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C a r o l i n e B . M .

C a d o r e | Te o r i a d a A r g u m e n t a ç ã o J u r í d i c a
LINGUAGEM JURÍDICA
• A linguagem jurídica é, ao mesmo tempo, culta (na sua origem), popular
(por destinação), técnica (na produção).
• A linguagem do direito é uma linguagem de grupo, técnica e tradicional.
• Uma linguagem de grupo — a linguagem do direito é
principalmente marcada por aquele que "fala" o direito: por
aquele que o edita (legislador) ou aquele que o diz (juízes), mais
amplamente, por todos aqueles que concorrem para a criação e
para a realização do direito.
• Ela é uma linguagem profissional pela qual os membros das
profissões judiciárias e jurídicas exercem suas funções
(magistrados, advogados, tabeliães etc.) Não é, pois, a linguagem
de uma só profissão, mas de um ramo de atividades. É a
linguagem da comunidade dos juristas, mais ampla do que o
círculo das profissões jurídicas.
• Uma linguagem técnica — Ela é técnica, principalmente por
aquilo que ela nomeia (o referente); secundariamente, pelo modo
como ela enuncia (isto é, sobretudo por seu vocabulário e por seu
discurso). Ela nomeia as realidades jurídicas, ou seja, nomeia
todos os níveis dos poderes públicos, todas as formas de
atividade econômica, as bases da vida familiar, os contratos, as
convenções.
• Uma linguagem tradicional — A linguagem do direito é, na
maior parte, um legado da tradição. Pelas máximas do direito,
essa tradição é imemorável. Pode-se dizer que a linguagem
jurídica do século XX não difere fundamentalmente daquela do
século XIX. A especialidade da linguagem do direito é, quanto a
isso, inscrita na história.
NÍVEIS DE LINGUAGEM JURÍDICA

A finalidade é que atribui a juridicidade à linguagem jurídica,


portanto podem-se detalhar seus níveis em:

• Linguagem legislativa – a linguagem dos códigos, das normas;


sua finalidade: criar o direito;

• Linguagem judiciária, forense ou processual – é a linguagem dos


processos; sua finalidade é aplicar o direito;
• Linguagem convencional ou contratual – é a linguagem dos contratos,
por meio dos quais se criam direitos e obrigações entre as partes;

• Linguagem doutrinária – é a linguagem dos mestres, dos


doutrinadores, cuja finalidade é explicar os institutos jurídicos, é
ensinar o direito;

• Linguagem cartorária ou notarial – a linguagem jurídica que tem por


finalidade registrar os atos de direito.
TIPOS DE VOCABULÁRIO JURÍDICO

Resumidamente, pode-se dizer que o vocabulário jurídico é


composto pelos seguintes tipos de termos:

• Termos que possuem o mesmo significado na língua corrente e


na linguagem jurídica, por exemplo, hipótese, estrutura,
confiança, reunião, critério, argumentos etc.;
• Termos de polissemia externa, isto é, termos que possuem
um significado na língua corrente e outro significado na
linguagem jurídica; por exemplo:

sentença (na língua corrente significa uma frase, uma oração; na


linguagem jurídica, significa a decisão de um juiz singular ou
monocrático)
• Termos de polissemia interna, isto é, termos que possuem mais
de um significado no universo da linguagem do Direito; por
exemplo:
prescrição (prescrever = pode significar, na linguagem jurídica,
determinação, orientação, como em “A lei prescreve em tais casos que
se aplique o artigo...”; e pode também significar a perda de um direito
pelo decurso do prazo, como em “O direito de agir, em tais casos,
prescreve em dois anos”);
• Termos que só têm significação no âmbito do Direito; não têm
outro significado a não ser na linguagem jurídica; por exemplo,
usucapião, enfiteuse, anticrese, acórdão etc.;
• Termos latinos de uso jurídico; por exemplo: caput, data vênia, ad
judicia etc.
• No Direito, é ainda mais importante o sentido das palavras porque
qualquer sistema jurídico, para atingir plenamente seus fins, deve
cuidar do valor nocional do vocabulário técnico e estabelecer relações
semântico-sintáticas harmônicas e seguras na organização do
pensamento.

• São três os tipos de vocabulário jurídico: Termos Análogos, Equívocos


e Unívocos
Unívocos: são os que contêm um só sentido (não podem ser
empregados um pelo outro).

• furto (art. 155 CP - subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia


móvel);

• roubo (art. 157 CP - subtrair, para si ou para outrem, coisa móvel


alheia mediante grave ameaça ou violência, depois de reduzir a
resistência da pessoa)
Equívocos: são os vocábulos plurissignificantes, possuindo mais de um
sentido e sendo identificados no contexto.
• sequestrar (D. Processual: apreender judicialmente bem em litígio e D.
Penal: privar alguém de sua liberdade de locomoção)
• seduzir (Ling. usual: exercer fascínio sobre alguém para beneficio próprio e
D. Penal: manter conjunção carnal com mulher virgem, menor de dezoito
anos e maior de catorze, aproveitando-se de sua inexperiência ou
justificável confiança).
Análogos: são os que não possuindo étimo comum, pertencem a
uma mesma família ideológica ou são tidos como sinônimos.

• resilição (dissolução pela vontade dos contraentes);

• resolução (dissolução de um contrato, acordo, ato jurídico);

• rescisão (dissolução por lesão do contrato).


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