[CAPA

]

O CHORO

Por ALEXANDRE GONÇALVES PINTO - -1936 --

–2–

O Chôro
REMINISCENCIAS DOS CHORÕES ANTIGOS
POR

Alexandre Gonçalves Pinto

Contendo: O perfil de todos os chorões da velha guarda, e grande parte dos chorões d’agora, factos e costumes dos antigos pagodes, este livro faz reviver grandes artistas musicistas que estavam no esquecimento.

RIO DE JANEIRO 1936 RREÇO 4$000 Tiragem 1ª edição 10.000 Exemplares

–3– Carta do maior cantor e poeta de todos os tempos Catullo Cearense, ao autor deste livro. ALEXANDRE
O prefacio que me pediste para o teu livro, fica para outra vez. Não te posso ser util nas correcções dos erros, porque só uma revisão geral poderia melhoral-o, o que é impossivel, depois de o teres quase prompto. O leitor, porém, se deliciará com a sua leitura, fechando os olhos aos desmantelos grammaticaes, revivendo comtigo a historias desses chorões, que te ficarão devendo eternamente o serviço que lhes prestas, arrancando-os do esquecimento. Só mesmo tu, com o teu grande coração, serias capaz de uma obra tão saudosa para os que, como eu, viveram naqueles tempos de immarcesciveis recordações. Se, como penso, este livro tiver o acolhimento que merece, para fazeres uma segunda edição, prometto-te corrigil-o com muito carinho, auxiliando-te no que puder, para que a lista completa dos antigos e afamados chorões, resuscitados por ti com boas gargalhadas e lagrimas sentidas, pois é uma ineffavel satisfação percorrer todas as “sepulturas” deste cemitério de vivos na nossa memória. Pedes-me uma poesia para a abertura ? Envio-te esta, "O Passado", que vem a calhar. E, para terminar, recebe o abraço do amigo velho, que não se cansará de felicitar-te pela lembrança feliz deste formoso, carinhoso e saudoso breviario dos dias da nossa festiva, alegre e rumorosa mocidade. CATULLO CEARENSE. Rio, 28/10/935.

–4–

O PASSADO
(De CATULLO CEARENSE)
Quantas vezes eu não digo ao meu Passado, esse amigo que me alenta no soffrer : - "Acorda, tem paciencia ! Anda conversar commigo, e perdôa a impertinencia de tanto te aborrecer!" E o pobre velho, coitado, Mal dormido e já cansado de tanto e tanto o chamar, levanta-se, bocejando, e vem a mim, caminhando passo a passo, a me fitar ! Ao meu convite assentindo, penteando os cabellos brancos e as barbas brancas... sorrindo; jovialmente se vestindo com as suas vestes de côres; deitando o barco no rio, cujas margens reverdecem com seus antigos verdores; accendendo as luminarias, as multifarias lanternas de luzes multicolores; offerecendo-me a taça de seus magicos licôres, licôres que fez das lagrimas de nossos velhos amôres; e, por fim, saudando a lua, que em seus mágicos fulgores já tantas vezes saudou,

–5–
- o meu Passado, embarcando, soltando a vela e remando para a nascente do rio, que já tão longe ficou, - cantando, e, ás vezes, chorando, na viagem me vae mostrando, no proprio espelho das aguas, os meus prazeres e maguas, tudo quanto já passou ! Mas basta um leve arrepio no liso espelho do rio, quebrando, instantaneamente, todo o encanto da visão, para eu vêr, desilludido, que tudo é um sonho perdido, um sonho só, reflectido, não no espelho da corrente, mas no crystal transparente da minha imaginação !! Pois só assim é que eu vejo que o barqueiro, o velho amigo, que vae cantando commigo, revivendo o tempo antigo, que o Tempo já devorou, é um homem transfigurado, é um morto resuscitado, é o cadaver do Passado, que inda depois de morrer, ao menos, pela memoria, concede-me a excelsa gloria, - a gloria de reviver!

CATULLO CEARENSE.

. e cuéra Violão: Ser politico sempre foi seu maior predicado E por varias vezes já tem sido pistolão. contente. MAX-MAR .... Anda sempre sem dinheiro mas. Governa a sua vida.–6– PERFIL DO ANIMAL Alto. funccionario honrado Tocador de Cavaquinho. E' sincero e leal. Bom chefe de familia. Physionomia alegre. Conhecedor de toda gyria da cidade E' o prototypo extremo da bondade: Eis aqui traçado o perfil do "ANIMAL". com o proprio coração. e sempre brincalhão. P'ra comer e beber é grande General. Tendo o dom da palavra é intelligente. e por todos estimado. já bem grisalho e urucungado.

–7– [IMAGEM: FOTOGRAFIA DO AUTOR] ALEXANDRE GONÇALVES PINTO. autor destas reminiscencias do Chôro Antigo .

Fazer dos bons artistas allusões. emfim todo o prazer Que floresceu na passada geração. corróe por toda a parte Desde o momento que subiram a eternidade. costumes. Nas paginas deste livro hão de ter Toda a altivez da grande inspiração. Descreverei com amor os bons artistas E tudo o mais que nos traz recordações. Grandes astros fulgentes se sumiram. findou-se um baluarte. Musica. MAX-MAR . E as alegrias comnosco repartiram Evocando melodias refulgentes. Rebrilharam nos antigos ambientes. Distinguindo em cada um a qualidade E demonstrando o perfil dos bons chorões. Em cada chorão. Vou tentar reviver celebridades. Pistonistas soberbos.–8– PERFIL DOS CHORÕES Conjuncto de flautas maviosas. Clarinetistas Ides todos ter aqui vossas acções. Que a germinar. Que deixou em nosso peito uma saudade. Chorões de cavaquinhos e violões ! Tereis neste livro as vossas rosas E do antigo tempo: as tradições.

Moquécas Bahianas e os Trinta Botões do theatro antigo até a Cidade Maravilhosa de hoje. a Maria Cachucha. São chronicas do que se respirava no Rio de Janeiro neste periodo desde o . é tão simplesmente em linguagem dispretenciosa. que é um novo sentir e tornar a viver conforme a phrase do poeta. as sciencias e o credo politico. dos pédrestes até hoje. expontaneo. com as policias mais adeantadas actualmente. assim como da pessôa que escreveu que communga no mesmo credo. Factos occoridos de 1870 para cá. ao alcance de todas as intelligencias. trazendo ao scenario do ambiente actual a comparação do que foi e do que é actualmente. o autor só teve por fito recordar. assim como são comparadas as religiões. tivemos por tradição os Ao dar publicidade a um livro encontramo-nos sempre na duvida de um facto auspicioso para os leitores. Estas linhas não tem a pretenção de mostrar erudição nem é commercial nem expositiva. escrevendo de bôa fé. quer seja para o bem ou para o mal. se sentindo num ambiente agradavel. dos Guardas Urbanos.–9– O C H Ô RO PREFACIO tempo do João Minhoca. emfim cada um escreve o que póde ou o que sabe. não tendo ao menos a intenção de instruir. da Lanterna Magica do Chafariz do Lagarto. são comparados os costumes na vida dos pobres de accôrdo com a evolução.

E as pessôas que sobreviveram áquelle cataclysma ainda tinham a impressão nos ouvidos das notas plangentes dos sinos daquella cidade. uma igreja foi soterrada. dando e trecalando o perfume da recordação dos apaixonados daquelles tempos e que faço reviver nos corações dos leitores deste livro. naquilo que é nosso e que aqui guardamos com a maior veneração dentro de nossos corações. embora com os explendores da actualidade. destruida por um terremoto. não tem a graça natural da simplicidade daquellas reuniões onde os chorões da velha guarda expandiam-se em inspirações musicaes. aquellas festas simples onde imperavam a sinceridade.– 10 – costumes bahianos que foram trazidos da Africa pelos nossos queridos antepassados e firmaram os costumes no Brasil. a communhão de idéas e a uniformidade de vida ! As noites estrelladas e frias de Santo Antonio. a alegria expontanea. entôo um hymno em louvor e reminiscencia dos chorões da velha guarda. . E assim agradecendo a aceitação dos apreciadores de musica. São Pedro e Sant'Anna. os bailes das casas de familias. onde os sinos plangentes annunciavam as grandes matinas e as festas religiosas com rituaes ou profanas. São João. Assim agora as pessôas daquelles tempos no Rio de Janeiro recordam-se e sente n'alma a vibração das musicas daquella época: os chorões do luar. a hospitalidade. Contam numa lenda que em uma região onde haviam innumeras Igrejas.

pois as suas composições musicaes nuncam perdem o seu valor. Naquelles tempos existiam excellentes musicos. na sua flauta. Hoje ainda este nome não perdeu de todo o seu prestigio. entrando muitas vezes o sempre lembrado ophicleide e trombone. Callado. que ainda hoje são citados como os cometas que passam de cem em cem annos ! CALLADO Callado foi um flauta de primeira grandeza. e ainda hoje é lembrado e chorado pelos musicos desta época. o que constituia o verdadeiro chôro dos antigos chorões. serenatas (que eram feitas em plena rua pois naquelle tempo eram permittidas não havendo intervenção da policia). quando em bailes. apesar de os chôros de hoje não serem como os de antigamente. pois os verdadeiros choros eram constituidos de flauta. violões e cavaquinhos.OS CHÔROS Quem não conhece este nome ? Só mesmo quem nunca deu naqueles tempos uma festa em casa. . tornou-se um Deus para todos que tinham felicidade de ouvil-o.

que ao passarem n'aquelle mosoléu curvam-se respeitosamente em homenagem áquellas duas entidades. sendo muito abraçado e cumprimentado por aquelles que souberam do facto. cavaquinho. etc. bombardão. Callado. e assim comprehendendo os musicos daquella época organizaram um festival e com o produ[012] cto do mesmo mandaram construir um mosoléu do lado direito do Cemiterio de São Francisco Xavier. pois apesar da chave ter sahido fóra do logar.– 12 – Os acompanhamentos eram violão. quando eram manejados pelos batutas da velha guarda. como sejam: Silveira. mas o grande musico deixando a sua flauta deitada na estante um official do mesmo officio. mas o seu intento não deu o resultado esperado. dando assim uma recordação perpetua aos chorões de agora. desaparafusou uma das chaves de seu instrumento sem que elle percebesse afim de quando fossse tocar a mesma pular. as actuaes não deram Contavam alguns daquelles tempos que tambem já dormem o somno dos justos. ophicleide. Callado e Viriato foram tão amigos em vida como na morte. Viriato. que gerações ainda iguaes. Luizinho. e Callado fazer um grande fiasco. estando neste meio o velho Imperador que condecorou com . instrumentos estes que naquella época faziam pulsar os corações dos chorões. que Callado foi chamado para um concerto num dos theatros desta cidade ao qual compareceu com a sua flauta maravilhosa. onde se acham os dois juntinhos dormindo o sonho da eternidade. a força de beiço tocou toda a partitura sem perturbar-se.

que dava pagodes quasi todas as semanas alegrando os seus habitantes com os chôros moles deste tempo. compadre e . riscava a lapis e zaz ! punha-se a escrever. passava a mão em qualquer papel quando não trazia o proprio. dahi a momento entre gava a um chorão presente que executandoa tornava-se um delirio para todos os convivas pela clareza e pela linda inspiração da mesma. não dizia que não. que faziam suas serenatas em São Christovão quasi sempre na Quinta Imperial. [013] Estes afamados flautas eram tambem frequentadores da casa do sempre chorado Dr. Callado. quantas vezes achava-se tocando em um baile de casamento. Callado foi o rei da musica daquelle tempo. como tambem para compôr qualquer chôro de improviso. Mello Moraes Filho. onde se achava Tambem foram grandes o grandioso e celebre violão flautas nesta época os irmãos Candinho Ramos. lembras-se que quasi numa das ultimas festas do BUMBA MEU BOI Bumba meu Boi. baptizado. com as visitas em casa de seus amigos e com especialidade em casa do grande brasileiro que foi o Visconde de Ouro Preto. que todos os annos organizava a tradicional festa do Bumba meu Boi. anniversario ou outra qualquer reunião e se nesta occasião qualquer dama ou cavalheiro pedisse para escrever um chôro em homenagem ao festejado.– 13 – o titulo de Commendador. em casa de Maria Prata. Marreco e Jorge. O escriptor deste livro chorão neste tempo de violão e cavaquinho. Callado não era só músico para tocar de primeira vista.

ficando combinado logo a estréa para o dia seguinte. elle então me fez vêr que o meu antecessor já tinha escangalhado um boi. o Dr. quando reparou o estado do bicho. na rua 8 de Dezembro em Mangueira. apresentou-me ao Dr. Mello Moraes.– 14 – dedicado amigo de Mello Moraes. Mello Moraes. e que o mesmo carecia de cuidados pois custava muito dinheiro. radiante com a minha affirmativa. o boi estava em petição de miseria com o carão todo esfacelado com um chifre só e os pannos dos lados tinham ficado pelas ruas ! Candinho. botou as mãos na cabeça me dizendo: compadre você me collocou mal com o compadre Mello Moraes ! respondendo eu. de forma que quando cheguei em casa do inesquecivel Visconde de Ouro Preto. finalizando a jornada na bella vivenda do saudoso Visconde de Ouro Preto. na hora regimental lá estava eu firme para assumir o compromisso. que gostosamente aceitei. Entrei todo satisfeito no celeberrimo boi andando pelas ruas de São Christovão em visita aos amigos do Dr. na maior calma deste mundo: pois não foi para dar marradas que eu sahi no boi ? respondendo Candinho: eu . pulando. respondendo eu: não tenho receio pois sempre fui cuidadoso em tudo que assumo responsabilidade ! Candinho. o qual perguntou-me se eu queria sahir no boi. precisando um homem de confiança para sahir no boi. Mello consultou a Candinho muito meu amigo e até compadre. mas o caso interessante é que se meu antecessor foi pessimo boi eu ainda fui peior ! pois ia pelas ruas afóra convencido mesmo que era um boi de verdade bravo. dando marradas a torto e a direito em todas as pessôas que passavam e nas que faziam parte da comitiva. como o homem escolhido para sahir no boi.

pois eramos carteiros. onde se faziam reuniões e respondendo eu com a maior muitas vezes tratava-se de ingenuidade: Este boi me tem interesses postaes. Façam os leitores uma idéia correspondeu á minha confiança .existe nos fundos do correio me o que era aquillo. muito sua parte. então desculpei-me da sorrateiramente arriei o animal seguinte forma: Nesta noite sem que ninguém percebesse e cahia uma chuvinha miu'da e chispei para casa afim de tinha sido a causadora do boi ter organizar desculpas para dar no ficado naquelle estado mais dia seguinte ao compadre Ramos. e foi logo Então o Visconde dando um ar se desabafando: .Compadre. de cara amarrada cumprimentando-me componentes da festa. pendurei o animal pelo correios. retirou-se para junto de pelo modo com que você seus convidados. muito obrigado de riso. então antes de Candinho entrar na linda vivenda de Ouro trabalhava na 2. queixo em uma das janellas da Depois de ter assignado o ponto. com o carão do me para a "9. Sentamo-nos muita amizade. Mello Moraes ! De volta chegando á casa do [014] Dr. que era bicho na janella e olhando para a um botequim que ainda hoje sala bem iluminada perguntou. e não me vendo em uma das mesas e Candinho veio parra janella me espiar ! mandou vir dois cafés. que depressa ! eu. Reparando o Visconde de muito secco e depois chamouOuro Preto. Mello Moraes.ª secção".– 15 – quando te indiquei para sahires em que situação eu me achava no boi. sala onde se achavam os chegou o Candinho. julguei mais cuidado de perante o Candinho e o Dr.ª secção dos Preto.

está na lembrança das antigas familias e dos grandes chorões da velha guarda.. porque se forem todos como o compadre. tornando-se serio commigo que Vamos relembrar ainda de felizmente durou pouco. o bicho tinha que virar frangalho ! Candinho não acceifiquei muito envergonhado ausentando-me da casa do Dr. era preciso um para cada sahida !. Estas festas faziam o encanto do bairro de São Christovão. Lembrando-me destes bons tempos as lagrimas me vem aos olhos. pois como sabes.. Eu muito maneirosamente respondilhe que o boi era feito para se escangalhar. pois era o unico que conservava as tradições de todas estas festas antigas. couces etc. que julgava ser um boi de carne e osso em vez de se mandar fazer um boi. eu por ter apresentado como pessôa de minha amizade e a você por ter espatifado o animal ! Foi preciso mandar fazer um boi novo para continuarmos os festejos do Bumba meu Boi ! Esta vae me servir de emenda.– 16 – ! O compadre Mello Moraes. Mello Moraes não guardava rancor. e ainda hoje. Mello Moraes. indicarei ninguem para sahir no boi. ficando assim privado de tomar parte de suas festas.. dando cabeçadas. Mello Moraes. apesar de saber que o Dr. ficou bastante aborrecido não só commigo como tambem com você. As festas do Bumba meu Boi desappareceram com a morte do grande escriptor e inesquecivel poeta Dr. eu . nunca mais compadre. pois aquelle acontecimento era effeito da mocidade. e as saudades invadem meu coração por estas tradições que os annos não [015] tou as minhas desculpas trazem mais.

SALVADOR MARINS [016] Era carteiro de primeira classe. procurava o dono da casa e pedia para ir ao quintal afim de passar pela cozinha e ver a fartura ou a miseria em que se achava o dono da festa. vamos sahindo de barriga. alguns ainda vivem. outros já se forma para o além deixando melodiosas producções musicaes. em caso contrario dizia: O gato está no fogão rapaziada. E depois arranjava um motivo. quando tinha bôa mesa e bebidas com fartura. Na proporção que vou lembrando é muito difficultoso citar todos.– 17 – mais alguns flautistas que tiveram sua grande época. Não viemos aqui para passar "gin- . nome que se dava nos "pagodes". não se negando a convites. infelizmente tambem já dorme o somno dos justos. apesar de não ser um grande flautista. mas perguntava logo se tinha "pirão". pois o numero é grande e já pela minha idade ser difficil possuir a mesma memoria de 40 annos passados. tocava seu pedaço com correcção. o que fazem recordar em todos os bons choros pelas pessôas que tiveram a felicidade de privarem com os mesmos. endireitava os oculos cujos vidros tinha uma grossura enorme. vendo fartura vinha para a sala todo satisfeito. pois estou atacado de terrivel dôr de vendo tudo triste sem aquelle alento dos grandes "pagodes" chamava um collega e dizia: Está me parecendo que aqui o gato está dormindo no fogão. Dahi a pouco vinha o dono da casa ou pessôa da familia pedir que tocasse um pouco. ja" (que quer dizer fome). Salvador. Quando ia tocar num baile. pois era myope de verdade e respondia logo: sinto muito não poder tocar.

provocava tambem aos companheiros grande ataque de riso pois o Marins. era deveras engraçado. despedindo-se da familia iamos para fóra fazendo commentarios do sucedido. Assim findou-se o heroe do chôro. deixando muitas saudades aos seus companheiros de repartição e amigos e admiradores que possuia aos punhados em Botafogo onde sempre morou e morreu. mas elle. era esta a evasiva para cahir fóra do baile que não tinha "pirão". então as pessôas da casa penalizadas. recusava declarando que soffria do coração e que a reacção do medicamento podia lhe ser fatal e arribava do pagode carregando todos os acompanhadores. em grandes gargalhadas e verve. era especialista nas musicas de Callado. Em meu poder tenho grande quantidade das mesmas que guardo com todo carinho como uma joia de alto valor. Luizinho e do trombonista Candinho Silva. offereciam um comprimido qualquer para estancar o mal. cujas composições acham-se no caderno de muitos flautistas da actualidade. nenhum dos antigos musicos escreveu tanta quantidade de chôros como Candinho Silva tem escripto. como também para os fraquinhos.– 18 – cabeça. Marins. é um verdadeiro maestro no instrumento. flauta com certa perfeição. é admiravel em suas composições pois não só escreve com difficuldades para os tocadores batutas. fazia um encanto nos salões quando tocava o seu instrumento. suas composições são de uma belleza de arte e de gosto. Carlos Furtado. Candinho toca trombone como poucos. tocava quem peço licença para trazer . e era sempre encontrado no bairro de Villa Isabel em companhia quasi CARLOS FURTADO sempre do grande musico a Era um hábil chorão. Silveira.

e de seu sempre chorado irmão e também grande violão Ernesto Magalhães. dando com isso grande prazer ao seu mestre. Conheci-o de menino como tambem eu o era. e a todos deliciava. do lado direito. onde com Santa Cecilia ia tocar os hymnos santos do céo ! Morreu de uma tuberculose deixando um vacuo triste e difficultoso de ser preecnhido. então por gracejo lhe disse: Viemos te buscar pois temos um pagode puxado a "Qui-Qui" (porco). Indo certa vez em sua residencia em companhia de Ernesto Magalhães e Billot. se não me falha a memoria. Naquelle tempo morava em uma pequena avenida na entrada da rua de São Christovão. da entrada do Estacio. Francisco Magalhães.– 19 – seu nome. o illustrado e humanitario medico Dr. já tambem fallecidos. MANOEL TEIXEIRA (Cupido) Foi um chorão de facto. antigo Mata Porcos. em reuniões e até muitas serenatas fizemos. tornando-se um trombonista respeitado. dedicou-se ao trombone tendo como mestre Candinho Sil[017] va. Vito. tocava nos bailes. chamado. onde . elle com um pequeno riso nos labios. brincamos juntos e soltar papagaios lá pelas bandas da chacara do Céo. este riso era já advinhando a sua partida para o além. encontrou elle muito abatido. Cupido era filho de um velho tocador de violão já fallecido. até os seus ultimos dias. nada respondeu. abandonando a flauta. quasi não podendo falar. A sua flauta em seus labios parecia até o canto de um sabiá. no cimo do Morro de São Carlos. já fallecido. Furtado. O autor destas linhas acompanhou a vida de Furtado.

flautista dos bons. morava no poraneos. Gostava carteiro. mas servia para reunião dos chorões. musica composições de diversos flautistas. Morava numa pequena casa na rua Machado Coelho Morro do Pinto. e depois se atolava o na cerveja. entre seus amigos daquella possuia em seu caderno de época. foi um chorão que deixou Apesar de não o ter conhecido pessoalmente pude pegar algusaudades. esta casa era a de assombro.– 20 – [018] tambem comiamos os cajás azedos que existiam naquelle tempo em abundancia. e bebia melhor. sempre arremediava. não era musico perto do Estacio. pois com a sua musicistas. comia como gente ARTHUR FLUMINENSE De saudosa memoria foi grande. lá uma ou outra mais difficil. mas pequenas informações. Dizia de uma abrideira antes de entrar nos pirões. onde o autor deste flauta de cinco chaves já muito livro ia alli beber naquella fonte velha. no vinho ou em . presa com elasticos sua aprendizagem de Violão e tocava só musicas faceis. sendo por "encher tripa" na falta dos tanto uma grande escola de grandes chorões.sua morte causou grande claro bem executor eximio do chôro. sabendo que elle privou com os GEDEÃO grandes flautas da antiguidade. emfim Cavaquinho. Sublime artista musical tam. Cupido que sentia em seu instrumento. que tambem já se LEOPOLDO PE' DE MEZA foram e de seus contemTocava pouco. nos bailes onde tocava.

Se pela madrugada vinha um chocolate com biscoitos não regeitava a parada e tomava mais de uma chicara. ia me dizendo vamos dar o fóra pois não estou acos[019] tumado a passar a "Pirão de Areia secca" e "Pirão de Bagre". então Foi um grande amigo e respondia eu vamos sahir de chorão. já não posso mais. luminosa estrella theatral no nosso amado Brasil. era dos taes que cada vez que chimpava um "gole"da bôa estalava a lingua. Mattoso. Fui amigo intimo de seu pae. grande perfeição. Villa Isabel. pelo muito que comeu e bebeu neste planeta.– 21 – qualquer outras bebidas que viesse. alguns pagodes que estavam acostumados a receber os musicos a café e cachaça. como elle. executor de flauta com barriga pois ella esta dando . festas estas que Espindola. mas gostavam de comer bem e se assim não fosse tratavam de dar o fóra deixando os convidados a vêr navios. que tantas glorias. e quando numa meza via um Qui-Qui (porco) com a competente batata na bocca e azeitona nos olhos. estou empanturrado. Julgo que elle já deu contas a Deus. bellezas e applausos tem feito na nossa capital e tambem retumbante successo no estrangeiro. não tinha mais vontade de levantar-se. pae da grande artista Aracy Córtes. que significava não haver uma bella ceia regada com o CARLOS ESPINDOLA competente vinho. Itapagipe e muitos outros lugares desta capital. e quando isso fazia ia dizendo: hoje comi para um mez. Andarahy. conheci-o ainda solteiro quando frequentavamos bons e maus bailes na Tijuca. Não quero dizer com isso que todos os musicos fossem assim.

uma occasião. o que conseguiu comprando uma de novo systema convidando João Salgado para seu professor que promptamente aquieceu. caminhavamos pela rua afóra rindo e commentando o baile. Espindola. Falleceu á rua Barão de Ubá. mandavamos vir uma porção de mortadella. Saindo deste pagode hiamos para qualquer botequim. Não sei de certo. se vivesse. e o autor destas linhas acompanhou o seu enterramento ao Cemiterio de São Francisco Xavier. comia bem e antes de tocar flauta já era grande frequentador de pagodes. Occupava elle. Palestramos um pouco. pão e vinho e assim faziamos um bello repasto. João Salgado que era um professor de grande merito e paciencia para ensinar a mais rude cabeça foi aos poucos ensinando a Espindola. o que faço votos que sim. finalizando a nossa conversa sobre a vida do seu saudoso esposo. Morreu muito moço ainda e. Nesse tempo metteuse na cabeça de Espindola. quando carteiro que fazia entrega na rua do Lavradio encontrei-a. o cargo de feitor de turma da Prefeitura. também de saudosa memoria. morando no Hotel Nacional. A sua dilecta filha Aracy Córtes. pois conhecendo muitos tocadores de chôro escorregava nas aguas delles. hoje seria a gloria dos grandes chorões com a sua maviosa flauta. que muito o apreciava. pois. impondo-se á admiração de todos que o conheciam e tambem deste que estas linhas escreve. que com a vontade que tinha de aprender foi depressa. sahiamos dalli mais ou menos forrados. Dahi parte o conhecimento delle com o inesquecivel professor João Salgado. aprender a tocar flauta. pois em poucos tempos tornou-se um flautista respeitado nas rodas dos tocadores.– 22 – horas. se a sua viuva ainda existe. um dos astros que circula em nosso .

Baziza Cavaquinho. Penso existir ainda a cumprimento dos seus deveres. Carnavalesa Pragas do Egypto. raras vezes dizia não.– 23 – meio artistico homenageada Correia. sua viuva e filhos no mesmo Eram os seus acompanhadores. a vi muito creança. que era o Presidente. vida Edegar. o autor PEDRINHO deste livro. Ismael faziam encantos. Acompanhei-o [020] muitas vezes com o meu vilão seus camaradas fosse onde este chorão. Chiquinho Baptista. sendo assiduo no bom gosto. conheciPedrinho. deixando em de uma educação sublime. Também dois chorões celeCandinho Trombone. mas o pouco Fabrica de Tecidos de Villa que tocava dizia com alma e Isabel. um dos "predilectos" mencionar que se chamavam em violonistas da turma de Callado. não só nos . Era operario da flautas de admirar. Pedrinho morreu Pedrinho. pois. primoroso flautista repentinamente. Lequinho e muitos pelos applausos dos seus admi. radores. Estes. Não era lá destes fosse. Viriato. féras amansavam-se e os CHIQUINHO passarinhos enebriavam-se. bairro em que morreu. filho do inesquecivel bres que não posso deixar de Juca Valle. tal era a gravidade do seu sopro. o na Tijuca. Juca Russo Violão. aos Falleceu lá para as bandas do Jardim Botanico. as impossivel de descrever. D. Estes musicos tocavam na S. Esse nossos corações a maior tristeza instrumento nos seus labios. Rangel e Silveira. e Henrique.outros que me falha a memoria. eram dois flautas sublimes. o chôro.

Só aqui podemos descrever duas das suas producções "Macia". bom na flauta residente em Botafogo. executando as musicas de sua lavra. admirado. chamava-se Benedicto Bahia. Moravam lá para as bandas da Gavea. typo de gentilman. Outro companheiro. elle um pouco retirado. sendo um eximio professor. VIRIATO Inesquecivel musico de grande nomeada pelas suas producções admiraveis. Faço ponto aqui deste grande musico scientifico aos meus leitores. Deixou o violão e toca actualmente Trombone com maestria. pelos annos. que infelizmente não as possuo. digno de ser apreciado. e "Só para [021] moer". e que tocou com maestria em diversos bailes onde era sempre o mais preferido. E o João Soares com o seu bandolim e cavaquinho ornamentava tambem a "troupe" de Bahia. musicas estas que nunca perderão o seu valor. as suas musicas eram executadas com ternura e bom gosto. pois. mesmo assim. CAPITÃO RANGEL . Hoje. morreu. e já cansado das luctas. ZE' FLAUTA Como era conhecido. quando devia viver. primoroso violão. As suas composições são innumeras. de uma educação finissima pois. que se fosse fazer a apologia de Viriato e de outros musicistas de sua tempera seria necessario multiplicar as paginas deste livro. ainda muito instado demonstra o que foi.– 24 – bailes como nos Theatros. Ambos infelizmente já dormem o somno eterno. Eram os seus acompanhadores o Ademar Casaca.

– 25 – Musicista. "Olhos de Candinha". "Amelia". O seu pae. autor de innumeras composições. Geraldo foi um eximio funccionario dos Correios. tinha por elle um grande devotamento e por esta razão o acompanhava para todos os chôros á guiza de um cicerone. muito estimado pelos companheiros. não estando aqui descriptas nem a terça parte de suas musicas. "Ternura". Era conhecido pelos seresteiros da Cidade Nova pelo seu sopro. "Não machuca a gente". "Você me prometteu". GERALDO DOS SANTOS Immensuravel flauta. "Futuro Risonho". Deixou elle um grande archivo de musicas antigas e modernas que deve achar-se em poder de seu filho Pixinguinha. Falleceu ha pouco deixando grandes saudades e inesqueciveis recordações a todos os Chorões. Tocava de primeira vista. como sejam: "Geralda". pois. Rangel foi um dos principes dos Chorões da Velha Guarda. maestro e talentoso flauta que repercutiu as nossas glorias musicaes [022] . conhecido na roda dos chorões por "Bico de Ferro". "Vivi". de novo systema. a principio. "Emilia" e "Sympathia". apesar de ser elle de maior idade. sendo por este modo acclamado e festejado. "Saudades de 1° de Agosto de 1888". quando tocava em qualquer festa era divulgado e conhecido pela melodia do seu instrumento. de cinco chaves e ultimamente em uma. "Alice". ALFREDO VIANNA Melodioso flauta que podia se comparar com os acima descriptos. na sua flauta amarella.

Apesar de não vel-o ha muito tempo. Felisberto Marques. flauta fluente e sonoroso "primus inter pares" entre seus componentes pelo gosto e modo de exprimir com sentimento as suas produções. FELISBERTO MARQUES Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda. acho que ainda vive para a felicidade dos seus innumeros alumnos e de seus amigos. já fallecido. tendo se dedicado ao violino tornando-se um admirador de Paganini. Tem de sua lavra grande quantidade de chôros. deixo de innumeral-as pois. e tambem as de Callado. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiraveis composições. como tambem em muitas festas de Chôros que se exhibem nesta Cidade Maravilhosa onde é apreciado e ovacionado pela maneira admiravel com que sabe executar o que é nosso. quero dizer com isto que é um filho que sabe honrar a tradição de seu pae no circulos dos Chorões. Agora já se acha velho e retirado dos chôros. CUPERTINO Grande maestro. e que. Viriato e de outros tantos por mim descriptos. Formou até uma sociedade de aprendizagem de musicos onde tem se aproveitado grande quantidade de moças e moços que já se acham diplomados pelo Instituto de Musica. que no rol d'elles se encontra o escriptor. mais conhecido por Maçarico. que o publico conhece-a todas não só pelo Radio. Ultimamente. era um eximio professor de flauta. já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um subito mal que . pois Felisberto além de um bom executor.– 26 – no Estrangeiro. Rangel.

fazenda as alegrias dos lares. Era Bacury. "Tutú". grande compositor de Chôros. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto. Poucos muito os aprecia e que ainda flautas tinham o gosto de Cabral. hoje tem grandes recordações. tendo as suas ricas producções cahido no esquecimento no correr de tantos annos. Elle privou com os antigos chorões do seu tempo. e deste tempo para orgulho meu e de seus amigos. BACURY Tambem flauta respeitado da antiguidade. Ainda vive. guarda-fiscal da Prefeitura. pois é uma reliquia que d'alli não se retira por modo algum. "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. Não gostava de musicas extran- . Morador lá para os lados do Jupiaçara conheceu todos os chorões d'aquelle tempo que Suburbios. JUPIAÇARA Flauta de outros. dos seus janeiros ainda não deixa de ir ás festas. chôros e reuniões de amigos com a sua OSCAR CABRAL linda flauta toda de prata. pela sua inteligência musical e seu fino trato. apesar [023] Conserva na sua linda vivenda os retratos de quasi todos os grandes flautistas acima mencionados. na Piedade. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma". e nada mais pôde tocar. que já dorme o somno derradeiro ha mais de cincoenta annos.– 27 – com espanto de todos os seus admiradores. perdeu a embocadura. que tantos prodigios conquistaram.

se ache algumas. serenatas e festas. parecia aos seus amigos cheio de vida. já bastante idoso. Infelizmente morreu moço. elle apaixonou-se tanto. BENEDICTO Benedicto. e pela molestia que aos poucos foi minando o seu organismo. Escreveu algumas composições bôas. tocava todas as musicas dos velhos e novos flautas ou de outro qualquer instrumento. um dos velhos chorões e de nome na roda dos que tocavam ou não. porém apesar de não compor. Quando a nossa Mãe morreu. que nunca tendo escripto qualquer musica. tinha muito gosto pela musica. e que talvez no caderno de Cabral. irmão do escriptor. e no entanto assim não foi. que deve estar por ahi desprezadas. deixando muitas saudades aos seus amigos. Morreu elle ha pouco mais de tres annos lá para os lados do suburbio. pois foi o encanto dentro da Cidade Nova e nos suburbios onde os bailes bons e pessimos eram aos borbotões.– 28 – geiras pois sempre dizia que tinha verdadeira adoração pela nossa musica e tinha um archivo que. que botou o nome de "Minha Mãe". muito conhecido e amigo de Oscar Cabral. e que hoje como seu . Foi grande compositor cujas producções devem estar em poder da sua distincta familia. e. Só deixou a flauta. bastante triste. especializando-se das antigas do seu tempo. affirmo que muito poucos possuem não só em numeros como em belleza. sepultou-se no Cimeterio do Pichincha em Jacarépaguá proveniente de uma paralysia. outro bom flauta. Tocou em muitos bailes. [024] QUINTILIANO Quintiliano Pinto. compoz uma valsa.

Com esta franqueza Videira ficava radiante. então vamos tocar só nestes tons e assim fazia. E perguntando então: Qual os tons que o senhor confere no seu instrumento ? o que respondia: Dó Maior. e a minha pratica é quasi convidou-me para tocarmos em . e um meu grande amigo. flautista e chorão de respeito também já descansado desta vida aos seus 35 annos mais ou menos. Era muito respeitado. pelos acompanhadores. em qualquer passagem. Respondeu Videira: pois bem. ainda choro. e mesmo para não acabar com o baile. Vou contar um facto que deu-se commigo. sabendo musica. Paz á sua alma é o que peço a Deus como todos os seus companheiros que com elle dormem o somno da eternidade. Mi menor. apesar de tocar de ouvido. O senhor sabe tocar? o que era conhecido por apellido Dinrespondia o interpellado. de saudosa memoria. toco ga. e só. e depois o senhor toca com muita difficuldade. contentissimo demonstrando assim a sua Maestria. se qualquer dos instrumentos désse uma nota fóra da musica. parava a flauta. E' verdade que tocava de ouvido mas sabia dizer na flauta o que dizia aos outros. e então ia logo dizendo: Agora eu vou tocar para o senhor não cahir. Sol Maior. o que era uma decepção [025] para os convidados.– 29 – irmão. e muitos nos estimavamos. pois sempre tocamos juntos. Dinga pouco. e então logo perguntava ao que errou. tambem como eu farrista que Videira. e Videira. o que muito nos atrapalha. e tinha um defeito. e lastimo a sua morte. VIDEIRA nenhuma. sahindo-se os fracos tocadores bem.

só para cantar modinhas. que só servia para distrahir. e a do Dinga. o flauta ainda não tinha chegado. com medo que Vieira entrasse. Pois bem: com o medo de tocar com Videira. E assim dizendo pegou-me pela mão. eu e Dinga. surgiu Videira com a sua maviosa flauta em baixo do braço. dentro dos tons que nós conheciamos e não para acompanharmos flauta. abraçou-me e dizendo-me: menino não tenha medo. Diogo. Então eu. pois sabia por informações. Videira dando uma gostosa gargalhada. pensando que fossemos excelentes tocadores. veio Videira ao nosso encontro dizendo: Eu peço aos senhores que não se retirem. muito medroso e nervoso lhe disse. Quando estavamos quasi para retirar-nos. Ao chegar á sala de jantar. hoje General Pedra. do pouco que você toca: pois eu tocarei tudo dentro das notas que conhece. encontramos uma bella . Oh. pois o que eu sabia era de principiante. arranjamos um pretexto para darmos o fóra. e que muito sorridento nos comprimentou. indagando eu ao dono da casa quem era o flauta. pois os tons que sabia naquella occasião eram muito poucos. que tinha de tocar me respondeu que era um seu amigo por nome Videira. E dizendo o dono da casa que iamos nos retirar. que fomos alli. acompanhamos com grande prazer. satisfeito talvez. decepção ! Um suor frio desceu-me por todo o corpo. pois faltava-nos a pratica. parecia que ia ter uma syncope. e disse: vamos lá dentro tomar uma bôa talagada. Nos que tambem gostavamos.– 30 – um anniversario e baptizado. e não para acompanhar. lá pelas ruas de S. Quando lá chegamos. pois desta forma ficará a festa toda estragada. o ranzinza que elle era! pois sabia da decepção que ia passar e meus companheiros.

que foi sorvido quasi de uma só vez. que ficaram muito gratos. Videira era intimo da familia. tocamos a noite inteira. Depois de muito commentarmos sobre a festa despedimo-nos . nem suspirava. Videira quando sorveu o ultimo gole. Lá chegando. deu um grande estalo com a [026] lingua. puzemos a cantar modinhas. Porto. palavra muito em uso por elle. E assim soldamos os pulmões para poder contar modinhas muito em voga naquelles tempos. outra garrafa. Lá pelas tantas da madrugada depois de muitos chôros tocar. Finda a festa ao romper da manhã. cheia de assados. Cervejas e etc. "Pallida madona. E assim eu o Dinga e Videira. e sua familia e mais convidados. e zás bebiamos. despedimo-nos do dono da casa. que naquelle tempo era bom e barato e enchendo os nossos copos que era dos grandes. nos entregou. Virgem de louros cabellos. O dono da casa. De vez em quando Videira mandava vir mais outras talagadas. trazia logo sem pestanejar. e sendo sempre muito applaudido. depois de um bello chocolate." Eu sei que teus olhares são só delle. um dia louco. e enchia os copos. feita a capricho o que foi uma delicia para nós. dizendo-nos: Que bôa talagada. Videira mandou abrir uma garrafa de vinho do Porto.– 31 – mesa. pois desta existem poucas. logo que Videira pedia. e as competentes garrafas de vinhos tintos. hoje Praça 11 de Junho. o que vale o fulgor de Oropé e muitas em que o escriptor destas paginas era um batuta pois possuia uma bella voz que encantava aos ouvintes. fomos até o largo do Rocio Pequeno. pela maneira alegre e ordem que reinou até ao findar da mesma. E assim dentro dos tons que sabiamos.

tão querido outr’ora. onde lá entregou sua alma a Deus. que espontaneamente. Pois bem. valsas. tornando-me assim um bamba nos dois instrumentos de cordas de que fiz uso por muitos annos. chotes. e tornando-me desta forma um violão e cavaquinho respeitado na roda dos tocadores batutas. privaram e tocaram. que era um astro . Personagem. Ermelinda. como em uma charutaria na rua do Ouvidor. Lucinda. da Cidade Nova". e dentro do meu cérebro as reminiscências descriptas neste livro. e muitas outras como polkas. e cavaquinho. dou-lhe diante dos factos testemunhados por todos os musicistas. daquelle dia em diante. onde elle trabalhava como cigarreiro. tendo de[027] pendurado nas paredes cheio de pó. e no esquecimento. porém. pois elle os conhecia regularmente. o meu violão e cavaquinho. Então Videira offereceu-nos a sua casa. com elle. rico de recordações.– 32 – com bastante pezar. que andaram. obrigado sou a retirarme para a vida privada. de uma intervenção cirurgica. comecei a procurar Videira. mazurkas. por ter sido os meus instrumentos que tanta fama me empolgou na minha mocidade. Hoje ao peso da idade já cansado. pela boa camaradagem que reinou. que era em uma pequena avenida na rua dos Invalidos. pobre de literatura. e assim acompanhei muitas quadrilhas como fosse: "Minha dôr. Andando sempre com elle principiei a tocar violão. Saudades do Engenho Velho. flauta também de bom gosto. não só em sua casa. Chorão dos chorões. epigraphe esta. etc. JOÃO DE BRITO João de Brito.

na minha reminiscencia. e chorão do Cattete. era tambem um [028] . Quando empunhava a flauta. Era demasiadamente apaixonado pelo chôro. tocava todas as musicas dos flautas antigos já por mim descriptos. nos corações de seus amigos que ainda hoje pranteiam a sua morte. Morreu em uma das ruas do Cattete. daquelles tempos. o enthusiasmo lhe supplantava. que occupava o acompanhadores. Pois como elle na sua flauta magica só tocou Pan o Deus da natureza de que falla a mythologia. tendo seu enterramento sido uma apotheose de saudades. era estafeta cargo de carteiro. João de Brito morreu. Autoridade nas melodias que sabia exprimir com facilidade no seu instrumento. era um caboclo sympathico. discípulo do sempre chorado e inesquecivel Felisberto Marques. THOMAZINHO Thomazinho. entre seus acompanhadores. que ainda hoje guardo bem tristonho. de maneiras francas. JOÃO BRUNO flauta conquistado pelos bons João Bruno. para chôros.– 33 – que illuminou na sua trajectoria os lares ricos e pobres. attrahente. e positivas por isso tornava-se communicativo. porém. e elle se esquecia de tudo até de sua familia de quem era estremecidamente dedicado. João de Brito era cigarreiro da fabrica Leite Alves. O autor deste livro tinha por elle grande devotamento e muitas vezes accedeu aos seus convites. Era senhor de um bom sopro e de bom mecanismo. bom flauta. Vive. Deixou diversas composições que infelizmente nenhuma possuo.

pernostico. Tinha adoração pelo que tocava. Adorava seus filhos a quem . deixou uma grande bagagem musical. Era respeitado. Kallut era exemplar chefe de familia e amigo dedicado. pandego. Julgo em consequencia de um grande desgosto que teve. conseguiu derrubal-o em uma rasteira. Era um grande athleta no jogo de capoeiragem. pois bolia com os nervos de quem o escutava. cada qual era um mundo de inspirações. composições sublimes. onde foi sempre sua moradia. Irene" e muitas outras bellissimas composições. com arte e bom gosto que tinha pela musica. Kalut morava em Jacarépaguá. que a minha penna treme ao trazer aqui o nome deste afamado professor. pois a belleza e os sentimentos dos chôros que elle escreveu. tocadores. Era de côr parda. pelo seu fino trato. Catullo Cearense. vivia sempre a brincar com os companheiros como elle. Nunca companheiro algum por mais esperto que fosse. São de sua lavra as valsas: "Camponezas. É impossível descrever aqui.– 34 – dos Telegraphos e morava lá pelos suburbios. ou em qualquer golpe. o apogeu deste grande mestre. foi optimo funccionario e aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe. Hermes Fonetes. Sorrir Dormindo. immensuravel artista. JUCA KALUT Juca Kalut. e outros poetas de valor aproveitaram suas composições em que escreveram bellissimos poemas. Morreu a poucos annos. muito o elevaram no conceito de outros grandes musicos e professores. de uma agilidade sem nome. altura reglar. onde era muito estimado. e pelo saber que tinha na sua maviosa flauta.

[029] Morreu. não olhando sacrificios. Guilherme foi flauta de seu tempo como poucos.– 35 – tratava com o maior desvelo educando-os com o maior carinho. que falleceu a poucos annos no cargo de guarda municipal. Morreu a poucos annos. e creio por desgosto intimo falleceu logo depois de casado. deixando immorredouras saudades que somente a propria morte apagará. apesar de sua difficuldade monetaria. Com a morte de uma sua filha. fui seu acompanhador. pelo bom gosto de suas composições. GUILHERME CANDIDO DIAS Outro chorão e bom flauta chamou-se em vida Guilherme Candido Dias. e tambem pelo seu fino trato. é lembrado como lidimo expoente da musica. não fosse chamado. juntamente com o grande violão e cavaquinho Narcizo Gomes Barcellos. pois ja era uma maestrina. muito se apaixonou. não só nas letras como na musica. Conheci-o e privei muito com elle. Conhecia todas as musicas dos velhos flautas antigos que já dormem tambem o somno eterno. Ainda hoje o nome de Kallut. talvez nas mãos de algum bom flautista a quem dou meus parabens por possuir uma joia primorosa. As suas composições andam ao léo. . Na sua flauta Guilherme sabia dizer o que sentia e assim tocamos muito nestes chôros na cidade nova e no morro do Pinto. Poucos bailes se deram na cidade nova que Guilherme. Aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe. e assim deixou um claro bem custoso de preencher. pois tinha dado uma educação aprimorada. tendo exercido na Succursal da Praça 11 de Junho. como tambem seu pae.

e bom amigo. Comia bem e regado com a canninha. mesmo assim primoroso flauta que a muitos sabia dizer o seu segredo pois . MANGUEIRA Mangueira. Era muito expansivo.conheceu ? antigos bem poucos ! PHOROS" Não sei se ainda é vivo. Diogo. A sua morte foi muito sentida não só da distincta officialidade. Creio que morava alli pela rua de S.Mangueira tocava flauta de ros" como era conhecido foi um cinco chaves. onde era muito conhecido. tornando-se alli um alumno intelligente. ou vinho que podia beber-se. não só o chôro que compunha. fazendo o encanto dos lares onde era chamado. Soares "Caixa de phospho. e mesmo bastante intelligente ingressou nas fileiras da Brigada Policial fazendo seus estudos no Conservatorio de Musica. quem não Dos tocadores SOARES "CAIXA DE PHOS. pois era barato. CAMARGO [030] Camargo conheci-o no Ameno Resedá tocando regularmente flauta de 5 chaves.– 36 – annos já deu a alma a Deus. musicos e amigos cá de fóra. Tocava com alma. recebendo assim o seu Diploma de Professor. Onde tocava fazia sempre pilherias engraçadas que agradavam bem. Pois bem: Camargo foi Regente daquellas bandas chegando a galgar o posto de official. como todos os de seus companheiros. o que elle tinha as centenas. Muito caprichoso.

como era conhecido. Perdão Emilia. porém. não só dos antigos. Qual fica doido o macaco. tocava os chôros faceis como se fosse: polka. pois naquelle tempo a graça do baile era quando terminava com bellas modinhas. A gentil Carolina era bella" e muitas outras que não me vem a mente pois nellas estes tocadores eram batutas. tocamos sempre juntos. lundú. Juca Flauta foi tambem meu amigo inseparavel Juca Gonçalves. e eram excellentes cantores de modinhas. Destes por mim citados só existe o escriptor. morava em uma Avenida na rua D. valsa. eu como seu por Bita. quadrilha.– 37 – conhecia os chôros de todos os bons flautistas. o que levanta ás mãos ao céo por ainda lhe dar esta graça. JUCA GONÇALVES mazurka. Juca Mãozinha. conhecido no chôro. Mangueira era o typo do bom amigo. não era tambem um grande flautista naquelle tempo. Feliciana. já naquelle tempo bem velho. Em horas mortas da noite. Juca Mulatinho. como dos modernos tempos. etc. Juca Flauta. e suas passagens ficando assim apto para acompanhal-o Se é vivo ou morto não posso dizer. todos estes tocavam violão e cavaquinho. e quando tocava com um violão fraco. JUCA FLAUTA Mario do Estacio. Os olhos Castanhos são lindos e serenos. eram "Lá naquelle Gigante de Pedra. elle com toda a paciencia ensinava o tom. e as que estavam em moda naquelle tempo. e tambem o [031] celebre violão e cavaquinho . chotes. era irmão do carteiro acompanhador.

toca hoje o seu violão por musica. e tambem. bem poucos tocarão violão como Seixas. começou nos chôros. e com grande habilidade. Abandonou a musica. Morou muitos annos na Ladeira de João Cardos. como é conhecido no meio dos chorões. era um primor de gosto quando tocava nos pagodes. Posso aqui affirmar que no Brasil. e assim como o violão fez progresso. em companhia de seu irmão. é sympathico e querido. porém. a sua flauta era de 5 chaves. em Jacarápaguá. JORGE SEIXAS Deste maestro me falta intelligencia para descrever os seus feitos. As suas musicas vem todas da Allemanha. pois além da sua cegueira.– 38 – de 1ª classe hoje aposentado Alfredo Luiz de Oliveira Gonçalves. evadindo os salões da aristocracia. o que muito o apaixonou. dando occasião a muitos casamentos. Morreu em casa de seu irmão. visto ter ficado cégo. allegrando os corações tristes. Seixas. e alma. ainda foi atacado de uma tuberculose. em todo meio e muito considerado. onde faz seu estudo. Zezé. como um dos melhores acompanhadores. Naquelle bairro elle fez o encanto. Acabou os seus dias. que Toca qualquer musica no seu . estando sepultado no Cemiterio do Pechincha em Jacarépaguá. pois tinha muito gosto. solando musicas classicas de primeira vista. tambem razão porque. toca todos os instrumentos especializando-se no violão. capacidade quanto a musica e mais. JOSE' FRAGOSO Maestro no violão. intelligencia. pois sabia dizer o que sentia.

Braguinha [032] morava na rua de Santo numa pequena gno funccionario da Casa da Henrique. e executar aquela musica de primeira vista e com a maior facilidade. ia todos os dias para o Arsenal. ouvir os ensaios da banda regida pelo inesquecivel Bocó. onde elevou aquella sociedade ao conceito publico. festas. musicista primus-interpares. onde glorificou-se com o seu saber. ficou admirado. Foi Director de Harmonia das Pragas do Egypto. Trabalhava como caixeiro de despachante da Alfandega. Jorge é muito diNictheroy. serenatas e mais. e que tocava de ouvido musicas difficeis. E gravava no ouvido as melhores musicas. para executar na sua flauta de cinco chaves. .– 39 – mavioso violão de primeira vista. e desfazer alguns erros. e de bocca aberta vendo elle trazer o seu lindo violão. e levando á sua casa para a endireitar. Moeda. CAPITÃO BRAGUINHA Conheci-o muito. que punham em embaraço musicos de primeira nomeada. Este facto passou-se mais ou menos a cincoenta e tantos anos. O Justiniano. avenida daquella rua. foi tambem nos ultimos tempos Director de Harmonia do Ameno Resedá. como tambem em bailes. com a intelligencia de sua batuta. JUSTINIANO andando sempre com os Era flauta que morava em "guandos". e com elle privei não só na sua residencia. e que se estasiavam de ouvil-o tocar. O autor compoz um tango que deu o nome de "Ingratidão". inda hoje se fala no apurado ouvido de Justiniano.

Então elle com o bom coração que tinha não fazia selecção delles.– 40 – Era por isto muito procurado pelos seus amigos que elle tinha de toda classe. Braguinha nunca deu parte de um soldado. nunca encontrando pessôa apta para o serviço militar. conhecendo na sua flauta que era de cinco chaves. Porém. pois não fazia mal a ninguem. pois pela sua bondade o exploravam não só pedindo dinheiro. Era muito engraçado nos bailes que tocava. uns tres ou quatro chôros. servia ! Apesar de tocar muito mal e de ouvido. e voltava como tinha sahido. Serviu em um Batalhão da Guarda Nacional creio. sabia illudir os convidados. Braguinha. e a physionomia pequena. entrando em diversos botequins. Mesmo o seu porte era engraçado. Nos bailes chepas em que tocava. fazendo hilaridade dos que ouviam. sobre o commando do coronel Salustiano Quintanilha. Andava sempre acompanhado pelo pessoal bom e mau. onde elle foi um baluarte ao lado do invicto e sempre chorado soldado. Era de um coração de pomba. magrinho. Floriano Peixoto. intercalando elles de forma que poucos comprhendiam a malandragem de Braguinha. o que elle não se negava. pois tinha pilherias muito bôas. Pois bem. muito baixinho. leitores. para pegar gente para completar o Batalhão. de tambem saudosa memoria. e . e mandando arriar abessa. sahia á rua com a escolta. como tambem bebidas. não é porque não encontrasse. para satisfação dos beberrões. Sempre que via o amigo recebia com um ar de riso engraçado. mesmo na [033] effervescencia da Revolta de 93. na falta de um bom flauta. com isto elle julgava-se grande maestro. Braguinha.

mas por O seu sopro é mavioso. que é meu compadre. conhece conhecel-o. pois a escolta trazia o paisano á sua presença. O chorão me parece que mora lá para os suburbios. pois vi nelle um bom camarada. que dedicou a Arthur. e ouvindo dos mesmos dizendo-lhe que tinham filhos e mulher para sustentar e outras coisas mais. pois vi nelle um bom camarada. Estavamos sempre juntos. e como amigo era de uma dedicação sem nome. Braguinha ficava logo pensativo baixando a cabeça. não sabendo qual a razão. pois a casa de Juca Russo era frequentada sempre por grande numero de tocadores. e com grande maestria. com muitos outros tocadores de nomeada. e fiquei logo seu amigo. foi bom filho e excelente esposo. pelo seu bom coração. Quem não conhece este PEDRO DE ALCANTARA eximio flauta? bem poucos! No seu instrumento é de uma Não tive a felicidade de agilidade nos dedos admiravel. e muitas vezes até as lagrimas lhe vinham aos olhos. e fiquei logo seu amigo. e então num auge de sentimento dizia: pode retirar-se. toca informações sei que foi um . Eu frequentava a casa de Juca Russo. Eu frequentava a casa de Juca Russo. O appellido na roda dos tocadores é devido a um chôro feito por Candinho Silva. Conheci-o em casa do celeberrimo violão Juca Russo. musica como gente grande. Braguinha. ARTHUR VIROU BODE mesmo de primeira vista.– 41 – sim. dispensava. deixando aos seus amigos profunda consternação. onde faz os attractivos. E causando muitas vezes a admiração da escolta. Morreu a poucos annos.

. porém bem mobiliada. em companhia do mesmo. Na casa do sr. fazia nos chôros que tocava os encantos dos lares. [034] PAULO VIEIRA DA COSTA Morou muitos annos na Estrada Velha da Tijuca. em companhia de Galdino Barreto e Luiz de Souza. Infelizmente pelo tempo julgo ser morto. fazendo o contentamento e alegria de diversos lares. conhecia musica a fundo. fez a canção do Africano. em uma casa pouco confortada. em que se reuniam naquelle tempo diversos musicistas. acompanhei muito este chorão. sem nada ter-se aproveitado. tinha muito boas composições suas. que em 1888. ou cavaquinho o acompanhei por diversas vezes. que era um eximio tocador de harmonio. que tantas glorias tem alcançado. de grande capacidade intellectual. era de uma suavidade sublime. que talvez não existam mais nenhuma. O FRUCTUOSO O Fructuoso era um senhor de idade. Fructuoso. imenso poeta. instrumento este que fazia parte do mobiliario acima referido. Foi ahi que o Catullo.– 42 – flautista de respeito. Com meu violão. Além destes predicados era um flautista sublime. Em chôros seus. Paulo tambem como seu pae era de uma educação sublime. Era elle um solteirão. e de outros seus companheiros artistas como elle. estando talvez as mesmas jogadas ao monturo. residia na rua do Nuncio. com seu pae Juca Mamede. Como violão que fui. infelizmente nada publicou. que infelizmente como tantos outros já dorme o somno eterno. Tocava também as musicas classicas com grande maestria. e até poeta.

como [035] soldado do antigo Corpo Militar da Policia da Côrte. Gostava muito das musicas antigas e novas. apesar de sua grande instrucção. umas alegres e outras sentimentaes e com uma voz maviosa de fazer encantar. Velha da Tijuca. Uma tuberculose o victimou. tocava flauta com grande maestria. Tambem cantava muitas modinhas. Conheci-o QUES PORTO como soldado destacado em um Era filho de uma distincta posto que existia na Estrada familia bahiana. pois só durou mez e meio após o seu casamento. tambem tinha algumas composições suas. porque era de um genio estourado. Com estes dotes muito alegrou ANTONIO JOAQUIM MAR. na rua de D. e até assisti o seu casamento. mettia-se em farras. Maria na Piedade. Conheci-o apesar de poucas vezes que com elle privei. pois tinha um sopro encantador. com uma moça filha de um dilecto amigo meu. pois occupava o cargo de Estafeta de 3ª classe. não chegou a galgar posto algum. bem encostado . não se encomodando com ordens nem disciplina. no piano e no orgão era de uma decia de supplantar. no violão era sublime. Conheci-o.aquelles bairros da Estrada Nova e Velha da Tijuca.– 43 – CICERO TELLES DE MENEZES Era conhecido na roda dos tocadores como Cicero dos Telegraphos. noite e noites perdidas. Tambem sabia dizer o que sentia na sua maviosa flauta. era jovial. Cicero teve a infelicidade de gozar pouco a sua lua de mel. Marques Porto como era conhecido.

pois era de uma fina educação e trato. como Callado e seus componentes. Contava-me elle que sua bonissima mãe mandava-lhe dinheiro para seu regresso á Bahia. tinha grande zelo pelas mesmas. porém. Morreu já cansado pelos annos. devido a isto pouco uso fazia da musica. em poucos dias familiarizou-se com todas as familias alli residentes. conhecia musica de verdade. pois para elle não havia difficuldades. pois foi um flauta de peso. JOÃO SAMPAIO Quem o conheceu pode gloriar-se. Era muito respeitado na roda dos que o conheciam. gastando todo em farras e patuscadas. Tocava qualquer chôro de primeira vista. Bohemio que era e não ligando a sociedade acabou o heroe do chôro. CARLINHOS . Marques Porto. nunca lá foi. com sua flauta sempre em baixo do braço. só deixava copiar em sua casa sob as suas vistas. onde deixou immensas saudades. que pelo seu saber e cultura podia hoje seu nome estar esculpido em uma estatua para gloria do porvir. a flauta nos seus labios dizia o que era bom e maravilhoso. com seu espirito bohemio. em uma enxerga na Santa Casa de Misericordia. E assim lá se foi para via eterna um heróe. tinha diversos cadernos de chôros. Morreu a poucos annos lá pelas [036] bandas da Aldeia Campista. Ninguem arrancava uma musica qualquer para fóra.– 44 – á Caixa Velha. lá ia elle divertir aquellas familias que muito o estimavam. se não me engano. As suas musicas quasi todas foram dos velhos e antigos chorões.

. muito apreciava todos os chôros dos antigos. Toca tudo dos grandes e sempre lembrados flautas da antiguidade. sem jaça. toca com grande maestria e gosto.– 45 – Como divida de gratidão pelo muito que sabe não podemos esquecer este chorão da gemma. Infelizmente só temos duas que são de nome "Os deuses de Maricota". mora em Villa Isabel em uma das casas da Companhia HENRIQUE DOURADO (HENde Tecidos. Mesmo assim uma vez ou outra não dá o seu quinhão ao vigario. maestro de primeira grandeza. no tempo do sempre lembrado e chorado Anacleto de Medeiros. RIQUINHO) IRINEU PIANINHO Já tambem dorme. pois diz o que sente. Casou-se. e os de agora. Carlinhos. e muitas outras. pois é primoroso flauta. Talvez devido a isto retirou-se da lucta. com seus maviosos preludios. e modernos tocadores já por nós descriptos. Tinha muitas musicas de sua lavra. como tambem Pianinho. brilhante. Pianinho foi grande musico e chorão. que infelizmente tambem dorme o somno dos justos. que eram um primor de bom gosto. que apesar de ainda ser novo na lucta. pois já nasceu com o dom da musica. pertenceu á banda do Corpo de Bombeiros. e o "Genio de Maricota e Geny". nada fica devendo aos velhos. encantando assim os que tiveram a felicidade de ouvil-o. como Esse flauta encheu de glorias a nossa bella Capital. e tanto assim que em poucos annos galgou todos os cargos de Carteiro onde chegou até o de 1ª classe. E' também de uma educação finissima.

– 46 – muitos de seus companheiros o somno eterno. Exalto o seu grande genio que foi o Henriquinho, como era conhecido. Tinha o seu grande valor no meio dos tocadores, pois era um flautim adorado, tocava todos os chôros dos antigos flautas o que elle muito adorava, como tambem as composições suas. Foi tambem flauta de verdade. Encantou muitos lares, fez apagar muitas tristezas e senti[037] mentos, nos corações dos que soffriam, com o seu mavioso sopro. Encantava todos aquelles musicos ou não, que tivesse a sorte de conhecel-o, não só pelos dotes musicaes, com tambem pelo seu fino trato. Morreu muito moço, o que foi um sentimento geral e se assim não fosse, as suas musicas seriam hoje em grande quantidade. PORFIRIO DE SA' Fui um grande admirador da flauta que elle tocava com o maior prazer e alegria, escreveu muitos chôros, e cada qual de arrepiar cabellos. Tendo depois deixado a flauta, dedicando-se ao contrabaixo, por lhe faltar a embocadura, como tambem os annos e molestia que foi adquirindo com o correr dos tempos. Aprendeu a tocar violoncello em pouco tempo. Seus professores admiravam-se da sua inteligencia, e a rapidez com que aprendeu um instrumento tão difficultoso. Pois bem, Porfirio, tornou-se um grande contrabaixista, tocando até em orchestras. Agora vamos aqui trazer nomes de algumas composições suas. Eil-as: "Os meus desejos", "Diamantina" e muitas dezenas de outras que foi

– 47 – impossivel adquiril-as. BENEDICTO BAHIA Vamos agora bolir com as fibras de outro immenso folião da flauta que se chama Benedicto Bahia, foi bamba nos segredos da flauta, quasi todo Botafogo conhece-o como chorão de facto, pois quando melodiava na sua flauta naquelles chôros molles que é commum nelle, as mulatas ficavam todas dengosas, dizendo bravo, seu Bahia ! Hoje pelos annos e pezo de familia está um pouco retirado, mas mesmo assim ainda dá a sua pernada. Eram seus acompanhadores o celeberrimo violão Ademar Casaca, morador a muitos annos tambem em Botafogo, violão primoroso, sola e acompanha com grande maestria. Hoje toca trombone por musica o que conhece com theoria e rythmo. Hoje já um pouco alquebrado pelos annos, só lecciona, não só violão como piano ou qualquer instrumento. Era tambem acompanhador de Bahia o immenso cavaquinho que foi João Soares de saudosa memoria, João Soares de grande bagagem de musicas por elle feitas e que deve ter algumas o nosso estimado Bahia. [038] JOÃO PINHEIRO De saudosa memoria, a sua morte veio abrir um grande claro no exercito dos tocadores, pois elle era bom em tudo, muito amoroso, delicado, de uma educação finissima, conheci-o logo que ingressou na Côrte de Appellação como funccionario de pequena categoria, com seu exemplar comportamento, de dedicação ao trabalho, galgou em pouco tempo, bem alto cargo naquella Repartição. Na sua flauta, era maravilhoso ouvir-lhe tocar, não só os chôros dos

– 48 – grandes mestres mortos e vivos, como tambem as bellas composições suas. Não recusava a convite de seus amigos, pois achava-se sempre prompto para a lucta, sem pestanejar. Nos bailes e festas em que ia tocar, fazia logo camaradagem, tornando-se muitas vezes intimo da familia, pois o seu tratamento era finissimo. Morre a pouco tempo na invicta Nictheroy, em uma casa de sua propriedade e lá foi dado á sepultura o seu corpo. Em vida tanta alegria deu ao povo daquella cidade, como o daqui da Capital Federal. LEITE ALVES Quem não o conheceu ? Só quem não foi musico daquelles tempos pois era um primoroso flauta daquelle tempo a uns cincoenta annos mais ou menos, era um primor ouvil-o tocar. Tinha garbo no que tocava, pois conhecia todos os chôros de seus collegas antigos e modernos. Conheci-o desempregado, privei muito com elle, conheci em um baile, na rua D. Feliciana, ficamos muito amigos, dahi em diante todos os pagodes que elle, ou eu tinha, tocavamos sempre juntos, eu de violão ou cavaquinho, faziam-nos o regallo destes bailes, que naquelle tempo de tudo barato existia a milhares, pois não havia lar que fazendo um baptizado, anniversario, casamento, etc., que não désse um baile, puxado ao leitão, ao peru', gallinhas, muitas bebidas, como sejam cervejas, vinhos, licores, etc. De fórma que os chorões daquella época não passavam necessidades, comendo bem, e bebendo melhor. Como acima disse Leite Alves desempregado, me falou um dia na sua necessidade, e que precisava arranjar uma colocação, e que eu talvez lhe pudesse remediar este mal, pois sabia que

– 49 – [039] dispunha de elementos para tal. Então lhe respondi que ia fazer todos os esforços para sua collocação. Sendo eu muito amigo e collega de Maximiano Martins conhecido pelo appellido Seu Velho, a elle me dirigi contando toda a historia de Leite Alves, o que Seu Velho me respondeu: que sendo muito amigo, como eu tambem o era, do capitão Sebastião, que exercia o cargo de Continuo na Camara dos Deputados, que iria pedir a elle. Pois bem, foi tiro e quéda. Sebastião apeser de continuo exercia uma grande influencia na Camara, entre os Deputados e especializando nesta amizade a do dr. Herculando de Freitas, deputado pelo Estado de São Paulo, e de grande influencia politica, pois bem foi nomeado Leite Alves para servente do Thesouro e lá trabalhou pouco tempo abandonando o logar, para dedicar-se á musica, pois era seu fraco, e assim foi reger uma banda julgo em Minas Geraes, onde lá falleceu, tendo deixado grandes saudades, e aberto um claro na avalanche dos chorões que muito tristonhos ficaram com a morte deste heróe, que tão bem sabia dizer, as musicas deliciosas dos companheiros antigos e modernos daquella época. PORTO CASCATA Qual o chorão da Velha Guarda, que o não conheceu ? Bem poucos ou nenhum. Podiase considerar um maestro, conhecia musica a fundo, não só o classico, como os grandes chôros especializando Callado, Viriato, Rangel e outros de celebridade naquella época. Não sei se tinha composições suas, o que acho que sim. Era de finissimo trato, de uma educação aprimorada. Qualquer pessôa

– 50 – que com elle privasse, ficava logo cativo pelo seu elevado trato. A poucos annos era Agente do Correio de Engenho Novo, onde prestou por muitos annos grandes serviços na mesma, sendo muito considerado pelo publico daquelle lugar. A muito não o vejo, nem noticia tenho, não sabendo se será vivo ou não e assim fica mais ou menos descripto a vida não só como um chorão eminente, como tambem publica. GREGORIO COUTO Chorão de respeito, e estimado. Na sua adoravel flauta sabia dizer o que sentia, fazendo [040] nella alegria e tristeza, pois tinha musicas para ambos sentimentos. Era bom e distincto amigo. Os que com elle privassem ficavam logo á primeira vista encantados não só pelo seu trato, e mesmo com o seu bello tratamento, julgo que pelos annos que já se vão que já não existe e assim mais ou menos ahi fica a vida deste grande musico. ALBERTO MARTINS Alberto Martins, é Carteiro dos Correios, tem exercicio na Agencia de Copacabana, conhece bem a sua flauta, e toca tambem saxophone. Em qualquer destes dois instrumentos ninguem lhe passa a perna, pois os executa com a maior perfeição. Estudou bem a musica e por isto não teme a qualquer adversario. No chôro em que ás vezes toca encanta com a sua melodia, dando o maior prazer aos circunstantes. Conhece todos os chôros dos seus collegas musicos como elle antigos e modernos. Tambem tem bôas composições suas, que faz o encanto de o escutar, o que elle

baile. e conhece o bom Louro. Quando erra. Chorão de nome. e não fazia distincção de seus subordinados. começou como Carteiro. posto que foi [041] aposentado. se AURELIO CAVALCANTI esquecia de tudo e dizia na sua flauta em magnificas expressões. razão esta que se fazer um feio (isto é cahir) como tornava querido e admirado de se chama na gyria aquelles que seus subalternos. feitos deste immenso artista musical. ou tem grande prazer. clarinete flauta moderno. no meio dos votos que sim. Louro em um 1° official dos Correios. e postos até chegar á posição de sei o quanto precisam cavar nas official. o que faço novo systema. e sabe dar o seu JOÃO HILARIO XAVIER verdadeiro valor. acima descripto. e expandia impossivel descrever os grandes as alegrias de seu coração. encantava a todos com seu instrumento. cavaquinhos e violões. mas mesmo de primeira linha ? O autor deste livro teve a assim não inveja os antigos. intelligencia e Acompanhei-o algumas vezes actividade galgou todos os com meu violão e cavaquinho. pois sabe fazer sentir. despido de cordas e nos dedos para não preconceitos. armava sua flauta de prata de não sei se será vivo. E' moço ainda. que mavioso pelo seu saber. me sendo esquecia as maguas. felicidade de tocar com o heróe. Xavier era simples. A muito que não o vejo.– 51 – Quen não conheceu. LOURO No teclado de um piano era .

AZEREDO PINTO E' um dos chorões da pontinha. em bailes e festas estava sempre alegre. antes de sua morte escreveu com grande nitidez a vida deste grande chorão. pois toca tudo o que apparece. Aqui peço desculpa a este chorão em trazer seu nome. é como a electricidade. fazendo bôas pilherias e ditos gostosos. Era bom chefe de familia e bom amigo. não existia naquelle tempo. tal o tratamento com que todos são recebidos. fazendo assim risos aos convidados. pois conheço a sua modestia. O grande escriptor Coelho Netto. As suas composições ahi estão que são um primor de belleza. Aurelio foi excelente musico. Feliz daquelle como o escriptor que privou com este chorão pois fica logo encantado com a sua fina educação. Morreu ha poucos annos deixando muitas saudades e lembranças. CHIROL Outro grande chorão no piano. Mesmo depois de velho. Familia de uma maneira impossivel de descrever-se. e alquebrado. não ha difficuldades na musica. pois sabia dizer o que sentia neste mavioso instrumento. Para este chorão. e cavalheirismo. e bom gosto e facilidade. em sua casa. era de um verdadeiro hymno de amor. . e alli todos são tratados por elle. quem o imitasse. de seu tempo. A sua morte ainda hoje é pranteada. Azeredo costuma dar em sua vivenda nos suburbios onde mora bellas sumptuosas festas. Paz á sua alma. com o maior sentimento. Fez os encantos de muitos lares com as suas bellas harmonias. e sua Exma.– 52 – primoroso. Os seus dedos em um teclado.

seus dedos habeis e admirados Porto já no fim de sua vida tinha principiava com um chôro . Morreu de Grippe Hespanhola. Quando pedia-se para reptindo sempre a mesma tocar um chôro. Francisco onde era. recebia todos com o maior Porto. não se fazia de musica e assim ia ganhando rogada. e de ouvido. foi uma das Chico Porto. sabia fazer afita. esperando um CHIQUINHA GONZAGA circumstante para chamal-o para tocar. com os fama como grande pianista. Chiquinha. conhecia o piano por nada o que elle queria era bôa dentro e por fóra. pois tocava pouco. tocando ficando Nas ruas desta Capital não admiravelmente. abria o piano e. chôro. de um porém. deixando muita [042] saudades como bom amigo que No Largo de S.– 53 – deixado de tocar com o CHICO PORTO OU RUANO apparecimento desta mocidade. sempre risonha e satisfazendo a todos convidados. Não era lá nenhum ainda appareceu. satisfeita. Era de um extraordinario como meza. educação finissima. era de uma destes grandes musicos. bons tocadores eram poucos. como em seus tempos os tratamento sublime. e retirando-se do havia quem não o conhecesse. fazia sua parada. e bastante bebidas. na sua casa. Chiquinha Gonzaga. cheia de vida. carinho. bastante triste. Maestrina e compositora. pois sabia que naquella noite elle iria entrar nos bellos pirões. não se primeiras pianistas em todo o encommodava de não ganhar Brasil. pois gosto era um copo seguro. o que elle ficava satisfeito.

e fazia a delicia dos que a escutavam. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. Leoncavallo. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. em que os artistas são sublimissimos não só com as suas suaves vozes como tambem o acompanhamento destes distinctos chorões daquelle hospitaleiro Estado. que ella conhecia com grande proficiencia. á distincta familia Neves Gonzaga. tambem os do grandioso Estado Bandeirante. tambem adorava as musicas de Verdi. Aqui dou os meus applausos a todos os cantores dos Radios Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem a gloria do Radio. e tambem de seus ouvintes. todos os conhecem os seus feitos que são artistas de hoje.– 54 – composto por ella pois são innumeros. Todos conhecem bem. ERNESTO NAZARETH . o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. através deste apparelho que é a admiração do mun[043] do inteiro. e gloriosos. Não são só os que tocam no Radio daqui. Puccini. Paganini e muitos outros grandes musicos. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. como tambem pelos instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimada impossivel de descrever-se. Tocava tambem o classico. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer.

– 55 – LE'O VIANNA Ernesto Nazareth, espirito superior aprimorada educação, musico de primeira agua, foi brilhante sem jaça, que bem poucos o iguariam no seu saber. As harmonias feitas por elle eram um hymno do céo. Tocou em grandes e nobres salões, onde sabia portar-se como gentleman dotados de familia, onde tocasse fazia logo camaradagem, ficando logo intimo, como se fosse de um conhecimento longo. Tocou em muitas festas, em que tambem se achavam os grandes chorões como elle, que tambem fizeram seus explendores nos bailes desta capital como sejam: J. Christo, Costinha, Chiquinha Gonzaga, já por nós descriptos, Paulino do Sacramento, e todos os outros que não me vem á mente, pois foram em grandes quantidades destes chorões da velha guarda, que infelizmente já não existem. Quem é que não conhece o bom Léo, o distincto amigo que a todos sabe agradar, sempre com os sorriso nos labios ? Léo é filho tambem do grande flautista Alfredo Vianna, já por mim descripto aqui nestas paginas e irmão de Pixinguinha. E' chorão de fama brasileira. Tocou flauta como gente grande, as melodias feitas com a sua flauta encantavam todos que o ouviam. Deixando depois a flauta, dedicou-se ao violão tornandose um batuta não respeitando os seus congeneres. Cavaquinho na sua mão é sôpa, não só acompanha, como sóla as musicas antigas, e modernas admiravelmente. [044] O chôro que ás vezes dá em sua casa, é de arrepiar de tão bom que é.

– 56 – O tratamento dado por Léo aos seus convivas, é de ficar captivo. A sua excelentissima esposa é um anjo de bondade e trato, fazendo escravo a todos que com ella privam. Léo, não só é musico de grande prestigio, conhecedor a fundo dos instrumentos que toca, o que sinto com a minha pobreza de intelligencia não possa levar Léo ao seu logar que merece como discipulo de Santa Cecilia a deusa da musica. LUIZ CAXEIRINHO BINIGNO LUSTRADO Chorão no pandeiro, morreu e residiu muitos annos na Estação de Piedade. Os "pagodes" em casa de Caxeirinho, tinham brados d'armas ! e tambem em casa de seu vizinho mamede, este já fallecido. Deixar de proclamar que foi este chorão nos seus bellos tempos, era commetter uma grande ingratidão, pois elle, era um chorão naquelle tempo Eximio tocador de violão, conheci-o a cincoenta e tantos annnos, quando elle era companheiro de Voltaire e acompanhadores do grande Callado o maior flauta daquelle tempo. Benigno ainda vive, e toca o seu violão, trabalhando no seu officio de lustrador. Este grande chorão, é digno de todas as homenagens, e que formava na vanguarda dos foliões. A casa repercutia no meio de todas as celebridades musicaes do passado, pois não havia um só musicista de valor que não rendesse homenagens a este grande astro que ainda hoje resplandece no cerebro daquelles que vivem, recordações cheias de saudades, de horas felizes e cheias de harmonia, pelas notas vibradas pelo pandeiro de Caxeirinho, em seus conjunctos. Já falleceu.

– 57 – porque nestas linhas patenteio as suas excellentes qualidades, e o amôr e devotamento que sempre teve e ainda tem pelos seus companheiros de chôro e do seu instrumento, o violão. GILBERTO BOMBARDINO Era chorão de facto, conhecia bem musica, mas se fosse convidado para acompanhar um chôro de ouvido, não dava nada. Era muito pilherico e engraçado. [045] Nos pagodes, onde ia tocar, desde que houvesse parte para ler, com toda a musica sem pestanejar, e ás vezes fazendo até floreados nos intervallos da mesma. Gilberto – em pagodes comia bem, e tambem bebia regular. Gilberto gostava muito que os pagodes em que tocasse fosse até de manhã, pois gostava muito de um chocolate com biscoitos ou pão de ló. Gilberto não precisava se pagar, bastava que tivesse bôa e farta mesa acompanhada com bôas bebidas. Assim findou-se este heróe de gastronomia. Foi morador muitos annos na Tijuca, onde tocava em uma Sociedade Dansante Musical, que existia em uma casa na Estrada Velha da Tijuca, quasi ao chegar á caixa velha. Pela sua bondade e camaradagem, a sua morte deixou muitas saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. SABINO MALAQUIAS DE SIQUEIRA (O BINOCA) Conheci-o muito e com elle privei não só na intimidade, como nos chôros, em que elle era um inveterado. A pessôa de que falamos, era um violão sublime. As cordas nos seus dedos faziam pulsar corações de

– 58 – tanta graçã, e as bellas melodias que nelle, parecia que vinha do berço. Cantava bellas modinhas. Uma que eu me lembro era de uma beleza impossivel de descrever-se. E vou tentar lembrar de um dos primeiros versos que é: Meu peito é um jardim Teu coração canteiro Meus olhos regas flôres Eu mesmo sou jardineiro. E esta modinha que elle cantava com muito sentimento, e todos o applaudiam, ás vezes fazia repetir. Binoca, foi carteiro do Correio, foi de uma felicidade medonha, pois aprendendo a tocar trombone tornou-se um musico de primeira agua. O chorão de que falo, com sua inteligencia, aprendeu musica, foi um bellissimo companheiro, sempre prompto, a servir aos seus amigos emprestando nas festas muito brilhantismo com seu instrumento. Já falleceu, e quando se trata de seu nome é sempre com saudades. Na physionomia daquelles que com elle privavam, o nome de Binoca, é escripto com letras de ouro, como chorão de tempera. [046] OLAVO PINHEIRO Trabalha a muitos annos na Portaria da Alfandega, amigo e compadre do grande chorão Luiz Brandão. Nasceu na Engenhoca, pequeno lugarejo de Nictheroy. O seu pae era um distincto advogado, que dava em sua casa chôros agradabilissimos. Indo daqui da Capital, o competente chôro, que eram: Henriquinho, de flautim; Lica, de bombardão; Galdino, de cavaquinho; Feslisberto, de flauta; Espindola,

– 59 – e muitos outros e também o chorão Olavo do que tratamos. Este que é um amigo dedicado e sincero, e que sabe acatar, com sua bôa palestra e sympathia, por conhecer, de perto toda a gyria dos chorões. Muito eu quizera dizer, relativamente a esse personagem, porém, tenho que me limitar, attendendo a muitos outros, de que tenho dever de mencionar aqui neste livro. Assim direi: recebe Olavo, nessas toscas linhas, a admiração que a ti devoto. LEONARDO DE MENEZES Era natural da Bahia. Inveterado chorão, conheci-o no Correio e frequentei muito a sua casa, que era na rua da Providencia n. 26, onde se reunia, uma vez por semana Carramona, de pistão; Lica, de bombardão; Salgado, de ophiclide, e muitos violões e cavaquinhos, que faziam a alegria daquella rua. O sempre chorado Leonardo, tinha voz de soprano, e era autoridade nas modinhas bahianas. Era bom collega, e amigo sincero, ainda hoje tenho saudades da peixada que o Leonardo fazia com todo o rigor da Bahia. Aqui pranteio a sua morte. PIMENTA DA ALFANDEGA Veterano de Jacarépaguá, companheiro de Coelho Grey e de outros de sua tempera, com o seu mavioso bombardão. Ultimamente é aposentado da Alfandega, onde prestou relevantes serviços, razão porque, ainda hoje, é consideradissimo pelos seus collegas e superiores hierarchicos. PEDRO ITABORAHY Este distincto chorão, é

Em chôros em que . é de uma velocidade. baptizados e grande ophiclidista. o que elle valia. como conheceram. Os dedos do chorão acima nas cordas do violão. Valeriano foi um sejam casamentos. quasi um impossivel. velmente. O acompanhamento feito por Itaborahy. Não me admira tanto o seu JOÃO VALERIANO acompanhamento. é ouvir o heróe [047] ARTHEMIO Foi uma garganta de ouro. tal a maneira que elle dedilha o seu violão. acima dedilhar o violão. Acompanhar certas modinhas do heróe acima. como invejo a sua proficiencia no solo de que Feliz daquelles que o toca com grandes dificuldades.– 60 – carteiro de 3. com meu violão posso dizer de cadeira. faz admirar a todos. nas suas maviosas modinhas. não admira. samba. pelo seu fino tratamento. Conhecia musica admiramais. só mesmo vendo. Tinha uma voz maviosa que encantava a qualquer ouvinte. Quem quizer sentir o palpitar de coração. tal a sua maestria neste instrumento. mas de muito bom trato para seus amigos. Era atirado e valente. Morreu assassinado em uma das ruas desta Capital a alguns annos. era preciso treino. macumba. que elle conhecia bem. jongo. Conheço-o muito. Itaborahy. e elle sabe o quanto o admiro pela sua finissima educação. encanta.ª classe dos Correios e Telegraphos. e sei o que vale. e lundús. Fazer elogio de Pedro Itaborahy. pois fóra disto ninguem andava. Nos chôros dos bailes. Eu que muito o acompanhei.

não acredito que possa existir ! Lupercio. Era muito procurado. Privei muito com este chorão. Agarrava-se ao violão que nunca mais deixava. Valeriano. não era só musico para acompanhar. que sempre foi. e até mesmo no seio de sua muito nobre familia. Paulino. é como um Cometa que passa de mil em mil annos. que muito o estimava pelo seu porte. Não quero dizer com isto. grande violão. como chefe exemplar. LUPERCIO MIRANDA E' admiravel o ouvir-se pelo Radio. como Lupercio. tal agilidade de sôpro e bom gosto que elle tinha na musica. com maestria manejado. que não exista quem toque. Infelizmente hoje já tambem dorme o somno eterno. o grande trombonista Bellot. não tendo quasi tempo para o descanso. Nelle é um dom que trouxe . Julgo. como tambem era um solante de alto valor e saber. tal era o seu gosto pelo chôro. PAULINO Era Guarda Municipal. mas.– 61 – acompanhava os grandes flautas. O heróe acima era um chorão de facto. e quasi sou capaz de apostar que no Brasil inteiro não terá outro igual. oriundo de uma distincta familia. Era elle um dedicado amigo. as suas dedilhações naquelle pequeno por elle. e Ernesto Magalhães. Tocava tambem com Paulino. que não me vem á memoria. fazia sempre parte nos chôros com o grande flauta que foi [048] o immenso Quintiliano. era de admirar. Esquecia de tudo neste mundo quando estava num chôro molle. e outros.

– 62 – Leal era amigo e companheiro de Callado. um effusivo abraço. como é Lupercio. que era conhecida com o nome de Gelo. fico absorto ao ouvil-o. Conheci-o pessoalmente e apesar de muito criança. . pois acompanhava os flautistas acima com gosto e alma. lembrado ophicleide. Luizinho. que era de um francez. com quem sempre tocava. Foi chorão como poucos. No Radio onde o escuto. por ser fabricado alli este refrigerante. apreciei muitas vezes tocar em bailes que se davam constantemente em uma casa alli no Estacio. Tambem já não existe. por este geio que tu és. quasi ao chegar que o conheciam. haver um genio igual ? Tambem fui chorão. e os meus sinceros parabens. morava na rua amigo. que encantava a todos Estacio de Sá. e que as gerações vindouras talvez não traga outro. Viriato. LEAL CARECA Leal Caréca. Silveira. acceite Lupercio. era um distincto Era sapateiro. manejava com maestria. ao Largo do mesmo nome. de seu ser. Daqui destas toscas linhas. que hoje julgo já não existir mais. ninguem pode igualal-o naquelle pequenino instrumento. [049] Trabalhava muito em confeccionar botas para Era um genio nos chôros. Era um musico de respeito. O a todos os componentes da seu instrumento era o sempre musica. que elle só deixando recordações e saudades. que naquelle tempo pois tinha prazer em supplantar era o luxo. montaria. será possivel. digo para mim. chamado Bailly. e sei dar o valor aos grandes maestros.

Então. e nada.. e arribava do "pagode" onde todos davam graças a Deus. O instrumento não dava uma só nota ! O que Josino muito encabulado dizia ao flauta. emquanto os componentes da musica ficavam dado grossas gargalhadas. pois era costume do heróe virar a campana para cima. em fim um inferno para todos os conjunctos em bailes. Josino. botavam dentro do instrumento. JOSINO FACÃO Tocava pessimamente o ophicleide. e botava a bocca. nem uma nota. botava o instrumento nas costas. desafiando os companheiros para brigar. emfim fazia o diabo. Josino.. Oh ! decepção!. e d'acola. deixando-o bem atrapalhado ! Josino. Josino. Josino pegava o instrumento sem reparar..– 63 – Paz á sua alma. Os flautas não gostavam de tocar com Josino. muito padeceu na mão dos musicos quando descansava seu ophicleide enzinhavrado. ficava uma féra. então ao muito repara. muito soffreu com estas brincadeiras. jurando que na primeira opportunidade mataria. esfolaria um. era grande trapalhão. páre ! páre ! Mas o flauta que já sabia da brincadeira continuava. areia. e de ouvido. detratando-os emfim. todo amarrado de elastico. pois além de não conhecer musica. feijão cru'. soprando daqui.. pois tocava fóra do tom. sem rythmo. festas e mais. e ficava num desespero horrivel. etc. por ficar livre daquelle "Maestro" !. De maneira quando o flauta dava o sinal. e alguns musicos por pilheria. foi carteiro dos Correios onde trabalhou muitos annos tendo sido exonerado . dava com o defeito. amassado em diversas partes. pedaços de ossos dos assados. Josino.

cheguei á casa. E lá fui no tal vehiculo que cahe daqui. tal o assalto da grande população que alli tambem esperava. chegou o tal omnibus. onde me foi impossivel embarcar. foi um delyrio ! Vianna todo sorridente veio me receber á porteira dando-me um abraço que ainda sinto o seu contacto. que era um verdadeiro Paraizo. Ao chegar á porteira da casa. da familia e tudo. cahe para acolá. Já um pouco distante. onde esperei um omnibus para aquellas bandas. ALFREDO LEITE Alfredo Leite. e com a roupa toda amassada. emfim. pacientemente esperei outro. lá cheguei com os orgãos internos todos soltos de seu competente lugar. Depois de muito esperar. Emfim. pois quando mettia-se no chôro esquecia do emprego. já eu ouvia o mavioso som da maravilhosa flauta do Professor Cupertino. saltei no Engenho de Dentro. Tomando um trem de suburbios.– 64 – creio por abandono de emprego. pisado. e assim findou-se um heróe. Na chegada do segundo. Cupertino recebeu-me sorridente e agradecendo o meu . que era muito conhecido pelo appellido de Timbó. visto por Vianna e Cupertino. infelizmente como o heróe acima já é fallecido. porque no primeiro fui completamente barrado. não sem grande custo. Em passos cadenciados. e consegui entrar. tomei coragem. para assistir um conjuncto de chorões lá para as bandas de Agua Santa. [050] A BELLA VIVENDA DE MANOEL VIANNA Fui convidado pelo grande Professor Cupertino. onde habitaram nossos primeiros paes.

e a .– 65 – comparecimento ao seu convite. que eu felizmente. e assim fui fazendo um Mi menor com seus acordes. agarrado a um maravilhoso violão. [051] E então o Professor Cupertino. Sentando-me em uma das cadeiras depois de ter cumprimentado a todos. Lá se encontrava tambem. Vianna trouxe-me um e entregou-me. Heitor. Estavam todos tocando em um bello terraço que tem a sua casa. Luizinho e outros grandes flautas antigos e modernos. ainda me lembrava. eu então afinando-o comecei manhosamente a dedilhar contentando mais ou menos a todos. Silveira. desfiou o rosario. um grande chorão de violão. que pousava em cima de uma cadeira. que era uma delicia. de fazer admirar. é sublime no violão. . apesar dos annos passados. tocando Callado. Faltava alli um cavaquinho. e tocando eu tambem este instrumento. Pois todos os chorões sabem que o cavaquinho é um instrumento que nestes chôros é de uma necessidades de grande valor. que era o Heitor Ribeiro. o que me fez ficar babado pelo gosto que sentia. alto funccionario dos Correios e Telegraphos. toca com graça e arte. Lá tambem se achava a sua mais que distincta esposa. agradando a todos os componentes do conjuncto. Viriato. não só acompanha como sola com uma maestria digna de se apreciar. tocando com todos os seus accordes. agarrei de unhas e dentes um mavioso violão. O chorão acima é de uma educação finissima de um trato sem igual.Então Cupertino disse: Vamos a um chôro ? e collocando a sua maviosa flauta aos labios tocou uma bellissima Polka de Callado.

E assim fiquei familiarizado com todos estes chorões. e meus agradecimentos a todos os componentes deste bello conjuncto de harmonias. é que póde dar o valor de sua finissima educação. e tudo mais que Deus. familia. como seu pae. me deixando embasbacado não só pela graça de seu acompanhamento. e sua distincta filha. violão que foi. como tambem sola admiravelmente. O tratamento dado por Vianna na sua bella vivenda. e tambem da sua exma. não só acompanha. o seu acompanhamento é de uma belleza admiravel. AARÃO Foi chorão de verdade. pois dedilhava com gosto e alma. os seus solos facil. como tambem a sua mãe. [052] O seu acompanhamento era mesmo de endoidecer. para elle era . Aqui fica a verdade de tudo. mazurkas. que é um velho amigo de quarenta annos. Vianna é um violão inveterado. Fazia o centro do conjuncto o Nadinho. Ernesto Cardoso. Nadinho. creou no mundo. valsas. não se pode descrever. chotes. esposa. faz a gente esquecer Patria. segredos de encantar. fazendo no seu bandolim. só mesmo quem assistir. de uma educação aprimorada. Solava como poucos. de uma agilidade nos seus dedos. como tambem do seu solo. e difficultosos. impossivel de poder descrever nestas toscas linhas. tambem atracado no seu choroso bandolim sabia fazer a graça naquelle instrumento. toca este instrumento como gente grande. chorão no bandolim. O violão na mão deste heróe era de admirar.– 66 – sua gentil e encantadora filhinha. especializando Vianna. de uma maviosidade sem nome.

não escreveu bondade do seu grande coração. Quem não conheceu o Velho para ser criticado e sim para relembrar tudo que passou. revivendo as alegrias. que venho destacava como um sol que descrevendo relativamente ás brilha e rebrilha supplantando as personagens. e que Bilhar.. planeta foi o pharol. a sua intellectualidade. era . dos antigos batutas tristezas. dos de ser preenchido tal era a sua dias que passaram. F. entre os sentimentos de apaixonado chorões da velha guarda difficil veterano. aposentando-se ainda vivem !. que Deus. tal a sua agilidade nos seus recordações e saudades. dedos. e mais. Ha muito que não o vejo. Paula Ney ? chefe telegraphista da E. conservou para Bilhar. julgando foi um astro que só apparece de seculo a seculo. C. Conheci ainda moço. onde elle era O inesquecivel Satyro Bilhar. mas o repentinos e inspirados pela velho Alexandre. dos chôros da velha guarda.– 67 – sôpa. e O VELHO BILHAR muito tocamos em todo o suburbio. que neste tambem já fallecido. e estimado. conhecido.. além de ser um pouco rabiscar estas linhas de gago sabia dizer com graça. B. e saudoso folião. os O seu desapparecimento deixou que commungam com os meus um grande vacuo. mas façam justiça a este sem ter nunca perdido um dia o folião. que illuminou a bohemia entre os AOS LEITORES grandes bohemios onde elle se As reminiscencias. amigo inseparavel de em nossos corações de velhos. encontrarão erros absurdos a sua palavra facil de trocadilhos nas minhas narrativas. Leitores perdôem todos os com quarenta annos de serviços erros. e não voltam verve.

Quando um flauta tocava um chôro elle dizia: "Virgem Maria isso p'ra mim é agua com assucar". afinal. Quando elle acompanhava um chôro. Parece-me estar ouvindo ainda elle dizer: "Tu és uma estrella de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá. era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos accordes. era um encanto vel-o solar a sua tradicional polka "Tira Poeira". onde elle estava. no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. minha familia é minha vida inteira ! e viva São João p'ro anno. O Bilhar tambem conhecia as musicas classicas. tá errado com o velho Bilhar. com o seu tradicional pince-nez. e que tinha uma passagem que lhe agradava elle pedia ao cantante: repete por favor. foi o rei dos accordes. presas pelo seu fino espirito de graças attractivas . era uma casa cheia. porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia. Bilhar. o Bilhar. razão porque apesar de sua grande bohemia. gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar. no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença. as moças o rodeavam. eram estes os dictados e as modinhas do repertorio de 40 annos do velho Bilhar. pois os grandes chorões ainda não conseguiram imital-o e reconhecem que Bilhar. era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas familias. o velho Bilhar. e tinha producções suas. as [053] posições com que o Bilhar tirava os seus accordes eram tão difficeis que só elle sabia fazer. como os arpejos d'arpa e Melodias. as ondas são anjos que dormem no mar.– 68 – myope de verdade. nas harmonias. no piano tambem era um chorão.

pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento. Aqui. nestas linhas. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos. modesto.– 69 – imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões. de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca. ainda possuia uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados. typo idoso. de seu tempo. porém. ros que executava. Manduca de Catumby. em bora não tendo elegancia. fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda. e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão. eis porque digo que Manduca de Catumby. porque se sabia conduzir entre outros chorões. concentrado. sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões. e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo. era calmo. sabia tirar partido nos chô- . fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham. MANDUCA DE CATUMBY [054] Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição. de côr parda. trabalhava numa litographia na rua da Assembléa. trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro. fazia proezas nas cordas de tripas.

e que atenho . só aquelles que privaram com elle poderão dizer o valor de sua capacidade no manejo deste difficil instrumento. pois acompanhava musicos de nomeada que quando viam elle entrar com sua harmonica ligavam pouca importancia para depois ficarem extasiados e deslumbrados pelos accordes feitos pelo criolo. conhecido chorão pela facilidade com que executava as musicas daquelle tempo em sua harmonica. este grande artista. JOÃO DA HARMONICA João da Harmonica era de côr preta. continuava com o seu cavaquinho de quatro cordas tirando infinidades de tons e combinações de acordes que me é aqui difficil de descrever. aonde elle foi o unico educador deste instrumento que se chama cavaquinho. compositor de diversas musicas. e a convicção das notas vibradas pela palheta encantada de Galdino. a sua tonalidade de quatro cordas para cinco. Era também grande tocador de violão. que se celebrizou com o seu aprendiz Mario. Exercia a arte colinaria bom chefe de familia e excelente amigo e grande artista musical. por esta razão o seu nome é sempre citado em todas as reuniões dos chorões antigos. conheci-o em 1880 morando á rua de Sant'Anna nos fundos de uma rinha de gallos de briga. cujo discipulo venceu naquelle época todas difficuldades do instrumento transformando. continuava victoriosamente o curso proficiente de um artista de valor. emquanto isso Galdino. tal é a magia. inegualaval no meio dos chorões. que com uma ponta de cigarro no canto da bocca tornando-se indefferente aos applausos feitos por estes maestros chorões.– 70 – GALDINO CAVAQUINHO Mestre dos mestres.

sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão. dava sempre preferencia em acompanhar flauta. pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia. tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas. Ninguem como o Lica. foi um grande bohemio e um grande chorão. nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção. depois Lica. era typographo. de quem se tornou um fervoroso amigo. tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical. fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um panno branco. a chegada de Lica. . por este motivo executava com muita cadencia. entrava nos salões arrancando applausos da assistencia. cavaquinho e violão. houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões. [055] LICA Lica. foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo da batuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros. fazendo uma carranca na barriga. tal era o seu enthusiasmo. por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia. conhecedor de seu mecanismo. morava na rua Sá. Lica. conhecia o seu instrumento de mais. bombardão falado e conquistado. em Piedade. Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra.– 71 – no meu archivo algumas dellas. fazia gosto vel-o tocar. pela anciedade de sua presença. nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade.

Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas. conhecido na roda dos chorões por (José Cavaquinho) por ter sido o cavaquinho o instrumento de sua iniciativa no circuito da velha guarda. conservando uma li[056] nha irreprehensivel. José Cavaquinho. por esta razão ainda não adoptou as cordas de aço conservando as de tripas como uma tradição. foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda. e . ao lado de Antenor de Oliveira e Napoleão. applaudida por artistas scientificos que não regateiam seus applausos dispensados a sua filha e discipula. JOSÉ CAVAQUINHO José Rabello da Silva. como seu director de harmonia. estimado pela sua sympathia communicativa e attenciosa. director de canto. é um violonista de folego e escrupuloso em tudo que se prende ao violão. nasceu em Guaratinguetá E. José. fazendo nas suas notas um violão.– 72 – Lica. muito cooperou para o seu titulo de Rancho Escola. autor de diversos methodos de violão. Tal a macieza de seu sôpro. Elle se sente ufano pelo progresso da mesma. e cavaquinho pae. de São Paulo. tambem é um flauta de nomeada e já teve a sua grande época tocando nos cinemas mais frequentados do Rio. elle foi um dos fundadores do Ameno Resedá. veio para o Rio ainda muito jovem. propriedade esta que muito se une aos seus dotes de artista e excellente professor que é. como contra baixo de cordas. José. da menina Ivone. sempre foi e ainda é muito operoso. executora de musicas classicas ao violão.

– 73 – outros elementos levaram este rancho ao apogeu que teve até a gloria de entrar no palacio do presidente da Republica ! O autor deste livro e toda gente sabe que José Cavaquinho. valsa. Ypiranga Tango Guanabara. e os tempos que lhe sobram da repartição lecciona violão. o campeão de harmonia Ameno Resedá. porque tudo que é muito nosso [057] vae desapparecendo pois com o "progresso" não existem mais as musicas melodiosas que arrancavam do grande cerebro do poeta as canções de amôr. etc. poeta verdadeiro. e de tristeza que em tempos que já se foram das grandes serenatas nas lindas noites de luar. uma quadra de Catullo. as suas letras musicadas fizeram época. é um poema. é o senhor do segredo das harmonias dos cantos carnavalescos que tanto deliciou o povo carioca. pois é elle um grande educador do violão. tendo preparado muitos bons violonistas. da Agricultura. CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE Catullo é o sol que ainda com os seus fulgurantes raios dá vida á modinha brasileira ! pois foi e continúa a ser o trovador acclamado em todo o Brasil. Tambem é autor de diversas musicas como sejam: Miragem. que eram . e ainda os cantores modernos adoram as suas canções e todas as vezes que cantam as modinhas do grande mestre. são muito festejados pois fazem nascer nos corações do pessoal da "corôa" as saudades dos tempos passados que não voltam mais. Actualmente é funcionario do M. despertavam quarteirões inteiros para apreciarem os cantores daquella época. e até no estrangeiro.

estava o Bilhar. Hoje só imperam as musicas estrangeiras barulhentas e irritantes ou então os sambas e marchas que tem glorificado alguns cantores modernos. Conviveu com os maiores chorões daquelle tempo. Irineu Batina. Pernambuco. havia entre ambos uma grande amizade por conseguinte em todo chôro que estava Catullo. Escreveu diversas peças theatraes como seja: "O Marrureiro". Néco. Bilhar e José Martins. Irineu Pianinho. Martha meu amôr. O que amenidade.– 74 – dotados de voz linda e forte. Mario Cavaquinho. tem mesmo saudades dos antigos trovadores que interpretavam as suas producções com tanta alma. João dos Santos. Carramona. . e o "pinho" em suas mão pareciam ter magia. Não vel-a mais. Vae o meu amôr ao Campo Santo. Quincas Laranjeira. Patricio. Lica. tal eram as melodias dos accordes que elles arrancavam nos acompanhamentos de suas modinhas. Catullo e Bilhar era uma dupla respeitada pelos chorões da velha guarda. Souza Pistão. o autor destas linhas commungou muitas vezes com Catullo. remodelou todas as modinhas de autores antigos corrigindo-as dos erros grammaticaes fazendo uma verdadeira recapitulação dando novas feições ás mesmas. Luar do Sertão. em casa do Ripper de gloriosa memoria. João Salgado e muitos outros que lhe inspiraram com as suas musicas as letras para as seguintes modinhas: Talento e Formosura. Como todo mundo sabe Catullo. o maior trovador esta glorificado e ultimamente tem se dedicado a outro genero escrevendo poemas sertanejos que são uma verdadeira joia da poesia brasileira. Macario. emquanto isso Catullo. tanto assim que há muito não apparece uma nova canção de Catullo. como sejam: Anacleto de Medeiros.

– 75 – o inesgotavel em seus discursos. era fiel cumpridor de seus deveres. modesto e attencioso. deixou muitas producções. era primus interpari no circulo dos grandes chorões de violão. para se fazer a biographia de Catullo. Aposentou-se no posto de escripturario. Como funccionario Municipal. foi mestre de escola e usava sobrecasaca. começando quando elle. era bom amigo. Quincas foi o continuador de Catullo. hoje é o Ghandi da modinha brasileira e dos poemas sertanejos. por isso tinha em cada collega do chôro um verdadeiro admirador de suas excellentes qualidades. Quincas Larenjeira. elevando-o até ao Conservatorio de Musica para depois ser conquistado pela nata social. sempre teve a sua época e finalmente desappareceu do meio de seus amigos e dos chorões da velha guarda. grande artista. onde o violão tem primazia manejados por . sem que a nossa imprensa lhe prestasse as honras que merecia. seriam precioso todas as paginas deste li[058] vro. como executor e professor era valorizado. attendia o publico com presteza e a delicadeza que lhe era peculiar. Catullo. elle. na qualidade de porteiro de hygiene. que teve nelle um pedestal de glorias. eximio violonista. nos salões aristocraticos do violão. de maneiras esplendorosas. QUINCAS LARANJEIRA Quincas Laranjeira. partindo com elle todas as suas illusões de um artista que elevou o seu nome e de seu instrumento o violão. que digam os seus innumeros discipulos que tanto o consideravam pela maneira affavel que dispensava aos seus alumnos.

de rosto descripção privou com elle largo. muitas vezes em chôros e baixo. onde este tinha a primazia entre os seus collegas. "'nós seus mêmo" e outras phrases assistentes. com signaes de bexigas. era um dos residencia no Becco da Batalha n. tinha uma perna mais ficavamos para o enterro dos curta do que a outra e um pouco ossos como se chamava naquelle arcadas. João dos Santos era nortista. 3. Tinha um dos dedos tempo a continuação do chôro e polegar cortado ao meio. João dos Santos. em sua identicas. não das festas. "Gardino". Parece-me estar vendo e [059] ouvindo os gemidos da sua quella época onde os bons clarineta acompanhada por . pois o seu JOÃO DOS SANTOS clarinette tinha magestade da João dos Santos pertencia á melodia da harmonia dos soluçantes que banda de operarios do Arsenal queixumes de Guerra dirigida pelo Boco extasiavam todos os auditoriso e professor de nomeada que com a dos chorões musicistas que não sua requinta tirou distincção no lhes negavam os seus applausos. ahi é que se podia tinha boa pronuncia por isso apreciar o inesquecivel João dos tornava-se engraçado quando Santos melodiar em sua clarineta chamava os amigos de magica enchendo de alegria os acompanhadores e "cumpade".– 76 – tocadores do quilate de Quincas musicos eram disputados pelos seus valores de bons executores Laranjeira. O protagonista desta meio dos chorões. muitos bons chôros onde clarinetistas mais chorões d'areunia-se a flôr dos chorões. Elle também dava.

Uma vez elle estava tocado em um chôro. o chefe do chôro foi chamado para entender-se com o recem-chegado a quem com toda attenção mandou entrar fazendo apresentação ao dono da casa na forma do estylo. descrevia em notas vivas como tinha decorrido o chôro e assim se expressava: "Ah ! seu Néco. foi tambem um dos melhores elementos da orchestra do Ameno Resedá. João dos Santos. e ás paginas tantas chegou um personagem procurando por um violinista de nome Néco. em mangas de camisa. não compareceu. E assim. campeão de harmonia entre os seus congeneres. com uma toalha de feltro ao pescoço para enxugar o suor que lhes descia em borbotões. que escangalhou o pagode todo. sendo elle. Era o maestro que aproveitava as melodias dos passaros. cavaquinhos e outros instrumentos que faziam um mundo de harmonia. e dahi ha dias João dos Santos. o Néco. O apresentado chamava-se Esculapio. chegou um tá de "Carvacante". pouco mais ou menos quem foi o nosso sempre lembrado João dos Santos. dos . de quem era irmão. fazia tanta coisa com a sua clarinetta que esta. só faltava falar. [060] ANACLETO DE MEDEIROS Nasceu na ilha de Paquetá e morava na rua da Ajuda com o inesquecivel humorista Moreira da Imprensa Nacional. e cahiu logo no chôro dando uma grande vida á festa com as marcações de quadrilhas. na intimidade João dos Santos.– 77 – violões. discursos e afinal foi a alegria da festa. Eis ahi. muito conhecido dos chorões daquelle tempo pela sua verve espiritual. o teu irmão Chico Escalope" foi quem fez a festa que correu "as mi maraviás" mais adepois seu cumpadé.

Porém. Era uma pomba sem fel e um sincero amigo dos seus subordinados. e de tudo que formasse uma nota bôa ou semitonada. foi um grande leccionador de musica. das cornetas dos tripeiros. modellando e aperfeiçoando. Como mestre da Banda do Corpo de Bombeiros elle immortalizou-se. Por elle eram todos esses rythmos aproveitados para as suas sublimes composições. Privando com elles na maior intimidade no mesmo nivel de igualdade os acompanhando para o chôro onde sobresahia com um inegualavel executor no seu saxofone que era o seu instrumento predilecto. Anacleto. . dos toques das buzinas. do trinar dos apitos dos guardas-nocturnos. trabalhou corrigindo. desatinava a mocidade e trazia a juventude nos corações dos velhos. na maior rispidez de suas energias. assim como um mestre de muitas bandas particulares deixando muitos discipulos que fizeram honra a seus dotes de professor eximio. quando não tinha na mão a batuta era um cordeiro de mansidão. com a sua intelligencia e devotamento. todos os seus comandados com a magia de uma grande vara usada por elle nos ensaios a guisa de batuta que fazia obedecer os seus alumnos.– 78 – apitos das fabricas. Como maestro ensaiador transformou a Banda do Corpo de Bombeiros em um conjuncto de musicos professores que o respeitavam e o obedeciam. do badalar dos sinos. As competições musicaes de Anacleto são conquistadas e admiradas por todos os chorões. Os chôros organizados por Anacleto faziam falar os mudos e movimentava os paralyticos. era um director de musica caprichoso e violento. dos automoveis. pois Anacleto.

era severo no regimen do mando. UM CHORÃO APOSENTADO O sr. Seu Amaral. Amaral era um chefe de secção aposentdo da Conta[061] bilidade de um de nossos Bancos. Amaral. A esposa do Amaral. calculem pois o leitor. não respeitando os domingos nem os dias santificados. razão esta porque elle andava sempre tresnoitado. fazia inqueritos constantes para descobrir suas maldades. uma martyr soffredora do hysterismo pois dava meia duzia de ataques diarios. era uma velhota de cincoenta e tantos annos. a inferneira que reinava no lar de seu Amaral. fronte alva de entradas quasi chegando á calvicie. e quando empunhava o seu violão esquecia-se de todos os seus deveres. de rosto descarnado. que era um cabra sarado e conhecido em todas as rodas do chôro. ciumenta de primeira marca. não fazia as suas refeições sem tomar daquella agua que passarinho não bebe. Ahi vae o reverso da medalha: o sr. autoritario nas suas resoluções. era exquisito. era em casa de familia um gallo capão governado pela sogra dona Catharina. que farejava a sua roupa e toda a sua papelada. usava oculos pretos. queixo redondo de onde sahia a guisa de espanador um cavagnac grisalho. era um tigre que fazia tremer de susto com a sua presença o continuo José Pavão. eis porque o sr. dava-lhe vomitorios. nariz adunco. Amaral sempre o censurava. Em um dos dias do mez de fevereiro de 1890 a dona Catharina sogra de . dona Bernardina Ramos.– 79 – composições estas que deixo de enumeral-as aqui por serem todas ellas conhecidas pelos chorões da velha guarda.

Luiz Brandão. esqueceu-se do prejuizo da louça e deu uma formidavel gargalhada e dando o braço ao José Pavão. fez annos e deu um grande "pagode" aonde reuniram-se: Bilhar. que tremendo de medo escondia o rosto para não ser visto pelo Amaral. e foi no auge de uma polka saltitante cheia de passagens e remeleixos. o auditorio foi surprehendido suppondo que o José Pavão tivesse endoidecido. ordenando que daquella hora em diante respeitasse o sr. Néco.. Catullo. Cavaquinho. e tambem o José Pavão. foi ao encontro de seu Amaral. Juca Kallut. e explicou a matrona farrista o temor que lhe causava a presença de seu ex-chefe de repartição por ter sido elle um de seus maiores algozes durante os annos em que trabalhou sobre suas ordens no Banco ! D. tambem sur[062] presa pelo acontecimento pediu explicações ao José Pavão. José Pavão.– 80 – seu Amaral. José Pavão. Manduca de Catumby. Catharina. ex-continuo de seu Amaral. e em bello improviso enaltece as qualidades de José Pavão.. pede a palavra. fazendo uma apresentação de seu excontinuo. que quando via um bom chôro perdia a cabeça expandindo apaixonadamente as suas alegrias. todos estes personagens eram convidados de dona Catharina. reduzindo a expressões mais simples a . Dona Catharina. como pessôa grata de sua familia. maxixados da autoria de Callado. neste momento Bilhar. quando avistou o seu ex-chefe pulou pela janella e cahiu em cima de uma mesa cheia de louças de porcelana reduzindo tudo em cacos !. que entrou pela porta principal o seu Amaral. que acompanhava o chôro encostado a uma janella e a perna em cima de uma cadeira. Galdino.

ao lado do grande maestro Romeu Silva. frangos e fitas adornavam o symbolo da divina ban[063] . Recebeu pois Malaguta do autor deste livro os sinceros applausos. regendo com maestria Jazz-Band e Tuna Mambembe. ainda recorda aos meus ouvidos o rhytmo da cadencia langorosa de suas canções. Amaral. minha bella infancia ! onde passei nas brenhas do nosso interior das antigas Provincias do Rio de Janeiro. Pombos. O nosso bom Malaguta foi depois director de um rancho que chegou ao apogeu lá pelos lados de Botafogo.. Depois evoluiu de accôrdo com o progresso desta cidade maravilhosa. ao lado do grande Romeu. Em casa de meus paes onde tinham pouso para descanço das suas perigrinações os foliões da bandeira do Divino. e divino sôpro.– 81 – hyerarchia do sr. tambem. Amaral humilhado retirou-se e o chôro continuou dois dias !. Hoje elle é um dos grandes executores do saxophone. e sua esposa don Bernardina Ramos e de todos que tomavam parte no pagode ! O sr. E depois no Ameno Resedá. e outros. onde tenho a lembrança dos foliões que cantavam tirando para o Divino Espirito Santo. O MALAGUTA Conheci como Director de Harmonia da Flôr do Abacate. MINHA INFANCIA Ah. com seu instrumento favorito que nesta época era o clarinete que manejava com grande mecanismo.. debaixo dos applausos de dona Catharina sua sogra.

O violão nos dedos de Lily. que como eu. tiveram a felicidade de andar com elle nos chôros.– 82 – deira. canta como poucos. de grande valor. LILY S. de uma sublime suavidade. e musicista. chora e diz as maguas que sente. A sua voz encantava. que elle tinha em seu repertório inesquecível. entre arrufos de adufes de pandeiros e melodias da rabeca e da viola que gemia dolente sobre a prima e a terceira do tom que trazem aos nossos ouvidos as seguintes quadras: Veja que horas são estas Ainda estamos sem jantar E andamos todos os dias Cantando a peregrinar A visita consagrada Deus do céo que vos mandou Queira nos dar a pousada Jesus lhe paga a favor O Divino pede esmola Mas não é por precisão Só pede para conhecer Os devotos quem são Eu venho villa e villa Em comarca e povoado Trazer a luz do Divino Dando todos o bom agrado ANGELO PINTO Companheiro de saudosa memoria. garganta de ouro. ao tilimtilim dos ferrinhos. nas modinhas ternas. Era um amigo dilecto do chôro deixando com a sua morte um grande claro entre os trovadores chorões daquelle tempo. sua voz é de uma doçura impossível de descrever-se. que diga aquelles. Falleceu como carteiro aposentado. nos . não toca. PAULO Eximia violinista. fraco violão. Ahi vão umas quadrinhas compassadas e rufladas ao rataplan dos tambores. Lily. Ella é uma camarada sincera.

As familias se reuniam para festejarem desejando as bôas serenatas. (pudera não ser) ella. que era o rei dos accordes.– 83 – convites para o chôro não dá para traz. as cartas. Quem é capaz de ter no esquecimento as festas de fim de anno das épocas remotas que começavam pelo Anno Bom ao romper d'alvorada. ella ainda tem o cunho da antiguidade pois os factos demonstram prosperidade da rustica tradição que calam em nossa alma e em nossos corações as saudades de tudo aquillo que podemos observar e conhecer de perto em nossa infancia. muito com elle aprendeu. os telegramas de felicitações de parte das pessôas de relações de amizade que se resentiam quando de serem felicitadas pelas pessôas íntimas. e maviosos chôros em louvor a S. não sabendo se reformou-se no chôro como quem escreve este livro. festa tradicional da nossa historia em que a estrella . de maneira que. [064] AS NOSSAS FESTAS Vem de muito longe as coisas que nos interessam hoje comquanto tenham passado por immensidade de remodelações. escuta Lily. Sylvestre. Com o correr dos tempo tudo tem evoluido. está sempre prompta. Esta chorona ha muito que não vejo. logo diz alli está o Bilhar. Também era estylo deste tempo os cartões. tudo tem prosperado supplantando os factos e os costumes da antiguidade. sendo uma companheira de chôro do sempre lembrado Bilhar. finalmente para toda realização dos bons ideaes. E' especialista nos accordes. Depois os Reis. que desfraldava a bandeira da esperança de um anno cheio de prosperidade encastellado de projectos de alegria idealizado pelos namorados.

dos cortejos dos ranchos. padroeiro desta Cidade Maravilhosa. realizações de casamentos e baptizados. dia este. influe em todos os corações a alegria e o enthusiasmo dos foliões musicistas que no tempo da antiguidade organizavam chôros que iam de villa em villa. e dos antigos cordões. do que agora se venera de outra modalidade de ac[065] côrdo com o Radio e a influencia do tempo e da bolsa do camarada que vive satisfeito com os problemas da vida financeira e economica. Depois o Carnaval com as cinzas precursora da Semana Santa. que se vão. que tinha o esplendor das festas de todos os lares familiares. O brilho desta estrella illuminou e apontou aos tres Reis Magos que chegaram no dia da Epiphania a vigilia das pastorinhas do advento do anno que começa dahi seguindo para o glorioso dia do Martyr São Sebastião. bailes cheios de alegria organizados por chorões que com as suas harmonias deliciavam a grandeza deste dia. dos blocos.– 84 – annunciou e apontou no Oriente o Nascimento do Menino Deus que se chamou Jesus. de . antes mais. O ornamento maior do Carnaval de accôrdo com as fantasias e as chimeras da loucura que impera o rei Momo deus da Folia e da gargalhada na organização dos prestitos allegoricos. reanima. E musica que inspira. Nesta data movel que reproduz a tragedia do Calvario a Ascensão do nosso divino Salvador começam então as festas immoveis seguidos do rito catholico que espontaneamente louvam e festejam os dias da tradição idas e probas ephemerides e anniversariantes das familias do Brasil. e que foi o nosso Salvador.

accendem-se os turybulos que incensam os fieis. as festas se prolongam com musica e harmonia em louvor a este dia. por motivo que convem guardar segredo demittido e ficou andando alli na con[066] era da me foi por . é uma festa universal onde a musica Divina enche os corações de alegria. um dos maiores da historia. enfrentando o entrudo da agua.– 85 – cidade em cidade. O Natal. segundo o Christianismo. Ornamentam-se as Igrejas. festival que significa a Redempção Espiritual passagem da Ressureição. no correr do anno. E depois vem o Domingo de Ramos. Depois a Paschoa. festas estas que tinham resplendor e devotamento em cada um chorão da velha guarda. da missa do Gallo. dos limões de cheiro e até dos baldes dagua e das bisnagas de accôrdo com os costumes daquelle tempo. eis aqui em pallidas e cinzeladas palavras a transcripção das grandes festas dos tempos que passaram. que em romaria prestam homenagem ao Filho de Deus. Depois a Conceição festiva com todas as suas tradições de casamentos e baptizados. os innocentes. O CARNE ENSOPADA Seu Gaudencio empregado como abridor Alfandega. Os lares se transbordam de alegria. que era naquelle tempo o esplendor harmonioso do amor dos corações de todos os devotos. dia que faz feliz os namorados christões. Oh ! que reminiscencias que tenho das festas destes dias que já se foram! como o glorioso Natal do Nascimento do Filho de Deus. que espalhou o balsamo consolador pela humanidade soffredora com a divindade do pão e do vinho.

O seu Gaudencio chegou. que era tambem servente da Alfandega e morava lá para os lados da Gloria e tinha um Café volante no portão da Alfandega ao lado do Mercado Velho. Era uma casa especialista em angu' á bahiana mas o seu Gaudencio. O sr. foi caminhando até á cosinha para arranjar uma dama que era a mulher do dono da casa.– 86 – vivencia dos seus conhecimentos e afinal enconstou-se ao inesquecivel Raymundo. isto é uma canalha. tinha uma veia poetica e servia a sua freguezia versejando. que por signal tinha o seu retrato em um grande quadro á entrada do seu estabelecimento e de vez em quando recitava um Alexandrino deste saudoso poeta portuguez. Bernardino. e não demorou muito. e virando-se para o cosinheiro dizia "tire uma carne ensopada". e o nosso camarada não encontrando um par. tocador de flauta de cinco chaves. e formou em frente á janella que dava para o pessoal do sereno que grita logo: bravo do Carne Ensopada ! E elle virando-se para a dama disse: não faça caso minha senhora. e foi logo se misturando com o pessoal do sereno com o olhar activo para descobrir um conhecido que lhe desse um ingresso. elle procurava uma casa de pasto no Largo da Sé de propriedade do Sr. O seu Gaudencio comia em um frege-mosca que havia em outros tempos na travessa do Rosario. tinha grande predilecção por Guerra Junqueiro. é uma cambada e começou a proferir palavras . Elle embarafustou-se pela casa a dentro no momento justamente que estavam formando uma quadrilha. Bernardino que tinha um caixeiro mulatinho chamado Timotheo. mas quando as coisas lhe corriam bem. e quando via o seu Gaudencio entrar dizia: "bom dia meu camarada". dava preferencia á Carne Ensopada.

não só nas cordas do seu violão. João Thomaz e Chico Borgs. e retrucou com palavras obscenas estabelecendo-se uma grande [067] confusão. No momento de sahir não sabia onde tinha botado o chapéu. Leal. Depois desta ovação de desagrado. sem ser em cima do meu chapéu sinhá sapaintanha ! O leitor não pode imaginar o sururu' que houve. como tambem como cantador de modinhas. o homenzinho ficou daquelle geito. é sublime. Eu nunca mais tive noticia do Gaudencio o "Carne Ensopada". O seu Gaudencio foi posto do baile para fóra. e já estava na quinta parte quando gritou: prepara para o grande "granchene". e só se ouvia o pessoal do sereno gritar: O Carne Ensopada foi barrado ! Fóra o Carne Ensopada. grande promenade. mas depois lembrou-se que tinha posto encima de uma cadeira. Maneco. sangê. PAULO Bem poucos existem como elle. mavioso. onde se tinha sentado uma senhora muito gorda. direita á seus pares. o chôro continuou tornando-se cada vez melhor com a chegada do Bilhar. dava o seu verdadeiro . tal foi a sua precipitação quando entrou. que ainda mais desatinado ficou dizendo para a dama: Não tinha outro logar para sentar-se.– 87 – rebarbativas. em cima do chapéu do Carne Ensopada. sangê double. sangê anarriê. esquerda com esquerda. Quando o seu Gaudencio. é irmão da grande violinista Lily. Ah! começou elle a marcar a quadrilha. S. Foi ahi que o sereno em pêso bradou: "Ahi seu Carne Ensopada ! Não queiram saber. sahiu a vaia foi formidavel. e os dois juntos em uma festa faziam os encantos.

Lily cantava e seu irmão acompanhava. vamos ao nosso Alma de Maçon que farejava um chôro como quem num sabbado do meiado do mez corre atraz dos dinheiros para o "Boi com abobora" do domingo. de sua tempera e ás paginas tantas seguiram elles para o chôro depois de terem bebericado bastante. e a vice-versa ficando assim os circumstantes embriagados com tanta suavidade. Aqui nestas linhas eu transcrevo uma homenagem merecida a S. até parece que é alma de maçon. foi convidado para um chôro lá para as bandas da Terra Nova. e por sua alta recreação. Acerta o passo pessoal ! . carteiro do Correio Geral um primoroso chorão que não concluirei este livro sem que faça a sua biographia. ALMA DE MAÇON O Alma de Maçon trabalhava na Imprensa Nacional. convidou um penetra-mór.– 88 – valor á mesma. Pois bem. o baile estava molle. tocador de trombone e bombardino de saudosa memoria. mulato sarará. Em uma occasião. e começaram a virar no passo de siry-candeia. Era um rapaz magrinho. Eu o conheci por intermedio do Ismael Brasil. e que se distinguia no meio dos penetras daquelle tempo. meu muito digno collega. O chôro estava destes que faz levantar defunto do caixão. O Alma de Maçon. Quando chegaram. Foram logo evadindo a sala e cada um tomou a sua dama. bradou logo: Guardem distancia senhores que eu quero entrar com meu jogo ! Cruzes meu Deus. em ponto de bala. mas como era distante da cida[068] de teve mêdo de ir sózinho. Paulo e á sua irmã Lily.

– 89 – Quando terminou a polka chorosa que faz mexer o osso. que foi apontado pelo malandro por quem tinha sido convidado. com o predicado do passarinho cabo[069] . Eis a razão que no tempo em que eu andava pelos chôros em logares estranhos. antes de mais nada ser apresentado ao dono da casa para não acontecer como aconteceu ao Alma de Maçon e ao seu conviva. era a sua senhora. typo alegre. e vão sahindo antes que páu ronque. por isso. e outros attractivos. tomem os seus chapéus. O senhor com quem elle falava era o dono da casa. O senhor está vendo aquella mulata velha que está ao lado da pequena com quem eu dansei ? tambem é um pancadão. e tem ainda. dirigiu-se a um senhor idoso que se achava enconstado a uma janella e todo prosa e risonho disse: Estaes gostando da maxixada ? Dansei agora com um mulatão da ponta da orelha. o convidado do Alma de Maçon. Oh ! si tem ! faça o favor de me mostrar com quem veio. Neste ponto o dono da casa lhe perguntou: Quem foi que lhe convidou para esta festa ? O malandro respondeu: isto não tem importancia. fazia questão fechada de. Eu só vim aqui p'ra vadiar com estas morenas. sympatico. Então o dono da casa observou com toda calma: Um convidado convida outro. e a pequena com quem elle dansou era sua filha. a mulata e velha. Neste momento appareceu o Alma de Maçon. respeitado na roda. o dom de prender as suas amizades. e o dono da casa bota dois na rua. tinha. LUIZ BRANDÃO Chorão de tempera. Nunca pensei que esta meleca estivesse tão bôa. pois.

Henriquinho e muitos outros. sendo por isto muito conquistado pelos seguintes solistas: João de Britto. sendo digno de ser apreciado. Assim entrava mez e sahia mez. todos os outros passarinhos. prendendo os auditorios com os gestos e maneira com que acompanhava. Elle tinha um repertorio de modinhas de assombrar que as cantava e acompanhava com gosto. a sua prole augmentou consideravalmente lhe sobrecarregando de deveres que elle sabia cumprir. no meio dos chorões. Nos chôros pela suas verve e maneira agradavel no meio do pessoal elle se distinguia pelo alegria que emprestava a si mesmo. Dizer qum foi Brandão. pois o Brandão. e aquelle que quizesse fazer. naquelle tempo. tal era o grão de sympathia que tinham por elle. e elle parecia até um homem encantado. Morou uns tempos com o Bilhar. O autor deste perfil. tinha que fugir para não dar o prego. ficando por alli até que elle finalizasse o seu serviço. pois não havia um só dia em que o nosso amigo Brandão. torna-se para mim difficil. Elle constituiu familia muito moço ainda. Assim era o Brandão. que com o seu assovio reune. Geraldo João dos Santos. Carlos Espindola.– 90 – rê. de quem era compadre e amigo incondicional. não tivesse um convite para um bom chôro. milagres. Felisberto marques. para resistir ás noitadas. Onde elle estivesse era sempre rodeado pela tropa dos chorões que iam ao seu encontro prestar-lhes homenagens e com elle trocar idéas. Não havia que pudesse imital-o. forjado de ferro. andou . ta era a sua bagagem de occurrencias agradaveis no meio de seu convivio. era grande autoridade nas finanças fazendo até.

NECO Nasceu este lá para os lados de Santa Rosa. e mais tarde continuo da Portaria da Alfandega. um filho. Elle começou como aprendiz do Arsenal de Guerra. E' methodico. com as pessôas que não são da sua intimidade. com as suas economias tornou-se proprietario lá para as bandas de Bosuccesso. porém. Hoje elle está aposentado. porém. B. Sempre foi distinguido pela nata social. F. retirado dos pagodes.. forte e bem disposto. [070] Sempre primou pela sinceridade em todos os seus tratos. escrupuloso nas suas amizades de quem faz sérias selecções. só trabalhava em calçados finos de senhora de salto á Luiz XV. porém. esta que tem predilecção pelo seu violão. Foi ultimamente aposentado como Guarda Municipal. C. deixando como substituto. Já está um pouco usado. facto este. logar este. e leal amigo predicado este que faz parte integrante de um passado glorificado. pouco expansivo. e o respeito com que se impõe . dignidade e dedicação. teve que desertar na virada pois a corrida deste chorão era de muitas milhas e eu me dei por vencido. no cumprimento de sua palavra. O Brandão tinha a primazia no chôro. que honra o presente. Não é um celibatario. que occupou com brilho.– 91 – muito com elle. porém. E' bom. tem se conservado solteiro. Nictheroy. chorão no violão. que se deu com muitos outros camaradas. carteiro do Correio Ambulante da E. Começou a sua vida como oficial de sapateiro. depois.

porém. Galdino. o inesquecivel Quinca Larangeira. na roda do chôro é um santuario. de um mecanismo facil tirando infinidades de sons sem esforço por ser tudo isto executado pelo seu dom favoravel na magia do violão. Zé Rabello. muito amor proprio sendo um amigo prestativo e dedicado. Catullo. . e muitos outros. deixando de tocar o seu invencivel violão. Não tem orgulho nem vaidade mas. sim. o meu violão está acostumado com as musicas antigas e tem mêdo de ser enxo[071] valhado pelos violões modernos. é uma veneração na formação dos seus accordes maravilhosos e embriagantes de harmonia nas passagens das tonalidades das musicas difficeis. O nome de Néco. Néco. Por esta razão quando se fala no meio dos instrumentos cantante no nome do Néco. teve que fugir para pregar em outra freguezia. Néco. tem por elle um verdadeiro culto como um dos primeiros acompanhadores de chôro ao violão. também foi um optimo cantador de modinhas. Pernambuco.– 92 – perante as familias e o zelo que tem pelo seu nome na roda dos chorões. o nosso imponente bom amigo correligionario Néco immortalizou-se e agora vive dos louros do passado. passando á vida privada. Diante de tudo isto que aqui fica escripto. Andou muito com Luiz Brandão de quem era um verdadeiro amigo. e por este motivo tem se tornado muito censurado por infinidade de seus apreciadores. que sem lisonja só elle sabe fazer. ultimamente tem se retrahido. elle é acolhido com as homenagens que de direito lhe pertence. E elle se desculpa dizendo: Não gosto destas musicas d'agora. E' de um ouvido apurado.

Felizberto Marques. Era um chorão extraordinario na intimidade dos pagodes o bom do Ismael imitava com a transformação do rosto todos os bichos da Zoologia.– 93 – O ISMAEL BRASIL Conheci-o ainda muito moço na rua de Santa Christina. Era um funccionario irreprehensivel. Uma occasião elle foi convidado para . Era de estatura alta. logar este em que occupou com muito esmero e capricho. amigos. tendo por isso sempre preferencia pelos flautas seguintes: Videira. e no bombardino então não se fala. pois. Timbó. Genilicio. razão porque era querido e admirado pelos companheiros de classe. Era um trombonista de sopro macio. Antonica eximia modista das mais distinctas familias do bairro do Cattete. era um chorão interessante. João Claudio do Senado. e quando se inaugurou o casamento civil. typo engraçado. e foi por isto que nos Correios. tornando-se por este motivo cada vez mais estimado na roda dos chorões. Balduino tendo por elle veneração. Salvador Marins. Raymundo da Alfandega. Tinha no rosto signaes de bexiga. o appelidaram de Bamza. Ismael. accendendo papeis e gritando por socorro. foi elle nomeado continuo desta Repartição onde permaneceu longo tempo até que foi nomeado Carteiro do Correio Geral. Era filho de D. não deixava ninguem dormir applicando "mosquitos'. primava por apresentar-se sempre asseiado. Foi muito tempo estafeta dos Telegrafos. fazendo caricaturas com rolha queimada. João de Britto. de um modo moleirão. Quando o pagode se prolongava. no rosto dos que dormiam e infinidades de coisas que só elle sabia fazer. e ainda mais pelos grandes chorões daquelle tempo.

e voltu de novo a tocar. Em um outro pagode. e tirando as notas fóra do compasso. amigo e admirador deste astro que brilhou e desappareceu deixando saudades imorredouras. que. era seu collega de Repartição. mas não garanto a criação podem ser Bhramas ou Mistiças. e ainda hoje quando se falla no nome de Ismael Brasil repercute no coração de cada um chorão daquella época. O QUARTO DO RAYMUNDO Quando o dia rompeu lá estavam . O autor deste livro.– 94 – tocar em um baile em Jacarépaguá. e assim elle e seus companheiros de chôro tiveram um bom almoço de gallinha. uma pranteada recordação. palhando toda a bôa harmonia. e de vez em quando dizia para os companheiros de chôro: Já matei quatro animaes. entre ellas a polka "Norival" que causou muito successo naquelle tempo. Ismael deixou diversas producções. pretas ou Carijós. Acompanhei-o até á ultima morada. Falleceu no Cattete. E elle fazendo um grande espanto de ingenuidade pediu uma faca. atra[072] as gallinhas mortas debaixo do poleiro. o Ismael notou que não havia "boia" então foi direito ao quintal sorrateiramente e torceu o pescoço de quatro galinhas. O que fez o Ismael. Todas as pessôas da casa julgaram tratarse de peste. e foi cortando o pescoço das ditas deixando correr o sangue. e as paginas tantas apareceu no referido baile um tocador de ofphicleide desafinado. sem que ninguem percebesse arranjou um punhado de feijão e encheu o ophicleide do camarada. em Nictheroy. quando foi todo dengoso tocal-o não pôde por se achar o mesmo intupido.

e depois o centro da cidade arrancando enthusiasticos applausos de todo pessoal de bom gosto da musica que em romaria. um admirador. um bohemio dos bons. em uma avenida do lado opposto da Igreja do mesmo nome. formavam blocos divinaes dos melhores daquella época. acompanhava-o bisando quasi todos os numeros executados magistralmente. que fantasiados. sympathico e communicativo. amigo no superlativo. e tem no cerebro uma usina de alegria e de esplendidos predicados que muitas vezes se prejudicava em beneficio de seus amigos. moço ainda. tal era o conjuncto de harmonias vibra[073] das por estes grandes artistas musicistas que percorriam os bairros da Cidade Nova.– 95 – Raymundo Conceição. pois bem. onde se reuniam. de côr morena. era um chorão apaixonado. Executava no seu violão acompanhamentos em accordes relativamente ao seu bom gosto. Praça Onze. ensaiavam. desses que governam a vida com o coração. Tinha em cada chorão daquelle tempo. por occasião do Carnaval. e guardavam os seus . raro eram os componentes do chôro que não fosse um assiduo frequentador do quarto do Raymundo. Na data de 1890 a 1898 em um quarto sito á rua de Sant'Anna. era ahi que se reunia a flôr dos chorões. Eu quizera ter neste momento em minha reminiscencia os bons episodios que se passaram entre os grandes chorões que frequentavam o quarto do Raymundo. que era considerado um succursal de suas residencias. Depois dissolviam-se para reunirem-se no dia seguintes na sede que era o quarto d grande folião carnavalesco Raymundo Conceição.

– 96 – instrumentos. Deixo de especificar aqui o nome de todos estes chorões pela razão de que eu. no jornal "Cidade do Rio". cada qual seguia o seu destino no cumprimento de seus deveres. como eram estes a quem acima me refiro. Era elle oficial da Guarda Nacional por ter feito toda a revolta de 93 senco um optimo impressor. De volta dos bailes. Inesperadamente foi o . Quando vinha o dia. e não para apontar defeitos praticados. foi lá que eu conheci o Gloria. haviam chorões que tinham até acolchoados. Trabalhava elle. de quem elle foi um grande protector. ficavam todos abarracados no quarto do Raymundo em esteiras. e de poucas conversas. companheiros de infancia e de [074] trabalho. do grande talentoso jornalista José do Patrocínio. Conheci-o na casa do inesquecível Teixeira. porém. ao dar a publicidade deste livro só tenho em mira elevar ao apogeu os grandes artistas chorões antigos. homem franco. distribuidores tambem de jornaes. o Manzolillo. sentese immorredouras saudades. distribuidor do jornal "Cidade do Rio". Hoje quando se fala na casa do Teixeira e nas suas festas. pela grande paixão que tinham elles pela musica produzida pelo conjuncto que se organizava no quarto do inesquecível Raymundo Conceição. e de partidos. valente. As festas na casa do Teixeira duravam sempre uma semana e quem organizava o chôro era o Raymundo. pois eran todos nagoas Guaymús. amigo de verdade e muito respeitado pela garotada dos jornaes. para voltarem depois como as "Pombas" de Raymundo Correia.

Na revolta de 1893. Vou aqui contar um episodio que se deu com elle. que disso tendo sciencia. tocava instrumento de sôpro. fazendo parte da mesma Coelho Grey. Era toda de musicos começando pelo velho Grey que era o chefe desta familia intelligente. depois. e que executava em seu violino partituras sentimentaes de musicas classicas e tambem muito bons chôros. que passou no quarto do sempre lembrado Raymundo Conceição. O Antonio Grey. e o mais moço. o professor Coelho Grey. precisava de um bom e habilitado mestre de musica. e assim foi definhando para fallecer rodeado de seus verdadeiros amigos que ainda hoje pranteiam o seu desapparecimento e a saudade do convivio daquelle quarto. Os batalhões da Guarda Nacional organizaram cada um as suas bandas de musicas e o commandante de um dos batalhões.– 97 – Raymundo acommetido de uma fraqueza. que era uma republica de harmonia e liberdade dos bohemios chorões. muitas vezes foi acommetido de hemoptises. era um eximio tocador de violão. Este tocava todos os instrumentos de sôpro e de cordas. funccionario da Alfandega. hoje Estrada Rio São Paulo. O commandante retrucou: Eu quero um mestre com mais habilidade do que o senhor tem. offereceu-se ao commandante para regel-a. e continuando sempre no chôro. seu filho mais velho. Era um dos primeiros musicos de Jacarépaguá daquelle tempo. porque preciso que este saiba escolher os instrumentos para a organização . A FAMILIA DOS GREY Esta familia morava no Marco 4 em Jacarépaguá. Quem escreve estas linhas tem muito bôas impressões e recordações dos dias alegres. tendo mais predilecção pelo saxophone e violão.

Pimenta da Alfandega. o Santos bombardão (Nhonhô) e muitos outros. inclusive os chorões alli reunidos onde se achava o pranteado Horacio Theberge. Foi uma delicia vêr e ouvir-se a familia toda tocando acompanhada por todos nós. Tambem ouvi dizer que estando tocando em um chôro destes do bom Anacleto de Medeiros. com muita instancia. O nosso bom Coelho Grey promptificou-se a ir em companhia do commandante para escolher.– 98 – da banda. O comandante cahiu das nuvens pela surpresa que acabava de ter. chegou o Coelho Grey. Tive o grande prazer de conhecer esta familia por intermedio do inesquecivel capitão Alamiro Cabral. e muitos outros lá para as bandas de São Christovão lá para as tantas quando o chôro deliciava de harmonia. com aquellas polkas do repertorio do inesquecivel maestro Anacleto. mostraram desejo de apresentarme á sua familia. cheio de curiosidade para vêr e ouvir o seu companheiro de instrumento que era o . Chegando à loja de instrumentos. como um simples convidade. porém. que tendo dado um formidavel chôro em sua residencia no Campinho. foi-me apresentado pelo mesmo os irmão Antonico e Coelho Grey que. Luiz de Souza. Eu não podia fazer este livro deixar de descrever os encantos que experimentei neste dia saudoso de tantas harmonias. Lica. E assim aconteceu. e com todo enthusiasmo lhe apertou a mão e disse: Está promovido a tenente do meu batalhão e mestre da banda do mesmo. foi logo pegando n'um pistão tirou a sua escala e assim fez em todos os outros instru[075] mentos apresentados pelo lojista.

regendo bandas musicaes particulares das Fabricas de Tecidos desta Capital. onde reformouse e depois. naquella época em Jacarépaguá. JOÃO ELIAS João Elias da Cunha. e pediu que cedesse um pouco o seu saxophone ao seu amigo convidado Coelho Grey. Eis aqui traçado em poucas linhas o perfil de uma familia toda musica que deu muito brilho aos chôros realizados. nem todos tocavam como elle. que digam os seus alumnos. como mestre da banda do Corpo Policial da Provincia do Rio de Janeiro. pois. Não vos digo nada. Anacleto contrafeito.– 99 – saxophone. Coelho Grey. Era excellente professor de musica. sendo isto . emeritos musicistas. por uma civilidade accedeu ao pedido pois não gostava que tocassem no seu instrumento. conhecedor da gyria de todos os instrumentos. De facto disseramme que o Grey ficou extasiado com o sôpro e a execução do Anacleto. que devem ainda existir muito por ahi. Anacleto dando um abraço em Coelho Grey disse-lhe: Continue a tocar que eu quero lhe apreciar. maestro. O dono da casa fez a apresentação do Coelho Grey ao Anacleto e aos seus companheiros de chôro. Emquanto o resto de sua digna familia nunca mais tive noticias. ainda vive e consta-me que é empregado na Municipalidade e com certeza [076] já retirado do chôro e já aposentado e conservando a sua tradição de um professor. e por tanta belleza musical. Anacleto ficou radiante de contente tal foi a maestria com que executou os primeiros numeros de musica. conheci este.

lembrando os feitos de todos os artistas de merito. parando seu instrumento para trocar idéas com o [077] director de Harmonia. como foi o incansavel professor de musica João Elias. compositor. Era um bombardão de excellência. com dedicação e com exigência na afinação de tudo quanto era concernente á melodia. depois de ser musico no seu Estado. este que tocava com prazer. respeitado e considerado no meio de seu convivio. fizeram prodigio naquella época. meus bons amigos leitores. foi musico naval. Era um grande apaixonado do Ameno Resedá. Tentei dizer o que delle me ocorre na memoria cumprindo assim uma homenagem e um sacrosanto dever. director de canto deste rancho. LUIZ GONZAGA DA HORA Era natural da Bahia. Elle era herdeiro das maiores glorias e victorias deste Rancho-Escola. João Elias ao lado de Damasio. com gosto. O Gonzaga fazia parte da . a harmonia do Ameno Resedá morava no bombardão do Gonzaga. de que elle fazia parte na sua orchestra. que sempre acolhia as suas bôas opiniões. como foi o professor João Elias por me faltar os dados necessarios. artista maestro. e de eximio sopro mavioso e melodioso.– 100 – confirmado por um de seus filhos de nome Godofredo. mestre e regente de bandas militares. pois era pae adoptivo do inesquecivel Antenor Oliveira. Por esta razão tinha naquelle tempo em cada socio do Resedá um seu admirador e amigo. comquanto não possa fazer um perfeito perfil desta grande eminencia musical. Juca Rezende e muitos outros chorões daquelle tempo. pois.

fazendo esplendidas organizações de grupos de musicos de primeira grandeza. Catullo. operoso trabalhador e sabedor dos . era um sol que illuminava a alma e os corações com as suas notas amenisantes tiradas no seu instrumento. depois musico do 23° de Infantaria onde teve baixa como contra-mestre da referida banda. onde trabalhava com assiduidade. O seu pistão tinha a magia das grandes melodias. para depois fazer parte da bande de musica do Corpo de Bombeiros na regencia de Anacleto e ao lado de Albertino Caramona. O autor destas linhas o acompanhou até á sua ultima morada. Foi elle o componente das orchestras dos cinematographos desta Capita. Luiz de Souza. sendo um exemplar chefe de familia e digno operario das officinas do Arsenal de Marinha. Bilhar e muitos outros não o dispensavam do seu meio pois o Souza. mestre da banda da Fortaleza. por isso era muito distinguido. foi menor da Fortaleza de São João. LUIZ DE SOUZA Pistão dos mais chorões que até hoje ainda occupa o primeiro logar entre todos os chorões. Falleceu inesperadamente. como bem disse o "Jornal do Brasil" ao fazer a sua necrologia. Elle deixou muito bôas producções.– 101 – orchestra do Resedá desde a sua fundação. Foi aprendiz de musica do grande e notavel pistonista Soares Barbosa. tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só elle possuia. O Souza era um Resedá intransigente. para onde elle levou o segredo da harmonia do Ameno Resedá. onde com muito brilho fez prodigios com o seu invencivel pistão. Luiz de Souza era respeitado na roda dos chorões.

dias. Brandão e Néco. que diga o nosso bom amigo velho João Thomaz. Côrte Real. cheios de alegria. Quinca. momentos. pois raro era o dia em que não havia lá. João de Britto. Luiz Pinto. bonita. A casa da Durvalina era uma especie do quarto do Raymundo. maravilhos pistonista. esta que não regateava a sua igualdade a todos os bons chorões daquelle tempo. A CASA DA DURVALINA A casa da Durvalina era na rua do Bom Jardim. Assim leitores. respeitada e muito camarada para aquelles que conheciam nelle este predicado. Rancho-Escola e Campeão de Harmonia.– 102 – segredos maviosos dos canticos genuinamente brasileiro expandidos nos Carnavaes pelo conjuncto do Ameno Resedá. patenteando uma homenagem que será acompanhada por todos os . farei apreciação desta distincta amiga dos chorões resumidamente. Henrique Rosa. mas para dizer tudo o que foram horas. José Maria e muitos outros. uma bôa tocata. Eis aqui o que tenho a dizer relativamente a este grande artista que se chamou Luiz de Souza. Era ella uma mulara. seria necessario muito me prolongar. dando bons jantares e bailes que se prolongavam a maior das vezes no correr da semana. Horacio Theberge. não falando aqui em Bilhar. moça. já fallecidos. mezes. pois foi a sua morte muito pranteada por todos os chorões e finalmente por todos que tiveram [078] a dita de privar com esse bom amigo e extraordinarissimo genio executor. onde se reunia a rapaziada do chôro. Eu quizera fazer aqui a apologia desta bôa camarada que se chamou Durvalina. Lulú Bastos.

Henrique Rosa. aproveitando nas companhias lyricas elle era as mesmas. IRINEU BATINA Mrio e muitos outros. que tinha deixando um grande vacuo na por elle muita veneração pois o roda dos chorões. andava sempre de sobre. [079] esta que é fallecida e lembrada a todo o momento pelos chorões Lica. inesperadamente. porque este bom e autor destas linhas privou muito amavel amigo para mim com este talentoso e respeitado inesquecivel. Henrique. regular. Era companheiro de chôro integrante nas festas que se de Luiz de Souza. O nosso bom Catullo. assim como para artista. porém bellas producções. Galdino. realizaram na casa da Durvalina. O seu instrumento preferido entusiasta e admirador de suas era o ophicleide no chôro. este que deixou uma todos. eximio executor do bombardino. Como componente da bando do verdadeiras maravilhas. e maestro era assiduo frequentador do quarto conhecido no meio do chôro por do Raymundo Conceição. era delle um grande naquella época. estimado e admirado pelo Falleceu inesquecivel Anacleto. Era elle Este professor. Carramona. da Velha Guarda. João dos Santos. muito em voga inspirações. Elle tambem . Néco.– 103 – chorões daquella época que Irineu era um artista de muito commungaram como parte valor. Irineu Corpo de Bombeiros. era um era um typo gordo de altura muito bonachão. O "Batina". Irineu Pianinho. poeticas. que lhe inspiravam um trombonista disputado por com as suas melodiosas letras que tornaram todos os maestros estrangeiros.bagagem de musica de infinitas casaca comprida.

Rancho este que competiu com o Ameno Resedá no Carnaval de 913. em Daphinus. que ainda hoje obedece com respeito e veneração. as insinuações de sua velha e idolatrada mão. Napoleão 1° dos carnavaes antigos. NAPOLEÃO DE OLIVEIRA de Belzebuth. o Mephistopheles das Evas no reinado das Odaliscas. filho extremoso. Quem [080] não conhece o Napoleão de Oliveira ? o alchimista vendedor das pillulas infernaes ctuaes. o admirando. pois elle é uma fonte . cantor insinuante que ao lado de Pedro Paulo e de outros bons elementos. em Tio San. violão mavioso e scientifico. deus cantor discipulo de Pan. Eis aqui o que tenho a dizer deste intelligente musicista com o meu coração cheio de saudades. O autor destas linhas. ainda hoje com elle priva. em homenagem á America do Norte. na direcção de canto com sua voz de tenor. alcançou a primazia de um instructor substituindo com muita igualdade o inesquecivel Antenor de Oliveira. e figurante do Rancho Escola Ameno Resedá. e bebendo luzes em todos seus argumentos intelle- Chorão de cultura fina nos batedores Carnavalescos. professor dos contra-alto e soprano das pastoras. Genio de Cassia. funccionario que honra a sua classe. as Divindades que regem o Destino do Mundo. amigo sincero. Napoleão de Oliveira.– 104 – foi director de harmonia do Rancho Filhas das Jardineiras da Cidade Nova. o Brasil civilizado nas Ligas das Nações. e muitas outras fulgurantes representações no conjuncto do Rancho Escola Ameno Resedá.

(Zé Cavaquinho) que é tambem um artista de muito valor. o Moreno da Flôr do Abacate. e fulgor da sua capacidade inegualavel. que sem lisonja o que merece o nosso Napoleão. ao lado do competente director de Harmonia. José Rebello. com as suas bellas poesias. era operarios do Arsenal de Marinha. fazia as delicias de quantos tivessem a felicidade de conhecel-o. do inesquecivel Anacleto de Medeiros. Antenor era um batuta no violão. se distinguiu sempre. O bom Antenor competiu com os eximios directores de cantos. e grande trovador de modinhas. Antenor de Oliveira. e Barnabé. no cargo de director de canto. na roda de todos os chorões. Fazendo logo prodigio. Antenor foi um esplendido amador de arte dramatica. e falleceu nesta Capital em 1912. dando vida e esplendor aos papeis a elle confiados. nasceu em Angra dos Reis em 1881. que unidos a outras capacidades amenistas daquella época. e mérito. Aqui ainda não fica ditas nestas linhas tudo quanto eu quizera dizer. e com elle privar. começando a dizer que elle foi um fundador do Rancho Escola Ameno Resedá. da Cidade Nova e Pedro Paulo. elle se immortalizou com a admiração de muitos poetas naquelle tempo. quando fez a letra para o dobrado jubileu. e pranteada. levaram este rancho ao apogeu. A morte de Antenor foi muito sentida.– 105 – pura de aguas christallinas do saber que reparte como um sol que distribue a luz espancando as trévas. e musicistas de todos os conjunctos carnavalescos. Vou tentar fazer o seu perfil. occupou tambem no Ameno Resedá o cargo de director de Poemas. ANTENOR DE OLIVEIRA Dotado de espirito culto. como foi. .

ficando muitas vezes desprevenido pecuniariamente. C. pois o bom China era conhecido nesta cidade como estrella brilhante. fazendo assim a alegria. abriu-se um grande vacuo na roda dos chorões. pois era um pandego de primeira agua. Onde China estivesse só reinava o bom gosto e alegria. e grande risos aos convidados da festa.– 106 – CHINA Quem não conheceu este bom e distincto amigo ? Julgo que bem poucos. que via nelle um batuta respeitado. Era de todos estimado. era tambem filho do velho chorão Alfredo Vianna. China. Como amigo ninguem lhe excedia. GONZAGA DA E. pois não podia ver um companheiro queixar-se de qualquer necessidade que não valesse na quantia que precisasse. pois ainda hoje o seu nome é lembrado e chorado. Tinha uma voz de baritono de encantar. Cantava bons lundús. era como perolas de alto valor. para não ver seu amigo mal. ás vezes um pouco apimentados. tal a maneira que sahia da sua garganta. era violão afamado. Com sua morte. Tinha uma garganta de ouro pois nos "cabarets" onde se exhibia era muitissimo applaudido pelos circumstantes. tal a delicadeza do seu trato. o instrumento nos seus dedos era de maravilhar. . China. Nos bailes onde tocava. Não só acompanhava muito bem. Nas suas modinhas que cantava tinha algumas tristes e outras alegres. como tambem solante de [081] extasiar. B. só fazia o brilhantismo. F. e irmão dos glorificados musicos Pixinguinha e Léo. de que elle era um apologista.

eram de encantar. viu-se obrigado a sugeitar-se a ser carregador.– 107 – Bom e excellente musico. tocava com grande saber e arte. Nestes instrumentos. acabando. que apesar de seu saber nunca encontraram uma alma caridosa . trabalhava em um lugar tão baixo ! O que elle respondia com a maior naturalidade. ophicleide e tambem pistão. lá estava o heroe em frente á Estação de Pedro II. schothischs. Gonzaga. E assim morrem muitos heróes. pois era de encantar. Toquei em muitas festas. ás vezes perguntavam-lhe a razão. com este grande executor de musicas. Muitos que não o conheciam ficavam admirados de um musica de grande quilate que era elle. um bonét. [082] Então muitos que o conheciam. tal a agilidade de seus dedos de ouro. dirigia-se á sua cas. que elle sendo um musico tão afamado. Gonzaga ia a um pagode todo janóta. dizendo. Tocava elle com grande maestria. Pois apesar de seu preparo. os chôros por elle executados. vestia uma blusa. de uma belleza sem igual. pois nunca encontrou um amigo que lhe désse a mão. como qualquer um João ninguem. que a sua estrella nunca brilhou e por isso vivia no abandono. se queria comer e beber. valsas. occupar um serviço naquellas condições. fazia um defunto mexer-se no caixão. quadrilhas. No ophicleide tambem solava admiravelmente. e tambem a sua electrica dedilhação no seu instrumento. fazendo o sólo em polkas. e uma rodilha á cintura. No acompanhamento nem se falla. tal a maneira de seu bello sopro. fazendo carretos.

tal o gosto que Arthur. que chegava a ressonar tal o gosto era o glorioso Pernambuco. Bom até á ultima gotta. E era daquelles que depois de para bem descer o mastigo. acompanhar modinhas que Caboclo como era conhecido tinham um gosto extraordinario. Era um violão seguro. Com seu dobrar o pagode. prompto para entrear mesa. não perdia uma só festa dada por pois acompanhava sempre com esta sociedade. firme para a luta. era de agradar. não com o seu dever. pois não dava para traz. Era muito choroso no com séde na rua Major Avila. doente. sociedade violão Juca Russo. grande e bellissimo executor de Foi socio e vice-presidente das Pragas do Egypto. Tambem muito gostava de entrar na sahia mais. para assistir o violão. acompanhou nos chôros. Muitas vezes até bellos e lindos accordes. ROMUALDO CABOCLO morava lá pelos bairro de Villa Isabel. em fogo. ARTHUR PEQUENO O lema era: Cada um cumpra A muito que não o vejo. de seu Estado. Tocava Quintiliano. . Era mesmo um caboclo bom. era da turma do elle tinha por este instrumento. o ajudasse. elle lá estava firme como Gostava muito de ir a pagodes uma pedra. com seu violão onde tambem houvesse farta atracado. Era muito bairrista. Carlos Furtado e pouco violão. sabendo se é vivo ou morto. ninguem lhe pelo resto do leitão e mais. elle acompanhava bellas enterro dos ossos que elle modinhas. Candinho.– 108 – Era muito distincto amigo e companheiro. mas mesmo assim outros. com o competente molho. Pedrinho.

– 109 – [083] tocasse em seu Estado. alli pelas ruas Arnaldo Quintella. Era chorão afamado. AGENOR FLAUTA Morava na rua Visconde de Itamaraty. Tinha um sopro macio e sublime. finalmente este farrista já é fallecido. Era um amigo dedicado. as suas melodiosas musicas de fazer admirar. Fernandes Guimarães. Tocava com grande esplendor na sua flauta. Muito me ajudou nas pragas do Egypto quando eu era seu presidente. e acompanhei com meu violão ou cavaquinho. De lá trouxe muitas formosas modinhas. pois é . da Saude Publica. Tambem tocava todas as musicas de Candinho. e sim do amigo que na primeira esquina lhe contasse uma necessidade. Escreveu alguns chôros bons que devem andar por ahi nos cadernos destes chorões da nova guarda. se queria ser seu amigo. Cantava tambem bellas e sumptuosas modinhas de arrebatar. Tocava todos os choros dos grandes flautas antigos e tambem modernos. Era empregado como chefe de turma. de supplantar. O VELHO MENEZES Quem em Botafogo. Por seu companheiro dava a vida. que levava nas horas de folga a cantar e acompanhar. Era um excellente chefe de familia. o que muito valeu o seu bom nome. que era de novo systema. Thereza Guimarães. e adjacencias não conhece o bom Menezes. deixando muitas saudades a todos os moradores da rua Major Avila. Amigo e companheiro de linha. O seu dinheiro não era delle. e adjacencias.

onde Menezes me jogou um pezado em cima.– 110 – com velhos flautas e hoje não arrepia carreira com os novos. me sahi daquella intalladella. tal a agilidade de seus dedos. Dahi ficamos amigos. Conheci-o em Copacabana. onde se atola até não [084] poder mais. quando trabalhava como estafeta dos Telegraphos. pois. e cavaquinhos. elle [o]briga um bella feijoada. como seja: em Botafogo. Pois apesar de sua idade. Felizmente. em uma reunião de tocadores de violão. pois sabe dizer nas cordas o que sente. ainda não deu seu quinhão ao vigario (como se diz na giria). quasi sempre está com o violão em baixo do braço. Dedicou-se á arte de bombeiro hydraulico. acompanhado com tocando muitas vezes juntos. com bastante difficuldade. fazendo os encantos dos lares. bonissimo chefe de familia. uma bôa pinga para descer os Hoje. grande perfeição. Menezes tambem é excellente amigo. Inhau'ma. Menezes fica quasi doido quando em qualquer chôro. pois tem um BILÁU ouvido apurado para acompanhamento. Jacarépaguá. e assim sustenta honradamente a sua distincta familia. Conheci em moço. Tocou muito um inveterado do chôro. Menezes toca violão com pirões. . de que me vi bem atrapalhado. Nictheroy e outros logares que Menezes frequenta. Neste tempo o seu instrumento predilecto era o cavaquinho. muito trabalhador. e de admiriar. que elle manejava com grande facilidade. Solava muito bem.

na Caixa Velha da Tijuca. tal os recursos que elle tinha naquelle instrumento. e sua bôa irmã. fez alli um tom com todos seus accordes que fiquei bem admirado da sua agilidade naquelle pequeno instrumento de arrebatar. [085] Celestino. Morreu na . outra. de que me fez babar. Depois precisando ir áquelle bairro. Biláu foi aprendiz se não me engano do sempre chorado Mario do Cavaquinho. para os accompanhamentos. Retirando-me da Tijuca muitos annos. no violão tinha brados de armas. Hoje acha-se retirado da lucta. esta valsa é bem custosa de solar. soluçava. Depois solou uma valsa se não me engano o nome é "Sorrir meu doce amor". encontrei Biláu já moço e atracado a um cavaquinho todo novo. no entanto nos dedos de Biláu foi sôpa. julgo com a morte do seu sempre chorado pae. e dos bons. JOSE' CELESTINO Quem em Engenho de Dentro não conheceu este grande astro do violão ? Bem poucos ! Era elle operario das officinas na Estação acima. Afinando o cavaquinho. de admirar seus congeneres. pois era um explendoroso violonista. O violão nos seus maviosos dedos não tocava. tal a maneira que elle sabia dedilhar aquellas cordas no seu instrumento.– 111 – Conheci bem criança. E ahi dedilhou. Solava admiravelmente. Era difficultoso cahir. Tinha um ouvido apuradissimo. chôros bem difficultosos. onde seu sempre chorado pae occupava alta posição. e que deu ao mestre grande gloria.

circulo de amigos. como aqui tocou com sentimento no seu grande em muitas sociedades musicaes. Leccionou seu instrumento a esplendido cantor de Modinhas muitos. . Morava em Nictheroy onde tinha uma familia. Lá. que tornaram-se grandes que fez um grande sucesso no e afamados musicos. não só de seus SALUSTIANO TROMBONE superiores. naquelles bons tempos.– 112 – e dansantes. onde baixa da vida militar. Tendo meio dos chorões. como de seus collegas. sendo sempre muito procurado pela sua real proficiencia. Hespanhola. No correio onde trabalhou. Exercito. com grande proficiencia. Era tambem um optimo falleceu. onde fez papeis de comportamento galgado ao responsabilidade em um Club posto de carteiro. Era tambem amador tendo pela sua correcção e Dramatico. ingressou Theberge tinha admiração e nos Correios como servente. Foi HORACIO THEBERGE primeiro trombonista no 7° Batalhão de Infanteria do Inesquecivel violonista. Conhecia o seu instrumento felicidade de conhecel-o. A ufanava de ser um chefe morte de Theberge repercutiu amoroso. e tambem no grande numero de amigos que elle tinha dos melhores. deixando immensas saudades aos seus collegas tocadores. conceito. e deixando grandes respeitado pelo seu saber heroe saudades dos que tiveram a musical. cargo em que Dramatico no Meyer. E assim findou-se mais um Foi grande musico. deixou um grande numero de amigos. e se funccionario dos Correios.

JUCA VALLE Persona grata do dr. e quando appellidado (Casaquinha). não admittia que lhe gato pingado.– 113 – HENRIQUE ROSA (CASAQUINHA) reflectir o seu brilho nos grandes astros. Amigo dedicado que foi do Morreu como uma estrella chorado Quinca que some-se deixando ainda sempre . mesmo Ventura Caréca. mettia acompanhava um chôro. Companheiro ininseparavel de Callado e Viriato. e outros. de sua época. violão de fóra da moda. Manafástara. Conservador de tradições. razão porque. nunca desprezou o seu fraque. Luizinho e muitos [086] outros flautas que tinha nelle um transigente nos seus direitos. Nas suas palestras. Rangel. acompanhado seguro no seu violão seguro. considerado por todos os VENTURA CARE'CA chorões. ou uma sempre uns ternos impolados de modinha. Foi um dos primeiros violões Murtinho. que tocava com bastante amor e gosto. Foi quando falla deste chorão empregado antiquissimo da pranteado sentimos saudades. tal a confiança que elle tinha no seu ouvido. desse o tom. amigo de seu amigo. sendo por isso fama. Policia onde prestou com sua JOSE' CONCEIÇÃO intelligencia e perspicacia innumeros e bons serviços. Pinto mendigo. Hoje tomba relomba e calafate. conhecido e violão.

conhecia regra de harmonia e tudo mais de seu pertence. estava fazendo tudo para imital-o. e excellente amigo. um grande cumpridor do dever. é um amigo certo e communicativo digno de applausos. Diziam os musicos daquelle tempo que Callado. admirado por todos os flautas como elle. Era quem organizava o conjuncto de musicos professores. e os mais musicos de nomeada. e chorado. e tão difficeis que o escriptor que tambem era um malandro chorão. Era irmão do grande violinista Lafaiete. tocava muito bem violão. e tanto assim que já fazia um dueto no seu maravilhoso instrumento. PATAPIO SILVA Ainda hoje o nome deste professor é fallado. estando hoje aposentado. Patapio estudou musica a fundo. Hoje acha-se retirado um pouco . Patapio. naquelle tempo nunca poude apanhar delle nenhumas de suas modulações. não só solava. como acompanhava. Morreu a pouco no cargo de guarda-civil. [087] foi bom filho. sendo neste posto. e que muito se elevou no conceito publico. Tinha accordes maviosos. para tocarem nestas casas de diversões. Era flauta de respeito. prestando nella os mais relevantes serviços. quasi igualava com o immenso flautista Callado. NENE' MARIO Conheci morando no Estacio de Sá. e um pouco retirado do circulo dos chorões. na sua maviosa flauta fazia um quarteto. tendo delle apanhado todo seu estylo serviu muitos annos como guarda-civil.– 114 – Laranjeiras. e que Patapio muito o admirando.

tirando carta de solicitador. Este chorão sabia entrar em uma sala. Olegario foi em 89 servente na 4ª Secção dos Correios. mesmo assim ainda é chamado. Agapito é morto [088] ha alguns annos deixando muitas saudades a todos nós. dedicou-se ao forum. o Patapio. Infelizmente perdeu-se com a morte deste professor. é quem fórma as orchestras. Então as musicas Callado. e tem composto bellas Aves Maria. pois . para tocarem nas festas de igrejas. um futuro prospero. chorões. mas mesmo assim dava prazer nos logares onde tocava. tocava com grande agrado para todos. Este heroe do chôro falleceu a poucos annos. Viriato e Luizinho eram suas predilectas. AGAPITO Chorão de marca. Em bailes e festas era agradavel ver soprar a sua maviosa flauta. e muitos outros logares. tocando nos bailes da Cidade Nova. THOMAZINHO Foi grande flauta de seu tempo. Não era destes primorosos. conhecia pouco musica. OLEGARIO FLAUTA Conheci ainda moço. abandonando o logar. Gostava de tocar em bailes onde houvesse gordos pirões. Foi aprendiz do grande luminar da musica Cupertino.– 115 – da musica. acompanhado de bellas bebidas. e risonho para a grandeza do nosso caro Brasil. Estacio de Sá. tocava com primor as musicas de chôro. E se assim não fosse dava o fóra dizendo que não foi feito para passar ginja. que felizmente ainda vive.

conhecia bem a musica. Conhecia musica a fundo. pela maneira sublime que agradava immensamente. que tinha nelle um discipulo de extraordinario valor musical. RAYMUNDO FLAUTA Era tambem um flauta respeitado. tambem um companheiro distincto. e era um primor ouvil-o. e bom gosto. Pedro de Assis era de uma educação finissima. muito tocou. e tambem o chôro de todos aquelles immensos flautas já por mim descripto. e por isto tocava com primor e bom gosto. e que bem poucos o imitavam. e muito querido de seus companheiros de musicas e dos que tiveram a felicidade de conhecel-o. gostava muito dos chôros de Callado. Em bailes e festas. Infelizmente este grande flautista como seus companheiros ha muitos annos já desappareceu do meio dos vivos. Pedro de Assis. e muitos outros daquelles tempos. Se não me falha a memoria. Rarissimo . Tocava o classico. Era seresteiro de verdade. pela sua graça. o que muito agradava a Meyer. Silveira. Hoje é reformado da Marinha. Thomazinho era grande amigo de Ismael Brasil grande trombonista já neste livro por mim descripto.– 116 – ficava logo estimado. foi alumno do grande mestre Duque Estrada Meyer. pelas informações que tive a muitos annos. Viriato. Tocava com alma. e o considerava. que muito o estimava. pois aprendia com muita felicidade as lições passadas. Luizinho. pois já se acha cansado pela idade. o que julgo tambem dos chôros. PEDRO DE ASSIS Tambem luminoso flauta de sua época.

Tive a felicidade de acompanhal-o em muitos e bons chôros na casa do grande intelectual Mello Moraes. como de todos os seus companheiros de jornada. e os poucos ou quasi nenhum chorão daquelles luminosos tempos. o que muito tem me difficultado pelos annos já passados. e prazer deu áquella sempre chorada festa. Emfim este livro não faz mais do que trazer os seus nomes. para que os chorões. e immenso chorão. e que sempre o chamavam! tal a sua maestria no gosto pelo chôro. como elle tambem. que tanta gloria deu áqueles . Era um amigo dedicado. Annibal foi intimo do sempre chorado. fiquem mais ou menos a par destes grandes luminares das festas em salões. par me dar conhecimentos certos. Annibal. que muito o admirava. e o estimava. que o fazia muito estimado. de uma educação natural. morava. Mello Moraes. ANNIBAL Tambem grande professor de musica. pois era muito conhecido na roda dos acompanhadores daquella época. Não sei se ainda vive pois a muitos annos que não tenho delle noticias.– 117 – era o dia que Raymundo não tivesse um chôro para tocar. se não me falha a memoria lá para as bandas de São Christovão. no esquecimento. que muito gosto. e mais ou menos os seus feitos. onde eu pudesse trilhar. Era grande. com bastante desembaraço. e lembrado dr. vou procurando mais ou menos reviver a sua memoria. era o ensaiador do celebre Bumba meu boi. que deve [089] estar por ahi. e o publico que aprecia a flauta e a musica. Compoz muitos bons chôros. serenatas e mais. que agora neste insignificante livro.

que ainda felizmente temos. pois tinha mesmo prazer em se exhibir nas festas conscio do que sabia. já neste livro descripto. Apesar de tambem não ter conhecido pessoalmente pude pegar estas informações. quasi sempre de ingratidão. Era um bom amigo e dedicado companheiro. pois era o seu fraco. como ninguem rogava aos seus acompanhadores para que delle não se esquecesse. talvez cansado pelos annos. Não dava para traz em qualquer convite. com um chorão de seu tempo. Deixou muitas bôas composições que devem existir nas estantes dos bons flautistas. Era um flauta primoroso. Era muito querido de seus companheiros musicistas. que Foi profissional no chôro. Tambem já dorme o somno do Não podia ver defunto que não descanso desta vida tão cheia chorasse. adorava um baile. Conhecia bem a musica. tocava com alma e gosto os melhores chôrso que existiam na sua época. Tambem flauta do chôro. . nem sempre pela morte. JOÃO DE OLIVEIRA [090] JERONYMO SILVA Pae do eximio musico Candinho Silva. que naquelles tempos existiam em grande quantidade sendo cada uma de melhor gosto. que tudo termina. Hoje julgo ter-se retirado da lucta musical. Sabia tocar com alma todas as bôas musicas. e chorão de facto.– 118 – bairros. Este IGNACINHO FLAUTA heróe tinha uma Fabrica de Cigarros na rua do Ouvidor. lhe dava o necessario para viver. tocar em bailes. o que lhe facilitava tocar com grande primor e arte.

mesmo de primeira vista. não só na [091] roda dos flautistas. fazendo assim. era arranmuito considerado. Conhecia musica como gente morou muitos annos em São grande. o que conhecia tocava com alma. que delle ficavam amigos. que faziam o encanto dos salões. como elle chamava a farta mesa. onde Flautista de respeito. como tambem nos grandes e pequenos jar-se um dos bons. deixando muitas saudades. tocava tambem o classico com grande desembaraço. Apesar de tocar musicas faceis e poucas. Este chorão salões onde tocava. Gostava muito dos pagodes que houvesse grude. e era motorneiro da . Foi companheiro dos bons. As musicas por mais Christovão.– 119 – que não o deixavam parar. tocava fosse impossivel na occasião com grande primor e arte. pois. difficultosas que fossem. tornando-se agradavel a todos. JUCA TENENTE Era tambem chorão de fama. Era muito brincalhão. Em bailes que tocasse ficava logo intimo. risos. e fazia muitos trocadilhos engraçados. sempre PORTO JUNIOR arremediava em chôros. apesar de não tocar por musica. tocava com a maior facilidade. amigos dos que com elle privavam. Tocava bellos e ternos chôros. Morreu já ha annos deixando grandes saudades. de uma educação finissima. Infelizmente já tambem não existe. pois era um folgazão de marca maior. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata. que ainda hoje perdura nos que o conheciam.

– 120 – Light. Era distincto amigo, não dava para traz a qualquer convite desde que houvesse os competentes pitéos acompanhados dos grandes molhos. Este bom companheiro, tambem já dorme o somno eterno, por uma tuberculose, deixando muitas saudades, e mesmo lagrimas de todos que como eu, muito o conheci, e com elle privei, não só em bailes, festas e até serenatas, de que elle era um batuta respeitado, não só em São Christovão onde morava, como na cidade nova, Estacio, Catumby, Morro de São Carlos e Rio Comprido, etc. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana". JUSTO VARGAS

Eximio flautista e melodioso chorão. Descendia de uma distincta GENERAL GASPARINO familia Vargas, moradora no Musico de cultura, e valor. lugar denominado "Coelho", em Era professor de flauta e de S. Gonçalo. Era infelizmente cégo, porém, de finisimo trato, grande saber. De uma educação finissima e typo bonito e sympathico, por esta razão era sempre rodeado posição elevada.

– 121 – pelo bello sexo. Além de ser um bom executor de flauta era tambem professor eximio, muito considerado, não só na roda dos flautistas, como tambem nos grandes, e pequenos salões onde tocava. Conhecia musica como gente grande. As musicas por mais difficultosa que fosse, tocava com a maior facilidade, mesmo de primeira vista, tocava também o classico com grande desembaraço. Nos bailes e festas que tocasse era um diplomata, [092] Impossivel me é descrever, a grandeza, e a sublimidade deste grande professor. As suas glorias foram tantas e tantas, que só com muitas lagrimas pode-se dizer a sua vida, como immenso maestro que foi o nome acima. Foi um genio na musica, conhecia theoria como poucos, a PEDRO SACHRISTÃO sua flauta em seus labios não Grande flauta de cinco tocava mas chorava. Não só chaves, toquei tambem com este conhecia os grandes choros dos de uma educação finissima, tornando-se agradavel a todos, que delle ficava amigo. Infelizmente já tambem não existe, deixando muitas saudades. heroe do choro, em Nictheroy na rua da Soledade em casa de um sr. Guimarães que vendia bilhetes de Loteria. Pedro era um bello moço, muito amavel, e modesto. Era naquelle tempo, sachristão da Igreja de Santo Antonio, que ainda hoje existe, na rua de S. Lourenço. Com elle fiz tambem muito bôas serenatas ao luar, se não me falha a memoria julgo já ser fallecido. O GRANDE PROFESSOR DUQUE ESTRADA MEYER

– 122 – immensos flautas já por mim descripto, como tambem o classico. Tocou em muitas orchestras, sendo admiradissimo, pelos maestros daquella época. Meyer era um genio alegre, e folgazão, de uma educação finissima, exemplar pae de familia. No chôro quando tocava as musicas de Callado, Viriato Silveira, Luizinho, e outros, fazia com alma sentimento e graça. Foi grande amigo dos chorões acima, mas tinha uma grande predilecção pelo sempre chorado musico Callado, pois quasi sempre tocavam juntos. Callado em attenção a esta grande e bondoza familia, escreveu uma quadrilha dedicada á mesma, que botou o nome de Familia Meyer que é um primor de arte, e que tenho em meu archivo como uma joia inesquecivel. Essa familia qua[093] si toda de bons musicos era admirada por todos. Pelas informações por mim colhidas, parece existir uma pessôa desta distincta familia, que como Meyer, é tambem grande executor de flauta, que infelizmente não tenho a felicidade de conhecel-o, e ao contrario, talvez pudesse descrever essa grande gloria brasileira, com maior perfeição. Aqui fica mais ou menos descripta a vida musical e pessoal deste grande musico, para a gloria dos flautistas d'agora, e dos que vierem para melhor conhecer essas glorias que o tempo, não trarão mais. HONORIO DO THESOURO Quem nesta capital não conhece este grande chorão. E' um flauta primoroso, conhece bem a musica. Conhece todas as composições dos chorões por mim descripto, especialisando-

– 123 – se nas de Candinho Silva. Honorio morou, ou mora nos bairros de Villa Isabel. Foi chorão de facto, é exemplar chefe de familia, amigo de uma superioridade immensa. No chôro em que toca é um bamba dos bons. Toca sabendo dizer na sua flauta maravilhosa o que sente. Acompanhei-o muitas vezes e sei o que elle vale. Agora não sei se ainda é o bamba de outros tempos mas julgo que não, pois os janeiros talvez não deixe fazer as proezas de uns quinze annos atraz. Porem tenho a certeza se bolirem com este heroe, ainda não dá para traz, sabendo dizer na sua flauta o que sente. GODINHO Conheci-o como mestre da bando do Corpo Militar de Policia da Côrte. Era muito intelligente, e regia a banda com grande maestria, chegando a galgar o poisto de alferes, nome que que se dava naquelle tempo, o que hoje equivale o de 2° tenente. Godinho era muito estimado pelos seus superiores, e tambem pelos seus subordinados. Morreu já a bastantes annos deixando muitas saudades e lembranças. O instrumento de Godinho era flautim que manejava com arte. [94] OS CHÔROS ANTIGOS Vou aqui descrever as antigas festas obrigadas aos bons e afamados choros daquelle inesquecivel tempo, pois são para mim grande transmissor de saudades. Como eram as festas da casa do Machado Breguedim, na Estação do Rocha, Machadinho, como era conhecido era um flauta de nomeada, os choros organisados em sua residencia

– 124 – eram fartos de excellentes iguarias e regados de bebidas finas; sendo um alto funccionario da Alfandega era financeiro, por isto fazia grandes economias para gastar em suas festas, onde reunias os musicos seus amigos. As festas em casa do Machadinho, se prolongavam por muitos dias sempre na maior harmonia de intimidade e enthusiasmo eram dignos de grande admiração os conjunctos dos chorões que se succediam uns a outros, querendo cada qual mostrar as suas composições e o valor de suas agilidades mecanicas e sopro aprimorado. E assim eram as festas da casa do inesquecivel Machado Breguedim. ADALTO Este morava tambem nos suburbios e as suas brincadeiras eram realisadas com chorõe escolhidos tomando parte Anacleto de Medeiros, Luiz de Souza, Lica, Gonzaga da Hora, José Cavaquinho, Galdino Barreto, Mario, Irineu Batina, Carramona, Néco, José Conceição, Luiz Brandão, Horacio Teberge e muitos outros, daquella época. O Adalto, foi pessôa grata e de confiança do Marechal Floriano Peixoto, que ao terminar a revolta de 93, mandou que elle, escolhesse um bom logar em uma secretaria de Estado, opinando elle, para a de Correio de Ministro tal era a sua modestia e desinteresse por dinheiro, Adalto era exemplar chefe de familia e um amigo sempre prompto a servir a todos. Os choros em sua festa tambem se prolongavam sempre dentro da ordem, do respeito e da alegria. Para findar esta apologia direi: O Adalto era um apaixonado do chôro que desappareceu marcando a sua época.

Israel. no Gato Preto e no parte no programma Botequim Braço de Ouro. os grandes [095] chorões eram procurados em por elle organisada que durava pontos certos. fazendo parte integrante de sua Tres Pernambuco. Augusto Mello e comitiva. que bôas peixadas. Tempos. muitos outros conhecidos como . no repercutia como um encanto nos Matadouro. Vermelho. no lares de todas as familias pois já Confeitaria vinha a muitos annos fazendo Andarahy. aonde se comiam Confeitaria do velho Chico. no orçamentario do Barão. nos casamentos. no Estacio de Sá. no Botequim do Avila. no centro da cidade. este que Engenho Velho. nos baptisados. na Bandeira. Nos anniversarios. familia os chorões de sua reuniam os grandes valentes intimidade acompanhavam como foi "Bocca Queimada". São na fazenda do Barão da Taquara. São João. no Cattete. Pedro e Sant'Anna. no muitos dias. de Santo Antonio.– 125 – BARÃO DA TAQUARA PONTO DOS CHORÕES Foi nesta quadra primorosa Havia tambem uma tradicional festa promovida pela que imperava o chôro nas festas flôr dos chorões de Jacarépaguá. de sua da rua dos Andradas. festa esta que Botequim da Cancella. e na propriedade. nesta estação em ficava do lado oposto eram que o Barão veraneava com sua nestes estabelecimentos que se Exma. Tambem elle fazia todos numa vendinha que existia no os annos uma grande estadia na Largo de São Francisco esquina Ilha do Pontal. no Portão era tambem um grande Major admirador de choros e serenatas.

onde muitos delles sahiam com sinos. o chôro continuava em cas do compadre lá para as bandas da rua Machado Coelho. pedindo que não o deixasse beber. era pae de um moço que tornou- . não pôde resistir.– 126 – flor da gente. O COIMBRA DO TROMBONE Foi este. muitas bebidas. chamasse um carregador para carregal-o para sua residencia! Na hora da sahida sua comadre entregou ao dito carregador uma duzia de ovos para sua senhora depois de muito custo chegou em casa o Coimbra. blasfemando por não ter sido attendido no seu pedido. O Coimbra que era devoto de Santa Rita. foi direito ao quarto onde estava. e antes de ira para o chôro ajoelhou-se deante da Santa Rita. o nosso Coimbra. convidado um dia para um chôro em casa do seu compadre onde se realisava um baptisado. jogando todos os ovos na Santa. tomando das mãos do carregador a duzia de ovos. aconteceu que para voltar para casa foi necessario que seu compadre que era Guarda Municipal. muita comida. na sua chegada teve grande recepção como era de esperar. muitas saudações. que festejavam neste largo a data gloriosa de 2 de Abril dia de São Francisco. O Coimbra. Tambem eram encontrados muitos musicos chorões que combinavam bôas patuscadas. Emquanto se passava esta scena de sacrilegio. tambem faziam paradas ahi os franciscanos. pois quando elle bebia ficava impossivel de se aturar depois do pedido tocou o Coimbra para o pagode. começou a comer e a beber as paginas tantas já não soletrava [096] "Cascadura" não conhecia ninguem.

á rua da Carioca. de propriedade de Buschhman Guimarães e Bevilaqua. cantando mo[097] dinhas e assobiando. pegando os pobres bichinhos pelo cangote virava de pernas para o ar para mostrar o sexo. as paginas tantas já estavamos cercando frango. e tendo sido tomada esta medida para a moralisação dos chorões. Em uma occasião depois de terminado um chôro botaram dentro de uma carroça da Gary este chorão. Nos botequins encontravam-se os malandros chorões. 50. matou quasi todos! passaram-se ainda outros episodios com outros personagens. o "cabra" era repudiado e dispensado com todo deferentismo por seus companheiros de conjuncto. já fallecido. CHORÕES ANTIGOS Os musicos na sua maioria faziam ponto nos chás de musicas da rua dos Ourives.– 127 – se um grande chorão no violão. O Coimbra neste tempo morava na rua de São Carlos. Eu privei muito com o Coimbra. por ter abusado extraordinariamente das bebidas tornando-se inconveniente no pagode. e com grande compreensão nervosa motivada pelo uso do alcool. e Rabéca de Ouro na mesma rua. levou-me para sua residencia para mostrar-me uma linda criação de porquinhos da india. e começamos a tomar umas "lambadas". á rua Gonçalves Dias. afim de que não se reprdoduzisse scenas identicas. e tambem no Cavaquinho de Ouro. uma occasião encontrei-o no Estacio de Sá. e Moreira. pois quando um componente da troupe dos chorões desrespeitavam algum amigo entre elles. ao ouvido .

despertava os moradores de todo o quarteirão. repercute. e as portas das moradas. deste passado que estamos tentando descrever. como uma homenagem e esta prole de musicista brasileiros que repercutiram. onde os harpejos dos violões as notas sonoras da flauta. e os comestiveis feitos a La minuta.– 128 – de outros predilectos do chôro. HENRIQUE MARTINS Foi alumno do Collegio dos Meninos Desvalidos. dando entrada ao conjuncto que formavam os choros até mesmo dos penetras que em todos os tempos jámais perderam a vasa. e vibrações do cavaquinho. e repercutirão na grandeza. abriam-se as janellas. E assim compunham musicas de inspirações e melodias. improvisava-se então o baile. fazendo cousas impossiveis com o seu trombone e bombardinonos contra-cantos da marcação do bombardão do inesquecivel Gonzaga. Henrique é hoje um professor de musica que ornamenta as . era uma familia. e saltitantes. como um grande disciplinador de harmonia. e o respeito as familias que os acolhiam em seus lares. e o devotamento que tinham dos seus instrumentos. com estima e simplicidade. Conheci-o como subdirector de harmonia do Ameno Resedá. Os chorões daquella época. E assim correram os tempos cheios de saudades desses modestos compositores de musicas alegres. que satisfaziam os apreciadores das explendidas serenatas ao luar. tal a união que existia entre elles. na belleza dos nossos antigos musicos. portadores de inesqueciveis recordações. Companheiro do Romeu e do saudoso Paulino Sacramento e de muitos outros grandes musicos.

modesto. suburbios. faria a maior gloria do nosso que houvesse. Elle tocava todas as composições dos pois tocava quasi todos os grandes flautas. nos pagodes onde tinha intimidade empenhava-se e fiscalisava a cabeça do leitão. pois era um conhecia como poucos. o distincto amigo e bom companheiro que foi HERNANDES FIGUEIREDO Saturnino. Era bom e sublime musico com o já disse e companheiro dedicado gostava muito. apaga da vida [098] homens que se ainda vivesse. em porquinho nem se fall. . Podia-se chamar um maestro. Nos suburbios. especialisando-se atraz de um papo de peru no violão. que era de um primor orchestras constituidas de musicos nacionaes e extrangeiros. Conhecia musica a fundo. E' um artista sincero. sempre prompto para o combate. bailes alfange tudo corta. de um enterro de ossos. Era eximio tocador Infelizmente o que é bom de flauta. Era um gato do matto para gostar de gallinhas. Nos pagodes onde especialisando theoria que elle tocava fazia graça. avançada. de dura pouco. A morte com seu admirar. já aqui descripto instrumentos. dizendo que SATURNINO era para a feijoada completa do Quem não conheceu nos dia seguinte. simples e de fino tratamento por isso muito estimado pelos seus collegas de classe e pelos chorões da velha guarda. executava a mesma. Ia longe. Saturnino estava caro Brasil.– 129 – recheiado. pandego de força. Hernandes de sempre firme como sentinella Figueiredo está neste caso.

Morava em S. o encordoamento. Excellente chefe de familia. Christovão. mazurkas. quando exercendo a sua profissão.– 130 – como poucos seus dedos no instrumento era de ouro pois encantavam os que ouviam. de um educação finissima. DESIDERIO PINTO MACHADO Foi distincto carteiro de 1ª classe dos Correios agora aposentado. etc. sua tonalidade. e cantava admiravelmente. e mais artigo este. No seu violão. quando aqui esteve esteve o tambem immenso violão Barrios. polkas. julgo em um compartimento dos correios. e aos seus collegas. com solava admiravelmente. acompanhando com profissiencia o [099] que cantava. chotechs. Falleceu a poucos tempos e . de que era um funccionario exemplar. Desiderio aposentou-se se a minina nota que o desabonasse. Falleceu repentinamente. que tive o prazer de aprecial-o. com uma vóz maviosa de tenor. onde fazia o encanto dos lares de muitas familias. sustentou uma polemica pelos jornaes desta capital. Muitas vezes extaziou-me ao ouvir-lhe solar operas inteiras. tinha sobre a musica. que foi irrespondivel tal a nitidez e conhecimentos que Hernandes. a sua aposentadoria deixou muitas saudades. sobre o violão. Era um collega distincto sobre todos os pontos. Tocava muito bem o violão. O grande Professor. não só acompanhava. e superiores. como eu. e conquistado pela sua mais que finissima educação. Companheiro sem igual. e instrumentos. daquelle bairro em que elle era adorado.

– 131 – que daqui destas tocas paginsa Poucos serão que não envio a sua familia. etc. tambem polkas. fundo. com uma fazendo facilidade extraordinaria. Solava no concerto dos mesmos. Pois bem. que era como modernos pianistas. Tocava fóra. pois conhece o Irmão de Disiderio. como tambem defeito por maior que seja. era instrumento por dentro e por chorão de verdade. conhece bem a musica. os meus conheça este chorão no piano. neste heroe tudo é bom. Occupava este chorão linha. Toca prazeres. chotchs. com os seus os compostos pelos antigos modos de tratar. E' distincto amigo. e com profissiencia. do O LOBINHO . Não só tocava com a novo concertando qualquer parte á frente. encantar aos ouvintes. Deu grandes prazeres todos os choros por musica nos bailes em que tocava. e admiravelmente. ninguem CARLOS DE SOUZA LOBO – lhe supplanta. Lobinho é um THEOTONIO MACHADO artista de merito. Mora para as bandas. pois mesmo de primeira vista. de familia é exemplar. Como chefe falleceu. sentidos e chorosos pezames. Conhecia o seu instrumento a ainda faz de um piano velho. Lobinho toca quadrilhas inteiras. E' acompanhava os instrumentos artista não só na musica. como cantantes de ouvido. tal a mazurkas. e collega attrahente. Deu grandes agilidade nos seus dedos. Elle além de ser bom musico. de educação o cargo de estafeta de 1ª classe de dos Telegraphos quando aprimorada. ophicleide com grande saber. tanto sabia fazer amigos.

Conhecia muito musica. Era dos taes isto. Era um chorão de Cidade Nova. Já é instrumento a um canto. acompanhada depois por costume encostar o com boas Cervejas e vinho. Não era grande musico.– 132 – Meyer. que tocava com Executava com grande perfeição as musicas dos velhos tocadores alma. ANTONICO DOS TELEGRAPHOS ficava o instrumento com uma vóz maravilhosa. Antonico Comia bem e gostava de uma quando tocava em chôro. adorava. Estacio e muitos [100] outros logares. O seu instrumento era o que tocava era sublime. de embasbacar a todos os ouvintes. tocava tocar. afim de encher no Musicaes. POLICARPO FLAUTA Muito o conheci e com elle Era Estafeta de 1ª classe dos muito toquei em bailes. pois quanto mais tocava. e assim fallecido. como tambem nos enterro dos ossos. bem de ouvido acompanhando mais vontade tinha. era sempre chamado para que gostava de dobrar nos tocar nas sahidas das Sociedades pagodes. ophicleide. Era um com gosto e arte. . alli pela Telegraphos. Rio Comprido. Não se fatigava de Além de musico que era. Catumby. mas facto. qualquer pandego de força. tinha abrideira. tinha muito instrumento cantante com uma boas pilherias de fazer risos. onde faz os encantos daquelle logar. Tambem já é fallecido a muitos annos. belleza de admirar. de que elle bailes que as mesmas desse. e por daquelles tempos. e saber. Hoje está aposentado no logar de carteiro de 1ª classe dos Correios.

de Assumpção o grande palhaço pois cantava bem e tocava de circo de cavallinhos que fazia melhor. onde Carneiro morava. Frequentei muito a sua casa. modinhas e ludús. Hoje já velho e cansado. Era da turma de Eduardo das Neves. acha-se um pouco retirado. JULIO ASSUMPÇÃO Muito toquei com elle pois Quem não conheceu o Julio era explendido companheiro. Carneiro de violão. Era distincto amigo e respeitado. elle de violão. fazia-mo os encantos da rua Wencesláu. pagando assim bem caro a sua imprudencia.– 133 – CARNEIRO E' official de Justiça de uma das Pretorias criminaes. que conhece com a maior facilidade todos os choros dos antigos chorões. se bulirem com elle ainda faz preludios de admirar. e eu de cavaquinho. era acclamado pois sabia dizer com graça e verve os trocadilhos pilhericos que a todos faziam rir. Julio de Assumpção foi aprendiz do palhaço Polidoro de gloriosa memoria. Benjamin de Oliveira e Mario Pinheiro e muitos outros. Quando entrava [101] no picadeiro. lá pelos lados do Andarahy onde falleceu por ter comido um bello surucucú ensopado. Tendo ficado o seu corpo todo chagado. e eu de cavaquinho. de flauta. mas mesmo assim. Carneiro é um dos velhos violão. e lá com Oscar Cabral. apimentados. Muito choros toquei com o Carneiro. e humuristicos. vibrar as platéias com seu OLIMPIO (CONDE DE mágico violão? Cantando .

– 134 – LEOPOLDINA) BARATA O heroe acima era conhecido por este appelido. A sua vóz era uma maravilha ouvir-se. não só aqui nesta Capital. Cantava todas as modinhas daquella época que não vae longe com um sentimento de bom gosto. Cantava uma noite inteira. onde prestou bons e reaes serviços. com tambem acompanhava o chôro de ouvido. mas a sua guela era brilhante sem jaça. Tocava pouco violão. e para lá indo pouco durou. Olimpio era um farrista de fama. Era musico de primeira agua. como tambem nos Estados. Foi professor de grande valor. não conheceu este astro de superior grandeza. e dar uma pequena apparencia com o grande capitalista infelizmente tambem fallecido. tocava com grande facilidade qualquer parte que lhe désse. tal a sua maestria no seu ophicleide. e tambem os que o conhecia. e digna de se apreciar. como collega e amigo. como chefe de familia era exemplar. ophecleide posso quasi garantir que naquelle tempo ninguem o igualava. ninguem o supplantava. sem repettir. Barata não só conhecia com profissiencia a musica. pois a morte o surprehendeu quando no apogeu da gloria. de fazer extase. Foi chamado para reger uma banda de musicos no Estado do Rio. Ensinou musica a muitos. [102] . pois tinha a tonalidade de baritono. por ser muito vermelho. Falleceu como carteiro de 1ª classe dos Correios. Tocava este genio. emfim deixou seu nome esculpido no coração de cada carteiro que o venerava. Quem dos velhos chorões.

no Club Independencia Musical. Christovão canto de Miguel de Frias. Era grande amigo dos seus commandados. morando lá pelos bairros do Andarahy. Tocou muito em grande orchestra onde era respeitado pelo seu saber. galgou o posto de major e mestre de todas as bandas da Policia Militar. sociedade esta que existia na Rua de S. sendo mestre desta banda. tratando-os todos com a maior distinção. e oboé. que conhece a fundo é com grande maestria.– 135 – AGOSTINHO GOUVÊA Artista sublime na musica. PORFIRIO LEFEVER Era grande musico. Porfirio era muito mentiroso. caixa e ferrinho. andava sempre com as suas mentiras. Reformou-se no posto acima onde morreu a poucos annos. Como amigo ninguem o supplanta. Porfirio além de tocar bombardão. onde na banda era um ophicleide respeitado. E' regente de grande nomeada. mas sendo o seu predilecto o clarinette. tocava tambem bombo. fazendo a admiração dos que o apreciam. Deixando grande saudades a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. Rocha com a sua capacidade e vasta intelligencia. E' maestro de primeira agua e professor do Conservatorio de musica. fazendo muitas vezes . que tocava todos os instrumentos. tocava bombardão. pois é de um tratamento aprimorado. Seu instrumento predilecto. MAJOR ROCHA Conheci-o no antigo Corpo Militar de Policia da Côrte. e um grande professor. Chamava-se este professor João Maia.

Alcina Carneiro de Queiroz. O autor deste livro foi seu alumno. confeccionava palitos. Tendo sido sua primeira Directora se não me falha a memoria D. Para elle não havia nada impossivel. Tambem [103] frequentava a Escola suas irmãs legigo na cidade. abriu na Estrada Velha um Escola denominada Escola Mixta de Nossa Senhora das Dôres. e homens. Felizmente Sinhazinha. que pella difficuldade monetaria. e até no centro da familia de sua mulher. Bezerra de Menezes. o francez. não fazendo selecção de pessoas. a muitas crianças. fazendo nos dedos anneis. que desaparecendo esta ainda me sôa nos ouvidos. e Yáyá. do sempre lembrado. Era muito preparado.– 136 – alli. anormalidade com a moradia quando no seu piano. de grande pasciencia. etc. e que felizmente de vez em quando. muito habilitada. e beber melhor. chorado e humanitario Dr. Adolpho Bezerra de Menezes. elle fazia. Zizinha. nós encontramos e ainda nos relembramos dos tempos de criança que tantas recordações alegres nos trazem. que eram o Octavio. Gostava muito nos bailes em que ia tocar. apellidado em familia Barão. e tambem os filhos do Dr. conhecendo bem o portuguez. dedilhava fuzuê entre os musicos. que sendo Presidente da Camara Municipal. e de um trato finissimo. Ensinou a muita gente a ler e escrever. pois qualquer serviço por mais difficultoso. pulseira. e um dos primeiros. de comer a farta. Figas de arrudas e guiné de uma perfeição admirada. de uma belleza sem par. não podia vir a um col- . Com um pequeno canivete bem amoladinho por elle. Era de uma habilidade impossivel de descrever-se.

– 137 – com muita graça, e harmonia. A Lucia de La Memour. Infelizmente os principaes componentes desta mais que distincta familia já estão com Deus, praticando lá a caridade. PAULO ESTEVES Qual o velho carteiro que não conheceu o bom do Paulo? O personagem acima era chorão viciado, não podia ver defunto que não chorasse. Chegava a indagar onde existia um chôro, para elle metter os peitos. E assim era raro o collega que não chamasse o bom do Paulo, para fazer força, em festas que muito dava os carteiros naquelles saudosos tempos, que hoje ao lembrar-me as lagrimas me rolam pelo peito abaixo. E Paulo satisfeito, lá ia com seus instrumentos que era flauta, e ophecleide qualquer dos dois tocava regularmente, fazendo prazer nas festas onde tocava. Paulo, foi carteiro, tendo sido exonerado por abandono de emprego, pois o chôro fez esquecer os seus deveres.. Tambem já falleceu. JULIO BEMÓL Conheci-o e muito privei com este chorão. O seu primeiro instrumento foi ophecleide que tocou admiravelmente, acompanhando os grandes flautas daquellas épocas. Mais tarde passou aprender flauta que aprendeu com facilidade, pois era muito intelligente. Bemól foi conteporaneo de [104] Callado, com quem muito tocou. Tambem tocou com Rangel, Luizinho, Viriato, que eram naquelles tempos Batutas. Aqui deixo seu nome para gloria dos chorões de agora. SARGENTO VELLOZO

– 138 – Era Sargento da antiga Escola Militar, Bahiano da gemma. Cantava admiravelmente. E todas as suas modinhas, era feita por elle, não só fazia a musica, como tambem os versos, modinhas estas, da maior difficuldade os seus acompanhamentos. Vellozo, de vez em quando, dava um passeio a Bahia, e levava para outros tocadores de lá, as modinhas difficultosas para os de lá cahissem, afim de vingar-se, por outras tambem difficultosas, que lá cantavam para que Vellozo tambem cahisse. E assim Vellozo levou muitos annos para lá, para cá, nessa teimosia sem fim, só deixando com o seu fallecimento. Tentei muitas vezes acompanhar as suas modinhas, porém, isto sempre me foi impossivel, tal a sua difficuldade. Não fui eu só o christo, neste ponto muitos violões superiores a mim tambem passaram por esta decepção. E assim finalizou-se este chorão que não sei se o glorioso Estado terá igual. CANTALICE Foi musico de fazer vibrar corações com o seu admiravel violino. Tocava com muita alma, gosto e saber. Conhecia muito bem a musica, que tocava com grande facilidade, e maestria. Nos chôros que tocava era de embasbacar, tal o embellezamento que elle fazia naquelle já velho instrumento. Solava muito bem, as polkas, valsas, chotiche de Callado, Viriato e Rangel, que elle adorava-os. Solava quadrilhas inteiras de fazer encantar. Acompanhava qualquer cantante, com alma e sentimentos. Muitas occasiões me dizia, que a musica é como a morte, precisa fazer tristeza,

– 139 – para ter effeito, e outras vezes, deve ser ao contrario, para fazer alegria, natural, o que alguns musicos não comprehendia. Tocava com a parte a frente mas faltava-lhe alma que é o necessario nestas occasiões. Contalice, morreu já um pouco alquebrado pelos annos, mas mesmo assim não fi[105] cava devendo nada aos moços, que muito o admirava. AMERICO JACOMINO (O CANHOTO) Infelizmente tambem já fallecido a poucos temos no glorioso Estado de S. Paulo, deixando o maior sentimento em todo Brasil. Jacomino, foi uma estrella de alta grandeza, e immenso brilho. Bem poucos violãonistas, serão capaz de igualar a Jacomino, pois era de uma admiração extrema. Jacomino nas cordas de seu violão, fazia coisas impossiveis, encantava aos seus ouvintes, não só pela agilidade, como pela sua profissiencia no instrumento por elle magistralmente manejado, com facilidade enorme. Solava como poucos, era de invejar a sua electricidade, nas cordas do seu mavioso violão. Acompanhava muito bem mesmo de ouvido, pois conhecia e tocava por musica. Compoz diversos choros, que é de uma belleza sem igual, e que de vez em quando pelo radio, todos nós escutamos com o maior prazer, arpejados por outros bellissimos e encantadores violões que tocam no Radio. O musicista acima era de uma educação finissima, o seu tratamento encantava a todos que com elle privasse. Daqui destas poucas linhas envio ao grande Estado de S. Paulo os meus sentidos pezames por esta perda irreparavel, e impossivel

– 140 – Emfim, de Verçoza tudo se de substituição, pois era uma aproveitava, pois tudo nelle era gloria brasileira. bom. Tambem já fallecido a bastante annos. VERÇOZA Foi carteiro de 2ª classe dos Correios, era collega distincto. Tambem muito amigo dos seus companheiros de farra. Verçoza, era um inveterado no chôro. no correio onde trabalhava, todos os collegas quando dava uma festa, convidavam para tocar o seu mavioso violão, tal o saber e gosto, pelo instrumento que tocava com grande facilidade, que todos muito o apreciava. Tambem era solista de fama, que fazia a admiração de todos que o escutavam. Acompanhava os cantantes com uma habilidade de espantar, tal a ligeireza de seus dedos, e bem assim os bellissimos accordes que elle conhecia magistralmente. Cantava tambem as bellas modinhas e lundús, que fazia extasiar os que o apreciava. [106] BILU' VIOLÃO Caboclo dos bons. Bilu' foi chorão tambem de facto. Não podia ver uma flauta fazer seus preludios que não ficasse em cocegas, para meter-se no conjuncto, e metendo-se, era um delirio! agarrava-se ao violão fazendo nos seus dedos os gemidos ternos nas cordas de seu mavioso instrumento. O heroe acima, não só acompanhava, como solava, e tambem cantava bellas, e ternas modinhas, de fazer a gente babar, tal era, o gosto que elle tinha pelas modinhas, quando acompanhadas por elle, pois fazia accordes de embasbacar. Era excellente amigo, e admirador de seus

– 141 – companheiros, como elle farrista. Privei muito com Bilu', e sei o quanto elle valia. Já é fallecido a uns 18 annos pouco mais o menos. MODINHA (Um dia Louco)
E sempre, sempre, com sorrir nos labios, Ao lêr teu nome, maldição sorri. Desrespeitei-te sem horro sem peijo Com indiferença neste meu sorrir E do sepulchro, que te guardo o resto Um só queixume não ouvi sahir. Ai! se eu pudesse de joelhos em terra Beijar teu nome nessa louza escripta Sentir as dôres que os remorsos findam Pranto no peito do infeliz proscripto Sim de prescripto desses gosos santos

Aqui neste livro vou tentar Em que meus braços, sem saber fruir... descrever uma modinha, que E que não posso recordal-o agora além de muitas outras, era S e m d ô r , s e m m a g u a s , s e m c h o r a r [por ti. bastante apreciada nos salões daquelle tempo, onde houvesse Porém agora que suspira o peito. E que meus prantos, já voltou tambem! um chôro. Sinto as saudades despertar minh'Peço aos que lerem a mesma, [alma disculpar a falta de alguma Sinto os remorsos que ferir-me vem. Mas estes prantos que me cahe das palavra, de menos ou de mais. [faces, E' tanto a bôa vontade de Se infiltram todo neste impuro chão! servir condignamente aos bons Ai! quem me déra de joelhos em terra musicos chorões d'agora, Entre soluços te pedir perdão. esforcei-me o que pude, para Esta modinha no meu tempo satisfazer aquelles, que este livro de moço, que muito, a mesma lerem. Esta modinha que aqui cantei, e por mim mesmo escrevo tem o nome de Um dia acompanhada com grande louco. sentimento, o tom que fazia era Um dia eu louco, no rumor sem pouso de ré menor, e neste tom, não só Teu nome santo, n'um sepulchro eu li ficava favoravel a voz, e mesmo

e bôa harmonia nos instrumentos. O violão nos seus dedos meu Deus. . embasbacando aquelle conjuncto de moças. que agora vive no esquecimento. não se negava a um superiores chegando a carteiro convite. amor ao do violão. Foi distincto collega. gostava de comer bem. e uma seda finissima nas cordas com sua fina educação. que tudo Como era conhecido o heroe fazia esquecer neste mundo de acima. foi galgando os postos verdade. este é muito melodioso. Solava os E' carteiro aposentado dos chôros antigos com uma Correios. que naquelle tempo apreciava doidamente as nossas modinhas quando havia bella voz. Foi sempre um companheiro perfeição e belleza. Os seus dedos eram Repartição como servente. tal era o CHICO BORGES seu prazer pela farra. e azeitona nos olhos. E assim fazia-se os encantos dos lares. O heroe era farrista de trabalho. Tendo abandonado o serviço. Em aposentou. como estafeta dos Telegraphos e carteiro dos Correios. MONDEGO Tocava todos os tons com sublimes accordes. com a competente batata na bocca.– 142 – pagodes que ia tocar. no violão coisas de supplantar. Falleceu a uns 20 era um hymno de encantar. foi por isto exonerado. mesmo não havendo o de 1ª classe cargo em que se competente mastigo. era para elle. especialisando o bom. Mondego entrou para aquella perfeição qualquer instrumento cantante. Acompanhava com grande de linha. e gordinho leitão assado. um regallo. Fazia annos. fazendo encantos de admirar.

pois a chorões de fama daquella época sua profissiencia. professor. A casa de Sociedade Musical na Estrada Paschoal. e arte. pois no ophecleidista. tambem Mondego dedicou-se ao e sumptuoso bombardino que toca belissimo admiravelmente e com maestria. que foi no [108] seu tempo uma estrella da maior Morava na rua tros do Instituto. acaba de fazer um hymno a ophecleidista. de uma das Valleriano. O tambem respeitado primeiro logar. Fortalezas nesta Capital. e paciencia era como fossem. sublimissimo flauta e de encantar. ophecleidista o Manoel Pereira Hoje já cansado pelos annos. Valleriano do Couto. Ali reuniam-se os maiores Velha da Tijuca onde fez grande quantidade de musicos. e acha-se um pouco retirado da ainda mais os grandes e . era um céo aberto. Tenente Castro. que é de uma que era continuo da Secretaria da Guerra. classe de carteiros. desde que foi mestre de uma Bomjardim numero 1. Conheço-o grandez. Agora mesmo. onde soube fazer todos REIS os cursos admiravelmente com contentamento de todos os Quais me pasou maesdesapercebido este immenso e inveterado chorão.– 143 – Mondego tem carta de lucta. Suntum Alves. tambem violão de arrebatar. já por mim concurso que prestou tirou o descripto neste livro. belleza de gosto. pelo Instituto de PASCHOAL RODRIGUES Musica. seu irmão João Tambem foi mestra da Banda tambem o melodioso de Musica.

Naquella casa que era uma maravilha. do grande Callado. polka de Callado. Quadrilha de Callado. Familia Meyer. e lembrado Paschoal. devido os grandes tempos já passados. Mas julgo outras bellas composições de que só com estas possa avaliar o que era aquelles grandes compositores. o que é bom. Pagodeira. [109] do grande e sumptuoso Capitão Rangel. filho do seu sempre chorado. polka tambem de Rangel. de fama. Luizinho e outros muitos que não me vem a mente. Electrisante do immenso Silveira. Ultimo suspiro. polka de Viriato. quasi me é . polka tambem de Silveiras. Lembrança do Cáes da Gloria. Salomé. Camponeza. polka de Callado. polka de Silveiras. Quadrilha de Rangel. Emfim dizer o que era a casa do Paschoal. Quadrilha de Callado. polka de Callado. o Orlando Affonso Reis. centenares de que não me recordo. Geralda. aprendeu tambem a tocar cavaquinho e violão. Vivi. Queixume d'alma. Mimosa. Geralda. E finalmente. Como é bom. appellidade por Zinho. tambem de Callado. Viriato. Macia. Quadrila do grande Professor Antonio Pedro. Policena de Callado. Sonhos do Porvir. E assim vou ver se me lembro de alguns choros belissimo que se tocava. Ali naquelle conjuncto de chorões só tocava o que era custoso para acompanhar. que foi naquelles tempos um violão e cavaquinho. Quadrilha de Rangel. 12 de Agosto. que não volta mais. Capitão Rangel.– 144 – immortaes Callado. e executores daquelles saudosos tempos.

o que foi aquella casa. pois era farta. que já são executores de admirar. depois de Deus e familia nada elle vê GUSTAVO em sua frente. Oscar é um maravilha. canta de . pois. OSCAR DE ALMEIDA Bem sei que estou muito áquem para descrever os grandes e heroicos feitos do distincto amigo acima estas linhas. Aqui fica mais ou menos dicto. Os seus dedos nas manual enciclopedico. encantos. elle toca cordas de seu violão. naquelles bons tempos. e bem regada em boas bebidas. empolga mesmo os que ouvirem.– 145 – impossivel. Tem grande quantidade de alumnos e alumnas. pois alli só reinava a alegria e o bom gosto pela musica. e assim executa bellas peças cheias de harmonias no seu instrumento que é uma seja a musica. era onde elle encontrava vida. que mais adore. faz violão admiravelmente. não só por elle como tambem pela sua sempre chorada prole. Oscar. só estava bem no meio daquelles imminentes musicos. E' um grande e valoroso que Professor de violão. Era de uma educação impossivel de descrever-se. Os accordes por elle feito é de fazer extase tal a sua belleza. E assim nunca o gato estava no fogão. E' tambem um excellente amigo e de educação finissima. pois alli todos eram tratados com a maior fidalguia. e felicidade. Conhece [110] musica a fundo. como amigo ninguem o supplanta! Como chefe de familia é exemplar! A musica para elle é um sacrario. naquelle ambiente. em tudo.

Feliz da Patria que possue um filho tão digno e educado como o grande e immenso Oscar. é de invejar. e das letras que elle idolatra. e distincta Sociedade. faz fim na poesia. Oscar no Ameno Resedá. que tambem é um astro.– 146 – fazer encantar as suas modinhas. e assim a maneja tão bem. Oscar de Almeida se immortalizou descrevendo a Quéda da Rosa musica de Bonfilho de Oliveira. ao lado do grandioso luminar da musica. Faz sentimentos a umas. Todas a modinha cantadas por elle. e outras. que já descrevi o seu brilho. que tão alto tem elevado o nome da nossa Patria. alegria. dando as glorias aquella sociedade. já nasceu impunhando a lyra. No Recreio das Flores tambem muito elevou aquella grande. tal a voz maviosa que elle tem. conhecem. que julgo a propria Santa Cecilia o admirar. e extasiar. A classe dos Carteiros deve se orgulhar de possuir um collega . Faz bellos versos para musicas. Recita poesias inteiras com a maior graça e enthusiasmo. a mesma torna-se de uma belleza sem igual. a gente quasi fica maluco. o que elle vale. Escreve poemas admiraveis. Quando recita o seu FIEL. e por elle acompanhada. Em qualquer festa que elle estiver. Oscar. cheia de bellos acordes. que vae dar a publicidade muito breve. Já escreveu um livro com o titulo de Aturdidos que é de uma belleza impossivel de descrever-se com a minha pobre penna. Agora já tem quasi prompto um bello livro. E assim tem sido a vida deste distincto brasileiro. E' amigo que poucos o iguala. que faz inveja. escrevendo bellos versos que todos os carnavalescos. os apreciadores estão com os olhos marejados de lagrimas. com seu mavioso estro. Quando Oscar. Napoleão de Oliveira. Faz versos de improviso. e poesia.

sadio. para tocarem nas festas de Igrejas. que são consideradas hoje. distriudores das urnas eleitoraes em defesa de suas eleições. cidades. sem cultivo onde imperava a soberania dos fazendeiros. davam um cunho de verdadeira alegria n'aquelle meio tristonho. Os politicos d'aquelle tempo aproveitavam estes elementos fazendo de seus chefes. pelo calçador e mais as infalliveis rasteiras e pantanas. liberal. que eram disputados pela força do dinheiro. [111] nos. como de intelligencia. mas me é impossivel tal o immenso valor de Oscar. Nesta época só existiam estes dois. A poucos dias fez os versos. pelo rabo de arraia. defendida deste modo. pela cabeçada. e mais muitos outros golpes deste sport genuinamente brasileiro. e . Guerriavam pela conquista da victoria de seus partidos sangrentos. e conservador. longe e perto das antigas villas e freguezias. pela navalha. da vingança da traição. pela flôr da gente como eram conhecidos pelas tropas partidarias. cabos eleitoraes verdadeiros "leões de chacara". arraiaes. que dominavam no tempo da Monarchia.. dos partidos de capoeiragem. grandes nababos. chefes dos partidos politicos. para um hymno escripto por um nosso colega. A ALVORADA DA MUSICA As organizações das Bandas de Musicas nas Fazendas. chefiados pelos ambiciosos. Queria dizer mais cousas. pelo tombo bahiano. orgulhosos. mas. sem instrucção. dos crimes. e de scenas de pugilatos pelos capangas e chefes de malta.– 147 – de tão elevada reputação. Nagôas e Guayamús salientados pela faca.

que se foi definando as iras dos Fazendeiros. transformando em alvorada de alegria as senzalas. onde o feitor de bacalháu em punho tinha os fóros dos Cerberos infernaes. foi a magia das notas maviosas da musica que conseguiu abrandar os duros corações dos grandes escravocratas. do eito. A Princeza Isabel. a Redemptora. Tal. n'uma inspiração divina começaram a adubar o canteiro do amôr e da igualdade. Em taes Fazendas haviam Bandas de Musica composta de escravos. A musica rude das passadas éras da escravidão. que começaram a serem illuminadas pelo brilho da estrella da Redempção. a terra do Cruzeiro do Sul com os seus formidaveis e inegualaveis encantos com os seus vergeis de campinas e mattas virgens circundadas de montanhas avelludas de verde. e os Abolicionistas. que se identificaram com as harmonias dos seus instrumentos. esse bella apotheose que foi a Lei Aurea de 13 de Maio de 1888. regada e cultivada pela mão dos grandes obreiros. que afrouxaram as algemas e os grilhões das correntes de martyrios dos infelizes escravos. onde foi plantada a semente da flôr da Liberdade. de admiração á todos os nossos visitantes que inspirou neste deslumbramento da Natureza o nosso Alencar que escreveu os encantos de Iracema e a valentia . Foi depois destas organisações de Bandas de Musica. e d'ellas sahiram muitos musicos notaveis. que extasiam e surprehendem.– 148 – carrascos fazendeiros. abriu com chave de [112] ouro as portas da nossa civilização e indicou ao Brasil o caminho da prosperidade dandolhes um novo rumo como o pioneiro do Continente SulAmericano.

E se muitas vezes de passagem toquei nas vidas intimas de algum d'elles foi tão somente. porém. por um acaso possam ser dirigidas irreflectidamente por espiritos malevolos. era uma dansa figurada com cadencia de seis por oito e dois por quatro no .– 149 – do nosso Indio. e que Carlos Gomes teve a feliz inspiração de transportar para a arrebatadora partitura do Guarany ! Eis aqui a conclusão da segunda parte do meu livro onde descrevi sem o minimo resentimento os personagens de muitos chorões só no intuito de valorisal-os. A "QUADRILHA" A quadrilha. que se foram. descrevi-os dentro dos limites da veneração e do respeito pois não podia eu de modo nenhum descrever um mundo de saudadse sem me intervalinhar com a minha humildade perante as grandezas artisticas valorisadas nos feitos de cada um destes grandes protagonistas da musica. relembrando factos historicos que me ocorreram sem a minima malicia de offendel-os pois me foi necessaria assim proceder para dar o cunho real no perfil de cada um só tendo em mira enaltecer factos e costumes de todos os chorões dentro do thema que iniciei e architectei em reviver o passado destes distinctos companheiros musicistas que se achavam esquecidos. na certeza que só primei na elevação de fazer surgir os feitos dos meus saudosos companheiros inolvidaveis. Com estas minhas tôscas linhas pretedendo desfazer qualquer um juizo máu que porventura possa se fazer de mim. e patentear uma homenagem e um verdadeiro exemplo de confraternização aos chorões d'agora. ficando deste modo desfeito as maledicencias que.

não só outros. porque maestro Mesquita e muitos era a dansa mais divertida e a que mais enthusiasmava. E quando o "marchante" se "Volta gente que está enganava ? chovendo"! Eram um "suicidio-moral". era que o dansarino mostrava as suas E quando elle. Havia uma grande differença que se achava distante. Os dansarinos sempre veira.preciso conhecer todas as evoluções da "quadrilha". o Saudoso Metra o inolvidave Anacleto. Esse estylo de dansa. era escriptores foram o inesquecivel Barata.– 150 – compasso. o sempre lembrado Sil. Os seus melhores a vez a "marcante". era as vezes na "quadrilha" dansada num rico obrigado a um "doublé". O "tocert". traz pelas suas passagens comicas. e estar muito attento ao desenrolar da [113] musica. Na quadrilha. se descuidava habilidades e o seu devotamento. saudades das marcações: como tambem pelas "Travessê"! "Balancê"! "Tour"! demonstrações de agilidade a os "pacholas" eram "Anavancatre"! "Marcantes que anavan"! "Caminhos da roça"! obrigados. e bradava: "Chê de dama"! e a musica parava ? a "Terpesychore". o immortal gostaram da "quadrilha". Para ser "marcante"... Era um destes "fiascos" que Por exemplo: no "Travessê!" muita gente boiava quando um custava grossas gargalhadas e cavalheiro pulava do seu logar e que ficavam registrados na sua ia figurar ao lado de uma dama fé de officio. para a salão de Botafogo e Tijuca e da frente ou a retaguarda conforme que era desengonçada na Cidade .

Era outros "fiasco". por exemplo. por "malhas ou tralhas". Nova e Jacarépaguá. sahindo pela cosinha para entrar novamente pela sala de visitas. ainda. A marcação era "gosada". conforme a festividade "mestre do chôro". tinha uns en- . Os ricos. não gostasse do do marcante. eram consideradas de "élite". mettidos na sua casaca. e de "estrillo" do "marcante". porque sendo feita num "francez-macarronico". Ahi o marcante bradava: . percorria-se toda a casa. sobre-casaca.– 151 – No "caminho da roça".Aos "seus logares"! Era a hora do "fuzuê". porque a maioria pegava mesmo o seu vestidinho de chita. do fraque e as damas de vestidos decotados e com grandes caudas. quando a musica não o permittia. Na roda do povo de "bongalafumenga". que o xertos. Todos se atrapalhavam correndo daqui para acolá e cada cavalheiro era obrigado a figurar com a sua primitiva dama! Succedia muitas vezes que o "marcante" se enthusiasmava e se esquecia da dar signal para acabar uma parte o "chôro" parava deixando em meio uma evolução. o pessoal se apresentava como podia e os que melhor trajavam ostentava a calça de bocca de sino. ou á bombacha e as damas que se apresentavam com os vestido de merinó.. Outras vezes este dava signal para parar. observavam rigorosamente a pronuncia franceza e a orchestra só parava quando o "marcante" dava o sinal.. [114] Succedia. porque muitas vezes. Era motivo de gargalhadas geraes. davam-se passagens de rir a bom rir.

apezar da evolução porque estamos passando.– 152 – "marcante": anthipatia. para. bem cadenciada e que compensava perfeitamente os esforços empregados na quadrilha. "Amor tem Fogo". Onde isto não succedia. inimizade pessoal. o repertorio antigo. uma polka bem chorosa. Após a agitação provocada pela quinta parte. Felisberto Marques. revalidade. pois. Chiquinha Gonzaga. porque. e muitos outros que jamais poderão ser esquecidos. Nazareth. havia. finalisavam o espectaculo com uma desopilante comedia. porque o tocador só parava quando o marcante dizia: -Pára mano véio! * * * A quadrilha. as polkas escolhidas eram quasi sempre: "Inygma". "Conceição". bem macia. "dôr de cotovello" e então sujeitava-o ás mais desconcertantes borracheiras em plena "salão". cheia de movimentação. "Só para Moer". * * . era nos bailes de harmonica. ou imitação do que succedia nos theatros. Era assim uma especie de desafogo. "Flôr Amorosa". [115] João Salgado. Assim. quando representavam um dramalhão. não se prestava aos derriços dos pares de namorados. Paulino Sacramento. Luiz de Souza. Anacleto de Medeiros. Viriato. sendo uma dansa accelerada. estão sendo aos poucos recordado. em que appareciam os saudosos musicistas: Callado. como especie de premio de consolação. Irineu de Almeida. "Cabocla". Malaquias. "Margarida está chorando" e outras.

havemos de mantel-a atravéz dos seculos. AS POLKAS A polka é como o samba. com . tem forçosamente que cahir no passo da polka. não passa de uma recordação do passado. E' possivel que nos classifiquem passadistas.. a unica que tem brasilidade. nós os brasileiros havemos de aguentar a polka. a sabemos dansar. esqueçam que é puramente brasileiro e mistifiquem o que é nosso. C. como recordação dos nossos antepassados e como herança ás gerações vindouras. não devemos permittir que os evolucionistas trucidem as tradições. Qualquer que seja a modalidade de dansa que os modernistas ou futuristas possam inventar. sendentos por um vinho do Porto-barril. * * * A polka foi. como tradição dos nossos costumes.– 153 – Quando finalisava a polka da quadrilha. – um tradição brasileira. tem que obedecer a sua cadencia do mesmo modo que nenhuma palavra se forma sem recorrer as letras do abecedario. por uma cerveja Logos ou Guarda-Velha. suarentos e dirigiam-se ao "buffet". si O "Chôro". dos dansarinos.. só nós o que Deus permitiu que nascessem debaixo da constelação do Cruzeiro do Sul. que eram as bebidas predilectas da gente da Velha Guarda. todos os pares estavam cansados. a cultivamos com carinho e amor. mas. A polka é a unica dansa que encerra os nossos costumes. B. é e continuará a ser o A. Do mesmo modo que os argentinos cultivam o tango e os portuguezes não deixam morrer a "canna verde".

Néco ou [116] Manduca de Catumby e hoje por Felizardo Conceição. Antonico Piteira e hoje pelo mestre dos mestres Galdino Barreto. essa modalidade sómente nossa e hoje officialisada nos grandes centros norte-americanos.. com toda a sua belleza. Nelson. um violão dedilhado outr'ora. por Juca Valle. que se acham separados. Bilhar. aproveitam a cadencia de uma polka. como um preito de homenagem aos nossos bis-avós e como respeito ás nossas tradições. Quantas vezes dois entes que se querem. de novidade. José Rabello. dos apaixonados ou a approximação de dansarinos arrufados. do maxixi. attrahente e as vezes convidativa aos repuchos do maxixe.. o Rangel ou seja o Pixinguinha. A polka. para os segredinhos da pacificação. fosse o flautista o Viriato. João Thomaz. Donga. Sim. a brasileirissima polka ainda é a delicia dos namorados. etc. jámais poderá desapparecer dos nossos salões e das nossas salinhas. Quincas Laranjeira. o João de Deus ou Benedicto Lacerda. é e continuará a ser a alma da dansa brasileira. João Martins – foi. A polka... um cavaquinho palhetado hontem por Mario. . mas. onde foi resolvida a exclusão do fox e outras dansas.. Coelho Grey.– 154 – as bambochatas que repassadsa da velha Europa cansada e carcomida. Lulu' Santos. com todo o seu explendor de melodia e a sua belleza de musica buliçosa. venham para a Cidade Maravilhosa á titulo precario. Chico Borges. com todos os requisitos de elegancia e com todas as tentações que a sua execução provoca. A polka cadenciada e chorosa ao som de uma flauta. o Callado.

um convidado Os "chôros" em Catumby. que Os foliões de outr'ora. Chacara do Céo. partido denominado Onde ia a corda. que era o maior "chôros" em Catumby eram um tanto perigosos: donatario daquellas terras. eram constituiam os famosos partidos dos Nagôas e Guayamús. até na musica. Os flautistas de antigamente ao pessoal da Saude e Sacco do eram menos flauteadores que os Alferes. Havia mais camaradagem. lá para Os catumbyenses. porque o "chôro" era constituido verdadeira guerrilha com um de uns blocos indissoluveis. pertencente a um partido . o bairro do agrião. que bem differentes dos de hoje. de modo que. Do mesmo modo que os de estariam tambem sicrano e Catumby se colligavam. Os bairros mais predilectos Gambôa.os lados do Chichorro. dos "chorões" eram: Estas "pegadas" eram Catumby. onde "Santa Rita". medonhas e as vezes envolviam que durante muitos annos foi o pessoal da Gloria e Cattete. eram tambem chamados "papa. do Itapirú. tambem os do bairro Santa Rita se uniam beltrano. descobriam eram um tanto arriscados. A's vezes num baile. Eis a razão porque os uma especie de tenda do padre Simião. couves"..– 155 – OS FOLIÕES DE OUTR'ORA porque ali se abrigavam os maiores valentões da época. não raro se colligavam para uma mais respeito e sobretudo [117] harmonia.. estivesse presente fulano. ia a outro caçamba. que constituiam os bairros de Santo Christo e de hoje.

alta madrugada. que variavam as festas com os recitativos. se preparava para sahir com a "dama" a seu lado. não leva! E o páo comia gente! O mesmo succedia quando o pessoal do Catumby sahia do seu reducto e ia para os lados do Morro do Nhéco. approximavam-se dos musicos e diziam toque a Dalila. mel de abelha e canella. porém. O botequim enchia-se de ceresteiros que vinham de outros forrobodós e o "chôro" continuava. sempre appareciam os poetas. mas. no final. quem preferisse o – rabo de gallo – que era uma mistura de paraty. Morro do Pinto.– 156 – contrario. de outro bairro. * * Findo o baile. O sol invadia o botequim e a flauta se fazia ouvir acompanhada do cavaquinho. do violão. havendo. até 9. Saude e Sacco do Alferes. * * * Nos choros da Cidade Nova. verdadeiras divindades. A' paginas tantas. o "estrangeiro-adversario". 10 e 11 horas. Praia formoza. . depois que o "chôro" tocava o "galope". O portuguez gorducho dono do estabelecimento já sabia e perguntava logo: – Então o que vae? Uma gemmada com vinho do Porto ou uma boa "misturada". A festa corria bem. o "chôro" sahia tocando uma polka dengosa e o pessoal mergulhava no primeiro botequim que encontrava aberto. Cada um escolhia a bebida de sua predilecção. E o "chôro" continuava. Ouvia-se o brado: – Quem trouxe. Todo mundo poderia dar e apanhar menos os musicos que eram considerados entes intangiveis.

– 157 – [118] "Caso de amor tão fingido O que já fiz. que. mandavam tirar um – dó. no terreiro um gallo. ré maior ou afinar á "prima" e berravam quasi sempre com voz de "canna rachada": Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi A quanto tempo Que não a vi Foi. foi. os donos da casa que em geral eram de captivante gentileza para com os convidados. Verdade fallo – é o meu desejo. pelas ruas vago Foi. E ainda mais: Entrava então humoristico: Yáyá das pedreiras Cadê Chi-Chi Tomou o bonde Foi p'ra Catumby. o cantor Sou guarda urbano. recolhidos á sua modéstia. Ou então: Ando na moda para enganar as bellas que nas janellas. pigarreavam concertando a voz. ao passar eu vejo Tornar-me dellas. hoje não faço E lá ia poesia: Eu por ti já dei a vida Era no outono quando a imagem tua. para os cantadores de modinhas. Etc. foi. manhosamente. De espada á cinta por não ter emprego E os marmanjos quando vão passando Foi-se embora me deixou Dizem rosnando: sáe daqui morcêgo! Levou tudo quanto eu tinha Até a joia carregou Isto era um brecha. instigavam os amigos para que "insistissem" que cantassem. Hoje não dou nem posso" A' luz da lua seductora eu vi. Approximavam-se dos musicos. foi. Tambem não se faziam rogados. aproveitavam o momento dos recitativos e cantorias e . Quando a festa ia em meio. foi.

para neste solemne momento rogar ao supremo . doce de letria e arroz doce com canella. manja do céo. etc. – Meus senhores! Permittam que eu levante a minha debil voz. O "menú" era quasi invariavel: canja (que conforme o nu[119] mero de convidados era mais ou menos aguada). Quando se tratava de baptisado ou casamento. de laranja da terra. A segunda meza era a dos marmanjos. por causa dos discursadores.– 158 – recrutavam as damas que eram levadas para a sala de jantar ou para o quintal. carne de porco. rabanadas. em pó por cima vinho do Porto... Esta demorava mais e os convidados que não fossem precavidos comiam menos. cerveja Logos ou Guarda Velha. havia sempre um castello de doces adequado ao acto e que representava um presente de um dos padrinhos. Doce de coco. – Não apoiado! Não apoiado! – . gallinha assada. amendoas. castanhas. e licores feitos em casa durante toda a semana. onde a mesa estava armada. Quando se tratava de festa de Natal. Anno Bom e Reis. a sobremeza variava: Abacaxy. de abobora. levantava-se um gajo: – Meus senhores! Reclamava então a presença dos donos da casa. com vinho e assucar. arroz do fôrno e pão á béssa. A canja e a gallinha eram substituidas por uma grossa peixada. E o orador proseguia. Mal começava a ser apreciada a canja. carne assada. (que era descascada e posta de molho oito dias antes com uma boneca de cinza para não amargar e ficar bem molle) doce de cidra.

. Xandóca e seu "Manduca".. sempre o brinde de honra ao bello sexo.. o manto diaphano da fantasia ! – Muito bem! Muito bem! quando todos se assentavam para continuar a apreciar a canja. notavam que já haviam retirado o prato de gallinha ensopada. Começavam então a servir o ensopado.. – Sapo. Quando todos sentavam-se novamente... Sapopemba!... – Como está gostoas esta galinha! Diz um a outro convidado: Ergue-se outro orador: – Peço a palavra pela ordem! Todos se levantam: – D.. Jaca.sim. permittam. Casca. – Jaca.. Hip! Hip! Hip! Urrha! [120] Urrha!.– 159 – architecto do universo. como direi? Que venha comungar das idéas do orador que acabou de orar.... Jacarépaguá! Outros: – Casca... já haviam retirado o prato.. Permittam em que eu um dos mais mesquinhos. para fazer um addendo.. Quando a gente está com appetite.. que estenda sobre os donos deste lar abençoado. notavam que já haviam. – Não apoiado! Não apoiado! O outro: – Modéstia a parte! – . tudo quanto apparece na frente é saboroso.....permittam. E os oradores iam se succedendo e os pratos iam sendo retirados até chegar á sobremeza. desejando aos amphytriões saude e fraternidade. Cascadura!. dos mais indigentes dos seus admiradores. Resultado: levantando-se todos da meza e reclamando contra a "eloquencia" dos ........ Sapo.

Foi escripto por elle a bellissima musica da modinha: O juramento. J. general Gasparino. e Sacra que deve andar por ahi talvez ao léo Infelizmente é a cina de quasi todos os musicos naquella época viver e morrer sem um amparo de uma mão caridosa. Era amigo inseparavel do sempre saudoso professor de flauta. Tocava não só bons choros. executor e autor de muitas musicas. Cantor de modinhas. que o acatava com grande distincção.– 160 – oradores. obedecendo ao mesmo rythmo. porém. escriptor de musicas sublimes pois compunha desde polka até o classico. TORRES Era de um sopro mavioso de um mecanismo de admirar. Era de uma inspiração sublimada.. pois. do nosso querido poeta e grande cantor. que arrumava um prato de "boia" e ia devoral-o no fundo do quintal. por haverem impedido que apreciassem os pitéos. Havia. Xandóca" e de seu "Manduca". pela maneira que sabia se conduzir entre seus amigos. merecedor de muita disticção. um convidado mais intimo de D. porque apenas beberam "á razão da mesma". e celebre tocador do violhão. Seguiam-se outras mezas de marmanjos. Catullo. GONÇALVES (FLAUTA) . Era um chorão maravilhoso. O GUERRA Está hoje aposentado da Estrada de Ferro. [121] Eximio pianista. acabou na maior penuria. Torres. e familias. Por esta razão o leitor calculará o valor artistico de J..

morros. poesia que diz infinidades de A modinha sabe manejar com cousas da vida real. possantes. A modinha tem meguice tem todos os corações. que queima e E' uma aguia de azas fogueira. para estimular Ella opera até na propria todos os desejos nos corações da natureza. em todo seu habilidade de um aacercote da sciencia. em toda sua evoluindo de geração em evolução. que se electrifica. o bisturil que invade explendor transitorio. bom e do bello. E' a repercussora do passado. que é a nossa alma. tem encantos. Em ondas compassadas. para despertar magia. ella é a modinha tambem muito se percursora de todas as seáras harmoniza com o violão. ella tem a amor tem na modinha uma leal belleza das épocas tradicionaes. que o Leão que dorme o amor. os mocidade e da velhice. do namorados. Este enobrece todos os pensamentos. imperando em cheio no coração da humanidade. esta geração. O mundo de harmonias. é uma enseada do A modinha é o vehiculo de todas as saudades. que vae além dos martyrisa. e as mar. e nos casebres dos alma e saber. A modinha. por ser o vulcão que paramos azues. a excencia de todas as (A MODINHA) dores. alvinetente. este . companheira. afinal em toda plebe. é um estende na planicie das praias. A modinha. A modinha é a evolui todas as paixões de amor. Ella tem. o lençol que se é um mimo de maravilhas. A nossos sentimentos. e a tornando-se cada vez mais delicia do presente.– 161 – como tambem o classico com sociaes tendo guarida na élite dos palacios. onde sulca os bateis dos reminiscencias transitoria.

com feição bonita. os grandes cantadores de modinhas. fazem o explendor das grandes melodias. Almirante. Eduardo das Neves. e Aurora Miranda. Gastão Formenti Petra de Barros. o segredo da musica. denominar. Nene. Pacifico. Lily S. Oscar de Almeida. João Quadros. Vou aqui. (rouxinol) dos suburbios). Disiderio Machado. Napoleão de Oliveira. o que pedimos desculpas mil. Bilhar. tinha um pequeno papo que lhe fazia muita graça. Aracy Côrtes. Nhozinho. Paulo.– 162 – instrumento que dedilhado pelos trovadores chorões. Patricio Teixeira. da Imprensa Nacional. e viverá na alegria do coração do mundo: Peixinho. André [122] Pinho. Antenor de Oliveira. e vive. Augusto Gallo. Vicente Celestino. João de Barros. que viveu. Sylvio Caldas. Bilu'. Tambem o escriptor deste livro. Leandro. Pedro Paulo. Nair de Castro Leal. Mario Pinheiro. Mario. Carmen Miranda. Vamos continuar com os sobreviventes que são: João Thomaz. Mocinho. Leonardo de Menezes. desvendando estes segredos. Calheiros Vicente Sabonete. pois a modinha. Lulu' Bastos. Juca Mãosinha. Creoula. guarda em seu seio. E muitos outros que não me occorre a mente. Julio de Assumpção. Catullo Cearense. inspirando accordões nos violões. MARIQUINHAS DUAS COVAS Era mulata gorda. Horacio Theberge. Francisco Alves. Barros. A razão do appellido acima porque quando ria fazia uma pequena . Siqueira. Bahia. todos estes já são fallecidos. cultivadores da tradição dessa deusa de amor.

Era muito franca. ainda abrigava muitos chorões. Mariquinha era filha da terra do Vatapá e ella tinha neste seu nascimento. E ai daquelles que disse-se a minima cousa. A sua casa foi sempre farta. Na sua casa os chorões era aos cardumes. Sua filha era como sua mãe de um genio folgazão. A sua casa vivia sempre cheia de suas amigas necessitadas que [123] ella as abrigava. . os que a ouviam. alguns desempregados. contra seu Estado. era uma inimiga. como Piedade.– 163 – cova em cada face. O seu riso e andar embriagava até as pedras. e liberal. fazia bom rir. condoida da sua sorte. e sendo muito feliz. dava a ella tudo. Costumava ir a Mercado e arrematava grandes quantidades de peixes de diversas qualidades. um orgulho impossivel de descreverse. era uma deusa de bondade. quer fosse por falta de um abrigo o fome. Era muito perseguida não só pelos chorões como tambem os que a vissem. A folgazã de quem fallo era bonita de verdade. ella não se negava. que tambem já não existe. as suas portas estavam sempre abertas. pois nunca o gato estava no fogão. tinha um coração que não podia ver ninguem chorar miseria. Como sua mãe. Ella vivia em companhia de um tal Manduca que tinha uma fabrica de Cigarros. cantava bellas modinhas e Lundús. sem nenhuma protecção. Como sua mãe. que com os seus trezeitos. Mariquinhas. mesmo por brincadeira. quer em comidas como bebidas. que tomava. achando-se sua bolsa sempre aberta para ella. Mariquinhas tinha uma filha casada com um grande musico clarinetista. Independente destas. de que me lembro de um que era Mestre Domingos. botando tudo em um sacco.

a cada um. até a sua casa. A heroina era uma grande espirita. mesmo assim bem chupadas. e assim veio em passos largos. e ao entrar na soleira da porta deu um grande grito! acudida logo. dando uma faca. dizia que não queria cahir doente. e assim pedia não só a Jesus. que era um das ruas perto da Companhia de São Christovão.– 164 – despachava num bagageiro e rumava a casa. foi feita. e exaltando o glorioso Estado da Bahia o que Mariquinhas. sentiu-se mal. ficava radiante. Apezar da grande quantidade de peixes ensopado. Em quanto o mais pertencia a Maraquinha que sendo bahiana. e lá chegando. que era em grande porção. hoje tem cousas para vocês esfolar! assim virava o sacco em uma tina. da pimenta de cheiro. escamava abria e limpava os peixes. pelo seu . uma delicia. quando todos levantava da mesa. Pois a sua vontade. comendo aquelle pitél acompannhando de um bello paraty. E satisfeita. ninguem lhe supplantava no fazer o pirão "peixada". Quando sentava mos a mesa uns. botou a mão sobre o coração. que ella trazia do mercado. só existia a espinha. Depois de alguns chorões de pandulho cheio fazia um bello discurso a Mariquinhas. e la vai obra! Todos ali reunidos. Ao entrar acompanhando o carregador. Mariquinhas ia dizendo. e sempre que me fallava. pois não queria dar trabalho a ninguem. quando se lembrava de sua terra natal. Daqui a pouco já sentia-se o perfume do azeite de Dendê do quento. e ficar muito tempo em uma cama. e pelo quintal outros. como aos seus anjos de guarda. que desejava uma morte repentina. Indo a uma festa á noite na Igreja de Sant'Anna. em fim.

a cantar modinhas. Esta casa era sempre frequentada por mim escriptor que vivia dia e noite de violão em punho. meza. os seus acompanhadores era eu. Pois sendo conquistador de verdad e lá existindo grande quantidade do sexo fraco. Hoje este campeão está aposentado não só do logar que occupava. quando era a noite lá estava rente como pão quente. retirou-se a vida privada.– 165 – companheiro. que ficando sempre de cra amarrada. Em nossa companhia achavase sempre o sempre chorado Christino de Andrade. era um companheiro apreciavel. [124] Dos chorões que eram visita permanente uns. pois já velho. etc. logo expirou atacada de uma aneurisma da aorta. Destes permanentes. deliciando o bello sexo. . pois alli fazia o seu regallo. E assim findou-se esta bôa camarada deixando muitas saudades. Este penetra inveterado chama-se Benildo que apesar de ser operario da Central do Brasil. que com a sua maviosa flauta tambem fazia as delicias daquella casa a quem Mariquinhas muito apreciava. ficava elle nas suas quintas. e mesmo muito delle gostava. bôa. existia um que não sahia de lá. collocando-a na cama. bom pirão. que só teve tempo de corregar para seu aposento. o Ernesto Magalhães. Pois elle tinha tudo. Mas tantas fez que uma dellas aborreceu bastante a Mariquinhas. o Juca Russo. nem cantar. e de vez em quando outros. etc. Tambem era frequentada pelo meu irmão Quintiliano. bebidas a farta. e com elle de máu humor o pobre do Benildo não teve remedio se não dar o fóra de lá bastante contrariado. Bilu' e muitos outros que não me vem a mente. como em tudo. que apezar de não tocar..

tal é o seu immenso valor. e chorão. dos seus congeneres. com a sua modestia. e [125] conquistado por todos os chorões. porque João Pernambuco muito mais merece. sertanejas. e fino trato. e conquista todas as sympathias que elle sabe angariar. e canta muito bem. Irmão da Opa. por estes moivos Catullo Cearense. JOÃO PERNAMBUCO Dizer aqui nessa descripcão o valor artistico. no meio distincto de todos os chorões de sua época. e numerosas familias.– 166 – pois muito brincalhão. e bom comedor. é o violão nortista. fazia as delicias da casa de Mariquinhas. que arrebata. E assim tudo se finda com o tempo que tudo derroca com a morte. e . a que elle com veneração e respeito priva. o distingue como um pharol que brilha no mundo da harmonia. não só do chôro como do classico. e pessoal de João Pernambuco. Thomaz. E' pae do grande e estimado Professor J. Seu pae João Thomaz é um violão seguro. que faz vibrar no seu glorioso violão independente disso é querido. pois João Pernambuco tem magia nos dedos. JOÃO THOMAZ E' conductor de trem da Central do Brasil. tal o seu merecimento. de suas poesias. e pobreza de minha pennas. Queria dizer muito mais do que disse mas me é impossivel. na formação dos tons e na dedilhação das cordas. amigo. Eis aqui tudo quanto pude dizer deste grande artista. por falta de dados. João Pernambuco. e tambem como nós. primus inter-pares. E' um chorão de respeito amigo dilecto de seu amigo. é uma tarefe difficil. tambem grande musico.

vida em holocausto ao bem Tambem já fallecido. Macario toca admiravelmente o seu MACARIO . Inda me lembro de uma modinha por elle feita dedicada a uma bella e boa camarada. se applicou de maneiras tal. de Villa Izabel em 1889 onde elle era empregado. e lá. O heroe que fallo. de admirar. Tocou em muitas orchestas bandas e chôros que [126] muito o apreciavam como distincto executor. que é um brinco de gosto. onde tem-se dedicado de uma maneira admiravel fazendo-se respeitar. é mais difficultoso do que remoer o Pão de Assucar. FREDERICO DE BARROS Descrever este nome com perfeição. Chegou a dar um passeio na França. Macario conheci ainda tocando Requinta na Sociedade Musical Dansante da Fabrica de Tecidos. e muitas vezes jogado a sua Este nome acima.– 167 – com grande agrado. que se chamou em vida Durvalina. já tendo muitas. que voltou ao Brasil como grande professor de flauta. compõe musicas para as suas modinhas. pelos peiores infractores da lei. Depois Macario ingressou na Guarda Civil tendo prestado a mesma innolvidavel serviços. foi alumno dos Meninos Desvalidos de Villa Izabel. Felizmente este chorão da velha guarda ainda vive. bastante estimado dos directores da fabrica daquelles tempos pois sempre foi um empregado trabalhador e assiduo. e faz tambem as poesias para as mesmas. na qualidade de investigador. e agora ainda mais. e lá aprendeu elle com aquelles grandes professores a flauta de que fez prodigio. publico.

Não quero dizer mais nada. não só nas sociedades. e custoso violão. como outro musico qualquer. Tinha muitas cousas a dizer porém ellas são tantas. excellente chefe de familia. que todos eram bisados. na Estação de Ramos em uma festa de anniversario na sua sempre lembrada casa. e tambem pequenos. Néco. Frequentou bons e luxuosos salões. era tão gostoso. muito me sympathisei com este grande chorão. (Não fosse elle filho do glorioso Estado da Bahia). acima. que para descrevel-as precisava dispor de mais espaço. noites inteiras. melhor elle dirá. duas e as vezes tres. e o autor deste livro. onde é conhecido por Symphonia. BAHIANO Quem será que na roda do chôro não conhece este heroe? Julgo que ninguem. tambem tocava nos instantes. para exhibir-se com seu mavioso violino. FERREIRA DIAS (SYMPHONIA) E' carteiro aposentado dos Correios.– 168 – instrumento. Conheci pela primeira vz na casa do meu sempre chorado amigo Côrte Real. o saudoso Angelo Pinto. e dobrando durante o dia o sol de fóra. pois era quem organizava o conjuncto para tocar nos theatros. O chôro tocado pelo heroe. cantando e dansando. foi logo fazendo um Mi-menor. Apesar de ser organisador de musica. bom e distincto amigo. que muito o apreciava pela maestria que elle sabia dizer no seu instrumento. com seus acompanhadores que eram Luiz Brandão. Logo de primeira vista. Em muitas boas festas estive com este. Juca Russo. e nos bailes. com . mais que distincto amigo. tocando. Desembanhando da sua capa um lindo. e tão b6oas. nas orchestras dos theatros.

tendo me sahido desta intaladella com bastante difficuldade e assim. Nos chôros onde tocasse. Conhece o seu violão como gente grande. e escutar a sua bella e maviosa voz. Depois desta festa encontrando-me com elle. e difficultosas outras. pela idade. é um general que não foge ao maior perigo. mesmo por ter me retirado dos chôros. e arte que elle desenvolveu naquelle instrumento. é dos bons. o que eu acreditei por ter a felicidade de vel-o.– 169 – todos os seus accordes que fiquei todo arrepiado. Logo após solou uma polka difficultosa. Na festa se achava um flauta empregado na Leopoldina. e linda. TORRES OFFICLEIDE Muito digno funccionario da Prefeitura. e que não me lembro seu nome. me dizendo que seria muito custoso encontrar igual. tal o seu valor real. muito lastimoso queixou-se a mim que tinha sido roubado no seu mavioso instrumento. [127] Tocando com bastante facilidade umas. tal a maneira do gosto. Aqui fica registrado o valor de um amigo . A muito que não o vejo. e que Bahiano comia aquillo com a maior facilidade. especialisando o seu mais que glorioso Estado. mas posso afiançar que era dos bons. nestas difficuldades solou muitas outras. retirando-me a vida privada. e me achar cançado da lucta. dando assim grande gloria ao Brasil. que Bahiano. como grande musico. só fazia prazer. que eu com meu cavaquinho me vi bambo para o acompanhar. officleidista afamado. pois faz delle o que quer quer. aos meus leitores. Só posso garantir.

funccionario e chorão como tambem. bom chefe de familia que encantava aos seus ouvintes. em que o grande garbo por esta que era de sempre lembrado Visconde do sua predilecção: Rio Branco foi obrigado a Não vistes a nebulosa. e tinha prazer de para o Acre. Era dilecto filho. Tendo embarcado modinhas. Abili era sublime violonista. Lá chegando pouco durou. desta modinha. Entre as muitas com o Brasil. cantar. e assim era muito SANT'ANNA conquestado pelo seu real valor. com uma da velha guarda. tinha um Territorio do Acre. um contingente. perfeição de extasiar. acompanhava a todos os solantes. o maior encanto. E assim cantando toda a mopois a morte o surprehendeu ainda na flôr de vinte e poucos dinha. sempre acompanhadas Na questão solicitada do Perú por seu filho. por questão do modinhas que cantava. mandar para aquellas paragens De um fluminense cantor. Fazia no seu instrumento accordes ALFERES ABILIO DE sublimes. no posto de Alferes. e outras de seu .– 170 – dedicado. annos. Conheci como segundo cadete do 10° Batalhão de grande cantor de bellas Infantaria. exemplar. onde tambem Não vistes a peregrina foi o sempre lembrado Alferes Que matou teu trovador Abilio. deixava aos ouvinte. Abilio no acompanhamento não só solava admiravelmente. do major do Seu pae o major Sant'Anna era Exercito. com grande amor. conhecido por major [128] Sant'Anna.

os bons solantes que tinham nelle um companheiro sem igual. Raymundo . e de uma educação. e os vindouros do valor real destas duas entidades. este immenso chorão.– 171 – sempre lembrado e chorado pae. chamava a attenção de todos os seus moradores. em companhia dos mestres de chôro. e que mesmo no accaso. como tambem seu filho. e educado ouvido. EUGENIO TORRES Sinto-me feliz em poder no meu livro. para conhecimento dos chorões d'agora. Tinha um apurado. Abilio era bom. escrever. Frequentei por seu intermedio a casa de sua distincta familia. Seu pae tinha garbo daquelle filho. Ahi fica nestas linhas escripto o valor de Abilio e seu pae. e distincto amigo. até tambem a nossa eternidade. o que muito satisfazia os solantes. Era mesmo de admirar. como para as bandas da Saude. era muitas que faziamos na Cidade Nova. Ouvir tocar este artista equivalia uma epopéa. que como um sol que appareceu. que muito o admirava. illuminará sempre com suas lembranças e todos nós. Sempre apreciei o seu alto valor no dedilhar do seu mavioso violão. os maiores elogios merecidos. onde passei horas bem alegres. e por isto não lhe davam folga. por muita boa vontade que se tenha. Seu pae era de grande cultura. em que tocavamos juntos. Chico Borges. para acompanhamento. Paz as suas almas. com seus acompanhamentos. Fez boas farras. pois entrava de serviço diariamente. onde com o solo de seu violão. pois além de ser um executor aprimorado. impossivel de descrever-se. Foi de fama no meu tempo. pois era de encantar. deixava todos com o maior contentamento. que a elle faziam.

Conheci-o em 1882. João Thomaz. feita de suas conhecendo.– 172 – Conceição. ophecleide e depois bombardino Vicente. não só nos choros. e Mamede. depois . conheci muito menino finalmento todos instrumentos quando nada tocava. fiquei tambem admirado de ver pois mesmo muito o tocar ocarina. tal os seus feitos partido de enebriar. como tambem fazendo solos de arrebatar. O violão nos seus dedos de seda em suas seis [129] cordas. tantas VICENTE SABONETE é as diabruras. Nasceu em logar chamado quando carteiro da Rua Lavradio. fica-se extasiado. me é bastante difficil. que só póde o elevar e a chorão afamado. encontro grande proprias mãos! onde elle tira um difficuldade. JUCA MARQUES sua distincta familia de que eu tive o prazer de conhecer. E assim fica heroicos. E' tambem muito habilidoso e Fallar no nome deste heroe do choro. onde elle morava em Anaya. Cordeiro de São companhia do meu inseparavel Gonçalo. o seu sempre chorado seu instrumento foi sempre avô que muito com elle privei. casas de Caixeirinho. ficando de metal. O amigo. com seu labor e valor deste meu grande amigo e honra. aqui descriptp mais o menos o como homem sério e seu valor real que mesmo assim trabalhador. tocando em . bem admirado quando num como musico da Banda de choro escutei-o com seu Musica Flôr de Sant'Anna em mavioso violão não só Nictheroy. musico de nomeada. pois sustenta a sua fica muito a quem de dizer o illustre familia. nas acompanhando admiravelmente. que elle faz no seu instrumento.

sabia tirar partido de sua Harmonica. onde elle é aclamado com muito enthusiasmo e admiração. Receba pois Nelson. Eis o que tenho a dizer deste chorão. musica da Banda Policial la Provincia. [130] NELSON ALVES Eximio tocador de cavaquinho. ao lado do grande Damasio. porem. este divinal instrumento tornando-se deste modo um profissional artista. e mais tarde. e acompanhando com facilidade. de merito na roda dos chorões de sua classe. os meus sinceros aplausos. hoje é chefe de numerosa familia e um cacique considerado que vive para a sua prole. onde elle fez diabruras de assombrar. hoje dá preferencia ao banjo. Receba pois. . Juca Rezende. onde se achava Catullo e o inesquecivel Bilhar. Pedro. tal a sua agilidade. armado em Bandolin. Conheci por intermedio de Serpa Pistão. debaixo da batuta do Coronel João Elias. e profissiencia no saber tocar. e tambem fui a elle aprezentado pelo Madeira Ophicleide em um choro la para as bandas dos suburbios. em Nictheroy.– 173 – choros. Mais tarde o Juca Marques. e outros musicistas de nomeada d'aquelle tempo em que a Banda fazia retretas no jardim Pinto Lima. Juca Marques por intermedio destas linhas um apertado abraço. solando. Juca Marques. PEDRO DE HARMONICA Era impressor de muzicas. é um eximio musico que sempre teve predilecção pelo choro. assumiu a batuta desta referida banda que ainda hoje na avançada idade de setenta e tantos annos é copiador e archivista da mesma. muzicas dificeis.

este chorão inesquecivel. Capitão Rogerio. A sua voz era de maravilhar. CAMAS Era funcionario do Oeste.– 174 – CAPITÃO ROGERIO Mestre de bandas de muzicas. e adorado por todos que tinha a felicidade de conhecel-o. muzicas estas que fizeram os encantos daquelle tempo. pois é um fervoroso apostollo das modinhas Brasileiras. é aposentado do Theszouro Federal. que se revalisava com José Soares. autor de muitas excellentes muzicas. e celebre Pistonista. Nada mais posso dizer. e que diga o nosso distincto Poeta e Cantor Catullo. mas não para o escriptor destas linhas. e uma garganta de Ouro. O heroe acima admirava e idolatrava as modinhas de Catullo. onde com zello e assiduidade prestou relevantes serviços. GUILHERME "O MANGUINHO" Este cantor se immortalizou cantando as modinhas de Catullo. um talvez maior do Brazil. Foi um trovador respeitado. que guarda com veneração no intimo de sua alma esta tradição de saudades. que tem por elle grande admiração e devotamento. e por isto não cantava modinhas de mais nin[131] guem tal a paixão que elle tinha por aquellas. para muita gente. hoje se acha aposentado. e muito outros executores Pistonistas. VELLOSO O MOR . esta que marcarão sua época. Manguinho. Era um peito de aço. era um artista de renome.

um dia contou-me um chorão. e conhecedor de todos os tons deste dificil instrumento. razão porque. pegou-se em desafio com o sempre lembrado Ventura Caréca. ADHEMAR VIEIRA Foi funccionario da Alfandega. descrever este inveterado apreciador do choro. Vou mais ou menos. sociedade em que Valioso tocador de Flautim prestou relevantes serviços o seu amor pela arte muzical. é hoje do tribunal de contas. hoje grande dizer com isto. não tenho dados . não a quem possa com elle.. e custa sahir. o Poeta sertanejo que é delle um grande admirador. Isamel fica doido quando entra na fuzarca. o violão. não é pouco é justo que nos tres dias de carnaval se seja louco. igual a muitos outros ou quasi todos. que o bom do Flautista. em punho. diz com alma. Toca com precisão e gosto. e amigo de verdade do choro. foi uma pegada feia: não havendo vencedores pois ambos eram chorões de primeira agua!. pois ter juizo. E' destes que não dá para traz.– 175 – Violão de fama. e dos chorões. Com esta quadra absorve o Ismael de todos seus pecados. quero naquelle tempo. Que diga Catullo. CECILIO Foi Presidente das Pragas do Egispto. pois nos choros é peior que uma criança. ISMAEL CORRÉA Ismael alem de ser um violão.. que Velloso. na segunda Ediçào deste livro. Não é dos grandes tocadores mas o que toca. Com seu violão. comprometome dar mais desenvolvimento o perfil deste chorão. trezentos e sesenta e dois dias.

tenho que citar aqui mais uma vez o mestre dos mestres. e expressivas. Não sei se ainda vive? Era grande admirador do immenso e idolatrado Poeta Catullo. a muito teria ingressado na Academia de Letras. por ser elle o idolo das modinhas Brasileiras. Depois de fazer justiça merecida ao nosso venerado Catullo vou mencionar a guisa de Sateletes ao redor do . [132] PROFESSOR NICANOR Professor de Flauta e eximio executor. pois elles são tantos. me é bastante dificultoso. era um gentilimam. e de todas as nossas muzicasantigas. pois foi e é um astro de primeira grandeza pois as suas produções ahi estão para nossa admiração. O Poeta Catullo da Paixào Cearense. e apreciador das suas produções. carreira por mais terrivel que esteja a batalha. tal o seu valor real para mim.– 176 – muitos conhecidos para descrever este grande personagem. e de milhares de seus apreciadores. o remodelador de tudo que é nosso. Sei tambem que é dignissimo operario do Arsenal de Guerra. porem sei. Aqui fica nestas referencias as minhas considerações a este grande artista. e de fino trato. e que ainda é. Ao fazer. onde conta no meio de companheiros de trabalho innumeros amigos. Aqui finaliso dizendo quando podia dizer deste velho companheiro chorão. maneiras sinceras. este que sabe cantar e tambem dizer. e seus feitos maiores. OS GRANDES CANTORES Descrever estes grandes astros com perfeição. Se meu voto tivesse valor. que foi. um exímio chorão destes que não arrepia. de quem elle é um fervoroso propagandista.

os grandes chorões. Prachedes. André Pinho. Uriel. Theberge. Augusto Pedro. Sinhô. Mario Pinheiro. João Tomaz . Alem. Augusto Sachristão.. da velha guarda. que fica num pagode" noventa dias!. Felice Roxinho. Nozinho. Angelo Pinto. Disiderio Machado. Nonô. funcionario da Estrada de Ferro!. Augusto Padre. URIEL NORIVAL Este extraordinario trovador Poeta sublime. Placida dos Santos. é o verdadeiro escriptor sentimental. trovador adora o deserto e é um amigo apaixonado. Nenê Mario. muitas vezes certo dos sapos. Lulu' Bastos... Branquinho. Xisto Bahia. Peixinho. pois já dedicou . Bilhar. e sabem que Uriel. Anthenor de Oliveira. Moreno. Cadete. as suas letras musicadas mexem com os nossos corações porque todas são de uma beleza inegualavel. está abarracado em casa de um amigo veranneando conforme a sua phrase. Leandro. Juca Mãosinha. Barnabé. Uriel. França.. Rouxinol dos Suburbios. Julio de Assupção. Geraldo. e fazendo uma estação de "agua" que passarinho não beb!. pois descrevem tudo que este formidavel bohemio sente n'alma! Quem não conhece o Uriel? [133] "O casa cheia". Jonjoca. Barros. Olympio de Oliveira. São João.– 177 – Sol. Adhemar Casaca. e muitos outros. Felix Baptista.Teffi. Que foram: Boneco.. Pedro Paulo. Bilu'. Terra Passos.. de vez enquanto elle desapparece e nem a sua propria familia tem noticias do mesmo! porém já estão acostumados a estes retiros. Napoleão de Oliveira.

pois tinha muito choro dificultoso de fazer arripiar carreiras. extasiar Conhecia muito bem a conhecido pelos ouvintes de mechanica da mesma. pois a Radio. o que elle fazia. Com tudo invejada vós. Uriel. que a todos faz razão porque é isto era um flauta sublime. FRANCISCO ALVES Na Rua por onde andasse era sempre correndo. no dedilhar de puzeram este apellido. pois o seu sopro era O apelido acima. e mais. Afinal. Principe de melodia. como garganta de Ouro. serenatas. nem se falla! Me jogou muitas vezes no chão. executor de violão. Então real valor. é um dos maiores trovadores dos ultimos tempos. sei que estou despedia-se e lá se ia na maior muito longe de o fazer tal seu rapidez e a passos largos. pois era sublime artista. como tambem em Orchestras. Infelizmente tambem já elle fosse. . manejava com arte e explendor. é dotado de uma intelligencia fora do commum. Então em casa do Bita. Toquei muito em bailes com este do samba e da modinha. que elle sublimessimo violão e de não se incommodava. da canção.– 178 – heroe do choro. VIEIRA MALUCO Cinemas. e chorão não se demorava. Com o tempo fui me acostumando. aos mesmos uma duzia de sonetos! Este "chorão"sabe se conduzir nos lares de seus amigos pois além de ter um preparo superior. era as pressas. mas sim porque tudo é morto. que o acompanhava com a maior facilidade. ou um Escrever este grande cantor. não é que divinal. Quando encontrava um amigo. Vieira não só tocava em choros.

– 179 – Francisco Alves. Quincas . que é bastante merecedor. que tocas e interpreta as muzicas genuinamente Brazileiras. e apreciado. com o aparecimento do Radio. Figueredo. em mil novecentos e doze. fazendo pontas e cantando modinhas com vós ainda pouco educada. José Cavaquinho. pelo modo e maneiras que cantas. Conheci-o com o apelido de Chico viola. e enche de alegria a nossa cidade maravilhosa. o fallecimento. introduziu o Violão no Conservatorio. no estran[134] geiro. foi-se aperfeiçoando e hoje é um pharol que illumina o meio a onde elle é aclamado. que vem dos morros. pouco mais ou menos no Theatro S. e outros que não me vem a mente. com grandes aplausos. hoje Instituto de Muzica. daqui a meio seculo. especializando-se na Republica Argentina. José. em 1908. com verdadeira justiça. engrandecendo as nossas Avenidas Palacios. Carlos Torres. MORREU QUINCAS LARANJEIRAS Pranteamos aqui. fazendo o estímulo na phalange que pertences. pelos chorões da minha tempera. abrindo caminho. para que. Arranha Céos. deste inegualavel leader do violão. ao lado de Alfredo Silva. onde é um idolo da maior veneração. propagandista de tudo que é nosso. este. Onde deu uma audição. e como. meu bom Francisco Alves. para que o violão se exhibisse nos grandes e aristocratos Salões. possa ser descripto. que em companhia de Catullo. Progrida pois cada vez mais. os teus feitos. e primus interpares dos cantores da actualidade e alvo da maior admiração no Brasil inteiro.

por entre chorões da velha. fez a sua passagem. os effeitos do sol. della. o quadro maravilhoso. foi o crepusculo da muzica nas produções que abaixo menciono. Ao escrever este Necrologio só tenho em mira realçar. como uma estrella diamantina. seria capaz de reproduzir. . que sumiu-se esta Estrella. deixando tambem no seu trajecto.– 180 – Laranjeiras. que desapareceu. Honoria. de um bom esposo. fazendo a sua rotaçãodiaria e depois some-se no occaso. Ricardina. sabia tirar de seu instrumento. geração. Galdino Barreto. que nem o pincel Murillo. deixando em seu percurso. Saudades. que desappareceu deixando após de si estas maravilhas que se findou. deixando após de si. e valorizar o nome glorioso do grande e inesquecivel artista que se chamou Quincas Laranjeiras. Os olhos de Flausina. Recordação. o brilho transitorio das harmonias sonoras. com sua inspiração musical. deste planeta. Encantada. onde se retrata o crepusculo. e verdadeiro amigo. Foi assim como o sól. Morreu levando comsigo todas as suas illusões. sem que a nossa Imprensa dessem not. Valsas: Izaltina. E foi assim. Polkas: Me espere na sahida. harmonia e bellos acordes de seu mais que brilhante Cavaquinho com bons predicados de um bom filho. Na sombra da Laranjeira. deixando a saudade. Féra. a todos aquelles que tiveram a felicidade de o conhecer. e nova guarda. Que não sendo o crepusculo do sol. de um bom pae. que só elle. e outros daquella ou desta. imitar com cores Yris o deslumbrante painel da natureza. MORREU GALDINO BARRETO Como um sól que circulla. e sim.

infelizmente já dorme o somno da eternidade. Mazurcas. cavaquinho e violão. O mais destemperado de era pessoa grata de Guttemberg todos os foliões. era proeminente das serenatas. quando nas salas ou no quem Ripper tinha por elles sereno cantava as letras do grande devotamento e muitos Grande Catullo. Quem não conheceu o Zé Monteiro. nas farras passadas. no Engenho de reunia o pessoal mais Dentro. e maior gatoria em todos os "pagodes" cantor do Brasil Catullo sulapando os cantadores de Cearense e o velho Bilhar por fama. tocava Cruz. no Engenho de ALVARO CUNHA (Mocinho) . E assim se recolherem aos bastidores! Este cantor. arrancava do outros chorões a quem o Ripper povo os maiores applausos! offerecia a cada um d'elles um obrigando a outros cantadores a grande discurso. e Muitas outras. que tantos termino estas linhas co o corações fez pulsar tambem coração cheio de saudades. pois possuia uma voz maravilhosa! Zé Monteiro JOÃO RIPPER foi um principe no cavaquinho. tive com elle intimidade frequentei a sua casa em companhia do poeta. JOSE' MONTEIRO Quadrilhas. figura obriconheci-o como guarda da [136] Alfandega. teve a sua grande época. onde Abolição.– 181 – e Dentro? Cantador de modinhas que deslumbrava. dava em na rua 13 de Maio. hoje sua casa muito bôas festas.

é actualmente unico rei das serenatas. era cem tombos. O velho Alexandre. só mesmo acompanhada por elle. Para acompanhar o heroe acima era preciso ser violão de verdade. e ter muita pratica. tinha vóz de barytono. conhece. a sempre lembrado por todos os todos arrebatava. afinal é uma estrella que ainda brilha. onde tinha innumeros admiradores e amigos. Inda hoje a sua morte é pranteada. fazendo successo. PINGUSSA O nome de Pingussa.. pois era de um gosto extraordinario. tem sempre recordações que nos fazem nascer as lagrimas nos olhos. Guttemberg. sem repetir. (O Animal) deseja que tu vivas 200 annos e sempre "mocinho"!. a de ser Luminar dos Seresteiros. e ainda canta e acompanha as modinhas dos nossos tempos! este "malandro" é uma casa "cheia" porque sósinho faz uma festa com o seu violão! Mocinho. . Em fim as modinhas de João Lima. se não em cada modinha.– 182 – Mocinho. tal a falta que fez entre os chorões da velha e nova guarda. foi companheiro inseparavel de Leandro. pois onde tivesse não lhe faltavam os applausos. e de todos os cantadores e tocadores dos suburbios. João Lima era chorões da velha guarda. Era funccionario da Estrada de Ferro. Com uma vóz encantadora. Era muito conhecido não só aqui como em todos suburbios. JOÃO LIMA companheiro como poucos. pois Mocinho. principe da velha guarda. e mostrando o valor dos antigos chorões.. cantava uma ou duas noites as suas modinhas inteiras. bom amigo.

era um chorão de facto.– 183 – As notas arancadas de seu em Nictheroy. [137] Astro do quilate deste grande artista! quando desaparece. pensamentos como um penhor TUTI de saudade. E' reformado hoje do Corpo de Bombeiros. era um excellente cantador de modinha. haverá. DA ESTRADA DE FERRO Foi um bom tocador de violão. e lá no seu bandolim e violão deixava todos extasiados independente da sua fina educação. e que fez á alegria com seus choros em muitos lares. elle sempre soube adquirir sympathia. que não conheça o bom Tuti. violão e bandolim sublime! No acompanhamento é de admirar em qualquer dos dois instrumentos. No sólo? nem se falla! Deixa apreciadores bambos das pernas tal a maneira do manejo nesses dois instrumentos. de todos que com elle conviveram. onde elle era um violino. deixa um vacuo consideravel e difficil de ser preenchido. este que teve a sua época no tempo em . assim sendo presto nesta descripção uma homenagem a esse chorão que se chamou José Aymoré. VELLOSO. Flauta já descripto por mim neste livro. Além de tudo isto. ainda repercute batuta estimado e respeitado no vibrando em nossos seu cavaquinho. JOSE' AYMORE' Era cavaquinho e flauta e da turma de João de Brito. não só aqui como Bem poucos chorões. Pingussa.

Pois de um genio folgazão e inveterado farrista. na revolta da Armada. andando quasi sempre. Estes dois andavam sempre juntos. e o segundo Guarda Municipal. . detinha-o de farrista inveterado. Pois bem. julgo nunca ter galgado posto algum. onde estava um. como praça de Policia. como tambem seu inseparavel amigo Pestana. ERNESTO PESTANA E GRACINHA O primeiro foi Praça de Policia. e d'acolá. Ambos na revolta da Aramada. Porém nem mesmo assim.– 184 – que o choro tinha brado de armas no suburbio. como obrigação. Velloso foi do bom. Gracinha vendo-s aqui separado de seu amigo. fizeram o agrado da bôa e agradavel população daquelle logar. estava o outro. Pestana. E arranjou ir para lá tambem destacado. onde cantando. atracado ao seu violão. Quando terminou a revolta. prestaram seu serviço ao lado do inclito soldado Floriano Peixoto. Pestana foi guarnecer a cidade de Vassou[138] ras. não poude se conter! Empenho d'aqui. Pestana. deram-se muito bem naquella linda cidade. os heroes regressaram á esta Capital. Tocando muito bem violão (e cantando admiravelmente. e Gracinha voluntariamente alistou-se no Batalhão Municipal que naquella occasião se criou para defeza da ordem. levando de vez em quando uma cadeia. onde o noso bom Velloso se exhibiu com todo gosto. e tocando. com bastante pezar daquella excellente população. dando prazer e alegria ao pessoal que tanto lhe applaudia. tambem. esquecia-se de ordens e disciplina.

e cavaquinho. Disseram-me que em um torneio o chorão acima. percorria os mundos de harmonias. Esta ultima particularidade já trouxe dos seus paes. Pois Horta era um pedagogo. tocou sem parar no seu . deste astro luminoso e professor Emerito. violão.– 185 – Gracinha era tambem da mesma tempera de seu companheiro e amigo. [139] CHICO NETTO Era funccionario dos Telegraphos. PALMIERI E' tambem violão de encantar. um chorão de valor. e tanto assim que toca no bando do excellente flauta Pixinguinha. acompanha tambem com grande maestria afinal de Palmieri tudo é bom especialisando a sua excellente educação e fino trato. ao fazer perfis de celebridades iguaes a esta que vou tentar descrever. Sóla muito bem. especialisando-se no bandolim. em um bond da Companhia Villa Izabel. tornando-se deste modo. que abraçado ao violão. Sem mais assumpto neste perfil. fazendo a maior consternação aos seus amigos que muito o estimavam. com accordes que só elle arrancava com inspiração. Ver o heroe acima tocar é um céo aberto. tocava muito bem o violino. Porém apaixonado pela musica. que elle manejava admiravelmente. Este morreu de um desastre. BRANT HORTA Lucio sempre com muita difficuldade. bem na Ponte dos Marinheiros. recebe Palmieri o meu abraço. Eis tudo que tenho a dizer. Ambos já são fallecidos.

conhece o Portuguez a fundo. Rijo e forte parece um menino de seus vinte annos. Castellões e muitas outras. e voz suave. ainda não dobrou a sua espinha dorsal. A morte de Lucio. tendu um repertorio de Modinhas que por gosto se podia ouvir. Eu que muito com elle privei sei o quanto vale. por isso levou tres bandolins. FRANCISCO GALVÃO (CHICO CARE'CA) . Francisco. as delicias de tudo que nos falla o coração. pois era uma capacidade intellectual. Sabia cantar e dizer com alma.– 186 – bandolim mais de quarenta e oito horas. Demonstrando assim ser um tocador de follego e grande resistencia. JACOBINO FREIRE Este bom chorão trabalha ha Escrever este meu amigo de muitos annos no Jornal do peito me é bastante impossivel. Descrevo aqui esta cellebridade porque Jacobino é o Poéta dos chorões. Lucio tinha a lucidez de seu nome. e immenso valor. Latinista de primeira grandeza. é mais difficultoso. Descrever Jacobino. Muitas vezes o aprecier na roda de Luiz Murat. apezar de já estar no senectus et morbus. que ir em vida para o céo. tal o seu grande. na confeitaria Paschoal. Discute esas linguas com profissiencia. Olavo Bilac e muitos outros no Largo de S. afim de supprir a falta do que elle tocava quando arrebentasse uma corda ou desafinasse. LUCIO REIS Era um bom amigo e distincto cidadão. foi chorada e pranteada pelos homens de letras daquelle tempo. funcionario da Imprensa Nacional.

Tocava muito pouco. Era de um genio alegre e folgazão sabendo fazer boas pilherias. por esta razão não podia de modo nenhum deixar de lhes prestar esta homenagem aqui. era muito magrinho o que não impedia de comer como gente grande. Amigo sincero e respeitador. Chico Cereca é um chorão devertido.– 187 – Commercio. Levanando-se da meza. que as vezes encabulava o camarada. E assim com sua vós um pouco baixa. só servia para acompanhar as modinhas que cantava. de maneiras que só por isto era conquistado por todos que o conhecia. explendido chefe de familia. Juca . é bamba no Trombone e turuna no Obóe. instrumento este por quem elle tem muita predilecção. pois o estomago estava muito dilatada e hia assim. e que tinha uma bella e suava vós. Eu tambem que comia bem ficava admirado de vêr um homem daquella forma acompanhado com as bellas cervejas vinhos e etc. e assim apresentava-se nos choros com seu violão em baixo do braço. ia dizendo! Quasi não posso andar! E logo este desabotoava o primeiro botão das calças e sentava-se de pernas esticadas por não podelas curvar. todo cheio de si. mal ou bem fazendo o que podia. Tinha um braço um pouco seco. Apezar de sua estatura ser baixa. Eis tudo o quanto tenho de [140] dizer deste chorão antigo e muito querido pelos chorões da velha e nova guarda. afim de contentar as pessoas prezentes. um coração de ouro. JUCA MÃOZINHA Era filho de um sapateiro alli na Rua do Estacio de Sá.

Era especialista nos tangos do inesquecivel Ernesto Nazareth. lá para os lados da Cidade Nova. gente grande. como em todos suburbios. E assim foi-se mais um que fazia alegria nos lares. Companheiro inseparavel do inesquecivel e saudoso Bilhar. e compartilhei com sua amizade. Era bom typographo dos jornaes daquelle tempo. Por isso era conquistado pelo bello sexo. querido e fallado não só aqui. sabia corresponder Néco. lamento cheio de saudades o seu desaparecimento no meio dos chorões. e retirou-se da lucta para sempre. [141] JULIO BARBOSA Chorão antigo e inveterado. Era . onde hia até o enterro dos ossos. denominada Adamastor. o que elle adorava doidamente.– 188 – Mãosinha. Era distincto amigo. e sympathia razão porque. e Era irmão do grande violão finas verves. cazou-se depois de já um pouco maduro. Gostava muito de um baile. O Maneco. nem se falla. pois depois de seu casamento pouco viveu. e nas mazurkas. e excellente chefe de familia com elle muito privei. e nas valsas lentas. fazia o piano fallar. n'um choro. MANECO LEAL Primoroso pianista. pois tinha brado d'armas. Tocava cavaquinho como as espectativas do genero. de escriptores allemães. Era um prodigio nas nossas polkas. que JOÃO CAPELANI elle com maneiras graciosas. que tocava em uma Sociedade Dansante. assim como em muitas outras. deixando saudades a todos os chorões. Deixou muitas boas composições. e falleceu em Nictheroy. e Catullo.

Sempre foi Smart. onde com seus feitos immortalisou-se.. que é uma bellezza.– 189 – pianista chorão de facto e respeitado na roda de seus congeneres. pois resolve os problemas mais dificeis com a palavra sim!. Com elle muito privei. Hoje retirado do choro. é não conhecer. Bulhões não! Cada vez mais agarrado ao piano que elle toca com grande facilidade. é um intellectual da nossa Engenharia. Por isso daqui envio-lhe os meus sinceros parabens por este astro . E assim sendo continu'a a ser um chorão admirado e respeitado. No Rio não existe Sociedade que não conheça este astro do choro. Dos chorões velhos quasi todos já se acham retirados: Porém. Onde este heroe estiver não tem ninguem triste.. Conheço muito de perto este grande musicista e sei o quanto elle vale não só para mim. e delle recebi muitas boas lições musicaes. os applausos que sempre lhe dispensei. Tem grande quantidade de musicas de sua lavra. Pois Julio no tempo que tocava era senhor dos segredos do piano pois quando o acompanhava com meu violão. parece um general quando nos campos quer ganhar a batalha. me trazia de canto chorado. com toda justiça de quem é merecedor. Bulhões toca tudo não só dos velhos chorões. e de fama. pois com seus trocadilhos engraçados só faz hyllaridade. a palavra não. trajando-se com apreço e bom gosto. é de extasiar. Julio. O seu maior predicado. como tambem dos novos. Sempre foi de uma generosidade sem limites e de uma educação fina e aprimorada. Receba pois Dr. como todos que tem a felicidade de conhecel-o. BULHÕES Chorão velho.

quando se falasse no chôro não dava pra traz. e seus suburbios. que foi um bom filho. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas da quelles tempos que já se foram. Barnabé. que abriam os seus lares para este bohemio. era um chorão adorado por todos que sabiam dar o valor aos trovadores das madrugadas d'aquella época. pois ambos eram operarios do Arsenal de Marinha. Tem algumas boas composições por elle feita. nas modinhas. Em fim era dilecto amigo. Que diga o Catullo e o Idomineu. Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta. porque além de ter bellissima voz era um dos cantores mais afamado de seu tempo! Morreu muito moço. Tinha choros molle.– 190 – de fina tempera. [142] AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. quatro ou cinco dias de farra! porque este trovador. e um sincero amigo. Barnabé. de facto era deveras engraçado. uma serenata organisada por Barnabé e seus companheiros transformava-se em tres. pois sabia corresponder a confiança que os chefes das casas lhe depositavam! Nas cançonetas. arrancava os maiores applausos dos presentes. . nesta cidade. aonde estivesse cantando enchia a rua de ouvintes. de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. despertava alegria e saudades nos corações das familias. BARNABE' GUIOMAR BOIS Cantor de modinhas de meus tempos ainda. companheiro e collega de repartição do grande Antenor de Oliveira.

elle. uma obrigada. eu mandava um portador MAESTRO VILLA LOBOS esperal-o na porta do theatro. e um chorão e chorão de verdade. era. Com elle. Conheço a sua prole. tornando-se por isso muito popular. pois era um passaram..– 191 – deixando nos Corações de seus amigos as mais vivas se exhibia o França fazia lembranças.. artista considerado. este que foi tempo. Tocando em seu violino. No theatro todas as vezes que o que é muito nosso. e os seus Conheci-o como um dos trocadilho eram expontaneos grandes ornamentos da tanto no palco como na inesquecivel Companhia intimidade. onde o violão artista. [145] . são munido do seu querido violão. dignos da minha consideração. e quando elle era um eximio nos acompanhava para toda. Era seguro nos accordes e nos quaes vejo reflectir em cada cantava quasi todas as modinhas um d'elles a imagem do meu e lundús em voga n'aquelle bom amigo França. Esta celebridade. conheci pois o França. quando tinha um bom chôro para ir. no nosso conjuncto. das serenatas que já prodigio. pois em dava a vida por uma seresta. tudo para os suburbios e Nictheroy. e cummunicativo. de um eximio havia uma peça. depois dos espectaculos. onde enlutou o Theatro Nacional. todos os seus descendentes. O seu fallecimento Dramatica Dias Braga. muito toquei. em companhia do grande cantor e poeta dos Sertões. Tinha muita ACTOR FRANÇA presença de espirito. com perfeição e gosto. até chorão.

por elle levantado. Catullo. onde encarnou o nosso querido e estimado samba. acompanhador. Villas Lobos é hoje uma gloria do nosso amado Brasil. este distinctissi. é sempre ouvido com chôro. como um pedestal. com todos os predicados melodiosos genuinamente brasileiro. nem devia morrer. porém Sinhô morreu quando devia. que tantas delicias tem a maior attenção. pois genio igual a elle. ha indivuos que não podia. dado a todos os auditorios. Advogado [146] Lauro Salles. já está por si inautecidos. SINHÔ REI DOS SAMBAS Infelizmente a vida tem seus caprichos. para os mo chorão. Sabe porque leitor?. Sinto-me fraco quando tenho de dizer qualquer cousa de um personagem da esphera do grande maestro Villas Lobo.. e companheiro de de Sinhô. pois por mais que eu diga. que glorificou e elevou a nossa musica no Brasil. Por que elle foi além dos paramos com as suas producções originaes de musicas theatraes. que o samba tem se Violão celebre. quando se toca um samba intimo amigo. um grande admirador do Mestre dos Mestre. de que elle é um dedicado amigo.– 192 – Catullo Cearense. razão porque. de quem é crata. ainda é muito pouco. e inegualavel desenvolvido e tomado vulto. sempre foi e é.descendo do morro. deste dilecto artistas. eis o que tenho a dizer damente.. . que foi cognominado Rei dos gostam de ouvir as boas Sambas. Ainda ARTHUR ALVES hoje. e muito merecimusicas. é o progenitor do salões aristomuito digno Dr. Com elle muito privei.

que lhe collocou um olho de vidro. protegido de Princeza Izabel. de saudosa memoria. que difficilmente se notava. como primeiro pistão. e compadre. tocando um dia no Palacio Guanabara. de quem era grande amigo. Ahi foi que Carramona ALBERTINO CARRAMONA mostrou competencia. todos os microphones. Depois elle tocou em diversas bandas. depois de ter illuminado com seu grande brilho. De Antenor de Oliveira. Pois estando esta banda. deixando um claro no meio dos chorões. este que lhe inspirava em bellos accordes. mandando vir a sua presença o executor que era o nosso sempre lembrado Carramona. pois Sinhô era um aprimorado pianista. finalmente entrou par o Corpo de Bombeiros. e tocava com maestria e gosto o seu violão. . debaixo da batuta do inesquecivel Anacleto de Medeiros. sendo logo escolhido como contra-mestre da mesma. para esta Capital. Eximio pistonista. e de mundo a mundo. e saber. que fazia o trajecto da Ilha do Governador. que elle tinha uma das vistas vazadas. patenteando o valor deste inesquecivel artista. Foi aprendiz dos meninos de um verdadeiro artista. que findou-se dentro de uma barca. e ordenou que lhe fosse apresentado a um occulista. admirado. E assim desappareceu este astro flamejante. das estações de Radio que vae de polo a polo. que muito sentiu. tal foi a perfeição do scientista. a Princeza. engrandecendo as musicas brasileiras. Desvalidos de Villa Izabel. ficou encantada com o solo do pistão. muito difficil de ser substituido. A Princeza notou. tão perfeito. maravilhosas producções.– 193 – conheci-o em companhia do Dr. Julio Barbosa.

Garbosa Civismo. o querido amigo e mestre Anacleto. nos devotado mestre e amigo. sitar algumas que são: O Falleceu ha poucos annos. e quadrilhas. Era amigo de verdade trabalhou na Light como cocheiro sendo muito [147] estimado por seus patrões. de vez emquando. Vou aqui . seguindo com capacidade. boas polkas. e elevada inspiração. cantando velhas e novas immenso chorão acima. e prazer. ninguem! nosso. acompanhava todos os choros com graça e arte. compositor e continuador do seu inesquecivel mestre. no roda como elle bem poucos. enche de alegria. julgo canções e tudo que é muito que daquelles tempos. é um nome Chrispim foi chorão de fama. tendo lhe substituido no nivel de igualdade. Castro Afilhado. e ensaiador da Quem não conhece este Banda. Tornando-se um eximio professor. que tinha nelle um inveterado chorão? Que ainda hoje. respeito e venerado. As musicas de Carramona. pelos microphones dos Quem não conheceu este Radios. e respeito. com CHRISPIM (OPHICLEIDE) suas modinhas e seu querido violão. chotichs.– 194 – Esquecia-se de tudo quando se mettia na fuzarca. Vagalume. CASTRO AFILHADO Harmonia dos Campos. Solava muito bem. Falleceu no posto de 2° tenente do Corpo de Bombeiros. No seu Ophicleide. são dispoutada pelo valor. de por agente bambo. que era uma belleza innegualavel. tornava-se mesmo um doido mal comparando.

arranjou um quarto com umas esteiras para descançar-mos um pouco achava-se em nosas companhia o celebre violão Juca Russo e tambem o escriptor deste. e um baluarte que não negava fogo. e acompanhamento era de arrepiar. e onde estivesse o Cabral não havia tristeza. e vendo-se fechado. ficando todos nós presos. Leão quando foi lá pelas pelas tantas do dia. imitando o bicho leão. e nós que ali estavamos tambem. Nascimento. de maneira que os gritos que elle dava fazia grossas gargalhadas nas pessoas de casa. solo. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. farrista de muito folego tocava violão como gente grande. poz-se a dar grandes urros. CABRAL Era guarda Municipal. Estava formado o brinquedo. Os seus accordes. acordando. Muito com elle andei e hoje ainda sinto saudades d'aquelles tempos. Com muito custo o dono da casa abriu a porta. antigos e modernos. ALBERTO LEÃO Grande e gostoso violão Leão era violão de veras tocava como poucos. Lembro-me de uma baile em casa de uma grande chorão que se chamava Nascimento na rua D'Eu [148] Lá pelas tantas de madrugada.– 195 – intima de todos os chorões do Conde Caneca. tal o gosto em que elle tocava. O chôro fazia parte da bagagem de sua alegria. Era um amigo de verdade. que foi uma grande patuscada de todos. que já se foram e não volta mais. Pela manhã Nascimento trancou o quarto. hoje Frei . que foi uma grande patuscada para todos.

Me é bastante difficultoso difficuldades escrever sobre este grande e procurando na rua Mattos immenso professor. vou fazer um pedido a Benedicto. passam depois de centenares de annos. não só Benedicto faz. ou instrumento. encantar Bem poucos farão o que expandil-a pelo Radio. mesmo estatico em apreciar este sublime musico na sua mais que que o bom do Cupertino.– 196 – Leão tambem já não vive. chego a ficar perplexo. que muito esquecidas dos sempre agradecerá ao Benedicto e o destas apoucadas lembrados e chorados flautas. admiravel. e seculos não trarão mais. que os flauta. de dar expansão as musicas nunca simas musicas. 31. tal a sua maestria neste professor Cupertino. que deixando grandes saudades. com seu sopro perpetuando amemoria delles. cederá maviosa flauta. BENEDICTO LACERDA não executes estes choros. as musicas destes Daqui da nossa casa. e executor Rodrigues n. de fazer o mais população. Tenho assim a plena certeza. que pelo Radio se sceptico das criaturs extasiará ao ouvir esas bellienthusiasmar-se ao ouvil-o [149] Daqui destas toscas linhas. todos estes foram planetas. escriptor que foram Callado. linhas. pois é de pois terá muito prazer em ouvir de um musico como Benedicto. pela em obtel-as. pois tem o mesmo no seu caderno qusi. Viriato. ao ouvir todas Benedicto nos preludios da sua immensos chorões. o grande de flauta. Capitão Rangel e Luizinho. com uma perfeita como fazendo o encanto da theoria musical. . Talvez o grande flautista.

tambem o mavioso violonista Vicente Sabonete. Pedro Augusto ainda vive para alegria de sua familia e de seus amigos. Naquelle tempo o seu instrumento predilecto era o flautin. que muito o admirei. Lica. Raul além de ser um grande apreciavel musico. Geraldo Bombardino.– 197 – PEDRO AUGUSTO E' um clarinetista de primeira grandeza. Foi contra-mestre da Bando do Corpo de Bombeiros e hoje é considerado um professor de musica tanto para leccionar como para executar. é exemplar chefe de familia. E' um chorão que tem excellencia respeitavel em seu meio que constava de Carramona. e outras de facil acompanhamento. as musicas que tocava era de arrepiar carreira umas. é hoje um flauta de sopro mavioso e cheio de expressão. Eis aqui mais ou menos o perfil de um grande chorão que não me podia passar por desapercebido por modo nenhum. RAUL (FLAUTIN) Conheci mais ou menos aos vinte annos chorão de respeito. era irmão do inesquecivel Timbó tocava bem violão cantando as nossas modinhas com muita alma. e ultimamente de ouvil-o a maviosa flauta no Rancho "Quem falla de nós tem Paixão". que não ficava nada devendo ao inesquecivel Henriquinho Dourado. tocava conforme o valor dos acompanhadores. companheiro dos bons e explendido official de orthopedia. Luiz de Souza e muitos outros. Fez parte de um bello conjuncto. que neste fazia parte. distincto amigo. Era . pois Raul. SAMUEL LEITE Foi funccionario da Estrada de Ferro.

a tantos sambas tão cheio de melodias interpretada pela vosa maviosa vóz. que retroceda em recordações. onde elle por intermedio de microphone sabe dizer. sabe cantar. a tantas canções. o vehiculo de sua incalculavel grandeza. é pena que Patricio tenha se passado ultimamente para embolladas deixando no esquecimento as modinhas de enebriar. encontrou em Patricio Teixeira. aos seus ouvintes. pois conhece seu instrumento por dentro e por fóra com maestria. nos choros. Pouco tenho que dizer deste grande artista musical por me faltar os dados capazes de inaltecer ainda mais este chorão que talvez possa fazer na segunda edição. acho bom meu caro Patricio. no meio de todos os vossos companheiros de choro. pois elle é possuidor de um repertorio de sambas. LEANDRO DE SANT'ANNA (MAESTRO) Era um clarinetista de immensuravel valor professor eximio [150] que regeu muitas bandas de musicas. Ainda hoje o Samuel é muito lembrado pelos seus companheiros de farra com muita razão pois o inesquecivel Samuel não dava p'ra traz em nda. esta grande maravilha do Seculo. O Radio. . Foi e é.– 198 – um verdadeiro seresteiro e chorão de tempera. que tanto impera. a tantas modinhas. e modinas. que elle adora. Acompanha qualquer instrumento cantante com a maior facilidade. PATRICIO TEIXEIRA Conheço-o e sei o seu real valor. batuta respeitado pela maestria que dedilha o seu afamado violão. para alegria de todos os lares.

. pois Vianninha. e harmoniosa voz. Hoje tambem como eu. vos admira. tem a felicidade de pelo Radio. Andava na roda do Theberge. por estas lembranças que nos molesta o coração. onde elle sabia da vida ás festas. e conversamos dos nossos saudosos tempos. Eis porque. do Bilu'. Não recusava parada. pois quando por acaso nos encontramos. retirou-se a vida privada. Vianninha foi um doido pelo choro. pois estava sempre prompto para a lucta. pois além de possuir bella. Nas festas onde se achava não havia tristezas. fosse elle onde fosse. Nas modinhas daquelles saudosos tempos. e saudoso violão. acompanhava-nos para todos os choros. com applausos de todos que como eu. elle sabia dizer o que sentia. sempre em baixo do braço. do Brandão do Quintiliano. que Vianninha. Tocava regularmente o violão. VICENTE VIANNA (Vianninha) Conheço bem de perto. só tratando de sua distincta familia. que com prazer. Eu não podia neste meu livro esquecer este grande amigo. este valoroso companheiro firme e seguro e dei o valor real do seu tempo. de mim escriptor destas reminiscencias. te apreciar. acompanhava elle mesmo com ternas e graciosas harmonias. Com seu mavioso. querendo eu dizer.– 199 – que não regateia o vosso valor que tens adquerido com tantos esforços e bôa vontade. tinha sempre belas pilherias e trocadilhos de fazer risos. ainda rola tristonhas lagrimas. o autor destas linhas. e era sublime cantor de [151] boas modinhas. nos olhos de Vianninha. não as perdia. nunca tinha folga. em que tudo eram flores.

Receba pois. conhece todas as praças theatraes do nosso Brasil. polkas bregeiras. Benedicto as felicitações por tudo que descrevi porque muito te admiro. Benedicto. é um maestro professor de muisca. e regente de orchestras de quasi todos os theatros d'aqui do rio. e sendo assim. razão porque se torna . mas ainda existe morando lá para os lados de Nictheroy. Quero dizer com isto que o SÃO JOÃO nosso bom Benedicto Monte. como tambem de Nictheroy de onde é filho e morador. pois. e. em cada conhecido um amigo. As musicas de Benedicto Monte são reputadas e acclamadas pela sua melodia. Musico de nomeada. e merecida dedicação. um admirador. que se immortalizou com as suas valsas lentas.– 200 – E nada mais. possuidor de maneiras communicativas. com a sua [152] intelligencia. Ha muito tempo não o vejo. em casa tambem um bom escriptor que muito tem feito pela grandeza do do velho Bilhar. peças estas que alcançaram exito pelo valor da sua musica e tambem pela verve de trocadilhos finos e humoristicos. BENEDICTO MONTE dignos dos nossos applausos. Elle é um explendido amigo. esse immensunosso Theartro. Benedicto Monte. ou então como regente de alguma Companhia em excursão pelo Norte ou Sul. pianista de renome. Elle tambem tem escripto muitas peças theatraes. tem elle. e partituras de infinidades de peças theatraes. principalmente em se traando de valsas. em cada amigo. além de um eximio maestro é Conheci-o em 1911.

etc. é hoje para mim uma reliquia que guardo com carinho. e aprimorada. e o bibirique. e um canto com uma esteira.. Este que um dia de uma grande festa. São João. era uma creoula seria. e honrada. foi alumno da Escola Miitar. e arte todos os auditorios do rude. estavam num céo aberto. São João é uma casa cheia.. fiquei preso aos laços de sua amizade. e a expressão da sympathia que prende e cativa a todas as pessoas que privam com elle. que tivesse o pirão. nunca dos que frequentasse a sua casa della . que elles se encostasse. De violão em punho. não sahiam mais. E' eximio violonista. a maioria era de chorões desempregados. a sua casa vivia dia e noite. de verve humoristica. Onde encontra-se um abrigo. e que andavam sempre sem vintem. que prende com graça. que era uma maluca pelo chôro. Esta creoula. e sempre chorado Bilhar. E de uma educação fina. chamava-se Maria da Piedade. tive a felicidade de ser por elle apresentado. ao mais selecto. nos lundu' e nas modinhas.. harmonica. E' um grande amigo. que elle tem como um evangelho. Piedade. São João. em sua residencia.– 201 – ravel chorão. pelo modo. e era tambem do inesquecivel. e depois deste dia. e hoje faz parte da commisão Rondon. em meu coração. cavaquinho. E' um grande admirador e propagandista das nossas musicas. abarrotados. flauta. na prosa. e a tinir. que ainda hoje conservo. na declamação. pela maneira gentil do seu fino trato. de Catullo Cearense. CASA EM QUE OS CHORÕES ABARRACAVAM-SE Existia na Tijuca uma creoula de meia idade.

que ella lavava bem. convidando moças para dansarem. estas duas comadres. lombo salgado. A casa de Piedade era um sanatorio de molestias que preciso-sasse ar puro pois não recusava doentes. jogava dentro tres e quatro kilos de carne secca ½ kilos de toucinho. diéta. que o seu bolso estava em falencia. e que era muito procurada. ficarem sem vintem. ainda alimentava estas pobresinhas com remedios. pois as 11 ou 12 horas. que muito a ajudava em casa. o que ellas queriam era o choro. tripa. (isto é) lavando e engommando. Esta lata ia para o fogo ás 4 horas da manhão. buxo. O que ellas ganhavão. era para gastar na venda no açougue. já estava em ponto de bala preparado para comer-se. [153] As panellas que Piedade fazia os pirões era uma lada de kerozene. Não encommodando-se de no fim do mez. De maneiras que. e ali os chorões se atolavam. pois tinha grande freguezia e ajudada no trabalho. por uma mulata sua comadre de nome Felismina. As duas comadres se deleitavam com estes chorões. escaldava e depois. e mais que . eram fanaticas pelos choros em sua casa cotidianos. A mesa era posta no quintal que era grande.– 202 – abusasse. e mais pertences. A feijoada era sempre acompanhada de um bello paraty. que mandavam buscar em uma venda que era dono. etc. Estes doentes eram quasi sempre dos que estavam mal de vida. um senhor Antonico Ferreira. Vivia do seu trabalho. pois caprichava muito nesta qualidade de bebida. além dos chorões que ella sustentava e abrigava. pois Piedade. e outras vezes em aluguel. desde que qualquer destes chorões pedisse. que ia até a madrugada. no Padeiro.

Os componentes das festas naquelle tempo que frequentavam a casa eram: O escriptor deste livro. Mario cavaquinho. Luiz Brandão. ella chamava que com o grande conhecimento que tinha no logar. fulminada por uma syncope.– 203 – fosse preciso. Seu velho e Juca Russo. E assim apagou-se uma vida que deixou grandes consternações nos chorões e toda aquella população. onde ella tinha numerosos camaradas. pelos grandes. um filho de criação apelidado de Passarinho e tendo omesmo feito uma desordem na Muda da Tijuca. até medico. João Cabelleira. Corte Real. Seu Velho. aconpanhado pelos cavallarianos que chegavam a metter os cavallos dentro da mesma. e até muitos musicos que foram do Arsenal de Guerra. tendo o seu corpo sido enterrado no cemiterio de S. Horacio Theberge. e com medicos que para elles e as familias. estando nes[154] te meio o escriptor. nada pagava. e mesmo remedio que elles davam com compaixão da doente e o acto humanitario de Piedade. e tomando ella um grande choque. por muito bem que praticou. onde ella era venerada como uma santa. Ismael Brasil. e na approximação dos cavallarianos pelos mesmos. Piedade morreu victima de uma scena brutal de dois cavallariano. E muitos outros que não me vêm a mente. Baziza. ao entrar na casa correndo. pois tendo Piedade. Francisco Xavier. João Cabelleira Quintiliano que era o flauta predilecto. Juca Russo. cahiu para traz. annos já passados. sendo acompanhado por muitos chorões. TINOCO .

Dario Cleto. Tinoco naquella roda. elle na sua valente flauta. como era conhecido. Tito da Praia. Alfredo Caveira. Luiz Boccamolle. em tom baixo só para elles escutarem. Dominguinhos da Sé. Alli Tinoco com Antonico Moura. Anthenor da Praia.– 204 – Conheci-o. João Cabelleira. e já por mim descripto. . que o adorava. Posso mesmo afiançar. De maneira que não deixavam socegar o bom Tinoco. esquina de Andradas. ou cavaquinho. Estava sempre no Largo de S. era tambem respeitado. e que era muito apreciado. bem difficultoso de ser prehenchido. Diogo da Lapa. Era muito conquistado não só pelos seus amigos. podia comparar-se com Tinoco. Faria Menino. com grande prazer. com a linda vóz que possuia. Francisco. MADEIRA Conheci este distincto amigo em diversos bailes que junto tocamos. Felix Roxinho. que bem poucos cantores de modinhas. que com outros bohemios daquella época. Vicente Italiano e muitos outros campeões bambas que alli se reuniam. Era um excellente amigo e companheiro firme para tudo que se tratasse do chôro. Ferraz. como tambem por muitas familias. pois carregavam para todo logar. Maneco Linguiça. com os mais. que era um primor. não fazia outra coisa se não cantar boas modinhas. o que elle adorava. não só por ser este predicado. afim de contar as suas proezas. afim de cantar suas bellas modinhas. e eu o acompanhando de violão. reunião-se em uma venda alli existente. deixando assim um claro. e alli. que para elles era o maior prazer que podia existir naquelle tempo. Napoleão Faquista. Angelo Pinto. que era dono um tal chiquinho. como tambem pela sua finissima educação. Também já é morto.

. Elias era irmão de sangue do grande professor de musica João Elias. não sabendo se ainda é vivo. que elle tocava com amor e carinho. Quasi todas as musicas que tocava era deste incomparavel flauta. e adorado pelos donos dos mesmos. Madeira sabia dizer naquella flauta os segredos mais profundos que um coração possa sentir. cargo em que se aposentou. de quem já fallei. Tocava em uma flauta de cinco chaves. o apreciava-o gostosamente.– 205 – Era elle estafeta dos Telegraphos. Tinha grande predileção por Callado que elle adorava. Nos choros quando era convidado. amigo dilecto de seus amigos. para dar conta de seu recado. em que elle era conquistado. de quem nunca me cansarei de elogiar. Foi organisador dos choros dos maxixes naquelles tempos. porém não ficava devendo nada. Seu instrumento predilecto era a flauta. não dizia que não! Pois sua blauta estava sempre prompta para o serviço. e que faço votos que sim. e que não tivesse compromisso. Sinto-me orgulhoso de reelembrar aquellas musicas todas! (Que se aguentasse os pobres acompanhadors) que se viam tontos. aos que tocavam a [155] de novo systema. Nos choros que com elle toquei. ELIAS Foi chorão afamado. e venerava. Depois aposentando-se nunca mais nos encontramos. pois elle era um obsecado pelas musicas do sempr chorado e lembrado Callado. Era excellente chefe de familia.

e amigo distincto. Soares bombardão. Juca Valle. Eram seus acompanhadores. e as vezes até pelo dia acima que era um primor. O Binoca trombone. e o Antonico dos Telegraphos de ophicleide. com o nome de Alcina. EDMUNDO . e que um ainda me lembro que elle. Escreveu muito bons choros. era um chorão de patente pois. tambem de violão. e dos que quando botava a bocca na flauta. tratava a todos com o maior respeito. o Theotonio Machado. onde todos eram tratados com a maior consideração impossivel de descrever-se. Infelizmente já fallecido a bastante annos. e ainda outros que não me lembro já pelos annos passados. e no entanto era um coração de ouro. os acompanhadores aguentasse! pois era chôro. floria com sua maviosa flauta nos bailes em que se dava. Era excellente flauta. Companheiro de Cypriano. o Antonico Piteira de cavaquinho. e assim ia até de manhã. em cima de chôro. como tambem dentro de seu lar. frequentava n'aquelle tempo a casa do Caixerinho e do Mamede lá para os lados da Piedade. por isso não gostava muito de brincadeiras. o ventura Caréca de violão. se esquecia de tudo quando estava de violão em punho.– 206 – Além dos maxixes em que tocava. Tinha um genio retrahido. TABACÃO Tocava violão e cantava bôas modinhas. naquelles bons tempos. Privei com elle não só nos choros. que era uma belleza. Néco e Luiz Brandão. Morava elle em Nictheroy onde era um bamba. e consi[156] deração. offereceu a filha de um meu collega.

Néco. era frequentada pelos chorões d'aquella época como foses Luiz Brandão. Mario e Galdino cavaquinho. razão porque. e muitos outros. Henrique rosa. Placida dos Santos é irmã do inesquecivel. Catullo. Elle é uma fervorosa admiradora do violão. seu instrumen[157] to predilecto. Este musicista immortalisou-se com as suas musicas maravilhosas. Bilhar. e frequentei a sua morada que era um céo aberto de grandezas. foi em seu tempo uma garganta de ouro. com quem andei em muitos bons pagodes aqui na . compositor eximio. A sua mesa era farta em tudo. Fez a sua época de admiração e deslumbramento no antigo Eldorado sito ao Becco do Imperio na Lapa. onde o luxo se intervalinhava com a simplicidade dos seus usos e dos costumes. Sabia cantar com gosto as modinhas Brasileiras lundús bahianos apimentados e buliçosos e tambem dizer com arte os monologos humoristicos. Foi elle o autor da musica da explendida modinha do nosso bom e explendido poeta Catullo Cearense "Talento e Formosura". Com ella privei. onde tornou-se o idolo das platéas. Lulú Vasconcellos de saudosa memoria. Quinca Larangeira. Era a Placida dos Santos nesta occasião uma bella morena côr de jambo com todos os requesitos de uma artista consumada.– 207 – Artista de merito. Ella foi uma estrella que brilhou em todos os palcos brasileiros do Sul ao Norte. Muito simples e modesta tornava-se deste modo cummunicativa. Dizendo isto disse tudo o quanto podia dizer deste grande artista. PLACIDA DOS SANTOS Digna de admiração.

– 208 – nos bailes e mesmo na intimidade desmanchar-se em duetos. – Deixando o numero dos vivos muito cedo. valsas. Placida. Capital e em Nictheroy. tratavam seus amigos na JORGE LINO PEREIRA intimidade. . finando-se na flor da idade. tendo o seu throno de apogeu como rainha que é de todas as tradições festivaes de Momo do Club dos Democraticos. ainda vive. Vasconcellos não tocava nem cantaa. quando ouvimos as maravilhosas composições dos mestres Anacleto de Medeiros e Irineu de Almeida. o meu admiravel amplexo. para onde havia partido Quem conheceu o em busca de melhoras para a sua "molequinho da fláta". (Minas). Era tão sagaz que muitas O cantor dos tempos vezes o vimos junto ao Edgard. como o saude. mesmo porque Lulú Vasconcellos e Placida dos Santos eram dois corações irmãos com palpitações iguaes. Hoje. nos choros. de saudosa memoria. mas. tangos e quadrilhas. temos a impressão de que estamos ouvindo o grande flautista Leocadio. executadas por outros. era muito considerado na roda dos chorões. Lulú Vasconcellos falleceu e Placida está inveteravel carnavalesca. Receba pois. e por esta razão rendo aqui uma homenagem. este ornamento artistico. deixou sangrando o coração da sua extremosa mãe e immoredouras saudades dos seus amigos e companheiros que não tiveram a ventura de prestar-lhe o ultimo conforto em virtude de haver LEOCADIO DA CONCEIÇÃO fallecido em São João d'El-Rey. é que pode dizer o (Bambino) flauta chorão que foi Leocadio.

polkas. as poesias do seu vasto repertorio. pois não só solava. empolga o auditorio mais exigente. que supre o . Era da turma de Mario. que o acompanha admiravelmente ao violão. instrumento este. tangos e lundús que pontificavam Catullo. Lulu' vendo ser tocado e inventado por Mario. de tambem aprender. Antenor de Oliveira. Galdino. Napoleão. Este instrumento não havendo nomenclatura na musica. Ainda hoje se lembra e canta musicas de nem sei a quantos annos atraz. como tambem acompanhava muito bem. que não conheceu o bom e excellente amigo Lulu' cavaquinho. Quincas Laranjeiras. Era o grande executor acima de uma habilidade bellissima neste instrumento. Dentro do craneo do Bambino existe um deposito de modinhas ternas. Sabendo dizer. o que conseguiu com Mario. metteuse na cabeça. valsas. LULU' CAVAQUINHO Bem poucos serão dos farristas de agora. Benjamin e muitos outros cantores e compositores de versos. Causa admiração ver-se um cerebro previlegiado como o do Bambino.– 209 – passados e ainda de hoje. Eduardo da Neves. com grande facilidade. não deu o seu quinhão ao vigario. com perfeição. em doze. e muitos outros chorões. Juca Russo. transformando o cavaquinho de quatro cordas. E' o verdadeiro cantor de salão o Bambino. Jorge Seixas. Para isto basta que elle [158] esteja disposto e que se ache com elle o Chico. alguns ainda vivos. Mario botou o nome de Bando. sem faltar uma só phrase.

fazendo com elles grandes amizades. e carioca de coração. principalmente ao bello sexo. e muito o apreciava. que tinha-os muito bons. Hoje bem poucos o tocam. sem precisar recorrer as oitavas. Deixando muitas saudades. Era um violão respeitado. Na sua casa Tafy fazia o regallo. não só nos acompanhamentos como em solos. de lá já vinha o seu conhecimento desde pequenos. Morreu no seu quarto repentinamente. Muito toquei com este chorão. Tafy logo que aqui chegou em pouco tempo. TAFY Era bahiano de nascimento. relacionou-se com os grandes. Apreciei muito este executor de violão. a não ser o grande musico Jorge Seixas aprendendo o mesmo sem mestre. tambem era um bom cantor de modinhas. além de ser um sublime violão. como as mais pessoas que sempre lá estavão. de que muito se orgulhava. principalmente. não só de Mariquinhas. Tinha bellos accordes. pois sendo elle bahiano. que eram excellentes. [159] Tafy. que fazia arrebatar os auditorios. já o conhecia de seu Estado natal. e pequenos chorões desta capital. pois tocava com grande primor e arte. onde eu pude pegar um delles. que eram ás dezenas. Tinha tambem bella voz. . tendo lá sido encontrado. em casa de Mariquinhas duas covas. Lulu' foi da turma dos bons. e tambem sola em qualquer tom. que é em Fá sustenido menor. das que trouxe de seu estado. que sendo Bahiana tambem. ainda hoje o seu nome é lembrado e commentado na roda dos chorões. Mariquinhas muito gostava de Tafy.– 210 – cavaquinho.

não se fazia de rogada. atravez deste apparelho que é a admiração do mundo inteiro. Não são só os que tocam no Radio daqui. recebia todos com o maior carinho. e que todos os conhecem os seus feitos. o quanto merecem não só pelas suas encantadoras vozes. Infelizmente falleceu a pouco tempo deixando grandes saudades aos que a conheciam. a distincta familia Neves Gonzaga. ARTISTAS DE RADIOS Quanto aos artistas do Radio deixo de mencionar seus nomes pois todos elles pode-se dizer. com os seus dedos habeis e admirados principiava com um chôro composto por ella pois são innumeros. Tocava tambem o classico. na sua casa. e gloriosos. Neste livro que só a força de grande vontade pude escrever deixo os meus sentidos pezames e immorredouras saudades. tinha grande predilecção pelas musicas de Carlos Gomes. Paganini e muitos outros grandes musicos. abria o piano e.– 211 – CHIQUINHA GONZAGA Maestrina e compositora. sempre risonha e satisfeita. Chiquinha Gonzaga. Puccini. tambem adorava as musicas de Verdi. Era de um gosto extraordinario como nenhum ainda apareceu. de um tratamento sublime. Quando pedia-se para tocar um chôro. era de uma educação finissima. como tambem pelos os instrumentos que os acompanham pois que são de uma sublimidade impossivel de descrever-se. Leoncavallo. Chiquinha. que são artistas de hoje. Todos conhecem bem. tambem os do . conhecia o piano por dentro e por fóra. foi uma das primeiras pianistas em todo o Brasil. que ella conhecia com grande profisciencia. e fazia a delicia dos que a escutavam.

é um mais selectos. os seus admiradores Pastoril. conhecia de sobra. de bellas harmonias. que em suas mãos belleza de suas marchas. o vozes como tambem o acompa. Canção extasiar. e com a era o violino. As suas producções tem a Brasileiros como tambem o seu conjuncto de musicos que fazem soberania das inspirações que a gloria do Radio.todos os seus collegas de classe. já tem o seu nome feito em todas as rodas do chôro.– 212 – grandioso Estado Bandeirante. e por esta razão o nosso festejado Bonfilio seus ouvintes. e tambem de encanta as multidões. Aqui dou os meus applausos magestade do seu pistão dolente a todos os cantores dos Radios e mavioso. Em outra edição direi musico que honra a sua classe com mais justeza o valor real pelo seu saber. os de harmonia levou este querido segredos de seu instrumento que Rancho ao apogeu. que fazia a Luz da Inspiração. pela sua . a Queda da Rosa. que tanto o admirava. rões daquelle hospitaleiro Elle é um astro que circula em derredor do Radio com a Estado.seu nome figura na vanguarda de nhamento destes distinctos cho. ERNESTINO SERPA Elle immortalisou-se no Já é fallecido este grande Ameno Resedá como Director artista. em dilluvio sejam: O Sol. como dizia o que sentia. deste grande artista. Consolação e outras. em que os artistas são sublimisBONFILIO DE OLIVEIRA [160] Musico por excellencia simos não só com a sua suave eximio compositor e executor. Assim sendo Bonfilio.

ARTHUR MARTINS Conheci este. onde elle é um esforçado cumpridor de seus deveres. . Este excellente musico tambem fez parte da orchestra do Ameno Resedá. onde se glorificou ainda mais o seu nome. era um dedicado amigo e companheiro do flauta João Pinheiro. um dever de gratidão merecida. bom clarinetista dedicado amigo e collega que honra a classe dos carteiros do Correio. mas sim. (o Zinho) de quem já fallei. em Nictheroy.– 213 – modestia. Arthur Martins. O que faço aqui ao bom Arthur Martins não é uma homenagem. e a minha admiração por elle é tanta que estas linhas não traduzem tudo o quanto eu teria de dizer sobre este grande artista.

(perdoem-me a immodestia) era. no trombone. Irineu de Almeida. no saxophone. Mas. Néco e Alexandre. cantando. na flauta e eu. no violão. MATTA ILLUMINADA: – "Anacleto. que só a saudade poderá consolar as suas lagrimas. Candinho. Gonzaga. em uma serenata. E aqui transcrevemos o que diz Catullo Cearense. no seu livro de poemas.– 214 – [161] Aqui tem o leitor a photographia de um grupo de "chorões" antigos. Luiz de Souza no piston. no bombardão. Chico Borges. a maior homenagem que a noite podia receber de corações humanos! e quantas vezes nós offerecemos a Deus este espectaculo. Gasparino. n'uma esplendida noite de luar!!! Que saudade!!!" . Galdino. no cavaquinho. se é velho. verá este quadro apenas com curiosidade. pois terá uma recordação tão profunda. no ephicleide. Se o leitor é moçõ. tirada na ilha de Paquetá em 1° de Fevereiro de 1906. sentirá os olhos cheios de agua.

oplicléide. Irineu de Almeida. Luiz de Souza. um grande chorão de trombone. de violão. clarinete. . Gonzaga da Hora. e outro chorão de violão. Estulano. bombardão. pistonista.– 215 – [162] CHORÕES DA VELHA GUARDA [IMAGEM] João dos Santos.

faz parte no cliché dos chorões publicado neste livro. Tambem já fallecido. Nictheroy e até em S. Quaty era musico de verdade. Acompanhava-os choros de ouvido. Gonzaga da Hora. quando tem que dizer qualquer predicado de homens como o acima estas linhas. A narração dos perfis dos chorões da velha guarda em companhia de Luiz de Souza. com uma admiração impossivel de descrever-se. onde celebrisou-se com seu mavioso instrumento que era trombone. que foi o explendor dos musicos nesta cidad. mas sempre lembrado por todos os chorões da velha guarda. onde elle contava innumeros amigos. E' já fallecido. com grande belleza. pois conhecia com grande facilidade.– 216 – [163] ESTULANO Este chorão. a bastante annos. Era distincto amigo e de finissima educação e trato. Elle foi um violão bamba e dos bons. e arte no seu instrumento. onde com o primor de seu violão emprestou ao campeão de Harmonia o brilho valoroso de um grande artista. JACINTO COSTA (O QUATY) Teve grande nomeada este celebre musico. Juca Pistão. Onde estivesse o grande chorão. paulo. Irineu Battina e outros. fazendo os encantos nas notas de extasiar. JUCA PISTÃO A minha penna treme. não havia tristeza. e brasileiro de coração. pois era muito pandego e brincalhão. era portuguez de nascimento. Foi um fervoroso Resedá. Vindo para . Naquelles tempos o seu nome andava de bocca em bocca.

e assim não. A sua bolsa estava sempre aberta para todos aquelles que uma necessidade tivesse. pois Juca. do Portão Vermelho e outras muitas que pelos annos não me recordo. e intelligente. na Sociedade Musical da Tijuca. apezar de sua pouca instrucção não pensava assim para sua filha. como sejam o Club União Independencia Musical. e seus conhecimentos a maior dôr com que se possa descrever. deixando nas suas collegas. encrustado de brilhantes. Falleceu em Guaratiba regendo uma Escola naquelle logar. Naquella casa de saudosa memoria tinha um bello Pleyel. Juca. se exhibia em bellos tangos. [164] pelo Instituto Profissional Municipal. não dava a isto occasião. 214. Era muito conquistado pelos mestres de bandas Musical. Era a mesma muito prendada. de um coração de ouro. Tocando muito bem o Pistão instrumento de sua predileção. aqui se aclimatou. polkas. onde uma sua filha unica. fazia nas festas que sempre lá se davam os encantos daquelle lugar. que fazia os encantos daquella santa vivenda. não medindo esforços para que tivessem o maior conforto. A sua casa vivia sempre cheia de amigas necessitadas. operas e mais. pelo seu saber e arte. .– 217 – o Brasil bem pequenino. como sua filha. Foi musico de muitas sociedades. tornando-se um perfeito filho desta patria. Alli não se fallava em tristeza. O seu pae era o prototypo da honradez. era outro coração de ouro. sem grandes difficuldades poude dar uma carta de professora. que recebia sempre com carinho. onde aquella casa era um verdadeiro céo. Morava elle na rua Barão de Mesquita se não me engano no n.

muito a contragosto dos seus innumeros admiradores. ella se harmonisa com o violão e o cavaquinho que aqui nas paginas deste livro procuro. tive a felicidade de com elle privar. Aqui no homenageando chorão. pois quasi sempre das suas musicas tinha de fazer o "bis". que tinha o dom de declamar. que não quero morrer sem vos ouvir e acompanhar no meu violão ou no meu cavaqui- . E' um dever meu consideral-o sem favor. onde privei no seio de sua familia em que era tratado com a maior distincção. Fui muito amigo deste inesquecivel musico.– 218 – de que elle era um profissional. Infelizmente tambem já fallecido no mesmo logar de sua filha. agora com armas e bagagens para o saxophone. deixando as maiores saudades. Em bailes que tocava tinha a primazia. E sabe porque? Porque. pedindo. o instrumento da moda figura obrigada nos Fox-americanos. Enquanto isto a flauta é. Era funccionario da Estrada de Ferro. Este grande chorão era querido e tinha primazia pelo modo correcto e fino trato. e tento reviver. porque o saxophone é hoje em dia. ESCOBAR Explendido pianista. pois no seu instrumento fazia a graça e arte. implorando ao meu bom e querido Antonio Maria. a pedido dos convidados. que a todos encantava. a todos que como eu. e será [165] sempre a rainha melodiosa da nossa musica brasileira. meu este livro grande ANTONIO MARIA Um eximio e melodioso flauta que se passou.

Solava admiravelmente e tanto assim que só vivia da musica. FELIX ROXINHO Bahiano de coração. Carramona. e com grande maestria. que a todos tratava com a maior distinção. CATANHEDE Era oriundo de uma distincta familia desta Capital. Quem não . O seu instrumento era a requinta de que elle tocava muito bem. como tambem a sua esposa. como tambem os choros dos inesqueciveis.– 219 – nho as tuas composições. que estrondava em todos os auditorios. que lhe pagavão bem. dando a vida por uma farra. Desde que se casou. em festas e bailes. pelo valor que elle sempre soube dar a musica. com sua vóz de baritono respeitado. Casado com uma filha de Mariquinhas duas covas de quem já fallei. sempre morou com sua sogra. e por isto muito querido. Toca pouco violão. Irineu de Almeida. JOÃO BRASIL Este chorão me foi um dia apresentado pelo consagrado poeta Catullo Cearense. e tocava nos circos. não só a ella. e com isto sustentava dignamente a sua familia. tornei-me delle amigo. que o adorava. e é apaixonado pelas modinhas. Era tambem distincto amigo. pela maneira digna e amavel que tratava. registrando assim o meu pedido cheio de esperança porque sei que vou ser attendido. Anacleto. Luiz de Souza e muitos outros. tambem já fallecido. dos chorões. Conhecia bem a musica. e desde essa ocasião. Só não tocava de graça pois fazia da musica um emprego de que pudesse viver. conhecido em todas as rodas. que com tanta expressão e gosto executas.

que scismava a sombra difficuldade. Solava admiravelmente boas polkas.esquece. me grande folgazão. Nebulosa Eu vi sentado. porém bom amigo e . As aguas correntes. em um tronco verde A rosa que ao nascer.. Nos choros em mais do que grande força de que tocava. Thiburcio daquelle mavioso instrumento. como fosse. Companheiro firme e ba. fazia gosto ouvil-o.– 220 – com muita graça e arte. A laranjeira rebentando em flôr. vontade. pois era senhor de todos os segredos que já se foram.. tangos e etc. especialisando nesta [166] que ainda mais ou menos. Era de uma presença de espirito incalculavel. Cantava com muito sentimento e graça. homem dos grandes almoços. no entanto isto não é tuta respeitado. seguro.. depois de ter sido um genio aleconheceu Felix Roxinho? De saudosa memoria. que multava os convidados quando não compareciam as suas festas. não me recordo. grandes difficuldades. Os Anjos Bahianos. era uma belleza sem igual. Conhecia os segredos ainda por ahi existem. para fazer lembrar aos Era violão. e muitas outras de Trajando as vestes do primeiro amor. As modinhas lembro: cantada por elle trazia os violões de canto chorado.passar dos tempos tudo se cado. e COELHO mesmo este acima não tenho grande confiança pois com o Foi tambem um amigo dedi. tal a sua Foi pela séxta.. Em fim os outros versos que THIBURCIO MACHADO acompanha. No acompanhamento dos instrumentos cantates. e de grande muitos velhos cantores que valor.

ingenuo como elle. Vasques. que não sei quando teremos aqui neste planeta um outro Xisto Bahia. Tambem sabia recitar com graça os seus monologos. ao ler nos orgãos desta Capital no anno de 1889. senhor da magia das musicas Brasileiras. Artista que tanto prestigiou as nossas peças nacionaes e tornando-se senhor de todas as platéas tal er os seus dotes scientificos que possuia na arte de representar revistas. XISTO BAHIA Actor Brasileiro. Pinto Velho. o seu suicidio nas mattas das Laranjeiras. que annunciou a prosperidade do violão. e no meio musical. Quem não conheceu Xisto Bahia? O Conegundes da vespera de Reis. que era seu devotado instrumento. e comedias. Tocava bem violão especialista nos [167] lundús e modinhas Bahianas. Mattos. tal o seu grande valor como bom amigo. Ninguem como Xisto Bahia n'aquelle tempo fazia um maluco rustico. . E assim desappareceu uma vida para o chôro tão preciosa. do Norte ao Sul do Brasil. Para finalisar vos direi leitor. em tudo que era genuinamente nosso. Se elle hoje ainda existisse estaria regosijando com o progresso deste instrumento maravilhoso que se chama violão. Colás. senhor do braço do violão. Dias Braga. principe do Theatro Nacional. Muito querido das platéas do Rio e de Nictheroy. que venceu igualmente na vanguarda de todos os actores do seu tempo como sejam: Affonso de Oliveira.– 221 – gre e folgazão. emfim. difficultoso de preencher. Guilherme de Aguiar. finalmente. Foi um propheta. dramas. Foi um grande chorão. deixou todos seus amigos perplexos.

Tocou em muitos annos. deixando grandes saudades. de fazer arrebatar. Sociedades. que elle com bastante perfeição. e dos sabia naquelle instrumento dizer bons. e Maria Arauna. Tocava muito bem o seu instrumento. Tocou executava com muita perfeição. onde elle residiu por muito tempo. O bom amigo acima era baDescrever João Quadros é um hiano de nascimento attendo-se aposentado no cargo de carteiro. e que faziam parte com quem Xisto se rivalisou em admiração. Já fallecido a muitos o que sentia. em muitos bailes em sociedades Acompanhava muito bem. na casa da Maria um nivel de Arauna. e era o trombone nas festas que dava DEODATO MATTA quasi continuamente em casa da Foi chorão de facto.. acompanhou chôro alli pelo Catumby tambem grande chorões daquella época e estava o bom do Felippe. pois distincto companheiro. quadro triste para mim. muitos outros Conheci muito de perto este da sua turma.– 222 – Brandão Velho. bons bailes. O seu instrumento era o trombone. Quadros era um amigo dedicado. Tambem tocava bombardino inveterado. era farrista de só com a parte a frente como verdade. Era senpre a contento de todos. JOÃO QUADROS Ranchos etc. não dansantes. onde houvesse um tambem de ouvido. João Foi residir no seu torrão natal [168] e lá falleceu. Bahia sempre chorão. Companheiro para FELIPPE TROMBONE .

dirigia-se aos tocadores e pedia para a acompanhal-as. fazia-se bellos pitéos acompanhado das competentes bebidas. com batatas. como nas bebidas. que era a granel. os malandros que lá estavam só esperavam a hora da boia. João Quadros. De vez em quando uma das do bello sexo. e lá vai uma daquellas modinhas daquelles tempos: Na hora que se cobre De nevoa a serrania O sino em triste dobre Murmura Ave-Maria E assim. Privei com elle. mais.– 223 – tudo. com o maior gosto. não só nas comidas. Emquanto cantavam. e o paraty. outras temperava. principiava-mos a 1° de Janeiro e terminava-mos a 31 de Dezembro. que no sei de sua familia. e alli todos os dias faziamos farras immensas. estavam soluçando com bôas polkas e. dava as ordens para a mesa. pois a barriga já dava horas. e finalmente. outras fazia os doces. No nosso quarto. vinho. matava e depennava as gallinhas. todas trabalhavam. Eu posso dizer de cadeira. Cada uma destas componentes tinha sua missão uma. Ao sentar-mos ia se servindo a vontade.. modinhas cantada por cada uma dellas. etc. que estava cheirando appetitosamente. Morei em um quarto com João Quadros na rua Miguel de Frias. que . Os violões e cavaquinhos. quem foi este distincto meu amigo.. Amigo assim existiu muito poucos. gallinha ensopada. que era uma bella feijoada. arroz. como fóra dela. com outras. continuava. hiamos para a mesa na maior alegria. acompanhada com todos os pertences de porco. Aparecia nestas festas quotidianas grande quantidade do bello sexo. De vez em quando.

e continuar na mesma alegria. tambem grande chorão da flauta. por não mais me [169] lembrar. Juca Mãosinha. deixando muitas vezes. dizendo. que era um bom solante. agora sim! Estaes ficando malandro. João Quadros sempre foi muito meu amigo e companheiro. Ventura Caréca. Lá se achava Juca Duro. Tocava muito pouco violão. Tiburcio Machado Coelho. e adjacencias. pois perdi a vergonha de cantar. Juca Russo.. Conheci-o muito moço ainda. ficar comendo. Lá pelas tantas cada um procurava um logar em qualquer canto. pois era de um genio folgazão. fiquei bamba em tudo. E com a continuação de sua companhia. João Quadros. João Quadros. mas cantava boas modinhas. tambem comparecia a estas festa quotidianas. e eu folgado. tocar. Esse meu . rompendo o cavaquinho tocado por Nenê. comer e tudo mais sem acanhamento. Após o bom repasto todos se levantavam na maior alegria. Mario do Estacio. por elle mesmo acompanhada. e muitos outros impossivel de descrever aqui os seus nomes. e bom acompanhador. que fazia as delicias daquella rua. fazendo o acompanhamento que era delicioso. era a figura maxima daquellas festas. pois aprendi com elles a comer ligeiro.– 224 – principiava com a brasileira. o sempre chorado flautista Quintiliano o Guilherme Dias. quando sahia-mos me felicitava. Acompanhava de violão Juca Mulatinho. e co elle fiz uma amizade. pois estaes perdendo a vergonha!. para descansar outros retiravam-se para suas casa e para voltar no dia seguinte. mais que irmão.. e era o seu fraco. gostava muito das farras.

fazia uma ou outra sahida. e finalmente muitos outros que não me vem na meoria. pois sendo uma familia grande. e andando eu sempre com João. era o incumbido de arranjar os musicos. Alfredo vianna tambem de flauta. lá me achava [170] do de ophicleide. para distrahir-se. tambem de quasi todos os dias.– 225 – amigo era cocheiro. onde seu filho ás vezes. em frente a Travessa do Rio Comprido. distincta. O escriptor destas linhas. ali se festejava todos os annos. e pessoa seria. não sem custo. os musicos daquella época. Quadros. de violão ou cavaquinho. tocando toda a noite e as vezes. que nunca tinha levado nenhum amigo na casa de seu pae. convenceu de acceitarme como bom amigo. Binoca de trombone. com grande pompa. bastante cançados e somnolentos . filho tambem de um velho cocheiro que era appellidado por José Sinhá. Nenê Mario de cavaquinho. era um céo aberto. que era meu saudoso irmão: Quintiliano de flauta. e cavalheiros. Naquella casa havia quasi sempre bailes. Cantalice de vioino. Theotonio Machaviolão. A casa do pae de João Quadros. pois já muito tinha perdido a vergonha. pelo dia a fóra. de cada uma pessoa que fizesse annos. Tiburcio Machado Coelho. o que seu pae cedeu. almoçando e jantando. era uma festa. Eu escriptor deste livro. ali tudo era fartura. até Nossa Senhora da Conceição. E assim abarrotava a casa de musicos tornando-se um chôro bom e de respeito. Então trazia as festas. que era um regallo. que trabalhava em uma cocheira muito antiga na rua Hadock Lobo. As damas.

Felizmente Benildo ainda vive. como poucos. as suas proezas neste instrumento são phantasticas! farrista. porque na hora marcada Moleque Diabo está firme com o seu maravilhoso instrumento! . é tambem chorão da corôa! todos os chorões antigos e modernos prestam homenagem a este excellente musico. acordavam. com o meu inseparavel e distincto amigo Benildo Manoel dos Santos casamento este. que a todos muito agradou. E assim se foi a minha mocidade. quando todos se retiravam com grande pezar. precisam de seu concurso para abrilhantar uma festa intima pode contar com a sua palavra. num chôro faz os maiores successos com as suas extraordinarias paletadas. Ainda recordo-me do casamento de uma das filhas de José Sinhá. principiava-se a cantar as ternas modinhas daquelles tempos e assim hiamos até a noite. E no meio daquelle prazer todos se levantavam indo para a sala de visitas. entornava as bebidas nos copos e sempre fazendo versos.– 226 – dormitavam nas cadeiras. para alegria. e satisfaçào minha. Dahi a opuco João Quadro com aquella bizarriam. pois durou tres dias na maior alegria. cada um assentado nos seus logares. causando grande risos. João Quadros sempre amavel. é um dos maiores bandolins. tristes lembranças. principiavam o mastigo que era uma belleza. irmã de João Quadros. ia dizendo: hora do pirão! vamos para a mesa! todos immediatamente. que foi uma apotheose. Moleque Diabo. e bohemio. ARISTIDES (Moleque Diabo) Moleque Diabo. e saudades. e pilherias. é amigo certo pois quando algum dos mesmos. só deixando.

fazendo grandes applausos do respeitavel publico. pois. Além deste seu prodicado. onde elle tambem com graça. que muito o apreciavam. e bons monologos de fazer hillariedade!. não podiua no seu tempo ver defunto que não chorasse.– 227 – [171] EDMUNDO DANTÉS Foi immenso e admirado chorão de seu tempo. e recitados nos palcos.. fazia as delicias de seus apreciadores. excellentes modinhas. e nunca esquecidos tempos. em que representou papel de grande importancia. Tinha uma bella vóz. com os grandes flautista por mim já descriptos no principio deste livro. acompanhava com grande saber os instrumentos cantante. Tocava com grande perfieção o seu instrumento. que muito o apreciava pelas suas qualidades de homem probo. foi tambem grande actor theatral. nos theatros desta capital. e de grande cultura intellectual. que era o violão.. e de agradar. cantando bellos lundús. tal a maneira agradavel do seu acompanhamento. Recitava belas poesias. Solava admiravelmente. Tocou e fez bellos conjunctos. Dantés foi ensaiador de muitos theatrinhos em diverso arrabaldes da nossa Urbis. o Ildefonso de Albuquerque. como fazendo bellos versos para serem cantados. Foi muito bom e distincto amigo. e nelle sabia fazer a alegria. Onde elle estivesse tocando não podia haver tristeza. não só escrevendo peças. pois cantava modinhas daquelles saudosos. Era irmão de um distincto amigo meu. e recitando bellos monologos. Hoje velho. e cansado pelos . e assim gostava tambem de um baile. com uma perfeição divina. tambem como seu irmão. e arte sabia se exhibir. de alto intellecto.

em que tantas vezes com meu violão o acompanhei. e contentamento dos convidados dos choros. e respeitado nas suas dedilhações [172] que eram sublimes. e não volta mais. pois amigo como tú! faz-se preces ao creador. pranteio a sua morte. Luiz Brandão de quem era amigo inseparavel. que o adorava como acompanhador sublime. e sei dar o valor deste apaixonado do violão. Convivi muito com este distincto farrista e ainda hoje. Familia. Fazia no seu instrumento accordes sublimes e de alto valor musical. que o meu mais que distincto amigo.– 228 – janeiros que se vem multiplicando quantas vezes nas hora de sua nostalgia. amadurecendo em seu mento estes bellos dias da sua infancia. Daqui de nossa mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. de qum sempre tive sempre o Soares bombardão respeitado que tambem sabia grande veneração. ao ler este insignificante apanhado dos feitos do nosso tempo. dizer as suas maguas naquelle . Toquei em muitos bailes em Nictheroy. o grande e immenso Felisberto flauta. saiba que o velho Alexandre. Onde estivesse Cipriano. e mesmo aqui nesta Capital. que aos centenares juntos estivemos. mas um dilecto amigo. Neste conjuncto se achava a tua vida ao lado de sua Exma. não esteja sentindo esta mocidade que se foi. CIPRIANO DE NICTHEROY Escrever os grandes feitos deste heroe: equivalle uma epopéa. ainda não esqueceuo. tambem estava o inveterado chorão. para que perdure por longos annos. Cipriano não era só um chorão. Acompanhava admiravelmente. fazendo o agrado.

Muitas vezes. era doidinho por este conjuncto. tres e quatro gordas gallinhas. vinhos. onde ia commigo. pois Cipriano era uma sentinella avançada na alegria. os chorões acima. o azeite de Dendê que fazia nas comidas por elle feitas uma delicia. que era uma beleza. No arriar os gallinaceos no quintal de sua moradia. paraty. e alegres dias. fazendo appetite aos fastiosos. bons. nunca esteve triste. e logo após esta cerimonia cahia na rua. Acompanhava-o um individuo qualquer que com elle vinha ajudando-o a carregar a malutagem para depois de prompta moder-nos. e trocadilhos nada ficava! a não ser os ossos. uma perna de porco.– 229 – instrumento. para depois vir abraçado com duas. pois tambem com seu mavioso violão. fazia os encantos daquellas festas. e entregava-se a Cipriano. Cipriano era um cosinheiro de grande fama. pois adorava como codi[173] mento. passei na casa de Cipriano. ia-nos dizendo: E' hora do boi babar! Cada um vae tirando a sua e depenando botavamos num grande alguidar. mesmo assim bem chupados! Das bebidas nem cheiro! a não ser as garrafas vazias! que ainda tinha de . A casa de Cipriano era um céo aberto nestes dias! Pois ao pôr a mesa todos se sentava e lá vai obra! Da mesa ao levantarmos em baixo de pilherias. pois os pitéos por elle feito. a invicta Nictheroy. como satisfeito com seus obreiros. Logo a nossa chegada Cipriano todo contente nos ia abraçando. era de arregallar o olho! tal o bello olphato que se sentia. um caixão de cerveja. por elle manejado Olavo. E assim em quanto Cipriano viveu. que dava uma grossa gargalhada. etc. não se falla.

com bellos choros de Felisberto. regida pelo sempre lembrado Santos Bocó. E assim com modinhas. appellidade por Bacalháu.. e aqui. aquella cidade cobriu-se para sempre de luto. um grande executor. como era no tempo de sua apreciada vida. seus labios eram grossos. ao romper do sol. que sabia dizer o que sentia. corpulento.. Foi assassinado naquella cidade por um seu amigo. O seu sepultamento foi uma apotheose tal a amizade que ali. e delicias. instrumento este que tocava com perfeição. e quasi sem poder mais tirar uma nota nos seus instrumentos. e no Theatro. Além de ser. pois não era para menos. Cipriano era homem de côr. razão porque era disputado nos conjunctos musicaes das grandes Companhias Lyricas.– 230 – repetir-se por diversas vezes. Tinha gande fama de valente em Nictheroy e muitas vezes foi capanga de politicos naquella cidade onde elle era respeitado. e bellos sólos dos violões. dispunha. alto. Seu instrumento era ophicleide na referida banda. Muito educado. por uma questão de someno importancia. Em tanto era um amigo dilecto. e muito pandego. hia mos até o dia seguinte. pois nunca mais teve as alegrias. era tambem um explendido . E assim cada um pegava no seu instrumento. e lá vae fazenda. Emfim com a morte deste chorão. e de uma maneira altruistica. Paz á sua alma. Já todos somnolentos. a todos tratava com a maior consideração. despediamos de Cipriano. com bastante pezar. Fagote. JOÃO SALGADO O chorão acima. o que tinha não era seu. foi aprendiz da banda de musica do Arsenal de Guerra. e sim de seus amigos. lundús.

este excellente amigo conhecemos. para gloria daquelle bons cantores. O chorão acima cantava e companheiro é bem difficultoso. Pois só JOAQUIM FIALHO nós tocadores é que Descrever. não precisa ouvir-se os e Adelaide. tal o fino trato. Eis uma modinhas das que faz a festa. cionario dos Correios. e artistico. bem o violão. Falleceu que poucos o iguala. A sua familia eram todos onde prestou relevantissimo serviços. elles mais cantavam. Estando em um chôro. E' amigo mais que distincto. tal o [174] seu valor moral. poi selle sósinho cantar muito bem. não o deixão mais sahir. e de muitas modinhas. dellas os seus irmãos Laurindo. tal o valor moral. tocava saudades. deixando em sua toca. pois tinha um chorão que elle é. e bagagem uma infinidade de bellas producções. que tambem sabiam instrumentos. agrado aos ouvintes.– 231 – compositor. Não é lá Vem ouvir um desgraçado dos grandes violões. Quando vae a uma festa. sabendo dizer nelle o segredo que tem. e a immensa educação que como functem. monologos. mas o que . Acorda desperta do leito samba e mais por elle Deixa de tanto dormir declamado é um prazer. lundús. Já fez parte da peito de aço. pois com boas modinhas. deixando ALBERTO CARÃO a todos e tambem aos velhos chorões immorredouras Farrista como poucos. fazendo muito Directoria do Ameno Resedá. citando no meio rancho. faz graça no que canta.

que infelizmente hoje só tenho a lembrança immorredoura. que sabia dizer com o gosto. e um coração de ouro. aquella mais que distinta familia. De maneiras que naquella casa nestes dias era de um prazer impossivel de descrever-se. e com elle muito privei. Tocava regularmente o violão. tal o trato que a todos davam. que só a morte apagará. Naquella casa não se negava um abrigo a ninguem. não só nas modinhas. e que era tratado como pessoa de seu lar. pois tinha plena convicção. de quem era um apaixonado. morrer por ti. Filho de uma distincta familia que morava no principio da rua Conde Bomfim. Era muito procurado para em casa de familia tocar e cantar. pois a todos recebia sempre com risos e alegria. era outro bellissimo coração. MAJOR MASCARENHAS Muito o conheci. pois fomos amigos inseparaveis. Tinha tambem uma irmã. como tambem no dedilhar de seu violão. e cantava boas modinhas e excelentes lundús. onde frequentei.– 232 – Que hoje quer. o que elle tinha grande prazer. o grande carnavalesco Sant'anninha. Tinha tambem um irmão de nome Ernesto que era um bom companheiro. sendo chefe. pois as por[175] tas estavam sempre abertas para as pessoas de sua amizade que delle necessitasse. que dansava e cantava sambas de bom gosto. que como sua mãe. sendo alguns feitos por elle. . quem com ella privasse. captivando pela primeira vez. No Carnaval vinha uma caravana de foliões da antiga Quinta da Boa Vista. Sua mãe era uma Deuza de bondade.

de ouvido apurado. a quem elle venera. este chorão celebre. enchia de alegria as familias devotadas pelo choro. porém por falta de dados registro aqui com applausos as suas personalidades como dois chorões. Infelizmente já é fallecido. Podia dizer muitas cousas destes dois chorões. E um frenetico pelas modinhas do grande Catullo. na Cidade Nova. e tambem nos Suburbios. . que não eram poucos. A casa deste veterano. tocou em muito choros. IDOMINEU REIS E hoje aposentado da Alfandega. Hoje está aposentado por sua conta propria mas se fôr necessario ainda "ronca" como era de seu habito quando tocava qualquer dos dois instrumentos. como um idolo.– 233 – VICTOR DA SILVA (Caboré) Foi um violão de destaque em acompanhamentos de valsas. Foram dois musicistas de renome. e. no conjuncto de Edgard. EDUARDO VELHO E ANTONIO VELHO Eram dois irmãos e distinctos pianistas pois onde chegavam. e collegas [176] do chôro. deixou muita saudade em seus companheiros de choro. quadrilhas etc. um optimo centro no cavaquinho. ANTONIO BAPTISTA ROSA Era um violão seguro. Chico e Zé Russinho. tambem. Leocadio. E' elle de uma bondade extrema para seus amigos. é um céo aberto. polkas.

Quincas Laranjeiras. e Mamede. Farras como o da casa de Machado Bringuidin do Adalto. Foi um bello bombardino e pertenceu ao Corpo de Bombeiros. Luiz de Souza Irineu de Almeida. que lhe faço expontaneamente. FREDERICO ROCHA Vive ainda. Catulle extasiava os auditorios. A sua casa. já desapareceram. figuras obrigadas. os mais celebres choros. e muitas outras. Morto. CANTOR TIL E KANTZE e de . podia-se comparar com a de Machado Bringuidin. por esta razão. felicito a Idomineu por estes alegres passados que não voltam mais. Adalto. e ade Luiz Caxeirinho. do Luiz Cacheirinho. GERALDINO Tocava bombardino pertenceu ao Corpo Bombeiros. a casa do Idomineu. por isso mais uma vez.– 234 – Quem for uma vez. Carramnona. E' do Thezouro e tem uma bella voz de barytono. Mario. Como se fossem Anacleto. desta consagração. Podia até cantar no Lyrico. Galdino. fica preso e cativo do seu finissimo trato. Pedro Augusto. sabe cantar pela altivez dos versos e difficuldades da musica. cantando as suas modinhas como só elle. se torna digno para mim. Morou sempre na Piedade e era aposentado da Casa da Moeda. em que se reuniam. Mamede e casa de Idomineu. NHONHÔ SOARES Fallecido em 1905. ALVARO NUNES Cantor das modinhas de Catullo. Idomineu é um chorão de muita tradição. na Piedade. Cupertino.

Quando se tocava esta polka sempre os que dansavam gritavam-lhe pelo nome. no Encantado. Tocava flauta soffrivelmente. companheiros de Catullo. pianista Dois cytaristas extrangeiros. Funccionario do acompanhador de Catullo ao piano. ás vezes. começou a chorar. com quem teve uma questão n'um chôro. Imitava todas as vozes dos cantores lyricos daquelle tempo. acabando tudo em paz e elle fazendo de improviso uma polka. Era o Vive ainda. Era da Estrada de Ferro. morreu na Santa Casa e foi jogado n'uma valla commum! EDUARDO VELHO DA SILVA Morto ha uns 20 annos. Eram tambem e musico distincto. Morreu em 1908.– 235 – instrumento. alli. quando não havia outro Thezouro. que foi uma celebridade. onde é muito . Venancinho. por causa de uma mulher. Esse preto. Morreu em 1886. a VENANCINHO quem acompanhavam. Foi um ROMEU pianista de ouvido dos melhores até hoje apparecidos. Acompanhava-se ao violão nas [177] operas e modinhas que cantava. Antonico mas farristas de arripiar. ALEXANDRE TROVADOR Foi um grande cantor. Era irmão de Velho. que foi denominada por Samuel "Venancinho chorando na ladeira". Ameaçado por Samuel de levar tunda. o valente. Tinha o segredo nos dedos e era collega de Samuel.

ha uns 25 annos. profissional Foi um professor de Nacional. Morreu farrista do Instituto ha pouco. Morreu de Luiz de Souza e Irineu. merecimento. "Vê que amenidade [178] "que serenidade "tem a noite em meio" MIGUELINHO de Catullo Cearense. que conceituado. Bello violão e bello cantor de modinhas. Grande Flautista de nomeada. Bello . não cansa". Pistonista discipulo de Foi um grande chorão. farrista.– 236 – Foi um violão e cantor. Não sabemos se ainda vive. valente. JOÃO MULATINHO LEANDRO Mavioso bombardino. Companheiro Foi do Arsenal de Guerra e foi um grande pistonista. pistonista e Mora no Engenho de Dentro. VICTOR VALLE SALVADOR Trombonista. Dava o e bebedor. como elle. mas bom companheiro. Affonso Pinheiro. Foi coração por um choro. A sua nunca deixou de cantar a sua modinha mais querida: "O mar predilecta é que a chorar. Alma bôa e serena. NICANOR SOTER Flautista afamado.

de um sublime sopro. E assim deixo o meu apertado abraço por este chorão. pois me extasio ouvindo-as no Radio. Gavea. amigo e companheiro de farras. As suas composições são bellissimas. não respeitando nem as fuzas. Este instrumento na bocca de Americano é de fazer embasbacar. Suburbios. confundiam os dois instrumentos tal era a certeza de um na marcação e o outro no contracanto. FRANCISCO JOSE' DA SILVA (Chico) O Chico foi um eximio violãonista que sempre se dedicou em acompanhamentos de choros. E' um distincto amigo. que sabe no seu instrumento. que elle com facilidade sabe executar. Nos bairros de Botafogo. Todos que tinham o prazer de ouvil-o em conjuncto com Zé Russinho. fazendo gemer o Ré. elevar as musicas genuinamente brasileiras. não dá para traz. que elle electrisa com suas musicas e de outros. que elle devora sem muito esforço. Paracamby e Nictheroy sempre se destacou com os seus contracantos tirados nas oitavas do seu violão. Foi contra-mestre da banda dos bombeiros. era seu costume fazer o cantante repetil-os até conseguir um acompanhamento ade[179] . num convite para um choro.– 237 – musico que o copo muito prejudicou. LUIZ AMERICANO Velho e bom chorão no seu saxophone. que tenho na minha residencia. Villa Isabel. imitando o bombardino. ou Zé da Gavea. como era conhecido o seu compadre. tal a maneira. Quando nos ensaios dos choros. (o pé de boi nos baixos). para me deliciar com as boas musicas.

foi . dizendo. se arrisca a vêl-o jogar seu talento musical e patriotismo para o lado a aposentadoria consumado. tudo o que é nosso. regular de tocador de violão. O seu saxophone tem a magia JOÃO DOS SANTOS DE NICTHEROY da melodia. Trabalha elle no Fôro mais tarde a convite de desta capita e reside em Napoleão de Oliveira. continuando ainda na estacada. um choro. Director Nictheroy. Romeu Silva. e tempo. eximio executor. e depois de andar bons possuidor do dom da tocando em diversos choros. foi palavra tornando-se desta forma Director de Harmonia da Flôr do orador dos pagodes d'aquelle Abacate onde fez prodigios. sendo grande interpetre das nossas muiscas no razão porque apreciador do que é bom e Extrangeiro. é compositor e tempos idos. ha tempo não quando.– 238 – um bom amigo. elle é um habilitadissimo director de Este chorão é um explendido "jazz-band". ROMEU SILVA Hoje acha-se aposentado devido ao declinio que tomou o Hoje um maestro. poeta dos Desvalidos. tem bôa palestra e é de Canto do Ameno Resedá. fazendo sobresahir voluntaria e cahir de novo na com vantagens pelos mundos activa. com os baixos e tendo o prazer de vel-o. Veio este da Banda musica dos Meninos cantador de modinhas. Se começarem a mexer muito considerado celebridade pelo com elle. que ainda vive. tornou-se admirado e nosso. com o mesmo fulgor dos civilisados. mas sei accordes necessarios. sómente ao cantante: "de novo".

– 239 – elle Director de Harmonia do mesmo. e de alto valor. e ainda agora. onde alli com intelligencia e dedicação fez dois carnavaes. pelo Pechincha. tal o seu valor. Escrever a sua personalidade. é immenso cantor de modinhas o que elle canta com um gosto aprimorado. MAURICIO Como é conhecido na roda dos chorões da velha. Romeu. era Pão de Lót de todas as festas. dedicado de fino trato. o que Mauricio. e nova guarda. Mauricio. O violão nos seus dedos soluçava! JUCA AFFONSO Não era possivel passar despercebido este nome. sympathico. Romeu Silva consagrou-se. Nos choros que dava-se em qualquer parte de Jacarépaguá. e um batuta de alta esphera musical. é um gentleman. das suas modinhas. melancolicas. Tanque. e finalmente [180] em Jacarépaguá. é impossivel tal os feitos heroicos. onde pertence estes logares. glorificou-se no extrangeiro levando ao apogeu o nome do Brasil que lhe deve a sua propaganda musica nestes paizes civilisados. e alegres. pois mesmo de muito boa vontade. de deixar os ouvintes de pernas bambas. que foi uma gloria musical. Além de tocar maviosamente o seu violão. é bastante . E' encontrado alli. não só nos acompanhamentos. me desculpará. Toca violão impossivel de descreverse. e em artista de grande valor. Foi chorão de fama. sem falhas.

como o scriptor. tal a maneira e o gosto que elle executava. fazia admiração e os encantos onde elle estivesse. enebriava com seu instrumento. Era musico de primeira e limpida agua. e o grande respeito que este possuia sempre mereceu aos que tiveram a grande felicidade de o conhecer. [181] O seu instrumento manejado por elle. pelas pessôas que o conheciam. chamava-se Miguel Affonso. O seu instrumento era requinta. Juca Affonso. que cobriu de gloria a um logar. de Nossa Senhora da Conceição. e de lá escreveu ao seu irmão um bello soneto.– 240 – difficultosa. os bailes em que tocava. Coração de ouro encrustado de puro brilhante. por ser ella. Tinha elle um irmão que como elle. era um cidadão respeitado. Formou na rua Conde de Bomfim em frente a Igreja acima por mim descripta uma Sociedade Musical. que privou com elle alguns annos. que eu ouvindo um dia Juca recitar. de sua fidalguia. e de immensa admiração. de que elle manejava com grande maestria. foi mestre de diversas Bandas de Musica na Tijuca. era completamente morto. Conde de Bomfim quasi em frente a uma Igreja que se não me engano. Era muito distincto amigo de seus amigos. tal o seu porte.ª do Affonso. se formou bons musicos. morava este incomparavel amigo. que no meu tempo. fiquei . denominada Santa Cecilia. teve necessidade de retirar-se para um logar solitario na grande terra de Tiradentes. que era a Santa de sua devoção. situado na r. a protectora da musica. Ficando enfermo. na Trav. Naquella Sociedade.

.. pedindo o favor de escrever-me para que o guardasse como uma joia do mais alto valor. Vão os grillos. A' devassa escapar – do féro bando!. possa dar o seu justo valir. que projecta sobre a terra. .. um concerto animando. em arbusto. Deixando do bosque a expessura. me offereceu tambem dois de sua lavra.. O soneto de seu irmão Miguel Affonso. Lentamente.. vão tristonhas procurando. Independente do soneto de seu irmão. Busca o ninho no pé do caféeiro. o que aqui vou descrevel-a para que os leitores deste insignificante livro. de nocturno inimigo. que é uma delicia da sua alta capacidade intellectual.– 241 – por elle encantado. occulto abrigo. por entre longas serras! A' sombra. frio. solta o pio derradeiro. [182] O sabiá. o sol vae-se occultando. De arbusto.. Avesinhas. E' este o seu titulo: AO ANOITECER NA ROÇA Pallido e. Onde possam. sempre lembrando e chorado como elle.

Olhar triste . – á noite escura!. me apparece a casinha... Esvoaçam. subtil se aninha!.. enquanto o bom Deus.. Aveste branca. descreveu com a mior naturalidade.. Toda branca. Ao ouvil-a. .... que na solidão onde se achava. dér um pequeno alento: Como Esquecer-te ?.– 242 – Vem depois o crespulo. que tambem me offereceu.. Agora vou descrever. agoureiros.. piam. Que. Vae surgindo a donzella! os seus primores!.. Da trança dos cabellos vae pendente O laço lindo de fita. grasnam.... e guardarei. a seguir p'ralli sózinha!.. no meu coração.. –––––oOo––––– Eis aqui o soneto de Miguel Affonso.. a verdadeira vida da roça. o rosto meigo descontente! .. azul-claro!.. A vóz do coração que a Nogueirinha. outros tres sonetos de Juca Affonso. na collina entre as flores!.. – Noctivagos viventes da natura!. – Dedilha com paixão no seu piano. o que ainda guardo.... E' um canto desprendido do arcano.

elle.. Vem um anno. Comilão dos que bem come...... Boa mesa não falta haja dança!. Deitára á mesa núa. – é de festança!. por elle a mim escripto.. ––––– Agora vou descrever a dedicatoria. Pois havendo boas pernas p'ra dansar. depois de outro anno... triste.. O quanto o coração ficou sentido. Muito mais. Em seu rosto coitado!. há de haver ao paladar. [183] Mais um anno de esperiensia Se um deia vae passando.. um outro avança.. um olhar triste. eu falei lendo.. achado.. – me mostrou agua fervendo!... mais deseja. pretextando ir a egreja.. E quiz sahir. que . e.. em minh'alma sepultou-se eternamente!. E. E' um marco que o procura o ente humano. Este dia assim. Para toda queixada que não cança!. – amando raro! E.– 243 – A vóz do coração é vóz dolente – Da donzela que morreu.

que ao escrever essa chronica. não é mais do que um pallido reflexo de um passado inesquecivel. Quanto ao primeiro dos mesus. se acha bem impressa uma verdadeira phase da natureza. – 29-9-907. ––––– . Adeus. no todo desse Soneto. me sinto ufano. como daquella. Os demais não passam de attestados. – ordena o dever. e que. e tambem melancolico. – já mais se apague de meu pensamento. pela recordação deste passado que só a morte poderá apagar. da maneira que me escreveu: ALEXANDRE Conforme me pediste. de dois primeiros amores. por isso. Me [184] participou que. tal o sentimento da morte de seu irmão. Aqui vae verbum-ad-verbum. emquanto a vida ainda me alentar. por mim nunca esquecido. para comprovar esta propria existencia. eis ahi o soneto – o amanhecer na Roça" – do fallecido e sempre lembrado irmão Miguel. impossivel esquecel-a. Do amigo.– 244 – muito me commoveu. JOSE' AFFONSO E assim quiz reviver um passado.

m'explica inda tremendo. O servente.. –––––oOo––––– . que assiste.. tudo alli vendo. que alli fôra ocorrido. com o titulo: Occurencia O relogio marcara meio dia: Era a hora dilecta do café... Da casa um complacente. então. os freguezes já de pé Seguiram p'ra bebel-o com alegria [185] Entre elles o Lisbôa – com folia Teve pressa de tocar na cafeteira Para o chão. segreda-lhe – ao ouvido o que quer que seja.. Do escriptorio. O triste facto.. Mas. – da cabo da cerveja.. e.– 245 – Agora vou descrever este outro tambem e bom. – E elle fica. ella escapa mui ligeira Transformando o café em avaria!. Com pezar.. eu fiquei.

é um clarinetista de muito folego. o Periquito como é conhecido pelos seus collegas da . pagamentos no Thesouro e Municipalidade. Paula Freire foi em seu tempo um tocador de clarineta respeitado por todos os chorões d'aquelle tempo em que elle era o orgonisador de conjunctos musicaes para tocar quasi em todas as funcções tornando-se deste modo conhecido e estimado na roda do chôro. Trata hoje de papeis de casamento. com as marchas de sua autoria bellissimas e cadenciadas. Aqui termino prestando a Paula Freire uma justissima homenagem merecida. Conheci-o como contra-mestre da banda de musica do 10° Batalhão. Com a sua intelligencia musical. está bem conservado fazendo ju's a um grande profissional laureado pelos seus feitos. muito ajudou o brilhantismo de alguns Carnavaes. Quero dizer com isto que o meu bom amigo e collega Paula Freire. Ha muito tempo não vejo o meu bom amigo André. impanando deste modo os seus setenta annos. Foi director de hormonia do Ameno Resedá. eximio clarinetista. Já está como eu aposentado vendo um extremoso funccionario cumpridor dos seus deveres. Não são poucas as suas composições. Ninguem é capaz de dizer ou calcular a idade deste veterano da velha guarda por estar de fisionomia fresca e agradavel. em 1884 e depois como meu collega no Correio Geral em 1888.– 246 – PAULA FREIRE Chefe de grande prole um verdadeiro Cacique da familia Paula Freire. [186] ANDRE' CORRÊA Um bom musicista de relevada inspiração.

E' preciso ter muito bôa vontade para isto fazer. a penna me treme. tendo grande intimidade com sua respeitavel familia. Segundo me consta elle agora dirige um bom "jazz-Band". OS IRMÃOS HENRIQUE E MANDUCA PINNA Escrever estes dois luminares do chôro. E tudo quanto possa dizer destes grandes personagens. ainda é pouco. como reflexo de um espelho. que reunidos formam uma historia do passado. Assim demonstram o valor. os choros onde estivessem. porque elles. pertenceram ao meu conjuncto. Em fim. Fui delles amigo dedicado e admirador. para mim ainda vivem e viverá immortalisados na minha amizade e lembranças immorredouras. no cumprimento de um grande dever. em nossas modinhas. que se pode ver hoje aquillo que se passou a muito tempo igual aos romanos contos. sinto palpitações. tendo deixado a clarineta para tocar saxofone. que desappareceam. Eis aqui cumprido um dever sincero. ESTANISLAU COSTA . as novellas. e inesqueciveis Pinnas que desappareceram para todos. por grandes saudades destes luminosos planetas. vou fazer esta tentativa para maior conhecimento dos chorões. e do publico. não é facil.– 247 – Imprensa Nacional. e tambem para descarregar minha consciencia. porém. e educação a preciosidade dos tratos de musicistas da tempera dos meus amigos. Henrique de violão e Manduca de cavaquinho abrilhantavam com suas harmonias. deixando um clarão de um pharol que muito illuminou os choros daquelle tempo. Eram celebridades. a cathegoria.

em cinemas. para um pouco augmentar as suas finanças. pois aprendeu com bons pistonistas. companheiro firme impossivel de descreerse. que era conhecido na roda dos musicos como Victor Pistão. Este instrumento muito lhe serviu. fazendo assim a alegria dos lares. que muito agradava os seus congeneres. Sociedades Dansantes e tambem em bons choros. a todos que tiveram a felicidade de conhecel-o. e por isso era muito disputado. EURICO Quem em Villa Izabel não conheceu o bom do Eurico. Toucou muito. e muitos outros que em choros com este sempre chorado e . Jorge Seixas. Estanislau conhecia.– 248 – Tocou muito bem o seu pistão. Occupava o cargo de carteiro dos Correios e sempre a contento de seus cuperiores e collegas. por ser elle pistão de verdade. Era admirado pela sua execução que tinha naquelle instru[187] mento. Jucas Ruso. tocou tambem. pois a morte cedo o surprehendeu. o bom e grande executor de pistão o distincto companheiro. Eurico dedicou-se ao cavaquinho. Amigo dedicado. sendo um de seus mestres. nos carros para propaganda das touradas quando se achava alli no Mangue. e fazendo do seu pistão clarin. que celebrisou-se. que diga o meu dedicado amigo. Aposentou-se e gosou pouco. deixando immensas saudades. e tocava com alma o seu instrumento. tal a maneira que sabia dedilhar aquelle minusculo instrumento. Conhecia bem a musica. e grande professor Candinho Silva. Acompanhava admiravelmente.

Sabia com profisciencia organizar Bandas de Sociedades Musical. que gostosamente sabia dizer no seu trombone todas as maguas de um coração sentido. e fóra della. Depois dedicou-se a trombone. e o fino tratamento que elle dava em sua casa. VICTOR (PISTÃO) Sublimissimo no seu instrumento. e assim levantou uma Sociedade Musical Dansante. pois. Em bndas tambem fez a admiração dos mestres. pela rapidez com que aprendeu este instrumento. Eurico fez as alegrias em Villa Isabel. que muitas glorias deram a Villa Izabel. foi muito admirado por seus companheiros chorões. Tocou muito em orchestra. como poucos. falleceu tocando bem. Era tambem um amigo dilecto. tal a bondade de seu coração. um collega de respeito. denominada "Os Africanos". e nas principaes ruas desta cidade em diversos carnavaes. coberta de luto. fazendo até. a sua inistrumentação que os mestres muito acatavam. mesmo de admirar. Era um dedicado amigo descrever-se a bondade deste companheiro é bastante difficil. para ensinar. que julgo ter sido seu professor e bom o Candinho e tambem o sempre lembrado Sequito. os que precizassem . Infelizmente este bom e distincto amigo falleceu a poucos annos deixando Villa Izabel.– 249 – lembrado musicista. Estava sempre prompto. tal a maneira que elle conhecia musica e fundamente a theoria. Eurico. por ver que elle era profundo. arrancando os maiores ap[188] plausos. pois viam em Victor. onde os maestros muito o apreciava.

em Citaremos Mario Ramos. Luiz de Souza. . Vive ainda. Meyer. deixando immensas saudades. na Piedade. onde se exhibia com perfeição sublime no seu pistão. guarda Anacleto. Morreu a muito. e acho muito pouco. tocava violão. Mora no – A Casa da Alegria. Irineu fiscal. antiga Amazonas. depois. VICENTE FRANCO Alferes do exercito. Era genro do "Manoelinho". E' de São Paulo. Gostava tambem muito de tocar em choro. pelo seu grande valor.– 250 – saber. Essa casa de Mario Ramos podia ser chamada gor da mocidade. se é o não verdade. cuja 1884. era o centro pagodista de Catullo. pezado de annos. Tem 78 annos. BALDUINO Bombardino e companheiro de Cantalice. flauta e ophicleide. Typographo e. na rua Assis JOÃO CARLOS CABRAL Carneiro. o que aqui digo. Era da antiga Escola Militar. enfrenta um copo com o vique era um espirito de [189] verdadeiro artista. mas ainda e mais companheiros. Que diga os que o conheceram. casa. MARIO RAMOS discipulo do grande Barrios. JOÃO AVELINO SOUTO Violãonista de merito.

harmoniosa e expressiva diz com graça e humorismo as cançonetas de sua autoria. Que o diga o Catullo e o Idomineu. amigo. quando se falasse no chôro. Começou seus estudos na banda de musica da Fabrica de Tecidos Corcovado. Arthur Mattoso é um perfeito chorão. companheiro de Mamede Adalto. e seus suburbios. não dava para traz. professor João Elias. é excellente chorão na intimidade. AUGUSTO RIBEIRO Deu grandes prazeres. Caixeirinho e Luiz Felippe Nery. E' disputado pelos seus admiradores. como ARTHUR MATTOSO aprendiz de flautim do saudoso Cabra chorão de verdade. o menino da flauta maviosa que conheci soprando o canudo de cinco chaves. nesta cidade. Quem conviveu e cantador celebre de vóz. EDGARD BULHÕES DE FREITAS Já que estamos relembrando os chorões de outros tempos.– 251 – E' dos telegraphos e tem 81 annos. A sua casa era um lar de "choros". de fazer os ouvintes ficar mesmo de pernas bambas. vamos fallar do Edgard. Tinha choros molle. Conhecia muitas composições dos velhos e respeitados flautas daquelles tempos que já se foram. Elle é uma casa cheia. Tem algumas boas composições por elle feita. com explendor e alegria. é um folgazão. pois Arthur Mattoso. Em fim era dilecto. jámais quando impunha o seu violão arrancando d'elle as melodias de perfeitos accordes. . Tocou admiravelmente a sua maviosa flauta.

que era um assombro nos seus dedos neste instrumento rustico elle fazia cousas impossiveis. deixando mesmo ambasbacado . Com Edgard. pois solava bellas polkas.– 252 – compartilhou com Edgard nos bailes e festas intimas. Tocava este inveterado farrista violão. de canto chorado. Dizer os feitos deste grande e immenso solista e acompanhador de choros. que para elle não tinha segredos como pelo seu genio alegre e folgazão que trazia todos quantos com elle privaram. chotes. etc. nos bairros da Gaveia. deixando no seio dos seus amigos e companheiros uma lacuna difficil de ser preenchida não só pela maestria com que sabia tirar os recursos da flauta. dia a dia foi se desenvolvendo na flauta Boheme: – Devida a essa vertiginosa carreira. tristezas não pagavam dividas. Paracamby e outros arrabaldes. nas festas em que ia tocar pedia para sentar-se em uma cama. ou mesmo no seu violão. que foi uma das maiores glorias nos tempos idos e um verdadeiro chorão consumado. Morreu cedo esse artista. ANTONIO XAVIER Foi chorão da velha guarda. de fazer um defunto levantar-se da cova. tangos. era preciso escrever-se com penna de ouro. e alli principiava a dedilhar na sua viola. Botafogo. poderá dizer alguma coisa a seu respeito. Dedicava-se muito a dedilhar maestralmente a viola. – Esse menino com a vocação que trouxe do berço. apezar de ser paralytico das pernas. mazurcas. mas bem merece ser applicado ao saudoso [190] flautista. Quadrilhas inteiras. – O dictado é de hoje. sagrou-se um artista do outro mundo.

Cumpro um dever mencionando aqui entre os chorões da velha e nova [191] guarda. e encontrarão na sua precisão. era mesmo officio. e se assim não fosse. pois todos preferiam escutar o Xavier! Este sublime heroe morou muitos annos no jardim Botanio numa rua dos Suburbios. amigo de todos os chorões. de suas musicas. e defensor. porém. é um amigo. tem cavaquinho dedilha com grande encontrado. penna maravilhosa um defensor de suas producções. este deus da bohemia. considerado e respeitado por todos os foliões. o nome deste astro de intelligencia.– 253 – não só os donos da casa. deixando ficar os musicos parados. com Vou aqui fazer uma justa menos capacidade do nosso homenagem. e collegas do Foi um regular ophicleidista. no seu musico. sempre com Sergio. GUIMARÃES VAGALUME estaria hoje collocado nas alturas em que estão muitos. Guimarães é um bohemio de ABRAHÃO jaça. como todos os convidados. e autor da roda dos sambas! Guimarães não é um E'chorão de fama. pois todos estes. lá deu sua alma a Deus tendo o seu enterramento sido uma apotheose. e de tudo o que é nosso. a este jornalista meio jornalistico. Morreu com uns 80 annos. tal a sua da antiga Escola Militar e tocava capacidade intellectual. e ANTONIO MADEIRA assim tambem é um chorão! Este chronista carnavalesco. pistonista. pois conhece o seu .

pouco gosta de se exhi[192] bir. e se não fosse assim. e é daquella sociedade. uma alma cheia de grandeza encoberta pela modestia e ficticia sizudez que lhes é natural. um bom amigo. seria um dos grandes astros que tanto brilham nos palcos e salões. aquelle que souber estudal-o encontrará n'elle. Não fosse o nosso clarinete o João dos Santos. ELPIDIO BORGES (BILU') Funccionario antigo do "Jornal do Commercio". em Nictheroy. não só no choro que ella dava. como eu. eu o destaco como um dos "primus inter pares" na interpretação das modinhas brasileiras antigas e modernas. Luiz Brandão tambem de violão. que não o dispensava por cousa alguma. Para mim. um coração de ouro. como tambem em muitas casas daquelle arrebalde. A primeira vista. pois só elle conhecia o seu segredo. Muito tocamos na casa do Olavo. um apaixonado da musica. Aarão é bastante apreciado não só tocando. e eu fazendo segundo cavaquinho. . um adorador apaixonado.– 254 – segredo como gente grande. Era o acompanhador effectivo do chorado clarinetista João dos Santos. nota-se n'elle uma sizudez de uma cara de poucos amigos. e não ha na roda do chôro quem não tenha veneração pelo Bilu'. Juca Russo do violão. como excellente amigo que é. Especialisando-se nos choros que faziamos em serenata nos dias de Carnaval que era mesmo de arrepiar. Bilu'. porém. Figurou como um dos primeiros cavaquinhos do Resedá. não só pela sua lealdade como tambem pelo correctismo que só elle sabe dispensar as pessoas de sua amisade.

um novo advento para esse instrumento. O maior comedor que até hoje veio ao mundo. em acompanhamentos. que em breve desejo ver o teu nome evoluido com esta tua voz entre o baritono e o tenor para a alegria de todos os teus amigos. Era creoulo e magro. No choro. um dos melhores conjunctos até hoje lembrado. Victor. Em sua residencia. etc. em Marquez de S. nos moldes da inesquecivel e inegualavel escola do choro e musica do Cavaquinho de Ouro. não se olhando se era dia ou noite. cavaquinho. Na Sociedade Flôr da Gavea. JOSE' FRANCISCO DA COSTA E SOUZA (Zé Russinho ou Zé da Gavea) Sem receio de errar foi o violão que marcou. o violão que falava. Amigo de Irineu. o Bilu' vae se aperfeiçoar no violão para acompanhar as suas modinhas do seu vasto repertorio. na Lagôa Rodrigo de Freitas até o Guimarães. boas farras se fizeram. de Botafogo. seu proprietario. desde o Salgueirinho. organisou. do qual faziam parte seu velho amigo e compadre Chico. "O Paganii".– 255 – Segundo me consta. nos bons tempos do velho Andrade. no ponto final dos bonds da Gavea. vos encorajo Bilu'. flauta. da qual fazia parte da Directoria. como era habito tratar os seus amigos mais intimos que frequentavam aquella casa: Gustavo. Eu aqui. sois um artista. Latou. Vicente. (cousa ruim). Edgard e Leocadio. E' morto. o seu violão se destacava pelo facto de reunir nesse instrumento o saxe e o bombardom. MACARIO Ophicleidista de nome. para as suas reuniões dansantes. causando contentamento geral o facto de .

Pertenceu ao Corpo de Marinheiros. cascas de tangerina em aguardente e assucar). – Ainda assim não é qualquer violão. com as musicas americanas. pois corre o risco de tomar suadouros sem estar com febre. Hoje está afastado por não se conformar. nas horas vagas. de maneira alguma. e que modinhsa: Anjos Bahianos. percorrendo os bairros da Gavea e Botafogo. ainda pégan no pinho e é o mesmo violão de antigamente não só acompanhando como solando composições de sua autoria que elle denomina "sabugueiragens". onde aprendeu com grande profissiencia a tocar o . Caridade. de arribação. a celebre (casquinha para abrir o apetite. [193] Núm dos carnavaes antigos fez sahir. quando está disposto. que se tenha na conta de "bonito" que se anime a acompanhal-o nas suas "sabugueiragens". faz musas e. o bloco "Pandega e Miseria". Aguas Dormentes. com especialidade valsas.– 256 – sua digna esposa estar sempre alegre e solicita para com os visitantes. acompanhados do bom inho. tambem. – Quando um amigo dos tempos idos o procura. nunca deixando que elles ficassem com a barriga dando horas. não se esquecendo tambem. Actualmente reside em Todos os Santos. acompanhando no seu violão. ainda e lembrado. preparando as gostosas gallinhas de molho pardo ou ensopada com batatas. MALAQUIAS (CLARINETE) O nome de Malaquias. em uma aprazivel chacara. etc. E' musico de firme tempera. que fez bastante sucesso sobresahindose as bellas canções de sua autoria. e venerado. canta modinhas. pois o Zé Russinho.

hoje velho e cançado das luctas musicaes acha-se bastante retirado. Sahindo do Corpo de Marinheiros. No seu instrumento sabe dizer o que sente. e tambem nossos com grande facilidade. Assim. em choro não se falla. porém. Tocou em muitas Sociedades Musicaes. E' muito conhecido em Botafogo. nas Sociedades Dansantes Musicaes. quem substituiu Francisco Braga. onde móra. frequento a sua casa. ingressou no Instituto de Musica. ainda dá sua pernada como qualquer rapaz. Dansantes. como elle a minha.– 257 – clarinete sendo assim um musico de alto valor e saber. com alma. Toca muitos choros americanos. onde o heroe é procurado como o brilhante sem jaça. porém uma vez. que muito o admirava. julgo que por motivo pecuniario não chegou ao fim. em que toca. o que ahi fica é bastante para te dar o valor que tu mereces! RICARDO DE ALMEIDA (Saxophone) Muito conheço este bom amigo. Figner. PAULINO SACRAMENTO Foi companheiro do nosso grande maestro Francisco Braga na Banda de Musica do Collegio dos Meninos desvalidos de onde eram alumnos. ou outra. pois elle era muito conquistado. E' [194] bastante procurado. e faz com seu saxofone a alegria dos lares. peço desculpas ao Malaquias de aqui não dizer o que tu vale. Foi Pauliro Sacramento. pois gravou nesta casa. Tocou em um conjuncto que fez os explendores na casa. muitos choros de sua lavra e de outros bons chorões. quando seguiu .

a Julinho a tocar violão. aqui pretendo revivel-as. As musicas escriptas por Paulino Sacramento. foi um astro que fulgurou no horizonte dos chorões. as quaes se acham immortalisadas nos louros que colheram. que aqui comparo como uma cratera a expellir em borbotões inspirações musicaes. Julinho principiou a frequentar as casas . No Theatro Brasileiro. foi se desenvolvendo de uma maneira assustadora. e que. ficando logo valorisado como um grande maestro que foi. deixando o reflexo do seu magico clarão em todos os palcos dos nossos theatros. seu pae o João Ferramenta tocava Guitarra. Elle falleceu. JULINHO FERRAMENTA Conheci-o bem menino. pois. afim de ter um acompanhador pois seu pae conhecendo um bocado de violão. que pouco a pouco. são immortaes. Vôou como um condor no meio dos chorões.– 258 – para a Europa para estudar musica e d'ahi surgiu o prodigio da sua intellectualidade musical que foi além de todas as espectativas. não acho palavras inaltecidas para dizer as verdades das grandezas de um cerebro como era de Paulino Sacramento. mas as suas musicas reviverão. estas que fizeram uma verdadeira apotheose de suas maravilhosas producções. Paulino Sacramento. para [195] satisfazer seu pae. Depois de fazer alguns tons. Paulino Sacramento. o seu alto valor. surgiu como um sol que illuminou com as suas partituras todas as platéias. ensinou a Julinho. Eis o que foi este grande maestro. e obrigava. tornou-se um principe das inspirações musicaes. pois. E' indiscriptivel para mim citar aqui.

como fossem Quincas Larangeiras. foi immenso athleta na roda dos grandes maestros de violão. que tocar com este chorão fica electrisado. e assim depois de solar com grande alma. pelo seu grande aproveitamento. e tambem excellente violão. e difficultoso instrumento. a maior saudades. Morava na Ilha do Governador. pois tinha um ouvido apurado. o qualquer instrumento. E' filho de Juca Valle. mais com um bucado de paciencia vae.– 259 – de instrumentos. pois sei o que . era tambem sublime acompanhador. Os flautas. vendo-os toar. do sempre chorado Canhoto. Rogerio. e muitos outros. pela maneira que o vi solar no seu bellissimo violão. tornou-se um bamba. Abismo de rosas. JUCA RUSSO Sublimissimo. João Pernambuco. e algumas de sua lavra felicitei-o. que fazia o encanto de todos aquelles que o ouviam. deixando a todos chorões. por elle. e muitas outras. onde lá fui uma vez a seu convite. Escrever este batuta é duro. onde elle ia ouvir os grandes violonistas e mais batutas tocarem. julinho não aguentando a batalha. tem um ouvido de desafiar. Gustavo. Julinho. Jacomino Canhoto. é um principe no violão. Pois bem! Com sua presença nessas casas frequentados de grandes e sublimes violões. naquelle bello. cavaquinho. pois no sólo. Eu o admiro. e que elle era excellente general. a alma a Deus. e no cavaquinho. que muito o estimavam. e fiquei quais perplexo. dando em pouco tempo de sua molestia. que era sublimissimo. tal a agilidade nos seus sedosos dedos. Juca Russo como seu pae. apanhou uma tuberculose. Além de solista. da turma de Callado. pois morreu ainda moço.

Nos sólos que faz. desafia quem tambem distincto amigo. como amigo e companheiro cias do Estacio de Sá. Juca Russo. ainda não desmereceu nos seus instrumentos predilectos. Andava quasi sempre lombrigue. Juca Russo. e a elevação das nossas musicas que tú tanto adora. e venerado. não tem mais vontade de sahir. que tu fique completamente. para a minha satisfação. valioso chorão. pois na roda de Callado. ou mesmo uma feijoada.– 260 – assado. e ainda faz nos mesmos. Em qualquer excellente companheiro para elle qualquer choro onde elle não admittia difficuldades. elle resona. pois é um genio! Trouxe do berço a tara do seu sempre lembrado . Capitão. Era no choro. que eram um sól naquelle tempo. RanJUCA MULATINHO gel e Silveira. bom da tua molestia. e mais. Este heroe foi atacado a uns tres annos de uma paralisia. E assim mais ou menos aqui [196] fica descripto a vida deste pae. muito applicado deixe a curuja vôar! Da minha mesa de trabalho faço votos ao bom Deus. Pois encanta os que o ouve. o que fazia quando bom. e então tem um termo. um porquinho elle vale. Luizinho. Juca Valle. é um Deus nos acuda. assim mesmo. pois parece impossivel que dez dedos possa fazer o que elle faz. Igual a elle são poucos. acompanhada por uma bella canninha. Fomos sempre muito amigos e na nossa infancia sempre tocamos juntos. e melhor os sejam. Viriato. era Sempre morou pelas adjacenadorado. umas gallinhas de molho pardo. na grande quantidade de choros que tem.

Julgo ainda viver em companhia de uma sua filha que trabalha em um dos collegios publicos desta capital. que agravei o céo. e assim as vezes lá caminhava elle. não desse ao camarada. Nas suas attrahentes modinhas destacava-se sempre uma das suas predilectas que era Minh'alma chama. arriscando-se as vezes a levar o não. era de arrepiar. pois era agarrado para todos os choros. deixando aos . Tocava um bocado de violão não sendo dos afamados. ninguem me responde. Triste se esconde por de traz de um véo. Esta modinha cantada por Jonjoca. honradamente. afim de ouvil-o cantar. e sempre muito bem tratado pela sua esposa. mas em fim. les tempos já passados o bom do Jonjoca? Julgo que ninguem. sempre ajudava nos choros que elle muito gostava. Era bom e dedicado amigo. Jonjoca pouco descansava. já a muito fez a Quem não conheceu naquel. JONJOCA Infelizmente. Coberta de luto. onde ganha a vida. pois fazia grande alegria nos pagodes onde elle se achava. Cantava tambem suas bellas modinhas que hoje já não me lembro de seus nomes. com sua maviosa voz.sua passagem. estremecia e diz: – Que mal eu fiz. pois apezar de tocar pouco o seu violão. Era muito conquistado por todos os tocadores. que o pouco que tirava para sua familia. tal a maneira que elle se espressava. sabia com arte acompanhar as suas bellas e harmoniosas mo- [197] dinhas. Frequentei muito a sua casa. para pedir emprestado. Não podia ver nenhum companheiro ou amigo contar miseria. que era um anjo de bondade. dando excellente exemplo a memoria de seu pae.– 261 – prompto sem nenhum.

e ainda faz. Chorão que deve-se escrever momento os nossos melhores musicistas. O Accyoli vence todas marcha infernal da Côrte de as musicas por mais dificil que Belzebuth. Elle é tambem um trombone Resedá. onde elle é um que não preciso descrever. sejam em um só golpe de vista. DONGA razão porque é conhecido como artista de primeiro plano E' um dos batutas da Roda de vencendo todas as difficuldades da crise que avassala no Pixinguinha. Accyoli foi e é um elle tem. grande chorão da tempera dos . na satisfazendo sempre todas as sahida do referido Rancho do exigencias dos maestros Palacio Guanabara em uma regentes. pois Donga procurado pelos organizadores tem apóz de si. Ha poucos dias ACCYOLI encontrei com elle troquei idéas E' um pistonista de muito nos relembrando de muitas folego. uma rica das orchestras dos nossos bagagem de effeitos musicaes.– 262 – chorões a mais duras e ternas inesqueciveis Luiz de Souza e Carramona. E' elle sempre com letras de ouro. onde o seu pistão conquistado pelas Companhias conversava com o pistão do Extrangeiras que nos visitam. Theartros. e independente disto saudades. inesquecivel Luiz de Souza. pois verdadeiro astro que com o seu não ha na roda dos chorões brilho eleva o valor dos nossos quem não conhece o valor que musicos. Carnaval de 1911. e que tem feito prodigios cousas passadas quando fazia parte da orchestra do Ameno com o seu pistão. é um leal amigo e de apurada educação.

Tambem já fallecido. Era muito procurado pelos acompanhadores daquelle tempo que não lhe dava um socego. pois éra mesmo um pois a velhice e a prole muitas obsecado do choro. choros. Na propaganda dos sambas. difficuldades nos choros. O heroy acima tocava bem o Bombardino. Desde que houvesse o pirão. encorajando sempre o meio dos seus pares com enovações de suas expirações. nas nossas modinhas e afinal. Donga é um dos autores das primeiros sambas que abrio com chave de ouro as portas das gravações.– 263 – [198] do Exercito e tambem da Policia. fazia admiração pela maneira que sabia se expressar naquelle minusculo instrumento. . o que elle ficava muito satisfeito. Eis porque me sinto enthusiasmado PEDRO DA MOTTA em fazer o perfil de um chorão da tempera de Donga. Para elle não havia seus amigos com sua simpathia. Foi muzico vezes assim nos obrigam. que éra o Flautim. Este que Era chorão de facto. minas. farrista prende os auditorios com harmonia de seu violão. Foi muzico Foi um farrista de fama! Não dava folga ao corpo pois da Brigada Policial. no tempo do todo o dia entrava de serviço nos grande Professor Major Rocha. e de dos bons. Era procurado como o que muito o apreciava. acompanhada com a bebida JOÃO FLAUTIM brazileira. é expoente propagandista e dedicado. que forram irradiadas com grandes sucessos. onde com seu instrumento muito elevou a arte muzical nos choros em que tocava. Julgo garimpeiro procura o ouro nas tambem aposentado dos choros.

afinal.– 264 – Jacubino Freire. é. LEOPOLDO FROES QUINCAS FREIRE Foi a maior gloria do Theatro E' funccionario dos Correios. auctor de muitas partituras. suas letras musicadas são de uma belleza superlativa. e continua a ser um ornamento do Theatro Nacional. está sempre cheia de musicos e cantores. e em todas as reuniões em que toma parte. foi. da velha e da nova guarda. Brasileiro. Quincas. FREIRE JUNIOR Grande maestro e escriptor. amigo certo dos trovadores. tanto que as mesmas alcançam logo de primeira vista os maiores successos. aonde residiu muitos an[199] nos. pois também é um bello chorão. tendo por companheiro o saudoso poeta Hermes Fontes. pois Pedro Freire. o maior prazer deste folião é ouvir uma modinha de nossas antigas serenatas. que as lagrimas lhe vem aos olhos! E' grande admirador das letras de Catullo. Chorão de verdade. e estão sempre em voga é um chorão maestro e de fino trato. tambem sabe cantar com sentimento e entre seus filhos tem um que possue bellissima voz. honra a tradição dos seus. é figura de relevo no meio theatral. e vai fazendo successo no radio. morre de amores por Paquetá. pois Freire Junior. . pois sente tanta alegria. Leopoldo Fróes e filho do grande professor tambem era um grande chorão. conhece o sentimento do povo. Guttemberg. a casa de Quincas. Uriel e Candido das Neves.

eis tudo quanto posso dizer de um musicista quando ouvia um choro se . Ultimamente vevia vendendo folhetos e modinhas e quando [200] entrava em um trem cantando uma novidade. o Theatro Nocional muito lhe deve pois as suas musicas tem ALEXANDRE THOMPSON resplandecido em todos os Espirito alegre e folgazão. Professor eximio. O seu desapparecimento deixou claro nos vendedores de modinhas.. sabia cantar arrancando os maiores aplausos das platéas. é querido e aclamado no meio de todos os chorões aonde é uma figura de destaque.. Morreu mais suas glorias são inmortaes. as suas produções são disputadas. é senhor dos segredos da melodia. palcos do Brasil. EDUARDO SOUTO chorão da tempera de Eduardo Souto. e por este motivo os folhetos eram arrebatados das mãos do mesmo!. pois possuia bella voz. Leopoldo Fróes. pois Souto. fazia successos nas serenatas ao luar. foi o invicto galan do treatro nacional e extrangeiro.– 265 – pois sabia chorar as suas maguas no violão! instrumento este de sua paixão dedilhava com alma. Francisco Esquerdo já é fallecido. além de ser um maestro gentilman de fino trato. FRANCISCO ESQUERDO Foi um grande cantor das modinhas ternas. razão porque. essa que sabia dominar com intelligencia e arte em todas as representações de responsabilidades. agradava tanto.

. CAPITÃO ALAMIRO Morava. é um especialista das modinhas antigas. é o unico que tem o maior archivo das antigas letras musicadas do tempo da corôa. morreu quando precizava viver. JOSE' VASQUES (Nozinho) Chorão da velha guarda companheiro do velho Bilhar. Gama. tocava regularmente violão. amigo incondicionalmente. infelizmente já é fallecido.. A muito está retirado do chôro mais em segredo ainda reune em sua bella vivenda em uma Estação dos Suburbios da Central. Era exemplar chefe de familia. possuidor de bôa voz. teria muito mais a dizer deste chorão mas me falta os dados. Alamiro. sempre foi querido e respeitado em todo meio de seu convivio. que fallarei na 2ª edição deste livro. em Jacarépaguá. cantava bem as suas modinhas e acompanhava com sentimento era um amigo dedicado e não puchava p'ra traz. . funcionario dos Correios aonde deixou infinidades de amigos e admiradores. pois era bom e franco. e tinha um grande repertorio de modinhas em voga daquelles tempos o desapparecimento de Alamiro foi uma va'cuo dificil de ser preenchido tal o seu valor entre os seus amigos. Guidão. A bondade de seu coração excedia a todas expectativas. e de Thompson.– 266 – esquecia até da familia! tinha um verdadeiro devotamento pelo velho Bilhar. Bulhões. os seus amigos do choro para matar as saudades. foi um chorão que marcou a sua época. Euclydes e todo o pessoal do Tugurio dos Simples de quem elle era um dos seus fundadores. Morcêgo. Thompshon. Angelino.

fazer os sentimentos na alma dos que ouviam Cantar nos circos. emfim o Freitas é um chorão que JOSE' (BAIANINHO) merece mais do que aqui fica escripto.– 267 – EDUARDO DAS NEVES [201] A sua morte foi uma surpreza. "O Indio" do qual já fiz neste livro as referencias merecidas. Eis tudo o quanto posso Trabalha na Casa da Moeda é dizer de um Chorão moderno. como seu filho o innesquecivel Poeta Candido das Neves. bello lundu's de fazer hylaridades pois as vezes era bem apimentados. nos palcos as mais ternas e boas modinhas. FREITAS Pianista O heroy acima morreu deixando saudades nos corações dos cariocas. e nella immortalisou-se. foi um bom tocador de violão. de que foi muito aplaudido. sabendo com bom gosto e arte. a Europa curvou-se ante o Brazil. elle desappareceu! porém ainda vive no coração de todos os seus amigos. Vou render aqui uma homenagem a um musicista de primeira grandeza auctor de finas composições e que sabe reger o seu jazz-band com autoridade de um artista consumado nos soirées nas grandes festas nos theatros. era um chorão dos bons alegre e communicativo que digam todos os chorões que com o mesmo privaram como este que escreve estas linhas. entre os seus congeneres do choro. Escreveu e muito cantou. um Resedá de coração. Eduardo das Neves. auctor de diversas marchas que muito .

Era um excellente violão solque possue pela Musica. valsas.– 268 – Tijuca. que éra a Flauta. Era filho do guarda geral da mesma caixa. cuja biographia já tive o prazer de fazer neste livro. as polkas. Conheci-o bastante com elle tambem não podia deixar de fazer o mesmo a Benedicto. Baianinho. pois tinha nelle abrilhantou a harmonia deste Rancho. que lava muito bem. Apreciei-o em muitas festas naquelle lugar. e mais daquelles saudosos tempos. Independente [202] de sollista. do Maestro Bomfilio de JORGE GUERREIRO Oliveira. Morreu como conductor de Bonds da Companhia de S. sabe. éra um grande cantor de modinhas. em que elle sabia se impor. . BENEDICTO DE OLIVEIRA Christovão em consequencia de uma pedrada que levou no Este grande chorão é irmão imposto do vintem. de fazer admiração. Era muito LOLO' conquistado pelos seus Morava na caixa velha da companheiros. é um clarinette que sabe dizer neste instrumento o sentimento melodioso da musica razão porque eu não poderia deixar de mencionar em meu livro como uma homenagem relativa que tenho feito a todos os Chorões antigos. o sentimento cernarias do Engeno Velho. Não éra excellente muzico mas o que tocava muito agradava pois tinha muito inthusiasmo pelo seu instrumento. em choros que sabe dizer por intermedio do que se davam as centenas nas teclado do Piano. este privei muitas vezes.

tal a rapidez da batuta de José Rabello. é um chorão hoje fica embasbacado diante do . Com a veira. Foi COSTINHA excellente camarada. Romeu Silva. Ainda este anno eu o vi fazer preludios no seu a musica decahiu bastante sendo Cavaquinho em um grupo obrigado o chorão acima a Carnavalesco. [203] Henrique é funccionario da Casa da Moeda. e o Seixas. Henrique. nos seus dedos. Tocava com grande parte do conjuncto deste rancho perfeição e arte de admirar os em todos os Carnavaes debaixo seus congeneres. organisado pela retirar-se a vida privada. Henrique Martins. conheçam este inveterado HENRIQUE (CAVAQUINHO) pianista. no instrumento. Bomfilio de Oli. um baluarte. synchronisação. e que com sua morte foi um destroço no Poucos serão que não conjunto dos chorões. Nunes. é um de encantar. De vez em quando ainda vae funcionario da mesma Repartição em um samba de fazer a um chôro. Brasil. Costinha. Quem não conhece o Henrique? e jogava no partido Nagô.que elle electrisava. e muitos outros. era Este chorão é um fanatisado procurado no seu tempo como pelo Ameno Resedá pois a sua um brilhante e outros valorosos magia do seu Cavaquinho fez metaes. Tambem foi grande capoeira.– 269 – dos bambas da velha guarda. e faz no piano cousa arrrepiar. foi um dos afamados e admirados. vivendo Casa da Moeda de baixo da só de seu emprego na Central do batuta do invicto maestro Seixas. que a meninada de explendido amigo.

Eugenio pelo chôro perdia a cabeça. as musicas em evidencia. Costinha fez parte da turma do Julio Barbosa. Juca Marque. e muitos outros musicos de nomeada.– 270 – que elle toca. como os choros antigos. retirou-se a vida privada. Sei que Eugenio hoje. ao peso de Conheci este chorão da velha seus janeiros. Costinha ainda vive para a felicidade de sua familia. Toquei com elle em muitos chôros da Cidade Nova. que todos os quarteis desta capital dava toda liberdade para sua entrada nos mesmos. regida pelo Professor João Elias. na Tijuca. conheci como compositor. EUGENIO TORRES OLIVEIRA Musico como nenhum naquella época. por estas lembranças EDUARDO DE CASTRO dos tempos idos. o seu genio musical era tão sublime. talvez. E' um querido e afamado violão. tal o arraigamento que elle tinha pelo mesmo. e foi assim que desapareceu um artista do valor de Damazo. e de seus amigos. pois quando o encontro. Gil. hoje é funccionario Municipal. bom amigo e distincto chefe de familia digno de toda consideraDAMAZO PORCINO DE . ao lado de Juca Rezende. Nazareth. ainda hoje vive felizmente. e suburbios onde era uma figura obrigada. Aurelio Cavalcanti e muitos outros. Conheço bem de perto. fez parte da Banda de Musica da Provincia do Rio de Janeiro. sinto a maior satisfação. e sei o seu valor real. deixando em paz o seu guarda. Damazo falleceu no catre de um Hospital. pois sabia que elle iria só instruir as musicas no Batalhão.

conhecedor do braço do violão. o sublime dedilhar das mais distinctas famiias de do eximio Professor me deixado ção. o escuto no modinhas com uma escola toda sua. E desta maneira. que alcançaram os maiores successos nas épocas [204] carnavalescas. Eduardo de Castro. e as mais antigas fazem parte de seu repertorio. é um gentilman dedicado amigo e de fino trato. ficando eu dos actuaes professores ainda dá habilitado para mais ou menos no couro. tanto assim que no meio me traz pelo som. superiores e amigo de seus amigos do cordão da velha guarda. Mora lá para as ban- . onde de vez da Fazenda. estimado pelos seus muitos chorões da velha guarda. é um grande admirador das letras do grande Catullo. E' funccionario das de Jacarépaguá. tomando parte em reuniões meu Radio. Tem muitos sambas e marchas escriptos letra e musica.– 271 – nossa sociedade. compridor de seus em quando reune em sua casa deveres. pois de o conhecer pessoalmente. ainda brilha ! Conhece toda escola do mas tenho um criado que tudo violão. além de ser um chorão inveterado. JOSÉ DE MORAES (Canninha) PROFESSOR FREITAS E' um verdadeiro chorão de Apezar de não ter a felicidade velha e da nova guarda. Canninha. elle aprecia com ardor os bons artistas e sabe abalisadamente ajuisar o valor de cada um delles. sempre com o seu amigo de todos os tempos o violão. tambem canta poder dar o seu valor.

– 272 – extasiado naquelle sublime modinha que elle cantou. por Deus minha dôr. Que sabel-o não há de ninguem! . morando lá pelos suburbios. Não escutem. Não indaguem quem foi meu amôr E' segredo que guardo em meu peito. começava assim: Recebe o Freitas os meus aplausos. O GUERRA DA ESTRADA DE A muito que não vejo este FERRO chorão penso que ainda vive. Conheci-o na casa do saudoso e –––––oOo––––– sempre lembrado Bilhar. etc. etc. O teu coração é de pedra. que instrumento que é o violão. um gemido soltar. sómente. Canta e toca bem o violão. Apreciei-o muito em uma [205] NO SILENCIO DA NOITE SÓMENTE No silencio da noite. Não procurem saber porque sofro. Posso livre. Que no meio das bulhas do dia Não me é dado um momento chorar! Riam todos a vista do pranto.

se vão se apagando Meus gemidos. ... minha dôr? ! ––––– [206] NAS AGUAS DORMENTES Nas aguas dormentes do mar da existencia Sonhamos aos raios do frio luar Sonhamos e a mente se embebe na imagem Com quem nós podemos a gosto sonhar As brisas vem cheias de aromas e beijos. gemendo Sobre as rochas cavada d'além E' segredo que n'alma conservo Breve a campa. Pois bem desgraçado Sou na terra.– 273 – E' qual onda queixosa. Esquecido do mundo e de todos. Desvendal-o ninguem ha de vir! Não não ha de!. por ser trovador! Mas. que importa. vou mudo descer! Mas depois de findar a existencia Meu segredo não podem saber! Deixem pois no silencio da louza Meu segredo p'ra sempre dormir. meus ais.

Cantando saudades. Mas o que fazer obstaculos. ––––– bons leitores? Agi como se fosse [207] impulsionado por uma missão que me parecia ser ditada pelo EPILOGO poder Supremo de todas as Ao finalizar este livro que era cousas. mal ou bem de recurso que resta ao ser humano. esmorecer quando temos uma perpetúo estes musicistas vontade unida a fé. Sonhemos ao leve balanço do mar. repousa descança! As harpas de amores suspiram nos ares. que brando suspiram. que sonhos de amores! Deslisa a canoa e a vóz do barqueiro Confunde-se aos roncos das ondas do mar! Que orchestra divina! Que magos encantos! As brisas que passam. Que placidos sonhos. que musica e flôres! Nos peitos amantes. que a briza desliza entre flôres. Que bando de crenças.– 274 – O mar de cançado. accordo com os meus obscuros reduzir montanhas e vencer conhecimentos. esperança! Aos doces murmurios das ondas que choram. que muitas vezes faz-nos os meus sonhos dourados. amôr. unico descriptos. Foi unido a estas . suspiram – Amar! A lua branqueia n'areia gelada A praia é deserta! Que bello sonhar Amamos.

mãos a obra. cheio de erros gramaticaes. Eis porque tive o arrojo e temeridade de dictar um livro pobre de litteratura. Com elles evolui e caminhei por esta estrada cheia de harmonias. Foi por isso bom amigo leitor. lutei como um naufrago que agarrado ao batél da Esperança. que pertencendo e convivendo no meio desses vencedores da arte musical. muzicas essas que jamais poderão desapparecer dos grandes ou pequenos archivos dos bons collecionadores. Como "chorão" que fui pranteio as saudades de todos os meus companheiros do "choro" mortos e sobreviventes prestando-lhes uma homenagem. Não foi facil a minha tarefa. porém rico na extensão da palavra. pois nelle derramei a essencia das saudades. é que me veio ao pensamento escrever algo sobre os chorões da antiga e nova guarda. por esta razão criei em meu cerebro. e synthetizando com devotado amôr todas as suas sublimes inspirações para que as gerações d'agora e futuras saibam que existiu essa grande phalange de chorões que elevaram e inalteceram as musicas genuinamente Brasileiras. um fervoroso admirador da bôa litteratura. fazendo resurgir das trévas uma grande parte de celebridades que dormiam no esquecimento. sem que seja um literato. embora pallida. e revivendo com enthusiasmo e alegria. Ao lado desta pleiade para mim immoredoura foi que se embalsamou o meu grande enthusiasmo dentro da poesia e da musica. mas sim. luta sulcando o mar revolto de . extraordinarios castellos de fantasias que com o correr dos tempos se desmoronavam como as bolhas de sabão. para voltar de novo.– 275 – duas alavancas que metti.

e com a alma guarda. difficil por em pratica como esquecimento em que estavam agora o fiz. Céos" sendo até chrismado deixando após de si resplandecer Cidade maravilhosa" não os como um sól. Penso ter vencido. retribuo o choro é primo inter pares. Sinto-me ufano e todos os chorões da velha regosijado. facil as memorias em perfil que revivendo o para muitos. e illuminada porque amigo leitor? porque me pela luz merediana que é o pharol que plantarão neste conjuncto de chorões modernos. concluzão de uma causa. esta maravilho do mensagem de grandeza fulgente dos artistas da musica que aqui seculo da luz. de quem são elles neste livro fiz reviver em os verdadeiros satelites que homenagem merecida. Fiz transformou a cidade colonial resurgir do esquecimento as que transcrevi. circundada descrença. mas para mim descrevi. E a estes chorões de hoje que producções. e sabe de nuvens roseas. O radio. os seus gigantescos "Arranha e nos que já falleceram. laureado . as suas olvidará. [208] o amor proprio de uma geração parece que fui o portador de uma passada. que foram. arrazando o bellezas e as harmonias vibradas morro do Castelle.– 276 – de uma nova aurora. resplandescida de alegria FIM deixando que se faça justiça a este grande triumpho. são e serão a alegria nas festas em que ao terminar este livro que era o meu sonho dourado. Sinto-me victorioso pela tudo quando disse relativamente. e construindo com alma n'aquelles que vivem.

razão porque só agora poude entregal-o a publicidade porem isto não desmereceu nada porque agora está satisfeita a vossa vontade e a minha. o prelo onde tinha que ser impresso. Assim não aconteceu por motivos muito independente da minha vontade. quebrou. pois.– 277 – O AUTOR –––––oOo––––– ACONTECIMENTO IMPREVISTO Venho por meio destas linhas dar uma satisfação aos meus amigos leitores relativamente a demora da saida do meu livro O "Chôro" que deveria ter saido muito antes do Carnaval. . mesmo porque o melhor da festa é esperar pela mesma.

que pertence a pag. 88 no fnal do elogio a Pedro de Assis.– 278 – ERRATA Na pag. . sahiu o ultimo periodo pertencente a descripção de Raymundo Flauta. seguinte n° 89.

dos productos de BUSI Caramellos de luxo Bonbons. etc. a ás usarem e pessôas abusarem que façam usa do "VOZ" em orações. .– 279 – [Última capa] ACONSELHAMOS canticos. 20 – RIO. Gloria. Rua LEDO. Drops e Doces de Leite A marca de confiança BUSI Fortifica e alimenta A venda em todas as casa do genero Typ.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful