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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
DIRETORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

UUNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA

SUELLEN HELENA LEITE DE MEIRELES

DESENVOLVIMENTO HUMANO E SUAS INFLUÊNCIAS

MACAÉ
2018
SUELLEN HELENA LEITE DE MEIRELES

DESENVOLVIMENTO HUMANO E SUAS INFLUÊNCIAS

Trabalho apresentado ao Departamento de Pós-


Graduação a Distância da UNIVERSO – Universidade
Salgado de Oliveira, como requisito parcial à conclusão
da disciplina Psicologia do Desenvolvimento e da
Aprendizagem, do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu
em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
Professor: Ana Cláudia Fernandes Monteiro

MACAÉ
2018
1. INTRODUÇÃO

2.

Conhecer o desenvolvimento humano e saber como ele acontece é de vital


importância para todos os que estão envolvidos no processo educacional, pois, o
desenvolvimento, assim como a aprendizagem, é uma constante na vida humana.

Diversos teóricos basearam suas pesquisas na compreensão de como


ocorre o desenvolvimento humano e dos fatores que impulsionam tal
desenvolvimento, bem como os efeitos da presença ou ausência dos mesmos no
cotidiano de um indivíduo.

Destacaremos as teorias de Piaget e Vygotsky, referentes ao processo de


desenvolvimento e aprendizagem humano, tendo como exemplo o caso das
gêmeas, apresentado no documentário “A Maça” (1998), onde somos levados a
conhecer a história de duas meninas de 11 anos de idade que foram privadas de
contato com o mundo externo e viveram trancadas em casa desde o seu
nascimento, juntamente com sua mãe cega e o pai, e analisaremos os efeitos que
essa vida em cárcere causaram na desenvolvimento das protagonistas do
documentário.

2. DESENVOLVIMENTO

O primeiro contato com a comunicação, interação e apreensão de normas


sociais e com a linguagem ocorre entre o contato da criança com os membros de
sua família direto. Esse núcleo social é o responsável pelo primeiro contato do
sujeito com o mundo que o rodeia e é a família a responsável por promover a
interação da criança com a sociedade. Apesar de nascermos com nossos sentidos e
capacidade para desenvolver as habilidades motoras e de linguagem, não é possível
que esse desenvolvimento aconteça sozinho. Para aprender a linguagem, por
exemplo, precisamos estar em contato com pessoas que já possuam tanto a
capacidade como a competência linguísticas. Para desenvolver nossa coordenação
motora e espacial, precisamos vivenciar e testar os limites do nosso corpo e sermos
impulsionados por outros, seja pelo exemplo ou pelo incentivo, a desafiar os nossos
medos e limites para chegar mais longe.

No caso das irmãs do filme, percebemos que a falta de interação com o


mundo e com as experiências que a vida em sociedade apresenta, causaram sérias
debilitações no desenvolvimento das mesmas. Apesar de elas não possuírem
nenhum tipo de deficiência nas funções mentais, elas apresentavam
comportamentos que não correspondiam ao estágio de desenvolvimento, tanto físico
como mentais, esperados de indivíduos de 11 anos de idade.

A teoria de desenvolvimento de Piaget nos apresenta fases de


desenvolvimento que são comuns a todas as pessoas e que ao ocorrerem, ou para
que aconteçam na idade correta, sofrem influência de diversos fatores externos ao
sujeito. A criança será influenciada por fatores hereditários, por fatores físicos ou
orgânicos, pela própria maturação fisiológica, bem como pelo ambiente em que essa
criança está inserida. Dentre esses fatores que influenciam o desenvolvimento, o
principal influenciador na história do documentário foi definitivamente o meio social
em que as meninas estavam inseridas. Como elas cresceram sem acesso a
diferentes vivências e experiências, tanto sensoriais, como culturais, não havia
estimulação para o desenvolvimento delas. Apesar de serem que crianças que
deveriam apresentar características de pensamento da fase operatória concreta (7 a
12 anos) devido a sua idade, pela falta de contato com o mundo e de interação com
os seus pares, elas apresentavam habilidades que poderiam ser situadas na fase
pré operatória (2 a 7 anos).

Vygotsky, em seus estudos sobre o processo de apreensão da linguagem e


pensamento no ser humano, nos mostra que o processo de desenvolvimento do que
ele chama de funções psicológicas superiores – dentre essas, memória, atenção e
percepção, pensamento lógico e linguagem – não é inato, nem ocorre de forma
espontânea. Pelo contrário, o desenvolvimento dessas funções só é possível
mediante a interação social e cultural da criança com o outro. Ou seja, será a
mediação entre criança e sociedade o impulsionador do desenvolvimento de funções
básicas, como a linguagem e pensamento. Por isso as protagonistas do
documentário não mostravam capacidade de se comunicar devidamente,
conseguiam articular palavras, mas a sua comunicação na maior parte do tempo,
acontecia por meio de gruídos e sons indecifráveis ou não seguia uma lógica clara
ou ordenação de pensamento.

As duas personagens do documentário apresentavam ainda dificuldades


para desenvolver linha de raciocínio lógico, não conseguiam compreender conceitos
como o de liberdade, brincadeiras e dinheiro; não entendiam o conceito de
alimentação, pois a vizinha conta que ao receberem comida, apenas jogavam fora,
por não entender o que deveria ser feito; apresentavam dificuldades motoras, tanto
para andar como para movimentos que exigiam coordenação fina; como pegar a
maçã ou abrir a porta girando a chave; apesar de demonstrarem afeto, como pode
ser percebido pelas insistentes tentativas de abrir a porta para libertar o pai, elas não
conseguiam entender o conceito de certo ou errado ou sabiam como interagir
devidamente, pois ao brincar com as meninas que no parque, primeiro batiam na
cabeça da menina e depois se desculpavam oferecendo uma maçã.

Vygotsky defendia que a aprendizagem não é algo formal e que está restrito
ao ambiente escolar, mas sim que a criança pode aprender muito antes de entrar na
escola, mas sim que aprendemos a todo momento, desde o instante em que
nascemos. Essa aprendizagem acontece quando a interação da criança com o outro
e com o mundo ao seu redor. Se a criança é privada de tal interação, como
aconteceu no documentário, existirá certamente um enorme atraso de
aprendizagem, bem como de desenvolvimento dessa criança. A medida que a
interação com o mundo começa a acontecer e se tornar frequente, a criança passa a
receber estimulação para progredir nos estágios de desenvolvimento, seja em
relação ao comportamento, pensamento ou a linguagem. Isso pode ser visto no
documentário, a medida que vamos acompanhando as interações sociais das
meninas com o mundo externo – elas compreendem o conceito de dinheiro e de
troca, aprendem as regras de comportamento social, bem como brincadeiras e suas
respectivas regras, expandem seus limites motores ao escalar o muro para espiar o
mundo lá fora, compreendem o conceito de autonomia e passam a se reconhecer
como indivíduos a medida que interagem com o espelho e com a assistente social,
por exemplo.

3. CONCLUSÃO
As meninas que conhecemos no documentário nunca tiveram permissão
para sair de casa, nem mesmo para medidas de higiene, devido as convicções
religiosas do seu pai – um seguidor ferrenho do Alcorão, não deixando que as
meninas tivessem contato com o mundo para que não perdessem a sua pureza – e
da personalidade dominadora da mãe – que usava a sua condição de cega como
um pretexto para exigir do pai e das filhas atenção exclusiva e se mostrava
extremamente irredutível na ideia de manter as meninas presas. Isso teve um efeito
negativo, para não dizer retardatário, no desenvolvimento motor, mental, linguístico
e social das irmãs.

Percebemos assim que o contato com o mundo, as experiências, a interação


social e as dinâmicas familiares são essenciais para o desenvolvimento humano e
para a aprendizagem em si. Só aprendemos e nos desenvolvemos quando somos
estimulados. É no contato com o mundo, na experiência dos sentidos, na conversa e
na aquisição de linguagem, que a criança consegue progredir de uma fase
puramente sensorial para chegar a formulação de pensamentos e somente por meio
da estimulação do pensamento e do incentivo para pensar e investigar o mundo que
a cerca é que criança poderá desenvolver plenamente até alcançar todo o seu
potencial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MAKHMALBAF, Samira. A Maçã. (Sib), Irã / França, 1998.

OSTI, Andréia. Concepções sobre desenvolvimento e aprendizagem segundo a


psicogênese piagetiana. Revista de Educação, v. 12, n. 13, 2015.

ROCHA, Termisia. Aprendizagem e desenvolvimento em Vygotsky. Revista Athos


& Ethos, v. 10, p. 1-12, 2013