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Resumos de Introdução ao direito

TOPICO 8 – TEORIA GERAL DA NORMA

O Direito para alem da Norma


O direito não se pode classificar como uma realidade composta exclusivamente por normas
jurídicas, ate porque nem todas as normas são jurídicas com já estudamos anteriormente, mas
também porque o Direito não vive apenas de regulamentações, mas também de teorias, atos e
decisões dos diversos agentes que nela participam.

Os atos administrativos ou as sentenças fazem parte do Direito, mas não são normas. Convém
compreender que o Direito esta alem da norma, no entanto depende das mesmas para se
defender e legitimar num estado de direito para assim manter o mesmo dentro da legalidade e se
defender de totalitarismos e ideologias, procurando sempre manter a sua isenção e justiça
perante todos.

Definição de Norma Jurídica


Podemos definir norma jurídica como um conjunto de regulamentos que compõem o
ordenamento jurídico, será responsável por regular a conduta dos indivíduos, uma regra de
conduta que é imposta, (lei, regulamento), garantida pelo Poder Público (Direito Interno) ou
pelas organizações internacionais (Direito Internacional).

Compõe-se, em sua maioria, de lei e punição. Sua principal função é compelir os sujeitos a uma
regra de conduta. E tem como objetivo principal a ordem e a paz social interna e internacional.

Existem outros tipos de normas como a técnica, ética, etiqueta ou moral.

Estrutura da Norma Jurídica ~

A estrutura da norma jurídica completa integra sempre dois elementos: a previsão e a


estatuição.

A previsão refere a situação da vida típica cuja verificação em concreto desencadeia o


efeito ou a consequência jurídica estabelecida na estatuição. A norma jurídica estabelece
uma relação de causalidade entre a situação da vida representada na previsão e os
efeitos jurídicos estabelecidos na estatuição.

de forma esquemática, se A, então B. Ou será B se A. Sendo, portanto, A a hipótese e B


a estatuição.

As consequências jurídicas que integram a estatuição podem consistir na imposição de


um comportamento (a norma obriga) na atribuição de uma qualidade ou de um poder (a
norma permite) ou na concessão de um direito subjetivo.
Para além das normas jurídicas completas, cuja estrutura assenta na previsão e na
estatuição, a ordem jurídica acolhe exemplos variados de normas incompletas, como as
definições, as normas interpretativas, as cláusulas gerais, as enumerações, as ficções, as
presunções ou as normas de devolução, entre outras.

Características da Norma Jurídica

As características da NJ são os elementos indicadores fundamentais de estarmos perante


Direito. Dai que seja relevante distingui-las de normas de outra índole, como (moral,
ética, profissional, etc.) Para podermos determinar com certeza, o que é direito e o que
não é.

As NJ estão equipadas com várias características, e podem ser divididas em dois planos:

Plano externo – Relativo á forma e valor externo

Dentro de cada uma das características abaixo, contem em si exceções pontuais.

 Imperatividade - Exprime uma diretiva ou ordem, impondo aos destinatários a


obrigação de obedecer. Não sendo um conselho, mas uma Ordem para cumprir.

 Generalidade – Não se dirige a uma pessoa em concreto, mas sim dirigida


indistintamente a todos os que se possam encontrar nessa situação jurídica.

 Abstração - A norma não foi criada para regular uma situação concreta, mas
para regular, de forma abstrata, o maior número possível de casos semelhantes,
não podendo regular casos concretos sob pena de não poder prever todas as
situações possíveis.

 Coercibilidade – A violação da norma origina uma sanção jurídica para o


violador.

 Violabilidade – Os sujeitos podem violar a norma jurídica, sujeitando-se a sua


sanção,

 Bilateralidade***-O Direito existe sempre vinculado a duas ou mais pessoas,


atribuindo poder a uma parte e impondo dever à outra.

Plano Interno – Juris praecepta (A cada um o que é seu) Todos se consubstanciam na


Justiça, e dela fluem em ambos os sentidos. Sendo na sua Génese o Direito natural que
domina o plano interno, sendo, no entanto, muitas vezes negadas pelos juristas
positivistas.
 Proibição do abuso do direito – Não abusar dos seus poderes

 Limitação do uso do direito – não prejudicar ninguém

 Imposição do respeito pelos direitos dos outros- atribuir a cada um o que é seu

CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS: dificuldade e precauções

Normas jurídicas e normas exteriormente jurídicas

Podemos verificar dificuldades para classificar as normas e o seu devido contexto. Numa
primeira fase teremos de verificar se a norma é mesmo jurídica, iou se pertence a outros sectores
de classificação de normas, que muitas vezes poderão ser confundidas como NJ, como as
normas éticas, morais, e religiosas, mas que na realidade não tem vínculo com a lei nem são
passiveis de sanção judicial. (ex: norma moral, traição no casamento pode levar a uma exclusão
social e familiar, mas não tem vínculo nem punição judicial).

Por outro lado, as próprias NJ tem um carater muito geral e abrangente, mas a sua aplicação não
deverá ser rigidamente aplicável a casos concretos, pois não poderá prever todas as
circunstâncias possíveis, e a sua aplicação deve ter em conta os factos concretos para uma
correta e justa aplicação da lei e da justiça.

Designações mais frequentes da Classificação das Normas

a) Âmbito espacial de vigência: Normas universais Gerais e Locais


Normas Universais são aquelas que vigoram na totalidade do território nacional (território
continental + regiões autónomas)

Normas Gerais no caso Português são as que vigoram no território continental

Normas locais serão aquelas que são limitadas e um determinado local ou autarquia (que na
realidade não são normas legais, mas atos regulamentares só a forma de deliberações
municipais)

Esta linha de abordagem indica-nos o valor territorial de uma norma. No caso Português a
Constituição e o Código Civil são a Bíblia da lei e das normas jurídicas. No entanto existem
caos mais complexos como nos E.U.A onde as ordens jurídicas não são universais, mas federais
e variam de estado para estado.

b) Interesses predominantemente tutelados: Normas de interesse e ordem publica ou


privada

O Direito Público é o conjunto de normas de natureza pública, com forte atuação do Estado, de
caráter social e organizacional da sociedade, no âmbito do Direito Público, define-se Direito
Constitucional como norma interna e estrutural fundamental a cada Estado. São normas que
estruturam a sociedade, ditam modelos econômicos, políticos e sociais, garantem direitos
fundamentais de cada indivíduo e são moldes para a criação de novas leis.

O Direito Privado visa disciplinar as relações inter-individuais e os interesses privados. O


Direito Civil visa disciplinar as relações entre os indivíduos estabelecendo direitos e impondo
obrigações. Ordena todos os campos de interesses individuais. O agrupamento de todas as
normas do Direito Civil é o Código Civil, este, por sua vez, é estruturado em geral e especial. A
primeira contém normas abrangentes, já a segunda, trata de assuntos mais específicos.

A divisão entre direito público e direito privado decorre de uma necessidade do estudo do
direito, sobretudo em relação ao conteúdo da norma jurídica.

Enquanto na esfera pública há a participação do Estado, uma relação de supremacia, isto é,


domínio estatal, na esfera privada, o Estado é ausente, sendo a relação apenas entre iguais.
Por um lado, o Direito resguarda os valores que interessam à comunidade, por outro, ampara
os interesses dos particulares. na esfera privada, o Estado é ausente, sendo a relação apenas
entre iguais. Por um lado, o Direito resguarda os valores que interessam à comunidade, por
outro, ampara os interesses dos particulares. O primeiro leva em consideração o conteúdo da
norma, enquanto o segundo dá enfoque ao aspeto formal da relação jurídica. Quanto ao
aspeto formal, no Direito Privado a relação é de coordenação, já no Direito Público a relação é
de subordinação.

c) Âmbito de frequência e normalidade no conjunto da ordem jurídica: Normas


Gerais, especiais e excecionais.

Podemos considerar que estamos perante uma das classificações mais relevantes, pois as
consequências praticas destas distinções são bem significativas.

A generalidade que aqui se aborda é diversa e será uma questão de maior ou menor abrangência.
Trate-se na realidade de verificar se as soluções impostas por uma norma, tem um campo mais
ou menos amplo de aplicação, ou se numa área normativa vão existir outras que contrariem ou
complementem a estatuição dessa mesma norma.

Quando uma norma dispõe de um leque diversificado de situações que são abrangidas pelo
direito comum ou normal, está-se perante uma norma Geral. Quando existe um desvio ou
adaptação que complemente especificamente a norma para algo diferente, temos as normas
Especiais. No entanto se existir uma grande alteração do estipulado, onde se verifique uma
inadequação da norma geral a situação em causa, ou seja, uma exceção, encontramos então as
normas excecionais.
Norma Geral - Normas Gerais São as normas que constituem o regime regra (a regra geral)
aplicável à generalidade de situações ou relações jurídicas de um determinado tipo; traduzem os
princípios fundamentais do sistema jurídico, sendo a regra das relações que regulam

Norma especial - Não contrariam as normas gerais, adaptam-nas a circunstâncias particulares.


Resumidamente, são mais específicas e restritas.

Norma excecional - São as normas que, disciplinando um sector restrito de relações, consagram
uma regulamentação oposta à contida nas normas gerais; regulam determinado sector restrito de
relações com características particulares, pelo que fixam disciplina oposta à que vigora para a
generalidade das relações desse tipo

d) Força vinculativa – Normas imperativas (injuntivas) Normas Facultativas


(dispositivas)

As NJ não são produtos de voluntarismos ou simplesmente de comandos legais ou estatais, elas


podem originar-se de outras fontes normativas. As próprias normas legais, nem sempre serão
impositivas ou proibitivas, podendo também ser facultativas ou permissivas. Existem normas
que repelem comportamentos e normas que os acolhem, normas obrigatórias e normas que
indicam caminhos a seguir, normas que nos indicam proibições e normas que nos concedem
decisões sobre as quais iram agir em conformidade com a decisão tomada.

Imperativas ou injuntivas
É a norma que impõe um dever, que impõe uma determinada conduta aos seus destinatários
(aqueles que se encontram na situação nelas prevista). São aquelas que mandam ou proíbem
alguma coisa, de forma incondicional, não podem deixar de ser aplicadas, nem podem ser
modificadas
A conduta imposta pode ser positiva – uma acção -, ou negativa – uma omissão.
São “comandos ou proibições que visam interesses gerais ou interesses individuais muito fortes
e, por isso, querem ser acatadas a todo o custo.”

As normas imperativas/injuntivas, enquanto regras de conduta, podem dividir-se em:


preceptivas – são aquelas normas em que a conduta que se impõe (ou que impõem uma
conduta) é um comportamento positivo, uma acção, uma obrigação, como sucede com:
A obrigação de efetuar uma escritura publica na compra e venda de Imoveis.
proibitivas – são aquelas normas cuja conduta se impõe (ou que impõem uma omissão) se
traduz num comportamento negativo, uma omissão ou abstenção, um não fazer é obrigatório ou
imposto.
normas que proíbem a prática de crimes – não matar, furtar, violar a honra do próximo, não
beber e conduzir, etc.
permissiva - traduz-se na norma que estatui uma permissão, uma faculdade, uma possibilidade
jurídica de acção ou resultado, ou seja, permite uma conduta.
Permissão para a construção de edifícios em determinadas zonas, a permissão de efetuar
testamentos.
Facultativa ou Dispositiva
As normas facultativas são aquelas que regulamentando certas situações, não se impõem
obrigatoriamente, limitando-se a conceder certas faculdades ou contendo comandos ou ações
que os particulares podem livremente permitir ou suprimir.
Podem classificar-se como:
Dispositivas - São as que se limitam a conceder certos poderes ou faculdades, deixando ao
arbítrio do indivíduo praticar ou não praticar certos atos.
Regime pré-nupcial de divisão de bens

Interpretativas - Destinam-se a fixar o sentido de certas expressões pouco claras


usadas pelo legislador, ou pelos particulares nos seus atos jurídicos, suprimindo ou
pondo em sentido legal a ausência da manifestação das partes em relação a assuntos de
origem jurídica. Ou seja, são as normas que esclarecem o sentido de outra disposição
jurídica, mormente da lei ou de negócio jurídico.

Quando num testamento a interpretação manifestada pelo seu autor não é clara, recorre-
se aos artigos estipulados na lei, para o entendimento do seu conteúdo.

Supletiva - São as normas que se aplicam a negócios jurídicos no caso de as partes


aquando da sua celebração não haverem excluído a sua aplicação ou não haverem
previsto o regime a aplicar em determinada situação.
Ou seja, destinam-se a suprir a falta ou insuficiência de manifestação de vontade dos
indivíduos, relativamente a certos assuntos que necessitam de disciplina jurídica. Assim
sucede, porque as partes, em regra, não regulam de forma completa e minuciosa todos
os aspetos do contrato que celebram e, nestes casos, o legislador prescreve um conjunto
de normas que colmatam as insuficiências da regulamentação dos interesses das partes.

Quando suprem a falta de manifestação da vontade das partes


Ex: Não havendo pacto antenupcial, ou sendo nulo, vigorará o regime de
comunhão parcial de bens

e) Consequências da Violação – Normas: Mais que perfeitas / Perfeitas / Menos


que perfeitas/Imperfeitas

Trata-se de uma distinção já antiga e que agrupa as normas em função das sanções que
se impõem aquando da sua infração.

Mais que perfeitas - A violação acarreta nulidade do ato ou restabelecimento da


situação anterior, com imposição de pena ou castigo (Sanção pecuniária, pessoal, ou até
privação da liberdade)

Ex: Negócios Ilícitos, casamento por parte de uma pessoa já casada.


Perfeitas – São as normas que, impondo uma nulidade do ato violador, prescindem da
imposição de uma pena/sanção. Aqui se enquadram a maioria das nulidades existentes
no direito Civil.

Ex: Realização de um negócio sob coação ou ameaça.

Menos que perfeitas - São as que autorizam, no caso de serem violadas, a aplicação de
pena ao violador, mas não acarreta nulidade ou anulabilidade do ato do que as violou.
Isto pode acontecer para a proteção de terceiros, ou nos casos em que a violação não
pode ser revertida.

Ex: Proibido pisar relva, proibido afixar cartazes, não trespassar etc.

Normas Imperfeitas - Sua violação não acarreta qualquer consequência jurídica (nem
punição, nem nulidade). Alguns nem sequer as consideram normas jurídicas, pois estão
desprovidas de elementos sancionatórios nem deliberando penas ou invalidade dos atos.
A exemplo temos as normas jurídicas que obrigam a pagar dívida de jogo, não há
qualquer sanção para a pessoa que não as pague.

f) Fontes do direito causante: Normas consuetudinárias, jurisprudenciais,


doutrinais (Científicas), legais e negociais.

A proveniência das normas e a sua classificação é um tema bastante diversificado, até


porque elas diferem das fontes de onde brotaram e a verdade é que existem normas
jurídicas que na realidade não são lei.
Como estudado anteriormente podemos classificar as fontes das mesmas como:

Convencional

produz os tratados internacionais e os contratos coletivos de trabalho


Lei (Legais)
São as normas criadas através de processos jurídicos e estabelecidas pelas autoridades
competentes, ou seja, é um sistema de regras criadas e executadas pelas instituições
governamentais para regular os comportamentos em sociedade. A lei terá na sua génese
um conjunto pré-estabelecido de pressupostos e pode assumir vários sentidos. O
processo
de elaboração da lei deriva de processos legislativos da Assembleia da República e do
Governo.

Costume (consuetudinárias)
O costume constitui essencialmente um processo de formação normativa do Direito
distinta da lei. No costume a norma forma-se espontaneamente no meio social, sendo a
comunidade que desempenha um papel ativo na efetivação da mesma, através da
repetição e generalização de práticas, que perlongadas no tempo resultam numa
convicção de obrigatoriedade numa cultura em particular, o que vai acarretar uma
validação jurídica normativa.

Jurisprudência
É uma indicação seguida pelos tribunais em casos concretos da vida na sociedade e emite
uma orientação partilhada pelos tribunais sobre determinada matéria ou jurisdição. Os
Juízes na maior parte dos casos iram acompanhar as decisões anteriores tomadas por si ou
pelos seus pares, criando correntes jurisprudenciais, não se afastando muito do decidido em
questões semelhantes.

Doutrina

Conjunto de opiniões de juristas, ou resultado teórico-dogmático do estudo do Direito.


Desempenha um papel de relevo para o aperfeiçoamento científico e técnico das normas
jurídicas. Mesmo na elaboração das novas leis, os legisladores baseiam-se em conceitos
doutrinários para a elaboração das mesmas, ou para o aperfeiçoamento das já existentes. Os
próprios Juízes citam orientações doutrinárias para fundamentar e validar as suas sentenças.

Negociais

Ao contrário das normas legais, as negociais não podem limitar comportamentos de


alguém se essa pessoa não aceitar, voluntariamente, submeter-se a ela, trata-se de um
poder amplamente disseminado pela sociedade e que consiste em por exemplo, quando
duas pessoas exercem seus respetivos poderes negociais e chegam a um acordo, as
normas dele resultantes adquirem força obrigatória entre as partes tão intensa quanto as
normas extraídas de um lei, desde que as mesmas respeitem a função social dos
contratos e a boa fé.

g) Normas éticas e normas técnicas: Normas de estatuição e normas de


estatuição jurídica

Normas éticas e normas técnicas

Atualmente o direito e a ética andam juntos, porém as normas provenientes de cada um


são diferentes quanto a sua origem, fonte, caracter, sanção e validade. A moral é
antecessora do direito. Sintetizando, pode-se dizer-se que as normas éticas são um
comportamento redigido por regras e valores morais de uma determinada sociedade e
estão diretamente ligados a conduta de cada um. Não está presente em um nenhum
código ou diploma legal para as reger. Já as Normas Técnicas são um documento,
estabelecido por consenso e aprovado por um organismo reconhecido, que fornece, para
um uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou características para atividades ou seus
resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto

A norma produzida pela sociedade é denominada de norma ética. A norma ética é


norma stricto sensu: em face da situação x deve adotar-se a conduta y, porque a ordem
jurídica o comanda; o ato que a ordem jurídica comanda surge como um dever para o
destinatário da norma, sendo o ato contrário a esse comando ilícito, em regra geral
cominado com a consequente sanção jurídica.

 A produzida pelo Estado denomina-se de norma jurídica. Tanto uma como a outra
visam o ordenamento da vida social mantendo o equilíbrio entre os seus elementos e a
paz social.
Perante a previsão estabelecem uma conduta como necessária apenas para determinado
fim, que é indiferente para o direito ser ou não prosseguido.

EX: Se as partes não celebrarem a referida compra e venda do imóvel através de


escritura pública o ato não é ilícito, é ilegal, apenas determinando uma desvantagem
para quem o celebrou, pois será o ato nulo por falta da forma jurídica ou norma técnica.

Normas de Estatuição Material e Jurídica

Existem normas projetam o seu comando sobre a vida social, a sua estatuição reporta-se
a atos dessa vida, como por exemplo não matar, entregar o achado. Tratam-se de
normas stricto sensu ou normas de estatuição material.

Além dessas normas, temos normas lato sensu cujo conteúdo se esgota no plano jurídico
– normas de estatuição jurídica -, e que reflexamente se vão traduzir em normas de
estatuição ou conteúdo material e não social.

Por exemplo, o art.º 130º do C.C. prescreve que. “Aquele que perfizer dezoito anos de
idade adquire plena capacidade de exercício de direitos, ficando habilitado a reger a sua
pessoa e a dispor dos seus bens”.

h) Normas inovadores e normas interpretativas

Normas inovadoras introduzem uma modificação na ordem jurídica Normas


interpretativas propõem definir o sentido e o alcance de outras normas.

i) Normas principais (primarias) e normas derivadas (secundarias)

A hierarquia das normas é uma evolução natural das mesmas ao longo da historia do
direito, pois alem de lhes dar uma hierarquia necessária para analise e estrutura das
mesmas em determinados casos, vai permitir a sua evolução e adequação as novas
jurisprudências, que aparecem no sentido de as adequar a justiça e aos tempos
modernos.

Podemos identificar a constituição ou o código civil como norma principal ou primaria,


que será o fundamento de validade para as demais normas de direito, e a origem das
mesmas. No entanto tornou-se necessário o surgimento das normas derivadas ou
secundarias, que são produto do poder legislativo que pretende ajustar, atualizar ou ate
mesmo revogar as normas primarias, trazendo mecanismos que através da criação de
novas normas jurídicas, procuram com mais eficácia, regular, sentenciar e adequar as
normas primarias existentes. Ou seja, elas podem ser um complemento as primarias, ou
em último sentido, ultrapassá-las e impor a sua norma como a principal.

j) Normas autónomas e não autónomas:


Normas completas e incompletas/normas diretas e indiretas

Embora seja característica das regras jurídicas a sua imperatividade, embora elas se
traduzam normalmente em comandos e proibições, esta característica refere-se à ordem
jurídica em geral. A sistematização das regras de direito, a sua ordenação lógica em
sistema, implica que muitas disposições legais venham simplesmente completar,
esclarecer, delimitar ou amplificar outras disposições legais. Normas autónomas são
então, as que, por si revestem as características de comando ou proibição, a função
valorativa e imperativa inerente às normas.

Se necessitarmos de esclarecer o sentido, razão de ser ou alcance de alguma norma


através de consulta, da interpretação de normativos paralelos, regulamentações de casos
semelhantes ou de artigos prévios ou posteriores ao diploma, então estamos perante uma
norma não autónoma. São as que se reduzem a explicar, limitar, ampliar ou modificar
outras normas que, desse modo completam. Normas não autónomas, são por exemplo,
as que contêm definições de conceitos utilizados por normas autónomas; as que
explicam ou interpretam estas, ou que estabelecem os critérios de interpretação; ou as
que delimitam negativamente normas autónomas; ou as que regulam a sua esfera de
aplicação no tempo e no espaço.

Quando uma norma não apenas delimita uma hipótese, mas contem por inteiro a
respetiva consequência jurídica, estamos perante uma norma completa.

No caso contrário, se tivermos necessidade de procurar as consequências jurídicas em


outras regras, tratar-se-á de uma norma incompleta

Como abordado anteriormente cada norma tem um âmbito pessoal de alcance (normas
de estatuição material ou jurídica), se a norma tiver como destinatário todos os sujeitos
e a resolução direta dos seus problemas jurídico estamos perante uma norma direta , se
visam apenas resolver questões já de si jurídicas, tendo por isso uma aplicabilidade
indireta, estamos perante normas indiretas.

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