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“Quem chegar para dialisar amanhã vai ter que voltar para casa”,

afirma clínica que tem R$ 900 mil para receber do GDF


Com a falta de repasse, estabelecimento fica sem insumos para atender 180
pacientes SUS. Situação é crítica em diversas clínicas

Brasília, 13 de julho de 2021 - Chega a R$ 900 mil o prejuízo que algumas das clínicas de
diálise que prestam serviço ao Sistema Ú nico de Saú de (SUS) no Distrito Federal, amargam
em atrasos de pagamentos os referentes aos serviços prestados em novembro e dezembro
de 2020, somado ao período de janeiro a abril deste ano. Com as dramá ticas condiçõ es de
recursos, alguns estabelecimentos nã o tem mais capital para comprar insumos e nã o
podem garantir até quando conseguirã o manter o atendimento aos pacientes renais
crô nicos, que dependem do tratamento de Terapia Renal Substitutiva (TRS) para
sobreviver.

A situaçã o é gravíssima e coloca em risco a vida de centenas de pacientes, mesmo sem


alcançar a totalidade das 26 clínicas que prestam serviços ao SUS no DF. Isso se explica
pelo fato de os pagamentos do Governo local serem liberados por diferentes executores de
convênios. Estabelecimentos que atendem uma média de 200 pacientes do SUS chegam a
somar um prejuízo de R$ 900.000. É o caso da Policlínica, de Santa Maria, que tem a
receber da Secretaria da Saú de o montante de R$ 898.632,83. A partir desta quarta-feira
(14) a clínica simplesmente nã o tem mais como atender os 180 pacientes da rede pú blica.

“O paciente que chegar amanhã [14] infelizmente vai ter que voltar para casa. Nã o temos
agulhas, insumos, nem sequer funcioná rios, que estã o há três meses sem receber”, explica
Tatiane Cristine, proprietá ria do estabelecimento. A Policlínica e as demais conveniadas do
SUS chegaram a participar de uma reuniã o com a Secretaria na semana passada, mas nã o
houve nada de concreto e de lá pra cá , nenhum retorno. “No dia em que recebermos esses
pagamentos conseguimos retomar imediatamente os atendimentos, já que os fornecedores
ficam pró ximos na regiã o. Mas até lá a vida desses pacientes está nas mã os do GDF”.

Apesar de enfrentarem situaçã o menos delicada, dezenas de clínicas do DF lutam para


receber fatura emergencial concedida no ano passado pelo Ministério da Saú de para cobrir
despesas extras provenientes do Covid-19. Apesar de a verba estar nos cofres do GDF
desde o início do ano, a mesma nã o foi repassada pela SES/DF, que a cada mês cria
burocracias e novos impedimentos para viabilizar o pagamento devido. O proprietá rio de
uma clínica que nã o quis ser identificado desabafa: “depois de desculpa atrá s de desculpa,
a Secretaria inventou agora que precisamos assinar um contrato para receber esse recurso
extra que nos pertence. Mas quem disse que esse tal contrato chega para alguém?”.

Em junho, a clínica MSF Serviços Médicos, mais conhecida como IDR Samambaia, solicitou
a rescisã o de contrato que viabiliza o atendimento aos 220 pacientes SUS. O
estabelecimento aguarda retorno formal da solicitaçã o, mas antecipa o nã o interesse na
renovaçã o do convênio com o SUS, com encerramento definitivo do atendimento aos
doentes renais em 04 de novembro. A Central de Regulaçã o do GDF terá entã o de
redirecionar essas centenas de pacientes para outras clínicas conveniadas ou hospitais da
sua rede pró pria.

Problema crônico
A Associaçã o Brasileira dos Centros de Diá lise e Transplante (ABCDT) alerta que o atraso
no repasse do pagamento da TRS pela Secretaria de Saú de está entre os problemas
recorrentes na nefrologia. Muitos gestores chegam a atrasar em mais de 30 dias o repasse
apó s a liberaçã o do recurso pelo Ministério da Saú de – sendo que de acordo com a
legislaçã o, o pagamento deveria ser feito em cinco dias ú teis. Marcos Alexandre Vieira,
presidente da ABCDT, alerta autoridades e a sociedade: “Nossa maior preocupaçã o está
ligada à menor oferta de tratamento à populaçã o, uma vez que os pacientes dependem
exclusivamente das sessõ es de hemodiá lise para sobreviverem”.

O presidente da ABCDT ressalta que o quadro no DF foi agravado pela pandemia do novo
coronavírus. Devido à s particularidades do cuidado com pacientes que realizam a TRS,
uma série de medidas precisaram ser adotadas nos casos de pacientes suspeitos ou
positivos ao Covid-19, visando garantir as condiçõ es de segurança aos profissionais que
atendem estes pacientes fora do ambiente hospitalar e reduzindo o risco de novas
contaminaçõ es. Viera explica que os procedimentos visam propiciar o adequado
tratamento à populaçã o dialítica, já considerada de alto risco e constituída em grande parte
por pacientes diabéticos e com comorbidades que precisam manter seu tratamento de
forma crô nica em todo o país.

Sobre a ABCDT
A Associaçã o Brasileira dos Centros de Diá lise e Transplante (ABCDT) é uma entidade de
classe que representa as clínicas de diá lise de todo o país. Tem como principal objetivo
zelar pelos direitos e interesses de seus associados, representando-os junto aos ó rgã os
pú blicos, Ministério da Saú de, Senado Federal, Câmara Federal, Secretarias Estaduais e
Municipais. Também representa as clínicas e defende seus interesses individuais e
coletivos.