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CURRÍCULO E SOCIEDADE

AULA 3

Prof.ª Dinamara Pereira Machado


Prof.ª Kátia Regina Dambiski Soares
CONVERSA INICIAL

Os professores escolhem técnicas de ensino e metodologias de


trabalho, assim como práticas avaliativas, e relacionam todo esse material
embasado em tendências pedagógicas que interferem claramente na sua
forma de atuação, por consequência organizam seus conteúdos para seu
trabalho docente.
Nesta aula, abordaremos algumas tendências pedagógicas com o
objetivo de identificá-las e correlacioná-las com as concepções de currículo
existente.
Entre elas, estão:

3.1 Tendências pedagógicas liberais ou conservadoras

3.2 Currículo na perspectiva tradicional

3.3 Currículo na perspectiva escolanovista

3.4 Currículo na perspectiva tecnicista

3.5 Tendências pedagógicas liberais e o cenário atual

TEMA 1 – TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS LIBERAIS OU CONSERVADORAS

Na tendência pedagógica liberal ou conservadora, a manifestação da


prática pedagógica se dá até 1930, lembrando que ocorreu o monopólio
jesuítico até 1759 da igreja católica e as questões leigas do liberalismo clássico
que foram de 1759 a 1930.
Nessa tendência, o papel da escola era fundamentalmente o de
transmissão de conhecimentos, não possibilitando que ocorresse uma
mobilidade social, existindo assim o privilégio da educação para as classes
mais favorecidas.
É muito clara a forma de avaliação desse período como classificatória,
valorizando os aspectos cognitivos e qualitativos com ênfase na memorização,
ou seja, o aluno precisa reproduzir de forma integral, decorada, o que lhe foi
ensinado, no momento das provas ou interrogatórios oralizados, exercícios de
fixação e trabalhos realizados como tarefas para realizar em casa.

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Nesse modelo, as relações entre professor e aluno são verticais; o
professor é o centro do processo, é autoritário, e o aluno obviamente é passivo,
submisso, só recebendo informações e está sujeito a castigo.
As técnicas de ensino utilizadas são embasadas em na memorização,
portanto, a aula é expositiva com muita produção de exercícios repetitivos,
cópias, leituras e todos centrados na repetição e memorização de conceitos,
sendo o grande estímulo direcionado ao individualismo e à competição para
serem os melhores, tirarem as melhores notas e consequentemente estar em
primeiro lugar.
Na mesma toada, os métodos utilizados para o ensino ou a metodologia
seguem um padrão sempre primando inicialmente por uma recordação da aula
anterior e, depois, uma apresentação que traduza o objetivo e objeto da
aprendizagem daquela aula. Por meio de esquemas, sistematiza o
conhecimento unindo sempre a aula anterior a próxima e depois os alunos
fazem a devolutiva demonstrando nas avaliações o que aprenderam.
Conseguimos aprender e compreender também que a prática escolar
está diretamente ligada aos condicionantes da sociedade e também da
concepção de homem de cada época e, por isso, tem implicação direta com a
maneira que os professores realizam o seu trabalho na escola e escolhem o
currículo a ser trabalhado. “O currículo seria um objeto que precederia a teoria,
a qual só entraria em cena para descobri-lo, descrevê-lo, explicá-lo” (Silva,
2007, p. 11).
Nessa concepção liberal, a ideia central é a de que a escola necessita
preparar o indivíduo para estar apto a desenvolver papéis que a sociedade lhe
impõe, de acordo, necessariamente, com as aptidões de cada um.
O indivíduo, nesse caso, necessita se adequar às normas sociais de
classe. Vale lembrar que o currículo no âmbito escolar tem sempre a intenção
política de formação humana e o professor é o mediador do conhecimento e
necessita conhecer sua função como ato político de emancipação humana.
Sobre as tendências, é importante frisar que não são excludentes, ou
seja, uma nasce quando a outra morre, mas, sim, que

[...] não aparecem em sua forma pura, nem sempre são mutuamente
exclusivas, nem consegue captar toda a riqueza da prática escolar.
São, aliás, as limitações de qualquer tentativa de classificação. De
qualquer modo, a classificação e descrição das tendências poderão
funcionar como instrumentos de análise para o professor avaliar a
sua prática de sala de aula. (Libâneo, 1982, p. 2)

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Por isso, entendemos que o currículo escolar independente de sua
tendência e que não é neutro, e a tendência organiza, os conteúdos indo além
dessa premissa. “O efeito final, de uma forma ou outra, é que o currículo se
torna um processo industrial e administrativo” (Silva, 2007, p. 13).

TEMA 2 – CURRÍCULO NA PERSPECTIVA TRADICIONAL

A tendência pedagógica tradicional está dentro das teorias não críticas,


pois sempre assumiram uma posição de neutralidade quando postas diante de
questões sociais e políticas da sociedade. Essa perspectiva também é
chamada de liberal e sua principal característica é não estabelecer relações
com as transformações sociais. “As teorias críticas desconfiam do status quo,
responsabilizando-o pelas desigualdades e injustiças sociais. As teorias
tradicionais eram teorias de aceitação, ajuste e adaptação” (Silva, 2007, p. 30).
Diante dessa constatação, cabe à escola formar o indivíduo para
desempenhar papéis sociais. Podemos facilmente situar a perspectiva
tradicional no período conhecido como da racionalidade técnica ou modelo
taylorista. “Na proposta de Bobbitt, a educação deveria funcionar de acordo
com os princípios da administração cientifica propostos por Taylor” (Silva,
2007, p. 23).
No que diz respeito ao currículo, apresenta uma formatação com
conteúdos individualizados e correspondentes a disciplinas específicas. A ideia
central na preparação do aluno é direcionada a uma atuação na sociedade com
base em um ensino particionado, enciclopédico e completamente
interdependente entre as disciplinas sem conexão.
Nesse sentido, o currículo e a sua organização se dá com vistas à
quantidade de conteúdos, e não à qualidade. A preocupação com o encaixe
dos conteúdos com a realidade é inexistente, são apresentados totalmente
descontextualizados.
É fácil de compreender que nessa tendência pedagógica o professor é o
centro. É ele que possui o conhecimento que será depositado nos alunos. O
discente, nessa perspectiva, é um ser passivo, que apenas obtém as
informações dadas pelo professor e armazena o conhecimento trabalhando
exclusivamente a memorização por meio da repetição das atividades de
fixação.

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O desenvolvimento da criticidade é engessado, sem permissões para
discussões e debates que aproximem o currículo do cotidiano e da realidade.
Lembremos de que na escola não ensinamos da mesma maneira todos os dias
e tampouco o aluno aprende da mesma forma. É necessário que ocorra
sempre uma sistematização dos saberes que são realmente relevantes e isso
se dá por meio de uma organização curricular comprometida com a realidade,
em que o aluno se modifica e modifica o meio, e com certeza a tendência
tradicional passa longe deste conceito. “A organização curricular enfatiza a
quantidade de conteúdos que são apresentados de forma fragmentada,
estanque e descontextualizados e sem articulações com a realidade prática”
(Lima; Zanlorenzi; Pinheiro, 2012, p. 91).
Importante relembrar e situar o contexto histórico, político, social,
econômico de que se está falando em currículo. Nesse caso, a concepção
tradicional está dentro das teorias não críticas. Relembrando:

Teorias não críticas Teorias críticas Tórias pós-críticas


Tradicional
Nova Critica reprodutivista Histórico crítica
Tecnicista

O currículo e sua definição vêm, através dos tempos, buscando


aprimorar a sua função, principalmente entendendo o currículo como um
elemento que busca a transformação na forma de aquisição do conhecimento,
nesse caso, completamente contrário ao sentido do currículo na tendência
tradicional, que sustenta a transmissão de conhecimento e o aluno como banco
receptor desse depósito.
O currículo passou por mudanças a partir das décadas de 1920 e 1930
com o processo de urbanização que refletiu diretamente na forma de pensar a
escola. Destacam-se pesquisadores como Fernando Azevedo e Anísio
Teixeira, pioneiros da escola nova.

TEMA 3 – CURRÍCULO NA PERSPECTIVA ESCOLANOVISTA

A perspectiva escolanovista situa-se dentro das teorias não críticas. A


escola nova acentua a cultura como forma para o desenvolvimento individual, e
a educação é um processo interno, ou seja, supre a necessidade do indivíduo.
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A escola nova propõe um aprendizado que dá valor à autoeducação. A
influência desse modelo vem de pensadores e pesquisadores da educação,
como Montessori, Decroly, Dewey e sem sombra de dúvidas Anísio Teixeira.

A influência do pensamento de Dewey e do pensamento americano,


permeado pelas ideias liberais influenciaram as reformas
empreendidas pelos reformadores entre eles Anísio Teixeira, que
reorganizou a instrução pública da Bahia, com inovações que iriam
mais tarde caracterizar a abordagem escolanovista de currículo e
ensino. Vale destacar que Teixeira estudou com Dewey na
Universidade de Columbia e tal situação explica a influência do
pensamento Deweyano no país e como este foi divulgado
principalmente no país e como este foi divulgado principalmente com
relação a importância da organização de um currículo escolar. (Lima;
Zanlorenzi; Pinheiro, 2012, p. 55-56).

A escola nova traz, segundo Libâneo (1982), uma divisão de períodos


que ele chama de renovada progressista e outra de renovada não diretiva.
Na renovada progressista, a escola guarda a finalidade de adequar as
necessidades do indivíduo com o meio social e, por isso, a escola fica
incumbida de retratar a vida em sociedade da melhor maneira possível ficando
próxima da realidade. “A escola cabe suprir as experiências que permitam ao
aluno educar-se num processo ativo de construção e reconstrução do objeto,
numa interação entre estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do
ambiente” (Libâneo, 1982, p. 4). Nesse modelo, o currículo é composto de
conteúdos que se estabelecem em função da vivência e da experimentação do
indivíduo frente a alguns desafios cognitivos e também em situações
problemas, sugerindo a valorização dos processos mentais, o que caracteriza o
aprender a aprender, sendo importante a aquisição do saber e não mais
somente o saber propriamente dito. Nesse sentido, a ideia força do
pensamento central está em aprender fazendo.
Os programas curriculares idealizados pelos escolanovistas podem ser
considerados na história como o início da organização do currículo no Brasil.
Sabemos que os ideais da escola nova não foram efetivados em sua íntegra e,
no final da década de 1930, esses pensadores da escola nova ficaram um
tanto apagados, voltando a influenciar quando da criação do Inep (Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas), e então os estudos sobre currículo
começaram a ser mais discutidos.
A ideia central de aprender fazendo está presente e incentiva o estudo
do meio natural e a solução de problemas. O trabalho em grupo é valorizado
como uma técnica que dá condições para o desenvolvimento mental.

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Diferentemente do professor tradicional, o professor escolanovista faz
apoio ao desenvolvimento livre do estudante e sua contribuição auxilia dando
forma ao pensamento do estudante, por isso um bom relacionamento entre
professor e aluno se dá de maneira democrática e positiva. Claro que a escola
nova na prática escolar leva tempo para se manifestar com efetividade, pois
entra em choque com a pedagogia tradicional.
Na tendência liberal renovada não diretiva, o papel da escola centra-se
em compreender os problemas psicológicos no intuito de ser formadora de
atitudes. Não há mais a preocupação com problemas pedagógicos sociais.
Alguns estudiosos entendem que a escola deve favorecer o
autodesenvolvimento e a realização do indivíduo, assemelhando-se a uma
terapia. Os conteúdos não são importantes e devem ser procurados pelos
próprios alunos, nesse sentido devem ser os meios para buscar conhecimento.
O professor é um facilitador que ajuda o aluno a se organizar e, portanto, a
educação proposta é centrada no aluno. A pedagogia não diretiva visa formar a
personalidade do aluno pelas experiências que façam desenvolver
características e manifestações de sua natureza.

A motivação resulta do desejo de adequação pessoal na busca da


autorrealização, é, portanto, um ato interno. A motivação aumenta
quando o sujeito desenvolve o sentimento de que é capaz de agir em
termos de atingir suas metas pessoais, isto é, desenvolve a
valorização do “eu”. Aprender, portanto, é modificar suas próprias
percepções, daí que apenas se aprender o que estiver
significativamente relacionado com essas percepções resulta que a
retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”, o
que não está envolvido com o “eu” não é retido e nem transferido.
Portanto, a avaliação escolar perde inteiramente o sentido,
privilegiando-se a autoavaliação.” (Libâneo, 1982, p. 6)

Um dos principais inspiradores da não diretiva é C. Rogers, mais


conhecido como psicólogo do que como professor.

TEMA 4 – CURRÍCULO NA PERSPECTIVA TECNICISTA

Na escola tecnicista dentro do sistema social, a escola é reconhecida


como uma modeladora e organizadora do comportamento humano utilizando
técnicas específicas. Fica evidente a função da escola como organizadora do
processo ao qual o aluno é submetido de adquirir habilidades, conhecimentos e
ter atitudes específicas e utilitárias para poder se integrar ao sistema da
sociedade de uma maneira geral.

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A escola nesse período denominado tecnicista atua para garantir o
aperfeiçoamento da ordem e do sistema de produção e, para isso, utiliza-se da
tecnologia comportamental, produzindo seres humanos competentes e úteis
para o mercado de trabalho. Os currículos escolares estão conforme a ordem
da pesquisa científica garantido a objetivação da prática escolar.
Os conteúdos são necessariamente informações que contenham
princípios científicos ou legislação pertinente. O conteúdo a ser ensinado é
somente conteúdo que possa ser medido ou observado objetivamente. A
subjetividade não faz parte do período tecnicista, pois uma das características
principais é a mensuração. O currículo é executado por meio de manuais, livros
didáticos e todo material audiovisual que não possuem subjetividade.
O relacionamento entre professor e aluno é um relacionamento objetivo
com funções bem definidas, em que o professor transmite o conteúdo, o aluno
recebe as informações, fixa e reproduz sem discutir a eficácia do conteúdo. O
professor representa uma linha de ligação, um fio condutor entre a verdade
científica e o aluno, e para isso deve empregar o conteúdo que está previsto no
sistema. O aluno não participa da programação dos conteúdos, cabendo-lhe
apenas absorver a verdade científica, e claramente é descartada qualquer tipo
de relação afetiva ou pessoais entre professor e aluno, consequentemente,
discutir o conteúdo ou debater a sua veracidade não encontram espaço nesse
período.
Os métodos de ensino são muito claros na escola tecnicista, fazendo
com que a aplicação do curricular ocorra da mesma maneira que uma fábrica,
para tanto, aplica-se o conteúdo com um objetivo simples de fazer com que
entendam a matéria e depois cobra-se na avaliação que tenham a mesma
resposta do que foi sistematicamente explicado. Um “ctrl c + ctrl v”, de
conteúdos, programa aplicado e programa cobrado nas avaliações sem espaço
para discussões e questionamentos. Para que ocorra o bom ensino, então, é
necessário organizar os conteúdos de forma que estimulem o aluno e ele
ultrapasse a forma como entrou no aprendizado progredindo, ou seja, no final o
que se espera é que esteja apto ao mercado de trabalho sem se preocupar
com as significações das mudanças sociais.
Essa corrente de pensamento, se assim podemos chamar, tem como
expoente Skinner, que seguia a corrente psicológica do behaviorismo. Essa
corrente acredita que adquirimos o conhecimento por meio de imitação e de

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repetição de hábitos, e a instrução programada segue esse formato, fazendo
da repetição a sua forma de aprendizagem.

O tecnicismo foi introduzido no Brasil no final de 1960, com ênfase na


produtividade. Os marcos da implantação do modelo tecnicista são a
lei nº 5.540/1968, referente ao ensino universitário, e a lei nº
5692/1971, referente ao ensino de 1º e 2º graus, sendo que este
ultimo especificamente sob uma concepção produtivista. (Lima;
Zanlorenzi; Pinheiro, 2012, p. 61)

O tecnicismo tem como objetivo principal a exatidão e, por isso, não abre
espaços para questionamentos ou debates, pois não combinam com o conceito
de racionalidade, eficiência e muito menos de operacionalidade. O currículo,
por consequência, é o que está ali no papel, engessado, sem abertura para
nada que não signifique eficiência e produtividade, pois seu objetivo maior é a
habilidade adquirida para ter competência técnica.

TEMA 5 – TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS LIBERAIS E O CENÁRIO ATUAL

A partir da década de 1970, começam a surgir movimentos que exigem


a reestruturação do pensamento em relação as formas curriculares existentes.

A organização e o desenvolvimento do currículo deve buscar


responder, de acordo com Tyler, quatro questões básicas: I. que
objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?. 2. Que
experiências educacionais poder ser oferecidas que tenham
probabilidade de alcançar esses propósitos?. 3, Como organizar
eficientemente essas experiências educacionais?. 4. Como podemos
ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados. (Silva,
2007, p. 25)

O currículo passa a ter um novo sentido quando deixa se estagnar em si


próprio, e pode elevar a condição do estudante e legitimar a forma de vida
social com liberdade igualdade e solidariedade humanas. O currículo tanto
dentro quanto fora da escola teria possibilidades de ser um agente
desenvolvedor de formas de vida ativas e democráticas.
Conforme Giroux (1997, p. 171),

A importância, finalidade e estudo do currículo como forma de


discurso e prática estariam inextrincavelmente ligados a uma noção
de prática educacional que toma como ponto de partida um
compromisso com o bem-estar do público. Assim, o estudo curricular
como expressão de formas específicas de conhecimento, valores e
habilidades tomaria como princípio de organização a tarefa de educar
os estudantes e tornarem-se cidadãos ativos e responsáveis; isto é,
cidadãos que disponham das habilidades intelectuais e da coragem
cívica necessárias para uma vida autodeterminada, reflexiva e
democrática.

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O professor tem a função de ensinar e aprender, mas o que ensinar o
que realmente deve fazer parte de um currículo que caminhe para a
emancipação e dignidade humana não é uma tarefa fácil num Brasil cheio de
diferenças regionais. Novamente, relembramos que o currículo não é um
amontoado de conhecimentos neutros e indiferentes ao momento que a
sociedade vive. O currículo é sempre “o resultado da seleção de alguém de
visão de algum grupo acerca do que seja conhecimento legítimo. É produto das
tensões, conflitos e concessões culturais, políticas e econômicas que
organizam e desorganizam um povo” (Moreira; Silva, 2009, p. 59).
Estamos vivendo um momento de colocar em prática uma Base
Nacional Comum Curricular no Brasil, que iniciou suas discussões em 2015
com base na análise dos documentos curriculares realizada por diversos
especialistas dos municípios brasileiros para perceber quais conteúdos
deveriam constar e de que maneira nesse documento nacional. Em 2017, fora
concluída a sistematização dessa BNCC e o CNE (Conselho Nacional da
Educação) ficou responsável de regulamentá-la e instituí-la. Temos até o final
de 2019 para compreendê-la, digeri-la, modificar os planejamentos e planos de
aula de acordo com o documento e implantar nas escolas brasileiras
obrigatoriamente.
A BNCC traz algumas competências a serem desenvolvidas como,
valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos; exercitar a
curiosidade intelectual; valorizar as manifestações artísticas; utilizar diferentes
linguagens; utilizar e compreender tecnologias digitais de informação; valorizar
a diversidade de saberes e vivencias culturais; argumentar com base em fatos,
dados e informações confiáveis; conhecer-se e cuidar de sua saúde física;
exercitar a resolução de conflitos e agir coletivamente com autonomia e
responsabilidade, entre tantas outras questões que se desdobram destas.
Cabe às escolas (professores, alunos e comunidade) fazer uma análise
profunda entre o que foi vivido até aqui e o que está posto na nova
regulamentação deste currículo nacional para que esteja voltada ao princípio
de igualdade e respeito entre as mais diversas regiões brasileiras. O currículo é
um instrumento de formação de qual futuro queremos para nossa sociedade,
portanto, exige, sim, discussões e estudos aprofundados para que caminhe no
sentido do progresso contínuo e humanístico.

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NA PRÁTICA
Na organização das propostas curriculares das escolas da Educação
Básica, ou seja, da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio do
Brasil, fora criado esse documento denominado de Base Nacional Comum
Curricular, que está sendo motivo de grandes discussões sobre sua efetiva
eficácia.
A BNCC define conhecimentos, competências e habilidades que devem
ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da Educação Básica no nosso país e
obviamente é documento indispensável de conhecimento a todos os
professores que estão no caminho de sua formação profissional. Acesse o site
<http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base> e conheça o documento. Com
base nele, tente identificar se nele há alguma proposta específica regida por
alguma das correntes ou tendências pedagógicas analisadas nesta aula. Será
que é possível que o documento da BNCC seja uma colcha de retalhos entre
as tendências conservadoras e atuais ou realmente há uma evolução para um
novo currículo que irá promover a dignidade a cidadania e o conhecimento?

FINALIZANDO

Nesta aula, pudemos compreender um pouco mais sobre as tendências


pedagógicas e as implicações nos currículos. Quais as funções do currículo,
quais as metodologias de ensino, o papel do professor, o papel da escola, os
conteúdos e as formas como se organizam em cada época e sob cada
tendência.
Entre as tendências analisadas, observamos as tendências pedagógicas
liberais ou conservadoras, o currículo na perspectiva tradicional, o currículo na
perspectiva escolanovista, o currículo na perspectiva tecnicista e as tendências
pedagógicas liberais e o cenário atual.
Ficou clara a distinção entre as tendências e as suas especificidades em
colaboração com o currículo escolar e o seu tratamento em cada período
histórico.
Por fim um breve relato sobre a BNCC, o currículo atual sob uma nova
perspectiva de ensino e suas divisões, bem como as competências que se
espera adquirir cumprindo este roteiro e documento oficial.

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Agora, cabe a você, caro aluno, tentar compreender o currículo através
do tempo e perceber se as mudanças são significativas e acompanham o que
está posto para a sociedade em cada época.

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REFERÊNCIAS

GIROUX, H. A. Os professores como intelectuais. Porto Alegre: Artmed


1997.

LIBÂNEO, J. C. Tendências pedagógicas na pratica escolar. ANDE, São Paulo,


n. 6, 1982.

LIMA, M. F.; ZANLORENZI, C. M.; PINHEIRO, L. R. A função do currículo no


contexto escolar. Curitiba: InterSaberes, 2012.

MOREIRA, A. F. B.; SILVA, T. T. (Org.). Currículo, cultura e sociedade. São


Paulo: Cortez, 2005.

SILVA, T. T. da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do


currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

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