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YHWH

CRIAÇÃO DE HOMENS
OU DIVINDADES?
PROFESSOR FABIO SABINO

YHWH
CRIAÇÃO DE HOMENS
OU DIVINDADES?

1ª Edição

2014
FICHA TÉCNICA

© by Fabio Sabino da Silva

Nº Registro/protocolo 2014SP/5705

Fundação Biblioteca Nacional

Nº Registro 652.349 Livro: 1.255 Folha 262

Diagramação

Escola de Exegese Bíblica (11) 4054-3145

Revisão

Escola de Exegese Bíblica (11) 4054-3145

Revisão do Hebraico e Grego

Professor Fabio Sabino

Capa

Silvio de Freitas
SUMÁRIO
1. Definição etimológica do Tetragrama............................1

2. As pronúncias do Tetragrama.........................................2

3. O sistema vocálico antigo do Tetragrama......................8

3. O que é o Tetragrama...................................................13

4. As formas consideradas abreviações do Tetragrama...18

5. A historicidade do Tetragrama.....................................46

6. Tetragrama, um deus e não Deus.................................49

7. As descobertas arqueológicas do Tetragrama..............52

8. O Tetragrama e sua esposa...........................................72

9. Os atributos do Tetragrama..........................................78

10. Evolução histórica do Tetragrama..............................83

11. Resumo.......................................................................86

13. Bibliografia.................................................................88
ABREVIATURAS DOS LIVROS BÍBLICOS
Gn Gênesis Est Ester

Êx Ex Êxodo Sl Salmos

Num Números Prov


Provérbios

Dt Deuteronômio Is Isaias

Jos Josué Jer Jeremias

Juz Juízes Ez Ezequiel

I Sam 1º Livro de Samuel Joe Joel

II Sam 2º Livro de Samuel Ob Obadias

IRs 1º Livro dos Reis Sof Sofonias

II Rs 2º Livro dos Reis Ag Ageu

I Cro 1º Livro das Crônicas Hab


Habacuque

II Cro 1º Livro das Crônicas Zac Zacarias

Nem Neemias

Esd Esdras
PREFÁCIO DO AUTOR

Por muito tempo se discutiu a origem do famoso


Tetragrama (YHWH), lógico que o mesmo é tido como sagrado
por algumas religiões, e não é minha pretensão atacar nenhuma
religião que faz uso do Tetragrama, mas apenas expor alguns
fundamentos referentes à sua origem.

Foi através da internet que verifiquei um radicalismo em


cima de uma grafia, onde cada um fazia uso da fonética que
acreditava ser correto, como Yahvé, Yehova, Yaohu etc.

O que me surpreendeu é que pouco se falava de um ser,


mas de uma escrita, como se a escrita tivesse vida e coisa tal, ou
seja, dava entender que bastasse apenas escrever o YHWH e
aconteceria alguma coisa como num passe de mágica!

Tanto que esse YHWH é utilizado como amuleto,


chaveiro, imagens em páginas de redes sociais e tudo mais. Se
uma grafia tem poder para curar, livrar, restaurar, abençoar etc,
qual a razão de tantas guerras em nome desse Tetragrama?

Alguns grupos religiosos saíram às ruas para defender uma


grafia condicionando a tal salvação em saber o real significado e
pronúncia do Tetragrama!

Muitas pesquisas se fizeram, alguns achados


arqueológicos foram descobertos, mas viram que o Tetragrama
não é o nome de um Deus ou deuses mais antigos do mundo!
Infelizmente algumas pessoas pensam ser essa grafia
(YHWH) o nome do Deus verdadeiro e único no mundo, mas
para isso não deveria existir esse tal Tetragrama nos achados
arqueológicos mais antigos do mundo? Sim, deveria, mas não é
o que se vê!

Mas como muitos religiosos dependem das suas escrituras,


os mesmos se esqueceram de analisar o que é mais antigo e
confiável no mundo científico.

Dependeram da tal revelação que sempre foi o perigo para


a humanidade, pois se faz da revelação uma verdade absoluta,
revelação não ao campo científico, mas aquela onde apenas e
exclusivamente uma única pessoa é agraciada em receber as
verdades de um deus, Deus ou deuses!

Vi vários vídeos de pessoas tentando condicionar a tal


salvação em uma grafia, ou seja, limitaram seu Deus em um
mero amuleto mágico! Mas que não tem magia alguma!

Colocaram em uma caixinha chamada de ignorância e


fanatismo sem ao menos entenderem que seu Deus, deus ou
deuses sempre foram além de um mero logograma!

Dizer que um ser, criador, Deus, seja lá o que for atende


uma pessoa apenas se souber pronunciar ou escrever sua grafia
de forma correta o mesmo deixou de ser tudo o que ele é!

Pois um verdadeiro criador não priora uma grafia e sim


suas criaturas, isso é o que se diz das religiões!
Isso me chamou atenção e procurei entender um pouco
melhor sobre um “verbo” e não “substantivo”, pois o famoso
YHWH está longe em sua origem de ser um substantivo como
fizeram do mesmo por uma suposta revelação!

Nas minhas pesquisas encontrei questões surpreendentes


que imaginava não existir, e inseri tudo o que achei de suma
importância.

Portanto esse pequeno material procura elucidar algumas


indagações apresentadas acima e por um fim sobre uma grafia
que a divinizaram e dela fizeram suas guerras e distinções
raciais.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 1

AGRADECIMENTOS
Minha gratidão a minha família e em especial a minha
inestimável esposa Daniela Ciriaco Sabino que entendeu as
minhas ausências!

Aos meus seguidores das redes sociais que sempre


contribuíram com suas perguntas e até mesmo algumas
bibliografias e ideias!

Ao meu amigo particular e escritor Edson Hanna que


sempre contribuiu com ideias referentes a vários assuntos e
também pertinente a religião!

As minhas amigas, Rebeca e Tamara que auxiliaram nas


minhas ausências em momentos de pesquisas!

Aos meus ilustres amigos Lucas Cruz, Dalton Piotto,


Clóvis Amaral, Rodrigo Messias e Gabriel Nonato que muito
contribuíram em me ouvir em hangouts para discutir alguns
pontos.

As minhas ilustres médicas Glacy dos Santos e Quezia


Lima que contribuíram e contribuem em minha saúde para que
esta obra fosse concretizada e outras que virão!

E por fim ao meu criador por ter me presenteado este


trabalho com sua conclusão no mês e dia em que nasci.

São Paulo, 22 de Julho de 2014.


Professor Fabio Sabino
2 PROFESSOR FABIO SABINO

Capítulo 1
1. Definição Etimológica.

1.1. Grego. O vocábulo grego para “tetragrama” é


tetragra,mma (Tetragráma), cujo significado se tem “quatro
letras”. As primeiras cópias da Septuaginta atestavam o
“Tetragrama” em caracteres paleohebraico (hwhy hwhy).

Quem utilisou muito da Septuaginta foram os seguintes


pais das igrejas: Irineu de Lião, Cirilo de Jerusalem, Clemente
de Alexandria, entre outros. Com o passar do tempo a
Septuaginta utilizou o vocábulo grego “ku,rioj” (kírios, cujo
significado se tem: poder, autoridade, forte, governante, senhor)
para o Tetragrama.

1.2. Hebraico. O hebraico denomina o “Tetragrama” de


hy"w"h] ~ve, (Shem havayah), cujo significado se tem “nome de
existência”. A etimologia do Tetragrama não pode ser
simplesmente descartada. Apesar das tentativas isoladas para
tomar o Tetragrama como uma forma pronominal, ou seja,
“meu único” é amplamente aceito que o nome representa uma
“forma verbal”1.

1
Cf.S. Mowinckei, HUCA 32 [1958] 121–133; Akk ya˒u, H. Cazelles, Der persönliche
Gott Abrahams, Der Weg zum Menschen, FS A. Deissler [ed. R. Mosis & L. Ruppert;
Freiburg 1989], pag 59–60.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 3

Capítulo 2
2. As pronúncias do Tetragrama.
2.1. hw"hy> (Yehváh) 2. Alguns acreditam que essa era a
pronúncia correta. O sistema vocálico procede da palavra am'v.
(Shema, uma palavra que se acredita ser em aramaico, cujo
significado se tem: “ouve” do verbo “ouvir”), que corresponde
ao vocábulo hebraico ~Veh; (Hashshem, cujo significado se tem,
“o nome”).

2.2. hA'hy> (Yehová ou mais popularmente Jeová). Essa é a


forma mais utilizada, desde o período pós-exílico. O vocábulo
“Yehová” é na realidade uma combinação das consoantes do
Tetragrama com as vogais (ou sinais massoréticos) da palavra
hebraica yn"doa] (Adonay, cujo significado se tem: “meu
Senhor”).3

O que intriga algumas pessoas que conhecem um pouco


do hebraico é como a vogal “a” da palavra “Adonay” 4 se tornou
uma vogal “e” na palavra “Yehováh”?5

2
O nome dado a essas consoantes em hebraico são: Youdh, He, Waw e He, os quais
representam Y, H, W e H constituindo assim o famoso Tetragrama onde muitos
acreditam ser o nome do verdadeiro Deus de Israel e até mesmo dos gentios, ou
melhor, dos cristãos por seguirem a Bíblia.
3
B. Alfrink, La prononciation ‘Jehova’ du Tétragramme, OTS 5 (1948), pag 43–62.
4
Denominada pelas gramáticas hebraicas de hateph-patach.
5
Denominada pelas gramáticas hebraicas de shevá.
4 PROFESSOR FABIO SABINO

Ou seja, a vogal “o” e o segundo “a” da palavra “Adonay”


estão visíveis na palavra “Yehováh”, mas o primeiro “a” da
palavra Adonay ao colocarem no Tetragrama se transformou em
um “e” (Yehováh) como se explica isso?

A palavra yn"doa] (Adonay) começa com uma “consoante


gutural”6, e sob uma consoante gutural tem que haver uma
“vogal esvaída”7. Ao se colocar essa mesma vogal esvaída sob
uma consoante “não-gutural” (Y) ela passa a ser um “shevá
simples”.

2.3. hw<h.y: (Yahvéh ou popularmente Javé). Essa


pronúncia é atribuída a expressão hebraica hy<h.a, rv,a] hy<h.a,
(Éhyéh asher éhyeh, cuja tradução se tem: “Eu sou o que sou”)
de Ex 3.12-15. Isso por questão da forma verbal (o imperfeito de
“havah”) arcaica que era escrito hw<h.y: (Yahvéh). A transcrição
“Yahvéh” é uma convenção acadêmica, com base em tais
transcrições gregas como Ιαουε/ Ιαουαι8 e Ιαβε/ Ιαβαι (Iauai,
Iabe e Iabai)9.

2.4. Why (Yahu ou Yaohu). A pronúncia Yahu ou Yaohu


não é como as demais (Yehváh, Yehováh e Yahvéh), pois se vê
que as demais têm o Tetragrama (‫)יהוה‬, ou seja, as “quatro
consoantes”, enquanto a pronúncia Yahu faz uso apenas de “três
consoantes” (‫)יהו‬.

6
Consoante em hebraico chamada de álefe.
7
Shevá composto, nome do sinal massorético.
8
Iaue/ Iauai. Clemente de Alexandria, Stromata 5, 6, 34, 5.
9
Iabe/ Iabai. Epifânio de Salamina, Adv. Haer. 1, 3, 40, 5 e Teodoreto de Cirus,
Quaest. in Ex. XV; Haer. fab. comp. 5, 3.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 5

Alguns religiosos radicalistas fizeram do vocábulo Yahu


ou Yaohu a forma e a pronúncia correta do Tetragrama, mas
como falar de Tetragrama se há apenas três consoantes? Mais
detalhe se verá abaixo no tópico “o sistema vocálico antigo do
hebraico” e também nas “abreviações supostas do Tetragrama”.

2.5. A farsa do encontro ditongal no nome Yaohu.

Quem nunca ouviu alguns professores de hebraico dizendo


que o sinal massorético chamado de Qamets (◌ָ ) tem o valor
vocálico de “ao”? Muitos já ouviram essa história, mas de onde
tiraram isso? Por um descuido e falta de atenção obtiveram da
Gramática Hebraica de Gordon Chown e aplicaram o que ele
mesmo não ensinou e muito menos disse. Abaixo coloco a
imagem da página para análise10.

10
Cf. Gordon.C. Gramática Hebraica, 2002, pag 11.
6 PROFESSOR FABIO SABINO

Há pessoas que afirmam que o sinal massorético


denominado de Qamets (◌ָ ) tem o valor vocálico de “ao” pela
Gramática de Gordon, mas pelo visto não prestaram atenção na
informação de Gordon, pois o mesmo informa dizendo:
“Qamats - “A” longo, este som é oco, tendendo para “O”, e se
“usa muito quando precede a sílaba tônica”11.

Ele deixa bem claro que o uso do Qamats com o som de


“O” só se usa no caso de “sílaba tônica”, agora será que as
pessoas sabem informar quantas sílabas há no Tetragrama e
qual é a sílaba tônica?

Outra questão é que os gramáticos usam termos distintos


para o mesmo sinal massorético (◌ָ ), ou seja, quando o sinal ◌ָ
representa o valor de “A”, denomina-se de Qamets e quando for
de “O” denomina-se de Qamets-Hatuf12, entretanto outros
gramáticos preferem denominar de Qamets Qatan13.

2.5.1 Quando é que o Qamets- Hatuf (que tem o som de


“O”) será utilizado?

a) Quando o sinal massorético chamado Holem for


abreviado.

11
Cf. Gordon. C. Gramática Hebraica, 2002, pag 11.
12
Cf.Gesenius, Friedrich Wilhelm: Kautzsch, E. (Hrsg.); Cowley, Sir Arthur Ernest
(Hrsg.): Hebrew Grammar. 2d English ed. Oxford: Oxford University Press, 1910, S.
45; Allen.P.Ross, Gramática do Hebraico Bíblico, 2001, pag 39,40; Page.H. Kelley,
Hebraico Bíblico, uma gramática introdutória, 8ª Ed, 2011, pag 27.
13
Cf.Joüon, Paul; Muraoka, Takamitsu: A Grammar of Biblical Hebrew; Editrice
Pontificio Istituto Biblico, 2003; 2005, S. 1:41.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 7

b) Quando o próprio Qamets Hatuf for parte de outro sinal


massorético chamado de Hatef Qamets14

c) Quando o mesmo estiver em uma “sílaba fechada


átona”, ou em uma “sílaba aberta tônica”15.

Talvez você esteja pensando: “nossa mais que


complicações, tantos nomes que nunca ouvi e nem sei do que se
trata”!

Isso é para se ver que afirmar regras do hebraico sem


conhecimento de causa é problemático, o problema são os leigos
que não consultam bibliografias para ver se procedem as
informações que ouvem, ainda mais se tratando de pessoas que
querem impor novas falácias e as pseudas revelações da
pronúncia correta do Tetragarama.

Portanto não há em nenhuma gramática de hebraico no


mundo que informe que o sinal massorético ◌ָ (denominado de
Qamats ou o próprio Qamets-hatuf) tenha o som de “AO”.

Vamos ver na prática do Tetragrama como isso funciona.


A primeira sílaba é hy (yh) e a segunda hw (vh) e há uma
grande possibilidade de se ter na “primeira sílaba” a pronúncia
“yah” (hy) e “na segunda” “vah” (hw) isso porque em ambas as
sílabas estão terminando com a consoante vocálica h (he).

14
Cf. Page. H. Kelley, Hebraico Bíblico, uma gramática introdutória, 8ª Ed, 2011,
pag 27.
15
Cf. Page. H. Kelley, Hebraico Bíblico, uma gramática introdutória, 8ª Ed, 2011,
pag 43.
8 PROFESSOR FABIO SABINO

Portanto uma provável pronúncia na regra da “distinção


silábica” fazendo uso da regra antiga das consoantes que se
passavam por valores vocálicos para o Tetragrama seria
“Yahvah”. Mais detalhes dessa pronúncia veja o tópico 3.2.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 9

Capítulo 3
3. O sistema vocálico antigo do hebraico.

Para entender a razão de algumas pronúncias do hebraico


na época antiga, ainda mais quando não existiam os chamados
sinais massorético, os grandes escribas fizeram uso de uma
forma antiga de “consonates vocálicas” originais do hebraico,
como de outras línguas semíticas.

As vogais conhecidas como primárias naquela época


eram: “a”, “i”, “u”. E as vogais “e” e “o” surgiram a partir de
uma contração das três vogais primárias (“a”, “i”, “u”).

A vogal “e” originava-se pela modificação das vogais “i” e


“a” e a vogal breve “o” pela vogal “u”.

Também a vogal “e” por contração de “ai” (correto, ay), e


a vogal “o” às vezes através da modificação (obscura) da vogal
“a” e esta mesma vogal “a” contraía para “au” (correto, aw).
Está regra antiga foi denominada de Matres lectionis. 16

16
ha'yrIQ.h; tAMai lit. “mães” da leitura ou “auxiliares” da leitura. Cf. Gesenius,
Friedrich Wilhelm: Kautzsch, E. (Hrsg.); Cowley, Sir Arthur Ernest (Hrsg.): Hebrew
Grammar. 2d English ed. Oxford: Oxford University Press, 1910, S. 36; Joüon, Paul;
Muraoka, Takamitsu: A Grammar of Biblical Hebrew; Editrice Pontificio Istituto
Biblico, 2003; 2005, S. 1:46; Van der Merwe, Christo; Naudé, Jackie; Kroeze, Jan: A
Biblical Hebrew Reference Grammar. Oak Harbor: Inc., 1997, S. 30. Page. H.
Kelley. Hebraico Bíblico, uma gramática introdutória, 8ª Ed.2011, pag 25.
10 PROFESSOR FABIO SABINO

As consoantes que representavam pronúncias vocálicas


eram o hÃwÃy,a, (he, vav, yodh e álefe) as quais existiram desde o
inicio do idioma, e se prolongaram por um grande período. Dentre as
consoantes que se passavam por pronúncias vocálicas, algumas
se tornaram essenciais e com grandes transformações.

a) A consoante h

Em alguns casos se retinha a consoante final como


original, pelo menos como “uma vogal”, ou seja, meramente
como uma indicação de uma vogal final. De fato, encontramos
até mesmo no Antigo Testamento, como nas inscrições de Mesa,
um h (representa um “h” como consoante) o qual era utilizado
como uma indicação de um som final de “o”. A partir daí foi só
um passo para o emprego da mesma consoante para indicar
também “outras vogais” quando no final17.

Vê-se a consoante h (representa um “h” como consoante)


como valor vocálico de “o” nas inscrições de Mesa como: hcor>a;
(artsoh), htoyBe (beytoh, para htoBe, betoh), hnOB. (benoh), hBo
(boh), hl{ (loh), hmox]T†;l.hi (hiltahamoh).

17
Por exemplo, na inflexão dos verbos h¾¾l, as vogais “a”, “e”, isto é, segundo o
estado, e o emprego de h para o “a” provavelmente leva o primeiro lugar no caso dos
acusativos locativos que originalmente terminaram em h¤', como hc'r>a;ñà hm'ydIñq'
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 11

Por outro lado já as inscrições de Siloé atestam as


seguintes formas: A[re (reo) hmy(ymh), Mesa, 1.8 = wym'y" (lit.
seus dias), como também, hXr (rshh) o qual era wyXar (lit.
seus chefes)18.

b) A consoante w

O w (chama-se “vav” que também representa as


consoantes “w” ou “v”) representava as vogais “o” e “u” e o y
(chama-se “yodh” que também representa a consoante “y”) as
vogais “e” e “i”, essas consoantes tinham sido estabelecidas e
também foram empregadas - embora não de forma consistente -
para as mesmas vogais no final de uma palavra.

c) A consoante y

Há também outra consoante que faz parte da regra antiga


de ser utilizada como vogal. A consoante y (chama-se “yodh”
que também representa a consoante “y”) geralmente no final de
um vocábulo caracterizava (no hebraico massorético caracteriza)
o “construto plural masculino” (sendo no sistema massorético a
forma “ey”).

18
A visão de Oort, Theol. Tijds, 1902, pag 374, contradiz as inscrições de Mesa no
qual deveria ser lido “benhu”, “bahu”, “lahu”, que foram posteriormente vocalizados
como “beno”, “bo”, “lo”
12 PROFESSOR FABIO SABINO

Entretanto se diz que este caso construto originou-se da


forma contraída “ay” (ys;Ws). O uso do y para representar o som
de “a” tem sido utilizado às vezes para representar o som de
“ay” e isso após um “e” ou com um precedente “i”.

Neste caso, as consoantes previamente existentes foram


transformadas como vogais e posteriormente aplicado no final
das palavras para denotar as vogais longas.

d) A consoante a
O a (chama-se “álefe”, entretanto não há uma consoante
que possa representa-la) também foi utilizado em tempos
antigos, para estabelecer uma vogal “a” no final de uma palavra.

Há a conservação da originalidade consonantal do a como


uma consoante vocálica em: ~yIt;ñam' (matayim), ac'Am
(motsa), e ar'q' (qara), como também vaor (rosh).

3.2. Aplicação da regra no Tetragrama.

O que essa regra condiz com o Tetragrama? Tudo! Farei


uso da pronúncia do Tetragrama pela “regra antiga” sem os
sinais massoréticos! Assim sendo acaba essa radicalização e
espiritualidade de qual a pronúncia correta do Tetragrama.
Primeiro o que se deve saber é que o Teragrama origina-se de
um “verbo” e não “substantivo”.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 13

A passagem bíblica que revelou o famoso Tetragrama


como sendo o nome de Deus é Ex 3.12-15 que se atesta a
seguinte expressão hebraica: hy<h.a, rv,a] hy<h.a, (Éhyéh asher
éhyeh, cuja tradução se tem: “Eu sou o que sou”). A forma hy<h.a
(Éhyéh) de onde se origina o Tetragrama é o imperfeito da raiz
verbal ‫“ היה‬hayah” (com a consoante yodh), que em sua forma

arcaica era ‫“ הוה‬havah” (com a consoante vav). 19

O que se vê é que a raiz ‫“ היה‬hayah” e ‫“ הוה‬havah” fazem


uso da “regra antiga” onde a consoante h no final da palavra
tem o som de “a”. E no Tetragrama tanto na forma quadrática
hwhy quanto no paelohebraico hwhy a regra não mudou, ou
seja, na “distinção silábica” do Hebraico se tem duas sílabas no
Tetragrama20.

A primeira sílaba é hy e a segunda hw e há uma grande


possibilidade de ter na primeira sílaba a pronúncia “yah” (hy) e
na segunda “vah” (hw) isso porque em ambas as sílabas estão
terminando com a consoante vocálica h (he).

19
Cf.Koehler, Ludwig; Baumgartner, Walter; Richardson, M.E.J; Stamm, Johann
Jakob: The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. electronic ed. Leiden;
New York: E.J. Brill, 1999, c1994-1996, S. 243; Gesenius, Wilhelm; Tregelles,
Samuel Prideaux: Hebrew and Chaldee Lexicon to the Old Testament Scriptures.
Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc, 2003, S. 337.
20
Cf. Page. H. Kelley. Hebraico Bíblico, uma gramática introdutória, 8ª Ed.2011, pag
41-44; Allen. P. Ross, Gramática do Hebraico Bíblico, 2001, pag 38-41.
14 PROFESSOR FABIO SABINO

Capítulo 4
4. O que é o Tetragrama.

São quatro letras (YHWH) que algumas pessoas acreditam


ser o nome de Deus em “paelohebraico” e “hebraico
quadrático”, o qual o mesmo no período babilônico deixou de
ser pronunciado por respeito e principalmente por ser
considerado sagrado.

O que muitas pessoas não sabem é que o Tetragrama


(YHWH) se trata de um “verbo” no hebraico e não um
“substantivo”.

4.1. Paleohebraico. Essa é a forma antiga da escrita do


Tetragrama hwhy (YHWH). O Paleohebraico é denominado
também de yrIb.[i bt'K. (Ketav ivri que significa: “escrita
hebraica”) antigo alfabeto hebraico utilizado no período do
Primeiro Templo (séc. X-VI a.C), muito semelhante ao alfabeto
fenício. Na Guenizá do Cairo (que significa depósito) foram
encontrados textos da versão grega produzidas por Áquila
datados do século VI onde o “Tetragrama” era escrito em
“paleohebraico”. O paleohebraico foi substituído
gradativamente após o exílio babilônico pelo abecedário
hebraico quadrático de origem aramaica21.

21
Cf.Edson de Faria Francisco. Manual da Bíblia Hebraica, 3 ed, 2008, pag 635.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 15

O paelohebraico é considerado a língua dos cananeus e


fenícios, o qual chega mais próximo de todas as línguas
semíticas, e essa consideração se dá por muitos nomes cananeus
de pessoas e lugares com forma do paelohebraico, cujo
significado ocorre no Antigo Testamento22. Os vocábulos que
ocorrem no Fenício (púnico) são: la Deus, ~da Homem, !b
Filho, tb Filha, $lm Rei, db[ Servo, !hk Sacerdote, xbz
Sacrificio, l[b Senhor, XmX Sol, #ra Terra, ~y Mar, etc23.

4.2. Escrita quadrática. Essa é a forma que está escrito


nos manuscritos mais completo da toráh hwhy (YHWH). A
Escrita hebraica foi tomada de empréstimo do sistema de escrita
do aramaico e empregada após o exílio babilônico (séc. VI a V
a.C). Substituindo o antigo alfabeto paleohebraico usado no
período pré-exílico. O nome quadrático é devido ao formato das
letras hebraicas, similares há um quadrado24.

4.3. A raiz do Tetragrama. A identificação de qual raiz


encontra-se a base da forma do Tetragrama (YHWH), e o seu
significado. Alguns estudiosos sugeriram uma ligação com a
raiz ḤWY, resultando na tradução “o destruidor”, entretanto
outros sugerem da raiz semita HYH25.

Por exemplo, qd,c,-yBil.m;Ã rp,se ty:r>qi glosa canaanita de palavras assírias nas
22

tabuletas cuneiformes de Tell-el-Amarna [cerca de 1400 a.C] H. Winekler,' Die


Thontafeln von Tell-el- Amarna,' in Keilinschr. Bibliothek, vol. v, Berlin, 1896 f.
[transcrição e tradução]; J. A. Knudtzon, Die El-Amarna-Tafeln, Lpz. 1907 f.; H.
Zimmern, ZA. 1891, pag 154 ff. and KAT.3, pag 651 ff, e em parte dos restos
numerosos das línguas fenícias e púnicas.
23
Ver o vocabulário completo em Lidzbarski, Nordsem. Epigr., i. pag 204 ff.
24
Cf. Edson de Faria Francisco. Manual da Bíblia Hebraica, 3 ed, 2008, pag 640.
25
Cf.H. Gressmann, Mose und seine Zeit [Göttingen 1913], pag 37.
16 PROFESSOR FABIO SABINO

Alguns estudiosos não consideram o Tetragrama como


teônimo26, mas como uma forma do verbo “ser”; as opiniões
divergem sobre se a forma é “ativa” ou “causativa”, i.e. Qal ou
Hiphil27. Há um grupo que interpreta “ele é”, i.e. “Ele se
manifesta”, enquanto outros argumentam a favor de um
significado causal: “Ele faz com que venha a ser, chama à
existência”.

Von Soden aduziu material comparativo de fontes


acadianas, na insistência que o verbo deve ser tomado em seu
sentido mais forte “para provar a si mesmo, manifestar-se,
revelar-se.”28 Já o perito Albright faz uso do Tetragrama como o
causativo imperfeito do verbo HWY, “Ser”. O Tetragrama, então,
é um deus que “faz ser” ou “traz a existência”. Nesta forma o
verbo normalmente é transitivo29.

Uma das maiores dificuldades com as explicações do


Tetragrama com base na raiz HWY interpretando para “Ser”, é o
fato de que eles explicam o nome de uma divindade semita do
Sul (provenientes de Edom, ou até mesmo mais ao sul) com a
ajuda de uma etimologia semita-Oeste.30

26
Teônimo, vocábulo que origina do grego theós, Deus +ónyma, por ónoma, nome,
dando o sentido de nome divino.
27
Qal é considerado uma voz ativa no hebraico, enquanto o Hifil uma voz causativa.
28
Cf. W.Von Soden, Jahwe, ‘er ist, er erweist sich’, WO 3/3 (1966), pag 177–187
[reprinted in Bibel und Alter Orient (ed. H.-P. Müller; BZAW 162; Berlin & New
York 1985), pag 78–88].
29
Cf. W. F. Albright, Yahweh and the Gods of Canaan [London 1968], pag 147–149.
30
Cf. E. A. Knauf, Yahwe, VT 34 (1984a), pag 469.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 17

A origem do Tetragrama tem sido debatida como também


a data e a origem do nome, suas primeiras aparições são na
canção de Débora31, na estela de Mesa32, e também em uma
ostraca de Kuntillet Ajrud 33, e nas cartas de Adad e Laquis 34.

O que também se discutiu foi o seguinte, pode um verbo


ser um nome? O problema de o hebraico fazer uso de um verbo,
no caso o Tetragrama como um nome pessoal é totalmente
incomum, mas não para o Acadiano o qual o hebraico descende
dessa língua semítica.

Uma vez que o significado do Tetragrama é indescritível,


o nome reconstruído é o próprio objeto de uma nova
interpretação da frase ˒ehyeh ˒ăšer ˒ehyeh, “Eu sou o que sou”.

Seu significado é debatido. Alguns podem entender como


uma promessa (Eu certamente estarei lá) ou como uma alusão à
incomparabilidade do Tetragrama (Eu sou o que eu sou, ou seja,
sem par). O Tetragrama não pode ser captado por meio de uma
imagem ou um nome.

Materiais comparativos de fontes acadianas foram usados


para relatar a tese de que o Tetragrama é na verdade um nome
de frases abreviadas. Entre os nomes pessoais dos Amoritas, há
uma série em que uma forma finita da raiz hwy (a ser ou
manifestar-se) é acoplada como um teônimo.

31
Juízes 5, o que foi datado do século 11 a.C.
32
Século IX a.C; ANET, 320.
33
Século VIII a.C, Freedman, 1987: 246.
34
Século VI a.C; ANET , 569, 322
18 PROFESSOR FABIO SABINO

Palavras do acadiano e amorreu fizeram uso de formas


verbais como nomes divinos, exemplos: dIkšudum (Ikshudum,
cujo significado se tem: ele alcançou)35 e Ešuḫ (Eshuh, cujo
significado se tem: ele foi vitorioso)36.

Outros exemplos: Yaḫwi-ilum, Yaḫwi-Adad,37 e Ya (ḫ)


wium (Iaḫwi-ilum)38. Estes nomes amorreus são o equivalente
semântico do nome acadiano Ibašši-ilum (Deus manifestou-se).

A objeção de que estes são todos antropônimos, ao passo


que o Tetragrama é um teônimo, não é decisivo.

Textos cuneiformes também reconhecem uma série de


deuses, cujos nomes são na verdade uma forma verbal finita
com uma “divindade como sujeito”: dIkrub-Il (El tem
abençoado) e dIšmêlum (= Išme-ilum, Deus ouviu) podem ser
citados como exemplo.39

35
Cf. Archives royales de Mari, 13 no. 111:6
36
Cf. H. B. Huffmon, Amorite Personal Names in the Mari Texts [Baltimore 1965],
pag 215.
37
Cf. Archives royales de Mari, 23, 86:7.
38
Cf. Archives royales de Mari, 23, 448:13.
39
Cf. M. Stol, Old Babylonian Personal Names, SEL 8 [1991], pag 191–212, esp. pag
203–205.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 19

Capítulo 5
5. As formas consideradas abreviações do Tetragrama.

5.1. Hy"Æhy" (Yah/ Yah)40. Essas formas são segundo alguns


contraídos da expressão Yahvé. Essas formas são atestadas em
nomes próprios compostos com formas abreviadas do vocábulo
Yahvé e também em poesias e na exclamação “Aleluia” (y"Wll.h;
exaltai a Yahvé). A forma hy" (Yah) foi encontrada em jarros na
cidade de Jericó e Samaria41.

Como elemento final de nomes pessoais “Yah” é muitas


vezes um final hipocorístico.42 Alguns estudiosos argumentam
que o sinal NI, lido yà por Pettinato, é convencionalmente curto
para NI-NI = ì-lɩ́, “meu Deus”; ele representa ilı̄ ou ilu43.

40
Uma forma está com o sinal massorético e a outra não.
41
Cf. Lidzbarski Eph. 3:45 (Mark. Lidzbarski — Ephemeris da epigrafia semítica, 1-
3, Giessen 1902, 1908, 1915; David Diringer, The Alphabet, 1952 second ed.) — Le
Iscrizioni Antico-ebraiche Palestinesi, Firenze, 1934, pag 69, 128, 132 (linguista,
paleógrafo e escritor britânico); E.G. Kraeling, The Brooklyn Museum Aramaic
Papyri, New Haven 1953, pag 3:25, 1:2; pedra de Laquis, W. Fischer, Die
demonstrativen Bildungen der neuarabischen Dialekte, 1959, Is Lev: pag 140ff, 147.
42
ὑποκοριστικός, derivado de ὑποκορίζοµαι, ou seja, “chamar com voz suave”. É uma
palavra cuja formação fonética tem o objetivo de suavizar ou atenuar o som da palavra
de que se origina. Cf. A. Archi, The Epigraphic Evidence from Ebla and the Old
Testament, Bib 60 (1979), pag 556–566, esp. pag 556–560.
43
Cf. H.-P. Muller, Gab es in Ebla einen Gottesnamen Ja?, ZA 70 (1980), pag 83 e
(1981), pag 306–307.
20 PROFESSOR FABIO SABINO

Também se explica a ocorrência do elemento especulado


“Ya” no início de nomes pessoais; assim dyà-ra-mu deve ser lido
como DINGIR-lɩ́-ra-mu ou dilix-ra-mu, ambas as leituras rendendo
o nome Iliramu, “meu Deus é exaltado”. Abaixo relaciono
alguns nomes e expressões contendo a forma “Yah”.

Sl 68.4. Amªv. Hy"ïB. (Beyah Shemo, significado: Senhor é o seu


nome).

Sl 68.18. ~yhi(l{a/ Hy"í !KoÝv.li (Lishkon Yah Elohim,


significado: Para habitar o Senhor Deus).

Sl 77.11. Hy"+-ylel.[;m;( ÎrAKðz>a,Ð ¿ryKiz>a;À (Azkir maalli-yah,


significado: Eu me lembrarei das obras do SENHOR).

Sl 115.17. Hy"+-Wll.h;(y> ~ytiMeh;â al{ (Lo hametim yehallu-yah,


significado: Os mortos não louvam ao Senhor).

Sl 115.18. Hy"© %rEÜb'«n> (Nevarekh yah, significado: Bendiremos ao


Senhor).

Sl 118.5. Hy") bx'är>M,b; ynIn"ß[' HY"+ ytiar"äq' (Qarati yah anani


bammerchav yah, significado: Invoquei o Senhor na angústia; o
Senhor me ouviu).
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 21

Sl 118.17-19. Hy") yfeî[]m;( (Maasey yah, significado: As obras do


Senhor), HY"+ yNIr:åS.yI rSoæy: (Yasor israni yah, significado: O
Senhor me castigou muito), Hy") hd<îAa (Odeh yah, significado:
Louvarei ao Senhor).

Sl 122.4. Hy"â-yjeb.vi (Shivtey-yah, significado: As tribos do


44
Senhor).

5.2. Why"/ Ahy> (Yeho e Yahu). Estas formas abreviadas em


hebraico são atestadas nos papiros de Elefantina (séc V a.C,
perto de Assuã, no Alto Egito) escritos em aramaico, a língua
franca do império Persa (dos séculos V e IV a.C,) parte do Egito
e Palestina.

Em nomes próprios como: WhY"liae (Eliyahu, Deus é Yahvé);


qd'c'Ahy> (Yehotsadaq, o Senhor é integro). Não existe em
hebraico nenhuma palavra que inicia em Yahu, ou Yaho, mas há
palavras que terminam.45

A forma Yahweh (yhwh) foi estabelecida pelas seguintes


abreviações como Yah, Yahû, Yô, e Yehô46.

44
Cf. Bauer-Leander Heb. pag 503i; também Rudolph Ru.-HL-Kl.pag 179, 180.
45
Observe o elemento teofórico ‫ יָ ה‬com em ‫ יְ ַשׁ ְעיָ ה‬para ‫ יְ ַשׁ ְע ָ֫יהוּ‬e ‫ יִ ְר ִמיָ ה‬para ‫יִ ְר ִמ ָ֫יהוּ‬.
Joüon, Paul; Muraoka, Takamitsu: A Grammar of Biblical Hebrew; Editrice
Pontificio Istituto Biblico, 2003; 2005, S. 1:93.
46
Cf. F. M. Cross, Canaanite Myth and Hebrew Epic (Cambridge, Mass/London
1973), pag 61.
22 PROFESSOR FABIO SABINO

A abreviação (ou hipocorístico) se vê em formas finais de


nomes que é característica de predileções regionais: assim Yw
(Yau em fontes Neo-assírias) é especialmente encontrada em
contexto norte-israelita e Yh (Yah), por outro lado, é
predominantemente na Judéia.47

A forma Yhw (Yahu ou Yeho) é dito ser originalmente da


Judéia48, mas a sua ocorrência não se encontrou ao norte de
Kuntillet ˓Ajrud. Em nomes pessoais Nabateu frequentemente se
vê ˓bd˒hyw (variante ˓bd˒hy), o elemento ˒hyw (˒hy) o qual tem
sido interpretado como uma grafia do nome divino Yahweh49.

É certo que o Tetragrama não foi a forma mais antiga. A


forma “Yah” por várias vezes é atestada no Antigo Testamento
muito mais que “Yahu” (Ex 15:2; o culto Hallelu-yah = louvor
yah). As formas curtas que aparecem em nome são: “yah”,
“yahu”, “yo” e “yeho”, porém se verá abaixo que a maior
atestação será de “Yah” e não “Yahu” e isso significa que a
maior atestação era a definição para um nome de uma divindade.
Agora se essa divindade é o Deus do povo hebreu é algo que
estudaremos mais abaixo.

47
Cf.M.Weippert, Semitische Nomaden des zweiten Jahrtausends, Bib 55 [1974], pag
247–248.
48
Cf.Weippert, Jahwe, RLA 5 (1980), pag 247.
49
Cf. E. A. Knauf, Yahwe, VT 34 (1984), pag 467–472; M. Ldzbarski, ESE 3 [1915],
pag 270 n. não é certo se é um topônimo ou um antropônimo, porém, uma conexão
com o Tetragrama não está provada.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 23

O trabalho abaixo seguirá a seguinte regra: (1) O nome


conforme está nas Bíblias em português. (2) A referência
bíblica. (3) O vocábulo hebraico com a terminação em Yah. (4)
A tradução. (5) O vocábulo hebraico com a terminação em
Yahu. (6) A forma como se encontra na Septuaginta.

1. Abias, I Rs 14.1. hY"bia] (meu pai é Yah) (WhY"ñbia]) (Αβια


I Sam 8:2 LXX)

2. Acazias, I Rs 22.52 hy"z>x;a] (Yah protege) (Why"ñz>x;a])


(Οχοζιας II Rs 22:52 LXX)

3. Adaías, I Cro 8.21 hy"d'[] (Yah tem adornado) (Why"d'[])


(Αδαια I Cro 8:21 LXX)

4. Adonias, II Sam 3.4 hY"nIdoa] (Yah é Senhor) (WhY"nIdoa])


(Ορνια II Sam 3:4 LXX)

5. Aías, I Sam 14.3 hY"xia] (Yah é irmão) (WhYñ'xia]) (Αχια


1Sam 14:3 LXX)

6. Amarias, Nem 10.3 hy"r>m;a] (Yah Diz) (Why"ñr>m;a]) (Αµαρια


Nem 10:4 LXX)
24 PROFESSOR FABIO SABINO

7. Amasias, II Cro 17.16 hy"s.m;[] (Yah é a força) (Αµασιας


II Cro 17:16 LXX)

8. Amazias, II Rs 12.22 hy"c.m;a] (Yah é poderoso)


(Why"c.m;a]) (Αµεσσιας II Rs 12:22)

9. Ananias, Nem 3.23 hy"n>n"[] (Nuvens de Yah) (Ανανια


Nem 3:23 LXX)

10. Ania, Nem 8.4 hy"n"[] (Yah tem respondido)

11. Antotias, I Cro 8.24 hY"tiAtn>[; (resposta de Yah)

12. Asaías, II Rs 22.12 hy"f'[] (feito por Yah)

13. Ataías, Nem 11.4 hy"f'[] (feita por Yah)

14. Atalias, I Cro 8.26 hy"l.t;[] (aflitos de Yah) (Why"l.t;[)

15. Azanias, Nem 10.9 hy"n>z:a] (Yah ouve)

16. Azazias, I Cro 15.21 hY"ZI[ (Yah é poderoso) (Why"z>z:[])

17. Baaséias, I Cro 6.25 hy"fe[]B; (Yah serve)


YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 25

18. Baquebuquias, Nem 11.17 hy"q.Buq.B; (Yah desperdiça)

19. Baraías, I Cro 8.21 hy"ar'B. (Yah criou)

20. Bealias, I Cro 12.5 hy"l.[;B. (Yah é Baal=Senhor)

21. Berequias, I Cro 3.20 hy"k.r,B, (Yah abençoa)


(Why"ñk.r,B,)

22. Besodias, Nem 3.6 hy"d>AsB. (segredo de Yah)

23. Bitia, I Cro 4.18 hy"t.Bi (Filha de Yah)

24. Biziotiá, Jos 15.28 hy"t.Ayz>Bi (Yah despreza)

25. Colaías, Jer 29.21 hy"l'Aq (Yah falou)

26. Conanías, II Cro 31.12 hy"n>n:K. (Yah estabelece) (Why"n>n:K.)

27. Delaías, Nem 6.10 hy"l'D> (Yah envolve) (Why"l'D>)

28. Elias, II Rs 1.3 hY"liae (Yah é Deus) (WhY"ñliae)


26 PROFESSOR FABIO SABINO

29. Ezequias, II Rs 18.1 hY"qiz>xi (Yah é minha força)


(WhY"qiz>xi)

30. Gedalias, Esd 10.18 hy"l.d;G> (Yah é grande) (Why"l.d;G>)

31. Gemarias, Jer 29.3 hy"r>m;G> (Yah realiza) (Why"r>m;G>)

32. Habaías, Esd 2.61 hY"b;x\ (Yah esconde)

33. Habazinias, Jer 35.3 hy"n>Cib;x] (A luz de Yah)

34. Hacalias, Nem 1.1 hy"l.k;x] (Quem Yah ilumina)

35. Hananias, Jer 28.1 hy"n>n:x] (Yah favorece) (Why"n>n:x])

36. Hananias, Nem 3.8 hy"h]r>x; (Temor de Yah)

37. Haraías, Nem 3.8 hy"h]r>x; (temor de Yah)

38. Hasabías, I Cro 25.3 hy"b.v;x] (Yah considerou)


(Why"b.v;x])

39. Hasabnéias, Nem 3.10 hy"n>b.v;x] (Yah considera)


YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 27

40. Hasadías, I Cro 3.20 hy"d>s;x] (Yah tem sido fiél)

41. Hazaías, Nem 11.5 hy"z"x] (Yah tem visto)

42. Hilquias, II Rs 18.37 hY"qil.xi (Yah é minha porção)


(WhY"qil.xi)

43. Hodeva, Nem 7.43 hw"d>Ah (Muitos manuscritos leem


esse nome como hy"w>d;Ah, Louvor a Yah) (Whyñ'w>d;Ah)

44. Hodias, I Cro 4.19 hY"dIAh (Yah é majestoso) (hY"dIAh)

45. Hosaías, Jer 42.1 hy"[.v;Ah (Yah Salva)

46. Ibnéias, I Cro 9.8 hY"nIb.yI (Yah constrói)

47. Ifdéias, I Cro 8.25 hy"d>p.yI (Yah redimi)

48. Ismaías, I Cro 12.4 hy"[.m;v.yI (Yah vai ouvir) (Why"[.m;v.yI)

49. Izraías, I Cro 7.3 hY"ViyI (Yah empresta) (WhY"ViyI)

50. Izraías, I Cro 7.3 hy"x.r;z>yI (Yah brilha)


28 PROFESSOR FABIO SABINO

51. Jaaresias, I Cro 8.27 hy"v.r,[]y: (Yah nutre)

52. Jazanias, Jer 35.3 hy"n>z:a]y: (Yah ouve) (Why"n>z:a]y:)

53. Jazeías, Esd 10.15 hy"z>x.y: (Yah analisa)

54. Jecamias, I Cro 2.41 hy"m.q;y> (Yah eleva)

55. Jecolias, II Cro 26.3 hy"l.k'y> (Yah é capaz) (Why"l.k'y>)

56. Jeconias, Jer 27.20 hy"n>k'y> (Yah estabelece)

57. Jedaías, I Cro 27.4 hy"[.d;y> (Yah sabe)

58. Jedaías, Nem 3.10 hy"d'y> (Elogio de Yah)

59. Jedidias, II Sam 12.25 Hy"d>ydIy> (Amado de Yah)

60. Jeías, I Cro 1.24 hY"xiy> (Yah vive)

61. Jeremias, Jer 27.1 hy"m.r>yI (Yah designou) (Why"m.r>yI)

62. Jerias, I Cro 26.31 hY"rIy> (Yah ensina) (WhY"rIy>)


YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 29

63. Jerias, Jer 37.13 hyY"air>yI (Yah me vê)

64. Jesaías, I Cro 3.21 hy"[.v;y> (Yah salvou) (Why"[.v;y>)

65. Jesoaías, I Cro 4.36 hy"x'Avy> (Yah humilha)

66. Jezanias, Jer 42.1 hy"n>z:y> (Yah escutou) (Why"n>z:y>)


67. Jezias, Esd 10.25 hY"ZIyI (Yah cobre)

68. Josavias, I Cro 11.46 hy"w>v;Ay (Yah faz igual)

69. Josias, Zac 6.10 hY"viayO (quem Yah cura) (WhY"viayO)

70. Josibias, I Cro 4.35 hy"b.viAy (Yah faz habitar)

71. Josifias, Esd 8.10 hy"p.siAy (Yah acrescenta)

72. Maadias, Nem 12.5 hy"d>[;m; (Yah adornou)

73. Maaséias, Jer 29.21 hy"fe[]m; (Yah trabalhou)

74. Maaséias, Jer 21.1 hy"fe[]m; (obra de Yah) (Why"fe[]m;)

75. Maaséias, Jer 32.12 hy"sex.m; (Yah é um abrigo)


30 PROFESSOR FABIO SABINO

76. Maazías, Nem 10.9 hy"z>[;m; (Yah consola) (Why"z>[;m;)

77. Malquias, Jer 21.1 hY"Kil.m; (Yah é rei) (WhY"Kil.m;)

78. Matanias, I Cro 25.4 hy"n>T;m; (dom de Yah) (Why"n>T;m;)

79. Melatias, Nem 3.7. hy"j.l;m. (Yah entregou)

80. Meselemias, I Cro 9.21 hy"m.l,v,m. (Yah reembolsa)


(Why"m.l,v,m)

81. Micaías, Nem 12.35 hy"k'ymi (quem é como Yah)


(Why"kymi)

82. Moadias, Nem 12.17 hy"d>[;Am (Yah definiu o tempo)

83. Moriá, Gn 22.2 hY"rIAm (Yah escolheu)

84. Nearias, I Cro 3.22 hy"r>[;n> (servo de Yah)

85. Nedabias, I Cro 3.18 hy"b.d;n> (Yah impele)

86. Neemias, Nem 1.1 hy"m.x,n> (Yah conforta)


YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 31

87. Nerias, Jer 36.14 hY"rInE (lâmpada Yah) (WhY"rInE)

88. Netanias, I Cro 25.2 hy"n>t;n> (dado Yah) (Why"n>t;n>)

89. Noadias, Esd 8.33 hy"d>[;An (Yah encontrou)

90. Obadias, Ob 1.1 hy"d>b;[o (servo de Yah) (Why"d>b;[o)

91. Pecaías, II Rs 15.22 hy"x.q;P. (Yah vê)

92. Pedaías, II Rs 23.36 hy"d'P. (Yah resgatou) (Why"d'P.)


93. Pelaías, I Cro 3.24 hy"l'P. (Yah faz maravilhas)

94. Pelalías, Nem 11.12 hy"l.l;P. (Yah julgou)

95. Pelatias, I Cro 3.21 hy"j.l;P. (Yah proporciona)


(Why"j.l;P.)

96. Petaías, Esd 10.23 hy"x.t;P. (Yah liberta)

97. Quenanias, I Cro 15.27 hy"n>n:K. (Yah estabelece) (Why"n>n:K.)

98. Raamias, Nem 7.7 hy"m.[;r; (trovão de Yah)


32 PROFESSOR FABIO SABINO

99. Reabias, I Cro 23.17 hy"b.x;r> (Yah tem aumentado)


(Why"b.x;r>)

100. Reeleías, Esd 2.2 hy"l'[er> (Yah leva)

101. Remalias, Is 7.1 hylmr (protegido por Yah) (Why"l.m;r>)

102. Safatias, II Sam 3.4 hy"j.p;v. (Yah é justiça)

103. Saquias, I Cro 8.10 hy"k.f' (Yah anuncia)

104. Searias, I Cro 8.38 hy"r>[;v. (Yah valoriza)

105. Sebanias, Nem 9.4 hy"n>b;v. (Yah aumentou) (Why"n>b;v.)

106. Sefatias, II Sam 3.4 hy"j.p;v. (Yah julgou) (Why"j.p;v.)

107. Selemias, Jer 37.3 hy"m.l,v, (Yah reembolsa) (Why"m.l,v,)

108. Semaías, I Rs 12.22 hy"[.m;v. (Yah ouviu) (Why"[.m;v.)

109. Semarías, II Cro 11.19 hy"r>m;v. (Yah guarda) (Why"r>m;v.)


YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 33

110. Seraías, Esd 7.1 hy"r'f. (Yah é governante) (Why"r'f.)

111. Serebias, Nem 8.7 hy"b.reve (Yah queima)

112. Sofonias, Sof 1.1 hy"n>p;c. (Yah tem valorizado) (Why"n>p;c.)

113. Tobias, Zac 6.10 hY"biAj (Yah é bom) (WhY"biAj)

114. Urias, II Sam 11.3 hY"rIWa (Yah é luz) (WhY"rIWa)

115. Uzias, II Rs 15.13 hY"ZI[u (minha força é Yah) (WhY"ZI[u)

116. Zacarias, Esd 8.3 hy"n>k;v. (Yah reside) (Why"n>k;v.)

117. Zacarias, II Rs 14.29 hy"r>k;z> (Yah se lembra) (Why"r>k;z>)

118. Zebadias, Esd 8.8 hy"d>b;z> (Dádiva de Yah) (Why"d>b;z>)

119. Zedequias, Jer 27.12 hY"qid>ci (Yah é justo) (WhY"qid>ci)

120. Zeraías, I Cro 5.32 hy"x.r;z> (Yah ressuscitou)

Dos 120 nomes que tem “Yah” apenas 58 tem “Yahu”.


Portanto isso demostra qual a forma que se dava prioridade.
34 PROFESSOR FABIO SABINO

5.3. Nomes que não têm atestação do Yah

1. Azalias, II Rs 22.3 Why"l.c;a] (Yahu separou)

2. Buquias, I Cro 25.4 WhY"QiBu (Yah esvazia)

3. Ismaquias, II Cro 31.13 Why"k.m;s.yI (Yahu sustenta)

4. Jaazias, I Cro 24.26 WhY"zI[]y: (Yahu ousou) (laeyzI[]y:)

5. Jeberequias, Is 8.2 Why"k.r,b,y> (Yah abençoa)

6. Jedias, I Cro 24.20 Why"D>x.y< (Yahu é unidade)

7. Jigdalias, Jer 35.4 Why"l.D;g>yI (Yah é grande)

8. Micnéias, I Cro 15.18 Why"nEq.mi (posse de Yahu)

9. Tebalias, I Cro 26.11 Why"l.b;j. (amado de Yah)

Mesmo somando esses nomes que não tem Yah, a forma Yahu
não se sobressaiu de Yah em quantidade de atestações.

5.4. Nomes que no seu início têm Ahy> (Yeho), Why>


(Yehu) e não Why" (Yahu)

1. Josafá, I Rs 15.24 jp'v'Ahy> (Yeho tem julgado) (jp'v'Ay)

2. Josué, Det 3.21 [;vuAhy> (Yeho é a salvação) ([;vuhuy>)


YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 35

3. Joiada, Jer 29.26 [d'y"Ahy> (Yeho sabe)

4. Judá, Gn 29.35 hd'Why> (Louvor), entretanto o nome não


carrega o tetragrama, mas é atestado formas no “aramaico”
sendo utilizado o nome sagrado ay"d'Why>, (Aramaico), como
também no gênero feminino em I Cro 4.18, hY"dIhuy> \hY"dIWhy>
(Bauer-L. Heb. 502).

5. Judite, Gn 26.34 tydIWhy> (Judia, ou louvado)

6. Jucal, Jer 37.3 lk;Why> (Yehu é capaz)

7. Jadai, I Cro 2.74 yD'h.y" (Yah vai colocar)

8. José, Sl 81.6 @seAhy> (Yeho acrescentou) (@seAy,)

9. Joaquim, II Rs 24.5 !ykiy"Ahy> (Yeho estabelece). É proposto


que a forma correta é hy"n>k'y> (Jeconias, Yah estabelece, Lachish
3:15; Donner-R. Inschriften 2:193) e isso com base nos
seguintes textos: Jer 27.20 e Jer 28.4.

10. Jeoiaquim, II Rs 24.6 ~yqiy"Ahy> (Yah levanta) (hy"n>k'y>)

11. Jozadaque, Ag 1.1 qd'c'Ahy> (Yaho é justo) (qd'c'Ay)

12. Joiada, II Sam 8.18 [d'y"Ahy> (Yeho sabe) ([d'y"Ay)


36 PROFESSOR FABIO SABINO

13. Jeoada, I Cro 8.36 hD'[;Ahy> (Yeho tem adornado) (hD'[.y:)

14. Joana, Esd 10.6 !n"x'Ahy> (Yeho tem agraciado) (hy"n>n:x])

15. Jeoacaz, II Rs 10.35 zx'a'Ahy> (Yeho tem tomado) (hy"z>x;a])

16. Jeoseba, II Rs 11.2 [b;v,Ahy> (Yeho jurou)

17. Joás, II Rs 12.1 va'Ahy> (dado pelo Yaho) (va'Ay)

18. Jozabade, II Rs 12.22 db'z"Ahy> (Yeho dotou)

19. Jonadabe, II Sam 13.5 bd'n"Ahy> (Yaho está disposto) (bd'n"Ay)

20. Jeoadã, II Rs 14.2 !yDi[;Ahy> (Yeho é minha delicia) (!yDI[)

21. Jonatas, I Sam 14.6 !t'n"Ahy> (Yaho deu) (!t'n"Ay)

22. Jeú, I Rs 19.16 aWhyE (Yehu é ele)

23. Jeorão, I Rs 22.51 ~r'Ahy> (Yeho é exaltado) (~r'Ay)

Porque se tem Ahy> Why> (Yehu) no “inicio dos


(Yeho) e
nomes” de alguns personagens e “não” Why" (Yahu)? Por causa
da consoante “he” (h) não está fechando ou encerrando uma
sílaba, e sim o “vav” (shurek‫)ו‬50.
50
Cf. Page. H.Kelley, Hebraico Bíblico, Uma Gramática Introdutória, 8ª Ed, 2011,
pag 40.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 37

Caso a sílaba final tivesse o “he” (h) então poderia ter


abaixo do “yod” (‫ )י‬o qamets 51ou o qamets hatuf, 52 pois o “he”
(h) no final de uma silaba representa tanto o som de “a” quanto
de “o”53. Observação. Dos 23 nomes com “Yaho”, 7 utilizaram a
forma “Yo”.

5.5. Nomes bem abreviados

1. Jó, Gn 46.13 bAy (perseguido)

2. Joá, II Rs 18.18 xa'Ay (Yo é irmão)

3. Joacaz, II Cro 34.8 zx'a'Ay (Yo agarra)

4. Joás, I Sm 26.6 ba'Ay (Yo é pai)

5. Jobabe, Gn 10.29 bb'Ay (deserto)

6. Joel, Joe 1.1 laeAy (Yo é Deus)

51
Nome do sinal massorético que representa o som de “a”
52
Nome do sinal massorético que representa o som de “o”
53
Cf. Gesenius, Friedrich Wilhelm: Kautzsch, E. (Hrsg.); Cowley, Sir Arthur Ernest
(Hrsg.): Hebrew Grammar. 2d English ed. Oxford: Oxford University Press, 1910, S.
36.
38 PROFESSOR FABIO SABINO

5.6. Casos desconhecidos.

hy"l.Pea.m; (Yah escureceu). Esse vocábulo é atestado em Jer


2.31 entretanto é de se acreditar que a escuridão vem pela parte
de Yah como sendo o efeito de sua vontade.

hY"midU Esse vocábulo é de Sl 65.1, Yah silenciou, entretanto o


texto é problemático.

5.7. O Tetragrama está no nome dos filhos de Israel?

Quem nunca ouviu essa expressão que o Tetragrama está


no nome dos filhos de Israel e na cidade de Jerusalém. Os
pseudos detendores do nome sagrado afirmam com base em
alguns versículos que o nome “Yahu” ou “Yaohu” é a forma
correta por existir versículos dizendo isso, mas se viu acima no
tópico 5.2 ao 5.6 que se existe uma forma “massorética”correta é
a pronúncia “yah”e não “yahu” ou “yaohu”. A base bíblica que
eles utilizão são:

Números 6.27. Assim porão o meu nome sobre os filhos


de Israel, e eu os abençoarei.

2 Crônicas 7.14 E se o meu povo, que se chama pelo meu


nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter
dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei
os seus pecados, e sararei a sua terra.

Com base na falha argumentação deles observe o seguinte


em Números 26.1-65 onde pela “primeira vez” aparecem
verdadeiramente os “nomes dos filhos de Israel”.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 39

V.5. Rúben, o primogênito de Israel; os filhos de Rúben:


de Enoque (%Anx]), a família dos enoquitas; de Palu (aWLP;), a
família dos paluítas.

V.6. De Hezrom (!roc.x,), a família dos hezronitas; de


Carmi (ymir>K;), a família dos carmitas.

V.7. Estas são as famílias dos rubenitas (ynIbeWar>); e os que


foram deles contados foram quarenta e três mil e setecentos e
trinta.

V.8. E os filhos de Palu (aWLp;), Eliabe (ba'ylia/).

V.12. Os filhos de Simeão, segundo as suas famílias: de


Nemuel (laeWmn>), a família dos nemuelitas; de Jamim (!ymiy"), a
família dos jaminitas; de Jaquim (!ykiy"), a família dos jaquinitas.

V.13. De Zerá (xr;z<), a família dos zeraítas; de Saul


( lWav'), a família dos saulitas.
V. 15. Os filhos de Gade, segundo as suas gerações; de
Zefom (ynIApc.), a família dos zefonitas; de Hagi (yGIx;), a família
dos hagitas; de Suni (ynIWv), a família dos sunitas.

V.16. De Ozni (ynIz>a'), a família dos oznitas; de Eri (yrI[e),


a família dos eritas.
40 PROFESSOR FABIO SABINO

V.17. De Arode (dAra]), a família dos aroditas; de Areli


(yliaer>a;), a família dos arelitas.

V.20. Assim os filhos de Judá foram segundo as suas


famílias; de Selá (hl've), a família dos selanitas; de Perez
(#r,P,), a família dos perezitas; de Zerá (xr;z<), a família dos
zeraítas.

V.21. E os filhos de Perez foram: de Hezrom (!Arc.x,), a


família dos hezronitas; de Hamul (lWmx'), a família dos
hamulitas.

V. 23. Os filhos de Issacar, segundo as suas famílias,


foram: de Tola (y[il'AT), a família dos tolaítas; de Puva (hW"Pu), a
família dos puvitas.

V.24. De Jasube (bWvy"), a família dos jasubitas; de


Sinrom (!Arm.vi), a família dos sinronitas.

V.26. Os filhos de Zebulom (!WlWbz>), segundo as suas


famílias, foram: de Serede (dr,s,), a família dos sereditas; de
Elom (!Alae), a família dos elonitas; de Jaleel (lael.x.y:), a
família dos jaleelitas.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 41

V.29. Os filhos de Manassés foram; de Maquir (yrIykim'), a


família dos maquiritas; e Maquir gerou a Gileade (d['l.GI); de
Gileade, a família dos gileaditas.

V.30. Estes são os filhos de Gileade; de Jezer (rz<[,yai), a


família dos jezeritas; de Heleque (ql,xe), a família dos
helequitas.

V.31. E de Asriel (laeyrIf.a;), a família dos asrielitas; e de


Siquém (~k,v,), a família dos siquemitas.

V.32. E de Semida ([d'ymiv.), a família dos semidaítas; e


de Hefer (rp,xe), a família dos heferitas.

V.33. Porém, Zelofeade (dx'p.l'c.), filho de Hefer (rp,xe),


não tinha filhos, senão filhas; e os nomes das filhas de Zelofeade
foram Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza.

V.35. Estes são os filhos de Efraim, segundo as suas


famílias: de Sutela (xl;t,Wv), a família dos sutelaítas; de Bequer
(rk,B,), a família dos bequeritas; de Taã (!x;T;), a família dos
taanitas.

V. 36. E estes são os filhos de Sutela (xl;t,Wv) de Erã


(!r'[e), a família dos eranitas.
42 PROFESSOR FABIO SABINO

V.38. Os filhos de Benjamim, segundo as suas famílias: de


Belá ([l;B,), a família dos belaítas; de Asbel (lBev.a;), a família
dos asbelitas; de Airã (~r'yxia]), a família dos airamitas.

V.39. De Sufã (~p'Wpv.), a família dos sufamitas; de Hufã


(~p'Wx), a família dos hufamitas.

V.40. E os filhos de Belá ([l;B,) foram Arde e Naamã; de


Arde (D>r>a;), a família dos arditas; de Naamã (!m'[]n:), a família
dos naamanitas.

V.44. Os filhos de Aser, segundo as suas famílias, foram:


de Imna (hn"m.yI), a família dos imnaítas; de Isvi (ywIv.yI), a família
dos isvitas; de Berias (h['yrIB.), a família dos beriítas.

V.45. Dos filhos de Berias, foram; de Héber (yrIb.x,), a


família dos heberitas; de Malquiel (laeyKil.m;), a família dos
malquielitas.

V.48. Os filhos de Naftali, segundo as suas famílias; de


Jazeel (laec.x.y:), a família dos jazeelitas; de Guni (ynIWG), a
família dos gunitas.

V.49. De Jezer (rc,yE), a família dos jezeritas; de Silém


(~Levi), a família dos silemitas.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 43

V.53. A estes se repartirá a terra em herança, segundo o


censo.

V.63. São estes os que foram contados por Moisés e o


sacerdote Eleazar (rz"['l.a,), que contaram “os filhos de Israel”
nas campinas de Moabe, ao pé do Jordão, na altura de Jericó.

V.64. E entre estes nenhum houve dos que foram contados


por Moisés e Arão, o sacerdote, quando contaram aos filhos de
Israel no deserto de Sinai.

V.65. Porque o SENHOR dissera deles que certamente


morreriam no deserto; e nenhum deles ficou senão Calebe
(bleK'), filho de Jefoné (hN<puy>), e Josué ([;WvAhy>), filho de Num
(!Wn).

Não se viu aqui nesses nomes dos filhos de Israel nada do


Tetragrama.

5.8. O Tetragrama está no nome Jerusalém?

Onde está o Tetragrama no nome Jerusalém em hebraico?


Algumas pessoas fazem uso da passagem de 1 Reis 8.16 para
afirmar que o nome Jerusalém tem o Tetragrama, veja o que diz
o versículo que os memos usam:

Desde o dia em que eu tirei o meu povo Israel do Egito,


não escolhi cidade alguma de todas as tribos de Israel, para
edificar alguma casa para ali estabelecer o meu nome; porém
escolhi a Davi, para que presidisse sobre o meu povo Israel (I Rs
8.16).
44 PROFESSOR FABIO SABINO

Agora vejamos se de fato e verdade o nome “Jerusalém”


em hebraico utiliza o Tetragrama. Geralmente a forma comum
utilizada é ‫רוּשׁ ַלם‬
ָ ְ‫י‬, ‫רוּשׁ ָ ֽל ִם‬
ָ ְ‫י‬: (yerushalam, ou yerushalaim),
porém existem outras formas como: ‫רוּשׁ ַליִם‬ ָ ְ‫( י‬yerushalayim)
conforme as seguintes passagens: Jer 26.18; Est 2.6; 1 Cro 3.5; 2
Cro 25.1 e 2 Cro 32.9 a forma ‫יְמה‬
ָ ‫רוּשׁ ֫ ַל‬
ָ ְ‫( י‬yerushalaymah)54. Vê-
se que até aqui não se encontra Tetragrama algum no nome em
hebraico de Jerusalém.

Nas descobertas dos manuscritos do Mar morto se vê


frequentemente a seguinte forma: ‫;ירושלים‬55 utilizando o Ketib
‫רוּשׁ ֵלם‬
ָ ְ‫( י‬yerushalem) ficando no grego como Ιερουσαλημ. As
cartas de Amarna falam de Urusalim56e Urusalimmu 57
já o
Aramaico Bíblico relata a forma ‫רוּשׁ ֶלם‬
ְ ְ‫י‬, 58
o Siriaco a forma
59
ʾU/Orišlem .

54
Cf. Koehler, Ludwig; Baumgartner, Walter; Richardson, M.E.J; Stamm, Johann
Jakob: The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. electronic ed. Leiden;
New York : E.J. Brill, 1999, c1994-1996, S. 437.
55
Cf. Freedman Textus, Dead Sea Scrolls; → Dam.; DJD; Kuhn Konkordanz 2:97f.
56
Cf. EA Tell el-Amarna; → Knudtzon Amarna Tafeln; Rainey Amarna Tablets.
57
Cf. Sennacherib the prism inscription; Pritchard Texts 287f iii:8; Borée 53.
58
Biblical Aramaic; → Bauer-L. Arm.; KBL Foreword.
59
Cf. Koehler, Ludwig; Baumgartner, Walter; Richardson, M.E.J; Stamm, Johann
Jakob: The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. electronic ed. Leiden;
New York : E.J. Brill, 1999, c1994-1996, S. 437.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 45

5.8.1. Definição etimológica do nome Jerusalém.

Alguns estudiosos informam que o vocábulo “Jerusalém”


origina-se do vocábulo ‫( יְ רוּ‬yeru) fundada por Šalem sendo esse
um nome divino60.

Entretanto outros estudiosos divergem quanto à etimologia


e ortografia, alguns acreditam que o vocábulo ‫רוּשׁ ַל ִם‬
ָ ְ‫י‬
(yerushalaim) origina-se da forma ‫רוּשׁ־שׁ ַליִם‬
ָ ְ‫י‬
(yerush+shalaim), cujo significado se tem: a posse de paz,
fezendo com que um ‫( שׁ‬sh) seja excluído61.

Outros estudiosos acreditam que o nome “Jerusalém”


origina-se de ‫ יְ רוּ‬a partir da raiz ‫( יָ ָרה‬yarah), cujo significado se
tem: fundação, e assim ‫ ירושׁלם‬significaria “fundação de paz”.

Quanto à última parte do nome “Jerusalém”, alguns


supõem que o vocábulo ‫( ָשׁ ַל ִם‬shalaim) e ‫( ָשׁ ַליִם‬shalayim) seja o
dual de ‫ ָשׁ ֶלה‬cujo significado se tem: “calma”, “sossego” 62.

60
Cf. Vincent 657ff; Haussig Wb. 1:306f; Stolz BZAW 118:181ff; Gese-H. Religionen
pag 170.
61
Cf. Gesenius, Wilhelm; Tregelles, Samuel Prideaux: Hebrew and Chaldee Lexicon
to the Old Testament Scriptures. Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc,
2003, S. 366.
62
Ibid.
46 PROFESSOR FABIO SABINO

Não se pode esquecer que ‫רוּשׁ ַל ִם‬


ָ ְ‫( י‬yerushalaim) foi uma
cidade dos Cananeus (Jos 10:1, 5; 15:8), e no tempo de Davi em
diante a metrópole dos hebreus, e a cidade real da casa de Davi;
situado nas fronteiras das tribos de Judá e Benjamin.63

Diante de todo o exposto fica complicado encontrar algum


Tetragrama no nome “Jerusalém”. Aqueles que defendem que
deve ter o Tetragrama no nome Jerusalém, no mínimo devem
inserir as fontes bibliográficas, arqueológicas e conceitos de
especialistas da área, fora isso, não havendo é mera manipulação
da informação para o seu prórpio ego.

63
Cf.Gesenius, Wilhelm; Tregelles, Samuel Prideaux: Hebrew and Chaldee Lexicon to
the Old Testament Scriptures. Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc, 2003,
S. 366.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 47

Capítulo 6
6. A historicidade do Tetragrama.

De acordo com a Bênção de Moisés o Tetragrama


“originou no Sinai”, “alvoreceu em” Seir, e “resplandeceu no
Monte Parã” (Det 33:2). Em outro lugar se diz ter vindo de
Temã e do Monte Parã (Hab 3:3).

As referências ao “Yhwh de Temã” se vê em Kuntillet


˓Ajrud onde inscrições confirmam a conexão extra bíblica da
topografia64. Todos estes lugares-Seir, Monte Parã, Temã e Sinai
estão perto de Edom.

Se o Tetragrama estava na região sul, então, como é que


ele fez seu caminho para o norte? De acordo com uma teoria
amplamente aceita, os Queneus eram os mediadores do culto ao
Tetragrama.

Um dos primeiros a avançar na hipótese dos Queneus foi o


historiador holandês da religião Cornelis P. Tiele. Em 1872
Tiele caracterizou o Tetragrama historicamente como “o deus
do deserto, adorado pelos Queneus e seus parentes próximos aos
israelitas”.65

64
Cf. M. Weinfeld, Kuntillet ˓Ajrud Inscriptions and Their Significance, SEL 1
[1984], pag 121–130, esp pag 125, 126.
65
Cf. Cornelis P. Tiele. Vergelijkende geschiedenis van de Egyptische en
Mesopotamische godsdiensten [Amsterdam 1872], pag 559.
48 PROFESSOR FABIO SABINO

A ideia foi adotada e elaborada por B.Stade66, e ganhou


um apoio considerável desde então e também entre os estudiosos
modernos.67 Em sua forma clássica a hipótese pressupõe que os
israelitas se familiarizaram com o culto ao Tetragrama por
intermédio de Moisés.

De acordo com uma antiga tradição, Hobabe (Juz 1:16;


4:11; cf. Num 10:29) era um sacerdote midianita (Ex 2:16; 3:1;
18:1) que adorava o Tetragrama (Ex 18:10–12). Ele pertencia
aos Queneus (Juz 1:16; 4:11), um ramo dos midianitas. De
Hobabe e Moisés, os Queneus se tornaram os mediadores do
culto ao yhwh.68

Ambos, queneus e recabitas são mencionados como


habitando no Norte de Israel, numa fase inicial; assim são os
gibeonitas, que são etnicamente relacionados com os edomitas.69

Alguns desses grupos não eram residentes permanentes do


Norte Israelita e sim comerciantes. Já em Gn 37:28 comerciantes
midianitas são mencionados como sendo ativo entre a Palestina
e Egito70.

66
Cf. B. Stade (Geschichte des Volkes Israels [1887], pag 130–131.
67
Cf. A. J. Wensinck, De oorsprongen van het Jahwisme, Semietische Studiën uit de
nalatenschap van Prof. Dr. A. J. Wensinck [Leiden 1941], pag 23–50; B. D.
Eerdmans, Religion of Israel [Leiden 1947],pag 15–19; H. H. Rowley, From Joseph
to Joshua [London 1950], pag 149–160; A. H. J. Gunneweg, Mose in Midian, ZTK 60
[1964] 1–9; W. H. Schmidt, Exodus, Sinai, Wüste (Darmstadt 1983), pag 110–118;
Weinfeld 1987; Mettinger 1990: pag 408–409.
68
Cf. H. H. Rowley, From Joseph to Joshua [London 1950], pag 152–153.
69
Cf. J. Blenkinsopp, Gibeon and Israel [Cambridge 1972], pag 14–27.
70
Cf. Knauf, Midian (Wiesbaden 1988), pag 27.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 49

Se o Tetragrama de fato originou com os midianitas ou os


queneus; e a evidência parece apontar nessa direção, ele pode ter
sido levado a Transjordânia e a Palestina pelos comerciantes ao
longo das rotas de caravanas do sul para o leste.71

A ausência de referências a um culto sírio ou palestino do


Tetragrama fora de Israel sugere que o deus não pertencia ao
círculo tradicional de divindades ocidentais semitas.

As origens de sua veneração devem ser procuradas em


outro lugar. Uma série de textos sugere que o Tetragrama era
adorado no sul de Edom e Midiã antes de seu culto se espalhar
para a Palestina.

Até o século 14 a.C, o culto ao Tetragrama não tinha


chego a Israel, grupos de edomitas e midianitas nômades
adoravam o Tetragrama como seu deus. Esses dados convergem
com uma tradição do norte, encontrado em uma série de textos
antigos da Teofania, segundo a qual o Tetragrama veio de Edom
e Seir (Juz 5:4).

71
Cf. J. D. Schloen, Caravans, Kenites, and Casus belli, CBQ 55 [1993], pag 18–38,
esp. pag 36.
50 PROFESSOR FABIO SABINO

Capítulo 7
7. Tetragrama, um deus e não Deus.

O Tetragrama não era conhecido em Ugarit; o nome


singular Yw (vocalização desconhecida) em uma passagem
danificada do “Ciclo de Baal” (KTU 1.1 iv: 14)72 não pode ser
interpretada de forma convincente como uma abreviação do
Tetragrama73.

Alguns estudiosos acreditam que Yw (Yau), também é o


“nome abreviado” de um “ancestral divinizado”. Assim De
Moor interpreta o nome original da divindade como Yahweh-El,
“Que El esteja presente (como ajudante),” caso o estudioso
esteja correto o Tetragrama originou-se pelos deuses, em
particular do deus El, pois segundo Moor a inscrição demostra
que o Tetragrama era usado como verbo pelos deuses74.

Em apoio a esta forma especularam também o nome de


Jacó (Ya˓ăqōb), que aparentemente usa a forma abreviada Yh
(Yah), porém a construção arcaica é Y˓qb-˒l, “Meu El segue de
perto”, e nomes como Yaḫwi-Ilu em textos de Mari.75

72
Cf. KTU M. Dietrich, O. Loretz & J. Sanmartín, Die keil-alphabetische Texte aus
Ugarit (AOAT 24).
73
Cf. J. C. De Moor, The Rise of Yahwism (Leuven 1990), pag113–118.
74
Cf. J. C. De Moor, The Rise of Yahwism (Leuven 1990), pag 237–239.
75
Cf. Yaḫqub-el, H. Huffmon, Amorite Personal Names in the Mari Texts [Baltimore
1965], pag 203–204; S. Ahituv, Canaanite Toponyms in Ancient Egyptian Documents
[Jerusalem 1984], pag 200.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 51

De Moor chegou à conclusão de que, originalmente, o


Tetragrama foi “provavelmente o ancestral divino de uma das
tribos proto-israelita.”76

No entanto, embora teoricamente possível, é difícil


acreditar que a principal divindade israelita, venerado em um
culto que foi importado para a Palestina, era originalmente um
“ancestral divinizado”.

Embora tais “deuses fossem conhecidos”, eles nunca são


encontrados em uma posição de liderança no panteão. Há
reconhecidamente antigas divindades do Oriente Médio com um
nome composto que nunca foram antepassados.

Exemplos se incluem rkb˒l (tradicionalmente vocalizado


como →Rakib-el) de Sam˒al (KAI 24:16), e Malakbel, ˓Aglibol,
e Yarhibol de Palmira.

Morfologicamente, no entanto, esses nomes não se


comparam apenas por uma especulação, um exemplo se pode ter
na seguinte forma yahweh-DN uma vez que o primeiro
componente do nome é um substantivo77 significando
“mensageiro de Bel”, como também “bezerro de Bol” e yhwh da
Fonte78 para a interpretação do nome Yarhibol, se confere no
Acadiano o vocábulo yarḥu, “furo de água, lagoa”.79

76
Cf. J. C. De Moor, The Rise of Yahwism (Leuven 1990), pag 244.
77
Cf. TSSI J. C. L. Gibson, Textbook of Syrian Semitic Inscriptions, II 70.
78
Cf. J. Hoftijzer, Religio aramaica [Leiden 1968], pag 32–38.
79
Cf. The Assyrian Dictionary of the Oriental Institute of the University of Chicago,
I/J pag 325.
52 PROFESSOR FABIO SABINO

A tese de que o Tetragrama é um teônimo abreviado é a


sugestão de uma fórmula litúrgica. A solução proposta por Cross
é um exemplo. Ele especula que a forma do Tetragrama é
sobrevivente no título Yhwh Tsabaoth.

O ṣĕbā˒ôt (sabaot) são os exércitos do céu, ou seja, o


“conselho dos deuses”. O nome Yhwh Tsabaoth é a forma curta
para Ḏu yahwı̄ ṣaba˒ōt, “Aquele que cria os (celestes)
exércitos”.80

Uma vez que no seu ponto de vista este é de fato um título


de El, o nome completo pode ser reconstruído como Il-ḏu-
yahwı̄-ṣaba˒ôt. A análise de Cross volta ao seu professor W. F.
Albright.81

Freedman que cita as notas de Albright da história inédita


da Religião de Israel listando uma série de nomes das liturgias
reconstruídas como ˒ēl yahweh yiśrā˒ēl, “El-criador-Israel”
(com base em Gn 33:20) e ˒ēl yahweh rûḥôt, “El-criador dos
ventos,”82 em vez de uma forma reconstruída yahweh-˒el,
Albright conta com uma forma ˒El-yahweh— o que poderia ser
complementado por vários objetos.

80
Cf. F. M. Croos, Canaanite Myth and Hebrew Epic, Cambridge, Mass/London
1973, pag 70.
81
Cf. W. F. Albright, review of B. N. Wambacq, L’épithète divine Jahvé Seba˒ôt, JBL
67 (1948), pag 377–381.
82
Cf. D. N. Freedman, M. P. O’ Connor & H. Ringgren, ‫ יהוה‬jhwh, TWAT 3 1977–
82:547.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 53

Capítulo 8
8. As descobertas arqueológicas do Tetragrama.

Antes de 1200 a.C, o Tetragrama não era encontrado em


qualquer texto semita. A agitação causada por Pettinato que
alegou ter encontrado a forma abreviada do nome yhwh (YH)
como um elemento divino teofórico83 em nomes de Ebla (cerca
2400–2250 a.C) é infundado.84

Também depois de 1200 a.C, o Tetragrama raramente é


mencionado em textos não-israelitas. A afirmação de que “o
Tetragrama era adorado como um deus principal” no norte da
Síria, no 8º século a.C, não pode ser mantido.85

A afirmação é baseada nos nomes Azriyau e Yaubi˒di,


atestada como governantes indígenas dos estados do norte da
Síria no 8º século a.C.

A explicação desses nomes oferecidos por Dalley é


altamente duvidoso; interpretações mais satisfatórias são
possíveis.86 O mais antigo texto semita Ocidental a mencionar o
Tetragrama com exceção da evidência bíblica é a “Estela de
Mesa”, o rei moabita do 9 º século a.C.

83
É todo nome que contém elementos alusivos a Deus ou a deidades.
84
Cf. Pettinato, Ebla e a Bíblia, BA 43 [1980], pag 203–216, esp. pag 203–205.
85
Cf. S. Dalley, Yahweh in Hamath in the 8th century BC, VT 40 [1990], pag 21–32,
quotation pesher 29.
86
Cf. K. Van Der Toorn, Anat-Yahu, Some Other Deities, and the Jews of Elephantine,
Numen 39 (1992), pag 88–90.
54 PROFESSOR FABIO SABINO

8.1. A Estela de Mesa.

A estela Mesa é a inscrição mais antiga da Idade do Ferro


já encontrada com atestação de narrativas bíblicas é também a
maior evidência para a língua moabita, e um registro único de
campanhas militares.

A ocasião foi a construção de um santuário para Qemós


em Qarho, a acrópole (cidadela) de Dibom. Qemós desempenha
um papel importante nas guerras de Mesa, mas não é
mencionado em conexão com suas atividades de construção,
refletindo a necessidade crucial de dar reconhecimento ao deus
da nação na vida e na luta.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 55

O rei afirma estar agindo no interesse nacional,


removendo opressão israelita e restauração de terras perdidas,
mas uma leitura atenta da narrativa não deixa claro se todos os
territórios conquistados foram de fato anteriormente moabita -
em três histórias de campanha, não há referência explícita do
controle dos moabitas87.

O governante moabita relembra seus sucessos militares


contra Israel no tempo de Acabe: “E Quemós disse-me, vá, tome
Nebo de Israel! Então eu fui de noite e eu envolvido em luta
contra ela desde o amanhecer até o meio-dia. E eu a levei e
matei toda a sua população; sete mil homens, meninos,
mulheres, meninas e servas, pois me dediquei para destruí-la
(hḥrmth) para Ashtar-Quemós. E eu tirei de lá o ˒[r˒]ly YHWH e
eu arrastei-lo antes de Quemós” (KAI)88.

A inscrição parece um episódio paralelo a II Reis 3, Jorão


Rei de Israel faz uma aliança com Josafá, rei de Judá e de um rei
sem nome de Edom (sul de Judá) para acabar com Mesa um
rebelde vassalo, os três reis têm a melhor campanha, e Mesa,
em desespero, sacrifica seu filho mais velho, o sacrifício acaba
mudando o cenário e Mesa sai vitorioso. Entretanto estudiosos
acreditam que na verdade a estela de Mesa foi escrita para
glorificar o rei Mesa e Kemosh o deus de Moabe, e no Livro dos
Reis para glorificar o Senhor, o Deus de Israel89.

87
Cf. Parker, Simon B. Stories in Scripture and Inscriptions: Comparative Studies on
Narratives in Northwest Semitic Inscriptions and the Hebrew Bible. Oxford
University Press. 199, pag 44-58.
88
Cf. H. Donner & W. Röllig, Kanaanäische und aramäische Inschriften, 181:14–18.
89
Cf. Lemaire, Andre. The Mesha Stele and the Omri Dynasty, 2007, pag 136,137.
56 PROFESSOR FABIO SABINO

8.2. O Tetragrama era o Deus de Abraão?

De acordo com a cronologia bíblica compilado por alguns


estudiosos, Abraão nasceu por volta de 2100 a.C e viveu em Ur
dos Caldeus (moderna Tell al Muqayyar na Suméria, segundo
alguns). Se Kramer estiver correto na identificação de certos
motivos associados, é possível que Abraão teria conhecido Enki
e Ea como deus, pois ambos os nomes (Enki e Ea) não mudaram
antes do nascimento de Abrão. Hommel informou de que Ea =
Aa é o mesmo que Ya = Yavé e Margoliouth identifica Ea com o
Tetragrama, diz que os israelitas receberam este nome de
Abraão, quando saiu de Ur na Caldéia.90

Será que Haran onde Terá e Abraão se estabeleceram mais


tarde, através de “assonância” transformaram Ea (pronuncia-Ay-
a de acordo com Leick) em Ehyeh que supostamente falou a
Moisés na sarça ardente (Ex 3:14)?

Como os israelitas vieram a conhecer o Tetragrama? Pode


ser que, como diz Êxodo, que ele era originalmente um deus
midianita, introduzido na terra de Canaã por imigrantes do
Egito, ou, ele pode ter começado como um membro menor do
panteão cananeu. Originalmente El era o deus supremo para os
israelitas como ele sempre foi para os cananeus. Isso se vê em El
no ciclo de Baal.91

90
Cf.Fritz Hommel: Altisreal, Ueberlieferung, 1897, pag. 17 nota 28; George
Margoliouth, antigas Religião dos antigos hebreus. Contemporary Review, Outubro
de 1898, pag 64; Nota 29; Hans H. Spoer Origem e Interpretação do
Tetragrammaton, The American Journal of semitas Línguas e Literatura, Vol. XVIII,
1902, pag 9-35.
91
Cf. Wyatt, N.: Religious Texts from Ugarit. 2nd ed. London; New York: Sheffield
Academic Press, 2002 (Biblical Seminar, 53), S. 36-69.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 57

Algumas pessoas alegam que Abraão conhecia o


Tetragrama, mas segundo Genesis 13.4 se vê que é bem após,
entretanto Ex 6.3 diz: Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como
“Deus Todo-Poderoso”; mas pelo meu nome, O YHWH, não
lhes fui conhecido. Aqui está a tradução do Tetragrama e isso se
torna contraditório. Agora se vê que o Tetragrama não era e
nunca foi o Deus dos patriarcas, pois o Deus dos patriarcas era
um dos “deuses cananeus” como se vê abaixo.

8.2.1. O uso na Mesopotâmia. Na antiga Mesopotâmia


ilu é atestado como um substantivo para as divindades. Ilu como
uma divindade foi atestada em Emar92. A posição ocupada por
El no panteão Ugarítico pode ser comparado com a posição de
Ea (Aya) na Mesopotâmia, na lista dos deuses Ea é comparado
com Kothar93.

8.2.2. O uso em Ras Shamra. Os textos ugaríticos de


“Ras Shamra” fornecem mais de quinhentas referências a El. O
substantivo il nos textos ugaríticos frequentemente tem o
significado no apelativo, especialmente na literatura epistolar,
mas em parte também nos textos mitológicos, culto, e épico.
Metade das ocorrências, El denota uma “deidade distinta” que
reside na montanha sagrada, ocupando dentro dos mitos a
posição de mestre do panteão ugarítico.

92
Cf. D. Arnaud, Recherches au Pays d’Aštata. Emar VI/3 [Paris 1986] No. 282:16–
18: dIlu.
93
Cf. W. G. Lambert, The Pantheon of Mari, MARI 4 [1985], pag 525–539; E.
Lipinski, Éa, Kothar et El, UF 20 [1988], pag 137–143.
58 PROFESSOR FABIO SABINO

El está descrito também como o “santo”94 (qdš) e aparece


como uma divindade (Ancião de Dias); com cabelo grisalho95. O
epíteto frequentemente emprega lṭpn il dpid “o benevolente,
bem-humorado El” caracterizando a divindade ainda melhor96.
El recebeu uma sabedoria diferente que proporcionava julgar
tudo corretamente97. Por outro lado, El é conhecido como aquele
que é capaz de curar doenças98.

8.2.3. Textos mitológicos. Nos textos mitológicos, El é


descrito frequentemente como o pai de outros deuses. Além
disso, ele é chamado no épico de Keret de ab adam, “pai da
humanidade”, obviamente, porque ele é o criador da
humanidade.

A construção bny bnwt ocorre várias vezes nos mitos e


uma vez no épico de Aqhat. A expressão El refere-se a atividade
criativa.

Tradicionalmente bny tem sido entendido como o


particípio do tronco G e bnwt como um substantivo derivado da
mesma raiz. Assim, a construção é traduzida como “criador das
criaturas”. Nas cartas de Ras Shamra 24.244 e 24.251 tornaram-
se conhecidas, esta interpretação não é mais incontestável, como
bnwt ocorre alheio nesses documentos99.

94
Cf. KTU 1.16 i:11. 22.
95
Cf. šbt dqn KTU 1.3 v:2. 25; 1.4 v:4; 1.18 i:12.
96
Cf. KTU 1.4 iv:58; 1.6 iii:4. 10. 14; 1. 16 v:23; Loretz 1990:66.
97
Cf. KTU 1.3 v:30; 1.4 iv:41; v:3–4; 1.16 iv:1–2.
98
Cf. KTU 1.16 v:23–50; 1.100; 1.107; possivelmente também KTU 1.114; cf. 1.108 e
ARTU 191–203.
99
Cf. KTU 1.100:62; 1.107:41.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 59

8.2.4. El foi distinto do Tetragrama.

A população da Palestina no primeiro milênio a.C já


sabiam sobre a divindade El. Alguns estudiosos informam que
os israelitas adoraram El como “um deus diferente do
Tetragrama”100. Como resultado, o Antigo Testamento contém
textos, onde o nome cananeu é ainda reconhecível. Nestes
poucos exemplos El refere-se a uma divindade diferente do
Tetragrama101.

A expressão ˒ēl ˒ĕlōhê yiśra˒ēl, “El, o Deus de Israel” (Gn


33:20) e hā˒ēl ˒ĕlōhê ˒ābîkā, “El, o Deus de teu pai” (Gn 46:3) o
contexto atual de ambas as frases relaciona-os com o patriarca
Jacó e seu Deus, em quem ninguém menos do que o Tetragrama
pode ser visto. No entanto, é o El dos cananeus que é descrito
aqui como o Deus de Israel. Com toda a probabilidade Gn 33:20
representa uma antiga tradição. Isso mostra que El era adorado
pelo menos por alguns dos proto-israelitas102.

Outras dicas para a adoração de El são dadas pelos nomes


˒ēl bĕrît (El Berith; Juz 9:46), ˒ēl ˓ôlām (Gn 21:33), ˒ēl ˓ĕlyôn
(Deus Altíssimo; Gn 14:18–22; Sl 78:35), ˒ēl rôî (Deus que vê;
Gn 16:13), e ˒ēl šadday (Gn 17:1; 28:3; 35:11; 43:14; 48:3;
49:25 [cj.]; Ex 6:3; Ez 10:5) bem como por construções
contendo o genitivo El: bĕnê ˒ēl (Deut 32:8. 43)103.

100
Cf. Schmidt 1971:146.
101
Cf. Already F. C. Movers, Die Phönizier 1 [Bonn 1841], pag 389.
102
Cf. O. Loretz. Die Epitheta ˒l ˒lhj jśr˒l [Gn 33, 20] und ˒l ˒lhj ˒bjk [Gn 46, 3], UF 7
[1975], pag 583.
103
A Septuaginta tem: υἱοὶ θεοῦ; 4QDtng bny ˒l[hym]; P. W. Skehan, Um fragmento
do “cântico de Moisés” (Deut. 32) de Qumran, BASOR 136 [1954], pag 12–15; O.
Loretz, Die Vorgeschichte von Deuteronomium 32, 8f.43, UF 9 [1977], pag 355–357.
60 PROFESSOR FABIO SABINO

A identificação de El com o Tetragrama abriu a


possibilidade de adoção de ideias e conceitos relacionados com
a religião de El. Um caso problemático é a designação ˒ēl
qannā˒ (qannô˒), “Deus zeloso” para o Tetragrama (Ex 20:5;
34:14; Det 4:24; 5:9; 6:15; Jos 24:19; Na 1:2) uma vez que na
literatura ugarítica “o zelo” e o comportamento violento é uma
característica não de El, mas da deusa Anat104.

A visão de que a humanidade foi a criação do Tetragrama


é conhecido a partir de fontes que não são anteriores ao século
VII a.C (Gn 2:7. 22; Ex 4:11; Det 4:32; 32:6. 15; Is 29:16; Os
8:14; Prov 14:31; 17:5; 22:2; 29:13 [cf. 20:12; Sl 139:13]). No
entanto, também deve ser levado em conta que a ideia do
Tetragrama como criador foi emprestada pelos israelitas do
fenício →Baal-shamem105.

Em outras palavras os estudiosos foram enganados por


falsas pistas da Bíblia que o Tetragrama é “originalmente” um
deus do Sinai, quando o mesmo é um cananeu-fenício-Norte
sírio, Deus de Ugarit e Biblos. Se esqueceram de que a primeira
aparição do Tetragrama a Abraão não foi no Sinai e sim em “Ur
dos caldeus”, onde um templo era existente, de acordo com
Leick, ao deus da Mesopotâmia, Enki, Ea, Ayya, e mais tarde em
Haran no norte da Síria, bem como Damasco106.

104
Cf. KTU 1.3 v:22–25; 1.17 vi:41–45; 1.18 i:9–12.
105
Cf. H. Niehr, Der höchste Gott [BZAW 190; Berlin New York 1990], pag 119–140.
106
Cf. Gwendolyn Leick., A Dictionary of Ancient Near Eastern Mythology, 1991. pag
40.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 61

8.3. O possível Tetragrama em 2400 a.C.

Delitzsch atestou o nome de “Yahwé” em uma de suas


palestras, ele dá reproduções de três tablets preservados no
Museu Britânico, que segundo ele, contêm três formas do
Tetragrama.

Através da bondade do chefe do Departamento de


Assíriologia e Antiguidades Egípcias do Museu Britânico, ele
deu uma representação de três pequenos tabletes de argila (figs.
45-47) eles pertencem à idade de Hamurabi, um em especial
para o reinado de seu pai Sin-mubalit eles contêm três nomes
que, do ponto de vista da história da religião são de suma
importância: os nomes são “Yahwé é Deus” -Ya'we-ilu, Yale-ilu,
e Yaum-ilu 107.

107
Cf. Friedrich Delitzsch. Babel e a Bíblia. Eugene, Oregon. Wipf & Stock
Publishers. de 2007. Reimpressão da edição em Inglês, traduzido por ACS Johns. de
1903, Cambridge, Inglaterra, pag 70-71.
62 PROFESSOR FABIO SABINO

Delitzsch parece sugerir que o nome Yahwé pode ter


existido tão cedo em meados de 2500-2300 a.C, entretanto
alguns estudiosos datam por volta de 2166-1991 a.C no período
de Abraão108.

Entretanto objeções de outros assiriólogos e orientalistas


não concordaram. É verdade que as leituras são possíveis.
Delitzch fala da possibilidade de ya'we ser uma forma verbal
(seria paralelo a nomes como Yabnik-ilu) como um nome que
significa “Deus existe”109.

A forma verbal é, provavelmente, um causador (jussivo?),


e como tais favores ya-ah-wi. A interpretação é perfeitamente
possível, por razões semânticas, bem como, na medida em que
“dar a vida” é muito apropriado onde o nome se refere ao
nascimento de uma criança. O elemento ya-wi pode ser uma
variante ortográfica de ya-ah-wi, caso em que de igual modo
deve ser explicado por hwy110.

Quanto ao significado de yahwi em nomes amorreus,


sugestões foram dadas da seguinte forma: “a se manifestar [si]”
ou “estar presente”; ilum significa “deus”. Assim, alguns têm
sugerido que yahwi-ilum significa “Deus se manifesta [Ele
mesmo]” ou “El manifesta [Ele mesmo]”.

108
Cf.Jack Finegan. Handbook of Cronologia Bíblica. Peabody, Massachusetts.
Hendrickson Publishers. edição revista em 1998, pag. 202. Tabela 104.
109
Cf. Teófilo G. Pinches. o Antigo Testamento na Luz dos Registros Históricos da
Assíria e da Babilônia. Londres. Sociedade para promover o conhecimento cristão.
1908. 3 ª Edição Revisada [2d edição foi 1903], pag. 535-536.
110
Também poderia ser distinguido de ya-ah-wi e ser explicado separadamente (Ao
mesmo tempo, é concebível que as duas grafias são misturadas e refletem duas raízes
diferentes), como já foi indicado, a explicação alternativa seria baseada
em Hwy (hebraico hw/yh; Aramaico hwh/y; Acadiano EWU; cf. Árabe Hawa,queda”).
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 63

Iawa-ila , rei de Talhayum no norte da Síria, afirma em


um comunicado que Zinri-lim rei de Mari (1782-1759 a.C), que
conquistou a cidade de Ulaya e pretendeu atacar Zalmaqum
poderia ser uma “forma” do amorreus Yawi-ii-la (?), que
significa “El está presente” ou “El manifesta [Ele mesmo]” ou
“Deus manifesta [Ele mesmo]”?111

Para Finet o que Delitzsch parece ter descoberto é nada


mais e nada menos do que “Ila-ou o Deus-Is”, ou seja, “Ila é
Yahwi”, Ila sendo uma forma do amorreus de El, chefe do
panteão cananeu112. No final do período do Antigo Babilônico
textos de Kish (1800-1600 a.C) atestaram um rei
chamado “Yawium” , ia-wi-u2-um lugal.

Kish (suméria kiski, moderno Tall al-Uhaymir) foi uma


antiga cidade da Suméria, situada a cerca de 12 km a leste da
Babilônia, agora cerca de 80 km ao sul de Bagdá113.

Alguns estudiosos têm sugerido que Abraão existiu cerca


de 1800 a.C114, a Bíblia descreve que ele morreu com a idade de
175 anos (Gênesis 25:7), colocando a sua morte em torno de
1625 a.C.

111
Cf. A. Finet. Iawa-ila, roi de Talhayum. Revue du Síria. vol. 41 (1964) pag 117-
142, especialmente pag 188.
112
Cf. Herbert B. Huffmon. “Yahweh e Mari”, pag. 283-289, de Hans Goedicke.
Estudos do Oriente Próximo, em honra de William Foxwell Albright . Baltimore,
Maryland. The Johns Hopkins Press. 1971.
113
http://cdli.ucla.edu/tools/yearnames/html/T16K3.htm
114
http://www.jewfaq.org/origins.htm
64 PROFESSOR FABIO SABINO

O nascimento de Abraão pode datar possivelmente, cerca


de 1700 a.C, que cai no período de Yawi onde ocorrem em Kish
e Mari: “No entanto há uma outra possibilidade de fontes de
influência suméria sobre a Bíblia. Alguns estudiosos concordam
que a saga de Abraão como dito na Bíblia contém muito do que
é lendário e fantasioso, ele tem um núcleo importante de
verdade, incluindo o nascimento de Abraão em Ur dos Caldeus,
talvez cerca de 1700 a.C” 115.

Apesar da improbabilidade, ele realmente viveu por muito


tempo, no entanto entre 1800 e 1600 a.C, é possível que ele teria
sido quase contemporâneo de Yawium de Kish, bem como de
Zinri-lim o rei de Mari, que reinou cerca de 1778-1758 a.C.

Os registros de Mari mencionam nomes de pessoas que


possuem uma forma do amorreus “Yawi” o que possivelmente
se entendeu “Yahwé”.

Se eles estão corretos em suas suposições, então Abraão


viveu sobre o mesmo período de tempo e no mesmo local geral
onde o nome “Yahwi” estava em voga entre alguns dos nomes
dos amorreus do norte da Mesopotâmia. Portanto isso desfaz a
ideologia de Friedrich Delitzsch em sua obra, Babel e Bíblia, pg
70-71.

115
Cf. Samuel Noah Kramer. Os sumérios, sua história, cultura e caráter. Chicago e
Londres. The University of Chicago Press 1963, 1972. pag 292.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 65

8.4. Registro Cuneiforme antigo.

O registro de uma pedra escrita em cuneiforme atestando o


vocábulo Yah
ARM 02, 033 ARM 02, 033
Publicação primária
Autor (s) Jean, Charles-
François
Data Publicação 1947
Segunda publicação LAPO 17, 0583
Coleção National Museum
of Syria, Der-ez-
Zor, Syria
Museu no. DeZ —
Província Mari (mod. Tell
Hariri)
Período Antigo Babilônico
(1900-1600 a.C)
Tipo de Objeto Tablet
Material Argila
Tipo Carta
Fonte catálogo 20050624 cdli
admin
Fonte ATF Archibab
Tradução Reynolds, Kathryn R.
UCLA Library ARK 21198/zz0020dnp0
CDLI no. P272945
66 PROFESSOR FABIO SABINO

Tablet

1. a#-na be-li2-ia qi2-bi2-ma um-ma i-ba-al-dingir


leitura: ana bēliya qibima umma ibal-el
tradução: Para meu senhor! Assim Ibal-El,
2. _ARAD2#_-ka-a-ma t,up-pa-am sza be-li2 u2-sza-bi-lam esz-
me
leitura: waradkama ṭuppam ša bēlī ušābilam ešme
tradução: meu servo: O meu senhor mandou eu ouvi;
3. asz-szum t,e4-em ha-am-mu-ra-pi2 _lugal_ babila{ki}
leitura: aššum ṭēm ḫammu-rapi šar bābilim
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 67

tradução: sobre as informações de Hamurabi, rei da Babilônia,


4. sza a-na be-li2-ia isz-pu-ra-am um-ma-a-mi
leitura: ša ana bēliya išpuram ummami
tradução: que escreveu a meu senhor, assim:
5. it-ti ri-im-{d}suen _lugal_ la-ar-sa{ki} an-na-am-ma-ar
leitura: itti rim-sîn šar larsa annammar
tradução: “Com Rim-Sin, rei de Larsa, vou atender;
6. [u3] _lu2#_ esz3-nun-na{ki} it-ti-ia in-ne2-em-me2-ed
leitura: u awīl ešnunna ittīya innemmed
tradução: e o homem de Ešnunna comigo irá juntar-se.
7. i-na-[an]-na# s,a-ba-am t,u2-ur-dam-ma s,i-bu-tam sza-a-ti lu-
uk-szu-ud-ma
leitura: inanna ṣābam ṭurdamma ṣibūtam šâti lukšudma
tradução: Agora tropas enviarei, e esse desejo, deixe-me
conseguir!
8. it-ti s,a-bi-ka s,a-ba-am e-mu-qa-tim lu-ut,-ru-da-kum-ma
leitura: itti ṣābika ṣābam emūqātim luṭrudakkumma
tradução: Com suas tropas poderosas deixe-me despachar para
você e
9. s,i-bu-ut-ka ku-szu-ud t,e4-ma-am an-ne2-em sza ha-am-mu-
ra-pi2
leitura: ṣibûtka kušud ṭēmam annêm ša ḫammu-rapi
tradução: seu desejo conseguirei! Este relatório de Hamurabi
10. a-na be-li2-ia isz-pu-ra-am ma-ha-ar _lu2 su#-ga-gi#-mesz
ARAD2_-di-ka
leitura: ana bēliya išpuram maḫar awīlī sugāgī wardīka
tradução: o meu senhor mandou. Antes, os homens de Sugāgi,
vossos servos,
68 PROFESSOR FABIO SABINO

11. [asz]-ku-un-ma um-ma a-na-ku-ma szi-ta-la-a-ma szum-ma


[a-na s,a-bi]-im#
leitura: aškunma umma anākuma šitalāma šumma ana ṣābim
tradução: Eu estabelecida, e, portanto: "Considere! para as
tropas
12. [sza] ha#-am#-mu#-ra#-pi2 _lu2#_ babila{ki} isz-te#-ni#-
ne-[ti]
leitura: ša ḫammu-rapi awīl bābilim išteninnêti
tradução: que Hamurabi, o homem da Babilônia, nos procurou
13. [_...]-mesz_
14. [...] na#-sza-at
leitura: ... našat
tradução: ... você está levantado;
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 69

8.5. Registro em Egípcio.

O Tetragrama é encontrado na base da coluna IV N 4 " 2.

Há dois textos egípcios que mencionam o yhwh do 14 º e


13 º século a.C, o yhwh não é conectado aos israelitas, nem o seu
culto é localizado na Palestina. Estes textos egípcios usam como
um topônimo.116

Segundo os estudiosos o nome no escudo contém o


seguinte texto egípcio: “ta shasuw yehua [w],” a tradução que se
tem é “terra dos nômades de Yahu.” Embora alguns estudiosos
afirmam que Yahu aqui refere-se a um topônimo desconhecido,
outros estudiosos questionam esta conclusão. Vários estudos,
por exemplo, identificam o Shasu como os ancestrais dos
Hebreus.

116
Cf. Knauf, Midian (Wiesbaden 1988), pag 46,47.
70 PROFESSOR FABIO SABINO

Os textos falam sobre “Yahu na terra dos beduínos-Shosu”


(tʒ šʒśw jhwʒ).117O texto é do reinado de Amenófis III (primeira
parte do 14º século a.C) e a outra a partir do reinado de Ramsés
II (13º século a.C).118

Na lista de Ramsés II, o nome ocorre num contexto que


também menciona Seir (na hipótese de s˓rr significar Seir).
Pode-se concluir que esta tentativa de “Yahu na terra dos
beduínos-Shosu” deve ser situado na área de Edom e Midian119.

A relação de uma divindade com o mesmo nome é uma


suposição razoável120; se o deus tomou seu nome da região ou
vice-versa continua indeciso.121

Encontra se listas de nomes egípcios com a forma Ya-h-wa


(n º 97), que é idêntico ao yhwh. A lista de Ramsés II (1304-
1237 a.C) é encontrada em um templo núbio em Amarah Oeste
com seis nomes (n º s 93-98), após a designação da área de
beduínos. Nº 96-98 foram encontrados em Soleb na Núbia em
um templo de Amon de Amenhotep III (1417-1379 a.C).

117
Cf. R. Giveon, Les bédouins Shosou des documents égyptiens [Leiden 1971] no 6a
[pp. 26–28] and no. 16a [pp. 74–77]; note Weippert 1974:427, 430 for the corrected
reading.
118
Cf. JEA Journal of Egyptian Archaeology 25 [1939], pag 139–144, esp. pag 141; H.
W. Fairman, Preliminary Report on the Excavations at ˓Amārah West, Anglo-
Egyptian Sudan, 1938–9, JEA 25 [1939], pag 139–144, esp. pag 141.
119
Cf. Weippert 1974: 271; Axelsson 1987:60; pace Weinfeld 1987:304.
120
Cf. ZAW Zeitschrift für die Alttestamentliche Wissenschaft 4 [1972], pag 460–493,
esp. pag 491 n. 144.
121
Cf. JBL Journal of Biblical Literature 83 [1964], pag 415–416; (R. Giveon, “The
Cities of Our God” (II Sam 10:12), JBL 83 [1964], pag 415–416, sugere que o nome é
a abreviação de Beth-Javé, o que compara com a alternância entre → Baal-meon e
Bete-Baal-meon.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 71

Assim como A-yw um formativo em alguns nomes


pessoais de Ugarit (14 a.C), entretanto não é um elemento
divino e não tem nenhuma conexão com o yhwh122.
Gérard Gertoux fornece a seguinte vocalização para estes sinais
no escudo:

A pronúncia correta é: “Ta Shasew Yehaw”123. Por qual


razão essa expressão “Ta Shasw Yehaw” é a pronúncia correta?

1. Omissão de vogais.

A escrita hieroglífica constantemente ignora e omite as


vogais. Assim os dois sinais  pode de fato representar was,
wes, ews, awsa ou quaisquer outras combinações de vogais com
w +s. Portanto, na maioria dos livros recentes sobre hieróglifos
 será encontrado simplesmente transliterado ws (§19 pág 26).

2. Alteração de valores fonéticos pelas guturais.

122
Cf. Henry O. Thompson, Yahweh. pag 1.011-1.012; David Noel Freedman. Anchor
Bible Dictionary. Nova York. Doubleday. 1992.
123
Cf. B.D. Redford, Egypt, Israel, Sinai, Archeological and Historical Relationship
in the Biblical Period, Ed. A.F. Rainey, pag 151, 1987, Tel Aviv. Gérard Gertoux, Un
historique du nom divin, 1999, Paris. Jean Leclant, Le “Tétragramme” à l’époque
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623.Shmuel Ahituv, Canaanite Toponyms in Ancient Egyptian Documents, 1984,
Leiden.
72 PROFESSOR FABIO SABINO

Normalmente na fonética é adotado a vogal “e” em todos


os casos, exceto para as duas consoantes guturais (abutre e
antebraço) quando ocorrerem; nesses dois casos o som será de
“a” o qual ficará no lugar do “e” (§19 pág 26).

3. Mudanças consonantais.

 É transliterado por “i” porque ao que parece, desde o


início pode ter possuído dois valores fonéticos em egípcio; o
som de “i” ou “y” como no caso da consoante “yod” do
Hebraico que pode ser uma “mater” como também uma
“consoante” no início de palavras (§20. pág 29).

 Y é apenas encontrado como letra inicial no egípcio


médio (2240-1990 a.C), exceto na interjeição. Em outra parte ele
é empregado apenas em “terminações” gramaticais
correspondendo a dois “ii” ou simplesmente “i” no Antigo Egito
(3180-2240 a.C).

4. Consoantes Bilaterais.

$ Os sinais bilaterais são quase sempre acompanhados por


sinais alfabéticos para expressar parte ou a totalidade do seu
valor fonético (§32. pág 38)124.

124
Cf. Sir Alan Gardner, Egyptian Grammar, 3 ed revisada, Oxford. 2007.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 73

Capítulo 9
9. O Tetragrama e sua esposa.

Uma ligação entre El e o Tetragrama é a identidade de seu


cônjuge. Textos de Kuntillet ˓Ajrud e Khirbet el-Qom referem-
se ao Senhor (YHWH) “e sua Asherah” (w˒šrth).

Apesar de vários estudiosos afirmarem que esta “Asherah”


é meramente um símbolo de culto ou de uma denominação do
“santuário” (Akk aširtu), a interpretação da palavra como um
nome divino é preferível125.

À luz destes dados, a sugestão da emenda de


‫(אשׁדת‬Ashdat) em Deut 33:2 para ‫( אשׁרת‬Ashera) “e à sua mão
direita Asherah”, continua a ser uma possibilidade126.

Det 33.2. Disse, pois: O YHWH veio do Sinai e lhes


alvoreceu de Seir, resplandeceu desde o monte Parã; e veio das
miríades de santos; “à sua direita, havia para eles o fogo da lei”.

125
Cf. J. A. Emerton, New Light on Israelite Religion: As implicações das inscrições
de Kuntillet ˓Ajrud, ZAW 94 [1982], pag 2–20; M. Dietrich & O. Loretz, Jahweh und
seine Aschera [UBL 9; Neukirchen-Vluyn 1992], pag 82–103.
126
Cf. H. S.Nyberg, Deuteronomium 33, 2–3, ZDMG 92 [1938], pag 320–344, esp.
pag 335; M.Weinfeld, SEL 1 [1984], pag 121–130, esp. pag 124.
74 PROFESSOR FABIO SABINO

Análise da expressão de Det 33.2: “Havia para eles o fogo


da lei”. O texto hebraico relata ‫“ אש דת למו‬fogo era uma lei
para eles.” Entretanto ‫“ דת‬lei” é uma palavra Persa, encontrada
somente nas últimas partes do Antigo Testamento (Esdras, Ester
e Daniel): é quase impossível que ela pode ter sido usada no
Hebraico no momento em que a bênção foi escrita.

Asherah é tradicionalmente a “esposa de El” nos textos


ugaríticos, lembrando que o “Deus adorado pelos patriarcas era
El” (Gn 17.1; 28.3; 35.11; 48.3,14; Ex 6.3; Num 16.22 etc). O
emparelhamento do Tetragrama e Asherah sugere que o
Tetragrama tinha tomado o lugar de El.

O termo hebraico ʾăšêrâ, parece ser usado em dois


sentidos na Bíblia, como um objeto de culto (asherah) e como
um nome divino (Asherah).
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 75

É a presença de palavras cognatas possivelmente em


outras línguas semíticas, onde deusas são frequentemente
compreendidas para ser denotado, que levantou questões
interessantes para a interpretação das referências do Antigo
Testamento, e os problemas linguísticos gravados pelas
inscrições de Khirbet el Qom e Kuntillet Ajrud127.

O hebraico relata a origem do vocábulo por ʾāšēr com o


seguinte significado “feliz” (o nome tribal Asher, o que pode ser
um nome de origem divina). Em hebraico se tem ʾāšar,
Ugarítico ʾaṯr, pode significar “progredir, andar”; o substantivo
comum aṯr (ʾašr) significa “lugar (sagrado)” é amplamente
atestadas nas línguas semíticas.

Uma nova proposta por Watson (1993) é sugerido como a


“senhora do destino” (be-le-e[t] ši-ma-tim) que ocorre em um
hino à Amurru em paralelo com daš-ra-t[um ši?]-ma-tim128.

9.1. O conceito no Ugarítico. A literatura ugarítica


fornece a principal fonte sobre a deusa. O nome está escrito aṯrt,
normalmente vocalizado como “Athirat(u)”, ou, conforme o
hebraico, “Asherah”.

127
Cf. M.Dijkstra, El, YHWH, and their Asherah: On Continuity and Discontinuity in
Canaanite and Ancient Israelite Religion, Ugarit: Ein ostmediterranes Kulturzentrum
im Alten Orient [ALASP 7; ed. M. Dietrich & O. Loretz; Münster 1995], pag 43–73,
se encontra a confirmação para a visão de que o Senhor (YHWH) é uma forma
particularizada de El.
128
Cf. Albright, AJSL 41 [1925], pag 99–100; Day 1986:388.
76 PROFESSOR FABIO SABINO

Ela aparece nos seguintes contextos no mito sobre o


“período de Baal”, KTU 1.1-6, ela é uma grande deusa, mãe dos
deuses menores do panteão, conhecido como “os setenta filhos
de Athirat” (šbʿm bn aṯrt, KTU 1.4 vi:46), que intercede por
Baal e Anat perante El (KTU 1.4 iv), e que fornece um filho para
reinar após a descida de Baal ao submundo (KTU 1.6 i:45–
55)129.

A deusa também aparece em dois textos teogônicos, KTU


1.12 i e 1.23, descrevendo o nascimento dos “Devoradores” para
as servas de Athirat e Yarihu, este último descrevem duas
esposas de El que consuma o casamento, e da à luz a Shahar e
Shalem.

Estes textos têm uma influência sobre várias tradições


bíblicas, tais como Gn 16, 19:30–38, Sl 8 etc (Wyatt 1993). O
nome da deusa “aparece no título rbt aṯrt ym, significando
talvez “a Grande Senhora que anda no mar”.

O termo (hā-ʾăšērâ, variante ʾăsêrâ), aparece cerca de 40


vezes no Texto Massorético, geralmente com o artigo. Quando o
plural é utilizado, se vê as formas ʾăšērîm e ʾăšērôt. Det 16:21
proíbe a “plantação” de qualquer árvore como uma Ashera.

Há um problema na perversidade deliberada da visão


bíblica (Is 17:8; 44:9–20; Jer 2:27–28) que reconhece o
pensamento inerentemente de “encarnação” da imagem do culto
a Ashera, onde os objetos feitos pelos homens podiam, através
do uso religioso, tornam-se os meios de comunicação.

129
Cf. KTU M. Dietrich, O. Loretz & J. Sanmartín, Die keil-alphabetische Texte aus
Ugarit (AOAT 24).
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 77

O significado real de Is 17:8, com a sua referência a “obra


das suas mãos, nem atentará para o que fizeram seus dedos”, no
entanto, é para ser determinado por Is 2:8, onde a fórmula é
idêntica, com sufixos singulares num contexto de verbos no
plural, só pode indicar que ela veio das mãos e dedos do Senhor.

Asherah é de fato o trabalho das mãos e dedos do


Tetragrama, mas em um sentido mitológico (Wyatt 1994). A
referência de Isaías a Asherah é, portanto, plenamente
consciente do perigoso poder da deusa.

Isso leva à questão intrigante da esposa do Senhor


(YHWH), transformando-se como a única evidência extra
bíblica para a deusa, o qual é atestado em dois locais, Khirbet el
Qom e Kuntillet Ajrud.

As inscrições foram encontradas, dando origem a um


intenso debate. As inscrições se referem à yhwh wʾšrth, yhwh
šmrn wʾšrth e yhwh tmn wʾšrth, “YHWH (Yhwh de Samaria,
Yhwh de Teman [K. Ajrud]) e sua ʾăšērâ”. Em todos os casos a
divindade e sua ʾăšērâ eram invocadas para a bênção e proteção.

Algum tipo de referência divina é suportado por duas


características iconográficas encontradas no contexto. Muitos
estudiosos chegaram à conclusão que Asherah era a esposa do
Tetragrama (YHWH).

Se o Tetragrama se desenvolveu a partir das formas de El


em locais da Palestina, então se pode esperar uma simples
continuidade do antigo El-Asherah (Ilu-Athirat) dos registros de
Ugarit.
78 PROFESSOR FABIO SABINO

Mas tem se argumentado nos últimos anos que o


Tetragrama (YHWH) tem as características dos baalins, ou até
mesmo uma forma de Baal tem sido argumentado que Baal
usurpou efetivamente o papel de El em Ugarit, e levou a sua
esposa130.

130
Cf. KTU M. Dietrich, O. Loretz & J. Sanmartín, Die keil-alphabetische Texte aus
Ugarit AOAT 24.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 79

Capítulo 10
10
10. Os atributos do Tetragrama.

A seguir estão às descrições ou atributos do Tetragrama,


que parecem ter vindo de uma fonte primitiva.

10.1. O Tetragrama e as montanhas.

Em primeiro lugar, ele é um deus das montanhas. Assim,


ele é representado no Sinai e Horebe. Abraão foi para Moriá
para sacrificar Isaque. Elias vai para o Monte Carmelo para lidar
com os sacerdotes de Baal, e depois foge para Horebe, o monte
de Deus.

As teofanias são relacionadas naturalmente com as


montanhas. “Deus veio de Temã, o Santo do monte Parã”.
Parece que temos a declaração definitiva de que essa era a visão
do Tetragrama na história da derrota dos soldados de Ben-
Hadade por aqueles de Acabe o qual não foge da “mitologia de
outros deuses”.

Seus conselheiros explicaram a derrota para o rei sírio,


dizendo: “Seu Deus é um Deus dos montes, mas ele não é um
deus dos vales”. Historicamente e figurativamente ele era uma
divindade das montanhas131.

131
Cf. William Hayes, The Origin of the Worship of Yahwe, The American Journal of
Semitic Languages and Literatures, Vol. 25,1909, pag 179.
80 PROFESSOR FABIO SABINO

10.2. O Tetragrama e as tempestades.

O próximo ponto a observar é que ele era particularmente


um deus das tempestades, trovões e relâmpagos. Isto se
relaciona com as montanhas, que são as cenas da tempestade.
Então ele apareceu a Moisés no Sinai, e para Elias em Horebe.

Alguns identificam o Tetragrama como um deus da


tempestade ligando o yhwh com o significado de “cair” (também
atestada em siríaco), no caso em que a forma verbal é visto
como um causador (Aquele que faz “cair” chuva, relâmpago, ou
os inimigos por meio de seu raio).132

Outra sugestão é a de associar o nome com o significado


de “explodir” (Siríaco hawwē, vento). Isto leva à tradução “er
fährt durch die Lüfte, er weht” (ele viaja através do ar, que
sopra).133

A interpretação do Tetragrama não é totalmente


desprovida de sentido, porém, quando se trata de estabelecer o
seu caráter se o Tetragrama de fato, significa “Ele sopra”, então
o Tetragrama é originalmente um “deus da tempestade”. Desde
Baal (originalmente um epíteto de Hadade) é do mesmo tipo, a
relação entre o yhwh e Baal merece ser analisada mais de perto.

132
Cf. F. Brown, S. R. Driver & C. A. Briggs, Hebrew and English Lexicon of the Old
Testament, 218a.
133
Cf. J. Wellhausen, Israelitische und jüdische Geschichte [3rd ed.; Berlin 1897], pag
25 note 1; Knauf 1984a:469; 1988: pag 43–48.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 81

Na monarquia Baal (i.e. o culto a Baal) era rival do


Tetragrama a competição entre os dois deuses (isto é, entre os
seus respectivos sacerdotes e profetas) foi especialmente feroz
desde a promoção do culto de Baal por Omri.

Fora a discussão acima ainda se vê a referência do


Tetragrama à tempestade nos seguintes personagens: Elias o
qual foi arrebatado ao céu num redemoinho; e também Eliú que
dá uma longa descrição de Deus como o governante de um
raio, tempestade e chuva.

Com efeito, ele era o raio e a tempestade, e também os


anfitriões dos sabeus e caldeus, pela qual a riqueza de Jó foi
destruída. Essa característica teofânica foi também de outros
deuses da mitologia antiga.

Amós começa sua profecia da seguinte forma: “O


YHWH bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz;
os prados dos pastores prantearão, e secar-se-á o cume do
Carmelo” (1.2). Em 4: 13: “forma os montes e cria o vento”,
“que faz da manhã trevas e pisa os altos da terra”, um Deus da
montanha e tempestade134.

134
Cf.William Hayes, The Origin of the Worship of Yahwe, The American Journal of
Semitic Languages and Literatures, Vol. 25, 1909, pag 179.
82 PROFESSOR FABIO SABINO

A profecia de Naum começa com uma teofania


semelhante: O YHWH tem o seu caminho no turbilhão e na
tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. Ele repreende
o mar e o faz secar, e esgota todos os rios; Desfalecem Basã e
Carmelo, e a flor do Líbano murcha.

Os montes tremem perante ele, e os outeiros se


derretem; e a terra se sobre os céus em sua presença. Sim, o
mundo e tudo que nele habitam. A sua cólera se derramou
como um fogo, e as rochas foram quebrados em pedaços por
ele (1:3-6).

Habacuque (3:3-13) desenvolve a imagem da tempestade,


relâmpagos, trovões e terremotos, quando o yhwh saiu à vitória.
Também nos Salmos se tem as mais numerosas descrições do
Tetragrama como o deus das tempestades, Sl 7:12, 13; 11:6;
18:6-15; 29:3-10; 48:7; 50:3; 65:5-13; 68:7-17, 33; 81:7; 83:15;
93:1 - 4; 97:3-5; 104:1-1, 32; 107:33-37;. 147:15-18 destes
podemos especificar o Sl 29, que é inteiramente dedicado a uma
descrição do trovão como “a voz do YHWH.”

Esses fatos são patentes na história como a figuração ou


adoração ao Tetragrama: Ele era um deus dos montes; ele era
um deus dos relâmpagos, trovões, tempestades e chuva, e
assim, necessariamente, um deus da guerra, um deus dos
exércitos que liderou os israelitas para a batalha; e ele foi
retratado como um touro.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 83

Estes são os dados e agora é dever ver como esses


atributos concordam com os de qualquer um dos deuses das
outras religiões.

A figura 1 na figura abaixo descreve os deuses que eram


adorados sobre diversos nomes da região do Tigre ao
Mediterrâneo, e, aparentemente, há muitos séculos, começando
na décima segunda dinastia do Egito, isto é, muito antes do
Êxodo do Egito. É o segundo deus militante comparado ao
yhwh.

Fig 1.-J. Pierpont Morgan Library Fig. 2.-Lajard's Culte de Mithra, XXVII, 1.

Esta divindade era conhecida sobre vários nomes, mas é a


mesma sobre qualquer nome. Ela é Adad, Addu, Ramman ou
Rimon, sobre os babilônios, assírios, e em Damasco.

Ele é Teshub entre os hititas e povos aparentados, e ele era


o Resheph de Humath. Se ele foi um ou mais dos Baal local, ou
se ele era Moloque é de modo algum certo. Ele também foi
identificado por seu caráter militante, com o Set egípcio ou
Sutekh.
84 PROFESSOR FABIO SABINO

Capítulo 11
11
11. Evolução histórica do Tetragrama.

“Há uma dificuldade com a designação de Ur dos


caldeus”. O nome Caldeu como parte da Mesopotâmia não
aparece antes do século XI a.C, bem distante do período dos
patriarcas. A própria cidade de Ur não poderia ser chamada de
“dos caldeus” antes da fundação do império Neobabilônico no
século VII a.C. A caracterização, portanto, diferente da tradição,
parece ser anacrônica135.

Se o Professor Sarna estiver correto referente ao termo “Ur


dos caldeus” ter surgido após a ascensão do Império
Neobabilônico do século VII a.C, então Gênesis e o todo o
Pentateuco foram compostos provavelmente não mais do que o
período estabelecido em VII a.C. 2 Reis 25:27 dá uma data de
cerca de 562-560 a.C, este período de tempo é o reinado do rei
babilônico Evil-Merodaque (caldeu: Amel-Marduk),
sugerindo o sexto século a.C, para a composição da História
Nacional (Gênesis até Reis).

“Ur dos caldeus” serve como um marcador onde o texto


não pode ser anterior ao século VII a.C (Ur não sendo uma parte
da Caldéia antes dessa data). “A resposta simples para a questão
da data é que Gênesis 1-11 é parte do trabalho maior contendo
Gênesis à 2 Reis.

135
Cf. Nahum M. Sarna. Entendimento Genesis, O problema de Ur, Nova Iorque.
Books. Shocken 1966. reeditado 1970, pag 98.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 85

Este trabalho completo não alcançou sua forma final até


durante ou após o Exílio babilônico, no sexto século a.C. No
entanto, a data da edição final não determina a data dos itens
individuais de ser encontrado em Gênesis 1-11”136.

Com isso, se baseia a teoria de que Ea = Aa, se tornou


com o passar dos tempos o mesmo que Ya = yhwh. Aa é a forma
que se atesta e Yah apenas apresenta uma transcrição fonética
um pouco modificada do nome suportado pelo deus de Eridu.

Margoliouth identifica Yw a Ea e por sua vez, novamente


com o Tetragrama, diz que os israelitas receberam este nome de
Abraão, que veio de Ur, na Caldéia, o santuário primitivo do
“deus-lua”.

Na sua saída do Egito, os israelitas do Êxodo foram


levados primeiro para o Sinai, o antigo santuário do deus-lua, e
aqui eles solenemente o adotaram como sua divindade. Estas são
as teorias mais importantes sobre a origem Babilônica do
Tetragrama137.

136
Cf. John William Rogerson. Gênesis 1-11. Sheffield, Inglaterra. Jornal para o
Estudo do Antigo Testamento. Universidade de Sheffield, 1991, pag 76.
137
Cf. Hans H. The Origin and Interpretation of the Tetragrammaton: The American
Journal of Semitic Languages and Literatures, Vol. 18, 1901, pag 9-35.
86 PROFESSOR FABIO SABINO

RESUMO
A pergunta que se faz após ler todo o conteúdo é: Deus ou
o YHWH (Tetragrama) foi criado ou é criador?

Na verdade após todo o escopo ele é uma criatura na


perspectiva das fontes mais antigas, pois não há atestação do
vocábulo (YHWH) em um período remoto.

O que se vê nas religiões mais antigas era o culto a vários


deuses, entretanto teólogos conservadores não querem aceitar
que os povos primitivos eram politeístas henoteístas!

Tanto que a comprovação disso está nas escritas primitivas


onde os desenhos desenvolvidos eram referentes a astros e
animais que foram divinizados.

Alguns teólogos e estudiosos se esquecem disso ao


criarem suas teses. Tanto que as grandes gramáticas de Hebraico
relatam a construção do hebraico a partir das escritas
pictográficas onde o nome de algumas consoantes do hebraico
originava se de figuras de animais, e dentre alguns desses eram
adorados como deuses por povos mais antigos que os hebreus.

Aceitar que o Deus da Bíblia ou o YHWH foi criado pelos


homens com base em mitos de outros deuses é inaceitável pela
maioria dos estudiosos conservadores.

Possa se dizer por uma conjectura que o Deus da Bíblia


sempre existiu com outros nomes nas descobertas mais antiga do
mundo.
YWHW CRIAÇÃO DE HOMENS OU DIVINDADES? 87

Mas isso será apenas uma especulação, pois todos os


grandes deuses antigos sempre desenvolveram outros deuses e
uma família real de deuses!

Mas como o propósito é apenas aplacar uma mística em


cima de um nome ou um verbo aqui fica a dica, pois se esse é o
vocábulo correto deveria ser o mais antigo do mundo e não é o
que se vê!

O que se viu foi uma tendência e até hoje é assim de


particularizar aquilo que se acredita ser correto e o verdadeiro
Deus que atende pelo uso de um verbo (YHWH).

Esse livro não se trata de uma verdade absoluta, mas de


algumas fontes bibliográficas contendo descobertas
arqueológicas que relatam uma realidade que poucos querem
enxergar!
88 PROFESSOR FABIO SABINO

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