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HOSPITAL SÃO DOMINGOS

ARQUIVO DE CASOS: MEDICINA INTERNA

Enfisema Intersticial
Residente: Raiana Monteles
Orientador: Dr. Eduardo Medeiros
Informações do Caso
• Masculino, 2 anos e 4 meses

• HDA: Quadro gripal iniciado dia 02/03, tratando com sintomáticos.


Piora do desconforto respiratório em 07/03. Encaminhado para
internação em UTI no dia 08/03, onde foi intubado, com relato de
PCR no momento da IOT

• Anasarca, ascite
• PCR Covid não detectado, isolado Pseudomonas e S. aureus em secreção
traqueal
• VM com parâmetros elevados, em uso de drogas vasoativas
As imagens mostram cortes tomográficos do tórax do dia 12/03/2021 em
reconstruções axiais, sagital e coronal, evidenciando gás dissecando a
bainha do interstício peribroncovascular, notadamente no hemitórax
esquerdo. Nota-se ainda opacidades consolidativas com broncogramas
aéreos de permeio em ambos os lobos inferiores, maior à direita.
Enfisema intersticial
Enfisema intersticial
• Localização anormal de gás dentro no interstício pulmonar

Epidemiologia

• Comumente associado à ventilação mecânica com pressão positiva, que culmina


em ruptura alveolar (barotrauma)
• Complacência pulmonar reduzida, prematuridade, baixo peso ao nascer, síndrome
de aspiração meconial, pneumonia e intubação seletiva são outros fatores de risco
• Incidência relatada em UTI neonatal é de 2-3%, subindo para 20-30% entre
prematuros

Apresentação clínica

• Tipicamente um achado incidental em radiografias de tórax da rotina


• Se extenso → compressão do parênquima pulmonar, impedindo adequada
ventilação/perfusão
Fisiopatologia: efeito Macklin
Feixe broncovascular rodeado por Feixe broncovascular após
Grandes pressões
alvéolos em estado normal ruptura alveolar
alveolares

Gradiente pressórico
interstício-alveolar

Ruptura da
parede alveolar

Grandes pressões alveolares → Gradiente pressórico entre o espaço aéreo e a bainha


peribroncovascular → Ruptura da parede alveolar (setas) com passagem de ar para o interstício
Fisiopatologia: efeito Macklin

Bainha peribroncovascular
(enfisema intersticial)

Mediastino
(pneumomediastino)

Planos fasciais
(enfisema subcutâneo)

Retroperitônio -
periaórtico, periesofágico
(pneumoperitônio)

Ruptura da pleura parietal


(pneumotórax)
Enfisema intersticial
Associações: pneumomediastino, pneumotórax, pneumopericárdio, pneumoperitônio,
enfisema subcutâneo

Classificação: transitório (até uma semana de duração), persistente (> 1 sem), ambos
podem ser focais ou difusos, bem como uni ou bilaterais

Características radiográficas: imagens hipoatenuantes, tubulares, serpentiformes e,


às vezes, císticas, que não se enquadram no padrão do broncograma aéreo. Padrão
tomográfico de “linhas e pontos” entremeados por grandes inclusões gasosas é típico
(~ 82%)

Tratamento e prognóstico: mudança da ventilação convencional para a oscilatória de


alta frequência é comumente realizada em bebês. Muitos casos se resolvem
espontaneamente
Referências
1. Wintermark M, Schnyder P. The Macklin effect: a frequent etiology for pneumomediastinum in severe blunt chest trauma.
Chest. 2001;120 (2): 543-7.

2. Murayama S, Gibo S. Spontaneous pneumomediastinum and Macklin effect: Overview and appearance on computed
tomography. World J Radiol. 2014;6 (11): 850-4.

3. ROMERO, K. J.; TRUJILLO, M. H. Spontaneous pneumomediastinum and subcutaneous emphysema in asthma exacerbation:
The Macklin effect. Heart & Lung. 2010; 5 (39): 444-7.

4. AMOEDO, M. K., MARCHIORI, E. et al. Enfisema intersticial pulmonar: relato de caso e revisão da literatura. Radiol
Bras. vol.46 no.5 São Paulo. 2013.

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