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UNIVERSIDADE PAULISTA

ANA CAROLINA ANDRADE BARBOSA (RA: B788208 TURMA EC8T13)


JHONATAN JOSE DE LIRA (RA B665564 TURMA EC8T13)
MATEUS RIBEIRO (RA B722HD9 TURMA EC8T13)

ATIVIDADE PRATICA SUPERVISIONADA

SÃO PAULO
2016
ANA CAROLINA ANDRADE BARBOSA (RA: B788208 TURMA EC8T13)
JHONATAN JOSE DE LIRA (RA B665564 TURMA EC8T13)
MATEUS RIBEIRO (RA B722HD9 TURMA EC8T13)

AÇÃO DO VENTO EM ESTRUTURAS

Trabalho realizado para elucidar e ampliar


o conhecimento sobre o estudo e atuação da força
vento atuante em edificações esbeltas, e mostrar o
uso de modelos que preveem a incidência dos
ventos por meio de ensaios.
Orientador: Profª Ma. Cibele de Marco

SÃO PAULO
2016
CAROMETRO

Ana Carolina Andrade Babora

Jhonatan Jose de Lira

Mateus Ribeiro
TABELAS
Tabela 1- Calculo................................................................................................22
Tabela 2- Calculo................................................................................................23
FIGURAS
Figura 1- Mapa das isopletas do Brasil..............................................................10
Figura 2- Ponte Narrows.....................................................................................14
Figura 3- Ponte Akashi- Kaikyo..........................................................................15
Figura 4- localização do Edifício.........................................................................17
Figura 5- Mapa Topográfico...............................................................................18
Figura 6- Edifício.................................................................................................19
Figura 7- Edifício.................................................................................................20
Figura 8- Integrante do grupo.............................................................................21
Figura 9- Trecho da tabela 2..............................................................................24
Figura 10- Trecho da tabela 3............................................................................24
Figura 11- Ábaco coeficiente de arrasto............................................................26
Figura 12- Trecho da tabela 4............................................................................27
Figura 13- Túnel de vento da Ferrari..................................................................30
Figura 14- Ensaio túnel de vento........................................................................30
Figura 15- Túnel de vento IPT............................................................................31
Figura 16- Fachada destruída pelo vento..........................................................32
Sumário
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................7
1.1. NBR 6123- “FORÇA DEVIDO AOS VENTOS”..........................................8
1.2. ACIDENTE DEVIDO AO VENTO............................................................13
2. OBJETIVO......................................................................................................16
3. VISITA TÉCNICA............................................................................................17
4. MEMÓRIA DE CÁLCULO..............................................................................22
5. MEMORIAL DESCRITIVO DE CALCULO.....................................................24
6.TÚNEL DE VENTO..........................................................................................29
6.1. ASPECTOS FUNCIONAIS......................................................................29
6.2.DESCRIÇÃO DO ENSAIO........................................................................31
6.3. COMPARAÇÃO DO ENSAIO COM A METODOLOGIA DE CÁLCULO.33
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................34
REFERENCIA BIBLIOGRAFICA........................................................................35
7

1. INTRODUÇÃO

Compreender os elementos fundamentais que permitam o


desenvolvimento do ser vivo no planeta e essencial. O estudo dos aspectos da
natureza unindo com conhecimentos técnicos ocasionam pontos positivos para
o desenvolvimento de diversos segmentos científicos da sociedade. Com o
fenômeno vento não é diferente, uma vez que o estudo do mesmo unindo com
o estudo de estruturas gera uma maior confiabilidade para a elaboração e
construção de estruturas seguras e resistentes à força vento.

Com o impacto da mão do homem sobre o planeta, houve a


necessidade de abrir um leque de áreas que possibilitassem o comportamento
dos fenômenos que ocorrem na natureza, a aerodinâmica é uma dessas áreas,
advindo da mecânica dos fluidos, estuda e sistematiza a interação entre os
escoamentos de massas de ar e os sistemas estruturais e quantificar a
correspondentes ações atuantes sobre estes.

O estudo sobre os ventos são voltados para edifícios esbeltos, nesse


tipo de edificação as ações dos ventos são consideradas a mais importantes
para determinação do projeto de estruturas, a preocupação sobre a influencia
dos ventos em edifícios surgiu no final do século XIX, por meio de
experimentos de pequenos protótipos em túnel.

Com o avanço da construção civil, em alto índice da verticalização das


grandes cidades, ocasionaram mudanças nos métodos construtivos e nos
materiais utilizados, e sequencialmente surgiu a preocupação com os efeitos
dinâmicos do vento.

A ponte Tacoma Narrows em 1940, serviu para o desenvolvimento de


pesquisas sobreo vento, inaugurada em 7 de novembro de 1940 e após 4
meses de construção e utilização houve o desabamento da mesma, estudos
feitos por físicos e engenheiros concluem que o colapso foi causado pela ação
de uma força externa e periódica( causada pelo vento), sobre um oscilador
mecânico ( a ponte).
8

Os acidentes ocorrem em sua maioria em estruturas leves em que


existam grandes vãos livres.

As exigências ao se projetar edifícios esbeltos e com grandes vãos são


estabelecidas pela norma 6123 “forças devidas ao vento em edificações”.

Na necessidade de casos que a norma não abranja e utilizado o ensaio


de túnel de vento, onde simula-se as características do vento natural.

Cabe salientar que para o estudo da ação dos ventos nas estruturas em
edificações, se faz necessário conhecer alguns conceitos da física como os
teoremas de conservação de massa, teorema de Bernolli e pressão de
obstrução.

O teorema de conservação de massa estuda o comportamento de um


fluido, indicando que quando o mesmo é incompressível e em regime de
escoamento permanente o volume que passa em qualquer seção de um tubo
de corrente constante. Com o estudo de conservação de massa é possível
afirmar que partículas que tenham velocidades iguais percorrem a mesma
trajetória, definindo assim as linhas de fluxo, quando as linhas de fluxo estão
próximas indicam aumento da velocidade e o afastamento das linhas indica o
oposto.

O teorema de Bernolli basicamente mostra que para um fluido


incompressível a soma das pressões cinéticas, estáticas e de posição resulta
constante. Aplicando esse conceito para o caso da ação do vento em
edificações desprezasse a pressão e indica que a soma da pressão dinâmica
com a pressão estática é constante.

Pressão de obstrução, sendo essa a mais importante para a realização


desse trabalho, pois é ela que fundamenta a equação dinâmica utilizada no
calculo.

A pressão dinâmica ou de obstrução nada mais é do que a pressão


obtida num determinado ponto em que ocorre pressão estática.

1.1. NBR 6123- “FORÇA DEVIDO AOS VENTOS”


9

Nesse tópico citaremos todas as variáveis, equações assim como


tabelas estabelecidas pela norma, que utilizaremos no memorial de calculo e
também citaremos o papel da NBR atua para auxiliar na execução desses
cálculos.

Para executar um calculo estrutural seja de edifícios, galpões, sejam


eles projetados para serem executados utilizando sistemas de aço, madeira ou
concreto, é necessário a realização de estudos sobre a incidência do vento na
edificação, a norma que estabelece critérios para esse estudo é a NBR 6123,
que foi elaborada pelo professor Blessmann.

Para a elaboração da mesma foi percebido que as características do


Brasil eram diferenciadas em cada região, essas diferenças influenciam
diretamente na força do vento, a partir dessa analise resolveu-se mapear com
o auxilio de institutos de pesquisas meteorológicos as informações que
auxiliassem na elaboração da norma.

Blessmann e seu grupo buscaram conhecer em cada região qual a


velocidade máxima da maior rajada de ventos com duração de 3s nos últimos
50 anos medidas a 10m de altura do nível do terreno, com essa resposta em
mãos foi possível elaborar o mapa de isopletas, esse mapa contem linhas
parecidas com curvas de níveis onde em cada extremidade se representa o
valor básico (V0) das velocidades do vento de cada região, a área hachurada é
onde a incidência do vento é a menor em todo o território brasileiro.

Quanto às convenções, temos:

 Barlavento: região de onde sopra o vento (em relação à


edificação);
 Sotavento: região oposta aquele onde sopra o vento;
 Sobrepressao: quando a força esta na mesma direção do vento
(sinal positivo);
 Sucção: o oposto (sinal negativo);

Velocidade básica (V0): Como já citado anteriormente a velocidade


básica é estabelecida com o auxilio do mapa de isopletas as velocidades
presentes no gráfico representam a velocidade de rajadas de 3s, que rem
probabilidade de exceder uma vez em cada 50 anos, a 10m acima do terreno.
10

Figura 1- Mapa das isopletas do Brasil

(Fonte: NBR 6123)

Velocidade característica: A velocidade característica deve


considerar aspectos particulares da edificação entre os quais, temos:

 Topografia do local: condições particulares podem alterar


consideravelmente a velocidade do vento;
 Rugosidade do terreno: a presença ou não de obstáculos, sua
altura e disposição;
 Tipo de ocupação e risco de vida: devem-se estabelecer critérios
que possam consideram os riscos de vida envolvidos em caso de
ruinas da edificação;
11

A norma estabelece uma equação para obter a velocidade característica:

Vk= V0 * S1 * S2 * S3

Fator topográfico (S1): Esse valor é estabelecido de acordo com a


característica do terreno, uma vez que onde a edificação será construída influi
diretamente no aumento ou na diminuição da velocidade básica do vento.

Para determinar esse fator deve-se considerar uma das três equações:

 Terrenos planos com poucas ondulações, onde S1=1,0;


 Vales protegidos do vento em todas as direções, S1= 0,9;
 Taludes e morros: deve ser definido a partir da inclinação do talude ou
do morro, para tanto é necessário estudar um dos casosdemonstrados a
seguir:

Θ≤ 3˚= S1(H)= 1,0;

Θ≤θ≤ 17˚= S1(H)= 1,0 +(2,5-(H/d))tg (θ- 3˚)≥1;

θ≥ 45˚= S1(H)= 1,0+ (2,5- (H/d)*0,3≥1;

H= Altura;

d= Diferença de nível entre a base e o topo do talude;

θ= Inclinação média;

Fator de rugosidade do terreno e dimensões da edificação (S2): Valor


estabelecido de acordo com as dimensões totais da edificação e a rugosidade
média, para determinar a rugosidade a NBR 6123 classificou cinco categorias
de características sendo essas divididas pelas características do terreno, suas
localizações e características gerais do seu entorno.

Assim como ocorre com a rugosidade as dimensões totais do terreno


também são classificados são denominados em classe A,B e C de acordo com
o tempo da rajada que incide na edificação que tem relação direta com a altura
d a mesma.

(NBR 6123→ Tabela 2 – Fator S2 → Pagina 10).

Fator estatístico (S3): Esta relacionado com a segurança da edificação o


tipo de ocupação e a vida útil da mesma. Os valores referentes ao S3 são
tabelados.

(NBR 6123 → Tabela 3 – Valores mínimos do fator estatístico S3 – Pagina 10).

Coeficiente de pressão externa (Cpe): Estabelece a pressão exercida


pelo vento em uma edificação, o estudo prevalece as direções criticas de 0˚ e
12

90˚. Para o estudo de pressão externa é necessário ter conhecimento das


dimensões da edificação.

A importância do estudo desse parâmetro e ter conhecimento do local


onde o vento atuara com maior incidência. A norma esclarece como devesse
proceder em diversos casos com dimensões variadas.

(NBR 6123→ Tabela 4 – coeficientes de pressão e de forma, externos, para


paredes de edificações de plantas retangulares → Pagina 14).

Observação: A ultima atualização da norma modifica o Cpe médio do ultimo


caso indo de -1,2 para +1,2.

Coeficiente de pressão interna (Cpi): Fator que esta diretamente ligado


as aberturas que permitem a passagem de vento ( portas, janelas, frenas,
telhados), estuda efeitos de sobrepressão ou sucção nas fachadas e telhados
das edificações.

Para estabelecer o valor do Cpi é necessário ter conhecimento tanto das


dimensões da edificação ( assim como é feito para o calculo do Cpe) quanto a
localização das aberturas ( áreas de permeabilidade) e da direção do vento.

O coeficiente interno pode ser calculado pelo teorema de Bernoulli,


calculando a vazão volumétrica na abertura e a velocidade do ar na abertura,
as equações utilizadas pelo grau de erros e acertos por conta das excessivas
aproximação dos valores torna o processo inviável no ponto de vista técnico.

Para auxiliar no calculo a NBR estabelece diversos fatores para auxiliar


no calculo ou ate mesmo para alguns casos ela já estabelece o valor de Cpi.
Vale ressaltar que a NBR busca trabalhar sempre levando em consideração as
áreas permeáveis, estudando diversas hipóteses e principalmente procura
fornecer dados para que o Cpi represente fielmente a pressão interna na
edificação.

Força de arrasto: Para casos de edificações de múltiplos andares, torres


treliçadas, estruturas reticuladas, a consideração do vento passa a receber
tratamento dentro de um contexto global, onde se faz uma superposição dos
efeitos externos e internos obtidos pela soma vetorial de todas as forças que
atuam em diferentes direções e ângulos da edificação em estudo.

A equação genérica para calculo da força de arrasto é:

Fa= Ca * q* A

Sendo: Ca→ coeficiente de arrasto;

q= Pressão de obstrução na área analisada;


13

A= área analisada;

Coeficiente de arrasto: Quantificar a força de resistência ao ar ou outro


fluido, quanto menor o coeficiente menor será o arraste aerodinâmico.

Segundo a NBR para estudos de edifícios com plantas retangulares,


devem-se considerar as dimensões e as condições de turbulência.

O vento não turbulento é caracterizado pela ausência de obstruções, já o


vento turbulento geralmente é aplicado para calculo em grandes cidades e é
caracterizado pela consequência da diminuição da sucção na parede de
sotavento.

Depois de estabelecido os critérios de turbulência e ter conhecimento


das dimensões da edificação o Ca deve ser estabelecido através dos ábacos
determinados pela NBR 6123, em caso de duvidas trabalhar sempre a favor da
segurança e utilizar o ábaco de vento não turbulento.

Ábaco 1( NBR 6123→figura 04→ Pagina 20);

Abaco 2 (NBR 6123→figura 05→ Pagina 24);

1.2. ACIDENTE DEVIDO AO VENTO

Como já citado anteriormente um dos acidentes que ocorreu por conta


da força do vento e também por falta de mecanismos que estudassem o
mesmo, foi à ponte de Tacoma Narrows, um dos casos mais chocantes para
engenheiros e arquitetos, também foi o caso que abriu portas para o estudo
das ações do vento.

O erro já era apresentado em projeto, onde o objetivo era construir uma


ponte pênsil com 1600 metros de cumprimento, ou seja, uma estrutura especial
com um grande vão livre era visível que a ponte não era rígida tanto na
transversal quanto na torsional, pois, a estrutura não continha o reticulado por
baixo do tabuleiro, a frente aerodinâmica dos perfis era improprias, mesmo
sabendo desses fatores o projeto foi levado adiante assim como sua
construção, o resultado não diferente do esperado se deu no dia 7 de
novembro de 1940, após alguns meses de inauguração, a ponte caiu.

Aponta-se que a queda foi ocasionada devido a um intenso vendaval de


cerca de 65 a 70 km/h que atingiu a região por cerca de 10hrs, as rajadas
ocasionaram o afrouxamento dos cabos que estavam diretamente ligados ao
tabuleiro da ponte, ocasionando diversos acontecimentos, principalmente
oscilações instáveis.

Foram gravados diversos vídeos mostrando o balanço da ponte ate o


momento da queda. Por sorte a imprudência de se levar adiante a concepção
14

de uma estrutura desse porte, conhecendo os riscos existentes, levou a óbito a


penas um cão, ate porque a ponte estava interditada.

O fenômeno que pode explicar o acontecimento chama-se vorticidade, no qual


a corrente de ar que flui ao redor de um objeto produz pequenos vórtices, provocando
as vibrações. Para engenheiros e cientistas, os maiores problemas da ponte foram a
falta de rigidez transversal e torsional – em consequência da ausência do habitual
reticulado por baixo do tabuleiro – e da frente aerodinâmica do perfil. [ CITATION
Voc16 \l 1033 ].

Figura 2- Ponte Narrows

(Fonte: blogaecweb)

O oposto da ponte Narrows, a ponte Akashi- Kaikyo, conhecida como a


maior ponte do mundo, construída no Japão, tem dimensões de 4km de largura
no local da ponte com profundidade do mar de 100 metros e correntes de
media de 14km/h. A ponte esta localizada em uma região onde os tufões
podem atingir velocidades de 290km/h.

Para saber qual a metodologia construtiva correta para devida situação,


levando em conta a questão da região e questões aerodinâmicas, foi
construído um túnel de vento para estudar o caso em especifico, um modelo
em escala 1:100 foi construído, e sobre ele foi realizados diversos estudos, a
fim de desenvolver uma estrutura estável o suficiente para suportar a ação do
vento.
15

Figura 3- Ponte Akashi- Kaikyo

(Fonte: gigantes do mundo)


16

2. OBJETIVO

Proposta da UNIP: Visita a um edifício alto (acima de 30 metros) e


estudo da carga de vento agindo na estrutura. Descrever ensaios de túnel de
vento (Prof. Blessmann).
17

3. VISITA TÉCNICA
Local da Visita:
Conjunto residencial Pedra Branca, bloco 5, TURMALINA.

Figura 4- localização do Edifício

(Fonte: Google Maps)

Data da visita: 16/11/2016.

Duração: 40 minutos.

Dados da Obra:
Dados geométricos: edifício de formas retangulares com medida:
Largura 11 metros, Comprimento 23 metros, Altura 57 metros, edificação com
19 andares.

Data da construção: 08/11/1990

Duração da obra: 30 meses.

Metodologia empregada: Alvenaria Convencional.

Uso/Ocupação: Residencial.
18

Dados topográficos:

Figura 5- Mapa Topográfico

(Fonte: Google Maps)

Outros aspectos relevantes: O condomínio possui 10 torres com as


mesmas medidas geométricas.
19

Figura 6- Edifício
20

Figura 7- Edifício
21

Figura 8- Integrante do grupo


22

4. MEMÓRIA DE CÁLCULO

Tabela 1- Calculo
23

Tabela 2- Calculo
24

5. MEMORIAL DESCRITIVO DE CALCULO

Os cálculos descritos nesse tópico são apenas de cunho acadêmico,


seguem exemplos encontrados em livro e internet, são baseados na NBR
6123, aplicando-os no edifício escolhido para a realização do trabalho.

Velocidade Básica: edifício localizado em São Paulo, seguindo o mapas de


isopletas temos: V0= 45m/s.

Velocidade Característica: Vk= V0 * S1* S2* S3, tal que:

Fator S1 será definido como:

 Terreno pouco acidentado =1,0;

Fator S2 será definido pelo:

 Tipo de superfície do terreno, categoria: Terrenos cobertos por


obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados. Obstáculos
com altura media de 25 metros ou mais. Categoria V.
 Dimensões do terreno e classe Toda edificação ou parte de edificação
para qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície exceda
50 metros. Classe C.

Com esses valores e possível encontrar o valor de S2 na tabela 2 da norma:

Figura 9- Trecho da tabela 2

(Fonte NBR 6123)

S2= 0,92

Fator S3: Definido segundo o grau de segurança e a vida útil da edificação.

Figura 10- Trecho da tabela 3


25

(Fonte NBR 6123)

S3= 1,00

Logo, temos:

VK = V0 x S1 x S2 x S3

VK = 45,00 x 1,00 x 0,92 x 1,00

VK = 41,40 m/s

Pressão Dinâmica: Considerando a velocidade característica obtida


anteriormente temos:

q= 0,063* VK²= 1050,66 N/m².

Coeficiente de arrasto: considerando a altura de 60 metros, dividimos a


mesma em seções de 10m, considerando ainda as características de S1, S2 e
S3, encontramos na tabela 2 da norma novos valores para a categoria V classe
C para cada seção respectivamente consequentemente calculamos a
velocidade característica e a pressão dinâmica de cada seção.

Para encontrar o valor de Ca, consideramos o vento não turbulento,


separando em Dv 1( 90°) e Dv 2(0°). Temos:

P/ Dv1: L1/L2= 11/10= 1,1 m

H/ L1= 60/11= 5,45m

P/ Dv2: L1/L2= 10/11= 0,90

H/ L1= 6,00.

Com o ábaco da NBR obtivemos P/Dv1= 1,45 e P/ Dv2= 1,40


26

Figura 11- Ábaco coeficiente de arrasto.

(Fonte NBR 6123)

Força de arrasto: considerando os Ca encontrado anteriormente temos:

p/ Dv1

A= L*H= 11*10= 110M ( lembrar que essas valores são respectivos da seção).

P/ Dv2

A= L*H= 10*10= 100M (lembrar que essas valores são respectivos da seção).

Substituir na formula:

Fa= Ca* q* A

Coeficiente de Pressão:

Considerando as especificações do empreendimento em estudo, e com


a velocidade característica do vento, podemos definir o coeficiente de pressão
dinâmica por meio da equação:

q = 0,613 VK²

q = 0,613 x 48,15² = 1421 N/m²


27

Coeficiente de pressão interna: considerando quatro faces igualmente


permeáveis, teremos:

Cpi = -0,3

Para a definição do coeficiente de pressão externa, é efetuado algumas


relações geométricas da estrutura.

a/b = 23m / 11m = 2,09m

h/b = 57m / 11m = 5,18m

Sendo:

a = maior dimensão

b = menor dimensão

h = altura do edifício

Figura 12- Trecho da tabela 4

(Fonte NBR 6123)

Com base na NBR 6123/1988 errata de 2013, na página 14 Tabela 4

Cpe = 1,2

Assim, definimos que a diferença de pressão efetiva será:

Cp = Cpe – Cpi

Cp = (+1,2) – (-0,3) = 1,5


28

Quando os coeficientes de pressão externa ou interna são positivos,


correspondem a sobrepressões, já negativos correspondem a sucções.

No caso, Cp indica uma pressão efetiva com o sentido de sobrepressão


externa, por ser um valor positivo.
29

6.TÚNEL DE VENTO
6.1. ASPECTOS FUNCIONAIS

Estrutura que permite a simulação e a previsão de acontecimentos


quando rajadas de vento de diferentes intensidades chocam-se cm um objeto,
podendo ser um avião, carro ou edifícios com estruturas esbeltas, são
confeccionados modelos fieis ao que se deseja avaliar, obtendo assim o seu
comportamento em relação ao vento, a realização do ensaio de túnel de vento
permite a prevenção e correção ainda na fase de projeto, garantindo um maior
confiabilidade no produto final.

Esse tipo de teste foi criado pelo engenheiro francês Gustavo Eiffel, os
primeiros modelos de tuneis de vento eram em formas de dutos com
ventiladores em uma das extremidades, além de sua corrente de ar ser
irregular, tinha um alto custo para seu funcionamento. Os modelos atuais são
circuitos fechados que permite a recirculação do ar e produção de uma
corrente de ar mais suave, diminui também os gastos com a energia elétrica se
comparado com os modelos mais antigos.

O objetivo mais claro que se pode observar é a determinação dos efeitos


da carga de vento sobre uma estrutura.

O túnel de vento é um aparelho “compacto” é esse tipo de estrutura


normalmente é instalado em grandes laboratórios de pesquisas e laboratórios
de universidades voltados para os segmentos da indústria aeroespacial,
automobilística e construção civil.

Tratando-se especificamente do setor da construção civil, o ensaio e


voltado para estruturas que não são atendidas pela NBR 6123, são
denominadas de estruturas especiais: edifícios mais altos e esbeltos,
coberturas de estádios, pontes estaiadas e pênseis, esses casos são
estudados por meio deste modelo de pesquisa, pois, são nesses casos que o
vento se comporta de forma imprevisível, logo com esse estudo é possível
determinar o calculo estrutural com mais confiança uma vez que já esta sendo
colocado o fator do vento no calculo do mesmo.

Como o túnel de vento surgiu para ampliar o conhecimento da


aerodinâmica uma das áreas além da construção civil que utiliza esse método
e a indústria automobilística, principalmente os carros que competem na
Formula 1, no caso de carros os modelos de tuneis de ventos são construídos
para que o próprio carro a ser utilizado ou um modelo com as mesmas
características ate mesmo no tamanho, seja utilizado, Normalmente cada
equipe possui um equipamento de teste.
30

Figura 13- Túnel de vento da Ferrari

(Fonte: flatout/)

Figura 14- Ensaio túnel de vento

(Fonte:derco)

O túnel de vento é um aparelho único, porém, com sistemas diferentes


em determinados trechos, são eles: câmara de estabilidade, cone de
concentração, seção de testes o difusor e o setor de geração. As paredes do
31

túnel precisam ser necessariamente lisas, levando a força de atrito a ser


0kgf/m² para não prejudicar o ensaio.

Uma visita foi realizada no Instituto de Pesquisa Tecnológica de São


Paulo(IPT).

Figura 15- Túnel de vento IPT

6.2.DESCRIÇÃO DO ENSAIO

Ensaio voltado para estruturas altas e esbeltas, estruturas curvas,


muito aplicado em coberturas de estádios e pontes com grandes vãos
livres.

Abrange problemas em que tanto a norma quanto softwares não


apresentam meios para estabelecer parâmetros sobre os ventos e
respaldos para engenheiros calculistas darem procedimento com o
calculo estrutural.

 Entrada circular: entrada do túnel de vento, peça principal


para que se tenha qualidade no escoamento;
 Colmeia: reduzir turbilhões;
 Telas: gerar perda de carga, uniformizando o escoamento;
 Contração: curva que termina de ajustar o perfil da
velocidade de escoamento;

Essas quatro partes do túnel resultam em uma velocidade


uniforme e de baixa turbulência.
32

Para simular o vento característico da região onde será construída


a edificação, são utilizados barreiras casteladas, geradores vórtices e
elementos de rugosidade. Esses elementos são responsáveis pela
modelação do vento, independente da região. Basicamente o vento
passa pela barreira castelada e logo após passa pelo gerador de
vórtices, onde se inicia a turbulência gerada no sistema.

Como elementos de rugosidades são utilizados pequenos blocos


de madeira que variam de acordo com o tipo da cidade que será
estudada. A partir dessas etapas o vento começa a ter atrito com o piso,
gerando um perfil de velocidade e a turbulência necessária na seção de
teste.

O local onde a maquete é locada é uma mesa giratória, que


facilita o estudo em todos os ângulos, logo após a mesa temos o
ventilador que suga todo o vento para que o ensaio funcione.

Para saber o valor da incidência do vento, são utilizados


sensores ligados por meio de mangueiras, que medem a pressão na
face da edificação, nas quinas do protótipo são colocados mais pontos
de medição, pois é nelas que existem as altas sucções, a sucção pode
arrancar elementos da fachada e telhados.

Figura 16- Fachada destruída pelo vento

(Fonte: O Correio News)


33

São utilizados de 300 a 500 tomadas de pressão, que mapeiam o


campo de velocidade.

Os modelos são feitos de material rígido, com uma pequena


diferença no modelo para ensaio de pontes, onde são necessárias molas que
reproduzam a rigidez da ponte. A altura dos modelos deve coincidir com a
altura dos geradores de vórtices, por conta do perfil e da altura da velocidade.
Os modelos devem também respeitar os limites das paredes, ficando 400 mm
de distancia das paredes laterais e não próximas à superfície superior.

A vantagem de fazer o estudo de ventos com esse equipamento embora


com custo elevado, é que os resultados obtidos são instantâneos, facilitando o
processo de calculo estrutural, economia na estrutura e garantia de segurança.

6.3. COMPARAÇÃO DO ENSAIO COM A METODOLOGIA DE CÁLCULO

Comparando o ensaio de túnel de vento com o método de calculo, é


possível perceber que o ensaio nos da resultados claro, objetivos e com
facilidade através de softwares, e essas são resultados instantâneos, com o
ensaio do túnel de vento é possível prever a incidência do vento praticamente
de forma real, uma vez que se usa modelos idênticos para o ensaio.

Já para o método de calculo é necessário ter conhecimento de varias


características, levando mais tempo para o entendimento dos dados que a
norma exige.

Embora a norma não estude os casos que o túnel de vento estuda que
são estruturas esbeltas como já citado, os dois meios acabam se completando,
um dando respaldo para o outro, principalmente a norma auxiliando na
elaboração do ensaio de túnel de vento, os dois se completam e ambos têm o
mesmo objetivo de estabelecer a incidência do vento em edificações, e seus
coeficientes.
34

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando estudamos para a elaboração de edificações de grande ou


pequeno porte, é de grande importância não somente estudar as
características construtivas tem como preocupação estudar as forças advindas
da natureza, uma vez que essas são forças que não conseguimos prever
quando poderá acontecer.

O estudo para a prevenção e pela segurança de todos se faz presente


para a construção do perfil profissional do engenheiro civil.

Com a elaboração desse trabalho concluímos que mesmo sendo de


cunho acadêmico foi possível perceber a importância de estudar a incidência
do vento, onde a força vento atuara com mais intensidade, e como
conseguimos estabelecer esses valores.
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REFERENCIA BIBLIOGRAFICA

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