Flautista de respeito. como elle chamava a farta mesa. Morreu já ha annos deixando grandes saudades. amigos dos que com elle privavam. tocava com a maior facilidade. fazendo assim. o que conhecia tocava com alma. Foi companheiro dos bons. pois. Infelizmente já tambem não existe. JUCA TENENTE Era tambem chorão de fama. que ainda hoje perdura nos que o conheciam. Em bailes que tocasse ficava logo intimo.– 119 – que não o deixavam parar. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata. pois era um folgazão de marca maior. Tocava bellos e ternos chôros. tocava tambem o classico com grande desembaraço. era arranmuito considerado. risos. As musicas por mais Christovão. Gostava muito dos pagodes que houvesse grude.

– 120 – Light. Era distincto amigo, não dava para traz a qualquer convite desde que houvesse os competentes pitéos acompanhados dos grandes molhos. Este bom companheiro, tambem já dorme o somno eterno, por uma tuberculose, deixando muitas saudades, e mesmo lagrimas de todos que como eu, muito o conheci, e com elle privei, não só em bailes, festas e até serenatas, de que elle era um batuta respeitado, não só em São Christovão onde morava, como na cidade nova, Estacio, Catumby, Morro de São Carlos e Rio Comprido, etc. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana". JUSTO VARGAS

Eximio flautista e melodioso chorão. Descendia de uma distincta GENERAL GASPARINO familia Vargas, moradora no Musico de cultura, e valor. lugar denominado "Coelho", em Era professor de flauta e de S. Gonçalo. Era infelizmente cégo, porém, de finisimo trato, grande saber. De uma educação finissima e typo bonito e sympathico, por esta razão era sempre rodeado posição elevada.

– 121 – pelo bello sexo. Além de ser um bom executor de flauta era tambem professor eximio, muito considerado, não só na roda dos flautistas, como tambem nos grandes, e pequenos salões onde tocava. Conhecia musica como gente grande. As musicas por mais difficultosa que fosse, tocava com a maior facilidade, mesmo de primeira vista, tocava também o classico com grande desembaraço. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata, [092] Impossivel me é descrever, a grandeza, e a sublimidade deste grande professor. As suas glorias foram tantas e tantas, que só com muitas lagrimas pode-se dizer a sua vida, como immenso maestro que foi o nome acima. Foi um genio na musica, conhecia theoria como poucos, a PEDRO SACHRISTÃO sua flauta em seus labios não Grande flauta de cinco tocava mas chorava. Não só chaves, toquei tambem com este conhecia os grandes choros dos de uma educação finissima, tornando-se agradavel a todos, que delle ficava amigo. Infelizmente já tambem não existe, deixando muitas saudades. heroe do choro, em Nictheroy na rua da Soledade em casa de um sr. Guimarães que vendia bilhetes de Loteria. Pedro era um bello moço, muito amavel, e modesto. Era naquelle tempo, sachristão da Igreja de Santo Antonio, que ainda hoje existe, na rua de S. Lourenço. Com elle fiz tambem muito bôas serenatas ao luar, se não me falha a memoria julgo já ser fallecido. O GRANDE PROFESSOR DUQUE ESTRADA MEYER

– 122 – immensos flautas já por mim descripto, como tambem o classico. Tocou em muitas orchestras, sendo admiradissimo, pelos maestros daquella época. Meyer era um genio alegre, e folgazão, de uma educação finissima, exemplar pae de familia. No chôro quando tocava as musicas de Callado, Viriato Silveira, Luizinho, e outros, fazia com alma sentimento e graça. Foi grande amigo dos chorões acima, mas tinha uma grande predilecção pelo sempre chorado musico Callado, pois quasi sempre tocavam juntos. Callado em attenção a esta grande e bondoza familia, escreveu uma quadrilha dedicada á mesma, que botou o nome de Familia Meyer que é um primor de arte, e que tenho em meu archivo como uma joia inesquecivel. Essa familia qua[093] si toda de bons musicos era admirada por todos. Pelas informações por mim colhidas, parece existir uma pessôa desta distincta familia, que como Meyer, é tambem grande executor de flauta, que infelizmente não tenho a felicidade de conhecel-o, e ao contrario, talvez pudesse descrever essa grande gloria brasileira, com maior perfeição. Aqui fica mais ou menos descripta a vida musical e pessoal deste grande musico, para a gloria dos flautistas d'agora, e dos que vierem para melhor conhecer essas glorias que o tempo, não trarão mais. HONORIO DO THESOURO Quem nesta capital não conhece este grande chorão. E' um flauta primoroso, conhece bem a musica. Conhece todas as composições dos chorões por mim descripto, especialisando-

– 123 – se nas de Candinho Silva. Honorio morou, ou mora nos bairros de Villa Isabel. Foi chorão de facto, é exemplar chefe de familia, amigo de uma superioridade immensa. No chôro em que toca é um bamba dos bons. Toca sabendo dizer na sua flauta maravilhosa o que sente. Acompanhei-o muitas vezes e sei o que elle vale. Agora não sei se ainda é o bamba de outros tempos mas julgo que não, pois os janeiros talvez não deixe fazer as proezas de uns quinze annos atraz. Porem tenho a certeza se bolirem com este heroe, ainda não dá para traz, sabendo dizer na sua flauta o que sente. GODINHO Conheci-o como mestre da bando do Corpo Militar de Policia da Côrte. Era muito intelligente, e regia a banda com grande maestria, chegando a galgar o poisto de alferes, nome que que se dava naquelle tempo, o que hoje equivale o de 2° tenente. Godinho era muito estimado pelos seus superiores, e tambem pelos seus subordinados. Morreu já a bastantes annos deixando muitas saudades e lembranças. O instrumento de Godinho era flautim que manejava com arte. [94] OS CHÔROS ANTIGOS Vou aqui descrever as antigas festas obrigadas aos bons e afamados choros daquelle inesquecivel tempo, pois são para mim grande transmissor de saudades. Como eram as festas da casa do Machado Breguedim, na Estação do Rocha, Machadinho, como era conhecido era um flauta de nomeada, os choros organisados em sua residencia

– 124 – eram fartos de excellentes iguarias e regados de bebidas finas; sendo um alto funccionario da Alfandega era financeiro, por isto fazia grandes economias para gastar em suas festas, onde reunias os musicos seus amigos. As festas em casa do Machadinho, se prolongavam por muitos dias sempre na maior harmonia de intimidade e enthusiasmo eram dignos de grande admiração os conjunctos dos chorões que se succediam uns a outros, querendo cada qual mostrar as suas composições e o valor de suas agilidades mecanicas e sopro aprimorado. E assim eram as festas da casa do inesquecivel Machado Breguedim. ADALTO Este morava tambem nos suburbios e as suas brincadeiras eram realisadas com chorõe escolhidos tomando parte Anacleto de Medeiros, Luiz de Souza, Lica, Gonzaga da Hora, José Cavaquinho, Galdino Barreto, Mario, Irineu Batina, Carramona, Néco, José Conceição, Luiz Brandão, Horacio Teberge e muitos outros, daquella época. O Adalto, foi pessôa grata e de confiança do Marechal Floriano Peixoto, que ao terminar a revolta de 93, mandou que elle, escolhesse um bom logar em uma secretaria de Estado, opinando elle, para a de Correio de Ministro tal era a sua modestia e desinteresse por dinheiro, Adalto era exemplar chefe de familia e um amigo sempre prompto a servir a todos. Os choros em sua festa tambem se prolongavam sempre dentro da ordem, do respeito e da alegria. Para findar esta apologia direi: O Adalto era um apaixonado do chôro que desappareceu marcando a sua época.

no Gato Preto e no parte no programma Botequim Braço de Ouro. que bôas peixadas. no muitos dias. festa esta que Botequim da Cancella. Tempos. na Bandeira. nos baptisados. no Estacio de Sá. Nos anniversarios. Israel. no lares de todas as familias pois já Confeitaria vinha a muitos annos fazendo Andarahy. familia os chorões de sua reuniam os grandes valentes intimidade acompanhavam como foi "Bocca Queimada". muitos outros conhecidos como . Pedro e Sant'Anna. no Portão era tambem um grande Major admirador de choros e serenatas. nesta estação em ficava do lado oposto eram que o Barão veraneava com sua nestes estabelecimentos que se Exma. Tambem elle fazia todos numa vendinha que existia no os annos uma grande estadia na Largo de São Francisco esquina Ilha do Pontal. e na propriedade. os grandes [095] chorões eram procurados em por elle organisada que durava pontos certos. de Santo Antonio. no orçamentario do Barão. São João. no repercutia como um encanto nos Matadouro. no centro da cidade. Vermelho. no Cattete. aonde se comiam Confeitaria do velho Chico. de sua da rua dos Andradas. fazendo parte integrante de sua Tres Pernambuco. no Botequim do Avila. este que Engenho Velho. Augusto Mello e comitiva. nos casamentos.– 125 – BARÃO DA TAQUARA PONTO DOS CHORÕES Foi nesta quadra primorosa Havia tambem uma tradicional festa promovida pela que imperava o chôro nas festas flôr dos chorões de Jacarépaguá. São na fazenda do Barão da Taquara.

tomando das mãos do carregador a duzia de ovos. o nosso Coimbra. começou a comer e a beber as paginas tantas já não soletrava [096] "Cascadura" não conhecia ninguem. foi direito ao quarto onde estava. jogando todos os ovos na Santa. pois quando elle bebia ficava impossivel de se aturar depois do pedido tocou o Coimbra para o pagode. O Coimbra. onde muitos delles sahiam com sinos. era pae de um moço que tornou- . não pôde resistir. muita comida. blasfemando por não ter sido attendido no seu pedido. chamasse um carregador para carregal-o para sua residencia! Na hora da sahida sua comadre entregou ao dito carregador uma duzia de ovos para sua senhora depois de muito custo chegou em casa o Coimbra. Emquanto se passava esta scena de sacrilegio. tambem faziam paradas ahi os franciscanos. muitas bebidas. O Coimbra que era devoto de Santa Rita. o chôro continuava em cas do compadre lá para as bandas da rua Machado Coelho. pedindo que não o deixasse beber. muitas saudações. convidado um dia para um chôro em casa do seu compadre onde se realisava um baptisado. aconteceu que para voltar para casa foi necessario que seu compadre que era Guarda Municipal. que festejavam neste largo a data gloriosa de 2 de Abril dia de São Francisco.– 126 – flor da gente. e antes de ira para o chôro ajoelhou-se deante da Santa Rita. O COIMBRA DO TROMBONE Foi este. na sua chegada teve grande recepção como era de esperar. Tambem eram encontrados muitos musicos chorões que combinavam bôas patuscadas.

O Coimbra neste tempo morava na rua de São Carlos. e Moreira. já fallecido. as paginas tantas já estavamos cercando frango. por ter abusado extraordinariamente das bebidas tornando-se inconveniente no pagode. Eu privei muito com o Coimbra. e Rabéca de Ouro na mesma rua. á rua da Carioca. uma occasião encontrei-o no Estacio de Sá. afim de que não se reprdoduzisse scenas identicas. ao ouvido . levou-me para sua residencia para mostrar-me uma linda criação de porquinhos da india. á rua Gonçalves Dias. e começamos a tomar umas "lambadas". matou quasi todos! passaram-se ainda outros episodios com outros personagens. e com grande compreensão nervosa motivada pelo uso do alcool. Nos botequins encontravam-se os malandros chorões. pegando os pobres bichinhos pelo cangote virava de pernas para o ar para mostrar o sexo. e tendo sido tomada esta medida para a moralisação dos chorões. CHORÕES ANTIGOS Os musicos na sua maioria faziam ponto nos chás de musicas da rua dos Ourives. Em uma occasião depois de terminado um chôro botaram dentro de uma carroça da Gary este chorão. 50. cantando mo[097] dinhas e assobiando. pois quando um componente da troupe dos chorões desrespeitavam algum amigo entre elles. e tambem no Cavaquinho de Ouro. de propriedade de Buschhman Guimarães e Bevilaqua. o "cabra" era repudiado e dispensado com todo deferentismo por seus companheiros de conjuncto.– 127 – se um grande chorão no violão.

na belleza dos nossos antigos musicos. tal a união que existia entre elles. onde os harpejos dos violões as notas sonoras da flauta. e as portas das moradas. e repercutirão na grandeza. que satisfaziam os apreciadores das explendidas serenatas ao luar. e o respeito as familias que os acolhiam em seus lares. e saltitantes. deste passado que estamos tentando descrever.– 128 – de outros predilectos do chôro. como um grande disciplinador de harmonia. E assim compunham musicas de inspirações e melodias. Companheiro do Romeu e do saudoso Paulino Sacramento e de muitos outros grandes musicos. e vibrações do cavaquinho. e o devotamento que tinham dos seus instrumentos. despertava os moradores de todo o quarteirão. Conheci-o como subdirector de harmonia do Ameno Resedá. improvisava-se então o baile. fazendo cousas impossiveis com o seu trombone e bombardinonos contra-cantos da marcação do bombardão do inesquecivel Gonzaga. Os chorões daquella época. repercute. era uma familia. como uma homenagem e esta prole de musicista brasileiros que repercutiram. portadores de inesqueciveis recordações. Henrique é hoje um professor de musica que ornamenta as . com estima e simplicidade. dando entrada ao conjuncto que formavam os choros até mesmo dos penetras que em todos os tempos jámais perderam a vasa. e os comestiveis feitos a La minuta. abriam-se as janellas. E assim correram os tempos cheios de saudades desses modestos compositores de musicas alegres. HENRIQUE MARTINS Foi alumno do Collegio dos Meninos Desvalidos.

de dura pouco. Conhecia musica a fundo. especialisando-se atraz de um papo de peru no violão. nos pagodes onde tinha intimidade empenhava-se e fiscalisava a cabeça do leitão. que era de um primor orchestras constituidas de musicos nacionaes e extrangeiros. A morte com seu admirar. Era eximio tocador Infelizmente o que é bom de flauta. Ia longe. Saturnino estava caro Brasil. sempre prompto para o combate. Hernandes de sempre firme como sentinella Figueiredo está neste caso. simples e de fino tratamento por isso muito estimado pelos seus collegas de classe e pelos chorões da velha guarda. suburbios. modesto. Nos pagodes onde especialisando theoria que elle tocava fazia graça. Podia-se chamar um maestro. de um enterro de ossos. Nos suburbios. Elle tocava todas as composições dos pois tocava quasi todos os grandes flautas. executava a mesma. Era um gato do matto para gostar de gallinhas. avançada. pois era um conhecia como poucos. pandego de força. o distincto amigo e bom companheiro que foi HERNANDES FIGUEIREDO Saturnino. apaga da vida [098] homens que se ainda vivesse. já aqui descripto instrumentos. . faria a maior gloria do nosso que houvesse. E' um artista sincero. dizendo que SATURNINO era para a feijoada completa do Quem não conheceu nos dia seguinte.– 129 – recheiado. Era bom e sublime musico com o já disse e companheiro dedicado gostava muito. em porquinho nem se fall. bailes alfange tudo corta.

e superiores. Era um collega distincto sobre todos os pontos. Companheiro sem igual. tinha sobre a musica. e mais artigo este. que foi irrespondivel tal a nitidez e conhecimentos que Hernandes. Desiderio aposentou-se se a minina nota que o desabonasse. de um educação finissima. a sua aposentadoria deixou muitas saudades. onde fazia o encanto dos lares de muitas familias. com uma vóz maviosa de tenor. chotechs. daquelle bairro em que elle era adorado. Excellente chefe de familia. o encordoamento. polkas. Morava em S. O grande Professor. Muitas vezes extaziou-me ao ouvir-lhe solar operas inteiras. Falleceu repentinamente. sua tonalidade. com solava admiravelmente. Falleceu a poucos tempos e . e instrumentos. DESIDERIO PINTO MACHADO Foi distincto carteiro de 1ª classe dos Correios agora aposentado. acompanhando com profissiencia o [099] que cantava. como eu. que tive o prazer de aprecial-o.– 130 – como poucos seus dedos no instrumento era de ouro pois encantavam os que ouviam. sobre o violão. quando exercendo a sua profissão. Tocava muito bem o violão. sustentou uma polemica pelos jornaes desta capital. julgo em um compartimento dos correios. e cantava admiravelmente. não só acompanhava. mazurkas. e conquistado pela sua mais que finissima educação. etc. de que era um funccionario exemplar. Christovão. e aos seus collegas. quando aqui esteve esteve o tambem immenso violão Barrios. No seu violão.

como tambem defeito por maior que seja. era instrumento por dentro e por chorão de verdade. que era como modernos pianistas. Occupava este chorão linha. etc. Tocava fóra. Não só tocava com a novo concertando qualquer parte á frente. do O LOBINHO . E' distincto amigo.– 131 – que daqui destas tocas paginsa Poucos serão que não envio a sua familia. Toca prazeres. fundo. tanto sabia fazer amigos. E' acompanhava os instrumentos artista não só na musica. Solava no concerto dos mesmos. sentidos e chorosos pezames. Lobinho é um THEOTONIO MACHADO artista de merito. Mora para as bandas. ninguem CARLOS DE SOUZA LOBO – lhe supplanta. como cantantes de ouvido. e com profissiencia. e admiravelmente. Deu grandes prazeres todos os choros por musica nos bailes em que tocava. pois conhece o Irmão de Disiderio. pois mesmo de primeira vista. tal a mazurkas. Conhecia o seu instrumento a ainda faz de um piano velho. com uma fazendo facilidade extraordinaria. Como chefe falleceu. de familia é exemplar. os meus conheça este chorão no piano. de educação o cargo de estafeta de 1ª classe de dos Telegraphos quando aprimorada. Deu grandes agilidade nos seus dedos. chotchs. e collega attrahente. Elle além de ser bom musico. Pois bem. ophicleide com grande saber. tambem polkas. encantar aos ouvintes. com os seus os compostos pelos antigos modos de tratar. neste heroe tudo é bom. Lobinho toca quadrilhas inteiras. conhece bem a musica.

acompanhada depois por costume encostar o com boas Cervejas e vinho. alli pela Telegraphos. Antonico Comia bem e gostava de uma quando tocava em chôro. onde faz os encantos daquelle logar. ophicleide. Já é instrumento a um canto. de embasbacar a todos os ouvintes. e por daquelles tempos. era sempre chamado para que gostava de dobrar nos tocar nas sahidas das Sociedades pagodes. Rio Comprido. tinha muito instrumento cantante com uma boas pilherias de fazer risos. belleza de admirar. como tambem nos enterro dos ossos. e assim fallecido. Hoje está aposentado no logar de carteiro de 1ª classe dos Correios. mas facto.– 132 – Meyer. qualquer pandego de força. Era um chorão de Cidade Nova. de que elle bailes que as mesmas desse. Conhecia muito musica. Não era grande musico. POLICARPO FLAUTA Muito o conheci e com elle Era Estafeta de 1ª classe dos muito toquei em bailes. e saber. Catumby. afim de encher no Musicaes. Era dos taes isto. bem de ouvido acompanhando mais vontade tinha. tocava tocar. adorava. O seu instrumento era o que tocava era sublime. Era um com gosto e arte. . Tambem já é fallecido a muitos annos. Estacio e muitos [100] outros logares. tinha abrideira. que tocava com Executava com grande perfeição as musicas dos velhos tocadores alma. ANTONICO DOS TELEGRAPHOS ficava o instrumento com uma vóz maravilhosa. pois quanto mais tocava. Não se fatigava de Além de musico que era.

vibrar as platéias com seu OLIMPIO (CONDE DE mágico violão? Cantando . Tendo ficado o seu corpo todo chagado. e humuristicos. Muito choros toquei com o Carneiro. Era da turma de Eduardo das Neves. modinhas e ludús. apimentados. acha-se um pouco retirado. e eu de cavaquinho. que conhece com a maior facilidade todos os choros dos antigos chorões. pagando assim bem caro a sua imprudencia. Frequentei muito a sua casa. lá pelos lados do Andarahy onde falleceu por ter comido um bello surucucú ensopado. e lá com Oscar Cabral. Carneiro de violão. fazia-mo os encantos da rua Wencesláu. Quando entrava [101] no picadeiro. e eu de cavaquinho. Era distincto amigo e respeitado. Julio de Assumpção foi aprendiz do palhaço Polidoro de gloriosa memoria. onde Carneiro morava. de Assumpção o grande palhaço pois cantava bem e tocava de circo de cavallinhos que fazia melhor. mas mesmo assim. era acclamado pois sabia dizer com graça e verve os trocadilhos pilhericos que a todos faziam rir.– 133 – CARNEIRO E' official de Justiça de uma das Pretorias criminaes. se bulirem com elle ainda faz preludios de admirar. Hoje já velho e cansado. elle de violão. de flauta. Carneiro é um dos velhos violão. JULIO ASSUMPÇÃO Muito toquei com elle pois Quem não conheceu o Julio era explendido companheiro. Benjamin de Oliveira e Mario Pinheiro e muitos outros.

pois tinha a tonalidade de baritono. Tocava este genio. e dar uma pequena apparencia com o grande capitalista infelizmente tambem fallecido. Quem dos velhos chorões. A sua vóz era uma maravilha ouvir-se. Ensinou musica a muitos. como chefe de familia era exemplar. não só aqui nesta Capital. e digna de se apreciar. Foi professor de grande valor. Falleceu como carteiro de 1ª classe dos Correios. onde prestou bons e reaes serviços. tocava com grande facilidade qualquer parte que lhe désse. Foi chamado para reger uma banda de musicos no Estado do Rio. Olimpio era um farrista de fama. ophecleide posso quasi garantir que naquelle tempo ninguem o igualava. [102] . Cantava uma noite inteira. Cantava todas as modinhas daquella época que não vae longe com um sentimento de bom gosto. emfim deixou seu nome esculpido no coração de cada carteiro que o venerava. ninguem o supplantava. com tambem acompanhava o chôro de ouvido. como collega e amigo. e tambem os que o conhecia. de fazer extase. Barata não só conhecia com profissiencia a musica. mas a sua guela era brilhante sem jaça. como tambem nos Estados. e para lá indo pouco durou. tal a sua maestria no seu ophicleide.– 134 – LEOPOLDINA) BARATA O heroe acima era conhecido por este appelido. não conheceu este astro de superior grandeza. Tocava pouco violão. por ser muito vermelho. Era musico de primeira agua. sem repettir. pois a morte o surprehendeu quando no apogeu da gloria.

que conhece a fundo é com grande maestria. onde na banda era um ophicleide respeitado. tratando-os todos com a maior distinção. Deixando grande saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. Porfirio além de tocar bombardão. pois é de um tratamento aprimorado. galgou o posto de major e mestre de todas as bandas da Policia Militar. Porfirio era muito mentiroso. e oboé. E' regente de grande nomeada. e um grande professor. tocava tambem bombo. sendo mestre desta banda. E' maestro de primeira agua e professor do Conservatorio de musica. Seu instrumento predilecto. caixa e ferrinho. Reformou-se no posto acima onde morreu a poucos annos. andava sempre com as suas mentiras. fazendo a admiração dos que o apreciam. sociedade esta que existia na Rua de S. tocava bombardão. Era grande amigo dos seus commandados. PORFIRIO LEFEVER Era grande musico. Christovão canto de Miguel de Frias. Como amigo ninguem o supplanta. morando lá pelos bairros do Andarahy. que tocava todos os instrumentos. mas sendo o seu predilecto o clarinette. Rocha com a sua capacidade e vasta intelligencia. MAJOR ROCHA Conheci-o no antigo Corpo Militar de Policia da Côrte. Chamava-se este professor João Maia. fazendo muitas vezes .– 135 – AGOSTINHO GOUVÊA Artista sublime na musica. Tocou muito em grande orchestra onde era respeitado pelo seu saber. no Club Independencia Musical.

a muitas crianças. e até no centro da familia de sua mulher. pois qualquer serviço por mais difficultoso. Gostava muito nos bailes em que ia tocar. que pella difficuldade monetaria. Tendo sido sua primeira Directora se não me falha a memoria D. O autor deste livro foi seu alumno. chorado e humanitario Dr. que desaparecendo esta ainda me sôa nos ouvidos. e homens. anormalidade com a moradia quando no seu piano. e que felizmente de vez em quando. nós encontramos e ainda nos relembramos dos tempos de criança que tantas recordações alegres nos trazem. muito habilitada. e um dos primeiros. Felizmente Sinhazinha. dedilhava fuzuê entre os musicos. confeccionava palitos. não fazendo selecção de pessoas. Alcina Carneiro de Queiroz. Bezerra de Menezes. que eram o Octavio. não podia vir a um col- .– 136 – alli. conhecendo bem o portuguez. de grande pasciencia. abriu na Estrada Velha um Escola denominada Escola Mixta de Nossa Senhora das Dôres. Com um pequeno canivete bem amoladinho por elle. Zizinha. o francez. e beber melhor. fazendo nos dedos anneis. Para elle não havia nada impossivel. apellidado em familia Barão. Era muito preparado. de comer a farta. e de um trato finissimo. pulseira. Adolpho Bezerra de Menezes. Era de uma habilidade impossivel de descrever-se. de uma belleza sem par. e Yáyá. e tambem os filhos do Dr. etc. que sendo Presidente da Camara Municipal. Tambem [103] frequentava a Escola suas irmãs legigo na cidade. Figas de arrudas e guiné de uma perfeição admirada. do sempre lembrado. elle fazia. Ensinou a muita gente a ler e escrever.

– 137 – com muita graça, e harmonia. A Lucia de La Memour. Infelizmente os principaes componentes desta mais que distincta familia já estão com Deus, praticando lá a caridade. PAULO ESTEVES Qual o velho carteiro que não conheceu o bom do Paulo? O personagem acima era chorão viciado, não podia ver defunto que não chorasse. Chegava a indagar onde existia um chôro, para elle metter os peitos. E assim era raro o collega que não chamasse o bom do Paulo, para fazer força, em festas que muito dava os carteiros naquelles saudosos tempos, que hoje ao lembrar-me as lagrimas me rolam pelo peito abaixo. E Paulo satisfeito, lá ia com seus instrumentos que era flauta, e ophecleide qualquer dos dois tocava regularmente, fazendo prazer nas festas onde tocava. Paulo, foi carteiro, tendo sido exonerado por abandono de emprego, pois o chôro fez esquecer os seus deveres.. Tambem já falleceu. JULIO BEMÓL Conheci-o e muito privei com este chorão. O seu primeiro instrumento foi ophecleide que tocou admiravelmente, acompanhando os grandes flautas daquellas épocas. Mais tarde passou aprender flauta que aprendeu com facilidade, pois era muito intelligente. Bemól foi conteporaneo de [104] Callado, com quem muito tocou. Tambem tocou com Rangel, Luizinho, Viriato, que eram naquelles tempos Batutas. Aqui deixo seu nome para gloria dos chorões de agora. SARGENTO VELLOZO

– 138 – Era Sargento da antiga Escola Militar, Bahiano da gemma. Cantava admiravelmente. E todas as suas modinhas, era feita por elle, não só fazia a musica, como tambem os versos, modinhas estas, da maior difficuldade os seus acompanhamentos. Vellozo, de vez em quando, dava um passeio a Bahia, e levava para outros tocadores de lá, as modinhas difficultosas para os de lá cahissem, afim de vingar-se, por outras tambem difficultosas, que lá cantavam para que Vellozo tambem cahisse. E assim Vellozo levou muitos annos para lá, para cá, nessa teimosia sem fim, só deixando com o seu fallecimento. Tentei muitas vezes acompanhar as suas modinhas, porém, isto sempre me foi impossivel, tal a sua difficuldade. Não fui eu só o christo, neste ponto muitos violões superiores a mim tambem passaram por esta decepção. E assim finalizou-se este chorão que não sei se o glorioso Estado terá igual. CANTALICE Foi musico de fazer vibrar corações com o seu admiravel violino. Tocava com muita alma, gosto e saber. Conhecia muito bem a musica, que tocava com grande facilidade, e maestria. Nos chôros que tocava era de embasbacar, tal o embellezamento que elle fazia naquelle já velho instrumento. Solava muito bem, as polkas, valsas, chotiche de Callado, Viriato e Rangel, que elle adorava-os. Solava quadrilhas inteiras de fazer encantar. Acompanhava qualquer cantante, com alma e sentimentos. Muitas occasiões me dizia, que a musica é como a morte, precisa fazer tristeza,

– 139 – para ter effeito, e outras vezes, deve ser ao contrario, para fazer alegria, natural, o que alguns musicos não comprehendia. Tocava com a parte a frente mas faltava-lhe alma que é o necessario nestas occasiões. Contalice, morreu já um pouco alquebrado pelos annos, mas mesmo assim não fi[105] cava devendo nada aos moços, que muito o admirava. AMERICO JACOMINO (O CANHOTO) Infelizmente tambem já fallecido a poucos temos no glorioso Estado de S. Paulo, deixando o maior sentimento em todo Brasil. Jacomino, foi uma estrella de alta grandeza, e immenso brilho. Bem poucos violãonistas, serão capaz de igualar a Jacomino, pois era de uma admiração extrema. Jacomino nas cordas de seu violão, fazia coisas impossiveis, encantava aos seus ouvintes, não só pela agilidade, como pela sua profissiencia no instrumento por elle magistralmente manejado, com facilidade enorme. Solava como poucos, era de invejar a sua electricidade, nas cordas do seu mavioso violão. Acompanhava muito bem mesmo de ouvido, pois conhecia e tocava por musica. Compoz diversos choros, que é de uma belleza sem igual, e que de vez em quando pelo radio, todos nós escutamos com o maior prazer, arpejados por outros bellissimos e encantadores violões que tocam no Radio. O musicista acima era de uma educação finissima, o seu tratamento encantava a todos que com elle privasse. Daqui destas poucas linhas envio ao grande Estado de S. Paulo os meus sentidos pezames por esta perda irreparavel, e impossivel

– 140 – Emfim, de Verçoza tudo se de substituição, pois era uma aproveitava, pois tudo nelle era gloria brasileira. bom. Tambem já fallecido a bastante annos. VERÇOZA Foi carteiro de 2ª classe dos Correios, era collega distincto. Tambem muito amigo dos seus companheiros de farra. Verçoza, era um inveterado no chôro. no correio onde trabalhava, todos os collegas quando dava uma festa, convidavam para tocar o seu mavioso violão, tal o saber e gosto, pelo instrumento que tocava com grande facilidade, que todos muito o apreciava. Tambem era solista de fama, que fazia a admiração de todos que o escutavam. Acompanhava os cantantes com uma habilidade de espantar, tal a ligeireza de seus dedos, e bem assim os bellissimos accordes que elle conhecia magistralmente. Cantava tambem as bellas modinhas e lundús, que fazia extasiar os que o apreciava. [106] BILU' VIOLÃO Caboclo dos bons. Bilu' foi chorão tambem de facto. Não podia ver uma flauta fazer seus preludios que não ficasse em cocegas, para meter-se no conjuncto, e metendo-se, era um delirio! agarrava-se ao violão fazendo nos seus dedos os gemidos ternos nas cordas de seu mavioso instrumento. O heroe acima, não só acompanhava, como solava, e tambem cantava bellas, e ternas modinhas, de fazer a gente babar, tal era, o gosto que elle tinha pelas modinhas, quando acompanhadas por elle, pois fazia accordes de embasbacar. Era excellente amigo, e admirador de seus

– 141 – companheiros, como elle farrista. Privei muito com Bilu', e sei o quanto elle valia. Já é fallecido a uns 18 annos pouco mais o menos. MODINHA (Um dia Louco)
E sempre, sempre, com sorrir nos labios, Ao lêr teu nome, maldição sorri. Desrespeitei-te sem horro sem peijo Com indiferença neste meu sorrir E do sepulchro, que te guardo o resto Um só queixume não ouvi sahir. Ai! se eu pudesse de joelhos em terra Beijar teu nome nessa louza escripta Sentir as dôres que os remorsos findam Pranto no peito do infeliz proscripto Sim de prescripto desses gosos santos

Aqui neste livro vou tentar Em que meus braços, sem saber fruir... descrever uma modinha, que E que não posso recordal-o agora além de muitas outras, era S e m d ô r , s e m m a g u a s , s e m c h o r a r [por ti. bastante apreciada nos salões daquelle tempo, onde houvesse Porém agora que suspira o peito. E que meus prantos, já voltou tambem! um chôro. Sinto as saudades despertar minh'Peço aos que lerem a mesma, [alma disculpar a falta de alguma Sinto os remorsos que ferir-me vem. Mas estes prantos que me cahe das palavra, de menos ou de mais. [faces, E' tanto a bôa vontade de Se infiltram todo neste impuro chão! servir condignamente aos bons Ai! quem me déra de joelhos em terra musicos chorões d'agora, Entre soluços te pedir perdão. esforcei-me o que pude, para Esta modinha no meu tempo satisfazer aquelles, que este livro de moço, que muito, a mesma lerem. Esta modinha que aqui cantei, e por mim mesmo escrevo tem o nome de Um dia acompanhada com grande louco. sentimento, o tom que fazia era Um dia eu louco, no rumor sem pouso de ré menor, e neste tom, não só Teu nome santo, n'um sepulchro eu li ficava favoravel a voz, e mesmo

no violão coisas de supplantar. e azeitona nos olhos. especialisando o bom. com a competente batata na bocca. foi por isto exonerado. O violão nos seus dedos meu Deus. O heroe era farrista de trabalho. Foi sempre um companheiro perfeição e belleza. Em aposentou. era para elle. E assim fazia-se os encantos dos lares. Solava os E' carteiro aposentado dos chôros antigos com uma Correios. Fazia annos. que tudo Como era conhecido o heroe fazia esquecer neste mundo de acima. não se negava a um superiores chegando a carteiro convite. Mondego entrou para aquella perfeição qualquer instrumento cantante. embasbacando aquelle conjuncto de moças. um regallo. e uma seda finissima nas cordas com sua fina educação. foi galgando os postos verdade. gostava de comer bem. tal era o CHICO BORGES seu prazer pela farra. Acompanhava com grande de linha. este é muito melodioso. que agora vive no esquecimento.– 142 – pagodes que ia tocar. mesmo não havendo o de 1ª classe cargo em que se competente mastigo. Os seus dedos eram Repartição como servente. e bôa harmonia nos instrumentos. como estafeta dos Telegraphos e carteiro dos Correios. Foi distincto collega. Falleceu a uns 20 era um hymno de encantar. . amor ao do violão. que naquelle tempo apreciava doidamente as nossas modinhas quando havia bella voz. Tendo abandonado o serviço. e gordinho leitão assado. MONDEGO Tocava todos os tons com sublimes accordes. fazendo encantos de admirar.

e acha-se um pouco retirado da ainda mais os grandes e . tambem Mondego dedicou-se ao e sumptuoso bombardino que toca belissimo admiravelmente e com maestria. que foi no [108] seu tempo uma estrella da maior Morava na rua tros do Instituto. classe de carteiros. de uma das Valleriano. O tambem respeitado primeiro logar. já por mim concurso que prestou tirou o descripto neste livro. Ali reuniam-se os maiores Velha da Tijuca onde fez grande quantidade de musicos. seu irmão João Tambem foi mestra da Banda tambem o melodioso de Musica. Tenente Castro. desde que foi mestre de uma Bomjardim numero 1. pelo Instituto de PASCHOAL RODRIGUES Musica. pois a chorões de fama daquella época sua profissiencia. tambem violão de arrebatar. Agora mesmo. acaba de fazer um hymno a ophecleidista. e paciencia era como fossem. Conheço-o grandez. Valleriano do Couto. e arte. sublimissimo flauta e de encantar. belleza de gosto. que é de uma que era continuo da Secretaria da Guerra. pois no ophecleidista. ophecleidista o Manoel Pereira Hoje já cansado pelos annos. Fortalezas nesta Capital. professor. Suntum Alves. onde soube fazer todos REIS os cursos admiravelmente com contentamento de todos os Quais me pasou maesdesapercebido este immenso e inveterado chorão. era um céo aberto.– 143 – Mondego tem carta de lucta. A casa de Sociedade Musical na Estrada Paschoal.

Familia Meyer. Como é bom. do grande Callado. Mimosa. Mas julgo outras bellas composições de que só com estas possa avaliar o que era aquelles grandes compositores. filho do seu sempre chorado. Pagodeira. Queixume d'alma. Lembrança do Cáes da Gloria. polka de Viriato. Emfim dizer o que era a casa do Paschoal. tambem de Callado. o que é bom. quasi me é . Sonhos do Porvir. [109] do grande e sumptuoso Capitão Rangel. aprendeu tambem a tocar cavaquinho e violão. polka de Callado. Quadrilha de Rangel. Ultimo suspiro. Electrisante do immenso Silveira. polka tambem de Rangel. E assim vou ver se me lembro de alguns choros belissimo que se tocava. Vivi. Policena de Callado. centenares de que não me recordo. Ali naquelle conjuncto de chorões só tocava o que era custoso para acompanhar. Quadrila do grande Professor Antonio Pedro. Quadrilha de Rangel. Capitão Rangel. polka de Callado. e lembrado Paschoal. Naquella casa que era uma maravilha. Quadrilha de Callado. Viriato.– 144 – immortaes Callado. Luizinho e outros muitos que não me vem a mente. polka tambem de Silveiras. que não volta mais. Quadrilha de Callado. o Orlando Affonso Reis. e executores daquelles saudosos tempos. Camponeza. polka de Silveiras. Geralda. que foi naquelles tempos um violão e cavaquinho. polka de Callado. de fama. E finalmente. Macia. Salomé. devido os grandes tempos já passados. Geralda. 12 de Agosto. appellidade por Zinho.

e bem regada em boas bebidas. Oscar. OSCAR DE ALMEIDA Bem sei que estou muito áquem para descrever os grandes e heroicos feitos do distincto amigo acima estas linhas. elle toca cordas de seu violão. canta de . não só por elle como tambem pela sua sempre chorada prole. depois de Deus e familia nada elle vê GUSTAVO em sua frente. faz violão admiravelmente. encantos. e felicidade. Conhece [110] musica a fundo. Os seus dedos nas manual enciclopedico.– 145 – impossivel. era onde elle encontrava vida. naquelles bons tempos. que mais adore. E assim nunca o gato estava no fogão. Os accordes por elle feito é de fazer extase tal a sua belleza. Oscar é um maravilha. que já são executores de admirar. como amigo ninguem o supplanta! Como chefe de familia é exemplar! A musica para elle é um sacrario. empolga mesmo os que ouvirem. pois alli todos eram tratados com a maior fidalguia. pois era farta. Era de uma educação impossivel de descrever-se. só estava bem no meio daquelles imminentes musicos. Tem grande quantidade de alumnos e alumnas. Aqui fica mais ou menos dicto. E' tambem um excellente amigo e de educação finissima. pois. o que foi aquella casa. e assim executa bellas peças cheias de harmonias no seu instrumento que é uma seja a musica. E' um grande e valoroso que Professor de violão. pois alli só reinava a alegria e o bom gosto pela musica. em tudo. naquelle ambiente.

já nasceu impunhando a lyra. e por elle acompanhada. a gente quasi fica maluco. e poesia. e assim a maneja tão bem. que faz inveja. tal a voz maviosa que elle tem. Faz bellos versos para musicas. No Recreio das Flores tambem muito elevou aquella grande. Napoleão de Oliveira. Já escreveu um livro com o titulo de Aturdidos que é de uma belleza impossivel de descrever-se com a minha pobre penna. E' amigo que poucos o iguala. Oscar no Ameno Resedá. escrevendo bellos versos que todos os carnavalescos. Oscar. e extasiar. Feliz da Patria que possue um filho tão digno e educado como o grande e immenso Oscar. Todas a modinha cantadas por elle. alegria. que já descrevi o seu brilho. cheia de bellos acordes.– 146 – fazer encantar as suas modinhas. o que elle vale. que tambem é um astro. Quando Oscar. A classe dos Carteiros deve se orgulhar de possuir um collega . Oscar de Almeida se immortalizou descrevendo a Quéda da Rosa musica de Bonfilho de Oliveira. que julgo a propria Santa Cecilia o admirar. Faz sentimentos a umas. faz fim na poesia. E assim tem sido a vida deste distincto brasileiro. dando as glorias aquella sociedade. é de invejar. e distincta Sociedade. Recita poesias inteiras com a maior graça e enthusiasmo. e outras. Agora já tem quasi prompto um bello livro. Em qualquer festa que elle estiver. Faz versos de improviso. a mesma torna-se de uma belleza sem igual. Quando recita o seu FIEL. os apreciadores estão com os olhos marejados de lagrimas. e das letras que elle idolatra. com seu mavioso estro. Escreve poemas admiraveis. que vae dar a publicidade muito breve. conhecem. ao lado do grandioso luminar da musica. que tão alto tem elevado o nome da nossa Patria.

orgulhosos. longe e perto das antigas villas e freguezias. Guerriavam pela conquista da victoria de seus partidos sangrentos. e de scenas de pugilatos pelos capangas e chefes de malta. pelo rabo de arraia. cabos eleitoraes verdadeiros "leões de chacara". dos crimes. davam um cunho de verdadeira alegria n'aquelle meio tristonho. e conservador. pelo tombo bahiano. A poucos dias fez os versos. pelo calçador e mais as infalliveis rasteiras e pantanas. grandes nababos. e mais muitos outros golpes deste sport genuinamente brasileiro. Nesta época só existiam estes dois. chefes dos partidos politicos. da vingança da traição. liberal.– 147 – de tão elevada reputação. sem instrucção. sem cultivo onde imperava a soberania dos fazendeiros. Queria dizer mais cousas. que são consideradas hoje. arraiaes. A ALVORADA DA MUSICA As organizações das Bandas de Musicas nas Fazendas. para um hymno escripto por um nosso colega. pela cabeçada. dos partidos de capoeiragem. sadio. e . chefiados pelos ambiciosos. defendida deste modo. para tocarem nas festas de Igrejas. Os politicos d'aquelle tempo aproveitavam estes elementos fazendo de seus chefes. cidades. que dominavam no tempo da Monarchia. mas. distriudores das urnas eleitoraes em defesa de suas eleições. Nagôas e Guayamús salientados pela faca. mas me é impossivel tal o immenso valor de Oscar. [111] nos. como de intelligencia.. que eram disputados pela força do dinheiro. pela navalha. pela flôr da gente como eram conhecidos pelas tropas partidarias.

regada e cultivada pela mão dos grandes obreiros. A Princeza Isabel. esse bella apotheose que foi a Lei Aurea de 13 de Maio de 1888. n'uma inspiração divina começaram a adubar o canteiro do amôr e da igualdade. Tal. transformando em alvorada de alegria as senzalas. e os Abolicionistas. onde foi plantada a semente da flôr da Liberdade. Em taes Fazendas haviam Bandas de Musica composta de escravos. que se foi definando as iras dos Fazendeiros. do eito. A musica rude das passadas éras da escravidão. a Redemptora. a terra do Cruzeiro do Sul com os seus formidaveis e inegualaveis encantos com os seus vergeis de campinas e mattas virgens circundadas de montanhas avelludas de verde. que começaram a serem illuminadas pelo brilho da estrella da Redempção. onde o feitor de bacalháu em punho tinha os fóros dos Cerberos infernaes. abriu com chave de [112] ouro as portas da nossa civilização e indicou ao Brasil o caminho da prosperidade dandolhes um novo rumo como o pioneiro do Continente SulAmericano. foi a magia das notas maviosas da musica que conseguiu abrandar os duros corações dos grandes escravocratas. que extasiam e surprehendem. de admiração á todos os nossos visitantes que inspirou neste deslumbramento da Natureza o nosso Alencar que escreveu os encantos de Iracema e a valentia . que afrouxaram as algemas e os grilhões das correntes de martyrios dos infelizes escravos. e d'ellas sahiram muitos musicos notaveis.– 148 – carrascos fazendeiros. que se identificaram com as harmonias dos seus instrumentos. Foi depois destas organisações de Bandas de Musica.

e que Carlos Gomes teve a feliz inspiração de transportar para a arrebatadora partitura do Guarany ! Eis aqui a conclusão da segunda parte do meu livro onde descrevi sem o minimo resentimento os personagens de muitos chorões só no intuito de valorisal-os. e patentear uma homenagem e um verdadeiro exemplo de confraternização aos chorões d'agora. relembrando factos historicos que me ocorreram sem a minima malicia de offendel-os pois me foi necessaria assim proceder para dar o cunho real no perfil de cada um só tendo em mira enaltecer factos e costumes de todos os chorões dentro do thema que iniciei e architectei em reviver o passado destes distinctos companheiros musicistas que se achavam esquecidos. A "QUADRILHA" A quadrilha.– 149 – do nosso Indio. por um acaso possam ser dirigidas irreflectidamente por espiritos malevolos. porém. que se foram. Com estas minhas tôscas linhas pretedendo desfazer qualquer um juizo máu que porventura possa se fazer de mim. descrevi-os dentro dos limites da veneração e do respeito pois não podia eu de modo nenhum descrever um mundo de saudadse sem me intervalinhar com a minha humildade perante as grandezas artisticas valorisadas nos feitos de cada um destes grandes protagonistas da musica. E se muitas vezes de passagem toquei nas vidas intimas de algum d'elles foi tão somente. na certeza que só primei na elevação de fazer surgir os feitos dos meus saudosos companheiros inolvidaveis. era uma dansa figurada com cadencia de seis por oito e dois por quatro no . ficando deste modo desfeito as maledicencias que.

saudades das marcações: como tambem pelas "Travessê"! "Balancê"! "Tour"! demonstrações de agilidade a os "pacholas" eram "Anavancatre"! "Marcantes que anavan"! "Caminhos da roça"! obrigados. o sempre lembrado Sil. O "tocert". Os seus melhores a vez a "marcante". era as vezes na "quadrilha" dansada num rico obrigado a um "doublé". Para ser "marcante". Era um destes "fiascos" que Por exemplo: no "Travessê!" muita gente boiava quando um custava grossas gargalhadas e cavalheiro pulava do seu logar e que ficavam registrados na sua ia figurar ao lado de uma dama fé de officio. Os dansarinos sempre veira. Esse estylo de dansa. se descuidava habilidades e o seu devotamento.. Havia uma grande differença que se achava distante. era escriptores foram o inesquecivel Barata. Na quadrilha. traz pelas suas passagens comicas. porque maestro Mesquita e muitos era a dansa mais divertida e a que mais enthusiasmava. o Saudoso Metra o inolvidave Anacleto. E quando o "marchante" se "Volta gente que está enganava ? chovendo"! Eram um "suicidio-moral". para a salão de Botafogo e Tijuca e da frente ou a retaguarda conforme que era desengonçada na Cidade .– 150 – compasso. era que o dansarino mostrava as suas E quando elle.. não só outros. o immortal gostaram da "quadrilha".preciso conhecer todas as evoluções da "quadrilha". e estar muito attento ao desenrolar da [113] musica. e bradava: "Chê de dama"! e a musica parava ? a "Terpesychore".

do fraque e as damas de vestidos decotados e com grandes caudas.Aos "seus logares"! Era a hora do "fuzuê". Era motivo de gargalhadas geraes.. o pessoal se apresentava como podia e os que melhor trajavam ostentava a calça de bocca de sino. A marcação era "gosada". [114] Succedia.– 151 – No "caminho da roça". conforme a festividade "mestre do chôro". Outras vezes este dava signal para parar. Nova e Jacarépaguá. ainda. Na roda do povo de "bongalafumenga". observavam rigorosamente a pronuncia franceza e a orchestra só parava quando o "marcante" dava o sinal. percorria-se toda a casa. Os ricos. por "malhas ou tralhas". mettidos na sua casaca. ou á bombacha e as damas que se apresentavam com os vestido de merinó. por exemplo. Era outros "fiasco". sobre-casaca. Todos se atrapalhavam correndo daqui para acolá e cada cavalheiro era obrigado a figurar com a sua primitiva dama! Succedia muitas vezes que o "marcante" se enthusiasmava e se esquecia da dar signal para acabar uma parte o "chôro" parava deixando em meio uma evolução. não gostasse do do marcante. sahindo pela cosinha para entrar novamente pela sala de visitas. que o xertos. eram consideradas de "élite".. davam-se passagens de rir a bom rir. e de "estrillo" do "marcante". porque muitas vezes. porque sendo feita num "francez-macarronico". tinha uns en- . Ahi o marcante bradava: . quando a musica não o permittia. porque a maioria pegava mesmo o seu vestidinho de chita.

Anacleto de Medeiros. Malaquias. Onde isto não succedia. revalidade. "Cabocla". o repertorio antigo. bem cadenciada e que compensava perfeitamente os esforços empregados na quadrilha. * * . as polkas escolhidas eram quasi sempre: "Inygma". finalisavam o espectaculo com uma desopilante comedia. porque. não se prestava aos derriços dos pares de namorados. Luiz de Souza. Paulino Sacramento. Assim. "Conceição". havia. como especie de premio de consolação. em que appareciam os saudosos musicistas: Callado. bem macia. Irineu de Almeida. Viriato. sendo uma dansa accelerada. "Só para Moer". "Amor tem Fogo". porque o tocador só parava quando o marcante dizia: -Pára mano véio! * * * A quadrilha. Após a agitação provocada pela quinta parte. "Flôr Amorosa". inimizade pessoal. para. Felisberto Marques. "dôr de cotovello" e então sujeitava-o ás mais desconcertantes borracheiras em plena "salão". uma polka bem chorosa. era nos bailes de harmonica. ou imitação do que succedia nos theatros. e muitos outros que jamais poderão ser esquecidos. Chiquinha Gonzaga. Era assim uma especie de desafogo. [115] João Salgado. Nazareth. "Margarida está chorando" e outras. apezar da evolução porque estamos passando. cheia de movimentação.– 152 – "marcante": anthipatia. estão sendo aos poucos recordado. quando representavam um dramalhão. pois.

– 153 – Quando finalisava a polka da quadrilha. só nós o que Deus permitiu que nascessem debaixo da constelação do Cruzeiro do Sul. E' possivel que nos classifiquem passadistas. a unica que tem brasilidade.. mas. a sabemos dansar. Do mesmo modo que os argentinos cultivam o tango e os portuguezes não deixam morrer a "canna verde". nós os brasileiros havemos de aguentar a polka. como recordação dos nossos antepassados e como herança ás gerações vindouras. C. sendentos por um vinho do Porto-barril. dos dansarinos. a cultivamos com carinho e amor. com . tem que obedecer a sua cadencia do mesmo modo que nenhuma palavra se forma sem recorrer as letras do abecedario. suarentos e dirigiam-se ao "buffet".. que eram as bebidas predilectas da gente da Velha Guarda. todos os pares estavam cansados. por uma cerveja Logos ou Guarda-Velha. B. si O "Chôro". * * * A polka foi. – um tradição brasileira. AS POLKAS A polka é como o samba. havemos de mantel-a atravéz dos seculos. tem forçosamente que cahir no passo da polka. não passa de uma recordação do passado. esqueçam que é puramente brasileiro e mistifiquem o que é nosso. não devemos permittir que os evolucionistas trucidem as tradições. como tradição dos nossos costumes. A polka é a unica dansa que encerra os nossos costumes. é e continuará a ser o A. Qualquer que seja a modalidade de dansa que os modernistas ou futuristas possam inventar.

A polka cadenciada e chorosa ao som de uma flauta. etc. um cavaquinho palhetado hontem por Mario. é e continuará a ser a alma da dansa brasileira. que se acham separados. venham para a Cidade Maravilhosa á titulo precario. Néco ou [116] Manduca de Catumby e hoje por Felizardo Conceição.– 154 – as bambochatas que repassadsa da velha Europa cansada e carcomida.. por Juca Valle. Donga. Nelson.. João Thomaz. mas. aproveitam a cadencia de uma polka. Coelho Grey. attrahente e as vezes convidativa aos repuchos do maxixe. de novidade. A polka. com todos os requisitos de elegancia e com todas as tentações que a sua execução provoca. Quincas Laranjeira. um violão dedilhado outr'ora. a brasileirissima polka ainda é a delicia dos namorados. Lulu' Santos. João Martins – foi. . o João de Deus ou Benedicto Lacerda. para os segredinhos da pacificação. o Callado. jámais poderá desapparecer dos nossos salões e das nossas salinhas. Antonico Piteira e hoje pelo mestre dos mestres Galdino Barreto. Bilhar. José Rabello. com toda a sua belleza.. como um preito de homenagem aos nossos bis-avós e como respeito ás nossas tradições. do maxixi. essa modalidade sómente nossa e hoje officialisada nos grandes centros norte-americanos.. Chico Borges. dos apaixonados ou a approximação de dansarinos arrufados. o Rangel ou seja o Pixinguinha. onde foi resolvida a exclusão do fox e outras dansas. com todo o seu explendor de melodia e a sua belleza de musica buliçosa. fosse o flautista o Viriato. Sim.. A polka. Quantas vezes dois entes que se querem.

do Itapirú.– 155 – OS FOLIÕES DE OUTR'ORA porque ali se abrigavam os maiores valentões da época. eram constituiam os famosos partidos dos Nagôas e Guayamús. não raro se colligavam para uma mais respeito e sobretudo [117] harmonia. estivesse presente fulano. medonhas e as vezes envolviam que durante muitos annos foi o pessoal da Gloria e Cattete. Os flautistas de antigamente ao pessoal da Saude e Sacco do eram menos flauteadores que os Alferes. descobriam eram um tanto arriscados. Havia mais camaradagem. porque o "chôro" era constituido verdadeira guerrilha com um de uns blocos indissoluveis. A's vezes num baile.. partido denominado Onde ia a corda. ia a outro caçamba. Chacara do Céo.os lados do Chichorro. que era o maior "chôros" em Catumby eram um tanto perigosos: donatario daquellas terras. Eis a razão porque os uma especie de tenda do padre Simião. que constituiam os bairros de Santo Christo e de hoje. Os bairros mais predilectos Gambôa. couves". Do mesmo modo que os de estariam tambem sicrano e Catumby se colligavam. que Os foliões de outr'ora. até na musica. tambem os do bairro Santa Rita se uniam beltrano. eram tambem chamados "papa. de modo que. pertencente a um partido . onde "Santa Rita". que bem differentes dos de hoje. o bairro do agrião.. lá para Os catumbyenses. dos "chorões" eram: Estas "pegadas" eram Catumby. um convidado Os "chôros" em Catumby.

do violão. quem preferisse o – rabo de gallo – que era uma mistura de paraty. Todo mundo poderia dar e apanhar menos os musicos que eram considerados entes intangiveis. porém. se preparava para sahir com a "dama" a seu lado. * * Findo o baile. até 9. Saude e Sacco do Alferes. Ouvia-se o brado: – Quem trouxe. alta madrugada. no final. sempre appareciam os poetas. Cada um escolhia a bebida de sua predilecção. O portuguez gorducho dono do estabelecimento já sabia e perguntava logo: – Então o que vae? Uma gemmada com vinho do Porto ou uma boa "misturada". o "estrangeiro-adversario". não leva! E o páo comia gente! O mesmo succedia quando o pessoal do Catumby sahia do seu reducto e ia para os lados do Morro do Nhéco. o "chôro" sahia tocando uma polka dengosa e o pessoal mergulhava no primeiro botequim que encontrava aberto. A' paginas tantas. * * * Nos choros da Cidade Nova. O botequim enchia-se de ceresteiros que vinham de outros forrobodós e o "chôro" continuava. 10 e 11 horas. verdadeiras divindades. . mel de abelha e canella. E o "chôro" continuava. O sol invadia o botequim e a flauta se fazia ouvir acompanhada do cavaquinho.– 156 – contrario. Morro do Pinto. de outro bairro. depois que o "chôro" tocava o "galope". A festa corria bem. approximavam-se dos musicos e diziam toque a Dalila. havendo. mas. que variavam as festas com os recitativos. Praia formoza.

pigarreavam concertando a voz. aproveitavam o momento dos recitativos e cantorias e . hoje não faço E lá ia poesia: Eu por ti já dei a vida Era no outono quando a imagem tua. para os cantadores de modinhas. no terreiro um gallo. mandavam tirar um – dó. E ainda mais: Entrava então humoristico: Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi Tomou o bonde Foi p'ra Catumby. ré maior ou afinar á "prima" e berravam quasi sempre com voz de "canna rachada": Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi A quanto tempo Que não a vi Foi. Quando a festa ia em meio. foi. De espada á cinta por não ter emprego E os marmanjos quando vão passando Foi-se embora me deixou Dizem rosnando: sáe daqui morcêgo! Levou tudo quanto eu tinha Até a joia carregou Isto era um brecha. os donos da casa que em geral eram de captivante gentileza para com os convidados. pelas ruas vago Foi. foi. Tambem não se faziam rogados. ao passar eu vejo Tornar-me dellas.– 157 – [118] "Caso de amor tão fingido O que já fiz. que. foi. Approximavam-se dos musicos. o cantor Sou guarda urbano. Verdade fallo – é o meu desejo. Ou então: Ando na moda para enganar as bellas que nas janellas. recolhidos á sua modéstia. instigavam os amigos para que "insistissem" que cantassem. manhosamente. Hoje não dou nem posso" A' luz da lua seductora eu vi. foi. Etc.

e licores feitos em casa durante toda a semana. arroz do fôrno e pão á béssa. – Não apoiado! Não apoiado! – . etc. carne de porco. – Meus senhores! Permittam que eu levante a minha debil voz. A segunda meza era a dos marmanjos. por causa dos discursadores. cerveja Logos ou Guarda Velha. A canja e a gallinha eram substituidas por uma grossa peixada. Mal começava a ser apreciada a canja. E o orador proseguia. Anno Bom e Reis. rabanadas. doce de letria e arroz doce com canella. em pó por cima vinho do Porto. a sobremeza variava: Abacaxy. manja do céo. carne assada. levantava-se um gajo: – Meus senhores! Reclamava então a presença dos donos da casa. Quando se tratava de festa de Natal. (que era descascada e posta de molho oito dias antes com uma boneca de cinza para não amargar e ficar bem molle) doce de cidra. castanhas. Quando se tratava de baptisado ou casamento. de abobora. O "menú" era quasi invariavel: canja (que conforme o nu[119] mero de convidados era mais ou menos aguada). de laranja da terra. amendoas. Doce de coco. Esta demorava mais e os convidados que não fossem precavidos comiam menos.. para neste solemne momento rogar ao supremo . havia sempre um castello de doces adequado ao acto e que representava um presente de um dos padrinhos. onde a mesa estava armada.– 158 – recrutavam as damas que eram levadas para a sala de jantar ou para o quintal. com vinho e assucar. gallinha assada..

.... como direi? Que venha comungar das idéas do orador que acabou de orar.. – Não apoiado! Não apoiado! O outro: – Modéstia a parte! – . tudo quanto apparece na frente é saboroso.... Sapopemba!..– 159 – architecto do universo. – Como está gostoas esta galinha! Diz um a outro convidado: Ergue-se outro orador: – Peço a palavra pela ordem! Todos se levantam: – D.. notavam que já haviam retirado o prato de gallinha ensopada.. sempre o brinde de honra ao bello sexo.. o manto diaphano da fantasia ! – Muito bem! Muito bem! quando todos se assentavam para continuar a apreciar a canja.. Xandóca e seu "Manduca".. para fazer um addendo.. Resultado: levantando-se todos da meza e reclamando contra a "eloquencia" dos .. Começavam então a servir o ensopado. Quando todos sentavam-se novamente.... E os oradores iam se succedendo e os pratos iam sendo retirados até chegar á sobremeza. Hip! Hip! Hip! Urrha! [120] Urrha!. que estenda sobre os donos deste lar abençoado. Jacarépaguá! Outros: – Casca.. desejando aos amphytriões saude e fraternidade.permittam.sim. – Jaca. notavam que já haviam. Quando a gente está com appetite... Casca. já haviam retirado o prato. permittam. Jaca..... – Sapo. Permittam em que eu um dos mais mesquinhos. dos mais indigentes dos seus admiradores. Sapo. Cascadura!....

pela maneira que sabia se conduzir entre seus amigos. e familias. escriptor de musicas sublimes pois compunha desde polka até o classico. Era um chorão maravilhoso. que arrumava um prato de "boia" e ia devoral-o no fundo do quintal. acabou na maior penuria. Torres. um convidado mais intimo de D. Por esta razão o leitor calculará o valor artistico de J. [121] Eximio pianista.. Era amigo inseparavel do sempre saudoso professor de flauta. e Sacra que deve andar por ahi talvez ao léo Infelizmente é a cina de quasi todos os musicos naquella época viver e morrer sem um amparo de uma mão caridosa. Seguiam-se outras mezas de marmanjos. executor e autor de muitas musicas. merecedor de muita disticção. obedecendo ao mesmo rythmo. general Gasparino. O GUERRA Está hoje aposentado da Estrada de Ferro. por haverem impedido que apreciassem os pitéos. que o acatava com grande distincção. Catullo. Xandóca" e de seu "Manduca". porém. TORRES Era de um sopro mavioso de um mecanismo de admirar. J. GONÇALVES (FLAUTA) . do nosso querido poeta e grande cantor.– 160 – oradores. e celebre tocador do violhão. Era de uma inspiração sublimada. Tocava não só bons choros. porque apenas beberam "á razão da mesma". Havia. Foi escripto por elle a bellissima musica da modinha: O juramento. pois. Cantor de modinhas..

e a tornando-se cada vez mais delicia do presente. em todo seu habilidade de um aacercote da sciencia. que queima e E' uma aguia de azas fogueira. A modinha é a evolui todas as paixões de amor. este . esta geração. o lençol que se é um mimo de maravilhas. tem encantos. do namorados. para despertar magia. O mundo de harmonias.– 161 – como tambem o classico com sociaes tendo guarida na élite dos palacios. os mocidade e da velhice. E' a repercussora do passado. onde sulca os bateis dos reminiscencias transitoria. que é a nossa alma. por ser o vulcão que paramos azues. imperando em cheio no coração da humanidade. morros. bom e do bello. ella tem a amor tem na modinha uma leal belleza das épocas tradicionaes. que vae além dos martyrisa. a excencia de todas as (A MODINHA) dores. alvinetente. A nossos sentimentos. que o Leão que dorme o amor. A modinha tem meguice tem todos os corações. Este enobrece todos os pensamentos. A modinha. o bisturil que invade explendor transitorio. é uma enseada do A modinha é o vehiculo de todas as saudades. Ella tem. e nos casebres dos alma e saber. afinal em toda plebe. ella é a modinha tambem muito se percursora de todas as seáras harmoniza com o violão. possantes. A modinha. é um estende na planicie das praias. poesia que diz infinidades de A modinha sabe manejar com cousas da vida real. e as mar. Em ondas compassadas. em toda sua evoluindo de geração em evolução. para estimular Ella opera até na propria todos os desejos nos corações da natureza. que se electrifica. companheira.

Patricio Teixeira. os grandes cantadores de modinhas. Carmen Miranda. Tambem o escriptor deste livro. Oscar de Almeida. João Quadros. Bahia. Bilu'. Eduardo das Neves. Augusto Gallo. Vamos continuar com os sobreviventes que são: João Thomaz. Lulu' Bastos. inspirando accordões nos violões. E muitos outros que não me occorre a mente. Creoula. Siqueira. Napoleão de Oliveira. pois a modinha. Juca Mãosinha. e Aurora Miranda. o segredo da musica. A razão do appellido acima porque quando ria fazia uma pequena . Pedro Paulo. Leonardo de Menezes. Gastão Formenti Petra de Barros. Lily S. Catullo Cearense. com feição bonita. Julio de Assumpção. cultivadores da tradição dessa deusa de amor. Antenor de Oliveira. Paulo. MARIQUINHAS DUAS COVAS Era mulata gorda. que viveu. Mocinho. guarda em seu seio. Nhozinho. Nair de Castro Leal. Horacio Theberge. Calheiros Vicente Sabonete. o que pedimos desculpas mil. desvendando estes segredos. André [122] Pinho. Mario. denominar. Aracy Côrtes. João de Barros. Vicente Celestino.– 162 – instrumento que dedilhado pelos trovadores chorões. e vive. todos estes já são fallecidos. Disiderio Machado. Nene. Sylvio Caldas. Mario Pinheiro. Pacifico. Francisco Alves. Bilhar. fazem o explendor das grandes melodias. Vou aqui. (rouxinol) dos suburbios). tinha um pequeno papo que lhe fazia muita graça. Barros. Leandro. e viverá na alegria do coração do mundo: Peixinho. da Imprensa Nacional. Almirante.

contra seu Estado. um orgulho impossivel de descreverse. Mariquinha era filha da terra do Vatapá e ella tinha neste seu nascimento. Ella vivia em companhia de um tal Manduca que tinha uma fabrica de Cigarros. e liberal. Era muito franca. que tomava. Como sua mãe. botando tudo em um sacco. de que me lembro de um que era Mestre Domingos. . dava a ella tudo. Era muito perseguida não só pelos chorões como tambem os que a vissem. era uma deusa de bondade. pois nunca o gato estava no fogão. ainda abrigava muitos chorões. os que a ouviam. Como sua mãe.– 163 – cova em cada face. que com os seus trezeitos. O seu riso e andar embriagava até as pedras. Costumava ir a Mercado e arrematava grandes quantidades de peixes de diversas qualidades. A sua casa vivia sempre cheia de suas amigas necessitadas que [123] ella as abrigava. E ai daquelles que disse-se a minima cousa. que tambem já não existe. Sua filha era como sua mãe de um genio folgazão. tinha um coração que não podia ver ninguem chorar miseria. A folgazã de quem fallo era bonita de verdade. Na sua casa os chorões era aos cardumes. sem nenhuma protecção. ella não se negava. quer em comidas como bebidas. condoida da sua sorte. fazia bom rir. achando-se sua bolsa sempre aberta para ella. quer fosse por falta de um abrigo o fome. alguns desempregados. A sua casa foi sempre farta. como Piedade. mesmo por brincadeira. e sendo muito feliz. Independente destas. as suas portas estavam sempre abertas. Mariquinhas. cantava bellas modinhas e Lundús. Mariquinhas tinha uma filha casada com um grande musico clarinetista. era uma inimiga.

e pelo quintal outros. A heroina era uma grande espirita. Ao entrar acompanhando o carregador. pois não queria dar trabalho a ninguem. Pois a sua vontade. que era um das ruas perto da Companhia de São Christovão. Indo a uma festa á noite na Igreja de Sant'Anna. Depois de alguns chorões de pandulho cheio fazia um bello discurso a Mariquinhas. hoje tem cousas para vocês esfolar! assim virava o sacco em uma tina. mesmo assim bem chupadas. e assim veio em passos largos. ninguem lhe supplantava no fazer o pirão "peixada". Daqui a pouco já sentia-se o perfume do azeite de Dendê do quento. e ao entrar na soleira da porta deu um grande grito! acudida logo. só existia a espinha.– 164 – despachava num bagageiro e rumava a casa. sentiu-se mal. escamava abria e limpava os peixes. uma delicia. botou a mão sobre o coração. e sempre que me fallava. pelo seu . da pimenta de cheiro. e exaltando o glorioso Estado da Bahia o que Mariquinhas. foi feita. dizia que não queria cahir doente. como aos seus anjos de guarda. E satisfeita. ficava radiante. quando se lembrava de sua terra natal. e assim pedia não só a Jesus. a cada um. e ficar muito tempo em uma cama. comendo aquelle pitél acompannhando de um bello paraty. Em quanto o mais pertencia a Maraquinha que sendo bahiana. Apezar da grande quantidade de peixes ensopado. que desejava uma morte repentina. que ella trazia do mercado. e la vai obra! Todos ali reunidos. e lá chegando. Quando sentava mos a mesa uns. Mariquinhas ia dizendo. dando uma faca. em fim. que era em grande porção. quando todos levantava da mesa. até a sua casa.

etc. e mesmo muito delle gostava. e com elle de máu humor o pobre do Benildo não teve remedio se não dar o fóra de lá bastante contrariado. Destes permanentes. ficava elle nas suas quintas. que com a sua maviosa flauta tambem fazia as delicias daquella casa a quem Mariquinhas muito apreciava. meza. pois alli fazia o seu regallo. que ficando sempre de cra amarrada. quando era a noite lá estava rente como pão quente. . deliciando o bello sexo. Em nossa companhia achavase sempre o sempre chorado Christino de Andrade. [124] Dos chorões que eram visita permanente uns. os seus acompanhadores era eu. Tambem era frequentada pelo meu irmão Quintiliano. que apezar de não tocar. pois já velho. etc. Pois elle tinha tudo. Bilu' e muitos outros que não me vem a mente. collocando-a na cama. Este penetra inveterado chama-se Benildo que apesar de ser operario da Central do Brasil. Hoje este campeão está aposentado não só do logar que occupava. nem cantar. bôa. a cantar modinhas. Esta casa era sempre frequentada por mim escriptor que vivia dia e noite de violão em punho. era um companheiro apreciavel. como em tudo. Pois sendo conquistador de verdad e lá existindo grande quantidade do sexo fraco. o Ernesto Magalhães. o Juca Russo. E assim findou-se esta bôa camarada deixando muitas saudades. bom pirão.. e de vez em quando outros. existia um que não sahia de lá. retirou-se a vida privada. que só teve tempo de corregar para seu aposento. Mas tantas fez que uma dellas aborreceu bastante a Mariquinhas.– 165 – companheiro. bebidas a farta. logo expirou atacada de uma aneurisma da aorta.

e conquista todas as sympathias que elle sabe angariar. tal o seu merecimento. por estes moivos Catullo Cearense. E' pae do grande e estimado Professor J. JOÃO THOMAZ E' conductor de trem da Central do Brasil. é o violão nortista. primus inter-pares. E' um chorão de respeito amigo dilecto de seu amigo. e numerosas familias. por falta de dados. no meio distincto de todos os chorões de sua época. e [125] conquistado por todos os chorões. que faz vibrar no seu glorioso violão independente disso é querido. e . com a sua modestia. e pobreza de minha pennas. e pessoal de João Pernambuco. João Pernambuco. Seu pae João Thomaz é um violão seguro. JOÃO PERNAMBUCO Dizer aqui nessa descripcão o valor artistico. tal é o seu immenso valor. é uma tarefe difficil. e canta muito bem. amigo. tambem grande musico. e fino trato. não só do chôro como do classico. sertanejas. o distingue como um pharol que brilha no mundo da harmonia. a que elle com veneração e respeito priva. Irmão da Opa. Queria dizer muito mais do que disse mas me é impossivel. e bom comedor. que arrebata. de suas poesias. pois João Pernambuco tem magia nos dedos. E assim tudo se finda com o tempo que tudo derroca com a morte. na formação dos tons e na dedilhação das cordas. e tambem como nós. fazia as delicias da casa de Mariquinhas. dos seus congeneres. porque João Pernambuco muito mais merece.– 166 – pois muito brincalhão. Thomaz. Eis aqui tudo quanto pude dizer deste grande artista. e chorão.

na qualidade de investigador. e lá. Macario toca admiravelmente o seu MACARIO . Inda me lembro de uma modinha por elle feita dedicada a uma bella e boa camarada. Depois Macario ingressou na Guarda Civil tendo prestado a mesma innolvidavel serviços. e faz tambem as poesias para as mesmas.– 167 – com grande agrado. compõe musicas para as suas modinhas. e muitas vezes jogado a sua Este nome acima. de admirar. pelos peiores infractores da lei. que se chamou em vida Durvalina. que é um brinco de gosto. vida em holocausto ao bem Tambem já fallecido. FREDERICO DE BARROS Descrever este nome com perfeição. O heroe que fallo. é mais difficultoso do que remoer o Pão de Assucar. Tocou em muitas orchestas bandas e chôros que [126] muito o apreciavam como distincto executor. e lá aprendeu elle com aquelles grandes professores a flauta de que fez prodigio. se applicou de maneiras tal. já tendo muitas. que voltou ao Brasil como grande professor de flauta. publico. Chegou a dar um passeio na França. de Villa Izabel em 1889 onde elle era empregado. e agora ainda mais. foi alumno dos Meninos Desvalidos de Villa Izabel. bastante estimado dos directores da fabrica daquelles tempos pois sempre foi um empregado trabalhador e assiduo. onde tem-se dedicado de uma maneira admiravel fazendo-se respeitar. Macario conheci ainda tocando Requinta na Sociedade Musical Dansante da Fabrica de Tecidos. Felizmente este chorão da velha guarda ainda vive.

bom e distincto amigo. (Não fosse elle filho do glorioso Estado da Bahia). e o autor deste livro. que muito o apreciava pela maestria que elle sabia dizer no seu instrumento. tambem tocava nos instantes. melhor elle dirá. Não quero dizer mais nada. Juca Russo. noites inteiras. Em muitas boas festas estive com este. O chôro tocado pelo heroe.– 168 – instrumento. era tão gostoso. Tinha muitas cousas a dizer porém ellas são tantas. e nos bailes. Desembanhando da sua capa um lindo. e tão b6oas. Logo de primeira vista. Frequentou bons e luxuosos salões. duas e as vezes tres. o saudoso Angelo Pinto. para exhibir-se com seu mavioso violino. e dobrando durante o dia o sol de fóra. nas orchestras dos theatros. não só nas sociedades. acima. Conheci pela primeira vz na casa do meu sempre chorado amigo Côrte Real. com seus acompanhadores que eram Luiz Brandão. que todos eram bisados. onde é conhecido por Symphonia. FERREIRA DIAS (SYMPHONIA) E' carteiro aposentado dos Correios. na Estação de Ramos em uma festa de anniversario na sua sempre lembrada casa. pois era quem organizava o conjuncto para tocar nos theatros. BAHIANO Quem será que na roda do chôro não conhece este heroe? Julgo que ninguem. Apesar de ser organisador de musica. mais que distincto amigo. Néco. e tambem pequenos. como outro musico qualquer. excellente chefe de familia. com . tocando. que para descrevel-as precisava dispor de mais espaço. cantando e dansando. e custoso violão. muito me sympathisei com este grande chorão. foi logo fazendo um Mi-menor.

Aqui fica registrado o valor de um amigo . tal o seu valor real.– 169 – todos os seus accordes que fiquei todo arrepiado. e que não me lembro seu nome. e me achar cançado da lucta. Conhece o seu violão como gente grande. A muito que não o vejo. officleidista afamado. e difficultosas outras. muito lastimoso queixou-se a mim que tinha sido roubado no seu mavioso instrumento. é dos bons. tendo me sahido desta intaladella com bastante difficuldade e assim. TORRES OFFICLEIDE Muito digno funccionario da Prefeitura. que eu com meu cavaquinho me vi bambo para o acompanhar. mas posso afiançar que era dos bons. é um general que não foge ao maior perigo. e escutar a sua bella e maviosa voz. aos meus leitores. e arte que elle desenvolveu naquelle instrumento. como grande musico. e que Bahiano comia aquillo com a maior facilidade. Logo após solou uma polka difficultosa. só fazia prazer. me dizendo que seria muito custoso encontrar igual. especialisando o seu mais que glorioso Estado. pois faz delle o que quer quer. e linda. tal a maneira do gosto. retirando-me a vida privada. Só posso garantir. nestas difficuldades solou muitas outras. pela idade. o que eu acreditei por ter a felicidade de vel-o. Depois desta festa encontrando-me com elle. mesmo por ter me retirado dos chôros. que Bahiano. [127] Tocando com bastante facilidade umas. dando assim grande gloria ao Brasil. Na festa se achava um flauta empregado na Leopoldina. Nos chôros onde tocasse.

deixava aos ouvinte.– 170 – dedicado. Abilio no acompanhamento não só solava admiravelmente. desta modinha. onde tambem Não vistes a peregrina foi o sempre lembrado Alferes Que matou teu trovador Abilio. o maior encanto. funccionario e chorão como tambem. perfeição de extasiar. Tendo embarcado modinhas. acompanhava a todos os solantes. E assim cantando toda a mopois a morte o surprehendeu ainda na flôr de vinte e poucos dinha. em que o grande garbo por esta que era de sempre lembrado Visconde do sua predilecção: Rio Branco foi obrigado a Não vistes a nebulosa. Abili era sublime violonista. e outras de seu . exemplar. annos. conhecido por major [128] Sant'Anna. mandar para aquellas paragens De um fluminense cantor. com grande amor. Entre as muitas com o Brasil. sempre acompanhadas Na questão solicitada do Perú por seu filho. um contingente. por questão do modinhas que cantava. bom chefe de familia que encantava aos seus ouvintes. com uma da velha guarda. Fazia no seu instrumento accordes ALFERES ABILIO DE sublimes. Era dilecto filho. do major do Seu pae o major Sant'Anna era Exercito. tinha um Territorio do Acre. no posto de Alferes. Conheci como segundo cadete do 10° Batalhão de grande cantor de bellas Infantaria. e tinha prazer de para o Acre. e assim era muito SANT'ANNA conquestado pelo seu real valor. Lá chegando pouco durou. cantar.

Seu pae tinha garbo daquelle filho. para acompanhamento. em companhia dos mestres de chôro.– 171 – sempre lembrado e chorado pae. como tambem seu filho. Sempre apreciei o seu alto valor no dedilhar do seu mavioso violão. por muita boa vontade que se tenha. EUGENIO TORRES Sinto-me feliz em poder no meu livro. Ahi fica nestas linhas escripto o valor de Abilio e seu pae. Era mesmo de admirar. para conhecimento dos chorões d'agora. Ouvir tocar este artista equivalia uma epopéa. e distincto amigo. Abilio era bom. Raymundo . Paz as suas almas. Seu pae era de grande cultura. e que mesmo no accaso. illuminará sempre com suas lembranças e todos nós. e os vindouros do valor real destas duas entidades. Chico Borges. e por isto não lhe davam folga. em que tocavamos juntos. onde com o solo de seu violão. até tambem a nossa eternidade. impossivel de descrever-se. que a elle faziam. como para as bandas da Saude. os bons solantes que tinham nelle um companheiro sem igual. Foi de fama no meu tempo. chamava a attenção de todos os seus moradores. e de uma educação. pois era de encantar. Fez boas farras. onde passei horas bem alegres. e educado ouvido. que como um sol que appareceu. era muitas que faziamos na Cidade Nova. Tinha um apurado. escrever. Frequentei por seu intermedio a casa de sua distincta familia. deixava todos com o maior contentamento. os maiores elogios merecidos. este immenso chorão. com seus acompanhamentos. pois além de ser um executor aprimorado. o que muito satisfazia os solantes. pois entrava de serviço diariamente. que muito o admirava.

depois .– 172 – Conceição. ficando de metal. bem admirado quando num como musico da Banda de choro escutei-o com seu Musica Flôr de Sant'Anna em mavioso violão não só Nictheroy. onde elle morava em Anaya. que só póde o elevar e a chorão afamado. feita de suas conhecendo. aqui descriptp mais o menos o como homem sério e seu valor real que mesmo assim trabalhador. fiquei tambem admirado de ver pois mesmo muito o tocar ocarina. pois sustenta a sua fica muito a quem de dizer o illustre familia. JUCA MARQUES sua distincta familia de que eu tive o prazer de conhecer. tantas VICENTE SABONETE é as diabruras. tocando em . Cordeiro de São companhia do meu inseparavel Gonçalo. tal os seus feitos partido de enebriar. Conheci-o em 1882. que elle faz no seu instrumento. casas de Caixeirinho. João Thomaz. nas acompanhando admiravelmente. ophecleide e depois bombardino Vicente. como tambem fazendo solos de arrebatar. E' tambem muito habilidoso e Fallar no nome deste heroe do choro. O violão nos seus dedos de seda em suas seis [129] cordas. não só nos choros. e Mamede. O amigo. Nasceu em logar chamado quando carteiro da Rua Lavradio. musico de nomeada. conheci muito menino finalmento todos instrumentos quando nada tocava. E assim fica heroicos. encontro grande proprias mãos! onde elle tira um difficuldade. o seu sempre chorado seu instrumento foi sempre avô que muito com elle privei. me é bastante difficil. fica-se extasiado. com seu labor e valor deste meu grande amigo e honra.

Conheci por intermedio de Serpa Pistão. assumiu a batuta desta referida banda que ainda hoje na avançada idade de setenta e tantos annos é copiador e archivista da mesma. tal a sua agilidade. os meus sinceros aplausos. e tambem fui a elle aprezentado pelo Madeira Ophicleide em um choro la para as bandas dos suburbios. hoje dá preferencia ao banjo. onde elle é aclamado com muito enthusiasmo e admiração. este divinal instrumento tornando-se deste modo um profissional artista. Receba pois Nelson. muzicas dificeis. Juca Marques. [130] NELSON ALVES Eximio tocador de cavaquinho. onde elle fez diabruras de assombrar. onde se achava Catullo e o inesquecivel Bilhar. em Nictheroy. armado em Bandolin. e mais tarde. de merito na roda dos chorões de sua classe. . solando. e profissiencia no saber tocar. Mais tarde o Juca Marques. ao lado do grande Damasio. Pedro.– 173 – choros. e acompanhando com facilidade. porem. debaixo da batuta do Coronel João Elias. Receba pois. Juca Marques por intermedio destas linhas um apertado abraço. hoje é chefe de numerosa familia e um cacique considerado que vive para a sua prole. musica da Banda Policial la Provincia. e outros musicistas de nomeada d'aquelle tempo em que a Banda fazia retretas no jardim Pinto Lima. PEDRO DE HARMONICA Era impressor de muzicas. sabia tirar partido de sua Harmonica. é um eximio musico que sempre teve predilecção pelo choro. Juca Rezende. Eis o que tenho a dizer deste chorão.

A sua voz era de maravilhar. Nada mais posso dizer. e muito outros executores Pistonistas. e uma garganta de Ouro. era um artista de renome. e que diga o nosso distincto Poeta e Cantor Catullo. hoje se acha aposentado. e por isto não cantava modinhas de mais nin[131] guem tal a paixão que elle tinha por aquellas. O heroe acima admirava e idolatrava as modinhas de Catullo. que se revalisava com José Soares. esta que marcarão sua época. GUILHERME "O MANGUINHO" Este cantor se immortalizou cantando as modinhas de Catullo. VELLOSO O MOR . autor de muitas excellentes muzicas. este chorão inesquecivel. Manguinho. que guarda com veneração no intimo de sua alma esta tradição de saudades. Era um peito de aço. que tem por elle grande admiração e devotamento. um talvez maior do Brazil. Capitão Rogerio. é aposentado do Theszouro Federal. para muita gente. e adorado por todos que tinha a felicidade de conhecel-o. muzicas estas que fizeram os encantos daquelle tempo. e celebre Pistonista. mas não para o escriptor destas linhas. CAMAS Era funcionario do Oeste. Foi um trovador respeitado.– 174 – CAPITÃO ROGERIO Mestre de bandas de muzicas. pois é um fervoroso apostollo das modinhas Brasileiras. onde com zello e assiduidade prestou relevantes serviços.

Que diga Catullo. Isamel fica doido quando entra na fuzarca. descrever este inveterado apreciador do choro. hoje grande dizer com isto. e amigo de verdade do choro. é hoje do tribunal de contas. trezentos e sesenta e dois dias. e dos chorões. Vou mais ou menos. e custa sahir. ADHEMAR VIEIRA Foi funccionario da Alfandega. comprometome dar mais desenvolvimento o perfil deste chorão. na segunda Ediçào deste livro. Com esta quadra absorve o Ismael de todos seus pecados. Com seu violão. o Poeta sertanejo que é delle um grande admirador. quero naquelle tempo. não tenho dados . ISMAEL CORRÉA Ismael alem de ser um violão.. Não é dos grandes tocadores mas o que toca. igual a muitos outros ou quasi todos.. o violão. em punho. um dia contou-me um chorão. E' destes que não dá para traz. não é pouco é justo que nos tres dias de carnaval se seja louco. pegou-se em desafio com o sempre lembrado Ventura Caréca. que o bom do Flautista. pois nos choros é peior que uma criança. não a quem possa com elle. que Velloso. pois ter juizo. razão porque. diz com alma. e conhecedor de todos os tons deste dificil instrumento. foi uma pegada feia: não havendo vencedores pois ambos eram chorões de primeira agua!. CECILIO Foi Presidente das Pragas do Egispto. sociedade em que Valioso tocador de Flautim prestou relevantes serviços o seu amor pela arte muzical.– 175 – Violão de fama. Toca com precisão e gosto.

a muito teria ingressado na Academia de Letras.– 176 – muitos conhecidos para descrever este grande personagem. de quem elle é um fervoroso propagandista. Se meu voto tivesse valor. um exímio chorão destes que não arrepia. Sei tambem que é dignissimo operario do Arsenal de Guerra. que foi. por ser elle o idolo das modinhas Brasileiras. maneiras sinceras. onde conta no meio de companheiros de trabalho innumeros amigos. Ao fazer. Depois de fazer justiça merecida ao nosso venerado Catullo vou mencionar a guisa de Sateletes ao redor do . porem sei. e apreciador das suas produções. O Poeta Catullo da Paixào Cearense. o remodelador de tudo que é nosso. OS GRANDES CANTORES Descrever estes grandes astros com perfeição. Aqui finaliso dizendo quando podia dizer deste velho companheiro chorão. e expressivas. e de todas as nossas muzicasantigas. me é bastante dificultoso. este que sabe cantar e tambem dizer. e que ainda é. tal o seu valor real para mim. Aqui fica nestas referencias as minhas considerações a este grande artista. era um gentilimam. e de fino trato. e de milhares de seus apreciadores. carreira por mais terrivel que esteja a batalha. pois elles são tantos. Não sei se ainda vive? Era grande admirador do immenso e idolatrado Poeta Catullo. pois foi e é um astro de primeira grandeza pois as suas produções ahi estão para nossa admiração. tenho que citar aqui mais uma vez o mestre dos mestres. e seus feitos maiores. [132] PROFESSOR NICANOR Professor de Flauta e eximio executor.

está abarracado em casa de um amigo veranneando conforme a sua phrase. que fica num pagode" noventa dias!. pois já dedicou . e fazendo uma estação de "agua" que passarinho não beb!. Peixinho. Terra Passos... Mario Pinheiro. funcionario da Estrada de Ferro!. Prachedes. João Tomaz . Geraldo. Nenê Mario. de vez enquanto elle desapparece e nem a sua propria familia tem noticias do mesmo! porém já estão acostumados a estes retiros. Bilu'. Barros. da velha guarda. Nozinho. e sabem que Uriel. Rouxinol dos Suburbios. trovador adora o deserto e é um amigo apaixonado. Felice Roxinho.. Felix Baptista. Alem. URIEL NORIVAL Este extraordinario trovador Poeta sublime. Sinhô. Uriel. Barnabé. Adhemar Casaca.. Que foram: Boneco. Augusto Pedro.– 177 – Sol. França.. Bilhar. muitas vezes certo dos sapos. pois descrevem tudo que este formidavel bohemio sente n'alma! Quem não conhece o Uriel? [133] "O casa cheia". Moreno. Placida dos Santos. é o verdadeiro escriptor sentimental. Cadete. Leandro.Teffi. Pedro Paulo. Xisto Bahia. Juca Mãosinha. Branquinho.. Uriel. André Pinho. e muitos outros. Napoleão de Oliveira. Augusto Sachristão. Anthenor de Oliveira. Theberge. Disiderio Machado. São João. Nonô. Jonjoca. Lulu' Bastos. as suas letras musicadas mexem com os nossos corações porque todas são de uma beleza inegualavel. os grandes chorões. Angelo Pinto. Augusto Padre. Olympio de Oliveira. Julio de Assupção.

e chorão não se demorava. Principe de melodia. nem se falla! Me jogou muitas vezes no chão. Afinal. Com o tempo fui me acostumando. Então real valor. extasiar Conhecia muito bem a conhecido pelos ouvintes de mechanica da mesma. Infelizmente tambem já elle fosse. é dotado de uma intelligencia fora do commum. pois o seu sopro era O apelido acima. Toquei muito em bailes com este do samba e da modinha. executor de violão. Quando encontrava um amigo. Uriel. que o acompanhava com a maior facilidade. e mais. manejava com arte e explendor. da canção. era as pressas. no dedilhar de puzeram este apellido. FRANCISCO ALVES Na Rua por onde andasse era sempre correndo. ou um Escrever este grande cantor. Então em casa do Bita. Vieira não só tocava em choros. o que elle fazia. mas sim porque tudo é morto. VIEIRA MALUCO Cinemas.– 178 – heroe do choro. como tambem em Orchestras. pois a Radio. Com tudo invejada vós. . não é que divinal. pois tinha muito choro dificultoso de fazer arripiar carreiras. pois era sublime artista. como garganta de Ouro. serenatas. que elle sublimessimo violão e de não se incommodava. aos mesmos uma duzia de sonetos! Este "chorão"sabe se conduzir nos lares de seus amigos pois além de ter um preparo superior. sei que estou despedia-se e lá se ia na maior muito longe de o fazer tal seu rapidez e a passos largos. é um dos maiores trovadores dos ultimos tempos. que a todos faz razão porque é isto era um flauta sublime.

ao lado de Alfredo Silva. introduziu o Violão no Conservatorio. com o aparecimento do Radio. em mil novecentos e doze. que é bastante merecedor. fazendo o estímulo na phalange que pertences. deste inegualavel leader do violão. no estran[134] geiro. hoje Instituto de Muzica. em 1908. e primus interpares dos cantores da actualidade e alvo da maior admiração no Brasil inteiro. e apreciado. engrandecendo as nossas Avenidas Palacios. que tocas e interpreta as muzicas genuinamente Brazileiras. fazendo pontas e cantando modinhas com vós ainda pouco educada. este. que vem dos morros. Quincas . e enche de alegria a nossa cidade maravilhosa. Arranha Céos. José Cavaquinho. que em companhia de Catullo. Conheci-o com o apelido de Chico viola. para que o violão se exhibisse nos grandes e aristocratos Salões.– 179 – Francisco Alves. onde é um idolo da maior veneração. os teus feitos. Carlos Torres. especializando-se na Republica Argentina. para que. José. Figueredo. pouco mais ou menos no Theatro S. meu bom Francisco Alves. Onde deu uma audição. o fallecimento. com verdadeira justiça. foi-se aperfeiçoando e hoje é um pharol que illumina o meio a onde elle é aclamado. MORREU QUINCAS LARANJEIRAS Pranteamos aqui. com grandes aplausos. daqui a meio seculo. propagandista de tudo que é nosso. Progrida pois cada vez mais. possa ser descripto. e como. e outros que não me vem a mente. pelos chorões da minha tempera. abrindo caminho. pelo modo e maneiras que cantas.

seria capaz de reproduzir. Honoria. sabia tirar de seu instrumento. fez a sua passagem. Polkas: Me espere na sahida. e nova guarda. que desappareceu deixando após de si estas maravilhas que se findou. Galdino Barreto.– 180 – Laranjeiras. deste planeta. que desapareceu. Saudades. Que não sendo o crepusculo do sol. Encantada. deixando em seu percurso. deixando a saudade. que nem o pincel Murillo. por entre chorões da velha. harmonia e bellos acordes de seu mais que brilhante Cavaquinho com bons predicados de um bom filho. Valsas: Izaltina. Foi assim como o sól. MORREU GALDINO BARRETO Como um sól que circulla. Ao escrever este Necrologio só tenho em mira realçar. e outros daquella ou desta. e valorizar o nome glorioso do grande e inesquecivel artista que se chamou Quincas Laranjeiras. E foi assim. com sua inspiração musical. onde se retrata o crepusculo. o brilho transitorio das harmonias sonoras. . Ricardina. Féra. como uma estrella diamantina. que sumiu-se esta Estrella. foi o crepusculo da muzica nas produções que abaixo menciono. Recordação. imitar com cores Yris o deslumbrante painel da natureza. fazendo a sua rotaçãodiaria e depois some-se no occaso. Na sombra da Laranjeira. que só elle. e sim. sem que a nossa Imprensa dessem not. o quadro maravilhoso. e verdadeiro amigo. Morreu levando comsigo todas as suas illusões. a todos aquelles que tiveram a felicidade de o conhecer. de um bom pae. geração. Os olhos de Flausina. della. de um bom esposo. deixando tambem no seu trajecto. deixando após de si. os effeitos do sol.

hoje sua casa muito bôas festas. tocava Cruz. e maior gatoria em todos os "pagodes" cantor do Brasil Catullo sulapando os cantadores de Cearense e o velho Bilhar por fama. onde Abolição. que tantos termino estas linhas co o corações fez pulsar tambem coração cheio de saudades. E assim se recolherem aos bastidores! Este cantor. era proeminente das serenatas. Quem não conheceu o Zé Monteiro. pois possuia uma voz maravilhosa! Zé Monteiro JOÃO RIPPER foi um principe no cavaquinho. no Engenho de ALVARO CUNHA (Mocinho) . figura obriconheci-o como guarda da [136] Alfandega. quando nas salas ou no quem Ripper tinha por elles sereno cantava as letras do grande devotamento e muitos Grande Catullo. tive com elle intimidade frequentei a sua casa em companhia do poeta. infelizmente já dorme o somno da eternidade. cavaquinho e violão. JOSE' MONTEIRO Quadrilhas. Mazurcas. dava em na rua 13 de Maio. no Engenho de reunia o pessoal mais Dentro.– 181 – e Dentro? Cantador de modinhas que deslumbrava. arrancava do outros chorões a quem o Ripper povo os maiores applausos! offerecia a cada um d'elles um obrigando a outros cantadores a grande discurso. teve a sua grande época. nas farras passadas. e Muitas outras. O mais destemperado de era pessoa grata de Guttemberg todos os foliões.

e ter muita pratica. PINGUSSA O nome de Pingussa. era cem tombos.. afinal é uma estrella que ainda brilha. se não em cada modinha. O velho Alexandre. (O Animal) deseja que tu vivas 200 annos e sempre "mocinho"!. só mesmo acompanhada por elle. é actualmente unico rei das serenatas. Para acompanhar o heroe acima era preciso ser violão de verdade. JOÃO LIMA companheiro como poucos. e de todos os cantadores e tocadores dos suburbios. pois onde tivesse não lhe faltavam os applausos. cantava uma ou duas noites as suas modinhas inteiras. sem repetir. Com uma vóz encantadora. e mostrando o valor dos antigos chorões. conhece. Guttemberg.. bom amigo. tem sempre recordações que nos fazem nascer as lagrimas nos olhos. tinha vóz de barytono. Inda hoje a sua morte é pranteada. João Lima era chorões da velha guarda. fazendo successo. principe da velha guarda. e ainda canta e acompanha as modinhas dos nossos tempos! este "malandro" é uma casa "cheia" porque sósinho faz uma festa com o seu violão! Mocinho. a sempre lembrado por todos os todos arrebatava. pois Mocinho. Em fim as modinhas de João Lima. foi companheiro inseparavel de Leandro. Era muito conhecido não só aqui como em todos suburbios. onde tinha innumeros admiradores e amigos. a de ser Luminar dos Seresteiros. pois era de um gosto extraordinario. tal a falta que fez entre os chorões da velha e nova guarda.– 182 – Mocinho. Era funccionario da Estrada de Ferro. .

deixa um vacuo consideravel e difficil de ser preenchido. violão e bandolim sublime! No acompanhamento é de admirar em qualquer dos dois instrumentos. e lá no seu bandolim e violão deixava todos extasiados independente da sua fina educação. de todos que com elle conviveram. JOSE' AYMORE' Era cavaquinho e flauta e da turma de João de Brito.– 183 – As notas arancadas de seu em Nictheroy. era um chorão de facto. Flauta já descripto por mim neste livro. pensamentos como um penhor TUTI de saudade. ainda repercute batuta estimado e respeitado no vibrando em nossos seu cavaquinho. que não conheça o bom Tuti. não só aqui como Bem poucos chorões. assim sendo presto nesta descripção uma homenagem a esse chorão que se chamou José Aymoré. Além de tudo isto. DA ESTRADA DE FERRO Foi um bom tocador de violão. [137] Astro do quilate deste grande artista! quando desaparece. elle sempre soube adquirir sympathia. era um excellente cantador de modinha. Pingussa. este que teve a sua época no tempo em . E' reformado hoje do Corpo de Bombeiros. No sólo? nem se falla! Deixa apreciadores bambos das pernas tal a maneira do manejo nesses dois instrumentos. e que fez á alegria com seus choros em muitos lares. haverá. VELLOSO. onde elle era um violino.

Gracinha vendo-s aqui separado de seu amigo. . como praça de Policia. andando quasi sempre. fizeram o agrado da bôa e agradavel população daquelle logar. atracado ao seu violão. onde cantando. e o segundo Guarda Municipal. prestaram seu serviço ao lado do inclito soldado Floriano Peixoto. Porém nem mesmo assim. Tocando muito bem violão (e cantando admiravelmente. e Gracinha voluntariamente alistou-se no Batalhão Municipal que naquella occasião se criou para defeza da ordem. e d'acolá. como tambem seu inseparavel amigo Pestana. Pestana foi guarnecer a cidade de Vassou[138] ras. Estes dois andavam sempre juntos. como obrigação. com bastante pezar daquella excellente população. julgo nunca ter galgado posto algum. Quando terminou a revolta. dando prazer e alegria ao pessoal que tanto lhe applaudia. os heroes regressaram á esta Capital. não poude se conter! Empenho d'aqui. tambem. e tocando. Velloso foi do bom. esquecia-se de ordens e disciplina. ERNESTO PESTANA E GRACINHA O primeiro foi Praça de Policia. onde o noso bom Velloso se exhibiu com todo gosto.– 184 – que o choro tinha brado de armas no suburbio. Pois bem. onde estava um. Pestana. estava o outro. deram-se muito bem naquella linda cidade. detinha-o de farrista inveterado. Ambos na revolta da Aramada. E arranjou ir para lá tambem destacado. Pestana. Pois de um genio folgazão e inveterado farrista. na revolta da Armada. levando de vez em quando uma cadeia.

tocou sem parar no seu . fazendo a maior consternação aos seus amigos que muito o estimavam. Disseram-me que em um torneio o chorão acima. Sem mais assumpto neste perfil. percorria os mundos de harmonias. BRANT HORTA Lucio sempre com muita difficuldade. bem na Ponte dos Marinheiros. recebe Palmieri o meu abraço. em um bond da Companhia Villa Izabel. acompanha tambem com grande maestria afinal de Palmieri tudo é bom especialisando a sua excellente educação e fino trato. Esta ultima particularidade já trouxe dos seus paes. Sóla muito bem. tornando-se deste modo. tocava muito bem o violino. Este morreu de um desastre. ao fazer perfis de celebridades iguaes a esta que vou tentar descrever. Pois Horta era um pedagogo. que elle manejava admiravelmente.– 185 – Gracinha era tambem da mesma tempera de seu companheiro e amigo. PALMIERI E' tambem violão de encantar. com accordes que só elle arrancava com inspiração. Eis tudo que tenho a dizer. especialisando-se no bandolim. Ver o heroe acima tocar é um céo aberto. que abraçado ao violão. e cavaquinho. Porém apaixonado pela musica. [139] CHICO NETTO Era funccionario dos Telegraphos. violão. um chorão de valor. Ambos já são fallecidos. deste astro luminoso e professor Emerito. e tanto assim que toca no bando do excellente flauta Pixinguinha.

JACOBINO FREIRE Este bom chorão trabalha ha Escrever este meu amigo de muitos annos no Jornal do peito me é bastante impossivel. Sabia cantar e dizer com alma. Olavo Bilac e muitos outros no Largo de S. Discute esas linguas com profissiencia. que ir em vida para o céo. pois era uma capacidade intellectual. foi chorada e pranteada pelos homens de letras daquelle tempo. Francisco.– 186 – bandolim mais de quarenta e oito horas. Castellões e muitas outras. Descrevo aqui esta cellebridade porque Jacobino é o Poéta dos chorões. Latinista de primeira grandeza. é mais difficultoso. afim de supprir a falta do que elle tocava quando arrebentasse uma corda ou desafinasse. Eu que muito com elle privei sei o quanto vale. Rijo e forte parece um menino de seus vinte annos. e immenso valor. as delicias de tudo que nos falla o coração. ainda não dobrou a sua espinha dorsal. por isso levou tres bandolins. tendu um repertorio de Modinhas que por gosto se podia ouvir. Lucio tinha a lucidez de seu nome. Demonstrando assim ser um tocador de follego e grande resistencia. funcionario da Imprensa Nacional. LUCIO REIS Era um bom amigo e distincto cidadão. tal o seu grande. na confeitaria Paschoal. Descrever Jacobino. A morte de Lucio. Muitas vezes o aprecier na roda de Luiz Murat. conhece o Portuguez a fundo. e voz suave. FRANCISCO GALVÃO (CHICO CARE'CA) . apezar de já estar no senectus et morbus.

mal ou bem fazendo o que podia. Era de um genio alegre e folgazão sabendo fazer boas pilherias. de maneiras que só por isto era conquistado por todos que o conhecia. JUCA MÃOZINHA Era filho de um sapateiro alli na Rua do Estacio de Sá. E assim com sua vós um pouco baixa. explendido chefe de familia. era muito magrinho o que não impedia de comer como gente grande. ia dizendo! Quasi não posso andar! E logo este desabotoava o primeiro botão das calças e sentava-se de pernas esticadas por não podelas curvar. pois o estomago estava muito dilatada e hia assim. Juca . é bamba no Trombone e turuna no Obóe. que as vezes encabulava o camarada. só servia para acompanhar as modinhas que cantava. Tocava muito pouco. afim de contentar as pessoas prezentes. e que tinha uma bella e suava vós.– 187 – Commercio. todo cheio de si. instrumento este por quem elle tem muita predilecção. Eis tudo o quanto tenho de [140] dizer deste chorão antigo e muito querido pelos chorões da velha e nova guarda. Levanando-se da meza. Chico Cereca é um chorão devertido. Eu tambem que comia bem ficava admirado de vêr um homem daquella forma acompanhado com as bellas cervejas vinhos e etc. Tinha um braço um pouco seco. Apezar de sua estatura ser baixa. um coração de ouro. e assim apresentava-se nos choros com seu violão em baixo do braço. Amigo sincero e respeitador. por esta razão não podia de modo nenhum deixar de lhes prestar esta homenagem aqui.

de escriptores allemães. que tocava em uma Sociedade Dansante. lamento cheio de saudades o seu desaparecimento no meio dos chorões. Por isso era conquistado pelo bello sexo. Era distincto amigo. como em todos suburbios. denominada Adamastor. nem se falla. e compartilhei com sua amizade. que JOÃO CAPELANI elle com maneiras graciosas. gente grande. onde hia até o enterro dos ossos. pois depois de seu casamento pouco viveu. deixando saudades a todos os chorões. e excellente chefe de familia com elle muito privei. Era especialista nos tangos do inesquecivel Ernesto Nazareth. Companheiro inseparavel do inesquecivel e saudoso Bilhar. lá para os lados da Cidade Nova. cazou-se depois de já um pouco maduro. [141] JULIO BARBOSA Chorão antigo e inveterado. Era um prodigio nas nossas polkas. Era . Tocava cavaquinho como as espectativas do genero.– 188 – Mãosinha. e Catullo. Deixou muitas boas composições. e falleceu em Nictheroy. o que elle adorava doidamente. Era bom typographo dos jornaes daquelle tempo. Gostava muito de um baile. sabia corresponder Néco. querido e fallado não só aqui. n'um choro. MANECO LEAL Primoroso pianista. e nas valsas lentas. pois tinha brado d'armas. e sympathia razão porque. O Maneco. E assim foi-se mais um que fazia alegria nos lares. fazia o piano fallar. assim como em muitas outras. e nas mazurkas. e Era irmão do grande violão finas verves. e retirou-se da lucta para sempre.

Onde este heroe estiver não tem ninguem triste. parece um general quando nos campos quer ganhar a batalha. pois resolve os problemas mais dificeis com a palavra sim!. Dos chorões velhos quasi todos já se acham retirados: Porém. como todos que tem a felicidade de conhecel-o. os applausos que sempre lhe dispensei. que é uma bellezza. E assim sendo continu'a a ser um chorão admirado e respeitado. a palavra não. Receba pois Dr. onde com seus feitos immortalisou-se. Sempre foi Smart. é de extasiar.. No Rio não existe Sociedade que não conheça este astro do choro. Por isso daqui envio-lhe os meus sinceros parabens por este astro . é não conhecer. Julio. BULHÕES Chorão velho. Pois Julio no tempo que tocava era senhor dos segredos do piano pois quando o acompanhava com meu violão. me trazia de canto chorado. trajando-se com apreço e bom gosto.– 189 – pianista chorão de facto e respeitado na roda de seus congeneres.. O seu maior predicado. Hoje retirado do choro. como tambem dos novos. Bulhões não! Cada vez mais agarrado ao piano que elle toca com grande facilidade. e delle recebi muitas boas lições musicaes. é um intellectual da nossa Engenharia. Bulhões toca tudo não só dos velhos chorões. e de fama. pois com seus trocadilhos engraçados só faz hyllaridade. Tem grande quantidade de musicas de sua lavra. Sempre foi de uma generosidade sem limites e de uma educação fina e aprimorada. com toda justiça de quem é merecedor. Conheço muito de perto este grande musicista e sei o quanto elle vale não só para mim. Com elle muito privei.

de facto era deveras engraçado. e um sincero amigo. porque além de ter bellissima voz era um dos cantores mais afamado de seu tempo! Morreu muito moço. aonde estivesse cantando enchia a rua de ouvintes. BARNABE' GUIOMAR BOIS Cantor de modinhas de meus tempos ainda. nas modinhas. Em fim era dilecto amigo. uma serenata organisada por Barnabé e seus companheiros transformava-se em tres. pois ambos eram operarios do Arsenal de Marinha. arrancava os maiores applausos dos presentes. Tinha choros molle. pois sabia corresponder a confiança que os chefes das casas lhe depositavam! Nas cançonetas. Barnabé. nesta cidade. companheiro e collega de repartição do grande Antenor de Oliveira. Tem algumas boas composições por elle feita. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. quando se falasse no chôro não dava pra traz. [142] AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. . e seus suburbios. que abriam os seus lares para este bohemio. despertava alegria e saudades nos corações das familias.– 190 – de fina tempera. que foi um bom filho. Barnabé. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas da quelles tempos que já se foram. quatro ou cinco dias de farra! porque este trovador. Que diga o Catullo e o Idomineu. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. era um chorão adorado por todos que sabiam dar o valor aos trovadores das madrugadas d'aquella época.

todos os seus descendentes. Esta celebridade. e quando elle era um eximio nos acompanhava para toda. no nosso conjuncto. e os seus Conheci-o como um dos trocadilho eram expontaneos grandes ornamentos da tanto no palco como na inesquecivel Companhia intimidade. e um chorão e chorão de verdade. e cummunicativo. Com elle. [145] . pois em dava a vida por uma seresta. pois era um passaram. Tocando em seu violino. onde enlutou o Theatro Nacional. uma obrigada. muito toquei. com perfeição e gosto. conheci pois o França. eu mandava um portador MAESTRO VILLA LOBOS esperal-o na porta do theatro. depois dos espectaculos. de um eximio havia uma peça. das serenatas que já prodigio.. O seu fallecimento Dramatica Dias Braga. este que foi tempo. em companhia do grande cantor e poeta dos Sertões. tornando-se por isso muito popular. onde o violão artista. No theatro todas as vezes que o que é muito nosso. até chorão. tudo para os suburbios e Nictheroy. Tinha muita ACTOR FRANÇA presença de espirito. artista considerado. quando tinha um bom chôro para ir. elle. era. são munido do seu querido violão. Conheço a sua prole. Era seguro nos accordes e nos quaes vejo reflectir em cada cantava quasi todas as modinhas um d'elles a imagem do meu e lundús em voga n'aquelle bom amigo França. dignos da minha consideração..– 191 – deixando nos Corações de seus amigos as mais vivas se exhibia o França fazia lembranças.

este distinctissi. quando se toca um samba intimo amigo. que tantas delicias tem a maior attenção. nem devia morrer. de quem é crata. Por que elle foi além dos paramos com as suas producções originaes de musicas theatraes. para os mo chorão. é sempre ouvido com chôro. pois por mais que eu diga. razão porque. com todos os predicados melodiosos genuinamente brasileiro. ha indivuos que não podia. e companheiro de de Sinhô. Sinto-me fraco quando tenho de dizer qualquer cousa de um personagem da esphera do grande maestro Villas Lobo. . dado a todos os auditorios.. e inegualavel desenvolvido e tomado vulto. deste dilecto artistas. que o samba tem se Violão celebre.descendo do morro. Sabe porque leitor?. de que elle é um dedicado amigo. porém Sinhô morreu quando devia. é o progenitor do salões aristomuito digno Dr. SINHÔ REI DOS SAMBAS Infelizmente a vida tem seus caprichos. que glorificou e elevou a nossa musica no Brasil.– 192 – Catullo Cearense.. um grande admirador do Mestre dos Mestre. Advogado [146] Lauro Salles. Com elle muito privei. Villas Lobos é hoje uma gloria do nosso amado Brasil. que foi cognominado Rei dos gostam de ouvir as boas Sambas. já está por si inautecidos. ainda é muito pouco. por elle levantado. acompanhador. eis o que tenho a dizer damente. pois genio igual a elle. e muito merecimusicas. Catullo. Ainda ARTHUR ALVES hoje. sempre foi e é. como um pedestal. onde encarnou o nosso querido e estimado samba.

ficou encantada com o solo do pistão. que findou-se dentro de uma barca. muito difficil de ser substituido. das estações de Radio que vae de polo a polo. maravilhosas producções. debaixo da batuta do inesquecivel Anacleto de Medeiros. tocando um dia no Palacio Guanabara. que muito sentiu. engrandecendo as musicas brasileiras. de saudosa memoria. como primeiro pistão. Julio Barbosa. patenteando o valor deste inesquecivel artista. este que lhe inspirava em bellos accordes. e de mundo a mundo. e saber. Eximio pistonista. A Princeza notou. tal foi a perfeição do scientista. depois de ter illuminado com seu grande brilho. Depois elle tocou em diversas bandas. tão perfeito.– 193 – conheci-o em companhia do Dr. protegido de Princeza Izabel. que difficilmente se notava. . De Antenor de Oliveira. mandando vir a sua presença o executor que era o nosso sempre lembrado Carramona. Pois estando esta banda. pois Sinhô era um aprimorado pianista. e tocava com maestria e gosto o seu violão. deixando um claro no meio dos chorões. a Princeza. que lhe collocou um olho de vidro. admirado. E assim desappareceu este astro flamejante. de quem era grande amigo. Foi aprendiz dos meninos de um verdadeiro artista. finalmente entrou par o Corpo de Bombeiros. e ordenou que lhe fosse apresentado a um occulista. que fazia o trajecto da Ilha do Governador. para esta Capital. todos os microphones. sendo logo escolhido como contra-mestre da mesma. que elle tinha uma das vistas vazadas. Ahi foi que Carramona ALBERTINO CARRAMONA mostrou competencia. Desvalidos de Villa Izabel. e compadre.

julgo canções e tudo que é muito que daquelles tempos.– 194 – Esquecia-se de tudo quando se mettia na fuzarca. Tornando-se um eximio professor. Garbosa Civismo. enche de alegria. e elevada inspiração. As musicas de Carramona. tornava-se mesmo um doido mal comparando. Castro Afilhado. e prazer. Era amigo de verdade trabalhou na Light como cocheiro sendo muito [147] estimado por seus patrões. de por agente bambo. Falleceu no posto de 2° tenente do Corpo de Bombeiros. nos devotado mestre e amigo. compositor e continuador do seu inesquecivel mestre. no roda como elle bem poucos. Vagalume. pelos microphones dos Quem não conheceu este Radios. e quadrilhas. chotichs. com CHRISPIM (OPHICLEIDE) suas modinhas e seu querido violão. tendo lhe substituido no nivel de igualdade. Vou aqui . e ensaiador da Quem não conhece este Banda. No seu Ophicleide. acompanhava todos os choros com graça e arte. CASTRO AFILHADO Harmonia dos Campos. seguindo com capacidade. respeito e venerado. sitar algumas que são: O Falleceu ha poucos annos. e respeito. é um nome Chrispim foi chorão de fama. cantando velhas e novas immenso chorão acima. boas polkas. são dispoutada pelo valor. de vez emquando. o querido amigo e mestre Anacleto. que era uma belleza innegualavel. ninguem! nosso. Solava muito bem. que tinha nelle um inveterado chorão? Que ainda hoje.

poz-se a dar grandes urros. ficando todos nós presos. e nós que ali estavamos tambem. Muito com elle andei e hoje ainda sinto saudades d'aquelles tempos. O chôro fazia parte da bagagem de sua alegria. que foi uma grande patuscada de todos. antigos e modernos. e acompanhamento era de arrepiar. Estava formado o brinquedo.– 195 – intima de todos os chorões do Conde Caneca. e vendo-se fechado. Leão quando foi lá pelas pelas tantas do dia. acordando. solo. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. que já se foram e não volta mais. Era um amigo de verdade. que foi uma grande patuscada para todos. de maneira que os gritos que elle dava fazia grossas gargalhadas nas pessoas de casa. CABRAL Era guarda Municipal. farrista de muito folego tocava violão como gente grande. tal o gosto em que elle tocava. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. hoje Frei . e onde estivesse o Cabral não havia tristeza. e um baluarte que não negava fogo. ALBERTO LEÃO Grande e gostoso violão Leão era violão de veras tocava como poucos. Os seus accordes. arranjou um quarto com umas esteiras para descançar-mos um pouco achava-se em nosas companhia o celebre violão Juca Russo e tambem o escriptor deste. Pela manhã Nascimento trancou o quarto. imitando o bicho leão. Nascimento. Lembro-me de uma baile em casa de uma grande chorão que se chamava Nascimento na rua D'Eu [148] Lá pelas tantas de madrugada.

escriptor que foram Callado. . todos estes foram planetas. Tenho assim a plena certeza. e seculos não trarão mais. ou instrumento. e executor Rodrigues n. Viriato. admiravel. chego a ficar perplexo. que os flauta. cederá maviosa flauta. de dar expansão as musicas nunca simas musicas. mesmo estatico em apreciar este sublime musico na sua mais que que o bom do Cupertino. pela em obtel-as. passam depois de centenares de annos. as musicas destes Daqui da nossa casa. ao ouvir todas Benedicto nos preludios da sua immensos chorões.– 196 – Leão tambem já não vive. que deixando grandes saudades. encantar Bem poucos farão o que expandil-a pelo Radio. pois tem o mesmo no seu caderno qusi. tal a sua maestria neste professor Cupertino. Talvez o grande flautista. vou fazer um pedido a Benedicto. não só Benedicto faz. de fazer o mais população. BENEDICTO LACERDA não executes estes choros. pois é de pois terá muito prazer em ouvir de um musico como Benedicto. o grande de flauta. linhas. com uma perfeita como fazendo o encanto da theoria musical. com seu sopro perpetuando amemoria delles. 31. que pelo Radio se sceptico das criaturs extasiará ao ouvir esas bellienthusiasmar-se ao ouvil-o [149] Daqui destas toscas linhas. Me é bastante difficultoso difficuldades escrever sobre este grande e procurando na rua Mattos immenso professor. Capitão Rangel e Luizinho. que muito esquecidas dos sempre agradecerá ao Benedicto e o destas apoucadas lembrados e chorados flautas.

e outras de facil acompanhamento. as musicas que tocava era de arrepiar carreira umas. Foi contra-mestre da Bando do Corpo de Bombeiros e hoje é considerado um professor de musica tanto para leccionar como para executar. distincto amigo. Pedro Augusto ainda vive para alegria de sua familia e de seus amigos. é exemplar chefe de familia. que não ficava nada devendo ao inesquecivel Henriquinho Dourado. tocava conforme o valor dos acompanhadores. que muito o admirei. Luiz de Souza e muitos outros. SAMUEL LEITE Foi funccionario da Estrada de Ferro. Raul além de ser um grande apreciavel musico. Lica. pois Raul. E' um chorão que tem excellencia respeitavel em seu meio que constava de Carramona. e ultimamente de ouvil-o a maviosa flauta no Rancho "Quem falla de nós tem Paixão". Geraldo Bombardino.– 197 – PEDRO AUGUSTO E' um clarinetista de primeira grandeza. Naquelle tempo o seu instrumento predilecto era o flautin. Era . era irmão do inesquecivel Timbó tocava bem violão cantando as nossas modinhas com muita alma. tambem o mavioso violonista Vicente Sabonete. Eis aqui mais ou menos o perfil de um grande chorão que não me podia passar por desapercebido por modo nenhum. Fez parte de um bello conjuncto. companheiro dos bons e explendido official de orthopedia. RAUL (FLAUTIN) Conheci mais ou menos aos vinte annos chorão de respeito. é hoje um flauta de sopro mavioso e cheio de expressão. que neste fazia parte.

que tanto impera. encontrou em Patricio Teixeira. Ainda hoje o Samuel é muito lembrado pelos seus companheiros de farra com muita razão pois o inesquecivel Samuel não dava p'ra traz em nda. pois conhece seu instrumento por dentro e por fóra com maestria. é pena que Patricio tenha se passado ultimamente para embolladas deixando no esquecimento as modinhas de enebriar. Foi e é. Acompanha qualquer instrumento cantante com a maior facilidade. o vehiculo de sua incalculavel grandeza. que retroceda em recordações. a tantas canções. que elle adora. nos choros. batuta respeitado pela maestria que dedilha o seu afamado violão. onde elle por intermedio de microphone sabe dizer. acho bom meu caro Patricio. LEANDRO DE SANT'ANNA (MAESTRO) Era um clarinetista de immensuravel valor professor eximio [150] que regeu muitas bandas de musicas. a tantas modinhas. esta grande maravilha do Seculo. para alegria de todos os lares. no meio de todos os vossos companheiros de choro. . O Radio. pois elle é possuidor de um repertorio de sambas. PATRICIO TEIXEIRA Conheço-o e sei o seu real valor. e modinas. a tantos sambas tão cheio de melodias interpretada pela vosa maviosa vóz.– 198 – um verdadeiro seresteiro e chorão de tempera. sabe cantar. aos seus ouvintes. Pouco tenho que dizer deste grande artista musical por me faltar os dados capazes de inaltecer ainda mais este chorão que talvez possa fazer na segunda edição.

que com prazer. que Vianninha. VICENTE VIANNA (Vianninha) Conheço bem de perto. Não recusava parada. tem a felicidade de pelo Radio. Eu não podia neste meu livro esquecer este grande amigo. acompanhava elle mesmo com ternas e graciosas harmonias. Eis porque. Andava na roda do Theberge. vos admira. Com seu mavioso. te apreciar. Nas modinhas daquelles saudosos tempos. e saudoso violão. do Brandão do Quintiliano. fosse elle onde fosse. sempre em baixo do braço. . elle sabia dizer o que sentia. Nas festas onde se achava não havia tristezas. pois Vianninha. pois além de possuir bella. pois estava sempre prompto para a lucta. e harmoniosa voz. pois quando por acaso nos encontramos. retirou-se a vida privada. só tratando de sua distincta familia. nos olhos de Vianninha. não as perdia. nunca tinha folga. em que tudo eram flores. Hoje tambem como eu.– 199 – que não regateia o vosso valor que tens adquerido com tantos esforços e bôa vontade. ainda rola tristonhas lagrimas. onde elle sabia da vida ás festas. querendo eu dizer. e conversamos dos nossos saudosos tempos. de mim escriptor destas reminiscencias. este valoroso companheiro firme e seguro e dei o valor real do seu tempo. acompanhava-nos para todos os choros. por estas lembranças que nos molesta o coração. o autor destas linhas. do Bilu'. com applausos de todos que como eu. tinha sempre belas pilherias e trocadilhos de fazer risos. e era sublime cantor de [151] boas modinhas. Tocava regularmente o violão. Vianninha foi um doido pelo choro.

Benedicto as felicitações por tudo que descrevi porque muito te admiro. principalmente em se traando de valsas. e partituras de infinidades de peças theatraes. e sendo assim. e merecida dedicação. além de um eximio maestro é Conheci-o em 1911. e. pianista de renome. BENEDICTO MONTE dignos dos nossos applausos. As musicas de Benedicto Monte são reputadas e acclamadas pela sua melodia. possuidor de maneiras communicativas. com a sua [152] intelligencia. razão porque se torna . que se immortalizou com as suas valsas lentas. peças estas que alcançaram exito pelo valor da sua musica e tambem pela verve de trocadilhos finos e humoristicos. conhece todas as praças theatraes do nosso Brasil. Quero dizer com isto que o SÃO JOÃO nosso bom Benedicto Monte. e regente de orchestras de quasi todos os theatros d'aqui do rio. Benedicto. é um maestro professor de muisca. em casa tambem um bom escriptor que muito tem feito pela grandeza do do velho Bilhar. pois. em cada amigo. esse immensunosso Theartro. Benedicto Monte. Ha muito tempo não o vejo. em cada conhecido um amigo. Receba pois.– 200 – E nada mais. mas ainda existe morando lá para os lados de Nictheroy. um admirador. ou então como regente de alguma Companhia em excursão pelo Norte ou Sul. Elle é um explendido amigo. polkas bregeiras. tem elle. Musico de nomeada. como tambem de Nictheroy de onde é filho e morador. Elle tambem tem escripto muitas peças theatraes.

e um canto com uma esteira. E' um grande admirador e propagandista das nossas musicas. flauta. era uma creoula seria. pela maneira gentil do seu fino trato. não sahiam mais. Este que um dia de uma grande festa. e depois deste dia. E' um grande amigo. que elle tem como um evangelho. que tivesse o pirão. que elles se encostasse. E de uma educação fina. São João. e o bibirique. estavam num céo aberto. pelo modo. e aprimorada. de Catullo Cearense. tive a felicidade de ser por elle apresentado. ao mais selecto. que prende com graça. e que andavam sempre sem vintem. de verve humoristica. Piedade. e honrada. que era uma maluca pelo chôro. e sempre chorado Bilhar. e arte todos os auditorios do rude. e a expressão da sympathia que prende e cativa a todas as pessoas que privam com elle.. De violão em punho.. E' eximio violonista. em meu coração. na declamação. a sua casa vivia dia e noite. e hoje faz parte da commisão Rondon. harmonica. nos lundu' e nas modinhas.. e a tinir. Esta creoula. etc. Onde encontra-se um abrigo. em sua residencia. é hoje para mim uma reliquia que guardo com carinho. na prosa. São João. CASA EM QUE OS CHORÕES ABARRACAVAM-SE Existia na Tijuca uma creoula de meia idade. nunca dos que frequentasse a sua casa della . a maioria era de chorões desempregados. chamava-se Maria da Piedade. foi alumno da Escola Miitar. cavaquinho. e era tambem do inesquecivel. São João é uma casa cheia. abarrotados.– 201 – ravel chorão. que ainda hoje conservo. fiquei preso aos laços de sua amizade.

O que ellas ganhavão. e que era muito procurada. diéta. desde que qualquer destes chorões pedisse. Não encommodando-se de no fim do mez. tripa. escaldava e depois. [153] As panellas que Piedade fazia os pirões era uma lada de kerozene. jogava dentro tres e quatro kilos de carne secca ½ kilos de toucinho. o que ellas queriam era o choro. Esta lata ia para o fogo ás 4 horas da manhão. e outras vezes em aluguel. Estes doentes eram quasi sempre dos que estavam mal de vida. (isto é) lavando e engommando. pois Piedade. um senhor Antonico Ferreira.– 202 – abusasse. além dos chorões que ella sustentava e abrigava. que o seu bolso estava em falencia. por uma mulata sua comadre de nome Felismina. etc. que ia até a madrugada. pois as 11 ou 12 horas. A casa de Piedade era um sanatorio de molestias que preciso-sasse ar puro pois não recusava doentes. As duas comadres se deleitavam com estes chorões. e mais que . A mesa era posta no quintal que era grande. convidando moças para dansarem. no Padeiro. já estava em ponto de bala preparado para comer-se. pois caprichava muito nesta qualidade de bebida. ainda alimentava estas pobresinhas com remedios. eram fanaticas pelos choros em sua casa cotidianos. e ali os chorões se atolavam. A feijoada era sempre acompanhada de um bello paraty. e mais pertences. que muito a ajudava em casa. estas duas comadres. De maneiras que. era para gastar na venda no açougue. ficarem sem vintem. pois tinha grande freguezia e ajudada no trabalho. que ella lavava bem. Vivia do seu trabalho. que mandavam buscar em uma venda que era dono. buxo. lombo salgado.

ao entrar na casa correndo. aconpanhado pelos cavallarianos que chegavam a metter os cavallos dentro da mesma. e com medicos que para elles e as familias. João Cabelleira Quintiliano que era o flauta predilecto. Corte Real. Horacio Theberge. pois tendo Piedade. Os componentes das festas naquelle tempo que frequentavam a casa eram: O escriptor deste livro. e até muitos musicos que foram do Arsenal de Guerra. TINOCO . onde ella tinha numerosos camaradas. João Cabelleira. por muito bem que praticou. Mario cavaquinho. e na approximação dos cavallarianos pelos mesmos. tendo o seu corpo sido enterrado no cemiterio de S. e tomando ella um grande choque. sendo acompanhado por muitos chorões. Baziza. Francisco Xavier.– 203 – fosse preciso. cahiu para traz. um filho de criação apelidado de Passarinho e tendo omesmo feito uma desordem na Muda da Tijuca. estando nes[154] te meio o escriptor. Seu velho e Juca Russo. e mesmo remedio que elles davam com compaixão da doente e o acto humanitario de Piedade. onde ella era venerada como uma santa. Seu Velho. pelos grandes. Piedade morreu victima de uma scena brutal de dois cavallariano. nada pagava. fulminada por uma syncope. Luiz Brandão. até medico. ella chamava que com o grande conhecimento que tinha no logar. E muitos outros que não me vêm a mente. Ismael Brasil. annos já passados. Juca Russo. E assim apagou-se uma vida que deixou grandes consternações nos chorões e toda aquella população.

Anthenor da Praia. em tom baixo só para elles escutarem. com grande prazer. Dario Cleto. que o adorava. MADEIRA Conheci este distincto amigo em diversos bailes que junto tocamos. Diogo da Lapa. reunião-se em uma venda alli existente. e já por mim descripto. Estava sempre no Largo de S. Angelo Pinto. pois carregavam para todo logar. Luiz Boccamolle. Tinoco naquella roda. o que elle adorava. que bem poucos cantores de modinhas. Tito da Praia. podia comparar-se com Tinoco. afim de cantar suas bellas modinhas. Dominguinhos da Sé. como tambem por muitas familias. Era um excellente amigo e companheiro firme para tudo que se tratasse do chôro. Ferraz. bem difficultoso de ser prehenchido.– 204 – Conheci-o. não só por ser este predicado. com os mais. Também já é morto. esquina de Andradas. Maneco Linguiça. e eu o acompanhando de violão. De maneira que não deixavam socegar o bom Tinoco. que com outros bohemios daquella época. deixando assim um claro. como era conhecido. era tambem respeitado. Era muito conquistado não só pelos seus amigos. Faria Menino. que para elles era o maior prazer que podia existir naquelle tempo. não fazia outra coisa se não cantar boas modinhas. afim de contar as suas proezas. . Francisco. com a linda vóz que possuia. João Cabelleira. ou cavaquinho. como tambem pela sua finissima educação. Vicente Italiano e muitos outros campeões bambas que alli se reuniam. Alfredo Caveira. e alli. que era dono um tal chiquinho. Alli Tinoco com Antonico Moura. Felix Roxinho. e que era muito apreciado. Posso mesmo afiançar. elle na sua valente flauta. que era um primor. Napoleão Faquista.

Quasi todas as musicas que tocava era deste incomparavel flauta. Sinto-me orgulhoso de reelembrar aquellas musicas todas! (Que se aguentasse os pobres acompanhadors) que se viam tontos. amigo dilecto de seus amigos. Depois aposentando-se nunca mais nos encontramos. Tocava em uma flauta de cinco chaves. ELIAS Foi chorão afamado. que elle tocava com amor e carinho. não sabendo se ainda é vivo. e que faço votos que sim. pois elle era um obsecado pelas musicas do sempr chorado e lembrado Callado. cargo em que se aposentou. e adorado pelos donos dos mesmos. e que não tivesse compromisso. Foi organisador dos choros dos maxixes naquelles tempos. em que elle era conquistado. Elias era irmão de sangue do grande professor de musica João Elias. . de quem nunca me cansarei de elogiar. Seu instrumento predilecto era a flauta. porém não ficava devendo nada. não dizia que não! Pois sua blauta estava sempre prompta para o serviço. de quem já fallei. Nos choros que com elle toquei. aos que tocavam a [155] de novo systema. Madeira sabia dizer naquella flauta os segredos mais profundos que um coração possa sentir.– 205 – Era elle estafeta dos Telegraphos. o apreciava-o gostosamente. Nos choros quando era convidado. Era excellente chefe de familia. e venerava. Tinha grande predileção por Callado que elle adorava. para dar conta de seu recado.

frequentava n'aquelle tempo a casa do Caixerinho e do Mamede lá para os lados da Piedade. e ainda outros que não me lembro já pelos annos passados.– 206 – Além dos maxixes em que tocava. naquelles bons tempos. TABACÃO Tocava violão e cantava bôas modinhas. em cima de chôro. como tambem dentro de seu lar. offereceu a filha de um meu collega. Companheiro de Cypriano. EDMUNDO . por isso não gostava muito de brincadeiras. Morava elle em Nictheroy onde era um bamba. e as vezes até pelo dia acima que era um primor. era um chorão de patente pois. o ventura Caréca de violão. se esquecia de tudo quando estava de violão em punho. Néco e Luiz Brandão. Infelizmente já fallecido a bastante annos. onde todos eram tratados com a maior consideração impossivel de descrever-se. os acompanhadores aguentasse! pois era chôro. e consi[156] deração. tratava a todos com o maior respeito. com o nome de Alcina. que era uma belleza. e amigo distincto. o Antonico Piteira de cavaquinho. Escreveu muito bons choros. e assim ia até de manhã. Privei com elle não só nos choros. e que um ainda me lembro que elle. e o Antonico dos Telegraphos de ophicleide. tambem de violão. Era excellente flauta. e dos que quando botava a bocca na flauta. Eram seus acompanhadores. floria com sua maviosa flauta nos bailes em que se dava. o Theotonio Machado. Soares bombardão. e no entanto era um coração de ouro. Tinha um genio retrahido. Juca Valle. O Binoca trombone.

Mario e Galdino cavaquinho. Sabia cantar com gosto as modinhas Brasileiras lundús bahianos apimentados e buliçosos e tambem dizer com arte os monologos humoristicos. Com ella privei. razão porque. foi em seu tempo uma garganta de ouro. onde tornou-se o idolo das platéas. era frequentada pelos chorões d'aquella época como foses Luiz Brandão. compositor eximio. com quem andei em muitos bons pagodes aqui na . A sua mesa era farta em tudo. Fez a sua época de admiração e deslumbramento no antigo Eldorado sito ao Becco do Imperio na Lapa. Muito simples e modesta tornava-se deste modo cummunicativa. Bilhar. seu instrumen[157] to predilecto. Henrique rosa. onde o luxo se intervalinhava com a simplicidade dos seus usos e dos costumes.– 207 – Artista de merito. Dizendo isto disse tudo o quanto podia dizer deste grande artista. Elle é uma fervorosa admiradora do violão. Néco. Catullo. Foi elle o autor da musica da explendida modinha do nosso bom e explendido poeta Catullo Cearense "Talento e Formosura". Este musicista immortalisou-se com as suas musicas maravilhosas. Quinca Larangeira. e frequentei a sua morada que era um céo aberto de grandezas. Era a Placida dos Santos nesta occasião uma bella morena côr de jambo com todos os requesitos de uma artista consumada. Lulú Vasconcellos de saudosa memoria. Ella foi uma estrella que brilhou em todos os palcos brasileiros do Sul ao Norte. PLACIDA DOS SANTOS Digna de admiração. e muitos outros. Placida dos Santos é irmã do inesquecivel.

Receba pois. era muito considerado na roda dos chorões.– 208 – nos bailes e mesmo na intimidade desmanchar-se em duetos. para onde havia partido Quem conheceu o em busca de melhoras para a sua "molequinho da fláta". este ornamento artistico. o meu admiravel amplexo. Placida. executadas por outros. – Deixando o numero dos vivos muito cedo. quando ouvimos as maravilhosas composições dos mestres Anacleto de Medeiros e Irineu de Almeida. finando-se na flor da idade. (Minas). é que pode dizer o (Bambino) flauta chorão que foi Leocadio. mesmo porque Lulú Vasconcellos e Placida dos Santos eram dois corações irmãos com palpitações iguaes. de saudosa memoria. temos a impressão de que estamos ouvindo o grande flautista Leocadio. e por esta razão rendo aqui uma homenagem. nos choros. como o saude. tratavam seus amigos na JORGE LINO PEREIRA intimidade. . mas. ainda vive. tendo o seu throno de apogeu como rainha que é de todas as tradições festivaes de Momo do Club dos Democraticos. Hoje. Capital e em Nictheroy. Lulú Vasconcellos falleceu e Placida está inveteravel carnavalesca. tangos e quadrilhas. Era tão sagaz que muitas O cantor dos tempos vezes o vimos junto ao Edgard. valsas. deixou sangrando o coração da sua extremosa mãe e immoredouras saudades dos seus amigos e companheiros que não tiveram a ventura de prestar-lhe o ultimo conforto em virtude de haver LEOCADIO DA CONCEIÇÃO fallecido em São João d'El-Rey. Vasconcellos não tocava nem cantaa.

com grande facilidade. Sabendo dizer. Lulu' vendo ser tocado e inventado por Mario. Napoleão. Juca Russo. instrumento este. empolga o auditorio mais exigente. Eduardo da Neves. em doze. Quincas Laranjeiras. LULU' CAVAQUINHO Bem poucos serão dos farristas de agora. transformando o cavaquinho de quatro cordas. Para isto basta que elle [158] esteja disposto e que se ache com elle o Chico. com perfeição. metteuse na cabeça. alguns ainda vivos. que não conheceu o bom e excellente amigo Lulu' cavaquinho.– 209 – passados e ainda de hoje. Este instrumento não havendo nomenclatura na musica. Jorge Seixas. Antenor de Oliveira. Galdino. Benjamin e muitos outros cantores e compositores de versos. Mario botou o nome de Bando. Dentro do craneo do Bambino existe um deposito de modinhas ternas. Era o grande executor acima de uma habilidade bellissima neste instrumento. as poesias do seu vasto repertorio. que supre o . E' o verdadeiro cantor de salão o Bambino. polkas. valsas. de tambem aprender. como tambem acompanhava muito bem. que o acompanha admiravelmente ao violão. sem faltar uma só phrase. Era da turma de Mario. tangos e lundús que pontificavam Catullo. e muitos outros chorões. Ainda hoje se lembra e canta musicas de nem sei a quantos annos atraz. o que conseguiu com Mario. não deu o seu quinhão ao vigario. pois não só solava. Causa admiração ver-se um cerebro previlegiado como o do Bambino.

Tinha bellos accordes. Muito toquei com este chorão. pois sendo elle bahiano. Morreu no seu quarto repentinamente. que tinha-os muito bons. não só de Mariquinhas. e muito o apreciava. principalmente ao bello sexo. TAFY Era bahiano de nascimento. [159] Tafy. Apreciei muito este executor de violão. que fazia arrebatar os auditorios. Era um violão respeitado. tendo lá sido encontrado. que é em Fá sustenido menor. Tinha tambem bella voz. que eram excellentes. e pequenos chorões desta capital. principalmente. de lá já vinha o seu conhecimento desde pequenos. já o conhecia de seu Estado natal. relacionou-se com os grandes. de que muito se orgulhava. Mariquinhas muito gostava de Tafy. que eram ás dezenas. como as mais pessoas que sempre lá estavão. Hoje bem poucos o tocam. e carioca de coração. Tafy logo que aqui chegou em pouco tempo. além de ser um sublime violão. e tambem sola em qualquer tom. Na sua casa Tafy fazia o regallo. . não só nos acompanhamentos como em solos. tambem era um bom cantor de modinhas. ainda hoje o seu nome é lembrado e commentado na roda dos chorões. onde eu pude pegar um delles. fazendo com elles grandes amizades. das que trouxe de seu estado. pois tocava com grande primor e arte. Deixando muitas saudades. a não ser o grande musico Jorge Seixas aprendendo o mesmo sem mestre. em casa de Mariquinhas duas covas.– 210 – cavaquinho. que sendo Bahiana tambem. Lulu' foi da turma dos bons. sem precisar recorrer as oitavas.

Leoncavallo. Chiquinha. tambem adorava as musicas de Verdi. que são artistas de hoje. Chiquinha Gonzaga. foi uma das primeiras pianistas em todo o Brasil. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. com os seus dedos habeis e admirados principiava com um chôro composto por ella pois são innumeros. era de uma educação finissima. como tambem pelos os instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimidade impossivel de descrever-se. e fazia a delicia dos que a escutavam. recebia todos com o maior carinho. não se fazia de rogada. Era de um gosto extraordinario como nenhum ainda apareceu. na sua casa. Quando pedia-se para tocar um chôro. e gloriosos. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. Tocava tambem o classico. Todos conhecem bem. e que todos os conhecem os seus feitos. sempre risonha e satisfeita.– 211 – CHIQUINHA GONZAGA Maestrina e compositora. conhecia o piano por dentro e por fóra. Não são só os que tocam no Radio daqui. Paganini e muitos outros grandes musicos. a distincta familia Neves Gonzaga. tambem os do . tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. Puccini. atravez deste apparelho que é a admiração do mundo inteiro. abria o piano e. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. que ella conhecia com grande profisciencia. de um tratamento sublime.

conhecia de sobra. os de harmonia levou este querido segredos de seu instrumento que Rancho ao apogeu. e com a era o violino. em que os artistas são sublimisBONFILIO DE OLIVEIRA [160] Musico por excellencia simos não só com a sua suave eximio compositor e executor. rões daquelle hospitaleiro Elle é um astro que circula em derredor do Radio com a Estado. Assim sendo Bonfilio. que em suas mãos belleza de suas marchas. a Queda da Rosa. em dilluvio sejam: O Sol. que fazia a Luz da Inspiração. os seus admiradores Pastoril. já tem o seu nome feito em todas as rodas do chôro.todos os seus collegas de classe. é um mais selectos.seu nome figura na vanguarda de nhamento destes distinctos cho. e por esta razão o nosso festejado Bonfilio seus ouvintes. As suas producções tem a Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem soberania das inspirações que a gloria do Radio. Em outra edição direi musico que honra a sua classe com mais justeza o valor real pelo seu saber. o vozes como tambem o acompa. Aqui dou os meus applausos magestade do seu pistão dolente a todos os cantores dos Radios e mavioso. e tambem de encanta as multidões. de bellas harmonias. Consolação e outras.– 212 – grandioso Estado Bandeirante. que tanto o admirava. ERNESTINO SERPA Elle immortalisou-se no Já é fallecido este grande Ameno Resedá como Director artista. como dizia o que sentia. deste grande artista. Canção extasiar. pela sua .

onde elle é um esforçado cumpridor de seus deveres. Este excellente musico tambem fez parte da orchestra do Ameno Resedá. era um dedicado amigo e companheiro do flauta João Pinheiro. mas sim. onde se glorificou ainda mais o seu nome. ARTHUR MARTINS Conheci este. . e a minha admiração por elle é tanta que estas linhas não traduzem tudo o quanto eu teria de dizer sobre este grande artista. Arthur Martins. O que faço aqui ao bom Arthur Martins não é uma homenagem. (o Zinho) de quem já fallei.– 213 – modestia. um dever de gratidão merecida. bom clarinetista dedicado amigo e collega que honra a classe dos carteiros do Correio. em Nictheroy.

Gonzaga.– 214 – [161] Aqui tem o leitor a photographia de um grupo de "chorões" antigos. Se o leitor é moçõ. no saxophone. no trombone. a maior homenagem que a noite podia receber de corações humanos! e quantas vezes nós offerecemos a Deus este espectaculo. verá este quadro apenas com curiosidade. no seu livro de poemas. Gasparino. em uma serenata. cantando. (perdoem-me a immodestia) era. Chico Borges. no ephicleide. Luiz de Souza no piston. no violão. na flauta e eu. tirada na ilha de Paquetá em 1° de Fevereiro de 1906. no bombardão. se é velho. sentirá os olhos cheios de agua. Galdino. E aqui transcrevemos o que diz Catullo Cearense. pois terá uma recordação tão profunda. Mas. MATTA ILLUMINADA: – "Anacleto. Irineu de Almeida. Candinho. no cavaquinho. que só a saudade poderá consolar as suas lagrimas. Néco e Alexandre. n'uma esplendida noite de luar!!! Que saudade!!!" .

pistonista.– 215 – [162] CHORÕES DA VELHA GUARDA [IMAGEM] João dos Santos. de violão. bombardão. clarinete. Luiz de Souza. oplicléide. um grande chorão de trombone. . Irineu de Almeida. Gonzaga da Hora. e outro chorão de violão. Estulano.

e arte no seu instrumento. onde com o primor de seu violão emprestou ao campeão de Harmonia o brilho valoroso de um grande artista. pois era muito pandego e brincalhão. era portuguez de nascimento. Era distincto amigo e de finissima educação e trato. Foi um fervoroso Resedá. faz parte no cliché dos chorões publicado neste livro. Acompanhava-os choros de ouvido. A narração dos perfis dos chorões da velha guarda em companhia de Luiz de Souza. mas sempre lembrado por todos os chorões da velha guarda. onde elle contava innumeros amigos. Tambem já fallecido. Quaty era musico de verdade. onde celebrisou-se com seu mavioso instrumento que era trombone. Onde estivesse o grande chorão. Vindo para . Gonzaga da Hora. Naquelles tempos o seu nome andava de bocca em bocca. pois conhecia com grande facilidade. Elle foi um violão bamba e dos bons. Juca Pistão. fazendo os encantos nas notas de extasiar. E' já fallecido. a bastante annos.– 216 – [163] ESTULANO Este chorão. Nictheroy e até em S. que foi o explendor dos musicos nesta cidad. paulo. quando tem que dizer qualquer predicado de homens como o acima estas linhas. com uma admiração impossivel de descrever-se. com grande belleza. JACINTO COSTA (O QUATY) Teve grande nomeada este celebre musico. e brasileiro de coração. não havia tristeza. JUCA PISTÃO A minha penna treme. Irineu Battina e outros.

como sua filha. Era a mesma muito prendada. Era muito conquistado pelos mestres de bandas Musical. A sua bolsa estava sempre aberta para todos aquelles que uma necessidade tivesse. Naquella casa de saudosa memoria tinha um bello Pleyel. encrustado de brilhantes. [164] pelo Instituto Profissional Municipal. 214. não dava a isto occasião. deixando nas suas collegas. polkas. tornando-se um perfeito filho desta patria. na Sociedade Musical da Tijuca. de um coração de ouro. Foi musico de muitas sociedades. onde uma sua filha unica. Falleceu em Guaratiba regendo uma Escola naquelle logar. apezar de sua pouca instrucção não pensava assim para sua filha. do Portão Vermelho e outras muitas que pelos annos não me recordo. operas e mais. pelo seu saber e arte. Juca. não medindo esforços para que tivessem o maior conforto. A sua casa vivia sempre cheia de amigas necessitadas. . onde aquella casa era um verdadeiro céo. aqui se aclimatou. e seus conhecimentos a maior dôr com que se possa descrever. era outro coração de ouro.– 217 – o Brasil bem pequenino. pois Juca. O seu pae era o prototypo da honradez. Alli não se fallava em tristeza. e assim não. que fazia os encantos daquella santa vivenda. e intelligente. sem grandes difficuldades poude dar uma carta de professora. como sejam o Club União Independencia Musical. Morava elle na rua Barão de Mesquita se não me engano no n. se exhibia em bellos tangos. que recebia sempre com carinho. Tocando muito bem o Pistão instrumento de sua predileção. fazia nas festas que sempre lá se davam os encantos daquelle lugar.

– 218 – de que elle era um profissional. que tinha o dom de declamar. Em bailes que tocava tinha a primazia. Fui muito amigo deste inesquecivel musico. ella se harmonisa com o violão e o cavaquinho que aqui nas paginas deste livro procuro. pois no seu instrumento fazia a graça e arte. Infelizmente tambem já fallecido no mesmo logar de sua filha. e será [165] sempre a rainha melodiosa da nossa musica brasileira. a todos que como eu. e tento reviver. que não quero morrer sem vos ouvir e acompanhar no meu violão ou no meu cavaqui- . agora com armas e bagagens para o saxophone. meu este livro grande ANTONIO MARIA Um eximio e melodioso flauta que se passou. Era funccionario da Estrada de Ferro. E' um dever meu consideral-o sem favor. pedindo. tive a felicidade de com elle privar. implorando ao meu bom e querido Antonio Maria. pois quasi sempre das suas musicas tinha de fazer o "bis". a pedido dos convidados. que a todos encantava. onde privei no seio de sua familia em que era tratado com a maior distincção. Aqui no homenageando chorão. muito a contragosto dos seus innumeros admiradores. Este grande chorão era querido e tinha primazia pelo modo correcto e fino trato. deixando as maiores saudades. porque o saxophone é hoje em dia. E sabe porque? Porque. Enquanto isto a flauta é. ESCOBAR Explendido pianista. o instrumento da moda figura obrigada nos Fox-americanos.

pela maneira digna e amavel que tratava. conhecido em todas as rodas. Irineu de Almeida. que a todos tratava com a maior distinção. Luiz de Souza e muitos outros. e desde essa ocasião. Anacleto. Desde que se casou. dando a vida por uma farra. e tocava nos circos. Era tambem distincto amigo. não só a ella. e por isto muito querido. e é apaixonado pelas modinhas. tambem já fallecido. Casado com uma filha de Mariquinhas duas covas de quem já fallei.– 219 – nho as tuas composições. que o adorava. Toca pouco violão. CATANHEDE Era oriundo de uma distincta familia desta Capital. em festas e bailes. Só não tocava de graça pois fazia da musica um emprego de que pudesse viver. que estrondava em todos os auditorios. O seu instrumento era a requinta de que elle tocava muito bem. Conhecia bem a musica. e com grande maestria. como tambem a sua esposa. tornei-me delle amigo. sempre morou com sua sogra. que lhe pagavão bem. Quem não . e com isto sustentava dignamente a sua familia. FELIX ROXINHO Bahiano de coração. Solava admiravelmente e tanto assim que só vivia da musica. dos chorões. Carramona. que com tanta expressão e gosto executas. com sua vóz de baritono respeitado. registrando assim o meu pedido cheio de esperança porque sei que vou ser attendido. JOÃO BRASIL Este chorão me foi um dia apresentado pelo consagrado poeta Catullo Cearense. pelo valor que elle sempre soube dar a musica. como tambem os choros dos inesqueciveis.

e COELHO mesmo este acima não tenho grande confiança pois com o Foi tambem um amigo dedi. Conhecia os segredos ainda por ahi existem. Cantava com muito sentimento e graça. Nebulosa Eu vi sentado. Thiburcio daquelle mavioso instrumento. como fosse. Em fim os outros versos que THIBURCIO MACHADO acompanha. seguro.. Os Anjos Bahianos. não me recordo.. As aguas correntes. vontade. As modinhas lembro: cantada por elle trazia os violões de canto chorado. era uma belleza sem igual.. em um tronco verde A rosa que ao nascer. fazia gosto ouvil-o. Solava admiravelmente boas polkas. tal a sua Foi pela séxta. que scismava a sombra difficuldade. Era de uma presença de espirito incalculavel. homem dos grandes almoços. Companheiro firme e ba. que multava os convidados quando não compareciam as suas festas.esquece. grandes difficuldades. pois era senhor de todos os segredos que já se foram. e muitas outras de Trajando as vestes do primeiro amor.passar dos tempos tudo se cado.– 220 – com muita graça e arte. A laranjeira rebentando em flôr. no entanto isto não é tuta respeitado. porém bom amigo e . Nos choros em mais do que grande força de que tocava. e de grande muitos velhos cantores que valor. No acompanhamento dos instrumentos cantates. tangos e etc. para fazer lembrar aos Era violão. me grande folgazão. especialisando nesta [166] que ainda mais ou menos.. depois de ter sido um genio aleconheceu Felix Roxinho? De saudosa memoria.

Dias Braga. difficultoso de preencher. Se elle hoje ainda existisse estaria regosijando com o progresso deste instrumento maravilhoso que se chama violão. o seu suicidio nas mattas das Laranjeiras. deixou todos seus amigos perplexos. Quem não conheceu Xisto Bahia? O Conegundes da vespera de Reis. em tudo que era genuinamente nosso. Tambem sabia recitar com graça os seus monologos. principe do Theatro Nacional. Tocava bem violão especialista nos [167] lundús e modinhas Bahianas. E assim desappareceu uma vida para o chôro tão preciosa. Para finalisar vos direi leitor. Artista que tanto prestigiou as nossas peças nacionaes e tornando-se senhor de todas as platéas tal er os seus dotes scientificos que possuia na arte de representar revistas. XISTO BAHIA Actor Brasileiro. emfim. ao ler nos orgãos desta Capital no anno de 1889. que não sei quando teremos aqui neste planeta um outro Xisto Bahia. e no meio musical. senhor do braço do violão. Foi um grande chorão. dramas. ingenuo como elle. . Ninguem como Xisto Bahia n'aquelle tempo fazia um maluco rustico. Muito querido das platéas do Rio e de Nictheroy.– 221 – gre e folgazão. Foi um propheta. senhor da magia das musicas Brasileiras. finalmente. Guilherme de Aguiar. e comedias. tal o seu grande valor como bom amigo. que annunciou a prosperidade do violão. que venceu igualmente na vanguarda de todos os actores do seu tempo como sejam: Affonso de Oliveira. Vasques. Pinto Velho. do Norte ao Sul do Brasil. Colás. Mattos. que era seu devotado instrumento.

na casa da Maria um nivel de Arauna. pois distincto companheiro. que elle com bastante perfeição. O seu instrumento era o trombone. O bom amigo acima era baDescrever João Quadros é um hiano de nascimento attendo-se aposentado no cargo de carteiro. e que faziam parte com quem Xisto se rivalisou em admiração. Companheiro para FELIPPE TROMBONE . João Foi residir no seu torrão natal [168] e lá falleceu. Bahia sempre chorão. e Maria Arauna.– 222 – Brandão Velho. acompanhou chôro alli pelo Catumby tambem grande chorões daquella época e estava o bom do Felippe. JOÃO QUADROS Ranchos etc. Tocou em muitos annos. Era senpre a contento de todos. Tocou executava com muita perfeição.. e era o trombone nas festas que dava DEODATO MATTA quasi continuamente em casa da Foi chorão de facto. não dansantes. Sociedades. muitos outros Conheci muito de perto este da sua turma. deixando grandes saudades. era farrista de só com a parte a frente como verdade. Tambem tocava bombardino inveterado. onde houvesse um tambem de ouvido. em muitos bailes em sociedades Acompanhava muito bem. Tocava muito bem o seu instrumento. bons bailes. de fazer arrebatar. Já fallecido a muitos o que sentia. Quadros era um amigo dedicado. quadro triste para mim. onde elle residiu por muito tempo. e dos sabia naquelle instrumento dizer bons.

. com batatas. que era uma bella feijoada. Aparecia nestas festas quotidianas grande quantidade do bello sexo. Os violões e cavaquinhos. matava e depennava as gallinhas. outras fazia os doces. No nosso quarto. acompanhada com todos os pertences de porco. e o paraty. Eu posso dizer de cadeira. os malandros que lá estavam só esperavam a hora da boia. que era a granel. gallinha ensopada. e finalmente. continuava. que . com o maior gosto.. mais. De vez em quando uma das do bello sexo. modinhas cantada por cada uma dellas. Ao sentar-mos ia se servindo a vontade. fazia-se bellos pitéos acompanhado das competentes bebidas. como nas bebidas. João Quadros. arroz. estavam soluçando com bôas polkas e. que no sei de sua familia. quem foi este distincto meu amigo. dava as ordens para a mesa. De vez em quando. outras temperava. com outras. vinho. Amigo assim existiu muito poucos. etc. e lá vai uma daquellas modinhas daquelles tempos: Na hora que se cobre De nevoa a serrania O sino em triste dobre Murmura Ave-Maria E assim. Morei em um quarto com João Quadros na rua Miguel de Frias. todas trabalhavam. Cada uma destas componentes tinha sua missão uma. como fóra dela.– 223 – tudo. dirigia-se aos tocadores e pedia para a acompanhal-as. que estava cheirando appetitosamente. e alli todos os dias faziamos farras immensas. principiava-mos a 1° de Janeiro e terminava-mos a 31 de Dezembro. pois a barriga já dava horas. hiamos para a mesa na maior alegria. Emquanto cantavam. Privei com elle. não só nas comidas.

João Quadros.. que fazia as delicias daquella rua. tambem comparecia a estas festa quotidianas. Tocava muito pouco violão. pois era de um genio folgazão. gostava muito das farras. mas cantava boas modinhas. Ventura Caréca. e adjacencias. Conheci-o muito moço ainda. que era um bom solante. dizendo. quando sahia-mos me felicitava. Juca Mãosinha.. Juca Russo. por não mais me [169] lembrar. e muitos outros impossivel de descrever aqui os seus nomes. por elle mesmo acompanhada. fiquei bamba em tudo.– 224 – principiava com a brasileira. ficar comendo. Acompanhava de violão Juca Mulatinho. e era o seu fraco. e eu folgado. tambem grande chorão da flauta. comer e tudo mais sem acanhamento. e continuar na mesma alegria. mais que irmão. pois perdi a vergonha de cantar. fazendo o acompanhamento que era delicioso. o sempre chorado flautista Quintiliano o Guilherme Dias. agora sim! Estaes ficando malandro. Mario do Estacio. João Quadros. pois aprendi com elles a comer ligeiro. Lá pelas tantas cada um procurava um logar em qualquer canto. Tiburcio Machado Coelho. João Quadros sempre foi muito meu amigo e companheiro. E com a continuação de sua companhia. rompendo o cavaquinho tocado por Nenê. e bom acompanhador. deixando muitas vezes. Esse meu . Após o bom repasto todos se levantavam na maior alegria. pois estaes perdendo a vergonha!. e co elle fiz uma amizade. era a figura maxima daquellas festas. tocar. para descansar outros retiravam-se para suas casa e para voltar no dia seguinte. Lá se achava Juca Duro.

era um céo aberto. o que seu pae cedeu. E assim abarrotava a casa de musicos tornando-se um chôro bom e de respeito. tambem de quasi todos os dias. era o incumbido de arranjar os musicos. até Nossa Senhora da Conceição. filho tambem de um velho cocheiro que era appellidado por José Sinhá. A casa do pae de João Quadros. convenceu de acceitarme como bom amigo. Tiburcio Machado Coelho. bastante cançados e somnolentos . e finalmente muitos outros que não me vem na meoria. Theotonio Machaviolão. e cavalheiros. de violão ou cavaquinho. que era meu saudoso irmão: Quintiliano de flauta. em frente a Travessa do Rio Comprido. com grande pompa. fazia uma ou outra sahida. lá me achava [170] do de ophicleide. Então trazia as festas. Eu escriptor deste livro. e pessoa seria. As damas. que trabalhava em uma cocheira muito antiga na rua Hadock Lobo. Alfredo vianna tambem de flauta. era uma festa. onde seu filho ás vezes. de cada uma pessoa que fizesse annos. que nunca tinha levado nenhum amigo na casa de seu pae. ali se festejava todos os annos. ali tudo era fartura. os musicos daquella época. Nenê Mario de cavaquinho. Cantalice de vioino. que era um regallo. e andando eu sempre com João. Naquella casa havia quasi sempre bailes. pelo dia a fóra. tocando toda a noite e as vezes. não sem custo.– 225 – amigo era cocheiro. pois sendo uma familia grande. O escriptor destas linhas. almoçando e jantando. para distrahir-se. distincta. Quadros. Binoca de trombone. pois já muito tinha perdido a vergonha.

E assim se foi a minha mocidade. irmã de João Quadros. é tambem chorão da corôa! todos os chorões antigos e modernos prestam homenagem a este excellente musico. e pilherias. só deixando. Felizmente Benildo ainda vive. entornava as bebidas nos copos e sempre fazendo versos. acordavam. que foi uma apotheose. que a todos muito agradou. porque na hora marcada Moleque Diabo está firme com o seu maravilhoso instrumento! . é um dos maiores bandolins. tristes lembranças. e saudades. Dahi a opuco João Quadro com aquella bizarriam. com o meu inseparavel e distincto amigo Benildo Manoel dos Santos casamento este. ia dizendo: hora do pirão! vamos para a mesa! todos immediatamente. num chôro faz os maiores successos com as suas extraordinarias paletadas. e bohemio. é amigo certo pois quando algum dos mesmos. pois durou tres dias na maior alegria.– 226 – dormitavam nas cadeiras. precisam de seu concurso para abrilhantar uma festa intima pode contar com a sua palavra. como poucos. cada um assentado nos seus logares. principiavam o mastigo que era uma belleza. ARISTIDES (Moleque Diabo) Moleque Diabo. principiava-se a cantar as ternas modinhas daquelles tempos e assim hiamos até a noite. e satisfaçào minha. Moleque Diabo. causando grande risos. Ainda recordo-me do casamento de uma das filhas de José Sinhá. quando todos se retiravam com grande pezar. João Quadros sempre amavel. E no meio daquelle prazer todos se levantavam indo para a sala de visitas. as suas proezas neste instrumento são phantasticas! farrista. para alegria.

tambem como seu irmão.. que era o violão. pois. com os grandes flautista por mim já descriptos no principio deste livro. Tocou e fez bellos conjunctos. e nunca esquecidos tempos. Era irmão de um distincto amigo meu. e arte sabia se exhibir.– 227 – [171] EDMUNDO DANTÉS Foi immenso e admirado chorão de seu tempo. foi tambem grande actor theatral. Hoje velho. que muito o apreciava pelas suas qualidades de homem probo. e de grande cultura intellectual. que muito o apreciavam. fazendo grandes applausos do respeitavel publico. e de agradar.. Recitava belas poesias. o Ildefonso de Albuquerque. Além deste seu prodicado. Foi muito bom e distincto amigo. não só escrevendo peças. Tinha uma bella vóz. e recitando bellos monologos. Dantés foi ensaiador de muitos theatrinhos em diverso arrabaldes da nossa Urbis. e bons monologos de fazer hillariedade!. e recitados nos palcos. fazia as delicias de seus apreciadores. nos theatros desta capital. Onde elle estivesse tocando não podia haver tristeza. não podiua no seu tempo ver defunto que não chorasse. Solava admiravelmente. e cansado pelos . e nelle sabia fazer a alegria. acompanhava com grande saber os instrumentos cantante. e assim gostava tambem de um baile. pois cantava modinhas daquelles saudosos. com uma perfeição divina. onde elle tambem com graça. Tocava com grande perfieção o seu instrumento. excellentes modinhas. de alto intellecto. em que representou papel de grande importancia. cantando bellos lundús. tal a maneira agradavel do seu acompanhamento. como fazendo bellos versos para serem cantados.

que o adorava como acompanhador sublime. dizer as suas maguas naquelle . Onde estivesse Cipriano. pranteio a sua morte. Familia. e respeitado nas suas dedilhações [172] que eram sublimes. e não volta mais. e mesmo aqui nesta Capital. e contentamento dos convidados dos choros. e sei dar o valor deste apaixonado do violão. para que perdure por longos annos. amadurecendo em seu mento estes bellos dias da sua infancia. não esteja sentindo esta mocidade que se foi. Fazia no seu instrumento accordes sublimes e de alto valor musical. ainda não esqueceuo. Luiz Brandão de quem era amigo inseparavel. saiba que o velho Alexandre. Cipriano não era só um chorão. pois amigo como tú! faz-se preces ao creador. Acompanhava admiravelmente. mas um dilecto amigo. que o meu mais que distincto amigo. em que tantas vezes com meu violão o acompanhei. fazendo o agrado. Toquei em muitos bailes em Nictheroy. Daqui de nossa mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. CIPRIANO DE NICTHEROY Escrever os grandes feitos deste heroe: equivalle uma epopéa. de qum sempre tive sempre o Soares bombardão respeitado que tambem sabia grande veneração. Neste conjuncto se achava a tua vida ao lado de sua Exma. o grande e immenso Felisberto flauta. tambem estava o inveterado chorão. ao ler este insignificante apanhado dos feitos do nosso tempo.– 228 – janeiros que se vem multiplicando quantas vezes nas hora de sua nostalgia. que aos centenares juntos estivemos. Convivi muito com este distincto farrista e ainda hoje.

tres e quatro gordas gallinhas. pois Cipriano era uma sentinella avançada na alegria. como satisfeito com seus obreiros. Cipriano era um cosinheiro de grande fama. pois tambem com seu mavioso violão. paraty. etc. passei na casa de Cipriano. vinhos. Logo a nossa chegada Cipriano todo contente nos ia abraçando. a invicta Nictheroy. No arriar os gallinaceos no quintal de sua moradia. onde ia commigo. era de arregallar o olho! tal o bello olphato que se sentia. e alegres dias. e entregava-se a Cipriano. pois os pitéos por elle feito. nunca esteve triste. não se falla. uma perna de porco. Muitas vezes. um caixão de cerveja. por elle manejado Olavo. os chorões acima. E assim em quanto Cipriano viveu. que dava uma grossa gargalhada.– 229 – instrumento. pois adorava como codi[173] mento. mesmo assim bem chupados! Das bebidas nem cheiro! a não ser as garrafas vazias! que ainda tinha de . o azeite de Dendê que fazia nas comidas por elle feitas uma delicia. e logo após esta cerimonia cahia na rua. ia-nos dizendo: E' hora do boi babar! Cada um vae tirando a sua e depenando botavamos num grande alguidar. fazendo appetite aos fastiosos. Acompanhava-o um individuo qualquer que com elle vinha ajudando-o a carregar a malutagem para depois de prompta moder-nos. para depois vir abraçado com duas. que era uma beleza. e trocadilhos nada ficava! a não ser os ossos. A casa de Cipriano era um céo aberto nestes dias! Pois ao pôr a mesa todos se sentava e lá vai obra! Da mesa ao levantarmos em baixo de pilherias. fazia os encantos daquellas festas. era doidinho por este conjuncto. bons.

aquella cidade cobriu-se para sempre de luto. e delicias. Fagote. o que tinha não era seu. Em tanto era um amigo dilecto. Foi assassinado naquella cidade por um seu amigo. corpulento. seus labios eram grossos. por uma questão de someno importancia. Tinha gande fama de valente em Nictheroy e muitas vezes foi capanga de politicos naquella cidade onde elle era respeitado. despediamos de Cipriano. e bellos sólos dos violões. um grande executor. instrumento este que tocava com perfeição.. que sabia dizer o que sentia. JOÃO SALGADO O chorão acima. Emfim com a morte deste chorão. Muito educado. foi aprendiz da banda de musica do Arsenal de Guerra. pois nunca mais teve as alegrias. razão porque era disputado nos conjunctos musicaes das grandes Companhias Lyricas. com bellos choros de Felisberto. Já todos somnolentos. E assim cada um pegava no seu instrumento. a todos tratava com a maior consideração. e no Theatro. pois não era para menos. hia mos até o dia seguinte. Cipriano era homem de côr. e lá vae fazenda. como era no tempo de sua apreciada vida. regida pelo sempre lembrado Santos Bocó. Paz á sua alma. Além de ser. e aqui. alto.. Seu instrumento era ophicleide na referida banda. e muito pandego. dispunha. E assim com modinhas. era tambem um explendido . com bastante pezar. ao romper do sol. e de uma maneira altruistica. e quasi sem poder mais tirar uma nota nos seus instrumentos.– 230 – repetir-se por diversas vezes. appellidade por Bacalháu. lundús. e sim de seus amigos. O seu sepultamento foi uma apotheose tal a amizade que ali.

citando no meio rancho. O chorão acima cantava e companheiro é bem difficultoso. E' amigo mais que distincto. Estando em um chôro. tal o valor moral. lundús. fazendo muito Directoria do Ameno Resedá. poi selle sósinho cantar muito bem. tal o fino trato. e a immensa educação que como functem. A sua familia eram todos onde prestou relevantissimo serviços. não o deixão mais sahir. cionario dos Correios.– 231 – compositor. Quando vae a uma festa. deixando em sua toca. pois tinha um chorão que elle é. e artistico. faz graça no que canta. não precisa ouvir-se os e Adelaide. agrado aos ouvintes. e bagagem uma infinidade de bellas producções. Eis uma modinhas das que faz a festa. sabendo dizer nelle o segredo que tem. Não é lá Vem ouvir um desgraçado dos grandes violões. tocava saudades. este excellente amigo conhecemos. Falleceu que poucos o iguala. bem o violão. Acorda desperta do leito samba e mais por elle Deixa de tanto dormir declamado é um prazer. e de muitas modinhas. deixando ALBERTO CARÃO a todos e tambem aos velhos chorões immorredouras Farrista como poucos. elles mais cantavam. para gloria daquelle bons cantores. pois com boas modinhas. tal o [174] seu valor moral. mas o que . Pois só JOAQUIM FIALHO nós tocadores é que Descrever. monologos. Já fez parte da peito de aço. que tambem sabiam instrumentos. dellas os seus irmãos Laurindo.

pois fomos amigos inseparaveis. que dansava e cantava sambas de bom gosto. que sabia dizer com o gosto. De maneiras que naquella casa nestes dias era de um prazer impossivel de descrever-se. pois as por[175] tas estavam sempre abertas para as pessoas de sua amizade que delle necessitasse. aquella mais que distinta familia. MAJOR MASCARENHAS Muito o conheci. e com elle muito privei. sendo chefe. quem com ella privasse. morrer por ti. que infelizmente hoje só tenho a lembrança immorredoura. pois a todos recebia sempre com risos e alegria. Tinha tambem um irmão de nome Ernesto que era um bom companheiro. Naquella casa não se negava um abrigo a ninguem. que como sua mãe. sendo alguns feitos por elle. tal o trato que a todos davam. o grande carnavalesco Sant'anninha. onde frequentei. Tinha tambem uma irmã. de quem era um apaixonado. Sua mãe era uma Deuza de bondade. era outro bellissimo coração. que só a morte apagará. como tambem no dedilhar de seu violão. e que era tratado como pessoa de seu lar. e um coração de ouro. pois tinha plena convicção. No Carnaval vinha uma caravana de foliões da antiga Quinta da Boa Vista. Tocava regularmente o violão. Filho de uma distincta familia que morava no principio da rua Conde Bomfim. e cantava boas modinhas e excelentes lundús. . não só nas modinhas. captivando pela primeira vez. Era muito procurado para em casa de familia tocar e cantar. o que elle tinha grande prazer.– 232 – Que hoje quer.

E' elle de uma bondade extrema para seus amigos. como um idolo. polkas. Foram dois musicistas de renome. Infelizmente já é fallecido. Hoje está aposentado por sua conta propria mas se fôr necessario ainda "ronca" como era de seu habito quando tocava qualquer dos dois instrumentos. um optimo centro no cavaquinho. é um céo aberto. deixou muita saudade em seus companheiros de choro. no conjuncto de Edgard. este chorão celebre. que não eram poucos. Leocadio. IDOMINEU REIS E hoje aposentado da Alfandega. na Cidade Nova. e tambem nos Suburbios. porém por falta de dados registro aqui com applausos as suas personalidades como dois chorões. E um frenetico pelas modinhas do grande Catullo. . e. EDUARDO VELHO E ANTONIO VELHO Eram dois irmãos e distinctos pianistas pois onde chegavam. ANTONIO BAPTISTA ROSA Era um violão seguro. tocou em muito choros. a quem elle venera. A casa deste veterano. enchia de alegria as familias devotadas pelo choro.– 233 – VICTOR DA SILVA (Caboré) Foi um violão de destaque em acompanhamentos de valsas. tambem. quadrilhas etc. Podia dizer muitas cousas destes dois chorões. de ouvido apurado. Chico e Zé Russinho. e collegas [176] do chôro.

por isso mais uma vez. GERALDINO Tocava bombardino pertenceu ao Corpo Bombeiros. sabe cantar pela altivez dos versos e difficuldades da musica. na Piedade. os mais celebres choros. por esta razão. a casa do Idomineu. Cupertino. Luiz de Souza Irineu de Almeida. Carramnona.– 234 – Quem for uma vez. Idomineu é um chorão de muita tradição. já desapareceram. do Luiz Cacheirinho. Quincas Laranjeiras. Galdino. A sua casa. Pedro Augusto. desta consagração. Adalto. ALVARO NUNES Cantor das modinhas de Catullo. Mario. cantando as suas modinhas como só elle. em que se reuniam. Morto. CANTOR TIL E KANTZE e de . Foi um bello bombardino e pertenceu ao Corpo de Bombeiros. e ade Luiz Caxeirinho. Morou sempre na Piedade e era aposentado da Casa da Moeda. FREDERICO ROCHA Vive ainda. podia-se comparar com a de Machado Bringuidin. Farras como o da casa de Machado Bringuidin do Adalto. que lhe faço expontaneamente. Podia até cantar no Lyrico. e muitas outras. e Mamede. felicito a Idomineu por estes alegres passados que não voltam mais. E' do Thezouro e tem uma bella voz de barytono. Como se fossem Anacleto. NHONHÔ SOARES Fallecido em 1905. se torna digno para mim. figuras obrigadas. Mamede e casa de Idomineu. Catulle extasiava os auditorios. fica preso e cativo do seu finissimo trato.

o valente. Antonico mas farristas de arripiar. Acompanhava-se ao violão nas [177] operas e modinhas que cantava. no Encantado. Funccionario do acompanhador de Catullo ao piano. Tinha o segredo nos dedos e era collega de Samuel. ALEXANDRE TROVADOR Foi um grande cantor. Era o Vive ainda. começou a chorar. Era irmão de Velho. Quando se tocava esta polka sempre os que dansavam gritavam-lhe pelo nome. Eram tambem e musico distincto. Tocava flauta soffrivelmente. Esse preto. acabando tudo em paz e elle fazendo de improviso uma polka. ás vezes. pianista Dois cytaristas extrangeiros. morreu na Santa Casa e foi jogado n'uma valla commum! EDUARDO VELHO DA SILVA Morto ha uns 20 annos. Imitava todas as vozes dos cantores lyricos daquelle tempo. a VENANCINHO quem acompanhavam. que foi denominada por Samuel "Venancinho chorando na ladeira". Foi um ROMEU pianista de ouvido dos melhores até hoje apparecidos. alli. com quem teve uma questão n'um chôro. quando não havia outro Thezouro. Morreu em 1908. companheiros de Catullo. Ameaçado por Samuel de levar tunda. por causa de uma mulher. onde é muito . que foi uma celebridade. Venancinho. Morreu em 1886. Era da Estrada de Ferro.– 235 – instrumento.

Companheiro Foi do Arsenal de Guerra e foi um grande pistonista. mas bom companheiro. que conceituado. Grande Flautista de nomeada. Não sabemos se ainda vive. Foi coração por um choro. JOÃO MULATINHO LEANDRO Mavioso bombardino. A sua nunca deixou de cantar a sua modinha mais querida: "O mar predilecta é que a chorar. Morreu de Luiz de Souza e Irineu. merecimento. "Vê que amenidade [178] "que serenidade "tem a noite em meio" MIGUELINHO de Catullo Cearense. ha uns 25 annos.– 236 – Foi um violão e cantor. farrista. Alma bôa e serena. NICANOR SOTER Flautista afamado. Dava o e bebedor. Affonso Pinheiro. VICTOR VALLE SALVADOR Trombonista. Bello . Bello violão e bello cantor de modinhas. Morreu farrista do Instituto ha pouco. valente. como elle. Pistonista discipulo de Foi um grande chorão. pistonista e Mora no Engenho de Dentro. profissional Foi um professor de Nacional. não cansa".

pois me extasio ouvindo-as no Radio. Paracamby e Nictheroy sempre se destacou com os seus contracantos tirados nas oitavas do seu violão. Este instrumento na bocca de Americano é de fazer embasbacar. amigo e companheiro de farras. de um sublime sopro. não dá para traz. E assim deixo o meu apertado abraço por este chorão. era seu costume fazer o cantante repetil-os até conseguir um acompanhamento ade[179] . LUIZ AMERICANO Velho e bom chorão no seu saxophone. ou Zé da Gavea. Suburbios. E' um distincto amigo. para me deliciar com as boas musicas. tal a maneira. elevar as musicas genuinamente brasileiras. Todos que tinham o prazer de ouvil-o em conjuncto com Zé Russinho. que tenho na minha residencia. Gavea. Foi contra-mestre da banda dos bombeiros.– 237 – musico que o copo muito prejudicou. As suas composições são bellissimas. Quando nos ensaios dos choros. não respeitando nem as fuzas. como era conhecido o seu compadre. fazendo gemer o Ré. confundiam os dois instrumentos tal era a certeza de um na marcação e o outro no contracanto. FRANCISCO JOSE' DA SILVA (Chico) O Chico foi um eximio violãonista que sempre se dedicou em acompanhamentos de choros. que elle com facilidade sabe executar. que elle electrisa com suas musicas e de outros. que sabe no seu instrumento. Nos bairros de Botafogo. imitando o bombardino. (o pé de boi nos baixos). num convite para um choro. Villa Isabel. que elle devora sem muito esforço.

Romeu Silva. foi . sómente ao cantante: "de novo". Director Nictheroy. poeta dos Desvalidos. elle é um habilitadissimo director de Este chorão é um explendido "jazz-band". um choro. e depois de andar bons possuidor do dom da tocando em diversos choros. dizendo. Veio este da Banda musica dos Meninos cantador de modinhas. é compositor e tempos idos. tornou-se admirado e nosso. com o mesmo fulgor dos civilisados. foi palavra tornando-se desta forma Director de Harmonia da Flôr do orador dos pagodes d'aquelle Abacate onde fez prodigios. fazendo sobresahir voluntaria e cahir de novo na com vantagens pelos mundos activa. Trabalha elle no Fôro mais tarde a convite de desta capita e reside em Napoleão de Oliveira. com os baixos e tendo o prazer de vel-o.– 238 – um bom amigo. sendo grande interpetre das nossas muiscas no razão porque apreciador do que é bom e Extrangeiro. que ainda vive. e tempo. regular de tocador de violão. ha tempo não quando. tem bôa palestra e é de Canto do Ameno Resedá. tudo o que é nosso. se arrisca a vêl-o jogar seu talento musical e patriotismo para o lado a aposentadoria consumado. O seu saxophone tem a magia JOÃO DOS SANTOS DE NICTHEROY da melodia. ROMEU SILVA Hoje acha-se aposentado devido ao declinio que tomou o Hoje um maestro. continuando ainda na estacada. eximio executor. Se começarem a mexer muito considerado celebridade pelo com elle. mas sei accordes necessarios.

Nos choros que dava-se em qualquer parte de Jacarépaguá. e alegres. pelo Pechincha. sem falhas. Mauricio. Tanque. o que Mauricio.– 239 – elle Director de Harmonia do mesmo. Foi chorão de fama. é bastante . é immenso cantor de modinhas o que elle canta com um gosto aprimorado. e de alto valor. Escrever a sua personalidade. Romeu Silva consagrou-se. onde alli com intelligencia e dedicação fez dois carnavaes. pois mesmo de muito boa vontade. é impossivel tal os feitos heroicos. é um gentleman. tal o seu valor. sympathico. das suas modinhas. era Pão de Lót de todas as festas. glorificou-se no extrangeiro levando ao apogeu o nome do Brasil que lhe deve a sua propaganda musica nestes paizes civilisados. E' encontrado alli. melancolicas. me desculpará. e um batuta de alta esphera musical. e ainda agora. que foi uma gloria musical. não só nos acompanhamentos. de deixar os ouvintes de pernas bambas. Toca violão impossivel de descreverse. dedicado de fino trato. Romeu. e em artista de grande valor. MAURICIO Como é conhecido na roda dos chorões da velha. e finalmente [180] em Jacarépaguá. Além de tocar maviosamente o seu violão. onde pertence estes logares. e nova guarda. O violão nos seus dedos soluçava! JUCA AFFONSO Não era possivel passar despercebido este nome.

que no meu tempo. se formou bons musicos. Era muito distincto amigo de seus amigos. era completamente morto. Naquella Sociedade. que era a Santa de sua devoção.– 240 – difficultosa. Juca Affonso. que privou com elle alguns annos. foi mestre de diversas Bandas de Musica na Tijuca. e o grande respeito que este possuia sempre mereceu aos que tiveram a grande felicidade de o conhecer. situado na r. Era musico de primeira e limpida agua. Tinha elle um irmão que como elle. era um cidadão respeitado. de que elle manejava com grande maestria.ª do Affonso. fazia admiração e os encantos onde elle estivesse. e de immensa admiração. que eu ouvindo um dia Juca recitar. morava este incomparavel amigo. fiquei . por ser ella. e de lá escreveu ao seu irmão um bello soneto. os bailes em que tocava. Conde de Bomfim quasi em frente a uma Igreja que se não me engano. Ficando enfermo. a protectora da musica. de Nossa Senhora da Conceição. teve necessidade de retirar-se para um logar solitario na grande terra de Tiradentes. de sua fidalguia. tal a maneira e o gosto que elle executava. Coração de ouro encrustado de puro brilhante. enebriava com seu instrumento. como o scriptor. [181] O seu instrumento manejado por elle. pelas pessôas que o conheciam. tal o seu porte. O seu instrumento era requinta. chamava-se Miguel Affonso. na Trav. que cobriu de gloria a um logar. denominada Santa Cecilia. Formou na rua Conde de Bomfim em frente a Igreja acima por mim descripta uma Sociedade Musical.

que projecta sobre a terra. Avesinhas. possa dar o seu justo valir.. O soneto de seu irmão Miguel Affonso. Onde possam. vão tristonhas procurando. um concerto animando. De arbusto.. que é uma delicia da sua alta capacidade intellectual. Lentamente. pedindo o favor de escrever-me para que o guardasse como uma joia do mais alto valor. occulto abrigo. .. por entre longas serras! A' sombra.. frio. Busca o ninho no pé do caféeiro. Independente do soneto de seu irmão.– 241 – por elle encantado. me offereceu tambem dois de sua lavra. de nocturno inimigo.. sempre lembrando e chorado como elle. o que aqui vou descrevel-a para que os leitores deste insignificante livro. A' devassa escapar – do féro bando!. em arbusto. solta o pio derradeiro. Vão os grillos. o sol vae-se occultando.. E' este o seu titulo: AO ANOITECER NA ROÇA Pallido e. [182] O sabiá. Deixando do bosque a expessura.

.. Da trança dos cabellos vae pendente O laço lindo de fita... – Dedilha com paixão no seu piano.. descreveu com a mior naturalidade. Toda branca. outros tres sonetos de Juca Affonso.. –––––oOo––––– Eis aqui o soneto de Miguel Affonso.. Ao ouvil-a. Vae surgindo a donzella! os seus primores!. Esvoaçam. Agora vou descrever... me apparece a casinha.. dér um pequeno alento: Como Esquecer-te ?. – Noctivagos viventes da natura!. – á noite escura!.– 242 – Vem depois o crespulo.... que na solidão onde se achava.. a seguir p'ralli sózinha!. o rosto meigo descontente! .. grasnam. que tambem me offereceu.. Aveste branca.. e guardarei. Olhar triste .. o que ainda guardo. a verdadeira vida da roça. na collina entre as flores!. agoureiros.. enquanto o bom Deus.. piam. . no meu coração... Que. E' um canto desprendido do arcano. azul-claro!. subtil se aninha!.. A vóz do coração que a Nogueirinha.

. e. – amando raro! E. Este dia assim. Deitára á mesa núa. elle.. Comilão dos que bem come.... – é de festança!. achado..... um olhar triste. Boa mesa não falta haja dança!. eu falei lendo. há de haver ao paladar. Em seu rosto coitado!.. E. E' um marco que o procura o ente humano.... por elle a mim escripto.. ––––– Agora vou descrever a dedicatoria.– 243 – A vóz do coração é vóz dolente – Da donzela que morreu. em minh'alma sepultou-se eternamente!. Muito mais.. Vem um anno. que . pretextando ir a egreja. – me mostrou agua fervendo!. Para toda queixada que não cança!.. triste. um outro avança. O quanto o coração ficou sentido.. Pois havendo boas pernas p'ra dansar. mais deseja. E quiz sahir. depois de outro anno. [183] Mais um anno de esperiensia Se um deia vae passando..

se acha bem impressa uma verdadeira phase da natureza. Quanto ao primeiro dos mesus. – ordena o dever. por isso. ––––– . da maneira que me escreveu: ALEXANDRE Conforme me pediste. JOSE' AFFONSO E assim quiz reviver um passado. Aqui vae verbum-ad-verbum. não é mais do que um pallido reflexo de um passado inesquecivel. no todo desse Soneto. eis ahi o soneto – o amanhecer na Roça" – do fallecido e sempre lembrado irmão Miguel. Adeus. e que. Do amigo. que ao escrever essa chronica. tal o sentimento da morte de seu irmão. – já mais se apague de meu pensamento. impossivel esquecel-a. Os demais não passam de attestados. de dois primeiros amores. pela recordação deste passado que só a morte poderá apagar. para comprovar esta propria existencia. por mim nunca esquecido. como daquella. – 29-9-907. me sinto ufano. e tambem melancolico. Me [184] participou que. emquanto a vida ainda me alentar.– 244 – muito me commoveu.

que alli fôra ocorrido. segreda-lhe – ao ouvido o que quer que seja.. Mas. com o titulo: Occurencia O relogio marcara meio dia: Era a hora dilecta do café. os freguezes já de pé Seguiram p'ra bebel-o com alegria [185] Entre elles o Lisbôa – com folia Teve pressa de tocar na cafeteira Para o chão.. – da cabo da cerveja. O triste facto.. Do escriptorio. eu fiquei.. Da casa um complacente. então... m'explica inda tremendo.– 245 – Agora vou descrever este outro tambem e bom. – E elle fica. ella escapa mui ligeira Transformando o café em avaria!.. Com pezar. –––––oOo––––– . tudo alli vendo. que assiste.. e. O servente.

é um clarinetista de muito folego. em 1884 e depois como meu collega no Correio Geral em 1888. Ninguem é capaz de dizer ou calcular a idade deste veterano da velha guarda por estar de fisionomia fresca e agradavel. Trata hoje de papeis de casamento. Quero dizer com isto que o meu bom amigo e collega Paula Freire. muito ajudou o brilhantismo de alguns Carnavaes. Com a sua intelligencia musical. [186] ANDRE' CORRÊA Um bom musicista de relevada inspiração. com as marchas de sua autoria bellissimas e cadenciadas. impanando deste modo os seus setenta annos.– 246 – PAULA FREIRE Chefe de grande prole um verdadeiro Cacique da familia Paula Freire. Ha muito tempo não vejo o meu bom amigo André. eximio clarinetista. Conheci-o como contra-mestre da banda de musica do 10° Batalhão. Foi director de hormonia do Ameno Resedá. está bem conservado fazendo ju's a um grande profissional laureado pelos seus feitos. o Periquito como é conhecido pelos seus collegas da . Aqui termino prestando a Paula Freire uma justissima homenagem merecida. pagamentos no Thesouro e Municipalidade. Já está como eu aposentado vendo um extremoso funccionario cumpridor dos seus deveres. Paula Freire foi em seu tempo um tocador de clarineta respeitado por todos os chorões d'aquelle tempo em que elle era o orgonisador de conjunctos musicaes para tocar quasi em todas as funcções tornando-se deste modo conhecido e estimado na roda do chôro. Não são poucas as suas composições.

Henrique de violão e Manduca de cavaquinho abrilhantavam com suas harmonias. e educação a preciosidade dos tratos de musicistas da tempera dos meus amigos. as novellas. OS IRMÃOS HENRIQUE E MANDUCA PINNA Escrever estes dois luminares do chôro.– 247 – Imprensa Nacional. e tambem para descarregar minha consciencia. como reflexo de um espelho. a penna me treme. Fui delles amigo dedicado e admirador. ESTANISLAU COSTA . Em fim. vou fazer esta tentativa para maior conhecimento dos chorões. E tudo quanto possa dizer destes grandes personagens. sinto palpitações. e inesqueciveis Pinnas que desappareceram para todos. não é facil. em nossas modinhas. por grandes saudades destes luminosos planetas. porque elles. que reunidos formam uma historia do passado. Segundo me consta elle agora dirige um bom "jazz-Band". porém. deixando um clarão de um pharol que muito illuminou os choros daquelle tempo. Eram celebridades. que desappareceam. os choros onde estivessem. Assim demonstram o valor. tendo deixado a clarineta para tocar saxofone. a cathegoria. e do publico. tendo grande intimidade com sua respeitavel familia. que se pode ver hoje aquillo que se passou a muito tempo igual aos romanos contos. Eis aqui cumprido um dever sincero. no cumprimento de um grande dever. pertenceram ao meu conjuncto. para mim ainda vivem e viverá immortalisados na minha amizade e lembranças immorredouras. E' preciso ter muito bôa vontade para isto fazer. ainda é pouco.

que muito agradava os seus congeneres. companheiro firme impossivel de descreerse. Jorge Seixas. Estanislau conhecia. Amigo dedicado. Toucou muito. Sociedades Dansantes e tambem em bons choros. o bom e grande executor de pistão o distincto companheiro. pois aprendeu com bons pistonistas. Eurico dedicou-se ao cavaquinho. nos carros para propaganda das touradas quando se achava alli no Mangue. tal a maneira que sabia dedilhar aquelle minusculo instrumento. para um pouco augmentar as suas finanças. por ser elle pistão de verdade. EURICO Quem em Villa Izabel não conheceu o bom do Eurico.– 248 – Tocou muito bem o seu pistão. pois a morte cedo o surprehendeu. a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. e tocava com alma o seu instrumento. e fazendo do seu pistão clarin. deixando immensas saudades. Conhecia bem a musica. que diga o meu dedicado amigo. Aposentou-se e gosou pouco. e grande professor Candinho Silva. Era admirado pela sua execução que tinha naquelle instru[187] mento. tocou tambem. sendo um de seus mestres. e muitos outros que em choros com este sempre chorado e . que celebrisou-se. Acompanhava admiravelmente. em cinemas. que era conhecido na roda dos musicos como Victor Pistão. Jucas Ruso. Este instrumento muito lhe serviu. fazendo assim a alegria dos lares. e por isso era muito disputado. Occupava o cargo de carteiro dos Correios e sempre a contento de seus cuperiores e collegas.

pela rapidez com que aprendeu este instrumento. falleceu tocando bem. pois. e nas principaes ruas desta cidade em diversos carnavaes. Infelizmente este bom e distincto amigo falleceu a poucos annos deixando Villa Izabel. Em bndas tambem fez a admiração dos mestres. e fóra della. Eurico. arrancando os maiores ap[188] plausos. Era um dedicado amigo descrever-se a bondade deste companheiro é bastante difficil. Era tambem um amigo dilecto. mesmo de admirar. Estava sempre prompto. e assim levantou uma Sociedade Musical Dansante. a sua inistrumentação que os mestres muito acatavam. que gostosamente sabia dizer no seu trombone todas as maguas de um coração sentido. onde os maestros muito o apreciava. e o fino tratamento que elle dava em sua casa. Sabia com profisciencia organizar Bandas de Sociedades Musical. Depois dedicou-se a trombone. que muitas glorias deram a Villa Izabel. Tocou muito em orchestra. Eurico fez as alegrias em Villa Isabel. por ver que elle era profundo. para ensinar. denominada "Os Africanos". VICTOR (PISTÃO) Sublimissimo no seu instrumento. pois viam em Victor. fazendo até. coberta de luto.– 249 – lembrado musicista. os que precizassem . tal a maneira que elle conhecia musica e fundamente a theoria. que julgo ter sido seu professor e bom o Candinho e tambem o sempre lembrado Sequito. foi muito admirado por seus companheiros chorões. como poucos. um collega de respeito. tal a bondade de seu coração.

guarda Anacleto. depois. Essa casa de Mario Ramos podia ser chamada gor da mocidade. Tem 78 annos. Mora no – A Casa da Alegria. deixando immensas saudades. VICENTE FRANCO Alferes do exercito. em Citaremos Mario Ramos. Meyer. pezado de annos. Morreu a muito.– 250 – saber. JOÃO AVELINO SOUTO Violãonista de merito. BALDUINO Bombardino e companheiro de Cantalice. Era da antiga Escola Militar. cuja 1884. mas ainda e mais companheiros. Que diga os que o conheceram. Irineu fiscal. Luiz de Souza. pelo seu grande valor. antiga Amazonas. casa. tocava violão. e acho muito pouco. . Typographo e. Gostava tambem muito de tocar em choro. flauta e ophicleide. enfrenta um copo com o vique era um espirito de [189] verdadeiro artista. o que aqui digo. era o centro pagodista de Catullo. na rua Assis JOÃO CARLOS CABRAL Carneiro. na Piedade. MARIO RAMOS discipulo do grande Barrios. Era genro do "Manoelinho". se é o não verdade. onde se exhibia com perfeição sublime no seu pistão. Vive ainda. E' de São Paulo.

Começou seus estudos na banda de musica da Fabrica de Tecidos Corcovado. é um folgazão. Caixeirinho e Luiz Felippe Nery. vamos fallar do Edgard. amigo. Arthur Mattoso é um perfeito chorão. A sua casa era um lar de "choros". o menino da flauta maviosa que conheci soprando o canudo de cinco chaves. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. companheiro de Mamede Adalto. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas daquelles tempos que já se foram. e seus suburbios.– 251 – E' dos telegraphos e tem 81 annos. jámais quando impunha o seu violão arrancando d'elle as melodias de perfeitos accordes. Quem conviveu e cantador celebre de vóz. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. quando se falasse no chôro. Tinha choros molle. como ARTHUR MATTOSO aprendiz de flautim do saudoso Cabra chorão de verdade. Tem algumas boas composições por elle feita. AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. Elle é uma casa cheia. pois Arthur Mattoso. professor João Elias. nesta cidade. harmoniosa e expressiva diz com graça e humorismo as cançonetas de sua autoria. Em fim era dilecto. Que o diga o Catullo e o Idomineu. com explendor e alegria. é excellente chorão na intimidade. EDGARD BULHÕES DE FREITAS Já que estamos relembrando os chorões de outros tempos. E' disputado pelos seus admiradores. . não dava para traz.

Tocava este inveterado farrista violão. poderá dizer alguma coisa a seu respeito. mazurcas. que para elle não tinha segredos como pelo seu genio alegre e folgazão que trazia todos quantos com elle privaram. – O dictado é de hoje. tristezas não pagavam dividas. Dizer os feitos deste grande e immenso solista e acompanhador de choros. tangos. e alli principiava a dedilhar na sua viola. deixando no seio dos seus amigos e companheiros uma lacuna difficil de ser preenchida não só pela maestria com que sabia tirar os recursos da flauta. nos bairros da Gaveia. etc. pois solava bellas polkas. que foi uma das maiores glorias nos tempos idos e um verdadeiro chorão consumado. de canto chorado. Com Edgard. ou mesmo no seu violão. de fazer um defunto levantar-se da cova. Morreu cedo esse artista. Botafogo. Dedicava-se muito a dedilhar maestralmente a viola. sagrou-se um artista do outro mundo. chotes. que era um assombro nos seus dedos neste instrumento rustico elle fazia cousas impossiveis. – Esse menino com a vocação que trouxe do berço. mas bem merece ser applicado ao saudoso [190] flautista. era preciso escrever-se com penna de ouro. nas festas em que ia tocar pedia para sentar-se em uma cama. dia a dia foi se desenvolvendo na flauta Boheme: – Devida a essa vertiginosa carreira.– 252 – compartilhou com Edgard nos bailes e festas intimas. Quadrilhas inteiras. apezar de ser paralytico das pernas. ANTONIO XAVIER Foi chorão da velha guarda. deixando mesmo ambasbacado . Paracamby e outros arrabaldes.

e autor da roda dos sambas! Guimarães não é um E'chorão de fama. como todos os convidados. Cumpro um dever mencionando aqui entre os chorões da velha e nova [191] guarda. porém. e encontrarão na sua precisão. Guimarães é um bohemio de ABRAHÃO jaça. este deus da bohemia. e collegas do Foi um regular ophicleidista. GUIMARÃES VAGALUME estaria hoje collocado nas alturas em que estão muitos. e defensor.– 253 – não só os donos da casa. a este jornalista meio jornalistico. Morreu com uns 80 annos. penna maravilhosa um defensor de suas producções. de suas musicas. e de tudo o que é nosso. tal a sua da antiga Escola Militar e tocava capacidade intellectual. pois todos estes. é um amigo. amigo de todos os chorões. com Vou aqui fazer uma justa menos capacidade do nosso homenagem. deixando ficar os musicos parados. considerado e respeitado por todos os foliões. no seu musico. pistonista. era mesmo officio. pois todos preferiam escutar o Xavier! Este sublime heroe morou muitos annos no jardim Botanio numa rua dos Suburbios. lá deu sua alma a Deus tendo o seu enterramento sido uma apotheose. e se assim não fosse. tem cavaquinho dedilha com grande encontrado. sempre com Sergio. o nome deste astro de intelligencia. pois conhece o seu . e ANTONIO MADEIRA assim tambem é um chorão! Este chronista carnavalesco.

Era o acompanhador effectivo do chorado clarinetista João dos Santos. Juca Russo do violão. e se não fosse assim. e eu fazendo segundo cavaquinho. Especialisando-se nos choros que faziamos em serenata nos dias de Carnaval que era mesmo de arrepiar. em Nictheroy. Não fosse o nosso clarinete o João dos Santos. como eu. como excellente amigo que é. e é daquella sociedade.– 254 – segredo como gente grande. como tambem em muitas casas daquelle arrebalde. pois só elle conhecia o seu segredo. . Figurou como um dos primeiros cavaquinhos do Resedá. Aarão é bastante apreciado não só tocando. uma alma cheia de grandeza encoberta pela modestia e ficticia sizudez que lhes é natural. pouco gosta de se exhi[192] bir. que não o dispensava por cousa alguma. um coração de ouro. porém. um adorador apaixonado. um apaixonado da musica. não só no choro que ella dava. Muito tocamos na casa do Olavo. não só pela sua lealdade como tambem pelo correctismo que só elle sabe dispensar as pessoas de sua amisade. aquelle que souber estudal-o encontrará n'elle. ELPIDIO BORGES (BILU') Funccionario antigo do "Jornal do Commercio". Para mim. nota-se n'elle uma sizudez de uma cara de poucos amigos. um bom amigo. Luiz Brandão tambem de violão. A primeira vista. eu o destaco como um dos "primus inter pares" na interpretação das modinhas brasileiras antigas e modernas. seria um dos grandes astros que tanto brilham nos palcos e salões. e não ha na roda do chôro quem não tenha veneração pelo Bilu'. Bilu'.

E' morto. cavaquinho. boas farras se fizeram. seu proprietario. em acompanhamentos. o Bilu' vae se aperfeiçoar no violão para acompanhar as suas modinhas do seu vasto repertorio. da qual fazia parte da Directoria. na Lagôa Rodrigo de Freitas até o Guimarães. Edgard e Leocadio. o seu violão se destacava pelo facto de reunir nesse instrumento o saxe e o bombardom. flauta. nos moldes da inesquecivel e inegualavel escola do choro e musica do Cavaquinho de Ouro. No choro. etc. não se olhando se era dia ou noite. Latou. para as suas reuniões dansantes. nos bons tempos do velho Andrade. Na Sociedade Flôr da Gavea. organisou. que em breve desejo ver o teu nome evoluido com esta tua voz entre o baritono e o tenor para a alegria de todos os teus amigos. MACARIO Ophicleidista de nome. um novo advento para esse instrumento. causando contentamento geral o facto de . "O Paganii". JOSE' FRANCISCO DA COSTA E SOUZA (Zé Russinho ou Zé da Gavea) Sem receio de errar foi o violão que marcou. (cousa ruim). como era habito tratar os seus amigos mais intimos que frequentavam aquella casa: Gustavo. Victor. do qual faziam parte seu velho amigo e compadre Chico. sois um artista. Eu aqui. O maior comedor que até hoje veio ao mundo. Vicente. de Botafogo. em Marquez de S. Amigo de Irineu. vos encorajo Bilu'. Em sua residencia.– 255 – Segundo me consta. o violão que falava. Era creoulo e magro. no ponto final dos bonds da Gavea. um dos melhores conjunctos até hoje lembrado. desde o Salgueirinho.

ainda pégan no pinho e é o mesmo violão de antigamente não só acompanhando como solando composições de sua autoria que elle denomina "sabugueiragens". Aguas Dormentes. não se esquecendo tambem. que fez bastante sucesso sobresahindose as bellas canções de sua autoria. Caridade.– 256 – sua digna esposa estar sempre alegre e solicita para com os visitantes. que se tenha na conta de "bonito" que se anime a acompanhal-o nas suas "sabugueiragens". acompanhando no seu violão. tambem. percorrendo os bairros da Gavea e Botafogo. pois corre o risco de tomar suadouros sem estar com febre. – Ainda assim não é qualquer violão. MALAQUIAS (CLARINETE) O nome de Malaquias. faz musas e. pois o Zé Russinho. em uma aprazivel chacara. E' musico de firme tempera. de maneira alguma. com especialidade valsas. de arribação. Pertenceu ao Corpo de Marinheiros. [193] Núm dos carnavaes antigos fez sahir. preparando as gostosas gallinhas de molho pardo ou ensopada com batatas. Hoje está afastado por não se conformar. canta modinhas. cascas de tangerina em aguardente e assucar). quando está disposto. e que modinhsa: Anjos Bahianos. etc. nas horas vagas. com as musicas americanas. ainda e lembrado. a celebre (casquinha para abrir o apetite. Actualmente reside em Todos os Santos. e venerado. o bloco "Pandega e Miseria". – Quando um amigo dos tempos idos o procura. onde aprendeu com grande profissiencia a tocar o . nunca deixando que elles ficassem com a barriga dando horas. acompanhados do bom inho.

Sahindo do Corpo de Marinheiros. em choro não se falla. quem substituiu Francisco Braga. frequento a sua casa. pois elle era muito conquistado. e tambem nossos com grande facilidade. o que ahi fica é bastante para te dar o valor que tu mereces! RICARDO DE ALMEIDA (Saxophone) Muito conheço este bom amigo. muitos choros de sua lavra e de outros bons chorões. nas Sociedades Dansantes Musicaes. pois gravou nesta casa. Dansantes. quando seguiu . onde móra. ou outra. Assim. Toca muitos choros americanos. ainda dá sua pernada como qualquer rapaz. Tocou em muitas Sociedades Musicaes. Tocou em um conjuncto que fez os explendores na casa. porém. Foi Pauliro Sacramento. e faz com seu saxofone a alegria dos lares. em que toca. PAULINO SACRAMENTO Foi companheiro do nosso grande maestro Francisco Braga na Banda de Musica do Collegio dos Meninos desvalidos de onde eram alumnos. Figner. hoje velho e cançado das luctas musicaes acha-se bastante retirado. que muito o admirava. onde o heroe é procurado como o brilhante sem jaça. peço desculpas ao Malaquias de aqui não dizer o que tu vale. como elle a minha. E' [194] bastante procurado. No seu instrumento sabe dizer o que sente. porém uma vez. com alma.– 257 – clarinete sendo assim um musico de alto valor e saber. ingressou no Instituto de Musica. julgo que por motivo pecuniario não chegou ao fim. E' muito conhecido em Botafogo.

foi um astro que fulgurou no horizonte dos chorões. pois. seu pae o João Ferramenta tocava Guitarra. que pouco a pouco. pois. foi se desenvolvendo de uma maneira assustadora. as quaes se acham immortalisadas nos louros que colheram. não acho palavras inaltecidas para dizer as verdades das grandezas de um cerebro como era de Paulino Sacramento. ensinou a Julinho. Eis o que foi este grande maestro. o seu alto valor. JULINHO FERRAMENTA Conheci-o bem menino. Vôou como um condor no meio dos chorões. e que. e obrigava. As musicas escriptas por Paulino Sacramento. são immortaes.– 258 – para a Europa para estudar musica e d'ahi surgiu o prodigio da sua intellectualidade musical que foi além de todas as espectativas. E' indiscriptivel para mim citar aqui. que aqui comparo como uma cratera a expellir em borbotões inspirações musicaes. ficando logo valorisado como um grande maestro que foi. Paulino Sacramento. estas que fizeram uma verdadeira apotheose de suas maravilhosas producções. surgiu como um sol que illuminou com as suas partituras todas as platéias. Depois de fazer alguns tons. No Theatro Brasileiro. Elle falleceu. para [195] satisfazer seu pae. mas as suas musicas reviverão. Julinho principiou a frequentar as casas . Paulino Sacramento. a Julinho a tocar violão. tornou-se um principe das inspirações musicaes. afim de ter um acompanhador pois seu pae conhecendo um bocado de violão. aqui pretendo revivel-as. deixando o reflexo do seu magico clarão em todos os palcos dos nossos theatros.

E' filho de Juca Valle. JUCA RUSSO Sublimissimo. Rogerio. e algumas de sua lavra felicitei-o. pelo seu grande aproveitamento. é um principe no violão. mais com um bucado de paciencia vae. cavaquinho. e assim depois de solar com grande alma. por elle. a maior saudades. da turma de Callado. Morava na Ilha do Governador. naquelle bello. era tambem sublime acompanhador. o qualquer instrumento. e difficultoso instrumento. dando em pouco tempo de sua molestia. a alma a Deus. tornou-se um bamba. tal a agilidade nos seus sedosos dedos. deixando a todos chorões. pois tinha um ouvido apurado. como fossem Quincas Larangeiras. Julinho. onde lá fui uma vez a seu convite. e muitos outros. pela maneira que o vi solar no seu bellissimo violão. e fiquei quais perplexo. e muitas outras. que tocar com este chorão fica electrisado. pois morreu ainda moço. foi immenso athleta na roda dos grandes maestros de violão. Pois bem! Com sua presença nessas casas frequentados de grandes e sublimes violões. pois no sólo. Escrever este batuta é duro. pois sei o que . que muito o estimavam. julinho não aguentando a batalha. João Pernambuco. Juca Russo como seu pae. Jacomino Canhoto. onde elle ia ouvir os grandes violonistas e mais batutas tocarem. Eu o admiro. e no cavaquinho. Os flautas. e que elle era excellente general. Além de solista. tem um ouvido de desafiar. do sempre chorado Canhoto. apanhou uma tuberculose. que era sublimissimo. que fazia o encanto de todos aquelles que o ouviam. Gustavo. Abismo de rosas. e tambem excellente violão.– 259 – de instrumentos. vendo-os toar.

Juca Russo. Viriato. era Sempre morou pelas adjacenadorado. e melhor os sejam. é um Deus nos acuda. pois parece impossivel que dez dedos possa fazer o que elle faz. assim mesmo.– 260 – assado. Em qualquer excellente companheiro para elle qualquer choro onde elle não admittia difficuldades. Nos sólos que faz. Capitão. elle resona. E assim mais ou menos aqui [196] fica descripto a vida deste pae. valioso chorão. Este heroe foi atacado a uns tres annos de uma paralisia. desafia quem tambem distincto amigo. Juca Russo. o que fazia quando bom. um porquinho elle vale. Luizinho. pois é um genio! Trouxe do berço a tara do seu sempre lembrado . para a minha satisfação. Era no choro. e ainda faz nos mesmos. e venerado. umas gallinhas de molho pardo. Andava quasi sempre lombrigue. ainda não desmereceu nos seus instrumentos predilectos. Fomos sempre muito amigos e na nossa infancia sempre tocamos juntos. muito applicado deixe a curuja vôar! Da minha mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. não tem mais vontade de sahir. e mais. como amigo e companheiro cias do Estacio de Sá. e então tem um termo. acompanhada por uma bella canninha. bom da tua molestia. e a elevação das nossas musicas que tú tanto adora. que tu fique completamente. pois na roda de Callado. Igual a elle são poucos. RanJUCA MULATINHO gel e Silveira. Pois encanta os que o ouve. ou mesmo uma feijoada. Juca Valle. que eram um sól naquelle tempo. na grande quantidade de choros que tem.

para pedir emprestado. pois fazia grande alegria nos pagodes onde elle se achava. sempre ajudava nos choros que elle muito gostava.sua passagem. ninguem me responde. onde ganha a vida. pois apezar de tocar pouco o seu violão. que o pouco que tirava para sua familia. honradamente. Frequentei muito a sua casa. que agravei o céo. Era bom e dedicado amigo. pois era agarrado para todos os choros. Nas suas attrahentes modinhas destacava-se sempre uma das suas predilectas que era Minh'alma chama. deixando aos . era de arrepiar. sabia com arte acompanhar as suas bellas e harmoniosas mo- [197] dinhas. Jonjoca pouco descansava. tal a maneira que elle se espressava. e sempre muito bem tratado pela sua esposa. Tocava um bocado de violão não sendo dos afamados. Coberta de luto. Cantava tambem suas bellas modinhas que hoje já não me lembro de seus nomes. já a muito fez a Quem não conheceu naquel. Julgo ainda viver em companhia de uma sua filha que trabalha em um dos collegios publicos desta capital. Triste se esconde por de traz de um véo. arriscando-se as vezes a levar o não. não desse ao camarada. les tempos já passados o bom do Jonjoca? Julgo que ninguem. dando excellente exemplo a memoria de seu pae. Era muito conquistado por todos os tocadores. JONJOCA Infelizmente. afim de ouvil-o cantar. que era um anjo de bondade. estremecia e diz: – Que mal eu fiz. mas em fim. e assim as vezes lá caminhava elle.– 261 – prompto sem nenhum. Esta modinha cantada por Jonjoca. Não podia ver nenhum companheiro ou amigo contar miseria. com sua maviosa voz.

inesquecivel Luiz de Souza. Accyoli foi e é um elle tem. sejam em um só golpe de vista. Theartros. na satisfazendo sempre todas as sahida do referido Rancho do exigencias dos maestros Palacio Guanabara em uma regentes. Chorão que deve-se escrever momento os nossos melhores musicistas. Ha poucos dias ACCYOLI encontrei com elle troquei idéas E' um pistonista de muito nos relembrando de muitas folego. Elle é tambem um trombone Resedá. onde elle é um que não preciso descrever. e ainda faz.– 262 – chorões a mais duras e ternas inesqueciveis Luiz de Souza e Carramona. Carnaval de 1911. DONGA razão porque é conhecido como artista de primeiro plano E' um dos batutas da Roda de vencendo todas as difficuldades da crise que avassala no Pixinguinha. uma rica das orchestras dos nossos bagagem de effeitos musicaes. E' elle sempre com letras de ouro. e que tem feito prodigios cousas passadas quando fazia parte da orchestra do Ameno com o seu pistão. grande chorão da tempera dos . é um leal amigo e de apurada educação. e independente disto saudades. pois verdadeiro astro que com o seu não ha na roda dos chorões brilho eleva o valor dos nossos quem não conhece o valor que musicos. O Accyoli vence todas marcha infernal da Côrte de as musicas por mais dificil que Belzebuth. onde o seu pistão conquistado pelas Companhias conversava com o pistão do Extrangeiras que nos visitam. pois Donga procurado pelos organizadores tem apóz de si.

onde com seu instrumento muito elevou a arte muzical nos choros em que tocava. difficuldades nos choros. Este que Era chorão de facto. minas. Era procurado como o que muito o apreciava. e de dos bons. farrista prende os auditorios com harmonia de seu violão. nas nossas modinhas e afinal. Na propaganda dos sambas. encorajando sempre o meio dos seus pares com enovações de suas expirações. . no tempo do todo o dia entrava de serviço nos grande Professor Major Rocha. Era muito procurado pelos acompanhadores daquelle tempo que não lhe dava um socego. o que elle ficava muito satisfeito. que forram irradiadas com grandes sucessos. pois éra mesmo um pois a velhice e a prole muitas obsecado do choro. Eis porque me sinto enthusiasmado PEDRO DA MOTTA em fazer o perfil de um chorão da tempera de Donga. fazia admiração pela maneira que sabia se expressar naquelle minusculo instrumento. choros. Para elle não havia seus amigos com sua simpathia. Desde que houvesse o pirão. O heroy acima tocava bem o Bombardino. Foi muzico Foi um farrista de fama! Não dava folga ao corpo pois da Brigada Policial.– 263 – [198] do Exercito e tambem da Policia. Tambem já fallecido. que éra o Flautim. Donga é um dos autores das primeiros sambas que abrio com chave de ouro as portas das gravações. acompanhada com a bebida JOÃO FLAUTIM brazileira. Foi muzico vezes assim nos obrigam. Julgo garimpeiro procura o ouro nas tambem aposentado dos choros. é expoente propagandista e dedicado.

morre de amores por Paquetá. Uriel e Candido das Neves. tanto que as mesmas alcançam logo de primeira vista os maiores successos. e vai fazendo successo no radio. aonde residiu muitos an[199] nos. Guttemberg. e estão sempre em voga é um chorão maestro e de fino trato. LEOPOLDO FROES QUINCAS FREIRE Foi a maior gloria do Theatro E' funccionario dos Correios. amigo certo dos trovadores. que as lagrimas lhe vem aos olhos! E' grande admirador das letras de Catullo. pois Freire Junior. está sempre cheia de musicos e cantores. e continua a ser um ornamento do Theatro Nacional. pois sente tanta alegria.– 264 – Jacubino Freire. suas letras musicadas são de uma belleza superlativa. Chorão de verdade. Brasileiro. pois Pedro Freire. é figura de relevo no meio theatral. a casa de Quincas. honra a tradição dos seus. afinal. foi. e em todas as reuniões em que toma parte. tambem sabe cantar com sentimento e entre seus filhos tem um que possue bellissima voz. da velha e da nova guarda. conhece o sentimento do povo. Quincas. FREIRE JUNIOR Grande maestro e escriptor. Leopoldo Fróes e filho do grande professor tambem era um grande chorão. é. o maior prazer deste folião é ouvir uma modinha de nossas antigas serenatas. auctor de muitas partituras. . pois também é um bello chorão. tendo por companheiro o saudoso poeta Hermes Fontes.

pois Souto. eis tudo quanto posso dizer de um musicista quando ouvia um choro se . razão porque.– 265 – pois sabia chorar as suas maguas no violão! instrumento este de sua paixão dedilhava com alma. Ultimamente vevia vendendo folhetos e modinhas e quando [200] entrava em um trem cantando uma novidade. agradava tanto. o Theatro Nocional muito lhe deve pois as suas musicas tem ALEXANDRE THOMPSON resplandecido em todos os Espirito alegre e folgazão. FRANCISCO ESQUERDO Foi um grande cantor das modinhas ternas. além de ser um maestro gentilman de fino trato. é senhor dos segredos da melodia. pois possuia bella voz. EDUARDO SOUTO chorão da tempera de Eduardo Souto. é querido e aclamado no meio de todos os chorões aonde é uma figura de destaque. sabia cantar arrancando os maiores aplausos das platéas.. O seu desapparecimento deixou claro nos vendedores de modinhas. as suas produções são disputadas. Morreu mais suas glorias são inmortaes. Francisco Esquerdo já é fallecido.. fazia successos nas serenatas ao luar. Leopoldo Fróes. essa que sabia dominar com intelligencia e arte em todas as representações de responsabilidades. e por este motivo os folhetos eram arrebatados das mãos do mesmo!. Professor eximio. foi o invicto galan do treatro nacional e extrangeiro. palcos do Brasil.

JOSE' VASQUES (Nozinho) Chorão da velha guarda companheiro do velho Bilhar. funcionario dos Correios aonde deixou infinidades de amigos e admiradores. tocava regularmente violão. os seus amigos do choro para matar as saudades.. CAPITÃO ALAMIRO Morava. Thompshon. morreu quando precizava viver. Alamiro. é um especialista das modinhas antigas. Morcêgo. A bondade de seu coração excedia a todas expectativas. Bulhões. Era exemplar chefe de familia.– 266 – esquecia até da familia! tinha um verdadeiro devotamento pelo velho Bilhar. que fallarei na 2ª edição deste livro. sempre foi querido e respeitado em todo meio de seu convivio. é o unico que tem o maior archivo das antigas letras musicadas do tempo da corôa. em Jacarépaguá. Euclydes e todo o pessoal do Tugurio dos Simples de quem elle era um dos seus fundadores. infelizmente já é fallecido. Guidão.. e de Thompson. . e tinha um grande repertorio de modinhas em voga daquelles tempos o desapparecimento de Alamiro foi uma va'cuo dificil de ser preenchido tal o seu valor entre os seus amigos. Gama. pois era bom e franco. Angelino. foi um chorão que marcou a sua época. possuidor de bôa voz. teria muito mais a dizer deste chorão mas me falta os dados. A muito está retirado do chôro mais em segredo ainda reune em sua bella vivenda em uma Estação dos Suburbios da Central. cantava bem as suas modinhas e acompanhava com sentimento era um amigo dedicado e não puchava p'ra traz. amigo incondicionalmente.

Vou render aqui uma homenagem a um musicista de primeira grandeza auctor de finas composições e que sabe reger o seu jazz-band com autoridade de um artista consumado nos soirées nas grandes festas nos theatros. como seu filho o innesquecivel Poeta Candido das Neves. Eduardo das Neves. sabendo com bom gosto e arte. e nella immortalisou-se. era um chorão dos bons alegre e communicativo que digam todos os chorões que com o mesmo privaram como este que escreve estas linhas. elle desappareceu! porém ainda vive no coração de todos os seus amigos. emfim o Freitas é um chorão que JOSE' (BAIANINHO) merece mais do que aqui fica escripto. nos palcos as mais ternas e boas modinhas. FREITAS Pianista O heroy acima morreu deixando saudades nos corações dos cariocas. a Europa curvou-se ante o Brazil. de que foi muito aplaudido.– 267 – EDUARDO DAS NEVES [201] A sua morte foi uma surpreza. auctor de diversas marchas que muito . Eis tudo o quanto posso Trabalha na Casa da Moeda é dizer de um Chorão moderno. bello lundu's de fazer hylaridades pois as vezes era bem apimentados. entre os seus congeneres do choro. fazer os sentimentos na alma dos que ouviam Cantar nos circos. um Resedá de coração. Escreveu e muito cantou. foi um bom tocador de violão. "O Indio" do qual já fiz neste livro as referencias merecidas.

o sentimento cernarias do Engeno Velho. que éra a Flauta. Não éra excellente muzico mas o que tocava muito agradava pois tinha muito inthusiasmo pelo seu instrumento. em que elle sabia se impor. que lava muito bem. de fazer admiração. . éra um grande cantor de modinhas. em choros que sabe dizer por intermedio do que se davam as centenas nas teclado do Piano. cuja biographia já tive o prazer de fazer neste livro. é um clarinette que sabe dizer neste instrumento o sentimento melodioso da musica razão porque eu não poderia deixar de mencionar em meu livro como uma homenagem relativa que tenho feito a todos os Chorões antigos. pois tinha nelle abrilhantou a harmonia deste Rancho. do Maestro Bomfilio de JORGE GUERREIRO Oliveira. Baianinho. e mais daquelles saudosos tempos.– 268 – Tijuca. este privei muitas vezes. Conheci-o bastante com elle tambem não podia deixar de fazer o mesmo a Benedicto. BENEDICTO DE OLIVEIRA Christovão em consequencia de uma pedrada que levou no Este grande chorão é irmão imposto do vintem. valsas. Era um excellente violão solque possue pela Musica. Independente [202] de sollista. sabe. Era filho do guarda geral da mesma caixa. Morreu como conductor de Bonds da Companhia de S. as polkas. Era muito LOLO' conquistado pelos seus Morava na caixa velha da companheiros. Apreciei-o em muitas festas naquelle lugar.

e faz no piano cousa arrrepiar. Henrique Martins. e o Seixas. é um de encantar. synchronisação. era Este chorão é um fanatisado procurado no seu tempo como pelo Ameno Resedá pois a sua um brilhante e outros valorosos magia do seu Cavaquinho fez metaes. Bomfilio de Oli. [203] Henrique é funccionario da Casa da Moeda. De vez em quando ainda vae funcionario da mesma Repartição em um samba de fazer a um chôro. e que com sua morte foi um destroço no Poucos serão que não conjunto dos chorões.que elle electrisava. conheçam este inveterado HENRIQUE (CAVAQUINHO) pianista. Costinha. Ainda este anno eu o vi fazer preludios no seu a musica decahiu bastante sendo Cavaquinho em um grupo obrigado o chorão acima a Carnavalesco. organisado pela retirar-se a vida privada. Tambem foi grande capoeira. Romeu Silva. Tocava com grande parte do conjuncto deste rancho perfeição e arte de admirar os em todos os Carnavaes debaixo seus congeneres. Henrique. foi um dos afamados e admirados. Nunes. tal a rapidez da batuta de José Rabello. e muitos outros. um baluarte. Quem não conhece o Henrique? e jogava no partido Nagô. é um chorão hoje fica embasbacado diante do . vivendo Casa da Moeda de baixo da só de seu emprego na Central do batuta do invicto maestro Seixas. no instrumento.– 269 – dos bambas da velha guarda. nos seus dedos. que a meninada de explendido amigo. Brasil. Foi COSTINHA excellente camarada. Com a veira.

hoje é funccionario Municipal. e foi assim que desapareceu um artista do valor de Damazo. e de seus amigos. retirou-se a vida privada. na Tijuca. Juca Marque. conheci como compositor. Nazareth. deixando em paz o seu guarda. Eugenio pelo chôro perdia a cabeça. e suburbios onde era uma figura obrigada. Costinha fez parte da turma do Julio Barbosa. Sei que Eugenio hoje. por estas lembranças EDUARDO DE CASTRO dos tempos idos. sinto a maior satisfação. e sei o seu valor real. ao lado de Juca Rezende. ao peso de Conheci este chorão da velha seus janeiros. as musicas em evidencia.– 270 – que elle toca. Toquei com elle em muitos chôros da Cidade Nova. Costinha ainda vive para a felicidade de sua familia. regida pelo Professor João Elias. tal o arraigamento que elle tinha pelo mesmo. ainda hoje vive felizmente. que todos os quarteis desta capital dava toda liberdade para sua entrada nos mesmos. Gil. e muitos outros musicos de nomeada. Conheço bem de perto. pois quando o encontro. pois sabia que elle iria só instruir as musicas no Batalhão. talvez. fez parte da Banda de Musica da Provincia do Rio de Janeiro. Aurelio Cavalcanti e muitos outros. EUGENIO TORRES OLIVEIRA Musico como nenhum naquella época. bom amigo e distincto chefe de familia digno de toda consideraDAMAZO PORCINO DE . como os choros antigos. o seu genio musical era tão sublime. E' um querido e afamado violão. Damazo falleceu no catre de um Hospital.

é um gentilman dedicado amigo e de fino trato. Mora lá para as ban- . estimado pelos seus muitos chorões da velha guarda. tomando parte em reuniões meu Radio. compridor de seus em quando reune em sua casa deveres. além de ser um chorão inveterado. que alcançaram os maiores successos nas épocas [204] carnavalescas. Tem muitos sambas e marchas escriptos letra e musica. sempre com o seu amigo de todos os tempos o violão. Canninha. tambem canta poder dar o seu valor. elle aprecia com ardor os bons artistas e sabe abalisadamente ajuisar o valor de cada um delles. onde de vez da Fazenda. JOSÉ DE MORAES (Canninha) PROFESSOR FREITAS E' um verdadeiro chorão de Apezar de não ter a felicidade velha e da nova guarda. E desta maneira. Eduardo de Castro. o escuto no modinhas com uma escola toda sua. pois de o conhecer pessoalmente. tanto assim que no meio me traz pelo som. ficando eu dos actuaes professores ainda dá habilitado para mais ou menos no couro. ainda brilha ! Conhece toda escola do mas tenho um criado que tudo violão.– 271 – nossa sociedade. e as mais antigas fazem parte de seu repertorio. E' funccionario das de Jacarépaguá. é um grande admirador das letras do grande Catullo. conhecedor do braço do violão. o sublime dedilhar das mais distinctas famiias de do eximio Professor me deixado ção. superiores e amigo de seus amigos do cordão da velha guarda.

Não escutem. um gemido soltar. Apreciei-o muito em uma [205] NO SILENCIO DA NOITE SÓMENTE No silencio da noite. Que no meio das bulhas do dia Não me é dado um momento chorar! Riam todos a vista do pranto. etc. morando lá pelos suburbios. sómente. O GUERRA DA ESTRADA DE A muito que não vejo este FERRO chorão penso que ainda vive. Que sabel-o não há de ninguem! . começava assim: Recebe o Freitas os meus aplausos. O teu coração é de pedra. etc. Canta e toca bem o violão. que instrumento que é o violão. Conheci-o na casa do saudoso e –––––oOo––––– sempre lembrado Bilhar. por Deus minha dôr. Não procurem saber porque sofro. Não indaguem quem foi meu amôr E' segredo que guardo em meu peito.– 272 – extasiado naquelle sublime modinha que elle cantou. Posso livre.

Pois bem desgraçado Sou na terra. vou mudo descer! Mas depois de findar a existencia Meu segredo não podem saber! Deixem pois no silencio da louza Meu segredo p'ra sempre dormir. . Desvendal-o ninguem ha de vir! Não não ha de!.. que importa. por ser trovador! Mas.. se vão se apagando Meus gemidos. Esquecido do mundo e de todos. gemendo Sobre as rochas cavada d'além E' segredo que n'alma conservo Breve a campa. minha dôr? ! ––––– [206] NAS AGUAS DORMENTES Nas aguas dormentes do mar da existencia Sonhamos aos raios do frio luar Sonhamos e a mente se embebe na imagem Com quem nós podemos a gosto sonhar As brisas vem cheias de aromas e beijos.– 273 – E' qual onda queixosa. meus ais.

que muitas vezes faz-nos os meus sonhos dourados. esperança! Aos doces murmurios das ondas que choram. suspiram – Amar! A lua branqueia n'areia gelada A praia é deserta! Que bello sonhar Amamos. amôr. que musica e flôres! Nos peitos amantes. esmorecer quando temos uma perpetúo estes musicistas vontade unida a fé.– 274 – O mar de cançado. unico descriptos. que brando suspiram. accordo com os meus obscuros reduzir montanhas e vencer conhecimentos. Cantando saudades. mal ou bem de recurso que resta ao ser humano. Que placidos sonhos. que sonhos de amores! Deslisa a canoa e a vóz do barqueiro Confunde-se aos roncos das ondas do mar! Que orchestra divina! Que magos encantos! As brisas que passam. Mas o que fazer obstaculos. Que bando de crenças. Sonhemos ao leve balanço do mar. ––––– bons leitores? Agi como se fosse [207] impulsionado por uma missão que me parecia ser ditada pelo EPILOGO poder Supremo de todas as Ao finalizar este livro que era cousas. que a briza desliza entre flôres. repousa descança! As harpas de amores suspiram nos ares. Foi unido a estas .

pois nelle derramei a essencia das saudades. extraordinarios castellos de fantasias que com o correr dos tempos se desmoronavam como as bolhas de sabão. sem que seja um literato. Ao lado desta pleiade para mim immoredoura foi que se embalsamou o meu grande enthusiasmo dentro da poesia e da musica. Não foi facil a minha tarefa. que pertencendo e convivendo no meio desses vencedores da arte musical. Como "chorão" que fui pranteio as saudades de todos os meus companheiros do "choro" mortos e sobreviventes prestando-lhes uma homenagem. fazendo resurgir das trévas uma grande parte de celebridades que dormiam no esquecimento. Foi por isso bom amigo leitor. para voltar de novo. é que me veio ao pensamento escrever algo sobre os chorões da antiga e nova guarda. cheio de erros gramaticaes. Eis porque tive o arrojo e temeridade de dictar um livro pobre de litteratura. muzicas essas que jamais poderão desapparecer dos grandes ou pequenos archivos dos bons collecionadores. e revivendo com enthusiasmo e alegria. mãos a obra. Com elles evolui e caminhei por esta estrada cheia de harmonias. embora pallida. lutei como um naufrago que agarrado ao batél da Esperança. mas sim. porém rico na extensão da palavra. por esta razão criei em meu cerebro. luta sulcando o mar revolto de . um fervoroso admirador da bôa litteratura. e synthetizando com devotado amôr todas as suas sublimes inspirações para que as gerações d'agora e futuras saibam que existiu essa grande phalange de chorões que elevaram e inalteceram as musicas genuinamente Brasileiras.– 275 – duas alavancas que metti.

difficil por em pratica como esquecimento em que estavam agora o fiz. esta maravilho do mensagem de grandeza fulgente dos artistas da musica que aqui seculo da luz. retribuo o choro é primo inter pares. mas para mim descrevi. [208] o amor proprio de uma geração parece que fui o portador de uma passada.– 276 – de uma nova aurora. Sinto-me victorioso pela tudo quando disse relativamente. E a estes chorões de hoje que producções. e construindo com alma n'aquelles que vivem. concluzão de uma causa. Penso ter vencido. que foram. arrazando o bellezas e as harmonias vibradas morro do Castelle. são e serão a alegria nas festas em que ao terminar este livro que era o meu sonho dourado. e com a alma guarda. Sinto-me ufano e todos os chorões da velha regosijado. Céos" sendo até chrismado deixando após de si resplandecer Cidade maravilhosa" não os como um sól. as suas olvidará. e sabe de nuvens roseas. de quem são elles neste livro fiz reviver em os verdadeiros satelites que homenagem merecida. resplandescida de alegria FIM deixando que se faça justiça a este grande triumpho. facil as memorias em perfil que revivendo o para muitos. os seus gigantescos "Arranha e nos que já falleceram. O radio. e illuminada porque amigo leitor? porque me pela luz merediana que é o pharol que plantarão neste conjuncto de chorões modernos. circundada descrença. Fiz transformou a cidade colonial resurgir do esquecimento as que transcrevi. laureado .

Assim não aconteceu por motivos muito independente da minha vontade. quebrou. . o prelo onde tinha que ser impresso. razão porque só agora poude entregal-o a publicidade porem isto não desmereceu nada porque agora está satisfeita a vossa vontade e a minha.– 277 – O AUTOR –––––oOo––––– ACONTECIMENTO IMPREVISTO Venho por meio destas linhas dar uma satisfação aos meus amigos leitores relativamente a demora da saida do meu livro O "Chôro" que deveria ter saido muito antes do Carnaval. pois. mesmo porque o melhor da festa é esperar pela mesma.

que pertence a pag.– 278 – ERRATA Na pag. 88 no fnal do elogio a Pedro de Assis. seguinte n° 89. . sahiu o ultimo periodo pertencente a descripção de Raymundo Flauta.

a ás usarem e pessôas abusarem que façam usa do "VOZ" em orações. 20 – RIO. . Gloria. dos productos de BUSI Caramellos de luxo Bonbons. etc. Drops e Doces de Leite A marca de confiança BUSI Fortifica e alimenta A venda em todas as casa do genero Typ.– 279 – [Última capa] ACONSELHAMOS canticos. Rua LEDO.