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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM

DIREITO

2º Ano

Disciplina: DIREITOS FUNDAMENTAIS


Código: ISCED21-CJURCFE009

Total Horas/1o Semestre: 125


Créditos (SNATCA): 5
Número de Temas: 10

INSTITUTO SUPER

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED


ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e


contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total
deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação,
fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto Superior de Ciências
e Educação a Distância (ISCED).

A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais


em vigor no País.

Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)


Direcção Académica
Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa
Beira - Moçambique
Telefone: +258 23 323501
Cel: +258 82 3055839

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E-mail: isced@isced.ac.mz
Website: www.isced.ac.mz

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Agradecimentos

O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos


seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:

Autor António Costa David Ucama, Mestre em Ciência Política. Licenciado


em Direito

Coordenação Direcção Académica do ISCED

Design Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)

Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED)

Revisão Científica e Diana Filipa Sousa Pinto, Mestre em Direito Administrativo


Linguística

Ano de Publicação
2016
Local de Publicação ISCED – BEIRA

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Índice

Visão geral 1
Bem-vindo à Disciplina/Módulo “Direitos Fundamentais” .................................................. 1
Objectivos do Módulo ....................................................................................................... 1
Quem deveria estudar este módulo .................................................................................. 1
Como está estruturado este módulo .................................................................................. 2
Ícones de actividade.......................................................................................................... 4
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 4
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 6
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ............................................................................... 7
Avaliação .......................................................................................................................... 8

TEMA – I: 11

GÊNESE, EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. 11


Introdução ........................................................................................................................ 11
Objectivos ...................................................................................................................... 12
Unidade Temática 1.1. noção dos Direitos Fundamentais ............................................... 12
Objectivos .............................................................................................................. 12
Sumário ................................................................................................................. 16
UNIDADE Temática 1.2. A importância Constitucional dos Direitos Fundamentais........... 16
Introdução .............................................................................................................. 16
Objectivos .............................................................................................................. 17
1.2.1. A protecção constitucional da pessoa pelos direitos fundamentais ............. 17
1.2.2. A evolução dos direitos fundamentais ......................................................... 24
1.2.3. Os direitos fundamentais e o futuro............................................................. 29
Sumário ................................................................................................................. 32
UNIDADE Temática 1.3. Direitos fundamentais e conceitos afins..................................... 33
Introdução .............................................................................................................. 33
Objectivos .............................................................................................................. 33
1.3.1. Direitos fundamentais e direitos subjectivos públicos .................................... 34
1.3.2. Direitos fundamentais e direitos de personalidade ............................. 35
1.3.3. Direitos fundamentais e situações funcionais ........................................ 37
1.3.4. Direitos fundamentais e direitos dos povos .......................................... 39
1.3.5. Direitos fundamentais e interesses difusos ............................................ 40
1.3.6. Direitos fundamentais e garantias institucionais ................................... 42
1.3.7. Direitos fundamentais e deveres fundamentais .................................... 44

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Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .................................................................................... 46

TEMA – II: 47

O PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO E POSITIVAÇÃO 47


Objectivos ...................................................................................................................... 47
UNIDADE Temática 2.1. A exigência da efectivação Pública ......................................... 48
Sumário .................................................................................................................. 49
UNIDADE Temática 2.2. Os princípios fundamentais ....................................................... 50
Introdução .............................................................................................................. 50
Objectivos .............................................................................................................. 50
1.1. O princípio da iniciativa social .......................................................... 51
1.2. O princípio da democracia participativa ........................................... 51
Sumário .................................................................................................................. 53
UNIDADE Temática 2.3. A dependência da realidade constitucional ............................. 53
Introdução .............................................................................................................. 53
Objectivos .............................................................................................................. 53
Sumário .................................................................................................................. 55
UNIDADE Temática 2.4. O problema do retrocesso social .............................................. 56
UNIDADE Temática 2.5. O princípio da relativa relevância das condições económicas
dos titulares ..................................................................................................................... 59
UNIDADE Temática 2.6. A protecção Internacional ......................................................... 63

TEMA – III 64

SISTEMA DE DIREITOS FUNDAMENTAIS NA CONSTITUIÇÃO MOÇAMBICANA. 64


UNIDADE Temática 1.4. EXERCÍCIOS deste tema ........................................................... 64
Introdução ............................................................................................................. 64
Objectivos ............................................................................................................ 64
específicos ............................................................................................................ 64
UNIDADE Temática 3.1. noção dos Direitos fundamentais .............................................. 65
O Respeito pela Liberdade do homem em Moçambique ...................................... 67
Sumário .................................................................................................................. 69

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Visão geral

Bem-vindo à Disciplina/Módulo “Direitos


Fundamentais”

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de Direitos Fundamentais, o


estudante deverá ser capaz de:

 Definir e caracterizar os direitos fundamentais;

 Saber identificar as fontes dos Direitos Fundamentais;

 Entender o processo de institucionalização e positivação dos direitos


Objectivos fundamentais;

Específicos  Conhecer sistema de direitos fundamentais na constituição


moçambicana e;

 Saber diferenciar a cadeira de Direitos Fundamentais do Direito


Constitucional.

Quem deveria estudar este módulo

Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso de


licenciatura em Direito do ISCED. Poderá ocorrer, contudo, que haja
leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos
nessa disciplina, esses serão bem-vindos, não sendo necessário para
tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual.

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Como está estruturado este módulo

Este módulo de Direitos Fundamentais, para estudantes do 1º ano do


curso de licenciatura em Direito, à semelhança dos restantes do
ISCED, está estruturado como se segue:

Páginas introdutórias

 Um índice completo.

 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo


os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor
estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com
atenção antes de começar o seu estudo, como componente de
habilidades de estudos.

Conteúdo desta Disciplina / módulo

Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente
unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma
introdução, objectivos, conteúdos.

No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são


incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só
depois é que aparecem os exercícios de avaliação.

Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros


exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e actividades
práticas, incluindo estudo de caso.

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Outros recursos

A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si,


num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de
dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta
uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você
explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro
de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso
como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste
material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter
acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as
possibilidades dos seus estudos.

Auto-avaliação e Tarefas de avaliação

Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final


de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios
de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro
apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, exercícios
que mostram apenas respostas.

Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação


mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.
Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo
a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e
subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do
módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de
avaliação é uma grande vantagem.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Comentários e sugestões

Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados


aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.
Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de confiança,
classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens
das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do
processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica
de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de
actividade, etc.

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a


aprender. Aprender aprende-se.

Durante a formação e desenvolvimento de competências, para


facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará
empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados
apenas se conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é
importante saber como, onde e quando estudar. Apresentamos
algumas sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa
rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo como se
segue:

1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de


leitura.

2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).

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3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e


assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR).

4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua


aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão.

5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou


as de estudo de caso se existirem.

IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,


respectivamente como, onde e quando... Estudar, como foi referido
no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo
reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo
melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à
noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana?
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!?
Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada hora, etc.

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto
da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar
que já domina bem o anterior.

Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e


estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é
juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos
de cada tema, no módulo.

Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por


tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora
intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-
se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o
intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das
actividades obrigatórias.

Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual


obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento
da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando


interferência entre os conhecimentos, perde sequência lógica, por fim
ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em insegurança,
depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz!

Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma


avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda
sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões de
alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude
pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que
está a se formar.

Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que


matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que
resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto
tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades.

É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será


uma necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem
o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar
a matéria de modo que seja mais fácil identificar as partes que está
a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, vantagens,
definições, datas, nomes, pode também utilizar a margem para
colocar comentários seus relacionados com o que está a ler; a melhor
altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do
texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário
sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe
é familiar;

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como
falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros
ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas trocadas
ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento

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e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone,


sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a
preocupação.

Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes


(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua
aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se
torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante –
CR, etc.

As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante,


tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com
tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigetada para
acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período pode
apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou
administrativa.

O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30%


do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida
em que permite-lhe situar, em termos do grau de aprendizagem
com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se
precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver
hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos
programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade temática,
no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e


autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes.

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não


cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo

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conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da


disciplina/módulo.

Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os


mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente.

Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa,


contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados,
respeitando os direitos do autor.

O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma


transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor,
sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade científica
e o respeito pelos direitos autoriais devem caracterizar a realização
dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED).

Avaliação

Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância,


estando eles fisicamente separados e muito distantes do
docente/tutor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma
avaliação mais fiável e consistente.

Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com


um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial
conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A
avaliação do estudante consta detalhada do regulamento de
avaliação.

Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e


aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de
frequência para ir aos exames.

1
Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.

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Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e


decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo
75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência,
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira.

A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.

Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois)


trabalhos e 1 (um) (exame).

Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados


como ferramentas de avaliação formativa.

Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em


consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de
cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações,
a identificação das referências bibliográficas utilizadas, o respeito
pelos direitos do autor, entre outros.

Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de


Avaliação.

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TEMA – I:

GÊNESE, EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.

UNIDADE Temática 1.1. Noção dos Direitos fundamentais: Direito,


direito humanos e direitos fundamentais; Os sentidos formal e material
dos Direitos Fundamentais. Pressupostos dos Direitos Fundamentais.

UNIDADE Temática 1.2. A importância Constitucional dos Direitos


Fundamentais: A protecção constitucional da pessoa pelos direitos
fundamentais; A evolução dos direitos fundamentais; Os direitos
fundamentais e o futuro.

UNIDADE Temática 1.3. Direitos fundamentais e Conceitos Afins:


direitos subjectivos públicos; direitos de personalidade; situações
funcionais; direitos dos povos; interesses difusos; garantias constitucionais;
deveres fundamentais
UNIDADE Temática 1.4. EXERCÍCIOS deste tema.

Introdução

O termo direito fundamental é aplicado àqueles direitos do ser humano


reconhecidos e positivados na esfera do direito constitucional positivo de
um determinado Estado (carácter nacional). Ele difere-se do termo
direitos humanos, com o qual é frequentemente confundido e utilizado
como sinónimo, na medida em que este se aplica aos direitos
reconhecidos ao ser humano como tal pelo Direito Internacional por meio
de tratados, e que aspiram à validade universal, para todos os povos e
tempos, tendo, portanto, validade independentemente de sua
positivação em uma determinada ordem constitucional (carácter
supranacional)

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

 Definir os Direitos Fundamentais

 Fazer um breve percurso histórico da cadeira


Objectivos
 Conhecer as diferenças entre direitos fundamentais e Direitos Humanos.
Específicos

Unidade Temática 1.1. noção dos Direitos Fundamentais

Introdução

Na tarefa de se estabelecer um conceito de direitos fundamentais,


importa, antes de mais nada, analisá-los em conjunto com a
conceituação de diversas figuras afins, que possuem estreita ligação
com eles, sem, no entanto, que se possa confundi-los. É o que se passa a
fazer.

Objectivos

 Descortinar os direito humanos;

 Analisar os sentidos formais e material dos Direitos


Fundamentais;

 Conhecer os Pressupostos dos Direitos Fundamentais.

1.1.1. Direito, direitos humanos e direitos fundamentais

Segundo Diogo Freitas do Amaral (2004 pg. 65), Direito é um “sistema


de regras de conduta social, obrigatórias para todos os membros de uma
certa comunidade, a fim de garantir no seu seio a justiça, a segurança e
os Direitos Humanos, sob a ameaça das sanções estabelecidas para
quem violar tais regras”.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Esta noção de Direito mostra que o bem perseguido pelo Direito é o


homem, que já nasce com direitos (direitos humanos) que merecem uma
tutela por parte da ordem jurídica onde se insere. Daí que Direitos
Humanos são os direitos de que uma pessoa necessita para viver com
certa dignidade humana. Eles são, no dizer de David Forsythe (2000, Pg.
3), direitos inerentes à pessoa humana. É igualmente esse o pensamento
de Diogo Freitas do Amaral (2004; pg. 56), quando diz que Direitos
Humanos são “direitos individuais, conferidos por Deus ou pela Natureza,
reconhecidos pela Razão, inerentes à condição da pessoa humana, e por
isso mesmo, anteriores e superiores ao próprio Estado, a quem são
oponíveis pelos indivíduos”.

A ideia de reconhecimento e de protecção de Direitos Humanos surgiu na


Inglaterra com John Locke (1690), e foi proclamada pela primeira vez
num grande texto internacional, em 1776, na Declaração de
Independência dos Estados Unidos da América, redigida por Thomas
Jefferson: “Nós temos por evidentes por si próprias as verdades
seguintes: todos os homens são criados iguais; são dotados pelo Criador
de certos direitos inalienáveis; entre estes direitos contam-se a vida, a
liberdade e a procura de felicidade” (Amaral; 2004; pg. 57).

A expressão Direitos Humanos, para designar os direitos que cada


pessoa tem por ser pessoa, é usada por todo o mundo, principalmente
na arena internacional, por cultores de Ciência Política e Relações
Internacionais (Miranda; 2014; pg. 15). Existem, porém, outros
tratamentos. Os constitucionalistas, por exemplo, aqueles que trabalham
com o Direito Constitucional, nesse caso, Direito Interno (positivo) de cada
Estado soberano, preferem a expressão Direitos Fundamentais, isto
porque tratam-se, segundo eles, de direitos assentes na ordem jurídica,
e não de direitos derivados da natureza do homem e que subsistam sem
embargo de negação da lei (Miranda; 2014; pg. 14).

A expressão tem também um outro tratamento, que foi mais difundido


nos países anglo-saxónicos: direitos civis, como direito dos cidadãos ou
como direitos contrapostos aos direitos naturais.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

1.1.2. Os sentidos formal e material dos direitos


fundamentais

Entendendo-se por direito fundamental “toda a posição jurídica


subjectiva das pessoas enquanto consagrada na lei fundamental, fica
claro que será direito fundamental em sentido formal aquele que está
inscrito na Constituição formal, e será material aquele direito
fundamental que não está inscrito na Constituição formal, mas que em si,
pela matéria e valor, é um direito fundamental. Daí que Jorge Miranda
afirma
“Participante, por via da Constituição formal, da própria Constituição
material, tal posição jurídica subjectiva fica, só por estar inscrita na
Constituição formal, dotada de protecção a esta ligada, nomeadamente
quanto à garantia da constitucionalidade e à revisão (Miranda; 2014;
pg. 11).

Assim, todos os direitos fundamentais em sentido formal são também em


sentido material. Mas o contrário nem sempre é válido. Ou seja, pode
haver direitos fundamentais em sentido material que ainda não são
formais. Aliás, em bom rigor, a fundamentalização dos direitos seria, na
nossa opinião, o processo de reconhecimento, pela lei fundamental, dos
direitos humanos novos (ou que antes estavam ocultos), em termos de
garantia e defesa. Contudo, os Direitos Fundamentais referem-se aos
Direitos Humanos. Isto é, a certos direitos humanos, aqueles que tem um
lugar cimeiro (protegido) nas Constituições.

Por causa da importância dos direitos fundamentais e do lugar cimeiro


que esses ocupam, em termos de protecção, em qualquer ordenamento
jurídico, é importante separá-los de outros direitos que não são
fundamentais. Aliás, o receio é ver as instituições de tutela serem
enganadas a prestar atenção a um direito invocado como fundamental,
quando não o é. Portanto, a concretização dos direitos fundamentais
passa necessariamente pela identificação do que é direito fundamental
(Canotilho; 2003; pg. 1396).

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Assim, não se devem confundir direitos fundamentais com: (i) direitos


subjectivos públicos; (ii) direitos de personalidade; (iii) situações
funcionais (iv) direitos dos povos; (v) interesses difusos; (vi) garantias
institucionais e (vii) deveres fundamentais. Esses não são, em bom rigor,
direitos fundamentais porque não são inerentes a pessoa humana,
individualmente representada.

1.1.3. Os pressupostos dos direitos fundamentais

Segundo Jorge Miranda (2014; pg. 10), não pode haver verdadeiros
direitos fundamentais sem que as pessoas estejam em relação imediata
com (i) o poder, beneficiando de um estatuto comum e não separadas em
razão dos grupos ou das instituições a que pertençam. Também, não há
direitos fundamentais sem (ii) Estado. Ora, aqui, é preciso, para a
protecção desses direitos fundamentais, acrescentar-se um requisito: o
Estado de Direito Democrático. Trata-se de um ambiente propício para
a garantia, respeito e protecção de direitos fundamentais.

Ou seja, não há direitos fundamentais em Estado totalitário. A evolução


histórica do Estado, desde o absolutismo monárquico até, pelo menos, ao
Estado Liberal, prova que a principal luta era por um Estado capaz de
respeitar e garantir o respeito pelos direitos fundamentais. Esta posição
é confirmada por Gouveia (2010, pg. 791), que diz:
“Na óptica do tipo histórico de Estado, o princípio do Estado de Direito
surge como um dos principais resultados do Constitucionalismo e do
Liberalismo, sendo a expressão firme de oposição ao sistema político
precedente, com a preocupação essencial pela limitação do poder
político, por isso também fundando o Estado Contemporâneo”.
Na verdade, os Direitos Humanos constituem o elemento através do qual
o Estado de Direito Liberal recupera aquilo que até hoje se considera o
fim último de toda a ginástica de limitação do poder da Administração
Pública: o homem, os direitos humanos. Para além disso, os Direitos
Fundamentais assumem um pico relevante na concepção liberal do Estado
de Direito. Daí que Novais (1987, p. 71) descreve:

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

“Enquanto princípio básico de distribuição em que se apoia o Estado de


Direito Liberal (...) os direitos fundamentais não devem, em rigor, ser
considerados como um entre vários dos seus elementos, mas como o
verdadeiro fim da limitação jurídica do Estado”.

Contudo, podemos dizer que, entre os pressupostos dos direitos


fundamentais está (e deve estar) um Estado de Direito. Não na forma,
mas também na matéria, nas atitudes das pessoas e na vontade de
proteger o bem supremo: o homem e seus direitos.

Sumário
Assim, tendo sido apontados quais os conceitos que não se enquadram
na noção de direitos fundamentais é possível, a contrário sensu, delimitar
o conceito de direitos fundamentais, que podem ser traduzidos, segundo
Jorge MIRANDA (2000, p. 7) nas “posições jurídicas activas das pessoas
enquanto tais, individual ou institucionalmente consideradas assentes na
Constituição.

UNIDADE Temática 1.2. A importância Constitucional dos Direitos


Fundamentais.

Introdução

Segundo Jorge Miranda (2014; pg. 10), não pode haver verdadeiros
direitos fundamentais sem que as pessoas estejam em relação imediata
com (i) o poder, beneficiando de um estatuto comum e não separadas em
razão dos grupos ou das instituições a que pertençam. Também, não há
direitos fundamentais sem (ii) Estado. Ora, aqui, é preciso, para a
protecção desses direitos fundamentais, acrescentar-se um requisito: o

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Estado de Direito Democrático. Trata-se de um ambiente propício para


a garantia, respeito e protecção de direitos fundamentais.

Objectivos

 Compreender a protecção constitucional da pessoa pelos


direitos fundamentais;

 Analisar a evolução dos direitos fundamentais;

 Comentar sobre os direitos fundamentais e o futuro.

1.2.1. A protecção constitucional da pessoa pelos direitos


fundamentais

O direito constitucional fundamental é o primeiro núcleo temático que, ao


nível da especialidade, se impõe esclarecer, logo a seguir a
apresentação geral da CRM que se tornou possível através dos princípios
constitucionais.
Isto quer dizer que, é esta vertente do Direito constitucional que tem a
finalidade de proteger a pessoa humana, ao mais alto nível e com todas
as garantias que são apanágio da força deste ramo jurídico.

Em nenhum outro lugar do Direito Positivo se pode dar, nestes termos de


máxima efectividade, tanta protecção à pessoa como pela consagração
de direitos fundamentais.

Contudo, tal não significa que a pessoa humana seja apenas definida
pelo Direito Constitucional dos Direitos fundamentais, sendo legítimo
salientar que este propósito é levado a cabo por outros sectores jurídicos:
 O direito penal, ao punir com as penas mais graves os crimes as
pessoas e os seus mais elevados valores, como é o caso da vida,
intra uterina e extra uterina, da integridade da pessoa humana
ou da honra;

17
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

 O direito internacional público ultimamente desenvolvido como o


cada vez mais sofisticado Direito Internacional dos Direitos do
Homem, ao abrigo dos sistemas de protecção de direitos humanos
que se tem multiplicado e aperfeiçoado, sem esquecer ainda as
respectivas características especificas;
 O direito civil, quando se encabeça pelos direitos da
personalidade, os quais se relacionam com a protecção da
pessoa na actividade jurídico- privada.

Pela sua importância todos estes direitos humanos ganham uma especial
acuidade, porque directamente comunicam com o direito Constitucional
sendo até, de alguma sorte, o seu natural prolongamento.
Os direitos fundamentais, no século XIX, começaram por ser uma criação
específica do Direito constitucional, em que os textos constitucionais
passaram a positivar posições de garantia do individuo em relação ao
estado.

A partir do momento em que as relações internacionais se intensificaram,


e a sociedade internacional passou a regular directamente múltiplos
sectores da actividade humana, aqueles direitos fundamentais foram
replicados ao nível do direito internacional, numa superior instância de
defesa contra os abusos cometidos pelas autoridades estaduais.

O mais curioso é notar, porém, que os direitos humanos, autonomamente


consagrados num outro ramo do direito, acabaram por se cruzar com a
positivação constitucional dos direitos fundamentais, externamente
acelerando um conjunto de soluções que internamente chegariam
primeiro.
É assim que, com a revolução constitucional e liberal, foram concebidos
os direitos fundamentais, representando a atribuição às pessoas de
posições subjectivas de vantagens, numa relação directa com o estado-
poder, dentro de uma percepção total inovadora para a época, com as
seguintes marcas definidoras.
Direitos fundamentais de fundamento jurisdicionalista, já que o estado
deveria apenas declarar, e não criar, tais direitos, estes se apresentando,

18
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

por seu lado, como o produto da natureza humana, descoberta pela


razão raciocinaste, com base nas concepções contratualistas então
triunfantes;

Direitos fundamentais de feição negativa, na medida em que


correspondiam a posições de distanciamento, de autonomia, de
separação e de liberdade das pessoas contra o poder político;
Direitos fundamentais de força constitucional, pois que os mesmos
deveriam ser consagrados ao nível dos textos constitucionais formais, com
isso se prescrevendo a fonte costumeira e alçando-se os mesmos ao nível
supremo da ordem jurídica estadual;

Direitos fundamentais de cunho individual, uma vez que cada individuo,


segundo a doutrina do liberalismo político então reinante, representaria
uma necessidade de protecção perante o poder público.
Foi assim que nasceu, na teoria o Direito constitucional, a problemática
dos direitos fundamentais, a qual depois se foi expandindo em múltiplas
direcções.

O conceito de direitos fundamentais, de acordo com esta perspectiva


específica, implicou que ao direito constitucional, como escalão supremo
da ordem jurídica, se entregasse incumbência singular de protecção da
pessoa humana.

Assim, os direitos fundamentais são as posições jurídicas activas das


pessoas integradas no estado-sociedade, exercidas por contraposição
ao estado poder, positivadas no texto constitucional, daqui se
descortinando três elementos constitutivos:

- Um elemento subjectivo: as pessoas integradas no estado-sociedade,


os titulares dos direitos, que podem ser exercidos em contraponto ao
estado-poder;
- Um elemento objectivo: a cobertura de um conjunto de vantagens
inerentes aos objectos e aos conteúdos protegidos por cada direito
fundamental;

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

- Um elemento formal: a consagração dessas posições de vantagem ao


nível da constituição, o escalão supremo do ordenamento jurídico.
Vejamos em pormenor de cada um destes elementos, melhor se
compreendendo os respectivos aspectos caracterizadores.

O elemento subjectivo prende-se com as pessoas jurídicas a que os


direitos fundamentais respeitam, no contexto da titularidade dos mesmos
sendo certo que são posições subjectivas insusceptíveis de titularidade
por parte de todo e qualquer indiferenciado sujeito jurídico.

A fronteira que se deve estabelecer, e que também da necessária


consistência aos direitos fundamentais no estado Constitucional, repousa
no facto de os direitos fundamentais ganharem sentido e benefício de
quem pretende enfrentar o poder estadual, ou qualquer outro poder
público.

Os direitos fundamentais, na sua génese, evolução e função, não se


explicam senão num contexto dicotómico entre o poder e a sociedade,
devendo por isso somente ser titulados por pessoas.
Assim sendo, é de afastar os direitos fundamentais que estejam na
titularidade das estruturas dotadas de poder público, não fazendo
sentido que entre estas se exerçam espaços de autonomia, já que não se
vê como seja logicamente possível que alguém no poder se defenda do
próprio poder.

O elemento objectivo explica a existência de vantagens, patrimoniais,


em favor do titular dos direitos fundamentais, inscrevendo-se num
conjunto das situações jurídicas activas por de trás de benefícios.
Não é possível ser rigoroso, numa óptica jus civilística, a respeito do
recorte dessas situações de vantagens: elas são de muitas diversas
índoles, não tendo necessariamente de respeitar o conceito específico de
direito subjectivo, podendo oferecer outros contornos. Os efeitos jurídicos
que traduzem a situação de vantagem projectam-se sobre as realidades
materiais que afectam, em favor do titular do direito, bens jurídicos que
se tornam, por essa via constitucionalmente relevantes.

20
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

A apreciação do objecto dos direitos fundamentais permite individualizar


diferentes concepções, desde prestações a outros tipos de vantagens
atribuídas ao titular do direito fundamental.

O elemento formal dá-nos conta da necessidade de os direitos


fundamentais se consagrarem no nível máximo da ordem jurídico-
estadual positiva, que é o nível jurídico-constitucional.
A ordem jurídica não dispõe de um só nível e, pelo contrário, espia-se
por diversos patamares, em correspondência à importância das matérias
versadas, mas também da harmonia com a lógica funcional das
autoridades que as produzem.

Os direitos fundamentais, neste contexto, vêm ocupar a posição cimeira


da pirâmide da ordem jurídico-estadual, em obediência, de resto, ao
respectivo conteúdo no seio dos valores que o direito Constitucional
transporta.

Os direitos fundamentais podem ser igualmente perspectivados segundo


diversas classificações, em aplicação de outros tantos critérios, sendo de
dissociar os seguintes grupos classificatórios:
- As classificações subjectivas;
-As classificações materiais;
-As classificações formais; e
-As classificações regimentais

As classificações subjectivas dizem respeito ao modo como os direitos


fundamentais se relacionam com os respectivos titulares, variando em
razão da sua contextura:

Os direitos fundamentais individuais e os direitos fundamentais


institucionais consoante os direitos sejam titulados por pessoas físicas ou
por pessoas colectivas, ainda podendo dar-se o caso de direitos
fundamentais simultaneamente individuais e institucionais;

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Os direitos fundamentais comuns e os direitos fundamentais particulares,


consoante os direitos sejam pertinentes a todas as pessoas ou respeitem
a certas categorias de sujeitos, em função de várias situações, como a
cidadania.

As classificações materiais implicam a consideração do seu objecto e


conteúdo, sendo de dividir entre as seguintes modalidades:
 Os direitos fundamentais gerais e os direitos fundamentais
especiais consoante a possibilidade de os mesmos se mostrarem
pertinentes em qualquer circunstância da vida sendo de certa
sorte direitos permanentes ou constantes de cada pessoa, ou no
caso de serem pertinentes em situações limitadas ou mesmo
pontuais, direitos que nem sempre são automaticamente inerentes
a pessoa humana, variando conforme múltiplos critérios de idade,
condição corporal ou inserção social;
Consoante o âmbito da vida relevante, em nome de valores
pessoais, de trabalho, de participação política ou de inserção na
sociedade.

As classificações formais relacionam-se com traços que peculiarmente


definem os direitos fundamentais no tocante a sua estrutura formal, sendo
de destrinçar entre:
 Os direitos, as liberdades e as garantias, conforme as posições
subjectivas tenham a estrutura de direito subjectivo,
correspondam ao aproveitamento de um espaço de autonomia
ou surjam equacionadas num contexto de protecção de outro
direito fundamental principal, mostrando-se acessoriamente
ligados aos mesmos;
 O status negativus, o status activus, o status positivus e o status
activae processualis, classificação celebrizada por GEORG
JELLINEK e que da conta da relação da pessoas com o Estado e
com tipo de exigência que ao mesmo se impõe.
As classificações regimentais procedem a separação das categorias de
direitos fundamentais pela aplicação de diversas regras do respectivo

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

regime, sendo de distinguir entre dois grupos que cortam simetricamente


o respectivo universo:
 Os direitos liberdades e garantias, com um regime reforçado; e
 Os direitos económicos, sociais e culturais, com um regime
enfraquecido.

Em contrapartida, não parece que faça sentido apreciar os direitos


fundamentais em função da sua pertença ou não à Constituição, uma vez
que lhes é fundamental a sua inserção constitucional e, assim sendo,
ficando dotados de força constitucional.
O esclarecimento teórico acerca dos direitos fundamentais completa-se
com a apresentação das respectivas figuras afins, que paralelamente
recortam aquele âmbito:
- As garantias institucionais;
- Os interesses difusos;
- As situações funcionais;
- Os deveres fundamentais;
- Os direitos dos povos.

As garantias institucionais representam o relacionamento o


reconhecimento de instituições da realidade social e económica que, pela
sua importância, merecem uma protecção constitucional, mas em que não
se assinala qualquer dimensão subjectiva, antes uma dimensão
unicamente objectiva: são instituições que cumpre proteger, através da
imposição ao poder público de um dever de as defender, ainda que
nalguns casos as garantias institucionais se possam subjectivar por se
mostrarem acessórias ao cumprimento de direitos fundamentais próprio
senso, podendo nesse caso comungar do respectivo regime.

Os interesses difusos são posições jurídicas que não adquirem um


suficiente grau de densificação subjectiva a ponto de por eles se permitir
exigir o aproveitamento específico do respectivo bem e unicamente
facultam intervenções procedimentais e processuais por parte do
respectivo titular, clamando pela tutela pública no sentido da prevenção
e da reparação de danos. Um dos domínios mais emblemáticos dos

23
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

interesses difusos é o da problemática ambiental, ainda que tal


perspectiva tenha vindo a alargar-se a outros aspectos como a saúde
pública ou defesa do património cultural.

As situações funcionais são posições subjectivas, activas e passivas,


inerentes à titularidade de um órgão público, de acordo com o cargo
que é desempenhado, situações funcionais que se adicionam aos direitos
fundamentais, aquelas relacionados com o estatuto dos governadores e
estes atinentes ao estatuto de todas as pessoas e também dos
governantes-como governados.

Os deveres fundamentais corporizam imposições de desenvolvimento de


desvantagens, que gravam os respectivos titulares, em nome da festa de
interesse gerais, do estado ou da sociedade, e que podem ser o
contraponto do reconhecimento dos direitos fundamentais, deveres
fundamentais que mais se apresentam válidos na defesa nacional e no
pagamento de impostos.

Os direitos dos povos abrangem posições subjectivas activas, mas em que


a sua titularidade se mostra pertinente à protecção de uma comunidade
de pessoas, grupalmente considerada em função de um nexo de
pertença étnico, religioso, linguístico ou qualquer outro nexo, relevando
mais do domínio do direito internacional público.

1.2.2. A evolução dos direitos fundamentais

Os direitos fundamentais, bem como o nascimento da ideia da cidadania,


não se posicionam somente numa óptica de viragem para o Estado
Contemporâneo, já que do mesmo modo se afiguram relevantes da
perspectiva do enriquecimento que proporcionaram a evolução da
sociedade e do Estado em geral.
Essa é uma verificação que não deixa margem para hesitações quando
analisamos a evolução da positivação dos direitos fundamentais. E que
por ai se percebe o eixo de acção das grandes instituições do Direito

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Constitucional, assim como se pressente o seu valor para o próprio


desenvolvimento daquele sector do Direito.

Se muitas coisas aconteceram em dois séculos de Constitucionalismo, não


se podem excluir as mutações que tão substancialmente aperfeiçoaram
o catálogo constitucional dos direitos fundamentais.

Trata-se de uma apreciação que é facilitada a partir de alguns pontos


de contraposição, os quais posteriormente permitem equacionar os
grandes marcos de alteração substancial na consagração dos direitos
fundamentais:
 O liberalismo económico do século XIX transformou-se no
intervencionismo social Keynesiano no século XXI;
 O Nacionalismo político do século XIX cedeu o espaço ao
internacionalismo do Seculo XX, bem como a multiplicação das
relações internacionais;
 O individualismo filosófico do século XIX foi sensivelmente
atenuado pelo solidarismo do século XX.

Dai que as grandes linhas de viragem dos séculos XIX e XX. Que se
resumem a estes fenómenos, impliquem a necessidade de se equacionar
várias alterações, que cumpre organizar no seguinte período, também
apelidadas de gerações de direitos fundamentais segundo KAREL
VASAK:
- O período liberal;
- O período social;
- O período cultural.

O período liberal analisa-se pela consagração de uma primeira geração


de direitos fundamentais como conjunto de direitos de natureza negativa,
através dos quais se tinha em mente, em primeiro lugar, a garantia de
um espaço de autonomia e de defesa dos cidadãos em face do poder
público. Isso é bem visível nas principais liberdades públicas que foram
então consagradas e que até aos nossos dias, salvo algumas pontuais

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

modificações, continuam a fazer parte de um património irrevogável que


o constitucionalismo liberal legou.

Por outro lado, embora revelando uma preocupação específica, essa


primeira geração de direitos fundamentais foi preenchida pelo
estabelecimento de várias garantias dos âmbitos penal e processual-
penal, dessa forma se alcançando a chamada humanização do direito
penal.

O período social consagrou uma segunda geração de direitos


fundamentais, em que se tornou evidente o propósito de alargar os fins
do estado e de neles fazer reflectir uma protecção de natureza social.
É assim que, a partir da segunda metade do século XX, nasceram os
direitos de natureza social, assumindo-se o estado como prestador de
serviços. Cria-se os direitos fundamentais à educação, à protecção da
saúde e à segurança social, de entre outros, sempre exemplificação dos
direitos fundamentais a prestações.

Obviamente que esta visão social dos direitos fundamentais não pode
ser desligada do sentido do estado social, bem como dos conteúdos
económicos das constituições.

O período cultural traduz a existência de uma terceira geração de


direitos fundamentais, em que se regista o aparecimento de novos
direitos fundamentais, a partir do último quartel do século XX.
Todavia, o que mais caracteriza esta fase não é tanto a sua unicidade,
mas, pelo contrário, a sua multidireccionalidade, tal é a diferença e
sobretudo a pouca proximidade que se regista entre os novos tipos de
direitos fundamentais consagrados.

O contexto em que estes direitos fundamentais se formam é de várias


dimensões caracterizadoras da sociedade actual:
 Uma sociedade de risco;
 Uma sociedade global;
 Uma sociedade de informação;

26
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

 Uma sociedade multicultural.

Um primeiro grupo de propósitos aflora nas questões ambientais, domínio


que por força do desenvolvimento tecnológico, se tornou inevitável como
centro das políticas públicas. Vão assim surgir diversas posições
subjectivas em matéria de ambiente, dai derivando direitos
fundamentais, deveres fundamentais e interesses difusos, todos com o
objectivo comum da sua protecção.

Outro núcleo extremamente importante relaciona-se com os recentes


desenvolvimentos na investigação científica em matéria de manipulação
genética, fazendo avançar o progresso humano a níveis alarmantes para
a destruição do homem e, por conjunto, da própria civilização. É então
indispensável que se adoptem mecanismos de segurança da identidade
genética humana, em que se preserva o ser humano de indesejáveis
avanços tecnológicos e científicos.

Cumpre ainda mencionar as fortes preocupações que passaram a ser


constitucionalmente sentidas em matéria de representação das
singularidades culturais dos povos, bem como do fito de estabelecer os
direitos dos grupos minoritários, numa óptica menos esmagadora da
força conformadora do princípio maioritário, que aqui encontra os seus
limites.

Claro que o facto de ser possível frisar, em mais de duzentos anos de


Constitucionalismo, a pertinência de três períodos bem marcados na
evolução dos direitos fundamentais não pode significar que os direitos
da geração anterior deixassem de obter reconhecimento.
Esta foi uma evolução acumulativa e não alternativa, por cuja acção se
adicionaram novos direitos aqueles que já estavam anteriormente
consagrados, tal se evidenciando mais na passagem do período liberal
ao período social.
Só que esse fenómeno deu-se aqui como em qualquer outro aspecto
constitucional, a partir do momento em que os textos constitucionais

27
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

incorporaram uma cláusula social, mostrando-se permeáveis e já não


neutrais, como no tempo liberal a realidade constitucional circundante.
Como afirma JOSE CARLOS VIEIRA ANDRADE, se quiséssemos
caracterizar sinteticamente essas transformações através de algumas
palavras-chave ou ideias, diríamos que evolução deste subsistema
jurídico se salienta nas ideias de acumulação, de variedade e de
abertura.

O itinerário da positivação constitucional dos direitos fundamentais


identicamente não pode desconsiderar as profundas mutações que o
Direito Internacional Público conheceria na segunda metade o século XX,
as quais são directamente atinentes os valores internamente protegidos
pelos direitos fundamentais.
Estamos obviamente a falar na protecção internacional dos direitos do
homem, momento que apenas se concretizaria a seguir a II Guerra
Mundial e que viria do mesmo modo a influenciar os direitos fundamentais
constitucionalmente consagrados.

De que forma, porém, essa influência foi exercida?


A principal delas esteou-se na aceleração da consagração dos direitos
fundamentais já conhecidos dos Estados mais evoluídos, que primeiro os
exteriorizaram para os instrumentos internacionais de protecção de
direitos humanos.

Mas a importância dos direitos humanos internacionalmente conhecidos


pode também ter sido substancial e não apenas processual na medida
em que a partir do plano internacional, foi possível congeminar um
conjunto de preocupações internacionais, principalmente atinentes aos
direitos fundamentais de terceira e quarta geração, quer em matéria de
ambiente, quer em matéria de direitos a protecção de minorias, quer no
domínio da autonomia cultural dos grupos e dos povos.

28
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

1.2.3. Os direitos fundamentais e o futuro

Esta brevíssima exposição a respeito do lugar dos direitos fundamentais


no estado contemporâneo, testemunhando as enormes vantagens que se
associam a esta categoria jurídica, não pode esconder, do mesmo passo,
os perigos que espreitam no horizonte.

Os direitos fundamentais não são direitos infalíveis e, por isso, existem


perigos que actualmente se concebem e que podem lançar dúvidas
quanto à efectividade da sua protecção.
Simplesmente, esses perigos, em vez de nos fazerem esmorecer, devem
suscitar a nossa reflexão, tendo em mente o desiderato de os vencer. O
estado de direito assim o exige.

O perigo mais sério e simultaneamente o mais disfarçado de todos é o


da elevada disponibilidade que hoje existe no tocante à banalização da
singularidade garantistica inerente aos direitos fundamentais.
Numa altura em que o discurso sobre a protecção das pessoas por
intermédio dos direitos fundamentais se vulgarizou o recurso a essa
técnica jurídico-formal. O resultado é o da multiplicação, que pode ser
excessiva, do número dos direitos fundamentas existentes.

Mas, afinal, em que consiste esse perigo da banalização?


Estamos em crer que esse perigo esta na adulteração da hierarquia de
valores que deve necessariamente subjazer aos direitos fundamentais e,
sobretudo, pensar que os direitos fundamentais valem todos o mesmo,
risco que se potencia pelo crescimento do seu numero.
Por outro lado, esse facto naturalmente se repercute sobre a menor
protecção que recai sobre cada um, sendo certo que as virtualidades
fácticas que se associam ao reconhecimento constitucional não são
inesgotáveis.

Outro perigo que nos deve apoquentar a atinente a eventual


uniformização dos direitos fundamentais que progressivamente vamos
consagrando nos textos constitucionais, tendências que ter-se-ão

29
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

afirmado, primeiro, ao nível da protecção internacional dos direitos


humanos.
É nítido que a globalização que estamos vivendo nos oferece uma
dimensão jurídica, muito saudável e que é o produto de uma
aproximação cultural entre regiões, povos e estados.
Também é evidente que por detrás dessa globalização, que é boa no
que de bom globaliza, se esconde uma má globalização, quando ela
pretende ser e muitas vezes é realmente um instrumento de domínio
impondo uma determinada visão do mundo e da vida, sem espaço para
os direitos fundamentais que possam espelhar as autonomias e as
peculiaridades de certos povos e culturas.

Assim se abre um imenso desafio de heterogeneização dos direitos


fundamentais, em resposta as diversidades, culturais, religiosas e outras
que temos de enfrentar, sob pena do perigo maior do desmembramento
da comunidade política. Do mesmo modo angustiante é o perigo da
procesualização dos direitos fundamentais, pela tendência que os
regimes democráticos hodiernamente vivem para a de substancialização
da actividade pública, acreditando que o processo decisório democrático
é apenas um modo de decidir, e não o decidir seguindo um certo sentido
material, valioso por si.

Com isso se desiste de uma fundamentação material dos direitos


fundamentais e por arrastamento, de múltiplos outros aspectos de
natureza jurídica, mais sensíveis a uma coloração axiológica e com a
inevitabilidade de se perder uma raiz de fundamentação material, que
em si mesma é a única chave para responder, com uma orientação segura
a um conjunto de opções que dizem respeito a vida colectiva. As opções
já não valem pelo conteúdo que exprimem, antes pelo número de
adeptos que reúnem, num momento em que a bondade intrínseca das
soluções cede o passo ao grau massivo de aderentes a essas mesmas
soluções.

Evidentemente que não é apenas a visão axiológica que se perde


porque, ao lado da de substancialização dos direitos fundamentais, se

30
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

regista a respectiva geometrizarão, situação em que a maioria decide,


abafando as minorias e não tendo estas qualquer possibilidade de fazer
vingar os seus legítimos direitos.
Não quer isso dizer que o percurso feito até aqui, em matéria de direitos
fundamentais, não tenha sido profundamente positivo, como facilmente o
comprovam as várias conquistas sucessivas obtidas de acordo com estes
passos:
- Primeiro, a própria e singela consagração constitucional dos direitos
fundamentais;
- Depois, a progressiva diversificação dos mesmos, ao que acresceu a
sua densificação dos mesmos, ao que acresceu a sua densificação
material e tipológica;
- A seguir, a preocupação irradiante da protecção dos direitos
fundamentais para outras instâncias, no âmbito do direito internacional
público, e mais recentemente, para outros ramos do Direito, em que se
regista a consagração cruzada dos mesmos, como sucede nos últimos
tempos com o direito da igualdade social;
Finalmente, o constante aperfeiçoamento do regime jurídico dos direitos
fundamentais, com a introdução de figuras que tendem a delimitar mais
o poder de intervenção do legislador e do administrador no espaço de
conformação que é deixado pela Constituição aos poderes
infraconstitucionais.

Porém, estes vários e inequívocos sucessos não nos devem fazer esquecer
aqueles diversos perigos, que podem turvar uma protecção dos direitos
fundamentais que se deseja intensa, perigos de natureza formal e
material, perigos de natureza teórica e prática.

O que fazer para os afrontar?


Acreditar que eles existem a agir quotidianamente para os combater, no
pressuposto de que a respectiva protecção é eminentemente cultural e
que a intervenção dos cidadãos, nos seus diversos campos de actividade,
acaba por ser, a longo prazo, altamente frutifico por sabermos que os
direitos fundamentais nasceram com o Constitucionalismo, numa altura em

31
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

que as pessoas passaram de súbditos a cidadãos, transitaram de objecto


a sujeito do poder público.

Sumário
Nessa unidade temática aprendemos que:
Não pode haver verdadeiros direitos fundamentais sem que as pessoas
estejam em relação imediata com o poder, que os direitos fundamentais
que tem a finalidade de proteger a pessoa humana, ao mais alto nível e
com todas as garantias que são apanágio da força deste ramo jurídico.
Em nenhum outro lugar do Direito Positivo se pode dar, nestes termos de
máxima efectividade, tanta protecção à pessoa como pela consagração
de direitos fundamentais.

Os direitos fundamentais, no século XIX, começaram por ser uma criação


específica do Direito constitucional, em que os textos constitucionais
passaram a positivar posições de garantia do individuo em relação ao
estado. E que os direitos fundamentais podem ser igualmente
perspectivados segundo diversas classificações, em aplicação de outros
tantos critérios, sendo de dissociar os seguintes grupos classificatórios. As
classificações subjectivas; As classificações materiais; As classificações
formais; e As classificações regimentais. Direitos humanos
internacionalmente conhecidos pode também ter sido substancial e não
apenas processual na medida em que a partir do plano internacional, foi
possível congeminar um conjunto de preocupações internacionais,
principalmente atinentes aos direitos fundamentais de terceira e quarta
geração, quer em matéria de ambiente, quer em matéria de direitos a
protecção de minorias, quer no domínio da autonomia cultural dos grupos
e dos povos.

32
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

UNIDADE Temática 1.3. Direitos fundamentais e conceitos afins: direitos


subjectivos públicos; direitos de personalidade; situações funcionais; direitos dos
povos; interesses difusos; garantias constitucionais; deveres fundamentais

Introdução

Segundo Jorge Miranda (2014; pg. 10), não pode haver verdadeiros
direitos fundamentais sem que as pessoas estejam em relação imediata
com (i) o poder, beneficiando de um estatuto comum e não separadas
em razão dos grupos ou das instituições a que pertençam. Também, não
há direitos fundamentais sem (ii) Estado. Ora, aqui, é preciso, para a
protecção desses direitos fundamentais, acrescentar-se um requisito: o
Estado de Direito Democrático. Trata-se de um ambiente propício para
a garantia, respeito e protecção de direitos fundamentais.

Objectivos

 Definir os Direitos subjectivos públicos e;

 Direitos de personalidade;

 Situações funcionais;

 Direitos dos povos;

 Interesses difusos;

 Garantias constitucionais;

 Deveres fundamentais

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

1.3.1. Direitos fundamentais e direitos subjectivos


públicos

A teoria dos direitos subjectivos públicos é tanto um esforço de


explanação sistemática dos direitos das pessoas perante as entidades
públicas, (e das próprias entidades públicas) como uma contra o Direito
natural.

Segundo ela, só o Estado tem vontade soberana e todos os direitos


subjectivos públicos fundamentam-se na organização estatal. Mas
enquanto Gerber considera esses direitos um mero reflexo do direito
objectivo e um poder do estado, já JELLINEK os analisa a partir de uma
ligação específica entre o individuo e o estado, em termos do estatuto.
Como confere GERBER, todos os poderes de Direito privado são
faculdades de uma pessoa de submeter um objecto à sua vontade
jurídica e a pessoa é o centro de sistema de direito privado.

Por seu turno, para JELLINEK, cada direito subjectivo atesta a existência
de um ordenamento jurídico, pelo qual é criado, reconhecido e protegido.
É, pois o ordenamento objectivo de Direito público que constitui o
fundamento do direito subjectivo público.
Qualquer direito público existe no interesse geral, o qual é idêntico ao
interesse do estado. Só como membro do estado o homem é, em geral,
sujeito de direito.

Pelo facto de pertencer ao estado, o individuo é qualificado sob diversos


aspectos. As possíveis relações em que pode encontrar-se com o estado
colocam-no numa serie de condições juridicamente relevantes. As
pretensões jurídicas que decorrem dessas condições são o que se designa
com o nome de direitos subjectivos públicos.

Assim como o conceito e a expressão direitos do homem podem ficar


vinculados a um jus racionalismo insatisfatório, também o conceito e a
locução direitos subjectivos públicos se reportam a uma visão positivista
e estadista que os amara e condiciona. Nenhum valor dir-se-ia lhes

34
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

subjazer, não se realça o sentido de autonomia das pessoas e pelo


contrário, prevalece a ideia de soberania.

Direitos públicos significam direitos subjectivos atribuídos por normas de


direito público, em contraposição aos direitos subjectivos atribuídos por
normas de Direito privado. Ordem, esta simetria poderia inculcar
identidade de natureza quando a priori nada justifica, quando se
apresenta extremamente heterogénea e a estrutura dos direitos das
pessoas garantidos pela constituição é quando, no mínimo, se afigura
duvidosa a qualificação de alguns como direitos subjectivos.

Por outro lado, seu âmbito abrange muito mais do que aquele que nos
propomos no presente volume. Abrange não só situações jurídicas activas
das pessoas frente ao estado como situações funcionais inerentes a
titularidade de cargos públicos; abrange situações que cabem no Direito
administrativo, no tributário ou no processual, e inclui ainda direitos de
entidades públicas, enquanto sujeitos de relações jurídico-
administrativas, de relações jurídico-financeiras ou de outras relações de
direito público interno.

Todas estas desaconselham, evidentemente, o emprego do termo direitos


subjectivos públicos como sinónimo ou em paralelo a direitos
fundamentais.

1.3.2. Direitos fundamentais e direitos de personalidade

O segundo conceito afim dos direitos fundamentais são os direitos de


personalidade. Os direitos de personalidade são posições jurídicas
fundamentais do homem que ele tem pelo simples facto de nascer e viver.
São aspectos imediatos da exigência de integração do homem; são
condições essenciais ao seu ser e dever, relevam o conteúdo necessário
da personalidade; são emanações da personalidade humana em si; são
direitos de exigir de outrem o respeito da própria personalidade, tem
por objecto, não algo de exterior ao sujeito, mas modos físicos e morais

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

da pessoa ou bens da personalidade física, moral e jurídica ou


manifestações parcelares da personalidade humana ou defesa da
própria dignidade.

Inicialmente os direitos originários eram os direitos de existência, de


liberdade, de associação, de apropriação e o de defesa. E actualmente
prevêem-se, além da tutela geral da personalidade, a protecção contra
a ofensa a pessoas já falecidas, o direito ao nome e ao pseudónimo, a
reserva do conteúdo de cartas-missivas e outros escritos confidenciais, o
direito a imagem e a reserva sobre a intimidade da vida privadas a que
podem ainda ser aditados outros direitos.

Discute-se do âmbito rigoroso da figura, em face de tendência para o


seu constante alargamento; acerca de existência ou não de um geral de
personalidade; e acerca mesmo da qualificação como direito subjectivos
e acerca da sua extensão às pessoas colectivas. São decisivas a
protecção conferida por essa via a par de outras a pessoa humana e a
carga valorativa, que assim, se acrescentam a ordem jurídica.
Ora, assim sendo, os direitos de personalidade adquirem também
imediata relevância constitucional, seja a título geral, seja a título
especial.

Para o do postulado primordial do respeito da dignidade da pessoa


humana, com tudo implica, eles dir-se-iam corresponder aos direitos como
o direito à vida; o direito à integridade; ao desenvolvimento da
personalidade, à capacidade civil, ao bom nome e reputação, à imagem,
à palavra e à reserva da intimidade da vida privada; direito à
liberdade e à segurança; certas garantias relativas à informática; o
direito de resposta; a liberdade de consciência; de religião e de culto;
a liberdade de criação cultural; a liberdade de aprender e ensinar; a
liberdade de escolha de profissão; o direito ao trabalho, o direito ao
ambiente, o direito a educação e à cultura física e o desporto.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Não obstante largas zonas de consciência, não são, contudo, assimiláveis


direitos fundamentais e direitos de personalidades. Basta pensar nos
demais direitos inseridos no texto constitucional que extravasam dali: o
direito de acesso aos tribunais, o direito à cidadania, as garantias da
liberdade e da segurança, a liberdade de imprensa, o direito de antena,
os direitos políticos, a grande maioria dos direitos, liberdades e
garantias dos trabalhadores e dos direitos económicos, sócias e culturais,
ou os direitos fundamentais dos administrados.

Mas sobretudo, são distintos o sentido, a projecção perspectiva de uns e


outros direitos. Os direitos fundamentais pressupõem relações de poder,
os direitos de personalidade relações de igualdade. Os direitos
fundamentais têm uma incidência publicista imediata, ainda quando
ocorram efeitos nas relações entre os particulares; os direitos de
personalidade uma incidência privatística, ainda quando sobreposta ou
suposta a dos direitos fundamentais. Os direitos fundamentais pertencem
ao domínio do direito constitucional, os direitos de personalidade ao
direito civil.

1.3.3. Direitos fundamentais e situações funcionais

O terceiro conceito afim aos Direitos fundamentais são as situações


funcionais. Sob a denominação genérica de situações funcionais,
englobamos as situações jurídicas, activas e passivas, dos titulares dos
órgãos e porventura, de certos agentes do estado e de quaisquer
entidades públicas enquanto tais. Englobamos as situações jurídicas em
que se subjectivam os estatutos inerentes aos cargos desempenhados por
essas pessoas no estado e noutras entidades públicas.

Muito variáveis são a natureza e a estrutura destas situações:

Desde verdadeiros direitos subjectivo, pessoais e patrimoniais a deveres


e a restrições; Direitos funcionais ou regalias situações de vantagem
destinadas a propiciar o desempenho de cargo em condições óptimas e

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a contribuir para a dignificação da função; Garantias como as


imunidades e o direito de recurso para Tribunal Constitucional contra a
perda de mandato. Especificas situações de responsabilidade e
especificas formas de protecção penal.

Mas as situações funcionais distinguem-se claramente quer dos poderes


funcionais quer dos direitos fundamentais.

Não se confundem com os poderes funcionais em que se analisa a


competência dos órgãos ou que, sendo os órgãos colegiais, são
autonomizados para efeito de dinamização dessa competência os
poderes funcionais se reconduzirem ao próprio estado em acto, serem
situações jurídicas essenciais ou primárias, cujo eficaz exercício equivale
ao exercício do poder publico.

Distinguem-se dos direitos fundamentais e é isso que interessa aqui, por


os direitos fundamentais implicarem diferenciação, separação ou
exterioridade diante do Estado. As situações funcionais são situações
jurídicas de membros do estado-poder ou estado-aparelho, os direitos
fundamentais são situações jurídicas de membros do estado-comunidade,
das pessoas que o constituem.

Ao passo que as situações funcionais são consequências da prossecução


do interesse público e este prevalece sempre sobre o interesse dos
titulares, os direitos fundamentais só existem onde haja um interesse das
pessoas que valha por si, autónomo, diferenciado. Dai, em princípio, o
carácter obrigatório do exercício ou da invocação de algumas das
situações funcionais e o carácter livre do exercício dos direitos
fundamentais.

Não quer isto dizer que o elemento funcional esteja ausente de alguns
dos direitos fundamentais e que não haja concepções que tendem a faze-
lo realçar em geral. Só que os direitos, quaisquer direitos, desaparecem
quando absorvidos pela função.

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Assim como nada impede que a constituição e a lei confiram as situações


funcionais, e até aos poderes funcionais, formas de tutela análogas as
de direitos fundamentais. Bem podem faze-lo, em nome da protecção
das minorias, do principio representativo, da separação dos poderes ou
da jurisdicionalidade inerente ao estado de Direito.

1.3.4. Direitos fundamentais e direitos dos povos

O quarto conceito afim aos Direitos fundamentais são os direitos dos


povos. Nos últimos sessenta anos vêm-se falando em direitos dos povos,
em complemento dos direitos do homem ou dos direitos fundamentais.
O movimento de afirmação ou revindicação destes direitos dos povos
corresponde, por certo, a uma significativa tendência da política e do
direito internacional dos nossos dias, ligada a deslocação de entre as
potências, a descolonização, aos problemas de largas partes da
comunidade, a crescente circulação de pessoas e bens, as novas
estratégias de matérias-primas e energia.

Trata-se de questões de soberania política e economia e trata-se


também da consciência assumida de injustiça criada e mantida no interior
da Humanidade. Dai a articulação com a procura de uma nova ordem
económica internacional e de uma nova ordem internacional da
informação e dai a inserção, por vezes proposta, nos chamados direitos
de solidariedade ou de terceira geração a que já nos referimos.

Todavia, não parece inteiramente correcto erguer sobre aquela


tendência ou sobre aqueles evidentes factores de transformação do
Direito das gentes um conceito de Direito dos povos, nem é, em caso
algum, aceitável assimilar os direitos dos povos aos direitos do homem.
Não se justifica salvo em circunstâncias excepcionais de reconhecimento
de movimento de libertação configurar os povos como sujeitos de Direito
internacional, ao lado ou em vez dos estados. De resto, porque a noção
de povo implica a de Estado a autodeterminação de qualquer povo
equivale à sua passagem a povo de um estado com que se identifique.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Sobretudo, não pode fazer-se confusão entre tais direitos dos povos
desde o direito à autodeterminação ao direito à paz e os direitos dos
homens, direito à vida, à liberdade física, à s convicções religiosas e
filosóficas, ao trabalho, etc. são coisas completamente diversas, mesmo
se interligadas. Os direitos dos povos são direitos de colectividades mais
ou menos bem definidas, em variáveis situações, os direitos do homem
são direitos das pessoas.

O exercício de direitos fundamentais por membros de comunidades


dependentes tem sido um meio de conquista de direitos dos povos. Tal
como efectivação destes deveriam ser um veículo de efectivação de
direitos do homem. Nem sempre isto tem sucedido, e, muito pelo contrário,
têm-se assistido, em não poucos lugares, ao sacrifício em nome de
ideologias desenvolvimentistas ou outras de direitos fundamentais das
pessoas em nome de direitos ou pretensos direitos dos povos.

1.3.5. Direitos fundamentais e interesses difusos

O quinto conceito afim aos Direitos fundamentais são os interesses difusos.


Aquilo a que se vai dando o nome de interesses difusos é uma
manifestação da existência ou do alargamento de ‘’necessidades
colectivas individualmente sentidas’’; traduz um dos entroncamentos
específicos de estado e sociedade; e implica formas complexas de
relacionamento entre as pessoas e os grupos no âmbito da sociedade
política que, só podem ser apreendidos numa nova cultura cívica e
jurídica.

Trata-se de necessidades comuns a conjuntos mais ou menos largos e


indeterminados de indivíduos e que somente podem ser satisfeitas numa
perspectiva comunitária. Nem são interesses públicos, nem puros
interesses individuais, ainda que possam repercutir-se de modo
específico, directa ou indirectamente, nas esferas jurídicas destas ou
daquelas pessoas.

40
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Não pode dizer-se que quem quer que seja possua um único, genérico e
indiscriminado direito a protecção do património monumental, ou ao
controlo da poluição e da erosão, ou a salubridade pública, ou a uma
rede de transporte, etc.
O que se encontra aí são interesses difusos, interesses dispersos por toda
a comunidade, enquanto tal, pode prosseguir, independentemente de
determinação de sujeitos. E ela prossegue-os, por modos muito
diferenciados: por serviços da Administração directa ou indirecta do
estado, por associações públicas ou por outras entidades da
administração autónoma, por associações privadas, pelos próprios
interessados inorganicamente, em moldes ou não de democracia
participativa.

Direitos podem, contudo, emergir quando tais interessados venham a


radicar em certas e determinadas pessoas ou venham a confluir com
outros direitos, sejam direitos com que tenham alguma interferência ou
dos quais se possam fazer decorrer, sejam direitos de iniciativa, de
promoção ou defesa.
Nos condicionalismos mutáveis da vida contemporânea e de Constituições
com características de abrangência como a Moçambicana, os interesses
difusos oferecem, pois uma impressão de volatilidade e de cruzamento
de linhas de força insusceptíveis de se reconduzirem a esquema
unilaterais.

Tem legitimidade para a protecção de interesse difusos os cidadãos, a


quem actuação administrativa possa provocar prejuízos relevantes, as
associações e as fundações sem carácter político ou sindical que tenham
por fim a defesa desses interesses e os órgãos das autarquias locais das
respectivas áreas.
Nos processos de acção popular, o autor representa por iniciativa
própria, com dispensa de mandato e autorização expressa, todos os
demais titulares dos direitos ou interesses em causa que não tenham
exercido o direito de auto-exclusão. As sentenças têm eficácia geral,
salvo quando o julgador deva decidir por forma diversa fundado em

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

motivações próprias do caso concreto, não abrangendo, contudo, os que


tenham exercido esse direito de auto-exclusão.
Aos titulares de interesses difusos é reconhecido também um direito de
intervenção na acção penal, quando esses interesses envolvam protecção
penal.

1.3.6. Direitos fundamentais e garantias institucionais

O sexto conceito afim aos Direitos fundamentais são as garantias


institucionais. Conhecem-se duas noções de garantia institucional: um
conceito lato e impreciso de disposição constitucional em que se
contempla e em que, portanto, se garante qualquer instituição no mais
amplo sentido, e um conceito restrito de disposição constitucional
consagradora de qualquer instituição ou de qualquer forma ou principio
objectivo de organização social que o Estado deva respeitar.

No primeiro sentido, a liberdade religiosa ou a liberdade de imprensa


podem ser vistas como garantias institucionais; no segundo, só o poderão
ser a religião ou as confissões religiosas ou imprensa.

As garantias institucionais, numa acepção restrita e rigorosa, no século


XIX, ou estavam fora das constituições ou, quando nelas admitidas, não
eram alvo da atenção dos estudiosos. Não se enquadravam como
ambiente individualista, na qual se encarava a sociedade como uma
associação de indivíduos livres e com a ambiência liberal, em que se
tendia a reduzir os direitos a liberdade e a garantias, muitos deles
considerados anteriores e superiores ao Estado e à vida.

Ao invés, no século XX, o dilatar do âmbito da Constituição material, a


consciência de que o individuo vive situado em comunidade e instituições,
os domínios económico, social e cultural concorrem para fazer salientar
constitucionalmente, a par dos direitos fundamentais, instituições
numerosas, de cuja subsistência e de cujas condições de desenvolvimento
curam normas especificas. É em face de grande directivas constitucionais

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

destinadas a presidir a regulamentação legislativa de certas matérias,


que se fala em garantias institucionais.

O conceito mostrou-se, por isso, na análise da constituição de Weimar,


vem a ser CARL SCHMITT que o divulga em contraposição ao conceito de
direitos fundamentais. Após a segunda guerra mundial e numa fase de
consolidação e extensão do estado de direito, revestem-se as garantias
institucionais de todos os meios de protecção inerentes a ordem
constitucional de valores.
Se a distinção em puros termos formais não oferece grandes dúvidas, já
no exame do direito constitucional positivo podem surgir dificuldades de
qualificação, até porque as Constituições tratam conjuntamente os
direitos fundamentais e as garantias institucionais.

Para saber se determinada norma se reporta a um direito ou a uma


garantia institucional, haverá que indagar se ela estabelece uma
faculdade de agir ou exigir em favor de pessoas ou que uma pessoa ou
um grupo possa exercer por si e invocar directamente perante outras
entidades, hipótese em que haverá um direito fundamental, ou se, pelo
contrário, se confia a um sentido organizacional objectivo,
independentemente de uma atribuição ou de uma actividade pessoal
caso em que haveria apenas uma garantia institucional.

É indiscutível que, entre tantos outros, só direitos fundamentais o direito à


vida, o direito de reunião, o direito a sufrágio, o direito à greve ou
direito à habitação. E que são garantias institucionais o casamento, a
adopção, o serviço público da rádio e da televisão, as instituições
particulares de solidariedade social não lucrativas, o serviço nacional de
saúde, os sectores público, privado e cooperativo e social da economia,
as organizações de moradores ou as associações públicas.

Tudo depende, acima de tudo, da inserção sistemática, da realidade


constitucional e da opção legislativa que se faça a partir dai.
De qualquer sorte, não devem ser levadas demasiado longe as
decorrências dos conceitos transformando-os em preceitos. Se a

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Constituição não distingue expressamente e se trata no mesmo plano


direitos fundamentais e garantias institucionais, e o regime jurídico
aplicável não pode ser, a partida, diverso, mormente quanto a
preservação do conteúdo essencial perante o legislador ordinário,
quanto aos destinatários das normas e quanto aos órgãos competentes
para a sua regulamentação legislativa.
Nem caberia também aqui uma excessiva compartimentação. Há direitos
fundamentais indissociáveis de garantias institucionais por exemplo, o
direito de constituir família, indissociável da protecção da instituição
familiar.
E há direitos fundamentais de instituições assim, os direitos das confissões
religiosas, dos sindicatos ou dos partidos.
Finalmente, maior ou menor importância desta ou daquela garantia
institucional como a deste ou daquele direito e função da sua maior ou
menor proximidade dos princípios basilares da constituição.

1.3.7. Direitos fundamentais e deveres fundamentais

O sétimo e último conceito afim aos Direitos fundamentais são os deveres


fundamentais. O constitucionalismo moderno de matriz ocidental e a
história da aquisição de direitos fundamentais. E a história da conquista
de direitos depois de séculos de absolutismo e, nos séculos XX e XXI, em
constante com, regimes políticos totalitários e autoritários de varias
tendências.

Não implica isto, porém, uma desconsideração ou subalternização dos


deveres. Não implica no plano jurídico, porque, mesmo quando são
poucos os deveres consignados nas constituições, ficam prejudicados os
vastíssimos deveres nas relações das pessoas entre si. E não envolve
desconsideração no plano ético, até porque a reivindicação de direitos
bem pode fundar-se na necessidade ou na vontade de cumprimento de
deveres.

44
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Simétricos dos direitos fundamentais e formando com eles uma unidade


apresentam-se, pois, os deveres fundamentais quer dizer, as situações
jurídicas de necessidade ou de adscrição constitucionalmente
estabelecidas, impostas as pessoas frente ao poder político ou, por
inferência de direitos ou interesses difusos, a certas pessoas perante
outras.
Tal como os direitos, os deveres fundamentais pressupõem a separação
entre poder e comunidade e uma relação directa e imediata de cada
pessoa com o poder politico. Mas essa relação pode configurar-se de
duas maneiras:

Em geral, são deveres de natureza politica ou homologa de direitos


políticos. Em alguns casos, são deveres ligados a vida económica, social
e cultural que assumem relevância constitucional, por, sem o seu
cumprimento, se frustrarem a efectivação de direitos fundamentais ou de
interesses difusos e as correspondentes incumbências do Estado.

Se seria forçado afirmar que as normas prescritivas de deveres


equivalem, no fundo, a normas permissivas de intervenção do estado,
seguro é que de uma forma ou outra, acorrentam limites e restrições de
direito. Por isso, a sua interpretação e a sua aplicação não podem fazer-
se em termos idênticos aos da interpretação e da aplicação das normas
de direitos fundamentais e requerem particularíssimos cuidados.

Mais do que a “Génese, evolução e caracterização dos direitos


fundamentais”, neste capítulo procuramos saber o significado dos
direitos fundamentais. Não só como disciplina jurídica, mas também pelo
seu objecto de estudo e importância em matérias jurídicas

Sumário
Cabe mencionar, que de início a ideia de direitos fundamentais ligava-
se, precipuamente, ao indivíduo, confundindo-se com a noção de
direitos meramente subjectivos, caracterizando-se, os primeiros, como
barreiras impostas ao Estado em relação ao campo de actuação dos
indivíduos.

45
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Esta concepção individualista dos direitos fundamentais, que só lhes


reconhece o carácter subjectivo, não mais se justifica a partir do
momento em que se reconhecem os reflexos colectivos da instituição de
tais direitos.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

GRUPO-1 (Com respostas detalhadas, sempre citando artigos da CRM)

1. Explique a relação existente entre Direito, direitos humanos e direitos


fundamentais;
2. Explique, com base em dois artigos da Constituição, a diferença entre os
sentidos formal e material dos Direitos Fundamentais.
3. Quais são, para si, os pressupostos dos direitos fundamentais?
4. De que forma se pode afirmar que os direitos fundamentais visam a protecção
constitucional da pessoa?
5. Mencione as principais fases do processo evolutivo dos direitos fundamentais
e diga se na CRM são visíveis alguns traços.
6. Qual é a sua visão sobre o futuro dos direitos fundamentais?
7. Mencione sete elementos característicos dos direitos fundamentais, que o
podem distinguir dos direitos subjectivos públicos; direitos de personalidade;
situações funcionais; direitos dos povos; interesses difusos; garantias
constitucionais e deveres fundamentais.

Respostas:

Rever o 1º parágrafo da página 7 (Introdução desta Unidade):

Rever o 3º parágrafo da página 7 (Introdução desta Unidade);

Rever o 5º parágrafo da página 7 (Introdução desta Unidade);

Rever objetivos específicos constantes da página 8;

Rever parte final da página 8;

Rever parte final da página 9;

Rever da página 9 a 11;

Rever os conteúdos das páginas 11 e 12.

46
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

TEMA – II:

O PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO E POSITIVAÇÃO

UNIDADE Temática 2.1. A exigência da efectivação Pública.


UNIDADE Temática 2.2. Os princípios fundamentais: princípio da
iniciativa social; princípio da democracia participativa.
UNIDADE Temática 2.3. A dependência da realidade constitucional;
UNIDADE Temática 2.4. O problema do retrocesso social
UNIDADE Temática 2.5. O princípio da relativa relevância das
condições económicas dos titulares
UNIDADE Temática 2.6. A protecção internacional

Introdução

Neste artigo promovemos uma reflexão acerca dos direitos


fundamentais, tendo como paradigma sua concretização. Para tal,
situamo-nos sobre sua perspectiva panorâmica actual, percorrendo seu
desenvolvimento em nosso país, os aspectos gerais relativos à sua
restrição, conceito, características, titularidade, multifuncionalidade,
constitucionalização e dimensões, tendo concluído que na luta pela
efectivação dos direitos fundamentais, é preciso encontrar a medida justa
que permita adaptar o sistema normativo dos direitos fundamentais às
novas realidades, respeitando a necessidade de cada época, e de cada
caso concreto, mas sem perder de vista o ideal prático que lhe imprime
carácter, e lhe delimita o horizonte.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Examinar a CRM

 Conhecer o processo da institucionalização dos direitos fundamentais


Objectivos
específicos  Compreender a necessidade da positivação dos direitos fundamentais

47
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

UNIDADE Temática 2.1. A exigência da efectivação Pública

Sobre o estado as demais entidades públicas recai, a tarefa fundamental


de promover a efectivação de direitos sociais. E esta é uma base
objectiva de ordem constitucional.

Como se sabe, tarefas equivalem a fins do estado manifestados em certo


tempo histórico, em certa situação politico-constitucional, em certo regime,
em certa Constituição em sentido material. Traduzem um determinado
enlace entre o Estado e a sociedade.

Entre elas e as suas funções ou actividades específicas ou típicas do poder


situam-se as incumbências, que são ao mesmo tempo, metas e acções a
que o Estado fica constitucionalmente adstrito através de normas
programáticas em face dos direitos, interesses ou instituições que lhe cabe
garantir, promover ou tornar efectivos; e as incumbências traduzem-se
em imposições constitucionais sobretudo em imposições legiferantes.

Aquela tarefa e essas incumbências aparecem estreitamente


correlacionadas com a Constituição económica, desde logo porque a
efectivação dos direitos se faz mediante a transformação e
modernização das estruturas económicas e sociais.

As autarquias locais destinam-se a prosseguir os interesses próprios das


populações respectivas de harmonia com o princípio da descentralização
administrativa e são chamadas especificamente a intervenção nos
domínios do urbanismos e da habitação, fruição e criação cultural e nos
planos de desenvolvimento económico e social.

Estas tarefas e incumbências concretizam-se:

Pela garantia da igualdade de oportunidade entre os cidadãos; pela


previsão de prestações pecuniárias sobre rendimento social de
reinserção; Pela criação de instituições, sistemas e serviços; pelo
estabelecimento de políticas.

De qualquer sorte, nem as tarefas do artigo 9 , nem as incumbências dos


artigos 58, 81, 227, etc, equivalem a programa eleitoral , a programa
de governo ou a politicas publicas.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Um programa de governo tem de ser muito mais do que isso um conjunto


de orientações políticas e medidas a adoptar ou a propor nos diversos
domínios da actividade governamental, como se lê no artigo 188 e as
tarefas situam-se a um nível diferente e superior, necessariamente
normativo. Nem se conceberia em democracia pluralista que fosse outra
coisa senão princípios órgãos do estado, das regiões autónomas e do
poder local tem de respeitar.

Há um conteúdo essencial também das tarefas e das incumbências que o


intérprete deve desvendar e o aplicador da Constituição preservar, uma
reserva de igualdade das pessoas. Para além disso, e o contraditório
politico marcado por diferentes opções em contraste e por conjunturas
variáveis que imprime os ritmos, os graus e os modos de realização.

Sumário

Os Direitos Fundamentais positivados hodiernamente nas Constituições


são produto de diversas transformações ocorridas no decorrer da
História.

A abertura constitucional resulta que, por um lado, nenhum catálogo


constitucional pretender esgotar o conjunto ou determinar o conteúdo dos
direitos fundamentais (existência de direitos não escritos), e, por outro,
de se esperar sucessivos direitos de novas dimensões, conforme as
necessidades de protecção dos bens pessoais nas circunstâncias de cada
época.

Deve insurgir-se o Poder Judiciário. Uma boa organização judiciária


tendo juízes, verdadeiramente comprometidos com a realização da
justiça, sendo um instrumento importante para a protecção da legalidade
autêntica e promoção da dignidade humana. Conforme José Adércio
Sampaio “Somente a cidadania, por ela mesma e por provocação, por
ela controlada, das instâncias de poder institucionalizado abrirão
clareiras no imobilismo tão benéfico aos locatários, melhor, comodatários
do poder, possibilitando a vida real dos direitos de papel (SAMPAIO,
2004, p. 358).

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

Na luta pelos direitos fundamentais, é preciso, pois, encontrar a medida


justa que permita adaptar o sistema normativo dos direitos fundamentais
às novas realidades, respeitando a necessidade de cada época, e de
cada caso concreto, mas sem perder de vista o ideal prático que lhe
imprime carácter, e lhe delimita o horizonte.

UNIDADE Temática 2.2. Os princípios fundamentais

Introdução

Como se sabe, tarefas equivalem a fins do estado manifestados em certo


tempo histórico, em certa situação politico-constitucional, em certo regime,
em certa Constituição em sentido material. Traduzem um determinado
enlace entre o Estado e a sociedade. Na actualidade as decisões judiciais
mais controvertidas são fundamentadas em princípios constitucionais e/ou
nos direitos fundamentais. O problema e que esses termos são vagos e
maleáveis e admitem qualquer interpretação. Urge, portanto, a fixação
de parâmetros mínimos que sejam capazes de disciplinar o uso de tais
justificativas para, com isso, coibir a prática de uma argumentação que
pressuponha o significado dessas expressões de forma totalmente
arbitrária.

Objectivos

 Conhecer as tarefas fundamentais de base das entidades


públicas

 Analisar os direitos sociais do Estado

 Compreender a base legal da efectivação pública

 Conhecer o Princípio da iniciativa social;


 Descrever o Princípio da democracia participativa.

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ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

1.1. O princípio da iniciativa social

Para a constituição não importa qualquer efectivação dos direitos


económicos, sociais e culturais. Importa, por coerência com os princípios
fundamentais de liberdade, de pluralismo e de participação, entre
tantos, uma efectivação não autoritária e não estabilizante, abertas as
iniciativas da sociedade civil.

Em vez do exclusivismo do estado no desenvolvimento de actividades que


conduzam a efectivação de direitos sociais, a constituição pressupõe ou
faz apelo a colaboração, a complementaridade e ate a competitividade
que pode vir de entidades da sociedade civil. A iniciativa social e uma
expressão da sociedade solidária, que se pretende atinguir.

1.2. O princípio da democracia participativa

i. Para a Constituição importa outrossim uma efectivação


aberta a promoção pelos próprios interessados.
Não se trata apenas de criar serviços ou concretizar
prestações, pecuniárias ou outras; trata-se também de dar
lugar e voz aos próprios titulares dos direitos, aos
destinatários e beneficiários desses serviços e prestações,
segundo as normas da Constituição, do Direito internacional e
das leis. Assim se espera optimizar as condições de realização
dos direitos e aprofundar a própria democracia.
ii. A democracia participativa traduz-se, como se sabe na
atribuição aos cidadãos enquanto administrados, de
específicos direitos de participação no exercício de função
administrativa de estado e na relevância de grupos de
interesses. De associações e de instituições em processos de
decisão a nível do Estado.

A administração pública será estruturada de modo a aproximar os


serviços das populações e a assegurar a participação dos interessados
na sua gestão efectiva, para esses efeitos, estabelecendo a lei

51
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

adequadas formas de descentralização e desconcentração, sem prejuízo


da necessária eficácia e unidade de acção e dos poderes de direcção e
superintendência do Governo. E, desde logo, administração participada
e descentralizada encontra se na saúde, e no ensino universitário público,
etc. Para além disso, são muito variados os direitos de participação de
grupos nas decisões, inclusive legislativas, que directamente os afectem,
com incidência em direitos económicos, sociais e culturais: direito das
comissões de trabalhadores de participar na elaboração da legislação
do trabalhador e dos planos económico-sociais que contemplam o
respectivo sector; direito das associações sindicais de participar na
elaboração da legislação de trabalho e no controlo da execução dos
planos económico-sociais, bem como de se fazer representar nos
organismos de concentração social, direito das associações de
consumidores, etc.

Sendo a participação estipulada por normas constitucionais, a sua falta


envolve ou mera irregularidade?

Na audição dos órgãos do governo próprio das regiões autónomas pelos


órgãos de soberania quanto a questões respeitantes as regiões tudo
decorre no âmbito do sistema constitucional de órgãos de poder,
baseados nos princípios da interdependência e da solidariedade, e dai
o rigor das fórmulas constitucionais. Pelo contrario, aqui o que se prevê
e certo relacionamento de grupos da sociedade civil com o estado, ainda
que, porventura, traduzido em direitos fundamentais. Ora, são tão
numerosos os apelos a participação constantes da Constituição e da lei,
tão variados os grupos e organizações de interessados e tão fluidas as
formas do seu envolvimento no processo legislativo que seria excessivo e,
porventura, paralisante da decisão dos órgãos competentes considerar
nulas quaisquer leis decretadas sem participação. Torna-se, contudo,
necessário ressalvar a legislação de trabalho. O tribunal constitucional
tem considerado, em directriz constante, que a ausência de participação
das comissões de trabalhadores e das associações sindicais acarreta
inconstitucionalidade com todas as consequências. Por isso, a não se
adoptar outro entendimento pelo menos pode aqui falar-se na formação
de um verdadeiro costume constitucional, de base jurisprudencial.

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Sumário

Há um conteúdo essencial também das tarefas e das incumbências que o


intérprete deve desvendar e o aplicador da Constituição preservar, uma
reserva de igualdade das pessoas. Para além disso, e o contraditório
politico marcado por diferentes opções em contraste e por conjunturas
variáveis que imprime os ritmos, os graus e os modos de realização.

Com a fixação dos parâmetros propostos e com a percepção de que o


recurso aos princípios e aos direitos fundamentais transforma o
ordenamento jurídico em um sistema fechado e estático que deve ser
totalmente dedutível de seus fundamentos constitucionais se abre o
caminho para a formulação de justificativas jurídicas e judiciais mais
sólidas e coerentes, que serão capazes de dotar os operadores do
direito de critérios mínimos para o emprego desses institutos de forma
científica e não arbitrária.

UNIDADE Temática 2.3. A dependência da realidade constitucional

Introdução

A transparência dos procedimentos legislativos, a eficácia da


administração, o célere funcionamento das instituições judiciárias, uma
real responsabilidade do Estado e das instituições judiciárias, uma real
responsabilidade do Estado e dos seus agentes, politica, financeira, civil
e criminal, assim como a subordinação do poder económico ao poder
político democrático e a contenção das pulsões corporativas de
quaisquer grupos eis os elementos não pouco relevantes a ter em conta
na efectivação dos direitos sociais.

Objectivos

 Entender os pressupostos da responsabilização do Estado;

 Compreender a necessidade da constitucionalização dos Direitos


Fundamentais.

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A transparência dos procedimentos legislativos, a eficácia da


administração, o célere funcionamento das instituições judiciárias, uma
real responsabilidade do Estado e das instituições judiciárias, uma real
responsabilidade do Estado e dos seus agentes, politica, financeira, civil
e criminal, assim como a subordinação do poder económico ao poder
político democrático e a contenção das pulsões corporativas de
quaisquer grupos eis os elementos não pouco relevantes a ter em conta
na efectivação dos direitos sociais.

Não por acaso, o artigo 22º da DUDH deixa os direitos económicos,


sociais e culturais ao esforço nacional e a cooperação internacional, de
harmonia com as organizações e os recursos de cada povo. Todavia, são
os condicionalismos económicos e económico-financeiros os que mais
avultam e o Pacto Internacional de Direitos Económicos, Sociais e Culturais
liga a progressiva efectivação dos direitos aos recursos disponíveis ao
máximos de recursos disponíveis.

A doutrina, a este propósito, fala no ajustamento do socialmente


desejável ao economicamente possível, na subordinação da efectividade
concreta a uma reserva do possível, na raridade material do objecto da
pretensão como limite real, na reserva financeira do possível ou
financiamento possível, um princípio de sustentabilidade ou no carácter
de direitos quantitativos como direitos de medida.

A apreciação dos factores económicos para uma tomada de decisão


quanto as possibilidades e aos meios de efectivação dos direitos cabe
aos tribunais. Não corresponde a uma simples operação hermenêutica,
mas a um confronto complexo das normas com a realidade circundante.

De resto, sendo abundante as normas e escassos os recursos, dessa


apreciação poderá resultar a conveniência de estabelecer diferentes
tempos, graus e modos de efectivação dos direitos. Se nem todos os
direitos económicos, sociais e culturais puderem ser tornados plenamente
operativos em certos momentos ou para todas as pessoas, então haverá
que determinar com que prioridade e em que medida o deverão ser. O
contrário redundatario na inutilização dos comandos constitucionais;
querer fazer tudo ao mesmo tempo e nada conseguir fazer.

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Todavia, por regra o conteúdo essencial de todos os direitos devera


sempre ser assegurado, e só o que estiver para além dele poderá deixar
ou não de o ser em função do juízo que o legislador vier a emitir sobre
a sua maior ou menor relevância dentro do sistema constitucional e sobre
as suas condições de efectivação.

Vale isto dizer que também aqui se justifica e se impõe uma tarefa de
harmonização e concordância pratica. Não se tratara, como nos DLG, de
colisões ou conflitos de direitos dos seus conteúdos potenciais máximos.
Tratar-se-á, sim de uma avaliação simultânea dos direitos e efectivar e
dos recursos, humanos e materiais, disponíveis e adequados para o
efeito.

Nesta apreciação, os órgãos de decisão politica hão-de gozar, por certo,


de uma relativa margem de liberdade, da liberdade de conformação a
eles inerentes a postulada pelo pluralismo democrático e pela
alternância. Não de uma total liberdade. Não pode ser obliterado o
princípio da proporcionalidade, aferido por padrões de justiça social,
solidariedade e igualdade real entre os Portugueses, da Constituição e
aos tribunais em geral e ao Tribunal Constitucional em especial competira
descobrir eventuais inconstitucionalidades.

Mas perante uma alteração substancial de todos aqueles


condicionalismos, não deve ter-se por legitima, ou ate por necessária, a
própria revogação das normas legais concretizadoras? Eis o problema
habitualmente como problema do retrocesso ou da proibição do
retrocesso social.

Sumário

Efectividade dos direitos fundamentais dependentes através da


hermenêutica constitucional concretizadora dos direitos compatibilização
com o sistema jurídico moçambicano e com a realidade social nacional.

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UNIDADE Temática 2.4. O problema do retrocesso social

A afirmação mais clara de um princípio mais clara de um princípio de


proibição de retrocesso social, e talvez, a que foi sintetizada assim por
Gomes Canotilho e Vital Moreira em 1991: as normas constitucionais que
reconhecem direitos económicos, sociais e culturais de carácter positivo
tem, pelo menos, uma função de garantia da satisfação adquirida por
esses direitos, implicando uma proibição de retrocesso, visto que uma vez
dada satisfação de direitos. Este transforma-se nessa medida, em direito
negativo ou contra ele. A ser admissível qualquer restrição a este
princípio, então ela deve ficar sujeita, na parte aplicável, as regras
constitucionalmente estabelecidas para as restrições dos DLG,
nomeadamente a necessidade e a proporcionalidade, devendo
salvaguardar sempre o conteúdo mínimo necessário de satisfação desse
direito.

Em sentido próximo vai David Duarte, que considera decorrer a


imposição do não retrocesso social de um princípio de solidariedade
juridicamente actuante, mas que a toma como crivo para a globalidade
da intervenção conformadora do legislador. E, não existira regressado
real se simultaneamente, se estabelecer um mecanismo de compensação
que recupere para uma situação equiparável uma desvantagem
inicialmente prevista. A medida só será inválida quando implicar a
regressão social real das condições existentes dos seus destinatários,
avaliáveis no balanço das vantagens e desvantagens que resultem do
seu regime.

Dir-se-ia, então, de acordo com as inúmeras propostas com esse sentido


geral, que não se trata de proibição de retrocesso absoluta, mas tão só
relativa ou de prima facie, ou seja, que a proibição só incide sobre
retrocessos que afectem o mínimo social, que afectem o mínimo social,
que afectem o conteúdo essencial dos direitos em causa, que seja
desproporcionados ou desrazoáveis, ou que afectem a protecção, a
igualdade ou a dignidade da pessoa humana.

Tal como outros autores, pensamos que, quando as normas legais vêm
concretizar normas constitucionais não exequíveis por si mesmas, não fica

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apenas cumprido o dever de legislar como o legislador fica adstrito a


não a suprir, abrindo ou reabrindo uma omissão. Assim o exige a própria
forca normativa da Constituição.

Não se visa com isso revestir as normas legais concretizadoras da força


jurídica própria das normas constitucionais. Essas normas continuam
modificáveis como quaisquer outras normas ordinárias, sujeitas a controlo
da constitucionalidade e susceptíveis de caducidade em caso de revisão
constitucional. Nem sequer vem a prevalecer sobre outras normas
ordinárias; como tais, nenhuma consistência específica adquirem.

O que se pretende e, na vigência de certas normas constitucionais,


impedir a ab-rogarão pura e simples das normas legais que com elas
formam uma unidade de sistema. O legislador, de acordo com elas forma
uma unidade de sistema. O legislador, de acordo com os critérios
provenientes do eleitorado, pode adoptar outros modos e conteúdos de
concretização. Nada obriga por exemplo, a que o serviço nacional de
saúde, ou o sistema de ensino tenham de obedecer sempre aos mesmos
paradigmas: podem ser; ora mais centralizados ora mais
descentralizados, ora mais socializastes ora mais liberalizantes. O que
não pode e o legislador deixar de prever e organizar tal serviço e tal
sistema.

Todavia, porque os direitos económicos, sociais e culturais estão sujeitos


a reserva do possível, as normas concretizadoras tem de ser entendidas
nestes termos:

1º) Quando se verifiquem condições económicas favoráveis, essas normas


devem ser interpretadas e aplicadas de modo a de delas se extrair o
máximo de satisfação das necessidades sociais e a realização de todas
as prestações;

2º) Ao invés, não se deparando tais condições em especial por causa de


recessão ou de crise financeira, as populações tem de ser adequadas ao
nível de sustentabilidade existente, com eventual redução dos seus
benefício ou dos seus montantes

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3º) Situações de escassez de recursos ou de excepção constitucional


podem provocar a suspensão destas ou daquelas normas, mas elas hão-
de retomar a sua efectividade, a curto ou médio prazo, logo que
restabelecida a normalidade da vida colectiva.

Há uma relação necessária constante entre a realidade constitucional e


o estádio de efectividade das normas, entre a capacidade do estado e
da sociedade e os direitos derivados a prestações, entre os bens
económicos disponíveis e os bens jurídicos deles inseparáveis. Em suma:
só e obrigatório o que seja possível, mas o que e possível torna-se
obrigatório. Mas isso significa que, sob este aspecto, tudo se reconduz
ainda ao princípio da reserva do possível.

Poderá falar-se em estado económico-social ou económico-financeiro?


Haverá que distinguir.

Uma circunstância vem a ser acabada de apresentar, em que se


suspendem estes ou aqueles direitos derivados a prestações, constantes
de normas legislativas destinadas a dar exequibilidade a normas
constitucionais. Outra seria uma situação extrema em que o estado se
visse constrangido a suspender não propriamente direitos fundamentais
sociais em si mesmos, porque eles são insusceptíveis de suspensão, ao
contrario do que sucede com certos DLG, mas algumas das incumbências
que lhes conferem alcance pratico e que, portanto, de certo modo,
definem ainda o seu estado.

Esta segunda hipótese não se acha prevista na constituição Portuguesa,


mas pode dar-se em caso de estado de sítio e de emergência e, mesmo
depois do regresso a normalidade constitucional ate se refazer o regular
funcionamento da economia e da Administração Publica.

Numa e noutra ocorrência, medidas susceptíveis, menos ou mais intensas


sempre postulariam:

1º) Não haver alternativas a nível de receitas e de despesas do Estado;

2º) Ser garantido um conteúdo mínimo de direitos e o mínimo material de


subsistência imposto pela dignidade da pessoa humana;

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3º) Serem observados os princípios da universalidade, da igualdade e


da proporcionalidade;

4º) Haver decisão parlamentar, através de lei, típica lei-medida.

VI- o que se diz acerca da suspensão poderá valer, paralelamente, para


as reduções de prestações e para alterações tributarias que, directa ou
indirectamente para o futuro, nunca por orca do princípio da tutela da
confiança, assumir carácter retroactivo. Mas o ponto e discutido.

UNIDADE Temática 2.5. O princípio da relativa relevância das condições


económicas dos titulares

Os direitos económicos, sociais e culturais são, no contexto do estado de


direito democrático, direitos universais e não direitos de classe. Tal não
obsta a que, por ancorados na ideia de uma igualdade real a construir,
as incumbências públicas correlativas da sua realização consistiam
alguma adequação em função das condições concretas dos seus titulares
ou beneficiários.

Direitos de libertação de necessidade e expressão de solidariedade


organizada, como já se disse, são direitos de todos porque todos fazem
parte de uma só comunidade e porque todos conforme as suas
circunstâncias e vicissitudes podem vir carecer dos correspondentes bens.
Porem, precisamente porque vir a carecer dos correspondentes bens.
Porem, precisamente porque há desigualdade de factos, as prestações
em que se projectam hão de toma-las em conta, podem ser direccionadas
e hão-de ser suportadas desigualmente de acordo com as capacidades
económicas.

E o próprio principio de igualdade que o exige, assim como, constante


acabamos de ver em face de insuperáveis limites financeiros, a
efectividade das normas constitucionais em relação aos direitos
derivados a prestações, no seu conjunto. E também uma exigência de
uma sociedade aberta e solidária.

59
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Sobre o problema de saber como devem ser encaradas e suportadas as


despesas inerentes a satisfação das necessidades colectivas, há três
linhas possíveis e bem demarcadas.

a) A do estado mínimo, que tende a atribuir todos ou quase todos


esses encargos aos indivíduos ou grupos privados.
b) A do estado marxista, que tende, pelo contrário, a confia-los ao
estado;
c) E a do estado social, que aceita assumir os custos de satisfação
de necessidade básicas, embora não os das demais necessidades
a não ser na medida do indispensável para assegurar aos que
não possam pagar as prestações os mesmos direitos a que tem
acesso aqueles que as podem pagar.

Se, obviamente, a CRP, rejeita o estado mínimo, tão pouco se compadece


com o estado marxista.

Não se conforma com este por causa de todo o relevo que confere a
intervenção de grupos, associações e instituições existentes na sociedade
civil na efectivação dos direitos sociais. Depois, por causa da garantia
da propriedade e da iniciativa económica privada. Enfim, porque,
expressamente, ao considerar o acesso a justiça alude a insuficiência de
meios económicos e declara o serviço nacional de saúde tendencialmente
gratuito, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos,
a versão de 1989.

Por um lado, recai sobre o estado assegurar, por meio de impostos, a


assistência materno-infantil, os cuidados primários de saúde, o ensino
básico e o secundário obrigatórios, o apoio no desemprego, etc. a
essencialidade dos bens ou a universalidade justificam-no;

Por outro lado, quanto as restantes necessidades ou porque não afectam


identicamente todos os cidadãos, ou porque não revestem para todos o
mesmo significado ou porque dependem de circunstancias nem sempre
previsíveis, pode justificar-se uma partilha dos custos da sua satisfação.

60
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O estado deve pagar uma parte, os próprios outra parte e ate onde
possam pagar.

Os podem pagar devem pagar. E é preferível que paguem em parte o


serviço ou o bem, directamente por meio de taxas, e não indirectamente
por meio de impostos, por três motivos: 1) porque assim tomam
consciência do seu significado económico e social das suas consequências
de aproveitarem ou não os benefícios ou alcançarem ou não os resultados
advenientes, 2) porque, em muitos casos, podem escolher entre serviços
ou bens em alternativas, 3) porque mais de perto podem controlar a
utilização do seu dinheiro e evitar ou atenuar o peso do aparelho
burocrático.

Diversamente, os que não podem pagar, não devem pagar ou devem


receber pensões pecuniárias para poderem pagar.

Mas a fronteira entre necessidades básicas e outras necessidades não e


nunca rígida, nem definitiva. Depende dos estágios de desenvolvimento
económico, social e cultural e da situação do país. E é também o sufrágio
universal que, em cada momento, a traça, através das políticas publicas
adoptadas pelos órgãos neles baseados.

O que diz em doutrina geral tem uma aplicação clara no respeitante por
exemplo, ao ensino superior. Se no serviço nacional de saúde que e
universal e geral se atende as condições económicas e sociais dos
cidadãos, mesmo devera por maioria de razão verificar-se no ensino
superior a gratuidade aqui há-de ser outrossim função das condições
económicas e sociais.

O contraste entre os ensinos básicos e secundários e o ensino superior


entre mostra-se não menos flagrante. Aquele e tomado universal e
obrigatória e, por isso, pode e deve ser gratuito, pelo menos nas escolas
publicas: porque beneficia toda a comunidade, esta deve suportar
integralmente o seu custo. De diverso modo, o ensino superior, visto que
não e universal, tem uma gratuidade a ser conseguida progressivamente
e moldável em razão das condições económicas e sociais: ele deve ser
gratuito, quando as condições dos alunos o reclamem, porque senão

61
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frustrar-se-ia o acesso dos que tivessem capacidade, não tem de ser


gratuito, quando as condições dos alunos o dispensarem.

A frequência do ensino superior implica ao mesmo tempo o exercício de


um direito pessoal complexo e um instrumento de elevação do nível
educativo, cultural e científico do país. Um benefício para os próprios e
beneficio para a colectividade. Logo, afigura-se justo, no plano dos
valores constitucionais, que aqueles que podem pagar a sua quota-parte
desse benefício ou contribuir para o pagamento de certo montante desta
quota-parte o venham a fazer.

Em suma: se as condições económicas e sociais quer dizer, as necessidades


e os rendimentos do agregado familiar não permitirem qualquer forma
de pagamento, impor-se-á a gratuidade no ensino superior, se, porem
elas permitirem o pagamento a inserção deste não só não se apresenta
fundada como poderá obstar a correcção de desigualdades.

A informação internacional sobre direitos económicos sociais e culturais.

A informação através do envio de relatórios organizações internacionais,


e a forma comum de protecção dos direitos económicos, sociais e culturais
a nível internacional: pacto de direitos económicos sociais e culturais;
constituição da organização internacional de trabalho e carta social
europeia.

O relatório previsto no pacto de direitos económicos, sociais, e culturais


tem por objecto as medidas adoptadas e os progressos alcançados bem
como os factores e as dificuldades na efectivação dos direitos.

São apresentados por factores e as dificuldades na efectivação dos


direitos. São apresentados por fases, segundo programa a estabelecer
pelo conselho económico e social, do comité de direitos económicos,
sociais e culturais das agências especializadas competentes, do conselho
de direitos do Homem e da AG das Nações Unidas.

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UNIDADE Temática 2.6. A protecção Internacional

No pacto de direitos económicos, sociais e culturais privem-se medidas


destinadas a assegurar os direitos reconhecidos no pacto, tais como:
conclusão de convenções, adopção de recomendações, prestação de
assistência técnica, reuniões para fins de consulta e de estudo. Caso
particular e do ensino primário gratuito.

Na carta social europeia, estabelecem-se regras relativas a adscrição


das partes constantes aos seus diversos preceitos.

Maior operatividade obtém, de todo o modo, a protecção no sistema da


organização internacional do trabalho.

A competência de regulamentação dos direitos económicos, sociais e


culturais.

Ao contrario do que se verifica com os direitos liberdades e garantias, a


regra e da competência legislativa concorrencial da AR e do governo no
tocante a direitos económicos , sociais e culturais e da competência
também das assembleias legislativas regionais, nos respectivos âmbitos
territoriais, a extensão , a fluidez e, muitas vezes, a tecnicidade das
matérias encontram-se subjacentes a esta orientação.

Únicos domínios de reserva de competência da AR são:

a) Em moldes de reserva absoluta, as bases do sistema de ensino,


enquanto estas tenham que ver com o direito a educação e não
só com a liberdade de ensino;
b) Em termos de reservas relativa, as bases do sistema de segurança
social e do serviço nacional de saúde, as bases do sistema de
protecção da natureza, do equilíbrio ecológico e do património
cultural e o regime geral do arrendamento rural e urbano.
Esta reserva legislativa coincide com reserva parlamentar de
aprovação de convenção.

Finalmente, as matérias de direitos económicos, sociais e culturais não


estão excluídas do referendo nacional.

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TEMA – III

SISTEMA DE DIREITOS FUNDAMENTAIS NA CONSTITUIÇÃO MOÇAMBICANA.

UNIDADE Temática 1.1. Noção dos Direitos fundamentais: Direito,


direitos humanos e direitos fundamentais; Os sentidos formais e material
dos Direitos Fundamentais. Pressupostos dos Direitos Fundamentais.
UNIDADE Temática 1.2. A importância Constitucional dos Direitos
Fundamentais: A protecção constitucional da pessoa pelos direitos
fundamentais; A evolução dos direitos fundamentais; Os direitos
fundamentais e o futuro.
UNIDADE Temática 1.3. Direitos fundamentais e Conceitos Afins:
direitos subjectivos públicos; direitos de personalidade; situações
funcionais; direitos dos povos; interesses difusos; garantias constitucionais;
deveres fundamentais

UNIDADE Temática 1.4. EXERCÍCIOS deste tema

Introdução

Estado de Direito democráticos os direitos, liberdades e garantias


pessoais, o sufrágio universal, o pluralismo partidário, a existência de um
Parlamento, a independência dos tribunais, e os princípios de legalidade
e de constitucionalidade. Em Moçambique, muito tem sido feito para
garantir a protecção dos Direitos Fundamentais e, consequentemente,
para a construção e a materialização do princípio do Estado de Direito.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Analisar o capítulo constitucional que trata sobre os direitos fundamentais

 Conhecer a evolução histórica dos direitos fundamentais desde a Constituição de


Objectivos
1975
específicos
 Descrever um Estado de Direito

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UNIDADE Temática 3.1. noção dos Direitos fundamentais: Direito, direitos


humanos e direitos fundamentais; Os sentidos formais e material dos Direitos
Fundamentais. Pressupostos dos Direitos Fundamentais.

Direitos Humanos são os direitos de que uma pessoa necessita para viver
com certa dignidade humana (Forsythe, 2000, p. 3 e ss). São, na
expressão de Diogo Freitas do Amaral (2004, p. 56):

“Direitos individuais, conferidos por Deus ou pela Natureza, reconhecidos


pela Razão, inerentes à condição da pessoa humana, e por isso mesmo
anteriores e superiores ao próprio Estado, a quem são oponíveis pelos
indivíduos”.

Esta ideia de reconhecimento e de protecção de Direitos Humanos surgiu


na Inglaterra com John Locke (1690), e foi proclamada pela primeira
vez num grande texto internacional, em 1776, na “Declaração de
Independência dos Estados Unidos da América, redigida por Thomas
Jefferson:

“Nós temos por evidentes por si próprias as verdades seguintes: todos os


homens são criados iguais; são dotados pelo Criador de certos direitos
inalienáveis; entre estes direitos contam-se a vida, a liberdade e a procura
de felicidade”.

Em Moçambique, muito tem sido feito para garantir a protecção dos


Direitos Fundamentais e, consequentemente, para a construção e a
materialização do princípio do Estado de Direito. O primeiro esforço foi
dado com a primeira grande revisão constitucional de 1990. Esta
Constituição consagrou, em Moçambique, um Estado de Direito,
estabeleceu as estruturas de mérito para a implantação de uma
democracia política, da separação de poderes, da liberdade política e
da consagração efectiva dos principais direitos fundamentais.

Estes princípios da Constituição de 1990 foram enriquecidos,


reformulados e ampliados pelas alterações introduzidas e aprovadas
pela Assembleia da República (AR) em Novembro de 2004. Aqui, são
evidentes alguns direitos fundamentais como o direito à vida2, princípios

2
Vide o artigo 40º da CRM.

65
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

de igualdade e universalidade3, a liberdade de expressão4, a liberdade


de imprensa5, a liberdade de associação6, a liberdade de constituir,
participar e aderir a partidos políticos7, a liberdade e consciência de
religião e culto8, só para citar alguns exemplos.

No entanto, o país precisa de esforços para a materialização desses


direitos que estão consagrados na constituição. Se alguns cidadãos,
entendendo que algo não está a correr como deveria ser e, por via disso,
entenderem fazer uma manifestação, gozando do previsto no artigo 51º
da CRM, não deve o Estado reprimi-los. Nem deve usar da sua poderosa
força coerciva para “acabar com a manifestação”9. Deve ouvi-los,
percebê-los. Deve procurar reconhecer esse direito à expressão e
manifestação públicas10.

Também, se estes importantes direitos, exigem, para a sua aplicação, um


exercício hermenêutico extremamente técnico11, os mesmos não
alcançarão os efeitos desejados, porquanto nem todo o cidadão (pessoas
a que se destinam esses direitos) percebe de lei, de forma tão profunda
como se deseja para perceber o alcance prático dos direitos
fundamentais na Constituição vigente. Por fim, há que se pensar na
possibilidade de ampliação12 de direitos fundamentais, bem como na
necessidade de materialização dos direitos fundamentais já

3
Vide os artigos 36º e 35º da CRM.
4
Vide o artigo 48º, números 1 e 2 da CRM.
5
Vide o artigo 48º, nr. 3 e 5, todos da CRM.
6
Vide o artigo 52º da CRM.
7
Vide o artigo 53º da CRM.
8
Vide o artigo 54º da CRM.
9
Em 2008, na Cidade de Maputo, capital do país, dezenas de pessoas morreram em
manifestações contra o custo de vida depois do aumento do preço dos transportes
colectivos de passageiros (vulgo chapa-cem), que a maior parte da população
desfavorecida usa para ir trabalhar. A mesma situação ocorreu em 2010, quando os
cidadãos das zonas pobres do país saíram para as ruas com o fito de dar entender ao
Estado as consequências negativamente graves das suas decisões que tinham a ver com
a subida dos preços do combustível, do trigo, do pão, da água e da energia eléctrica.
Veja mais detalhes sobre as manifestações em Moçambique em
http://www.angolaresistente.net/2010/09/02/mocambique.
10
O Estado de Direito, deve mesmo ser um Governo de lei, não só por ter que cumprir
com as leis que ele mesmo cria, como atrás se disse, mas por se dedicar na feitura de
boas leis, aquelas que protegem direitos humanos.
11
Vide os artigos 42º e 43º, todos da CRM.
12
Em termos práticos, ampliar Direitos Fundamentais significa constitucionalizar, ou
seja, proteger por via da Constituição, mais Direitos Humanos.

66
ISCED CURSO: DIREITO; 20 Ano Disciplina/Módulo: DIREITOS FUNDAMENTAIS

consagrados, para que, por esta via, se possa falar num verdadeiro
Estado de Direito (Vieira, 2011, p. 258).

O Respeito pela Liberdade do homem em Moçambique

A liberdade é a “ausência de coerção intencional por terceiros” (Espada,


2008, p. 20). É uma propriedade da vontade, através da qual as
pessoas têm a capacidade de escolher e actuar em quê e como querem
(Espada, 2008). Ora, essa ideia de liberdade, sobretudo a liberdade
política, sempre anda relacionada com as respectivas limitações.
Segundo Montesquieu (2011, p. 302):

“Numa sociedade onde há leis (Estado), a liberdade só pode consistir em


poder fazer o que se deve querer, e não ser forçado a fazer o que não se
deve querer. (...) A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis
permitem”.

Caetano (2009, p. 308)., por sua vez, entende que a liberdade é a


expressão de limitação do poder político. Ou seja, no que se pode aqui
entender, as várias acepções da liberdade existentes13 podem ser
resumidas em duas: (i) a liberdade essencial, relacionada com a natureza
da pessoa humana e que o poder político deve respeitar. São os casos
de direitos individuais à vida e à integridade pessoal, o direito ao bom
nome e reputação, o direito ao trabalho, o direito de formar família e
educar os filhos, o direito de deslocação, o direito à inviolabilidade de
domicílio, dentre outros.

E (ii) a liberdade instrumental, aquela que é constituída por


direitos políticos concedidas por lei aos cidadãos para a garantia da
liberdade essencial. Trata-se de direito ao voto, direito de reunião e
associação, direito de queixa e participação, por exemplo (Caetano,
2009, p. 309).

13
Liberdade física, a liberdade de coacção, a liberdade psicológica e a liberdade ética
ou moral, de entre tantas.

67
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No entanto, a liberdade não é e nem pode ser absoluta, pois


para ser direito, ela tem de ser limitada por lei. E, pelo que já se disse
sobre a limitação de poderes, só o Estado é que tem a legitimidade de
limitar os direitos dos indivíduos com vista ao bem comum. Deste modo,
ao limitar, ele obriga-se a reconhecer, a respeitar e a tutelar a liberdade
das pessoas a fim de que o seu exercício não lese o desfrute dos direitos
e o cumprimento dos deveres dos demais – daí o direito à liberdade.

Ora, a ideia do tratamento da liberdade como direito, para


reconhecê-lo, limitá-lo e defendê-lo, não é de hoje. Remonta os tempos
mais antigos e sempre ocupou um lugar cimeiro dentre os demais direitos
pelos quais a humanidade lutou para que fossem reconhecidos e
respeitados. Por exemplo,

“Nenhum homem livre será detido, aprisionado, considerado fora da lei,


expatriado ou de alguma maneira ter violada sua personalidade, nem será
prejudicado ou condenado, senão pelo julgamento de seus pares ou pela lei
do país14”

Em consequência desses e mais documentos, tem-se hoje a Declaração


Universal de Direitos Humanos (DUDH), um instrumento mais acabado
sobre direitos humanos, que não só reconhece a liberdade como um
direito, como também consagra as suas particulares vertentes, como:
direito à liberdade, no sentido de negação da escravidão e da
servidão15; o direito à protecção da liberdade pessoal16; o direito à
liberdade de opinião e expressão17; o direito à liberdade de
pensamento, de consciência e religião18; o direito à liberdade de
residência e de circulação19 e o direito de liberdade associativa20. É
deste documento que a maior parte dos Estados busca a inspiração para
consagrar os direitos dos seus cidadãos nas suas constituições, tornando-
os, desta forma, direitos fundamentais.

14
Fonte: Carta Magna, Inglaterra (1215).
15
Vide o Artigo 4º da DUDH.
16
Vide o artigo 3º da DUDH.
17
Vide o artigo 19º da DUDH.
18
Vide o artigo 18º da DUDH.
19
Vide o artigo 13º da DUDH.
20
Vide o artigo 20º da DUDH.

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Segundo Espada (2008, p. 21), a democracia liberal tem de ser


entendida como aquela com um sistema de Governo limitado; isto é,
aquele que não seja originada por uma revolução; que não visa criar
uma nova moldura à sociedade; mas sim, aquele que tem como fim
proteger os modos de vida já existentes.

Espada apresenta a democracia liberal num ataque que faz à cultura


social e política da França, onde os homens se desrespeitam uns aos
outros na busca da liberdade ou pelo menos de um modelo de vida
política que acham ideal para o outro. É um ataque crítico, pois ele ilustra
uma outra cultura política, a inglesa, onde não se verificaram estas
disputas para que essa sociedade seja o que hoje é – uma sociedade
verdadeiramente liberal.

Na sua comparação entre duas culturas políticas (anglo-americana e a


francesa), Espada reconhece a existência de dois conceitos de liberdade,
optando por um deles, o da liberdade negativa, que quer dizer,
liberdade como ausência de coerção. Diz ele, na esteira de Isaiah Berlin:

“A liberdade não tem aqui um conteúdo substantivo: não é libertação


através da razão, não é conformidade com um determinado padrão de
comportamento subjugado mais livre, é simplesmente usufruto de um modo
de vida pacífico sem intromissão de terceiros (...). A liberdade é basicamente
ausência de coerção intencional por terceiros. A liberdade começa, por isso,
na liberdade da pessoa e da sua consciência” (Espada, 2008, p. 21).

Contudo, para que se fale de um verdadeiro Estado de Direito em


Moçambique, é preciso que as pessoas sejam livres. É preciso que haja a
liberdade de circulação de pessoas e bens, liberdade de expressão -
sem nenhuma posterior retaliação, liberdade de livre escolha do seu
dirigente político e outras formas de liberdade que não basta a sua mera
consagração constitucional, necessitando de plena materialização.

Sumário

Contudo, para que se fale de um verdadeiro Estado de Direito em


Moçambique, é preciso que as pessoas sejam livres. É preciso que haja a
liberdade de circulação de pessoas e bens, liberdade de expressão -
sem nenhuma posterior retaliação, liberdade de livre escolha do seu

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dirigente político e outras formas de liberdade que não basta a sua mera
consagração constitucional, necessitando de plena materialização.

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