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FLEMENTOS DE

TOPOLOGIA GERAL
CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS
Presidente: Dr. Antonio Moreira Couceiro

impa INSTITUTO DE MATEMÁTICA


FS) PURA E APLICADA
COLEÇÃO / ELEMENTOS DE MATEMÁTICA
O ELEMENTOS DE ÁLGEBRA, POR LUIZ
HENRIQUE JACY MONTEIRO
6 ELEMENTOS DE TOPOLCGIA GERAL,
POR ELON LAGES LIMA

O ELEMENTOS DE GEOMETRIA DIFERENCIAL,


POR MANFREDO PERDIGÃO DO CARMO, EM
PREPARO

O OUTROS TÍTULOS EM PREPARAÇÃO


Obra publicada
com a colaboração da

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Reitor: Prof. Dr. Miguel Reale

Editôra da Universidade de São Paulo

Comissão Editorial:

Presidente — Prof. Dr. Mário Guimarães Ferri (Faculdade de Filosofia, Ciências e


Letras). Membros: Prof, Dr. A. Brito da Cunha (Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras), Prof. Dr. Carlos da Silva Lacaz (Faculdade de Medicina), Prof. Dr. Irineu
Strenger (Faculdade de Direito), e Prof. Dr. Pérsio de Souza Santos (Escola Politécnica).
ELEMENTOS DE
TOPOLOGIA GERAL
Elon Lages Lima

ÃO LIVRO TÉCNICO S.A.


E EDITORA DA UNIVERSIDADE DE S. PAULO
Rio de Janeiro / 1970
RR

COPYRIGHT

DIREITOS
C) 1970,

RESERVADOS,
by ELON
1970,
LAGES
por AO
LIMA
LIVRO TÉCNICO S.A. RIO
|
DE JANEIRO APRESENTAÇÃO

IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL

Nos dias atuais, ninguém desconhece a importância das ciências básicas,


sem as quais não se pode obter uma tecnologia independente nem resolver os
problemas fundamentais com vistas ao bem-estar humano. Muito menos se
CAPA / ALDEMAR A. PEREIRA
ignora que o cultivo dessas ciências e o estimulo às vocações jovens se faz
através da difusão adequada das idéias avançadas.
À criação de uma literatura cientifica brasileira é, portanto, uma tarefa de
primeira importância.
O Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Conselho Nacional de
Pesquisas com a presente coleção procura cumprir com entusiasmo a parte que
lhe compete nessa tarefa.
Estas publicações são possíveis graças ao apoio recebido do Conselho Nacio-
nal de Pesquisas, da Divisão do Ensino Superior do M.E.C., aos esforços do
meu antecessor na direção do LM.P.A., Dr. Lindolpho de Carvalho Dias, e ao
Tiragem desta edição: 5.000 exemplares
espírito empreendedor dos diretores de “AO LIVRO TECNICO S. A”, « quem
são devidos agradecimentos especiais.

ELON LAGES LIMA


Diretor do EM.P.A.

AO LIVRO TÉCNICO 5.A.


Pres. Vargas, 962 — 6.º andar — ZC-58 — C.P. 3655 / RIO — GB
Av.
Êste livro constitui meu depoimento pessoal sôbre que Topologia Geral
gostaria fôsse sabida por todos os matemáticos.
Ele foi escrito para principiantes. Assim é que:

1) Às demonstrações dos teoremas e as discussões dos exemplos são feitas


com todos os detalhes. As ardilosas frases do tipo “é fácil ver” são raras e tomei
cuidado para que fôssem sinceras.
2) Os conceitos básicos e os resultados fundamentais são motivados e
ilustrados com exemplos e contra-exemplos abundantes,
3) À generalidade e a abstração são mantidas dentro de limites razoáveis.
(Filtros e estruturas uniformes são relegados a exercícios; axiomas de separação
são discutidos apenas quando precisam ser usados; espaços métricos são fre-
quentemente considerados e examinados em particular.)

Espero que o livro se preste para estudo individual. Com efeito, êle se
destina ao leitor independente. Por outro lado, se adotado como texio de um
curso, o professor poderá tirar proveito do seu tratamento detalhado e ganhar
tempo, deixando a carga do aluno a leitura de certas demonstrações e de alguns
exemplos.
O leitor notará grande número de exercícios. Nenhum dos resultados
néles enunciados é admitido no texto. Não espero que o leitor os resolva a
todos, mas considero importante que todos sejam lidos e muitos resolvidos.
O nível dos exercícios é bem variado, havendo alguns irivias e ontros dificeis.
Creio, porém, que nenhum dêles é inacessível a partir do que fot ensinado no
texto. Não só o nível, como também a finalidade e o teor dos exercicios variam
bastante. Alguns são contra-exemplos, visando estabelecer os limites do alcance
de certas proposições e definições. Muitos são testes para verificar se os conceitos
foram bem assimilados. Vários são proposições interessantes, que bem poderiani
ser incluídas no texto, não fôsse o receio de torná-lo infinito. Outros indicam
aplicações da teoria. Outros ainda são escritos no estilo de artigos concisos,
dêsses que se encontram em algumas revistas matemáticas, Éles desenvolvem
XIV PREFÁCIO
INDICE
um tópico, dando as definições e enunciando os resultados, porém omitindo as
demonstrações. Em tais exercícios (em diversos outros) o deitor encontrará
uma série de afirmações, quase sempre sem um pedido explícito ( “demons-
tre...” ) ou uma pergunta. O exercício consiste, então, em demoustrar cada uma
das afirmações feitas. No caso de um curso, 0 professor pode usar tais exercícios
como material de “projetos”, em cada um dos quais o aluno é solicitado à
escrever um ensaio detalhado sôbre aquête tópico, desenvolvendo o roteiro
indicado pelo exercício.
Uma palavra sôbre os exemplos. Os axiomas de espaço topológico são
notórios pela sua extrema liberalidade. Eles deixam margem ampla para a imagi-
nação de exemplos artificiais e casos patológicos de espaços que nunca ocorrem
nas aplicações da Topologia aos outros ramos da: Matemática. Na redação do Capítulo O. PRELIMINARES, 1
presente texto, fizemos um esfórço para evitar essa tendência, que não conside-
Introdução, 1
ramos educativa. Em consegiiência, os numerosos exemplos aqui discuitdos 1.
2
2. Conjuntos,
referem-se quase sempre a situações que podem ser encontradas nas aplicações. 3. Funções, 7
Interseção e Produto Cartesiano, io
Isto é feito em coerência com o fato de que a importância da Topologia Geral
4. Familias: Reunião,
5. Finito, Infinito, Enumerável, NãoEnumerável 12
(e mesmo da Topologia, em geral) não reside no sem vator intrínseco, mas 6. Equivalência, 13
15
antes na sua enorme versatilidade como auxiliar de outras disciplinas matemáticas. ?.
8.
Ordem,
Números Reais, tó
Há dois assuntos que estavam no projeto inicial do livro, mas que foram 9. Espaços Vetoriais, 18
19
10. Referências,
sacrificados em prol da limitação do volume. São êles o Teorema de Aproxi-
mação de Stone-Weierstrass e uma exposição da teoria dos Espaços Paracom- Capítulo |. ESPAÇOS MÉTRICOS, 20
pactos. O leitor encontrará tratamentos adequados dêsses tópicos em [Bourbaki |,
[Dugundji], [Kelley] e outros livros de topologia. (As referências dêsse tipo 1. Introdução, 20
21
dizem respeito aos livros citados na bibliografia que apresentamos no final da 2.
3.
Definição de Espaço Métrico,
Mais Definições e Exemplos, 24
obra.) 4. Pseudométrica, 32
5. Exercícios, 39
Ao terminar, é com grande prazer que apresento agradecimentos aos meus
amigos Lindolpbo C. Dias, porque fui “comissionado” para escrever êste livro, Capítulo Il. FUNÇÕES CONTÍNUAS, 36
Ff. Barros Neto, que leu e criticou a parte inicial, Jacob Palis, a quem devo
vários aperfeiçoamentos nos seis primeiros capítulos, e Célio Alvarenga, que 1. Introdução, 36
utilizou porções do livro como texto e fêz diversas correções. Estendo amda 2. O Conceito de Função Continva, 36
3. — Homeomorfismos, 42
meus apradecimentos a Alberto Azevedo e Jorge Sotomayor, que revisaram à 4. Métricas Equivalentes, 46
edição mimeografada do livro em cursos da PUCR] e no IMPA e corrigiram 5. Aplicações Lineares Continuas, 5Ú
6. Exercícios, 51
vários “otimismos” que cometi, principalmente nos exercicios.

Capítulo Ill. ESPAÇOS TOPOLÓGICOS, 53


Rio de Janeiro, abril de 1970
1. introdução, 53
LIMA 2. Conjuntos Abertos num Espaço Métrico, as
ELON LAGES 60
3. Espaços Topológicos,
4. Interior, Fronteira e Vizinhança, 71
5. Conjuntos Fechados, 74
O. Pontos de Acumulação, 81
f. Espaços Conexos, 83
A. Exercícios, 95
E

IND
ICE XVII
XVI ÍNDICE

254
106 Propriedades Gerais do Produto Cartesiano,
258
Capítulo IV. LIMITES, Convergência Uniforme numa Família de Partes, 2b4
- Eguicontinvidade,
106
O Teorema de Ascoli, 268
Introdução
1
Limite de uma Sequência, 106 Compacto-Aberta,
273
2. 13
O Topologia 278
3. Topologia e Convergência, 115
XérCIcIOS,
4, Segiiências de Funções, 120 .
a
5. Limite de uma Função, ;
X. EXTENSÃO DE FUNÇÕES REAIS CONTINUAS, 284
Espaços Não-Metrizáveis,
122
17 Capítulo
à”
à. Proreleios |
Convergência em

1333 |.2. int rod uçã o, dos


IDADE UNIFORME O Teorema da Extensão de Tietze
, 3. A Compactificação de Stone-Cech, 287
CONTINU
Capítulo V. 293
133 4. Exercicios,
1. Introdução, 134
9. Continuidade Uniforme, 295
137
3. Métricas Uniformemente Equivalentes, 139 BIBLIOGRAFIA,
s,
4. Mudanças de Métrica e Espaços de Funçõe 143
re
S&S. Exercicios, ÍNDICE ALFABÉTICO, 297
o

ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS, 146


Capítulo VI.
146
1, Introdução, 146
2. Seguências de Cauchy, 149
3, Espaços Completos, 154
Unitormemente Continua,
A. Extensão de uma Aplicação 156
5. Completamento de um Espaço Métrico,
160
6. Espaços de Baire,
Sucessivas, 165
7. O Método das Aproximações
169
8. Exercícios,

172
Capítulo VII. ESPAÇOS COMPACTOS,

172
1. Introdução, 74
2. Propriedades Gerais dos Espaços Compactos, 187
o,
4. Conjuntos Compactos no Espaço Euclidian 189
4. Espaços Métricos, Compactos, 195
5. Espaços Localmente Compactos, 208
é. Exercicios,

E METRIZABILIDADE, 216
Capítulo VIll. BASE ENUMERÁVEL

216
1. Introdução, 216
2. Espaços Topológicos com Base Enumerável,
Base Enumerável, 220
3. Espaços Métricos com
227
4. O Cubo de Hilbert, 231
5. O Teorema de Metrização de Urysohn,
236
6. Exercicios,

Capítulo IX. PRODUTOS CARTESIANOS INFINITOS E ESPAÇOS |


DE FUNÇÕES, 240
SAO | q
1. Introdução, 241 A
o. Produtos Cartesianos Quaisquer,
248 E
93. Metrizabilidade do Produto Cartesiano,
Preliminares
Capítulo O

$1. Introdução

Os pré-requisitos formais para a leitura dêste livro são:

1) a linguagem, os conceitos básicos e as propriedades elementares rela-


tivos a conjuntos e funções;

2) a noção de número real, em particular os conceitos de supremo, ou ex-


tremo superior, e ínfimo, ou extremo inferior, de um conjunto limitado
q h
de números reais.

mr
Neste capítulo preliminar, exporemos de modo sucinto, porém com-
pleto (sem demonstrações), os fatos supostos conhecidos no texto. Tor-
naremos assim mais precisas as duas condições acima. Ííste capítulo poderá
servir para recordação e referência quanto à notação e a terminologia em-
pregadas nos seguintes (as quais, de resto, são standard). No último pará-
grafo daremos uma lista de livros que contêm, em forma detalhada, tôda
a matéria aqui tratada.
Logo no Cap. I, o leitor notará, em alguns exemplos, o uso de integrais
de funções de uma variável real. (À derivada também aparece, aqui e
acolá.) Observará ainda vários exemplos de espaços vetoriais e normas
nesses espaços. Tais conceitos não foram, entretanto, mencionados entre
os pré-requisitos acima. A razão é que o leitor dêste livro, muito prová-
velmente, já terá tido um curso de Cálculo, onde terá visto integrais e deri-
vadas. Em segundo lugar, tais exemplos foram incluídos porque são Im-
portantes mas a omissão dos mesmos não prejudicará a seqiiência lógica
da exposição. (Quanto aos espaços vetoriais, acreditamos que a Álgebra
Linear deve ser parte obrigatória do treinamento matemático básico e
2 PRELIMINARES Cap. O
8 2 CONJUNTOS 3

sua presença aqui decorre, em parte, desta crença. Por outro lado, deve-se
genérico x X:
esclarecer que a noção de espaço vetorial está definida neste capítulo e
pouco mais será utilizado no texto. Além disso, a omissão de tôdas as “e é mmor do que 5”.
referências a espaços vetoriais no texto não prejudicará essencialmente à
compreensão das idéias topológicas aqui expostas. A propriedade P de um número inteiro positivo ser maior do que 5 define
uma parte ou um subconjunto S do conjunto N dos números inteiros posi-
tivos. S é formado pelos inteiros maiores do que 5. Em símbolos:
$ 2. Conjuntos
S=IzEN;s>5.
Usaremos como sinônimos os têrmos conjunto e coleção. Um conjunto
Uma relação importante entre conjuntos é a relação de inciusão. Dados
consiste de objetos, de natureza qualquer, chamados os elemenios do con-
dois conjuntos A e B, escreveremos AC B e diremos que Á está contido
junto. Os elementos da maioria dos conjuntos estudados neste livro cha-
em B, ou que À está incluído em B, quando todo elemento de A fôr também
mar-se-ão pontos.
um elemento de B. Equivalentemente: dizer que AC B é o mesmo que
A notação x E A (lê-se “xr pertence a A”) significa que x é um elemen-
afirmar que A é um subconjunto de B. Por exemplo, seja 4 o conjunto
to do conjunto 4, Anãlogamente, escreve-se x &- À para sigmficar que 2
dos elementos do con-
dos quadrados do plano e B o conjunto dos retângulos. Tem-se AC 6.
não pertence a A, isto é, que o objeto x não é um
Outro exemplo: seja x um objeto e Á um conjunto. Dizer que zE À é
junto À.
equivalente a afirmar que (x; C A.
Em geral, usam-se letras minúsculas a, b, c, 2, y &, 8, Y,--- para indi-
A relação de inclusão goza das seguintes propriedades:
car objetos, e letras maiúsculas 4,B, C, X, Y, À, E,... para indicar
conjuntos. Se os elementos de um conjunto forem representados por letras Rejlexividade: para todo conjunto 4, tem-se AC A;
maiúsculas 4, B,..., Z, o conjunto será indicado com uma letra gótica
Anti-simetria: se AC Be BC A, então À = E;
A, B,... 5.
Transitividade: se ACBe BC C, então ACC.
Dados os objetos a, b, €,..., indica-se com (a, b, c,...; o conjunto que
é formado dêsses elementos. Assim, por exemplo, N = (1,2,3,..,n,...) A propriedade anti-simétrica diz que dois conjuntos são iguais pre-
é o conjunto dos inteiros positivos; (1, 2; é o conjunto cujos elementos são cisamente quando possuem os mesmos elementos. Sempre que tivermos
os inteiros 1 e 2. Podemos também considerar o conjunto cujo único ele- de provar que dois conjuntos À e B são iguais, mostraremos primeiro que
mento é o objeto a. fsse conjunto é indicado com (ay. Estritamente AC B (isto é, que todo elemento de À pertence necessãiriamente a B) e
falando, deve-se distinguir o conjunto (a! do seu único objeto a, do mesmo depois que BC A.
modo como se distingue uma biblioteca contendo um único livro, do pró-
Observemos que, em Matemática, o sinal de igualdade =, numa ex-
prio livro. Muitas vêzes, porém, escreveremos a em vez de ia;, por pressão como E = D, significa que É e D são símbolos que representam
simplicidade, quando não houver perigo de confusão. o mesmo objeto, Em outras palavras, uma coisa só é igual a si mesma.
Geralmente os conjuntos considerados em Matemática não são defi-
Chamamos a atenção para o fato de que a notação AC B não exclui
nidos especificando-se um por um seus elementos. O método usual de
a possibilidade de ser À = B. Quando fôr necessário afirmar que AC B
se obter um conjunto é o seguinte. Parte-se de um conjunto básico X e
e 4 x B, diremos que À é uma parte própria ou um subconjunto próprio
considera-se uma condição, ou uma propriedade P, que se refira a um ele- de B. Às vêzes se escreve AC B para indicar êste fato,
mento genérico do conjunto X. A propriedade P define um conjunto $, ne

que se chama uma parte ou um subconjunto de X. S consiste dos elementos Um conjunto pode não possuir elementos. Indicaremos com & o
gozam da propriedade P. Em símbolos: conjunto vazio, o qual não possui elementos. 4 é caracterizado pelo fato
zEX que
de que a propriedade “x E &” nunca é satisfeita, seja qual fôr x. O con-
S = |rE X; x goza da propriedade P). junto vazio pode ser definido através de qualquer propriedade contradi-
Por exemplo, seja N = (1, 2, 3,...4 o conjunto dos números inteiros tória. Por exemplo, dado um conjunto arbitrário 4, tem-se
positivos e consideremos a seguinte propriedade que se refere a um Inteiro
G= iz A, cx g;.
CONJUNTOS 5
52
PRELIMINARES Cap. O
4
Quando ANB=£, diz-se que os conjuntos À e B são disjunios.
Qualquer que seja o conjunto X, tem-se C X. Ou seja, O conjunto dos tri âng ulo s ret âng ulo s do pia no e o con junto
Por exemplo, o con jun to A
vazio está contido em qualquer outro conjunto. (Para negar que g esti- tos , poi s nen hum tri âng ulo pode ser
B dos tri âng ulo s equ ilá ter os são dis jun
vesse contido em X seria preciso exibir um elemento x tal que z C /5 mas ao mesmo tempo retângulo e eguilátero. Valem as seguintes propriedades
x EX, o que é impossível pois x C /$ nunca é satisfeita. Logo, 9 € X.)
da reunião e da interseção:
Dado um conjunto X, indicaremos com P(X) o conjunto das partes de X.
AUG=A ANg=s
Os elementos de B(X) são os subconjuntos de X, Portanto, “A E B(X)” AJA=A ANA =A
e “AC X” são afirmações equivalentes. Por exemplo, seja qual fôr À, AUB= B U A “ " A N B = B N A
temos Y E PX) e X E PL). A U B U C = - A U Ç B U O A N B D N C = A N B N O
AU B = A S B C A A N B = A 4 A S A C B
Sejam P e Q propriedades que se referem a um elemento genérico de B N B
ACBAC B S A V A C B U B A C B A C B > S A N A C
um conjunto X, as expressões “P implica Q”, “se P então Q”, “P acar-
reta Q”, “P é condição suficiente para Q”, “Q é condição necessária para P” AUBNO=AUBNALVO ANBUO=(ANBUTANO).
tôm tôdas o mesmo significado. Querem dizer que o conjunto dos elemen- dif icu lda de alg uma em def ini r a reu niã o 4: U V. AJ A,e a
Não há
tos de X que gozam da propriedade P está contido no conjunto dos ele- .. M An de vár ios con jun tos As, ..- , An. Val em pro-
interseçã o Ai N.
mentos de X que gozam da propriedade Q. Para exprimir êste fato, usa-se
priedades análogas para estas operações.
a notação P > Q. B é o con jun to dos ele men -
Dados os con jun tos 4, B, a dif ere nça À —
Também as expressões: “P se, e sômente se, Q”, “P é equivalente tos que pertencem a Á mas não pertencem à B. Ou seja:
a 0”, “P é necessária e suficiente para Q”, “P é o mesmo que Q” têm tôdas
A,BB)
A-B=(zrCrg

arm
o mesmo significado. Querem dizer que P implica Q e Q implica P, isto
é, o conjunto dos elementos de X que gozam da propriedade P é igual ao exi ge que B est eja con tid o em À par a for mar a dif ere nça A— B.
Não se
conjunto dos elementos de X que gozam da propriedade Q. A notação No caso par tic ula r em que BC Á, a dif ere nça A-— B cha ma- se o comple-
P<>(Q é então usada. do con jun to B rel ati vam ent e a A. Qua ndo o con jun to À é fixado
mentar
cus são e con tém tod os os dem ais con jun tos que ocor-
Dados os conjuntos 4 e B, indica-se com 4 U B a reunião de A e B, numa det erm ina da dis
-se sim ple sme nte que A— B é o “co mplemen-
que é o conjunto formado pelos elementos de À mais os elementos de B. ren; na ref eri da dis cus são , diz
Assim, xzE AU B se, e sômente se, pelo menos uma das seguintes afirma- tar de B” e escreve-se, às vêzes, ([B=A-B.
:
ções é correta: «CE A ou vz E B. Em símbolos: A operação de diferença goza das seguintes propriedades
ze BJ. A-(B U
= (A A-—B9
) N()
-BB
AUB=IrzEA ou
A-(BNB)=(A-B)U(A-B)
Note-se que “CE 4 ou ZE B” não exclui que « pertença simul- BCB'>5A-B'CA-SB,
tâneamente a 4 ea B. O significado matemático de ou não é exclusivo, acima assumem uma
No caso de complementares, as propriedades
como na linguagem corrente.
forma mais elegante:
interseção de dois conjuntos 4, B é o conjunto 4 1) B, formado
A
(BUB)=(BNCB'
pelos elementos comuns a A ea B, isto é, pelos elementos que pertencem
simultâneamente aos conjuntos 4 e B. Em símbolos: (BenB)=[BULB
BCB =>(B'CUB.
="

ANB=fzzeEA e ze B+.
eto s qua isq uer a e b, é imp ort ant e est abe lec er um a dis-
Dados dois obj
Por exemplo, sejam 4 = (EN; 2x< 10; o conjunto dos inteiros tinção entre o conjunto fa, b) formado pelos elementos q e b, e um nóvo
5 oconjuntodosiin-

positivos menores do que 10 e B=(zxEN;x2> conceito que introduziremos agora, que é o par ordenado (a, b). O par
toiros positivos maiores do que ou iguais a 5. Temos AU B=Ne ou não) e da
PT

ordena do con sis te dos obj eto s a, b (qu e po de m ser dis tin tos
ANB= 56,78, 9.
6 PRELIMINARES Cap. O 53 FUNÇÕES z

escolha de um dêles para ser o primeiro objeto do par (e o outro, conse- S 3. Funções
quentemente, será o segundo). A notação (a, b) significa que a é o primeiro
e b o segundo objeto do par ordenado. Dados a e b, tem-se sempre fa, b! = Uma função f: 4 -> B é um conceito matemático que consta de três
= (b, a;, isto é, o conjunto cujos elementos são a e b é igual ao conjunto ingredientes: um conjunto À, chamado o domémio da função (ou o conjunto
cujos elementos são b e a, pois cada elemento de um dêsses conjuntos é onde a função é definida), um conjunto B, chamado o contradomínio (ou
também um elemento de outro. Por outro lado, temos (a, b) = (b, a), conjunto onde a função toma valôres), e uma regra que permite associar,
exceto quando a = b. Notemos anda que (a, a! = fal, mas (a, a) é de modo bem determinado, a cada elemento z E 4, um único elemento
ainda um par ordenado. f(x) E B, chamado o valor que a função assume em x (ou no ponto x). Mui-
tas vêzes se diz “a função f” em vez de “a função f: À -» B”, deixando
A Um par ordenado (a, b) é caracterizado pela seguinte condição de
igualdade: subentendidos o domínio 4 e o contradomínio B.
A. natureza da regra que ensina como obter o valor f(x) E B quando
(ab=(a,b)e>a=a, b=hb. é dado x E À é inteiramente arbitrária, sendo sujeita apenas a duas con-
dições: 1) Não deve haver exceções; para que a função f tenha À como
(Compare com a condição de igualdade (a, b) = fa”, b fornecida pela domínio, a regra deve fornecer f(x) para todo z E A. 2) Não deve haver
propriedade anti-simétrica da relação de inclusão.) ambigiidade; a cada x E À a regra deve fazer corresponder um único
B | Dados os conjuntos À, B, o pro- f(x) E B. Não existe tal coisa como uma “função plurívoca”.
| | AxB duto cartessano AX B é o conjunto Sinônimos de função: aplicação, transformação, operador. Neste livro,
| de todos os pares ordenados (a, b) atendendo à tradição geométrica, usaremos de preferência o têrmo apl
GM), cujo primeiro elemento a pertence a cação, reservando a palavra função para aplicações que assumem valôres
| A e cujo segundo elemento b per- numéricos.
| | tence a B. Ou seja: De acôrdo com a definição acima, para que duas aplicações f: A» B,
AXB=
a, bD;aCA,DEB). g:A4'-— B' sejam iguais é necessário e suficiente que A= A', B=B'e
d f(x) = g(x) para todo vz EC À,
G 4 Dado (a, b E AX B é comum .
chamar a de primeira coordenada !do par (a, b), enquanto b se chama a Às vêzes, especialmente em diagramas, usamos a notação A» B
segunda coordenada do par. para indicar uma aplicação definida em À e tomando valôres em B.

O subconjunto do produto 4 X 4 formado pelos elementos (x, x) de Chama-se grájico de uma aplicação f: À > B ao subconjunto G(f) do
coordenadas iguais chama-se a diagonal de A'X 4 e representa-se pelo produto cartesiano 4 X B formado pelos pares (x, j(x)), onde CG A é
símbolo À. . Assim, arbitrário. Ou seja,

AD = (vo) CAXB, re Ar.


A=(sW)CAXA;
c=y.
Duas aplicações são Iguais se, e sômente se, possuem o mesmo gráfico.
A definição de A X B é, evidentemente, motivada pela introdução de Para que um subconjunto EC A XB seja o gráfico de uma aplicação
coordenadas cartesianas no plano. A figura é explicativa. As proprie- jJ:A-— B, é necessário e suficiente que, para cada x E À, exista exatamente
dades abaixo são imediatas: um par (r, y) E G cuja primeira coordenada é o elemento x dado.
* Uma aplicação f: À >» B diz-se biuntvoca quando, dados x, y E À
(AUBXC=(AXOQOUIBXCO, (ANBxXC=(AxXON(BXO) quaisquer, J(x) = f(y) implica x = y. Em outras palavras, f é biunívoca
quando x = y implica j(x) = j(y).
(A-BXC=(AX0O-(BXO)
Uma aplicação $:A>B diz-se sóbre B quando, para todo y €& B
ACA, BCB'5S5AXBCA'XB', existe um z E À tal que j(x) = y.
8 PRELIMINARES Cap. O 53 FUNÇÕES 9

Por exemplo, dado o conjunto N = (1,2,...,n,...; dos números tos em comum com a Imagem de f. Em particular, f então não é sôbre B.
inteiros positivos, definamos uma aplicação f:N > N pondo jf(n) = nº Dado z & B, pode ocorrer que f-Hfz)) = fz) seja um subconjunto de A
para todo n E N. A aplicação f é biunivoca mas não é sôbre N. Por outro com mais de um elemento. Isto se dá sômente quando f não é biunívoca.
lado, se definirmos g:N — N pondo, para cada n E N, g(n) = número As imagens inversas se comportam bem relativamente às operações
de fatôres primos da decomposição de n, veremos que g é sôbre N, porém com conjuntos. São válidas as seguintes propriedades, onde Z e W in-
não biunívoca. dicam subconjuntos do contradomímo 5:
Uma aplicação |: A — B, biunívoca e sôbre B, chama-se uma corres-
entre À e 6.
FZU Wo = FU);
pondência biunivoca
HZ NNW = PUZ) NIAW),
Por exemplo, seja N o conjunto dos números inteiros positivos e seja B
FZ Wo = H(-1"W);
o conjunto dos inteiros positivos pares. A aplicação f:N > B, definida
ZW o DEZ CIHO):
por j(n) = 2n, é uma correspondência biuníveca entre N e B. 1 HB) = A, P(S) =.
Dadas uma aplicação f: A — B e uma parte X C À, cnama-se imagem
Dado XC 4, temos fHJH(X) D X e dado Z CB, vale Hf HZ) C Z.
de X pela aplicação f ao conjunto f(X) de todos os valôres j(x) que f assu-
Para que FHJ(X)) = X seja qual fôr XC A, é necessário e suficiente
me nos pontos E 4, sto é:
que f seja biunívoca. Anãlogamente, f é sôbre B se, e sômente se,
KX) = (x); v E X5. HH1(Z)) = Z para todo Z C B.
Evidentemente, f(X) é um subconjunto de B. Para que J:A>—B Sejam as aplicações f:AS>B e g:B->€. A aplicação composta
seja sôbre B, é necessário e suficiente que (4) = B. Em geral, tem-se got: As € consiste em aplicar primeiro f e depois g. Ou seja, para todo
apenas (4) CB. O conjunto F(4) é chamado a imagem da aplicação ze A, pomos (gof) (x) = gJ(v). Dadas Ff:ASB,g:B>5>Ceh:0CSD,
Às vêzes também se diz que (A) é o conjunto dos valôres de f. vale a associatividade ho (go D) = (hog)of: A>D. Dado um subcon-
f:A>B.
Dada uma aplicação f: 4 — B e indicando com X, Y,... subconjun-
junto W C €, tem-se (go )(W) = Ho HW).
Seja X um subconjunto de 4. À aplicação 1::X > 4, definida por
tos genéricos de 4, temos:
1x) = 4 para todo x E À, chama-se a aplicação de inclusão de X em A. Em
JXU PP = JC0U JO); particular, quando X = 4, a aplicação de inclusão de 4 em 4, chama-se
IXND CIC NIM; a aplicação identidade de A e indica-se com id, :A-» A. Às vêzes, por
CY SOC IO); simplicidade, escreveremos apenas Id. :Ã SA,
102) = 4). Dados uma aplicação f: À > B e um subconjunto XC 4, à restrição
de f ao subconjunto X é a aplicação f/X : X — B definida por (FX) (x) = f(x)
Quando f é biunívoca, tem-se J(X MN Y7) = HX) N HY) mas, se existem para todo vt E X. Tem-se H|X = fot, onde 2: X>A é a inelusãode X
em Á elementos x = y com f(x) = f(y), então, pondo X = (x) e Y = ty), em 4. Por outro lado, dada uma aplicação q: X >» B, tôda aplicação
teremos XMN Y =, donde HX NN =, mas X) NTID = fz). Jf:A>B tal queg =J/|X chama-se uma extensão de g ao conjunto A.
Quanto à diferença entre conjuntos, é válida a relação HX— Y) D H&)— Dada uma aplicação f: A— B, chama-se inversa à direita de f uma
— HKY). Quando f é biunívoca, tem-se o resultado mais forte: (X— P) = é, J(g(2)) = 2 para
aplicação g:B — À (ge existir) tal que fog = id.z, isto
= HX) — JH). todo z E B. Para que exista uma inversa à direita de f é necessário e sufi-
Dada a aplicação f: A —» B, consideremos um subconjunto Z C B. ciente que f seja sôbre B. Anâlogamente, diz-se que A:B—>A é uma
A imagem inversa de Z por f é o conjunto f"!(Z) dos elementos de A que se inversa à esquerda de f quando h of = id.a, isto é, h(f(x)) = x para todo
aplicam por f em elementos de 2. Isto é: TCE A. A fim de que f possua uma inversa à esquerda é necessário e su-
ficiente que j seja biunívoca. Finalmente, diz-se que uma aplicação
142) = (CA; fx) E 25.
F!:B-—» A é uma inversa de f quando fjoj! = idpeflof= ida, isto é,
Note-se que se pode ter (2) = (% sem que Z seja vazio. Isto acon- quando j"! é, ao mesmo tempo, uma inversa à direita e à esquerda de f.
tece precisamente quando Z NHA) = , isto é, quando Z não tem pon- Logo, f possui uma inversa se, e sômente se, fôr uma correspondência biu-
O T E
D

INTERSEÇÃO E PRODUTO CARTESIANO 11


54 REUNIÃO,
Cap. O
10 PRELIMINARES

(Awk 1 e (Bu): Em, obtém-se


não sômente existe, mas du as fa mí li as de c o n j u n tos
nívoca entre A e B. Nestas condições, a mversa
faD a
mí li s com índices em LxM:
daas
as
é única. Se j:A>Beg:B>C são aplicações biunívocas sôbre, então
(A, NBr ncixm é (4 U Bom ELxM:
gopi=fiogi: CSA.

Valem as seguintes propriedades:


Famílias: Reunião, Interseção e Produto Cartesiano
8 4. Q (A, N Bu)
(CU ANN(U Bj) =
REL sEM (A, ME LXM
jun to, cuj os el em en to s ch am ar em os índ ice s e represen-
Seja L um con
Da do um co nj un to arb itr ári o X, uma Bj= MN (A, U Ba).
taremos gendri ca me nt e por À. (NAVUCN (A, JELXM
to s de X co m índ ice s em L é um a apl ica ção s: L- —> À. AEL u-M
família de elemen
íli a x, in di ca re mo s o val or de x no el em en to AE L por za,
Dada uma fam ainda: Xx-UymN=ndX-hYy
). A fam íli a x é ind ica da ta mb ém pel o sím bol o: Tem-se
em vez da notação usual x(A LE L AEL
(xa ), qu an do não ho uv er dú vi da sób re o co nj un -
(xy) L OU simplesmente (XY.
x nNhH= uy
to de índices L. AC L AEL
L = (1, 2, .. ., n) é o co nj un to dos int eir os pos iti vos desde 1
Quando
as x: L — XÁ ch am am -s e n-u pla s de elementos Com relação às aplicações, temos:
até um int eir o fix o n, as fam íli
n-u pla x = (z ); c 1 é co mu me nt e re pr es en ta da pel o símbolo
de X. Uma HU 4)= UA; HNAVCO NIHAN;
x, .. ., %n ). Co mo sa be mo s, T; = x(1 ) é o val or de x no elemento 12.
z = (try
e ch am ar x; à t-é sim a co or de na da da n-u pla 2 = (2 ... Ta). Em (CU A) = USHAS; IUNAV = 1 HA).
É costum
um par or de na do (a, db, «C A, bE B, é um a 2-u pla no com cei to de produto
particular, A noç ão de fam íli a per mit e gen era liz ar ta mb ém O con
junto À U 5. cartesiano. Consideremos inicialmente o caso finito.
nu m con jun to X com índ ice no con jun to N =
Uma família
ad a uma seg iiê ncia de os conjuntos Ar,..., Ar seu produto cartesiano é o conjunto
= (1,2,..., mM. ..) dos int eir os pos iti vos é ch am Dados
Um a tal seg iiê nci a é poi s um a fun ção %: N > X, ind icada formado por tôdas as n-uplas a = (M,..., Gn)
elementos de X. A=AX... X A, = HAs;,
ou por z= k( t% y. .. , Zn . ), sen do o val or da apl ica ção Z $=1
por x = (2) X An
no elemen to n E N ind ica do por x, e cha mad o o n-é sim o têr mo da segiiên- tais que q E Av...,M E An. Em outras palavras, 4 = AX...
SI AV. Ar
cia Lt. é o conjunto de tôdas as aplicações a: A Bs
em L. A tais que a(i) = q E A; para todo 1 = 1,...,n. Isto estende o produto
Seja (Ana cL uma fam íli a de con jun tos A, com índ ice s
men tos que per ten cem à pelo cartesiano A XB visto acima. Quando A,=... = A, = A, o pro-
reunião des sa famí lia é o con jun to dos ele
4”. No
Escreve-se: duto cartesiano 4 X...X A de n cópias de A é indicado com
menos um dos A». as projeções
produto cartesiano A=4,X...X A, são importantes
U Ay = fz; existe NC L com zC Ax. p;:A— A; sôbre cada fator 4; À i-esima projeção p; é definida por
ACL a = (m,..., Gn). Dadosa =
p(a) = a; = i-ésima coordenada da n-upla
Ou seja, U A, é o conjunto dos x tais que x pertence à algum Áx. =(am,..m) e b=(by,...,b)em 4, X...X A,, tem-se a = b se, e só-

famí li a ( A r CL é o co nj un to dos ele- mente se, p;(o) = p;(b) para cada 1 = 1, 2,..0, 1.
Anâlogamente, a interseção da mente a todos os conjuntos da família. a E £ de con jun tos , seu
mentos que pertencem simultânea Mai s ger alm ent e, dad a uma famí lia qua lqu er (Ay
Põe-se produto cartesiano 4 = II À, é o conjunto das famílias a=(m)a EL tals
M Ax= fz; x E A, para todo AC Lj. EL
MEL que, para cada AC L, a) E 4». Em outras palavras, A é o conjunto de
tódas as aplicações a:L— UU Aa tais que a(A)=q) E As para cada AXEL,
L=N=1,2,..4n,.. .j, é costume escre-
Em particular, quando AÉL

As projeções p, : 4 — A, são definidas por px(a) = ax. Cada projeção Pa


n =] n=) ne N ne N
PRELIMINARES Cap. O EQUIVALÊNCIA 13
12

é uma aplicação de A sôbre 4». Dada uma aplicação f: X — II, de


co

enumeráveis implica AU... VAU... = U À, enumerável, mas o


um conjunto qualquer X no produto cartesiano dos Aa, obtém-se, para nal

cada À E L, uma aplicação fa : X— 4x pondo-se f, = prof, ou seja, II 4, não é, em geral, enu-


é dada, para
produto cartesiano 4, X ...X 4, X... =
fa (x) = A-ésima coordenada de f(x). Reciprocamente, se go 1

cada À E L, uma aplicação f:X — 4, tal que f, = prof para cada À. merável. O conjunto dos números racionais é enumerável. O conjunto
Basta pôr f(x) = (fx) E &- o dos números reais não é enumerável. Se 4 é infinito, o conjunto A“ de
tôdas as funções de 4 em À não é enumerável.
No caso particular em que todos os conjuntos 4», À E L são iguais ao
mesmo conjunto A, escreve-se At em vez dell A,. O conjunto 4! é Todo conjunto infinito possui um subconjunto infinito enumerável.
ACL Isto significa que o número cardinal dos conjuntos infinitos enumeráveis
formado por tôdas as aplicações de L em A. é o “menor” dos números cardinais infinitos.
É costume indicar com II A, o produto cartesiano de uma sequência
nm]

(Ai, Ag...» Am...) de conjuntos. Os elementos de IA, são as seqiên- & 6. Equivalência
cias (a1, 63,.-., 4m..-) tais que q, E Á, para cada n GN.
Uma relação binária num conjunto 4 é um subconjunto À C A XÁ
/ do produto cartesiano de 4 por si mesmo. Se (a, b) E R, escreve-se aRb
“8 5. Finito, Infinito; Enumerável, não Enumerável
e diz-se que a mantém a relação f com 5.
Por exemplo, no conjunto dos números inteiros positivos, podemos
Um conjunto Á chama-se finito quando fôr vazio ou quando existirem
obter a relação de divisibilidade, considerando o subconjunto É C N X N
um inteiro positivo n e uma aplicação biunívoca f: ASI, 2... ny,
formado pelos pares (m, n) tais que n é um múltiplo dem. Então, (m, n) E É

Je
de A sôbre o conjunto dos inteiros 1, 2,..., n. Quando À fôr vazio, diz-se
(ou seja, mkn) significa que m divide n.
que A possui O elementos. No segundo caso, diz-se que À possui n elemen-
tos. Demonstra-se que o número n, quando existe, é único. Uma relação de equivalência num conjunto A é uma relação binária K
Diz-se que um conjunto À é infinito quando êle não é finito. Isto com as seguintes propriedades:
significa que, seja qual fôr o inteiro positivo n, o conjunto 41, 2,..., ny;
Rejlexividade: aRa para todo «a E À;
está em correspondência biunívoca com uma parte de À mas não existe
n E N algum tal que (1,2,...,n! possa ser pôsto em correspondência com Simetria: se ahb, então bÃa;
A. Transitwidade: se aRb e bke, então ake.
Um conjunto 4 diz-se enumerável quando é finito ou existe uma aplica-
ção biunívoca f:4— N de À sôbre o conjunto N = (1, 2,...,m,...; dos Em têrmos do subconjunto RC AX À, as propriedades acima dizem
inteiros positivos. (Evidentemente, NX é um conjunto infinito.) Alguns que R contém a diagonal À do produto 4 X 4, que R é simétrico relativa-
autores chamam enumeráveis apenas os conjuntos que estão em correspon- mente a essa diagonal [(a, b) ER=> (ba) E Rleque(a,b) ER, (bc) E
dência biunívoca com N. A êstes conjuntos chamaremos conjuntos nji- CCR>(a JE RB.
mitos enumerdveis. Por exemplo, a relação de igualdade «a = b é uma equivalência em
Dois conjuntos 4 e B têm o mesmo número cardinal quando existe uma qualquer conjunto 4. (Neste caso, R coincide com a diagonal de 4 X À.)
aplicação biunívoca f: À —B de À sôbre 5. Seja À o conjunto dos triângulos do plano. A relação: “o triângulo a e o
é enumerável, O con- triângulo b possuem a mesma área” é uma equivalência em À,
Todo subconjunto de um conjunto enumerável
junto das partes finitas de um conjunto enumerável é enumerável. Se 4 Seja R uma relação de equivalência num conjunto Á. Para cada ele-
e B são conjuntos enumeráveis, então o produto cartesiano À X B é enu- mento x €- À indiquemos com €C, o conjunto de todos os elementos
merável e a reunião AU B é enumerável. Mas geralmente, se A,, y C À que são equivalentes a x segundo a relação R:
As,..., A, São conjuntos enumeráveis, então AjJ.. À) Ane AX... X4,
são ainda enumeráveis. Para a reunião, ainda é verdade que As,..., Ap... C. = 1Y Em E vi.
PRELIMINARES Cap. O
14

O conjunto C, chama-se a classe de equivalência de = segundo a $ 7. Ordem


relação R. A família (C,).CA goza das seguintes propriedades:
Uma relação de ordem num conjunto À é uma relação binária em A,
1) A=U Cs; <, gozando das seguintes proprie-
TEÀ indicada geralmente com o símbolo
dades:
2) dados z, vcdA, ou €; = C, ou CNC = o.

A tôda coleção de subconjuntos de 4 com as duas propriedades acima, 1) Reflecxwa: a < a para todo a E À;
chamaremos uma partição de A. As condições acima dizem que 08 con- 2) Anti-simétrica: sea<beb<a, então a = 6;
juntos de uma partição devem ser dois a dois disjuntos e todo ponto de À 3) Transitira: sea<beb<c, então a < e.
está contido em um dêles.
Por exemplo, a relação de inclusão X C Y é uma relação de ordem
Vemos assim que, dada uma relação de equivalência K num conjunto Á,
definida no conjunto P(A) das partes de um conjunto 4. O conjunto Z
as classes de equivalência segundo R formam uma partição de A. Dois
dos números inteiros relativos possui uma relação de ordem natural, onde
elementos x, y E A pertencem ao mesmo conjunto da partição se, e sômen-
se escreve n <m, se, e sômente se, a diferença m — n é um número positivo
te se, zRy. Reciprocamente, tôda partição de A define uma relação de
ou nulo.
equivalência R, desde que ponhamos zky para indicar que x e y perten-
cem ao mesmo conjunto da partição. Um conjunto ordenado é um conjunto munido de uma relação de ordem
nêle definida. Todo subconjunto de um conjunto ordenado pode natu-
O conjunto quociente de um conjunto 4 por uma relação de equivalên-
ralmente ser considerado ordenado. Note-se que, dados um conjunto or-
cia R é o conjunto A/R, cujos elementos são as classes de equivalência dos
denado À e dois elementos arbitrários a, b &- À pode acontecer que nem
elementos de À segundo a relação À:
aq <b nem b< a. (Vide relação de inclusão.) Um conjunto A diz-se to-
AIR = 10:; 1 E A). talmente ordenado, ou linearmente ordenado quando nêle está definida uma
relação de ordem tal que, dados arbitririamente a, bE À, ou a <b ou
Existe uma aplicação natural q : 4 — A/R, definida por (x) = €C; = b<a. O conjunto 4 dos números inteiros relativos é totalmente ordenado.
= classe de equivalência de x. A aplicação 7 é chamada a aplicação canó- O mesmo se dá com o conjunto Q dos números racionais. Às vêzes, para
nica de A sôbre A/R. (Evidentemente w é sôbre A/R.) dar ênfase ao fato de que um conjunto ordenado À não é linearmente
Se escolhermos, em cada classe de equivalência segundo À, um único ordenado, diz-se que Á é parcialmente ordenado. Um conjunto linear-
elemento daquela classe, o subconjunto L C A assim obtido chama-se um mente ordenado é às vêzes chamado uma cadeia.
conjunto de representantes das classes de equivalência. É claro que (salvo Num conjunto ordenado 4, um elemento « chama-se o primeiro elemen-
no caso trivial em que R é a relação de igualdade) a escolha dos represen- to, ou o menor elemento de À quando se tem a < x para todo x E À. Um
tantes pode ser feita de várias maneiras. Para que LC A seja um con- conjunto ordenado A pode não possuir um primeiro elemento (exemplo: o
junto de representantes, é necessário e suficiente que a aplicação canônica conjunto Z dos números inteiros relativos) mas, se possuir, êle é único, em
T:A> AfR transforme L biunivocamente sôbre A/É. | virtude da propriedade anti-simétrica da relação de ordem. Anãlogamente,
f Qualquer aplicação f: A — B defi- o maior elemento, ou último elemento de um conjunto ordenado A, se existir,
A — DD» & ne uma relação de equivalência & em é um elemento bE À tal que x < b, seja qual fôr «CEC 4. O conjunto N
A, chamada a relação de equivalência dos números inteiros positivos tem um primeiro elemento, que é o número 1.
determinada por f. Basta pôr aka” se, O conjunto R(Á) das partes de um conjunto 4 (ordenado por inclusão) tem
"e sômente se, j(a) = J(a). A função f como primeiro elemento o conjunto vazio (3.
decompõe-se então num produto f = Um elemento q de um conjunto ordenado A chama-se um elemento
= tof 'om , o n d: Àe > r AfR é à aplica- mínimo de A quando não existe em A nenhum elemento x tal quer < a e
A/R - (4)
ção canônica, 1: HA) — B é a inelusão rx xa. (Fscreve-se x <a paraindicar quer <aexzxa.) Não se deve
é uma cor res pon dên cia biu nív oca , def ini da por J'(m (x)) = confundir “elemento mínimo” com “menor elemento”. Seja M o conjun-
e f!: AIR — (A)
= f(x). O diagrama acima é clássico, to das partes não-vazias de um conjunto B. Ordenando 9 por inclusão,
16 PRELIMINARES Cap. O 5 8 NUMEROS REAIS 17

os pontos 1 € B são os elementos mínimos de 9. Salvo no caso em que 5 dicar que b — a é um número real positivo ou zero. Em outras palavras,
possui um único elemento, % não possui menor elemento. É claro que se a < b significa queb — a 2 0, Em coerência com a linguagem geométrica,
um conjunto ordenado A possui um primeiro elemento, êle é o seu único chamaremos também de pontos da reta aos números reais e diremos que o
elemento minimo. ponto b E R está à direita do ponto a E K quando à < b, No mesmo caso,
Seja S um subconjunto de um conjunto ordenado 4. Um elemento a diz-se situado à esquerda de b.
a EC A chama-se um limite superior de S sex < a para todo x E 8. Diz-se O conjunto la, bl =(rC Ria < x < bl é chamado o intervalo fechado
também que a é uma cota superior de 8. De modo semelhante, se define de extremos a e b. (Agora, como abaixo, q, bC Rea < b.) Anilogamente,
um limite inferior, ou uma cota inferior de 8. Quando a é uma cota su- poremos
perior do conjunto 5S, diz-se que os elementos de 5 são magorados por a.
Se b é uma cota inferor de 8, diz-se que os elementos de 5 são minorados por
(ab) =ixER;a< gs <b)= intervalo aberto de extremos a, b,
ab)= (eCh;a<ar<bylabd|=(rER;ja<ar<b),
b. Escreve-se, às vêzes, S < a para indicar que 2 é uma cota superior de S
eb<sS para indicar que b é uma cota inferior de 5. (mg, +ro)j= pCchia<ant-o,b)=izCk;r<ob,
a, +o)= (xeCR;ja<xriimo,b)= irER;u<b.
Um conjunto ordenado À diz-se indutiwo superiormente quando todo
subconjunto linearmente ordenado S C À possui uma cota superior, Os intervalos da forma [a,b), (a, b] são chamados semi-abertos. Os
O teorema abaixo será utilizado uma única vez neste livro. (Vide intervalos da forma (a, +o), la, + o) etc. são também chamados semi-
demonstração do Teorema de Tychonov, Cap. IX, 3 4.) -retas,
TeoreMA DE ZorN — Todo congunto nião-rvazio indutivo superiormente Um conjunto S de números reais diz-se limitado superiormente quando
possui elementos máximos. existe um número real a tal que x <a para todo « ES, De maneira
Evidentemente, o Teorema de Zorn também pode ser enunciado di- análoga se define um conjunto linitado inferiormente. Um conjunto SC R
zgendo-se que todo conjunto não-vazio indutivo inferiormente possul ele- diz-se limitado quando é limitado inferiormente e superiormente, isto é,
mentos mínimos. quando existem números reais q, b tais que a < 7 <b para todo rES,
ou seja, S C [e,b]. Quando x <a para todo x E 8, o número a chama-se
Bem menos evidente é o fator de que o Teorema de Zorn é equivalente
uma cota superior do conjunto S, Semelhantemente, b< x para todo
ao chamado Axioma da Escolha, um princípio básico da teoria dos con-
ZE 5 significa que b é uma cota inferior para 8.
juntos, o qual afirma que, dada uma coleção não-vazia € de conjuntos não-
-vazios X é possível formar um conjunto À, escolhendo em cada x E É pre- À distinção fundamental entre À e Q reside no fato de que todo con-
cisamente um elemento X. O Axioma da Escolha é equivalente à afir- junto X não-vazio de números reais que é limitado superiormente possui
mação de que o produto cartesiano IIÃ, de uma família não-vazia de con- um supremo s = sup. À, que é um número real com as seguintes proprie-
juntos não-vazios Ày é, por sua vez, um conjunto não-vazio. dades:

Muitas vêzes, no decorrer de argumentos no texto, usaremos o Áxioma 1) para todo x € X, tem-se x < s (isto é, s é uma cota superior de X);
da Escolha, sem malores comentários.
2) set é um número real tal quer < t para todo rx E X, entãos < 1 (sto
é, s é a menor das cotas superiores de X).
S 8. Números Reais
À propriedade segunda, acima, significa que nenhum número menor
do que sup. X = s pode ser uma cota superior de X. Por isso, ela se ex-
Indicaremos o conjunto dos números reais com R. le consiste dos
prime também do seguinte modo:
números racionais, cujo conjunto indicaremos com Q, e mais os núme-
ros irracionais. Não adotaremos símbolo especial para o conjunto dos 3) dado qualquer e >0,existezC X tal ques—e<r<s.
números irracionais. O supremo de umconjunto X pode pertencer ou não ao conjunto À.
mr

Fregiientemente nos referiremos ao conjunto k dos números reais como De maneira semelhante se define o ínfimo de um conjunto X não-
a reta. Às vêzes diremos a reta reali. De especial importância é a relação -vazio de números reais, para o qual se usa a notação inf. X = t O iín-
de ordem (linear) entre os números reais. Escreveremos a < b para in- fimo t é definido pelas seguintes propriedades:
Cap. O REFERÊNCIAS 19
18 - PRELIMINARES 5 10

1) tem-se i <x, para todo zC X (em outras palavras, 1 é uma cota 3) a(Ba) = («b)x, idem;
inferior de X); 4) 1-x= 2, para todo 2 ۃ.

mr
2) sej< x para todo zE 4, então 3 <1 (ou seja, ? é à maior das cotas que O - x =0 (onde, no primeiro membro,
Segue-se dêstes axiomas
inferiores de X). 0 E R, e no segundo O E É), que (— bz =—2z e que valem, em geral,
A segunda propriedade do ínfimo pode ser equivalentemente formulada tôdas as regras operacionais óbvias.
do seguinte modo: Um subconjunto não-vazio F de um espaço vetorial É chama-se um
1 + €. subespaço de E quando x, y E F implica x + y & Fe xe Fimplca az €& F
3) dado qualquer número reale > O, existe x € À tal ques 5 x <
Todo conjunto X, não-vazio, de números reais que é limitado inferior- para todo « E R. Dado um subespaço F C É e um vetor a & E, O con-
= inf. X, o qual é um número real. O ínfimo junto a+F = (a+z; x€ &; chama-se a variedade afim paralela a F e
mente possui um fnfimo
de X pode pertencer a À ou não. | passando pelo ponto a.
Sejam E e F espaços vetoriais. Uma aplicação f:L — k chama-se
|

Evidentemente sup. X e inf. X são univocamente determinados pelas


“e tam pa ta ar Te

propriedades que os definem. uma transformação linear quando f(x + y) = f(x) + Il) e fax) = elx)
quaisquer que sejam x,y E É, a escalar.
Quando um conjunto X não é limitado superiormente, escreve-se
sup. X = + o. Aniálogamente, inf. X = — o serve para exprimir que X
não é limitado inferiormente. Às vêzes também se convenciona escrever 8 10. Referências
sup. Z=-—-o ent. G=—+ro.
Todo o material referente a conjuntos, funções, relações de equiva-
SeXCYexXxsg,então sup. X<Ssup. Yeinf, Y<amf. À. Se exposto, de
lência, ordem e números cardinais aqui mencionado, acha-se
escrevermos X + Y=Iz+y;zE X,yG Y), então teremos sup. (X + Y)= P. R. Hal-
forma legível e atraente, no livro: Naive Set Theory — por
= sup. X+supYeinft(X+YW= inf. X+intYr.
mos (Van Nostrand, 1960).
Uma exposição bastante clara, mas sem demonstrações nem comen-
S 9. Espaços Vetoriais tários, do mesmo material é a seguinte: Théorie des Ensembles — Fascicule
de Résultais — por N. Bourbaki (Hermann, 1937).
Um espaço vetorial (real) é um conjunto E, onde estão definidas duas
operações. A primeira é a adição de elementos x, y E E, dando como re- Para uma exposição curta, completa e compreensível da construção
+ y E E. Os elementos do espaço vetorial É são dos inteiros, racionais e reais a partir dos conhecimentos básicos sôbre
sultado um elemento x
conjuntos, veja-se: The Structure of the Real Number syst—em por L. W.
chamados vetores e a adição de vectores deve gozar das seguintes pro-
priedades: Cohen e G. Ehrlich (Van Nostrand, 1963).
Como referência auxiliar para os assuntos tratados nos livros acima
D z+Hy=y+gz, quaisquer que sejam x, y E E;
citados e para uma exposição de Álgebra Linear, sugerimos o texto clássico:
» tr+Hry)+z=24(y+ez), sejam quais forem x, y 2 C E;
A Survey of Modern Algebra — por G. Birkhoff e S. Mac Lane (MacMillan,
3) existe 0 & E (chamado o vetor zero, ou a origem de E)jtal que) + x = gr
1965).
para todo Tx E É;
4) a cada x & É corresponde um vetor — x € E tal que x+ (- 2) =0,
O vetor — x chama-se o simétrico de x.
A segunda operação definida em É é a multiplicação de um vetor x C E
por um número real a & R dando como resultado um vetor ax E &. Esta
operação deve satisfazer o seguinte:
= ax + ay, para todo «aC R e quaisquer x, y EC E;
D c(ix+Hy)
= ar +Bz, quaisquer que sejama, ) € É, x E;
29 (x + Br
5 2 DEFINIÇÃO DE ESPAÇO METRICO 21

A maioria dos espaços topológicos normalmente encontrados na Ma-


vem muni da de uma métri ca. Além disso, a topol ogia que deriv a
temática
de uma noção de distância deixa pouca margem para a especulação de exem-
plos artificiais ou patológicos que desviam a atenção do principiante dos
fatos fundamentais. Por tais motivos, faremos dos espaços métricos q
tema central desta introdução à Topologia.
O conceito de espaço métrico é devido a Maurice Fréchet, que o in-
troduziu em 1906, em sua famosa tese, juntamente com outras noções que
se tornaram clássicas em Topologia. Os axiomas de Fréchet representam
Espaços Métricos um refinamento matemático da noção de distância, tal como a concebemos
na vida comum.

Capítulo 1
8 2. Definição de Espaço Métrico

S 1. Introdução Uma métrica num conjunto 17 é uma função d:M X M > K que
Uma das idéias mais importantes da Matemática é à de continuidade, associa a cada par de pontos x, y E M um número real d(z, y), chamado
a qual se acha estreitamente relacionada com os conceitos de convergência a distância do ponto x ao ponto y, de tal modo que:
e limite. Dada uma aplicação f:X — Y definida num conjunto X e to- D diz, o) =0,dr,y) >0 ser = y;

|
mando valôres num conjunto Y, diz-se que f é contínua no ponto «E À
9 dx, = d(y, 2);

|
quando é possível tornar J(x) arbitrãriamente próximo de (a), desde que se
9 dlx,o) < dlx,y) + dy, 2); quaisquer que sejam 7,%)2 €& M.
tome : suficientemente próximo de a. Anilogamente, diz-se que uma se-
quência de pontos (x,), n = 1,2,3,..., pertencentes a um conjunto X, A propriedade 3) chama-se “desigualdade triangular”, pois exprime
converge para o ponto « E X quando é possível tornar x, arbitririamente que cada lúdo de um triângulo não excede a soma dos outros dois.
próximo de a, desde que se tome n suficientemente grande. Observa-se Um espaço métrico é um par (J7, d) formado por um conjunto M e uma
que essas definições de continuidade e convergência não têm sentido em métrica d em df,
conjuntos quaisquer X, Y. Para que elas signifiquem algo é necessário
Por comodidade, sempre que não houver perigo de confusão, nos re-
que nos conjuntos em questão exista alguma estrutura que permita falar
feriremos ao “espaço métrico 4”, deixando subentendida a métrica é.
em “proximidade” de pontos. Tais conjuntos são chamados espaços topo-
lógicos. Ncles são definidas e tomam valóres as funções continuas. Cha-
ma-se Topologia à disciplina matemática que se ocupa do estudo das fun- EXEMPLOS

ções continuas de um espaço topológico em outro.


1. O cxemplo mais importante de espaço métrico é, sem dúvida, O
Ora, q maneira mais natural de verificar qual de dois pontos x, y, per- diz, y) = |Zc yl| =
conjunto HR dos números reais, munido da métrica
. . . “ ! . Ca. 0 A o Lo

tencentes à um conjunto X, está muis próximo de um ponto «a & NX é medir = valor absoluto da diferença x — y. Referir-nos-emos ao espaço métrico
as distâncias de x e y ao ponto a. Isto, porém, só será possível se existir R como “a reta real” ou simplesmente “a reta”.
a noção de distância, já previamente definida no conjunto NX. Ássim, os
2. Em seguida à reta, vêm os espaços euclidianos numéricos f*.
conjuntos onde tem sentido falar na distância entre dois pontos
se apresen-
Para n=1 temos b!=R=retareal Rº é o plano (euelidano real),
tam Imediatamente como espaços topológicos. Tais conjuntos são denomi-

|
nados espaços métricos, Entretanto, nem todos os espaços topológicos são isto é, o conjunto de todos os pares ordenados x = (x), 1%), y = (4, UD-.
importantes, onde o grau de de números reais, com a métrica deílnida por
métricos; existem alguns espaços topológicos
proximidade de um ponto 7 a um ponto a não é determinado pela distán-
cia de x a q. Travaremos contato com tais espaços a partir do Cap, III. diz, y) = va! — gy)? + (ut — y*.
22 ESPAÇOS MÉTRICOS Cap. |

De um modo geral, se n é um número inteiro positivo qualquer, R” é o pro- 3. Uma norma num espaço vetorial E, sôbre o corpo dos números
duto cartesiano de R por si mesmo n vêzes, isto é, é o conjunto de tôdas as reais ou complexos, é uma função que associa a cada vetor xzE E um nú-
n-uplas reais q = (21,...,4), y = (yl,...,y”) ete., com a métrica: mero real ||, chamado a norma de x, de tal maneira que:
o) |0|=0€e |z)>0sezxHo;
d(z, y) = qto —y+..+t( — yr) = VÊ (u* — y')2, b l|A-cx|=I|A|-|x| seja qual fôr o escalar A;
o) l|Jx+yl < lx) + |y| quaisquer que sejam x, yC E.
Temos, naturalmente, de verificar que a função d acima definida sa-
Um espaço vetorial normado é um par formado por um espaço vetorial E
tisfaz às condições exigidas para uma métrica. É evidente que d(x, 2) = 0,
e uma norma > |z! em É. Por exemplo, a função |x| = Va)? é
dic y)>0 se zxxy e que d(z,y) = d(y, x). Resta portanto verificar
uma norma no espaço vetorial E”. (A verificação da propriedade |x + y| <
apenas a desigualdade triangular. Sejam vw = (2l,...,2), y=(yl..., y")
< ix 4 |y|, única não-trivial, está contida no exemplo acima.) Todo
ez=(2!,...,2") três pontos arbitrários em hRº. “Temos de provar que"
espaço vetorial normado E possui uma métrica natural, definida a partir
VE < vIW- + va, da norma por
diz, 4) = |x — y|.
isto é, pondo xt —- y=aey-d=b' (t=1,...,n), que
Além das propriedades requeridas para uma métrica (as quais se vemfi- |
cam ficilmente a partir da definição de norma), a distância definida por
va +) < va) + v 269.
uma norma satisfaz anda a: d(xtz, y+2) = d(x,y) (é invariante por
Elevando ambos os membros ao quadrado, vemos que isto equivale a translações) e d(Ax, Ay) = |A| -d(z, y).
mostrar que A métrica definida em KR” no exemplo anterior provém da norma
|x|) = VE(x)2. Salvo menção explícita em contrário, consideraremos
Ela)? + Eb) 41 ODoibi< Za) +62 Da. NV DOS, sempre o espaço R” como provido dessa norma e da métrica que dela se
o que é equivalente a origina.
Outras normas que poderíamos introduzir no espaço R” seriam, por
Eob'< va). Sí exemplo:
Esta última desigualdade, por sua vez, é consegiiência da famosa desigual- |)! int +... + |x"|, ou

|
dade de Cauchy:
x”
máx. (all, ..., |x"|y,

]
(Zo'b')? < Za] 1269. as quais dariam origem às seguintes métricas no R”:
À fim de demonstrar a desigualdade de Cauchy, observamos que: Pepe li-pro +royle
1) se 2(b) = O, então b' = 0, i=1,...,n: portanto, d (x,y) = máx.fjel — gl... [2º— yr,

[Zab”] = 0 = [E] Z(W)), onde x = (x!,..,a) ey=(yl... yM).


2) se Z(b)? > 0,0 trinômio do 2.º grau em À: 4. Todo subconjunto X de um espaço métrico AM possui uma estru-
tura natural de espaço métrico. Basta definir a distância entre dois pon-
Z6)]N+H2Bab]ÃA Za) = Zta' +) 2>0
tos z,y E X como a mesma distância entre êles considerados como pontos
para qualquer valor real de A. Logo, seu discriminante deve ser menor de M. A métrica assim definida em X chama-se a métrica induzida em X
do que ou igual a zero, isto é, pela métrica de M e o espaço métrico X assim obtido chama-se um subespaço
de M. Esta simples observação dá origem a uma grande variedade de exem-
4[Za'b']2 — 4 [Ba] [EB] < 0,
plos de espaços métricos. Basta, por exemplo, considerar os subconjuntos
o que estabelece a desigualdade desejada. do espaço euclidiano R”.
24 ESPAÇOS METRICOS Cap. ] 53 MAIS DEFINIÇÕES E EXEMPLOS 25

5.Seja M um conjunto qualquer. Podemos definir em M uma mé- Dados os subconjuntos não-vazios À, B do espaço métrico M, defi-
trica d pondo d(z,x) = 0 e d(r,y) = 1 se x 7 y. Isto mostra que qual- ne-se a distância entre êles por
quer conjunto pode tornar-se um espaço métrico. O espaço dêste modo 4, bE B).
dA,B) = inf Íd(a,b); aC
obtido é bastante trivial, sendo utilizado apenas em contra-exemplos.
Tem-se d(4, B) = LB, A), dA, À) = O, mas os outros axiomas para
uma métrica não são satisfeitos. (Para uma métrica definida entre certos
N 83. Mais Definições e Exemplos
subconjuntos de um espaço métrico, ver lixere. 13.) Por exemplo, no plano
R?, sejam A= (1,0); «CR! o eixo ds ve B= ly, lr;zv>o0;
Num espaço métrico M, além da distância entre dois pontos x,y E X,
um ramo de hipérbole. Então 4 = B (mais do que isso: ÀAMNB= )
podemos também definir a distância de um ponto « E 4f a um subconjunto
mas d(4, B) =0, pois sea = (2,0) e b= tg, L'x), d(a, b) = 1'x pode
não-vagio AC M pela expressão

Lo
tornar-se tão pequena quanto se deseje, desde que se tome x grande.
dx, À) = inf. (dx, 0) ;a E AS. Uma aplicação /:M — N, de um espaço métrico À num espaço mé-
trico N, chama-se uma imersão isoméirica quando
Assim, a distância d(x, A) do ponto 7 ao conjunto À é o único número
real m tal que: dC), Fly) = d(z, 4),
) para todo cC A, m< diz, a), disso, f é uma aplicação de MH
quaisquer que sejam x,y E MN. Se, além
1) dado «e > O qualquer, existe a E À tal que dir,a) < m + e. sôbre N, então diz-se que f é uma isometria de M sôbre N, ou uma isometria
Um número real m satisiaz à 1) se, e sômente se, m < d(z, A); a condi- entre M e N.,
ção li) equivale a m 2 dx, d). Uma imersão isométrca [:M — N é sempre biunívoca pois se f(x) =
Note-se que se v & 4 então d(x, 1) = 0, mas a recíproca é falsa. Na = f(), então O = dif), 10) = d(v, 4) e, portanto, x = y.
reta, por exemplo, seju 4 = (1,2) o intervalo aberto de extremos 1 e 2. Seja X um conjunto qualquer e f: X > 3 nnm aplicação biunívoca
Tem-se d1. 1) =0, d2, 4) =0, sem que 1€ 4 nem 2€ À. Em gera, de X num espaço métrico 1/7. Dados x, y E 4f. nonhamos d(y, W) ==
dic, 4) = O significa que dado e > O arbitrário, existe a E À tal que = d((a), 10). Isto defme uma métrica em À, relativamente à qual f
d(x, a) < € ou seju: “existem pontos de À arbitrâiriamente próximos do é uma imersão isométrica. sta chama-se a métrica induzida em X pela
ponto x. aplicação j. Como censo particular, a métrica de um subespaço NC HM
de um espaço mé- é induzida pela aplicação de inclusão 2: NX — II Q(x) = 2, para todo
Prorosicão | — Seja À um subconjunto não-tazio
re XxX).
trico MM. Quaisgter que segun Lx, ye— dl ien-se
As isometrias são os isomoriismos da estrutura de espaço métrico,
der, 4) o Gy, A), & UL, y). Dois espaços métricos isométricos são mdistinguíveis sob o ponto de vista
de propriedades que digam respeito a distâncias,
Demonsiração: A desigualdade proposta equivale a — dlz, 4) <
< dic, 4) dy, À) <adir, uy), ou seja, ao par de desigualdades nr,dy A) SG
EXEMPLOS
<dey-Hdya) edo, dà)< dy) > diz, d) Como x cy são arbh
trários, basta demonstrar a primeira destas. Oca, para todo e. O, existe 6. Seja É o conjunto dos números complexos 2 = 2 + vw. Relati,
d(y, Ay + e Por ouio Lado, Cm vise da
ao 4d tal que dga) < vamente às operações :+2z'=(rhr)+ilyg+Hy)eA z=Av+ (NI)
desixusidade triangular, temos díx. 0) < div, 4) di a) iscune-se que (A real) € é um espaco vetorial normado sôbre os reais, a norma do
diz o) < de, y) + dg 4) Le Isto mostra que dir, À) < dir, y) + número complexo 2 =x iy sendo lzl = 2º + y A aplicação
+ dy, 4), como devíamos denionstrar. f:0> Rº, definida por f(x + 13) = (x,%)) é uma jsometria de € sôbre Rº.
CoroLáRrIO — Quaisquer que sejam 2, y 2 MT, tem-se x, z) e Sempre que fôr conveniente, identificaremos o conjunto € dos números
complexos com o plano R? através da aplicação f. € possui uma multipli-
— dl,2) | < dir, 4). Ou seja: um lado de um trânguio é sempre maior
do que ou igual à diúerença dos outros dois, cação zº” = (vr-+Hiyl(r +iy)=(ra-—gyy)+4 ey yr) com as pro
26 ESPAÇOS MÉTRICOS Cap. E Ss 3 MAIS DEFINIÇÕES E EXEMPLOS 2z

priedades naturais z(z'2') = (z2d2', als 42) =2' +22", 22 =2'2, é conjunto Z dos números inteiros
relativos, com a métrica induzida pela
cada z x O em É possui um inverso 21! com gzi=1=1+%0. É para reta R. Tanto o subespaço Z C KR como o espaço métrico do Ex. 5 são
fazer uso dessa multiplicação tão cômoda que se passa, às vêzes, de A” para espaços métricos discretos, de acôrdo com a definição que daremos agora,
C. Lembramos também a notação de Euler, e”, para indicar o número
Um ponto a de um espaço métrico Af diz-se um ponto isolado em M
complexo cos 8 + 2 sen é, ou seja, o ponto (cos 8, sen 6) do plano. quando existe uma bola aberta de centro a (e raio r > 0) que consiste úni-
7. Seja E um espaço vetorial normado. Para cada « E E, a transta- camente do ponto a:B(a; r) = (a) para um certo r > 0. Um espaço
ção Ta: — E, definida por Fo (x) = É + q, é uma Isometria. métrico MH chama-se discreto quando todos os seus pontos são isolados.
8. Seja u E € um número complexo de módulo 1, isto é, u=2z + uy,
com jul =V2º+4+y =1. A aplicaçãof:0C>C, definida porflz) = u- 2 EXEMPLO
(multiplicação de números complexos) é uma isometria de € sôbre si mesmo.
Com efeito, para quaisquer elementos x, 2 € C tem-se: 9. Num espaço vetorial normado & x (0; (em particular, no A”) ne-
nhum ponto « E É é isolado. Com efeito, seja qual fôr r > O, basta tomar
fl) — Hol=iucw— wcel=|u toa) = [ulcir—al= |w— al. rg
x = O qualquer em É e observar que 6 = a é diferente de q é
Geomêtricamente, f é a rotação do plano € em tôrno da origem, cujo ângulo: 2/2!
éB,ondeu=ele 0O<B<r. pertence à bola aberta B(a;r), pois |b— a| =r/2<r. Como vimos
acima, no espaço X do Ex. 5 e no conjunto Z dos números inteiros, tôda
bola aberta de raio 1 contém apenas o seu centro. Por outro lado, seja P
Sejam M um espaço métrico, r > O um número real e « um ponto de X.
o conjunto dos números da forma 1/n, com n inteiro >0: P= 1,12,
A bola aberta de centro a e raio r é o conjunto B(a;r) de todos os pontos.
1/3,...1. Para cada 1/n E P, à bola aberta B(l/n; 1/n(n + 1)), de centro
de M cuja distância ao ponto a é Inferior a 7:
lin e de raio 1/n(n 4 1) em P, contém apenas o seu centro 1/n, pois de todos
Bla) = ivteM; d(g,a) < r). os elementos de P (com exceção do próprio 1/n) o mais próximo de 1/n
A bola fechada (ou disco) de centro a e raio r é o conjunto D(a;r) dos. é 1(n + 1), cuja distância a 1/n é igual à 1/n(n 4 1). Portanto, todos os
pontos de M cuja distância ao ponto a é inferior ou igual a r: pontos de P são isolados e assim P é um espaço métrico discreto. Se con-
siderarmos, porém, o espaço P* = PU 0), ainda com a métrica induzida
D(a;)= (ve M; dix,a) <rº.
da reta, P* não será discreto, pois o ponto O não é isolado em P*. Com
Assim, à bola fechada D(a;r) é formada pela bola aberta B(a;r) e efeito, dado r > O arbitrário, existe um número natural n > 1/r e então
mais os pontos vz E M cuja distância ao ponto a é exatamente igual a r.
tin < 7, donde 1'n pertence à bola de centro O e raio r em P*.
fistes últimos pontos formam um conjunto S(a;r), chamado a esfera de
centro a e raio f: |
S(a;r)= te M; d(zx,a) = r3. Proposição 2 — Dados dois pontos distintos a, b num espaço métrico M,
existem em M duas bolas abertas disjuntas com centros em a e b, respectwa-
Por exemplo, na reta R, a bola aberta B(a; r) é o intervalo aberto (a — r, mente,
a + r), à bola fechada de centro a e raio 7 é o Intervalo fechado D(a;r) =
Bio,r) 6 b,0
= [-—- ra+r]ea esfera de centro q e raio r reduz-se a um par de pontos
Star) = (a —r, ar). Os nomes “bola”, “disco” e “esfera” são, Ú b
naturalmente, motivados pelo espaço euclidiano mas convém observar
que, em certos espaços métricos, pode-se ter, por exemplo, S(a;r) = &, o dito, 6)
2
ou seja, B(a;r) = D(a;r): basta considerar um subespaço de R” formado
por pontos que estejam todos a uma distância menor do que r do ponto a;. Demonstração: rui
Seja r um número
+ *
real tal que O < 7 < 2
da, b)
Se
em tal subespaço, a esfera S(a;r) é vazia.
existisse um ponto zE M tal que zx€ B(a;r) e x E B(b;r), teriamos
No espaço métrico do Ex. à, qualquer bola aberta de raio < 1 consiste. dz, a)<r, d(x,b) <r e por conseguinte: d(a,b) < d(x,a) + d(z,b) < 2r,
de um ponto apenas: seu centro. Este mesmo fenômeno ocorre também no. ou seja, r > d(a, b)/2, uma contradição. Logo, B(a;r) N B(b;r) = 4.
Vo
28 ESPAÇOS MÉTRICOS Cap. | 3 MAIS DEFINIÇÕES E EXEMPLOS 29

OrservAção — É claro que a proposição acima também vale se dis- norma ro. Logo, y —y E B. Mas |y-(—W)| = 2ro > 1. Assim, KB) Da,
sermos “bolas fechadas” em vez de “bolas abertas” pois tóda bola aberta o que mostra ser 9(B) = 2r.
B(a; 1) contém, por exemplo, a bola fechada Dia; r;2). Observe-se que, apesar dos resultados acima, as bolas e esferas num
Um subconjunto X de um espaço métrico diz-se limitado quando existe espaço vetorial normado podem assumir aspectos inesperados. Às figu-
um número real r > O tal que d(z,y) < r quaisquer que sejam 2, y E À. ras abaixo mostram as formas do disco de centro O e raio 1 no plano Rº re-
O menur désses números r chama-se o diâmetro do conjunto À e represen- lativamente a 3 normas diferentes,
ta-se pelo símbolo 9(X). Assim:
max! | h=
Diâmetro de X = ó(X) = sup. (diz, y); Ly E À), se X não é vazio xr y=1 | xls lyl=4 “ , A
e (0) = 0.

EXEMPLOS

10. O diâmetro de um conjunto reduzido a um ponto é zero. Todo | |


conjunto finito (x1,..., Zm; é Imitado e seu diâmetro é o maior dos núme- lo y)l= Des y (o, )b= xt +ty) x y)l =máx.fulbyt
ros diz; £;), 4,3 = 1,...,m. lim qualquer espaço métrico uma bola fe-
chada D(a;r) é um conjunto limitado e seu diâmetro é < 2r. Com efeito, Às “esferas” S(0; 1) são respectivamente um círculo, um quadrado de
se xytE D(a;r), então diz, y < diz, a) + dle,y) <r+r = 2r. Pode diagonais contidas nos eixos e um quadrado de lados paralelos aos eixos,
se dar o caso de ser d(D(a;r)) < 21. Por exemplo, no intervalo (0, 1], con-
13. Num espaço vetorial normado, nenhum subespaço vetorial »< 101
siderado como subespaço da reta, a bola fechada de centro O e raio 1 coin-
é imitado. Com efeito, se v = 0, então tv/|:| tem norma tl.
cide com o espaço todo e portanto seu diâmetro é 1, e não 2, Como, evi-
dentemente, À C B(A e B limitados) implica 9(1) < (6), tem-se também I4. Uma aplicação f: X — 1f de um conjunto X num espaço métrico
d(B(a;r)) < 2r e d(S(a; 7)) < 2r em qualquer espaço métrico, M chama-se limitada quando f(X) é um subconjunto limitado de 47. Em
particular, se 47 possul uma métrica limitada (isto é, 0(11) < o), então
M. Um conjunto X é limitado se, e sômente se, está contido numa
tôda apiicação f: AX > df é limitada.
bola. Com efeito, se X é limitado, então, fixado ro E À arbitráriamente,
Indicaremos com B(X: 31) o conjunto das aplicações limitadas de X
temos d(x, xo) < 6(X) para todo x E X, donde X está contido na bola fe-
em M. Introduziremos em B(X; 1) uma métrica, definindo a distância
chada de centro xo e raio 0(X). (Se X = &, então 4 está contido em qual-
entre duas aplicações limitadas 4 9:X —> M como:
quer bola.) Reciprocamente, se X está contido numa bola, então X é limi-
tado porque a bola é. 9) = sup. LUC), gt); 1 E MO.
Observamos, inicialmente, que d(f,g) < o. Com efeito, fixemos um
12. Num espaço vetorial normado E = 40:, o diâmetro de uma bola ponto arbitrário x, € X. Como HX) e g(X) são subconjuntos limitados
fechada de raio r é igual a 2". Basta verificar êste fato para à bola D = de 17, existem números reais À >0 ec B>0 tais que dj), Hle)) < A e
= D(0;r) de centro na origem, pois a translação x > x + a é uma isometria dig(x), glxo)) < B para todo rCE X. Seja ditro, gtxo)) = C. Então, qual
que transforma a bola fechada D = D(0;+) na bola fechada D(a;r). Ora, quer que seja x E X, temos d(J(2), (0) < AO), Hx) + Mf(ro), g(x0)) +
se 4 é qualquer vetor == O em E, então y = rx/|r! e — 3 têm ambos norma ”, + dig(xo), g(x)) em virtude da desigualdade triangular. Segue-se que
donde pertencem a D, Mas |[y—- (>)! = |[2y| = 2r. Logo, ó(D) = 2r
dita), glx) < A+ B+ €C para todo ce X.
levando em conta o Ex. 10). Note-se que êste argumento provou também
que a esfera S(0;r) — e portanto qualquer esfera de raio + em E — tem Em consegiiência, dg) =sup. ii), 0); rE NX] <XA4BA4C,o que
diâmetro 2r. Também as bolas abertas de raio r em E têm diâmetro 2r. prova ser d(f, 9) um número real bem definido. Os postulados exigidos para
Verificação para B = B(0;r): dado qualquer a com O < a < 2r, tomemos uma métrica são facilmente verificados. Por exemplo, se / <q, então
a existe pelo menos um ponto z,€ X tal que J(ro) = g(xo) e, portanto,
To com o <ro<reumvetorzzxOem E. Entãoy=rz/|z|e—ytêm dJ(xo), g(xo) > O. Logo, d(f, 9) > 0.
53 MAIS DEFINIÇÕES E EXEMPLOS 31
30 ESPAÇOS MÉTRICOS Cap. |

Se E fôr um espaço vetorial normado, o conjunto B(X; E) possui uma A relação d(f,9) < o é uma equivalência em WX; M). Indicaremos
estrutura natural de espaço vetorial: (f + 9) (x) = f(x) + g(x) e (AM) (x) = com B(X; M) a classe de equivalência da aplicação f:; B(X:; M) é o con-
-= A - J(x). (É fácil ver que se f e g são limitadas, então | + 9 € Af também junto de tôdas as aplicações q: À — M situadas a uma distância finita de f.
são.) A métrica acima definida em $(X; E) provém da norma Em cada B/(X; M), d(g, h) = sup.
(d(g(x), ha));x E X) é uma mé-
[| = sup. (lflm)|;x e X;, trica. O espaço B(X; M) das aph-
que faz de Y(X; E) um espaço vetorial normado. Escreveremos então cações limitadas de X em M é à
f— g| em vez de d(f, 9). classe de equivalência B(X:; M)
de qualquer aplicação constante S (GE)
Casos particulares importantes são G(X; NR), o espaço das funções
X>ceM. Quando MH = E =
reais limitadas definidas em X e Y(F; R) espaço das funções reais limitadas
| definidas mum intervalo 7 =l[a,b) da = espaço vetorial normado, M(X; E) = BA “E) é, como vimos, um
Í | reta. Neste último caso, d(f,9) pode subespaço do espaço vetorial (sem norma) W(X; E) mas, se 7 X> E
| ser visualizada como o sup. das cordas fôr uma aplicação ilimitada, B(X; E) não é um espaço vetorial. De qual-
verticais que ligam o gráfico de f ao quer modo, B(X; E) = YM(X; E) + J é a “variedade afim” obtida trans-
gráfico de g. (Vide figura à esquerda.) ladando-se o subespaço B(X; E) por meio de f.
Dada f/ E M(X; M), à bola fechada 16. Como aplicação das considerações acima, mostraremos que todo
D($;r) de centro f e raio r > O consiste espaço métrico M pode ser isomêtricamente imerso num espaço de fun-
de tôdas as aplicações g:X> MH tals ções reais. Com efeito, consideremos a métrica d MxXMSR. Para
que dx), g(x) <r para qualquer cada x E M, temos a aplicação parcial d:M — R, definida por di(y) =
= d(x,y). A correspondência z-— ad, defme uma aplicação q MS
ve X. Nocaso S(X; KR), de fun- 4d f+r
ções reais, essa bola é formada f > (M, R), de M no espaço das funções reais em M :q (x) = d; = fun-
pelas funções g:X => À tals que So f-r ção distância de um ponto variável de AM ao ponto 7.
| Notemos, em primeiro lugar, que para quaisquer x, x,y € M, temos
eo) —-r<g(m)<
IJ) +r, qual |
quer que seja TE X. Se X = e d(x, y) — diz, WI < d(z, 2) e, portanto, sup. (dy) — dl; yC Mj S
= [4,b] é um intervalo da reta, a | < d(x, 4) < +. Isto significa que duas funções dz, d;', para quaisquer
bola fechada D(f;r) é o conjunto | cx EM, estão sempre a uma distância finita uma da outra. Assim,
b
existe f:M > R tal que LM) C BM; R). (Basta pôr | = dz. para algum
u dlfigiar
de tódas as funções culos gráíicos
estão contidos na “faixa” de raio r cuja linha central é o gráfico de j. teM,
(Vide figura à direita). Provaremos, agora, que |d; — dy| = d(z, 2), isto é, que a aplicação
v:M > KM, R) é uma imersão isométrica. Ora, acabamos de ver que
15. Como suplemento do exemplo anterior, podemos considerar o
conjunto S(X: M) de tôdas as aplicações de um conjunto arbitrário X no de— do | = sup. Lidly) — de Q)|iy E M) < dir,x). Mas é claro que
espaço métrico 4. Dadas duas aplicações quaisquer $,9: A — 4f, o con-
dd) — de(x)| = d(x, 2); logo [de — dy'| = dx, v).
junto de números reais (d(f(x), g(r)); 2 E X) é, em geral, ilimitado supe- 17. Se X=(1,2,...,n) é o conjunto dos números inteiros de 1
riormente, isto é, tem sup. igual «a +=. Assim, a definição anterior, que até n, então tóda aplicação f:X —M é limitada e, escrevendo j(1) =
tornou B(X; 4) um espaço métrico, não pode ser estendida a J(X; M). = ty. j(n) = %n, f identifica-se à n-upla x = (x,,..., Zn) de elementos
Mas podemos exprimir Y(X:; M) como uma reunião de espaços métricos
de M. Portanto, neste caso, M(X:M) = M X...X M (produto cartesiano
disjuntos (um dos quais é S(X; M)) do seguinte modo: de n fatôres iguais a M). A métrica acima introduzida em B(X; M) per-
Dada 7: X — M qualquer, diremos que uma aplicação g:X > M está mite então considerar o produto cartesiano M” = M X...X HM como um
a uma distância finita de f, e escreveremos d(J,9) < «e, quando espaço métrico, onde a distância entre duas m-uplas 2 = (tr. cs) €

sup. (dl, to); y = (yr... Yn) é dada por d(z, y) = máx. (d(z,, Yi)...» MXn Yn)y. Como
E X) <+o.
o
32 ESPAÇOS MÉTRICOS Cap. 1
ss EXERCÍCIOS 33
vemos, isto generaliza uma das métricas que introduzimos anteriormente
no espaço hº = KkX...X k. Mas geralmente, o produto cariesiano subconjuntos 44 C M,xC M, onde A, = (yEM, d(y, x) = 0). Defina-
M=M, X...X M, de n espaços métricos M vo Ma pode ser munido mos em A uma métrica d” pondo d(A,, 4,) = d(z,y). É fácil ver que se
de métrica análoga: rRx' e yRy' então d(z, y) = d(a”, y) (use a desigualdade triangular). Logo,
d' é bem definida e os axiomas que caracterizam as métricas são verifica-
Hx, 4) — máx. (dr, 4)... Mm Yo), dos sem dificuldade. (Em particular, d(A,, A,) = O significa xRy e por-
tanto 4, = A,
onde z=(r,..,i)ey= (Gr si) 2, NEM. MmEM,. É
claro que podemos também considerar no produto cartesiano Mi X...X
X M, as distâncias EXEMPLOS

d(z, y) = (Za, Yi) ++ CX a, Yn) e diz, 4) — Vd(m, v1)? +... Ma Un)?, 18. Seja M o conjunto das funções reais integráveis definidas no in-
que generalizam métricas semelhantes no espaco euclidiano tervalo la, b). Dadasf,9€E MH, ponhamos
R” mas não
possuem correspondente em B(X; M), com X e M arbitrários.
b

Veremos, no Cap. II, que estas 3 métricas no produto cartesiano a(1,9) = f (e) — 960) de.
Mi X...X M, são equivalentes para os propósitos da Topologia: uma
aplicação definida nesse espaço (ou nêle tomando valóres) é contínua em Então, d; é uma pseudométrica em X, mas não uma métrica. Por exemplo,
relação a uma das três se, e sômente se, é contínua relativamente a qualquer se f difere de g apenas em um número finito de pontos, então f — q é zero
das outras duas, salvo, nesses pontos, e portanto di(/, 9) = 0. De acôrdo com o procedimen-
to geral acima descrito, passamos da pseudométrica d, para uma métrica pi
4 4. Pseudométrica mediante o preço de lidar com classes de equivalência de funções, em vez de
funções: f e q são equivalentes quando f|j — g| = 0. Note-se que 11 é
Uma pseudométrica num conjunto AÍ é uma função reald:ixM+>R um espaço vetorial e que, pondo-se |f|i = d(J,0) tem-se, para 9 C M:
tal que dr, y) = dy) 20, dx,x) = 0 e dix,2) < (x,y) + d(z, 2) para 20 NH = Mil, li+gl,< fl, +I|g9|, Estas propriedades
quaisquer x,y,2& M. Uma pseudométrica é uma métrica se, e sômente caracterizam uma seminorma em um espaço vetorial, Assim, d; é uma
se, d(z, 4) > O sempre que x = y, pscudométrica induzida por uma seminorma: di(f,9) = J- gi
Um espaço pseudométrico é um par (11, d), onde àf é um conjunto e d
19. De um modo geral, os exemplos mais fregientes de pseudomé-
é uma pseudométrica em 1f.
tricas são originados por seminormas, Uma seminorma, bastante popular
Seja f: X — 1 uma aplicação de um conjunto X num espaço pseudo- em Análise Funcional é a seguinte: no espaço M , cujos elementos são as
métrico M. Para x,y E X, ponhamos ptx, y) = d(j(x), S(1)). Isto define funções reais f: R — R infinitamente deriváveis, fixamos os inteiros n, k >
uma pseudométrica p em X. O
Quando M fôr um espaço métrico, p será e definimos, para cada f E 1,
uma métrica se, e sômente se, f fôr biunívoca. Neste caso, f será uma imer-
são isométrica de (X, 9) em HM. De qualquer maneira, a pseudométrica p
Pine = sup MOO, Ml;-n<e<n),
diz-se induzida em X pela aplicação f (ou pela pseudométrica de 37, através
de f). onde 7º, Jº,..., J% indicam as derivadas sucessivas de f.
Todo espaço pseudométrico M dá origem a um espaço métrico, obtido
de M mediante “identificação de pontos situados a distância nula um do S 5. Exercícios
outro”. fm têrmos precisos, o processo é o seguinte: Dados LUEM,
1. Sejad:M xM+>R uma função real tal que dir, )
escrevamos ziy para exprimir que d(x,%y) = O. Verifica-se sem dificul- = 0, dir) 0 sex my
e dz,z) = dz,y) + d(z, y) Então, d é uma métrica,
dade que zky é uma relação de equivalência em M, seja N = MR o
espaço quociente correspondente, à Se d é uma métrica em M, então
Os elementos de N são, portanto, os di(z,y) = min. fI, dtz, y)!, delx, 4) =
= dae, WI + dir, y) e dz, y) = 4/ d(z, y) também são métricas em M.
34 ESPAÇOS MÉTRICOS Cap. | gs EXERCÍCIOS 25

3. Seja E um espaço vetorial e d uma métrica em E tal que dx +z, vy + 2) = d(z, y) 12. Sejam X e Y subconjuntos limitados de um espaço métrico M.
e d(Az, Ay) = |Ald(z,y) para quaisquer 2,y,z E E e À escalar. Então, existe uma Seja o(X, 7) = sup. ld(r,y), EC X, y E P). Então a(X, Y) < 4 e, para qual-
norma || em Etal que dz, yW) = |e — y). quer zE M, temse |d(z, X) — d(z, VW] S (XxX, F).
4 Paraz=t(r!,...,a)ey=(y,...,y") em R”, seja 13. Seja M um espaço métrico. Indiquemos com SM) o conjunto de tâdas as
partes X C M que gozam das seguintes propriedades:
d(z, y) = ja! — yl] + aajz > y] +... Lane!
— qr, ) X é Imitado,

onde q,..., Q, são constantes> O. Então, d é uma métrica em R", proveniente de 1) Se dx, A) = 0, então «E X.
uma norma. Para X, VP E NM), seja p(X, Y) o maior dos dois números seguintes:
d Um produto interno num espaço vetorial real É é uma aplicação E X E > R, sup. id(z, P);r E X) ou sup. (d(y, X);y E F).
indicada com (2,y) —» < 2% y >, que goza das seguintes propriedades;
Então p é uma métrica em (AM), chamada a métrica de Hausdorjf. Para XCM qual-
| €úy> = <p>. quer er>0, seja U(X;)= U B(z,r) = reunião de tôdas as bolas abertas de raio r
li) <AgyD> =A<gsyD=<xrAyD. Ex

HI) <rftyz> = <g,2> 4 <y2>, <x ya z>


e centro num ponto de X. Então, se X, Y E MM), mostre que (X, W <r implica
=<Ly>+t <>.
iv) <mz> 20, <z 2x> = 0 sômente ACU(Y;n)eYC U(X;r). Por sua vez, estas duas inclusões implicam p(X, J) <r.
quando £ 0.

|
A
Para x=(zl...,2)ey=(y,...y) em Rº, seja <z,y> = Xe, Isto define um lá. Seja da aplicação que associa a cesda parte XC M de um espaço métrico M a
produto interno em KR”, Um produto interno num espaço E gera uma norma mediante função real dy: M — R, definida por dy(z) = dz, X), 2CE M, (Ou seja, dy é à função
a definição |x]| = V<zx,z>. (Para verificar que |z +43] < |xl + |y|, demonstre a distância de um ponto variável de M ao conjunto fixo X.) Se nos restringirmos a
desigualdade de Cauchy-Schwarza |<z,y>/|S |z|-|y] por meio de raciocínio análogo considerar dx apenas para os XE MM) (vide Exerce. 13) obteremos uma aplicação
ao usado no texto para estabelecer a desigualdade de Cauchy.) Uma norma proveniente A
E: UM) > MM; R), de S(1f) no conjunto UM: R) das funções reais no espaço métrico
de um produto interno satisfaz à identidade |x+y2+|z-— gy? =2MlzP 4 |y|3.
M. Temos então:
Das três normas consideradas no texto para o espaço R”, apenas uma delas provém de
um produto interno. a) Para quaisquer X, Y E N(M), as funções dy e dy estão a uma distância finita
em W(M, R). (Usar o Exerce. 12,)
6. Dar exemplo de 3 subconjuntos 4, B, C da reta, tais que 4,0) > d(A, B) + A
+ d(B, O. b) A aplicação d: X > dy é uma imersão isométrica de $ (47) no espaço de funções
7. Qual é o número máximo de pontos que pode ter um subespaço
SM; R).
X C Rº para
Da
que Rº nêle induza a métrica do Ex. 5? Generalize para Rr. 15. Seja Sº2 = (re RM x) = 1) à esfera unitária n-dimensional, com a métrica
8. Sejam
lx — y|, induzida de Rº", Para cada 2 = (a). set E 8º, tem-se também —z =
a1,...,G E Rº vetores unitários, dois a dois, ortogonais. IIsto é, se
= (2... —a"D ES", Seja P?o conjunto quociente de 8? pela relação de equiva-
= (0... q"), então <a, q> = 2; q a) = 1, para 1 23) <mag> =
= Drutafe=0] A aplicação T:R"-—» R?, definida por Tel,..sa)= 64... YUM, lência que identifica x com — x; os elementos de P? são os pares não-ordenados
onde y' = E; a;' x!, é uma isometria de R” sôbre si mesmo, Segue-se que, se b & Rº é um p= iz —z), v&ES”" Indiquemos com TISP>PA à aplicação quociente: g(x)
vetor fixo qualquer, a aplicação x — T(x) + b também é uma isometria de R?. Recipro- =(g, —2j=m(—%). Em P”, ponhamos dp, q) = mín.;flr— yli gr +yulkh sep=(r,—z)
camente, tôda isometria f: kº > R" é da forma f(x) = Ttx) + b, onde T é o tipo acima, e q= ty —y. Isto torna P? um espaço métrico, chamado o espaço projetivo (real) n-di-
mensional, Tem-se d(m(z), Ty) < le — y]. Seja XCS" um subconjunto tal que
9. Para todo inteiro p > 0, |rlp = [E |x'|2]!'? é uma norma em RM,
z
8(X) SB, isto é scr, ye Xentão lr— y | S VB. Então, 7/X é uma imersão iso-
Seja Dp o disco de raio 1 e centro na origem do plano Rº munido da norma | |p. métrica de X em Pfº,

Mostre que D,C DC... e que U. Do =D é o disco unitário relativo à norma l6. Seja E um espaço vetorial normado. Então, [Izl- |y|I< |z — gy].
máx. (|z![,ix” |), a qual pode então ser indicada com [xl . 17. Seja ACMXM a diagonal: A = (tr, 2);x E Mk, onde M é um espaço
métrico. Considere em M X 1 a métrica d(x, y) = máx, (d(zi, yr), dixo, vo)).
10. Sejam 4 e B subconjuntos limitados de um espaço métrico M, Mostre
que d(r, À) = O se, e sômente se, CA.
Então, dA UB)S MA) + SB) + A, B). Logo, & reunião de um número finito
A 18. Todo espaço métrico finito é discreto.
de conjuntos limitados é limitada,
1t. Na métrica definidaem M4 X... x M, por dz, y) = máx. (d(zr, vi)...» zm Yo
r=(t,..o%)ey=t(y,... Yan) à bola aberta (resp. fechada) de centro x e raio ré o
produto cartesiano das bolas abertas (resp. fechadas) de centro ze raio r (i = 1,3,...,1).


rr. rio
52 O CONCEITO DE FUNÇÃO CONTÍNUA 37

A definição geral equivale a dizer que, para cada bola aberta B(j(a); €)
existe uma bola aberta B(a; 0) tal que HB(a; 6) C Bla): 6).

M | | w

Funções Continuas
OBsERVAÇ—ÃO
Na definição anterior, bem como em todo
Capítulo II o resto
do ltvro, usamos o mesmo símbolo d para representar várias métricas dife-
- rentes, salvo quando achamos que isto poderia causar confusão (como
9 1. Introdução por exemplo, se temos duas métricas distintas no mesmo conjunto),

Na categoria matemática cujos objetos são os espaços métricos, ag EXEMPLO


aplicações admissíveis, ou “morfismos”, são as imersões isométricas, en-
quanto as equivalências, ou “isomorfismos”, são as isometrias. Para nós, 1.
Seja f:M — N uma contração fraca do espaço métrico M no es-
entretanto, a métrica em si não tem tanta importância como tem o fato paço métrico N: isto significa que d(j(x), H(y) < d(z, y)) para quaisquer
de que ela nos permite definir funções contínuas e tratar os espaços métri- z,yCcM. Então, f é contínua. Com efeito, seja «E M um ponto arbi-
cos como espaços topológicos. Assim sendo, as aplicações aqui estudadas trário de M. Dado e>0, basta tomar ô = e Então, d(x,a) < à im-
serão as conitnuas e as equivalências serão os homeomorfismos. Neste plica dJ(x), Jla)) < diz, a) < e e, portanto, f é contínua no ponto q. Em
Capítulo, introduziremos estas duas noções, das quais daremos vários consegúência dêste fato, as seguintes aplicações são contínuas:
exemplos, e estudaremos a noção “equivalência” entre duas métricas no
a) As aplicações constantes $:M >N, com xy) =cCEN para todo
mesmo espaço, significando que elas originam as mesmas funções con-
a — VM.
tínuas.
b) As imersões isométricas. Em particular: as isometrias, as inclu-
sões 1 A ->M, onde X é um subespaço de M(e ix) =s para todo
S 2. O Conceito de Função Contínua TE X)casimersdesj:N>zXNCMXN, cm Jay) = (x, 4).
c) As funções reais da: M — R, definidas por da(x) = d(x, À), onde À
Derinição — Sejam f:M — N uma aplicação de um espaço métrico é um subconjunto do espaço métrico 47. (Vide Prop. 1, Cap. L) Em par
M num espaço métrico N e a um ponto de M. Diz-se que f é contínua ticular, cada função &g:M > R,a E M, com di(a) = dí(x, a).
no ponto a quando, dado arbitrâriamente um número e > 0, fôr sempre d) Às projeções m:M, X...XIMS9M UA Ci < n) de um produto
possível determinar ô > 0 tal que d(x,a) < ô implique d(j(x), f(a)) < e. cartestano de espaços métricos em um dos seus fatóres. A résima proje-
Diremos, simplesmente, que $:M —»N é continua se f fôr contínua ção é definida por p;(z,,..., Ly) = Li. (Aqui não faz diferença qual a mé-
em todos os pontos de M. trica que se toma no produto cartesiano, entre as consideradas no Cap.
L.)
No importante caso particular em que f é uma função real de uma va- e) A aplicação canônica T S” -> P*, da esfera unitária n-dimensio-
riável real (definida, digamos, num intervalo da reta), à continuidade de f nal sôbre o espaço projetivo P", (Vide Exerce. 15, Cap. 1.)
no ponto a traduz-se, de acôrdo com a definição acima, em: dado e > 0, DP Amétricad:M XMS ft, de um espaço métrico M, é uma contra-
existe ô >0Otalquea— à<z<ah+óô implica (a) — e < Hx) < Ja) + e. ção fraca do espaço métrico M X M no espaço métrico KR, desde que tome-
Cap. 1 52 O CONCEITO DE FUNÇÃO CONTÍNUA 39
38 FUNÇÕES CONTÍNUAS

mos em MXM a métrica segundo a qual a distância entre os pontos y E N”. O Corol. 2 se exprime dizendo que tôda função contínua de duas
variáveis é contínua separadamente em relação à cada uma delas. (A ex-
(21, Z2) e (y1, 42) é dada por d(x,, w) + d(xa, ya). Com efeito:
tensão para n variáveis é óbvia mas a recíproca é falsa. Cf. Exerc. 4.)
id(xs, 20) — dlyp yo] = |d(zo 22) — dlgyy to) + ly, 22) — dlyy y0)| = P no
A continuidade de uma função de duas variáveis J:M XN>
ta) — dly, 22)| + Cd(y, ta) — dl, Ya) | < dz, vi) + d(za, 43),
& [diz
ponto (a, b) E M X N significa que se pode tornar j(x, y) tão próximo de
onde a primeira desigualdade decorre da desigualdade triangular e a segunda f(a, b) quanto se queira, desde que se tome x suficientemente próximo de
do corolário da Prop. 1, Cap. L. a e y suficientemente próximo de b: dado € > O qualquer, deve ser possível
q) A norma |!:E X E — R de um espaço normado É, pois achar 6, > 0 e 64 >0 tais que dlj(x, 4), j(a, b)) < e desde que d(x, a)<ô0:
e d(y, b) < ô3. Para constatar esta afirmação basta, por exemplo, tomar
[|zi— ly < |n— gl. em MXN a métrica d((z, y), (a, b)) = máx. Íd(x,a), d(y, b)). Então,
para ô = máx. (01,02), vê-se que diz, a) < dO e d(y,b) < à» implicam
Proposição 1 — Á composta de duas aplicações continuas é continua. d((x, 4), (a, b)) < 6.
Demonstração: Sejam M, N, P espaços métricose f:M — N,g No P Proposição 2 — Seja E um espaço vetorial (real) normado. Às apht-
aplicações tais que f é contínua no ponto a E M e q é contínua no ponto cações c:EXE>E e m:BRXE->E, dadas por cl =tTgye
b=J(a) EN. Afirmamos que a aplicação composta go f:M— P é mA, 2) = Az, são contínuas. Também é continua a junção real
:R-— $0)-R, definida por Jt) = 1ft.
M N P
Demonstração: Como |tx+tym)-—-(atb|i<|r—-al+lIy—bl, a
adição a(x, 9) — x + y é, na realidade, uma contração fraca de E X E em É
e, portanto, é contínua. Para verificar a continuidade da multiplicação
por escalares m:(N, 1) > Az, sejam A EC Re xo E fixados arbitrária-
b=fc), y="(x) c=glb)=g(a) mente. Dado e > 0, escolhamos 5, = e3(ixol+ 1) e d+ = e3(|Ao| + 1.
Então, como Az — Axo = (N— Ao) (x — xo) + Adx — xo) + (A — Aos,
contínua no ponto a. Com efeito, seja e > O um número escolhido arbi-
que temos Im(A, 3) — ms zo) < IA — Ao) jz — xo) + lho) jx — go) +
trariamente. Como g é contínua no ponto b, existe A >0 tal
+ IA — Aolixol. Logo, se lA— Ao < 0, e |x— xo| < Oy, virão:
do(y), o(b)) < e sempre que d(y,b) < A. Por outro lado, como f é con-
tínua no ponto a, dado À > 0, existe um ô > 0 tal que d(f(x), b) < A desde
A — Ae] E < digo! = elxe|/3(|%o| + 1) < e/3,
que d(x, q) < d. Então, a partir de e > O, nos foi possível obter um 0 > O
tal que d(x,a) < ô implica d(f(x), (a) < À o que, por sua vez, implica Aa E; — £o| <. da | Àg| = E|Ao//3C] Àa| + 1) < €/3,

dig o f(x), go fla) < e Logo, g of é continua no ponto a.


à — dollz — gol < 34d: = EMIxo] + DM] +D< €9< 8
CoroLárgiIo 1 — Seja f:M > N contínua. Para cada subespaço X C MH,
a restrição J|X:X > N é contínua, Não haverá perda de generalidade em supor e < 1, e portanto é < e.
Com efeito, |X = foteainclusãoi: X > M é contínua. Logo, |N— Mllz— xol < €/3, o que dá Im(A, x) — m(Ão xo)] < 6, jpro-
CoroLárIO 2— Seja FEM XN->P contínua. Para cada aC M e vando a continuidade de m.
cada BEN as aplicações parciais B:N>P efh:M > P, definidas por Finalmente, seja to * O um número real. A fim de demonstrar a con-
faly) = fla, y) e fox) = J(x, b), são contínuas. tinuidade de $:t— 1/t no ponto to, seja e > O dado. Escolhamos ó > O
Com efeito, temos, por exemplo, fa=Jeja onde ja: Nos ax como o menor dos números |t9//2 e e |to|?/2. Por ser ô <|to|/2, 08 mnter-
XNCMXN é a imersão isométrica definida por ja(y) = (a,y. Do valos abertos (—to/2, t/2) e (to —ôr to 0) são disjuntos e, portanto,
mesmo modo se argumenta para fp. jt— to] < 8 implica |t| > |to|/2. Assim, sempre que fôr |t— t| < Ô,
será também |f( )
— fltdl = [1/t — Ito) = |t— toliltiltol < 20/lt0]* S
Uma aplicação f:M X N > P, definida num produto cartesiano, é
<2e|tol%/2]to]?, ou seja, [i(t) —F(t)| < e Isto conclui a demonstração.
o que usualmente se chama uma “função J(z, y), de 2 variáveis «EC MH,
40 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap. Li 52 O CONCEITO DE FUNÇÃO CONTÍNUA 41

CoroLÁrIO | — Às funções reais de duas varidveis reais s:R X RS R, Com efeito, as coordenadas de «y são as aplicações (x,y) > J(x) e
p:iRXERSR, q:RX(R- (0)SR e SJ:RXR>R, definidas por (x,y) — g(y). A primeira destas é a composta f o p; e a segunda é igual a
ry=2+y p(ry)=axy, xy =axyeltry)=z-—y são continuas. gopy onde pCMXNOM, por: M XN>SN são as projeções, Logo,
Com efeito, R é um espaço normado real, de modo que a soma % + % as coordenadas de y são contínuas e então q é contínua, pela Prop. 3.
e o produto xy são funções contínuas. Quanto à função quociente (x, 1) — Indicaremos com S(M; N) o conjunto de tôdas as aplicações contínuas
— x/y, ela é composta da aplicação continua (x, y) > (x, 1/y) (ef. Prop. 3, do espaço métrico JÍ no espaço métrico N e com CM; N) o conjunto das
abaixo) com a função contínua (x,2) — x2. Finalmente, a diferença aplicações coniínuas limitadas de M e N. Salvo menção explícita em con-
(2 W)>zx —y é a composta da isometria (1, y) — (x, —y) de R?, com à trário, Go(M; N) será sempre considerado como subespaço do espaço $M; N)
função contínua (x, > g+ 4. de tôdas as aplicações limitadas de M em N. Assim, a menos que o ne-
guemos explicitamente, em Go(M; N) será tomada a métrica
CoroLário 2-— Sejam Lg:M >R funções reais contínuas no espaço
métrico M. A somaf+4gadijerençaj-—geo produto f-g são junções
df, 9) = sup. (d(J(x), gx); x E M3.
reais contínuas em M. Além disso, se XC M lór o conjunto dos pontos
q E M tais que g(v) = O, o quociente flag: X > R é uma junção contínua. S(M; N), por outro lado, não é um espaço métrico mas é uma reunião dis-
Com efeito, a aplicação p :x — (f(x), g(x)), de M em R?, é contínua junta de espaços métricos SC (M;N). Para cada aplicação contínua
(cf. Prop. 3, abaixo). Ora, f+tg, f-ge f-g são as compostas desta f:M SN, GXM;N) é o conjunto das aplicações contínuas g:M 5N
aplicação y com as funções soma, produto e diferença, respectivamente, que estão a uma distância finita de 7.
enquanto que J/g é a composta da função quociente com a restrição de & no Um corolário da Prop. 2 é que, quando E fôr um espaço vetorial nor-
conjunto X, [Note-se que (X) CRX(R-— 100] mado, (6(M; E) será um subespaço vetorial de YM;E) e C(M;E) um
OpserRvAÇç—ÃOÀ Prop. 2 (com demonstração inteiramente análoga) subespaço do espaço vetorial normado B(M; E).
e seus corolários valem também para espaços vetoriais, números e funções
complexos, em vez de reais. EXEMPLO
Uma aplicação f:X > Mi4X...X M, de um conjunto X no produto
2. Seja f=(a,b) um intervalo fechado da reta. Aprende-se em
cartesiano dos conjuntos 14,..., Mw equivale a n aplicações friiÃ>
Cálculo que tôda função contínua f:1 > R é integrável e, portanto, SU; R)
SMy.cojn: A > Ma tais que f(x) = (fix)... jnlx)), 2 E X. As apli
cações j;: À — df; chamam-se as coordenadas da aplicação Ff.
é um subconjunto do espaço M das funções reais integráveis em la, b]. A
seminorma
Proposição 3 — Sejam M, M,..., M, espaços métricos. Uma apiica- b

ção F:MS HM X...X M, é continua no ponto «E M se, e sômente se, f— gl,= f Hx) — g(x) (de,
cada uma das suas coordenadas :M > M, é contínua no ponto a.
Demonstração: Sendo j(x) = (filx),...., fnlt)), tem-se f; = p;c f onde, introduzida em M no Pix. 15, Cap. I, induz uma norma em SU: R). Em
para cada 2=1L..snp:MX...XMS MN, é à projeção sôbre o outras palavras, se f:[a,b|j>R é contínua e f 0, então |fl, =
i-ésimo fator. Segue-se que, se f é contínua, cada coordenada f; também = f Ha)ldr > 0. Com efeito, À
o é. Reciprocamente, sejam f,,...,f, contínuas no ponto a. Dado e > 0
arbitrário, existem então números d, > 0,...,0, > 0 tais que d(x, q) < é;
seja zo € [0,6] tal que f(xo) = 0.
implica d(f(v), fla) < e
Não há perda de generalidade em f(x.)
1=1,2,.. sn. Seja 0=min. (0,..., On.
Então, 0 >0 e d(z, a) < ô implica que sejam simultâneamente d(A(x), fi(a)) supor /2 0 pois, se g(x) = |f(x)|, tax) f
glr= fl. Assim, fx) >0. 2
< e... Minlv), Ínla)) < € e, portanto, de). Ja) = máx. (d(Jie), fila): LA
Tomemos e = (1/Mf(x). Como j
t=1,..nj <€6 0 que prova a continuidade de f no ponto a. X. X Õ
é contínua, existe 3 >0 tal que
CoroLárIO — Sejam f:M SP, g:N>Q aplicações continuas. En-
tão, a aplicação p:M XN>PXOQ, definida por plz, y) = (x), o(y) é
qClab)eaz—-d<az< az ô implicam — fixo) < Hx) < E Jxo).
continua. Para fixar as idéias, seja xo = b. Então, tomando 6 < (b— a), teremos
42 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap. 1 8 3 HOMEOQOMORFISMOS 43

[xo, %o + 81] C [a,b] e então, para todo z no intervalo (xo, xo + 0), J(x) > círculo cujo centro é a) gtB) contém sempre um intervalo da forma (b, 27),
(integrável) igual a = f(x) no intervalo logo não é possível tomar B de tal modo que g(B) esteja contida numa
> o f(x). Seja y a função
bola predeterminada de centro O = g(a) em (0, 27).
xo, Zo + 8] e igual a O nos demais pontos de [a, bl. Temos /2 q e, por-
= — fixo) (b— a) > 0. 6. Outras aplicações biunivocas e contínuas da reta & sôbre subcon-
tanto, |f|, = f f(x) de 2 fem
juntos do plano, cujas Inversas não são continuas, são indicadas pelas fi-
guras abaixo. (Justificações a cargo da imaginação do leitor.)
S 3. Homeomorfismos

(CX)
Uma aplicação biunívoca f:M > N, de um espaço métrico M sôbre
um espaço métrico N, pode ser contínua sem que a sua inversa g = j"º NM
também o seja. Isto será mostrado nos exemplos abaixo.

EXEMPLOS
O)
3%. Indiquemos com M o espaço Rº munido da métrica d”, onde Em face dos exemplos acima, poremos a seguinte definição:
d(z,y)=1 parazxáyved(r,x)=0. Seja N o mesmo espaço euclidiano,
Um homeomorfismo é uma aplicação continua e biunívoca f:M —N
com sua métrica habitual d. À aplicação f:M — N, definida por J(x) = 7, de um espaço métrico M sôbre um espaço métrico N, tal que sua mversa
é contínua mas sua inversa g= [1:N -s> M [que também se escreve g(x) = 2) fi:N>M também é contínua. Neste caso, F! ainda é um homeomor-
não é contínua em ponto algum de N. Com efeito, seja qual fôr zE Kº, fismo.
dado e com 0 <e< 1, a bola aberta de centro x e ralo e em M reduz-se
Evidentemente, se f:M>N eg:N-»P são homeomorfismos, então
ao ponto x e, portanto, não pode conter uma bola aberta B = g(B) de
gef:M —»P também o é. Se existe um homeomorfismo de M sôbre N,
centro x, do espaço euclidiano N. Na mesma linha dêste exemplo, po-
os espacos Y e N dizem-se homeomorfos.
rém menos artificial, é o seguinte:
O problema principal da Topologia é o de classificar espaços segundo
4. Sejam M=(-LOQUIL+o) e N=10, + o) subespaços da a relação de homeomorfismo, isto é, dados dois espaços X e Y dizer se
reta e definamos $:M — N por j(x) = «?. Vê-se que f é uma aplicação êles são homeomorios ou não.
biunívoca e contínua de M sôbre N. A inversa de f é a função
g=[":N>M, definida por tn) ="Vy, se y2l e g(y)=-— Vy se
O<y< 1. A aplicação g não é contínua no ponto LE N. Com efeito, EXEMPLOS
se 0 <e< 1, qualquer intervalo de centro 1 e raio O em N contém pontos
y < 1, os quais são transformados por g em pontos g(y) = — y, que T. Uma isometria f:M — N é um caso particular de homeomorfismo,
estão a uma distância 2 1 (logo, > €) do ponto g(1). pois f! também é uma isometria. Em particular, são homeomorfismos ag
5. Seja S!=g)ER; a +y = 1) o círculo unitário do plano. translações v— x + a de um espaço normado. ÀÁinda num espaço nor-
Definamos uma aplicação f:[0,27) > S! pondo j() = e! = (cost, sent), mado, cada homotetia my :z> A - x de razão À O é um homeomorfismo
O < t< 27. Evidentemente, f é con- (uma isometria apenas quando |A| = 1), pois seu inverso é a homotetia
tínua e biunívoca de [0,27) sôbre 6!. y-> (1/N)y, de razão 1/X. No espaço euclidiano Rº tôda aplicação linear
o Intuitivamente, f consiste em enrolar AR" — Rº, definida por A(x,..s, 4) = (WU), Wi =D;a; Tv, é
o intervalo [0,27), sôbre o círculo $!. contínua, em virtude da Prop. 3. Se o determinante da matriz (a) é
/ f Por outro lado, a aplicação inversa diferente de zero, então A é um homeomorfismo. Com efeito, sabe-se
E— g=ft:8!->[0,27)
— " não é contínua (pela Regra de Cramer, por exemplo) que se det.(a;) = 0, então 4 é biuni-
O Cm voca e sôbre R”. Sua inversa 4"! é necessariamente linear e, portanto,
no ponto a=(1,0)= J0). Com
continua,
efeito, dada qualquer bola B de centro em a em S* (isto é, um arco de
o

44 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap. Ih 53 HOMEQMORFISMOS 45

é Tôda bola aberta B = B(a;r) do espaço euclidiano R” é hom nua. Geomêtricamente, T(z) é O
eo-
morfa ao espaço R” inteiro. Em primeiro lugar, observemos que a trans- ponto de interseção da semi-reta
lação 7x->7 — a estabelece um homeomorfismo de B(a;r) sôbre pt com o hiperplano xº*! = 0, que
B(0;r)
e a homotetia 7 > (I/yz fornece um homeomorfismo de B(0;r) sôb identificamos com RR”. Para ver-
re
B(0,1). Basta, portanto, considerar B = bola aberta de centro na origem. ficar que 7 é um homeomorfismo
e raio 1, Seja agora à aplicação f 1º — B, definida por f(x) = z/1 + de S"-—-» sôbre KR”, basta conside-
+|z;). Evidentemente $ é contínua, como é também contínua a aplica rar a aplicação p:Rº—>S — q, z
-
ção g:B > K”, dada por g(y) = y/(1 — !y|). Um cálculo imediato definida por (3) = x, onde, na no-
mostra
que gf(r) = « para todo zE Rº e fg(y) = y para todo ye B. tação acima:
Logo g= 7!
e portanto, f é um homeomorfismo. O leitor observará que o mesmo ar-
gumento mostra que qualquer bola aberta de um espaço normad
o E é ho- F E, RA
meomorfa a todo o espaço. |
T
ut Iy|2+1
d Deja f:M —N uma aplicação contínua do espaço Constata-se facilmente que g(r(r)) =x e m(g(y)) = y para todo E Sº—p
métrico df no
espaço métrico N. O gráfico de f é o conjunto G(J) de todos os etodo y€& KR”. Logo, 7 é um homeomorfismo e q é o seu inverso.
pontos.
(Je) MXN, quando z percorre M. Com a topologia induzida por
OssERvAÇÃO — Dados dois subespaços AC M e BC N, dizer que À
MW X N, o espaço G(7) é homeomorio a HM. De fato, a aplica
ção f:M — e 6 são homeomorfos significa admitir a existência de um homeomorfismo
> G(), definida por f(x) = (x, f(x)) é contínua em virtude do Corolário h:A > B, Isto não implica na existência de um homeomorfismo H :M — N
da Prop. 3. Também é contínua a restrição g = pi|G() : GP — M da pro- tal que H]|A = h, nem mesmo quando 37 = N. Por exemplo, sejam A
Jeção p;:M XN> 3 ao gráfico GO). Além disso, tem-se go f = iden- a reunião de duas circunferências tangentes externamente e B à reunião
tidade: > Me jog = identidade: (MD) > G(f). Logo, f e q são ho- de duas circunferências tangentes internamente. JT fácil estabelecer um
meomorfismos, inversos um do outro.
Como eonsegiiência do Ex. 9, à bola unitária fechada D”, com centro
na origem do espaço R” é homeomoria ao hemisfério fechado He”
= (7 =
=(0..,MDES aro. Com efeito, HF.” é o gráfico da função
contínua real f:D*-»R, definida por Hr) = 1 - x'2, Mais precisa-
mente, a projeção p:R“I> Rº, tel. ED) = (rl,..., 4”) aplica H”
homeomorfamente sôbre D*. É claro que o mesmo se passa com o he-
misfério sul Ff”,

10. Seja p=(0,...,0,Do póto norte da esfera unitária n — dimensio- homeomorfismo entre A e B, mas não existe homeomorfismo algum do
nas” = (zE RM |ir =1). A esfera menos o pólo norte constitui um plano sôbre si mesmo que aplique 4 sôbre B, Vamos demonstrar esta
espaço homeomorfo ao espaço euclidiano R*. fÊste homeomorf afirmação usando um resultado que provaremos no Cap. VII: todo homeo-
ismo é
costumeiramente obtido através da projeção estereográfica morfismo H : Rº —» Rº do plano sôbre si mesmo transforma conjuntos limi-
tados em conjuntos limitados.

TIS (SR, m(g) = Admitamos que existisse um homéomorfismo H:Rº-—R? tal que
H(A) = B. O disco plano D, formado pelos pontos da circunferência maior
de B e mais os pontos interiores a ela, é um conjunto limitado. Então,
sua
imagem H-!(D) é limitada. Seja y = H(x) um ponto da circunferência
onde vz = (3)... 2DESM- pe gx =(2,...,7"). menor de B, que não seja o ponto de tangência. Então zC A e pode ser
Note-se que,
para zrE St —p, 0<2* <1, de modo que 7 é uma ligado a um ponto 2' situado fora de H-!(D), por um segmento de
aplicação conti- reta 1,
46 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap. 5 4 MÉTRICAS EQUIVALENTES 47

tal que IN A =. Segue-se que y = H(x) = HUNA) = HD N H(4) = Duas métricas d, d” no mesmo conjunto M dizem-se equivalentes (dd)
= H(D MN B. Ora, H(D) é uma curva contínua, ligando o ponto y ao ponto quando d é mais fina do que d” e, ao mesmo tempo, d” é mais fina do que d,
y = H(x). Como x & H-!(D), y' está fora de D. Mas é intuitivamente
Em outras palavras, dl e d” são equivalentes quando a aplicação identidade
(MH, d) > (37, d') fôr um homeomorfismo. A Prop. 4 admite então os se-
guintes corolários:
CoroLário | — Às métricas d e d' são equivalentes se, e sômente se,
tôda bola aberta segundo uma qualquer dessas métricas contém uma bola aberta
de mesmo centro segundo a outra métrica.
CoroLírio 2 — Se existirem números reais m, n > O tais que dlx, y) <
< nd(e, y) e dtv,y) < mex, y) quaisquer que sejam os pontos x, vyE M,
então as métricas d e d' serão equivalentes,
Com efeito, indicando com B e B' as bolas segundo d e d' respectiva-
mente, teremos então B'(a;r;n) C B(a;r) e Bla;rim) C B'(a; 1).

claro que y não pode ser ligado a um ponto y' fora de D por uma curva con-
EXEMPLOS
tínua H()) que tem apenas o seu ponto inicial y em comum com B. Logo,
H não existe. ll. As métricas diz, y) = Vt > yr+ (gy), dlg,y) =
No raciocínio acima, além do fato de ser H-I(D) limitado (necessário = yl+hio-yed(x,y)=máx(iv!- gy, (2º —3yº|) no plano Rº
para garantir a ligação de x a x”), usamos também o fato de que não existe são equivalentes. Com efeito, isto decorre da
uma curva contínua ligando um ponto y no interior de D a um ponto figura ao lado e do Corol. 1 acima (Cf. Ex. 12,
no seu exterior, sem cortar o círculo maior. Estes são resultados simples, Cap. 1.) ais geralmente, existem métricas
que serão estabelecidos nos capítulos seguintes e que ilustram aqui a im- análogas cd, «E, d”, definidas num produto car-
possibilidade que temos, no momento, de demonstrar a não-existência de testano qualquer 37, X...X Ma. (Cf. Ex. 17,
certos homeomorfismos, antes de desenvolvermos a teoria um pouco mais. Cap. 1) Observa-se que d' <d<d'< nd
(Vide Ex. 37, Cap. III.) e portanto, as métricas d,d' e d” são equi-
valentes, em virtude do Cor, 2.
$ 4. Métricas Equivalentes
12. No conjunto GSo(f; R) das funções reais contínuas (e limitadas) defi-
Sejam d e d' métricas no mesmo conjunto M. Diremos que d é mais nidas no Intervalo 1 = [a, b], podemos considerar as duas métricas: |f— g| =
fina do que d' (e às vêzes escreveremos d > d” quando a aplicação identi- b
dade (MH, D>(M, d” fôr contínua. =sup.li(v) gl) ;xE Ne lf- 74 = / (x)— g(x) | dx. TSerá demons-
Por exemplo, se a métrica d torna M um espaço discreto, então d é trado no Cap. VII que tôda função real contínua em 7 é limitada, e portanto
mais fina do que qualquer outra métrica em M. Go(f;R) = G(f; RR)! A métrica |f— g| é mais fina do que a métrica
Proposição 4— À métrica d é mais fina do que a métrica d” no con- f— gl, Com efeito, dados f E Co(I; R) ce > 0, tomemos ô = el(b— a).
h
junto M se, e sómente se, para cada a E M, qualquer bola aberta de centro
a segundo d” contém alguma bola aberta de centro a segundo d.
Se f— qo|< 8, então Po tol= [ 0 toldos (b— a)-|f—
fol. Logo.
a bola de centro fo e raio é relativamente a |, contém a bola de centro
Demonstração: Dizer que a aplicação f:(M,d)--(M,d”), definida
f e raio eftb — a) relativa à ||. Por outro lado, a métrica |f — gl; não é
por f(x) = x, é contínua no ponto «a€ M significa afirmar que, para
mais fina do que a métrica |f — g!. Na realidade, nenhuma bola segundo
cada e > O existe um 0> O tal que d(x,a) < ô implica d'(x,a) < €, ou
a métrica |f — g|1 pode estar contida numa bola segundo !f — gl, pois as
seja, B(a;9) C B'(a,e). (B' = bola segundo d'.)
primeiras são sempre ilimitadas em relação às últimas. Como se trata
o
43 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap. sa MÉTRICAS EQUIVALENTES “49

de espaços normados, basta tomar bolas com centro na função idêntica- mente que os pontos de N — (M) não desempenham papel algum no enun-
mente nula 0 & (7; R). Para cada inteiro n = 1,2, 3,..., a função ciado da proposição. Logo, não há perda de generalidade alguma em supor
Pr, cujo gráfico está descrito na figura abaixo, pertence à bola Bi(0;r) = que N = HM). Então f” é uma isometria e, portanto, um homeomorfismo
= (JE EI, R); fl, <r) mas jgn] = 1. de (M,d') sôbre N. Assim, se f fôr contínua, 71 =(SJlcj:(M,d)-
> (M, d') também será contínua e, portanto, d será mais fina do que d”,
A demonstração da segunda parte é inteiramente análoga, substituindo-se
apenas “aplicação continua” por “homeomorfismo” e “mais fina” por “equi-
valente”.

— Sejam
CoroLÁário (M, d) e (N, di) espaços métricos e J:M >N
uma aplicação continua. A métrica definida em M por p(x,y) = d(x, y) +
+ di(i(x), Fly) é equivalente a d,

Com efeito, a aplicação f:M — M XN, definida por F(x) = (x, f(x)), é
um homeomorfismo de MH sôbre o gráfico G(D=((r, Ha); ze MC MXN
o d+ — b
de aplicação j. Tomando em M X N [e, portanto, em G(f)] a métrica
e((x, vu), (4,0) = d(x, 4) 4 dilu, v), à métrica induzida em 2 pelo homeo-
EA =Grea da região morfismo F:M > GP) é plx,y) = d(x,y) + dlfto), f(y)). O corolário
| hachurado =1//2 segue-se.

13. A recíproca Em particular, se f:1f > R é uma função real contínua, a métri-
do Corol. 2 é, em geral, falsa, como se observa to-
mando a métrica d'(x,y) = |x* — 3º| na reta. Como a aplicação x > 2º ca p(x,y) = d(z,y) +Ii(x) — J)| é equivalente à métrica original d
é um homeomorfismo de & sôbre si mesmo (cujo homeomorfismo inverso em 4.
é NY y), segue-se da Prop. 5, abaixo, que d' é equivalente à métrica Duas métricas equivalentes no mesmo espaço M determinam as mes-
usual da reta. Mas, se existisse um número real » > O tal que |z— y!|< mas aplicações contínuas definidas em M e as mesmas aplicações contí-
<njv-p|=nlz—y)| |x2 + xy -+y']| para quaisquer x, vyER, teria nuas com valôres em 4. Assim, para efeito de considerações topológicas,
mos, para x x y arbitrários: 1 < ni xº + zy + yº|, que é uma desigualdade não há necessidade de distinguir em 4 uma métrica de outra equivalente.
impossível (basta tomar x = 0 cy = 1/42n),

Proposição 5 — Sejam (JÍ,d), (N, di) espaços métricos e F:M > N EXEMPLOS
uma aplicação biuntvoca. Seja d' a métrica induzida por fem M; d'tx,y) =
= dj), H(y), 2, ve M. Então, d td. Dado um espaço métrico arbitrário (M, d), a métrica d'(x, 1) =
(M,d) Co (Mid!) é mais fina do que d' se, e sômente se, = inf. (1, d(v, y) é equivalente a d. Com efeito, se d(r,)) < 1 então
f é contínua, Segue-se que de d' são dx, y) = d(x, 4), logo as bolas abertas de raio < 1 segundo d e segundo d'
= KA equivalentes se, e sómente se, f é um coincidem. Isto é suficiente para que a aplicação identidade ::(M, ) >
/ f homeomorfismo de M sôbre HM),
fV
= (MH, d”) seja um homeomorfismo. Segue-se que tôda métrica num es-
Demonstração: Seja 2:(M,d) > paço é equivalente a uma métrica limitada, pois dx, y) < 1.
— (M,d) a aplicação de imelusão e indiquemos com j:(M,d)5>N a
própria aplicação f quando seu domínio é considerado com a métrica d”. lo. Também “te, id + d(x, y)) define em M uma métrica equiva-
Temos f=7J'ca: (vide diagrama). Ora, j” é uma imersão isométrica e, lente à métrica d. Com efeito, temos d'”(x, 1) < d(x, y), logo a aplicação
portanto, contínua. Logo, se d fôr mais fina do que d”, isto é, se 1 fôr con- Identidade 4: M,)>(M,d”) é contínua, Por outro lado, para qual-
tínua, f também o será. Para demonstrar a recíproca, observamos inicial- quer e > 0, d“(z,y) <e/(1 + e) implica d(z, y) < e, logo FM, d)5(M,d)
50 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap. II
EXEMPLOS
também é contínua. A métrica d” fornece outra prova de que todo espaço
métrico é homeomorfo a um espaço métrico limitado, pois d'(x,y) < 1 16. A aplicação identidade (So(7; R), ||) — (So(T; R),||) é uma
seiam quais forem vz, yC M. aplicação linear descontínua. (Vide Ex. 12.)

17. Embora as normas [fl = sup. (|x);zC E) e lili =


Lineares Contínuas b
8 6. Aplicações
= f Hx) |dz não sejam equivalentes no espaço Co(f; R), 1 = [0,6], a
b
Sejam E, F espaços vetoriais. Uma aplicação f: E —» F diz-se linear
aplicação linear q : G(1,R) — R, definida por &(f) = f J(x) dz é contt-
quando j(x + y) = f(x) + Ily) e 1(Mx) = Af(e) quaisquer que sejam x,y E É,
A escalar. Sef: E > Fé limear, então JO) = 0. nua relativamente a qualquer dessas normas. Com efeito, relativamente a

f souls f fldz=
b b

Proposição 6 — Sejam E, F espaços velvriais normados e fi ES F segunda, « é uma contração fraca: |(f)| =
uma aplicação linear. As seguintes condições são equivalentes: b
D fé continua; = |fly. Relativamente à primeira métrica, temos |g(f)| < f le) de <
9 fé continua no ponto OE E; < (b-— a) |f|, logo y é contínua. (Ou seja: como || é mais fina do que
> 0 tal que e) <m|x| para todo x E É. | [1, sendo contínua relativamente a ||4 é contínua relativamente a ||.)
3) existe um número m

É claro que D=> 2). Para provar que 9) => 3), supo- 18. No espaço euclidiano R”, as normas por nós consideradas são
Demonstração:
no ponto O. Indiquemos com Btr) [resp. B'(r)] equivalentes. (Vide Ex. 3, Cap. IL e Ex. 11, Cap. II) Relativamente à
nhamos que f seja contínua
à bola de centro O e raio r em E (resp. em FP). Como /(0) = 0, existe um essas normas, tôda aplicação linear f:R”-—»E é contínua (& = qualquer
m> O tal que Bm) C Bl). Como JAz) = Af(x), segue-se que espaço normado). Basta verificar êste fato para a norma |x|= |x!|+...+
Bt) C B'(mr) qualquer que seja »> 0. Isto significa que |x| <? += Biel, v=(2,..,4) E Rº. Sejam então e = (1,0,...,0),
implica li(x)l <m-r. Ora, nestas condições |f(x) | <m-|rx| polis, se e =(0L...,D),..s mn =(0,..., 0,1) em = máx. (iledl,...,|Hen)|s.
existisse vCE com f(x)! >m- ll, tomariamos um número s com Temos IMo)|= [Dx He) <Llvlle)| <m Zjx'| =m|z|, qualquer
fo)! > s>m- ix| e escrevendo s = m: r, teriamos Mor mr> que seja x = (x!,...,4”), o que estabelece a continuidade de j,
>m- |x| e daí a contradição: |x| <r com o mer. À implca-
Opsprvação — É verdade, e será demonstrado no Cap. VII, que duas
ção final 3)=>1) resulta do seguinte: “jJ(x) — fa) = He — m)| & normas quaisquer em R” são equivalentes, de modo que o resultado acima
<m'z-— x!, de modo que jx— xo! < efm acarreta |Hlx) — f(xn)) <€. é válido para tôda e qualquer norma tomada em k”.
CoroLáRriIOo | — Uma aplicação linear biunívoca f: E — F, de L sóbre
F, é um homeomorjismo se, e sômente se, existem números reais m >0,n > Ô,
4 6. Exercícios
tais que nlxi<iHa)|< mx] para todo xe É,
Com cfeito, seja g=f!:F> E. Para que q seja continua, é neces- 1. Na definição de aplicação contínua, pode-se substituir < por S.
sário e suficiente que exista um número ireal & > O tal que |g)|S key
qualquer. Para cada TE À,
para todo yC F. Pondo y = f(x), zE E, temos 9(y) =x e esta desi- 4 Sejam M um espaço métrico e X um conjunto
a aplicação v,: S(X;M) > M, definida por vilf) = f(x), é uma contração fraca. Logo,
cualdade se torna || < k|/(x)|, para todo x € É, ou seja, Ho|2 Uk)izl. vz é contínua.
Fazendo n = 1/k, o corolário fica demonstrado.
| 3. Uma aplicação $:M -—> N (3, N espaços métricos) diz-se lipschitziana quando
CoroLáriIo 2— Duas normas |jell, no mesmo espaço vetorial L existe um número c > O (a “constante de Lipschitz” de f) tal que (f(x), J(v)) Sec d(x, uy),
são equivalentes se, e sômente se, existem múmeros reais m,n > O tais que sejam quais forem x,y EM. Tôóda aplicação Lipschitziana é contínua. Se c = 1,
xi<nclelelzl, Sm x] qualquer que sgjaxze É. ia contração fraca; se O <c< 1, f diz-se uma contração (forte). Seja J:R5OR
Tivável, com |f(x)| <c para todo x E R. Então f é Lipschitziana.
Isto resulta do Corol. 1, tomando-se E = F e f = identidade.
2 FUNÇÕES CONTÍNUAS Cap.

DD.—
ums
4. Sejam M,N espaços métricos, Y C N um subespaço e 7:FY —»N a aplicação

1.
de inclusão. Uma aplicação f:M —Y é contínua se, e sômente se, a composta
rot: —>N também o fôr.

5. Na situação acima, suponha VC N e 21:Y->»M. Pode-se afirmar que


f:M >N é contínua em todos os pontos de Y se, e somente se, foz=f|V:Y>5>N
fôr continua?

6. Sejajf: Rº2 > R definida por f(x,y) = eyilx” + y') se (2,4) = (0,0) e J(0,0) = 0.
Para qualquer « E R, as aplicações parciais 2 > f(x, a) e y — f(a, y) são contínuas em tôda
a reta, mas f não é contínua no ponto (0, 0).

7. Sejam M, N espaços métricos. A aplicação v:S(M;N) XM > N, definida Espaços [opológicos


por w(f, 2x) = f(x) = valor de f no ponto x, é contínua no ponto (fo, xo) se, e sômente se,
jo é contínua no ponto zo. Em particular, a restrição v: G(M;N) x M —>N é uma
aplicação continua, Capítulo III
8. Seja df um espaço discreto. Tôda aplicação f:1f — N (onde N é qualquer
espaço métrico) é continua.
S 1. Introdução
9. Sejum M, N espaços métricos. A oscilação de $f:M >N no ponto a€ M
é o número w (f;a) = ínfimo dos diâmetros dos conjuntos HB(a;r)], imagens por f das A fim de estudar sistemâticamente as propriedades das aplicações
bolas abertas de centro a. continuas em espaços métricos, convém destacar e analisar com algum
Prove: detalhe, certos conceitos fundamentais como os de conjunto aberto, vizl-
nhança, interior, fronteira, conjunto fechado, fecho e ponto de acumula-
e) j é continua no ponto a se, e sômente se, w(f:a) = 0,
ção. Ao estudarmos êsses conceitos, veremos que grande número de idéias,
b) Calcule a oscilação de /:R — K no ponto O, onde f(x) = sen 1/x para x = O a começar pela própria noção de aplicação contínua de um espaço métrico
e HO) = 0.
noutro, podem ser formuladas em têrmos do conceito de conjunto aberto,
I0. Seja f:h& — & definida por fx) = O se x é irracional e jlx) = lg sex = p/g, sem fazer intervir diretamente a distância. Isto conduz à concepção geral
q > O é uma fração irredutível. Entãof é contínua no ponto a se, e sômente se, q de espaço topológico, que introduziremos neste capítulo.
fôr irracional.
À consideração de espaços cuja topologia não pode ser definida através
11. Estabelecer os seguintes homeomorfismos; de uma métrica, não resulta do mero desejo de generalizar pelo prazer de
a) Entre Rºt fal
generalizar. No Cap. IV (Exs. 21 e 22) daremos o primeiro exemplo “na-
es? x R (onde a E RD,
tural”” de um tal espaço. Eles ocorrem frequentemente quando se procura
b) Entre o semi-espaço superior aberto H = (LE Rº;g" > 0) e o espaço inteiro
tratar de vários tipos de convergência de funções. O Cap. IX será dedi-
Rrentre Ho (2rER? 2">0)e RTIXIO, o).
cado ao estudo de alguns dêsses espaços funcionais. Aqui, preparemos
co) Entre P= fz ERRADO ..,zr20/ e RrlxIlO, o). o terreno, lançando as bases,
12. Sejam 5” a esfera unitária de dimensão n, P" o espaço projetivo real n-dimen- Convém observar que, mesmo desejando estudar apenas a topologia
sional, com a métrica definida no Exerce. 15, Cap. Le w:S"> P" à projeção canônica, dos espaços métricos, os conceitos que apresentaremos a seguir são indis-
Uma aplicação f: P* — M, num espaço métrico arbitrário M, é contínua se, e sômente se, pensáveis,
for :Sº > 3 fôr continua.
O capítulo termina com um parágrafo dedicado ao importante conceito
13. Sejam fg:M —N contínuas. M,N espaços métricos. Se Jo) = gta) de espaço conexo, onde algumas idéias geométricas interessantes aparecem.
para algum « E M, existe uma bola B = B(a;r) tal que j(x) = g(y) quaisquer que sejam
z ye B.
S 2. Conjuntos Abertos num Espaço Métrico
lt. Para cada 2v=1,...,n, sejam h;:M;> N; homeomoriismos. Então
AMX... XMS NIX... X Ny, definido por Alx,..., 2) = Bilxo,.. o Blz), Um subconjunto 4 de um espaço métrico M chama-se aberto quando
é um homeomorfismo, todo ponto « E À é centro de uma bola aberta inteiramente contida em 4.
4 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. IH 5 2 CONJUNTOS ABERTOS NUM ESPAÇO MÉTRICO 55

Em outras palavras, para ca- um subconjunto aberto de 4 pois se xzE 41 — F então o número e =
da « E A existe e > O tal que = mín.(d(z, q)... .,d(x, an) é > 0 e à bola aberta B(x:€) não contém
se vxC MM ed(za)< e então nenhum dos pontos a,,...; Gm, Isto é, B(xr;)CM -— F.
x À. Intuitivamente: sempre
que um conjunto aberto 4 contém 4. Nenhuma bola fechada D = D(a;r) é um subconjunto aberto do
um ponto a, deve conter também espaço euclidiano R" (n 2 1). Por simplicidade de notação consideraremos
todos os pontos de 11 suficiente- apenas uma bola D = D(0;r) com centro na origem.
mente próximos de a.
Seja vC Rº um vetor < 0; ponhamos x = rv/|v|. Então |7| = 7, donde
* Proposição 1 — Tóda bola aberta B(a;r) num ve D. Mas nenhuma bola aberta B(x;€) pode estar contida em D
espaço métrico M é
um subcongunto aberto de M.
pois, tomando y = (: + E, v/|v|, temos
Demonstração: Para cada ponto vxE B(a;r), temos dix,a) <r e, y— gl =+€e/2, donde yG B(r;e) mas >
portanto, e = r— d(r,a) > O. Afirmamos que
a bola B(x;e) está contida em B(a;R). De 4 =" + = e portanto y & D. O mesmo O
fato, se ye B(r;e) então d(y, Zx) <r—
argumento mostra que nenhuma esfera
— dx, a) e portanto
S(a; 7) é um subconjunto aberto do espaço
R”. Evidentemente o mesmo raciocínio se
dn)<dpa+dra<r-d(ra+ emprega em qualquer espaço vetorial nor-
+ d(x, a) =P, mado (como por exemplo B(X, E) ou G (X; E) em vez do R” apenas.
Mas em alguns espaços métricos, pode ocorrer que a bola fechada
logo ve Bla; r). Dt(a; 7) coineida com a bola aberta B(a;r) e então D será um subconjunto
aberto de 4. [Se 17 fôr discreto, isto acontece, Também acontece quando
EXEMPLOS
dlz,y) <r para quaisquer 2,y CE M.) É possível, ainda, que uma esfera
1. Os intervalos abertos finitos (a, b) são subconjuntos abertos da S(a, 7) seja aberta no espaço métrico Af.
reta, em virtude da Prop. 1. Também os intervalos abertos ilimitados
(a, + o) e (--c0,b) são subcon- O exemplo seguinte, por sua importância, será destacado como uma
Lo € E - juntos abertos da reta. Com efei- proposição:
hm

o X 2x-a +00to sex (a, +o) isto é, wD a,


então e=r-a>0 Prorosição 2 — Sejam M, N espaços mélricos e SJ:M>N uma apir-
eo nter-
valo (bola aberta) Biz, = (0,2x — a) está contido em (a, |- o) pois cação. Às aplicações de M em N que estão a uma distância finita de je são
ixo qa=r-(t—a)>r>a De modo análogo mostrariamos descontinuas num dado ponto «E M formam um subconjunto aberto do es-
que
(— o,b) é aberto. paço 8, (M; N),
2. Um ponto a num espaço métrico 47 é um subconjunto aberto de M Demonstração: Seja 9E VB; (M;N) descontínua ne ponto a. Isto
se, e somente se, q fôr um ponto isolado de 17. Um
significa que existe e > O tal que, para qualquer bola B de centro a em M ,
espaço métrico 17 é
discreto se, e sômente se, qualquer subconjunto X C M é aberto. é sempre possível obter um ponto xe E B com d(g(zp), ga) > e. Afir-
mamos que tôda aplicação h:M —» N tal que d(g,h) < e/3 é descontínua
d Jim qualquer espaço métrico M, o complementar de cada ponto no ponto a. Com efeito: e < d(g(xs), g(a)) < dla(xa) h(x2)) + d(h(xa), ht)
a- M é um subconjunto aberto de M. Com efeito, se x M — fa), +ed(h(a), g(a)). Como d(g, h) < e/3, a primeira e a terceira parcelas da
isto é, d(x,a) > O, então a bola aberta B(x:€), com e = d(r, a) não soma acima são menores do que e/3. Logo d(h(xs), h(a)) > ej3. Assim
contém o ponto a:B(x, OC M— fal. Mais geralmente, o comple- para cada bola B de centro a em M, existe um ponto z2 E B tal que
mentar M — F de qualquer subconjunto finito F = “a,..., An, de M é dh(xs), h(a)) 2 e/3, o que prova ser k descontínua no ponto a.
nó ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. II E: CONJUNTOS ABERTOS NUM ESPAÇO MÉTRICO 57

CoroLáriIOo — Às aplicações descontinuas pertencentes a Bj (M;N) EXEMPLO


Jormam um subconjunto aberto dêste espaço.
Com efeito, tôda aplicação descontínua g:M > N é descontínua em 5. Seja X um subconjunto não-vazio de um espaço métrico M. Dado
algum ponto «€ M e portanto existe uma bola B(g;e) em BM: N) for- e> 0, a “bola aberta” de raio e em tórno do conjunto X é o conjunto
BX:.O) = U Bíx;e), reunião de tôdas as bolas abertas de raio e com
mada de aplicações descontínuas no ponto a; em particular descontínuas. Zt x

Tomando f:M — N uma aplicação constante, vemos que as aplica- centro em algum ponto z&E X. Pela Prop. 3, B(X;e) é um subconjunto
ções descontínuas limitadas formam um subconjunto aberto de B(M; N). aberto de 47. Éle consiste de todos os pontos vyE M tais que dy, 2) <€
para algum ctE X, isto é, BX;) = (VEM; dy, X) < é.
Proposição 3 — Os subconguntos abertos de um espaço métrico M go-
zum das seguintes propriedades: OBsERVAÇÕES— 1) À interseção de uma família infinita de subcon-
juntos abertos não é, em geral, um subconjunto aberto. Por exemplo,
1) o espaço inteiro M e o conjunto vazio & são . subconjuntos abertos de M; todo ponto x E M é a interseção de tôdas as bolas abertas com centro em z.
2) se(dihes jôr uma família qualquer (finita ou infinita) Mas, a menos que x seja um ponto isolado, (x; nãoé um subconjunto
de subcon-
juntos abertos de M, sua reunião ÀA= U A será um subconjunto
aberto de 37.
AA 2) A propriedade “A é aberto” não tem um sentido intrínseco, isto
aberto de df;
é, não é uma propriedade do subespaço À. Ela se refere à situação dos
3) a interseção AM ...M An de uma jamíilia jinita de subconjuntos pontos de 4 relativamente aos demais pontos do espaço métrico MH. Por
As..., A, abertos em M é ainda um subconjunto aberto de M. isso devemos sempre dizer que “A é um subconjunto aberto de M” ou que
“A é aberto em A”. Pode acontecer que df seja, por sua vez, subespaço
Demonstração:
de um espaço maior NV e então pode dar-se o caso de A ser aberto em M
D) É claro que M é aberto; para mostrar que & é aberto basta notar sem que o seja em N. Por exemplo, o intervalo (0, 1) é um subconjunto
que um subconjunto X CM só deixa de ser aberto quando existe um aberto da reta &£. Podemos considerar À C Rº, digamos, tomando R como
ponto vz X tal que nenhuma bola de centro x está contida em X. o eixo das abseissas (y = 0). Evidentemente, o intervalo (0, 1) não será
Como não existe zCE &, o conjunto vazio não viola a condição que um subconjunto aberto do plano, Num caso como êste, a expressão “A é
define os abertos. um conjunto aberto” é ambígua. JI preciso esclarecer em que espaço se
diz que À é aberto. A proposição abaixo caracteriza os subconjuntos
2) Dado «EC À, existe um índice AE 4 tal que ZE 4h. Como 4, é abertos de um subespaço X C M em têrmos dos abertos de MH,
aberto, existe uma bola B(x;€e) contida em 4». Logo Bx:I)C A.
Proposição 4 — Sejam M um espaço métricoe XC M um subespaço.
o) Sea ce ÁLM...N A, Para cada i=1,...,n, existe uma bo-
Um subconjunto À'C X é abertoem X se, e somente se, A'= AM X,onde À
la aberta B(x;e;) contida em 4;. Tomemos e = min. f6,..., E). é um subcongunto aberto de MH,
Entãoe>0e B(x;e)C B(x;e)C A; para cada ?. Logo Blz; )C AM
(3... Às, concluindo a demonstração. Demonstração: Indicando com B” as bolas abertas de X e com B as
de MW, é claro que Bl(x;) = B(x;)MN X para cada vE X. Pelo coro-
CoroLário — Um subconjunto AC M é aberto em M se, e sómente se, lário da Prop. 3, 4ºC X é aberto em X se, e sômente se, À4' = U By; =
A é uma reunião de bolas abertas de M.
=UBNN=(UB)NKH=ANHKX, onde A=UB, é um aberto
Como bolas abertas são subconjuntos abertos de M (Prop. 1), tôda
reunião de bolas abertas é um aberto de M, pela 2.º parte da proposição de H ,

acima. Reciprocamente, se AC M é aberto, para cada xE A existe CoroLário


— Seja XC M aberto. Um subconjunto AC X é aberto
uma bola aberta B, com (3) C B.C A. Logo, AC U B.CA, O em A se, e somente se, À” é aberto em MH.
SA
que mostra ser 4 = U B,, uma reunião de bolas abertas, À proposição seguinte mostra que o conhecimento dos subconjuntos
ZTÊ A abertos determina tôdas as aplicações contínuas.
58 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. II!
52 CONJUNTOS ABERTOS NUM ESPAÇO MÉTRICO 59
Proposição 5 — Sejam M,N espaços métricos. Para que uma apli-
cação f:M —N seja continua, é necessário e suficiente que a imagem in- Com efeito, no primeiro caso, sabemos que 4;' = N — (Mr,..., A, =
versa FA") de todo subconjunto aberto A'C N seja um subconjunto aberto
= N — tan) são abertos em N (Ex. 3), logo (x CE Mi f(x) = m,..., fu(x)
de M. = da = MAD)... M Ju MA,) é aberto em M.
No segundo caso, o conjunto (0,4 cv) é aberto na reta, Logo,
Demonstração: Seja j contínua e 4'C N um aberto. Provaremos que ve diita)>oO,..stla)> 0 = IrHM0,0)MN...M 10,0) é aberto
A = FHAN é aberto em M. De fato, para cada ponto «aC A, JC A. em 3. (É claro que, para alguns valóres de 1%, poderíamos substituir
Sendo 4” aberto, existe e > O tal que > por < sem que o resultado deixasse de ser válido.)
Bla); e) C 4'. Sendo f contínua
no ponto a, ao e corresponde um OBsERVAÇÃO — À imagem direta (4) de um subconjunto aberto
AC M por uma aplicação contínua f: 3 — N não é necessiriamente um
0 > O tal que H(B(a; 0) C B(f(a); e) C
C A. Masf(B(a; 0) C A” significa subconjunto aberto de N. Por exemplo, se f:R>R é a função real con-
que Bla; O) CIMA) = A. Logo, À tínua definida por j(r) = xº?, para qualquer intervalo aberto (a, a) = A,
é um aberto pois, contendo um ponto «, contém também uma bola B(a; 6). a imagem HA) é o intervalo [0, a”), que não é um subconjunto aberto da
Reciprocamente, suponhamos que f:M -»N é tal que, para todo reta,
aberto 4“ C N, 4 = HA” é aberto em M. Seja a& M um ponto gual- Uma aplicação f: 47» N que transforma cada subconjunto aberto
quer. Mostraremos que f é contínua no ponto a. Ora, tôda bola AC 4 num subconjunto aberto FÃ) C N chama-se uma aplicação aberta.
Bl(a);e) = A” é um aberto de N contendo f(a). Logo, 4 = FAN) é um Uma aplicação aberta pode não ser contínua. Por exemplo sej:M — N
aberto de 4f contendo a. Portanto, existe uma bola B(a; )C A, isto é, é uma aplicação contínua e biunívoca, de 17 sôbre N que não é um homeo-
HB(a; 0) C B((a);e), o que conelui a demonstração. morfismo, então Ft: N — 37 é uma aplicação aberta (cj. Prop. 5) descon-
tínua. (Vide Cap. HH, 83.)
Escório: Para que à aplicação f: M — N seja continua no ponto a E M Todo homeomorfismo 4: df > N é uma aplicação aberta pois
é necessário e suficente que, para cada aberto AC N, com) E A', exista h = ho: N— df é contínua e portanto, para cada aberto À C MM, MA) =
um aberto ACM, cmac M, tal que HA)C A. = h (1) é aberto em N, pela Prop. 5. Na realidade, o seguinte fato mais
CoroLário
preciso é uma consequência imediata da Prop. 5.
| -— Sejam ACM, ACM, subconguntos abertos.
Então AX ...X A, é um subconjunto aberto do produto cartesiano Proposição 6 — Sejam MM e N espaços métricos e h:M>N uma
NM, x ra X Ma.
apticação bruntvoca de JF sóbre N. A condição necessária e suficiente para
que h seja wmn homeomorfismo de M sóbre N é: para cada XC MM, AO é
Com efeito, as projeções pi: X...XM,= MH, são contínuas
aberto em N se, e sômente se, X é aberto em M.
(=1, 2,..5n) logo pr(Ã), prMAo), ..., pr (As) são subconjuntos
abertos de 4, X ...X M, e como Demonstração: Obvia.

Cororário — Sejam d e d métricas no mesmo conjunto M, Para que


Ay X...X A, = pi MA) M...M Pr (Aa), de d' sejam equivalentes, é necessário e suficiente que os espaços métricos,
CF, de (CM, dd) possuam os mesmos subconjuntos abertos,
segue-se da Prop. 3, que 4, X...X 4, é aberto em M, X...X M,. Depois dos homeomorfismos, as aplicações abertas mais importantes
CoroLÁriIO 2 — Sejom fr.., h:M SN aplicações são as projeções,
contínuas e
1, o mn N. O conjunto dos pontos z E M tais que jlx) * a... lt) £ an
Proposição 7 — Seja MH =MX...X M, um produto cartesiano de
é aberto em M. Sefy..sh:M-SR são junções reais contínuas é ainda
espaços métricos. Cada projeção pr:iM > M; (1=1,2,...,n) é uma aph-
aberto o subcongunto de M definido por
cação continua aberta.
Demonstração: Em virtude do Corolário acima, não faz diferença qual
fila) > 0, . ' os Ín(x) > O.
das 3 métricas usuais consideramos em M. Escolhamos então dtx, 4) =
61
60 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. 11 8 3 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS

= máx. “dies yo), cs to yu, 2=(Mys nb Yy =. ym). Relata- É fácil verificar quesej: X— Y é contínuano pontoa E Xeg:Y 5 Z
vamente a esta métrica, B(x:1) = B(x); 1) X...X B(xn;r). Seja ACM é contínua no ponto b = j(a) E Y, entãogoj: X — & é contínua no ponto a.
aberto; provaremos que 4' = p(A) é aberto em Mi. Dado «4 E 4”, A relação entre essas duas deíinições é a seguinte:
existe a = (01,...,G..., Mm) E A tal que pia) = q. Sendo À aberto existe Prorosição 8 — Sejam X e Y espaços topológicos. Uma aplicação
uma bola B = B(a;r) = Blm;r) X...X B(m; 1) X...X Bla; r) contida j:× Y é continua se, e somente se, é contínua em cada ponto z E X,
em A. Segue-se que B(a;r) = pi(B) C pi(Ã) = A”, logo À” é aberto em
demonstrar.
Demonstração: Seja ff:X — Y contínua. Dados um ponto «E X e
M,, como devíamos
um aberto BC Y com f(a) E B, o conjunto A = FB) é aberto em X,
Como a ECA cHA) = JB) C B, isso estabelece a continuidade de f no
S 3. Espaços Topológicos ponto a. Reciprocamente, seja f contínua em cada ponto a E À. Dado
BC Y aberto, seja 4 =fHB). Para cada xE A, temse f(x) E B e
De acôrdo com a Prop. 5, o fato de uma aplicação 7: M — N ser con- como f é contínua no ponto x, existe um aberto 4, C À, com x E Ás,
tínua não depende dos números que exprimem as distâncias entre pontos (Ar) C B. Em outras palavras, tem-se (xr; CÁ;C A para cada x A.
dêsses espaços, mas sômente das coleções de conjuntos abertos de 3 e de N. Logo, A= U izCUACAÁ,Isto é, ÀA= UA, Assm, À = fHB)
Isto motiva a consideração do conceito mais geral de espaço topológico, Zt À ZE A de
onde os conjuntos abertos não são necessiriamente definidos a partir de é aberto em X, por ser uma reunião de abertos, ef: X — Y é contínua.
uma distância. Os axiomas à que êsses conjuntos abertos devem satis- Um homeomorftismo h: X > Y, de um espaço topológico X sôbre um
fazer são sugeridos pela Prop. &. espaço topológico Y é uma aplicação continua e biunívoca de X sôbre Y,
Uma topologia num conjunto X é uma coleção 7 de subconjuntos de X, cuja inversa h'l:Y-—s X também é contínua.
chamados os subconjuntos abertos (segundo a topologia 7) satisfazendo às Todo espaço métrico 41 pode ser considerado, de modo natural, como
seguintes condições: um espaço topológico, quando se toma em M a coleção de abertos definidos
a partir da métrica de 4, como no parágrafo anterior. À Prop, 5 mostra
1) X e o subconjunto vazio $ são abertos,
que, relativamente a essa topologia, as aplicações contínuas coincidem
2) a reunião de uma família qualquer de subconjuntos abertos é um com aquelas definidas no Cap. IE por meio de é se d's.
subconjunto aberto; Um espaça topológico X diz-se metrizável quando é possível definir
abertos é um uma métrica d em X tal que os abertos definidos por d, de acôrdo com o
3) a interseção de uma família finita de subconjuntos
$2, coincidem com os abertos da topologia de X. Nem todo espaço to-
subconjunto aberto.
pológico é metrizável.

OBSERVAÇÃO É equivalente, em vez de 3), afirmar apenas que a
interseção de dois abertos é um aberto.
EXEMPLOS
Um espaço topológico é um par (X, 7) onde X é um conjunto e 7 é uma
Frequentemente se diz apenas “o espaço topológico X”,
a = os r+
1a
topologia em X.
n
6. Seja X um conjunto qualquer. Podemos definir uma topologia
mencionando 7 somente quando fôr necessário para evitar ambigiiidade, To em X tomando todos os subconjuntos de X como abertos. 79 chama-se
Uma aplicação f:X— Y, de um espaço topológico 4 num espaço a topologia discreta. (X, To) é um espaço metrizável: basta considerar a
topológico Y, diz-se continua quando a imagem Inversa 1 MKB) de todo aberto métrica na qual d(x,y) = 1 para x x y quaisquer. No outro extremo,
BC Y fôr um aberto em X. podemos considerar uma topologia 7, em X, na qual os únicos abertos são
X e o conjunto vazio & (topologia caótica). Se X contiver pelo menos
A relação (9º ) CB) = fH(g''(B)) mostra que a composta g o f:X SG
dois pontos, (X, 71) não será um espaço metrizável, em virtude da Prop. 2,
de duas aplicações continuasf :X > Yeg:Y — Z é uma aplicação continua,
Cap. I.
Mais especificamente, f diz-se contínua no ponto aC À quando, para
7. No plano Rº, definamos uma topologia 7 declarando abertos todos
cada aberto BC Y, com f(a) E B, existir um aberto AC X, com « E À,
os conjuntos que se podem exprimir como reuniões de regiões limitadas
tal que HA) C B.
62 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS 53 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS 63
Cap. III

por quadrados de lados paralelos aos eixos (excluídos os lados em cada de cada ponto z E X é um subconjunto aberto de X. Esta propriedade
região). De acôrdo com o corolário da Prop. 3, (Rº,7) é um espaço metri- não é, porém, suficiente para fazer de X um espaço de Hausdorff, como
zável, seus abertos sendo provenientes da métrica |t — y! = máx, (la! — gl! se vê no exemplo a seguir.
jo — 39?
À q n
€ º
J +

EXEMPLO
Sejam 7 e 71º duas topologias no mesmo conjunto X.
8. Seja X um conjunto infinito. Consideremos a coleção 7 formada
Diremos que 7 é mais fina do que 7! quando 7 D 7, isto é, quando
todo aberto segundo 7º fôr necessãriamente aberto segundo 7. Anâloga-
», ” . pelo conjunto vazio & C À e mais os complementares dos subconjuntos
finitos de X. (Por exemplo, se X = :1,2,3,...!, um subconjunto AC X
mente, diremos que 7 é menos fina do que 7º quando 7 C T”, ou seja, quando
z + . /
*

dado À CX, A E rimplicar A ET. pertence à coleção 7 se, e sômente se, existe um inteiro no tal que n 2 no
Por exemplo, tôda topologia 7 em
A é menos fina do que a topologia discreta e mais fina do que a topologia implea n E À.) Fazendo uso das relações À — y À, = q (X — Ay)
caótica, 7 e X-(ANMN...NAJD=(X- AJU ...U(X-— Ás), verifica-se sem
Dadas as topologias 7 e 7º num conjunto X, para que 7 seja mais fina dificuldade que 7 é uma topologia em X. Com a topologia 7, X não é
do que 7º, é necessário c suficiente que a aplicação identidade é: (X, 7) — um espaço de Hausdorff. De fato, dados os abertos não vazios 4, BC À,
= (X,7') seja contínua. Segue-se que, dadas duas métricas d e ad” no tem-se sempre 4ANBx£Z posÃ=X-F,B=X-Gl(ondeF,GCX
conjunto Ff, d é mais fina do que d” (no sentido do capítulo anterior) se, são finitos) e portanto AMNB=X- (FU G). Como X é infmito,
e somente se, a topologia definida por d em 41 é mais fina do que a definida ANBxH«g. Em particular, (X,7) não é metrizável, Evidentemente,
por d. Podemos então afirmar: o complementar X — fx) de cada ponto «E X é um subconjunto aberto
na topologia 7.
Para que duas métricas de d” no mesmo con gunto AF definom q mesma
topologia, é necessário e suficiente que elas sejam equivalentes,
A noção de espaço topológico permite esclarecer a diferença entre
Como em espaços métricos, uma aplicação f:A > Y, de um espaco as propriedades métricas e as propriedades topológicas de um espaço métrico
topológico X num espaço topológico Y diz-se aberia quando, para cada M. As primeiras são invariantes por isometrias e as últimas por homeo-
aberto À C X, J(4) é aberto em Y. morfismos. Por exemplo, o fato de ser a métrica de à limitada, e o pró-
Uma aplicação biunívoca f:X > Y, do cspaço topológico X sôbr prio valor do diâmetro ô(M) são invariantes através de uma isometria
e o
espaço topológico Y, é um homeomorfismo se, e sômente f:MSN:N=HM será também limitado e N) = dM). Mas
se, é contínua e
aberta. essas não são propriedades tepológicas: todo espaço métrico, mesmo 1h-
mitado, é homeomorfo a um espaço métrico limitado; basta substituir a
Os espaços topológicos mais interessantes satisfazem ainda à condi- métrica d de M por d' = inf. (1, d). Já a propriedade de possuir um ponto
ção de que pontos distintos podem ser “separados” por abertos
disjuntos, isolado, por exemplo, é uma propriedade topológica de HM : sex é isolado
Um espaço topológico X cha- em 4%, para todo homeomorfismo h:M —N, h(x) será Isolado em N,

DP
ma-se um espaço de Hausdorff (ou Em suma: as propriedades topológicas de um espaco métrico HM são
espaço separado) quando, dados aquelas que podem ser definidas através da coleção de abertos de M, ou
dois pontos arbitrários «x =* y em X, seja, cuja validez não se altera quando se troca a métrica de M por outra
X existem abertos 4,BC X tais que métrica equivalente.
tEÁ,4EBe ANB=4. Discutiremos agora dois métodos bastante úteis de construir novos
Pontos x = 4 num
Em virtude da Prop. 2, Cap. LI espaços topológicos a partir de outros,
espaço de Hausdorff X.
todo espaço metrizável é um espaço
A) Topologia induzida. Subespaços. Seja f:8>X uma aplica-
de Hausdorif. A recíproca é falsa. (Vide Cap. IV, 86) Todo espaço ção de um conjunto arbitrário S num espaço topológico X. A coleção 7
topológico discreto é de Hausdortff mas a topologia caótica nu
m espaço das imagens inversas fHA) dos abertos 4C X pela aplicação f é uma
com mais de um ponto não é de Hausdorff. Resulta imedia
tamente da topologia em &S, conforme resulta imediatamente das relações U 1 HA») =
definição que, num espaço de Hausdorff X, o complementar X —
(a)
Cap. HH ESPAÇOS TOPOLÓGICOS 65
64 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS 83

AM = I HA N. .. M Am) . A top olo gia 7 9b) Topologia conduzida. Espaço quociente. Sejam X um es
= TU Ay) e tHA)MO.. .N TH
À. topológico, & um conjunto qualquer e q: X —> Q uma aplicação de Vo
chama-se a topologia induzida em S pela aplicação f:S — Q. Indiquemos com 7 a coleção dos subconjuntos BC Q tais que q! B)
top olo gia ind uzi da por uma apl ica ção f: S— À ent ão,
Se S tem a é aberto em X. Venfica-se fácilmente que 7 é uma topologia em OQ, cha
def ini ção , a im ag em inv ers a fH A) de cad a abe rto À CA é Vo
pela própria mada à topologia co-induzida pela aplicação «q.
de mod o que j é con tín ua. Alé m dis so, qua lqu er outra to-
aberto em S, Relativamente à topologia co-induzida 7, a aplicação p:X>0Q é
8 seg und o à qua l f sej a con tín ua dev e con ter com o abertos pelo
pologia em
AC X abe rto , Seg ue- se ent ão que a to- contínua, Além disso, dado CC Q, se CET então oC) não é aberto
menos os con jun tos f HA) com
a men os fin a den tre tôd as as top olo gia s em X. Logo, qualquer topologia estritamente mais fina do que 7 (isto é
pologia induzida por f: S— X é
tín ua. Est a pro priedade ca- contendo 7 própriamente) torna q descontínua. lim outras palavras a
em 8 que tor nam a apl ica ção f:5 S -» X con
topologia co-induzida é a mais fina em Q com a propriedade de tornar a
racteriza a topologia induzida.
zi da é aquêle “e ieação 2:X->Q contínua. Este fato caracteriza q topologia co-indu-
O cas o par tic ula r mai s im po rt an te da to po lo gi a in du
gida,
SC X ef red uz- se à ap li ca çã o de inc lus ão 1: 8 — X lon de dx) = 2
em que
Ne st e cas o, da do AC X, te ms e TH A) = A (I S, Nas aplicações, desempenha papel de relêvo o seguinte critério de
para todo zE 5].
to po lo gi a in du zi da por + em S te m co mo abe rto s as Int ers e- continuidade para funções 9:Q — Z, onde Z é um espaço topológico qual-
de modo que à
ções ANS dos abertos Á C À com o subconjunto 8. Munido dessa topolo- quer e Q) possui a topologia co-induzida por uma aplicação g:X > 0:
am a- se um su be sp aç o do es pa ço to po ló gi co X. No rm al mente,
gia, S ch g:Q—&£ é continua se, e sômente se, gop: X>
de um esp aço to po ló gi co X, to- Z é contínua
quando se co ns id er a um su bc on ju nt o 8
e em S a to po lo gi a in du zi da por X em 5, Ist o é, co ns id er a-se 5 como
ma-s | Demonstração: Como p: X>Q é contínua, a continuidade de q im-

=e—
aço de À, a men os que Se dig a exp lic ita men te o con trá rio .
subesp plca a de go q. Reciprocamente, se goy:X > Z fôr contínua então
para cada aberto CC &, e HI MOC)t = (go JHC) é aberto em X, 4
Pela
EXEMPLOS definição da topologia co-induzida, isto quer dizer que q !(C) é aberto em
O e, por conseguinte, 9:Q) — Z é contínua, | |

—..
9. Se X fôr um espaço metrizável, então a topologia induzida em qual- Quando se considera, num conjunto Q, a topologia co-induzida por

mig
quer subconjunto SC X também é metrizável. Mais precisamente, se
uma, aplicação 2:A4—WQ, não se perde muito em supor que (X) = Q
a topologia de X é definida por melo de uma métrica d, então a topologia Com efeito, dado quaiguer subconjunto CC O — g(X), temos q HC) = |
induzida em S é definida pela restrição de d ao subconjunto S, conforme
e
donde q-H() é aberto em X e portanto C é aberto em (QO. Assim relati-
1 ——
resulta da Prop. 4 acima. — —
—— vamente à topologia co-induzida, Q — g(X) é um subespaço discreto. Como
da” pelos
94. Outra propriedade do espaço X que também é “herda tal, o papel de Q — «qt X) na topologia de Q é irrelevante.
dl

é a pro pri eda de de Hau sdo rif . Com efei to, se À é de


seus subespaços Sejam 4 um espaço topológico e q: X — Q uma aplicação de X sóbre
e SC X, dad os x,y € 8, com % É 3, exi ste m abe rto s U, V
Hausdorff, um conjunto Q. Paratodo TC Qtemsey [lg (7] =Tmas dadoSC X
ez eE U, yE Ve UN V= g. Res ult a dai que U, = U MS
emXtaisq em sera tem-se apenas gols DS. Um subconjunto SC X diz-se
ye Vie UNVi=gs,
eVi=VNS são abertos em 8, comzEGU,
——

uraão (relativamente a q) quando q! [W(S)] = S. Isto significa que


de modo que S é um espaço de Hausdorff. se ex) = (xr) exES então x ES. Qualquer que seja TC O, gv KT)
é um subconjunto saturado de X. Segue-se que, para todo 8 C x o con-
gia ind uzi da goz a da seg uin te pro pri eda de tra nsi tiv a: se 5
A topolo Junto pri lw(S)! é saturado, Íste é o menor conjunto saturado que
X ent ão a top olo gia ind u- con-
tem à topolo gia ind uzi da pela apl ica ção 7 S s tém S e chama-se o saturamento de 8.
em T pela apl ica ção 9: T> S é a mes ma ind uzi da pela aplicação
Zida
Isto é mais difícil de dizer do que provar. Basta lembrar nes Ponhamos agora que €) tem a topologia conduzida por q: X > 0.
fog:T-—>X.
Em par tic ula r, se TC SC X, a topologia ão, dado SC X, o conjunto «o(S) é aberto em Q se, e sômente se, o seu
que (fog) MA) = ag MI MA) .
ura lme nte , con sid era do como
“a
aturamento o! Ie(S)] fôr aberto em X,
— A
A demonstração é óbvia mas o
de T como sub esp aço de S (on de S é, nat
esp aço de À. Critério é útil.
sub esp aço de X) coi nci de com à top olo gia de T com o sub |
s3 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS 67
TOPOLÓGICOS Cap. IN
66 ESPAÇOS

U.C X contendo x, tal que j aplica U, homeomorfamente sôbre um


nte de top olo gia co- ind uzi da é o seg uin te. X é um
Um caso freque aberto VLC Y. Seja U/=A(MN Us. Como observamos acima, HU,')
e E uma rel açã o de equ iva lên cia em X. No con jun to UV.) = UVA
espaço topológico é aberto em Y. Seguese que A=UU/ ec HA) = KU
cie nte de X pel a rel açã o E, con sid era mos a top olo gia co-
Q = X/E, quo TZ A x
ass oci a a cad a 1 E X
“induzida pela apl ica ção con ôni ca q X> X/E , que é uma reunião de abertos em Y e portanto é aberto em Y.
) que o con tém . Est a é a top olo gia quociente
a classe de equ iva lên cia p(x Dada uma relação de equivalência E no espaço topológico X, a api-
oló gic o X/E é o esp aço quo cie nte de À pel a relação
em X/E. O esp aço top cação quociente q: X'-— X/E é aberta se, e sômente se, o saturamento
ção q cha ma- se apl ica ção quo cie nte (ou aden- Com
de equivalência E. A apl ica o M(A)) de todo subconjunto aberto 4 C A fôr ainda aberto,
mente
tificação). iste caso particular de topologia co-induzida é essencial efeito, v(4) é aberto em X/E se, e sômente se, q I(g(A)) é aberto em 4,
o mais geral possível, como veremos agora. pela própria definição da topologia de X/E.
gic os e f: X —» Y con tín ua, sób re FP. in-
Sejam X, Y esp aço s top oló Quando g: X > X/E é aberta (isto é, quando o saturamento de todo
iva lên cia def ini da em X pel a apl icação f,
diquemos com E a rel açã o de equ aberto de X é ainda aberto em X) a relação de equivalência & diz-se uma
isto é, zvEx' se, e somente se, J(x) = J(x). relação aberta.
f - y Con sid ere mos a apl ica ção qu oc ie nt e
« LX —
Yx —
> X/E. Existe uma única aplicação J: X/E — EXEMPLO
—> Y tal que J(p (x) ) = J(x) . Co mo fog=
g
10. Consideremos, no conjunto R dos números reais, a relação de
=f:X->Y é contínua e X/É tema topolo-
gia co-induzida por q, segue-se que f é con- equivalência, indicada com x = y (mod. Z), que significa x — y E Z (sto
tinua. Além disso, f é cvidentemente biuní- é, a diferença entre os números reais x, y é um inteiro). Seja R/Z o espaço
X/E Y. quociente. A aplicação quociente q :hk— K/Z2 é aberta. Com efeito,
voca e sôbre
para cada aberto AC R, q HMp(4)) — saturamento de A = U (A+n),
sem pre f: X/E —» Y é um hom eom orf ism o. Par a que isso acon-
Ne m no | An 4

nec ess ári o e suf ici ent e que à top olo gia de Y seja co- induzida por j. onde indicamos com 4 + n a Imagem de 4 pela translação Tn:1> & + n,
teca, é
fáci l ver que , par a tod o CC XE, tem -se q MC) = a qual é um homcomorfismo T,:k— R. ÀAssim, para cada n, À+mn
Demonstração : JT
Log o, € abe rto em X/E e g M€) abe rto em X = j [f(C )] aber- é aberto em R donde g(p(A)) é aberto. Observemos que, se Ju =
= 11 f(C).
J( C) C Y abe rto na top olo gia co- ind uzi da. A afirmação feita = (g,a + 1) é qualquer intervalo aberto de comprimento 1, então dois
toem Xe
pontos distintos x, y € Ja não são equivalentes e portanto p:R> R/4
decorre Imediatamente.
s, obs erv are mos que , Se frX>Y aplica Je (contínua e) biunivocamente em K/Z. Como q é aberta segue-se
Para enc err ar est as con sid era çõe
de X sôb re Y, ent ão a top ologia de + que y é um homeomorfismo de J, sôbre um subconjunto aberto de R/Z.
fôr uma apl ica ção con tín ua e abe rta
Ora, todo ponto zC R pertence a algum intervalo aberto Ja. Logo,
é co-induzida por j.
c:R>RiZ é um homeomoriismo local.
efe ito , dad o BC Y, se B fôr abe rto ent ão FB ) é abe rto, pela
Co m Gostaríamos agora de identificar o espaço quociente K/Z com um
em À então
continuidade de f. Reciprocamente, se 1HB) fôr aberto
s f é abe rta . Mas fl/ -B) ] = B por que f é objeto mais “concreto”. Para tal, examinaremos a aplicação exponencial
ft [1-(B)] é aberto em Y poi
é abe rto se, e sôm ent e se, 1K B) é abe rto em PY. E:R>S!, definida por É£0) = ert = (eos 27t,
sôbre B. Log o, BC Y
sen 27º). Lembremos que Sl! = (x,y) E Kº; É 1
o local
Um caso particular de aplicação aberta é um homeomorjism z? + y = 1; é o círculo unitário do plano. q ES
ma- se ass im a uma apl ica ção f qua ndo tod o pon to x & X
f:X—>Y. Cha Evidentemente, E(t) = E(!) se, e sômente se,
KU) = V é abe rto em Y ej é um hom eo- N, É
pertence a um abe rto U tal que
t-—- FEZ, de modo que a relação de equi- º :
morfismo de U sôbre FV. valência definida por É em R é a mesma con- R/Z
o aberto
Note-se que, se | é um homeomorfismo do aberto UC X sôbre siderada, acima. “Temos, portanto, a decom-
ão, par a cad a abe rto UV! CU , HU ” é abe rto no sub esp aço V
VC Y ent posição & = É cp, onde &:R/Z — 8! é contínua, biunívoca c sôbre SL.
c por conseguinte é aberto em Y. nn provar que &:R > R/Z é um homeomorfismo. Daí resultará que
tra r que tod o hom eom orf ism o loca l f: À — Y é uma apl
Para mos quociente R/Z pode ser naturalmente identificado ao círculo S*
seja ACX aberto. Para cada x C À, existe um aberto
cação aberta,
53 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS 69
68 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. LI

Inicialmente, mostraremos que a aplicação exponencial É:R > &S! Seja 1º — 8S1xX...X Sl o toro n-dimensional, produto carte-
agora
ida
é um homeomorfismo local. siano de n cópias do espaço métrico S!. A aplicação É: Rº—> Rº defin
..., Ea”) é um :
por Em), o, 2) = (62),
+1 n o 7"
homeomorfismo local de KR” sôbre o toro T”. Pu
|€ Esto resulta imediatamente do corolário da
Prop. 5 (vide $ 2) e da propriedade de ser «
um homeomorfismo local. Tem-se um dia- E
grama comutativo e, como anteriormente, a n
aplicação É, é um homeomorfismo do espaço R/ Z"
quociente R”/Z” sôbre o toro TP”,
Muitas vêzes, para introduzir uma topologia num conjunto À, não é
+

preciso descrever todos os abertos de X mas apenas os abertos “básicos”


Tomemos, por exemplo, um intervalo aberto da forma (n, n + 1/2), de acôrdo com a definição abaixo.
n E Z, e provemos que É o transforma homeomoriamente sôbre o semi- Uma base de abertos ou, simplesmente, uma base num espaço topoló-
círculo Norte N = ((x,y) E Sl;y > 0). Ora, a projeção py :N — (— 1, 1), gico X é uma coleção 8 de subconjuntos abertos de X, chamados abertos
dada por pw(z,y) = 2, é um homeomoriismo, cujo inverso é pyKx) = básicos, com a seguinte propriedade:
= (x, 1 — x), Também a aplicação composta pre É:(n,n + 1/2) > Todo subconjunto aberto AC X se exprime como reunão À = U By
> (— 1, + 1), dada por t-—> cos 27t, é um homeomoriismo, como resulta de abertos By pertencentes a 5.
das propriedades elementares do co-seno. Logo, E = pxlo(pyof) é um
Por exemplo, as bolas abertas constituem uma base para a topologia
homeomorfismo de (n, nr 5 1/2) sôbre o semicírculo aberto N C 8! Con-
de um espaço métrico M. Outra base de 37 é formada pelas bolas abertas
siderando o semicíreulo Sul S = ((r,) E Sly <0QOje a projeçãops: 85
de raio racional em 3. Com efeito, tóda bola aberta B(x;e) é reunião
5 (—1l,— 1), definida por ps(x, y) = 2%, com ps l:(—l1, +- Db> sS dada
das bolas abertas de raio racional r<e:Blx;)= U Bíx;r). Logo,
por ps! (x) = (x, — 1 — x?) veriamos que É aplica cada intervalo aberto a -
da forma (n — 1/2,n), n E Z, homeomoriamente sôbre o semicírculo 5, todo aberto de M, sendo reunião de bolas, B(x;€), será também reunião
que é um aberto em 8S!. Anãlogamente, os intervalos da forma (n — 1/4, de bolas B(x;r), r racional,
nl) e (nAHIl/4, n+4 3/4) são transformados homeomorfamente Dadas métricas equivalentes d e d” no mesmo espaço 37, as bolas aber-
por É nos semicírculos Leste e Oeste. Como os intervalos dêsses 4 tipos tas segundo d e as bolas abertas segundo d' constituem duas bases 5 e 45
cobrem R, segue-se que É: R > 8! é um homeomorfismo local, para a topologia de 47,
Em particular, É:R—> 8! é uma aplicação aberta, donde S! tem a
Proposição 9— Seja X um espaço topológico. Uma coleção B de
topologia co-induzida por É e portanto £& : R/Z — S! é um homeomorfismo.
abertos de X constitui uma base em X se, e sómente se, para cada aberio
De um modo mais geral podemos considerar, no espaço euclidiano R”, AC Xecada ponto x E A existe um conjunto Br E Btal que rxE BC À.
o subconjunto Z” formado pelos vetores v = (mi,..., Ma) cujas coorde-
Demonstração: zvEB. CA signíficalzgiCB. CA oe portanto
nadas mM,..., Mp são inteiras. Dados x, y E R”, escrevamos g=gy
A=ULCUBCA, donde 4A= U B.. Assim, se a condição é
(mod. Z") para indicar que z— ye Z". Obtemos assim uma relação se A ZE A
de equivalência em KR” e o espaço quociente será indicado com R"/Z", A satisfeita, todo aberto À C X é reunião de elementos de 9 e por conseguinte
aplicação quociente p:R” > Rº'Z” é aberta. Com efeito, para cada 9 é uma base. Reciprocamente, se todo aberto 4 (C À se escreve como
vE 7”, a translação vz +»v é um homeomorfismo de &". Logo, se A=UB, BES, dado zE A existe algum À tal que xEBCA.
AC R"º fôr aberto, o conjunto At-rv=la-+vrate As, imagem de À Ponha Be = Bh.
pela translação vz> x +», é também aberto em RR”. Àssim, o saturado
Resulta da proposição acima, que em todo espaço métrico M, as bolas
o a(A) = U (4 +») de um subconjunto aberto AC R”º é ainda
abertas de raio 1/n, n inteiro positivo, constituem uma base para a topo-
pt= Z"
aberto, o que prova a afirmação feita. logia de AM.
70 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. HI Ss 4 INTERIOR, FRONTEIRA E VIZINHANÇA 71

Proposição 10 — Seja B uma coleção de subconjuntos de um conjunto X. U = A, X...X An é um aberto elementar em X então nx (U) = A, é
Para que B seja base de uma topologia em X é necessário e suficiente que se aberto em X;. Ora, todo aberio À em X é uma reunião 4 = U Us de aber-
cumpram as condições abaixo: tos elementares, logo, p;(Ã) = U p(U») é aberto em X;.
1) para cada x E X, existe BE Btalquer E 5, b) Se f é continua num ponto bE Z então cada f;= prof é
E B C
contínua em b, em virtude da primeira parte. Reciprocamente, se cada f,
2) sexEB, MNBp, onde Bi, B,; E B, então existe BE B tal quez
é contínua no ponto b, seja V um aberto arbitrário em 4 com J(b) =
CB, NM Ba. (Esta condição é cumprida, em particular, quando B; NB. E B.)
= (filb),..., Ind) E V. Pela definição da topologia produto, existem
Demonstração: Seja 9 uma coleção com as propriedades acima, Con- abertos A;C X, tais que DE A,X...X AL CV, isto é ftb) E
sideremos a coleção 7 de tôdas as partes 4 = UU B, de X, que se exprimem E As... tntb) E A,. Pela continuidade das aplicações fi,..., jr existe,
como uma reunião de conjuntos BiC &, e mais o conjunto vazio &. Em para cada 2%, um aberto B; em Z, com b;C B; e JXB;)) C A; Assim, B =
virtude de 1), a reunião de todos os BE Bé X, logo, À E 7. Pela própria =B; MM... MN Baéumabertoem Z, comb E Bej(B) C Ar... sIAB)CÃA,
definição de 7, é claro que a reunião de uma família qualquer de elementos donde HB)CI(B)X...XIlBi) CAX...X Ás CV, como queria-
de 7 ainda pertence a 7. Finalmente, se 4 = U Bye 4* = U B, perten- mos demonstrar.
cem a 7, então ANAÁ! = U(Br MB. Ora, a propriedade 2) diz que c) Observamos inicialmente que, em geral, se 9, é uma base
cada Br MB, é reunião de conjuntos pertencentes a 9. Logo, 4 (14º em X,7=1,...,n então os abertos elementares da forma B, X...X Ba
é reunião de conjuntos pertencentes a 9. Ássim, verifica-se que 7 é uma com B; E 8, ainda formam uma base da topologia produto em X. Para
topologia em X, que admite 8 como base. Á recíproca é deixada como cada 1 = 1,...,n, seja d; uma métrica que define a topologia de X;. To-
EXErcício. mando em X a métrica d(x, y) = máx. (diz; 4;)+ as bolas abertas de X coin-
Um exemplo importante de topologia definida por uma base é o seguinte: cidem com os abertos elementares B, X....X B,, onde cada B; é uma bola
Topologia prod—uto Sejam Xi,..., Xn espaços topológicos. No con- aberta em X,. Segue-se que d define à topologia produto em À.
junto X= X,X X,X...X X,, produto cartesiano dos A; consideremos
a coleção 9, formada pelos “abertos elementares” A = A,X...X 4a,
onde 44C X,,...,4,C X, são abertos. Como (4; X...X An) N(B, X S 4. Interior, Fronteira e Vizinhança
X...xB)=(AMNB)X...X (4, MN Ba), segue-se da Prop. 10 que
Y é base de uma topologia em X, chamada a topologia produto. Normal- Seja 8 um subconjunto de um espaço topológico X. Um ponto z&E Ss
mente, ao considerar o conjunto X = X, X...X X, como espaço topo- chama-se um ponto interior de 8 quando existe um aberto À de À tal que
lógico, é a topologia produto que se toma em X. ZE AOS,
Um aberto da topologia produto é portanto uma reunião de abertos
O interior de 8 é o conjunto int.(S) formado pelos pontos interiores
elementares,
de 5.
Proposição 11I— 4 topologia produto em X = X, X...X X, tem as
Proposição 12— O interior de um conjunto 8, num espaço topológico À,
seguintes propriedades:
é à reunião de todos os subconjuntos abertos de X que estão contidos em &.
a) As projeções p;: X — X, são contínuas e abertas. Em particular, antAsS) é aberto em À.
b) Dado um espaço topológico Z, uma aplicação |:Z2 > X, com fz) = Demonstração: Seja À = U Ay à reunião de todos os abertos dy C 5.
= (fi(2),..., fnt2)), é contínua num ponto b E Z se, e sômente se, cada coor- Então, À éaberto em Xe AC S, logo, rx E À implica x E mt(S). Assim,
denada f;i=pof:Z- X,; é continua no ponto 6.
A Cint(S). Reciprocamente, se x E int.(S) existe um aberto 4” em À
co) Se Xiy,..., Xn São metrizáveis, X é metrizável e sua topologia pode tal que x A' CS. Logo, 4º = À, para algum À e portanto 4'C À.
ser definida por qualquer das 5 métricas usuais num produto. Isto mostra que xC 4, donde int(S) CA. CC QD.

Demonstração: a) Se AC X, é aberto então po!(A) = Xi, X...X À proposição acima significa que int.(S) é o maior subconjunto aberto
X XX AX Xm X...X X, é aberto em X, logo p; é contínua. Se de X contido em 8.
72 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. III 54 INTERIOR, FRONTEIRA E VIZINHANÇA 73

Num espaço métrico 17, um ponto x pertence ao interior de um sub- EXEMPLOS


conjunto S se, e sômente se, existe uma bola aberta B(xz;r), de centro 2,
inteiramente contida em 8, 13. Seint(S) = &, então, S C fr(S). Todo ponto de S que não
pertence a Int.(S) pertence a fr.(S). Um
Cororário — 8 é aberto se, e sômente se, 8 = int(S). conjunto 5 é aberto se, e sômente se,
Ss MN fr(6S) = 5. No espaço R?, a fron-
teira de uma bola (aberta ou fechada) de
EXEMPLOS
centro qa e raio + é a esfera S(a,r). A
fronteira do conjunto Q dos números
1H. Um (conjunto reduzido a um) ponto x E X tem Interior não va- racionais é tôda a reta R. Em geral,
zio se, e sômente se, x é um ponto isolado. Todo subconjunto finito do alguns pontos da fronteira de S perten-
espaço euclidiano R” tem interior vazio. O conjunto dos números racio-
cem a S, outros não; por exemplo, se
nais da reta (e também o conjunto dos números irracionais) tem interior
VAZIo.
S= DECR LYLLYD>O a ia ia

fronteira de S no plano consiste do se-


12. Todo subespaço vetorial L de um espaço vetorial normado É, com micíreulo x +) =1,y>0emaisosegmento-lI<z<l, y=0.
Lx E, tem interior vazio. No espaço euclidiano R”, o interior de uma O semicírculo está contido em 8, o segmento não.
bola fechada D(a;r) é à bola aberta B(a;r) de mesmo centro e mesmo
OgsERVAÇÃO — Ássim como a noção de conjunto aberto, os conceitos
ralo. Num espaço métrico arbitrário, pode-se afirmar apenas que B(a;r) C
de miterror c de fronteira de um conjunto são relativos, Isto é, seSC Xeo
Cint(D(a;m). Noespaço XN = Ig,N)ER?;y<lh,o ponto p = (0,1)
espaço À é subespaço de um espaço topológico mslor Y, o interior de S
é interior ao quadrado (x) E M;jx| <1, |y| «1 mas não é Interior
em 4 ea fronteira de 5 em X não comncidem com o Interior e a fronteira
ao disco lx) Mx +y<I. Se f:X>R é contínua e f(x) > 0
de Ss em Y. Por exemplo, seja S = [a, b] um intervalo fechado da reta A.
então zo é um ponto interior ao conjunto fr E X: f(x) 2 0).
O interior de [a, b| na reta é o intervalo aberto (a, b) e a sua fronteira é o
Num espaço topológico X, diz-se que um conjunto V é uma vizinhança conjunto) (a, b) formado pelos dois pontos extremos. Considerando, en-
de um ponto z& X quando x E int.(V). Isto quer dizer, naturalmente, tretanto, À como o eixo das abseissas do plano R?, o interior de [a, b] em Kº
que V contém um aberto que contém x. é vazio e sua fronteira é (portanto) o próprio intervalo [a, 6). fste exem-
À seguinte proposição decorre imediatamente das definições: plo mostra também que (usando uma notação evidente) se SC AC Y,
não é verdade que int.x(S)=X (Yint.y(S) nem que frx(S) = X NM fr.v(S).
Proposição 13-—- a) Um conjunto À é aberto num espaço topológico À Quanto ao conceito de vizinhança, êle também é relativo, mas vale a seguinte
se, e somente se, é uma vizinhança de cada um dos seus pontos,
Proposição 14 — Sejam Y um espaço topológico, X um subespaço de
b)
Sejam X, Y espaços topológicos. Uma aplicação f:X >» Y é con- X, ex um ponto de X. As vizinhanças de x em X são as interseções VN X,
tínua no ponto a E X se, e sômente se, para cada vizinhança V do ponto j(a) ore V é uma vizinhança de x em Y.
em Y existe uma vizinhança U do ponto a em X tal que HU) CV.
À fronteira de um subconjunto 8 de um espaço topológico À é o con- Demonstração: Sabemos que os subconjuntos abertos de X são as
junto fr.(S) formado por todos os pontos x E X tais que tôda vizinhança interseções A MN X, onde 4 é aberto em Y. Se V é uma vizinhança de £
de x contém pontos de $ e do complementar X — 5. em Y, então existe 4 aberto em Y com zE AC Veprortanto re A fl
NXCVYVNXe portanto VN X é uma vizinhança de x em X. Rec-
Em outras palavras, para que x E fr.(S) é necessário e suficiente que x
procamente, se U é uma vizinhança de x em X então existe 4 aberto em Y
não pertença nem ao interior de S nem ao interior de À — 8,
tal que zEANXCU. Seja V=AUU. Então, claramente, V é
Num espaço métrico M, x E fr.(S) se, e sômente se, para cada e > O uma vizinhança de x em Y. Além disso, VNX=(AVUUNA =
existe um ponto sE S e um ponto tE M— S tais que dis, x) < €e =(ANDUUNN=ANDUVO=U, logo, U=VNX é da
d(t, x) < E. forma desejada.
74 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. HI 5 5 CONJUNTOS FECHADOS 75

S 6. Conjuntos Fechados CoroLário — Seja f:X — Y brunivoca de X sóbre Y. A fim de que f


seja um homeomorfismo, é necessário e suficiente que à seguinte condição seja
Um subconjunto F de um espaço topológico X diz-se fechado quando satisfeita: dado P C X, H(P) é Jechado em Y se, e sómente se, P é Jechado em X.
o seu complementar X — F é aberto.
A fim de que F seja um subconjunto fechado de A, é necessário e sufici- EXEMPLOS
ente que, para cada ponto x E X — F exista um aberto U,, com x E Us E
CX- Piso te xe U eU. NF=Aa. 14. Os intervalos fechados (- v,aj=R-— (4,+ 0), [bt o) =
Com efeito, esta propriedade significa que X— F= UU, zE X-F,
=R-(-o,b e la,bJ=R-[(-v,)U (b + v)] são subconjuntos
é uma reunião de abertos, logo, X — F é um conjunto aberto. (Prop. 2 da fechados da reta, pois são complementares de conjuntos abertos.
definição de conjunto aberto.)
15. Tôda bola fechada D(a;r) num espaço métrico M é um subcon-
Proposição 15 — Os subconjuntos fechados de um espaço topológico X junto fechado de M. Isto pode ser verificado diretamente, mostrando-se
gozam das seguintes propriedades: que ix E M;d(x,a) > r) é aberto em M, mas é também uma conseqiiên-
cia da Prop. 16 acima. Com efeito, a função real f: M — K, definida por
1) o conjunto vazio (3 e o espaço inteiro À são fechados; fla) = d(x, 0), é contínua e D(a;r) = JFHI0,r]). Como [0,7] é um sub-
2) a interseção F = NF de uma jamiha qualquer (Faca (finita ou in- conjunto fechado da reta, sua imagem inversa D(a; r) é fechada em M.
finita) de subconguntos fechados Fx C X é um subcongunto fechado de A;
16. Num espaço de Hausdorff X, todo ponto x é um subconjunto
3) a reunião F= FU... JF, de um número Junto de subconguntos Je- fechado de X. Com efeito, para cada y E X — x, existem abertos 4,, B,
chados F,,.., FC X é um subconjunto fechado de X. tais que rc A, ve B, A, NB, =. Em particular, yE B, CX -—s
e portanto x é fechado em X. Segue-se que todo subconjunto finito
Demonstração: Usa-se sistemáticamente a Prop. à.
fer. ,ins CX é fechado. A recíproca é falsa: o espaço topológico de-
D) X e £& são complementares dos conjuntos abertos e X, respectiva- finido no Ex. 8 não é de Hausdorff, mas seus pontos são subconjuntos Te-
mente, logo são fechados. chados. Note-se o caso particular dos espaços métricos: todo ponto de
2) Seja 4, = X — Fa. Cada 4, é aberto em X, logo, 4 = U Ay é tam- um espaço métrico 1f é um subconjunto fechado de à7, pois 47 é um espaço
bém aberto. Como F=NHh=N(A4A-AJ=ÃA-UAy=X-A, de Hausdorff.
segue-se que F é fechado, 17. Na linguagem corrente, as palavras aberto e fechado exprimem
3) Novamente, os conjuntos 4/= X — F4,...,A, = X — F, são abertos. idéias mútuamente contraditórias. Mas, num espaço topológico 4, um
F,=(X— AJU...U subconjunto pode ser simultâneamente aberto e fechado como, por exemplo,
Logo, AiN...M A, é aberto e PU.U
o espaço inteiro X e o conjunto vazio 2. Também, no caso extremo de
UX-— Às) é fechado.
Ad)=X-(AM... MN
um espaço discreto X, todo subconjunto de X é aberto e fechado. Um
Proposição 16 — Sejam X e Y espaços topológicos. Para que uma exemplo menos trivial é o seguinte. Seja À = Kk-— (0) o conjunto dos
aplicação f:X -—>Y seja contínua, é necessário e suficiente que à imagem números reais diferentes de zero, com a métrica induzida da reta. Então,
inversa FMF) de todo subconjunto fechado FC Y seja um subcongunio fe- M=(-0,0)U(0, +). Cada um dêstes dois intervalos é evidente
chado em À. mente aberto em 1f. Por outro lado, cada um dêles também é fechado,
porque tem o outro (um conjunto aberto) como complementar em 7.
Demonstração: Seja f:X>Y contínua. Dado FC Y fechado,
Y — F' é aberto. Pela prop. 5, MY — F5) = X — FF) é aberto e por- 18. Uma reunião infinita de subconjuntos fechados de um espaço
tanto FF”) é fechado em X. Reciprocamente, se a imagem inversa de topológico X não é necessáriamente um subconjunto fechado de X. Isto
cada fechado em Y é um fechado em X, dado um aberto À" C Y, resulta, por passagem ao complementar, do fato de que a interseção de uma
uy — A) = X-— fHA” é fechado em X, donde f HA” é aberto e, pela família, infinita de abertos pode não ser um aberto. Observamos ainda que
Prop. 5, f é continua. qualquer subconjunto de um espaço de Hausdorff é reunião de uma família
76 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. IN
| ss CONJUNTOS FECHADOS
RR 77

de fechados (a saber: seus pontos), mas êsse conjunto pode não ser fecha- As Props. lô e 16 sugerem que se defina uma topologia num conjunto X
do como, por exemplo, o conjunto Q dos números racionais na reta É. como sendo uma coleção ij de partes de X, chamadas os subconguntos fe-
chados de X, de tal modo que $, X € &, uma interseção qualquer e uma
19. Uma aplicação F:X > Y(X,Y espaços topológicos) diz-se fe- reunião finita de partes em % pertençam ainda a 3. Então, uma aplicação
chada quando a imagem f(F) de todo subconjunto fechado F C X fôr um
f:X-— Y será chamada continua quando, para cada subconjunto fechado
subconjunto fechado de Y. Uma aplicação biunívoca f:X- Y é um FC Y, sua imagem mversa f!(F) fôr um fechado de X. Íste método de
homeomorfismo se, e sômente se, é contínua e fechada. À existência de
definir um espaço topológico é inteiramente equivalente ao que foi adotado
aplicações fechadas não-contínuas e contínuas não-fechadas é assegurada
no texto: dada a coleção ij, os complementares 4 = X — F dos conjuntos
pelo fato de que há aplicações contínuas e biunívocas de X sôbre Y que não
FP E 3 constituem uma topologia no sentido do 8 3 e vice-versa.
são homeomorfismos. Um exemplo notável, de um tipo de aplicação con-
tínua que é aberta mas não fechada, é dado pelas projeções p;: A; X...X
EXEMPLOS
X X, — X,, de um produto cartesiano em um dos. seus fatôres. Conside-
remos, por exemplo, a projeção pi:Rº > AR, plz, y) = x. À hipérbole 23. Seja X um subespaço do espaço topológico Y. Os subcon-
F=lsgmeRxy=1; é um subconjunto fechado do plano, pois é a juntos fechados de X são as interseções FNX dos subconjuntos fe-
imagem inversa F = amil) do ponto 1€E R pela aplicação contínua chados F € Y como subespaço X. Com efeito, como a inclusão it: X > Y
m:RºSBR, mlx,y)=2-y (Cap. HW, Prop. 2, Corol, 1). Entretanto, é uma aplicação continua, para cada fechado FC Y, (7) deve ser fechado
pf) = R — (0) não é um subconjunto fechado da reta. em X. Mas cf) =FMNX, logo os conjuntos F MN X são todos fecha-
dos em X. É fácil ver, porém, que tais conjuntos cumprem as condições
20. Sejam X, Y espaços topológicos, Y um espaco de Hausdorff. acima mencionadas para que sejam fechados de uma topologia em X, Como
O gráfico de uma aplicação contínua f:X > Y é um subconjunto fechado a topologia induzida por Y em X deve ser a menos fina que torna 4 contínua,
GD= (le Ha)E XX Y;x E X) do espaço produto X XY. Com efei- concluímos que ela tem por fechados os conjuntos PMN X, FC Y fechado,
to, se (rs, y) E X XY — G(f) então yo = flxo). Como Y é um espaço e nenhum outro, Hm particular, se X fôr fechado em Y, então um sub-
de Hausdorff, existem abertos V, W em Y, com me V, He) W conjunto * C Y é fechado em X se, e sômente se, F é fechado em Y.
eVM9W = gg. Sendo f contínua, existe um aberto U em XY, com sn E U 24. Sejam &, Y espaços topológicos, F;,...,F, subconjuntos fechados
ecUCW. Logo, HU)NYV = G,istoé, sex E U então f(x) É V. Por- de X tais que X=FUVUMU... UFef:X>Y uma aplicação tal
tanto, U X V é um aberto em X X Y, contendo (ro, 4) e sem pontos em que as restrições f;=J|F;:F;—>Y são tôdas contínuas (i=1,..., 9).
comum com G(f). Isto prova que G(J) é fechado. Em particular, a dia- Então, f:X — Y é contínua, Com efeito, dado FC Y fechado, temos
gonal À = f(x, 2);x E Y; é um subconjunto fechado do produto Y X Y HO =HHOU.. Ut HF). Ora, pela Prop. 16, cada f; HP) é fechado
pois é o gráfico da aplicação identidade Y > Y. em F; e portanto fechado em F. Assim, J/(F) é fechado em X e, ainda
pela Prop. 16, segue-se que f é contínua.
21. Seja (faaCAa uma famíha arbitrária (finita ou não) de funções
regis contínuas fe: X —s R, definidas num espaço topológico X. O con- Esta observação é de grande utilidade para a definição de aplica-
junto dos pontos x & X tais que f(x) « O para todo « E À é um subcon. ções contínuas por meio de diferentes construções, cada uma delas efetuada
junto fechado de X. Com efeito, tal conjunto é igual à interseção numa parte fechada. Por exemplo, dados um espaço topológico X e duas
MN fo M(— o,0) dos conjuntos fechados fa ((— o, 0)), cada um dos quais aplicações contínuas F:0,0]>X, gil, ]I>X, tas que fa) = g(a),
EX onde O <a< 1,a aplicação A:[0,1]> X, definida por A(O = f(), para
é a imagem inversa do conjunto fechado (— «o, 0] da reta, pela função con-
O<t<ach(t)=ãag(t),paraa<t< 1é contínua.
tinua fa. O mesmo resultado vale com > ou = em lugar de <, ou com
Proposição 17 — Sejam X um espaço topológico e M um espaço mé-
qualquer combinação dos 3 sinais.
trico. Dada f:X >» M, as aplicações que estão a uma distância finita de J
22. Seqam FC X,..., Fa C Xn subconjuntos fechados. Então, e são continuas num dado ponto «a E X formam um subconjunto fechado do
FX... X Ff, é um subconjunto fechado do produto A, X...X X,. Com espaço SH X: M).
efeito, Pr X...XFa=pri(F)M...MN pr HF) e cada projeção pç: X X Demonstração: Qbservar primeiro que a Prop. 2 vale para aplicações
X...X XX, X, é contínua. definidas num espaço topológico; basta substituir, na demonstração, tôda
78 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. III S 5 CONJUNTOS FECHADOS 79

“bola B de centro a” por “vizinhança V de q”. Segue-se a Prop. 17 CoroLÁRIO 3 — Seja X um subespaço do espaço topológico P. O fecho
desta observação e da definição de conjunto fechado.
(r.lativamente a X) de um subconjunto S C X é a interseção de X com o fecho
CoroLário — Às aplicações contínuas formam um subcongunto fechado de Sem Y.
de B(X;M). Em particular, as apiações continuas limitadas formam Com efeito, seja (FaacL à família dos subconjuntos fechados de Y
um subconjunto fechado de M(X: M). que contém S. Então (vide Ex. 24), a família dos subconjuntos fechados
Indicam-se com GHX:;M) C DHX; M) e ClX;M) CB(X:M) os de A que contém 5 é (fa MN Ahez. O fecho de S em X é portanto igual à
subespaços dêsses espaços, formados pelas aplicações contínuas (X MAN =(MNEY)NX, o que demonstra o corolário.
é um
espaço topológico e M um espaço métrico). A
Seja 5 um subconjunto de um espaço topológico X. Um ponto Proposição 19 — Seja S um subconjunto de um espaço métrico M.
E X Então, x E 5 se, e sômente se, d(x, 8) = 0.
diz-se aderente a S quando tôda vizinhança de z em X contém pelo men
os
um ponto de 8. O conjunto dos pontos de X que são aderentes Demonstração: No espaço métrico M, um ponto x pertence ao fecho
a 8 cha-
ma-se 0 jecho de 5 e indica-se com a notação 8. Assim, zE É se, de S se, e sómente se, tôda bola aberta de centro x contém algum ponto de 8.
e sô
mente se, para todo aberto 4 do espaço X, 2C À implica Ou seja, xE S se, e sômente se, para cada e> 0 existe yES com
A NS &.
Evidentemente, SC $ qualquer que seja SC X, da, y) < e Esta última condição, porém, significa que d(x, 8) =.
= imfidrym)yes =0.
Proposição 18 — O fecho de um subconjunto S num espaço topoló
gico X
é a interseção de todos os subconjuntos fechados de X que contém CoroLário — Para que um subconjunto F de um espaço métrico seja
S.
fechado, é necessário e sujiciente que d(x, F) = O implique x E F.
Demonstração: Seja (FEL & família de todos os fechados de X
que contém S. Então, 44 =X-Fy Com efeito, se F é fechado e d(x, F) = O então, pela Prop. 19, z E F,
AEL, são todos os abertos de Y
contidos em X— S. A definição de ponto aderente sig ou seja, v E F. Reciprocamente, se a condição é satisfeita, dado v E F,
nifica que 2G S temos
se, e somente se, x E int(X — 8). Ora, int(X — 5) = UU 4, d(z, F) = O pela Prop. 19, e, pela condição admitida, isto implica
Logo, ce Fr. Logo, FC Fe portanto F é fechado.

S=A-im(X-S=X-— Udy=(X-—Ay= NF Proposição 20 —- Dados dois subconjuntos fechados disjuntos F, G


como deviamos demonstrar. num espaço métrico M, existe uma função real continua p:M — [0,1] tal
que pr) =0OserxCFegly)=1IszxegG.
CoroLário |--F C X é fechado se, e sômente se, F = F,
Demonstração: A proposição é óbvia se algum dos dois conjuntos é
Com efeito, o fecho de qualquer conjunto é um subconjunto vazio. No caso contrário, basta definir
fechado
por ser uma interseção de fechados. Logo, se F = FF é fechado. Ree
l
procamente, se F é fechado, então F pertence à família dos fechados o dtz, 1)
de X
que contém Fe, por conseguinte, a interseção dessa família é F, isto 6, F
= Ff.
20) = “ate, 1) + diz, 6)
CoroLárIO 2— O jecho de um conjunto 8 num espaço topológico X CoroLÁRIO — Sejam F, G subconjuntos fechados disjuntos num espaço
é o menor subconjunto fechado de X que contém S. Afais precisamente: métrico MH. ExistemabertosU, VemMtasque”F CEULGCVeUNV=g.
D 8 é fechado em X; Com efeito, basta tomar a fun- - - ]
2) SDS: ção & definida na proposição acima e M |
3) se F é um subconjunto fechado de X que contém S, então, pôr: U=irEM;g(x)< 12), V= U V
FDS.
Basta demonstrar a terceira afirmação. =ivCM:;og(s) > 1/25.
Ora, se F é fechado e FDS,
então * é um dos Fy e, portanto, F contém a interseção dos Fa, Ogservação — Dados F, G fe-
istoé, FDS.
chadas num espaço métrico M, pode-
OBsERVAÇÃO — Às à propriedades expressas no Corol.
2 caracterizam mos ter d(F,G) = 0, mesmo com |
o fecho S pois significam que S é o menor elemento
do conjunto (parcial- FnNG = g. Por exemplo, isso ocor-
mente ordenado por inclusão) das partes fechadas de X que con
têm $. re no plano F = eixo das abseissas e G = ramo de hipérbole y = 1/z,
80 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. IN 5 é PONTOS DE ACUMULAÇÃO 81

z > 0. E interessante imaginar como poderão ser os conjuntos abertos, sempre D ) B. Mas no espaço discreto em que d(z, y) = 1 para x = y, tôda
disjuntos U, V neste caso. bola aberta de raio 1 reduz-se ao seu ponto central e é, portanto, igual a seu
Um espaço topológico X chama-se normal quando dados fechados F, fecho, mas qualquer bola fechada de raio 1 é o espaço todo. Outro exemplo
GCX, cm FNG=%, existem abertos U, VC X comPCUGCYV é o seguinte: seja M = Rº— ÁA,onde A = ((r,) CEC Rir 4 y<1,r>0)
eUNV=g. (Alguns autores exigem, além disso, que X seja um é um semidisco aberto. Em M, a bola aberta de raio 1 e centro na origem é
espaço de Hausdorff.) O Corolário acima exprime que todo espaço B=((g)ekR,r+y<1,z<oO enquantoa bola fechada corres-
topológico metrizável é um espaço normal. Um dos teoremas mais be- pondente é igual à reunião de B= (rc R'vº+y<l;jz<o)
los e mais importantes da Topologia Greral, devido a P. VUrvysohn, com a semicircunferência 7º + y =1,27>0.
afirma que em todo espaço normal À, dados dois fechados disjuntos F, 6,
27. Seja f:k-—-ft a função contínua tal que f(x) = 0 se 2<O0,
existe sempre uma função real contínua py :X > [0,1] tal que q(x) = O
iwy)=1IsezxZ lejfix)=zse0<az< 1. Então o conjunto dos pontos 1
para todo vzE F e (x) = 1 para todo «x E Cr. Este teorema é notável,
tais que f(x) < 1 é o intervalo aber-
e mesmo surpreendente, não sômente por suas diversas aplicações, como
to (— o, 1) e os pontos x nos quais |
também porque na definição de um espaço normal nada intervém que faça
f(x) « 1 constituem tôda a reta R, fr = ———
lembrar os números reais e no entanto existem inúmeras funções reais con-
Evidentemente, A não é o fecho do
tínuas nêle definidas. (Vide $ 5 do Cap. VIII.)
intervalo (— o, 1). Isto mostra que,
Sejam F, G subconjuntos fechados disjuntos num espaço topológico A. dada uma função contínua f: X > R,
Uma função contínua «o: X — [0, 1] com q(F) = 0, q(G) = 1 chama-se uma nem sempre xC X;limy)<al é o
função de Urysohn do par (F, 6), fecho de ix E X; f(x) < a.
28. O significado informal da afirmação x E S é que x pode ser ar-
EXEMPLOS
bitráriamente aproximado (no sentido da topologia considerada no caso)
por elementos de 58, Por exemplo, seja X = B(M; N), espaço das aplica-
25. Num espaço discreto, S = S para todo subconjunto 8, pois todo
ções limitadas do espaço métrico X no espaço métrico N. Dado um con-
subconjunto é fechado. Na reta, se Q é o conjunto dos números racionais,
junto de aplicações SC GM; N), dizer que uma aplicação limitada
temos Q = R pois em todo intervalo da reta (isto é, em qualquer vizinhança
F:M —» N pertence ao fecho de S significa afirmar que, seja qual fôr «e > O
de um número real) existem números racionais. Amda em k, o fecho de
dado, é possível encontrar q E S tal que d(j(x), g(x)) < e para todo x E 1f.
um intervalo aberto (a, b) é o intervalo fechado la, bl. Mais geralmente,
no espaço K” (bem como em qualquer espaço vetorial normado), o fecho de 29. Num espaço topológico X, seja x um ponto aderente a um sub-
uma bola aberta B(a; r) é a bola fechada D(a; r), de mesmo centro e mesmo conjunto S € X. Então todo aberto 4 de X que contém x, contém tam-
raio. Para verificar êste fato basta, como de costume, considerar as bolas bém algum ponto de S. Há dois casos distintos a considerar: ou existe
B = B(0;r) e D(0;r), de centro na origem 0E K?, D é um subconjunto um aberto 4, contendo x e formado exclusivamente por pontos de S, ou
fechado de R” contendo B, logo, BC D. Para mostrar que, reciprocamente, então todo aberto que contém x contém ao mesmo tempo pontos de S e
DC B, basta mostrar que a esfera S = S(0;r) está contida em B pois pontos de X — 5: O primeiro caso ocorre quando x € int.(S) e o segundo,
D=BUS. Sea então xES, isto é, |x| =r. Qualquer que seja à quando x € fr.(S). Por conseguinte S = int.(S) U fr.(S), reunião disjunta.
Daí resulta também que S = SU fr.(S), reunião não disjunta, a menos
bola B(x;e), o ponto y = (: — E x é tal que x— gy — s z, logo,
que 5 seja aberto. Desta última igualdade segue-se que 8 é jechado se,
x- yi=e2<ecportantoy€E B(x;e). Alémdisso, |y|=r— €2 e por e somente se, 8 D fr(S).
conseguinte y & B. Assim, tôda bola com centro num ponto z ES tem
algum ponto em comum com B, donde SS C B”. Isto conclui a demonstra-
ção de que B = D., S 6. Pontos de Acumulação

26. Num espaço métrico qualquer 17, não é sempre verdade que o À noção de ponto de acumulação gozou de destaque nos primórdios
fecho de uma bola aberta B(a;r) seja à bola fechada D(a;r). Tem-se da Topologia Geral, mas tem sido relegada a um papel secundário, em parte
8 7 ESPAÇOS CONEXOS 83
82 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. UH

devido ao fato de que não se relaciona de maneira útil com as propriedades Como z é ponto de acumulação de 8, existe sESNFV. sz. Su
das funções contínuas. Não obstante, o conceito de ponto de acumula- ponhamos obtidos n pontos distintos, 81, s»..., 8 pertencentes a SN YV
ção não é de todo desprovido de interêsse, principalmente no estudo dos e diferentes de x. Como X é um espaço de Hausdorff, o conjunto
espaços métricos compactos, como veremos no Cap. VIL. (s:,..., Sn) é fechado (e não contém x). Logo, existe uma vizinhança
U dez em X, a qual não contém nenhum dos pontos s,..., sm O
Seja S um subconjunto de um espaço topológico X. Um ponto x & X
conjunto U (1 V é uma vizinhança de x e portanto contém um ponto
chama-se ponto de acumulação de S quando tôda vizinhança V de x em X
sm E 8, distinto de x, Segue-se que s,+ é diferente dos demais s;, e
contém algum ponto s E $, distinto do ponto x. O conjunto dos pontos
pertence a SfYYV, o que completa a construção indutiva do conjunto
de acumulação de S chama-se o derivado de S e indica-se com a notação 5º.
infinito (sr, 82 ..., 8m...; é demonstra à proposição,

EXEMPLO CoroLÁRIO
— Num espaço de Hausdorff, todo conjunto finito tem de-
rivado vazio.
30. Se S é o intervalo aberto (0, 1) da reta, então S' é o intervalo OBSERVAÇÃO — Não foi usada, na demonstração acima, tôda a
fechado I0, 1]. Neste caso, 5 coincidecoms. SeP=1,12,1/8,...:CR hipótese de que X é um espaço de Hausdorff. Bastaria supor que X fôsse
então P' consiste sômente do ponto O. Seja Z C É o conjunto dos números um “espaço T;”, isto é, um espaço no qual todo ponto é um subconjunto
inteiros. Tem-se Z' = &, isto é 4 não possui pontos de acumulação. fechado. Esta hipótese é necessária para a validez da Prop. 22 (e do seu
Dado o conjunto Q C R dos números racionais, Q' = À. Corolário) pois se existir um ponto x E X que não é um subconjunto fechado,
existirá também um ponto y E À, y = %, tal que tôda vizinhança de y con-
Proposição 21 — Seja X um espaço topológico. Para todo subcon-
tém 7. Então, y será ponto de acumulação do conjunto ix, que tem um
unto SC NX, tem-se S= SUS.
só elemento.
Demonstração: Isto é priticamente uma tautologia. Os pontos de S
Prorosição 239 — N um espaço de Hausdorf! X, o derrvado de qualquer
são os pontos de S mais os pontos x & S tais que tôda vizinhança de x con-
subconjunto S é fechado; isto é, S' D 8”.
tém algum s E S (necessiriamente distinto de x pois x & 8). Éstes pon-
tos pertencem a S”. Logo, 8C SUS. Por outro lado, é claro que SC S Demonsiração: Se x" E S”, dada qualquer vizinhança U de q” em
eS!CS, donde SUS CS. X, existe um ponto v“ ES NU, x” =x”. Segue-se do axioma de Haus-
se, e somente se, con- dorff que existe uma vizinhança
CoroLírIO |— Um conjunto FC À é fechado
V de x em X tal que 2” E V.
tém todos os seus pontos de acumulação.
Seja W=UNMNYV. Então, W é (k
Com efeito, F é fechado se, e sômente se, F=F=FUF. Mas
uma vizinhança de x e WC U.
A=AUBécquryalentea AD B. Logo, F é fechado se, e sômente se,
Como 1 E 8”, existe um ponto y
Por.
zesnW (temse x =x mas Ã
CopoLÁRIO 2?— Se SC X não possui pontos de acumulação, então isto não é necessário aqui). Lo-
todo subcongunto de S é Jechado em À. go rESMNU exxa”! (pois
Com efeito, é claro que TC S implica TºC 5º. Logo, T' = & e por- q" E W). Isto mostra que todo
Le ——

.
==.

tanto TC P,isto é T é fechado, qualquer que seja É C 5. z" E S” pertence também a $”.
.=..00=DD..—

Proposição 22 — Seja X um espaço de Hausdorff. Para que um


OsseRvAÇÃO -— Novamente aqui basta supor que os pontos de X são
1

subconjuntos fechados. Esta hipótese não pode ser dispensada.


ponto x E X seja ponto de acumulação de um subconjunto S C A é necessá-
rio e suficiente que tôda vizinhança de x contenha uma infinidade de pontos de 5.
S 7. Espaços Conexos
Demonstração. A condição é evidentemente suficiente em qualquer
Foi visto no Ex. 17, que um subconjunto S de um espaço topológico X
espaço. Para demonstrar a necessidade, seja x E S”, e consideremos
pode ser simultâneamente aberto e fechado em X. O conjunto vazio /Z
uma vizinhança V de x. Mostraremos, por indução, que existe um
e O espaço Inteiro X sempre o são.
conjunto enumerávei (81, 82,...;Sm-..+ de pontos de S na vizinhança V.
o a

8d ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. HI 83

Um espaço topológico X chama-se conexo quando &% e X são os únicos Por conseguinte, a fim de que um espaço topológico seja conexo é ne-
subconjuntos de X simultâneamente abertos e fechados. cessário e suficiente que X e & sejam os únicos subconjuntos de X com
a. = ”
constituído de “um só A
pedaço”.
à fronteira vazia. |
Intuitivamente, um espaço conexo é
Até agora não demos um só exemplo não-trivial de espaço
Um espaço discreto com mais de um ponto, por exemplo, é desconexo (isto conexo. A
é, não é conexo). Com efeito, qualquer um dos seus subconjuntos é simul-
proposição abaixo estabelecerá o primeiro e, provâvelmente, o mais im-
tâneamente aberto e fechado. O conjunto R— (0) dos números reais portante exemplo de conexidade.
diferentes de zero também é um espaço desconexo (com a topologia natural, Proposição 24 — Todo antervalo da reta é um espaço conexo.
induzida da reta) pois o subconjunto S € E — +0), formado pelos números
Demonstração: Seja f um intervalo de extremos « e b. A demonstra-
negativos, é aberto e fechado em R — (0). (Vide Ex. 17)
ção vale quer É seja aberto, fechado, semi-aberto, limitado ou ilimitado.
Um subconjunto S de um espaço topológico X chama-se um subcon-
Em particular, pode sera = —- wo oub=-+-o e portanto um corolário é
junto conexo quando, com a topologia induzida de X, S é um espaço topo- que areta fi =(— o, +o) é conexa, Seja SC I aberto e fechado em T.
lógico conexo, Suponhamos 5 = £& e mostremos que isto implica S = IT. Como 8 é
aberto em £, podemos tomar um ponto c E $, interior ao intervalo I. Seja
EXEMPLO b' = sup. (te file y) CS). Temos c<b e afirmamos que [,b)CS.
Com efeito, se x E [c,b), isto é, c< x < b', então, pela definição de sup,,
31. Todo subconjunto vazio, bem como todo subconjunto reduzido existe tE f com x<tel,)CS; portanto z ES. Afirmamos agora
a um só ponto, é um subconjunto conexo de qualquer espaço topológico. que 5º = b. Do contrário, teríamos b' < b, donde b' E IT e, como 8 é fe-
Por outro lado, no espaço Q dos números racionais, nenhum subconjunto $ chado em 1, 6 ES, ou seja [cb] CS. Como S é aberto em F, existiria
contendo mais de um ponto é conexo. Com efeito sejam a < b números e>0O tal que (cb + CS e isto viria contradizer a definição de b.
racionais pertencentes a S. Existe um número irracional É tal que Logo, b'=b e lc, b) CS. Anâãlogamente se mostra que (a, e] C S e por-
a<t<b. Sejam A=(rEQr<EeB;=(reEQqr> é. Temos tanto (a, b) CS. Como S é fechado em T, o fecho de (a, b) relativamente
Q = A:U Be onde Ar e By são disjuntos, não-vazios e abertos em (,
a f está contido em 5. Mas tal fecho é É. Logo, 1 =S8.
Por outro lado, A; e B; são também fechados em4 pois cada um dêles tem
o outro (um conjunto aberto) como complementar. Isto Já mostra que Q Proposição 23 — (Reciproca da anterior) — Todo subconjunto conexo
é desconexo. Quanto ao subconjunto 8, basta notar que Às (15 é aberto da rela é um intervalo.
e fechado em S, não-vazio (pois contém o ponto a) e diferente do espaço Demonstração: Com efeito, se um subconjunto SC R não fôr um In-
inteiro (polis não contém b). tervalo, existirão números reais a, 6ES, c&ES, tais quea <c<b. Se
guese que ÀA-(-v,)NSeB=(cto)MNS são abertos em 8, dis-
A existência, num espaço topológico X, de um subconjunto À, aberto juntos, não-vazios (pois «aC À e bC B), com S=AUB (poiscé&s).
e fechado, diferente de X e de (3, é equivalente à existência de uma decom- Logo, 5 é desconexo.
posição X=AUB,comANB=%,AeB ambos abertos (e, por con- Opservação — Já resulta da Prop. 25 que nenhum conjunto de nú-
seguinte fechados) e não-vazios. Basta tomar B= X — À, meros racionais contendo mais de um ponto pode ser concexo, Anâloga-
Segue-se que um espaço topológico X é conexo se, e sómente se, não mente nenhum conjunto de números irracionais com mais de um elemento
pode ser expresso como reunião de dois subconjuntos abertos, disjuntos e pode ser conexo. (Com efeito, todo intervalo não-degenerado da reta con-
não-vVaZzlos. tém ao mesmo tempo números racionais e números irracionais,
Esta formulação do conceito de espaço conexo está mais próxima da
Proposição 26 — À imagem de um conjunto conexo 8 por uma aplica
idéia do espaço de um só pedaço.
ção contínua f: X —> Y é um conjunto conexo HS).
Observamos ainda que um subconjunto 5 € AX é aberto se, e sómente
Demonstração: Como ser conexo é uma propriedade intrínseca do es-
se, não contém nenhum ponto de sua fronteira e é fechado se, e sômente se,
contém todos os pontos da sua fronteira. Logo, S é aberto e fechado si- paço topológico S (isto é, não depende do espaço X onde S está contido),
basta considerar o caso em que S =X e jS)=Y. Assim, suponhamos
multâneamente se, e sômente se, sua fronteira é vazia,
Bó ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. IH & 7 ESPAÇOS CONEXOS 87

que X seja conexo e f é uma aplicação contínua de X sôbre Y. Então tôda variedade afim v + LC Eetôda bola Bl;e) = (E E;|jz— v|<e).
— afirmamos — Y deve ser conexo. Do contrário existiria em Y um sub- Verifiquemos esta última afirmação. Dados x,y € B(v;e), queremos
conjunto B aberto e fechado, diferente de Y e de g. Considerando mostrar que (1 —- bz +ty E B(v,e) para qualquer LE J0,1]. Ora,
A = fHB), teríamos 4 aberto e fechado em X, pois f é contínua. Além a-dsy-sl=[0-D)ke-D)+Hiy-D)|<Id-D(e- nl +
disso, Ax<XpoisBzYeÃAx/%poisBxgegjésôbreY. Isto con- +ilyu-wyl=A-bBlz-v|+Hily-v|<(I-dDe+te=e Do mes
tradiria a conexidade de X. mo modo verificariamos que tôda bola fechada D(v; e) é convexa, Isto
porém é consequência do fato mais geral, segundo o qual o fecho de
Cororário | — Sejam X um espaço topológico conexo e J:IXSER
um subconjunto convexo de É é convexo. (Veriicação a cargo do leitor.)
uma junção real continua. A imagem IX) é um intervalo,
Todo conjunto convexo é conexo por caminhos,
Com efeito, J(X) é conexo em virtude da Prop. 26, logo é um intervalo
em virtude da Prop. 25. 33. Sejam X um conjunto arbitrário e É um espaço vetorial normado.,
Segue-se daí que uma função f, real, contínua, definida num intervalo, O conjunto Y(X; E) das aplicações limitadas de X em É é um espaço ve-
que assume dois valôres j(a) e f(b), assume também todos os valôres compre- torial mnormado, onde |f|= sup.(f(x);z € X). Em particular, BMX; E)
endidos entre « e b. Mais formalmente: é convexo e portanto conexo por caminhos. ais geralmente, dado um
subconjunto convexo SC É, é fácil ver que M(X;S) é um subconjunto
CoroLário 2— Seja f:l[0,b]—>R uma junção real contínua definida convexo de M(X ; &). Em particular, segue-se que M(X:; S) é um espaço
no intervalo la, b] . Se fla) < e < f(b), então existe x E la, b] tal que f(x) = e. topológico conexo por caminhos.
Com efeito, [a, b] é conexo, logo f([a, b)) é um intervalo. Como jf(a) < Se os caminhos f, g:I— X, no mesmo espaço topológico X, são tais
<c< J(b), segue-se que c pertence ao intervalo f(ja, b)). que J(1) = g(0), pode-se definir o caminho gsustaposto fV g:I->X, do
As Props. 24 e 26 permitem que se obtenham vários exemplos de es- seguinte modo:
paços conexos, A fim de apresentar tais exemplos no contexto adequado,
introduziremos agora um tipo importante, embora mais restrito, de espaço
UIVND=IC) s0O<t< IR;
topológico conexo, Von t = g(i-l)sel2<i<al
Um caminho num espaço topológico X é uma aplicação contínua Ambas as expressões fornecem o mesmo valor (1 V 9) (1/2), de modo
f:f> X, onde f é o intervalo fechado [0, 1]. Os pontos a = (0) eb = f(1) que fV g:1T-> X é bem definida. Além disso, fV g é contínua, em vir-
são chamados as extremidades do caminho f; a = jJ(0) é o ponto inicial e tude do Ex. 24, com F, = |0, 12] e F, = [1/2,1].
O =jJl) é o ponto final. Diz-se também que os pontos a e b são ligados O caminho f NV q, formado por justaposição de f e q, consiste em per-
pelo caminho f. correr primeiro f e depois q (com velocidade duplicada). É claro que f V q
Um espaço topológico X diz-se conexo por caminhos quando, dados começa em f(0) e termina em g(1).
dois pontos quaisquer q,b E X, existe sempre um caminho f:1 —» X com A relação “existe um caminho começando em z e terminando em y”
0 = aci =». é evidentemente reflexiva, A construção fWV q mostra que esta relação
é transitiva. Finalmente, dado f, o caminho f=: PF > X, com F (8) = JA—b)
EXEMPLOS mostra que ela é simétrica, e portanto é uma relação de equivalência.

32. Seja É um espaço vetorial normado. Dados dois pontos a, b E E, Proposição 27 — Todo espaço topológico conexo por caminhos é conexo.
existe um caminho canônico em E cujo ponto inicial é a e cujo ponto final Demonstração: Seja X um espaço conexo por caminhos e suponhamos,
é b. Trata-se de f:T-—>E, definido por H) = (1- Da tb. A imagem por absurdo, que exista em X um subconjunto aberto e fechado À,
HJ) dêste caminho chama-se o segmento de reta de extremos a, b e é indicada com 4 %úXe Az (4. Tomando um pontoa E ÁecumpontobE X-— A,
com ja, b]. Um subconjunto S C E chama-se convexo quando, dados dois existiria um caminho f:/>X com H0)=aefd)=b5 O conjunto
pontos quaisquer a,b E $, o segmento de reta [0,b]) = (1 — Da +4-1b;0 < A Mit?) seria aberto e fechado em f(7), diferente de JJ) porque bE À,
<t< Iy está inteiramente contido em S. Exemplos de subconjuntos e não-vazio porque «aC A ML). Isto contradiz que (1) seja conexo e
convexos de É são: o espaço inteiro E; todo subespaço vetorial LC E; demonstra a proposição.
88 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. MI 5 7 ESPAÇOS CONEXOS 89

EXEMPLOS ft) = a para todo t E f, Como X é um subconjunto do plano, temos


ft) = (v(t), vt), onde x,y: F— R são funções continuas. Mostraremos
34. AesferaS"= (re RR"! |x|= 1) é conexasen2 1. Basta mos- primeiro que x(t) é constante, Supo-
trar que S$º é conexa por caminhos. Dados a = b em S”, dois casos podem nhamos, por absurdo, que att) > O |
ocorrer: ou a = -bouazx —b. No primeiro caso, diremos que os pontos para algum valor de t. Pondo t =
aeb são antipodas, ou diametralmente opostos. No segundo caso, (em que = sup. É E Fx (10,t) = 0), ter-se-á
a e b não são antípodas) o segmento [a, b] não contém a origem. Ou seja, então o < 1. Éclaro que vt) =07 q,
dados axé bem 8”, seaxb então (1 — Da-tbaAO para 0O<t<l Como O e a são os únicos pontos de
arbitrário. Se fôsse (1 — Da + tb =0, seria (1 — da = —tb, donde X com abseissa zero, vemos que

inte
a-tlal=tibie comola;j=|bj=1lLlI-t=tt=1i2Zea=-b. Assim, FCO, to) é um subconjunto (conexo) de i
se a e b não são antípodas, a aplicação f : ! — S”, definida por O, a). Mas (0) = a, logo f([O, to]) = o mL

p= p
a | —
= q. Em particular, yíto) = 1/2. Sen-
1—Da+b do y() contínua, existe e > 0, com b+e<1, tal queseE [to th + o
IW) = O— da tb
implica y(s) 2 1/4. Pela definição de t, existe t, com b<ti<b+ee
g(ty) > O. Quando t varia de & a &, x(t) assume todos os valóres compreendi-
é um caminho que começa em q = f(0) e termina em b = f(D), [Geomêtri- dos entre O e x(t;) (Corolário da Prop. 26). Logo, podemos achar s E (to, ti),
camente, quando t varia de O à 1, f(t) percorre o mais curto dos dois arcos (em particular, s&E [ty to + 6) tal que a(s) = 1im, qualquer que seja o
de grande circulo que ligam « a 6.) Se, porém, a e b são antípodas, então inteiro m. Como (x(s), y(s) E X, isso acarreta g(s) = O, porque os úni-
qualquer ponto cos” — ta, b: não é o antípoda de a nem dc db. Logo, cos pontos de X com ordenada = O são os da forma (1/m,%y). Mas devia-
existem caminhos ,g:>8S”, com MD) = HMD=c O) =e gl)=b. mos ter y(s) 2 1/4. Contradição. Temos z(t) = O para todo t E FT. Se-
Definimos um nôvo caminho h:7->S”, pondo h=fWV gq. [Vide acima gue-se que (MD) C (0,at. Como j(7) é conexo e H(0) — a, concluímos fi-
a definição de caminho justaposto 1 V 9.) Tem-se então (0) =a e nalmente que (1) = q. Note-se que 4 = X — (a) é conexo por caminhos
h(O) = b. [Geomêtricimente, h(!) ainda descreve um arco de grande efr- e portanto conexo. (Dois pontos quaisquer de 4 podem ser ligados por
culo ligando « a b. Acontece que, quando a e b são antípodas, existem 1n- um caminho poligonal formado, no máximo, por três segmentos de reta.)
finitos grandes círculos ligando a e b. oi preciso tomar o ponto c a fim À proposição abaixo permite então concluir que 4 é conexo,
de fixar um dêsses círculos.) Observe-se que esta demonstração vale amda
Prorosição 28 — Sejam X um espaço topológico e S um subcongunto
qualquer que seja o espaço vetorial normado E de dimensão > 1, tomado em
deX talqueS =X. Ses fôr conexo, X também o serd.
vez de R”: o conjunto 8, dos vetores vr E E tais que [x| = 1, é conexo
por arcos e consequentemente conexo. Em particular, tomando em A” Demonstração: Nestas condições, para todo subconjunto aberto não-
a norma |x;'= máx.(ie!),...,|2”|), para q = (sl... 2x"), vemos que a -vaio À4C X, o conjunto 4 NS é aberto em $S e não-vazio. Se X não
fronteira do cubo [-1,WX...x [-1,1W]=[—-1,1]” é conexa, pois tal fôsse conexo, existiria uma decomposição X = AU B, com À e B abertos
fronteira é o conjunto dos pontos « & R" tais que lv| = 1. disjuntos e não-vazios. Então S=XNS=(ANS)UÍBI OS), donde
S seria desconexo.
33. Daremos agora o exemplo de um espaço topológico X que é co-
nexo mas não é conexo por caminhos. Isto mostrará que a recíproca da — Seja
CoroLário 8 um subconjunto conexo do espaço topológico X.
Prop. 27 não é válida. X é um subespaço do plano, formado pela reunião SseSsCcTCsS, então P é conexo.
do segmento unitário J = 1(7,0),0 < x < 1) do eixo das abseissas, com Com efeito, o fecho de S em T será então Igual a TF.
todos os segmentos verticais unitários J, = ((1/n,4); O < y< 1) ergidos
sôbre os pontos de / que têm abscissa da forma 1/n, n E N, e mais o ponto
EXEMPLOS
a = (0, 1/2). (Vide figura na página seguinte.)
Para mostrar que X não é conexo por caminhos, basta provar que todo 36. A noção de espaço conexo proporciona um dos métodos mais
caminho f:/—> X, tal que HO) = a, é necessãriamente constante, isto é, simples de demonstrar que dois espaços X e Y não são homeomorfos. À
90 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap, TI$
67 ESPAÇOS CONEXOS 91
idéia é a seguinte: se existir um homeomorfismo À: X — Y então, qualquer
que q é interior ao intervalo J. Dado e>0, com (—- sat IC J,
que seja aC X, a restrição A|X — fa) é um homeomorfismo de X — fa)
sóbre Y — (h(a)). Então, X — fa) será conexo se, e sômente temos ja — e <Jla) < ja + e), em virtude da monotonicidade de J.
se, Y —
— Xa)) o fôr. Por exemplo, o intervalo aberto (a, b) não pode ser homeo- Afirmamos que f(x) E (fla — e), fla + é) implica x E (a- gas O.
Com efeito, se fôósse a+e< x, teriamos jato <j(z) e por outro
morfo a um intervalo semi-aberto [c, d). Com efeito, se existisse um homeo-
moriismo h:le,d)->(a,b), por restrição, obteríamos um homeomorfismo lado, v< |ja— el implicaria f(x) <jla— e). Isto prova que fl é
entre (c,d) = [c,d)—- (eb e (0,b) — (h(c)), o que é um absurdo pois o continua no ponto q. No caso de a ser extremo inferior de J, basta consi-
derar la,b + e) em vez de (4— ca+ o. Quando «a fôr extremo su-
primeiro dêstes espaços é conexo, enquanto que, seja qual fôr o ponto
perior de 4, tome-se (a — e al. Reciprocamente, suponhamos que f
htc) E (a, b), seu complemento (a, b) — lh(c)» é desconexo, De maneira
semelhante se verifica que o circulo unitário St = (rs) E Ra ty?=) não seja estritamente monótona e mostremos que então f não é biunívoca e
não é homeomorfo a nenhum subconjunto da reta. Com efeito, como 8!
portanto não pode ser um homeomorfismo. Sendo violada a monotoni-
cidade de f, ter-se-á, digamos, a<b< cem J, com Ja) < Flo) < (Db).
é conexo (Cf. lx. 34) tal subconjunto da reta deveria também ser conexo,
Pelo Cor. 2 da Prop. 26, existirá então um ponto x tal que a<(z<be
logo, seria um intervalo. Ora, um intervalo da reta deixa de ser conexo
(x) = J(c), e f não será biunívoca.
quando déle se omite um ponto interior, enquanto o que S! — 42) é conexo
qualquer que seja 2 E S!,

3%. Usando ainda o método de Ex. 36, podemos mostrar que se 8 EXEMPLOS
é um subconjunto da reta e A:S — Rº? é um homeomorfismo de 8 sôbre
um subconjunto J(S) do plano, então j(S) tem interior vazio em R2, Com 38. Sejam D= (vER)|r—a,<+r) um disco do plano e
efeito, se f(S) possuísse algum ponto interior, existiria um disco plano C=(2CR|jr—al=r) a sua fronteira, Dados os pontos 2 no in-
DC JS). Sendo D conexo (até mesmo convexo) sua imagem pelo homeo- terior de D e y no seu exterior, isto é, |v— a] <re ly— al >r, todo
morfismo Inverso h-! seria um intervalo da reta. Basta pois, demonstrar caminho f:f> kk? tal que (0) = ze jIl) =y deve cortar o circulo O,
que um intervalo da reta não pode ser homeomorfo a um disco do plano, Com efeito, dado f, a junção q :7-»R, definida por q(t) = It) — al,
Ora, o Intervalo fica desconexo quando dêle é removido um ponto interior é contínua, assume um valor < r para t= 0 eum valor >rparat= il,
enquanto o disco continua conexo quando se remove qualquer um dos Logo, existe b €C ! tal que q(t) =r. Então, |f(t)— a| =r e portanto
seus pontos. Observamos aqui que a imagem de um intervalo por uma f(to) E €. Isto significa que o complemento Rº — € do cireulo €C no plano
aplicação contínua f:7—> Rº pode conter pontos interiores. Um famoso é desconexo. (Vide fim do S 3, Cap. II.) Um teorema mais geral e muito
exemplo, devido a Peano, exibe um caminho f:7 > Rº tal que J(I7) é todo mais delicado, o Teorema da Curva de Jordan, diz que RP — C é a reunião
disco. (Vide Cap. IX, Ex. 10.) de dois abertos conexos, seja qual fôr € homeomorfo a um círculo. Para
Caracterizemos agora os homeomorfismos entre intervalos da reta. uma demonstração do Teorema de Jordan, vide [Newman].
Seja JC R um intervalo (aberto, fechado ou semi-aberto). Uma função
39. Dois subconjuntos conexos de um espaco X podem ter uma
f:f-—>R diz-se estritamente crescente quando s < tem J implica f(s) < J(b).
interseção desconexa. Por exemplo, no círculo S! = (x,y) E R?; 2º +
Se s < É implicar j(s) > f(8, diremos que f é estritamente decrescente. Fi- +y =1>, os semicírculos 4=((W)EsS;yz0 e B= x,y) E
nalmente, diremos que f é estritamente monótona quando fôr estritamente
E S!;y « 0) são conexos, pois a projeção (x, y) — x estabelece homeomor-
crescente ou estritamente decrescente.
fismos entre cada um dêles e o intervalo [—1, +- 1]. Entretanto, a inter-
Proposição 29 — Seja JC R um intervalo, Uma junção continua seção A ()B consiste dos dois pontos (— 1,0) e (1,0) e portanto é desco-
jd —>R definirá um homeomortismo de J sóbre flJ) se, e sômente se, fôr nexa. Também a reunião de dois subconjuntos conexos disjuntos é quase
estritamente monótona, sempre desconexa, mas pode ser conexa, como no Ex. 35, onde X = fal U
U(X-— fa)). Por outro lado:
Demonstração: Seja f estritamente monótona. Para fixar as idéias,
suponhamos j crescente. Prorosição 380 — Seja (8x) uma jJamilia de subconjuntos conexos de um
Provemos a continuidade de FI: = J num
espaço topológico. Se existir um ponto xo, comum a todos os Sx, q reunião
ponto qualquer j(a), onde a E J. Inicialmente, consideremos o caso em
S = IJ Sh será coneza.
92 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. 1H 57 ESPAÇOS CONEXOS 93

Demonstração: Seja AC S aberto e fechado em S. Substituindo, Um espaço topológico X diz-se localmente conezo quando para todo
se necessário, 4 por $ — À (que ainda será aberto e fechado), podemos ZE X e tôda vizinhança U dez, existe uma vizmhança conexa V de x tal
supor que zo E A. Para cada À, então, A MS será aberto, fechado e que VCÊU. Intuitivamente, isto exprime que todo pondo de x possui
não-vazio em 8». (Como S, é conexo, teremos A MS, = 8; para todo À. vizinhanças conexas arbitráriamente pequenas.
Portanto, 8, CA para todo À, donde S= USMCAÁ, isto é, S= À,
concluindo a demonstração. EXEMPLOS
A proposição acima tem como consegiência que a reunião de todos os
gubconjuntos conexos de um espaço topológico X que contêm um ponto 41. Um espaço discreto com mais de um ponto é localmente conexo
£ E X é um conjunto conexo €,, ao qual chamaremos a componente conexa mas não é conexo. O conjunto dos números racionais não é conexo nem
de x no espaço À. localmente conexo. “Todo espaço vetorial normado é localmente conexo
pois cada bola é conexa. Todo subconjunto aberto de um espaço local-
À componente conexa €, é um subconjunto conexo máximo de À,
mente conexo é ainda localmente conexo.
isto é se Ce C SC X es é conexo, então C, = 5. Resulta daí, em parti-
cular, que tôda componente conexa é um conjunto fechado, pois seu fecho 42. Um espaço conexo pode não ser localmente econexo, Conside-
C, ainda é conexo (Corolário da Prop. 28) e €, C C.. re-se, por exemplo, o espaço Y C Kº, formado pelos eixos coordenados e
O espaço X será conexo se, e sômente se, fôr a componente conexa de mais as retas verticais que passam A
cada um dos seus pontos. pelos pontos (1/1,0), nE N. Evr |
As componentes conexas €, e €, de dois pontos x,y € X ou coincidem dentemente, À é conexo (por cami-
ou são disjuntas. Com efeito, de Cs (1 l, = 4 segue-se, pela Prop. 30, nhos) mas, para y x O, tôdas as vizl-
que €, U €, é um conjunto conexo contendo C, e C,. Pela maximalidade nhanças suficientemente pequenas do
das componentes segue-se que Cs = €C,U €, = €, Portanto, a relação ponto (0, 4) são desconexas. Tam-
“gr e y pertencem à mesma componente conexa em AX” é uma relação de bém no Ex. 359, O espaço À é cone-
equivalência. xo mas tôdas as vizinhanças suficien-
temente pequenas do ponto a são desconexas.
Todo espaço topológico X é, pois, uma reunião de subconjuntos fe-
chados disjuntos, suas componentes conexas, os quais se caracterizam
À proposição abaixo Implica, em particular, que nos espaços localmente
por serem conexos máximos em À.
conexos as componentes conexas são subconjuntos abertos (e fechados),
É em tais espaços, portanto, que a decomposição em componentes assume
EXEMPLO o aspecto intuitivo de reunião de conexos inteiramente separados uns dos
cutros. (Note-se, por exemplo, que em Q as componentes não são abertas.)
40. Num espaço topológico discreto, cada componente conexa se
reduz a um ponto. O conjunto Q dos números racionais não é discreto, Proposição 981 — 4 fim de que um espaço topológico X seja localmente
mas cada componente conexa em Q reduz-se ainda a um ponto. O mesmo conexo, é necessário e suficiente que, para cada aberto À C X, as componentes
ocorre no conjunto dos números irracionais. À componente conexa de cada conexas de A sejam subconguntos aberios de X.
ponto x E KR” é todo o espaço euclidiano R”. As componentes conexas de Demonsivração: Sejam X localmente conexo, À C NX aberto e € uma
R — +40; são duas: o conjunto dos númercs reais negativos e o conjunto dos componente conexa de 4. Dado qualquer x E €, existe uma vizinhança
números reais positivos. conexa V dez, comz E VC Á. Assim, VU € é um subconjunto conexo
de À. Como € é máximo, VU C=C,istoé, VC C,o que prova que É
Um espaço topológico X diz-se totalmente desconexo quando seus úni- é aberto. Aostremos agora que a condição é suficiente. Dado zE 4,
cos subconguntos conexos são & e seus pontos. Isto equivale a dizer que seja U uma vizinhança qualquer de x em X. Existe um aberto 4 com
suas componentes conexas são pontos. (Vide Ex. 39.) TtEAÇCU. A componente conexa de x em À é, por hipótese, um aberto
Um subconjunto da reta é totalmente desconexo se, e sômente se, (conexo) V com zEVCA, donde VC U. Isto prova que X é local
não contém intervalo algum. mente conexo,
o mm” TT TT

74 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. dll 5 7 ESPAÇOS CONEXOS 25

Podemos ainda definir a componente conexa por caminhos de um ponto z, R") é conexo se, e sômente se, é conexo por caminhos. Neste caso, porém,
num espaço topológico X, como a reunião de todos os subconjuntos conexos € é possível afirmar um
preciso.resultado mais
Dado um espaço vetorial
por caminhos de À que contém x. Cada componente conexa por caminhos normado E, diremos que um caminho f:f—»E é poligonal quando
é uma classe de equivalência da relação “existe um caminho
PE
em X ligando f=hV...VJn é à justaposição de um número finito de segmentos de
ta y, e pode também ser caracteri. zada como um subcon
A
junto de X má- reta 4: 1 > E. O resultado mais preciso é o seguinte: um subconjunto
ximo relativamente à propriedade de ser conexo por cam
inhos. aberto U de um espaço vetorial normado E é conexo se, e sômente se, dois
Uma componente conexa por caminhos pode não ser um subcon pontos quaisquer de 8 podem ser ligados por um caminho poligonal contido
junto
fechado de X, como se vê no Ex. 35, onde as componentes em U. A demonstração se faz exatamente como na Prop. 32, observando-se
conexas por
caminhos são o ponto a e o conjunto X — ia). apenas que a relação “existe um caminho poligonal em U ligando x a y”
Um espaço topológico X diz-se localmente conexo por caminhos é uma equivalência, e que todo ponto x & U possui uma vizinhança V
quando,
para todo ponto x E X e tôda vizinhança U de x existe
uma vignhança V (a saber: uma bola) contida em U tal que dois pontos quaisquer de V podem
de £, conexa por caminhos, com V CU. Em outras palavras: todo ponto ser ligados por um caminho poligonal,
xt A possui vizinhanças conexas por caminhos arbitrâriamente pequenos, Proposição 33 — Seja € um subconjunto conexo de um espaço topo-
No
No Ex. 42,> o esp
ameaço X ” éé conexo
por caminhos. ÃÀÁssim,
] para cada lógico X. Se, paraalgumS CX, temse0N in) = DeCN(A-— ss) =
n& N,o ponto (0,1) pode ser ligado ao ponto (1 /n, 1) por um caminho “ etan- = S,então CNfr. (5) = 2%. Ou seja: se um conjunto conexo C contém
de” (que desce até o eixo das abscissas e depois sobe ao longo da vertical de um ponto interior de S e um ponto fora de 55, então C contém algum ponto
abscissa lin). Mas não existem caminhos “pequenos” ligando êsses pontos. da fronteira de 5.
Mais precisamente: tôda vizinhança suficientemente pequena de (0,1) Demonstração: O conjunto A = O MNint.(8) é aberto em € e não-va-
em 4 é desconexa, donde desconexa por caminhos. gio. Além disso 4 x C porque O não está contido em S. Como € é co-
| Todo espaço vetorial normado é localmente conexo por nexo, segue-se que À não é fechado em c
caminhos,
pois as bolas são conexas por caminhos. Todo subconjunto abe C. Existe portanto um ponto x E €
rto de um es-
paço localmente conexo por caminhos, ainda goza dessa mesma pro tal que x & A mas tôda vizinhança
priedade.
Assim, os subconjuntos abertos dos espaços vetoriais normad de z em € tem pontos em comum
os (em parti-
cular, do R”) são localmente conexos por caminhos. com 4. Em particular, x & imt.(S)
À proposição abaixo fornece uma recíproca parcial da Prop. e tôda vizinhança de x em X contém
27.
Proposição 3—2 Seja X um espaço localmente conexo por caminhos. pontos de S. Logo, x E fr(S) e por conseguinte O MN fr(S) = 2.
Se X fôr conexo, será também conezxo por caminhos.
Demonstraçãoa: muFixemos um ponto «aC X e consideremos o conjunto - Exercíci
sé eret6rOS
A =4rE A ;x pode ser ligado ao ponto a por um caminho!. Mostre- 1. Em cada um dos casos abaixo, determinar se À é ou não um subconjunto aberto
mos que 4 é aberto em 4. Dado qualquer « E 4, seja V uma vizinhança do espaço métrico M:
de x conexa por caminhos. Para todo y C V, existe um caminho J ligando q) Mf = conjunto dos números reais; À = (números racionals).
9a. Como « € À, existe um caminho g ligando x a a. Logo, o caminho Do M= MX;R), A, = (funções limitadasf: X > R tais quejf(la) > 0 parrc E X
IV 7 liga yaae portanto y E À. Assim, VC A, donde À é aberto. De fixo).
maneira análoga se verifica que 4 — À é aberto. Sendo a & A, temos co) M = fnúmerosreais), FE MR;R) e Aj= (xe R; Ho) > 0).
A = À, pela hipótese de ser X conexo. Assim, todo ponto de X pode ser d) M = kr, A= (ze Rx! inteiro > 0),
ligado ao ponto a por um caminho e consequentemente X é conexo por o M = Rê; A = fpontosdo plano que não estão no circulo 2º + 4” = 1 nem no
caminhos. eixo dos xt.
D) M = fnúmeros inteiros); A=(rCM;|Ir—2| = 34.
EXEMPLO
) M=R; A=ttrEM;r>—3.
43. Segue-se da proposição anterior que um subconjunto 5) M= MR;R); Az ItteM. f é descontínua em todos os pontos da reta).
aberto de
um espaço vetorial normado (em particular, um aberto do esp ) M=G(lab;R; A=ÍSEM; SL" Haldz> 0).
aço euclidiano
96 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. lt SB EXERCÍCIOS 97

9 M= Rê; A = fpontos que têm exatamente 3 coordenadas > 0). (e b)= IE Xja< bi. Declare um subconjunto 4 C X aberto quando, para cada
2.Sejam X um conjunto e 7:X — km uma aplicação. Se HX) fôr aberto em KM x CA, existe um Intervalo aberto (a,b) com z E (a,b) CÁ. Mostre que os abertos
então |f(x)| não atinge um valor máximo para x E À. (Que se pode dizer do mínimo assim definidos constituem uma topologia para X, chamada a topologia da ordem. Mos-
de |Hxz)|? Vale um resultado análogo para qualquer espaço normado, em lugar de RT? tre que, se X é a reta real, essa topologia coincide com a usual. Para qualquer X, mostre
que a topologia da ordem é sempre de Hausdorff.
3. Seja A=((g,y)ER!;xxyouy=õO. A interseçãodeA com qualquer
reta horizontal ou vertical é aberta nessa reta, mas A não é um subconjunto aberto do 15. Seja Z um conjunto não-enumerável bem ordenado dotado de último ele-
plano, mento. Indiquemos com £? o menor elemento de Z tal que 0 conjunto X = Ir Z;
q “9 é nãoenumerável. Considere em X a topologia da ordem. Mostre que Q
- 4 Mostre que a Prop. 1 dêste capítulo e a Prop. 1 do Cap. II são corolários da pão é um ponto isolado em X mas, para todo subconjunto enumerável EC X, existe
Prop. 5 dêste capítulo.
um aberto 4 em 4, com LCA ec ANE=tg. Concluaque X é um espaço de
5.
Num espaço vetorial normado E, nenhum subespaço vetorial Lx>E (e por- Hausdorff não metrizável,
tanto nenhuma variedade afim a + L = É) pode conter uma bola aberta de E,
16. Seja S um subespaça do espaço topológico X. Se ums aplicação f:X —Y
6. Num espaço métrico MM, a bola fechada D(a;r)é a interseção de tôdas as bolas fôr contínua num ponto x E 8, a restrição FIS:S — Y será contínua no ponto x. Mas
pode acontecer que f|S seja contínua em todos os pontos de 8 sem que f:X >» YF seja
abertas B(ag;r 4-t), t>0, que a contém, Vale anda D(a;r) = MN Ble;r + ln). Aná-
n=1 contínua em ponto algum. Se 8 fôr aberto em X, o segundo fato não ocorre.
Co

logamente, B(a;) = 4À/ Mar- d=U Dar l/n). 17. Seja f:[0, + v)=>/0, + o) uma função estritamente crescente, contínua ne
€E> 0 n = 1 ponto O, tal que H0) = 0 e Jr FS Fo +jty). Dado um espaço métrico (df, d),
7. Todo aberto não-vazio 4 C R” contém pelo menos um ponto x = (x),..., x") pondo dx, y) = Jdiz, 4)) obtém-se uma métrica em M, equivalente a d. Obtenha
cujas coordenadas x1,..., x”? são racionais. Coneluir qu: se € é uma coleção de abertos exemplos de uma tal função f.
dois a dois disjuntos em KR", então 6 é enumerável. Como consequência, mostrar que
18. Seja à topologia de S induzida pela aplicação f:S — X, Supondo X metri-
seZC KR é um intervalo e f:7 > R é uma função monótona, então o conjunto dos pontos
zável, S será metrizável se, e sômente se, f fôr biunívoca. Supondo X Hausdorff, S será
z E fnos quais f é descontinua é enumerável.
Hausdorff se, e sômente se, f fôr biunivoca,
8. Seja FT = la, bh] e indiquemos com CHI) o espaço vetorial das funções contínuas
19. Uma aplicação f:X — Y é contínua se, e sômente se, a topologia de X é mais
cimitadas) ff > R que possuem derivada contínua em todos os pontos x E FT. Mestre
fina do que a induzida por f. Se f fôr contínua e biunivoca, f será um homeomorfismo
que |f|* = supilfo| + :Fe)l;z 7) é uma norma em GH17) e que a aplicação linear
de À sôbre (A) se, e sômente se, a topologia de X coincidir com a induzida por f.
B:Ci(D) -s Gala, b!: R), definida por DXf) = f' = derivada de 7, é contínua. Dadox, ET
é aberto o conjunto À = ff CD: Fr) > 0). É contínua a função q: CHI >R, 20, Se 5 tem a topologia induzida por f:S — X então uma aplicação 9:Z 55
definida por q(/) = sf JFx)dz? Seriam D continua e À aberto anda se Lomássemos é contínua se, e sômente se, fog:Z- X é continua. Em particular, se SC X é um
em C!(7) a norma [HH = sup.il(o);z ed? subespaço e g:Z4 -—» X é uma aplicação tal que HZ) CS, então g:Z > X é contínua
se, e sômente se, considerada como uma aplicação de Z em S, g é contínua.
9, No espaço GoF;R), 1 = [6,6 o conjunto B das funções biunívucas Ff: >R
não contém bola alguma de raio > 0, E no espaço G/7), definido no exercício anterior? 2l. Se a topologia de X é induzida pela aplicação f:X — F então todo aberto
A C X é saturado pela relação de equivalência /(x) = j(x'). Assim, a topologia induzida
10. No espaço À" = Rº X Rº seja À o conjunto dos pares (x, 4) (onde 2, 4 E Rr)
trata as imagens inversas fi(4), 4 E Y, como se fóssem pontos. Em particular, se
tais que x e 3 são linearmente independentes (isto é, não se tem x = Ay para algum À E RP).
Mostre que 4 é aberto em KR”. Generaiize. J:X>YésôbreYexX tema topologia induzida porj então é aberta e, portanto, Y
tem a topologia co-induzida por f.
ll. Determine tôdas as topologias que se podem definir num conjunto com 2 ele-
mentos. Idem com 3 elementos. Quais delas são de Hausdorff? aa. Preencha os detalhes do seguinte resumo:
O exercício acima indica que se f :S > X, não é biunívoca, a topologia induzida porf
12. Seja D o conjunto dos números diádi cos, isto é, múmeros da forma k/2", onde em & é grosseira. O mesmo não ocorrerá se considerarmos várias aplicações f 158 +
k,n são inteiros. Para todo aberto não-vazio À C R, tem-se À MN D não-vazio, DAys.stn:iS— X, onde os X, são espaços topológicos. Chamemos de aberto ete-
qa...

mentar em 5 uma interseção A=fHMU)M... Mn KU,) onde UC Xp...


13. Tôda aphcação contínua f: X — Y de um espaço discreto X num espaço topo- UnC Xn
Do

são abertos, A interseção de dois abertos elementares é ainda um aberto elementar


lógico X é contínua. Se, porém, Y é discreto, então f é contínua se, e sômente se, X é e
todo ponto z E S pertence a algum déles. Logo, os abertos elementares formam a base
uma reunião de abertos, dois a dois disjuntos, em cada um dos quais f é constante.
de uma topologia em S, Chamada a topologia induzida pelas aplicações f; Relativa-
4
uu

14. Seja X um conjunto linearmente ordenado. Dados ab EX com a< 6, mente à topologia induzida, cada f;:S — X,; é contínua. Se as aplicações f; “separam”
o intervalo aberto (a, b) é o conjunto dos z E X tais quea <z <b. A fimde permitir os pontos de ;S (isto é, dados x = y em S, existe fi: tal que fix) >< fi(y)) e cada X; é de
o...

que o primeiro elemento de X — quando tal elemento existir — pertença a algum inter Hausdorff, então a topologia induzida em S pelas f; é de Hausdor
ff. Uma aplicação
—-o

valo aberto, admitiremos também entre os intervalos abertos os conjuntos da forma 9:Z > 8 é contínua se, e sômente se, as aplicações 4 09:Z — X; são tôdas contínuas.
Cap. HI 58 EXERCÍCIOS 99
98 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS

cha o complementar dessa faixa com as retas verticais x = constante, Seja E a relação
23. Sejam X, Y espaços topológicos ef: X —»Y contínua, Diz-se que f é compa-
tível com uma relação de equivalência E em X quando zEx' implica f(x) = J(x) Gsto é, de equivalência cujas classes são as curvas abaixo. Mostre que o espaço quociente Rº/E
Se f é compatível com É, existe não é de Hausdorií.
J é constante em cada classe de equivalência segundo E).
uma única aplicação f:X/E>Y tal que fog =f, onde p: X > X/E é a aplicação
quociente. A aplicação f diz-se obtida de f “por passagem ao quociente”. Mostre que Í

Hi
é continua,

24. No intervalo fechado 1 = 10,1] seja E a relação de equivalência que identifica


O com 1 mas os demais pontos são equivalentes apenas a si próprios. À aplicação quo-
ciente p:1 >I/E não é aberta. A aplicação exponencial É:7 — S*, dada por &() =

a
= (cos2 mt, sen2 7º), é compatível com a relação E e a aplicação £ : J/E — 8! obtida
por passagem ao quociente, é um homeomoriíismo. JDeduzir a existência de uma cor-
respondência biunívoca entre as aplicações contínuas f:/ > X tais que X0) = fl) e
as aplicações contínuas arbitrárias f: Sl» À,

— 25, No quadrado 1 XI=tI(ls)ER, 0<s<l, 0O<XIS 1) seja E a rela-


ção de equivalência que identifica cada ponto (s, 0) com (s, 1) e cada ponto (0, t) com
(1, ), deixando intactos os pontos do interior de 7 X 7. Mostre que o espaço quociente
(1 X E é homeomorfo ao toro 7º = Sl x 8! Generalize para n dimensões,

96. Considere o cilindro S! X R, e à aplicação C:Rê> SI x R, dada por f(s, &) =


= (É(s), t), onde &(s) = (cos2 ms, sen2 75). Mostre que € é um homeomorfismo local e
conclua que o cilindro 8! X R é naturalmente homeomorfo ao espaço quociente KYE,
onde E é à relação de equivalência tal que (s, DE (s,t)>s — SE 4.
31. Sejam A=(,0)z<-1, B=(m0zDi, C=4,9;y>0Te
hi a reta real. Escreva S=A4AUBUC e defina uma aplicaçãojf:S>R pondo
(2, 0)=1tHzxpara(r,0O)CA, fix, 0) =
27. Na esfera 8”, seja E a relação de equivalência que identifica cada ponto x E 5”
com seu antípoda —«x. Obtenha uma aplicação contínua e biunívoca f: S%/E > Pr", onde =1-2 para (,0CBe f0,)=y c
para (0,4) E €. Sejam T; € Tº as topo-
Pr é o espaço projetivo, definido no Exere. 15, Cap. I. Mostre que 7:S* > P?* é um ho-
logias induzidas em AU Ce BUC, res-
meomortismo local e que f : SYE — P" é um homeomoriismo,
pectivamente, pelas restrições FI(A MW €)
e IF(BU €). Indiquemos com TÃa
28. Sejam X um espaço topológico e G uma coleção de homeomorfismos de X que
topologia em S gerada por Tj e Ta.
formam um grupo em relação à composição (isto é, seg, A CGentão goh C Geseg Cg
Os abertos de T são as reuniões UU TV, A na 5
então gi EG). A órbita de um ponto s E X relativamente ao grupo € é o conjunto
onde VU CE Te FETO. Relativamente
Go = (gx);9 EG)CX. Defina em X uma relação de equivalência cujas classes
aT f:AUCSR et: BUCS5R R
de equivalincia são as órbitas dos pontos de X segundo G. Indique com X/G o espaço
são homeomorfismos, de modo que Sé a !
quociente. Mostre que a aplicação quociente q: X — X/G é aberta. Suponha que Cr
reunião de dois subespaços de Hausdorff
é um grupo própriamente descontínuo, isto é, que para todo ponto x E X existe um aberto
abertos: 4 UCeB UC. Em particular, S é um espaço “localmente de Hausdorff”:
U contendo x, com U MN gU) = & para todo q E G, q >< identidade. Isto imphea que
todo ponto de S pertence a um aberto que é um espaço de Ilausdorff. Mas (8, 7)
U) e h(U) são disjuntos sempre que 9 Xh, 4h EG. Nestas condições, a aplicação
não é de IHausdorff. Mais precisamente, (8, 7) é homeomorfo ao espaço quociente
quociente q :X —» X/G é um homeomorfismo local, Os toros 7", o espaço projetivo
Rº/E do exercício anterior.
Pre o cilindro S! X R são casos particulares desta situação,
32. Sefi:h>Yr..sfn: Xy— F, são aplicações abertas, então f = fi X ... X
29, Seja f: X -» Y um homeomorfismo local. A imagem inversa JH) de cada Sn à XX AS XI X...X Fa definida por Has... tz) = Cilrd,... fnlzn))
ponto y & Y, é um subespaço discreto de S. Dadas aplicações contínuas 9,h:Z — A é aberta, Dadas as relações de equivalência E em X e F em Y, define-se à relação E X F
tais que fog =foh, então (2 E Z;g(z) = h(z)) é um subconjunto aberto de Z, Um
em X X Y pondo-se (x,y) E X F(x',y') se, e sômente se, 2Ex' e yFy'. SeE e F são
“evantamento” de uma aplicação contínua q :Z — Y é uma aplicação contínua g:Z >X relações abertas, então (X X VE X F) é homecmorfo a (X/E) X (V/E).
tal que j og = q. Conclua que, se Z fôr conexo, e Y fôr de Hausdorff, dois levan-
tamentos de 9:Z> Y que coincidam num ponto zm E Z concidirão em todos os 33. O gráfico de uma aplicação contínua Ff:X — Y, tem interior vazio no pro-
pontos de Z. duto X X Y, desde que Y não possua pontos isolados,
34. Defina a topologia determinada por uma pseudométrica d. Mostre que ela
30. Considere a seguinte “folheação” do plano. Preenchaa faixa aberta —-1 <x<1
é de Hausdorff se, e sômente se, d fôr uma métrica,
com os gráficos das funções fal) =(1-z)l+a, onde « E R é arbitrário. Preen-
100 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. HI 58 EXERCÍCIOS 101

dd Dê exemplo de um subconjunto discreto da reta, que não é fechado em R. Exiba d4. O exterior de um conjunto 5 num espaço topológico À é o conjunto ext.(S) =
também um subespaço MH C R onde se tem B(a;r) ;< int. D(a;r) para um certo a EM = 4z€EX; existe 4 aberto, com x CAÇA -—sS!. Temse ext(S)= int(X — 8).
er>o. Em particular, ext.(S) é aberto. Para cadaS € À, vale À = int.(5)U fr(S) U ext.(sS),
reunião disjunta. Em particular, fr.(S) é fechada e fr.(S)= fr(Ã — 8). Tem-se
36. Sejam “RB e 5' respectivamente bases de abertos nos espaços topológicos X e X'.
ainda int.(fr.(8)) = 44.
Para que uma aplicação f: X — X' seja contínua no ponto « E X é necessário e sufica-
ente que, para cada aberto básico B' € W', com Ha) E B', exista um aberto básico B E %5, 45. Seja M(n) o conjunto das matrizes quadradas reais com n linhas e n colunas.
tal que KB) C B'. Aniãlogamente, f:X — X' é contínua se, e sômente se, para cada Estabeleça uma correspondência biunívoca entre M(n) e o espaço euclidiano KR. Por
aberto básico B' E %”, HHB') é aberto em X, Finalmente, f:X >» X' é aberta se, e meio dessa correspondência, torne M(n) um espaço métrico. As aplicações det.: 1/(n) > R
somente se, para cada aberto básico B E “5, J(B) é aberto em XX”, e m:M(n) Xx M(n)> M(n), definidas por det.(X) = determinante da matriz X e
m(X, YW =X- Y = produto matricial de 4 por Y, são contínuas. O conjunto G(n) das
37. Seja (Ay, À E L, uma família qualquer de abertos no espaço topológico X, matrizes 7 X n que possuem inversa é aberto em M(n). A aplicação r:G(n) — G(n),
com X = [J Ay. Uma aplicação f: X — Y é contínua se, e sômente se, para cada À E L, definida por r(Ã) = 4"!, é contínua. O conjunto O(n) das matrizes ortogonais (isto é,
a restrição flAx:AxX>Y é contínua, Continuará verdadeiro o resultado se, em matrizes cuja inversa é igual à transposta) é limitado e fechado em H(n). O conjunto
vez de supor os A abertos, admitimos apenas que X = Uint(A))? E se supusermos G'(n) das matrizes cujo determinante é > O é aberto e fechado em G(n), Será G*(n)
que os Ay são todos fechados em X'? fechado em Af(n)?

38. Para que À seja um espaço de Hausdorff, é necessário e suficiente que a diago- 46. Sejam fg: X >Y aplicações continuas do espaço topológico X no espaço de
nal A=((g,)CXXX;x=%) seja um subconjunto fechado de X xXx X. Outra Hausdorff Y. O conjunto dos pontos z € Á tais que f(r) = g(x) é fechado em &, É
condição equivalente é que cada ponto x E À seja a interseção de tôdas as vizinhanças essencial que Y seja de Hausdorff?
fechadas de x.
47. Seja M= DER; 0X) VUMO,HWNER;0<y<I) com a mé
trica induzida por |(z,W) — (x, y)) = máx, (jr — xy — y |). Em M, o fecho da
39. Seja X um espaço topológico, A função característica de um subconjinto
SC Xéafunção Ég:X —>Rtal que Es(x)= IsezESetisa)=0Usezr&sS, A fron- bola aberta de raio 1 e centro (0, 1) não é a bola fechada de mesmo centro e raio.
teira de 8 é o conjunto dos pontos de descontinuidade de Es. 48. Para todo subconjunto não-vazio 9 de um espaço métrico df e todo ponto a E MX,
tem-se d(a, S) = d(a, 8).
40. Completar os detalhes da seguinte demonstração de que pp: X XV 5X é
uma aplicação aberta. Seja AC X XYaberto. Paracadaye FA, =(XxXWNNA 49. Seja M = Rº— 40). Em M, os dois intervalos (0, 1] do eixo das abscissas e
é aberto em X Xy Como pi: X Xy-— X éum homeomoriismo, p(4,) é aberto em X do eixo das ordenadas são fechados, disjuntos, a uma distância nula um do outro, Também
e portanto pi(Ã) = |U) qi(A,) é aberto em X, Generalizar para n fatôres, os conjuntos F = 11,2,3,... se € = (11/2,2 1/3,31/4,...; são subconjuntos fechados
vt Y na reta, com FNG= 5 e d(F,G) = 0. Em ambos os casos, obtenha abertos disjun-
4. Em qualquer espaço topológico, tem-se int. int.(S) = mt(S), mt(S MN T) = tos contendo os fechados disjuntos,
= nt(S) Mint(7) e int) Um Cint(SU 7). Dê um exemplo (na reta) onde Para
50. Seja F um subconjunto fechado não-vazio de um espaço métrico f.
mtis) U amt.(D) 2 aint(is YU Th. cada inteiro n > 0, seja Ag = B(Fl)= (xe M; diz, F) < lin). Então, F = (1As,
mostrando que todo fechado num espaço métrico é um “conjunto (3”, Isto é, uma In-
42. Sejam X, Y espaços topológicos e f: X -» Y uma aplicação tal que Hint. TC
Cintf HT), para todo TC terseção enumerável de abertos, Por passagem ao complementar, resulta que todo aberto
Y. Então, f é contínua. E a recíproca?
num espaço métrico é um “conjunto FP”, isto é, uma reunião enumerável de fechados.
43. As vizinhanças de um ponto x num espaço topológico X gozam das seguintes f. 4 —» Y é continua se,
51. Sejam X,Y espaços topológicos. Uma aplicação
propriedades;
e sômente se, para cada S C X, tem-se HS) C HS).
1) tôda vizinhança de x contém 4;
52. O fecho de um conjunto num espaço topológico X goza das seguintes proprie-
2) todo conjunto que contém uma vizinhança de x é ainda uma vizinhança de £; dades:
3) a Interseção de duas (e portanto de um número finito qualquer de) vizinhanças
de x é uma vizinhança de x; 1)
Aa
al
4) tôda vizinhança Y de z contém uma vizinhança W de x com a propriedade de 2)
OEqm

que | é uma vizinhança qualquer dos seus pontos.


9)
ur

Reciprocamente, suponhamos que a cada ponto x de um conjunto X foi asso-


1
ag

9 BUT - SU.
e re

ciada uma coleção 48(x) de partes de X de modo que as 4 propriedades acima se-
jam válidas. Declaremos um subconjunto 4 C X aberto quando, para cada x E 4, Estas propriedades implicam (sem retornar à definição) que se SC T então
existe um VE W(z) tal que E VC A. Os abertos assim definidos consti- SCTeqeSNTCOSAT. Reciprocamente, seja X um conjunto. Suponhamos
tuem uma topologia para X, relativamente à qual, para todo x E X, a coleção definida entre as partes de X uma aplicação S — S gozando das 4 propriedades acima.
Rtx) é à coleção das vizinhanças de z. Defina um subconjunto AC X como aberto se X-—- A=X- 4. Mostre que se
1a

102 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. UI s 8 EXERCÍCIOS 103

à qual o fecho de um subconjunto S Generalizar para uma amília enumerável localmente finita (c;. Exere. 54) com X=A4,U
obtém assim uma topologia em X; relativamente
UAU... AV... A hipótese “localmente finita” pode ser enfraquecida? Eli-
S coincide com o conjunto 8 dado inicialmente.
minada?
53. Seja (Syagc; uma família arbitrária de subconjuntos de um espaço topoló-
62. Seja X o espaço topológico obtido modificando-se a topologia do intervalo
gico X. Pondo S = USy tem-se U SAC S. Tomando os S, como pontos, vê-se
[0, 1] do seguinte modo. Consideramos os intervalos da forma [0, a) C (0,1! e de cada
que é possível ter U Sx = 5.
um dêles retiramos os pontos 1/n, n = O inteiro, obtendo assim o intervalo modificado
54. Uma família (She de subconjuntos de um espaço topológico X chama-se [0, a)*t. A topologia de X terá sua base formada pelos abertos usuais de [0, 1] e mais os
localmente finita quando todo ponto x E À possui uma vizinhança que intersecta apenas intervalos modificados. X é um espaço de Hausdorff que possui uma base enumerável
um número finito de conjuntos Sa. Tôda família finita é localmente finita, No plano, mas não é normal. Em particular, X não é metrizável.
para n=1,2,..., sejam S, = ((1,4) E Rr +y<n) e Ta=Rº-— Sa Examine
as famílias (Sw) é (Tn) quanto à possibilidade de serem localmente finitas. Se a famíha 63. Seja X o espaço definido no Exerc. 15. Xe XX X são espaços de Hausdorif
é localmente finita, pondo-se 8 = |U Sy tem-se 8 = U 8». Em particular, a reu- normais. Mas o subconjunto aberto P = XxX X-— ((Q2, M)) do quadrado XX A
(Smre
não énormal. Com efeito, os subconjuntos disjuntos F = (X x (0D)N Ve G = UMx
nião de uma família localmente finita de conjuntos fechados é um conjunto fechado. Seja
X X)mM Y são fechados em Y mas não estão contidos em abertos disjuntos.
(Snrc, uma família localmente finita de partes fechadas 8) C X tals que X = U Sa.
Uma aplicação $:X — Y é contínua se, e sômente se, para cada AE L FISyISA | 64. Um espaço normal é de Hausdorff se, e sômente se, cada um dos seus pontos
é contínua. Se (8)) é localmente finita, (Sax) também é. é um conjunto fechado.

55. Sejam X um espaço topológico e S um subespaço de X. Uma reiraçãor: À >5 65. Para tôda função contínua f: [0,1] > [0,1] existe um ponto x E [0, 1! tal que
é uma aplicação contínua de X sôbre S tal que r(x) = x para todo x E S. Diz-se então Hx) — 2.
que S é um retrato de X. Um ponto é um retrato de todo espaço que o contém. Todo
retrato de um espaço de Ilausdorff é um subconjunto fechado dêsse espaço. Um retrato 66. Um espaço métrico conexo contendo mais de um ponto não é enumerável.
de um espaço conexo é conexo. Assim, por exemplo, o conjunto 10, 1;, fronteira do In- Segue-se que todo espaço métrico enumerável é totalmente desconexo.
tervalo [0, 1] na reta, não é um retrato dêsse intervalo. Um teorema famoso, devido & L.
67. Considere os subespaços 0, 1, 2,3,4,5,6, 7,8e 9 do plano Rº. Mostre que
Brower, afirma que a esfera S"-! não é um retrato da bola D”. S é um retrato de À se,
entre éles existem exatamente cinco tipos homeomorfamente distintos. Quais dêsses
e sômente se, SC X e tôda aplicação contínua f:S — Y estende-se a uma aplicação
espaços são homogêneos? (Um espaço topológico X diz-se homogêneo quando, dados
contínua f:S>Y (isto é | 8=+4). Dado p E S”-!, definir uma retração de D” — p
£uyCX arbitrários, existe um homeomorfismo A:X > X tal que A(x) = w.) Dê duas
sôbre 5-1 — q.
respostas, conforme os pontos extremos dessas figuras são considerados como pertencen-
——

56. Sejam S/C Xr.., Sn CO Na. Mostre que 84 X...X Sa = Si X...X Sa tes a elas ou não.

— "57. Seja f:X > Y uma aplicação contínua de X sôbre Y. A fim de que f seja 68. “Todo subconjunto aberto da reta se exprime, de modo único, como reunião
fechada é necessário e suficiente que, para todo ponto y E Y e todo aberto U em À com enumerável de intervalos abertos disjuntos. (Vide Exere. 7.)
1HHy) C U, exista um aberto Vem Y tal que y E V et CU.,
69, Seja 0 conjunto das funções continuasf :[0, 1; > K tais que 0) = f(1) = 0.
58. Seja y:X > X/E uma aplicação quociente. Para que q seja fechada é ne- Um número a €& (0, 1] chama-se uma corda da função f quando existe x € [0, 1] tal que
cessário e suficiente que o saturamento de todo subconjunto fechado de À seja fechado. ct+aeiO 1] e fiz 4a) = f(x). (Isto significa que o gráfico de f possui uma corda
Uma condição equivalente é que todo aberto U, contendo uma classe de equivalência €, horizontal de comprimento «.) Um número a € [0, 1] chama-se uma corda universal
deve conter também um aberto saturado V, com € C VC U. quando « é uma corda de tôda função 7 E Co. Mostre que as cordas universais são pre-
cisamente os números 0, 1, 1/2, 1/3, ...
59. Para que, no espaço quociente X/E, todo ponto seja um subconjunto fechado, é
necessário e suficiente que tôda classe de equivalência segundo E seja fechada em À. 70. O grupo G(n) das matrizes reais n X1n com determinante =* O é desconexo.
O Exerce. 31 mostra que, mesmo se a relação E é aberta, esta condição é necessária mas não Suas componentes conexas são G*n) = (X E G(n); det.(X) > Of e G-(n), definida anã-
suficiente para que X/E seja um espaço de Hausdorff. logamente. (Vide Exerce. 45.)

60. Seja G=g)CEXX X;zEy) o gráfico da relação de equivalência E. Be


71. Sejam X um espaço topológico e E a relação de equivalência em X cujas classes
X/E fôr um espaço de Hausdorff, então G é um subconjunto fechado de X XX. Be
de equivalência são as componentes conexas de X. O espaço quociente X/E é totalmente
GCXxX fôr fechado então todo ponto em X/E é fechado mas não se pode garantir
desconexo. Se X fôr localmente conexo, a aplicação quociente p:X > X/E é aberta
que X/E seja um espaço de Hausdorff, mesmo quando X o é Se GC AXA for
e X/E é discreto.
fechado e a relação E fôr aberta então X/E é de Hausdorff.

61. Sejam A,,..., A, abertos num espaço normal X, tais que X — AjU... À) Aq. 72, Um espaço topológico X é conexo se, e sômente se, para cada par de pontos
Existem abertos B,,..., Ba em X tais que BiC As... BnraC Ane X= BU... UU Ba Z, Y E X, existe um subconjunto conexo E €C X talquer E Ceye€.
104 ESPAÇOS TOPOLÓGICOS Cap. 1 58 EXERCÍCIOS 105

73. Para que um espaço topológico X seja conexo é necessário e suficiente que então G x ff, com a topologia produto e a estrutura de grupo dada por (g, A) - (9', A) =
tôda aplicação contínua de X num espaço discreto seja constante. = (99 hh'), é um grupo topológico. Em particular, Rº=RX...X2R, os toros
Pn= Six... xX5S! o cilindro S! x R são grupos topológicos.
74. Seja E um subconjunto enumerável de &”, r > 1. Dados z > y quaisquer
Num grupo topológico G, para cada g & & podemos definir a translação à direita
em Rº"— E, seja L uma reta em R”" que não contém x nem y. Existe um ponto « E L
do: G>6, ôg(r) = 43, e à translação à esquerda A, :G>5>6, Alo) =9g-x. Para todo
tal que a poligonal [7, a) !U [a, y] está contida em &? — k. Conclua que o complemen-
q EG, as translações à, e Ay são homeomorfismos de G. Também é um homeomorfismo
tar de qualquer subconjunto enumerável de kk” (n > 1) é conexo por caminhos. Ássim,
de G a aplicação r:G — G tal que r(x) = q! Um grupo topológico é um espaço topo-
ft não é homeomorto a É”, n > 1.
lógico homogêneo, (Vide Exerce. 67.) lm particular, (0, c) é um grupo topológico
73. O gráfico de uma aplicação contínua definida num espaço conexo é conexo. relativamente à multiplicação de reais mas nenhuma operação pode tornar [0, =) um grupo
Reciproca? topológico. As vizinhanças de um ponto z num grupo topológico G são os conjuntos da
forma zF = (x -v;v E V: onde / é uma vizinhança arbitrária do elemento neutro e.
76. Asletras 1, X, Y e o piano são duas a duas não homecmorfas. (Podiamos ter feito uma afirmação análoga com F . x.)
Num grupo topológico €, dada uma vizinhança E” do elemento neutro e, existe uma
77. O produto cartesiano X X Y é conexo se, e sômente se, cada um dos fatôres
vizinhança V de e tal que VVIC U, onde VV = (ay! x,y E Fl). Para que um
A, Y é conexo,
grupo topológico & seja um espaço da Hausdorff, é necessário e suficiente que o elemento
- 78. Seja X um espaço topológico. Uma função real f: À — RR diz-se semicontinua neutro e seja um subconjunto fechado de 6.
inferiormente no ponto a € X, quando, para cada €« > 0, existe uma vizinhança V de q Dados dois grupos topológicos €, H, um homeomoríismo g:G > H é contínuo se,
tal que x & V implica fla) — e < Hx). De modo análogo 'se define semicontinuidade e somente se, é contínuo no ponto e E & (e = elemento neutro 7).

superior. Seja f:R>R a função definida por f(x) = (x + 1) sen — para xx*0 e Seja HZ um subgrupo de grupo topológico G. A relação de equivalência q = y
(mod. H)>zyl E H é aberta. O espaço quociente G/H é de Hausdorif se, e sômente
HK0) = a. Sefôr a< —l1, f é semicontinua inferiormente no ponto O. Sea > 1, então se, H é fechado em G. Se H é um subgrupo invariante, então G/H é um grupo topoló-
j é semicontinua superiormente no ponto O, Masse —I <a < +l, então f não é semi- gico. Exemplo: 77 = Ar'Z”, As seguintes afirmações acêrca de um subgrupo HC G
contínua no ponto O, Uma função é contínua se, e sómente se, é semicontínua inferior são equivalentes:
e superiormente. A fim de que f:X > R seja semicontinua inferiormente, é necessário
eo) H é um subespaço discreto de G;
e suficiente que, para cada « E R, 0 conjunto X, = Ír E NX: fiz) > a; seja aberto em A.
Um subconjunto SC X é aberto se, e sômente se, sua função característica £g é se- b) existe uma vizinhança V do elemento neutro e E Gtal qe VNH=e;
micontinua inferiormente. Anãlogamente, & é fechado em A se, e sômente se, c) a aplicação quocente q :G > G/H é um homemorfismo local.
Es: X>R é semicontinua superiormente. (Vide Exerce. 39) Os intervalos abertos Se G é um grupo topológico de Hausdorff, todo subgrupo discreto HC G é fecha-
(a, +o)a CR, formam a base de uma topologia em R relativamente à qua! as do em &,
funções contínuas são as funções semicontínuas inferiormente f:A > ft no sentido
Todo subgrupo aberto de um grupo itopológico é também fechado, Exemplo: o
usual. Anâlogamente para os intervalos (— o,a). Sejam X um espaço topológico
subgrupo G'(n) C G(m). (Vide exercício 45.) Um subgrupo ou tem interior vazio qu
e 1f um espaço métrico. Dada uma aplicação f: X > 4f, define-se uma função real
é aberto (e portanto fechado) Segue-se que um grupo topológico conexo é gerado por
vp: X-—- R pondo, para cada xE X, wp(z) = ínfimo dos diâmetros 9 HU)], onde U quaisquer vizinhanças do elemento neutro. Em qualquer grupo topológico, a compo-
percorre as vizinhanças de x. (Oscilação def no ponto x.) A função w é semicon-
nente conexa do elemento neutro é um subgrupo invariante fechado.
tínua superiormente. Concluir que o conjunto dos pontos de continuidade de uma fun-
ção real $:X >R é um Ga. (Vide Exerce. 50) Em particular, o conjunto dos números
irracionais é um (5 na reta.

79. Grupos topológicos. Preencha os detalhes da exposição seguinte. Um grupo


topológico G é um espaço topológico, munido de uma estrutura de grupo tal que as apli-
cações m:GXG>5Ger:G+G, definidas por mir) =x -y e rir) = 4! são con-
tiínuas,
A reta R ou, mais geralmente, qualquer espaço vetorial normado É, é um grupo topoló-
rico (comutativo) relativamente à adição (x, ) > z +y. O conjunto R* dos números reais
=* 0 e o conjunto €* dos números complexos 7< O são grupos topológicos relativamente
à multiplicação. Todo subgrupo de um grupo topológico é um grupo topológico, quando
considerado com a topologia induzida. Assim, o conjunto R* dos res >0 e o círeulo
unitário 8! subgrupos (multiplicativos) de R* e €'* respectivamente, são grupos topo-
lógicos. O grupo G(n) das matrizes reais invertíveis n X 1 é um grupo topológico e as
matrizes ortogonais formam um subgrupo O(n) C G(n). Se Ge H são grupos topclógicos
52 LIMITE DE UMA SEQUÊNCIA 107

Deve-se distinguir a sequência (z,)— que é uma função — do seu


conjunto de valôres tan=1,2,...;. Pode acontecer que tm = az,
com m * n; na realidade, o conjunto de valóres de (x,) pode até ser finito,
como no caso extremo de uma segiúência constante, x, = «paran= 1,2,...,
na qual o conjunto de valôres reduz-se ao Único elemento a.
Uma subseguência da segiiência (x,) em X é uma restrição da aplica-
ção n> É à um subconjunto infinto Nº = fr <no<...j do conjunto
N= 1,2,...4. Uma subsegiência é representada pelas notações (Zr,),

Limites (Cm Ens o cer Trgo- e) OU (Mn), e po.


Estritamente falando, a subsegiência (a, Un,..-, Try. --) não parece
ser uma segiiência em X, pois não é uma aplicação de N em X, Entretanto,
Capítulo IV (t.,) pode ser considerada, de modo natural, como a apheação 1 > qn,
2 SS Eno cos À — Lub,. .» e portanto como uma sequência em X,
Uma sequência (x), num espaço métrico ÀA7, diz-se limitada quando o
S 1. Introdução
conjunto dos seus valóres xa fôr um subconjunto limitado de df. Por exem-
plo, tôda sequência constante é limitada; a sequência x, = n, na reta, não
Estudaremos, neste capítulo, o conceito de limite. Daremos mais
é limitada.
atenção aos limites de sequências, que constituem um Instrumento de grande
utilidade para o estudo dos fenômenos topológicos nos espaços métricos. Num espaço métrico àf, diz-se que o ponto x é limite da segiiência (Xn)
Mostraremos como funções contínuas, fechos, conjuntos fechados, abertos quando, para todo e > O dado arbitrãriamente, fôr possível obter no E N
e pontos de acumulação se deixam caracterizar por meio de limites de se- tal que » > no Implique d(x,, 2) < e Por exemplo, O é limite da segiên-
quências em espaços métricos. Estudaremos em separado os limites de cia (1ir) de números reis, porque dado e > O arbitririamente, é possi-
sequências de funções e a noção de convergência uniforme. Diremos vel obter um inteiro ro > O tal que no 2 1'e Então, n > no implica
também algumas palavras sôbre os Imites da forma lim f(x). TFinalmente, ln—- 0 = 1h<limc< e
— IL

examinaremos os limites de sequências em espaços topológicos não metrl- Quando x é limite da seciiência (x,), diz-se também que rx tende para £,
záveis, chamando a atenção para o fato Importante de que, se um espaço ou que z, converge para x, e Indica-se êste into com as notações L, > 42,
topológico não satisfaz ao chamado “primeiro axioma da enumerabilidade”, v=lme v=lhmz, ou x=lhlmãz.
então as propriedades topológicas locais nesse espaço não podem ser carac- FR n—+ Mm

terizadas por meio de limites de segiências. O exemplo por meio do qual Se o espaço métrico 17 possui pelo menos dois pontos distintos a e d,
exibimos êsse fenômeno é o espaço de tôdas as funções f:f > KR, com q existem em If segiências que não possuem limite, como por exemplo a
topologia da convergência simples. sequência definida por x, = a sen fôr ímparexr, = 6 sen fôr par, Nenhum
ponto x & df pode ser limite de (z,) pois, tomando-se e igual ao menor
dos números d(x, a) e d(x,b) tem-se e > O mas a € não corresponde ne-
9 2. Limite de uma Sequência nhum inteiro no que cumpra a condição d(xa, 4) < e para todo n > no.
Uma sequência que possui limite chama-se convergente; uma que não
Uma seguência (ou uma sucessão) num conjunto X é uma aplicação possui diz-se divergente.
definida no conjunto N = (1, 2, 3,..., 9,...+ dos números inteiros posi- Por exemplo, (1'n) é uma segiiência convergente na reta R, Conside-
tivos e tomando valôres em X. A cada inteiro n CE N a segiiência faz cor- rando o subespaço PC R formado pelos números reais > 0, (1/n) é uma
responder um elemento de X, que indicaremos com x, e chamaremos O sequência divergente em P. [Se fôósse In» zxC P, à segiúência (1/n)
n-ésimo têrmo (ou têrmo de ordem n) da sequência. À própria sequência é teria dois limites, O e x, em R, contrariando a Prop. 2, a ser demonstrada
indicada com as notações (2X) ou (Xr, Za3,..., Xn,...). logo a seguir.|
108 LIMITES Cap. IV sa LIMITE DE UMA SEQUÊNCIA 109

Proposição 1 — Num espaço métrico M, tem-se lim t,=& S€, € so À propriedade seguinte, que decorre de ser M um espaço de Hausdo
mente se, para todo subconjunto aberto A contendo o ponto x, existe um índice rff,
nos permitirá dizer “x é o limite de (x,)” em vez de “x é um limite de (x,)”,
no tal quen > no implica x, EC À. como dissemos até agora.
Demonstração: De acôrdo com a definição, limz, = É significa que Proposição 2 — (EU nicidade do limite) — Num espaço métrico M, uma
qualquer bola aberta B(x;e), de centro x, contém todos os têrmos £y segiência convergente possui um único limite.
cujos índices n são maiores do que um certo no (obtido a partir do raio €).
Ora, se 4 é aberto e contém x, contém uma bola biz, ed. Demonstração: Suponhamos, por absurdo, que exista uma seguência
Logo, se
t = lim Za, 08 £, pertencem a À a partir de uma certa ordem Ho. (vm) em 31, com limz, =x, limm=yexx y Como df é um espaço
tecipro-
comente, de Hausdorff, existem vizinhanças UDzx e VB y em df, tais que
se esta condição é satisfeita para todo aberto contendo 2º, ela vale
em particular para as bolas abertas B(x; e) e portanto lim x, = 2. UNV=4. Sendox=lma, existen E Ntal que 2, & UE para todo
n > na Andlogamente, existe nO N tal que 2, E V para todo » > mo.
Cororári — o Num espaço métrico, lim x, = » se, é sômente se, para Seja no = máx. (ty, dio). Para todo n > ny devemos ter simultineamente
cada vzinhança V do ponto x existe um fndice no tal que x, E V para todo
tn Vez E V,o que contradizo fato deser UM V = (õ.
H > Ra.
Proposição 3 -— Para que uma sequência (x, Es. No) RUM
À condição expressa pela Prop. 1 (ou pelo seu corolário) serve de defi- espaço métrico AF, possua uma subseguência convergente para um pontoa E NM
nição de limite de uma sequência num espaco topológico qualquer.
é necessário e suficiente que tôda vizinhança de a contenha térmeos x, com ín-
Num espaço métrico, « = lim 2, significa que tóda bola Blr), de cen- dies n arbitráriamente grandes,
tro x, (ec portanto todo aberto 4 3 x ou tôda vizinhança PS +) contém Demonstração: Sela Cry Xnos cos Eno)
2, Uma subsequência de (1)
para qualquer valor de r, com exceção de apenas um número finito convergindo para a. Tóôda vizinhança
déles U Ba contém os Tr; CON] CXCEÇÃO,
(que são Ty, %o,..., 24). Isto também se exprime dizendo que x, E B(x) no máximo, de Empr co Pupo Logo, U contém têrmos x, com Índices n = n e
(ou x, E A, ou 2, E V) para todo n suficiontemente erande. arbitririamente grandes, Reciprocamente, supondo válida esta proprie-
Osservaç — ão
Para. bem compreender os fatos relativos à CONVEel- dade, a bola B(a; 1), de centro a e raio |, conterá sum têrmo «e,
à bola
eêncin de sequências, convém ter clara à cditerença entre as seguintes afir- bia; 1/2) conterá algum têrmo Eno COM No > Re asim por diante;
para
muções « respeito de uma sequência (º,) num conjunto X: cada £ CEC N é possível escolher um Va E bile Vk) com ds D mir Tato
deline um subconjunto infinito Nº = Cima Ho S5CNoe portanto
a) Para todo n suficientemente grande, cv, goza de uma certa propric- uma, subsequência (va Lav...) 4 qual tem q propriedade dir; a)
dade “BR, < Lk,
donde x, > a.
b) Existem inteiros n arbitrariamente grandes luis que x, goza da pro-
Proposição 4 — Se qm —a, entio tóda subsegúência de ir.) converge
priedade 8,
para q.
O significado formal do enunciado a) é que existe um Inteiro np tal Demonstração: Evidente.
que Z, goza da propriedade E para todo n > 19. Por outro jado, b) signi-
Segue-se da Prop. 4 que se uma seqliência (r,) num espaço métrico
fica que, dado qualquer no E N, existe um térmo ”» com indice n
> no. possui duas subsequências convergindo para limites distintos, então (x,)
que goza da propriedade YR.
é divergente. Em particular, se existir uma infinidade de valóres de n
Fm outras palavras: b) significa que o conjunto dos inteiros n E N tais que %, = q, então ou x, > a ou x, diverge.
tais que x, goza da propriedade B é infinito, enquanto qa) afirma que êésse
Se de d” são métricas equivalentes em 311, 2, > £ segundo a métrica d
conjunto tem complementar finito em N. Evidentemente, a) implica b). se, e sômente se, x, — x segundo d'. Isto significa que “r = lima,” é
Por exemplo, num espaço métrico contendo os pontos a =* 6, sejam uma propriedade topológica, e resulta da Prop. 1.
St Si=.. =40%=%=ãa=... =b. Dada uma vizinhança
|

qualquer de a, temos x, E V para valóres arbitrariamente grandes de


n. EXEMPLOS
Por outro lado, se V fôr uma bola de centro q e raio d(a, b), não é
verdade: I. Seja «€ MH um ponto isolado. Então, zw — a se, e sômente se,
que x &- V para todo n suficientemente grande.
existe no E N tal que x, = q para todo n > nr. Em particular, as únicas
o .

10 LIMITES Cap. IV
LIMITE DE UMA SEQUÊNCIA mm
52
aamisávo o
"equencias convergentes us
num espaço métrico discreto são aquelas que, a 6. Seja P*= 0,1, 1/2,...,1/n,...; considerado com a métrica
partir de uma certa ordem, tornam-se constantes. Todo ponto de P* é um ponto isolado, com a exceção
induzida da reta.
2. Uma segiúência de números reais 2, converge l e m e n t a r e s d o s s u b c o n -
mero para um nú As vizinhanças de O em P* sã o os c o m p
real T see somente se, para cada e > de O. . Dada uma segiuência (x)
o zero
0, existe no N tal que m> juntos finitos de P* que não contêm
implica É —e “Ia <ztHe A convergência de uma sequência nu
m num espaço métrico X, tem-se lim za = tE M se, e sômente se, a aplica-
espaço métrico reduz-se à convergência de
números reais, pois q, — & se ção J:PF> dl, definida por f(l/n) = x, J(0) = x, fôr contínua. Com
e somente sc, a segiiência de números reais
HXa, E) converge para 0, o efeito, sendo os demais pontos de ** isolados, basta examinar a continul-
dade de f no ponto 0, a qual evidentemente equivale a lim %
e

3. Tóda sequência convergente num espa


ço métrico 3 é limitada
Com efeito, se limz, = & C if então, tomand 7. Seja (x,) uma segiência convergente de números reais. Sema O
o e = 1, vemos que existe
Ro e N tal que, exceto talvez os pontos Et
... Tryp tOdOS os demais r, estão nara todo n suficientemente grande, então lim x, 2 O. Com efeito, seja
contidos na bola B(x; 1). Assim, o conjunto dos
valôres da segiiência (Xn) g = Iimez. Se fôsse x < 0, existiria um intervalo (x — 6 x + € con-
está contido na reunião fr,,.. s%yy U n suficien-
negativos. Mas, para todo
B(x;1) e portanto é limitado à sistindo inteiramente de números
reciproca é evidentemente falsa.
o temente grande, m E (z—- esx+e o que contradiz 2,2 0. (Note-se
4 Diz-se que uma segiiência (Zn) de número que, mesmo admitindo-se x, > O para todo n, não se pode concluir
s reais é não-decrescente
quando ASMSL.<LXAC.. Istoé m<n lim x, > 0.) Resultado análogo vale para x, < O. Iicou mostrado também
implica ta
(Quando
isto se dá, pondo-se q = SUP. Um n=1,
2,...), tem-sea = lim x que se lmz, =x < O existe n E N tal que nr > no implica xo < 0. Se-
efeito, dado e > Q arbitrário, pela defi Com : > 0.
nição de sup. existe n, E N 4a melhantemente, para
(TES que
ta Sa Mas n > m implica x, > Tra Logo,
a - EXT Sa, o que prova serlim
» >», implica 3. Resulta diretamente da definição de limite que uma segiência
a, = a, Lvidentemente, resultado (Xi to, Xu), NUM espaço métrico if, converge para um ponto x E df
análogo vale para segiências nao-decres
centes, | se, e sômente se, fixado arbitririamente p E N, a sequência (Xp, Upra...;
| do Seja tv = sup. 4, onde X é um on...) converge para z. Escreve-se então lima, = lim vm e diz-se
conjunto não-vazio de números Tk
reais limitado superiormente, Existe uma sequência de números rea
is que a convergência e o valor do limite não se alteram quando se abandonam
N Ata qual podemos supor não-decrescente,
se fôr preciso) tal que da segiiência, ou a ela se acrescentam, um número finito de têrmos.
o " 7 j Ba Ga o pe Se fnição ce SUP existe x; E A tal que 9. Sejam (x), (1) sequências convergentes num espaço vetoria
dos %4,...., statn, pertencentes a X normado E e (A) uma segúência convergente de escalares. Então, as se-
; de modo que — S d; o o e- quências (x, d- 4) € (Nntn) são convergentes em LL, valendo lim (ra + 4)

=1l,.ecan-l.
1—

N ovamente, pela definição de sup existo, - Ea al


que x- 1la<lm <oag, = tim x, + hm 3, e lim Axo) = (Um Nd-m x,). Além disso, se lim A, X 0,
Seja 2, = máx. “g/ É | io,
Ta 2 » Tm
x então lim (1/A) = Vlim A).
tr e v— lino gx n St
: Fisieca, entã
(ãoo de
ei finiEa
da e induti O"amentEe uma
Segiiência não-decrescente de números in
A com 0O<<Lrx-g< In Orservação — Se lim A, = O, tem-se Aq =* O para todo n suficientel
donde lim ax, = x (Note-se que, sex & mente grande. Abandonando-se eventualmente os têrmos An = 0, que
4, podemos tomar todos OS a = £)
Anãlogamente, se y = nf. X, existe são em número finito, não se altera a convergência de (As) e 1/'Ar tem sentido.
uma sequência (não-crescente, se qu
sermos) de números 4 E X com li i-
m Yn = y Em particular dado A demonstração dêstes fatos pode ser feita diretamente, ou combi-
subconjunto não-vazio limitado 4, de un
um espaço métrico 1f existem se nando a Prop. 2 do Cap. II com o Ex. 6 acima. Por exemplo, no caso de
quências de pontos r,mCTA tais que lim d(x,, 1h) = HA), Zn + %, as aplicações 1,9: P* > E, definidas por Jin) = x, (0) = lim &,
que (x) nem (3) precisam ser segú [Note-se
ências convergentes em 47 | Anáâlo- gn) = ya 9(0) = lim ),, são contínuas e portanto f + g:P*— E é con-
Den dado «E MH, existe uma sequênci e f+rgotO=lma + iimya
a de pontos 4 CA com tinua. Mas Gto)=mtm
im d(a,, 0) = d(a, À). Finalmente, dados ABC M » existem Logo, Zn + yn converge para lim za + lim ga.
+ seguencias
de pontos a, c À, ba E À com d(a,, lima” = 0.
bi) — d(A, B). Novamente, nem (a 10. Seja a um número real, com 0 < la, < 1. Então,
nem (b.) precisam convergir em M. ) —+

o Basta demonstrar no caso em que O < a < 1 porque la”| = |aj”" e a deh-
Co no . o qa DD o

t12 LIMITES Cap. IV: ç3 TOPOLOGIA E CONVERGÊNCIA 13

nição de lim |x,| = O é idêntica à de limz, = 0. Se0<a< 1, segue-se


+ 1/9 + 1/16 +... é convergente mas, para « = 1, a série “harmônica”
que a>a'>a'... e portanto existe o limite | = lim q”. Pelo Ex. 9, 1+12+4 1/8 + 1/4 +... é divergente, apesar de seu têrmo geral 1/n
at = uma”) = lim (ab = À isto é a-— D) = 0, Como acxXl, se- tender para zero.
gue-se que é = 0,
8 3. Topologia e Convergência
11. Seja MH = MMX... X My, um produto de espaços métricos.
Dar uma segiiência (x,) em M equivale a dar k sequências de coordenadas: Neste parágrafo, mostraremos como exprimir conceitos topológicos
(Zna1)n EN en M,. E | (Lat)nCN em Ma. de modo que Er t— (Zn, Tn “4 Lat).
através da noção de limite de uma segiiência. Iniciaremos com a formula-
Seja a=(m,..,0)€C M. Tem-se limz,=a se e sômente se, para ção do conceito de função contínua.
cada t=1,...,k, tem-se imz, = q. Com efeito, de acôrdo com o
F
Proposição 5— Sejam M e N espaços métricos. Para que uma aph-
Ex. 6 e com a Prop. 3 do Cap. II, as seguimtes afirmações são equivalentes: cação SJ: MSN sega continua no pontoae M é necessário e suficiente que
1.) lmz, =a; qn aem M implique Fx) > fa) em N.
2.º) a aplicação f: P*-— 47, definida por f(1/n) = x, J(0) = a, é contínua; Demonstração: Seja f contínua no ponto a. Dadoe > 0, existe 0 > 0
3.º) para + = 1,2,...,k, as aplicações f;: P* — M, definidas por f;(1/)= tal que d(x, 4) < ô implica dx), Hla)) < e. Se z,—a, existe mo tal que
= Tay JilO) = q; são contínuas;
n > no implica diz, a) < O. Logo, n>mna implica Ha), la) < e e
portanto f(x)—> J(a). A condição é, pois, necessária. Reciprocamente,
4.º) para é = 1,2,...,K, tem-se lim x; = q se f não fôr contínua no ponto a, existe e > O tal que, qualquer que seja
sm

Em particular, uma sequência de pontos qn = (1), 22,..., Mm) E Rº ô > O, há sempre pontos x € à? que distam de «a menos que ô enquanto
converge para um ponto a = (al, aº,...,0) E Rºse, e sômentese, lim r,' = a distância de j(x) a f(a) é maior do que ou igual a €. Tomando ô sucessi-
+= 05
vamente igual a 1, 12, 1/3,... obtemos os pontos x, X3, X3,... tals que
= q para cada ti = 1,2,...,k.
diz, 0) < In e diz, Fla)) 2 e. Em suma, supondo que j não é con-
12. Séries. Seja (7,) uma segiência de pontos num espaço vetorial tínua no ponto a, foi-nos possível obter uma segiuência (x,) convergindo para
normado &. Para cada nr E N podemos formar a soma parcial S, = 714 + ae tal que (i(z,)) não converge para f(a). Logo, a condição é suficiente,

+...+tm EE. Seexistir o limite lim S, diremos que a série > Tn, OU CoroLário 1|— Para que f:M — N seja contínua no ponto «E M é
n—+ o n=l
sujiciente que x, — à implique que (J(x,)) seja convergente em N.
simplesmente 2x, é convergente e sua soma será, por definição, igual a lim S,.
Se o limite das somas parciais não existir, diremos que Lx, é uma série Com efeito, esta hipótese acarreta que, para tôda (x,) convergindo para
à, (J(xn)) deve convergir para f(a). Pois se tivéssemos I(x)>b = j(a), a
divergente. Por exemplo, para E = R ou C, se lal <1,asérie > ati=
nel
sequência (2,), tal que Za = Um € Z2m = a (m = 1,2,...), converge para a,
=l/+atet...+a +... chamada série geométrica de razão q, é mas f(2.) tem duas subsegiiências, uma convergindo para bE N e outra
convergente e sua soma é igual all — a), Com efeito, para cada convergindo para f(a). Logo, (f(2n)) não é convergente.
n=1,2,..., temos a identidade:
Cororário 2— Para que [:M > N seja contínua, é necessário e su-
Ii-aeC=1-gi+a+L+e+tLD=0A-08, frente que a imagem (fxa)) de tôda segúência convergente (x) em M seja
uma seguência convergente em N.
Logo, 5” = (1— a)Xl — q). Segue-se que lim 8, = 1/(1— q). Se uma
Fi—* co EscóLriro — 4 fim de que $:M — N seja contínua no ponto a M é
série | Y é convergente, tem-se limazx, = lm(S,— S) = lmsS+— suficiente que, para tôda segiência (x,) em M convergindo para a, Ulx,)) admita
— lim 5, = 0. Isto é,o têrmo geral x, de uma série convergente tem limite uma subsegiência convergindo para J(a).
zero. A recíproca é falsa. Com efeito, demonstra-se em Cálculo que a série Com efeito, se f não fôr contínua no ponto a, a demonstração da Prop. 5
àndinej=1 + 1/2224 1/32 +... é convergente para « > 1 e divergente fornece uma segiiência 2, — a, tal que (J(x,)) não possui subsegquência al-
para a« < 1. ÀÁssim, por exemplo, se « = 2, obtemos que 1+4 1/4 + guma convergindo para j(a).
o
la LIMITES Cap. IV 5 4 SEQUÊNCIAS DE FUNÇÕES 115

Em seguida, caracterizaremos o fecho de um conjunto. igual a min. (1/2, dir, x);, contém um ponto x,2€ 8, x) 7 x e (necessã-
riamente) 227 7). Prossegundo anãlogamente obteremos, para todo
Proposição 6 — Sega S um subcongunto de um espaço métrico M. Para
n E N, uma bola aberta B,, de centro x e raio igual a min. (1/n, d(x, r,-)+,
que xe Sem M é necessário e suficiente que x seja limite de uma segrência
de pontos x, E 8,
a qual contém um ponto 2, ES tal que m Arze mm lo, Za... Zn.
Chega-se assim a uma seqiiência de pontos x E S, com Za = t, param * n,
Demonstração: Se x = lim %z, com x, E 8 para todo n, então qualquer e diz, Zn) < 1/n, donde 7, — x. Reciprocamente, se existe uma tal se-
vizinhança V de x contém pontos de $, pois x, &E V para todo n suficiente- qiiência tendendo para x, então qualquer vizinhança V de x contém x, para
mente grande. Logo, xE 8. Reciprocamente, se x E S então, para cada todo n suficientemente grande. Como os x, são dois a dois distintos, po-
n = 1,2,... podemos escolher um ponto x, de S na bola aberta B(x; 1/n). demos garantir que existe em V algum ponto de 8 diferente de x, e portanto
Obtemos assim uma seguência de pontos 2x, E 8, com dir, x) < In e xes.
portanto x = lim ga.
EXEMPLO
CoroLário | — Um ponto x E M pertence à Jronteira de 8 se, e sômente
serx=bmiomeSerx=bimy, meEM-—S, 13. Seja X um conjunto não-vazio de números reais limitado superior-
Com efeito, fr. (S)=SN NH — 5. mente. “se A fôr fechado na reta, então sup, À E X. Com efeito, pelo
Ex. 5, existe uma segiência de pontos x E À com limux, = sup. À.
“OROLÁRIO 2 — Sejam fg: M — N aplicações contínuas. DadoS CM,
Pela Prop. 7, isto implica sup. X E X. Anilogamente, todo subconjunto
se Hx) = g(x) para todo ES, então fa) = g(x) para do x E S.
X € R, fechado, não-vazio e limitado inferiormente contém o seu ínfimo,
Com efeito, dado x E 8, temos rr = lima, 2 ES e portanto f(x) =
= lim f(x) = lim g(x,) = g(a).
S 4. Sequências de Funções
Proposição 7 — Para que um subconguito F de qm espaço métrico M
seja fechado, é necessário e sujiciente que êle contenha o limite de táda segiiência seja 4X um conjunto qualquer e 4 um espaco métrico. Diz-se que
convergente de pontos 1, E F, uma sequência de aplicações 4: X—» M converge simplesmente para uma
Demonstração: Para que F seja fechado, é necessário e suficiente que aplicação f: X > MY quando, para cada x E X, a segiência (i(2), falx),...,
F 5 F. Aas, pela Prop, 6, F é o conjunto dos limites das sequências (x,) fil). ..), de pontos f(x) E df, converge para o ponto f(r) E M.
com rr, E F. Assim, f, — f simplesmente se, e sômente se, para cada r E X e cada
e > O existe um número inteiro positivo no = no(x, € (que depende não
Proposição S — Sega AF um espaço métrico. Para que um subconjunto
somente do e dado, mas também do ponto z considerado) tal que
AC M seja aberto é necessário e suficiente que tôda segiiência (1,) que con-
n > notx, é Implica d(filo), f(x) < e.
rerge para um ponto a & À tenha x, E À para todo n suficientemente grande.
Diz-se que fa ->f umijormemente quando, dado e > 0, fôr possível
Demonstração: A necessidade da condição é expressa pela Prop. 1. obter no — mole) (dependendo apenas do e) tal que n > no implica
Keciprocamente, supondo satisfeita a condição, sex E M - A para todo n nte), lx) < e, seja qual fôr ve X,
Ct > z, então « não pode pertencer a Á, logo, vx O NM — 4, Assm, 17 — À
É evidente que se ja — f uniformemente, então, f. — f simplesmente.
é fechado (Prop. 7) e portanto 4 é aberto.
Mas a recíproca é falsa, como mostra o exemplo que se segue.
Proposição 9 -—- Seja M um espaço métrico. Paa que 2xEM seja
ponto de acumulação de um subconjunto SC MM é necessário e suficiente que
EXEMPLO
exista uma segência de pontos ES, CM MDL ECT HA param n.
(Isto se exprime dizendo que x é limite de uma segiência de pontos 4. Seja X- 0,1 e para cadan=1,2,3..., scga th: 0,N>R

Hj
distintos pertencentes a 8.) definida por f(x) = «7. Para cada x fixo, com 0<x<l1, temos
hm fa(x) = O (Cf, Ex. 10) Sex = 1, temos lmf(r) = 1. Segue-se que
Demonstração: Suponhamos que x E S'. A bola aberta B, = B(x; 1) Fl

contém um ponto 2,8, v xx. A bola aberta B.,, de centro x é raio J» converge simplesmente para a função f:[0, 1] —R definida por f(x) = 0,
|
116 LIMITES Cap. IV 5 4 SEQUÊNCIAS DE FUNÇÕES 117
se 0O< x <l,eJjl)=1. Mas essa convergência não é uniforme. Com OBSERVAÇÃO— Se fa ->f simplesmente, pode-se ter cada fa limitada
efeito, dado e com O < e< 1, por maior que seja n, existirão sempre
sem que fo seja. Por exemplo, para cada n G N seja f,:R> R à função
pontos z no intervalo [0,1| tais definida assim: Jfilx) =x para )
À que filr) — f(x) 2 e. Basta tomar xi<netile) =n para lz|>n. nro f,
z de tal modo que 1 >z> Ve Então, (fn) converge simplesmente
Então, |fulx) — Ha) = la? — 0|= para a função f:R > R, Ha) = 4. e
=7">e. Cada Jn é limitada mas f não é.
Por outro lado, dado 1 > 8> Isto mostra, em particular, que Ja
> O arbitrário, seja Y = /0,1-06) não converge uniformemente para
o intervalo fechado de extremos fem &.
O cl-o Para cada n-=1,
2... Seja qg:Y>R a restrição Proposição 11 — Sejam X um espaço topológico, M um espaço mé-
da função f, ao intervalo Y. Isto írico e (fn) uma segiuência de aplicações de X em 11 convergindo uniformemente
* é qi)=r, O0O<z<l-—-d A para uma apiração |: X — M. Secada f, é contínua num dado ponto a E M,
sequência (g.) converge uniforme- então j é contínua no ponto a.
mente em Y para a função idênticamente nula g:Y > R. Com efeito, Primeira demonstração: Dado e > 0, podemos obter um inteiro n;
dado e>0, como )O<1-—-ô<l,existeumnEN tal que 1— 5) < tal que Jn(x), J(x)) < e'3 seja qual fôr «x E X. Sendo jan, contínua no
<epara todo n > n9. Massex E Y,entãoO<z<(1-5). Logo, n > na ponto a, existe uma vizinhança V de a em X tal que d( Inka), Jn(a)) < e/8,
implica O < x” <e€ qualquer que seja zxEY e portanto 2º > 0 unifor- para todo x &- V. Por conseguinte, para todo x E VW, temos: d(J (x), Í(a)) <
memente em Y.
Mostraremos agora como se pode interpretar a convergência uniforme
<A, O) + Ahn) fl) + Ala), (0) < € e portanto j é con-
tinua no ponto a.
de aplicações com convergência de pontos num espaço métrico conveniente.
Segunda demonstração: O subconjunto de B;(X; M) formado pelas
Sejam X um conjunto arbitrário, 137 um espaço métrico e (1) uma
aplicações que são contínuas no ponto a é fechado. (Prop. 17, Cap, III.)
sequência de aplicações de X em MM. Seja ainda f: X > 17 uma aplicação.
Às Props. 7 c 10 dêste capítulo implicam então que f é contínua no ponto «a.
Proposição 10 — Se fu —J unijormemente, então, para todo n sufici-
Introduziremos agora uma noção de convergência para sequências de
entemente grande, ja está a uma distância finita de fe l>jfno espaço
lunções, a qual contém como casos particulares a convergência simples e a
VS (XX MM). Reciprocamente, se ja! em B(X;17) então, j. converge uni-
convergência uniforme.
formemente para j.
Dados um conjunto X e um espaço métrico If, fixemos uma coleção S
Demonstração: Se fa — f uniformemente, tomado e = 1, vemos que exis-
de partes de X. Diz-se que uma segiiência de aplicações 1,: X —» 1 con-
te nm) tal que n > mn, implica d(f(x),j (x) < 1 para todo x. Logo, qualquer
verge para uma aplicação f: X > If uniformemente nos conjuntos de &
que seja n > n1 fixado, Jr, 1) = supldGlo, HM): x EN ; <1le portanto
quando, para cada SC G, a sequência das restrições A|S:S> M con-
fr está a uma distância finita de f. Para mostrar que f, — fem B (X: M),
verge uniformemente para a restrição f|S:S > 47. Isto significa que,
tomemos e > O. Existe no tal que n > no implica Halo), Flux) < €!2
para cada SG & e cada e > 0, existe um inteiro no = no(8,€) tal que
para todo ze X e portanto df,Í) = sup. Ufo, HO) xe XI <
n > no impilca d(fa(x), f(x) < e para todo ES.
<e2Z<eparatodon>mn. A recíprocaé imediata: se hoj em
B; (4,37), dado e > 0 existe m E N tal que n > no implica d(f, |)
=
sup. dn), Im); x E X) < e Logo, dx), J(x)) < é para todo zE X
|

EXEMPLOS
e portanto j, converge uniformemente para j.
CoroLário — O limite de uma segiência unrajormemente convergente de
15. Seja S a coleção das partes de X reduzidas a pontos. Então,
apticações limitadas fa: X > M é uma aplicação limitada f:X sd Tem-se fa —f uniformemente nos conjuntos de & se, e sômente se h]J
tn > f uniformemente se, e sômente se, fa —> j como pontos do espaço B(X; M). simplesmente. Por outro lado, se S consiste apenas de uma parte,
ns LIMITES Cap. IV 5 4 SEQUÊNCIAS DE FUNÇÕES n9
4, então a convergência uniforme nos conjuntos de & é a convergência
Se f tem limite c no infinito, a segiência de funções faz) = j(x — 1)
uniforme em X.
converge uniformemente para a função constante f(x) = c nos intervalos
16. No Ex. 14, limitados fa, b]. Com efeito, fixado [0,b] e dado e > O tal que |y| > k
seja & a coleção dos intervalos fechados [0,1 — 6),
O<ô<1. Então, fx) implica |/(y) — cl < e. Ora, como la, b] é hmitado, existe nm EN tal
= 2” converge para O uniformemente nos con-
juntos de &. que n.> no implica |x— nl >k, seja qual fôr z€ [0,b), e portanto
n > no Implea [f(x — n) — e] < e para todo x em [4,b]. Em particular,
17. (Vide observação seguinte ao Corolário da Prop. 10) Seja 11 + (x — n)?] converge uniformemente para O nos intervalos limitados e
fn:f > R definida por f(x) = x se |x| <ne fix) = n se xl >n. To- exp.(l(x — n)?) converge para 1, uniformemente nos intervalos imitados.
mando & = coleção dos intervalos finitos [a, b], vê-se que (7) converge
uniformemente nos conjuntos de & para a função f(x) = x, Com efeito, OrsERVAÇÕES — 1) Se Jn—f uniformemente em cada um dos
fixado [a, bl, existe um inteiro no suficientemente grande para que la, b| C subconjuntos S,...,S:C X, então fa f uniformemente em S =
Cl—nono. = SU... |U Si. Com efeito, dado e > 0, existe, para cada it = 1,...,k,
Então, sen > no, f(x) = x, seja qual fôr z E la, b!.
um inteiro n; > Otal que n > n; implica dltnta), Fflr)) < e para todo
18. No Ex. 11 do Cap. II, a segiência de funções q, “la, b|> R con- TES Sea no=máx. im... nat. Então, n Dn implica d(fi(x),

|
verge simplesmente para a função idênticamente nula no intervalo fechado Hx) < e para todo LES.
ja, bl. (De fato, para todo x E la, b|, tem-se qn(x) = O para todo n 2) Se ja
su- uniformemente em $S, então Ju— f umformemente em
ficientemente grande. Note-se que gia) = 0 para todo valor den.) Mas, qualquer parte de 8.
seja qual fôr a família & de partes de [a, b), se & contiver uma vizinhança do
ponto a, não será verdade que &, 3) Segue-se das duas observações acima que, ao considerar a con-
— 0 uniformemente nos conjuntos de &
pois em qualquer vizinhança de a vergência uniforme numa coleção & de partes de um conjunto X, não há
existem pontos x onde Lalx) = n, com n
arbitrâriamente grande. perda de generalidade em supor, sempre que fôr conveniente, que &
goza das seguintes propriedades: a) Tôda reunião finita de conjuntos de
19. Os exemplos acima mostram que uma sequência de aplicações & ainda pertence a &. b) Tôda parte de um conjunto de & pertence a &,
contínuas /, pode convergir para uma aplicação contínua f sem que a con- Com efeito, se & não possui estas propriedades, podemos tomar a coleção
vergência seja uniforme, mesmo num intervalo fechado la, b). Uma con- S&S”, formada pelas reuniões finitas Sy/ U.. AJ sy de partes S/C 8; de
dição suficiente para a continuidade de f = lim f, mais fraca do que a da elementos de &. Às convergências uniformes nos conjuntos de & e de &'
Prop. 11 é a seguinte: dadas uma segliência de aplicações contínua comneidem, e &' goza das propriedades acima estipuladas.
s
hn: M — Nec uma aplicação f:M >A, suponhamos que cada ponto « E 17 A Prop. 11 acarreta que os resultados gerais sóbre convergência em
possua uma vizinhança V tal que j,|V converge uniformemente para f.V. espaços métricos podem ser aplicados à convergência uniforme de funções,
(Diz-se, neste caso, que f, converge uniformemente para j, localmente.) mediante o simples processo de considerar uma aplicação f: X -—s 17 como
Então, [:17 —> N é contínua. Com efeito, f | F é contínua e as vizinhanças um ponto do espaço métrico B; (X; 11). Um exemplo dêste método é for-
V cobrem todos os pontos de 17, Note-se que, mesmo esta condição mais necido pela segunda demonstração da Prop. ll.
fraca não é necessária para que f = lim Ín seja contínua, pois no
Ex. 18, Seria interessante também, para cada coleção & de partes de X, obter
a condição não é satisfeita. (Vide Exerce. 24.) um espaço métrico N', que contivesse como pontos de aplicações [:X —» M ,
e no qual a convergência segundo sua métrica coincidisse com à convergên-
20 Sejam f:R>R uma função e e um número real. Diz-se que f cia uniforme nos conjuntos de &. No Cap. IX será mostrado que, se à
tem limite c no infinito quando, para cada e > 0, existe k > 0 tal que família & fôr enumerável, um tal cspaço métrico N sempre existe. Quando
xl > k implica lit) —e| < e Escreve-se, então lim f(x) = ec. Por S não é enumerável, nem possul um subconjunto enumerável &, que origine
jzi>0
1 à mesma noção de convergência uniforme, então a convergência uniforme
exemplo, se f(x) = — DD teme e imT =- A = pola? a
[HR tem-s Hr) 0 e se g(x) (0)=—0, nos conjuntos de & corresponde à convergência de uma segiiência de pontos
tem-se lim g(x) = 1. num espaço topológico não-metrizável. Por exemplo, a convergência
le [— eo
simples de uma segúência de funções fn:fk-—s R não pode ser obtida como
120 LIMITES Cap. IV 5 5 LIMITE DE UMA FUNÇÃO 121

convergência de pontos num espaço métrico mas corresponde à conver- continua no ponto q. Segue-se então que, apresentada dêste modo, a
gência num espaço topológico não-metrizável, Por outro lado, a conver- noção de limite é desnecessária porque comeide com a de continuidade no
gência uniforme de uma segiiência de funções f,:R > R nos intervalos ponto a.
limitados la, b] é equivalente à convergência uniforme de (f,) nos intervalos A utilidade da noção de limite reside no fato de que é possível definir
|—n, + n), nE N, os quais formam uma coleção enumerável &. Logo, lim j(x) sem que a pertença necessariamente ao domínio de f. Apresen-
esta convergência de funções corresponde à convergência de pontos num Eu

espaço métrico conveniente. temos essa definição em tôda sua generalidade.


Sejam A um subconjunto do espaço topológico X, f:4 > Y uma
No S 6 dêste capítulo (vide Ex. 22), desereveremos uma topologia
aplicação definida em À e tomando valôres num espaço topológico Y e
no espaço Y(A; A) de tôdas as funções reais de uma variável real, a qual
a€E 4 um ponto de X, aderente ao conjunto À, Diremos que o ponto
dá origem à convergência simples. O mesmo exemplo será tratado, sob
bE Y é limite de jlx) quando x tende para a se, para qualquer vizinhança
um ponto de vista bem mais geral, no Cap. IX. Para encerrar êste pará-
V de bem Y, existir uma vizinhança U dea em X tal que z E U MN À im-
grafo, observaremos que existem outros tipos de convergência de segiiên-
plica Hx) EV. Escreve-se então b = limf(x). Às vêzes se encontra
cias de funções, além da convergência uniforme nas partes de uma co- +

leção S. Por exemplo, no Cap. I (Ex, 16) e no Cap. II (Ex. 12), tivemos também a notação
ocasião de considerar o espaço métrico cujos pontos são as (classes de equi- b = lim dJj(x)
5a, É A
valência de) funções integráveis f:[0,b])-»R. A convergência nesse es-
paço chama-se convergência em L'. Assim, ja —> f em E! quando mas em nosso caso, Isto é desnecessário porque o domínio da aplicação f
sendo o conjunto À, x não poderia estar fora de 4. A notação lim j(x)

lim nto) — fa) lda O. Já vimos que se f, converge uniformemente Fa

n5 = 54 não acarreta ambigiiidade, desde que se tenha sempre em mente o domí-


para jf então fn—f em L!,. as a recíproca é falsa, como sabemos. As nio de f,
reiações entre a convergência em Z/ e a convergência simples são estuda-
Quando o espaço Y é de Hausdorff, verifica-se como na Prop. 2 que o
das em Análise, na Teoria da Integração.
hmite, se existe, é único. Para espaços métricos, a definição de limite
Não insistiremos em outros exemplos de tipos de convergência de fun- pode ser equivalentemente formulada em €'s e 69's: dado qualquer e > 0,
ções, em que pêse a Importância dêsse tópico. Na realidade, um dos mé- existe ô > 0Otal que xe Sedix, a) < O implicam d(f(x),b) < e Note-se
todos mais poderosos da moderna Análise Matemática consiste em esco- que, como « E 4, em tôda vizinhança de a existem sempre elementos de A.
lher, para cada problema, o tipo adequado de espaço de funções (isto é, o É tradicional, em Análise, dada uma função f:S—> R, com aESCR,
modo conveniente de convergência), considerar as funções dadas e as so- usar o símbolo lim J(r) para significar o que chamaríamos aqui de lim g(x),
luções procuradas do problema como pontos daquele espaço e aplicar as EI T+

técnicas gerais da Topologia e da Análise Funcional. onde g é a restrição de f ao subconjunto S — (at. Justifica-se, então,
êste abuso de notação explicando-se que, ao calcular lim f(x), “não é per-
Ta

$ 5. Limite de uma Função mutido à variável x assumir o valor q”,


Vo . sen 4 o
Um exemplo clássico é o da função J(x) = TT) definida em
Seja 7:17 -—» N uma aplicação do espaço métrico M no espaço mé-
trico NV. Dado um ponto a E XM, dizse que o ponto bE N é o limite de A=R- 10). Temse0 €E 4e demonstra-se em Cálculo que lim f(x) = 1.
E dO
fa) quando x tende para a, e escreve-se b = lim f(x) quando para todo
W—+a Prorosição 12 — Sejam M, N espaços métricos, ACM, fi: AN
e > O existe à > 0 tal que d(z, a) < 5 implica d((x), b) < e. ea A Para que exista b = lim f(x) é necessário gue lim j(ra) = b para
E—+a n—+ DD

Se f tôr contínua no ponto a, ter-se-á evidentemente tôda sequência de pontos z, E À com > a e é suficiente que (J(x,)) seja con-
j(a) = lim Fa).
“ 4. . Fa rergente em N, sempre que Mm E Á, Mm a.
Reeciprocamente, se existir b = lim f(x) então, para todo e> 0, teremos
— Demonstração: A necessidade é óbvia. Suficiência: admitida a con-
d(jila), b) < e pois d(a, a) < Ô seja qual fôr à > 0. Logo, b=J(a) e fé dição, notemos primeiramente que, sejam quais forem as seguências de
MT

122 LIMITES Cap. IWY 5 6 CONVERGÊNCIA EM ESPAÇOS NÃO-METRIZÁVEIS 123

pontos x, 4% € À com m> a e y—> a, temos lim f(x) = lim J(y) polis, suficientemente forte para caracterizar as noções topológicas nesses espa-
se fósse lim f(x) = lim (yr), construiríamos uma nova sequência de pon- cos. No caso geral, deve-se recorrer a instrumentos da convergência mais
tos mn E 4, pondo 22, = ta, Zn = ym e teríamos z;— a sem que J(z) poderosos, como os filtros [Bourbaki] e os nets [Kelley].
convergisse. Chamemos de bE N o valor comum dêsses limites lim f(r,). A adequabilidade dos limites de sequências para caracterizar os fe-
Definamos uma aplicação F:Al (a; >N pondo F(x) = jlx) se xE A chos, as funções continuas etc. em espaços métricos, deve-se ao fato de que
e Fa) = b. Segue-se da Prop. 5 que F é contínua no ponto q. Em virtude em tais espaços cada ponto possul um sistema fundamental enumeráveil de
da necessidade da condição, temos lim F(x) = b. Em particular, temos viainhanças.
=

hm f(x) = 6. Um sistema jundamental de vizinhanças de um ponto z num espaço


topológico X é uma coleção B(x) de vizinhanças de x com a seguinte pro-
Proposição 13 — Sejam MM, N espaços métricos, À um subespaço de priedade: dada qualquer vizinhança U de x no espaço À, existe uma Vizl-
Metf:A>N uma aplicação contínua. Se, para cada «aC À, existir o nhança VE BG) tal que V C E. Em particular, diz-se que x possui um
limite lim f(x) então a aplicação F:A > N, definida por F(a) = j(a) pora sistema fundamental enumerável de vizinhanças quando existe uma cole-
Fa

aCAeF(a)=limfz) cão enumerável BG) = Vi Vo... Vo...; de vizinhanças de x tais


para aC A- A, é continua.
E-—+d que, dada qualquer vizinhança EU de x em X, existe alguma V, com Va QU.
Demonstração: Sejam CA e e>O0 arbitrário. Existe 8>0 tal Se um ponto r, num espaço topológico A, possul um sistema funda-
que ditx) F(xo)) < e2 desde que zE A e dir, ro) < 6. Afirmamos mental enumerável de vizinhanças B(x) = [Fis Vo ...+ podemos
que, para todo «E À com d(a, xo) < ô, tem-se d(F(o), Flxo)) < e. Com sempre admitir que WD FD... D FD... porque, se Str) não gozar
efeito, é a = limz, com x, E 4 e podemos admitir que x, E Blxo; Ô) desta propriedade, substituiremos cada PF por HW =R NF MN... MF.
para todo n. (Vide Prop. 8.) Assim, d(zn, Lo) < 8 e portanto dU (ro), Flxo)) < O nôóvo conjunto Vito = 4WFs..s Wa...j únda é um sistema funda-
< e!2 para todo n. Como F(a) = limj(x) = lim jlx), vem dO, F(xo) = mental enumerável de vizinhanças, com HiDW.D...DHD...
F—+
= bm dijlr,), (xo) < €'2 < e, como devíamos demonstrar. Em tôdas as considerações topológicas de natureza local, quando se
A mn
deveria tomar uma vizinhança arbitrária de um ponto x, pode-se restringir
OrservAçÃo — Dada /:A-s>N contínua, não existe necessáriamente a consider vizinhancas pertencentes a um determinado sistema funda-
lim j(x) para todo a E 4. Por exemplo, j(x) = sen (1/zx) é contínua na mental. Para deixar claro êste ponto, enuncisremos es seguintes fatos,
T—
que c leitor poderá verificar sem dificuldade:
semi-reta (0, + o) mas não existe lim sen (1/x).
z->
o Sega Rh) um sistema fundamental de vizinhanças do ponto É no es-
poço topológico X. Afim de que x pertença ao interior de um conjunto 5 C À
S 6. Convergência em Espaços Não-Metrizáveis é necessário e suficiente que exista VE N(x) tal que FC S. Análogamente,
TE— Sse e sômente se. para tida VE Vie) tem-se VNSA BG.
Seja (ra) uma segiiência num espaço topológico X. Diremos que (r,) b) Sejam X, V espaços topológicos, J:NXN>Y uma aplicação, Va)
converge para o ponto vz E À, e esereveremos x = limx, quando, pura
um sistema fundamental de vizinhanças de um ponto a E X e M(b) um sis-
todo aberto 1 contendo o ponto x, fôr possível obter um Índico m EN
tema fundamental de vizinhanças do ponto b= Hu) EC Y. Para que | seja
tal que 4 > no Implique x, E À.
contínua no ponto a, é necessário e suficiente que, dada qualquer W E W(b),
Equivalentemente, pode-se substituir o aberto À contento « por uma exista VE Natal que ly) CW.
vamnhança do x.
No caso de espaços métricos, esta definição de limite de uma segliên-
EXEMPLOS
cla coincide com a que foi dada por meio da distância, como foi visto na
Prop. 1.
21. Num espaço métrico M, todo ponto x possui um sistema funda-
Deve-se assinalar aqui, enfáticamente, que o conceito de limite de uma mental de vizinhanças enumerável. Basta considerar as bolas abertas
sequência, embora tenha sentido em espaços topológicos arbitrários, não é B(x; 1/n), de centro r e raio 1/n, nE N. De fato, qualquer vizinhança É
o ARE

& 6 CONVERGÊNCIA EM ESPAÇOS NÃO-METRIZÁVEIS 125


124 LIMITES Cap. IV'

dez contém uma bola B(x;e) e, para n > 1/6 temos B(x; lin) C e> 0. Como 4 = Aff; t; e) é um aberto em X contendo jf, existe
not N tal que n > n implea j, E A. as isto significa que |fi(f) —
CBirgCU.
— H)| < e para todo n > no, o que prova a afirmação. Reciprocamente,
22, Espaços topológicos em que nenhum ponto possui um sistema se lim fa(t) = Jt) para todo tC R então, dada qualquer vizinhança V de 7
n—+
fundamental enumerável de vizinhanças serão vistos no Cap. IX. Dare-
em X, existe um aberto 4 = A(fit,...,tr;€) tal que fE À CV. Para
mos aqui um dêsses exemplos. Trata-se do espaço X = X(R; R), de tôdas cadat=1,..,k, existem E N tal que n > m implica [falt) — J)|< e
as funções reais f:R-> R, com a topologia da convergência simples, que Seja no = máx.(m,..., Nk). Então, n > no implica f, E AC F,e portanto
definiremos agora. Dados os números reais &,...,t CE R e os intervalos In Í.
abertos Ji..., Ja CR, introduzamos a notação Ab... bu di... Jn) para
indicar o conjunto de tôdas as funçõesf : R — R tais que Ft) E Ji,...s tn) E Por brevidade, diremos que um espaço topológico X é um espaço EI
E Ja. Vê-se imediatamente que Aísi..o Sm; fi co Em) NM Aff... tn; quando todo ponto x E X possui um sistema fundamental de vizinhanças
To cos da = Also. Sm bo cos tu dr. Em, di. da). Além disso, tôda cnumerável. (Esta condição é às vêzes chamada “primeiro axioma de
função fE X = X(R;R) pertence a um dêsses conjuntos. Segue-se então enumerabilidade”, daí a notação Ef.)
da Prop. 10, Cap. II que os conjuntos A(t,..., tu; di, ..., Jr) formam uma Reveremos agora as proposições demonstradas nos parágrafos ante-
base de uma topologia em X, a qual denomimaremos a topologia da conver- riores a respeito de convergência de sequências em espaços métricos, exa-
gência simples. Logo mais justificaremos a denominação. AMostremos minando-as dentro do contexto mais geral de espaços topológicos. Omiti-
agora que nenhum ponto f& X possui um sistema fundamental enumerável remos tôdas as demonstrações Iguais às anteriores ou que delas difiram
de vizinhanças. (Seguir-se-á, então, do exemplo anterior que À não é um pela substituição das bolas B(x; 1/n) por vizinhanças de um sistema funda-
espaço topológico metrizável.) mental B(x) = (Vi..sVo...j onde VD F.D... DVD... num
Observamos inicialmente que, relativamente à topologia de 4, dada espaço Er.
uma função f:R > R, um sistema fundamental de vizinhanças de f é
constituído pelos conjuntos Proposição 2* — Num espaço de Hausdorjf X, uma seguência conver-
gente possui um único limite. heciprocamente, se X é um espaço El em que
A(S; br, cos bh; €) — tg ho A; Lg(t) — JB) | < É, = b, 2, ...+ rj tôda segiência convergente possui um único limite, então X é um espaço de
Hlausdorff.
onde t,...,t;C Ree> O são arbitrários. Se existisse um sistema fun-
damental BO) = 1Vi... Va..-), poderíamos escolher, para cada n TC N Demonstração: Basta provar a segunda parte, Seja X um espaço
um conjunto da = Alfa. ink; 6) tal que fE A, Cha Então, Et onde não vale o axioma de Hausdorff. Existem então dois portos
NP) = S4,,..., Ar... s seria ainda um sistema fundamental de vizinhan- rx yem A tais que tôda vizinhança de x e tôda vizinhança de 3 têm pon-
cas de j. Ora, os números reais tw que comparecem na definição dos 4, tos em comum. Sejam B(x) = (V,) e My) = (IF,) sistemas fundamentais
formam um conjunto enumerável. Logo, existe um número real to tal que enumeráveis de vizinhanças dêsses pontos. Para cada n E N podemos es-
to Z tn; Sejam quais forem n,i E N. Consideremos o conjunto Ao = A(f; ts; 1). colher 2, €& Va fl Wa. Vê-se imediatamente que > 1 em y.
Dado qualquer A,, não existe restrição alguma sôbre o valor que uma fun-
vão q E A, deve assumir no ponto te. Em particular, para cada 1, existem Proposição 3* — Num espaço topológico X, para que uma seguência
funções q E An tais que lg(to) — f(to)| 2 1. Segue-se que nenhum 4, pode (tn) possua uma subseguência convergindo para um ponto 2 E X, é necessário
estar contido em A, e portanto A(f) não é um sistema fundamental de vi- que tóda vizinhança de a contenha itêrmos x, com índices n arbitrâáriamente
zinhanças de f. Esta contradição estabelece a afirmação feita no início. grandes, Se X é um espaço Et, esta condição é também suficiente.
Mostremos agora que, considerada como pontos do espaço Á, uma
Proposição 5* — Sejam X e Y espaços topológicos. Para que uma
sequência de funções f,:R— R converge para uma função f: À — R se,e
aplicação |: X —» Y seja contínua no ponto «E X é necessário que 4
sômente se, para todo número real t, fn() — J(t). Isto Justificará o nome
em X implique J(x,) —> J(a) em Y. Quando X é um espaço Et, esta condição
de topologia da convergência simples. Suponhamos primeiramente que
— J(t), seja dado é também suficiente (mesmo que Y não seja E1).
fti>jf em X, e tomemos tC kk. Para provar que tl)
126 LIMITES Gap. IV 8 7
EXERCÍCIOS 127

PROPOSIÇÃO 6*—Seja S um subc


onjunto de um espaço topológico X.
Para que ze Ss é suficiente que
exista uma Seguência de pontos p . “4 > a rF(o in 7
= lImjlv),a CA,A, éé continu
contínua.
v= im. Quando X é um espaço Ef, esta co
ES com e aplicaçãoa EFLA inida
FP, de imda p por Fla) 2a
ndição também é necessária.
Deixamos ao leitor à tarefa de en adro ,
un o
1 onto Joy Ae
a visi nhanca
unciar as análogas das Props. 7,8e Demonstração: Consideremos arbitririamente
dêste capítulo. 9
Observemos ainda que, nas proposiç a izin
vizgnhanç
nançãa V+ dlde F(r) em Y.
ões acima enunciadas, a
Como, Y é1 regular, existe o uma
a exigência de que X seja um espa ) EXIST iste
ço Ef não pode ser dispensada. W de Fiz)
em F tal q
ilustrar êste ponto, daremos o exempl Para "ão
o que se segue, ; de xo
| odemos tomarar aberta)
à em À tal que
uma vizinh ança U (que P que
r | 7 A f amos ue (
FL UNMN.
DVC , F. t Basta provar eo
FU eN 2É - A e Seja é cutão' a Cc UMA.. ,Devemor s mostraCo
r mo 4 W ) ==
EXEMPLO
qual fôr a vizinhança Z de F(a) em h, tem-se Z A N a sodemos gupor
liÉ m f(x), exi ste uma vizinhança Co de « em q
23. No espaço X = Ult: R) das fu
nções reais J:ik>SR, com a topo- =
id;
.
em
, .
U) ta] que
- F .
logia da convergência simples, seja HKUs N '
À) o f. Como
S o conjunto das funções caracteris ida ) Do N À A 2 (porque

dos subconjuntos finitos de R. (Lem ticas ão.


bremos que, dado F = Eos HI 1doE E= temos ZN WD HU NA) = &, o que conclui a demonstraç
a função característica de PF tr:R CR,
>R, é definida por EM) =1Ise
e ED) = 0 se tr) tCF
A função q: — R, definida por gt) = 1 para
todo t E R, pertence ao fecho de 58. 3 7. Exercícios
Com efeito, dada qualquer vizinhan
básica 4 = Algitu.. tre) de 9, ça
pomos É = (f,..., tr! é temos + +
Er E A. +
Lin!

+
od

Yn
"4

Teas
l. + as

números
o

Como Er ES, vê-se que 2 ISA.


—— 1

de
no. 4 q aa .

a sequência
+ ”

1. Mostre que
Por outro lado, nenhuma segtiência
de funções É, E S pode convergir
simplesmente pera g. Com efeito, cada
&n sendo zero salvo num conjunto
finito, segue-se que o conjunto do
tais que E() = 0 prra algum » s tC R
é enmerável Logo, existe CE R tal
que Ext) = O para todo 4 CN. 2 Gai j uma
e : uma decomposiçã “7 ET

Por conseguinte, lim En (to) = 0, en sequência num espaço ILÉLIICO + Dada


- E 3. Seja (En) Y. são inímitos
; subsegiências
quanto g(to) = 1. Assim, não é v N=>N DU. + se as Subs e disjuntos,
n— mo
erdade que q = lim & no espaço X. UNp onde Nyverg...,
em tôdas para o mesmo lim
o!ite a E MW
conv en
enttã
ão o (x,
(x,.) cor-

Por finalizar, observaremos que, adeiroro


ainda verdadei no caso
das duas proposições demons | e para
verg q. É- êste resultado
no Sô, à primeira delas (Prop. 12 tradas
) se estende da maneir: usual: a NVeMU UNO?
é necessária para qualquer par de condição
espaços topológicos e suficien tr]
métrico 3,
H C OT o ( Mo n tn) € np
Lin ara todo

em que f: À — Y é definida num te no caso 4. a MU m


Seja (rn),
tom dy QU Aifmd ) +sequências num b
espa ço
espaço Er. n> x. Se ne (x Verg ! IH ambém
VÊ serdell
e mr 7" = JAM in.

Por outro lado, a Prop. 13 requer, = Mm l no A . »

para sua validade, um nôvo tipo


d z

,
1 L ' (>
| 0 1 Db

de restrição (que voltaremos a enco


|

ntrar, em situação diferente, no


Cap. VIID sôbre o espaço onde toma fim do
valôres a aplicação j:X SF. O es LO a f d). Pr Li

paço Y deve ser regular, isto é, to


o ta y
4

do ponto 4 4 deve possuir um sistema


fundamental de vizinhanças fech
adas. A demonstração da Prop. 13 da
no texto é típica de espaços mé da
tricos: usa bolas « sequências. pscudométrico do Fx. 15, Cap. 1.
reformularemos abaixo completa Por isso
mente o enunciado e q demons
forma geral da referida proposição, tração da
À hipótese de que Y é de Hausdorf
necessária a fim de que, devido f é
à unicidade dos limites, à extens
ão F seja
] n : HM = - .

uma aplicação bem definida.

PROPOSIÇÃO IS*-— Sea F:AS


Y uma aplicação continua, definida
num subespaço À de um espaço to
1 OBS "
| t+

pológico X e tomando
Ja .

ralóres num espaço qiiências convergentes em M.


128 LIMITES Cap. IV $ 7 EXERCÍCIOS 129

19. Dado um número real «, com O <a < 1, tem-se im abn = origina, para cada n € N fixo, a sequência simples (Zn; Zan; X3n,...) e, para cada m E N
n—+
fixo, a sequência (Emi, Ymz Em - ). Escrevem-se lim tmn € lim gm para indicar os
10. Sejam X um espaço topológico qualquer, Y um espaço de Hausdorfef,g: À — 1 Fm—+ mw nn wo

aplicações contínuas. Dada SC N, se j(r) = g(z) para todo v E 8, então jflr) — gu] Limites dessas sequências simples, se existirem. Exemplo: seja f:N —> k definida assim:
para todo x E S. (Esta é a formulação geral do Corolário da Prop. 6. O uso de segutu- fl) = k se k fôr par e j(h) = l/k se k tór impar. A. sequência dupla de números reais
cias não permite demonsirá-la nesta generalidade.) A hipótese sôbre F é necessária, mn = (J(m) + f(n))imn converge e limZma = O. Mas, para nenhum m existe o limite

im
m, n

RLL.
11. Prove (usando sequências) que as funções contínuas f,g:R— (0; —R defi- lim tmn. Tão pouco existe im zm, pata valor algum de n. Por outro lado, conside-

"1
nn D p—+ O
nidas por f(x) = l/x e j(x) = sen(1/z) não podem ser estendidas continuamente a fi. (sto
rando-se 4man = f(m)/nm, existe, para todo n o limite lim ymn = O mas, para nenhum valor
é, não existem funções continuas La:R>R tais que ia) = lir e g(r) = sen(liº) para FL => o

todo 4 & 0.) fixo de m existe lim ym». Vale, porém, o seguinte: se o Imite duplo x = lini Zn, existe é,
ns

12. Num espaço métrico 1F, se himz, =1elmy, = y então bm tl = além disso, digamos, lim tmn = 4, existe para todo n, então deve-se ter lma, = 7,
41

= dir, 4).
mL O

Em consegiiência, tem-se: lim (lu zm) = lim dim Zn) = lim zm, desde que existam os
13. Seja x = lim x, num espaço métrico df. Para cada n C 4, suponha que exista ti + Ft FÊ PH, TE

uma sequência (Gal nz cc Unpo--) em MM, com za = lmgyap. Jluntão existe uma se- dois limites dentro de parênteses e o limite duplo acima, Os limites repetidos podem
p— x
existir e ser diferentes (caso em que o limite duplo não existe). Lxemplo: sejam (1,) €
quência (z1, 20. .., 2...) em JF tal que, cada z; é um dos yayp e bm z = £. (b.) sequências arbitrárias em 37, Ponhamos Zan = GG Sem ne lan =bsemc<n,
ks
Tem-se lim zm = G e limza, = bm. Escolhendo as segiências (a,) e (Bm) podemos
lt. Se A é um subconiunto limitado e não-vazio de um espaço métrico 47, então TPL FL

(4) = d(4). fazer com que os limites repetidos coincidam ou não. Finalmente, os limites repeticos
podem existir e ser iguais sem que o limite duplo exista. Tal é o caso da segúência du-
15. Diz-se que um ponto x, rum espaço métrico df, é um vetor de arerência dia =u- pla zm = mrlr + nº) Um resultado positivo é o seguinte: snponhamos que, para
quência (x) quando esta possni uma snbsegúência convergindo para z. Uma seglencia cada n & N fixo, exista o limite parcial lim zm; = Gp Uniformemento em relação a n. (Isto
convergente possui exatamente um valor de aderência, mas a recíproca é falsa, OU con mm

significa que, dado e > 0, é possível escolher mg tal que ni > mo implica ML Ol < 6
junto 4 dos valóres de aderência de uma sequência pode ser vazio, finito om ftltuito.
Então, À =f' Na. Em parúcidar, os seja qual fôr n.! Suponhamos, em segundo lugar, que lima, = a existe. Então, o li-
Para cada ne N, seja ÀS Leo lado cj. n
HH
mite duplo lim rw, existirá e será igual a q. Ou seja, im Zan = lim (lim za), de-de que
valôres de aderência de (1,5) formam um sabconjunto fechado de JE uma sesitt-
Dada FL, FL m m

cia limitada (x,) de números reais, o conjunto À dos valóvres de aderência de (r;) € o limite repetido exista e que o limite dentro dos parênteses seja uniforme. Finalmente,
também limitado. Os números [= If(4) ce E = sup Cl) pertencema dc chamam se acrescentarmos q hipótese de que existe bm za, para todo n, então existirá O outro
HH

o límito inferior e o limite superior da sequência lr). Vem-se [E Eetro) converge se himite repetido lim (lim tmn)! é valerá a igualdade:
sômente se, / = L. Escrevem-se 1 =limint(ro). L=lhmoesp(tr). Na notação acl- FL FL

ma, tem-se UC = lim inft(N9) e £=lmsupliNo). Tem-se Na) = snpéÃ,) — EtiÃ


H—= “O HR—+ CD
hm Gm can =lmom ro = lima.
He H n PH Mm, n
donde (r,) converge se, e sômente se, lim ód(X,) = O (eritério de convergência de
Ft

Cancho). Em suma, as igualdades acima valem (esta afirmação inclui a existência dos 5 limites)
desde que existam os 2 limites dentro dos parênteses, um dêles sendo uniforme, e o limite:
16. Demonstre a Prop. S diretamente a partir das definições de conjtuito aberto
repetido correspondente a êste,
num espaço métrico e limite de uma sequência,
19. Dados um conjunto arbitrário X e uma seguência (8,) de subconjuntos de À,
17. Sejam R 0 conjunto dos números reais e Q o conjunto «dos números racional. indiquemos com &,:X > KR a função característica de S,. |Por definição, Eqix) = O se
O conjunto das sequências convergentes de números reais é fechado em B(N: Rj mas as réESeBlir)=-Is res) SeMCHCO... CC SC... então lim É = Es onde
seqiiências convergentes de números racionais não formam um subconjunto fechado de S = US, Se MDS5D .. DS D... então hm & = Ep onde T= NS
B(N:0). Em qualquer espaço métrico J, porém, a aplicação que associa a cada seqiên- (Convergência simples de funções.) Para uma sequência arbitrária (5,) podemos consi-
cia convergente o seu limite é contínua [quando se considera o conjunto das sequências derar as funções lim sup. £, e lim Inf. É, cujos valôres, em cada ponto x & À são respecil-
convergentes em 11 como subespaço de B(N; 1). vamente lim sup (E,(2) e liminf. (E). Tem-se lim sup. & = É4 e liminf. É, — £p,
onde À é o conjunto dos x E NX que pertencem a S, para infinitos valôres de ne B é o
13. Limite duplo. Uma segiência dupla num espaço métrico JF é uma aplicação conjunto dos z E X que pertencem a S&S, para todo n suficientemente grande. Logo,
(mm) -s tmn de N X Nem MH. Diz-se que a sequência dupla (tmn) converge para o limite A=nNLUS]eB=ULlMS,. Escrevese A4=lmsup.S, e B= liminfósS.
p n>p p n2p
E M quando, para cada e > O, existe nm E N tal que m, n > no implica dirmn, 7) < é
Tem-se AD Bea segiência (S,) diz-se convergente quando 4 = B(= limS,). Isto
Esereve-se então zr=limremaoelimZzm = lim zm Uma segiiência dupla (rd)
Fm, 7 mM N—+ significa que um dado x E X ou pertence apenas a um número finito de conjuntos 5, OU
ao LIMITES Cap. IV Ez EXERCÍCIOS 131

pertence a todos os S, a partir de uma certa ordem. Tem-se lim (S, U Pi) = bm (SU EV MA)] onde V percorre as vizinhanças de qa. (Suponha,
UU lim (L), lim (Sa ND = limits) Olim(T) e lim (X — Si) = X — lmss. para simplificar, que / é
limitada, pelo menos numa vizinhança de a.) Defina lim inf. (x) semelhantemente.
Ed
20. Dada uma segiência de conjuntos (84) num espaço métrico 4f, definamos o
Observe que cwj(a) = im sup.f(x)) — (lim inf. f(x)). Caracterize lim sup. je hm inf. f
limite superior fechado de (84) como iHSj) = ix E M; tóda vizinhança de x interseta Eu La

infinitos Sat e o limite inferior fechado IH6Sn) = Az € M; qualquer vizinhança de x inter- por meio de segiências, no caso em que a possui um sistema fundamental enumerável
seta todos os 8, com exceção de um número finito dêles). Os conjuntos HS) € EMOS) de vizinhanças. Mostre que f: X — R é semicontínua superiormente se, e sômente se,
são fechados e o primeiro contém o segundo. Se os conjuntos S, são fechados, limitados para todo « & À, ja) = lim sup. f(x). Anãlogamente para semicontinuidade inferior,
[+68
e não-vazios e se a segiência de funções contínuas f(x) = d(x, Sy) converge uniforme- Conciua que a oscilação w; É semicontínua superiormente,
mente em M então lim diz, Sw) = d(z, 8), onde S = 18,) — Sn) = “mite fechado”
FL
at. Limites laierais. Seja À um subconjunto da reta. Dados um espaço topoló
dos S,. À existência do limite fechado 5 = (8,4) = [HS,) não implica porém que a


gico X e uma aplicação |: À > X, o limite à direita de | num ponto a E À é definido por

ido
+
sequência de funções d(x, Sa) conviria em 4f, conforme se vê tomando na reta 8, = 10, n)


———
——
lim f(x) = lim f(x), onde F é a restrição def ao conjunto dos pontos x>a zxEA,
senépares, = (0,l/n; parar ímpar. O limite fechado de S, existe e ÉS = 10) mas E + ES

— —
as funções fa(x) = d(r, Sn) não formam uma sequência convergente. (Comparar Exere. 13, Evidentemente, isto só tem sentido se «E A Na, v),] Anãlogamente se define o


Cap. L.) limite à esquerda lim f(x),


A função f:R — R, definida por f(x) = O se x é irracional,

2
21. Seja *” um subconjunto fechado de um espaço métrico 1. Escrever F = MN As F(p/g) = 1/g se p/g é uma fração irredutível e (0) = 0, tem limites laterais em todos os
onda (4,) é uma seg iência decrescente de abertos em MH e concluir que a função earae- pontos z C &. Se uma funçãof: A > R, com AC R, possui os limites laterais em todos
teristica Ep: 37 — R é limite simplos de uma sequência de funções contínuas 4:75 R, os pontos 4 E 4, então os pontos de descontinuidade de f formam um conjunto enume-
tais que filx) > flz) para todo n CE Ne todo zxEM. rável, Se f: À -»R é monótona, existem os limites laterais de f em todos os pontos
GE A.
22, Sejam À um espaço topológico, N um espaço métrico ce À C X um subconjunto
tal que 4 =X. So uma seqiiência de aplicações coutínuas fa: X>N converge unifor- 28. Diz-se que um subconjunto 8 de um espaço topológico X é denso em X quando
memente em À para uma aplicação contínua f: À > àf, então f, — f uniformemente em À. S = X. Um subgrupo aditivo G dos números reais é denso em R se, e sômente se, O é
ponto de acumulação de G. Seo subgrupo & C KR não fôr denso em R, existe um número
23. Seja M um espaço cuja métrica é “uniformemente discreta” no seguinte sentido: reala20Otal que G= Za, istoé G=(na;neZ!. Em particular, os subgrupos adi-
existe e > O tal que tôda bola aberta de raio e reduz-se a um ponto. (Exemplo: Z.) tivos fechados de R são £0), R e os da forma Za, a > 0, Concluir que se O fôr um número
me fo: À — df converge uniformemente para /: NX > df então 7, = 1 para todo n sufici- irracional, os números da forma m + On, m,n E Z constituem um subconjunto denso
entemente grande. Dê exemplo de um espaço métrico discreto em que êste resultado em f.
não vale.
29. Para que um grupo topológico (vide Exere. 79, Cap. I) seja um espaço E! é
24. Sejam À um espaço topológico, JM um espaço métrico e fa: À — M uma se necessário e suficiente que o elemento neutro possua um sistema fundamental enumerável
quência de apilcações contínuas convergindo simplesmente para uma aplicação PN >» M. de vizinhanças,
Para que f seja contínua num ponto xy E X é necessário e suficiente que, para cada € > 0
30.
Para que um espaço topológico X seja regular, é necessário e suficiente que,
existam um inteiro x E N e uma vizinhança V de ro em X tais que jjlr) — Ji)! <e dados um subconjunto fechado FC X eum ponto pE NX — HF, existam abertos E, V
para todo x E F.
em A comp UECVeUnNV=9g. Um espaço regular é de Hausdorff se, e sO-
mente se, todo pouto p E X é um subconjunto fechado de X,
23. Sejam £ = [a, b] e indiquemos com CKI; R) o espaço vetorial das funções reais
ff > R que possuem derivadas contínuas (e portanto limitadas) no intervalo [a, db] = 7, Sl. Sejam X o espaço topológico bem ordenado do Exerc. 15, Cap. IH. Considere
com a norma |fly = sup. (iHOL+ |F(W)|). Mostre que 4 >f em CHI:R) se, e só O espaço Y, formado pelos mesmos elementos de X, com a topologia modificada do seguinte
EI
modo: os abertos de Y que não contêm o ponto Q2 são os mesmos de X. Além CISSO,
mente se, fa >fe fa'— fº uniformemente em TZ. CHI; R) não é um subconjunto fechado
para cada aberto À C X, o conjunto À U (92) será aberto em Y, (Em outras palavras,
de CHI; R) = So(!; R). [Recordar que, em So(7; R) se considera a norma |/|= sup. [J(9)|.)
(2 é agora um ponto isolado em Y.) As topologias de X e Y são diferentes, mas uma se-
(E 1
quência (tr) converge em X se, e sômente se, converge em Y.
Mostre que se f,' — fº uniformemente em F e fa(xo) > f(x,) em algum ponto xp E 7 então
fa > f uniformemente em 7. Em particular, a norma de CMT; R) é equivalente a |fjy = 32, feitros: Um filtro num conjunto X é uma coleção não-vazia P de partes de X
= Ho] + sup. [H6l. com as seguintes propriedades:
ET
1.*) nenhum FEB é vazio;
26. Seja f:4 — R uma função real, definida num subconjunto 4 de um espaço
2") seFEPeGDF então GES:
topológico X. Dado um ponto a CG A, definamos lim sup. f(x) = inf. [sup.! f(x): x E
Td F
3%) se FM, FE Pentão FNE DP.
132 LIMITES Cap. IV

Exemplos: a) Seja N = (1,2,...se BP a coleção das partes FC N que são com-


plementares dos subconjuntos finitos de N. (Ou seja, para cada F € P deve existir nro E N
tal que » 2 no implica n E FP) b) Sejam À um espaço topológico, z um ponto de À
e P = Six) à coleção das vizinhanças de x em À. cc) Sejam À um subconjunto de um
espaço topológico X, « & A um ponto aderente a 4 e & à coleção das interseções VMA,
vude V percorre as vizinhanças de «em X. Seja N X N o conjunto dos pares ordena-
dos de inteiros positivos e P a seguinte coleção de partes de N x N:F E P se, e só-
mente se, existe n, E N tal que m,n 2 no implica (m,n) E F.
A noção de filtro permite unificar os vários tipos de limite que consideramos aqui
Isegiiências, lim f(x), limites duplos] e tratar de outros tipos ainda mais gerais de limi-

Continuidade Uniforme
ES

Les,
Sejam P um filtro num conjunto 4 e f:A — Y uma aplicação de X num espaço
topológico Y. Um ponto y EM diz-se limite de f seguido o filtro P, e escreve-se
y = lim, quando para tôda vizinhança V de y em Y existe um elemento F E & tal que Capítulo V
fF3 cc V. Considerando os quatro exemplos de filtros dados acima, verifique que esta
definição Inclui os vários tipos de limite considerados no texto e no Exerce. 18. No caso
em que XY é um espaço topológico e f: AX — X é a aplicação identidade, quando x = lim f S 1. Introdução
p
existe, diz-se que o filtro B é convergente e x = hm Pé o seu fmite. Um espaço topo-
lógico X é de Hausdorfí se, e sômente se, todo filtro convergente em NX possul um único
Entre a rigidez de sua estrutura métrica e a flexibilidade da estrutura
Emite. Para que uma aplicação f: A — Y seja continua no ponto «a E À é necessário topológica subjacente, os espaços métricos possuem uma “estrutura uni-
e suficiente que, dado qualquer filtro P em X, convergindo para o ponto q, tenha-se forme”, a qual já nos permitiu, no Cap. IV, falar de sequências unilorme-
hm f = fe). Para que um subconjunto 5 de um espaço topológico X seja fechado é mente convergentes, Neste capítulo e no seguinte, cstudaremos aspectos
Dp

necessário e suficiente que, para todo filtro P de partes de S que converge em 4 se tenha dessa estrutura, ao considerarmos as noções de aplicação uniformemente
lim bos. Vê-se, portanto, que a noção de limite segundo um filtro é suficiente para continua e de espaço métrico completo. Ao contrário do que fizemos no
caracterizar os conceitos topológicos, Cap. III, onde foi introduzida a noção geral de espaço topológico, não
trataremos neste livro do conceito de “espaço uniforme”. O leitor m-
teressado poderá consultar [Bourbaki!, especialmente o Cap. II.
Num espaço topológico há uma assimetria na maneira de dar sentido
à noção de “proximidade”. Por exemplo, dados um ponto à e um sub-
conjunto 8, num espaço topológico A, a expressão: “existem pontos de 5
arbitrariamente próximos de aq” tem sentido preciso. la significa que
tóda vizinhança de q contém algum ponto de B, ou seja, que a E B. Por
outro lado, dados dois conjuntos 4,B C X, em geral não tem sentido
dizer que “existem pontos «a& À e E B arbitririamente próximos um
do outro”. Em têrmos mais vagos, porém mais sugestivos, podemos dizer
que em qualquer espiço topológico X tem sentido afirmar que um ponto
variável x se aproxima de um ponto fixo a mas não tem sentido declarar
que dois pontos variáveis x,y E X se aproximam um do outro. Isto é
possível dizer quando X é um espaço métrico: x e y se aproximam um do
outro se d(r,y)) > 0.]
Esta estrutura adicional que os espaços métricos possuem, esta sime-
tria da noção de proximidade, se reflete na concepção de função continua.
Tem sentido considerar o seguinte tipo de continuidade para uma aplhica-
t34 CONTINUIDADE UNIFORME Cap. V & 9 CONTINUIDADE UNIFORME 135

ção fis Nijtx) ec f(y) podem tornar-se arbitrâriamente próximos, Prorosição 1 — Sejam AM, N, P espaços métricos. Se JM -—s Ne
desde que se tomem «x e y suficientemente próximos. Chega-se assim no g:N — P são umjormemente contínuas então goj:M —P é unijormemente
conceito de aplicação uniformemente contínua, contínua.
Também podemos considerar uma seqlência (x) em J e, em vez de
Cororário — Se J:M > N é uniformemente continua e AC MH então
indagar sc x, se aproxima de um ponto fixado «x E M, podemos perguntar
a restrição F|A é uniformemente contínua,
Se Ym € Z Se aproximam indefinidamente um do outro, à medida que m e n
crescem. Isto conduz à noção de sequência de Cauchy, que estudaremos OpsErRvAÇÃO — Pode-se ter f:3M/ —»N umiormemente contínua, 7
no Cap. VI, a seguir. sendo um homeomorfismo de df sôbre N, sem que o homcomorfismo in-
No presente capítulo, serão definidas aplicações uniformemente con- verso fl: df —s 43f seja uniformemente contínuo. (Vide Ex. 3.)
tinuas e métricas uniformemente equivalentes, das quais veremos diversos
exemplos. Teremos ocasião de examinar com mais detalhe o espaço S(X; 17) EXEMPLOS
das aplicações de um conjunto À num espaço métrico 47. Introduziremos
em S(X; M) à topologia da convergência uniforme, que mostraremos ser 1. Diz-se que uma aplicação 1: M —» N satisfaz à uma condição de
metrizável, e analisaremos o cferto de substituir a métrica de 37 por outra Lipschitz quando existe uma constante real c > 0 tal que d(ilx), fly) <
equivalente, na topologia de (NX; dh. < ec d(x,y) para quusquer x,y E MH. (Quando c = 1, tem-se uma con-
Um complemento importante aos resultados aqui obtidos é fornecido tração fraca; se O <c< 1,f chama-se uma contração.) Se f satisfaz à uma
pela Prop. 15 do Cap. VII, segundo a qual tôda aplicação contínua definida condição de Lipschitz então f é uniformemente contínua. Com cfeito,
num espaço métrico compacto é uniformemente contínua. dado e > O, seja O = ec. Quaisquer que sgam x, vy E MN com div. 1) < 8
tem-se da). ly) <ecdir, uy) <c- (ec) = e Segue-se que as se-
guintes aplicações são uniformemente contínuas. (Vide Ex. 1. 0) até q)
S 2. Continuidade Uniforme no Cap. II.) As aplicações constantes; as Imersões isométricas, em parti-
cular as Isometrias; as funções di: > R, onde À C 3 é um subconjunto
sejam df, N esnaços métricos. Uma aplicação f:1/-+N diz-se imitado e da(x) = dlz, 4): as projeções midi XX... X M,-— JH; de um
unijormemente continua quando, para todo e > O dado arbitririamente, produto cartesiano num dos seus fatóres: a aplicação canônica m:S?> P?
pode-se obter um é > O tal que d(e, y) < 6 implica d(j(x), jly)) < € sejum da esfera unitária no espaço projetivo; a métrica d:M XV =sR e em
quais forem x,y Cf. Um homeomortismo unitorme f:MSN é uma particular, a norma x > |x| de um espaço normado. Também é umfor-
aplicação biunívoca, uniformemente contínua, de d7 sôbre N, cuja inversa memente continua à adição E X E — E de um espaço vetorial normado £,
F:No> M também é uniformemente continua. Evidentemente, tóda pois |x+ty, <lz, +'y!. [Quanto à multiplicação por um escalar,
aplicação uniformemente continua é contínua, e portanto todo homcomor- (A, 2x) — Az, vide a seguir, lix. 4.] Tôda aplicação linear contínua f: E —» F
fismo uniforme é um homeomorfismo. é uniformemente continua. (Vide Prop. 6, Cap. II) Tôda função real
Enquanto que a continuidade de uma aplicação f: à — N é uma pro- f:f-R, definida num Intervalo 7 da reta e possuindo derivada limitada
priedade local (f é contínua se, e sômente se, cada ponto vz E MM possui uma em f [isto é: existe - > O tal que |f(x)| <,e para todo x E T] satisfaz. em
vizinhança V tal que 7|V é contínua) e topológica (não se altera se substitu- virtude do teorema do valor médio, à condição de Lipschitz lil) — fly): <
irmos as métricas de 1/ e N por outras equivalentes), a continuidade uni- <elz-—-gy| e portanto f é uniformemente continua, mesmo se 1 = À,
forme de f:f -» N é, por outro lado, uma propriedade global e não topo- 2.
Diz-se que uma aplicação f:M —N satisfaz a uma condição de
lógica. Com efeito, em primeiro lugar, a escolha do ô a partir de € deve Holder de ordem a, quando, para quaisquer x,y E M, tem-se d (f(x), f(y)) <
ser válida na vizinhança de todos os pontos de 1f; em segundo lugar, uma <ed(z,y*, onde c e « são constantes positivas. Se Isto ocorre, j
aplicação f: df —» N, uniformemente contínua, pode perder esta proprie- é uniformemente contínua. Com efeito, dado E < 0, seja 6 = (ec),
dade ao substitulr-se a métrica de 3Jf, ou de N, por outra topológicamente Se d(x,y) < 0 então dli(x), ly) < e- de = e Em particular, seja A
equivalente. (Vide Ex. 7.) o conjunto dos números reais x > O. A função f:R+*-— R*, definida por
A proposição abaixo é imediata. Ha) = Va, é uniformemente contínua, pois satisfaz à condição de Hôlder
CONTINUIDADE UNIFORME Cap. V & 3 MÉTRICAS UNIFORMEMENTE EQUIVALENTES 137
136

Note-se que / 5. Num espaço métrico discreto M, tôda aplicação f:M —N


| /2— y| < |r — y|'2, como facilmente se verifica.
é continua mas nem sempre uniformemente. Por exemplo, seja M =
não satisfaz a condição de Lipschitz alguma, poiso quociente dC (x3),
(9))/
4) não é limitado para = 41,1/2,1/3,...) com a métrica imduzida da reta. A função j: Ms k,
dt) = 1x — Vulila- yl = (vs
x,y E Rt. Anãlogamente, um cálculo elementar mostra que a função in) = n não é uniformemente continua,
g:R-—> R, definida por g(x) = x, satisfaz à condição de Hólder ESA z—
6. As funções $,9:R— (Op > R, deimidas por f(x) = 1jx e g(x) =
— Vyi <ec-lr— y|!8 com ce = 4, Logo, q é uniformemente conti- No primeiro caso,
= sen(l/x) são contínuas mas não unitormemente.,
nua, embora também não satisfaça a uma condição de Lipschitz. (Obser- D, para ter j(y) — J) = 1, enquanto
basta tomar x = ln, y= (nr
ve-se que f e q têm “derivada infinita” no ponto x = 0.) a distância [x — y| = 1/n(n + 1) pode tornar-se tão pequena quanto se
queira, desde que se tome à grande. No segundo caso, pode-se tomar
3. Paran>l a funçãoz-z”, de R em R, não é uniformemente
2=20Qn-— Drey = 2Qn + Dr. Então, lg(x) — g(y)| = 2, mas [x — Yi =
continua. (Supomos n inteiro.) À identidade
= Yt4n2-- Dr pode assumir valôres arbitririamente pequenos, desde que n

po r= (yo)... + att) aumente Indefinidimente,

fornece, para todo É > 0: 7. Sejam M =(0M,d) e N = (N,d;) espaços métricos e h:M > N
um homeomoriismo que não é uniformemente contínuo. No espaço df, q
H n n— métrica dx, w) = di(f(e), híy)) é equivalente à métrica original dl e agora
z l ) o J n ni l ro l r t—1
2 l
Dz n—t
pol tl = n—»
poe po. ha, dy N, dy) é uma isometria, donde uniiormemente continuo.
i=1

1 S 3. Métricas Uniformemente Equivalentes


Logo, se « > 1, tomando y = x +-—, tem-se y"— 2º > 1, muito cmbora
|

E
y— vw = lx possa tornar-se arbitririamente pequeno. Isto mostra que Duas métricas d, d' num espaço MM dizem-se uniformemente equiraentes
> x" não é uniformemente contínua se n é inteiro c maior do que 1. Por quando a aplicação identidade +: (MÊ, dc) -> (4, d) é um homeomorfismo
conseguinte, g:R5> BR, g(x) = Ve, ej:RtS Rt, fx) = x são homeo- uniforme
morfismos uniformemente contínuos, cujos nversos não são uniformemente
contínuos. Por outro lado, para todo n > 1 inteiro, a restrição de x — x”
EXEMPLOS
a qualquer subconjunto limitado vz C R é uniformemente continua. Com
efeito, se ix) < À para todo x E X, então a identidade acima mostra que
a" pl <no Ar — y| quaisquer que sejam x,y € X. Análoga- 8. Se existirem números reais m,n > O tais que d(x,y) < m- diz, y)
mente, todo polinômio p(v) = q + ax +...+ qa", restrito a um con- e de) <n-d(x,y) quaisquer que sejam x, y€ df, então as métricas
junto limitado X C R (em particular a um intervalo [a, bl), satisfaz a uma de d' serão uniformemente equivalentes, pois, neste caso, a aplicação iden-
condição de Lipschitz e portanto é uma função p: X — R umformemente tidade UM, DS (V,d) e sua inversa 48, do -—s (Jf, d) satisfazem
a condição de Lipschtz, com as constantes m e n, respectivamente. Logo,
continua.
; e 1º são uniformemente contínuas. Em particular, duas normas equiva-
4. Seja E um espaço vetorial normado, de dimensão > O. À multi- lentes num espaco vetorial E são uniformemente equivalentes.
plicação por cseulares, m:iRX E> E, mta) = t+ x, é contínua porém
não uniformemente contínua. Com efeito, seja vE E tal que ju| =1. 9. Outra consegiiência desta observação é que as métricas d(z, 4) =
As aplicações ):R'S RX E, 0) = (Li), ep:E>R+g(x) = Ixl, são =VDda,uy), dlxgy)=Ede,mn) ec dx,y) = máx. fdle,, Hi),
uniformemente continuas. Sem também o fôsse, seria uniformemente con- Cs Mes ud v= (Do X), y = (Yu... Ya), definidas no produto car-
tesiano M= HM, X...X M, de espaços métricos M,,..., A; são duas à
tinua à composta gomoôd:Rt — R*, pela: Prop. 1. Mas pomod :t > E,
logo não é uniformemente contínua. Segue-se, em particular, que a mul- duas uniformemente equivalentes. Com efeito, como se notou no Ex. 11,
tiplicação de números reais (x, 4) — xy não é uma função uniformemente Cap. II, tem-se dg, )< de )< dep) < no do, y), sejam quals
continua de Aº em A. forem x,y E M. Assim, as aplicações definidas, ou tomando valôres, no
138 CONTINUIDADE UNIFORME Cap. Y MUDANÇA DE MÉTRICA E ESPAÇOS DE FUNÇÕES 139

tn

a
espaço produto MM = 17, X...X M,, que são uniformemente contínuas meomorfismo inverso h!:J-—sR nunca é uniformemente contínuo. Com
em relação a uma dessas métricas o são igualmente em relação às outras efeito, se fôsse, existiria 0 > O tal que z,yEJ, lx- y| <6 implicariam
duas. (Vide Prop. 2, abaixo.) (o) — Aº(y)| < 1. Fixemos um inteiro n> O tal que (b — on < 0.
Dados x,y ? quaisquer, dividindo o intervalo de extremos Zy em à
10. Dado um espaço métrico (If, d), as métricas d' e d”, definidas partes iguais, por meio de pontos zm =Z Z,.., ZW, = y, teremos
por d(z,y) = mín. il, die, y)y e dr, y) = de, N/A + d(z, 3)), são unifor- m— za|<ô i=1,2..,n, e portanto |h(x) — Ar )| <a.
memente equivalentes a d. Com efeito, cada aplicação identidade 3: (17, d)-s n—l
S (Md) egj:(M,d) > (AÍ, d”) é uma contração fraca e portanto unifor- Daí viria |hi()—- GDS PD ha) - me )| <n. Em suma, se
memente contínua. As amversas “ :(L,d) (MD
i= 1
eg, dd) (Md) h"* fôsse uniformemente contínua, teríamos [h-!(2) — kIG)| <n (n fixo)
são uniformemente continuas, pelos motivos seguintes:
para quaisquer x, y€ J. Então h!:J-> Reseria uma aplicação limitada,
a) Se d(v,y) < 1, então d(z,y) = d(x,y). Assim, dado €> Ô, o que é uma contradição. Segue-se que as métricas limitadas em R, obti-
tome-se à = min. il,ej; se d'(v,y)<0 então de )=d(sy)c<ô<e, das através de homeomorfismos h:R —» J, de R sôbre um intervalo limi-
isto é, dx, y) < 6 implica d(x, 3) < e. tado, pela fórmula 9(x,y) = jh(x) — h(y)|, nunca são uniformemente equi-
b) Dado > 0, tome-se dO =e(l 4-6). Se d(x,y) < 8, um cálculo valentes à métrica usual da reta.
Imediato mostra que d(x, y) < e.
Segue-se que tôda métrica é uniformemente equivalente a uma métrica 13. Sega N=N, X...X Ne O produto cartesiano dos espaços métricos
limitada. N:;, com a métrica dº(x, y) = máx. dit, Yi). cs Xe pe) 2 = (Dto),
y = (o yr). Seja df outro espaço métrico. Uma aplicação f:H »N
11. Sejam M=(M,d)e N=(N,d,) espaços métricos. Dado um é uniformemente continua se, e sômente se, as aplicações coordenadas
homeomorfismo h : df — N, a métrica dz, y) = d(h(o), A(y)), no espaço df,
H:M — N,, definidas por f(r) = (flx),..., Intl), x E M são tôdas unifor-
é equivalente a d. Segue-se imediatamente das definições que d' é unilor-
memente contínuas. Com efeito, se f é uniformemente contínua, então
memente equivalente a d se, e sômente se, ; fôr um homeomorfismo uni-
cada fi também é, polis fi = p;ofe as projeções p:M — N, são uniforme-
forme. Em particular, a métrica (x,y) = [2º — 9º, na reta, é equiva-
mente contínuas. Reciprocamente, se f,...,J; são uniformemente conti-
lente, mas não uniformemente equivalente, à métrica usual d(t, 4) = xo yo,
nuas, dado e > O, existem 0,> 0,...,0, > 0 tais que d(x,y) < ô implica
pois : — xº* não é um homeomorfismo uniforme. Ainda na reta, a métrica dito, fly) <e try MM). Sela 0=mintõ,...,ô0r. Se zyeE ml
limitada 6“(r, 4) = mio. «1, 9(x, |)+ = mín. (1, [a* — 33.) é equivalente, mas
são tais que d(zr,y) < 0, então df), fly) = máx. (dlilo), 00)...
não uniformemente equivalente à métrica usual d(z,1) = rey. Com Cs HIuã), fely))) <€, o que prova a continuidade uniforme de j. Em
efeito, para todo x R suficientemente grande, ey= x + Hier, tem-se
virtude da Prop. 2, e do Ex. 9 acima, êste resultado ainda é válido ao ado-
01,4) = Le die, y) = 1/e; (cj. Ex. 3) logo, a aplicação identidade i : (Ro)
> (&, 0º) não é uniformemente contínua. tarmos em N = Ni X...X Ny uma das métricas dir, y) = VD Xi, 4)
Finalmente, as métricas (lr, y) =
= mín. il, lv— ylbeôd(e,y) = mín. (1, [x — 33 na reta, são limitadas ou dx, y) = 2 den), v= (25... te) y = (Yi).
e equivalentes mas não são uniformemente equivalentes pois à primeira é
uniformemente equivalente a d mas à segunda não é. 9 4. Mudança de Métrica e Espaços de Funções
à proposição abaixo é imediata consequência da Prop. L.
Proposição 2 — Sejam de d' (resp. dy e di) métricas uniiormemente Quando se substitui a métrica de um espaço M por outra, mesmo equi-
equwatentes no espaço AT (resp. no espaço N). valente, o conjunto S(X; M), das aplicações limitadas de um conjunto X
Se f:(37,d) = (N,d) é
uniformemente contínua, então f:(M, d) SN, &) também o é. no espaço 4f, varia, pois as aplicações que são limitadas segundo uma mé-
trica podem não o ser segundo a outra. Mas, ainda que o conjunto B(X; M)
permaneça o mesmo (o que acontece, por exemplo, quando a métrica ori-
EXEMPLO
ginal e a nova são ambas limitadas), sua topologia pode alterar-se ao pas-
12. Seja J = (a, 6) um intervalo limitado da reta é seja h:R> d um sarmos de uma métrica de M para outra equivalente. Nosso objetivo
homeomorfismo. [Por exemplo, J = (— 1, + D, h(o) = (1 + 2] O ho- neste parágrafo é analisar êste fenômeno.
140 CONTINUIDADE UNIFORME Cap. V SA MUDANÇA DE MÉTRICA E ESPAÇOS DE FUNÇÕES 147

Sejam,
pois, M um espaço métrico e X um conjunto arbitrário. Como Consideremos outro espaço métrico N. Uma aplicação vg:M >»>N
de costume, indiquemos com Y(X; À?) o conjunto de tôdas as aplicações de induz, nos espaços de funções corresponden-
X em. Dadasf,9 E XX; 47), põe-se d(f, 9) = sup.ídU(a), g(1)); « E X+. tes, uma aplicação x LL wem & N
A relação d(J,9) < o é uma equivalência em (4; MH); a classe de equiva-
lência de uma aplicação f : X — M é indicada com B,(X : 41). Cada BÁ(X; dº) o: HA AD > BAN) [ |
é um espaço métrico com a distância d acima definida; se df, g) < o, definida por pv. () = qo. E. (r)
BAX:M) = BMX; NM) e se dn) =, SHI) MIN BAN ID =D. O
Desejamos saber cm que condições q, é
espaço Y(X; M) das aplicações limitadas de X em df coincide com B(X; df) contínua. À mera continuidade de q não basta, conforme 2 proposição
onde c: X -—> M é qualquer aplicação constante.
segunte mostra:
Em cada um dos espaços B;(X; MN) escolhamos um “representante”
a«:X>M, Seja A o conjunto dêsses representantes. Sea PCA ce Proposição 3 — Sejam M, N espaços métricos e X um conjunto. Para
a = 8, então Ba (X;M) NB (X;M) = 45, logo que una aplicação p : MH — N enduza uma aplicação contínua es (NAD =
O (A; N), é suficiente que & seja unjormemente contínua. Se NX fôr in-
SX;M) = U Ba (X, df)
“aca Jinito, esta condição tunbém é necessária,

é uma reunião disjunta. [É claro que, se a métrica de M fôr limitada, Demonstração: Seja uniformemente contínua. Tomemos fa E R(N:M).
existe um único BdX;M) = WMX;3) = NX; 17.) Até agora, S(X; 1) Para mostrar que &, é contínua no ponto fo, seja dado e> 0. Como & é
tem sido considerado como reunião de espaços métricos, mas não como um uniformemente contínua, existe 0> 0 tal que se ,z EM ed) <o
espaço métrico. Definiremos agora uma topologia em is(A; J/), chamada então div(y). plz) <e2. Logo, se IEN(X;NM) e HftI)< O então
a topologia da convergência uniforme. Logo mais mostraremos que essa
sup. Hell), El) zCX)<e2<e donde el, e) <e o
topologia é metrizável, mas observamos que não existe uma métrica natural que conclui à demonstração da primera parte. Reciprocamente, supo-
para $(X; à7), salvo no caso óbvio em que df é Iimitado, nhamos que q não seja uniformemente continua. Então; existem sequên-
A topologia de W(X; 17) é definida declarando-se que um conjunto cias de pontos en E dO tais que den, im) — 0 mas del, e MW) €,
UC WMX; M) é aberto se, e sômente se, UM Ba(Ã; 1!) é aberto em Ba(Ã ; di) para um certo e > O fixado. Como X é suposto infinito, existe em X
para cada « E!4. Em outras palavras, os abertos de S(N; df) são os sub- uma sequência cnrumerável de clementos distintos q e podemos definir uma
conjuntos abertos de cada Bo(X; MM) e suas reuniões. lim particular, cada aplicação Ff: NX = HM tu que flar) = zm (fazendo, por exemplo, f constante,
Ba — BalX; MM) é aberto em & = S(X; 47). Além disso, como Ba = 3 — Igual a 74, nos demais pontos que por ventura existam en X). Consideremos
— U By, cada B é também fechado em 3. À topologia que 3 induz em agora uma sequência de aplicações h:N > SF tais que fala) = y. mas
fa
h =f nos pontos de X diferentes de q. Então A, D = He, py) 0,
cada By coincide com a que Ba já possuía, Se X fór um conjunto Infiuto
donde ju —f em S(X: A). Por outro lado die (ii). 24) = deo(lfila),
e a métrica de 17 fôr não limitada, então nem tóda aplicação Ff: A — d/
ea) = dio(y), ele)) 2 e. Isto mostra que q, não é contínua no
é limitada. Em outras palavras, B(X; df) = g(N; dl). Segue-se que,
ponto FO R(X: d/), e completa a demonstração.
neste caso, W(X; 17) é um espaço topológico desconexo, pois B(X; 47) é um
subconjunto aberto e fechado de S(X; lf), que não coincide com o espaço
Opservação — Na demonstração acima, parece têrmos tratado
todo e certamente não é vazio. (Vide Cap. HI, $7.)
CX; ST) e F(X;N) como espaços métricos, sem havermos ainda definido
Em geral, diz-se que um espaço topológico Y é soma topológica de uma métricas nestes espaços. Na realidade, não consideramos acima a
família de subespaços (Vossa, quando Y = U Yo o Yo são dois a dois distância entre dois elementos arbitrários em tals espaços. Apenas to-
disjuntos e cada um dêles é aberto (e consequentemente fechado) em Y, mamos algumas vizinhanças de pontos. Ora, o conjunto das aplica-
Assim, XX: M) é a soma topológica dos espaços Ba(X:; AD). Numa soma to- ções que estão a uma distância fimta de uma aplicação dada 4 é uma
pológica, tudo se passa como se, em vez de subespaços do mesmo espaço À, OS vizinhança aberta de h (por definição) e nesta vizinhança há uma métri-
espaços Y fôssem totalmente findependentes uns dos outros. (Por exemplo, ca compativel com sua topologia. Ose's e d's tomados acima, referem-se
nenhum ponto y & Y» pode ser limite de pontos pertencentes aos demais Va). a tal métrica.
142 CONTINUIDADE UNIFORME | Cap. Y 5 5 EXERCÍCIOS 143

CoroLárIO | — Se uma segiência de aplicações jn: X —» MH converge EXEMPLO


uniformemente para J:X->»MH ese gp: —»N é uniformemente continua,
então ph: X>N converge undormemente para pr FJ:X SN, 14. Seja X um conjunto infinito. Considerando na reta PR à métrica
natural d(z, y) = |x — yl, o espaço F(X; R) é desconexo pois o subcon-
É imediato verificar que se g:M —» N fôr uma correspondência biu-
junto S(X; R), formado pelas aplicações limitadas F:X SR, é aberto,
nívoca, q: S(X;M) > F(X;N) também o será e (gg)! =(gd.
fechado, não-vazio e diferente do espaço inteiro. (Vide Cap. III, 87.)
Segue-se O
Indiquemos com J o intervalo aberto (—1,-H-1). O homeomortismo
CoroLário 2-— Se pg: ->N Jór um homeomorfismo uniforme h:R—J, definido por A(r) = zx/(1 + |z|), dá origem a uma métrica
Pr S(X;ÃO) > E (X;N) será um homeomorfismo, cujo anverso é dile, y) = |h(x) — h(y)| em R, a qual é equivalente, embora não unifor-
(0 CX N) S SAD). memente, à métrica usual d. Seja R, = (R,d). Como d; é limitada,
UCA; 1) é um espaço métrico e, na realidade, hs :M(X;R)>S MX;J)
CoroLário 3 — Se pq: —>N, além de uniformemente continua, Jór é uma isometria (em particular, um homeomorfismo) como é imediato veri-
uma aplicação limitada (em particular, se a métrica de N fór limitada) então fear. Ora, Y(X; J) é um subconjunto convexo do espaço vetorial normado
2X; HH) CSA; N)e a restrição de p, a cada So(X; AD) é uma aplica- B(X; 8). Logo, S(X;J) é um espaço topológico conexo. Segue-se que
ção uniformemente continua Ba(X; M) > B(X:N). S(X; R,) também é conexo e, por conseguinte, S(X; R1) não pode ser ho-
A continuidade uniforme de q, |Ba(X; HM) resulta da demonstração meomorto a W(X:; R).
da Prop. 3 acima.

Osservação — Dada gq :4M — N uniformemente continua, nem sem- S 5. Exercícios


pre se tem q (Ba(X; MD) C BocalX; N).
1. Um polinômio p:R=>R é uma função uniformemente contínua em PR se, e
CoroLário É — Duas métricas unijormemente equivalentes num espaço sômente se, tem grau < 1.
M definem a mesma topologia em S(X:; AD), Se ambas as métricas forem,
2. Seja f:J>R uma função derivável num intervalo Y (aberto ou fechado, li-
além disso, limitadas, elas definirão em S(X;AP) = MN: ID métricas uni- mitado ou não) da reta. Para que f seja uniformemente contínua em J, É necessário
Jormemente equivalentes. e suficiente que sua derivada f' seja limitada em J. A função f(x) = sen(x”), onde n E N
é fixo, é uniformemente contínua se, e sômente se, n = Ooun = L
CoroLário 5 — Sejam quais forem o congurto X e o espaço métrico df,
à Todo homeomorfismo À : R — J, sôbre um intervalo limitado J | é uniformemente
o espaço topológico S(X; AT) é metrizdvel.
contínuo. E necessário supor À um homeomorfismo?
Com efeito, existe sempre uma métrica limitada «”, uniformemente
4, Seja M um espaço métrico conexo limitado. Se f:M -—» N é uniformemente
equivalente à métrica d de 7 e portanto a topologia de S(X: 1) é a mesma continua, então f(M) é limitado, As hipóteses feitas sóbre 1f são indispensáveis.
de S(X;M9, MH' = (M,d), sendo esta última metrizável, definida pela
d. Seja f:R— 40; > R definida por ftx)=0Oser<0efir)=1Isezx>o.
métrica de B(X;175 = S(X;M9. En
tão, f é contínua mas não é uniformemente contínua. Creneralize, considerando uma fun-
Note-se que a métrica de S(X; AM) acima é natural porque resulta, ção de Urysohn (vide Cap. III, 85), de um par de fechados FOGCM, com NG=A,
sem escolhas arbitrárias, da métrica de Mf'. Entretanto, quando se parte df, G) = O. Por outro lado, se Fr, GC M são fechados, com dF,)>0eJ:M5N
de M, não há, entre as métricas limitadas que são uniformemente equiva- é tal que f(1Mf — FP) e FI(M — G) são uniformemente continuas, então / :M -s A” é uni-
lentes a d, uma que se imponha sôbre as demais, de modo que apenas a to- formemente contínua.

pologia de S(X: 17) é natural, 6.O conjunto das aplicações uniformemente continuas Ff:M SN é fechado no
espaço CM; N) e portanto em S(17;N). Se E fôr um espaço vetorial normado, então
Se duas métricas de d em M são apenas equivalentes, as topologias as aplicações uniformemente contínuas $:M >E formam um subespaço vetorial de
que elas determinam em S(X;M) e S(X;M9 podem ser diferentes, isto é, S(M;E). SeE=Rej!,ge S(M; R) são uniformemente contínuas e limitadas, então
a aplicação identidade + : G(X:M) > FX: M9 pode não ser um homeomor- o produto f. q é uniformemente contínuo,
fismo. [Estamos escrevendo M =(M,) eM'=(M,d))] Mais do que * Para que /:M >» N seja uniformemente contínua, é necessário e suficiente
isso, pode acontecer que não exista homcomorfismo algum de F(X:; M) sôbre que tn, Yn) — O implique d(f(r), Sly) — O, sejam quais forem as sequências (ra) €
S(X; MM), conforme se vê no exemplo seguinte, (un) em M.
144 CONTINUIDADE UNIFORME Cap. V ss EXERCÍCIOS 145

8. Sejam X um conjunto arbitrário e E um espaço vetorial normado. O espaço fôr limitada (mesmo descontínua) então f tem a p.e.f. SeJj tem a p.e. f. então f trans-
topológico S(X; E) das aplicações /:X > E é localmente conexo por caminhos e suas
forma conjuntos hmitados em conjuntos limitados. Recíproca falsa: x +22, “Se j
componentes conexas são as “variedades afins” B(X:B) =I+RBX:B)=fg:X 5 E;
satisfaz à uma condição de Hólder então J tem a p.e.f. SeM fôr um cubconjunto con-
df, 9) < os. vexo de um espaço vetorial normado, então tôda aplicação uniformemente contínua,
f:M >»N tema p.e.f. Seja f:M >kR um homeomorfismo uniforme de um
9. Seja X um conjunto infinito. Dadas /,g:X >R, a aplicação É:R > F(X;R), espaço
métrico hmitado M sôbre a reta R. Então, f é uniformemente contínua mas não tem a
definida por &B) = t+ (1 —- dg, é contínua se d(f,9) < o. Se, porém, dj,9g) = o,
pef Sep:M->Ntemap.e.f. então (BaX;M) C BoalX; M).
então & é descontínua em todos os pontos t € R. Segue-se, em particular, que a aplica-
ção (,)>tf, de R X B(X; R), em M(X; R) é descontínua, Por outro lado, como S(X; R) 15. Dadas duas funções reais 4, g: X > R, definamos FJUgefiNg como funções
é um espaço vetorial normado, a restrição R X $(X; R) > YPtX; R) dessa aplicação é de X em R assim: (/U 9) (x) = máx.( f(x), (e), ING (1) = mín. (fx), gta). Se X
contínua. Greneralizar para (X :&), onde É é um espaço vetorial normado 0, é um espaço topológico e f, g são contínuas, então fUgejfg são contínuas.
Se X é um
espaço métrico e 7, q são uniformemente contínuas, então SU ge f Mg
10. Dado um conjunto arbitrário X, seja Ms (X;R) o espaço das funções reais são uniformemente
contínuas,
f:X > EK, com a topologia da convergência simples. As operações (L)>J+g é
(t, D) —t - f são aplicações continuas de js X jk em Ws é de R X iss em 15) respectiva- 16. Espaços uniformes. A noção de espaço umforme é uma extensão natural dos
mente. Isto se exprime dizendo que J(X;R) é um espaço vetorial topológico. [Uma conceitos de espaço métrico e de grupo topológico, permitindo que
a idéia de aplica-
consegiiência da continuidade de (t, ) — tf é que f —» —f é contínua, logo %s é, em parti- ção uniformemente continua tenha sentido em condições
mais gerais.
cular um grupo topológico aditivo.) Outros exemplos de espaços vetoriais topológicos Uma estrutura uniforme num conjunto X é uma coleção 11 de subconjuntos
são os espaços vetoriais normados. O exereício acima mostra que, se X fôr infinito, UC AX XX
com as seguintes propriedades:
então W(X; R), com a topologia da convergência uniforme, não é um espaço vetorial to-
pológico, “Todavia, a adição (/,9g)—»J +g e a aplicação / —> —j são operações contí- 1) Todo U GU contém a diagonal AC XX x:
nuas, que fazem de jS(X; R) um grupo topológico, 2) seUVEMentãounvell:
3d) se VEÃevyvcoF então Vell;
11. Dados os grupos topológicos G, H, mesmo não metrizáveis, tem sentido falar
de uma aplicação uniformemente contínua f:G — H. Isto significa que, dada uma vi- 4) se VU EU então U- Cl, onde U- = )EXXN(r, 9) EU:
o) dad o UE U, existe Vel tal que (r)EeVe ly,
zinhança arbitrária do elemento neutro «ElH, existe uma vizinhança U do elemento EV implicam (r, 9EU.
neutro e € G tal que, para quaisquer x,y E G com zy | € U, tem-se jtx)ftyy1 E V. Tôda Exemplos de estruturas uniformes: q) Dado um espaço mét
rico M, seja H a coleção
aplicação uniformemente contínua f:G—> H é contínua, Todo homeomoríizmo contí- dos conjuntos UVc= (NEM x Mi dz, w) <e) onde e> 0 é arbitrário, b) Dado
nuo q :G& — H é uniformemente contínuo. um grupo topológico G, seja 1] a coleção dos conjuntos |U] =
is) ECEXGryr' et,
onde U é uma vizinhança arbitrária de elemento
NOTA — Esta noção de continuidade uniforme coincide com a usual no caso do neutro ec E G,
grupo aditivo de um espaço vetorial normado. Mas, por exemplo, considerando 0 grupo Um espaço uniforme é um par (X, 1), onde X é um con
junto e ll é uma estrutura
multiplicativo R* dos reais > 0, a função x — x? é uniformemente contínua no sentido uniforme em X. Dados os espaços uniformes (X, WU) e (Y,
8), uma aplicação f:N > Y
do grupo R*, embora não o seja no sentido usual. Em geral, qualquer que seja o grupo diz-se uniformemente continua quando, para cada VE
R existe UC Utal que(z,) EU
topológico €, a aplicação m:G XG> 6, m(z,y) = ry, é uniformemente contínua no implica (Hs, IV EV A composta de duas aplicações uniformemente contín
uas ainda
sentido da estrutura de grupo topológico de G. No caso do grupo multiplicativo R*, à tem essa propriedade. Um isomorfismo de espaços uniformes é uma aplicação
unifor-
aplicação log : R* —» R é um isomorfismo sôbre o grupo aditivo dos reais, portanto s > 4º memente contínua que possui uma inversa uni
formemente contínua,
é uma função uniformemente contínua em relação à métrica di(z, 1) = logz — log 3! Em todo espaço uniforme X existe uma topologia natural,
definida do seguinte modo:
em +, um subconjunto 4 C X diz-se aberto quando,
para cada x CE X, existe U cl tal que
Cy CU implcayE A. Toda aplicação uniformemente contínua Ff:X > Té
12. Sejam E, F espaços vetoriais normados. Uma aplicação vp:E XE > F diz-se con
tinua em relação às topologias naturais dos espaços
uniformes X e V Duas estrutu-
bitinear quando q(z + zw) = (rw) E etr,y), Az, W) = A-y (x,%) e anãlogamente ras uniformes em X são chamadas equivalentes quando
para a segunda variável. (O exemplo típico é a multiplicação de números reais.) Uma induzem a mesma topologia em À.
aplicação bilinear y é contínua se, e sômente se, existe uma constante m > 0 tal Exemplo: as estruturas uniformes definidas por métricas equivalentes num espaço
métrico
que [dr W)| <mlxl |y| quaisquer que sejam x,y
E E. Nenhuma aplicação bili-
M.

near é O é uniformemente contínua.

13. Seja A um subespaço do espaço métrico N. Se tôda função real contínua


f:M — k fôr uniformemente contínua, então MZ é fechado em N.

l4. Digamos que uma aplicação f:M — N tem a p.e.f. (propriedade da extensão
finita) se, para cada r > OQ existes > O tal que diz,y) <r implica dt), ly) < 8. Sef
E o

A. SEQUÊNCIAS DE CAUCHY 147

Dada uma segiência (x,) no espaço métrico X ponhamos, para cada


nEN,Xa = (Zn %r.-.j. Como de costume, indiquemos com X,)
o diâmetro do conjunto À,.
Proposição | — À segiência (x) é de Cauchy se, e sómente se,
lim d(X,) = 0.

Demonstração: Com efeito, diz, Zn) < € para quaisquer 9», n > mM
equivale a dizer que 9(X,) < e para todo n > no.

Espaços Métricos Completos CoroLário — Fóda segúência de Cauchy é limitada,


ad
Com efeito, A,j= (2... Zn] U À. Sendo (x,) uma sequência
Capítulo VI de Cauchy, existe no tal que n > no implica d(X,) < 1. Logo, X, é Iimitado,
isto é, a sequência (x,) é limitada, |
Proposição 2— a) Tôda subsegiiência de uma sequência de Cauchy
8 1. Introdução é também uma sequência de Cauchy.
b) Tôda segiência convergente é uma segiência de Cauchy.
Dada uma segiência (x,) num espaço métrico M, a única maneira que
possuímos de provar sua convergência consiste em exibir x = lim x. Mui- c) A imagem de uma segiiência de Cauchy por uma aplicação unifor-
tas vêzes, porém, não se necessita conhecer explicitamente lim z, mas apenas memente contínua é uma segiência de Cauchy,
saber que êle existe. Daí a utilidade das condições suficientes para a exis- Demonstração: a) Óbvio.
tência do limite, ou seja, dos “critérios de convergência”. (Por exemplo, b) Seja lmz, — 2x. Dado e> O, existe n tal que m,n> %
tôda sequência de números reais não-decrescente e limitada é convergente. implica diam r)<e2 e dx,x)<e2 donde dr Lt) < dz 0) +
Cf. Cap. IV, Ex. 4.) O mais conhecido dêstes é o critério de Cauchy, segun- + dA Tt) < e Portanto, (rm) é uma segiiência de Cauchy.
do o qual uma sequência de números reals x, é convergente se, e sômente se,
c) Seja f:M —N uniformemente contínua e seja (x,) uma segiiência
lim jim— m|=0.
mM, n> 0 de Cauchy em M, Dado e> 0, existe 3>0 tal que dO, Iy)) < é
Estudaremos, neste capítulo, os espaços métricos M nos quais o critério sempre que x,y M e d(z,y) < ô. Existe também no, tal que m,n > mM
de Cauchy se aplica, isto é, uma seguência (7) em 3? converge se, e sômente implica d(tm, Zn) < 0 e portanto dx), x) < e Isto mostra que
se, lim zm, Li) = 0. (x,)) é uma segiiência de Cauchy em N.,
mn
CoroLário — Duas métricas uniformemente equivalentes no mesmo es-
Uma das utilidades dos espaços completos é que nêles é possível de-
paço M determinam as mesmas segiências de Cauchy em M,
monstrar teoremas de existência para elementos satisfazendo as condições
dadas. A grosso modo, procura-se construir, passo a passo, uma segquên-
eia de Cauchy cujos elementos x, estão mais e mais próximos de satisfaze- EXEMPLOS
rem às condições dadas. Sendo df completo, existe x = lim x,, ponto que
deverá satisfazer exatamente a tais condições. 1. Seja Q o conjunto dos números racionais, com sua métrica natural
d(x, y) = lx — yl. Seja (z,) uma segiiência de números racionais tal
que x = imgz, éirracional. (Por exemplo, t= 30 =3,1;7;=3 Idj..
82. Sequências de Cauchy et =7%-) À segiência (x,) é convergente em R e portanto é uma se-
quência de Cauchy em R, pela parte b) da Prop. 2. Os têrmos x, pertencem
Diz-se que uma sequência (x,), num espaço métrico 1f, é uma segiên- todos a (), cuja métrica é induzida de R, logo, (x,) é uma sequência de Cauchy
cia de Cauchy quando, para todo e > O dado arbitráriamente, é possível em &, a qual não converge neste espaço, Mais geralmente, se X é um sub-
obter ns E N tal que m,n > no implica dlza, LT) < E. conjunto não-fechado de um espaço métrico M, existo uma sequência de
148 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 53 ESPAÇOS COMPLETOS 149

pontos Z, E À que converge em M para um ponto zG M — X. Consi- Demonstração: Dado e > 0, existe nº tal que ny > nº implica d(zn,, 2) <
derada como uma segiiência de pontos no subespaço X, (x,) é uma segijên- <e2. Existe também n” tal que d(zm, vn) < €/2 sempre que m,n > n”,

TES
cia de Cauchy não-convergente.,

2. Sef:M -—»N é apenas contínua, pode-se ter uma segiiência de


Cauchy (x,) em M cuja imagem (J(x,)) não é uma sequência de Cauchy
em N. Por exemplo, sejam MH = kR- (0), N=Rejlg)=lir. A gse-
quência de pontos x, = l/nr é de Cauchy em M mas (J(x,)) = (1,2,3,...)

DS
não é uma segiiência de Cauchy. A propriedade de transformar segiiên-
cias de Cauchy em sequências de Cauchy não é característica das aplicações
uniformemente contínuas. Por exemplo, /:kR > R, definida por f(x) = q?
tem esta propriedade. Mais geralmente, se M é tal que tôda segiência
de Cauchy em M é convergente (vide 83) então tôda aplicação contínua
f:M -—»N (uniformemente contínua ou não) transforma segiências de
Cauchy em segiências de Cauchy. Seja no = máx. (n,n't. Sen > no, podemos escolher n; > no e teremos
dxn, 2) & d(t,, Li) + din, 2) < 2 +62 = e Logo, g Sgt.
3. Seja P = (1,1/2,1/3,..., 1/n,...) com a métrica induzida da
reta. Uma segiência (x,) num espaço métrico M determina uma aplica-
ção j:P-—> M, com f(ljn) = z,. Como P é um espaço discreto, f é sempre S 3. Espaços Completos
continua. Para que f seja uniformemente contínua, é necessário e sufi-
ciente que (z,) seja uma segiência de Cauchy. Diz-se que um espaço métrico M é completo quando tôda segiiência de
Com cfeito, sendo n — 1/n
uma segúência convergente em & e portanto de Cauchy em P, sua Imagem Cauchy em M é convergente.
Cn) = (tn) será de Cauchy em M se f fôr uniformemente contínua, Segue-se da Prop. 2, item €) que se M é completo e N é uniformemente
Reciprocamente, se (x) é de Cauchy, dado e> 0, existe no tal que homeomorio a M então N é também completo. Mas se M e N são apenas
m,n > no implica dita, Tn) < e. Seja 8 = I/no2. A menor distância homeomorfos então M pode ser completo sem que N o seja. Em outras
entre 2 pontos distintos de conjunto (1, 1/2, ...,1/no) é Ino — 1) — palavras, ser completo não é uma propriedade topológica.
— 1/no = 1Cno — Dro > 1/n9? = 0. Portanto, se dl/m, 1/n) < 0,0um = n
ou então m,nr2 no. Em qualquer caso, d(ljm, 1/n) < ô implica
EXEMPLO
Sm), Fn)) = d(zm, Tn) < €; logo, f é uniformemente contínua,

4.
Sea df = M, X ... X My um produto cartesiano de espaços mé- d Seja P = (1,1/2,...,1/n,...). Com a métrica d(z,y) = |x-yl,
tricos. Uma sequência de pontos x, = (Li... ,Lk)E M é uma segiiên- induzida da reta, P não é completo, pois (1/n) é uma segiiência de Cauchy
cia de Cauchy se, e sômente se, para cada 1 = 1,...,k, não convergente em P. Sendo P discreto, a métrica d'(x,y) = 1 para
a sequência de
t-ésimas coordenadas (Ty, Xm..., Zn...) é de Cauchy em M,. Com txyedcti(r,y)= (0 é equivalenteaà métricad. Mas o espaço (P,d” é
efeito, sejam P=[1,1/2,..,ln,...yY e F:PS5M, In) =x Em completo pois tôda seqiiência de Cauchy relativamente a d' deve ser cons-
virtude do exemplo acima e do Ex. 11, Cap. V, as seguintes afirmações são tante a partir de uma certa ordem, e portanto convergente.
equivalentes: 1) (7n) é uma segiiência de Cauchy em M; MD)Íf:P5M é O exemplo mais importante de espaço métrico completo é a reta. A
uniformemente contínua; iii) cada 4:P > M,;, definida por fi(l/n) = tm proposição que se segue é devida a Cauchy.
é uniformemente contínua; iv) cada segúência de coordenadas (Xi) EN,
é de Cauchy em MH. Proposição 4 — O conjunto R dos números reais, com a métrica usual
Proposição 3 — Seja (x) uma segiência de Cauchy num espaço mé-
d(z,y) = |r— yl, é um espaço métrico completo.
trico M. Se alguma subsegiência (z,,) converge para um ponto tzE M, Demonstração: Seja (x») uma sequência de Cauchy de números reais,
então (xn) também converge para o ponto z. Para cada n, ponhamos X, = fz, Zn...) e q = inf. X. Como
150 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 53 ESPAÇOS COMPLETOS 151

X,D ..., obtemos assim uma sequência cres- Para cada vE X, temos fmtx), Íntx)) & dJm tn) e portanto
(x,)é limitada e XD XD
Segaa= Ima, Gia), Jd), . o fnlz),...) é uma segiência de Cauchy em 4f. Sendo M
cente limitada de números reasm Cu <...<mn<....
completo existe, para cada vxE X o limite f(x) = limfi(x) E M. Isto
Afirmamos que a = lima, Pela Prop. 3, basta demonstrar que existe
uma subseguência (x,,) convergindo para a. De acôrdo com a Prop. 3, define uma aplicação |: X —» M para a qual a sequência de aplicações fa
Cap. IV, é suficiente provar que todo intervalo (a— e ate, e>60, converge simplesmente. Para mostrar que a convergência é uniforme, to-
contém pontos z, com n arbitrâriamente grande, Ora, dado qualquer memos arbitrãriamente e > O. Existe n) E N tal que m,n > RN Implea
n,, existe m > ny com a-€ < Ga <a-+e. Sendo Qu = INT. Xp, Om < A+ € Mm hn) < e e portanto AJn(x), fnlx)) < e para todo E 4. ÀÁssm, se
implica que existe n>m (e portanto n > n1) tal que an S In < ade, n> no temos dJ(), fixo) = Bim. dPnl£), fnkx)) < e, seja qual fôr « E X.
isto é, 2, E («+ e a + €), como queriamos demonstrar. na“

Logo, dJ,1.) < e para todo n > mn. Em particular Aj,h) < o, donde
Na proposição abaixo, M = M, X...X My pode ser tomado com qual-
1E€ Ba(X: 11) e, como queríamos demonstrar, lim f, = f no espaço Ba (X; 41).
quer das 3 métricas usuais.
Cororário— Deda «:X>M, seja Ca(X; M) o conjunto das apt
Proposição 5— O produto cartesiano M = M, X...X Mi é completo o Se df é completo,
cações continuas f:X>»M tais que d(f,0)<
se, e sômente se, cada um dos fatóres M,..., My é um espaço métrico completo. uniforme dl, 9) =
SalX; M) também é completo em relação à métrica
Demonstração: Sc cada M, é completo, dada uma sequência de Cauchy = sup.idÇ(o), gu) ve As.
(r,) em M, cada uma das sequências de coordenadas (%n;)n Ex é de Cauchy Com efeito, Ga(X:; M) é um subconjunto fechado do espaço métrico
em MH, (Ex. 4) e portanto convergente em 4f;. Segue-se que (74) converge completo Ba(X: M), de acôrdo com o Corolário da Prop. 17, Cap. HI,
em M (Ex. 9, Cap. IV) e portanto 47 é completo. Reciprocamente, se um
dos fatôres (digamos, M, para simplificar a escrita) não fósse completo,
existiria uma sequência de Cauehy (3) não-convergente em 4f,. Fixemos EXEMPLOS

arbitrariamente pontos 4, € Ms.,...,0, E My. À sequência de pontos 7, =


6. Seja 1 =[a,b] um intervalo fechado e limitado da reta. O
= (WO. sm) E M seria de Cauchy, pois dam Zn) = d(Ym, Yn) € não
conjunto Go = Go(7; R) das funções contínuas limitadas em f é completo
convergiria em 4f, logo M não seria completo.
relativamente à norma |f— 9| = sup. (IXw)-g(x)|; «E 1. Entretanto,
CoroLÁrIO — O espaço euclidiano R” é completo. & a norma |f— gli = f
b
fla) — gx) dr,
'
Go
me
não
se considerarmos em
Prorosição 6 — Todo subespaço fechado de um espaço métrico completo será mais completo. A fim de tornar & completo relativamente a esta nor-
é também completo. Reciprocamente, um subespaço completo de qualquer mé- ma, é preciso acrescentar-lhe as funções integráveis no sentido de Lebesgue.
trico é jechado.
7. O intervalo aberto (— 1, +1) não é completo em relação à métrica
Demonstração: Seja FC M fechado, AM completo. Dada uma se- |z — %|, pois não é um subconjunto fechado da reta. Mas
usual d(x, y) =
quência de Cauchy formada por elementos x, E F, existe lim zm = zE HM. o homeomorfismo A:(— 1, + 1) > R, definido por A(x) = z(1 — 2), define
Como F é fechado em 1f, zE F (Prop. 7, Cap. IV). Logo, F é completo. em (- 1, + 1) uma métrica di(z,y) = |h(x) — A(y); relativamente à qual
Reciprocamente, se SC M é completo e uma segiiência de pontos tn E S (— 1, 4 1) é um espaço isométrico à reta R e portanto completo.
converge para um ponto vzE MH, então (x) é uma sequência de Cauchy
Prop. 2, item b!. Sendo S completo, existe v' E S, x = limza Pela 8. Todo subconjunto aberto A de um espaço métrico completo M
unicidade do limite, v' = x. Logo, zE S e portanto S é fechado em df. é homeomorfo a um espaço métrico completo. Com efeito, seja f:M > À
uma função contínua que se anule exatamente nos pontos de 4 — A, como
Prorosição 7 — Sejam X um conjunto qualquer e M um espaço mé- por exemplo, f(x) = d(x M — A). Definamos g:4 -—»R pondo plz) =
trico completo. Dada qualguer aplicação a:X > M, o espaço Ba (X;M) = = li(x); & é contínua e «(x) tende para «e quando x se aproxima da Íron-
= 1tJXSH; df,o) < o) é completo relativamente à métrica d(f, 9) = teira de 4, O gráfico de &, 6 = f(x, p(x); x E A; é um subconjunto fe-
= sup. AdJ(x), 9(x)); 2 E As. chado de MXR, pois G=[()EMX R;tix) = 1). (Atenção: o
de Cauechy em Bal(X; M). Ex. 20 do Cap. III, segundo o qual o gráfico de uma função contínua
Demonstração: Seja (fr) uma segúência
CARR

152 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 53 ESPAÇOS COMPLETOS 153

— Dados
Lema v= (x) ey=(y) em H, a série de números reais
f:M>SR é um subconjunto fechado do produto M X k, não se aplica
aqui, pois q não é definida em todo o espaço M, nem num subconjunto fe- D x,y: é absolutamente convergente e | Ex; yi| < Dixm, < jeicjyl.

Demonstração: Para cada k E N temos, em virtude da desigualdade


de Cauchy (Cap. I, Ex. 2):

Dun < Dm yo vês elo


F k: k

t= = =

Logo, as somas parciais da série de têrmos não-negativos 2 |2; y| são limi-


tadas pelo número |x|-|y|. Segue-se do Ex. 4, Cap. IV que Z|z; w| cona
verge para um limite < lx|-[y|. Pelo Ex. 9 acima, Sa; y; também con:
verge, e o lema fica estabelecido.
Resulta do lema que se x = (x) e y=(%k) pertencem a E, então
Um espaço completo, homeomorio a A? — (04. 2 +y= (x; + y) também pertence a H pois, para cada k E N,
k k k k
chado de M.) Logo, G é um espaço completo, com a métrica induzida de Ei th
2 (x4 + yu)" = 2. o + x gi + 2 2.
M X R. Mas sabemos que a projeção de 4 X R sôbre 4 define um ho- = (=

meomorfismo de G sôbre A. Isto demonstra a afirmação feita. Segue-se


Fazendo k-» o, vem E(x+tyt= Br +Zy+2Zãay< o, como
que
queríamos demonstrar. Também se AC e zEf, àÀz = (hM) EH,
1 : como se verifica imediatamente. Em relação às operações z + y e Az
do )= EM=-A alM=A) | acima definidas, H é um espaço vetorial, no qual está definido um produto
é uma métrica de À, equivalente à métrica original, e À é completo relati- interno <x,y> = Ex;y com as propriedades usuais: <7,y> =
vamente a d,. (Para uma extensão dêste resultado, vide Cap. IX, Coro- =lyt>D, <rtyeD= <r,z> + <gyz>;, <Ag,y>=AÃ<E y>,
<rez>>0e parazxoO <zx> > 0 Seguese do lema que
lário da Prop. 7.)
Uma série Zz, em E diz-se <exy>i< Ir): lyl. A aplicaçãoa > [al = V< «x > é uma nor-
9. Seja E um espaço vetorial normado.
absolutamente convergente quando a série de números reais 2 |7n| é conver- ma em H. Com efeito, temos |x+y| = V<z+yzxty>s

gente. Se E fôr completo relativamente à sua norma, tôda série absoluta- -vVkP+pP+2<ry><s very a<ay >| <
mente convergente em E é convergente. Com efeito, sejam 8, = %1 + < ve ly ty = [e +iyl. As demais propriedades da
+treo = igl+...+iz|. Tem-se isa — 8| < |Om— G|. Como norma são imediatas.
a segiiência (9,) é convergente, e portanto de Cauchy, segue-se que (s,) é H é completo relativamente à métrica |z — y |= vs (x;— Yi)?
O espaço
uma segiiência de Cauchy em E. Sendo E completo, (s,) converge, isto é, Para cada nE N,
Com efeito, seja (x) uma sequência de Cauchy em H.
a série 2x, é convergente, ... Eni. ..) Vixa do qual quer 2: € N, temo s Um — Xi] S
temo s 2, = (Za
10. A reciproca é falsa. A série de números reais 1 — 1/2 + 1/3 — Llzm — %n!, logo, (Ln)nEn é uma sequência de Cauchy de números reais.
— 14+4... é convergente mas não é absolutamente convergente pois Portanto, para cada 1 E N, existe um número real a; tal que fi—bm Zi = &.
6
IHIB+HIBÃ+H.. = O, Dado arbitrâriamente e > Ô, existe mm E N
Seja a = (01,05,...,0...).
H. O espaço de Hilbert dos segiiências de quadrado somável. Seja H o tal que m,n > % implica Dy(Zm; — Ya)? = tm —Un|? < e, Portanto,
conjunto das segiiências x = (x), %2,..., %;...) de números reais tais que para todo kE N em,n > my, tem-se
»z;2 < o. Vamos demonstrar que H é um espaço vetorial, munido de
k
um produto interno em relação ao qual H é completo. Dado «= (1)€ H,
Do (Emi — Un)? < e,
ponhamos |x| = VZ x. t =]
5 4 EXTENSÃO DE UMA APLICAÇÃO 155
154 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. Vi

mar que todo aberto não-vazio em X contém pontos de 5, ou ainda, que


Fazendo m — o na desigualdade acima (e mantendo k,n fixos), re-
o complementar de S não possui pontos interiores.
suita que, para todo k E N, tem-se
Para que um subconjunto S de um espaço métrico M seja denso em M
k é necessário e suficiente que cada ponto x & M seja limite de uma segiiência
>. (a — ti)? < e, seja qual fôr n > no. de pontos x ES.
1=]

Fazendo agora À — o, obtemos:


EXEMPLOS
ua

Pla ru)! < e, para todo n > no. 12. O conjunto Q dos números racionais é denso na reta À; também
j=1
o conjunto dos números irracionais é denso em &, O conjunto Q” dos pon-
Em particular, a— r, E H para todo n > no... Como x, E H, segue-se tos de coordenadas racionais é denso no espaço euclidiano R”. Mais geral-
que a=(a- az) + x EH. Além disso, a última desigualdade pode ser mente, se, para i = 1,2,...,%, 8; é denso no espaço 4f;, então 5; X...X Sn
escrita [a — ta] &« € para todo n > no. Portanto, x, — «a em H, concluindo é denso no produto 3, X...X M,, polis S1X...X8S= SMX...X Sa=
a demonstração de que o espaço de Hilbert H é completo. = M,X...X MH, Nenhum subconjunto próprio de um espaço discreto
pode ser denso.
OrservaçÕES— 1) No espaço de Hilbert Z/ existe uma segúência de
projeções p;:H > R, plz) = «x; Cada projecão p; é uma contração fra- 13. Sejam M, N espaços métricos, S um subespaço de Me f:S>N
ca e portanto é uniformemente contínua. Ficou estabelecido no argumento uma aplicação contínua. Uma aplicação contínua f:M — N diz-se
acima que se (x,) é uma sequência de Cauchy em H e, para cada 2, pr) > q uma extensão continua de f quando f(x) = j(x) para todo xES. Isto
então a=(m,...ã..)CHerm->oa em H. Mas é importante notar significa que f|S = f, ou seja, foi=tf, ondei:S> M é a aplicação de in-
que, ao contrário do que ocorre num produto cartesiano, uma sequência clusão. Um dos problemas mais importantes da Topologia é o de deter-
(x) em HF pode ter cada uma de suas coordenadas 74; = px) convergindo minar condições segundo as quais uma aplicação f:S —> N pode ser conti-
para um ponto q E ?, coma = (a... a... JE É, sem quem > q em ff. nuamente estendida ao espaço Inteiro. Por exemplo, um famoso teorema,
Por exemplo, seja q, = (0,0,...,0,1,0,...) o ponto que tem uma coorde- devido a Brouwer, afirma que se S“t = (xr E Rº; |x|= 1; é a esfera uni-
nada 1 no n-ésimo lugar e as demais coordenadas zero. Para cada 1 E N, tária do espaço euclidiano e D" = (x E R”; |x| & 1; é o disco unitário, a
hm z,; = O mas x, não converge para Oem É pois |x,| = 1 paratodon E N. aplicação identidade f:S"I-— SI não possui uma extensão contínua
no o f:D'— Srt, (Vide Hurewicz ce Wallman, “Dimension Theory”, Prinçe-
Outra maneira de formular esta observação é dizer que, dada uma aplicação ton Univ. Press, Pág. 40,)) Uma demonstração elementar do Teorema de
contínua f : 17 — if? (onde 17 é um espaço métrico) tem-se p;,o /=h:M SK Brouwer em dimensão 2 é sugerida no Exerce. 33 do Cap. VII.
continua para todo ZE N. Entretanto, pode acontecer que as coordenadas
Para n = 1, o teorema de Brouwer reduz-se a afirmar que não existe
H:MS R sejam tôdas continuas sem que f o seja. (-i,+1I;tal que (1) =-—],
uma aplicação continua pg :[-1, +]
2) Chama-se espaços de Hilbert a todo espaço vetorial E, munido de g(+- 1) = +41, o que decorre imediatamente de ser o intervalo [— 1, +1]
um produto interno <z,y> e completo relativamente à norma |z| = conexo: se q existisse, q (— 1) e gi(+1) seriam dois subconjuntos não-
-vazios, fechados, disjuntos, no intervalo [—1 +1|, tais que [— 1, +1! =
F

= <g, 2>1 O espaço KR”, com o produto interno <z,y> = > Ty,
=] = (DU qu.
é um exemplo de espaço de Hilbert (de dimensão finita), do qual H é uma ex-
tensão natural. Consideremos o problema de estender continuamente f:S-— N no
caso particular em que S é denso em 17. Neste caso, se existir uma ex-
tensão contínua f:M —>N, cla é única pois seg :M -»N é contínua e
4 4. Extensão de uma Aplicação Uniformemente Contínua
coincide comf nos pontos de S, então o conjunto dos pontos « E HM tais
que f(x) = (x) é fechado em M e contém S, logo coincide com o espaço
Diz-se que um subconjunto S de um espaço topológico X é denso em X
inteiro HW, ÀÁssim, f = q.
quando seu fecho S coincide com o espaço inteiro X. Isto equivale a afir-
156 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 5 5 COMPLETAMENTO DE UM ESPAÇO MÉTRICO 157

Uma condição suficiente para a existência da extensão f:M >N é tomar êste fecho, em vez do espaço Inteiro M, isto é, podemos sempre supor
fornecida pela proposição abaixo. A A
que M é denso em M. O espaço M será chamado o completamento de M. A
Proposição 8 — Sejam 5 um subconjunto denso de um espaço métrico definição formal é a seguinte:
Met:S>N uma aplicação uniformemente continua, onde N é um espaço
Um completamento de um espaço métrico M é um par (M D, onde
métrico completo. Existe uma única extensão continua J:M >N, a qual é
uniformemente contínua. f:M > M é uma imersão Isométrica, M é completo e f(M) é denso em M.
A
Demonstração: A unicidade foi estabelecida acima. Quanto à exis- Às vêzes, por simplicidade, diremos que M é o completamento de M, dei-
tência, dado qualquer « E M, seja qual fôr a segiência de pontos 7, E 5, xando a imersão f subentendida.
com x, — à, à segúência (f(x,)) é de Cauchy em N, pois 7 é uniformemente
continua. Como N é completo, (J(x,)) converge em N, Segue-se da Prop.
EXEMPLOS
12, Cap. IV, que existe lim jJ(x) = f(a) para cadaa E M. Como f:S>M
é contínua, temos f(a) = j(a) para «E 8. A aplicação f:M > N assim
A —

14. Se M = (0, 1), com a métrica usual, então 1! = [0, ll c f:(0, Ú) —


definida é contínua, em virtude da Prop. 14, Cap. IV. Mas demonstra- A

remos diretamente que f é uniformemente contínua, sem apêlo àquela pro- > 0, 1), f(x) = x, constituem um completamento (2, 7) de MH.
posição. Com efeito, dado € > 0, como f é uniformemente contínua, existe A
15. Se M já é completo, todo completamento f:M >» M de M é
ô>0tal quesezr,yESedtr,y) < à então dijz), J(y)) < e. Se, agora,
L7EM e d(z,7) < 6 então existem sequências de pontos %, HE 8 trivial, pois f é necessàriamente sôbre M. Com efeito, sendo f uma imer-
com > eng. Com lim d(za, ya) = d(Z,%) < O, existe no tal que são isométrica, !(M) é isométrico a X, donde completo e portanto fechado
EA
dXn, Yn) < O para todo n > no. Segue-se que d(Jf(x,), Í(yn)) < € para todo A A

em M. Sendo também denso em X, tem-se (MM) = df.


n > no e portanto d (2), (7) = lim d(x,), flyn)) < € o que estabelece
a continuidade uniforme de f. A proposição que se segue estabelece a unicidade do completamento.
OBSERVAÇÕES-— 1) Ficou demonstrado acima que se p:M>5>N é (A menos de uma isometria, naturalmente.)
contínua e SC M é um subconjunto denso tal que g!S é uniformemente A mo
contínua, então q é uniformemente contínua, querN seja completo quer não. Proposição 9 — Sejam (M,f) e (M,9) completamentos do mesmo es-
A mo
2) Se N não fôr completo, a extensão f pode não existir. Por exemplo, paço métrico M. Existe uma única isometria pq :M > M tal que po j=gq.
seja Q o conjunto dos números racionais. A aplicação Identidade f:Q — Q As Am
Demonstração: SeF:M>5>Megp:M+>M são contínuas e po =
é uniformemente contínua mas não possui uma extensão contínua f: R> Q. A

(Por quê?) Também a hipótese de f ser uniformemente contínua não é dis- =q=tofentão e|HKM) = El(M). Como HM) é denso em 4, segue-se
pensável, como se vê no caso de f:(0,1])-»> R, definida por f(x) = 1/z. que q = É. Isto prova a unicidade de q. Para VM
Não existe uma extensão contínua f:[0,1] -» R. Esta observação fornece demonstrar a existência, definamos qo: JM) — , g
uma maneira de verificar que certas funções não são uniformemente con- 5M pondo elx) =g(1), vxEM, É claro
tínuas.
que 7, é uma imersão isométrica de (47) em M. p- Po %
De acôrdo com a Prop. 8, existe uma única apli-
S b. Completamento de um Espaço Métrico A mt A

cação contínua p:M-—»M que estende yo. Dados Z,7 E M, existem


Mostraremos agora que, dado um espaço métrico não completo 4, sequências de pontos z,, Yn E KM) tais que m>Z pn >7. lem-se
é possivel acrescentar-lhe novos pontos, de modo a obter um espaço com- dita) , e(g) )= bm HepolZ n), Pa(yn) ) = lim deem =
Yn)d(£, 7). Logo, o é uma
A
pleto 1f, sem alterar as distâncias dos pontos origmais. Se CMeM imersão isométrica de M em M. Como M é completo, et também o é.
A
é completo, então o fecho de df em 41 é completo (Prop. 6). Basta pois Assim, ot) é fechado em 17. Como q estende o, temos AM JD 2AM ) =
158 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI UM ESPAÇO MÉTRICO 159
8 5 COMPLETAMENTO DE

A
= (M) e portanto P(M) é denso em M. Sendo ao mesmo tence evidentemente a SalM; R) mas, como fra) — J(y0) = 3 d(xo, yo), | não
mo A tempo fechado
A.
e denso em X, &(M) = M, como devíamos demonstrar. é uma contração fraca e portanto não pertence a q().
2) Se quisermos obter uma imersão isométrica de M no espaço
EXEMPLOS So(.H; R) das funções reais contínuas limitadas, basta considerar a isome-
ria E: CAM; R) — SoM; R), definida por E) =/— a, e tomar y =
l6. À noção de completamento não é topológica. = togp:M— C(M;R) em vez de q. Podemos ainda supor que « não
Se tomarmos, no
mesmo espaço , duas métricas equivalentes d e d', OS espaços métr pertence a Y(M), conforme a observação |) acima, e então teremos
icos é
(HM, d) e (17, d”) podem ter completamentos não homeom y(x) = O para todo v E d7. A vantagem de tomar y é que So(M7; R)
orfos. Por exem-
plo, a métrica natural no intervalo aberto um espaço vetorial (normado, completo) enquanto que Sa(df; R) nem sem-
(0, 27) é equivalente à métrica
dx, 4) = “(cos z — cosy)? + (senz — sen gy)? po pre o é.
is d' é induzida Pelo
homeomorfismo h : (0, 27 ) > 5S!— fp), onde 81! = (sNERG;A 3) Outra maneira de obter um completamento para o espaço métrico
Sp
= ly é o círculo unitário do plano, pE Si é&o ponto de coordenadas (0, 1) 4 consiste em imitar o processo de Cantor para definir os números reais
e h(r) = (cosz, sen x). O completamento de (O, 27) em relação à métrica 1 partir dos raci onai s. Cons ider a-se o conj unto C(M) de tôda s as sequ ên-
usual é [0, 27]. Relativamente à métrica q”, O completamento de Dadas v= (1) ec y= (mn) em C(M), tem-se
(0, 27) cias de Cauchy em df.
é 0 círculo 5? pois A:((0, 27), d) 5 S, — (v+ é
uma imersão isométrica Mm Um) — tn Go), E Mm Ta) Tm to), cj. Ex. 1, item f), Cap. IL
cuja imagem S! — fp) é densa em 8, Existe
Evidentemente, o intervalo fechado Logo, (dx, Ya)) é uma sequência de Cauchy de números reais.
[0, 27] não é homeomorfo ao círculo & é
SL. (O complementar de qualquer portanto lim d(La, fu). Detinindo-se d(r, 1) = lim d(tn, Yn), vê-se que
ponto de 5! é conexo enquanto o complementar de um ponto interior
o?

uma pseudométriea em C(3f), Pelo processo descrito no 84, Cap. 1, obtém-


de
(0, 27] é desconexo.) À
se, a partir dessa pseudo
f
métric
'
a, um espaço métric
Fm
o M=
4 mem
CAbK
TES
=)

17. Geralmente, para obter o compietamento pon to £ — M a clas se de equ iva -


de um espaço métrico aplicaçã o |: M — 17, que asso cia a cada
M,
! toma-se uma imersão isométrica /
> N, N completo, e põe-se lência da sequência de Cauchy constante (LX, D.. ) é uma Imersão
M = HM). Aee e |

Nota-se que cada x = (2) E CUM ) é limite da


HA ) . .

isométrica de 17 em df.
sequência (E) em CUM, onde É. = (Qt tus.) Segue-se daí que
Demonstraremos agora a existência do completame
nto, 1(11) é denso em J/ e que, dada qualquer sequência de Cauchy (x:) em df,
Proposição 10 — Todo espaço métrico MT possui um completamento, ((en)) converge em df. Um lema de fácil demonstração assegura que, se
| Demonstração: Para cada 2zE M, seja :MSPR
à função contínua um espaço métrico M possui um subconjunto denso 5 tal que tôda sequên-
definida por di(y) = d(x, 1), y€c M. Foi observado no Ex. 16 do Cap. IT .
que, para x, 7 C 5 quaisquer, d(d,, dy) < o, cia de Cauchy em S converge para um ponto de df, então à7 é completo
logo existe uma aplicação
«:M SK tal que dE CUM; R) para todo
zE M. Foi também obser- Resulta, pois, que M é completo e (317, /) é um complemento de 37,
vado que a aplicação contínua p:M — EM;
R), definida por (x) = d,
e uma Imersão isométrica, Sendo Ci(M;R) um espaço métrico completo EXEMPLO

(Corolário da Prop. 7), pomos MH = Pl) e temos A


18. Chama-se espaço de Banach a todo espaço vetorial normado e
— Tr

um completamento (17, 4)
do espaço 47. Os espaços euclidianos &” são es-
completo relativamente a essa norma.
OBSERVAÇÕES: 1) Na Proposição 10 acima, é nat paços de Banach em relação a qualquer das 5 normas usuais (mas “de Hu-
ural escolher q = d X(?
para um certo x9 C If. Seja como fôr, a imersão isom étrica bert” somente em relação à norma jr, = VD (199). Todo espaço de
v:M — particular, um espaço de Banach. O espaço NX; b), das
—> Gal; R) nunea é sôbre CM: PR). Com Hilbert é, em
efeito, as funções d, E (MM) & é um
são tôdas contrações fracas, pois | (ly) — du(2)] = |d(e, y) — d(z, aplicações limitadas de um conjunto À num espaço de Banach
< d(y 2). Ora, escolhendo 3 »* xo em M, a função / = 2 dy — de
2) | <
per-
espaço de Bana ch. Tam bém o espa ço Go(df ; £), das apli caçõ es cont ínua
espaço
s
É Ú
limitadas de um espaço métrico 37 num espaço de Banach E, é um
ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 5 6 ESPAÇOS DE BAIRE 161
160

de Banach. [Nestes dois exemplos, estamos considerando a norma “uni- dos com interior vazio em Rº, a saber as retas que são paralelas a um dos

forme” |f|= sup.!f(x)|] Se um espaço vetorial normado É não é com- eixos e cortam o outro eixo num ponto racional.
z A

pleto, obtém-se um completamento q :E > E. Por simplicidade, identi-


A A 91. O conjunto de Cantor é o que resta do intervalo [0, 1! depois da
ficase zC E com p()C E e assm EC E. Aplicando-se a Prop. 6, seguinte operação: retira-se primeiramente o têrço médio aberto (1/3, 2/3)
vê-se que as operações de adição e multiplicação por um escalar estendem- do intervalo [0, 1]. Retira-se depois o têrço médio aberto de cada um dos
intervalos restantes, [0, 1/3] e [2/3, 1]. Sobra então [0, 1/9] U [2/9, 1/3] U
A
se de modo único à E, que se torna assim um espaço vetorial. Também a
A A
U [2/3, 7/9] U [8/9, 1]. Em seguida, retira-se o têrgo médio aberto de cada
norma de E se estende a E de modo único. Portanto, É é um espaço veto- O conjunto
um dêsses intervalos e repete-se o processo indefinidamente.
ria! normado completo, Isto é, um espaço de Banaeh, que contém É como K dos pontos não retirados é o conjunto de Cantor. Á é um subconjunto
um subespaço denso. Os detalhes dêste processo podem ser encontrados fechado em (0, 1] (e, consegiientemente, fechado na reta), pois seu comple-
nos livros de Análise Funcional. mentar em [0, 1] é uma reunião de intervalos abertos. Além disso, é elaro
que K não contém nenhum intervalo, de modo que int(Ã) = 5 e, por con-
seguinte, K é um subconjunto magro da reta. Ao contrário dos dois exem-
S 6. Espaços de Baire
plos anteriores, K não é magro em si mesmo, isto é, não é possível escrever
Um subconjunto S de um espaço topológico X diz-se magro (em X) K =U F, onde cada F, é fechado em K e tem interior vazio em K. Isto
quando é uma reunião enumerável S = U S, tal que, para cada n, resultará da Prop. 14.
int.(Sn) — g.
22. A fronteira de todo subconjunto aberto 4 de um espaço topoló-
Para que S seja magro em X é necessário e suficiente que SC U FM gico X é um subconjunto fechado com Interior vazio e portanto magro
onde Ps, Fs,..., Fn,... são fechados com Interior vazio em À. em X. Com efeito, sex € fr(4), tôda vizinhança de x contém pontos de À.
Ao adotar-se esta terminologia, a intenção é destacar uma classe de Sendo A aberto, AM fr(4) = (5. Logo, qualquer vizinhança de &
conjuntos que sejam, num certo sentido, insignificantes diante do espaço contém pontos que não pertencem à fronteira de À e portanto fr.(Ã) tem
inteiro. A noção de conjunto magro desempenha, em Topologia, papel interior vazio. Em consequência, a fronteira de um conjunto fechado
Por também tem interior vazio e portanto é um conjunto magro. Com efeito,
semelhante ao da noção de “conjunto de medida nula” em Análise.
exemplo, as propriedades seguintes são imediatas: tem-se fr.(F) = fr(X — F),

1.º) à reunião de uma família enumerável de subconjuntos magros em DY


Chama-se espaço de Baire a um espaço topológico no qual todo sub-
é um subconjunto magro em AX; conjunto magro tem interior vazio.
2.º) se Sé magroem Xe TCS, então É é magro em X. Na terminologia
É nos espaços de Baire que os subconjuntos magros são, de fato, Insig-
clássica, diz-se conjunto de 1.º categoria, em vez de conjunto magro, nificantes.
Para que um espaço topológico X seja um espaço de Baire é neces-
EXEMPLOS sário e suficiente que tôda reunião enumerável T = U K&, de subconjuntos
fechados com interior vazio seja um conjunto com Interior vazio em À,
19. Um ponto x, num espaço topológico X, tem interior não-vazio
Segue-se que todo conjunto Enuneiando a sentença acima em têrmos dos complementares 4, =
se, e sômente se, é um ponto isolado em X.
= À — F, obtemos o seguinte eritério:
cnumerável S, num espaço de Hausdorff X sem pontos isolados, é um con-
junto magro em X. Em particular, o conjunto & dos números racionais Para que um espaço topológico X seja um espaço de Baire é necessário
é magro na reta. e suficiente que tóda interseção S= MNA, de uma família enumerdvel de
abertos A, densos em X seja um subconjunto denso em X.
20. Um exemplo de conjunto magro não-enumerável é o seguinte:
Com efeito, um conjunto F tem interior vazio se, e sômente se, 4 — É
no plano Rº, seja 8 o conjunto dos pontos (x, y) em que pelo menos uma das
é denso.
coordenadas é racional. S é uma reunião enumerável de conjuntos fecha-
o o

COMPLETOS Cap. Vi 5 6 ESPAÇOS DE BAIRE 163


162 ESPAÇOS MÉTRICOS

Proposição It — Todo subconjunto aberto A de um espaço de Bure X =8N(NB)=MN(SN Bi). Em particular, MN B, é denso em S, como
é um espaço de Barre. deveriamos demonstrar.
Demonstração: Devemos mostrar que a interseção 8 = MN 4, de uma Proposição 14— (“Teorema de Baire”) Todo espaço métrico completo
família enumerável de subconjuntos 4, C 4, abertos e densos em À, é um é um espaço de Bare,
subconjunto denso em A. Seja B=AU(X-—A), n=1,2,3,...
Demonstração: Seja 4! um espaço métrico completo. Dada uma fa-
Como 4 é aberto em X, cada À, é aberto em X e portanto cada B, também.
mília enumerável (Ar, ÀAo,..., An,...) de abertos densos em 4f, provemos
Além disso, os B, são densos em X. Com efeito, temos À = À U fr(Á)U
que S= NA, é denso em M. Devemos mostrar que uma bola aberta
U(N— 4). Seja zx& X um ponto arbitrário e seja U um aberto arbi-
arbitrária B;, em M contém algum ponto de S. Ora, como À, é aberto e
trário de X contendo o ponto t. Se zxE 4 então UMA é um aberto
denso, B; MN A, é aberto e não-vazio, donde contém uma bola B,, a qual
não-vazio de 4, donde UN A, =(UMN AD) N d, A 4 pois 4, é denso em
podemos escolher tão pequena que seu raio não exceda 1/2 e seu fecho cs-
A. Se ve fr(4) então UNA x & pela definição de fronteira e da
teja contido em B, MN A,. Por sua vez, 4, sendo aberto e denso, Ba (1 4,
UMA * gs, pelo mesmo motivo acima. Finalmente, se xE 4 — 4
é aberto e não-vazio. Logo, podemos obter uma bola aberta Bs, de raio
então UNX-A x, evidentemente. Em qualquer hipótese
inferior a 1/3, tal que B;C Bo M 44. Prosseguindo anãlogamente, obte-
U MB. 5, comprovando que B, é denso em X. Sendo 4 um espaço de
mos uma sequência B,58B.D...DBD... cm Bu CBNA, e
Baire, T= M B, é um subconjunto denso de X. Como À é aberto, TM À
(Ba) —> O. Para cada n, escolhamos um ponto x, E Be. A sequência (x,)
é denso em 4. Mas PF=(NAJU(X-A=SU(X- A, logo,
assim obtida é de Cauchy (vide Prop. D. Como M é completo, existe x =
TNA=S, e assim 8 é denso em À, como deveríamos demonstrar.
= limx, E df. Afirmamos que v E B, para todo n. Com efeito, dado
Proposição 12 — Se todo ponto zE X possut uma mainhança que é »E N arbitrário, temos x, E B, para todo n > p. Como B, é fechado,
um espaço de Baire, então X é um espaço de Barre. segue-se que « = lim z, E B, seja qual fôr pE N. Em virtude da rela-
ção Bi C BM A, vemos que x E B,e que xE À, para todo n, isto é,
Demonstração: Seja S = NA, a interseção de uma família enumerá- ze BS, como devíamos demonstrar.
vel de abertos d,, densos em X. Mostremos que 5 é denso em X. Para
OrsERVAÇÃO — Ser um espaço de Baire é uma propriedade topológica,
isso, tomemos um ponto arbitrário « E X c um aberto arbitrário U 5 x,
logo, a proposição acima significa que todo espaço topológico homeomorfo
e mostremos que UNS g. Ora, v possui uma vizinhança V que é
a um espaço métrico completo é um espaço de Barre.
um espaço de Baire. Seja W aberto em X, tal que «xe WC EMF.
Pela Prop. 11, W é um espaço de Baire. Os conjuntos À, MY W são abertos
EXEMPLOS
e densos em W. Logo, MA, MN W) é denso em W. Mas DI (di W) =
=(NA)NW=SNWCSNC. Assim, SOVE não é vazio e a de- 23. Resulta do Teorema de Baire que todo espaço métrico completo 1f
monstração está concluída, contendo apenas uma quantidade enumerável de pontos deve possuir um
ponto isolado. Do contrário 4f seria magro em si mesmo (Ex, 19) e, pelo
Proposição 13 — O complementar de um subconjunto magro de um es- Teorema de Bare, int(M) = &, o que é absurdo. Na realidade, M deve
paço de Baire é um espaço de Baire. Lquivalentemente: a interseção de uma possuir uma Jnfinidade de pontos isolados pois se x, &E ) é isolado, M — fx;
família enumerdvel de abertos densos num espaço de Baire é um espaço de Barre. é fechado em 47 e portanto é um espaço métrico enumerável. Logo, existe
Demonstração: Seja S = MN A, onde os 4, são abertos densos num um ponto isolado 7, E M — (x), e asssm por diante. Em particular,
espaço de Baire X. Para provar que S é um espaço de Barre, seja (B,) uma todo subconjunto fechado enumerável do espaço euclidiano R” possui uma
família enumerável de abertos densos em 8. Para cada n E N, Ba=5 0 By, infinidade de pontos isolados. (Para uma Informação mais precisa, vide
onde B,' é aberto em X. Além disso, sendo X um espaço de Baire, S é Ex. 26.) Ainda em consequência, a topologia natural do conjunto Q dos
denso em X, donde cada B, é denso em X. Com mumior razão, B,' é denso números racionais não pode ser definida por uma métrica em relação à
em X para n=1,2,3,.... Seja (Ci) a família enumerável de abertos qual Q seja completo. O Teorema de Baire proporciona também uma de-
densos em X, definida por Co, — Aa, Com = By, ou seja, (C,) = (By, Às, monstração de que o conjunto dos números reais não é enumerável, por ser
Bo, 4o,...). Então, () Cn é denso em X, Mas C=(0 A) 0O(NB) = um espaço métrico completo sem pontos isolados.
Tó4 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 5 7 O MÉTODO DAS APROXIMAÇÕES SUCESSIVAS 165

24. O conjunto de Cantor K (vide Ex. 21) é um subespaço fechado da cada F, é fechado então À = U int.(F,) é um aberto denso em X, Com
reta, logo, é um espaço métrico completo e portanto um espaço de Baire, efeito, seja É um aberto não-vazio qualquer em X. Temos U =UJ (UNF)
Nostraremos agora que K não possui pontos isolados e, em consegiiência, onde cada U (1 F, é fechado em U, Sendo E um espaço de Baire, existirá
concluiremos que K não é enumerável. Inicialmente observamos que se, algum n tal que im(U MN F)=UNint(P)x 4. Isto mostra que
numa das etapas da construção de K, o intervalo (a, b) é um dos terços UM int(Fa) =, donde U int. (F,) é denso em X. Completando
médios omitidos, os seus extremos a, b nunca mais serão omitidos e portanto o Ex. 23, podemos então acrescentar que todo espaço de Baire enumerável
pertencem a K, Com efeito, em qualquer etapa sômente são retirados possui um subconjunto discreto denso,
pontos interiores dos Intervalos que sobraram da etapa anterior. Consi-
deremos, por exemplo, o extremo a de um têrço médio omitido (a, b). Em- O Feorema de Baire possui numerosas e importantes aplicações em
bora exista um Intervalo semi-aberto [a, b) tal que fa, b) MN K = La), qual Análise e em Topologia. Aqui nos limitaremos à proposição seguinte.
quer intervalo (a — e, a] contém infinitos pontos de K. Com efeito, na Para Interessantes aplicações do Teorema de Baire à Teoria das funções
ocaslão em que (a, b) foi omitido, restou um certo intervalo [e, a]. Nas reais, vide R. P. Boas, “A Primer of Real Functions” (Carus Monographs).
etapas posteriores da construção de A, restarão sempre terços finais de
Prorosição 15 — Dados os espaços métricos M e N, sendo M completo,
intervalo, do tipo (ca, al, com e, E K, como observamos acima. O compri-
e uma seguência de aplicações contínuas hr: M > N, convergindo simples-
mento c — a tende para 0, logo; «> q e assim « não é ponto isolado de K.
mente para uma aptiação f: M —» N, o conjunto dos pontos de descontinui-
Suponhamos, em seguida, que z E KA não seja extremo de um intervalo
dade de f é magro em if.
omitido durante a construção de K. (Não sabemos, a esta altura, se tais
pontos existem realmente em Á. Entretanto, como foi omitida apenas Demonstração: Para k, p inteiros arbitrários, ponhamos:
uma infinidade enumerável de intervalos, os pontos extremos de intervalos
Frp = x E MF; Mimi), fulx)) « Vk, quaisquer que sejam m,n2 ph.
omitidos formam um subconjunto enumerável de K. BResultará então
desta discussão que os demais pontos, não sómente existem, como formam Fazendo m — «o, vemos que x E Fr, implica d(f(x), fa(x)) < 1/k, para todo
um conjunto não enumerável, e mesmo um espaço de Baire.) Afirmamos n> p. Como as f, são contínuas, todos os conjuntos Fx, são fechados em
que, dado qualquer e > O, existem pontos de K em ambos os intervalos AF, Além disso, para todo k inteiro, tem-se 17 = U Fip. Com efeito, para
(r— e x)e(x, x + e). Tomemos (r, vc + €), por exemplo. Sel, rz+OIONK p
ge JM qualquer, f(x) — f(x), logo, (fulr)) é uma sequência de Cauchy em N
fôsse vazio, então o Intervalo (r, x + € teria sido omitido durante a cons-
e portanto existe p tal que mr, 2 > p implica Mjm(v), Jn(x)) < 1. Mas isto
trução de K. Na primeira vez em que uma parte de (x, «+ O fôsse
siguifica que v E É:,, O que comprova a afirmação feita. Em virtude do
omitida, nada mais restaria dêsse intervalo pois os extremos do intervalo
Ex. 26, segue-se que, pondo À, = U int.(Fro), os conjuntos 4; são aber-
omitido pertenceriam a A e portanto não seriam omitidos em etapas pos-
teriores. Como « permaneceu, segue-se que o intervalo omitido foi do tipo tos e densos em df. Seja S= O Ap. À proposição ficará demonstrada
(r, b). Mas isto contradiz a hipótese feita sôbre x e portanto a discussão se provarmos que f:M -—»N é contínua em todo ponto 29 E 8. Para
está encerrada. isto, seja € > O dado. Tomemos k inteiro tal que 3/k < e. Como x, E Ár,
cxiste p tal que xo C int(Fro). Sea 8>0 tal que d(x,xo) < à implica
23» O conjunto dos números irracionais é um espaço de Baire, em
ve Fipe dOplx), folxo) < 1/k. Então, dx, x) < à implica d(x), Hx) <
virtude da Prop. 13, pois é o complementar do conjunto magro Q na reta.
Por outro lado, não pode existir uma sequência de abertos A, CR tais
So de), Sole) + dolo), folxo) + dO sto), ro) < Vk+Ilk+Ik<e,
donde se conclui 2 continuidade de f no ponto zo.
que MY À, = Q Gsto é, Q não é um conjunto do tipo 65) pois tais A, seriam
necessáriamente densos em R e Q seria um espaço de Baire, ainda devido
4 7. O Método das Aproximações Sucessivas
à Prop. 15.
26. Segue-se imediatamente da definição que se X é um espaço de Suponhamos que se descja resolver uma equação do tipo J(x) = b, onde
Bairee 4 = U H, onde cada F, é fechado em X, então pelo menos um dos f é continua. O método das aproximações sucessivas opera da maneira
F, contém um aberto não-vazio. [Isto é, int(F,) < 45 para algum 2.) seguinte. Em primeiro lugar, introduz-se a nova função «g(x) = f(x) +
A Prop. 11 nos permite afirmar, mais exatamente, que se X = U F, onde + x — b, fazendo assim com que a equação original seja equivalente a
ros

166 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 5 7 O METODO DAS APROXIMAÇÕES SUCESSIVAS 167

o(r) = x. Para obter uma solução desta nova equação, toma-se um valor = dj, I(y) < ke d(x,y) e daí (k— Dil, y)2 0. Como k-1<0
arbitrário zo e põe-se, sucessivamente, x, = q(xo), xo = g(xi) ... Se a se- segue-se que d(x, 4) = O, ou seja, 2 = y.
quência (Yn) convergir, então x = lim x, será uma solução de (x) = z pois
p(x) = lim x) = lim q(x,) = lim zm = lima = x. Osservação — Fazendo p-—» «o na desigualdade d(za, Lnep) <
Em consegiiência,
= Jim ra será uma solução da equação f(x) = b. < [hº/(1 — k)] - d(xo, 21), obtemos d(xn, x) < [k"/(1— k)] - dtxo, x:), o que for-
A discussão acima foi deliberadamente vaga, nece um limite superior do êrro cometido ao se tomar à n-ésima aproxima-
não deixando explícito
ção xa em lugar da solução exata x. Esta observação tem Interêsse em Cál-
o domínio nem o contradomínio de f. Para substituir a equação f(x) — b
culo Numérico,
por «(x) = x é necessário saber somar e subtrair elementos nesses conjuntos
e, além disso, que x e f(x) pertençam ao mesmo espaço. Passamos agora
a um tratamento sistemático, baseado no “Teorema do ponto fixo para
EXEMPLO
contrações”, devido a S. Banach (Prop. 16),
Lembramos que f:M — N chama-se uma contração quando M, N são
espaços métricos e existe um número real k,0 < k < 1, tal que 2i. Deja f uma função real de variável real que possui em todos os
f(x), J())) <
< dec dir, y) quaisquer que sejam v, ve MM, pontos r € h uma derivada f(x) satisfazendo à condição !f(x)| <k<1,
onde k é uma constante. Então, o gráfico de f corta a disgonal y = x exa-
Tôda contração é uma aplicação uniformemente contínua.
tamente num ponto (x, x) = im (x,, 7) onde x, = f(x) e w CR é to-
Dada uma aplicação 7: 1/ — 37, de M em si mesmo, um ponto xr E 1 mado arbitrâriamente. Com efeito, pelo Teorema do Valor Médio (Cálculo),
chama-se um ponto fixo de | quando f(x) = x, Go) — Hy| <kle— gy), logo f:R>R é uma contração. Sendo R
Por exemplo, todo ponto x & df é fixo relativamente à aplicação iden- completo, a Prop. 16 se aplica.
tidade. No espaço Rº, O é o único ponto fixo da aplicação «> — x, Se
a* 0 a aplicaçãor>ar +a, de R” em si mesmo, não possui pontos fixos.
Proposição 17 — Seja À um subconjunto aberto do espaço euclidiano
Dada f: 37 — M, escreveremos P(x) = UC, Px) = IH) ete.
HR”. Segaf: A —s> K"º uma aplicação da forma f(x) = x + pla), onde gp: À — R?
Proposição 16 — Tóda contração j:M — 1f, de um espaço métrico com- é uma contração. Então, f é um homeomorfismo de A sóbre um subconjunto
pleto JM, possui um único ponto firo. Dado qualquer ponto mEM, a se- aberto de Rr.
quência jJlvo), Pxo),.. ss JMro),... converge para o ponto fixo de f.
Demonstração: Evidentemente, / é uma aplicação contínua de À sôbre
Demonstração: Tomado arbitráriamente x E Àf, ponhamos x, = SC). f(4). Além disso, dados z,y CEC À, tem-se x— y = fe) — 0) + ox) —
Mostraremos que (rn) é uma sequência de Cauchy. De fato, tem-se — p(y) e portanto |x— y| < |) SO) + lety)-— go <IHa)-
IC), Sy) < de dir, y) e dif dn, Zu) = dO), Fa)) < dº Mto, Pa). — Il + kix— yl. Segue-se que lixo) - IQ)|2 (1— k)lz-— yj. Isto
Por conseguinte: mostra que f é biunívoca e que a aplicação inversa FL:HA) > À satisfaz à
condição de Lipschitz .JHz) - (| <S(A-ky!z— e!, donde f! é
ML, Enáp) “ a, Xi) E KEnrp-, E n- 5) < (uniformemente) contínua. Conelui-se pois que f é um homeomorfismo
< (++ APP d(xo, 2x1) = de À sôbre HA). Resta apenas mostrar que J(4) é aberto em R”. Seja
=hUAtAl AA: dio) < então + = Ha) E HA). Como À é aberto, existe r > O tal que a bola fe-
fer chada D = D(a;r), de centro q e raio r, está contida em 4. Afirmamos
“d(Xo, 2).
que ty — b| < (1 — k) implica y E J(4) e isto mostrará que f(A) é aberto.
A

| — k
Devemos então achar uma solução x E A, para a equação f(x) = w, sabendo
(Quando n— «o, k" tende para zero e portanto o diâmetro do conjunto que d(y, Jla)) < (1 — kjr. Isto equivale a obter um ponto fixo x E 4 para
An = (Tu, Ln+...+ tende para zero. Pela Prop. 1, (zm) é uma segiência a contração &,:A4 —» R*º, definida por Ex) = y— (x). Como a bola
de Cauchy. Como M é completo, existe x = limz, vEM. Tem-se fechada D = D(a;r) é um espaço métrico completo, basta demonstrar que
f(x) = fim 2x) = lim fls) = lim am = +, isto é, x é um ponto fixo de jf. SD) CD. A contração ED :D— D terá um ponto fixo, pela Prop. 16.
Resta provar que é o único. Ora, se fx) — r e f(y) = y então, d(x, y) = Seja então x E D, isto é, x— a| <r. Devemos provar que |E(r) —a| < rr.
o Mm o rttrtrrrmrooootreoeoorçooeeeeeccncntmusms

168 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 58 EXERCÍCIOS 169

Ora, lembrando que b = a + «(a), temos: riores a 1/7, então o sistema de equações lineares
aut! A Golg? o A Gal”
Edo) —al = |y— pl) —al S ly— pla) —a] + lo(x)— pla] < |y—b] +
— bl

ag! o att An A Ent” — bº


+hklz-al<dA-kyr+kr=r

como queríamos demonstrar.


art -— are +... + ag = b”
OBsERVAÇÕES — 1) À aplicação f da Prop. 17 é, na realidade, um ho-
meomorfismo uniforme de À sôbre HA). tem solução única x = (x!,..., x”), sejam quais forem b!,...,b” reais. Com
efeito, tomando em R” a norma [x| = máx.(jall,...,lx” |), isto induz no
2) À demonstração mostra que se a bola fechada D(a; r) está contida
espaço “(h"), das aplicações lineares de R” em si mesmo, uma norma segun-
em À então a bola B((a):; (1 — k)r) está contida em f(4). Em particular,
do a qual, se T = (a), |Ti<n máxilafiiij=1,2...,n!. Assim, a
se A=hRº, HMA) = R”* e portanto f será um homeomorfsmo uniforme de
transformação linear, dada pela matriz T, escreve-se T=T+(T- NI com
R" sôbre si mesmo.
T- Ii <l1e portanto Té um homeomorfismo de R” sóbre si mesmo, o
3) À demonstração dada mostra que a Prop. 17 e as duas observações
que significa que a equação T(x) = b tem sempre solução única x, seja qual
anteriores continuam válidas se, em vez do espaço euclidiano R”, tivermos
fôr b=(BbA..,bt)ER.
um espaço de Banach & arbitrário sto é, um espaço vetorial normado
O método das aproximações sucessivas tem duas das suas mais im-
completo £).
portantes aplicações na demonstração do Teorema da Função Inversa (ou,
equivalentemente, no Teorema das Funções Implícitas) e no Teorema de
FXEMPLOS
Existência e Unicidade de soluções de um sistema de equações diferenciais
28. Sea gy :R-—> R uma função que possui, em todos os pontos x E R, ordinárias, (Vide [Langl)
uma derivada satisfazendo à condição ;g'()|< k, onde k é uma constante,
O< ht < 1 Intãoafunçãoj:hR>hA, definida por f(x) = z+Haelx), é 4 8 Exercícios
um homeomorfismo de R sôbre &?. Anilogamente, dada q: A” -—» Rº, se
1. Seja 1f um espaço métrico. No espaço $5(N; 11) das segiências limitadas em M,
tôdas as derivadas parciais 09'0x são uniformemente limitadas por uma o subcongunto € das sequências de Cauchy é fechado, Segue-se que, se 3f fôr completo,
constante É, O< k < lr em &º?, (onde g(x) = (o)... Q"(x)), então o conjunto das seqiiências convergentes é fechado em MS(V: 37). Se E fôr um espaço
fit” -s Rº, definida por jlx) = zx+ elx), é um homeomorfismo de R? vetorial normado, o conjunto das segiiências de Cauchy é um subespaço vetorial de
sôbre si mesmo. Com efeito, o teorema do valor médio dá ig(xr +) — BN; E).
— ql). <nrhlemáx. der, 3=1,2,...,n3 ou seja lo(r + h)- à Seja “tm uma série convergente de números reais positivos. Dada uma seqiuên
cia (X,) num espaço métrico df, se dit; Lui) S a, para todo n E N então (x,) é uma
— plo) & ko h, e portanto q é uma contração. (Observação: Para
sequência de Cauchy,
obter o teorema do valor médio sob está forma, deve-se tomar em R” qa
3. Introduzir no espaço R” uma métrica Emitada, completa, induzindo em cada
norma 2 = máx.iz!,..., la" +.) bola de raio 1 a métrica usual.
29. Seja & um espaço de Banach. O conjunto Y(E) de tôdas as apli- 4, Provar as seguintes afirmações:
cações lineares continuas f:E— E é evidentemente um espaço vetorial o fr(S) =X = S denso em À.
relativamente às operações naturais f + g e Af. Introduz-se uma norma em 6) 5, T densos em X>5SU Tadenso em À mas não implca SM T denso em X
“() pondo fl =int.ímeR;lix)| <ml|z| para todo «E E). c) 5 denso em X, 7 denso em "=> S XT denso em XxY.
Isto é
d) S denso em X, 4 aberto em X>5>SNA denso em A.
equivalente a pôr (f| = sup.(|f(x)|; |z| = 1;. Indiquemos come:E=-E
e) 8 denso em A, SC TC X=+>S denso em TeY”FT denso em X.
a aplicação identidade. À Prop. 17 mostra que, dada 7 E EB), com ji<a, f) Seint. 8, ou, ou fr(S) é denso em X então S é denso em X.
e + f é um homeomoríismo de & sôbre & e portanto uma aplicação linear q S denso em À, 8 conexo> X conexo,
invertivel. Isto mostra que a bola aberta de raio 1 e centro e em YE) con- h) Seja X um espaço Ef. Um subconjunto SC X é denso em X se, e sômente se,
siste inteiramente de aplicações lineares invertíveis. Em particular, se todo ponto x E X é limite de uma sequência de pontos de 8.
7) A — (x) é denso em X <> 7 não é isolado em X.
T = (a;) é uma matriz real n X n tal que todos os elementos da matriz
9) No espaço X do Exerce. 15 do Cap. II, o subespaço X — 49) é denso em A
TP — ! (onde ? é a matriz identidade n X n) são, em valor absoluto, infe- mas 2 não é limite de uma sequência de pontos de X — 40):
HED RREO O O o

170 ESPAÇOS MÉTRICOS COMPLETOS Cap. VI 8 B EXERCÍCIOS 171

k) O conjunto dos números racionais da forma m/2*, m,n E Z, (números didicos) 17. Seja X um espaço de Baire regular, conexo e localmente conexo. XY não pode
é denso na reta. ser escrito como reunião enumerável X = UU F, de subconguntos fechados F,, dois a dois
5. Sejam D'=!rE RM |r|SIl e sm izeRMizi=al; As seguntes disjuntos, exceto no caso trivial em que um dos É, é igual a É e os demais são vazios,
afirmações são equivalentes: a) Tôda aplicação contínua /:D —>D possn um ponto 18. Sejam U C Rº um conjunto aberto e f: E — Rº uma aplicação da forma f(x) =
fixo. b) Não existe uma retração r: D? — Sr-! ijsto é, uma aplicação contínua tal que =FT.zx+toar, onde PR? > R” é uma aplicação linear invertível e q : E — A? é tal
r(x) =x para todo x &E Sri]. Para verificar que b) => a), suponha que f: Db" — Dº que lo(x) — (gy)! “ lr — yl, onde E & W|T-|. Então, f é um homeomoriismo de E

é contínua, com j(x) =* x para todo x E Db”, e defina r: D? — 8º-1 pondo r(x) = inter- «ôbre um aberto do R”. (Este resultado é a parte crucial do Teorema da Função Inversa.)
seção da semi-reta Has com a esfera 821, A veracidade de q) constitui o Teorema do 19. Seja M um espaço métrico completo e f:M —» M uma aplicação tal que
Ponto Fixo de Brouwer. (Vide Hurewicz e Walman, “Dimension Theory”, Pág. 40.) jp=fojfo...of(p vêzes) é uma contração. Então, f tem um único ponto fixo,
6. No espaço de Hilbert H, das sequências de quadrado somável, consideremos a 20. Sejam 1 um espaço métrico completo, T um espaço topológico e (fi): € 7 uma
bola unitária D=zEH;'xl<N. A aplicação f:D->D, definida por f(x) = família de aplicações f: M > M. Suponhamos que /; dependa continuamente do pa-
= fato )J=(VI- x, xx...) é contínua e não possui pontos fixos. Con- râmetro t no sentido fraco seguinte: para cada x E M a aplicação t — fáx), de Tem MH,
cluir a existência de uma retração r:D >» 8, onde S = (re Hlr| = 1). é continua. Suponhamos ainda que cadaf, é uma contração com (f(x), J(3)) S hd(x, 4)
Uma onde O < & < 1, k independente de t. Nestas condições, cada f: possui um único ponto
7, Sejam S denso no espaço topológico X, e Y um espaço de IHausdorff.
fixo a. A aplicação p:T > M definida por gl) = q, é contínua,
aplicação contínua f:S > Y possui no máximo uma extensão continua f: À — 1. A
hipótese sôbre Y é indispensável, 21. Sejam E, F espaços vetoriais normados e YE; F) o conjunto das aplicações
lineares continuas de E em F. S(E;F) é um espaço vetorial, no qual consideraremos a
8. Dado SC X, uma retração r: X > S é simplesmente uma extensão contíni: fz] sS Elz|, para todo
porma fl=supliwyirl=i, zeE)=infihk>0O
da aplicação identidade 1:88 >5S. Obtenha extensões contínuas rr: À —>5S da aplica-
x CE Uma segúência de aplicações lincares contínuas fa: — F converge para
ção identidade 7 :$ — S nos seguintes casosta) À = KR? — 40, S = Si) N = ixo,
1 E YE;F) segundo esta norma se, e sômente se, fa — / uniformemente em cada parte
S=H0xXDU CO xX4ON)U Al x. Wmitada de E. Se F tôr completo, então W£; F) é completo.
9, Sejam H o espaço de Hilbert das sequências de quadrado somável. O sul- 22. Veja no livro “A Primer of Real Funetions”, por R, Boas, (“Carus Mathematics
conjunto Ho formado pelas sequências x = (Z1.. o Jr 0, 0,...) com apenas um número Moenographs”) exemplos de conjunto magro que não é de medida nula e conjunto de
finito de coordenadas não nulas é um subespaço vetorial, Os vetores ep = (1,0, 0,...), medida nula que não é magro. Observe que todo conjunto que é reunião enumerável
es =(0,1,0,...), e; = (0,0,1,...) ete. formam uma base de Ho. O subespaço Hoy é de fechados de medida nula é magro.
denso em H. Tôda aplicação linear contínua f: Ho > E, de Ho num espaço vetorial 23. A fim de que um espaço métrico M seja completo, é necessário e suficiente que
normado completo (“Espaço de Banach”) E estende-se de modo úmeo a uma aplicação tôda sequência decrescente F DD... DhD... de subconjuntos fechados não-
linear continua f:H 5 E, vazios de M, tais que Fu) — 0, tenha interseção MN F, igual à um ponto de 47. Na reta,
10. Com a notação do exereicio anterior, a função f: Ho > f, defimda por a sequência de conjuntos fechados Fa = n, =) é decrescente, mas NFa= É porque
Her sw 0,0... )=z+2ro +... +iza é linear e descontínua. De acórdo com não se tem (F,) > O,
a Álgebra Linear, é possível estenderf lincarmente a todo o espaço H (de várias maneiras 24. Seja H o espaço de Hilbert das segiiências de quadrado somável. À aplicação
distintas) e obter assim funcionais litcares descontinuos f: H + À. linear P:H> HF, com Tiros tm) = (rx, cy An/M...) É continua e biuni-

1H. Para cadan E N construa uma função real continua g,: fé — É tal que gl) = 1 voca, mas não é sóbre H.
para algum ponto tE Re qutt) = O exceto se Lin + 1) “tS 1. Delina f:lO,1]—+H 23. Sejam X um espaço topológico, 3f um espaço métrico completo, A um subcon-
(notação do Exerce. 9) pondo j() — (pilD, palD,...) Mostre que fe descontinua no junto de X, f:4 — M uma aplicação e a E A. Para que exista o limite bm f(x) é ne-
E—="

ponto 0, embora cada uma das suas coordenadas seja contínua. cessário e suficiente que, para cada e > 0 exista uma vizinhança V de a tal que x,y V
12. Um espaço métrico M é completo se, e sômente se, para tôda unersão isométrica implica dlf(o), Hy)) < e (“Critério de Cauchy
MSN, HM) é fechado em N. 26. Integral de Riemann. Seja 9 o espaço das funções limitadas f:'a, hi > BR,
13. Sejam àf, N espaços métricos e f: JE — N uma dilatação, isto é, existe uma com a métrica da convergência uniforme. Uma função / € 5 diz-se simples quando
constante k > 1 tal que df), Hy) 2 k- dz,y) para quaisquer x,y M. Se f fôr existem números £, coma=nCh<... <th=b tais que f é constante em cada 1n-
contínua e M fôr completo, então f é uma aplicação fechada. tervalo 4, t-7). Seja & o subespaço vetorial de +45 formado pelas funções simples. De-

14. Não existe uma função real f:[0,1] > R cujos pontos de continuidade sejam fine-se uma função linear 1: — R pondo I(f) = Zekti-, — tj) se J fôr constante no jn-
precisamente os números racionais do intervalo LO, 1). tervalo its tr). Observe que IKP| < |f|(b— q), de modo que f é uniformemente
contínua. Concluir a existência de uma única função linear contínua 4: S > R que
15. Dados a < b, existe alguma função contínua f:la,b] — K que assume valóres
estende F. Escreve-se J(f) = SL fadr. Mostre que se f:ia, b] > K fôr uniformemen-
racionais para todo x & [a, b] irracional e, para todo x € la, b] racional, f(x) é irracional?
no conjunto de Cantor K, existe um homeomor- te contínua, então $ E &. (Resultará da Prop. 15 do Cap. VII que tôda função continua
16. Dados quaisquer pontos x,y
fismo A:K > K tal que h(z) = 4. ta,b] > R pertence a '&. Vide também o Exerce. 25 do Cap. VIE)
$1 INTRODUÇÃO 173

Demonstração: Seja X o conjunto dos pontos z€ [a,b) tais que oq


intervalo [a, x] pode ser coberto por uma reunião finita dos Já, isto é,
Is)ChU...U ha, Evidentemente, ad X e dado zEX,
a<sx <x implica x E X, logo, X é um intervalo, da forma [a, clou da
forma la, e), onde c = sup. X. Afirmamos que cE X, donde X = la, cl.
Com efeito, c pertence a um certo intervalo Ay,. Escolhamos arbitrâria-
mente um ponto zE A, com a< x <c Tem-se zE A e portanto
[2] Ch U..U A. Segue-se que [a dC AU. AU Ay donde
cE X. Se fôsse c < b, existiria € > O suficientemente pequeno para que
Espaços Compactos cte<belec+hHeC A, Então seria li, e+t&iCAU.UANU
U Z/w e portanto c+e€ X, uma contradição. Logo, c=be X =la,b),
Capítulo VII o que demonstra o teorema.
O Teorema de Borel-Lebesgue, enunciado acima em sua forma original,
continua válido se, em vez de uma família de intervalos, tomarmos uma
41. Introdução família (UnreL de subconjuntos abertos da reta, com [ab] C U EA.
Com efeito, cada ponto x E Ta, b] pertence a um aberto Uh, donde podemos
À proposição seguinte desempenha um papel fundamental no desenvol- obter um intervalo aberto 7, tal que vE FE O EA. Da família (Foca)
vimento da Análise Clássica. extraímos uma coleção finita tal que [a, b] O É, UV... f,, de acôrdo
com o Teorema. Mas, para cada fr, existe um E, com fa, (o Us
TeorEMA DE BoLzaxo-WuIERsTRASS — Todo conjunto infinito e limi- 3j=1,...,n. Segue-se que la, BC (AU. U Eh, como queriamos
tado de números reais possui um ponto de acumulação. demonstrar,
Demonstração: Seja XC R um conjunto infinito e limitado. De- Outra maneira equivalente de enunciar o Teorema de Borel-Lebesgue
finamos Y = iy E R; existem infinitos pontos de X à direita de). Y é é a seguinte:
não-vazio e limitado superiormente. Na realidade, se vyCVY ey <y Seja M um subconjunto limitado e fechado da reta. Seja (UhEL
então y E Y, donde Y é um intervalo, da forma Y=(-v,a) ou uma família de subconjuntos abertos da reta tais que H O U Ex. É possivel
da forma Y = (— o,a], onde a = sup. Y. Seja qual fôr o caso, afir- escolher um número finito dos Ux de forma que MC Ex UU ta.
mamos que q é um ponto de acumulação de X. Com efeito, dado e > 0
arbitrâriamente, a —- eG Y, logo, existem infinitos pontos Com efeito, sendo 47 limitado, existe um intervalo (a, b] contendo MH.
zE X com
a-—e< x. Por outro lado, a4+ e & Y, donde existe apenas E sendo M fechado, U=R-—- M é aberto. Os abertos 04, A E L, jun-
um número
finito de pontos zE X com ate< x. Segue-se que tamente com U, são tais que [7,b) C (VU) U CU. Existe, portanto, uma
o intervalo
(a — ea + €) contém infinitos pontos de X, como queríamos demonstrar.
coleção finita com la,b]C Ex UU th, U U. Mas nenhum ponto
de M está contido em U. Logo, CC EU... Lá, como queriamos
O Teorema de Bolzano-Weierstrass pode ser equivalentemente for- demonstrar.
mulado assim: se M é um conjunto limitado e fechado da reta, então, no
Estudaremos neste capítulo os espaços métricos 47 nos quais é válida
espaço métrico 1f, todo conjunto infinito possui um ponto de acumulação.
a propriedade de Bolzano-Weterstrass: todo conjunto infinito em df possul
Outra proposição básica, de crucial importância em Análise, é o um ponto de acumulação. Mostraremos que tal propriedade é equivalente
à de Borel-Lebesgue: de tôda família cuja reunião é M pode extrair-se uma
TeorREMA DE BoREL-LEBEsGUE — Seja (Ir er uma família de inter-
subfamília finita cuja reunião é ainda df.
valos abertos Fx tal que todo ponto do intervalo fechado [a, b] pertence a um dos
In sto é, [0,6] OC |U Ja. Nestas condições, é possível escolher um número
Para espaços topológicos não metrizáveis, a equivalência entre as pro-
NEL priedades de Bolzano-Weierstrass e Borel-Lebesgue não se mantém. A
finito de intervalos Tx de tal forma que [a, b]C 1 MUS Uh. segunda implica a primeira, mas não vice-versa, A experiência mostrou
IZA ESPAÇOS COMPACTOS Cap. VII E 2 PROPRIEDADES GERAIS DOS ESPAÇOS 175

que a propriedade de Borel-Lebesgue é a mais útil das duas, no caso geral, 3. Mais geralmente, seja & um espaço vetorial normado de dimen-
Por isso a escolheremos para definir espaços compactos. são >0. As bolas abertas B,, de centro O e raio 2, constituem uma cober-
tura enumerável (Ban Ex do espaço É e qualquer subfamília infinita é
Algumas das propriedades básicas dos espaços métricos compactos
uma subcobertura, mas nenhuma delas possui uma subcobertura finita.
são válidas para espaços compactos quaisquer, sem que a demonstração
no caso geral seja mais trabalhosa. No parágrafo seguinte, estabelecere- 4. Pura cada x E [0,1] seja Ve= (x — 6 x+ e, onde e=2,8X
mos essas propriedades gerais dos espaços compactos. Por outro lado, X 10-33, A família 6 = (Voz E (0,1) constitui uma cobertura aberta não-
existem propriedades especiais dos espaços metrizáveis que não valem ou -cnumerável do intervalo fechado [0,1]. Sejam =0<<Lx<...< Tpi<
não fazem sentido, no caso geral. Estas serão destacadas em alguns dos < x, = | uma decomposição do intervalo [0,1] em k subimtervalos Jus-
parágrafos posteriores. tapostos [t;, x], de igual comprimento, onde k > 1/2€. Cada um dos
intervalos da decomposição tem comprimento tm — x = I/k < 2€. Se-
S 2. Propriedades Gerais dos Espaços Compactos cue-se que cada ponto x E [0, 1] está a uma distância <e de algum dos
pontos É; (1=0,...,k) e portanto zC Va. Logo, a família 6º =
Sejam À um espaço topológico e 5 um subconjunto de X, Uma cober- = (Veg Vero. Ver) é uma subcobertura finita da cobertura inicial 6.
tura de S é uma família S = (Cr e 1 de subconjuntos de A com Ss CC U Ch, (Evidentemente já sabíamos, pelo Teorema de Borel-Lebesgue, que É possui
REL
isto é, para cada s E S existe um índice À E L tal ques E Ch. uma subcobertura finita.)
Equivalentemente, pode-se considerar uma cobertura de S como uma 5. Seja S=QNIO 1] = (ryra.cota---; O conjunto dos núme-
coleção € de subconjuntos de À (sem Índices) tal que, para cada sES ros racionais contidos no intervalo [0, 1]. Seja (e) uma sequência de nú-
existe um conjunto € da coleção S com s E €. meros reais positivos tais que Ze, < 1/2. Para cada n C N, ponhamos
Diz-se que uma cobertura SG é aberta, fechada etc. quando os conjuntos L.=(r—€,? + 6). A família E = (1) € x é uma cobertura aberta enu-
C» que à compõem, são abertos, fechados etc. Do mesmo modo, diz-se que merável do conjunto 8. Afirmamos que & não possui subcobertura finita.
6 é uma cobertura finita, ou enumerável, ou não-cnumerável quando o Com efeito. dada qualquer subfamília finita (Ja. .., Ju), à reunião
conjunto £ dos índices À é finito, ou enumerável, ou não-enumerável. Pa J...J Ta, cobre uma parte do intervalo [0, 1) formada por um número
Seja 6 = (Cx ge; uma cobertura de S. Uma subcobertura de O é finito de intervalos disjuntos, cuja soma dos comprimentos não excede
Peg t.o.+26, <256< 1 Logo, o complementar de fa, VU... fa
uma subfamília 8º = (Cover, HC É, que ainda é uma cobertura de $,
isto é, continua válida a propriedade SOC U Cx. em [0, 1] deve conter algum intervalo, dentro do qual haverá certamente
x — Lt algum número racional. Assim, S não está contido em Bb, LU... LU fa
Segue-se que É = (1a) E n não é uma cobertura do intervalo [0, 1] pois se
EXEMPLOS
n fôsse admitiria, pelo Teorema de Borel-Lebesgue, uma subcobertura
+. Soa S” = (LE RM! le] =1t. A coleção & dos subconjuntos finita, 2 qual, em particular, cobriria o conjunto 55.
abertos de 5” que são homeomorfos à bola aberta B" = (2 C R'.x|< 1;
Um espaço topológico X chama-se compacto quando tôda cobertura
é uma cobertura aberta de 9”. (Vide Ex. 10, Cap. II.)
aberta de X possui uma subcobertura finita.
2. Para cada inteiro nG N, seja 1 = (— 4 + n) o imtervalo aberto
Diz-se que um subconjunto 8 de um espaço topológico X é um sub-
da reta, de extremos —n e +n. A família É = (1) Ex é uma cobertura
conjunto compacto quando S, com a topologia induzida de X, é um espaço
aberta enumerável da reta R. Seja LC N um subconjunto infinito qual-
enmpacto. Isto significa que, se (Uh ez é uma família de subconjuntos
quer (por exemplo, o conjunto dos números pares, ou o conjunto dos nú-
de 8, abertos em S, com U Ux = 8, então existe uma subfamília finita
meros primos). À família S' = (1,)),G1 é uma subcobertura de 6. Por UA, Vo UV ta,
Dao cs Ur) tal que Ss =
outro lado, qualquer que seja o subconjunto finito (rm < NL... <A
de inteiros positivos, temos A, UV ...U A = Pap logo, €” = (Ta o, Tas) Para que um subconjunto S seja compacto é necessário e suficiente
possua uma
não é uma subcobertura de S. Im outras palavras, €& não possui subco- que tôda cobertura SC UVa des, por abertos Va do espaço X,
bertura finita. subcobertura finita SCYVyU..U Vá. (Isto resulta imediatamente
176 ESPAÇOS COMPACTOS Cap. VII g 2 PROPRIEDADES GERAIS DOS ESPAÇOS 177

do fato de que todo conjunto Us, aberto em S, é da forma Ux = NS Diz-se que uma família (Fa EL tem a propriedade da interseção finita
com Yà é aberto em A.) quando qualquer subfamília finita (f4,, ..., fa,) tem interseção não-vazia
Fa MV. E
EXEMPLOS
Assim, para que um espaço topológico X seja compacto, é necessário
6. Em virtude do Teorema de Borel-Lebesgue, todo subconjunto e suficiente que a seguinte condição se cumpra:
Emitado e fechado da reta é compacto. Em particular, o conjunto de Se uma famtha (Pyrxer de conjuntos fechados em X possui a proprie-
Cantor é compacto. Todo espaço topológico finito é evidentemente com- dade da interseção jenita, então a interseção (1) Fx é não-vazia.
AÉEL
pacto. Um espaço discreto infinito não é compacto, porque a cobertura
aberta formada por seus pontos não possui subcobertura finita. Um es-
EXEMPLOS
paço vetorial normado & de dimensão > 0 não é compacto, pois a cobertura
formada peias bolas abertas com centro na origem não possui subcobertura 9. Seja É um espaço vetorial normado de dimensão > O. Para
finita. Também não é compacto o conjunto dos números racionais con- cada nC N, seja F, = E — B(0;n) o complementar da bola aberta de
tidos no Intervalo [0, 1]. (Vide Ex, 5.) | centro O e raio n. Tem-se FD FD ...D FD... Assim, se a, <
7.Se K e L são subconjuntos compactos de um espaço topológico X, Ln<..<CN Pula MN Fa= Fe portantoa família
então K IJ L é compacto. Com efeito, dada uma coleção 6 de abertos (FaneEn tem a propriedade da interseção finita, Note-se porém que
cobrindo A UU L, constitui, em particular, uma cobertura de K e uma co-
MN Fa, =& e, mais geralmente, qualquer subfamília infinita de (F,) tem
bertura de £. Logo, existem uma coleção finita $'C & cobrindo Ke interseção vazia.
uma coleção finita 6“ € €, cobrindo L. Segue-se que 8ºU 6” é uma 10. Seja Q o conjunto dos números racionais. Tomemos um número
cobertura finita de KU £L, à qual constitui uma subcobertura de S. Re- irracional cx e, para cada n E N, ponhamos EF, = conjunto dos números
sulta, mais geralmente, que se K,,..., K, são subconjuntos compactos de Ne 1 1
X, sua reunião À = A, U ... JU &, é compacta. Evidentemente, a reu- racionais r tais que à — 7 <r<al-—.n Em outras palavras HF =
nião de uma infinidade de compactos pode não ser compacta. (Quanto = QMle-— in a+ ln). (Fen é uma família de subconjuntos fecha-
à interseção, vide Ex. 11.) dos de Q com a propriedade de interseção finita. Mas N Fa = &. Logo,
Q não é um espaço compacto. (Equivalentemente, os complementares
3. Todo subconjunto compacto AX de um espaço métrico M é ne-
À, = Q — F, constituem uma cobertura aberta de Q a qual não possui
cessariamente limitado. Com efeito, as bolas abertas de raio 1 e centro
subcobertura finita.)
nos pontos de A constituem uma cobertura aberta de K, da qual se pode
extrair uma cobertura finita AC Blr;DU...U Br; D. O diâme- | Proposição | — Num espaço compacto, todo subconjunto infinito pos-
tro de A não excede, portanto, 2n. Em particular, um espaço métrico sus um ponto de acunulação.
compacto é limitado em relação a qualquer uma das métricas compatíveis
Demonstração: Seja X um espaço compacto e suponhamos, por absur-
com a sua topologia. (Vide Exerce. 23.)
do, que um subconjunto infinito SC X não tenha ponto de acumulação.
Sendo infinito, S contém um subconjunto enumerável F = fe, ta..stn...)
Para que os conjuntos UA, AE L, formem uma cobertura aberta de
o qual também não possui ponto de acumulação. Segue-se que todo sub-
um espaço topológico À, é necessário e suficiente que os seus complemen-
conjunto de ” é fechado em X. (Cap. III, Prop. 21, Corol. 29). Para cada
tares Fy = X — Ux constituam uma família de fechados em X, cuja
n E N, ponhamos Fa = (Za tm, ...+, obtendo assim uma família (Fa EN
interseção MY Fá é vazia.
de subconjuntos fechados de X, a qual tem a propriedade da interseção
AC L
finita, pois sem L mL... Cn, FuN Ea MN. MF = Fa Mas
Por passagem aos complementares, segue-se então que um espaço
evidentemente, N F, = &. Logo, X não é compacto.
topológico X é compacto se, e sômente se, tôda família (Fa) E 1 de subcon-
juntos fechados em X, cuja interseção M) Fy é vazia, contém uma subfa- OBSERVAÇÃO
— A proposição acima diz que todo espaço compacto
mília finita (Pap... Fan) cuja interseção FM —.N Fa, é vazia. goza da propriedade de Bolzano-Weierstrass. Mostraremos no parágrafo
178 ESPAÇOS COMPACTOS Cap. VH 52 PROPRIEDADES GERAIS DOS ESPAÇOS 179

seguinte que, para espaços métricos, esta propriedade é equivalente à com- 13. Um subconjunto da reta é compacto se, e sômente se, é limitado
pacidade. Existem, porém, espaços não-metrizáveis nos quais todo sub- e fechado. A metade desta afirmação é o Teorema de Borel-Lebesgue.,
conjunto infinito possui um ponto de acumulação mas nem tôda cobertura A outra metade resulta da Prop. 3 e do Ex. 8.
aberta possui uma subcobertura finita. (Vide Exere. 4.)
Proposição 4 — À imagem de um conjunto compacto por uma aplicação
Proposição 2 — Todo subconjunto jechado F de um espaço compacto contínua é um conjunto compacto.
X é compacto. ,
Demonstração: Sejam X, Y espaços topológicos e f: X — Y uma aph-
Demonstração: Seja FC U Ux uma cobertura de F por abertos
| | cação continua. Dado um subconjunto compacto K C 4, afirmamos
ACL
UC X. A família que consiste dos Ux, AC L, e mais o conjunto que H(K) é compacto. Com efeito, seja (K) C U Va uma cobertura de
AC L
U=X-F,é uma cobertura aberta de X. Como À é compacto, existe H(K) por abertos Vi C Y, Sendo f contínua, os conjuntos (Va) constituem
uma cobertura finita X= UU... U UU U. Como nenhum ponto uma cobertura aberta do compacto K, da qual se pode extrair uma subco-
de F pode pertencer a U, tem-se necessiriamente É Um UU Ux
bertura fimta X CC IH(Vay) LU... UU fUVa). Segue-se que HK)C VU
o que prova a compacidade de +. UV... Va, o que estabelece a compacidade de H(K).
Diz-se que um subconjunto S de um espaço topológico À é relatia-
mente compacto quando seu fecho S é um subconjunto compacto de À. CoroLÁriIo— Tóda aplicação contínua f:K— Y de um espaço com-
pacto K num espaço de Hausdorif Y é fechada.
Resulta da proposição acima que todo subconjunto de um espaço com-
pacto é relativamente compacto. Na reta, em virtude do Teorema de Com efeito, seja ” um subconjunto fechado de K. Pela Prop. 2, F é
Borel-Lebesgue, são relativamente compactos todos os subconjuntos lmi- compacto. Pela Prop. 4, J(F) é compacto e, pela Prop. 3, J(F) é fechado
em Y.
tados. Mostraremos, mais adiante, que esta propriedade se estende aos
espaços euclidianos A”. Proposição 5 — Póda aplicação J:K > Y, continua e biunívoca, de
Todo subconjunto um espaço compacto K sóbre um espaço de Hausdorff Y é um homeomorfismo-
Proposição 3 — Seja X um espaço de Hausdorff,
compacto RC X é fechado em À. Demonstração: Pelo corolário, f é fechada e portanto F:VYV > K
Demonstração: Seja xzE X — K. Devemos obter um aberto A tal é continua, de acôrdo com a Prop. 16 do Cap. III.
que zEAeasaNK=gs9g. Ora, pela definição de espaço de Hausdorff, À proposição acima simplifica considerivelmente a verificação de que
para cada y E K existem abertos À, contendo 2, e B, contendo y, tais uma aplicação f:K —» Y, definida num espaço compacto K e tomando
que 4, N By = $$. Obtém-se dêste modo uma cobertura aberta A C U By, valôres num espaço de Hausdorff Y, é um homeomorfismo. Em parti-
vim A
By. cular, os contra-exemplos dados no início do 83, Cap. II, foram possíveis
da qual se pode extrair uma subecobertura finita KC By, U..U apenas porque as aplicações não eram definidas em espaços compactos.
Correspondentemente, definimos 4 = 4, MN... Ag. Vê-se que A é
um aberto contendo x e nenhum ponto de K pode pertencer a À. Proposição 6 — Tóda junção real continua f:K->R, definida num
espaço compacto K, é limitada e atinge os seus extremos. Isto É, existem pon-
EXEMPLOS tos 70, 2x1 K tais que jlx) = inf dio) r Ee K ella) = sup ij) xe KR.
11. Seja (Kyr EL uma família arbitrária de subconjuntos compac- Demonstração: Pela Prop. 4, H(K) é um subconjunto compacto da
tos K» de um espaço de Hausdorff X. À interseção K = () Ay é um sub- reta, Portanto, f(K) é limitado e fechado (Ex. 13). Segue-se que j é limi-
conjunto compacto de X. Com efeito, pela proposição acima, cada Ka tada e que inf. f(K) e sup. f(K) pertencem a f(K). (Vide Ex. 14, Cap. IV.)
dos
& fechado em X, donde K é fechado em X. Em particular, fixando um Por conseguinte, existem pontos 79, x, E K nos quais f assume seu mínimo
Ka. K é fechado em Ka. Como K» é compacto, segue-se que K é compacto e seu máximo, respectivamente: f(x) = inf. H(K) e f(x) = sup. HH).
(Prop. 2). Assim, quando M é um espaço métrico compacto, o espaço E(M; N)
das aplicações contínuas de M em N está contido no espaço BUM; N) das
12. Os intervalos abertos (a, b) e os intervalos semi-abertos [a, b) e
(a, b] da reta não são compactos, pois não são subconjuntos fechados de f. aplicações limitadas de M em N , Seja qual fôr o espaço métrico M. Mais
180 ESPAÇOS COMPACTOS Cap. VIH 52 PROPRIEDADES GERAIS DOS ESPAÇOS 181.

= inf. (df, fn);fa E F; = 1,


precisamente, G(M;N) é um subconjunto fechado de B(M; N) e por- sem que exista um elemento F*E F com
tanto um espaço métrico completo, relativamente à distância d(f, 9) = af, SJ) = dO, fo. | '
= sup. (dU(o), g(x)): x E M), sempre que N seja completo. 17. Sejam K um subconjunto compacto e F um subconjunto fechado
de um espaço métrico M. Se KfYF=G então d(K,F)> 0 Não se
EXEMPLOS
pode garantir a existência de pontos ko CE K ez, EC F tais que d(K, FP) =
14. Seja K um subconjunto compacto de um espaço métrico. Dado = d(ko 2x0), como vimos nos exemplos acima, mesmo se K se reduz à um
aC M- K, tem-se d(a, K) > 0, e além disso, existe ko E & tal que ponto. Mas existe ko E A tal que d(K, 1) = d(ko, F). A fim de demons-
da, K) = d(a, ko). Com efeito, a aplicação k — d(a, k) é uma função - trar estas afirmações basta observar que d(K, F), definido como o Ínfimo
rea! contínua definida no compacto K e portanto atinge o seu mínimo num do conjunto idlk,a);k CEC K,zxEC F,, pode ser também descrito como
ponto ko E K. Como x & K, êste valor mínimo d(a, ko) é positivo. Note- dk, E) = mf. td(k, P);k E Ks, isto é como o ínfimo da função real
se que, seF CG M éfechadoea E 2! — F, então d(a, F) > O mas não existe contínua k — d(fe, F), definida no compacto K. Como F é fechado e dis-
necessariamente um ponto xo E F tal que da, FP) = d(a, xo). Daremos dois junto de K, esta função assume sômente valôres positivos, cujo mínimo é
exemplos dêste fenômeno: atingido num ponto ko E K, de acôrdo com o Tcorema de Weierstrass:
15. Seja M = R-— £0) à reta desprovida da origem. À semi-reta MK, F) = d(ko, F) > 0.
negativa F = frCE R;2<0; é um subconjunto fechado de M. Conside- 13. O resultado acima é muitas vêzes usado sob a forma seguinte:
rando o ponto 1€ M, tem-se d(l, F) = 1 mas, para cada ponto 2 & É, é
dados um compacto É € M e um aberto U em 1, com KC U, a distân-
1
dd o)=1l-2>1poisz< 0 A segiênciadepontosx,=ã-— a — F cia K ao complementar de U é positiva: (K,M — U) >0. Em parti-
(X%) não converge em M. Neste exemplo, M cular, existe um e > O tal que todo ponto de 17 que dista menos de e de
é tal que d(1, x) — 1 mas
abaixo. algum ponto de K está contido em U. Ouseja B(K;9C U, na notação
não é completo. Por isso apresentamos o exemplo
do Ex. 5, Cap. III.
16. Seja M o espaço métrico completo formado pelas funções reais
Lema — Seja X xXx K o produto cartesiano de um espaço topológico ar-
contínuas definidas no intervalo [0, 2), com a métrica da conv