Universidade Federal do Rio de Janeiro

Engenharia Eletrônica e de Computação
Instrumentação e Técnicas de Medidas
Eletrônica - volume I
1 Amplificador operacional ideal
1.1 Introdução
O circuito “amplificador operacional” (AO) nada mais é do que um amplificador com
uma saída e duas entradas, cujo modelo mais simples consiste de uma fonte de tensão
controlada com saída proporcional à diferença de tensão entre as entradas do AO. As
características dos AOs e a sua utilização nos mais variados circuitos, muitos dos quais não
lineares, são o alvo desta disciplina.
Internamente, o AO é formado por um amplificador de elevado ganho obtido por meio
de múltiplos estágios acoplados diretamente. As duas entradas do AO são conectadas a um
amplificador diferencial. O elevado ganho de tensão força o uso de realimentação negativa
para que o AO trabalhe na região linear. Isto permite que o ganho dos circuitos amplificadores
sejam definidos apenas pela malha de realimentação. O acoplamento direto entre os estágios
internos do AO permite o seu uso de DC até freqüências bem elevadas.
A origem do termo “operacional” vem dos antigos computadores analógicos, onde
estes amplificadores eram utilizados como elemento chave para a realização de operações
matemáticas. O nome “amplificador operacional” foi usado pela primeira vez em uma
publicação de 1947, feita por John Ragazzini, o qual descrevia as propriedades de circuitos
capazes de amplificar a diferença entre dois sinais analógicos. O artigo, que teve como base
trabalhos anteriores, realizados entre 1943 e 1944, considerava as condições de realimentação
linear e não-linear. Hoje em dia o AO é o circuito integrado analógico mais utilizado.
1.1 O amplificador operacional real.
A Figura 1.1 mostra o esquema simplificado de um AO com três estágios de
amplificação. Nos circuitos reais existem muito menos resistências, pois elas ocupam muito
espaço no silício. No lugar das resistências utilizam-se cargas ativas e espelhos de corrente
produzidos com transistores. O esquema da Figura 1.1 utiliza transistores bipolares de junção
(TBJ) mas também existem circuitos construídos com transistores de efeito de campo (FET).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 1
Figura 1.1: Esquema simplificado de um AO 741, um AO de três estágios
Cada um dos três estágios do amplificador da Figura 1.1 confere ao AO características
especiais:
1°estágio: par diferencial
• apresenta alta impedância de entrada
• responsável pelo elevado ganho diferencial
• apresenta alta rejeição a tensões de modo comum
2°estágio: emissor comum
• correção no nível DC para a saída
• apresenta ganho de tensão elevado
3°estágio: seguidor de emissor (push-pull, classe B)
• responsável pela baixa impedância de saída
• apresenta alto ganho de corrente
• responsável pela corrente de saída
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 2
vo
–VCC
+VCC
v
+
v

1.2 Principais características do AO ideal
As principais características dos AOs ideais são:
Característica Símbolo Valor Significado
Ganho diferencial Ad ∞
Ganho de modo comum Acm 0 mesma tensão nas duas entradas
Rejeição de modo comum CMRR ∞ sinal comum as duas entradas
Impedâncias diferencial Rid ∞
Impedância de modo comum Ricm ∞
Impedância de saída Ro 0
slew-rate SR ∞ velocidade com que a saída pode variar
Setlling Time ST 0 tempo de estabilização
Largura de banda BW ∞ amplifica igualmente todas as
freqüências
Corrente polarização Ib 0 para o par de transistores do primeiro
estágio
Corrente de offset Ios 0 desigualdade entre as correntes I
Tensão de offset Vos 0 diferença de tensão na entrada,
necessária para que a saída seja nula
quando as entradas forem nulas
Ruído elétrico V
N
e I
N
0
Variação de fase φ 0
As características ideais de um AO nunca são alcançadas na prática, mas os erros
decorrentes de assumirmos estes valores ideais é pequeno. Desta forma é comum utilizarmos
estas características para simplificar a análise de circuitos com AO, como será mostrado nas
seções subseqüentes.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 3
1.3 Símbolo:
O símbolo mais comumente utilizado para representar um AO é apresentado na Figura
1.2.
Figura 1.2: Símbolos do AO, com e sem alimentação
1.4 Equação/Modelo:
Conforme descrito no início deste capítulo o modelo do AO pode ser visto na Figura
1.3. Duas entradas de alta impedância comandando uma fonte de tensão controlada.
Figura 1.3: Modelo do AO ideal
A tensão na saída da fonte é dada pela equação 1.1 e corresponde a amplificação da
diferença entre as tensões das do AO (entrada v
+
e v
-
)
v
O
=A
d
⋅¦v
+
−v

) ( 1.1 )
onde: Ad é o ganho diferencial do AO; v
+
e v

são as entradas do AO.
Se o ganho diferencial, Ad, é infinito, significa que v
+
=v

. Esta relação é válida
sempre que o AO está trabalhando na região linear. Trabalhar na região linear significa que
existe realimentação negativa sendo utilizada no AO, ou a diferença entre as tensões de
entrada é tão pequena que, mesmo com um elevado ganho diferencial, não ocorre a saturação
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 4
do AO. Se considerarmos o ganho Ad infinito (condição ideal) então para a saída ser um valor
finito é necessário que a diferença entre as entradas seja nula (condição ideal).
Sempre que o AO estiver saturado (saída igual a tensão de alimentação), então esta
regra não pode mais ser aplicada pois a equação 1.1 não é mais válida, ou seja, o operacional
não está trabalhando em uma região linear.
1.5 Configurações mais comuns:
1.5.1 Amplificador inversor:
A Figura 1.4 mostra o circuito básico de um amplificador inversor a base de AO.
Figura 1.4: Desenho básico de um amplificador inversor.
Se considerarmos o AO como ideal, o equacionamento do ganho fica muito facilitado
pelo uso de duas considerações:
1. Equacionar uma única corrente fluindo através de R1 e R2 e
2. Levar em conta que o potencial na entrada negativa é igual ao potencial na
entrada positiva (neste caso igual a zero).
A solução para o problema é a equação 1.2.
Como
i
1
=
v
i
R
1
e
i
1
=−
v
0
R
2
, então
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 5
v
0
=−
R
2
R
1
v
i
( 1.2 )
Por outro lado, se levarmos em conta que o ganho do AO não é infinito, devemos
substituir o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na
equação 1.3.
v

=
v
i
⋅R
2
+ v
0
⋅R
1
R
1
+ R
2
¦ v
+
−v

)=
v
0
Ad
=−v

(pois a entrada positiva tem potencial zero)

v
0
Ad
=
v
i
⋅R
2
+ v
0
⋅R
1
R
1
+ R
2
v
i
⋅R
2
+ v
0
⋅R
1
=−
v
0
Ad
⋅¦ R
1
+R
2
)
V
0
=−
R
2
R
1
+
R
1
+R
2
Ad
⋅v
i
( 1.3 )
Obs.: quando se considera Ad→∞ considera-se, implicitamente, que v
+
= v

pois esta é
a única forma de obter um v
O
finito.
A equação 1.2 mostra o resultado final do equacionamento, para ganho infinito.
Resultado idêntico pode ser obtido a partir da equação 1.3. Estas equações mostram que a rede
de realimentação determina o ganho do circuito amplificador, mesmo quando o ganho do AO
não é infinito. Convém notar, também, que a influência do ganho diferencial não infinito, é
tanto menor quanto menor for o ganho dado ao amplificador inversor.
Note, também, que apesar de a entrada inversora estar a um potencial igual zero, ela
não esta diretamente conectada a terra e não há circulação de corrente entre terra e este
terminal. Por este motivo, o terminal inversor, nesta configuração, é chamado de terra virtual.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 6
1.5.2 Amplificador não-inversor:
A Figura 1.5 mostra o desenho básico de um amplificador não inversor formado por
AO.
Figura 1.5: Desenho de um amplificador não inversor básico.
Supondo que o AO seja ideal, a solução do problema é encontrada fazendo-se a tensão
na entrada negativa (divisor de tensão formado por R1 e R2) igual a tensão de entrada. Neste
caso a equação 1.4 é a solução do problema.
R
1
R
1
+ R
2
⋅v
0
= v
i
v
0
=
R
1
+R
2
R
1
⋅v
i
=¦1+
R
2
R
1
)⋅v
i
v
o
v
i
=
R
1
+R
2
R
1
=1+
R
2
R
1
( 1.4 )
Se considerarmos que o ganho do AO. não é infinito, devemos substituir o desenho do
AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 1.5. Note que este
circuito tem realimentação negativa.
v
+
=v
i
v

=
R
1
R
1
+R
2
⋅v
0
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 7
v
+
−v

=
v
0
Ad
v
i

R
1
R
1
+R
2
⋅v
0
=
v
0
Ad
v
o
v
i
=
¦ R
1
+R
2
)⋅Ad
R
1
+R
2
+R
1
⋅Ad
v
0
=
R
1
+ R
2
R
1
+
R
1
+ R
2
Ad
⋅v
i
( 1.5 )
Podemos notar, nesta configuração, que se
R
1
=∞
ou
R
2
=0
então
v
0
= v
i
. Neste
caso o circuito do amplificador não inversor é designado por buffer. O buffer possui ganho
unitário e pode ser utilizado para isolar estágios amplificadores, pois apresenta impedância de
entrada infinita e impedância de saída nula. Nota-se também que em ambos os casos, se o
ganho Ad for considerado infinito a solução para o problema é idêntica a obtida pela equação
1.4.
1.5.3 Amplificador somador:
A Figura 1.6 mostra a topologia do amplificador somador inversor básico
implementado com AO.
Figura 1.6: Circuito do amplificador somador inversor básico.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 8
Como podemos observar, o amplificador somador consistir de uma série de
amplificadores inversores ligados em paralelo. Isto nos leva a aplicar a técnica de
superposição de fontes, para equacionar a tensão de saída deste circuito. Aqui também
levamos em conta que o AO possui características ideais de funcionamento, assim, a saída
será dada pela equação 1.6 ou, no caso particular de todas as resistências serem iguais, pela
equação 1.7.
Supondo Ad → ∞ então v
+
= v

i
1
=
v
1
R
1
,
i
2
=
v
2
R
2
,
i
3
=
v
3
R
4
,
i
4
=−
v
0
R
4
i
1
+ i
2
+ i
3
= i
4
v
0
=- R
4
¦
v
1
R
1
+
v
2
R
2
+
v
3
R
3
)
( 1.6 )
se R
1
=R
2
=R
3
=R, então a equação 1.6 pode ser reescrita conforme a equação 1.7.
v
O
=
−R
4
R
⋅¦ v
1
+v
2
+v
3
) ( 1.7 )
1.5.4 Amplificador subtrator
A Figura 1.7 mostra a topologia do amplificador subtrador básico implementado com
AO.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 9
Figura 1.7: Circuito do amplificador subtrator básico.
O cálculo torna-se mais cômodo se feito por superposição, utilizando-se o que já foi
calculado para o amplificador inversor e não inversor, aliado a consideração de que o AO é
ideal. A equação 1.8 mostra equação da tensão de saída deste circuito.
v
0
=
R
2
R
1
¦ v
2
−v
1
)
( 1.8 )
1.6 Conclusão
Em um circuito com A.O. ideal, o ganho (ou função transferência) é dado
“exclusivamente” pela malha de realimentação.
1.7 Problemas resolvidos
Exercício 1: Dado o circuito abaixo, calcule sua função de transferência
i
L
= f ¦vi )
.
Considere os AOs ideais.
a) Estabeleça valores para os resistores
R, R
3
e R
4
de forma que o circuito forneça uma
corrente máxima
i
Lmáx
=1mA
para uma carga 0D≤R
L
≤10 K D quando
v
i
=−10V
.
Considere
R
1
=R
2
=100 K D
e
V
CC
=!12V
.
b) Considere
v
i
=0V
. Calcule
i
L
levando em conta a existência de uma fonte de tensão
conectada a entrada positiva de A1 e uma fonte de corrente conectada a entrada positiva
de A2.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 10
Solução:
Análise do circuito:
A
2
: forma um amplificador de ganho unitário (buffer);
A
3
:
forma um subtrator junto com
R
3
,R
4
;
A
1
:
fornece a corrente de saída e é realimentado pelo
subtrator através de
R
1
,R
2
.
Análise das realimentações de
A
1
:
A
1
recebe realimentação negativa (RN) através
da entrada não inversora de
A
3
e realimentação positiva (RP) através de
A
2
e da entrada
inversora de
A
3
. Como o ganho dos dois caminhos do subtrator (entradas inversora e
não-inversora) são iguais em módulo, a RN é mais forte, porque a RP ainda passa pelo divisor
resistivo R-R
L
. Como resultado disto, o circuito possui realimentação negativa, o que permite
o uso das técnicas estudadas.
Função de transferência:
v
A
1

=
v
i
⋅R
2
+R
1
R
4
R
3
R⋅i
L
R
1
+R
2
=0
, logo
i
L
=−
R
2
⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
⋅v
i
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 11
a)
Sendo
i
Lmáx
=1mA
e
R
Lmáx
=10K
então
v
L Imáx
=10V
(tensão máxima na carga)
R=
v
Omáx
−v
L Imáx
i
Lmáx
, onde
V
Omáx
é a máxima tensão de saída do AO.
Como
V
CC
=!12V,
podemos limitar, co segurança,
V
Omáx
=11V
.
R=
11V−10V
1mA
=1KD
Como
i
L
=−
R
2
⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
⋅v
i
então
R
4
R
3
=−
R
2
⋅v
i
R
i
⋅R⋅i
0
=−
100 K ¦−10)
100 K⋅1K⋅1m
=10
assim podemos escolher, por exemplo,
R
4
=100KD e R
3
=10KD
b)
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 12
O problema pode ser calculado por superposição:
Efeito de V
OS1
:
v
os1
=
R
1
R
1
+R
2

R
4
R
3
⋅R⋅i
L
i
L
¦ v
os1
)=
¦ R
1
+R
2
)⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
v
os1
Efeito de I
B2
:
i
L
=i
R
−i
b2
+
v
A
1

=
R
1
R
4
R
3
R⋅i
R
R
1
+R
2
=0
i
R
=0
i
L
¦i
b2
)=−i
b2
Portanto:
i
Ltot
=
¦ R
1
+R
2
)⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
v
os1
−i
b2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 13
1.8 Exercícios - AO ideal.
1)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
;
b) Para que serve esta configuração?
Respostas:
a)
v
0
=−
R
3
R
4
+R
2
R
3
+R
2
R
4
R
1
. R
4
v
i
b) Esta configuração é empregada quando queremos um alto ganho e não temos resistores de
alto valor disponíveis para Req.
2)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
, supondo
R
3
=R
2
;
b) Para que serve esta configuração?
Resposta: a) Se R3=R2 então
v
0
=
2R
2
R
1
⋅¦
R
2
R
+1)⋅¦ v
2
−v
1
)
b) amplificador subtrator com ganho ajustável por um elemento (R).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 14
3)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
b) Os operacionais estão sob realimentação negativa?
4)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 15
5)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
6)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
7)
Mostre que para o amplificador inversor e não inversor, o ganho pode ser escrito da seguinte
forma:
v
o
v
i
=
Ganho Ideal
1+
1
β⋅Ad
onde β=
R1
R1+R2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 16
8)
Ache a expressão de v
o
para o circuito abaixo em função de V1, V2 e Vcm.
9)
Para o circuito em ponte mostrado abaixo, determine o valor da tensão de saída.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 17
2 Características CC do amplificador operacional real
2.1 Corrente de polarização I
B
Essas são as correntes CC, necessárias em cada entrada do AO, para produzir zero
Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. A corrente I
B
é a corrente de base dos
transistores TBJ, ou a corrente de fuga na porta dos FETs, utilizados no primeiro estágio de
um AO. Para medir estas correntes utiliza-se um circuito simples conforme mostrado na
Figura 2.1. Nesse circuito as correntes de polarização são obrigadas a fluir sobre resistores de
valor muito elevado (10MΩ ou mais) produzindo uma tensão de saída mensurável. Os
capacitores servem apenas como um filtro passa baixas (0,01µF). As chaves S1 e S2 são
abertas uma de cada vez para permitir a medida de I
B1
e I
B2
.
Figura 2.1: Circuito para medida das correntes de polarização e offset
Essas corrente são da ordem de [µA] ou [nA] mas podem ser menores em AO com
par diferencial composto por uma configuração Darlington ou transistores FET. Nestes casos
é possível encontrar AO com I
B
da ordem de [fA].
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 18
2.1.1 Modelo para representar a corrente de polarização
A Figura 2.2 mostra o equivalente elétrico de um AO sujeito a influência de correntes
de polarização. Note que este esquema utiliza correntes diferentes para a entrada inversora e
não inversora.
Figura 2.2: Modelo equivalente para um AO em função de IB
2.2 Corrente de offset I
OS
Essa é a diferença entre as correntes de polarização das entradas positiva e negativa de
um AO. Como os componentes do amplificador de entrada não são exatamente iguais há uma
pequena diferença entre as correntes de polarização. Para medir esta corrente utiliza-se o
circuito da figura Figura 2.1 (página 19)com as duas chaves abertas. Como as correntes de
polarização são muito semelhantes e as resistências muito elevadas é necessário que as
resistências sejam casadas com tolerância da ordem 0,1% ou menos.
2.2.1 Modelo para representar a corrente de offset
O modelo para representação de I
OS
é o mesmo utilizado para I
B
(Figura 2.2, página
20)
.
Em alguns casos, quando temos apenas um valor para I
B
e outra para I
OS
, podemos
calcular cada I
B
como apresentado pela equação 2.1
I
B
= I
B
± (I
OS
/2) ( 2.1 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 19
2.3 Tensão de offset V
OS
Esta é a diferença de tensão CC, necessária na entrada de um AO, para produzir zero
Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. A tensão de offset é causada pelo
desbalanço do par diferencial e pela desigualdade dos transistores do 2° estágio. Normalmente
o valor da tensão de offset é fornecido em módulo pois a tensão de saída pode ser afetada
positiva ou negativamente. Para facilitar a medida deste parâmetro utiliza-se um amplificador
não inversor com entrada aterrada e resistores de valores elevados, conforme mostrado na
Figura 2.3.
Figura 2.3: Circuito para medida da tensão de offset
2.3.1 Modelo para representar Vos
A Figura 2.4 mostra dois equivalentes elétricos de um AO com V
OS
. A fonte pode ser
colocada na entrada não inversora. A polaridade da fonte V
OS
não é definida pois a tensão de
offset é dada em módulo e sua polaridade pode mudar de operacional para operacional.
Figura 2.4: Modelos equivalentes para um AO em função de Vos
2.4 drift de I
B
, I
OS
e V
OS
Os drifts de I
B
, I
OS
e V
OS
correspondem as variações destes parâmetros com a
temperatura, tensão de alimentação, ou tempo. Estas variações ocorrem porque os
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 20
componentes do circuito são afetados de forma diferente por essas influências externas.
Normalmente os valores de drift correspondem a valores médios para um intervalo
especificado de temperatura, tensão de alimentação ou tempo.
2.4.1 Tensão de offset
As variações da tensão de offset com relação a temperatura, podem ser calculadas pela
equação 2.2.
V
OS
=V
OS
¦ 25° C)+
dV
OS
dT
AT ( 2.2 )
onde
dV
OS
dT
é a deriva térmica.
Alguns amplificadores operacionais apresentam pinos externos que possibilitam o
balanceamento do par diferencial e, por conseqüência, o zeramento da tensão de offset (Figura
2.5). Apesar deste recurso facilitar a compensação da tensão de offset ela causa um aumento
na deriva térmica de V
os
.
Figura 2.5: Compensação da tensão de offset
2.4.2 Correntes de polarização
As variações das correntes de polarização com relação a temperatura, podem ser
calculadas pela equação 2.3.
I
B
=I
B
¦ 25
o
C )+
dI
B
dT
AT ( 2.3 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 21
Onde
dI
B
dT
é a deriva térmica.
Alguns manuais não citam a deriva térmica, para a corrente de polarização, mas
indicam o AT necessário para dobrar o valor de I
B
, o que já é o suficiente para utilizar a
equação 2.3, supondo que esta variação seja constante com a temperatura.
Tabela 2.1: Comparação entre drift de alguns AOs
Amp. Op. 741C CA3140 OP07C AD5476 Unid.
Tipo TJB FET TJB alto desempenho FET alto desempenho –
Fabricante SID RCA Analog Devices Analog Devices –
Vos 1 8 0,06 0,25(Máx) mV
drift/Vos 0,5 1,0(Máx) µV/°C
IB 80 0,01 ±1,8 0,01 nA
Ios 20 0,0005 0,8 0,002 nA
drift/Ios 0,018 nA/°C
2.5 Ganho de malha aberta
Da mesma forma que a impedância de entrada, o ganho de um AO pode ser dividido
em dois: Ganho diferencial (A
d
) e de Modo Comum (A
CM
). Desta forma, o AO é classificado
quanto a sua habilidade de amplificar a diferença entre os sinais aplicados a suas entradas, e
rejeitar a parcela de sinal comum as duas entradas.
Além destas distinções feitas ao ganho dos AO, vale a pena ressaltar que os ganhos
mudam em função de uma série de itens como: a carga; a tensão de alimentação; a
temperatura; outros operacionais do mesmo tipo;....
2.5.1 Ganho Diferencial
Este ganho é influenciado pelas características dos transistores do par diferencial de
entrada e sua carga. Se a fonte de corrente que alimenta o par diferencial apresentasse
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 22
resistência infinita, as variações de corrente em um ramo do amplificador diferencial seriam
compensadas no outro ramo. Esse comportamento manteria constante a tensão de emissor,
que no modelo de pequenos sinais poderia ser considerado como aterrado. Desta forma o
ganho de pequenos sinais do primeiro estágio seria equivalente ao de um amplificador em
emissor comum com emissor aterrado.
Normalmente o ganho diferencial dos AOs é da ordem de 10
5
a 10
6
vezes.
2.5.2 Ganho de modo comum
Como a fonte de corrente que alimenta o par diferencial de entrada não apresenta
resistência infinita, mesmo aplicando sinais de mesma amplitude nas duas entradas do
amplificador, as correntes de coletor se alteram modificando a tensão de emissor. O modelo
de pequenos sinais para amplificador se torna um emissor comum com resistência de emissor.
Por esta razão, o ganho para sinais iguais nas duas entradas do amplificador é pequeno mas
não nulo.
Nos manuais, uma informação importante é o fator de rejeição de modo comum, que é
definido como mostrado nas equações 2.4, 2.5 e 2.7.
CMRR=
Ad
A
CM
(em valor absoluto) ( 2.4 )
CMRR=20⋅log
¦
A
d
A
CM
)
(em dB) ( 2.5 )
A
d
=
V
o
V
+
−V
-
=
V
o
V
id
( 2.6 )
A
CM
=
V
o
V
iCM
( 2.7 )
V
iCM
=
V
+
+V
-
2
( 2.8 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 23
A Figura 2.6 mostra o circuito utilizado para medir o ganho de modo comum dos AOs.
Nesse circuito um mesmo sinal é aplicado as duas entradas do AO sem realimentação. Com
estas informações, utiliza-se as equações 2.7, 2.4 e 2.5 para conhecermos a taxa de rejeição de
modo comum (CMRR).
Figura 2.6: Circuito para medida do A
CM
dos AOs
2.5.3 Modelo para ganho de modo comum
A Figura 2.7 representa o equivalente elétrico de um AO quando levamos em conta o
ganho de modo comum.
Figura 2.7: Modelo equivalente para um AO em função de ACM
2.6 Impedância de entrada
O primeiro estágio do AO é constituído de um amplificador diferencial cuja
impedância de entrada, apesar de ser muito elevada, não chega a ser infinita. Isto pode ser
constatado pela simples observação de que existem correntes de polarização fluindo para
dentro do AO.
A impedância de entrada de um AO pode ser separada em duas outras impedâncias
com características bem distintas. Uma delas é a chamada impedância de modo comum (R
CM
),
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 24
cujo efeito é igual para as entradas inversora e não inversora. A outra impedância é chamada
de diferencial (R
ID
) e deve-se a características exclusivas de cada entrada.
A impedância diferencial é função das características da junção base-emissor dos
transistores de entrada e da corrente de polarização destes. Sua influência pode ser quantizada
por meio da equação 2.9
R
ID
≈2⋅hie≈
2V
T
I
B
( 2.9 )
A impedância de modo comum é função da impedância de entrada da fonte de
corrente, que polariza o par diferencial, e do ganho de corrente deste. Esta impedância pode
ser aproximada pela equação 2.10.
R
cm
=
hfe
hoe
( 2.10 )
Pela relação entre as equações 2.9 e 2.10 fica claro que
R
cm
>> R
id
.
2.7 Impedância de saída
Esta impedância se deve principalmente às impedâncias de saída do 2°estágio (hoe
–1
),
refletidas para a saída do AO, e pode ser representada por um resistor série, colocado na saída
dos AO.
A resistência de saída (Ro) influencia no cálculo do amplificador realimentado porque
o ganho do amplificador em laço aberto não é infinito. Assim, a realimentação não consegue
corrigir totalmente a queda de tensão na resistência de saída Ro. Tipicamente a resistência de
saída é da ordem de 50D e em aplicações de precisão não devemos drenar mais do que 2 ou
3 mA da saída do AO.
A Figura 2.8 mostra um amplificador inversor completo, onde a resistência de saída
(Ro) do AO é levada em conta. Note que a tensão de saída passa por um divisor de tensão
formado por Ro e RL e que Ro também influencia na malha de realimentação.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 25
Figura 2.8: Amplificador não inversor com Ro não nula
Considerando Ro na topologia do amplificador não inversor, a tensão de saída fica
modificada de acordo com a equação 2.11.
vo=
RL // ¦ R+Rf )
Ro+RL// ¦ R+Rf )
⋅vo' ( 2.11 )
Comparando o ganho desse circuito com o ganho ideal da configuração não inversora
nota-se que o ganho da configuração ficou reduzido de:
1
1+
Ro
RL
+
Ro
R+Rf
2.8 Limitação da tensão de saída
Com exceção aos amplificadores chamados rail to rail a tensão de saída dos AOs
nunca alcança a tensão de alimentação. Isso se deve a quedas de tensão sobre os transistores
do 2° e 3° estágios de amplificação.
2.9 Rejeição a fonte de alimentação
A polarização dos transistores é dependente da tensão de alimentação utilizada e isso
faz com que o AO não seja imune às variações de tensão na alimentação. O fator que
caracteriza esta imunidade é chamado de rejeição a fonte de alimentação (Power Supply
Rejection) e pode ser calculado pelas equações 2.12 ou 2.13.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 26
PSRR=
AV
O
AV
CC
(em valor absoluto) ( 2.12 )
PSRR=20⋅log
¦
AV
O
AV
CC
)
(em dB) ( 2.13 ).
Valores típicos para PSRR dependem da qualidade do AO: para o 741 a PSRR é de
±30mv/v enquanto que para o OP27A a PSRR é de 0,2mv/v.
2.10 Modelo para Corrente Contínua:
Os modelos apresentados individualmente para representar I
B
, I
OS
, V
OS
, A, R
id
, R
CM
, R
O
e outros podem ser agrupados em um só modelo como mostra a Figura 2.9.
Figura 2.9: Modelo equivalente para um AO em função de: IB, Ios, Vos, A, Rid, Rcm, Ro
2.11 Problemas resolvidos
Para o circuito da Figura 2.10, considerando V
OS1
e V
OS2
diferentes de zero e A
d1
e A
d2
finitos:
a) Calcular Vo em função destes parâmetros e dos resistores.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 27
b) O manual da Analog Device, que apresenta este problema, informa que A2 deve
ter baixo V
OS
para o bom funcionamento do circuito. A influência de V
OS2
é realmente
significativa? Precisamos realmente ter um A2 de boa qualidade?
Figura 2.10: Circuito para o Error: Reference source not found
Solução
a)
Figura 2.11: Adaptação do circuito da Figura 2.10 levando em conta os efeitos de Vos
Para A
1
:
V
O1
=A
d1
⋅V
d1

V
d1
=V
X
−V
OS1
V
O1
=A
d1
⋅¦V
X
−V
OS1
)
Para A
2
V
O
=A
d2
⋅V
d2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 28
V
d2
+V
O1
+V
OS 2
=0
V
d2
=−V
OS2
−V
O1
V
O
=−A
d2
⋅¦ V
OS2
+A
d1
¦V
X
−V
OS1
))
Pela malha de realimentação podemos dizer que
V
X
=
R
1
R
1
+R
2
⋅V
O
Assim

V
O
A
d2
=V
OS2
+A
d1

¦
R
1
R
1
+R
2
⋅V
O
−V
OS1
)
Isolando V
O
, temos:
V
O
=
V
OS1

V
OS2
A
d1
R
1
R
1
+R
2
+
1
A
d1
⋅A
d2
Nota-se na expressão de V
O
, que a influência de V
OS2
é muito menor que a de V
OS1
,
pois a primeira aparece dividida por A
d1
, que tem um valor muito elevado. Assim, conclui-se
que A
2
não precisa ser tão bom quanto indicava o artigo da Analog Devices.
2.12 Circuitos para compensação de I
B
e V
OS
:
2.12.1 Compensação de I
B
no amplificador inversor
O modelo que representa os efeitos das correntes de polarização sobre um
amplificador inversor é apresentado na Figura 2.12. Por esta figura fica claro que a corrente I
B-
circula pela malha de resistores ao passo que a corrente I
B+
é curto circuitada. Este circuito
pode ser calculado por superposição.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 29
Figura 2.12: Modelo de amplificador inversor sob influência das I
B
s
Para Vin=0 (as duas extremidades do resistor R
1
estão conectados a potencial zero)
V
O1
=+R2⋅I
B −
Para I
B–
= 0
V
O2
=
−R
2
R
1
⋅V
in
Logo
V
0
=
−R
2
R
1
⋅V
in
+R
2
⋅I
B −
Parte da tensão de saída é função da corrente de polarização. Este erro introduzido na
tensão de saída pode ser reduzido pela inclusão de um resistor, R
3
, entre a entrada não
inversora e o terra.
Para I
B+
= 0 e I
B–
= 0
V
01
=
−R
2
R
1
V
in
Para I
B+
= 0 e V
in
= 0
V
O2
=R
2
⋅I
B −
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 30
Para I
B–
= 0 e V
in
= 0
V
O3
=
R1+R2
R1
⋅R
3
⋅I
B +
Logo
V
0
=
−R
2
R
1
⋅V
i
+R
2
⋅I
B −
+
−R
3
R
1
⋅¦ R
1
+R
2
)⋅I
B+
Supondo
I
B+
=I
B−
=I
B
V
0
=-
R
2
R
1
V
i
+I
B
¦ R
2

R
3
R
1
¦ R
1
+R
2
))
Para que o segundo termo da equação seja nulo
R
2

R
3
R
1
⋅¦ R
1
+R
2
)=0
R
3

¦ R
1
+R
2
)
R
1
=R
2
R
3
=
R
2
R
1
R
1
+R
2
A diminuição dos efeitos de I
B
podem ser compensadas com a inclusão de um resistor
conectado entre a entrada positiva e o terra, R
3
, de valor R
1
// R
2.
Quando isto acontece a saída
depende apenas da entrada e da rede de realimentação R1 e R2.
2.12.1.1 Caso do amplificador inversor.
Observa-se pela Figura 2.13, independente do modelo utilizado, que a tensão V
OS
afeta
a saída como se fosse aplicada sobre um amplificador não inversor.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 31
Figura 2.13: Dois modelos para o amplificador inversor sob influência das Vos
Resolvendo por superposição temos
V
O
=
−R
2
R
1
⋅V
in
+
¦ R
1
+R
2
)
R
1
⋅V
OS
Sendo assim, é possível somar ou subtrair tensões para remover a parcela da saída
dependente de V
OS
. Um dos circuitos para remover este offset é apresentado na Figura 2.14.
Figura 2.14: Amplificador inversor com correção da tensão de offset
No circuito da Figura 2.14 foram adicionadas resistências a entrada positiva do AO.
Estas resistências alteram o circuito transformando o amplificador inversor em um subtrator.
A tensão Vin continua sendo amplificada como em um amplificador inversor, porém soma-se
(ou subtrai-se) a esta, uma parcela obtida pela tensão Vx aplicada ao amplificador não
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 32
inversor. Se P1 for ajustado para fazer Vx igual a V
OS
a tensão de offset é compensada.
Valores de referência positivos e negativos são utilizados nos extremos de P1 para permitir a
compensação de tensões de ambos os sinais.
Para ajudar na compensação de I
B
, as resistências podem ser escolhidas de tal forma
que
R
1
// R
2
=R
3
+R
4
// ¦ R
5
+P
1
*
)
A resistência de P1, vista pelo circuito, varia com o ajuste do potenciometro e isto
altera a impedância total da malha vista pelo AO. Para minimizar estes efeitos utiliza-se
R
5
>>R
4.
2.12.2 Compensação de V
OS
no amplificador não inversor.
Uma alternativa para corrigir o efeito da V
OS
na configuração não inversora, sem
reduzir a impedância de entrada da configuração, é apresentada na Figura 2.15.
Figura 2.15: Amplificador não inversor com circuito para compensação de offset
Este circuito, muito semelhante ao utilizado na configuração inversora, modifica o
ganho do amplificador pois uma resistência variável R3+P1 é colocada em paralelo com R1.
Para minimizar estes efeitos utiliza-se valores de R3 e P1 tais que as alterações em P1
modifiquem minimamente o valor da resistência equivalente
R
1
≈R
1
// ¦ R
3
+P
1
*
).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 33
2.13 Exercícios - AO Real.
1)
No circuito abaixo:
a) Calcule R
1
para que a saída fique centrada em 0V.
b) Qual o valor de R
2
para que o amplificador tenha mínimo erro devido a I
OS
.

2)
No circuito abaixo determine V
O
em função de V
i
, considerando também V
OS
, I
OS
e A
d
Para este amplificador considere: V
OS
=2mV; I
B
=100nA; I
OS
=20nA; A
d
=10.000;
3)
Para a configuração amplificador subtrator:
a) Calcule V
O
levando em conta V
OS
, I
B+
, I
B-
, e R
id
.
b) Calcule V
o
considerando A
d
e CMRR finitos.
c) Verifique qual o CMRR do circuito em função do CMRR do amplificador operacional.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 34
4)
O circuito abaixo foi testado sob três condições diferentes.
Testes:
1 – V
i
=0; R
1
=10K; R
2
=390K; R
3
=0; V
O
= 497,5mV
2 – V
i
=0; R
1
=10K; R
2
=390K; R
3
=33K; V
O
= 299,5mV
3 – V
i
=0; R
1
=39K; R
2
=390K; R
3
=0; V
O
= 207,5mV
Perguntas:
a) Calcule V
OS
, I
B+
, I
B–
e I
OS
.
b) Calcule V
O
para o teste “2” mas com V
i
= 10mA
5)
Para um AO com resistência de entrada diferencial (R
id
) finita, com resistência de saída (R
O
)
maior que zero e com ganho (A
d
) finito, calcule Av, Ri e Ro para a configuração não
inversora.
6)
Para um buffer e um amplificador inversor de ganho unitário: verifique a influência do ganho
de modo comum e do CMRR em cada uma das configurações.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 35
7)
No circuito a seguir os amplificadores operacionais são reais e absolutamente iguais. Foram
feitos os seguintes testes com o circuito:
a) Com as chaves Ch1, Ch2 e Ch3 fechadas e V
i
= 0: V
O
= -2mV.
b) Com a chave Ch3 fechada, as chaves Ch1 e Ch2 abertas e V
i
= 100mV: V
O
= -4.89V
c) Com as chaves Ch2 e Ch3 abertas, Ch1 fechada e V
i
= 0: V
O
= 0;
Pergunta:
Calcular I
B
, V
OS
e CMRR com as respectivas polaridades. Considere as outras características
do amplificador operacional se aproximando do ideal. Fazer os cálculos com precisão de 1mV
para tensão e de 1nA para corrente. Suponha chaves ideais.
8)
Calcule a impedância de entrada do circuito abaixo. Utilizando apenas resistências e/ou
capacitâncias para Z1, Z2, ..., Z5, como poderíamos simular um indutor?
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 36
9)
Equacione o circuito abaixo e explique por que esta configuração possibilita um aumento na
impedância de entrada da configuração não inversora. Considere os amplificadores
operacionais com comportamento real e constituídos na mesma pastilha (AOs idênticos). Use
o ganho tendendo a infinito e as correntes de polarizações iguais.
OBS.: A impedância de entrada é dada por Zin = Vin/Iin. Compare este circuito com o não
inversor.
10)
Supondo ganho finito para o amplificador operacional, calcule a impedância de saída da
seguinte configuração.
11)
Qual o ganho real na configuração inversora se o resistor de realimentação é 5MΩ, o resistor
de entrada é 10KΩ, o ganho diferencial é 80dB, a impedância de entrada do operacional é
300KΩ e a resistência de saída do operacional é 100Ω. Calcule também a impedância de
entrada e de saída do circuito completo.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 37
12)
No circuito abaixo foram realizadas as seguintes medidas:
a) S1 e S2 fechadas: V
O
= 0,04V
b) S1 aberta e S2 fechada: V
O
= 0,1V
c) S2 aberta e S1 fechada: V
O
= -0,06V
Calcule I
B+
, I
B–
e I
OS
.
13)
Admitindo que o AO do circuito abaixo seja um 741 típico (V
os
(típico) = 2mV; I
B
(típico) =
80nA; I
os
(típico) = 20nA; A
d
(típico) = 200.000):
a) determine a resistência de entrada do circuito.
b) determine a expressão de V
O
levando em conta V
OS
, I
OS
, A
d
. Compare com o AO real.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 38
14)
Nos circuitos abaixo calcule V
O
/(V
2
-V
1
) supondo que os AOs são idênticos. Determine
também uma expressão para o ganho de modo comum, supondo V
1
=V
2
=V
CM
em função do
CMRR dos AOs.

15)
Calcular a função de transferência supondo a existência de I
B+
, I
B–
e V
OS
para os seguintes
amplificadores:
a) inversor (com um resistor R
3
ligado entre a entrada V
+
do AO e terra):
b) não-inversor (com um resistor R
3
ligado entre V
i
e a entrada V
+
do AO):
16)
Calcular a função transferência supondo a existência de CMRR para os seguintes
amplificadores:
a) inversor:
b) não-inversor:
c) buffer:CMRR= 90dB, A
d
= 200.000
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 39
3 Características em freqüência do amplificador operacional real
3.1 Resposta em Freqüência e Estabilidade
Em um amplificador realimentado, como no caso dos circuitos com AO, tanto o
amplificador quanto a malha de realimentação costumam ser modelados por ganhos,
conforme indicado na Figura 3.1. O ganho do elemento amplificador é chamado de ganho em
laço aberto – no AO este ganho corresponde ao A
d
(S). O ganho da malha de realimentação é
chamado de β(S).
Figura 3.1: Diagrama em blocos de um amplificador realimentado
Pelo diagrama em blocos deve ser claro que
V
O
¦S)=A
d
¦ S)⋅
¦
V
i
¦ S) – V
O
¦S)⋅ߦS)
)
e, portanto que a equação 3.1, representa o ganho do amplificador realimentado ou o
ganho de malha fechada.
V
O
¦ S)
V
i
¦ S)
=A
V
¦S)=
A
d
¦S)
1+A
d
¦S)⋅ߦS)
( 3.1 )
O ganho A
d
(S) é constante para CC mas a partir de uma determinada freqüência
começa a decair. O ganho β(S) pode ser constante ou apresentar comportamento variável com
a freqüência.
Em baixas freqüências, normalmente, os dois ganhos são constantes e o denominador
da equação 3.1 é positivo e maior do que 1. Isto garante a estabilidade da função de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 40
Ad(S)
β(S)
Vo Vi
+ _
transferência. Se o ganho A
d
(S) for muito elevado, como nos casos do AO, o ganho da malha
de realimentação, β(S), é responsável pelo ganho do amplificador realimentado (equação 3.2).
V
O
¦ S)
V
i
¦ S)
=
1
ß
( 3.2 )
Em altas freqüências a estabilidade depende do comportamento de A
d
(S) e β(S). Por
esta razão é comum estudar separadamente o comportamento do chamado ganho de malha, ou
seja do produto L¦S)=A
d
¦S )⋅ߦS ) .
Se, em alguma freqüência, a fase do ganho de malha for 180º, então o ganho de malha
será negativo. Se, cumulativamente, o módulo do ganho de malha for unitário, o ganho do
amplificador torna-se infinito ( 1+A
d
¦S )⋅ߦS )=0 ). Esta é uma situação limite de
estabilidade que corresponde a colocar os pólos do amplificador realimentado sobre o eixo jω.
Se o módulo do ganho de malha aumentar (mantendo a fase em 180º), os pólos do
amplificador realimentado deslocam-se para a direita do eixo jω (
1+A
d
¦S )⋅ߦS )0
). Em
síntese: se o ganho de malha for ∣1∣∢180
o
o circuito torna-se um oscilador e se o ganho de
malha for maior do que ∣1∣∢180
o
o circuito torna-se instável.
Uma análise preliminar indica que não existe problema de instabilidade para
amplificadores realimentado com 1 ou 2 pólos, pois a fase do ganho de malha nunca será
180º. Para amplificadores realimentados com 3 ou mais pólos, o problema da instabilidade
não pode ser esquecido.
O diagrama de Bode do ganho de malha, Figura 3.2, pode ser utilizado para simplificar
a análise da estabilidade dos amplificadores realimentados. Neste diagrama de Bode, são
desenhados os gráficos de módulo e fase do ganho de malha, representado conforme equação
3.3. O gráfico, apesar de simples, utiliza escala logarítmica de freqüência e ganho em dB.
Ganho em dB corresponde a 20⋅log∣Ganho Linear∣ . Ganho unitário corresponde a 0dB.
Ganho em dB negativo equivale a ganho linear com módulo entre 0 e 1. Ganhos de
20⋅log¦ X ) correspondem a −20⋅log¦1/ X )
A
d
¦ j o)⋅ߦ j o)=∣A
d
¦ j o)⋅ߦ j o)∣⋅e
j⋅!¦ o)
( 3.3 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 41
Figura 3.2: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado
A estabilidade está garantida se, no diagrama de Bode do ganho de malha, para a
freqüência onde a fase é 180º, o módulo do ganho for menor do que 1 (valor menor do que
0dB). Da mesma forma, se para a freqüência de ganho unitário, a fase de A
d
¦S)⋅ߦS) for
maior do que –180º (–150º, –120º... ), o amplificador também é estável.
Neste diagrama de Bode é possível identificar duas figuras de mérito importantes: a
margem de ganho e a margem de fase. A diferença entre o valor do ganho para a fase de –180º
e o ganho unitário é chamado de margem de ganho (equação 3.4). A diferença entre a fase
para ganho unitário e –180º é chamado de margem de fase (equação 3.5).
MG| dB¦=−∣A
d
¦ S)⋅ߦ S)∣
!=−180
o
( 3.4 )
MF| graus¦=180
o
−∣!∣
∣Ad¦ S)⋅ߦ S)∣=0dB
( 3.5 )
Partindo-se desta análise é possível concluir que o amplificador realimentado
representado pela figura Figura 3.2 é estável. Observa-se que para ganho unitário (0dB), a fase
é menor do que –180º (–150º). De outra maneira, quando a fase é –180º o módulo do ganho de
malha é menor do que um (menor do que 0dB).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 42
Quando o ganho dos AOs não pode ser alterado só resta alterar a rede de realimentação
para garantir a estabilidade do amplificador em malha fechada. A determinação de um ganho
de realimentação que deixe estável o circuito pode ser obtida da seguinte forma: 1) desenha-se
o diagrama de Bode para A
d
(S) (Figura 3.3), 2) determina-se uma margem de fase considerada
aceitável, 3) determina-se o ganho do AO para a freqüência onde a margem de fase é atendida.
4) determina-se o ganho de realimentação de tal forma que β
–1
= A
d
. Este valor de A
d
corresponde ao menor ganho da configuração realimentada e que atende ao requisito de
mínima margem de fase, pois ∣A
d
¦S)⋅ߦS)∣=1 .
No exemplo da Figura 3.3, para que a margem de fase do amplificador realimentado
seja da +45º, ajusta-se o ganho de realimentação de tal forma que ∣A¦S)⋅ߦ S)∣=1 , para a
freqüência onde a fase do AO corresponde a –135º. Como, neste ponto, o ganho do AO
corresponde a 60dB, o ganho β corresponde a –60 dB (no gráfico isto corresponde a reta
denominada 20⋅log¦1/ ß)=60dB ). Se for escolhido um ganho β maior, –30dB, por exemplo,
o ganho de malha será ∣1∣∢−180
o
.
Figura 3.3: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 43
3.1.1 Resposta em freqüência não compensada
Cada estágio do amplificador operacional é composto por transistores que definem
diferentes pólos. Na maioria das vezes estes pólos estão distantes, de modo que alguns se
tornam dominantes. Estes pólos dominantes limitam a resposta em freqüência dos estágios, e
por conseguinte, do amplificador operacional como um todo. Para CC e baixas freqüências o
ganho é praticamente constante, para altas freqüências o ganho diminui com a freqüência. A
Figura 3.4 mostra a influência de três pólos dominantes, um de cada estágio de um AO típico.
Figura 3.4: Resposta em freqüência de cada estágio de um típico AO não compensado
A equação 3.6 corresponde ao ganho do sistema não compensado, mostrado na Figura
3.4.
A
d
¦S)=A
d0

p
1
⋅p
2
⋅p
3
¦ S+p
1
)⋅¦ S+p
2
)⋅¦S+p
3
)
( 3.6 )
onde A
d0
é o ganho em baixas freqüências, A
d
(S) é o ganho de tensão em laço aberto,
p
1
, p
2
, e p
3
são os pólos.
Os efeitos individuais dos pólos de cada estágio do AO foram somados para montar o
gráfico da Figura 3.5. Observa-se que o AO tem ganho de 29dB na freqüência onde a fase é
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 44
– 180º. Sendo assim este AO será estável em todas as configurações com ganho maior do
29dB, caso contrário o circuito se torna um oscilador.
Figura 3.5: Resposta em freqüência de um típico AO não compensado
Por esta razão alguns AOs de banda larga (amplificadores desenvolvidos para operar
em freqüências elevadas) só podem ser utilizados em configurações com ganho mínimo
estabelecido pelo fabricante. Muitas vezes estes operacionais não são estáveis para ganho
unitário. Como exemplo disto temos o LF357, que é estável em configurações com ganho
maior do que 5.
3.1.2 Resposta em freqüência com compensação
Para corrigir a resposta em freqüência de um AO (instabilidade ou resposta a
transitórios) emprega-se algum tipo de compensação. Esta pode ser externa (AO de banda
larga e alto desempenho – LM301, LM308, LM318...) ou interna (AO de propósito geral -
LM741, LF351...) ao AO.
Uma forma de compensar o AO, para permitir a sua estabilidade em um determinado
ganho de malha fechada consiste em introduzir um pólo de baixas freqüências, de modo que a
a nova resposta em freqüência do AO intercepte a curva 20⋅log¦1/ ß) com inclinação de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 45
-20dB/déc (curva Ad(S) compensada Figura 3.6). Este comportamento, infelizmente, introduz
um pólo adicional em freqüência muito baixa o que diminui sensivelmente o ganho do AO em
todas as freqüências. Isto é prejudicial ao desempenho global do AO pois seu comportamento
ideal apresenta ganho elevado para todas as freqüências.
Figura 3.6: Compensação de um AO com um pólo dominante
A diminuição no valor do primeiro pólo do AO também pode ser utilizado para
estabilizar o amplificador realimentado sem introduzir um pólo adicional (o primeiro pólo
pode ser desviado para o ponto de interseção da linha tracejada com a resposta Ad(S) – curva
verde). Como vantagem o método permite ganhos maiores para todas as freqüências. Como
desvantagens é necessário capacitores de valor elevado dentro do AO.
No LM741 é utilizada uma técnica alternativa e muito comum para compensação. É
incluído um pequeno capacitor (≈30
p
F) entre a base e o coletor de algum transistor do 2°
estágio. O efeito deste capacitor é multiplicado pelo ganho do 2° estágio (efeito Miller) e
refletido para a saída do 1° estágio. Isto faz com que seja criado, no 1° estágio, um pólo em
uma freqüência muito baixa (≈10Hz), um zero na freqüência de p
2
e outro pólo em uma
freqüência bastante elevada (≈1MHZ). Em suma, p
2
é cancelado, e p
1
é deslocado para direita.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 46
O resultado final é de um amplificador com comportamento de um único pólo em quase toda
a faixa de freqüência.
No caso do LM741 é possível considerá-lo como um circuito de um único pólo até a
freqüência de 1MHz (p
3
), conforme indicado na equação 3.7. Acima desta freqüência o ganho
em malha aberta é menor do que 1 (0dB), e isto garante a estabilidade do AO até mesmo para
ganho unitário. O custo desta estabilização foi a redução da largura de banda do AO (largura
da faixa de passagem).
A
V
¦ S )=
A
0
⋅p
1
S+p
1

A
0
⋅p
1
S
=
GBW
S
( 3.7 )
onde GBW é o produto ganho-faixa do AO
Nesta aproximação o GBW é constante, ou seja, se o ganho de malha fechada for
diminuído há um aumento proporcional na faixa de freqüências que pode ser amplificada por
este ganho.
3.2 Características de desempenho em freqüência
Além do ganho do amplificador em malha aberta e do produto ganho faixa existem
outras características que determinam o desempenho dos AOs com relação a freqüência.
3.1.3 slew-rate
O slew-rate (SR) representa a máxima variação de tensão ( AV
O
) que um
amplificador operacional pode apresentar, na saída, em um dado intervalo de tempo AT . A
principal causa de limitação do slew-rate é a resposta em freqüência do AO e, principalmente,
o pólo dominante. Valores típicos para o slew-rate vão de 1V/µs, em amplificadores de uso
geral, à 2000V/µs em amplificadores rápidos. O valor típico de SR para um LM741 é de
0,5V/µs e para o LM748 é de 40V/µs.
Para medir o slew-rate utiliza-se um buffer (amplificador não inversor de ganho 1) e
um gerador de funções. O gerador aplica uma onda quadrada na entrada do buffer. O sinal de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 47
saída é medido conforme o indicado na Figura 3.7. Para o cálculo do SR utiliza-se o menor
valor obtido pelas equações 3.8 e 3.9.
Figura 3.7: Resposta do AO para uma entrada em degrau. Medidas para determinação do
SR
SR
S
=
90%⋅Vmáx−10%⋅Vmáx
ts
( 3.8 )
SR
D
=
90 %⋅Vmáx−10%⋅Vmáx
td
( 3.9 )
onde SR
S
é o slew-rate de subida, SR
D
é o slew-rate de descida,
3.2.1 Settling time
É o tempo necessário para que a resposta do AO, a uma entrada em degrau, estabilize
dentro de uma faixa de valores considerada aceitável. Esta faixa de valores normalmente
corresponde a 0,1 ou 0,01% um porcento do valor final.
Dependendo das características do amplificador operacional, da rede de realimentação
e da compensação, o circuito apresentará um determinado grau de amortecimento (ζ → zeta:
constante de amortecimento), podendo ser considerado sobre, sub ou criticamente amortecido.
Assim a saída levará algum tempo para se acomodar no valor de regime estacionário, devido
ao transitório. Este intervalo de tempo é definido como tempo de acomodação ou settling
time. A Figura 3.8 mostra como identificar o tempo de acomodação de um sistema a partir de
uma excitação em degrau.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 48
Figura 3.8: Tempo de acomodação da saída de um AO após uma entrada em degrau
3.1.4 Exemplo: Resposta em freqüência
Para o circuito:
Considere que os dois AOs têm características dinâmica do tipo pólo dominante.
Deseja-se que o circuito apresente um pólo em 100kHz (devido a A1) e outro em
1MHz (devido a A2). Determine o produto ganho-faixa (GBW) de cada um dos AOs para que
esta especificação seja atendida.
O circuito deve fornecer uma saída V
O
senoidal de até 100kHz e com 10V
p
sem
distorcê-la. Calcule o slew–rate (SR) mínimo de cada AO para atender a esta especificação.
Considere o modelo CC dado abaixo. Calcule a tensão de saída V
O
para V
i
=0, em
função de V
OS1
, A
d1
, V
OS2
, A
d2
e dos resistores. Um dos AOs tem mais influência sobre este
valor de V
O
? Qual?
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 49
Solução.
Os dois AOs estão funcionando com realimentação negativa portanto estão em uma
região linear.
a) Em um amplificador realimentado, com pólo dominante, o diagrama de Bode de um
amplificador corresponde a uma reta com inclinação –20dB/década. O ponto de
funcionamento do circuito realimentado corresponde a interseção deste gráfico com a reta
20⋅log¦1/ ß) . Desta maneira só precisamos igualar as duas funções:
O ganho de malha aberta de A
2
é
A
2
¦ S )=
GBW
2
S+p
2

GBW
2
S
O ganho em malha fechada de A
2
deve ser

1
ߦ f )

=
GBW
2
f
Determinação do ganho da rede de realimentação.
Considerando Ad não infinito, a configuração inversora apresenta ganho igual a
v
0
=−
R
4
R
3
+
R
3
+R
4
Ad
⋅v
i
, ou
v
o
v
i
=
Ganho Ideal
1+
1
β⋅Ad
onde β=
R3
R3+R4
Reescrevendo as equações temos
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 50
v
o
v
i
=
Ad⋅ß⋅R
4
R
3
1+β⋅Ad

v
o
v
i
=
Ad⋅R
4
R
3
+R
4
1+β⋅Ad
logo o fator β corresponde ao ganho de realimentação.
Assim
1
ß
=
R
3
+R
4
R
3
GBW
2
=
R
3
+R
4
R
3
⋅f
2
=
10k+100k
10k
⋅1MHz=11 MHz
O ganho de malha aberta de A
1
é
A
1
¦ s)=
GBW
1
S+p
1

GBW
1
S
e o ganho em malha fechada de A
1
deve ser

1
ߦ f )

=
GBW
1
f
Assim
1
ß
=
R
1
+R
2
R
1

1
A
V2
=
1k+100k
1k

1
10
=10,1
GBW
1
=
1
ß
⋅f
1
=10,1⋅100 kHz=1, 01MHz
b) Para A2:
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 51
SR
2

¦
dV
O
dt
)
máx
=
d
dt
¦ 10⋅sen¦ 2π f ⋅t ))∣
t =0
SR
2
≥10⋅2⋅n⋅f ⋅cos¦ 2π f ⋅t )∣
t =0
=10⋅2π⋅100. 000
SR
2
≥ 6,283V/µs
Para A1:
Devido ao ganho de A
2
, a saída de A
1
necessita ter apenas 1/10 da amplitude de V
O
,
SR
1
≥ 0,6283V/µs
c)
v
O1
=Ad
1

¦
V
OS1
+
R
1
R
1
+R
2
⋅v
O
)
V
OS2

v
O
Ad
2
=
v
O1
⋅R
4
+v
O
⋅R
3
R
3
+R
4
Substituindo uma equação na outra
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 52
v
O
=
R
3
+R
4
R
4

V
OS2
Ad
1
−V
OS1
R
3
R
4

1
Ad
1
+
R
3
+R
4
R
4

1
Ad
1
⋅Ad
2
+
R
1
R
1
+R
2
Levando-se em conta que os ganhos diferencias Ad são elevados,
v
O
≃−
R
1
+R
2
R
1
⋅V
OS1

Observa-se que V
OS1
é predominante.
3.3 Cargas Capacitivas:
Em um AO, uma carga capacitiva pode alterar a impedância de saída equivalente e
introduzir mais um pólo, no ganho de tensão de malha aberta. Como resultado é possível que
o circuito torne-se instável. O pólo induzido é representado pela equação 3.10
p=
1
Z
O
⋅C
L
( 3.10 )
mas sua determinação não é fácil, pois Z
O
é função da freqüência. Normalmente,
cargas capacitivas aparecem em malhas de compensação externa, na excitação de algum
transdutor ou quando a carga está conectado ao AO por fios muito longos, como uma linha de
transmissão. Neste último caso, a carga capacitiva limita a transmissão de dados em
velocidades elevadas.
Via de regra AOs de uso geral toleram cargas capacitivas de até 1000pF enquanto que
para AO de alta freqüência a carga capacitiva deve ser limitada a uns 25pF. Quando se
trabalhar como cargas deste tipo se deve utilizar amplificadores com baixa impedância de
saída em malha aberta ou prover uma redução desta impedância utilizando um amplificador
de reforço de corrente. Para o caso da linha de transmissão o reforço de corrente pode ser
muito importante pois em freqüências elevadas a carga pode drenar correntes elevadas.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 53
A título de curiosidade, um AO deve ser capaz de suprir 63mA para uma carga
capacitiva de 10000pF excitada por um sinal de 10V e 100kHz: i
Lmáx
=C
L

¦
dV
O
dt
)
máx
Circuitos de compensação podem ser criados para evitar instabilidade. No circuito
mostrado na Figura 3.9 foi implementado uma compensação externa utilizando-se técnicas de
controle. Normalmente se utiliza atraso de fase mas qualquer outra técnica de controle pode
ser implementada.
Figura 3.9: Compensador para cargas capacitivas
Para o circuito da Figura 3.9 vale a regra apresentada na equação 3.11.
1
R
O
+R
3

1
C
1
⋅¦ R
1
// R
2
)
( 3.11 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 54
3.2 Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional
Ruído elétrico é todo o tipo de interferência que se sobrepõe a uma informação
elétrica. Para evitar confusão, a partir deste momento, a palavra “sinal” passa a representar a
informação útil ao passo que a palavra “ruído” será utilizada para referenciar qualquer tipo de
interferência elétrica sobre um determinado sinal. O ruído elétrico nos operacionais se deve ao
ruído inerente a cada dispositivos que o compõe (transistores, resistores, etc....).
Existem várias formas de ruído elétrico sendo que cada uma destas formas está
associada a algum evento físico ou a alguma características de confecção do componente. A
seguir, são listados os principais tipos de ruído, suas fontes e seus efeitos na saída dos AOs.
3.3.1 Ruído Térmico:
Este ruído é causado pela agitação térmica dos elétrons em uma resistência. O ruído
térmico é constante ao longo de todo o espectro de freqüências, e por isso é chamado de
“ruído branco”. A tensão eficaz gerada pelo ruído térmico pode ser calculada com a equação
3.12.
V
T
¦ RMS)=. 4 kTBR [ V / . Hz ] ( 3.12 )
onde: k é a constante de Boltzman (1,38⋅10
23
J/K); T é a temperatura [K]; B é a banda
passante [Hz]; R é a resistência [Ω].
No osciloscópio o ruído térmico aparece como o desenho da Figura 3.10.
Figura 3.10: Aparência do ruído térmico
.
3.3.2 Shot Noise
Este ruído está associado com uma corrente fluindo através de uma barreira de
potencial. Isto significa que ele é formado pela flutuação instantânea de corrente elétrica,
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 55
causada pela emissão aleatória de elétrons e lacunas. Schottky, em 1918, mostrou que este
ruído gera uma corrente eficaz, que pode ser quantizada de acordo com equação 3.13.
I
SN
¦ RMS)=
.
2qI
DC
B [ A/ . Hz ] ( 3.13 )
onde: q é a carga do elétron (1,6⋅10
19
C); I
DC
é a corrente média [A]; B é a banda
passante [Hz].
Quanto ao espectro de freqüências o shot noise é similar ao ruído térmico, pois a
densidade de potência é constante com a freqüência.
3.3.3 Ruído de Contato:
Também conhecido por Excess Noise, Flicker Noise, ruído 1/f e ruído de baixa
freqüência, é causado pela variação da condutividade devido ao contato imperfeito entre dois
materiais (por exemplo, silício e alumínio). Este tipo de ruído aparece sempre que existe
junções entre materiais de qualquer tipo, como nas chaves, pontos de solda etc.. A equação
3.14 mostra a intensidade da corrente pela qual pode ser modelado este ruído.
I
f
¦RMS )=
KI
DC
. B
. f
[ A/ . Hz ] ( 3.14 )
onde: K é uma constante que depende do material; I
DC
é a corrente média [A]; B é
banda passante [Hz]; F é a freqüência [Hz].
Note que o ruído de contato I
f
aumenta com a diminuição da freqüência. Esta é a maior
fonte de ruído em componentes à baixas freqüência.
Para dois resistores de 1KΩ , um de carbono e outro de fio, o ruído térmico é o mesmo
e proporcional a resistência. Porém, com a passagem de corrente elétrica o resistor de carbono
apresenta mais ruído que o resistor de fio devido a variação de condutividade no contato
imperfeito do resistor.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 56
3.3.4 Popcorn Noise:
Este ruído é responsável pelo conhecido “estalo” que aparece, por exemplo, em
aparelhos de som. É causado por defeitos de manufatura da junção (tal como uma impureza)
de componentes semicondutores. Este tipo de ruído depende do processo de fabricação dos
semicondutores. O popcorn tem a aparência de um degrau de tensão de duração aproximada
de 10 ms e que aparece esporadicamente nos aparelhos. A Figura 3.11 mostra a aparência
destes ruído quando visto em osciloscópio.
Figura 3.11: Aparência do ruído popcorn
3.3.5 Soma de Ruídos:
Várias são as fontes de ruído e todas podem estar presentes ao mesmo tempo em um
mesmo circuito. Quando isto ocorre e os ruídos não são correlacionados, ou seja, são
independentes, a soma das fontes de ruído produz uma potência total que é igual a soma da
potência de cada fonte, de acordo com a equação 3.15. O resultado também pode ser expresso
em termos de uma fonte de tensão como na equação 3.16.
P
T
=P
1
+P
2
+...+P
n
( 3.15 )
V
T
=
.
V
1
2
+V
2
2
+. . .. .V
n
2
( 3.16 )
O ruído RMS total é como se fosse o desvio padrão de uma distribuição de
probabilidade normal com média zero. Sendo assim, para obter os valores máximos e
mínimos desta distribuição, com erro menor do que 0,1%, basta multiplicar o desvio padrão
por 3,3. É comum multiplicar o ruído RMS por 6,6 para se obter uma informação pico a pico
de corrente ou tensão.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 57
3.3.6 Espectro de ruído
Um gráfico de ruído equivalente é construído com auxílio de filtros passa faixa
sintonizados ou de processamento digital de sinais. A representação do ruído sempre é feita no
domínio da freqüência.
Em transistores, por exemplo, uma polarização simples para a configuração emissor
comum é montada. Como carga deste circuito adiciona-se um filtro passa faixa variável que
sintoniza a freqüência onde se deseja medir o ruído. Um milivoltímetro RMS é utilizado para
as medidas. A curva resultante destas medidas é mostrada na Figura 3.12.
Figura 3.12: Espectro de ruído para um amplificador
Analisando o gráfico da Figura 3.12 podemos perceber que o nível de ruído na saída
de um circuito a base de transistores depende da faixa de freqüência em que se está
trabalhando:
• de 0 até F1 temos: ruído térmico + contato + shot noise
• de F1 até F2 temos: ruído térmico + shot noise
• acima de F2 temos: ruído da junção do coletor associado à diminuição do
ganho do transistor + shot noise.
Por esta razão, em circuitos de instrumentação, especificamente abaixo de 100Hz, é
recomendado evitar ou diminuir correntes CC fluindo pelos sensores. Isto pode ser obtido
minimizando a corrente de polarização dos amplificadores.
Em amplificadores operacionais o ruído elétrico normalmente é maior do que o ruído
de um amplificador construído com transistores discretos, pois o circuito de entrada do
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 58
operacional tem dois transistores (no mínimo) na configuração diferencial. Isto implica num
aumento de
.2 no ruído. Outro fator importante é que alguns transistores integrados tem
ganho menor que os transistores discretos.
A curva de tensão e corrente de ruído para um AO típico é mostrada na Figura 3.13.
Note as unidades nV / . Hz e pA/ . Hz para cada freqüência específica. Se desejarmos
conhecer o ruído para uma faixa de freqüências basta multiplicar pela raiz quadrada da faixa
de freqüências que desejamos. Nestes casos as unidades podem mudar para µV e nA.
Figura 3.13: Corrente e tensão de ruído para um AO típico
3.2.1 Equivalente Elétrico
Fontes de tensão e corrente podem ser aplicadas para modelar a influência do ruído em
um AO. Conforme apresentado na Figura 3.14 estas fontes são aplicadas da mesma forma que
para modelar V
OS
e I
B
.
Figura 3.14: Modelo do AO com fontes de ruído
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 59
3.2.2 Relação sinal ruído
Para avaliação de amplificadores também se utiliza a chamada relação sinal ruído
(SNR), definida conforme 3.17. Quanto maior a relação SNR melhor o amplificador.
SNR=20⋅log
¦
Vsinal
RMS
Vruído
RMS
)
( 3.17 )
3.2.3 Figura de ruído
A figura de ruído corresponde a razão entre as SNR da entrada do amplificador (como
se ele não existisse) e da saída do amplificador. Note que para esta medida é importante que
os valores da impedância da fonte de entrada (o gerador de sinais) sejam consideradas.
NF=10⋅log
¦
SNR
in
SNR
out
)
NF=10⋅log
¦
Sinal
in
⋅Ruído
out
Sinal
out
⋅Ruído
in
)
NF=10⋅log
¦
Sinal
in
⋅Av⋅V
TNin
2
Sinal
in
⋅Av⋅V
T
2
)
,
onde Av é o ganho de tensão do amplificador, V
TNin
é a tensão de ruído total na entrada
do amplificador, V
T
é a tensão de ruído térmico na resistência da fonte.
NF=10⋅log
¦
V
TNin
2
V
T
2
)
NF=10⋅log
¦
V
n
2
+V
T
2
+I
n
2
⋅R
gerador
2
V
T
2
)
Supondo que o único ruído do gerador seja o ruído térmico, quando conectarmos este
gerador ao amplificador a tensão de ruído se soma a tensão do gerador e a corrente de ruído,
passando pela resistência do gerador produz outra tensão de ruído que depende da impedância
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 60
de entrada do gerador. Por esta razão, para pequenos valores de impedância do gerador a
tensão de ruído tem importância maior que a corrente. Se a resistência do gerador é grande a
corrente de ruído é mais importante. Uma clara vantagem do amplificador com entrada FET,
pois assim como as correntes de polarização a corrente de ruído destes amplificadores é muito
menor que nos TBJ.
3.2.4 Exemplo: Ruído
Para o amplificador cuja tensão e corrente de ruído são apresentadas na figura Figura
3.13, supondo que ele está conectado a um gerador com impedância de 2kΩ.
a) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando a 1kHz (por
unidade de freqüência).
No resistor da fonte (para 1Hz): V
T
=.4⋅k⋅T⋅R⋅B=5,7nV / . Hz
Da figura Figura 3.13 vem que
V
n
|
1kHz
=9,5nV / .Hz
I
n
|
1kHz
=0,68 pA/ . Hz
Total: V
TN
=
.
V
n
2
+V
T
2
+I
n
2
⋅R
gerador
2
=11,16nV /. Hz
b) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando entre 1kHz e
10kHz.
V
TN
=11,16 nV / . Hz⋅.10kHz – 1kHz=1,1uV
RMS
c) Calcular a relação sinal ruído na entrada do amplificador, supondo que o sinal do
gerador possui apenas 4mV.
SNR=20⋅log
¦
V
gerador
V
TN
)
=71dB
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 61
3.2.5 Algumas dicas para minimizar os efeitos de ruído interno e externos ao AO
• Minimizar a introdução de ruído determinístico no sistema (cuidados
mecânicos, blindagem, cabos, invólucro, ponto de alimentação). Usar cabos
coaxiais, par trançado UTP, par trançado STP, fibras ópticas.... Aterrar cabo
coaxial. Diminuir a área formada por laços de corrente.
• Sempre que possível devemos limitar ao máximo a banda de passagem (atuar
na resposta em freqüência de amplificadores, colocar armadilhas para RF,
filtros de rede...). Usar anéis de ferrite ou de condutor em pontos de conexão
com fios. Usar trilhas de circuito impresso arrendondadas.
• Utilizar amplificadores mais insensíveis ao ruído como CAZ (commutating
auto zero), ou amplificadores sintonizados como o LOCK-IN.
• Atentar para a disposição dos circuitos na placa. Identificar fontes de ruído e
agrupar estes circuitos, longe das etapas não ruidosas. Agrupar transistores de
chaveamento, transformadores, diodos, ... Isolar etapas de alta potência das de
baixa potência.
• Filtro de linha próximo da entrada da fonte. Usar capacitores de
desacoplamentos para as fontes. Adicionar a cada placa capacitores de 2,2µF
até 100µF (os grandes capacitores barram alta freqüência) nos fios de
alimentação. Junto a circuitos integrados usar capacitores de 10nF até 100nF.
• Capacitores e indutores (idealmente) não possuem ruídos associados mas
possuem atuação limitada em frequência conforme apresentado na Tabela 3.1.
Tabela 3.1: Máxima freqüência de utilização de diversos tipos de capacitores
Capacitores Freqüência
Eletrolítico de alumínio 100kHz
Eletrolítico de tântalo 1MHz
Papel 5MHz
Mylar 10MHz
Poliestireno/Mica 500MHz
Cerâmico 1GHz
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 62
4 Tipos de Amplificadores Operacionais
Atualmente uma variedade de circuitos para amplificadores operacionais está
disponível no mercado. Seguindo o conceito básico de amplificadores operacionais (ser capaz
de amplificar a diferença entre dois sinais), estes amplificadores trabalham com correntes,
tensões, transcondutância entre outros. A seguir estudaremos alguns tipos de amplificadores
operacionais integrados e disponíveis no comércio.
4.1 Amplificador operacional típico
Este circuito consiste do amplificador operacional tal como o conhecemos até agora.
Este é o tipo mais comum de amplificador e com o maior número de aplicações. A equação
4.1 descreve o amplificador enquanto que seu símbolo é apresentado na Figura 4.1.
V
0
=A¦ v
+
−v

)
( 4.1 )
Figura 4.1: Símbolo do amplificador operacional típico
A Tabela 4.1 mostra uma lista de 8 amplificadores operacionais e suas principais
características DC e AC, todas elas já estudadas anteriormente.
Tabela 4.1: Principais características de alguns operacionais
LM
741
LF
351
LM
308
CA
3140
LM
318
LF
357
OP
43G
OPi
77G
Unid.
V
OS
2 5 2 5 4 3 0,5 0,020 mV
∆V
OS
15 10 6 8 x 5 7,5 0,7 µV/°C
I
B
80 0,050 1,5 0,010 150 0,030 0,0035 1,2 nA
I
OS
20 0,025 0,2 0,5pA 30 0,003 0,058 0,3 nA
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 63
LM
741
LF
351
LM
308
CA
3140
LM
318
LF
357
OP
43G
OPi
77G
Unid.
CMR 90 100 100 90 100 100 110 140 dB
PSR 96 100 96 80 80 100 100 120 dB
GBW 1 4 ~1-3 4,5 15 20 2,4 0,6 MHz
SR 0,5 13 ~0,5 9 70 50 6 0,3 V/µs
Fabrica
National National National RCA National National PMI PMI
Obs.:
Uso geral Entrada
JFET
Comp.
Externa
Entrada
Mosfet
Comp.
Externa/
Interna
Entrada
JFET
Entrada
JFET
Precisão
Onde: V
OS
é a tensão de offset; I
OS
é acorrente de offset; PSR é a rejeição a variações na tensão
de alimentação; ∆V
OS
é o drift de V
OS
; GBW é o produto ganho largura de faixa; I
B
é a corrente
de polarização; CMR é a rejeição de modo comum; SR é o slew-rate;
4.2 Amplificador operacional de transcondutância (OTA)
Este amplificador é muito comum em microeletrônica mas existem poucos integrados
discretos disponibilizando funções de OTA. Como o próprio nome sugere este amplificador
transforma a diferença entre as tensões de entrada em uma corrente de saída. Isto confere
características bastante interessantes a este operacional que, por exemplo, pode ter sua saída
ligada a saída de outro operacional do mesmo tipo sem problema de curto circuito.
Em microeletrônica o OTA é utilizado para produzir filtros e acionar cargas
capacitivas. Os modelos discretos apresentam uma terceira entrada, chamada de corrente de
polarização, capaz de ajustar o ganho do amplificador. A função der transferência deste
operacional é dado pela equação 4.2, alguns de seus símbolos são apresentados na Figura 4.2 e
o circuito interno do CA3080 é apresentado na Figura 4.3.
i
o
=Ag¦ v
+
−v

)
( 4.2 )
Ag=gm=K⋅I
B
( 4.3 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 64
onde Ag ou gm é o ganho do OTA, K é uma constante que depende do modelo e I
B
é a
corrente de polarização).
Figura 4.2: Símbolo do amplificador de transcondutância (OTA)
Figura 4.3: Circuito interno do CA3080
As principais aplicações para este tipo de amplificador são o controle automático de
ganho, os multiplicadores e divisores de tensão, circuitos moduladores e filtros. Apesar disto
este tipo de amplificador pode ser utilizado em praticamente todos os casos onde um
operacional comum também é utilizado. Isto, entretanto, não consiste em nenhuma vantagem
pois as características do OTA não o auxiliam nestas tarefas mais comuns. Como exemplos de
OTAs podemos citar o clássico CA3080, o LM13600 e o mais recente CA3280.
Os OTAs práticos, inclusive os listados, sofrem limitações e problemas de polarização
que dificultam seu uso, sendo importante a inclusão de componentes que teoricamente não
seriam necessários. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada
circuito. Normalmente os problemas dizem respeito a não linearidades do par diferencial de
entrada. Como os OTAs não precisam trabalhar realimentados a diferença entre as tensões de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 65
entrada não são zero e, infelizmente, o par diferencial só tem comportamento linear para
valores de tensão de alguns milivolts. Circuitos com diodos e resistores são utilizados para
expandir a linearidade dos componentes.
4.3 Amplificador Norton
O amplificador Norton é um tipo especial de operacional que ao invés de amplificar a
diferença entre duas tensões de entrada ele amplifica a diferença entre duas correntes de
entrada. A saída entretanto continua sendo um sinal de tensão. Sua função de transferência é
dada pela equação 4.4, seu símbolo pode ser visto na Figura 4.4 e o circuito interno do
LM3900 pode ser visto na Figura 4.5.
V
0
=A¦i
+
−i

)
( 4.4 )
Figura 4.4: Símbolo de um amplificador Norton
Figura 4.5: Circuito interno do LM3900
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 66
Como exemplos de circuitos integrados destes componentes podemos citar o LM2900,
o LM3900 e o LM359. Os amplificadores tipo Norton apresentam limitações práticas,
principalmente no que diz respeito aos valores de corrente de entrada. Os fabricantes explicam
quais cuidados devem ser tomados com cada circuito. Dentre as aplicações para estes
componentes estão os filtros ativos, os geradores de funções, amplificadores para fotodiodos...
4.4 Amplificador Chopper
Este tipo de amplificador foi desenvolvido a muito tempo (no fim dos anos 40 início
dos anos 50), e antes de ser um tipo de amplificador ele é mais uma técnica cujo objetivo é
minimizar tensão e drift de offset. O amplificador Chopper utiliza técnicas de AC para
desacoplar as baixas freqüências devido a V
OS
e I
B
. A melhora mais notável é com relação ao
drift com a temperatura de V
OS
e I
OS
. O amplificador Chopper pode introduzir um fator de
redução de 50 vezes nestes drift.
Assim, as principais características do amplificador Chopper são o baixíssimo V
OS
a
alta estabilidade térmica e o baixo ruído. Estes amplificadores são estabilizados internamente
por um sistema de chaves e integradores de erro porém seu uso fica limitado a sinais de baixa
freqüência. A Figura 4.6 mostra um esquema simplificado de um amplificador Chopper.
Figura 4.6: Diagrama esquemático de um amplificador Chopper
Na Figura 4.6, as chaves Ch1 e Ch2 são fechadas quando Ch3 e Ch4 são abertas. A
Figura 4.7 mostra a seqüência correta para o acionamento de cada uma destas chaves. Neste
diagrama, o sinal em nível alto corresponde a chave fechada. As chaves Ch2 e Ch4 são
fechadas após Ch1 e Ch3 serem fechadas, e abertas antes que Ch1 e Ch3 sejam abertas.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 67
Assim, os transitórios causados pelo chaveamento não são integrados pelo filtro passa-baixas
da saída (R
4
-C
4
).
Figura 4.7: Seqüência de acionamento das chaves do amplificador Chopper da Figura 4.6
Na Figura 4.8 vemos um diagrama de tempo dos sinais presentes no amplificador
Chopper. Nestes gráficos é apresentada uma onda de entrada constante (Vi), o mesmo sinal
após recortado pela chave Ch1 (VA), e após o filtro passa altas (VB), onde é retirada a
componente DC deste sinal. A informação presente no nó VB é amplificada pelo AO
produzindo uma onda quadrada não centrada, devido aos erros de offset e drift, somada ao
ruído de alta e baixa freqüência (VC). Os erros devido ao offset, drift e ruído de baixa
freqüência são retirados após o filtro passa alta (VD). O o ruído de alta freqüência (e o sinal
de alta freqüência) é retirado pelo filtro passa baixa de saída.
Neste exemplo, a tensão de entrada é constante, e portanto, após o sinal ser recortado
ganha a aparência de uma onda quadrada. Se uma senóide fosse amplificada por este tipo de
amplificador iria produzir pulsos de amplitudes diferentes a cada recorte do sinal de entrada,
mas na saída obteríamos a mesma senóide de entrada..
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 68
Figura 4.8: Formas de onda dos nós do amplificador Chopper da Figura 4.6
Como exemplo de amplificador Chopper podemos citar o LMC668 com V
OS
< 5 µV e
dV
os
dT
=50nV /C .
Estes amplificadores, na forma como apresentado, estão em desuso e sua produção tem
sido descontinuada. Novos amplificadores chamados de auto zero (CAZ) estão em produção.
Semelhantes ao Chopper, no tratamento AC do sinal, incorporam controles automáticas de
ganho para melhorar o desempenho do circuito estendendo sua aplicação as altas freqüências.
Exemplos de modernos amplificadores de auto zero são o AD8571, o LM2652 e o LM2654
(estes últimos chamados de Chopper pelo fabricante).
4.5 Amplificador Isolador
Em muitos sistemas o ponto de medida deve ser isolado do restante do circuito
amplificador. Nestes casos devemos utilizar técnicas de isolação entre a etapa de potência (e
condicionamento de sinais) e a etapa de medição. Esta isolação pode ser obtida por intermédio
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 69
de amplificadores isoladores. Existem três tipos básicos de isolação que podem ser
conseguidas nestes circuitos: com transformadores, com capacitores ou com opto acopladores.
A relação de ganho varia de amplificador para amplificador mas o símbolo é comum a todos e
pode ser visto na Figura 4.9.
Figura 4.9: Símbolo do amplificador isolador
As principais aplicações para este tipo de amplificador encontram-se na área médica,
na quebra de laços de terra e na diminuição dos efeitos causados por elevadas tensões de
modo comum. Exemplos de amplificadores isoladores são AD215 da Analog Devices, o
IS0103, e o ISO100 da Burr-Brown. Os diagramas de blocos para estes amplificadores são
apresentados nas figuras 4.10, 4.11 e 4.12 e respectivamente.
Os fabricantes fornecem duas tensões de isolação, uma para tensões continuamente
aplicadas e outra a máxima tensão de isolação. A primeira tensão é menor do que a segunda e
ambas podem variar em função da freqüência e temperatura. Estes amplificadores, entretanto,
são capazes de garantir isolações entre 750V e 2500V aplicados continuamente e até 6000V
por um curto espaço de tempo. A impedância de barreira situa-se em torno de 10
12
Ω.
Figura 4.10: Diagrama de blocos do AD215
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 70
Figura 4.11: Diagrama de blocos do amplificador ISO103
Figura 4.12: Diagrama de blocos do amplificador ISO100
Note que alguns destes amplificadores apresentam transformadores e portanto não são
um simples circuito integrado. Muitas vezes estes circuitos são modelos híbridos ou
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 71
construídos como componentes discretos e encapsulados em um único invólucro. Observe
também que os amplificadores isoladores necessitam de fontes de alimentação independentes
para “lado” do amplificador. Isto significa, inclusive, dois terras diferentes e não conectados.
4.6 buffer
Este é um amplificador com características bastante interessantes em qualquer tipo de
circuito, pois ele é capaz de fornecer uma isolação entre diferentes estágios de um
condicionador de sinais. Diferente do amplificador isolador este amplificador não fornece
isolação galvânica mas uma elevada impedância de entrada (o que não carrega etapas
anteriores de amplificação ou filtragem) e uma baixa impedância de saída (o que não afeta os
estágios subseqüentes de amplificação). Por estas características de impedância este
amplificador, normalmente, possui elevado ganho de corrente e ganho unitário de tensão. Seu
símbolo pode ser visto na Figura 4.12. A Figura 4.13 mostra a resposta em freqüência do
buffer AD8074 (Analog Devices), com diferentes cargas capacitivas.
Figura 4.13: Símbolo do buffer
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 72
Figura 4.14: Resposta em freqüência do buffer AD8074 com carga capacitiva
4.7 Amplificadores de Instrumentação:
Os amplificadores de instrumentação são circuitos que amplificam a diferença entre
duas tensões, mantendo uma elevada impedância de entrada, uma elevada rejeição a sinais de
modo comum e um ganho diferencial ajustável (preferencialmente), funcionando de forma
similar ao próprio AO, porém com ganhos menores.
O amplificador subtrator (diferencial) básico é apresentados na Figura 4.15. A
configuração permite alterar o ganho do amplificador mas a impedância de entrada é baixa.
Figura 4.15: Amplificador diferencial básico
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 73
Por superposição:
Para a entrada vcm e v2
v
O
=¦ v
CM
+v
2
)
R
4
R
3
+R
4

R
2
+R
1
R
1
Para a entrada formada por vcm e v1
v
O
=−
R
2
R
1
⋅¦ v
CM
+v
1
)
Somando as duas equações, e após algum algebrismo
v
0
=
|
R
1
⋅R
4
−R
2
⋅R
3
R
1
⋅¦ R
3
+R
4
) ¦
⋅v
CM

R
2
R
1
⋅v
1
+
R
4
R
3

1+R
2
/ R
1
1+R
4
/ R
3
⋅v
2
Se
R
2
R
1
=
R
3
R
4
então
v
0
=
R
2
R
1
¦ v
2
−v
1
)
.
Observe que a influência de vcm é nula, se a razão entre as resistências R
2
e R
1
for
exatamente igual a razão entre as resistências R
3
e R
4
. Via de regra o CMRR de um circuito
pode ser calculado como apresentado na equação 4.5.
CMRR=
Ad
Acm
CMRR
circuito
=
CMRR
subtrator
⋅CMRR
intrinceco
CMRR
subtrator
+CMRR
intrinceco
( 4.5 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 74
A Tabela 4.2 mostra como o CMRR do circuito pode mudar com relação a tolerância
dos resistores.
Tabela 4.2: CMRR do subtrator em função da tolerância dos resistores
Tolerância dos Resistores (%) 5 2 1 0,1
Acm
subtrator
(ganho 1) 0,1 0,04 0,02 0,002
CMRR
subtrator
(ganho 1) 10 25 50 500
Obs.: CMRR = 500 = 53dB
Observe que a própria impedância da fonte pode causar um desbalanço nos resistores e
diminuir o CMRR da configuração. Por esta razão é desejável uma topologia onde a
impedância de entrada seja extremamente elevada. A construção integrada deste amplificador
minimiza os erros entre as resistências e propicia um CMRR maior, isto entretanto impede o
ajuste do ganho.
Um segundo tipo de amplificador diferencial pode ser visto na Figura 4.16. O ganho
desta configuração pode ser ajustado por apenas um resistor, sem comprometer a precisa
relação entre as demais resistências.
Figura 4.16: Amplificador diferencial com ganho selecionável com um único resistor
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 75
i
1
=
e
1
−v
R
1
v
1
=v−i
1
⋅R
2
=v
¦
1+
R
2
R
1
)
−e
1
R
2
R
1
i
2
=
e
2
−v
R
1
v
2
=v−i
2
⋅R
2
=v
¦
1+
R
2
R
1
)
−e
2
R
2
R
1
i
3
=
v
1
−e
0
R
2
Substituindo a expressão de
v
1
na equação de
i
3
temos
i
3
=v
¦
1
R
2
+
1
R
1
)

e
1
R
1

e
0
R
2
i
4
=
v
2
R
2
Substituindo a expressão de
v
2
na equação de
i
4
temos
i
4
=v
¦
1
R
2
+
1
R
1
)

e
2
R
1
Como
i=i
1
−i
3
então
i=
e
1
−v
R
1
−v
¦
1
R
1
+
1
R
2
)
+
e
1
R
1
+
e
0
R
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 76
primeira equação para i :
i=
e
0
R
2
+2
e
1
R
1

¦
2
R
1
+
1
R
2
)
⋅v
Como
i=i
4
−i
2
então
i=v
¦
1
R
1
+
1
R
2
)

e
2
R
1

e
2
−v
R
1
segunda expressão para i :
i=−2
e
2
R
1
+
¦
2
R
1
+
1
R
2
)
v
então a expressão

¦
2
R
1
+
1
R
2
)
v=i+2
e
2
R
1
pode ser substituída na primeira expressão para i
i=
e
0
R
2
+2
e
1
R
1

¦
2
R
1
+
1
R
2
)
⋅v
assim, a terceira expressão para i é:
i=¦ e
1
−e
2
)
1
R
1
+
e
0
2R
2
Como
i =
v
1
−v
2
R
i=
|
V
¦
1+
R
2
R
1
)
−e
1
R
2
R
1
−v
¦
1+
R
2
R
1
)
+e
2
R
2
R
1
¦
1
R
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 77
quarta expressão para i :
i=¦ e
2
−e
1
)
R
2
R
1
⋅R
Combinando a terceira e a quarta expressão para i temos
¦ e
1
−e
2
)
1
R
1
+
e
0
2R
2
=¦ e
2
−e
1
)
R
2
R
1
⋅R
logo
e
0
=2R
2
|
R
2
R
1
⋅R
+
1
R
1
¦
¦ e
2
−e
1
)
rearranjando os termos da equação temos
e
0
=
2R
2
R
1
|
R
2
R
+1
¦
¦ e
2
−e
1
)
ou seja o ganho do amplificador pode ser controlado por um única resistência.
Uma outra solução pode ser obtida redesenhando o circuito conforme indicado na
Figura 4.17:
v
1
=i
3
⋅R2=
¦
e
1
R
1

v
R
1
+
e
O
R
2
−i
)
⋅R
2
v
2
=i
4
⋅R
2
=
¦
e
2
R
1

v
R
1
+i
)
⋅R
2
i=
v
1
−v
2
R
i=
1
R

¦
e
1
R
1

v
R
1
+
e
0
R
2
−i−
e
2
R
1
+
v
R
1
−i
)
⋅R
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 78
i=
R
2
R

¦
e
1
R
1

e
2
R
1
+
e
0
R
2
−2⋅i
)
i=
¦ e
1
−e
2
)⋅
R
2
R
1
+e
0
2⋅R
2
+R
Figura 4.17: Modelo do amplificador da Figura 4.16
Reescrevendo novamente as equações
v
1
=v−i
1
⋅R
2
=v−
¦
e
1
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
v
2
=v−i
2
⋅R
2
=v−
¦
e
2
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
i=
v
1
−v
2
R
i=
1
R

|
v−
¦
e
1
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
−v+
¦
e
2
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
¦
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 79
i=
R
2
R⋅R
1
⋅¦ e
2
−e
1
)
igualando as duas correntes i
¦ e
1
−e
2
)⋅
R
2
R
1
+e
0
2⋅R
2
+R
=
R
2
R⋅R
1
⋅¦ e
2
−e
1
)
e
0
=
|
R
2
R⋅R
1
⋅¦ 2⋅R
2
+R)+
R
2
R
1
¦
⋅¦ e
2
−e
1
)
e
0
=
2⋅R
2
R
1

¦
R
2
R
+1
)
⋅¦ e
2
−e
1
)
Nesta configuração ainda existe o problema da baixa impedância de entrada.
O circuito clássico para amplificador de instrumentação, e que resolve todos os
problemas apresentados pelas outras configurações, é apresentado na Figura 4.18.
Figura 4.18: Amplificador de instrumentação com três operacionais
O circuito pode ser resolvido por superposição:
Supondo v2 aterrada, o potencial na entrada negativa do AO de baixo é zero, logo
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 80
v
O1
=v
1

R+R
3
R
v
O2
=−v
1

R
3
R
Supondo v1 aterrada, o potencial na entrada negativa do AO de cima é zero, logo
v
O2
=v
2

R+R
3
R
v
O1
=−v
2

R
3
R
Como a saída do segundo estágio já foi calculada anteriormente e vale
v
0
=
R
2
R
1
¦ v
2
−v
1
)
então
v
O
=
R
2
R
1

R+2⋅R
3
R
⋅¦ v
2
−v
1
)
v
0
=
R
2
R
1
¦
1+
2R
3
R
)
¦ e
2
−e
1
)
Esta topologia apresenta alta rejeição a tensões de modo comum (se os R3 são
diferentes, há um erro no ganho mas não no CMRR), ganho elevado, ganho ajustável apenas
com um resistor, impedância de entrada (diferencial e de modo comum) elevada em ambas as
entradas. Além disto se o amplificador tiver ganho unitário, somente o offset dos
amplificadores de entrada vão ser significativos na determinação do offset de saída. Se os
amplificadores de entrada forem iguais o drift na saída do amplificador fica reduzido. Nesta
configuração o primeiro estágio é responsável pelo ganho e o segundo estágio é responsável
pelo CMRR e para que este valor seja elevado o amplificador de instrumentação é
comercializado em um único integrado.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 81
O CMRR do circuito pode ser calculado como
CMRR=CMRR
1
o
estagio
⋅CMRR
subtrator
Circuitos integrados com amplificadores de instrumentação alcançam CMRR maiores
do que 100 dB ( CMRR > 10
5
), mas este valor costuma decair com a freqüência. Um exemplo
clássico de amplificador de instrumentação integrado é o AD522.
4.7.1 Exemplos
1) Calcular o CMRR para um amplificador diferencial cujas relações de resistências
são: R
2
=100·R
1
, e R
4
=101·R
3.
v
0
=
|
R
1
⋅R
4
−R
2
⋅R
3
R
1
⋅¦ R
3
+R
4
) ¦
⋅v
CM

R
2
R
1
⋅v
1
+
R
4
R
3

1+R
2
/ R
1
1+R
4
/ R
3
⋅v
2
v
0
=
101⋅R
1
⋅R
3
−100⋅R
1
⋅R
3
R
1
⋅¦ R
3
+101⋅R
3
)
⋅v
CM
−100⋅v
1
+101⋅
1+100
1+101
⋅v
2
v
0
=
1
102
⋅v
CM
−100⋅v
1
+100 ,0098⋅v
2
observe que este erro resulta em
CMRR=
Ad
A
CM
=
100
1/ 102
=10200≈80dB
2) Calcular a função de transferência da topologia abaixo
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 82
Considerando que a tensão na saída do amplificador de realimentação é
v
G
, então
v
G
=−
R
K
R
G
⋅v
O
O problema pode ser resolvido por superposição:
com a entrada
v
2

aterrada, a corrente pelos dois resistores da entrada positiva de A1
devem ser iguais, e v
+
deve ser zero, então
v
1
R
=−
v
G
R
substituido a equação de
v
G
temos
v
1
R
=−

R
K
R
G
⋅v
O
R
logo
v
O
=
R
G
R
K
⋅v
1
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 83
com a entrada
v
1

aterrada, o potencial em v

é metade do valor de
v
2
, e v
+
é
metade da tensão
v
G
v
2
2
=
v
G
2
=

R
K
R
G
⋅v
O
2
então
v
O
=−
R
G
R
K
v
2
logo
v
O
=
R
G
R
K
¦ v
1
−v
2
)
O ganho é diretamente proporcional à RG, mas a impedância de entrada fica
diminuída.
4.8 Exercícios
1) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada gm
–1
. Supor
que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
2) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada
(gm
1
·gm
2
·Z
L
)

–1
. Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 84
3) Mostrar que os circuitos abaixo correspondem a dois amplificadores diferenciais e
um somador (de diferenças de tensão). Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 85
3) Mostrar que o circuito abaixo é um amplificador diferencial se R1/R2 = R4/R3
v
O
=¦v
2
– v
1
)⋅
¦
1+
R
4
R
3
+
2⋅R
4
R
G
)
v
O
=¦v
2
– v
1
)⋅
¦
1+
R
4
R
3
)
(sem o resistor RG)
As desvantagens deste amplificador sobre aquele com três AOs é que um dos
amplificadores esta trabalhando com ganho menor do que 1 o tempo de propagação do sinal
no circuito é diferente para as duas entradas (o sinal v2 passa por U1 e U2 antes de chegar na
saída, enquanto que o sinal v1 passa apenas por U2).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 86
5 Circuitos Especiais
5.1 Circuitos de medida em ponte
Em instrumentação é comum encontrar sensores (transdutores) interconectados em um
circuito comumente designado de “ponte” (Figura 5.1). Na ponte, uma ou mais impedâncias
mudam seu valor proporcionalmente a grandeza que se deseja medir. Isto provoca um
desequilíbrio nas tensões da ponte que pode ser detectado por um amplificador.
Eventualmente este amplificador deve ser responsável por linearizar ou filtrar o sinal captado
da ponte. Os sensores são colocados nos braços da ponte, que pode ser alimentada com fonte
de tensão ou corrente.
5.1.1 Ponte de resistores alimentada com fonte de tensão
A Figura 5.1 mostra uma ponte de resistores alimentada com fonte de tensão
constante. Nos braços da ponte são colocadas resistências fixas e variáveis (os sensores). Estas
resistências variáveis irão produzir uma tensão de saída que depende da variação desta
resistência com a grandeza que se deseja medir. A equação 5.1 relaciona as variações de
tensão de saída da ponte com as variações de resistência dos elementos sensores.
Figura 5.1: Ponte de resistores alimentada por tensão
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 87
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
R
2
R
1
+R
2

R
3
R
3
+R
4
)
( 5.1 )
onde Av é o ganho do amplificador e Vcc é o valor da fonte de alimentação.
5.1.1.1 Ponte com um transdutor
Supondo que R
1
= R
2
= R
3
= R, e R
4
= R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc
¦
1
2

R
2⋅R+AR
)
v
O
=Av⋅Vcc⋅
2⋅R+AR−2⋅R
4⋅R+2⋅AR
v
O
=Av⋅
Vcc
4

¦
A R/ R
1+AR/ 2R
)
( 5.2 )
Como podemos observar pela equação 5.2, a relação entre a tensão de saída e a
variação da resistência da ponte não é linear. Normalmente é feita uma aproximação para o
caso onde ∆R é muito menor do que R. A solução do problema para o caso aproximado é
v
O
=Av⋅
Vcc
4

¦
AR
R
)
5.1.1.2 Ponte com um transdutor por braço
Supondo que R1 = R3 = R, e R2 = R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
R+AR
2⋅R+AR

R
R+AR
)
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 88
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
AR
2⋅R+AR
)
v
O
=Av⋅
Vcc
2

¦
A R/ R
1+AR/ 2R
)
( 5.3 )
E mais uma vez, não há relação linear entre a variação das resistências da ponte e a
tensão de saída do amplificador.
5.1.1.3 Ponte com dois transdutores em um braço
Supondo R1 = R4 = R, R2 = R + ∆R, e R3 = R – ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc
¦
R+AR
2⋅R+AR

R−AR
2⋅R−A R
)
v
O
=Av⋅
Vcc
2

¦
AR/ R
1−¦ AR/ 2R )
2
)
( 5.4 )
Que é muito melhor que o anterior, porém não apresenta relação linear entre as
variações de resistência e tensão.
5.1.1.4 Ponte com quatro transdutores
Supondo R1 = R3 = R - ∆R, e R2 = R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
R+AR
2⋅R

R−AR
2⋅R
)
v
O
=Av⋅Vcc⋅
AR
R
( 5.5 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 89
Que, finalmente, resulta em uma relação verdadeiramente linear entre variação de
resistência e tensão.
5.1.2 Ponte alimentada com fonte de corrente
Uma alternativa para o uso de pontes de resistores é a alimentação com fonte de
corrente. Afora a diferença na fonte de alimentação o circuito permanece o mesmo, como
pode ser visto pela Figura 5.2.
Figura 5.2: Ponte de resistores alimentada por corrente
Para este circuito a tensão de saída é dada pela equação 5.6:
v
O
=Av⋅I⋅
¦
R
2

R
3
+R
4
R
1
+R
2
+R
3
+R
4
−R
3

R
1
+R
2
R
1
+R
2
+R
3
+R
4
)
( 5.6 )
onde Av é o ganho do amplificador e I é o valor da fonte de alimentação.
5.1.2.1 Ponte com um transdutor
Supondo R1 = R2 = R3 = R, e R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.6 obtemos
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 90
v
O
=Av⋅I
¦
2⋅R+AR
4⋅R+AR

2⋅R
4⋅R−AR
)
v
O
=Av⋅
I
4

¦
AR
1+AR/ 4 R
)
( 5.7 )
Esta relação entre variação de resistência e tensão também não é linear mas se
aproximarmos a solução para o caso onde ∆R é muito menor do que R, então teremos
v
O
=Av⋅
I
4
⋅¦ AR)
A sensibilidade da ponte com um elemento sensor alimentada por corrente é maior do
que para a ponte alimentada por tensão.
5.1.2.2 Ponte com dois transdutores no mesmo braço
Supondo R1 = R3 = R, e R2 = R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.6 obtemos
v
O
=Av⋅I⋅
¦
¦ R+AR)⋅
¦ 2⋅R+AR)
4⋅R+2⋅A R
−R
¦ 2⋅R+AR)
4⋅R+2⋅AR
)
v
O
=Av⋅I⋅
¦
¦ R+AR−R)⋅¦ 2⋅R+AR)
4⋅R+2⋅AR
)
v
O
=Av⋅
I
2
⋅AR ( 5.8 )
E desta vez percebemos que a relação entre a variação das resistências dos sensores e a
variação da tensão de saída já é linear mesmo com apenas dois sensores. Este circuito de
ponte, alimentada com fonte de corrente, pode ser implementado na prática como mostrado na
Figura 5.3.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 91
Figura 5.3: Ponte de resistores alimentado com fonte de corrente
Neste circuito prático, a corrente que através de RI corresponde ao valor da fonte de
corrente
I =
V
REF
R
I
5.1.3 Outras implementações lineares
Os AOs podem ser utilizados nos circuitos em ponte para minimizar a necessidade de
elementos sensores necessários para se obter uma relação linear entre variação de resistência e
tensão de saída. Dois exemplos destes circuitos são mostrados nas figuras 5.4 5.5.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 92
Figura 5.4: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R3. Um segundo AO
pode ser adicionado na saída do circuito. Todas as resistências iguais.
v
0
=
Vcc
R
⋅AR
Se R
6
=
Av⋅R
5
2
então v
O
=Av⋅
Vcc
4

AR
R
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 93
Figura 5.5: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R1
5.2 Reforço de corrente
Muitas vezes necessita-se de um amplificador operacional capaz de trabalhar com
circuitos potentes. A capacidade de fornecer ou absorver corrente passa a ser um fator muito
importante e muitas vezes encarece o projeto final. Para passar por cima destes problemas
podemos comprar amplificadores operacionais de potência, normalmente utilizados para
aplicações em áudio, ou utilizar circuitos transistorizados nas etapas finais de amplificação.
5.2.1 Reforço de corrente com saída assimétrica
O circuito mostrado na Figura 5.6 mostra como podemos suprir correntes elevadas
utilizando um único transistor na saída do amplificador operacional. Note que neste circuito, o
transistor foi colocado dentro do elo de realimentação, isto faz com que o AO compense a
queda de tensão entre base e emissor do transistor.
Figura 5.6: Reforço de corrente assimétrico
Este circuito apresenta a vantagem de trabalhar com correntes elevadas de saída (está
configurado em coletor comum) mas possui em contra partida o inconveniente de ter sua saída
assimétrica, ou seja, não permite variações na tensão positiva e negativamente.
5.2.2 Reforço de corrente com saída simétrica
Uma alternativa, obviamente, é o circuito de saída simétrica mostrado na Figura 5.7.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 94
Figura 5.7: Reforço de corrente com saída simétrica
Este circuito, possui uma grande vantagem com relação ao anterior, que é a saída
simétrica, porém, possui uma grande desvantagem: ele distorce a onda de saída do operacional
nos pontos de tensão baixa, onde os transistores não estão polarizados. Esta distorção é
conhecida como cross over. Quando os transistores não estão polarizados, tensão de saída é
nula, o operacional fica sem realimentação. Neste caso a saída do operacional se eleva em 0,7
para fazer com que um dos transistores conduza, fechando a malha de realimentação.
Na Figura 5.8 são apresentadas as formas na saída do AO e na saída do circuito de
reforço de corrente simétrico com cross over. Observe que o a saída do AO compensa a queda
de tensão sobre V
BE
dos transistores.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 95
Figura 5.8: Simulação de reforço de corrente simétrico com cross over
O problema do cross over é que a saída do operacional não pode acompanhar
instantaneamente o degrau de tensão que ocorre próximo do zero volts devido ao limitado
slew-rate do operacional. Isto aumenta a distorção harmônica do sinal de saída. Num 741, por
exemplo, com SR=0,5V/µs, há um atraso de
Δt =
ΔV
SR
=
1,4V
0,5
∆t=2,8µs.
Além disso a máxima tensão de saída fica diminuída. Para solucionar o problema basta
fazer uma pré polarização dos transistores com resistores e diodos. O circuito com estas
correções é mostrado na Figura 5.9. Note que da mesma forma que no circuito mostrado na
Figura 5.7 os dois transistores desta configuração de saída simétrica estão em coletor comum,
o que garante um elevado ganho de corrente.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 96
Figura 5.9: Reforço de corrente simétrico com pré polarização dos transistores saída
5.3 Reforço de Tensão:
Algumas vezes o acionamento de circuitos não depende apenas de uma corrente
elevada mas também de uma tensão elevada na saída. Esta é uma característica que também
requer AO especiais ou um circuito adicional com transistores. Quando se fala em tensão
elevada de saída, estamos falando de tensões maiores que as tensões de alimentação do AO.
Normalmente os AOs são alimentados com tensões da ordem de 12 a 15V e estes reforços de
tensão são projetados para ampliar estes limites para valores além de 100V.
5.3.1 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela saída do operacional
Um circuito simples que propicia um aumento na tensão de saída, utilizando o AO
como um pré amplificador é mostrado na Figura 5.10.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 97
Neste circuito, convém notar que há dois transistores ligados em emissor comum (para
evitar um defasamento entre o sinal de saída do operacional e o sinal de saída do circuito),
fornecendo sinal para um estágio reforçador de corrente em saída simétrica. As tensões de
alimentação dos transistores, ±Vcc, são diferentes das tensões utilizadas para a alimentação do
AO. Observe que o ganho global do amplificador continua sendo determinado pela malha de
realimentação externa.
Figura 5.10: Circuito de reforço de tensão
5.3.2 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela alimentação do
operacional
Outra técnica muito utilizada para propiciar amplificadores com elevada tensão de
saída, usando AOs, consiste em ligar elementos sensores de corrente na alimentação do
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 98
operacional. A corrente de alimentação é usada para polarizar o circuito interno do AO e para
alimentar a carga ligada ao operacional. Com isto é possível saber quando está sendo exigido
mais corrente na saída do AO e, se a carga for constante, tensões de saída mais elevadas. O
circuito da Figura 5.11 mostra um amplificador deste tipo. Os transistores ligados diretamente
a alimentação do operacional, encontram-se em base comum ao passo que os demais
transistores estão em emissor comum.
Figura 5.11: Reforço de tensão com utilização da corrente de alimentação do AO
Para o projeto deste circuito é importante alimentar corretamente o amplificador
operacional de forma que
V
CCOperacional
=V
CC

R
4
R
3
+R
4
−0,7
e
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 99
I
S
⋅R
5
=0,6V
onde I
S
é a corrente de alimentação do AO (descontada a corrente que passa por R
L
').
Uma característica interessante deste circuito é que a saída do operacional não esta
conectada ao amplificador transistorizado. Isto pode ser utilizado para minimizar os efeitos do
slew-rate do AO diminuindo a variação de tensão sobre R
L
'.
5.4 Proteção contra sobre - corrente:
Nestes circuitos onde são inseridos amplificadores a base de transistores, perde-se a
capacidade de manter o circuito imune a curto circuito, sobre corrente, variação de
temperatura, e uma série de características que são inerentes ao AO e que agora não estão
sendo utilizadas, pois trata-se um circuito discreto. O AO utilizado como acionador para estes
circuitos continua com toda a sua proteção e qualidades garantidas e funcionando, porém as
etapas discretas do projeto passam a não ter nenhum tipo de proteção.
De todos estes problemas o que pode trazer piores conseqüências são aqueles oriundos
de sobre correntes. Isto porém é facilmente contornado com pequenos circuitos de proteção,
similares aqueles utilizados em fontes de alimentação.
O circuito mostrado na Figura 5.12 mostra um exemplo de proteção sendo empregada
no estágio de saída de um reforço de corrente em saída simétrica.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 100
Figura 5.12: Reforçador de corrente com proteção contra curto circuito
Os resistores R
5
e R
6
, ligado em série com a saída do amplificador, devem ser
calculados de tal forma que disparem os transistores Q
3
e Q
4
respectivamente quando a
corrente de saída estiver além do limite permitido, assim
R
5
=
0,7V
I
OMáx
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 101
6 COMPARADORES
Comparadores são usados para discriminar se um determinado sinal analógico é maior
ou menor que um sinal de referência. A saída do comparador é, portanto, digital. Eles podem
ser construídos com AOs ou com integrados específicos conhecidos como comparadores de
tensão.
Os comparadores são construídos especialmente para realizar esta função gerando em
sua saída um sinal com características digitais. Eles não possuem compensação de freqüência,
não apresentam boas características de offset, drift, ruído, enfim, eles não são feitos para
funcionar como amplificador.
6.1 Símbolo
O símbolo mais comumente utilizado para representar um comparador é apresentado
na Figura 6.1.
Figura 6.1: Símbolo do comparador
6.2 Características
Apesar de possuir o mesmo símbolo do amplificador operacional, e ser tratado da
mesma forma, para cálculo, os comparadores possuem uma série de características práticas
que visam a melhora no desempenho do AO como comparador. Em contrapartida, muitos dos
circuitos internos presentes nos AOs são retirados para baratear o custo de produção. A
principio, este procedimento não afetaria o desempenho do comparador, mas o impede de
funcionar como um bom amplificador operacional.
Normalmente os comparadores possuem ganho menor que o do amplificador
operacional e a sua linearidade não é garantida. Os comparadores não possuem compensação
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 102
em freqüência, podendo se tornar instáveis se usados como amplificador. A corrente de
polarização I
B
é menos preocupante que no amplificador operacional, ou seja, pode assumir
valores bem maiores.
Sua saída muitas vezes se apresenta em coletor aberto (open collector), o que permite
que seja calculado o resistor de pull-up de acordo com as características do circuito que se
deseja montar (velocidade, consumo, capacidade de fornecer corrente...). Os projetistas,
entretanto implementam melhoras na características de slew-rate e de settling time.
Nos circuitos comparadores, normalmente não se utiliza realimentação negativa. Esta
característica torna a máxima tensão diferencial de entrada (V
d
) um parâmetro importante no
projeto. Para evitar problemas por excesso de tensão diferencial, o circuito de proteção
apresentado na Figura 6.2 pode ser adotado. Em alguns comparadores, entretanto, a entrada
pode chegar até a tensão de alimentação.
Figura 6.2: Circuito de proteção contra excessiva tensão diferencial
Alguns comparadores possuem tensões de alimentação diferentes para as etapas de
entrada e saída, como no caso do LM311 que possui estágio de entrada alimentado com ±15V
e saída alimentada por +5V. Isto permite compatibilizar a saída do comparador com circuitos
digitais TTL, facilitando a interface entre circuitos analógicos e digitais.
Quando um comparador está funcionando em malha aberta ou com realimentação
positiva, a sua saída sempre estará em ±Vcc. A única forma de evitar que a tensão de saída em
um circuito comparador não seja ±Vcc é estabelecer uma malha de realimentação negativa
que leve o comparador para a região linear. Algumas vezes isto é conseguido em circuitos
mistos onde a realimentação negativa só é obtida a partir de um determinado valor de tensão
na saída do comparador.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 103
Figura 6.3: Alimentações do LM311
A Tabela 6.1 mostra uma comparação entre as características de amplificadores
operacionais e de circuitos comparadores de tesão. Repare nas diferenças elevadas entre os
valores encontrados para cada um dos componentes.
Tabela 6.1: Comparação entre características de AOs e comparadores
741 LM339 LM311 LM319 LM710 LM361 MAX9685
Av
(V/mV)
200 200 200 40 1,5 3 -
I
B
(mA) 80 25 100 250 16000 10000 10000
V
OS
(mV) 2 2 2 2 1,6 1 5
SR (V/µs) 0,5 60 150 80 - - -
ST (ns) - 1300 200 80 40 14 1,3
I
S
(mA) - 2 7,5 12,5 - 25 -
Is é corrente de alimentação.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 104
6.3 Configurações Típicas
6.3.1 Detetor por cruzamento de zero
A configuração mais simples de um comparador consiste em utilizar uma tensão de
comparação em uma de suas entradas e a tensão a ser comparada na outra. Conforme pode ser
visto na Figura 6.4.
Figura 6.4: Comparador simples
O circuito da Figura 6.4 consiste de um comparador em malha aberta. portanto
funcionando em função do elevado ganho do integrado. Desta forma, uma pequena diferença
de tensão entre as entradas já é suficiente para saturar o comparador com a tensão positiva ou
negativa de alimentação. Este tipo de comparador pode ser utilizado para detectar a passagem
de um sinal por qualquer valor de tensão basta alterar a fonte usada para a comparação. Nestes
casos o gráfico de saída, apresentado na Figura 6.5, desloca-se para a direita ou esquerda de
acordo com a tensão aplicada. Note que para representar o funcionamento do circuito é
utilizado um gráfico onde é desenha a saída em função da entrada.
O gráfico da Figura 6.5, representa uma simulação com uma entrada senoidal de
freqüência igual a 10Hz no circuito comparador de tensão do tipo detetor de passagem por
zero. Observe que, como o slew-rate do comparador não é infinito, a curva real apresenta
atrasos para que a saída do comparador troque. Se a derivada da tensão de entrada diminuir o
comportamento do comparador se aproxima do ideal. Isto pode ser um problema quando se
trabalha com freqüências elevadas.
Se este circuito estiver sendo implementado com um AO também devemos tomar
cuidado com os seguintes problemas: V
OS
, I
B
e Ad finito. Por exemplo, se Ad=80dB (10.000)
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 105
então para obtermos Vo=+15V precisamos de uma tensão diferencial na entrada do AO de no
mínimo 1,5mV.
Figura 6.5: Simulação com zero volts
6.3.2 Limitação de Vo
Outras aplicações para os comparadores consistem em circuitos de limitação da tensão
de saída. Nestes casos, um pouco mais complexos que o anterior, o comparador passa a ter
realimentação negativa em algumas situações. Como se este fator complicador da análise não
fosse suficiente, a realimentação normalmente não é implementada com componentes lineares
tendo sua parcela modificada como uma chave (existe ou não existe realimentação) e/ou
progressivamente de forma a manter constante certos parâmetros (como se fosse um regulador
de tensão). Este é o caso típico do circuito mostrado na figura 6.4.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 106
Figura 6.6: Comparador com limitador de amplitude
Figura 6.7: Simulação: Vz=4,7V, R2=1k
Como podemos ver, este circuito é um detector de passagem por zero (a fonte ligada
na entrada não inversora é zero) com uma realimentação negativa formada por um diodo
zener. Ora, sempre que o zener estiver conduzindo mudará sua resistência interna para que a
tensão sobre ele fique constante (polarizado direta ou reversamente). Isto faz com que a tensão
na entrada negativa fique igual a tensão na entrada positiva (realimentação negativa). Como a
tensão na entrada positiva é zero, então a tensão de saída corresponde a tensão sobre o zener.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 107
6.3.3 Detetor de nível com limitação de tensão de saída.
O detector de nível com limitação de tensão não pode ser implementado modificando-
se a fonte do comparador por zero, pois se isto fosse feito perderíamos a referência de tensão
sobre a entrada positiva. Isto iria modificar a tensão de saída. Uma alternativa para este
circuito passa a ser a implantação de um somador com resistores na entrada negativa. Desta
forma conseguimos mudar o valor da tensão de comparação sem alterar a tensão da saída. Esta
topologia esta mostrada na figura 6.5
Figura 6.8: Comparador de nível com limitador de saída
Figura 6.9: Simulação: Vz=4,7V, R2=R3=1k, Vref=2V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 108
Este detector funciona basicamente como o anterior (item 6.3.2) porém, agora, a
tensão de comparação se deve não apenas a uma tensão mas a um somatório de tensões. O
resultado deste somatório é que irá mudar a saída do comparador.
6.3.4 Comparador de janela
e a sua saída muitas vezes é um transistor com coletor em aberto. Portanto, requerem
um resistor de “pull-up” na saída que excursiona de +Vcc a -Vcc.
Um exemplo bastante interessante do uso de comparadores com saída em coletor
aberto é mostrado na figura 6.6. Aqui pode ser visto um comparador em janela ou seja um
comparador que cria uma janela de tensão onde a saída do comparador assume um
determinado valor. Agora, a comparação não é feita com apenas um nível lógico mas com
dois. Se a entrada estiver entre estes dois níveis lógicos, então a saída será a tensão de
alimentação positiva. Note que a saída de ambos os comparadores são ligadas a um só ponto,
isto se deve justamente ao fato da saída de cada comparador estar a coletor aberto.
Com este tipo de saída, o comparador só pode fornecer a tensão de alimentação
negativa pois não possui o circuito que o liga com alimentação positiva. Isto deve ser feito
externamente. Então se um comparador deve fornecer um valor positivo de tensão de saída,
isto só ocorre através do resistor externo (o transistor de saída do comparador está cortado). O
outro comparador pode estar com sua saída em nível baixo que não haverá problemas de curto
circuito por causa do resistor externo que limita a corrente pelo comparador. Como podemos
ver esta configuração com as saídas dos comparadores ligadas juntas funciona como uma
porta lógica OR e por tanto esta configuração é conhecida como “WIRED OR”.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 109
Figura 6.10: Comparador de janela
Figura 6.6: Comparador em janela e um gráfico demonstrando seu funcionamento.
6.3.5 Comparador de Declividade:
Aqui pode ser visto um circuito bem interessante com comparadores. Diferente dos
demais circuitos vistos até agora, o comparador de declividade não compara níveis de tensão
mas sim a derivada do sinal de entrada ou seja a sua declividade. O circuito é apresentado na
Figura 6.11.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 110
Figura 6.11: Comparador de declividade
Sendo i
1
e i
2
definidas como:
i
1
=
V
REF
R
, i
2
=C
dv
i
dt
O circuito é um comparador quando não há corrente polarizando o zener
i
1
= i
2
V
REF
R
=C
dV
i
dt
dV
i
dt
=
V
REF
RC
Se a corrente i
2
> i
1
o diodo zener está polarizado diretamente, neste caso a tensão de
saída é aproximadamente igual 0,7V. Se i
2
< i
1
então o zener está polarizado reversamente e a
tensão de saída corresponde a tensão de zener.
Este circuito pode ser utilizado como o trigger em um osciloscópio.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 111
Figura 6.13: Resultado da simulação mostrado na Figura 6.12
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 112
Figura 6.12: Simulação com Vz=4,7V, Vref=2V, C=47nF, R2=1k, Freq=1000.
6.3.6 Comparador com Histerese
O detector de passagem por zero, ou comparador simples, mostrado no início deste
capítulo, pode oscilar quando o sinal está próximo do nível de comparação. Isto ocorre porque
o ruído adicionado ao sinal faz com que o comparador seja acionado várias vezes.
Para evitar este tipo de problema foram criados os circuitos comparadores com
histerese. A histerese nada mais é do que a mudança automática do nível de comparação logo
após uma comparação bem sucedida. Ela cria uma região ao redor do ponto de comparação,
onde o ruído existente sobre o sinal não consegue afetar a saída do comparador. Na verdade
são criados dois níveis de comparação modificados comutados entre si automáticamente para
que o ruído não interfira na comparação. Quando o nível mais baixo do limiar de comparação
está ativo o nível mais alto esta desligado. Se um sinal vencer este nível mais baixo de
comparação, então o nível de comparação é modificado para o nível mais alto. Normalmente
este comportamento de histerese é mostrado com um gráfico que relaciona tensão de saída
com tensão de entrada do comparador, como o gráfico da Figura 6.14.
Figura 6.14: Simulação: R1=3·R2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 113
O detector de passagem por zero, agora imune a ruído, fornece informação de com
uma pequena defasagem com relação ao sinal real, mas com muito menos problemas de ruído.
A Figura 6.15 mostra o circuito de um comparador com histerese cujo comportamento pode
ser visto na Figura 6.16.
Figura 6.15: Comparador com histerese
Figura 6.16: Simulação com ruído: v(o1) é a saída do comparador com histerese com
R1=3·R2, e v(o2) é a saída do comparador simples.
Para que o nível de comparação seja alterado automaticamente ele é escolhido em
função da tensão de saída. Para o circuito apresentado os níveis de comparação são
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 114
P
1
=Vcc⋅
R
2
¦ R
1
+R
2
)
, e
P
2
=−Vcc⋅
R
2
¦ R
1
+R
2
)
6.3.7 Comparador com histerese e limitador:
O comparador com histerese e limitação de tensão é uma mistura dos circuitos dos
anteriores e pode ser visto na Figura 6.17. Seu comportamento é apresentado na Figura 6.18.
Figura 6.17: Comparador com histerese e limitador
Figura 6.18: Simulação: Vz=4,7V, Vref=2V, R=1k, R1=3·R2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 115
Se o zener estiver conduzindo a tensão do zener está sobre o resistor R
1
(existe
realimentação negativa) e o valor da entrada positiva é igual ao valor da entrada negativa.
Apesar de ser realimentação negativa, e do AO estar na região linear, a saída não se modifica
porque a resistência de realimentação muda para manter a tensão de saída constante.
Quando o zener conduz no sentido direto:
V
Z
=0,7
i
1
=−
V
Z
R
1
v
O1
=¦ R
1
+R
2
)⋅i
1
v
O1
=−
R
1
+R
2
R
1
⋅0,7
Quando o zener conduz no sentido inverso:
V
Z
=V
Z
i
1
=−
V
Z
R
1
v
O2
=¦ R
1
+R
2
)⋅i
1
v
O2
=−
R
1
+R
2
R
1
⋅V
Z
Os patamares de comparação podem ser estimados calculando a tensão nas entradas
negativa e positiva do AO.
v

=V
REF
+
R
2⋅R

¦
v
i
−V
REF
)
v

=
V
REF
2
+
v
i
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 116
e
v
+
=
R
2
R
1
+R
2
v
O
onde
v
O1
=−
R
1
+R
2
R
1
⋅0,7
v
O2
=
R
1
+R
2
R
1
⋅V
Z
Como podemos ver, a tensão de saída pode apresentar dois valores, um quando o zener
esta polarizado diretamente e outro quando o zener esta polarizado reversamente e, portanto,
há duas tensões de comparação diferentes. Para calcular cada uma destas tensões de
comparação, igualamos a tensão na entrada negativa e positiva do comparador.
Quando o zener conduz no sentido direto
v
+
=v

R
2
R
1
+R
2
⋅–
R
1
+R
2
R
1
⋅0,7=
V
REF
2
+
v
i
2

R
2
R
1
+R
2
⋅0,7⋅2=V
REF
+v
i
v
i
=−2⋅0,7⋅
R
2
R
1
−V
REF
, [tensão de comparação baixa]
Quando o zener conduz no sentido direto
v
+
=v

R
2
R
1
+R
2

R
1
+R
2
R
1
⋅V
Z
=
V
REF
2
+
v
i
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 117
2⋅
R
2
R
1
⋅V
Z
=V
REF
+v
i
v
i
=2⋅
R
2
R
1
⋅V
Z
−V
REF
, [tensão de comparação alta]
Note que V
REF
desloca a curva de histerese para direita ou esquerda.
6.4 Problemas resolvidos
1) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entrada para o circuito abaixo.
Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO
ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, V
D
=0,6V.
Se vi é muito negativo então vo é positivo e diodo conduz. Neste caso temos dois tipos
de realimentação ocorrendo ao mesmo tempo: realimentação negativa (RN) e realimentação
positiva (RP).
Analisando os ganhos da malha de realimentação (capítulo 3), temos para RN
ß
RN
=
10 K
10 K+1,5K
e para RP
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 118
ß
RP
=
10 K
10 K+0,17 K
Como β
RP
> β
RN
a realimentação positiva é predominante sobre a realimentação
negativa. Nesta condição o circuito comporta-se como um comparador com histerese.
v
O
=+E
OMáx
A tensão de quebra ocorre quando
v
+
=v

v
+
=¦ v
O
−V
D
)⋅
R
3
R
3
+R
4
=¦+15−0,6)⋅
10 K
10 K+0,47K
=13,75V
v

=v
+
=
v
i
R
2
+v
O
R
1
R
1
+R
2
v
i
=V
H
=
¦
v
+
−v
O

R
1
R
1
+R
2
)

R
1
+R
2
R
2
=+5,44V
Se vi é muito positivo então vo é negativo e o diodo esta cortado. Neste caso também
temos dois tipos de realimentação e temos que estudar cada caso para determinar o
comportamento do circuito.
ß
RN
=
10 K
10 K+1,5K
ß
RP
=
10 K
10 K+0, 47K+3,3 K
Como β
RN
> β
RP
a realimentação negativa predomina sobre a positiva. Neste caso o
circuito funciona como um amplificador, portanto v
+
=v

Cálculo de ganho
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 119
v
+
=v
O

R
3
R
3
+R
4
+R
5
v

=
v
i
⋅R
2
+v
O
⋅R
1
R
1
+R
2
v
+
=v

v
O
|
R
3
R
3
+R
4
+R
5

R
1
R
1
+R
2
¦
=v
i
R
2
R
1
+R
2
v
O
v
i
=−0,91
Cálculo do ponto de quebra (quando diodo entra em condução)
Início da condução do diodo:
V
D
=0,6V , I
D
=0
V
D
=
R
5
R
3
+R
4
+R
5
⋅v
O
logo
v
O
=0,6⋅
10 K+0, 47 K+3,3 K
3,3 K
=2, 504V
Como
v
i
=
v
O
−0, 91
=−2, 751V
Então
v
i
=−2, 751V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 120
e
v
O
=2, 504V
2) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito
abaixo. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o
AO ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, V
D
=0,7V.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 121
Neste circuito há dois laços de realimentação. Um negativo e outro positivo.
Dependendo do tipo de realimentação predominante o circuito se comporta como comparador
ou amplificador.
Quando o diodo está cortado só há realimentação negativa e o circuito se comporta
como amplificador não inversor.
Quando o diodo está conduzindo temos
ß
RP
=
R
1
R
1
+R
2
ß
RN
=
R
3
R
3
+R
4
Como β
RP
> β
RN
a realimentação positiva é predominante o circuito se comporta como
um comparador.
Se vi é muito negativo então vo é negativo. Nesta condição o diodo está cortado e o
circuito é um amplificador não inversor
v
+
=v

v

=
R
3
R
3
+R
4
v
O
=0,6⋅v
O
como o diodo está cortado a corrente sobre R
1
é zero e como v
+
=v

então temos que
v
O
=1,6667⋅v
i
Esta relação é valida até que o diodo entre em condução, quando a RP passa a
predominar.
O diodo conduz quando
v
O
−v
+
=0,7V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 122
v
O
−0,6⋅v
O
=0,7V
v
O
=1,75V
e
v
i
=1,05V
Assim, o circuito se comporta como comparador quando
v
i
≥1, 05V
.
Se vi é muito positiva então vo é positiva e o diodo conduz. Nesta condição de
compararação a tensão de saída é
v
O
=+ E
OMáx
O ponto de quebra ocorre quando
v
+
=v

v

=0,6⋅v
O
v
+
=
R
2
⋅v
i
+¦ v
O
−V
D
)⋅R
1
R
1
+R
2
onde
v
O
=+ E
OMáx
=+15V
Igualando as expressões
9=0, 282⋅v
i
+10 , 267
v
i
=V
L
=−4, 49V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 123
3) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito
abaixo. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o
AO ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, V
D
=0,6V.
Neste circuito existem dois tipos de realimentação, precisamos determinar qual a
predominante para conhecer o comportamento do circuito.
Quando o diodo está conduzindo temos a seguinte condição para as realimentações.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 124
ß
RP
=
5,6 // 27
5,6 // 27+2,7
=0, 632
ß
RN
>RN=
10
10+10
=0,5
Como β
RP
> β
RN
a realimentação positiva predomina e o circuito funciona como um
comparador com histerese.
Quando o diodo está cortado temos apenas realimentação negativa e o circuito se
comporta como um amplificador.
Se vi é muito negativo então vo é negativo e o diodo esta cortado. Nesta situação
v
O
v
i
=
R
4
+R
5
R
4
=2
v
O
=2⋅v
i
Quando o diodo inicia sua condução
V
D
=0,6V e I
D
=0
se
I
D
=0
então v
i
=v
+
=v

e
v
O
=2⋅v
i
v
X
=
6,6V⋅R
3
+v
O
⋅R
2
R
2
+R
3
=
6,6V⋅R
3
+2⋅v
i
⋅R
2
R
2
+R
3
v
X
−v
+
=0,6V
6,6V⋅R
3
+2⋅v
i
⋅R
2
R
2
+R
3
−v
i
=0,6
v
i
=V
H
=
0,6⋅¦ R
2
+R
3
)−R
3
⋅6,6V
2R
2
−1
=0V
V
H
=0
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 125
Se vi é muito positivo então vo é positivo e o diodo conduz. Nesta condição o circuito
se comporta como um comparador com histerese.
v
O
=+V
CC
A transição ocorre quando
v
+
=v

considerando
R
eq
=R
2
// R
3
V
eq
=
6,6V⋅R
3
+v
O
⋅R
2
R
2
+R3
v
+
=
v
i
⋅R
eq
+¦ V
eq
−0,6)⋅R
1
R
1
+R
eq
v

=
R
4
R
4
+R
5
⋅v
O
=
v
O
2
v
i
=V
L
=
v
O
2
⋅¦ R
1
+R
2
// R
3
)−¦V
eq
−0,6)⋅R
1
R
2
// R
3
V
L
=−6,5V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 126
6.5 Exercícios
1) Analisar os dois problemas resolvidos com o diodo invertido.
2) Analisar o circuito abaixo
V
H
=
R
1
R
2
⋅¦ V
CC
−V
D
)−V
ref
,
V
L
=
R
1
R
2
¦−V
CC
+V
D
)−V
ref
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 127
3) Desenhara a curva Vo x Vi, calculando todos os pontos de quebra. Considere a
tensão de alimentação como sendo ±15V e a queda no diodo igual a 0,7V.
OBS.: Note que o circuito comporta-se como um amplificador (realimentação negativa)
sempre que houver um diodo conduzindo.
4) Desenhar a forma de onda Vo no circuito abaixo. Considerar o AO como ideal.
Supor que Vi seja uma onda triangular de amplitude 1V e período de 2s.
5) Desenhar a curva Vo x Vi para os seguintes comparadores.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 128
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 129

1 Amplificador operacional ideal
1.1 Introdução O circuito “amplificador operacional” (AO) nada mais é do que um amplificador com uma saída e duas entradas, cujo modelo mais simples consiste de uma fonte de tensão controlada com saída proporcional à diferença de tensão entre as entradas do AO. As características dos AOs e a sua utilização nos mais variados circuitos, muitos dos quais não lineares, são o alvo desta disciplina. Internamente, o AO é formado por um amplificador de elevado ganho obtido por meio de múltiplos estágios acoplados diretamente. As duas entradas do AO são conectadas a um amplificador diferencial. O elevado ganho de tensão força o uso de realimentação negativa para que o AO trabalhe na região linear. Isto permite que o ganho dos circuitos amplificadores sejam definidos apenas pela malha de realimentação. O acoplamento direto entre os estágios internos do AO permite o seu uso de DC até freqüências bem elevadas. A origem do termo “operacional” vem dos antigos computadores analógicos, onde estes amplificadores eram utilizados como elemento chave para a realização de operações matemáticas. O nome “amplificador operacional” foi usado pela primeira vez em uma publicação de 1947, feita por John Ragazzini, o qual descrevia as propriedades de circuitos capazes de amplificar a diferença entre dois sinais analógicos. O artigo, que teve como base trabalhos anteriores, realizados entre 1943 e 1944, considerava as condições de realimentação linear e não-linear. Hoje em dia o AO é o circuito integrado analógico mais utilizado. 1.1 O amplificador operacional real. A Figura 1.1 mostra o esquema simplificado de um AO com três estágios de amplificação. Nos circuitos reais existem muito menos resistências, pois elas ocupam muito espaço no silício. No lugar das resistências utilizam-se cargas ativas e espelhos de corrente produzidos com transistores. O esquema da Figura 1.1 utiliza transistores bipolares de junção (TBJ) mas também existem circuitos construídos com transistores de efeito de campo (FET).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

1

+VCC

v–

vo

v+

–VCC

Figura 1.1: Esquema simplificado de um AO 741, um AO de três estágios

Cada um dos três estágios do amplificador da Figura 1.1 confere ao AO características especiais: 1°estágio: par diferencial
• • •

apresenta alta impedância de entrada responsável pelo elevado ganho diferencial apresenta alta rejeição a tensões de modo comum

2°estágio: emissor comum
• •

correção no nível DC para a saída apresenta ganho de tensão elevado

3°estágio: seguidor de emissor (push-pull, classe B)
• • •

responsável pela baixa impedância de saída apresenta alto ganho de corrente responsável pela corrente de saída 2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

mas os erros decorrentes de assumirmos estes valores ideais é pequeno. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. como será mostrado nas seções subseqüentes. 2010/2 3 . Desta forma é comum utilizarmos estas características para simplificar a análise de circuitos com AO. necessária para que a saída seja nula quando as entradas forem nulas mesma tensão nas duas entradas sinal comum as duas entradas Significado Corrente polarização Ib 0 Corrente de offset Tensão de offset Ios Vos 0 0 Ruído elétrico Variação de fase VN e IN φ 0 0 As características ideais de um AO nunca são alcançadas na prática.1.2 Principais características do AO ideal As principais características dos AOs ideais são: Característica Ganho diferencial Ganho de modo comum Rejeição de modo comum Impedâncias diferencial Impedância de modo comum Impedância de saída slew-rate Setlling Time Largura de banda Símbolo Ad Acm CMRR Rid Ricm Ro SR ST BW Valor ∞ 0 ∞ ∞ ∞ 0 ∞ 0 ∞ velocidade com que a saída pode variar tempo de estabilização amplifica igualmente todas as freqüências para o par de transistores do primeiro estágio desigualdade entre as correntes I diferença de tensão na entrada.

com e sem alimentação 1.1 e corresponde a amplificação da diferença entre as tensões das do AO (entrada v+ e v-) v O =Ad⋅v + −v −  onde: Ad é o ganho diferencial do AO. não ocorre a saturação ( 1. significa que v + =v − . Figura 1. é infinito. 2010/2 4 . v + e v − são as entradas do AO. mesmo com um elevado ganho diferencial.1. Figura 1. Ad. ou a diferença entre as tensões de entrada é tão pequena que. Duas entradas de alta impedância comandando uma fonte de tensão controlada.3.2.1 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3: Modelo do AO ideal A tensão na saída da fonte é dada pela equação 1.2: Símbolos do AO.3 Símbolo: O símbolo mais comumente utilizado para representar um AO é apresentado na Figura 1. Se o ganho diferencial.4 Equação/Modelo: Conforme descrito no início deste capítulo o modelo do AO pode ser visto na Figura 1. Esta relação é válida sempre que o AO está trabalhando na região linear. Trabalhar na região linear significa que existe realimentação negativa sendo utilizada no AO.

5.1 Amplificador inversor: A Figura 1. então esta regra não pode mais ser aplicada pois a equação 1. então Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Se considerarmos o AO como ideal. Figura 1. o equacionamento do ganho fica muito facilitado pelo uso de duas considerações: 1. Se considerarmos o ganho Ad infinito (condição ideal) então para a saída ser um valor finito é necessário que a diferença entre as entradas seja nula (condição ideal). 2010/2 5 . Equacionar uma única corrente fluindo através de R1 e R2 e 2.5 Configurações mais comuns: 1.4 mostra o circuito básico de um amplificador inversor a base de AO. o operacional não está trabalhando em uma região linear.do AO. ou seja. A solução para o problema é a equação 1. 1.1 não é mais válida. Sempre que o AO estiver saturado (saída igual a tensão de alimentação).4: Desenho básico de um amplificador inversor.2. vi R1 v0 R2 Como i 1 = e i 1 =− . Levar em conta que o potencial na entrada negativa é igual ao potencial na entrada positiva (neste caso igual a zero).

devemos substituir o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 1. Resultado idêntico pode ser obtido a partir da equação 1. v i⋅R2 + v 0⋅R1 R1 + R 2 v = −  v +−v − = v0 =−v − (pois a entrada positiva tem potencial zero) Ad − v 0 v i⋅R 2 + v0⋅R1 = Ad R1 + R 2 v0 ⋅ R1 +R 2  Ad v i⋅R2 + v 0⋅R1 =− V 0 =− R2 ⋅v R1 +R 2 i R1 Ad ( 1.v 0 =− R2 v R1 i ( 1. o terminal inversor. implicitamente. 2010/2 6 . mesmo quando o ganho do AO não é infinito. se levarmos em conta que o ganho do AO não é infinito.2 ) Por outro lado.: quando se considera Ad→∞ considera-se. ela não esta diretamente conectada a terra e não há circulação de corrente entre terra e este terminal. A equação 1. Estas equações mostram que a rede de realimentação determina o ganho do circuito amplificador. nesta configuração.3 ) Obs. Convém notar.3. também. Note. que apesar de a entrada inversora estar a um potencial igual zero. Por este motivo. para ganho infinito. que a influência do ganho diferencial não infinito. que v+= v– pois esta é a única forma de obter um vO finito.2 mostra o resultado final do equacionamento.3. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. é chamado de terra virtual. também. é tanto menor quanto menor for o ganho dado ao amplificador inversor.

2010/2 7 .2 Amplificador não-inversor: A Figura 1. Supondo que o AO seja ideal.5: Desenho de um amplificador não inversor básico. devemos substituir o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 1.4 é a solução do problema. não é infinito.5.5 mostra o desenho básico de um amplificador não inversor formado por AO.4 ) Se considerarmos que o ganho do AO. Neste caso a equação 1. Figura 1. a solução do problema é encontrada fazendo-se a tensão na entrada negativa (divisor de tensão formado por R1 e R2) igual a tensão de entrada. R1 ⋅v = v R1 + R 2 0 i v 0= R1 +R2 R ⋅v i=1 2 ⋅vi R1 R1 v o R 1R2 R = =1 2 vi R1 R1 ( 1.5.1. v + =v i v −= R1 ⋅v R1 +R2 0 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Note que este circuito tem realimentação negativa.

se o ganho Ad for considerado infinito a solução para o problema é idêntica a obtida pela equação 1. pois apresenta impedância de entrada infinita e impedância de saída nula.v −v−= v0 Ad vi − R1 v ⋅v 0 = 0 R1 +R 2 Ad vo  R1R 2⋅Ad = v i R 1R2R1⋅Ad R 1 + R2 ⋅v R 1 + R2 i R1  Ad v 0= ( 1. nesta configuração. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Neste caso o circuito do amplificador não inversor é designado por buffer.5. que se R1 =∞ ou R2 =0 então v 0 = v i . Nota-se também que em ambos os casos.4. Figura 1. 1. 2010/2 8 .3 Amplificador somador: A Figura 1. O buffer possui ganho unitário e pode ser utilizado para isolar estágios amplificadores.6 mostra a topologia do amplificador somador inversor básico implementado com AO.5 ) Podemos notar.6: Circuito do amplificador somador inversor básico.

5.7. então a equação 1. i 4=− i1 + i2 + i3 = i 4 v 0 =.6 ) se R1=R2=R3=R. Supondo Ad → ∞ então v+= v– v1 R1 v2 R2 v3 R4 v0 R4 i1= .7 ) 1. o amplificador somador consistir de uma série de amplificadores inversores ligados em paralelo. Aqui também levamos em conta que o AO possui características ideais de funcionamento. a saída será dada pela equação 1. 2010/2 9 .7 mostra a topologia do amplificador subtrador básico implementado com AO. −R4 ⋅ v1 v 2v 3  R vO= ( 1.7.6 ou. no caso particular de todas as resistências serem iguais. i3 = . i2= . assim. pela equação 1. Isto nos leva a aplicar a técnica de superposição de fontes.4 Amplificador subtrator A Figura 1.6 pode ser reescrita conforme a equação 1.R4  v1 R1  v2 R2  v3 R3  ( 1.Como podemos observar. para equacionar a tensão de saída deste circuito. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

7: Circuito do amplificador subtrator básico. Considere os AOs ideais. A equação 1. Considere R1 =R 2 =100 K  e V CC =±12 V . O cálculo torna-se mais cômodo se feito por superposição.Figura 1.8 ) 1.6 Conclusão Em um circuito com A. aliado a consideração de que o AO é ideal.8 mostra equação da tensão de saída deste circuito. b) Considere v i =0V . calcule sua função de transferência i L= f vi . ideal. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. utilizando-se o que já foi calculado para o amplificador inversor e não inversor. 2010/2 10 . R2  v −v  R1 2 1 v 0= ( 1.O.7 Problemas resolvidos Exercício 1: Dado o circuito abaixo. Calcule i L levando em conta a existência de uma fonte de tensão conectada a entrada positiva de A1 e uma fonte de corrente conectada a entrada positiva de A2. a) Estabeleça valores para os resistores R. R 3 e R4 de forma que o circuito forneça uma corrente máxima i Lmáx =1 mA para uma carga 0 ≤R L ≤10 K  quando v i =−10 V . 1. o ganho (ou função transferência) é dado “exclusivamente” pela malha de realimentação.

o circuito possui realimentação negativa.R 2 .R4 . A3 : forma um subtrator junto com R3 . porque a RP ainda passa pelo divisor resistivo R-RL. Função de transferência: R4 R⋅i L R3 . Análise das realimentações de A1 : A1 recebe realimentação negativa (RN) através da entrada não inversora de A3 e realimentação positiva (RP) através de A 2 e da entrada inversora de A3 .Solução: Análise do circuito: A 2 : forma um amplificador de ganho unitário (buffer). logo =0 R1 +R 2 v i⋅R2 +R 1 v− = A 1 i L=− ⋅v R1⋅R 4⋅R i R2⋅R3 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. o que permite o uso das técnicas estudadas. Como resultado disto. a RN é mais forte. 2010/2 11 . A1 : fornece a corrente de saída e é realimentado pelo subtrator através de R1 . Como o ganho dos dois caminhos do subtrator (entradas inversora e não-inversora) são iguais em módulo.

por exemplo. onde V Omáx é a máxima tensão de saída do AO. R= 11 V −10 V =1K  1 mA R2⋅R3 Como i L=− ⋅v R1⋅R 4⋅R i então R4 R ⋅v 100 K −10  =− 2 i =− =10 R3 Ri⋅R⋅i 0 100 K⋅1K⋅1m R3 =10K  assim podemos escolher. podemos limitar. 2010/2 12 . V Omáx =11V . Como V CC =±12 V. co segurança. R 4=100K  e b) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.a) Sendo i Lmáx =1 mA e R Lmáx =10K então v L Imáx =10 V (tensão máxima na carga) v Omáx −v L Imáx i Lmáx R= .

O problema pode ser calculado por superposição: Efeito de VOS1: R1 R4 ⋅ ⋅R⋅i L R1 +R2 R3  R 1 +R 2 ⋅R3 R1⋅R4⋅R v os1 = i L  v os1 = v os1 Efeito de IB2: i L =i R −i b2  R4 R⋅i R R3 − vA = =0 R1 +R 2 R1 1 i R=0 i L i b2 =−i b2  R1 +R 2 ⋅R3 R1⋅R 4⋅R Portanto: i Ltot = v os1−i b2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 13 .

b) Para que serve esta configuração? Resposta: a) Se R3=R2 então v 0 = 2R 2 R 2 ⋅ 1 ⋅ v 2 −v 1  R1 R b) amplificador subtrator com ganho ajustável por um elemento (R). 2010/2 14 . 1) a) Calcule: A v= v0 vi . b) Para que serve esta configuração? Respostas: a) v 0 =− R 3 R4 R2 R3R 2 R4 R1 . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. R 4 vi b) Esta configuração é empregada quando queremos um alto ganho e não temos resistores de alto valor disponíveis para Req. 2) a) Calcule: A v= v0 vi .AO ideal.1. supondo R3=R 2 .8 Exercícios .

3) a) Calcule: A v= v0 vi b) Os operacionais estão sob realimentação negativa? 4) a) Calcule: A v= v0 vi Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 15 .

5) a) Calcule: A v= v0 vi 6) a) Calcule: A v= v0 vi 7) Mostre que para o amplificador inversor e não inversor. o ganho pode ser escrito da seguinte v o Ganho Ideal R1 = forma: v i onde β= 1 R1 +R 2 1 β⋅Ad Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 16 .

9) Para o circuito em ponte mostrado abaixo.8) Ache a expressão de vo para o circuito abaixo em função de V1. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. determine o valor da tensão de saída. 2010/2 17 . V2 e Vcm.

01µF). As chaves S1 e S2 são abertas uma de cada vez para permitir a medida de IB1 e IB2. A corrente IB é a corrente de base dos transistores TBJ. Nesse circuito as correntes de polarização são obrigadas a fluir sobre resistores de valor muito elevado (10MΩ ou mais) produzindo uma tensão de saída mensurável. Nestes casos é possível encontrar AO com IB da ordem de [fA].2 Características CC do amplificador operacional real 2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1. ou a corrente de fuga na porta dos FETs. necessárias em cada entrada do AO.1: Circuito para medida das correntes de polarização e offset Essas corrente são da ordem de [µA] ou [nA] mas podem ser menores em AO com par diferencial composto por uma configuração Darlington ou transistores FET. para produzir zero Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. 2010/2 18 . Os capacitores servem apenas como um filtro passa baixas (0. utilizados no primeiro estágio de um AO. Figura 2.1 Corrente de polarização IB Essas são as correntes CC. Para medir estas correntes utiliza-se um circuito simples conforme mostrado na Figura 2.

1 IB = IB ± (IOS/2) ( 2. Para medir esta corrente utiliza-se o circuito da figura Figura 2.1. Figura 2.1 Modelo para representar a corrente de offset O modelo para representação de IOS é o mesmo utilizado para IB (Figura 2. podemos calcular cada IB como apresentado pela equação 2. 2.2 mostra o equivalente elétrico de um AO sujeito a influência de correntes de polarização.2 Corrente de offset IOS Essa é a diferença entre as correntes de polarização das entradas positiva e negativa de um AO. Em alguns casos. Note que este esquema utiliza correntes diferentes para a entrada inversora e não inversora. quando temos apenas um valor para IB e outra para IOS. Como os componentes do amplificador de entrada não são exatamente iguais há uma pequena diferença entre as correntes de polarização.2: Modelo equivalente para um AO em função de IB 2. Como as correntes de polarização são muito semelhantes e as resistências muito elevadas é necessário que as resistências sejam casadas com tolerância da ordem 0. página 20). 2010/2 19 .1 Modelo para representar a corrente de polarização A Figura 2.2.2.1 (página 19)com as duas chaves abertas.1% ou menos.1 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2.

Estas variações ocorrem porque os Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3. Figura 2. A polaridade da fonte V OS não é definida pois a tensão de offset é dada em módulo e sua polaridade pode mudar de operacional para operacional. Normalmente o valor da tensão de offset é fornecido em módulo pois a tensão de saída pode ser afetada positiva ou negativamente. necessária na entrada de um AO.4: Modelos equivalentes para um AO em função de Vos 2.4 drift de IB. Para facilitar a medida deste parâmetro utiliza-se um amplificador não inversor com entrada aterrada e resistores de valores elevados. conforme mostrado na Figura 2.3 Tensão de offset VOS Esta é a diferença de tensão CC.2. 2010/2 20 . Figura 2. IOS e VOS Os drifts de IB. A tensão de offset é causada pelo desbalanço do par diferencial e pela desigualdade dos transistores do 2° estágio. tensão de alimentação. para produzir zero Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. ou tempo.3. IOS e VOS correspondem as variações destes parâmetros com a temperatura. A fonte pode ser colocada na entrada não inversora.4 mostra dois equivalentes elétricos de um AO com V OS.3: Circuito para medida da tensão de offset 2.1 Modelo para representar Vos A Figura 2.

3.4.2 Correntes de polarização As variações das correntes de polarização com relação a temperatura.5: Compensação da tensão de offset 2. o zeramento da tensão de offset (Figura 2.1 Tensão de offset As variações da tensão de offset com relação a temperatura.2. Normalmente os valores de drift correspondem a valores médios para um intervalo especificado de temperatura. podem ser calculadas pela equação 2. Alguns amplificadores operacionais apresentam pinos externos que possibilitam o balanceamento do par diferencial e.componentes do circuito são afetados de forma diferente por essas influências externas. Figura 2. por conseqüência. 2. Apesar deste recurso facilitar a compensação da tensão de offset ela causa um aumento na deriva térmica de Vos. 2010/2 21 .5).4. podem ser calculadas pela equação 2.2 ) onde é a deriva térmica. tensão de alimentação ou tempo. dV OS T dT V OS =V OS  25 ° C   dV OS dT ( 2.3 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. I B= I B  25o C  dI B T dT ( 2.

o que já é o suficiente para utilizar a equação 2. o AO é classificado quanto a sua habilidade de amplificar a diferença entre os sinais aplicados a suas entradas. o ganho de um AO pode ser dividido em dois: Ganho diferencial (Ad) e de Modo Comum (ACM). a temperatura. 2. para a corrente de polarização.01 0. Se a fonte de corrente que alimenta o par diferencial apresentasse 80 20 0. dT Alguns manuais não citam a deriva térmica. e rejeitar a parcela de sinal comum as duas entradas.3. a tensão de alimentação. vale a pena ressaltar que os ganhos mudam em função de uma série de itens como: a carga.1 Ganho Diferencial Este ganho é influenciado pelas características dos transistores do par diferencial de entrada e sua carga.1: Comparação entre drift de alguns AOs Amp. Desta forma.5 ±1.8 0.0005 741C TJB SID 1 CA3140 FET RCA 8 OP07C AD5476 Unid. 2010/2 22 .018 Analog Devices 0..0(Máx) 0. Tabela 2. Tipo Fabricante Vos drift/Vos IB Ios drift/Ios 2. – – mV µV/°C nA nA nA/°C TJB alto desempenho FET alto desempenho Analog Devices 0.002 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. outros operacionais do mesmo tipo.8 0.5 Ganho de malha aberta Da mesma forma que a impedância de entrada.25(Máx) 1.01 0.Onde dI B é a deriva térmica. mas indicam o  T necessário para dobrar o valor de IB. supondo que esta variação seja constante com a temperatura.. Op.5... Além destas distinções feitas ao ganho dos AO.06 0.

7 ) V iCM = ( 2. que é definido como mostrado nas equações 2.5 e 2.4. as correntes de coletor se alteram modificando a tensão de emissor.4 ) CMRR=20⋅log   Ad ACM (em dB) ( 2. 2010/2 23 . CMRR= Ad (em valor absoluto) ACM ( 2. O modelo de pequenos sinais para amplificador se torna um emissor comum com resistência de emissor. Esse comportamento manteria constante a tensão de emissor. uma informação importante é o fator de rejeição de modo comum.8 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2 Ganho de modo comum Como a fonte de corrente que alimenta o par diferencial de entrada não apresenta resistência infinita. Por esta razão.6 ) ACM = ( 2. 2.5. 2.V id Vo V iCM V +V 2 ( 2. Nos manuais.resistência infinita.7. Desta forma o ganho de pequenos sinais do primeiro estágio seria equivalente ao de um amplificador em emissor comum com emissor aterrado. o ganho para sinais iguais nas duas entradas do amplificador é pequeno mas não nulo. que no modelo de pequenos sinais poderia ser considerado como aterrado. Normalmente o ganho diferencial dos AOs é da ordem de 105 a 106 vezes. mesmo aplicando sinais de mesma amplitude nas duas entradas do amplificador.5 ) Ad = Vo V = o V + −V . as variações de corrente em um ramo do amplificador diferencial seriam compensadas no outro ramo.

4 e 2. Nesse circuito um mesmo sinal é aplicado as duas entradas do AO sem realimentação.6 Impedância de entrada O primeiro estágio do AO é constituído de um amplificador diferencial cuja impedância de entrada. Isto pode ser constatado pela simples observação de que existem correntes de polarização fluindo para dentro do AO.6: Circuito para medida do ACM dos AOs 2. 2. Com estas informações.5.A Figura 2. 2010/2 24 .7 representa o equivalente elétrico de um AO quando levamos em conta o ganho de modo comum. utiliza-se as equações 2.6 mostra o circuito utilizado para medir o ganho de modo comum dos AOs.3 Modelo para ganho de modo comum A Figura 2.7: Modelo equivalente para um AO em função de ACM 2.5 para conhecermos a taxa de rejeição de modo comum (CMRR).7. A impedância de entrada de um AO pode ser separada em duas outras impedâncias com características bem distintas. Figura 2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. não chega a ser infinita. Uma delas é a chamada impedância de modo comum (R CM). Figura 2. apesar de ser muito elevada.

e pode ser representada por um resistor série. refletidas para a saída do AO. A impedância diferencial é função das características da junção base-emissor dos transistores de entrada e da corrente de polarização destes. A outra impedância é chamada de diferencial (RID) e deve-se a características exclusivas de cada entrada. 2010/2 25 .10 fica claro que Rcm >> Rid . a realimentação não consegue corrigir totalmente a queda de tensão na resistência de saída Ro. A resistência de saída (Ro) influencia no cálculo do amplificador realimentado porque o ganho do amplificador em laço aberto não é infinito. 2. Rcm = hfe hoe ( 2. colocado na saída dos AO. Sua influência pode ser quantizada por meio da equação 2.cujo efeito é igual para as entradas inversora e não inversora.10. e do ganho de corrente deste. Tipicamente a resistência de saída é da ordem de 50  e em aplicações de precisão não devemos drenar mais do que 2 ou 3 mA da saída do AO.8 mostra um amplificador inversor completo.10 ) Pela relação entre as equações 2.9 e 2.9 2V T IB R ID ≈2⋅hie≈ ( 2. Esta impedância pode ser aproximada pela equação 2. A Figura 2. Note que a tensão de saída passa por um divisor de tensão formado por Ro e RL e que Ro também influencia na malha de realimentação. onde a resistência de saída (Ro) do AO é levada em conta. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Assim. que polariza o par diferencial.9 ) A impedância de modo comum é função da impedância de entrada da fonte de corrente.7 Impedância de saída Esta impedância se deve principalmente às impedâncias de saída do 2°estágio (hoe–1).

O fator que caracteriza esta imunidade é chamado de rejeição a fonte de alimentação (Power Supply Rejection) e pode ser calculado pelas equações 2.12 ou 2.8 Limitação da tensão de saída Com exceção aos amplificadores chamados rail to rail a tensão de saída dos AOs nunca alcança a tensão de alimentação.13. Isso se deve a quedas de tensão sobre os transistores do 2° e 3° estágios de amplificação. vo= RL //  RRf  ⋅vo ' RoRL //  R+Rf  ( 2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.8: Amplificador não inversor com Ro não nula Considerando Ro na topologia do amplificador não inversor.11.11 ) Comparando o ganho desse circuito com o ganho ideal da configuração não inversora nota-se que o ganho da configuração ficou reduzido de: 1 1 Ro Ro  RL RRf 2.9 Rejeição a fonte de alimentação A polarização dos transistores é dependente da tensão de alimentação utilizada e isso faz com que o AO não seja imune às variações de tensão na alimentação. 2010/2 26 . 2. a tensão de saída fica modificada de acordo com a equação 2.Figura 2.

Valores típicos para PSRR dependem da qualidade do AO: para o 741 a PSRR é de ±30mv/v enquanto que para o OP27A a PSRR é de 0. A.PSRR= V O (em valor absoluto) V CC ( 2.9: Modelo equivalente para um AO em função de: IB. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. A. RCM. IOS. Rcm. RO e outros podem ser agrupados em um só modelo como mostra a Figura 2. considerando VOS1 e VOS2 diferentes de zero e Ad1 e Ad2 finitos: a) Calcular Vo em função destes parâmetros e dos resistores. Rid. Ios. Figura 2.10 Modelo para Corrente Contínua: Os modelos apresentados individualmente para representar IB. 2010/2 27 .9. VOS.12 ) PSRR=20⋅log   V O  V CC (em dB) ( 2. Ro 2. Rid.13 ). Vos. 2.10.11 Problemas resolvidos Para o circuito da Figura 2.2mv/v.

b) O manual da Analog Device, que apresenta este problema, informa que A2 deve ter baixo VOS para o bom funcionamento do circuito. A influência de VOS2 é realmente significativa? Precisamos realmente ter um A2 de boa qualidade?

Figura 2.10: Circuito para o Error: Reference source not found Solução a)

Figura 2.11: Adaptação do circuito da Figura 2.10 levando em conta os efeitos de Vos Para A1 : V O1 =Ad1⋅V d1 V d1=V X −V OS1 V O1 =Ad1⋅V X −V OS1  Para A2 V O =Ad2⋅V d2

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V d2V O1V OS 2 =0 V d2=−V OS2−V O1 V O =−Ad2⋅ V OS2  Ad1 V X −V OS1  Pela malha de realimentação podemos dizer que
R1

V X=

⋅V R1 R2 O

Assim VO R1 =V OS2 Ad1⋅ ⋅V −V OS1 Ad2 R1R 2 O

Isolando VO, temos: V OS2 Ad1 1 Ad1⋅Ad2

V OS1− V O= R1 R1 R2 

Nota-se na expressão de VO, que a influência de VOS2 é muito menor que a de VOS1, pois a primeira aparece dividida por Ad1, que tem um valor muito elevado. Assim, conclui-se que A2 não precisa ser tão bom quanto indicava o artigo da Analog Devices. 2.12 Circuitos para compensação de I B e VOS: 2.12.1 Compensação de IB no amplificador inversor O modelo que representa os efeitos das correntes de polarização sobre um amplificador inversor é apresentado na Figura 2.12. Por esta figura fica claro que a corrente IBcircula pela malha de resistores ao passo que a corrente IB+ é curto circuitada. Este circuito pode ser calculado por superposição.

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Figura 2.12: Modelo de amplificador inversor sob influência das IBs Para Vin=0 (as duas extremidades do resistor R1 estão conectados a potencial zero) V O1 =R2⋅I B − Para IB– = 0 −R2 ⋅V in R1

V O2=

Logo
−R2 ⋅V inR 2⋅I B − R1

V 0=

Parte da tensão de saída é função da corrente de polarização. Este erro introduzido na tensão de saída pode ser reduzido pela inclusão de um resistor, R 3, entre a entrada não inversora e o terra. Para IB+ = 0 e IB– = 0 −R 2 V R1 in

V 01 =

Para IB+ = 0 e Vin = 0 V O2=R 2⋅I B −

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2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. R3. Observa-se pela Figura 2.Para IB– = 0 e Vin = 0 V O3= Logo −R 2 −R3 ⋅V i R2⋅I B −  ⋅ R1 R 2 ⋅I B R1 R1 R1R2 ⋅R3⋅I B  R1 V0= Supondo I B + = I B − =I B R2 R1 R3 R1 V 0 =- V i I B  R2 −  R1 R2  Para que o segundo termo da equação seja nulo R3 ⋅ R1R 2 =0 R1 R2 −  R1 R2  R3⋅ = R2 R1 R3 = R 2 R1 R1R 2 A diminuição dos efeitos de IB podem ser compensadas com a inclusão de um resistor conectado entre a entrada positiva e o terra. independente do modelo utilizado.12.1 Caso do amplificador inversor.1.13. que a tensão VOS afeta a saída como se fosse aplicada sobre um amplificador não inversor. Quando isto acontece a saída depende apenas da entrada e da rede de realimentação R1 e R2. 2010/2 31 . de valor R1 // R2.

Figura 2.13: Dois modelos para o amplificador inversor sob influência das Vos Resolvendo por superposição temos −R2  R R 2 ⋅V in  1 ⋅V OS R1 R1

V O=

Sendo assim, é possível somar ou subtrair tensões para remover a parcela da saída dependente de VOS. Um dos circuitos para remover este offset é apresentado na Figura 2.14.

Figura 2.14: Amplificador inversor com correção da tensão de offset No circuito da Figura 2.14 foram adicionadas resistências a entrada positiva do AO. Estas resistências alteram o circuito transformando o amplificador inversor em um subtrator. A tensão Vin continua sendo amplificada como em um amplificador inversor, porém soma-se (ou subtrai-se) a esta, uma parcela obtida pela tensão Vx aplicada ao amplificador não Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 32

inversor. Se P1 for ajustado para fazer Vx igual a VOS a tensão de offset é compensada. Valores de referência positivos e negativos são utilizados nos extremos de P1 para permitir a compensação de tensões de ambos os sinais. Para ajudar na compensação de IB, as resistências podem ser escolhidas de tal forma que R1 // R2=R3 R4 //  R5P 1  A resistência de P1, vista pelo circuito, varia com o ajuste do potenciometro e isto altera a impedância total da malha vista pelo AO. Para minimizar estes efeitos utiliza-se R5>>R4. 2.12.2 Compensação de VOS no amplificador não inversor. Uma alternativa para corrigir o efeito da V OS na configuração não inversora, sem reduzir a impedância de entrada da configuração, é apresentada na Figura 2.15.
*

Figura 2.15: Amplificador não inversor com circuito para compensação de offset Este circuito, muito semelhante ao utilizado na configuração inversora, modifica o ganho do amplificador pois uma resistência variável R3+P1 é colocada em paralelo com R1. Para minimizar estes efeitos utiliza-se valores de R3 e P1 tais que as alterações em P1 modifiquem minimamente o valor da resistência equivalente
R1≈R1 //  R3P 1.
*

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2.13 Exercícios - AO Real. 1) No circuito abaixo: a) Calcule R1 para que a saída fique centrada em 0V. b) Qual o valor de R2 para que o amplificador tenha mínimo erro devido a IOS.

2) No circuito abaixo determine VO em função de Vi, considerando também VOS, IOS e Ad

Para este amplificador considere: VOS =2mV; IB =100nA; IOS =20nA; Ad =10.000;

3) Para a configuração amplificador subtrator: a) Calcule VO levando em conta VOS, IB+, IB-, e Rid. b) Calcule Vo considerando Ad e CMRR finitos. c) Verifique qual o CMRR do circuito em função do CMRR do amplificador operacional.

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Ri e Ro para a configuração não inversora. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. R3=0.5mV 2 – Vi=0. R2=390K. Testes: 1 – Vi=0.5mV 3 – Vi=0. calcule Av. VO = 299. VO = 207. R2=390K.4) O circuito abaixo foi testado sob três condições diferentes. VO = 497. 2010/2 35 . R1=10K. b) Calcule VO para o teste “2” mas com Vi = 10mA 5) Para um AO com resistência de entrada diferencial (Rid) finita. R2=390K. R1=10K. R3=33K. R3=0. com resistência de saída (RO) maior que zero e com ganho (A d) finito. IB– e IOS. R1=39K.5mV Perguntas: a) Calcule VOS. IB+. 6) Para um buffer e um amplificador inversor de ganho unitário: verifique a influência do ganho de modo comum e do CMRR em cada uma das configurações.

Ch1 fechada e Vi = 0: VO = 0. Z2. b) Com a chave Ch3 fechada. 8) Calcule a impedância de entrada do circuito abaixo. Utilizando apenas resistências e/ou capacitâncias para Z1. Z5. como poderíamos simular um indutor? Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. . 2010/2 36 . Foram feitos os seguintes testes com o circuito: a) Com as chaves Ch1. VOS e CMRR com as respectivas polaridades.7) No circuito a seguir os amplificadores operacionais são reais e absolutamente iguais. Suponha chaves ideais...89V c) Com as chaves Ch2 e Ch3 abertas. as chaves Ch1 e Ch2 abertas e Vi = 100mV: VO = -4. Fazer os cálculos com precisão de 1mV para tensão e de 1nA para corrente. Ch2 e Ch3 fechadas e Vi = 0: VO = -2mV.. Considere as outras características do amplificador operacional se aproximando do ideal. Pergunta: Calcular IB.

Use o ganho tendendo a infinito e as correntes de polarizações iguais. 11) Qual o ganho real na configuração inversora se o resistor de realimentação é 5MΩ. OBS.: A impedância de entrada é dada por Zin = Vin/Iin. Compare este circuito com o não inversor. Considere os amplificadores operacionais com comportamento real e constituídos na mesma pastilha (AOs idênticos). calcule a impedância de saída da seguinte configuração. o resistor de entrada é 10KΩ. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Calcule também a impedância de entrada e de saída do circuito completo. 2010/2 37 .9) Equacione o circuito abaixo e explique por que esta configuração possibilita um aumento na impedância de entrada da configuração não inversora. 10) Supondo ganho finito para o amplificador operacional. o ganho diferencial é 80dB. a impedância de entrada do operacional é 300KΩ e a resistência de saída do operacional é 100Ω.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. IB(típico) = 80nA. b) determine a expressão de VO levando em conta VOS. Ios(típico) = 20nA.04V b) S1 aberta e S2 fechada: VO = 0. Ad. 2010/2 38 .12) No circuito abaixo foram realizadas as seguintes medidas: a) S1 e S2 fechadas: VO = 0. Ad(típico) = 200. IB– e IOS. IOS.06V Calcule IB+.000): a) determine a resistência de entrada do circuito. Compare com o AO real.1V c) S2 aberta e S1 fechada: VO = -0. 13) Admitindo que o AO do circuito abaixo seja um 741 típico (V os(típico) = 2mV.

supondo V1=V2=VCM em função do CMRR dos AOs. 2010/2 39 .000 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Ad = 200. IB– e VOS para os seguintes amplificadores: a) inversor (com um resistor R3 ligado entre a entrada V+ do AO e terra): b) não-inversor (com um resistor R3 ligado entre Vi e a entrada V+ do AO): 16) Calcular a função transferência supondo a existência de CMRR para os seguintes amplificadores: a) inversor: b) não-inversor: c) buffer:CMRR= 90dB. Determine também uma expressão para o ganho de modo comum.14) Nos circuitos abaixo calcule VO/(V2-V1) supondo que os AOs são idênticos. 15) Calcular a função de transferência supondo a existência de IB+.

2010/2 40 . Vi + _ Ad(S) β(S) Vo Figura 3.1: Diagrama em blocos de um amplificador realimentado Pelo diagrama em blocos deve ser claro que V O S = Ad  S ⋅ V i  S  – V O S ⋅S   e. portanto que a equação 3.3 Características em freqüência do amplificador operacional real 3. O ganho do elemento amplificador é chamado de ganho em laço aberto – no AO este ganho corresponde ao Ad(S). O ganho β(S) pode ser constante ou apresentar comportamento variável com a freqüência.1. conforme indicado na Figura 3.1. como no caso dos circuitos com AO.1 é positivo e maior do que 1. tanto o amplificador quanto a malha de realimentação costumam ser modelados por ganhos. V O S  Ad S  =AV S = V i S  1 Ad S ⋅S  ( 3. representa o ganho do amplificador realimentado ou o ganho de malha fechada. normalmente.1 ) O ganho Ad(S) é constante para CC mas a partir de uma determinada freqüência começa a decair.1 Resposta em Freqüência e Estabilidade Em um amplificador realimentado. os dois ganhos são constantes e o denominador da equação 3. O ganho da malha de realimentação é chamado de β(S). Em baixas freqüências. Isto garante a estabilidade da função de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

então o ganho de malha será negativo.3 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Ganho em dB negativo equivale a ganho linear com módulo entre 0 e 1. β(S). V O S  1 = V i S   ( 3. Por esta razão é comum estudar separadamente o comportamento do chamado ganho de malha. 2010/2 41 . Ganho unitário corresponde a 0dB. Em síntese: se o ganho de malha for ∣1∣∢180o o circuito torna-se um oscilador e se o ganho de malha for maior do que ∣1∣∢180 o o circuito torna-se instável. Figura 3. representado conforme equação 3. é responsável pelo ganho do amplificador realimentado (equação 3.2). pode ser utilizado para simplificar a análise da estabilidade dos amplificadores realimentados. Para amplificadores realimentados com 3 ou mais pólos.3. o ganho do amplificador torna-se infinito ( 1 Ad S ⋅S =0 ).2. pois a fase do ganho de malha nunca será 180º. Esta é uma situação limite de estabilidade que corresponde a colocar os pólos do amplificador realimentado sobre o eixo jω. Ganhos de 20⋅log  X  correspondem a −20⋅log1/ X  Ad  j ⋅ j =∣Ad  j ⋅ j ∣ ⋅e j⋅  ( 3. O diagrama de Bode do ganho de malha. os pólos do amplificador realimentado deslocam-se para a direita do eixo jω ( 1 Ad S ⋅S 0 ). Se.transferência. Se o ganho Ad(S) for muito elevado. o ganho da malha de realimentação. O gráfico. Se o módulo do ganho de malha aumentar (mantendo a fase em 180º). Neste diagrama de Bode. Se. Uma análise preliminar indica que não existe problema de instabilidade para amplificadores realimentado com 1 ou 2 pólos. apesar de simples. são desenhados os gráficos de módulo e fase do ganho de malha. em alguma freqüência. cumulativamente. o módulo do ganho de malha for unitário.2 ) Em altas freqüências a estabilidade depende do comportamento de A d(S) e β(S). utiliza escala logarítmica de freqüência e ganho em dB. Ganho em dB corresponde a 20⋅log∣Ganho Linear∣ . como nos casos do AO. ou seja do produto L S = Ad S ⋅S  . a fase do ganho de malha for 180º. o problema da instabilidade não pode ser esquecido.

para a freqüência onde a fase é 180º. Observa-se que para ganho unitário (0dB). a fase é menor do que –180º (–150º). ). no diagrama de Bode do ganho de malha.4 ) ( 3. A diferença entre o valor do ganho para a fase de –180º e o ganho unitário é chamado de margem de ganho (equação 3. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. o módulo do ganho for menor do que 1 (valor menor do que 0dB). o amplificador também é estável. De outra maneira..2: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado A estabilidade está garantida se. 2010/2 42 ..4). Neste diagrama de Bode é possível identificar duas figuras de mérito importantes: a margem de ganho e a margem de fase.Figura 3. Da mesma forma. quando a fase é –180º o módulo do ganho de malha é menor do que um (menor do que 0dB). se para a freqüência de ganho unitário.2 é estável. A diferença entre a fase para ganho unitário e –180º é chamado de margem de fase (equação 3. MG[dB ]=−∣Ad  S ⋅ S ∣=−180 o o ( 3. a fase de Ad S ⋅S  for maior do que –180º (–150º. –120º.5).5 ) MF [graus]=180 −∣∣∣Ad  S ⋅ S ∣=0dB Partindo-se desta análise é possível concluir que o amplificador realimentado representado pela figura Figura 3.

2010/2 43 .Quando o ganho dos AOs não pode ser alterado só resta alterar a rede de realimentação para garantir a estabilidade do amplificador em malha fechada. o ganho do AO corresponde a 60dB.3). o ganho de malha será ∣1∣∢−180o . para a freqüência onde a fase do AO corresponde a –135º. Este valor de Ad corresponde ao menor ganho da configuração realimentada e que atende ao requisito de mínima margem de fase.3. Figura 3. 4) determina-se o ganho de realimentação de tal forma que β–1 = Ad. pois ∣Ad S ⋅S ∣=1 . o ganho β corresponde a –60 dB (no gráfico isto corresponde a reta denominada 20⋅log 1/=60dB ). 3) determina-se o ganho do AO para a freqüência onde a margem de fase é atendida. 2) determina-se uma margem de fase considerada aceitável. No exemplo da Figura 3. ajusta-se o ganho de realimentação de tal forma que ∣AS ⋅ S ∣=1 . por exemplo.3: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. –30dB. Como. Se for escolhido um ganho β maior. A determinação de um ganho de realimentação que deixe estável o circuito pode ser obtida da seguinte forma: 1) desenha-se o diagrama de Bode para Ad(S) (Figura 3. para que a margem de fase do amplificador realimentado seja da +45º. neste ponto.

4: Resposta em freqüência de cada estágio de um típico AO não compensado A equação 3. para altas freqüências o ganho diminui com a freqüência.6 ) onde Ad0 é o ganho em baixas freqüências. Estes pólos dominantes limitam a resposta em freqüência dos estágios. Na maioria das vezes estes pólos estão distantes. p1. de modo que alguns se tornam dominantes. Figura 3. um de cada estágio de um AO típico.3. p 1⋅p 2⋅p 3 Ad S = Ad0⋅  S p1 ⋅ S p 2⋅S  p 3 ( 3.1 Resposta em freqüência não compensada Cada estágio do amplificador operacional é composto por transistores que definem diferentes pólos. Para CC e baixas freqüências o ganho é praticamente constante. Ad(S) é o ganho de tensão em laço aberto. Os efeitos individuais dos pólos de cada estágio do AO foram somados para montar o gráfico da Figura 3.5.6 corresponde ao ganho do sistema não compensado. do amplificador operacional como um todo. p2.4. Observa-se que o AO tem ganho de 29dB na freqüência onde a fase é Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. mostrado na Figura 3.1. e p3 são os pólos. A Figura 3. 2010/2 44 . e por conseguinte.4 mostra a influência de três pólos dominantes.

2010/2 45 .– 180º. de modo que a a nova resposta em freqüência do AO intercepte a curva 20⋅log 1/ com inclinação de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. para permitir a sua estabilidade em um determinado ganho de malha fechada consiste em introduzir um pólo de baixas freqüências.2 Resposta em freqüência com compensação Para corrigir a resposta em freqüência de um AO (instabilidade ou resposta a transitórios) emprega-se algum tipo de compensação. 3. Sendo assim este AO será estável em todas as configurações com ganho maior do 29dB..) ou interna (AO de propósito geral LM741. Uma forma de compensar o AO. Como exemplo disto temos o LF357.) ao AO. caso contrário o circuito se torna um oscilador. que é estável em configurações com ganho maior do que 5.. LM308.. Muitas vezes estes operacionais não são estáveis para ganho unitário. LM318.5: Resposta em freqüência de um típico AO não compensado Por esta razão alguns AOs de banda larga (amplificadores desenvolvidos para operar em freqüências elevadas) só podem ser utilizados em configurações com ganho mínimo estabelecido pelo fabricante. Figura 3. LF351.. Esta pode ser externa (AO de banda larga e alto desempenho – LM301.1.

um pólo em uma freqüência muito baixa (≈10Hz). introduz um pólo adicional em freqüência muito baixa o que diminui sensivelmente o ganho do AO em todas as freqüências. no 1° estágio. Figura 3. e p1 é deslocado para direita. Isto faz com que seja criado. O efeito deste capacitor é multiplicado pelo ganho do 2° estágio (efeito Miller) e refletido para a saída do 1° estágio. Em suma. Como vantagem o método permite ganhos maiores para todas as freqüências.6). Este comportamento. um zero na freqüência de p2 e outro pólo em uma freqüência bastante elevada (≈1MHZ). Isto é prejudicial ao desempenho global do AO pois seu comportamento ideal apresenta ganho elevado para todas as freqüências. 2010/2 46 . É incluído um pequeno capacitor (≈30pF) entre a base e o coletor de algum transistor do 2° estágio. p2 é cancelado. Como desvantagens é necessário capacitores de valor elevado dentro do AO.6: Compensação de um AO com um pólo dominante A diminuição no valor do primeiro pólo do AO também pode ser utilizado para estabilizar o amplificador realimentado sem introduzir um pólo adicional (o primeiro pólo pode ser desviado para o ponto de interseção da linha tracejada com a resposta Ad(S) – curva verde). No LM741 é utilizada uma técnica alternativa e muito comum para compensação.-20dB/déc (curva Ad(S) compensada Figura 3. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. infelizmente.

O gerador aplica uma onda quadrada na entrada do buffer. O custo desta estabilização foi a redução da largura de banda do AO (largura da faixa de passagem). Valores típicos para o slew-rate vão de 1V/µs. A principal causa de limitação do slew-rate é a resposta em freqüência do AO e. No caso do LM741 é possível considerá-lo como um circuito de um único pólo até a freqüência de 1MHz (p3). 3. em amplificadores de uso geral.O resultado final é de um amplificador com comportamento de um único pólo em quase toda a faixa de freqüência. na saída. e isto garante a estabilidade do AO até mesmo para ganho unitário. 2010/2 47 .2 Características de desempenho em freqüência Além do ganho do amplificador em malha aberta e do produto ganho faixa existem outras características que determinam o desempenho dos AOs com relação a freqüência.3 slew-rate O slew-rate (SR) representa a máxima variação de tensão (  V O ) que um amplificador operacional pode apresentar. conforme indicado na equação 3.5V/µs e para o LM748 é de 40V/µs. ou seja. O valor típico de SR para um LM741 é de 0. Acima desta freqüência o ganho em malha aberta é menor do que 1 (0dB). A0⋅p1 A0⋅p 1 GBW ≃ = S  p1 S S AV  S = ( 3. à 2000V/µs em amplificadores rápidos. o pólo dominante. principalmente.7.1. O sinal de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Para medir o slew-rate utiliza-se um buffer (amplificador não inversor de ganho 1) e um gerador de funções.7 ) onde GBW é o produto ganho-faixa do AO Nesta aproximação o GBW é constante. 3. se o ganho de malha fechada for diminuído há um aumento proporcional na faixa de freqüências que pode ser amplificada por este ganho. em um dado intervalo de tempo  T .

01% um porcento do valor final. Para o cálculo do SR utiliza-se o menor valor obtido pelas equações 3. Este intervalo de tempo é definido como tempo de acomodação ou settling time.saída é medido conforme o indicado na Figura 3. o circuito apresentará um determinado grau de amortecimento (ζ → zeta: constante de amortecimento). Medidas para determinação do SR 90 %⋅Vmáx −10 %⋅Vmáx ts 90 %⋅Vmáx−10 %⋅Vmáx td SRS = ( 3.1 ou 0.9.8 e 3.7: Resposta do AO para uma entrada em degrau.7.8 ) SRD = ( 3. Dependendo das características do amplificador operacional. 2010/2 48 . a uma entrada em degrau. estabilize dentro de uma faixa de valores considerada aceitável. devido ao transitório.9 ) onde SRS é o slew-rate de subida. Esta faixa de valores normalmente corresponde a 0. Assim a saída levará algum tempo para se acomodar no valor de regime estacionário. sub ou criticamente amortecido. da rede de realimentação e da compensação. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2. podendo ser considerado sobre.8 mostra como identificar o tempo de acomodação de um sistema a partir de uma excitação em degrau. Figura 3. 3. A Figura 3.1 Settling time É o tempo necessário para que a resposta do AO. SRD é o slew-rate de descida.

Um dos AOs tem mais influência sobre este valor de VO? Qual? Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. O circuito deve fornecer uma saída VO senoidal de até 100kHz e com 10Vp sem distorcê-la.8: Tempo de acomodação da saída de um AO após uma entrada em degrau 3. Determine o produto ganho-faixa (GBW) de cada um dos AOs para que esta especificação seja atendida. Calcule a tensão de saída V O para Vi=0.1. VOS2. Considere o modelo CC dado abaixo. Ad1.4 Exemplo: Resposta em freqüência Para o circuito: Considere que os dois AOs têm características dinâmica do tipo pólo dominante. Deseja-se que o circuito apresente um pólo em 100kHz (devido a A1) e outro em 1MHz (devido a A2). 2010/2 49 . Calcule o slew–rate (SR) mínimo de cada AO para atender a esta especificação. em função de VOS1. Ad2 e dos resistores.Figura 3.

a) Em um amplificador realimentado. a configuração inversora apresenta ganho igual a R4 v o Ganho Ideal ⋅v i R3 = R3 +R 4 .Solução. Os dois AOs estão funcionando com realimentação negativa portanto estão em uma região linear. Desta maneira só precisamos igualar as duas funções: O ganho de malha aberta de A2 é GBW 2 GBW 2 ≃ S  p2 S A 2  S = O ganho em malha fechada de A2 deve ser ∣ ∣ GBW 2 1 = f  f  Determinação do ganho da rede de realimentação. ou v i onde β= 1 R3+R4 1 R 3 β⋅Ad Ad v 0 =− Reescrevendo as equações temos Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 50 . o diagrama de Bode de um amplificador corresponde a uma reta com inclinação –20dB/década. com pólo dominante. Considerando Ad não infinito. O ponto de funcionamento do circuito realimentado corresponde a interseção deste gráfico com a reta 20⋅log 1/ .

1⋅100 kHz=1. 01 MHz  b) Para A2: Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1 R1 AV2 1k 10  1 GBW 1= ⋅f 1=10 . 2010/2 51 . Assim 1 R3  R4 = R3  R3 R4 10 k 100 k ⋅ f 2= ⋅1 MHz=11 MHz R3 10 k GBW 2 = O ganho de malha aberta de A1 é GBW 1 S  p1 GBW 1 S A1  s = ≃ e o ganho em malha fechada de A1 deve ser ∣ ∣ Assim GBW 1 1 = f  f  1 R 1R 2 1 1 k 100 k 1 = ⋅ = ⋅ =10 .Ad⋅⋅R4 vo R3 = v i 1β⋅Ad Ad⋅R4 vo R R 4 = 3 v i 1 β⋅Ad logo o fator β corresponde ao ganho de realimentação.

a saída de A1 necessita ter apenas 1/10 da amplitude de VO. 000 SR2 ≥ 6.6283V/µs c) v O1= Ad 1⋅ V OS1  ⋅v R1 R2 O R1  V OS2 − v O v O1⋅R4 vO⋅R3 = Ad 2 R3R 4 Substituindo uma equação na outra Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 52 .283V/µs Para A1: Devido ao ganho de A2. SR1 ≥ 0.SR2 ≥   dV O dt = máx d  10⋅sen  2π f ⋅t ∣t=0 dt SR2 ≥10⋅2⋅⋅ f ⋅cos 2π f ⋅t∣t =0=10⋅2π⋅100.

como uma linha de transmissão. na excitação de algum transdutor ou quando a carga está conectado ao AO por fios muito longos. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 Cargas Capacitivas: Em um AO. pois ZO é função da freqüência.10 p= 1 Z O⋅C L ( 3. no ganho de tensão de malha aberta. 2010/2 53 . Neste último caso. R1 R2 ⋅V OS1 R1 v O ≃− Observa-se que VOS1 é predominante. a carga capacitiva limita a transmissão de dados em velocidades elevadas.10 ) mas sua determinação não é fácil. cargas capacitivas aparecem em malhas de compensação externa. Normalmente. Para o caso da linha de transmissão o reforço de corrente pode ser muito importante pois em freqüências elevadas a carga pode drenar correntes elevadas. Quando se trabalhar como cargas deste tipo se deve utilizar amplificadores com baixa impedância de saída em malha aberta ou prover uma redução desta impedância utilizando um amplificador de reforço de corrente.vO = R3 R 4 V OS2 ⋅ −V OS1 R4 Ad 1 R3 1 R R 4 R1 1 ⋅  3 ⋅  R 4 Ad 1 R4 Ad 1⋅Ad 2 R1 R2 Levando-se em conta que os ganhos diferencias Ad são elevados. uma carga capacitiva pode alterar a impedância de saída equivalente e introduzir mais um pólo. O pólo induzido é representado pela equação 3. Como resultado é possível que o circuito torne-se instável. 3. Via de regra AOs de uso geral toleram cargas capacitivas de até 1000pF enquanto que para AO de alta freqüência a carga capacitiva deve ser limitada a uns 25pF.

No circuito mostrado na Figura 3.11 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.A título de curiosidade.9 vale a regra apresentada na equação 3. Figura 3.9: Compensador para cargas capacitivas Para o circuito da Figura 3. 2010/2 54 . um AO deve ser capaz de suprir 63mA para uma carga capacitiva de 10000pF excitada por um sinal de 10V e 100kHz: i Lmáx =C L⋅   dV O dt máx Circuitos de compensação podem ser criados para evitar instabilidade.9 foi implementado uma compensação externa utilizando-se técnicas de controle. 1 1 ≫ ROR3 C 1⋅ R1 // R 2 ( 3.11. Normalmente se utiliza atraso de fase mas qualquer outra técnica de controle pode ser implementada.

a palavra “sinal” passa a representar a informação útil ao passo que a palavra “ruído” será utilizada para referenciar qualquer tipo de interferência elétrica sobre um determinado sinal. No osciloscópio o ruído térmico aparece como o desenho da Figura 3. O ruído elétrico nos operacionais se deve ao ruído inerente a cada dispositivos que o compõe (transistores.12. B é a banda passante [Hz].).3. 3. A tensão eficaz gerada pelo ruído térmico pode ser calculada com a equação 3. Isto significa que ele é formado pela flutuação instantânea de corrente elétrica. Figura 3.3.. T é a temperatura [K]. O ruído térmico é constante ao longo de todo o espectro de freqüências. são listados os principais tipos de ruído. a partir deste momento. Para evitar confusão.2 Shot Noise Este ruído está associado com uma corrente fluindo através de uma barreira de potencial..1 Ruído Térmico: Este ruído é causado pela agitação térmica dos elétrons em uma resistência. Existem várias formas de ruído elétrico sendo que cada uma destas formas está associada a algum evento físico ou a alguma características de confecção do componente. etc.12 ) onde: k é a constante de Boltzman (1.10: Aparência do ruído térmico .10. resistores. suas fontes e seus efeitos na saída dos AOs..3. 3. R é a resistência [Ω]. A seguir. V T  RMS = 4 kTBR [ V /  Hz ] ( 3.2 Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional Ruído elétrico é todo o tipo de interferência que se sobrepõe a uma informação elétrica.38⋅1023J/K). Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 55 . e por isso é chamado de “ruído branco”.

silício e alumínio).6⋅1019C). ruído 1/f e ruído de baixa freqüência. 3. Porém. KI DC  B [ A/  Hz ] f I f RMS = ( 3. 2010/2 56 .3. um de carbono e outro de fio. pontos de solda etc.13 ) onde: q é a carga do elétron (1.3 Ruído de Contato: Também conhecido por Excess Noise. A equação 3. o ruído térmico é o mesmo e proporcional a resistência.14 ) onde: K é uma constante que depende do material.. que pode ser quantizada de acordo com equação 3. B é a banda passante [Hz]. IDC é a corrente média [A]. pois a densidade de potência é constante com a freqüência.14 mostra a intensidade da corrente pela qual pode ser modelado este ruído. Flicker Noise. B é banda passante [Hz]. Esta é a maior fonte de ruído em componentes à baixas freqüência. Este tipo de ruído aparece sempre que existe junções entre materiais de qualquer tipo. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. como nas chaves.causada pela emissão aleatória de elétrons e lacunas.13. F é a freqüência [Hz]. Quanto ao espectro de freqüências o shot noise é similar ao ruído térmico. Schottky. I SN  RMS = 2 qI DC B [ A/  Hz ] ( 3. é causado pela variação da condutividade devido ao contato imperfeito entre dois materiais (por exemplo. mostrou que este ruído gera uma corrente eficaz. em 1918. Note que o ruído de contato If aumenta com a diminuição da freqüência. com a passagem de corrente elétrica o resistor de carbono apresenta mais ruído que o resistor de fio devido a variação de condutividade no contato imperfeito do resistor. IDC é a corrente média [A]. Para dois resistores de 1KΩ .

11: Aparência do ruído popcorn 3. a soma das fontes de ruído produz uma potência total que é igual a soma da potência de cada fonte.11 mostra a aparência destes ruído quando visto em osciloscópio.5 Soma de Ruídos: Várias são as fontes de ruído e todas podem estar presentes ao mesmo tempo em um mesmo circuito. basta multiplicar o desvio padrão por 3. 2010/2 57 . Quando isto ocorre e os ruídos não são correlacionados.15 ) ( 3. ou seja.15. com erro menor do que 0.3.6 para se obter uma informação pico a pico de corrente ou tensão.3. por exemplo. Este tipo de ruído depende do processo de fabricação dos semicondutores.16 )  O ruído RMS total é como se fosse o desvio padrão de uma distribuição de probabilidade normal com média zero.1%. O popcorn tem a aparência de um degrau de tensão de duração aproximada de 10 ms e que aparece esporadicamente nos aparelhos. A Figura 3.V 2 2 n ( 3. de acordo com a equação 3. Figura 3. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.P n 2 V T = V 1 V 2 ..16. P T =P1 P 2.. É comum multiplicar o ruído RMS por 6. O resultado também pode ser expresso em termos de uma fonte de tensão como na equação 3.3. são independentes.3. . para obter os valores máximos e mínimos desta distribuição. É causado por defeitos de manufatura da junção (tal como uma impureza) de componentes semicondutores. Sendo assim.4 Popcorn Noise: Este ruído é responsável pelo conhecido “estalo” que aparece. em aparelhos de som. .. .

pois o circuito de entrada do Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. A curva resultante destas medidas é mostrada na Figura 3. Em amplificadores operacionais o ruído elétrico normalmente é maior do que o ruído de um amplificador construído com transistores discretos.12 podemos perceber que o nível de ruído na saída de um circuito a base de transistores depende da faixa de freqüência em que se está trabalhando: • • • de 0 até F1 temos: ruído térmico + contato + shot noise de F1 até F2 temos: ruído térmico + shot noise acima de F2 temos: ruído da junção do coletor associado à diminuição do ganho do transistor + shot noise.12. uma polarização simples para a configuração emissor comum é montada. Figura 3. Um milivoltímetro RMS é utilizado para as medidas. Isto pode ser obtido minimizando a corrente de polarização dos amplificadores.3. por exemplo.12: Espectro de ruído para um amplificador Analisando o gráfico da Figura 3. é recomendado evitar ou diminuir correntes CC fluindo pelos sensores. Por esta razão. Em transistores.3.6 Espectro de ruído Um gráfico de ruído equivalente é construído com auxílio de filtros passa faixa sintonizados ou de processamento digital de sinais. A representação do ruído sempre é feita no domínio da freqüência. Como carga deste circuito adiciona-se um filtro passa faixa variável que sintoniza a freqüência onde se deseja medir o ruído. especificamente abaixo de 100Hz. 2010/2 58 . em circuitos de instrumentação.

1 Equivalente Elétrico Fontes de tensão e corrente podem ser aplicadas para modelar a influência do ruído em um AO.operacional tem dois transistores (no mínimo) na configuração diferencial.13: Corrente e tensão de ruído para um AO típico 3. 2010/2 59 .14: Modelo do AO com fontes de ruído Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Note as unidades nV /  Hz e pA/  Hz para cada freqüência específica. Conforme apresentado na Figura 3.13.14 estas fontes são aplicadas da mesma forma que para modelar VOS e IB.2. Nestes casos as unidades podem mudar para µV e nA. Se desejarmos conhecer o ruído para uma faixa de freqüências basta multiplicar pela raiz quadrada da faixa de freqüências que desejamos. Figura 3. Isto implica num aumento de  2 no ruído. Outro fator importante é que alguns transistores integrados tem ganho menor que os transistores discretos. A curva de tensão e corrente de ruído para um AO típico é mostrada na Figura 3. Figura 3.

VTNin é a tensão de ruído total na entrada do amplificador. onde Av é o ganho de tensão do amplificador.2. quando conectarmos este gerador ao amplificador a tensão de ruído se soma a tensão do gerador e a corrente de ruído. SNR=20⋅log  Vsinal RMS Vruído RMS  ( 3.2 Relação sinal ruído Para avaliação de amplificadores também se utiliza a chamada relação sinal ruído (SNR). NF =10⋅log   V2 TNin V2 T NF =10⋅log  V 2V 2  I 2⋅R 2 n T n gerador V2 T  Supondo que o único ruído do gerador seja o ruído térmico.17.2.3 Figura de ruído A figura de ruído corresponde a razão entre as SNR da entrada do amplificador (como se ele não existisse) e da saída do amplificador. 2010/2 60 . NF =10⋅log  SNRin SNR out  NF =10⋅log  Sinal in⋅Ruído out Sinal out⋅Ruídoin  NF =10⋅log  2 Sinal in⋅Av⋅V TNin Sinal in⋅Av⋅V 2 T  . Note que para esta medida é importante que os valores da impedância da fonte de entrada (o gerador de sinais) sejam consideradas. definida conforme 3. Quanto maior a relação SNR melhor o amplificador.17 ) 3.3. passando pela resistência do gerador produz outra tensão de ruído que depende da impedância Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. VT é a tensão de ruído térmico na resistência da fonte.

Por esta razão.1 V RMS c) Calcular a relação sinal ruído na entrada do amplificador. pois assim como as correntes de polarização a corrente de ruído destes amplificadores é muito menor que nos TBJ. supondo que ele está conectado a um gerador com impedância de 2kΩ. Se a resistência do gerador é grande a corrente de ruído é mais importante. supondo que o sinal do gerador possui apenas 4mV. 3. a) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando a 1kHz (por unidade de freqüência).68 pA/  Hz 2 Total: V TN =  V 2V T  I 2⋅R 2 n n gerador =11. para pequenos valores de impedância do gerador a tensão de ruído tem importância maior que a corrente.2.de entrada do gerador.5 nV /  Hz I n |1kHz =0.13. No resistor da fonte (para 1Hz): V T = 4⋅k⋅T⋅R⋅B=5.16 nV /  Hz b) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando entre 1kHz e 10kHz.4 Exemplo: Ruído Para o amplificador cuja tensão e corrente de ruído são apresentadas na figura Figura 3. SNR=20⋅log  V gerador =71dB V TN  Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.16 nV /  Hz⋅ 10kHz – 1kHz=1. Uma clara vantagem do amplificador com entrada FET. 2010/2 61 .13 vem que V n |1kHz =9.7 nV /  Hz Da figura Figura 3. V TN =11.

. blindagem.3.).5 Algumas dicas para minimizar os efeitos de ruído interno e externos ao AO • Minimizar a introdução de ruído determinístico no sistema (cuidados mecânicos.. Identificar fontes de ruído e agrupar estes circuitos.. longe das etapas não ruidosas. . invólucro. ponto de alimentação).. Usar cabos coaxiais. • • • • • Tabela 3.2.1: Máxima freqüência de utilização de diversos tipos de capacitores Capacitores Eletrolítico de alumínio Eletrolítico de tântalo Papel Mylar Poliestireno/Mica Cerâmico Freqüência 100kHz 1MHz 5MHz 10MHz 500MHz 1GHz Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 62 . filtros de rede.2µF até 100µF (os grandes capacitores barram alta freqüência) nos fios de alimentação. Sempre que possível devemos limitar ao máximo a banda de passagem (atuar na resposta em freqüência de amplificadores.... par trançado UTP. Adicionar a cada placa capacitores de 2. cabos. Diminuir a área formada por laços de corrente. ou amplificadores sintonizados como o LOCK-IN. Usar anéis de ferrite ou de condutor em pontos de conexão com fios. Utilizar amplificadores mais insensíveis ao ruído como CAZ (commutating auto zero). Junto a circuitos integrados usar capacitores de 10nF até 100nF. Atentar para a disposição dos circuitos na placa. diodos. Usar trilhas de circuito impresso arrendondadas. fibras ópticas. Filtro de linha próximo da entrada da fonte. transformadores. Isolar etapas de alta potência das de baixa potência. Agrupar transistores de chaveamento.1. Capacitores e indutores (idealmente) não possuem ruídos associados mas possuem atuação limitada em frequência conforme apresentado na Tabela 3. Usar capacitores de desacoplamentos para as fontes. Aterrar cabo coaxial. par trançado STP. colocar armadilhas para RF.

030 0. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 mV µV/°C nA nA Unid.5 7.5 0. estes amplificadores trabalham com correntes.020 0.5pA LM 318 4 x 150 30 LF 357 3 5 0.1 descreve o amplificador enquanto que seu símbolo é apresentado na Figura 4. A seguir estudaremos alguns tipos de amplificadores operacionais integrados e disponíveis no comércio.4 Tipos de Amplificadores Operacionais Atualmente uma variedade de circuitos para amplificadores operacionais está disponível no mercado. A equação 4.025 LM 308 2 6 1.050 0.2 0.1: Principais características de alguns operacionais LM 741 VOS ∆VOS IB IOS 2 15 80 20 LF 351 5 10 0. V 0 = A v−v−  ( 4.7 1. 2010/2 63 . todas elas já estudadas anteriormente.1 mostra uma lista de 8 amplificadores operacionais e suas principais características DC e AC. Este é o tipo mais comum de amplificador e com o maior número de aplicações.5 0.1 Amplificador operacional típico Este circuito consiste do amplificador operacional tal como o conhecemos até agora.1.003 OP 43G 0. 4. tensões.2 CA 3140 5 8 0.010 0. Tabela 4.1 ) Figura 4.058 OPi 77G 0.1: Símbolo do amplificador operacional típico A Tabela 4. transcondutância entre outros. Seguindo o conceito básico de amplificadores operacionais (ser capaz de amplificar a diferença entre dois sinais).0035 0.

2010/2 64 .3. por exemplo.: Uso geral Onde: VOS é a tensão de offset. ∆VOS é o drift de VOS.2 e o circuito interno do CA3080 é apresentado na Figura 4. Externa/ Interna LF 357 100 100 20 50 National Entrada JFET OP 43G 110 100 2.6 0.5 9 RCA Entrada Mosfet LM 318 100 80 15 70 National Comp. A função der transferência deste operacional é dado pela equação 4. SR é o slew-rate. Em microeletrônica o OTA é utilizado para produzir filtros e acionar cargas capacitivas.LM 741 CMR PSR GBW SR 90 96 1 0. i o = Ag  v + −v –  Ag =gm=K⋅I B ( 4.2 Amplificador operacional de transcondutância (OTA) Este amplificador é muito comum em microeletrônica mas existem poucos integrados discretos disponibilizando funções de OTA. pode ter sua saída ligada a saída de outro operacional do mesmo tipo sem problema de curto circuito. Externa CA 3140 90 80 4. dB dB MHz V/µs Fabrica National Obs. IOS é acorrente de offset. Os modelos discretos apresentam uma terceira entrada.5 National Comp.2. PSR é a rejeição a variações na tensão de alimentação. chamada de corrente de polarização.4 6 PMI Entrada JFET OPi 77G 140 120 0.3 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 PMI Precisão Unid. Como o próprio nome sugere este amplificador transforma a diferença entre as tensões de entrada em uma corrente de saída. IB é a corrente de polarização. GBW é o produto ganho largura de faixa. CMR é a rejeição de modo comum. alguns de seus símbolos são apresentados na Figura 4. 4. Isto confere características bastante interessantes a este operacional que. capaz de ajustar o ganho do amplificador.2 ) ( 4.5 LF 351 100 100 4 13 National Entrada JFET LM 308 100 96 ~1-3 ~0.

Figura 4. entretanto. sofrem limitações e problemas de polarização que dificultam seu uso. Os OTAs práticos. Isto. sendo importante a inclusão de componentes que teoricamente não seriam necessários. os multiplicadores e divisores de tensão. K é uma constante que depende do modelo e IB é a corrente de polarização). 2010/2 65 . Apesar disto este tipo de amplificador pode ser utilizado em praticamente todos os casos onde um operacional comum também é utilizado.onde Ag ou gm é o ganho do OTA. circuitos moduladores e filtros.3: Circuito interno do CA3080 As principais aplicações para este tipo de amplificador são o controle automático de ganho. inclusive os listados. Normalmente os problemas dizem respeito a não linearidades do par diferencial de entrada. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada circuito.2: Símbolo do amplificador de transcondutância (OTA) Figura 4. Como os OTAs não precisam trabalhar realimentados a diferença entre as tensões de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Como exemplos de OTAs podemos citar o clássico CA3080. o LM13600 e o mais recente CA3280. não consiste em nenhuma vantagem pois as características do OTA não o auxiliam nestas tarefas mais comuns.

4.5: Circuito interno do LM3900 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 Amplificador Norton O amplificador Norton é um tipo especial de operacional que ao invés de amplificar a diferença entre duas tensões de entrada ele amplifica a diferença entre duas correntes de entrada.4: Símbolo de um amplificador Norton Figura 4. Circuitos com diodos e resistores são utilizados para expandir a linearidade dos componentes. infelizmente. A saída entretanto continua sendo um sinal de tensão.5. V 0 = Ai −i −  ( 4.4 e o circuito interno do LM3900 pode ser visto na Figura 4.entrada não são zero e. 4. Sua função de transferência é dada pela equação 4.4 ) Figura 4. o par diferencial só tem comportamento linear para valores de tensão de alguns milivolts. 2010/2 66 . seu símbolo pode ser visto na Figura 4.

o LM3900 e o LM359.6 mostra um esquema simplificado de um amplificador Chopper.. A Figura 4. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. amplificadores para fotodiodos. Dentre as aplicações para estes componentes estão os filtros ativos. Estes amplificadores são estabilizados internamente por um sistema de chaves e integradores de erro porém seu uso fica limitado a sinais de baixa freqüência.6: Diagrama esquemático de um amplificador Chopper Na Figura 4. os geradores de funções. e abertas antes que Ch1 e Ch3 sejam abertas. o sinal em nível alto corresponde a chave fechada. 2010/2 67 . as chaves Ch1 e Ch2 são fechadas quando Ch3 e Ch4 são abertas. Assim. A Figura 4. Os amplificadores tipo Norton apresentam limitações práticas.Como exemplos de circuitos integrados destes componentes podemos citar o LM2900.7 mostra a seqüência correta para o acionamento de cada uma destas chaves. A melhora mais notável é com relação ao drift com a temperatura de VOS e IOS. principalmente no que diz respeito aos valores de corrente de entrada.. as principais características do amplificador Chopper são o baixíssimo VOS a alta estabilidade térmica e o baixo ruído. Neste diagrama. Figura 4. O amplificador Chopper utiliza técnicas de AC para desacoplar as baixas freqüências devido a VOS e IB. 4. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada circuito. As chaves Ch2 e Ch4 são fechadas após Ch1 e Ch3 serem fechadas. e antes de ser um tipo de amplificador ele é mais uma técnica cujo objetivo é minimizar tensão e drift de offset.4 Amplificador Chopper Este tipo de amplificador foi desenvolvido a muito tempo (no fim dos anos 40 início dos anos 50). O amplificador Chopper pode introduzir um fator de redução de 50 vezes nestes drift.6.

a tensão de entrada é constante. os transitórios causados pelo chaveamento não são integrados pelo filtro passa-baixas da saída (R4-C4).8 vemos um diagrama de tempo dos sinais presentes no amplificador Chopper. mas na saída obteríamos a mesma senóide de entrada. e portanto. Se uma senóide fosse amplificada por este tipo de amplificador iria produzir pulsos de amplitudes diferentes a cada recorte do sinal de entrada. Figura 4. e após o filtro passa altas (VB). O o ruído de alta freqüência (e o sinal de alta freqüência) é retirado pelo filtro passa baixa de saída. drift e ruído de baixa freqüência são retirados após o filtro passa alta (VD). A informação presente no nó VB é amplificada pelo AO produzindo uma onda quadrada não centrada. onde é retirada a componente DC deste sinal. Nestes gráficos é apresentada uma onda de entrada constante (Vi).Assim.7: Seqüência de acionamento das chaves do amplificador Chopper da Figura 4. Neste exemplo. somada ao ruído de alta e baixa freqüência (VC). 2010/2 68 .6 Na Figura 4.. o mesmo sinal após recortado pela chave Ch1 (VA). Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Os erros devido ao offset. após o sinal ser recortado ganha a aparência de uma onda quadrada. devido aos erros de offset e drift.

Semelhantes ao Chopper. Estes amplificadores. Exemplos de modernos amplificadores de auto zero são o AD8571. 2010/2 69 . na forma como apresentado. Nestes casos devemos utilizar técnicas de isolação entre a etapa de potência (e condicionamento de sinais) e a etapa de medição. o LM2652 e o LM2654 (estes últimos chamados de Chopper pelo fabricante).6 Como exemplo de amplificador Chopper podemos citar o LMC668 com VOS < 5 µV e dV os dT =50 nV /°C . Esta isolação pode ser obtida por intermédio Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.5 Amplificador Isolador Em muitos sistemas o ponto de medida deve ser isolado do restante do circuito amplificador.Figura 4. estão em desuso e sua produção tem sido descontinuada. incorporam controles automáticas de ganho para melhorar o desempenho do circuito estendendo sua aplicação as altas freqüências. 4. Novos amplificadores chamados de auto zero (CAZ) estão em produção.8: Formas de onda dos nós do amplificador Chopper da Figura 4. no tratamento AC do sinal.

2010/2 70 . A impedância de barreira situa-se em torno de 1012Ω.10: Diagrama de blocos do AD215 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.9.9: Símbolo do amplificador isolador As principais aplicações para este tipo de amplificador encontram-se na área médica. entretanto. com capacitores ou com opto acopladores. Estes amplificadores.11 e 4. Figura 4. Existem três tipos básicos de isolação que podem ser conseguidas nestes circuitos: com transformadores. Exemplos de amplificadores isoladores são AD215 da Analog Devices. A relação de ganho varia de amplificador para amplificador mas o símbolo é comum a todos e pode ser visto na Figura 4.de amplificadores isoladores. Os diagramas de blocos para estes amplificadores são apresentados nas figuras 4. e o ISO100 da Burr-Brown. Os fabricantes fornecem duas tensões de isolação. o IS0103. Figura 4. A primeira tensão é menor do que a segunda e ambas podem variar em função da freqüência e temperatura. uma para tensões continuamente aplicadas e outra a máxima tensão de isolação. 4.10.12 e respectivamente. são capazes de garantir isolações entre 750V e 2500V aplicados continuamente e até 6000V por um curto espaço de tempo. na quebra de laços de terra e na diminuição dos efeitos causados por elevadas tensões de modo comum.

Muitas vezes estes circuitos são modelos híbridos ou Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 71 .Figura 4.11: Diagrama de blocos do amplificador ISO103 Figura 4.12: Diagrama de blocos do amplificador ISO100 Note que alguns destes amplificadores apresentam transformadores e portanto não são um simples circuito integrado.

Isto significa. com diferentes cargas capacitivas. pois ele é capaz de fornecer uma isolação entre diferentes estágios de um condicionador de sinais. normalmente. 4. Diferente do amplificador isolador este amplificador não fornece isolação galvânica mas uma elevada impedância de entrada (o que não carrega etapas anteriores de amplificação ou filtragem) e uma baixa impedância de saída (o que não afeta os estágios subseqüentes de amplificação). A Figura 4. inclusive.12. Seu símbolo pode ser visto na Figura 4. Figura 4. possui elevado ganho de corrente e ganho unitário de tensão.6 buffer Este é um amplificador com características bastante interessantes em qualquer tipo de circuito.13 mostra a resposta em freqüência do buffer AD8074 (Analog Devices). Observe também que os amplificadores isoladores necessitam de fontes de alimentação independentes para “lado” do amplificador. 2010/2 72 .13: Símbolo do buffer Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. dois terras diferentes e não conectados. Por estas características de impedância este amplificador.construídos como componentes discretos e encapsulados em um único invólucro.

15: Amplificador diferencial básico Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. O amplificador subtrator (diferencial) básico é apresentados na Figura 4.7 Amplificadores de Instrumentação: Os amplificadores de instrumentação são circuitos que amplificam a diferença entre duas tensões. porém com ganhos menores.15. mantendo uma elevada impedância de entrada.Figura 4. uma elevada rejeição a sinais de modo comum e um ganho diferencial ajustável (preferencialmente).14: Resposta em freqüência do buffer AD8074 com carga capacitiva 4. funcionando de forma similar ao próprio AO. A configuração permite alterar o ganho do amplificador mas a impedância de entrada é baixa. Figura 4. 2010/2 73 .

2010/2 74 . se a razão entre as resistências R 2 e R1 for exatamente igual a razão entre as resistências R 3 e R4.5 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Por superposição: Para a entrada vcm e v2 R4 R  R1 ⋅ 2 R3 R4 R1 v O = v CM v 2  Para a entrada formada por vcm e v1 R2 ⋅ v v   R1 CM 1 v O =− Somando as duas equações. R1 2 1 v 0= Observe que a influência de vcm é nula. Via de regra o CMRR de um circuito pode ser calculado como apresentado na equação 4. e após algum algebrismo v 0= [ R 1⋅R 4−R 2⋅R3 R2 R4 1 R2 / R1 ⋅v CM − ⋅v 1  ⋅ ⋅v R1⋅ R3 R 4   R1 R3 1R 4 / R 3 2 ] Se R2 R1 R3 R4 = então R2  v −v  . CMRR= Ad Acm CMRRcircuito= CMRRsubtrator⋅CMRRintrinceco CMRRsubtrator CMRR intrinceco ( 4.5.

Figura 4.1 10 2 0. sem comprometer a precisa relação entre as demais resistências. O ganho desta configuração pode ser ajustado por apenas um resistor. Um segundo tipo de amplificador diferencial pode ser visto na Figura 4. Por esta razão é desejável uma topologia onde a impedância de entrada seja extremamente elevada. Tabela 4.: CMRR = 500 = 53dB Observe que a própria impedância da fonte pode causar um desbalanço nos resistores e diminuir o CMRR da configuração.02 50 0.2: CMRR do subtrator em função da tolerância dos resistores Tolerância dos Resistores (%) Acm subtrator (ganho 1) CMRR subtrator (ganho 1) 5 0.A Tabela 4.16. A construção integrada deste amplificador minimiza os erros entre as resistências e propicia um CMRR maior. 2010/2 75 . isto entretanto impede o ajuste do ganho.2 mostra como o CMRR do circuito pode mudar com relação a tolerância dos resistores.16: Amplificador diferencial com ganho selecionável com um único resistor Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.002 500 Obs.04 25 1 0.1 0.

i1= e1 −v R1 v 1 =v−i 1⋅R 2 =v 1   R2 R2 −e 1 R1 R1 i2= e 2 −v R1 v 2 =v−i 2⋅R 2=v 1   R2 R2 −e 2 R1 R1 i3= v 1−e0 R2 Substituindo a expressão de v 1 na equação de i 3 temos i 3 =v  e e 1 1  − 1− 0 R 2 R1 R 1 R2  i 4= v2 R2 Substituindo a expressão de v 2 na equação de i 4 temos i 4=v  e 1 1  − 2 R2 R1 R1  Como i=i 1−i 3 então e 1 −v e e 1 1 −v   1 0 R1 R1 R 2 R1 R2 i=   Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 76 .

a terceira expressão para i é: i= e1 −e 2  e 1  0 R1 2R 2 Como v 1−v 2 R i= i= V 1 [  R2 R R R 1 −e 1 2 −v 1 2 e 2 2 R1 R1 R1 R1 R   ] Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 77 .primeira equação para i : i= e0 e 2 1 2 1 −  ⋅v R2 R1 R1 R2   Como i=i 4−i 2 então i=v  e 2 e 2−v 1 1  − − R1 R2 R1 R1  segunda expressão para i : i=−2 e2 2 1   v R1 R1 R2   então a expressão  e2 2 1  v=i2 R1 R2 R1  pode ser substituída na primeira expressão para i e0 e 2 1 2 1 −  ⋅v R2 R1 R1 R2 i=   assim.

quarta expressão para i : i= e 2−e1  R2 R1⋅R Combinando a terceira e a quarta expressão para i temos e0 R2 1  = e 2 −e 1  R1 2R 2 R1⋅R  e1 −e 2  logo e 0 =2R 2 [ R2 1   e 2−e1  R1⋅R R1 ] rearranjando os termos da equação temos 2R 2 R2 R1 R e 0= [ ] 1  e 2 −e 1  ou seja o ganho do amplificador pode ser controlado por um única resistência.17: v 1 =i 3⋅R2=  e1 v eO −  −i ⋅R2 R1 R 1 R2 e2 R1 v i ⋅R2 R1  v 2 =i 4⋅R2=  −  i= v 1 −v 2 R e2 v 1 e1 v e 0 i= ⋅ −  −i−  −i ⋅R 2 R R1 R1 R 2 R1 R1   Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Uma outra solução pode ser obtida redesenhando o circuito conforme indicado na Figura 4. 2010/2 78 .

16 Reescrevendo novamente as equações v 1 =v−i 1⋅R 2=v−   e1 v − ⋅R2 R1 R 1 e2 R1 v ⋅R 2 R1  v 2 =v−i 2⋅R2 =v− −  i= v 1 −v 2 R e1 v e2 v 1 i= ⋅ v− − ⋅R 2 −v − ⋅R 2 R R1 R1 R1 R1 [    ] 79 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.17: Modelo do amplificador da Figura 4. 2010/2 .i= R2 e 1 e 2 e0 ⋅ −  −2⋅i R R1 R1 R2 R2 e R1 0 2⋅R2 R    e1 −e 2 ⋅ i= Figura 4.

logo Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. e que resolve todos os problemas apresentados pelas outras configurações. Figura 4.18. o potencial na entrada negativa do AO de baixo é zero. O circuito clássico para amplificador de instrumentação.18: Amplificador de instrumentação com três operacionais O circuito pode ser resolvido por superposição: Supondo v2 aterrada. 2010/2 80 . é apresentado na Figura 4.i= R2 ⋅ e −e  R⋅R1 2 1 igualando as duas correntes i R2 e R1 0 R = 2 ⋅ e 2 −e 1  2⋅R 2 R R⋅R 1 R2 R2 ⋅ 2⋅R2 R   ⋅ e 2 −e1  R⋅R1 R1  e 1−e 2 ⋅ e 0= [ ] e 0= 2⋅R 2 R2 ⋅ 1 ⋅ e 2−e1  R1 R   Nesta configuração ainda existe o problema da baixa impedância de entrada.

o potencial na entrada negativa do AO de cima é zero. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. impedância de entrada (diferencial e de modo comum) elevada em ambas as entradas. somente o offset dos amplificadores de entrada vão ser significativos na determinação do offset de saída. Além disto se o amplificador tiver ganho unitário. Se os amplificadores de entrada forem iguais o drift na saída do amplificador fica reduzido. há um erro no ganho mas não no CMRR). Nesta configuração o primeiro estágio é responsável pelo ganho e o segundo estágio é responsável pelo CMRR e para que este valor seja elevado o amplificador de instrumentação é comercializado em um único integrado. ganho elevado. logo RR3 R R3 R v O2 =v 2⋅ v O1=−v 2⋅ Como a saída do segundo estágio já foi calculada anteriormente e vale R2  v −v  R1 2 1 v 0= então R 2 R2⋅R3 ⋅ ⋅ v 2−v 1 R1 R R2 R1 vO = v 0=  1 2R 3 R   e 2 −e 1  Esta topologia apresenta alta rejeição a tensões de modo comum (se os R3 são diferentes. ganho ajustável apenas com um resistor.v O1=v 1⋅ RR3 R R3 R v O2=−v 1⋅ Supondo v1 aterrada. 2010/2 81 .

4.1 Exemplos 1) Calcular o CMRR para um amplificador diferencial cujas relações de resistências são: R2=100·R1.O CMRR do circuito pode ser calculado como CMRR=CMRR 1 estagio⋅CMRR subtrator o Circuitos integrados com amplificadores de instrumentação alcançam CMRR maiores do que 100 dB ( CMRR > 10 5).7. mas este valor costuma decair com a freqüência. Um exemplo clássico de amplificador de instrumentação integrado é o AD522. v 0= [ R 1⋅R 4−R 2⋅R3 R2 R4 1 R2 / R1 ⋅v CM − ⋅v 1  ⋅ ⋅v R1⋅ R3 R 4   R1 R3 1R 4 / R 3 2 ] v 0= 101⋅R1⋅R3 −100⋅R1⋅R3 1100 ⋅v CM −100⋅v 1101⋅ ⋅v R1⋅ R3 101⋅R3   1101 2 1 ⋅v −100⋅v 1 100 . e R4=101·R3. 2010/2 82 .0098⋅v 2 102 CM v 0= observe que este erro resulta em CMRR= Ad 100 = =10200≈80 dB ACM 1/102 2) Calcular a função de transferência da topologia abaixo Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

Considerando que a tensão na saída do amplificador de realimentação é v G . então RK RG v G =− ⋅v O O problema pode ser resolvido por superposição: com a entrada v 2 aterrada. a corrente pelos dois resistores da entrada positiva de A1 devem ser iguais. 2010/2 83 . e v + deve ser zero. então v1 v =− G R R substituido a equação de v G temos RK ⋅v RG O R v1 =− R logo − v O= RG ⋅v RK 1 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm. 2010/2 84 . 2) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada (gm1·gm2·ZL) –1. Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.com a entrada v 1 aterrada. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. mas a impedância de entrada fica diminuída. e v + é metade da tensão v G RK ⋅v RG O 2 v2 2 = vG 2 − = então RG RK v O=− v2 logo RG  v −v  RK 1 2 v O= O ganho é diretamente proporcional à RG.8 Exercícios 1) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada gm –1. 4. o potencial em v – é metade do valor de v 2 .

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3) Mostrar que os circuitos abaixo correspondem a dois amplificadores diferenciais e um somador (de diferenças de tensão). Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm. 2010/2 85 .

enquanto que o sinal v1 passa apenas por U2).3) Mostrar que o circuito abaixo é um amplificador diferencial se R1/R2 = R4/R3 v O =v 2 – v 1⋅ 1  R4 2⋅R 4  R3 RG R4 R3  v O =v 2 – v 1⋅ 1   (sem o resistor RG) As desvantagens deste amplificador sobre aquele com três AOs é que um dos amplificadores esta trabalhando com ganho menor do que 1 o tempo de propagação do sinal no circuito é diferente para as duas entradas (o sinal v2 passa por U1 e U2 antes de chegar na saída. 2010/2 86 . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

1).1 relaciona as variações de tensão de saída da ponte com as variações de resistência dos elementos sensores. A equação 5. 2010/2 87 . uma ou mais impedâncias mudam seu valor proporcionalmente a grandeza que se deseja medir.1 mostra uma ponte de resistores alimentada com fonte de tensão constante. Os sensores são colocados nos braços da ponte.1 Ponte de resistores alimentada com fonte de tensão A Figura 5. Figura 5. Isto provoca um desequilíbrio nas tensões da ponte que pode ser detectado por um amplificador. que pode ser alimentada com fonte de tensão ou corrente. Nos braços da ponte são colocadas resistências fixas e variáveis (os sensores). 5. Estas resistências variáveis irão produzir uma tensão de saída que depende da variação desta resistência com a grandeza que se deseja medir.1 Circuitos de medida em ponte Em instrumentação é comum encontrar sensores (transdutores) interconectados em um circuito comumente designado de “ponte” (Figura 5.5 Circuitos Especiais 5. Eventualmente este amplificador deve ser responsável por linearizar ou filtrar o sinal captado da ponte.1. Na ponte.1: Ponte de resistores alimentada por tensão Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

1 ) onde Av é o ganho do amplificador e Vcc é o valor da fonte de alimentação. e R2 = R4 = R + ∆R.2 Ponte com um transdutor por braço Supondo que R1 = R3 = R. a relação entre a tensão de saída e a variação da resistência da ponte não é linear.1. 5.1. Substituindo estes valores na equação 5.v O =Av⋅Vcc⋅  R2 R3 − R1 R2 R 3R 4  ( 5.1 Ponte com um transdutor Supondo que R1 = R2 = R3 = R.1 obtemos v O =Av⋅Vcc  1 R − 2 2⋅R R  2⋅R R−2⋅R v O =Av⋅Vcc⋅ 4⋅R2⋅ R  R/ R Vcc v O =Av⋅ ⋅ 4 1 R/ 2R   ( 5.2 ) Como podemos observar pela equação 5.1. e R4 = R + ∆R.1. 2010/2 . Substituindo estes valores na equação 5.2.1 obtemos v O =Av⋅Vcc⋅  R R R − 2⋅R R R R  88 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Normalmente é feita uma aproximação para o caso onde ∆R é muito menor do que R. A solução do problema para o caso aproximado é Vcc  R v O =Av⋅ ⋅ 4 R   5.

1.1 obtemos v O =Av⋅Vcc  R R R− R − 2⋅R R 2⋅R− R  ( 5.1.5 ) R v O =Av⋅Vcc⋅ R Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 5. 2010/2 89 .∆R. porém não apresenta relação linear entre as variações de resistência e tensão. R2 = R + ∆R.1.3 Ponte com dois transdutores em um braço Supondo R1 = R4 = R.v O =Av⋅Vcc⋅  R 2⋅R R   ( 5.1 obtemos v O =Av⋅Vcc⋅  R R R− R − 2⋅R 2⋅R  ( 5. 5. não há relação linear entre a variação das resistências da ponte e a tensão de saída do amplificador.3 )  R/ R Vcc v O =Av⋅ ⋅ 2 1 R/ 2R  E mais uma vez.4 )  R/ R Vcc v O =Av⋅ ⋅ 2 1−  R/2R 2   Que é muito melhor que o anterior. e R2 = R4 = R + ∆R.4 Ponte com quatro transdutores Supondo R1 = R3 = R . e R3 = R – ∆R. Substituindo estes valores na equação 5.1. Substituindo estes valores na equação 5.

2. Substituindo estes valores na equação 5. 2010/2 90 .6: R3 R4 R1 R 2 v O =Av⋅I⋅ R2⋅ −R3⋅ R 1R 2R 3R 4 R1 R2 R3 R 4   ( 5. resulta em uma relação verdadeiramente linear entre variação de resistência e tensão.Que.2 Ponte alimentada com fonte de corrente Uma alternativa para o uso de pontes de resistores é a alimentação com fonte de corrente. 5.2: Ponte de resistores alimentada por corrente Para este circuito a tensão de saída é dada pela equação 5.6 obtemos Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Figura 5.1.2. Afora a diferença na fonte de alimentação o circuito permanece o mesmo.1 Ponte com um transdutor Supondo R1 = R2 = R3 = R. como pode ser visto pela Figura 5. 5.1. finalmente. e R4 = R + ∆R.6 ) onde Av é o ganho do amplificador e I é o valor da fonte de alimentação.

2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. e R2 = R4 = R + ∆R.7 ) R I v O =Av⋅ ⋅ 4 1 R/ 4 R   Esta relação entre variação de resistência e tensão também não é linear mas se aproximarmos a solução para o caso onde ∆R é muito menor do que R. alimentada com fonte de corrente.2 Ponte com dois transdutores no mesmo braço Supondo R1 = R3 = R. Substituindo estes valores na equação 5.v O =Av⋅I  2⋅R R 2⋅R − 4⋅R R 4⋅R− R  ( 5.3. 2010/2 91 .8 ) I v O =Av⋅ ⋅ R 2 E desta vez percebemos que a relação entre a variação das resistências dos sensores e a variação da tensão de saída já é linear mesmo com apenas dois sensores. pode ser implementado na prática como mostrado na Figura 5.1.6 obtemos  2⋅R R  2⋅R R  v O =Av⋅I⋅  R R ⋅ −R 4⋅R2⋅ R 4⋅R2⋅ R   v O =Av⋅I⋅   R R− R⋅ 2⋅R R  4⋅R2⋅ R  ( 5. então teremos I v O =Av⋅ ⋅  R  4 A sensibilidade da ponte com um elemento sensor alimentada por corrente é maior do que para a ponte alimentada por tensão. Este circuito de ponte. 5.

4 5.3: Ponte de resistores alimentado com fonte de corrente Neste circuito prático. 2010/2 92 . Dois exemplos destes circuitos são mostrados nas figuras 5. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 Outras implementações lineares Os AOs podem ser utilizados nos circuitos em ponte para minimizar a necessidade de elementos sensores necessários para se obter uma relação linear entre variação de resistência e tensão de saída.1.5. a corrente que através de RI corresponde ao valor da fonte de corrente V REF RI I= 5.Figura 5.

Vcc ⋅ R R v 0= Figura 5.Figura 5. 2010/2 93 . Um segundo AO pode ser adicionado na saída do circuito. Todas as resistências iguais.4: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R3.5: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R1 Se R6 = Av⋅R 5 Vcc  R então v O =Av⋅ ⋅ 4 R 2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

Figura 5. 2010/2 94 . é o circuito de saída simétrica mostrado na Figura 5. ou utilizar circuitos transistorizados nas etapas finais de amplificação.6 mostra como podemos suprir correntes elevadas utilizando um único transistor na saída do amplificador operacional. não permite variações na tensão positiva e negativamente. 5.2. A capacidade de fornecer ou absorver corrente passa a ser um fator muito importante e muitas vezes encarece o projeto final. obviamente.1 Reforço de corrente com saída assimétrica O circuito mostrado na Figura 5. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. isto faz com que o AO compense a queda de tensão entre base e emissor do transistor.2 Reforço de corrente com saída simétrica Uma alternativa. normalmente utilizados para aplicações em áudio.2 Reforço de corrente Muitas vezes necessita-se de um amplificador operacional capaz de trabalhar com circuitos potentes. ou seja. Note que neste circuito.6: Reforço de corrente assimétrico Este circuito apresenta a vantagem de trabalhar com correntes elevadas de saída (está configurado em coletor comum) mas possui em contra partida o inconveniente de ter sua saída assimétrica. 5. Para passar por cima destes problemas podemos comprar amplificadores operacionais de potência.5.7.2. o transistor foi colocado dentro do elo de realimentação.

Esta distorção é conhecida como cross over. que é a saída simétrica.7: Reforço de corrente com saída simétrica Este circuito. Observe que o a saída do AO compensa a queda de tensão sobre VBE dos transistores. Na Figura 5. Quando os transistores não estão polarizados. possui uma grande desvantagem: ele distorce a onda de saída do operacional nos pontos de tensão baixa. possui uma grande vantagem com relação ao anterior. onde os transistores não estão polarizados. o operacional fica sem realimentação. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 95 .Figura 5. Neste caso a saída do operacional se eleva em 0. tensão de saída é nula.8 são apresentadas as formas na saída do AO e na saída do circuito de reforço de corrente simétrico com cross over. porém.7 para fazer com que um dos transistores conduza. fechando a malha de realimentação.

com SR=0. 2010/2 96 .5V/µs.4 V = SR 0. por exemplo.8µs. O circuito com estas correções é mostrado na Figura 5. Num 741.7 os dois transistores desta configuração de saída simétrica estão em coletor comum. há um atraso de Δt = ΔV 1.9. o que garante um elevado ganho de corrente. Para solucionar o problema basta fazer uma pré polarização dos transistores com resistores e diodos. Além disso a máxima tensão de saída fica diminuída.Figura 5.5 ∆t=2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Isto aumenta a distorção harmônica do sinal de saída.8: Simulação de reforço de corrente simétrico com cross over O problema do cross over é que a saída do operacional não pode acompanhar instantaneamente o degrau de tensão que ocorre próximo do zero volts devido ao limitado slew-rate do operacional. Note que da mesma forma que no circuito mostrado na Figura 5.

5. utilizando o AO como um pré amplificador é mostrado na Figura 5. Esta é uma característica que também requer AO especiais ou um circuito adicional com transistores.3. Quando se fala em tensão elevada de saída. 2010/2 97 .Figura 5. estamos falando de tensões maiores que as tensões de alimentação do AO.3 Reforço de Tensão: Algumas vezes o acionamento de circuitos não depende apenas de uma corrente elevada mas também de uma tensão elevada na saída.9: Reforço de corrente simétrico com pré polarização dos transistores saída 5. Normalmente os AOs são alimentados com tensões da ordem de 12 a 15V e estes reforços de tensão são projetados para ampliar estes limites para valores além de 100V.1 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela saída do operacional Um circuito simples que propicia um aumento na tensão de saída. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.10.

±Vcc. consiste em ligar elementos sensores de corrente na alimentação do Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Observe que o ganho global do amplificador continua sendo determinado pela malha de realimentação externa.Neste circuito.3. As tensões de alimentação dos transistores. usando AOs. fornecendo sinal para um estágio reforçador de corrente em saída simétrica. convém notar que há dois transistores ligados em emissor comum (para evitar um defasamento entre o sinal de saída do operacional e o sinal de saída do circuito). 2010/2 98 . são diferentes das tensões utilizadas para a alimentação do AO.10: Circuito de reforço de tensão 5.2 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela alimentação do operacional Outra técnica muito utilizada para propiciar amplificadores com elevada tensão de saída. Figura 5.

Figura 5. encontram-se em base comum ao passo que os demais transistores estão em emissor comum.11 mostra um amplificador deste tipo. 2010/2 99 .11: Reforço de tensão com utilização da corrente de alimentação do AO Para o projeto deste circuito é importante alimentar corretamente o amplificador operacional de forma que R4 −0. tensões de saída mais elevadas.operacional. se a carga for constante. Os transistores ligados diretamente a alimentação do operacional. A corrente de alimentação é usada para polarizar o circuito interno do AO e para alimentar a carga ligada ao operacional. Com isto é possível saber quando está sendo exigido mais corrente na saída do AO e. O circuito da Figura 5.7 R3 R4 V CCOperacional =V CC⋅ e Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. sobre corrente. 5. porém as etapas discretas do projeto passam a não ter nenhum tipo de proteção.4 Proteção contra sobre . Isto pode ser utilizado para minimizar os efeitos do slew-rate do AO diminuindo a variação de tensão sobre RL'. e uma série de características que são inerentes ao AO e que agora não estão sendo utilizadas. Uma característica interessante deste circuito é que a saída do operacional não esta conectada ao amplificador transistorizado. perde-se a capacidade de manter o circuito imune a curto circuito.corrente: Nestes circuitos onde são inseridos amplificadores a base de transistores. O circuito mostrado na Figura 5. variação de temperatura. O AO utilizado como acionador para estes circuitos continua com toda a sua proteção e qualidades garantidas e funcionando.12 mostra um exemplo de proteção sendo empregada no estágio de saída de um reforço de corrente em saída simétrica.I S⋅R5=0. similares aqueles utilizados em fontes de alimentação. pois trata-se um circuito discreto. De todos estes problemas o que pode trazer piores conseqüências são aqueles oriundos de sobre correntes. 2010/2 100 . Isto porém é facilmente contornado com pequenos circuitos de proteção.6 V onde IS é a corrente de alimentação do AO (descontada a corrente que passa por RL').

ligado em série com a saída do amplificador. assim R5 = 0.Figura 5.12: Reforçador de corrente com proteção contra curto circuito Os resistores R5 e R6.7 V I OMáx Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 101 . devem ser calculados de tal forma que disparem os transistores Q3 e Q4 respectivamente quando a corrente de saída estiver além do limite permitido.

portanto. muitos dos circuitos internos presentes nos AOs são retirados para baratear o custo de produção. eles não são feitos para funcionar como amplificador. ruído. os comparadores possuem uma série de características práticas que visam a melhora no desempenho do AO como comparador.6 COMPARADORES Comparadores são usados para discriminar se um determinado sinal analógico é maior ou menor que um sinal de referência. Os comparadores são construídos especialmente para realizar esta função gerando em sua saída um sinal com características digitais.1: Símbolo do comparador 6. para cálculo. Normalmente os comparadores possuem ganho menor que o do amplificador operacional e a sua linearidade não é garantida. drift. não apresentam boas características de offset. e ser tratado da mesma forma. Os comparadores não possuem compensação Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Eles não possuem compensação de freqüência. Em contrapartida.1 Símbolo O símbolo mais comumente utilizado para representar um comparador é apresentado na Figura 6. Eles podem ser construídos com AOs ou com integrados específicos conhecidos como comparadores de tensão. Figura 6. mas o impede de funcionar como um bom amplificador operacional.2 Características Apesar de possuir o mesmo símbolo do amplificador operacional. 6.1. digital. A saída do comparador é. 2010/2 102 . este procedimento não afetaria o desempenho do comparador. enfim. A principio.

ou seja. pode assumir valores bem maiores. Para evitar problemas por excesso de tensão diferencial. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.em freqüência. podendo se tornar instáveis se usados como amplificador. entretanto.2: Circuito de proteção contra excessiva tensão diferencial Alguns comparadores possuem tensões de alimentação diferentes para as etapas de entrada e saída. Figura 6. A corrente de polarização IB é menos preocupante que no amplificador operacional. a sua saída sempre estará em ±Vcc. entretanto implementam melhoras na características de slew-rate e de settling time. Quando um comparador está funcionando em malha aberta ou com realimentação positiva. a entrada pode chegar até a tensão de alimentação. como no caso do LM311 que possui estágio de entrada alimentado com ±15V e saída alimentada por +5V. o que permite que seja calculado o resistor de pull-up de acordo com as características do circuito que se deseja montar (velocidade.. Sua saída muitas vezes se apresenta em coletor aberto (open collector). A única forma de evitar que a tensão de saída em um circuito comparador não seja ±Vcc é estabelecer uma malha de realimentação negativa que leve o comparador para a região linear. Algumas vezes isto é conseguido em circuitos mistos onde a realimentação negativa só é obtida a partir de um determinado valor de tensão na saída do comparador. Nos circuitos comparadores. 2010/2 103 . capacidade de fornecer corrente. Os projetistas.2 pode ser adotado.. normalmente não se utiliza realimentação negativa. Isto permite compatibilizar a saída do comparador com circuitos digitais TTL. Em alguns comparadores.). consumo. facilitando a interface entre circuitos analógicos e digitais. Esta característica torna a máxima tensão diferencial de entrada (V d) um parâmetro importante no projeto. o circuito de proteção apresentado na Figura 6.

5 LM319 40 250 2 80 80 12. Tabela 6.6 40 LM361 3 10000 1 14 25 MAX9685 10000 5 1.1: Comparação entre características de AOs e comparadores 741 Av (V/mV) IB (mA) VOS (mV) SR (V/µs) ST (ns) IS (mA) 200 80 2 0.1 mostra uma comparação entre as características de amplificadores operacionais e de circuitos comparadores de tesão.3: Alimentações do LM311 A Tabela 6.Figura 6.5 LM339 200 25 2 60 1300 2 LM311 200 100 2 150 200 7.3 - Is é corrente de alimentação.5 16000 1.5 LM710 1. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Repare nas diferenças elevadas entre os valores encontrados para cada um dos componentes. 2010/2 104 .

Se este circuito estiver sendo implementado com um AO também devemos tomar cuidado com os seguintes problemas: VOS.6.000) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 Configurações Típicas 6. Nestes casos o gráfico de saída. apresentado na Figura 6. 2010/2 105 . Note que para representar o funcionamento do circuito é utilizado um gráfico onde é desenha a saída em função da entrada. Isto pode ser um problema quando se trabalha com freqüências elevadas. Desta forma.5. Se a derivada da tensão de entrada diminuir o comportamento do comparador se aproxima do ideal.1 Detetor por cruzamento de zero A configuração mais simples de um comparador consiste em utilizar uma tensão de comparação em uma de suas entradas e a tensão a ser comparada na outra. uma pequena diferença de tensão entre as entradas já é suficiente para saturar o comparador com a tensão positiva ou negativa de alimentação. representa uma simulação com uma entrada senoidal de freqüência igual a 10Hz no circuito comparador de tensão do tipo detetor de passagem por zero. portanto funcionando em função do elevado ganho do integrado.4 consiste de um comparador em malha aberta. Observe que. se Ad=80dB (10. Figura 6. como o slew-rate do comparador não é infinito. IB e Ad finito. Este tipo de comparador pode ser utilizado para detectar a passagem de um sinal por qualquer valor de tensão basta alterar a fonte usada para a comparação.3. Por exemplo. Conforme pode ser visto na Figura 6.5. a curva real apresenta atrasos para que a saída do comparador troque.4. O gráfico da Figura 6.4: Comparador simples O circuito da Figura 6. desloca-se para a direita ou esquerda de acordo com a tensão aplicada.

5: Simulação com zero volts 6. 2010/2 106 .3. Nestes casos.5mV. a realimentação normalmente não é implementada com componentes lineares tendo sua parcela modificada como uma chave (existe ou não existe realimentação) e/ou progressivamente de forma a manter constante certos parâmetros (como se fosse um regulador de tensão). Como se este fator complicador da análise não fosse suficiente. Figura 6.2 Limitação de Vo Outras aplicações para os comparadores consistem em circuitos de limitação da tensão de saída. Este é o caso típico do circuito mostrado na figura 6. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.então para obtermos Vo=+15V precisamos de uma tensão diferencial na entrada do AO de no mínimo 1.4. um pouco mais complexos que o anterior. o comparador passa a ter realimentação negativa em algumas situações.

então a tensão de saída corresponde a tensão sobre o zener.7V. Ora. este circuito é um detector de passagem por zero (a fonte ligada na entrada não inversora é zero) com uma realimentação negativa formada por um diodo zener. sempre que o zener estiver conduzindo mudará sua resistência interna para que a tensão sobre ele fique constante (polarizado direta ou reversamente).7: Simulação: Vz=4. Isto faz com que a tensão na entrada negativa fique igual a tensão na entrada positiva (realimentação negativa). Como a tensão na entrada positiva é zero. R2=1k Como podemos ver.Figura 6. 2010/2 107 .6: Comparador com limitador de amplitude Figura 6. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

2010/2 108 . Isto iria modificar a tensão de saída.3 Detetor de nível com limitação de tensão de saída.7V. pois se isto fosse feito perderíamos a referência de tensão sobre a entrada positiva. Esta topologia esta mostrada na figura 6. Uma alternativa para este circuito passa a ser a implantação de um somador com resistores na entrada negativa. Desta forma conseguimos mudar o valor da tensão de comparação sem alterar a tensão da saída.6.5 Figura 6. Vref=2V Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. O detector de nível com limitação de tensão não pode ser implementado modificandose a fonte do comparador por zero.9: Simulação: Vz=4.3.8: Comparador de nível com limitador de saída Figura 6. R2=R3=1k.

Portanto. Note que a saída de ambos os comparadores são ligadas a um só ponto. O resultado deste somatório é que irá mudar a saída do comparador.3. Como podemos ver esta configuração com as saídas dos comparadores ligadas juntas funciona como uma porta lógica OR e por tanto esta configuração é conhecida como “WIRED OR”. Então se um comparador deve fornecer um valor positivo de tensão de saída. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Aqui pode ser visto um comparador em janela ou seja um comparador que cria uma janela de tensão onde a saída do comparador assume um determinado valor. 6.2) porém. Isto deve ser feito externamente. isto só ocorre através do resistor externo (o transistor de saída do comparador está cortado).6. Com este tipo de saída. Um exemplo bastante interessante do uso de comparadores com saída em coletor aberto é mostrado na figura 6. agora.4 Comparador de janela e a sua saída muitas vezes é um transistor com coletor em aberto. requerem um resistor de “pull-up” na saída que excursiona de +Vcc a -Vcc. Agora. então a saída será a tensão de alimentação positiva.Este detector funciona basicamente como o anterior (item 6. a comparação não é feita com apenas um nível lógico mas com dois.3. O outro comparador pode estar com sua saída em nível baixo que não haverá problemas de curto circuito por causa do resistor externo que limita a corrente pelo comparador. o comparador só pode fornecer a tensão de alimentação negativa pois não possui o circuito que o liga com alimentação positiva. a tensão de comparação se deve não apenas a uma tensão mas a um somatório de tensões. 2010/2 109 . Se a entrada estiver entre estes dois níveis lógicos. isto se deve justamente ao fato da saída de cada comparador estar a coletor aberto.

Diferente dos demais circuitos vistos até agora.10: Comparador de janela Figura 6.5 Comparador de Declividade: Aqui pode ser visto um circuito bem interessante com comparadores. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.6: Comparador em janela e um gráfico demonstrando seu funcionamento. 2010/2 110 .11.3. O circuito é apresentado na Figura 6. 6.Figura 6. o comparador de declividade não compara níveis de tensão mas sim a derivada do sinal de entrada ou seja a sua declividade.

Figura 6. Este circuito pode ser utilizado como o trigger em um osciloscópio. 2010/2 111 . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.7V.11: Comparador de declividade Sendo i1 e i2 definidas como: V REF dv . neste caso a tensão de saída é aproximadamente igual 0. i2 =C i R dt i1= O circuito é um comparador quando não há corrente polarizando o zener i1 = i2 V REF R dV i dt dV i dt =C = V REF RC Se a corrente i2 > i1 o diodo zener está polarizado diretamente. Se i 2 < i1 então o zener está polarizado reversamente e a tensão de saída corresponde a tensão de zener.

12: Simulação com Vz=4.7V.12 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. C=47nF. R2=1k. Freq=1000. 2010/2 112 .Figura 6. Vref=2V. Figura 6.13: Resultado da simulação mostrado na Figura 6.

14. mostrado no início deste capítulo. então o nível de comparação é modificado para o nível mais alto. A histerese nada mais é do que a mudança automática do nível de comparação logo após uma comparação bem sucedida. Ela cria uma região ao redor do ponto de comparação. como o gráfico da Figura 6. Na verdade são criados dois níveis de comparação modificados comutados entre si automáticamente para que o ruído não interfira na comparação. Se um sinal vencer este nível mais baixo de comparação. Figura 6. pode oscilar quando o sinal está próximo do nível de comparação. Quando o nível mais baixo do limiar de comparação está ativo o nível mais alto esta desligado.3. Normalmente este comportamento de histerese é mostrado com um gráfico que relaciona tensão de saída com tensão de entrada do comparador. ou comparador simples.14: Simulação: R1=3·R2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.6. Isto ocorre porque o ruído adicionado ao sinal faz com que o comparador seja acionado várias vezes. Para evitar este tipo de problema foram criados os circuitos comparadores com histerese. 2010/2 113 . onde o ruído existente sobre o sinal não consegue afetar a saída do comparador.6 Comparador com Histerese O detector de passagem por zero.

mas com muito menos problemas de ruído.O detector de passagem por zero. Para que o nível de comparação seja alterado automaticamente ele é escolhido em função da tensão de saída.15: Comparador com histerese Figura 6. e v(o2) é a saída do comparador simples.15 mostra o circuito de um comparador com histerese cujo comportamento pode ser visto na Figura 6. fornece informação de com uma pequena defasagem com relação ao sinal real. agora imune a ruído. Para o circuito apresentado os níveis de comparação são Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.16: Simulação com ruído: v(o1) é a saída do comparador com histerese com R1=3·R2. 2010/2 114 . A Figura 6.16. Figura 6.

R=1k. Figura 6. Vref=2V.18: Simulação: Vz=4.17. e P 2=−Vcc⋅  R1R2   R1 R2  6. 2010/2 115 .R2 R2 P 1=Vcc⋅ .18.17: Comparador com histerese e limitador Figura 6. Seu comportamento é apresentado na Figura 6.3.7V.7 Comparador com histerese e limitador: O comparador com histerese e limitação de tensão é uma mistura dos circuitos dos anteriores e pode ser visto na Figura 6. R1=3·R2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

2010/2 116 .7 VZ R1 i 1=− v O1= R1R2 ⋅i 1 R1 R2 ⋅0. v –=V REF  R ⋅ v −V REF  2⋅R i v –= V REF v i  2 2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.7 R1 v O1=− Quando o zener conduz no sentido inverso: V Z =V Z VZ R1 i 1=− v O2= R1R2 ⋅i 1 R1 R2 ⋅V Z R1 v O2=− Os patamares de comparação podem ser estimados calculando a tensão nas entradas negativa e positiva do AO. a saída não se modifica porque a resistência de realimentação muda para manter a tensão de saída constante. Apesar de ser realimentação negativa. Quando o zener conduz no sentido direto: V Z =0.Se o zener estiver conduzindo a tensão do zener está sobre o resistor R 1 (existe realimentação negativa) e o valor da entrada positiva é igual ao valor da entrada negativa. e do AO estar na região linear.

7⋅ Quando o zener conduz no sentido direto v =v + – R2 R R2 V v ⋅ 1 ⋅V Z = REF  i R1R2 R1 2 2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Para calcular cada uma destas tensões de comparação. a tensão de saída pode apresentar dois valores. há duas tensões de comparação diferentes. [tensão de comparação baixa] R1 − v i=−2⋅0.7= REF  i R1R2 R1 2 2 R2 ⋅0. Quando o zener conduz no sentido direto v =v + – R2 R R 2 V v ⋅– 1 ⋅0.e v += R2 v R1 R2 O onde R1 R2 ⋅0. 2010/2 117 . igualamos a tensão na entrada negativa e positiva do comparador. um quando o zener esta polarizado diretamente e outro quando o zener esta polarizado reversamente e.7⋅2=V REF v i R1R 2 R2 −V REF .7 R1 v O1=− v O2 = R1 R 2 ⋅V Z R1 Como podemos ver. portanto.

VD=0. 2010/2 118 . Considere o AO ideal. vo entre ±15V.R 2⋅ 2⋅V Z =V REF v i R1 R v i=2⋅ 2⋅V Z −V REF .6V. Neste caso temos dois tipos de realimentação ocorrendo ao mesmo tempo: realimentação negativa (RN) e realimentação positiva (RP).4 Problemas resolvidos 1) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entrada para o circuito abaixo. [tensão de comparação alta] R1 Note que VREF desloca a curva de histerese para direita ou esquerda. temos para RN  RN = 10 K 10 K 1. vi entre ±15V. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos.5 K e para RP Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Se vi é muito negativo então vo é positivo e diodo conduz. Analisando os ganhos da malha de realimentação (capítulo 3). 6.

44 V Se vi é muito positivo então vo é negativo e o diodo esta cortado. 2010/2 119 . 47 K 3. portanto v +=v – Cálculo de ganho Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.75V R 3R 4 10 K0. Neste caso também temos dois tipos de realimentação e temos que estudar cada caso para determinar o comportamento do circuito.47 K R3 v – =v += v i R 2vO R1 R1R 2 v i =V H = v −v O⋅  + R1 R1 R2  ⋅ R1 R2 R2 =+5. RP = 10 K 10 K0. v O =E OMáx A tensão de quebra ocorre quando v =v + – v += v O−V D ⋅ 10 K =15−0. Nesta condição o circuito comporta-se como um comparador com histerese.5 K 10 K 10 K0.6 ⋅ =13.  RN = 10 K 10 K 1.3 K  RP = Como βRN > βRP a realimentação negativa predomina sobre a positiva. Neste caso o circuito funciona como um amplificador.17 K Como βRP > βRN a realimentação positiva é predominante sobre a realimentação negativa.

v +=v O⋅

R3 R 3R 4 R5

v –=

v i⋅R2 v O⋅R1 R1 R2

v +=v –

vO

[

R3 R1 R2 − =v i R 3R 4 R5 R1 R2 R1 R2

]

vO vi

=−0,91

Cálculo do ponto de quebra (quando diodo entra em condução) Início da condução do diodo:
V D=0,6V , I D=0

V D=

R5 ⋅v R3 R 4 R5 O

logo
10 K 0, 47 K 3,3 K v O =0,6⋅ =2, 504 V 3,3 K

Como vO =−2, 751V −0, 91

vi=

Então v i =−2, 751V

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

120

e v O =2, 504V

2) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito abaixo. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, VD=0,7V.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

121

Neste circuito há dois laços de realimentação. Um negativo e outro positivo. Dependendo do tipo de realimentação predominante o circuito se comporta como comparador ou amplificador. Quando o diodo está cortado só há realimentação negativa e o circuito se comporta como amplificador não inversor. Quando o diodo está conduzindo temos R1 R1 R2
R3 R3 R4

 RP =

 RN =

Como βRP > βRN a realimentação positiva é predominante o circuito se comporta como um comparador. Se vi é muito negativo então vo é negativo. Nesta condição o diodo está cortado e o circuito é um amplificador não inversor v +=v – v –= R3 v =0,6⋅v O R3 R4 O

como o diodo está cortado a corrente sobre R1 é zero e como v +=v – então temos que v O =1,6667⋅v i Esta relação é valida até que o diodo entre em condução, quando a RP passa a predominar. O diodo conduz quando v O −v + =0,7 V

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

122

2010/2 123 .6⋅vO =0. o circuito se comporta como comparador quando v i ≥1. 05V .6⋅v O v += R2⋅v i  v O −V D ⋅R1 R1R 2 onde v O =+ E OMáx =+ 15 V Igualando as expressões 9=0. 49V Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.05 V Assim. 267 v i =V L=−4.v O −0.7 V v O =1. 282⋅v i 10 . Nesta condição de compararação a tensão de saída é v O =+ E OMáx O ponto de quebra ocorre quando v +=v – v – =0.75V e v i=1. Se vi é muito positiva então vo é positiva e o diodo conduz.

precisamos determinar qual a predominante para conhecer o comportamento do circuito. Neste circuito existem dois tipos de realimentação.3) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito abaixo. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 124 . vi entre ±15V. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO ideal. vo entre ±15V.6V. Quando o diodo está conduzindo temos a seguinte condição para as realimentações. VD=0.

6 V⋅R 32⋅v i⋅R 2 R2 R3 v X −v +=0. 2010/2 125 .6V⋅R3 2⋅v i⋅R 2 R2 R3 −v i =0.6V e I D=0 + – se I D =0 então v i=v =v e v O =2⋅v i vX= 6.6 V 6. Quando o diodo está cortado temos apenas realimentação negativa e o circuito se comporta como um amplificador.5 1010  RN RN = Como βRP > βRN a realimentação positiva predomina e o circuito funciona como um comparador com histerese. RP = 5. Se vi é muito negativo então vo é negativo e o diodo esta cortado. 632 5. Nesta situação v O R4 R5 = =2 vi R4 v O =2⋅v i Quando o diodo inicia sua condução V D=0.6⋅ R2 R3 −R3⋅6.6 // 27 =0.7 10 =0.6 V =0V 2R 2−1 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.6 v i =V H = V H =0 0.6 // 272.6V⋅R3 v O⋅R2 R2 R3 = 6.

v O =+ V CC A transição ocorre quando v +=v – considerando Req =R2 // R3 6.6 ⋅R 1 R1 Req R4 v ⋅v O = O R4R5 2 v –= vO ⋅ R1 R 2 // R3 −V eq−0. Nesta condição o circuito se comporta como um comparador com histerese.6V⋅R3vO⋅R2 R 2R3 V eq = v += v i⋅Req V eq −0.5 V Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 126 .Se vi é muito positivo então vo é positivo e o diodo conduz.6 ⋅R1 2 v i =V L= R2 // R 3 V L =−6.

V L = 1 −V CC V D −V ref  R2 R2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2) Analisar o circuito abaixo V H= R1 R ⋅ V CC −V D −V ref .6.5 Exercícios 1) Analisar os dois problemas resolvidos com o diodo invertido. 2010/2 127 .

3) Desenhara a curva Vo x Vi. calculando todos os pontos de quebra. OBS. Considere a tensão de alimentação como sendo ±15V e a queda no diodo igual a 0. Considerar o AO como ideal. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 5) Desenhar a curva Vo x Vi para os seguintes comparadores. 2010/2 128 .7V. 4) Desenhar a forma de onda Vo no circuito abaixo.: Note que o circuito comporta-se como um amplificador (realimentação negativa) sempre que houver um diodo conduzindo. Supor que Vi seja uma onda triangular de amplitude 1V e período de 2s.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 129 .

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