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EQUIPE: Álvaro Francisco Lima Silva; Carlos Fernando Rodrigues de Araújo; José Nicolas Duarte Correia; Luís André

Duarte Falcão Neves; Pedro Fernando Brandão Alcântara Sobrinho.

CONTRATO DE MANDATO

CONCEITO E CARACTERÍSTICAS:

O conceito do Mandato está expressamente previsto no art. 653 do Código Civil


e pode ser sintetizado como sendo o “contrato de representação convencional mediante o
qual uma pessoa (mandante) confere poderes a outra (mandatário) para que esta atue em
nome daquela, para os fins que especificar” (LÔBO, 2020, p. 460). Faz-se necessário
destacar que, a princípio, mesmo a representação sendo o objeto do mandato, há a
possibilidade da representação sem a expedição desta espécie contratual, como observado
na hipótese de representação legal dos pais em face dos filhos menores. Assim, não há o
que se confundir a representação com o mandato em si, uma vez que aquela se relaciona
com este somente quando necessária para a prestação regular das obrigações decorrentes
do mandato. Sendo assim, a representação consiste na outorgação dos poderes de
representação voluntária, a qual se instrumentaliza, normalmente, por um documento de
mesmo nome: procuração. (STOLZE e PAMPLONA FILHO, 2020, p. 738-740)
Com efeito, este contrato tem a finalidade de regular os interesses dos
contratantes, de modo a fundamentar essa relação interpartes e incumbir o mandatário de
suas obrigações, as quais deverão ser efetivadas após a outorgação do poder de
representação por parte do mandante. (GOMES, 2007, p. 425)
A principal característica do mandato é a ideia de representação, que o distingue
da locação de serviços e da comissão mercantil. Desse modo, diferentemente dessas
outras modalidades contratuais, o indivíduo realiza os atos em nome do mandante, e, não
como um terceiro independente. (GONÇALVES, 2020, p. 399)
O Mandato é tipicamente unilateral, porém, é indispensável a verificação da
existência ou não de contraprestação por parte do credor no caso concreto. Nesse sentido,
em regra, a presente espécie contratual é gratuita, de modo a originar, geralmente, uma
relação unilateral entre as partes, haja vista que são geradas obrigações exclusivamente
para o mandatário. (GOMES, 2007, p. 426)
No caso dos mandatos onerosos, como nos mandatos judiciais, há a existência
de deveres recíprocos entre os envolvidos, observando-se, portanto, nessa situação, uma
relação bilateral. Por fim, há a hipótese de conversão do status unilateral para bilateral
sem a interferência da gratuidade do mesmo, na situação em que, durante sua execução,
origine-se ao mandatário um direito de crédito contra o mandante – sendo estes
considerados, portanto, contratos bilaterais imperfeitos.
Além disso, o contrato de mandato é considerado consensual, pois se perfaz pelo
simples consentimento entre as partes (o que possibilita, inclusive, a sua efetivação de
modo verbal). É também considerado intuitu personae, pois, como destacado, funda-se
na confiança, na lealdade e na probidade do mandatário, ou seja, realizado estritamente
em relação à pessoa deste. (GOMES, 2007, p. 427; GONÇALVES, 2020, p. 398).
Além disso, destacam-se como elementos indispensáveis para a execução do
mandato: i) a outorga do poder suficiente à finalidade do mandato; ii) a atuação do
mandatário em nome do mandante, nos limites dos poderes recebidos; iii) a declaração
de vontade do mandatário, na prática do ato jurídico ou celebração do negócio jurídico,
como representante; iv) o pagamento pelo mandante das despesas que o mandatário tenha
de despender na execução do mandato; v) a remuneração do mandatário, quando exigível.
(LÔBO, p. 462, 2020)
EQUIPE: Álvaro Francisco Lima Silva; Carlos Fernando Rodrigues de Araújo; José Nicolas Duarte Correia; Luís André
Duarte Falcão Neves; Pedro Fernando Brandão Alcântara Sobrinho.

CONTRATO DE MANDATO

OBJETO E PARTES DO MANDATO:


Todos os atos que envolvam interesses não personalíssimos ou que não exijam
a intervenção pessoal do mandante podem ser objetos do contrato de mandato. Desta
forma, como explicitado pelo art. 660 do Código Civil, o mandato pode estabelecer a
prática de um ou mais negócios específicos, como também determinar a administração
geral dos interesses do mandante. Entretanto não há impedimento legal para a prática de
se estabelecer procuração com poderes gerais de administração cumulada com poderes
específicos.
Acerca das partes do contrato de mandato, tem-se em mente o artigo 653 do
Código Civil de 2002 que delimita a existência de dois sujeitos neste negócio jurídico: o
mandante e o mandatário. O primeiro outorga poderes para que o segundo pratique atos
ou administre seus interesses. Além disso, o mandatário também possui o dever de
realizar a conduta que lhe foi determinada.
O artigo 654, por sua vez, incumbe em deixar claro que todas as pessoas capazes
são aptas a realizar tal contrato, porém, como dito por Stolze (2019, p. 638) e assinalado
pelo artigo 666, o relativamente incapaz pode ser o mandatário, entretanto o mandante
assume o risco e os decorrentes prejuízo em tal contratação. Ademais, cabe ressaltar que
é irrelevante a incapacidade relativa do mandatário para terceiro envolvido no negócio,
tendo em vista que quem responderá será o mandante.
Como assinalado por Gonçalves (2020, p. 404), o mandante só pode utilizar de
mandato para atos que ele próprio possa fazer, por isso, no caso de menor púbere que
constitui contrato de mandato, este precisa da autorização de seus responsáveis legais. O
nobre doutrinador também explicita que a capacidade é aferida no momento da celebração
do contrato, portanto não terão validade os atos advindos de incapazes, mesmo que
futuramente possam se tornar capazes de realizar o mandato.
Alguns outros casos de incapacidade de mandato podem ser citados: mandatários
estrangeiros designados por mandantes acionários brasileiros não podem representá-los
em reuniões e funcionários públicos não podem ser mandatários perante qualquer
repartição (permitidos, entretanto, em situações diversas a essa).
Ademais, o artigo 672 do Código Civil trata de forma diversa sobre as partes do
contrato, possibilitando que o ato seja outorgado para mais de uma pessoa, sendo este um
contrato de mandato conjunto (a pluralidade de mandantes também é possível). A partir
deste dispositivo permite-se imaginar a figura de um contrato que defina, para diferentes
mandatários, atos diversos, sejam eles concomitantes ou sucessivos. No primeiro caso,
entretanto, é notável que a ausência de atuação de um dos mandatários torna o ato
ineficaz, salvo ratificação do mandante.

FORMAS E ESPÉCIES
No que se refere ao mandato, o Código Civil de 2002 dispõe que este tem forma
expressa, tácita, escrita ou verbal.
EQUIPE: Álvaro Francisco Lima Silva; Carlos Fernando Rodrigues de Araújo; José Nicolas Duarte Correia; Luís André
Duarte Falcão Neves; Pedro Fernando Brandão Alcântara Sobrinho.

CONTRATO DE MANDATO

Formas

 Expresso – “decorre tanto  Verbal – para prova da  Escrito – deve indicar o


de manifestação expressa manifestação de vontade, lugar, qualificação do
das partes neste sentido podem ser utilizados todos os outorgante e outorgado,
(mandato expresso), o que meios de prova admissíveis em data e objetivo da outorga e
pode tomar a forma escrita direito, inclusive testemunhal. designação e extensão dos
ou verbal.” (STOLZE, (STOLZE, 2019, p. 643). poderes. (art. 654, CC/02)
2019, p. 642).
 Tácito – “aquele que se depreende da  Observação 1: “o entendimento de que a exigência de
prática de atos, pelo mandatário, em reconhecimento de firma não é um requisito
benefício do mandante, como se indispensável para a validade perante terceiros, mas,
mandato expresso tivesse sido sim, uma formalidade que este mesmo terceiro pode
celebrado.” (STOLZE, 2019, p. 642). exigir ou dispensar.” (STOLZE, 2019, p. 643).
 Observação 2: a liberdade de forma  Observação 3: O CC/02 destitui dessa maneira a
é regra, nos contratos de mandatos, procuração como meio exclusivo de contrato
porém se leva em consideração o ato mandatário, pois, caso fosse, reconheceria
a ser praticado. (art. 657, CC/02) unicamente os meios “expresso e escrito”.

Espécies

 Outorgado - instrumento  Conjuntos -  Sucessivos - designados e


particular ou público. atuam atuam em atos distintos e
Quando outorgado a mais de simultaneamente; que se sucedem no tempo;
uma pessoa os mandatos
Escrito podem ser classificados:  Fragmentários -  Solidários - qualquer um
(STOLZE, 2019, p. 650). designados, pode praticar todos os atos
atuam em atos designados, independente
diferentes; da participação dos demais.

 Extrajudicialmente. Ex: reunião.  Judicialmente. Ex: ata de audiência, apud acta.

 Observação 1: “o mandato é, em regra, gratuito, mas pode ser remunerado.” (STOLZE, 2019,
p. 650).

 Mandato Geral - estabelece poderes  Mandato Especial - poderes limitados, restritos à


genéricos de administração ordinária. prática de determinados negócios jurídicos.
(STOLZE, 2019, p. 651). (STOLZE, 2019, p. 651).

SUBSTABELECIMENTO
“Pode o procurador transferir a outrem os poderes recebidos do outorgante. O ato
de transferência chama-se substabelecimento” (GOMES, 2009, p. 436). Apesar da
celebração do contrato de mandato ter como característica ser intuitu personae, tal aspecto
não impede que “o mandatário original possa transferir os poderes que lhe foram
outorgados” (STOLZE, 2019, p. 644).
Ademais, “pode ser feito com ou sem reservas de poderes para o mandatário
original [...] pode-se dar para atuação separadamente ou em conjunto.” (STOLZE, 2019,
p. 644) e, nesse sentido, advogados podem substabelecer para atuação conjunta ou atuação
única de outrem. Porém, caso comprovado dano causado pelo substabelecido , “o
procurador será responsável se o substabelecido proceder culposamente” (art. 657, §3º
CC/02).
EQUIPE: Álvaro Francisco Lima Silva; Carlos Fernando Rodrigues de Araújo; José Nicolas Duarte Correia; Luís André
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CONTRATO DE MANDATO

CONTEÚDO DO MANDATO
Determinação  Autonomia da vontade das partes  Baliza a atuação do mandatário
Atos praticados nos limites do mandato Obrigam o mandante (único
responsável, salvo se o mandatário agir
em seu próprio nome.

Mandato com poderes insuficientes/ Negócio jurídico ineficaz (art. 662 do


Inexistência de mandato CC/02) e o mandatário é “mero gestor de
negócios” (art. 665 do CC/02)

Obrigações das partes (arts. 667/681 do CC)

MANDATÁRIO MANDANTE

O mandatário é obrigado a aplicar toda sua O mandante é obrigado a satisfazer todas as


diligência habitual na execução do mandato, e a obrigações contraídas pelo mandatário, na
indenizar qualquer prejuízo causado por culpa sua conformidade do mandato conferido, e adiantar
ou daquele a quem substabelecer, sem autorização, a importância das despesas necessárias à
poderes que devia exercer pessoalmente. execução dele, quando o mandatário lho pedir.
O mandatário é obrigado a dar contas de sua gerência É obrigado o mandante a pagar ao mandatário a
ao mandante, transferindo-lhe as vantagens remuneração ajustada e as despesas da execução
provenientes do mandato, por qualquer título que do mandato, ainda que o negócio não surta o
seja. esperado efeito, salvo tendo o mandatário culpa.
O mandatário não pode compensar os prejuízos a As somas adiantadas pelo mandatário, para a
que deu causa com os proveitos que, por outro lado, execução do mandato, vencem juros desde a data
tenha granjeado ao seu constituinte. do desembolso.
Pelas somas que devia entregar ao mandante ou É igualmente obrigado o mandante a ressarcir ao
recebeu para despesa, mas empregou em proveito mandatário as perdas que este sofrer com a
seu, pagará o mandatário juros, desde o momento em execução do mandato, sempre que não resultem
que abusou. de culpa sua ou de excesso de poderes.
Se o mandatário, tendo fundos ou crédito do Ainda que o mandatário contrarie as instruções
mandante, comprar, em nome próprio, algo que do mandante, se não exceder os limites do
devera comprar para o mandante, por ter sido mandato, ficará o mandante obrigado para com
expressamente designado no mandato, terá este ação aqueles com quem o seu procurador contratou;
para obrigá-lo à entrega da coisa comprada. mas terá contra este ação pelas perdas e danos
resultantes da inobservância das instruções.
Sendo dois ou mais os mandatários nomeados no
mesmo instrumento, qualquer deles poderá exercer Se o mandato for outorgado por duas ou mais
os poderes outorgados, se não forem expressamente pessoas, e para negócio comum, cada uma ficará
declarados conjuntos, nem especificamente solidariamente responsável ao mandatário por
designados para atos diferentes, ou subordinados a todos os compromissos e efeitos do mandato,
atos sucessivos. Se os mandatários forem declarados salvo direito regressivo, pelas quantias que
conjuntos, não terá eficácia o ato praticado sem pagar, contra os outros mandantes.
interferência de todos, salvo havendo ratificação,
que retroagirá à data do ato.
O terceiro que, depois de conhecer os poderes do O mandatário tem sobre a coisa de que tenha a
mandatário, com ele celebrar negócio jurídico posse em virtude do mandato, direito de
exorbitante do mandato, não tem ação contra o retenção, até se reembolsar do que no
mandatário, salvo se este lhe prometeu ratificação do desempenho do encargo despendeu.
mandante ou se responsabilizou pessoalmente.
EQUIPE: Álvaro Francisco Lima Silva; Carlos Fernando Rodrigues de Araújo; José Nicolas Duarte Correia; Luís André
Duarte Falcão Neves; Pedro Fernando Brandão Alcântara Sobrinho.

CONTRATO DE MANDATO

Embora ciente da morte, interdição ou mudança de


estado do mandante, deve o mandatário concluir o
negócio já começado, se houver perigo na demora.

IRREVOGABILIDADE DO MANDATO
De acordo com Stolze (2019, p. 663) “o mandato é um contrato tipicamente de
duração, cuja possibilidade de resilição unilateral é prerrogativa inerente a qualquer das
partes”.
Quanto à resilição unilateral, podemos ter duas situações distintas:
RENÚNCIA REVOGAÇÃO

Ocorre quando a iniciativa da resilição Considerando que o mandato é o exercício de


advém do mandatário, uma vez que importa uma prerrogativa própria da relação
em abdicar dos poderes outorgados pelo contratual, tal hipótese é verificada quando a
mandante. resilição parte do próprio mandante.

Perceba, portanto, que a revogabilidade é a regra e, apenas por exceção, é que se


estabelece e se admite a irrevogabilidade do mandato.
Ademais, para fins didáticos, é importante destacar que a irrevogabilidade é
classificada conforme demonstra o esquema abaixo:

Relativa: pode ser desconsiderada pela


autonomia da vontade da parte, que arcará com
as perdas e danos (STOLZE, 2019, p. 664).
correspondentes.
IRREVOGABILIDADE
Absoluta: se reveste de natureza absoluta, de
modo que há a ineficácia do ato unilateral de
revogação. São as hipóteses previstas nos arts.
684 e 685 do Código Civil.

O mandato ou procuração em causa própria (in rem suam) é uma exceção à


vedação do autocontrato (STOLZE, 2019, p. 665).

A revogação pode ser expressa ou tácita.


A renúncia é direito subjetivo do mandatário, que,
não sendo exercido de modo razoável, importará
REVOGAÇÃO OU RENÚNCIA em perdas e danos.
(art. 682, I, CC/02) A prerrogativa da revogação do mandato pelo
mandante deve ser exercida à luz da boa-fé
objetiva.
Ocorre em razão da natureza personalíssima do
MORTE OU INTERDIÇÃO mandato.
(art. 682, II, CC/02) O mandatário não pode abandonar um negócio
jurídico já iniciado em favor do mandante (art.
674, CC/02)
A modificação do estado civil de uma pessoa pode
MUDANÇA DE ESTADO inabilitá-la a conferir poderes ou a exercê-los. Ex.:
(art. 682, III, CC/02) indivíduo solteiro que tenha constituído um
mandatário para alienação de bem móvel.
“[...] o advento do termo final de vigência do
mandato, quando estabelecido este fator eficacial,
EQUIPE: Álvaro Francisco Lima Silva; Carlos Fernando Rodrigues de Araújo; José Nicolas Duarte Correia; Luís André
Duarte Falcão Neves; Pedro Fernando Brandão Alcântara Sobrinho.

CONTRATO DE MANDATO

TÉRMINO DO PRAZO OU tem como efeito a sua extinção.” (STOLZE, 2019,


CONCLUSÃO DO NEGÓCIO p. 669).
(art. 682, IV, CC/02)
EXTINÇÃO DO MANDATO (ART. 682, CC/02)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BRASIL. Lei n. 10.406, 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em:
<<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm>> Acesso em:
10 abr. 2021.
GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo curso de direito civil, volume 4 : contratos / Pablo
Stolze Gagliano, Rodolfo Pamplona Filho. – 2. ed. unificada. – São Paulo : Saraiva
Educação, 2019.
GAGLIANO, Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Manual de Direito Civil
— volume único / Pablo Stolze Gagliano, Rodolfo Pamplona Filho. – 4. ed. – São
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GOMES, Orlando. Contratos. – 26 ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2007.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Contratos e atos unilaterais / Carlos Roberto
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LÔBO, Paulo. Contratos / Paulo Lôbo. - Coleção Direito civil volume 3 – 6. ed. –
São Paulo : Saraiva Educação, 2020.

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