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Centro Universitário Estácio São Luís

Disciplina: Prática Simulada V (Cível) – CCJ 0151

Turma: 3001

Alunos:

Altair da Trindade Rosas Júnior – Matrícula 2016.0332.2396

Eduardo Patric Nunes Nogueira – Matrícula 2016.0316.3638

Saulo Filipe Sousa de Araújo – Matrícula 2008.0503.8461

Tecio Andrade Serejo – Matrícula 2016.0283.7121

Wellyson Vinicios Pereira Belo – Matrícula 2016.0323.4632

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO

PABLO, espanhol, (estado civil), funcionário público, inscrito no CPF sob nº xx,
portador do RG nº xx, residente em São Luís/MA, CEP; xx, e JUAN, espanhol, (estado civil),
funcionário público, inscrito no CPF sob nº xx, portador do RG nº xx, residente em São
Luís/MA, por meio de seus procuradores que subscrevem, com endereço profissional à ....,
vêm, mui respeitosamente, perante Vossa Excelência, com supedâneo no art. 5º, inciso
LXXI da Constituição Federal c/c e Art. 2º da Lei Federal nº 13.300/2016, impetrar o
presente:

MANDADO DE INJUNÇÃO

Em face do PREFEITO DO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS/MA, pessoa física representante


legal da PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO LUÍS/MA, pessoa jurídica de direito público,
inscrita no CNPJ sob nº xx, com sede na xx, CEP: xx, pelos fatos e fundamentos a seguir
expostos.

1. DO CABIMENTO
De proêmio, cumpre destacar que os impetrantes buscam a tutela jurisdicional
objetivando sanar a omissão legislativa do Prefeito Municipal de São Luís/MA, em dar
início à regulamentação destinada à revisão anual dos vencimentos dos servidores
públicos municipais.
Desta feita, a ausência total de norma regulamentadora obsta o exercício de
direitos constitucionalmente garantidos, o que torna o presente mandado de injunção o
meio cabível para a garantia dos direitos ora requeridos, nos termos do Art. 5º, inciso
LXXI, da Constituição Federal, em conjunto com o Art. 2º, da Lei 13.300/2016.

2. DA COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO


Impende reiterar, que a regulamentação legal ora requerida é de atribuição do
chefe do poder executivo municipal, portanto, este Egrégio Tribunal detém a competência
para julgamento do presente mandado, conforme dispõe o art. 81, inciso VII da
Constituição do Estado do Maranhão, ipsis litteris:
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Art. 81. Compete ao Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente: [...]
VII - o mandado de injunção, quando a elaboração da norma reguladora for
atribuição de órgão ou entidade ou autoridade estadual, da administração direta e
indireta, ou do próprio Tribunal. (grifos nossos)

Deste modo, evidenciada a competência desta corte para apreciação do remédio


constitucional em epígrafe, requer-se o prosseguimento do feito para análise meritória.

3. DA SÍNTESE DOS FATOS


Os impetrantes são de cidadania espanhola e, atualmente, são funcionários
públicos efetivos do Município de São Luís do estado do Maranhão.
Como é cediço, a Constituição Federal do Brasil, determina em seu art. 37, inciso X,
que a remuneração dos servidores públicos deve ser reajustada anualmente, conforme os
parâmetros orçamentários legais.
Impende destacar, que a revisão geral anual da remuneração dos servidores
públicos, possui natureza programática, de eficácia contida, e depende de lei específica,
observada a competência privativa de cada órgão.
Acontece que, durante todo o exercício das suas funções públicas, os impetrantes
jamais receberam qualquer reajuste nas suas remunerações.
Nesse contexto, se destaca que para alteração na remuneração dos servidores
públicos, seja para sua real majoração, seja para revisão geral anual, é imperativo a
edição de lei infraconstitucional, de iniciativa do Poder Executivo. In casu, o Prefeito do
Município de São Luís é que detém iniciativa para apresentação do projeto de lei tratando
das remunerações dos funcionários municipais, todavia, este permaneceu inerte durante
todo o período.
Assim, os impetrantes enviaram ofícios e comunicados formais ao Prefeito, ao
Desembargador Presidente deste Egrégio Tribunal de Justiça, e até mesmo ao Supremo
Tribunal Federal, porém, todas sem êxito.
Desta feita, diante da omissão regulamentar e o evidente prejuízo aos seus direitos
constitucionalmente garantidos, os impetrantes buscam a tutela jurisdicional para
determinar que o impetrado promova a edição de norma regulamentadora.

4. DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA
Conforme o já exposto, os impetrantes são funcionários públicos efetivos do
Município de São Luís do estado do Maranhão.

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Isto posto, são, automaticamente, possuidores do direito de terem a revisão geral
da sua remuneração, conforme preconiza o art. 37, inciso X, veja-se:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
X - A remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa
privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e
sem distinção de índices. (Grifo nossos)

Destarte, como se observa, a disposição legal é norma de eficácia contida e de


conteúdo programático, haja vista que depende de lei específica para lhe conferir
eficácia.
Nesse contexto, para revisão geral anual na remuneração dos servidores públicos
é imperativo a edição de lei infraconstitucional, de iniciativa do Poder Executivo.
Ocorre Nobre Julgador, que os impetrantes nunca tiveram nenhuma revisão nas
suas remunerações, pois o impetrado permaneceu inerte em editar norma
regulamentadora que normatizasse os parâmetros da revisão geral anual, evidenciando o
total desrespeito às disposições legais.
Assim, a mora legislativa do impetrado em não proceder com a regulamentação
objetivando a revisão geral anual de seus servidores públicos, impede que os
impetrantes usufruam de direito constitucionalmente garantido.
Outrossim, há que se destacar que a norma garantidora da revisão geral anual tem
por objetivo valorizar a função pública, por isso a imprescindibilidade de correção da
expressão nominal da remuneração do servidor público.
Desta forma, busca-se a injunção a fim de se declarar a omissão e
determinar o suprimento legislativo em prazo razoável.
Nesse aspecto, cumpre destacar que a Lei Federal nº 13.300/2016, determina
que após o reconhecimento do estado de mora legislativa autoriza a fixação de prazo
razoável para edição de norma regulamentadora, vejamos:

Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para:


I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma
regulamentadora.

Nesse sentido, é o entendimento uníssono dos tribunais pátrios, in verbis:

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EMENTA: CONSTITUCIONAL - MANDADO DE INJUNÇÃO - REVISÃO GERAL ANUAL DOS
SERVIDORES PÚBLICOS - INÉRCIA DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO - ESTADO DE
MORA LEGISLATIVA NO CUMPRIMENTO DO ARTIGO 37, X, DA CRFB/88 - RECURSO
PROVIDO. 1. A norma garantidora da revisão geral anual constitui um preceito
constitucional que tem por objetivo valorizar a função pública, por isso a
imprescindibilidade de correção da expressão nominal da remuneração do servidor
público, de modo a recompor o poder aquisitivo da moeda em face das perdas
inflacionárias, a ser concedida indiscriminadamente a todas as carreiras de servidores e
com periodicidade anual. 2. Demonstrado nos autos por prova inequívoca que o
Município de Natércia se encontra em mora legislativa no tocante ao envio à
Câmara do Projeto de Lei objetivando a revisão geral anual de seus servidores
públicos, deve a ordem ser concedida a fim de se declarar a omissão estatal e
determinar o suprimento legislativo em prazo razoável. V.V.: - Conquanto admitida
a busca judicial pela declaração da mora executiva na deflagração do processo legislativo
voltado à regulamentação da revisão geral anual prevista no artigo 37, X, da CF, o
repouso privativo ao Chefe do Poder Executivo da prerrogativa e propor a referida
proposta legislativa impede a cominação jurisdicional aspirada na peça recursal, sob
pena de vulneração do princípio constitucional da separação dos poderes. - Recurso
parcialmente provido. (TJMG - Apelação Cível 1.0444.15.001044-5/001, Relator (a):
Des.(a) Edilson Fernandes, 6ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 21/02/2017, publicação
da sumula em 06/03/2017). (grifos nossos)

Desta feita, se requer a concessão da injunção requerida para,


reconhecendo o estado de mora legislativa, determinar que o impetrado promova
a edição de norma regulamentadora a fim de estabelecer as condições em que se
dará o exercício da revisão geral anual, observando a razoabilidade do prazo,
conforme os ditames do art. 8º, da Lei nº 13.300/2016.

5. REQUERIMENTOS
Diante do exposto, requer que Vossa Excelência:

a) Determine a notificação do impetrado, devendo-lhe ser enviada a segunda via da


presente ação com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez)
dias, preste informações, em observância ao disposto no art. 5º, I, da Lei n.
13.300/16;
b) Determine a notificação do órgão de representação judicial da pessoa jurídica
interessada, a fim de que tome ciência do ajuizamento da presente ação devendo-
lhe ser enviada cópia da exordial, para que, querendo, ingresse no feito, seguindo
os ditames do art. 5º, II, da Lei n. 13.300/16;
c) Determine a oitiva do representante do Ministério Público, no actídio legal de 10
(dez) dias;

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d) Julgue o presente mandado PROCEDENTE, concedendo a injunção requerida
para, reconhecendo o estado de mora legislativa, determinar que o impetrado
promova a edição de norma regulamentadora a fim de estabelecer as condições
em que se dará o exercício da revisão geral anual, observando a razoabilidade do
prazo, conforme os ditames do art. 8º, da Lei nº 13.300/2016;
e) E cumulativamente, caso assim entenda este douto juízo, requer que seja fixadas
as condições em que poderão os impetrantes promover ação própria visando o
exercício de seus direitos, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo
determinado.

6. DO VALOR DA CAUSA
Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), para fins de efeitos fiscais.

Termos em que pede deferimento

Local, data

Advogado
OAB/UF nº

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