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UNIVERSIDADE POLITÉCNICA – A POLITÉCNICA

INSTITUTO SUPERIOR E UNIVERSITÁRIO DE TETE


(ISUTE)

Maquinas Eléctricas

3ª. Aula:
Transformadores monofasicos
 Ensaio de Transformadores reais

4/12/2018 Eng. Ajofre Companhia


Maquinas Eléctricas-I
Revisão
X l1 R1 I 2' R2 X l2

I
I1 I2
V1 Rc Xm E1 V2
E2

Circuito equivalente de um transformador de dois enrolamentos

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Maquinas Eléctricas-I
Tópicos da Aula

• Transformadores
 Obtenção dos parâmetros do circuito equivalente
 Regulação
 Rendimento

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Determinação dos parâmetros do circuito equivalente
X l1 R1 R2' X l' 2

I
I1 Ic Im I 2'
V1 V2' V2
Rc Xm

Os parâmetros do circuito equivalente podem ser determinados por meio de dois testes:
• Teste em vazio ou em circuito aberto
• Teste em curto-circuito.

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Determinação dos parâmetros do circuito equivalente
Teste em vazio ou circuito aberto:

• No teste em vazio, o secundário do transformador é deixado em aberto e tensão


nominal a frequência nominal é aplicada no primário.
• Usualmente, o lado de baixa tensão é utilizado como primário no teste em vazio
(menor valor de tensão nominal).
• Então, mede-se a tensão, a corrente e a potência ativa nos terminais do primário.
• Neste caso, a corrente do primário é composta somente pela corrente de excitação,
cujo valor é pequeno, portanto, a queda de tensão na impedância série do primário
pode ser desprezada, levando ao seguinte circuito equivalente:
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Determinação dos parâmetros do circuito equivalente

I0 I
Ic Im
V0
Rc Xm

Portanto, temos:
 V02
 Rc 
 P0
 V
 I c  0
 Rc

I m  I 0  I c
2 2

 V
X m  0
 Im

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Determinação dos parâmetros do circuito equivalente
Teste de curto-circuito:

• No teste de curto-circuito, o secundário é curto-circuitado e a tensão aplicada ao


primário é gradualmente aumentada até se obter corrente nominal no primário.
• Usualmente, o lado de baixa tensão é curto-circuitado neste teste (menor valor de
corrente nominal).
• Então, mede-se a tensão, a corrente e a potência ativa nos terminais do primário.
• Visto que a tensão aplicada ao primário é bastante reduzida, a corrente de
magnetização é também bem reduzida quando comparada com a corrente de carga e,
por conseguinte, o ramo de excitação pode ser desprezado, levando ao seguinte circuito
equivalente:
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Determinação dos parâmetros do circuito equivalente
R1  R2' X 1  X l 2
'

 Req  R1  R2'
I2 
Vcc I cc   I 2'
 Req  X 1  X 2
'
a

Portanto, temos:
 Pcc
 eqR  2
 I cc
 Vcc
 eq
Z 
 I cc

 eq
X  Z 2
eq  R 2
eq


Caso seja necessário determinar R1, R2, X1 e X2, o seguinte procedimento é utilizado.
Considera-se que em um transformador bem projetado as perdas ôhmicas e a dispersão
sejam iguais nos enrolamentos do primário e do secundário. Assim, temos:
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Determinação dos parâmetros do circuito equivalente

 X eq
 1
X 
 2
 X eq
 2
X 
 2a 2

 R  Req
 1 2

 R  Req
 2 2a 2

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Exemplo
A partir de testes realizados em um transformador monofásico de 10 kVA, 2200/220 V,
60 Hz, os seguintes resultados são obtidos:

teste em vazio teste de curto-circuito


Voltímetro: 220 V 150 V
Amperímetro: 2,5 A 4,55 A
Wattímetro: 100 W 215 W

(a) calcule os parâmetros dos circuito equivalente referidos ao lado de baixa e alta
tensão.
(b) expresse a corrente de excitação em termos da corrente nominal.

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Exemplo

(a) O teste em vazio foi realizado aplicando-se tensão nominal ao lado de baixa tensão.
Assim, temos:
- Perdas no núcleo:
V02 V02 220 2
P0   Rc    484 
Rc P0 100

- Corrente de perdas:
V0 220
Ic    0,45 A
Rc 484
- Corrente de magnetização: - Reatância de magnetização:
I  I 0  2,5 A
V0 220
Xm    89,4 
Im  I  I c2
2
 2,5  0,45  2,46 A
2 2
I m 2,46

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Referido ao lado de baixa: Exemplo
Rc = 484  e Xm = 89,4 
Referido ao lado de alta (a = VH/VL = 2200/220 = 10):
Rc = 48.400  e Xm = 8.940 
O teste de curto-circuito foi realizado aplicando-se tensão no lado de alta tensão até
obter corrente nominal (10 kVA/2,2 kV = 4,55 A). Assim, temos:
Pcc 215
Pcc  Req I cc2  Req  2
 2
 10,4 
I cc 4,55
Vcc 150
Z eq    32,97 
I cc 4,55
X eq  Z eq2  Req2  32,97 2  10,4 2  31,3 
Referido ao lado de alta:
Req = 10,4  e Xeq = 31,3 
Referido ao lado de baixa (a = VL/VH = 220/2200 = 0,1):
Req = 0,104  e Xeq = 0,313 
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Exemplo
Referido ao lado de alta:
10,4  31,3 

48.400  8.940 

Referido ao lado de baixa:


0,104  0,313 

484  89,4 

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Exemplo
(b) expresse a corrente de excitação em termos da corrente nominal
No teste em vazio, a corrente medida é igual à corrente de excitação. Além disso, o
teste é realizado do lado de baixa, assim, temos:
I 2,5 2,5
 100  100  5,5%
In (10.000 VA / 220 V) 45,5

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Regulação de Tensão
Um dos critérios de desempenho de um transformador projetado para suprir potência
com tensão aproximadamente constante para uma carga é o de regulação de tensão. Tal
critério indica o grau de constância da tensão de saída quando a carga é variada.
A regulação de tensão do transformador é definida como sendo a variação da tensão
do secundário em condições de carga e em vazio, tomada como porcentagem da
tensão a plena carga, com tensão do primário mantida constante, ou seja:
V2, vazio  V2, carga
Regulação em %  100
V2, carga
A tensão do secundário quando o transformador está em vazio é:
V1
V2, vazio 
a

Quando uma carga é conectada ao secundário, a tensão terminal é dada por:

V2, carga  V2,vazio  V2


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Regulação de Tensão

• A tensão no secundário pode aumentar ou diminuir, dependendo da


característica da carga.

• A variação da tensão ocorre devido à queda de tensão (V = IZeq) associada


à impedância interna do transformador.

• Para muitos tipos de carga, grandes variações de tensão são indesejáveis.


Portanto, os transformadores são projetados de forma a apresentarem
pequenos valores de Zeq.

• O termo regulação de tensão é usado para caracterizar a variação de tensão


do transformador com o carregamento.

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Regulação de Tensão
A regulação de tensão pode também ser calculada para o circuito refletido ao
primário, ou seja:
V '2,vazio V '2, carga
Regulação em %  100
V '2, carga
Zeq = Req + j Xeq

V’2 V2
V1

Além disso, para efeitos de análise e projeto, considera-se que a tensão sob carga
V’2,carga é igual à tensão nominal de placa do transformador (carga).
V’2,carga= V’2,nominal
Portanto, temos:

V1  V2'  I 2' Req  jI 2' X eq  V2'  I 2' Z eq


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Regulação de Tensão
Em vazio, I’2 = 0  V’2,vazio = V1

V1  V '2, carga
Regulação em %  100
V '2, carga
Diagrama fasorial:
Seja uma carga dada por Zcarga 2, um transformador cuja impedância
equivalente é dada por Zeq = Req + jXeq = Zeq eq e considerando V’2 como
referência, temos
V1

Z eq I 2'
X eq I 2'
2
V2'  2   eq
Req I 2'
I 2'

Obs: V1 deve ser ajustada em função da carga para que V2 sob carga opere no
valor nominal (ou que V2 seja constante).
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Regulação de Tensão
A magnitude de V1 será máxima quando V estiver em fase com V’2, ou seja:

2 + eq= 0  2 =  eq

Portanto, a regulação máxima ocorre quando o ângulo do fator de potência


da carga é o mesmo da impedância equivalente do transformador e com
corrente atrasada em relação à tensão.
Regulação de tensão alta significa maiores variações de tensão quando o
carregamento do transformador aumenta.

Conhecendo-se a carga a ser atendida (Zcarga 2), o transformador pode ser


projetado (Zeq eq) de forma a respeitar um critério de regulação máxima de,
por exemplo, 5%.

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Regulação de Tensão
Observações:
-A regulação de tensão de um transformador depende de sua impedância
interna e das características da carga.

- Regulação de tensão positiva significa que se tensão nominal for aplicada


ao primário a tensão efetiva na carga será menor que a nominal (carga
indutiva).

- Regulação de tensão negativa significa que se tensão nominal for aplicada


ao primário a tensão efetiva na carga será maior que a nominal (carga
capacitiva).

- A tensão primária deve ser ajustada de acordo com a carga para que se
tenha tensão nominal no secundário.
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Rendimento

• Os transformadores são projetados para operarem com alto rendimento.


• Os seguintes aspectos contribuem para que os transformadores apresentem
valores baixos de perdas:
 O transformador é uma máquina estática, ou seja, não tem partes
rotativas, não apresentando, portanto, perdas por atrito no eixo e por
resistência do ar no entreferro.
O núcleo é constituído por placas laminadas e dopadas de materiais de
alta resistência elétrica, as quais têm o objetivo de minimizar as perdas
por correntes parasitas.
Materiais com alta permeabilidade magnética são utilizados para
diminuir as perdas por histerese.
Transformadores de alta potência apresentam rendimento maior que
99 %.

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Rendimento
O rendimento de um transformador pode ser definido por:


PSAIDA

PSAIDA PENTRADA PSAIDA
PENTRADA PSAIDA  PPERDAS TRAFO

PPERDAS = PENTRADA  PSAIDA

As perdas no transformador incluem:


 Perdas no núcleo (ferro): PC (perdas por correntes parasitas e perdas por histerese)
Perdas no cobre: Pcu (perdas ôhmicas)
Portanto:
PSAIDA PSAIDA
 
PENTRADA PSAIDA  PC  PCu

Como determinar essas perdas?


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Rendimento – Perdas no Cobre


As perdas no cobre podem ser determinadas se os parâmetros do transformador forem
conhecidos (corrente nos enrolamentos e resistência dos enrolamentos).
X l1 R1 I 2' R2 X l2

I
I1 I2
Ic Im
V1 E2
Rc X m E1 V2

PCu  I12 R1  I 22 R2  I12 Req ,1  I 22 Req , 2


Req,1 = resistência equivalente dos enrolamentos referida ao primário
Req,2 = resistência equivalente dos enrolamentos referida ao secundário
As perdas no cobre são, portanto, proporcionais ao quadrado da corrente de carga.

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Rendimento – Perdas no Ferro (Núcleo)


As perdas no núcleo podem ser determinadas pelo teste em vazio, ou a partir dos
parâmetros do circuito equivalente.

I
Ic Im

E1 Rc Xm

2
E  E12
PC  RC I C2  RC  1  

 RC  RC

As perdas no núcleo são, portanto, proporcionais ao quadrado da tensão aplicada.

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Rendimento – Potência de Saída


A potência de saída do transformador pode ser obtida por:
PSAIDA  V2 I 2 cos  2
onde, V2 e I2 representam a tensão e corrente na saída (carga) do transformador,
respectivamente. E o ângulo θ2 representa a defasagem angular entre os fasores V2 e I2,
ou seja θ2 é o ângulo da carga.
Finalmente, a partir da obtenção dos valores de perdas no núcleo e no cobre, o
rendimento do transformador em estudo pode ser obtido, para qualquer condição de
operação por:
PSAIDA V2 I 2 cos  2
 
PENTRADA E12
V2 I 2 cos  2   I 22 Req , 2
RC
 Considerando que a tensão na carga é mantida constante e que as perdas no núcleo
praticamente não variam com o carregamento, pode-se concluir que o rendimento
depende da corrente exigida pela carga (I2) e do fator de potência da carga (cosθ2)
PSAIDA V2 I 2 cos  2
 
PENTRADA V2 I 2 cos  2  PC  I 22 Req, 2
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Condições para Rendimento Máximo


Logo, temos que:

V2 I 2 cos  2  PC  I 22 Req , 2  V2 I 2 cos  2  2I 22 Req , 2


PC  I 22 Req , 2  PCu
E, finalmente, isolando PC:

Do resultado acima, pode-se concluir que o rendimento máximo ocorre quando as


perdas no núcleo se igualam às perdas no cobre.

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Rendimento
Usualmente, emprega-se um gráfico que representa a variação do rendimento com a
corrente de carga e o fator de potência da carga.
rendimento (%)

I2
I 2( nominal)

O transformador pode ser projetado para apresentar rendimento máximo para corrente
no secundário (I2) próxima da nominal. 27
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Exemplo
Para o transformador analisado anteriormente, determine:
(a) o rendimento para carregamento de 75% da carga nominal e fp = 0,6.
(b) A potência de saída para que o rendimento seja máximo e o valor do rendimento máximo.
Para qual valor de porcentagem da carga nominal, o rendimento máximo ocorre?
(c) Qual o rendimento com carga nominal?
teste em vazio teste de curto-circuito
Voltímetro: 220 V 150 V
Amperímetro: 2,5 A 4,55 A
Wattímetro: 100 W 215 W

Referido ao lado de alta: Referido ao lado de baixa:


10,4  31,3  0,104  0,313 

48.400  8.940 
484  89,4 

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Exemplo
(a)
PSAIDA PSAIDA
 
PENTRADA PSAIDA  PC  PCu

(1) S N  10000 VA (potência nominal do transform ador)


cos   0,6 (fator de potência da carga)
PSAIDA  0,75S N cos   0,75 10000  0,6  4500 W
(2)
PC  100 W (perdas no núcleo do teste a vazio)

(3)
PCu  I H2 Req  0,75  4,552 10,4  121 W (calculado com parâmetros do lado de alta)

Portanto:

PSAIDA 4500
  100%  95,32%
PENTRADA 4500  100  121

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(b) Sabemos que para rendimento máximo:
PC  PCU  100 W e fp  1,0
A partir da condição acima, a corrente de carga I2 pode ser determinada:
100 Obs 1: INominal,Baixa = 45,5 A
PCu  I Req  100  I 2 
2
2  31 A
0,104
Obs 2: Resistência Req do lado de baixa
Logo, a potência de saída pode ser obtida por:
 max
PSAIDA  V2 I 2 cos  2  220  311  6820 W

E o valor do rendimento máximo é :


PSAIDA 6820
  100%  97,15%
PENTRADA  PC  PCu 6820  100  100

Saída em kVA = 6,82


kVA nominal = 10
Portanto, o rendimento máximo max ocorre para 68,2% do carregamento nominal
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(c) Rendimento  para carga nominal:

I H  4,55 A, Req , H  10,4   PCu  I H2 Req , H  215,7 W


para fp = 1,0 => melhor caso

PSAIDA  V2 I 2 cos  2  220 x45,5  10000 W


PSAIDA 10000
  100%  96,94%
PENTRADA  PC  PCu 10000  100  215,7

para fp = 0,8

PSAIDA  V2 I 2 cos  2  220  45,5  0,8  8008 W

PSAIDA 8008
  100%  96,21%
PENTRADA  PC  PCu 8008  100  215,7

Obs: Transformadores devem ser dimensionados para atender carga próxima da nominal

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Fim

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