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HAESBAERT, Rogério. Escalas espaço-temporais. In: HAESBAERT, Rogério.

Territórios
Alternativos. São Paulo: Contexto, 2006. p. 101-115.

- análise das escalas espaciais é tão fundamental para o geógrafo como é a análise das escalas
temporais para o historiador. É imprescindível unir a geografia com a história (p. 101)

- escala cartográfica na Geografia está para a escala cronológica na História, assim como a escala
geográfica está para a escala histórica (ou período?). Haveria uma forma estável de enxergar o
tempo e o espaço, que permite quantificá-los matematicamente. E outra forma e enxerga-os de
maneira instável, relativa e que se preocupa em qualificá-los. (p. 105)

- história se preocupa com a duração dos fenômenos, enquanto a Geografia com a extensão. (p. 108)

- Questão importante: como se dá a relação entre determinados ritmos de tempo (que denominamos
escalas temporais) e determinadas extensões/distribuições no espaço (as escalas geográficas ou
espaciais) (p. 109-110). Os “tempos do subúrbio”? Sim, se pensarmos nos diferentes “tempos”
dos ilegalismos e dos diferentes “tempos” dos “esquemas”, certamente pode-se pensar nessa
dimensão temporal também. Não sei se necessariamente do “subúrbio”, acho que eu vou
acabar me enrolando se eu entrar nisso. Mas certamente as articulações espaço/tempo na
chave da escala leva a gente a pensar nas temporalidades dos “esquemas” no subúrbio como
“tempo oportuno”.

- Não existe uma casualidade nas escalas de espaço-tempo (por exemplo, escala local = tempo breve
/ escala global = tempo longo). Todavia, a escala local estaria mais propensa a mudanças mais
rápidas pela maior permeabilidade que ela teria `as transformações mais rápidas. (p. 111). Entra aí
também o velho debate na relação da Antropologia com a História: micro X macro / sincronia
X diacronia / agência X estrutura. Não sei se eu concordo com essa colocação do Rogério não.
As mudanças às vezes irrompem e invadem o “local” que se coloca enquanto “resistência” aos
processos de mudança. Mesmo fazendo a ressalva, eu não ousaria em fazer qualquer tipo de
relação nesse sentido.

- Ele mesmo depois aprofunda o ponto e me parece enfraquecer essa própria relação…. (p. 112)

- três contribuições originais para a época que o texto levanta segundo Mateus: (p.134)

a) A primeira é o reconhecimento da falta de uma “hierarquia perfeitamente sobreposta” entre


espaços regionais ou nacionais, por exemplo.

b) Além disso, não encontrei referências anteriores que tivessem sublinhado de maneira tão
explícita a relação entre a chamada “questão das escalas” e a participação dos fenômenos em redes
específicas e não necessariamente excludentes —como redes locais, regionais, nacionais ou
mundiais.

c) Por fim, a própria relação entre as escalas geográficas e as escalas temporais não parece ter sido
feita até a época da publicação do artigo —e, diga-se de passagem, tampouco tomei contato com
algo que aborde isso mais recentemente.

Esse terceiro ponto pra mim é o mais importante e de original até hoje me parece. É para
pensar “os tempos dos ilegalismos” no subúrbio através dos “esquemas”