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ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Trad. Alfredo Bosi.

São Paulo: Martins Fontes,


2007.

SER (p. 889)


1. Predicativo (copulativo): “Sócrates é homem”, isto é, “Sócrates” inere a essência “homem”
(doutrina da inerência).
2. Existencial: “Sócrates é”. Existência geral (sinônimo de “existência”)/existência privilegiada
(humana).
3. Identitativo: restritiva, não admite atributos, “A beleza é bela”, “A justiça é justa” etc.
4. Veritativo: nível do discurso, permite ao verbo ser expressar a verdade de uma proposição.

"É justamente da relação entre os múltiplos significados que, à primeira vista, parecem caber ao Ser
e o significado único e fundamental nos quais eles devem ser integrados, que é chamado 'problema
do Ser’. Trata-se do problema do significado primário, único e simples que se presume no Ser, mas
que permanece mais ou menos oculto na multiplicidade dos seus aspectos aparentes. A investigação
metafísica, na sua forma clássica, funda-se nesse problema. Trata-se de ver se existe um significado
primário de Ser: em primeiro lugar, no sentido de expressar melhor que a existencialidade do Ser;
em segundo lugar, no sentido de possibilitar a integração dos outros significados, servindo-lhes de
fundamento ou princípio" (ABBAGNANO, 2007, p. 882).

EXISTÊNCIA (p. 409)


1. Modo de ser determinado ou determinado: existência como problema interno aos campos
(matemática, física, lógica), que não se verifica fora das disciplinas em questão.
2. Modo de ser real ou de fato: existência na realidade
3. Modo de ser próprio do homem: sentido adotado no Existencialismo (Heidegger, Kierkegaard,
Sartre).

Kierkegaard: a existência corresponde à realidade individual, não ao conceito. Na existência


humana, o indivíduo não pode ser sacrificado à espécie. Relacionar-se com o mundo, consigo
mesmo e com Deus: não como necessidade, mas como possibilidade.

Heidegger: restrição da existência ao modo de ser do homem. “Presença”: termo que distingue
outros entes finitos do ser. Existência autêntica (apropriada de si mesmo) e inautêntica (perdida de
si mesmo).
“A natureza do Ser-aí consiste na sua existência. As características que podem ser extraídas desse
ente nada têm a ver portanto com as 'propriedades' de um ente presente 'que tem este ou aquele
aspecto', mas são sempre e somente possíveis modos de ser. Toda modalidade de ser desse ente é
primordialmente ser. Por isso, o termo Ser-aí [Dasein], pelo qual indicamos tal ente, exprime o ser,
e não a qüididade, como ocorre quando se diz pão, casa, árvore” (Sein und Zeit, § 9).

“O Ser-aí”, diz ele, “é sempre a sua possibilidade, e ele não a tem' do mesmo modo como um ente
presente [isto é, uma coisa] possui uma propriedade. Por ser essencialmente possibilidade, o Ser-aí
pode, em sendo, 'escolher-se' e conquistar-se, ou então perder-se, ou seja, não se conquistar, ou só
se conquistar aparentemente. Ele só pode perder-se ou não se ter ainda conquistado porque, em seu
modo de ser, comporta uma possibilidade de autenticidade, ou seja, de apropriar-se de si mesmo”
(Ibid., § 9).

METAFÍSICA (p. 671)


1. Como teologia: “ciência daquilo que está além da experiência”
2. Como ontologia: “doutrina que estuda os caracteres fundamentais do ser”, o que todo ser tem e
não pode deixar de ter. Implicações: essência necessária do ser, ser predicativo (inerência), ser
existencial (necessidade).
3. Como gnosiologia: “estudo das formas ou princípios cognitivos que condicionam todo saber e
toda ciência, e de cujo exame, portanto, é possível extrair os princípios gerais de cada ciência”

SUBSTÂNCIA (p. 925): o que existe necessariamente, essência necessária.

ESSÊNCIA (p. 369)


Em geral, indica qualidade ou caráter de um objeto: “Quem foi Sócrates? Um filósofo.”, “O que é o
açúcar? Uma coisa branca e doce”. Diferente de essência necessária, ou substância, que é aquilo que
o objeto não pode não possuir e que o faz ser o que é, um caráter necessário: “O homem é um
animal racional”.

APARÊNCIA (p. 79)


Pode assumir sentidos opostos, ocultação ou confirmação da realidade. No primeiro caso, a
aparência vela ou obscurece a realidade das coisas, devendo ser transposta para que se acesse o real;
no segundo caso, é a aparência que, ao se manifestar, revela a realidade. No primeiro caso, conhecer
significa superá-la; no segundo, descobri-la.

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