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Módulo

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PATRIMÓNIO LOCAL E REGIONAL

Curso Profissional: Técnico/a de Receção

Disciplina: Informação turística e marketing


Informação turística e marketing

Módulo 11 – Património local e regional

ÍNDICE

Apresentação e objetivos………………………………………………………………………………………………...3

1. Conceitos……………………………………………………………………………………………..5
1.1. Património e Turismo Patrimonial……………………………..………………………………………5
1.2. Património e desenvolvimento……………………………………………………………………….…8
1.3. Cultura, identidade e património: linhas políticas e técnicas de ligação………………10

2. O Património e a sua função social: perspetivas gerais……………………………….13


2.1. Inventariação e classificação do património numa perspetiva da sua valorização
funcionalidade e refuncionalidade dos bens patrimoniais………………………………………….13
2.2. Políticas de património cultural e desenvolvimento – análise………………………….….16

3. A apropriação do Património segundo os objetivos de desenvolvimento: o valor


económico e social do Património e as estratégias de utilização……………………….20
3.1. As entidades locais e regionais e o desenvolvimento local e regional: panorama
atual e fundamentos das práticas políticas………………………………………………………..…..20
3.2. O turismo patrimonial, desenvolvimento e promoção: a criação de um ambiente
estimulante às atividades económicas e culturais da componente turística……………….23
3.3. Planos estratégicos de desenvolvimento: estudo de um caso………………………….…27

4. Turismo Cultural e as economias regionais e locais………………………………….…31


4.1. Estratégias e modelos…………………………………………………………………………………...31
4.1.1. Desenvolvimento sustentado: qualificação de recursos humanos e coesão
social; equilíbrio territorial e ambiental………………………………………………………..31
4.1.2. Infraestruturas e equipamentos……………………………………………………….32

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4.2. O Património e os Planos Diretores Municipais; os Planos de Ordenamento da Orla


Costeira e os Planos Regionais de Ordenamento do Território: as políticas; a
preservação do património; a refuncionalização dos bens
patrimoniais………………………………………..35
4.2.1. Os conflitos da relação Património Cultural-PDMs, os Planos de Ordenamento da
Orla Costeira e os Planos Regionais de Ordenamento do Território e os aspetos
positivos: estudos de casos……………………………………………………………………………………35

Bibliografia……………………………………………………………………………………………………………………..4
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Apresentação
Este módulo aborda o propósito do desenvolvimento sócio cultural e económico das várias
regiões destacando o património em todas as suas vertentes conhecer - proteger - valorizar -
divulgar/difundir, sendo privilegiada uma visão otimista sobre a mobilização conceptual dos
recursos patrimoniais a favor de uma melhor composição dos produtos turísticos oferecidos por
determinada região, entidade ou empresa.

O valor dos vestígios arqueológicos, dos monumentos, dos museus, das paisagens urbanas e
rurais, do artesanato, da gastronomia e do folclore, entre outros, tem uma importância decisiva
no processo de patrimonialização.

Este valor é um elemento deduzido da notoriedade do bem cultural, da sua localização, do seu
significado singular, da sua genuinidade, da sua envolvente e tem, em matéria do enlace entre
património – cultura – turismo cultural, uma importância contemporânea, cada vez maior.

Esta importância dada ao valor patrimonial arquitetónico, natural e cultural decorre, entre
outras situações, da descoberta ou, melhor dito, redescoberta de que o património poderá ser
uma fonte crescente de receitas e contribui, concretamente, para o desenvolvimento da
sociedade, tanto na exploração da fileira direta do turismo, bem como nas ocupações indiretas,
paralelas a esta fileira.

O programa da disciplina aponta para um alargamento de horizontes, com uma ampla


sensibilização e aplicação de conceitos atualizados, integrando saberes multidisciplinares, em
função de abordagens concretas do meio em que cada escola se insere.

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A partir da especificidade de um património local e regional, propõe-se, pois, a aquisição de


quadros alargados, transponíveis para a compreensão das diferentes situações concretas da
vida futura, como profissional e como cidadão.

Objetivos de Aprendizagem
 Reconhecer a importância do património e da sua relação com o turismo
 Colaborar na organização do setor, através da elaboração de alternativas diversificadas,
de modo a proporcionar múltiplas ofertas adaptáveis aos diferentes tipos de público-alvo
 Participar na dinamização de diferentes modalidades turísticas, nomeadamente: turismo
rural, de montanha, de águas doces, termalismo, de desporto, de lazer e outros,
promovendo e integrando diferentes componentes culturais e patrimoniais
 Desenvolver a área do turismo, dinamizando um setor que é vital para a economia local,
regional e nacional

1. Conceitos

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1.1. Património e Turismo Patrimonial

O termo “património” começou por definir a esfera privada, significando a herança que era
passada entre diversas gerações. Nesse tempo, a propriedade dos bens de valor artístico e
arquitetónico, como as obras de arte e os monumentos, estava confinada à Igreja e à Nobreza,
que constituíam as classes sociais dominantes.

No entanto, apenas eram considerados como património histórico ou património histórico-


artístico os elementos de maior antiguidade, valor artístico e monumentalidade, como por
exemplo:
 Os castelos;
 Os mosteiros e as igrejas;
 Os palácios;
 As grandes obras de arte (pintura, escultura, ourivesaria).

Com o passar do tempo, as profundas mudanças socioeconómicas fizeram perder uma série de
paisagens, atividades e modos de vida tradicionais.

Desta forma, o património de um determinado país, região ou localidade passou a designar-se


como património cultural, remetendo para outras realidades, mais recentes no tempo e mais
diversas, como por exemplo:
 As práticas agrícolas;
 Os edifícios industriais;
 As tradições linguísticas;
 Os ofícios artesanais.

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O património cultural de uma localidade, região ou país representa um conjunto de valores que
a sociedade atual, perante o desafio da globalização, procura reivindicar como memória da sua
identidade cultural.

Assim sendo, o património cultural compreenderá então todos aqueles elementos que fundam a
identidade de um grupo e que o diferenciam dos demais, e que esse grupo reconhece e valoriza
com o objetivo de garantir a sua transmissão para as gerações futuras.

O património cultural corresponde a um produto turístico que constitui a base de muitas


deslocações de turistas, designado por turismo cultural.

O turismo cultural pode ser definido como:

Uma experiência de consumo de imagens, locais, atividades e património cultural, mas também
como uma experiência de contacto assimétrico ou não, aculturador ou não, entre anfitriões e
convidados.

O movimento de pessoas para atrações culturais fora do seu local de residência, com a
intenção de compilar novas informações e experiências para satisfazer as suas necessidades
culturais

Estas atrações culturais englobam não só os produtos culturais do passado como também da
cultura contemporânea ou do modo de vida de um povo ou região. Desta forma, o turismo
cultural compreende todas as visitas motivadas no todo ou em parte por interesse na oferta
histórica, artística, científica, mas também no contexto cultural de uma comunidade.

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O turista cultural é, portanto, aquele para quem a cultura detém um papel essencial na seleção
do destino e nas atividades que desenvolve durante a estada. Pode estar motivado por razões
de ordem cultural ou pode conciliar motivações culturais com outras na sua visita ao destino.

O turismo cultural pode ser desenvolvido em espaço urbano, caso em que encontra
coincidência com o turismo urbano, em espaço rural ou ainda entre ambos os espaços, caso em
que se insere na realização de rotas e circuitos temáticos, designados como touring.

De acordo com o estudo “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em


Portugal – City-breaks”, realizado pelo Instituto de Turismo de Portugal, a principal motivação
dos turistas de touring é descobrir, conhecer e explorar os atrativos de uma região.

As principais atividades desenvolvidas são percursos em tours, rotas ou circuitos de diferente


duração e extensão, em viagens independentes e organizadas.

Os principais mercados são:


 Touring genérico – Tours, rotas ou circuitos de conteúdo abrangente e diverso. O tour,
rota ou circuito são, em si mesmos, a essência do produto. Representa cerca de 90%
das viagens de Touring.
 Touring temático - Tours, rotas ou circuitos focalizados num determinado tema, o qual
constitui o núcleo da experiência. Representa cerca de 10% do total de viagens de
touring.

Os destinos prioritários para o desenvolvimento do produto touring cultural e paisagístico, em


Portugal, são o Porto e Norte, a Região Centro, Lisboa e a Região do Alentejo.

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1.2. Património e desenvolvimento

A definição do papel que o património cultural tem no desenvolvimento depende da ideia que
tenhamos de desenvolvimento. Assim, se falarmos em desenvolvimento endógeno os princípios
orientadores do mesmo são:
a) Aproveitamento dos recursos próprios e não depender excessivamente do exterior.
b) Que as pessoas tenham um protagonismo no planeamento, desenho e execução do
programa e das ações.
c) Ganhar independência e autonomia através da educação.

O desenvolvimento é um processo de construção de futuros sociais que envolve programas


(práticas), discursos e imaginários com o objetivo de mudar uma comunidade, um território ou
um grupo de pessoas. A felicidade deve ser o principal objetivo do desenvolvimento, daí que o
possamos entender como um plano de vida individual e coletivo.

Em linhas gerais, podemos afirmar que os processos de patrimonialização costumam estar, de


certa forma, ligados ao turismo cultural, ainda que nem sempre essa relação seja pacífica. Isto
pode ser observado se analisarmos os programas de desenvolvimento rural da União Europeia
(ex.: Leader, Leader + ).

O mesmo processo de mercantilização do património cultural mas existem, contudo, outros


significados das ativações patrimoniais:
a) O património cultural pode contribuir para a recomposição de identidades culturais
afetadas por processos culturais homogeneizadores. Neste sentido, a patrimonialização
pode reforçar o direito à existência da diversidade de identidades culturais, e também
pode ajudar a dinamizar comunitariamente comunidades menorizadas ou minoritárias
que fabricam as suas próprias representações e imagens culturais.

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b) Como cultura da permanência numa era da fugacidade, o património cultural pode


servir para conservar e preservar bens culturais, o que diminui o drama de algumas
mudanças muito rápidas e acrescenta a autoestima da comunidade. Assim o património
cultural serviria como uma ancoragem em referentes identitários e também como um
mecanismo de refletividade como reação face a mudanças muito rápidas.
c) Como etiqueta social de distinção que é, o património cultural tem uma rentabilidade
social e política, e não só uma rentabilidade económica (salva-vidas de zonas rurais e
urbanas em crise e processo de reinvenção). A rentabilidade social pode servir para
distribuir a riqueza e viabilizar patrimónios familiares e comunitários.
d) Pode-se criar desenvolvimento para um evento cultural, mas também se pode
inventar um evento cultural para gerar desenvolvimento.

Neste sentido, o património cultural pode gerar ou promover indiretamente outros


desenvolvimentos.

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1.3. Cultura, identidade e património: linhas políticas e técnicas de ligação

A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade manifesta-se
na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades
que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a
diversidade cultural é, para o género humano, tão necessária como a diversidade biológica para
a natureza.

Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos, que são universais,
indissociáveis e interdependentes. O desenvolvimento de uma diversidade criativa exige a plena
realização dos direitos culturais.

As políticas culturais, enquanto assegurem a livre circulação das ideias e das obras, devem criar
condições propícias para a produção e a difusão de bens e serviços culturais diversificados, por
meio de indústrias culturais que disponham de meios para desenvolver-se nos planos local e
mundial. Cada Estado deve, respeitando as suas obrigações internacionais, definir a sua política
cultural e aplicá-la, utilizando-se dos meios de ação que julgue mais adequados.

A defesa e a conservação dos bens culturais, hoje reconhecidas como uma incumbência
fundamental do Estado, apoiam-se na sua ampla conjuntura política, social, económica, cultural
e ecológica, sobretudo desde a campanha do Ano Europeu do Património Arquitetónico, em
1975, a que Portugal aderiu.

O conceito abrangente de conservação do património é considerado, cada vez mais, como um


modo de defesa global do ambiente que não se preocupa só com a proteção do espaço vital

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natural mas também com a do espaço vital coletivo, desenhado pelo homem no decurso da sua
existência.

Não faltam, por isso, normas e diretivas internacionais, elaboradas por organismos
vocacionados para a salvaguarda da identidade histórico-cultural, sobretudo pela UNESCO, pelo
Conselho da Europa e pelo ICOMOS, entre outros, apelando todas para a preservação da
herança natural e cultural da comunidade humana.

No que respeita a Portugal, o atual governo formulou as seguintes políticas culturais no seu
programa:

A cultura constituirá, na legislatura de 2009-2013, uma prioridade do Governo, no quadro das


políticas de desenvolvimento, qualificação e afirmação do País, segundo três compromissos
centrais:
 Reforçar o orçamento da cultura,
 Assegurar a transversalidade das políticas culturais,
 Valorizar o contributo decisivo da criação contemporânea para o desenvolvimento do
País.

O Governo continuará a desenvolver uma política de preservação do Património Histórico


e Cultural, como repositório da memória e instrumento de construção de identidade individual
e coletiva, garantindo a valorização do Património Classificado e da Rede Nacional de Museus.

Serão adotadas, entre outras, as seguintes iniciativas:


 Políticas de mobilização e estabelecimento de parcerias com os cidadãos e as empresas,
à semelhança do Cheque-Obra, com vista à preservação, reabilitação e revitalização do
Património;

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 Ações de informação e qualificação dos agentes culturais no sentido da elaboração de


projetos candidatos a apoio comunitário no âmbito do QREN;
 Estabelecimento de parcerias com as autarquias, com as confissões religiosas, com
fundações ou associações, com vista a reabilitar património classificado, a ser usado
pela comunidade;
 Apoio a processos de reabilitação do património classificado, que funcionem como parte
ou mesmo semente de um processo de reabilitação urbana e de requalificação e
reutilização de saberes e ofícios;
 Promoção de uma política de reabilitação urbana e de requalificação territorial que
favoreça a componente cultural e ambiental, a qualidade de vida e o ordenamento do
território, valorizando a contribuição de arquitetos e designers;
 Promoção, junto dos países onde existem monumentos portugueses, da preservação e
revitalização dos mesmos;
 Promoção da recolha, tratamento e divulgação do Património Imaterial português e de
Língua Portuguesa;
 Criação de uma Fonoteca Nacional, preservando o património sonoro português;
 Reavaliação dos modelos de gestão dos museus e palácios, envolvendo os cidadãos, as
comunidades e as entidades de economia social, associações e fundações, numa gestão
em rede;
 Reforço dos meios materiais e humanos dos museus, arquivos e outros equipamentos
de preservação e divulgação do Património Cultural, promovendo a tendencial cobertura
territorial e a sua sustentabilidade;
 Expansão da rede de arquivos distritais e municipais;
 Promoção de parcerias que permitam a aquisição de Património Cultural de elevado
valor para o País.

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2. O Património e a sua função social: perspetivas gerais

2.1. Inventariação e classificação do património numa perspetiva da sua


valorização funcionalidade e refuncionalidade dos bens patrimoniais

A proteção legal dos bens culturais assenta na classificação e na inventariação.

Entende-se por inventariação o levantamento sistemático, atualizado e tendencialmente


exaustivo dos bens culturais existentes a nível nacional, com vista à respetiva identificação.

O inventário abrange os bens independentemente da sua propriedade pública ou privada.

O inventário abrange duas partes: o inventário de bens públicos, referente aos bens de
propriedade do Estado ou de outras pessoas coletivas públicas, e o inventário de bens de
particulares, referente aos bens de propriedade de pessoas coletivas privadas e de pessoas
singulares.

Entende-se por classificação o ato final do procedimento administrativo mediante o qual se


determina que certo bem possui um inestimável valor cultural.

Os bens móveis pertencentes a particulares só podem ser classificados como de interesse


nacional quando a sua degradação ou o seu extravio constituam perda irreparável para o
património cultural.

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Dos bens móveis pertencentes a particulares só são passíveis de classificação como de


interesse público os que sejam de elevado apreço e cuja exportação definitiva do território
nacional possa constituir dano grave para o património cultural.

Na prática, significa que o bem se encontra protegido por lei, podendo esta proteção expressar-
se em 3 modalidades:
• MN – Monumento Nacional
• IIP – Imóvel de interesse público
• IVC – Imóvel de valor concelhio

Classificação Critério de classificação

MONUMENTO Um bem considera-se de interesse nacional quando a respetiva


NACIONAL proteção e valorização, no todo ou em parte, represente um valor
cultural de significado para a Nação.

IMÓVEL DE INTERESSE Um bem considera-se de interesse público quando a respetiva


PÚBLICO proteção e valorização represente ainda um valor cultural de
importância nacional, mas para o qual o regime de proteção
inerente à classificação como de interesse nacional se mostre
desproporcionado

IMÓVEL DE INTERESSE Um bem considera-se de interesse municipal quando a respetiva


MUNICIPAL proteção e valorização, no todo ou em parte, representem um
valor cultural de significado predominante para um determinado
município.

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A valorização do património cultural é um processo que deve contar com a intervenção de toda
a sociedade, de forma a deixar um legado às gerações futuras e contribuir para o
desenvolvimento das regiões.

O inventário e a classificação do património inserem-se numa estratégia de valorização do


mesmo.

Valorizar significa "acrescentar valor". Por exemplo, valorizar um monumento vai permitir-lhe
“sobreviver” e adaptar-se a novos usos, como por exemplo ser reabilitado para outros fins.

O processo de valorização do património tem vários objetivos, entre os quais: 


 Interpretar o seu significado;
 Garantir a sua sobrevivência material;
 Potenciar o acesso do público.

A reabilitação (reutilização, reconversão, adaptação, etc.), consiste no projeto resultante da


decisão sobre o novo uso a conferir ao imóvel/ sítio. Trata-se de um ponto sensível, mas da
maior importância para que o bem cultural venha a desempenhar a sua função social e gerar
mais-valias para a comunidade.

Este processo depende da audição de várias entidades – idealmente, deveria contar com a
intervenção da população local - e está sujeito aos condicionamentos legais.

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2.2. Políticas de património cultural e desenvolvimento – análise

A política do património cultural deverá integrar especificamente, entre outras, as seguintes


componentes:
 Definição de orientações estratégicas para todas as áreas do património cultural;
 Definição, através de planos, programa e diretrizes, das prioridades de intervenção ao
nível da conservação, recuperação, acrescentamento, investigação e divulgação do
património cultural;
 Definição e mobilização dos recursos humanos, técnicos e financeiros necessários à
consecução dos objetivos e das prioridades estabelecidas;
 Definição das relações e aplicação dos instrumentos de cooperação entre os diversos
níveis da Administração Pública e desta com os principais detentores de bens culturais e
com as populações;
 Definição dos modelos de articulação da política do património cultural com as demais
políticas sectoriais;
 Definição de modelos de aproveitamento das tecnologias da informação e comunicação;
 Adoção de medidas de fomento à criação cultural.

Para que o Património Cultural possa constituir uma oportunidade de futuro, torna-se
necessário prosseguir articuladamente as seguintes linhas estratégicas:

1. Promover o desenvolvimento de uma sociedade civil forte e esclarecida,


verdadeiramente capaz de inspirar as políticas do Estado e dos agentes económicos
e sociais.

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Neste sentido é antes do mais desejável repensar e fortalecer as bases do contrato social
estabelecido eleitoralmente, o que passa por quatro planos sucessivos de atuação:
a) A exigência que as propostas contidas em programas eleitorais contemplem medidas
substantivas a tomar na área do Património Cultural ;
b) A dotação do Parlamento com as capacidades técnicas e legais de efetiva fiscalização
da ação governativa neste setor;
c) A inversão do sentido tomado pela governação nos últimos anos, nos quais se tem
assistido, contra toda a expectativa e sentido da História, ao aumento das margens de
decisão discricionária do Governo, pela desarticulação e descaracterização de todos os
órgãos de consulta independentes e representativos, cuja existência, funcionamento
regular e capacidade real de influência constitui uma das principais garantias do
exercício da cidadania, especialmente em sociedades democráticas avançadas, como se
pretende ser a nossa;
d) Promoção da competência política e técnica nos organismos da administração pública
que tutelam o Património Cultural. O facto de se encarar a Cultura como um setor
marginal e pouco preponderante na governação, tem tido como consequência um
abaixamento da qualidade dos responsáveis políticos, da alta direção administrativa e
até, em certos casos, da capacidade de intervenção operacional.

2) Promover a qualificação profissional na execução das políticas patrimoniais, o que


supõe designadamente:
a) O apoio aos curricula académicos e estágios práticos visando formação adequada ao
exercício profissional das competências inerentes à execução das políticas patrimoniais;
b) A certificação de empresas, através de sistemas de alvarás que habilitem à
intervenção na área do Património Cultural, em cada uma das suas múltiplas vertentes;

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c) A renovação dos quadros de pessoal da Administração Pública tanto técnicos como


com funções de suporte (essenciais para um funcionamento eficaz dos organismos
públicos).

3) Promover a transversalidade entre os vários organismos do Ministério da Cultura,


criando uma dinâmica que possa responder às atuais apetências de um público que, apesar de
tudo, participa cada vez mais em determinadas manifestações de índole cultural.

4) Constituir os mecanismos que permitam o estabelecimento, com a adequada


participação da sociedade civil, de uma efetiva política interministerial para o Património
Cultural, dotada de suficientes meios financeiros, tendo especialmente em atenção os setores
da Cultura, da Educação, do Ambiente, do Urbanismo e do Ordenamento do Território e do
Turismo.

5) Finalmente, é especialmente urgente proceder, no mais curto prazo, a uma


reconfiguração do Ministério da Cultura. Em concreto, importa neste âmbito:
a) Definir um modelo coerente de gestão do Património Cultural português que possa
garantir a sua efetiva salvaguarda, delimitando com rigor e bom senso as competências
centrais, regionais e locais, tendo sempre presente a salvaguarda da capacidade
interventiva nacional, como garante último da perenidade de bens que, pela sua
natureza, não constituem propriedade plena de nenhuma geração ou grupo particular;
b) Em concreto, reorganizar a orgânica do Ministério da Cultura na área do Património
Cultural, dotando-a de um esquema operacional agilizado e de circuitos de decisão
claros, sem sobreposições de competências;
c) Assegurar o desenvolvimento de políticas de salvaguarda do Património Cultural
integradas, incluindo os bens imóveis, móveis e imateriais;
d) Reforçar significativamente a dotação financeira no setor do Património Cultural;

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e) Manter e reforçar as competências operacionais específicas desse setor, no âmbito do


Ministério da Cultura, quer quanto a domínios técnicos de especialidade, quer quanto à
atuação no território;
f) Zelar pela salvaguarda dos fundos documentais dos organismos do Ministério da
Cultura, como sejam os arquivos e bibliotecas de especialidade, garantindo a sua efetiva
disponibilização pública;
g) Promover uma política inequívoca para o Inventário do Património Cultural de forma
a garantir a continuidade e especificidade de sistemas e garantir simultaneamente uma
eficaz e indispensável interoperacionalidade entre os mesmos;
h) Incentivar a criação e integração em rede das bases de dados e sistemas de
informação atualmente existentes, negociando protocolos que potenciem economias de
escala no plano do recurso às infraestruturas de telecomunicações.

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3. A apropriação do Património segundo os objetivos de


desenvolvimento: o valor económico-social do Património e as
estratégias de utilização

3.1. As entidades locais e regionais e o desenvolvimento local e regional:


panorama atual e fundamentos das práticas políticas

A qualificação dos territórios situa-se claramente na linha de interseção entre as questões da


competitividade e da coesão. Constitui por isso um domínio crucial das políticas públicas, numa
ótica de integração sectorial.

A cultura tem um papel cada vez mais central na qualificação dos territórios, quer numa
perspetiva mais tradicional como fator de regeneração associado aos consumos, ao lazer e ao
turismo, quer do ponto de vista mais inovador e menos explorado da (re)produção e do capital
cultural.

A cultura como fator de qualificação dos territórios deve ser perspetivada em cinco frentes,
distintas mas articuladas:
 1. As atividades culturais e artísticas como uso adequado e valorizador de espaços
obsoletos e devolutos das cidades e do campo.
 2. Os equipamentos culturais qualificam a intervenção no espaço urbano, ajudando a
preencher espaços intersticiais (instalações industriais ou de transportes obsoletas, vias

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inacabadas, e áreas residenciais desordenadas, sobretudo suburbanas) e a ‘suturar’


tecidos urbano rasgados.
 3. Os equipamentos culturais, quer sejam resultantes de operações de reabilitação ou
criados de raiz, podem constituir o travejamento do tecido urbano, do equilíbrio social e
da participação cívica.
 4. Nos lugares do mundo rural, o desenvolvimento ancorado na cultura assume traços
específicos. São sobretudo as adversidades que engendram soluções criativas. Importa
regenerar as ruínas (entram em colapso as produções humanas que deixam de ter uso e
sentido) que povoam o espaço rural português, tendo presente que esses testemunhos
representam memórias, heranças e identidades partilhadas.
 5. A cultura é, quer no meio urbano quer no rural, um importante recurso turístico.
Importa, contudo, acautelar os abusos da utilização intensiva desses recursos, na
maioria dos casos não recuperáveis.

No processo de reabilitação e qualificação dos territórios urbanos e rurais, o domínio da cultura


assume-se, de uma forma cada vez mais criativa e inovadora, como um elemento fundamental
e com o qual é necessário estabelecer uma eficaz articulação.

Deste modo, as ações de reabilitação urbana ou rural, devem promover o envolvimento e a


participação da população dos respetivos territórios, como principais intervenientes em todo o
processo, uma vez que, da articulação daquelas ações com os programas de política cultural
local, podem provir benefícios ao nível do desenvolvimento económico, social e turístico dos
territórios intervencionados.

A regeneração/revitalização urbana e rural permite colocar em evidência as potencialidades


endógenas dos respetivos territórios, sendo a cultura um desses elementos, tornando-a deste
modo, um produto acessível a todo um conjunto de procura turística.

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Neste âmbito, pretende-se aproximar a cultura e o turismo, ou seja, a multiplicidade de ofertas


culturais e a variedade da procura, procurando explorar uma relação com mútuos benefícios.

Para a prossecução do objetivo torna-se necessário, uma vez mais, melhorar quer a articulação
entre as políticas públicas dos Ministérios com a tutela das áreas da Cultura, Turismo,
Ordenamento do território e Revitalização Urbana e Rural, quer o estabelecimento de parcerias
entre os setores público, privado e terceiro setor (modelo de financiamento misto) através das
respetivas medidas de incentivo.

Outras condições essenciais para uma melhor articulação entre criação e património:
 Agilizar a aplicação do mecenato às atividades culturais, através de alterações
regulamentares;
 Permitir a constituição, dada a sua fraca implementação, de uma malha densa e bem
descentralizada no país de agências de mediação entre os gestores das políticas públicas
e os agentes culturais, visando quer a divulgação e informação, quer a assessoria
técnica para a apresentação de candidaturas e para a gestão de projetos;
 Promover o protagonismo do terceiro setor através quer da revitalização e dinamização
de entidades tradicionais deste setor com papel relevante na coesão social,
 Fomentar, tal como já foi referido, a articulação entre autarquias no que diz respeito a
grandes investimentos culturais (equipamentos, eventos, etc) como forma de melhor
rentabilizar os recursos culturais existentes.

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3.2. O turismo patrimonial, desenvolvimento e promoção: a criação de um


ambiente estimulante às atividades económicas e culturais da componente
turística

A cultura e o património cultural são cada vez mais recursos políticos para o desenvolvimento,
mas também recursos económicos para o turismo, pois geram empregos e impulsionam o
crescimento económico de forma direta e indireta.

A exploração turística dos recursos patrimoniais permite inverter a forte tendência de 
concentração da oferta turística junto ao litoral, dispersando o turismo para o interior, para as
pequenas cidades, com uma distribuição mais equitativa dos seus benefícios, funcionando assim
como fator de criação de emprego e de revitalização das economias locais.

Representa também benefícios evidentes no que concerne aos custos de preservação do


património, que muitas vezes não podem ser assegurados pelos poderes locais. Por outro lado,
com frequência se reclama a utilização do património para fins turísticos para se fazer face a
um turismo massificado que ameaça as identidades locais.

O turismo em espaço rural pode ser definido da seguinte forma:

Produto completo e diversificado que integra as componentes de alojamento, restauração,


animação e lazer, baseado no acolhimento hospitaleiro e personalizado e nas tradições mais
genuínas da gastronomia, artesanato, cultura popular, arquitetura, folclore e da história.

O turismo rural pode ser considerado uma experiência de turismo cultural, através da qual os
habitantes urbanos procuram no espaço rural a autenticidade que eles pensam perdida nos

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espaços urbanos, o que possibilita experimentarem estilos de vida diferentes do próprio e


mesmo outras experiências mais espirituais.

Numa outra perspetiva, a da economia cultural, o espaço rural deixa de ser única e
exclusivamente um espaço de produção agrária para converter-se em espaço de consumo.
Poderíamos dizer que o espaço rural passa a elaborar novas produções (paisagem, ruralidade,
tranquilidade, raízes, identidades) para a sua reprodução socioeconómica.

O agro e o agrário passaram a ser “rural” e “campo”, e o turismo rural pode ser pensado como
um produto e uma nova forma de consumo. Assim entendido, o turismo rural é um motor e
uma consequência dessa mudança cultural.

Benefícios do turismo rural, na ótica do destino:


 Conservação da paisagem
 Fixação de população
 Renascimento agrícola
 Reabilitação do património edificado
 Novas áreas empresariais
 Inventário e  gestão sustentável do património
 Criação de novos perfis profissionais (ex. cursos científico-tecnológicos)
 Diminuição do desemprego

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Características do turismo cultural em espaço rural

RECURSOS E PRODUTOS EXPERIÊNCIAS E DESEJOS

 Aldeias preservadas (arquitetura  Hospitalidade


tradicional)  Autenticidade
 Ecossistemas integrados (montanha,  Sentido de comunidade e pertença
rios, planícies)  Regresso às origens
 Paisagens culturais: exemplos de  Tranquilidade, refúgio e quietude
integração das atividades humanas na  Revivência de práticas ancestrais
“natureza” (cultivos, formas de (folclore, rituais…)
delimitação da propriedade, construções,  Qualidade ambiental
etc.)
 Artesanato, rituais e performances
tradicionais
 Gastronomia
 Espécies vegetais e animais
 Monumentos e ruínas integrados na
paisagem

Princípios de sustentabilidade
 Dar importância à proteção e reabilitação dos monumentos e museus, assim como a
lugares de interesse histórico
 Fomentar o acesso do público aos bens e monumentos culturais de propriedade privada,
 Os recursos decorrentes da exploração do património deveriam destinar-se em parte à
melhoria e enriquecimento desse património

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 A atividade turística devia organizar-se de modo a permitir a sobrevivência da produção


cultural, artesanato e folclore
 Os organismos nacionais e regionais deveriam implementar programas de revitalização
do património histórico e cultural para a construção da identidade local
 As atividades turístico-culturais deveriam beneficiar a comunidade anfitriã e
proporcionar–lhes benefícios equitativos de caráter económico, social e cultural.

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3.3. Planos estratégicos de desenvolvimento: estudo de um caso

O plano Regional de Ordenamento do Território do Norte de Portugal – Componente


turismo

O Turismo, enquanto atividade transversal, com forte incidência territorial, interage e depende
de um conjunto de fatores para a sua sustentabilidade económica, social e ambiental. Neste
contexto, a PROT-N, assenta numa perspetiva sistémica e holística do Sistema Turismo regional
(contemplando, deste modo, uma visão integrada das Medidas e Intervenções para o
desenvolvimento turístico do Norte de Portugal).

O Turismo utiliza uma matéria-prima muito especial: recursos naturais, ambientais,


paisagísticos, históricos e culturais (que são extremamente frágeis do ponto de vista da sua
preservação) e, em geral, não renováveis. Sem esses recursos não há Turismo. O ambiente
(em sentido lato) e o ordenamento do território são, assim, pilares indispensáveis de qualquer
estratégia na área do Turismo e uma vantagem competitiva insubstituível.

A transversal idade da atividade turística requer, pois, necessariamente, uma articulação de


iniciativas e projetos, tendo em vista, nomeadamente, a sustentabilidade da atividade e uma
maior eficácia e eficiência na implementação de uma Política Regional de Turismo.

Como se sabe, o Turismo é uma atividade transversal, isto é, que atravessa um conjunto de
setores dos quais depende a sua sustentabilidade. Neste âmbito, a articulação intersectorial é,
pois, decisiva.

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Aliás, tal como refere a OMT (1998), para o desenvolvimento e gestão do Turismo é necessário
o envolvimento de várias instituições/setores, pois, dada a multiplicidade de intervenientes
individuais e organizacionais que atuam no sistema turismo, o planeamento sobre um destino
turístico deverá, também, atuar no domínio interorganizacional.

A CCDR Norte procurará também, assim, no quadro das suas competências, promover,
precisamente, essa articulação intersectorial, nomeadamente, no âmbito dos Planos Regionais
de Ordenamento do Território (PROT-N), do Programa Operacional Regional do Norte (ON.2) e,
em particular, no âmbito do Conselho de Coordenação Intersectorial e do Conselho Regional
(previsto na lei orgânica de cada CCDR).

Paralelamente e especificamente no caso da Agenda Regional de Turismo e respetivo Plano de


Ação, foi adotado um modelo de governância que visa reforçar e promover (de forma mais
estreita) a necessária articulação entre setores para a concretização de uma estratégia
partilhada e concertada entre os principais atores que atuam no sistema turismo regional.

Neste contexto, a Agenda Regional de Turismo é constituída por dois órgãos:


 Comité de Pilotagem: Órgão constituído por um n.º restrito de instituições em áreas
chave para o turismo regional, capazes de colaborar ativamente na dinamização e
execução de Programas, fundamentalmente, de âmbito estratégico-operacional.
 (i i ) Comissão de Acompanhamento para o Turismo do Norte de Portugal: Órgão de alto
nível, constituído por um painel de entidades com capital de conhecimento, experiência
e atuação para o Turismo do Norte de Portugal.

Visa, essencialmente, ser um espaço de reflexão e acompanhamento das dinâmicas do Turismo


regional, cabendo-lhe, nomeadamente, fornecer contributos para a definição e execução de
estratégias no turismo regional.

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A composição desta Comissão de Acompanhamento procurou, tanto quanto possível, respeitar


os seguintes critérios:
 Representação ao nível da Marca Porto e Norte de Portugal (NUTS II Norte) e das
quatro sub-marcas turístico-promocionais (Porto, Minho, Douro e Trás-os-Montes);
 Presença do setor público e privado
 Enfoque em diversas áreas chave para o turismo regional (Promoção, Formação,
Enoturismo, Turismo Rural e de Natureza, Hotelaria, Transporte aéreo, Cruzeiros e
institucional).

Opções estratégicas do plano


 Estruturação territorial da oferta turística, tendo por base o planeamento e ordenamento
turístico dos recursos, das infraestruturas de suporte e das facilidades de apoio
turísticas;
 Cursos e ações de formação que visem a reciclagem, qualificação e formação dos
profissionais do turismo e qualificação de estruturas de apoio à formação em Turismo;
 Dinamização do Turismo Ativo e de Natureza, dotando os parques naturais de
infraestruturas e equipamentos de apoio à prática deste tipo de turismo;
 Criação de zonas pedestres e espaços verdes nos principais centros urbanos;
 Ações de valorização dos recursos turísticos;
 Qualidade e facilidade nas vias de acesso terrestres intrarregionais (incluindo
ferroviárias, nomeadamente, as de maior interesse turístico), bem como melhoria da
sinalização turística, facilitando a mobilidade e a informação a turistas nacionais e
estrangeiros;
 Implementação de sistemas de qualidade nos estabelecimentos de hotelaria e
restauração, conducentes a uma melhoria na qualidade dos serviços prestados;

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 Internacionalização da Região, designadamente, através de ações de promoção turística


(de âmbito internacional e nacional - BTL), de projetos de cooperação (ex: Rota do
Património Mundial da Bacia do Douro) e de iniciativas de integração em Redes
Internacionais (por ex. no âmbito da Rede Mundial de Destinos Turísticos de
Excelência);
 Aplicação eficaz e eficiente dos fundos estruturais públicos e comunitários, para que a
Região Norte possa dar um “salto” quantitativo e qualitativo no Turismo Regional,
assente em padrões de sustentabilidade e qualidade.

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4. Turismo Cultural e as economias regionais e locais

4.1. Estratégias e modelos

4.1.1. Desenvolvimento sustentado: qualificação de recursos humanos e coesão


social; equilíbrio territorial e ambiental

A Arquitetura rural e a sua paisagem estão ameaçadas de extinção. Por um lado, encontram-se
ameaçadas pelo desenvolvimento industrial da agricultura que provoca reconstituições das
parcelas de terreno excessivamente severas, não se contentando com as antigas construções e,
por outro lado temos o abandono, total ou parcial, das regiões cuja exploração agrícola já não é
considerada rentável.

A natureza excessivamente explorada é objeto de desequilíbrios ecológicos perigosos. A


natureza abandonada é igualmente palco de perigosas erosões. Devemos tomar consciência
destes graves perigos e tudo deve ser feito para alterar uma situação que apenas pode piorar,
por falta duma modificação radical de orientação.

A preservação do meio natural de elevada qualidade impõe-nos o seguinte:


a) Obedecer estritamente às leis ecológicas na conceção dos progressos técnicos;
b) Procurar todos os meios de conservação e de utilização do património arquitetónico
rural, o qual está intimamente ligado às paisagens humanizadas do nosso continente.

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Os males apresentados resultam das condições socioeconómicas atuais das comunidades rurais.
A procura de soluções implica a divulgação das origens exatas desta situação. Qualquer
correção pressupõe o acordo e o esforço das comunidades interessadas.

Esse esforço passa obrigatoriamente por:


a) Uma repartição equilibrada das populações no conjunto do território;
b) A criação de empregos e a articulação de atividades diversificadas tais como a
agricultura tradicional, o artesanato, as mini-indústrias, as atividades de lazer, etc.

O mesmo conduzirá ao pleno desenvolvimento das comunidades e permitirá a integração dos


valores culturais rurais na cultura global do nosso tempo. A conservação do património
arquitetónico e paisagístico é ao mesmo tempo um elemento e uma consequência essencial
para os mesmos.

Essa conservação integrada deve, por conseguinte, tornar-se um dos objetivos do ordenamento
do território. A mesma implica uma política a longo prazo de desenvolvimento da sociedade,
baseada no respeito das relações harmoniosas entre o Homem e a Natureza.

4.1.2. Infraestruturas e equipamentos

O plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT) prevê a aplicação de um conjunto de medidas


destinadas à melhoria das infraestruturas e equipamentos turísticos, no sentido de melhorar a
Qualidade urbana, ambiental e paisagística.

O objetivo é o de tornar a qualidade urbana, ambiental e paisagística numa componente


fundamental do produto turístico para valorizar/qualificar o destino Portugal.

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Em relação às intervenções no urbanismo, é necessário preservar a autenticidade arquitetónica


dos centros históricos das cidades – através, por exemplo, da conservação de edifícios e da
manutenção e iluminação dos museus e monumentos – e criar condições para a deslocação a
pé ou de bicicleta.

É ainda importante assegurar a existência de zonas verdes. No que diz respeito ao ambiente,
deve-se promover a valorização do património paisagístico e natural, bem como a
biodiversidade, intervindo nomeadamente nas áreas classificadas, integrando políticas de
conservação da natureza e princípios de utilização sustentável dos recursos.

Destaca-se a necessidade de assegurar a limpeza e despoluição ao nível do solo, sub-solo, água


e ar, o controle dos níveis de ruído, de assegurar boas condições de saneamento, e também a
eliminação de depósitos de entulho nas margens dos rios em áreas turísticas.

A atuação respeitante à paisagem terá como objetivo a redução do impacto das intervenções
nas áreas e a arborização dos espaços.

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A intervenção na qualidade urbana, ambiental e paisagística requer a constituição de Zonas


Turísticas de Interesse (ZTIs), para centrar e viabilizar a implementação de ações que envolvam
múltiplas entidades.

A atuação ao nível das ZTIs deverá passar por intervenções ao nível da qualidade do
urbanismo, do desenvolvimento de fatores distintivos e de infraestruturas turísticas – por
exemplo, hotéis, centros de congressos.

É necessário reforçar as condições de acessibilidade para pessoas de mobilidade reduzida ou


condicionada, de limpeza, iluminação e segurança, promover o desenvolvimento de clusters de
atividade de suporte aos produtos prioritários da região, e intervir ao nível da qualidade de
serviço.

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4.2. O Património e os Planos Diretores Municipais; os Planos de


Ordenamento da Orla Costeira e os Planos Regionais de Ordenamento do
Território: as políticas; a preservação do património; a refuncionalização dos
bens patrimoniais

4.2.1. Os conflitos da relação Património Cultural-PDMs, os Planos de Ordenamento


da Orla Costeira e os Planos Regionais de Ordenamento do Território e os aspetos
positivos

O ordenamento do território é, fundamentalmente, a gestão da interação homem/espaço


natural. Consiste no planeamento das ocupações, no potenciar do aproveitamento das
infraestruturas existentes e no assegurar da preservação de recursos limitados.

Um plano nacional de ordenamento do território tem que se basear na lógica dos planos das
diferentes regiões; estes, por sua vez, têm por base planos municipais que definem o uso dos
solos e estabelecem princípios para a gestão das cidades e das aldeias do local; os aglomerados
deverão ser organizados por planos operativos que regulem e ordenem a sua estrutura
construída, os seus edifícios, e que definam coerências para a localização das diferentes
funções que neles coexistem – a indústria, o comércio, a habitação ou a agricultura.

São os Planos de Urbanização, os de Pormenor ou de Salvaguarda que, e mais uma vez a


escalas diversas, delimitam e desenham as malhas que estruturam e definem a urbe.

O planeamento tem que ser pensado compreendendo a estrutura das ocupações humanas: a
sua diversidade, as suas inter-relações e interações e a complexidade das razões que justificam
cada uma delas.

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São diversos os tipos de ocupação do homem no território; são diferentes os usos impostos ao
solo. São variados os aglomerados humanos resultantes, diferentes em dimensão e em
características, justificando-se e sendo ao mesmo tempo razão das utilizações que se
estabelecem no território.

Funções como a agricultura ou a indústria, o comércio ou os serviços encontram no tipo de


aglomerado os argumentos para o seu estabelecimento, moldando e transformando a forma
destes, estabelecendo relações de cumplicidade.

São modos de ocupar o território, distintos nos seus conceitos e finalidades, que se
complementam, sustentando a colonização humana. Os aglomerados humanos, sendo todos
eles diversos e complexos nas suas razões, relacionam-se e justificam entre si a forma que o
homem encontrou para se estabelecer, ocupar e usar os recursos da natureza.

É necessário compreender que uma vila não é uma cidade em ponto pequeno, assim como uma
aldeia não é somente um pequeno aglomerado, mas sim um povoamento do espaço com um
tipo de vivência próprio que o caracteriza e justifica.

E as aldeias? E os aglomerados rurais? E o espaço rural? Não existe uma sistematização do


planeamento rural ou do ruralismo; apenas alguns tratados, algumas verificações mais ou
menos empíricas, alguns estudos das características das formas construídas de determinada
aldeia.

É urgente, se se pretende de facto salvar as aldeias, que se sistematize esse conhecimento, que
se analise profundamente a realidade rural de forma a que se possam, com coerência,
desenvolver princípios de ação que se enquadrem no contexto das aldeias e que possibilitem de

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facto um desenvolvimento baseado no seu conhecimento. É necessário estabelecer as bases do


ruralismo e do planeamento rural enquanto disciplina.

Só se conseguem desenvolver as aldeias estudando-as, analisando-as e inserindo-as como


realidades autónomas na problemática do planeamento.

Saber quais as realidades económicas, sociais e culturais destes aglomerados; perceber quais
os modelos das suas estruturas de organização espacial e as pressões neles exercidas;
compreender as formas arquitetónicas e os seus significados formais e culturais.

Só então será possível encontrar formas de desenvolver as aldeias e compreender as


necessidades de maneira a dar-lhes razões económicas e sociais que viabilizem a sua
existência.

Há que compreender os aglomerados rurais e entender o seu papel no ordenamento territorial


do país; há que aplicar esse conhecimento nos PDM's e PROT's de forma coerente e eficaz,
deixando de tentar salvar as aldeias com medidas desenquadradas e baseadas em análises
rápidas e sem profundidade. Há que construir uma disciplina autónoma para o estudo destes
aglomerados, à imagem do urbanismo, integrando-a nas problemáticas do planeamento.

As transformações socioeconómicas e tecnológicas da civilização nas últimas décadas


modificaram as necessidades e a estrutura organizativa da sociedade. Estas alterações
vivenciais refletiram-se na organização regional, nomeadamente, ao nível da sobrevalorização
dos grandes aglomerados em detrimento dos pequenos.

É por isso fundamental, ao pensar a problemática do planeamento e do ordenamento,


compreender a importância de cada uma das ocupações humanas, de cada um dos

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aglomerados, entender que alterações à lógica de um desses elementos, à sua importância ou à


sua dimensão, influenciará e desequilibrará a estrutura que é o ordenamento do território.

Se pensarmos que cada região, cada local, cada povoação tem características próprias,
identificáveis e analisáveis, realidades e necessidades diferentes que variam substancialmente
com o contexto onde se inserem, podemos concluir que cada sítio terá que ser estudado como
entidade autónoma. Contextualizando essa análise na lógica das ocupações do território para se
poderem compreender os motivos e as regras da sua estrutura.

A análise das dinâmicas de crescimento dos aglomerados, da gestão dos recursos naturais, da
relação das atividades produtivas com o ambiente, é fundamental para o conhecimento das
ocupações humanas de cada local.

Este estudo dos diferentes elementos que constituem a estrutura, que são as ocupações
humanas de uma região, é necessário para o seu entendimento, para a compreensão das suas
razões mais profundas, das suas interrelações. Só com este conhecimento se poderá entender o
ordenamento de cada região, de cada local, de cada aglomerado.

O fundamento do planeamento territorial é a gestão dos recursos, ordenando e estabelecendo


regras para as ocupações, sempre com o objetivo último de qualificar a vida das populações.
Trata-se de revalorizar ou de preservar o património natural, construído ou cultural, de prever e
de ordenar as transformações e as dinâmicas dos aglomerados, de estabelecer o equilíbrio
necessário a uma evolução sustentada para as ocupações humanas.

Cada passo dado no sentido da preservação do ambiente natural, histórico, arquitetónico ou


cultural, quer seja no sentido estrito do conservadorismo ou simplesmente baseado em
premissas de gestão de território e de recursos, tem que, para que possa ser corretamente

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implementado, ser aceite pelas populações que pretende servir ou que, de outro ponto de vista,
são por essas medidas reguladas e condicionadas.

É importante que as populações se envolvam no planeamento dos seus locais e regiões, que
compreendam as medidas que tendem ao ordenamento do seu território e que em tudo isto
colaborem ativamente.

Para isso é necessário que quem decide destas políticas compreenda profundamente os locais
onde intervirá, as suas populações, as suas tradições, a sua cultura e as suas formas de vida e
que as use como mola para o seu desenvolvimento.

Este é um processo dinâmico onde as premissas evoluem e se transformam, obrigando a


reavaliações constantes, verificações necessárias, muitas vezes, devido a modificações
efetuadas em consequência das próprias medidas de planeamento para o território.

Só assim se conseguirá o objetivo de gerir de forma qualificada o território em que vivemos,


tirando o partido máximo das suas potencialidades, usando os seus recursos sem os extinguir,
na consciência que a terra em que vivemos, o seu ambiente, a sua natureza são,
fundamentalmente, património das gerações vindouras.

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Bibliografia

AA VV. Contribuição para a formulação de políticas públicas no horizonte 2013 relativas ao


tema cultura, identidades e património: Relatório final , Ministério da cultura: Observatório das
atividades culturais, 2005

Fazenda, Nuno (coord.) Plano Regional de Ordenamento do território da Região Norte:


Turismo,
CCDRN, 2008

Nabais, José; Silva, Susana, Introdução ao direito do património cultural, Ed. Almedina, 2002

Webgrafia

Ministério da Cultura
http://www.portaldacultura.gov.pt

Ministério do ambiente e do ordenamento do território


http://www.maotdr.gov.pt

PENT – Plano estratégico Nacional de Turismo


www.turismodeportugal.pt

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