Você está na página 1de 9

BRUNO PEREIRA FERREIRA

1 NEM

ENERGIA EÓLICA

• RESUMO

As questões ambientais e a constante preocupação com as mudanças climáticas


levaram a uma corrida pelo desenvolvimento e inserção de tecnologias de
energias renováveis na matriz elétrica em diversos países. Nesse contexto, a
energia eólica é considerada uma das mais promissoras fontes naturais de
energia, principalmente porque é renovável, não se esgota, limpa, distribuída
globalmente e, se utilizada para substituir fontes de combustíveis fósseis,
auxilia na redução do efeito estufa. Além desses benefícios, pode-se trazer
vantagens globais e nacionais, como por exemplo, os benefícios com a redução
das emissões de gás carbono e a segurança do abastecimento energético. O
grande potencial de geração no Brasil é a eólica, que compõe apenas uma
pequena parte da matriz energética brasileira, mas que vem ganhando
destaque nos leilões, por conta de sua competitividade.

1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento sustentável é um dos assuntos de maior relevância na


atualidade, uma vez que está relacionado não só com a economia, mas
também com o meio ambiente e com a sociedade.

A qualidade de vida de uma sociedade, por sua vez, está intimamente ligada ao
seu consumo de energia. A melhoria nos padrões de vida, principalmente em
países em desenvolvimento, geram aumento da demanda energética e, dessa
forma, necessitam de um melhor planejamento energético que aborde a
segurança no suprimento de energia e os custos ambientais para atender a
este aumento de consumo de energia.
Alguns especialistas consideram que a energia eólica é uma fonte energética
capaz de suprir as demandas de uma sociedade, sem prejudicar gerações
futuras, e por isso, o uso deste tipo de energia renovável vem crescendo
mundialmente.

No início de 2000, os projetos contratados decorrentes das políticas de


incentivo, e principalmente no final da década com a entrada da energia eólica
no mercado regulado de energia, colocou o Brasil entre os países com maior
crescimento na implantação de novos parques eólicos e gerou otimismo entre
os agentes públicos e privados do setor elétrico.

Decorrente destes fatores, o objetivo do presente estudo foi realizar uma


pesquisa sobre energia eólica e a viabilidade do potencial dessa matriz
energética no Brasil, levando em conta o meio ambiente e sua sustentabilidade.
O estudo está organizado em tópicos, onde no primeiro apresenta-se os
fundamentos teóricos necessários para o entendimento claro da pesquisa e  em
seguida, a metodologia utilizada para a elaboração da revisão bibliográfica.
Posteriormente são apresentados os resultados juntamente com a discussão
dos fatos, finalizando com a conclusão do estudo.

2. FINDAMENTOS TEÓRICOS

Os primeiros indícios da utilização de energia eólica para a realização de


trabalhos mecânicos datam cerca de dois mil anos atrás, sendo utilizada nas
máquinas de Heron em Alexandria (PINTO, 2012).

Segundo Duarte (2004), o surgimento da tecnologia do aproveitamento do


vento foi uma consequência da crise energética de 1973. Diante do aumento do
preço do petróleo e da necessidade de produzir eletricidade a preços inferiores
e de forma limpa e renovável, foram desenvolvidos os atuais aerogeradores.
Segundo os autores Terciote
Welch e  Venkateswaran, nos últimos anos a energia eólica tornou-se uma peça
fundamental na geração de energia, principalmente elétrica, devido à grande
expansão em pesquisas e nas técnicas de desenvolvimento para transformar o
movimento do vento em energia. Atualmente, esta fonte energética vem sendo
descrita como uma das mais importantes e promissoras tecnologias na geração
complementar de energia, por ser facilmente acessível e abundante na
natureza.
Com o aprimoramento e aumento da potência das máquinas eólicas, os custos
de geração de eletricidade a partir dos ventos vêm diminuindo, o que também
reflete na proliferação de inúmeros parques eólicos ao redor do mundo.

Energia eólica é a energia cinética contida na massa de ar em movimento


(vento). Dessa forma, faz-se importante conhecer o comportamento e as
características dos ventos para que seja possível compreender os aspectos
necessários para uma adequada modelagem eólica em uma determinada
região. A conversão da energia cinética de translação do vento em energia
cinética de rotação, ocorre a partir do uso de turbinas eólicas, também
denominadas aerogeradores, as quais são fundamentais para a geração de
eletricidade. A captação da energia cinética do vento pode ser feita
basicamente utilizando-se dois tipos de turbinas: turbinas de eixo vertical e as
de eixo horizontal. No primeiro caso, engrenagem e gerador são colocados ao
nível do solo e a turbina é movida por forças de arraste ou sustentação Estas
turbinas apresentam baixa complexidade de fabricação e são bastante
indicadas para características de vento similares ao sul da América Latina.

Já as turbinas de eixo horizontal possuem as engrenagens, eixo e gerador


alinhados com a direção do vento, sendo a opção mais utilizada mundialmente
em parques de geração eólicos comerciais. Podem ainda ser encontradas
algumas configurações em função do número de pás, sendo que as turbinas
com três pás são as mais empregadas por apresentarem menor esforço
mecânico, menor oscilação de torque e por provocarem menor ruído.

Os autores acima completam que nos últimos dez anos, as torres de geradores
ficaram mais altas, passando de 50 metros para os 100 a 120 metros atuais, o
que permite captar ventos mais velozes. Ao mesmo tempo, a potência das
máquinas triplicou, para 3 megawatts. Os geradores mais eficientes reduziram
o custo da energia eólica. Hoje, o preço médio é 45% menor do que há dez
anos, fazendo com que a energia eólica seja a segunda energia mais barata no
país. Com isso, criou-se um “círculo virtuoso” de atração de investimentos.

Os investimentos para implantação de um projeto de formação de energia


renovável são altos, sendo que a maior parte do investimento concentra-se na
fase inicial do projeto, uma vez que o custo dos equipamentos correspondem a
até 75% do investimento total de um parque eólico.
Valentine (2010) alerta para o fato de que o local de implementação de um
parque eólico deve ser favorável para a formação de ventos. Entretanto, nem
sempre os locais apropriados para a instalação dos geradores estão próximos
do local de consumo, causando custos que podem inviabilizar a implantação.
Acrescenta que,  dependendo da distância do grid, os projetos de energia eólica
podem se tornar comercialmente inviáveis, criando custos associados à
conexão.

Entretanto, quando é possível se integrar a outras fontes de energia e


consequentemente utilizar a infraestrutura delas, os sistemas eólicos podem
trazer vantagens econômicas como exemplo, a instalação dos geradores
próximos aos locais de consumo devido a não necessidade das redes de
transmissão.

Vários dos principais estudos realizados em 2010 sobre a integração da energia


eólica ao grid de energia elétrica apontam novas evidências do baixo custo
proporcionado a este tipo de sistema.

Nesse contexto, Jannuzzi (2003) comenta que os sistemas elétricos eólicos


possuem características diferenciadas dos sistemas utilizados nas hidrelétricas,
pois podem ser utilizados na forma de geração distribuída, que é um sistema
interligado a grandes redes de transmissão e distribuição através de parques
eólicos com aerogeradores de grande porte ou ser utilizado de forma isolada,
através de aerogeradores de pequeno porte proporcionando assim um baixo
custo. Terciote (2002) cita outra evidência de baixo custo como sendo os casos
de sistemas híbridos onde há ganhos econômicos, citando os sistemas
eólico/diesel, onde o motor diesel garante a regularidade e estabilidade no
fornecimento de energia dispensando sistemas de armazenamento e a
implantação híbrida de aerogeradores (JANNUZZI,2003).

A implantação de energias renováveis apresenta um impacto importante sobre


a economia, uma vez que favorece o desenvolvimento de indústrias de
equipamentos para consumo interno e até mesmo para a exportação
(TOURKOLIAS; MIRASGEDIS, 2011). Elbia Silva Gannoum, (2015) da ABE
Eólica, cita que no ano passado, o setor criou 40 mil postos de trabalho, e que
está previsto a criação de outros 50 mil novos postos de trabalho para esse
ano. Comenta, que a instalação dos geradores não prejudica o agricultor nem o
seu cultivo, sendo que as duas atividades podem conviver juntas. Os autores,
Rio, Burguillo (2008), acrescentam que na maioria das vezes,  as terras em que
são construídos os parques eólicos são arrendadas e, essa questão gera outro
aspecto importante, uma vez que os aerogeradores ocupam apenas uma
pequena fração da área, e o restante da área arrendada pode ser utilizado para
outras atividades produtivas na propriedade (RÍO; BURGUILLO, 2008).

2.1 IMPACTO AMBIENTAL

Mesmo tendo um impacto ambiental bastante reduzido quando comparado à


maioria das outras fontes energéticas, a geração de energia elétrica a partir de
turbinas eólicas gera alguns impactos como por exemplo: impacto visual, ruído,
interferência eletromagnética e danos à fauna.

O impacto visual está relacionado com a área necessária para a instalação do


parque. Para que a perturbação do vento causada por uma turbina não interfira
significativamente no funcionamento das turbinas vizinhas, faz-se necessário
um espaçamento mínimo entre cinco a dez vezes a altura da torre.

Segundo Duarte (2004), o impacto relacionado pela geração de ruídos, embora


existam no mercado turbinas de baixo ruído, é inevitável a existência de um
zumbido, principalmente à baixas velocidades do vento, uma vez que, o ruído
das altas velocidades do vento se sobrepõe ao ruído das turbinas. O ruído pode
ter duas origens: mecânica (que vem da caixa de engrenagem que multiplica a
rotação das pás para o gerador) e/ou aerodinâmica (decorrente do movimento
das pás em decorrência do vento, que pode ser mais perturbador no período
noturno e localizados na sua imediata vizinhança).

A preocupação relativa à fauna é com os pássaros, os quais podem vir a colidir


com as estruturas (torres de alta tensão, mastros e janelas de edifícios) e com
as turbinas eólicas, devido a dificuldade de visualização.

Entretanto, o impacto ambiental que a energia eólica gera, é muito mais


inferior quando comparado à energia proveniente do combustível fóssil
(petróleo), a qual provoca um grande impacto ambiental produzindo emissões
gasosas que, além de poluentes, destroem ecossistemas. Já a energia eólica,
por sua vez, pode servir eternamente aos propósitos energéticos com quase
nenhum impacto ambiental (DUARTE, 2004). Essa matriz energética, não emite
dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e apresenta um balanço energético
extremamente favorável. Na fase de fabricação e  instalação dos equipamentos,
há baixíssima  emissão de CO2 que, após o período de três a seis meses de
funcionamento dos aerogeradores, esse gás deixa de ser produzido. Esse
impacto varia muito de acordo com o local das instalações, o arranjo das torres
e as especificações das turbinas.

Um ponto favorável ao uso dessa matriz energética, é o fato de ser possível


utilizar a área do parque eólico como pastagens e outras atividade agrícolas
uma vez que a energia eólica não utiliza água como elemento motriz, nem
como fluido refrigerante e não produz resíduos radioativos ou gasosos. Outra
consideração, é que esses parques tendem a atrair turistas, gerando renda,
emprego, arrecadações e promovendo o desenvolvimento regional.

3. METODOLOGIA

Este estudo trata-se de uma revisão de literatura, baseada em analisar a


viabilidade do potencial eólico no Brasil. Neste trabalho, seguiram-se os
preceitos do estudo exploratório, por meio de uma pesquisa bibliográfica, que,
segundo Gil (2008), “é desenvolvida a partir de material já elaborado,
constituído de livros e artigos científicos” e, em seguida, procedeu-se à análise
dos dados coletados. Na primeira etapa, foi realizada coleta de informações em
livros e artigos científicos. Complementarmente foram pesquisadas notícias em
revistas e jornais relevantes a viabilidade do potencial eólico no Brasil.

O presente estudo inicia-se com a determinação de objetivos já explicitados no


tópico de introdução. Na sequencia, as reflexões sobre a viabilidade do
potencial dessa matriz energética no Brasil, analisando os impactos ambientais,
as tecnologias envolvidas, e a citação da região nordeste pelo seu alto potencial
de instalação das torres eólica em função do regime de ventos.

É inevitável a discussão sobre a utilização da energia eólica como fonte de


energia renovável, bem como as preocupações que surgem com sua utilização.
Essas discussões levam o país a procurar por um desenvolvimento econômico e
social que leve em consideração o meio ambiente e sua sustentabilidade.
4. RESULTADOS

Ao longo deste artigo, descreveu-se sobre a viabilidade do potencial da matriz


energética no Brasil e como a utilização de fontes de energias renováveis
colaboram para a busca do desenvolvimento sustentável.

Foram apresentados os pontos positivos na utilização dessa matriz energética e


os pontos que necessitam de atenção, principalmente relacionados aos
impactos ambientais. Sabemos que existem problemas e muitos desafios pela
frente. Jorge Antônio Villar (2015), coordenador do Centro de energia eólica da
PUC-RS, alerta sobre a desestruturação e dinâmica ambiental e ecológica de
dunas locais que são modificadas com a instalação dos parques eólicos.
Acrescenta que a atividade deveria contar com uma maior preocupação relativa
aos métodos e procedimentos para que os impactos socioambientais possam
ser minimizados.

Esse tipo de estudo é fundamental para que o Brasil se desenvolva socialmente


e economicamente, uma vez que, embora haja programas governamentais de
incentivo à energia eólica, estes ainda são modestos se comparados ao
potencial eólico que o país possui.

5. CONCLUSÃO

A análise da pesquisa existente nos expõe a natureza incontrolável intermitente


da energia eólica.  Ela passa a ser uma fonte nova no planejamento de
ampliação do sistema elétrico brasileiro sendo, um potencial de exploração o
qual oferece energia ambientalmente sustentável e suficiente para suprir a
previsão de demanda nas próximas décadas. Por não emitir dióxido de carbono
(CO2) na atmosfera, apresenta um balanço energético extremamente
favorável, e o seu impacto ambiental, é muito mais inferior quando comparado
à energia proveniente do combustível fóssil (petróleo), a qual provoca um
grande impacto ambiental produzindo emissões gasosas que, além de
poluentes, destroem ecossistemas. Seu uso é promissor,  e os fatores que
permitem um horizonte de crescimento virtuoso para essa fonte natural de
energia renovável, estão fundamentados em uma vantagem que o pais possui
que são os melhores ventos do mundo para a produção eólica, além disso,
considerando que a fonte eólica é ainda muito nova no mundo, existem
oportunidades de melhoramentos e inovações tecnológicas que contribuirá com
a redução nos custos de produção, consolidando-a como energia viável,
contribuindo com o país no desenvolvimento econômico e social, que  leve em
consideração o meio ambiente e sua sustentabilidade.

REFERÊNCIAS

AMARANTE, Odilon A. Camargo; BROWER, Michael; ZACK, John; SÁ,


Antônio Elide de. CRESESB / ELETROBRAS / CEPEL / MME. Brasília: MME,
2010. Atlas do Potencial Eólico Brasileiro. Velocidade Média Anual do Vento no
Brasil a 50 Metros de Altura. CRESESB/CEPEL. Disponível em:   
http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/atlas_eolico/mapas_1a.pdf
Acesso em 10 jun. 2016

ABE Eólica – Associação Brasileira de Energia Eólica. Energia eólica tem média


diária recorde no Sul e Nordeste do País. Disponível em:
http://www.portalabeeolica.org.br/. Acesso em set.2016.

BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Plano decenal de expansão de energia


– PDE 2021. Brasília, 2013c. Disponível em:
<http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/notícias/2012/
Relatxrio_PDE2021_ConsutaPxblica.pdf/>

BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Plano decenal de expansão de energia


– PDE 2022: informe à imprensa. Brasília, 2013d. Disponível em:<
http://www.epe.gov.br/imprensa/PressReleases/20131029_1.pdf/>. Acesso
em: 10 jun. 2016.

SIMAS, MOANA, and. Pacca, Sergio. Energia eólica, geração de empregos e


desenvolvimento sustentável [doi:10.1590/s0103-
40142013000100008]. Estudos Avançados (USP. Impresso) [online], 2013, vol.
27, p. 99.
TERCIOTE, R. Análise da Eficiência de um Sistema Eólico Isolado. Campinas:
Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas.
Dissertação de Mestrado, 2002.