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TÍTULO VIII

DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

CAPÍTULO I
DOS CRIMES DE PERIGO COMUM

Quando dolosos = dolo de perigo apenas.

Uso de gás tóxico ou asfixiante

Art. 252 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de


outrem, usando de gás tóxico ou asfixiante: Ex: Bombas de efeito moral.

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Modalidade Culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Fabrico, fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos


ou gás tóxico, ou asfixiante

Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da


autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou
material destinado à sua fabricação: “PERIGO DE PERIGO”.

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Inundação

Art. 254 - Causar inundação, expondo a perigo a vida, a integridade física


ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa, no caso de dolo, ou detenção,


de seis meses a dois anos, no caso de culpa.

Perigo de inundação = “PERIGO DE PERIGO”.

Art. 255 - Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio,


expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem,
obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. (DOLO OU CULPA?) Ver


penas.
Desabamento ou desmoronamento

Art. 256 - Causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a


vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de seis meses a um ano.

Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento

Art. 257 - Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação,


naufrágio, ou outro desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio
destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir
ou dificultar serviço de tal natureza:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Formas qualificadas de crime de perigo comum

Art. 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de


natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se resulta
morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal,
a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao
homicídio culposo, aumentada de um terço.

CASOS CONCRETOS CO NHECIDOS:

BOATE KISS EM SANTA MARIA: 242 mortes + 680 feridos? A Sexta Turma do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu evidências de dolo eventual na conduta
dos quatro denunciados pelas mortes ocorridas em 2013 no incêndio da boate Kiss, em
Santa Maria (18/06/2019).

BARRAGEM DE MARIANA: Dos crimes a eles imputados encontram-se na


legislação ambiental , o crime de poluição qualificada (art. 54, inciso III, da
Lei 9.605/98); crime contra a flora (artigo 38 e 38-A, da lei 9.605/98); crime contra a
fauna (artigo 29,"caput"e artigo 33, ambos da Lei 9.605/98; crime contra o
ordenamento urbano e patrimônio cultural (artigo 62, inciso I, da Lei 9.605/98; crime
contra a administração ambiental (artigo 69-A, da Lei 9.605/98); crime de inundação
(artigo 254 do Código Penal brasileiro); crime de
desabamento/desmoronamento (artigo 256, do Código Penal brasileiro); crime
de homicídio (artigo 121, § 2º, do Código Penal brasileiro); crime de lesão
corporal (artigo 129, § 1º, incisos I e III, c/c § 7º, por duas vezes, , § 1º, incisos I
e III, caput, na forma do art. 70, todos do Código Penal brasileiro).

"A denúncia, descrevendo, na realidade, o crime de perigo comum de


inundação qualificada pelo resultado (artigos 254 e 258 do Código
Penal), atribui a ruptura da barragem ao conjunto das omissões que
descreve, mas não indica (tempo, lugar, forma e circunstâncias) as
condutas que os acusados, e especialmente o paciente, deveriam ter
adotado no cumprimento do dever de agir para evitar o resultado",
diz a decisão. TRF 1ª Região.

BARRAGEM DE BRUMADINHO: Por unanimidade, os desembargadores


trancaram a ação penal, para o crime de homicídio, aberta em 2016 contra
executivos de Vale, Samarco e BHP Billiton em razão da tragédia de
Mariana. Na prática, os acusados não vão mais a júri popular - que julga
crimes contra a vida -, e fica mantido o processo somente para os
crimes ambientais e de inundação, que é previsto no Código Penal. A
ação foi trancada também para o crime de lesão corporal.

Segundo o acórdão do julgamento, "a despeito da descrição única do crime


de inundação qualificada pelo resultado, e de afirmar que as mortes "foram
causadas pela passagem da lama de rejeitos oriunda do reservatório de
Fundão", a denúncia imputa ao paciente a prática, autônoma e
independente, de 19 (dezenove) homicídios triplamente qualificados (art.
121, § 2º, I, III e IV - CP) e de lesões corporais graves, também autônomas".

"As mortes e as lesões corporais são descritas na denúncia como


resultado do crime de inundação, crime de perigo comum, ao
reconhecer a peça que o fato (ou a conduta) teve caráter indeterminado e
sem destinatário específico, o que desautoriza (tecnicamente) a imputação
autônoma de homicídio (concurso formal), que imprescindiria da
demonstração de que o (suposto) crime de inundar teve por objetivo final
a morte de determinado indivíduo", anotam os desembargadores.

Difusão de doença ou praga

Art. 259 - Difundir doença ou praga que possa causar dano a floresta,
plantação ou animais de utilidade econômica:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a seis


meses, ou multa.

Ver artigo 61 da Lei 9605/98.

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