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Anacleto Dionizio Brandão – Advogado. Escritório à Rua Abel, 54, Centro, Mesquita – RJ, CEP: 26.551-290.

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Excelentíssimos Desembargadores da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça


do Rio de Janeiro

Apelação Cível: 0007994-56.2019.8.19.0213

Juízo de Origem: Vara Cível da Comarca de Mesquita

APELANTE: ELZA RODRIGUES TEIXEIRA

APELADO: LIGHT – SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S.A.

Relatora: Daniela Brandão Ferreira

ELZA RODRIGUES TEIXEIRA, vem, a Vossa Excelência, oferecer


MEMORIAIS.

Servem estes memoriais para chamar a atenção ao arcabouço legal e


probatório conclusivo ao direito pleiteado, com o fim precípuo de corroborar os
aspectos observados nas razões da apelação.

Objetivamente, o caso em comento versa sobre TOI irregular, não tendo a


concessionária, salvo melhor juízo, provado a existência de irregularidade alguma.
Muito pelo contrário.

Importa salientar que o serviço foi suspenso no dia 12 de setembro de


2019 e restabelecido 10 dias depois, na medida em que o autor optou por fazer o
pagamento do indébito.

Entretanto, a r. sentença entendeu pelo indeferimento dos pedidos


autorais, acatando a tese da concessionária de que “o faturamento mensal zerado
(cobrança apenas pela tarifa mínima) é totalmente incompatível com qualquer imóvel
habitado, haveria fraude no medidor de consumo e comprovação da irregularidade.

Por consequência, o TOI seria válido, porque comprovada estaria a


fraude.

Vale ressaltar que a parte ré/recorrida não requereu fosse feita a perícia
técnica. Sem embargo de posições contrárias, a prova da irregularidade seria ônus
da concessionária – já que esta alegou textualmente a suposta fraude.

Por sua vez, teria a parte autora (consumidora hipossuficiente) direito à


inversão do ônus da prova, mas a dita inversão, na prática, acabou existindo contra
o ora recorrente.

Diga-se, ainda, que o convencimento do juízo originário se deu a partir de


uma falsa premissa, pois não há no histórico de consumo da unidade consumidora
faturas zeradas ou abaixo da média histórica.

Referir o consumo zerado ou baixo para fundamentar o TOI é um


equívoco, notadamente quando nos autos foi comprovado que isso não
ocorreu.

Às folhas 27, diferentemente do que constatou a sentença, não há


consumo algum abaixo da média e mais: o histórico não tem consumo zerado.
Insista-se, não há comprovação alguma de fraude ou quaisquer
irregularidades no medidor de consumo que serve a residência da parte
recorrente. Não houve aumento de consumo na residência – muito menos nos
moldes calculados no TOI e cobrados da parte autora.

A fim de comprovar cabalmente que a média de consumo da


residência em questão manteve-se muito próxima, a Recorrente trouxe aos
autos, já com a inicial, diversos comprovantes de contas pagas que
reproduzem as faturas que lhe foram enviadas.

Se analisados os históricos de consumo que todas as faturas trazem


ver-se-á claramente que não houve faturas zeradas e registros de consumo
muito abaixo da média, considerando-se aspectos como sazonalidade, por
exemplo.

A parte recorrente, após a lavratura do TOI, pagou em alguns meses


do ano de 2019 valor menor que outros de 2018.

A fatura de dezembro de 2019, também citada na sentença como


suposta prova da irregularidade que existiria, não veio zerada (fls. 21) – nesta
o valor cobrado foi de R$ 120,08, para um consumo de 128 KWh. I

Demonstrou-se na apelação, com todas as venias, que houve erro de


julgamento e que a sentença deve ser reformada, simplesmente porque, se mantida,
terá a recorrente que pagar pelo indébito, mesmo depois de ser indevidamente
negativada em cadastros restritivos e de ter lhe sido atribuída a pecha de desonesta,
por ter supostamente furtado energia elétrica.
Acrescente-se os evidentes sentimentos de impotência e humilhação que,
também, caracterizam as situações desta natureza, sem falar na perda de tempo útil
e na espera pelo final do processo, notadamente quando a concessionária insiste
em utilizar a mesma argumentação, ou seja, que a recorrida foi “flagrada” furtando
energia.
Em função do exposto, é esta para reiterar o requerimento de reforma da
sentença e provimento/deferimento dos pedidos iniciais.

P. Deferimento.
Mesquita, 25 de abril de 2021.

Anacleto Dionizio Brandão


. OAB/RJ 147.285.

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