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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

INSTITUTO DE FÍSICA
LABORATÓRIO DE ENSINO

Dimensões Inteiras e Fracionárias


(Dimensão Fractal)

YAN GUILHERME SANTOS SIQUEIRA


JOSIVALDO DE OLIVEIRA
MATHEUS LUCAS DA SILVA
LAUAN FELIPE DA ROCHA OLIVEIRA

Maceió
2019
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE FÍSICA – IF
LABORATÓRIO DE ENSINO

JOSIVALDO DE OLIVEIRA
MATHEUS LUCAS DA SILVA
LAUAN FELIPE DA ROCHA OLIVEIRA
YAN GUILHERME SANTOS SIQUEIRA

DIMENSÕES INTEIRAS E FRACIONÁRIAS (DIMENSÃO FRACTAL)

Relatório da prática experimental citada


acima, realizado sob orientação do
professor Noelio Oliveira Dantas
, como requisito para avaliação da
disciplina de Laboratório de Física
Experimental 1.

MACEÍO

2019
Sumário
1 Introdução ........................................................................................................................................ 2
2 Objetivo ............................................................................................................................................ 3
3 Material ............................................................................................................................................ 3
4 Procedimento ................................................................................................................................... 3
5 Discussão ......................................................................................................................................... 4
Referência ............................................................................................................................................ 5

1
1 Introdução
Da geometria euclidiana, sabemos que a dimensão d de um objeto representa a
dimensionalidade do espaço em que está inserido. Para formas geométricas elementares
d tem um valor inteiro, assim se trabalharmos com esferas de aço maciças de densidade
uniforme, teremos

()
3
=ρ π D3 (1)
4 D
M =ρV =ρ π
3 2 6
Onde M é a massa, ρ a densidade volumétrica de massa, V o volume e D o
diâmetro.
A equação (1) pode ser escrita da seguinte forma:
1
d
D=KM (2-a)
Onde,
1
6
( )
K= πρ d
e d=3 (2-b)

A versão bidimensional das equações (1) e (2) será:

()
2
D
M =σ A=σ π (2-c)
2
1
d
D=KM
Onde,
1
4
( )
K= πρ d
e d=2

Já na forma unidimensional temos:


1
d
D=KM 1
(2-d)
1
( )
K= π ρ
d
e d=1
Por sua vez um fractal é um objeto geométrico que pode ser dividido em partes,
cada uma das quais semelhantes ao objeto original, entretanto, das características que
definem um fractal, a mais importante é a dimensão. Esta dimensão representa o nível de
irregularidade de um fractal por isso, tal dimensão pode assumir valores fracionários
como, por exemplo: 1,6 ou 2,5. Assim diferentemente da dimensão Euclidiana, a
dimensão fractal representa o nível de ocupação do espaço pelo objeto e não o espaço
onde o objeto está inserido. Neste experimento entraremos em contato com esta
dimensão. Para isso analisaremos a dimensão de uma folha de papel amassada em bolas
compactas com diâmetros variados.

2
2 Objetivo
Medir a dimensão dos corpos com formas geométricas irregulares.

3 Material
Descrição Quantidade
Régua milimetrada de 30 cm 1
Paquímetro 1
Folhas de papel 2

4 Procedimento
1 Construa sete bolas de papel amassado, dividindo cada folha como indicado na figura
1. Atribua à menor fração da folha massa 1 e as seguintes, massas 2, 4, 8, 16, ….
Assim a enésima fração, em ordem crescente de tamanho, terá massa relativa 2n.
Organize os pedaços de papel amassado de forma a não confundir as massas.

Figura 1: Diagrama de divisão de uma folha para experimento de fractais.

2 Para cada uma das bolas de papel faça sete ou mais medidas do diâmetro em pontos
diferentes, determinado o diâmetro médio para cada uma delas. Preencha a tabela 1
calculando a incerteza estimada ΔD associada ao tamanho de cada bola e a média
<D>.

3
M 1 2 4 8 16 32 64
D
D1 0,77 1,00 1,54 1,98 2,17 3,03 4,26
D2 0,55 0,94 1,63 1,70 2,27 3,07 3,99
D3 0,50 0,90 1,73 2,07 2,34 3,30 4,00
D4 0,80 1,60 1,31 2,11 2,06 3,25 4,33
D5 0,63 1,11 1,60 2,02 2,52 3,12 3,70
D6 0,70 1,42 1,52 1,60 2,57 2,90 4,01
D7 0,75 1,08 1,54 2,16 2,48 3,29 4,22
<D> 0,67 1,15 1,55 1,95 2,34 3,13 4,07
∆D 0,10 0,24 0,12 0.20 0,18 0,12 0,20

Tabela 1: Medidas de diâmetro

3 Utilizando a tabela 1, construa o gráfico loglog do diâmetro versus a massa ( M).

D. 10 (cm).
𝟏𝟕 𝟏𝟕
𝒅𝟏 =𝟕,𝟗= 2,1518 ; 𝒅𝟐 =𝟕,𝟔= 2,2368 Logo, dT=𝟐,𝟏𝟓𝟏𝟖+𝟐,𝟐𝟑𝟔𝟖
𝟐
= dT= 2,1943

loglog
4.5
4
3.5
3
2.5
Log (D)
2
1.5 loglog
1
0.5
0
0 20 40 60 80
Log (M)

∆𝒀 = 𝒀𝟐 - 𝒀𝟏 = 7,9-7,6= 0,3

4
1
Assumindo que D=KM d , encontre as constantes K e d estimando a incerteza ΔD.

LogD = LogK + (1/d)LogM ,daí admitindo que Y’=Log D , Log K = A’ e Log M = B’,
substituindo na equação temos que:
Y’=A’+B’(1/d) que é uma equação linear com o coeficiente angular igual à 1/d.

Como o coeficiente é a ∆y/ ∆x, então 1/d = ∆ y/∆x então d=∆x/∆y


Os valores da equação serão obtidos a partir dos dados no gráfico loglog do diâmetro versus a massa
(M).
De acordo com o gráfico. Foi traçado duas retas paralelas aos pontos que estão dispostos
aparentemente na mesma reta e foi traçado a parti r das diagonais dos triângulos retângulos
com o objetivo de calcular o ângulo formado por esses triângulos calculando a variação
angular máxima e mínima para definir a dimensão do objeto.
Seguindo com os cálculos. Obtemos ∆x= 17; Y2=7,9 e Y1=7,6; então no cálculo para
determinar o coeficiente da reta tangente.d1=69/57.5= 1.2(sendo este valor a variação
mínima), então, d1=17/7, 9 e d2=17/7,6; a partir dos coeficientes encontrado s faremos a média
entre ele para determinar a dimensão do objeto então dt=|d2+d1|/2=2,19 então a dimensão do
objeto é 2, 19. Do que o erro relativo é de ±0,12. Sendo assim d=2,19 ± 0,12.
E os valores de K foram obtidos a partir da fórmula:

D = K𝑀𝑑1
1: K = 6,7
2: K = 0.83
4: K = 0,82
8: K = 0,75
16: K = 0,65
32: K = 0,64
64: K = 0,61

Além disso nesse relatório foram debatidas as questões que seguiram respondidas
abaixo.

Questões:
1) Que valor você esperaria de d para uma esfera tridimensional de densidade uniforme?
E para uma “esfera” bidimensional – um objeto circular, como uma moeda, de
densidade uniforme? E para uma esfera unidimensional?

R: Esperaria um valor para a esfera tridimensional 3,para uma ‘esfera’ bidimensional 2, e


para um objeto unidimensional 1.

2) Qual a expressão de K para os três tipos de objetos a que se refere à pergunta (a)?

5
𝟔
− ) 𝟏⁄𝒅, 𝜌 = massa/volume
R: ´´Esfera tridimensional` - K= (𝝅𝝆

𝟒
− ) 𝟏⁄𝒅 , 𝜎 = massa/área
´´Esfera” bidimensional`` - K= (𝝅𝝈

𝟏
− ) 𝟏⁄𝒅, ƛ = massa/comprimento
´´Esfera” unidimensional`` - K= (𝝅ƛ

3) Baseando-se nos valores de d e Δd encontrados e na resposta do item (a), como você


interpreta o valor de d obtido?

R: Que objetos de dimensão ‘predefinidas’ tem equações mais simples pois se encaixam na
geometria euclidiana, enquanto objetos que não apresentam uma forma definida ,uma forma
com muitas irregularidades como a bola de papel feita no experimento, que quanto menor o
objeto há uma diminuição do erro , ou seja ,do desvio da amostra, como é evidenciado pelos
desvios na Tabela 1: Medidas de diâmetro.
A bolas de papel amassadas são objetos não regulares, partiram da dimensão
d = 2, chamada pelos matemáticos de dimensão topológica, e se
formaram na dimensão três, o valor fracionário encontrado é devido a
irregularidade na forma na bola de
papel. Como a bola de papel partiu da dimensão 2 para a 3, é esperado um valor de d entre 2 e
3,como é visto com o valor obtido 2,19. O valor ∆d encontrado é devido ao erro aleatório
inerente a todo experimento físico. Com aquele valor de d podemos concluir que a bola de
papel amassada é um fractal.

5 Discussão
Dos resultados obtidos neste experimento somos forçados ou tentados a tratar de
um d não inteiro como uma espécie de dimensão fracionária. Você pode se convencer
que o d fracionário encontrado nesta experiência não é produto de erro! Observe bem seu
gráfico loglog de D versus M. Os pontos “caem” regularmente sobre uma mesma reta?
Pensando um pouco, você pode sentir que existem certos expedientes para gerar
bolas de papel onde d aproxima-se de três, como na situação descrita pelas equações (1)
e (2). Comparando os resultados de d obtidos por seus colegas, você notará uma forte
tendência desta constante ficar entre 2 e 3. É natural que seja assim, pois três é a
dimensão do espaço que vivemos e, evidentemente, da mesma forma como não
podemos colocar uma esfera dentro de um plano (o termo técnico é “embeber”) cuja

6
dimensão é dois, não podemos embeber um objeto de dimensão maior que três em nosso
espaço euclidiano tridimensional habitual.
Por outro lado é razoável que d seja maior que dois, que é a dimensão de partida de
nossas bolas de papel – lembre-se que a matéria prima das bolas em nossa experiência
foi folha de papel que é um objeto bidimensional. Essa dimensão dois da folha de papel é
o que os matemáticos chamam de dimensão topológica. Abaixo daremos uma definição
operacional deste conceito formulado pelo matemático francês Henri Poincaré no início do
século 20.
Veja que essa dimensão dT =2 é uma característica bem marcante desse sistema
na medida que podemos desdobrar com o devido cuidado as bolas de papel de forma a
obtermos a superfície bidimensional de origem. Matematicamente você pode afirmar que
a dimensão topológica ( dT =2 , no caso) é invariante sob operação de amassamento.
Desde que encontramos experimentalmente que os valores de d obtidos por vocês e
seus colegas satisfazem 2 < d ≤ 3, como identificamos o “2” com a dimensão do espaço
onde a bola de papel está imersa ou embebida, não seria mal sermos arrojados e lançar a
seguinte hipótese: “Em certas estruturas de geometria complexa onde aparece uma
quantidade d fracionária, como uma espécie de extensão natural do conceito de
dimensão devemos ter: dT < d < dE, onde dT é a dimensão topológica do objeto e dE a
dimensão do espaço euclidiano onde o sistema está embebido: dT e dE são,
evidentemente, inteiros.”
Vamos aproveitar a ocasião para batizar esse d fracionário de “dimensão fractal” e
aos objetos possuindo d fracionário de “fractais”.

Referência
Backes, André Ricardo, Martinez, Odemir Bruno, Técnicas de Estimativa da Dimensão
fractal: Um Estudo Comparativo. Disponivel em:
<http://www.dcc.ufla.br/infocomp/artigos/v4.3/art07.pdf>. Acessado em: 15/07/2009.

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