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AULA 2: Dissertação e Argumentação na redação: Definição e

funcionalidade e a estrutura do texto dissertativo- argumentativo.

A Redação do Enem exige um texto dissertativo-argumentativo. Ou seja, não


basta uma dissertação clássica, você precisa ter uma posição e defender com
argumentos. 

Nesta aula de Redação vamos definir e explicar a funcionalidade do texto


dissertativo-argumentativo: Trata-se do gênero textual solicitado na prova de redação do
Enem e de outros importantes vestibulares brasileiros.

Para tanto, começaremos explicando o que é dissertar/dissertação e o que é


argumentar/argumentação, a relação existente entre essas duas palavras e como elas se
associam em uma produção textual, resultando em um texto dissertativo-argumentativo.

O que é uma Dissertação?

De modo geral, dissertar significa falar, discutir, debater, refletir, informar


alguém a respeito de um assunto. A dissertação é um tipo de texto verbal em prosa, ou
seja, é estruturado por períodos e por parágrafos (diferentemente de um poema ou de
uma música, por exemplo, os quais são estruturados em versos e estrofes).

A estrutura da dissertação deve apresentar, no mínimo, três


parágrafos: introdução, desenvolvimento e conclusão. Com relação aos aspectos
qualitativos, a dissertação pressupõe a capacidade do autor em expor, refletir, analisar e
interpretar fatos, informações e opiniões a respeito de um determinado tema.

A dissertação é a base estrutural de vários gêneros discursivos que têm, entre


outras finalidades, refletir e informar alguém a respeito de um assunto. O objetivo da
dissertação é informar o leitor a respeito de um assunto, expor dados, pesquisas e
opiniões de profissionais que possam esclarecer os leitores sobre o tema na sociedade. O
autor da dissertação tem condições de analisar o eixo temático, expondo pontos
positivos e negativos a respeito do assunto para que, assim, o leitor informe-se e
posicione-se individualmente.

Isso significa que não há opinião pessoal do autor na dissertação, mas sim
elementos que possam contribuir para que o leitor reflita criticamente e formule seus
pontos de vista.

O que é argumentar?

Argumentar é uma ação verbal na qual se utiliza a palavra oral ou escrita para
defender uma tese, ou seja, uma opinião, uma posição, um ponto de vista particular a
respeito de determinado fato. Um debate político entre sujeitos em que suas linhas
político-ideológicas são divergentes será uma ação verbal que utiliza a palavra oral.
Cada qual defenderá seu ponto de vista na modalidade oral da língua, sustentando esse
ponto de vista por meio da argumentação.

Na esfera política, a argumentação é determinante para o êxito do sujeito envolvido


no debate. Ganha visibilidade positiva e “vence” o debate o indivíduo que defender sua
tese com os argumentos mais consistentes e melhor elaborados.

Na redação do Enem o fundamento é praticamente o mesmo do debate, porém com


algumas diferenças:

 A argumentação é escrita, e não oral;


 A linguagem deve ser na modalidade formal da língua portuguesa;
 Deve respeitar o princípio de impessoalidade (isto é, evitar o uso de construções
verbais que utilizem a primeira pessoa do singular ou plural, como “Eu
acredito que tais medidas resultarão em uma mudança de comportamento” ou
“Nós podemos fazer a diferença praticando o consumo consciente”);
 Deve seguir a estrutura de um texto dissertativo-argumentativo, com introdução
(a apresentação do tema e da tese), desenvolvimento (a defesa da tese por meio
da argumentação) e conclusão;
 Especificamente no caso da redação do Enem, a conclusão deve apresentar uma
proposta de intervenção ao problema apresentado.

Quem argumenta, como a própria palavra sugere, se vale de argumentos, que nada
mais são que razões, verdades, fatos, virtudes e valores (éticos, estéticos, emocionais)
tão amplamente reconhecidos que, justamente por isso, servem de alicerce para a tese
defendida. A argumentação está presente em diferentes gêneros textuais, tais como
artigo de opinião, carta argumentativa, editorial, resenha argumentativa, texto
dissertativo-argumentativo, dentre outros.

Assim como num jogo, quem argumenta faz suas “jogadas” para se sair vencedor:
entre outras coisas, afirma, nega, contesta, explica, promete, profetiza, critica, dá
exemplos, ironiza. E todas essas jogadas estão a serviço da criação de um clima
favorável à adesão do público às posições defendidas. A cada “lance”, o argumentador
se esforça para comprovar que está indo pelo caminho certo; caso contrário, perderá
credibilidade e será vencido.

Um auditório é o conjunto dos que assistem a um debate, acompanham ou se


interessam potencialmente pelo assunto em questão. Nos grandes debates, ele é o
representante da opinião pública. Por isso mesmo, a função do auditório é
frequentemente decisiva para o debate. Quando alguém escreve uma carta a um jornal,
por exemplo, argumentando contra uma posição defendida em determinada matéria, está
querendo convencer, antes de tudo, o conjunto dos leitores, ou seja, o auditório.

Na redação do Enem, o candidato deve escrever seu texto de maneira impessoal.


Obviamente que os principais interlocutores do texto serão os corretores da redação.
Entretanto, o candidato deve superar essa visão e escrever como se seu texto fosse
destinado a convencer um grande público, com indivíduos os mais diversos, acerca do
problema em questão.

Ainda utilizando o exemplo do jogo, todo jogador desenvolve estratégias, isto é, um


plano e um estilo próprios de ação verbal para, por meio deles, vencer o adversário. No
jogo argumentativo, entretanto, é preciso convencer, ou seja, vencer com a ajuda de
todos, que precisam aderir à tese, graças à eficiência das estratégias e à força dos
argumentos. Daí o valor social da argumentação, na medida em que se trata de uma
vitória coletiva.

Na redação do Enem, soma-se os atos de dissertar e de argumentar:

Dissertação + Argumentação = Texto dissertativo-argumentativo

Todo e qualquer texto dissertativo-argumentativo visa ao convencimento de seu


leitor. Como dito anteriormente, ele sempre se baseia em uma tese (o ponto de vista
central que se pretende veicular e a respeito do qual se pretende convencer esse
interlocutor).

Em uma redação dissertativa-argumentativa, convém que essa tese seja


apresentada, de maneira clara, logo de início e que, depois, através de uma
argumentação objetiva e de diversidade lexical, seja sustentada/defendida com vistas ao
mencionado convencimento.

A ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO-


ARGUMENTATIVO.

A estrutura geral de um texto dissertativo-argumentativo consiste de introdução,


desenvolvimento e conclusão, nesta ordem. Cada uma dessas partes, por sua vez tem
função distinta dentro da composição do texto:

 Introdução: é a parte do texto em que apresentamos o tema de que trataremos e


a tese a ser desenvolvida a respeito desse assunto.
 Desenvolvimento: é a argumentação propriamente dita, correspondendo aos
desdobramentos da tese apresentada. Esse é o coração do texto, por isso,
comumente se desdobra em mais de um parágrafo. De modo geral, cada
argumentação em defesa da tese geral do texto corresponde a um parágrafo.
 Conclusão: a parte final do texto em que retomamos a tese, agora já respaldada
pelos argumentos desenvolvidos ao longo do texto. No caso da redação do
Enem, a conclusão deve contemplar uma proposta de intervenção (que respeite
aos direitos humanos) ao problema apresentado.
Você consegue, sim. Não é nenhum bicho de sete cabeças! A prova de redação é
cercada de mitos, previsões de tema e “fórmulas mágicas” sobre sua elaboração,
aplicação e avaliação. Mas ela é, na verdade, só mais uma disciplina que possui critérios
de correção bastante específicos sobre o tipo de texto solicitado para que o candidato ou
candidata obtenha sucesso. Você vai aprender a montar a estrutura da redação de acordo
com esse tipo de texto. 

O texto dissertativo-argumentativo

O texto dissertativo-argumentativo, como o nome propõe, tem como finalidade a


argumentação com base em comentários e explicações sobre determinada temática. Ou
seja, o foco principal do seu texto será defender um ponto de vista e é essa defesa que
norteará a sua escrita.

O posicionamento, na dissertação, é chamado de tese. A tese deverá ser a


protagonista do seu texto, pois além de esclarecer para o seu leitor o que será defendido,
ela também organizará a estruturação da sua escrita.

Por isso, quando receber a temática de redação, a primeira ação a ser feita é
delimitar o que você irá, de maneira geral, defender. Para isso, pergunte-se “O que eu
acho/o que eu penso sobre esta temática? ”. A pergunta anterior delimitará o que
chamaremos de “tese central” ou “tese principal” e será responsável por delimitar o
objetivo geral do seu texto.

Você sabe o que é tese? Sua função, a melhor maneira de elaborá-la, o que
evitar? 

A tese é algo que mais importante dentro de um texto dissertativo, porque é


ela que diz o que você irá defender. E o que é um texto dissertativo se não é a
defesa de um ponto de vista? Então esse ponto de vista é delimitado pela tese.

Como é que eu posso criar a minha tese? De maneira muito geral, eu vou
criar a tese com duas perguntas e elas já vão ter que aparecer lá na introdução,
pois quando você pegar a temática da redação, você mesmo deve se perguntar “ O
que eu acho? ” Sobre a proposta. E a partir disso desenvolver as ideias para os
parágrafos de desenvolvimento a parir da seguinte pergunta: “ Por que devo achar
tal coisa?”. Logo esses porquês vão delimitar as argumentações dos parágrafos.

Quais as estratégias que você pode seguir para achar esses porquês?

 Causa x Causa

Vamos lá, você pode trabalhar, por exemplo, com duas causas do problema
que a proposta irá trazer. Então por exemplo, vamos utilizar o tema “ Caminhos
para amenizar o preconceito linguístico no Brasil. ” Assim, eu posso dizer, por
exemplo, que esses caminhos para amenizar o preconceito linguístico devem
existir, porque o preconceito linguístico é fruto de uma diversidade brasileira que
não é compreendida por todo mundo (Causa 1). Ou eu posso pensar que o
preconceito linguístico é fruto de um preconceito maior que na verdade só se
expressa na língua (Causa 2). Então o que eu teria aqui? A linha geral do meu
texto que esses caminhos devem existir, então perceba que dessa forma eu já
estaria encaminhando o meu leitor para a proposta de intervenção. E esses dois
caminhos deveriam existir, por quê? Por conta das duas causas do preconceito
linguístico. Consegue visualizar? Muito bem, porque isso vai mostrar para o leitor
o que você quer defender e também é uma forma de organizar o seu texto.

 Consequência x Consequência

Você pode trabalhar também, por exemplo, com duas consequências para
aquele tema. Vamos pensar? Os caminhos para combater o preconceito linguístico
devem existir porque ele causa marginalização de certos grupos e também tira
alguns grupos do mercado de trabalho. Então são duas consequências (Causa
marginalização de certos grupos e tira alguns grupos do mercado de trabalho) que
essa temática vai trazer.

 Causa x Consequência
Podemos também ter uma relação de causa e consequência. Ainda utilizando a
temática anterior, os caminhos devem existir porque esse preconceito é fruto de
um preconceito maior que só se mostra na língua e que gera marginalização.

O segredo da introdução

A tese que você estabelece na Introdução da Redação, por ainda ser muito
ampla, precisa ser dividida em ideias menores que determinem os objetivos de cada um
dos parágrafos de desenvolvimento. Para isso, pergunte-se  “Por quê? ” Você optou por
esta tese central.

Considerando a quantidade de linhas disponibilizadas pela prova do Enem,


sugiro que você divida sua tese em apenas duas ideias, pois, dessa forma, terá espaço
suficiente para uma discussão efetiva de cada uma delas. 

Veja no quadro abaixo o movimento proposto e um exemplo com base na prova do


Enem de 2017 (Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil).

O Desenvolvimento da Redação
Durante o desenvolvimento da redação, é importante perceber que apenas
informações sobre o tema não são o suficiente para argumentar. Da mesma forma que
somente críticas sem comprovação não cumprem o papel de um texto dissertativo.
Logo, é essencial que haja tanto o posicionamento do autor, quanto a corroboração por
meio de fatos, dados ou exemplos.

Veja na prática. Observe o parágrafo dissertativo sobre o tema “Detox da Internet”.

“Diante do uso excessivo da internet e da dificuldade de manter-se desconectado, o


detox digital é uma maneira relevante de reduzir os malefícios. Uma prova da
necessidade dessa ‘limpeza’ é o número de horas que os brasileiros fiam conectados;
são em média 650 horas por mês, de acordo com os dados da Comsoare.

Além disso, as circunstâncias atuais impõem a dependência da internet a inúmeras


profissões como bancários, advogados, operadores de telemarketing, entre outros e o
resultado disso são doenças como depressão, ansiedade e transtornos de
personalidade, segundo a Associação Americana de Psiquiatria. ”

Na primeira frase, a autora determina de maneira geral o raciocínio crítico que


será desenvolvido e especificado durante o parágrafo, isto é, o tópico frasal: “Diante do
uso excessivo da internet e da dificuldade de manter-se desconectado, o detox digital é
uma maneira relevante de reduzir os malefícios.”. Observe que ela ainda precisa
comprovar essa afirmação.

Em seguida, há a comprovação da análise, mostrando que o detox da internet é


importante: “Uma prova da necessidade dessa ‘limpeza’ é o número de horas que os
brasileiros fiam conectados; são em média 650 horas por mês, de acordo com os dados
da Comsoare. ”
Finalmente, há a articulação do dado apresentado com a crítica, reafirmando a
relevância do detox da internet por meio da listagem de malefícios: “Além disso, as
circunstâncias atuais impõem a dependência da internet a inúmeras profissões como
bancários, advogados, operadores de telemarketing, entre outros e o resultado disso são
doenças como depressão, ansiedade e transtornos de personalidade, segundo a
Associação Americana de Psiquiatria. ”

Dessa forma, o parágrafo do desenvolvimento da redação relaciona-se com o gênero


dissertativo por meio de suas três partes:

 Tópico Frasal: introdução da ideia central a ser defendida.


 Comprovação: apresentação de fatos, dados ou exemplos que justifiquem de
forma objetiva a crítica inicial.
 Fechamento do parágrafo: finalização do parágrafo que relaciona a informação
apresentada ao Tópico Frasal.

Técnicas de Argumentação

Como você deve ter percebido, para convencer o leitor e conseguir sustentar a
tese elaborada, a autora utiliza uma argumentação baseada no agenciamento do seu
conhecimento de mundo (a forma como ela interpreta a realidade ao seu redor) e
elementos de repertório sociocultural. Essa relação entre o que é do cotidiano do
candidato ou candidata e o que é conhecimento relevante socio-historicamente é a outra
grande característica do texto dissertativo- argumentativo para a redação do Enem.
Dessa forma, existem técnicas de argumentação que valorizam a estrutura de uma
dissertação e que podem tornar seu texto mais coeso e competitivo.

1 – Comparação histórica

Ao escrever os argumentos com a técnica da comparação histórica o candidato


demonstra a capacidade de utilizar o conhecimento depreendido nas aulas, além de
bagagem cultural.

Observe no exemplo como é possível utilizá-la:


“Essa estrutura se mantém pouco alterada desde os primórdios do país. Por ser uma
colônia de exploração, o objetivo dos governantes, no Brasil, sempre foi buscar o
lucro em detrimento do bem-estar das classes populares. Assim, é possível traçar um
paralelo através dos séculos entre os antigos nobres portugueses e os atuais políticos
cujo poder é passado quase como uma herança e há pouca importância com as
questões sociais básicas.

O mesmo ocorre com o povo que, com a sua centenária falta de informação, não sabe
como melhorar as questões sanitárias no Brasil da mesma forma que não soube lidar
com a questão da vacinação obrigatória no século XX, gerando a conhecida Revolta
da Vacina. ”

No segundo parágrafo do desenvolvimento, a autora do texto acima comenta a


estrutura do saneamento básico brasileiro por meio de uma comparação histórica entre o
Brasil Colônia (1) e a atualidade (2):

(1) Essa estrutura se mantém pouco alterada desde os primórdios do país. Por ser
uma colônia de exploração, o objetivo dos governantes, no Brasil, sempre foi buscar
o lucro em detrimento do bem-estar das classes populares.  

(2) Assim, é possível traçar um paralelo através dos séculos entre os antigos nobres
portugueses e os atuais políticos cujo poder é passado quase como uma herança e há
pouca importância com as questões sociais básicas. ”.

Posteriormente, em vez de finalizar o parágrafo, a vestibulanda realiza outra


comparação de teor histórico, sendo que ainda seria necessário o fechamento do
parágrafo por meio de uma crítica final:

“O mesmo ocorre com o povo que, com a sua centenária falta de informação, não
sabe como melhorar as questões sanitárias no Brasil da mesma forma que não soube
lidar com a questão da vacinação obrigatória no século XX, gerando a conhecida
Revolta da Vacina. ”

Uma possível conclusão para esse parágrafo seria: “Desse modo, é necessária
estrutura política e social para que haja mais investimento e consciência, culminando
em saneamento básico e outros serviços de qualidade.”.
2 – Comparação Filosófica

Além da comparação histórica, também é possível utilizar a filosofia como


referente, fora outras áreas acadêmicas, como a literatura, biologia etc.

Vejamos um exemplo:

“Em uma de suas mais famosas falas, Aristóteles credita o termo cidadão àquele que
participa da política da pólis. Contudo, na sociedade capitalista em que vivemos hoje,
ser cidadão é convir com o atual sistema vigente, ou seja, consumir. Tal mudança
criou um perigoso traço de personalidade: a compulsão pelo consumo, em que cada
vez mais pessoas estão consumindo sem necessidade, gerando, assim, graves
problemas sociais.”

Nesse parágrafo da introdução, o autor compara o conceito de cidadão de


Aristóteles (1) com a noção de cidadania moderna (2), contextualizando-a por meio do
capitalismo:

“ (1) Em uma de suas mais famosas falas, Aristóteles credita o termo cidadão àquele
que participa da política da polis.

(2) Contudo, a sociedade capitalista em que vivemos hoje, ser cidadão é convir com o
atual sistema vigente, ou seja, consumir. ”

Assim, após a contextualização já argumentativa, o candidato apresenta a sua


tese:

“Tal mudança criou um perigoso traço de personalidade: a compulsão pelo consumo,


em que cada vez mais pessoas estão consumindo sem necessidade, gerando, assim,
graves problemas sociais.”.

3 – Comparação entre nações

A terceira técnica de argumentação que você pode usar na redação do Enem é a


comparação entre nações, ou seja, entre países. Você pode utilizar dados demográficos,
históricos e noções culturais para traçar paralelos e provar um ponto de vista.
“Além da disciplina, outro fator contribuinte para o sucesso do desportista olímpico é
o auxílio do Estado, novamente não encontrado no Brasil. Esse apoio financeiro e
educacional é fundamental para a formação do atleta, uma vez que tal incentivo
valoriza os guerreiros e contribui para um melhor treinamento.

Um fato que corrobora esse pensamento é o excelente preparo que a seleção


dinamarquesa de remo possui: embora, geograficamente, levem desvantagem perante
os brasileiros pelo congelamento de lagos no inverno, os nórdicos conseguem, em
muitos campeonatos mundiais, atingir posições mais altas que as brasileiras. A
grande conquista acontece graças ao incentivo governamental que lhes garantem
máquinas simuladoras de remo extremamente modernas e uma academia completa, a
fim de que não faltem recursos para distanciar os remadores do prestígio
internacional. ”

Nesse parágrafo do desenvolvimento, a autora utiliza uma comparação (1) entre


Brasil e Dinamarca para comprovar a crítica do tópico frasal:

“Além da disciplina, outro fator contribuinte para o sucesso do desportista olímpico é


o auxílio do Estado, novamente não encontrado no Brasil. Esse apoio financeiro e
educacional é fundamental para a formação do atleta, uma vez que tal incentivo
valoriza os guerreiros e contribui para um melhor treinamento.

(1) Um fato que corrobora esse pensamento é o excelente preparo que a seleção
dinamarquesa de remo possui: embora, geograficamente, levem desvantagem perante
os brasileiros pelo congelamento de lagos no inverno, os nórdicos conseguem, em
muitos campeonatos mundiais, atingir posições mais altas que as brasileiras.

A grande conquista acontece graças ao incentivo governamental que lhes garantem


máquinas simuladoras de remo extremamente modernas e uma academia completa, a
fim de que não faltem recursos para distanciar os remadores do prestígio
internacional. ”

Assim, ao final da comprovação, ela finaliza o parágrafo relacionando os fatos


apresentados à crítica do tópico frasal.

Para treinar suas técnicas de argumentação, pense nas seguintes questões:


 Em relação ao tema proposto, como é a nossa realidade?
 Por que ela é assim? Quais as causas disso?
 Quais as possíveis consequências disso?
 Sempre foi assim ou em outras épocas era diferente?
 Como é em outras culturas?
 Trata-se de algo benéfico/maléfico para qual aspecto?
 É possível mudar?  É necessário mudar?
 Como esse tema é abordado pelas artes (literatura, artes plásticas, cinema etc.)?
 Existem exemplos concretos (atuais, históricos, fictícios)?

Respondendo a estes questionamentos, você terá mais clareza sobre quais


argumentos podem ser usados e quais técnicas podem ser empregadas para fortalecer
sua tese.

A Conclusão da Redação

Não importa o tipo de texto: sempre bate aquela dúvida do que escrever na
conclusão. Enquanto alguns fazem um grande resumo do que escreveram até então,
outros apenas param de escrever e deixam o último parágrafo do desenvolvimento
finalizar o texto. Contudo, você deve sempre lembrar que, na estrutura de uma redação,
a conclusão tem função de retomada. A ideia de concluir tem a ver com relembrar o seu
leitor a respeito do que você tratou no decorrer do texto. Sendo assim, você deve
retomar o que escreveu nos parágrafos de desenvolvimento de uma maneira bastante
resumida. Não é o momento de expor ideias novas.

Apesar disso, a conclusão de uma redação não pode ser somente sobre o que
você já escreveu. Ela precisa de algo a mais. No Enem, esse “algo a mais” é a proposta
de intervenção. Por isso, vamos dedicar uma parte desta aula para te ensinar como fazer
a conclusão do Enem com proposta de intervenção. Essa regra se divide em três partes:
uso de conectivo de conclusão, retomada do objetivo e proposta de intervenção.

1- Conectivo para conclusão

Primeiramente, você deve lembrar que o parágrafo de conclusão sempre deve


iniciar com um conectivo. Você pode usar, “portanto” ou “dessa forma”, por exemplo.
Abaixo você pode conferir uma lista de conectivos para iniciar a primeira frase da sua
conclusão.

 Por isso  Em conclusão  Resumidamente


 Assim  Para terminar  Diante disso
 Assim sendo  Em síntese  Desse modo
 Então  Em resumo  Dessa forma
 Logo  Por último  Dessa maneira
 Enfim  Em suma  Destarte
 portanto  por fim  Dessarte

OBS: Lembrando que o uso de conectivos sempre ajuda a manter a coesão e a


coerência do seu texto.

2- Retomada do objetivo

Depois de usar o conectivo, você deve retomar os objetivos da sua redação. É


importante que, antes de começar a escrever, você defina o objetivo do seu texto. Além
disso, cada parágrafo de desenvolvimento também deve ter um objetivo. Portanto, você
deve relembrar do objetivo do seu primeiro parágrafo de desenvolvimento e depois o
objetivo do segundo. Caso você tenha escrito três parágrafos de desenvolvimento,
retome o argumento do terceiro também.

3- Proposta de intervenção

Se você já fez o Enem ou já viu uma proposta de redação do exame, deve


lembrar que logo depois do tema é requisitado que o candidato elabore uma proposta de
intervenção que respeite os direitos humanos. Esse é um trecho muito importante da
proposta de redação e que não deve ser ignorado. Só a proposta de intervenção já vale
200 pontos da nota da sua redação.

Os corretores da redação não esperam que durante o tempo de prova você


encontre uma solução para o problema tematizado. Eles somente esperam que você
exponha alguma ação que ajude no enfrentamento do problema. Não precisa ser nada
inédito, só precisa ser uma intervenção bem estruturada. Mas, como fazer uma proposta
de intervenção correta e completa? Ela precisa ter 5 elementos:

1. Ação (o que?)
2. Agente (quem?)
3. Efeito (para quê?)
4. Modo (como?)
5. Detalhamento (explicação e exemplos)

Por fim, com base na tese elaborada e nos argumentos utilizados para defendê-la,
você deverá criar a sua proposta de intervenção. Nela, de maneira geral, você deverá
mostrar de maneira detalhada de como algum órgão pode intervir na problemática
apresentada pela temática, mostrando como isso deverá ser feito e com qual finalidade.

Resumindo o que vimos nesta aula, então, no texto dissertativo-argumentativo para


o Enem, você deverá elaborar um ponto de vista (uma tese) com base na temática
oferecida pela prova, trazer argumentos convincentes que mostrem para o seu leitor que
o seu posicionamento é correto para, com base nisso, propor como intervir no problema.