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LEITURA OPCIONAL

MÓDULO 1

HISTÓRIA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA PSICANÁLISE


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LEITURA OPCIONAL - MÓDULO 1

1 - O QUE É PSICANÁLISE?

Você sabe o que é psicanálise? Apesar de parecer complexo, esta é uma


pergunta que pode ser respondida a partir de três abordagens simples.
Continuem lendo para saber quais são elas! Em primeiro lugar, é um método
investigativo.

Em segundo lugar, é um método terapêutico ou clínico. E, em terceiro lugar, é


uma forma nova de abordar o ser humano, a cultura e a sociedade. Vejamos
com detalhes quais são essas três abordagens. Enquanto conceito pode-se
dizer que a Psicanálise articula-se como um campo de saber, um constructo
teórico e prático. Ela investiga as diversas áreas de fazer/saber humano.
Historicamente o termo foi cunhado por Sigmund Freud, médico vienense
inserido no contexto sócio-histórico do século XIX.

Pode-se dizer que a Psicanálise divide-se em três abordagens.

 MÉTODO INVESTIGATIVO: É na associação livre de ideias, ou gestos que


o sujeito do inconsciente vem a tona;

 MÉTODO TERAPÊUTICO: Baseado no pressuposto do inconsciente,


investigando os desejos e as resistências.

 CULTURA E SOCIEDADE: A “autonomia” e esse desejo de saber dos


teóricos possibilitam a vivacidade desse campo de saber.
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Primeira Perspectiva: Um Método Investigativo: Num campo/método


investigativo sobre os processos inconscientes dos gestos, das palavras, dos
delírios, das parapraxias; a tudo aquilo que escapa ao sujeito, a tudo aquilo que
escorrega da tão famigerada ideia de consciência. Para tal método, acredita-se
que é na associação livre de ideias, ou gestos que o sujeito do inconsciente vem
à tona. Ou seja, justo nisso que escapa ao campo de interesse e de pesquisa
das Psicologias regidas pelo cogito cartesiano, como:

 atos falhos
 lapsos de memória
 a ideia de erro

Na ideia de erro pode ser ao tocar uma nota indevida que revela o possível
não-dito, mas está sempre presente.

Segunda Perspectiva: Um Método Terapêutico Um método de psicoterapia


baseado nesse pressuposto do inconsciente, que investiga acerca do desejo do
sujeito, suas resistências. Soletra a sua relação transferencial com o analista a
partir do seu contexto passado-presente. Nesse processo pode-se dizer que a
Psicanálise conta com uma arma fundamental: a escuta. Assim ela proporciona
ao sujeito um ambiente onde todo o seu conteúdo inconsciente possa revelar-
se e ser descoberto no processo. Só é possível a partir de uma escuta que
admita todos os matizes, às vezes contraditório, do ser-fazer Barroco. Freud em
seus escritos demonstra o seu empenho e, tenta captar e permitir-se visitar a
fantasia dos seus analisandos. Todavia, o mesmo alertava para que essa escuta
não fosse confundida com um fazer puramente discriminativo, calcificado.
Sendo assim, aponta a importância de conciliar o comprometimento com a
narrativa do outro com uma Atenção Flutuante: “Não devemos atribuir uma
importância particular a nada daquilo que escutamos, sendo conveniente que
prestemos a tudo a mesma atenção flutuante.”
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Terceira Perspectiva: Uma Nova Forma de Abordar o Ser Humano, a Cultura e


a Sociedade Como um conjunto de teorias psicanalíticas e também
psicopatológicas. Pode-se dizer que a “verdade” da Psicanálise não se inscreve
como um algo rígido, imutável, inquestionável. Através de historiadoras como
Elisabeth Roudinesco é possível perceber como a história da Psicanálise foi
marcada por debates, conflitos e “reformulações” teóricas. Ou seja, a partir dos
pressupostos Freudianos, nesse aspecto é essa “autonomia” e esse desejo de
Saber dos teóricos que possibilitam a vivacidade desse campo de saber. A
Psicanálise se entrelaça a outros tantos outros campos, como:

 Filosofia
 Música
 Pintura
 Educação
 Literatura
 Sociedade
 Política
 Comportamento

Abordagens Teóricas da Psicanalise No processo de construção e estruturação


do monumento que é a Psicanálise, Freud a partir dos contatos com Charcot e
Breuer desenvolveu um trabalho artesanal. Isso envolveu um corte e costura
das três abordagens teóricas e práticas da sua obra.

1. Compreensão do Aparelho Psíquico: O primeiro modelo topográfico diz


respeito aos elementos que compõem o aparelho psíquico inicialmente
dividido em: Inconsciente, Pré-consciente e Consciente. Assim, são três partes
de um todo que dialogam entre si.
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2. Reflexão sobre a própria Psicanálise: Posteriormente Freud acopla a sua


edificação o segundo modelo topográfico, adicionando os conceitos de Isso, Eu
e Supereu (na tradução do português de Portugal) ou Id, Ego e Superego. Nesse
sentido toda a metapsicologia freudiana vai ganhando corpo, revelando a
criatividade e o incansável desejo de Saber do seu autor. Esse autor não se
cansou de reformular seus pontos de vistas acerca da aparelhagem e dos
fenômenos do psiquismo.

3. Hermenêutica e interpretação da cultura e da sociedade: Mas a Psicanálise


também tem a perspectiva do olhar para fora de si. Pode-se dizer que a
Psicanálise inscreveu-se desde o seu princípio até a atualidade como um campo
de saber marcado pela subversividade. Imaginar que no século XIX um médico
neurologista balançaria a aparente solidez da sociedade vienense é quase
utopia. Ele trazia a tona conceitos como Sexualidade Infantil e pulsão de Morte.
Isto é, não cansou de nos surpreender, haja vista o sublinhado retrocesso
vivenciado nas diferentes camadas das grandes sociedades na
contemporaneidade.

Das Três Abordagens à Introdução da Criança no Desenvolvimento


Psicossexual Apesar do incansável trabalho de Freud e de dos posteriores
psicanalistas de incluir a criança enquanto sujeito, é intrigante como a sua
teoria das fases do desenvolvimento psicossexual é ainda deturpada e
erroneamente interpretada nos diversos campos da sociedade. Além disso, nos
campos de “ensino”. Espalham-se difamações a Psicanálise, essa tida enquanto
“hiper centrada” na sexualidade, ao ponto de perceber a sexualidade em
crianças. Tal tipo de discurso só revela o desconhecimento da própria
elaboração conceitual acerca da ideia de sexualidade para Freud. Assim,
denuncia um olhar sobre o tema que traz como marca o conceito de formação
reativa. No meu ponto de vista é a partir do conceito de Pulsão de Morte que
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Freud eleva ao extremo a subversão da Psicanálise. Tendo confrontado o ideal


iluminista através da verdade do Inconsciente Freud propõe que para além de
uma Pulsão de Vida que busca conservar as unidades vitais, a autopreservação,
existiria uma força que anseia a destruição das unidades vitais. Isto é, a
redução radical das tensões e o retorno ao estado inorgânico, estado esse de
suposto repouso absoluto.

Afinal, o que é Psicanálise? É nesse sentido que percebo a Psicanálise, formada


através de três abordagens, inscrita como um saber que dialoga com o período
Barroco. Esse suporta os contrastes que compõem o fazer-ser humano. Além
disso, sem se render aos encantos de uma moral que normatiza e calcifica os
seres. Artigo escrito por Gabriel Vargas, exclusivamente para este blog do
Curso de Formação em Psicanálise. Deixe seu comentário, dúvida ou sugestão
abaixo.

2. O que é Psicanálise? Guia Fundamental Você já ouviu falar sobre a


Psicanálise e sua área de atuação? Essa técnica terapêutica é muito utilizada e
pode auxiliar muitas pessoas a entender seus processos psíquicos. Ficou
curioso? Continue a leitura deste guia completo sobre O que é Psicanálise e
descubra os fundamentos da ciência psicanalítica!

Origens da Psicanálise: Embora não haja consenso sobre a gênese (origem)


exata do conceito dentro do contexto histórico, Sigmund Freud foi o fundador
da Psicanálise na passagem do século XIX para o século XX. Suas conquistas,
conceitos e ideias estão presentes nas discussões do campo psicanalítico até
hoje, o que trouxe profunda influência ao desenvolvimento de inúmeras linhas
de estudos desde sua concepção. Em seu primeiro artigo, intitulado “As
psiconeuroses de defesa”, de 1894, Freud empregou alguns termos ao seu
estudo. Ele usou, nesse primeiro momento, os termos: análise, análise psíquica,
análise psicológica e análise hipnótica.
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O que é Psicanálise? Pode-se entender a psicanálise como um método


terapêutico criado pelo médico neurologista Sigmund Freud (1856-1939).
Conceitualmente o termo psicanálise é usado para se referir a uma construção
teórica baseada nos preceitos da hermenêutica (campo de estudo, que tem
como referência, a explicação que compreende os significados implícitos, ou
seja, tem um caráter investigativo que busca a interpretação do que está além
do objeto). Ou seja, a Psicanálise é uma ciência da interpretação, que oferece
uma chave de significado com base em explicações não óbvias. Nesse sentido,
a psicanálise pode ser considerada um campo teórico e um método de
pesquisa, culminando em uma prática clínica dotada de técnicas específicas.
Como a teoria pode ser caracterizada por um conjunto de conhecimentos
sistematizados sobre a estrutura e o funcionamento da vida psíquica, bem
como sua repercussão sobre a vida do sujeito.

O método psicanalítico freudiano O método de terapia criado por Freud é


empregado especialmente em casos de neuroses. De modo geral, esse método
pode ser entendido como embasado, essencialmente, na interpretação, por
parte de um psicanalista, dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e
produções imaginárias de um indivíduo. Essa interpretação se baseia nas
associações livres e no que se denomina de transferência. Como método
investigativo, busca a interpretação de conteúdos ocultos e/ou inacessíveis às
manifestações e ações do indivíduo em sua relação com o meio ambiente. A
prática profissional, portanto, foi chamada de análise, ou seja, uma forma de
tratamento que utiliza técnicas investigativas específicas para o tratamento de
pacientes que buscam seu autoconhecimento e/ou resoluções e
entendimentos dos transtornos que assolam a psique humana. Ou, nas
palavras de Freud (1922), “chamamos a psicanálise ao trabalho pelo qual
trazemos à c Para se compreender melhor o que é psicanálise, devemos
entender que nela podem ser distinguidos três níveis. Os dois primeiros são
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parte do método psicanalítico e o terceiro seria o conjunto de suas teorias.


Vejamos abaixo.onsciência do paciente o psíquico reprimido nele“.

Os três níveis da Psicanálise enquanto ciência A psicanálise é um método de


estudo ou investigação. É, também, uma forma de olhar e interpretar as
relações sociais e as outras ciências. Por fim, é um método de terapia e de
tratamento de transtornos psíquicos. Segundo Laplanche e Pontalis (1996),
essa disciplina fundada por Freud pode ser dividida em três níveis:

a) Um método de investigação (pesquisa) que consiste essencialmente em


evidenciar o significado inconsciente das palavras, ações, produções
imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um assunto. Esse método baseia-se
principalmente nas associações livres do tema, que são a garantia da validade
da interpretação. A interpretação psicanalítica pode se estender a produções
humanas para as quais não há associações livres.

b) Um método psicoterapêutico (abordagem terapêutica ou clínica) baseado


nesta investigação e especificado pela interpretação controlada de resistência,
transferência e desejo. O uso da psicanálise como sinônimo de tratamento
psicanalítico está ligado a esse significado; exemplo: iniciar uma psicanálise (ou
uma análise).

c) Um conjunto de teorias psicanalíticas e psicopatológicas (uma “ciência”


psicanalítica, que melhorou seu próprio campo de conhecimento), no qual os
dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e tratamento são
sistematizados.

Entendendo o que é psicanálise a partir de seus três níveis Podemos sintetizar


assim a resposta sobre o que é Psicanálise: A Psicanálise é uma ciência ou saber
hermenêutico, isto é, interpretativo. Se há algo a interpretar, supõe-se que seja
algo não óbvio: o inconsciente. A ideia de inconsciente pressupõe fatos não
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acessíveis à mente atenta. Assim, a interpretação que a Psicanálise oferece é:


pesquisar o que está acessível (os fatos conhecidos, as palavras ditas, as
memórias acessíveis, os sintomas, os medos, os desejos expressos, os sonhos,
os lapsos, os atos falhos, os chistes etc.), buscando descobrir o que não está
acessível (as causas dos sintomas, os conteúdos recalcados etc.). Vejamos mais
detalhadamente os três níveis que abordamos na parte anterior, combinando
com o resumo que acabamos de fazer.

A Psicanálise pode ter como objeto de investigação:

a) Uma pessoa, aí temos o primeiro nível que antes abordamos, da Psicanálise


como um método de investigação. Esse método consiste em evidenciar o
significado inconsciente das palavras, das ações e das produções imaginárias de
um indivíduo. Essas produções imaginárias podem ser entendidas como os
sonhos, as fantasias e os delírios da pessoa. Ou seja, neste nível,
compreendemos a psicanálise como ferramenta de pesquisa nas ciências.

b) A relação analista e paciente, aí temos o segundo nível, da metapsicologia


freudiana (isto é, a psicanálise refletindo sobre ela própria). Trata-se de um
método baseado na investigação e no que foi especificado por essa
interpretação. Uma interpretação controlada da resistência, da transferência e
do desejo. É a esse sentido, ou nível, que está ligado o emprego da psicanálise
como sinônimo de tratamento psicanalítico. Por exemplo, quando se usa o
termo: começar uma psicanálise (ou uma análise). Neste nível, temos a
aplicação da psicanálise clínica, na relação entre analista e analisado.

c) As relações interpessoais e da sociedade, aí temos o terceiro nível, que é um


conjunto de teorias psicanalíticas e psicopatológicas. A partir desse conjunto, é
que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de
investigação e de tratamento. A psicanálise como ferramenta interpretativa da
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sociedade, da cultura, da história, das artes e da política estaria neste nível.


Posteriormente ao emprego dos termos supracitados em seu primeiro artigo,
Freud usou um novo termo, do qual se originou o termo psicanálise. Num
artigo sobre etiologia, publicado em francês, ele usou o termo “psycho-
analyse”. Em alemão, posteriormente traduzido, o termo “psychoanalyse”.
Freud procurou descrever, ao usar esse termo, as psiconeuroses de defesa. O
uso do termo “psicanálise” está ligado ao abandono da catarse sob hipnose e
da sugestão. Usando-se o recurso exclusivo à regra da associação livre, a fim de
se obter o material. Assim, é realizada a análise. Com a difusão da psicanálise e
dos métodos, a partir dos quais ela foi sendo conhecida, o próprio termo foi
sendo mais usado. Por outro lado, diversos autores acabaram designando este
termo em alguns trabalhos que não eram exatamente sobre psicanálise
propriamente dita. Isto é, o conteúdo, o método e os resultados desses
trabalhos, muitas vezes, acabavam tendo apenas relações com o que foi
preconizado por Freud.

Os Níveis de Consciência Para se compreender a psicanálise, é muito


importante compreender os níveis de consciência atribuídos dentro nesse
conceito. Esses níveis são: consciente, pré-consciente e inconsciente. São as
partes da mente humana, conforme Freud definiu em sua Primeira Tópica (isto
é, na primeira fase de seu trabalho, também chamada de Teoria Topográfica).

 O consciente é somente uma parte de nosso funcionamento mental. Ele


é constituído pelas ideias que temos do que pensamos, do que sentimos.
Além do que falamos e do que fazemos. É como se ele fosse o nível mais
superficial de nossa consciência ou mente, tudo a que temos acesso
facilmente.
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 O pré-consciente é constituído por meio de ideias inconscientes. Essas


ideias podem se tornar conscientes quando direcionamos atenção a elas.
Elas podem ser percebidas nos nossos sonhos ou nos atos falhos.
 O inconsciente é a grande parte nossa mente de que não temos
consciência. É uma parte mais profunda, e a qual não temos claro e fácil
acesso. No inconsciente, estão guardados os desejos reprimidos, assim
como os conteúdos censurados e as pulsões inacessíveis à consciência.
Por outro lado, o inconsciente traz reflexos em nosso dia a dia, e pode
influenciar em nossos comportamentos e ações. Isso, ainda que não
percebamos.

Desses três níveis de consciência, o inconsciente é o mais estudado pelos


psicanalistas. É por meio dele que se procura explicar o surgimento ou até
mesmo curar as neuroses e, para alguns psicanalistas, também as psicoses.
Portanto, é muito importante, para entender a psicanálise, entender o que é e
como é formado o inconsciente.

O mais importante conceito da Psicanálise de Freud Em seu Dicionário,


Laplanche & Pontalis definem um conceito como o mais importante para a
Psicanálise. Ou seja, sem este conceito, a Psicanálise não seria tão relevante e
diferenciada em relação a outras linhas de pensamento.E este conceito é o
Inconsciente. A grande contribuição de Freud foi demonstrar que o “indivíduo”
é, na verdade, dividido. Isto é, tem muitos desejos, traumas e memórias reais
ou distorcidas. E muito deste conteúdo não está acessível ao nosso lado
racional. Então, o ser humano não controla totalmente sua vida, suas escolhas,
sua mente. Reconhecer isso é parte do processo de reconhecer-se humano,
não deve ser uma desculpa para atos impróprios contra outras pessoas.
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A Formação do Inconsciente para a psicanálise De acordo com Freud, o


inconsciente é formado por três elementos: o id, o ego e o superego. Termos
esses que devem ser compreendidos e devidamente distinguidos, a fim de que
compreendamos o que é o inconsciente. E, por consequência, para que
possamos entender o que é psicanálise e como são realizados seus métodos.
Esses conceitos foram criados por Freud para explicar o funcionamento da
mente humana. Ou seja, eles não estão apenas presentes no inconsciente, mas
também se refletem ou se traduzem em aspectos conscientes e inconscientes.
Assim, esses elementos da mente estão ligados e atuam de maneira conjunta.
Para Freud, os três conceitos abaixo integram a Teoria Estrutural, que é a forma
mais madura de Freud em definir como a mente humana se divide. Esta divisão
não descarta a primeira. Trata-se da Segunda Tópica de Freud (na sua fase
teórica mais madura), também denominada de Teoria Estrutural. Nesta teoria,
as três partes ou instâncias do aparelho psíquico determinam e coordenam o
comportamento humano.

 O id é onde está o nosso desejo libidinal. Nele, estão todas as energias


psíquicas e as pulsões cujo intuito é a obtenção do prazer.
 O ego é o meio termo entre os três elementos. Ele resulta a partir da
tentativa de estabelecermos equilíbrio entre os desejos do id e as
exigências do superego. Ou seja, exigências ligadas à realidade e a
ordens morais.
 O superego é o representante das regras morais, as quais nos impedem
de realizarmos os nossos desejos. Ele nos gera proibições e impõe
limites, por meio de regras sociais ou morais.

Conclusão: O que é Psicanálise Dessa forma, assim, podemos compreender a


ligação entre esses três componentes da mente humana e de que forma eles
atuam. É como se o que quiséssemos viver o tempo todo fosse o “id” (que são
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os nossos desejos). Porém, o “superego”, embasado nas morais, tenta nos


proibir de viver o id. E o ego, assim, surge como resultante da tensão entre o id
e o superego. Por fim, compreendendo a função desses três elementos,
compreendemos o funcionamento da mente humana. E, assim, conseguimos
compreender mais profundamente o que é psicanálise. Não é possível saber o
significado da Psicanálise enquanto conceito e seu papel na história sem
entender Freud, inconsciente e as partes da estrutura psíquica humana.
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2 – A GÊNESE DA PSICANÁLISE E O PERCURSO INCIAL

Breve, brevíssima história da Psicanálise : Este artigo irá percorrer uma breve
história da psicanálise. Óbvio que será algo muito resumido, mas que pretende
dar uma primeira visão a quem está começando agora seus estudos neste
incrível campo do saber. A história da Psicanálise possui várias partes que
precisam ser estudadas cuidadosamente.

História da Psicanálise – Um método criado para revelar uma linha de


pensamento: A história da Psicanálise teve como precursor o médico Sigmund
Freud, na passagem do século XIX para o século XX, e é baseada no estudo da
Hermenêutica. Esse método de psicoterápico, através da associação livre, foi
criada para revelar uma linha de pensamento (isso ao falar livremente).

Psicanálise – Investigação e tratamento Essas linhas são conectadas a ideias


aparentemente desconexas, fazendo com que o indivíduo passe a conviver
melhor consigo ou até se curar. Sendo a psicanálise uma forma de investigação
e tratamento, essa prática é denominada análise. O seu autor viajou para a
França para agregar mais conhecimentos, assim conheceu um colega que
estava usando um método revolucionário para doenças nervosas.

A troca da hipnose pelo método catártico: Após um estágio volta para seu país
e inicia o tratamento chamado de sugestão hipnótica. Posteriormente, o
mesmo percebeu que não havia necessidade de hipnotizar para trazer
conteúdos inconscientes para tratá-los. O autor da psicanálise, achando-se
imaturo em sua técnica, passa a desenvolver estudos com o médico Josef
Breuer e popularizando o trabalho com o método Catártico, ambos publicaram
estudos sobre a histeria. Assim ela passou a ser o centro dos estudos iniciais da
psicanálise. Um olhar sobre a história da psicanálise- A terceira fase narcisista
da humanidade A histeria do século XIX possibilitou ter os conceitos freudianos
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do sujeito humano, conflituoso, voltado para o sexo, alienada a si mesmo, que


persiste no começo deste século. A histeria ainda determinou o que é ser
humano e continua a fazê-lo. Estes estudos revolucionários colaboraram com
os valores sociais da época, o próprio autor chamou de a terceira fase narcisista
da humanidade.

A energia pulsional instintiva: Freud se viu na necessidade de elaborar


determinadas construções teóricas, vindo a descrever os processos psíquicos,
seus achados clínicos, quanto ao ponto de vista econômico, dinâmico e tópico:
O sistema econômico é a distribuição de energia dentro do aparelho psíquico.
Trata-se de energia pulsional instintiva; o ponto de vista dinâmico é que
sempre há no aparelho psíquico suas duas forças opostas quando o interior do
indivíduo se opõem, forças contrárias. Do ponto de vista tópico supõe uma
diferenciação do aparelho psíquico em certos lugares diferentes e forma de
funcionamento.

A organização do aparelho psíquico: O entendimento desses conceitos


possibilitou a Freud a organização do aparelho psíquico em três instâncias
psíquicas, em sua primeira tópica:

 inconsciente (ICS)
 pré-consciente (PCS)
 consciente (CS)

Seu pensamento nesta fase foi chamado de Primeira Tópica, que depois se
modificou, na Segunda Tópica (abaixo), no ano de 1923. Neste considera o
aparelho psíquico composto por três instâncias:

 Id
 Ego
 Superego
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A influência de Freud sobre os cientistas da época: O criador da Psicanálise


influenciaria as mentes de cientistas de sua época, muitos convergiam com
seus pensamentos já outros divergiam, porém tinham como base o seu saber.
Foram os seguintes médicos, que ampliaram os conceitos da psicanálise.

Carl Jung foi colega do criador da psicanálise, porém houve divergências de


pensamentos o mesmo separou-se de Freud, criando um novo conceito o
Inconsciente coletivo e a psicologia analítica.

As fases primordiais de Melanie Klein Melanie Klein é autora de uma nova


teoria em que descreveu duas fases primordiais. A primeira fase denominada
posição Esquizoparanóide, que corresponde aproximadamente aos três
primeiros meses de vida. A segunda fase, denominada posição, dependia do
tipo de relação que o bebê estabelecia com sua Mãe. Ela mesma com sua nova
teoria não rompe com Freud devido tratar-se de crianças, função que coube
também a filha do criador da psicanálise.

A percepção do outro sobre o entendimento do sujeito O inglês Bion, que


ampliou o conceito original de Melanie Klein sobre identificação projetiva, o
que o levou e concebeu uma distinção entre fundamentos psicóticos e não
psicóticos da personalidade, dentro de um mesmo indivíduo, e também
trabalhou com terapia de grupos.

Uma das ideias revolucionárias de Jacques Lacan é de que o inconsciente não


seria uma manifestação do Eu, mas sim do outro, ou seja, o sentido de si seria
constituído pela percepção do outro, sobre entendimento do sujeito composto
por três ordens: imaginária, simbólica e real.

A divisão da Psicanálise por Zimerman: Com toda evolução tecnológica e pela


própria ciência neurológica, através de exames fidedignos, não conseguem
superar a psicanálise. Existem distorções e até desentendimentos, porém elas
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permanecem sem alterações no conceito inicial pelo seu criador. Zimerman


propõe uma divisão didática a qual divide a psicanálise em três categorias:
Ortodoxa, Clássica e Contemporânea.

A amplitude da utilização da psicanálise

 A Psicanálise Ortodoxa em sua gênese, analisava os conteúdos


reprimidos, os desejos proibidos, entre outras formas de inibição e a
técnica aplicada era muito rígida.
 A Psicanálise Clássica foi ampliando novas formas de atendimento para
além dos pacientes neuróticos, pessoas com outras formas de
personalidades a serem tratados.
 Psicanálise Contemporânea, há priorização dos vínculos entre o par
analítico (paciente – analista). O rigor teórico e técnico acaba cedendo a
uma naturalidade. Este conceito cabe a cada teórico buscar uma forma
na qual ele se identifique e proponha na realização prática clínica.

Origem e história da psicanálise A origem da história da Psicanálise está


relacionada à vida de seu fundador, Sigmund Freud (1856-1939). Ele utilizou
elementos observados a sua volta como base para criar suas teorias sobre a
mente e o comportamento humano. Freud buscou compreender e explicar a
gênese da histeria, da psicose e da neurose. Ele também fez explanações sobre
o que denominou de composição da mente humana. Todos esses estudos e os
métodos de terapias por ele criados resultaram na Psicanálise. Ao elaborar seus
estudos, Freud esbarrou na sexualidade humana. A partir disso, ele criou o
conceito de inconsciente, que seria uma das partes da mente humana. A
constituição do aparelho psíquico humano, o complexo de Édipo, a análise, o
conceito de libido, a teoria da incompletude. Essas são algumas das
importantes formulações propostas por Freud ainda no início da história da
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Psicanálise. As quais auxiliaram na sua difusão nos mais variados meios e em


diversificados campos de estudos.

A origem da Psicanálise: Toda a conceituação básica da psicanálise como a


conhecemos é, sem dúvida, referida no final do século XIX, através de Freud e
seus tutores e colaboradores. Portanto, é necessário rever a trajetória de
Freud, fundador ou pai da psicanálise, considerando os personagens históricos
que o ajudaram no desenvolvimento das ideias iniciais de sua ciência. Médico
por formação na Universidade de Viena em 1881, Freud formou-se especialista
em psiquiatria, mostrando-se um renomado neurologista. E, no meio de sua
clínica médica, começou a se deparar com pacientes afetados por “problemas
nervosos”, o que levantou certas questões, dada a “limitação” do tratamento
convencional da medicina. Com isso, entre 1885 e 1886, Freud foi a Paris para
realizar um estágio com o neurologista francês Jean-Martin Charcot, que
parecia demonstrar sucesso no tratamento de sintomas de doença mental
através do uso de hipnose. Para Charcot, esses pacientes, que se diziam
histéricos, foram afetados por transtornos mentais causados por
anormalidades no sistema nervoso, uma ideia que influenciou Freud a pensar
em novas possibilidades de tratamento.

Sugestão hipnótica, Charcot e Breuer: os primórdios da psicanálise; De volta a


Viena, Freud começa a tratar seus pacientes com sintomas de distúrbios
nervosos por sugestão hipnótica. Nesta técnica, o médico induz uma mudança
no estado de consciência do paciente e, em seguida, conduz uma investigação
entre as conexões e condutas do paciente que possam estabelecer qualquer
relação com o sintoma apresentado. Neste estado, percebe-se que, por
sugestão do médico, é possível provocar a aparência e desaparecimento deste
e de outros sintomas físicos. No entanto, Freud ainda se encontra imaturo em
sua técnica e, em seguida, procura entre 1893 e 1896 para se aliar ao
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respeitado médico Josef Breuer, que descobriu que era possível reduzir os
sintomas da doença mental apenas pedindo aos pacientes que descrevessem
suas fantasias e alucinações. Com o uso de técnicas de hipnose foi possível
acessar memórias traumáticas com mais facilidade e, dando voz a esses
pensamentos, memórias ocultas foram trazidas ao nível consciente, o que
permitiu o desaparecimento do sintoma (COLLIN et al., 2012).
Emblematicamente, essas ideias foram possíveis de serem desenvolvidas
através do tratamento de uma paciente conhecida como Anna O., a primeira
experiência bem sucedida deste sistema de tratamento psicoterapêutico.
Assim, Freud e Breuer começaram a trabalhar juntos, desenvolvendo e
popularizando uma técnica de tratamento que permitisse a liberação de afetos
e emoções ligados aos eventos traumáticos do passado através da
remembização das cenas vivenciadas, que culminaram no desaparecimento do
sintoma. Esta técnica foi chamada de método catártico. Toda essa experiência
possibilitou a publicação conjunta da obra Estudos sobre a histeria (1893-
1895).

O Início da Psicanálise e seu contexto histórico Em 1896, Freud utiliza, pela


primeira vez, o termo Psicanálise, com o intuito de analisar os componentes
que formam a psique. Assim, fragmentar o discurso/pensamento do paciente
para conseguir captar os conteúdos latentes e, a partir daí, observar melhor os
significados e implicações presentes na fala do paciente. Conforme a técnica
avançava, alguns pontos de discordância apareciam entre Freud e Breuer,
sobretudo na ênfase que Freud estabelecia entre as memórias do paciente e as
origens e conteúdos sexuais da infância. Desse modo, em 1897 Breuer rompe
com Freud, que segue desenvolvendo as ideias e técnicas da psicanálise,
abandonando a hipnose e utilizando a técnica de concentração, na qual a
rememoração era realizada por meio da conversação normal, dando voz ao
paciente de forma não direcionada.
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De acordo com Freud: “Quando, em nossa primeira entrevista, eu perguntava


a meus pacientes se recordavam do que tinha originalmente ocasionado o
sintoma em questão, em alguns casos eles diziam não saber nada a esse
respeito, enquanto, em outros, traziam à baila algo que descreviam como uma
lembrança obscura e não conseguiam prosseguir. *…+ eu me tornava insistente
– quando lhes asseguravam que eles efetivamente sabiam, que aquilo lhes viria
a mente – então, nos primeiros casos, algo de fato lhes ocorria, e nos outros a
lembrança avançava mais um pouco. Depois disso eu ficava ainda mais
insistente: dizia aos pacientes que se deitassem e fechassem deliberadamente
os olhos a fim de se “concentrarem”—o que tinha pelo menos alguma
semelhança com a hipnose. Verifiquei então que, sem nenhuma hipnose,
surgiam novas lembranças que recuavam ainda mais no passado e que
provavelmente se relacionavam com nosso tema. Experiências como essas
fizeram-me pensar que seria de fato possível trazer à luz, por mera insistência,
os grupos patogênicos de representações que, afinal de contas, por certo
estavam presentes” (FREUD, 1996, p. 282-283).

Origem, História e Futuro da Psicanálise As teorias criadas por Freud, no início


do século XX, difundiram-se por inúmeras áreas do saber. Quanto ao seu
surgimento, é considerado como o marco inicial da Psicanálise a publicação da
obra “A Interpretação dos Sonhos”, no início de 1900. Atualmente, muitos de
nós já ouvimos falar em diversos conceitos criados por Freud, a maioria no
início da história da psicanálise. Conceitos como o inconsciente, as suas
explanações sobre a sexualidade da criança ou o complexo de Édipo.
Entretanto, quando ele lançou suas primeiras teorias, houve dificuldade de
aceitação entre os estudiosos da psicologia e nos meios acadêmicos. Além
disso, para se entender a história psicanálise, é necessário entender a própria
contextualização histórica do momento. A Primeira Grande Guerra (1914-
1918), por exemplo, acabou contribuindo para a sua difusão. Quando a
20

psicanálise foi usada para tratar pessoas envolvidas na guerra e a neurose por
ela causada. O próprio ambiente cultural da Áustria, o contexto iluminista
posterior à Revolução Industrial e à Revolução Francesa. Os conhecimentos
psiquiátricos, neurofisiológicos, sociológicos, antropológicos, dentre outros que
na época estavam sendo desenvolvidos e explorados.

A maturidade de Freud e da trajetória psicanalítica Tudo isso contribuiu para


as observações, estudos de Freud e que as suas primeiras as criações fossem
realizadas. Nesse ambiente propício, ele identificou fenômenos mentais além
dos perceptíveis pela consciência. Freud teorizou que nossa mente possui o
consciente, o pré-consciente e o inconsciente. Todo este percurso permitiu que
Freud aprimorasse sua técnica psicanalítica. Desde a hipnose, passando pelo
método catártico e, por uma prática provisória conhecida como “técnica da
pressão”. Esta técnica consistia em Freud pressionar a testa dos pacientes na
tentativa de trazer ao consciente os conteúdos inconscientes, método logo
abandonado por identificar resistências e defesas por parte do paciente. Até o
surgimento do método da associação livre, que acabou sendo a técnica
definitiva para Freud. Neste método, o indivíduo trazia para a sessão seus
conteúdos, sem qualquer julgamento. Freud os investigava, analisava e
interpretava. Usava a seu favor a atenção flutuante (conceito empregado por
Freud para a técnica da escuta), na tentativa de relacionar a fala aos conteúdos
submersos no inconsciente. Aos poucos, foi ocorrendo a formação de tradições
psicanalíticas locais. Além de surgirem analistas em cidades como Budapeste,
Londres, e Zurique. Ultrapassando o laço pessoal e direto com Freud, o
fundador da Psicanálise.

A Aceitação da Psicanálise Por ser revolucionária e quebrar tabus e conceitos,


houve dificuldade na aceitação, principalmente nos primeiros anos de história
da psicanálise. Além disso, Freud viveu em uma sociedade burguesa capitalista
21

e patriarcal, em que a mulher era muito oprimida. Isso contribuiu para que
muitas de suas teorias não fossem aceitas imediatamente. Ainda que as
explicações teológicas não mais satisfizessem a compreensão sobre a realidade
na época. E a ciência estivesse ganhando cada vez mais campo na compreensão
das patologias e do comportamento humano. Muitas teorias de Freud, como o
desenvolvimento da sexualidade infantil, causaram visões contrárias na época
em que foram divulgadas. As teorias de Freud começaram a ser elaboradas
alguns anos antes da publicação de seu livro “A Interpretação dos Sonhos”.
Nessa época, os aspectos psíquicos não eram considerados como aspectos
científicos. Isso fazia com que as doenças nervosas ou psíquicas não fossem
respeitadas pelos médicos. Eles apenas se atinham ao que era passível de
algum tipo de comprovação material ou ao que era mensurável. Freud também
desenvolveu conceitos a respeito da libido, energia erótica que possibilita a
vida. Além unir os indivíduos para fins de reprodução, para Freud, a libido
poderia representar desejos escondidos que, quando não saciados, refletiam
de alguma forma na vida das pessoas. Freud conceituou a sublimação, que
seria utilizar da energia da libido para fins socialmente aceitos, como arte,
estudo, religião, etc. Devido à sua formação médica, Freud se dedicou às
investigações do psiquismo, com forte influência da biologia. Ainda que alguns
positivistas considerassem a Psicanálise como filosofia, Freud desenvolveu algo
além disso, criando uma teoria científica.

Principais características da Psicanálise Compreender as características


psicanalíticas é importante para entender a história da psicanálise. Freud criou
uma nova forma de ver o homem, fundando uma nova área do conhecimento.
Suas teorias a respeito do inconsciente, da infância, das neuroses, da
sexualidade e dos relacionamentos humanos. Tudo isso auxiliou a
compreender mais a mente humana e o comportamento dos homens e a
entender melhor a sociedade.Ao contrário do que muitos pensam até hoje, a
22

psicanálise não é uma área ou escola da psicologia. Ela é uma área


independente do saber, que surgiu como uma maneira diferente de entender a
mente humana. E, por consequência, ela vem como uma alternativa para se
tratar o sofrimento psíquico. Além disso, um dos principais fatores para a
diferenciação da Psicanálise foi a forma como Freud desenvolveu as suas
terapias. O modo como ele propôs tratar as pessoas com sofrimento ou com
patologias psicológicas era totalmente inovador, na época. Freud teve
sensibilidade para escutar o discurso do histérico e os depoimentos de seus
pacientes. Assim, ele aprendeu o que a fala ou o desabafo das pessoas tinha a
lhe ensinar. Essa foi a base para ele criar a sua terapia e, junto dela a teoria e a
ética da psicanálise. Freud via o cérebro e a mente como
fenomenologicamente idênticos. Ele estava preocupado com fatores como o
conceito darwiniano de evolução da mente. Preocupava-se com o modelo
neurofisiológico, com a hidrostase e com a termodinâmica. Esses conceitos por
ele estudados foram usados como base à criação da sua teoria do modelo de
inconsciente. Estabelecendo a centralidade dos conceitos de recalque e de
pulsão. Pulsão é sua teoria para tentar explicar a transformação de estímulos
em elementos psíquicos. A partir dessa teoria, Freud criou diversas
formulações. Dentre elas a do desenvolvimento da libido, da representação, da
resistência, dos mecanismos de defesa, etc.

Trajetória de Freud da hipnose à Psicanálise A trajetória de Freud se inicia


com estudos médicos e da terapia de Charcot e Breuer. Com o tempo, Freud
passa a ver como insuficiente o método da hipnose e desenvolve a Psicanálise.
Vamos trazer neste artigo as origens de Freud e suas contribuições.

Primeiros fatos acerca da trajetória de Freud O neurologista Sigmund Freud, a


quem atribui-se o título de criador da Psicanálise, nasceu em Freiberg em 1856,
no então pertencente Império Austro-Húngaro. Formou-se em medicina pela
23

Universidade de Viena em 1881. Dedicou a sua vida aos estudos das


enfermidades psicopatológicas. Sendo assim, atribuiu a elas uma causa de
natureza sexual, gerada, principalmente, por algum trauma de infância. Freud,
viu-se inconformado com as limitações da medicina quanto ao tratamento dos
problemas nervosos, ao fazer estágio em Paris. Sentiu-se então atraído pelas
palestras ministradas pelo professor Jean-Martin Charcot. Elas eram sobre o
tratamento de doenças mentais, através do método da hipnose. Segundo
Freud , Charcot afirmava que os estudos sobre anatomia eram suficientes para
diagnosticar as doenças orgânicas do sistema nervoso. Entretanto, não davam
conta do tratamento das neuroses, em especial a histeria. Deste modo, utilizou
a hipnose como forma de amenizar os sintomas dos pacientes acometidos pela
histeria.

O uso indiscriminado da hipnose pode ser prejudicial ao paciente Goodwin


afirma que o termo “histeria” deriva de uma palavra grega que significa “útero”
e, por isso, atribuía o distúrbio às mulheres. Acrescenta que os seus sintomas
poderiam variar desde meras dores de cabeça até paralisias completas ou
parciais de algum membro do corpo. Em alguns casos, assemelhava-se a crises
epilépticas. Mas os pacientes, por não apresentarem nenhuma lesão física ao
sistema nervoso, eram tidos como mentirosos pelos cientistas da época.
Inicialmente, acreditava-se que a histeria era vista como decorrente de alguma
irritação genital. Ela era muito freqüente em pacientes do sexo feminino.
Porém, como o passar do tempo, observou-se um número crescente de casos
em homens. Assim, atribuíram-lhes como causas os traumas da infância.
Portanto, contrariando a opinião da maioria dos médicos da época que
defendiam que distúrbios reais deveriam apresentar uma base física, Charcot
percebeu algo diferente. Isto é, que a histeria era a capacidade de deixar-se
hipnotizar. Conferiam duas manifestações do mesmo distúrbio. Assim,
24

acreditava que se utilizada indiscriminadamente a hipnose poderia trazer o


paciente ao seu estado traumático inicial.

A trajetória de Freud a partir do seu retorno de Viena De acordo com a


trajetória de Freud, ao retornar a Viena, após estágio no instituto Salprêtière
sob a tutoria de Charcot, passa a utilizar a sugestão hipnótica. Isso visava o
tratamento de pacientes com distúrbios nervosos. Neste método, o médico
induz uma alteração no estado de consciência do paciente. Assim, ele realiza
uma investigação entre as conexões e condutas do paciente que poderiam
estabelecer qualquer relação com o sintoma apresentado. Nesse estado,
percebe-se que, por meio da sugestão do médico, é possível provocar o
aparecimento e desaparecimento desse e outros sintomas físicos. Esta técnica
tem como base o pressuposto de que a identificação de causas traumáticas de
experiências vividas pelo paciente pode eliminar os seus sintomas. Portanto,
Freud aderiu a esta técnica. Ele achou positivas as experiências de estágio com
Charcot ao constatar que determinadas coisas aconteciam e era quase
impossível duvidar delas. Além disso, verificou que o professor não utilizava
nenhum material raro ou estranho, ou para fins místicos.

O caso de Joseph Breuer com a paciente Anna O. Entretanto, ao conhecer


Joseph Breuer, médico neurologista, ainda quando estava cursando medicina,
Freud se deparou com uma situação. Ele se deu conta de que não seria mais
necessário acessar os sintomas de crises histéricas retirando os pacientes do
seu estado de consciência. Breuer, através do famoso caso de Anna O. Breuer
obteve sucesso no seu tratamento através do método que chamou de catarse.
Este método consistia na liberação emocional quando um paciente desenvolvia
um sintoma histérico, através das palavras. Breuer acreditava que quando o
paciente era capaz de expressar o que sentia sobre o caso, este demonstrava
menos propensão a desenvolver os sintomas. No caso de Anna O., a paciente
25

não conseguia beber água em copos porque tinha nojo. Breuer a fez resgatar a
experiência em que tivera que beber água em um mesmo copo que havia sido
utilizado para dar água a um cachorro. Breuer utilizou este procedimento com
a paciente por mais de um ano, e em determinado ponto do tratamento, a
paciente desenvolveu um sintoma de pseudo-gravidez. Assim, ela disse ser
Breuer o pai da criança, fenômeno a que Freud depois denominou
transferência.

A origem dos sintomas histéricos Embora Breuer tenha conseguido reverter o


caso, ele entregou o caso a Freud. Este detectou que a paciente tinha um
grande apego pelo seu pai, fato que explicou o apego que passou a sentir por
Breuer. Ele constatou que a maioria dos sintomas histéricos/neuróticos tinham
origens sexuais. Isto é, como se estes se manifestassem simbolicamente
através de um sintoma. Segundo Goodwin, o caso Anna O. demonstrou para
Freud que:

 Apesar de poder ser recalcada no inconsciente, a lembrança de um


evento traumático continua a influir no comportamento da pessoa sob a
forma de um sintoma histérico;
 A forma que o sintoma histérico assume, mantém uma relação
simbólica com o evento traumático, como no caso do exemplo da
hidrofobia;
 O sintoma histérico pode ser minorado se a pessoa chegar a um insight
em relação ao evento que lhe deu origem, quase sempre oriundo da
infância.

A livre associação de ideias Contudo, por viver em uma sociedade em que a


prática sexual encontrava-se de certo modo escancarada, as mulheres
recalcavam os seus desejos. Elas somente podiam fazer sexo para
reproduzirem, isso contribuiu para um aumento nos casos de sintomas
26

neuróticos. Freud descobriu que uma maneira de ajudar os seus clientes era
colocá-los sob um divã em uma posição confortável e incentivá-las a falar sem
censuras sobre o que lhes viesse à cabeça. Este método ficou conhecido como
livre associação e segundo Goodwin , tornou-se o eixo da prática psicanalítica.

Conclusão Agregada à livre associação, de acordo com a trajetória de Freud, ele


usava a análise dos sonhos para compreender melhor o inconsciente. Ele
defendia que os sonhos eram elementos simbólicos manifestos de desejos e
que, por sua vez, importantes para compreender sintomas patológicos. Eles
diziam bastante sobre experiências vivenciadas durante o dia, mascaradas pela
consciência, quanto vivenciadas desde a infância ao longo da vida de um
indivíduo. Portanto, a livre associação de ideias e a análise dos sonhos
tornaram-se duas técnicas adotadas pela Psicanálise, a partir da trajetória de
Freud.
27

2.1 – UM OLHAR À HISTERIA

Definição de Histeria para a Psicanálise Qual o conceito ou definição de


Histeria para Psicanálise e para Freud? No final do século XIX, a psicanálise foi
nomeada por Sigmund Freud como método de investigação dos processos
inconscientes. Um dos primeiros temas elaborados por Freud, ainda na sua fase
inicial com Charcot, foi o tema da Histeria, que abordaremos neste artigo. Para
Freud, a Psicanálise derivava da Hermenêutica, que é o campo do saber que
visa a interpretar o que é latente, implícito.

Segundo Laplanche e Pontalis (1996) a psicanálise possui três níveis:

 Método investigativo: uma forma de analisar pessoas, comportamentos


e sociedade.
 Método psicoterápico: um método analítico ou terapêutico.
 Um conjunto de teorias: uma forma de interpretar e reconstruir o saber
humano.

Portanto, foi construída a partir da experiência clínica, investigativa e


terapêutica, que também encontra um lugar como um saber que pode ser útil
na leitura social.

A histeria como ponto de partida da psicanálise O ponto de partida da


psicanálise foi a histeria, que ocorre devido a um trauma que faz com que a
lembrança do incidente saia do consciente e vá para o inconsciente. Mas, a
lembrança no inconsciente ocasiona sintomas, pois as ideias inconscientes
lutam por expressão e são capazes de modificar o pensamento e a ação do
indivíduo.

Freud e os primeiro contatos com a hipnose Freud encontrou dificuldade ao


atender pacientes acometidos pela histeria, ao estagiar com o médico
28

neurologista Jean Martin Charcot, que acreditava que distúrbios mentais eram
conseqüências de anormalidades no sistema nervoso e pela hipnose era
possível mudar o estado de consciência do paciente. Freud passou a utilizar a
hipnose, realizando uma análise entre as conexões e condutas dos pacientes
que poderiam indicar alguma ligação com o sintoma apresentado por ele.
Porém, sentiu-se imaturo na técnica, decidindo aliar-se a Joseph Breuer, que
fazia uso da hipnose, de maneira distinta. Desde o primeiro momento de seus
estudos sobre a mente, Freud se deparou com casos de histeria e de mulheres
histéricas, resultado de uma estrutura social que reprimia o sexo, a fala
terapêutica e a mulher.

A cura pela fala Breuer, médico e fisiologista austríaco, ao contrário de


Charcot, que procurava induzir os pacientes, inclusive histéricos, por meio da
sugestão direta, procurou deixá-los relatar seus sintomas de maneira livre, a
fim de encontrarem alívio durante o processo de reencenação. O método foi
denominado de catártico, em que a atenção do paciente era direcionada para a
cena traumática, e Freud e Breuer esforçavam-se para localizar o conflito
mental, bem como para liberar a emoção que estava reprimida. A descarga
desse afeto foi chamada de Ab-reação.

Trocando a hipnose pela concentração Mas, ao longo do avanço da técnica,


pontos em divergência surgiam entre Freud e Breuer, especialmente devido ao
destaque dado por Freud em relação às memórias e conteúdos sexuais da
infância.Freud largou a hipnose e passou a usar a técnica da concentração, na
qual solicitava que seus pacientes se concentrassem em um determinado
sintoma e buscassem lembranças que serviriam de auxílio na compreensão da
origem do mesmo. Freud aprimorou a técnica, utilizando-se da pressão feita na
testa do paciente, para trazer ao consciente conteúdos inconscientes. O
tratamento da histeria e de outros transtornos psíquicos vai deixando de ter
29

um foco na hipnose e se transferindo para o diálogo acordado (a associação


livre no diálogo entre terapeuta e paciente) e nos lapsos, chistes e sonhos.

A Atenção flutuante como regra fundamental Freud passou a aprimorar suas


técnicas, chegando a Associação Livre, no qual o paciente falava abertamente,
para que ele pudesse investigar, analisar e interpretar. Tais técnicas se apoiam
na Atenção flutuante, no qual o terapeuta deve proporcionar condições para
que se estabeleça comunicação de inconsciente para inconsciente (Zimerman,
1999). Da mesma maneira que o paciente fala abertamente, o terapeuta como
aquele que o escuta deve esquivar-se de qualquer desejo de selecionar, a
priori, o que dará maior relevância na fala do paciente.

Inconsciente, Pré-consciente e Consciente A primeira tópica do aparelho


psíquico trás a concepção de inconsciente, pré-consciente e consciente.
Segundo Freud, há três feridas narcísicas na humanidade. A primeira foi
quando descobriu-se que a Terra e o homem não eram o centro do universo; a
segunda foi a investigação de Charles Darwin, que tirou a superioridade do
homem por se sentir-se uma criação especial. Já a terceira ferida foi a
construção do inconsciente, que sugere que as ações do homem são
influenciadas por uma instância que foge ao entendimento racional. (Freud,
1917).

A formação dos sonhos A histeria é um sintoma por causa dos conteúdos


censurados, que não se tornam conscientes, apenas geram sintomas. Uma
forma de alcançar o nível inconsciente é por meio dos sonhos. No inconsciente
habitam conteúdos reprimidos por censuras internas. No pré-consciente, há
conteúdos de fácil acesso ao consciente, mas que não pertencem a ele. No
consciente encontram-se conteúdos relacionados aos estímulos provenientes
do mundo externo e interno, sendo responsável pela percepção, atenção e
raciocínio. O impulso à formação dos sonhos é encontrado por Freud no
30

inconsciente. Neste processo, os desejos ligam-se aos pensamentos oníricos,


próprios dos pré-consciente e consciente, e procuram uma maneira de acesso à
consciência.

A criança e a sexualidade Umas das grandes descobertas de Freud foi acerca


do desenvolvimento psicossexual infantil. A sexualidade exposta pelo
psicanalista não parte da idéia reprodutiva, mas inclui desejos e anseios que
podem envolver toques, olhares e palavras. Segundo Laplanche e Pontalis,

 a histeria pode definir-se como doença psicogênica em que os sintomas


são expressados através de símbolos de um conflito que tem como
origem a infância.

O desenvolvimento da personalidade Freud entendia que a personalidade


desenvolvia-se durante estágios na infância em que as energias que buscam
prazer são canalizadas em determinadas áreas erógenas. Os estágios são: oral,
anal, fálico, latente e genital. Essas fases não são lineares e estanques, e não
acontecem em períodos exatos, embora tenha-se uma ideia do período em que
pode ocorrer. As conseqüências provenientes de cada fase deixam marcas no
funcionamento psíquico do indivíduo.

O complexo de Édipo O complexo de édipo é um comportamento simbólico da


criança. O menino tem como objeto de desejo a mãe, enxergando seu pai como
rival. A menina passa pelo mesmo processo, de maneira inversa, denominado
como Complexo de Édipo feminino por Freud e Complexo de Electra por Jung.

A pulsão e os Mecanismos de defesa Freud propôs alguns conceitos para a


compreensão do funcionamento psíquico, como: Pulsão e Mecanismos de
defesa. A Pulsão é um processo que impele o organismo em direção a um
meta. Segundo Freud, é um conceito que localiza-se na fronteira entre a mente
e corpo. A relação com o mundo externo e interno pode gerar angústia. Assim,
31

o psiquismo cria mecanismos de defesa para poder sobreviver. Existem


diversos tipos de mecanismos de defesa, incluindo o recalcamento, formação
reativa, regressão, projeção etc.

Id, ego e superego A segunda estrutura do aparelho psíquico trás os conceitos


de Id, ego e superego. O Id é um vasto reservatório de energia psíquica e está
sobre o princípio do prazer. O ego está sobre o princípio da realidade, tendo
como função equilibrar as descargas de excitações. O superego está sobre o
princípio do dever, surgindo a partir de conteúdos de regras apresentados
pelos pais. Grandes autores contribuíram para o desenvolvimento da
Psicanálise. Dentre eles: Carl Gustav Jung, Melanie Klein, Donald Winnicott,
Wilfred Bion e Jacques Lacan. Zimerman (1999) acrescentou novos conceitos
na Psicanálise, separando-a como: Ortodoxa, Clássica e Contemporânea. O
psicanalista hoje, procura uma formação mais diversificada, com o intuito de
atender da melhor forma a demanda dos pacientes. Muitos transtornos hoje
são analisados além da histeria, mas, sem dúvidas muitas das bases da histeria
se manifestam também em outras formas de angústias e ansiedades.

O que é Histeria? Conceitos e Tratamentos Histeria, do grego hystera, significa


“útero“. Neste artigo, discutiremos o que é histeria para a psicanálise, isto é o
conceito ou significado de histeria. Apresentaremos uma visão ao longo de
uma história da histeria: conceitos, interpretações, tratamentos ao longo do
tempo. Desde o Egito antigo já se achava que o útero era capaz de afetar o
resto do corpo. Os egípcios acreditavam que uma variedade de problemas
corporais se dava a partir do que denominavam um útero “vagante” ou
“animado”. Essa teoria de um útero animado se desenvolveu mais na Grécia
antiga, e foi mencionada várias vezes no tratado Hipocrático “Doenças das
mulheres”. Platão considerava o útero um ser separado no interior da mulher,
enquanto Areteu o descreveu como um “animal dentro de um animal“,
32

causando sintomas ao “vagar” por dentro do corpo da mulher, criando pressão


e stress nos outros órgãos. Deste modo, é evidente, mesmo pela origem do
nome e sua relação direta com um orgão do sistema reprodutor feminino, que
trata-se de uma doença que afeta, especificamente, a mulher.

O que é Histeria para Freud e a Psicanálise? A histeria ganha certa


centralidade nos estudos iniciais da psicanálise. Afinal, foi através dessas
queixas clínicas que o tratamento desenvolvido por Freud, influenciado por
seus pares, pôde continuar a evoluir dentro do arcabouço teórico e prático da
psicanálise. É necessário reservar um espaço importante dentro da formação
para a compreensão dessa patologia, sua etiologia, desenvolvimentos, formas
de intervenção e interpretação, além do tratamento. Por isso, pode se dizer
que foi a primeira patologia estudada por Freud e especialistas dos estudos da
mente. E, desde então, o conceito de Histeria foi desdobrado, revelando-se
outras patologias, de modo que os psiquiatras atuais preferem não adotar esta
terminologia. Pode-se dizer que o livro Estudos sobre a histeria (1893-1895)
publicado em conjunto entre Freud e Breuer, foi para a obra fundadora da
psicanálise, embora os escritos contidos em A Interpretação dos Sonhos (1900)
sejam considerados, por Freud, como o grande livro seminal da
psicanálise.Deste modo, nos estudos, os autores discutem e introduzem a ideia
sobre a doença: “(…) como originária de uma fonte da qual os pacientes estão
relutantes em falar, ou mesmo não conseguem discernir sua origem. Tal
origem seria encontrada em um trauma psíquico ocorrido na infância, no qual
uma representação ligada a um afeto angustiante teria sido isolado do circuito
consciente das ideias, e o afeto foi dissociado a partir disso e descarregado no
corpo.” (Revista Eletrônica Científica de Psicologia, 2009).
33

Resumindo, podemos dizer que o significado de Histeria está ligado:

 a um trauma na idade infantil;


 de que a pessoa adulta não consegue se lembrar muito bem (recalque);
 este afeto se desprende da lembrança original, isto é, da representação
“verdadeira”;
 e acaba se manifestando no corpo, isto é, com incômodos físicos
(somatização).

Histeria e Somatização Enquanto a histeria se restringe ao episódio de ordem


psíquica, a somatização é descrita como um sintoma é manifesto no corpo,
embora originário de uma causa psíquica. É como se uma causa inconsciente
aflitiva levasse o corpo a expressá-la, mas usando uma linguagem diferente,
que não revela a causa do sintoma. Na histeria, há uma ideia de repressão
(barreira), que isola as representações desvinculadas dos afetos em uma
“segunda consciência”, subordinada à consciência normal. Esta crise relatada
está relacionada à formação do sintoma que, devido a um trauma infantil,
apresentaria um correspondente da ordem do simbólico, separando o afeto de
sua representação. A repressão dos afetos ligados à realização de um desejo
provocaria um impedimento que, devido à dificuldade da elaboração psíquica
em atribuir um significado à experiência, manifestaria o sintoma no plano
somático (corpo), caracterizando o conceito de conversão histérica. Isso
provoca, dentro de uma cadeia associativa, a transformação dos afetos em
sintomas somáticos, daí o nome de conversão histérica. Assim, o uso do
método catártico como forma de tratamento foi eficiente, uma vez que foi
realizado o acesso às representações isoladas do afeto (evento traumático),
sendo possível a revelação desse afeto, causando alívio e eliminação do
sintoma. Esse movimento de descarga foi chamado de Ab-reação, que,
segundo Laplanche e Pontalis (1996), consistiria em um processo de descarga
34

emocional que, liberando o afeto ligado à memória de um trauma, anularia


seus efeitos patogênicos.

Podemos então resumir o processo de histeria a partir da:

 ocorrência de um trauma na idade infantil;


 a pessoa adulta não consegue se lembrar, ou seja, ocorre um recalque;
 este afeto é uma carga psíquica que se desprende da lembrança original;
e, finalmente,
 acaba se manifestando no corpo, isto é, com incômodos físico: a
somatização.

Antigas formas de tratamento da Histeria Nessa época, tratavam-se os


sintomas de histeria através da aromaterapia. Aromas desagradáveis eram
apresentados as narinas da paciente e aromas agradáveis as genitais, com o
intuito de “guiar” o útero ao seu local correto. No segundo século, Galeno de
Pérgamo rejeitou a ideia de um útero vagante, mas ainda considerava o útero
como a causa principal da histeria. Ele também utilizava aromaterapia, mas
também recomendava o coito sexual como modo de tratamento, além da
utilização de cremes, que eram aplicados por servas ao exterior da genitália. Ao
contrário dos escritores Hipocráticos, que viam na menstruação a origem dos
problemas do útero, Galeno afirmava que eles ocorriam devido a “retenção da
semente feminina“.

A Histeria na Idade Média e Moderna Na época medieval, a ideia do útero


vagante e seus tratamentos mais comuns persistiram, inclusive os tratamentos
como a aromaterapia e o coito. Nasceu também a ideia de um acúmulo de
fluidos no útero que deviam ser removidos para curar a paciente. Devido à
visão da masturbação como um tabu, o único tratamento considerado eficiente
de longo termo era o casamento. Eventualmente, a possessão era adicionada à
35

lista de causas possíveis para a histeria. Sempre que um paciente não podia ser
curado, a explicação assumida era que se tratava de uma possessão
demoníaca. De modo que, durante os séculos 16 e 17, as visões de histeria se
permaneciam as mesmas que as concebidas no passado. Acreditava-se que o
sêmen possuía capacidades curativas e o sexo removia o acumulo de fluidos,
portanto, o coito durante o casamento ainda era o mais tratamento
recomendado.

A visão da Contemporânea sobre Histeria A partir do século 18, na era


industrial, histeria começa finalmente a ser vista como um problema mais
psicológico e menos biológico, porém, os tratamentos se mantém os mesmos,
mudando apenas a explicação: Pierre Roussel e Jean-Jacques Rousseau
afirmam que a feminilidade é essencial e natural para as mulheres, e a histeria
agora nasce da falha em realizar esse desejo natural. Com a industrialização,
houve a mecanização da terapia de massagem, com “manipuladores” portáteis
sendo utilizados para induzir um orgasmo nas pacientes, permitindo o
tratamento em casa e com o apoio do marido. É interessante apontar que a
masturbação através dos vibradores não era considerada um ato sexual, uma
vez que o modelo androcêntrico de sexualidade que era utilizado nessa época
não reconhecia um ato sexual se nele não existisse penetração e ejaculação.

Freud e seus precursores Finalmente, no século 19, os estudos sobre histeria


de Jean-Martin Charcot levam a uma visão mais científica e analítica da
condição, aceitando ela como um distúrbio psicológico e não biológico, e
tentando definir a histeria medicamente, com a intenção de remover a crença
de uma origem supernatural para a doença. Isto porque Freud aprofunda mais
essa pesquisa, afirmando que histeria é algo completamente emocional, e pode
afetar tanto homens quanto mulheres, sendo um problema causado por
traumas que impediam que suas vítimas conseguissem sentir prazer sexual de
36

modo convencional. Isso é o ponto de partida para Freud definir o Complexo de


Édipo, descrevendo a feminilidade como uma falha ou ausência de
masculinidade. A definição de histeria do século 19, vendo então a histeria
como uma busca pelo “falo perdido”, acabou sendo utilizada como modo de
descreditar os movimentos feministas do século 19 que buscavam aumentar os
direitos das mulheres.

O sentido atual para Histeria Embora sempre representado como uma


patologia, o termo histeria foi reapropriado pelo movimento feminista nos
anos 80. Neste período, afirmava-se que a histeria era um tipo de rebelião pré-
feminista. Por isso foram publicados vários estudos que contradiziam as ideias
psicanalíticas, vendo histeria como uma revolta aos construtos sociais impostos
sobre as mulheres. Sob diversos regimes de opressão, ao longo da história, as
mulheres não aceitavam a ideia de a histeria ser um substrato natural da
feminilidade, como o apresentado por Freud. Assim, no século 21, geralmente
o termo “histeria” já não é mais utilizado como categoria de diagnóstico, em
favor de categorias mais precisas, como transtornos de somatização, ou
neuroses. Apesar disso, o estudo da histeria e da sua história ao longo da
civilização humana é de suma importância para o estudo da psicanálise, por ser
uma das peças-chave para o início do pensamento Freudiano e um dos pontos
focais para o momento na história humana. Pois esses traumas, hoje, são
reconhecidos como doenças mentais e deixam de ter explicações biológicas ou
supernaturais e começam, finalmente, a serem tratadas como síndromes
psíquicas.
37

Ab-reação: significado na Psicanálise: Você sabe o que significa ab-reação,


também grafada abreação? Este artigo será enriquecedor, vamos tratar do
tema em suas diversas dimensões. Vamos mostrar como o fenômeno da ab-
reação é abordado na Psicanálise e na Psicologia, e como este conceito nos
ajuda a compreender mentes e comportamentos.

Cercados por regras sociais A vida em sociedade impõe padrões, definições de


certo e errado, criando assim, um modelo a ser seguido por seus membros.
Com o fim de enquadramento nas regras e diretrizes, o ser humano se vê cada
mais refém desse enquadramento social. Isso ocorre em detrimento das
características psíquicas individuais. Então, há uma busca desenfreada por:

 ganhos individuais
 lucros materiais sem medida
 sucesso
 tentativa de alcançar o sucesso a todo custo

Esses processos ocorrem mesmo que haja uma perda gradual do moral e de
valores.

Uma resposta frente a uma aparente normalidade Diante deste quadro, a


psique humana se torna um terreno fértil para mutações estereotipadas. Elas
se adequam a essa realidade social, criando mecanismos para regular ou até
mesmo bloquear os impulsos instintivos Ou seja, como forma de resguardo a
uma aparente normalidade. Freud divide o funcionamento da mente humana
em três instâncias psíquicas que interagem entre si dentro no Modelo
Estrutural. Assim definidos, o ID é uma estrutura psíquica primitiva e instintiva
voltada à satisfação e ao prazer. É ele quem busca garantir desde o nascimento
que as necessidades básicas sejam atendidas, com vista à sobrevivência. O
EGO, por sua vez, é a maneira pela qual a mente mantém os impulsos e desejos
38

do ID “sob controle”. Por consequência, um mecanismo de manutenção da


sanidade mental. Por fim, fechando os estágios, o SUPEREGO age como
moderador do EGO. Ele proporciona discernimento ao indivíduo daquilo que
seria moralmente aceito ou não. Sendo assim, estará sempre alicerçado nas
experiências vivenciadas ao longo da vida.

A Ab-reação como uma defesa da psique Ao longo da vida, o indivíduo passa


por uma série de situações em que seus instintos vão sendo contrapostos às
questões éticas e morais do Superego. Cabe ao Ego a difícil tarefa de
contrabalancear esses polos tão extremados entre si, bloqueando ocorrências
traumáticas. O Ego se utiliza de mecanismos de defesa, podendo ser:

 negação,
 deslocamento,
 sublimação ou
 qualquer outro artifício que a mente seja capaz de criar na busca de um
equilíbrio constante.

Toda ação gera, necessariamente, uma reação. Mas, conforme dito


anteriormente, algumas dessas reações, ou mesmo impulsos originários do ser
humano são suprimidos pelo Ego. Isso ocorre de acordo com o seu julgamento.
Assim, essas supressões ao longo da vida vão enfraquecendo o “véu” que as
esconde e gerando uma ab-reação.

A ab-reação e a vazão de sentimento causados por eventos traumáticos Por


se tratar de algo que não se encontra no consciente, sendo algum evento
traumático ocorrido no início da infância, a liberação da dor causada ocorre de
forma psicossomática. A psicossomatização é a forma pela qual a dor
bloqueada pelo ego consegue “rasgar o véu” que a mantém escondida do
consciente. Ela frustra então o seu controle sobre as emoções. O que acaba
39

desencadeando limitações das atividades funcionais. Essa limitações podem ser


de ordem motora, respiratória, emocional ou ainda, a ocorrência de vários
desses sintomas. Além disso, existindo uma infinidade de meios para a saída
dessas emoções represadas ao longo de anos.

Os eventos traumático e as somatizações A amplitude dos efeitos transcende


o evento ocorrido. Por exemplo, uma criança que fora agredida de forma física
pelos responsáveis e teve esse evento traumático regulado pelo ego, não
necessariamente vai somatizá-lo na fase adulta. Ou seja, sendo um pai
agressivo. As somatizações podem ocorrer desde um adulto que tem
dificuldade em falar em público, de se relacionar com mulheres ou tenha dores
no corpo… Enfim, uma vasta gama de mecanismos de “pedido de socorro” para
que aquela dor, até então inacessível ao consciente, seja curada. A forma mais
comum para o tratamento de uma ab-reação, é medicar o paciente. É
necessário reforçar o poder de controle do ego sobre tais emoções. Por
conseguinte, o retorno à uma vida “normal”.

O melhor tratamento para uma ab-reação Esse tipo de tratamento, no


entanto, na maioria dos casos reconstrói a barreira que mantinha a dor
contida. Mas poderá haver um novo enfraquecimento futuro e uma nova
somatização do evento traumático. Surgindo assim, um mecanismo de defesa
nomeado de conversão. Por meio da Psicanálise, por outro lado, a busca está
fundamentada em encontrar o sentimento contido e jogá-lo para fora. Assim,
um acontecimento que à época não foi capaz de ser compreendido, passaria a
ser aceito pelo consciente como algo que causou dor. Mas, que não representa
mais uma ameaça, deixando de ser “refém” do ego e passando a integrar o
consciente como uma lembrança do passado.
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Revivendo o passado Ab-reação é o nome dado à descarga emocional que leva


o indivíduo à reviver os sentimentos do evento passado. Vai muito além, da
lembrança do fato ou de lágrimas advindas dessa lembrança. Nesse caso,
ocorre uma liberação emocional tão intensa que é capaz de fazer com que o
indivíduo se veja exatamente no momento do trauma. Ou seja, essa descarga
emocional traz à tona todos os sentimentos ruins sobre determinado fato. E,
caso o indivíduo esteja num estado psíquico em que seja possível uma melhor
compreensão, ocorrerá a catarse. A catarse nada mais é que a forma pela qual
o trauma é expurgado definitivamente.

Conclusão: Por fim, é importante salientar as duas formas mais comuns de se


atingir a ab-reação. A primeira é um acontecimento espontâneo em que a
mente por si só realiza o processo. Na segunda, o profissional direciona o
paciente a um estado mental ao fazê-lo regredir dentro de si e o faz encontrar
o ponto chave. Assim, não é o profissional que o leva até o ponto, mas apenas
lhe dá ferramentas para que ele trilhe seu próprio caminho e atinja a catarse, o
que o prendia.
41

2.2 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA PSICANÁLISE FREUDIANA

Freud, o pai da Psicanálise Freud, assim como tantos outros, possui uma obra
que antecede o . Justamente por isso que é válido um mergulho, mesmo que
breve, na trajetória do médico e psicanalista. Conheça um pouco mais sobre o
pai da psicanálise e como ele revolucionou a forma de ver a mente humana.

Sobre Freud Ao contrário do que se pensa comumente, a história do pai da


Psicanálise não é a de uma figura intocável, como muitos imaginam. Desde
pequeno Sigmund Schlomo Freud enfrentava dificuldades pessoais para se
estabelecer na vida. Se não estava preocupado com as finanças, estava
pensando na saúde da família. Logo aos 17 anos, Freud trocou a faculdade de
Direito pela Medicina, se dedicando também à Filosofia. Crescendo ao lado de
referências pessoais, o futuro pai da psicanálise construía suas próprias
percepções a respeito da vida humana. De forma perspicaz, conseguiu enxergar
o que ninguém viu e deu início a um dos maiores levantes terapêuticos na
história. Sobre Freud como indivíduo, a postura social modesta contrastava
com a sua sede de aprender. Ele jamais se tornou cômodo mesmo com uma
projeção gigantesca da sua linha de trabalho. Embora fosse descrito pelos
filhos como um trabalhador incansável, também foi visto como um homem
amoroso e dedicado.

Revolução social e terapêutica Em uma época de descobertas sociais e


psicológicas, Freud, o pai da Psicanálise, desafiou padrões arcaicos e limitantes.
Inicialmente voltado à Medicina, Freud descobriu sozinho que os tratamentos
da época se mostravam ineficazes tendo em vista aquilo que a população
precisava. Por isso que, gradativamente, iniciou os artigos que deram origem à
futura Psicanálise. Ao contrário da visão do momento, a Psicanálise se mostrou
um caminho fluido para o tratamento de lesões psíquicas. A grosso modo,
podemos afirmar que era uma abordagem nada ignorante, se comparado a
42

outros métodos. Muitos pacientes morriam devido às abordagens utilizadas


popularmente, como sangria, cocaína e até eletrochoque. Contudo, outros
profissionais da saúde acusavam a abordagem e faziam ataques constantes.
Entretanto, isso não serviu para apagar os resultados positivos alcançados
pelos pacientes nas mãos de Freud. Uma ótima forma de entender melhor
quem foi o pai da Psicanálise é observar o impacto causado por seu trabalho.

A terapia freudiana O pai da Psicanálise ganhou esse título a um certo custo,


por assim dizer. A Psicanálise surgiu de estudos, reflexões e algumas
experiências pessoais negativas, bem como de terceiros. Embora não tivesse
sido o único trabalho dele, foi o mais importante que entregou em vida. Como
dito linhas acima, a Psicanálise reinventou o olhar sobre a mente humana. Se
antes não conseguíamos compreender a superfície do comportamento
humano, agora temos acesso a uma parte dificilmente acessada. Por meio da
Psicanálise, compreendemos melhor o fluxo existencial que nos acompanha ao
longo da vida e reflete em nossa própria imagem. Entenda a Psicanálise como
uma forma saudável de aprimoramento, resiliência e crescimento pessoal.
Tudo o que precisamos é alocar as peças soltas em seus devidos lugares e
entender como isso nos afeta. A terapia freudiana é uma resposta sadia para
nossas necessidades, cobrindo o que precisa ser coberto e deixando um espaço
aberto para abraçar possibilidades atrativas.

Impactos e legado Ainda que as ideias do pai da Psicanálise tenham provocado


repúdio em alguns, outros se mostraram inclinados a elas. Durante a passagem
do tempo, Freud teve diversos seguidores e discípulos para propagar seu
ensinamento e visão sobre a mente humana. Não apenas isso, mas essas
pessoas também foram responsáveis por reinventar o método e abranger
outras perspectivas. Jacques Lacan, Melanie Klein, Donald Woods Winnicott,
Carl Jung… Independente das áreas que atuavam originalmente, todos
43

encontram novos caminhos de estudo quando acharam a Psicanálise.


Certamente, cada um tinha uma contribuição pessoal a ser dada,
proporcionando novos vislumbres sobre a essência humana.
Consequentemente, isso permitiu uma expansão da Psicanálise, refinando
conceitos mais brutos não continuados ou abordados por Freud. Claro, existem
algumas cisões em alguns pontos quanto a Freud e seus seguidores. Todavia,
ao modo pessoal de cada um, temos mais clareza a respeito da natureza
humana e nosso desenvolvimento.

Algumas linhas de pensamento Embora seja o pai da Psicanálise, o trabalho de


Freud com o ser humano vai além desta patente. Outros pensamentos
derivados ou mesmo independentes são fontes de estudo e referência ao
momento presente. Podemos ver uma proporção e reflexão maior a partir de:

 Pensamento e linguagem De acordo com Freud, nossos pensamentos


são frutos de processos diversificados, incluindo a linguagem derivada de
imagens. Nossa parte inconsciente se liga diretamente com a fala, o que
dá origem aos atos falhos de cada um. Por meio dessas falhas e chistes,
conseguimos formular símbolos imagéticos em nossos sonhos.
 Transferência Algo bastante popular dentro da Psicanálise é a proposta
da transferência em terapia. Basicamente, o paciente projeta no
psicanalista suas emoções, impressões e sentimentos por associá-lo com
um parente próximo. Por meio disso que seria possível resolver seus
traumas e conflitos reprimidos.
 Sexualidade infantil Freud afirmou que os estágios do desenvolvimento
começavam ainda na infância e isso impactaria na fase adulta. A criança
explora e compreende instintivamente que algumas partes do seu corpo
proporcionam prazer se estimuladas. Assim que isso é mal desenvolvido,
acaba por gerar problemas mentais e de conduta em seu crescimento.
44

Críticas O trabalho do pai da Psicanálise não chegou ileso aos tempos


modernos. Ao longo do tempo, diversos críticos se opuseram contra a sua
abordagem, acusando de ineficaz toda a construção da terapia. Apesar delas,
muitos acabam por ignorar os resultados obtidos com o passar dos anos. Sem
contar que é visível a estruturação da ciência moderna nas ideias sobre a
mente humana estabelecidos por Freud. Assim como em outras propostas, a
terapia freudiana e seu criador não passaram despercebidos por acusações e
injúrias.

Ensinamentos Mesmo que pareça até vulgar, é possível traduzir os


ensinamentos mais complexos do pai da Psicanálise a uma simplicidade
confortável. Ainda que se necessite de um aprofundamento maior, mergulhar
superficialmente abre as portas para o que estar por vir. Por exemplo:

Complexo de Édipo A criança descobre sua inclinação afetiva para um dos pais
enquanto abstrai o outro desse processo. Neste ponto se inicia os primeiros
estágios de identificação pessoal com algo além de si. Ao fim, a criança aprende
a dividir as forças e direcionar aos pais simultaneamente.

Libido Energia direcionada a seres e objetos com o intuito de gerar prazer no


indivíduo. De outro modo, podemos classificá-la também como um
combustível á própria vida, movimentando e ajudando a desenvolver o
indivíduo.

Repartição do inconsciente Freud identificou a existência de camadas mentais


que fazem a construção da mente: Ego, Superego e Id. Ego serve de ponte
entre a nossa parte interna com o mundo externo; Superego serve como
repressor aos nosso impulsos internos; Id designa toda a nossa parte primitiva
e instintiva, sem freios ou restrições morais.
45

Considerações finais sobre o pai da Psicanálise O pai da Psicanálise se mostrou


um excelente educador quanto ao desenvolvimento humano. As ideias
entregues por Freud ajudaram a materializar uma perspectiva mais profunda a
respeito da consciência humana. Se hoje somos quem somos e sabemos disso é
por causa de Freud e seus seguidores. De um modo geral, abordar as diversas
premissas iniciadas por ele e os demais ajudará a dar novos insights
existenciais. Com uma obra tão rica e profunda, dificilmente não encontrará
algo direcionado a você mesmo. Para fazer isso de um modo mais fluido, se
inscreva em nosso curso de Psicanálise 100% online. É um excelente modo de
entender suas potencialidades, agregar em seu conhecimento e fazer
mudanças em qualquer lugar. Estudar as ideias do pai da Psicanálise é uma
forma de revitalizar a sua vida e seu futuro.

Uma breve Biografia de Freud Freud ficou conhecido como o pai da


psicanálise. Os seus estudos sobre a mente e o comportamento humano são,
atualmente, utilizados em várias ciências e campos de conhecimento. A
biografia de Freud está estreitamente ligada à sua pesquisa e ao seu trabalho
na psicanálise. O que se faz importante estudar, seja para estudantes de
Psicanálise, ou para interessados no assunto, em geral. Sigismund Schlomo
Freud nasceu Freiberg in Mähren, em 6 de maio de 1856. Sua cidade natal fazia
parte do então Império Austríaco e é onde hoje se localiza a República Tcheca.
Ele faleceu em 23 de setembro de 1939, em Londres, Inglaterra. A família de
Freud era judaica. Ele se formou em Medicina, pela Universidade de Viena, em
1881. Por ser médico neurologista, Freud sempre desenvolveu a sua pesquisa
com foco na mente humana. Estudou psiquiatria, mas, ao terminar o curso, viu
que os conhecimentos oferecidos não eram suficientes para esclarecer todas as
dúvidas que ele tinha sobre a mente humana. Dessa forma, Freud foi buscar
em outras áreas e por outros meios as explicações aos seus questionamentos.
A busca por tratamentos da histeria foi um dos focos, principalmente, da fase
46

inicial das pesquisas de Freud. Ele iniciou os seus estudos pela utilização da
técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria. Uma de suas
grandes influências para o tratamento por meio da hipnose foi o médico
francês Charcot. Ao observar a melhora dos pacientes tratados por esse
médico, Freud elaborou uma hipótese sobre a origem da histeria. Ele afirmou
que sua origem era psicológica e não orgânica, como até então se acreditava. O
próprio Charcot acreditava que a histeria era hereditária. Essa hipótese por
Freud proposta, serviu como base a outros conceitos por ele desenvolvidos.
Inclusive influenciou em uma de suas maiores descobertas, a do inconsciente.

A Vida de Freud: Breve panorama Biográfico Filho do judeu Jacob Freud e de


Amalie Nathanson.Freud mudou-se para Viena aos quatro anos de idade, em
1860. Devido a problemas financeiros e de saúde de sua família.Freud entrou
no curso de Medicina aos 17 anos. Também estudou filosofia, fisiologia e
zoologia.Ao se estudar a biografia de Freud, vê-se que pouco se sabe sobre os
seus primeiros anos. Isso se dá, inclusive pelo fato de ele próprio ter destruído
os seus escritos pessoais, por duas, vezes, em 1885 e em 1894. Com Ernst
Brücke, Freud estuda fisiologia. Dentre as atribuições de Freud estavam o
estudo da anatomia e da histologia do cérebro humano. De acordo com a
biografia de Freud, nessa época conhece Martha Bernays. Apaixona-se por ela
e a sua vontade de desposá-la muda o rumo de seus estudos. Na busca por um
melhor salário, ele abandona o laboratório e começa a trabalhar no Hospital
Geral, em Viena. Então, Freud recebe uma bolsa e viaja para a França, onde
trabalha com Charcot, que tratava a histeria com hipnose.Pelo qual é
influenciado diretamente em suas descobertas. De volta ao Hospital Geral, ele
desenvolve as metodologias para tratar mulheres judias que sofriam de
sintomas aparentemente neurológicos. Em 1886 ele se casa com Martha
Bernays. Seu amigo Breuer também o influenciou em suas descobertas. Com
quem publicou seus primeiros artigos sobre a psicanálise. O primeiro deles é o
47

relato do tratamento de histeria da paciente Bertha Pappenheim, chamada no


livro de “Anna O.” O método utilizado para tratamento é denominado de “cura
pela fala” ou de “cura catártica”. Esta técnica se tornou uma das principais por
Freud desenvolvidas, junto de suas teorias psicanalíticas.

Algumas das teorias de Freud Dentre as principais teorias por Freud fundadas,
estão as suas teorias a respeito dos mecanismos de defesa e repressão
psicológica. Também se tornou muito importante a sua metodologia
terapêutica para tratar as psicopatologias. Primeiro, ele utilizou a hipnose e
medicamentos, depois, começou a tratar seus pacientes por meio do diálogo.
Por esse diálogo ele fazia uma análise do paciente e tentava descobrir as causas
de suas psicopatologias. Ele buscava formas de curar o paciente fazendo-o
reconhecer as causas de seus problemas mentais. Problemas cujas causas
deveriam ser trazidas do inconsciente à sua consciência. Freud difundiu uma
teoria de que o desejo sexual era uma energia motivacional primária da vida
humana. Dessa forma, a sua obra fez com que surgisse uma nova compreensão
sobre o ser humano. Ser que, para ele, era um animal influenciado por seus
desejos e sentimentos e dotado de uma razão imperfeita. Freud dizia que
muitos dos tormentos psicológicos estão relacionados à contradição existente
entre os desejos ou sentimentos primários dos homens e o seu recalque ou
negação para viver em sociedade. Além de usar o diálogo, a psicanálise buscava
tratar os pacientes por meio da interpretação de seus sonhos. Para Freud, os
sonhos também poderiam ser uma das formas de acesso ao inconsciente. Suas
pesquisas também falaram sobre a neurose, a psicose e sobre a sexualidade,
infantil e adulta. Freud afirmou, por exemplo, que a sexualidade estava
presente nas crianças, desde os seus primeiros anos. As suas teorias e os seus
tratamentos foram muito inovadores na época e, por isso, causaram muitas
controvérsias. Até hoje, muitos de seus conceitos continuam sendo debatidos
por estudiosos da área da psicanálise, que se tornou uma nova ciência. Suas
48

teorias influenciaram muito na atual psicologia. A biografia de Freud é muito


estudada até hoje, junto de toda a sua literatura.

Últimos anos da Biografia de Freud Freud Vive em Viena até 1938, quando,
sob a pressão de invasão nazista, obriga-se a migrar, indo para Londres. Aos 83
anos, Freud morre de câncer no palato, após ter passado por trinta e três
cirurgias. De acordo com a biografia de Freud, supõe-se que ele tenha morrido
de uma dose excessiva de morfina. Ele sentia muita dor e usava a morfina para
amenizá-la. Dizem que, não suportando mais essa dor, ele pede ao médico que
lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina, a fim de terminar de vez com a
sua dor e com o seu sofrimento, o que seria, de certa forma, uma eutanásia.
49

2.2.1 – O INCONSCIENTE E A PRIMEIRA ESTRUTURA DO APARELHO


PSÍQUICO
Freud, o pai da Psicanálise Freud, assim como tantos outros, possui uma obra
que antecede o . Justamente por isso que é válido um mergulho, mesmo que
breve, na trajetória do médico e psicanalista. Conheça um pouco mais sobre o
pai da psicanálise e como ele revolucionou a forma de ver a mente humana.

Sobre Freud Ao contrário do que se pensa comumente, a história do pai da


Psicanálise não é a de uma figura intocável, como muitos imaginam. Desde
pequeno Sigmund Schlomo Freud enfrentava dificuldades pessoais para se
estabelecer na vida. Se não estava preocupado com as finanças, estava
pensando na saúde da família. Logo aos 17 anos, Freud trocou a faculdade de
Direito pela Medicina, se dedicando também à Filosofia. Crescendo ao lado de
referências pessoais, o futuro pai da psicanálise construía suas próprias
percepções a respeito da vida humana. De forma perspicaz, conseguiu enxergar
o que ninguém viu e deu início a um dos maiores levantes terapêuticos na
história. Sobre Freud como indivíduo, a postura social modesta contrastava
com a sua sede de aprender. Ele jamais se tornou cômodo mesmo com uma
projeção gigantesca da sua linha de trabalho. Embora fosse descrito pelos
filhos como um trabalhador incansável, também foi visto como um homem
amoroso e dedicado.

Revolução social e terapêutica Em uma época de descobertas sociais e


psicológicas, Freud, o pai da Psicanálise, desafiou padrões arcaicos e limitantes.
Inicialmente voltado à Medicina, Freud descobriu sozinho que os tratamentos
da época se mostravam ineficazes tendo em vista aquilo que a população
precisava. Por isso que, gradativamente, iniciou os artigos que deram origem à
futura Psicanálise. Ao contrário da visão do momento, a Psicanálise se mostrou
um caminho fluido para o tratamento de lesões psíquicas. A grosso modo,
50

podemos afirmar que era uma abordagem nada ignorante, se comparado a


outros métodos. Muitos pacientes morriam devido às abordagens utilizadas
popularmente, como sangria, cocaína e até eletrochoque. Contudo, outros
profissionais da saúde acusavam a abordagem e faziam ataques constantes.
Entretanto, isso não serviu para apagar os resultados positivos alcançados
pelos pacientes nas mãos de Freud. Uma ótima forma de entender melhor
quem foi o pai da Psicanálise é observar o impacto causado por seu trabalho.

A terapia freudiana O pai da Psicanálise ganhou esse título a um certo custo,


por assim dizer. A Psicanálise surgiu de estudos, reflexões e algumas
experiências pessoais negativas, bem como de terceiros. Embora não tivesse
sido o único trabalho dele, foi o mais importante que entregou em vida. Como
dito linhas acima, a Psicanálise reinventou o olhar sobre a mente humana. Se
antes não conseguíamos compreender a superfície do comportamento
humano, agora temos acesso a uma parte dificilmente acessada. Por meio da
Psicanálise, compreendemos melhor o fluxo existencial que nos acompanha ao
longo da vida e reflete em nossa própria imagem. Entenda a Psicanálise como
uma forma saudável de aprimoramento, resiliência e crescimento pessoal.
Tudo o que precisamos é alocar as peças soltas em seus devidos lugares e
entender como isso nos afeta. A terapia freudiana é uma resposta sadia para
nossas necessidades, cobrindo o que precisa ser coberto e deixando um espaço
aberto para abraçar possibilidades atrativas.

Impactos e legado Ainda que as ideias do pai da Psicanálise tenham provocado


repúdio em alguns, outros se mostraram inclinados a elas. Durante a passagem
do tempo, Freud teve diversos seguidores e discípulos para propagar seu
ensinamento e visão sobre a mente humana. Não apenas isso, mas essas
pessoas também foram responsáveis por reinventar o método e abranger
outras perspectivas. Jacques Lacan, Melanie Klein, Donald Woods Winnicott,
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Carl Jung… Independente das áreas que atuavam originalmente, todos


encontram novos caminhos de estudo quando acharam a Psicanálise.
Certamente, cada um tinha uma contribuição pessoal a ser dada,
proporcionando novos vislumbres sobre a essência humana.
Consequentemente, isso permitiu uma expansão da Psicanálise, refinando
conceitos mais brutos não continuados ou abordados por Freud. Claro, existem
algumas cisões em alguns pontos quanto a Freud e seus seguidores. Todavia,
ao modo pessoal de cada um, temos mais clareza a respeito da natureza
humana e nosso desenvolvimento.

Algumas linhas de pensamento Embora seja o pai da Psicanálise, o trabalho de


Freud com o ser humano vai além desta patente. Outros pensamentos
derivados ou mesmo independentes são fontes de estudo e referência ao
momento presente. Podemos ver uma proporção e reflexão maior a partir de:

 Pensamento e linguagem De acordo com Freud, nossos pensamentos


são frutos de processos diversificados, incluindo a linguagem derivada de
imagens. Nossa parte inconsciente se liga diretamente com a fala, o que
dá origem aos atos falhos de cada um. Por meio dessas falhas e chistes,
conseguimos formular símbolos imagéticos em nossos sonhos.
 Transferência Algo bastante popular dentro da Psicanálise é a proposta
da transferência em terapia. Basicamente, o paciente projeta no
psicanalista suas emoções, impressões e sentimentos por associá-lo com
um parente próximo. Por meio disso que seria possível resolver seus
traumas e conflitos reprimidos.
 Sexualidade infantil Freud afirmou que os estágios do desenvolvimento
começavam ainda na infância e isso impactaria na fase adulta. A criança
explora e compreende instintivamente que algumas partes do seu corpo
52

proporcionam prazer se estimuladas. Assim que isso é mal desenvolvido,


acaba por gerar problemas mentais e de conduta em seu crescimento.
 Críticas O trabalho do pai da Psicanálise não chegou ileso aos tempos
modernos. Ao longo do tempo, diversos críticos se opuseram contra a
sua abordagem, acusando de ineficaz toda a construção da terapia.
Apesar delas, muitos acabam por ignorar os resultados obtidos com o
passar dos anos. Sem contar que é visível a estruturação da ciência
moderna nas ideias sobre a mente humana estabelecidos por Freud.
Assim como em outras propostas, a terapia freudiana e seu criador não
passaram despercebidos por acusações e injúrias.
 Ensinamentos Mesmo que pareça até vulgar, é possível traduzir os
ensinamentos mais complexos do pai da Psicanálise a uma simplicidade
confortável. Ainda que se necessite de um aprofundamento maior,
mergulhar superficialmente abre as portas para o que estar por vir. Por
exemplo:
 Complexo de Édipo A criança descobre sua inclinação afetiva para um
dos pais enquanto abstrai o outro desse processo. Neste ponto se inicia
os primeiros estágios de identificação pessoal com algo além de si. Ao
fim, a criança aprende a dividir as forças e direcionar aos pais
simultaneamente.
 Libido Energia direcionada a seres e objetos com o intuito de gerar
prazer no indivíduo. De outro modo, podemos classificá-la também como
um combustível á própria vida, movimentando e ajudando a desenvolver
o indivíduo.
53

 Repartição do inconsciente Freud identificou a existência de camadas


mentais que fazem a construção da mente: Ego, Superego e Id. Ego serve
de ponte entre a nossa parte interna com o mundo externo; Superego
serve como repressor aos nosso impulsos internos; Id designa toda a
nossa parte primitiva e instintiva, sem freios ou restrições morais.

Considerações finais sobre o pai da Psicanálise O pai da Psicanálise se mostrou


um excelente educador quanto ao desenvolvimento humano. As ideias
entregues por Freud ajudaram a materializar uma perspectiva mais profunda a
respeito da consciência humana. Se hoje somos quem somos e sabemos disso é
por causa de Freud e seus seguidores. De um modo geral, abordar as diversas
premissas iniciadas por ele e os demais ajudará a dar novos insights
existenciais. Com uma obra tão rica e profunda, dificilmente não encontrará
algo direcionado a você mesmo. Para fazer isso de um modo mais fluido, se
inscreva em nosso curso de Psicanálise 100% online. É um excelente modo de
entender suas potencialidades, agregar em seu conhecimento e fazer
mudanças em qualquer lugar. Estudar as ideias do pai da Psicanálise é uma
forma de revitalizar a sua vida e seu futuro.

Uma breve Biografia de Freud Freud ficou conhecido como o pai da


psicanálise. Os seus estudos sobre a mente e o comportamento humano são,
atualmente, utilizados em várias ciências e campos de conhecimento. A
biografia de Freud está estreitamente ligada à sua pesquisa e ao seu trabalho
na psicanálise. O que se faz importante estudar, seja para estudantes de
Psicanálise, ou para interessados no assunto, em geral. Sigismund Schlomo
Freud nasceu Freiberg in Mähren, em 6 de maio de 1856. Sua cidade natal fazia
parte do então Império Austríaco e é onde hoje se localiza a República Tcheca.
Ele faleceu em 23 de setembro de 1939, em Londres, Inglaterra. A família de
Freud era judaica. Ele se formou em Medicina, pela Universidade de Viena, em
54

1881. Por ser médico neurologista, Freud sempre desenvolveu a sua pesquisa
com foco na mente humana. Estudou psiquiatria, mas, ao terminar o curso, viu
que os conhecimentos oferecidos não eram suficientes para esclarecer todas as
dúvidas que ele tinha sobre a mente humana. Dessa forma, Freud foi buscar
em outras áreas e por outros meios as explicações aos seus questionamentos.
A busca por tratamentos da histeria foi um dos focos, principalmente, da fase
inicial das pesquisas de Freud. Ele iniciou os seus estudos pela utilização da
técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria. Uma de suas
grandes influências para o tratamento por meio da hipnose foi o médico
francês Charcot. Ao observar a melhora dos pacientes tratados por esse
médico, Freud elaborou uma hipótese sobre a origem da histeria. Ele afirmou
que sua origem era psicológica e não orgânica, como até então se acreditava. O
próprio Charcot acreditava que a histeria era hereditária. Essa hipótese por
Freud proposta, serviu como base a outros conceitos por ele desenvolvidos.
Inclusive influenciou em uma de suas maiores descobertas, a do inconsciente.

A Vida de Freud: Breve panorama Biográfico Filho do judeu Jacob Freud e de


Amalie Nathanson.Freud mudou-se para Viena aos quatro anos de idade, em
1860. Devido a problemas financeiros e de saúde de sua família.Freud entrou
no curso de Medicina aos 17 anos. Também estudou filosofia, fisiologia e
zoologia. Ao se estudar a biografia de Freud, vê-se que pouco se sabe sobre os
seus primeiros anos. Isso se dá, inclusive pelo fato de ele próprio ter destruído
os seus escritos pessoais, por duas, vezes, em 1885 e em 1894. Com Ernst
Brücke, Freud estuda fisiologia. Dentre as atribuições de Freud estavam o
estudo da anatomia e da histologia do cérebro humano. De acordo com a
biografia de Freud, nessa época conhece Martha Bernays. Apaixona-se por ela
e a sua vontade de desposá-la muda o rumo de seus estudos. Na busca por um
melhor salário, ele abandona o laboratório e começa a trabalhar no Hospital
Geral, em Viena. Então, Freud recebe uma bolsa e viaja para a França, onde
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trabalha com Charcot, que tratava a histeria com hipnose.Pelo qual é


influenciado diretamente em suas descobertas. De volta ao Hospital Geral, ele
desenvolve as metodologias para tratar mulheres judias que sofriam de
sintomas aparentemente neurológicos. Em 1886 ele se casa com Martha
Bernays. Seu amigo Breuer também o influenciou em suas descobertas. Com
quem publicou seus primeiros artigos sobre a psicanálise. O primeiro deles é o
relato do tratamento de histeria da paciente Bertha Pappenheim, chamada no
livro de “Anna O.” O método utilizado para tratamento é denominado de “cura
pela fala” ou de “cura catártica”. Esta técnica se tornou uma das principais por
Freud desenvolvidas, junto de suas teorias psicanalíticas.

Algumas das teorias de Freud Dentre as principais teorias por Freud fundadas,
estão as suas teorias a respeito dos mecanismos de defesa e repressão
psicológica. Também se tornou muito importante a sua metodologia
terapêutica para tratar as psicopatologias. Primeiro, ele utilizou a hipnose e
medicamentos, depois, começou a tratar seus pacientes por meio do diálogo.
Por esse diálogo ele fazia uma análise do paciente e tentava descobrir as causas
de suas psicopatologias. Ele buscava formas de curar o paciente fazendo-o
reconhecer as causas de seus problemas mentais. Problemas cujas causas
deveriam ser trazidas do inconsciente à sua consciência. Freud difundiu uma
teoria de que o desejo sexual era uma energia motivacional primária da vida
humana. Dessa forma, a sua obra fez com que surgisse uma nova compreensão
sobre o ser humano. Ser que, para ele, era um animal influenciado por seus
desejos e sentimentos e dotado de uma razão imperfeita. Freud dizia que
muitos dos tormentos psicológicos estão relacionados à contradição existente
entre os desejos ou sentimentos primários dos homens e o seu recalque ou
negação para viver em sociedade. Além de usar o diálogo, a psicanálise buscava
tratar os pacientes por meio da interpretação de seus sonhos. Para Freud, os
sonhos também poderiam ser uma das formas de acesso ao inconsciente. Suas
56

pesquisas também falaram sobre a neurose, a psicose e sobre a sexualidade,


infantil e adulta. Freud afirmou, por exemplo, que a sexualidade estava
presente nas crianças, desde os seus primeiros anos. As suas teorias e os seus
tratamentos foram muito inovadores na época e, por isso, causaram muitas
controvérsias. Até hoje, muitos de seus conceitos continuam sendo debatidos
por estudiosos da área da psicanálise, que se tornou uma nova ciência. Suas
teorias influenciaram muito na atual psicologia. A biografia de Freud é muito
estudada até hoje, junto de toda a sua literatura.

Últimos anos da Biografia de Freud Freud Vive em Viena até 1938, quando,
sob a pressão de invasão nazista, obriga-se a migrar, indo para Londres. Aos 83
anos, Freud morre de câncer no palato, após ter passado por trinta e três
cirurgias. De acordo com a biografia de Freud, supõe-se que ele tenha morrido
de uma dose excessiva de morfina. Ele sentia muita dor e usava a morfina para
amenizá-la. Dizem que, não suportando mais essa dor, ele pede ao médico que
lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina, a fim de terminar de vez com a
sua dor e com o seu sofrimento, o que seria, de certa forma, uma eutanásia.

Principais inovações de Freud e da Psicanálise A psicanálise pode ser


entendida como uma ciência à parte da psicologia. As inovações de Freud, que
fundou a psicanálise, auxiliaram na compreensão da mente e do
comportamento humano. Atualmente, o modelo psicanalítico e o emprego
desse termo podem ter mais de um significado. A psicanálise pode ser
entendida como o acúmulo sistemático de conhecimentos sobre a mente
humana. Ela é um procedimento para investigação dos processos mentais. Essa
investigação da mente humana busca pensamentos, sentimentos, emoções,
fantasias e sonhos. As inovações de Freud são muito importantes para se
entender melhor a mente humana. Processos que eram praticamente
inacessíveis tornaram possíveis por meio da psicanálise e do método
57

psicanalítico. Esse método se baseia numa investigação, utilizado para o


tratamento das neuroses, e muitos outros problemas relacionados à mente
humana. Dentre as principais inovações de Freud está a sua descoberta do
inconsciente e os avanços relação ao tratamento da neurose. Além disso, há o
famoso complexo de Édipo, por Freud teorizado, e suas descobertas com
relação aos sonhos. Também o estudo realizado sobre a cocaína e a teoria da
representação estão dentre as principais inovações de Freud. Dentre as
principais inovações de Freud está a sua descoberta do inconsciente. Segundo
Freud, a mente humana é formada pela consciência, pela pré-consciência e
pelo inconsciente. O inconsciente, por sua vez, é formado por três elementos: o
id, o ego e o super-ego. Esses termos devem ser compreendidos para se
entender como funciona o inconsciente. O que acontece no inconsciente não
se reflete apenas nele, mas também se reflete ou se traduz em aspectos
conscientes. O que pode repercutir nos atos das pessoas. Por isso seu estudo se
faz muito importante. Para Freud, esses três elementos de que se forma
inconsciente determinam e coordenam o comportamento humano.

 O id é onde está o nosso desejo libidinal. No id estão todas as energias


psíquicas e as pulsões humanas cujo intuito é a obtenção do prazer.
 O ego é o meio termo entre os três elementos. Ele é o resultado da
tentativa de se estabelecer equilíbrio entre os desejos do id e as
exigências do super-ego. O superego é o representante das regras
morais, regras que, muitas vezes, nos impedem de realizarmos os nossos
desejos.
 O super-ego nos gera proibições e impõe limites, por meio de regras
sociais ou morais. É ele que nos impõe exigências morais e sociais.

Assim, podemos compreender a ligação entre esses três componentes da


mente humana e de que forma eles atuam. É como se o que quiséssemos viver
58

o tempo todo fosse o “id”, porém, o “super-ego” tenta nos proibir de vivê-lo. E
o ego fica entre o id e o super-ego. Entendendo a função desses três
elementos, compreendemos melhor o funcionamento da mente humana.
Também assim compreendemos mais profundamente o que é psicanálise.

A neurose e os sonhos Os estudos sobre a neurose também estão dentre as


inovações de Freud. Um dos principais assuntos estudados pela psicanálise é a
neurose. Trata-se, no entanto, de um termo bastante amplo. As neuroses são
fenômenos gerados por um conflito psíquico, envolvendo a frustração de um
impulso instintivo. Assim, a neurose pode ser considerada como uma doença
psíquica. Além disso, podemos entender como neurose nossos traumas ou
recalques, ou problemas relacionados à fixação da libido e à fixação
problemática, conforme pontua a psicanálise. O sonho tem um grande
significado para a psicanálise. A psicanálise procura destacar a importância que
o que sonhamos pode ter em nossas vidas. Para Freud, os sonhos podem
exercer influência sobre nossos pensamentos ou atitudes. Os sonhos tiveram
grande importância na criação do modelo de análise usado por Freud. Para ele
os sonhos eram muito úteis, do ponto de vista terapêutico. Já que a sua análise
poderia auxiliar o psicanalista durante o processo de tratamento. Análise essa
que se dava no decorrer da terapia do indivíduo. O psicanalista procura
compreender a formação dos sonhos. E assim, ele busca entender como são
elaborados os seus mecanismos de defesa. E também quais são os princípios de
sua interpretação.

O Complexo de Édipo O complexo de Édipo também está dentre as principais


inovações de Freud. Esse é um termo psicanalítico criado por Freud em sua
teoria de estágios psicossexuais do desenvolvimento. Freud, em sua teoria do
desenvolvimento psicossexual, afirmou que ela se divide em três fases. A fase
oral, a fase anal e a fase fálica. De acordo com Freud, o complexo de Édipo tem
59

um papel muito importante na fase fálica do desenvolvimento psicossexual.


Trata-se de um termo usado, basicamente, para descrever os sentimentos
comuns de um menino nessa fase. Nessa fase ele sente desejo pela mãe e
ciúme do pai, como visse o pai como um rival. Isso ocorre por ele querer a
atenção e afeto de sua mãe. Mas ele acaba superando esses sentimentos, e
assim, a conclusão desta etapa envolve a identificação do menino com o pai.
Segundo Freud, isso contribui para o desenvolvimento de uma identidade
sexual madura.

Os estudos sobre cocaína Freud desenvolveu um estudo sobre a cocaína o que,


na época, também foi bastante inovador. Ressalta-se que na época a cocaína
não era proibida, antes de seu banimento das prateleiras das farmácias. Ele foi
um defensor de seu uso, tendo a usado e a receitado a alguns de seus
pacientes. Até o começo do século XX, a cocaína era sintetizada por
laboratórios. Ela era comercializada como tratamento para o vício da morfina,
sendo utilizada pela medicina e reconhecida pela ciência. Apesar de muitos
criticarem os estudos de Freud sobre a cocaína e seus experimentos com ela,
ele é considerado como um pioneirismo. Isso deve ao fato de Freud inserir uma
droga psicotrópica no campo da psiquiatria. Freud a usou como medicamento,
além disso, ele nunca negou o potencial nocivo da cocaína. Por fim, o seu uso e
defesa do uso da cocaína acabaram contribuindo para a proibição de seu uso.

A Representação na Psicanálise A teoria da representação foi muito


importante na psicanálise e um das grandes inovações de Freud. O fenômeno
representacional psíquico está diretamente relacionado ao sistema nervoso
humano. Para Freud, as representações são analógicas e imagéticas, são
unidades mentais de objetos, situações, sensações, relações, etc. E as
associações se inter-relacionam por meio de redes associativas. Esse processo
ocorre por um mecanismo de reflexo em que a informação sai de uma rede
60

associativa de neurônios e chega à região motora e sensorial. Provocando


modificações nas células centrais, o que acarreta na formação das
representações. Assim, a representação de objeto também pode ser chamada
de representação da “coisa”. Ela pode ser formada por diversas apresentações,
como visuais, acústicas, táteis, cinestésicas, dentre outras. As inovações de
Sigmund Freud e da psicanálise auxiliaram a compreender mais sobre a mente
humana. Assim, Freud contribui para compreendermos mais sobre o homem e
sobre a sociedade atual. Não apenas sobre o homem como indivíduo em si,
mas sobre o homem civilizado e seu papel ou comportamento na sociedade.

Primeira e Segunda Guerra Mundial para Freud Ao longo do tempo, os seres


humanos criaram e sofreram muitas guerras. Dentre elas, a primeira e a
segunda guerra mundial. Confira agora nosso artigo que retrata a visão
freudiana das guerras mundiais! A história da humanidade é repleta de atos
considerados violentos e agressivos, já descritos até mesmo na Bíblia e na
filosofia clássica, como Platão, no Livro IX da República (1990). A Guerra fez
parte da vida de Freud. Além disso, são bem conhecidas as contribuições de
Freud relativas aos momentos de guerra e paz. A história da psicanálise se
mistura na biografia de Freud. Porque sua trajetória, influências e avanços
convergem e promovem mudanças na vida e obra de um dos principais
personagens da psicanálise. No final do século XVIII e início do século XIX, o
mundo passou por grandes transformações. Com o fortalecimento do
capitalismo , o crescimento da população, as transformações no sistema de
transporte, a urbanização. Além disso, as duas grandes guerras.

As Guerras e Freud Nesse contexto, Freud, nacionalista, viveu a iminência da


Primeira Guerra com entusiasmo, o que pode ser acompanhado em suas cartas
aos seus correspondentes. Entretanto, como o tempo passava, a guerra trazia
aflições e medos. Isso fazia emergir novas questões, como a violência e a
61

proximidade da morte. Por isso, Freud sentiu intimamente com a ida de três de
seus filhos para o Exército. A irmã de Freud, Rosa, perdeu seu único filho em
combate. Outrossim, psicanalistas, como Max Eitingon, Karl Abraham, Sándor
Ferenczi e Otto Rank foram convocados para servir como médicos na guerra.
Por isso, Freud compartilha suas aflições da Primeira Guerra, e coloca como
uma dos temas centrais a morte, em Reflexões para os tempos de guerra e
morte (FREUD, 1915). Ele que, à distância, guarda o posto e anseia pelo retorno
de seus entes queridos.

A psicanálise em relação às guerras mundiais A guerra mundial tem influências


ainda constantes em Introdução à psicanálise e às neuroses de guerra (1919),
Por que a Guerra? (1932), e tantas outras. Assim como Freud, a psicanálise foi
profundamente influenciada pelo cenário mundial. Porque houveram
cancelamentos e adiamentos, como o congresso de 1914 em Dresden que foi
cancelado. Além do V Congresso da IPA (Associação Internacional de
Psicanálise) que, como tema, teve os traumas de guerra, e as reuniões da
Sociedade Psicanalítica de Viena que, antes semanais, tornaram-se ocasionais.
Ademais, o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e seus anos
subsequentes, foram marcados por desemprego, conflitos e crise econômica.
Em 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, marcando o início da Segunda Guerra
Mundial, deixando, em seis anos de duração, aproximadamente setenta
milhões de mortos. Além disso, Freud, que na Primeira Guerra estava do lado
dos fortes, na Segunda Guerra, estava com os fracos, sendo alvo do nazismo,
inclusive seus filhos foram interrogados pela polícia nazista. Em resumo, Freud
era judeu. Não se reconhecia como um homem religioso, mas portador da
tradição cultural judaica. A relação de Freud com a guerra mundial Em 1926,
em entrevista a Geroge Sylvester Viereck, Freud diz: “Minha língua é o alemão.
Minha cultura, minhas realizações são alemãs. Eu me considerava
intelectualmente alemão, até que notei o crescimento do preconceito anti-
62

semita na Alemanha e na Áustria germânica. Desde então, prefiro me dizer um


judeu” (GAY, 1989, p. 409). Então, em 1932, Freud e Einstein trocaram
correspondências sobre a guerra, feita por solicitação da Liga das Nações,
antecessora da ONU. Impressionados com os horrores da Guerra Mundial, os
dois refletiram sobre a natureza da guerra e a forma de evitá-la ou diminuir seu
alcance. Por isso, Freud foi escolhido por Albert Einstein para responder “Por
que a guerra?”. Além disso, Einstein questionava se havia alguma forma de
livrar a humanidade da ameaça da guerra, e chegou a declarar que Freud
poderia sugerir métodos que resolveriam o problema. Ele desejava saber como
seria possível, a ausência da guerra e a paz mundial à luz da Psicanálise.
Entretanto, Freud se esquivou e endossou o que Einstein havia colocado,
afirmando que as guerras ocorrem devido às questões políticas, psicológicas,
sociais, culturais e econômicas. E, com a expansão do anti-semitismo racial à
política governamental Freud, e outros autores sofreram diversas represálias.

Repressões da guerra contra os pensadores Em 1933, Freud, Thomas Mann,


Albert Einstein, Marx, Kafka, e outros autores tiveram seus livros queimados
em praça pública. Por serem considerados heresia e afronta à raça ariana,
foram queimados em praça pública por nazistas. Em 1934, Freud é cortado da
sua lista de membros da Universidade. Por fim, em 1936, Moritz Schlick,
professor e membro do Círculo de Viena, foi assassinado na universidade por
um estudante racista.

O final da guerra mundial para Freud Em 1938, Freud tinha ótima reputação
no mundo, recebeu ajuda de grandes personalidades que promoveram sua
fuga. A princesa Maria Bonaparte, com a ajuda de pessoas influentes na época,
conseguiu angariar recursos para conseguir o visto para Freud e sua família.
Freud, relutante, buscou exílio em Londres, com parte de sua família, mas
deixou suas quatro irmãs idosas em Viena. Onde uma morreu de fome no
63

campo concentração de Theresienstadt e três foram assassinadas. A polícia


nazista fez Freud assinar uma cláusula para permitir seu exílio, que assegurava
que o regime nazista o havia tratado com todo respeito e consideração, por
conta de sua reputação científica, e que Freud podia viver e trabalhar em plena
liberdade. Um ano depois, em 1939, ainda em Londres, ele faleceu. Mesmo
muito tempo após a morte, Freud e a psicanalise caminham juntos. E sua
contribuição foi e continua sendo essencial para a historia e evolução da
psicanálise.
64

2.2.2 – FASES DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

Resumo da História de Édipo O mito ou História de Édipo ou Édipo-Rei é um


dos mais marcantes na cultura do Ocidente. Veremos um resumo da história de
Édipo. Freud formulou o Complexo de Édipo a partir desta tragédia grega de
Sófocles, um conceito que se mostrou fundante na teoria psicanalítica.

A formação da personalidade humana Saber como somos e porque agimos


como agimos é um dos desafios não apenas acadêmicos, mas também para o
nosso desenvolvimento humano em todas as fases da vida. Olhar para nossas
atitudes e saber porque agimos de determinada forma nos ajuda a prever e
corrigir as atitudes que consideramos inadequadas. Existem diversas teorias
sobre o comportamento humano. Hipócrates faz parte das centenas de
personalidades que procuraram explicar nossas atitudes. Mas antes de explicar
o modo que agimos, é importante saber os primórdios que nos levam a agir.
Este artigo não tem o objetivo de abordar o comportamento humano em toda
as suas vertentes, iremos sim nos deter no comportamento sexual sobre a
influência de fatos ocorridos durante a formação da personalidade humana.

Um breve resumo da vida do psicanalista Sigmund Freud Uma das


personalidades mais respeitados e estudadas em nossos dias é o psicanalista
austríaco Sigmund Freud. Sigismund Schlomo Freud nasceu em Freiberg, na
Morávia, então pertencente ao império austríaco, no dia 6 de maio de 1856.
Filho de Jacob Freud, pequeno comerciante e de Amalie Nathanson, de origem
judaica, foi o primogênito de sete irmãos. Aos quatro anos de idade, sua família
muda-se para Viena, onde os judeus tinham melhor aceitação social e melhores
perspectivas econômicas. Desde pequeno, mostrou-se brilhante aluno. Aos 17
anos, ingressou na Universidade de Viena, no curso de Medicina. Durante os
anos de faculdade, deixou-se fascinar pelas pesquisas realizadas no laboratório
fisiológico, dirigido pelo Dr. E. W. Von Brucke. De 1876 a 1882, trabalhou com
65

esse especialista e depois no Instituto de Anatomia, sob a orientação de H.


Maynert.

A história de Édipo como base para a compreensão de um processo psíquico


Freud concluiu o curso em 1881 e resolveu tornar-se um clínico especializado
em neurologia. Freud esteve à frente de seu tempo, dedicado ao estudo do
comportamento humano. Estudou por uma década sozinho e suas ideias não
eram aceitas, na verdade, foi hostilizado pelo meio acadêmico de sua época.
Hoje entendemos muito dos seus estudos. Como o ser humano, ele não
poderia acertar em tudo, mas com toda certeza ele mais acertou do que errou
em suas teorias. Muito do que ele descobriu e teorizou tem sido estudado por
anos e ainda temos muito a compreender. Freud encontrou na mitologia grega
um grande substrato para a compreensão dos processos psíquicos de seus
pacientes. Freud analisou com bastante interesse os artistas e suas obras, os
mitos e a religião, e conferiu um especial destaque aos sonhos.

Resumo da História de Édipo ou Édipo-Rei O ano de 1899 foi marcado pela


publicação de sua grande obra “A interpretação dos sonhos”. A interpretação
dos sonhos é o trabalho maior de Sigmund Freud. Ela inaugurou a era da
Psicanálise e mudou para sempre a maneira como o ser humano percebe a si
mesmo. Trabalho tão genial hoje quanto à época de sua primeira publicação,
“A interpretação dos Sonhos” é considerada uma das obras fundadoras da
contemporaneidade e que mais influenciaram o pensamento do século XX. A
mitologia foi usada por ele para explicar muitos dos comportamentos
humanos. O mito tem um papel importante no pensamento freudiano. Um dos
contos mais conhecidas é a história de Édipo.

1. A desobediência de Laio Laio, rei da cidade de Tebas e casado com Jocasta,


foi advertido pelo oráculo de que não poderia gerar filhos e, se esse
mandamento fosse desobedecido, o mesmo seria morto pelo próprio filho, que
66

se casaria com a mãe. O rei de Tebas não acreditou e teve um filho com
Jocasta. Depois, arrependeu-se do que havia feito e abandonou a criança numa
montanha com os tornozelos furados para que ela morresse. A ferida que ficou
no pé do menino é que deu origem ao nome Édipo e, consequentemente à
história de Édipo, que significa pés inchados. O menino não morreu e foi
encontrado por alguns pastores, que o levaram a Polibo, o rei de Corinto. Ele o
criou como filho legítimo. Já adulto, Édipo também foi até o oráculo de Delfos
para saber o seu destino.

2. Desvendando o enigma da Esfinge O oráculo disse que o seu destino era


matar o pai e se casar com a mãe. Espantado, ele deixou Corinto e foi em
direção a Tebas. No meio do caminho, encontrou com Laio, que pediu para que
ele abrisse caminho para passar. Édipo não atendeu ao pedido do rei e lutou
com o rei até matá-lo. Sem saber que havia matado o próprio pai, Édipo
prosseguiu sua viagem para Tebas. No caminho, encontrou-se com a Esfinge,
um monstro metade leão, metade mulher, que atormentava o povo de Tebas,
pois lançava enigmas e devorava quem não os decifrasse. O enigma proposto
pela esfinge era o seguinte: Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois
ao meio dia e três à tarde? Ele disse que era o homem, pois na manhã da vida
(infância) engatinha com pés e mãos, ao meio-dia (idade adulta) anda sobre
dois pés e à tarde (velhice), precisa das duas pernas e de uma bengala. A
Esfinge ficou furiosa por ter sido decifrada e se matou.

3. Desfecho da história de Édipo O povo de Tebas saudou Édipo como seu


novo rei, e entregou-lhe Jocasta como esposa. Depois disso, uma violenta peste
atingiu a cidade e Édipo foi consultar o oráculo. Ele respondeu que a peste não
teria fim, enquanto o assassino de Laio não fosse castigado. Ao longo das
investigações, a verdade foi esclarecida e Édipo provocou a própria cegueira,
enquanto Jocasta se enforcou.
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O Complexo de Édipo: a compreensão de Freud Freud fez uso desta história de


Édipo para idealizar o Complexo de Édipo, a fase que ocorre dos 3 e 4 anos e
vai até os 6 e 7 anos. O Complexo de Édipo pode ser considerado um dos
conceitos fundamentais da teoria freudiana. Esta fase é comum e universal do
desenvolvimento infantil, marcado pela “disputa” entre a criança e o
progenitor do mesmo sexo, pelo amor do progenitor do sexo oposto. Como
exemplo, o menino disputa com seu pai o amor da mãe.

As consequências das intercorrências no desenvolvimento infantil Todas as


fases são importantes e, caso não sejam passadas de forma sadia, trarão
consequências para toda a vida. No caso da história de Édipo as consequências
vem do medo da castração dos meninos e nas meninas a ausência do pênis. O
saudável é que as meninas aceitem a ausência de um pênis e que os meninos
diminuam o medo da castração.

Conclusão Mesmo na vida adulta é possível vermos sequelas da infância e


podemos tomar como norte a história de Édipo. Rapazes podem na vida adulta,
viver subjugados à figura do pai, com medo da castração. Muitas neuroses
podem ter a origem justificada por uma passagem mal sucedida por esta fase.
O presente Resumo da História de Édipo Rei e sua relação com a Psicanálise foi
criado por Valdecir Santana, exclusivamente para este blog. Deixe seu
comentário abaixo, com dúvidas e sugestões. Aproveite e inscreva-se no nosso
Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

Afinal, o que é Complexo de Édipo na Psicanálise O Complexo de Édipo é um


dos conceitos mais importantes da Psicanálise. Foi desenvolvido por Sigmund
Freud, embora o termo ‘complexo’ tenha sido cunhado por Gustav Jung. Para
desenvolver este conceito, Freud inspirou-se na tragédia grega Édipo Rei, de
Sófocles.
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O Mito de Édipo Nesta peça, “um oráculo anunciou a Laio, rei de Tebas e a
rainha Jocasta, que seu próprio filho o mataria e se casaria com a mãe. O rei,
assustado, ordenou que levassem o filho, Édipo, para longe da cidade. O
menino foi criado por outro rei, cresceu forte e sábio, até que um dia
encontrou um homem em uma estrada, teve com ele uma briga e o matou. Era
seu pai. Édipo chega a Tebas, a cidade se encontra ameaçada por um monstro,
a esfinge, que devora todo aquele que não consegue resolver seus enigmas.
Qual é o animal que tem 4 (quatro) pés ao amanhecer, 2 (dois) ao meio-dia e 3
(três) ao anoitecer? Édipo responde – O homem, em cuja infância engatinha
anda ereto sobre dois pés, na maturidade e ao envelhecer toma a ajuda de
uma bengala. A esfinge é derrotada e se joga no mar. Édipo torna-se rei de
Tebas e se casa com a rainha Jocasta, sem saber que se tratava de sua própria
mãe. Tiveram filhos e foram felizes, até que descobriram a verdade e a tragédia
se consumou. Édipo fura seus olhos e Jocasta se enforca.” Conforme o conceito
formulado a partir desta peça, a criança vivencia sentimento de atração pelo
genitor de sexo oposto, enquanto nutre sentimento de amor e ódio pelo
genitor de mesmo sexo.

O Complexo de Édipo para a Psicanálise Ainda segundo o criador da


Psicanálise, o Complexo de Édipo desenvolve-se durante a fase fálica,
momento em que a criança se torna consciente da diversidade entre os sexos.
Durante este período o bebê, habituado a receber total atenção do sexo
oposto, passa a ser alvo de inúmeras proibições, que para ele eram antes
desconhecidas. Não pode mais fazer o que bem entende, não pode mais
compartilhar o tempo todo o leito dos pais, deve evitar andar nu à vontade,
dentre outras interdições. Ao perceber que não é mais o centro de todas as
atenções, a criança percebe a distinção entre ela e seus genitores. Com isso,
tem início as várias fases de passagem experimentadas, que definirá seu
comportamento na idade adulta, principalmente o referente à sua vida sexual.
69

Neste contexto, se o processo transcorre normalmente, tudo tende para que a


menina se identifique com a mãe e desenvolva atitudes femininas, ao passo em
que o menino desenvolve características masculinas, identificando-se com o
pai. No entanto, caso haja um grande temor de ficar sem a posse daquele
genitor que é hostilizado, pode possivelmente ocorrer no futuro atitudes
homossexuais.

O Papel do Complexo do Édipo O papel do Complexo de Édipo é permitir que o


indivíduo faça a transição da esfera dos instintos e dos impulsos para o
universo cultural. Quando não ocorre esta importante transição, o indivíduo
entre em um estado de inquietação psíquica extrema. Para reprimir a sua
libido, a criança entra em um processo simbólico de castração. A superação do
Complexo de Édipo, portanto, é operada pela ameaça da castração.

Seu lugar é preenchido por uma das duas coisas:

 a) identificação com a mãe ou


 b) uma intensificação de sua identificação com o pai, resultado mais
normal, responsável por consolidar a masculinidade, no caso dos
meninos.

Ainda segundo Freud, no caso das meninas, a castração é aceita como um fato
consumado, não havendo neste caso, o temor da sua ocorrência. Portanto, na
resolução do Complexo de Édipo, a criança oculta seus sentimentos,
canalizando-os para a aceitação social, direcionando-os para parceiros que,
para ela, não representam um tabu. Dessa forma, ao optar pelos valores da
civilização, oculta seus instintos incestuosos, direcionando-os para o seu
inconsciente.
70

Electra: significado do Complexo de Electra para Jung Por mais diferente que
cada indivíduo seja, todos se assemelham na sua etapa de desenvolvimento
psicossocial. Essa é um dos pilares que define a forma como esse ente se
portará adiante assim que tiver independência familiar. Envolvido a isso,
descubra o significado do Complexo de Electra para Carl Jung e como este se
desenvolve.

O que é Complexo de Electra? Complexo de Electra é a etapa de


desenvolvimento psicossexual envolvendo as meninas. De acordo com Jung, as
meninas passam a se sentirem atraídas pela figura do pai em detrimento da
figura materna. Assim como a relação dos meninos rivaliza com a dos pais, as
garotas também encontram alguém para disputar atenção paterna.
Complementando a teoria Freudiana, Jung afirmava que a relação das garotas
com os pais era influenciada por seu desenvolvimento sexual. À medida em
que o crescimento psicológico das meninas evoluía, a atração pelo pai crescia
junto. Como este nutre uma relação amorosa com a mãe, a garota passa a
enxergá-la com uma rival. Todo esse processo se inicia aos três anos de idade,
se estendendo, no máximo, até os seis. A partir daí, todo esse enlace e fixação
se dissolvem naturalmente. Com isso, a garota se desapega do seu pai e tenta
reatar a sua ligação com a mãe. Esta é o seu referencial de feminilidade e a
pequena tenta se conectar de forma a construir a própria identidade.

Como ele se inicia? Gradativamente, à medida que crescemos, começamos a


sentir as respostas naturais que o corpo dá em relação aos impulsos sexuais.
Caso estes saiam da forma adequada, resultam em uma maturidade completa,
bem como um desenvolvimento psico afetivo satisfatório. Se isso for feito de
forma inadequada, acaba por fomentar transtornos mentais. Assim como nos
meninos, as garotas também começavam a se vincular física e emocionalmente
aos pais aos três anos. Certamente, a ligação entre mulheres é bem mais forte
71

que a de mãe e filho. Antes de se ligarem aos pais, as meninas constroem uma
ponte entre elas e a mãe. Esse se torna o gancho para que retornem mais tarde
até elas. Entretanto, esse laço esmaece por conta da fixação crescente que esta
nutre em relação ao pai. Segundo Jung, ela inconscientemente percebe que
não tem pênis e pode se ligar ao simbolismo deste por meio do pai. Já que este
divide atenção com sua mãe, a jovem passa a se distanciar da figura materna.
Até que retorne, podemos observar trejeitos específicos nela.

Sintomas Antes de continuarmos, cabe ressaltar que o Complexo de Electra


não se trata de doença ou síndrome. O mesmo faz parte do amadurecimento
da criança e deve ser bem trabalhado. Mesmo assim, dá para notar algumas
características bem relevantes no comportamento da garota, tais como:

Afeto possessivo ao pai Naturalmente, se torna um dos sintomas mais


evidentes do Complexo de Electra. A partir do momento em que a garota
concebe que seu pai é fruto de amor, fará de tudo para agradá-lo. De início,
simples demonstrações de afeto, mas isso aumenta em frequência e
intensidade. Com o tempo, se mostra bastante possessiva em relação a ele.

Ciúmes Com o tempo, o afeto em excesso acaba por se transformar em ciúmes.


Sendo pequena demais, a garota ainda não possui filtros para que controle
adequadamente as suas emoções. Graças a isso, dará manifestações claras de
sua possessão em relação ao pai.

Hostilidade A fim de monopolizar a atenção do pai, a garota fará o que pode


para afastar os demais, se tornando agressiva. É aqui onde devemos prestar
mais atenção, já que esse egoísmo exacerbado pode afetar a vida da pequena.
Caso não seja trabalhado, o mesmo repercutirá na vida adulta, levando a
problemas ainda maiores.
72

Imitação Aos poucos, a menina começa a usar os objetos que pertencem à sua
mãe. Roupas, maquiagens e sapatos costumam ser os acessórios mais
buscados. A ideia aqui é chamar a atenção do pai, já que este se direciona à sua
mãe sempre. Isso é comum de acontecer no fim dessa fase, já que a criança
busca se conectar com a matriarca.

Consequências Caso não seja trabalhado adequadamente ainda na infância, o


Complexo de Electra pode reverberar perigosamente na vida adulta da garota.
A mesma, inconscientemente, procura preservar a relação de afeto e
segurança que tinha com o pai. Como essa vínculo não foi nutrido de forma
adequada, a persona adulta mostra claramente em:

 Relacionamentos amorosos A mulher mantém a sua perspectiva infantil


a respeito das relações e desconta o que viveu em seu próprio
relacionamento. Isso porque procura encontrar a figura do pai em seus
amores, de modo a revitalizar sua imagem. Como não a encontra, não
sabe como lidar adequadamente com o parceiro. Isso sempre resulta em
discussões.
 Responsabilidades Quando cresce, a garota não se mostra capaz de lidar
com responsabilidades de forma madura. Um dos sinais disso é a falta de
organização que esta pode apresentar, sem contar os compromissos de
trabalho. Tanto a sua vida pessoal como profissional parece sem sentido
ou com um ponto para se centrar.
 Conflitos com a mãe Embora a rivalidade materna se inicie de forma
saudável, caso não seja trabalhada, pode evoluir a algo mais sério.
Quando adulta, esta garota terá um contato conflituoso e difícil com a
própria mãe. Isso pode abrir a porta ao desamparo emocional que esta
nutrirá em relação à vida.
73

 Como trabalhá-lo Para que não haja problemas em decorrência do


Complexo de Electra na vida da garota, os pais precisam intervir. Eles
precisam conversar com a garota a respeito de o que é amor, como este
surge e se apresenta. Com isso, a mesma poderá perceber que é possível
amar várias pessoas simultaneamente e de variadas formas. Dessa
forma, ajudarão a pequena a entender os sentimentos que nutre em
relação ao pai e mãe. Basicamente, esta perceberá a conexão exata
entre pai-filha e marido-esposa.

Considerações finais: Complexo de Electra À medida em que a garota cresce,


busca um referencial de afeto para se conectar. Com isso, o pai acaba se
tornando esse objeto, já que é o primeiro homem que esta conhece. É por
meio dele que aprenderá as ferramentas que precisa para cultivar o amor em
sua vida. Dessa forma, fará de tudo para ter sua atenção enquanto aprende a
se relacionar. É isso o que o Complexo de Electra faz: focaliza a atenção da
garota no pai em detrimento da mãe. Cabe ressaltar que esse desejo e atração
que ela sente pelo pai difere dos sentidos normalmente pelos adultos. Ainda
assim, essa atenção precisa ser canalizada e bem distribuída entre os genitores.
Isso é fundamental para que esta cresça bem. Para ajudar as crianças a se
desenvolverem corretamente, se inscreva em nosso curso de Psicanálise Clínica
online.
74

2.2.3 – CONCEITOS SOBRE O FUNCIONAMENTO PSÍQUICO

O que é pulsão? Conceito em Psicanálise Neste artigo, falaremos sobre um


conceito muito estudado não só pela Psicanálise, mas também pela Psicologia.
A nomenclatura Pulsão refere-se ao aumento da excitação e motivação interna
para alcançar um objetivo específico. Nesse contexto, será que nós podemos
interferir de alguma maneira na maneira como o nosso corpo se comporta a
fim de conquistar alguma coisa? De acordo com os psicólogos, existe uma
diferença entre impulsos primários e secundários. Assim, as unidades primárias
estão diretamente relacionadas à sobrevivência. Além disso, incluem a
necessidade de comida, água e oxigênio, por exemplo. Os impulsos secundários
ou adquiridos, por outro lado, são aqueles culturalmente determinados ou
aprendidos. Um exemplo é o impulso para obter dinheiro, intimidade ou
aprovação social. A teoria acerca da pulsão sustenta que esses impulsos
motivam as pessoas a reduzir os desejos. Dessa forma, escolheríamos respostas
que o façam de maneira mais eficaz. Por exemplo, quando uma pessoa sente
fome, ela é motivada a reduzir esse desejo comendo. Quando há uma tarefa
em mãos, a pessoa é motivada a completá-la.

Teoria da Unidade e pulsão Na Teoria da Unidade, Clark L. Hull é a figura mais


proeminente. Estamos trazendo à tona porque é a partir dele que essa teoria
de motivação e aprendizado foi postulada. A teoria em si baseava-se em
estudos muito diretos sobre o comportamento dos ratos, feitos por alguns de
seus alunos. Os ratos foram treinados para percorrer um beco sem saída até
uma recompensa alimentar. Posteriormente, dois grupos de ratos foram
privados de comida: um grupo por 3 horas e o outro por 22. Hull propôs que os
ratos que estavam sem comida por mais tempo teriam mais motivação.
Portanto, um nível mais alto de impulso seria fornecido a fim de obter a
recompensa alimentar no fim do labirinto. Além disso, ele formulou a hipótese
75

de que quanto mais vezes um animal fosse recompensado por correr pelo
beco, maior a probabilidade de o rato desenvolver o hábito de correr. Como
esperado, Hull e seus alunos descobriram que o tempo de privação e o número
de vezes recompensados resultaram em uma velocidade de corrida mais rápida
em direção à recompensa. Assim, sua conclusão foi que o impulso e o hábito
contribuem igualmente para o desempenho de qualquer comportamento que
seja instrumental na redução do impulso.

Aplicação da Teoria da Condução à Psicologia Social Trazendo estes resultados


para a Psicologia, observamos que quando uma pessoa está com fome ou com
sede, ela sente tensão. Dessa forma, é motivada a reduzir esse estado de
desconforto ao comer ou beber. Nesse contexto, um estado de tensão também
pode ocorrer quando uma pessoa é observada por outras pessoas ou quando
mantém crenças ou pensamentos psicologicamente inconsistentes. A teoria da
dissonância cognitiva, proposta pelo psicólogo social Leon Festinger, sugere
que quando uma pessoa se depara com duas crenças ou pensamentos
contraditórios, ela sente tensão psicológica. Essa tensão psicológica, por sua
vez, é um estado de impulso negativo semelhante à fome ou à sede.

Exemplos de pressão social inconsciente Uma interessante aplicação da teoria


da pulsão à psicologia social e na psicanálise é encontrada na explicação de
Robert Zajonc sobre o efeito de facilitação social. Esta proposta sugere que
quando há presença social, as pessoas tendem a executar tarefas simples
melhor e tarefas complexas (inibição social) do que se estavam sozinhos. Nesse
contexto, a base para entender a facilitação social vem do psicólogo social
Norman Triplett. Ele foi o responsável por observar que os ciclistas andavam
mais rápido quando competiam uns contra os outros diretamente do que
contra relógios individuais. Assim, sendo, Zajonc argumentou que esse
fenômeno é uma função da dificuldade percebida pelos humanos na tarefa e
76

de suas respostas dominantes, isto é, aquelas que são mais prováveis, dadas as
habilidades que os humanos têm. Quando os impulsos são ativados, as pessoas
provavelmente confiam em sua resposta dominante de fácil acesso, ou, como
sugeriria Hull, em seus hábitos. Assim sendo, se a tarefa é fácil para eles, sua
resposta dominante é ter um bom desempenho. No entanto, se a tarefa for
percebida como difícil, a resposta dominante provavelmente resultará em um
desempenho ruim. Por exemplo, imagine uma bailarina que praticou pouco e
que muitas vezes cometeu vários erros durante sua rotina. De acordo com a
teoria da pulsão, em presença de outras pessoas em seu recital, ela exibirá sua
resposta dominante. Cometerá ainda mais erros do que quando está sozinha.
No entanto, se ela gastar uma quantidade substancial de tempo polindo sua
performance, a teoria da pulsação sugeriria que ela poderia ter o melhor
desempenho de sua carreira de dançarina na mesma apresentação. Algo que
ela nunca poderia encontrar na solidão.

Motivação Natural Perspectivas comportamentais e psicológicas sociais,


apesar de abordarem fenômenos diferentes, compartilham uma importante
semelhança. Os seres humanos experimentam excitação (unidade) para atingir
um objetivo específico. Nesse contexto, os hábitos (ou respostas dominantes)
ditam os meios para alcançar esse objetivo. Assim, com prática suficiente, a
dificuldade percebida de uma tarefa diminuirá. Dessa forma, as pessoas
provavelmente terão um desempenho melhor.

Como a presença de outras pessoas em nosso meio afeta nosso


comportamento? Nunca podemos ter certeza de como os outros reagirão a
nossa presença, gostos, personalidade. Eles nos avaliarão, admirarão ou nos
julgarão? Do ponto de vista evolutivo, porque não sabemos como as pessoas
responderão a nós, é vantajoso que os indivíduos sejam despertados na
presença de outros. Assim, nosso impulso instintivo de perceber e reagir a
77

outros seres sociais fornece a base da teoria da pulsão de Zajonc. Por exemplo,
imagine andar pela rua tarde da noite quando você vê uma sombra escura se
aproximando de você. Você provavelmente vai se preparar para esse encontro
inesperado. Sua frequência cardíaca aumentará, você poderá correr ou poderá
até mesmo se socializar. Não obstante, Zajonc sustenta que o seu impulso é
tornar-se socialmente consciente daqueles que estão próximos. Mesmo
daqueles cujas intenções não são conhecidas.

Implicações da teoria de acionamento A teoria dos impulsos combina


motivação, aprendizagem, reforço e formação de hábitos. Isso para explicar e
prever o comportamento humano. Ela descreve de onde vêm as unidades,
quais comportamentos resultam dessas unidades e como esses
comportamentos são mantidos. Assim, a teoria da pulsão também é
importante para compreender a formação de hábitos como resultado do
aprendizado e do reforço. Por exemplo, para alterar os maus hábitos, como o
uso de drogas (que pode ser visto como uma maneira de reduzir a necessidade
de euforia), é essencial compreender como os hábitos são criados. Além disso,
a teoria da pulsão oferece uma explicação sobre a excitação instintiva que
apresentamos na presença de outras pessoas. Como os seres humanos
convivem em sociedade, é imperativo que eles entendam como os outros os
influenciam. Nesse contexto, importa saber qual o poder do outro sobre seu
desempenho, seu autoconceito e as impressões que estes causam no mundo
social. Para isso, é importante que você entenda sobre Psicanálise. Ao fazer o
nosso curso de Psicanálise Clínica EAD, você não obterá apenas um mero
entendimento, mas uma formação profissional. Assim sendo, entenderá não só
sobre o que é pulsão, mas também sobre uma imensidão de temas relevantes.
Confira!
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Pulsão de vida e pulsão de morte Sigmund Freud foi um pesquisador notável


no que tange o conhecimento da mente humana,trazendo à tona ideias
complexas a respeito dos elementos que permeiam a vida humana. Nota-se
que boa parte de suas ideias desafiam o senso comum, fazendo com que
deixemos de lado os caminhos mais fáceis de compreender o ser humano. A
propósito, vamos entender melhor sobre a pulsão de vida e pulsão de morte.

A ideia de pulsão Na teoria de Freud, pulsão designa a representação psíquica


de estímulos originados no organismo e chegam até a mente. É como se fosse
um impulso energético agindo internamente, de modo que conduz e molda as
nossas ações. O comportamento resultante se diferencia do gerado por
decisões, já que este é interno e inconsciente. Ao contrário do que é
popularmente divulgado, a pulsão não designa necessariamente equivalência
ao instinto. Mais ainda na obra freudiana, onde existem dois termos específicos
para trabalhar o seu significado. Enquanto Instinkt mostra um comportamento
animal hereditário, Trieb trabalha o sentido de pulsão caminhando sobre a
pressão irrefreável. Na obra de Freud, o trabalho com as pulsões era visto com
dualidade, tanto que se dividia em várias vertentes. Ao longo do tempo a
premissa inicial foi se modificando, gerando uma nova roupagem à teoria. Com
isso, surge o duelo entre a pulsão de vida, Eros e a pulsão de morte, Thanatos.

Pulsão de vida A pulsão de vida dentro da Psicanálise fala a respeito da


conservação de unidades e dessa tendência. Basicamente, se trata de preservar
a vida e existência de um organismo vivo. Assim, se cria movimentos e
mecanismos que ajudem a mover alguém em escolhas que priorizem sua
segurança. A partir daí se alimenta uma ideia de ligamento, de modo que se
possa juntar partes menores para formar unidades maiores. Além de formar
essas estruturas maiores, o trabalho também é fazer a conservação delas. Para
exemplificar, pense em células que encontram condições favoráveis, se
79

multiplicando e criando um novo corpo. Em suma, a pulsão de vida almeja


estabelecer e manusear formas de organização que ajudem a proteger a vida.
Trata-se de ser constante positivamente, de modo que um ser vivo se direcione
à preservação.

Exemplos de pulsão de vida Há diversos exemplos corriqueiros que podem


estabelecer um conceito prático da pulsão de vida. A todo o momento,
estamos procurando uma forma de sobreviver, crescer e fazer mais em nossas
ações e pensamentos. isso fica bastante simplificado quando observamos:

Sobrevivência A princípio, todos nós mantemos uma rotina de nos


alimentarmos sempre que o corpo exigir ou mesmo sem necessidade aparente.
O ato de comer indica o fornecimento de subsistência para que possamos
continuar vivos. É algo instintivo, de modo que o corpo e a mente entrem em
declínio caso não seja atendido.

Multiplicação/ propagação O ato de produzir, multiplicar e fazer acontecer é


um direcionamento direto para levar a vida. Precisamos fazer crescer em nossa
realidade recursos e atividades importantes para a manutenção geral da
humanidade. São exemplos o ato de trabalhar para ser remunerado, se
exercitar para ter saúde, ensinar para espalhar conhecimento, entre outros.

Sexo O sexo se mostra como a união de corpos a fim de se unirem


momentaneamente. Indo mais além, também pode dar a origem para uma
nova vida, multiplicando e dando origem a uma nova existência. Nisso, além
das pessoas envolvidas, o sexo pode dar início a um processo de criação,
perpetuando a vida.

Pulsão de morte A pulsão de morte indica a redução por completo das


atividades de um ser vivo. É como se a tensão se reduzisse ao ponto de que
uma criatura viva atinja o estado de inanimamento e inorgânico. A meta é fazer
80

o caminho inverso ao crescimento, nos levando à nossa forma mais primitiva


de existência. Em seus estudos, Freud abraçou o termo utilizado pela
psicanalista Bárbara Low, o “Princípio de Nirvana“. De forma simples, esse
princípio trabalha a redução exponencial de qualquer excitação presente em
um indivíduo. No budismo, o Nirvana conceitualiza “a extinção do desejo
humano”, de maneira que alcancemos a quietude e felicidade perfeita. A
pulsão por morte mostra caminhos para que um ser vivo caminhe em direção
ao seu fim sem interferência externa. Dessa maneira, retorna ao seu estágio
inorgânico do seu próprio modo. De forma poeticamente fúnebre, o que sobra
é o desejo de cada um morrer ao seu próprio modo.

Exemplos de pulsão de morte A pulsão de morte pode ser encontrada em


diversos aspectos de nossas vidas, mesmo naqueles mais simples. Isso porque a
destruição em suas formas faz parte de tudo que é ligado à vida e precisa de
um fim. Por exemplo, vemos isso nos âmbitos destacados a seguir:

Alimentação A alimentação, obviamente, pode ser vista com um impulso


direcionado à vida, já que faz a nossa manutenção existencial. Contudo, para
que isso ocorra, precisamos destruir o alimento e somente então se alimentar
dele. Existe aí um elemento agressivo, se contrapondo ao primeiro impulso e
tornando-se contraparte dele.

Suicídio Acabar com a própria vida é um sinal claro de retorno para a não
existência do ser humano. De forma consciente ou não, alguns indivíduos
conseguem contrapor seu impulso de vida e encerrar os seus ciclos. Como dito
linhas acima, cada um escolhe o modo de terminar com sua própria vida.

A saudade Relembrar o passado pode ser um exercício doloroso para quem


não abriu mão de algo ou alguém. Sem perceber de início, o indivíduo está se
machucando, procurando inconscientemente uma forma de sofrer. Por
81

exemplo, uma criança busca a foto da mãe falecida para lembrá-la, mas vai
sofrer com a ausência da mesma.

O meio em que vivemos define a nossa jornada construtiva e destrutiva


Quando se fala em pulsão de vida e pulsão de morte é bastante comum se
deixar de lado o ambiente em que crescemos. Através dele é que construímos
uma identidade pessoal que nos distingue dos demais. Sem contar que isso
também significa a construção da pluralidade cultural, de modo que
encontremos elementos que façam nossa construção. De acordo com a
Psicanálise, é a implicação do inconsciente que acaba por dividir um indivíduo
de sua identidade própria do mundo. Ou seja, nossa parte interna estipula um
limite de onde terminamos e onde o mundo externo começa. Com isso, se
pode levantar o questionamento de qual força, interna ou externa, iniciou a
ação. Por causa disso que a Psicanálise trabalha a respeito dos sintomas que a
nova realidade trouxe à tona. Graças à ela, por exemplo, podemos entender
melhor os ingredientes da violência nos tempos atuais. Consequentemente,
esse entendimento sobre a pulsão de vida e pulsão de morte ajudará a
compreender o inconsciente e a satisfação pulsional.

Equilíbrio e sobreposição A pulsão de vida e a pulsão de morte, além de


outras, trabalham em oposição uma com a outra. Quando essas forças
destrutivas são direcionadas para fora, uma das pulsões expeliu
agressivamente essa instância. Nisso, o organismo de alguém pode se manter
protegido ou mesmo liberar comportamentos agressivos para si e aos outros.
No entanto, no momento em que uma posição subjuga a outra, se inicia a ação,
já que não há equilíbrio. Por exemplo, quando o suicídio acontece, a pulsão de
morte acabou por prevalecer sobre a pulsão de vida.
82

Considerações finais sobre pulsão de vida e pulsão de morte A pulsão de vida


e a pulsão de morte designam movimentam naturais para o limiar da
existência. Enquanto a outra se inclina à preservação, a outra faz o caminho
oposto, de modo a erradicar uma existência. A todo o momento cada uma dá
sinais de assumir o controle, desde ações mais simples ou eventos
determinantes. O meio em que vivemos colabora diretamente para a expansão
de cada uma dessas instâncias, de maneira que virem reflexos. A exemplo, um
depressivo sem qualquer perspectiva de vida pode achar que encontrou o seu
caminho por meio do suicídio. Ao mesmo tempo em que construímos nossa
identidade pessoal, lidamos com nossa imagem coletivamente..

Sublimação, Pulsão e Recalque: significados Sublimação é um outro destino


possível da pulsão. É a energia pulsional que não foi recalcada. Ela é também
vista como a transformação de impulsos indesejados e destrutivos em algo
menos prejudicial e socialmente aceito em nosso dilema. Podemos chamá-lo
de “o encontro com o outro e a afetação decorrente em nosso eu”.A
sublimação decorre da energia pulsional do processo psíquico de maximização
do prazer e minimização da dor. Esse processo é produzido pelo mal-estar da
socialização do indivíduo no encontro com o outro.

A Pulsão e a Sublimação A “Pulsão é o processo dinâmico que consiste numa


pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud,
uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal. O seu objetivo ou meta é
suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional. É no objeto ou graças
a ele que a pulsão pode atingir suas metas. Também a Pulsão é vista como
pressão ou força. Esta é concebida como um fator quantitativo econômico,
uma exigência de trabalho imposta ao aparelho psíquico *…+. Um conceito-
limite entre o psiquismo e o somático. Ela está ligada à noção de
representante, como uma espécie de delegação enviada pelo somático ao
83

psiquismo (Laplanche e Pontalis,1995 p.394-395)”. Quando não recalcada, essa


pulsão encontra o seu destino na sublimação. Isso pode ser simplesmente uma
libertação pela distração da energia pulsional não recalcada. Ou pode ser
apenas um mecanismo de defesa do ego.

O Recalque e a Sublimação Sabendo que nosso aparelho psíquico está em


tensão, sempre com adicional de pensamentos incômodos, então criamos
energia psíquica. Sendo assim, essa energia sempre tende a ir para algum lugar.
Um canal de sublimação leva essa energia para longe de atos destrutivos para o
que é socialmente aceitável e criativamente eficaz. Muitos esportes e jogos são
sublimações de impulsos agressivos. Esses mesmos impulsos esbarrariam em
outras pessoas caso não fossem sublimadas. Recalque e sublimação aparecem
paralelamente, na maioria das vezes, porque são os dois pólos extremos dos
possíveis caminhos das pulsões. São as mais importantes formas de evitamento
da realização sexual direta. No recalque, o sujeito permanece preso ao sexual,
que é o ponto de referência para ele, no nível do proibido. Na sublimação, o
sujeito deixa a referência à satisfação sexual direta e lida com ela na sua
dimensão de impossível.

A sublimação é responsável por revelar o desejo humano Esse impossível da


satisfação que está em jogo na pulsão encontra na sublimação sua
possibilidade de manifestação plena. Isso ocorre pois a sublimação revela a
estrutura do desejo humano como tal. Ela evidencia que, para além de todo e
qualquer objeto sexual, esconde-se o vazio da Coisa, do objeto, enquanto
radicalmente perdido. O Recalque segundo Freud é um processo intrínseco ao
próprio eu. Freud, em seu artigo de 1915, se pergunta: “Por que uma moção
pulsional deveria ser vítima de semelhante destino (recalcamento)?”
Entendemos que a resposta cabível é: Porque o caminho em direção à
satisfação pode acabar produzindo mais desprazer do que propriamente
84

prazer. No que tange à satisfação da pulsão, sempre temos que levar em conta
a “economia” presente no processo. Assim, se levar em conta a presença das
instâncias psíquicas, poderemos notar que aquilo que dá prazer em algum
lugar, bem como pode vir a ser extremamente desprazeroso em outro.

Qual seria a “condição para o recalque”? Desta forma, fica estabelecida a


“condição para o recalque”: é preciso que a potência do desprazer seja maior
do que o prazer da satisfação. “Devemos compreender que o recalque está a
serviço da satisfação pulsional e não contra ela”. Já a sublimação consiste, pois,
num dos caminhos específicos da pulsão, sendo esta um estímulo mental
constante, com renovável poder de pressão, que visa satisfazer-se. O conceito
de pulsão se situa no limiar entre o somático e o psíquico, sendo um “limite de
continentes, terra e mar, corpo e linguagem, volúpia da carne e volúpia da
alma”, no dizer de Marília Brandão Lemos de Morais Kallas. A pulsão alude ao
corpo como regido pelo princípio do prazer, diferentemente do corpo biológico
da medicina. O corpo humano possui um sentido, uma articulação entre as
zonas erógenas e o domínio das representações.

A relação entre a sublimação e o instinto de sobrevivência É relevante dizer


que, em seu livro “A sublimação e o Mal-Estar na Civilização (1930), Freud
discute a renúncia pulsional que temos de fazer como seres humanos, para que
a civilização possa sobreviver. Ele se pergunta: “o que pedem eles da vida, e o
que desejam nela realizar? Esforçam-se para obter felicidade, querem ser
felizes e assim permanecer” (FREUD, v.XXI, p.94). Freud nos ensina que para
sobreviver nesse mal-estar, cada um deve encontrar sua própria “Regra de
ouro”. Alguns exemplos de sublimação como mecanismo de defesa são muito
claros: Estou com raiva, logo, eu saio e vou cortar lenha. Acabo com uma pilha
de lenha e passo a descontar minha raiva na lenha e ninguém mais sai ferido ou
prejudicado. Uma pessoa que tem necessidade obsessiva pode ser um
85

empreendedor de um negócio bem sucedido. Um marido que tem desejos


extraconjugais pode se ocupar com reparações domésticas e situação
comezinhas enquanto sua esposa estiver fora da cidade. Vejo a sublimação
como o mais útil e construtivo dos mecanismos de defesa do ego, por
conseguir levar a energia de algo que é potencialmente prejudicial e
transformar em algo bom é útil. Freud acreditava que as maiores conquistas da
civilização foram feitas pela via da sublimação.

Aprendendo a diminuir os mecanismos de defesa Devemos diminuir o máximo


possível os mecanismos de defesa utilizados por nós. Isso interfere em nossos
relacionamentos e em nossa autoestima. Além disso, prejudica o
desenvolvimento à caminho de uma maturidade saudável. Você, leitor, já
passou por uma situação parecida? Então comente aqui embaixo quais são os
mecanismos de defesa utilizados por você. Além disso, você pode melhorar
muito os seus relacionamentos interpessoais e a percepção de si mesmo
conhecendo o nosso curso de Psicanálise Clínica. Estudar a Psicanálise ajudará
você também nos relacionamentos com os seus colegas de trabalho, além de
vários outros benefícios. Matricule-se!

Princípio do Prazer e da Realidade para Freud Neste presente artigo você irá
entender o que é Princípio do Prazer e da Realidade para Freud. Sendo assim,
continue lendo o texto para descobrir tudo à respeito!

PRINCÍPIO DO PRAZER Segundo a Teoria da Personalidade de Freud. Da qual já


tratamos anteriormente, o princípio do prazer é o que guia o Id. Isso quer dizer
que o Id é sua força propulsora. Sabemos que o que o Id busca é a satisfação
imediata dos impulsos humanos. Que por sua vez, podem ter caráter de desejo
ou de necessidade primária. Sendo o princípio do prazer a força motriz do Id,
podemos concluir que ele tem como único objetivo satisfazer nossos impulsos
primitivos. Esses podem ser o impulso da fome, o da raiva ou o sexual.
86

Lembremo-nos que para Freud o Id é a parte biológica da mente humana,


presente desde o nascimento. Assim como pode ser considerado como a
origem das mais intensas motivações humanas, é a instância mental que tende
a permanecer mais enterrada no campo inconsciente. Basta perceber como
agem os indivíduos na primeira infância. Nessa fase, o Id comanda o indivíduo.
Isso quer dizer que quem guia as ações infantis é o Princípio do Prazer,
orientando-as sempre no sentido de satisfazer suas necessidades básicas. As
crianças menores tendem a exigir a satisfação de suas necessidades, como
fome, sono e desejos variados. E o fazem sem levar em consideração o local e o
momento. Isso porque nelas não se encontra desenvolvido o Ego que, por sua
vez, é guiado pelo Princípio da Realidade.

PRINCÍPIO DA REALIDADE Enquanto o Id é guiado pelo princípio de prazer, o


Ego é guiado pelo princípio da realidade. Sua principal função é satisfazer o
máximo possível os desejos do Id, mas de uma forma socialmente adequada.
Nesse sentido, o princípio da realidade se opõe ao princípio do prazer. Mas não
para anulá-lo. Sua função vai no sentido de mediar os impulsos do Id para que
eles sejam satisfeitos de acordo com os princípios morais da realidade social. O
Princípio da Realidade se desenvolve, assim como o Ego, a partir do
amadurecimento da personalidade e da vida em sociedade. Os aspectos
culturais dizem muito, portanto, do conteúdo que preencherá o Ego, ainda que
sua função seja fixa. O Ego, regido pelo princípio da realidade, está preocupado
em evitar o perigo e adaptar o indivíduo à realidade e ao comportamento
civilizado. Freud destaca ainda que o nível Pré-consciente também é regido
pelo Princípio da Realidade.
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PRINCÍPIO DO PRAZER E DA REALIDADE É bastante provável que o princípio do


prazer entre em conflito com a atividade consciente da psique. Isso porque ela
se preocupa constantemente em evitar o perigo e garantir a adaptação do
indivíduo no mundo exterior. Quando a mente é dominada pelo princípio do
prazer, que pode ser entendido aqui como a busca da satisfação de desejos,
somos levados a agir de forma estritamente impulsiva. Sabemos que ações
impulsivas desprezam regras e não obedecem nenhuma lógica. Podemos dizer,
então, que o princípio da realidade racionaliza os impulsos arcaicos do princípio
do prazer de forma a delimitar, a partir de regras culturais, quais desses
impulsos podem ser satisfeitos, quando podem e onde são aceitáveis. Freud
conclui, portanto, que todo o pensamento humano é, por um lado, conflito e,
por outro, compromisso entre o sistema pré-consciente (princípio de realidade)
e inconsciente (princípio do prazer).
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2.2.4 – A SEGUNDA ESTRUTURA DO APARELHO PSÍQUICO

As 3 Instâncias Psíquicas da Mente para Freud Você sabe como são


categorizadas as instâncias psíquicas e pelo que elas são responsáveis? Não?
Então descubra agora com nosso artigo!

Freud e as instâncias psíquicas No universo psíquico, desconhecemos mais do


que conhecemos. Isso parte da premissa do próprio inconsciente. Uma das
grandes descobertas do pai da psicanálise (S. Freud), foi ter afirmado que
existem processos psíquicos inconscientes. Que, em outras palavras, fica claro
que o que nós sabemos sobre nós é a menor parte do que de fato nós somos.
Para Freud, os nossos processos mentais acontecem de maneira conectadas.
Ou seja, nenhum pensamento, sentimento ou lembrança acontecem por acaso,
de maneira isolada. Isso não acontece por acidente. Por exemplo: quando
alguém diz que não quer, quando na verdade quer – isso não pode ser
constituído de acidente mental. Outro exemplo: quando alguém diz que vai,
quando na verdade não quer ir – isso não acontece por acaso. Mesmo que
pareça que alguns pensamentos ou sensações surjam de maneira espontânea,
há elos ocultos por trás deles que ligam esses eventos mentais com outros que
ocorreram antes. De acordo com Freud, os processos mentais se desenvolvem
de forma contínua, mesmo que as pessoas não estejam conscientes dessa
continuidade entre seus pensamentos e sentimentos.

O consciente, pré-consciente e inconsciente Para entender os eventos


mentais, Freud desenvolveu o que ele mesmo chamou de sistema Ics/Pcs/Cs,
as três instâncias psíquicas. Uma boa metáfora para entendermos melhor esses
eventos é a figura de um ‘iceberg’. A pequena parte que fica na superfície,
poderíamos chamar de consciente.
89

1. O consciente O consciente é a parte da mente que lida com as informações


da qual o indivíduo está ciente em um dado momento. Por exemplo: na
narrativa desta redação, estou dedicando atenção para uma argumentação
sólida, de modo a estabelecer relações entre informações novas e as que já
tinha sobre o assunto em apreço. O consciente agrega as informações que se
deseja, de forma intencional em um dado momento. No entanto, o consciente
é apenas uma pequena ponta do iceberg, em outras palavras, uma pequena
parte da mente. Retomando a metáfora do iceberg, existem ainda partes
menos expostas desse ‘iceberg’ que Freud chamou de pré-consciente e
inconsciente. Por assim dizer, eles estão submersos nos eventos mentais. A
parte mais profunda desse iceberg é o inconsciente.

Como o consciente funciona enquanto uma das instâncias psíquicas? É nessa


parte do processo mental que ocorrem eventos que nunca foram conscientes e
que não podem ser acessados pelo consciente. É nessa parte profunda – no
inconsciente – , que ficam armazenadas informações excluídas do consciente,
onde elas não podem ser lembradas pelo fato de terem sidas reprimidas ou
censuradas. Por exemplo, lembranças traumáticas, que uma vez armazenadas
no inconsciente podem influenciar indiretamente a vida mental do indivíduo,
sem jamais serem lembradas novamente. Segundo Freud, uma vez que não há
descontinuidade da vida mental, e que embora não se tenha clareza sobre as
coisas que estão no inconsciente, os pensamentos e sentimentos que surgem,
aparentemente sem sentido, estão relacionados com pensamentos e
sentimentos anteriores, ainda que esses elos estejam no inconsciente.

2. O pré-consciente Voltando à metáfora, vemos o que Freud chamou de pré-


consciente, que pode ser definido como uma porção do inconsciente que, com
facilidade, se torna consciente. Na figura do iceberg, ele seria o equivalente à
parte central ou à parte que está submersa ao nível da água, e que pode ser
90

acessada com facilidade. As memórias acessíveis são um bom exemplo do pré-


consciente. Por exemplo, o que se aprendeu em determinada aula, qual foi o
assunto que se conversou com determinado colega, qual o número do telefone
do amigo ou ainda, o que se comeu durante o café. É no pré-consciente que
acessamos as lembranças e as memórias mais recentes.

Como essa instância psíquica atua? O pré-consciente funciona como um filtro


entre o inconsciente e o consciente, e essa tarefa é essencial para o bom
funcionamento da vida mental. Essa é a primeira tópica de Freud, sintetizada
como instâncias psíquicas, onde ele apresenta as teorias do consciente, do
inconsciente e do pré-consciente e que, nesse caso, para ele, a parte mais
importante nesse processo é o inconsciente, o que na metáfora é a maior parte
do iceberg. Para Freud, o inconsciente era a parte ser dissecada, estudada com
profundidade, onda havia muita coisa a ser desvendada.

3. O inconsciente Hoje já é provado cientificamente, pela neurociência e não


mais por uma teoria, que o consciente usa apenas 5% de capacidade do seu
‘eu’ em força e energia, isso é justamente a ponta do iceberg. A maneira do uso
da força e da energia nesse consciente é racional, ou seja, as coisas têm de
fazer sentido. Tem que existir certa lógica. Nesse sentido, é fundamental que
se construa um processo linear com projetos, metas e sonhos a serem
realizados. Já o inconsciente, usa 95% da estrutura do que é o indivíduo.
Pensamentos inconscientes são infinitamente superiores aos pensamentos
conscientes. Nesse momento, lembramos da parte submersa do iceberg. A
maneira do uso da força e da energia nesse inconsciente é em primeira
instância por associação. Ou seja, retomamos a teoria de Freud, em que ele diz
que não há descontinuidade da vida mental. Portanto, pensamentos e
sentimentos atuais estão relacionados a pensamentos e sentimentos
anteriores.
91

Como o inconsciente funciona enquanto uma das instâncias psíquicas? O


inconsciente faz associações o tempo todo. Através de uma música que se
ouve, de um cheiro que se sente, ou de alguém de quem se fala. O inconsciente
faz associações positivas ou negativas; prazerosas ou traumáticas. Enfim, há
muito do que se estudar do inconsciente, estamos só no começo.

Primeira e Segunda Tópicas de Freud Na obra de Freud, há duas grandes


formas de ver a estrutura da mente: a primeira tópica e a segunda tópica.
Portanto, neste artigo vamos apresentar uma síntese dessas concepções
freudianas. Além disso, vamos também nos aprofundar nas duas tópicas ou
fases teóricas de Freud, reconhecendo os três elementos que compõem a
divisão da mente humana em cada uma dessas fases.

Primeira tópica e Segunda tópica de Freud, teoria estrutural, teoria


topográfica

A Primeira Tópica de Freud: teoria topográfica Na primeira parte da obra de


Freud, chamada de Primeira Tópica ou Teoria Topográfica, o Aparelho Psíquico
é visto como dividido em três instâncias (classes), sendo elas:

 o inconsciente (Ics)
 o pré consciente(Pcs)
 consciente(Cs)

Vale frisar que a expressão “tópica” vem de “topos”, que em grego significa
“lugar”, daí a ideia de que esses sistemas ocupariam lugar (topos) virtual e
funções específicas. Portanto, cada um com função específica dentro do
aparelho.
92

1. O inconsciente (Ics) Essa instância é o ponto de entrada do aparelho


psíquico. Ela possui uma forma de funcionamento regida por leis próprias, ou
seja, que fogem aos entendimentos da razão do consciente. Além disso, é
considerado a parte mais arcaica da psique construídas também de traços
mnêmicos (lembranças primitivas). Para ficar claro, é no inconsciente (Ics), de
natureza misteriosa, obscura, que podem brotar as paixões, o medo, a
criatividade e a própria vida e morte. Nele também é regido o princípio do
prazer. Para finalizar, o Isc não apresenta uma “lógica racional”. Nele não
existem modo tempo, espaço, incertezas ou dúvidas.

O papel dos sonhos no entendimento do aparelho freudiano Os sonhos têm o


papel fundamental no entendimento do aparelho freudiano, pois a
“comunicação” nos sonhos se daria graças ao processo primário e seus
mecanismos de:

 condensação;
 deslocamento;
 e representação.

2. O Pré-consciente (Pcs) Essa instância, considerada por Freud uma “barreira


de contato”, serve como uma espécie de filtro para que determinados
conteúdos possam (ou não) chegar a nível consciente. Entendemos que os
conteúdos presentes no Pcs estão disponíveis ao Consciente. É nessa instância
que a linguagem se estrutura e, dessa forma, é capaz de conter a
‘representações da palavra”, que consiste num conjunto de lembranças de
palavras oriundas e de como foram significadas pela criança. Portanto, o pré-
consciente é a parte que se encontra no meio do caminho entre o inconsciente
e o consciente. Ou seja, é a parte da mente que junta informação em busca de
alcançar a parte consciente.
93

3. O consciente (Cs) O consciente se diferencia do inconsciente pela forma com


o qual é operado através de seus códigos e leis. Ao Cs é atribuída tudo aquilo
que está disponível de forma imediata à mente. Dessa forma, podemos pensar
que a formação do consciente se daria pela junção “da representação da coisa”
e da “representação da palavra”. Ou seja, há um investimento de energia em
determinado objeto e, então, seu escoamento adequado para a satisfação.

A energia psíquica A energia psíquica não está direcionada pelas


representações, ela está vinculada a uma representação específica. Ou seja,
conscientes processos primários (Ics) formam sua comunicação por meio da
organização dessas representações. Desse modo, é possível:

 estabelecer linhas de raciocínios;


 apresentar percepções e ponderações;
 respeito ao princípio da realidade.

Consciente e Realidade Portanto, o consciente é a parte da nossa psique que


tem a noção da realidade do nosso meio ambiente imediato. Ela é a zona
responsável pelo contato com o mundo exterior. Além disso, aqui governa o
princípio da realidade, porque a mente consciente procura um comportamento
adaptado à realidade social, uma vez que esta não se rege pelo princípio do
prazer. Sendo que este é suspenso de forma parcial.

A Segunda Tópica de Freud: teoria estrutural Compreendendo que seu modelo


antigo possuia limitações que impediam um entendimento mais expressivo dos
achados psicanalíticos, Freud propôs uma novo modelo para o aparelho
psíquico. Nesse novo modelo, Freud amplia seu entendimento sobre a
dinâmica das instâncias psíquicas e diz uma nova forma de compreensão,
chamado de: O Modelo estrutural do aparelho psíquico. Nele, Freud vai sugerir
a formulação de um modelo não mais voltado a um entendimento virtual, mas
94

sim de estruturas ou classes psíquicas. Essas estruturas interagem de forma


constante para que ocorra o funcionamento da psíque, que são:

 ID;
 EGO;
 e SUPEREGO.

O ID Dentre as estruturas apresentadas por Freud, o ID é a mais arcaica, sendo


considerado uma espécie de reservatórios de impulsos caóticos e irracionais,
construtivos e destrutivos e não harmonizados entre si ou com a realidade
exterior. Ou seja, é um aglomerado de impulsos (ou pulsões) sem organização e
sem direção. Portanto, o ID tem as seguintes características:

 não faz planos e não espera;


 busca uma solução imediata para as tensões;
 não aceita frustrações e não conhece inibição;
 não tem contato com a realidade;
 busca satisfação na fantasia;
 pode ter o mesmo efeito de uma ação concreta para atingir um objetivo.

SUPEREGOInstância psíquica que através EGO busca controlar o ID, Ou seja, o


SUPEREGO é uma modificação do EGO que ainda não se encontra desenvolvido
o suficiente para atender às exigências do ID. Ele é responsável por imposição
de sanções, normas e padrões, e tem sua formação pela introjeção dos
conteúdos que vem dos pais. Além disso, o SUPEREGO busca a perfeição moral
reguladora e tende a reprimir toda e qualquer infração que possa causar
prejuízo a mente.
95

O superego tem três objetivos:

 inibir (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer impulso


contrário às regras e ideais por ele ditados (consciência moral);
 forçar o ego a se comportar de maneira moral (mesmo que irracional);
 conduzir o indivíduo à perfeição, seja em gestos ou pensamentos.

EGO Para Freud, o nascimento do Ego vem da primeira infância, onde os laços
afetivos e emocionais com os “pais” costumam ser intensos. Essas experiências,
que se figuram na forma de orientações, sanções, ordens e proibições. vão
fazer com que a criança registre no inconsciente essas emoções subjetivas.
Emoções essas que vão dar ”corpo” à sua estrutura psíquica e egóica.

A função mediadora do Ego Constituído de traços mnêmicos antigos


(lembranças afetivas da infância), o Ego possui sua maior parte consciente, mas
também ocupa um espaço no inconsciente. Ele é, portanto, a principal
instância psíquica e que tem por função de mediar, integrar e harmonizar:

 as constantes pulsões do ID;


 as exigências e ameaças do SUPEREGO;
 além das demandas vindas do mundo externo.

O princípio da realidade O Ego se desenvolve a partir do ID com o objetivo de


permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o
mundo externo: é o chamado princípio da realidade. É esse princípio que
introduz a razão, o planejamento e a espera no comportamento humano.
Portanto, a satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a
realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de
consequências negativas.
96

Teoria de Freud completa: Conheça cada uma delas Que o Freud é o pai da
Psicanálise, todos nós sabemos. Mas, e quanto a todas as teorias freudianas?
Você conhece cada uma delas? No artigo de hoje, vamos apresentar para você
a teoria de Freud completa! Venha conhecer e descobrir cada uma delas!

Quem foi Freud? Sigmund Freud foi um médico neurologista. Seu contato com
pessoas com transtornos psicológicos se deu a partir de pessoas diagnosticadas
com histeria, uma doença muito recorrente. Assim, após estudos com esses
pacientes e o uso da hipnose como tratamento, Freud notou que só isso não
era suficiente. Por isso, começou seus estudos e criou a Psicanálise, uma
terapia capaz de solucionar os problemas psíquicos dos pacientes.

Teoria de Freud completa: Associação livre A Associação Livre foi o que deu
início à Psicanálise. Após notar que a hipnose não era suficiente, Freud propôs
que os pacientes começassem a falar livremente, sobre tudo que viesse à
cabeça. Assim, a partir do que o paciente traz à luz da sessão, o terapeuta
poderá buscar sentidos no inconsciente do analisado. Assim,a Associação Livre
é parte essencial da terapia da psicanálise, e também é utilizada para a
interpretação dos sonhos.

A interpretação dos Sonhos Para Freud, os sonhos são uma parte


importantíssima do acesso ao inconsciente, já que é por eles que essa área da
mente se “comunica” com o consciente. Para o método freudiano, tudo é
considerado: sonhar, recordar e contar o sonho. Além disso, Freud apresentava
os sonhos como um caminho para o entendimento do inconsciente, fazendo
com que o paciente tivesse pensamentos e fizesse relações entre o sonho e
esses pensamentos conscientes. Assim, o terapeuta consegue ter um maior
acesso aos entraves do inconsciente. A partir dessas duas técnicas, somos
apresentados aos conceitos de duas tópicas de Freud.
97

Teoria de Freud completa: a Primeira Tópica Na primeira tópica dos estudos


de Freud, ele postulou a existência de três áreas da mente humana: o
Consciente, o Pré-Consciente e o Inconsciente. Vamos entender um pouco mais
sobre eles?

O Consciente O consciente é a parte de nossa mente que lida com tudo que
nós temos acesso e estamos cientes. Assim, tudo que nós temos total
capacidade de lembrança, pensamento e etc.. Assim, o consciente é apenas
uma pequena parte da nossa mente.

O Pré-Consciente O pré-consciente é como um filtro entre o consciente e o


inconsciente. Nele, estão memórias e fatos que, com alguma facilidade, podem
se tornar memórias conscientes. Por exemplo, alguma matéria da faculdade,
que você não precisa lembrar o tempo todo, mas, se necessário, saberá
exatamente do que se trata, é uma memória presente no pré-consciente.

O inconsciente No inconsciente estão presentes a maior parte das memórias


do indivíduo. Assim, lá estão “guardados” todos os traumas, as sensações e os
momentos que nós, mesmo quando queremos muito, não conseguimos
acessar para entender. Você pode ter um medo irracional de cachorro, por
exemplo, e nunca entender o porquê. Isso pois sua mente recalcou uma
lembrança que te marcou muito, que pode ter envolvido tanto um cachorro
quanto uma figura representativa do animal. Além disso, o inconsciente utiliza
mais de 90% de nossa mente, ao contrário do consciente. Ou seja, há mais a se
descobrir sobre nós do que o que de fato já sabemos!
98

Teoria de Freud Completa: a Segunda Tópica Na Segunda Tópica de seus


estudos, Freud separou novamente a mente humana em outras três partes: o
Id, o Ego e o Superego. Você sabe sobre o que cada um é responsável?

O Id O Id é uma área localizada no inconsciente, e é responsável pelas nossas


pulsões de vida e morte, além dos desejos, tanto sexuais quanto aleatórios. Por
exemplo, é o Id que nos manda uma vontade imprópria, de fazer algo que a
sociedade muitas vezes reprime. Por conta de sua necessidade de realizar seus
desejos, o Id não pensa em regras e não pensa em consequências, ele só busca
o prazer.

O Superego O Superego, ao contrário do Id, está presente no nível consciente e


no inconsciente. Assim, ele busca reprimir muitas das pulsões da vida humana.
Por isso, ele é responsável pela censura, a culpa e o medo de ser reprimido.
Suas regras são postuladas no início da infância, quando a criança começa a
entender as proibições dadas pelos pais e pela escola. Ademais, ele é uma
instância reguladora, que define a moral, a ética e a noção de certo e errado. E
para ele não existe um meio termo entre esse certo e errado.

O Ego O Ego é a parte principal da nossa mente, ele se instaura principalmente


no consciente, mas também tem acesso ao inconsciente. Além disso, é
responsável por mediar o Id e o Superego. Ele é guiado pela realidade, por
isso, é capaz de reprimir os desejos do Id, mas também é capaz de minimizar as
represálias feitas pelo Superego. Portanto, o Ego é o meio termo, e é ele quem
nos rege e toma a decisão final em nossas escolhas. Além desses conceitos,
Freud também postulou muitos outros! Continue a leitura para conferir a
teoria completa!
99

Teoria de Freud completa: o Desenvolvimento Psicossexual Freud postulou


que, logo na infância, o ser humano já começa a desenvolver sua sexualidade.
Com isso, implementou a ideia de que as crianças não são “puras” como se
imaginava. Assim, o desenvolvimento psicossexual tem 5 fases, é baseada na
idade, mas não há um consenso de fixação, já que as fases se interlaçam.

Fase oral A fase oral ocorre até o 1º ano de idade, e é nela que a criança
descobre o mundo utilizando a boca, e se sente bem ao ser amamentada.

Fase anal Na fase anal, que ocorre dos 2 aos 4 anos, a criança descobre que
tem poder de controlar suas idas ao banheiro, é a fase do desfralde. Assim, ela
descobre que tem controle dos esfíncteres.

Fase fálica Essa fase é demarcada pela descoberta da região genital, e dura dos
4 aos 6 anos. A fixação em seus genitais faz com que eles busquem formular
teorias, sobre o porquê de umas crianças terem pênis e outras terem vagina.

Fase da latência A fase da latência dura dos 6 aos 11 anos, ou seja, a pré-
adolescência. Nessa fase, a criança busca o prazer em atividades sociais, como
esportes, música, entre outras.

Fase genital A fase genital começa a partir dos 11 anos, ou seja, na


adolescência propriamente dita. Aqui, as crianças e adolescentes começam a
ter impulsos sexuais, por isso, há o início do romance e da busca de formular
um objeto de desejo.Além do desenvolvimento psicossexual, Freud também
postulou a existência de alguns complexos.
100

Teoria de Freud completa: o Complexo de Édipo

O complexo de Édipo ocorre quando o filho menino se sente ameaçado pelo


pai. Isso ocorre pois ele busca ter toda a atenção e carinho de sua mãe, então,
sente ciúmes de seu pai. Esse ciúme o coloca como rival de seu pai, e isso só é
superado com o amadurecimento do Ego, que percebe a imponência do pai, ou
seja, que é mais recomendado que a criança se alie ao pai do que ficar contra
ele. Esse amadurecimento faz com que o filho se identifique com o pai e
desenvolva uma sexualidade madura. O complexo de Édipo ocorre durante a
fase fálica, e o filho menino sente medo de ser castrado do mesmo jeito que
sua mãe foi, já que ela não apresenta o mesmo órgão genital que ele. Ademais,
Carl Jung criou o Complexo de Electra, que é a versão feminina do Complexo de
Édipo.

Teoria de Freud completa: o Complexo da Castração O Complexo da Castração


foi formulado com base no Complexo de Édipo. Esse complexo não diz respeito
à castração física, mas mental, ou seja, os limites impostos à criança. O filho
sente que seus pais, principalmente seu pai, tem o poder de dar limites a ele,
portanto, podem “castrar” seus desejos e pulsões que vem do Id.

Teoria de Freud completa: os Mecanismos de Defesa Por conta da constante


tensão sofrida pelo Ego, ele busca criar mecanismos de defesa para, assim,
diminuir o medo e excluir da consciência alguns conteúdos e memórias
indesejados. Assim, os mecanismos de defesa deformam a realidade e podem,
até, auxiliar no narcisismo, já que mostram ao Ego apenas aquilo que ele quer
ver.

Resistência e Transferência Aresistência é uma barreira que o paciente coloca


entre ele e o analista. Isso funciona como um mecanismo de defesa. Além
disso, a transferência é como um vínculo feito entre o paciente e o analista.
101

Freud entende esse vínculo como uma forma de amor, tal qual o amor de mãe
e filho. Com essa transferência, o inconsciente fica mais acessível.

Conclusão Como você pode notar, as teorias freudianas giram em torno da


mente humana com base no inconsciente e em traumas escondidos. Além
disso, também leva muito em consideração a questão sexual do indivíduo, além
das pulsões sexuais e da libido. Por fim, indico que você aprofunde seus
conhecimentos sobre cada teoria, clicando nos links destacados. Busque, cada
dia mais, expandir sua mente e entender sobre a psicanálise e seu
funcionamento!
102

3 – OS CONTEMPORÂNEOS DE FREUD

15 psicólogos famosos que mudaram a Psicologia A expansão da Psicologia


somente foi possível graças a variadas mentes que contribuíram de forma
brilhante à ciência. No entanto, muitas delas passam despercebidas pela
maioria das pessoas. Que tal conhecermos psicólogos famosos que mudaram a
Psicologia?

1 Mary Ainsworth

2 Burrhus Frederic Skinner

3 Jean Piaget

4 Margaret Floy Washburn

5 Alfred Adler

6 William James

7 Leta Stetter Hollingworth

8 Wilhelm Wundt

Estruturais

Sociais

9 Abraham Maslow

10 John Watson

11 Laura Perls

12 Gordon Allport

A escala de Allport
103

Teoria da autonomia funcional

13 Paul Ekman

14 Aaron Beck

15 Mary Whiton Calkins

Considerações finais sobre psicólogos famosos

1 Mary Ainsworth Ainsworth tinha uma respeitável presença quando o assunto


era a Psicologia do desenvolvimento, área que dominava com facilidade.
Graças a ela, temos um estudo completo sobre o trabalho do apego saudável
na infância e como esse conceito influencia a personalidade. A técnica
conhecida como “Situação estranha” foi um ato pioneiro dela. Consiste em
pegar a mãe e a criança em uma mesma sala e apresentar situações diferentes.
Por exemplo, fazer a mãe sair, um estranho entrar na sala e interagir com a
criança ou ainda depois a mãe voltar e observar a reação do menor.

2 Burrhus Frederic Skinner Um dos psicólogos famosos possuía múltiplas


qualidades acadêmicas e pessoais, algo bastante visto em seu trabalho. Sendo
também filósofo e inventor, Skinner foi um psicólogo respeitado no trabalho da
Psicologia experimental. Ademais, precisamos ressaltar seu papel na defesa do
conductismo, que entende o comportamento como “função de histórias
ambientais de reforço”.

3 Jean Piaget Dentre os psicólogos famosos da lista, trazemos o criador da


epistemologia genética ou Psicologia da educação. A partir dos conceitos que
desenvolveu, Piaget desenvolveu uma ampla proposta para o estudo da
infância e desenvolvimento da inteligência. Embora não seja algo oficializado,
muitos seguidores apoiam a existência da “escola Piaget“. O conceito foi tão
104

difundido que até hoje seu métodos são amplamente utilizados em sala de aula
e educação.

4 Margaret Floy Washburn Margaret desenvolveu um extenso trabalho de


experimento com comportamento animal e em desenvolvimento da teoria
motora. Ademais, em 1894, foi a primeira mulher a receber um PhD em
Psicologia, abrindo caminhos para várias outras. Consequentemente, seu
trabalho rendeu escritos ricos em detalhes e propostas de averiguação do
desenvolvimento dos animais.

5 Alfred Adler O psicólogo austríaco é mundialmente reconhecido por ter


criado a Psicologia do desenvolvimento individual. Nesse contexto, os seus
conceitos mais fundamentais se concentram em complexo de inferioridade,
caráter e conflito do real com as aspirações. Isso deu a ele extensos vislumbres
a respeito do crescimento e mudança humana.

6 William James William James tem o gravado nas paredes da mundialmente


famosa Universidade de Harvard. Isso porque o mesmo foi o primeiro a ofertar
um curso de Psicologia dentro do território americano. Por intervenção dele,
diversos aspirantes à Psicologia encontraram as bases necessárias para
desenvolver suas próprias teorias.

7 Leta Stetter Hollingworth Sendo pioneira na Psicologia americana, Leta


trabalhou amplamente no estudo de crianças superdotadas e inteligência.
Ademais, Leta se esforçou na pesquisa sobre Psicologia feminina, derrubando o
mito da inferioridade intelectual feminina. Ainda que tivesse seus obstáculos,
não cansou até convencer a todos de que as mulheres eram tão inteligentes
quanto os homens. Não somente fez isso, como também acabou com a ideia de
invalidez na menstruação e discriminação de gênero. Dessa forma, o momento
vivido por Leta colocou a prova sua inteligência, determinação e coragem.
105

8 Wilhelm Wundt Considerado um dos fundadores da Psicologia experimental,


Wundt ajudou a dar um impulso à Psicologia geral. Entre as suas maiores
contribuições, temos trabalhos:

Estruturais Wundt ajudou a criar o primeiro laboratório de Psicologia na


Universidade de Leipzig, no Instituto Experimental de Psicologia.

Sociais Além do laboratório, publicou Princípios de Psicologia Fisiológica,


fazendo uma demarcação de seu propósito junto à Psicologia.

9 Abraham Maslow Maslow é um dos fundadores e principais difusores da


Psicologia humanista. Essa proposta deu a ele um espaço de trabalho para
discutir sobre a condição humana em variadas formas. A fim de aperfeiçoar o
seu trabalho, o psicólogo não hesitava em procurar outras fontes que
ajudassem a melhorar o seu trabalho.

10 John Watson John Watson é visto como o fundador do


comportamentalismo, se tornando um dos maiores psicólogos americanos.
Watson contribuiu bastante para o Behaviorismo e mesmo com a diminuição
desse modelo, suas ideias pessoais ainda são utilizadas. Mesmo que tenha sido
um aluno médio na infância, é reconhecidamente notado por seu pluralismo
intelectual.

11 Laura Perls A alemã faz parte dos psicólogos famosos da lista por sua
incrível contribuição à humanidade. Junto com o seu marido, desenvolveu a
Gestalt Terapia, criando um instituto para testar suas ideias. Assim sendo,
obtivemos importantes revelações a respeito do crescimento e personalidade
humana.

12 Gordon Allport Allport foi um grandioso teórico dos traços de caráter,


focando em explicar como as características pessoais nos diferem. Por meio
106

disso, traçou um estudo a respeito da natureza humana quando somos


colocamos em comparação com os outros. Isso ajudou a estabelecer:

A escala de Allport Criada na obra A natureza do preconceito, se tratar de


medir o preconceito dentro de uma sociedade. Nessa proposta, poderia
estabelecer padrões que delimitam os níveis de tolerância dentro de uma
população específica.

Teoria da autonomia funcional Segundo ela, se pode iniciar um


comportamento com uma única motivação e fazer isso perdurar. Entretanto,
mesmo que o comportamento se mantenha, isso acontecerá por outras razões.

13 Paul Ekman Paul Ekman se tornou um dos psicólogos famosos por causa dos
seus estudos sobre expressões faciais e emoções. Através disso, Ekman
construiu a “teoria da universalidade das emoções. O mesmo identificou que
existem sete emoções diferentes que são expressas pela mesma configuração
facial.

14 Aaron Beck Aaron tem um trabalho espetacular dentro da psicoterapia


ocidental, a Terapia cognitiva, sendo amplamente usada hoje. Essa abordagem
foi criada graças às suas pesquisas sobre psicopatologia, psicoterapia, suicídio e
psicometria. Por causa disso, temos um novo vislumbre a respeito dos males
psíquicos que perturbam a grande parte da população.

15 Mary Whiton Calkins Entre os psicólogos famosos, Mary Whiton Calkins é


um dos maiores nomes femininos que existem. Desenvolvendo a técnica de
associação pareada, Calkins impressiona pelos mais de 100 escritos relevantes
à Psicologia. Infelizmente, por razões machistas, ela ficou sem o título de
doutorado já que, em sua época, não era possível para a mulher obter um
doutorado em Psicologia.
107

Considerações finais sobre psicólogos famosos A lista de psicólogos famosos


acima reúne alguns dos maiores nomes da história dessa ciência. De modo
pessoal, cada um entregou brilhantes teorias que conversam diretamente a
respeito da natureza humana. Assim, se hoje somos quem e o que somos, é
graças a intervenção desse grupo e de outros colegas. Essa listagem tem como
objetivo tornar mais popular o nome de algumas personalidades que passaram
despercebidas pelo público. Contudo, não se trata de elencar quem é o melhor
ou pior nem de eleger quem fez mais por nós. Cada um dos profissionais listado
acima tem a sua contribuição pessoal de grande valia apara a Psicologia
enquanto ciência.A fim de que entenda melhor a importância da psicoterapia
deles, se inscreva em nosso curso de Psicanálise 100% online. Por meio dele,
conseguirá entender os laços envolvidos em cada proposta e como eles te
ajudaram a chegar até aqui. Os psicólogos famosos têm um rico material que
deve ser estudado por futuros psicanalistas e o nosso curso é capaz de ajudar
nesse estudo.

Abordagens da Psicologia e Psicanálise Como você já deve saber, a Psicologia e


a Psicanálise são estudadas juntas no mesmo curso de graduação. No entanto,
você sabia que elas não são a mesma coisa? Assim, é possível falar de uma sem
nem mencionar a outra. Levando isso em consideração, nós vamos te explicar
em detalhe quais são as abordagens da Psicologia e quais são as abordagens da
Psicanálise. Confira também quais abordagens as duas áreas compartilham
juntas!

O que é uma abordagem? Para quem já acompanha os nossos textos aqui no


blog, o conceito de abordagem pode não parecer estranho. Contudo, é
necessário ter em mente que muita gente por aqui pode ser leiga, isto é, estar
começando seus estudos em Psicanálise por este texto. Assim, pensando em
nosso público mais leigo, resolvemos explicar em linhas bem breves o que
108

queremos dizer com a palavra abordagem. Para isso, basta você ter em mente
dois tipos de abordagem policial. Ao ver uma pessoa suspeita saindo de uma
loja no shopping, o policial 1 escolhe ABORDÁ-LA imediatamente. Assim, ele
busca ter um contato com a pessoa o mais rápido possível temendo que ela
tenha cometido um crime. Podemos chamar essa abordagem de “agressiva” ou
ainda “despreparada”, já que o policial abordou uma pessoa apenas por
suspeitar que ela seja culpada. Por outro lado, o policial 2 escolhe verificar a
ação da pessoa suspeita nas câmaras da loja. Apenas ao constatar que de fato a
pessoa cometeu o crime, é que o policial faz a ABORDAGEM do suspeito. Veja
que ambas as abordagens possuem riscos. O policial 1 corre o risco de estar
errado, enquanto o policial 2 corre o risco de demorar demais e perder a
oportunidade de apreender alguém culpado. Como entender o conceito de
abordagem aqui No exemplo acima, você viu que abordagem é uma espécie de
aproximação, intimação. Pensando nisso, transfira essa ideia que você já tem
para o ambiente da terapia. Agora, a pessoa que aborda é o terapeuta,
enquanto a pessoa abordada é quem faz a análise. Por outro lado, o abordado
pode nem ser o indivíduo, mas o problema que este traz para a terapia. Tendo
isso em vista, as abordagens da Psicologia e da Psicanálise são distintas. Você
confere 6 exemplos de cada mais abaixo!

Abordagens da Psicologia Em linhas gerais, a Psicologia é a ciência que estuda


o comportamento humano e seus processos mentais. No entanto assim como
existem várias maneiras de abordar uma pessoa quando ela escolhe a
Psicanálise, há diferentes maneiras de fazer Psicologia. Você verá que a
diferença entre as abordagens da Psicologia, nesse contexto, diferem porque
estudiosos diferentes lançaram suas propostas para a área.
109

Psicologia analítica de Jung Embora aqui no blog nós falemos muito de Carl
Jung, seu trabalho se insere nas abordagens da Psicologia e não da Psicanálise!
Isso ocorre porque Jung discordava de vários pontos da teoria de Freud, criador
da Psicanálise. Se quiser ler mais sobre o assunto, nós temos um texto aqui que
discute as diferenças entre Jung e Freud! Não deixe de checá-lo quando acabar
de ler este aqui! Voltando ao tema deste artigo, os principais pontos da
psicologia junguiana são os sonhos e a arte. Para Jung, objeto de estudo
principal são os sonhos da pessoa analisada. Veja que, quando nós sonhamos,
sonhamos com narrativas (histórias). Assim, Jung observou uma relação muito
próxima entre a nossa imaginação ativa, que usamos para sonhar, e a procura
pelo autoconhecimento. Por essa razão, trabalhos seguindo a abordagem
junguiana procuram estimular a manifestação artística dos pacientes. Não raro,
as pessoas acabam desenvolvendo um vínculo profundo com pinturas,
esculturas, desenhos e técnicas de escrita!

Behaviorismo ou Abodagem Analítico Comportamental Não precisamos de


muito espaço para explicar como funciona o behaviorismo. Trata-se de uma
abordagem que estuda o comportamento das pessoas, como o próprio nome
diz. Assim como é possível alterar a resposta de ratos de laboratório quando
são estimulados de maneiras diferentes, aqui crê-se que diferentes ambientes
condicionam as pessoas a respostas diferentes. Um dos grandes nomes
reconhecidos nessa vertente é o de Burrhus Frederic Skinner.

Humanismo No humanismo, temos um esforço do terapeuta com o paciente


para que haja reconhecimento e aceitação de quem se é. Isso ocorre por conta
da afirmação feita por um dos maiores nomes da área: Carl Rogers. De acordo
com ele, “quando eu me aceito como eu sou, então eu mudo”. Esta é uma das
abordagens da Psicologia reconhecida como muito efetiva principalmente com
pacientes que têm problemas com drogas e álcool.
110

Psicoterapia Corporal Na Psicoterapia corporal, a terapia extrapola o


convencional. Quando você assiste filmes sobre o assunto, geralmente pensa
no momento de terapia acontecendo dentro de uma sala. Lá, o terapeuta senta
e fica riscando algumas coisas em um bloco de anotações, enquanto o paciente
chora as suas pitangas. No entanto, nem todo momento de análise ocorre
desse jeito. Na presente modalidade de terapia, o terapeuta responsável trata
dos problemas com conversas nas sessões, mas não é só isso. Durante o
procedimento, há também uma direção tendo em vista modificações corporais,
de postura, respiração e relaxamento das tensões de diferentes partes do
corpo.

Abordagem Cognitivo-Comportamental (TCC) Quando chegamos na


Abordagem Cognitivo-Comportamental, voltamos para o âmbito exclusivo das
palavras. Nessa vertente das abordagens da Psicologia, trabalha-se com as
palavras que refletem uma mentalidade negativa. Pense, por exemplo, naquela
pessoa que sempre está dizendo que não consegue fazer alguma coisa. Se ela
se comprometer com a TCC, será estimulada a ter uma visão diferente sobre si
mesma e as experiências que vivenciou.

Psicanálise Por fim, chegamos na Psicanálise, que é nossa terapia favorita! Não
falamos isso por desmerecer as outras abordagens da Psicologia, mas porque
trabalhamos com a Psicanálise em um curso 100% online. Como você já sabe,
ela foi desenvolvida por Sigmund Freud. Porém, não é possível falar em
Psicanálise sem deixar de citar os desenvolvimentos feitos por outros
estudiosos.

Confira a visão freudiana e as perspectivas que surgiram dela!


111

6 abordagens da Psicanálise

Freud Bom, já que Freud é o pai da Psicanálise, é fundamental começar a falar


das abordagens da Psicanálise começando pelos achados dele. Já adiantamos
que é bastante coisa para estudar em um texto que não pode ser tão longo.
Assim, recomendamos que você leia um de nossos artigos sobre o pai da
Psicanálise. Em linhas gerais, seu trabalho se concentrou no estudo do ego, que
seria o mediador dos nossos impulsos quando lidamos com a realidade. A
teoria por trás de quais são esses impulsos é complexa, mas adiantamos que
sua proposta é bastante pautada no estudo da sexualidade. Além disso, um
método efetivo para lidar com a análise de pacientes era o de Associação Livre,
que despertaria memórias reprimidas.

Lacan Por sua vez, Jacques Lacan trouxe uma vertente mais filosófica para o
conjunto de abordagens da Psicanálise. Para ele, era fundamental estudar a
construção entre o “eu” de uma pessoa e como ela e relaciona com o “outro”
por meio da linguagem.

Winnicott Para Donald Winnicott, por outro lado, era crucial investigar a
relação da criança com sua mãe. Enquanto o ambiente familiar, econômico e
social influenciam diretamente a formação do indivíduo, a relação materna é
mais importante. De acordo com o psicanalista, todos nascemos com um
grande potencial, e os primeiros contatos que temos em vida determinarão o
quão bem desenvolveremos nosso lado emocional.

Klein Enquanto muitos psicanalistas se dedicaram ao estudo de transtornos


mentais em pessoas adultas, Melanie Klein se interessou pela mente das
crianças. Para ela, estudar seus medos, fantasias e angústias era muito
importante e ela conseguiu desenvolver um método lúdico para isso. Assim, se
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hoje podemos fazer psicanálise por meio de brincadeiras, devemos muito do


que sabemos a ela.

Bion Em Bion, voltamos para o âmbito das palavras que vimos lá nas
abordagens da Psicologia. Porém, o psicanalista desenvolveu uma teoria que
ficou conhecida como Teoria do Pensar. Para ele, nossos pensamentos são
maneiras que conseguimos para lidarmos com nossas frustrações.

Psicanálise Contemporânea Por fim, falaremos rapidamente sobre as correntes


da Psicanálise Contemporânea, isto é, a psicanálise como ela é feita hoje.
Tenha em mente que tudo o que apontamos mais acima foi desenvolvendo ao
longo do século XX, de modo que muita coisa já foi alterada. Em linhas gerais, a
proposta contemporânea vai de encontro às emoções reprimidas para
encontrar experiências novas e libertar o que passou.

Sandor Ferenczi: síntese da vida e obra Um dos maiores psicanalistas que


temos registro, Sandor Ferenczi deixou a sua marca no mundo clínico. De
origem húngara, o psicanalista manteve contato direto com Freud, sendo um
de seus colaboradores mais íntimos. Descubra um pouco mais dessa figura tão
importante e o legado que nos deixou.

Origem Seu nascimento se dá na distante Húngria, país fixado na Europa


Central. Ferenczi nasceu membro de família com origem judia. Seu campo
familiar era totalmente voltado para a intelectualidade que marcou a sua
época, algo que ajudou na sua formação. Graças a isso, desde muito jovem
sempre foi estimulado a quebrar barreiras de pensamento, moldando o adulto
que viria a ser. Os pais de Sandor, diminutivo de Alexandre, eram livreiros por
vocação, cuidando cuidadosamente do negócio em paralelo aos cuidados com
a família. Dessa forma, graças a isso, o pequeno desde cedo se ligou a artistas e
pensadores que visitavam a loja dos seus pais. Isso ajudou para que seu
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pensamento florescesse de maneira adequada, lhe atribuindo as características


na parte posterior desse artigo.

Formação de Sandor Ferenczi Sandor Ferenczi se formou em Medicina aos 21


anos de idade na Universidade de Viena, seguindo um curso interessante para
o padrão da época. Posteriormente, dedicou seus esforços na área da saúde e
conseguiu a sua formação em Neurologia e Neuropatologia. Em seguida,
começou os seus estudos com a hipnose, utilizando da ferramenta para agregar
resultados ao seu trabalho. Sandor Ferenczi sempre se mostrou preocupado
com os males que os indivíduos possuíam na época. Desde sempre, trabalhou
constantemente para diminuir a dor psíquica. Dessa forma, graças ao seu
trabalho, muitos pacientes em grave estado de sofrimento encontraram alívio
para os seus tormentos não palpáveis. Para chegar até tal resultado, consultou
e se aproximou de terapias alternativas para uma cura. Isso o aproximou de
seitas orientais e do espiritismo, se encontrando definitivamente com a
Psicanálise. Assim, confortável com as ideias propostas por seu futuro amigo e
mentor, Sandor deu seguimento ao seu trabalho na busca pelas curas mentais.

Características Sandor Ferenczi, ainda que pouco conhecido, é lembrado por


muitos pelas características peculiares que possuía. Assim, não foi reconhecido
só pelo trabalho, mas pelo olhar humano ao analisar os problemas dos
pacientes comove quem hoje estuda sua obra. Por meio dele, é possível
estabelecer alguns parâmetros de conduta, algo que contribuirá ao trabalho
científico.

Veja algumas características do psicanalista húngaro que chamam atenção:

Questionador Muitos comparavam Sandor a uma criança extremamente


sincera. Não por maldade, mas o psicanalista carregava uma ingenuidade nos
seus questionamentos. Dessa forma, por conta disso, não se sentia refreado e
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embaraçava muitos adultos. Lendo sua história, podemos até rir imaginando o
momento.

Ousadia Ferenczi não se sentia intimidado pelo teor dos assuntos com os quais
trabalhava. Sempre se mostrou dedicado às questões mais delicadas da parte
teórica e clínica delas. Contudo, essa dedicação pelo o que não era trabalhado
por Freud chamava a atenção. Graças a isso, Ferenczi se destacou
positivamente e se tornou seu aprendiz preferido.

Muito a frente do seu tempo Enquanto algumas pessoas evitavam abordar


temas considerados espinhosos, como homossexualidade e a mulher, Sandor
os tratava com maestria e delicadeza. Assim, o psicanalista quebrava a barreira
conservadora e preconceituosa da sociedade. Dessa forma, mostrava a sua
genialidade ao tratar abertamente sobre os assuntos sem temer julgamentos
por assuntos vistos como tabus.

Atencioso com quem precisava É notável a sua participação na luta contra a


opressão que pessoas marginalizadas sofriam. Graças a ele, mulheres tinham
seus problemas ouvidos, bem como outras partes excluídas da sociedade. Em
1906, atuou em favor da comunidade homossexual, entregando um texto para
a Associação Médica de Budapeste.

Trabalho Sandor foi um dos amigos mais íntimos de Freud, completando o


seleto grupo que ajudou a alavancar a Psicanálise. Seu trabalho teórico surgiu a
partir daí, dando ênfase no tratamento de pessoas com psicose. Graças a
Sandor, possuímos material para avaliar transtornos de caráter e de narcisismo,
por exemplo. Além disso, o psicanalista cunhou o termo “introjeção”. Na sua
obra “Transferência e introjeção”, Sandor esclarece que a introjeção seria
como um mecanismo de defesa ao indivíduo. Ele esclarece perfeitamente que
cada indivíduo de uma faixa etária se utiliza disso de forma variada. Enquanto
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adultos tentam se proteger, as crianças usam como ferramenta de


crescimento. Até a sua morte em 1933, o psicanalista participou ativamente da
comunidade psicanalítica. Anualmente, publicava materiais que esclareciam e
davam uma roupagem clara aos temas abordados desde o início da sua
pesquisa. Além disso, Sandor também se prestava a trabalhos de análise,
estudando figuras como Melanie Klein e Geza Roheim, herdeiros da Psicanálise.

Movendo os tijolos na estrutura da Psicanálise Como de costume, detalhes


importantes de sua vida não chegam a conhecimento público. Poucos sabem,
por exemplo, que o movimento Kleiniano só cresceu com a ajuda de Sandor. Ao
criar o termo “introdução” dentro da Psicanálise, deu a Melanie Klein as bases
que precisava para reformular a Psicanálise. Assim, graças a isso, foi possível
atender os pacientes regredidos. Dessa forma, isso ampliou bastante o
processo de terapia, fugindo da busca clássica de Freud por casos de neuroses.
Ele também propôs uma maior aproximação entre analista e analisado durante
a sessão. Sandor comprovou que isso acarretaria mudanças psíquicas positivas
na mente do analisado. A empatia, objeto que era comumente evitado na
época, passou a integrar sua pasta de trabalho. Por conta disso, conseguia
resultados efetivos na busca por uma cura. Sandor Ferenczi desafiou o tempo,
as convenções e até ele mesmo em seu percurso na Psicanálise. Seu esforço
contínuo em melhorar o trabalho da psicanálise garantiu um posto merecido
entre os condutores do futuro. Seu trabalho e influência quebram barreiras até
hoje, movimentando positivamente novas descobertas e outros
questionamentos. Contudo, apesar da sua importância, Sandor não é tão
reconhecido quanto merece. Basicamente, muitos não associam o rosto da
figura ao seu trabalho. Ainda assim, devemos destacar a importância deve
revolucionário psicanalítico na ciência. Graças a ele, encontramos a
maleabilidade necessária para tratar de problemas clínicos e aparentemente
sem solução. Inicie um futuro glorioso no campo da Psicanálise. Inscreva-se no
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curso e descubra o porquê milhares de pessoas estarem aderindo seus


ensinamentos. Garantimos um estudo amplo que não deixa de lado figuras
importantes como Sandor Ferenczi, ao passo que nomes com Sigmund Freud
também ganham o destaque devido.

Psicanalista Wilhelm Reich: 20 conceitos Possuindo uma carreira, em partes,


polêmica, Wilhelm Reich foi considerado um dos mais promissores seguidores
de Freud. Apesar das controvérsias e separação entre os estudiosos, o mesmo
seguiu alimentando correntes de pensamento alternativas com o seu trabalho.
Nesse caminho, abordaremos a essência de 20 conceitos estabelecidos por ele.

O princípio da neurose Wilhelm Reich foi um dos discípulos mais fiéis de Freud.
Contudo, isso não significou um seguimento cego aos princípios dele. Isso
porque Reich foi além e descreveu que as origens da neurose se encontravam
em conflitos de poder das relações sociais. Ademais, a reflexão do autor
também se somava a implicações psicológicas e emocionais dos indivíduos.

A repressão se manifesta fisicamente na pessoa Observando a bibliografia de


Wilhelm Reich, chama atenção uma passagem sobre a repressão. Em suma, a
repressão sentida pelo indivíduo era evidenciada em seu corpo em forma de
tensão. Com o passar do tempo, isso acabava por se transformar em doenças e
dores crônicas.

A palavra não tão efetiva Como dito linhas acima, Reich era um dos mais
devotos e seguidores do trabalho de Freud. Contudo, ao contrário de Freud, ele
não acreditava que a repressão seria combatida com apenas o uso da palavra.
Assim, o tratamento também precisaria partir para o campo físico e afetar o
seu corpo de maneira efetiva.
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Repressão X Armadura corporal X Orgasmo A armadura corporal, creditada


como o nosso corpo físico, seria o bloqueio que impede o orgasmo completo.
Desse modo, se livrar de repressões se torna um exercício bastante difícil de
ser realizado.

A importância dos sentimentos livres Wilhelm Reich carregava uma


perspectiva mais sensibilizada em relação aos contatos amorosos. Segundo ele,
é importante amadurecer a livre expressão de nossos sentimentos emocionais
e sexuais. Isso ajudaria no amadurecimento da relação e dos pares
individualmente.

“O sexo é a cura” A energia reprimida registrada por Reich teria como principal
forma de escape as relações sexuais. Wilhelm afirmou que, por meio delas, nós
conseguiríamos ficar livres e a sociedade se transformaria para melhor. A partir
daí, ele criou clínicas voltadas ao tema sexual e começou a advogar sobre sexo,
incluindo a prática para adolescentes.

A formação do caráter individual Observando Wilhelm reich, livros apontam a


elementação do formato do caráter de uma pessoa. Basicamente, ele
representa uma defesa da ansiedade infantil com ligação à sexualidade.
Ademais, também com o medo consequente que viria da punição dessa
sexualidade.

A explosão energética facilita tratamentos Após a aplicação dos tratamentos


propostos por Reich, o indivíduo sentiria sua energia psíquica fluir. Com ela,
recordações e experiências do passado viriam à tona mais facilmente. Dessa
forma, uma sessão de terapia ficaria mais fácil de ser conduzida rumo a um
campo positivo ao paciente.

Orgonomia Assim que chegou em NY, Wilhelm Reich chamou atenção


publicamente ao afirmar a existência de uma energia vital. Ela só poderia ser
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acessada durante o orgasmo e, por conta disso, se iniciou aqui uma “nova
ciência” chamada orgonomia. A energia orgone foi descrita como azul,
podendo ser vista por um microscópio ou um “organoscópio”. Para Reich, essa
energia era universal e espiritual, refletindo o que chamamos de Deus. Caso
diminuísse ou fosse bloqueada, causava:

 Decadência;
 Enfermidade;
 Morte.

As energias tinham sempre um ligação com o sexo Wilhelm Reich tinha uma
persistência sobre o próprio trabalho, alimentando teorias baseadas apenas em
suas observações. Para ele, as energias que encontrou em seu trabalho tinham
ligações diretas com o sexo, incluindo a orgone. Essa, aliás, poderia ser
bloqueada mais intensamente pela pélvis da pessoa.

A energia é universal A energia detectada por Reich não partia de um centro


em específico ou pertencia a qualquer imagem. Ela estaria presente em tudo e
em todos, incluindo o universo e o vácuo do espaço. Foi chamada de “energia
orgônica” e nós canalizamos apenas uma parte dela.

Couraças de caráter As couraças de caráter definem o acúmulo de repressões


de uma pessoa sobre os seus instintos. Em suma, se tratam de nós emocionais
que não são observados e trabalhados com a devida atenção.

Couraças musculares Essas couraças são seguimentos físicos e palpáveis das


couraças energéticas descritas acima. Nesses nós, existe uma tensão física e
perceptível ao indivíduo em determinados pontos do corpo. A solução para
elas seria um tipo de massagem sobre cada região com tensão.
119

Ligação com os chakras Wilhelm Reich pontuou que as couraças se comportam


como que os chakras no corpo humano. Assim como estes, elas também se
agrupariam em sete. Da mais importante para a última, os anéis estão
localizados em:

 olhos,
 boca,
 pescoço,
 tórax,
 diafragma,
 abdômen,
 e a pélvis.

A construção do caráter As excitações sexuais influenciam diretamente o


caráter, de maneira que faça associações e ligamentos com ele. Assim sendo,
essa proposta acaba defendendo a constituição de defesa, já que ajuda a:

 Proteger seu ego da angústia em permanecer entre o Id e mundo


externo;
 Criação da singularidade e identificação do indivíduo;
 Tensão muscular crônica sempre bloqueia campos biológicos.
 Quanto a eles, cólera, ansiedade ou excitação sexual sempre são
interrompidos pela tensão muscular.
 Traços de caráter não são vistos como sintomas neuróticos

Reich classifica sintomas neuróticos como sendo objetos experimentados de


forma alheia em cada indivíduo. Por sua vez, os traços neuróticos são sentidos
como peças integradas na personalidade de cada um.
120

A invalidação da couraça No trabalho de Wilhelm fica evidente que há três


formas de invalidar a couraça. Você pode aumentar a energia corporal pela
respiração, fazer pressão nos músculos para relaxá-los ou lidar com as
restrições emocionais que surgem.

Vegetoterapia A polêmica vegetoterapia consiste em uma massagem em


pacientes seminus para desfazer a “armadura muscular” do indivíduo. Com
essa prática, o propósito de Reich era liberar a energia sexual reprimida e que
gerava os males da humanidade. Contudo, o método recebeu denúncias de
pacientes alegando abusos durante o processo.

Reflexo orgásmico Quando a vegetoterapia funcionava, Wilhelm Reich indicava


a existência de ondas atravessando o paciente. Isso seria resultado do
desbloqueio de sua armadura, o que permite a passagem dessa força. No
entanto, este aspecto do seu trabalho foi e continua sendo bastante criticado,
já que apenas ele conseguia ver isso.

Considerações finais sobre Wilhelm Reich Os conceitos de Wilhelm Reich,


apesar das reações, ajudaram a fomentar outras perspectivas sobre o
comportamento e o funcionamento do ser humano. Os comentários e
amostras polêmicas fizeram parte de sua vida. Contudo, isso não impediu de
prosseguir com suas teorias. Ainda que cause controvérsia, o trabalho merece
um aprofundamento para que se esclareça qualquer mal entendido. Contudo,
note que não estamos pedindo que concorde com todas as iniciativas dele.
Portanto, tire as suas próprias conclusões a partir de uma análise pessoal de
seu trabalho, do outro e de si mesmo.Para que possa fazer isso
adequadamente, se inscreva em nosso curso de Psicanálise Clínica totalmente
online. A proposta é que, por meio dele, você aperfeiçoe o seu potencial e
adquira autoconhecimento como modo de crescer. Ao fim do curso, os
121

conhecimentos adquiridos servirão de guia para observar corretamente os


projetos de Wilhelm Reich e compreender sua proposta para a Psicanálise.
122

CARL JUNG (1875-1961)

Análise do filme Um Método Perigoso, sobre Freud e Jung A relação


conturbada entre Carl Jung e Freud ultrapassou a psicoterapia e chegou até as
telas do cinema. No filme Um método perigoso, vemos as consequências dos
pilares que ambos construíram e como estes se chocam na prática. Vamos
olhar por baixo de como toda a história se desenvolve e como isso impacta em
todos.

Enredo O filme Um método perigoso funciona de forma quase que biográfica


aos dois. O longa aborda a proposta de um dos fundamentos primordiais de
Freud: o não envolvimento de analista e paciente. Contudo, Jung acaba
burlando essa ideia, se envolvendo com a paciente Sabina Spielrein,
extrapolando um envolvimento médico saudável.Isso porque, segundo Freud,
deveria haver uma ética na relação entre os dois para não comprometer o
sucesso da terapia. Com isso, o analista deve se abster dos desejos que seu
cliente nutre por ele, a fim de não satisfazê-lo trivialmente. Entretanto, Jung se
vê em um dilema, pois não pode atrair esse desejo, como também não pode
ocultá-lo.O filme tenta mostrar a dualidade dos três personagens principais, de
modo a explicar suas dinâmicas comuns. Dessa forma, vemos Freud e Jung
como homens comuns, discutindo seus instintos naturais enquanto
psicanalista. Já Sabina é paciente ao mesmo tempo em que mulher. Sua
presença levanta questões a respeito de como nos conectar ou não com
clientes.

A análise Segundo Freud no filme Um método perigoso, a análise deve ser


realizada de forma neutra. A ideia é que a ligação nutrida entre paciente e
psicoterapeuta seja feita de forma imparcial. Isso porque, caso o contrário,
pode comprometer gravemente os resultados almejados. Quando Jung
encontra Sabina, isso acaba ficando comprometido. Gradativamente, Jung e
123

Sabina começam a se envolverem sexualmente, afetando a dinâmica entre


eles. O que chama a atenção é que Jung assume uma postura completamente
oposta ao que Freud indicou, gerando conflitos. Ao invés de se afastar, se
relacionava com a amante e não escondia seus desejos por ela. assim que
Sabina obtém o que quer de Jung, a análise fica comprometida. Tanto que
quando Jung tenta romper o relacionamento, Sabina é acometida por uma
crise. Mais tarde, sabemos que voltam a se relacionar, mas outro rompimento,
agora feito por Sabina, compromete as ações de Jung.

A transferência Uma das abordagens mais evidentes no filme Um método


perigoso é o ato da transferência. Basicamente, é uma troca de impressões
entre paciente e analista, de modo a fazer uma projeção interna sobre ele. Em
relação à Sabina e Jung, fica claro quando:

Projeta seu erotismo nele A paciente mostra ao longo do filme a complicada


relação que nutriu com o pai. Entretanto, isso acabou por despertar as suas
tendências sexuais ao sentir a dor. Quando esta associa a figura de Jung com a
do seu pai, pede para ser punida imediatamente. Sabina projetou nele sua
vontade em obter prazer sexual da forma que conhecia e aprendeu.

Raiva Jung é tentado a todo custo a continuar seus encontros com Sabina.
Entretanto, o mesmo se via num dilema moral, já que era casado e acreditava
na monogamia. Ao presenciar a incerteza, a paciente direciona sua raiva em
seu analista, de modo a machucá-lo como pode. No segundo rompimento,
mencionado mais acima, é ela quem acaba com tudo.

O impasse de Jung Carl Jung é muito bem retratado no filme Um método


perigoso. Ao longo da trama, observamos a sua interação crescente com
Sabina, fomentando os desejos sexuais dela. Podemos observar que se
aproximou dela com a bandeira e métodos errados. Ele esqueceu seu papel
124

como psicanalista e passou a agir como apenas um homem. Psicoterapeutas


não devem se enlaçar com os pacientes para não afetar a terapia, criando
impressões parciais sobre. Tardiamente ele se lembra disso, iniciando uma
situação de conflito em si. Tudo piora quando percebe que está imóvel em
relação aos dois. Enquanto não pode negar o que sente, também não pode se
afastar.O seu envolvimento com Sabina acabou por fomentar ainda mais a
discussão que mantinha com Freud. Este último havia criado uma ética para
assegurar o acompanhamento seguro do paciente. Ao mesmo tempo, permitia
ao psicanalista descobrir tudo o que assombrava esse sem se machucar. Jung
pôs em risco sua própria saúde emocional.

Ligamentos Assistimos Sabina Spielrein, interpretada por Keira Knightley,


mostrada de forma visceral no filme Um método perigoso. A mesma carregava
traumas oriundos do passado que mudaram a sua percepção sobre alguns
objetos inerentes ao nosso comportamento. Por causa disso, fazia associações
do seu presente com o passado, visto em:

Padronização Embora se relacionasse com Jung, em momento algum Sabina


queria ser equiparada a mulher dele. Podemos deduzir que se trata da forma
como as duas foram construídas e como o casamento na época era
encaminhado. Sabina tinha um desejo ávido em apanhar, ainda que não tivesse
feito algo errado. Quando pensava na mulher dele, acreditava que não havia a
mesma ligação, dada á forma como a via. Em suma, Sabina era masoquista e
quando se imaginava como esposa dele, acreditava que não teria o mesmo
prazer.
125

Compulsão em repetir O comportamento de Sabina deriva diretamente da


experiência que teve com seu pai. Isso porque, quando mais nova, ela apanhou
do seu genitor, mas gostou da sensação. Assim que conheceu Jung,
gradativamente, passou a projetar essa figura paterna na figura de seu analista.
Daí quis vivenciar um gatilho tão estimulante e satisfatório a ela novamente.

Comentários finais sobre o filme Um Método Perigoso O filme Um método


perigoso traz um retrato sincero da relação entre analista e analisado enquanto
em consultório. A postura de Jung revela uma contradição na sua composição
em relação ao trabalho realizado. Enquanto psicanalista, tenta conduzir as
coisas como de costume. Enquanto homem, se entrega aos desejos nutridos
pela paciente. Em relação a Freud, Jung o espera na posição de pai projetado e
amigo, não analista. Em meio a isso, espera que ele se humanize,
compartilhando seus sonhos e se mostre mais vulnerável e menos autoritário.
Basicamente, procura por reconhecimento e aprovação, já que Freud
influenciou bastante no seu trabalho e vida.

Teoria junguiana: 10 características Criador do método psíquico analítico, Carl


Jung proporcionou diversas reflexões a respeito da mente humana. Graças a
ele, diversos estudiosos, incluindo Freud, abordaram as mais diversas teorias
que envolvem a psique do ser humano. Sobre Jung, descubra 10 características
da Teoria junguiana e veja o que a diferenciava de outros caminhos.

A Teoria junguiana e as funções cognitivas Carl Jung mostrou que cada um de


nós pensa, experimenta e sente o mundo de forma individual. As funções
cognitivas por ele abordadas se manifestavam em indivíduos extrovertidos e
introvertidos, fazendo parte da sua composição. Além disso, existe uma
espécie de função dominante, onde as outras, menos trabalhadas, acabam
guardadas no inconsciente. São elas:
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1. Como funciona o Pensamento segundo Jung? São as ideias que formulamos


em nossa mente consciente antes de tomarmos qualquer ação. São projeções
psíquicas da realidade, sendo esta real ou não. Assim, é a partir dai que
passamos a compreender melhor o mundo.

2. A importância da Intuição na Psicanálise Junguiana É uma percepção


imediata sobre a realidade, ajudando a pressentir ou diferenciar coisas. Dessa
forma, a intuição possui função independente de análise ou raciocínio.

3. O valor da Sensação Nada mais é do que uma reação a um estímulo feito de


forma externa ou interna. Graças a essa percepção, adquirimos um
conhecimento intuitivo sobre determinado objeto.

4. O Sentimento na Psicanálise Junguiana Essa se mostra como uma forma


disposta de sentir algo emocionalmente. Dessa forma, percebemos e
apreciamos algo de forma interna, em nosso íntimo.

Introvertido X Extrovertido Carl Jung analisa em Tipos Psicológicos, uma de


suas melhores obras, padrões de personalidade e comportamento humano. Na
obra, somos expostos às singularidades inerentes a cada indivíduo. A
percepção junguiana concluiu que isso depende diretamente de cada pessoa.
Isso porque a forma como se utiliza de suas capacidades mentais influencia
nesses aspectos. Para Jung, o ser humano funciona como um ímã emocional,
possuindo dois lados. Assim, cada um de nós reparte a energia e direciona
entre o mundo interno e externo, oscilando em tamanho. A partir daí, ele
formulou o conceito de introvertido e extrovertido, que se resume em:

1. Perfil Introvertido É a pessoa que direciona tudo para o lado de dentro. Isso
porque se sente mais acomodado em ficar nos próprios pensamentos e
sensações que possui. Dessa forma, o mundo de fora não interessa tanto para
ele, visto que o tira da zona de conforto.
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2. Perfil Extrovertido Ao contrário do introvertido, o extrovertido não vê


problemas em se projetar. O mundo externo é a sua casa e é onde ele
pertence. As relações com pessoas e o impacto que causa no mundo o faz se
sentir bem e acolhido no meio.

Nove conceitos-chave na Teoria Junguiana Vamos listar conceitos chave da


Teoria de Jung: resumo. Esses conceitos são portas de entrada para este
verdadeiro universo, que é a obra deste psicanalista. Vamos juntos?!

1. O ego centraliza o consciente O ego é visto como um dos principais


elementos do inconsciente na nossa personalidade, se tornando o seu centro. É
por meio dele que direcionamos nossa vida mais consciente e nos aconselha a
sempre analisar e planejar as experiências. Nesse ponto, Jung se assemelha
Freud, onde ambos afirmam o Ego como catalisador de experiências.

2. Somos criaturas conectadas A Teoria junguiana defendeu a existência de um


inconsciente coletivo, pertencente à toda humanidade. Ela afirma que a
humanidade possui uma herança psicológica que é dividida entre todos os
membros da espécie. Por conta dela, temos acesso a um material psíquico que
não é oriundo de experiências pessoais. Por exemplo, a percepção sobre uma
cidade desconhecida que nunca visitamos, mas imaginamos como é.

3. Máscaras: O jogo de máscaras sociais para Jung A vertente junguiana afirma


que assumimos determinada identidade no inconsciente coletivo para entrar
nele. É uma forma de nos incluirmos naquele meio e nos adaptarmos a ele,
mesmo que seja algo desagradável às vezes. Ela ainda afirma que muitos se
deixam levar por essa máscara e passam a acreditar nessa imagem ilusória.

4. A dualidade da vida Em meados de 1960, Jung afirmou que a palavra


“felicidade” estaria incompleta se não fosse a “tristeza” para equilibrá-la.
Segundo ele, a dualidade é uma parte fundamental desses sentimentos.
128

Ademais, afirmou que é normal fugimos de momentos mais cinzas quando


estamos felizes. Para finalizar, concluiu que a razão nos compele que isso não é
prudente. A melhor forma de enfrentar tudo seria usar a paciência e
tranquilidade e lidar com isso conforme surge.

5. Os Arquétipos em Jung Esse conceito criado à Teoria junguiana representa o


protótipo de algo ou uma impressão. São as primeiras imagens de algo que
justificam o sentido de histórias ocorridas no passado. É por meio daí que
criamos o conhecimento e imaginação sobre o inconsciente coletivo. Em
pacientes, se mostrava como fantasias que não tinham uma origem rastreável.

6. A formação dos Complexos Ainda que a palavra tenha sido propagada por
outros psicanalistas, incluindo Freud, foi Jung quem cunhou o termo. Para ele,
a palavra carregava a ideia de conceitos e imagens exacerbadamente
emocionais que se mostravam como sua personalidade alquebrada. Cada
complexo individual carregava seu próprio arquétipo e se ligavam diretamente
à ideia de alma.

7. O papel central da Libido A Teoria junguiana possuía um conceito particular


sobre a libido. Para ela, libido se mostrava como uma energia adaptativa. A
depender do que era mais importante para a evolução do indivíduo no
momento, era usada na comida, morte e sexo. Freud, por sua vez, afirmava que
essa energia só tinha cunho sexual.

8. Transferência Carl Jung defendia que a transferência continuava sendo um


problema durante a análise do paciente. Entretanto, o mesmo discordava das
ideias formais apresentadas por Sigmund Freud. Para viabilizar o
entendimento, ele usou da metáfora de substâncias químicas diferentes em
composição. Segundo ele, elas mudavam quando se encontravam.Assim
também era o fenômeno da transferência. Ao invés de apenas o psicanalista
129

receber do paciente, segundo Jung, ambos mudavam. A relação entre paciente


e médico era feita por mão dupla, sendo um tráfego colaborativo. É uma marca
da terapia junguiana a forma de conceber a relação analista e paciente. Nesta
relação, não deve existir uma verdade absoluta e não pode haver um controle
autoritário por parte do psicanalista.

9. Psicologia Analítica de Jung A Teoria junguiana enfrentou diversas barreiras


quando foi desgarrada da vertente de Freud. Carl Jung se mostrou um eterno
preocupado em desvendar as trancas da mente humana. Assim, graças a isso,
iniciou um dos maiores movimentos psicanalíticos da história. Seu trabalho
mantém a mesma relevância nos dias de hoje, influenciando a nova geração.
Dessa forma, diante de tudo isso, que tanto atrai estudiosos é a sua maneira
única de abordar tudo o que foi apresentado até então. Seu trabalho ficou
marcado pela sua própria personalidade e profundidade impregnadas nele.
Assim, por conta disso, se difere de tantos outros caminhos. Asim, vale a pena
se aprofundar e chegar mais perto de sua visão. Você, agora, já sabe quem foi
Carl Gustav Jung. Sua contribuição é costumeiramente chamada de Psicanálise
de Jung, Psicanálise Junguiana ou Psicologia Analítica Junguiana.

Formas de escrever Jung, junguiano, junguiana As formas corretas de grafar


são:

 Jung: nome próprio do psicanalista Carl Gustav Jung.


 Junguiano ou Junguiana: pessoa ou corrente de pensamento que seguem
ensinamentos da teoria de Jung.
 São formas incorretas de escrever, embora bastante usadas: Young, Iung,
jungiano, jungiana, Yung, iunguiano, iunguiana.
130

Teoria junguiana e curso de Psicanálise online

Freud e Jung: diferenças e semelhanças das teorias É possível concordar com


uma pessoa em certos pontos e, mesmo assim, discordar dela em outros. A
percepção dessa realidade é um sinal de maturidade e sabedoria. Por outro
lado, apoiar todas as ideias de uma pessoa sem pensar de forma crítica é sinal
de fanatismo. Por isso, neste artigo, iremos tratar dessa questão abordando as
histórias de Freud e Jung.

Breve análise É possível afirmar que avanços científicos só acontecem quando


estudiosos se propõem a analisar as ideias de outras pessoas. Isso porque
sempre há a oportunidade de se apresentar soluções diferentes para um
problema. Além disso, é possível criar uma nova metodologia para lidar com
um assunto. Por essa razão, as grandes áreas de conhecimento possuem
diferentes linhas teóricas. Porque existem pessoas que se propõem a pensar
em alternativas para ideias que estão consolidadas, mas que não estão livres
de críticas. Por isso, neste artigo, nós iremos tratar de Sigmund Freud e Carl
Jung, médicos que, apesar de concordarem em certos pontos, seguiram em
direções diferentes nos seus estudos.

Quem foi Sigmund Freud Sigmund Schlomo Freud foi um teórico que ficou
conhecido pela criação da psicanálise. Se você é um interessado na área, é
fundamental que você conheça as suas principais ideias. Ele nasceu no dia 06
de maio de 1856 na cidade de Freiberg e morreu no dia 23 de setembro de
1939 na cidade de Hampstead. Quanto à sua formação, ele fez medicina na
Universidade de Viena.Os métodos da hipnose e da associação livre recebem
destaque nos seus estudos. Assim, à medida que eles avançaram, Freud
substituiu o primeiro procedimento pelo segundo. Como já foi mencionado, o
médico criou a psicanálise, que é o campo do conhecimento que busca explicar
os mecanismos que governam a mente humana. Com o auxílio dela, é possível
131

curar doenças psíquicas. O tratamento consiste no acesso a informações


guardadas no inconsciente.

Quem foi Carl Jung Carl Gustav Jung é o pai da psicologia analítica. Ele nasceu
em Kesswil no dia 26 de junho de 1875 e morreu em Küsnacht dia 06 de junho
de 1961. Estudou medicina na Universidade de Basileia e trabalhou no hospital
psiquiátrico Burgholzi. Lá, o médico desenvolveu pesquisas sobre o teste de
associação de palavras, o qual ele utilizava para ter o diagnóstico de doenças
mentais.A psicologia analítica recebeu influências da alquimia e da mitologia.
Além disso, Jung foi inspirado pelos estudos de Freud. Esse é um ponto
interessante de ser comentado, porque apesar de ambos concordarem em
certas questões, ainda assim, Jung deu ideias que muitas vezes contrastaram
com as visões freudianas. Tendo isso em vista, iremos apontar agora algumas
semelhanças e diferenças entre a psicanálise e a psicologia analítica.
Esperamos que a partir dessa diferença, você possa perceber que é possível
desenvolver pensamentos a partir da ideia de outras pessoas, sem precisar
concordar de forma total com elas.

Semelhanças e diferenças entre Freud e Jung

Jung não era psicanalista De início, é importante afirmar que apesar de Jung
ter sido inspirado pelas ideias de Freud, ele não foi um psicanalista. O
estudioso criou a psicologia analítica, dando origem a uma nova área de
conhecimento. Ambos estudaram o inconsciente. Além disso, um dos aspectos
que ambos deram importância em seus trabalhos é o inconsciente. Apesar de
os dois teóricos tratarem dessa instância psíquica em seus estudos, eles a
abordaram de formas diferentes.
132

Para Freud, a psique humana é composta pelo:

 inconsciente;
 pelo pré-consciente;
 e pelo consciente.

Quanto ao inconsciente, Freud afirmava que ele abrigava os conteúdos


ameaçadores que foram reprimidos pelo pré-consciente e pelo consciente.
Segundo ele, os nossos comportamentos são influenciados por essa instância
psíquica. Além disso, ele entendia que era possível trazer esses conteúdos
reprimidos à consciência a partir da técnica da livre associação. Esse método
consiste em pedir para o paciente dizer tudo o que lhe vem à mente,
considerando cada informação dita por ele como relevante.

A psique humana

Freud e Jung tinham entendimentos diferentes sobre a forma como a psique


humana é constituída. De acordo com a psicologia analítica, a psique humana é
composta pelo:

 consciente;
 pelo inconsciente pessoal;
 e pelo inconsciente coletivo.

Assim, para Jung, o inconsciente era dividido em duas camadas e existe uma
relação entre o inconsciente pessoal e a produção dos sonhos.

Inconsciente coletivo O inconsciente coletivo, por sua vez, é um ponto de


discordância entre a psicanálise e a psicologia analítica. Freud apenas
considerava a camada pessoal do inconsciente. No entanto, para Jung, o
inconsciente coletivo é a camada mais profunda da psique humana. Ele é
composto por materiais comuns a todos os seres humanos. De acordo com a
133

teoria junguiana, o inconsciente coletivo é a herança de experiências que foram


se repetindo nas gerações ao passar do tempo. Essa é a explicação para a
existência de mitos e religiões.

Considerações finais Nosso intuito ao informar as semelhanças e as ideias de


Sigmund Freud e Carl Jung sobre o inconsciente é mostrar que a psicologia
analítica foi criada a partir de semelhanças e discordâncias entre os estudiosos.
Assim, como você pôde ver, Jung concordava com a ideia de inconsciente, mas
criou o próprio conceito de inconsciente coletivo. É importante que as pessoas
possuam a habilidade de pensar de forma crítica. Assim, elas não irão cair no
erro de concordar de forma cega com os pensamentos de alguém, mas
também não vão se precipitar em descartar as ideias alheias.

Lista de Arquétipos: os 8 arquétipos para Jung O ser humano geralmente


procura algum padrão que explique as suas motivações, os seus
comportamentos e as suas reações. Percebe-se isso no interesse de muitas
pessoas pelos signos ou pelos tipos de eneagrama. Se você também é atraído
por essas formas de autoconhecimento, se informe também sobre a lista de
arquétipos de Jung.

Carl Jung e a lista de arquétipos Carl Gustav Jung era um psiquiatra que
também acreditava na existência de padrões emocionais e comportamentais.
Para ele, esses modelos (os quais ele nomeou de arquétipos) não surgiram do
nada. Jung acreditava que eles são expressão do nosso inconsciente coletivo.Se
tudo está muito obscuro para você, fique tranquilo porque nós iremos explicar
tudo de forma clara. No entanto, antes de falar da lista de arquétipos, vale a
pena apresentar brevemente a biografia de Jung. Assim, você entenderá
melhor porque esse homem aprofundou os seus estudos nesse assunto.
134

Quem foi Carl Gustav Jung O criador do conceito de arquétipos foi um


psiquiatra suíço, que nasceu em 1875 e morreu em 1961. Ele estudou Medicina
na Universidade de Basiléia e direcionou os seus estudos para a área de
psiquiatria.Um dos interesses de Jung era entender qual é o significado
simbólico do conteúdos do inconsciente. Essa questão o levou a fundar a
Psicologia Analítica. Em seus estudos, ele desenvolveu técnicas para estudar a
relação dos sonhos e dos desenhos com o inconsciente humano. Além disso,
ele também pesquisou os tipos psicológicos (introversão e extroversão) e
explicou o que são os complexos. Jung ainda criou o conceito de inconsciente
coletivo, conceito a que daremos maior destaque neste artigo. Isso porque é a
partir dessa ideia que pode-se compreender o que é o arquétipo.

O que é o inconsciente coletivo Segundo a psicanálise, a psique humana é


composta pelo consciente e pelo inconsciente. Jung complementou essa ideia
ao afirmar que o inconsciente também é dividido em duas camadas; uma
pessoal e outra coletiva. Ele acreditava que o inconsciente pessoal armazena
informações esquecidas e memórias reprimidas de um sujeito. Com relação ao
inconsciente coletivo, Jung acreditava que o homem não nasce uma tábula
rasa. Para ele, nós chegamos no mundo munidos de padrões de
comportamentos que foram formados a partir de repetições de experiências
vividas por várias gerações e que ficaram guardadas no nosso inconsciente
coletivo.

Os arquétipos são compartilhados pelos seres humanos Assim sendo, para


ele, todos os seres humanos compartilham de certas formas de lidar com as
experiências do seu cotidiano. Por essa razão, é possível encontrar o mesmo
arquétipo em diferentes lugares do mundo e em culturas diversas.Vale afirmar
também que a nossa personalidade é construída a partir de diferentes
arquétipos. No entanto, alguns padrões se pronunciam mais ou menos em cada
135

pessoa. Por essa razão, quando entendemos os arquétipos que existem em


nós, nós temos um maior conhecimento de nós mesmos.

Lista de arquétipos de Jung Isto posto, vale a pena apresentar aqui uma lista
de arquétipos descritos por Jung. Não listaremos todos porque, de acordo com
o psiquiatra, eles podem ser infinitos. Afinal, o ser humano já teve inúmeras
experiências no decorrer da história. Ainda assim, indicaremos aqui os
principais arquétipos de Jung. Você verá que eles estão bem presentes na
nossa sociedade e inclusive em nós mesmos. Isso porque eles fazem parte do
nosso inconsciente coletivo e motivam em grande medida a forma como nós
nos comportamos.

Persona Esse arquétipo é a imagem que nós passamos de nós mesmos para as
outras pessoas. A persona não corresponde de forma perfeita a quem nós
somos e não revela todos os traços de nossa personalidade. Isso porque ela
está conformada às normas da sociedade.

Grande mãe O arquétipo da Grande Mãe está relacionado aos


comportamentos e às representações que foram feitos da figura materna ao
longo do tempo, que podem ser positivos ou negativos. Assim sendo, a mãe é
vista tanto como fonte da vida quanto como detentora do poder de destruição.

Sombra Esse arquétipo consiste em características de nós mesmos que


escondemos de outras pessoas. Nós não a aceitamos e elas ficam reprimidas
no nosso inconsciente. Jung entendia que é necessário reconhecer essas
características para que sejamos inteiros de fato.

Velho sábio O arquétipo do Velho Sábio é a representação da sabedoria. Ele


motiva as pessoas a conhecerem os mistérios da vida e também a procurarem
por pessoas que exerçam o papel de liderança sobre si.
136

Anima e Animus Esses arquétipos são a imagem espelhada do nosso sexo


biológico. Assim sendo, o Animus é a energia masculina que existe na mulher
(lado racional) e a Anima é a energia feminina que existe no homem (o lado
emocional). Pode ser muito difícil para algumas pessoas reconhecerem a Anima
ou o Animus em si.

Herói O arquétipo do herói é aquele que vence os seus objetivos ou então que
é subjugado. Ele frequentemente busca reprimir a sombra a fim de alcançar o
bem da sociedade.

Self Esse arquétipo é uma tendência que nós temos de buscar o estado de
autorrealização, autoconhecimento e equilíbrio.
137

MELAINE KLEIN (1882-1960)

Resumo da teoria de Melanie Klein

Você já ouviu falar sobre Melanie Klein? Sabe quais foram as suas contribuições
para os estudos da Psicanálise? Sabe quais as suas diferenças para com a
Psicanálise de Freud? Não? Então confira agora o resumo da teoria dessa
mulher pioneira no estudo da psicanálise em crianças!

A trajetória de Melanie Klein Chegando à Inglaterra em 1926, Melanie Klein


(1882-1960) passou a trabalhar com Ernest Jones. A sua teoria psicanalítica
divergiu e diferenciou-se das teorias de Freud em alguns pontos. Dentre eles,
está o fato de que ela deu muito mais atenção às crianças do que Freud. Por
outro lado, é importante considerar que Melanie Klein sempre se considerou
como uma seguidora de Freud. Inclusive, ela sempre fez questão de expor isso.
Entretanto, Melanie propôs inovações, ao ter dedicado parte de seu estudo
psicanalítico às crianças. Diferente de Freud, que não acreditava que isso fosse
possível. Por outro lado, um dos maiores desapontamentos de Melanie foi o
fato de Freud ser indiferente em relação a seus trabalhos. Anna Freud também
desenvolveu um trabalho psicanalítico sobre crianças. Entretanto, o estudo de
Melanie sobre crianças é bastante diferenciado do mesmo trabalho
desenvolvido por Anna Freud. Melanie Klein desenvolveu um novo ramo da
psicanálise. Assim, sendo as crianças o foco de parte de seu estudo. Ela
desenvolveu uma terapia, por meio do jogo, para tratar de crianças a partir de
dois anos, através da ludicidade. Diferente de Freud, Melanie também atribuía
maior importância às primeiras fases do desenvolvimento da criança. Ou seja,
fases anteriores ao complexo de Édipo. Ela afirmava que os primeiros estágios
da vida psíquica eram muito mais importantes do que declarou Freud em seus
estudos. Os estudos de Klein acabam, assim, indo além da própria psicanálise,
sendo também pertinentes a outras áreas. Inclusive à educação e no que
138

concerne ao desenvolvimento infantil. O seu trabalho foi e ainda é considerado


como muito importante, principalmente após a morte de Freud. Inclusive,
diversos estudiosos da área, na época da morte do pai da psicanálise,
apontaram-na como a sua sucessora.

As principais contribuições de Klein à psicanálise As contribuições de Melanie


Klein para a psicanálise vão além de seu estudo voltado para as crianças.
Dentre essas contribuições, algumas são consideradas como conceitos
clássicos, são eles:

1. Conceitos a respeito das etapas mais primitivas do desenvolvimento


psicossexual.

2. Conceito de posição.

3. Conceitos sobre a formação do ego e do superego e conceito a respeito da


situação edipiana.

4. Conceito de mundo interno.

5. Novo status dado ao objeto e sobre as relações internas de objeto.

6. Conceito dos mecanismos de introjeção e projeção. Ou seja, os quais são


tidos como atuantes desde o início da vida psíquica em bebês. Esse conceito foi
desenvolvido intensivamente, a posteriori, cujos estudos culminaram com a
conceituação da identificação projetiva.

As Diferenças nos Estudos de Melanie Klein Para muitos estudiosos, a


dinâmica a respeito do psiquismo pode ser considerada como a principal
questão que diferencia os estudos de Melanie dos de Freud. Freud teoriza o
desenvolvimento psíquico a partir de três fases. Essas fases, consideradas como
estanques são: a fase oral, a fase anal e a fase fálica. Klein propõe a esse
período uma dinâmica até então não considerada pela psicanálise.
139

Primeiramente, Kein desconsiderava a palavra ‘fase’. Segundo ela, existem


‘posições’ que não terminam e que se alternam durante a vida. Além disso,
para ela, essas posições sequer se sucedem, como defendeu Freud. Na teoria
de Melanie Klein, já no primeiro ano de vida, a criança alterna, em seu
psiquismo, as posições esquizoparanóide e depressiva. Para ela, essas
‘posições’ não terminam, em função de um pretenso desenvolvimento
psíquico. Sendo assim, esse comportamento de alternância se repetirá
constantemente. De acordo com a teoria de Melanie Klein, ou kleiniana, a
posição denominada esquizoparanóide engloba as ansiedades de natureza
persecutória. Já a posição por ela denominou como depressiva dá origem a
todas as ansiedades advindas do estado depressivo. Dessa forma, todos os
problemas emocionais são analisados a partir dessas duas vertentes ou
posições. Para Klein, apenas o equilíbrio entre essas duas posições pode
equacionar o psiquismo. Por meio desse equilíbrio, podem se erradicar
problemas como depressão, esquizofrenias e neuroses.

As Fantasias nos conteúdos patológicos e no trabalho analítico Ademais,


também ficou conhecido o estudo psicanalítico de Melanie Klein desenvolvido
a respeito do que ela denominou como fantasias. Para ela, as mentes
consideradas como normais, assim como as mentes neuróticas, perversas ou
psicóticas possuem fantasias. E isso ocorre em todas as faixas etárias. Com
relação à patologia, o que diferencia uma fantasia de uma mente normal de
uma fantasia patológica é o modo como ela é tratada. Isso inclui os processos
mentais por meio dos quais as fantasias são trabalhadas e modificadas. Assim
como o grau de adaptação do indivíduo ao mundo real. O neurótico pode
possuir uma censura menor ou não satisfatória quanto as suas fantasias. Ele é
considerado diferente conforme mostra mais claramente o que encontra-se
encoberto em sua mente normal. Melanie Klein também defende a
importância do trabalho analítico. Para ela, esse trabalho é uma importante via
140

de acesso à vida fantasmagórica. Segundo Melanie Klein, a função da análise


em crianças tem a mesma função que a análise em adultos. Pelo fato,
principalmente de se embasar a análise na interpretação de fantasias
inconscientes. Além disso, Klein era contra outras funções, como educação e
fortalecimento, expostas por outros estudiosos da área.

As Fantasias nos conteúdos sexuais Freud sempre abordou a questão das


fantasias inconscientes como vinculadas a conteúdos sexuais. Desde quando
iniciou os seus estudos a respeito das fantasias. Ademais, também, Melanie
Klein trabalhou essa questão em suas teorias, inclusive concordando com Freud
em alguns pontos. Para ela, a vida também pode ser concebida como uma luta
constante entre os instintos de vida e de morte. Luta que tem na sexualidade a
base para desenvolver os instintos de vida. Por ouro lado, para Klein a questão
das fantasias de conteúdo sexual podem ser comprovadas em um estágio
posterior da vida. As fantasias continuam presentes na idade adulta, mesmo
que elas se manifestem de forma menos clara do que na infância. As fantasias
sexuais permanecem atuantes na psique do adulto, podendo ter efeitos
inconscientes ou causar distúrbios na vida sexual do indivíduo. Dentre eles a
frigidez e a impotência, por exemplo.

Conclusão Por fim, Melanie Klein faleceu em 1960, depois de muito ter
contribuído para os estudos psicanalíticos. Ademais, classificada como uma
psicoterapeuta pós-freudiana, Melanie foi capaz de evidenciar questões acerca
da mente infantil, mesmo Freud não dando tanta importância para a questão.

Melanie Klein e a técnica do Brincar No desenvolvimento infantil, é muito


importante que as crianças tenham a oportunidade de brincar e conviver com
outras pessoas. Você conhece quem foi e a história de Melanie Klein? Já ouviu
falar sobre a Técnica de Brincar? Não? Então continue a leitura e descubra!
141

Quem foi Melanie Klein? Klein nasceu em 1882, na Áustria. Em 1916, teve seu
primeiro contato com a psicanálise e fez análise com um psicanalista. Assim, a
partir de 1919, passou a se dedicar à psicanálise e se inscreveu na Sociedade de
Psicanálise de Budapeste. Com sua dedicação e estudos, em 1924, Melanie
Klein apresentou seu trabalho sobre “A técnica da análise de crianças
pequenas” no VIII Congresso Internacional de Psicanálise. Melanie Klein lançou
as bases e desenvolveu as técnicas de análise de crianças, possibilitando uma
nova visão do desenvolvimento infantil. Ademais, foi ela também a responsável
por estender o campo da psicanálise clínica, possibilitando o atendimento a
pacientes psicóticos, borderlines e autistas, o que até então era
desaconselhado por Freud e seus seguidores. As descobertas da psicanálise de
Klein demonstram que, já nos primeiros anos de vida, as crianças
experimentam não só os impulsos sexuais e angústias, como também sofrem
profunda desilusões.

Quem começou os estudos da psicanálise para as crianças? O início da análise


infantil não se dá de fato com Klein, mas sim com Freud. Assim, a primeira
análise realizada com uma criança foi a do pequeno Hans, e teve grande
importância por demonstrar que os métodos psicanalíticos podiam ser
aplicados também a crianças pequenas. Este caso clínico, no entanto, não
provém da observação direta de Freud. Coube a ele assentar as linhas gerais do
tratamento que foi efetuado pelo próprio pai do menino. Na opinião de Freud,
ninguém mais poderia persuadir uma criança a falar sobre o que sentia,
acreditando que as dificuldades técnicas em uma análise com um paciente tão
jovem seriam incontornáveis.

Os estudos de Klein sobre a psicanálise para crianças Anos se passaram e a


análise infantil permaneceu inexplorada sem que nenhuma técnica fosse
desenvolvida. Isso aconteceu até que Anna Freud, por um lado , e Melanie
142

Klein, por outro, modificaram a técnica clássica, elaborando seus métodos e


iniciando, cada qual a seu modo, a análise de crianças propriamente dita. Ao
iniciar o trabalho com crianças e bebês na década de 1920, Klein desenvolveu
um novo instrumental de trabalho e , como ocorre frequentemente no
desenvolvimento científico, a estas novas descobertas seguiu-se o uso de novas
ferramentas. No caso da análise de crianças, a nova ferramenta foi a técnica
do brincar. O caráter primitivo do psiquismo infantil exigiu uma técnica
analítica específica, e essa foi encontrada na técnica lúdica.

Diferenças entre outras técnicas e a Técnica do Brincar A diferença entre esse


método e o da análise de adultos é puramente de técnicas e não de princípios.
Assim, estando em conformidade com as mesmas normas e alcançando os
mesmos resultados. A única diferença é que o processo foi adaptado ao
psiquismo infantil. Melanie Klein observou que o brincar da criança poderia
representar simbolicamente sua ansiedade e fantasias. E, visto que não se
pode exigir de uma criança pequena que faça associações livres, tratou o
brincar como equivalente a expressões verbais, isto é, como expressão
simbólica de seus conflitos inconscientes. A importância dada por ela e seus
seguidores ao primeiro ano de vida do bebê, bem como suas descobertas sobre
os mais primitivos estágios de desenvolvimento, acabaram por gerar, em anos
recentes, inúmeros projetos e formas de atendimento paralelas, fora do
âmbito da clínica propriamente dita. Por exemplo, alojamento conjunto de
bebês e suas mães na maternidade, presença dos pais nas enfermarias
pediátricas, intervenção precoce nas relações pais-bebê, projeto “canguru”.
Enfim, um maior cuidado e valorização da tenra infância têm por pano de
fundo ensinamentos kleinianos.
143

A Técnica do Brincar Em seu trabalho com crianças, Klein foi levada a descobrir
que tanto o complexo de Édipo como o Superego já estão bastante evidentes
em uma idade muito mais remota do que se presumia. Tendo isso em vista,
estabeleceu-se as bases da psicanálise Kleiniana e a essência de suas
contribuições, que se resumem a três descobertas fundamentais:

 A existência de um complexo de Édipo precoce


 A existência de uma forma arcaica de superego
 A possibilidade de existência de uma transferência na análise de uma
criança por mais jovem que seja, desde a primeira sessão.

No que concerne ao atendimento clínico, Klein desenvolveu então sua técnica


de brincar particular. Por isso, notou que as brincadeiras das crianças, os seus
jogos, as histórias, encenações que inventam, os desenhos que fazem, tudo,
enfim, podia ser visto e escutado como se fosse o falar do adulto.

A Técnica do Brincar: como a criança expõe suas questões Assim, Melanie


propôs que desde que possamos falar com a criança em sua linguagem e de
forma compreensível, as interpretações dadas a ela podem produzir um efeito
profundo em seu psiquismo. Portanto, proporcionando significativa melhora
em sua vida social, emocional e intelectual. A meta é que a criança alcance, por
meio da técnica do brincar na análise e de suas interpretações, o domínio da
angústia que o aflige. Ou seja, aquilo que lhe rouba a maior parte de sua
energia psíquica e lhe causa sofrimento.

Qual a função do analista focado em crianças? A função do analista de


crianças, segundo as proposições Kleinianas, seria poder ir ao encontro da
angústia, mobilizá-la, recebê-la e, em seguida, ser capaz de formulá-la para a
criança, decodificando em palavras o que ela demonstra. Assim, abrindo
espaço para a simbolização e o pensamento. Ademais, algumas vezes é pelo
144

avesso que a angústia aparece, por intermédio das defesas. Nesses casos, será
necessário nomear e interpretar as defesas para se ter acesso às ansiedades
soterradas e às fantasias inconscientes que as originaram.

Conclusão A tríade composta pela angústia, defesa e fantasia inconsciente


constitui o fio condutor da análise Kleniana. O intenso prazer que as crianças
encontram em seus jogos ocorre não somente por estes gratificarem seus
impulsos de realização de desejos, mas porque o brinquedo permite o domínio
da angústia.
145

DONALD WINNICOTT (1896-1971)

Psicanálise Winnicottiana: 10 ideias para entender Winnicott Donald Woods


Winnicott desenvolveu o seu trabalho terapêutico voltado majoritariamente
em crianças. Por conta disso, a Pediatria ganhou excelentes pilares para a
construção adequada do seu trabalho. Confira uma lista com 10 ideias
propostas pela Psicanálise Winnicottiana e entenda melhor o alance dela.

O potencial humano Segundo a Psicanálise Winnicottiana, todo ser humano


possui potencial ao desenvolvimento. Isso deriva diretamente do ambiente em
que o indivíduo está imerso e cresce. Caso este seja favorável, o ente pode
aproveitar da jornada para caminhar até a parte mais funda de si. Dessa forma,
estará habilitado a exercer toda a sua capacidade.

O desenvolvimento é gradual De acordo com a Psicanálise Winnicottiana, o


desenvolvimento pleno de uma criança se dá por fases dependentes. Os
pequenos experimentam a dependência a fim de caminharem sozinhos a sua
independência quando adultos. Nesse caminho, se dedicam a um padrão que
unifique ao mesmo tempo uma cópia dos pais e sua identidade própria.

A relação do “Eu” dentro da família Como dito acima, o ambiente familiar


promove a construção equivalente do “Eu” no jovem. O mesmo se mostra de
suma importância porque ajuda a integrar as condições de que a criança
precisa para crescer. Isso pode ser observado quando nos atentamos a:

Constante familiar A família é peça chave na construção de uma criança


porque a mesma não se movimenta. O quadro familiar se configura como uma
constante, se mostrando como um pilar fundamental pois não varia tanto. Com
isso, a mesma acaba se sentindo mais segura, pois vive em um círculo sem caos
e bem amigável.
146

Catalisador A família carrega a peça para que a criança possa crescer


adequadamente. Isso porque a mesma tem condições que podem favorecer
em perfeição o desenvolvimento dos jovens. Assim, quando ela é a responsável
por criar um ambiente saudável, está facilitando que o jovem cresça
adequadamente.

Tolerância Infelizmente, não é um requisito universal em todas as famílias.


Contudo, a maioria tem condições de cultivar a tolerância diante de situações
complicadas. Dentro de um ambiente, a criança efetua seus primeiros embates
com as dificuldades, mas continua sendo supervisionada em seus
experimentos.

A ilusão e desilusão materna A Psicanálise Winnicottiana afirma que a mãe


assume uma postura de acordo com as necessidades do bebê. Isso porque a
mesma costuma alimentar suas ilusões, correspondendo ao que este quer.
Todavia, também faz o papel inverso, o desiludindo sempre que necessário.
Tudo é parte da construção do menor enquanto este cresce.

Holding De acordo com Winnicott, o holding é a camada de proteção contra


qualquer ataque fisiológico. Com isso, se verifica a sua sensibilidade táctil, bem
como a certeza de seu desconhecimento mundano. Dessa forma, a mãe tende
a efetuar cuidados a todo o momento para garantir sua segurança. Pegá-la nos
braços é uma forma de amor. Durante a gestação logo após ela, a mãe muda
sua estrutura psicológica que faz com que identifique as necessidades do bebê.
Assim, o holding materno é o que mobiliza o bebê de um estado não integrado
a uma posterior integração. Além disso, o vínculo entre criança e mãe é o que
aloca as bases do desenvolvimento dele de forma saudável.
147

Desenvolvimento psíquico Para simplificar o desenvolvimento psíquico da


criança, Winnicott divide essa passagem em três partes. A ideia é que se olhe
separadamente ao conjunto e depois se faça isso de forma integrada. Ele
começa por:

Integração e personalização Nessa fase, a criança entra em contato direto,


externo e interno com a mãe. Por meio dela que consegue estrutura seus
componentes confusos, bem como o seu ego.

Adaptação à realidade À medida em que cresce, a criança acaba entrando em


contato com o mundo como é de fato. Isso foge totalmente da proteção que a
mãe havia criado anteriormente, filtrando os estímulos que este receberia. Ele
passa a aprender por conta própria como as coisas são realmente.

Pré-inquietude Assim que entende o quanto ela e o mundo são diferentes,


suas fantasias acabam sendo alteradas. Winnicott afirmava que as crianças são
bastante agressivas, mesmo tão pequenas. Por conta disso, luta bravamente
para proteger o objeto externo em detrimento de sua fantasia-mãe.

O self Na visão da Psicanálise Winnicottiana, existe uma figura conjunta que se


configura como um grupo de pulsões chamado de self. Nele está contido
nossas capacidades de percepção, instintos e habilidades motoras, que se
desenvolvem enquanto crescemos. Assim que estivermos prontos, esse
conjunto se unificará interna e externamente. A mãe entra aqui como o agente
responsável por dar ao bebê um ego para auxiliar nesse processo de
integração. Basicamente, isso serve como uma proteção enquanto a criança se
fortalece. A mãe “adequada” ou “boa” é aquela que dá sentindo à onipotência
da criança enquanto esta se desenvolve.
148

Objeto transacional Objeto transacional se mostra como a primeira posse além


do ego da criança. O mesmo se localiza entre a parte interna e externa da
criança, servindo de etapa ao seu desenvolvimento. Ele se liga na dualidade da
separação, se angustiando com ela, mas também lutando contra.

A figura paterna no crescimento O pai começa a ter uma postura mais


proeminente na adolescência, já que passa a exercer autoridade. Entretanto, é
preciso lembrar que o adolescente foi criança. Se na infância ele não viveu em
um ambiente propício a crescer, reviverá emoções alquebradas mal resolvidas.

A relação família-psicose A Psicanálise Winnicottiana defende que é possível


sim desenvolver psicoses na fase adulta. Tudo depende de como esse indivíduo
cresceu no seio familiar. Com isso, se conclui que os problemas mentais se
mostram como sequelas nas falhas iniciais de seu crescimento.

Considerações finais: Psicanálise Winnicottiana Donald Woods Winnicott se


dedicou avidamente a criar um método de estudo que olhasse vagarosamente
à relação mãe-filho. Graças a isso, temos acesso à Psicanálise Winnicottiana,
estudo preciso dos elementos desse ligamento único. Através disso, temos um
vislumbre adequado de como essa conexão e estruturada. Cabe ressaltar a
importância de se fazer uma manutenção correta do ambiente familiar. É
através dele que a criança fomentará os mecanismos que precisa para se
desenvolver adequadamente. Assim, cultivar uma ambientação saudável é que
que dará origem a um adulto equivalente. Esse processo fica ainda mais fácil
quando se tem a Psicanálise como aliada. Através dela, é possível construir os
mecanismos necessários para entender o comportamento de alguém. Dessa
forma, ao cultivar um autoconhecimento em si e nos demais, é possível se
direcionar a um caminho valoroso.
149

Mãe do Século XXI: Conceito de Winnicott na Atualidade Mesmo com o


avanço da sociedade, muitas ideias e ideais arcaicos se mantiveram presentes.
Por exemplo, o ideal de mulher e mãe perfeita, que vive apenas para os filhos e
para o marido. Entretanto, a mãe do século XXI não está sendo constituída por
esse “padrão Amélia”, o que gera conflitos. Além disso, a sociedade patriarcal
se sente ferida quando uma mulher, além de mãe, trabalha fora. Mesmo isso
sendo necessário em tempos de escassez econômica. Você sabe o que o
psicanalista e médico Winnicott aborda sobre essa relação da mãe do século
XXI? Confira agora!

Mãe do século XXI para Winnicott As ressonâncias do pensamento de Donald


Winnicott (1975) sobre o conceito de “mãe suficientemente boa” nunca
ecoaram tanto quanto nos últimos anos. Ao observarmos, por exemplo, os
discursos femininos nas redes sociais, é comum nos depararmos com
expressões como “maternidade real” e “tabu da maternidade”. Isto é, a
questão da dedicação feminina à maternidade tem sido colocada bastante em
evidência e gerando repercussão. Assim, criando novos caminhos para assunto.
Ao longo da história da humanidade, os indivíduos sempre se atraíram com a
ideia da fertilidade, da geração de outras vidas e “seus mistérios”. Em algumas
culturas, inclusive, até hoje os seres capazes de “gerar” ou “gerir” a vida são
adorados e temidos. Dessa forma, a representação da mulher, sempre
associada ao fator reprodutivo e de “cuidadora”, estimula essa vertente
sagrada e quase “sobrenatural” da maternidade. Porém, com os avanços
tecnológicos e ideológicos, a mulher hoje se vê entre a maternidade e precisar
também exercer outros papéis. Por exemplo, o profissional. Assim, a noção de
uma mãe inteiramente entregue aos cuidados do bebê não pode mais ser vista
como antigamente. Então, retornamos ao pensamento de Winnicott, que,
desde o século passado, já pensava a mãe como criadora de um universo em
150

que o bebê já se vê fora de um contexto extremamente protetor. Assim,


passando – aos poucos – a lidar com a frustração e se adaptar ativamente.

O que é ser uma boa mãe? Claro que Winnicott não pretendia ensinar as mães
a serem “suficientemente boas”. Porém, é com conceitos como esse que
podemos levantar a discussão a respeito das representações femininas. E,
principalmente, da maternidade enquanto “realização” da mulher ou como
papel fundamental. Além disso, é necessário trazer à tona a matéria sobre essa
mãe como cuidadora exclusiva. E, além disso, como a única capaz de atender às
necessidades do bebê. Pode parecer, haja vista as vozes que defendem o
“empoderamento feminino”, que há essa noção de que a mulher evoluiu
bastante em sua representação fora da “responsabilidade” fundamental na
maternidade. Porém, não é bem isso que percebemos em discursos atuais. Um
caso público recente que demonstra bem isso é o da apresentadora Sabrina
Sato. Que, no último carnaval, foi amplamente criticada por “deixar” sua filha
bebê para desfilar na avenida. O próprio termo “deixar” já traz uma visão de
como a mulher parece ser uma extensão da criança em seus primeiros meses –
quiçá anos – de vida.

A mãe do século XXI: o machismo e o patriarcalismo O tom adicionado aos


discursos demonstra o quanto a sociedade ainda está distante do que
propagava o médico Winnicott. Porque em seus conceitos, ele discutia a
respeito do papel maternal de “deixar” o bebê aos poucos entender que ele
deve lidar com suas frustrações. E, assim, adquirir resiliência diante do mundo
desde muito cedo. Na visão (ainda machista da nossa sociedade), a mulher tem
uma participação fundamental (é fato, claro) que, portanto, deveria ser
inteiramente exclusiva nos primeiros meses de vida de uma criança. Isso como
se o bebê realmente não pudesse ser responsabilidade de outra ou outras
151

pessoas. Haja vista que a sociedade não cobra tanto do homem, por exemplo,
que sai para trabalhar ou se divertir.

A revolução dos conceitos psicanalíticos sobre o papel da mãe Além de todas


as considerações já inseridas a respeito da “atuação” da mãe, cabe salientar
que, como coloca Alfredo Naffah Neto (2007, p. 225), coube a Winnicott
“…alterar significativamente toda a tradição que o precedeu, impondo-lhe uma
perspectiva, um ponto de vista eminentemente seu”. Dessa forma, a partir das
influências de seus antecessores, o médico inovou ao ter esse olhar sobre a
subjetividade da mulher. Assim, modificando um pouco o que antes colocou
Freud a respeito da mãe dentro da psicanálise. Apesar de muitos séculos de
história entendendo a mãe como aquela que cuida e conforta, e de uma
sociedade eminentemente masculinizada, Winnicott propõe uma reflexão da
mulher com o seu corpo, a sua sexualidade e a maternidade. Isso,
principalmente, na representação da mulher como inseparável do latente
desejo de ser mãe. No trabalho de Winnicott, temos esse refinamento na
psicanálise das “influências” da mãe nos caminhos sexuais e corporais
inconscientes traçados pelos filhos. Ou seja, nas vivências com ela que,
segundo Freud, geram pulsões, compulsões ou transtornos. Porém, o médico
Winnicott relativiza essa relação, sugerindo uma nova postura da mãe. Uma
nova postura para que a criança ganhe mais autonomia e não estabeleça essa
relação de dependência latente.

Conclusão sobre a mãe do século XXI Acerca de tudo o que foi colocado, cabe
ressaltar que Winnicott, com o conceito de “mãe suficientemente boa”, estava
à frente do seu tempo. Porque já estava prevendo uma transformação na
questão da maternidade e da representação da mulher na sociedade. Ou seja,
a mãe do século XXI. Estamos diante de uma questão latente em nosso tempo
e podemos verificar que a visão do médico auxilia as mães e, também, os
152

homens a compreender essa relação. E, assim, podemos repensar modelos


padronizados e estigmatizados da maternidade. Faz-se urgente uma discussão
ampla e geral para que as mulheres possam se livrar da culpa. E, com isso,
praticar a maternidade com liberdade e auxílio masculino. Portanto, sem
cobranças e construindo indivíduos mais autônomos e felizes. Além disso, com
esse avanço das mulheres na sociedade, as crianças poderão ter outra visão da
maternidade. Assim, no futuro, mais mulheres se verão livres das represálias
sociais e com mais facilidade para se libertar. E você, é mãe ou sente vontade
de ser? Como você se sente representando esse papel? Seu companheiro te
acompanha na criação dos filhos? Ou apenas diz que “ajuda”, deixando toda a
responsabilidade para você?
153

WILFRED BION (1897-1979)

Psicanalista Wilfred Bion: biografia e teoria Poucas pessoas conseguiram ir


além em pilares que se acreditavam como completos. Wilfred Bion construiu
um legado marcante dentro da Psicanálise, sendo lembrado por sua
originalidade e ousadia. Nas próximas linhas veremos mais sobre sua vida e seu
valoroso trabalho, entendendo os motivos de sua forte influencia.

Biografia Desde criança, Wilfred Bion parecia destinado a uma vida onde
deveria enfrentar desafios. Nascido na Índia, se mudou para a Inglaterra com 8
anos e começou a estudar em um internato. Ainda que se destacasse
naturalmente dos demais alunos, sentia falta da segurança dos pais e da
própria Índia onde nasceu. Mais velho e já em formação, marcou sua presença
nas duas guerras mundiais, tendo um papel voluntário na primeira. Por sua vez,
a segunda marca sua entrada como psiquiatra, bem como contato com outras
vertentes. Graças a isso, Bion ajudou milhares de soldados a lidarem com os
horrores da guerra enquanto formulava o seu trabalho. Em contato com de
Melanie Klein, Donald Winnicott e Herbert Rosenfeld, Bion iniciou suas próprias
teorias. Isso ajudou a elevar na comunidade Psicanalítica e alçar ao posto de
presidente da Associação do país. Com isso, até os seus últimos anos, trabalhou
arduamente para propagar suas teorias sobre a psicose pelo mundo.

A teoria dos grupos Um dos principais trabalhos de Wilfred Bion visa a


observação do modo de pensar de um grupo. Ao longo dos anos, o psicanalista
aprimorou sua perspectiva em relação à atividade mental de diversos
indivíduos. Ele identificou que isso facilita a interação nos participantes, de
modo que passam a interagir e agirem melhor. Assim, estabeleceu leis gerais
direcionadas a cada configuração grupal, sendo elas:
154

Mentalidade grupal Trata-se de uma ação mental desenvolvida dentro de um


determinado grupo. Ainda que muitos não tenham consciência, acabam
contribuindo para dar forma à ela. Com isso, a mentalidade criada se mostra
mais como um equivalente de demandas pessoais ao invés de uma simples
soma. O conceito de ficar em um grupo revitaliza experiências relacionadas
com fusão, encontro e discriminação. Assim, podemos observar nosso universo
interno em relação a um grupo, bem como as impressões envolvidas.

Grupo de trabalho Para Wilfred Bion, um grupo reconhecido como tal trabalha
sobre o conceito de oposição e interação. Nesse caminho, o grupo se volta às
atividades combinadas dos membros de forma mais consciente. Caso queiram
fazer comparações individuais, se valem do Ego consciente agindo em nível
secundário.

Valência Nada mais é do que a disposição individual para se combinar com os


demais indivíduos. Tudo isso se cruza com a vigência da diretriz básica de cada
atividade proposta pelos membros. Assim que a predominância harmônica de
valências cresce, dá mais força para que o grupo fique coeso. O termo deriva
da Química para explicar seu processo.

Funcionamento psíquico Ainda que realizasse um trabalho primoroso com


grupos, Wilfred Bion também nos enxergava individualmente. O psicanalista
indicava que, enquanto nos grupos, replicávamos processos psíquicos
individuais e internos. Através de uma dualidade funcional, mas conectada,
entregávamos aos grupos o que carregávamos em:

Nível consciente Trata-se da parte mais racional de nossa consciência abraçada


pela realidade interna e externa. Por meio dela, temos controle de nossas
produções enquanto estivermos despertos. Analisando o trabalho de Bion, é
afirmado que se trata de um processo secundário, uma ação específica e
155

consciente. Em suma, é buscada uma identidade psíquica com determinada


experiência relacionada com a satisfação. O indivíduo busca mudar de forma
consciente para se adaptar ao meio externo.

Nível inconsciente Este trabalha diretamente a parte emocional do indivíduo,


sendo regido pelo princípio voltado ao prazer. Além disso, se caracteriza pela
utilização do princípio primário, fazendo deslocamento, deflexão e
condensação. De modo semelhante ao nível consciente, o nível inconsciente
visa evitar o desprazer no indivíduo.

O papel do terapeuta Wilfred Bion era bastante claro em relação ao


comportamento do psicanalista no trabalho. Segundo ele, o processo de
transferência afeta de modo presente a postura do psicoterapeuta. O mesmo
concluiu que o agora carrega uma força gigantesca que não pode ser
manchada. Isso permite ao profissional trabalhar e se concentrar no agora.
Com isso, o psicoterapeuta não deve interferir na vida do paciente fora da
sessão ou consultório. Nesse caminho, as intervenções em relação ao passado
ou futuro devem ser feitas sem arrependimentos ou expectativas. O momento
presente deve ser o único canal importante à terapia e merece a devida
atenção para ser trabalhado. Se isso é respeitado, é possível esclarecer cada
impressão que chega até nós no presente. Dessa forma, os questionamentos
que surgirem encontrarão significados quanto ao que acabou de ser feito e
dito. Em relação à memória, Bion creditava a ela uma falha ao distorcer os
fatos. Já que é sensorial, a percepção atual pode ficar nublada.

Filtro contra a confusão Cabe ressaltar que Wilfred Bion trabalhava


diretamente em prol do seu público e do esclarecimento com eles. Isso porque
se esforçava para que a população enxergasse o controverso como algo útil.
Assim, qualquer pessoa, mesmo com pouca formação, passou a entender
melhor o trabalho da psicoterapia. Isso incluía também o lado místico.
156

Ademais, Bion nos incitava a nos desprendermos do mundo para caminharmos


em nosso ambiente interno. Fugindo de rotas tão lineares, podemos achar mais
respostas de modo flexível e simples. Em suma, o psicanalista indicava que
precisávamos abrir mão do andar em linha reta e acompanhar nuances
conforme necessário. A escuridão interna diminui quando carregamos uma
fagulha da coragem e sede em se conhecer.

Considerações finais sobre Wilfred Bion Observando o trabalho de Wilfred


Bion, podemos considerar ele um grande libertário psicanalítico. Por meio do
seu trabalho, a Psicanálise passou a ser mais recebida por grupos doutrinados a
repudiar o alternativo. Com isso, enxergaram as melhoras que podiam alcançar
com a compreensão e assimilação de novas propostas. Dessa forma, podemos
creditar a Bion o entendimento coletivo da natureza humana. Com esse mapa,
discussões públicas a respeito de nossa conduta ficaram mais ricas e
esclarecedoras. Assim que entendemos os caminhos pelos quais pisamos, os
catalisadores podem ser achados e as consequências medidas em nossas vidas.
Você pode entender melhor as diretrizes de Wilfred Bion se inscrevendo em
nosso curso online de Psicanálise. Por meio dele, encontrará as respostas que
precisa para esclarecer alguns processos sociais da sua vida e dos demais. O
melhor é que o autoconhecimento adquirido pode dar clareza para que se
conheça melhor e entenda suas necessidades pessoais.

Psicanálise Bioniana: Conheça a psicanálise de Wilfred Bion O psicanalista


britânico Wilfred Bion desenvolveu métodos que impactaram profundamente a
Psicanálise como psicoterapia. Foi ele o inventor da dinâmica de grupo,
bastante conhecida das seleções de emprego, causando rebuliço na
comunidade terapêutica, mas os convencendo posteriormente. Entenda mais
alguns aspectos da Psicanálise Bioniana e o que a difere das demais.
157

Sem espaço para argumentos técnicos A Psicanálise Bioniana carrega uma


abordagem mais fluida e impessoal que a maioria. Isso fica na fácil
compreensão que evoca em seus leitores, já que não precisam de intérpretes a
isso. Todo o conhecimento que Wilfred Bion depositou em seu trabalho é
acessível e está ao alcance de todos. Basicamente, uma especie de “Psicanálise
democrática”. Ao contrário de outros métodos, a Psicanálise Bioniana se
concentra em:

Intuição O trabalho é feito de forma menos objetiva, relegando a um canto


caminhos e soluções óbvias ao cliente. A intuição fomenta diretamente a
terapia, de modo a conduzir o terapeuta em alguns pontos que lhe chamam a
atenção. Com isso, aliado ao que o paciente necessita, o mesmo se vale da
parte subjetiva da mente para lhe ajudar no trabalho.

Grau de vivência A experiência do psicanalista como profissional e indivíduo


ajuda diretamente nos resultados obtidos. Isso porque a sua vivência permite
que crie mecanismos adequados para se adequar ao momento presente. Com
base em sua própria vivência, o psicanalista propõe soluções adequadas a fim
de trabalhar a demanda atual.

Empatia para se aproximar de conceitos De certo modo, há um lado


humanista que acaba permeando a sessão de forma direta. A ideia é que se crie
empatia para que se possa fazer uma aproximação de conceitos criados pelo
cliente. Isso permite que o psicanalista entenda de verdade o que evocou a
sessão, transformando conceitos em realizações.

Aberturas sinceras Com o seu trabalho na Psicanálise Bioniana, Wilfred Bion


proporcionou aos leitores abertura ao novo de forma natural. Com isso, tudo o
que era paradoxal passa a ser aceito e melhor visto por quem não tem
formação específica. Inclusive o lado místico de nossa existência, fomentado
158

pela perspectiva de Bion em suas obras e discursos. Além disso, o psicanalista


indica o desapego da memória de mundo a fim de que embarquemos em nossa
escuridão. A ideia aqui é utilizar de outras abordagens para que procuremos
respostas em outras vivências. Isso não é possível quando caminhamos por
uma rota tão linear. Assim, a resposta que queremos pode estar em uma
alternativa avessa.

O poder do aqui e agora A Psicanálise Bioniana traz reflexões profundas a


respeito da postura do psicanalista na sessão. A transferência entre paciente e
ele fomenta essencialmente o “aqui e agora”, influenciando na postura do
terapeuta. A ideia é que o psicanalista trabalhe “sem desejo e memória”, de
modo a se concentrar no momento presente. Dessa forma, o único momento
onde o psicanalista poderia colaborar com o cliente era no encontro dos dois.
Com isso, qualquer intervenção no passado e futuro deve ser posta nos seus
respectivos lugares, sem expectativas ou arrependimentos. Assim, apenas a
presente sessão importava e era a que devia ser trabalhada. Esse contato
presencial daria a luz do que cada impressão poderia trazer para nós no
momento presente. Por meio de questionamentos, buscava significados
quanto ao que acabou de ser dito ou feito. Quanto à memória, Bion indicava
que a mesma distorcia cada fato. Por ser sensorial, isso acabava por atrapalhar
a percepção do presente.

Resultados Por conta da forma que a Psicanálise Bioniana trabalha, muitos de


seus seguidores acabam mudando suas perspectivas. Dada à forma como a
mesma funciona, estes indicam que houveram melhora no trato de seus
cientes, bem como neles mesmos. Isso fica bem refletido na forma como
entregam resultados, graças à:

Percepção aprimorada Um psicanalista tem a habilidade natural de enxergar


os gatilhos que alimentam o comportamento de alguém. Entretanto, a
159

Psicanálise Bioniana consegue expandir um pouco mais a percepção dos


terapeutas. Isso porque é bastante comum que seus seguidores tenham mais
facilidade em perceber aspectos emocionais subdesenvolvidos nas sessões.

Libertação de impulsos pessoais É bastante comum que um psicanalista acabe


reduzindo seus esforços apenas na cura do paciente. Não é um problema, se
isso acabasse não se tornando uma obrigação de cunho pessoal. Segundo o
trabalho de Bion, quando se liberta desse desejo e memória, tudo flui
naturalmente. Isso permite ao psicanalista mais liberdade para exercer sua
tarefa.

Mais satisfação, menos frustração A busca do psicanalista para ajudar o


paciente, eventualmente, pode chegar em rotas desconfortáveis. Cabe
ressaltar que não existe um caminho absoluto para se alcançar a verdade, mas
o trabalho deve satisfazer os dois. Quando se aborda caminhos alternativos,
pode encontrar soluções mais satisfatórias, principalmente aos clientes.

Sem metas Por mais absurdo que soe, a Psicanálise Bioniana é desprendida de
qualquer obrigação a si mesma. Em geral, muitas pessoas criam um extenso
planejamento com o intuito de realizar metas gigantescas. Basicamente, isso se
mostra como um plano de vida, de forma a executar grandes ações em
pouquíssimo tempo. Entretanto, o trabalho de Bion propõe uma rota alternada
para ajudar os pacientes. A ideia é que não se crie um alvo e, portanto, não se
faça uma pontaria sobre. Com isso, o psicanalista acaba por esquecer
propositalmente de uma meta, bem como a sua intenção de atingi-la. Não
existe obrigação e, com isso, muito menos pressão sobre a pessoa. Como dito
linhas acima, a isenção de ter desejos e memória no trabalho permite uma
abordagem e integração mais fluidas. A meta serve apenas integrar em si a
figura da perfeição no que fazemos, nos obrigando a sermos extraordinários.
160

Caso não seja observada, pode comprometer a realização e satisfação com o


trabalho.

Considerações finais: Psicanálise bioniana Wilfred Bion proporcionou uma


abertura mais democrática à psicoterapia e isso fica evidente na Psicanálise
Bioniana. Graças à intervenção dele, o entendimento do comportamento
humano fica mais acessível a qualquer pessoa. Dessa forma, um indivíduo
comum pode compreender as transformações pelas quais passa na vida. Ainda
que de início tenha recebido rejeição, gradativamente a Psicanálise Bioniana
mostrou seu valor. As pessoas passaram a entender que a busca por melhora
deve ser feita de forma compreensível para maior assimilação. Quando alguém
entende os processos pelos quais vive, entende seus catalisadores e como isto
pode reverberar em sua vida.
161

JAQUES LACAN (1901-1981)

Lacan: vida, obra e diferenças com Freud Trabalhando nos recônditos pouco
definidos da mente humana, Jacques Lacan desencadeou uma onda, por vezes
controversa, no mundo da psicanálise. De modo pouco ortodoxo, revolucionou
e conduziu estudos na área e se tornou uma referência, tendo influenciado
outros pensadores de seu tempo.

Origem Nascido em Paris no despertar do século XX, Jacques-Marie Émile


Lacan, o mais velho entre três irmãos, encontrou as melhores condições de
vida possíveis desde o nascimento. Sua família navegava num rio próspero
financeiramente, graças ao trabalho como comerciantes de tecidos e algumas
variações em alimentos. Tais atividades galgaram a família num excelente
posto de classe econômica. Entretanto, em detrimento da prosperidade
econômica, a família carregava conflitos de ordem estrutural e principalmente
religiosa. A avó de Jacques, Marie Julie, fora criada sob preceitos rígidos da
igreja católica e subvertia o marido Émile às vontades dela. Não o bastante,
tentava regrar a vida do filho, Alfred, pai de Jacques, mas isso acendia uma
chama de conflito entre ela e a nora, que demonstrava incômodo com a
situação na mesma altura do autoritarismo da sogra. Estudando em colégio
guiado pelo catolicismo, chamou atenção por desenvolver-se rapidamente no
ensino e trilhou os primeiros degraus em sua extensa jornada acadêmica. Ainda
na adolescência, em meio ao estopim da Primeira Guerra Mundial, se
destacava dos demais por seus pensamentos críticos ao mundo. Foi nesse
interim que encontrou o trabalho do filósofo Baruch Espinoza, que reverberaria
em seu futuro como psicanalista.

Trabalho Contrariando o pai, iniciou os estudos no curso de Medicina por volta


dos 19 anos de idade. Enquanto estudava os mecanismos da mente atuando no
corpo na Neurologia, se dedicava à literatura e filosofia. Isso o aproximava
162

ainda mais de suas tendências surrealistas. Devemos nos ater ao encaixe disso.
O movimento surrealista visa a exploração de planos pouco compreensíveis e
explorados: o inconsciente, o abstrato, o irregular. Lacan, como psicanalista,
encontra um canal pelo canal o seu trabalho flui naturalmente.

Vida pessoal Criados numa casa rompido pelas amarras cristãs, Lacan e seus
dois irmãos seguiram caminhos próprios e se afastaram da família. Enquanto
sua irmã Madeleine Marie Emmanuelle casaria com seu primo e montaria
residência em um país distante, sou irmão caçula Marc Marie ingressaria na
rota religiosa, tornando-se um monge beneditino e passaria a se chamar
François. Lacan conheceu Marie-Louise Blondin, tendo três filhos com ela:
Caroline (1937), Thibault (1939) e Sybille. Ainda casado, entrou em contato
com a atriz Sylvia Bataille. Enquanto Marie-Louise proporcionava um pacato
posto como marido e pai de família, Sylvia o tirava da zona de conforto.
Aceitando Lacan como ele é, era a chave para que o psicanalista aproveitasse
de um lado menos rígido e mais divertido da vida: as noites na burguesia
francesa. O casamento com Marie se dissolveu quando o próprio expôs o caso
com Sylvia, nascendo mais uma filha chamada Judith.

Comparações Devido à influência e o resgate do trabalho de Freud em sua


obra, Lacan é frequentemente comparado ao seu predecessor. Ainda que
trabalhem de maneira complexa, é possível identificar as nuances de cada
pensador. Segundo Freud, o homem responde a sua consciência através dos
seus desejos. Já Lacan afirma que temos que decidir sobre o indeciso.

Freud elabora a teoria de introjeção: a absorção das qualidades de outras


pessoas.

Lacam ensinava unicamente falando Uma das características mais marcantes


de Lacan era o seu ensinamento feito de forma oral. Em vida, publicou apenas
163

um livro, intitulado Escritos, que contém suas reflexões em forma de artigos,


estruturais para a psicanálise. Devido a esse comportamento, discípulos e
admiradores transcreveram suas palestras em seminários. Nesse contexto, são
quase trinta arquivos que servem de pilares à psicanálise moderna.

Características do trabalho de Lacan Ainda que trabalhasse de forma


complexa, Lacan mantinha certos aspectos em seu modo de trabalho. Seu
movimento tornou-se referência pela linguagem abrangente e difícil, por vezes,
de ser interpretada. Vocabulário: adota outro caminho para expor as suas
ideias, diferenciando-se da linguagem usada por Freud. Ele dá poder ao uso da
palavra. Insatisfação gera a busca: o psicanalista afirma que “toda produção
excessiva de conhecimento é o produto de alguém que está na posição de não
sustentar nenhum saber”.

O Outro é real: o trabalho é pautado no argumento de que o inconsciente se


encontra com o consciente em algum momento. O Outro é um lugar específico,
inverso, que nos faz enxergar a nós mesmos. Ao mesmo tempo em que nos
reconhecemos nele, o estranhamos.

O valor da linguagem: o pensador primava pela função da palavra inserida e


conduzida pela linguagem.

Abordagem flexível: o Lacanismo trabalha de maneira não dogmática, não se


prendendo a qualquer padrão de ensinamento.

Atendimento: enquanto a maioria dos psicanalistas trabalhava sob o sistema


que estamos acostumados atualmente, entre 40 minutos e uma hora, o criador
do Lacanismo desenvolveu um sistema menos crítico. Há relatos onde as
sessões duravam poucos minutos, o que escandalizava outros profissionais e
pensadores da época.
164

O inconsciente é estruturado como uma linguagem “A verdadeira diferença


entre uma ideia inconsciente e uma ideia pré-consciente ⸺ um pensamento ⸺
consiste em que o material da primeira permanece oculto, ao passo que a
segunda se mostra envolta com representações verbais… Estas representações
verbais são restos mnêmicos”. Trabalhando e complementando essa citação de
Freud, concluímos que a parte obscura da mente também está à mostra. O
inconsciente de Lacan também está configurado na linguagem, se
manifestando através da fala do indivíduo. Ademais, a linguagem propriamente
dita revela o que não é visível aos olhos, como gestos, comportamentos e
vontades.

Lacanismo O objetivo básico do Lacanismo é entender o que aflige uma pessoa.


O psicanalista pouco intervém durante o desabafo do paciente, evitando
comentários elaborados que possam distrair o inconsciente dessa pessoa
enquanto ela está trabalhando. Ainda trabalhando sob o poder da palavra, o
profissional ouve o que é dito e o que não é. A controvérsia se mostrou uma
característica inerente para Lacan. Desde a infância, desafiava padrões físicos e
comportamentais, mas sempre se sobressaindo, carregando um pensamento
crítico, provocador e desafiador. Era capaz de tirar qualquer pessoa da zona de
conforto. Graças a ele, a psicanálise ganhou roupagem nova, revolucionando
padrões de pensamento e influenciando outros pensadores. Outra
característica que define o seu trabalho é enxergar além do óbvio. Os
ensinamentos do Lacanismo atingem os objetivos através do uso certeiro das
palavras, enxergando as entrelinhas de cada pensamento e traduzindo isso de
forma oral. Notavelmente, como dito algumas linhas acima, escreveu
oficialmente apenas um livro, tendo seus ensinamentos transcritos por
admiradores em rica coletânea. Puxando o gancho da palavra, se gostou do
artigo e quer descobrir mais, fala conosco e conheça os nossos cursos.
Alimentados pela curiosidade, trabalhamos de forma dinâmica, fornecendo
165

abordagens mais criativas durante as aulas, aguçando a visão do aluno para o


mundo que nos cerca.

Terapia Lacaniana: 10 princípios Jacques Lacan, como um proeminente


terapeuta, fez vários questionamentos pertinentes a respeito do seu trabalho
com a mente humana. Por esse motivo, não é nada absurdo falar a respeito da
Psicanálise de Lacan como um estudo a parte das demais modalidades de
terapia que exploramos por aqui. Entenda hoje 10 princípios básicos a respeito
da terapia lacaniana!

A fala é apenas do analisado Um dos principais princípios da terapia lacaniana


é a ausência de intervenção enquanto o analisado fala. O paciente precisa
deixar que todas as suas impressões venham à tona durante a sua sessão. Para
que isso ocorra, um terapeuta lacaniano evita se intrometer nesse processo de
busca interior. Isso acontece porque existe a possibilidade de ocorrerem
interferências no raciocínio lógico e subjetivo do indivíduo. Ainda que procure
ajudar, interromper a fala pode influenciar no que o outro precisa externar.
Essa contaminação vai impedir que o inconsciente formalize a imagem que ele
pede ao paciente para mostrar.

A priorização da linguagem Segundo Lacan, o inconsciente é estruturado como


uma linguagem. O terapeuta primava pela prevalência da função da palavra e o
domínio da linguagem no seu trabalho. Nisso, acaba alimentando uma
identidade própria por ter levado uma premissa básica a outro nível, mas sem
se vangloriar. Jacques reformulou a forma de entender a realidade ao redor
por meio da ideia de significante. O conceito sobre algo era muito mais
importante do que a forma que o concebeu de fato.
166

Focalização no que não é exposto O terapeuta trabalha diretamente sobre


tudo aquilo que o paciente entrega a ele. Em primeira instância, alcançamos a
fala, sendo este o principal canal por onde as angustias caminham. Entretanto,
ser o principal não significa que ele também é único. Nesse caminho, a terapia
lacaniana induz a observar também:

O comportamento Todos nós carregamos uma postura ao nos abrir em


determinado ponto. Isso acontece também quando não escolhemos fazer, de
modo que o silêncio revele muita coisa.

As reações Existem impulsos que mesmo sob controle desencadeiam um série


de movimentos. Quando estamos chocados, ficamos atônitos; se estamos com
raiva, somos agressivos; quando estamos tristes, nos encolhemos. Nesse
caminho, um bom terapeuta se atenta a essas peças e estuda essas reações.

O modo de externar As reações caminham por plataformas de comum acordo


que ajudam a representar o que não é verbal. Por exemplo, se estou triste, eu
não irei rir com isso, a menos que eu queria esconder esse sentimento. Pense
também nas pessoas que utilizam de gestos com as mãos e pés para significar o
que pretendem dizer.

Tempo de sessão Outro ponto a ser visto nos princípios lacanianos é a duração
das sessões quando começam. Freud e os demais psicanalistas trabalhavam de
forma padronizada, de maneira a tornar reconhecido o tempo de trabalho.
Nisso, se propunham a sessões de quase 1 hora ao longo das semanas com o
paciente.

Por sua vez, no trabalho da terapia lacaniana, Lacan administrava sessões mais
curtas do trabalho. Há relatos de que ele já passou apenas alguns minutos com
o paciente e deu por encerrada a visita. Sem contar também que o trabalho era
menos rígido e as técnicas utilizadas eram flexíveis.
167

Simbólico Outro princípio fundamental da terapia lacaniana é a noção do que


se chama de “simbólico”. A linguagem tem o seu centro no imaginário, dando
origem à relação entre o sujeito e o outro. Nesse caminho fica exposto que o
sujeito vai definir ele mesmo por meio do sistema simbólico. Essa parte
simbólica faz relações entre a parte consciente e inconsciente do indivíduo. É
justamente por meio da linguagem que o subconsciente vai se manifestar ao
mundo. A linguagem se mostra como o simbólico, pois somos determinados
através do sistema de representação dos significantes.

Imaginário O imaginário se trata de um sistema para registro psíquico que se


corresponde ao Ego do sujeito. De acordo com Lacan, uma pessoa procura nos
demais se identificar para que consiga se preencher. Todavia, a existência do
outro não tem por função alimentar a imagem que o Ego está desejando. O
tamanho dessa estrutura fica a cargo do registro de referências, sendo este a
base para a sua estrutura. Ele acaba sendo passado por um aglomerado de
posições que acabam representando a dimensão do simbólico.

Real O real se trata de tudo o que uma pessoa não consegue processar no
plano simbólico. Com isso, acaba seguindo dentro dele de modo impenetrável
e sem assimilação. Esse fundamento implica no registro psíquico, mas que não
corresponde ao pensamento de realidade, já que o real é impossível.No que,
segundo essa premissa, a dimensão do real fica independente da descrita da
dimensão do material. Além disso, tal ideia também se aplica à ideia de desejo.

Nó barromeano O nó barromeano nada mais é do que a integração dos três


princípios anteriores: simbólico, imaginário e real. Eles foram agrupados
adequadamente, embora ainda sejam interdependentes enquanto interagem
entre si. Nisso, acabam se caracterizando na desestruturação de dois eixos caso
um deles seja desfeito. Em suma, de forma mais simplista, não há como existir
relação em pares aqui. Ou eles existem e trabalham em conjunto ou nem
168

sequer podem existir. O nó barromeano se mostra como um ponto médio


entre esses três pontos, em que cada um tem relevância igualitária.

Sujeito do inconsciente A Psicanálise lacaniana define a linguagem como peça


estrutural que antecipa o sujeito no meio de desenvolvimento. Ainda que
Lacan tenha feito a gênese, a influência para esse trabalho se dá a Saussure e
Freud. Este último, aliás, nunca ficou escondido como referência para Lacan.
Lacan defende que o indivíduo é constituído e formalizado por meio da
linguagem. Da mesma forma acontece com o seu inconsciente, já que sem a
linguagem ele seria vazio. Ainda por Lacan, essa constituição advém da relação
com o outro.

Alienação Para encerrar os princípios da terapia lacaniana, trazemos uma visão


sobre a alienação. Alienação designa o movimento de colocar um sujeito como
produto da fala de outro. Isso fica visto, por exemplo, na relação entre:

Pais e filhos A criança já nasce rodeada no discurso dos pais onde ela formaliza
suas fantasias e desejos. Neste exemplo, a criança é vista como desejada de
acordo com o discurso escolhido pelos pais. Em casos de alienação parental, a
criança é manipulada para ficar contra um dos pais por interesse do outro.

Alienação social Neste ponto, as pessoas não se sentem ou reconhecem como


produtoras das entidades sociopolíticas. Com isso, oscilam entre aceitar tudo
com passividade, vendo como racional ou natural, ou se rebelam. Nisso, a
sociedade acaba por ser o outro, peça externa e separada de nós que possui ou
não algum poder sobre nós.

Considerações finais sobre terapia lacaniana Pode ser um pouco difícil


elaborar uma lista limitada com os princípios da terapia lacaniana. Isso porque
o trabalho de Lacan possui abordagens quase que infinitas e que merecem uma
atenção especial. Ainda assim, podemos trabalhar alguns pilares e dar partida
169

no assunto. Cabe ressaltar que o terapeuta bebia saudavelmente da fonte de


outras pessoas. Por isso que

Freud e Lacan: 4 semelhanças e 4 diferenças Até hoje existem comparações


entre Freud e Lacan, dois dos maiores psicanalistas da história. Embora cada
um possua abordagem distinta, fica difícil não posicionar suas linhas de
pensamento e ação dentro da Psicanálise. Vamos conferir 4 semelhanças e 4
diferenças entre eles.

Mesmas diretrizes Freud e Lacan foram homens incríveis com propostas


revolucionárias em suas áreas e épocas de atuação. Fica difícil contemplar a
expressão “mestre e aluno”, já que não se tem registros oficiais de um
encontro e ensinamento direto entre os dois. Entretanto, ambos partilhavam
ideias brutas sobre os mesmos temas. Sigmund Freud e Jacques Lacan tinham
diretrizes semelhantes a respeito da estruturação e comportamento humano.
Justamente por isso que a continuidade dada pelo segundo ao primeiro
funcionou tão bem no campo clínico. Essencialmente, as propostas são as
mesmas, embora com estruturações distintas e pessoais.

O inconsciente se constrói como uma linguagem A Psicanálise de Freud e


Lacan deixa bem evidente que a linguagem possui papel vital na construção do
indivíduo. É por meio dela e dos seus representantes que se formaliza uma
ideia sobre tudo o que não temos acesso. As etapas de criação do
desenvolvimento humano se completam, transformam e se traduzem desse
modo. Por causa disso que ambos tinham um empenho vigoroso em
estabelecer padrões em relação a isso. A seu modo, cada interpretou a
natureza obscura da humanidade e como a nossa essência se forma.
170

Os que falam podem acessar o seu inconsciente Apesar de parecer uma


afirmação boba, avaliando o aspecto geral, é algo a ser visto. De acordo com o
trabalho de ambos, somente os que falam podem interagir com o inconsciente.
Isso acaba por refletir em como a Psicanálise não teria efeito em outros
animais além dos seres humanos. Lembre-se que “a cura pela fala” é a
estrutura central do método terapêutico e é por meio desta que tudo é
revelado. Angústia do afeto em Lacan e Freud, corpo e sexualidade em Freud e
Lacan… Abordar esses conceitos sem a fala seria como tentar remar dentro de
um deserto.

A fala é do indivíduo Por seguirem as mesmas linhas de trabalho, Sigmund


Freud e Jacques Lacan respeitavam a linearidade da sessão. Como terapeutas,
evitavam ao máximo intervir na palavra do paciente. A cura pela fala advinha
das palavras do indivíduo, e não do psicanalista. Isso acontecia porque não
queriam interferir no desenvolvimento de raciocínio do outro, evitando
interferências nisso. Assim, sem contaminar o processo de criação do indivíduo,
se tinha mais clareza e originalidade sobre o que este precisava dizer.

O tempo faz parte da terapia Uma das principais diferenças entre Freud e
Lacan se deu no tempo de sessão de atendimento. Embora respeitasse e
tivesse se voltado às origens do método, isso não significava submissão ao
pensamento freudiano por completo. Enquanto outros psicanalistas se atinham
genericamente ao tempo da sessão, para Lacan ele era parte da terapia.Com
isso, o terapeuta estabeleceu que:

 A sessão poderia ser mais flexível Há casos em que algumas sessões


duravam poucos minutos, algo que enfurecia outros estudiosos.
Contudo, Lacan sempre se mostrou satisfeito por sua abordagem mais
fluida diante dos resultados.
171

 O tempo é ingrediente da sessão Um problema somente era trabalhado


na medida em que era necessária uma atenção. Isso porque as sessões
de Psicanálise padrão duravam semana e não menos que 40 minutos por
visita. Ao elaborar um novo sistema, integrou totalmente a abertura
temporal a favor de todos.
 Expansão Fica claro em qualquer ponto a retomada de Lacan sobre o
trabalho realizado por Freud. Este sendo uma de suas principais
referências, tinha um rico trabalho transitando entre completo e
acabado, muito por escolha própria. Este é outro ponto de divergência
entre os dois: Lacan era mais “ousado”, indo além do que uma ideia se
propunha. De concreto, isso fica visível no alcance das ideias iniciais de
Freud, bem como a sua reformulação. Contudo, não é um passe para que
se afirme a relevância ou maioridade de um sobre outro. Dada às
necessidades presentes, cada um reagiu de modo distinto e conforme
com as suas prioridades.

Complexo de Édipo Ambos tinham visões distintas, ainda que na mesma fonte,
sobre Complexo de Édipo. Entre Lacan e Freud, o último tinha uma visão
romantizada dessa época de desenvolvimento infantil. Nisso, se mantinha a
esse trabalho como um fenômeno ou respeito de gênero pela referência de
trabalho. Lacan, por sua vez, olha para esse objeto de forma mais lógica e
estruturada. Nisso, divide em tempos racionais que correspondem à transição
do Imaginário ao Simbólico. Nas palavras dele, “Complexo de Édipo é uma
história definindo o lugar no impossível, não sendo sentimento ou fase, mas
um mito”.
172

Negação Outra diferença entre Freud e Lacan é a abordagem a respeito da


negação do outro. Enquanto Freud se limitava a alguns pontos, Lacan se
propunha a atravessar e explorar outros, como o recalque. para Freud a
negação acontecia através da:

Neurose A neurose é vista como peça psíquica que se liga diretamente com a
angústia. Embora lide bem com suas atividades diárias, é difícil resolver
satisfatoriamente seus conflitos internos. É bastante comum, por exemplo,
sinais de ansiedade e culpa em um indivíduo neurótico.

Psicose A psicose é uma falha que afeta diretamente a percepção e


pensamento de um indivíduo. Com isso, tem dificuldades em reconhecer regras
e lidar com elas. Consequentemente, os psicóticos ficam impossibilitados de
não fazerem ações radicais e não sentem remorso por isso.

Perversão A perversão está ligada diretamente com a busca pelo prazer


constante no indivíduo. Assim, reconhece as regras existentes em um
ambiente, mas as ultrapassa e se sente bem com isso. É um baderneiro, de
modo que goste de derrubar qualquer ordem natural que encontre em seu
caminho.

Bônus: sobre o desejo Para encerrar o texto sobre as diferenças entre Freud e
Lacan, trazemos uma abordagem sobre a questão do desejo. Para Freud, o
desejo é um direcionamento para um vivência satisfatória que acalmou uma
necessidade anterior. Por exemplo, pense na fome no bebê e o desejo dele de
saciá-la. Por sua vez, Lacan aponta o desejo para algo como anseio, cobiça,
construindo o desejo veemente. A anulação do desejo em Freud e Lacan deriva
diretamente das escolhas de estruturação quanto às referências. Embora ele
fosse uma boa fonte para si, Lacan se mostrava independente de Freud a ponto
de formular sua própria perspectiva sobre.
173

Considerações finais sobre Freud e Lacan Compreender as semelhanças e


diferenças no trabalho de Freud e Lacan é tarefa complexa. Em essência,
existem pontos mínimos que diferem ambos psicanalistas. Ainda que Lacan se
estruture na raiz do trabalho de Freud, não quer dizer que tenha feito suas
próprias nuances. Entretanto, fazer uma releitura de ambas as obras é um
convite à reflexão sobre a abordagem terapêutica na humanidade.
Independente de qualquer coisa, fica bastante evidente os progressos
alcançados graças a essas propostas. Ao fim das contas, vale a pena a união de
ambas as mãos em um caminho de entendimento e compreensão.

Estádio do Espelho: conheça esta teoria de Lacan Em raros momentos


questionamos a nossa real imagem no mundo atual, tendo a sensação rápida
de irrealidade. Mesmo que a gente não se lembre, isso começou logo no início
da vida, ajudando em nossa construção social. Entenda melhor a teoria do
estádio do espelho e o seu papel fundamental em nosso crescimento.

O que é o estádio do espelho? Estádio do espelho é o instante mental onde a


criança capta a percepção sobre sua unidade corpórea. Por meio de uma
identificação com a imagem refletida no espelho e de outra pessoa, entende
que ela também é unidade. Assim, cria mecanismos para compreender e
avaliar que também possui imagem e identidade. Basicamente, se mostra
como o momento onde a criança finalmente encontra e entende sua imagem
no espelho. Inicialmente, aquilo se trata de um desconhecido, algo que é
compreendido como o contrário posteriormente. Mesmo sendo tão pequena,
ela percebe que o contato humano é quente e maleável, não frio e liso. Toda
essa descoberta se dá por meio do imaginário da criança, onde intuitivamente
ela compreende a situação onde está inserida. O protótipo desse trabalho
começou em 1931 com Henri Wallon, psicólogo, batizando de “Prova do
174

espelho”. Contudo, foi Lacan que aperfeiçoou o trabalho e deixou pilares


importantes na teoria.

A mão do inconsciente Como aberto linhas acima, Foi Henri Wallon que iniciou
a base do estádio do espelho. Cinco anos depois, Lacan retoma esse trabalho,
mas não sem antes fazer mudanças importantes ao desenvolvimento. Isso
porque Wallon acreditava que o processo era totalmente consciente, à escolha
da criança, mesmo sendo tão imatura. Lacan, por sua vez, instaurou e
preservou a ideia de que tudo ocorre inconscientemente no imaginário infantil.
Segundo ele, o pequeno não tem coordenação motora e potência pela tenra
idade. Ainda assim, é perfeitamente capaz de imaginar a apreensão e controle
de seu corpo. Pode não controlar, mas imagina seu potencial a isso. O corpo,
sua unidade corpórea, é operado através de identificação com a figura do
semelhante em forma total. É ilustrada e elevada por meio da experiência que
o bebê entende sua própria aparência refletida. Dessa forma, o estádio do
espelho seria a matriz do que viria a ser o Ego futuramente.

Construção da personalidade Diariamente, a criança acaba se conhecendo por


meio de quem nutre uma relação com ela. À medida em que cresce, ela passa a
fazer associações e acaba nutrindo percepções em relação a quem interage
com ela. Isso inclui seu próprio nome, já que, auditivamente, ela passa a se
conhecer melhor por meio de uma identidade sonora. Ainda que pareça algo
pequeno, tudo isso colabora para que o seu desenvolvimento flua como
esperado. Entretanto, cabe ressaltar que apenas isso não serve para
individualizar a criança em relação ao seu corpo. Isso vai sendo feito através de
desprendimentos graduais, como o desmame, os primeiros passos e as
primeiras palavras. “Tentei fugir de mim, mas aonde eu ia, eu estava” O estádio
do espelho propõe que a criança faça a construção de uma identificação com
seu semelhante. O seu imaginário trabalha de modo a fazer com que a criança
175

se enxergue através de alguém ou algo. Ao longo de seus momentos iniciais,


isso é feito com a ajuda do:

Espelho Sendo o principal objeto desse artigo, o espelho assume a função


temporária de ponto à criança. Cabe ressaltar novamente que o objeto em si
não tem importância, porém seu objetivo sim. O pequeno se enxerga nele,
acredita se tratar de outro bebê, mas percebe a própria imagem. Isso
desencadeia partes dos princípios em relação à identidade.

A mãe Outra forma da criança se enxergar é por meio da própria mãe. O


contato diário a estimula a buscar pontos de referência na sua matriarca. O
toque, o cuidado, o carinho e as palavras servem de referencial para que a
criança se encontre.

A sociedade O estádio do espelho se estende até os 18 meses


aproximadamente. Nessa época, a criança já está mais acostumada com o vai e
vem dentro de casa. À medida em que mantém contato com diversas pessoas,
ela também tenta se ver refletida nelas. Isso permite a identificação ou
negação de algumas características pessoais.

A busca O estádio do espelho propõe que a criança, mesmo sendo ainda tão
pequena, já inicie uma busca inconsciente por si mesma. O espelho em si não
teria tanta relevância, mas a sua função primária é o que dá o contraste. Por
meio dele, o pequeno inicia uma jornada pretendendo descobrir mais sobre o
que sua mente captou, começando por:

Questionamentos Assim que se depara com o espelho e o objeto refletido


nele, o indivíduo começa a se questionar. De início, pode acreditar que se trata
de outra criança, mas gradativamente essa impressão some. A superfície lisa e
fria, ainda que convença, não se trata de alguém vivo. Com isso, gradualmente,
passa a se identificar nela.
176

Referência Assim como no espelho, o bebê buscará referência quando olha aos
próprios adultos. Inconscientemente, ele visa à identificação da própria
imagem, primeiro de corpo e depois de mente. Isso contradiz em parte que o
desenvolvimento maturacional era o que ajudava na constituição do Eu na
criança. Também depende da implicação com outro alguém.

Fragmentação Enquanto busca se identificar no mundo, a criança acaba por


fazer confusão de si e do outro. Isso porque pode passar a se enxergar como
ele de fato, demonstrando um sinal claro de corpo fragmentado em
construção. Com o passar do tempo, este consegue concluir a ideia de corpo
unificado, ajudado pela experiência que teve com o espelho.

Comentários finais sobre o Estádio do Espelho Ainda que pareçam lineares e


previsíveis em suas ações, desde novas as crianças já entram em processo da
construção identitária. Isso começa por volta dos primeiros meses de vida,
momento adequado para o estádio do espelho ser construído. Por meio dele, a
criança trabalha para se ver, se identificar e buscar autonomia. A autonomia
vem em relação a não se prender na identidade de alguém para construir a
própria. Com o estímulo correto, podemos fazer com que essa experiência
ocorra como o esperado. Assim que tomarem consciência de que são quem
são, os pequenos podem se abrir aos próximos estágios da vida. A fim de
garantir o conhecimento apropriado de conceitos como o Estádio do Espelho,
se inscreva em nosso curso 100% EAD de Psicanálise. Através dele, você pode
compreender os catalisadores do comportamento humano e entender suas
motivações. Como ele é totalmente virtual, você pode estudar quando e onde
achar melhor. Essa flexibilidade visa ao aprendizado adequado e personalizado
ao seu ritmo pessoal.
177

Psicanálise Lacaniana: 10 características O que significa psicanálise lacaniana?


O que é ser lacaniano? Quais princípios e diferenças entre Lacan e Freud?
Como funciona o processo de análise lacaniana? Vamos listar algumas das
principais características da linha lacaniana. De algum modo, apresentamos
neste artigo um resumo com princípios e diferenças entre as contribuições de
Lacan e Freud. Porque, óbvio, pelo problema do vocabulário, o ensino precisa
fazer o estabelecimento de diferenças (não variáveis e não simétricas), no caso,
da obra nova (Lacan) com sua influência (Freud). Na sua trajetória, Lacan
dialogou com o pensamento de importantes filósofos como Freud, Kant, Hegel,
Heidegger, Kojève e Sartre. Como “herdeiros”, influenciou Derrida, Badiou e
Zizek, alguns dos ilustres lacanianos. Se você tem interesse em Psicanálise e
deseja se aprofundar nessa rica área do saber e da compreensão humana,
conheça nosso Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

1. Ser lacaniano é dar ênfase ao analista e à estrutura simbólica

2. Ser lacaniano não é apenas reconhecer a importância de Lacan

3. A psicanálise lacaniana adota uma nomenclatura alternativa à freudiana

4. A psicanálise lacaniana dá ênfase ao Sujeito e ao Outro

5. Ser lacaniano é dar ênfase ao papel da linguagem

6. A psicanálise lacaniana tem uma prática de atendimento clínico um pouco


distinta da psicanálise freudiana

7. O destaque da psicanálise lacaniana no papel do psicanalista

8. Ser lacaniano é abrir a psicanálise para a modernidade

9. A psicanálise lacaniana usa técnicas psicanalíticas, mas sem ser dogmática

10. Ser lacaniano é, no fundo, uma forma de ser freudiano


178

1. Ser lacaniano é dar ênfase ao analista e à estrutura simbólica O autor Miller


sugere a ênfase ao analista (sua postura, suas palavras, sua condução) e à
estrutura simbólica envolvida no processo de análise como características
distintivas do lacanismo.

2. Ser lacaniano não é apenas reconhecer a importância de Lacan Isso pelo


simples fato de que o reconhecimento da importância de Lacan é reconhecida
há tempos, por muitas pessoas, e a leitura de Lacan e à admiração a Lacan não
são privilégios apenas de lacanianos.

3. A psicanálise lacaniana adota uma nomenclatura alternativa à freudiana


Lacan ofereceu uma alternativa, usando outros termos e conceitos distintos de
Freud. Trata-se de um vocabulário diferente, atualizado. Falaremos abaixo um
pouco sobre as atualizações de Lacan sobre a obra de Freud.

4. A psicanálise lacaniana dá ênfase ao Sujeito e ao Outro O trabalho de Lacan


tem como sujeito o Outro com uma letra maiúscula. O “Outro” (do
insconsciente, do intrapessoal) se distingue do “outro” (das demais pessoas, do
relacionamento interpessoal).

5. Ser lacaniano é dar ênfase ao papel da linguagem Existe a prevalência de


Lacan em relação à função da palavra e do domínio da linguagem. Tanto é que
inúmeros literatos e linguistas debruçam-se sobre a obra de Lacan, pela
primazia deste autor quanto ao primado da palavra no campo dos simbolismos.

6. A psicanálise lacaniana tem uma prática de atendimento clínico um pouco


distinta da psicanálise freudiana A prática de Freud era, aparentemente, uma
sequência de seis sessões de uma hora por semana, para cada paciente. Os
anglo-saxões adotavam cinco sessões de cinquenta e cinco minutos, enquanto
os franceses, três ou quatro sessões de quarenta e cinco minutos ou mesmo
meia hora. Por sua vez, Lacan foi reconhecido por oferecer uma alternativa à
179

prática psicanalítica prescrita por Freud, com temporalidade menos rígida e


técnicas como suas sessões curtas ou ultracurtas.

7. O destaque da psicanálise lacaniana no papel do psicanalista O analista é


um grande Outro, um homem onipotente, que não responde a qualquer
norma, não está sujeito a qualquer lei superior. Ele veio para ver o analisando
da maneira mais direta possível.

8. Ser lacaniano é abrir a psicanálise para a modernidade A psicanálise do


século XXI é muito diferente do proposto inicialmente por Freud. Homem, pai,
filho, amante, mulher, mãe, filha, os entes queridos são outros. E as
possibilidade de inter-relações se ampliam, com mecanismos que facilitam o
contato presencial e virtual. O mundo não é mais o mesmo: os avanços em
ciência e comunicação trouxeram novas soluções e reformularam as questões
dos seres humanos. As pessoas não ficam mais doentes da mesma forma, não
estão mais felizes ou infelizes da mesma maneira que antes. A orientação de
Lacan deu à psicanálise freudiana um campo hermenêutico novo, preparando-a
para o tratamento deste sujeito pós-moderno, caracterizado pela falta de
paradigmas ideais, de complexos rígidos como o de Édipo. O sujeito é
potencialmente irresponsável em sua subjetividade. Lacan foi fundamental, ao
ampliar o leque temático da psicanálise.

9. A psicanálise lacaniana usa técnicas psicanalíticas, mas sem ser dogmática


Em razão do item anterior, o analista clínico hoje, muito por influência de
Lacan, foca na relação da pessoa com seu prazer, com seus pavores, não se
prende a nenhum padrão ideológico ou procedimental fixo. Novamente, temos
a contribuição de Lacan, que tinha uma abordagem não dogmática.
180

10. Ser lacaniano é, no fundo, uma forma de ser freudiano Apesar das
diferenças, Lacan promove seus debates a partir do terreno da psicanálise,
tendo a psicanálise freudiana como partida. Portanto, ser lacaniano é estar
num no processo de ser freudiano, mas extrapolando e testando os limites das
primeiras contribuições de Freud. Aprofundar-se na obra de Freud é um
convite feito por Lacan. E pode-se dizer que durante muito tempo foi possível
pensar que ser um lacaniano não era mais o freudiano, por óbvio, por não ser
um “autêntico freudiano”.
181

4. O PANORAMA DA PSICANÁLISE ATÉ OS DIAS DE HOJE

Psicanálise Contemporânea: prática psicanalítica atual O presente artigo


aborda a Psicanálise até os dias atuais e sua implicância na prática psicanalítica.
Em se tratando de prática psicanalítica, muitas concepções, de diferentes
autores, apareceram relativizando as correntes já existentes da psicanálise até
os dias atuais, porém em outras formulações há distorções e/ ou
desentendimentos conceituais.

Pensando nisso, Zimerman (1999) propõe uma divisão didática em 3


categorias:

• A valorização dos aspectos psíquicos marcou a psicanálise ortodoxa, onde os


sonhos sempre foram uma ferramenta preciosa. A análise tinha como principal
foco, os desejos proibidos edipianos reprimidos no inconsciente. A técnica era
rígida e com muitas sessões semanais, o principal objetivo era a solução dos
sintomas das neuroses.

• Na psicanálise clássica o foco amplia, ao invés de apenas neuroses, trata


psicoses. A análise se preocupava com a interpretação de emoções arcaicas,
fantasias inconscientes e mecanismos de defesa primitivos. As sessões passam
a ser mais longas, com 4 ou 5 encontros semanais.

• Na psicanálise contemporânea, o foco é nos vínculos estabelecidos entre


Analista e paciente/ analisando. Vínculo esse que remete à relação mãe/ bebê
e permite a evolução a partir do psiquismo infantil. Assim o analista exerce
uma função marcante. Para isso, faz- se necessário que o analista busque uma
formação multidisciplinar, para que possa entender e atender melhor seus
pacientes, em sua prática psicanalítica.

Penso que, em decorrência da demanda clamar por um psicanalista pluralista,


torna-se primordial e necessário que as diferentes formas, vertentes e modelos
182

de se fazer e pensar psicanálise, dialoguem entre si, visando o bem do


analisando, pois cada um é único e com demandas e necessidades diferentes.

A perspectiva do analista na Psicanálise Contemporânea O ponto de vista do


analista deve priorizar essa pluralidade. Ela passa pelas diferentes formações e
informações que buscamos e adquirimos ao longo da vida e pelas diversas
áreas do conhecimento, e deve-se buscar a interação e integração, quando se
fizer necessário, lembrando que também deve acompanhar o que acontece na
sociedade, na qual o analisando está inserido, para que se tenha uma escuta
sensível aos movimentos do contemporâneo.Em relação à necessidade dessa
escuta sensível, duas formas de subjetivação foram citadas nas obras de
Birman (2001): “O que justamente caracteriza a subjetividade na cultura do
narcisismo é a impossibilidade de poder admirar o outro em sua diferença
radical, já que não consegue se descentrar de si mesma. Referido sempre a seu
próprio umbigo e sem poder enxergar um palmo além do próprio nariz, o
sujeito da cultura do espetáculo encara o outro apenas como um objeto para
seu usufruto. Seria apenas no horizonte macabro de um corpo a ser
infinitamente manipulado para o gozo que o outro se apresenta para o sujeito
no horizonte da atualidade.”(p.25).

Visão Atual da Psicanálise sobre Psicopatologias Por intermédio do que nos foi
colocado, torna-se possível supor que isso também está por trás das
psicopatologias atuais. Por isso também, torna- se necessário estarmos atentos
para uma escuta da atualidade,em nossa prática psicanalítica, respeitando
sempre a nova demanda emergente. Rahel escreve sobre encontrar um idioma
para cada analisando, criar a análise de cada um e também, sobre criar uma
comunicação bem singular. A prioridade deve ser dada ao uso que o analisando
pode fazer com a interpretação que o analista oferece. “O corpo é uma
aquisição que tem início em uma soma que terá que receber cuidados, para se
183

transformar em corpo.” ( Rahel repensando conceitos de Winnicott sobre


psicossomática).

Novos métodos e pensamentos na Psicanálise Contemporânea Muito está


sendo pensado, estudado e pesquisado. A psicanálise está em profunda
introspecção, no sentido de urgir fazer emergir um retorno crítico à respeito
dos grandes autores, em especial às obras do Dr. Freud que, através de sua
genialidade, deixou um legado de seres pensantes e altamente dispostos a
desenvolver, cada vez mais, essa grande ciência, chamada psicanálise. Cada vez
mais e mais psicanalistas se unem em grupos de estudo, para dialogarem sobre
a teoria e a prática clínica, de forma pluralista, porém levando em consideração
todo o legado deixado por Freud e seus discípulos, fiéis e desertores, pois todo
o material torna-se de substancial importância e relevância para o atual pensar
psicanalítico e o seu fazer, pensando sempre na melhoria da prática
psicanalítica.Essa é a mágica da psicanálise, buscar por meios extra,
multidisciplinares, pluralistas para que favoreça o analisando. Fernando
Urribarri, em seu livro “O pai na teoria e na clínica contemporânea” (pág. 157 ),
diz:“…Como André Green, entre outros autores, nos faz ver, a apaixonante
aventura de construir uma nova psicanálise freudiana contemporânea,
inaugurada pelos movimentos pluralistas, está em curso. Temos a fortuna de
estar convidados a participar dela. Concebê- la (e praticá-la) como uma matriz
disciplinar aberta, como um novo e renovador programa de investigação, é
talvez uma das melhores maneiras de inscrevermo- nos subjetivamente nela e
de enriquecê- la coletivamente.” O psicanalista, comprometido com seu
trabalho, estará buscando sempre uma melhor prática psicanalítica.

Conclusão: como está a Psicanálise hoje? Tendo essa visão, os psicanalistas


contemporâneos, estão participando ativamente de um novo ápice da
psicanálise, na medida em que formulam novos pensamentos, observam e
184

fazem a escuta analítica de forma única, voltada para auxílio do analisando,


enriquecendo-se através da pluralidade de seus conhecimentos e saberes e
participando suas experiências aos outros psicanalistas e também através de
pensamento crítico, na escrita de um texto, livro ou artigo, dentre outras
formas de divulgação da sua jornada psicanalítica. Assim, torna-se imperioso
lembrar que psicanálise é psicanálise, e ela requer o uso do divã, para que o
analisando possa divagar livremente e não devemos fugir disso, pois isso é
fundamental para a prática psicanalítica, senão estaremos praticando ou até
criando( pensem nisso, pode ser uma inovação) outra forma de psicoterapia.

Significado da Psicanálise Hoje Qual o significado de Psicanálise hoje? O


conceito é comumente usado em várias áreas do conhecimento. A Psicanálise
pode ser entendida como um método terapêutico e um método de
interpretação do humano e da cultura (das relações humanas). Esse método foi
criado por pelo médico Sigmund Freud (1856-1939), um neurologista europeu.
Mas, teríamos qual significado de Psicanálise hoje? Ainda é uma área do saber
de aplicação atual? Teria sobrevivido à pós-modernidade? O termo, advindo
dos termos análise, análise psíquica, análise psicológica e análise hipnótica foi
usado pela primeira vez em 1894. Ele estava presente em alguns dos textos de
Freud. Inclusive, o termo foi publicado num artigo sobre etiologia, em francês
“psycho-analyse” e em alemão “psychoanalyse”, conforme posteriormente
traduzido. A psicanálise hoje ainda é usada e muito difundida, bem como a
terapia criada por Freud. Num primeiro momento, ela era empregada em casos
de neurose e de psicose. Ela é usada amplamente para tratamentos
psicológicos de diversas áreas. Os psicanalistas estão em diversos ambientes de
trabalho e auxiliam na compreensão do ser humano, de modo geral. O método
psicanalítico, seu significado pode ser entendido como embasado,
essencialmente, na interpretação de símbolos (palavras, sonhos, objetos),
relacionamentos e auto-imagem, por parte do psicanalista ou analista junto a
185

seu analisando. O psicanalista realiza a interpretação dos conteúdos


inconscientes das palavras, ações e produções imaginárias do seu paciente.

A Psicanálise hoje e ontem Desde seus primórdios e de acordo com a teoria de


Freud, a psicanálise se divide em três níveis. Os quais podem ser distinguidos
como: os dois primeiros são parte do método psicanalítico. E o terceiro nível é
o conjunto das teorias que envolvem a psicanálise hoje tida como uma ciência.
Inclusive como ciência à parte da psicologia e além da medicina ou da fisiologia
em seu estudo da mente humana. Desses níveis, o primeiro nível é embasado
em um método de investigação que consiste em buscar o significado
inconsciente das palavras do paciente. Por isso da análise, ou do famoso divã
do psicanalista, quando o paciente se expõe e o analista procura deixá-lo à
vontade. O segundo nível é obtido a partir do primeiro e é um método baseado
na investigação e no que foi especificado pela interpretação primária. É nesse
nível que está a psicanálise como tratamento psicanalítico. O terceiro nível é o
próprio conjunto de teorias psicanalíticas e teorias psicopatológicas. Parte-se
desse conjunto para que sejam sistematizados os dados colhidos pelo método
psicanalítico de investigação e de tratamento. Esses três níveis e termos ainda
são usados na psicanálise hoje. Que é uma ciência muito difundida, mas que
teve muitos problemas de aceitação quando de sua origem. E muito por ter
sido inovadora em muitos aspectos. Com a difusão da psicanálise e dos
métodos pelos quais ela foi sendo conhecida, o termo passou a ser mais usado.
E também mais difundido e, por conta disso, ampliado. Isto é, na psicanálise
hoje, diversos autores acabam usando termos relacionados a essa ciência a
alguns trabalhos que não são exatamente da psicanálise, propriamente dita. Ou
seja, de acordo com as teorias de Freud.
186

A Psicanálise e seu surgimento A psicanálise teve pouco reconhecimento em


seu primeiro período, até 1902. Nessa época, Freud trabalhou sozinho e eram
poucos os que se interessavam pelo assunto. No ano 1900 Freud realizou uma
palestra na universidade de Viena. Nesta palestra apenas três pessoas estavam
presentes, isto é, o assunto ainda não despertava interesse do público.
Entretanto, Freud, com o passar dos anos, passou a ter seguidores, os quais
passaram a trabalhar com Freud na divulgação da psicanálise. Entre os anos de
1902 e 1910, a psicanálise ampliou os seus espaços de divulgação e debate.
Passando a estar presente em outros contextos e também nos meios
acadêmicos. Em 1908, ocorreu o primeiro Congresso Internacional de
Psicanálise, na cidade de Salzburg na Áustria. No ano de 1909 o Jornal
Internacional de Psicanálise foi fundado, o que deu amplitude à divulgação de
textos e artigos da área. Em 1910, Sigmund Freud propôs a criação da
Associação Internacional de Psicanálise. Contudo, na época sua proposta não
foi aceita pela brigada vienense, que foi contra a fundação dessa fundação.
Com os anos, entretanto, Freud agregou muitos seguidores e a psicanálise ficou
mais e mais conhecida. Nomes como Jung, Lacan, Melanie Klein e sua própria
filha Anna Freud deram amplitude à psicanálise hoje conhecida mundialmente.

A psicanálise hoje: Freud e a sociedade atual A psicanálise hoje é muito


conhecida e respeitada em várias áreas, pois auxilia na compreensão do ser
humano. Por consequência, ela auxilia na compreensão da sociedade atual.
Freud fez vários estudos, pautados na psicanálise hoje, que ajudam a entender
a vida em sociedade. Para ele, na vida em sociedade não há a possibilidade de
se ter avanço sem perdas. Em seus estudos sobre o inconsciente e os desejos
mais recônditos da mente humana, Freud afirma que a sociedade é inimiga da
satisfação desses desejos ou instintos. Isto é, para viver em sociedade, o
homem precisa abdicar de sua natureza individual. Freud explica isso com o
ego, o super-ego e o id, partes de nossa mente que vivem em constante
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combate. Na psicanálise, hoje e ontem, vemos que homem não mudou muito.
Pois ele ainda tem de deixar um pouco de ser si mesmo, para viver em
sociedade. Aceitando, assim, as imposições das éticas, morais e religiões da
sociedade ou comunidade em que vive. É como se, para viver em sociedade, o
homem tivesse de sacrificar alguns de seus instintos. Sendo que muitos deles
estando ligados à sua sexualidade. Assim vemos que a psicanálise hoje ainda é
muito importante. Junto da obra de Freud e seus sucessores, ela pode ser
identificada como uma ciência que auxilia a compreender a mente humana.
Assim, Freud e a psicanálise contribuem para compreendermos mais sobre o
homem e a sociedade atual. Por isso a psicanálise hoje está em várias áreas e
ambientes de trabalho, nos consultórios, fábricas, empresas, escritórios, nas
artes, etc.

Os 5 psicanalistas famosos que você precisa conhecerAbrindo as portas a um


dos métodos terapêuticos mais famosos da historia, Freud conseguiu um
excelente grupo de seguidores. Os mesmos implementaram ideias próprias que
acabaram por enriquecer ainda mais a Psicanálise. A seguir, veja uma lista com
cinco dos psicanalistas famosos que mais são lembrados atualmente.

 Wilfred Bion
 Melanie Klein
 Mundo interno
 Projeção, introjeção e identificação
 Fantasias
 Donald Woods Winnicott
 Jacques Lacan
 Inconsciente
 Imaginário
 Linguagem
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 André Green

Considerações finais sobre alguns psicanalistas famosos

Wilfred Bion Um dos psicanalistas famosos da lista teve uma infância bastante
complicada. Isso porque a sua educação e relação familiar eram bastante
rígidas, afetando a formação deste diretamente. Ironicamente se consultou
com Melanie Klein, especialista na dinâmica entre mãe e filho quando maior.
Graças à sua vivência, ajudou a criar o conceito de sessão grupal. Isso
provocava a repulsa de Klein, embora ela tenha aceito a veracidade do trabalho
dele posteriormente. A dinâmica de grupo foi amplamente eficaz para tratar
combatentes da guerra, servindo de grande exemplo em sua defesa. Ainda que
muitos o contestassem, Bion interligava seu trabalho diretamente à Psicanálise
de forma clara.

Melanie Klein Continuando a lista de psicanalistas famosos, trazemos um dos


maiores nomes feminino da historia. Melanie Klein é de origem austríaca,
tendo conhecido o trabalho de Freud aos 24 anos. Voltada à área infantil, Klein
construiu o seu legado com a ajuda do trabalho psicoterapêutico em crianças.
Com isso, acabou criando o conceito de:

 Mundo interno Para Klein, o mundo externo e interno da criança tem


pesos idênticos, não se diferenciando em relevância. Tal lugar se
formaria a partir de suas mais tenras manifestações sociais, incluindo a
amamentação. Assim, cada ansiedade, fantasia inconsciente e defesa
estruturariam sua subjetividade.
 Projeção, introjeção e identificação O ego da criança vai se formando à
medida em que esta cresce. A mesma buscará se defender da ansiedade
através de alguns mecanismos de defesa, principalmente projeção e
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introjeção. Ademais, a libertação de angústias seria feita por meio de


identificação projetiva.
 Fantasias À medida em que o pequeno cresce, ele vai formando seu
conhecimento sobre a realidade. Isso se influenciaria pela dor e prazer
que eventualmente este sentirá. É com a ajuda destes que a sua
percepção mudaria e se desenvolveria a fim de interpretar algo como
bom ou mau.

Donald Woods Winnicott Na lista de psicanalistas famosos, trazemos um que


usava de suas experiências pessoais para trabalhar. Winnicott acabou por criar
a teoria onde deveríamos priorizar os cuidados maternos. Sendo assim, nossas
mães serviriam de principal rota de caminhada para que pudéssemos alcançar
nosso potencial quando crianças. De acordo com seu trabalho, nosso potencial
está vinculado ao amadurecimento e integração social. Entretanto, sozinhos,
não temos garantias de que acontecerá. Nesse momento, nossas mães
entrariam como agentes interventores da mudança. Por meio delas, nossas
necessidades estariam supridas e isso nos permitiria alcançar nosso
desenvolvimento.

Jacques Lacan Sendo um dos psicanalistas famosos de mais renome na área,


Lacan foi um dos principais sucessores de Freud. Ainda que tivesse ajudado a
mudar a história da psicoterapia, se mantinha perto do mentor para se manter
perto das raízes. Graças ao seu empenho, ganhou passe livre e se tornou um
dos tradutores do trabalho Freudiano. Mesmo após tanto tempo, seu trabalho
necessita de tempo para ser absorvido. Ainda que em forma física, na sua
escrita, por exemplo, é difícil compreender o que este pensava. Ademais, em
determinadas situações, sua própria postura ondulava e se mostrava insegura.
Por exemplo, enquanto retornava ao trabalho de Freud, abdicava da ciência
que usava.
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Isso fica claro quando tocamos no:

 Inconsciente Lacan também dava valor à existência do inconsciente da


mesma forma que Freud. O mesmo afirmava que nós repelíamos nossas
vontades e desejos a um lugar de pouco acesso, sem julgamentos
alheios. Contudo, a ideia ganhava mais força quando a repressão
alimentava distúrbios e outros problemas comportamentais
incapacitantes.
 Imaginário Basicamente, segundo Lacan, nós procuramos alguém que
nos complete, falando diretamente de amor. Contudo, ninguém é
obrigado a responder a qualquer expectativa que criamos e
alimentamos.
 Linguagem Assim como Freud, Lacan acreditava que a linguagem era a
ferramenta perfeita para a obtenção de respostas. A mesma serve de
âncora para que percebamos determinadas impressões por meio da fala
dos clientes. Com isso, ficaria mais fácil encontrar cada mal-estar que nos
açoita e a solução correspondente.

André Green Para fechar a lista de psicanalistas famosos, trazemos um que


bebia da fonte de todos acima. André Green carregava uma fidelidade quase
que cega pelos caminhos que Freud percorreu. Isso se reflete muito no
trabalho dele, dando margem a uma postura mais permissiva, diversificada e
um pouco intransigente também. De certa forma, Green foi um psicanalista
famoso por sua audácia em preferir uma renovação constante. O mesmo era
conhecido por resgatar ideias antigas e dar uma nova roupagem para elas. Com
isso, carregava um simbolismo modernizado e flexível. Assim, permitiu que
elementos decisivos ao sucesso e fracasso da terapia se estabelecessem. Além
disso, o mesmo se mostrava um excelente protetor da obra criada por Freud.
Há relatos de que ele defendia de forma calorosa qualquer argumento que
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protegesse a obra do seu mentor indireto. Isso também acabava atingindo


outros seguidores que acabavam por se desviar dos princípios do trabalho
Freudiano. Graças à forma como impactou o mundo da psicoterapia, era
evidente que Freud deixaria um imenso legado. O mesmo passou a ser
repassado a frente por dedicados seguidores que viam na sua obra a chance de
incrementá-la. Por conta dos psicanalistas famosos, hoje temos diversas
abordagens sadias, diretas e inteligentes para trabalhar.

Considerações finais sobre alguns psicanalistas famosos Ainda após tanto


tempo, os mesmos acabam sendo consultados a fim de esclarecerem dúvidas
que só suas obras são capazes. Cabe ressaltar que a lista acima não foi
construída por ordem de excelência ou qualificações, nada disso. Cada
psicoterapeuta carrega sua relevância única e intransferível. Dessa forma,
independente de quem sejam, eles têm papel vital na investigação da psique
humana. Indico a leitura procura de cada um deles a fim de unificar os pontos
em comum que trabalham. Talvez isso permita a clareza de ideias que
necessita em algum momento e não sabe por onde começar a cultivá-la. Além
disso, por que você mesmo não se inscreve em nosso curso de Psicanálise
Clínica? O mesmo se mostra a ferramenta perfeita para acompanhar e
entender os mecanismos que influenciam em nossos impulsos
comportamentais. Dessa forma, você aprende a alimentar o seu
autoconhecimento e descobre como aplicá-lo de forma consciente na sua vida.

Conheça David Zimerman e Seus Estudos Psicanalíticos Independente se em


vida ou após suas partidas, temos a valorosa oportunidade de conhecer
indivíduos com capacidade para mudar tudo. Um deles foi David Zimerman,
psicanalista, psiquiatra e escritor que dedicou sua vida aos outros. O texto
abaixo condensará alguns pontos sobre sua vida e sua obra.
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Sobre Zimermam O gaúcho David Zimerman era uma figura bastante estimada
por sua família, amigos, colaboradores e público. Isso porque ficava nítido o
seu carinho e prazer ao manter contato com alguém por meio do trabalho.
Mais que um terapeuta, Zimerman era um humanista, facilitando a
comunicação de alguém consigo e com os demais. David era um facilitador, no
melhor aspecto dessa palavra. Através dele, obtínhamos o vislumbre de como
o ser humano funciona, trazendo reflexões profundas sobre ele. Seu trabalho
coeso e rico na Psicanálise proporcionou sua atuação em campos de batalha.
Com isso, ajudava soldados a vencerem sua ansiedade no medo de algum
ataque iminente. Ademais, ficava evidente que uma de suas paixões era
ensinar, seja em sala de aula ou fora dela. O terapeuta se valia da ideia de que
quanto mais nos conhecemos, mais podemos fazer. Graças a isso, se mobilizava
a todo momento para que seus alunos e pacientes construíssem um caminho
até si mesmos. Por conta de sua dedicação, é querido até hoje.

Seu lado escritor David Zimerman costumava fazer sínteses bem inteligentes
de como a Psicanálise funciona. A ideia dele era promover um encontro neutro
entre o público leigo e profissionais ao mesmo tema. Dessa forma, ambos
poderiam participar de forma equivalente e opinar em mesma relevância. Com
isso, combinava de forma hábil um lado sofisticado e acessível ao mesmo
tempo. A linguagem utilizada também era construída de forma única, fazendo
paralelos inteligentes de como o tema se constrói. Assim, o lado escritor
mostra como pode manejar facilmente cada situação mostrada de forma
psicanalítica. Em seus trabalhos, David Zimerman mostra uma sensibilidade
pessoal com cada paciente. Nisso, fica evidente seu compromisso em ajudar
que os mesmos alcancem uma qualidade de vida adequada. Aliando seu
esforço físico com o intelectual, temos uma bagagem completa para
caminharmos por nós mesmos.
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Ferramentas de elevação David Zimerman ajudou a criar e a fundar a Clínica


Pinel, projeto sediado em Porto Alegre. Unido com dois parceiros, o propósito
da clínica era funcionar como um modelo de centro psiquiátrico. Isso não
apenas em sua estrutura interna. Os métodos utilizados também eram
bastante inovadores ao público. Entre alguns deles, podemos citar:

Insulinoterapia Tratamento direcionado a quem possui vários tipos de


diabetes. O intuito primário é produzir uma baixa de açúcar no sangue,
evitando graves tipos de sequelas. Além disso, o tratamento pode fazer a
redução do potássio no sangue se combinado com a glicose.

Ambientoterapia A Clínica Pinel projetou seu espaço de forma que ele também
servisse como um adendo terapêutico. Dessa forma, tudo fugia do branco
comum e se tornava funcional aos pacientes. Além de práticas de terapia
comum, cada um podia se valer de atividades que o lugar em si fornecia.
Apesar de sua simplicidade, cada uma tinha um propósito claro.

Eletroconvulsoterapia A eletroconvulsoterapia, em suma, é um tratamento de


choque realizado no paciente. A ideia aqui é produzir mudanças nas correntes
elétricas do cérebro do indivíduo a fim de provocar bem-estar. Cabe ressaltar
que essa terapia se vale de anestesia para ser feita, evitando que o paciente
sinta dor. O tratamento é permitido e assistido pela família.

Acesso ao difícil O psicanalista também possuía caminhos para driblar as


dificuldades em um tratamento rotineiro. Nem todos os pacientes são tão
favoráveis a uma sessão de psicoterapia, por exemplo. A partir disso, David
Zimerman traça um perfil de como um paciente de difícil acesso funciona. Com
isso, o mesmo mira na ênfase na interação de ligamento analítico. Ademais,
também passa a focar na importância de uma atitude analítica. Nesse caminho,
se vale de elementos que acabam por compor o processo de análise. Isso inclui
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a resistência, setting, transferência, contratransferência, elaboração, atividade


interpretativa, etc.

Obras e trabalhos Em vida, David Zimerman foi um terapeuta bastante


produtivo, tendo entregue diversas obras a respeito de seu trabalho. As
mesmas cativam por condensarem de forma acessível toda a sua experiência
profissional e pessoal nelas. Mesmo quem é leigo, obtém um vislumbre bem
feito de como a construção mental é feita. Alguns deles são:

Psicanálise em perguntas e respostas O que mais chama a atenção no livro é a


sua construção de forma acessível e clara. Por meio de uma linguagem direta e
envolvente, o leitor compreende de fato o que a Psicanálise significa. Costuma
ser visto como fonte singular informacional, visto que permite acesso do
público leigo e atualização de profissionais.

Bion da teoria à prática A proposta desse material é estudar elementos chaves


da Psicanálise, bem como suas configurações e vínculos. Isso inclui também um
período religioso-místico e a função de continente e sub-continentes. O que
mais marca aqui é a leitura do trabalho de Bion, adicionando um glossário
psicanalítico.

Manual de técnica psicanalítica Neste caso, tem-se como propósito revisitar


cada conceito que ajudou a propagar a Psicanálise ao longo do tempo. Além de
olhar ao passado, estudamos os avanços às técnicas psicanalíticas
contemporâneas. Isso é feito de forma a relacioná-los com a vivência e
experiência pessoal do próprio escritor.

Considerações finais: David Zimerman Um homem é lembrado por tudo o que


deu aos outros enquanto estava vivo. David Zimerman foi um deles, dedicando
tudo o que sabia em prol de cada pessoa necessitada. Graças a ele, os
pacientes encontraram um caminho para viverem de forma mais plena. Para os
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conhecidos, foi um referencial do quanto poderiam crescer. Mesmo após a sua


morte há alguns anos, o multifacetado terapeuta ainda evoca reflexões a
respeito de nós mesmos. Sua presença permanece viva em seus escritos e
ideologias, condensadas em cada lugar que visitou. A Clínica Pinel permanece
ativa e continua dando o mesmo atendimento que a elevou como um dos
melhores centros. Para se aprofundar ainda mais no trabalho de David
Zimerman, que tal se preparar com nosso curso online de Psicanálise Clínica?
Graças a ele, você cultivará a abertura necessária para adequar a sua mente a
uma nova perspectiva. Dessa forma, possibilita a criação de um
autoconhecimento preciso e bastante eficaz. Um dos melhores pilares do curso
é a sua estrutura online. Você pode estudar quando e onde achar melhor, sem
que isso interfira em sua rotina. Ainda que monte horários de estudo flexíveis,
sempre terá o apoio de nossa equipe de tutores. Por meio deles explorará o
seu potencial nato ao elaborar as propostas das ricas apostilas.

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