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LICENCIATURA EM ENFERMAGEM

ALEXANDRA DE JESUS VAQUEIRO VARELA Nº64547

REFLEXÃO SEMANAL IV

FARO, JULHO DE 2021


LICENCIATURA EM ENFERMAGEM

ALEXANDRA DE JESUS VAQUEIRO VARELA Nº64547

REFLEXÃO SEMANAL IV

PROJETO PESSOAL DE APRENDIZAGEM


ENSINO CLÍNICO V: ENFERMAGEM DE SAÚDE INFANTIL E
PEDIATRIA

DOCENTE ORIENTADOR: PROFESSORA MARIA DO CÉU NEVES


Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve

ENFERMEIRO ORIENTADOR: ENFERMEIRA RITA CABRITA


Centro Hospitalar Universitário do Algarve – Unidade de Faro

FARO, JULHO DE 2021

1
ÍNDICE

REFLEXÃO SEMANAL IV 3
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 6

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II
REFLEXÃO SEMANAL IV

Em idade pediátrica, a doença e a hospitalização podem constituir-se


experiências dolorosas e desagradáveis. Durante a hospitalização, devido à sua
fragilidade e dependência dos pais, a criança é confrontada com um acontecimento
crítico para o seu equilíbrio psicológico, visto que durante este período, é afastada do
seu ambiente familiar, social e afetivo, e inserida num novo ambiente, que a sujeita a
uma grande tensão emocional, podendo colocar em causa a ligação afetiva estabelecida
com os pais, e consequentemente, comprometer o seu desenvolvimento biopsicossocial
(Lopes, 2012).
A experiência da hospitalização torna-se, frequentemente, um acontecimento
traumático, no entanto, as repercussões que esta pode desencadear na criança são
diversas. Segundo Lopes (2012), um dos fatores que possui maior peso no processo de
adaptação da criança ao ambiente hospitalar e o que mais influencia a sua resposta à
problemática da hospitalização é a ausência total ou parcial da figura de vinculação.
Neste sentido, para reduzir o trauma da hospitalização na criança, foi elaborado
em 1988, por Anne Casey, o Modelo de Parceria de Cuidados. Segundo Casey (1993, p.
233), os cuidados centrados na família, prestados em parceria com esta, são a filosofia
de enfermagem pediátrica da década de noventa. As crenças e valores que realçam essa
filosofia compreendem o reconhecimento de que os pais são os melhores prestadores de
cuidados à criança e que, para preservar o crescimento e desenvolvimento da criança, os
cuidados devem ser prestados em forma de proteção, estímulo e amor, e nesta
perspetiva ninguém melhor que os pais para os desenvolverem (Casey, 1993).
Por outro lado, a hospitalização constitui também um processo que provoca
mudanças na dinâmica familiar e no estilo de vida habitual, exigindo uma nova
organização das suas atividades, pois implica deslocações frequentes, aumento das
despesas, faltas ao trabalho e afastamento do próprio lar (Lopes, 2012). Revela-se,
ainda, uma situação geradora de stresse, e de sentimentos de angústia, impotência,
preocupação e incerteza, podendo afetar o desempenho do papel parental (Fassarella,
Ribeiro, Freitas, Nascimento, Santos & Fonseca, 2019).
De acordo com Fassarella et al. (2019), os pais, ao serem confrontados com a
doença e hospitalização da criança sentem-se desprotegidos e ameaçados, têm
dificuldades em lidar com esta situação e, normalmente desencadeiam determinadas
reações como negação, raiva e culpa. Os sentimentos de culpa estão, frequentemente,

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presentes e exacerbados, e decorrem da forma como interpretam a etiologia da doença e
a causa da hospitalização, repercutindo nos pais, sobretudo na mãe, podendo, por vezes,
refletir-se no bem-estar e no processo de recuperação da criança (Lopes, 2012). Esta
semana pude presenciar alguns destes sentimentos por parte da mãe de uma criança.
No dia 25 de junho, Letícia, uma criança de 13 anos, deu entrada no serviço de
Internamento de Pediatria, para continuação de cuidados, com diagnóstico médico de
encefalopatia anóxica devido a uma paragem cardiorrespiratória, no dia 30 de janeiro de
2021, resultante da sua doença congénita cardíaca, Tetralogia de Fallot.
Foi transferida para o serviço de Internamento do Centro Hospitalar e
Universitário de São João no Porto, no dia 24 de março, para colocação de uma
Gastrostomia Endoscópica Percutânea (PEG). De seguida, no dia 29 do mesmo mês, foi
transferida para o Centro de Reabilitação do Centro Hospitalar de Vila Nova de
Gaia/Espinho, para realizar programa de reabilitação intensiva até dia 24 de junho. Após
a reabilitação, deu novamente entrada no serviço de Internamento de Pediatria no
Centro Hospitalar Universitário do Algarve no dia 25 de junho.
Esta criança encontra-se acamada, sem mobilidade, está vígil, anquilosada com
padrão espástico e os dedos dos pés estão em forma de garra. Realiza diversa
medicação, desde antiepiléticos, anticonvulsivantes, broncodilatadores, ansiolíticos,
antiarrítmicos, antifúngicos, entre outros. Necessita de oxigenoterapia a 1l/min, com
saturações expectáveis na ordem dos 90-94% e de aspiração de secreções. Não
apresenta sinais de dificuldade respiratória e esteve sempre acompanhada pela mãe
durante o seu internamento.
Devido a toda a complexidade de cuidados que a Letícia necessita e o estado em
que se encontra, torna-se difícil para a mãe, que a acompanha desde o início do
sucedido, como para toda a família, aceitar a sua condição e dar continuidade aos
cuidados. Neste sentido, foram verbalizados pensamentos suicidas por parte da mãe de
Letícia, nos quais refere que não aguenta mais este sofrimento e que se iria matar
juntamente com Letícia, após alta da mesma. Além da equipa médica e de enfermagem
estar informada sobre tal, foi pedido apoio à psicóloga, no entanto a mãe de Letícia
rejeitou e refere que não necessita de ajuda.
Vendo toda esta situação, sinto sentimentos de impotência e fragilidade, pois,
não sendo mãe, não consigo colocar-me no seu papel e entender o seu sofrimento. Por
vezes, deixo que as emoções venham à flor da pele e sinta vontade de chorar ao ver uma
criança neste estado, passar a sua adolescência e o resto da sua vida numa cama ou

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numa cadeira elétrica e não poder brincar, andar, falar, comer sozinha, vestir-se sozinha,
entre outras coisas, e passar de totalmente independente para totalmente dependente nos
seus cuidados.
De forma a concluir a minha reflexão, a família apresenta um importante papel
na fase de doença e, consequente, internamento da criança. Torna-se o pilar, o
reconforto e o amparo da mesma, mas por vezes, a família não consegue aguentar e
acaba por não apoiar a criança, prejudicando o seu bem-estar e o seu processo de
recuperação. Deste modo, o enfermeiro assume um papel preponderante em mostrar
disponibilidade para ouvir, estar, ensinar e promover a parceria do pai, mãe ou
acompanhante significativo nas ações necessárias, para promover um ambiente
favorável para a recuperação da criança.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Casey, A. (1993). Development and use of the partnership model of nursing care. In
Glasper, E.; Tucker, A (Eds.), Advances in Child, health nursing.. London:
Scutari Press.
Fassarela, B. P. A., Freitas, L. M., Ribeiro, W. A., Nascimento, J. C., Santos, J. C. C. &
Fonseca, C. S. G. (2019). Equipe de enfermagem x acompanhante na pediatria: o
impacto dessa parceria na assistência pediátrica. Revista Nursing, 22 (258),
3319-3324. Doi http://www.revistanursing.com.br/revistas/258/pg63.pdf
Lapa, M. F. F. (2016). Normas orientadoras para a elaboração de trabalhos escritos.
(Texto não publicado), Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve,
Faro.
Lopes, N. M. Q. (2012). Parceria nos cuidados à criança nos serviços de pediatria:
perspetiva dos enfermeiros. (Dissertação de Mestrado), Escola Superior de
Enfermagem do Porto, Porto.

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