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CULTO MENSAL DE GRATIDÃO DE JULHO/2021

 ENSINAMENTO DO MÊS

Embora a salvação da humanidade seja obra Sua, Deus a realiza por meio do
ser humano. – O Pão nosso de cada dia, vol. 1, Poema 8, pg. 34

(...) O ser humano nasce neste mundo por desígnio de Deus. Deve ser por isso
que o ideograma mei (desígnio) da palavra seimei (vida) é o mesmo mei da palavra
meirei (comando, ordem).
Eis uma pergunta que qualquer pessoa faz: qual é a razão de o ser humano ter
nascido neste mundo? Enquanto não compreender verdadeiramente essa razão, não
há como ele ter um comportamento correto e alcançar a paz interior, além de correr o
risco de levar uma vida vazia e ociosa. Então, qual é o propósito de Deus? É tornar
este mundo ideal, ou melhor, é construir o Paraíso Terrestre. Contudo, é difícil
imaginar e exprimir em palavras a amplitude e a magnificência dessa construção. Até
porque, não há limites para a cultura, que já vem progredindo continuamente. Nesse
sentido, a história mundial de até agora não passou da preparação dos alicerces.
Deus, concedendo diferentes missões e características a cada pessoa e alternando a
vida e a morte, está fazendo evoluir o ser humano em direção ao objetivo almejado.
Portanto, devemos saber que o bem e o mal, a guerra e a paz, a destruição e a
construção, são processos necessários à evolução.
Como já explanei em detalhes, atualmente estamos no período que denomino
Transição da Noite para o Dia. O mundo está prestes a dar um grande salto em
direção a uma Nova Era, e a humanidade, libertando-se da selvageria, está buscando
alcançar um alto nível de cultura. Com isso, a guerra, a doença e a pobreza terão fim.
Evidentemente, o Johrei exercerá um papel fundamental, e o seu surgimento é o
prenúncio dessa mudança.
Deus, seguindo Seu propósito, emite ininterruptamente ordens ao ser humano.
De que forma isso ocorre? Em uma das camadas do Mundo Espiritual, existe a matriz
de cada indivíduo que denominei de yukon. Primeiramente, Deus emite ordem ao
yukon e este, por sua vez, a transmite por meio do elo espiritual à alma neste
mundo12 (guenkon), que está no centro do corpo espiritual do ser humano. No
entanto, é muito difícil conseguir captar a ordem Divina. Somente quem possui corpo
espiritual purificado até certo ponto é que consegue. A maioria das pessoas não
consegue perceber a ordem Divina devido ao bloqueio causado pelas muitas nuvens
espirituais e pela ação dos espíritos malignos que se aproveitam dessas nuvens.
A prova disso é que, muitas vezes, aquilo que foi planejado não corre a contento
ou o destino acaba tomando um rumo sequer imaginado. Isso pode ocorrer com
qualquer pessoa. Além disso, é possível que o ser humano se sinta constantemente
governado por algo, ou então, tenha que seguir um destino, sem que nada possa
fazer a respeito. (...)
Coletânea Alicerce do Paraíso, vol. 3,
“Camadas do Mundo Espiritual”, 5 de fevereiro de 1947

12
Alma neste mundo: Meishu-Sama usou o nome guenkon para se referir à “alma”, diferente do
usado comumente em seus Ensinamentos. Guenkon significa literalmente “alma manifesta” e
contrasta com yukon, que literalmente significa “alma oculta”. Dessa forma, é possível concluir que
Meishu-Sama empregou esse termo para mostrar que a relação que existe entre guenkon e yukon é
similar à relação existente entre o Mundo Material (guenkai) e Mundo Espiritual (yukai).

 ENSINAMENTOS ORIENTADOS PELO NOSSO PRESIDENTE

1. Estejam cientes de que a consciência gerada pela Verdade é o Bem, e que a


forma criada pelo Bem é o Belo – O Pão nosso de cada dia, vol. 1, Poema 39,
pg. 139

Tenho dito sempre que o Paraíso é o Mundo da Arte, mas se nos limitarmos a
essa afirmação, o conceito ficará por demais abstrato. Naturalmente, o
aperfeiçoamento das artes plásticas, da literatura, das artes cênicas e das demais
artes resultaria no mundo mencionado, o que seria amplamente satisfatório. Na
realidade, é preciso que todas as artes estejam presentes, ou melhor, que tudo se
transforme em arte; caso contrário, não podemos dizer que seja o verdadeiro
Paraíso. A cura das doenças pelo Johrei proposto por mim, na realidade, é uma
magnífica arte da vida. Isso porque, em sua essência, a arte deve satisfazer às três
condições: Verdade, Bem e Belo.
Antes de mais nada, no enfermo não há, fundamentalmente, Verdade, dado que
esta consiste no fato de que o ser humano deve ser saudável. Quando ele perde a
saúde, significa que não se encontra mais em seu estado natural. Tomemos, por
exemplo, uma jarra: se ela sofrer alguma avaria, perderá sua utilidade, pois a água
poderá vazar, não permanecerá mais em pé ou mesmo se quebrará no momento do
uso. Assim sendo, como objeto, nela não há mais verdade. Para que possamos
utilizar a jarra novamente, precisamos consertá-la. O mesmo se dá com o ser
humano. Se uma pessoa, por motivo de doença, não puder mais desempenhar suas
atividades, acabará se sentindo inútil; por essa razão, é necessário “restaurá-la”. Eis
por que existe o Johrei da nossa religião.
A seguir, vamos analisar o bem. Se a pessoa não possuir qualquer parcela de
bem e praticar somente o mal, ela não será um ser humano verdadeiro, mas um
animal. Tal espécie de pessoa causa prejuízos à coletividade em que vive; portanto,
significa que, muito mais que desnecessária, sua existência deve ser negada.
Todavia, isso compete a Deus, que detém o poder de concessão da vida e da morte.
Como resultado da própria conduta, muitas pessoas fracassam, sofrem com
doenças ou caem na extrema pobreza. Algumas chegam a perder a vida. Isso vem a
ser realmente o julgamento de Deus. Embora se fale no mal de forma geral, existe o
mal praticado consciente ou inconscientemente. Assim sendo, o sofrimento de quem
pratica o mal varia de acordo com essa diferença. Nesse aspecto, existe uma
rigorosa imparcialidade.
Para finalizar, falaria sobre o belo, mas por ser assunto do domínio de todos,
dispenso maiores comentários.
Como se pode observar claramente, a condição fundamental para transformar
este mundo em Paraíso está na concretização da Verdade, do Bem e do Belo. Assim
sendo, tanto a cura das doenças que realizamos como a reforma dos métodos
agrícolas são, evidentemente, artes. A primeira, conforme afirmei anteriormente, é a
Arte da Vida, e a segunda, a Arte da Agricultura. A construção do Protótipo do
Paraíso Terrestre que estamos realizando paralelamente a essas duas é a Arte do
Belo. Com a junção das três, ou seja, consubstanciada a trilogia Verdade-Bem-Belo,
construiremos o Mundo da Luz, que não é senão a concretização do Paraíso
Terrestre, do Mundo de Miroku.

Coletânea Alicerce do Paraíso, vol. 5,


“O Paraíso é o Mundo da Arte”, 4 de outubro de 1950
2. Eu escrevo a Verdade – Alicerce do Paraíso, vol. 1, pg. 51

Comecei a escrever artigos há mais de dez anos; naturalmente, apenas sobre


assuntos relacionados à fé. Diferentemente de outros fundadores de religiões,
procurei não empregar um tom formal, mas ao mesmo tempo utilizei uma linguagem
que todos pudessem compreender facilmente, sem cair na impolidez. Todavia, aqui
temos um problema. Por exemplo, as oitenta e quatro mil sutras budistas, a Bíblia
cristã, os ensinamentos exotéricos da religião Shingon20 , os ensinamentos de
Shinran21 e de Nichiren, os salmos da fundadora da Tenrikyo, o Ofudesaki22 da
fundadora da Oomoto, todos eles têm um lado negativo, isto é, cheiram
exageradamente a religião. Entretanto, também têm seu aspecto positivo, pois
possuem um mistério que ora julgamos entender, ora nos parece incompreensível, e
talvez seja por isso mesmo que eles exerçam certa atração. Uma vez que é difícil
interpretá-los, dependendo da pessoa, esses ensinamentos podem ser
compreendidos de diferentes maneiras, o que facilita a formação de ramificações.
Além disso, a História nos mostra que, quanto maior for o número de adeptos de uma
religião, mais ocorrerão subdivisões que lutam entre si. Assim sendo, não
conseguindo captar a essência da fé, os fiéis frequentemente se sentem confusos e
dificilmente conseguem alcançar o verdadeiro estado de paz interior.
Diante dessa realidade, seria praticamente impossível unificar harmoniosamente
até mesmo uma única religião por meio desses ensinamentos. Consequentemente, a
união de todas elas torna-se impensável. Este deve ser, também, o motivo do
aparecimento de novas religiões a cada ano que passa. Observando somente o
Japão, notamos que a tendência atual é aumentar o número de religiões
proporcionalmente ao crescimento da população.
Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, Amaterassu Okami, Kunitokotati-no-
Mikoto, Jesus Cristo, Buda Sakyamuni, Amida e Kannon constituem o alvo de
devoção de diversas religiões. Além destes, que são os principais, poderíamos citar
Mikoto, Nyorai, Daishi e inúmeros outros. Sem dúvida alguma, não levando em conta
Inari, Tengu, Ryujin e mais alguns, que pertencem a crenças populares, eles são
divindades de alto nível. É indiscutível que todos se originam do único e verdadeiro
Deus, isto é, do Supremo Deus.
Até hoje, contudo, cada religião se considera mais elevada que as demais,
havendo certa discriminação entre elas. Dessa forma, é impossível promover a união
de todas. Apesar disso, o objetivo das religiões é o mesmo. Ou seja, não há uma
sequer que não deseje a concretização do Paraíso na Terra, do mundo paradisíaco,
do mundo ideal, em que toda a humanidade é feliz.
Entretanto, o que é preciso para que este mundo se concretize?
É necessário que surja uma religião que promova a união do mundo inteiro. Para
tanto, deverá ser grandiosa e ultrarreligiosa a ponto de toda a humanidade crer nela.
Não quero dizer que essa religião seja a Igreja Messiânica, mas a missão desta é
ensinar o meio que possibilitará a realização do mundo ideal, ou seja, mostrar como
elaborar o plano, o projeto para a construção deste mundo. À medida que o número
de pessoas conscientes disso aumentar em cada país, avançaremos gradativamente
rumo ao nosso objetivo.
Em síntese, será o esclarecimento da Verdade. Através dela, todas as falácias
se tornarão evidentes e serão corrigidas, concretizando um mundo de luz, claro e
límpido. Naturalmente, o mal será excluído do ser humano; o bem, que estava
subjugado, prosperará, e a humanidade desfrutará da felicidade. Portanto, em
primeiro lugar, é fundamental que a Verdade seja divulgada às pessoas, sem
exceção.
Falando assim, talvez as pessoas retruquem que, desde os tempos antigos,
inúmeros grandes mestres já vieram ensinando tudo sobre a Verdade e que, por
conseguinte, a essas alturas, isso não seria mais necessário. Contudo, este é o
problema. Isso porque, se a Verdade tivesse sido desvelada até o presente, ela já
teria sido esclarecida, e o mundo paradisíaco estaria concretizado ou se encontraria
próximo. Todavia, sequer visualizamos indícios de tal afirmativa. Em termos
materiais, talvez possamos dizer que estamos nos aproximando do Paraíso; por outro
lado, ou seja, em termos espirituais, não se observa nenhum avanço, sendo que há,
até mesmo, um retrocesso. Assim, sequer podemos prever quando o mundo
paradisíaco será verdadeiramente concretizado. Desse modo, as pessoas
perceberão que o motivo reside no fato de, até hoje, ter-se acreditado numa verdade
que, na realidade, não era a Verdade.
O melhor meio para constatar o que estou dizendo é observar a real situação do
mundo. Tudo se encontra por demais distante da condição paradisíaca. A doença, o
maior sofrimento do ser humano, não está diminuindo, e o dissabor da vida
denominado pobreza continua. O conflito entre os indivíduos, entre os países, isto é,
a guerra, encontra-se na situação que podemos observar. Portanto, isso é a prova de
que a Verdade não está sendo posta em prática. Consequentemente, aquilo que até
agora era considerado Verdade, na realidade, consistia numa pseudoverdade. Esta,
além de não ter sido benéfica, veio até mesmo sendo um obstáculo à construção do
Paraíso. No entanto, finalmente, o tempo chegou. Deus esclarecerá a Verdade à
humanidade através de minha pessoa. Sendo essa a razão da instituição da nossa
Igreja Messiânica, os textos que eu escrevo são orientados por Deus de tal forma que
todas as pessoas possam compreender. Assim sendo, o que escrevi até agora é
Verdade. Vou desvelar a pseudoverdade e ensinar como sanar suas falhas,
refletindo-as no espelho da Verdade. Assim, não só ficará clara a diferença entre a
Verdade e a pseudoverdade, como também vou mostrá-la com base na realidade. É
isso que vem a ser o método do Johrei, o cultivo agrícola natural23, o
aperfeiçoamento da arte e a construção do modelo do Paraíso Terrestre.
Em suma, o empreendimento que agora estou realizando – o grande esforço
para que todos compreendam a Verdade por meio da palavra escrita – constitui um
importante processo de esclarecimento da Verdade.

25 de setembro de 1951

20
Shingon: Religião de linhagem budista fundada no Japão há mais de 1.200 anos pelo monge Kobo
Daishi (774-835).
21
Shinran: Shinran Shonin (1173-1263) foi um monge budista japonês que fundou a religião de
linhagem budista Jodo Shinshu.
22
Ofudesaki: Livro sagrado de revelações divinas da religião Oomoto.
23
Cultivo agrícola natural: Outro nome utilizado por Meishu-Sama para Agricultura Natural
Messiânica.

3. O ideograma84 SU85 – Alicerce do Paraíso, vol. 5 pg. 202

Eu sempre aconselho que se respeite a ordem, e o ideograma SU evidencia a


ordem que provém de uma única palavra. Vamos analisá-la.
Os três traços horizontais da referida letra(三)significam respectivamente:
Céu, ser humano e Terra; Sol, Lua e Terra; os números sagrados 5, 6 e 7; divino,
espiritual e material. Esses traços são unidos por outro, vertical, que os atravessa no
centro (王) e, acima de todos, há um traço (主). Esta é a ordem correta. Portanto, a
Política, a Economia, a Educação, a Religião, a família, tudo deve seguir esta forma.
Não obstante, até hoje, a maioria das coisas possuía os aspectos vertical e horizontal
bem distintos. Como um grande exemplo disso, podemos dizer que os pensamentos
oriental e ocidental eram totalmente desvinculados. Finalmente, chegou o momento
de se cruzarem. Observemos que, no meio do ideograma SU, forma-se uma cruz: o
traço de cima representa o Céu, e o de baixo, a Terra. Isso quer dizer que o mundo
dos homens está no espaço entre o Céu e a Terra e, por essa razão, ele será unido
em forma de cruz. E essa é a realidade do Paraíso Terrestre, ou seja, o Reino de
Deus em forma de cruz. A palavra Deus [kami] tem o mesmo significado. Ka significa
“fogo” e mi, “água”. O fogo queima verticalmente, e a água corre horizontalmente. A
junção das duas sílabas resulta na palavra kami [Deus], cuja atuação é de união.
De acordo com o estudo do espírito da palavra, o termo em japonês hotoke
[Buda] pode ser lido como hodokeru [“desatar”, “desfazer”], o que significa que Deus
atará e unirá o mundo que se encontra “desfeito” e isso, não é senão, a grande
transição.
O sinal da cruz dos cristãos se refere a isso, a suástica budista (卍), com as
hastes voltadas para o lado esquerdo, significando que, ao formar a cruz, ela começa
a girar, apresentam o mesmo sentido.
Assim sendo, denota-se que em tudo devem existir os três níveis, caso
contrário, nada dará certo. Os eixos central e vertical, que formam a cruz no meio
desse ideograma (王), servem de apoio e unem firmemente a parte de cima com a de
baixo. Isso significa que a classe média tem a função de harmonizar as outras duas
classes, a alta e a baixa. Acima de tudo, fica o líder, que ocupa a posição mais alta.
Por conseguinte, tomando-se a forma do ideograma SU, tudo correrá bem, sem
falhas. Assim, esse princípio vale tanto para a política como também para a gestão
empresarial ou administração institucional, e a sua forma é a do Mundo de Miroku,
que sempre preconizamos.

Coletânea Série Jikan, vol. 12, 30 de janeiro de 1950

84
Ideograma: símbolo gráfico utilizado para representar uma palavra ou conceito. Na língua
japonesa, os ideogramas são chamados kanji, utilizados para representar uma ideia concreta ou
abstrata.
85
Título anterior: “A palavra Su”.

4. A verdadeira causa das doenças – Alicerce do Paraíso, vol. 3, pg. 137

Já me referi à existência de vários tipos de toxinas no corpo do ser humano


desde o seu nascimento, principalmente às toxinas hereditárias. O corpo humano não
consegue manter plena saúde devido à interferência dessas toxinas, e é por isso que
ele foi criado de forma que ocorram continuamente processos naturais de purificação
que possibilitam a eliminação fisiológica dessas toxinas. Esses processos são
acompanhados por algum grau de sofrimento e dor, os quais, por sua vez, constituem
aquilo que as pessoas chamam de doença. Para explicar tal ocorrência, vamos tomar
como exemplo a doença mais comum, ou seja, o resfriado, pois acredito que não há
uma única pessoa que nunca a tenha contraído. A medicina ainda desconhece suas
causas. Todavia, segundo minha descoberta, ela é uma das mais simples formas da
ação purificadora. Ao contraí-la, ocorrem sofrimentos provocados pela febre, dor de
cabeça, tosse, catarro, secreção nasal, perda de apetite, suor, indisposição geral,
dores nas articulações etc.
Antes de mais nada, o que vem a ser o processo de purificação? A grosso
modo, ele compreende duas etapas. A primeira consiste na concentração e na
solidificação das diversas toxinas contidas no sangue em diferentes pontos do corpo,
especialmente nos locais onde ocorrem intensas atividades nervosas e nas partes
inferiores do corpo quando este está em repouso. Com o passar do tempo, as toxinas
concentradas vão-se solidificando, causando o enrijecimento dos músculos. Às
vezes, não há dor alguma: quando muito, uma dor parecida com a do enrijecimento
nos ombros.
A segunda etapa da purificação começa quando a solidificação, que ocorre na
primeira etapa, ultrapassa determinado nível, sobrevindo o processo natural de
eliminação. Para facilitá-lo, surge a febre, uma ação destinada a dissolver as toxinas.
A temperatura a que chega a febre depende da natureza, da quantidade e da
rigidez das toxinas, e também da constituição física do enfermo. Muitas vezes, a
elevação da temperatura corporal aparece como resultado do cansaço após a prática
de exercícios físicos, pois estes têm a função de acelerar o processo de purificação.
Então, as toxinas liquefeitas são eliminadas na forma de suor, catarro, secreção
nasal etc. A tosse é uma ação de bombeamento para expectorar catarro. Já o espirro
tem a finalidade de eliminar secreção nasal. Isso fica bastante claro se observarmos
que realmente eliminamos catarro quando tossimos, e secreção nasal, quando
espirramos. Por outro lado, a perda de apetite é causada pelo aumento da
temperatura corporal, pela expectoração de catarro e pela ingestão de
medicamentos. As dores de cabeça e nas articulações são decorrentes do estímulo
exercido nos nervos no momento em que as toxinas que foram dissolvidas vão ser
eliminadas. A dor de garganta ocorre porque as toxinas contidas no catarro irritam a
mucosa que a reveste; a rouquidão baseia-se no mesmo princípio, sendo causada
pela irritação das cordas vocais.
Eis, portanto, o que é o resfriado. Não há necessidade de tratamento algum;
basta deixá-lo seguir seu curso, sem tomar medicamentos. Assim, o processo de
purificação será realizado satisfatoriamente e, em poucos dias, a pessoa estará
curada. Desde que a cura seja natural, a saúde aumentará proporcionalmente à
redução de toxinas.
Apesar de o resfriado ser altamente recomendável, por constituir o mais simples
processo de purificação, as pessoas o temem e a medicina defende que, de maneira
alguma, deve-se pegar resfriado. Entretanto, é preciso saber que isso é um grande
engano. Desde a Antiguidade, acredita-se que o resfriado é a origem das doenças,
mas, na verdade, hão de concordar comigo que é o único meio para nos livrarmos de
todas elas. Desconhecendo a causa, a medicina toma várias medidas quando a
pessoa fica resfriada, todas no sentido de interromper o processo purificador. Tais
medidas começam com a tentativa de baixar a febre com antitérmicos, bolsas de
gelo, compressas e outros meios. Isso fará com que o processo de purificação
retroceda à primeira etapa, ou seja, as toxinas que começaram a ser dissolvidas,
voltem a se solidificar. Com a solidificação, a pessoa sente-se aliviada do desconforto
causado pela febre, escarro, secreção nasal etc., e tem a ilusão de que o resfriado
está melhorando. Quando ocorre a solidificação completa, tanto ela como o médico
pensam que a cura está selada. Na realidade, houve um retrocesso à primeira etapa;
por isso, obviamente, a pessoa estará sujeita a ter uma recaída.
Chamo aqui atenção para o fato de que os tratamentos que interrompem o
processo purificador, como antitérmicos, bolsas de gelo, compressas e outros
semelhantes, se tornam a causa de sintomas mais severos nas próximas doenças
que o indivíduo contrair. Pode-se compreender, portanto, que as causas das doenças
graves são as repetidas interrupções dos processos purificadores de pequena
intensidade, por intermédio da utilização sucessiva de medicamentos, o que aumenta
a quantidade de toxinas, tornando, dessa forma, inevitável a ocorrência de um
processo purificador de grande intensidade.
Sendo assim, o que se considera avanço da medicina atual não passa do
avanço do método de interrupção da purificação. Na realidade, poderíamos afirmar
que não é um avanço no sentido de curar as doenças, e sim no sentido de não deixar
que a doença se cure. Ou seja, esse avanço faz com que uma doença simples, que
poderia não ir adiante, se desenvolva até se tornar uma doença grave. Os homens
contemporâneos confundem esse erro com avanço e, por conseguinte, prejudicam
suas valiosas vidas e sua saúde, o que os torna realmente dignos de pena.
Vou explicar por que o crescimento demográfico ocorre paralelamente à redução
do índice de mortalidade. As pessoas acreditam que, ultimamente, as doenças
contagiosas e a tuberculose diminuíram nos países desenvolvidos da Europa devido
à melhoria da saúde pública. Em parte, isso faz sentido, mas o verdadeiro motivo não
é esse. Evidentemente, o aperfeiçoamento da infraestrutura da saúde pública
contribuiu até certo ponto, mas a verdadeira causa está no enfraquecimento da
condição física da população. O leitor poderá estranhar minha afirmação de que o
enfraquecimento da condição física é a causa da diminuição das doenças
contagiosas, mas vou expor a verdade sobre o assunto.
Originariamente, a tuberculose e demais doenças contagiosas ocorrem em
virtude de uma purificação intensa, que, por sua vez, é possibilitada por uma vigorosa
condição física. É natural, portanto, que povos de condição física debilitada não
tenham purificações ou, se tiverem, sejam apenas purificações leves. A grande
incidência de doenças contagiosas entre os povos de países em desenvolvimento se
deve muito mais ao seu vigor físico do que ao seu desinteresse pela higiene.
Para tornar essa teoria mais compreensível, vamos dividir a saúde humana em
três tipos:
No primeiro tipo, a pessoa tem um físico completamente saudável e sem
toxinas; consequentemente, não purifica, ou melhor, não contrai doenças. Pessoas
assim são extremamente raras.
No segundo tipo, a pessoa é portadora de toxinas e tem uma vigorosa condição
física. Em decorrência disso, a ação purificadora é favorecida e, por esse motivo, de
tempos em tempos, desencadeiam-se doenças leves ou graves. A maioria enquadra-
se neste tipo.
No terceiro tipo, embora também seja portadora de toxinas, a pessoa tem
condição física enfraquecida, razão pela qual a ação purificadora não consegue se
desencadear. Mesmo que ocorra, é fraca. Tais indivíduos só purificam quando ocorre
alguma melhora de sua condição física, por meio de exercícios ou de outros meios.
Nesse caso, utilizando medicamentos e fazendo repouso de imediato, elas melhoram
momentaneamente, retornando à situação anterior; por tal razão, pessoas do terceiro
tipo evitam esforço físico demasiado.
A medicina atual, julgando que o caminho da cura é fazer com que as pessoas
do segundo tipo se tornem pessoas do terceiro, não mede esforços nesse sentido.
Um exemplo disso é que as pessoas mais enfraquecidas são as crianças da cidade e
os filhos de médicos, isto é, aqueles com mais oportunidade de receber assistência
médica e que mais seguem fielmente as teorias da medicina. Por outro lado, querer
melhorar os indivíduos do segundo tipo para indivíduos do primeiro, isto é, em
pessoas sem toxinas, é totalmente inviável pela medicina atual.
Qual é a causa da morte? As pessoas pensam que a morte é causada pela
doença, mas na realidade isso é muito raro; na maioria das vezes, ela é causada pelo
enfraquecimento físico decorrente da supressão da ação purificadora, que é a
doença. Assim, conforme expliquei anteriormente, enquanto a medicina busca
interromper a purificação, o corpo físico tenta retomar a purificação, de modo que
esse embate cria uma escalada de sofrimentos. Então, o enfraquecimento físico
torna-se intenso e, por fim, sobrevém a morte.
Os povos civilizados, que têm sua condição física enfraquecida pela medicina,
dispõem de pouca força para purificar, o que impede a ocorrência de purificações
fortes. Por conseguinte, têm poucas doenças graves e demoram a morrer. Em outras
palavras, apesar do físico fraco, vão-se mantendo vivos. Por outro lado, na época em
que esses povos ainda possuíam vigor físico, sofriam fortes purificações, isto é,
contraíam doenças graves com facilidade. Os tratamentos médicos reprimiram
fortemente essas purificações, levando ao enfraquecimento e à morte. Os dados
estatísticos mostram que, na época em que o índice de mortalidade é alto, o
crescimento demográfico também o é. Esta é a explicação sobre o motivo do índice
de crescimento demográfico acompanhar o índice de mortalidade.

5 de fevereiro de 1947

5. A tempestade é uma calamidade causada pelo ser humano – Alicerce do


Paraíso, vol. 2, pg. 144

É do conhecimento de todos que, desde tempos remotos, os tufões, as


tempestades, as inundações etc. são tidos como calamidades naturais e as pessoas
têm-se conformado com esses fenômenos considerando-os inevitáveis. No meu
ponto de vista, entretanto, tais catástrofes não são calamidades naturais, mas sim
causadas pelo ser humano. Vou explicar por quê.
Atualmente, a ciência busca avançar no campo das pesquisas meteorológicas,
objetivando a diminuição dos prejuízos causados por essas catástrofes. No Japão
também se investem, todos os anos, elevadas quantias em instalações mais
adequadas. Apesar de terem obtido alguns resultados, parece que, dificilmente, se
atingirá o objetivo esperado. Haja vista que, a cada ano, as perdas originadas pelas
calamidades atingem cifras altíssimas. No recente tufão, estima-se uma perda de
cerca de 320 mil toneladas na safra de arroz, além de 4.229 casas que foram
destruídas pelas águas. Entre mortos e desaparecidos, somam-se 144 pessoas e
dezenas de milhares ficaram feridas. Além disso, de acordo com as declarações dos
órgãos competentes, os prejuízos com as plantações, com as destruições das
rodovias e diques, com as casas e instalações etc. foram de aproximadamente 87
bilhões de ienes: um prejuízo realmente enorme. Somando-se os danos materiais e
imateriais causados por grandes e pequenos tufões, que ocorrem várias vezes ao
ano, creio que as perdas são incalculáveis.
Em face de tal situação, mesmo que não haja possibilidade de erradicar essas
calamidades, é necessário fazer o mais completo esforço para minimizar os danos. O
governo e as entidades civis vêm aplicando todas as medidas possíveis, mas até por
falta de verbas, os resultados não chegam nem a um décimo do esperado. Se essas
deficiências persistirem, é claro que não haverá solução para o problema. Se ficar na
dependência apenas da pesquisa meteorológica, como ocorre hoje, não se
conseguirá suprir as necessidades urgentes. É como ficar aguardando "cem anos
para que as águas do Rio Amarelo fiquem claras"71, Isto porque, as pesquisas
científicas se baseiam na parte material, ou seja, analisam apenas a superfície das
coisas e são incapazes de identificar o seu interior. Para solucionar o problema, não
há outro recurso absoluto senão apreender a causa fundamental mais profunda.
Surge, então, a pergunta: o que devemos fazer para conhecermos essa causa?
É exatamente isso que vou expor a seguir.
A tempestade é uma ação de limpeza do Mundo Espiritual, isto é, do espaço em
torno da Terra visto que, constantemente, as impurezas se acumulam no Mundo
Espiritual. Em termos materiais, é tal qual o acúmulo de lixo numa cidade ou numa
casa. Só que, pelo fato de o Mundo Espiritual ser invisível, o ser humano apenas não
via o acúmulo de impurezas e, por isso, não conseguia percebê-lo. Evidentemente,
isso é o ônus pelo fato de a ciência ter menosprezado até hoje as pesquisas
espirituais e se voltado somente para a parte material. Sempre afirmamos que essa é
a maior falha cometida pela humanidade. Se ela não desenvolver as pesquisas,
reconhecendo a existência do Mundo Espiritual, não terá como conhecer a causa
fundamental das tempestades.
Apesar de a missão original da religião consistir em fazer com que se reconheça
a existência do Mundo Espiritual - não reconhecida até hoje - as religiões tradicionais
são indiferentes ao assunto, ou melhor, elas se mostram completamente
desinteressadas, o que me causa estranheza.
Como expliquei há pouco, uma vez que se acumulam impurezas no Mundo
Espiritual, é óbvio que surja naturalmente uma ação de limpeza. O vento dispersa as
impurezas e a água as lava: isto é a tempestade. Na verdade, ela não é nem um
pouco diferente da limpeza que se faz aqui no Mundo Material Portanto, a chave para
a solução definitiva do problema consiste em identificar a causa fundamental dessas
impurezas. Então, o que são essas impurezas?
As impurezas são as nuvens espirituais criadas pelo sonen, pelas palavras e
pelas atitudes do ser humano, isto é, maus pensamentos, más palavras e más ações
influenciam o invisível Mundo Espiritual e, corno resultado, surgem nuvens. Por essa
razão, em face da frequente ocorrência de fortes vendavais, podemos compreender
como o pensamento humano se deteriorou e o quanto são numerosas as más
palavras e as más ações.
Digo, entretanto, que há uma maneira extremamente fácil de eliminar essas
nuvens espirituais: basta que se inverta a situação, ou seja, que os pensamentos, as
palavras e as ações do ser humano se tornem bons, isto é, que o Mundo Espiritual
nublado pelo mal seja clareado pelo bem. Nesse caso, o bem transforma-se em luz e
dissipa as nuvens. Os hinos dos corais cristãos, os sutras budistas e as orações
xintoístas, por exemplo, são palavras de louvor e glória a Deus e, por isso,
contribuem de certa forma para a limpeza do Mundo Espiritual. Se elas não
existissem, as tempestades seriam ainda mais violentas que as atuais.
Diante do exposto, a Verdade é que as tempestades são geradas pelo ser
humano, e ele próprio sofre com isso. Elas seguem o mesmo princípio da ação
purificadora conhecida como doença, que ocorre quando se acumulam impurezas no
corpo humano. Realmente, a Natureza é perfeita.
Portanto, o método para prevenir as tempestades é compreender o princípio
acima exposto, deixar de praticar o mal e passar a praticar o bem. É preciso que
saibam que, além deste, não há, em absoluto, outro método que apresente uma
solução definitiva.

30 de janeiro de 1950
71
Nota: Provérbio japonês utilizado frequentemente para se referir a algo aparentemente impossível
de se concretizar.

6. O ser humano é um poço de saúde83 – Alicerce do Paraíso, vol. 3, pg. 103

Desde a Antiguidade, costuma-se dizer que “o ser humano é um poço de


doenças”, mas esta ideia está completamente errada. Corrigindo-a, diremos que o
ser humano é um poço de saúde, porque, como já expliquei antes, originalmente ele
foi criado como um ser saudável. Entretanto, a doença se mostra uma companheira
inseparável. Por não conseguir solucioná-la, o ser humano, sem alternativas, acabou
se conformando como se isso fosse uma sina. Com efeito, uma vez acometido pela
doença, a cura torna-se difícil. Às vezes, ele adoece por um longo período ou, então,
com frequência; há mesmo quem passe mais tempo doente do que saudável.
Justifica-se, pois, dizer que o ser humano é um poço de doenças; aliás, a expressão
deve ter surgido devido ao prolongamento de tal situação. A razão disso é porque a
origem da doença ainda era desconhecida, sendo até compreensível a ideia de que
era impossível escapar da doença e do destino da morte. Foi por essa razão que
Buda Sakyamuni falou sobre a resignação diante do sofrimento do nascimento, da
doença, da velhice e da morte.
Atualmente, ouve-se falar sobre medicina preventiva, mas só consigo imaginar
que isso seja fruto do desespero, pois, uma vez que a doença se instala, a medicina
não consegue curá-la com facilidade. Isto porque, se o poder de cura da medicina
fosse absoluto, nem haveria necessidade de pensar em uma medicina preventiva.
Voltando ao assunto, gostaria de explicar quais são as ações contrárias à
natureza que dão origem à doença.
Quando adoece, a pessoa utiliza os medicamentos como se fossem o único
recurso, e esse é o primeiro erro. Na medicina chinesa, os medicamentos são
extraídos das ervas, raízes, caules e cascas das plantas. Quanto à medicina
ocidental, esta busca seus produtos nos minerais, nos vegetais etc. Tudo isso é
fundamentalmente contrário à natureza. Pensem bem: os medicamentos
caracterizam-se por apresentar sabor amargo, odor desagradável, acidez etc. o que,
invariavelmente, nos causa aversão. A conhecida expressão “tirar da boca o gosto de
remédio” ilustra bem o fato. Por que é tão desagradável ingerir medicamentos? A
resposta é a seguinte: Deus está mostrando que não se devem ingeri-los, porque são
tóxicos.
O ópio utilizado para anestesiar e aliviar dores é extraído da papoula.
Originariamente, Deus criou essa flor para alegrar os olhos do ser humano e jamais
com o objetivo de que fosse introduzida em seu corpo. Um dos medicamentos que
ultimamente está em evidência é a penicilina. Dizem que sua matéria-prima é um
musgo84, que também não foi criado para ingestão humana. Sua finalidade é
proporcionar beleza às pedras e ao solo.
Seguindo essa lógica, todos os alimentos foram criados para agradar ao paladar
do homem; desta forma, ingeri-los está de acordo com a natureza.
Costuma-se dizer que determinados alimentos são mais nutritivos e que outros
não o são, mas isso também, evidentemente, é um erro. Apesar de existir alguma
diferença devido ao solo e ao clima da região, os alimentos ali produzidos são
adequados às pessoas aí nascidas. Por essa razão, os orientais alimentam-se de
arroz, e os ocidentais, de trigo. Da mesma forma, como o Japão é um país insular,
significa que sua população deve comer peixe em abundância, não havendo
nenhuma inconveniência que as pessoas do continente comam carne. Pelo mesmo
raciocínio, a alimentação vegetariana dos agricultores está de acordo com a
natureza. Isso porque essa é a alimentação adequada para suportar o trabalho físico
contínuo. Desconhecendo esse princípio, a dietética85, atualmente, tem recomendado
que os agricultores comam carne e peixe; entretanto, se eles assim o fizerem, sua
capacidade de trabalho diminuirá. Já no caso dos pescadores, devido às refeições à
base de peixe, não suportam o trabalho contínuo e, por essa razão, trabalham de
maneira intermitente. Já que essa alimentação aguça os sentidos, é apropriada para
a atividade da pesca, donde se conclui que a natureza é realmente perfeita.

20 de abril de 1950

83
Título anterior: “O homem é um poço de saúde”.
84
Musgo: na verdade, a matéria-prima da penicilina é um fungo, mas mantivemos o texto tal qual o
original escrito por Meishu-Sama.
85
Dietética: ramo da medicina que se ocupa dos diversos tipos de dieta e sua aplicação.

7. Os três tipos de toxinas – Alicerce do Paraíso, vol. 3, pg. 118

Conforme eu já explanei, a origem de todas as doenças são as toxinas, que


podem ser de três tipos: hereditárias, urinárias e medicamentosas. Vou expor de
forma mais detalhada.
Que são toxinas hereditárias (nendoku91)? Pode-se dizer que são toxinas
medicamentosas que foram transmitidas geneticamente e que, ao longo de várias
gerações, acabaram se transformando em um tipo de toxina.
Na história do Japão, há um fato que corrobora esta afirmação:
Consta que a varíola92 surgiu no Japão há mais de 1300 anos, a partir da época
do Imperador Kinmei [509–571]. No décimo terceiro ano do seu reinado, o budismo
foi introduzido no país e, pouco tempo depois, houve o surto de uma epidemia
desconhecida em diversas regiões. Os conselheiros da época atribuíram essas
ocorrências à fúria dos deuses japoneses em virtude da introdução do budismo, cujas
atividades, por conseguinte, foram proibidas no país. Como a epidemia não cessou,
concluiu-se que ela não tinha nenhuma relação com o budismo, que foi novamente
permitido. Com base em minhas observações, a epidemia foi causada pela
introdução dos medicamentos chineses, muito anterior à introdução do budismo.
Aquela epidemia, obviamente, era de varíola.
A medicina aponta a sífilis hereditária como sendo a causa de diversas doenças.
Aliás, na Alemanha, existe um grupo que defende a tese de que a sífilis é a causa de
todas as doenças. Eu, no entanto, suponho que a chamada sífilis hereditária seja
uma visão equivocada das toxinas hereditárias, pois são muitos os portadores da
doença cujos pais e avós não têm histórico de sífilis.
As toxinas urinárias são resíduos de urina gerados pelo enfraquecimento da
função renal. Segundo a própria medicina, a função dos rins é a eliminação da urina
e a produção de hormônios. O resíduo dos alimentos e das bebidas que não foram
absorvidos é eliminado em forma de fezes e de urina. Já as substâncias estranhas ao
organismo [os xenobióticos]93, como eu já disse anteriormente, não conseguem ser
eliminadas. Elas saem dos rins, alojam-se na parte exterior dos mesmos, acumulam-
se e se transformam em nódulos à sua volta. Como resultado da pressão desses
nódulos, os rins ficam atrofiados, surgindo resíduos de urina que, pouco a pouco, vão
se acumulando e se solidificando nos dois lados da coluna vertebral até os ombros,
provocando o enrijecimento destes e das costas. Em seguida, eles se deslocam para
outros locais como: medula oblonga, glândulas linfáticas, glândulas parótidas,
amígdalas etc. A periodontite é uma doença em que essas toxinas urinárias são
expelidas pelas gengivas; portanto, ela constitui a eliminação por via oral da urina
putrefata. Ao saberem a origem dessa doença, creio que as pessoas sentirão
repugnância. Dessa forma, podemos dizer que as toxinas urinárias são a causa de
todas as doenças.
Quanto às toxinas medicamentosas94, dispensam-se maiores detalhes, pois já
falei sobre o assunto, mas acho necessário explicar suas formas de manifestação. As
dores e os sofrimentos causados por elas são, principalmente, elevação da
temperatura corporal, dores, coceira, diarreia, vômito, paralisia, mal-estar etc. A
elevação da temperatura corporal, segundo minha experiência, é proporcional à
quantidade de toxinas medicamentosas e pode-se até dizer que quase não se
observa a ocorrência deste sintoma entre pessoas que nunca tomaram
medicamentos. No tocante às dores, as produzidas pelos medicamentos ocidentais
em geral são agudas, como sensações de espetadas de agulhas, dores lancinantes,
dores intensas e de curta duração etc. Já a maioria dos medicamentos chineses
produz dores brandas. A coceira geralmente é causada pelos medicamentos
ocidentais; as injeções de cálcio, especialmente, provocam reação alérgica e, por
isso, requerem cautela.
Existe um método para se distinguir os três tipos de toxinas mencionadas. No
caso das toxinas hereditárias, quando se pressionam os nódulos95 com as pontas dos
dedos, não há sensação de dor; no caso das toxinas urinárias, a dor é leve; tratando-
se de toxinas medicamentosas, a dor é intensa. Com bastante treino, não é tão difícil
fazer essa distinção.

5 de fevereiro de 1947

91
Nendoku: este é um termo em japonês criado por Meishu-Sama. É uma abreviação de ten’nento
dokuso que literalmente significa “toxina da varíola”.
92
Varíola: em japonês ten’nento. Doença infectocontagiosa considerada extinta em 1980 pela
Organização Mundial de Saúde.
93
Xenobióticos: (do grego, xenos = estranho) são compostos químicos estranhos a um organismo ou
sistema biológico. Pode ser encontrado num organismo, mas não é normalmente produzido ou
esperado existir nesse organismo. O termo é também aplicado a substâncias presentes em
concentrações muito mais elevadas que o nível normal. Em específico, medicamentos tais como
antibióticos são xenobióticos em humanos porque o corpo humano não os produz nem fazem parte
da dieta humana.
94
Toxinas medicamentosas: veja explicação no Ensinamento “Análise das toxinas” neste volume e
nota de rodapé n° 79.
95
Nódulos: neste caso, Meishu-Sama se refere a estruturas arredondadas de tamanhos variados
existentes em algumas partes do corpo.

8) Princípio da Agricultura Natural – Alicerce do Paraíso, vol. 5, pg. 37

Para que todos entendam realmente o princípio da Agricultura Natural, visto que
é impossível fazê-lo por meio do pensamento que norteia a ciência atual, proponho-
me explicá-lo pela ciência espiritualista, da qual tomei conhecimento por meio da
Revelação Divina. No início, talvez seja muito difícil compreender esse princípio.
Todavia, à medida que o lerem várias vezes e o saborearem bem, certamente hão de
entender. Caso isso não ocorra, é porque o leitor ainda está preso às superstições da
ciência e é bom que ele perceba isso.
Os próprios fatos comprovam que o que eu exponho é a Verdade absoluta.
Respeitando este princípio, é certo que, desde o primeiro ano, haverá um aumento
de 10 a 50% na produção. Por outro lado, o método agrícola utilizado atualmente
consiste na fusão do método tradicional com o científico. Julga-se que houve um
grande progresso; porém, os resultados mostram exatamente o contrário, conforme
podemos constatar pela grande quebra da produção no ano passado. A causa direta
foi que as plantas do arroz não tinham força suficiente para superar as inúmeras
adversidades climáticas que ocorreram. Todavia, qual a causa do enfraquecimento
das plantas do arroz? Se eu disser que o fenômeno foi causado pelo tóxico chamado
adubo, todos se surpreenderão, visto que os agricultores, até agora, vieram
acreditando cegamente que o adubo é imprescindível para o cultivo agrícola. Em
razão do pouco conhecimento dos agricultores e dos pontos cegos da ciência, não foi
possível descobrir os malefícios dos adubos.
É inegável o valor da ciência em relação a muitos aspectos. Entretanto, pelo
menos no que se refere à agricultura, esta não somente é impotente, como também
está completamente equivocada. Por exemplo, desconhecendo a verdadeira
natureza do solo e o funcionamento dos adubos, considera apenas o método criado
pelo ser humano, ignorando a força da Natureza. Prova disso é que, apesar de
muitos anos de esforços em conjunto do governo japonês, dos agricultores e dos
cientistas, não se vê nenhum progresso ou melhoria. Diante de uma fraca colheita
como a do ano passado, podemos dizer que a ciência não consegue fazer nada,
sendo vencida pela Natureza sem oferecer qualquer resistência, não havendo mais
nenhum método a ser empregado. A agricultura japonesa está realmente em um
beco sem saída. Não obstante, devemos alegrar-nos, pois Deus ensinou-me o meio
de sair dele – a Agricultura Natural. Afirmo que não existe outra maneira de salvar o
Japão.
A seguir, vou explicar no que consiste este método agrícola.
A origem do problema é a falta de compreensão sobre a verdadeira natureza do
solo. Até agora, a agricultura tem negligenciado o solo, que é o principal, dando maior
importância ao adubo, que é secundário. Pensem bem. Sem a terra, o que podem as
plantas fazer, sejam elas quais forem? Um bom exemplo é o do soldado americano
que, no pós-guerra, praticou a hidroponia no Japão, despertando grande interesse.
Creio que ainda devem estar lembrados disso. No início, os resultados foram
excelentes, mas ultimamente, pelo que tenho ouvido falar, ele acabou abandonando
o método.
De maneira semelhante, os agricultores fizeram pouco caso do solo, chegando a
acreditar que os adubos eram o alimento das plantas. Com essa atitude, cometeram
um terrível engano. O resultado é que o solo se tornou ácido, perdendo sua força
original. Isso está muito bem comprovado pela grande diminuição da safra no ano
passado. Não percebendo seu erro, os agricultores gastam inutilmente elevadas
somas em adubos, despendendo árduo esforço. É uma grande tolice, pois estão
produzindo a própria causa dos danos.
Empregarei o bisturi da ciência espiritualista para explicar a essência do solo.
Antes, porém, é preciso conhecer seu significado original.
Deus, Criador do Universo, assim que fez o ser humano, criou o solo, a fim de
que este produzisse alimento suficiente para nutri-lo. Basta semear a terra que a
semente germinará, e o caule, as folhas, as flores e os frutos se desenvolverão,
proporcionando-nos fartas colheitas no outono. Assim, o solo que produz o arroz é
um excelente especialista, ao qual deveríamos dar preferência. Obviamente, já que
se trata da força da Natureza, a pesquisa sobre essa força deveria ser o foco da
ciência. Entretanto, esta se enganou: dependeu mais do poder humano do que da
força da Natureza.
O que é a força da Natureza? Trata-se da fusão dos elementos fogo, água e
terra, originados, respectivamente, do Sol, Lua e Terra, resultando na incógnita X. O
centro da Terra, como todos sabem, é uma massa de fogo, a qual é a fonte geradora
do calor do solo. A essência desse calor atravessa a crosta terrestre e preenche o
espaço até a estratosfera. Nessa essência, existem duas partes: a espiritual e a
material. A parte material é conhecida pela ciência como nitrogênio, mas a parte
espiritual ainda não foi descoberta por ela. Paralelamente, a essência emanada do
Sol é o elemento fogo, que também possui uma parte espiritual e uma parte material;
esta última é a luz e o calor, mas a outra também ainda não foi detectada pela
ciência. A essência emanada da Lua é o elemento água, e sua parte material é
constituída por todas as formas em que a água se apresenta; a parte espiritual, da
mesma forma, ainda é desconhecida. O produto da união desses três elementos
espirituais ainda não detectados constitui a incógnita X, por meio da qual todas as
coisas existentes no Universo nascem e crescem. Essa incógnita é semelhante ao
Nada, mas é a origem da força vital de todas as coisas. Consequentemente, o
desenvolvimento dos produtos agrícolas também se deve a essa força. Por esse
motivo, podemos dizer que ele é o adubo infinito. Assim, reconhecendo-se essa
verdade, amando e respeitando o solo, a capacidade deste se fortalece
espantosamente. Este é o método agrícola verdadeiro e não existe outro. Portanto,
praticando este método, o problema da agricultura será solucionado pela raiz.
Há mais um fator importante. O ser humano, até agora, pensava que a vontade-
pensamento13, assim como a razão e a emoção, limitavam-se aos animais. No
entanto, talvez se o leitor souber que eles também existem nos corpos inorgânicos,
ficará boquiaberto. Obviamente, como o solo e as plantas também estão nessa
mesma condição, respeitando-se e amando-se o solo, sua capacidade natural se
manifestará ao máximo. Para tanto, o mais importante é não o sujar e torná-lo ainda
mais puro. Com isso, o solo manifestará seu sentimento de alegria, e nem preciso
dizer o quanto se tornará mais ativo. A única diferença é que a vontade-pensamento,
nos animais, é mais livre e móvel, ao passo que o solo e as plantas não têm
liberdade de movimento. Assim, mesmo no caso do arroz, se pedirmos com
sentimento de gratidão uma farta colheita, nosso sentimento se transmitirá às plantas
e, certamente, seremos agraciados. Por desconhecimento desse princípio, a ciência
comete uma grande falha ao considerar que aquilo que é invisível e impalpável não
existe.

Jornal Eiko nº 245, 27 de janeiro de 1954

13
Vontade-pensamento: em japonês, ishi sonen. Termo utilizado por Meishu-Sama para expressar a
intencionalidade do sonen. Para verificar a definição do termo sonen, conferir a nota de rodapé nº 39
no Ensinamento “Por que o mal se revela”, publicado neste volume. Ademais, supõe-se que este
tema se relaciona ao aspecto animista da religiosidade nativa japonesa.

9) A ciência da nutrição (Título anterior: A dietética) – Alicerce do Paraíso, vol. 3,


pg. 170

A sociedade acredita que a dietética da medicina atual está bastante avançada.


A interpretação feita pela medicina é a seguinte:

(Artigo publicado por um especialista)


“As pessoas geralmente se alimentam três vezes ao dia. A alimentação tem por
objetivo repor as substâncias que são consumidas diariamente pelo organismo e
também pela necessidade da renovação dos tecidos do corpo. Assim, realizam-se
dentro do corpo humano, ininterruptamente, processos de decomposição e de
sintetização. Ao conjunto dessas duas ações dá-se o nome de metabolismo. A
propósito, depois de digerido e absorvido, por quais etapas o alimento passa, até se
transformar em suprimentos e elementos sintetizados?
Comecemos pelas proteínas. Elas são decompostas no sistema digestório,
transformando-se em aminoácidos, que, absorvidos pelas paredes intestinais, entram
na corrente sanguínea e, passando pelo fígado, são enviados para todo o corpo e
distribuídos aos tecidos. Nestes, os aminoácidos são estruturados em forma de
proteínas específicas; uma parte delas é mais uma vez decomposta e transformada
em amônia, ureia, ácido úrico, creatina, creatinina e sais minerais, e expelida pela
urina. Dessa forma, ao serem digeridas, as proteínas são utilizadas na forma de
aminoácidos na sintetização dos tecidos; porém, uma parte é queimada, como se
processa com as gorduras e os carboidratos, e se transforma em energia motora.
Vejamos, agora, os carboidratos. No final do processo digestório, eles se
transformam em glicose, monossacarídeo que, absorvido pela parede intestinal,
penetra nos vasos sanguíneos e é transportado pela veia porta hepática.
Consequentemente, quando se absorve uma grande quantidade de carboidratos, a
taxa de açúcar do sangue aumenta. Ingerindo-se muito carboidrato, ele vai para o
fígado, onde fica armazenado como glicogênio. De acordo com a necessidade, é
transformado novamente em glicose e fornecido ao organismo. Essa glicose é
oxidada pelo oxigênio existente no sangue, e utilizada, principalmente, para
abastecer a energia motora; ao mesmo tempo, é gerada uma grande quantidade de
gás carbônico. Quanto maior a atividade física da pessoa, mais intenso é o processo
de oxidação. Com isso, o glicogênio armazenado no fígado é transformado de novo
em glicose para suprir as necessidades do organismo. Entretanto, até o gás
carbônico ser gerado pela oxidação da glicose, surgem diversos produtos
intermediários. O ácido úrico é um deles, de modo que, medindo-se sua quantidade,
sabe-se o grau de fadiga.
Além do mais, parte dos carboidratos é transformada em gordura no interior do
corpo, onde fica depositada. Portanto, quando se ingerem muitos alimentos ricos em
carboidratos, a gordura do organismo aumenta, e a pessoa vai-se tornando obesa.
Vejamos, a seguir, os lipídios. Parte deles é digerida e absorvida no estômago.
A maior parte vai para o intestino, onde é decomposta em ácidos graxos e glicerol
pela ação da lípase pancreática, ou seja, enzima solvente de gordura. Tais lipídios
são absorvidos pela parede intestinal e transformados novamente em gordura. Esta,
ao juntar-se à linfa, torna-se leitosa e, percorrendo o interior do corpo, entra na
corrente sanguínea. Uma parte dos lipídios fica armazenada no corpo como gordura;
outra parte é oxidada e transformada em energia. Entretanto, diferentemente dos
carboidratos, eles se transformam, principalmente, em energia térmica.”

A explicação acima é extremamente minuciosa e, à primeira vista,


impressionante. Não é, pois, de se admirar que as pessoas em geral acreditem nela.
Todavia, por mais habilmente que uma teoria seja explicada, ela não terá nenhum
valor se não puder ser colocada em prática. Vou apresentar, agora, a teoria dietética
baseada nas minhas pesquisas.
Atualmente, quando o assunto é dietética, fala-se de calorias, vitaminas A, B ou
C etc., mas eu afirmo que, mesmo se ingerindo alimentos que não contenham
quaisquer desses nutrientes, consegue-se viver muito bem. O erro fundamental da
dietética atual é que ela dá importância apenas a um aspecto da questão, ou seja, à
pesquisa dos alimentos, negligenciando o estudo das funções do corpo humano, que
os recebe e processa.
O funcionamento dos órgãos internos do corpo humano é uma química
impossível de ser explicada pelas teorias científicas atuais. A partir dos vários
alimentos, o organismo produz e transforma livremente os nutrientes necessários à
vida. Comendo-se arroz, pão, verduras, batata, feijão etc., o “mágico” denominado
sistema digestório os transforma em sangue, músculos e ossos. Entretanto, por mais
que se dissequem esses alimentos, não se consegue descobrir sequer uma única
partícula do elemento sangue, uma só fibra muscular, não é verdade? Por mais que
se analise qualquer tipo de alimento, não serão encontrados elementos das
impurezas e do odor desagradável das fezes e da urina, nem tampouco amônia.
Pela lógica apresentada, se ingerirmos sangue, vitaminas etc., considerando-os
nutrientes, qual será o resultado? Na realidade, o enfraquecimento do corpo
aumentará. O leitor poderá achar essa afirmação estranha, mas, se analisar mais
profundamente, conseguirá entender. Isto porque, se os processos digestivos
produzem vitaminas a partir de alimentos que não as contêm, quando as ingerimos
não haverá mais necessidade dessa atividade, e isso faz o aparelho digestório
enfraquecer. Com o enfraquecimento das funções de um sistema tão importante
como este, é óbvio que a atividade dos demais órgãos, que têm responsabilidade
conjunta, também enfraquecerá. Por conseguinte, colocando-se em prática fielmente
a teoria da dietética da atualidade, os resultados serão adversos.
Para facilitar a compreensão do que estamos dizendo, darei um exemplo.
Suponhamos uma fábrica destinada à produção de determinado artigo pela queima
do carvão mineral e transformação do ferro. Com o trabalho dos operários, com a
ação das máquinas e com os vários processos por que passa a matéria-prima,
obtém-se um produto acabado. Esses processos são, portanto, a força vital da
fábrica. Se, desde o início, se transportassem para lá artigos prontos, não haveria
necessidade do trabalho dos operários, das máquinas e nem sairia fumaça das
chaminés, ou seja, a fábrica perderia a razão de sua existência. Assim, os operários
seriam dispensados, e as máquinas enferrujariam. Da mesma forma, se o corpo
humano ingerir alimentos acabados, não necessitará mais da atividade da fábrica de
nutrientes e, por esse motivo, ele enfraquecerá. Essa teoria nos ensina que a força
vital do ser humano é gerada por meio da transformação dos alimentos inacabados
em alimentos acabados. Evidentemente, as vitaminas e os demais suplementos são
alimentos acabados.
A alimentação dos agricultores é frugal e, por isso, eles possuem uma força
extraordinária para o trabalho. A conhecida vitalidade dos trabalhadores braçais da
Manchúria123 decorre do fato de eles se alimentarem unicamente de pão de sorgo,
nas três refeições diárias. Do ponto de vista da dietética, a alimentação considerada
ideal é a das pessoas da classe alta. No entanto, observa-se que, apesar de terem
uma alimentação variada e rica em nutrientes e mastigarem bem os alimentos, em
geral elas são mais fracas. Mastigar os alimentos em demasia, sobretudo, não é
recomendável, porque enfraquece a atividade do estômago.
A dietética atual124 tem menosprezado o valor nutritivo dos cereais. Geralmente,
quando se fala em nutrientes, pensa-se que eles estão contidos em maior quantidade
nos acompanhamentos, mas isso também é um erro. Na realidade, os nutrientes
contidos nos cereais são os principais e os contidos nos acompanhamentos, são
secundários. Pode-se dizer que a função destes é tornar os cereais mais apetitosos.
Pude constatar isso quando fiz uma excursão aos Alpes Japoneses. Fiquei
espantado ao ver a marmita dos guias: era só arroz, não havia mais nada, nem
sequer uma ameixa salgada125. Perguntei-lhes se comer apenas arroz era gostoso, e
eles responderam que era “muito saboroso”. Esses guias sobem e descem,
diariamente, um caminho extremamente íngreme, carregando, nas costas, bagagens
que pesam cerca de 50 quilos. Como os especialistas em dietética explicariam tal
fato?
Pode parecer estranho alguém dizer que acha muito gostoso comer arroz puro,
sem acompanhamento, mas há uma explicação para isso. As funções do corpo
humano foram feitas de modo a adequar-se ao ambiente. Se a pessoa tiver
continuamente uma alimentação frugal, seu paladar sofrerá uma alteração – fato que
parece não ser muito conhecido – e a comida passará a ser saborosa. Ao contrário,
quando a pessoa se habitua ao sabor de uma alimentação requintada, esta passa a
ser menos saborosa, por isso, procura pratos ainda mais requintados. É o que se vê
com frequência entre os que levam uma vida luxuosa.
Explicarei, a seguir, o significado dos alimentos. Naturalmente, os alimentos
foram criados para manter a vida não só do ser humano como de todos os seres
vivos, sendo atribuídos alimentos adequados a cada um deles. Por conseguinte, o
Criador determinou o que deve ser consumido como alimento pelo ser humano e o
que deve ser ingerido como alimento pelas diferentes espécies animais. Quais são,
portanto, os alimentos destinados ao ser humano? É muito fácil saber, pois eles são
saborosos. Em outros termos, os alimentos são dotados de sabor, e o ser humano,
de paladar.
Consequentemente, o ser humano, ao degustar os alimentos com prazer, obtém
naturalmente os nutrientes que se tornam elementos essenciais para a saúde. Assim,
devemos entender que não só é equivocado, mas também prejudicial ingerir
substâncias como os suplementos nutricionais, que não possuem sabor, não
precisam ser mastigados e dispensam atividade do aparelho digestivo. Uma vez que
as condições ambientais, profissionais e orgânicas são diferentes, os alimentos
necessários para cada pessoa são aqueles que ela está com vontade de comer
naquele momento. Dessa forma, basta comer aquilo que naturalmente se tem
vontade, sem ficar preso a teorias dietéticas. Os homens contemporâneos, no
entanto, comem forçadamente coisas que não gostam e, do mesmo modo, deixam de
comer as que apreciam. Eles pensam que assim terão saúde, o que é uma tolice sem
igual. Por isso, não podemos deixar passar despercebidos os danos causados pela
dietética.
As verduras e os legumes são os alimentos que mais contêm nutrientes. Se a
questão fosse apenas nutrir o organismo, os cereais, as verduras e os legumes já
seriam suficientes. Podemos comprová-lo, observando os fatos. Os agricultores, os
bonzos zen-budistas e outros vegetarianos gozam de saúde e vida longa, enquanto
os habitantes da cidade, que comem constantemente peixes, aves, carnes etc.,
adoecem com facilidade e têm vida curta. É também do conhecimento geral que as
pessoas que só comem carne contraem septicemia126. Vou contar um caso que serve
de exemplo do que estamos dizendo.
Anos atrás, fui passear nas águas termais da vila Yunishikawa, situadas nas
montanhas da Província de Totigui. A população dessa vila era composta por
noventa famílias Heike127, num total de mais de seiscentas pessoas. Todos eram
vegetarianos estritos. Embora houvesse peixes saborosos nos límpidos rios da
região, eles nem sequer os pescavam. Ao perguntar o porquê, disseram que não
comiam carne desde a época de seus ancestrais e, por isso, nem sentem vontade de
fazê-lo. Como na refeição só havia vegetais, pedi carne de galinha ou ovos, mas me
disseram que na vila não havia nem uma coisa nem outra. Isso mostra o quanto seus
habitantes eram ferrenhos em sua alimentação vegetariana.
Era uma vila sem médicos. Ao perguntar o motivo, responderam-me que ali não
havia necessidade deles. Na época, o único doente era uma pessoa com sequelas
de derrame cerebral, não se contando um só tuberculoso. Eu fiquei a refletir sobre o
que de fato aquela vila vegetariana tão saudável e sem médicos estaria nos
ensinando. Também me perguntei por que as autoridades e os médicos não faziam
dessa vila saudável um objeto de pesquisa.
Segundo me contaram na casa onde eu estava hospedado, o clã Taira, ao ser
derrotado, fugira para as montanhas e se embrenhara cada vez mais nas matas
aonde seus perseguidores não pudessem chegar com facilidade, e escolheram este
local para se fixar. Na época, eram aproximadamente trinta pessoas. Encontrando-se
numa mata totalmente virgem, tiveram dificuldades para alimentar-se. No início,
sobreviveram comendo raízes de kudzu128 e castanhas. Continuando com uma
alimentação extremamente frugal, a família não apenas sobreviveu como atingiu a
prosperidade atual, fato que vem a comprovar minha teoria.
Pelo exposto acima, podemos dizer que, estritamente, no que se refere à saúde,
a alimentação vegetariana é a ideal. Contudo, para se viver na sociedade
contemporânea, existe um inconveniente na alimentação vegetariana, pois o alimento
tem ligação com o pensamento e as atividades diárias. Ela torna as pessoas
maleáveis e adeptas do princípio da não-resistência. Por conseguinte, povos com
forte predomínio de vegetarianos podem ser dominados por outras nações. A
decadência da Índia talvez também tenha motivos religiosos, mas uma das causas é
a alimentação da maioria de seus habitantes, constituída apenas de vegetais e leite
de vaca (o leite, apesar de ser de origem animal, leva ao mesmo resultado que a
alimentação vegetariana).
Pela mesma razão, os animais carnívoros, como o leão e o tigre, são de
natureza feroz, enquanto que os animais vegetarianos, como o boi e o cavalo, são
dóceis. Os vegetarianos, portanto, acabam carecendo de uma postura mais ativa em
relação aos desejos materiais, ambições etc. e, por causa disso, não progridem. Os
homens contemporâneos, por outro lado, precisam de certa quantidade de alimentos
de origem animal. Resumindo, cada um deve escolher sua alimentação de acordo
com suas condições e profissão. Entretanto, o ser humano, depois dos oitenta anos,
deveria adotar a alimentação vegetariana, pois não há mais necessidade de
ambições e disputas. Como resultado, sua saúde aumentaria, e sua vida seria mais
longa.
Hoje, quando uma pessoa adoece, recomenda-se o consumo de alimentos de
origem animal, dizendo que eles são mais nutritivos, mas isso acentua o
enfraquecimento e traz consequências negativas à cura da doença. Em relação ao
leite de vaca, deve-se ter cuidado: ele é adequado a bebês, que ainda não possuem
dentes, mas é inadequado depois que estes surgem.
O nascimento de dentes significa que o bebê já está em condições de ingerir
alimentos sólidos, porque os órgãos digestórios se desenvolveram a fim de se
adequarem a esses alimentos, o que é algo natural. Portanto, se um adulto tomar
leite como nutriente, irá enfraquecer. Como eu disse anteriormente, se o simples fato
de mastigar demasiadamente os alimentos já enfraquece a pessoa, quem dirá ingerir
alimentos líquidos como o leite. Evidentemente, isso debilitará ainda mais os órgãos
digestórios. Sempre que alguém me pergunta se um adulto pode ou não tomar leite,
eu respondo, rindo: “Se o adulto tiver uma alimentação igual à do bebê, seu
comportamento também precisará ser igual ao dele, ou seja, engatinhar e ser
carregado ao colo.” No caso do leite, entretanto, se ele for usado para tornar os
alimentos mais saborosos, não há problema.
Os doentes costumam comer papa de arroz acrescida de ameixa salgada, mas
isso também é um erro. Originariamente, a ameixa salgada foi utilizada como
alimento dos soldados no período de guerras do Japão feudal porque, mesmo com
uma pequena quantidade, a pessoa não sente fome. Hoje, portanto, ela é adequada
para quem escala montanhas ou faz excursões a pé, mas não para os doentes. Até
em condições normais de saúde, quando se come muita ameixa salgada,
infalivelmente o apetite diminui.
Dizendo que é nutriente, costumam fazer as crianças tomar óleo de fígado de
bacalhau, o que é outro erro, porque o arroz, o trigo, o feijão, as verduras, enfim,
todos os alimentos possuem um óleo específico. Os órgãos do corpo extraem esse
óleo e utilizam-no como nutriente na medida certa. Isso ficará bem claro se
observarmos que do farelo de arroz se extrai óleo de arroz; da soja, óleo de soja; da
semente de colza, óleo de colza. Assim, ingerir óleo puro é um desequilíbrio em
termos nutricionais, algo extremamente antinatural, pois o órgão encarregado de
extrair óleo dos alimentos, irá se enfraquecer.

5 de fevereiro de 1947

123
Manchúria: é uma vasta região no leste da Ásia que inclui o extremo nordeste da China e uma
parte da Sibéria. Foi dominada pelo império japonês de 1932 a 1945.
124
Dietética atual: dietética do início do século XX.
125
Ameixa salgada: são ameixas fermentadas em sal marinho conhecidas como umeboshi. Elas são
tradicionalmente utilizadas como acompanhamento do arroz nas marmitas japonesas.
126
Septicemia: Infecção generalizada em que microrganismos patogênicos e suas toxinas invadem a
corrente sanguínea e nela se multiplicam.
127
Heike: descendentes do clã Taira que fugiram da perseguição do clã Minamoto após as Guerras
Genpei (1180–1185).
128
Kudzu: o kudzu, ou ainda, Pueraria Lobata é uma videira lenhosa, nativa do Japão e China.

10) A grande revolução da agricultura: O cultivo sem uso de adubos2 em uma


higiênica e prazerosa horta caseira3 – Alicerce do Paraíso, vol. 5, pg. 11

No primeiro número da nossa revista Tijo Tengoku, publiquei um artigo voltado


para os agricultores em que detalhei o cultivo agrícola sem adubos. Desta vez,
explicarei, principalmente, as hortas caseiras.
Na referida revista e no nosso jornal, divulguei os excelentes resultados obtidos
pelos agricultores por meio do cultivo sem adubos. Acredito que os leitores tenham
conseguido entender, em linhas gerais. As hortas caseiras são praticadas
principalmente por leigos e, por essa razão, posso afirmar categoricamente que as
boas-novas do cultivo sem adubos traz uma grande alegria, tal qual uma luz que
surge na escuridão.
Até agora, nas hortas caseiras, utilizava-se principalmente esterco como adubo,
mas manuseá-lo é, evidentemente, insuportável tanto pela questão do mau cheiro
quanto por outros aspectos. Adotando-se o cultivo sem adubos, tais sofrimentos
desaparecem, tornando-se uma prática higiênica e profundamente prazerosa. Além
disso, é menos trabalhoso, e os resultados são bem melhores comparados aos da
agricultura que usa adubos. Por conseguinte, é como se matassem dois coelhos com
uma só cajadada. Vou enumerar as vantagens desse cultivo:
1 – Sendo utilizado apenas composto à base de vegetais, o agricultor terá
menos trabalho e estará livre da parte desagradável causada pelo uso de esterco;
2 – As hortaliças obtidas são de melhor qualidade e possuem sabor
incomparável às cultivadas com adubos;
3 – O tamanho e a quantidade das hortaliças aumentam;
4 – O aparecimento de pragas reduz-se a uma pequena fração quando
equiparado ao cultivo com adubos, dispensando-se, evidentemente, o uso de
agrotóxico;
5 – A preocupação com a transmissão de parasitas, principalmente de
lombrigas, torna-se desnecessária.
Muitas outras vantagens poderiam ser citadas, mas relacionei apenas as
principais.
Uma vez que os espaços nas hortas caseiras são pequenos, normalmente não
se plantam arroz nem trigo, e sim, hortaliças. Por essa razão, vou explicar as
experiências de cultivo que tive com algumas delas.
As batatas-inglesas são bem brancas, de consistência cremosa e de aroma
agradável, que chegam a estimular fortemente o paladar. O tamanho e a produção
reduzidos apontados pelos praticantes leigos se devem aos adubos anteriormente
utilizados no cultivo das mesmas. Sem sua aplicação, o tamanho e a quantidade
serão maiores.
As plantas de milho são mais altas, os caules, mais grossos, e as folhas, bem
mais verdes do que o comum. As espigas são mais grossas e compridas, com os
grãos bem adensados e alinhados, macios e doces. As pessoas ficam admiradas
com seu sabor inigualável.
Os nabos são bem brancos, de casca lisa; seu comprimento e grossura
apresentam-se maiores e são mais macios e saborosos que os comuns. A frequente
ocorrência de textura fibrosa e com pequenas cavidades nos nabos são em
decorrência do uso de adubos.
Todas as hortaliças que são apropriadas para conservas, tais como acelga,
mostarda, espinafre, repolho, possuem aroma agradável, são volumosas, macias e
muito apetitosas. No final do ano passado, um praticante de horta caseira trouxe-me
três acelgas que pesavam mais de 5 kg cada uma. Eu nunca havia visto uma acelga
daquele tamanho.
Evidentemente, as leguminosas também têm bons resultados na produção pelo
nosso método de cultivo. A altura da planta e as folhas são menores, como é o caso
do edamame, [N.T.: soja ainda na vagem verde], mas a produção chega a dobrar. A
maioria das vagens contém quatro grãos, e as de apenas um grão são muito raras.
Com o cultivo por meio de adubos, tanto o caule como as folhas das leguminosas em
geral crescem muito, e a ocorrência da queda de flores é maior. Consequentemente,
a produção de grãos torna-se reduzida. Sem dúvida, a produção sem o uso de
adubos aumenta de 50 a 100%.
As berinjelas apresentam boa coloração, casca macia e aroma agradável. Não
só pela aparência, mas também pelo sabor, quem já as provou não consegue comer
as que são produzidas com adubos.
Vou abreviar detalhes sobre a cebola, a cebolinha, o tomate, a abóbora, tipos de
pepino e outros, cujas qualidades se mostraram excelentes. Especialmente, a
abóbora apresenta textura muito cremosa e sabor adocicado indescritível.
Entre os tubérculos, a batata-doce cresce tanto que chega a nos surpreender.
Se deixá-la por muito tempo sem colher, torna-se inimaginavelmente grande.
O mesmo se verifica com as frutas, em especial as cítricas. O caqui e o
pêssego, entre outras, produzem frutos incomparavelmente mais saborosos do que
os de cultivo com adubos.
Acima está um breve relato. A seguir, explicarei o princípio e a utilização do
composto.
No cultivo sem adubos, é necessário o uso do composto. Existem dois tipos de
composto: o de folhas de mato e o de folhas de árvores. O primeiro é apropriado para
ser misturado à terra, e o segundo é indicado para fazer o berço de folhas4. A
respeito disso, desejo expor o efeito da Agricultura Natural e seu princípio.
Nosso método agrícola difere do usual com adubos porque, em primeiro lugar,
considera o solo como uma matéria profundamente misteriosa feita pelo Criador para
a produção de alimentos de origem vegetal. À vista disso, fazer o solo expressar sua
vitalidade ainda mais é que possibilita o cumprimento de seu objetivo original.
Desconhecendo este princípio e baseados em uma interpretação errônea, os antigos
passaram, não se sabe desde quando, a usar adubos. Como resultado, o solo perde
o vigor original e morre. Na tentativa de recuperar a vitalidade do solo, passaram a
utilizar adubos de maneira indiscriminada, os quais intoxicaram as plantas. Dizem
que o solo japonês empobreceu, mas a causa está, evidentemente, na aplicação de
adubos. Especialmente nos anos recentes, como resultado do uso de fertilizantes
químicos, o processo de degradação do solo acelerou. Uma boa prova disso consiste
em acrescentar solo trazido de outro lugar quando ocorre queda da produção de
arroz e, por meio dessa prática, observa-se a ocorrência de uma melhora temporária.
Os agricultores interpretam que, devido ao cultivo realizado ao longo dos anos, houve
o esgotamento de nutrientes da terra, que foram absorvidos pelas plantas e, com
isso, a produção caiu. Portanto, acham que o ideal é trazer solos virgens e ricos em
nutrientes de outro lugar. Contudo, isso é um grave erro, pois, na verdade, a cada
ano, o solo perde sua vitalidade em consequência da utilização de esterco e
fertilizantes químicos. Com o acréscimo de terra isenta da toxina dos adubos, em
parte, ocorre sua recuperação.
Sendo assim, o composto tem por finalidade impedir a compactação do solo e
aquecê-lo. Para tornar mais vigorosa a capacidade de crescimento das plantas, o
fundamental é promover o desenvolvimento da raiz. O primeiro passo consiste em
não deixar o solo compactar; daí a necessidade de se misturar composto ao solo.
Para promover o crescimento dos pelos radiculares das plantas, deve-se utilizar o
composto à base de mato, pois suas fibras são macias e não atrapalham o
crescimento dos mesmos. As fibras das folhas de árvores, no entanto, são mais
duras e, por esse motivo, não convém misturá-las ao solo. É melhor utilizá-las para
formar um berço de folhas sob o solo, a fim de aquecê-lo. O ideal seria preparar uma
camada de uns 30 cm de solo misturado ao composto à base de capim e, abaixo
dela, um leito da mesma espessura, usando apenas composto à base de folhas de
árvores.
No cultivo de hortaliças em geral e de leguminosas, o processo descrito é
conveniente, mas em se tratando de nabo, cenoura, bardana e similares, em que se
visa ao crescimento das raízes, devem-se dimensionar as camadas de maneira
adequada. Na medida do possível, fazer canteiros altos e possibilitar que as raízes
recebam bastante sol fará com que o crescimento melhore muito. Em se tratando, por
exemplo, de batata-doce, os canteiros altos devem ter mais ou menos 60 cm de
altura, dispondo-se as mudas em uma distância de 30 cm uma da outra. Assim
procedendo, será possível colher batatas-doces gigantes.
Ouve-se dizer frequentemente que o melhor é dispor os canteiros em sentido
Norte-Sul ou Leste-Oeste, mas esse procedimento é para que as plantas recebam
incidência solar maior. Por essa razão, basta dispô-los levando em consideração a
posição de melhor insolação e a direção do vento. Quando este é muito forte, há
possibilidade de os caules se quebrarem ou de a terra se espalhar. Assim sendo, é
necessário plantar árvores como quebra-vento, fazer cerca, objetivando minimizar a
ação do vento.
Como princípio, quanto mais limpo5 o solo for mantido, maior será a sua
vitalidade. Portanto, a utilização de materiais inadequados no solo como o esterco
traz resultados adversos. Mesmo que seja por desconhecimento desse fato, o
trabalho realizado não só será infrutífero, mas também trará resultados negativos.
Evidentemente, os americanos jamais comem hortaliças produzidas no Japão,
por temerem a presença de parasitas. Em se tratando do cultivo sem adubos, não
haverá motivos para preocupação, o que é realmente uma grande revolução da
agricultura e uma boa-nova para todos nós.

Jornal Hikari nº 3, 30 de março de 1949

2
Até 1951, Meishu-Sama se referia ao método agrícola que desenvolveu como “cultivo agrícola sem
adubos”. Somente após essa data é que ele passou a chamar de Agricultura Natural.
3
Título anterior: “A higiênica e agradável agricultura natural nas hortas caseiras”.
4
Berço de folhas: técnica utilizada em países de clima temperado para melhorar o desenvolvimento
das plantas, aquecendo-se o solo. Vide também o Ensinamento “Cultivo agrícola sem adubos”,
publicado neste volume.
5
Neste caso, o solo limpo significa um solo que não contém as impurezas dos fertilizantes e outros
materiais tóxicos.

11) Cultivo agrícola sem adubos6 – Alicerce do Paraíso, vol. 5, pg. 17

Para explicar o que é o cultivo agrícola sem adubos, começarei pelo seu
princípio básico. Afinal, o que é o solo? Sem dúvida, ele foi feito pelo Criador para
cultivarmos cereais e hortaliças, que são importantíssimos para a manutenção da
vida humana. Por conseguinte, sua essência é profundamente misteriosa, impossível
de ser decifrada pela ciência materialista. Até hoje, a agricultura, sem perceber,
acabou tomando o rumo errado e, como consequência, menosprezou a força do solo,
chegando à conclusão de que, para se obterem produtos agrícolas melhores, o solo
dependia da adubação artificial, que usa esterco, fertilizantes químicos, entre outros,
fato verificado até hoje.
Consequentemente, com o empobrecimento e as modificações gradativas das
características do solo, sua capacidade produtiva acabou diminuindo. Sem perceber
isso, o ser humano se iludiu, acreditando que a causa das más colheitas é a falta de
adubos e passou a utilizá-los em maior quantidade, o que acabou reduzindo, ainda
mais, a força do solo. Atualmente, o solo japonês está tão pobre, que a unanimidade
dos agricultores lamenta o fato.
Vou listar alguns fatos para que fique claro como a adubação artificial é terrível.
1 – Hoje, o maior problema talvez seja o aparecimento de pragas. No entanto,
sem procurar elucidar as causas do seu surgimento, os agricultores têm-se
concentrado apenas no seu extermínio. Penso que eles agem assim justamente por
não conseguirem descobrir a causa e acreditarem, sem alternativa, ser essa a melhor
maneira de combatê-las. O fato é que as pragas surgem dos adubos, e o atual
aumento das espécies de pragas é inteiramente decorrente do crescimento dos tipos
de adubos. Os agricultores desconhecem que os pesticidas empregados, ainda que
consigam combater os insetos indesejados, infiltram-se no solo e o degradam,
causando o aparecimento dessas pragas.
2 – Absorvendo os adubos, as plantas enfraquecem-se acentuadamente e
dobram-se com facilidade ante a ação do vento e da água. Da mesma forma, pela
ocorrência da queda das flores, a quantidade de frutos é reduzida. Além disso, pelo
fato de as plantas alcançarem maior altura e suas folhas se tornarem maiores, os
frutos acabam ficando na sombra. Por essa razão, no caso do arroz, do trigo, da soja,
as cascas ficam mais grossas e os grãos, menores.
3 – O sulfato de amônia ou a amônia presente no esterco, bem como os demais
fertilizantes químicos, na maioria, são venenos violentos. Uma vez que eles são
absorvidos pelas plantas, geralmente acabam sendo ingeridos também pelo ser
humano. Mesmo que isso ocorra em quantidades ínfimas, não se pode dizer que
essas substâncias não façam mal à nossa saúde. A realidade nos mostra que mais
de 80% dos japoneses possuem parasitas, principalmente o verme intestinal, e sua
causa evidentemente são as ovas contidas no esterco que se desenvolvem no
interior do corpo humano. A própria Medicina está afirmando ultimamente que, se
suspender por dois a três anos a utilização do esterco como adubo, o problema de
vermes e demais parasitas deixará de existir. Nesse aspecto, os resultados obtidos
pela agricultura sem o uso de adubos são fabulosos.
4 – Ultimamente, o preço dos adubos tem aumentado, de modo que a despesa
que se tem com eles é quase igual à receita oriunda da venda da produção aos
órgãos controladores, cujos cálculos não condizem com os dos agricultores, que, por
sua vez, são forçados a vender seus produtos também no mercado paralelo.
5 – É grande o esforço e o trabalho expendidos com a compra e a aplicação de
adubos e inseticidas.
6 – Os produtos obtidos por meio do cultivo sem adubos são extremamente
saborosos e, como se desenvolvem bem, tanto o tamanho do produto quanto a
colheita são bem maiores que os adquiridos com adubos.
Com o que acabamos de expor, creio que o leitor pôde compreender que a
toxicidade dos adubos é realmente pavorosa e que o cultivo que não os utiliza é
muito mais vantajoso. Em uma análise geral, podemos concluir que, na economia
agrícola, não será nada difícil duplicar seu lucro. Não seria exagero afirmar que, na
verdade, se trata de uma revolução jamais vista na agricultura japonesa.
A seguir, vou apresentar o método e os resultados que atingi com minha
experiência e os relatos de várias pessoas que já alcançaram excelentes resultados
decorrentes da prática desse tipo de cultivo.
O que penso é o seguinte: entre os japoneses, quantos deles conhecem o
verdadeiro sabor das hortaliças e legumes? Diríamos que pouquíssimos. Isso porque,
evidentemente, hoje não existe nenhum produto agrícola em que não se utilizem
fertilizantes químicos e esterco. Absorvendo esses elementos, os produtos acabam
perdendo o sabor atribuído pelos Céus. Se, ao invés disso, fizermos com que os
mesmos absorvam os nutrientes da própria terra, seu sabor natural, que é realmente
magnífico, surgirá espontaneamente. Minha alegria de viver tornou-se
incalculavelmente maior após conhecer o sabor das hortaliças e legumes cultivados
sem os adubos. Além da economia de dinheiro e de mão de obra, ficamos livres do
desagradável mau cheiro e do risco da propagação de parasitas. Essas hortaliças
tornam-se mais saborosas, reduz-se o surgimento das pragas e ocorre o aumento da
produção. Enfim, matam-se sete coelhos com uma só cajadada(7).
Não consigo ficar sem agir por um minuto sequer diante de um problema tão
sério. Quero levar esta boa-nova ao mundo inteiro e compartilhar seus benefícios o
quanto antes possível.
Primeiramente, quero explanar a teoria e sua prática. Afinal, qual é a capacidade
do solo? Ele é formado pela união de três elementos fundamentais – terra, água e
fogo –, que constitui a força da trilogia.
Evidentemente, o elemento terra é a força fundamental para o desenvolvimento
das plantas, e os elementos água e fogo são forças complementares. Logo, de
acordo com a qualidade do solo, que é a força primordial, a influência nas plantas
será boa ou má. Assim sendo, a condição básica para desenvolvermos um bom
cultivo é a melhoria da qualidade do solo. Quanto melhores forem as propriedades do
elemento terra, mais satisfatórios serão os resultados.
Então, qual é o método para tornar o solo fértil? Sem dúvida, consiste em
fortalecer sua vitalidade. Para tanto, é necessário, primeiramente, torná-lo puro e
limpo, pois, quanto mais puro ele for, maior é sua força para o desenvolvimento das
plantas. Até hoje, contudo, a agricultura considerava positivo aplicar ao solo o
máximo possível de adubos, contrariando o que foi exposto acima, de onde se pode
concluir o quanto ela está errada. Para explicar isso, acho que o leitor poderá
compreender melhor se eu recorrer a uma explicação que mostra o contrário dessa
lógica.
O que seria isso? Desde a antiguidade, os adubos são considerados
indispensáveis ao plantio, mas a verdade é que quanto mais os agricultores os
aplicam, mais eles vão “matando” o solo. Com a adubação, conseguem-se bons
resultados temporariamente. Pouco a pouco, no entanto, o solo vai-se envenenando,
tornando-se necessário o uso de mais adubos para a obtenção de boas colheitas.
Assim, quanto maior for a quantidade de adubos, maior será o resultado contrário. A
melhor prova disso está no fato de que, quando a colheita de arroz começa a
diminuir, os rizicultores acrescentam terras de outros locais ao seu campo irrigado,
para melhorá-lo. Com esse procedimento, a produção agrícola aumenta
temporariamente. Nesses casos, eles partem de um julgamento equivocado e
interpretam que o cultivo consecutivo, ao longo dos anos, absorve os nutrientes do
solo, causando seu empobrecimento. Entretanto, não percebem que isso ocorreu
devido à sucessiva utilização de adubos. As terras novas, isentas de adubos, que são
introduzidas ao arrozal, têm atividade mais intensa e, por isso, é possível obter bons
resultados. Gostaria de encerrar a explicação teórica e esclarecer, uma a uma, as
vantagens práticas da não utilização de adubos.
Um primeiro ponto a destacar como característica do cultivo sem adubos é a
baixa altura das plantas. No cultivo com adubos, elas se tornam mais altas, e as
folhas ficam maiores e mais densas. Tratando-se de leguminosas, conforme já me
referi, os frutos ficam à sombra e não apresentam bom crescimento. Ocorre, também,
uma maior queda das flores e, consequentemente, a frutificação também diminui. No
caso da soja, em especial, se for cultivada sem adubos, a produção dobra, e nenhum
grão se apresenta bichado. Ademais, seu sabor é incomparável, a ponto de deixar as
pessoas admiradas. Da mesma forma, em outras espécies como ervilhas, favas, a
casca é excepcionalmente macia.
Outro aspecto relevante é que, no cultivo sem adubos, jamais ocorrem
fracassos. Às vezes, um leigo resolve plantar batatas e as colhe em quantidade
reduzida e em tamanho pequeno. As pessoas costumam lamentar a péssima
produção, mas não percebem que isso resultou do uso excessivo de adubos e
interpretam o referido resultado de maneira equivocada, ou seja, atribuem o fracasso
à falta de adubos e passam a usá-los em maior quantidade, o que faz piorar a
situação. Se, nessas ocasiões, indagamos aos técnicos ou às pessoas experientes,
estes dizem, por exemplo, que o motivo se encontra nas sementes, que não eram
boas ou que foram semeadas fora da época apropriada, ou então, na acidez do solo.
Todos dão respostas que fogem totalmente do ponto vital e sequer percebem a
verdadeira causa.
Contudo, as batatas produzidas sem o uso de adubos apresentam-se bem
brancas, cremosas, de aroma agradável e saborosas. São tão deliciosas que, a
princípio, nos fazem pensar que são de alguma espécie diferente. O mesmo se
verifica com o inhame e outros tubérculos. A batata-doce, principalmente, deve ser
plantada em canteiros altos e, entre estes, deve haver uma boa distância, de modo
que recebam bastante sol. Dessa maneira, conseguem-se batatas enormes e
deliciosas, capazes de impressionar qualquer pessoa. Aliás, parece que os próprios
agricultores não costumam adicionar muito adubo ao solo quando se trata de produzir
batata-doce.
Agora, tecerei considerações a respeito do milho. Seu cultivo sem adubos tem
apresentado tão ótimos resultados, que merece um destaque especial. No início, por
um ou dois anos, a colheita pode não satisfazer às expectativas, visto que as
sementes ainda contêm as toxinas dos adubos. Entretanto, por volta do terceiro ano,
os resultados já começam a aparecer. Sem toxinas no solo nem nas sementes, o
milho cresce com o caule bastante grosso, e suas folhas apresentam um verde vivo.
Se for plantado em um local onde não há escassez de água nem de sol, as espigas
apresentam-se longas, com os grãos bem dispostos e sem espaços entre eles. Logo
na primeira mordida, percebe-se que são macios e doces, com um sabor
inesquecível.
Quanto aos nabos, são branquinhos e lisos, cremosos, grossos e adocicados, o
que os torna muito saborosos. Os nabos fibrosos e ásperos são decorrentes das
toxinas dos adubos. Aliás, as hortaliças produzidas sem adubos apresentam boa
coloração, maciez e um suave e agradável aroma que estimula o apetite e, em
absoluto, encontram-se sinais de pragas. Uma vez que não é aplicado esterco na
fertilização, são muito mais higiênicas.
O que gostaria de recomendar especialmente são as berinjelas obtidas por meio
do cultivo sem adubos. Elas apresentam excelente coloração, aroma agradável e
casca macia, as quais realmente estimulam o apetite. Em minha casa, atualmente,
ninguém mais aprecia as berinjelas produzidas com adubos.
Na produção de arroz, deve-se misturar bem a palha do arroz picada ao solo
alagado, pois a mesma, por absorver o calor, aquece o solo. Há, ainda, um detalhe já
bastante conhecido: a água fria das montanhas é prejudicial à plantação. Neste caso,
não se devem fazer lagos intermediários no percurso dessa água, pois, devido à
profundidade desses reservatórios, a água não chega a aquecer adequadamente.
Por conseguinte, as valas devem ser as mais rasas e extensas possíveis.
No caso de cucurbitáceas, como o pepino, a melancia, a abóbora, qualquer
produtor consegue obter excelentes produtos, como nunca experimentara.
Os pés de arroz e de trigo são baixos, mas no que se refere à qualidade e
quantidade de grãos, são excelentes. O arroz, sobretudo, apresenta peso, brilho,
consistência, além de excelente paladar, e vem sendo sempre classificado como
arroz de categoria superior.
Apesar da forma simples, creio que pude expor as vantagens do cultivo agrícola
sem adubos. Não devem existir melhores perspectivas do que essas que mencionei
para os praticantes das hortas caseiras que vemos, atualmente, em quase todos os
lugares. Principalmente, porque a aplicação de esterco não só acarreta transtornos
insuportáveis aos praticantes amadores, como também pode trazer resultados ruins,
além dos inconvenientes e indesejáveis vermes intestinais, que acabam se
hospedando no intestino humano. Até agora, embora fosse por desconhecimento de
causa, trabalhava-se muito e obtinha-se pouco sucesso.
Em contrapartida, no meu caso, apenas semeio e não tenho maiores trabalhos a
não ser a remoção do mato, que preciso realizar de vez em quando, e obtenho
excelentes hortaliças. Portanto, posso afirmar que não há nada mais gratificante do
que esse método de cultivo.
Embora não haja necessidade de adubos químicos nem de esterco, conforme já
foi explicado, é preciso usar compostos naturais intensivamente. Vou detalhar a
respeito.
O mais importante para o desenvolvimento das plantas, em qualquer cultivo, é
ter cuidado com as pontas das raízes. Esse cuidado consiste em fazer com que as
radicelas cresçam livremente e, para isso, deve-se evitar o endurecimento do solo. O
composto natural precisa estar semidecomposto, pois, se o estiver totalmente,
acabará facilitando a compactação do solo. Aquele que é feito usando-se somente
capim, decompõe-se rapidamente, mas o composto de folhas de árvores demora
muito mais, devido às fibras e nervuras, que são duras; por conseguinte, é
necessário deixá-lo por longo tempo, até que ocorra sua suficiente decomposição.
Como já afirmei anteriormente, a razão disso reside na obstrução do crescimento das
pontas das radicelas causada pelas fibras e nervuras das folhas utilizadas como
compostos orgânicos. Ultimamente, ouvimos dizer que é bom fazer o ar chegar às
raízes das plantas, mas acho que isso não tem sentido, pois sendo um solo poroso,
que permite até passar o ar, nele se processará um bom desenvolvimento radicular.
Por conseguinte, de fato, o ar nada tem a ver com isso.
Manter o solo aquecido(8) é outro ponto que merece atenção. No caso das
hortaliças e legumes mais comuns, basta fazer uma camada de composto natural de
mais ou menos 30 cm, a partir de uma profundidade de aproximadamente 30 cm.
Tratando-se, por exemplo, de nabo, cenoura, bardana, cujas raízes constituem a
parte mais importante, a profundidade deve ser compatível com o comprimento da
raiz de cada planta. O composto à base de folhas de ervas e capim tem que ser bem
misturado à terra. O composto à base de folhas de árvores deve ser aplicado para
formar o leito sob o solo, conforme já expliquei anteriormente. Considero este o
procedimento ideal.
Ultimamente, fala-se muito na inconveniência da acidez do solo, mas a causa
está nos adubos; portanto, se deixar de usá-los, essa preocupação passa a não mais
existir.
Há outro aspecto que surpreende as pessoas. A agricultura considera danosa a
prática da cultura repetitiva. No entanto, tenho obtido ótimos resultados(9) com esse
procedimento. Além disso, a cada ano que passa, eles vêm melhorando. Pode até
parecer milagre, mas há uma boa razão para isso. De acordo com o que tenho
declarado, para dar vida ao solo e ativar sua força, é necessário que se realize o
maior número de vezes possível a cultura repetitiva, pois, assim, a terra cria
naturalmente uma adaptabilidade no sentido de desenvolver melhor o cultivo de
hortaliças e legumes.
Sem a utilização de adubos, a quantidade de pragas poderá não chegar a zero,
mas próximo a isso. Os próprios agricultores têm afirmado que o excesso de adubos
aumenta as pragas.
Para a produção de charutos, sabe-se que a melhor matéria-prima é produzida
em Manila e Havana, que não apresenta folhas comidas por bichos, e o aroma é
muito agradável. Certa vez, ouvi um especialista dizer que não se utiliza nenhum
adubo na produção dessas folhas de fumo. A não ocorrência de insetos em ervas
daninhas e o agradável aroma de algumas ervas silvestres comestíveis colhidas na
primavera, entre elas a aster yomena e a salsa japonesa, são decorrentes,
principalmente, da ausência de adubos.
Há mais um aspecto ao qual se deve estar atento: quando se introduz o cultivo
sem adubos em uma terra de agricultura convencional em que os adubos vinham
sendo utilizados, não se obtêm bons resultados durante um ou dois anos, porque
essa terra está “intoxicada”. É como uma pessoa que bebe, deixa de fazê-lo
abruptamente e, por algum tempo, fica meio atordoada. O mesmo problema se
verifica com os fumantes inveterados quando, de repente, suspendem o fumo, ou
quando os viciados em morfina ou cocaína ficam sem estes entorpecentes e não
aguentam ficar sem eles. Deve-se, portanto, ter paciência por dois ou três anos e,
nesse espaço de tempo, com a diminuição gradativa das toxinas de adubos no solo e
nas sementes, o solo começará a manifestar sua força.
Com as considerações que acabamos de tecer sobre o cultivo sem adubos, o
leitor deverá ter compreendido o quanto a agricultura tradicional está errada.
Evidentemente, este novo método não tem nenhuma ligação com a fé, bastando
utilizar os compostos naturais para se obterem resultados surpreendentes. Contudo,
conseguiremos um efeito ainda melhor se, além desse procedimento, purificarmos o
solo por meio da Luz de Deus.

Coletânea Série Jikan, vol. 2, 1º de julho de 1949

6
Título anterior: “Introdução à Agricultura Natural”.
7
O ditado diz “Matar dois coelhos com uma só cajadada”, mas Meishu-Sama usou um número maior
para enfatizar a vantagem de se praticar a agricultura sem adubos.
8
Vide nota de rodapé nº 4.
9
Além do solo, vários fatores influenciam os resultados de culturas repetitivas; por isso, para colocá-
las em prática, torna-se necessário um bom planejamento.