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AO JUÍZO DA 1ª VARA CÍVEL DA COMARCA DA CAPITAL, SC

Processo Nº XXX

MARIA NERVOSONA, nos autos da ação declaratória,


constitutiva negativa e condenatória que move em face de JOÃO
FANFARRÃO, por meio de seu procurador vem, com fundamento no
artigo 311, I e IV, do CPC, pleitear a presente TUTELA DE
EVIDÊNCIA consubstanciada nos seguintes fatos e fundamentos que
passa a expor:

BREVE SÍNTESE FÁTICA

1. A requerente propôs a presente ação em razão de uma


inscrição indevida na SERASA que foi realizada pelo requerido,
instruindo a inicial com provas documentais suficientes dos fatos
constitutivos do seu direito, conforme documentação carreadas aos
autos, nas fls. 13 a 126. Pleiteou a tutela antecipada para sua
exclusão liminar da SERASA, porém esse Juízo entendeu que não
havia periculum in mora, eis que o nome da autora estava negativado
há meses, sem que tenha ajuizado a ação tão logo percebeu o ilícito.

2. Assim, V.Exa. determinou a oitiva do réu para, somente depois,


analisar o pedido.

3. Ocorre Excelência, que o requerido, apesar de devidamente


citado e intimado (fls. 43/44), veio aos autos sem apresentar
nenhum documento ou prova que pudesse ensejar ou gerar dúvidas
razoáveis quanto ao pleito da requerente, conforme denota-se da
leitura das fls. 45/46).
4. Portanto, a defesa do réu é meramente procrastinatória, pois
os documentos anexados com a exordial provam a quitação da dívida
que a autora possuía com o réu (depósitos bancários de todas as
parcelas ajustadas no empréstimo), bem como uma gravação de uma
conversa na qual o requerido confessa que não sabe explicar a
origem da suposta dívida, e que pode ser que por sua desorganização
tenha esquecido de rasgar uma das notas promissórias que utilizou
pra negativação da autora. Na contestação alega uma coisa (que irá
provar por testemunhas a dívida), mas na gravação anexada, o réu
não sabe explicar de onde é o débito.

5. Por isso, mesmo que V.Exa. entenda que não há urgência, há


nítida possibilidade de deferir a exclusão dos cadastros de
inadimplentes, agora por meio de tutela da evidência.

REQUISITOS DA TUTELA DE EVIDÊNCIA

6. Conforme dito, o requerido nada juntou em sua contestação,


além de aduzir que sua prova é oral, demonstrando o abuso do
direito de defesa e o propósito de protelar o feito, não cumprindo os
princípios relatados no código, entre eles, a boa-fé. Até porque o réu
sabe que a prova oral vai ser realizada próximo do final da lide, sem
falar que deve convidar seus amigos para inventar alguma história
falsa.

7. Resta cristalino que a conduta do réu violou o art. 77, I a III,


do CPC, agindo de má-fé e violando a duração razoável do processo.

8. E justamente para punir a parte que atua dessa maneira,


existem dois incisos do art. 311 do CPC, que assim rezam:

Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente


da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do
processo, quando:
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto
propósito protelatório da parte;

(...)

IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente


dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha
prova capaz de gerar dúvida razoável.

9. Dentro do quadro apresentado, a tutela de evidência se


monstra plenamente cabível, vez que preenchidos os dois casos
previstos no artigo acima, sem que seja necessário demonstrar a
urgência.

PLEITO DERRADEIRO

10. Diante do exposto, requer seja concedida a tutela de evidência


neste momento do processo, para que seja determinado que o réu
exclua a inscrição do nome da autora dos cadastros de
inadimplentes, em especial da SERASA, até o final julgamento dessa
lide, bem como evite de efetuar outras negativações até a prolação da
sentença, tudo isso sob pena de multa diária.

Pede Deferimento

Florianópolis, 15 de setembro de 2019

LEONARDO FORNARI
OAB/SC 16.888