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Apostila
Investimentos em renda fixa

Autor:
Fernando Almeida Mizobuti

Revisão:
Verônica Assunção da Silva

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Sumário

Introdução ......................................................................................................................... 3
Definição de renda fixa................................................................................................. 3
Taxa Selic ..................................................................................................................... 3
O CDI e a taxa CDI – o que é e como funciona ............................................................... 4
Taxa de juros real e nominal............................................................................................. 4
FGC – Fundo Garantidor de Crédito ................................................................................ 6
Títulos Privados ................................................................................................................ 7
Caderneta de poupança ................................................................................................. 7
CDB .............................................................................................................................. 8
LC ................................................................................................................................. 8
LCA .............................................................................................................................. 8
LCI ................................................................................................................................ 9
CRI e CRA ................................................................................................................... 9
Debêntures .................................................................................................................. 10
Fundos de renda fixa .................................................................................................. 11
Come-cotas ............................................................................................................. 14
Conclusão sobre títulos privados ................................................................................ 14
Títulos públicos .............................................................................................................. 15
O que são? .................................................................................................................. 15
Tesouro Selic .............................................................................................................. 15
Para quem é recomendado? ........................................................................................ 16
Tesouro IPCA ............................................................................................................. 16
Tesouro prefixado ....................................................................................................... 17
Cupons ........................................................................................................................ 18
Montando uma carteira de renda fixa ............................................................................. 20
Razões para montar uma carteira de renda fixa .......................................................... 20
Apêndice ......................................................................................................................... 22

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Apostila renda fixa

Introdução

Definição de renda fixa

Renda fixa é uma forma de investimento onde o investidor concede um empréstimo


para uma instituição pública ou privada em troca de uma remuneração conhecida como
juros.

“Investir em Renda Fixa significa emprestar dinheiro para alguém, como banco,
empresa ou para o governo. Na contrapartida, você recebe uma remuneração. Quem
ganha com isso não é só o investidor. Para quem emite esse título, é uma forma de
captar recursos e financiar seus projetos ou negócios, gerando mais oportunidades para
nosso País.” Cetip – depositária de títulos privados.

A Cetip registra os ativos e os vincula aos investidores, por exemplo, caso o


investidor compre um CDB do banco ABC ele ficará registrado no nome do investidor
na Cetip.

A remuneração paga ao investidor em renda fixa é conhecida como juros. Os juros


nada mais são do que o preço do dinheiro no tempo. Ao antecipar o consumo, pegando
dinheiro emprestado, paga-se juros. Ao postergar, aplicando recursos em renda fixa,
recebe-se.

Taxa Selic

Criada em 1979 com o objetivo de tornar mais transparentes e seguras as transações


envolvendo títulos públicos, a Taxa Selic, que é apurada diariamente, mas normalmente
expressa em termos anuais, é a taxa média das negociações apuradas no Sistema
Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais.

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Este sistema informatizado é destinado ao registro, custódia e liquidação das
transações efetuadas com títulos públicos.

A Selic nada mais é do que a taxa básica da economia que baliza todas as demais
transações de crédito. Via de regra, quanto maior a Selic, mais caros ficam os
empréstimos e mais interessante fica o investimento em renda fixa, consequentemente
menos consumo e menos investimentos em ativos reais, imóveis e maquinários.

O CDI e a taxa CDI – o que é e como funciona

Certificado de Depósito Interbancário ou CDI é um título, de 1 dia, emitido pelas


instituições financeiras que lastreia as operações do mercado interbancário, ou seja,
transações entre bancos que emprestam entre si para sanarem seus caixas. Bancos não
podem fechar o dia com caixa negativo.

Os bancos que tem excesso de depósitos em um dia cobrem com recursos aqueles
que têm excesso de saques no mesmo período por meio do CDI. Dele sai a taxa DI,
mais conhecida como CDI.

A taxa média diária do CDI é utilizada como parâmetro para balizar a rentabilidade
de fundos DI, CDB’s, LCA’s, LCI’s, dentre outros. Discutiremos a frente estes ativos.

O CDI é utilizado para avaliar o custo do dinheiro negociado entre os bancos no


setor privado e, essa modalidade de aplicação pode render taxa prefixada ou pós-fixada.

Para investir é necessário analisar a taxa real e não só a nominal – presente no


rótulo – conforme será visto a seguir.

Taxa de juros real e nominal

As taxas de juros oferecidas em investimentos e empréstimos são, via de regra,


taxas nominais, aquelas que podemos ver e calcular diretamente mesmo sem nenhuma
outra informação. Porém, a taxa que realmente interessa aos investidores é a taxa real,
que representa a diferença entre a taxa nominal e a inflação.

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Para saber a taxa real precisamos de alguns dados: a taxa nominal, a inflação e o
imposto de renda. Assim teremos a taxa real líquida.

Exemplo:

CDB pagando 110% do CDI. Quanto receberei?

Primeiro vamos consultar o CDI na página da Cetip:

http://estatisticas.cetip.com.br/astec/series_v05/paginas/web_v05_template_informacoe
s_di.asp?str_Modulo=completo&int_Idioma=1&int_Titulo=6&int_NivelBD=2

A resposta em 19 de abril de 2018 é 6,39%.

6,39% x 110% = 7,03% a.a. – taxa nominal bruta.

Temos uma taxa nominal bruta de 7,03%, o que não quer dizer muita coisa, dado
que o que nos interessa é a taxa real líquida.

Próximo passo é deduzir o imposto de renda. Vamos considerar uma alíquota (i) de
20% para uma aplicação de até um ano (181 a 360 dias).

Taxa nominal líquida = 7,03% x (1-i) = 7,03% x (1-0,2) = 5,62%

Agora vamos calcular a taxa real. Para isso precisamos consultar a inflação:

De acordo com o IBGE a inflação atual, medida pelo IPCA, índice oficial de
inflação brasileiro, é de 2,68%.

1 + Taxa real = (1+0,0562)


(1+0,0268)

Taxa real = 1,0286 -1

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Taxa real = 2,86%

A taxa real representa o verdadeiro ganho do investidor, ou seja, se antes conseguia com
aquele capital comprar 10.000 kg de açúcar hoje consegue comprar 10.286 kg.

FGC – Fundo Garantidor de Crédito

Criado para evitar o pânico bancário. Cobre 250 mil reais por CPF em cada
instituição financeira, limitado a 1 milhão por investidor a cada quatro anos (4
acionamentos).

Modalidades cobertas:

• Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;


• Depósitos de poupança;
• Letras de Câmbio (LC);
• Letras Imobiliárias (LI);
• Letras Hipotecárias (LH);
• Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
• Letras de Crédito do Agronegócio (LCA);
• Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado RDB (Recibo de
Depósito Bancário) e CDB (Certificado de Depósito Bancário);
• Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao
registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de
pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
• Operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos após 8 de
março de 2012 por empresa ligada.

Em que prazo o FGC paga a garantia ao credor?

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Não há como o FGC estipular um prazo porque depende de informações que são
passadas pelo Interventor ou Liquidante, conforme for o caso. “Uma vez recebidas as
informações e documentos o pagamento se inicia entre 10 a 15 dias” – conforme
informação do FGC.

Títulos Privados

Caderneta de poupança

Investimento mais tradicional do Brasil, a poupança foi criada em 1861 pelo


imperador Dom Pedro II no decreto que instituiu a criação da Caixa Econômica Federal.
Paga uma remuneração mensal, possui liquidez diária e o seu saldo é coberto até o valor
de 250 mil reais por CPF, por instituição financeira, pelo FGC – Fundo Garantidor de
Crédito.

A remuneração da caderneta de poupança se dá da seguinte forma: caso o


depósito tenha sido realizado até 3 de maio de 2012 – poupança antiga – a remuneração
será de 0,5% ao mês mais a T.R. (Taxa Referencial) – taxa usada como um fator de
correção monetária de empréstimos, do FGTS e de investimentos. Já se o depósito foi
realizado a partir de 4 de maio de 2012 – nova poupança – a remuneração passa a
depender da meta anual da Taxa Selic.

Na hipótese de a meta anual da Taxa Selic ser superior a 8,5%, permanece a


regra anterior de 0,5% ao mês mais a T.R.

Por outro lado, caso a meta anual for 8,5% ou inferior, a remuneração será a
T.R. mais 70% do valor estabelecido como meta anual para a Taxa Selic, ajustado para
o período de um mês. Sendo assim, a remuneração adicional pode variar de zero até
0,483% ao mês – 70% de 8,5% a.a. numa base mensal.

Este investimento, a despeito do baixo rendimento, pode ser utilizado como


reserva de emergência devido à sua elevada liquidez. É possível realizar saques da
poupança até mesmo nos finais de semana.

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O investidor somente deve atentar para não deixar grandes volumes de recursos
na poupança devido à cobertura do FGC e ao custo de oportunidade, pois este dinheiro
poderia estar em outros investimentos mais rentáveis.

CDB

O CDB – Certificado de Depósito Bancário – é um investimento onde o


aplicador empresta recursos ao banco em troca de uma taxa de juros prefixada ou pós-
fixada. Esta taxa, normalmente pós-fixada, costuma ser um percentual do CDI, que vai
de 70% até 110% ou 120%.

Tem tributação, pagando imposto de renda na tabela regressiva e IOF nos


primeiros 30 dias.

Os CDB’s são cobertos pelo FGC até o limite de 250 mil reais por CPF em cada
instituição financeira.

Essa modalidade de investimento pode representar uma opção como reserva de


emergência quando sua liquidez é imediata ou o resgate é automático na conta. Lembre-
se, só serve para reserva de emergência se você puder sacar ao menos parte no fim de
semana.

LC

A LC – Letra de Câmbio – tem as mesmas características de um CDB, porém


são emitidas pelas financeiras ao invés dos bancos. Normalmente, devido ao risco
maior, pagam um retorno mais alto.

As LC’s, assim como os CDB’s, são cobertas pelo FGC até o limite de 250 mil
reais por CPF em cada instituição financeira.

LCA

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A LCA – Letra de Crédito do Agronegócio – investimento lastreado em
operações de crédito do agronegócio, disponibilizada por bancos, financeiras e
cooperativas de crédito autorizadas.

As letras são isentas de imposto de renda e cobertas pelo FGC até o limite de
250 mil reais por CPF em cada instituição financeira.

LCI

A LCI – Letra de Crédito Imobiliária – investimento lastreado em operações de


crédito imobiliário, disponibilizada por bancos, financeiras e cooperativas de crédito
autorizadas.

LCI’s são isentas de imposto de renda e cobertas pelo FGC até o limite de 250
mil reais por CPF em cada instituição financeira.

As Letras – LCI e LCA – tem liquidez mais restrita, variando de acordo com a
instituição, mas não inferior a 90 dias. Elas podem ser emitidas com ou sem liquidez
após o prazo mínimo. Naquelas com liquidez, o investidor pode sacar a qualquer
momento passados os 90 dias. Por outro lado, nas sem liquidez, o investidor só pode
sacar o valor investido mais os juros na data de vencimento. As letras são reguladas pela
lei 10.931/2004.

CRI e CRA

Os CRI’s – Certificado de Depósito Imobiliário – e os CRA’s – Certificados de


Depósito do Agronegócio – são ativos securitizados, criados com lastro imobiliário ou
de operações do agronegócio.

Exemplo: Um grande investidor aluga seu imóvel por 100 mil reais ao mês
durante 3 anos, porém ele precisa de 2,5 milhões imediatamente. Esse investidor vai até
uma companhia securitizadora que oferece a ele 2,6 milhões – valor obtido por cálculos
atuarias – por aqueles 3,6 milhões de aluguel que ele terá direito ao longo do tempo.

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Securitizados, os aluguéis futuros se tornam um CRI, e a securitizadora irá vendê-lo no
mercado.

Normalmente estas modalidades de investimento exigem um aporte inicial


maior, se tornando inviável para o pequeno investidor, além do risco mais alto, calote
do locatário ou adquirente do imóvel. Pagam imposto de renda conforme tabela
regressiva e não são cobertos pelo FGC.

Debêntures

Debêntures nada mais são do que títulos da dívida das Sociedades Anônimas não
bancárias. Empresas podem captar recursos através de empréstimos bancários, emissão
de ações, dentre outras opções. Uma delas é a emissão de debêntures.

A grande vantagem para as empresas em emitir debêntures ao invés de solicitar


um empréstimo bancário é o fato de que, quando emite uma debênture, a empresa é
quem define como, quando e o quanto vai pagar, cabendo ao investidor aceitar ou
recusar as condições propostas.

Quando os recursos captados pelas debêntures serão utilizados em algum projeto


de infraestrutura o Estado dá um benefício, a isenção de imposto de renda. Tal
debênture é denominada debênture incentivada.

Existem três tipos de debêntures. São elas:

a) Debêntures conversíveis – podem ser convertidas em ações da


companhia.
b) Debêntures simples ou não conversíveis – não podem ser convertidas em
ações da companhia. São as mais comuns.
c) Debêntures permutáveis – podem ser convertidas em ações de outras
companhias.
Ao investir em debêntures, dois documentos devem ser analisados:

a) O prospecto da emissão, onde é apresentada a companhia aos


investidores e ao mercado em geral.

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b) Escritura de emissão, documento que contém as cláusulas contratuais da
emissão.
A companhia que emite a debênture normalmente oferece algum tipo de garantia
ao investidor. Atualmente estas garantias estão dividas em:

a) Real – garantida por bens da companhia.


b) Flutuante – possui privilégio sobre o ativo da companhia.
c) Quirografária – concorre em igualdade com outros credores.
d) Subordinada – está acima apenas do acionista.
e) Outras garantias acessórias.
Debêntures não são garantidas pelo FGC – Fundo Garantidor de Crédito. Sendo
assim, o cuidado ao investir nestes ativos deve ser redobrado. Este investimento é
adequado para investidores mais experientes e com grande familiaridade com a análise
da companhia emitente.

Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa tiveram sua nomenclatura alterada a partir de 2015.

A nova classificação da ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos


Mercados Financeiro e de Capitais – divide os fundos em três níveis:

1º Nível: Classe de ativo

2º Nível: Riscos

3º Nível: Estratégias de investimento

Dentro do primeiro nível os fundos estão agrupados em 4 classes:

1. Fundos de renda fixa

2. Fundos de ações

3. Fundos multimercados

4. Fundos cambiais

Os fundos de renda fixa serão nosso objeto de estudo aqui.


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O segundo nível divide os fundos conforme a gestão (ativa ou passiva). Na estão
ativa o gestor tem mais liberdade para a compra e venda de ativos enquanto na passiva
existem regras mais rígidas previstas no regimento do fundo.

Por fim, no terceiro nível, temos a classificação quanto à estratégia do fundo.

CLASSES DE ATIVOS CATEGORIAS SUBCATEGORIAS


SIMPLES RENDA FIXA SIMPLES
INDEXADO ÍNDICES (Selic, CDI etc)
BAIXA DURAÇÃO SOBERANO
MÉDIA DURAÇÃO GRAU DE INVESTIMENTO
Renda Fixa ATIVOS
ALTA DURAÇÃO
CRÉDITO LIVRE
LIVRE DURAÇÃO
INVESTIMENTO EXTERIOR
INVESTIMENTO NO EXTERIOR
DÍVIDA EXTERNA

Inicialmente é analisada a classe do fundo, no caso Renda Fixa. Isso significa


que estão excluídos do fundo quaisquer investimentos em renda variável. O fundo pode
investir em ativos de renda fixa no Brasil ou exterior.

Dentro do segundo nível, os fundos de renda fixa simples são compostos, de


acordo com a instrução CVM 555/2014, da seguinte forma: 95% (noventa e cinco por
cento), no mínimo, de seu patrimônio líquido representados por:

a) títulos da dívida pública federal;

b) títulos de renda fixa de emissão ou coobrigação de instituições financeiras que


possuam classificação de risco atribuída pelo gestor, no mínimo, equivalente àqueles
atribuídos aos títulos da dívida pública federal;

c) operações compromissadas lastreadas em títulos da dívida pública federal ou


em títulos de responsabilidade, emissão ou coobrigação de instituições autorizadas a
funcionar pelo Banco Central do Brasil, desde que, na hipótese de lastro em títulos de
responsabilidade de pessoas de direito privado, a instituição financeira contraparte do
fundo na operação possua classificação de risco atribuída pelo gestor, no mínimo,
equivalente àquela atribuída aos títulos da dívida pública federal;

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Os fundos indexados têm como objetivo seguir indicadores do mercado de
renda fixa, na maior parte dos casos a Selic e a taxa DI ou CDI.

Os fundos ativos são divididos conforme o duration médio dos títulos, ou seja, o
vencimento dos ativos:

a) Duração baixa – títulos com duration média ponderada de vencimento


abaixo de 21 dias, buscando assim minimizar a oscilação dos juros
futuros.
b) Duração média – títulos com duration média ponderada próxima a IRF-
M – carteira fictícia composta de títulos prefixados – medida no último
dia útil de junho de cada ano.
c) Duração Longa – títulos com duration média ponderada igual ou superior
à apurada no IMA-geral – Carteira fictícia de títulos indexados a inflação
que exclui títulos indexados ao IGP-M (NTN-C) – por conta da não
emissão de novos títulos e baixa liquidez observada no segmento no
último dia útil de junho.
d) Duração Livre – o gestor pode escolher os vencimentos que achar mais
convenientes.
No terceiro nível temos:

Os fundos soberanos, que investem 100% dos recursos em títulos públicos


federais, notadamente são fundos com risco de crédito menor.

Já os fundos categorizados como grau de investimento investem 80% ou mais


dos recursos em títulos públicos federais ou ativos com classificação de risco igual ou
superior à dos referidos títulos.

Quando o investidor opta por um fundo denominado como renda fixa simples,
no terceiro nível, a única opção disponível será renda fixa simples. Já se optar renda fixa
de gestão indexada, o comportamento do fundo passa a ser atrelado ao índice de
referência.

Quando escolhe um fundo denominado investimento no exterior, as opções


para o terceiro nível são:

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i) Investimento no Exterior: Fundos que investem em ativos financeiros no
exterior em parcela superior a 40% do patrimônio líquido.
ii) Dívida Externa: Fundos que investem no mínimo 80% de seu patrimônio
líquido em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União.
Para maior aprofundamento sobre fundos, ler a instrução 555 de 2014 da CVM e
a cartilha da nova classificação disponibilizada pela ANBIMA.

É importante frisar que fundos de renda fixa não contam com a proteção do
FGC – Fundo Garantidor de Crédito.

Come-cotas

O come-cotas é uma forma de antecipação do imposto de renda feita pelos


fundos nos meses de maio e novembro. O problema do come-cotas é que ele interrompe
a ação dos juros compostos sobre parte dos recursos, levando a uma diminuição do
patrimônio.

Conclusão sobre títulos privados

Os títulos privados, apesar de terem um risco de crédito mais alto do que os


públicos, tem seu lugar em uma carteira bem montada.

Devemos destacar que a reserva de emergência deve ser alocada prioritariamente


em títulos privados com liquidez imediata, em especial a caderneta de poupança ou
CDB, que, desde que emitidos pela mesma instituição, tem o mesmo risco e são
cobertos pelo FGC.

Entender os riscos inerentes aos títulos privados, não se expondo a estes


investimentos sem uma análise de risco e uma diversificação adequada, é o melhor
caminho para evitar surpresas desagradáveis.
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Títulos públicos

O que são?

Títulos públicos são papéis emitidos pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN),
a fim de financiar a dívida pública ou reduzir a liquidez do mercado, fazendo política
monetária contracionista.

Os indivíduos, ao receberem recursos, seja um salário, renda ou aposentadoria,


se veem diante de um dilema: consumir ou poupar. Quanto maiores são as taxas de
juros, de acordo com a teoria econômica, mais os indivíduos tendem a poupar e menos a
consumir, e vice e versa. Sendo assim o governo tende a usar a taxa de juros para
estimular ou frear a economia e a inflação. Quanto maior o consumo, sem um
correspondente aumento na produção, maior a inflação. Sendo assim, aumentar os juros
reduz o consumo diminuindo a pressão inflacionária.

Tais títulos podem, ou não, pagar cupons de juros, que nada mais são do que
valores pagos aos investidores entre a emissão e o vencimento dos títulos. No caso dos
títulos públicos federais, estes cupons são semestrais.

Atualmente são disponibilizadas, diretamente aos investidores pessoa física, por


meio do programa do Tesouro Direto, as seguintes categorias de títulos:

Tesouro SELIC Paga a SELIC, as vezes com um pequeno ágio ou deságio


Tesouro com cupom Paga um valor prefixado, estabelecido no momento da compra. Cupom 10% de R$ 1.000 a.a.
prefixado sem cupom No vencimento o dententor do título receberá, bruto, um mil reais por título.
Tesouro com cupom Cupom de 6% a.a sobre o VNA Valor Nominal Atualizada
IPCA sem cupom Paga um taxa prefixada mais a inflação.

Tesouro Selic

Começando pelo Tesouro Selic, título mais simples, tem sua remuneração
definida pela Taxa Selic, acrescida de um pequeno ágio ou deságio. Atualmente, maio
de 2018, está disponível para o investidor o seguinte título:

Descrição Vencimento Ágio/deságio Valor mínimo Título inteiro


Tesouro Selic 2023 01/03/2023 0,01 R$ 95,15 R$ 9.515,42

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A primeira informação que encontramos é a descrição. Nela temos o nome do
título, Tesouro Selic, bem como o ano de vencimento, 2023. Em seguida temos a
informação do vencimento propriamente dito, 01 de março de 2023, no caso.

O ágio ou deságio trata-se de uma diferença entre o valor do título e o seu preço.
Quando este valor é negativo, significa que estamos comprando com ágio e
receberemos um valor um pouco menor do que a Selic. Quando o valor é positivo,
estamos comprando o título com deságio e receberemos um pouco mais do que a Selic,
no exemplo em questão 0,01% a mais ao ano.

Valor mínimo, o mínimo que se pode comprar do título, é 1%. No caso do


Tesouro Selic 1% são R$ 95,15 (noventa e cinco reais e quinze centavos), uma vez que
o título inteiro em maio de 2018 estava custando R$ 9.515,42.

Para quem é recomendado?

O Tesouro Selic é recomendado para todos aqueles que precisam de liquidez.


Como ele não sofre marcação a mercado e pode ser sacado no dia seguinte D+1, é uma
boa opção para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento.

Não se deve deixar toda a sua reserva de emergência neste título, pois, caso
precise de recursos aos sábados ou domingos, não poderá sacar. Sendo assim, pelo
menos uma parte da sua reserva de emergência deve estar em caderneta de poupança ou
outro produto de renda fixa que possa ser sacado aos domingos.

Tesouro IPCA

Título que garante uma rentabilidade real, ou seja, acima da inflação medida
pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo – que mede o aumento geral de
preços com base no consumo médio de famílias que recebem de 1 até 40 salários
mínimos. É preciso atenção com a marcação a mercado, pois se vender antes do
vencimento poderão haver perdas caso o preço unitário do título esteja abaixo do VNA
– Valor Nominal Atualizado.

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O VNA nada mais é do que o valor do título, corrigido pelo seu indexador, no
caso a inflação medida pelo IPCA, considerando que ele tivesse sido emitido em 15 de
julho de 2000 – data fictícia estabelecida arbitrariamente – pelo valor de 1.000 reais.

Este título normalmente tem prazos mais longos. Sendo assim, é recomendado
para objetivos de longo prazo ou sem prazo definido, mas nunca para objetivos de curto
prazo que não coincidem com o vencimento do título.

Exemplos de uso do título: compra de carro ou imóvel na data de vencimento,


acúmulo de patrimônio para aposentadoria ou tranquilidade financeira.

Atualmente estão disponíveis os seguintes títulos:

Taxa de
Título Vencimento Rendimento Valor Mínimo Preço Unitário
(% a.a.)
Tesouro IPCA+ 2024 15/08/2024 5,06 R$ 45,29 R$ 2.264,59
Tesouro IPCA+ 2035 15/05/2035 5,51 R$ 37,24 R$ 1.241,61
Tesouro IPCA+ 2045 15/05/2045 5,51 R$ 36,36 R$ 727,27
Tesouro IPCA+ com
15/08/2026 5,13 R$ 33,01 R$ 3.301,41
Juros Semestrais 2026
Tesouro IPCA+ com
15/05/2035 5,39 R$ 32,89 R$ 3.289,40
Juros Semestrais 2035
Tesouro IPCA+ com
15/08/2050 5,5 R$ 33,60 R$ 3.360,25
Juros Semestrais 2050

O nome do título, Tesouro IPCA+, faz referência ao fato de o título pagar a


inflação medida pelo IPCA mais uma taxa de rendimento percentual ao ano.

Tesouro prefixado

Título com caráter mais especulativo, ele paga uma taxa combinada no ato da
contratação, ou seja, o investidor sabe exatamente quanto receberá em termos nominais
no vencimento.

O investidor perde caso a inflação suba para níveis acima da rentabilidade


líquida contratada ou incorre em custo de oportunidade, ou seja, ganha-se menos no

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período do que ganharia aplicando em outros títulos caso a Taxa Selic suba no período
para níveis acima do valor contratado.

Em uma economia bastante estável este título faz sentido, porém em um país
onde a taxa básica de juros passa mais tempo se movendo do que parada os riscos são
altos.

Atualmente estão disponíveis os seguintes títulos prefixados:

Taxa de
Preço
Título Vencimento Rendimento Valor Mínimo
Unitário
(% a.a.)
Tesouro Prefixado 2021 01/01/2021 8,56 R$ 32,30 R$ 807,50
Tesouro Prefixado 2025 01/01/2025 10,47 R$ 31,12 R$ 518,75
Tesouro Prefixado com
Juros Semestrais 2029 01/01/2029 10,68 R$ 39,97 R$ 999,40

Cupons

O cupom de juros é uma forma de o emissor do título ir pagando os juros antes


do vencimento. Ocorrem semestralmente no caso dos títulos públicos federais, sendo
em fevereiro e agosto para títulos IPCA com vencimento em anos pares e maio e
novembro para os com vencimento em anos ímpares. Os cupons dos títulos prefixados
são pagos em janeiro e julho.

A escolha por comprar títulos que pagam ou não cupons depende de vários
fatores. A primeira coisa que o investidor precisa saber é que antecipará o pagamento de
imposto de renda ao receber os cupons. Sendo assim somente compensará comprar
títulos para o recebimento dos cupons para aqueles que pretendem utilizá-los, ou seja,
precisam de uma renda previsível, frequente (semestral ou trimestral) e que seja
corrigida pelo IPCA.

Normalmente este título é indicado para idosos que querem uma


complementação de renda e não pretendem vender partes dos títulos quando precisarem,
seja por medo de sofrerem perdas com a marcação a mercado, seja por preferirem a
comodidade de uma renda frequente e corrigida.

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O cupom do Tesouro IPCA é pago semestralmente em um valor de 6% ao ano
ou 2,956% ao semestre sobre o VNA – Valor Nominal Atualizado – do título. Este valor
é corrigido pela inflação medida pelo IPCA e com isso o cupom também será corrigido
pela inflação. Do cupom são deduzidos os impostos e taxas de custódia e administração
proporcionais.

O cupom do Tesouro Prefixado é de 10% ao ano ou 4,88% ao semestre sobre R$


1.000,00 (mil reais). Este título é recomendado, no máximo, para o pagamento das taxas
do Tesouro, dado que a data de pagamento do cupom coincide com a data de cobrança
destas taxas. Diferente do Tesouro IPCA+, este título não é corrigido pela inflação, ou
seja, o valor a ser recebido por unidade do título, no vencimento, é de R$ 1.000,00,
independentemente a inflação além de todos os cupons recebidos no período. Os cupons
vão perdendo valor ao longo do tempo dado que não são corrigidos pelo IPCA, mesmo
tendo sempre o mesmo valor nominal o poder de compra do cupom será cada vez
menor.

Caso decida utilizar este título para o pagamento das taxas, basta alocar 5% da
sua carteira neste ativo.

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Montando uma carteira de renda fixa

Na hora de escolher o seu investimento em renda fixa algumas informações são


necessárias:

1. Quando precisará do dinheiro? Precisa de liquidez?


2. Existe um valor para seu objetivo? Qual?
3. Suporta ver o investimento ter variações ao longo do tempo?

A primeira pergunta é bem simples. Tente casar o vencimento dos títulos com seus
objetivos e, caso precise do recurso a qualquer momento, ou seja, liquidez imediata, não
compre nada sujeito a marcação a mercado, como títulos pré-fixados ou mistos
(Tesouro IPCA).

Se existir um valor e um prazo para seu investimento, é recomendável que compre


um título adequado e planeje-se quanto aos aportes. Por exemplo, a compra de um carro
dentro de 5 anos precisa de um título que vença em 5 anos ou então um título que não
sofra marcação a mercado.

Por fim é preciso avaliar se o investidor suporta ou não ver seu investimento
valorizar e desvalorizar ao longo do tempo. Caso ele não suporte, títulos que sofrem
com a marcação a mercado não são adequados para sua carteira.

Razões para montar uma carteira de renda fixa

Ao montar a carteira de renda fixa, assim como ao montar qualquer carteira de


investimentos, é necessário analisar liquidez, rentabilidade e segurança.

O investidor monta uma carteira de renda fixa basicamente por quatro motivos:
montar uma reserva de emergência, se proteger das grandes flutuações da renda
variável, fazer uma economia para a compra de alguma coisa ou proteger seus recursos
da inflação.

A reserva de emergência é um valor que vai de três a seis vezes as suas despesas
mensais, em uma renda fixa de liquidez imediata. A condição para que um ativo sirva é
a possibilidade do saque de ao menos parte no fim de semana. Normalmente
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recomenda-se a caderneta de poupança ou equivalente no banco de relacionamento do
investidor.

Sobre a proteção contra flutuações do mercado, a renda fixa serve como uma
segurança a mais para o estado emocional do investidor quando o mercado está em
baixa. Tendo como recorrer à renda fixa, as chances de o investidor vender suas ações,
em pânico, no fundo, são menores.

Quando a pessoa decide comprar algo, ela tem duas opções, pagar à vista ou a
prazo. Ao pagar à vista o indivíduo pode conseguir um desconto, mas para fazê-lo ele
precisa do dinheiro em mãos e, até lá, tem de juntar este valor em algum lugar. A renda
fixa, via de regra, é este lugar, em parte devido a sua previsibilidade que facilita o
planejamento, em parte pela segurança.

Por exemplo, se pretender comprar um carro, faz muito mais sentido colocar os
recursos em renda fixa do que em ações, pois, na data planejada para a compra do
veículo, essas ações podem estar em queda e o valor ser insuficiente para a compra do
automóvel.

A regra para a compra de quaisquer bens é simples: priorizar o Tesouro IPCA


com vencimento na data da compra e, caso este não exista, utilizar o Tesouro Selic, pois
o último não sofre marcação a mercado.

Por fim, a renda fixa, apesar de não proporcionar um crescimento expressivo do


patrimônio, traz, via de regra, uma remuneração acima da inflação, ou seja, seus
recursos valerão mais no futuro do que valem hoje em termos de poder de compra. Tal
proteção é essencial, especialmente em um país com histórico inflacionário como é o
caso do Brasil.

Outros motivos podem ser encontrados para montar uma carteira com ativos de
renda fixa, mas acredita-se que estes são mais do que suficientes.

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Apêndice

Comparação entre a Taxa DI - CDI - e a Taxa Selic


mai/17 jun/17 jul/17 ago/17 set/17 out/17 nov/17 dez/17 jan/18 fev/18 mar/18 abr/18
SELIC 11,15% 10,15% 9,15% 9,15% 8,15% 7,40% 7,40% 6,90% 6,90% 6,65% 6,65% 6,40%
CDI 11,13% 10,14% 9,14% 9,14% 8,14% 7,39% 7,39% 6,89% 6,89% 6,64% 6,64% 6,39%
Diferença 0,02% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01%

Acumulado desde 07/1994


CDI SELIC
5043,35% 5148,73%

Informação retirada da CETIP


http://estatisticas.cetip.com.br/astec/series_v05/paginas/web_v05_template_informacoes_di.asp?str_Modulo=completo&int_Idioma=1&int_Titulo=6&int_NivelBD=2

Tabelas de imposto de renda e IOF, válida para títulos públicos e privados não isentos:

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Tabela Regressiva Imposto de Renda
Prazo Alíquota
Até 180 dias 22,5%
181 até 360 dias 20,0%
361 até 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15,0%

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O investidor pagará IOF – Imposto sobre Operações Financeiras – nos primeiros
trinta dias de investimento e imposto de renda conforme tabela regressiva.

As cadernetas de poupança, debêntures incentivadas, LCI’s e LCA’s são isentas


de imposto de renda.

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