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Terra Livre 10 GeograJja, L::spaço & Memória


Geografia, E.paço &; MemÓria Terra Uvre 10
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b) Patrimônio

VILAS E CIDADES DO BRASIL COLONIAL III


Chamamos de paUimOoio a terra destinada pelo seu proprietário a ser nela
construida uma cidade. É preciso entretanto distinguir duas classes de patrimOnio:
1", patrimOnio oriundo de um dos tipos já classificados (sesmarias, fazendas, (Ensaio de geografia urbana retrospectiva) (*)
il
ii
capelas, ete) e o patrimOnio direto, isto é, a terra destinada a ser repartida em lotes
urbanos.
O proprietário, longe de uma cidade, com o intuito quer de valorizar sua Aroldo de Azevedo
terra criando na proximidade um centro conswnidor e distribuidor, quer com a
intenção de fixar perto de sua fazenda uma reserva de mão de obra, escolhe uma
área que divide em lotes que vende ou dá a quem queira ai fixar residência.

Esse tipo de povoamento urbano existiu desde as primeiras eras. Santos não EXPLICAÇÃO
passa de um patrimOnio fundado por Braz Cubas. Mas é sobretudo com o progresso
da agricultura no século XIX que o patrimOnio se desenvolve de tal maneira que
O estudo geográfico das cidades brasileiras levou-nos, deutro de compre­
cbega quase a absorver todos os outros tipos de povoamento urbano.
ensivel desejo de fazer comparações, a indagar qual o panorama urbano do Brasil
Terminado esse esquema de classificação é necessário frisar bem que ele i;
de outros tempos. Infelizmente, as fontes consultadas uão conseguiram satisfazer,
não deve ser tomado como uma coisa rlgida, uma classificação completa e defini­
nem de longe, a nossa curiosidade como geógrafo. Tentamos, então, num esforço !
tiva.
iugente, realizar a tarefa, que melbor e com maiores razões deveria caber a um ,i
Nem todas as cidades fundadas até fins do século XVIII se encaixam historiador. Evidentemente, uão procuramos fazer um estudo de caráter bistórico.
perfeitamente dentro deste ensaio de classificação. Não abrimos um parágrafo para Embora diga respeito ao passado- não ao passado em simesmo, mas estreitamente
as cidades fundadas em tomo de minas em São Paulo. A pobreza de nosso sub-solo ligado ao presente, como base para indispensáveis comparações e como elemeuto
em minerais preciosos não podia facilitar a fundação de cidades. fundamental da evolução de fatos geográficos -, estamos couveucidos de que
Não se pode tão pouco estabelecer épocas dentro das quais se fundaram realizamos um trabalho que, pelo assunto e sobretudo pelo método seguido, é de
cidades de umdetenninado tipo. O povoador anOnimo gênero bacharel de Cananéa, Geografia. Trata-se, porém, como esclarece seu subtltulo, apenas de um modesto
ainda existe, e se não se fundam boje em dia tantas vilas em tomo de capelas com eusaio de Geografia urbana retrospectiva.
patrimOnio é que nossa época é de indiferença religiosa. Mas fundam-se ainda Os mapas que ilustram o presente trabalho são de autoria de J. Soukup, A.
patrimOnios diretos. As colOnias militares dos governadores gerais do século XVIII Monte, J. Nieuhof e LR. Felizardo e Costa. Os desenbos, de Seth, Rugendas, L.
tem sua sósia nos núcleos coloniais do século XIX. Jardim, J.W. Rodrigues e Belmonte. Quanto às fotografias, são todas do autor.
Muitas vezes as cidades devem sua origem a fatores diversos e são dificeis
de se encaixar em wo dos tipos descritos. Vejamos um exemplo: Em 1560 D.
Francisco de Souza resolve fundar uma povoação perto das minas de Araçoiaba.
Morrendo em 1611, não foi adiante a povoação. Em 1645 Baltazar Femandes eseus
SUMÁRIO ,I ,

genros emigram de Paralba para essa região onde tinbamobtido sesmarias e fundam
i
uma capela com patrimOnio. Nasce a cidade de Nossa Senhora da Ponte de I. Um estudo de geografia urbana retrospectiva.
Sorocaba. Sorocaba é oriunda de sesmaria? De capela? De paUimOnio? Faria parte II. Os aglomerados urbanos no século XVI.
das poucas cidades fundadas em tomo de minas? III. Os centros urbanos no Seiscentismo.
IV. Vilas e cidades no século XVIII.
Mas toda gramática tem regras e exceções, e embora a maior parte da gente
V. No crepúsculo do periodo colonial.
consiga se exprimir perfeitamente sem conbecer gramática, não quer isso dizer que
VI. Algumas características dos aglomerados coloniais.
ela seja inútil. É um método de estudo como outro qualquer.
VII. O anti-urbanismo do Brasil Colonial.

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I TERRALIVRE-AGB I São Paulo I l'p.23-78 1 n'?IO I janeiro-julho 92 I
Terra Livre 10
I
Geografia, Espaço &: Memória Geografia, HSJlafo & Memória
Tena U....re 10 •
;

I b) 79% daquele tola! encontravam-se nas duas primeiras das regiões citadas:
o Sul, com 92 cidades (45%) e o Leste com 70 cidades (34%);
ii
II r
UM ESTUDO DE GEOGRAFIA URBANA RETROSPECTIVA d'

c) apenas cinco Estados brasileiros congregavam 69% daqnelas cidades, a


'1 r
I;
saber: São Panlo com56 (27%), Mioas Gerais com35 (i7%), Rio Grande
Repartição geogrãfica das cidades brasileiras do Sul com 23 (ii %), Pernambuco c Rio de Janeiro com i5 cada um
"
(7%); IJ
De acordo com o censo de 1950, existiam cm nosso pais 1.890 municlpios, d) o Sui e o Leste podem ser considerados as regiões mais urbanizadas do ,

'Ii
o que significa que, no ponto de vista polltico-administrativo, o Brasil possuia, nosso pais, o qne está de acordo com a excepcional posição ocupada por ,

naquela ano, nada menos de 1890 cidades, nma vez que "a sede do municipio tem essas regiões quanto à população e ao poderio económico.
a categoria de cidade e lhe dã o nome", conforme o estatnldo pelo Decreto-Lei n. Se examinarmos o assunto sob o prisma da eoocentração urbana, será
311, de,2 de março de 1938, em seu artigo 3•. possívei fazer as seguintes constatações:
Dentro desse tola! e levando cm coota apenas a populoçOo urbana, assim se a) em i950, il.84O.195 habitantes (22% do total brasileirn) viviam naquelas
repartiam tais agiomerados: 204 cidades;
Cidades b) desse tntal, porém, 74% viviam em apenas 32 cidades, isto é, as que
Até 5.000 hab . . . . 1453 possuíam mais de 50.000 hab. em sua população urbana, correspondendo
De 5.001 a 10.000 a 8.434.220 hab. (16% do total brasileiro);
230
c) não é só: 58% da população urbana do pais (6.873.253 hab.) estavam
De 10.001 a 20.000 108
concentrados em apenas ii cidades, isto é, as de mais de 100.000 hab.
De 20.001 a 50.000 64
Em face dos últimos dados citados, verifica-se que constitui uma realidade
De 50.00i a 100.000 21
a irresistivel atração exercida pelas mMias e grandes cidades, a exempio do qne
De 100.001 a 200.000 . 3
tambm se registra nontros paises de formação recente e de fraca densidade
Com mais de 200.000 hab. . 8 demogrãfica, como o Canadã, a Austr:í1ia e ns Estados Unidos. I
I

Evidentemente, seria nmerro afirmar que esses i890 centros urbaoos devem ii
Uma Tarefa Árdua, mas Necessária
ser considerados verdadeiras cidades, de acordo com o conceito geogrãfico desta
palavra, pois a grande maioria não apresenta as caracterIsticas culturais e sociais, a
estrutura, as caracteristicas demogrãficas e as funções geralmente apontadas pelos Uma vez constatados tais fatos, cumpre verificar desde quando começaram
geógrafos para que possam ser como tais classificados!. eles a ser registrados. Impõe-se, no caso, um estudo retrospectivo, através de
Acreditamos estar mais próximos da realidade se tomarmos como limite sucessivos recuos no tempo, tarefa que poderia caber tanto ao historiador como ao
mioimo para a conceituação das cidades (oa falta de outro critério) a população geógrafo. Infelizmente, os que se dedicam à nossa História não se tem preocupado
urbana de 10.000 babo Nesta bipótese, existiriam, em 1950, apenas 204 aglomerados com o assnnto; continuamos à espera qne apareçam os êmulos brasileiros de um
urbanos que mereceriam aquela designação, no ponto de vista da Geografia. Fustel de Coulanges on de um Henri Pirenne, que nos viessem brindar com estudos
Ora, se procurarmos verificar como se realizava a repartição geogrãfica descritivos e interpretativos da vida urbana em nosso tão curto passado, informan­
dessas duas centenas de cidades, chegaremos às seguintes conclusões: do-nos a respeito da fisionomia, da estrutura, das fnnções e da importância dos
a) oada menos de 95% daquele tola! achavam-se concentrados em apenas centros urbanos do Brasil colonial. Praticamente nada foi feito num setor Ião
três regiões brasileiras - o Sul, o Leste e o Nordeste; palpitante2 e o geógrafo sente-se no vãcuo e inteiramente às cegas 'ln ando pretende,
no desejo de fazer comparações, remontar ao passado.
Con.,ultem-se, a propósito, principalmente: LAVEDAN (pierre), Gtograpilir dr: VilIe:, Lib. G ..lliml\fd, PAris,
1936; MOMBIllO (Pierre), O ufulio gtogrdjico das cidadts, em "Revisllo do Arquivo Municipal", ne LXXIII,
Perante tal dificnldade, não tivemos dúvidas em tentar realizar não propria­
São Paulo, 1941; CHABOT(Georges), Lu ViUtl, Liv. Armand Colin, Pari., 1948; TAYLOR (Oriffith), Urball mente um estndo histórico (para o qual não temos vocação c nos falece compelên-
Gtography-A :twdy o/'itt, O'oluJion,patttrn a11d c1olSijication in Vlllagu, Town.r and Cides, ed. Methuen,
Londres, 1949, de que existe uma versão espanhola, sob o titulo de Gtograjia Urbana, ed. Omega, Dllrcelonll,
2 JOAQUIM RIBEIRO reconheceu tIl\ flllo, 110 escrever eIIt1ls plIllIVrll8: "Infe1itmente lIil'ld. não se em;reveu 1\
1954; GEORGB (Pierre), lA Vil/e - Lt fali wrbain a travtrl It Mondt, ed. Pre.sscs Universilloire.t de Prance,
hisl6ria gerll\ dM origem dlls cidades do nosso interior e POUCI\., siio tIS que tim merecido a atenção dos no!\''10S
PAris, 1952; e SORRE (Max.), LtIFondtmtntl dt la Giographit Humaint, 10molll-L'hllbitAt, Liv, Armand
Colin, PllriS, 1952. histllrilldores" (em Folklore dos Bandeirantes. pág. 146, Liv. José Ollmpio. Rio, 1946).

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Terra UI/re 10 GQg"Qfia, Espaço &: Memória Geografia, Es:>aço &: ,femória Terr,; Lire la

cia), mas o que podcremos chamar de geografia urbana retrospectiva, da mesma II 'I
OS AGLOMERADOS URBANOS NO SÉCULO XVI
,

maneira que ROGER DION não tem dúvidas em realizar a Gcografia Humana
Retrospectiva, quando procura rcconstituir a paisagem natural e a paisagem huma­
nizada correspondentes ao passado, interpretando-as à luz dos ensinamentos da \
Geografia moderna3• Feitorias, "cabeças de ponte" do Brasil quinhentista
-

Nossa tarefa seria hem mais fácil se nos limitássemos aos últimos 80 anos,
a respeito dos quais existem dados censilários. Preferimos, porém, tcntar uma tarefa Os mais remotos embriões de nossa cidades podem ser considerados as
mais ousada e complexa, ahordando o tema em relação aos 322 anos do período

I
modestas feitorias surgidas no litoral brasileiro, nos 30 primeiros anos do século
colonial, no desejo de trazer não apenas uma contrihuição, modesta embora, para XVI. Simples pontos de escala das expedições exploradoras enviadas pelo governo
a melhor compreensão dos fatos da Geografia Urbana brasileira, como também de Portugal, verdadeiras "cabeças de ponte" aqni plantadas naqueles anos incertos :!
despertar o interesse dos. mais capazes, dos especialistas em nossa História, para que imediatamente se seguiram à descoberta, tais feitorias significavam um sinal
um assunto 1JI0 sedutor e até hoje condenado ao esquecimento. Nossa curiosidade de posse, serviam de base para o policiamento da costa infestada de contrabandistas
maior se tomou quando viemos a constatar que o Brasil, no momento em que passou franceses, ao mesmo tempo que representavam o papel de entrepostos para o
a ser um pais independente, só possuIa 12 cidades, oficialmente assim designados, incipiente tráfico do pau-brasil e de local de aguada para as naus que demandavam
para tão vasto território e para uma população que nao deveria estar muito longe do as Índias ou policiavam nossas águas. "Simples galpões, cercados de estacadas, para
total de 5 milhões.
prevenir eventuais ataques, ai se depositava a habitnal mercadoria de escambo:
espelhos, avelórios (vidrilhos), cascavéis (guisas), pentes, tesouras eas ferramentas,
Nosso ubjetivo como o machado e a foice" - ensina HÉLIO VIANAS. ; Iii
Todavia, cumpre não exagerar a importâocia desses modestlssimos núcleos
No presente ensaio, em face da lamentável escassez bibliográfica e na de povoamento, em que pese a afirmação de MAX FLEIUSS, quando os considera
impossibilidade de realizar pesquisas aprofundadas dc caráter exclusivamente "um esboço dos nossos primeiros núcleos de organização polltico-administrativa"
histárico,limitar-nos-emos a focalizar principalmente arepartiçOo geográfica dos e quando afirma que, "pouco a pouco, com a arribada de novas naus e novos colonos
aglomerados urbanos brasileiros, do século XVI ao primeiro quartel do século XIX, e a hospitaleira acolhida dos naturais, a feitoria se ia convertendo em aldeiamcnto
como também as suas caracter{sticas essenciais, naquilo que possam interessar ao ou povoado, florescia em vila ou cidade, com a construção de casas coloniais, de
geógrafo. Dcixaremos de lado os aspectos referentes às origens (tocados apenas de taipa e pau-a-pique, edificios públicos" 6.
leve e de passagem), por dois motivos principais: I) porque tal assunto já tem Em primeiro lugar, torna-se necessário acentuar que tais feitorias caracteri­
merecido a atenção dos historiadores, dos sociólogos e mesmo dos geógrafos4; 2) zavam-se pelo seu caráter principalmente militar, bem definido pela presença de
porque daria oportunidade a um estudo tão on mais extenso qne o presente, tendo "uma casa-furte defendida por uma caiçara ou paliçada", sob O comando de um
em vista a importãncia que apresenta para a Gengrafia urbana brasileira. capitao de vigia, de acordo com os ensinamentos do próprio MAX FLEIUSS7.
Além disso, apresentavam extrema precariedade, tinham insignificante função
econômica como simples entrepostos de trocas em espécie e não se enraizavam no
lugar em que eram fundadas. Por outro lado, cumpre lembrar que seu número foi
,

..
muito reduzido, não chegando talvez a meia dúzia, embora seja este nm dos pontos
mais obscuros e controversos da nossa história quinhentistas.
!,.
Embora reduzidas em número, tais sementes poderiam ter genninado,
i
transformando-se em vilas e cidades. Eis aqui, porém, um fato que necessita de
3 Cl. DION (Roger), lA GiograpMt 1Jl4moine Ritro,rpective, em "Cllhiers Intetnationllux de Sociologie", vol.VI,
PAri",1949. 5 VIANA (Hl!lio), /JisitJria do Brasil Colonial, pig. 43, Comp. Editora Nllcionlll, São Pllulo, 1945.
4 Veja. principlllmente: MORAES (RubeM Borb", de), C01llribuiç60 para a hi!tória do povoamento em São Paulo 6 PLEIUSS (Mu), JJisitJria Admillisfralwa do Bra!il, pAgo 4, 21l1diçio, Comp. Mclhoramenloa de São PAulo,
ati fi"" da Iit:ulo XVlJl, cm "Geogrllfill ", I, nlt I, Sio Pllulo, 1935; DEPFONTAlNES (Pierre), l'he arigin and 7 PLElUSS (Max), obra cit., pág. 4.
growlh o/Iht Brazilialllltfworko/towll!, em "GeogrllphiclIl Review", XXVIII, New York, 1938, de que hAumll 8 Entre O!I núcleos de origem européill existente. no período IIfItcrior II 1530, os historillooKS citam O!I III!guinte.s:
verão brllSilrir.. .lObo tfb.do Como" collsfituilll'lo Brasil a rede de cidades, em "Buletim GeogrAlico", n"" 14 Igaraçú t Conctiçdo dt ltamoracd, em Pernllmbuco; Santa Cruz, !UI nllhill; Cabo Frio, no Estado do Rio de
e 15, Rio, 1944; AZEVEDO (pcrnllfldo de), A Cultura Brasileira, ed. uo lBOE, Riu, 1943; 1.1 edição, Comp. ll1f1eiro, fundl'ldo cm 1 $ 03; e o doRjo de Janeiro, cuj03 vestígio.! terillm sido encontndos por Pernão de MlIglllhães,
Bdilofll Nacio!Ull, São Pllulo, 1944. qUllJldo P/lllSOU pelll blllll de GUllflllbl'lfll, cm 1 $19.

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Geografia, J::spaço &: Memória Terra Livre 10
Terra Livre 10 Gt'ografia, Espaço &. Memória

comprovação. Conhecemos apenas dois exemplos, se bem que não muito convin­
centes, cm qne parece se ter registrado uma tal evolnção, sem solução de continui­
DATAS DENOMINAÇÕES
(original c atual)
UNIDADE ATUAL

1
q
dade: Cabo Frio, qne as circunst.'lncias históricas transfonnaram cm cidade no REGIÃO NORDESTE 
primeiro qnartel do século XVII; e [garaçú, pequeno aglomerado urbano de Pernambuco
'I
,
1536 I. IgaraçÍl
pernambuco, que conseguiu arrastar-se obscnramente através dos séculos e ainda 1537 2. Olinda. Pernambuco
hoje existe como simples rellquia histórica. 1599 3. Natal . Rio Grande do Norte

1
Não fora tudo isso uma verdade c certamente o governo de Portngal teria
REGIÃO LESTE
prossegnido, por muito mais tempo, a semear feitorias nas costas brasileiras.
1535 I. Porto Seguro . Bahia
1536 2. São Jorge dos Ilhéus, aluai Ilhéus Bahia I
1536 3. Santa Cruz, alual Santa Cruz Cabrália Bahia ,I
As Vilas e Cidades do Século XVI 1551 4. Esplrito Santo . . . . . . . . ..... Esplrito Santo
1551 5. Nossa Senhora da Vitória, atual Vitória Espfritn Santo
1
1590 6. São Cristóvão . . . . . . . . .. Sergipe
li
"'I
A urbanização do nosso pais só teve inicio, realrnente, depois que se iniciou REGIÃO SUL
a colonização e foi instituido O regulle das Capitanias. De fato, confonnc rezavam
as cartas-régias, os donatários tinham o direito de "fazer todas c quaisquer po­
1532
1545
1.
2.
São Vicente ..... , ,
Santos..........
São Paulo
São P.duIo
:il!
voações que se chamarão Vilas", as quais possuiriam "tenno, jurisdição, liberdades 1558 3. Sãn Paulo de Piratininga,

I
e insígnias de Vilas, segundo a forma c costume de meus Reinos" 9. aluai São Paulo . São Paulo
1561 4. Nossa Senhora da Conceição de
A mais antiga, a primeira vila oficialmente instalada no Brasil - é bem
ltanhaém, atualltanhaém . . . . São Pauln
sabido - foi a de SOo Vicente, no ano de 1532, no litoral paulista. Coube a martirn 1600 5. São João Batista da Cananéia,
Afonso de Sousa demarcar-lhe o terrenn, arruá.lo, loteá-lo, distribuindo os lotes aos aluaI Canania ..., _ . . . . São P.du10
sesmeiros; fez levantar um forte, a casa da Cãmara, a cadeia, a igreja, a alfândega;
c, dando-lhe uma organização político-administrativa, nomeou os administrativos Muito pelo contrãrio, raras foram as cidades criadas no quinhentismo.
da justiça e convocou os "homens bons" para procederem ã eleição dos primeiros Conhecemos apenas três exemplos, todos eles caracterizados pelo fato de nunca
Vereadores 10. haverem sido Vilas e, muito menos, Povoados:
I. A cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos, fundada por Tomé de
Outras muitas vilas vieram, sem demora, alinhar-se ao lado dessa venerável
Sonsa 1549 c que se orgulha, com toda razão, de haver sido a primeira
São Vicente, que, sob certos aspectos, pode ser considerada a primcira Capital que
cidade surgida em terras brasileiras;
teve o Brasil, desde qne seu fundador tinha o titulo de "CapiUo-mor e govemador
2. a cidade de SOo Sebas/iOo do Rio de Janeiro, fundada em 1565 e
das Terras do Brasil". O assunto apresenta nmacerta dificuldade, pois algumas delas
definitivamente instalada em 1567;
tiveram duração efémera (como é o caso de Santn André da Borda do Campo), os
3. a cidade de Filiptlia de Nossa Senhora das Neves, depois Paraiba, boje João
cronistas da época não distinguem perfeitamente as vilas dos simples povoadosll ,.

Pessoa, fundada em 1585.


e, finalmente, existem exemplos de aglomerados que tomaram o titulo de Vilas sem
Essa extrema pobreza em cidades, que tão bem caracteriza o Brasil do século
que se conheça com exatidão o correspondente ato da metrópole. XVI, não só correspondia à modéstia de nossa vida colonial, dando então os sens
Tudo parece indicar que, ao findar-se o séenlo XVI, existiam no Brasil pelo priJreiros passos, como também era um reflexo da tradição portoguesada época c, mais
menos 14 vilas, a saber: proximaJrente, resultava do regime dominante das Capitanias hereditárias. Os Dona­
tários não tinham o direito de fnndá.las, porque "as cidades, pel]lCluando em si o antigo
9 cr. MAlA (Joilo de Auvedo Carneiro), O Munidpio, P'r.. 18, TIp. Leuzinr.er, Rio, 1883.
Municlpio romano, de natureza independente, só assentavam em terras próprias alo­
10 a. FLEIUSS (Max), obra cit, pár.. 6.
11 Cr. GANDAVO (Peco de Mar.alhiea),lliNt6ria dal'rovincill de Sanb Cruz, em ASSIS CIJ'I,'TRA. '"Nos:laPrimeira diais"12. Por isso mesmo, para que pudessc ser fundada a cidade do Salvador, necessário
lliat6ria", Comp. Mc:lhoramento!l, SioPllulo, 1922,pip. 71-76; e SOUSA(Oabriel SOflTUde), Trlltlldodescritivo
se tomon que, priJreiranlCnte, revertessem à coroa portuguesa as terras da capitania da
do Dr&'lil em 187, 3'ediçiio, Comp. EditorA Nllcionlll, Sio pAulo, 1938, pigs. 27-107.
Bahia, então pertencentes aos herdeiros de scu malogrado Douatário.

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Terra Uvre 10 Geografia, Espaço &. Memória Geografia, Espaço & Memória Terra üvre 10
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de que pudessem manter permanente contacto com as raras naus procedentes da
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metrópole lusa, vale dizer da Europa c do Mundo civilizado de então. Mais do qne
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.. -, "p nunca, o colono quinhentista dependia desses raros e sempre desejados contactos:
\ de Portugal vinham ns tecidos para o seu vestuário, os maotimentos com que se

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havia acostumado, as armas e as munições essenciais à sua defesa, os modestos


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instrumentos de uso comum ou para a lavoura, as sementes e as cabeças de gado;
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--- de lá vinham as noticias dos membros de sua família e os ecos amortecidos dos "

I,
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acontecimentos registrados no pals, quando não no próprio continente,
Fixar-se junto às águas do Atlântico, dessas mesmas ãguas que também II'
banham as costas lusitanas, constitula, até certo ponto, nm gesto de sobrevivência fh
- ......  ..., a .•n.co ..... ".... l)
emanifestação de uma esperança; afastar-se desse litoral e embrenhar-se pelo sertão i

I
..... , .... ,
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-'ARCHA ºº desconhecido, planalto a dentro, era sujeitar-se a perigos de toda ordem c a
'...--:..., --'
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POVOMENTO .E ,

contratempos inimagináveis, era expor-se ao ataque da indiada hostil e abdicar ao


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" IlÚnimo de conforto que a civilização podia oferecer. Em última análise, tratava-se
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I •.

, , de escolher entre a Vida e a Morte. As necessidades materiais exigiam essa


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permanência na costa, fazendo com que os colonos a ela se agarrassem como os ii


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caranguejos - conforme a tão citada e sugestiva imagem de frei VICENTE DO


:':......-;=::"..:..
 :i::' :.::E /. SALVADOR; mas é evidente que o fator psicológico reprcsentou nm papel de
I
.::.I. \" to " • I:
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destaque nessa localização de nossos primeiros aglomerados urbanos .
'.. , ':.' o (; ...-:.:':''':::-_ Todavia, outras razões existiam, reforçando a que acabamos de citar. Em

I:
primeiro lugar, a presença das escarpas abruptas do Planalto Brasileiro, junto ao
<H'
mar ou não muito longe dele, em larga extensão do litoral sul-oriental, constituindo
I
só por si uma barreira natural, de acesso dificil e que dava a impressão de csconder,
Povoamento e urbanização do Brasil, no século XVI
atrás delas, uma região extremamente montanhosa e intransponlvel. Tornando ainda

No quinhentismo, a área efetivamente povoada limitou.se à orla mais sério esse obstácnlo criado pela Natnreza, aparecia aos olhos daqueles homens
litorânea, do Rio Grande do Norte. a São Paulo, o que explica apre. do qninhentismo o manto compacto, impenetrável, grandioso mas amedrontador da
sença das poucas cidades e vilas exclusivamente nesse trecho da
Mata Atlântica, a encobrir os vales e as escarpas da serrania marltima. Além disso,
costa, salvo uma única exceção: a vila de São Paulo de Piratininga,
localizada no Planalto. as vias de acesso ao Planalto eram muito escassas, det1cienUssimas e cheias de
perigos; imagine-se o que não aconteceria nas terras de "Serra Acima", onde os
A Maritimidade dos Aglomerados Qninhentistas caminhos eram inexistentes e não se dispnnha nem mesmo dos mais rudimentares
meios de transporte.
Havia mais, porém: se o Tupi da costa dava margem a cuidados e prc­
Era esse, por conseguinte, o panorama urbano do Brasil quinhentista. Em ocupaçõcs, maior era o temor que se apoderava dos primeiros povoadores em
primeiro lugar, cumpre-nos ressaltar um traço comum a essas vilas e cidades do
século XVI: com apenas uma única exceção, localizavam-se à beira-mar, eram
relação ao lê on Tapuia, qne habitava o Planalto e quc se notabilizava por sna ir
belicosidade e selvageria. Finalmente, também conseqüência de tais fatores, mas
aglomerados urbanosmarlrimos. Tal característica nada mais constituía do que uma
causa da concentração urbana, era na costa ou cm suas proxintidades qne se
conseqüência das condições reinantes naquele momento histórico.
situavam os únicos centros econôllÚcos da época, baseados na cultura da cana de
Antes de tudo, não nos esqueçamos de que os audazes pioneiis, que açúcar e importantcs fatores para a fixação do povoamcnto.
constituam a população desses núcleos nrbanos, precisavam fixar-se no litoral a fun
Tudo contribuiu, pois, para que nossos primciros aglomerados urbanos

12. PLElUSS (MIlJt), obra cit, pág. 10.


fossem marítimos; eas razões do fato prevaleceram emgraode parte ainda no século
XVII.

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'fura Uvre 10 Geografia, Espaço &. Memória Geografio.. F:spafo ,t: Memória Tara Uvre 10
J
1ft
se irradiavam pelas várzeas ubertosas"; verMse-iam "lgaraçú, a antiga, Olinda, a
I.
I'! ,
A vila de Sao Paulo de Piratininga aparecia eomo verdadeira e única
exceção, desde que, embora também surgida no primeiro s6culo de nossa coloni­
zação, foi plantada no Plaoalto, a mais de 700m de altitude sobre o nlvel do mar e
deste separada não .apenas por algumas dezenas de quilOmetros, mas sobretudo
orgulhosa, e Recife, simples morada de pescadores, que não tardaria a eclipsar
todas"; já existiam Porto Calvo e sao Crist6vao, em terras hoje alagoano-sergipa­
nas; já brilhava "a cidade do Salvador, com o seu RecOncavo, em que prosperavam
'I i
li'-I
pelas escarpas da Serra do Mar. No decurso de todo o quinhentismo, foi a mais numerosos engenhos e vicejavam por 16guas e 16guas os canaviais verdejantes", ,

avançada "boca de sertão" estabelecida pelos colonizadores à entrada daquele tendo ainda "os seus campos, em que o gado passeia às manadas, aos milbeiros";
seguiam-se /lhéus, Santa Cruz, Porto Seguro e, um tanto isolada, Espírito Santo;

mundo desconhecido, que era o interior do nosso pais.
Tal exemplo, no entanto, não basta para invalidar a regra geral: fundada em depois, "o Rio de Janeiro, assentado no meio de um anfiteatro imenso", "com as
1554 e feita vila em 1558, teve a seu favor o fato de poder dispor de uma das raras suas ilhas feiticeiras, com sua baia sem par"; mais ao sul, "Sao Vicente, a obra de
e mais antigas vias de acesso ao litoral (ntilizada pelos Indios antes mesmo da Martim Afonso, Santos, obra de Brás Cubas,ltanhaém, mais tarde efêmera cabeça
chegada dos portugueses) e de contar com a preciosa colaboração de chefes de capitania, Cananéia, semente de João Ramalho, porto franco para os campos de
indígenas, graças ao prestígio de João Ramalho. Não fora isso, tal exceção Curitiba, do Viamão e da Vacaria"; e, finalmente, "a dez léguas do oceano",
;II
I
certamente deixaria de aparecer no quinhentismo; e, para comprovar nossa encarapitada no planalto, "a vila de São Paulo, obra dos Jesultas"13.
assertiva, basta recordar que as demais vilas planai tinas, instaladas no decorrer
do s6cu10 XVII, foram em reduzido número, como teremos oportunidade de
Os Maiores Centrus Urbanos do Século XVI
verificar.

Tudo parece indicar que, das 3 cidades e 14 vilas existentes ao encerrar-se


Repartição Geográfica dos Aglomerados dos Quinhentistas
o quinhentismo, quatro ocupariam um lugar de maior destaque: a cidade do
Salvador e a cidade do Rio de Janeiro, principalmente por sua função politico­
Os aglomerados urbanos, no século XVI, além de tipicamente marltimos, administrativa, pois ambas serviram como sede do Governo Geral, a segunda por
surgiam de maneira isolada e esparsa, constituindo verdadeiros "nódulos" de um curto prazo, mas a primeira por meio sécnlo, ininterruptamente, o que lhe valeu
população no imenso "deserto" humano do Brasil de então.
, a incontestável posição de metrópole colonial; e as vilas de Olinda e de Sao Vicente,
Todavia, percebe-se uma relativa concentração das vilas e cidades qui­ em virtude do seu papel de "cabcça" das duas mais importantes e prósperas Ir
nhentistas em duas áreas distintas: no que poderemos denominar de região vicen­ Capitanias, únicos centros económicos de destaque, a par com o RecOncavo baiano.
tina, atual território paulista, onde existia a maior concentração de aglomerados Os demais aglomerados urbanos seriam bastante modestos, inclusive a cidade de
urbanos, embora nenhum gozasse das honras de cidade, num total de 5 vilas, o que Filipêia ou Paraiba, que evidentemente não deveria ter recebido semelhante honra­
equivale a 29%; e no que chamaremos deregi{1o pernambucana, no litoral oriental ria, não fossem motivos fortuitos e ocasionais.
do Nordeste, onde apareciam 4 aglomerados urbanos (22%). Os sete núcleos A cidade do Salvador, a metrópole desse Brasil quinhentista, teve em
urbanos restantes (41%) distribuiam-se esparsamente: além da cidade do Rio de GABRIEL SOARES DE SOUSA o seu geógrafo, à maneira da época14. Descre­
Janeiro, existiam 3 em terras baianas, 2 no Espirito Santo e 1 no atual Sergipe. veu-se o sitio da cidade, em poucas mas sugestivas palavras, como forneceu detalhes
Percebe-se que se esboçava, assim, uma terceira área - a que chamarlamos de a respeito da baía de Todos os Santos e o clima ali reinante, demonstrando conhecer
região .baiana, tendo por centro a cidade do Salvador e situada entre as duas outras muito bem o papel representado pelos ventos alisios. Deu-nos um relato da maneira
regiões já mencionadas. .
pela qual foi fundada a cidade, as razões que justificaram a escolha do local e o
Tal repartição geográfica reflete, de maneira muito nitida, a realidade abandono da Vila Velha, pormenorizando as providências tomadas por Tomé de
demográl1co-econOmica da época, pois é bem sabido que, de todas as Capitanias Sousa: o arruamento "por boa ordem com as casas cobertas de palma ao modo do
quinhentistas, dnas apenas conseguiram prosperar - exalamente as de São Vicente gentio"; a construção de "muros de taipa grossa", "com dois baluartes ao longo do
e de Pernambuco.
mar e quatro da banda da terra"; e a fundaçãO de "um colégio dos padres da
Com a competência e o esplrito de síntese próprios dos Mestres. CAPIS­ Companhia, c outras igrejas c grandes casas, para viverem os Governadores, casas
TRANO DE ABREU descreveu, de maneira sugestiva, o quadro dó povoamento
no Brasil ao completar-se um século após a viagem de Cabral: Natal estava 13 cc. LYRA (A. Tavltu de >, Organizafdo Polttico e Administrativa do 8ro.ril. plll,s. 24-26. Comp. Edilora
Nacionlll.SAoPllulo.1941.
nascendo, à sombra do forte dos Três Reis Magos; na cidade da Paralba, a atuaI
14 SOUSA (Gllbriel Soare.! de), obra ciL.l'lIgs. 128.143.
João Pessoa, as casas "se alongavam pelo morro pitoresco, com os engenhos que

-32- -33-
.... , .. i..O'1 (: lO Geografia, l:.spafo &. Memdria
Geografia, Espaço &. Memória Terra Livre 10
!I
da Câmara, cadeia, a1filndega, contos, fazendas, annazéns, e outras oficinas conve­ No que se refere às cidades, quatro novas vieram se juntar às três do
nientes ao serviço de Sua Alteza". Ao tempo em qne escreven (1587), Salvador teria quinhentismo:
"800 vizinhos, pouco mais oumenos", ao passo que mais de 2.000 viveram na região I. Sao Lu{s do MaranhOo, fundada em 1612 pelos franceses de Daniel de la
do Rccóncavo, isto sem falar nos 2.500 soldados de sua guarnição. Demonstrando Touche, por ocasião da fracassada tentativa de estabelecimento da "França I
um acbnirável esplrito de ohservação, dcixou.nos detalhada descrição da cidade: Equinocial"; 
sua parte central, onde ficava "uma honesta praça, em que se correm touros quando 2. Nossa Senhora da Assunçao do Cabo Frio, antiga fcitoria, elevada à llj
convém" e onde se erguiam os principais edificios públicos, as mais importantes categoria de cidade em 1615, sem razões poderosas que justificassem a
ruas comerciais, a Sé e o colégio dos Jesultas; os arrabaldes residenciais, com seus medida16; 'I
,

qnintais cheios de árvores; os caminhos que conduziam à atual Cidade Baixa, onde 3. Nossa Senhora de Be/ém, fundada na embocadura do Amazonas em 1616,
se localizavam os desembarcadouros, próximos de três fontes "em as quais os logo após a expulsâo dos franceses do Maranhão, para servir de sinal de
mareantes fazem sua aguada bem à borda do mar"; a zona rural circunjacente, posse e como baluarte de defesa da imensidão amazónica; e
verdadeiro "cinturão verde", pois a terra, "uma e duas léguas à roda, está quase toda 4. Olinda, elevada a essa categoria em 1676 como homenagem à sua posição
ocupada com roças, que são como os casais de Portugal", onde se cultivavam de "célula mater" da zona açucareira do Nordeste, embora estivesse
"muitos mantimentos, frutas e hortaliças", destinados ao abastecimento da popula­ profundamente ferida em conseqüência das lutas contra os invasores I
ção. Não se esqueceu, enrno, de referir.se aos hahitantes da cidade, especialmente holandeses e tendo já como rival o próspero povoado do Reeife. I
à gente rica, a respeito de cuja mancira de viver forneceu detalhes preciosos. li

Se a este depoimento acrescentarmos as informações de ouros cronistas da


As Vilas Seiscentistas
IW,,I
época e tudo quanto já conseguiram reunir os historiadoreslS, acabaremos por fazer
uma idéia o mais possível fiel da metrópole do Brasil quinhentista: um burgo que
iiil
Ii ,.

teria um milhar de habitantes, fortemente ligado à região agricola do Recóncavo, No que se refere às vilas, nada menos de 37 foram criadas durante o século II'
tendo na função polltico-administrativa e na função religiosa as principais razões XVII, particularmente em sua segunda metade (sob os reinados de D. Afonso VI e "
de ser de sua existência. Podemos bem avaliar, por isso, a reduzida importancia e D. Pedro II), o que fez com que se elevasse para 51 o total das vilas brasileiras. ['
a modéstia da vida urbana dos demais aglomerados brasileiros, ao findar o século Registrou-se uma verdadeira proliferação de vilas ao longo do litoral, de ,

XVI. I
maoeira especial em dois trechos: entre a cidade da Paralba e a vila de Ilhéus, como
tambêm da vila de Vitória ao extremo norte do atuallitoral calarinense. Percebe-se,
por conseguinte, que os dois importaotes centros económicos do quinhentismo ­
Olinda e São Vicente - continuavam a exercer sua hegemonia, reforçado o
1lI primeiro pela importância crescente da cidade do Salvador e do Recóncavo baiano.
OS CENTROS URBANOS NO SEISCENTISMO
Dai a exislência de duas áreas de maior concentração urbana: a) a que
poderemos chamar de regrao baiano-pernambucana, tendo por base a economia
As Cidades Seiscentistas
açucareira e resultante, em parte, da luta contra os flamengos; b) a regiao paulista.
fluminense, girando em tomo da vila de São Paulo e da cidade do Rio de Jaoeiro,
tendo por fundamentos de sua prosperidade económica dos fatores diversos: a
No século XVIT, o panorama urbano do Brasil não sofreu alterações subs­ criação de gado e os engenhos de açúcar, no trecho llnminense; e o preamento de
tanciais, se bem que um número avultado de vilas passa-se a figurar ao lado das 14 {ndios, no trecho paulista 17. A par de tais áreas, modestamente esboçavam-se duas
quinhentistas. Salvo na porção meridional do Planalto Atlântico, a maritimidade ontras, onde também se registrava uma certa concentração utbaua: a região pa­
dos aglomerados urbanos continuou a ser a caracterlstica marcante, pois ainda raeuse, mais importante, e a regiao maranhense. De qualquer maneira, o fato é que
persistiam, embora de forma mais atenuada, as razões quejustificavam e impunham
o contacto com o oceano. 16 Referindo-se i inexplicável tJevIlçio de' CIlbo Pro À categorill de cidade, AIRES DE CASAL escl/l.l'l:ce que.
nllquel/l. época. "muita.s povoaçÓClllomflvflm de princípio o título de cidade" (Corogrofio 8rasflica,lI. pág. 31,
ed. Culturfl. Siío PIluio, 1943).
IS Consu1lem_se, entre outros., SILVA (Alberto).A Cidade de Toml de Souza -Aspectos quinhentistas, ed. Innftos 17 A urbllniuçiio do território plIulistll., noséeulo xvn, deve-se tambc!m A flçio dm Jeliurta. (através de numero8os
Pon&elti. Rio, 1949; AZEVEDO (Thales de), Povoamento da Cidade de Salvador, 21 ediçio revuta. Comp.
flldeflmentos de índio., que se tcllnllformN'lIm em villlS) e. pos.ivdmenle. i exillténcill de aglomerados fortemente
Editora Nacional, Sio Paulo, 1955.
liglldOll A IIgricultura, do lipo dl\s aldeiM port\lguellllS ou dos "villllgell" fnmC('scs.

-34- -35-
Geografia. Espaço &: Memória Geografia. I:;paro & Memória Terra Lú're 10
I
Terra Livre 10
li
a fachada atlântica, desde a foz do rio Tapajós até a ilha de São Francisco (Santa DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADEATUAL 1
"j\
(original e atual)
Catarina). passara a ser balisada porvilas e cidades. numa extensão quase duas vezes
1665 3. Santo Antonio da ltabaiana. atual Uabaiana Sergipe
maior do que a registrada no século anterior.
1667 4. Parati . Rio de Janeiro
Por outro lado. a fase inicial da conquista do Planalto Brasileiro pelos .!
1677 5. São João do Paraiba. .,

desbravadores refletiu-se na instalação de novas vilas. São Paulo deixou de ser a Rio de Janeiro
atual São João da Barra.
úniCa vila planaitina; novos aglomerados surgiram na planleie do médio Paraíba do 1677 6. São Salvador dos Campos dos Goitacazes. .I
Sul, na rota geralmente preferida pelos Bandeirantes que demandavam as "Minas atual Campos . . . . . . . . . Rio de Janeiro
Gerais dos CaL1gnâs". como tambêm atingiram a zona dos campos da Depressão 1689 7. Guarapari . Esplrito Santo 'I ,

Paleozóica Oogo aproveitada pelos que se dirigiam no rumo do sul ou para o 1693 8. Nossa Senhora do Rosârio de Cachoeira.

,i
atualCaehoeira . Bahia
Planalto Central) e o planalto de Curitiba.
1693 9. Nossa Senhora da Ajuda de Jaguaripe.
No seiscentismo, a maior concentração urbana registravase cm terras atual
atualJaguaripe . Bahia
,I
mente paulistas: nada menos de 17 vilas para um total de 51. isto é. 33%. Também
1693 lO. Camamú . Bahia 1.,1
chama a atenção a concentração urbana verificada nas atuais terras da Bahia (uma
1693 li. São Francisco da Barra do Sergipe
cidade e 8 vilas) e no Estado do Rio de Janeiro de hoje (uma cidade e 5 vilas). No
mais. constata-se uma grande modéstia: Parâ - 4; Maranhão - 2; Cearâ -1; ­ 1697 12.
do Conde. atual São Francisco do Conde
Santo Antonio de Sá de Maeaeú,
Bahia ii

:1,
i
Rio Orande do Norte - 1; Paralba -I; Pernambuco- 3; Alagoas - 3; Sergipe atual Japuiba ..... . Rio de Janeiro 1 '1.
- I; Espírito Sanlo - 3; Paranâ - 2; Santa Catarina - 1. 1697 13. Santo Amaro das Brolas . Sergipe II!
Foram as seguintes as vilas criadas 00 século XVl1. de acordo com as
1699 14. Iguaçú. atual Duque de Caixas Rio de Janeiro
1']1'
divisões regionais atualmente admitidas: 11
REGIÃO SUL
1611 i. Santana de Mogi das Três Cruzes.
DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADE ATUAL
atual Mogi das Cruzes São Paulo
(original c atuaI)
1625 2. Santana de Paraíba . . . . . . São Paulo

REGIÃO NORTE 1636 3. São Sebastião . São Paulo i'


1637 4. Exaltação da Santa Cruz de Ubatuba.
1632 1. Vila Viçosa da Santa Cruz do Camclâ, I
atualUbatuba . . . . . São Paulo

1634 2.
atual Canletâ ..... . . . . . . . .
Vila Sousa de Caeté. atual Bragança .
Parâ
Parâ
1645 5. São Francisco das alagaS de Taubaté. I
I
atual Taubaté . . . . . . . . .. São Paulo ,

1661 3. Gurupi (?) . Parâ I


1653 6. Nossa Senhora da Conceição do

REGIÃO NORDESTE
Rio Paralba. atual Jacarei ....
Nossa Senhora do Rosârio de Par,maguâ.
São Paulo
I,.
'
1653 7.
1627 i. Vila fonuosa. atual Sirinhaérn Pernambuco atual Paranaguá . Paraná
1636 2. Bom Sucesso do Porto Calvu. 1655 8. Nossa Senhora do Desterro do Campo
atual Porto Calvo . Alagoas Alegre de Jundial, atual Jundial . São Paulo
1636 3. Santa Maria Madalena da A1agoa do Sul. ,

1657 9. Santo Antonio de Guaratinguetâ,


atual Marechal Deodoro ..... A1agoas alua! Guaratinguetâ . São Paulo
1636 4. Penedo do Rio de São Francisco. 1657 10. Nossa Senhora da Candelâria do
atual Penedo. . . . . . . . . Alagoas Outú Guaçú. atualltú .... São Paulo
1637 5. Santo Antonio de A1câotara. 1660 li. Rio de São Francisco do Sul.
atual A1câotara . . . . ... Maranhão atual São Francisco do Sul . Santa Catarina
1700 6. São José de Aquirâs. atual Aquirãs .. Cearâ 1661 12. Nossa Senhora da Ponte de Someaba.
atual Someaba . São Paulo
REGIÃO LESTE 1665 13. Nossa Senhora das Neves de Iguape.
1608 1. Angra dos Santos Rcis da Ilha Grande. aluai Iguape . . . . . . São Paulo
atual Angra dos Reis Rio dcJaneiro 1693 14. Nossa Senhora' da Luz dos Pinhais de
1608 2. Caírú . Bahia Curitiba. aluai Curitiba . . . . Paranâ

-36- -37-
Terra Livre 10
Terra LiYre 10 Geografia, Espaço &. Memória
Geografia, Espaço &. Memória
)
I
Os Maiores Centros Urbanos do Sécnlo XVII
Ao terminar o século XVII. as vilas que podemos considerar "bocas de I
I
sertão" e qucmais se afastavam da orla litorânea, situavam-se na porção meridional
do Planalto Atlântico (Curitiba. Sorocaba. ltú. Jnndiaí. Guaratinguetá). embora
I
No panorama urbano do Brasil seiscentista. a cidade do Salvador brilbava. \'
como tal também possamos classificar a vila de Cametá. ã entrada do Mundo ,

sem nenhuma dívida, não encontrando antro centro qne lhe fizesse sombra, pelo
AmazÔnico.
menos na segunda metade do século XVII18. Teria urna popnlação de uns 8.000
hab. brancos, além de algnns milhares de negros e índios. cerca de 2.000 casas. 12
grandes igrejas; seria grande o número de seus negociantes (portugueses na maioria)
e a gente rica da cidade. "sobretudo as damas, faziam garbo de passear em
,.
palanquins pelas ruas mais importantes e concorridas. ostentando o luxo que ainda
i
f--.<.J: C.-..s _-'
N
refletia o "tempo dourado" dos grandes dias do açúcar e que então era mantido pelos
lucros do contrabando do outro recebido das Minas em troca de gado. mantimentos.
fazendas e negros que se remetiam clandestinamente"19 .
. /

s ! . ,/;;:%;f$:!:Y///// Afora a capital da colÔnia, destacavam-se alguns poucos aglomerados


...--)
pF f
/'
,y
; urbanos: as cidades do Rio de Janeiro e de Olinda. a vila de São Paulo (já então
i
;:1[
í transformada na "capital" do Bandeirismo), as cidades deBelémede São Luis (que.
t' lili
\1'1i
em periodos diferentes. foram a sede do goveroo do "Estado do Maranhão".
\)
administrativamente independente do "Estado do Brasil"). além de um povoado
--'-'1__ -v/'...-,
que tinha todo o direito de ser elevado à categoria de vila, senão de cidade - o
'. -,

'. --.. Recife. pois fora o grande beneficiário da ocupação holandesa. a "Cidade Maurícia"

II:
Q

fL.ARCtlA_ DO
( " dos flamengos.
'---1
EQVO¥E;:NT.º-U "
,

Com uma população comparável com a da cidade do Salvador. no ponto de


URBANIZAÇ!9
J "
• vista numérico, o Rio de Janeiro seiscentista desenvolveu-se graças aos engenhos
SÉCULO XVII
\ ,
de açúcar "que lhe esboçaram a riqueza e lhe dividiram as terras das primeiras
glebas. radicando as famílias originárias que haviam de constituir o núcleo de sua
--L[G[NÇA-- ,

população. É o tempo em que a cidade, na ânsia de crescimento, rompe os limites ,

 :
--- ,,..,,,,. ... O'
,
;
estreitos do morro onde a localizara Men de Sá, e desce para a Várzea. derrama-se
pelos valores apertados entre os montes, firmando as diretrizes materiais do seu
!il
í
desenvolvimento urbano. traçando as ruas primitivas que até hoje perduram.
- -

Erguem-se os templos e conventos, expressão do espirita religioso da época. antes


A.'" A
de serem construídos palácios. Em torno dos engenhos de açúcar. representando a ,

vida econÔmica, e da igrejas. centros da vida espiritual, desdobra-se a trama da "


Povoamenlo e ul'banização do Brasil, no século XVII
cidade. Ao longo da ribeira dn mar. plantam-se os antigos trapiches, portas de
No seiscentismo, teve inicio a conquista da Amazônia, do Ser­ comércio. E para a defesa contra os inimigos que viriam do mar, levantaram-se as
tão nordestino, de Minas Gerais, de Goiás e do Sul do Brasil, ao
fortificações primitivas, que foram as bases das que aínda hoje guardanl a cidade,,20
meslllo tempo que os Jesuítas espanhóis criaram "reduções" no sul
de Mato Grosso, Noroeste do Paraná e no Rio Grande do Sul. Mas
a obra urbanizadora foi bem mais modesta: salvo no Planalto pau­ 1B Na primeira metade: do sul0 XVII, ao que parece:, Olinda rivalizava com a cidade de Salvador. No Diálogo das

lista-paranaensc, limitou-se ainda às vizinhanças do mar, Grandezas do Brasil (ed. Dois Mundos, Rio, 1943), llnmdônio, depois de dizer que esta cidade era a sede do
governo, I\firma que, "de poucos anos a esta parte, se há defraudlldo este mandalo em grande: maneira; porque
lle çontentam mllis os governadores de lI.'iSistirem na capitania de Pemllmbuco, ou seja por tirarem dela mais
proveito ou por estarem mais perlo do Reino" (piig. 68).
19 AZEVEDO (Th1l1cs de), Povoamento da cidllde de Salvador, pág.'!. 158 e 183.
20 COARACY (Vivaldo), O Rio de llUleiro no Séçulo 17, pág.9, Liv.1osé Olímpia, Rio, 1944.

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-38-
Terra Uvre lU I
I r
Geografia, Espaço & 1I1cmória
Gtografia, Espaço & Memória Terra Li'Yrt 10

Em relaç30 aos dois ccntros urbanos rivais - Olinda e Recifc tcmos, para

lij
IV
os meados do s&oulo XVII, pelo menos os valiosos depoimentos de GASPAR
VILAS E CIDADES NO St':CULO XVIII
BARLÉU21 .. JOAN NIEUHOF22. A primeira - com o seu sítio acidentado, "por
amor das colinas que .ela abrange no seu perimetro" - teria mais de 2.000 hab.,
sem contar os escravos e os membros do clero, sendo que daqueles "cerca de "I
:j
duzentos passavam por ser muito ricos", notabilizando-se "por belos edificios e A Obra de Urbanização Alcança u Interior

templos". Depois da tomada de Olinda pelos holandeses, muitos de seus habitantes, ilj
especialmente comerciantes, estabeleceram-se no Recife, "onde levantaram mag­
.

Ao contrárin do que acontecera no século XVU, registraram-se modificações


nificas consuuções", cujo número cbegou a ser de 2.000: na face oriental da ilha de substanciais no panorama urbano do Brasil no deenrrer do setecentismo. A obra de
Antonio Vaz fez erguer Mauricio de Nassau um outro aglomerado - a Cidade urbanizaç30 conseguiú libertar-se definitivamente da orla atlântica, emconseqüên­
Maurlcia, bem defendida por fortificações, que foi ligada por meio de pontes ao cia da expansão povoadora e da conquista de larga porção do Planalto Brasileiro e
núcleo primitivo e ao continente. Dispunha de um vasto parque (repleto de coquei­ da própria Amazônia. A análise dn mapa das vilas e cidades do s&oulo XVlIl 'I
I
I

ros, limoeiros, cidreiras, romazeiras e figueiras), no centro do qual elevava-se o demonstra, de maneira evidente, a penetraç30 do Bandeirismo, o povoamento da li
Palácio de Friburgo, "edificio de aspecto nobre que, ao que se diz, custou 600.00 Chapada Diamantina c do vale médio do rio Sãô Francisco, a expans30 pastoril no li
florins". Fronteiro à ilha de Antonio Vaz, no continente, ficava o Palácio da Boa sert30 do Nordeste, a obra dos missionários na Amazônia e, em menor escala, a I
Vista, "agradabillssima residência de ver30" do governador holandês. No ano de influência do chamado "ciclo do muar" e da conquista de caráter militar levada a
1654, quando se inventariou o material bélico deixado pelos invasores recém-ex­
pulsos, registron-se a presença de 464 prédios, dos quais 242 assobradados23, o que
efeito no extremo sul. I,.
I!I 1"Ii
i:1 '
No Planalto Brasileiro, as vilas "bocas de sert3o" chegaram a fixar-se a 400
nos leva a supor que o Recife desta época teria, provavelmente, uma popnlaç30 de c 500 km do oceano, particularmente em terras mineiras e baianas, se bem que I,

3 a 4.000 hab. "sentinelas" avançadas mas isoladas da onda urbanizadora pudessem ser encontra­ .:1
Muito longe desse esplendor estariam os demais centros urbanos atrás das a mais de 1.000 km, em terras de Goiás e de Mato Grosso. Por outro lado, na I/
citados -SOo Paulo, Belém c SOo LuIs. Basta dizer que a "capital do Bandeirismo", conquista da Anlazônia, esses pnslos vanguardeiros do povoamento atingiram a
não passava de um lugarejo humilde, um "arraial de sertanistas" _ como a definiu margem direita do baixo J avari, na atual fronteira com o Peru, 2.000 km continente
ERNANI SILVA BRUN024; "o que se chama hoje centra era, por assim dizer, toda a dentro. Se deixarmos de lado os casos das vilas isoladas do extremo sul (São Pedro
a cidade de então, com suas tortuosas ruas sérpenteando no cabeço da colina, do Rio Grande) e dos sertões do Planalto Central, como também o caso especial do
estreitas nnm ponto, largas noutro, recortadas de casas baixas de enormes beiradas povoamento da Amazônia, nitidamente linear porque fi uvial, poderemos considerar
de telhados a protegerem as paredes de taipa, branqueadas, quando o eram, de comn bocas do serlOo, verdadeiras balizas do povoanlento, as seguintes vilas do
tabatinga"25. São Paulo seiscentista não teria alcançado, em sua população, a cifra setecentismo: Lajes, Castro, Hapeva, Porto Feliz, Mogi-Mirim, Campanha, (tape­
de 2.000 hab. cerica (antigo arraial de S30 Bento do Tarnanduá), Pitangui, Serro, Minas Novas, 1
Jacobina, Senhor du Bonfun, Crato, Viçosa do Ceará e Monção. "

Dentre as áreas de mais intensa urbanização, doas se destacavam por


apresentarem uma relativa continuidade: I) a que poderemos denominar de regiOo
:1
baiano-nordestina, estendendo-se desde a Baixada Maranhense até o baixo Mucuri,
com maior penetração no sertão do Nordeste Oriental e no trechu situado ao norte
do Recôncavo baiano; 2) a que poderemos chamar de regiao paulista-mineiro-flu­
minense, estendendo-se desde a foz do rio Doce até a ilha de S30 Francisco, com

I
maior penetraç30 na área áureo-diamantifera de Minas Gerais e no planalto paulis­
21
oARLÉu (GMpar). His/6ria JazjeitOJ recentemente pralicadoz durallle oilo anoJ no Bra$i[ e nou/raJ pariu
sob o governo do iJuJlrluimoJoOO Mauricio, Conde de NOJJOU, trlld. bruilcira dc CIlI.udio DlWldiío, cd. M ini3trio ta-paranaense. As demais áreas de urbanizaç30 aparcciamcomo se fossem "ilhas", I
da Thfucaçio, Rio, 1940.
sendo numerosos e expressivos os exemplos, tanto na orla marítima, como no
22 NJEUHOP (JOM), Mtmordvelvialtm marflima e turutre ao Brasil, trAd. brl\lJilcirll Moacir VII.concelM, Liv.
MM.inll, São Paulo. 1942. Planalto Brasileiro e na Planície Amazôniea.
23 Cc. CASllW (Josut de), A cidade do Recife. pll.g. 157, Liv. &t. CIISa do Estudlllltc do Drll.'lil. Rio, 1954.
Outro aspecto que impressiona é a extraordinária proliferação das vilas, pois
24 BRUNO (ErnMi SiIVl), Hislória t rradlç6u da Cidade de Sao Paulo. valo I, Liv, JUllé Olímpia, Rio, 19.n.
U Luís (WlI.'lhill&tun), Capitania de Soo Paulo, pÍlgs. 25-26, Camp. Hditora NllcionllJ, Sio Paulo, 1938. nada menos de 118 foranlcriadas no século XVIll, de maneira particular no terceiro
quartel desta ceutúria, sob o reinado de D. José I, quando 57 povoações viranl-se

-40-
-41-
J
Tara Livre 10
Terra Livr. lU Gagrafia, Espaço &. Memória Geografia, Espaço & Memória

Repartição Geográfica das Vilas Setecentistas


elevadas ã categoria de vilas. Por isso mesmo, teve razão FERNANDO DE
AZEVEDO quaodo afirmou:
No que diz respeito às vilas, foi a seguinte a sua repartição tendo em vista 
..... se o século XVII, o das Bandeiras, foi o século da
as regiões brasileiras boje admitidas: J
expansão territorial, da conquista edo povoamento, o século do ouro,
o XVllI foi, com o declínio do patriarcalismo rural, no norte, e do
DENOMINAÇÕES UNIDADE ATUAL
DATAS
movimento das Bandeiras, ao sul, o sêeulo do desenvolvimento das
(original e atuaI)
cidades, onde se formara e já ganbava corpo a nova classe burguesa,
ansiosa de dominio, c já bastante forte para enfrentar o exclusivismo REGIÃO NORTE
i' .
das familias de donos de terras".26 Amapá
1752 I. Macapá...
1753 2. Ourem....... ... .. Pará
1754 3. Santarêm . . . . . . Pará
Amawnas
As cidades do século XVIII 1756 4.
5.
Borba.......
Barcelos......
..
.. Amawnas
II
ii
1757
1758 6. Óbidos............ .. Paraná
1758 7. Vila Nova dei Rei, atual CUnlçá Pará
No que se refere às cidades, parcimoniosa continuou a ser a metr6pole
portuguesa. Apenas tres novas foram criadas:
1758
1758
8.
9.
MonteAlegre
Alenquer
.
.
Pará
Pará
1,II.1
'I

II
1. Sao Paulo, cm 1711, como reflexo da importincia territorial que passara 1758 10. São João Balista de Faro, atual Faro Pará
a ter a Capitania em virtude da expansão bandeirante, que lhe assegurara
o dominio de quase um terço do atualterritório brasileiro; DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADE ATUAL

2. Mariana, em 1745, em plena área da mineração, três dêcadas antes (original e atual) \[1
transformada de simples arraial na "Vila Leal de Nossa Senbora do 1758 11. Chaves .. Pará
I,
12. Serpa, atual Itacoaliara . . . . . . . .. Amazonas
Carmo", elevada à categoria de cidade menos por sna importância regional 1759
13. Olivença, atual São Paulo de Olivença. Amazonas
II
(Vila Rica a sobrepujava), do que pelo fato de haver sido escolhida como 1759 "
14. Ega,atualTefé . A1nazonas
1759
sede de um Bispado, o que exigia aquela condição;
1759 15. São José do Javari, .rI
3. Oeiras, em 1761, a antiga Vila do Mocha, sede do grande latifúndio pastoril atual Benjamim Constaut ... Amazonas
I"
que os Jesultas haviam recebido por herança de Domingos Afonso 16. Vila da Barra do Rio Negro,
1790
Mafrense, o "Sertão", mas que a dissolUÇão da Companhia de Jesus havia atual Manaus .. . . . . . . ., ... Amawnas

feito passar para o dominio da Coroa, no momento sob a influência do 17. VilaNovadaRainha,atualMaués .. Amazonas
1798
Conde de Oeiras, futuro Marquês de Pombal.
REGIÃO NORDESTE
Por conseguinte, a vaidade de um poderoso ministro e as exigências da
1709 1. Santo Antooio do Recife, atual Recife Pernambuco
Igreja foram as responsáveis pela elevação algo imerecida de duas vilas brasileiras
1712 2. Vila do Môcha, atual Oeiras . . . . . Piaul
à categoria de cidades, em detrimento de outras que maiores razões possuíam para
1726 3. Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção
receber tal galardão. Apenas o caso de São Paulo parece-nos perfeitamente jus­ Ceará
do Ceará Grande, atual Fortaleza. . . .
tificado, quando se analisa com frieza tais medidas da metrópole; tinha mais de 150 Ceará
1736 4. lc6 .
anos de existência c era, no momento, a "cabeça" de um vaslíssimo território, que 1747 5. São José do Aracalí, atual Aracalí Ceará
seus filhos haviam desbravado e conquistado à costa de sacrificios inauditos. 1755 6. Soure .. Ceará
1757 7. Monção . Maranhão
Encerrou-se o sêculo XVIl1 com a presença de somente 10 cidades em toda
1757 8. Viana . Maranhão
a enonne extensão do territ6rio brasileiro, cujas fronteiras praticamente coincidiam
1758 9. Vila Viçosa, atual Tut6ia Maranhão
com as que hoje possuimos. Ceará
1758 10. Mecejana........
1758 II. Vila Real do Crato, atual Crato. Ceará
26 AZnVB[)O (mando de)..... cultura Brailei'a. l' «lição, p'g. 68.
1759 12. Porangaba . Ceará

-42- -43-
Tara Uvrt: 10
I
Terra Uvrt: 10 GMgrafia, Espaço &: Mmórja Geografia, Espaço & .l/emória

Ij
DATAS DENOMINAÇÕES UNIDAm; ATUAL DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADE ATUAL
Ir
(original e atual) (original c atual) .'
1759 13. Vila Nova de Arronches, 1728 16. Itapicurú de Cima, atualltapecurú Bahia
atual Arroochcs . . . . . . . . . Ceará 1728 17. luhambupe . Ballia 1\'
1759 14. Vila Viçosa Reald'América, 1730 18. Nossa Senhora do Bom Sucesso das I
atual Viçosa do Ceará . Ceará Minas do Fanado, atual Minas Novas Minas Gerais
1760 15. Estrcmós . Rio Grande do Norte 1732 19. Barra do Rio de Contas, atualltacaré Babia
1762 16. São João do Pamalba, atual Pamalba .. Piaul 1733 20. Vila Nova de Santo Antonio do Rio de
1762 17. São José do Rio Grande, atual São Francisco, atual Neópolis Sergipe
II
SãoJosédeMipibú . Rio Grande do Norte 1745 21. Minas do Rio de Coutas, I,

1764 18. Monte Móro Novo da América. atuai Rio de Contas .... Bahia
t':
atual Barurité . . . . . Ceará 1746 22. Urubú, atual Paratinga .. Babia I
1764 19. Vila Real de Bragança, atual Atalaia. Alagoas 1748 23. Vila Viçosa, atual Viçosa. Ballia ,

1766 20. Vila Nova da Priocesa, atual Açú Rio Grande do Norte São Francisco das Chagas da
1752 24. III
1772 21. Pombal ... Paraíba Barra do Rio Grande, atual Barra. Babia
h'i).
1773 22. Sobral............... Ceará 1754 25. Pombal, atual Ribeira do Pombal . Bahia
1776 23. Granja . Ceará 1755 26. Alcobaça .. Babia
11:1
1789 24. Campo Maior de Santo Antonio de
Quixeramobim, atual Quixeramobirn Ceará
1755
1758
27.
28.
Soure, atual Nova Soure
Espírito Santo de Nova Abrantes,
. Ballia
ii' ,

1790 25. Vila Nova da Rainha, atual Abrantes. . . . . Bahia


atual Campina Grande ... Paraíba 1758 29. Vila Nova de Olivença, atual Olivença. BaIlia
1799 26. Poxirn........ .. Alagoas 1758 30. Vila Nova de Tomar, atual Lagarto Sergipe
1800 27. Vila Real de São João, 1758 31. Santarém, atual Utubcrá .. . Babia
atual São João do Cariri Paraíba 1759 32. Espirita Santo da V ila Verde,
1800 28. Vila Nova de Sousa, atual Sousa Paraíba atual Vale Verde . BaIlia
1759 33. Trancoso . BaIlia
REGIÃO LESTE
1701 1. Santo Antonio do Rio das Caravelas,
1760 34. Vila Nova de Almeida,
atual Nova Abueida .. Espirilo Santo
, I'
il!
atual Caravelas . . . . . . . . . . . . 1761 35. Maraú . Bahia
Babia
1764 36. Vila do Prado, atual Prado Ballia
1711 2. Vila Leal de Nossa Senhora do Carmo,
1765 37. Bebnonte . . . . . . . . . Bahia
atual Mariana . . . . . . . . ... Minas Gerais
1711 3. Vila Real de Sabará, atual Sabará Minas Gerais 1769 38. São José do Porto Alegre, atual Mucuri Bahia I""
1711 4. Vila Rica, atual Ouro Preto . . . . Minas Gerais 1772 39. Vila Nova de São José Dei Rei,
1712 5. São João Dei Rei . atual São Banlabé ('I) Rio de Janeiro
Minas Gerais
1714 6. ViladoPrlncipc,atualSerro . 1789 40. Magé . . . . Rio de Janeiro
Minas Gerais
1714 7. Vila Nova da RainhadoCaetédo 1789 41. ltapecirica . Minas Gerais :,

Mato Dentro, atual Caeté . . . . . . . . Minas Gerais 1790 42. Vila Real de Queluz, "
1715 8. Vila Nova do Infante, atua! Pitangui .. atual Conselheiro Lafaiete Minas Gerais
Minas Gerais
1716 9. Vila Nova de Benevente, atual Anchieta . Espírito Santo 1791 43. Barbacena . Minas Gerais .1

1
1718 10. São José Dei Rei, atual Tiradentes . Minas Gerais 1797 44. Vila Nova da Rainha,
atual Senhor dn Bonruu Ballia
1722 11. Jacabina . Babia
1724 12. Nossa Senhora do Livramento das Minas 1798 45. Vila da Priocesa da Beira,
Minas Gerais t
do Rio de Contas, atual Campanha. . . . ..
1798 46. Paracatú do Prblcipc, aluai Paracalú Mina Gerais
atual Livramento do Bromado . Babia
1725 13. Maragogipe . Babia 1799 47. Valença Ballia

1727 14. Santo Amaro da Purificação, 1800 48. Propriá ... .. Sergipe

atual Santo Amaro .. Bahia


1728 15. CaellOeira da Abadia . . . . Babia

-44- -45-
Terra livre /0
Geografia, Espaço &. Memória Geografia, Espaço &. Memória Terra Uvrt' J O

DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADEATUAL


Norte: das 3 vilas criadas no século XVII passou a possuir um total de 20,
(original e atual)
testemunhando a existência de uma politica urbanizadora (um tanto forçada e quase
REGIÃO SUL sempre artificial) da metrópole portugnesa em face da vastidão amazónica, eerta­
1705 1. mente inspirada por motivos qoe hoje classificaríamos como geo-políticos: a
N.S.do Bom Sucesso de Pindarronhangaba.
atual Pindamonhangaba. . . .... eonfirmação do principio do "uti-possidetis", que o tratado de Madri (1750)
São Paulo
1714 2. Laguna .. consagrara. Todavia, mais fortemente fere nossa atenção a intensa obra de urbani­
Santa Catarina
1726 3. Nossa Senhora do Desterro, zação registrada na RegiOo Nordeste (que somente possnia 3 vilas no século XVI,
atual Florianópolis .... Santa Catarina 9 no século XVII e que passou a contar com 37 no século XVIII, além de 4 cidades)
1751 4. São Pedro do Rio Grande, e, sobretudo, a que se verificou na RegiOo Leste, que passou de 6 vilas no
atual Rio Grande ..... Rio Grande do Sul quinhentismo para 20 no século XVII e nada menos de 68 no setecentismo, ao lado
1767 5. São José do Paralba.
de suas 4 cidades.
atual São José dos Campos São Panlo
1769 6. Itapeva da Faxina, atual Hapeva .... O fato que acabamos de assinalar émais chocante se lembrarmos que o Leste
São Paulo
1769 7. S. João Batista de Atibaia, atual Atibaia . São Panlo e o Sul se haviam equilibrado no século XVII (quando foram criadas 14 vilas, em
1769 8. SJosé de Mogi Mirim, atual Mogi-Mirim . SãoPanlo cada uma dessas regiões). embora a Região Leste estivesse à frente qnanto ao total,
1770 9. Nossa Senhora dos Prazeres de
com uma diferença núnima (20 no Leste e 19 no Sul). Ora, no século XVIll, a
1tapetioinga, atual ltapetinioga ..... São Paulo Regiao Sul assistiu à criação de apenas 20 novas vilas, isto é, bem menos da metade
1770 lO. Paraltioga, atual São Luis do Paraitioga São Paulo
1771 II. do total registrado no Leste, que foi de 48. Demonstra tal circnnstância aquilo que
Santo Antonio das Minas de Apial,
atualApia! . a Históriajá constatou: deslocara-se para o Leste brasileiro o eixo econónúco, social
São Paulo
1771 12. Vila Nova de São Luis de Guaratuba. e demográfico da então Colônia, graças ao ciclo do ouro e das pedras preciosas,
atual Guaratuba . . . . .. .... Paraná tornando-se a cidade do Rio de Janeiro, em virtude de contingências inevitáveis, o
1774 13. Lajes. . . . . . . . . . . . . . . . . . centro da vida colonial, em detrimento da cidade do Salvador. "NenhlUna atividade
Santa Catarina
1785 14. Cunha . SãoPanlo econónúca teve maior int1uência na criação e uo desenvolvimento das cidades do
1788 15. Nossa Senhora da Piedade de Lorena,
interior e, portanto, oa produção do fenômeno urbano - observa, com razão,
atualLorena . São Paulo
1797 FERNANDO DE AZEVEDO - do que a indústria núncradora, não só na região
16. São Carlos. atual Campinas. . . . . . São Paulo
1797 17. das "minas gerais", como, pelas suas repercussões, sobre o centro comercial e
Porto Feliz . São Paulo
1797 18. Nova Bragança, atual Bragança Paulista . politico que deslocou para o Rio de Janeiro e contribniu para desenvolver e
São Paulo
1797 19. Antollina difercnciar, no sentido urbano"27.
Paranií
1798 20. Castro . Paraná A posição relativamente fraca da Região Sul nessa obra de urbanização (o
que, sob certos aspectos, deve ser considerado um indice de dccadência) pode ser
REGIÃO CENTRO-OESTE
facihnente explicada: não possuía ela, no setecentismo, nenhuma riqueza econômi­ 1:1
i!
1727 1. Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá,
ca que justificasse a manutenção do ritmo anterior de seu crescimento demográfico
atualCuiabá . Mato Grosso
1736 2. e urbano e, muito lllCnos, que pudesse se ombrear eom a pujança da Região Leste;
Vila Boa,atualGoiás . Goiás
"

'I
1752 3. Vila bela da Santlssima Trindade do além disso. o povoamento de largo trecho do Leste e do Centro-Oeste foi realizado
Mato Grosso, atual Mato Grosso .... Mato Grasso graças aos elementos humanos partidos de São Panlo, através das sueessivas levas
1778 4. Vila Maria do ParJguai, atual Cãceres . que deixaram o planalto, a partir de fins do século xvn, em busca do ouro e das
1780 5. São Pedro dei Rei, atual Poconé ....
Mato Grosso
I
Mato Grosso pedras. São Panlo setecentista enfraqueceu-se em beneficio das novas áreas abertas
I
ao povoamento, dando-lhes preciosa parcela de suas energias vitais - os homens
Se confrontannos esta longa, talvez cansativa mas impressionante relação moços e maduros do Bandeirismo; sua obra urbanizadora fez-se sentir não apenas
com a refcrente ao século XVII, alguns fatos ressallarão sem demora. Em primeiro dentro das fronteiras de sen atual território, mas no vasto âmbito da então Capitania.
lugar, a urbanização do Centro-Oeste, ausente em todo o seiscentismo, e, dentro isto é, em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso. Paraná e Santa Catarina, onde 2S
dessa região, a posição destacada de Mato Grosso, com suas 4 vilas. Além disso,
impressiona sem nenhuma dúvida a transformação verificada em relação à RegiOo '27 AZEVEDO (Pcrnll1ldo de), obrll cil.. JlÍl&.69.

-46-
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d
Terra LiVre /0
Geografia, Espaço &. Memória Geografia. t..fl'aço &. Memória Terra Livre /0

novas vilas foram criadas no século XVIII.

i ri
Os maiores Centros Urhanos dn Século XVIII
Do total das vilas criadas 00 deconer do setecentismo, somente o atual
território da Bahia foi aquinhoado com 27, o que equivale a quase 23% do total.
Minas Gerais recebeu 14, São Paulo e o Ceará passaram a contar com 13, cada um, Quando se procura verificar quais teriam sido os mais importantes centros
Iv
II
e o Parãe o Amazonas com 8, cada um Em contraposição, choca-nos a fraqu[ssima urbanos do Brasil setecentista, torna-se indispensável fazer uma distinção pre­
nrbanização de Pernambuco: uma só vila - a do Recife, no decurso de todo um liminar: examinar separadamente as duas metades do século XVIll, tamanhas e tão
século, fato realmente impressionante para o qual não conseguimos encontrar profundas foram as alterações ocasionadas pelo ciclo da mineração.
IJ
explicação satisfatória (mesmo levando em conta o caráter anti-urbano dos enge­
nhos de açúcar), mormente se verificarmos o que se registrou no Ceará e, em escala
Na primeira metade do século, a cidade do Salvador continuava a brilhar i
sem competidor; seguodo ROCHA PITIA, que publicou a "História da América
menor, nos demais atuais Estados do Nordeste Oriental.
Portuguesa" em 1730, sua população seria de 28.000 hab., sendo ainda, incontes­
tavelmente, a verdadeira metrópole do Brasil de então. De acordo com os dados do
citado historiador coévo, seguir-se-Ihe-iam: a cidade do Rio de Janeiro, com 10.000
hab.; a vila do Recife, com 7.000; a cidade de BeUm do Pará, com 4.000; as cidades
de SOo Luiz e de Olinda, como também a vila de Santos, todas com população entre
2.000 e 3.000 hab. São Paulo não aparece nesta relação; depauperada pelo êxodo
de seus filhos, era aquela cidade "formosa, mas sem dote" a que se referiu GOMES
FREIRE DE ANDRADE, pela mesma época.
I
ii
Na segunda metade do setecentismo, a cidade do Salvador veio encontrar
no Rio de Janeiro sua grande rival, não tendo podido evitar a "capitis diminutio"
que significou a transferência da capital da Colônia, levada a efeito em 1763. I,
Todavia, ao findar o século, talvez ainda a sobrepujasse, com cerca de 50.000 hab.,
I
I"
ao passo que o Rio de Janeiro teria pouco mais de 40.000. Ao lado dessas duas
, cidades rivais - que eram, sem sombra de dúvida, as "cabeças" do Brasil
• setecentista -, outros aglomerados ocupavam posição de relativo destaque: Vila
iii
'I:,
,
Rica, que teria chegado a abrigar 30.000 hab. no período áureo da mineração,
embora estivesse a moner lentamente, ao findar o século; Cuiabã, Soo Luiz do
Maranhao e Belém do Pará, todos com mais de 10.000 babo A essa relação talvez
:
1.1'
1.1
--L[<lEDA __ ,

pudéssemos acrescentar alguns antros centros urbanos: Recife, Olinda, SOo JoOo

Ih
• c . ..-.

"'" ,,- ..- .


Dei Rei, Mariana, SOo Paulo, Desterro. A capital paulista continuava a ser, apenas,

I
WiiliI-'.' c-* ....
  _ -. __.. , "formosa, mas sem dote.....28
1:::<::GóJ- _ .._.(


-._ .• _ ....... c_

De todos esses centros urbanos, no século que vimos focalizando, tomare­


i:'
,
---  .....  ......
,

li _ _ mos dois exemplos bem diferentes, que nos parecem simbólicos, representando
o ... , _ __ ..

cada qual um tipo de evolução, tuna estrutura orgãnica c funções diversas, que
'"' acabaram por se refletir nos seus próprios destinos. t
I
Rio de Janeiro slmbolizava a cidade-porto, que crescera paulatinamente I
Povoamento e urbanização do Brasil. no século XVIII desde os dias longínquos de Men de Sá, no século XVI, quando não tinha mais de
150 habitantes brancos e se enearapitava no morro do Caslelo. Conquistou, depois,
i!
Comparados com o século anterior, o povoamento e a urbaniza­ pouco a pouco, a planicie sedimentar circunvizinha c começou a expandir-se no
ção apresentaram notáveis diferenças no setecentismo. Prosseguiu
em ritmo acelerado a conquista da Amazônia e do Planalto Brasileiro.
multiplicando-se as vilas através de ambas essas grandes regiões. 28 JOHN MAWE, vijnnte ing!E" que nos visitou por volta de 1810, I'Ipresentll 011 seguintes dlldos referente.. à
A orla litorânea perdeu o privilégio de ser a principal área de ur popu\açio dos principais centrM urbMOS: Rio deJaneiro- 100.000 hab.; SalvAdor-10JUO; Cuibá - 30.000;
banização do país. Sio L\lís- 20.000; VilA Rica-20.000; SioPflulo-15 1120.000; Bc1tm -10.000; Sio Joio dclRei - 5.000
(cC. Viagtn.l' ao inluior do Ora.Til, ed. Ztlio VlIlvcrdc, Rio, 1944).

-48-
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li
Terra Livre 10
Geografia, Espaço &. Memórja
Terra Uvre 10 Geografia, Espaço &. Memória

,,-

:
para aquela população de adveutlcios; e o ouro corria a granel, nas mãos de
rumo de oeste, exatamente onde podia encontrar espaços livres, por entre a morraria
habitantes livres, nas transações feitas pelos escravos, nas mãos de habitantes livres,
do Maciço Carioca. O sculo XVIII foi-lhe decisivo: viu erguer-se o Pall!cio dos
uas transações feitas pelos escravos, uas jóias e na indumentãria, nas imagens e no
Governadores e o beUssimo aqueduto que ainda hoje podemos admirar; multipli­ revestimento interno das igrejas. Foi somente na segunda metade do sculo XVIII I
caram-se os seus chafarizes, arrasousc o morro das Mangueiras, aterraram-se as que Vila Rica passou a apresentar o aspecto que ainda hoje oferece e que faz dela
lagoas da Pavuna e do Boqueirão, àbriram-se novas ruas e o Passeio Público foi uma verdadeira reUquia naciooal;'ergueu-se o novo Palácio empedra argamassada, i'
entregue ao uso e gozo da população. A partir de junho de 1763, tornou-se a construíram-se as principais pontes e chafarizes, como também algumas de suas
residência dos Vice-Reis e passou a ser capital brasileira. "No centro, onde as ruas
I
mais famosas igrejas (do Carmo, de São Francisco de Assis, do Rosl!rio). Mas todo
continuavam ainda muito estreitas - o que não era de todo desaconselhãvel num esse frenesi teve pouca duração, porque não tardou chegasse a decadência da
clima tropical-jl! as construções se faziammelhores,mais sólidas, mais acabadas; mineração; na boca dos insatisfeitos, ao tempo de Tiradentes, seu nome foi alterado
c nos bairros, embora as casas trafssem certo grau de rusticidade, muitas vezes com para o de Vila Pobre ... Em menos de 50 anos havia atingido a população que o Rio
telhado de palha, amiudavam-se as chãcaras e vivendas ajardinadas; onde se de Janeiro levara dois sculos para alcançar. Em compensação, em menos de 100 II
buscavam, pelo menos nos domingos e feriados, vida mais desafogada e ar mais anos de existência passara do nada ao zénite e deste à decadência, que os anos I i
. !!
livre"Z9. Ao lado das casas tmeas (que eram as mais comuns), multiplicavam-se posteriores só vieram acentuar; ao passo que o Rio de Janeiro prosseguiu lenta mas II, .
os sobrados de um e dois andares, com balcões de frente e água furtada. Por suas seguramente em sua marcha ascencional. Diferentes quanto à situação geográfica,

I
ruas andavam as "traquitauas" (de duas rodas), as "seges" (4 rodas), "cadeirinhas", no que diz respeito ao sítio urbano (Rio de Janeiro fixando-se na planicie, a evitar

I
"serpentinas" e "palanquins". Os fidalgos usavam o chapu armado, a rabona de os mOlTOS; Vila Rica a corcovear por sobre o atonnentado relevo do local em que
veludo e sapatos que ostentavam fivelas de ouro ou prata, ao mesmo tempo que se plautou), como diferentes em sua evolução, em suas fuuções, em seus próprios
exibiam diamantes e topázios no laço das jarreteiras30. As impressões dos poucos destiuos33. I"
••
viajantes estrangeiros que visitaram o Rio de janeiro, no scul0 XVIII, de que I
I
TAUNAY nos deu uma súmula preciosa3l, e a reconstituiu algo imaginosa feila
por LUIS EDMUND032 habilitam-nos a fazer uma idéia mais ou menos fiel do que
seria a capital brasileira de então - cheia dos mais inesperados contrastes, principal V I'"
1.':1
centro político-administrativo e escoadouro das riquezas procedentes de Minas
NO CREPÚSCULO DO PERÍODO COLONIAL
Gerais.
!;
Vila Rica simbolizava, pela mesma época, outro tipo inteiramente diferente .

de aglomerado urbano. Situada cm plcno Planalto Atlãntico, nas terras altas de


As Cidades da Primeira Vintena do Século XIX

i11
Minas Gerais, a uns 300 km do oceano (vencidos em lougas e penosas jornadas),
era uma jovem perante os 200 e tantos anos do Rio de Janeiro: não fora o resnltado
de uma fundação deliberada, como a cidade de Estácio de Sá; surgira espontanea­ Nos primeiros 22 anos do século XIX, que podemos cousiderar a derradeira
mente,no limiar do próprio s6cnlo XVIII, como resultado da aglutinação de arraiais etapa do perlodo colonial, fez-se mais, uo que coucerne à urbanização, do que em I

demineradores, enlonquecidos pela ânsia de extrair o ouro do cascalho flnvial. Dois todo o século XVII: duas novas cidades e 44 vilas novas surgiram no panorama I

1
desses arraias acabaram por constituir as bases do aglomerado, transformado em urbano do Brasil. As duas novas cidades, que vieram totalizar o oúmero de 12,
vila no ano de 1711 - o de Ouro Preto e o de Antonio Dias, "naqnele tempo situavam-se na Região Centro-Oeste e foram ambas elevadas a essa categoria uo
I:
separados por meia 16gua de mataria brava", rivais pelos que lhes deram origem e ano de 1818, época em que o nossO pais jl! ostentava o título do Reino, unido e
"
i,I!
pelos que, mais tarde, passaram a viver neles. Gente de toda esp6cie, fidalgos e Portugal e aos Algarves:
aventureiros do pior quilate, entulhavam a vila recém-criada, pequenina demais I. Cuiabá, a antiga Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabl!, que
conseguira, por sua situação geográfica, ofuscar a própria capital da "
,

29 CRULS (GlI5tiO), AptJTincia do Rio de Janeiro (NoUcia histórica e descritiva dIl cidade), vaI. I, pág. 194, Liv.
capitania de Mato Grosso - Vila Bela; 1
José Olímpio, Rio, 1949.
30 cr, CRUlS (Gutio). obra cil., pip. 195, 199 e 200 do vai. I
31 TAUNAY (Afonso de C.), Rio de Janeiro de antanho (Imprn. de villjllntta estrMgeil"OlJ). Comp. Editora 33 A speilo dt Ouro Prtto continua II ocupar uma posição lmpar: BANDEIRA (Manuel), Guio de Ouro Prt/o. ed.
NtlCional. São Paulo. 1942- Serviço do I'lIlrimônio lIil1tórico e Artístico Nflcional, Rio, t 938.
32 EDMUNDO (lufs), O Rio de Jantiro no ttmpo dos Viu-Rei" Impn... Nacional, Rio, 1932.

-51-
-50-
j
Terra Livre lO
Tc/"mUvrclO Geografia, Esparo & Mmória Gografia, Espaço & Memória

2. Goiás, a antiga Vila Boa, capital da capitania de Goiás, surgida como a Repartição Geográfica das Vilas em 1822 r
anterior em conseqüência do Bandeirismo minerador. havia menos de um
século. No que se refere às vilas, forma as seguintes as que passaram a existir na
I\'
Desa maneira, ao encerrar-se o periodo colonial, assim se disUibuiam as última etapa do pcríodo colonial: J
.,

nossas cidades, sob o ponto de vista regional:

r DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADE ATUAL 11


(original e atual)
Cidads
"

I
Região Norte . . . I REGIÃO NORDESTE
Região Nordeste .4 1801 1. São Bernardo das Russas, atuaI Russas Ceará
.4 Vila Nova de São João da Anadia,
i
Região leste . . . 1801 2.
Região Sul ... . 1 ,
atuaIAnawa ................ Alagoas
3. São João do Prlncipe, atoaI Tauá ..... Ceará
Região Centro-Oeste .2 1802
1810 4. Flores do Pajeú, atual Flores . . . . . . . Pernambuco
1811 5. Caxias das AWeias Altas, atuaI Caxias . . Maranhão
1811 6. Cabo de Santo Agostinho, atuaI Cabo . . Pernambuco
Por mais que procuremos encontrar uma explicação para essa repartição
1811 7. Limoeiro .. .. .. .. .. .. .. .. . Pcmambuco
geográfica das cidades brasileiras, não o conseguimos dentro da evolução hist6rica
1811 8. Pau d' Alho, atuaI Paudalho . . . . . ... , Pemambuco
e econômica ou da pr6pria 16giea. Afigura-se-nos profundamente injusta a posição
1811 9. Santo Antão, atua! Vitória de Santo Antão. Pernambuco
do Sul- com seu povoamento antigo e suas quatro dezenas de vilas - colocado 1814 10. Santo Antonio do Jardim, atuaI Jardim. . Ceará
no mesmo pé de igualdade com a Região Norte - com sua população rarefeita e 1815 II. Maceió .. .. .. .. .. .. .. .. .. Alagoas
Porto das Pedras, atuaI Porto de Pedras Alagoas
1815 12.
suas escassas 20 vilas, na maioria simples lugarejos. E a injustiça maior se torna se
1815 13. Vila Real do Brejo da Areia, atua! Areia . . Paralba
atentarmos para o caso do Centro-Oeste, um "deserto" humano como a Amazônia,
1816 14. São Vicente das Lavras,
mas possuidor de duas cidades. O capricho dos governantes ou, quem sabe, atuaI lavras da Mangabeira . . . . . . . . Ceará
circunstâncias eventuais podem explicar a repartição geográfica dessas 12 cidades 1817 IS. Sirnbres . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pernambuco
Pastos Bons ........ Maranbão
brasileiras. 1820 16. . .

1820 17. São Bernardo do Pamalba, li


Cumpre assiualar que a vila de Porto Alegre foi elevada à categoria de eidade Maranhão
atual So Bernardo ....
I
. .

uo ano de 1822, mas já sob o Império. Aliás, percehe-se que nossa emancipação I
REGIÃO LESTE
,

politiea abriu excelente oportunidade para a ereção de novas cidades, dentro de uma I

Rio de Janeiro
compreeusivel politica de fortalecimento da uuidade nacional ou no desejo de sanar 1801 1. Resende .
2. Vila Nova do Conde, atuaI Conde Babia
algumas injustiças. Basta lembrar que, no ano de 1823, passaram a essa eategoria 1806
3. Vila Nova do Prlncipe, atuaI Caetité Babia
nada meuos de 6 vilas, todas capitais de Provincias: Ouro Preto (a autiga Vila Rica), 1810
4. Pilão Arcado . Babia
1810
Recife, uatal, Desterro (atuaI Florian6polis), . Fortaleza e São Cristovão (então
1811 5. São Joo do Prlncipe,
capital de Sergipe), modifieando de algum modo aquela repartição geográfica, que depois São João Marcos Rio de Janeiro
6. Boipeba, atuaI Nilo Peçanha . Babia
passou a ser a seguinte (em 1823): 1811
Rio de Janeiro
II
1813 7. São João de Macaé, atuaI Macaé . . . . .
Rio de Janeiro
Cidades
1814 8. So Pedro do CantagaIo, atua! CantagaIo .
Rio de Janeiro
i
9. Santa Maria de Maricã, atuaI Maricá .
1814
10. São Carlos do Jacui, atuaI Jacui . Minas Gerais "1
Região Norte . . . I 1814
1814 II, Sta.Maria de Baepenili, atual Baepenili ., Minas Gerais
Região Nordeste .7 EspUito Santo
1815 12. Itapemirim .
Região Leste . . .6
1818 13. São Francisco Xavier do Itagual,
Região Sul ... . 3 atuaIllaguaí . Rio de Janeiro
Região Centro-Oeste .2
1819 14. Vila Real da Praia Grande, atua! Niter6i .. Rio de Janeiro

-52- -53-
1'trra Uvrt 10
Gtografia, Espaço & Memória
TernJ Livre JO Geografia, Espo{o & Memória

No instante em que o Brasil passava a figurar entre as nações livres, com a


DATAS DENOMINAÇÕES UNIDADEATUAL
(original c aluai)
instalação do Império, existiam no pais 213 vilas, que assim se repartiam:
1820 15. Campo Largo, atua! Cotegipe Bahia
Vilas
1820 16. NovaFribnrgo Rio de Janeiro
1820 17. Patido A1feres . Rio de Janeiro Região Norte .. 20

REGIÃO SUL
Região Nordeste
Região Leste ..
54
85
IJI
::.

Região Sul 47
1806 1. Vila Nova do Prlncipe, atua! Lapa . . . . Paraná
Região Centro-Oeste .7
1806 2. Vila Bela da Princesa, atual llhabela . . . São Paulo
1808 3. PortoAlegre ................ Rio Grande do Sul ,

Ao contrãrio do que se dava em relação às cidades, parece-uos perfeitamente I


1809 4. Santo Antonio da Patrulha . . . . . . . . Rio Grande do Sul
1812
1816
5.
6.
Rio Pardo . . . . . . . . . . . . . . . . .
São Miguel das Areias, atna! Areias . . .
Rio Grande do Sul
São Paulo
razoável essa repartição geográfica das vilas, face à evolução do povoamento e da
economia regiooais, salvo quanto à Região Norte. Em 1822, a Bahia aparecia como
I I,
1817 7. São Luís da Leal Bragança,
atual São Luis Goozaga. . . . . . . . . Rio Grande do Snl
a província mais urbanizada, com suas 40 vilas, isto é, mais de 18% do tota! do pais. II
,

Em segundo lugar, destacava.se Sao Paulo, considerado em seus atuais limites I


1819 8. São João da Cachoelm,
atua! Cachoeira do Sul . . . . Rio Grande do Sul
político-admioistrativos, com 31 vilas. Seguiam-se-lhes mais outras cioco provín­ I
cias, se bem que sensivelmeute distanciadas daquelas duas primeiras: Ceará, com I
...

18; Rio de Janeiro, com 17; Minas Gerais, com 16; Pará, com 11; e Pernambuco,
REGIÃO CBNTRO-QESTE:
com 10.
1814 1. São João da Palma, atual Paranã . . . . Goiás De acordo com AIRES DE CASAL, bcm maior seria o total das vilas
1820 2. Nossa Senhora da Conceição do Alto brasileiras cm 1817, ano em que concluiu sua famosa Corografía Brasflica;
Paraguai Diamantino, atua! Diamantino Mato Grosso
alcançaria 258, assim distribuidas34:
V'ú,,(1817)

Região Norte . . 57
Região Nordeste 68
Região Leste .. 87
Bastaote significativa, parece-oos, tal relação. Note-se, aotes de tudo, a
Região Sul 42 I"
ausência da Regiao Norte, o que coofirma o artificialismo (ou amallcia) da política
,

urbaoizadora registrada no século anterior, que elevou à categoria de vilas quase Região Centro.Oeste .4 i",
,

uma vintena de povoados insignificantcs, que positivamente Dão mcreciam receber I

tal honraria. Por outro lado, fere oossa atenção o absoluto equillbrio entre oNardes/e Acreditamos, porém, qne o chamado "pai da Geografia brasileira" haja :1;
usado de maneira indevida, por diversas vezes, o termo "vila", ao designar inúmeros
e o Les/e, ao contrário do que aconteceu no setecentismo, demonstrando a ocupação
efetiva da ma sertaneja da primeira dessas região; Pernambuco aparece, afina!,
numa posição de destaque (com 6 novas vilas), da mesma maoeira que, no Leste,
povoados, sobretudo quando estudou a regiãn amazónica. Dai a discordãncia entre
as suas cifras e as nossas, resullantes estas últimas de demorada e cansativa coleta
.j
o atual Estado do Rio de Janeiro viu-se aquinhoado com 9 vilas novas, patenteando em fontes autorizadas e as mais diferentes.
sua importância demográfica e económica, que o ciclo do café ainda mais acentuou
nos anos que se seguimm. Minas Gerais, vindo a ter apenas 2 novas vilas, refletia
o marasmo e a decadência económica em que mergulhara após o fasUgio da
mineração. Na Regi/Jo Sul, São Paulo não apreseotava nenhum destaqne (2 vilas
nova.), ao passo que o Rio Grande do Sul assistiu a uma verdadeira floração urbana,
I
pois passou a contar com 5 novas vilas, quando no século anterior possuIa apenas
uma. Já o Centro.Oeste, com sua população rarefeita e economicamente decadeote, 34 cc. CASAL (pl\dre MAnuel Airtll de), Ccrografia Brasflica ou ReIaç40 /Jistóricc.Gtogrójica do Rdno do Brasil
em virtude do rápido esgotamento da riqueza aurifera, somente viu acrescentarem­ (1817), ed. C\lilufll, SÃO Pl\uio, 1943.

se-lhe duas novas vilas - uma em Goiás, outra em Mato Grosso.

-55-
-54-
I
Terra Livre /0 Geografia, Espaço &. Memória
Gcof,rafi<l, Esporo & Memória Terra Livre 10

I Os maiores Centros urbanos Quandu f


I
I o Urasil se tornou Império

I
N

Se procurarmos reunir os dados esparsos referentes à população e os in­ 

r
fonnes dos viajantes que visitaram o Brasil nas dnas primeiras déeadas do século
s
XIX, estaremos habilitados a ter uma idéia de quais seriam os mais importantes
centros urbanos de nosso pais no momento em que se transformou em Império.
Não resta duvida que os dados numéricos fornecidos pelos viajantes se contra­
riam quase sempre, embora houvessem eles pereonido o Brasil na mesma época ou
, .
com uma pequena diferença de tempo. Basta que citemos uns puueos exemplos:

Viajantes Salvador Rio de Janeiro São Luís Vila Rica



A MARCHA 00 •
POVOAMENTO E A J. M.wc (t8to) 70.000 toO.OOO 20.000 20.000
,

URBANIZAC:.l'iO
H. Kostcr (1816) - - 12.000 -

Spix c Martins (1820) 150.000 1 to.OOO 30.000 8.500
I'
--EE"OA-_

. ,-
o ._
J. Luccock (1818) - 60.000 - 20.000 lil
..... _-_.


""""'-- •._ ..-
_._ ..
o E. Pohl (1821) - 82.000 - -
'.l
"
t2ZI _ _. ,_.
,

rI-
..... _._ ....... &

- -

Todavia, se lentarmos obter um meio-termo dentro do antagonismo dos


------

•••
dados, poderemos chegar a certas conclusões que, supomos, aproximar-se-ão da
realidade.
I

Rio de Janeiro c Salvador continuavam a ser, sem nenhuma dúvida, as duas


Povoamento e urbanização do Brasil ao proclamar-se a independêm:ia
mais populosas e importantes cidades brasileiras girandn sna população em torno
Quando o Brasil se tornQu Império, em 1822, apenas 12 eram os de 100.000 hab. No entanto, ao passo qne a antiga eapital como que estagnara, o
aglomerados urbanos que ostentavam o titulo de cidades: Belém, Rio de Janeiro continuava a progredir e a expandir-se, usufruindo das excepcionais I,
São Luis, Oeiras, Paraiba (atual João Pessoa), Olinda, Salvador, ;\la..
riana, Cabo Frio, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Cuiabâ. vantagens recebidas desde a chegada da fanúlia real portnguesa, em 1808.
'I
Em segnida, é provável que viesse o grupo que poderemos classificar como
aglomerados médios, com uma popnlação entre 30.000 e 10.00 hab.: seria o easo :1
I
de algumas cidades - enmo Cuiabá, São Paulo, São Luis, Belém e Oeiras, e de I;

algumas vilas - como Recife, Vila Rica e Parla Alegre.


Fora dessas, com população inferior a 10.000 hab. e superior a 5.000, talvez I
aparecessem: a vila de Cachoeira, na Bahia; a cidade de Mariana, as vilas de São
João Dei Rei e Sabará e a povoação de Santo Antonio do Tijuco (alnaIDiamantina),
tndas em Minas Gerais; a gloriosa cidade de Olinda, em Pernambuco.
I'
Salvo Rio de Janeiro e Salvador, tais centros urbanos não mereciam real­
"
mente a classificação como cidades, no sentido rigoroso e moderno da palavra; eram
simples vilas, quando muito vilas grandes pitoreseas, e espregniçando-se, na
periferia, nos seus ranchos e caminhos de tropas, nas suas chácaras c sítios que
marcam a transição entre a paisagem urbana e a snlidào envolvente dos campos,

-56-
-57-
Terra Li'rt 10 Geogra/ia, E.\paço &. Memória Terra Lju 10
Geografia, Espaço &. Memória
I':
,
das chapadas ou das serras. A vida urbana. sonolenta e obscura, chocada no estraugeiro. Escrevendo em 1576, iuformava GANDAVO que os Douatários "edi­
funcinnalismo burocrático e parasitário e num cnmrcio "desconfiado e ralinhão", ficaram suas povoaçoens, ao lougo da costa nos logares mais convenientes e
arrasta-se na monotnnia das ruas e das estradas, cujo silêncio é apenas quebrado de accomodados que lhes pareceo para a viveuda dos moradores", e esclarecia que
Iodas elas, naquela segunda metade do quinhentismo, eram "já muy povoadas de
i\
longe em longe pelo chiar de carros de bois, pelo tropel de cavalos e burros de carga
e pelas cantigas de africanos e de trapeiras. É toda primitiva, na sua simplicidade gente, e nas partes mais importantes guarnecidas de muita e muy groça artilharia
nística, a vida dessas cidades: negras lavando roupas nas bicas do centro, muares que as defende e as segura dos inimigos assi da parte do mar como da terra,,37.
de cangalhas, junto às lojas, e animais soltos pelas ruas, tortuosas e estreitas"...35 Dai o aparecimento de verdadeiras cidades em acrópole, como Rio de
Para uma simples comparação, parece-nos interessaute aliuhar a provável janeiro, Salvador ou a própria vila de São Paulo. Sob este aspecto, o Rio de Janeiro
população de algumas cidades do Mundo ua década de 1820-3()l6. quinhentista talvez po.ssa ser considerado o melhor exemplo, pois se limitava
Londres . . 1.400.000 praticmnente ao morro de São J anuário ou do Castelo, baluarte natural que se erguia
I
Paris. . .. ... . . . . . . . . 800.000 bcm próximo ao mar e estava circundado por terrenos alagadiços, lagoas e I
Viena . .. . . . . 300.000 manguezais. Por sua vez, a vila de São Paulo pemoaneceu por longos anos cnclau­
Moscou 250.000 surada num esporão alongado, pequena colina cujo extremo cai abruptamente por
Lisboa. . . . . 245.000 sobre a várzea inundável do Tmnanduatel ( o atual Parque Dom Pedro II) e cuja I
,

Berlim. . . 240.000 verteu te meridional, tambm escarpada, achava-se voltada para o vale do A­
Nova York
Filadélfia
Roma . . .
. . 200.000
160.000
150.000
nhangabaú, local privilegiado sob o ponto de vista defeusivo, cujo valor foi bem
demoustrado por ocasião do ataque dos Tmnoios, emmeados dos sculo XVI. Tanto [
para um como para outro dos exemplos citados aplicam-se, inteirameute, estas
Porto ... . . . 65.000 palavras de CHABOT:
II
Buenos Aires . . . . . 60.000 I ,

Seria esse o panorama urbano do Brasil no momento cm que se libertou do "Les hommes étaient un eunemi aussi redoutable que Ics eaux.

domnio português: 12 cidades e 213 vilas, fortemente conccntrdda na Região Leste,


onde indubitavelmente se situava o "coração" do país, num amplo triângulo isósceles,
La butte, qui preservaít des marécages et de I'inoudation, étaít en
même temps un lieu de dUense, facile a fortifier"38.
I
cujo vrtices poderiam ser representados por Salvadnr, Rio de Janeiro e Vila Rica.
Aquela mesma necessidade de defesa explica, por outro lado, o aparecimen­
to de núcleos urbanos fortificados, algo que nos leva em pensamento às cidades.
fortalezas da Europa medieval ou, quem sabe, aos velhos "castros" ou "citânias" da
VI primitiva Lusitânia. Todavia, o que se conheceu no Brasil quinheutista não passava
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS AGLOMERADOS COLONIAIS de rústicas e modestíssimas defesas, que espelhavam o meio em que formn cons.
truldas, simples paliçadas ou frágeis muros de taipa, cujo valor talvez fosse mais
Os Centros Urbanos Coloniais e o Fator Estratégico.Militar psicológico do que real, por detrás dos quais podimn se abrigar a população civil e
os seus defensores, sempre que algum perigo us ameaçava. Salvador, Rio de Janeiro
Uma vez estudada a repartição geográfica dos núcleos urbanos do Brasil e São Paulo, uo século XVI, e São Luis do Maranhão, uo século XVII, couheceram

colonial, atravs dos escassos recursos de que pudemos dispor, tentaremos eXanll­ tais sistemas de defesa, que figuram cm plantas covas.

nar outros caracteristicos desses aglomeràdos, focalizando-os sempre à luz da Além disso, cm face das constmltes ameaças que pesavmn sobre a América
Geografia Urbana. portuguesa, viu-se obrigada a metrópole a estabelecer uma verdadeira rede de
As vilas e cidades do século XVI, além de seu contato com o mar e sua forrificações, que dermn nascimento a iuúmeros aglomerados urbanos ou cons­
natural pequenez, refletiam em seus sitias urbanos uma grave preocupação: a defesa titulmn uma garantia para sua sobrevivêucia. O fato se registrou ao longo de toda a
contra os ataques de inimigos, que poderiam ser os Indios, mas tambm o invasor imensa fachada atl:!ntica, bastando criar alguus exemplos: Rio Grande, Bertioga,

3S AZEVEDO (Fernando de), obra cit., pág. 72. 37 GANDAVO (peco de Magalhães), His/Ória da l'rovfnda de Santa Cruz. pAg. 69, Comp. Mdhoramento, São
36 Cc. URCUILU (D.Iosé de), TrataJoElementar de GeografiaAstrondmka, Ftsica. Histdrica ou Polltica,AlI1iga Pllulo,I91'l.
e Moderna, 3 voLs., Tip. Comercial Portuense, Porto, 1831-41. 38 CI lADOT (George.!), Le.! Villes, pág. 100.

-58- -59- I
II
I
Terra Livu 10 Geografia, Espaço &; Memória Terra Livu 10
Geografia, Espaço &; Memória

r!\1
Rio de Jaoeiro, Salvador, São Cristóvão, Recife, Paraiba (João Pessoa), Cabcdelo, Os Aglomerados Colnniais e seu Plano Urhano
Natal, Fortaleza, São Luís. Estendeu-se à Amazônia, onde Belém foi fundada à
sombra do Forte do Presépio c, cm cujo interior, mais tarde, multiplicaram-se os
lugares fortificados às margens do grande rio e de alguns de seus maiores aOuentes, Ainda está para ser feito um estudo analitico c circunstanciado da estrutura
como Santarém, Óbidos e Manaus. E atingiu as próprias lindes da colônia, quer em de nossas cidades coloniais e, de maneira particular, as caraeteristicas de seu plano. LI
i.'1
áreas de simples fronteiras "esboçadas", como as norte-ocidentais (com os fortes Tudo parece indicar que os aglomerados "criados", que resultaram de um
;-1

de Marabitanas, São Gabriel, Tabatinga, Prfncipe da Beira, Vila Bela), quer cm propósito deliberado das autoridades coloniais obedeciam, em suas origens, a um
1,1
áreas de fronteiras "vivas" 00 de "tensão", como as da Bacia do Prata, em terras plano regular e geométrico, se bem que adaptado às características topográficas.
matogrossenses (Albuqnerqne, atual Corumbâ) c cm terras sul-riograndeses Sem demora, porém, deixava-se de lado essa preocupação urbanfstica c a expansão
(Acampamento de Santa Maria, hoje Santa Maria). passava a se realizar de maneira espontãnea, sem obedecer a nenhuma diretriz, daf
resultando a irregularidade no traçado das ruas, tortuosas quase sempre. O caso da
Ir-'_

I
cidade do Salvador parece-nos bem expressivo, pois uma planta datada do século
XVIII (c que ROBERTO SIMONSEN incluiu cm sua "História Econômiea do
o Papel dos Cursos d'água e das "ias Terrestres Brasil", tomo II) mostra claramente que o centro primitivo, na "Cidade Alta", era
regular e as ruas cortavam-se cm ângulo reta, constituindo um verdadeiro tabuleiro

'I
de xadrez, bem ao contrário do que se passava no resto da cidade. Por outro lado,
À proporção que se processava o avanço do povoamento para o interior, na
Ii conquista do Planalto Brasileiro, outra preocupação tornoo-se patente na escolha
dos sitias urbanos: a presença da água e a facilidade de comunicaraes, isto é, dois
referindo-se ao Recife holandês, à Cidade Maurícia, observa JOSUÉ DE CASTRO:
"O que, desde logo, chama atenção no plano é a sua precisão geométrica. De fonna
I elementos vitais para a existência e a sobrevivência dos aglomerados. retangular, como o plano de Batávia, ele é igualmente cortado cm quase toda a sua I,
!
,.

extensão por um largo canal, que, partindo das proximidades do Forte Frederico
No Brasil colonial, raro era o núcleo urbano que não se achava associado a
Henrique, alcança na ilha um ponto correspondente à atual igreja do Rosário"39; c
um curso d'âgna, grande, médio ou pequeno. E muitas foram as ea,usas dessa
acrescenta mais além que as linhas de orientação das pontes marcavam a direção
preferéncia: o fornecimento de água para o uso doméstico, a facilidade de obtenção
da expansão da cidade "e, quando depois, com a expulsão dos holandeses, o plano
de alimento através da pesca, as vantagens oferecidas no que se refere aos contactos
nassoviano foi abandonado e voltou-se ao desarranjo e ao à vontade de crescimento
regionais c, no caso especifico das áreas de mineração, a presença de ouro e de
à portuguesa, ficou sempre uma diretriz nesse crescimento, do qual resultou ser o
pedras preciosas no cascalho dos leitos Ouviais. Tudo isso não significa, porém, qne
Recife ainda hoje uma cidade de disposição radioconcêntrica, como a planejaram
hajam sido muito numerosos os verdadeiros aglomerados fluviais, isto é, aqueles
I que têm sua vida presidida pelos rios a que se acham ligados; os mais Upicos
tornar no futuro os grandes urbanistas dos Paises Baixos"40.
exemplos só aparecem na Amazônia, no vale do São Francisco e na bacia do Alto Todavia, o mesmo já não podemos observar cm relação à cidade do Rio de

Paraguai, onde vieram a surgir às margens dos cursos d'água, como se fossem as Janeiro, mesmo se levarmos em consideração apenas o trecho desenvolvido na jji

planfcie, ao pé do morro do Castelo; os quarteirões eram desiguais e as nem sempre

ii
contas de um rosário.
retas. Naturalmente, no que tange aos aglomerados "espontâneos" ou "naturais", a
Para um país tão extenso, como o nosso, com uma população tão rarefeita,
II desde logo se tomou vital o problema da [acilidade das comunicaraes; daí a irregularidade do plaoo e o traçado tortuoso das ruas eonstitufam a regra geral,

l/ localização de aglomerados urbanos nas vias natnrais de passagem e ao longo dos


precários caminhos da era colonial, que as tropas de burros, em penosas c longas
" gerando estruturas inorgânicas como as do núcleo primitivo da cidade de São Paolo.
Visitando o nosso pais por volta de 1850, TOMÁS DAVATZ escreveu que
II
,
caminhadas, sabiam bem aproveitar. Por isso mesmo, os caminhos coloniais cons­ "as cidades brasileiras, conforme pude apreciar, obedecem no traçado das ruas c
titufram a espinha dorsal da rede urbana, quer se dirigissem do fitoral para os sertões praças a um plano regular"41. Acreditamos que o arguto colono suíço da Fazenda
do Nordeste ou para a Chapada Diamantina, quer procurdssem atingir as áreas Ibicaba generalizou uma observação isolada ou um caso esporâdico, pois suas I
'I
mineradoras de Minas Gerais, Goiás on Mato Grosso, quer demandassem as regiões afinnativa contraria a realidade dos fatos, mesmo se admitirmos qoe tivesse cm
meridionais. Foram os pousas de viajantes, cm conseqüência, o tipô mais comum
de embriões de cidades em largo periodo de nossa vida colonial e, até mesmo, ao
39
40
CASTRO (Josu de). A cidade do Rui/t, plig. 123.
CASTRO (Iosu de). obra cit.. pÍl&. 1'27. !
tempo do Império, o que lhes valeu o fugar de destaque que ocupam no relato da
maioria dos viajantcs estrangeiros do século XIX.
41 DAVA1'Z(fom;..,).Mtmóriasdt um colono no Brasil. pÍl&. 56. traduçiíobrMileirllde Sir&io DUArque deHolllndll.
Liv. Mr.rtins, Siío Pllulo. 1941.  ;1
II
"
,

-60- -61-
"

Terra Uvre 10

-1
1àra Uvre lO Geografia, Espaço & Memória Geografia, Espaço &: Memória

mente algum aglomerado de fundaçao moderna, cujas origens n<1o remontassem ao As Funções Urbanas dos
período eoloníal. Aglomerados Coloniais
Coube a SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA demonstrar, de maneíra
\
muito exata, as diferenças existentes, no qoe se referc ao plano, entre os centros Como acontece ainda boje quando apanhamos um exemplo isolado de centro -
urbanos da América Espanbola e os da América Portugoesa. Nos primeiros, em que urbano do Brasil, assistimos, no período colonial, à mutação de sua prineipalfunção I
um zelo minucioso e previdente prcsidiu seus passos iniciais, o traçado das ruas através do tempo. É o aldeamento de índios, núcleo de catequese, que se transforma '.
denunciava "o esforço determinado dc vencer c retifiear a fantasia eapriebosa da num lugar fortificado e, depois, num pequeno centro dc trocas em espécie e de
paisagem agreste", apresentando.se como "um ato definido da vontade bumana". comércio -caso tão freqüente na AmaZÔnia. É o arraial de Bandeirantes, que chega
Tendo por hase a chamada Praça Maior, quadrilátero cuja largura deveria corres­ a viver dias dc agitação e de efémera riqueza, no borborinho de uma população
ponder pelo menos a dois terços do comprimento, estendia-se de maneira rigorosa­ heterogênea flutuante, para, poucos anos mais tardc, mergulhar em melancólico
mente geométrica o traçado das ruas: as quatro principais saíam do centro de cada marasmo, sobrevivendo não sc sabe bem porqoe motivo ou desapareceodo quase
face da praça, ao mesmo tempo que, de cada ângulo, partiam outras ruas, chegan­ sem deixar vestígios - como acontcceu, tantas vezes, nas áreas da mineração. É o
do-se mesmo ao capricho dc determinar que os quatro ângulos deveriam correspon­ pouso de trapeiras ou de simples viajantes, etapas obrigatórias dos que pereorriam
der aos pontos cardiais42. Desse tipo eram sido as "reduçõcs" jesuitas dos famosos os caminhos colouiais, trausformados depois CJII pequenos centros agrícolas e
sete Povos das Missõcs, construldas no século XVII em terras do atual Rio Grande comerciais - de que existcm excmplos tão cxpressivos, sobretudo ua porção
do Su143; cada uma delas -cscrevcu AIRES DE CASAL- "era uma considerável
ou grande vila, e todas por um mesmo risco com ruas direitas e encruzadas cm
centro-meridioual do país. É o posto militar ou u simples acampamento de tropas,
que passa a ter umcarátcr civil e estável, vindo a tomar.se vila e, depois, cidade­
I
ângnlos retas", "de sorte que, vendo-sc uma, sc forma idéia vcrdadeira das ou­ como se verificou tantas vezes em Mato Grosso ou no Rio Grande do Sul.
tras..44. Entretauto, se quisermos nos limitar aos casos gerais, scm levar cm consi­ 'JI
Nada disso teria ocorrido na América portugucsa ou, se nessc sentido existiu deração tais minudências (que mais interessam ao estudo da evoluçao dos ccntros
urbanos do que, propriamente, às suas funções), poderemos afirmar que não foram
I'
I
,

alguma legislação, tudo parece indicar que não foi obedecida, não passando de letra
morta. Emmeados do século XVI, ao visitar São Vicente e Santos, observou TOMÉ muito numerosas as funções urbanas, no decorrer dos séculos coloniais.
DE SOUSA que estavam "as casas de tal maneira espalhados que sc não podem A função polftico-adminislraliva, a exemplo do que ainda atualmente acon­
cercar senão com muito trabalho e perda dos moradores, porque tem casas de pedra tece, representou quase sempre um papel de destaque na vida, no grau de impor­
e cal e grandes quintais e tudo feito cm desordem" ... Essa mesma desordem foi tância e no destino dos aglomerados urbanos. A cidade do Salvador reinou, sem
notada oa própria capital da ColÔnia, em principias do século XVIlI, por IUTI competidor, no panorama urbano do Brasil colonial, antes de tudo por ser a capital
viajante: as casas da cidade do Salvador achavam-se dispostas segundo o capricho da ColÔnia; no momento CJII que perden tal posição, tevc início a rápida e inintcr­
dos moradores, sendo tudo ali de tal modo irregular que a praça principal, onde se rupta ascensão do Rio de Janeiro, que acabou por sobrcpujá-Ia. Mas a regra teve
erguia o palácio do Governador, parecia estar no local por mero acas04S• muitas exceções, numa demonstração dc que não era suficiente gozar dessa regalia
Depois de acentuar que"o traçado geométrico jamais pode alcançar, entre
para que se mantivessem intatos o prestígio e a importância dos ceutros urbanos.
nós, a importãncia que veio a ter cm terras da coroa de Castela", conclui o cminente
Basta que lembremos o exemplo da vila de São Paulo ofuscando a veneranda São
historiador seu interessantíssimo paralelo com estas palavras:
Vicente, a lauta entre Olinda e Recife, a rivalidade entre Alcântara e São Luis, a
própria decadência de Vila Rica cessado o fastígio da mineração, apesar de
"A cidade que os portugueses construíram na América não é o produto
continuar como sede do govemo.
mcntal, não chega a con\rddizer o quadro da natureza, e sua silhueta se eulaça na
Duas outras funçõcs tiveram, no conjunto das vilas e cidades coloniais.
linha da paísagem. Nenhum rigor, uenhum método, uenhuma providência, sempre
importância bem maior: afunçao comercial c afunçao religiosa. Na verdadc, os
esse significativa ahandono que exprime a palavra desleixo ..... 46.
aglomerados urbanos eram, autes de tudo, o lugar oude se faziam as compras
42 HOLANDA (Sél],io Buarque de), Ral1;t.t do Bra.ril, cap. IV, pilgs. 130-133,21 cd" Liv, 10llé OHmpio, Rio, 1948. indispensáveis ao bem-estar dos habitantes e onde sc realizavam os uegócios, como
43 CC. SI!PP (padre Antônio), SJ .. Viagm d.t }.l;s.r6t.t lesuftico,t t Traba[ho.f Aposldlicas, trllduçio brasileira de A.
também o ponto de concentração da vida religiosa.
Rtymundo Schncider, Liv. Martins, Sio Pllulo, 1943.
44 CASAL (AifCll de), obcacit, tomo I, pAgo 108. Era neles que se cucoutravam os produtos quc viuham da Europa c para clcs
45 C{. HOLANDA (Sérgio Buarque de), abril cit, rAg. 155
lcvavam os agricultorcs c criadores os produtos dc seus sítios c fazeudas. Dai o
46 HOLANDA (Sérgio Duarque de), obra cit, pAgo 157.
movimento de suas "vendas" e de suas modestas lojas. a realização de feiras

-62- -63- 'I


I
Terra Uvre 10
Geografill, .!spaço &. Memória
Terra Uvre /0 Geografia, Espaço &. Memória

As funções de caráter econÔnlÍco da cidade do Rio de Janeiro no último


semanais, a presença de ruas tipicamente comerciais (como aqnela "Rna das
quartel do século XVlII, ao tempo do Vice-Rei D. Luis de Vasconcelos, podem ser
Casinhas", da capitallJanlista, que tanta impressão parece haver deixado no espirita
bem caracterizadas através dos seguintes dados numéricos48: I
de SAINT-HILAlRE). \
Todavia, afora esse atrativo, era a presença da Igreja a grande força catali­ Estabelecimentos
sadora, a cnja inflnência ningném onsava resistir. Principal fator de coesão para os
140
Lojas de fazenda .,
aglomerados nascentes, jamais cesson de constituir um motivo para a presença
98
Casas de conlÍssários
obrigatória não apenas da população urbana, mas também da gente da zona rural 19
Ferragens . .
circnnvizinha, que não titubeava em fazer sacrilicios para assistir ãs missas domi­ 14
Lnuças finas.
nieais e não se furtava ao prazer de tomar parte nas festividades do calendário
católico, oportunidades ansinsamente esperadas numa époea de vida social tão
Vidros ..
la 'I
' .

Livrarias. .
.4 I
restrita. 128
Sapatarias .
Por isso mesmo, talvez possamos generalizar para todo o pais aquele 89
Alfaiatarias
conceito tão exato de JOÃO CAMILO DE OLIVEIRA TORRES, referente aos Barbearias .
48
arraiais mineiros: nas vilas e cidades coloniais, dois lugares havia de snma Cabclereiros .
29
I.
25
importância para a popnlaçãn - "a igreja que era de todos e a venda qne era Boticas . il
para todos"47. Botequins
21 li

1
Nn mais, só nos cabe lembrar a existência de outras fnnções urbanas bem 196
Tabernas.
14
menos importantes qne as citadas. Em primeiro lugar, uma incipiente função Padarias .
industrial, de proporções modestíssimas e de caráter rigorosamente doméstico, Açongues
.13
. 14

sobretudo depois daquele lamentável alvará de 5 de janeiro de 1785, que, sob o
pretexto de dar maior impulso à agricultura e evitar a falta de braços nas atividades
Casas de pasto.
Barracas de quitandeiras
181 I
,

34
da mineração, pôs um ponto final às veleidades de nossa peqnena e nascente Comereiantes de escravos
.5

II
indústria, ao detemlÍnar "que todas as Fábricas, Manufaturadas, ou Teares de Oficinas de relojoeiros
Fábricas de Violas .. .5
Galões, de Tecidos , ou de Bordadns de Ouro e Prata; de Veludos, Brilhantes, Setins,
.6
Tafetás, ou de outra qualqner qualidade de Seda; de Beltudes, Chitas, Bomhaziuas, Casas de alugar seges .

Fustões, on de outra qualquer qualidade de Fazendas de Algodãn, ou de Linho, Casas de alugar carros
.9 ii
10 I,I
Lojas de guarda-chuvas.
branca ou de eores; e de Panos, Baetas, Droguetes, Saetas, on de outra qualquer
qualidade de Tecidos de Lã, ou os ditos Tecidos sejam fabricados de um só dos
Ouriversarias , . ,
68
124
'Ii'i
Bancas de peixe .....
referidos Gêneros, ou misturadns, e tecidos uns com os antros" ... "sejam extintas
Tendas de ferreiro. . . . 21 ':(
e abolidas em qualquer parte onde se acharem nos Mens Dominios do Brasil, .. 2
Estanques de azeite de baleia .
debaixo de pena do perdimento, em trcsdobro, do valor de cada uma das ditas
manufaturas, ou Teares, e das Fazendas, que nelas, ou neles houver". Portugal,
representado pela Rainha Dona Maria I, curvara-se, submisso, ante à indústria de
Por outrn lado, não seria passivei deixar no esquecimento uma também
incipiente funçOo cultural, representada pelos colégios religiosos e, sobretndo a
I
tecidos da Inglaterra ... Por isso mesmo, nossos centros urbanos não possuiammais
partir do setecentismo e exclnsivamente nns centros nrbanos de maior importância
do que olarias, selarias, onrivesarias e, já no século XIX, pequenas forjas do tipo
(como Salvador, Rio de Janeiro, Vila Rica), por aqnelas famosas "academias
,
,

catalão; dessas modestas indústrias, algumas se concentravam em certas ruas das


literárias", cnja existência pode ser considerada um dos sinais da maturidade
cidades e vilas, emprestando-lhes a denonlÍnação (Rna dos Ourives, Rua dos
alcançada pelo Brasil colonial.
Latoeiros, etc.).
48 cc. BARRETO PllJIO (Melo) e UMA (llermcto),JJist6ria J4 Policia do Rio dJc".tiro (1565-1831), pir,. 127, I
47 TORRES (loiío Camilo de Oliveira). O lJomtm  a Montanha (introduçÃO 110 estudo das influências dasituaçio
cd. "A Noite", Rio, 1939. i
geográficaVArI a fonnllÇfto do e"J1lrilo mineiro), pg. 55, Liv. Cultura DrflSileirll, Delo Horizonte, 1944.
I
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Ij
Terra Uvr 10
1"ena Uvu/O Go8ra.fia. Espaço & Mmdria Gografia. Espaço &: Memória

1'1
A Nomenclatura dos Aglomerados Coloniais Além disso, particulannente nn século xvm, surgiram com muita freqüên­
cia as Vilas Novas e as referências a figuras da monarquia lusa - Vilas Novas e as

I
referências a figuras da monarquia lusa - Vila Real, Vila dei Rei, Vila da Rainha,
A poderosa influência da Igreja Católica, tão fortemente radicada em Por­
Vila do Prlncipe, Vila do Infante, Vila da Princesa; a primeira cidade que teve
tugal, não se fez sentir apenas no setor do culto e do ensino, durante apertado
Minas Gerais - Mariana, foi assim chamada em bomenagem à Rainba DonaMaria ':
colonial. Refletiu-se marcantemente na própria nomenclatura de nossas vilas e Ana d'Áustria, esposa do Rei Dom João V. I
cidades, confonne se depreende da simples leitura das relações que atrãs figuram;
e deu margem, em pleno Império, àquela critica mordaz mas suspeita de DANIEL
P. KIDDER, missionmo protestante, ao declarar-se inconformado com o sistema,
VII
"imposto pelo clericalismo", de utilizar-se o nome de santos para designar "provín­
O ANTI-URBANISMO DO BRASIL COLONIAL
cias, cidades, vilas, fazendas, fortalezas, baterias, teatros, ruas, etc.", não sendo, por
isso, de admirar-se "que Roma tenba feito tão longa lista de canonizados" ... 49.
Sem pretender fazer estatlsticas, tndo parece indicar ter sido O nome da A Sociologia e a HistOria a Serviço da Geografia Urbana
Virgem Maria, Nossa Senhora, o que maior número de vezes se repetiu durante a
época colonial. Dentre os santos, a predominancia parece caber a SaoJosé, a Santo Em suas "Instituições Pollticas Brasileiras", OLIVEIRA VIANA acentua
Antonio e a Sao Joao - tão enraizados na alma religiosa dos pnrtugueses -, que os centros urbanos do Brasil colonial resultaram da ação urbanizadora das
seguindo-se-Ibes: São Jorge, São Vicente, São Paulo, São Cristóvão, São Luis, São autoridades coloniais e não foram criações espontâneas da massa popular. "Fundar
Francisco, Saoto Amaro, San!' Ana, São Sebastião, São Pedro, São Carlos, São povoações e, depois, erigi-las cm vilas era um titulo de benemerência dos governa­
Bernardo, Santo Antão, São Miguel - tradiciooais figuras do velbo bagiológio dores coloniais, um serviço prestado ao Rei" - tarefa em que sobremaneira se
cristão ou santos de canonização mais recente, testemunbando velbas influências destacaram o Conde dos Arcos, em cujo qüinqüênio (l755-GO) foram criadas 29
religiosas ou a ação dos missionarias. A figura de Jesus Cristo aparece sob a forma novas vilas, o Vice-Rei Conde de Resende (1790-1801), criador de 18 vilas, ou,
de Salvador, São Salvador, ou Senbor BomJesus, ou ainda através de Seu sacrificio, num ambito mais restrito, aquele afamado Governador da Capitania de São Paulo
com invocações à Santa Cruz, e de Sua natividade, snb a fonna de Natal e Belém. _ o Morgado de Mateus, que se orgulbava das numerosas povoações e vilas de que
Resta-nos lembrar a bomenagem aos Santos em geral (Santos, Todos os Santos), à fora o criador. O objetivo desses governantes coloniais consistia em reunir os
Sant(ssima Trindade, ao Esp(rito Santo, aos Reis Magos. Em conclusão: para um moradores dispersos nas extensas glebas de terra, o que nem sempre era conseguido
total de 225 aglomerados urbanos, entre vilas e cidades, nada menos de 95 (isto é, sem a prãtica de violências; por isso mesmo, quando o fundador se retirava do lugar,
43%) apresentavam carãter religioso em sua denominação. muitos dos novos moradores desertavam para a zona rural e voltavam a labutar em
Bastante numerosos foram os nomes indígenas, particulannente de origem snas fazendas e nos seus sitias.
Tupi, utilizados na nomenclatura urbana. Mas uma referência especial merece a "Este absentelsmo urbano estava na lógica de nossa formação social",
transplantação de topnimos portugueses, afora os de carãter religioso. Observa-se porque "tudo, na nossa sociedade colonial, nos educava e impelia para este anti-ur­
que o fato se registrou mais em certas regiões do que em outras, sendo particular­ banismo, para este centrifugismo à aglomeração comunal", bem ao cootrmo
mente notãvel no que se refere ãAmazónia, como o resultado de verdadeira polltica daquilo que se verüicava na metrópole.
de lnsitanização da nomenclatura urbana, através do repúdio aos nomes indigenas,
levada a efeito sobretudo no reinado de D. José I. Se ao total das vilas acrescentar­
Segundo a opiniãO de eminente sociólogo, somente a mineração teria
contribuído de maneira efeliva para a concentração urbana (de qne os "arraiais" do I
I
mos O das povoações, a relação dos aglomerados amazónicos chega a dar a Bandeirismo constitulram a melhor prova), isto porque, nas regiões aurtferas, as
impressão de que Portugal viu-se transferido para a América: Vila Viçosa, Bragan­ "datas" de terras erampequeníssemas, verdadeiros minifúndios. O próprio sistema
ça, Ourém, Santarém, Barcelos, Óbidos, Monte Alegre, Alenquer, Faro, Cbaves, de povoamento e as atividades económicas mais tlpicas, fora da area mineradora,
Olivença, Ega, Almeirim, Alter do Chão, Esposende, Arraioles, Portel, Melgaço, contribuiram para essa tendência anti-nrbanizante: eram as "sesmarias" e as fazen­
Colares, Viveiros, Sousel, Pombal, Porto de Moz, Vigia, Tomar ... das de gado, que estimulavam a dispersão demogrãfica; eram os engenbos de
:1
I,
açúcar, responsãveis por uma fonna düerente de concentração (que girava em tomo
49 KIDDER (Daniel P.), Ri!mini.rclflciaJ di! Viagt'flJ i! Ptrmanlnda 110 Brasil, voI. t, pg. 119, J..ív. MArtins, São
P.ulo, 1940.
das "casas-grandes"), mas qne só excepcionalmente evoluíam para o povoado, a
vila e a cidade. I

-GG- -67-
Geografia, }üpaço & Memória Terra livre 10
Terra Uvre 10 Geografia, Espaço &: Memória
I'
i-

Em conseqüência disso tudo, surgiu o "homo coloniais", que OLIVEIRA


Anos antcs, jã ALCÀNTARA MACHADOS2 havia demonstrado a "suprc­ I

li1
ma.cia inconteste do meio rural sobre o meio urbano", ao estudar o São Paulo do
VIANA procurou assim caracterizar: amante da solidão e do deserto, rústico e
Bandeirismo. "Na cidade - diz ele -, o fazendeiro tem apenas a sua casa para
anti-urbano, fragueiro e dendr6filo, que evitava a cidade e amava o campo e a
descansar alguns dias. liquidar um ou outro negócio, assistir às festas civis ou
floresta - bomem de que a expressão mais acabada e representativa teria sido o I
religiosas. Um pouso. Nada mais". Através dos inventãrios, percebe-se claramente
paulista do Bandeirismo. Dai o "complexo do sertão", que o dominava, o gosto pelo
qne o mobiliãrio e as alfaias da casa da roça eram superiores em qualidade e em
insulamento, "apesar de todos os amavlos da vida urbana civilizada". "Certo, ­
número aos da casa da vila. Da mesma maneira, PAULO PRADOS3 escrevera que
esclarece o douto soci610go - os paulistas primitivos residiam numa vila; mas não
"os moradores s6 acorriam às vilas para as festas dn fim do ano".
se Ibes pode dar, com rigor cientifico, o titulo de urbanos. Eram puros agricultores
Essa verdadeira aversão à vida urbana, assim acentuada por autores de tanto
aldeados, que deixavam as suas casas fechadas para irem aos seus campos lavradios peso, vê-se plenamente coofmnada numa simples frase de Dom Antônio Rolim,
plantar as suas leiras, os seus trigos ou pastorear os seus rebanhos". CONDE DE AZAMBUJA, escrita em 1751: "amaiorpartedos moradores assistem
No peliodo colonial, ns pequenos centros urbanos que vieram a se constituir nos seus sitios"S4,; e continuou a existir através do século XIX, não só no periodo
"Dão eram, nem nunca foram centros residenciais para os lavradores e criadores e colonial, mas também sob o Império, de acordo com o testemunho dos viajantes.
apenas meros pontos de passagem, de pouso ou de aprovisionamento de utilidades MARTIUS, por exemplo, afirmon que "o costume de morar a maior parte do ano
e vitualhas". Isto porque "o brasileiro é fundamentalmente individualista, mais em fazendas distantes, fora dos lugares habitados, domina em todo o Brasil"ss
mesmo, muito mais de que os outros povos latino. americanos", o que valeu aquela SAINT-HILAIRE foi mais explícito, quando escreveu: "Nos distritos auríferos,
frase de SIMÃO DE VASCONCELOS, forte como um labéu; "nenhum homem assim como nas regiões exclusivamente agr1colas, os lavradores s6 vêm à povoação
nesta terra é repúblico, nem vela ou trata do bem comum, senão cada um do bem para assistir à missa do domingo e das festas, e suas casas ficam fechadas durante
particular". os dias dc trabalho. A população permanente da povoação é composta quase toda

Em última análise, para OLIVEIRA VIANA o aglomerado vilarejo era de homens dc cor,tendeiros c artesãos"S6; ou, ncsta outra passagem: "Os lavradores
passam a vida nas fazendas e s6 vão à vila nos dias em que a rnlssa é obrigatória.
sempre mesquinho na sua estrutura e na sua população, ao mesmo tempo que as
forçando-os a se reunirem e comunicarem uns com os outros. o cumprimento das
cidadcs coloniais não tinham importância como expressão do espírito público; o
obrigações religiosas os impede, talvez mais do que qualquer outra causa, de cair
núcleo urbano - vila ou cidade - era sempre centrifugo para as classes domi­
em um cstado pr6ximo da vida selvagem"S7.
nantes, pois os homens de posse evitavam de morar neles. As exceções a essa regra
Se tudo isso não bastasse, seria suficiente recordar a existência daquelas 12
seriam poucas: os arraiais e vilas da mineração, os centros mercantis da orla costeira
cidades e 213 vilas, 00 término do pertodo colonial, para ficar definitivamente
e o caso particular da vila, depois cidade de São Paulo, que fazia lembrar a aldeia
comprovado esse anti-urbanismo da população brasileira em tão longo lapso de
portuguesa ou o "village" francês (pois grande parte de seus habitantes trabalbava
nossa História.
na área circunjacente) e que contava com muitos "oficiais mecânicos" na sua
Vereança.
Essas idéias do saudoso sociólogo fluminenseSo - que fizemos questão de o Verdadeiro Sentido do Anti-urbanismo Colnnial

resumir da maneira mais fiel posslvel, pelu iuteresse que aparesentam para ao
presente estudo - baviam sido perfilhadas, em suas linhas gerais, por SÉRGIO ClUnpre, todavia, não exagerar o fenômcno e não considerã-Io, como o fcz
BUARQUE DE HOLANDAsl. "No Brasil eolonial- afirma o ilustre historiador OLIVEIRA VIANA, um caso à parte a contrariar uma tendência universal para a
-, as terras dedicadas à lavoura eram a morada babitual dos grandes. Só at1uiam urbanização. Na vcrdadc -tudo parece indicar -, a concessão do título de cídade
eles aos centros urbanos a fnu de assistirem aos festejos e solenidades. Nas cidades
52 MAClIADO (Aicilnwa), Vida t Mortt do Bandtirantt, pAga. 40.41.
apenas residiam alguns funcionmos da administração, oficiais mecânicos e merca­
S3 PRADO (Paulo),Paulfslic:a, pjg. 88, Silo Paulo, 192.5.
dos em geral". À pujança dos dornlnios rurais se opunha a mesquinhez da vida 54 AZAMBUJA (Conde de), RtlaçiJa da Viagtm qutftz da Cidade de S40 Paulo para a Vilo de Cu iaM em 1751,

urbana, sendo freqüente o descuido com que se tratavam as habitações das cidades,
5S
em "Rel.los Monçoeiroll", Uv. MIIrtins, São 1'6ulo,1954.
SPIX (I. n. von), Viagempdo Brasil, vaI. I, pãg. 335, ([Ad. de lúcill1...KhmeYt'f, Imprensa N/lcionlll, Rio, 1938.
r
por parte daqueles que preferiam viver no campo. 56 SALl'-HlLAIRH (Augusto de), Viagtm pelas Provindal do Rio de jfHltira t Mimu GUOjl, vaI. I, plÍg. 270,
trlld. de Cllldo Ribeiro Les.'UI, Comp. Editora Nacionlll, São paulo. 1938.
II
57 SAlNT.IULAIRE (AugusID de), Viagem às nascente! do Rio Silo Francisco t IJt/n Proy{ncia dt Goiós, tomo I,
SO VIANA (Oliveira), }ns/it",i,6s PoUtictUBrtUiIiras, vol J. pAgs. 119.165, Liv. José Olímpio, Rio, 1949.
plig. 121, trl\d. de Cltldo RibciroLu.'m., Comp. Bditortl Ntlcional, São rtlulo, 1937.
SI JIOLANDA (Sügio Buarque de), obra cil., pAp. 121-125

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li(
Terra Livre 10 Geografia, Espaço &. Memória Terra U'Vre 10
GeograJia, Espaço &. Memória

a um aglomerado urbano, no periodo colonial, nao constituia um atestado de sua ALMElDA (Fernando F. Marques de)-As camadas de São Paulo e a tectónica da Serra
importância demográfica, social ou econômica. Traduzia, muitas vezes, umsimples da Cantareira _ "Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia", vol. 4, n 2, São II
galardão, mera honraria, que circunstãncias de momento poderiam justificar; outras
vezes, um simples capricho de caráter pessoal, do monarca ou de seus auxiliares,
Paulo, setembro de 1955.
AMADO (Jorge) - 8ahia de Todos os Santos (Guiadas roas e dos mistérios da cidade do
1.1
I'\,;

quando não um injustificável acaso. Os exemplos de Filipéia, Cabo Frio e Oeiras


Salvador) - Livraria Martins, São Paulo, 1945.
ARAÚJO ALHO (J.R, de) -
:\
falam por si. Diante disso, somos forçados a reconhecer que o papel hoje repre­
L Alguns aspectos da cidade do Salvador - "A Tarde", Salvador, 10 de outubro II
sentado pelas cidades eera, na época, indiferentemente, pelas cidades e pelas vilas. :1
de 1955,
Na análise de cada um dos séculos, atrás por uós realizada, tivemos oportunidade
l-I
2. Alguns aspectos da população de São Paulo- "Revista de Hist6ria", n225, São
de destacar a presença de cidades e vilas, quando não de povoaçôes (como ° Recife, Paulo, janeiro-março dc 1956.
no seiscentismo), indistintameute, na relação dos mais importantes centros urbanos. ARSOS (Philippe)-
Assim sendo, aquele tão proclamado anti-urbanismo perde bastaute de sua força, 1. Petrópolis - Esquisse de géographic urbaine- "Revuc dc Géographie Alpinc",
pois 225 aglomerados urbanos para um pais com menos de 5 milhões de habitantes vo1. XXVI, Grenobte, 1938. .
não constitui nada de estrauhável, nem de alarmante. Por outro lado, não poderia­
2. Petrópolis - Esboço de geografia urbana - Tradução e notas de Odilon
Nogueira de Matos - Em "Trabalhos da Comissão do Centenário de Petr6polis",
mos silenciar quanto a um último argumento destiuado a atenuar a importância
dessa tendência anti-urbanizante ou, pelo meu os, justificá-la em parte: a Geografia
3.
vol. VI.
Petrópolis - Esboço de geografia urbana - "Boletim Geográfico". n2J7, Rio I
Geral não nos ensiua, comprovadamente, que a concentração urbana é um fenôme­
de Janeiro, abril de 1946.
no recente, apenas registrado a partir do século XIX? Por que mOlivo imaginar.se ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASlLIJIROS (Seção Regional de São Paulo) - A
que o Srasil colonial, na modéstia de sua posição demográfica e com as altemâncias Cidade de São Paulo _ Estudos de geografia urbana - Por um grupo de geógrafos
contrastantes de sua evolução ecnnômica, haveria de coustituir uma cxceçâo à regra sob a direção de Aroldo de Azevedo - 4 volumes - Companhia Editora nacional, São
universal'I ... Paulo, 1958.
AZEVEDO (Aroldo de)-
L Goiânia, uma cidade "criada" - "Rcvista Brasileira de Geografia", ano m, n9
I, Rio de Janeiro, janeiro-março de 1941.
2. La ciudad dclSalvador-Em "ElReconcavo dela Bahia" -"Rcvista Gcográfica
BIBLIOGRAFIA CITADA
Americana", ano IX. vol. XVnI, n 108, Buenos Aires. setembro de 1942.
3, Subúrbios de São Paulo (primeiros estudos) - "Anuário da Faculdade dc
AS 'SABER (AzizNacib)- Filosofia Sedes Sapientiac", São Paulo, 1943.
4. A cidade doSalvador- Em "Recôncavoda Bahia" - Boletim n38 da Faculdade
1. A cidade do Salvador - Comentário a fotografias - "Boletim Paulista de
Geogrulia", n' II, São Paulo, julho de 1952.
de Filosofia, Ciências e letras da Universidade de São Paulo - São Paulo, 1944.
2. Na região de Manaus - Comentários a fotografias - Boletim Paulista de
5. Os subúrbios de São Paulo e suas (unções - "Boletim da Associação dos
Geogrufia. nº 14, São Paulo, julho de 1953. Geógrafos Brasileiros", no IV, ng 4, São Paulo, maio de 1944.
3. A cidade de Manaus (Primeiros Estudos) - "Boletim Paulista de Geografia", nº 6. Subúrbios orientais de São Paulo (Tese de concurso à cátedra de Geografia do
Brasil da Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da Universidadc de São Paulo)
I:
t5, São Paulo, outubro de 1953.
4. Os terraços fluviais da região de São Paulo - "Anuário da Faculdade de _ São Paulo Editora Limitada, São Paulo. 1945.
Filosofia Sedes Sapientiae", São Paulo, 1953. 7. A cidade do Salvador - Em "Recôncavo da Bahia - Estudo de geografia II
5. Geomorfologia do sítio urbano de São Paulo (Tese de doutonunento) - Boletim regional" - "Rcvista da Universidade de São Paulo", n2 São Paulo", n I, São
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VALADARES (José) - Beabá da Bahia (Guia turístico) - Livraria Progresso Editora, um trabalho original. Seu sentido é, entretanto, o de fornecer alguns pontos de
Salvador, 1951. partida para trabalhos de maior envergadura, o que cabe, segundo nos parece, em
VÁRZEA (Afonso) - Geografia Carioca. um Simpósio sobre cidades brasileiras.
Apesar da presença de alguns grandes centros urbanos, em certos casos
verdadeiras metrópoles, como é n caso de São Paulo c Rio de Janeiro, no seu
conjuntu os quadros urbanos brasileiros são relativamente modestos. Realmente,
de confonnidadecom os elementos do último recenseamento, em 1950, a população
do conjunto das áreas urbanas e suburbanas das vilas e cidades brasileiras atingia
um toul de 18.755.198 pessoas, uu seja, 32% da população tota! do pais. Tal
percenUgem é relativamente pequena. se comparadas com as que ocorrem em
países europeus, ou então, como é mais coneto, com outros países novos de grande
superficie, a exemplo dus EsUdns Unidos, Canadá, Argentina e, principalmente,
Austrália.!
Seria um erro, entretanto, tecer consideraçOes cm função da acima ciUda

ii
;
percenUgem de 32%. Conforme é amplamente conhecido, no Brasil, vigoram, no
referente à definição de cidade e vila, critérios poUtico-administrativos, segnndo os
quais as primeiras são as sedes municipais e as segundas as distriuis. Dai decorre
que, na verdade, muitlssimas sedes municipais. sem falar nas distritais, auferem
oficialmente condição urbana, sem reunirem, entreUnto, uml1Únimo de caracterís­
ticas que possam justificá-Ias como nódulos sedes de funções urbanas. Por outro
lado, os critérios de delimiUção de zonas urbanas c suburbanas são os mais

i
diversificados, muiUs vezes obedecendo apenas interesses de natureza tributária,


lDOI!- Conselho Nlldonal de Eatal13lica - VI RtanJtamtnto Gtral do Brasil, Ano de 1950.

-78- I TERRALlVRE-AOn I Silo Paulo I 1'1'.79-92 I n!lD I j:lllciro.julho92 I