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COMPANHIA DAS

Ciências
7
Componente curricular: Ciências • Ensino Fundamental • Anos Finais

Usberco
José Manoel
Eduardo Schechtmann
Luiz Carlos Ferrer
Herick Martin Velloso

Manual do Professor
COMPANHIA DAS

Ciências
Manual do Professor
7
João Usberco
Bacharel em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de São Paulo (USP)
Especialista em Análises Clínicas e Toxicológicas
Professor de Química na rede particular de ensino (São Paulo, SP)
Autor de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental e de Química do
Ensino Médio

José Manoel Martins


Bacharel e licenciado em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências e
pela Faculdade de Educação da USP
Mestre e doutor em Ciências (área de Zoologia) pelo Instituto de Biociências
da USP
Autor de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental e de Biologia do
Ensino Médio

Eduardo Schechtmann
Licenciado em Biologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Pós-graduado pela Faculdade de Educação da Unicamp
Coordenador de Ciências na rede particular de ensino
Consultor e palestrante na área de educação
Autor de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental

Luiz Carlos Ferrer


Licenciado em Ciências Físicas e Biológicas
Especialista em Instrumentação e Metodologia para o Ensino de Ciências e
Matemática e em Ecologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas
(PUCC-SP)
Componente curricular Especialista em Geociências pela Unicamp
Ciências Pós-graduado em Ensino de Ciências do Ensino Fundamental pela Unicamp
Professor efetivo aposentado da rede pública (São Paulo, SP)
Ensino Fundamental
Anos Finais Autor de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental

Herick Martin Velloso


Licenciado em Física pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho” (Unesp-SP)
Professor de Física na rede particular de ensino (São Paulo, SP)
5a edição • São Paulo, 2018 Autor de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental
Direção geral: Guilherme Luz
Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas
Gestão de projeto editorial: Mirian Senra
Gestão de área: Isabel Rebelo Roque
Coordenação: Fabíola Bovo Mendonça
Edição: Bárbara Odria Vieira, Bianca Von Muller Berneck,
Erich Gonçalves da Silva, Hélen Akemi Nomura,
Marcela Pontes, Paula Amaral e Regina Melo Garcia
Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga
Planejamento e controle de produção: Paula Godo,
Roseli Said e Marcia Pessoa dos Santos
Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.),
Rosângela Muricy (coord.), Ana Curci, Ana Maria Herrera,
Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Célia Carvalho,
Cesar G. Sacramento, Claudia Virgilio, Daniela Lima,
Gabriela M. Andrade, Heloísa Schiavo, Hires Heglan,
Luciana B. Azevedo, Luís M. Boa Nova, Paula T. de Jesus, Sueli Bossi;
Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias)
Arte: Daniela Amaral (ger.), André Gomes Vitale (coord.)
e Alexandre Miasato Uehara (edição de arte)
Diagramação: Essencial Design
Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Roberto Silva (coord.),
Evelyn Torrecilia (pesquisa iconográfica)
Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.),
Luciana Sposito e Angra Marques (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana
Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso e Claudia Rodrigues (analistas adm.)
Tratamento de imagem: Cesar Wolf e Fernanda Crevin
Ilustrações: Rosangela Stefano Ilustrações,
Paulo Cesar Pereira dos Santos
Design: Gláucia Correa Koller (ger.),
Luis Vassalo (proj. gráfico e capa),
Gustavo Vanini e Tatiane Porusselli (assist. arte)
Foto de capa: Rachel Taylor/Eye/Getty Images

Esta obra conta também com conteúdos elaborados


por Edgard Salvador (in memoriam).

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Juliana do Nascimento - Bibliotecária - CRB - 8/010142

2018
Código da obra CL 820645
CAE 631650 (AL) / 631742 (PR)
5a edição
1a impressão

Impressão e acabamento

II MANUAL DO PROFESSOR

001a032_CIA_CIE_CIENCIAS_MP_GERAL.indd 2 8/22/19 3:36 PM


Caro professor,
Esta coleção foi escrita por professores. Assim como você, sabemos das
dificuldades que todo professor enfrenta ao fazer o planejamento diário de
suas aulas, selecionando propostas significativas que mobilizem os estu-
dantes a participar da construção do conhecimento e do desenvolvimento
de competências e habilidades, condição para que se tornem cidadãos inte-
grados na sociedade e comprometidos com as mudanças tão desejadas e
necessárias. Também temos consciência das dificuldades encontradas pelo
professor na gestão do tempo e do espaço da sala de aula, no trabalho com os
recursos disponíveis e muitas vezes longe do ideal, na seleção de instrumen-
tos de avaliação adequados, na elaboração de propostas para os estudantes
com dificuldades, entre outros obstáculos inerentes à atividade docente.
Além disso, temos um novo desafio pela frente: Como construir um currículo
com base na BNCC e garantir que ele se efetive na escola? Como ensinar habi-
lidades e competências? Como selecionar procedimentos didáticos coerentes
com as habilidades e competências que queremos que nossos estudantes de-
senvolvam? E como podemos avaliar se estamos atendendo as demandas que
os diversos documentos oficiais propõem no que se refere à educação do país?
Nosso objetivo com esta coleção não é trazer respostas prontas e acaba-
das para essas questões, mas propor caminhos para que você, professor, pos-
sa refletir sobre sua prática pedagógica e construir, com os seus estudantes,
a sua própria narrativa que, mesmo permeada de descobertas e incertezas,
de virtudes e fragilidades, possa se manter sempre comprometida com a
construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Afinal, entendemos a educação como um processo contínuo de constru-
ção coletiva de conhecimentos, habilidades e competências, no qual diversos
atores sociais participam e interagem, mas que tem como protagonistas
principais o professor e o estudante.
Nesta longa jornada, estaremos juntos com você, abertos a críticas e opiniões
que possam ajudar a aprimorar o nosso trabalho e a estreitar cada vez mais esta
nossa parceria, para que juntos possamos construir um país melhor.
Um forte abraço e bom trabalho!
Os autores

MANUAL DO PROFESSOR III


SUMÁRIO
Orientações Gerais Preparação para a dinâmica (debate ou
júri simulado).................................................. XVI
I. Introdução ........................................................... VI Execução do procedimento didático ........... XVI
Relações entre dado, informação e Minuto científico................................................ XVII
conhecimento ....................................................... VI
Seleção de fontes de informação,
O mundo dos estudantes e as Ciências escolha da reportagem e preparação
em seu mundo ......................................................VII da apresentação ........................................... XVII
Apresentação oral ......................................... XVII
Conhecimentos e concepções prévias .............VII
Mapa conceitual ............................................... XVIII
Influência da sociedade, dos meios de
comunicação e das redes sociais na Seleção dos conceitos e organização
percepção pública da Ciência e da espacial do mapa ......................................... XVIII
Tecnologia ............................................................VIII Transcrição do mapa para o papel .............. XIX

Vídeos didáticos e filmes ................................. XIX


II. Paradigmas e referenciais teóricos
do ensino de Ciências ......................................IX Elaboração de roteiro de observações
e registro ........................................................ XIX
III. O papel do estudante como Socialização das impressões e
construtor do conhecimento .........................XI informações coletadas pelos estudantes ... XIX
Discussão sobre o filme e contextualização
IV. Diferentes estratégias de em relação aos temas estudados ................ XX
trabalho com os estudantes ........................XII
Atividade prática ................................................. XX
Estudo do meio .................................................. XII
Conhecendo objetos de laboratório .............. XX
Conhecer para planejar ...................................XII Propondo um desafio de criar um objeto
Roteiro de observações e registro ................XII de laboratório .................................................. XX
Relação entre estudo do meio e sala Registro das informações ............................. XXI
de aula ............................................................XIII
Como avaliar o desenvolvimento
Uso de sites e aplicativos da internet .............XIII do estudante? .................................................... XXI
Escolha do ecossistema e divisão
Para além do ensino disciplinar ...................... XXII
dos grupos ......................................................XIII
Desenvolvimento da pesquisa...................... XIV
V. Qual é o nosso papel como
Apresentação do trabalho ............................. XIV
educadores para melhorar
Construção de maquetes .................................. XIV nossa sociedade? ...................................... XXIII
Escolha e pesquisa da estrutura a ser
representada ................................................... XV VI. A BNCC na coleção ....................................XXIV
Planejamento da construção da
Material Digital do Professor........................XXIV
maquete .......................................................... XV
Construção da maquete e organização As habilidades e os objetos de
da exposição ................................................... XV conhecimento da BNCC na coleção..............XXV
Debate e júri simulado........................................ XV
VII. Os temas da coleção .................................XXX
Estudo prévio dos aspectos científicos,
socioeconômicos e físico-ambientais
relacionados ao tema .................................... XVI VIII. Referências bibliográficas .................... XXXII

IV MANUAL DO PROFESSOR
Reprodução do livro do estudante com Capítulo 9 – Lixo: um problema
orientações específicas para o 7o ano socioambiental ............................. 124

Unidade 1 – Terra e Universo......................... 8 Atividades ........................................................... 139


Capítulo 1 – Dinâmica da Terra ........................... 10
Capítulo 10 – Saneamento básico .................... 143
Atividades ............................................................. 21
Atividades ........................................................... 154
Capítulo 2 – A atmosfera terrestre ...................24
Capítulo 11 – As doenças e a água .................... 161
Atividades ............................................................ 32
Atividades ........................................................... 170
Capítulo 3 – Poluição atmosférica .................... 34

Atividades ............................................................ 44 Capítulo 12 – As defesas do nosso corpo ........ 174

Atividades ........................................................... 180


Unidade 2 - Vida e Evolução ............................ 48

Capítulo 4 – Agrupamento e classificação Unidade 3 - Matéria e Energia ....................... 182


dos seres vivos ............................. 50
Capítulo 13 – Um mundo movido a força ........ 184
Atividades ............................................................ 59
Atividades ........................................................... 198
Capítulo 5 – Onde habitam os seres vivos? .... 62

Atividades ............................................................. 74 Capítulo 14 – Máquinas simples....................... 202

Capítulo 6 – Biomas brasileiros: Atividades ........................................................... 217


formações florestadas .................. 78
Capítulo 15 – Calor e suas manifestações .... 222
Atividades ............................................................ 95
Atividades .......................................................... 236
Capítulo 7 – Biomas brasileiros:
formações abertas ........................ 99
Capítulo 16 – A utilização da energia
Atividades ............................................................ 112 térmica pelo ser humano.......... 240

Capítulo 8 – Biomas brasileiros: Atividades .......................................................... 254


formações mistas ......................... 115

Atividades ........................................................... 122 Referências bibliográficas .............................. 256

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS V


Orientações gerais

I. Introdução
A sociedade atual é comumente chamada de “Sociedade questionamento que nós, professores, podemos fazer é:
da Informação”, ou também “Sociedade do Conhecimento”, Qual é nosso papel como educadores para melhorar a socie-
ou ainda “Sociedade da Informação e do Conhecimento”. Já o dade? Para refletirmos sobre essa pergunta, é importante
período em que vivemos é conhecido como a “Era dos Gran- conhecermos quem são nossos alunos, como eles aprendem
des Dados”, devido à imensa disponibilidade de dados que, e como podem se tornar agentes de mudanças desejáveis
graças ao desenvolvimento das tecnologias de informação para a melhoria da nossa sociedade e do ambiente em que
e comunicação (TICs), podem ser acessados pelos cidadãos vivemos. O passo inicial que propomos aqui para essa reflexão
comuns. Por outro lado, os impactos causados pelas ativi- é que você responda à seguinte questão: Dado, informação e
dades humanas no planeta Terra levaram alguns cientistas conhecimento são sinônimos?
a propor que estamos em um novo período geológico – o
“Antropoceno” – no qual o Homo sapiens (do latim, significa
‘homem que sabe’), apoiado em seus avanços científicos e
Relações entre dado, informação
tecnológicos, tornou-se uma força geológica que vem mo- e conhecimento
dificando a Terra. Para responder à questão proposta anteriormente, ana-
Em meio a esse grande volume de dados, informações, lise a tabela a seguir com estimativas da biodiversidade do
conhecimentos e tecnologias a que estamos expostos, o Cerrado:

Número de espécies Endêmicas Nível de endemismo (%) Brasil (%) Ameaçadas


Invertebrados 67000 N/D* N/D* 20 N/D*
Plantas 10000 4400 44 18 N/D*
Mamíferos 199 45 22,6 38 21
Aves 837 45 5,3 52 33 (14 endêmicas)
Anfíbios 195 42 21,5 38 3
Peixes 1200 350 29 44 N/D*
Répteis 180 20 11 38 15
*N/D – Não disponível.
Fonte: QUEIROZ, Fábio Albergaria. Impactos da sojicultura de exportação sobre a biodiversidade do Cerrado. Sociedade & Natureza, Uberlândia,
21 (2): 193-209, ago. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sn/v21n2/a13v21n2.pdf> (acesso em: 26 set. 2018).

Você diria que essa tabela contém dados, informações ou sintetizar essas informações de forma a elaborar hipóteses e
conhecimentos? conclusões e, com isso, produzimos conhecimento. Portanto,
podemos considerar que o conhecimento produzido pela
Considere o número 199 apresentado no cruzamento da 3a
síntese da tabela é que a maioria dos grupos possui taxa de
linha com a 1a coluna da tabela: Esse registro é um dado, uma
endemismo relativamente elevada, acima de 20%, o que indica
informação ou um conhecimento? Obviamente que, se anali-
a importância de se conservar a biodiversidade do Cerrado.
sado de forma isolada, 199 é um dado que se refere ao número
total de espécies de mamíferos estimado para o Cerrado. Mas, Com base nesse exemplo, podemos verificar que, embo-
ao relacionar esse dado com outros dados presentes na 3a ra estreitamente relacionados, dado, informação e conheci-
linha da tabela, podemos começar a gerar informação, isto é, mento não são sinônimos. Além disso, é possível identificar
podemos analisar o contexto do qual faz parte cada dado e en- algumas habilidades (palavras em negrito) necessárias para
tender o que eles significam. Por exemplo, podemos verificar competências relacionadas ao desenvolvimento do pensa-
se a taxa de endemismo de mamíferos é proporcionalmente mento científico e crítico1. O aprimoramento dessas e de ou-
significativa em relação ao total de espécies deste grupo ta-
xonômico no Cerrado. Assim, conforme ampliamos o número 1 No documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), há competências gerais
de dados analisados e geramos mais informações, podemos da Educação Básica descritas que estão diretamente relacionadas com o pensamento

VI MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


tras habilidades pode ser alcançado com o auxílio de técnicas suas redes sociais constituem as principais fontes de dados
e tecnologias que permitem a coleta de mais dados e, conse- e informações, influenciando suas visões de mundo e seus
quentemente, a geração de mais informações. posicionamentos críticos.
A luneta e o microscópio são exemplos históricos disso. Sendo assim, a aprendizagem das Ciências – especialmente
Atualmente, as tecnologias de informação e comunicação da área das Ciências da Natureza – torna-se essencial para que
apresentam um grande potencial em gerar novos conhe- nossos estudantes interpretem o mundo e atuem como cida-
cimentos para a nossa sociedade com base em dados e dãos conscientes na sociedade em que estão inseridos. Desde
informações já produzidos. Em tempos de uma “modernida- em aspectos mais simples do cotidiano como em questões
de líquida”2 e de um mundo caracterizado pela volatilidade, mais complexas e relevantes, o pouco conhecimento da cultura
incerteza, complexidade e ambiguidade 3 , as colaborações científica pode facilitar a manipulação das pessoas, fazendo
indivíduos-grupos e seres humanos-máquinas em prol de com que a circulação de fake news (notícias falsas) científicas,
uma inteligência coletiva podem ser caminhos para lidar com por exemplo, sejam cada vez mais frequentes. Casos recorren-
os desafios atuais que enfrentamos. Apesar de isso parecer tes são de produtos comerciais que usam e abusam do termo
muito distante de nossa realidade escolar, devemos nos lem- “cientificamente comprovado” para atestar sua qualidade sem,
brar quem são nossos alunos e quais são suas realidades. no entanto, detalhar se e como tal “comprovação científica” foi
realizada. Na verdade, as afirmações que são feitas sobre os
fenômenos naturais não podem ser “provadas”, “comprovadas”
O mundo dos estudantes e as Ciências ou ainda “demonstradas”; apenas podem ser corroboradas em-
em seu mundo piricamente – se apoiadas por grande número de testes rigo-
rosos – ou falsificadas. Casos mais recentes e graves de fake
Como afirmado anteriormente, vivemos em um tempo em
news científicas são exemplificadas por mensagens enviadas
que a Ciência e a Tecnologia estão cada vez mais presentes
por robôs automatizados (ou ‘bots’) e replicadas por pessoas
no dia a dia das pessoas. Na vida de nossos estudantes, isso
não é diferente: além dos fenômenos naturais que sempre em redes sociais a fim de promover polêmicas e discórdias,
despertaram a curiosidade humana, as crianças e os ado- como aquelas que desestimulam o uso de vacinas pelos su-
lescentes estão imersos em um universo repleto de infor- postos riscos que podem causar. Outro exemplo emblemático
mações e produtos ligados a conhecimentos científicos e das chamadas teorias da conspiração, as quais buscam des-
tecnológicos. Temos, hoje em dia, nas nossas salas de aula, qualificar conhecimentos científicos consolidados, é aquele
os chamados “nativos digitais”. O termo se refere às crianças apregoado pela Sociedade da Terra Plana, defensora da ideia
e aos adolescentes que já nasceram imersos em um mundo de que nosso planeta teria tal formato.
repleto de produtos e processos ligados às tecnologias de Nesse cenário de manipulações de dados e informações
informação e comunicação (TIC)4, para os quais a internet e e de incertezas científicas, como posicionar-se em relação,
por exemplo, às promessas vindas do uso de células-tronco
científico e crítico. A seguir apresentamos duas dessas competências: “1. Valorizar e
utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social,
ou opinar sobre quais fontes de energia seriam mais viáveis e
cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e cola- sustentáveis para o Brasil? Temas como esses são frequen-
borar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.” e “7. Argu-
mentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar
temente expostos na mídia e uma análise crítica sobre eles
e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os requer conhecimentos básicos de Ciências, sem os quais essa
direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âm-
avaliação pode ficar limitada ou mesmo ser inviável.
bito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si
mesmo, dos outros e do planeta.” (BRASIL, 2017, p. 9)
Mas como garantir que os nossos estudantes incorporem
2 Termo cunhado pelo sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman para caracterizar “(...) tais conhecimentos e competências? Para tanto, temos que
um momento em que a sociabilidade humana experimenta uma transformação que
pode ser sintetizada nos seguintes processos: a metamorfose do cidadão, sujeito de entender como eles constroem conhecimentos significativos.
direitos, em indivíduo em busca de afirmação no espaço social; a passagem de estru-
turas de solidariedade coletiva para as de disputa e competição; o enfraquecimento
dos sistemas de proteção estatal às intempéries da vida, gerando um permanente
ambiente de incerteza; a colocação da responsabilidade por eventuais fracassos no
Conhecimentos e concepções prévias
plano individual; o fim da perspectiva do planejamento a longo prazo; e o divórcio e a
iminente apartação total entre poder e política.” (OLIVEIRA, 2017)
Antes de cursar os Anos Finais do Ensino Fundamental
(6° ao 9° ano), os estudantes já estabeleceram concepções
3 Concepção denominada “Mundo VICA” ou, em inglês, “VUCA World”.
variadas a respeito da Ciência e da Tecnologia. Dessa forma,
4 Por outro lado, não podemos esquecer que existem os chamados “excluídos digitais”,
para os quais as TICs não fazem parte de sua realidade, o que limita sua atuação ci-
ao chegar a essa etapa de sua escolaridade, eles já possuem
dadã no mundo de hoje. diversas concepções prévias relacionadas ou não aos temas

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS VII


que serão abordados até o término desse período escolar. e Estudos Estratégicos (CGEE) mostrou que a maioria dos
Essas concepções são organizadas em “[...] uma rede de brasileiros entrevistados se interessa e busca informações
esquemas de conhecimentos. Tais esquemas são definidos sobre Ciência e Tecnologia e outros temas diretamente ligados
como as representações que uma pessoa possui, em um dado a esse, como meio ambiente, medicina e saúde. Apesar disso,
momento de sua existência, sobre algum objeto de conheci- são poucos aqueles que frequentam espaços científico-cul-
mento.” (ZABALA; ARNAU, 2010, p. 108) Segundo os mesmos turais, como museus, bibliotecas e zoológicos.
autores, esses esquemas de conhecimento são modificados
Segundo o CGEE (2017), a televisão é a mídia mais usada
e aperfeiçoados e uma nova aprendizagem surge baseada em
pelas pessoas que afirmam buscar com muita frequência
conhecimentos prévios.
meios de divulgação para adquirir informação sobre Ciên-
Esses conhecimentos prévios não são frutos apenas do que cia e Tecnologia, seguida pela internet e por conversas com
foi abordado nos anos anteriores da educação formal, mas tam- amigos. Como boa parte da população se diz satisfeita com
bém advêm da interação com familiares, amigos e diferentes a divulgação científica feita pelos meios de comunicação
fontes de informação com os quais os estudantes têm contato. (internet, televisão e jornais)5 , podemos então supor que a
Em muitos casos, esses conhecimentos são baseados em sa- percepção sobre a atividade científica e o trabalho do cien-
beres populares e do senso comum, os quais podem fazer inter- tista é bastante mediada e moldada com base nos pontos
pretações de fatos ou fenômenos de maneira parcial ou mesmo de vista em que as informações de Ciência e Tecnologia são
distinta das que faz a Ciência. Cabe a nós, professores, apurar transmitidas. Assim, como aponta a pesquisa, a maioria dos
quais são eles e atuar como mediadores entre os estudantes brasileiros acredita que a Ciência e a Tecnologia trazem à
e o conhecimento, de forma que eles tenham a oportunidade
humanidade só benefícios ou mais benefícios que malefícios.
de ressignificar seus conhecimentos prévios à luz da Ciência.
Também é alto o número daqueles que consideram os cien-
Esse processo de ressignificação não é simples nem linear tistas como “pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à
e, para favorecê-lo, é importante que o professor proporcione humanidade”6 .
experiências de aprendizagem que estabeleçam interfaces
Portanto, estimular em nossos estudantes o questiona-
entre os conhecimentos que já são do repertório dos estu-
mento da visão estereotipada da atividade científica e dos
dantes e aquilo que está em desenvolvimento.
cientistas, assim como desenvolver um raciocínio crítico
Nesse processo de construção de novos conhecimentos, sobre as informações transmitidas pelas mídias e redes so-
como saber se o estudante de fato compreendeu um novo ciais, é fundamental para que eles possam formular opiniões
conceito ou, simplesmente, forneceu a resposta esperada embasadas em argumentos adequados e, assim, exercer ple-
ao professor? Esta questão envolve os objetivos que se têm namente sua cidadania.
ao ensinar Ciências e como avaliar se estes objetivos foram
cumpridos, temas que serão discutidos mais adiante. Por Uma sugestão de como esses objetivos podem ser traba-
hora, vale deixar claro que apenas perguntar a definição de lhados é trazer para a sala de aula notícias frequentemente
um conceito científico não é suficiente para saber se os es- divulgadas em jornais impressos, televisão ou internet que
tudantes o compreenderam. tratem de temas que envolvem o conhecimento científico. A
interpretação e a análise crítica dessas notícias favorecem o
desenvolvimento do pensamento crítico e científico e podem
Influência da sociedade, dos meios de levar à conclusão de que a afirmação feita na manchete da
comunicação e das redes sociais na notícia muitas vezes não corresponde totalmente ao que foi
percepção pública da Ciência e da Tecnologia alcançado em uma pesquisa, por exemplo. O exercício crítico
pode ficar ainda mais rico se forem confrontadas duas ou
Somados às redes sociais e aos meios de comunicação, mais reportagens sobre o mesmo assunto divulgadas por di-
familiares, amigos e outras pessoas do círculo social do estu- ferentes fontes de informação, permitindo identificar abusos
dante influenciam fortemente sua visão de mundo, inclusive e, até mesmo, fake news científicas.
no que se refere à Ciência. Portanto, compreendermos como
os brasileiros percebem a Ciência contribui para entendermos
como nossos estudantes interpretam aquilo que pretende- 5 Segundo a CGEE (2017), 54% das pessoas acreditam que a Ciência e Tecnologia só
mos ensinar a eles. traz benefícios, enquanto 19% acham que ela traz mais benefícios que malefícios.

6 De acordo com a pesquisa do CGEE (2017), 50% dos entrevistados concordam com
Em 2015, uma pesquisa sobre a percepção pública da Ciên- essa frase, enquanto 14% acreditam que os cientistas são “pessoas comuns com
cia e Tecnologia no Brasil publicada pelo Centro de Gestão treinamento especial”.

VIII MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


II. Paradigmas e referenciais te—ricos do ensino de Ci•ncias
O tipo de atividade sugerida anteriormente se enquadra – um de natureza teórica e outro de aplicação prática – foram
em uma perspectiva do ensino de Ciências na qual também os principais alvos de críticas sofridas por essa abordagem.
se apoiam os livros didáticos desta coleção. Tal perspectiva é O primeiro diz respeito à visão positivista em que se apoiava
relativamente recente se considerarmos as principais linhas a Escola Nova, atribuindo à Ciência um progresso contínuo e
de pensamento seguidas na área da Educação e, em particu- inequívoco em direção a um aperfeiçoamento da sociedade.
lar, no ensino de Ciências. Portanto, para podermos explicitar A outra crítica está relacionada a um estereótipo criado pelo
a visão de ensino de Ciências que acreditamos e aplicamos mote “participação ativa”: o de que apenas as atividades prá-
nesta coleção, é importante contextualizá-la historicamente. ticas em laboratório poderiam garantir tal participação dos
estudantes e sua vivência do método científico.
Até meados do século XX, predominou o chamado ensino
“tradicional”, em que o processo de ensino-aprendizagem era Em meio a tantas discussões, a perspectiva sobre o ensino
visto como simples transmissão de conhecimentos. Nesse de Ciências foi sendo ampliada ao longo do século XX, receben-
contexto, o professor era visto como a autoridade detentora do contribuições tanto de teorias surgidas na Psicologia, sobre
de tais conhecimentos, e os estudantes, como meros recep- o processo de aprendizagem, como de novos paradigmas na
tores das informações. Os conhecimentos científicos eram Ciência. O papel ativo do sujeito na construção do conhecimento
considerados verdades absolutas, inquestionáveis e indepen- e a atuação do professor como mediador da interação entre o
dentes dos valores de quem os gerava. Assim, o ensino era estudante e o conhecimento receberam atenção especial em
exclusivamente conteudista, focando na transferência dos diversas linhas psicopedagógicas. Já a visão da Ciência como
conceitos científicos e avaliando os estudantes de acordo detentora de verdades absolutas e isenta de valores foi supe-
com sua capacidade de memorizar tais conceitos. rada pela abordagem conhecida como Ciência-Tecnologia-So-
ciedade (CTS), a qual busca compreender a Ciência como uma
Muitos de nós, professores e professoras, em nossa traje-
atividade humana, cuja produção é influenciada pelo contexto
tória desde estudantes até a formação profissional, tivemos
social e histórico no qual se desenvolve. Como consequência,
nosso processo educativo pautado por essa linha tradicional
passou-se a defender que o ensino de Ciências deve realçar o
de ensino. Por isso, é bem provável que o caminho “natural” e
caráter não neutro da atividade científica, em que os valores
no qual nos sentimos mais seguros em trabalhar com nossos
sociais e as visões de mundo dos cientistas atuam de maneira
próprios estudantes seja reproduzir, muitas vezes inconscien-
decisiva na produção do conhecimento científico. Além disso,
temente, esse modelo em que fomos formados. Por isso, a
enfatizou-se a necessidade de trabalhar com conteúdos social-
reflexão sobre nossa prática é essencial para evitarmos essa
mente relevantes, ligados à realidade dos estudantes de forma
tendência, de modo que possamos incorporar as inovações
a torná-los mais significativos para eles.
trazidas por novas abordagens na Educação e no Ensino de
Ciências que, quando adequadamente aplicadas, garantem Essa perspectiva permeou aquele que, até recentemente,
uma aprendizagem mais significativa por nossos estudantes. era o principal documento de referência do ensino de Ciências
Naturais – os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) –,
Críticas a esse ensino tradicional e propostas de novos
como se pode perceber pelo trecho abaixo reproduzido dos
modelos de ensino apareceram já no início do século XX. O
PCN de Ciências Naturais para o 3° e 4° ciclos do Ensino Fun-
principal movimento surgido nessa época foi a chamada Es-
damental:
cola Nova, que defendia a necessidade de uma participação
ativa dos estudantes no processo de aprendizagem, com Mostrar a Ciência como elaboração humana para uma com-
ênfase às atividades práticas. No ensino de Ciências, segun- preensão do mundo é uma meta para o ensino da área na escola
do os defensores da Escola Nova, a participação ativa dos fundamental. Seus conceitos e procedimentos contribuem
para o questionamento do que se vê e se ouve, para inter-
estudantes deveria ser desenvolvida a partir da vivência do
pretar os fenômenos da natureza, para compreender como a
método científico, principalmente em aulas de laboratório, sociedade nela intervém utilizando seus recursos e criando
seguindo uma metodologia que ficou conhecida como “mé- um novo meio social e tecnológico. É necessário favorecer
todo da redescoberta”. o desenvolvimento de postura reflexiva e investigativa, de
não aceitação, a priori, de ideias e informações, assim como a
Apesar da renovação na maneira de pensar a Educação tra- percepção dos limites das explicações, inclusive dos modelos
zida pelo movimento escola-novista, especialmente na incor- científicos, colaborando para a construção da autonomia de
poração da dimensão psicológica na educação, dois aspectos pensamento e de ação. (BRASIL, 1998, p. 22-23)

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS IX


A abordagem CTS também se aproxima dos objetivos pro- nais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da
postos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), atual vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo
documento normativo da educação escolar. Ela fica evidente do trabalho. (BRASIL, 2017, p. 8.)
logo na 1a competência específica definida para as Ciências A adoção do termo competência na área da educação re-
da Natureza para o Ensino Fundamental: presenta, segundo Zabala e Arnau (2010), uma tentativa de
1. Compreender as Ciências da Natureza como empreendi- superar a abordagem tradicional de ensino focada na me-
mento humano, e o conhecimento científico como provisório, morização de conhecimentos8. Ao focar no desenvolvimento
cultural e histórico. (MEC, 2017, p. 322) de competências, a BNCC busca oferecer referências para
Embora ambos os documentos compartilhem dessa pers- a prática pedagógica de forma a garantir as aprendizagens
pectiva, os PCNs focam nos tipos de conteúdos que deveriam essenciais para os estudantes (BRASIL, 2017).
ser trabalhados nas aulas de Ciências da Natureza7, agrupa- Nesse sentido, a BNCC define dez competências gerais
dos em três categorias: da Educação Básica, as quais se relacionam com a constru-
• Conteúdos conceituais: relacionados a fatos, conceitos e ção de conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e
princípios. São os conteúdos relacionados ao saber; a formação de atitudes e valores. Tais competências gerais
• Conteúdos procedimentais: relativos aos modos de cons- são desdobradas em competências específicas para cada
truir o conhecimento. São os conteúdos relacionados ao área do conhecimento e seu(s) respectivo(s) componente(s)
saber fazer; curricular(es)9. Essas competências específicas devem ser de-
senvolvidas a partir de um conjunto de habilidades relativas aos
• Conteúdos atitudinais: conteúdos relacionados aos va-
objetos de conhecimentos (conteúdos, conceitos e processos)
lores e atitudes desenvolvidos na construção dos conhe-
de cada unidade temática. O quadro a seguir exemplifica essas
cimentos. São os conteúdos relacionados ao saber ser.
relações que baseiam a estrutura organizacional da BNCC:
Por sua vez, a BNCC incorpora tais dimensões dos conteú-
dos na definição que ela traz de competência. De acordo com 8 “A aprendizagem de uma competência está muito distante daquilo que é uma apren-
a BNCC, uma competência pode ser definida dizagem mecânica, implica no maior grau de significância e funcionalidade possí-
vel, já que para poder ser utilizada devem ter sentido tanto a própria competência
[...] como a mobilização de conhecimentos (conceitos e pro- como seus componentes procedimentais, atitudinais e conceituais.” (ZABALA; AR-
NAU, 2010, p. 15).
cedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocio-
9 Para o Ensino Fundamental, a BNCC estabelece cinco áreas do conhecimento e res-
pectivos componentes curriculares: 1) Linguagens: Línguas Portuguesa e Inglesa,
7 Embora o documento dos Parâmetros Curriculares Nacionais se refira à área de Ciên- Arte e Educação Física; 2) Matemática: Matemática; 3) Ciências da Natureza: Ciên-
cias Naturais, adotaremos a nomenclatura Ciências da Natureza, que é a utilizada pela cias; 4) Ciências Humanas: Geografia e História; e 5) Ensino Religioso: Ensino Reli-
Base Nacional Comum Curricular. gioso. (BRASIL, 2017)

Competência Área do Componente Competência Unidade Objeto de


Ano Habilidade
geral Conhecimento curricular específica temática conhecimento
Argumentar com base Ciências da Ciências Analisar, compreender Vida e 7° ano Fenômenos na- Avaliar como os
em fatos, dados e Natureza e explicar caracterís- evolução turais e impactos impactos provo-
informações confiá- ticas, fenômenos e ambientais cados por catás-
veis, para formular, processos relativos ao trofes naturais
negociar e defender mundo natural, social ou mudanças nos
ideias, pontos de vis- e tecnológico (incluin- componentes fí-
ta e decisões comuns do o digital), como sicos, biológicos
que respeitem e pro- também as relações ou sociais de um
movam os direitos que se estabelecem ecossistema afe-
humanos, a consciên- entre eles, exercitan- tam suas popu-
cia socioambiental e o do a curiosidade para lações, podendo
consumo responsável fazer perguntas, bus- ameaçar ou pro-
em âmbito local, regio- car respostas e criar vocar a extinção
nal e global, com posi- soluções (inclusive de espécies, alte-
cionamento ético em tecnológicas) com ração de hábitos,
relação ao cuidado de base nos conheci- migração etc.
si mesmo, dos outros mentos das Ciências
e do planeta. da Natureza.

X MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTAÇÕES GERAIS


A aprendizagem focada em competências busca, portanto, do com a passividade e a falta de interesse características da
superar o ensino baseado meramente na memorização de educação tradicional. Em relação ao raciocínio computacional,
conteúdos teóricos de forma que os conhecimentos sejam ao contrário do que o termo pode levar a crer, o pressuposto é
aplicados na resolução de situações ou problemas reais, ar- aprimorar algo que é “(...) uma forma que humanos, não com-
ticulando, assim, teoria e prática (ZABALA; ARNAU, 2010). Tal putadores, pensam. Pensamento computacional é uma forma
abordagem tem sido incorporada em matrizes de referências para seres humanos resolverem problemas; não é tentar fazer
para avaliações estaduais (como o Sistema de Avaliação de com que seres humanos pensem como computadores” (WING,
Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – Saresp), na- 2016). Ou seja, o raciocínio computacional aplicado ao ensino
cionais (como o Sistema de Avaliação da Educação Básica
envolve o desenvolvimento de habilidades e competências
– Saeb) e internacionais (como o Programa Internacional de
análogas aos usados por cientistas da computação para, por
Avaliação de Estudantes – PISA 10). No caso do Saeb, as três
exemplo, elaborarem programas computacionais e analisarem
categorias de ações, isto é, de habilidades e de competências
dados (como abstração e reconhecimento de padrões). Vale
que são esperadas dos alunos para aplicação do conheci-
mento científico são: 1) reconhecimento de conceitos, ideias, destacar que a aquisição e o aprimoramento dessas habili-
fenômenos e/ou sistemas; 2) compreensão de conceitos, dades e competências não exigem o uso de computadores,
ideias, fenômenos e/ou sistemas; e 3) aplicação de conceitos, apenas a apropriação dos procedimentos neles utilizados11.
ideias e/ou sistemas ou solução de problemas (INEP, 2013). Em detrimento à simples memorização dos conteúdos, tan-
O viés do processo de ensino-aprendizagem voltado à reso- to as atividades ligadas a metodologias ativas como ao raciocí-
lução de problemas tem se desdobrado em proposições como nio computacional buscam valorizar a aplicação dos conceitos
o uso de metodologias ativas e a incorporação do raciocínio na interpretação de situações, o que exige o desenvolvimento
computacional nas ações educativas. No caso da primeira, de diversas habilidades e competências e a mudança no pa-
buscam-se estratégias didático-metodológicas que coloquem pel do aluno no processo de ensino-aprendizagem, conforme
os alunos como agentes ativos de sua aprendizagem, rompen- discutido a seguir.

10 A sigla vem do nome em inglês do programa que é Programme for International 11 O termo “computação desplugada” é comumente usado para caracterizar atividades
Student Assessment. relativas ao raciocínio computacional que são feitas sem o uso de computadores.

III. O papel do estudante como construtor do conhecimento


Para que a construção do conhecimento por parte do estu- ou criadas a partir de fatos reais e pertinentes para os
dante seja efetiva, ele deve ser estimulado a ter participação estudantes;
ativa no processo de aprendizagem. Para tanto, ele deve as- • o estímulo à coleta de dados em diferentes fontes (pesqui-
sumir uma postura mais investigativa e propositiva durante sa em livros, jornais e internet; entrevista com profissio-
as situações de aprendizagem propostas pelos professores
nais que trabalham com o tema; estudos do meio; etc.) e a
e pelos próprios estudantes.
seleção e a organização deles em informações relevantes
A curiosidade dos estudantes, embora importante como para o tema pesquisado;
motivadora do processo de ensino-aprendizagem, pode
• o uso dessas informações e dos conceitos científicos
não ser, por si só, suficiente para desencadeá-lo de forma
relacionados ao tema para elaboração de argumentos e
coesa e relevante. No contexto educativo, essa curiosidade
explicações plausíveis;
pode e deve ser explorada e incentivada. Assim, cabe a
nós, professores e professoras, planejar como canalizar • a redação de textos e a produção de outras formas de
essa curiosidade para que o estudante possa construir o registro (como cartazes, ilustrações, vídeos e apresen-
conhecimento de forma organizada e sistematizada por tações orais) para a posterior divulgação dos resultados
meio de uma atitude mais investigativa. Esse planejamento do estudo;
pode envolver: • o levantamento de possíveis ações práticas relacionadas
• a problematização do tema a ser abordado por meio de ao tema junto à comunidade escolar e do bairro, bem como
perguntas ou contextualização em situações ocorridas a execução de algumas delas.

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTAÇÕES GERAIS XI


Ao longo desse processo de investigação, os estudantes de vista a partir de argumentos consistentes; respeito às
são expostos a situações que permitem o desenvolvimento possíveis opiniões divergentes de colegas. Percebe-se assim
de habilidades diversas, associadas, por exemplo, a: regis- que, além de estimular uma atuação ativa do estudante na
tro adequado das informações obtidas; uso de vocabulário construção do seu conhecimento e no desenvolvimento de
apropriado ao contexto da pesquisa; elaboração de perguntas suas competências, essa atitude investigativa contribui para
pertinentes ao tema investigado; expressão de seu ponto sua formação como cidadão.

IV. Diferentes estratégias de trabalho com os estudantes


Após refletirmos sobre os temas apresentados anterior- quando confundido com um simples passeio ou atividade
mente, a pergunta que surge é: Como trabalhar com os nossos extraclasse. Para um bom aproveitamento do estudo do meio,
alunos para contemplar tudo o que foi discutido até agora? sugerimos alguns procedimentos:
Como desenvolver as competências gerais, específicas e o con-
junto de habilidades associadas aos objetos do conhecimento? Conhecer para planejar
A riqueza e a complexidade desafiadoras da educação estão Idealmente, é importante que o professor conheça previa-
justamente no fato de não haver uma resposta única e simples mente os locais que serão visitados durante o estudo do meio.
para responder a essas perguntas. Como costuma-se dizer, não Se não for possível, o professor pode buscar informações
há uma receita pronta que pode ser aplicada para qualquer si- contatando os responsáveis de cada local e/ou procurando
tuação. Sendo assim, longe de fornecer um roteiro predefinido dados e imagens na internet.
de como proceder para desenvolver competências e habilidades
diversificadas, numa perspectiva que estimule a autonomia in- O conhecimento prévio do local permite que o professor es-
telectual, moral e ética dos estudantes, queremos aqui discutir colha os pontos mais relevantes, nos quais dará explicações e
alguns procedimentos didáticos complementares àqueles tradi- ensinará os estudantes a fazerem observações mais atentas
cionalmente (e igualmente importantes) usados em sala de aula. e registros necessários para sistematização das observações
e continuidade do trabalho. Mesmo no caso de locais onde
Os procedimentos didáticos apresentados aqui têm como
objetivo estabelecer um diálogo permanente com o livro di- há disponibilidade de guias ou de monitores que conduzam
dático, referência fundamental para a construção de conhe- o estudo, é importante trabalhar essas informações com os
cimentos necessários para o desenvolvimento das compe- estudantes para que o estudo do meio esteja integrado com
tências e habilidades previstas na BNCC, assim como outras o que está ou estará sendo abordado em sala de aula.
complementares. Dependendo da duração do estudo e da distância dos locais
Para cada procedimento didático descrito, destacamos a serem visitados, a ida e/ou levantamento antecipados das
(em negrito) algumas habilidades essenciais relacionadas ao informações também servem para definir onde os estudantes
desenvolvimento de uma postura científica, que podem ser farão seu lanche ou refeição e onde terão acesso a banheiros.
desenvolvidas por meio de intervenções feitas de maneira
intencional pelo professor nas suas várias etapas. Roteiro de observações e registro
As propostas descritas a seguir devem ser consideradas Dentre as várias competências e habilidades que podem
conteúdos de caráter procedimental e atitudinal, e não apenas ser trabalhadas durante um estudo do meio, destacam-se
meios para aquisição de conteúdos conceituais, uma vez que, aquelas relacionadas à observação e ao registro das infor-
como já dissemos, não há construção de competências sem mações, levantamento de hipóteses, elaboração de soluções
a mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes em para problemas concretos, entre outras destacadas no qua-
situações concretas. dro da página 10.
Ao mesmo tempo que as novas situações e elementos en-
Estudo do meio contrados durante o estudo motivam os estudantes a conhe-
Embora seja um procedimento que geralmente faz parte cerem mais sobre eles, corre-se o risco de que informações
do repertório de atividades desenvolvidas pelos professo- relevantes passem despercebidas se o professor não favorecer
res, muitas vezes seu potencial pedagógico é subestimado o direcionamento do olhar dos estudantes para aquilo que é

XII MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


de maior interesse para o tema que está sendo desenvolvido. Vale lembrar que muitos estudos do meio, alguns de cará-
Uma estratégia para isso é elaborar um roteiro de observações, ter interdisciplinar, podem ser realizados no próprio ambiente
que deve ser apresentado e discutido em sala de aula com os escolar ou no entorno da escola, possibilitando um olhar ex-
estudantes (preferencialmente antes do dia do estudo) e que pandido sobre as realidades mais próximas dos estudantes
deverá ser levado e consultado durante a atividade. em todas as suas dimensões.

A forma de registro das informações referentes ao roteiro


Centros e museus de Ciência do Brasil
de observações deve ser definida pelo professor de acordo
com as habilidades que deseja trabalhar com os estudantes Para ajudá-lo a encontar diferentes espaços que podem
e também conforme as características dos locais visitados. favorecer essa estratégia didática com os estudantes, su-
gerimos que consulte o Guia de Centros e Museus de Ciência
Por exemplo, o registro fotográfico pode ser mais adequado
do Brasil 2015.
do que um registro por escrito quando o professor pretende
resgatar posteriormente observações mais detalhadas do Nesse catálogo, é possível encontrar informações sobre
estudo a partir da visualização das fotos produzidas. Quando diferentes espaços de popularização de Ciência no Brasil,
a opção do professor é pelo registro escrito, deve-se ter em como museus, zoológicos, aquários, planetários, observató-
vista que a quantidade de dados precisa ser suficiente para rios e jardins botânicos, que possuem uma programação com
conter todas as informações importantes quando os estudan- diversas atividades para todas as faixas etárias. Disponível
em: <www.museudavida.fiocruz.br/images/Publicacoes_Edu-
tes forem trabalhar em sala de aula, sem que suas anotações
cacao/PDFs/centrosemuseusdecienciadobrasil2015novaver-
durante as explicações prejudiquem o dinamismo caracterís-
sao.pdf> (acesso em: 9 out. 2018).
tico dos estudos do meio, desestimulando os estudantes, que
ficam mais preocupados em escrever do que em observar.
Para evitar esse tipo de problema, pode-se recorrer à cons-
Uso de sites e aplicativos da internet
trução e ao uso de tabelas, que devem ser preenchidas com A utilização da rede mundial de computadores na escola
poucas palavras ou símbolos, ou ainda utilizar esquemas e pala- tem dupla função. A primeira é a busca rápida, em sites e apli-
vras-chave. Ainda assim, é necessário um trabalho prévio com os cativos, de informações diversificadas, da qual boa parte dos
estudantes para que, durante o estudo do meio, eles já tenham estudantes já se apropria mesmo em ambiente não escolar. A
familiaridade com tais recursos e possam usá-los com destreza. outra, ainda mais importante, é a orientação dos estudantes
em relação ao uso adequado e responsável dessa importante
Relação entre estudo do meio e sala de aula ferramenta. Trabalhar rotinas de verificação da veracidade
O estudo do meio não deve ser visto como uma atividade das informações, comparando as informações fornecidas
à parte, mas sim inserido no contexto daquilo que se está pelos sites com outras fontes de pesquisa, como livros e re-
trabalhando em sala de aula. Sendo assim, esse estudo vistas impressos, é um exemplo de procedimento importante
pode ser usado em diferentes etapas de desenvolvimento para os estudantes incorporarem e pode ser favorecido por
de um tema ou projeto, tendo objetivos específicos para atividades planejadas pelo professor.
cada uma delas: Da mesma forma, deve-se pensar em atividades que exi-
• pode ser uma atividade inicial de diagnóstico, a partir da jam mais do que o “recorta e cola” de sites, fazendo com que os
qual sejam levantadas questões e informações que sub- estudantes de fato se apropriem das informações coletadas.
sidiarão as etapas seguintes do processo de pesquisa; Solicitar a eles um texto de própria autoria sintetizando as
• pode-se preferir usá-lo em uma etapa intermediária do informações mais relevantes ou elaborar questões-desafio
processo, em que o estudo do meio sirva, por exemplo, em que as informações da internet forneçam somente pistas
para buscar respostas a questões levantadas em sala e não respostas completas são exemplos de como tornar mais
de aula e suscitar novas perguntas; proveitoso o uso dessa ferramenta cada vez mais presente
no dia a dia.
• ou, ainda, o estudo do meio pode ser utilizado como uma
atividade de fechamento de um projeto de pesquisa, fun- Para deixar mais claro o que foi discutido acima, vamos
cionando como síntese e aplicação prática de conheci- exemplificar como a internet pode ser usada no estudo sobre
mentos que foram trabalhados ao longo do processo. o tema “ecossistema”.

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XIII


Escolha do ecossistema e divisão dos grupos Apresentação do trabalho
Ecossistemas representativos do Brasil, ecossistemas Ao propor uma pesquisa para os estudantes, é importante
mundiais com alta diversidade biológica ou ecossistemas que os resultados dela sejam apresentados e discutidos de
que costumam despertar curiosidade nos estudantes podem forma coletiva ou entre os integrantes do grupo.
servir como critério para o professor definir quais deles os Os resultados da pesquisa podem ser apresentados de
estudantes devem pesquisar. Qualquer que seja a escolha diferentes maneiras. A escolha de qual delas propor para os
do professor, é importante garantir que haja informações estudantes irá depender das habilidades que o professor
suficientes na internet a respeito dos temas selecionados. pretende que eles desenvolvam. A apresentação oral para
Definidos os temas, cabe ao professor decidir como será a o restante da classe é uma das possibilidades, que pode ser
divisão dos grupos de estudantes. Para tanto, alguns aspec- complementada com a exposição de slides elaborados no
tos devem balizar essa decisão, tais como: computador, ou por meio da confecção de painéis com textos
e figuras sobre o ecossistema pesquisado.
• o trabalho será feito em casa ou na escola? Se for em casa,
deve-se avaliar quais estudantes têm computador e aces- Outras alternativas de apresentação que exploram os re-
so à internet. Caso a escolha seja pela escola, deve-se cursos oferecidos pela informática são a criação de folhetos
levar em conta a relação entre o rendimento dos grupos e e a construção de blogs sobre o tema. No primeiro caso, po-
a quantidade de computadores existentes. Se cada grupo de-se propor aos estudantes que cada grupo faça um folheto
informativo sobre o ecossistema pesquisado, apresentando
tiver quatro integrantes, é preferível que seja subdividido
suas principais características, importância de sua conser-
em duplas – cada qual em um computador e com tarefas
vação e eventuais atrações turísticas. Se a escolha for pelo
complementares – em vez de todos em um único computa-
blog, as mesmas informações podem estar presentes, porém
dor, situação em que há maior chance de alguns integran-
a forma de apresentá-las deve ser adequada para essa mídia.
tes não participarem ativamente do trabalho;
• como será a composição dos grupos? Assim como em ou- Igualmente importante é abordar, de maneira recorrente,
tros procedimentos metodológicos que envolvem trabalho a dimensão ética do uso da internet e da manipulação dos
dados e informações que circulam pelas diversas redes de
em grupo, compete ao professor definir os critérios para
informação o tempo todo. Dessa forma, precisamos incorporar
compor os grupos: livre escolha pelos estudantes, colocar
nas aulas a reflexão sobre as vantagens e fragilidades rela-
estudantes com habilidades diferentes e complementares
cionadas ao uso dessa ferramenta se a proposta for construir
em cada grupo, entre outras. Qualquer que seja o critério,
uma sociedade comprometida com posturas consideradas
deve ficar claro para os estudantes que tarefas cada um
eticamente corretas.
vai assumir no trabalho e que serão avaliados não apenas
como grupo, mas também individualmente.
Construção de maquetes
Desenvolvimento da pesquisa A representação espacial, em escala diferente do objeto
Definidos os temas e a composição dos grupos, os estu- original, é característica de toda maquete. O planejamento
dantes devem ser orientados pelo professor sobre como ini- anterior de como se representará uma estrutura (uma célula,
ciar a pesquisa referente ao ecossistema escolhido. Para tan- um aterro sanitário, uma bacia hidrográfica ou qualquer outro
to, o professor pode elaborar um roteiro de questões sobre as objeto ou estrutura de interesse) exige um conhecimento
quais os estudantes devem pesquisar e uma lista de sites que mais aprofundado para definir que partes devem ser repre-
deverão consultar. No roteiro, devem ser evitadas questões sentadas e a proporcionalidade de tamanhos entre elas que
muito genéricas e abertas, como “descreva o ecossistema deve ser respeitada. Outras habilidades também são trabalha-
pesquisado”, que favorecem o “recorta e cola”. Dê preferência das quando os estudantes refletem sobre as características
a questões mais específicas e que envolvam a aplicação de de diferentes materiais para selecionar aqueles mais apro-
conceitos. “Cite os fatores abióticos do ecossistema” é um priados para a confecção da maquete, quando fazem testes
exemplo desse tipo de questão, já que os estudantes têm para verificar se os resultados esperados foram alcançados,
que se apropriar do conceito “fator abiótico” para conseguir quando definem funções e respectivas responsabilidades
identificar, dentre todas as informações disponíveis nos sites, de cada integrante do grupo e quando algo acontece fora do
aquelas que estão relacionadas com o conceito. esperado e é necessário replanejar o projeto. Ao finalizar as

XIV MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


maquetes, é desejável montar uma exposição para exibi-las materiais, se a montagem da maquete for feita em grupo, é
à comunidade escolar e, se for conveniente, extraescolar, importante que os estudantes definam que materiais cada
valorizando assim o trabalho feito pelos estudantes. um ficará responsável por providenciar.
A fim de ilustrar como esse procedimento didático pode ser
usado pelo professor, usaremos a construção de maquetes Construção da maquete e organização
de células como exemplo. da exposição
O processo de construção da maquete pode ser feito na
Escolha e pesquisa da estrutura a ser representada residência do estudante, na escola ou em ambos os locais. O
professor deve analisar as vantagens e as desvantagens de
O primeiro passo para a elaboração da maquete é a escolha
cada opção. A construção na residência do estudante, por exem-
da célula que cada estudante/grupo irá representar. O profes-
plo, poupa o tempo das aulas que seriam dedicadas para esse
sor pode elaborar uma lista com diferentes tipos de célula a
fim; porém, o professor não tem como acompanhar e intervir no
fim de que, ao final do trabalho, os estudantes tenham clareza
processo. Na escola, ocorre o inverso: o acompanhamento mais
da diversidade celular que existe. Essa lista pode incluir: célu-
próximo dos estudantes irá precisar, em muitos casos, de várias
las procarióticas e eucarióticas; animais e plantas; nucleadas
aulas para finalizar as maquetes, sem contar a necessidade de
e anucleadas; somáticas e reprodutivas.
um espaço adequado para guardá-las entre uma aula e outra.
Na elaboração da lista, o professor deve ter em mente que
Uma alternativa para balancear os prós e contras de cada
os estudantes precisam ter disponíveis as informações ne-
opção é uni-las: cada estudante pode ficar responsável por
cessárias sobre a célula escolhida para conseguirem construir
construir uma ou mais estruturas da célula em sua residência
a maquete. Células interessantes de ser representadas, mas
e trazê-las à escola no dia determinado para a construção da
sobre as quais há poucas informações, podem gerar dificul-
maquete. Nesse dia, os estudantes de cada grupo se reúnem
dades na execução do trabalho e, por isso, devem, na medida
para montar a maquete, juntando as estruturas que construí-
do possível, ser evitadas.
ram e efetuando os acabamentos finais.
A definição da célula a ser representada por estudante/
Caso haja espaço na escola, pode-se organizar uma expo-
grupo deve ser seguida de uma pesquisa aprofundada. Infor-
sição das maquetes, as quais podem estar acompanhadas de
mações como os seres vivos que elas compõem, suas fun-
cartazes explicativos sobre as células, elaborados a partir das
ções e as organelas que a constituem devem constar dessa
informações e imagens obtidas na etapa inicial de pesquisa.
pesquisa. Além disso, é muito importante que os estudantes
Para compor a exposição, seria interessante a montagem de
tenham acesso a imagens reais (se possível, de microscopia)
um mural com fotos documentando o processo de montagem
e esquemáticas da célula pesquisada, a fim de que construam
das maquetes.
um modelo mental daquilo que representarão.

Planejamento da construção da maquete Debate e júri simulado


Essa é uma etapa fundamental do processo, muito rica Alguns procedimentos didáticos em especial favorecem de
em relação ao desenvolvimento de habilidades cognitivas. modo significativo posicionamentos críticos e trabalho com
Pode-se solicitar aos estudantes que elaborem uma “planta” valores éticos e o desenvolvimento de componentes proce-
da maquete, ou seja, um desenho esquemático de como dimentais e atitudinais relativos a certas competências. Nes-
planejam construí-la. Nesse esquema, eles devem buscar sa categoria, enquadram-se o debate e o júri simulado, duas
respeitar as proporções entre as estruturas e escolher aque- estratégias metodológicas que se desenrolam em torno de
las que necessariamente devem estar representadas e as um ponto comum: alguma situação polêmica ou conflituosa.
que eventualmente podem ser omitidas em benefício da Enquanto no debate os estudantes podem expor e defen-
clareza didática. der seus próprios pontos de vista, no júri simulado devem as-
Nessa etapa, os estudantes também devem planejar que sumir as posições dos grupos que representam, mesmo não
material pretendem utilizar para representar cada estrutura: sendo essas as suas opiniões pessoais. Dilemas relacionados
grãos crus de feijão podem simular as mitocôndrias, o núcleo à biotecnologia (como o uso de células-tronco), conflitos so-
pode ser feito com massa de modelar e os cromossomos, com cioambientais (construção de usina hidrelétrica ou nuclear,
pedaços de lã. Um desafio adicional pode ser proposto, como por exemplo) e questões sobre limites da vida (como aborto
escolher apenas materiais recicláveis. Ainda em relação aos e eutanásia) são temas especialmente interessantes de se-

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XV


rem abordados a partir desses procedimentos didáticos. Vale dos estudantes. Como no júri simulado os estudantes serão
lembrar que tais procedimentos devem ser amparados por divididos em grupos, cada qual representando um setor da
um trabalho consistente em torno dos conteúdos conceituais sociedade envolvido no conflito (por exemplo: população
relativos ao tema, sem o qual se corre o risco de os estudantes ribeirinha, representantes de indústrias, funcionários do go-
apenas expressarem suas opiniões pessoais, sem, de fato, verno, ambientalistas, entre outros), os estudantes de cada
apropriarem-se de conceitos sólidos que as embasem. grupo têm de refletir e se apropriar das opiniões e dos argu-
mentos do grupo que representam, independentemente de
Para descrever mais detalhadamente como tais procedi-
concordarem ou não com a posição do grupo representado.
mentos didáticos podem ser usados em sala de aula, utiliza-
remos como exemplo um conflito socioambiental bastante Ao mesmo tempo, cada grupo tem que ter a habilida-
frequente no nosso país: aquele envolvendo a discussão de de identificar que outros “atores sociais” (grupos) en-
sobre a construção de uma usina hidrelétrica que fornecerá volvidos no conflito podem ser aliados e quais devem ter
energia necessária para o desenvolvimento de certa região, posições antagônicas às suas. Por exemplo, o grupo que
porém cujo reservatório levará à inundação de povoados e representa os ambientalistas, que são contra a constru-
ecossistemas naturais. ção da usina devido aos impactos ambientais, estaria do
“mesmo lado” dos habitantes dos povoados ribeirinhos,
Estudo prévio dos aspectos científicos, que não querem que suas casas sejam inundadas pelo
socioeconômicos e físico-ambientais reservatório da usina.
relacionados ao tema Como consequência, deve-se estimular os estudantes a
A apropriação por parte dos estudantes de conceitos rela- pensar em questões e alternativas que possam contrapor os
cionados ao tema “usina hidrelétrica”, tais como energia, água, possíveis argumentos que grupos contrários usarão, assim
impactos ambientais e sustentabilidade, é pré-requisito para como também reforçarem seus próprios argumentos para
garantir que etapas seguintes desses procedimentos didáti- que não fiquem vulneráveis às críticas de grupos opostos.
cos sejam bem-sucedidas e promovam o desenvolvimento Novamente usando como exemplo o grupo de ambientalistas,
das habilidades e competências almejadas. Sendo assim, o um dos argumentos que poderiam usar contra seus “adver-
professor pode lançar mão de outras estratégias e procedi- sários” é de que a inundação de ecossistemas e povoados
mentos didáticos complementares: desde uma exposição poderia causar uma perda irreversível de patrimônio natural
dialogada, passando por atividades com textos e exercícios e cultural. Por outro lado, grupos opositores, como represen-
do livro didático, apresentação de estudos de caso, até pes- tantes da indústria, poderiam argumentar que não construir
quisas individuais ou em grupo por parte dos estudantes. a usina significaria perda de oportunidades de emprego para
O objetivo dessa primeira etapa é que os estudantes te- a população da região, pois o setor industrial depende de tal
nham uma visão global do problema e, ao mesmo tempo, pos- energia para a sua expansão.
suam domínio dos conteúdos conceituais envolvidos. Caso o professor considere conveniente, ele pode elaborar
um roteiro para cada grupo de estudantes, destacando a po-
Preparação para a dinâmica (debate ou júri simulado) sição que o grupo deve defender durante o júri, pedindo que
No caso do debate, a preparação dos estudantes está escreva seus argumentos e elabore questões que pretende
praticamente toda contemplada na etapa anterior, já que fazer aos outros grupos. Estas questões devem ser analisa-
o estudo feito pelos estudantes propiciaria um repertório das pelo professor quanto à coerência, lógica, clareza antes
conceitual que permite o embasamento de suas opiniões da sua apresentação no dia do debate.
com argumentos consistentes. Cabe ao professor refletir,
a partir do uso de diferentes instrumentos avaliativos, se Execução do procedimento didático
a classe já está suficientemente preparada para realizar o A dinâmica de execução de cada procedimento didático –
debate de maneira proveitosa ou se ainda será necessário debate ou júri – é conduzida de modo distinto pelo professor.
consolidar conceitos. No caso do debate, deve atuar como mediador/moderador
No caso do júri simulado, a preparação para a dinâmica com maior poder de direcionar a discussão para os pontos
envolve não apenas o que foi descrito no parágrafo anterior, mais relevantes, contra-argumentar opiniões dos estudan-
mas também uma complementação importante no preparo tes de modo que percebam aspectos do problema a que

XVI MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


talvez ainda não tivessem atentado, bem como de equalizar/ Seleção de fontes de informação, escolha da
balancear a participação dos estudantes, evitando que uns reportagem e preparação da apresentação
poucos falem a todo o momento enquanto muitos outros A seleção de uma fonte confiável de informação e o jul-
não se posicionem. gamento da pertinência da reportagem escolhida em rela-
Já no júri simulado, a atuação do professor deve ser mais ção ao tema sugerido são desafios iniciais que devem ser
como organizador da atividade, podendo inclusive assumir o propostos aos estudantes. Em meio ao enorme número de
fontes e informações disponíveis na atualidade, eles devem
papel de juiz da audiência pública a respeito da construção da
ser estimulados e orientados a criar critérios de seleção para
usina hidrelétrica. Nesse papel, pode-se, por exemplo, definir
filtrar aquilo que desejam encontrar e pesquisar. Nesse sen-
por sorteio a ordem em que os grupos farão as perguntas e
tido, o professor deve deixar claro para o estudante em que
controlar o tempo das questões, respostas, réplicas e, se for
tipos de fontes ele deve buscar a reportagem (por exemplo:
o caso, tréplicas. revistas científicas reconhecidas) e de quais deve evitar as
Em outras palavras, a diferença básica entre o debate e informações divulgadas (por exemplo: sites de internet de
o júri simulado é que, enquanto no primeiro os estudantes pessoas ou instituições não reconhecidas).
terão oportunidade de clarear suas opiniões para si mesmos, Para garantir que as reportagens a serem apresentadas
expressá-las para os outros e defendê-las de opiniões diver- estejam de acordo com a proposta feita, nessa etapa prepa-
gentes, no júri simulado – que é uma modalidade de dinâmica ratória, o professor pode solicitar aos estudantes que tragam
de ensino conhecida como “jogo de papéis” (“role-playing antecipadamente as reportagens que pretendem apresentar,
games”) – eles devem assumir a visão e os valores dos grupos acompanhadas de um resumo feito por eles. Dessa maneira,
que representam. Esses exercícios propiciados pelo debate e o professor pode verificar a confiabilidade das fontes escolhi-
pelo júri simulado são alguns dos aspectos mais ricos desses das, a pertinência das reportagens em relação à proposta e o
procedimentos didáticos, propiciando não apenas o desenvol- grau de entendimento de cada estudante sobre a reportagem
vimento de habilidades relacionadas a determinados objetos selecionada.
do conhecimento, mais outras de natureza procedimental e
atitudinal, permitindo o desenvolvimento das várias compe- Depois, cada estudante deve se preparar antecipadamen-
tências destacadas. te para apresentar a reportagem que escolheu. Para tal, deve
se organizar em relação a vários aspectos: levar em conta o
tempo e os recursos disponíveis (lousa, cartaz, etc.); escolher
Minuto científico os pontos fundamentais da reportagem que precisarão ser
Consiste na apresentação de pesquisas científicas atuais apresentados; excluir aquelas informações que não compro-
divulgadas em jornais, revistas, internet e outros meios de metem o entendimento geral do texto; procurar informações
comunicação. Cada estudante escolhe uma reportagem sobre complementares em outras fontes e estabelecer a sequência
um tema específico ou livre que deve ser apresentada para o em que as informações serão apresentadas. Dessa forma,
restante da classe em um curto intervalo de tempo. Além de várias habilidades vão sendo desenvolvidas ou aperfeiçoadas
trabalhar com a expressão oral, esse procedimento estimu- para realizar uma atividade aparentemente simples.
la habilidades relacionadas à identificação de informações
mais relevantes, à organização dessas informações em uma Apresentação oral
sequência lógica e à síntese. A apresentação da reportagem constitui um momento
Para ilustrar como tal procedimento didático pode ser favorável ao desenvolvimento de diversas habilidades, prin-
empregado em sala de aula, usaremos o tema “Genética e cipalmente aquelas relacionadas à expressão oral e à comu-
Biotecnologia” como exemplo. Por ser um assunto em que nicação interpessoal. A ansiedade e o nervosismo que muitas
novas descobertas e avanços científicos ocorrem muito ra- pessoas enfrentam ao se expor em público são sentimentos
pidamente, o uso do “minuto científico” pode propiciar aos com os quais os estudantes também poderão se deparar ao
estudantes o contato com temas bastante atuais, comple- realizar sua apresentação no “Minuto Científico”.
mentando, por exemplo, conteúdos e informações fornecidos Para amenizar o possível sofrimento que isso possa ge-
pelo livro didático. O desenvolvimento desse procedimento rar, o professor pode propor que os estudantes façam inicial-
didático pode ser organizado em algumas etapas: mente sua apresentação em um grupo menor, composto de

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XVII


pessoas com mais afinidade e que, portanto, poderiam pro- com as concepções prévias dos estudantes; inclusão (que con-
piciar um ambiente menos hostil e mais acolhedor. Pode-se, ceitos são mais relevantes? qual é o mais inclusivo?); diferen-
inclusive, sugerir que, após cada apresentação, os estudantes ciação progressiva (processo de ampliação dos significados
que a assistiram façam comentários ao colega sobre pontos atribuídos aos conceitos); e reconciliação integradora/inte-
positivos e aqueles que mereciam maior preparação por parte grativa (processo de ampliação dos significados dos conceitos
do apresentador. relacionados ao conceito que se aprendeu significativamente).
Feita essa preparação, é o momento de iniciar as apresen- Os elementos fundamentais dos mapas conceituais são
tações para toda a classe. O professor pode combinar com o conceito, a proposição e o conectivo, conforme pode ser
os estudantes alguns gestos que fará durante as apresenta- visualizado no esquema abaixo:
ções para que os apresentadores tenham conhecimento do
tempo que lhes falta de exposição, o que confere uma maior
segurança e tranquilidade para os estudantes. Conforme ROCHA MINERAIS
é um agregado de
esse procedimento didático for sendo usado ao longo do ano
para diferentes temas, o professor pode abolir tais gestos, CONCEITO CONECTIVO CONCEITO
deixando exclusivamente para os estudantes envolvidos a
responsabilidade de se organizarem em relação ao tempo PROPOSIÇÃO
das apresentações.
Os mapas conceituais podem ser utilizados para diferen-
Outro aspecto bastante importante que esse procedimen- tes finalidades: sondagem dos conhecimentos prévios; ins-
to permite trabalhar é em relação à postura dos estudantes trumento de avaliação do processo de aprendizagem; síntese
como público dos demais colegas. Afora sua apresentação, dos conceitos e relações trabalhadas em um texto, capítulo,
em todas as outras apresentações cada estudante assumirá unidade ou projeto; e apresentação oral de um assunto.
o papel de público espectador e deverá agir de acordo: ou-
Para exemplificar uma dessas finalidades, descreve-se
vindo com atenção o que o colega está falando; ser capaz de
reproduzir as ideias principais do que foi apresentado; evitar a seguir como o mapa conceitual pode ser usado em sala de
conversas e brincadeiras, que, além de desrespeitosas, po- aula para sintetizar os conceitos e as relações trabalhadas
dem provocar constrangimentos e desconcentração ao colega em um texto.
apresentador.
Algumas estratégias favorecem essa postura esperada
Seleção dos conceitos e organização
do público. O professor, por exemplo, pode pedir que, ao final espacial do mapa
de cada apresentação, todos os estudantes escrevam uma O primeiro passo para a realização desse procedimento
pequena síntese da reportagem apresentada. Pode também é solicitar aos estudantes que façam uma leitura do texto,
pedir a eles que elaborem questões para o apresentador ou, com bastante atenção. Depois, devem reler o texto, tentando
ainda, o próprio professor pode formular questões às quais a localizar seus principais conceitos. Podem transcrever esses
plateia deve responder. A definição de quem lerá a síntese fará conceitos para o papel, listando todos aqueles que encon-
a pergunta ao apresentador e/ou responderá à questão do traram. Vale ressaltar que localizar os conceitos principais é
professor pode ser definida por sorteio ou algum outro proce- uma habilidade complexa que deve ser ensinada e não apenas
dimento que o professor julgar conveniente para o momento. partir do princípio de que os alunos já a dominam. Então, antes
Assim, o professor terá condições de avaliar cada estudante da montagem do mapa, é preciso discutir com os alunos quais
não somente em relação à sua apresentação, mas também critérios devem ser utilizados para a escolha dos conceitos
sobre seu comportamento como público/plateia. Adicional- principais.
mente, pode pedir que os próprios estudantes se avaliem em
relação a esses dois aspectos. Em seguida, o professor pode distribuir aos estudantes pe-
quenos pedaços de papel recortados na forma de retângulos,
nos quais, individualmente, devem escrever os conceitos que
Mapa conceitual selecionaram (cada conceito em um papel). Feito isso, cada
Ao estimular o estabelecimento de relações entre conceitos estudante deve tentar organizar espacialmente os conceitos,
de forma esquemática e objetiva, a elaboração de mapas con- agrupando-os de modo que fiquem mais próximos entre si
ceituais favorece diversas habilidades relacionadas à conexão aqueles que ele acredita ter uma ligação mais direta.

XVIII MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


Transcrição do mapa para o papel discutidos em sala de aula. Nesse caso, sugere-se que o
Após encontrar a disposição espacial dos conceitos que professor estabeleça alguns procedimentos para garantir
considera mais adequada, o estudante deve reproduzi-la no o aproveitamento significativo por parte dos estudantes
papel, onde também colocará as setas e os conectivos que daquilo que mais lhe interessa no filme. Seguem algumas
ligam um conceito ao outro. Para garantir uma organização sugestões.
adequada do mapa, o professor pode estabelecer algumas
regras: Elaboração de roteiro de observações e registro
• cada conceito deve ficar dentro de um retângulo contor- O excesso de informações presentes em longas-metra-
nado (ver esquema anterior); gens pode levar os estudantes a se distanciarem daquilo
• o entendimento da relação entre dois conceitos deve que o professor pretende explorar. Para evitar que isso
ser dado unicamente pelo conectivo que liga ambos, e ocorra, é aconselhável que o professor entregue aos es-
não depender do auxílio de outros conectivos do mapa tudantes uma sinopse do filme e um roteiro destacando
conceitual; trechos e temas que merecem atenção. O roteiro também
pode contemplar questões específicas sobre o filme e ou-
• os conectivos devem conter poucas palavras, pelo menos
tras que procurem relacionar o filme aos assuntos que
um verbo, permitindo um entendimento rápido e direto das
estão sendo estudados.
relações entre os conceitos;
• os conectivos devem ter uma seta que indica o sentido de O registro das informações durante o filme é um aspecto
leitura da proposição. importante que o professor deve discutir com os estudantes
antes de entregar o roteiro e iniciar a apresentação do filme.
Dessa forma, garante-se que o mapa conceitual cumpra
Ensinar e orientar os estudantes a anotarem palavras-chave
sua função de permitir uma visualização esquemática das
e esboçarem pequenos esquemas no lugar de tentar escrever
relações entre os conceitos fundamentais de determinado
tema trabalhado. respostas completas é importante para que eles acompa-
nhem o filme mesmo durante o registro. É importante também
informá-los de que, após o filme, eles poderão complementar
Vídeos didáticos e filmes as respostas e trocar informações com os colegas (deixando
O uso de vídeos didáticos e filmes relacionados a temas claro, no entanto, que isso não os isenta de fazerem os regis-
que estão sendo estudados em classe pode enriquecer muito tros solicitados durante o filme).
o trabalho na sala de aula. Entre as vantagens desses recur-
sos, destaca-se a visualização – por meio de filmagens ou Socialização das impressões e informações
animações – de estruturas e processos de maneira a facilitar coletadas pelos estudantes
o entendimento do assunto. Ao final do filme, o professor pode determinar um tempo
É o caso, por exemplo, de vídeos de curta duração sobre para cada estudante organizar seus registros. Isso possibili-
processos de divisão celular: sequência de imagens de mi- tará que eles verifiquem se têm informações suficientes para
croscopia sobre mitose e meiose pode tornar mais claras aos todas as questões do roteiro ou se é necessário complemen-
estudantes as várias etapas envolvidas e as diferenças prin- tá-las. Tal complementação pode ser feita individualmente;
cipais entre os dois processos de divisão celular, complemen- por exemplo, trocando seu roteiro com o colega ao lado e
tando de modo significativo as informações fornecidas pelo identificando no material do companheiro informações que
livro didático e pelo professor. Vídeos como esses estão cada estão ausentes no seu trabalho.
vez mais acessíveis e podem ser encontrados pelo professor Outra opção é propor a socialização das informações co-
em pesquisas rápidas na internet. letadas a partir da formação de pequenos grupos, nos quais
Há ainda filmes que, mesmo não tendo sido criados para cada estudante expõe aquilo que registrou em relação a de-
fins pedagógicos, podem ser incorporados às discussões terminada questão e, após todos falarem, o grupo elabora uma
em classe. Filmes que têm como pano de fundo questões resposta completa, sintetizando as contribuições de todos.
éticas relativas à Ciência ou ficções científicas que mos- Nesse trabalho em grupo, também podem ser exploradas as
tram cenários futurísticos podem ser usados como ponto impressões gerais e interpretações sobre o filme feitas por
de partida para debates relacionados a temas que serão cada um. É comum que uma mesma cena seja interpretada

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XIX


de maneira distinta por diferentes pessoas, sem que haja Quanto aos instrumentais, em muitos casos eles podem ser
necessariamente uma única interpretação correta. Perceber substituídos por objetos do dia a dia do estudante. Em muitos
isso e tentar compreender por que o colega interpretou a cena casos, podem ser utilizados materiais recicláveis, proposta
daquela forma é um rico exercício de alteridade. que une o desafio do processo investigativo com atitudes
relacionadas à sustentabilidade.
Discussão sobre o filme e contextualização Geralmente os estudantes ficam bastante motivados
em relação aos temas estudados quando atividades práticas são propostas, porém essa mo-
Após a organização dos registros, é o momento de come- tivação inicial não garante, sozinha, um bom aproveitamen-
çar a discussão com toda a classe a respeito do filme e das to da aula. Para que isso ocorra, o professor deve planejar
relações entre ele e os assuntos que estão sendo tratados adequadamente a aula para que os estudantes aliem prazer
na sala de aula. Essa discussão final serve não apenas para com saber. Exemplificamos a seguir como isso pode ser fei-
sintetizar tudo aquilo que foi vivenciado e aprendido durante to, apresentando uma proposta que pode ser usada como
o desenrolar do procedimento didático, mas também para contato inicial dos estudantes com materiais de laboratório.
que os estudantes percebam que a atividade está inserida
em um contexto mais amplo do que o tratado na disciplina. Conhecendo objetos de laboratório
Ao entenderem isso, evita-se que esse procedimento didático Nesta primeira etapa, o objetivo é que os estudantes te-
seja visto pelos estudantes meramente como um momento nham contato com objetos comumente utilizados em expe-
descontraído da aula, sem qualquer conexão com os con- rimentos laboratoriais, como béquer, proveta, funil, tubo de
teúdos do componente curricular e que, portanto, não tem ensaio, entre outros. No caso de haver esses objetos de labo-
importância para seu aprendizado. ratório na escola, o professor pode montar pequenos grupos
Nessa discussão, o professor deve deixar claro os para- de estudantes e, em cada grupo, deixar um exemplar de cada
lelos que podem ser feitos entre o filme e os temas traba- objeto para que eles possam ver e manipular12 . Caso não haja
lhados em classe, podendo inclusive repassar trechos do tais objetos na escola, o professor pode obter imagens deles
filme para que os estudantes relembrem e estabeleçam ou mesmo desenhá-los na lousa para que os estudantes te-
outras relações. O inverso também pode ser feito: o profes- nham uma ideia de como eles são.
sor perguntar aos estudantes em que trecho do filme eles Um a um, o professor deve apresentar o objeto (ou uma
acham que determinado assunto foi contemplado. Assim, os imagem dele), dizer e escrever seu nome e suas funções. Para
estudantes têm a oportunidade de expressar suas opiniões, que os estudantes possam aproveitar melhor as informações
estabelecendo relações com o filme e com os conhecimen- e registrá-las adequadamente, o professor pode distribuir
tos construídos. uma tabela com três colunas: 1 – desenho do objeto; 2 – nome
do objeto; 3 – utilidade(s) do objeto. Conforme o professor
Atividade prática explica o objeto, os estudantes devem fazer o registro das
informações na tabela, preenchendo as três colunas. Essa
A atividade prática é um procedimento didático caracterís- tabela pode ser usada também em outras aulas práticas, tanto
tico do ensino de Ciências. Seja realizada em sala de aula ou no para os estudantes consultarem a respeito dos objetos que
laboratório, seja conduzida pelos estudantes ou demonstrada já conheceram como para colocar informações sobre novos
pelo professor, ela permite trabalhar com diversas habilidades objetos com que têm contato.
próprias da investigação científica, tais como: observação
atenta e minuciosa; elaboração de hipóteses; coleta, registro
Propondo um desafio de criar
e seleção de informações; teste de hipóteses e conclusões a
um objeto de laboratório
partir dos resultados obtidos.
Após conhecerem objetos básicos de laboratório e suas
A ausência na escola de um espaço físico próprio para o funções, o professor pode propor um desafio aos estudantes:
desenvolvimento de atividades práticas – como um labora- transformar uma garrafa plástica (tipo PET) em um instru-
tório – e/ou de instrumentais adequados não precisa ser um
mento de medida para ser usado em laboratório.
impeditivo à realização delas. A sala de aula pode ser usa-
da para demonstração de fenômenos ou até mesmo para 12 Orientações de segurança, especialmente em relação às vidrarias, devem ser dadas
execução, pelos estudantes, de experimentos mais simples. pelo professor antes de distribuir os objetos aos estudantes.

XX MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


Para resolver o desafio, cada grupo deve ter disponível • Procedimentos (Material e métodos): descrever os ma-
uma garrafa e todos os objetos de laboratório que os estu- teriais utilizados no experimento e os procedimentos que
dantes tiveram contato na atividade anterior, além de água e foram realizados;
caneta própria para escrever em plástico. No caso de escolas • Observações feitas (ou Resultados e discussão): apre-
que não possuem os objetos de laboratório, o professor pode
sentar os resultados que foram observados e o que eles
substituí-los por utensílios de cozinha, como jarra, funil e copo
revelam em relação ao objetivo do trabalho;
de medida. A presença desse último é fundamental, pois é a
partir dele que os estudantes conseguirão resolver o desafio. • Conclusões: relatar sobre o que podem concluir a partir
No caso dos objetos de laboratório, esse papel é preenchido dos resultados observados.
pela proveta ou pelo béquer.
Em qualquer uma das situações, é importante que os estu- Como avaliar o desenvolvimento
dantes percebam que necessitam de um objeto de referência do estudante?
para medir volumes – o copo de medida, a proveta ou o béquer.
Ao colocar um volume de água em um desses objetos até uma Mais do que uma obrigação formal das atribuições do pro-
medida conhecida (por exemplo, 50 mL) e depois transferir fessor, a avaliação do desempenho dos estudantes deve estar
todo esse conteúdo para a garrafa plástica, os estudantes totalmente integrada à perspectiva de ensino de Ciências da
devem reconhecer que a quantidade transferida é equiva- Natureza preocupada com a formação integral do aluno. Sen-
lente à que estava no objeto e, portanto, o nível de água na do assim, a avaliação não pode se restringir a uma atividade
garrafa corresponde à quantidade medida no objeto (50 mL, (geralmente prova) realizada ao término de uma sequência
no exemplo). A cada volume de água transferido à garrafa, os didática sobre um tema e que serve para “medir” o quanto o
estudantes devem marcar com a caneta o nível atingido pela estudante aprendeu daquilo que o professor pretendeu en-
água, fazendo um risco e colocando o número correspondente sinar.
ao volume medido. Repetindo o procedimento, os estudantes
terão uma escala de medida de volume na garrafa, podendo Conforme apontam Zabala e Arnau (2010, p. 202):
usá-la no laboratório como um instrumento de medida. O objetivo da avaliação [de competências] consiste em
averiguar o grau de aprendizado adquirido em cada um dos
Esse desafio exemplifica algumas habilidades que podem
conteúdos distintos de aprendizagem que configuram a com-
ser desenvolvidas com atividades práticas. Para tentar re-
petência, mas com relação a uma situação que garanta sentido
solver o desafio, os estudantes elaboram várias hipóteses e funcionalidade aos conteúdos e às atividades de avaliação.
alternativas. É comum, por exemplo, pegarem uma régua para
medir a altura do nível da água no objeto e colocar na garrafa Tais autores propõem que as elaborações das atividades
plástica uma quantidade de água equivalente a essa altura. de avaliação envolvam as relações entre competência geral,
Refletir sobre essa tentativa no grupo é uma oportunidade de competência específica e situação-problema, sendo as duas
discutir sobre os equívocos dessa hipótese e a necessidade últimas subordinadas à primeira. Portanto, a elaboração das
de tentar elaborar uma nova hipótese. atividades deve ser planejada de modo a permitir a avalia-
ção a partir de indicadores de obtenção de uma competência
Registro das informações específica (os quais fornecem informações sobre os conhe-
Após terminar a etapa anterior, o professor pode pedir cimentos ou domínios a ela relacionados), funcionando ao
aos estudantes que registrem por escrito como tentaram mesmo tempo como forma de resolver a situação-problema
resolver o desafio de transformar a garrafa plástica em um (ZABALA; ARNAU, 2010).
instrumento de medida. Essa pode ser uma oportunidade Assim, a avaliação deve ser processual e estar presente
não só de registrar os resultados obtidos, mas também de em todas as etapas de desenvolvimento de um tema. Para
trabalhar com habilidades relativas à produção de texto. Po- cada etapa, devem ser traçados os objetivos e os instrumen-
de-se, por exemplo, solicitar aos estudantes que escrevam tos de avaliação mais adequados para o momento. Os resulta-
um relatório nos moldes de um trabalho científico, estrutu-
dos obtidos devem auxiliar não só o professor no planejamen-
rado nos itens:
to das aulas e das atividades que deverá desenvolver, mas
• Introdução: contextualizar a atividade realizada; principalmente permitir a cada estudante reconhecer suas
• Objetivo: sintetizar o objetivo da atividade; dificuldades e seus avanços ao longo do processo, servindo

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XXI


– conforme aponta Sanmartí (2009) – como um processo lidades e competências que se espera que os estudantes
de autorregulação da aprendizagem pelo próprio estudante. desenvolvam durante o processo de ensino-aprendizagem.
Antes de iniciar o trabalho sobre determinado tema, o pro- Nas diversas atividades avaliativas, a versatilidade do livro
fessor pode fazer uma sondagem dos conhecimentos prévios didático como recurso didático pode ser bastante aproveita-
dos estudantes por meio de uma avaliação diagnóstica. Para da, ora como fonte de consulta, ora utilizando as questões
essa finalidade, questões como: “o que você entende por ...” e outras atividades propostas no próprio livro, outras vezes
ou “cite três palavras que vêm imediatamente a sua mente utilizando seus textos como base para elaboração de mapas
quando você ouve falar em...” ajudam a revelar a percepção conceituais, ou ainda outros usos suscitados pela criatividade
dos estudantes a respeito do tema, incluindo seu nível de co- do professor.
nhecimento e eventuais erros conceituais. O professor, a partir
dessa sondagem, pode planejar de maneira mais adequada as Para além do ensino disciplinar
etapas seguintes do trabalho e formular atividades que favore-
çam a construção dos conceitos científicos. Questões em que Em diversas situações de seu dia a dia, os estudantes
os estudantes devem aplicar os conhecimentos prévios para precisam mobilizar habilidades variadas relacionadas aos
interpretar situações-problema também podem fazer parte diferentes componentes curriculares do contexto escolar.
de uma avaliação diagnóstica, tendo como um dos objetivos a Como aproximar essas experiências da rotina dos estudan-
autopercepção por parte do estudante a respeito da limitação tes daquilo que se ensina na escola? Certamente, o trabalho
ou suficiência desses conhecimentos. isolado dos professores dos diferentes componentes curri-
Após a realização da avaliação diagnóstica e durante o culares não favorece tal aproximação. Mas, e se os associar-
desenvolvimento do tema abordado, diversas atividades ava- mos com a seguinte competência geral da BNCC: “Exercitar
liativas podem ser dadas pelo professor, como questionários, a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das
relatórios de aulas práticas, mapas conceituais e produção ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica,
de textos. É importante que fique claro, tanto para o profes- a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar
sor como para os estudantes, que objetivos em relação às e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar solu-
competências específicas serão avaliados. Para tanto, duas ções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos
modalidades de avaliação podem ser consideradas (SANMAR- das diferentes áreas.”?
TÍ, 2009): Promover experiências de aprendizagem considerando
• Avaliação formadora: modalidade de avaliação que busca situações reais e recorrentes no cotidiano dos estudantes no
desenvolver a capacidade de os estudantes se autorregu- ambiente escolar permite articular, a partir dos conteúdos de
larem, permitindo a eles verificar se: a) apropriaram-se aprendizagem, componentes de competências específicos de
dos objetivos da aprendizagem; b) são capazes de prever cada disciplina (principalmente os componentes conceituais
e planejar adequadamente as operações necessárias para e procedimentais) com outros componentes – incluindo os
realizar um determinado tipo de tarefa; e c) apropriaram-se atitudinais – que são comuns a mais de uma disciplina, ou
dos critérios de avaliação. seja, são interdisciplinares.
• Avaliação formativa: modalidade de avaliação que se Por sua vez, como apontam Zabala e Arnau (2010), há
realiza durante o processo de ensino-aprendizagem. componentes que não são de domínio específico de nenhu-
Seu objetivo é identificar as dificuldades e os progres- ma disciplina, os quais são denominados por esses autores
sos de aprendizagem dos estudantes, a fim de poder de metadisciplinares. Tais componentes metadisciplina-
adaptar o processo didático dos professores às neces- res estão relacionados aos componentes procedimentais
sidades de aprendizagem dos alunos. Portanto, tem e atitudinais. “Exercitar a curiosidade intelectual” é um
uma finalidade reguladora da aprendizagem e do ensino. exemplo disso.
O uso dessas modalidades de avaliação não exclui a apli- Nesta coleção, foram selecionados conteúdos conceituais
cação de avaliações somativas, como as provas, realizadas e propostas de atividades que intencionalmente estabelecem
ao final do processo e que permitem visualizar os resultados um diálogo permanente com outros componentes curriculares,
alcançados ao término do desenvolvimento de um tema. ajudando a construir ao longo do processo de escolaridade
Por fim, vale lembrar que os vários instrumentos ava- dos estudantes a percepção de que é preciso a integração
liativos nas diversas modalidades devem contemplar habi- desses componentes curriculares para que possamos fazer a

XXII MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


leitura, a compreensão e a intervenção da realidade nos seus Além disso, ao longo da coleção, procuramos evidenciar
mais diversos aspectos. que a produção de conhecimento científico está diretamente
O diálogo com a matemática, por exemplo, ocorre de ma- relacionada com a conjuntura social, política, econômica e
neira constante em muitos capítulos nos quais os estudantes cultural de um determinado momento da história e não ocorre
precisam mobilizar habilidades para resolução de problemas de maneira espontânea ou apenas por iniciativas individuais.
envolvendo escalas, regras de três, leitura e interpretação de Compreender a produção e divulgação científica numa pers-
gráficos, transformações de unidades, entre outras. pectiva histórica é fundamental para compreensão da ciência
no mundo contemporâneo e de como ela pode ajudar a resol-
A interface com a geografia também é recorrente não só na
ver os graves problemas existentes.
leitura e interpretação de diversos tipos de mapa, como tam-
bém na análise de fenômenos naturais (vulcanismo, terremotos, Elencamos até aqui alguns breves exemplos de como pode-
tsunamis, clima), e outros gerados pelas ações humanas (aque- mos e devemos manter um diálogo permanente com os diver-
cimento global, desmatamento, mudanças climáticas) que têm sos componentes curriculares, trazendo para a sala de aula,
acarretado diversos impactos ambientais preocupantes. de maneira intencional, situações didáticas com esse objetivo.
Não é possível que os estudantes possam se apropriar Além dos conteúdos e estratégias didáticas selecionados
dos conhecimentos e procedimentos específicos de qualquer pelos autores com o objetivo de promover um diálogo perma-
componente curricular se não desenvolverem e mobilizarem nente com outros componentes curriculares, esta coleção
diversas habilidades relacionadas ao componente curricular de propõe projetos integradores que visam fomentar o trabalho
língua portuguesa. Todavia, a tarefa de trabalhar as competên- coletivo entre professores de diferentes áreas. Com isso, es-
cias e habilidades relacionadas a esse componente curricular peramos trazer uma perspectiva integradora – interdisciplinar
deve ser de todas as disciplinas, seja nas atividades que envol- e metadisciplinar – que favoreça a aproximação entre a escola
vem leitura, interpretação e produção de textos de diferentes e o mundo do estudante, de modo a tornar a sua aprendizagem
gêneros, seja na exposição oral de um tema. significativa.

V. Qual é o nosso papel como educadores para melhorar


nossa sociedade?
Este mesmo questionamento foi feito no início deste texto. 3°) ensinar a condição humana, que, segundo o autor, é
Diante do que foi discutido até aqui, esperamos que tenha simultaneamente física, biológica, psíquica, cultural, social
ficado claro que nosso papel como educadores é essencial e histórica;
para que nossos estudantes sejam cidadãos envolvidos com
4°) ensinar a identidade terrena, evidenciando o destino
a construção de uma sociedade justa, atuando na resolução
comum de todos os seres humanos devido à crise planetária;
dos problemas que ela enfrenta. Sendo assim, em uma pers-
pectiva bem ampla de nosso papel social, podemos pensar 5°) enfrentar as incertezas, desenvolvendo estratégias
que cabe a nós, professores e professoras, entendermos e para lidar com elas, com os imprevistos e com o inesperado;
desenvolvermos em nossos alunos as competências relati-
6°) ensinar a compreensão, a fim de desenvolver a com-
vas aos sete saberes necessários para a Educação do Futuro
preensão mútua entre seres humanos e evitar intolerâncias; e
apontados por Edgar Morin (2013):
7°) a ética do gênero humano, ou antropoética, que envol-
1°) entender o que é conhecimento e quais são suas ce-
gueiras, que são a ilusão de acharmos que conhecimento é ve a tríade da condição humana: indivíduo-sociedade-espécie.
um espelho da realidade e os erros cometidos nas traduções O desafio imposto é grande, mas pode representar a utopia
e reconstruções que fazemos dessa realidade; necessária para reencantarmos a Educação e para reafirmar-
2°) compreender os princípios do conhecimento per- mos o papel que ela e nós, professores e estudantes, temos
tinente, ou seja, os fundamentos do conhecimento con- como agentes transformadores de nossa realidade, que é mul-
textualizado, entendendo as relações entre as partes e tifacetada e extrapola os limites dos componentes curriculares,
o todo; conforme buscamos mostrar nesta coleção.

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XXIII


VI. A BNCC NA COLE‚ÌO
As propostas presentes na BNCC representam um avanço Material Digital do Professor
significativo para o ensino de Ciências no Brasil, uma vez que elas
apontam para a construção de um currículo integrado, rompendo Com o objetivo de complementar o material impresso,
com a estrutura curricular, ainda dominante, segundo a qual os elaboramos o Material Digital do Professor, disponibilizando
conteúdos são tratados de maneira fragmentada e desarticulada propostas e subsídios para que o professor possa planejar
ao longo do Ensino Fundamental, em especial nos Anos Finais. suas aulas e, ao mesmo tempo, atualizar-se, aumentando o
seu repertório tanto conceitual como metodológico.
Além disso, a BNCC deslocou o desenvolvimento de com-
petências e habilidades para o centro da discussão sobre o Neste material, você encontrará:
papel da escola, reafirmando a necessidade de estabelecer- • orientações gerais para o ano letivo;
mos novos paradigmas para a construção de metodologias
• quadros bimestrais com os objetos de conhecimento e as
que tenham o aluno como protagonista do seu processo de
habilidades que devem ser trabalhadas em cada bimestre;
aprendizagem e a necessidade de trabalharmos os conteúdos
procedimentais e atitudinais com a mesma intencionalidade • sugestões de atividades que favoreçam o trabalho com
e grau de importância que tradicionalmente trabalhamos os as habilidades propostas para cada ano;
conteúdos conceituais. • orientações para a gestão da sala de aula;
Esse processo de ensino e aprendizagem de habilidades • proposta de projetos integradores para o trabalho com os
e competências só é possível com a utilização de estratégias diferentes componentes curriculares.
didáticas diversificadas que promovam a formação integral No Material Digital do Professor há um plano de desen-
dos estudantes, envolvendo os âmbitos cognitivo, emocional volvimento para cada bimestre, totalizando quatro no total.
e social. O objetivo dos planos de desenvolvimento é explicitar as ha-
Um dos desafios impostos na organização desta coleção bilidades e os objetos de conhecimento a serem trabalhados
foi o de elaborar narrativas que articulassem de maneira or- em cada bimestre, bem como a distribuição deles no livro do
gânica, tanto verticalmente (em cada volume) como horizon- estudante. Os planos de desenvolvimento também sugerem
talmente (na coleção), os temas tratados em cada unidade práticas de sala de aula que propiciam o desenvolvimento
temática e as suas respectivas habilidades. Nesse sentido, das competências gerais da Educação Básica e das compe-
consideramos fundamental que professores e estudantes tências específicas de Ciências da Natureza para o Ensino
participem da construção das narrativas propostas como Fundamental.
ponto de partida para a constituição de conhecimentos, ha-
bilidades e atitudes necessárias para desenvolvimento das Cada plano de desenvolvimento é acompanhado por um
competências. projeto integrador, que tem como principal objetivo apre-
sentar propostas de projetos interdisciplinares, integrando
Outro desafio de igual importância foi o de nos colocarmos objetos de conhecimento e habilidades de pelo menos dois
no lugar dos professores e nos debruçarmos na construção
componentes curriculares, e favorecer o desenvolvimento
de propostas concretas para cada um dos 64 capítulos da
das competências gerais constantes na BNCC.
coleção, pensando o dia a dia da prática docente, sempre
considerando a diversidade de realidades existentes nas es- Para auxiliar o monitoramento das aprendizagens dos es-
colas, com suas qualidades e fragilidades. tudantes, é fornecida, ainda, uma Proposta de Acompanha-
mento da Aprendizagem bimestral, composta por avaliação,
Neste manual, o professor encontrará uma síntese das
gabarito e ficha de acompanhamento das aprendizagens do
orientações didáticas e propostas complementares presentes
estudante.
nos planos de desenvolvimento do material digital, podendo
funcionar como um guia rápido de apoio ao professor para o Também faz parte do Material Digital do Professor as
planejamento e execução do seu plano de ensino. Este manual Sequências Didáticas e os Materiais Digitais Audiovisuais.
também contém comentários sobre as narrativas propostas Nas orientações específicas deste Manual do Professor, são
para o capítulo e sua articulação com a narrativa de outros indicadas as sequências didáticas e os materiais digitais au-
capítulos do mesmo volume e de outros volumes da coleção. diovisuais associados aos temas estudados.

XXIV MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


As habilidades e os objetos de conhecimento da BNCC na coleção Unidades temáticas: Matéria e Energia Vida e Evolução Terra e Universo

Objeto de Capítulo
Ano Habilidade
conhecimento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Misturas (EF06CI01) Classificar como homogênea ou heterogênea a mistura de dois ou mais materiais (água e
homogêneas sal, água e óleo, água e areia etc.).
e heterogêneas
(EF06CI02) Identificar evidências de transformações químicas a partir do resultado de misturas de
Separação materiais que originam produtos diferentes dos que foram misturados (mistura de ingredientes para
de materiais fazer um bolo, mistura de vinagre com bicarbonato de sódio etc.).

(EF06CI03) Selecionar métodos mais adequados para a separação de diferentes sistemas heterogêneos
Materiais a partir da identificação de processos de separação de materiais (como a produção de sal de cozinha, a
sintéticos destilação de petróleo, entre outros).

Transformações (EF06CI04) Associar a produção de medicamentos e outros materiais sintéticos ao desenvolvimento


químicas científico e tecnológico, reconhecendo benefícios e avaliando impactos socioambientais.

(EF06CI05) Explicar a organização básica das células e seu papel como unidade estrutural e funcional
dos seres vivos.
(EF06CI06) Concluir, com base na análise de ilustrações e/ou modelos (físicos ou digitais), que os orga-
Célula como nismos são um complexo arranjo de sistemas com diferentes níveis de organização.
unidade da vida
(EF06CI07) Justificar o papel do sistema nervoso na coordenação das ações motoras e sensoriais do
o
Interação entre corpo, com base na análise de suas estruturas básicas e respectivas funções.
6 os sistemas
locomotor (EF06CI08) Explicar a importância da visão (captação e interpretação das imagens) na interação do
e nervoso organismo com o meio e, com base no funcionamento do olho humano, selecionar lentes adequadas
para a correção de diferentes defeitos da visão.
Lentes corretivas (EF06CI09) Deduzir que a estrutura, a sustentação e a movimentação dos animais resultam da interação
entre os sistemas muscular, ósseo e nervoso.

(EF06CI10) Explicar como o funcionamento do sistema nervoso pode ser afetado por substâncias psicoativas.

(EF06CI11) Identificar as diferentes camadas que estruturam o planeta Terra (da estrutura interna à
atmosfera) e suas principais características.
(EF06CI12) Identificar diferentes tipos de rocha, relacionando a formação de fósseis a rochas sedimen-
tares em diferentes períodos geológicos.
Forma, estrutura
e movimentos (EF06CI13) Selecionar argumentos e evidências que demonstrem a esfericidade da Terra.
da Terra
(EF06CI14) Inferir que as mudanças na sombra de uma vara (gnômon) ao longo do dia em diferentes
períodos do ano são uma evidência dos movimentos relativos entre a Terra e o Sol, que podem ser expli-
cados por meio dos movimentos de rotação e translação da Terra e da inclinação de seu eixo de rotação
em relação ao plano de sua órbita em torno do Sol.

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


XXV
XXVI
Unidades temáticas: Matéria e Energia Vida e Evolução Terra e Universo

Objeto de Capítulo
Ano Habilidade
conhecimento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

(EF07CI01) Discutir a aplicação, ao longo da história, das máquinas simples e propor soluções e invenções
para a realização de tarefas mecânicas cotidianas.
Máquinas
(EF07CI02) Diferenciar temperatura, calor e sensação térmica nas diferentes situações de equilíbrio
simples

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


termodinâmico cotidianas.
Formas de (EF07CI03) Utilizar o conhecimento das formas de propagação do calor para justificar a utilização de
propagação do determinados materiais (condutores e isolantes) na vida cotidiana, explicar o princípio de funcionamento
calor de alguns equipamentos (garrafa térmica, coletor solar etc.) e/ou construir soluções tecnológicas a
partir desse conhecimento.
Equilíbrio
termodinâmico (EF07CI04) Avaliar o papel do equilíbrio termodinâmico para a manutenção da vida na Terra, para o
e vida na Terra funcionamento de máquinas térmicas e em outras situações cotidianas.
(EF07CI05) Discutir o uso de diferentes tipos de combustível e máquinas térmicas ao longo do tempo,
História dos
para avaliar avanços, questões econômicas e problemas socioambientais causados pela produção e
combustíveis
uso desses materiais e máquinas.
e das máquinas
térmicas (EF07CI06) Discutir e avaliar mudanças econômicas, culturais e sociais, tanto na vida cotidiana quanto
no mundo do trabalho, decorrentes do desenvolvimento de novos materiais e tecnologias (como auto-
mação e informatização).
7o (EF07CI07) Caracterizar os principais ecossistemas brasileiros quanto à paisagem, à quantidade de água,
ao tipo de solo, à disponibilidade de luz solar, à temperatura etc., correlacionando essas características
à flora e fauna específicas.
Diversidade de (EF07CI08) Avaliar como os impactos provocados por catástrofes naturais ou mudanças nos compo-
ecossistemas nentes físicos, biológicos ou sociais de um ecossistema afetam suas populações, podendo ameaçar ou
provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração etc.
Fenômenos
naturais e (EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise
impactos e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento
ambientais básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de
políticas públicas destinadas à saúde.
Programas e
indicadores de (EF07CI10) Argumentar sobre a importância da vacinação para a saúde pública, com base em informações
saúde pública sobre a maneira como a vacina atua no organismo e o papel histórico da vacinação para a manutenção
da saúde individual e coletiva e para a erradicação de doenças.
(EF07CI11) Analisar historicamente o uso da tecnologia, incluindo a digital, nas diferentes dimensões
da vida humana, considerando indicadores ambientais e de qualidade de vida.
Composição (EF07CI12) Demonstrar que o ar é uma mistura de gases, identificando sua composição, e discutir fenô-
do ar menos naturais ou antrópicos que podem alterar essa composição.
Unidades temáticas: Matéria e Energia Vida e Evolução Terra e Universo

Objeto de Capítulo
Ano Habilidade
conhecimento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Efeito estufa (EF07CI13) Descrever o mecanismo natural do efeito estufa, seu papel fundamental para o desenvol-
vimento da vida na Terra, discutir as ações humanas responsáveis pelo seu aumento artificial (queima
Camada de dos combustíveis fósseis, desmatamento, queimadas etc.) e selecionar e implementar propostas para
ozônio a reversão ou controle desse quadro.

Fenômenos (EF07CI14) Justificar a importância da camada de ozônio para a vida na Terra, identificando os fatores
o naturais (vulcões, que aumentam ou diminuem sua presença na atmosfera, e discutir propostas individuais e coletivas
7
terremotos para sua preservação.
e tsunamis)
(EF07CI15) Interpretar fenômenos naturais (como vulcões, terremotos e tsunamis) e justificar a rara
Placas tectônicas ocorrência desses fenômenos no Brasil, com base no modelo das placas tectônicas.
e deriva
continental (EF07CI16) Justificar o formato das costas brasileira e africana com base na teoria da deriva dos con-
tinentes.

(EF08CI01) Identificar e classificar diferentes fontes (renováveis e não renováveis) e tipos de energia
utilizados em residências, comunidades ou cidades.
Fontes e tipos
de energia (EF08CI02) Construir circuitos elétricos com pilha/bateria, fios e lâmpada ou outros dispositivos e
compará-los a circuitos elétricos residenciais.
Transformação
de energia (EF08CI03) Classificar equipamentos elétricos residenciais (chuveiro, ferro, lâmpadas, TV, rádio, geladeira
etc.) de acordo com o tipo de transformação de energia (da energia elétrica para a térmica, luminosa,
Cálculo de sonora e mecânica, por exemplo).
consumo de (EF08CI04) Calcular o consumo de eletrodomésticos a partir dos dados de potência (descritos no próprio
energia elétrica equipamento) e tempo médio de uso para avaliar o impacto de cada equipamento no consumo doméstico
mensal.
8o Circuitos
elétricos (EF08CI05) Propor ações coletivas para otimizar o uso de energia elétrica em sua escola e/ou comunida-
de, com base na seleção de equipamentos segundo critérios de sustentabilidade (consumo de energia
Uso consciente e eficiência energética) e hábitos de consumo responsável.
de energia
elétrica (EF08CI06) Discutir e avaliar usinas de geração de energia elétrica (termelétricas, hidrelétricas, eólicas
etc.), suas semelhanças e diferenças, seus impactos socioambientais, e como essa energia chega e é
usada em sua cidade, comunidade, casa ou escola.

Mecanismos (EF08CI07) Comparar diferentes processos reprodutivos em plantas e animais em relação aos meca-
reprodutivos nismos adaptativos e evolutivos.

(EF08CI08) Analisar e explicar as transformações que ocorrem na puberdade considerando a atuação


Sexualidade dos hormônios sexuais e do sistema nervoso.

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


XXVII
XXVIII
Unidades temáticas: Matéria e Energia Vida e Evolução Terra e Universo

Objeto de Capítulo
Ano Habilidade
conhecimento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

(EF08CI09) Comparar o modo de ação e a eficácia dos diversos métodos contraceptivos e justificar a
necessidade de compartilhar a responsabilidade na escolha e na utilização do método mais adequado à
prevenção da gravidez precoce e indesejada e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


(EF08CI10) Identificar os principais sintomas, modos de transmissão e tratamento de algumas DST (com
ênfase na AIDS), e discutir estratégias e métodos de prevenção.

(EF08CI11) Selecionar argumentos que evidenciem as múltiplas dimensões da sexualidade humana


(biológica, sociocultural, afetiva e ética).

(EF08CI12) Justificar, por meio da construção de modelos e da observação da Lua no céu, a ocorrência
das fases da Lua e dos eclipses, com base nas posições relativas entre Sol, Terra e Lua.
8o
(EF08CI13) Representar os movimentos de rotação e translação da Terra e analisar o papel da inclinação
do eixo de rotação da Terra em relação à sua órbita na ocorrência das estações do ano, com a utilização
Sistema Sol, de modelos tridimensionais.
Terra e Lua
(EF08CI14) Relacionar climas regionais aos padrões de circulação atmosférica e oceânica e ao aqueci-
mento desigual causado pela forma e pelos movimentos da Terra.
Clima
(EF08CI15) Identificar as principais variáveis envolvidas na previsão do tempo e simular situações nas
quais elas possam ser medidas.

(EF08CI16) Discutir iniciativas que contribuam para restabelecer o equilíbrio ambiental a partir da iden-
tificação de alterações climáticas regionais e globais provocadas pela intervenção humana.

(EF09CI01) Investigar as mudanças de estado físico da matéria e explicar essas transformações com
base no modelo de constituição submicroscópica.
Aspectos
quantitativos das (EF09CI02) Comparar quantidades de reagentes e produtos envolvidos em transformações químicas,
transformações estabelecendo a proporção entre as suas massas.
químicas
(EF09CI03) Identificar modelos que descrevem a estrutura da matéria (constituição do átomo e com-
9o Estrutura posição de moléculas simples) e reconhecer sua evolução histórica.
da matéria
(EF09CI04) Planejar e executar experimentos que evidenciem que todas as cores de luz podem ser
Radiações formadas pela composição das três cores primárias da luz e que a cor de um objeto está relacionada
e suas aplicações também à cor da luz que o ilumina.
na saúde
(EF09CI05) Investigar os principais mecanismos envolvidos na transmissão e recepção de imagem e
som que revolucionaram os sistemas de comunicação humana.
Unidades temáticas: Matéria e Energia Vida e Evolução Terra e Universo

Objeto de Capítulo
Ano Habilidade
conhecimento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
(EF09CI06) Classificar as radiações eletromagnéticas por suas frequências, fontes e aplicações, dis-
cutindo e avaliando as implicações de seu uso em controle remoto, telefone celular, raio X, forno de
micro-ondas, fotocélulas etc.

(EF09CI07) Discutir o papel do avanço tecnológico na aplicação das radiações na medicina diagnóstica
(raio X, ultrassom, ressonância nuclear magnética) e no tratamento de doenças (radioterapia, cirurgia
ótica a laser, infravermelho, ultravioleta etc.).

(EF09CI08) Associar os gametas à transmissão das características hereditárias, estabelecendo relações


Hereditariedade entre ancestrais e descendentes.

Ideias (EF09CI09) Discutir as ideias de Mendel sobre hereditariedade (fatores hereditários, segregação, game-
evolucionistas tas, fecundação), considerando-as para resolver problemas envolvendo a transmissão de características
hereditárias em diferentes organismos.

(EF09CI10) Comparar as ideias evolucionistas de Lamarck e Darwin apresentadas em textos científicos


e históricos, identificando semelhanças e diferenças entre essas ideias e sua importância para explicar
a diversidade biológica.

(EF09CI11) Discutir a evolução e a diversidade das espécies com base na atuação da seleção natural
sobre as variantes de uma mesma espécie, resultantes de processo reprodutivo.
Preservação da
9o (EF09CI12) Justificar a importância das unidades de conservação para a preservação da biodiversidade
biodiversidade
e do patrimônio nacional, considerando os diferentes tipos de unidades (parques, reservas e florestas
nacionais), as populações humanas e as atividades a eles relacionados.

(EF09CI13) Propor iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade
ou da comunidade, com base na análise de ações de consumo consciente e de sustentabilidade bem-
-sucedidas.

(EF09CI14) Descrever a composição e a estrutura do Sistema Solar (Sol, planetas rochosos, planetas
Composição, gigantes gasosos e corpos menores), assim como a localização do Sistema Solar na nossa Galáxia (a
estrutura
e localização Via Láctea) e dela no Universo (apenas uma galáxia dentre bilhões).
do Sistema Solar
no Universo (EF09CI15) Relacionar diferentes leituras do céu e explicações sobre a origem da Terra, do Sol ou do
Astronomia e Sistema Solar às necessidades de distintas culturas (agricultura, caça, mito, orientação espacial e
cultura temporal etc.).
Vida humana
fora da Terra (EF09CI16) Selecionar argumentos sobre a viabilidade da sobrevivência humana fora da Terra, com
Ordem de base nas condições necessárias à vida, nas características dos planetas e nas distâncias e nos tempos
grandeza envolvidos em viagens interplanetárias e interestelares.
astronômica
Evolução estelar (EF09CI17) Analisar o ciclo evolutivo do Sol (nascimento, vida e morte) baseado no conhecimento das

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


etapas de evolução de estrelas de diferentes dimensões e os efeitos desse processo no nosso planeta.

XXIX
VII. Os temas da cole•‹o
Esta coleção foi estruturada a partir das três unidades da energia e de diversos materiais pelo ser humano, as pro-
temáticas propostas pela BNCC para o componente curricular priedades destes materiais, os métodos de separação das
Ciências da Natureza, a saber: Vida e Evolução, Terra e Uni- substâncias e suas transformações, o que possibilitou os
verso e Matéria e Energia. Para cada uma dessas unidades, seus diversos usos pela humanidade.
foi mantida a distribuição dos objetos do conhecimento e as
habilidades associadas a eles, com a inclusão de algumas 7o ano
habilidades complementares à BNCC.
A unidade Terra e Universo abre a narrativa deste volu-
A divisão temática de assuntos de cada volume da coleção me abordando, a partir dos conhecimentos obtidos no ano
segue a seguinte distribuição: anterior sobre a estrutura do planeta, alguns fenômenos
relacionados à dinâmica da Terra, como o vulcanismo, os
6o ano terremotos e os tsunamis. Na sequ•ncia, aprofundamos o
estudo da atmosfera, suas características e sua importância
A unidade Terra e Universo abre a narrativa deste volume
para o equilíbrio dinâmico do planeta e para a existência
com uma visão geral do Universo observável, com suas galáxias
da vida. Fechando esta unidade, abordamos os impactos
e sistemas estelares, fazendo um zoom para Sistema Solar e o
na atmosfera causados pelas ações antrópicas e as ações
nosso planeta Terra. Ao abordarmos esses temas, ampliamos
que visam minimizá-los, com vistas à sustentabilidade do
e, ao mesmo tempo, aprofundamos os conhecimentos que o
planeta. Esse estudo será retomado no 8° ano, ao abordar-
estudante traz dos Anos Iniciais, ao estudar a dinâmica entre
mos aspectos relativos à ação humana sobre o clima, em
Terra, Lua e Sol. A perspectiva geocêntrica é o ponto de partida
nível local e global.
para explicar as mudanças observadas na sombra de um gnô-
mon, relacionando-as aos intervalos de tempo utilizados para Aprofundando o estudo da biosfera, iniciado no 6° ano, a
a confecção dos calendários e a determinação das estações unidade Vida e Evolução tem como foco o estudo dos princi-
do ano. Fazendo um zoom ainda maior sobre o nosso plane- pais biomas mundiais e, em especial, os do Brasil, principal-
ta, abordamos as evidências relacionadas ao seu formato e as mente com relação à sua biodiversidade, às suas caracterís-
características de suas camadas. A unidade se encerra com o ticas, aos impactos naturais e àqueles causados pelas ações
estudo das rochas e minerais que compõem a crosta terrestre antrópicas e suas consequências. Para melhor compreensão
e a formação dos fósseis associados às rochas sedimentares. da biodiversidade dos biomas, iniciamos a narrativa desta
Posteriormente, no 7° ano, passaremos da visão estrutural da unidade com um estudo sobre a classificação dos seres vivos.
Terra para sua dinâmica interna. Na sequência, abordamos a questão da produção e disposi-
ção do lixo, bem como a poluição das bacias hidrográficas e
A unidade Vida e Evolução explora uma das camadas da Ter-
os problemas recorrentes em muitas cidades do Brasil e do
ra, a biosfera, seus elementos constituintes e sua dinâmica de
mundo. As doenças relacionadas com a água, seja de veicu-
funcionamento a partir da estrutura de um ecossistema, com
lações hídricas, seja causadas pela sua contaminação, assim
suas cadeias e teias alimentares e dos fenômenos da fotos-
como os mecanismos de defesa do nosso corpo, em especial
síntese e respiração, essenciais para a manutenção da vida
o nosso sistema imunitário, fecham esta unidade.
no nosso planeta. Esses conteúdos permitem o resgate dos
conhecimentos que o estudante acumulou nos Anos Iniciais A unidade Matéria e Energia aborda o uso das máquinas
sobre os seres vivos, seus elos nutricionais e sua relação com simples e das máquinas térmicas numa perspectiva histórica,
o ambiente natural. Fazendo novamente um zoom, abordamos dando continuidade à narrativa sobre a história do uso da
a unidade básica formadora de todos os seres vivos – a célula energia pela humanidade. A unidade começa com o estudo
e os seus níveis de organização (célula, tecidos, órgãos e siste- das forças, essencial para a compreensão das máquinas sim-
mas) – com foco na relação do sistema nervoso humano com ples e térmicas e outros fenômenos que serão abordados nos
os sistemas sensorial e locomotor. volumes seguintes da coleção.
A unidade Matéria e Energia promove um resgate de co-
nhecimentos que o estudante já adquiriu nos Anos Iniciais do 8o ano
Ensino Fundamental sobre materiais e objetos do seu entorno, A unidade Vida e Evolução tem como tema a sexualidade
fechando este volume com uma breve história da utilização humana, tratada não apenas a partir dos aspectos de natu-

XXX MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


reza biológica, mas também cultural e psicológica. Iniciamos 9o ano
a unidade com o estudo da reprodução nos seres vivos em A unidade Vida e Evolução aborda, num primeiro momento, a
uma perspectiva evolutiva, introduzindo conceitos e relações questão da sustentabilidade a partir dos problemas observados
essenciais que serão utilizados ao longo da unidade. Puber- nos centros urbanos e do importante papel das unidades de con-
dade, sistemas genitais, gravidez e parto, contraceptivos e servação (UCs), fechando a narrativa sobre os fatores antrópicos
ISTS (DSTS) são abordados nesta unidade. Esses temas favo- que vêm impactando o planeta e as ações que podem mitigá-los.
recem uma retomada de abordagens desenvolvidas nos Anos Num segundo momento, a unidade aborda as noções básicas
Iniciais, quando os estudantes começaram seus estudos do de Genética e as perspectivas dessa área do conhecimento no
corpo de um ponto de vista de cuidado, respeito e acolhimento século XXI, com as novas descobertas e avanços da tecnologia,
às diferenças individuais. resgatando conhecimentos que foram adquiridos durante os
anos anteriores do Ensino Fundamental.
A unidade Matéria e Energia dá continuidade à narrativa
sobre a história do uso da energia pela humanidade, abor- A unidade Matéria e Energia aprofunda a discussão sobre
a estrutura da matéria numa perspectiva história, utilizando o
dando a energia elétrica com os temas: eletrostática, eletro-
modelo de Dalton para explicar as mudanças de estado físico e
dinâmica, circuitos elétricos e distribuição da energia elétrica
outros fenômenos. Fechando a narrativa sobre a utilização das
e sua relação com o magnetismo (eletromagnetismo), além
diversas modalidades de energia pela humanidade, a unidade
das matrizes energéticas no Brasil e no mundo.
aprofunda o estudo sobre as ondas eletromagnéticas, suas apli-
A unidade Terra e Universo tem como foco o estudo do cações e seus impactos na sociedade contemporânea, sempre
clima, tanto no nível nacional como no mundial, abordando explicitando a relação entre ciência e tecnologia, perspectiva
o conjunto de variáveis responsáveis pela sua formação, as adotada em toda a coleção.
mudanças geradas por fatores naturais e antrópicos e suas A unidade Terra e Universo resgata e aprofunda o estudo
consequências. O tema sustentabilidade, já abordado no 7° sobre o Universo, já presente nos anos anteriores, buscando
ano, mais uma vez se faz presente. A relação entre o Sol, a incorporar ao repertório dos alunos conhecimentos adquiridos
Terra e a Lua é objeto de estudo no início da unidade, possibi- pela humanidade com o desenvolvimento tecnológico e o de-
litando a compreensão das estações do ano numa perspec- senvolvimento de modelos explicativos para compreender a
tiva heliocêntrica do Sistema Solar e de outros fenômenos sua origem, o ciclo de vida das estrelas, as explicações sobre
relacionados à interação entre esses astros. origem da vida e a possibilidade de vida fora da Terra.

MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS XXXI


VIII. Refer•ncias bibliogr‡ficas
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FANTE, Cléo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência ZIMAN, John Michael. Conhecimento Público. Tradução Regina
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Versus, 2005. Universidade de São Paulo, 1979.

XXXII MANUAL DO PROFESSOR - ORIENTA‚ÍES GERAIS


COMPANHIA DAS

Ciências
João Usberco
7
Bacharel em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de São Paulo (USP)
Especialista em Análises Clínicas e Toxicológicas
Professor de Química na rede particular de ensino (São Paulo, SP)
Autor de Ciências dos anos ánais do Ensino Fundamental e de Química do
Ensino Médio

José Manoel Martins


Bacharel e licenciado em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências e
pela Faculdade de Educação da USP
Mestre e doutor em Ciências (área de Zoologia) pelo Instituto de Biociências
da USP
Autor de Ciências dos anos ánais do Ensino Fundamental e de Biologia do
Ensino Médio

Eduardo Schechtmann
Licenciado em Biologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Pós-graduado pela Faculdade de Educação da Unicamp
Coordenador de Ciências na rede particular de ensino
Consultor e palestrante na área de educação
Autor de Ciências dos anos ánais do Ensino Fundamental

Luiz Carlos Ferrer


Licenciado em Ciências Físicas e Biológicas
Especialista em Instrumentação e Metodologia para o Ensino de Ciências e
Matemática e em Ecologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas
(PUCC-SP)
Componente curricular Especialista em Geociências pela Unicamp
Ciências Pós-graduado em Ensino de Ciências do Ensino Fundamental pela Unicamp
Professor efetivo aposentado da rede pública (São Paulo, SP)
Ensino Fundamental
Anos Finais Autor de Ciências dos anos ánais do Ensino Fundamental

Herick Martin Velloso


Licenciado em Física pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho” (Unesp-SP)
Professor de Física na rede particular de ensino (São Paulo, SP)
5a edição • São Paulo, 2018 Autor de Ciências dos anos ánais do Ensino Fundamental

MANUAL DO PROFESSOR 1
Direção geral: Guilherme Luz
Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas
Gestão de projeto editorial: Mirian Senra
Gestão de área: Isabel Rebelo Roque
Coordenação: Fabíola Bovo Mendonça
Edição: Bárbara Odria Vieira,
Daniella Drusian Gomes, Erich Gonçalves da Silva,
Helen Akemi Nomura, Mariana Amélia do Nascimento
e Regina Melo Garcia
Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga
Planejamento e controle de produção: Paula Godo,
Roseli Said e Márcia Pessoa
Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.),
Rosângela Muricy (coord.), Ana Curci, Ana Maria Herrera,
Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Célia Carvalho,
Cesar G. Sacramento, Claudia Virgilio, Daniela Lima,
Gabriela M. Andrade, Heloísa Schiavo, Hires Heglan,
Luciana B. Azevedo, Luís M. Boa Nova, Paula T. de Jesus, Sueli Bossi;
Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias)
Arte: Daniela Amaral (ger.), André Gomes Vitale (coord.)
e Alexandre Miasato Uehara (edição de arte)
Diagramação: Essencial Design
Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Roberto Silva (coord.),
Evelyn Torrecilla (pesquisa iconográfica)
Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.),
Luciana Sposito e Angra Marques (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana
Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso e Claudia Rodrigues (analistas adm.)
Tratamento de imagem: Cesar Wolf e Fernanda Crevin
Ilustrações: André Vazzios, Estúdio Ampla Arena, Jurandir Ribeiro,
Luis Moura, Osni de Oliveira, Paulo Cesar Pereira, Rosangela Stefano
Ilustrações, Tiago Donizete Leme, R2 Editorial
Cartografia: Eric Fuzii (coord.), Robson Rosendo da Rocha (edit. arte)
Design: Gláucia Correa Koller (ger.),
Luis Vassalo (proj. gráfico e capa),
Gustavo Vanini e Tatiane Porusselli (assist. arte)
Foto de capa: Rachel Taylor/Eye/Getty Images

Esta obra conta também com conteúdos elaborados


por Edgard Salvador (in memoriam).

Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A.


Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A –
Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902
SAC 0800 011 7875
www.editorasaraiva.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Companhia das ciências, 7º ano : ensino fundamental, anos
finais / Usberco... [et al.] -- 5. ed. -- São Paulo :
Saraiva, 2018.

Suplementado pelo manual do professor.


Bibliografia.
Outros autores: José Manoel, Eduardo Schechtmann, Luiz
Carlos Ferrer, Herick Martin Velloso
ISBN: 978-85-472-3631-1 (aluno)
ISBN: 978-85-472-3632-8 (professor)

1. Ciências (Ensino fundamental). I. Usberco. II.


Manoel, José. III. Schechtmann, Eduardo. IV. Ferrer, Luiz
Carlos. V. Velloso, Herick Martin.

2018-0028 CDD: 372.35

Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB - 8/010142

2018
Código da obra CL 820645
CAE 631650 (AL) / 631742 (PR)
5a edição
1a impressão

Impressão e acabamento

2 MANUAL DO PROFESSOR

001a023_Cia_da_Ciencia_Guia7_C1_U1_PNLD2020.indd 2 8/22/19 3:37 PM


yongyut rukkachatsuwa/Shutterstock

Caro estudante,
Nosso cotidiano é repleto de situações que podem ser
mais bem entendidas quando conhecemos ciência.
Por que se forma um arco-íris? Por que o céu é azul? Por que
os filhos são parecidos com os pais? Por que a gente sem-
pre vê primeiro o raio e só depois ouve o som do trovão?
Nos últimos cem anos, as pessoas produziram mais co-
nhecimentos científicos e tecnológicos do que em toda a
história anterior. A velocidade com que novas descobertas
e suas aplicações são feitas abre a possibilidade de avan-
çarmos rapidamente na resolução de problemas.
Estamos cada vez mais conscientes da necessidade de
explorar de forma sustentável os recursos naturais do
planeta, para que a melhora da nossa qualidade de vida
possa se estender às futuras gerações.
É isto que queremos propor a você, estudante, nesta cole-
ção: investigar os fenômenos da natureza e procurar en-
tendê-los para tornar o mundo um lugar melhor. Além dis-
so, perceber que a ciência se modifica ao longo do tempo,
com as novas descobertas, e que as explicações não po-
dem ser consideradas definitivas: há sempre algo a mais
para descobrir, para entender e para propor.
O convite está feito! Teremos o maior prazer em comparti-
lhar essa viagem com você.
Um grande abraço,
Os autores

MANUAL DO PROFESSOR 3
CONHE‚A SEU LIVRO

ABERTURA DO CAPÍTULO
1

Unidade
Terra e

Cap’tulo
1
Terra, um planeta dinâmico. A estrutura da Terra, compos-
ta principalmente de rochas, água e ar, em constante inte-
ração, apresenta fenômenos e processos com reflexos em Dinâmica Imagens e questões
Universo
todas as partes do planeta.
Entender o planeta Terra, desde a sua posição no espaço
até a sua constituição física, nos torna capazes de atuar po- da Terra
sitivamente na transformação do ambiente. Nesta unidade,
estudaremos a Terra, suas características e sua relação com
nosso cotidiano. iniciam o capítulo,

Antartis/Dreamstime/Glow Images
estimulando a troca de
ideias e conhecimentos
sobre os temas que serão
estudados.

USGS/Anadolu Agency/Getty Images

Erupção do vulcão Observe a imagem. Ela mostra um pouco das consequências de um dos
Kilauea, no Havaí, mais assustadores fenômenos naturais: a erupção de um vulcão. Ocorrências
Estados Unidos, em como essa causam muito impacto na nossa civilização. Você já deve ter visto
22 de maio de 2018.
nos noticiários da TV, em jornais, em revistas ou na internet o rastro de destrui-
ção que esses eventos deixam nos lugares onde acontecem.
Terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas são alguns exemplos de fenô-
menos naturais que ocorrem com frequência em algumas regiões do planeta.
Fotografia noturna da região da No nosso país, por exemplo, esses fenômenos não são muito comuns.
Arábia Saudita vista do espaço. Você já pensou por que isso acontece? Será que esses fenômenos naturais
Imagem fornecida pela Nasa.
podem ocorrer também no Brasil, como acontece em outras regiões da Terra?
8 9 As respostas para essas questões você encontrará neste capítulo.
10

ABERTURA DA UNIDADE
O começo de cada unidade traz uma imagem e um
texto para sensibilizá-lo e motivá-lo a aprender
TEXTO PRINCIPAL Biosfera Clima: conjunto
das condições

mais sobre o tema proposto. Na Terra existem regiões com características semelhantes, como altitude,
vegetação, tipos de solo e de clima, possibilitando que esses locais sejam clas-
sificados da mesma maneira, ainda que estejam distantes entre si. Ambientes
atmosféricas
(e de suas
variações) em

Além de textos que terrestres que apresentam um tipo característico de vegetação, determinado
principalmente por fatores climáticos, recebem o nome de biomas e fazem par-
te da biosfera.
A biosfera é a camada do planeta Terra onde existe vida. Ela varia de 5 km a
determinado
local ou região
durante
um período
cronológico
específico. A

apresentam 17 km de espessura. Essa camada é comparativamente fina em relação ao diâme-


tro total do planeta, que tem aproximadamente 13 000 km.
Na ilustração abaixo é possível identificar alguns dos
limites para a sobrevivência de seres vivos: desde ca--
hinkS ck
/Ge
I
a
caracterização
do clima de uma
região resulta
T to
da análise do
tty

comportamento
m

ge
s
madas superiores da atmosfera, nos picos de grandes médio baseada

os temas principais, há montanhas (cerca de 8 mil metros acima do nível do


mar), até as profundezas dos oceanos (cerca de 9 mil
metros abaixo do nível do mar). As regiões mais
próximas do nível do mar costumam apresentar
em dados
diários da
condição
atmosférica.

esquemas, fotografias, maior abundância e diversidade de seres vivos.


Por outro lado, quanto mais próximos os seres
vivos estiverem dos limites superior e inferior da
biosfera, mais raros são os que conseguem so-
Se comparássemos a Terra a
uma laranja, a biosfera seria
mais fina do que a parte
breviver, por causa das condições extremas. externa da casca da fruta.

mapas, gráficos e tabelas

Estúdio Ampla Arena/Arquivo da editora


Limite superior da biosfera 8 000 m de altitude

que ilustram o conteúdo


UM POUCO MAIS

Sistema binomial
UM POUCO MAIS e auxiliam na sua Zona fótica
Nível do mar

São conhecidas, atualmente, por volta de um milhão e setecentas mil espécies de seres (com luz)

compreensão.
200 m de
vivos. Para nomeá-las, utiliza-se o sistema de nomenclatura criado por Lineu, no qual cada
espécie apresenta um nome científico.
De acordo com esse sistema de nomenclatura, que obedece a certas regras, os nomes
científicos são formados por duas palavras em latim. Por esse motivo também é conhecido
Ao longo do capítulo, Zona afótica
(sem luz)
profundida
de

Vida e Evolu•‹o
por sistema binomial.
Vejamos os três exemplos a seguir.
você encontra boxes 9 000 m de profundidade
LeonP/Shutterstock

Limite inferior da biosfera


miroslav chytil/Shutterstock

Representação artística dos limites superior e inferior da biosfera.


2,5 m

3m
com assuntos que (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.)
Victoria Hillman/Shutterstock

Cap’tulo 5 ¥ Onde habitam os seres vivos? 63

complementam o
Nome popular
Gênero
Espécie
Leão
Panthera
Panthera leo Nome popular
Gênero
Tigre
Panthera 1,7 m

conteúdo estudado. VOCABULÁRIO


Panthera tigris
Espécie

Nos três exemplos apresentados, o nome científico de cada espécie é indicado por duas
Nome popular
Gênero
Espécie
Onça-pintada
Panthera
Panthera onca

São curiosidades, E GLOSSÁRIO


palavras. A primeira palavra indica o gênero a que o ser vivo pertence e deve começar com
letra maiúscula. A segunda palavra deve começar com letra minúscula e sempre vir acompa-
nhada da primeira. Perceba também que os nomes das espécies estão em itálico. Isso ocorre
porque os nomes científicos devem aparecer destacados do resto do texto, podendo ser escri- fatos históricos Para auxiliá-lo na leitura
tos em itálico, como no exemplo, em negrito ou grifados. (Para fins de padronização, vamos
utilizar o itálico para fazer as indicações de espécies nesta coleção.)
Note também que, embora o leão, o tigre e a onça-pintada sejam espécies diferentes, eles
pertencem ao mesmo gênero, o Panthera.
e ampliações e interpretação dos
Quando se conhece apenas o gênero, costuma-se colocar “sp.”, que significa uma ‘espécie
do gênero’, e deve vir sem destaque (itálico, negrito ou grifado). Por exemplo, podemos nos
referir ao leão, ao tigre e à onça utilizando apenas o nome Panthera sp. Contudo, ao fornecer
textos, há palavras e
Vida e Evolu•‹o

apenas essa informação, não é possível identificar a espécie a que nos referimos, ou seja,
podemos estar nos referindo a qualquer espécie pertencente ao gênero Panthera.
A ideia de o nome científico de cada espécie seguir a nomenclatura binomial, proposta
dos temas
por Lineu, é ainda hoje bem aceita entre os cientistas e aplicada a todos os seres vivos, mui-
to embora a ideia de um “sistema natural”, como ele propôs, seja alvo de críticas.

desenvolvidos. termos destacados cujos


Cap’tulo 4 ¥ Agrupamento e classifica•‹o dos seres vivos 53

significados aparecem
em boxes nas laterais da
página ou ao longo dos
textos.
INFOGRçFICO
A Tectônica de Placas e os tsunamis
A maioria dos tsunamis ocorre por causa de tremores provocados pelo movimento de placas localizadas no fundo do
Os movimentos das oceano. Dependendo de sua intensidade, esses tremores transmitem muita energia e geram vibrações que se propagam
placas tect™nicas a partir de seu ponto inicial. Ondas são formadas e, ao se aproximarem da região costeira de um continente, podem
atingir grandes amplitudes (altura da onda) e provocar muitos danos às populações que moram nesses locais.
Recorte de mapa de placas tectônicas A imagem a seguir explica um pouco mais esse fenômeno.
De acordo com a teoria da Tectônica de Placas, a
Banco de imagens/Arquivo da editora


Círculo Polar Ártico Ao chegar próxima à costa, a onda (Elementos
litosfera está fragmentada em diversas placas que se representados
Deslocamento da água em direção à gigante se forma e atinge o continente. em tamanhos não
deslocam sobre a astenosfera, que também está em Placa superfície e propagação da vibração proporcionais entre si.
movimento. Como as placas se movimentam em dife- Placa
Euro-Asiática
causada pelo movimento das placas Cores fantasia.)
rentes direções, elas podem se deslocar de forma que Norte-Americana tectônicas.
se afastem ou se aproximem ou, até mesmo, deslizem Trópico de Câncer

lateralmente uma em relação à outra. As imagens a


Placa
Africana

EM PRATOS LIMPOS
Meridiano de Greenwich

R2 Editorial/
Arquivo da editora

Equador
0° A água da
seguir apresentam algumas das interações que ocor- Placa praia recua
Placa
rem nos limites dessas placas, bem como exemplos Trópico de
Capricórnio
de Sul-Americana
em direção
Nazca
de onde ocorrem esses eventos. Embora as imagens ao oceano.
EM PRATOS LIMPOS
Mer

N
mostrem o encontro das placas em sequência, não
representam necessariamente uma sequência real de
interações entre placas em nosso planeta.
0 3 380 km
Movimento das placas que promove os tremores.
Ponto inicial do
d tremor.
Estes boxes ajudam Macacos não transmitem febre amarela
Os macacos não transmitem o vírus da febre amare­

Joel Santana/Shutterstock
Fonte: BOCHICCHIO, V. R. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo: Atual, p. 13, 2009.
Franco Banfi/Biosphoto/Agência France-Presse

Jonathan Chancasana/Shutterstock

Emad Aljumah/Moment RF/Getty Images

la. Pelo contrário. São tão vítimas quanto os humanos. E


V. Giannella/De Agostini/Getty Images

ainda cumprem uma função importante: ao contraírem o

a esclarecer algumas vírus, transmitido em ambientes silvestres por mosquitos


do gênero Hemagogo, eles servem de alerta para o surgi­
mento da doença no local. Desse modo, contribuem para
40 cm

que as autoridades sanitárias tomem logo medidas para

Os afastamentos entre a placa Norte-Americana e a A colisão entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana Devido a sua origem, a cordilheira dos Andes apresenta No leste da África, há sinais dos primeiros estágios de
ideias ou assuntos que proteger moradores ou pessoas de passagem na região.
A direção do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação
de Primatas Brasileiros (CPB) está preocupada com frequen­
tes registros de agressão e até mortes de macacos por pes­

podem ser confusos ou


Euro-Asiática e entre a placa Sul-Americana e a Africana provocou a formação da cordilheira dos Andes, grande atividade vulcânica e ocorrência de terremotos. separação da placa Africana. Além dos vales, a região soas que temem ser contaminadas pelos animais nas locali­ Família de macacos-prego: assim como
criaram a chamada Dorsal Mesoatlântica, que é uma cadeia considerada a cadeia montanhosa mais extensa do mundo. Um dos vulcões mais ativos da região é o vulcão Llaima, apresenta atividade vulcânica e ocorrência de terremotos. os demais primatas, os macacos não
dades onde ocorre atualmente surto da doença no país.
de montanhas cuja maior parte está submersa no oceano Ela se estende da Venezuela até o sul do Chile e tem localizado no Chile. Foto de 2018. Foto do Vale da Grande Fenda, na Etiópia, 2017. são os transmissores da febre amarela.
Atlântico. Na fotografia, a fissura de Silfra, Islândia. aproximadamente 8 mil quilômetros. Foto de 2017. “Há o receio de que os macacos possam transmitir di­
Quando duas placas se colidem, uma delas se desloca em A fragmentação de uma placa tectônica se inicia
direção ao manto, enquanto a margem da outra se dobra e com a formação de fendas na crosta terrestre. Com retamente a doença aos humanos, mas esse receio é infundado. Isso não ocorre. Em vez de
Quando duas placas se afastam uma da outra, o se ergue formando uma cadeia de montanhas. o passar do tempo, as fendas tendem a aumentar e agredidos ou mortos, os macacos devem ser protegidos para que cumpram a sua função de
material quente do manto atinge a superfície e
se resfria, formando um novo relevo na litosfera.
(Elementos representados em
tamanhos não proporcionais
entre si. Cores fantasia.)
(Elementos representados em tamanhos
não proporcionais entre si. Cores fantasia.)
podem atingir o manto, provocando a ruptura da placa.
Isso pode ocorrer tanto em uma crosta continental
quanto em uma crosta ocêanica.
R2 Editorial/Arquivo da editora
polêmicos. sentinela, de alertar para possíveis ocorrências de surtos da febre amarela”, diz o chefe do
CPB, Leandro Jerusalinsky.
Já o Ibama faz questão de destacar que, além de prejudicar as ações de prevenção da
doença, agredir ou matar macacos é crime ambiental, previsto na Lei n. í.605/í8. Entre ou­
tras coisas, a lei estabelece prisão de seis meses a um ano e multa para quem matar, perse­
guir ou caçar espécimes da fauna silvestre, em desacordo ou sem a devida licença da autori­
dade competente. A pena é aumentada em 50% quando o crime é praticado contra espécies
ameaçadas de extinção.
Crosta oceânica
Crosta O surto de febre amarela representa uma grave ameaça para os macacos que habitam a
continental Mata Atlântica. Parte significativa dos primatas do bioma está ameaçada de extinção, entre
Litosfera eles, o bugio, o macaco­prego­de­crista e o muriqui do sul e do norte.
O que fazer
Manto Astenosfera
• Ao encontrar um macaco morto ou doente, a população deve informar ao serviço de
16 17 saúde do município, do estado ou ligar para o Disque Saúde (136), serviço do Ministé­
rio da Saúde.
• O Ibama recebe denúncias de maus­tratos a animais silvestres pelo telefone 0800­
618080 (de segunda a sexta, das 8h às 18h), pelo site do Sistema de Ouvidorias do Po­
der Público Federal <E­Ouv> e presencialmente em todas as suas unidades. Fotos e

INFOGRÁFICO vídeos facilitam a investigação do crime e a identificação dos responsáveis.


• Ao encontrar macacos vivos, sadios e em vida livre, as pessoas não devem capturá­los, reti­
rá­los de seu habitat, alimentá­los, levá­los para outras áreas, agredi­los ou muito menos
matá­los.
[...]

Este recurso ajuda você a visualizar e compreender Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Macacos não transmitem febre amarela. Publicado em: 26/11/2018. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/informma/item/14588-noticia-acom-2018-01-2814.html> (acesso em: 2ã jun. 2018).

168

alguns fenômenos naturais.


4

4 MANUAL DO PROFESSOR
QUADROS INFORMATIVOS
Ao longo do texto são apresentadas informações
complementares ao tema estudado, relacionadas
a Ciências ou a outras disciplinas, ou mesmo uma
retomada de conceitos que você já estudou em
anos anteriores. ATIVIDADES Faça no
caderno.
Faça no
caderno.

PENSE E RESOLVA a) O que significa a frase “Quando a lama 10 Qfifilfiéfiofipfifincfipfilfiffitofifinfitfififilfiqfififilfivfifiàfi


virou pedra”? fofimfiçãofi dfifi dfifififitofifi fimfi áfififififi fintfififiofi-
1 PofifiqfifififififipodfififififimfififiqfifififififfiltfifidfifiáfifififinofiCfifififidofinãofiéfifimfiffitofifiqfififilfimfitfifioficfifificfimfin-
tofidfifimfifiofifififidfififiplfintfififiqfifififilfififixfifitfim?fi b) Qual bioma estudado está retratado no mfintfificobfifitfififidfifivfififitfição?
Turismo ecológico e educação ambiental texto?
SÍNTESE
O turismo ecológico, ou ecoturismo, tem como objetivo apresentar os ecos-
sistemas (em geral, ecossistemas naturais) aos visitantes, de modo que de-
Acesse também!
ASSISTA TAMBÉM! / 2 UmfifitfintfitfivfifidfifipfififififivfififiofibfiomfifidofiCfifififidofiéfiofimfinfijofidofifofiofidfifimfinfifififificontfiolfidfififi
Dfifiqfifififofimfififififiofipodfififififififixfilfifififinfifififififipfififififivfição?fi
3 Afifotofififififififiofilfidofimofitfifififimfifififiofiãofinofifioloficfifi-
c) Identifique os elementos do texto que fi-
zeram com que você chegasse à respos-
ta anterior.
1 Emfifififificfidfifino,ficfififififimfipfiqfifinofitfixtofifio-
bfififi ofifi bfiomfififi dfifi fofimfiçõfififi fibfifitfifififi Pfifififi

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


Biomas do Brasil.
senvolvam consciência e respeito ao ambiente e às culturas das populações Disponível fifidfifipofifiáfififi,fipfifincfipfilmfintfifidfifichfivfifi d) Que fenômeno climático está sendo tra- fififio,fi fitfilfizfifi fififi pfilfivfifififi qfififi fipfifificfimfi fiofi
locais. em: <www. Comofififififixplficfifififififiofião?fiOfiqfififiocofififificomfiofifinfi- tado no texto e acontece frequentemen- lfidofidfificfidfifibfiomfifi
Essa atividade, por princípio, biomasdobrasil.

LEIA TAMBÉM! / te nesse bioma?


Marcos Amend/Pulsar Imagens

tfififintfififidofifiolofififiqfififififififificonfifiqfiêncfifififipfifififififififififi- a) Cerrado: agricultura – soja – exportação


prega ações que conscientizam com/> (acesso
em: 22 jun. 2018). cfiltfififi? e) Cite pelo menos três estados brasileiros – novas tecnologias.
o ser humano a respeito da ne- que abrigam esse bioma. b) Cerrado: casca espessa – fogo – aspecto
cessidade de preservação do Nesse site, há Erosão em morros desmatados,
a descrição em Aparecida (SP), 2017. 7 Cfitfifi fimfi motfivofi pfilofi qfifilfi fififi áfififififi dfifi Cfi- tortuoso.
ambiente em que vive.
Para o Ministério do Turismo
do Brasil, o turismo sustentável
dos biomas
brasileiros e são
representados
ACESSE TAMBÉM! / 4 Comfibfifififinfififimfififimfifibfifixofififinofiqfifififofifidfificfitfidofinfifitfificfipítfilo,fifififipondfi:
fitfinfififi qfififi fififitfimfi fitfifilmfintfifi dfivfimfi fifififi
pfififififivfidfifififi
c) Caatinga: esbranquiçado – folhas – seca.
d) Pampa: pecuária – gramíneas.

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


é a atividade que satisfaz as ne- os “mascotes” de a) Qual é o nome da técnica empregada nessa plantação? 8 Imfififinfifi fimfifi fifitfifiçãofi fimfi qfififi fimfifi pfififiofifi 2 Compfifififi fifi bfiodfivfifififidfidfifi dfifi vfififitfiçãofi
cada bioma e os
b) Com qual finalidade essa técnica é empregada? fincontfififi fimfifi fififipfintfifi fimfi fifififi jfifidfimfifi Efifififi fincontfifidfifinofibfiomfifidofiPfimpfificomfifiqfifi-
cessidades dos visitantes e as animais em perigo pfififiofifi fififi fififififitfifi fi,fi fimfi vfizfi dfifi chfimfififi ofifi
necessidades socioeconômicas
das regiões receptoras, enquan-
to os aspectos culturais, a inte-
gridade dos ambientes naturais
e a diversidade biológica são O turismo ecológico e a educação ambiental
de extinção.

Veja também!
VISITE TAMBÉM! / c) Comparando-se essa imagem com a da página
103 (que mostra uma plantação no Vietnã), como
se pode explicar a diferença dos tamanhos dos de-
graus nas duas imagens?
Plantação de café acompanhando as curvas
bombfififiofifipfifififififimovfifififificobfifififimfififififififin-
çfi,fitfintfififfizfifififififiofipofificontfifipfiópfifififififificfibfifi
fifindofipficfidfifipofififilfififiAfiofifi,fifififipondfi:fi
a) Por que, provavelmente, a serpente ata-
lfifi fipfifififintfidfifi pfilofifi bfiomfififi dfifi Flofififitfifi
Amfizônficfifi fifi dfifi Mfitfifi Atlântficfififi Inclfififi fimfi
fifififi fififipofitfifi fififi pfiovávfifififi condfiçõfififi qfififi
dfitfifimfinfimfi mfifiofifi ofifi mfinofifi bfiodfivfifififidfi-
dfififimfifimfibfiomfifi

mantidos para o futuro.

A educação ambiental pretende:


contribuem para evitar a degradação do Pantanal e
de todos os ambientes naturais. Pantanal, Poconé
(MT), em 2017.
Experimente
o Brasil.
Revista produzida
pelo Ministério do
Turismo. Disponível
em: <http://
JOGUE TAMBÉM! de nível no Alto Caparaó (MG), em 2015.

5 Afiffifififififififififififififiéfivfifidfidfififififiofififfilfifi?fiJfifitfifiqfifififififififififififipofitfifi

A Caatinga é um bioma com vegetação “esbranquiçada” durante o ano todo.


.
cou a pessoa?
b) Podemos considerar a serpente a causa-
dora do acidente? Justifique a sua res-
posta.
3 Rfitomfindofififiqfififitãofidfififibfifitfifififidfifitfificfipí-
tfilo,fidfipofififidfifitfifimofifififitfidfidofiofiqfififivfimfi
ficontficfindoficomfiofifibfiomfififidfififofimfiçõfififi
fibfifitfififibfifififilfififiofi,fifipontfifipfilofimfinofififimfifi
fififififitãofiqfififipfifimfitfififiqfifilfibfififififitfivfidfidfififi
c) Cite uma provável causa para a presença
“Fazer com que os indivíduos e as coletividades compreendam a natu-
reza complexa tanto do meio ambiente natural como do criado pelo
homem – resultante da integração de seus aspectos biológicos, físicos,
sociais, econômicos e culturais – e adquiram os conhecimentos, os com-
www.turismo.
gov.br/images/
pdf/REVISTA_
COMPLETA_Partiu_
Brasil_2017_B.pdf>
Ao longo do capítulo, há 6 Ofitfixtofifififififififififiéfifimfiffififimfintofidfificfinçãofibfifififilfififififi“Pfififiíbfi”,fidfifiLfifizfiGonzfifififififiHfimbfifitofi
Tfifixfifififi,fiqfififififitfifitfififimfidofifibfiomfififibfifififilfififiofififiSfifinficfififiáfifio,fifitfilfizfififimfidficfionáfifiofipfifififiofififin-
tá-loficomfififilfiçãofifiofifififinfificfidofidfififipfilfivfifififidfificonhficfidfififi
da serpente no jardim.
9 Nfifitfibfilfififififififififififififitãofilfifitfidofi,finfificolfinfifiI,fifi
fififipfifincfipfififificfififictfifiífitficfififidofifibfiomfififibfifi-
fifilfififiofifi dfifi fofimfiçõfififi fibfifitfififi fi,fi nfifi colfinfifi
hfimfinfifi,ficomofifififififificfiltfifififififififipficfiáfififi,fi
comfififipfififififivfiçãofidofififimbfifintfififinfitfifififififi
DESAFIO
(acesso em: 18 Rfiúnfi-fifificomfifimficolfififififi,fifimfidfiplfi,fifififi-
portamentos e as habilidades práticas para participar responsável e efi-
cazmente da preservação e da solução dos problemas ambientais”.
jun. 2018).
Essa revista boxes com sugestões Quando a lama virou pedra
E Mandacaru secou
el
St
ub
ble
f el
d/A la
my/Fotoarena II,fi fififififi nomfifififi Anfilfifififi fififi finfofimfiçõfififi fi,fi
noficfidfifino,fiffiçfififificofifififipondêncfifificofififitfifi
fintfifififififidfififificolfinfififi
pondfimfiàfifiqfififitõfififififififififififififiobfififiofiCfifi-
fifido,fibfiomfifiqfififinfififiúltfimfififidécfidfififivfimfi

icha
Fonte: Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental aos Países-Membros apresenta diversos Quando a ribaçã de sede fifindofi ocfipfidofi pfilfifi pficfiáfifififi fifi pfilfifi fifififi-

M
<crédito>
(Tbilisi, Geórgia, em 1ã77). Disponível em: <http://www.mma.gov.br/informma/item/ Bateu asas e voou

de livros, sites, vídeos,


80ó5-recomenda%C3%A7%C3%B5es-de-tbilisi>. Acesso em: 27 set. 2018.
atrativos turísticos I II cfiltfififififiÉfipfiovávfilfiqfififipfififififilfifimfififidfifi-
das cidades Foi aí que eu vim-me embora fifififi fififipofitfififi vocêfifi pfificfififimfi ffizfififi fimfifi
brasileiras. Predomínio de gramíneas,
Carregando a minha dor 22 cm
A sendo que a biodiversidade 1 Cerrado pfifiqfifififififi Pfifififi fififio,fi bfifiqfifimfi fimfi lfivfiofifi fifi
Hoje eu mando um abraço destas é a maior do país. nfifi fintfifinfitfi ofi tfimfifi “Cfifififido”fi fififiocfifidofi fifi
NESTE CAPÍTULO VOCÊ ESTUDOU
Pra ti pequenina As raízes das árvores costu- “fififificfiltfififi”,fi “pficfiáfififi”fi fifi “pfififififivfição/

Vida e Evolução
Cesar Diniz/Pulsar Imagens

• A localização do Pantanal brasileiro. Paraíba masculina B


mam ser profundas e seus
2 Caatinga confififivfição”fidofifimbfifintfifi
troncos tortuosos e com
• As principais características geográficas e biológicas desse bioma.
• A importância do Pantanal para a sobrevivência de muitas espé-
cies e os impactos verificados nesses biomas após as intensas ex-
filmes, documentários, Muié macho, sim sinhô
Fonte: GONZAGA, Luiz; TEIXEIRA, Humberto.
Paraíba. Intérprete: Luiz Gonzaga. In: GONZAGA, Ribaçã, arribação ou avoante (Zenaida C
casca grossa.
As árvores perdem folhas na
época da seca como forma
de evitar a perda de água por 3 Pampa
a) Por que uma planta como a soja tem al-
cançado um sucesso tão grande em plan-
tações no Cerrado, uma vez que o solo
desse bioma apresenta pouca quantidade
Vida e Evolu•‹o

plorações de recursos. Luiz. Meus sucessos com Humberto Teixeira. [s.l.]: auriculata), ave citada na canção de Luiz
RCA, Camden, 1í68. 1 LP. Faixa 7. Gonzaga e Humberto Teixeira. transpiração. de nutrientes para essa cultura agrícola?
• O que são espécies exóticas e espécies exóticas invasoras.
• Os efeitos de uma espécie exótica invasora (javali) no Pantanal.
• A importância da preservação desse bioma, considerando suas
características.
jogos e até locais que 112 Cap’tulo 7 ¥ Biomas brasileiros: forma•›es abertas 113

Capítulo 8 • Biomas brasileiros: formações mistas 121


você pode visitar para PENSE E RESOLVA
NESTE CAPÍTULO enriquecer ainda mais o Exercícios para verificação e organização do
VOCÊ ESTUDOU seu aprendizado. aprendizado dos principais conteúdos do capítulo.
Quadro com um resumo SÍNTESE
dos principais temas Uma ou mais atividades que sintetizam os
estudados em cada principais conceitos tratados no capítulo.
capítulo. DESAFIO
Exercícios para você se aprofundar, pesquisar
e debater sobre temas relacionados ao que foi
estudado.

PRÁTICA Faça no
caderno.
LEITURA COMPLEMENTAR LEITURA
Atividades para você PRÁTICA fintfififififipfifimfififififimofidfifififiofipontofidfififipofiofi Bichos em perigo
COMPLEMENTAR
Claus Meyer/Minden Pictures RM/Getty Images

comfififidfifitâncfifififintfififififififififindfifimofidfifififiofi
O princípio da alavanca pontofidfififipofiofifi A Amazônia tem a maior diversidade de peixes
de água doce do mundo. Esses animais, porém, estão
Objetivo 4.fi Vfifififiqfififi fififi fifi fifilfiçãofi mfitfimátficfifi fipfifi-
ameaçados pela pesca sem controle e planejamen-

colocar em prática o que Vfififificfififi fifi fifilfiçãofi mfitfimátficfifi dofi pfifincí-


pfiofidfififilfivfincfifiqfifififififivfifiáfipfififificfilcfilfififiofi
fiqfifilíbfifiofifintfififififififofiçfififipotfintfififififififififitfin-
tfififimfiqfifilqfifififitfipofidfififilfivfincfifi
fifintfidfifinfifipáfifinfifi208fiéfiválfidfifipfifififififitfifi
fifitfifiçãofififi
2ª parte:
to. Tanto os peixes que servem de alimento como os
ornamentais são pescados em grande quantidade.
Mas as espécies não se reproduzem na mesma velo-
cidade e quantidade com que são pescadas. Resulta-
Texto para leitura,
5.fi Rfitfififififififimofidfifififi,ficomfifififiéfifififinovfimfintfifi
Material

aprendeu e descobrir mais • Uma régua de 30 cm (preferivelmente de


madeira ou metal; se for de plástico, pre-
cisa ser bem rígida)
fimfifiqfifilíbfifio,ficoloqfififififiofififidfifififimofidfifi,fi
fimfififiobfififififiofitfifi,finfifimfificfifidfifi10ficmfifiDfi-
tfifimfinfifififiqfififidfifitâncfififififitãofifififidfifififimofi-
dfififidofipontofidfififipofiofi(lápfifi)fi
do: podem desaparecer.
Com os animais que costumam ser caçados,
ocorre algo parecido. A caça é uma atividade ilegal
no Brasil desde 1967. Entretanto, uma grande par-
60 cm
aprofundamento
• 8 ou 10 moedas idênticas (de 5 ou 10 cen- 6.fi Emfiqfififimfificfifidfififiéfififi,fidofiofitfiofilfidofidofi Para conhecer os riscos a que a Amazônia está

sobre cada tema. tavos)


• Uma caneta esferográfica ou um lápis
com o corpo sextavado (com seis faces),
para não rolar sobre a mesa
fipofio,fivocêfidfivfificolocfifififipfinfifififimfifimo-
fidfifi pfifififi qfififi fifi filfivfincfifi (fiéfififi)fi fiqfififi fimfi
fiqfifilíbfifio?fi Compfifififi fififi dfifitâncfifififi fintfififi fififi
dfifififi mofidfififi fifi ofi pontofi dfifi fipofiofi comfi fifi
cela da população caça regularmente. Não apenas
submetida, é preciso analisar as transformações
por gosto, mas porque essa é uma forma de obter como um todo. Por exemplo, a caça do uacari-preto
alimento. Porém, quando se começa a comercializar (Cacajao melanocephalus) pode causar mudanças
carne obtida em caçadas é que iniciam os problemas na paisagem da floresta, uma vez que esses
animais podem transportar sementes de várias
e atualização das
de verdade. A quantidade de consumidores torna-se
dfifitâncfififi fintfififi fimfifi mofidfifi fifi ofi pontofi dfifi

descobertas científicas,
árvores, atuando como agentes de dispersão.
Procedimento enorme e, para atendê-la, é preciso retirar um nú-
fipofiofi Sem eles, a reprodução de várias espécies de
1ª parte: mero cada vez maior de animais da natureza, só que plantas pode ficar comprometida, o que, após
7.fi Vfifififiqfifififififififififilfiçãofimfitfimátficfififipfifififintfi- muitas espécies não se reproduzem em taxas com- décadas, pode mudar a composição da floresta.
1.fi Pofificfionfifiofimfifiofidfififiéfifififi(15ficm)fifiobfififiofi dfifinfifipáfifinfifi208fiéfiválfidfifipfifififififitfifififitfifiçãofi
patíveis com as taxas de retiradas. Então, encontram-se ameaçadas, porque seu número dimi-
lápfifificomficfifidfidofipfifififimfintê-lfififimfifiqfifilí-
3ª parte:
bfifio,ficonfofimfififififififififififififififififififi
8.fi Rfitfififififififimofidfifififi,ficomfifififiéfifififinovfimfin-
nui cada vez mais.
Outro problema que afeta várias espécies de animais, tanto aquáticas como terrestres, é
com questionamentos
Tiago Donizete Leme/
Arquivo da editora

tfififimfifiqfifilíbfifio,ficoloqfififitfiêfifimofidfifi,fifimfifi o fato de elas serem consideradas perigosas. É o que acontece com os jacarés, por exemplo. As
fiobfififififiofitfifi,finfifimfificfifidfifi5ficmfifiVfifififiqfififififi pessoas veem nesses animais, sem qualquer justiécativa real e comprovada, uma ameaça à sua
dfifitâncfifififintfifififififitfiêfifimofidfififififiofipontofidfifi vida ou à de seus familiares e resolvem, então, matá-los. Atitudes como essa, porém, podem

2.fi Coloqfifififimfifimofidfifinfifimfificfifidfifi5ficmfifiPfio-
cfifififipofificfioná-lfifidfifimfinfififififiqfifififififificfintfiofi
fipofiofifi
9.fi Emfiqfififimfificfifidfififiéfififi,fidofiofitfiofilfidofidofi
fipofio,fivocêfidfivfificolocfififidfifififimofidfifififimfifi
fiobfififififiofitfifi,fipfifififiqfifififififilfivfincfifi(fiéfififi)fi
gerar problemas sérios, como o que ocorreu com as ariranhas, abatidas entre 1950 e 1960 até
quase a extinção pelo alto valor de suas peles.
Você, agora, já tem ideia de quantas ameaças rondam a Amazônia, uma região extremamen-
te rica e diversa, paradisíaca para biólogos e outros especialistas em meio ambiente. No entanto,
para verificar se você
fiqfifififixfitfimfintfifinofitfifiçoficofifififipondfintfifififi
5ficmfifiVfifififiqfififififiqfififidfifitâncfififififimofidfifififitáfi
dofipontofidfififipofiofi(lápfifi)fifi
3.fi Emfiqfififimfificfifidfififiéfififi,fidofiofitfiofilfidofidofi
fiqfifififimfifiqfifilíbfifio?fiCompfififififififidfifitâncfifififi
fintfifififififidfifififimofidfififififiofipontofidfififipofiofi
comfififidfifitâncfifififintfifififimfifimofidfifififiofipon-
tofidfififipofiofi
não basta proteger a grande diversidade de plantas e animais ou mantê-la intocada. A Amazônia
tem de ser utilizada de maneira adequada, planejada e responsável. Precisa ser conservada para
o bem das pessoas que vivem ali e para o bem do país, do continente e, mesmo, do planeta.
Fonte: QUEIROZ, Helder de Lima. Amazônia sob ameaça.
compreendeu o que foi
fipofio,fivocêfidfivfificolocfifififimfifiofitfififimofidfifi 10.fiVfifififiqfififi fififi fifi fifilfiçãofi mfitfimátficfifi fipfifi- Ciência Hoje das Crianças, v. 20, n. 179, p. 21, maio 2007. Disponível em:
pfifififiqfifififififilfivfincfifi(fiéfififi)fifiqfifififimfifiqfifi-
líbfifio?fi Dfitfifimfinfifi fifi compfifififi fififi dfifitâncfifififi
fifintfidfifinfifipáfifinfifi208fiéfiválfidfifipfifififififitfifi
fifitfifiçãofi Quest›es
<http://capes.cienciahoje.org.br/viewer/?éle=/revistas/pdf/chc_179.pdf> (acesso em: 27 set. 2018).
Faça no
caderno. lido.
MatŽria e Energia

1 Dofipontofidfifivfifitfifidofififitofifidofitfixto,fififificfiçfidfifififiãofifimfipfioblfimfifipfifififififipfififififivfiçãofidfififi
fifipécfififi?fiCfitfifififififimfintofifimfincfionfidofifinofitfixtofi
2 Afipfiopofitfififipfifififintfidfifipfilofififitofifinofiúltfimofipfifiáfifififofipodfififififificonfifidfififidfififimfififofimfifi
dfifidfififinvolvfimfintofifififitfintávfil?fiExplfiqfififi

Cap’tulo 14 ¥ M‡quinas simples 221 98

Faça no
caderno.

Não escreva no seu livro! Indica que há material digital


Faça suas atividades e audiovisual relacionado ao
anotações no caderno. tema ou ao conteúdo estudado.

MANUAL DO PROFESSOR 5
SUMÁRIO

UNIDADE 1
TERRA E UNIVERSO ..................................................................................... 8
CAPÍTULO 1 – DINÂMICA DA TERRA ....................................... 10 As camadas da atmosfera da Terra .................................30
A dinâmica da Terra ................................................................ 11 Aurora polar........................................................................ 31
Teoria da Deriva Continental ............................................ 11 Atividades ...............................................................................32
Teoria da Tectônica de Placas .......................................... 14 Pense e resolva ......................................................................32
Infográfico – Os movimentos das placas tectônicas......... 16 Síntese ....................................................................................33
Atividades ............................................................................... 21 Prática......................................................................................33
Pense e resolva ...................................................................... 21
Síntese ....................................................................................22 CAPÍTULO 3 – POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA ..............................34
Desafio .....................................................................................22 Poluentes atmosféricos......................................................... 35
Leitura complementar ..........................................................23 Material particulado .......................................................... 35
CAPÍTULO 2 – A ATMOSFERA TERRESTRE ......................... 24
Gases poluentes................................................................36
Comprovando a existência do ar .......................................... 25 Atividades ...............................................................................44
Gás nitrogênio ................................................................... 27 Pense e resolva ......................................................................44
Gás oxigênio ...................................................................... 27 Síntese .................................................................................... 45
Gás carbônico (ou dióxido de carbono) ......................... 27 Desafio .....................................................................................46
Atmosfera da Terra..................................................................28 Prática...................................................................................... 47

UNIDADE 2
VIDA E EVOLUÇÃO ..................................................................................... 48
CAPÍTULO 4 – AGRUPAMENTO E CLASSIFICAÇÃO Mata dos Cocais ......................................................................84
DOS SERES VIVOS ..........................................50 Mata Atlântica ......................................................................... 85
Classificar para organizar ...................................................... 51 Um solo raso, porém habitado ......................................... 87
Agrupando seres vivos .......................................................... 51 Bromélias e sua fauna associada ...................................89
O sistema natural de Lineu ...................................................52 Mata de Araucárias ................................................................. 91
As categorias de classificação de Lineu.........................52 A Floresta Amazônica e a Mata Atlântica .............................92
A classificação dos seres vivos em constante mudança ..56 Manguezais .............................................................................93
Reino Animalia ...................................................................56 Atividades ...............................................................................95
Reino Plantae ..................................................................... 57 Pense e resolva ......................................................................95
Reino Protista .................................................................... 57 Síntese .................................................................................... 97
Reino Fungi ........................................................................58 Desafios ................................................................................... 97
Reino Eubactéria ...............................................................58 Leitura complementar ..........................................................98
Atividades ...............................................................................59
CAPÍTULO 7 – BIOMAS BRASILEIROS:
Pense e resolva ......................................................................59 FORMAÇÕES ABERTAS ..................................99
Síntese ....................................................................................60 Cerrado...................................................................................100
Desafio .....................................................................................60 Caatinga .................................................................................105
Leitura complementar .......................................................... 61 Campos ou Pampa ................................................................109
CAPÍTULO 5 – ONDE HABITAM OS SERES VIVOS? ............62 Como combater a desertificação ........................................111
Biosfera.................................................................................... 63 Atividades .............................................................................112
Biomas ..................................................................................... 64 Pense e resolva .................................................................... 112
Ecossistemas.......................................................................... 64 Síntese .................................................................................. 113
Os biomas da Terra .................................................................66 Desafio ................................................................................... 113
Os biomas brasileiros .............................................................68 Prática.................................................................................... 114
As formações óorestadas do Brasil ................................68 CAPÍTULO 8 – BIOMAS BRASILEIROS:
As formações abertas do Brasil ......................................70 FORMAÇÕES MISTAS ...................................115
A formação mista do Brasil .............................................. 71 Pantanal................................................................................. 116
Ecossistemas e biomas aquáticos do Brasil....................... 72 Infográfico – Biomas brasileiros ........................................118
Preservação e desenvolvimento sustentável .................... 73 Turismo ecológico e educação ambiental .................... 121
Atividades ............................................................................... 74 Atividades .............................................................................122
Pense e resolva ...................................................................... 74 Pense e resolva ....................................................................122
Síntese .................................................................................... 75 Síntese ..................................................................................122
Leitura complementar ..........................................................76 Leitura complementar ........................................................123
CAPÍTULO 6 – BIOMAS BRASILEIROS: CAPÍTULO 9 – LIXO: UM PROBLEMA
FORMAÇÕES FLORESTADAS ........................ 78 SOCIOAMBIENTAL .......................................... 124
Floresta Amazônica................................................................ 79 O que é lixo? .......................................................................... 125
Pesca na Amazônia ........................................................... 81 Classificação do lixo .............................................................126
Desmatamento e queimadas...........................................82 Destino do lixo.......................................................................128
Extrativismo na Amazônia ............................................... 83 Os lixões: lixo a céu aberto............................................. 129
6

6 MANUAL DO PROFESSOR
Enterrando o lixo: os aterros..........................................130 Síntese ..................................................................................156
Queimando o lixo: a incineração ................................... 131 Desafios ................................................................................. 157
Lixo e consumo ..................................................................... 132 Prática....................................................................................158
Mudando o conceito de lixo............................................ 132 Leitura complementar ........................................................160
Compostagem.................................................................. 132 CAPÍTULO 11 – AS DOENÇAS E A ÁGUA ............................. 161
Mas o que fazer com o restante do lixo? ...................... 133 Doenças de veiculação hídrica ........................................... 162
Reduzir .............................................................................134 Amebíase, giardíase e cólera ......................................... 162
Reutilizar ..........................................................................134 Leptospirose ....................................................................164
Reciclar ............................................................................. 135 Outras doenças relacionadas com a água ........................ 165
Repensar ..........................................................................138 Dengue ............................................................................. 165
Atividades .............................................................................139 Chikungunya.................................................................... 165
Pense e resolva ....................................................................139 Zika.................................................................................... 165
Síntese ..................................................................................140 Febre amarela.................................................................. 167
Desafio ................................................................................... 141 Esquistossomose ...........................................................169
Prática.................................................................................... 141 Atividades .............................................................................170
Leitura complementar ........................................................142 Pense e resolva .................................................................... 170
CAPÍTULO 10 – SANEAMENTO BÁSICO ...............................143 Síntese .................................................................................. 171
A poluição da água ...............................................................144 Desafios ................................................................................. 172
Fertilizantes e pesticidas ...............................................146 Leitura complementar ........................................................173
Vazamentos de petróleo ................................................146 CAPÍTULO 12 – AS DEFESAS DO NOSSO CORPO ............. 174
Esgoto industrial ............................................................. 147 Mecanismos de defesa ........................................................ 175
Esgoto doméstico ........................................................... 147 Aquisição de imunidade ................................................. 176
Saneamento básico .............................................................148 A saúde do sistema imunitário ........................................... 178
Tratamento de esgoto .....................................................148 A AIDS ................................................................................ 179
Infográfico – Etapas do processo de tratamento Doenças autoimunes...................................................... 179
da água e do esgoto em uma cidade ..................................150 Atividades .............................................................................180
Fossa séptica...................................................................152 Pense e resolva ....................................................................180
Poços ................................................................................152 Síntese ..................................................................................180
Atividades .............................................................................154 Desafio ...................................................................................180
Pense e resolva ....................................................................154 Leitura complementar ........................................................181
UNIDADE 3
MATÉRIA E ENERGIA ................................................................................ 182
CAPÍTULO 13 – UM MUNDO MOVIDO A FORÇA ..................184 CAPÍTULO 15 – CALOR E SUAS MANIFESTAÇÕES .......... 222
Entendendo os movimentos ...............................................185 Calor e temperatura..............................................................223
Força: uma grandeza vetorial .............................................187 Como medir a temperatura .................................................225
Orientação (direção e sentido) .....................................188 As escalas termométricas ...................................................226
Intensidade (ou módulo) ...............................................189 Como medir a quantidade de calor .....................................228
Resultante de forças (R) .....................................................191 Processos de transmissão de calor ...................................230
Determinação da resultante ..........................................192 Condução térmica ...........................................................230
Trabalho de uma força .........................................................194 Convecção térmica .........................................................232
Cálculo do trabalho de uma força .................................195 Radiação ou irradiação térmica.....................................233
Atividades .............................................................................198 A radiação na Terra ...............................................................234
Pense e resolva ....................................................................198 Atividades .............................................................................236
Síntese ...................................................................................199 Pense e resolva .................................................................236
Prática....................................................................................199 Síntese ...................................................................................238
Desafio ...................................................................................238
Leitura complementar ........................................................201
Leitura complementar ........................................................239
CAPÍTULO 14 – MÁQUINAS SIMPLES....................................202
CAPÍTULO 16 – A UTILIZAÇÃO DA ENERGIA
Transformando a energia .....................................................203 TÉRMICA PELO SER HUMANO ..................240
Máquinas simples ................................................................204 O Sol e o fogo ......................................................................... 241
Alavanca ...........................................................................205 Infográfico – A relação do ser humano com
Roda ..................................................................................209 as ferramentas e máquinas simples .................................242
Roldana (ou polia) .......................................................... 210 A máquina a vapor ................................................................244
Roda dentada (ou engrenagem) ................................... 211 Uma revolução na sociedade ..............................................247
Plano inclinado ................................................................ 213 O motor de Otto ...........................................................248
Cunha ............................................................................... 214 A Segunda Revolução Industrial................................248
Parafuso ........................................................................... 215 A Terceira Revolução Industrial .................................250
Atividades ............................................................................. 217 Atividades .............................................................................254
Pense e resolva .................................................................... 217 Pense e resolva ....................................................................254
Síntese ................................................................................... 219 Síntese ...................................................................................254
Desafio ...................................................................................220 Prática....................................................................................255
Prática....................................................................................221 Referências bibliográficas .................................................256
7

16 AM 002a0007_Cia_da_Ciencia_7_Iniciais_PNLD2020.indd 7 7/11/19 6:26 AM

MANUAL DO PROFESSOR 7

001a023_Cia_da_Ciencia_Guia7_C1_U1_PNLD2020.indd 7 7/11/19 9:33 AM


1
Competências gerais

Unidade
Terra e
da BNCC
ŸŸ Utilizar diferentes lingua-
gens – verbal (oral ou vi-

Universo
sual-motora, como Libras, e
escrita), corporal, visual, so-
nora e digital –, bem como
conhecimentos das lingua-
gens artística, matemática
e científica, para se expres-
sar e partilhar informações,
experiências, ideias e senti-
mentos em diferentes con-
textos e produzir sentidos
que levem ao entendimen-
to mútuo.
ŸŸ Argumentar com base em
fatos, dados e informações
confiáveis, para formular,
negociar e defender ideias,
pontos de vista e decisões
comuns que respeitem e
promovam os direitos hu-
manos, a consciência so-
cioambiental e o consumo
responsável em âmbito lo-
cal, regional e global, com
posicionamento ético em re-
lação ao cuidado de si mes-
mo, dos outros e do planeta.
ŸŸ Exercitar a empatia, o diálo-
go, a resolução de conflitos
e a cooperação, fazendo-se
respeitar e promovendo o
respeito ao outro e aos di-
reitos humanos, com aco-
lhimento e valorização da
diversidade de indivíduos
e de grupos sociais, seus
saberes, identidades, cultu-
ras e potencialidades, sem
preconceitos de qualquer
natureza.
Competências
específicas da BNCC
ŸŸ Compreender conceitos fun-
damentais e estruturas ex-
plicativas das Ciências da
Natureza, bem como do-
minar processos, práticas Fotografia noturna da região da
e procedimentos da inves- Arábia Saudita vista do espaço.
tigação científica, de modo Imagem fornecida pela Nasa.
a sentir segurança no deba-
te de questões científicas, 8
tecnológicas, socioambien-
tais e do mundo do traba-
lho, continuar aprendendo
008a023_Cia_da_Ciencia_7_U1_Cap1_PNLD2020.indd 8 10/22/18 9:20 AM 008
e colaborar para a constru- safios do mundo contemporâneo, incluindo aqueles relativos ŸŸ Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, res-
ção de uma sociedade jus- ao mundo do trabalho. ponsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, re-
ta, democrática e inclusiva. ŸŸ Construir argumentos com base em dados, evidências e in- correndo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para
ŸŸ Avaliar aplicações e implica- formações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos tomar decisões frente a questões científico-tecnológicas e
ções políticas, socioambien- de vista que promovam a consciência socioambiental e o res- socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva,
tais e culturais da ciência e peito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diver- com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis
de suas tecnologias para sidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos e solidários.
propor alternativas aos de- de qualquer natureza.

8 UNIDADE 1

001a023_Cia_da_Ciencia_Guia7_C1_U1_PNLD2020.indd 8 7/11/19 12:58 PM


Nesta unidade
Terra, um planeta dinâmico. A estrutura da Terra, compos-
Oriente os estudantes a ob-
ta principalmente de rochas, água e ar, em constante inte- servar a imagem de abertura
ração, apresenta fenômenos e processos com reflexos em da unidade. Comente com eles
todas as partes do planeta. que na fotografia apresentada
Entender o planeta Terra, desde a sua posição no espaço é possível identificar a litosfe-
até a sua constituição física, nos torna capazes de atuar po- ra e a hidrosfera e relacioná-las
sitivamente na transformação do ambiente. Nesta unidade, com a atmosfera e a biosfera.
estudaremos a Terra, suas características e sua relação com Reforce que é no ambiente
nosso cotidiano. terrestre, principalmente, que
ocorrem as interações dos se-

Antartis/Dreamstime/Glow Images
res vivos entre si e com o pla-
neta Terra. Também é nesse
ambiente que grande parte dos
fenômenos naturais pode ser
observada pelo ser humano.
Nesta unidade daremos se-
quência ao conteúdo do eixo
Vida e Evolução, iniciado no 6°
ano, abordando alguns fenô-
menos relacionados à dinâ-
mica da Terra, principalmente
aqueles que ocorrem e são ob-
servados a partir da superfície
terrestre, envolvendo a litosfe-
ra, a hidrosfera e a atmosfera.
A partir das informações tra-
balhadas sobre a composição
da atmosfera e suas principais
características físicas e quími-
cas, insere-se também uma
discussão de como a espécie
humana está interferindo no
delicado e dinâmico equilíbrio
dos fenômenos naturais ao
provocar alterações que in-
tensificam gradualmente o
efeito estufa e levam à dimi-
nuição da camada de ozônio.

MANUAL DO PROFESSOR 9
Habilidades da BNCC

Cap’tulo
(EF07CI15) Interpretar fe-
nômenos naturais (como vul-
cões, terremotos e tsunamis)
e justificar a rara ocorrência
desses fenômenos no Brasil,
com base no modelo das pla-
cas tectônicas.
1 Dinâmica
da Terra
(EF07CI16) Justificar o for-
mato das costas brasileira e
africana com base na teoria da
deriva dos continentes.

Habilidade
complementar
O item a seguir foi elabora-
do para esta coleção:
Ÿ Reconhecer os fósseis como
evidências nos estudos bio-
lógicos e geológicos.
Objetos de
conhecimento
Ÿ Fenômenos naturais (vul-
cões, terremotos e tsunamis).
Ÿ Placas tectônicas e deriva
continental.

USGS/Anadolu Agency/Getty Images

Erupção do vulcão Observe a imagem. Ela mostra um pouco das consequências de um dos
Kilauea, no Havaí, mais assustadores fenômenos naturais: a erupção de um vulcão. Ocorrências
Estados Unidos, em como essa causam muito impacto na nossa civilização. Você já deve ter visto
22 de maio de 2018.
nos noticiários da TV, em jornais, em revistas ou na internet o rastro de destrui-
ção que esses eventos deixam nos lugares onde acontecem.
Terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas são alguns exemplos de fenô-
menos naturais que ocorrem com frequência em algumas regiões do planeta.
No nosso país, por exemplo, esses fenômenos não são muito comuns.
Você já pensou por que isso acontece? Será que esses fenômenos naturais
podem ocorrer também no Brasil, como acontece em outras regiões da Terra?
As respostas para essas questões você encontrará neste capítulo.
10

Problematização/Conhecimentos prévios Onde e por quê?”. Peça aos estudantes que compartilhem seu
Apresente aos estudantes a imagem de abertura do capítulo. conhecimento com os colegas.
Peça a eles que identifiquem o fenômeno natural representado Caso sejam mencionadas hipóteses relacionadas com as
e levantem hipóteses para a sua ocorrência. teorias da Deriva Continental e Tectônica de Placas, chame a
Problematize e investigue os conhecimentos prévios com as atenção para o fato de que as duas foram formuladas a partir
perguntas: “Quais são as causas dos terremotos e tsunamis?”; de evidências indiretas.
“Por que esses fenômenos ocorrem com maior frequência em Por fim, sugira aos estudantes que discutam em duplas e ano-
algumas regiões do planeta?”; “Ocorrem terremotos no Brasil? tem suas respostas no caderno ou no quadro de giz.

10 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
Neste capítulo
A dinâmica da Terra Veremos que a ideia de uma
crosta terrestre rígida e es-
Ao observar um planisfério, podemos imaginar os continentes como peças tática está longe de ser ver-
Planisfério:
de um quebra-cabeça que poderiam se encaixar e formar um único e gigantes- carta ou mapa dadeira. A crosta terrestre se
co continente. que representa, movimenta em várias direções
Observe atentamente o mapa-múndi abaixo. Veja como o formato dos con- em um mesmo e sentidos, provocando mu-
tinentes apresenta um recorte tão bem definido que parece até que eles pode- plano, todo o danças no relevo e, muitas
globo terrestre. vezes, grandes impactos so-
riam se encaixar um no outro!
cioambientais, principalmente
em algumas regiões do planeta
Mapa-múndi onde há grande concentração

Banco de imagens/Arquivo da editora


0° OCEANO GLACIAL ÁRTICO urbana. Terremotos, tsunamis
Círculo Polar Ártico e vulcões são processos tec-
tônicos que podem ser expli-
EUROPA cados a partir do estudo da
AMÉRICA ÁSIA
DO NORTE
estrutura e dinâmica da Ter-
ra. Duas teorias têm ajudado
Trópico de Câncer
bastante os cientistas a en-
AMÉRICA CENTRAL OCEANO
ATLÂNTICO ÁFRICA
OCEANO tendê-los: a teoria da Deriva
PACÍFICO Continental e a teoria da Tec-
Equador

tônica de Placas.
Meridiano de Greenwich

OCEANO OCEANO
AMÉRICA ÍNDICO
PACÍFICO DO SUL Esse conhecimento con-
Trópico de Capricórnio OCEANIA
tribui para que cientistas do
mundo inteiro compreendam
melhor a natureza desses fe-
nômenos e desenvolvam tec-
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO N
nologias capazes de prevê-los,
Círculo Polar Antártico
mapeando as regiões de risco.
ANTÁRTICA 0 2 050 km Embora esses fenômenos não
possam ser controlados, esse
Fonte: CALDINI, V.; ÍSOLA, L. Atlas geográfico Saraiva. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 164-165. conhecimento ajuda as popu-
lações atingidas a se prepa-
Esse aparente “encaixe” entre os continentes foi uma das evidências que rarem para sua ocorrência e
levaram ao desenvolvimento da teoria da Deriva Continental, segundo a qual minimiza os danos causados.
um continente único teria se dividido em vários blocos, afastando-se uns dos O estudo desses fenôme-
outros ao longo do tempo. nos parte do conhecimento
adquirido no 6° ano sobre a
Teoria da Deriva Continental estrutura da Terra e possibi-
lita uma interface com outras
A ideia de que os continentes estariam em movimento existe há muito tem- áreas do conhecimento, como
po. A primeira evidência de que isso teria ocorrido foi notada por cientistas eu- a Geografia e a História. Além
ropeus entre os séculos XVI e XVII devido ao aparente “encaixe” entre os conti- disso, é mais uma oportunida-
de de aplicarmos os conceitos
nentes dos dois lados do oceano Atlântico, principalmente a África e a América
de modelo, hipótese e evidên-
do Sul, como vimos acima. cias indiretas, indispensáveis
No início do século XX, o meteorologista alemão Alfred Wegener propôs
Terra e Universo

para a construção do conhe-


que os continentes estariam em lento e constante movimento, unindo-se e cimento científico.
separando-se ao longo do tempo, até terem chegado na configuração atual.
Wegener também defendia que teria existido um único supercontinente, a
Pangeia (do grego, ‘todas as terras’), rodeado por um único oceano, denomi- No Material Digital do Pro-
fessor você encontrará a
nado Pantalassa (do grego, ‘todos os mares’). Estima-se que essa configura-
proposta da Sequência di-
ção tenha existido há 225 milhões de anos. dática “Deriva continental
Cap’tulo 1 ¥ Din‰mica da Terra 11 e placas tectônicas”, que
poderá ser aplicada após
o estudo deste tema.

Indicações de sites (acesso em: 3 out. 2018)


Ÿ Havendo possibilidade, apresente a animação sobre a formação dos continentes no link do Atlas Escolar, na página do IBGE,
disponível em: <https://atlasescolar.ibge.gov.br/a-terra/formacao-dos-continentes>. Ele apresenta visualmente o começo da
separação dos continentes, mostrando a Eurásia e Gondwana.
Ÿ Se quiser aprofundar o tema, faça outras investigações que apresentem os principais acontecimentos de cada época e também
animais e vegetais de cada etapa da evolução durante a separação dos continentes. O site do Atlas Escolar, do IBGE, também
pode ser usado como fonte de pesquisa sobre as Ciências da Terra: <https://atlasescolar.ibge.gov.br/index.php>.

MANUAL DO PROFESSOR 11
Orientações
Assista tambŽm! A partir daí, esse supercontinente teria sofrido diversos processos de
didáticas
fragmentação, formando continentes menores que teriam se separado len-
Analise o planisfério com A era do gelo 4.
os estudantes, chamando a Direção: Mike tamente, passando por várias configurações intermediárias até formar os
atenção deles para a forma Thurmeier e Steve continentes atuais, como mostra a sequência de imagens a seguir.
atual dos continentes. Martino. Estados
Unidos, 2012.
Uma boa estratégia é levar 94 min. Movimentação dos continentes ao longo do tempo

Banco de imagens/Arquivo da editora


para a sala de aula os conti-
nentes de um planisfério re- Em sua quarta
sequência, essa
cortados e com um pequeno
animação conta as
pedaço de uma fita magnética aventuras de um

IA
(assim como os ímãs de gela- grupo de animais

GE
Equador Equador
deira) colado no verso, além de pré-históricos que

PAN
um quadro metálico onde seja está confinado
possível aderi-los por atração em um iceberg
magnética. por causa da
separação dos
É importante que os estu- continentes e
dantes “visualizem” como os 225 milhões de anos atrás 200 milhões de anos atrás
procura maneiras
continentes têm formatos que de reencontrar
parecem se encaixar, como em suas famílias.
um quebra-cabeça. AMÉRICA EUROPA
DO NORTE
ÁSIA
Essa percepção remete à
AMÉRICA
teoria da Deriva Continental e ÁFRICA
Equador CENTRAL
os continentes unidos podem Equador

contribuir para dar a dimensão Diferentes


AMÉRICA OCEANIA
configurações dos DO SUL
do que seria a Pangeia.
continentes ao longo do
Retome com os estudantes tempo, segundo a teoria
ANTÁRTICA
a maneira como os cientistas da Deriva Continental.
trabalham com evidências, 65 milhões de anos atrás Atualmente
(Cores fantasia.)
como foi estudado no 6° ano. Fonte: KIOUS, W.; TILING, R. I. The History of Plate Tectonics: Historical Perspective. Disponível em: <http://pubs.usgs.gov/
gip/dynamic/historical.html> (acesso em: 31 maio 2018).
Enfatize que, isoladamente, a
evidência do formato dos con- Além da evidência relacionada ao formato dos continentes, a teoria da
tinentes não seria suficiente
para fundamentar a teoria da
Deriva Continental também se fundamenta na existência de fósseis semelhan-
Deriva Continental e, portan- tes de animais e plantas que foram encontrados em diferentes continentes.
to, a existência de fósseis e Outra evidência é a semelhança entre os tipos de rocha presentes em conti-
de tipos de rocha semelhan- nentes mais afastados. Fósseis do
tes em continentes distintos réptil terrestre
corroborou essa teoria. Lystrosaurus
Aproveite essa oportuni- Fósseis do
dade para rever o conceito de réptil terrestre África
O esquema indica Índia
modelo e de teoria, com o in- Cynognathus

Rosangela Stefano Ilustrações/


Arquivo da editora
a existência de
tuito de esclarecer aos estu- fósseis dos mesmos
dantes que a Ciência trabalha organismos em
com “verdades” que devem ser diferentes continentes. América
do Sul Austrália
encaradas como algo sujeito a As cores indicam onde
ajustes, correções, mudanças. foram encontrados os
fósseis de cada um
A procura insistente e cons-
dos quatro organismos Antártica
tante de novas informações, representados.
baseadas em conhecimentos
(Elementos representados
anteriores, possibilita rever, em tamanhos não Fósseis de Glossopteris
ratificar ou retificar hipóte- proporcionais entre si. Fósseis do réptil
existentes em todos os
ses e experimentos e propor Cores fantasia.) Mesosaurus
continentes do sul
novos modelos explicativos. 12
Enfatize, portanto, que todo
conhecimento é passível de
questionamento, e que esse
comportamento é parte essen-
cial do fazer científico. Esteja atento ao fato de que, ao longo deste livro, nem
sempre há proporção entre as ilustrações. Chame também
a atenção dos estudantes para o uso de cores fantasia. Mui-
tas vezes a representação de um objeto ou ser vivo não cor-
responde à realidade. Diversas representações em Ciências
utilizam cores fantasia para facilitar a visualização e a com-
preensão do que está sendo apresentado.

12 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
Orientações
UM POUCO MAIS didáticas

Cargnin, Mata, RS.


A fim de abordar a formação
Fósseis dos fósseis, convém retomar
UM POUCO MAIS com os estudantes o conteú-
Você estudou no 6o ano que fósseis são restos, vestígios, marcas e

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens/Museu Padre Daniel


do a respeito de formações ro-
sinais deixados por seres que viveram no passado e ficaram preserva- chosas trabalhado no 6° ano,
dos em rochas, em resinas vegetais ou no gelo. com especial atenção para as
Os fósseis fornecem importantes evidências nos estudos sobre a rochas sedimentares, enfati-
evolução biológica dos seres vivos e também nos estudos geológicos da zando como elas contribuem
região onde foram encontrados. para o estudo do passado dos
Um exemplo de como a existência de fósseis ajudou a reforçar a seres vivos e dos ambientes.
teoria da Deriva Continental são os fósseis de mesossauros, pequenos Recorde que os sedimentos
répteis marinhos do Paleozoico encontrados no Brasil, principalmente de rochas, assim como restos
de animais e plantas (que po-
no interior de São Paulo. Esses fósseis também podem ser encontrados Mesossauro (de 70 cm a dem se tornar fósseis), de-
em rochas da mesma idade no continente africano, indicando uma pos- 100 cm de comprimento) positam-se em camadas, as
sível ligação entre a África e a América do Sul há 280 milhões de anos. fossilizado em pedra. quais se acumulam umas so-
bre as outras e, ao longo do
tempo, formam as rochas se-
Embora todas essas evidências reforcem a teoria da Deriva Continental, dimentares.
Wegener não conseguiu explicar de forma convincente como os continentes Caso considere pertinente,
se movimentavam. Por isso, sua teoria não teve muito prestígio na época. relembre também algumas ca-
A reviravolta em favor da teoria só foi ocorrer depois da Segunda Guerra racterísticas da crosta terres-
Mundial, com a descoberta de uma enorme cadeia de montanhas submarinas tre e do manto.
no oceano Atlântico. Essa cordilheira foi formada pela saída do magma do manto
e seu posterior resfriamento, criando um novo assoalho submarino à medida
que os continentes africano e sul-americano se afastaram.
Contudo, ainda não estava claro o que ocorria com o restante da crosta ter-
restre. A partir daí, o conhecimento sobre a deriva continental e a expansão do
fundo oceânico, além de tantas outras descobertas, levou ao desenvolvimento
de uma nova teoria para explicar a fragmentação e a movimentação dos conti-
nentes: a teoria da Tectônica de Placas.
Superfície do continente sul-americano Superfície do continente africano
R2 Editorial/Arquivo da editora

1. Com o afastamento dos continentes,


o magma alcança a superfície terrestre
e se resfria, formando um novo
assoalho oceânico.

Ascensão do magma
R2 Editorial/Arquivo da editora

2. Com o passar do tempo,


Terra e Universo

o assoalho oceânico se
expande e os continentes se
afastam cada vez mais.

Assoalho oceânico
Representação do processo de expansão do oceano Atlântico e de separação dos continentes africano e sul-americano.
(Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.)

Cap’tulo 1 ¥ Din‰mica da Terra 13

MANUAL DO PROFESSOR 13
Orientações
didáticas Teoria da Tect™nica de Placas
Enfatize que a litosfera é A litosfera é a camada formada pelas crostas continental e oceânica
dividida em placas tectônicas e a porção mais externa do manto (a astenosfera). De acordo com a teo-
que se movimentam continua-
ria da Tectônica de Placas, essa camada apresenta grandes e profundas
mente. Ao longo de milhões de
anos, esse movimento provo- fendas que a dividem em grandes placas rochosas, denominadas placas
cou alterações na superfície tectônicas ou placas litosféricas.
do planeta, como a aproxima- Essas placas se deslocam lentamente em diferentes direções sobre o
ção e o afastamento dos con- manto, arrastando os continentes e o fundo dos oceanos. Esse desloca-
tinentes. Vulcanismo: mento é causado pela circulação do material pastoso e quente que com-
O movimento dessas placas conjunto de põe a astenosfera, e que é impulsionado pelo calor do interior da Terra.
também está relacionado aos atividades de O movimento das placas tectônicas é bastante lento e provoca o afas-
movimentos sísmicos (terre- movimentação tamento ou a aproximação dos continentes em alguns centímetros por
motos), vulcões e tsunamis. e liberação
de materiais ano. Estima-se, por exemplo, que os continentes africano e sul-americano
Essa é uma das razões que
magmáticos do estejam se afastando, de maneira contínua, cerca de 1 cm por ano. Con-
explicam por que esses fenô- interior para a
menos são mais recorrentes
forme as placas se deslocam, o choque ou o deslizamento entre elas pode
superfície da
nos limites entre as placas. Terra.
provocar a formação de cadeias de montanhas, a ocorrência de terremo-
Para enriquecer a explicação, tos ou o vulcanismo. Vamos ver cada um desses casos a seguir.
avalie a possibilidade de fazer
cópias ampliadas do mapa que Mapa das principais placas tectônicas
apresenta as principais placas 0°

Banco de imagens/Arquivo da editora


tectônicas, conforme ilustra-
ção desta página.
Círculo
De posse das cópias da Polar Ártico

imagem, em grupos de 4 a 5 Placa


Norte-Americana
estudantes, peça inicialmen- Placa Placa
Euro-Asiática Euro-Asiática
te que reforcem com caneta
preta os limites das placas e,
em seguida, debatam entre si
Placa Placa
e escrevam, a lápis, os nomes Trópico Juan de Fuca do Caribe
de Câncer Placa Placa
dos países que estão sobre das Arábica Placa
as placas ou que se encon- Filipinas
Placa de Indiana
tram nos limites entre elas. Equador Cocos

Meridiano de Greenwich
Essa atividade facilitará a
compreensão de por que fe- Placa Placa
Trópico de Capricórnio de Sul-Americana Placa
nômenos como vulcões, ter- Nazca Africana
remos e tsunamis são mais
Placa Placa do
frequentes em determinadas Australiana Placa
Pacífico Australiana
regiões do planeta e subsidia-
rá a análise do infográfico que N

será apresentado nas páginas Placa Scotia


0 2 365 km
seguintes.
Círculo Polar Antártico
Ainda usando as cópias Placa
Antártica
do mapa, peça que identifi-
quem, observando as setas,
o sentido do deslocamento Fonte: BOCHICCHIO, V. R. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo: Atual, 2009. p. 13.

dos continentes, e associem Esquema das principais placas tectônicas. As linhas pretas indicam o limite das diferentes placas, e as setas indicam o
aos possíveis fenômenos que sentido do deslocamento dos continentes e do fundo dos oceanos.
podem ocorrer no encontro
das placas, no afastamento
e no deslizamento entre elas.
Essa abordagem também 14
é válida para trabalhar o con-
ceito de vulcanismo e localizar
regiões onde a ocorrência de
vulcões é mais comum. Nes- maior probabilidade de ocorrer vulcões? Por quê?”; “Que regiões opiniões (hipóteses) apoiando-se na sequência trabalhada e no
se momento, é importante são mais afetadas pelo vulcanismo?”. texto do livro. Caso seja possível, solicite aos estudantes que pes-
propor algumas perguntas, quisem informações em sites confiáveis e montem textos e car-
Na sequência, ainda utilizando os resultados observados e dis-
como: “Em que situações, con- tazes que tratem das cadeias de montanhas maiores e/ou mais
siderando o movimento das cutidos nas etapas anteriores, proponha a seguinte questão: “Que altas do planeta Terra. No final do semestre, eles poderão com-
placas tectônicas (encontro, explicações podem justificar a formação das grandes cadeias de partilhar suas produções com a comunidade escolar em eventos
afastamento, deslizamento e montanhas, associadas ao movimento das placas tectônicas?”. culturais. Essa atividade poderá ser realizada em conjunto com o
sobreposição das placas), há Dinamize a aula orientando os estudantes a fundamentar suas professor de Geografia.

14 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
Orientações
Cadeias de montanhas didáticas
Grandes cadeias de montanhas, como a cor-

K_Boonnitrod/Shutterstock
Até o momento, os estu-
dilheira dos Andes (na América do Sul), a cordi- dantes identificaram as pla-
lheira do Himalaia (na Ásia) e os Alpes (na Euro- cas tectônicas, localizaram os
pa), formaram-se pelo choque de placas tectôni- países (regiões) associados a
essas placas, identificaram
cas convergentes, ou seja, que se aproximaram.
os tipos de movimentos que
Quando essas placas se encontram, uma acontecem entre elas e reco-
delas se desloca em direção ao manto e volta a nheceram os processos que
fazer parte dele e a outra permanece na super- levam à formação de vulcões
fície e se dobra devido ao choque, formando as e ao surgimento de cadeias
cadeias de montanhas. Isso explica não só a for- de montanhas. Então, ainda
mação de cadeias montanhosas, mas também usando a cópia do mapa que
por que a crosta terrestre não aumenta indefi- apresenta as placas tectôni-
cas, é possível analisar com
nidamente de tamanho. Afinal, embora seja um os estudantes as regiões em
processo muito lento, parte da crosta terrestre que há maior probabilidade de
retorna ao manto e é recuperada, em um cons- ocorrer terremotos de grande
tante ciclo de criação e destruição. intensidade, que podem pro-
Vista do monte vocar grandes destruições.
Terremotos (ou abalos sísmicos) Everest, que integra O trabalho desenvolvido ao
um complexo de longo destas páginas possibi-
Os terremotos também são resultado do movimento das placas tectônicas. montanhas chamado litará melhor compreensão do
Ao se chocarem, rasparem ou deslizarem umas sobre as outras, as placas pro- Himalaia, na Ásia, infográfico que se apresenta
vocam vibrações (ondas) que se propagam a partir do ponto da perturbação em 2017.
na página seguinte.
inicial, chamado epicentro do terremoto, e transportam uma grande quantida- É o pico mais alto do
mundo, com 8 848 m
de de energia. A propagação dessas ondas pode provocar terremotos nos con- de altitude.
tinentes, e, quando esse deslocamento ocorre sob os oceanos, pode provocar
ondas gigantescas, chamadas tsunami.
A convivência dos japoneses com terremotos e tsunamis é antiga. A própria
palavra tsunami provém do japonês tsu, que significa ‘porto’, e nami, ‘onda’.

Placas tectônicas na região do Japão


Banco de imagens/Arquivo da editora

140°
140° LL
Placa
Placa

mTaira/Shutterstock
Norte-
Norte-
-Americana
-Americana

Placa
Placa OCEANO
OCEANO
Euro-Asiática
Euro-Asiática PACÍFICO
PACÍFICO

JAPÃO
JAPÃO N
N

Placa
Placa
das
das 00 11065
065 km
km
Trópico
Trópico de
de Câncer
Câncer Filipinas
Filipinas
Terra e Universo

Fonte: BOCHICCHIO, V. R. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo:


Atual, 2009. p. 13.

Em 2011, o Japão sofreu um dos maiores


terremotos seguidos por tsunami de sua
história. Como o país está localizado em uma
região de encontro entre placas tectônicas, é
frequente a ocorrência de terremotos na região.
Cap’tulo 1 ¥ Din‰mica da Terra 15

Indicação de site (acesso em: 3 out. 2018)


Caso queira complementar esse estudo com uma atividade
prática consulte o endereço eletrônico a seguir:
Ÿ BOLACHA, E. Modelos experimentais de formação de cadeias
de montanhas no contexto dos ciclos de Wilson. Terræ Di-
dática, 11(3):127-137. Disponível em: <http://ppegeo.igc.
usp.br/index.php/TED/article/view/4943/4455>.

MANUAL DO PROFESSOR 15
Orientações
INFOGRÁFICO
didáticas
Este infográfico poderá ser Os movimentos das
utilizado para complementar
as informações das páginas placas tectônicas
anteriores e pode ser emprega- Recorte de mapa de placas tectônicas
De acordo com a teoria da Tectônica de Placas, a

Banco de imagens/Arquivo da editora



do para finalizar as principais Círculo Polar Ártico
litosfera está fragmentada em diversas placas que se
informações sobre a Pangeia
e o deslocamento das placas deslocam sobre a astenosfera, que também está em Placa

tectônicas. movimento. Como as placas se movimentam em dife- Placa


Euro-Asiática

Alguns estudantes podem rentes direções, elas podem se deslocar de forma que Norte-Americana

demonstrar mais interesse se afastem ou se aproximem ou, até mesmo, deslizem Trópico de Câncer
Placa
pelo tema “Cordilheiras e vul- lateralmente uma em relação à outra. As imagens a Africana

de Greenwich
Equador

cões”. Portanto, pode ser inte- seguir apresentam algumas das interações que ocor- Placa
Placa
ressante sugerir um trabalho rem nos limites dessas placas, bem como exemplos Trópico de de Sul-Americana

Meridiano
Capricórnio Nazca
de pesquisa para posterior de onde ocorrem esses eventos. Embora as imagens
apresentação para a sala ou

Mer
N
mostrem o encontro das placas em sequência, não
mesmo para a comunidade es-
colar durante alguma mostra representam necessariamente uma sequência real de 0 3 380 km

cultural. Caso haja a disponibi- interações entre placas em nosso planeta.


Fonte: BOCHICCHIO, V. R. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo: Atual, p. 13, 2009.
lidade de recursos digitais com
Franco Banfi/Biosphoto/Agência France-Presse

Jonathan Chancasana/Shutterstock
acesso à internet, os estudan-
tes podem realizar as pesqui-
sas por meio de ferramentas
de busca on-line. Oriente-os a
buscar informações em sites
que apresentem conteúdo con-
fiável. Há inúmeros sites que
trazem fotografias e informa-
ções sobre a cadeia de mon-
tanhas localizada no oceano
Atlântico, a Dorsal Mesoatlân- Os afastamentos entre a placa Norte-Americana e a A colisão entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana
tica, que pode ser um dos ob- Euro-Asiática e entre a placa Sul-Americana e a Africana provocou a formação da cordilheira dos Andes,
jetos de pesquisa. criaram a chamada Dorsal Mesoatlântica, que é uma cadeia considerada a cadeia montanhosa mais extensa do mundo.
Outro ótimo tema de pesqui- de montanhas cuja maior parte está submersa no oceano Ela se estende da Venezuela até o sul do Chile e tem
sa é a cordilheira dos Andes, a Atlântico. Na fotografia, a fissura de Silfra, Islândia. aproximadamente 8 mil quilômetros. Foto de 2017.
cadeia montanhosa mais ex-
tensa do mundo, que se origi- Quando duas placas se afastam uma da outra, o
nou a partir da colisão entre material quente do manto atinge a superfície e (Elementos representados em
tamanhos não proporcionais
a placa de Nazca e a placa se resfria, formando um novo relevo na litosfera. entre si. Cores fantasia.)
Sul-Americana. Caso a esco-
la não disponha de recursos
digitais, selecione e indique
materiais em meio físico so-
bre o assunto, como: livros, re-
vistas especializadas, cópias
impressas de conteúdos dis-
poníveis on-line, entre outros. Crosta oceânica

Manto
16

Indicações de sites (acesso em: 3 out. 2018)


Se dispuser de recursos digitais com acesso à internet, selecione e mostre aos estudantes os últimos tsunamis que ocorre-
ram em alguns países e regiões do planeta. Os estudantes também podem ser orientados para se inteirarem dos dez tsunamis
mais destruidores que já ocorreram. Veja em:
Ÿ <https://observador.pt/2017/03/10/os-10-tsunamis-mais-destrutivos-da-historia/>
Ÿ <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/03/os-principais-tsunamis-no-mundo-nos-ultimos-anos.html>

16 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
Orientações
A Tectônica de Placas e os tsunamis didáticas
A maioria dos tsunamis ocorre por causa de tremores provocados pelo movimento de placas localizadas no fundo do Ao analisar o infográfico,
oceano. Dependendo de sua intensidade, esses tremores transmitem muita energia e geram vibrações que se propagam comente sobre tremores inter-
a partir de seu ponto inicial. Ondas são formadas e, ao se aproximarem da região costeira de um continente, podem
atingir grandes amplitudes (altura da onda) e provocar muitos danos às populações que moram nesses locais. nos ou sismos. Explique que o
A imagem a seguir explica um pouco mais esse fenômeno. sismo caracteriza-se pela vi-
Ao chegar próxima à costa, a onda (Elementos bração brusca e passageira da
representados superfície da Terra, resultante
Deslocamento da água em direção à gigante se forma e atinge o continente. em tamanhos não
superfície e propagação da vibração proporcionais entre si. da liberação rápida de varia-
causada pelo movimento das placas Cores fantasia.) das quantidades de energia
tectônicas. (magnitude) sob a forma de
ondas sísmicas. Geralmente,
são causados pela movimen-
R2 Editorial/
Arquivo da editora

A água da tação das placas tectônicas,


praia recua por atividades vulcânicas ou
em direção pelo deslocamento de gases
ao oceano.
no interior da Terra. Os gran-
des sismos são chamados de
Movimento das placas que promove os tremores.
terremotos.
d tremor.
Ponto inicial do

Emad Aljumah/Moment RF/Getty Images


V. Giannella/De Agostini/Getty Images

Devido a sua origem, a cordilheira dos Andes apresenta No leste da África, há sinais dos primeiros estágios de
grande atividade vulcânica e ocorrência de terremotos. separação da placa Africana. Além dos vales, a região
Um dos vulcões mais ativos da região é o vulcão Llaima, apresenta atividade vulcânica e ocorrência de terremotos.
localizado no Chile. Foto de 2018. Foto do Vale da Grande Fenda, na Etiópia, 2017.
Quando duas placas se colidem, uma delas se desloca em A fragmentação de uma placa tectônica se inicia
direção ao manto, enquanto a margem da outra se dobra e com a formação de fendas na crosta terrestre. Com
se ergue formando uma cadeia de montanhas. o passar do tempo, as fendas tendem a aumentar e
podem atingir o manto, provocando a ruptura da placa.
(Elementos representados em tamanhos
não proporcionais entre si. Cores fantasia.)
Isso pode ocorrer tanto em uma crosta continental
quanto em uma crosta ocêanica.
R2 Editorial/Arquivo da editora

Crosta
continental

Litosfera

Astenosfera

17

MANUAL DO PROFESSOR 17
Orientações
didáticas UM POUCO MAIS
Se considerar oportuno, ao
abordar o funcionamento do Sismógrafo
sismógrafo, apresente o con-
O sismógrafo é um instrumento utiliza-
teúdo abaixo, sobre tremores Registro Mola
ou sismos classificados na
do para registrar a hora, a duração e a inten-
Escala Richter: sidade dos abalos sísmicos. Observe a ilus- Marcador
• Microssismo (magnitude tração. Se a crosta terrestre é abalada por
inferior a 2,0): seu efeito um terremoto, a mola se move e faz o peso
Peso
não é perceptível pelos se- ligado a ela oscilar, registrando no papel mi-
res humanos. limetrado as vibrações do solo.
• Muito pequeno (magnitude As informações obtidas pelos sismógra-

Luis Moura/Arquivo da editora


entre 2,0 e 2,9): seus efei- fos são fontes de pesquisa para os cientis-
tos geralmente não são sen- tas conhecerem melhor a estrutura e a di-
tidos, mas são detectados Movimento vertical da Terra
nâmica da Terra.
por sismógrafos.
Os abalos sísmicos são classificados, de
• Pequeno (magnitude en-
tre 3,0 e 3,9): seus efeitos acordo com sua intensidade (magnitude),
Esquema representativo de um sismógrafo.
frequentemente são sen- em uma escala. A que usamos atualmente (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si.
tidos, mas raramente cau- é denominada escala Richter. Cores fantasia.)

sam danos.
• Ligeiro (magnitude entre
4,0 e 4,9): provoca tremor EM PRATOS LIMPOS
notório de objetos no inte-
rior de habitações, ruídos de Há terremotos no Brasil?
choque entre objetos, mas
dificilmente causa grandes A posição do Brasil na placa tectônica Sul-Americana não favorece a ocorrência de ter-
danos. remotos de alta magnitude. A localização do país é central e não nas extremidades de uma
• Moderado (magnitude entre placa, onde a ocorrência de terremotos é mais intensa. Todavia, pequenos tremores podem
5,0 e 5,9): pode causar gran- ocorrer como resultado de pequenas falhas causadas pelo desgaste da placa tectônica, como
des danos em edifícios mal os que aconteceram na cidade litorânea de São Vicente (SP), em 2008, e na divisa dos esta-
concebidos e em zonas res- dos do Acre e Amazonas, em 2007.
tritas e pequenos danos em Um dos maiores terremotos já registrados no Brasil ocorreu em 1955, em Porto dos Gaú-
edifícios bem construídos. chos (MT), e atingiu 6,2 graus na escala Richter. Algumas vezes podemos sentir o reõexo de
• Forte (magnitude entre terremotos que ocorreram em outros países da América Latina, cujas ondas sísmicas (vibra-
6,0 e 6,9): pode causar ções) chegam até nós, porém enfraquecidas.
destruição em áreas habi-
tadas num raio de até 160 Localização do Brasil em relação às placas tectônicas
quilômetros em torno do
Banco de imagens/Arquivo da editora


Placa
epicentro. Placa de Placa Africana
Cocos do Caribe
Equador
• Grande (magnitude entre 0°
Meridiano de Greenwich

7,0 e 7,9): pode provocar Placa do Placa


BRASIL
Pacífico de
graves danos em zonas Nazca
Trópico de Capricórnio
vastas.
• Importante (magnitude en- Placa
tre 8,0 e 8,9): pode causar N Sul-Americana

sérios danos num raio de


0 2 135 km Observe que o Brasil está
várias centenas de quilôme-
Placa localizado em uma região
tros em torno do epicentro. Antártica Placa Scotia mais afastada dos limites
• Excepcional (magnitude entre as placas tectônicas.
entre 9,0 e 9,9): devasta Fonte: BOCHICCHIO, V. R. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo: Atual, 2009. p. 13.

zonas num raio de milhares


de quilômetros em torno do 18
epicentro.
• Extremo (magnitude supe-
rior a 10,0): seus efeitos são
desconhecidos. Na História
nunca foi registado um sis- Indicações de sites (acesso em: 3 out. 2018)
mo com essa magnitude. Questione os estudantes: “No Brasil podem ocorrer terremotos? E tsunamis? Você já ouviu falar de algum?”. Caso queira apro-
Fonte dos dados: Grandezas e fundar essas questões e haja a disponibilidade de recursos digitais com acesso à internet, acesse qualquer um dos links indica-
Medidas. Disponível em: <http:// dos a seguir ou sugira aos estudantes que os visualizem em casa, anotando as possíveis explicações das questões acima, para
www.escoladeformacao.sp.gov.
br/portais/Portals/33/arquivos/ posterior discussão em classe.
Matematica%20Parte%204.pdf>. Ÿ <https://www.bbc.com/portuguese/geral-43671313>
Acesso em: 18 out. 2018.
Ÿ <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/09/22/No-Brasil-n%C3%A3o-tem-terremoto-N%C3%A3o-%C3%A9-bem-assim>

18 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
Orientações
Vulcanismo Nuvem Leia também! didáticas
de gases
O termo vulcanismo refere-se aos e cinzas Brasil tem, sim, Havendo disponibilidade de
Fragmentos
fenômenos geológicos em que mag- de rocha
terremotos — e tempo, solicite aos estudantes
Cratera há registro até a realização da atividade com-
ma, gases e outros materiais prove-
Chaminé
de tremor com plementar a seguir.
nientes do interior da Terra são expe- Cone “pequenos
lidos para fora por meio de vulcões Lava tsunamis”.
Evanildo da Silveira.
Atividade
situados na superfície terrestre.
BBC Brasil, 9 abr. complementar
Um vulcão é uma estrutura que

Luis Moura/Arquivo da editora


2018. Disponível Organize os estudantes
apresenta uma abertura – a cratera –, em: <www.bbc. em grupos com 4 ou 5 com-
por onde o material é expelido, e um com/portuguese/ ponentes. Cada grupo de-
cone formado pelo acúmulo de rochas geral-43671313> verá pesquisar sobre um
originadas do resfriamento da lava e Magma (acesso em: 31 dos fenômenos naturais
maio 2018).
da deposição dos fragmentos e cin- Representação em corte da formação de estudados até o momento
Nesse artigo é e apresentar sua produção
zas lançados. um vulcão. possível conhecer
(Elementos representados em tamanhos não para a turma em meio im-
proporcionais entre si. Cores fantasia.) o histórico dos presso (cartazes) ou digi-
registros de abalos
tal (slides). Certifique-se
The Asahi Shimbun/Getty Images

sísmicos no
Brasil e, inclusive, de que eles tenham tempo
identificar (em um suficiente para preparar e
mapa) os lugares apresentar seus trabalhos,
onde ocorreram. os quais também poderão
ser utilizados como forma
de avaliação. Oriente-os
que, na produção de slides
(Power point) ou mesmo
cartazes ou painéis, algu-
mas regras devem ser se-
guidas:
Ÿ Destacar os títulos.
Ÿ Escrever pouco texto nos
slides.
Ÿ Utilizar imagens com re-
ferências confiáveis.
Cratera do vulcão Ÿ Organizar um pequeno
Shinmoedake em
roteiro ou texto de apoio
erupção na cidade de
Kirishima, na ilha de para a apresentação.
Kyushu, no Japão, Ÿ Evitar ler os slides ou tex-
em 2018. A cratera tos dos painéis durante
também é chamada a apresentação.
popularmente de “boca Roteiro sugerido para
do vulcão”.
pesquisa:
1. Descrever o fenômeno: ter-
A distinção entre magma e lava resume-se à sua localização. Quando geó- remoto, tsunami, vulcão.
Terra e Universo

logos falam sobre magma, eles estão se referindo à rocha fundida ainda presa 2. Informar onde ocorreu
no subterrâneo. Se esta rocha fundida chegar à superfície e continuar fluindo (localização no mapa).
como um líquido, ela será chamada de lava. 3. Informar em que data
ocorreu.
Fonte: GRESHKO, M. Você sabe qual é a diferença entre magma e lava? National
Geographic. Publicado em: 9/5/2018. Disponível em: <www.nationalgeographicbrasil.com/ 4. Informar a magnitude do
vulcao/2018/05/voce-sabe-qual-e-diferenca-entre-magma-e-lava> (acesso em: 31 maio 2018). fenômeno.
5. Quais foram as principais
consequências?
Cap’tulo 1 ¥ Din‰mica da Terra 19 6. Existem medidas que fo-
ram adotadas pela comu-
nidade para minimizar os
impactos? (Se sim, quais
foram?)
7. Inserir imagens.

MANUAL DO PROFESSOR 19
Orientações
As rochas formadas a partir do resfriamento da lava são chamadas rochas
didáticas
magmáticas ou ígneas (do latim ignis, ‘que tem origem no fogo, a altas tempe-
Caso considere pertinente,
comente que as rochas mag- raturas’). Esse tipo de rocha é predominante na Terra.
máticas ou ígneas são forma- As cinzas lançadas na atmosfera pelo vulcão podem provocar alterações cli-
das a partir do resfriamento do máticas significativas na região e até mesmo no planeta. Evidências científicas
magma na superfície terrestre sugerem que a intensa atividade vulcânica no passado tenha provocado altera-
(extrusivas), como o basalto, ções climáticas que causaram a extinção de inúmeras espécies de seres vivos.
ou abaixo da superfície (intru- Embora os vulcões possam causar destruição e medo, eles também po-
sivas), como o granito.
dem ser encarados como fonte de vida e prosperidade. As cinzas lançadas ao
Ao mencionar a atividade seu redor, bem como a decomposição das rochas magmáticas, favorecem
vulcânica, esclareça que nem
a formação de um solo muito fértil para a agricultura. Por esse motivo,
todos os vulcões existentes
encontram-se ativos e que muitas populações se fixaram em regiões próximas a vulcões.
atualmente já é possível pre- Como você pode perceber, a teoria da Tectônica de Placas permite com-
ver eventuais erupções. preender diversos fenômenos sobre a dinâmica de nosso planeta e a estreita
Caso queira aprofundar o relação entre eles. O mapa-múndi a seguir deixa isso mais claro, pois mostra
assunto junto aos estudan- que o encontro das placas tectônicas coincide com a maior incidência de terre-
tes, sugerimos o acesso aos motos e vulcanismo.
sites a seguir.

Reprodução/ NASA/Goddard Space Flight Center


Indicações de sites
(acesso em: 3 out. 2018)
As cinzas vulcânicas po-
dem apresentar sérios ris-
cos à aviação. Saiba mais
sobre esse assunto na pá-
gina:
Ÿ BR ASIL. Agência
Nacional de Aviação
Civil (Anac). Cinzas
vulcânicas. Disponível
em: <http://www.anac.
gov.br/assuntos/setor-
regulado/profissionais-
da-aviacao-civil/meteo
rologia-aeronautica/con
dicoes-meteorologicas-ad
versas-para-o-voo/cinzas-
Fonte: NASA Goddard Space Flight Center.
vulcanicas>.
As cinzas vulcânicas Mapa-múndi com os limites das placas tectônicas (linhas azuis), os principais focos de
também podem trazer be- terremotos (pontos amarelos) e vulcanismo recente (pontos vermelhos).
nefícios ao solo, fertilizan-
do-o ainda mais. Acesse os
sites a seguir para mais in- NESTE CAPêTULO VOCæ ESTUDOU
formações:
USGS/Anadolu Agency/Getty Images

Ÿ BRASIL. Secretaria da • A teoria da Deriva Continental, a teoria da Tectônica de Placas e as


Educação. E rupções vul- evidências que permitiram elaborá-las.
cânicas e seus efeitos. • A relação entre os fósseis e a teoria da Deriva Continental.
Disponível em: <http://
www.geografia.seed.pr. • A movimentação das placas tectônicas e os fenômenos: formação de
gov.br/modules/conteudo/ cordilheiras, terremotos, tsunami e vulcanismo.
conteudo.php?conteudo
=284>. 20
Ÿ RIZZI, M. Cinzas vulcâ-
nicas trazem temor
mas também esperan-
ça à Argentina. E stado
de S. Paulo. Disponível
em: <https://interna
cional.estadao.com.br/
noticias/america-latina,
cinzas-vulcanicas-trazem-
temor-mas-tambem-
esperanca-a-argentina,
737623>.

20 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
ATIVIDADES Faça no
caderno. Orientações
1. Segundo essa teoria, a litosfera está dividida em placas rochosas didáticas
que se deslocam lentamente sobre o manto terrestre.
PENSE E RESOLVA Futuro supercontinente Amásia
Respostas e comentários
das questões

Banco de Imagens/Aqruivo da editora


1 Os conhecimentos sobre a tectônica
Pense e resolva
de placas ajudam a prever e a elaborar
1, 2 e 3. Veja a reprodução do
representações de como será a distri- livro do estudante.
OCEANIA
buição dos continentes ao longo dos 4. Fósseis são restos, vestí-
próximos milhões de anos. De acordo gios, marcas e sinais de se-
com um estudo publicado na revista res que viveram no passado
científica Nature, um novo continen- M Á S I A e ficaram preservados em
A ÁSIA
rochas, resinas vegetais
te, com o estranho nome de Amásia, AMÉRICA Polo
ou no gelo. A partir deles é
DO NORTE Norte
deverá surgir da junção das Américas EUROPA possível extrair diversas
com a Ásia nos próximos 200 milhões informações do passado
de anos. Dessa forma, os continentes AMÉRICA
ÁFRICA na Terra, como condições
DO SUL climáticas, animais e plan-
atuais – que, segundo a teoria da De-
tas que habitavam deter-
riva Continental, já formaram um úni- minado local, relevo, etc.,
co continente, a Pangeia – poderão se auxiliando na reconstrução
juntar novamente no futuro. Explique da história da Terra.
em que consiste a teoria da Deriva Fonte: MITCHELL, R. N.; KILIAN, T. M.; EVANS, D. A. D. Nature 482, 2012, p. 208-211.
5. Veja a reprodução do livro
Continental. do estudante.
6. Os terremotos podem ser
2 Qual das ilustrações a seguir (A, B, C ou D) melhor representa o atual sentido do deslocamento medidos por meio dos sis-
do continente africano em relação à posição da América do Sul, na formação dos continentes mógrafos. Com essas infor-
atualmente conhecidos? Justifique. mações, podemos conhecer
Ilustração A, que mostra o afastamento do continente africano em relação à América do Sul. melhor a estrutura e a dinâ-
mica do planeta Terra, além
de alertar e ajudar nas ações

Ilustrações: Banco de Imagens/


Arquivo da editora
que visam diminuir os danos
causados às populações
atingidas pelos abalos.
7. Porque o Brasil está no cen-
tro de uma grande placa tec-
A B C D tônica e, portanto, distante
das extremidades, onde
ocorrem as colisões entre
3 Quais as principais evidências que levaram à formulação da teoria da Deriva Continental? as placas e, consequente-
As principais evidências são fósseis e rochas semelhantes encontrados em diferentes continentes. mente, os terremotos.
4 O que são fósseis e como eles podem ajudar a reconstruir a história da Terra?
Resposta nas Orientações Didáticas. 8. Veja a reprodução do livro
5 Escreva o nome de dois fenômenos naturais que podem ser causados pelo choque entre placas do estudante.
tectônicas. Formação de cordilheiras e terremotos.
6 Explique como podemos medir os terremotos ou abalos sísmicos. Por que é importante obter
Terra e Universo

essas informações? Resposta nas Orientações Didáticas.


7 Observe novamente o mapa-múndi da página 20, em especial as placas tectônicas ao redor da
América do Sul. Com base nesse mapa, explique por que no Brasil os terremotos são pouco
frequentes e de baixa intensidade. Resposta nas Orientações Didáticas.
8 Apesar do risco, muitas comunidades acabaram se fixando em regiões próximas a vulcões. Ex-
A decomposição das rochas formadas pelo resfriamento da lava e as cinzas expelidas pelo vulcão formam
plique o motivo. um solo muito fértil, ideal para a agricultura.
Cap’tulo 1 ¥ Din‰mica da Terra 21

MANUAL DO PROFESSOR 21
Faça no
Orientações caderno.
didáticas
Respostas e comentários SÍNTESE
das questões
A ilustração a seguir apresenta um mapa-múndi mostrando as placas tectônicas e a orientação
Síntese
dos deslocamentos que ocorrem entre elas.
a) A – Uma placa mergulha so-
bre a outra ou uma placa se
Placas tectônicas e seus deslocamentos
sobrepõe à outra. B – Uma

Banco de imagens/Arquivo da editora



placa se afasta da outra.
C – Uma placa desliza ao Cír
cul
oP
ola
lado da outra. D – Uma pla- r Ár
tico
ca colide com a outra.
b) A – Violentos terremotos,
intensa atividade vulcânica Placa
Euro-Asiática
e elevação de montanhas. Placa do
B – Vulcanismo. C – Violen- C Placa Pacífico
tos terremotos. D – Violen- Placa do Norte-Americana
Pacífico Placa D
tos terremotos e elevação Iraniana
Trópico de Câncer

Meridiano de Greenwich
de altas montanhas. Placa Placa das
Placa Arábica Filipinas OCEANO
OCEANO
do Caribe PACÍFICO
Desafio PACÍFICO
Equador Placa
Os estudantes podem citar de Cocos 0°
Placa
que: a Terra é formada por vá- Sul-Americana
Placa OCEANO
B Africana
rias camadas. Segundo uma A ÍNDICO
Trópico de Capricórnio Placa Placa
teoria bastante aceita, suas de Indo-Australiana
Nazca OCEANO
camadas mais externas (a ATLÂNTICO
crosta terrestre e uma parte Placa
do manto) formam grandes de Scotia N

placas (as placas tectônicas),


0 2 440 km
como peças de um quebra- Placa Antártica
i co
Antárt
-cabeça, que se movimentam lo Polar
Círcu
continuamente. Quando essas
placas se chocam ou desli- Placas tectônicas
Borda da placa Origem e direção do deslocamento da placa Linha de colisão das placas
zam umas sobre as outras, es-
se movimento pode provocar Fonte: BOCHICCHIO, V. R. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo: Atual, 2009. p. 13.
terremotos e vulcões. Muitos
países estão localizados nas Para cada um dos pontos indicados por A, B, C e D: Respostas nas Orientações Didáticas.
regiões onde as placas tec- a) Descreva o movimento que ocorre entre as placas nas situações indicadas.
tônicas se encontram. Feliz-
mente, esse não é o caso do b) Indique os principais fenômenos que ocorrem devido aos movimentos das placas nas situa-
Brasil, embora possamos ter ções indicadas.
tremores ocasionados por ou-
tros fatores, mas de magnitu-
DESAFIO
de bem pequena. Imagine que uma pessoa que mora em uma cidade do litoral do Nordeste assistiu pela te-
levisão à cobertura de um terremoto que aconteceu recentemente no Chile e escreveu um
e-mail para a produção do programa, muito preocupada com a possibilidade de ocorrência do
mesmo fenômeno no Brasil. Na mensagem ela relata que ouviu uma explicação sobre placas
tectônicas, mas não conseguiu entender a relação desses conceitos com os terremotos.
Seu desafio será responder à mensagem dessa pessoa, utilizando uma linguagem simples e
os conceitos estudados neste capítulo. O texto deverá ter entre 10 e 15 linhas e poderá ser
manuscrito ou digitado e impresso. Resposta pessoal. Veja as Orientações Didáticas.

22

Indicações de sites (acesso em: 3 out. 2018)


Para saber mais sobre os continentes submersos, acesse:
Ÿ Cientistas anunciam a existência da Zelândia, o “continente oculto da Terra”. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.
com/sociedade/sustentabilidade/cientistas-anunciam-existencia-da-zealandia-continente-oculto-da-terra-1-20935760>.
Ÿ Cientistas farão expedição para continente submerso. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/
cientistas-farao-expedicao-para-continente-submerso-21620064>.

22 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1
LEITURA COMPLEMENTAR Orientações
didáticas
Ecos da separação Respostas e comentários
Reprodução/JAMSTEC das questões
[...] Em 2011, geólogos colheram amostras de granito, Leitura complementar
um tipo de rocha continental, da Elevação do Rio Gran-
1. Com a utilização de um sub-
de, uma cadeia de montanhas submersas a cerca de marino, foram coletadas
1 300 quilômetros (km) do litoral do Rio Grande do Sul. Pen- outras amostras de rochas
sava-se que essas montanhas submersas seriam resultado continentais, cuja análise
da formação do assoalho oceânico e de erupções vulcâni- indicou que elas apresen-
tavam as mesmas carac-
cas, portanto, formadas por outro tipo de rocha. Dois anos
terísticas e composição,
depois, [em 2013], por meio de um submarino, colheram ou- reforçando a hipótese de
tras amostras de rochas continentais, cuja análise reforçou que essa região do Atlântico
a hipótese de que essa região do Atlântico Sul poderia de Sul poderia ser, de fato, um
fato ser um pedaço de continente que teria submergido du- pedaço de continente que
Granito na Elevação do Rio Grande, no
rante a separação da América do Sul e da África, iniciada há teria submergido durante
Rio Grande do Sul, em 2013.
a separação da América do
120 milhões de anos.
Sul e da África, iniciada há
[...] Geólogos [...] concluíram que os grandes blocos de rochas – ou
Submergir: cobrir-se 120 milhões de anos.
microplacas – que formam os dois continentes e o assoalho oceânico de água. 2. Os geólogos propõem que
não se afastaram como duas partes de uma folha rasgada, mas estica- grandes blocos de rochas
ram, se quebraram e se posicionaram caoticamente. Algumas partes podem ter ficado no meio que formam os dois conti-
do caminho e afundado, enquanto outras se afastavam e se misturavam, formando um imenso nentes e o assoalho oceâni-
co não se afastaram como
mosaico que agora se torna um pouco mais claro.
duas partes de uma folha
[...] rasgada, mas esticaram-
“A identificação de rochas continentais na Elevação do Rio Grande muda o quadro da evo- -se, quebraram-se e posi-
lução do Atlântico Sul, que se formou com a separação dos dois continentes [Africano e Sul-a- cionaram-se caoticamente.
mericano]”, comenta o geólogo Peter Christian [...]. Há quase 20 anos, [...] ele examina os sinais Algumas partes podem ter
das possíveis forças que levaram à separação da América do Sul e da África. Suas conclusões afundado no oceano, for-
mando as cadeias de mon-
reforçam a contestação do modelo tradicional, segundo o qual as linhas de costa dos dois con-
tanhas submersas.
tinentes, representando os blocos de rochas que os formaram, poderiam se encaixar. Há um
encaixe na costa do Nordeste com o Oeste da África, mas em outras regiões, como o litoral do
Rio de Janeiro, parecem faltar partes do quebra-cabeça de rochas.
[...]
Fonte: FIORAVANTE, C. Ecos da separação. Revista Fapesp.
Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/10/09/ecos-da-separacao-2/> (acesso em: 22 maio 2018).

Questões Faça no
caderno.
1 Que evidência permitiu aos geólogos considerar a Elevação do Rio Grande, cadeia de
montanhas submersas no oceano Atlântico, como parte do continente inicialmente for-
Terra e Universo

mado pela África e América do Sul? Resposta nas Orientações Didáticas.


2 Que hipóteses propostas pelos geólogos reforçam a ideia da presença de cadeias de
montanhas submersas no oceano ocorridas no processo de afastamento das placas, se-
parando a América do Sul da África? Resposta nas Orientações Didáticas.

Cap’tulo 1 ¥ Din‰mica da Terra 23

Ÿ Pedaço de continente submerso no meio do Atlântico. Inovação tecnológica. Disponível em: <https://www.inovacaotecnologica.
com.br/noticias/noticia.php?artigo=pedaco-continente-submerso-meio-atlantico&id=010125141029#.W7KqMntKiM8>.
Outro tema interessante para ser consultado pelos estudantes é sobre a grande falha de San Andreas:
Ÿ A falha de San Andreas está nos avisando do ‘Big one’? E l País. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/04/
ciencia/1475574853_514851.html>.

MANUAL DO PROFESSOR 23
2
Habilidade da BNCC

Cap’tulo
(EF07CI12) Demonstrar que
o ar é uma mistura de gases,
identificando sua composição,
e discutir fenômenos naturais
A atmosfera
ou antrópicos que podem alte-
rar essa composição. terrestre
Habilidade
complementar
O item a seguir foi elabora-

ck
sto
do para esta coleção:

ter
hut
Ÿ Caracterizar as camadas da

er/S
k ydiv
atmosfera terrestre.

G erm ans
Objetos de
conhecimento
Ÿ Composição do ar.
Ÿ Efeito estufa.

Soloviova Liudmyla/Shutterstock

O ar é responsável Você, provavelmente, já deve ter arremessado um pequeno avião de papel,


pela sustentação empinado uma pipa ou, ainda, visto pessoas praticando paraquedismo.
da pipa e dos Sabe o que torna possíveis todas essas atividades?
paraquedas.
Elas podem acontecer porque esses objetos estão envolvidos pelo ar. O
avião de papel, a pipa e o paraquedas precisam do ar para se movimentar.
E como podemos perceber o ar? Do que ele é formado? O que é atmosfera?
O que é ar rarefeito?
Você vai encontrar as respostas para essas perguntas durante o estudo
deste capítulo.
24

Problematização/Conhecimentos prévios Na primeira pergunta, é possível que os estudantes respon-


A existência do ar possivelmente já foi abordada nos Anos Ini- dam que ar é aquilo que respiramos, ou o que colocamos dentro
ciais do Ensino Fundamental. Para a problematização inicial do de bexigas. Lembre-se de que, nesse momento, o objetivo princi-
capítulo, você pode começar a aula solicitando aos estudantes pal é avaliar os conhecimentos prévios dos estudantes, portanto
que, organizados em duplas, respondam no caderno às seguin- acolha os comentários realizados e, oportunamente, retome-os
tes questões: “O que é o ar?”; “Existe ar na sala de aula?”; “Como ao longo do capítulo. Para melhor compreensão da segunda ques-
é possível verificar a sua existência?”. tão, seria interessante realizar a atividade prática “Evidências
sobre a existência do ar” (página 33) que visa comprovar que o
ar existe e ocupa lugar no espaço

24 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2
Neste capítulo
Comprovando a existência do ar O ar é fundamental para a vi-
da no planeta, sendo formado
Você já sabe que o ar não é visível e é uma mistura de gases. por uma mistura de gases. O ar
Mas que evidências podem ser observadas sobre a existência do ar, sendo que respiramos está presente
ele invisível? na troposfera, uma das cama-
Mesmo que não o possamos ver, quando nos abanamos com um leque, por das da atmosfera terrestre,
exemplo, temos a sensação de algo tocando a nossa pele, de modo muito leve. que também retém parte da
radiação emitida pelo Sol no
Mas, na verdade, o que colide contra a nossa pele são as partículas que com-
planeta e é onde se formam
põem o ar. Dessa maneira, mesmo sem vê-lo, podemos perceber que o ar existe. as nuvens, os ventos, as chu-
Uma evidência da existência do ar pode ser obtida por meio de um experi- vas, etc.
mento muito simples. Observe as imagens abaixo. Dando continuidade ao eixo
temático Terra e Universo, ini-

Eduardo Santaliestra/Arquivo da editora

Eduardo Santaliestra/Arquivo da editora


A B ciado no 6° ano, neste capítulo
aprofundaremos o estudo da
atmosfera terrestre, com fo-
co na sua composição e na
sua importância para a vida
no planeta.
Portanto, para iniciar a ex-
plicação, realize a leitura cole-
tiva do texto “Comprovando a
existência do ar”. Se possível,
realize o experimento mostra-
do nas fotografias A e B desta
página em sala de aula.
Etapas do experimento.

Inicialmente, amassamos um pedaço de papel e o colocamos no fundo de


um copo transparente (fotografia A).
Em seguida, mergulhamos o copo, verticalmente e de boca para baixo, em
um recipiente contendo água (fotografia B). Ao retirarmos o copo, podemos
perceber que a água não molhou o papel.
Mas por que o papel continua seco?
O ar que existe dentro do copo impede que a água entre nele e molhe o papel. O
ar, que não conseguimos enxergar, está ocupando o espaço entre a água e o papel.
Outra maneira de comprovarmos a existência do ar é o vento, que é o ar em
movimento.
Claudio Gonçalves/Folhapress

Biruta
A biruta é um
aparelho utilizado
em aeroportos, que
Terra e Universo

indica a direção
em que o vento se
desloca.
Pela posição da
biruta podemos
perceber o sentido
em que o vento está
soprando.
Capítulo 2 ¥ A atmosfera terrestre 25

MANUAL DO PROFESSOR 25
Orientações O vento pode soprar em várias direções.
didáticas Saber sua direção é muito importante. Nos
O conteúdo desta página dá
continuidade ao estudo das Semiesferas aeroportos é imprescindível obter essa in-
evidências da existência do formação, para que os controladores aéreos
ar por meio de instrumentos, possam orientar os pousos e as decolagens
como a biruta e o anemômetro, das aeronaves com segurança. Para isso, nos
que indicam, respectivamen- aeroportos é utilizado um aparelho chamado

es
ag
te, a direção e a velocidade do biruta (aparelho que você viu na fotografia da

Im y
ett
vento. Uma proposta de ativi- página anterior).

ck/G
dade prática complementar

Thinksto
relacionada a esse tema é a
Para a aviação, conhecer a velocidade do
confecção de um anemômetro O anemômetro vento é tão importante quanto conhecer sua
caseiro. O artigo disponível em é constituído de direção. A velocidade do vento pode ser medi-
<http://objetoseducacionais2. semiesferas que da por um aparelho chamado anemômetro.
giram ao redor de
mec.gov.br/bitstream/handle/
um eixo quando
A rapidez com que as semiesferas do ane-
mec/21211/S11_quanto_pe mômetro giram serve para indicar a velocidade
sopradas pelo
sa_uma_nuvem.pdf> (acesso vento. do vento. Na base do aparelho existe um velocíme-
em: 24 set. 2018) apresen-
ta um projeto de construção
tro para registrar esse valor.
de um anemômetro simples,
utilizando materiais de fácil UM POUCO MAIS
acesso. Depois de pronto, os
estudantes podem utilizar o Composição do ar
equipamento para investigar
a velocidade do vento no pátio O ar é uma mistura formada por vários gases.
da escola e comparar com o Os principais componentes do ar seco são o gás nitrogênio e o gás oxigênio. Porém, exis-
valor declarado pelos órgãos tem outros gases em quantidades bem menores, por exemplo o argônio e o gás carbônico.
oficiais que divulgam dados Em 100 litros de ar seco e não
meteorológicos. poluído existem aproximadamente: Gráfico representativo da composição
do ar na atmosfera terrestre
Caso haja oportunidade, • 78 litros de gás nitrogênio, o

Banco de imagens/Arquivo da editora


também considere a possibi- que corresponde a 78% em
lidade de realizar a atividade Gás Gás
volume; oxigênio nitrogênio
prática complementar a seguir
em sala de aula. • 21 litros de gás oxigênio ou (21%) (78%)

Por fim, faça a leitura do tex-


21% em volume;
to do boxe Um pouco mais, que • 1 litro dos demais gases ou
apresenta subsídios para me- 1% em volume. Outros
gases
lhor interpretação do conteúdo A composição do ar pode ser re- (1%)
da página seguinte. presentada pelo gráfico ao lado.
Fonte: BROWN, Theodore L. et al. Qu’mica: a ciência central. 9. ed. São Paulo: Pearson/Prentice
Hall, 2005.

No estudo da composição do ar seco não foi considerada a presença do


vapor de água, que pode aparecer em diversas quantidades nos diferentes am-
bientes da Terra.
Em um deserto, por exemplo, a quantidade de vapor de água na atmosfera
é pequena; já em uma floresta a quantidade de vapor é maior. Sem a existência
desses vapores de água no ar, não existiriam as nuvens, a chuva ou a neve.
Cada um dos gases que compõem o ar apresenta características diferentes.
A seguir vamos estudar algumas das características desses gases.
26

Atividade prática complementar


O ar ocupa espaço • colher de sopa
Objetivo • funil
Demonstrar que os gases ocupam espaço. • garrafa PET
Material Procedimentos
• vinagre 1. Despeje vinagre na garrafa PET até atingir,
• bicarbonato de sódio aproximadamente, um quarto de seu volume.
• bexiga 2. Com o auxílio do funil, adicione uma colher de sopa de

26 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2
Orientações
Gás nitrogênio didáticas
Retome as informações li-
O gás nitrogênio é o componente mais abundante no ar.

Mido Semsem/Shutterstock
das no boxe da página ante-
Nas raízes de certas plantas chamadas leguminosas (como feijão, rior sobre a composição do ar.
lentilha, ervilha e soja), existem alguns microrganismos que retiram o Na sequência, comente os
gás nitrogênio presente no ar e o transformam em outras substâncias, gases nitrogênio e oxigênio.
chamadas substâncias nitrogenadas. Elas são absorvidas pelas raízes Enfatize a importância do
das plantas, contribuindo com o seu desenvolvimento. gás nitrogênio para as plan-
Na indústria, o gás nitrogênio também é matéria-prima para mui- tas leguminosas e comente
tas substâncias, como fertilizantes, material de limpeza e explosivos. as aplicações práticas desse
Existem ainda indústrias que retiram o gás gás para o ser humano, como
Sêmen: líquido apresentado no livro do es-
nitrogênio do ar e o fazem passar para o estado
viscoso e tudante.
líquido, a uma temperatura muito baixa. Nesse esbranquiçado Ao mencionar o gás oxigê-
estado, o nitrogênio é utilizado em refrigera- que contém nio, reforce que esse gás é in-
ção, por exemplo na conservação de sêmen de espermatozoides, dispensável para a respiração
células sexuais Recipiente com nitrogênio líquido
animais usado nos processos de fecundação contendo amostras de células dos seres aeróbicos e para as
masculinas.
artificial. sexuais. reações de combustão.
Uma estratégia para mos-
Gás oxigênio

Thinkstock/Getty Images
trar a importância do gás oxi-
gênio na combustão é levar
O gás oxigênio é o segundo mais abundante no ar. Ele é conhecido como para a sala de aula uma vela,
gás vital, isto é, fundamental para a existência da vida. A maioria dos seres fósforos ou isqueiro, um copo
vivos utiliza o gás oxigênio na respiração celular; são os chamados seres ae- de vidro e um pires ou outro ob-
róbicos. jeto que possa servir de supor-
O gás oxigênio também é importante na combustão (queima). te para apoiar a vela. Acenda
o pavio da vela. Deixe a vela
Em uma combustão existem sempre dois participantes: o material que é
queimar por cerca de um mi-
queimado, chamado combustível, e a substância que mantém (alimenta) a nuto e aproveite para destacar
combustão, o comburente, que é o gás oxigênio. Sem a presença de gás oxigê- que, em toda combustão, há a
nio não existe combustão. formação de gás carbônico.
Na queima da vela, Pergunte aos estudantes se
o combustível seria possível apagar a vela
Gás carbônico (ou dióxido de carbono) é a parafina e o sem assoprar. É possível que
comburente é o gás eles respondam que basta co-
A quantidade de gás carbônico é cerca de 0,03% do total de gases presen- oxigênio presente
locar o copo em cima da vela.
tes no ar atmosférico. As plantas utilizam o gás carbônico no processo de fo- no ar.
Coloque o copo sobre a vela e
tossíntese para a produção de glicose, que é utilizada no seu desenvolvimento. espere a chama apagar. Escla-
Além disso, o gás carbônico está envolvido em outros reça que essa ação impossibi-
Patryk Kosmider/Shutterstock

processos: ele é liberado no processo de respiração de al- lita a entrada de gás oxigênio,
guns animais e na queima de algumas substâncias. A pro- fundamental para a ocorrência
dução de grandes quantidades de gás carbônico, principal- da combustão.
mente em razão da queima de combustíveis fósseis, é res- Na sequência, apresente o
ponsável pelo aumento do efeito estufa. conteúdo referente ao gás car-
Terra e Universo

O gás carbônico também pode ser usado em indústrias bônico, chamando a atenção
para a importância dele para
de bebidas, principalmente na produção de água gaseifica-
a vida na Terra.
da e de refrigerantes.

O processo de gaseificação
é uma adição de gás
carbônico à água mineral.
Cap’tulo 2 ¥ A atmosfera terrestre 27

bicarbonato de sódio dentro da bexiga e, em seguida, tudantes que escrevam um pequeno texto, com base nas anotações
encaixe o bico da bexiga no bico da garrafa, deixando a observadas durante o experimento, elaborando uma explicação para
bexiga pendurada por fora da garrafa. o aumento do volume da bexiga. Embora a resposta seja individual,
espera-se que os estudantes cheguem à conclusão de que ocorreu a
3. Segure a extremidade da bexiga que está presa à garrafa e
liberação de um gás que provocou o aumento do volume da bexiga.
levante a bexiga permitindo que o bicarbonato de sódio
Observação: A reação química que ocorre no interior do
entre em contato com o vinagre.
sistema bexiga-garrafa pode ser representada por:
Conclusão Vinagre (Ácido acético) 1 Bicarbonato de sódio → Acetato
A verificação do aprendizado pode ser feita pedindo-se aos es- de sódio 1 Gás carbônico 1 Água

MANUAL DO PROFESSOR 27
Orientações
didáticas Atmosfera da Terra
Inicie esse estudo fazendo
a leitura do texto “Atmosfera Nós já estudamos no 6o ano que a camada de gases que envolve a Terra é
da Terra”. denominada atmosfera e está dividida em várias subcamadas.
É possível que muitos dos Ela é formada pela mistura de gases, como vimos no boxe Um pouco mais
estudantes já tenham tido na página 26: gás nitrogênio, gás oxigênio, gás carbônico e outros gases.
contato com esse conteúdo

Thinkstock/Getty Images
nos Anos Iniciais do Ensino
Fundamental. Se necessário, Lua
retome a composição da
atmosfera. A imagem mostra a Terra
Atmosfera
Utilize as imagens desta atmosfera da Terra e a
página para conceituar efeito Lua ao fundo.
estufa e, se achar oportuno, (Elementos representados em
repasse os dados apresenta- tamanhos e distâncias não
proporcionais entre si.
dos no texto complementar, a Cores fantasia.)
seguir, aos estudantes.
Sem a atmosfera não existiria vida como a conhecemos hoje. É da atmos-
fera que os seres vivos, em geral, retiram o gás oxigênio para a respiração e
Texto complementar as plantas retiram o gás carbônico para a fotossíntese. A atmosfera também é
Histórico – Efeito responsável por amenizar os efeitos dos raios solares.
estufa A presença da atmosfera é fundamental para impedir que a Terra perca energia
O primeiro cientista a térmica para o espaço. Ela atua como uma estufa que contribui para a manuten-
propor uma teoria sobre ção da temperatura na Terra. É por essa característica que se fala em efeito estufa.
os efeitos dos gases do efei- Graças a isso a temperatura média do planeta é cerca de 14 °C. Sem o efeito estufa,
to estufa foi Jean-Baptiste
Fourier, matemático e físico estima-se que a temperatura na superfície terrestre seria cerca de 218 °C.
francês, em 1827. Ele mos- As ilustrações a seguir explicam de modo simples como o efeito estufa ocorre.
trou que o mesmo efeito do
aquecimento do ar dentro
Ilustrações: Luis Moura/Arquivo da editora

de estufas de vidro, utiliza-


das para o cultivo plantas, Sol 2 Sol
acontecia na atmosfera ter-
restre. O cientista britâni-
co John Tyndall, em 1860,
comprovou a absorção de 1
calor pelo gás carbônico e
pelo vapor de água. Foi o Calor
primeiro cientista a propor 3
que as grandes variações Terra
na temperatura média da
Terra deviam-se às varia-
ções da quantidade de gás
Os vidros de uma
carbônico na atmosfera. Na
estufa (à direita)
sequência, o cientista sue-
agem de maneira 1. Parte da energia proveniente do Sol atravessa a atmosfera e é absorvida
co Svante Arrhenius, em
1896, calculou que a dupli-
semelhante aos gases pela superfície da Terra.
cação da quantidade de CO2
que envolvem a Terra. 2. Parte da energia que chega à superfície é reóetida pela Terra, de volta
na atmosfera aumentaria (Elementos representados para o espaço.
em tamanhos não
a temperatura da Terra de proporcionais entre si. 3. Parte da energia reóetida não volta para o espaço devido à presença dos
5 °C a 6 °C, valores próxi- Cores fantasia.)
gases de efeito estufa. Uma parte dessa energia é absorvida por esses gases
mos dos calculados atual-
mente. Este pesquisador e outra parte é redirecionada para a superfície. Como consequência, ocorre o
calculou o aquecimento de- aquecimento da superfície terrestre.
vido ao aumento da concen-
tração de CO2 pela queima 28
de combustíveis fósseis. A
medição da concentração
do CO2 na atmosfera ini-
ciou-se no final da década
de 1950 no observatório Atividade prática complementar
de Mauna Kea, no Havaí, Efeito estufa • dois copos de plástico
depois que os EUA lança- • água
ram em seu primeiro saté- Objetivo
Demonstrar o efeito estufa construindo uma pequena es- • tesoura
lite espacial.
tufa com materiais de fácil acesso. • filme plástico
Fonte de pesquisa: <http://
www.cienciamao.usp.br/tudo/ Material Procedimentos
exibir.php?midia=lcn&cod=_
geocienciassimuladordoef>
• uma caixa de sapatos 1. Forre o interior da caixa com papel alumínio e coloque
(acesso em: 19 out. 2018). • papel alumínio um dos copos com água dentro da caixa.

28 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2
Orientações
EM PRATOS LIMPOS didáticas
Uma sugestão para ajudar
Afinal, o efeito estufa é benéfico ou prejudicial para a vida na Terra? na compreensão dos assun-
tos tratados nesta página é
Você já sabe que o Sol aquece a Terra: do total de energia solar que chega ao planeta, cer-
solicitar aos estudantes que
ca de 35% é refletido de volta para o espaço antes mesmo de chegar à superfície terrestre e realizem uma pesquisa so-
não gera efeitos sobre o clima. O restante chega à superfície, é absorvido e se transforma em bre os fatores que intensifi-
energia térmica. Dessa energia térmica, parte é retida pelos gases atmosféricos como o gás cam o efeito estufa. A partir
carbônico e o vapor de água, e outra parte volta para o espaço. Essa energia térmica que fica dos resultados apresentados,
retida provoca um aumento da temperatura na superfície terrestre – é o efeito estufa. Sem oriente-os a refletir sobre co-
ele, a temperatura média da Terra seria muito baixa – sempre abaixo de zero –, o que tornaria mo esse fenômeno pode ser
minimizado. É importante que
impossível a existência de vida em nosso planeta.
eles reconheçam a necessida-
No entanto, o aumento da concentração de alguns gases, como o gás carbônico, tem inten- de de ações coletivas, indivi-
sificado o efeito estufa. Essa alteração de temperatura pode estar relacionada com o aumento duais e governamentais para
da quantidade de gás carbônico emitido na atmosfera, principalmente pela queima de combus- reduzir a emissão de gases
tíveis fósseis. A intensificação do efeito estufa pode ser prejudicial para a vida na Terra. estufa. Após a pesquisa, pode-
-se pedir aos estudantes que
produzam cartazes e divul-

Jurandir Ribeiro/Arquivo da editora


A atmosfera apresenta uma espessura de aproximada- Menor número guem-nos pelos ambientes de
mente 1 000 km. Existe ar em toda a sua extensão, porém de partículas bastante circulação da escola.
(ar rarefeito)
ele não está distribuído de maneira uniforme. Próximo da Momentos como esse con-
superfície da Terra, o ar está mais concentrado, isto é, há um Diminuição de tribuem para a formação de
maior número de partículas de gás em determinado volume, partículas indivíduos críticos e ativos
o que pode ser observado na ilustração. na busca por um mundo mais
sustentável.
À medida que nos afastamos do nível do mar, o número de
Nível do mar Na sequência, utilize o es-
partículas presentes no mesmo volume de ar diminui. Dize-
quema desta página para re-
mos, então, que o ar está se tornando rarefeito.
lacionar a concentração do ar
O esquema ilustra a variação da e a altitude, o que subsidiará
concentração do ar em relação à altitude. a compreensão do boxe Em
Altitude: distância vertical entre o nível do
Observe a diminuição das partículas de ar
mar e algum outro ponto de referência. pratos limpos, “Por que muitas
à medida que há o aumento da altitude.
(Elementos representados em tamanhos não pessoas sentem dificuldade de
proporcionais entre si. Cores fantasia.) respirar em locais mais eleva-
dos?”. Após a leitura do texto
EM PRATOS LIMPOS com os estudantes, destaque
os procedimentos e preocu-
Por que muitas pessoas sentem dificuldade de respirar em locais mais elevados? pações das equipes técnicas
As partidas de futebol internacionais realizadas em locais situados a mais de 2 500 me- na adaptação dos atletas a
tros acima do nível do mar são um problema muito sério para os jogadores que não vivem regiões localizadas em alti-
nessas regiões. Potosí, por exemplo, é uma cidade localizada na Bolívia a, aproximadamente, tudes elevadas.
4 mil metros acima do nível do mar. Ali, a quantidade de gás oxigênio presente no ar é menor do
que a encontrada em regiões mais baixas, pois a quantidade de ar presente também é menor.
Por isso, é necessário aumentar a ventilação pulmonar para conseguir a mesma quanti-
Terra e Universo

dade de gás oxigênio à qual o organismo está acostumado. Como consequência, aumentam
a pressão sanguínea e a pulsação, e o atleta se cansa mais facilmente. O rendimento físico
do atleta é prejudicado. Além da exaustão, podem ocorrer tonturas e dificuldade de raciocínio.
Para evitar esses problemas, os alpinistas que escalam o monte Everest, localizado na cordi-
lheira do Himalaia, entre a China e o Nepal, com altitude aproximada de 8 850 m, têm balões
de ar enriquecido com gás oxigênio como parte de seu equipamento.

Cap’tulo 2 ¥ A atmosfera terrestre 29

2. Tampe a caixa com filme plástico e coloque o segundo filme plástico, aquece o ar e, como ele não pode sair da
copo, com a mesma quantidade de água, e a caixa sob a caixa, a temperatura interna da caixa aumenta.
luz de uma lâmpada ou sob a luz do Sol.
Conclusão
3. Espere cerca de vinte minutos e peça a um estudante que Com esta atividade, espera-se que os estudantes reconhe-
coloque o dedo na água do copo que estava dentro da çam que o experimento apresenta um modelo que representa
estufa e compare a temperatura com a água do copo que o funcionamento do efeito estufa. Caso demonstrem dificulda-
estava fora da estufa. de em fazer essa relação, comente que o filme plástico retém o
4. Explique que a luz do Sol ou da lâmpada, ao passar pelo calor do Sol ou da lâmpada, assim como a atmosfera terrestre.

MANUAL DO PROFESSOR 29
Orientações
didáticas As camadas da atmosfera da Terra
Utilize a ilustração desta Vimos no 6o ano uma pequena introdução ao estudo das camadas da at-
página para mostrar aos estu- mosfera terrestre. Vamos ver um pouco mais sobre esse assunto.
dantes o limite aproximado en-
tre as camadas da atmosfera.
A atmosfera pode ser dividida em cinco camadas, de acordo com certas ca-
racterísticas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. É
Ainda com base na imagem,
apresente-lhes as caracte-
importante saber que não existe um limite exato entre essas camadas e que as
rísticas de cada camada, de características de cada uma delas variam de acordo com a altitude.
acordo com o texto do livro O esquema a seguir mostra uma divisão aproximada e a temperatura des-
do estudante. sas camadas.
Comente que a troposfera

Luis Moura/Arquivo da editora


é a camada mais baixa da at- km
mosfera e onde está a maior 450
parte do ar (relembre que a Exosfera
concentração do ar, assim co-
mo a temperatura, diminui à 280 260 240 220 20 40 60 80 °C
medida que a altitude aumen-
ta). É nessa camada que os se- 120
res vivos obtêm os gases para 110
Espaçonave
a respiração e onde ocorrem Termosfera
100
os fenômenos atmosféricos,
como chuvas, tempestades, 90
relâmpagos, etc. 80
Se houver acesso à internet 70
na escola, aproveite para aces-
sar os sites indicados a seguir. 60
50 Mesosfera
40 Camada de
Indicações de sites Satélite ozônio
30
(acesso em: 24 set. 2018) meteorológico
Ÿ Para auxiliar na com- 20
preensão das camadas 10
Avião Estratosfera
que formam a atmos-
fera, sugerimos uma
animação interativa no
formato de infográfico Troposfera
que apresenta dados
a respeito da composi-
Esquema das camadas atmosféricas.
ção, localização e cara-
terísticas das camadas (Elementos representados em tamanhos e distâncias não proporcionais entre si. Cores fantasia.)

da atmosfera, disponí-
vel em: <www.aprender Troposfera
maisinovacao.go.gov.
É a camada onde vivemos, que se estende por, aproximadamente, 15 km
br/odas/camadas-da-
atmosfera>. de altura a partir do nível do mar. É nessa camada que se encontra a maior
Ÿ Uma sugestão de ma- quantidade de ar.
terial multimídia para Na troposfera estão localizadas as nuvens e nela ocorrem todos os fenô-
aprofundar o tema so- menos relacionados ao clima: chuvas, tempestades, relâmpagos, furacões,
bre a composição quí- neve, etc.
mica da atmosfera pode Quanto mais distante da superfície, mais a temperatura diminui, chegando
ser encontrada no Portal
a 260 °C, aproximadamente.
do Professor, do MEC:
<http://portaldoprofes 30
sor.mec.gov.br/ficha
Tecnica.html?id=34931>.

30 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2
Orientações
Estratosfera didáticas
Essa camada, que começa logo acima da troposfera, estende-se até uma Baseando-se no esquema
altitude aproximada de 50 km com relação à superfície da Terra e apresenta da página 30, prossiga anali-
uma quantidade muito pequena de ar. Na estratosfera, praticamente não exis- sando com os estudantes as
tem nuvens nem tempestades, o que a torna muito estável. No seu limite supe- camadas da atmosfera.
rior está a camada de ozônio. Ao abordar a estratosfera,
A camada de ozônio retém uma parte dos raios ultravioleta provenientes do convém enfatizar a importân-
cia da camada de ozônio para
Sol. Sem essa camada, seria muito maior a quantidade desses raios que atingi-
a vida no planeta e como a di-
ria a Terra, o que provocaria muitos danos aos seres vivos, como o aumento da minuição dessa camada afeta
ocorrência de câncer de pele em seres humanos e em outros animais. os seres vivos.
Ao explicar a mesosfera, es-
Mesosfera clareça que essa é a região
A mesosfera é a camada central da atmosfera e tem cerca de 30 km de es- central da atmosfera e tam-
pessura. Nela, a temperatura diminui com a altitude. Essa é a camada atmos- bém a mais fria.
férica mais fria, onde a temperatura pode chegar a 290 °C. Então comente que, na ter-
mosfera, diferentemente das
Termosfera camadas anteriores, a tempe-
Nessa camada, que se inicia aproximadamente a 80 km da superfície ter- ratura aumenta com a altitude,
por causa da alta incidência de
restre e se estende até cerca de 450 km, a temperatura aumenta rapidamente radiação solar. É nessa cama-
com a altitude. da que ocorrem as auroras e
onde orbitam satélites, ônibus
Exosfera espaciais e estações espa-
ciais. Finalize essa abordagem
Essa é a última camada da atmosfera. Acima dela temos o espaço sideral,
comentando a exosfera e ex-
onde não existe ar. plicando como se formam as
auroras polares.
Aurora polar
Bahadir Aral AVCI/Shutterstock

A aurora polar é um fenômeno luminoso formado por um brilho Indicação de leitura


intenso observado durante a noite no céu, próximo às regiões po- Para conhecer um pouco
mais sobre o fenômeno da
lares. No polo norte, elas são conhecidas por auroras boreais e no
aurora boreal, sugerimos a
polo sul, por auroras austrais. leitura do artigo:
Esse fenômeno ocorre na termosfera e é provocado pelo chama-
Ÿ PORTILHO, G. Como sur-
do vento solar, que é formado por partículas provenientes do Sol que ge a aurora boreal? Su-
se chocam com os componentes da termosfera e emitem luz. perinteressante, 4 jul.
Do solo, vemos somente uma pequena parte do que realmente 2018. Disponível em:
acontece. Esse bonito espetáculo só pode ser visto por completo <https://super.abril.com.
por um astronauta em órbita na Terra. Aurora boreal em Seljelvnes, br/mundo-estranho/co
na Noruega, em 6 de março de 2017. mo-surge-a-aurora-bo
real/> (acesso em: 24
NESTE CAPÍTULO VOCÊ ESTUDOU set. 2018).


Soloviova Liudmyla/Shutterstock

Evidências da existência do ar.


Terra e Universo

• A composição do ar atmosférico.
• Algumas propriedades dos gases componentes do ar.
• As condições necessárias para que ocorra uma combustão.
• As camadas da atmosfera.

Cap’tulo 2 ¥ A atmosfera terrestre 31

MANUAL DO PROFESSOR 31
ATIVIDADES Faça no
Orientações caderno.
didáticas
Respostas e comentários PENSE E RESOLVA

Patrick Foto/Shutterstock
das questões
Pense e resolva 1 Observe a fotografia ao lado e faça o que se pede.
1, 2, 3 e 4. Veja a reprodução a) O que está envolvendo a menina e a bolha
do livro do estudante. de sabão? O ar.
5. a) O jato de gás carbôni- b) O que está dentro da bolha de sabão e de
co (que não é um gás onde veio? Dentro da bolha existe ar que veio dos
comburente) expulsa o pulmões da menina.
gás oxigênio que estava c) Do que depende o tamanho de uma bolha
mantendo a combustão. de sabão? Da quantidade de ar assoprada, por exemplo.
b) As bolhas liberadas quan- d) Escreva o nome de dois gases presentes em
do colocamos um com- maior quantidade tanto fora quanto dentro Menina formando bolhas de sabão.
primido efervescente em da bolha de sabão. Gás nitrogênio e gás oxigênio são os gases em maior quantidade relativa.
água são de gás carbô-
nico. 2 Qual é a relação entre as plantas leguminosas e o gás nitrogênio? Nas raízes das plantas leguminosas existem
microrganismos (bactérias) que têm a capacidade de fixar e transformar o gás nitrogênio presente no ar em outras substâncias.
6. Veja a reprodução do livro 3 Você conhece vários materiais que “pegam fogo”, ou seja, que são combustíveis. Escreva o
do estudante. nome de três combustíveis. Álcool, gasolina, madeira, papel, plástico, óleo diesel, etc.

4 O que é uma substância comburente? Qual é o nome do gás presente no ar e que atua como
comburente? É uma substância que mantém uma combustão. O gás comburente é o gás oxigênio.

Paul Rapson/SPL/Latinstocké
5 O gás carbônico está presente em várias

Thinkstock/Getty Images
situações do nosso dia a dia. Veja algumas
utilizações nas fotografias ao lado e res-
ponda às questões.
a) O gás carbônico pode ser usado em ex-
tintores de incêndio. Quando acionamos
esses extintores e dirigimos o jato desse
gás para as chamas, elas se apagam. Es-
creva uma explicação para esse fato.
Resposta nas Orientações Didáticas.
b) Comprimidos efervescentes liberam
gás carbônico. Qual é a evidência visual Comprimido
que permite verificar essa liberação? Extintor de incêndio. efervescente.
Resposta nas Orientações Didáticas.
6 Na atmosfera da Terra, o ar não está distribuído de maneira uniforme. A quantidade de ar varia
dependendo da altitude. Pense em uma praia do Rio de Janeiro e na cidade inca de Machu
Picchu, situada a uma altitude aproximada de 2 500 metros, no Peru. Em qual das duas cidades
você teria maior dificuldade para respirar? Por quê? Em Machu Picchu, pois o ar é rarefeito em altitudes
mais elevadas.
Simon Mayer/Shutterstock

Donatas Dabravolskas/Shutterstock

Cidades em
diferentes
altitudes. Machu
Picchu, no Peru,
em 2018, e
Rio de Janeiro
(RJ), no Brasil,
em 2017.
32

32 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2
Faça no
caderno. Orientações
didáticas
SÍNTESE PRÁTICA Respostas e comentários
das questões
1 Observe a fotografia. Em qual dos copos a Evidências sobre a existência do ar Síntese
vela apagará primeiro? Por quê?
No copo menor, pois contém menos ar e, consequentemente, Objetivo 1, 2 e 3. Veja a reprodução do
menos gás oxigênio. livro do estudante.

Eduardo Santaliestra/Arquivo da editora


Recolher evidências sobre a existência do ar.
ATENÇÃO! Prática
Material
Na primeira etapa do expe-
Não • 1 frasco de vidro
reproduza rimento, parte do líquido não
esses • 1 jarra com refresco de groselha entra no frasco devido à pre-
experimentos. • 1 funil sença de ar. Na segunda etapa,
ao fazermos um furo na massa
• Massa de modelar de modelar, parte do ar contido
Velas acesas • 1 lápis no frasco escapa para o am-
colocadas dentro biente. Assim, o líquido entra
de copos de vidro. Procedimento no frasco, ocupando o espaço
2 As fotografias mostram um experimento 1a etapa que antes era ocupado pelo ar.
realizado para estudar a combustão. 1. Coloque o funil no centro da boca do fras-
co de vidro (A) e prenda-o com a massa de
Eduardo Santaliestra/Arquivo da editora

Eduardo Santaliestra/Arquivo da editora

A B modelar (ela deve ser pressionada leve-


mente para não apresentar nenhum furo).
2. Despeje lentamente o refresco no funil (B).

Osni de Oliveira/Arquivo da editora


A B

Vela acesa sem copo e vela apagada com copo de vidro.


a) Qual é a evidência visual que caracteriza
a combustão? A chama, liberação de energia na
forma de luz e de calor.
b) Na combustão, ocorre absorção ou libe-
ração de calor? Liberação de calor.
Demonstração de experimento.
A vela ou a parafina
c) Qual é o combustível? da vela.
d) Qual é o comburente e qual é a porcen- 3. Observe e anote o que aconteceu.
tagem aproximada desse gás no ar? 2a etapa
Gás oxigênio. A porcentagem desse gás na atmosfera é 21%.
e) Por que a vela apagou na fotografia B?
Porque acabou o gás oxigênio (comburente) dentro do copo. 1. Com o lápis, faça um furo na massa de mo-
3 Um acidente grave ocorreu na mina de car- delar entre o funil e a boca do frasco.
Terra e Universo

vão Fuyuan, situada na província de Yunnan, 2. Observe e anote o que aconteceu.


na China, em novembro de 2006, após uma
explosão no poço de carvão. Muitos mineiros Discussão final
ficaram presos em túneis onde não havia cir- Escreva uma explicação para o que ocorre
culação de ar. Você acha que seria adequado com o líquido na primeira etapa do experi-
que eles acendessem velas para iluminar o mento e, depois, justifique o que acontece
local onde estavam presos? Justifique. na segunda etapa. Resposta nas Orientações Didáticas.
Não, porque durante a queima das velas o gás oxigênio necessário
para a respiração dos mineiros estaria sendo consumido. Cap’tulo 2 ¥ A atmosfera terrestre 33

MANUAL DO PROFESSOR 33
3
Habilidades da BNCC

Cap’tulo
Poluição
(EF07CI12) Demonstrar que
o ar é uma mistura de gases,
identificando sua composição,

atmosférica
e discutir fenômenos naturais
ou antrópicos que podem alte-
rar essa composição.
(EF07CI13) Descrever o me-
canismo natural do efeito es-
tufa, seu papel fundamental
para o desenvolvimento da
vida na Terra, discutir as ações
humanas responsáveis pelo
seu aumento artificial (queima
dos combustíveis fósseis, des-
matamento, queimadas etc.)
e selecionar e implementar
propostas para a reversão ou
controle desse quadro.
(EF07CI14) Justificar a
importância da camada de
ozônio para a vida na Terra,
identificando os fatores que
aumentam ou diminuem sua
presença na atmosfera, e dis-
cutir propostas individuais
e coletivas para sua preser-
vação.

Habilidade
complementar
O item a seguir foi elabora-
do para esta coleção:
Ÿ Compreender o conceito de
chuva ácida, relacionando-o
com o de poluentes atmos-
Aloisio Mauricio/Fotoarena
féricos.
Objetos de Camada acinzentada A poluição do ar pode ser causada pela presença de substâncias estranhas
conhecimento de poluição sobre a que não fazem parte de sua composição natural. Por isso, poluição é tudo aqui-
cidade de São Paulo lo que causa alterações nas características de um ambiente.
Ÿ Efeito estufa. (SP), em 2017.
Ÿ Camada de ozônio. Atualmente, considera-se que a maior parte dessa poluição é consequên-
cia das ações do ser humano, decorrentes de queimadas na vegetação e da
queima de combustíveis fósseis, como o carvão e os derivados de petróleo,
No Material Digi-
tal do Professor você por exemplo.
encontrará o audiovisual Observando a fotografia acima, você pode ver que existe uma névoa espa-
ÒPoluição atmosférica e lhada pela atmosfera e que o céu tem uma cor castanha ou vermelho-amar-
efeito estufaÓ, que poderá ronzada. Você sabe que substâncias estão presentes nessa névoa? Em que
ser apresentado aos estu- estados físicos elas se encontram?
dantes para complementar O que faz com que enxerguemos o céu com essa cor acastanhada?
o estudo deste tema.
Neste capítulo, você vai estudar algumas substâncias que estão presentes
nessa névoa e que provocam esse efeito visual.
34

Problematização/Conhecimentos prévios Caso considere pertinente, organize uma síntese dos aponta-
Para a problematização inicial deste capítulo, você pode co- mentos dos estudantes no quadro de giz. Comente que a poluição
meçar a aula pedindo que os estudantes, reunidos em duplas, tende a afetar mais as regiões mais urbanizadas, que apresen-
respondam no caderno às seguintes questões: “O que é qualida- tam maior número de veículos e de indústrias. No entanto, vale
de do ar? Ela é a mesma em todas as cidades? Por quê?”; “Você lembrar que os poluentes podem ser dispersos, pela ação dos
conhece o nome de alguma substância presente na atmosfera ventos, para cidades que se encontram a dezenas ou centenas de
que pode ser considerada poluente?”; “Quais são as atividades quilômetros, afetando-as também. Alguns exemplos de poluentes
humanas que mais prejudicam a qualidade do ar?”. que podem ser citados são: dióxido de carbono (gás carbônico),

34 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3
Neste capítulo
Poluentes atmosféricos No capítulo anterior, foram
abordadas as principais ca-

clicksabhi/Shutterstock
Há cerca de 150 anos, o ar tinha boa racterísticas da atmosfera
qualidade e era adequado para a maioria e a importância dela para a
dos seres vivos. Nessa época, como con- manutenção da vida na Ter-
sequência da Revolução Industrial, surgi- ra. O efeito estufa, fenômeno
necessário para o equilíbrio
ram as grandes indústrias, que começa- dinâmico do planeta, também
ram a lançar substâncias poluentes no ar. foi apresentado. Assim, dando
Desde então, a quantidade de poluen- continuidade ao eixo temático
tes lançados na atmosfera aumentou mui- Terra e Universo, neste capítu-
to, afetando a qualidade do ar que respira- lo serão trabalhados as formas
de poluição do ar, os principais
mos. Tudo isso devido ao aumento da po-
tipos de poluentes, as conse-
pulação, ao crescimento das cidades e ao quências da poluição e algu-
surgimento cada vez maior de indústrias. mas medidas para reduzi-la.
Chaminé lançando
Hoje em dia, a maioria dos automóveis é movida pela queima de combustí- substâncias Ao longo desse trabalho, é
veis fósseis derivados de petróleo, uma das principais causas da poluição do poluentes na importante que os estudantes
ar nas grandes cidades. atmosfera. O material apliquem o conhecimento ad-
eliminado é formado quirido para se tornarem cida-
Tanto na queima de uma vela como na queima da gasolina no motor de um por partículas sólidas dãos participativos e capazes
automóvel são produzidas várias substâncias, algumas delas consideradas (fuligem) e gases
de se posicionar em relação
potencialmente poluentes. Veja as principais a seguir. poluentes. Nova Délhi,
na Índia, em 2018. aos assuntos ambientais dis-
cutidos constantemente na
Material particulado sociedade. É imprescindível

nampix/Shutterstock
que eles percebam que todos
As cores diferentes que observamos os cidadãos podem contribuir
na fumaça que sai do escapamento dos para a redução da poluição
automóveis são uma evidência da forma- atmosférica e outros danos
ção de diferentes substâncias, como o gás ambientais.
carbônico, o monóxido de carbono, o vapor Inicie a abordagem do tema
de água e a fuligem, que é formada por pe- com a leitura do item “Poluen-
tes atmosféricos”, enfatizando
quenas partículas sólidas de carvão. Quan- como a Revolução Industrial
to mais escura é a fumaça, mais materiais contribuiu para agravar o pro-
particulados há nela. blema da poluição nos grandes
Não conseguimos ver essas substân- centros urbanos. Conduza a ex-
cias, por exemplo, ao olhar a chama de plicação, chamando a atenção
dos estudantes para a relação
uma vela, mas podemos provar a exis- entre o aumento da população,
tência de uma delas de maneira bastan- A fumaça preta o desenvolvimento industrial
te simples: colocando um pires de porcelana branca sobre a chama da vela. liberada pode indicar e urbano e a poluição do ar.
Rapidamente, percebemos o aparecimento de uma mancha preta no fundo do mau funcionamento Então comente o subitem
do automóvel,
pires: é a fuligem (como vimos no 6o ano). como um problema
“Material particulado”, des-
O material particulado pode ser formado por sólidos ou líquidos em sus- na queima do tacando que a sua presença
Terra e Universo

pensão no ar. Os componentes mais comuns do material particulado produzi- combustível. na atmosfera pode ser resul-
Isso faz com tante de atividades humanas,
do pelo ser humano são a fuligem e as diferentes fumaças. A inalação desses que substâncias principalmente, ou naturais.
materiais pode provocar agravamentos das reações alérgicas e das doenças prejudiciais sejam
pulmonares, como asma e bronquite. lançadas
Causas naturais também podem lançar na atmosfera materiais particula- no ambiente.
dos, por exemplo, a poeira do solo e o pólen das flores.
Capítulo 3 ¥ Polui•‹o atmosfŽrica 35

óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono.


As atividades humanas que mais prejudicam a qualidade do ar
são, entre outras, a queima de combustíveis fósseis e a quei-
ma de madeira resultante do desmatamento e das queimadas.

MANUAL DO PROFESSOR 35
Orientações
didáticas Gases poluentes
Comente que, assim como Além dos materiais particulados, existem vários gases que também provo-
o material particulado, estu- cam poluição do ar, dependendo da quantidade, ou seja, da sua concentração
dado na página anterior, os
gases poluentes prejudicam
no ar. Entre eles, o gás carbônico, o monóxido de carbono, os óxidos de enxofre
a qualidade do ar. e de nitrogênio e o ozônio.
Ao abordar o tópico “Gás
carbônico”, convém chamar
G‡s carb™nico
a atenção dos estudantes para Você já sabe que o gás carbônico é um dos componentes do ar. Nas últimas
as fontes poluentes e as con- décadas, a quantidade desse gás lançada na atmosfera tem aumentado muito,
sequências do excesso desse provocando alterações ambientais.
gás na atmosfera. Ressalte a Diversos fatores são responsáveis por esse acréscimo. São alguns deles:
importância da preservação Fitoplâncton:
da vegetação e da água dos • aumento do número de veículos que utilizam gasolina, óleo diesel, gás natu-
conjunto de
mares e de demais corpos de organismos ral e álcool (etanol) como combustível;
água para o controle da polui- aquáticos • aumento do número de indústrias que utilizam carvão, óleo diesel e gás na-
ção atmosférica e a manuten- microscópicos e tural como combustível;
ção da vida na Terra. fotossintetizantes
que vivem • aumento do número de queimadas.
dispersos O gás carbônico é removido da atmosfera, principalmente, pelo fitoplâncton
Texto complementar flutuando na e pela vegetação, por meio do processo de fotossíntese. Com a devastação das
Gases do efeito estufa coluna de água
de mares e lagos. florestas e a poluição dos mares, a quantidade de gás carbônico na atmosfera
Os principais gases que aumenta.
contribuem para o aumen-
to do efeito estufa e suas Suzanne Long/Alamy/Fotoarena Além disso, a derrubada das árvores e as
respectivas fontes antro- queimadas com a ãnalidade de preparar o terre-
pogênicas são os seguintes: no para plantações ou pastagens produzem ain-
• Gás carbônico (CO2): da mais gás carbônico.
Responsável por cerca O Instituto Brasileiro de Geograãa e Estatís-
de 60% do efeito-estu- tica (IBGE) estima que as queimadas sejam res-
fa, cuja permanência na
atmosfera é de pelo me- ponsáveis por 15% a 30% do aumento anual da
nos centena de anos, o quantidade de gás carbônico na atmosfera.
[gás carbônico] é pro- O aumento da quantidade de gás carbônico
veniente da queima de na atmosfera pode intensiãcar o efeito estufa,
combustíveis fósseis
causando a elevação da temperatura média da
(carvão mineral, petró-
leo, gás natural, turfa), superfície do planeta e, consequentemente, afe-
queimadas e desmata- tar a qualidade de vida na Terra.
mentos, que destroem O gás carbônico se dissolve facilmente na
reservatórios naturais e água dos oceanos quando sua concentração na
sumidouros, que tem a
atmosfera é elevada. Ao se dissolver na água, esse
propriedade de absorver
o CO2 do ar. De acordo gás modiãca sua acidez. Isso provoca a morte de
com o IPCC (1995), alguns seres vivos, como os corais.
as emissões globais de
CO2 hoje são da ordem
de 7,6 Gt por ano. [...]
• Gás metano (CH4) –
Responsável por 15 a O fenômeno de “branqueamento” dos recifes
20% do efeito estufa, é de coral é um primeiro sinal de alerta sobre a
componente primário gravidade da mudança que está ocorrendo no
do gás natural, também ambiente marinho. Grande Barreira de Corais,
produzido por bactérias na Austrália, em 2017.
no [sistema digestório]
do gado, aterros sanitá- 36
rios, plantações de arroz
inundadas, mineração
e queima de biomassa.
• Óxido nitroso (N2O) –
A concentração desse gás teve um enorme aumento devido ao na estratosfera, decompondo-o e reduzindo, assim, a camada
Participando com cerca
de 6% do Efeito-Estufa, uso de fertilizantes químicos, à queima de biomassa, ao des- de ozônio que protege a vida na Terra dos nocivos raios ultra-
o óxido nitroso é libe- matamento e às emissões de combustíveis fósseis. violetas. Estudos recentes sugerem que as propriedades de reter
rado por microrganis- • Clorofluorcarbonetos (CFC) – Responsáveis por até 20% do efei- calor, próprias dos CFCs, podem estar sendo compensadas pelo
mos no solo (por um to estufa, os clorofluorcarbonetos são utilizados em geladeiras, resfriamento estratosférico resultante do seu papel na destrui-
processo denominado aparelhos de ar condicionado, isolamento térmico e espumas, ção do ozônio. Ao longo das últimas duas décadas, um ligeiro
nitrificação, que libera como propelentes de aerossóis, além de outros usos comerciais resfriamento, de 0,3 a 0,5 ºC foi medido na baixa estratosfera,
igualmente nitrogênio). e industriais. Como se sabe, esses gases reagem com o ozônio onde a perda do ozônio é maior.

36 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3
As alterações ambientais são motivo de preocupação mundial. O aqueci-
Orientações
didáticas
mento global é uma modificação bastante discutida atualmente, pois está re-
Mencione os demais gases
lacionado com a intensificação do efeito estufa. O aumento da quantidade de que intensificam o efeito es-
gases responsáveis por esse fenômeno provoca uma elevação da temperatura tufa, destacando as principais
média da superfície terrestre, o que pode ter sérias consequências, como o der- fontes antropogênicas.
retimento das calotas polares, o aumento do nível dos mares e o aumento de Caso considere pertinente,
desastres climáticos (tempestades, furacões, enchentes, etc.), entre outros. compartilhe com os estudantes
O gás carbônico é o principal responsável por esse fenômeno, mas não as informações do boxe Texto
é o único. Existem outros gases que também colaboram com o aquecimento complementar desta dupla de
páginas. Apresente-lhes, ain-
global. Alguns exemplos são: o gás metano, proveniente da decomposição de
da, um breve histórico sobre
material orgânico; gases do tipo clorofluorcarbono (CFC), presentes em alguns as ações dos países de todo
aerossóis, aparelhos de ar condicionado, geladeiras, etc.; e, ainda, um óxido de o mundo em prol do contro-
nitrogênio, que se forma nos motores dos veículos. le das emissões de gases de
efeito estufa.
UM POUCO MAIS Esclareça que esse deve ser
um esforço mundial com o qual
Protocolo de Kyoto todos os países devem se com-

Wolfgang Rattay/Reuters/Fotoarena
prometer. Atualize os estudan-
A preocupação com a poluição do ar é tão tes quanto às decisões mais
grande que a maioria dos países do mundo se recentes tomadas pelo governo
reuniu em 1997, na cidade de Kyoto, no Japão, norte-americano, ao impacto
e assinou um acordo denominado Protocolo de que isso pode causar, em ra-
Kyoto, que entrou em vigor em 2005. Por esse zão do tamanho e do grau de
tratado internacional, os países se comprome- desenvolvimento dos Estados
Unidos, e à ação conjunta dos
teram a reduzir as emissões dos gases respon-
demais países contra a decisão
sáveis pelo aumento da temperatura média da do presidente de retirar os Es-
Terra, devido ao aumento do efeito estufa. Na tados Unidos do tratado.
época, os três países responsáveis pelas maio- Crianças seguram faixa com os dizeres em inglês Uma atividade que pode ser
res emissões de gás carbônico eram os Esta- “Salvem o mundo” durante a sessão de abertura da
COP23, na Alemanha, em 2017.
realizada para trabalhar o aque-
dos Unidos, a China e a Rússia. cimento global é solicitar que os
Em 2015, surge o substituto do Protocolo de Kyoto, o acordo de Paris (COP21). A sigla COP estudantes tragam para a au-
significa Conference of Parties (em português, Conferência das Partes). Trata-se do nome la reportagens sobre esse as-
sunto, disponíveis em jornais,
dado ao conjunto de países que assinam um acordo e passam a fazer parte de uma conven-
revistas ou na internet. Analise
ção internacional. as reportagens com eles e pro-
Resumidamente, o Acordo de Paris prevê teto para o aquecimento global de 2 °C, ou ideal- mova um debate a respeito das
mente 1,5 °C, até o final do século XXI, em 2100. ações que podem contribuir pa-
Em junho de 2017, o presidente americano, Donald Trump, disse que o Acordo de Paris pre- ra minimizar o aquecimento glo-
judicava e “amarrava” os Estados Unidos e retirou o país do tratado. bal. Peça aos estudantes que
Na sessão de abertura da COP23, em 2017, na Alemanha, o assento dos Estados Unidos es- registrem as principais ideias
no caderno e, em seguida, pro-
tava vazio. Países como Itália, França, Alemanha e China já se mostraram contrários à atitude
duzam um material para ser di-
de Trump e se mantiveram fiéis ao acordo de 2015. Com essa postura, a meta do teto de 2 °C e vulgado pela escola.
o fundo de auxílio a países em desenvolvimento, por exemplo, poderiam ficar comprometidos.
Terra e Universo

Alguns ativistas ainda exigem medidas urgentes para enfrentar a mudança do clima, Indicação de site
uma vez que as negociações que ocorrem nas conferências propõem pouca ou nenhuma (acesso em: 20 out. 2018)
ação concreta para responsabilizar os maiores emissores de gases do efeito estufa ou para O site a seguir apresen-
promover ações que protejam os ambientes naturais ou as pessoas dos efeitos das mudan- ta medidas simples que as
sociedades podem adotar
ças climáticas.
para combater o aqueci-
mento global:
Cap’tulo 3 ¥ Poluição atmosfŽrica 37 • <https://www.akatu.
org.br/noticia/dicas-de-
consumo-dez-atitudes-
para-voce-com bater-o-
aquecimento-global/>.
• Gás ozônio (O3) – Contribuindo com 8% para o aquecimento
global, o ozônio é um gás formado na baixa atmosfera, sob
estímulo do Sol, a partir de óxidos de nitrogênio (NOx) e
No Material Digital do Pro-
hidrocarbonetos produzidos em usinas termoelétricas, pelos
fessor você encontrará a
veículos, pelo uso de solventes e pelas queimadas.
Sequência didática “Efei-
GASES do efeito estufa. Programa estadual de mudanças climáticas to estufa”, que poderá ser
do estado de São Paulo. Disponível em: <https://cetesb.sp.gov.br/
aplicada após o estudo
proclima/gases-do-efeito-estufa/>. Acesso em: 20 out. 2018.
deste tema.

MANUAL DO PROFESSOR 37
Orientações

Ullstein Bild/Getty Images


didáticas Monóxido de carbono
Se achar conveniente, co- É um gás incolor e inodoro que se forma na queima
mente que a intoxicação por incompleta de madeira, carvão, álcool, derivados de petró-
monóxido de carbono pode leo, etc.
levar à morte. A intoxicação É um gás extremamente tóxico. Pode causar envenena-
acontece porque o monóxi-
mento e levar seres humanos e outros animais à morte por
do de carbono se combina de
maneira preferencial com a asfixia. Ele pode ser produzido por diferentes equipamentos
hemoglobina, substância que e em diferentes situações, como em aquecedores de água,
realiza o transporte de gás oxi- chaminés obstruídas, caldeiras, equipamentos portáteis
gênio no sangue. Após a com- usados para cozinhar, aquecedores portáteis, em fogões de
binação entre a hemoglobina e cozinha, entre outros.
o monóxido de carbono, o gás O motor de um carro, quando ligado, também produz
oxigênio deixa de ser trans-
monóxido de carbono, que sai pelo escapamento. Se o car-
portado até as células, o que
causa a asfixia.
ro estiver em um ambiente aberto, o monóxido de carbono
produzido se espalha pelo ar. Nesse caso, não existe grande
Cômodos com risco de intoxicação. Porém, se o motor do carro estiver ligado em um ambiente
aquecedores a
gás precisam ter
fechado, como uma garagem ou um túnel sem ventilação, o monóxido de car-
janelas e portas para bono acumula-se, podendo ser perigoso para a saúde.
ventilação.

Artur de Abreu/Fotoarena
A queima de gás
produz monóxido de
carbono, que pode
causar asfixia e
morte.

Sistema de ventilação
em túnel. Rodovia dos
Imigrantes, no estado
de São Paulo,
em 2018.

Por esse motivo, nos túneis normalmente existem sistemas de ventilação.


Quando ocorrem congestionamentos neles, recomenda-se desligar o motor do
veículo.
Pessoas expostas a concentrações elevadas de monóxido de carbono po-
dem sofrer problemas de visão, tontura, dor de cabeça, desmaio ou até morrer.

Óxidos de enxofre e de nitrogênio: chuvas ‡cidas


O carvão e os derivados do petróleo apresentam enxofre em sua compo-
sição. Quando as usinas geradoras de energia queimam carvão para produzir
eletricidade e os veículos queimam gasolina ou óleo diesel, o enxofre também
é queimado, originando um gás poluente chamado dióxido de enxofre.
Durante a queima dos combustíveis nos motores dos veículos, formam-se
também outros gases, chamados de óxidos de nitrogênio.
Esses gases, em maior quantidade nas grandes cidades, ficam espalhados
no ar e podem ser transportados pelo vento a grandes distâncias.
38

38 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3
Orientações
A presença desses gases no ar pode provocar irritação nos olhos, nariz,
didáticas
garganta e pulmões e agravar doenças respiratórias.
Utilize a ilustração para mos-
Quando esses gases se combinam com os vapores de água presentes na trar como ocorre a chuva ácida.
atmosfera, originam ácidos, que retornam para a superfície da Terra durante as Mostre as fotografias desta pá-
chuvas. Essas chuvas são denominadas chuvas ácidas. gina para que os estudantes
tenham real dimensão dos da-
nos que esse fenômeno pode

Estúdio Ampla Arena/Arquivo da editora


Vento
causar.
as de quilômetros
Centen Se a escola estiver localiza-
da em área urbana ou próximo
Chuva ácida Chuva a uma grande cidade, suge-
ácida rimos que seja realizado um
estudo do meio com os estu-
dantes, a fim de reconhecer
e fotografar os impactos da
chuva ácida em monumentos,
imóveis, etc. Para finalizar o
estudo, essas fotografias po-
dem ser expostas na escola
com cartazes com informa-
ções sobre esse fenômeno.

As chuvas ácidas são mais frequentes nas grandes cidades, mas também podem ocorrer em regiões
distantes quando os poluentes são transportados pelo vento.
(Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.)

As chuvas ácidas podem causar danos às êorestas, prejudicar a agricultura


e deixar mais ácida a água de rios, lagos e represas, tornando-a imprópria para
a sobrevivência de algumas espécies. Além disso, ela pode corroer estruturas
metálicas e monumentos.
Anticiclo/Shutterstock

Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens

Terra e Universo

A chuva ácida provoca a perda de folhas das árvores e a morte de outros organismos que vivem em seus troncos.
Sem folhas, as árvores morrem, como as retratadas na foto, em uma floresta localizada na Alemanha, em 2017. Os efeitos da
chuva ácida também podem ser vistos sobre monumentos, como o representado na foto da direita, em São Paulo, em 2015.
Cap’tulo 3 ¥ Poluição atmosfŽrica 39

Indicação de site (acesso em: 24 set. 2018)


Para simular a chuva ácida poderia ser realizada uma simples demonstração que pode ser feita em sala de aula. O artigo indi-
cado a seguir apresenta um experimento em que ocorre a formação de dióxido de enxofre, um dos componentes da chuva ácida.
Ÿ <http://www.usp.br/qambiental/chuva_acidaExperimento.html>

MANUAL DO PROFESSOR 39
Orientações
didáticas UM POUCO MAIS
Prossiga com a abordagem
dos gases poluentes realizan- Um jeito brasileiro
do a leitura do item “Ozônio”.
A gasolina e o óleo diesel são obtidos do petróleo, que é uma fonte de energia não renová-
Destaque que, além das medi-
das mencionadas no texto para
vel. Esses são os combustíveis mais utilizados pelos carros e caminhões em todo o mundo.
Quando queimados, liberam na atmosfera, entre outros ga-

Fernando Favoretto/
Arquivo da editora
diminuir os impactos ambien-
tais causados pela poluição, ses, o dióxido de enxofre, um dos principais responsáveis
outras medidas são: pela poluição nas grandes cidades.
Ÿ definir critérios rigorosos No Brasil, o álcool comum (etanol) é produzido da cana-
quanto às normas de emis- -de-açúcar, sendo, portanto, uma fonte de energia renovável. O Brasil foi o pioneiro na fabricação
são de gases; Quando queimado, ele não libera óxidos de enxofre. Assim, de motores de carro que funcionam
Ÿ incentivar o uso de tecno- podemos perceber que o uso do álcool como combustível de usando como combustível tanto o
logias menos poluentes; álcool (etanol) como a gasolina.
carros em substituição à gasolina e ao óleo diesel minimiza Os carros com esse tipo de motor são
Ÿ diminuir o uso de combustí-
a poluição atmosférica vinda dos óxidos. conhecidos como carros flex.
veis fósseis (gasolina, diesel,
querosene) e aumentar o uso
de biocombustíveis (exem-
plo: biodiesel) e etanol;
Ozônio
Ÿ manter o motor dos auto-
móveis sempre regulados;
O ozônio não é emitido diretamente de uma fonte. Ele é um poluente que se
Ÿ investir na obtenção de forma de outros gases poluentes presentes na atmosfera e é altamente reativo
energia através de fontes na troposfera (camada da atmosfera em que vivemos).
limpas e renováveis: hi- A poluição por ozônio pode agravar os sintomas de asma e de deficiência
drelétrica, eólica e solar; respiratória, bem como de outras doenças pulmonares (enfisemas, bronqui-
Ÿ colaborar para o sistema de tes, etc.) e cardiovasculares (arteriosclerose). Um longo tempo de exposição
coleta seletiva de lixo e de pode ocasionar redução na capacidade pulmonar, desenvolvimento de asma e
reciclagem;
redução na expectativa de vida.
Ÿ construir prédios com im-
plantação de sistemas que
Este é um pensamento de inúmeros pesquisadores de todo o mundo. Os
visem economizar energia pesquisadores são unânimes em afirmar que a qualidade do ar pode ser me-
(uso da energia solar para lhorada com menos carros nas ruas, pois a liberação do óxido de nitrogênio
aquecimento da água e re- da queima dos combustíveis (como vimos acima) é responsável também pela
frigeração). formação do ozônio poluente na troposfera. Além disso, uma melhoria signifi-
Uma proposta interessan- cativa na rede de transportes públicos e o foco em transportes não motoriza-
te para ampliar a abordagem dos ou que não emitem poluentes, como a ciclovia e o metrô, auxiliariam na
do boxe Um pouco mais, sobre diminuição da poluição atmosférica.
os combustíveis renováveis, é
solicitar aos estudantes que A camada de ozônio
façam pesquisas sobre o bio- O gás ozônio é produzido nas altas camadas da atmosfera (estratosfera)
diesel. Entre outros itens, a
pesquisa deve contemplar:
pela ação dos raios solares sobre o gás oxigênio. Tem a importante função de
como surgiu o biodiesel; co- filtrar os raios ultravioleta (UV) provenientes do Sol, permitindo a passagem
mo é a sua produção; quais de apenas 7% desses raios, aproximadamente. Sem a camada de ozônio, não
são as matérias-primas utili- existiria vida na Terra, pelo menos como nós a conhecemos atualmente.
zadas para a sua fabricação; Alguns produtos, denominados genericamente CFCs (clorofluorcarbo-
quais são as suas vantagens nos), foram muito usados até o fim da década de 1980 e meados dos anos
e desvantagens em relação 1990 na fabricação de aerossóis, nos equipamentos de refrigeração e de
a outros combustíveis e apli-
cações.
plásticos, e na expansão de espumas. Estudos científicos, porém, aponta-
ram para o fato de que esses produtos (além de alguns outros) afetavam a
camada de ozônio.
40

40 UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3
Orientações
A partir de 1987, diversos países assinaram o Protocolo de Montreal, um
didáticas
compromisso para a redução gradual até a eliminação do uso desses produ-
Nesta página, é importan-
tos. Entretanto, alguns gases propostos como alternativas aos CFCs, como o te enfatizar que a camada de
HCFC (hidroclorofluorcarbono), o HFC (hidrofluorcarbono) e o PFC (perfluor- ozônio não apresenta buracos.
carbono), embora afetem menos a camada de ozônio, estão entre os gases Porém, é mais fina (delgada)
geradores do efeito estufa. em algumas regiões, principal-
Portanto, faz-se necessário investir em novas tecnologias e aumentar o in- mente, nos polos norte e sul.
centivo do uso dos transportes coletivos ou alternativos. Comente que essa alteração
é causada pela ação humana
e analise com os estudantes
EM PRATOS LIMPOS as imagens fornecidas pela
Nasa, que mostram a dimi-
Gás ozônio nuição da camada de ozônio
A aproximadamente 50 km de altitude, há a camada formada por gás ozônio, que tem a im- sobre a Antártica no decorrer
das últimas décadas.
portante função de filtrar os raios ultravioleta (UV) que fazem parte da luz solar. Nesse caso,
o ozônio age como um “protetor”. Após o término da leitura do
trecho que faz referência ao
Substâncias chamadas de CFC (clorofluorcarbono), quando lançadas na atmosfera,
ozônio e à camada de ozônio,
destroem a camada de ozônio, tornando-a mais fina em algumas regiões. Nessas regiões se julgar conveniente, apre-
ocorre a passagem de uma quantidade maior de raios UV, que são nocivos ao ser humano e sente o texto complementar
podem causar a morte de muitos microrganismos e plantas, provocando um desequilíbrio a seguir aos estudantes.
no ambiente da Terra.
Durante o verão, os raios solares agem sobre um dos óxidos de nitrogênio (um gás de cor Texto complementar
castanha) e provocam a formação do ozônio próximo à superfície da Terra. O ozônio formado Ozônio no tratamento
perto da superfície afeta o sistema respiratório e causa inflamação das vias respiratórias dos de água
seres humanos e de outros animais. O ozônio é utilizado
desde o século XVIII no
tratamento de águas de
1979 1987 abastecimento. O ozônio,

N8Allen/Shutterstock
A B por ser altamente oxidante,
NASA Earth Observatory/Ozone Hole Watch/SPL/Latinstock

é capaz de eliminar bacté-


rias e fungos, impedindo
que possam causar danos
à saúde. Por essa razão, o
ozônio é utili