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Módulo Controle da Incidência Tributária

Seminário VII - CONTRIBUIÇÕES

Leitura básica
• CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: linguagem e método. 7 ed. São Paulo:
Noeses, 2018. Item 3.5 (A regra-matriz das contribuições) do Capítulo 3 da segunda
parte.
• CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 30 ed. São Paulo: Saraiva,
2019. Capítulo II, item 9 (Contribuições sociais).

Leitura complementar
• BARRETO, Paulo Ayres. Contribuições: regime jurídico, destinação e controle. 3.ed. São
Paulo: Noeses, 2020. Capítulos III, IV, VI e VII, VIII e IX.
• GAMA, Tacio Lacerda. Contribuição de intervenção no domínio econômico. São Paulo:
Quartier Latin. Item 5 (5.1 a 5.5) do Capítulo IX.
• CASTELLANI, Fernando F. Contribuições especiais e sua destinação. São Paulo:
Noeses. Capítulo IV.
• PAULA JUNIOR, Aldo de. O fundamento fático de validade das CIDES e o controle
concentrado de sua constitucionalidade. São Paulo: Noeses. Capítulo IV.
• TOMÉ, Fabiana Del Padre. Definição do conceito de “insumo” para a não-cumulatividade
do PIS e da COFINS. In: VIII CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS
DO IBET. São Paulo: Noeses.
• MARTINS, Ives Gandra da Silva. Aspectos polêmicos de PIS-COFINS. São Paulo: Lex
Magister.
• SEHN, Solon. PIS-COFINS, não- cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo:
Quartier Latin. Itens 3.1.1.1; 3.1.1.2; 3.1.1.2.2 e 3.1.2.4.

Questões
1. Definir o conceito de “contribuição”. Quais as espécies de contribuição existentes
na CF/88? A destinação do produto da arrecadação tributária é relevante para a
classificação jurídica das contribuições? Se os valores arrecadados a título de
contribuição não forem aplicados na destinação prescrita na lei, pode o contribuinte
requerer restituição do tributo pago? Sob qual fundamento? Justificar.
2. Sobre a hipótese de incidência das contribuições, pergunta-se:
a) A União pode, na criação de contribuição com fundamento no art. 149 da CF,
utilizar uma das materialidades que lhe foram atribuídas constitucionalmente para a
instituição de impostos?
b) A hipótese de incidência destas contribuições pode abranger fatos que, por
ocasião da repartição constitucional de competências para a instituição de
impostos, foram atribuídos como materialidades próprias dos Estados, Distrito
Federal e Municípios?
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3. Por força do que prescreve o art. 195, I, “a”, da Constituição da República, a


legislação exige que o empregador recolha contribuição sobre a folha de salários e
demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa
física que lhe preste serviço. Neste contexto, pergunta-se:
a) O que é “salário”? E “rendimentos do trabalho”?
b) Levando em consideração a resposta, quais das parcelas abaixo estão ou não
sujeitas à incidência deste tributo, justifique: (i) os serviços extraordinários (horas
extras); (ii) terço constitucional; (iii) férias indenizadas; (iv) aviso-prévio indenizado;
(v) adicional de insalubridade; (vi) adicional de periculosidade; (vii) adicional
noturno; (viii) auxílio-educação; (ix) auxílio-creche; (x) auxílio-doença; (xi) salário-
maternidade; (xii) prêmio assiduidade; (xiii) vale-transporte e (xiv) descanso
remunerado. (Vide anexo I).
4. Com relação ao creditamento do PIS-COFINS, pergunta-se:
a) Estabeleça diferença entre o regime monofásico e não cumulativo.
b) Qual o alcance da não cumulatividade do PIS-COFINS prevista no art. 195, § 12,
da CF/88?
c) O que caracteriza “insumo” para fins da não cumulatividade do PIS e da
COFINS? Valores gastos com contratação de mão de obra terceirizada geram
créditos de PIS/COFINS? (Vide anexos II a VII).
d) A previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/04 é aplicada para todos contribuintes
sujeitos à tributação monofásica? Fundamente. (Vide anexo VIII)
5. A Lei Federal n. 10.865/04 instituiu a Contribuição para os Programas de Integração
Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na importação
de produtos estrangeiros ou serviços (PIS/PASEP-Importação) e a Contribuição
Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo importador de bens
estrangeiros ou serviços do exterior (COFINS-Importação). Analisando criticamente
o art. 7º da referida lei, e os enunciados constitucionais que atribuem competência
para a União instituir contribuições, bem como o conceito de valor aduaneiro,
pergunta-se:
a) É possível identificar um conceito constitucional de valor aduaneiro? (Vide anexo
IX).
b) O que compreende o valor aduaneiro para fins de quantificação do PIS-
Importação e da COFINS-Importação?
c) É possível sustentar a inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS-
Importação e da COFINS-Importação constante da Lei Federal n. 10.865/04, ou a
sua ilegalidade, tendo em vista o que dispõe o art. 110 do CTN? (Vide anexos X e
XI).
6. Sobre as contribuições de intervenção no domínio econômico, pergunta-se:
a) Que se entende por intervenção no domínio econômico? As causas de
intervenção estão restritas aos arts. 170 a 181 da Constituição Federal?
b) O produto da arrecadação da CIDE deve ser legalmente destinado à intervenção
no setor econômico de que trata a contribuição (intervenção positiva), ou pode ser
instituída com finalidade de desestimular determinada atividade, ou seja, com
caráter extrafiscal (intervenção negativa)?
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c) A sua materialidade e o sujeito passivo devem estar relacionados com a


destinação escolhida pelo legislador como forma de intervenção no domínio
econômico? (Vide anexo XII).
d) a remuneração por direitos autorais em operações com o exterior se classificam
como royalties para fins da incidência da Cide? (Vide Anexo XIII)
7. Considerando que a LC 110 que instituiu a antiga contribuição social geral de 10%
sobre os saldos do FGTS em caso de demissão sem justa causa previa apenas a
destinação dos recursos ao Fundo, sem discriminação da respectiva finalidade, e
que tal registro encontra-se na exposição de motivos e nos debates legislativos,
responda: i) qual o papel normativo da exposição de motivos e dos debates
legislativos sobre o texto legislado? ii) qual a invalidade da destinação neste caso?
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Anexo I
REsp n. 1.230.957/RS
DJ 18/03/2014

CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA


PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO
SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS;
SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO;
IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA.
1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE 566.621/RS,
Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543-A
e 543-B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que,
“reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05,
considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações
ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho
de 2005”. No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no REsp
1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012),
submetido ao regime do art. 543-C do CPC, ficando consignado que, “para as ações
ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplica-se o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005,
contando-se o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação
em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do
CTN”.
1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo
às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de
expressa previsão legal (art. 28, § 9º, “d”, da Lei 8.212/91 – redação dada pela Lei
9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal
importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho
habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de
contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no
julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de
16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal,
adotou a seguinte orientação: “Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira
Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do
terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas”.
1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a
transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão
de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, “a Previdência Social
tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção,
por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego
involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam
economicamente”. O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de
afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser
amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o
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valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de


uma contingência (maternidade), paga-se à segurada empregada benefício
previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza
salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe
expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição.
Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário
maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão
legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de
incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário
maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos,
assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O
art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante
incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por
opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao
pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo
suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado
ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim
estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador
do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade,
quando não foi esta a política legislativa.
A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra
sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos
seguintes precedentes: Resp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de
20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp
803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS,
1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no Resp 901.398/SC, 2ª
Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma,
Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª
Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª
Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no Resp
1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no
REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010.
1.4 Salário paternidade. O salário paternidade refere-se ao valor recebido pelo
empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho
(art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT).
Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade
constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse
modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de
contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressalte-se que “o salário-
paternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista
constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários” (AgRg nos
EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de
9.11.2009).
2. Recurso especial da Fazenda Nacional.
2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido
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omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do


CPC.
2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97
e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não
correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não
ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se
tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo
motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida
antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o
empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida
sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT).
Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio
indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre
a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição
Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se
conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional,
por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressalte-se que, “se o aviso
prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta
trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à
hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de
isenção em relação a tal verba” (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino
Zavascki, DJe de 23.2.2011).
A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado,
destacam-se, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro
Nascimento.
Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira,
DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman
Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no Resp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel.
Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011.
2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença.
No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias
consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao
empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91
com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento
efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho,
sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do
contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse
contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmou-se no
sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os
primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição
previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige
verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª
Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª
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Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma,
Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino
Zavascki, DJ de 17.8.2006.
2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no
recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos
apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão,
no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional.
3. Conclusão. Recurso especial parcialmente provido, apenas para afastar a
incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço
constitucional) concernente às férias gozadas.
Recurso especial da Fazenda Nacional não provido.
Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução
8/2008 – Presidência/STJ.

Anexo II
ARE n. 790.928/PE - RG

DJ 04/09/2014

Princípio da não-cumulatividade. Art. 195, § 12, CF/88. PIS. COFINS. Artigo 3º,
notadamente inciso ii e §§ 1º e 2º, das leis n.s 10.833/2003, 10.637/2002. Artigo 31, §
3º, da lei n. 10.865/2004. Relevância da matéria e transcendência de interesses.
Repercussão geral reconhecida.

Anexo III
AgRg no REsp n. 1.238.358/RS
DJ 27/11/2014
PIS E COFINS. CREDITAMENTO. INSUMOS. ATIVIDADE FIM. MÃO DE OBRA
PESSOA FÍSICA. VEDAÇÃO.
1. Hipótese em que o Tribunal a quo consignou que os valores relativos à mão de obra
empregada no processo produtivo ou na prestação de serviços não se enquadram
dentro da definição de insumos, o que os impossibilitam de serem descontados da
base de cálculo das contribuições PIS e Cofins.
2. “Para fins de creditamento de PIS e Cofins (art. 3º, II, da Leis 10.637/02 e
10.833/03), a ideia de insumos, ainda que na sua acepção mais ampla, está
relacionada com os elementos essenciais à realização da atividade fim da empresa.
Nesse sentido: AgRg no REsp 1.230.441/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, Primeira Turma, DJe 18.9.2013” (AgRg no REsp 1.244.507/SC, Rel. Ministro
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 21.11.2013, DJe 29.11.2013).
3. A mão de obra de pessoa física não gera direito a creditamento, ante a
expressa vedação contida no art. 3º, § 2º, inciso I, das Leis 10.637/2002 e
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10.833/2003.
4. Agravo Regimental não provido.

Anexo IV
REsp n. 1.232.697/SC
DJ 14/11/2014

RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: PROCESSUAL CIVIL.


TRIBUTÁRIO. ART. 535, CPC. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. SÚMULA N.
284/STF. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. BENS INTEGRANTES DO ATIVO
FIXO/IMOBILIZADO/PERMANENTE. CREDITAMENTO PELOS ENCARGOS DE
DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA NA FORMA DA
SÚMULA N. 411/STJ, POR ANALOGIA.
1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535,
do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a
omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua
relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da
Súmula n. 284/STF: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na
sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”.
2. Reconhecido o direito ao creditamento e a existência de dispositivos legais e
normativos ilegítimos que o impedem (no caso o art. 31, da Lei n. 10.865/2004
declarado inconstitucional pela Corte de Origem), é de se reconhecer a correção
monetária dos créditos escriturais de PIS e Cofins. Declarada a inconstitucionalidade,
tanto a lei como todos os normativos que dela derivaram e obstaram o aproveitamento
dos créditos pleiteados pelos contribuintes (in casu, art. 6º, II, da IN SRF n. 457/2004)
são atos normativos estatais inconstitucionais, “ilegítimos”, portanto. Incidência, por
analogia, do recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.035.847 – RS, Primeira
Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, e do enunciado n. 411, da Súmula
do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição
ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”.
3. No presente caso, o não reconhecimento da correção monetária implicaria
juízo implícito a respeito da constitucionalidade do art. 31, da Lei n. 10.865/2004 (já
afastada pela Corte de Origem) e dos normativos que o seguiram, o que não pode ser
realizado em sede de recurso especial sob pena de invasão da competência
reservada ao Supremo Tribunal Federal.
4. Presente recurso extraordinário da Fazenda Nacional nos autos, acaso
julgada a constitucionalidade do art. 31, da Lei n. 10.865/2004 no RE,
automaticamente não haverá que se falar em correção monetária, pois sequer haverá
creditamento, daí não haver prejuízo da coerência da prestação jurisdicional no
julgamento do presente recurso especial.
5. Com as vênias de praxe, DIVIRJO DO RELATOR para conhecer parcialmente
e, nessa parte, negar provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, para
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manter o reconhecimento da incidência da correção monetária, nos moldes decididos


pela Corte de Origem.

RECURSO ESPECIAL DOS CONTRIBUINTES: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO.


PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. BENS INTEGRANTES DO ATIVO
FIXO/IMOBILIZADO/PERMANENTE NA DATA DA ENTRADA EM VIGOR DOS
REGIMES DE NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO
PELOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO APURADOS JÁ NA
VIGÊNCIA DO REGIME. ARTS. 3º, §1º, III e §3º, III, DA LEI N. 10.637/2002 E DA LEI
N. 10.833/2003.
1. O fato gerador dos créditos escriturais de PIS e de Cofins previstos nos arts.
3º, VI, da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 ocorre no momento (“no mês”)
em que são apurados os encargos de depreciação e amortização, na forma do art. 3º,
§1º, III e §3º, III das mesmas leis, indiferente a data de aquisição dos bens. Isto é: “A
apuração dos créditos decorrentes dos encargos de depreciação e de amortização
dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3º da Lei n. 10.637, de 2002,
alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de
aquisição desses bens” (Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 2 de 14 de março de
2003).
2. Desse modo, sem adentrar à análise do art. 31, da Lei n. 10.865/2004, os
bens existentes em 1º de dezembro de 2002 no ativo permanente das empresas estão
aptos a gerar o creditamento pelos encargos de depreciação e amortização para a
contribuição ao PIS/Pasep e os bens existentes em 1º de fevereiro de 2004 no ativo
permanente das empresas estão aptos a gerar o creditamento pelos encargos de
depreciação e amortização para a COFINS. Precedente: REsp n. 1.256.134 – SC,
Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2012.
3. Com as vênias de praxe, DIVIRJO DO RELATOR para dar provimento ao
recurso especial dos contribuintes.

Anexo V
CARF - Acórdão n. 3802003.849

Julgamento: 15/10/2014

COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E


SERVIÇOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência
não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º,
inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como
insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda
na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito
pelas retrocitadas leis – dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto
normativo – vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial,
onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se
apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como
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fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso,


portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃO-
CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS
COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS
INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O
creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS,
além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação,
por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e
serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-
comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon,
implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL PARA OUTROS FINS.
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool
para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no
regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos
insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita
total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O
julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a
esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir
fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da
impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo
contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO
DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a
arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à
decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita
observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve
plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição
da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.

Anexo VI
CARF - Acórdão n. 3802003.849

Julgamento: 19/08/2014

COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A


CASO. Não se aplica, para apuração do insumo de PIS não cumulativo previsto no
inciso II, artigo 3º, Lei n. 10.637/02, o critério estabelecido para insumos do sistema
não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se
o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado.
Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo
foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de
renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema
Módulo Controle da Incidência Tributária

não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que
for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de
produtos/serviços; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for
RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os
insumos devem ser analisados caso a caso. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. SERVIÇOS DE FUMIGAÇÃO. DESPESAS
INCORRIDAS APÓS O PROCESSO PRODUTIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Os
serviços de capatazia e os serviços de fumigação são despesas operacionais
incorridas quando da exportação dos produtos fabricados pela recorrente, não se
tratando de despesas de armazenagem, nem se amoldando ao conceito de insumo,
respectivamente. A inexistência de previsão legal contida no artigo 3º da Lei n. 10.833,
de 2003 para as referidas despesas impedem o correspondente creditamento de
Cofins. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. ÉPOCA. Os
legítimos créditos de Cofins de um determinado mês podem ser utilizados em meses
subsequentes, inclusive quando apurado extemporaneamente, sem necessidade,
neste caso, de alterar o valor a recolher apurado à época do lançamento feito pelo
contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em
Parte.

Anexo VII
AgRg no REsp 1.051.634/CE

PROCESSUAL. CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS


E COFINS. TRIBUTAÇÃO PELO SISTEMA MONOFÁSICO. APROVEITAMENTO DE
CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI N. 11.033/04, QUE
INSTITUIU O REGIME DO REPORTO. EXTENSÃO ÀS EMPRESAS NÃO VINCULADAS A
ESSE REGIME. CABIMENTO.

I - O sistema monofásico constitui técnica de incidência única da tributação, com alíquota mais
gravosa, desonerando-se as demais fases da cadeia produtiva. Na monofasia, o contribuinte é
único e o tributo recolhido, ainda que as operações subsequentes não se consumem, não será
devolvido. II - O benefício fiscal consistente em permitir a manutenção de créditos de PIS e
COFINS, ainda que as vendas e revendas realizadas pela empresa não tenham sido oneradas
pela incidência dessas contribuições no sistema monofásico, é extensível às pessoas jurídicas
não vinculadas ao REPORTO, regime tributário diferenciado para incentivar a modernização e
ampliação da estrutura portuária nacional, por expressa determinação legal (art. 17 da Lei n.
11.033/04).

III - O fato de os demais elos da cadeia produtiva estarem desobrigados do recolhimento, à


exceção do produtor ou importador responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota
maior, não é óbice para que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por
eles efetuadas.
Módulo Controle da Incidência Tributária

IV - Agravo Regimental provido.

(AgRg no REsp 1051634/CE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA
HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 27/04/2017)

Anexo VIII
AgRg no Ag n. 1.233.634/PE

DJ 13/10/2011

PIS E COFINS. IMPORTAÇÃO. DEFINIÇÃO DE VALOR ADUANEIRO. OFENSA AO


ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AFRONTA AOS ARTS. 77 DO
DECRETO 4.543/03 E 110 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO APOIADO EM MATÉRIA DE CUNHO
EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO.
AGRAVO NÃO PROVIDO.
1. Não caracteriza ofensa ao art. 535, II, do CPC quando o Tribunal de origem
pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, assentando-
se em fundamentos suficientes para embasar a decisão, não estando, desta forma, o
magistrado obrigado a rebater, um a um, os dispositivos legais trazidos pela parte.
2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição
de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo” (Súmula 211/STJ).
3. “A discussão quanto à validade do art. 7º da Lei 10.865/2004, que teria
ampliado o conceito de “valor aduaneiro” utilizado no art. 149, § 2º, III, da Constituição
da República, é matéria constitucional, pelo que não pode ser analisada em Recurso
Especial” (RESP 1.055.427/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe
19/12/08).
4. Agravo regimental não provido.

Anexo IX
RE n. 559.607/SC - RG
DJ 22/02/2008

REPERCUSSÃO GERAL – CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS –


IMPORTAÇÃO – DESEMBARAÇO ADUANEIRO – BASE DE INCIDÊNCIA. Surge a
repercussão geral da matéria versada no extraordinário no que o acórdão impugnado
implicou a declaração de inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do
Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação
de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS
incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no
inciso I do artigo 7º da Lei n. 10.865/2004, considerada a letra “a” do inciso III do § 2º
Módulo Controle da Incidência Tributária

do artigo 149 da Constituição Federal. REPERCUSSÃO GERAL – CONSEQUÊNCIAS


– MATÉRIA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. Uma vez assentando o
Supremo, em certo processo, a repercussão geral do tema veiculado, impõe-se a
devolução à origem de todos os demais que hajam sido interpostos na vigência do
sistema, comunicando-se a decisão aos Presidentes do Superior Tribunal de Justiça,
dos Tribunais Regionais Federais e da Turma Nacional de Uniformização da
Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, bem como aos Coordenadores das
Turmas Recursais, para que suspendam o envio, à Corte, dos recursos que tratem da
questão, sobrestando-os.

Anexo X
RE n. 559.937/RS

DJ 17/10/2013

PIS/COFINS. IMPORTAÇÃO. LEI N. 10.865/04. VEDAÇÃO DE BIS IN IDEM. NÃO


OCORRÊNCIA. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV,
da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad
valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições.
Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de
violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há
que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições
idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins
exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e
autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição
validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195,
§ 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão
ser necessariamente não-cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para
as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime não-cumulativo
não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição
ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é
opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4
Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP- Importação e a COFINS-Importação
poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte
derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor
aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido
técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a
base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o
PIS/PASEP -Importação e a COFINS -Importação, não alargou propriamente o
conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração
de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar
a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que
tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro,
extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como
Módulo Controle da Incidência Tributária

equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das


operações internas. O PIS/PASEP – Importação e a COFINS -Importação incidem
sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto
importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a
receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de
importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida
de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha
efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao
equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º,
inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à
Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual
e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do
valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido
pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.

Anexo XI
AgRg no RE n. 632.832/RS

DJ 29/08/2014

CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEI N.


10.168/2000. DESNECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DIRETA ENTRE O
CONTRIBUINTE E O BENEFÍCIO PROPORCIONADO PELAS RECEITAS
ARRECADADAS. A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal consolidou-se no
sentido de que a Lei n. 10.168/2000 instituiu contribuição de intervenção no domínio
econômico (CIDE). Afigura-se, pois, desnecessária a edição de lei complementar para
sua criação, assim como é prescindível, nos termos da jurisprudência desta Excelsa
Corte, a existência de vinculação direta entre o contribuinte e o benefício
proporcionado pelas receitas tributárias arrecadadas. Agravo regimental conhecido e
não provido.

Anexo XII
CARF - Acórdão n° 9303-005.293

Sessão de julgamento: 22/06/2017

Ementa 
Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Módulo Controle da Incidência Tributária

CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE.


A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE)
incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica
pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior,
inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e
transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura.

FATO GERADOR. DEFINIÇÃO POR DECRETO. IMPOSSIBILIDADE.


Dispõe o artigo 97 do Código Tributário Nacional- CTN, que somente a lei pode definir
o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto tem que ser aplicado em
harmonia com a lei, por uma questão hierárquica. Qualquer natureza, prevista em lei,
induz o entendimento de uma listagem não taxativa, por se tratar de uma norma
secundária, não se pode inovar, mas apenas dar cumprimento a lei.

CIDE X CONDECINE. A CIDE ora exigida é muito mais específica do que a


CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites
remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos
às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os
pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo,
ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDE-
royalties.

INCLUSÃO DO IRRF NA BASE DE CÁLCULO DA CIDE. POSSIBILIDADE. Sujeita-se,


subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda,
a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada,
empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE deve-se
considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada,
remetida ou entregue.

INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.


O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária,
não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora,
calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de
pagamento.

Decisão 
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do
Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento,
vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori
Módulo Controle da Incidência Tributária

Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para
redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente)

Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente)

Vanessa Marini Cecconello – Relatora (assinado digitalmente)

Demes Brito - Redator designado

Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal,


Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado),
Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Convocado), Érika Costa
Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas

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