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Ano VI / No 23 - 15 de março de 2004

EDITORIAL
Fuzileiros Navais! Nesta 23ª Edição de seu periódico Âncoras e Fuzis, o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais
apresenta artigos sobre: a participação de um GptOpFuzNav na evacuação de civis e na segurança da Embaixada e Chancelaria
do Brasil em Porto Príncipe - Haiti; o Fuzil Antimaterial; a Embarcação de Desembarque sobre Colchão de Ar (EDCA); e o Corpo
de Fuzileiros Navais da Tailândia. O BtlCmdoCt contribuiu com uma matéria sobre o emprego de sensores em combate.
A coluna “Palavras do Comandante-Geral”, em virtude da relevância do assunto, retoma o tema do novo processo de
seleção para o Curso de Especialização.
Ressalta-se a importância deste periódico como instrumento de divulgação de diversas matérias de interesse de todos os
Fuzileiros, oficiais e praças.
Ainda neste número é divulgada a classificação final do concurso “Âncoras e Fuzis”. A premiação pela participação e
contribuição ocorrerá em data a ser confirmada.
Relembra-se que as colaborações poderão ser feitas da seguinte forma: respondendo às situações descritas na coluna
DECIDA; enviando sua interpretação sobre o tema sugerido na coluna PENSE; ou enviando pequenos artigos sobre temas
técnicos ou táticos que sejam de interesse do combatente anfíbio que de acordo com o Regulamento do Prêmio Âncoras e Fuzis
são também considerados para o cômputo da pontuação. Com relação à coluna do DECIDA e do PENSE solicitamos que as
contribuições sejam encaminhadas até o dia 19 de abril. Envie sua contribuição diretamente ao Departamento de Pesquisa e
Doutrina do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais pelo MBMail (3001@comcfn), internet (3001@cgcfn.mar.mil.br)
ou pelo Serviço Postal da Marinha. ADSUMUS!
Palavras do Comandante-Geral
Processo Seletivo Para os Cursos de Especialização
A gestão de pessoal é uma atividade que contribui de maneira decisiva para a eficácia de qualquer Força
profissional e moderna. Assim, com o intuito de aprimorar a gestão de pessoal do CFN, o processo seletivo para os
Cursos de Especialização foi objeto de profundo estudo, tendo-se verificado a necessidade de algumas mudanças
para o aperfeiçoamento da avaliação dos principais atributos do Soldado Fuzileiro Naval:
- desempenho como atirador;
- higidez e aptidão física;
- valores morais e éticos; e
- qualidades intelectuais e profissionais.
Foram identificados os parâmetros correspondentes a cada atributo para a avaliação do perfil do SD-FN
desejável. Concluiu-se que, para avaliação do atributo qualidades intelectuais e profissionais, uma prova de
conhecimentos técnico-profissionais atenderia em melhores condições ao exigido, além de proporcionar aos candidatos
maior isonomia.
Desta maneira, nos processos seletivos a partir de 2007, serão implementadas as seguintes alterações, com
aplicação às turmas de 2004 e aos remanescentes das turmas de 2002 e 2003:
a) manutenção da HP, da AMC, do TAF e do Comportamento como atributos quantificáveis;
b) retirada de Condecorações, Citações Meritórias e Cursos Extraordinários e Estágios como atributos quantificáveis;
c) consideração do Estágio de Tiro como eliminatório; requisito: obter pelo menos oitenta e dois pontos, ou seja, ser
Atirador de Primeira Classe ou Perito; e
d) inclusão de uma prova de conhecimentos.
Estas modificações encontram-se formalizadas na modificação nº 2 da publicação CGCFN-101 (2ªRevisão).
Desta forma, pretende-se dar uma chance ao Fuzileiro Naval para que ele, concretamente, lute por sua carreira.
Assim, seu esforço pessoal será fator importante para o seu sucesso.

PRÊMIO “ÂNCORAS E FUZIS”


Este prêmio foi instituído com o propósito de incentivar a participação dos Fuzileiros Navais e das OM, reconhecendo
aqueles que, no decorrer do ano de 2003, mais contribuíram com este periódico, enviando soluções para as colunas do
“Decida” e do “Pense” ou enviando sugestões para artigos a serem publicados. O Comandante-Geral congratula todos
os militares e OM que enviaram suas contribuições e parabeniza, em especial, o 2º SG-FN-IF S. Nascimento do
2ºBtlInfFuzNav e o próprio 2ºBtlInfFuzNav, vencedores nas categorias individual e por OM. A entrega dos prêmios
ocorrerá em data a ser confirmada.
INDIVIDUAL OM
1º - 2ºSG-FN-IF S. Nascimento (2ºBtlInfFuzNav)........18 PONTOS 1º - 2ºBtlInfFuzNav...............387 PONTOS
2º - 1ºTen(FN) Rodrigues Sousa (2ºBtlInfFuzNav).......13 PONTOS 2º - 1ºBtlInfFuzNav.............. 375 PONTOS
3º - 2ºTen(FN) Góes (2ºBtlInfFuzNav)..........................09 PONTOS 3º - CIASC............................. 28 PONTOS
4º - CT(FN) Leonardo Azeredo (1ºBtlInfFuzNav)........08 PONTOS 4º - BtlCmdoCt........................18 PONTOS
5º - CT(AFN) Robson (CPesFN)...................................07 PONTOS 5º - BtlEngFuzNav..................16 PONTOS

1
FUZIL ANTIMATERIAL
O armamento, conhecido atualmente como fuzil antimaterial, teve sua origem durante a Primeira Guerra
Mundial, quando os beligerantes desenvolveram fuzis de grosso calibre para perfurar a blindagem de aço dos carros
de combate da época.
Devido ao avanço tecnológico, a blindagem dos carros de combate evoluiu além do ponto onde nenhum fuzil
de grosso calibre poderia penetrar, tornando, assim, obsoleto como arma anticarro. Este tipo de armamento ficou
esquecido até o início da década de 80, quando a comunidade de operações especiais começou a procurar uma
metralhadora pesada de grande precisão para destruição de alvos especiais.

Alguns poucos fuzis antimaterial foram testados e usados, em número limitado, durante a década de 80, porém
não foram fabricados em quantidades significativas até a guerra do Golfo, onde o fuzil Barrett M82A1 foi intensamente
utilizado.
O êxito do M82A1 na operação “Tempestade do Deserto” marcou o primeiro emprego em larga escala do
fuzil de grosso calibre contra blindagem e terminou consagrado entre os militares norte-americanos e outras forças
armadas, sendo atualmente usado por mais de trinta exércitos no mundo.
O calibre do fuzil antimaterial normalmente pode ser de 12,7 x 99mm (0.50 BMG, semelhante ao da metralhadora
Browning ), 12,7 x 108mm ou 20 mm, embora novos
projetos da munição 12,7mm desenvolvidos para o emprego
antimaterial superam os projetis de 20mm em termos de
penetração.
Hoje, os fuzis antimaterial são amplamente usados
para engajar aeronaves estacionadas, helicópteros em
baixa velocidade, veículos com blindagem leve, veículos
de comunicações, radares e alvos similares. Também são
usados por pessoal encarregado pela destruição de artefatos
militares falhados dentro de uma distância segura.
A maioria dos fuzis antimaterial utilizam munição
perfurante (AP), perfurante incendiária (API) e de
multiemprego.
( Jane’s International Defense Review/ december 2001)

FUZILEIROS NAVAIS DA TAILÂNDIA


As origens do Corpo de Fuzileiros Navais da
Tailândia (Royal Thai Marine Corps - RTMC) remontam
ao ano de 1824 durante o reinado do rei Rama III. Em
1951, devido a problemas políticos internos no país, o
RTMC foi extinto. Porém, em 30 de julho de 1955 o
RTMC foi recriado e organizado nos moldes do USMC,
tornando-se um Corpo moderno e profissional.
Atualmente, este Corpo possui um efetivo de cerca de
25.000 militares, distribuídos em uma Divisão de
Fuzileiros Navais, em unidade de Forças Especiais,
Regimento de Segurança, Companhia de Operações
Psicológicas e Centro de Instrução. A Divisão de
Fuzileiros Navais é constituída basicamente por dois
Regimentos de Infantaria, um Batalhão de Carros de
Combate e por diversas unidades de Apoio ao Combate e
Apoio de Serviços ao Combate, de acordo com os
organogramas abaixo.
Esta Força está apta a cumprir diversas tarefas, tais
como: conduzir operações anfíbias, operações especiais e
prover segurança de bases, sendo, no entanto, participar da
defesa nacional a sua principal atribuição.
O Corpo de Fuzileiros Navais da Tailândia mantém
programas de intercâmbio com diversas nações, destacando-
se cursos e treinamentos em países aliados ( EUA, Austrália,
Nova Zelândia e Inglaterra) e exercícios combinados,
principalmente com o USMC.

2
EMBARCAÇÃO DE DESEMBARQUE SOBRE COLCHÃO DE AR
(EDCA)
A Embarcação de Desembarque A EDCA opera sem que haja
Sobre Colchão de Ar (EDCA) trans- preocupação com a profundidade, com
porta sistemas de armas, equi- obstáculos submersos ou com
pamentos, carga e pessoal dos restrições de maré. Ela pode adentrar
elementos de assalto de uma Força de pelo terreno, ultrapassando obstáculos
Desembarque (ForDbq) no Movimento até 1,2 m, sem restrições quanto ao tipo
Navio-para-Terra de terreno,
(MNT). É capaz incluindo lodo,
de transportar areia, dunas,
uma carga c a n a i s ,
máxima de 75 pântanos, neve e
toneladas por gelo. Graças às
viagem a uma rampas situadas Anfíbia às defesas de costa inimigas.
velocidade de 40 à vante e à ré,
A EDCA, por sua vez, torna o assalto
nós e, assim, viaturas sobre
possível a cerca de 80% dos litorais
aumentar o poder rodas e sobre
do mundo e aumenta de maneira
de combate em lagartas podem
excepcional a distância do MNT para
terra em tempo embarcar e
significativamente desembarcar em 50 milhas da costa, ou seja, além do
mais curto do que os dos meios ambas as direções, reduzindo-se horizonte do defensor. Juntamente
convencionais, reduzindo dessa forma acentuadamente o tempo para essas com o MNT helitransportado, que há
uma das vulnerabilidades de um operações. décadas vinha se constituindo na opção
desembarque anfíbio: poder de Essa embarcação é uma grande isolada de desembarque além do
combate partindo do zero. inovação tecnológica da moderna horizonte, a capacidade operacional da
Com uma capacidade de 19.000 guerra anfíbia. Suas características EDCA confere à ForTarAnf um grande
litros de combustível, consumindo operacionais permitem o assalto potencial para a obtenção, com rapidez,
cerca de 3.800 litros por hora, a EDCA lançado de áreas além do horizonte, da surpresa tática, reduzindo as perdas
tem uma autonomia de cinco horas. reduzindo os riscos para o pessoal e materiais e em vidas humanas. A EDCA
Suas manobras requerem cerca de 500 para os navios em relação às defesas permite ainda descarregar suprimentos
metros para parar e um raio de giro de de costa, criando incerteza ao e equipamentos em partes mais
cerca de 2.000 metros. Como todos oponente quanto à hora e o verdadeiro transitáveis da praia, evitando a zona
os “hovercraft”, desliza sobre um local do desembarque. Além disso, o da arrebentação.
colchão de ar. O ar sobre o qual a seu sistema de deslocamento a torna
EDCA flutua é fornecido por quatro menos susceptível à ação de minas do
ventiladores centrifugais movidos por que os outros meios do MNT por
uma turbina a gás. O ar fica circundado superfície.
pela parte rígida do casco, pela Os meios convencionais
superfície onde a EDCA se encontra e deslocam-se a oito nós e limitam o
por uma saia flexível de lona planejamento do desembarque a apenas
emborrachada. Assim, quando em 17% das áreas litorâneas do mundo e
funcionamento, a EDCA se desloca ainda possibilitam o MNT a distâncias
com seu casco cerca de 1,2 m acima não superiores a duas milhas da costa,
da superfície. expondo a própria Força-Tarefa

PRINCIPAIS ESPECIFICAÇÕES:
Fabricante: Textron Marine and Land Systems Lockheed Avondale Gulfport Marine;
Propulsão: Quatro turbinas a gás 12,280 bhp; dois hélices aéreos; quatro ventiladores de elevação;
Comprimento: 27 m;
Deslocamento: 200 tons (plena carga);
Capacidade de transporte de pessoal: 24 homens;
Capacidade: 60 tons/75 tons (carga máxima);
Velocidade: 40 nós;
Armamento: duas metralhadoras 12.7mm; reparo para metralhadora .50 M-2HB; lançador de granadas 40 mm Mk-19 Mod3
40mm e metralhadora M-60;
Tripulação: cinco homens; e
Autonomia: 200 milhas, a 40 nós, com carga máxima; ou 300 milhas, a 35 nós, com carga máxima.

3
O EMPREGO DE SENSORES EM COMBATE
A revolução no emprego da tecnologia de sensores permite visualizar o seu uso militar para a vigilância, em
tempo real, de vastas áreas a partir do lançamento de um número suficientemente grande destes equipamentos para
detectar, localizar, identificar e adquirir alvos variados.
Com o avanço da nanotecnologia, estes equipamentos tendem a se tornar menores e mais baratos, em
conseqüência, mais numerosos e variados, podendo ser empregados para testar fenômenos acústicos, sísmicos,
infravermelhos, entre outros, provendo dados em quantidade e qualidade que permitam reduzir a neblina no espaço
de batalha. Imagine-se milhares de sensores móveis do tamanho de um inseto vigiando e reportando os informes
obtidos em tempo real.
Será necessária a existência de uma infra-estrutura de Tecnologia da Informação que permita a coleta dos
dados e um Centro de Análises que realize o processamento tempestivo. Assim, parece que o gargalo no emprego
de sensores estará na capacidade de se processar o que foi coletado.
Após a fase de processamento, há que se disseminar a informação, oportunamente, para o decisor e/ou para
os escalões subordinados, usando uma estrutura de Comando e Controle apropriada. Naturalmente, os Sistemas
de Armas disponíveis devem ser capazes de reagir com a rapidez e eficácia necessárias, a fim de que se possa
atingir o efeito desejado.
Como o avanço da Tecnologia da Informação, dos Sistemas de Armas e da tecnologia dos sensores, não é
síncrono, há que se efetuar uma integração sistêmica destas grandes áreas, a fim de criar sinergia no emprego dos
sensores. Isto nos leva ao conceito de “Network Centric Operations”.
As Operações Centradas em Rede são a arte de empregar a máxima força por meio de uma robusta Rede de
Combate, onde as peças de manobra estão bem informadas e geograficamente dispersas, a fim de permitir o
emprego de um estilo preciso e ágil de Guerra de Manobra.
Na realidade, isto quer dizer que, se há uma forma de manter um acompanhamento em tempo real dos eventos,
em um espaço de batalha, por meio do emprego maciço de sensores e de um Centro de Análises que gere informações
oportunas para o decisor, é possível manter o Ciclo OODA em constante execução, buscando uma linearidade
crescente, como pode ser observado na figura.

Contribuição do CF(FN) Tomas de Aquino Tinoco Botelho, Comandante do BtlCmdoCt

4
Destacamento de Segurança de Embaixada
No dia 26FEV, por solicitação do Ministério das Relações
Exteriores ao Ministério da Defesa, o Comandante da Marinha
determinou o acionamento de um Destacamento de Segurança
de Embaixada devido à situação conturbada que se observava na
República do Haiti. Deste modo, foi constituído um Grupo-Tarefa
integrado por duas Unidades-Tarefa para embarcar em uma
aeronave C-130 (Hércules) da FAB, na Base Aérea do Galeão,
ainda na madrugada do dia 27FEV, precisamente às 270500P/FEV,
para realizar movimento aerotransportado até o Aeroporto
Internacional de Porto Príncipe. Uma Unidade-Tarefa foi incumbida de deslocar-se para a Embaixada e demais
instalações do Brasil naquela cidade, onde deveria realizar a segurança de suas áreas e do Corpo Diplomático acreditado
naquele país. A outra Unidade-Tarefa foi destinada a prover a segurança dos nacionais não combatentes que
regressariam ao Brasil, além de ficar em condições de reforçar a primeira Unidade-Tarefa, caso o poder de combate
desta não fosse suficiente para atender situações emergenciais, o que veio a se concretizar.
Este episódio emblemático, cuja prontificação do destacamento demandou apenas dezesseis horas, vem confirmar
o crescimento da presença dos nossos militares no cenário internacional, e demonstra mais uma vez o elevado grau de
profissionalismo, dedicação, prontidão, entusiasmo e espírito de corpo dos Fuzileiros Navais. BRAVO ZULU!

GUERRA DE MANOBRA
A RAPIDEZ NO CAMPO DE BATALHA
A última edição desta coluna que todos harmonizem seus esforços fácil implementação, o improviso tem
abordou a importância da rapidez no em prol de um objetivo comum. Esta lugar apenas nas situações críticas de
campo de batalha como instrumento opção de atribuir as tarefas não elimina combate onde as soluções planejadas
para se atingir alguns dos principais a possibilidade de se determinar e os meios disponíveis deixam de ser
objetivos da Guerra de Manobra. A especificamente a ação a ser em- eficazes. Para que a improvisação seja
agilidade em combate confere às tropas preendida pelo subordinado, desde que efetiva é preciso que os líderes incen-
a possibilidade de interferir na ca- ele conheça, também, o propósito tivem e saibam ouvir as sugestões de
pacidade do inimigo de apresentar uma maior para o qual irá contribuir no seus subordinados e tenham fle-
reação coordenada e eficaz e permite cumprimento da ação estabelecida. O xibilidade para rapidamente implemen-
quebrar sua vontade de continuar lu- efeito desejado deve ser de amplo co- tar essas soluções.
tando. Nessa edição serão apresentadas nhecimento não apenas do comandante · A experiência confere grande
sugestões de procedimentos para que mas de toda a tropa, pois isso permite rapidez à tropa, que acostumada às
uma tropa se torne mais rápida em que todos reajam rapidamente, de adversidades naturais do combate e
combate. acordo com a evolução da situação em adestrada em exercícios realistas, não
· A simplicidade é um multiplicador combate, sem ter que aguardar novas desperdiça tempo procurando saber
da rapidez em combate. Não apenas os determinações. Essa descentralização como agir a cada nova situação. Para
planos, mas toda e qualquer ação obtida permite que as oportunidades que as tropas que não participam com
executada em combate deve buscar a surjam possam ser rapidamente freqüência de operações reais de combate,
simplicidade. O caos natural do combate exploradas, confundindo o inimigo e a experiência é obtida com o constante
já tende a dificultar a mais simples das retardando suas ações, enquanto torna treinamento no campo ou mesmo em sala
atividades, não é preciso, portanto, que as forças amigas mais ágeis. de aula, onde as simulações táticas
sejam acrescentadas dificuldades · A presença do Comandante à permitem que se adestre a tomada de
desnecessárias. Todo militar deve frente agiliza a tomada de decisão, decisão dos líderes em todos os níveis.
manter-se constantemente preocupado permite que ele se mantenha sempre As sugestões acima apresentadas
em tornar as coisas mais simples, desde ciente dos últimos acontecimentos e não pretendem esgotar o assunto e não
a confecção de planos, a composição e saiba, rapidamente, como fazer os devem limitar a capacidade inerente aos
organização de suas forças, as táticas ajustes necessários em seu dispositivo nossos militares de aperfeiçoar técni-
empregadas, até os procedimentos e redirecionando o foco de seu esforço, cas e procedimentos. São inúmeras as
técnicas utilizados individualmente. A de acordo com a evolução da situação. possibilidades de melhorias que podem
simplicidade em combate é sinônimo · A improvisação contribui bastante ser adotadas em todos os escalões para
de rapidez. para o aumento da rapidez de uma tro- tornar as tropas mais ágeis, o fun-
· A transmissão aos subordinados pa. Esta improvisação não se refere à damental, no entanto, é manter-se sem-
do efeito desejado que se busca adoção de soluções incompletas ou pre focado com o aumento da rapidez
alcançar com determinada ação permite imperfeitas apenas por serem de mais em combate.

PENSE
“Não repita um ataque pela mesma frente após um insucesso inicial. O mero reforço de
forças não é suficiente para reverter a situação, porque provavelmente o inimigo também
terá reforçado suas forças durante este processo. Além do mais, provavelmente o moral do
inimigo foi elevado pelo sucesso em repelir seu ataque.”
B. H. Liddell Hart .

5
Resposta do “Pense” anterior – “Âncoras e Fuzis nº 22”
“A arte da batalha consiste em manter e fortalecer a coesão mental de sua tropa, ao mesmo
tempo em que se busca quebrar a do inimigo.” General André Beaufre, 1965.

O CGCFN parabeniza a todos que enviaram suas contribuições à coluna “Pense”. Foi
com grande satisfação que constatou-se a participação de 359 militares, caracterizando
o maior número de contribuições já recebidas por esta coluna. Além do recorde em
quantidade, sobressaiu-se, também, uma melhora notável no que se refere à qualidade das
contribuições. Isto denota, que a coluna vem atingindo os efeitos desejados, que são os
de fomentar a discussão de idéias no campo militar, e provocar a prática da redação, que
tanto contribui para o aperfeiçoamento da expressão escrita, ferramenta fundamental para
a boa comunicação.
Os militares abaixo listados lograram êxito em expressar suas idéias de acordo com
o sentido principal incutido na frase do Gen Beaufre, qual seja, que a coesão mental de
nossas forças e a do inimigo são influenciadas por uma postura em combate que privilegia
a Guerra de Manobra, não permitindo ao inimigo que complete seu Ciclo de Boyd ou
OODA satisfatoriamente, degradando assim, sua capacidade de resposta.

1ºBtlInfFuzNav: CC (FN) Xavier;


2ºBtlInfFuzNav: 2ºTen (FN) França, 2ºTen(FN) Fabio Vimeney Simas e 2ºTen (FN) Marinho.

Neste número, o 2ºTen (FN) Bruno La Marca Rodrigues, do 1º BtlInfFuzNav, destacou-


se dos demais pela pertinência de suas observações particulares, sendo reproduzida abaixo
a sua idéia.
“Atualmente estamos fundamentando cada vez mais o conceito de guerra de manobra.
Devemos considerar que enfraquecer a coesão mental do inimigo ao mesmo tempo em
que fortalecemos a nossa, faz parte desse conceito.
Através dos tempos só foram obtidos resultados objetivos nas guerras, com raras
exceções, quando a operação foi realizada de maneira tão indireta que o adversário não
estava em condições de enfrentá-lo (Sic). Essa ação indireta refere-se em todos os casos
ao psicológico. Na estratégia nem sempre a linha reta é o caminho mais curto entre dois
pontos.
Tornou-se cada vez mais claro que a ação direta contra um objetivo mental, ou objetivo
físico, realizada segundo a “linha de ação” esperada pelo inimigo, é fadada a produzir
resultados negativos. A razão pode ser explicada pelo dito de Napoleão de que “o moral
está para o físico como três estão para um”.
Movimentar-se de acordo com o que está previsto pelo adversário é permitir-lhe o
equilíbrio de que necessita para aumentar sua resistência. Para acabar com esse equilíbrio,
podemos utilizar uma ação estratégica indireta, que engloba a manobra pela retaguarda
que era o objetivo constante (Sic) e o método chave utilizado por Napoleão na conduta
de suas operações.
Que inimigo combate com fome? Que inimigo combate com frio? Que inimigo combate
sem munição? Esses fatores tem estreita relação com o psicológico do combatente.
Uma manobra contra a logística do inimigo pode causar-lhes sérios danos, sem o
atacante expor sua tropa a confrontos diretos.
Por todos esses aspectos percebemos que um comandante tem que estar sempre
preocupado com o moral de sua tropa ao mesmo tempo em que analisa o do inimigo.
Embora o poderio de uma força ou país adversário reside aparentemente em seus efetivos
e recursos, estes dependem fundamentalmente da estabilidade do seu controle do seu
moral e suprimento(Sic).”

6
DECIDA
O Sr. é Comandante de Pelotão da 1ªCiaFuzNav(Ref) do 2ºBtlFuzNav(Ref). Seu Pelotão está sendo
apoiado por uma Seção de MtrP (duas Mtr .50). A 1ªCiaFuzNav(Ref) está tentando localizar e destruir forças
inimigas que se infiltraram na Zona de Ação do Btl. Para tal, a Cia está conduzindo uma marcha para o combate,
cujo Pel de vanguarda é o do Sr., através de terreno arborizado e com pequenas elevações cortadas por córregos,
sendo a visibilidade limitada normalmente em 75 metros por causa da vegetação.
O objetivo da Cia é o PCot 410. Seu comandante de Cia ordenou, meia hora atrás, que o Sr. agilizasse a
conquista do objetivo com a finalidade de montar uma defensiva para passar a noite.
Quando o seu Pel. estava a 400 metros à frente da Cia, o Sr. percebeu que o 1ºGC (da ponta) estava
sofrendo uma emboscada, e ao mesmo , tempo, o restante do Pel procurava cobertas e abrigos. O 1ºGC respondeu
aos fogos inimigos e o Sr. conseguiu ouvir o comandante do GC gritar ordens ao seu Grupo, dando a impressão
que ele se encontrava em uma situação bastante crítica, ou seja, estava “pegando”. O Sr., então, começou a se
deslocar, junto com a Seção de MtrP, para a posição do 1ºGC, quando ouviu fogos sendo efetuados à sua
retaguarda no flanco direito, aonde o 3ºGC deveria estar. Da sua atual posição, o Sr. não consegue mais observar
ambos os contatos, porém pode perceber que a situação estava se tornando cada vez mais crítica para o seu
Pelotão, estavam em “um verdadeiro inferno” de fogos passando sobre seu pessoal. O comandante do 1ºGC
informou, por meio de um mensageiro, que a 1º ET foi baixa e que não tinham condições de ajudar aqueles
militares, pois avaliavam que estavam engajando todo um Pelotão inimigo. Ao mesmo tempo, seu auxiliar de Pel
informa que o 3ºGC teve duas baixas e que havia pelo menos dois GC inimigos naquela posição tentando destruir
seu GC. Seu comandante de Cia está “apertando” o Sr. pela fonia, querendo saber o que está acontecendo.
E AGORA TENENTE?

.50

Companhia 400m

PCot 410

METROS

0 100
As contribuições devem ser encaminhadas a este Comando-Geral até o dia 19 de abril, devendo
conter: o exame da situação, a decisão e as ordens aos elementos subordinados.

7
Resposta do “Decida” anterior – “Âncoras e Fuzis nº22”
O problema militar apresentado na coluna “Decida” da última edição recebeu um total de 88 soluções.
O Comando-Geral congratula-se com todos estes militares que têm encontrado neste periódico, um
fórum adequado para o debate sobre os aspectos práticos e operativos de nossa profissão.
Dentro do espírito de dar algum retorno aos colaboradores sobre suas soluções táticas e, ao mesmo
tempo, concentrar algumas sugestões de procedimentos a serem adotados, tanto nas próximas
contribuições, como em uma situação prática, esta coluna apresenta a seguir o quadro “Lições
Aprendidas”. Relembra-se que seu objetivo não é sacramentar regras rígidas que padronizem as soluções.
O que se busca, nada mais é do que concentrar conhecimentos e apontar direções que costumam conduzir
ao sucesso em combate.
Dentre as soluções enviadas, os seguintes militares destacaram-se, seja pela simplicidade e correção
do formato adequado para transmitir suas ordens, seja pela originalidade de sua idéia de manobra.
2ºBtlInfFuzNav: 1ºTen(FN) Espiúca e 2ºTen(FN) França;
1ºBtlInfFuzNav: 3ºSG-FN-IF Alberto Sales Rezende Junior; e
CIASC: CT(FN) Luiggi.
No entanto, dentre todas as contribuições, destacou-se a enviada pelo 2ºTen(FN) Góes do
2ºBtlInfFuzNav, a seguir apresentada, apesar desta solução não ter definido com exatidão a coordenação
que a Bia deveria efetuar com a Cia emboscada e com o comando do GDB, pois qualquer Missão de
Tiro executada pela Bia poderia interferir seriamente na manobra do GDB, caso este estivesse planejando
desencadear um contra-ataque.
“EXAME DA SITUAÇÃO
Devido ao terreno ser alagadiço, tendo apenas as estradas pavimentadas como passagem e, também
somadas a isso a escuridão que toma conta da região, decido por a minha BiaO105mm disposta no
terreno, e lançando um OA, desencadear fogos sobre o inimigo a pedido, ou não , se necessário.
A comunicação será por fio lançado no terreno.
ORDENS AOS ELEMENTOS SUBORDINADOS:
* 3ª BiaO105mm
- Se posicionar na estrada à direita próxima à posição;
- Ficar em condições de desencadear fogos; e
- Ficar em condições de retrair rapidamente.
* OA
- Se posicionar de modo a poder observar o inimigo próximo à vila a esquerda da estrada; e
- Ficar em condições de retrair rapidamente.”

LIÇÕES APRENDIDAS
1 –Deve-se evitar a utilização do pessoal da Artilharia como Infantaria: os militares da Artilharia não têm
adestramento regular ou rotineiro específico de Infantaria, deste modo, o melhor apoio que poderão oferecer é
com o apoio de fogo do material de Artilharia;
2 – Não se deve fracionar a Bia: alguns militares propuseram manter guarnecidas uma parte da Bia para
prestar um mínimo de apoio de fogo e, ao mesmo tempo, usariam o restante do pessoal da Bia como Infantaria.
Este procedimento além de não ser previsto doutrinariamente, traz as seguintes conseqüências: perda da eficiência
da Bia por não possibilitar um pleno emassamento de fogos no objetivo e degradação da segurança física da
própria Bia pela perda do efetivo.
3 – Não se deve reforçar o insucesso: foi proposto por alguns militares a utilização do pessoal da Bia para
reforçar a Cia emboscada utilizando a mesma VA que a mesma sofreu o ataque;
4 – O comandante da Bia não poderia emitir ordens a elementos não subordinados: alguns militares emitiram
ordens a alguns apoios (CLAnf e CC) que não eram subordinados ao comandante da Bia; e
5 – Não se deve modificar sua cadeia de comando: o comandante da Bia não poderia receber ordens de
alguém de fora de sua cadeia de comando, contrariando assim, o princípio da unidade de comando. Lembre-se!
Seu comandante poderia estar planejando a sua utilização para ajudar a Cia emboscada.